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Introdução

A presente Monografia tem como tema” Importância da Afectividade na Relação Professor/Aluno


no Processo Ensino/Aprendizagem. Estudo de Caso na Escola Primária do 1º e 2º Graus de
Namacata (2015 – 2017) ".

A presente pesquisa visa reflectir sobre a importância e contribuição da afectividade no processo


de ensino/aprendizagem, destacando a necessidade de trazer para o ambiente escolar uma
convivência agradável entre todos os que nele estão envolvidos, contribuindo para a formação
integral da criança. Não há como negar a interligação da afectividade e a aprendizagem, pois na
escola a criança se relaciona emocionalmente com os colegas e professores em sala de aula, o
que nos remete a reflectir sobre a necessidade de resgatar este tema na acção pedagógica
como facilitador do processo de ensino - aprendizagem, despertando no discente a motivação, a
segurança e a melhoria no seu desempenho escolar, a partir de actividades e atitudes que
direccionem a um maior conhecimento do aluno e de sua realidade.

O processo de aprendizagem pode ser beneficiado quando professor e aluno  buscam


conhecimentos mútuo de suas necessidades, tendo consciência de sua forma de relacionar-se,
respeitando as diferenças. O professor em sala de aula deverá contribuir para desenvolver em
seus alunos a auto - estima, a estabilidade, tranquilidade, capacidade de contemplação do belo,
de perdoar, de fazer amigos e de socializar-se. Assim sendo, as instituições escolares não
podem dispensar tais conceitos de seu currículo, devendo estimular uma rede mais generalizada
de afectividade nas relações interpessoais, no âmbito escolar, e trabalhando intensivamente
para gerar oportunidades de integrar o homem na sociedade.

O projecto se divide em quatro capítulos: Capitulo I: trata da problematização da pesquisa,


justificativa, objectivos e delimitação do tema. Capítulo II: trata do marco teórico onde temos
definição de conceitos, conceito de afectividade, papel da afectividade no processo
ensino/aprendizagem e importância da afectividade na Relação Professor – Aluno; segue-se a
metodologia da pesquisa, onde expomos o tipo de pesquisa, universo populacional, amostra e
técnica de recolha de dados. Capitulo III: trará da análise e interpretação de dados e no capítulo
IV: trata das conclusões e sugestões. Finalmente expomos as referências bibliográficas e os
apêndices.

CAPÍTULO I: ELEMENTOS DE PESQUISA


1.1. Problematização
A afectividade é uma condição indispensável de relacionamento do homem com o mundo, as
relações humanas ainda que complexas são elementos fundamentais na concretização
comportamental de um indivíduo. Apesar de não se tratar da única mediação relacional onde
ocorre ensino e aprendizagem, a relação entre docente/discente é ou pelo menos deveria ser a
que melhor revelasse a essência do que é educação.
Actualmente, “o professor não é mais a principal fonte do conhecimento” (Libâneo, 2002:133), ou
apenas aquele que transmite conhecimentos, mas, sobretudo, trata-se de um mediador e não
um detentor do saber. Sabe-se que a aprendizagem é um processo que engloba os indivíduos
como um todo. Nesse sentido, é importante que o professor perceba-se como facilitador do
processo de aprendizagem, pois quando a relação que estabelece com seu aluno é pautada no
vínculo e no afecto, propicia a ele a oportunidade de mostrar, guardar, criar, entregar o
conhecimento e permite que o outro possa interagir, incorporar e apropriar-se do mesmo. Pois,
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“O afecto e a inteligência curam as feridas da alma, reescrevem as páginas fechadas do


inconsciente” (CURY, 2008:57-58).
A afectividade domina a actividade pessoal na esfera instintiva, nas percepções, na memória, no
pensamento, na vontade, nas acções, na sensibilidade corporal é componente do equilíbrio e da
harmonia da personalidade.
Na actualidade, muitos educadores por não estarem preparados para trabalhar em sala de aula,
buscam diferentes métodos para o ensino dos conteúdos escolares, porém muitas vezes não se
importam com a necessidade do relacionamento afectivo.
Na Escola Primaria do 1º e 2º Graus de Namacata nota – se fraca afectividade na relação
professor/aluno, desde os tempos mais recuados, tem sido notória uma resistência. Por isso
surge a seguinte questão: Até que ponto, a afectividade na relação professor/aluno, influencia no
processo de ensino/aprendizagem?

1.2. Justificativa
A escolha do tema e da EPC de Namacata como local de estudo foi motivado pelo facto da
pesquisadora ser docente desta escola, no qual, face ao seu exercício diário, a proponente vem
assistindo um desalento ou desinteresse dos professores na afectividade e na relação com seus
alunos na escola. A pesquisa visa reflectir sobre a importância e contribuição da afectividade no
processo de ensino/aprendizagem, destacando a necessidade de trazer para o ambiente escolar
uma convivência agradável entre todos os que nele estão envolvidos, contribuindo para a
formação integral da criança. Não há como negar a interligação da afectividade e a
aprendizagem, pois na escola a criança se relaciona emocionalmente com os colegas e
professores em sala de aula, o que nos remete a reflectir sobre a necessidade de resgatar este
tema na acção pedagógica como facilitador do processo de ensino/aprendizagem, despertando
no discente a motivação, a segurança e a melhoria no seu desempenho escolar, a partir de
actividades e atitudes que direccionem a um maior conhecimento do aluno e de sua realidade.

1.3. Objectivos

1.3.1 Objectivo Geral

Para Gil (2002:112) objectivo geral “ é a indicação de forma genérica, o que se pretende, que
metas a alcançar”.
 Analisar a importância do relacionamento afectivo entre professor e aluno dentro das
Instituições de Ensino.

