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Organizadora

Sônia Queiroz

Vissungos no Rosário
cantos da tradição banto em Minas
3a ed. revista e ampliada

FALE/UFMG

Belo Horizonte

2016
Diretora da Faculdade de Letras
Graciela Inés Ravetti de Gómez

Vice-Diretor
Rui Rothe-Neves

Comissão editorial
Elisa Amorim Vieira
Fábio Bonfim Duarte
Luis Alberto Brandão
Maria Cândida Trindade Costa de Seabra
Reinildes Dias
Sônia Queiroz

Capa e projeto gráfico


Glória Campos
(Mangá Ilustração e Design Gráfico)

Fotos
Ilka Boaventura

Preparação de originais
Stéphanie Paes

Diagramação
Olívia Almeida

Revisão de provas
Ágatha Carolline Galdino

ISBN
978-85-7758-289-1 (impresso)
978-85-7758-288-4 (digital)

Endereço para correspondência


FALE/UFMG – Laboratório de Edição
Av. Antônio Carlos, 6627 – sala 3108
31270-901 – Belo Horizonte/MG
Telefax: (31) 3409-6072
e-mail: vivavozufmg@gmail.com
site: www.letras.ufmg.br/vivavoz
Sumário

5 Apresentação

21 Capitão João Lopes


22 Saudação à Rainha

24 Pade Nosso africano

27 Capitão Ivo Silvério da Rocha


28 Minhas perna me dói

28 Padre Nosso africano

29 Ô caxinganguelê
29 Cuenda

30 Vange Opungo é quem me criô

31 Capitão Júlio Antônio Filho


32 Eu sô filho de nego

37 Chora, ingoma
41 Capitã Pedrina de Lourdes Santos
42 Abá cuna Zambi pala oso

47 Capitão Antônio Maria da Silva


48 Ê Zambi, ê Zambi

51 Capitão Dirceu Ferreira Sérgio


52 Reza para sair

55 Capitão Jair Teodoro de Siqueira


56 Barão unoê

56 Uia catumbê iauê

57 Maria de Lurdes Silva


58 Emo quá

59 Palavras de línguas
africanas presentes nos cantos

131 Referências
Apresentação

Reunimos aqui alguns cantos remanescentes das línguas e culturas dos


africanos que foram trazidos para o trabalho forçado nas minas de ouro
e pedras preciosas no século XVIII. Passados três séculos da chegada às
Minas dos primeiros africanos e seus descendentes nascidos na América,
os traços das línguas africanas aqui faladas – o quimbundo, o quicongo e
o umbundo – se restringem a fragmentos – versos e palavras soltos em
alguns cantos do repertório da Festa de Nossa Senhora do Rosário e do
Candombe (que se realiza também fora do âmbito da Festa do Rosário).
O trabalho de estudo desses cantos numa abordagem compa-
rativa, levando em conta as relações com as línguas e manifestações
culturais africanas, demanda dedicação e tempo sobre os textos de cá
e de lá. O primeiro passo para esse estudo, no entanto, é a reunião dos
cantos – música e letra. O que exige deslocamento e equipamento para
gravação e transcrição. Essa etapa, da pesquisa de campo, vem sendo
desenvolvida sistematicamente e com muita qualidade pela Associação
Cultural Cachuera! e pela Viola Corrêa, com o patrocínio do Itaú e da
Petrobrás Cultural. E também por iniciativas isoladas de artistas pesqui-
sadores, como Titane, Caxi Rajão, Glaura Lucas e Daniel Magalhães. À
iniciativa e qualidade do trabalho dos músicos e etnomusicólogos e de
toda a equipe desses pesquisadores da música de tradição oral no Brasil,
agradecemos o registro sonoro (e em alguns casos, escrito e em DVD)
dos cantos aqui editados em forma de livro.
A seleção dos cantos, que parte dos CDs relacionados nas
Referências, ao final desta publicação, tomou como critério sua gra-
vação em território mineiro, na voz de lideranças de ternos ou guar-
das de Moçambique (ou Maçambique, forma adotada em alguns CDs),
Catopés (ou Catopês), ou Candombe. O Capitão (ou Patrão, no caso
dos Catopés) é hoje, por excelência, o guardião da tradição oral banto
em Minas, por vezes acumulando a função de líder espiritual, político,
portador da memória de cantos, contos, provérbios, cantador, regente,
contador. São eles: João Lopes, do Reinado do Jatobá (Belo Horizonte);
Ivo Silvério da Rocha, do Catopê de Milho Verde (Serro); Júlio Antônio
Filho, do Moçambique de Fagundes (Santo Antônio do Amparo); Pedrina
de Lourdes Santos, do Moçambique de Nossa Senhora das Mercês de
Oliveira; Antônio Maria da Silva, do Reinado dos Arturos (Contagem);
Dirceu Ferreira Sérgio, do Reinado de Justinópolis (Ribeirão das Neves);

6 Vissungos no Rosário
Jair Teodoro de Siqueira, do Candombe do Matição (Jaboticatubas). Além
desses mestres, incluímos nesta publicação a voz de Maria de Lurdes
Silva, conhecida como Dona Cesária, viúva de um antigo Contramestre
do Catopê do Serro, que assumiu, naquela comunidade, a função de
guardiã dos cantos de tradição.
A ligação rítmica e espiritual do Moçambique (ou Maçambique)
com o Candombe se evidencia na “Saudação à Rainha” interpretada pelo
Capitão João Lopes. O etnomusicólogo Paulo Dias comenta no encarte
do CD Congado mineiro:
Capitão João Lopes e o Maçambique de Jatobá cantam para
uma rainha à porta de sua casa, convidando-a a se incorporar
ao imperiado, conjunto de reis que desfila sob um grande pálio.
O texto cantado faz referência ao poder dos antigos mestres do
caxambu (batuque de terreiro como o candombe) de fazerem
crescer bananeiras no espaço de uma noite. [...]. A ligação rítmica
com o candombe [...] fica evidente neste batido, denominado
maçambique cruzado. Notem-se as brilhantes intervenções das
gungas em sapateio.

Segundo o encarte do CD Os negros do Rosário, a gunga,


“pequeno cilindro de zinco com furinhos e enchimento de semente de
caité, maria-preta ou bolinhas de chumbo”, é percutida pelo movimento
das pernas durante a dança e “cada dançador tem três ou quatro gungas

Apresentação 7
amarradas em cada perna”. A percussão é a base musical das guardas
de Moçambique, dos Catopês e dos Candombes: caixas, pantangomes,
ganzás... regidos pelo tamborim do Capitão. A caixa é um “tambor com
as duas extremidades cobertas; dependurada no ombro e deslocada para
a lateral do corpo do caixeiro, é percutida com uso de duas baquetas”,
e cada guarda tem duas a quatro caixas. O pantangome é “um cilindro
curto de chapa de zinco com pequenos furos”, enchimento de sementes
ou bolinhas de chumbo, como a gunga, e “duas alças diametralmente
opostas”, pelas quais é “sacudido de um lado para outro ou por movi-
mentos circulares”. O ganzá é “um bambu com cerca de 60 cm de com-
primento, com talhos transversais, que se faz soar raspando nele prego
ou vareta de madeira”. O tamborim, “usado exclusivamente por capitães
e caciques como instrumento de comando”, é uma “caixa retangular ou
quadrada de madeira [...] com couro nas duas faces fixado com prego
ou tachinha; tem alça e é percutido com uma baqueta”. Só o Candombe
usa o ngoma, o tambor ancestral, esculpido em tronco de árvore e afi-
nado no fogo; um instrumento pesado, difícil de carregar, o que com
certeza determina a forma de participação do Candombe nas Festas do
Rosário, em que ele não sai pelas ruas em cortejo. Segundo o Capitão
João Lopes, em entrevista a Leda Martins, citada no livro Afrografias da
memória:

8 Vissungos no Rosário
o único pessoal que adaptou bater os instrumentos como mais
ou menos a semelhança que bate o candombe foi o povo de
moçambique [...] e ficou assim definido entre eles [...] que o
maçambique puxaria o trono, o congo seria o guia do maçambique,
limpando o caminho.

Assim, segundo o encarte do CD Os negros do Rosário, no cor-


tejo do Reinado, o Moçambique “caminha ‘no pé da coroa’, posição mais
próxima à Corte. É quem tira e entrega os reis em casa e no palan-
que...”, usando a indumentária mais tradicional: “saia, camisa, turbante
ou lenço amarrado na cabeça, gungas na perna”.
Os catopês posicionam-se no cortejo logo à frente do Moçambique,
a quem auxiliam na escolta dos reis e rainhas. Ivo Silvério da Rocha,
Patrão, ou Contramestre, do Catopê de Milho Verde, é, também, um dos
últimos (senão o último) mestre de vissungos de enterro. Conforme está
no encarte do CD Congado mineiro, os vissungos
São cantos de trabalho herdados dos escravos, que ele aprendeu
ouvindo os moradores das vizinhas comunidades negras do Baú e
Ausente [...], quando estes transportavam seus defuntos em redes
para enterrá-los na cidade. O primeiro canto expressa a dor e o
cansaço dos carregadores caminhando léguas a pé entre as serras;
os outros dois [...] marcam o momento em que, aproximando-se
do cemitério, os companheiros encomendam a alma do morto,
para que possa ganhar com suavidade a terra dos ancestrais.”

Apresentação 9
Na Comunidade dos Arturos, um modelo de resistência cultural
plantada no centro industrial, em Contagem, percebe-se claramente o
investimento na transmissão das práticas tradicionais, por exemplo, na
formação da Guarda de Moçambique Mirim. O Capitão Regente Antônio
Maria da Silva, no canto aqui reproduzido a partir do CD Congado mineiro,
faz a saudação, o “Saravá ao Reinado”:
Após o levantamento de mastros na Comunidade Negra dos
Arturos, Seu Antônio está saravando, dirigindo saudações rituais
aos reis e rainhas perpétuos e de ano que compõem o Reinado
da Irmandade, enquanto a Guarda de Maçambique Mirim evoca
o nome de Zambi, Deus onipotente. O batido serra-acima é
executado pelas caixas e patangomes, chocalhos circulares me-
tálicos. Ao saírem da Igreja do Rosário, o andamento se acelera
e uma saudação falada aos capitães (líderes das guardas) fecha
os trabalhos do dia, lembrando-lhes que essa tradição é herança
dos mais velhos – a gonga ou engoma de vovô. Note-se nos
versos “Zambi é nossa guia/Nossa Senhora minha companhia” a
convivência de diferentes universos religiosos.

No Sul de Minas, o Capitão Júlio Antônio Filho, ou Capitão Julinho,


como é chamado, carrega o bastão herdado do pai, à frente do terno
de Moçambique que ele fundou em Fagundes, povoado do município de
Santo Antônio do Amparo. E sabe que o bastão carrega muitos sentidos,
simbolizando os saberes ancestrais guardados por aquele que o tem na

10 Vissungos no Rosário
mão. Um “‘sacerdote de almas’, dom que ele recebeu de sua família –
sua linhagem”, Capitão Julinho, como está no encarte do CD Foi o que
me trouxe, também “é reconhecido como um dos guardiões do conhe-
cimento da língua da costa, uma estranha mescla de português e banto,
antigo idioma das senzalas e que hoje está restrito a poucos falantes,
em sua maioria idosos”. Reproduzimos aqui dois cantos em que essa
língua da costa, também chamada calunga, essa língua da travessia,
revela ainda sua força: “Eu sô filho de negro” e “Chora, ingoma”.
No CD Os negros do Rosário, Pedrina de Lourdes Santos, capitã
do Moçambique de Nossa Senhora das Mercês, de Oliveira, reúne tudo
o que a memória remota ainda pode guardar da língua dos antigos e
improvisa um solo longo, que soa como uma sequência de palavras sol-
tas, trazidas pelos ares de uma história de fragmentação. Após seis qua-
dras em “língua africana”, intercaladas por um refrão característico da
tradição musical dos povos de língua banto – ê ê aruê, aruê, aruê – ela
chama o coro com uma quadra em que mistura a língua portuguesa com
palavras do quimbundo. A partir desse momento entram os instrumen-
tos de percussão, e regente e coro prosseguem o canto em português:
Ajuntei tudo o que sabia, o que já havia aprendido com meu pai,
Capitão Leonídio, o que canto intuitivamente, com coisas que
procuro em livros, coisas dos dialetos africanos, especialmente

Apresentação 11
quimbundo e nagô. Achei também que não deveria ficar só no
tempo da escravidão, mas trazer o assunto para a atualidade.

Capitão Regente do Reinado de Justinópolis, Dirceu Ferreira Sérgio,


no canto aqui reproduzido a partir do CD Congado mineiro, “Reza para
sair”: “antes de ganhar a rua, terreno de forças desconhecidas, é fun-
damental o ritual de preparação visando ao fortalecimento espiritual do
grupo”. No estilo do Candombe, “com uma primeira parte em recitativo e
outra ritmada pelo batido serra-acima”, em que “de tempos em tempos
podem se ouvir os maçambiqueiros raiando gunga“, ele invoca a força dos
tambores – “Vamo firmá nossa ingoma” – “pro terreiro serená”.
O Candombe do Matição (ou Mato do Tição), comunidade rural do
município de Jaboticatubas, parece partilhar com os Arturos a ideia de
que é preciso investir na transmissão de saberes tradicionais às crianças
e aos jovens. A comunidade criou o grupo Tambores do Mato do Tição,
que mantém a tradição com roupagem nova, garantindo a difusão da
música do Candombe por meio de apresentações públicas fora das fes-
tas tradicionais. Paralelamente, os mais velhos, como fazia o falecido
Capitão Jair Teodoro de Siqueira, se incumbem de recontar, cantando, as
narrativas fundadoras, como aquela do “Barão uauê”, o homem que, “no
tempo do cativeiro”, quis impedir o batuque dos negros, mandando pôr
fogo nos tambores. Perseguido desde então por uma nuvem de fumaça

12 Vissungos no Rosário
que o deixava permanentemente lacrimejante, o barão acabou voltando
atrás e autorizando o batuque, nascendo assim o Candombe do Matição.

Sônia Queiroz

Apresentação 13
Capitão João Lopes

João Lopes foi o Capitão Regente do Reinado do Jatobá, bairro de Belo


Horizonte.
O canto “Saudação à Rainha” foi gravado em 25 de agosto de
1996, no bairro Jatobá, pela equipe da Associação Cultural Cachuera!
(Paulo Dias, Marcelo Manzatti e Sérgio Carvalho de Oliveira), durante
a Festa do Rosário da Irmandade. É a faixa 10 do CD Congado mineiro.
(Documentos Sonoros Brasileiros. Acervo Cachuera!, 1).
O “Pade Nosso africano” foi gravado na década de 1990 pela pes-
quisadora Glaura Lucas (UFMG), na Irmandade de Nossa Senhora do
Rosário do Jatobá.
Saudação à Rainha

minha mãe mandô me chamá


lá no pé de mulungu
oi de dia plantá bananera
oi de noite tocá caxambu
chora, ingoma aiá
(coro) ôôôô...
oia torna chorá iá
(coro) ô, iáiáiá...

Sá Rainha, no dia de hoje


ingoma chegô, viajô
veio pra te visitá
no seu palácio te encontrô
chora, ingoma iá
(coro) ôôôô...

como vai, Sá Rainha?


Cumé que passô de ontem?
(coro) ô, lê oiá ááá...

22 Vissungos no Rosário
ô
uôi ai ai ai
minha pai que já era um nego veio
que dormiu no cruzero
meia-noite em ponto
minha pai acendeu candiero
chora, ingoma iá
(coro) ôôôô...

ô, ingoma!
(coro) ô, lê oiá ááá...

depois de muitos ano


que mo pai me morreu
me morreu foi pro céu
oi, o papai me dexô
chora, ingoma iá
(coro) ôôôô...

ô, mamãe me mandô iá
(coro) ô, lê oiá ááá...

Capitão João Lopes 23


oi, dizendo que viva, viva!
é os nosso coroado
viva Rei e Rainha
do nosso imperiado
chora, ingoma iá
(coro) ôôôô...

oia torna chorá iá


(coro) ô, lê oiá ááá...

