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Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Instituto latino-Americano de Tecnologia, Infraestrutura e Território

Disciplina: EER0131 – Ventilação, Refrigeração e Condicionamento de Ar

Capítulo 8 – Serpentinas Resfriadoras e Desumidificadoras

Prof. Fabyo Luiz Pereira


fabyo.pereira@unila.edu.br

Foz do Iguaçu - PR 1 / 11
Introdução

Introdução:

Um sistema de refrigeração ou condicionamento de ar possui duas funções:

Reduzir a temperatura do ar.

Desumidificar o ar.

O foco agora é o escoamento do ar por fora dos tubos que formam as serpentinas, dentro dos quais
escoa água fria ou refrigerante.

Estes tubos são aletados para aumentar a área de transferência de calor, aumentando a eficiência do
ciclo de refrigeração.

Serpentina de expansão direta → É a serpentina na qual o refrigerante evapora nos tubos.

Quando se utiliza água gelada, esta deve ser resfriada por um evaporador na sala de máquinas.

Terminologia dos resfriadores de ar:

Área frontal do resfriador → Área da seção transversal do
escoamento de ar na entrada do trocador.

Velocidade frontal do ar → Vazão volumétrica do escoamento
de ar dividida pela área frontal.

Área da superfície do resfriador → Área de transferência de
calor em contato com o ar.

Número de fileiras de tubos → Número de fileiras de tubos na
direção do escoamento de ar.
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Características do Ar que escoa através do Resfriador

Características do Ar que escoa através do Resfriador (Processo Ideal):

Processo ideal da curva 1-2-3:

A curva 1-2-3 da figura abaixo mostra um processo ideal de resfriamento e desumidificação:

De 1 à 2:

Queda da temperatura.

Teor de umidade se mantém constante.

O ar se torna saturado.

De 2 à 3:

A curva segue a linha de saturação até que o ar deixe o trocador.

O caminho 1-2-3 é ideal e não ocorre na prática, pois a temperatura e pressão de vapor não
são uniformes nas seções de escoamento.

Processo ideal da curva 1-i:

Outro processo ideal de resfriamento e umidificação é o
trecho de linha reta 1-i, que se refere a um processo que
só pode ocorrer quando toda a superfície de troca de
calor estiver:

Úmida.

Em uma única temperatura em todo o trocador.

Curva real de resfriamento e desumidificação:

Está em algum lugar entre as duas curvas ideais. 3 / 11
Transferência de Calor e Massa

Transferência de Calor e Massa:

Em um resfriador e desumidificador elementar,
onde os processos de transporte sucessivos são:

1- Transferência de calor e massa do ar para a
superfície úmida.

2- Condução através do filme de água e metal.

3- Convecção para o refrigerante ou água gelada.

Para uma área diferencial do resfriador:

A taxa de transferência de calor por convecção do ar para a superfície úmida é dada por:
hc dA
dq= (h a−hi )
c pm
hc → Coeficiente de transferência de calor por convecção [W/m2.K].
cpm → Calor específico da mistura de ar [kJ/kg.K].
ha → Entalpia do ar [kJ/kg].
hi → Entalpia do ar saturado na temperatura da superfície úmida [kJ/kg].

A taxa de transferência de calor por condução da interface para o refrigerante é dada por:
dq=h r dAi ( T i −T r )
Tr → Temperatura do refrigerante ou da água gelada [oC].
Ti → Temperatura da superfície úmida [oC].
dAi → Área do lado do refrigerante ou água gelada [m²].
hr → Condutância térmica [W/m2.K]. 4 / 11
Transferência de Calor e Massa

Em regime permanente, as taxas de transferência de calor por convecção e por condução são iguais:
h c dA T i −T r hc dA
dq=dq → ( h −h )=hr dAi (T i −T r ) → =
c pm a i h a−hi c pm h r dAi

Considerando toda a extensão do resfriador na equação acima, obtém-se a resistência térmica:
T i−T r h A
= c =R (1)
h a−hi c pm h r Ai

Da equação acima, a temperatura da superfície úmida pode ser determinada se forem conhecidos:
● A entalpia do ar (ha).
● A temperatura do refrigerante (Tr).

A resistência térmica (R).
● Observe que ainda são desconhecidos a entalpia e a temperatura da superfície úmida (hi e Ti):
● Entretanto, hi = f(Ti) e seus valores constam na tabela A-2 (pg 457).
● Através de um ajuste de curva obtém-se a função hi = f(Ti) válida para o intervalo 2 ≤ Ti ≤ 30oC:
h i=9,3625+1,7861T i +0,01135 T i2+ 0,00098855 T 3i (2)
● Levando a equação (2) na equação (1), obtém-se uma equação não-linear que permite determinar Ti:
T i−T r T i −T r T i −T r
=R → =h a−hi → −ha + hi =0
h a−hi R R
T i−T r 2 3
−h a +9,3625+1,7861 T i + 0,01135 T i +0,00098855 T i =0
R

Exemplo 8.1 (pg 167). 5 / 11
Cálculo da Área da Superfície de um Resfriador

Cálculo da Área da Superfície de um Resfriador:

Pode-se aplicar as equações obtidas anteriormente no cálculo da área da superfície de um resfriador
quando forem conhecidas as condições:

De entrada do ar.

De vazão do ar.

Da temperatura de água gelada ou do refrigerante.

De transferência de calor.


Exemplo 8.2 (pg 168).