1.3.2 Objectivos específicos

Para Gil (2002:112) os objectivos específicos " tentam descrever os termos mais claros
possíveis, exactamente o que será obtido num levantamento".
 Reflectir o papel da afectividade no ambiente escolar e na relação entre professor e
aluno, considerando sumariamente as teorias pedagógicas;
 Compreender as teorias sobre a afectividade na relação professor/aluno;
 Propor melhorias na afectividade na relação professor/aluno;
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1.4. Hipóteses
De acordo com Gil (1996:7), diz que hipótese é a proposição estável que pode vir a ser a
solução do problema.
Para Barros e Lehfeld (2000:5), hipótese é uma suposição que se faz na tentativa de explicar o
que se desconhece. Esta suposição tem por característica o facto de ser provisória, por ser
tratada para a verificação da sua validade. Trata-se de antecipar um conhecimento na
expectativa de que possa ser comprovada.
Para a materialização do presente pesquisa foram produzidas duas hipóteses que estão
intimamente ligadas a reflexão sobre a importância do relacionamento afectivo entre professor e
aluno dentro das Instituições de Ensino. Nesta pesquisa, são propostas as seguintes hipóteses:
Hipóteses 1: A falta de afecto na relação professores/alunos pode afecta no Processo de
Ensino/Aprendizagem dos alunos
Hipóteses 2: A falta da percepção da importância da efectividade por parte dos
professores pode contribuir para a não melhoria do PEA;

1.5. Delimitação Do Tema


Com o tema proposto e acima indicado pretendemos abordar a afectividade na
perspectiva  pedagógica, tendo em vista a relação educativa que se estabelece  entre professor
e aluno em sala de aula, muito em particular da Escola Primária Completa de Magegua-
Localidade de Namacata, Distrito de Nicoadala, no período de 2015-2017.

CAPÍTULO II: MARCO TEÓRICO

2.1. Definição de Conceitos

 Afectividade
A afectividade pode ser definida segundo diferentes perspectivas, dentre outras, a filosófica, a
psicológica e a pedagógica. Neste estudo a afectividade é abordada na perspectiva pedagógica,
tendo em vista a relação educativa que se estabelece entre professor e aluno em sala de aula.
Dantas (1990, p.10) conceitua afectividade da seguinte maneira: “afectividade designa [...] os
processos psíquicos que acompanham as manifestações orgânicas da emoção. A afectividade
pode bem ser conceituada como uma das formas de amor”. Almeida e Mahoney (2007, p.17)
definem afectividade da seguinte maneira: “capacidade, disposição do ser humano de ser
afectado pelo mundo externo e interno por meio de sensações ligadas a tonalidades agradáveis
ou desagradáveis.” No Dicionário Técnico de Psicologia (1996), afectividade é um termo utilizado
para designar os afectos, bem como os sentimentos ligeiros, enquanto o afecto é definido como
a emoção humana associada a ideias. Desta forma, podemos relacionar o aspecto afectivo
directamente com as relações sociais; de acordo com Engelmann (1978,p.130,131).
[...] parece mais adequado entender o afectivo como uma qualidade
das relações humanas e das experiências que elas evocam (...).São
as relações sociais, com efeito, as que marcam a vida humana,
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conferindo ao conjunto da realidade que forma seu contexto (coisas,


lugares, situações, etc.) um sentido afectivo.
O afecto é a parte de nosso psiquismo responsável pela maneira de sentir e perceber a
realidade. A afectividade é, então, a parte psíquica responsável pelo significado sentimental de
tudo que vivemos. Se algo que vivenciamos está sendo agradável, prazeroso, sofrível,
angustiante, causa medo ou pânico, ou nos dá satisfação, todos esses conceitos são atribuídos
pela nossa afectividade. A afectividade é impulsionada pela expressão dos sentimentos, das
emoções, e desenvolve-se por meio da formação do sujeito.
 Professor
Segundo Libâneo (2002, p.49) O professor é o mediador do conteúdo transmitido, ele deve
propor actividades que   conduzam o educando para a condição de sujeito activo da própria
aprendizagem  no processo de transmissão e assimilação do conhecimento, o professor precisa
estar atento aos aspectos cognitivos e subjectivos do aluno para desenvolver o aprendizado e
torná-lo mais significativo.
O Professor é orientador do ensino. Deve ser fonte estímulo que leve o aluno a reagir para que
se processe a aprendizagem. É dever do professor procurar entender aos seus alunos. Importa
referir que o professor se torna cada vez mais indispensável à medida que mais complexa se vai
tornando a vida social, como orientador e guia na formação da personalidade do Estado.
Segundo Rodrigues (2013), o professor controla, planifica, orienta e facilita o processo de
ensino, de maneira que estimula o desenvolvimento de actividades próprias dos alunos para a
aquisição da aprendizagem.
 Aluno
O aluno no processo educacional é visto como principal pivô para a construção do cognitivo, e
não apenas como um receptor de conteúdos. A busca pelo saber não está ligada apenas ao ato
de ouvir, copiar e fazer exercícios; é possível realizar vários tipos de propostas que induzem a
participação activa do aluno em sala de aula, não se limitando apenas aos aspectos intelectuais
ou a memorização de conteúdos (Mazini Filho et al. 2009).
Segundo Baradel (2007), o aluno compreende e aprende que a educação é de grande
importância para sua inserção no meio social, bem como a dimensão crítica e política que ele
adquire quando desvendada sua ideologia. Para que o mesmo, futuro cidadão, consiga captar a
visão crítica e política da realidade que a cerca, é necessário que seu percurso na escola seja
repleto de conteúdos, atitudes e aprendizagens significativas, ou seja, contextualizadas em sua
realidade social.
 Ensino/aprendizagem
O ensino e a aprendizagem são tão antigos quanto á própria humanidade. Nas tribos primitivas
os filhos aprendiam com os pais a atender suas necessidades, a superar as dificuldades do
clima e a desenvolver na arte da caça. Hoje, o conceito de ensino/aprendizagem deve ser
amplamente discutido e aplicado, visto que cada situação pode ser uma situação de
ensino/aprendizagem e somente aqueles que não apresentam atitudes de constante abertura ´e
que não aprendem ou não ensinam em todas as situações (Piletti, 1986).
Segundo Rodrigues (2013), no processo de ensino no ambiente escolar pode-se observar a
relação entre o ensino e a aprendizagem através de actividades do professor em relação a do
aluno; a didáctica se manifesta no contexto de se organizar o ensino, de maneira que se tracem
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os objectivos, estipulando os métodos a serem seguidos e planejando as acções conjuntas