Pade Nosso africano

otê... oteque ouê...


Pade Nosse com Ave Maria
auê...
securo cumetavita auê
ê inganazamba punga
auê...
auê, auê, ô...

24 Vissungos no Rosário
ô indamba inganazambipunga
auê...
duro cum zambi
dipupi aiovê
auê...

ê duro cum zambi


dipupu aiovê
zambi dimanga
zambi no jira tingó
auê...

Santa Maria, mãe de Deus


rogai por nós, pecadô
oia Santa Maria, mãe de Deus
rogai por nós, pecadô

saravá o povo de ngoma auê


saravá o povo de Moçambique
oia o povo de congado uê
ô no jira ni cunda no jira

Capitão João Lopes 25


Santa Maria, mãe de Deus
rogai por nós, pecadô
Santa Maria, mãe de Deus
rogai por nós, pecadô

26 Vissungos no Rosário
Capitão Ivo Silvério da Rocha

Ivo Silvério da Rocha, Patrão do Catopê de Milho Verde, distrito do Serro,


é também um Mestre de vissungos de carregar defuntos em rede.
Os cantos de enterro aqui reproduzidos – “Minhas perna me
dói”, “Padre Nosso africano” e “Ô caxinganguelê” – foram gravados pela
equipe da Associação Cultural Cachuera! (Paulo Dias e Marcelo Manzatti),
em 8 de setembro de 1997, na residência do Capitão Ivo, em Milho
Verde, e constituem a faixa 1 do CD Congado mineiro. (Documentos
Sonoros Brasileiros. Acervo Cachuera!, 1). Embora o primeiro não tenha
nenhuma palavra de língua africana, foi aqui reproduzido em função do
valor da performance. Os cantos “Cuenda” e “Vange Opungo é quem me
criô” foram gravados por Caxi Rajão, em 2000, na Festa do Rosário do
Serro, e constituem as faixas 14 e 15 do CD Festa do Rosário – Serro-MG
1724−2000.
Minhas perna me dói

minhas perna me dói


o meu corpo me dói, ió
os meus braço já me dói, ai
o meu ombro me dói, ai
minha cabeça me dói, ai

Padre Nosso africano

Padre Nosso com Ave Maria


securo camera que tanazambê
tanazambê, ê
tanazambê, ah
bamba jambê, ah
bamba jambê, ah

28 Vissungos no Rosário
Ô caxinganguelê

ô caxinganguelê
vai-se embora com Deus
com Deus, com Deus
vai-se embora com Deus

Cuenda

erê cuenda
cuenda...
erê cuenda
oi cuenda cuenda oi camará
oi cuenda
vamo vê a mãe de Deus

Capitão Ivo Silveira da Rocha 29


Vange Opungo é quem me criô

oi ô Vange Opungo é quem me criô


oi criô Maria, criô José
Vange Opungo é quem me criô
oi criô Maria, criô José
ererê Vange Opungo é quem me criô
oi criô Maria, criô José

30 Vissungos no Rosário
Capitão Júlio Antônio Filho

Júlio Antônio Filho é Capitão do Terno de Moçambique de Fagundes,


povoado do município de Santo Antônio do Amparo, Sul de Minas.
Os cantos aqui reproduzidos foram gravados por Roberto Corrêa
(Viola Corrêa Produções Artísticas e Clube do Violeiro Caipira de Brasília)
em Fagundes, em setembro de 2004, durante a Festa do Rosário (“Chora,
ingoma”), e em setembro de 2007, na Fazenda de São Sebastião (“Eu
sô filho de nego”). Foram reproduzidos aqui a partir do CD Foi o que me
trouxe: Moçambique do Capitão Júlio Antônio Filho – faixas 6 e 8.
Eu sô filho de nego

o saracutinga chamô cai e cai


me vira mundéu me chama caiuê
ê bananeira tem o grano mole
aqui nesse reino tem o grano mole

olha tico-tico subiu no coquero


tá perguntano mundo como tá
oia tico-tico subiu no coquero
quando desceu me desceu a cavalo

eh, levou minha gimba


aqui neste reino curiô com dambi
eh, dambiojira cafom de vindero ocaia
oh, dambiojira ocaia cafom de vindero no injó de jequê
quando desceu, desceu a cavalo

eu vem lá da Angola
passei ni Aruanda
conenga agora chegô lá no injó
ê no injó de jequê me conenga tata
aqui nesse reino conenga tata

32 Vissungos no Rosário
ê conenga com tata lá no injó de jequê
aqui nesse reino no injó de jequê
o timbojira cafom de vindero
no injó de jequê ingoma

eu saí lá do injó de tata


conenga tata no injó de jequê
eu saí lá do cumbara eu é pequenino
aqui nesse reino do tamain de agúia

dambiojira cafom de vindero


ocaia no injó de jequê
eu sou fio de nego, mamãe é criola
eu vem de cumbara, eu vem rebolo

eu sou fio de nego


nasceu lá na cumbara
aqui nesse reino mamãe é criola
cumbara cafom de vindero ocaia

aprendeu falar língua no injó de jequê


ê nhonhó, mamãe é criola
aqui nesse reino papai é rebolo
ê nhonhó, mamãe é criola

Capitão Júlio Antônio Filho 33


oia papai, papai é rebolo
papai é rebolo, nasci lá na Angola
aqui nesse reino aprendeu falá língua
ê irmão, língua de criolo

aqui nesse reino é língua de criolo


eu mexeu na gunga
coração doeu
gunga de meu pai
meu coração doeu

eu chamei meu pai pra me ajudá


aqui nesse reino pra me ajudá
ê irmão, mundo não vale nada
olha a gente morre
mundo fica aí

coração doeu
coração doeu
coração doeu
eu mexeu na gunga
coração doeu
coração doeu
coração doeu

34 Vissungos no Rosário
gunga de meu pai
gunga de papai
meu coração doeu

ê gunga de meu pai


coração doeu
eu mexeu na gunga
gunga de hoje
coração doeu

ê fala sua língua


eu quero aprender
olha, papagaio
olha, papagaio veio aprender

que me fez chorá


que me fez chorá
que me fez chorá
a jombá de hoje que me fez chorá

ê oia, papagaio é que sabe língua


oia, periquito
oia, periquito nem língua não tem

Capitão Júlio Antônio Filho 35


a cigana chorou
chorou, chorou, chorou
sentada na beira do mar
chorou, chorou, chorou
a cigana chorou

perguntei pra cigana


mas por que que ela chorou
então veio marinheiro
e o barquinho da cigana levou

eu plantei uma rosa


a minha rosa pegou
então veio um passarinho
pegou minha rosa e levou

cheguei em casa chorando


minha mãe me perguntou
chorava por causa da rosa
que o passarinho levou

36 Vissungos no Rosário
Chora, ingoma

mandei lá ni Angola
buscá minha pai
buscá minha pai
buscá minha pai, oia lá

eu canto meu ponto


meu pai vai chegá
ô me chora, ingoma

ô jombê, ô jombê, ô jombá


veio aprendê
meu pai vai chegá
ô jombê
me chora, ingoma

ê mamãe, meu pai vai chegá


meu pai vai chegá
meu pai vai chegá, oia lá
eu chamo meu pai pra me ajudá
ôme chora, ingoma

Capitão Júlio Antônio Filho 37


ô jombê, ô jombê, ô jombá
eu chamo meu pai pra me ajudá
ô jombê
ô me chora, ingoma

ê irmão, o tanque tá cheio


o tanque tá cheio, o tanque tá cheio, oia lá
eu quero saber sabê onde eu ‘marro canoa
ô chora, ingoma

oi jombê, oi jombê, oi jombá


eu quero sabê onde ‘marro a canoa
ô jombê
ôme chora, ingoma

aqui na cidade tanto pato grande


tanto pato grande, tanto pato grande,oia lá
que tá me matano é beija-fulô
me chora, ingoma

ô jombê, ô jombê, ô jombá


que tá me matano é beija-fulô
ô jombê
ô me chora, ingoma

38 Vissungos no Rosário
ê irmão, mundo engana a gente
mundo engana a gente
mundo engana a gente, oia lá

eu mexeu no mundo
mundo me enganô
ô me chora, ingoma

ô jombê, ô jombê, ô jombá


eu mexeu no mundo
mundo me enganô
ô jombê
ô me chora, ingoma

ê irmão, vai deixá saudade


deixá saudade
deixá saudade, oia lá
a jombá de nego vai deixá saudade
chora, ingoma

ô jombê, ô jombê, ô jombá


a jombá de nego vai deixá saudade
ô jombê
ô me chora, ingoma

Capitão Júlio Antônio Filho 39


ê irmão, coração doeu
coração doeu
coração doeu, oia lá
eu pisei na terra, coração doeu
ô me chora, ingoma

ô jombê, ô jombê, ô jombá


eu pisei na terra, coração doeu
ô jombê
ô me chora, ingoma

40 Vissungos no Rosário
Capitã Pedrina de Lourdes Santos

Pedrina de Lourdes Santos é Capitã da Guarda de Moçambique de Nossa


Senhora das Mercês, de Oliveira, Sul de Minas.
O canto “Abá cuna Zambi pala oso” foi gravado por Titane em
setembro de 1987, durante a Festa de Nossa Senhora do Rosário de
Oliveira. É a faixa 1 do CD Os negros do Rosário.
Abá cuna Zambi pala oso

abá cuna Zambi pala oso


aiabá cuiama cana abá
apaninjé

ê ê ê aruê, aruê, aruê


ê ê ê aruê, aruê, aruê

messaquilibu Babá Oquê


mulendi eledá
muna ualê e do aiê

ê ê ê aruê, aruê, aruê


ê ê ê aruê, aruê, aruê

ocolofé cuna Zambi


monu, monu gundelela
pala oso
mumu abanjá

ê ê ê aruê, aruê, aruê


ê ê ê aruê, aruê, aruê

42 Vissungos no Rosário
Angana Musambê
Angana Lubambu
oncó utetese
oncó ocolofé

ê ê ê aruê, aruê, aruê


ê ê ê aruê, aruê, aruê

coro
oooiê oooiá, oooê oê oiá
oooiê oooiá, oooê oê oiá

ocuacê aiagana
ararecolê
ocuacê aiagana
ararecolê

coro
oooiê oooiá, oooê oê oiá
oooiê oooiá, oooê oê oiá

muenha cuna marungo


na Aruanda saravá
muenha cuna marungo
na Aruanda saravá

Capitã Pedrina de Lourdes Santos 43


coro
oooiê oooiá, oooê oê oiá
oooiê oooiá, oooê oê oiá

oia eu vim lá de Angola


eu vim aqui curimá
ah, eu vim do calunga
eu vim aqui trabucá

coro
oooiê oooiá, oooê oê oiá
oooiê oooiá, oooê oê oiá

no tempo do cativero
vida de nego era só trabucá
trabucava o dia intero
e ainda ganhava era o chiquirá

coro
oooiê oooiá, oooê oê oiá
oooiê oooiá, oooê oê oiá

44 Vissungos no Rosário
ora, viva a liberdade
cativero já acabô
mas ainda nos falta igualdade
de nego para sinhô

coro
oooiê oooiá, oooê oê oiá
oooiê oooiá, oooê oê oiá

cem anos de abolição


não pude comemorá
cadê a libertação
que a Lei Áurea ficô de me dá?

coro
oooiê oooiá, oooê oê oiá
oooiê oooiá, oooê oê oiá

Zumbi foi um grande chefe


no Quilombo dos Palmares
sua luta não acabô
ela ecoa pelos ares

Capitã Pedrina de Lourdes Santos 45


coro
oooiê oooiá, oooê oê oiá
oooiê oooiá, oooê oê oiá

o Quilombo dos Palmares


já foi ponto de união
a união faz a força
pra qualquer libertação

coro
oooiê oooiá, oooê oê oiá
oooiê oooiá, oooê oê oiá

46 Vissungos no Rosário
Capitão Antônio Maria da Silva

Antônio Maria da Silva é Capitão Regente do Reinado dos Arturos, em


Contagem.
O canto aqui reproduzido foi gravado em 9 de maio de 1992 na
Comunidade dos Arturos, durante a festa da Libertação, pela equipe
da Associação Cultural Cachuera! (Paulo Dias e Marcelo Manzatti). É a
faixa 4 do CD Congado mineiro. (Documentos Sonoros Brasileiros Acervo
Cachuera!, 1).
Ê Zambi, ê Zambi

(coro)
Ê Zambi, ê Zambi

Sá rainha me dá a mão
que Papai lá do céu põe a benção
ê Zambi...
viva mundo e viva Deus
viva nego maçambiqueiro
ê Zambi...
viva mundo e viva Deus
ora viva esse povo coroado
ê Zambi...
ei, minha gonga é de nhá pai
essa gonga é de nhá vô ai
ê Zambi...
ei, Maçambique é coisa boa
Maçambique era nego de coroa
ê Zambi...
ei, o menino de papai, ô gente
o menino de vovô
ê Zambi...

48 Vissungos no Rosário
ei, o menino de papai
oi, meu Deus, ô pergunta onde eu vô
ê Zambi...
ei, oia Zambi é nossa guia
oia, Zambi, meu Deus minha companhia
ê Zambi...
ei, ora Zambi é nossa guia
oi mi Nossa Senhora minha companhia
ê Zambi...
Saravá, capitão

(coro)
É coisa boa

Capitão Antônio Maria da Silva 49


Capitão Dirceu Ferreira Sérgio

Dirceu Ferreira Sérgio é Capitão Regente do Reinado de Justinópolis, dis-


trito do município de Ribeirão das Neves.
O canto aqui reproduzido, executado pela guarda de Moçambique,
foi gravado em 26 de outubro de 1996, na Irmandade do Rosário de
Justinópolis, pela equipe da Associação Cultural Cachuera! (Paulo Dias e
Marcelo Manzatti), durante a Festa do Rosário. É a faixa 6 do CD Congado
mineiro. (Documentos Sonoros Brasileiros. Acervo Cachuera!, 1).
Reza para sair

ô, vô firmá a minha gunga


pro terreo serená
vamo firmá nossa ingoma
ô, pra nossa festa começá
ôôôôô...

ei, os anjo cantô no céu


é hora de Deus, amém
vamo nós pegá com Deus
pra livrá de algum porém

ô, virge mãe, Nossa Senhora


oia o mundo como tá
vejo o mal baxá cabeça
pro fio de Deus passá
ê ô, ê ô, ê ô (4x)

52 Vissungos no Rosário
ô minha virge do Rosário
do Rosário mandô chamá
mandô chamá, mandô chamá
ê vô rezá minha incelença
pra podê nós viajá
nós viajá, nós viajá, é...
(coro) é ô...

ô, oia povo do Rosário


tá chegano a nossa hora
a nossa hora, a nossa hora
ê, na inguereja tá chamano
o vigário que mandô
para todo inguerejá
inguerejá, inguerejá, auê
é ô... é ô... é ô... é ô...

ê oia povo do Rosário


eu num sei que hora é essa
que hora é essa, que hora é essa
ô, nós vamo já com Deus
senão chega atrasado
quando dá a nossa hora
a gente começa a nossa festa
a nossa festa, a nossa festa
é ô... é ô... é ô... é ô...

Capitão Antônio Maria da Silva 53


viva Nossa Senhora do Rosário
viva São Benedito
viva Santa Efigênia
viva todo esse povo que ama e
respeita as Ave Maria

54 Vissungos no Rosário
Capitão Jair Teodoro de Siqueira

Jair Teodoro de Siqueira foi Capitão do Candombe do Matição (ou Mato


do Tição), no município de Jaboticatubas. O ritual acontece em torno de
uma fogueira, a partir da meia-noite do dia 23 de junho, e costuma varar
a noite de São João.
Os cantos do Candombe do Matição aqui reproduzidos foram gra-
vados pela equipe da Associação Cultural Cachuera!, em parceria com
a Fundação Palmares. São as faixas 11 e 12 do CD Mosaico musical dos
quilombos. (Documentos Sonoros Brasileiros Acervo Cachuera!, 1).
Barão unoê

ê barão unoêê...
barão unoêê...
ê barão menapamadepontê
barão unoêê...