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Remoção de Umidade

Remoção de Umidade:

Num incremento infinitesimal de área, a taxa de remoção de umidade pode ser definida depois da
determinação da área e das temperaturas de superfície molhada.

Fazendo um balanço de massa, obtém-se:
ṁa = ṁ(W 1−W 2 ) (3)
ma → Taxa de remoção de água [kg/s].
m → Vazão mássica de ar [kg/s].
W1 → Teor de umidade do ar no início do incremento infinitesimal de área [kg VA/kg AS].

W2 → Teor de umidade do ar no final do incremento infinitesimal de área [kg VA/kg AS].



Também pode-se usar a equação de massa transferida proposta na seção 3-14 do capítulo 3,
integrando-a para o incremento de área 1-2. Usando a diferença das médias aritméticas dos teores de
umidade, tem-se:
h c A1− 2 W 1 +W 2 W i ,1 +W i ,2
ṁa =
c pm( 2

2 ) ( 4)
● Onde Wi,1 é o teor de umidade do ar saturado à temperatura da superfície olhada na seção 1.

Igualando as equações (3) e (4):
h c A1− 2 W 1 +W 2 W i ,1 +W i ,2
ṁ(W 1 −W 2 )=
c pm ( 2

2 )
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Curva de Estado Real para uma Serpentina

Curva de Estado Real para uma Serpentina:

Vimos duas curvas ideais de estado do ar que escoa através de
uma serpentina.

A curva real tem a forma mostrada na figura ao lado, na qual ela
acentua sua inclinação ao longo do escoamento de ar.

Condições típicas de saída depois do ar escoar através de 2, 4,
6 e 8 fileiras de tubos são mostradas pelos pontos b, c, d e e,
respectivamente.

O aumento da inclinação da curva se deve ao fato da temperatura da superfície molhada diminuir da
seção de entrada do ar para a seção de saída do ar.

Os estados do ar representados pela linha ab significam que o ar está em contato com a superfície
molhada à temperatura x.

O próximo segmento na curva de estado é bc, onde a superfície molhada agora tem temperatura y.

Nota-se:

A mudança de inclinação da curva de estado.

Que os pontos representando as condições de saída de sucessivas fileiras de tubos tornam-se
mais próximos.

Um maior resfriamento ocorre na 1a fileira de tubos, pois ΔT é maior que nas demais fileiras.

Se os pontos 1, 2 e 3 do exemplo 8-2 forem colocados na carta psicrométrica, obtém-se uma curva
similar à mostrada na figura acima. 8 / 11
Determinação das Condições de Saída

Determinação das Condições de Saída:

No exemplo 8-2 vimos como calcular a área de transferência de calor da serpentina a partir da taxa de
transferência de calor especificada.

Outros cálculos importantes são os que determinam:

As condições de saída de uma dada serpentina.

A temperatura do refrigerante.

A condição de entrada do ar.

Uma solução por passos de uma serpentina de expansão direta é possível dividindo a área conhecida
da serpentina em várias porções.
● A primeira de uma dessas porções é mostrada na figura ao lado e chamada A1-2.

Para o primeiro incremento de área, pode-se aplicar as seguintes equações:

ṁ(ha ,1 −ha ,2 )=q hr A1−2 T i ,1 + T i ,2


hc A1−2 h a ,1 −h a ,2 h i ,1 + hi ,2
A/ Ai ( 2 )
−T r =q

c pm ( 2

2 ) =q
h i ,2 = f (T i ,2 )
● Onde A/Ai é a razão da área do lado do ar pela área do lado do refrigerante.
● As condições da superfície molhada Ti,1 e hi,1 são determinadas do mesmo modo que no exemplo 8-1.
● As incógnitas restantes (q, h2, hi,2 e Ti,2) são determinadas resolvendo simultaneamente as equações
acima. 9 / 11
Serpentina Parcialmente Seca

Serpentina Parcialmente Seca:

Consideramos até agora apenas casos em que a serpentina possui superfície totalmente molhada.
● A superfície só estará molhada se Ti < To do ar de entrada.

Entretanto, uma porção de superfície localizada perto da entrada do ar apresenta-se seca, e a
ocorrência do condensado é notada em algum lugar ao longo do escoamento de ar.

A condensação começa a ocorrer quando a temperatura da superfície da serpentina se iguala à
temperatura de ponto de orvalho do ar de entrada, conforme mostrado na figura abaixo à esquerda.

A carta psicrométrica mostra o processo de resfriamento sem desumidificação que ocorre na porção
seca da serpentina e é representado pelo trecho de reta 1-2.

Nos cálculos de transferência de calor, a serpentina deve ser tratada como se fosse constituída de
duas superfícies distintas e desse modo se torna necessário usar equações pertinentes à porção seca
e à porção molhada, separadamente.


Exemplo 8.5 (pg 174). 10 / 11
Comportamento da Serpentina a partir de Catálogos de Fabricantes

Comportamento da Serpentina a partir de Catálogos de Fabricantes:

Os métodos de análise do comportamento de serpentinas mostrados não são rotineiros para escolher
serpentinas.

Objetivos ao estudar estes métodos:

Explicar as tendências do comportamento
de serpentinas.

Prover ao projetista métodos de avaliação de

serpentinas de aplicação especial ou quando
dados de catálogos não são disponíveis.

Para aplicações convencionais usam-se os dados
de fabricantes de serpentinas, como os
mostrados nas tabela ao lado e abaixo.

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