dentro do âmbito escolar.
No processo ensino/aprendizagem, em qualquer contexto em que se esteja inserido, é
necessário que se conheça os conceitos que integram este processo como elementos
fundamentais para uma aprendizagem de qualidade (Bello, 1993).
Segundo Libânio e Alves (2012), a actividade de ensino e aprendizagem consiste na apropriação
dos conhecimentos pelos alunos, como realizar o ensino de forma que os alunos
compreendam/aprendam a estruturação das tarefas de aprendizagem e os contextos
socioculturais e institucionais onde se realiza o ensino. E necessário que o ´ professor tenha
conhecimento e domínio da matéria a ser ministrada, a relação entre prática e teoria que lhe
proporcione um suporte e conhecimentos das realidades particulares de seus alunos e de suas
práticas socioculturais e institucionais.
2.2. Abordagem sobre a afectividade
2.2.1. Afectividade segundo Henri Wallon
Para Wallon (2003), a evolução afectiva está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento
cognitivo, visto que difere sobremaneira entre uma criança e um adulto, supondo-se a partir disto
que há uma incorporação de construções de inteligência por ela, seguindo a tendência que
possui para racionalizar-se.
Conforme as ideias de Wallon (2003), a escola infelizmente insiste em imobilizar a criança numa
carteira, limitando justamente a fluidez das emoções e do pensamento tão necessária para o
desenvolvimento completo da pessoa.
Falar de afectividade na relação professor/aluno é falar de emoções, disciplina, postura do
conflito do eu e do outro. Isto é uma constante na vida da criança, em todo o meio do qual faça
parte, seja a família, a escola ou outro ambiente que ela frequente estas questões estão sempre
presentes.
Para o autor, as teorias sobre emoções têm bases mecanicistas e difíceis de serem
compreendidas. Primeiro ele as vê como reacções incoerentes e tumultuadas, depois destaca o
poder activador que tem as emoções consideradas por ele positivas. O estudo da criança exigiria
o estudo do/ ou dos meios onde ela se desenvolve. O papel da afectividade no processo de
mediação do professor direcciona o olhar para a relação professor/aluno. Entretanto é possível
supor que a afectividade também se expressa sob outras dimensões humanas.
A escola na figura do professor precisa compreender o aluno e seu universo sócio - cultural.
Conhecer esse universo é de grande eficácia para o trabalho do professor que actua no plano
universal, cultural e pessoal. O professor tem que colocar acima de tudo sentimento de amor,
carinho e respeito na sua relação com o aluno. Rangel nos faz reflectir quando diz:
Acreditamos que a escola deve se ocupar com
seriedade com a questão do “saber,” do
“conhecimento”. Se um professor for competente, ele,
através de seu compromisso de educar para o
conhecimento, contribuirá com a formação da pessoa,
podendo inclusive contribuir para a superação de
desajustes emocionais (1992: 72).
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Assim sendo, a prática educativa na escola deve primar pelas relações de afecto e
solidariedade, proporcionando situações que dê prazer ao aluno de construir conhecimentos e
de crescer junto com o outro.
2.2.2. Afectividade segundo Vygotsky
Para Vygotsky (1996:78), relação professor/aluno não deve ser uma relação de imposição, mas,
sim de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um ser
interactivo e activo no seu processo de construção do conhecimento. O professor por sua vez
deverá assumir um papel fundamental nesse processo, como um sujeito mais experiente. Por
essa razão cabe ao professor considerar o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural é muito
importante para a construção da aprendizagem. O professor é o mediador da aprendizagem
facilitando-lhe o domínio e a apropriação dos diferentes instrumentos culturais.
Segundo o autor, a construção do conhecimento se dá colectivamente, portanto, sem ignorar a
acção intrapsíquica do sujeito. Assim o autor conceituou o desenvolvimento intelectual de cada
pessoa em dois níveis: real e potencial. O real é aquele já adquirido e formado que determina o
que a criança já é capaz de fazer por si própria já possui um conhecimento consolidado. A
abordagem do autor é de fora para dentro, através da internalização, ele afirma que o
conhecimento se dá dentro de um contexto, afirmando serem as influências sociais mais
importantes que o contexto biológico. A aprendizagem acelera processos superiores internos
que só são capazes de actuar quando a criança encontra-se interagida com o meio ambiente e
com outras pessoas. É importante que esses processos sejam internalizados pela criança. A
educação é um processo necessário. É importante que esses processos sejam internalizados
pela criança. A educação é um processo necessário. É importante considerar o principal
objectivo da educação - que é a autonomia moral e intelectual.
Assim, os autores referendados neste estudo, Wallon e Vygotsky (2003), enfatizaram a íntima
relação entre afecto e cognição, superando a visão dualista do homem. Além disso as ideias dos
autores aproximam-se no que diz respeito ao papel das emoções na formação do carácter e da
personalidade.
2.3. O papel da afectividade no processo ensino/aprendizagem
O processo ensino aprendizagem só pode analisado como uma unidade. O
ensino/aprendizagem são faces de uma mesma moeda, nessa unidade, a relação
professor/aluno é um factor determinante para aprendizagem do aluno. Para tornar esse
processo mais produtivo e prazeroso o professor deverá orientar, propiciar e testar actividades
adequadas aos alunos inseridos em sala de aula. O professor deverá planificar actividades que
promovam entrosamentos mais produtivos entre as actividades aplicadas.
Partindo da teoria de Wallon (2003), o desenvolvimento do sujeito se faz a partir da interacção
com grandes variedades de factores ambientais. O foco da teoria é uma relação complementar
entre os factores orgânicos e socioculturais.
A aprendizagem é o processo através do qual a criança se apropria activamente do conteúdo da
experiência humana, daquilo que o seu grupo social conhece, e para que o sujeito o aprenda
necessitará interagir com outros seres humanos, especialmente com os adultos, e com outras
crianças mais maduras. Em geral o adulto ou outra criança fornece ajuda directa à criança,
orientando-a e mostrando-lhe como proceder através de gestos e instruções verbais em
situações interactivas. Na interacção professor/aluno gradativamente a fala social trazida pelo
professor vai sendo internalizada pelo aluno e o seu comportamento passa a ser então,
orientado por uma fala interna que planeja sua acção. O papel do professor nesse processo é
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fundamental, ele procura estruturar condições para ocorrência de interacções professor/aluno e


objecto de estudo que leve a apropriação do conhecimento.

2.4. Importância do relacionamento afectivo professor/aluno

Nos dias de hoje, o professor não é apenas aquele que transmite conhecimentos, mas,
sobretudo, aquele que subsidia o aluno no processo de construção do saber. Para tanto, é
imprescindível ser um profissional que domine não apenas o conteúdo de seu campo específico,
mas também a metodologia e a didáctica eficiente na missão de organizar o acesso ao saber
dos alunos. E não apenas o saber de determinadas matérias, mas o saber da e para a vida; o
saber ser gente com ética, dignidade, valorizando a vida, o meio ambiente, a cultura. Muito mais
que transmitir conteúdos das matérias curriculares, organizadas e programadas para o
desenvolvimento intelectual do sujeito, é preciso ensinar a ser cidadão, mostrar aos alunos seus
direitos e seus deveres, subsidiando-os para que saibam defendê-los. É preciso mostrar que
existem deveres e que as responsabilidades sociais devem ser cumpridas por cada um para que
todos vivam com dignidade. Assim, é importante que o professor trabalhe valores, fazendo seu
aluno perceber o outro; perceber quem está ao seu redor, formando alunos que saibam a
importância de respeitar, ouvir, ajudar e amar o próximo.