ê barão menapamadepondamaxado
barão unoêê...
ê barão unoêê... ah...

Uia catumbê iauê

uia cacundê iauê


uia cacundê iauê

iaqué casabá daboadua...


canau é devera jé
canau é devera jé

56 Vissungos no Rosário
Maria de Lurdes Silva

Maria de Lurdes Silva, conhecida como Dona Cesária, é viúva de um dos


antigos contramestres do Catopê do Serro, MG.
O canto “Emo quá”, aqui reproduzido, foi gravado por Daniel
Magalhães durante entrevista realizada em março de 2007. O pesquisa-
dor também fez a transcrição do vissungo.
Emo quá

emo quá
Inganazambi eu sô fia
emo quá
emo quá
lá no campo do Rosário
emo quá

58 Vissungos no Rosário
Palavras de línguas
africanas presentes nos cantos

No glossário que se segue buscou-se uma forma simples, uma vez que se
pretende que a consulta possa abrir possibilidades interpretativas para o
leitor. Para muitas palavras foram encontradas diversas ocorrências, que
foram anotadas com suas respectivas referências (autor e data). As ocor-
rências estão separadas em quatro blocos: no primeiro, assinalado com
um triângulo ▲, estão as palavras encontradas em vocabulários com-
pilados por pesquisadores que buscaram registrar os falares africanos
remanescentes em Minas Gerais no século xx; no segundo, assinalado
com um triângulo invertido q, os nomes de lugares em Minas Gerais;
no terceiro bloco, sinalizado por um losango ♦, estão as ocorrências em
pesquisas de campo realizadas em outras regiões do Brasil; no quarto,
sinalizado por um quadrado ■, as ocorrências encontradas em dicioná-
rios do português brasileiro e em glossários de livros sobre a presença
dos africanos no Brasil, especificamente interessados no que se costuma
chamar de “africanismo”; no quinto, assinalado com um círculo •, estão
os étimos prováveis, identificados em dicionários das três línguas afri-
canas do grupo banto que predominaram no Brasil: umbundo, quicongo,
e quimbundo.

Abreviaturas das denominações de línguas


africanas
quic. quicongo e seu conjunto de dialetos (quitando, quitari etc.)
quimb. quibundo e seu conjunto de dialetos
umb. umbundo
ior. iorubá

60 Vissungos no Rosário
abá. Os mais velhos. abá cuna Pedrina de Lourdes Santos.
zambi pala oso/aiabá cuiama TITANE, 1999, Oliveira.
cana abá apaninjé/ê ê aruê, ▲ Não encontrada nos registros de
aruê, aruê/ê ê aruê, aruê, aruê. falares africanos em Minas.
Capitã Pedrina de Lourdes q Não encontrada nos registros de
Santos. TITANE, 1999, Oliveira. nomes de lugares em Minas.
▲ Não encontrada nos registros de ♦ Não encontrada nos registros
falares africanos em Minas. de falares africanos em outras
q Não encontrada nos registros de regiões do Brasil.
nomes de lugares em Minas. ■ Não encontrada entre os africa-
♦ abá. Os mais velhos, os idosos. nismos registrados em dicioná-
àgbà. ior. Os mais velhos, os rios e glossários brasileiros.
idosos. CASTRO, 2001, Bahia. • Não encontrada em dicioná-
■ Não encontrada entre os africa- rios de quicongo, quimbundo e
nismos registrados em dicioná- umbundo.
rios e glossários brasileiros. aiabá. Divindade feminina. abá
• Não encontrada em dicioná- cuna zambi pala oso/aiabá
rios de quicongo, quimbundo e cuiama cana abá apaninjé/ê ê
umbundo. aruê, aruê, aruê/ê ê aruê, aruê,
acuacã. [?] acuacã aia gana/ara- aruê. Capitã Pedrina de Lourdes
racolê/ararecolá/acuacê. Capitã Santos. TITANE, 1999, Oliveira.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 61


▲ Não encontrada nos registros de • Não encontrada em dicioná-
falares africanos em Minas. rios de quicongo, quimbundo e
q Não encontrada nos registros de umbundo.
nomes de lugares em Minas. aiovê. [eu/ele] ô indamba anga-
♦ aiabá. 1. Designação genérica nanzambi punga auê.../duro
das divindades femininas e das cum bambi/dipupi aiovê,auê.../ê
iniciadas que cultuam essas duro cum zambi/dipupu aiovê.
divindades, as principais encar- Capitão João Lopes. LUCAS ,
regadas da cozinha ritual do [1990], Jatobá.
terre(i)ro. 2. Nome de Oxum, a ▲ iove. eu. VOGT; FRY, 1996, Milho
velha, identificada com Nossa Verde. iovê. ele. GONÇALVES,
Senhora das Graças. ayaba. fon/ 1995, Jatobá.
ior, divindade doméstica, encar- q Não encontrada nos registros de
regada do fogo e que ajuda na nomes de lugares em Minas.
preparação da comida; rainha; ♦ Não encontrada nos registros
nome feminino. ìyáàgbá. ior. de falares africanos em outras
mulher idosa. CASTRO , 2001, regiões do Brasil.
Bahia. ■ eu. LOPES, 2003.
■ Não encontrada entre os africa- • cove. umb. meu, teu. eye. umb.
nismos registrados em dicioná- ele. WILSON, 1954.
rios e glossários brasileiros. aiuê. Ver iauê.

62 Vissungos no Rosário
angana, ngana. senhor, senhora. 1998, Tabatinga; ganga. parte
angana musambê/angana de Exu, lado de lá. VOGT; FRY,
lubambu/oncó uteleze/ oncó 1996, Patrocínio; ganga, gonga.
ocolofé. Capitã Pedrina de soldado. BATINGA, 1994, Alto
Lourdes Santos. TITANE, 1999, Paranaíba/Triângulo. man-
Oliveira; ganá, ongana. senhora. GON-
ocuacê aia ngana/ararakolê/arare- ÇALVES, 1995, Jatobá. angana,
colá/acuacê. Capitã Pedrina de nganga, uganga. no país de
Lourdes Santos. TITANE, 1999, origem significava feiticeiro,
Oliveira. curandeiro, sacerdote. MACHADO
▲ ganga. chefe, dono. BYRD , Fo, 1943, São João da Chapada;
2005, Patrocínio; arunganga. oronganga. soldado. MACHADO
negro que sabe os mistérios do Fo, 1943, São João da Chapada.
Congado. ziriganga, zirigunga. unganga. Sacerdote, padre, fei-
qualidade de alguém que sabe ticeiro. DORNAS Fo, 1938, Itaúna.
muito; capitão zirigunga é angana-mussambê. Senhora
aquele que domina o canto e do Rosário. GONÇALVES, 1995,
as suas funções do Congado; o Jatobá.
mesmo que ziriganga. PEREIRA; angana-bere. mãe solteira.
GOMES , 2000, Arturos. gana, GONÇALVES, 1995, Jatobá.
inganga. padre. QUEIROZ ,

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 63


angana-fureque. prostituta. que nego véio de Ringunga,
GONÇALVES, 1995, Jatobá. nego véio de Lungunga, nego
angana-nete. mulher virgem. véio de Lugamba. Observe-se
GONÇALVES, 1995, Jatobá. que foneticamente esses vocá-
angana-yambi. sacerdote bulos se ligam à toponímia do
do congado. GONÇALVES, 1995, continente africano, a nomes de
Jatobá. cidades como Luanda e Lubango,
angana-iangue. patrão, dono em Angola. PEREIRA; GOMES,
de serviço. “Contém o ele- 2000, Arturos.
mento angana, senhor, como overá undaca de unganga.
Angananzambi”. MACHADO Fo, rezar. DORNAS Fo, 1938, Itaúna.
1943, São João da Chapada. q Não encontrada nos registros de
nganga-kuka. sacerdote idoso. nomes de lugares em Minas.
Espantado com a beleza do ♦ ganga. 1. chefe; ocultista,
céu, custou a responder a per- vidente, sacerdote. 2. nome de
gunta do Nganga-kuka de nome Bambojira. angana. 1. (pejo-
São Pedro. GONÇALVES, [1994], rativo) patrão. 2. (arcaico)
Jatobá. senhora, mulher do senhor, tra-
nego véio de ingunga. lem- tamento que era usado pelos
brança dos antepassados e dos escravos. CASTRO, 2001, Bahia.
seus locais de origem; o mesmo

64 Vissungos no Rosário
■ ganga. 1. Chefe; sacerdote. 2. mpandu. quic. bruxa, feiticeiro.
peça de vestuário. 3. tipo de nganga a Nzambi. quic. sacer-
tecido. LOPES, 2003; CASTRO, dote. COBE, 2010.
2001; AURÉLIO, 1975; BASTIDE, angola. [país africano] eu vem lá
1971; SENNA, 1938. angana. 1. a da Angola passei ni Aruanda/
filha mais velha. 2. denominação conenga agora chegô lá no injó/ê
familiar dos pais às filhas. LOPES, no injó de jequê me conenga
2003; SOARES , 1954; SENNA , tata/aqui nesse reino conengô
1938. tata/ ê conengô com tata lá no
• onganga. umb. bruxa, feiticeiro. injó de jequê/aqui nesse reino
GUENNEC; VALENTE, 2010; WILSON, no injó de jequê/. Capitão Julio
1954. olun. feiticeiro. DICCIO- Antônio Filho. RIOS; CORRÊA,
NARIO PORTUGUEZ-OLUNYANEKA, 2008, Fagundes.
1896. nganga. quimb. sacer- mandei lá na Angola bus-
dote; profeta; que tem ou revela car minha pai/buscar minha
grande saber; doutor, mestre. pai, buscar minha pai, oia lá/
MAIA , 1964; ASSIS JR ., [19--]. eu canto meu ponto, meu pai
ngana. quimb. senhor, homem vai chegar/me chora ingoma.
casado, patrão, chefe, mes- Capitão Julio Antônio Filho.
tre. ngana ia muhatu. quimb. RIOS; CORRÊA, 2008, Fagundes.
senhora. MAIA, 1964. nganga a

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 65


aqui nesse reino papai é rebolo/ Feliz, Itamoji, Jeceaba, Passos,
ê nhonhó, mamãe é criola/oia Rio Paranaíba, Santo Antonio
papai, papai é rebolo/papai é do Grama, São Sebastião do
rebolo, nasci lá na Angola/aqui Paraíso Seritinga, e Turvolândia.
nesse reino aprendeu falá lín- Nomeia fazenda em Alpinópolis,
gua/eh irmão, língua de criolo. Campanha, Campos Gerais,
Capitão Julio Antônio Filho. Carmo do Paranaíba, Gurinhatã,
RIOS; CORRÊA, 2008, Fagundes. Jeceaba, Monte Santo de Minas,
oia eu vim lá de Angola/eu Passos, Rio Paranaíba, Santo
vim aqui curimá/ah, eu vim do Antonio do Grama, São Tomás
calunga/eu vim aqui trabucá. de Aquino, Seritinga, Soledade
Capitã Pedrina de Lourdes de Minas, Três Corações.
Santos. TITANE, 1999, Oliveira. Nomeia localidade em Conceição
▲ fumo-de-angola. cannabis do Pará. Nomeia povoado em
sativa. GONÇALVES, 1995, Jatobá. Aimoré. Angolinha. nomeia
milho-de-angola. sorgo. GON- córrego em Argirita, Campo do
ÇALVES, 1995, Jatobá. Meio, Campos Gerais, Carmo do
q nomeia córrego em Aimorés, Rio Claro, Jeceaba, Leopoldina
Alpinópolis, Andradas, Bambuí, e São Sebastião do Paraíso.
Caparaó, Carmo do Paranaíba, Nomeia fazenda em Perdizes e
Conceição do Pará, Espera Uberlândia. LIMA, 2012.

66 Vissungos no Rosário
♦ Nação-de-candomblé, de tradição ê aruê, aruê, aruê. TITANE, 1999,
e terminologia religiosa de base Oliveira.
canto. 2. Ritmo de Dandalunda ▲ Não encontrada nos registros de
e Oxum. CASTRO, 2001, Bahia. falares, cantos e contos africa-
■ angola, ngola. 1. país afri- nos em Minas.
cano onde se fala quimbundo, q Não encontrada nos registros de
quicongo e umbundo, três das nomes de lugares em Minas.
principais línguas africanas tra- ♦ injé, onjé. Comida. onjo. ior.
zidas para Brasil pelos negros comida. CASTRO, 2001, Bahia.
escravizados; 2. aqueles que são ■ Não encontrada entre os africa-
naturais desse País. 3. Capim nismos registrados em dicioná-
d’Angola; panicum guineense. rios e glossários brasileiros.
CASTRO, 2001; AURÉLIO, 1975; • Não encontrada em dicioná-
SOARES, 1954; SENNA, 1938 E rios de quicongo, quimbundo e
1921; LAYTANO, 1936; umbundo.
• ngola. quimb. refere-se ao araracolá, araracolê. [?] acu-
nome do país. MAIA, 1964. ngola. acã aia gana/araracolê/arare-
quic. angolano. COBE, 2010. colá/acuacê. Capitã Pedrina de
apaninjé. [?] abá cuna zambi pala Lourdes Santos. TITANE, 1999,
oso/aiabá cuiama cana abá Oliveira.
apaninjé/ê ê aruê, aruê, aruê/ê

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 67


▲ Não encontrada nos registros de tata/aqui nesse reino conengô
falares africanos em Minas. tata/ ê conengô com tata lá no
q Não encontrada nos registros de injó de jequê/aqui nesse reino
nomes de lugares em Minas. no injó de jequê/. Capitão Julio
♦ Não encontrada nos registros Antônio Filho. RIOS; CORRÊA,
de falares africanos em outras 2008, Fagundes.
regiões do Brasil. muenha cuna marungo/na
■ Não encontrada entre os africa- Aruanda saravá/muenha cuna
nismos registrados em dicioná- marungo/na Aruanda saravá.
rios e glossários brasileiros. Capitã Pedrina de Lourdes
• Não encontrada em dicioná- Santos. TITANE, 1999, Oliveira.
rios de quicongo, quimbundo e ▲ luanda. festa. BYRD , 2005 ,
umbundo. Patrocínio; VOGT ; FRY , 1996,
aruanda. var. de Luanda, antigo Patrocínio.
porto na costa atlântica da África q Não encontrada nos registros de
banto no período da coloniza- nomes de lugares em Minas.
ção portuguesa; atualmente, a ♦ aruanda. a África mítica, termo
capital de Angola. eu vem lá que aparece frequentemente
da Angola passei ni Aruanda/ em cânticos rituais e do fol-
conenga agora chegô lá no injó/ê clore afro-brasileiros, como
no injó de jequê me conenga nos versos: “Quando eu vim de

68 Vissungos no Rosário
Aruanda” ou “Eu sou negro de ♦ babá. 1. Pai, antepassado, chefe,
Aruanda”. LOPES, 2003; CASTRO, palavra que precede o nome do
2001. egum. 2. Tratamento respeitoso
■ luanda. capital de Angola. para mameto. babá. fon/ior. Pai.
LOPES , 2003; CASTRO , 2001; CASTRO, 2001, Bahia.
AURÉLIO, 1997; SENNA, 1938. ■ abá. Tratamento dado às amas-
• luanda. quimb. embaixada, de-leite. LOPES, 2003; CASTRO,
alfândega. topônimo. MAIA , 2001; MENDONÇA, 1973; SENNA,
1964; ASSIS JR., [19--]. 1938; GARCIA, 1935. baba. pai.
babá. pai. messaquilibu babá AURÉLIO, 1975.
oquê/muendi eledá/muna ualê • Não encontrada em dicioná-
e duaiê/ê ê aruê, aruê, aruê/ê ê rios de quicongo, quimbundo e
aruê, aruê, aruê. Capitã Pedrina umbundo.
de Lourdes Santos. TITANE, 1999, bamba jambê. [?] tanazambê,
Oliveira. ah/bamba jambê, ah/bamba
▲ Não encontrada nos registros de jambê, ah. Capitão Ivo Silvério
falares, cantos e contos africa- da Rocha. DIAS, 2001, Serro.
nos em Minas. ▲ bambaquerê. certa dança.
q Não encontrada nos registros de GONÇALVES, 1995, Jatobá.
nomes de lugares em Minas. q bambaquiri. nomeia córrego
e povoado em Iapu. bamba.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 69