Teles conclui que,

Ensinar implica humildade. Nenhum de nós é uma enciclopédia


e detém todo o saber. Mesmo em nossa área, nosso
conhecimento, por mais estudiosos que sejamos nunca pode
ser completo. Assim esta posição de “donos do saber” é
simplesmente ridícula. Somos eternos aprendizes em tudo e é
preciso que os alunos também aprendam esta verdade.
(2004:40).

O educador deve sempre questionar o seu saber, pois este é sempre uma busca e não uma
posse.

Para o autor Freire Paulo (1993:71), “cabe ao professor observar a si próprio; olhar para o
mundo, olhar para si e sugerir que os alunos façam o mesmo e não apenas ensinar regras,
teorias e cálculos”. O professor deve ser um mediador de conhecimentos, utilizando sua situação
privilegiada em sala de aula não apenas para instruções formais, mas para despertar os alunos
para a curiosidade; ensiná-los a pensar, a ser persistentes a ter empatia e ser autores e não
espectadores no palco da existência. O aluno tem que ter interesse em voltar à escola no dia
seguinte reconhecendo que aquele momento é mágico para sua vida.

Sem dúvida o docente de hoje desempenha inúmeros papéis que são importantíssimos para o
desenvolvimento das futuras gerações. Deve, portanto, encarar com muita seriedade sua
profissão, trabalhar para esclarecer seus alunos e fazer com que eles reflictam sobre a realidade
em que vivem. Como profissional em movimento o professor está em constante busca do saber,
aperfeiçoando-se, qualificando-se para exercer de maneira cada vez melhor a profissão docente.
O docente pode trazer situações de mundo para a sala de aula e explorá-las, enriquecê-las
paralelamente com a matéria. Pode trabalhar questões difíceis de forma divertida, trocar
experiências, trazer a família para dentro da escola, criar vínculos com a família mostrando que
todos fazem parte de uma mesma sociedade, considerar a vivência do aluno, seu dia-a-dia, suas
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questões familiares, seu emprego, seu lazer. O professor deve acreditar que todos têm
capacidade de aprender, cada um no seu próprio ritmo. O educador dispõe da oportunidade de
mudar, disciplinar, criar, reconstruir, enriquecer a vida de seres humanos. Para tanto precisa
superar sua omnipotência, sua concepção de dono do saber, de quem se esconde atrás de
avaliações dificílimas e se compraz a reprovar o aluno. Há que ter bem claro que se quisermos
um adulto mais humano e consciente no futuro precisamos investir na formação da criança dos
dias de hoje que chega na escola para possibilitar ao ensinante o desenvolvimento de um
trabalho de construção do saber. Quando Paulo Freire (1996:77), diz: “me movo como educador,
porque primeiro me movo como gente”. Acreditamos que o professor pode levar os educandos a
terem curiosidade de querer fazer e aprender, e que ainda está em tempo de desprendermos do
tradicionalismo arcaico os quais muitos ainda vivem e praticam. Assim podemos afirmar que,
Os alunos não precisam de guias espirituais, nem de
catequizadores. Eles se constroem encontrando pessoas
confiáveis, que não se limitam a dar aulas, mas que se
apresentam como seres humanos complexos e como atores
sociais que encarnam interesses, paixões, dúvidas, falhas,
contradições (...) atores que se debatem como todo mundo,
com o sentido da vida e com as vicissitudes da condição
humana. (Perrenoud, 2005:139).
 
Diante do exposto, a expectativa que se tem do papel do professor é a de que ele intervenha de
forma activa junto ao corpo discente e consiga atingir a autoridade com autonomia e participação
consciente e responsável em sala de aula. Sua função hoje mudou de paradigma, não é mais
aquele que dá aulas, mas, aquele capaz de assumir, face às exigências da vida, tarefas
diferentes daquelas que tradicionalmente lhes eram atribuídas: transmitir o saber historicamente
acumulado na sociedade. Essas questões nos levam a indagar novamente até que ponto a
formação desse novo professor estará sendo trabalhada para além de ministrar aulas.
O professor, assumindo-se como cidadão, tendo consciência da sua cidadania e dos
pressupostos teóricos que fundamentam sua prática pedagógica, com certeza, irá colaborar na
formação de seus alunos. Segundo Paulo Freire (1996:96),

O bom educador é o que consegue enquanto fala trazer o aluno


até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é
assim, um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos
cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e
vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas
dúvidas, suas incertezas.
 
Ainda, segundo o autor “o educador autoritário, licencioso, sério, incompetente, irresponsável,
mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum
deles passa pelos alunos sem deixar sua marca”.
A responsabilidade e o respeito pelos sentimentos do outro é um dos aspectos mais importantes
na relação professor/aluno, pois, futuramente, irá se tornar responsabilidade social para a
cidadania. Freire (1993:54), afirma que, “sem intervenção democrática do professor não há
educação progressista.”
Sabemos que não é fácil essa intervenção, mas tudo isso constitui uma grande luta de
transformação profunda da sociedade brasileira. Os educadores progressistas precisam
convencer-se de que não são puros ensinantes, puros especialistas da docência. O autor conclui
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ainda: “Que o saber tem tudo a ver com o crescer, tem. Mas é preciso, absolutamente preciso,
que o saber de minorias dominantes não proíba, não asfixie, não castre o crescer das imensas
maiorias dominadas (1993: 127).
2.5. A Relação Professor - Aluno
Cabe ao professor, como parte integrante da escola, ter a responsabilidade e o compromisso
com o aluno dando apoio para que este se torne um aluno participativo na escola, na família e na
sociedade como um todo. Libâneo (1994:251) nos afirma que “a característica mais importante
da actividade profissional do professor é a mediação entre aluno e a sociedade.
O aluno precisa ter consciência do seu papel. O afecto entre professor e aluno não pode ser o
mesmo que ocorre na relação entre pais e filhos, a qual por adquire o peso do envolvimento
possessivo. Muitas vezes sentem um pelo outro, o que faz com que não direccione e não
organize o aprendizado. O afecto, desse modo, vai muito além de dar beijinhos, elogiar e
acarinhar. Muitas vezes o afecto deve ser demonstrado de forma diferente, quando o professor é
sincero, é justo e chama a atenção de forma respeitosa, não decepcionando o aluno, valorizando
o conhecimento, preparando aulas, entre outras atitudes.
Para que haja interacção entre professor - alunos e alunos/alunos, é preciso que o professor
transmita os conteúdos de forma clara e compreensível, formule perguntas que o aluno possa
entender. Bem como perceba a importância da interacção, promova situações de diálogo,
aproximação, troca de experiências, construção de elos de amizade, companheirismo e respeito
mútuo. Não se espere total entendimento entre o professor - aluno e alunos - alunos, afinal a
divergência, a contraposição de ideias e também enriquecedora.
O professor deve mostrar-se atentas às manifestações afectivas, nutrir situações emocionais que
favoreçam o equilíbrio na sala de aula, ao elogiar, respeitar, demonstrar afecto, interesse pela
vida do aluno, estará estimulando o envolvimento entre professor - aluno e aluno - aluno. Porém
na maioria das vezes, a criança percebe quando o professor gosta dele e acaba por tirar proveito
dessa situação. O professor deve mostrar que gosta não significa fazer todas as suas vontades,
mas agir com paciência, dedicação e afecto para que o aprendizado se torne muito mais
prazeroso e afectivo. Até porque, quando há autoritarismo, o desinteresse pelo aprendizado
acaba sendo inevitável.
Um dos pontos importantes em todo o processo de ensino - aprendizagem é que o aluno
compreenda o quanto o professor se compromete e se importa com ele. A criança precisa
acreditar em si para melhorar a imagem que ela tem dela mesma. Dessa forma, quando há
incentivo, as pessoas se sentem capazes e essa capacidade deve ser estimulada a todo o
momento.
A interacção do aluno com a escola, possui uma enorme parcela de contribuição para o
crescimento da criança. Como Almeida (1999, p.106) ressalta:
A escola – tanto quanto a família – tem o papel de
desenvolvimento infantil, e a relação professor - aluno, por ser
de natureza antagónica, oferece riquíssimas possibilidades de
crescimento. Os conflitos que podem surgir dessa relação
desigual exercem um importante papel na personalidade da
criança.
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Autoridade e autonomia devem estar unidas, se complementarem. O professor representa a


sociedade, intermédia indivíduo e sociedade. O aluno vem com sua individualidade e liberdade.
Morales (2006:57) ressalta:
Apoiar a autonomia do aluno relaciona-se com a margem de
liberdade que lhe é concedida nas actividades de aprendizado,
com a ausência de pressão, de prémios externos, Relaciona-se
também com a capacidade do professor de fomentar a
motivação interna e criar um clima de paz no trabalho.
Portanto, cabe o professor trabalhar com autoridade, isto é, saber que seu papel é de
responsável maior, é o mediador das relações e conhecimento, mas que ele não é o único a
tomar as decisões. Estas deverão ser partilhadas, construídas, com vistas a superar práticas
autoritárias, nas quais o professor é aquele que manda no outro, decide por ele e impede o
crescimento autónomo dos alunos.
De acordo com Morales (2006:61) “a conduta do professor influi sobre a motivação, afectividade
e a dedicação do aluno ao aprendizado”. Pode reafirmar que o aluno se vê influenciado por sua
percepção em relação ao professor. O professor deve sempre reforçar a autoconfiança dos
alunos, manterem sempre uma atitude de cordialidade e de respeito.
Na interacção professor - aluno, supõe-se que o primeiro ajude inicialmente o segundo na tarefa
de aprender, porque esta ajuda logo lhes possibilitará pensar com autonomia. Para aprender, o
aluno precisa ter ao seu lado alguém que o perceba-nos diferentes momentos da situação de
aprendizagem e que lhe responda de forma a ajudá-lo a evoluir no processo, alcançando um
nível mais elevado de conhecimento. Por meio da interacção que se estabelece entre eles, o
aluno vai construindo novos conhecimentos, habilidades e significações, sendo a afectividade
primordial neste processo.
2.6. Metodologia da Pesquisa
Assegurando-se nos autores Marconi & Lakatos (2009), afirmam que, “metodologia:
É o conjunto de actividades sistemáticas e racionais que com maior
segurança e economia, permite alcançar o objectivo ou conhecimentos
validos e verdadeiros traçando o caminho a ser seguido, detectando
erros e auxiliando as decisões do cientista” . Para este trabalho, a sua
realização irá obedecer as seguintes linhas de orientação metodológica.
2.6.1. Tipo de Pesquisa
Para Gil (1999:42), a pesquisa é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do
método científico. O objectivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas
mediante o emprego de procedimentos científicos”.
Pesquisa é um conjunto de acções, propostas para encontrar a solução para um problema, que
têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. A pesquisa é realizada quando se tem um
problema e não se têm informações para solucioná-lo.
Para realização da presente pesquisa será usada a pesquisa Qualitativa que:
Segundo Gil (1999), o uso dessa abordagem propicia o aprofundamento da investigação das
questões relacionadas ao fenómeno em estudo e das suas relações, mediante a máxima
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valorização do contacto directo com a situação estudada, buscando-se o que era comum, mas
permanecendo, entretanto, aberta para perceber a individualidade e os significados múltiplos.
A pesquisa qualitativa é entendida, por alguns autores, como uma “expressão genérica”. Isso
significa, por um lado, que ela compreende actividades ou investigação que podem ser
denominadas específicas.
Segundo Triviños (1987), a abordagem de cunho qualitativo trabalha os dados buscando seu
significado, tendo como base a percepção do fenómeno dentro do seu contexto. O uso da
descrição qualitativa procura captar não só a aparência do fenómeno como também suas
essências, procurando explicar sua origem, relações e mudanças, e tentando intuir as
consequências.
Ainda de acordo com esse autor, é desejável que a pesquisa qualitativa tenha como
característica a busca por:
“ [...] uma espécie de representatividade do grupo maior dos
sujeitos que participarão no estudo. Porém, não é, em geral, a
preocupação dela a quantificação da amostragem. E, ao invés
da aleatoriedade, decide intencionalmente, considerando uma
série de condições (sujeitos que sejam essenciais, segundo o
ponto de vista do investigador, para o esclarecimento do
assunto em foco; facilidade para se encontrar com as pessoas;
tempo do indivíduo para as entrevistas, etc.) ” (Triviños,
1987:132).
Estes foram as motivações que me levaram a usar o tipo de pesquisa para que possa clarificar e
estar mais próximo ao tema: Importância da Afectividade na Relação Professor/Aluno no
Processo Ensino/Aprendizagem. Estudo de Caso na Escola Primária do 1º e 2º Graus de
Namacata para verificar quantos professores desta escola tem afecto aos seus alunos.
A pesquisa assenta na abordagem qualitativa, porque parte do pressuposto que o problema da
pesquisa não só ocorre na Escola Primaria do 1º e 2º Grau de Namacata, mas também acredita
‒ se que este ocorre em varias Escolas da cidade ou da província. Portanto, privilegiou ‒ se a
abordagem qualitativa pelo facto de que a partir de um problema contextualizado para a sua
generalização.
A ser assim, o estudo discute sobre a importância da Afectividade na Relação Professor / Aluno
no Processo Ensino/Aprendizagem para posterior assumir a sua generalização como resultado
do estudo nesta instituição de ensino.
E com base nesta pesquisa, pretende-se explorar as motivações dos inqueridos de modo a que
eles pensem livremente sem interferência de aspectos externos. Assim, com os dados recolhidos
irá se fazer a interpretação dos mesmos.
13