Nomeia córrego em Bocaiúva • mbámba. quimb. mestre, exí-
e fazenda em Baependi. LIMA, mio, excelente. mbamba. Vara,
2012. bastão, muleta. MAIA . 1964;
♦ bamba. bastão, vara, chicote. ASSIS JR., [19--].
CASTRO, 2001, Bahia. cacundê. [?] uia cacundê iauê/
■ 1. uma dança 2. confusão, uia cacundê iauê/uia cacundê
desordem. 3. toda a dança iauê/iaqué casabá oaú.../canaú
ou festa que acaba em confu- é devera é /canaú é devera é.
são. 4. dança popular gaúcha, Capitão Jair Teodoro de Siqueira.
semelhante à quadrilha, de ori- DIAS, 2002, Matição.
gem africana; nome atribuído ▲ Não encontrada nos registros de
ao General Bento gonçalves. falares africanos em Minas.
AURÉLIO, 1975; MENDONÇA, 1973; q Não encontrada nos registros de
BRANDÃO, 1968; SOARES, 1954; nomes de lugares em Minas.
SENNA, 1938; LAYTANO, 1936. ♦ Não encontrada nos registros
bamba. 1. valentão. 2. mestre. de falares africanos em outras
3. ritos, objetos rituais ou seus regiões do Brasil.
efeitos. 4. Topônimo. CASTRO, ■ bordado usado em roupas femi-
2001; AURÉLIO, 1975; SOARES, ninas, feito através da aplica-
1954; SENNA, 1938; RAIMUNDO, ção de pedaços de tecido sobre
1933. um desenho planejado e, após

70 Vissungos no Rosário
a aplicação, retirar os excessos. proprietário. Cumbara avura
AURÉLIO, 1975; RAIMUNDO, 1933. aqui, meu fio. Ih! isso aí tem...
• Não encontrada em dicioná- sengue, tem... cavingurão! Da
rios de quicongo, quimbundo e cidade grande, meu fio. Ih!,
umbundo. Isso aí tem... fazenda, tem...
cafom de vindero ocaia. Nossa fazendeirão! QUEIROZ , 1998,
Senhora. cumbara cafom de Tabatinga. vindero. padre.
vindero ocaia/aprendeu falar BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/
língua no injó de jequê/eh nho- Triângulo; vindêro, vinderi.
nhó, mamãe é criola. Capitão branco. DORNAS Fo, 1938, Itaúna.
Julio Antônio Filho. RIOS; COR- q Não encontrada nos registros de
RÊA, 2008, Fagundes nomes de lugares em Minas.
▲ cavinguero, cavinguera, ♦ Não encontrada nos registros
cavunguero, cavunguera, de falares africanos em outras
cafunguera, vindero. 1. regiões do Brasil.
patrão. O cuete seu cavinguero ■ Não encontrada entre os africa-
lá do sengue. O seu patrão lá nismos registrados em dicioná-
da roça. 2. rico. Cê tipura o rios e glossários brasileiros.
cuete... o cuete é cavinguera? • Não encontrada em dicioná-
Cê conhece o cara... o cara é rios de quicongo, quimbundo e
rico? Cavinguerão. grande umbundo.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 71


caiuê. Ver aiuê. q 1. divindade ou entidade espi-
calunga. Mar. oia eu vim lá de ritual ou sobrenatural, entre
Angola/eu vim aqui curimá/ populações de origem banta,
ah, eu vim do calunga/eu vim que se manifesta como força
aqui trabucá. Capitã Pedrina de da natureza; especialmente a
Lourdes Santos. TITANE, 1999, divindade associada ao mar. 2.
Oliveira. fundo do mar; fundo da terra, o
▲ água. SIMÕES, 2014, Milho Verde; abismo. 3. cada uma das duas
fala. BYRD , 2005, Patrocínio; bonecas do maracatu. 4. aju-
mar. entidade africana. dante, carregador de caminhão.
BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/ 5. ente imaginário e privile-
Triângulo; língua africana, giado, ídolo. Nomeia fazenda em
meia língua. VOGT; FRY, 1996, Itabira e Nepomuceno; córrego
Patrocínio; mar. MACHADO F , o
Caranaíba, Rio Piracicaba e São
1943, São João da Chapada; José da Varginha; localidade em
céu ou morte. DORNAS Fo, 1938, Caranaíba e povoado Alvinópolis.
Itaúna. kalunga. água. NAS- calunguinha. Nomeia córrego
CIMENTO , 2003, São João da em Caranaíba. LIMA, 2012.
Chapada; carunga. rio. VOGT; calunga de Damasceno Costa.
FRY, 1996, Milho Verde. Nomeia fazenda em Caranaíba.
LIMA, 2012.

72 Vissungos no Rosário
♦ calunga. 1. o mar; o fundo da MENDONÇA, 1973; BASTIDE, 1971;
terra, o abismo; divindade pode- BRANDÃO, 1968; BEAUREPAIRE-
rosa; seus símbolos. 2. salve! -ROHAN, 1956; SOARES, 1954;
viva!. 3. bibelô, qualquer ima- SENNA, 1938, 1921; RAIMUNDO,
gem pequena, estatueta. 4. cada 1933. carunga. rio. LOPES, 2003.
uma da duas bonecas eminentes • kalunga. quimb. mar, rio,
do maracatu. 5. rato pequeno, abismo, deus. MAIA, 1964. oka-
doméstico; (p.ext.) vadio, lunga. umb. mar. GUENNEC;
sabido, gatuno. Var. calungo, VALENTE, 2010; WILSON, 1954.
canunga. 6. Ajudante, carrega- okalunga. olun. mar. DICCIO-
dor de caminhão. CASTRO, 2001, NARIO PORTUGUEZ-OLUNYANEKA,
Bahia. carunga. buraco, cemi- 1896.
tério. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. camará. Companheiro. erê cuenda/
■ calunga. 1. o mar. 2. amuleto, oi cuenda cuenda, oi camará.
bonecos de madeira. 3. o pargo, Capitão Ivo Silvério da Rocha.
peixe da família dos sparoides. RAJÃO, 2000, Serro.
4. o mundo dos mortos, o que ▲ Não encontrada nos registros de
está além de nós. 5. ser imagi- falares africanos em Minas.
nário dotado de poderes. 6. ritos, q Não encontrada nos registros de
objetos rituais ou seus efeitos. nomes de lugares em Minas.
LOPES , 2003; AURÉLIO , 1975;

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 73


♦ camará. camarada, termo q Não encontrada nos registros de
muito empregado em cânticos nomes de lugares em Minas.
folclóricos. CASTRO, 2001, Bahia. ♦ Não encontrada nos registros
■ Não encontrada entre os africa- de falares africanos em outras
nismos registrados em dicioná- regiões do Brasil.
rios e glossários brasileiros. ■ Não encontrada entre os africa-
• kamba, dikamba. quimb nismos registrados em dicioná-
companheiro, amigo. MAIA , rios e glossários brasileiros.
1964; ASSIS JR., [19--]. ekamba. • Não encontrada em dicioná-
quic. companheiro. MAIA, 1964. rios de quicongo, quimbundo e
ekamba. umb. amigo. GUENNEC; umbundo.
VALENTE, 2010; WILSON, 1954. canau. [?] uai cacundê iauê / uia
camera. [?] Padre Nosso com cacundê iauê / iaqué casabá
Ave Maria/securo camera que daboadua… / canau é devera jé
tanazambê/tanazambê, ê/tana- / canau é devera jé. Capitão Jair
zambê, ah/bamba jambê, ah/ Teodoro de Siqueira. DIAS, 2002,
bamba jambê, ah. Capitão Ivo Matição.
Silvério da Rocha. DIAS, 2001, ▲ Não encontrada nos registros de
Serro. falares africanos em Minas.
▲ Não encontrada nos registros de q Não encontrada nos registros de
falares africanos em Minas. nomes de lugares em Minas.

74 Vissungos no Rosário
♦ Não encontrada nos registros ♦ tata-quinçaba. o encarregado
de falares africanos em outras das folhas, da plantação. CAS-
regiões do Brasil. TRO, 2001, Bahia.
■ Não encontrada entre os africa- ■ Não encontrada entre os africa-
nismos registrados em dicioná- nismos registrados em dicioná-
rios e glossários brasileiros. rios e glossários brasileiros.
• Não encontrada em dicioná- • kisaba. quimb folha. MAIA, 1964.
rios de quicongo, quimbundo e caxambu. [tambor] Minha mãe
umbundo. mandô me chamá/lá no pé de
casabá. [?] oia cacumbê iauê/ mulungu/oi de dia plantá bana-
oia cacumbê iauê/oia cacumbê nera/oi de noite tocá caxambu.
iauê/iaqué casabá oaú.../canaú DIAS, 2001, Jatobá.
é devera é /canaú é devera é. ▲ Não encontrada nos registros de
Capitão Jair Teodoro de Siqueira. falares africanos em Minas.
DIAS, 2002, Matição. q 1. tambor grande, tipo de mem-
▲ Não encontrada nos registros de brafone, atabaque. 2. dança
falares africanos em Minas. afro-brasileira, semelhante ao
q Não encontrada nos registros de batuque e com canto, ao som
nomes de lugares em Minas. de tambor e de cuícas; jongo.
Nomeia córrego em Aiuruoca,
Boa Esperança, Carmo da Mata,

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 75


Conceição do Pará, Consolação, em Caxambu. caxambuzinho.
Cristina, Dores do Campo; Iapu, Nomeia córrego e fazenda em
Igaratinga, João Pinheiro, Passa Dores do Indaiá. LIMA, 2012.
Quatro, Piedade dos Gerais, caxambu de baixo. Nomeia
Pitangui, Rio Piracicaba, Piüi, localidade em Dores do Campo
Santos Dumont; localidade em e fazenda em Santo Antonio do
Conceição do Pará, Mesquita e Amparo. LIMA, 2012.
São João Del Rey; fazenda em caxambu de cima. Nomeia
Boa Esperança, Bom Jardim de fazenda em Santo Antonio do
Minas, Cambuí, Campo do Meio, Amparo. LIMA, 2012.
Carmo da Cachoeira, Carmo ♦ caxambu. 1. espécie de mem-
da Mata, Conceição dos Ouros, brafone, atabaque. 2. topônimo.
Piüi, Sacramento, Santana CASTRO, 2001, Bahia.
da Vargem, Santos Dumont, ■ caxambu. 1. tipo de tambor. 2.
Senador Amaral e Tapira; topônimo. LOPES, 2003; AURÉLIO,
povoado em João Pinheiro e 1975; MENDONÇA, 1973; BEAU-
Pitangui; morro em Pimenta e REPAIRE-ROHAN, 1956; SOARES,
Pouso Alto; ribeirão em Cambuí, 1954; SENNA , 1938; LAYTANO ,
Sacramento, Santo Antônio do 1936; RAIMUNDO, 1933.
Amparo e Senador Amaral; serra
em Arantina e Itaúna; e cidade

76 Vissungos no Rosário
• Não encontrada em dicioná- porco-espinho. 3. fig. sujeito
rios de quicongo, quimbundo e magro e esperto. 4. Cascudo
umbundo. afirma que para muitos, na
caxinganguelê. morto, espírito do Amazônia, a alma sobe ao céu
morto. ô caxinganguelê/vai-se sob a forma de acutipuru (nome
embora com Deus/com Deus, que ali recebe o caxinguelê),
com Deus/vai-se embora com animal admirado por sua capaci-
Deus. Capitão Ivo Silvério da dade de descer de troncos altos
Rocha. DIAS, 2001, Serro. de cabeça para baixo. CASTRO,
▲ caxinganguelê, caxinguin- 2001; CASCUDO, 1984; AURÉLIO,
guelê. defunto. SIMÕES, 2014, 1975; MENDONÇA, 1973; BEAU-
Milho Verde. REPAIRE-ROHAN, 1956; SOARES,
q Não encontrada nos registros de 1954; SENNA, 1938 E 1921; RAI-
nomes de lugares em Minas. MUNDO, 1933.
♦ caxinguelê. indivíduo magro, • xinjangele. quimb. rato. MAIA,
feio e de pequena estatura; mau 1964.
caráter. CASTRO, 2001, Bahia. conenga, conengô. [?] ê no injó
■ caxinguelê, cachinguelê, de jequê me conenga tata/aqui
caxingulê. 1. designa- nesse reino conengô tata/ê
ção comum a várias espé- conengô com tata lá no injó de
cies de mamíferos roedores 2.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 77


jequê. Capitão Julio Antônio Filho. ingomba auê/saravá o povo de
RIOS; CORRÊA, 2008, Fagundes. Moçambique/oia o povo de con-
▲ Não encontrada nos registros de gado ouê/ô no jira ni cunda no
falares africanos em Minas. jira. Capitão João Lopes. LUCAS,
q Não encontrada nos registros de [1990], Jatobá.
nomes de lugares em Minas. ▲ congá. o mesmo que Congado.
♦ Não encontrada nos registros Ela é dona do conga, Sá Rainha.
de falares africanos em outras PEREIRA; GOMES, 2000, Arturos.
regiões do Brasil. q Não encontrada nos registros de
■ Não encontrada entre os africa- nomes de lugares em Minas.
nismos registrados em dicioná- ♦ congada. auto popular durante
rios e glossários brasileiros. o qual se celebra a coroação do
• Não encontrada em dicioná- rei do Congo, o Manicongo, e
rios de quicongo, quimbundo e da rainha Jinga. CASTRO, 2001,
umbundo. Bahia.
congá. Ver congado. ■ congado. auto popular no qual
congada. Ver congado. se celebra a coroação do rei do
congado. dança ritual em grupos Congo e de sua rainha. AURÉLIO,
chamados ternos ou cortes, exe- 1997; MENDONÇA, 1973; BASTIDE,
cutada durante a festa de N. S. 1971; GOMES, 1948; SENNA, 1938;
do Rosário. saravá o povo de RAIMUNDO, 1933.