2.6.2. Pesquisa Exploratória


Para Mattar (1993:86) a pesquisa exploratória “visa promover o pesquisador de um maior
conhecimento sobre o tema ou problema de pesquisa em perspectiva”. O autor acrescenta que é
apropriada para os estágios de investigação em que o pesquisador não possui familiaridade com
o fenómeno ou não o conhece de modo suficiente.
Para Zikmund (2000), os estudos exploratórios, geralmente, são úteis para diagnosticar
situações, explorar alternativas ou descobrir novas ideias. Esses trabalhos são conduzidos
durante o estágio inicial de um processo de pesquisa mais amplo, em que se procura esclarecer
e definir a natureza de um problema e gerar mais informações que possam ser adquiridas para a
realização de futuras pesquisas conclusivas. Dessa forma, mesmo quando já existem
conhecimentos do pesquisador sobre o assunto, a pesquisa exploratória também é útil, pois,
normalmente, para um mesmo fato organizacional, pode haver inúmeras explicações
alternativas, e sua utilização permitirá ao pesquisador tomar conhecimento, se não de todas,
pelo menos de algumas delas.
Neste caso concreto o tema escolhido pela autora recai sobre os conceitos emanados, facto este
que o motivou a trazer a tona a questão da pertinência da divulgação da importância da
afectividade na relação Professor / Aluno no Processo Ensino/Aprendizagem e como forma de motivar
aos professores a reconhecerem a importância deste afecto para com seu aluno no processo
Ensino/Aprendizagem.
2.6.3. Método de abordagem

Para a elaboração da presente pesquisa, privilegiou-se o método de abordagem dedutivo que


melhor se adequa a elaboração da pesquisa.
Segundo KAPLAN (1972:12):“...o cientista, através de uma combinação de observação
cuidadosa, hábeis antecipações e intuição científica, alcança um conjunto de postulados que
governam os fenómenos pelos quais está interessado, daí deduz ele as consequências por meio
de experimentação e, dessa maneira, refuta os postulados, substituindo-os, quando necessário,
por outros, e assim prossegue”.
O uso deste método no trabalho consistiu na constatação de fenómenos a nível local fazendo ‒
se uma confrontação de teoria a nível geral. A autora trabalhou como o método bibliográfico na
medida que permitiu obter informações escritas das obras já editadas em relação a importância
da afectividade na relação Professor / Aluno no Processo Ensino/Aprendizagem.

2.6.4. Universo Populacional


Universo ou população, segundo Gil (2008:108), é um conjunto definido de elementos que
possuem determinadas características. Comummente fala-se de população como referência ao
total de habitantes de um determinado lugar.
No caso concreto do presente trabalho o universo foi constituído pela comunidade escolar, a
saber: professores e alunos.
Para a presente pesquisa trabalhou – se com total de universo populacional estimada em 572
elementos, dos quais, 22 Professores e 550 alunos.
14

2.6.5. Amostra
Amostra segundo Gil (2008:109), subconjunto do universo ou da população, por meio do qual se
estabelecem ou se estimam as características desse universo ou população.
Com o presente trabalho pretendeu-se generalizar conclusões referentes à amostra,
estendendo-as para toda a população da qual essa amostra foi extraída.
Neste sentido para a concretização e obtenção de resultados satisfatórios foi realizado, a
pesquisa com uma amostra de 14 elementos, sendo 10 alunos e 4 professores.
Segundo MONTEGRO (2008), é o tipo de amostragem probabilística mais utilizada. Dá
exactidão e eficácia á amostragem além de ser o procedimento mais fácil de ser aplicado
todos elementos da população têm a mesma probabilidade de pessoas sem influência de
certas estruturas.
Usou-se amostragem aleatória simples para facilitar com que todos os membros da comunidade
escolar tenham a mesma probabilidade de serem entrevistados, isto é, para colectar informações
credíveis ou sensibilidades de pessoas com influência.

2.6.6. Técnicas de Recolha de Dados


Para a colecta de dados utilizou – se um questionário e entrevista.
 Questionário
Segundo Cervo & Bervian (2002:48), o questionário “[...] refere-se a um meio de obter respostas
às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche”. Ele pode conter perguntas
abertas e/ou fechadas. As abertas possibilitam respostas mais ricas e variadas e as fechadas,
maior facilidade na tabulação e análise dos dados.
De forma idêntica, Marconi & Lakatos (1996, p. 88) definem o questionário estruturado como
uma “ [...] série ordenada de perguntas, respondidas por escrito sem a presença do
pesquisador”. Dentre as vantagens do questionário, destacam-se as seguintes: ele permite
alcançar um maior número de pessoas; é mais económico; a padronização das questões
possibilita uma interpretação mais uniforme dos respondentes, o que facilita a compilação e
comparação das respostas escolhidas, além de assegurar o anonimato ao interrogado.
Contudo, o questionário também possui alguns inconvenientes, dentre os quais podem ser
citados: o anonimato não assegura a sinceridade das respostas obtidas; ele envolve aspectos
como qualidade dos interrogados, sua competência, franqueza e boa vontade; os interrogados
podem interpretar as perguntas da sua maneira; alguns temas podem deixar as pessoas
incomodadas; há uma imposição das respostas que são predeterminadas, além de poder ocorrer
um baixo retorno de respostas (Laville & Dionne, 1999; Malhotra, 2001).
Contudo, antes de todas técnicas citadas acima pautou-se pela observação que serviu de
motivação para prosseguir com o desenvolvimento da presente pesquisa.
Para os alunos as questões eram fechadas e para os professores algumas das questões eram
fechadas e abertas.
15

 Entrevista
Segundo Cervo & Bervian (2002), a entrevista é uma das principais técnicas de colecta de dados
e pode ser definida como conversa realizada face a face pelo pesquisador junto ao entrevistado,
seguindo um método para se obter informações sobre determinado assunto.
De acordo com Gil (1999), a entrevista é uma das técnicas de colecta de dados mais utilizados
nas pesquisas sociais. Esta técnica de colecta de dados é bastante adequada para a obtenção
de informações acerca do que as pessoas sabem, crêem, esperam e desejam, assim como suas
razões para cada resposta.
O autor apresenta ainda algumas vantagens na utilização da técnica de entrevista, tais como
maior abrangência, eficiência na obtenção dos dados, classificação e quantificação. Além disso,
se comparada com os questionários, a pesquisa não restringe aspectos culturais do
entrevistado, possui maior número de respostas, oferece maior flexibilidade e possibilita que o
entrevistador capte outros tipos de comunicação não - verbal.
Para a realização deste Monografia foi usada a entrevista semi – estrutura onde:
Segundo TRIVIÑOS (1987), a entrevista semi-estruturada parte de questionamentos básicos,
suportados em teorias que interessam à pesquisa, podendo surgir hipóteses novas conforme as
respostas dos entrevistados.

Para o estudo usou-se a entrevista semi-estruturada, e está aplicou-se aos funcionários da carreira
docente e aos alunos da Escola Primária do 1º e 2º Grau de Namacata. Os professores envolvidos
nesta pesquisa têm idade compreendida entre 25 a 45 anos de idade e alunos envolvidos nesta
pesquisa tem idade compreendido entre 8 a 13 anos de idade num guião de entrevista composto por
6 perguntas.
16

CAPITULO III: ANALISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS

BARDIN (1977) afirma que a análise de conteúdo possui duas funções básicas: função
heurística - aumenta a prospecção à descoberta, enriquecendo a tentativa exploratória e função
de administração da prova – em que, pela análise, buscam-se provas para afirmação de uma
hipótese.
A análise dos dados é uma das fases mais importantes da pesquisa, pois, a partir dela, é que
serão apresentados os resultados e a conclusão da pesquisa, essa conclusão que poderá ser
final ou apenas parcial, deixando margem para pesquisas posteriores (MARCONI & LAKATOS,
1996).
Neste sentido a entrevista foi feito para os professores e alunos da Escola Primaria 1º e 2º Grau
de Namacata. Garantimos anonimato e a confidencialidade da identidade dos sujeitos
participantes da pesquisa. De referir que, nesta pesquisa, foram entrevistas 14 elementos
dos quais 4 funcionários docentes de idades compreendidas de 25 à 45 anos de idade,
dentre elas 2 funcionários do sexo feminino e 2 de sexo masculino. E 10 alunos de idade
compreendidas de 8 a 13 anos de idade, dos quais 5 do sexo feminino e 5 de sexo
masculino.

A realização das entrevistas ocorreu de forma tranquila; os alunos colaboraram de forma


significativa, assim como a professores da escola, disponibilizando os alunos de acordo com as
suas possibilidades, fora da sala de aula, sem prejudicar as actividades propostas. Os alunos
sentiram-se à vontade durante as entrevistas, demonstrando-se solícitas em responder às
perguntas neste sentido temos:

3.1. APRESENTAÇÃO DE DADOS


3.1.1. Entrevista aos alunos.

O gráfico abaixo demonstra os sentimentos dos alunos no ambiente escolar.

Gr
áfico 1: Sentimentos dos alunos no ambiente escolar

Cumpre lembrar, a este respeito, Almeida (2004, p.24), quando afirma:


17

As condições organizadas pela escola também precisam ser avaliadas


em sua dimensão espacial, considerando as necessidades de cada
estágio. É condição propícia à aprendizagem a criança ter espaço
suficiente que permita liberdade de movimentação de forma
confortável. É preciso não esquecer que o tempo e o espaço da
criança são diferentes daqueles do adolescente e do adulto, e a escola
pede um equacionamento deles. E lembrar sempre que a
aprendizagem e o ensino, juntos, formam um processo único que se
caracteriza por movimentos de fluxo ou refluxo, de idas e voltas, de
certezas e incertezas, de decisões e indecisões, enfim, de revisões mil.

Na primeira questão 90% dos alunos responderam que é o lugar onde ficam mais alegre e
destacaram que a escola é o local onde encontram os colegas preferidos, e que ali aprendem
várias coisas, entre elas. Perguntados sobre a relação com a regente da turma e a capacidade
desta perceber as alterações de humor dos alunos (pergunta dois). (Quando o aluno se encontra
com problemas de ordem pessoal (pergunta três)), nesta pergunta 98% dos alunos responderam
que a professor/a percebe quando estão com problemas. Apenas 2% dos alunos suas respostas
foram negativas, porém acompanhada da explicação, “quando a professor/a não percebe que
estou triste eu demonstro para ele/a”. Ou seja, o aluno tem uma necessidade de ser ouvido e
notado pela professora, na maioria das vezes a única pessoa que o aluno tem como referência,
considerando a sociedade acelerada na qual estamos inseridos, onde a falta de tempo é por
muitas vezes a justificativa para a ausência dos pais/responsáveis na formação da criança.

À luz da teoria walloniana, segundo Almeida (2004, p.126),

como tudo que ocorre com a pessoa tem um lastro afectivo, e a


afectividade tem em sua base a emoção que é corpórea, concreta,
visível, contagiosa, o professor pode ler o seu aluno: o olhar, a
tonicidade, o cansaço, a atenção, o interesse, são indicadores do
andamento do processo de ensino que está oferecendo.