78 Vissungos no Rosário
• kongo. quimb. grande exten- oenda. MACHADO Fo, 1943, São
são de terra de antigo reino de João da Chapada.
mesmo nome. ASSIS JR., [19--]. ocundá-bambi. época de frio.
nkunga. quic. canto, cantiga. GONÇALVES, 1995, Jatobá.
COBE, 2010; MAIA, 1964. ocundá-merê. vamos fazer
cuenda. [andar] erê cuenda/ amor. GONÇALVES, 1995, Jatobá.
oi cuenda cuenda oi camará. ocunda-tunda. levar. GONÇAL-
Capitão Ivo Silvério da Rocha. VES, 1995, Jatobá.
RAJÃO, 2000, Serro. q Não encontrada nos registros de
▲ cuendá(r). andar. BYRD, 2005, nomes de lugares em Minas.
Patrocínio; cuenda, cuendar. ♦ cuendá, quendá. andar, par-
andar. VOGT; FRY, 1996, Alfenas; tir, viajar. CASTRO, 2001, Bahia.
uendar. VOGT; FRY, 1996, Milho cuendá. chegar, pôr, vir, pegar,
Verde; ocuenda. entrar. GON- ir, gerar, jogar, buscar, fugir,
ÇALVES, 1995, Jatobá; ocundá. correr, levar, trazer, andar, etc.
ir. GONÇALVES , 1995, Jatobá. indica ação. ANDRADE Fo, 2000,
uenda. andar, entrar. GONÇAL- Cafundó.
VES , 1995, Jatobá; koendar, cuendá pra cogenga carunga.
kuendar. BATINGA, 1994, Alto falecer. ANDRADE F o, 2000 ,
Paranaíba/Triângulo; cuendê, Cafundó.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 79


■ cuendar. andar. LOPES, 2003. ♦ Não encontrada nos registros
quendá. topônimo. SENNA , de falares africanos em outras
1938. regiões do Brasil.
• kuenda. quimb. andar, cami- ■ Não encontrada entre os africa-
nhar, viajar. MAIA, 1964; ASSIS nismos registrados em dicioná-
JR., [19--]. okuenda. umb. andar. rios e glossários brasileiros.
GUENNEC; VALENTE, 2010; WILSON, • Não encontrada em dicioná-
1954. olun. andar. DICCIONARIO rios de quicongo, quimbundo e
PORTUGUEZ-OLUNYANEKA, 1896. umbundo.
kwenda. quic. caminhar. COBE, cumbara. cidade. eu saí lá do injó
2010. de tata/conenga tata no injó de
cuiama. [?] abá cuna Zambi pala jequê/eu saí lá do cumbara eu é
oso / aiabá cuiama cana abá / pequenino/aqui nesse reino do
apaninjé / ê ê ê aruê, aruê, aruê tamain de agúia. Capitão Julio
/ ê ê ê aruê, aruê, aruê. Capitã Antônio Filho. RIOS; CORRÊA,
Pedrina de Lourdes Santos. 2008, Fagundes.
TITANE, 1999, Oliveira. ▲ cidade. cumbara-nêne. cidade.
▲ Não encontrada nos registros de Cidade, comércio. SIMÕES, 2014,
falares africanos em Minas. Milho Verde; comércio , cidade.
q Não encontrada nos registros de SIMÕES, 2014, Espinho; cum-
nomes de lugares em Minas. baca, cumbe. cidade, vila. BYRD,

80 Vissungos no Rosário
2005, Patrocínio; VOGT ; FRY , cumbara uarrufo. cemitério (lit.
1996, Patrocínio; kimbo. cidade, cidade brava). QUEIROZ, 1998,
vila. BYRD , 2005, Patrocínio; Tabatinga.
kumbara. cidade. NASCIMENTO, kumbara maioral. cidade.
2003, São João da Chapada; BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/
cumbara, incumbara. O Triângulo.
orumo é do cumbara avura. O combaro catita. lugar pequeno,
carro é da cidade grande. QUEI- comércio, arraial. MACHADO Fo,
ROZ, 1998, Tabatinga; cumba- 1943, São João da Chapada.
raiêto. cidade grande. VOGT; combaro uonene. cidade.
FRY, 1996, Milho Verde; kum- MACHADO Fo, 1943, São João da
baca, kumbara, kunebara. Chapada.
cidade. BATINGA , 1994, Alto q Não encontrada nos registros de
Paranaíba/Triângulo; com- nomes de lugares em Minas.
baro. lugar habitado. MACHADO ♦ cumbara. cidade. CASTRO ,
F , 1943, São João da Chapada.
o
2001, Bahia. ambara. cidade.
cumbara. cidade, lugar habi- ANDRADE F o, 2000, Cafundó;
tado. DORNAS Fo, 1938, Itaúna. VOGT; FRY, 1996, Cafundó. cum-
cumbara de São Pedro. cemi- bara, umbara. cidade, povo-
tério (lit. cidade de São Pedro). ado. VOGT; FRY, 1996, Mogi das
QUEIROZ, 1998, Tabatinga. Cruzes.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 81


ambara nâni. vila. ANDRADE Fo, q Não encontrada nos registros de
2000, Cafundó. nomes de lugares em Minas.
ambara vavuro. cidade grande. ♦ Não encontrada nos registros
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. de falares africanos em outras
■ cumbaca, cumbara. cidade. regiões do Brasil.
LOPES, 2003. ■ Não encontrada entre os africa-
• mbaka, kimbaka. quimb. nismos registrados em dicioná-
cidade. MAIA, 1964; ASSIS JR., rios e glossários brasileiros.
[19--]. mbála. quimb. vila, • Não encontrada em dicioná-
aldeia. MAIA, 1964; ASSIS JR., rios de quicongo, quimbundo e
[19--]. ombala. umb. cidade. umbundo.
LE GUENNEC; VALENTE, 2010. cuna. [?] abá cuna zambi pala
cumetavita. [?] otê... oteque ouê.../ oso/aiabá cuiama cana abá
Pade Nosse com Ave Maria, apaninjé/ê ê aruê, aruê, aruê/ê ê
auê.../securo cumetavita, auê/ê aruê, aruê, aruê. Capitã Pedrina
inganazamba punga auê.../auê, de Lourdes Santos. TITANE, 1999,
auê, ô... Capitão João Lopes. Oliveira.
LUCAS, [1990], Jatobá. ▲ Não encontrada nos registros de
▲ Não encontrada nos registros de falares africanos em Minas.
falares africanos em Minas. q Não encontrada nos registros de
nomes de lugares em Minas.

82 Vissungos no Rosário
♦ Não encontrada nos registros ■ Não encontrada entre os africa-
de falares africanos em outras nismos registrados em dicioná-
regiões do Brasil. rios e glossários brasileiros.
■ Não encontrada entre os africa- • Não encontrada em dicioná-
nismos registrados em dicioná- rios de quicongo, quimbundo e
rios e glossários brasileiros. umbundo.
• kuná. quimb. além. ASSIS JR., curiá. comer. aqui neste reino
[19--]; MAIA, 1964. curiô com dambi/eh, dambiojira
cunda. [?] saravá o povo de cafom de vindero ocaia. Capitão
ingomba auê/saravá o povo de Julio Antônio Filho. RIOS; COR-
Moçambique/oia o povo de con- RÊA, 2008, Fagundes.
gado ouê/ô no jira ni cunda no ▲ comer. SIMÕES , 2014, Milho
jira. Capitão João Lopes. LUCAS, Verde. enino. Se tinha muito
[1990], Jatobá. menino aqui, eles tratava
▲ Não encontrada nos registros de criança de curiá. PEREIRA, 2005,
falares africanos em Minas. Contagem- MG . comer. BYRD ,
q Não encontrada nos registros de 2005, Patrocínio. comer. Abre a
nomes de lugares em Minas. porta, meus filin, leite no ub’ro,
♦ Não encontrada nos registros farinha na cuia pa curiá, oi qui!
de falares africanos em outras QCCAP, 2004. 1. Comer. Precisano
regiões do Brasil. fazê cureio, num tem jeito de

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 83


curiá, porque num caxa ingura. almoçar. Comer. batinga, 1994,
Precisano fazê comida, num tem Alto Paranaíba/Triângulo.
jeito de comê, porque num tem amparo de cúria(r). garfo.
dinhero. 2. copular. Esse cuete BYRD, 2005, Patrocínio;
tava tipurano com uma ocora amparo de kuriar. BATINGA,
aí no conjolo da matuaba. Eu 1994, Alto Paranaíba/Triângulo.
falei: cuete, num dá prá curiá. aprumar cúria(r). comer. BYRD,
Ele falô assim: nós rasta pro 2005, Patrocínio;
sengue. Esse cara tava paque- q Não encontrada nos registros de
rano com uma mulhé velha aí nomes de lugares em Minas.
no bar. Eu falei: cara, num dá ♦ cuniá. comer. Var. cudiá. CAS-
pra comê. Ele falô assim: nós TRO , 2001 , Bahia. cunuar.
vai pro mato. QUEIROZ, 1998, beber. VOGT; FRY, 1996, Cafundó.
Tabatinga; curiar. comer. Beber. curiar. comer. VOGT; FRY, 1996,
VOGT; FRY, 1996, Alfenas e Milho Mogi das Cruzes.
Verde; comer. VOGT; FRY, 1996, ■ curiar. comer. LOPES , 2003;
Patrocínio; cudiar. comer VOGT; MENDONÇA, 1973; SOARES, 1954;
FRY, 1996, Alfenas; curiá. comer. LAYTANO, 1936; RAIMUNDO, 1933.
DORNAS Fo, 1938, Itaúna; kuriar. • kuria. quimb. comer, comida.
comer. BATINGA , 1994, Alto ASSIS JR., [19--]. kudiá. quimb.
Paranaíba/Triângulo; kuriatar. comer, comida. MAIA , 1964.

84 Vissungos no Rosário
okulia. umb. comer, comida. 1998, Tabatinga; curimar. tra-
GUENNEC; VALENTE, 2010; WIL- balhar, rezar. VOGT; FRY, 1996,
SON, 1954. dya. quic. comer. Patrocínio; dançar. VOGT; FRY,
COBE, 2010. okuria. olun. comer. 1996, Alfenas. curimbar. can-
DICCIONARIO P O RT U G U E Z- tar. VOGT; FRY, 1996, Alfenas;
-OLUNYANEKA, 1896. kurimar. trabalhar. BATINGA,
curimá. trabalhar. oia eu vim lá ,
1994 Alto Paranaíba/Triângulo.
de Angola/eu vim aqui curimá/ q Não encontrada nos registros de
ah, eu vim do calunga/eu vim nomes de lugares em Minas.
aqui trabucá. Capitã Pedrina de ♦ curimá. trabalhar. CASTRO, 2001,
Lourdes Santos. TITANE, 1999, Bahia. curimá. trabalhar, fazer,
Oliveira. produzir, preparar. ANDRADE Fo,
▲ curimá(r). trabalhar. BYRD , 2000, Cafundó. curimar. tra-
2005 , Patrocínio. curimbá, balhar, rezar. VOGT; FRY, 1996,
curimá. trabalhar. Oia, gente, Cafundó e Mogi das cruzes.
eu preciso curimbá um poquinho, curima da mucanda. livro.
porque esse curimbo meu tem ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
que entregá hoje. Oia, gente, curima de jambi. festa religiosa.
eu preciso trabalhá um poqui- ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
nho, porque esse trabalho meu
tem que entregá hoje. QUEIROZ,

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 85


curima do adufo e do fole. terra, capinar. MAIA, 1964; ASSIS
música. ANDRADE F ,
o
2000 , JR., [19--]. okuringa. olun. tra-
Cafundó. balhar. DICCIONARIO PORTUGUEZ-
curima do nangá do adufo. -OLUNYANEKA, 1896.
música. ANDRADE F o, 2000 , daboadua. [?] uai cacundê iauê /
Cafundó. uia cacundê iauê / iaqué casabá
curima do palulé. fute- daboadua… / canau é devera jé
bol, dança. ANDRADE Fo, 2000, / canau é devera jé. Capitão Jair
Cafundó. Teodoro de Siqueira. DIAS, 2002,
curima do palulé do pelotão. Matição.
futebol. ANDRADE F o, 2000 , ▲ Não encontrada nos registros de
Cafundó. falares africanos em Minas.
curima do palulé da picópia q Não encontrada nos registros de
do nangá do adufo. dança. nomes de lugares em Minas.
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. ♦ Não encontrada nos registros
■ curimar. trabalhar. LOPES, 2003. de falares africanos em outras
culimar. lavrar a terra. FER- regiões do Brasil.
REIRA, 1997. ■ Não encontrada entre os africa-
• okulima. umb. lavrar a terra. nismos registrados em dicioná-
GUENNEC; VALENTE, 2010; WILSON, rios e glossários brasileiros.
1954. kurima. quimb. lavrar a

86 Vissungos no Rosário
• Não encontrada em dicioná- deus, santo. VOGT; FRY, 1996,
rios de quicongo, quimbundo e Cafundó. jira. 1. oração, reza,
umbundo. Ver dambi, jira. o ato de louvar as divindades
dambi. Ver zambi. em congo-angola; sessão de
dambiojira. [?] aqui neste reino umbanda. CASTRO, 2001, Bahia.
curiô com dambi/eh, dambiojira unjira. caminho, rua. nome de
cafom de vindero ocaia. Capitão Bambojira. CASTRO, 2001, Bahia.
Julio Antônio Filho. RIOS; COR- jambi vimbundo. São Benedito.
RÊA, 2008, Fagundes. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
▲ Não encontrada nos registros de ■ zambi. 1. deus. 2. chefe. 3.
falares africanos em Minas. topônimo. LOPES, 2003; AURÉ-
q Não encontrada nos registros de LIO , 1975; MENDONÇA , 1973;
nomes de lugares em Minas. BASTIDE, 1971; SOARES, 1954;
♦ zambi, inzambi. deus supremo. SENNA , 1921, 1938. manjira,
gangazambi, ganganzambi, ongira. caminho. LOPES, 2003.
inganazambi, angananzambi, • nzambi, ngana, ngana-
angananzambi-opungo, gan- nzambi, nzambi-pungu.
ganzambi. deus, ser Supremo. quimb deus. MAIA, 1964; ASSIS
CASTRO , 2001, Bahia. jambi. JR., [19--]. nzambi. quic. deus.
deus, santo. ANDRADE F , 2000,
o
COBE, 2010; MAIA, 1964. ngãla
Cafundó. ingananzambe. njambi. umb. deus. GUENNEC;

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 87


VALENTE , 2010. onjila. umb. ♦ Não encontrada nos registros
caminho. GUENNEC; VALENTE, de falares africanos em outras
2010; WILSON, 1954. njila. quimb. regiões do Brasil.
caminho. MAIA, 1964; ASSIS JR., ■ Não encontrada entre os africa-
[19--]. nzila. quic. caminho, rua. nismos registrados em dicioná-
COBE, 2010; MAIA, 1964. ondyila. rios e glossários brasileiros.
olun. caminho. DICCIONARIO POR- • Não encontrada em dicioná-
TUGUEZ-OLUNYANEKA, 1896. Ver rios de quicongo, quimbundo e
jira e zambi. umbundo.
dimanga. [?] zambi dimanga dipupi, dipupu. [entender, falar] ô
zambi no jira tingô auê.../Santa indamba angananzambi punga
Maria, mãe de Deus,/rogai por auê.../duro cum bambi/dipupi
nós, pecadô/oia Santa Maria, aiovê,auê.../ê duro cum zambi/
mãe de Deus/rogai por nós, dipupu aiovê. Capitão João
pecadô. Capitão João Lopes. Lopes. LUCAS, [1990], Jatobá.
LUCAS, [1990], Jatobá. ▲ copiá(r), cupiá(r). entender.
▲ Não encontrada nos registros de BYRD, 2005, Patrocínio. copiar.
falares africanos em Minas. falar. VOGT; FRY, 1996, Alfenas;
q Não encontrada nos registros de ocupupiá, pupiá. GONÇALVES,
nomes de lugares em Minas. 1995, Jatobá; copiá. entender.

88 Vissungos no Rosário
BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/ F o, 2000, Cafundó; voz, fala,
Triângulo; verdade. cupopiá, cupopiar.
tupiandaca. mentira. BYRD , falar. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó;
2005, Patrocínio. BATINGA, 1994, VOGT; FRY, 1996, Cafundó. cupo-
Alto Paranaíba/Triângulo. piadô. língua, rádio. ANDRADE Fo,
pupiá-indaca. conversar fiado, 2000, Cafundó.
falar língua de negro. GONÇAL- coçumbadô de cupópia. grava-
VES, 1995, Jatobá. dor. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
pupiá-ocundá. gritar. GONÇAL- cupópia do arambuá. latido.
VES, 1995, Jatobá. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
pupiá-xiacala. rezar. GONÇAL- cupópia de ingômbi. relin-
VES, 1995, Jatobá. cho, mugido. ANDRADE Fo, 2000,
pupiando undaka. falando Cafundó.
besteira. olhem que não estou cupópia da muchinga. espirro.
pupiando undaka. GONÇALVES, ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
[1994], Jatobá. cupópia do vimbundo. fala
q Não encontrada nos registros de africana do Cafundó e do antigo
nomes de lugares em Minas. Caxambu. ANDRADE F o, 2000,
♦ cupópia. voz, som, ronco, con- Cafundó.
versa, a fala africana do Cafundó
e do antigo Caxambu. ANDRADE

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 89


cupópia do orofômbi. língua eledá. [Deus] messaquilibu babá
portuguesa. ANDRADE F , 2000,
o
oquê/mulendi eledá/muna ualê
Cafundó. e duaiê/ê ê aruê, aruê, aruê/ê ê
cupópia do chipuco. flatulên- aruê, aruê, aruê. Capitã Pedrina
cia. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. de Lourdes Santos. TITANE, 1999,
cupópia do adufo e do fole. Oliveira.
música. ANDRADE F o, 2000, ▲ Não encontrada nos registros de
Cafundó. falares, cantos e contos africa-
cupópia vavuro. verdade. nos em Minas.
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. q Não encontrada nos registros de
cupópia do ramunhau. miado. nomes de lugares em Minas.
ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
♦ eledá. Deus, criador do universo.
cupopiadô e coçumbadô do εlεdàá. ior. CASTRO, 2001, Bahia.
quilombo. telefone. ANDRADE ■ eledá. Anjo da guarda entre
Fo, 2000, Cafundó. os feiticeiros do Rio de Janeiro.
■ cupópia. conversar. LOPES , Etim.: ior. SENNA, 1938; RAI-
2003; FERREIRA, 1997. MUNDO, 1933.
• okupopia. umb. falar. GUENNEC; • Não encontrada em dicioná-
VALENTE, 2010; WILSON, 1954. rios de quicongo, quimbundo e
olun. falar. DICCIONARIO PORTU- umbundo.
GUEZ-OLUNYANEKA, 1896.

90 Vissungos no Rosário
erê. [?] intj. erê cuenda/oi cuenda Acredita-se ainda serem eles
cuenda, oi camará. Capitão Ivo os assistentes das divindades.
Silvério da Rocha. RAJÃO, 2000, elèèrè, egbére. ior. CASTRO,
Serro. 2001, Bahia.
▲ Não encontrada nos registros de ■ Não encontrada entre os africa-
falares, cantos e contos africa- nismos registrados em dicioná-
nos em Minas. rios e glossários brasileiros.
q Não encontrada nos registros de • Não encontrada em dicioná-
nomes de lugares em Minas. rios de quicongo, quimbundo e
♦ erê. Um dos estados de transe; umbundo.
espíritos infantis também cultu- gana. Ver angana.
ados pelos iniciados ao lado da gimba. cigarro. oia tico-tico subiu
divindade a que foram consagra- no coquero/quando desceu me
dos. Agem como crianças, tra- desceu a cavalo/eh, levou minha
quinas, portam um atori e falam, gimba. Capitão Julio Antônio
com voz infantil, uma linguagem Filho. RIOS ; CORRÊA , 2008,
em português truncado, mistu- Fagundes.
rando palavras e expressões de ▲ cigarro. BATINGA , 1994, Alto
origem africana, com impro- Paranaíba/Triângulo.
périos e obscenidades, como q Não encontrada nos registros de
gará, milonga, misacrê, xibungo. nomes de lugares em Minas.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 91


♦ Não encontrada nos registros ■ gongá. 1. sabiá. 2. pequena
de falares africanos em outras cesta com tampa. AURÉLIO, 1975.
regiões do Brasil. • ngónga. quimb. instrumento
■ Não encontrada entre os africa- músico de uma só corda. ASSIS
nismos registrados em dicioná- JR., [19--].
rios e glossários brasileiros. gunga. instrumento de percus-
• Não encontrada em dicioná- são feito de latas com furi-
rios de quicongo, quimbundo e nhos e enchimento de semen-
umbundo. tes usado pelos dançarinos nas
gonga. [instrumento musical]. ê pernas na festa do Rosário. Eu
zambi... ei, minha gonga é de mexeu na gunga/coração doeu/
nhá pai/essa gonga é de nhá vô, gunga de meu pai/meu coração
ai/ê zambi... DIAS, 2001, Arturos. doeu. Capitão Julio Antônio Filho.
▲ Não encontrada nos registros de RIOS; CORRÊA, 2008, Fagundes.
falares africanos em Minas. Ô, vô firmá a minha gunga/
q Não encontrada nos registros de pro terrero serená/vamo firmá
nomes de lugares em Minas. nossa ingoma/ô, pra nossa festa
♦ gongá. santuário, templo congo- começá. Capitão Dirceu Ferreira
-angola, geralmente ao ar-livre, Sérgio. DIAS, 2001, Justinópolis;
em espaço aberto. CASTRO, 2001, ▲ gunga, cumba. sino. SIMÕES,
Bahia. 2014, Milho Verde. sino. BYRD,

92 Vissungos no Rosário
2005, Patrocínio; latinhas com ela foram feitas para trabalhar.
esferas de chumbo em seu inte- PEREIRA; GOMES, 2000, Arturos.
rior e que são amarradas aos q Não encontrada nos registros de
tornozelos dos dançantes da nomes de lugares em Minas.
guarda de Moçambique; cam- ♦ gunga. 1. berimbau médio,
panha; sinete usado durante o geralmente acompanhado do
cativeiro, preso ao tornozelo dos contra-gunga; também é ins-
escravos, pra denunciar-lhes as trumento consagrado a Sultão
fugas. PEREIRA; GOMES, 2000, da(s) Mata(s) e usado apenas
Arturos. sino, guiso. VOGT; FRY, durante as festas cerimoniais. 2.
1996, Milho Verde. homossexual. 3. ladrão. CASTRO,
angunga-chique. chique de 2001, Bahia.
vime que atam nas pernas ■ gunga. 1. sino. 2. chefe. 3.
para a dança. DORNAS Fo, 1938, alguns jogos. 4. berimbau. 5.
Itaúna. topônimo. LOPES, 2003; AURÉLIO,
marrá gunga. advertência; 1975; SENNA, 1938; RAIMUNDO,
canto tirado para alguém que 1933.
está com as gungas nas mãos: • ongunga. umb. sino. GUEN-
ele deve amarrá-las nas per- NEC ; VALENTE , 2010; WILSON ,
nas e entrar na dança, pois 1954. olun. sino. DICCIONARIO
PORTUGUEZ-OLUNYANEKA, 1896.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 93


ngunga. quimb. qualquer ins- punga auê.../auê, auê, ô...
trumento sonoro. sino. MAIA, Capitão João Lopes. LUCAS ,
1964; ASSIS JR., [19--]. ngunga. [1990], Jatobá.
quic. sino. COBE, 2010. ▲ aiuê. […] aiuê, congo verá, á.
iauê, ouê, auê, aiuê. oia cacumbê MACHADO Fo, 1943, São João da
iauê/oia cacumbê iauê/oia Chapada. aue-ué. Expresão
cacumbê iauê/iaqué casabá exclamativa. GONÇALVES, 1995,
oaú.../canaú é devera é /canaú Jatobá.
é devera é. Capitão Jair Teodoro q Não encontrada nos registros de
de Siqueira. DIAS, 2002, Matição. nomes de lugares em Minas.
[?] otê... oteque ouê.../Pade ♦ auê. 1. saudação em queto
Nosse com Ave Maria, auê.../ equivalente a “meu camarada”.
securo cumetavita, auê/ê inga- 2. saudação precedida de “com
nazamba punga auê.../auê, auê, licença”, muito frequente nas
ô... Capitão João Lopes. LUCAS, cantigas de caboc(l)o e congo-
[1990], Jatobá. -angola, uma espécie de refrão,
frequente nos cantos, ao final a exemplo de “Cum licença auê,
dos versos, muitas vezes com cum licença auê, cum licença de
sentido melancólico. Pade Nosse Zambiapongo, cum licença auê”.
com Ave Maria, auê.../securo 3. Confusão, tumulto. CASTRO,
cumetavita, auê/ê inganazamba 2001, Bahia.

94 Vissungos no Rosário
■ auê. saudação. SENNA, 1938. Patrocínio; indame. fogo,
aiuê. interjeição de alegria mulher. BATINGA , 1994, Alto
zombeteira, de gracejo. AURÉ- Paranaíba/Triângulo; indamba,
LIO, 1975; SOARES, 1954. andambi, mdambi. mulher.
• aiué. quimb. Ai! MAIA, 1964. Andambi, ucumbi u atundá.
aiué. quimb. Oh! MAIA, 1964. Curima aiô mdambi. MACHADO
aiuê. quimb. interjeição de dor. Fo, 1943, São João da Chapada;
ASSIS JR., [19--]. mandumba. DORNAS Fo, 1938,
inganazamba punga. Ver zambi. Itaúna.
indamba. [mulher] ê inganazamba andambe ocaio. mulher da
punga auê.../auê, auê, ô... /ô vida livre. SIMÕES, 2014, Milho
indamba angananzambi punga Verde.
auê... Capitão João Lopes. LUCAS, indame de sukano. moça
[1990], Jatobá; namoradeira. Virgem. BATINGA,
▲ andambe, indambe. mulher; 1994, Alto Paranaíba/Triângulo.
palavra feia. SIMÕES, 2014, Milho indame oteka. mulher preta.
Verde. indumba. moça. BYRD, BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/
2005, Patrocínio; andambe. Triângulo.
mulher. NASCIMENTO, 2003, São indame sucanada. mulher
João da Chapada; indumba. casada. BATINGA , 1994, Alto
mulher, moça. VOGT; FRY, 1996, Paranaíba/Triângulo.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 95


amparo de indame. sapato. ingoma. tambor. ê conengô com
BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/ tata lá no injó de jequê/aqui
Triângulo. nesse reino no injó de jequê/o
q Não encontrada nos registros de timbojira cafom de vindero/no
nomes de lugares em Minas. injó de jequê ingoma. Capitão
♦ indumba. 1. prostituta. 2. Julio Antônio Filho. RIOS; COR-
homossexual. CASTRO , 2001, RÊA, 2008, Fagundes.
Bahia. indam, indumbe. mandei lá na Angola bus-
mulher. VOGT; FRY, 1996, Mogi car minha pai/buscar minha
das Cruzes. pai, buscar minha pai, oia lá/
■ indambe, indumba. mulher. eu canto meu ponto, meu pai
LOPES, 2003. vai chegar/me chora ingoma.
• andumba. quimb. moças. Capitão Julio Antônio Filho.
ilumba. quimb. mulher, moça. RIOS; CORRÊA, 2008, Fagundes.
kalumba. quimb. moça. eh jombin, me chora, ingoma/ê
ndumbu. quimb. prostituta. mamãe, meu pai vai chegar,
ndumbe. quimb. noviça. MAIA, meu pai vai chegar. Capitão
1964. kandumba. quic. moça. Julio Antônio Filho. RIOS; COR-
MAIA , 1964. ndumba. quic. RÊA, 2008, Fagundes.
moça. COBE, 2010. Sá Rainha, no dia de hoje/
ingoma chegô viajô/veio pra te

96 Vissungos no Rosário
visitá no seu palácio te encon- ingoma casaca. revólver. NAS-
trô/chora ingoma iá. DIAS, 2001, CIMENTO , 2003, São João da
Jatobá Chapada.
ô, vô firmá a minha gunga/pro q Não encontrada nos registros de
terreo serená/vamo firmá nossa nomes de lugares em Minas.
bingoma/ô, pra nossa festa ♦ engoma, ingoma, zingoma.
começá. Capitão Dirceu Ferreira tambor cilíndrico, de uma face,
Sérgio. DIAS, 2001, Justinópolis. usado nas cerimônias congo-
▲ Oi, ingoma, oia lá. PEREIRA , -angola. CASTRO, 2001, Bahia.
2005; nagoma. BYRD , 2005, ■ grande tambor de uma só mem-
Patrocínio; grupo de dançan- brana, usado nos candomblés
tes do Congado; referência ou bantos (angolas e congo) e tam-
chamado aos componentes da bém em certas danças folclóricas
guarda de Moçambique; o con- (p. ex. bambelôs, cocos, jongos,
junto da herança recebida dos etc.). LOPES, 2003. ingomba,
antepassados; diz-se ingoma – ingome, ingono. tambor. AURÉ-
vocativo – quando todo canto LIO, 1997.
está bonito. PEREIRA; GOMES, • ngoma. quimb. tambor. MAIA,
2000, Arturos. angoma. GON- 1964; ASSIS JR., [19--]. ngoma.
ÇALVES, 1995, Jatobá. quic. tambor. COBE , 2010 .
ongoma. umb. tambor (termo

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 97


genérico). GUENNEC; VALENTE, casa na roça. 2. gaiola. con-
2010. olun. tambor. DICCIONARIO jolozim. casinha. Nois injira
PORTUGUEZ-OLUNYANEKA, 1896. prum conjolozim acatita no
injó. casa. eu saí lá do injó de sengue, né? Nóis vai pruma
tata/conenga tata no injó de casinha pequena na roça, né?
jequê/eu saí lá do cumbara eu QUEIROZ, 1998, Tabatinga. injó,
é pequenino/aqui nesse reino do onjó, conjolo. casa. VOGT; FRY,
tamain de agúia. Capitão Julio 1996, Alfenas e Patrocínio; onjo,
Antônio Filho. RIOS; CORRÊA, enjo. VOGT; FRY, 1996, Milho
2008, Fagundes. Verde; onjó. GONÇALVES, 1995,
▲ onjó. casa, igreja, rancho, venda. Belo Horizonte; injó, sinjó.
SIMÕES , 2014, Milho Verde; BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/
injó. BYRD, 2005, Patrocínio. Triângulo; onjó. casa, rancho,
onjó. Casa. NASCIMENTO, 2003, cafua. MACHADO Fo, 1943, São
São João da Chapada; bonjó, João da Chapada; Injó, undió.
conjó. altar. PEREIRA; GOMES, habitação, casa. DORNAS F o,
2000, Arturos. conjolo, conjor, 1938, Itaúna.
conjô, canjolo. 1. casa. Mora amparo de injó. parede. VOGT;
longe daqui, no sengue. Então FRY, 1996, Patrocínio.
caxô conjolo no sengue. Mora
longe daqui, na roça. Então fez

98 Vissungos no Rosário
injó de banzo. bordel. BYRD, botequim. BATINGA, 1994, Alto
2005, Patrocínio; BATINGA, 1994, Paranaíba/Triângulo.
Alto Paranaíba/Triângulo. injó de marafo. boteco,
injó de gonga. cadeia. BATINGA, bar, venda, bodega, bote-
1994, Alto Paranaíba/Triângulo. quim. BYRD, 2005, Patrocínio;
injó de grade. cadeia. BYRD, BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/
2005, Patrocínio; BATINGA, 1994, Triângulo.
Alto Paranaíba/Triângulo. injó de manja. loja de roupas.
injó de imbune, injó de BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/
kamano, injó de kimbe, injó Triângulo.
de kimbunde, injó de vim- injó santa. igreja. BATINGA,
bune. casa dos mortos. BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/Triângulo.
1994, Alto Paranaíba/Triângulo. injó santo. igreja. BYRD, 2005,
injó de isipaco injó de zipo- Patrocínio.
que. banco. BATINGA, 1994, Alto injó de indiambi. igreja. DOR-
Paranaíba/Triângulo. NAS Fo, 1938, Itaúna.
injó de kamano, injó de injó de zipaque. banco. BYRD,
kibunde, injó de marafa, 2005, Patrocínio.
injó de marau, injó de omeia. onjó-ocó-oronanga. bolso
boteco, bar, venda, bodega, (casa, buraco, roupa). GONÇAL-
VES, 1995, Jatobá.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 99


conjó joviti. cemitério. DORNAS conjolo de curimba. local de
F , 1938, Itaúna.
o
trabalho (lit. casa de trabalho).
conjolo caxá omenha. sani- QUEIROZ, 1998, Tabatinga.
tário (lit. casa de verter água). conjolo de fazê omenha. sani-
QUEIROZ, 1998, Tabatinga. tário (lit. casa de fazer água).
conjolo das ingura. banco (lit. QUEIROZ, 1998, Tabatinga.
casa dos dinheiros). QUEIROZ, conjolo de granjão. igreja (lit.
1998, Tabatinga. casa de Deus). QUEIROZ, 1998,
conjolo das ocaia. bordel (lit. Tabatinga.
casa das mulheres). QUEIROZ, conjolo de grosope. bar (lit.
1998, Tabatinga. casa de cerveja). QUEIROZ, 1998,
conjolo de camberela. açou- Tabatinga.
gue (lit. casa de carne). QUEIROZ, conjolo de ingura avura. banco
1998, Tabatinga. (lit. casa de dinheiro muito).
conjolo de conjema. cemité- QUEIROZ, 1998, Tabatinga.
rio (lit. casa de morte). QUEIROZ, conjolo de matuaba. bar (lit.
1998, Tabatinga. casa de cachaça). QUEIROZ, 1998,
conjolo de covera. hospital (lit. Tabatinga.
casa de doença). QUEIROZ, 1998, conjolo de ocaia do cuxipo.
Tabatinga. bordel (lit. casa de mulher