O professor, neste caso, desempenha um papel fundamental entre o aluno e o conhecimento,


criando um elo entre a cognição e a afectividade. Ao olhar seu aluno de forma integrada, ou seja,
a realidade na qual o aluno está inserido, suas manifestações frente às reacções corporais, o
professor cria espaços de intimidade, proporcionando ao aluno momentos agradáveis durante o
processo de Ensino/Aprendizagem, diante da rotina existente na sala de aula ou mesmo na
realização das actividades propostas. Além disso, o professor/a deve lembrar que nenhum aluno
é igual a outra. Todo indivíduo tem o seu desenvolvimento próprio.

Perante a quarta questão 100% dos alunos responderam que respondem às solicitações do
professor/a. Os conflitos que surgem na sala de aula são resolvidos no mesmo local, na maioria
das vezes sem a intervenção da orientação escolar.

Quando o assunto é o castigo na escola, percebe-se que o mesmo é utilizado no contexto


escolar como instrumento de negociação e dominação sobre o discente. Quando perguntados,
“vocês já ficaram de castigo?”, 100% dos alunos respondiam prontamente que não. Porém,
quando questionados mais directamente sobre a exclusão das actividades recreativas, ou até
mesmo sobre imobilização postural, a situação era outra. Poucos alunos não ficaram de “castigo”
por indisciplina ou falta que tenham cometido aos olhos dos envolvidos no contexto escolar.
18

Gráfico 2: Os tipos de castigo que as crianças receberam na escola

Enfim, através desta pesquisa percebemos a importância da sensibilidade do professor em lidar


com seus alunos, utilizando-se de metodologias e estratégias para entender as características e
necessidades de cada um deles. Isso envolve o diálogo. Porém, segundo dados da pesquisa,
percebemos que nesta escola ainda é utilizado o castigo como forma de repreensão, acção esta
que deve ser revista, pois muitas vezes o diálogo e a forma carinhosa de negociação surtem
muito mais efeitos do que a mera imposição.

3.1.2. Entrevista aos professores

CAPITULO IV: CONCLUSÃO E SUGESTÕES


19
20
21
22

Referências Bibliográficas
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proposta de Henri Wallon. Edições Loyola, São Paulo, 2007.
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Paulo, 1993 
_____________. Pedagogia da Autonomia – Saberes Necessários à prática educativa. 15ª
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23

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WALLON, Henri. Ciclo da Arendizagem: Revista Escola, ed. 160, Fundação Victor Civita, São
Paulo, 2003.
24

Apêndices
25

APÊNDICE 1: Questionário para os Alunos da Escola Primária do 1º e 2º Graus de Namacata

1. Quais são os seus sentimentos no ambiente escolar?


( ) alegre ( ) irritado ( ) mal humorado ( ) feliz
( ) cansado ( ) animado ( ) confiante ( ) triste
2. Você se relaciona bem com colegas de turma e demais membros da unidade escolar?
( ) sim
( ) não
3. Sua professor/a percebe quando você está com problemas pessoais?
( ) sim
( ) não
4. Você responde às solicitações de sua professor/a?
( ) sim
( ) não
5. Você já ficou de castigo na escola?
( ) sim
( ) não
6. Que tipo de castigo?
( ) sem recreio
( ) realizando cópia
( ) em pé, na parede
( ) nunca fiquei de castigo
( ) outra:______________________________________________________________

OBRIGADO PELA COLABORAÇÃO!

APÊNDICE 2: Questionário para os Professores da Escola Primária do 1º e 2º Graus de


Namacata
26

Que classe esta a leccionar:______________________________________________________


Formação:____________________________________________________________________
1. Como você avalia a sua turma?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
2. Como é a sua relação com a turma?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
3. Como professor (a), você se envolve nas dificuldades vivenciadas por seu aluno em seu
quotidiano? Como isso ocorre?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
4. Você valoriza aspectos afectivos na formação do indivíduo?
( ) sim
( ) não
 Porque?
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
___________
5. Como é a sua relação com os responsáveis?
( ) Boa, pois mantenho contacto constante com os responsáveis.
( ) Regular, solicitando a presença dos responsáveis somente em casos extremos.
( ) Impessoal: não conheço os responsáveis/eles não participam da vida do aluno.
6. Você se considera um bom profissional?
( ) sim
( ) não
 Porque?
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
________________________________________________________________
OBRIGADO PELA COLABORAÇÃO!
27

À pergunta, “você gosta da professora?”, todos responderam de forma positiva.


Algumas crianças destacaram características da professora, como, por exemplo, a
maneira que ela trabalha os conteúdos: “A aula não é chata, ela ensina brincando”. A
fala da criança nos remete à reflexão sobre a utilização do lúdico na sala de aula como
facilitador do processo de alfabetização, o que condiz com a fala da professora da turma
que afirma que o lúdico é indispensável em sua prática pedagógica, utilizando as
brincadeiras como estratégia no cotidiano escolar. Apesar disto, reconhece que a
maioria dos professores não adota o lúdico como ferramenta por considerá-lo um
empecilho durante as actividades propostas, pois os docentes não estão acostumados
com o movimento na sala de aula. Enfatiza que a relação com a sua turma é muito boa,
buscando manter com o aluno uma parceria, conhecendo a sua realidade antes de
qualquer intervenção pedagógica. No caso da turma observada, a relação da professora
com os pais/responsáveis ocorre de forma produtiva, mantendo contacto com eles e
solicitando a participação na vida escolar da criança.

Em geral, os alunos do primeiro ano se relacionam bem entre si e com os demais


membros da unidade escolar. Têm prazer de ir à escola e interagem nas atividades
propostas. Gostam da professora e respondem às solicitações da mesma. Os conflitos
que surgem na sala de aula são resolvidos no mesmo local, na maioria das vezes sem a
intervenção da orientação escolar. A turma tem preferência por actividades que
explorem movimentos corporais, nomeadamente em grupo. A música também é
explorada neste contexto, assim como poesias, paródias e pequenas dramatizações de
cenas do cotidiano. Esse resultado da pesquisa se enquadra nas palavras de Dantas
(1990, p.59), quando diz:

Habitualmente, na criança, o prazer de imaginar é o motivo


principal; sua fabulação é lúdica, fazendo por isso, parte de suas
atividades espontâneas. Sua experiência está demasiadamente
misturada com seus desejos, lembranças e rotinas, para ser
objetiva.

Estas atividades permitem que a professora tenha uma visão holística da turma, e a
partir de suas reflexões, possa trabalhar de acordo com a necessidade de cada criança.