100 Vissungos no Rosário


da boceta). QUEIROZ , 1998, cama eterna). QUEIROZ, 1998,
Tabatinga. Tabatinga.
conjolo de omenha. sanitá- conjolo do undara. usina side-
rio (lit. casa de água). QUEIROZ, rúrgica (lit. casa do fogo). QUEI-
1998, Tabatinga. ROZ, 1998, Tabatinga.
conjolo de orum. posto de conjolo dos cuete ocora. asilo
gasolina (lit. casa de carro). (lit. casa dos homens velhos).
QUEIROZ, 1998, Tabatinga. QUEIROZ, 1998, Tabatinga.
conjolo de rastá longado. conjolo dos fitá con-
clube, casa de dança (lit. casa jema. cemitério (lit. casa dos
de arrastar rebolado). QUEIROZ, fitar morte). QUEIROZ , 1998,
1998, Tabatinga. Tabatinga.
conjolo de urunanga. loja de conjolo dos gombê. curral (lit.
roupas (lit. casa de roupa). QUEI- casa dos bois). QUEIROZ, 1998,
ROZ, 1998, Tabatinga. Tabatinga.
conjolo do longado. clube, conjolo dos pé junto. cemi-
casa de dança (lit. casa do rebo- tério (lit. casa dos pés juntos).
lado). QUEIROZ, 1998, Tabatinga. QUEIROZ, 1998, Tabatinga.
conjolo do tipequera conjolo dos viriango. cadeia
eterno. cemitério (lit. casa da (lit. casa dos soldados). QUEIROZ,
1998, Tabatinga.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 101


q Não encontrada nos registros de injó da cupópia. emissora
nomes de lugares em Minas. de rádio. ANDRADE F o, 2000,
♦ unzó, injó. casa, terre(i)ro. CAS- Cafundó.
TRO , 2001, Bahia. injó. casa. injó da cupópia e da caméria.
ANDRADE F o, 2000, Cafundó; emissora de televisão. ANDRADE
VOGT; FRY, 1996, Cafundó. Fo, 2000, Cafundó.
injó da conena. privada. injó do arambôngui vavuro.
ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
banco. ANDRADE F o, 2000 ,
injó da marrupa. dormitório. Cafundó.
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. injó de curimá o ingômbi
injó da mucanda. escola. do andaru. oficina mecânica.
ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
injó da anguara. bar. ANDRADE injó do injequê do nangá.
F , 2000, Cafundó.
o
loja de guarda-roupa. ANDRADE
injó de Alá. céu, igreja. Fo, 2000, Cafundó.
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. injó da conena. privada.
injó de Alá no túri. igreja. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. injó de cupópia e de coçumbá
injó do michingrim do túri. a cupópia. sala. ANDRADE Fo,
formiga. ANDRADE F o, 2000, 2000, Cafundó.
Cafundó.

102 Vissungos no Rosário


injó de Turpã. céu, igreja. injó do cambererá. açougue.
ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
injó do cutaro. igreja. ANDRADE tenhora do túri no injó.
F , 2000, Cafundó.
o
vassoura. ANDRADE F o, 2000,
injó de ingrime. bar. ANDRADE Cafundó.
F , 2000, Cafundó.
o
■ injó. casa. LOPES, 2003.
injó do maiêmbi. hospital, • onjo. umb. casa. GUENNEC ;
farmácia. ANDRADE F , 2000,
o
VALENTE, 2010; WILSON, 1954.
Cafundó. nzo. quic. casa. COBE, 2010;
injó do variá. cozinha, venda, MAIA, 1964. inzo. quimb. casa.
restaurante. ANDRADE Fo, 2000, MAIA, 1964; ASSIS JR., [19--].
Cafundó. jambê, jombê, jombá. [?] ê
injó que cuípa caxapura. hos- jambê, ê jambê, ê jombá/veio
pital. ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
aprender meu pai vai chegar/
injó do nangá do palulé. sapa- eh jombin, me chora, ingoma/ê
taria. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. mamãe, meu pai vai chegar,
injó do nangá. loja de roupas. meu pai vai chegar. Capitão
ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
Julio Antônio Filho. RIOS; COR-
injó do Jambi no túri. igreja. RÊA, 2008, Fagundes.
ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
ê jambê, ê jombê, ê jombá/a
jombá de nego vai deixar

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 103


saudade/ê jombin, me chora, Filho. RIOS ; CORRÊA , 2008,
ingoma. Capitão Julio Antônio Fagundes.
Filho. RIOS ; CORRÊA , 2008, ▲ jequê, jiquê. caixa. BYRD ,
Fagundes. 2005, Patrocínio; jequê, inje-
▲ Não encontrada nos registros de quê, jiquê, jiqui, indiequê.
falares africanos em Minas. 1. Buraco. Fomo caxá o teia no
q Não encontrada nos registros de jiqui, no conjô dele. Fomo pegá
nomes de lugares em Minas. o tatu no buraco, na casa dele.
♦ Não encontrada nos registros 2. barriga. O jequê da ocaia tá
de falares africanos em outras avura. A barriga da mulhé tá
regiões do Brasil. grande. 3. boca. Eu caxo undara
■ Não encontrada entre os africa- nu injequê. Cê tamém caxa. Eu
nismos registrados em dicioná- tenho oro na boca. Cê tamém
rios e glossários brasileiros. tem. QUEIROZ, 1998, Tabatinga;
● Não encontrada em dicioná- injequê. Saco, receptáculo,
rios de quicongo, quimbundo e copo, vasilha. VOGT; FRY, 1996,
umbundo. Alfenas; jequé. bolso. caixa.
jequê. [?] ê, dambiojira cafom BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/
de vindero ocaia/ô, dambiojira Triângulo; njequê. capanga,
ocaia cafom de vindero no injó sacola. MACHADO Fo, 1943, São
de jequê. Capitão Julio Antônio João da Chapada; indiequê.

104 Vissungos no Rosário


capanga, saco pequeno. DOR- ♦ indiequê. sacola usada a tira-
NAS F , 1938, Itaúna.
o
colo. CASTRO , 2001, Bahia.
jequê de caxá conema. ânus injequê. saco, copo, vasilha.
(lit. buraco de fazer fezes). QUEI- ANDRADE F o, 2000, Cafundó;
ROZ, 1998, Tabatinga. VOGT; FRY, 1996, Cafundó.
jequê de cureio. 1. boca. 2. injequê do andaro de curimá
barriga (lit. buraco de comida). o variá. fogão. ANDRADE Fo,
QUEIROZ, 1998, Tabatinga. 2000, Cafundó.
jequê de curiá. 1. boca. 2. bar- injequê do bambi vavuro.
riga (lit. buraco de comer). QUEI- geladeira. ANDRADE Fo, 2000,
ROZ, 1998, Tabatinga. Cafundó.
jequê de mavera. seio (lit. injequê de conoá nhapecava.
buraco de leite). QUEIROZ, 1998, caneca, copo, xícara. ANDRADE
Tabatinga. Fo, 2000, Cafundó.
jequé de ingome. carro de boi. injequê de cuendá o variá
BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/ curimado na andaru. mesa.
Triângulo. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
jequé de nanja. bolso. BATINGA, injequê de cuendá o vva no
1994, Alto Paranaíba/Triângulo. nhoto. bacia. ANDRADE Fo, 2000,
q Não encontrada nos registros de Cafundó.
nomes de lugares em Minas.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 105


injequê do andaru. fogão, injequê do orofim. pilão,
forno, lâmpada, lampião. gamela. ANDRADE F o, 2000,
ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
Cafundó.
injequê do andaru de curimá injequê do variá. panela, prato.
o bicuanga. forno. ANDRADE Fo, ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
2000, Cafundó. injequê do vava no túri. poço.
injequê do arambôngui. bolsa, ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
carteira. ANDRADE F o, 2000, injequê do vava. nuvem, poço.
Cafundó. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
injequê do avere do cama- injequê nâni do andaru. lâm-
naco. seios. ANDRADE Fo, 2000, pada, lampião. ANDRADE Fo, 2000,
Cafundó. Cafundó.
injequê do vacaio. cachimbo. injequê do nangá. guarda-
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. -roupa. ANDRADE F o, 2000 ,
injequê do mutombinho. Cafundó.
amendoim. ANDRADE Fo, 2000, injequê imbere. escroto,
Cafundó. testículos. ANDRADE Fo, 2000,
injequê do nhapecava. bule. Cafundó.
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. injequezinho do andaru. lâm-
pada, lampião. ANDRADE Fo, 2000,
Cafundó.

106 Vissungos no Rosário


■ injequê. saco. LOPES, 2003. Tabatinga-MG; manjira, ongira.
• nzeke. quimb. saco. MAIA, 1964; estrada, caminho. VOGT; FRY,
ASSIS JR., [19--]. onjeque. umb. 1996, Alfenas; ngira. caminho.
saco. GUENNEC; VALENTE, 2010. Era um capiau meio cambembe,
ondyeke. olun. saco. DICCIO- carregando nos ombros um
NARIO PORTUGUEZ-OLUNYANEKA, cacumbi, cantando pela ngira
1896. uma cantiga pra lá de desafi-
jira. saravá o povo de ingomba auê/ nada, mas ele estava de bem
saravá o povo de Moçambique/ com Nzambi e com a besta da
oia o povo de congado ouê/ô no sua vida. GONÇALVES, [1994],
jira ni cunda no jira. Capitão João Jatobá. angira, gira, ongir,
Lopes. LUCAS, [1990], Jatobá. ongira. caminho. GONÇALVES,
▲ ongira, ungira. caminho. 1995, Jatobá; Alfenas; MACHADO
SIMÕES , 2014, Milho Verde, Fo, 1943, São João da Chapada.
manjira. caminho, rua. BYRD, na injira de tipura de tin-
2005, Patrocínio; injira, injiro. hame. a pé (lit. no caminho
caminho. É pegá o injira do de ida de pé). QUEIROZ, 1998,
curima memo, né? É curimá Tabatinga.
memo. É pega o caminho do coisa de injira de cureio.
trabalho memo, né? É tra- comida (lit. coisa de caminho
balhá memo. QUEIROZ, 1998,

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 107


de comida). QUEIROZ , 1998, MAIA, 1964. ondyila. olun. cami-
Tabatinga. nho. DICCIONARIO PORTUGUEZ-
fazê injira. transportar (lit. -OLUNYANEKA, 1896.
fazer caminho). QUEIROZ, 1998, marungo. [companheiro] mue-
Tabatinga. nha cuna marungo/na Aruanda
angira-cundá. sair. GONÇALVES, saravá/muenha cuna marungo/
1995, Jatobá. na Aruanda saravá. Capitã
angira-cundá-tunda. fugir Pedrina de Lourdes Santos.
apressado. GONÇALVES, 1995, TITANE, 1999, Oliveira.
Jatobá. ▲ malungo. companheiro.
q Não encontrada nos registros de SIMÕES, 2014, espinho, BYRD,
nomes de lugares em Minas. 2005, Patrocínio. num primeiro
♦ unjira. caminho, rua. nome de momento, o nome dado ao com-
Bambojira. CASTRO, 2001, Bahia. panheiro que veio no mesmo
■ manjira, ongira. caminho. navio negreiro. GONÇALVES, 1995,
LOPES, 2003. Jatobá. marungo, malunga. da
• onjila. umb. caminho. GUENNEC; mesma idade. VOGT; FRY, 1996,
VALENTE, 2010; WILSON, 1954. Patrocínio.
njila. quimb. caminho. MAIA, q Não encontrada nos registros de
1964; ASSIS JR ., [19--]. nzila. nomes de lugares em Minas.
quic. caminho, rua. COBE, 2010;

108 Vissungos no Rosário


♦ malungo. 1 . companheiro, • ulungo. quimb. lungu. quic.
irmão de barco. 2. (arcaico) o barco, embarcação. MAIA, 1964.
negro companheiro da embar- malúnga. quimb. argolas, pul-
cação de África; (p. ext.) irmão- seiras. MAIA, 1964; ASSIS JR., [19--].
-de-criação ou irmão-de-leite. nlunga. quic. argolas, pulseiras.
malunga. 1. Bracelete de ferro. COBE, 2010; MAIA, 1964; ochi-
2. Aguardente, cachaça. CASTRO, nunga, ocinunga. umb. pul-
2001, Bahia. seira. GUENNEC; VALENTE, 2010;
■ malungo. companheiro que WILSON, 1954.
está na mesma condição ou marachangê. [?] ô marachangê/
pertence ao mesmo dono ou ô/ô marachangê. RAJÃO, 2000,
fazenda. LOPES, 2003; AURÉ- Serro.
LIO, 1975; SILVEIRA, 1975, 1974; ▲ Não encontrada nos registros de
MENDONÇA, 1973; BASTIDE, 1971; falares africanos em Minas.
BEAUREPAIRE-ROHAN, 1956; SOA- q Não encontrada nos registros de
RES, 1954; SENNA, 1938, 1921; nomes de lugares em Minas.
LAYTANO, 1936; RAIMUNDO, 1933; ♦ Não encontrada nos registros
PIRES, 1921; APOCALYPSE, [s.d.]. de falares africanos em outras
malunga. 1. argola. 2. aguar- regiões do Brasil.
dente. LOPES, 2003; AURÉLIO, ■ Não encontrada entre os
1975; MENDONÇA, 1973. africanismos registrados

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 109


em dicionários e glossários • esumuluho. umb. benção.
brasileiros. oku sumuluisa. umb. aben-
• Não encontrada em dicioná- çoar. WILSON. 1954. kibenzulu.
rios de quicongo, quimbundo e quimb. benção. MAIA, 1964.
umbundo. moçambique. [País africano]
messaquilibu. [?] messaquilibu saravá o povo de ingomba auê/
babá oquê/mulendi eledá/muna saravá o povo de Moçambique/
ualê e duaiê/ê ê aruê, aruê, oia o povo de congado ouê/ô no
aruê/ê ê aruê, aruê, aruê. Capitã jira ni cunda no jira. Capitão João
Pedrina de Lourdes Santos. Lopes. LUCAS, [1990], Jatobá.
TITANE, 1999, Oliveira. ê Zambi.../ei, Maçambique é
▲ Não encontrada nos registros de coisa boa/ Maçambique era nego
falares africanos em Minas. de coroa/ê Zambi... DIAS, 2001,
q Não encontrada nos registros de Arturos.
nomes de lugares em Minas. ▲ guarda dos pretos-velhos;
♦ Não encontrada nos registros caracteriza-se pela roupa branca,
de falares africanos em outras saiote e lenços azuis e uso das
regiões do Brasil. gungas. Em algumas versões
■ Não encontrada entre os africa- do Mito, foi a guarda que tirou
nismos registrados em dicioná- Nossa Senhora do Rosário das
rios e glossários brasileiros.

110 Vissungos no Rosário


águas. PEREIRA; GOMES, 2000, Bahia. moçambique. bobo.
Arturos. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
q Nomeia córrego e fazenda em ■ moçambique. 1. Dança afro-
Cordisburgo. LIMA, 2012. brasileira. 2. Topônimo. SENNA,
♦ moçambique. Nome gené- 1921; AURÉLIO, 1975; MENDONÇA,
rico porque ficaram conheci- 1973.
dos negros do grupo banto de • musambi. quimb. saltareio.
fala majoritária ronga e cha- MAIA , 1964; ASSIS JR ., [19--].
gada, que foram trazidos de musambe. quimb. aquele que
Moçambique, na Contra-Costa, diz orações. ASSIS JR., [19--].
para o Brasil, em número menos nsambu. quic. benção. COBE,
significativo para o Nordeste; 2010; MAIA, 1964. esambu. olun.
dança folclórica brasileira, espé- oração. DICCIONARIO PORTUGUEZ-
cie de bailado, que se encon- OLUNYANEKA, 1896.
tra nas regiões centro-oeste e monu. [?] ocolofé cuna zambi/
sudeste do Brasil. mozambi- monu, monu gundelela/pala oso/
que. país do sudeste africano, munu abanjá. Capitã Pedrina de
banhado pelo Oceano Índico, Lourdes Santos. TITANE, 1999,
capital Maputo e língua ofi- Oliveira.
cial portuguesa. CASTRO, 2001, ▲ Não encontrada nos registros de
falares africanos em Minas.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 111


q Não encontrada nos registros de ♦ Não encontrada nos registros
nomes de lugares em Minas. de falares africanos em outras
♦ Não encontrada nos registros regiões do Brasil.
de falares africanos em outras ■ Não encontrada entre os africa-
regiões do Brasil. nismos registrados em dicioná-
■ mono. [?] SENNA, 1921, 1938. rios e glossários brasileiros.
• Não encontrada em dicioná- • Não encontrada em dicioná-
rios de quicongo, quimbundo e rios de quicongo, quimbundo e
umbundo. umbundo.
mulendi. [?] messaquilibu babá muenha. [?] muenha cuna
oquê/mulendi eledá/muna ualê marungo/na Aruanda saravá/
e duaiê/ê ê aruê, aruê, aruê/ê ê muenha cuna marungo/na
aruê, aruê, aruê. Capitã Pedrina Aruanda saravá. Capitã Pedrina
de Lourdes Santos. TITANE, 1999, de Lourdes Santos. TITANE, 1999,
Oliveira. Oliveira.
▲ Não encontrada nos registros de ▲ Não encontrada nos registros de
falares africanos em Minas. falares africanos em Minas.
q Não encontrada nos registros de q Não encontrada nos registros de
nomes de lugares em Minas. nomes de lugares em Minas.

112 Vissungos no Rosário


♦ Não encontrada nos registros alaranjadas. 2. grande tambor,
de falares africanos em outras usado nas cerimônias religio-
regiões do Brasil. sas dos xangôs. 3. Ser superior
■ Não encontrada entre os africa- aos homens; deus. Nomeia cór-
nismos registrados em dicioná- rego em Ataléia, Buritis e Unaí;
rios e glossários brasileiros. fazenda em Buritis e Unaí. LIMA,
• Não encontrada em dicioná- 2012.
rios de quicongo, quimbundo e ♦ mulungu. 1. espécie de zin-
umbundo. goma muito grande, comprido
mulungu. árvore leguminosa, com e estreito, de som retumbante.
muitos espinhos no tronco e nos CASTRO, 2001, Bahia.
galhos, também conhecida no ■ mulungu. 1. Árvore leguminosa.
Brasil como sapato do diabo. 2. Topônimo. LOPES, 2003; MEN-
Minha mãe mandô me chamá/ DONÇA, 1973; BASTIDE, 1971;
lá no pé de mulungu/oi de dia SENNA, 1938, 1921;
plantá bananera/oi de noite tocá • umbulungu. umb. árvore medi-
caxambu. DIAS, 2001, Jatobá. cinal. LE GUENNEC ; VALENTE ,
▲ Não encontrada nos registros de 2010. mulungu. quimb. grande
falares africanos em Minas. árvore da família das legumino-
q 1. árvore da família das legumi- sas. ASSIS JR., [19--].
nosas, de flores vermelhas ou

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 113


muna. [?] messaquilibu babá oncó ocolofé. Capitã Pedrina de
oquê/mulendi eledá/muna ualê Lourdes Santos. TITANE, 1999,
e duaiê/ê ê aruê, aruê, aruê/ê ê Oliveira.
aruê, aruê, aruê. Capitã Pedrina ▲ muzambo. adivinho. Queremos
de Lourdes Santos. TITANE, 1999, saber o nome da árvore que sur-
Oliveira. giu na mata, pois não somos
▲ Não encontrada nos registros de muzambo. GONÇALVES, [1994].
falares africanos em Minas. q muzambo. Nomeia rio em
q Não encontrada nos registros de Alfenas, Alterosa, Divisa Nova,
nomes de lugares em Minas. Juruaia, Muzambinho e Serrania;
♦ Não encontrada nos registros Fazenda em Areado, Monte Belo
de falares africanos em outras e Muzambinho. Muzambinho.
regiões do Brasil. Nomeia cidade; fazenda em
■ Não encontrada entre os africa- Itambacuri, Serrania; Ribeirão
nismos registrados em dicioná- em Serrania; rio e serra em
rios e glossários brasileiros. muzambinho. LIMA, 2012.
• Não encontrada em dicioná- ♦ muzambê. espécie de papão do
rios de quicongo, quimbundo e folclore brasileiro. resposta do
umbundo. sacerdote ao filho que lhe pediu
musambê. [?] angana musambê/ a bênção. CASTRO, 2001, BAHIA.
angana lubambu/oncó uteleze/

114 Vissungos no Rosário


■ muzambê. bicho papão. MEN- ♦ Não encontrada nos registros
,
DONÇA 1973 . de falares africanos em outras
• muzambu. quimb. adivi- regiões do Brasil.
nha, adivinhação. MAIA, 1964. ■ Não encontrada entre os africa-
musambe. quimb. planta famí- nismos registrados em dicioná-
lia das leguminosas (cássia sibe- rios e glossários brasileiros.
riana), comestível e medicinal. • Não encontrada em dicioná-
músambe. quimb. que diz ou rios de quicongo, quimbundo e
faz orações. ASSIS JR., [19--]. umbundo.
nsambu. quic. benção. COBE, ocaia. aqui neste reino curiô com
2010; MAIA, 1964. esambu. olun. dambi/eh, dambiojira cafom
oração. DICCIONARIO PORTUGUEZ- de vindero ocaia. Capitão Julio
OLUNYANEKA, 1896. Antônio Filho. RIOS; CORRÊA,
nodiratingó. [?] zambi dimaca- 2008, Fagundes.
jiomi/nodiratingó auê... Capitão ê, dambiojira cafom de vindero
João Lopes. LUCAS , [ 1990] , ocaia/ô, dambiojira ocaia cafom
Jatobá. de vindero no injó de jequê.
▲ Não encontrada nos registros de Capitão Julio Antônio Filho. RIOS;
falares africanos em Minas. CORRÊA, 2008, Fagundes.
q Não encontrada nos registros de ▲ caimina, caiumina. moça
nomes de lugares em Minas. mulher nova. SIMÕES , 2014,

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 115


Milho Verde; ocaia. mulher, ocai de banzo. prostituta. BYRD,
moça. ocaia, ocai, ocaio. 2005, Patrocínio.
mulher. BYRD, 2005, Patrocínio. ocai ofu. mulher negra. BYRD,
Agora, essa ocaia, o caia cavu- 2005, Patrocínio.
vira, que tem o mavero avura. ocaia de cuxipa. prostituta (lit.
Agora, essa mulhé, a mulhé mulher da boceta). QUEIROZ,
preta, que tem o peito grande. 1998, Tabatinga.
ocaizaim, ocainha, ocai- ocaia de imbunda. 1. feiticeira.
zinha. 1. menina. 2. moci- 2. mulher infiel (lit. mulher de
nha. QUEIROZ, 1998, Tabatinga; ambundo). QUEIROZ , 1998 ,
ocai, ocaia, ocaio. VOGT ; Tabatinga.
FRY, 1996, Patrocínio; mucai. ocaia do cuete. esposa (lit.
VOGT; FRY, 1996, Alfenas; okay. mulher do homem). QUEIROZ,
moça. mulher. okayzim. moça. 1998, Tabatinga.
BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/ ocaia meu tata. mãe (lit.
Triângulo. ocaia. fumo. MACHADO mulher meu genitor). QUEIROZ,
Fo, 1943, São João da Chapada; 1998, Tabatinga.
Mulher. DORNAS Fo, 1938, Itaúna; ocaia ocora. mãe (lit. mulher
ocai santo. virgem. BYRD, 2005, velha). QUEIROZ, 1998, Tabatinga.
Patrocínio. okay de banzo. mulher
adúltera. mulher prostituída.

116 Vissungos no Rosário


prostituta. BATINGA, 1994, Alto ♦ ocáia. concubina, amante. CAS-
Paranaíba/Triângulo. TRO, 2001, Bahia.
okay kinhama. mulher gorda. ■ ocáia. mulher concubina ou
BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/ amante. LOPES, 2003; MENDONÇA,
Triângulo. 1973; SENNA, 1938; RAIMUNDO,
okay makafa. velha. BATINGA, 1933.
1994, Alto Paranaíba/Triângulo. • ukai. umb. mulher. GUENNEC;
okay marruda. mulher gorda. VALENTE, 2010; WILSON, 1954.
BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/ kiuáia. quimb. prostituta. MAIA,
Triângulo. 1964. omukai. olun. mulher.
okay santo. moça Virgem. DICCIONARIO PORTUGUEZ-OLUNYA-
virgem. BATINGA , 1994, Alto NEKA, 1896.
Paranaíba/Triângulo. ocolofé. [?] ocolofé cuna zambi/
okay vibunada. mulata. monu, monu gundelela/pala oso/
BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/ munu abanjá. Capitã Pedrina de
Triângulo. Lourdes Santos. TITANE, 1999,
ocaia do vicóra. rainha. DOR- Oliveira.
NAS Fo, 1938, Itaúna. ▲ Não encontrada nos registros de
q Não encontrada nos registros de falares africanos em Minas.
nomes de lugares em Minas. q Não encontrada nos registros de
nomes de lugares em Minas.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 117


♦ Não encontrada nos registros das divindades em transe. 1. ε
de falares africanos em outras kúašέ, ε kúušέ Ior 2. ε kúšílέ. Ior
regiões do Brasil. Bem-vindo à casa. CASTRO, 2001,
■ ofé. querer. “Ofé ageúm?” Bahia.
(Queres comer?); “Umofé” (Não ■ Não encontrada entre os africa-
quero). Do nagô. GARCIA, 1935. nismos registrados em dicioná-
• Não encontrada em dicioná- rios e glossários brasileiros.
rios de quicongo, quimbundo e • Não encontrada em dicioná-
umbundo. rios de quicongo, quimbundo e
ocuacê. [?] ocuacê aiagana/ara- umbundo.
racolê/ ocuacê aiagana/arare- oncó. [?] angana musambê/
colá. Capitã Pedrina de Lourdes angana lubambu/oncó uteleze/
Santos. TITANE, 1999, Oliveira. oncó ocolofé. Capitã Pedrina de
▲ Não encontrada nos registros de Lourdes Santos. TITANE, 1999,
falares, cantos e contos africa- Oliveira.
nos em Minas. ▲ Não encontrada nos registros de
q Não encontrada nos registros de falares africanos em Minas.
nomes de lugares em Minas. q Não encontrada nos registros de
♦ acuxé. 1. “Bom trabalho”, sau- nomes de lugares em Minas.
dação a quem se acha traba-
lhando. 2. Recepção à chegada

118 Vissungos no Rosário


♦ Não encontrada nos registros ♦ oquê-arô. (kwa) Saudação para
de falares africanos em outras Oxóssi. oke àró. ior CASTRO,
regiões do Brasil. 2001, Bahia.
■ Não encontrada entre os africa- ■ Não encontrada entre os africa-
nismos registrados em dicioná- nismos registrados em dicioná-
rios e glossários brasileiros. rios e glossários brasileiros.
• Não encontrada em dicioná- • Não encontrada em dicioná-
rios de quicongo, quimbundo e rios de quicongo, quimbundo e
umbundo. umbundo.
oquê. [?] messaquilibu babá oquê/ oso. [?] abá cuna zambi pala
mulendi eledá/muna ualê e oso/aiabá cuiama cana abá
duaiê/ê ê aruê, aruê, aruê/ê ê apaninjé/ê ê aruê, aruê, aruê/ê ê
aruê, aruê, aruê. Capitã Pedrina aruê, aruê, aruê. Capitã Pedrina
de Lourdes Santos. TITANE, 1999, de Lourdes Santos. TITANE, 1999,
Oliveira. Oliveira.
▲ Não encontrada nos registros de ▲ Não encontrada nos registros de
falares, cantos e contos africa- falares africanos em Minas.
nos em Minas. q Não encontrada nos registros de
q Não encontrada nos registros de nomes de lugares em Minas.
nomes de lugares em Minas.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 119


♦ Não encontrada nos registros Verde; hoje. GONÇALVES, 1995,
de falares africanos em outras Belo Horizonte; otequê. dia.
regiões do Brasil. MACHADO Fo, 1943, São João da
■ Não encontrada entre os africa- Chapada; otecame, otéque.
nismos registrados em dicioná- noite. DORNAS Fo, 1938, Itaúna.
rios e glossários brasileiros. ussixê-oteque. meia-noite.
• uososo. quimb. qualquer. onso. GONÇALVES, 1995. Jatobá.
quic. qualquer. MAIA, 1964. uoso. ocizê-oteke. meia-noite. Só
quimb. todo. ASSIS JR., [19--]. chegou ao último, o 7º, a
otê, oteque. céu. otê... ote- ocizê-oteke. GONÇALVES, [1994],
que ouê.../Pade Nosse com Ave Jatobá.
Maria, auê.../securo cumetavita, q Não encontrada nos registros de
auê. Capitão João Lopes. LUCAS, nomes de lugares em Minas.
[1990], Jatobá. ♦ tec. noite. ANDRADE Fo, 2000,
▲ coteque, oteque. céu, noite. Cafundó. tequi, otéqui. noite.
BYRD, 2005, Patrocínio; oteque, VOGT; FRY, 1996, Cafundó.
conteque. céu; noite. QUEI- ■ coteque, oteque. noite. LOPES,
ROZ, 1998, Tabatinga; coteque. 2003.
noite. VOGT; FRY, 1996, Alfenas; • uteke. umb. noite. GUENNEC;
oteque. noite, céu, abóbada VALENTE, 2010; WILSON, 1954.
celeste. VOGT; FRY, 1996, Milho eteke. umb. dia. LE GUENNEC;

120 Vissungos no Rosário


VALENTE, 2010; WILSON, 1954. Libolo, distrito do Quanza-Sul,
vokati kuteke. umb. meia- província de Benguela. ASSIS JR.,
-noite. WILSON, 1954. [19--].
rebolo. [etnia africana] eu sou fio securo. [ancião] Padre Nosso com
de nego, mamãe é criola/eu Ave Maria/securo camera que
vem de cumbara, eu vem rebolo. tanazambê/tanazambê, ê/tana-
Capitão Julio Antônio Filho. zambê, ah/bamba jambê, ah/
RIOS; CORRÊA, 2008, Fagundes. bamba jambê, ah. Capitão Ivo
▲ Não encontrada nos registros de Silvério da Rocha. DIAS, 2001,
falares africanos em Minas. Serro. otê... oteque ouê.../Pade
q Não encontrada nos registros de Nosse com Ave Maria, auê.../
nomes de lugares em Minas. securo cumetavita, auê/ê inga-
♦ Não encontrada nos registros nazamba punga auê.../auê, auê,
de falares africanos em outras ô... Capitão João Lopes. LUCAS,
regiões do Brasil. [1990], Jatobá.
■ rebolo, libolo. Nome de uma ▲ homem. SIMÕES, 2014, Milho
antiga nação banto, vinda de Verde; na recolha de cantos da
Angola. LOPES, 2003; CASTRO, obra O negro e o garimpo em
2001; SENNA, 1938. Minas Gerais, o fundamento do
• lubolo. quimb. território que vissungo explica que o negro
constitue a circunvizinhança do pede para abençoar seu serviço

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 121


e sua comida: securo o camera WILSON , 1954. oukulu. olun.
qui t’anganazambê, aiô...; já velhice. DICCIONARIO PORTU-
o do canto XXXII refere-se a GUEZ-OLUNYANEKA, 1896.
um animal perseguido numa tanazambê. Ver zambi.
caçada: Securo a cuca tu tata. pai. eu vem lá da Angola pas-
quenda ongombe. MACHADO F , o
sei ni Aruanda/conenga agora
1943, São João da Chapada. chegô lá no injó/ê no injó de
q Não encontrada nos registros de jequê me conenga tata/aqui
nomes de lugares em Minas. nesse reino conengô tata/ ê
♦ Não encontrada nos registros conengô com tata lá no injó
de falares africanos em outras de jequê/aqui nesse reino no
regiões do Brasil. injó de jequê/. Capitão Julio
■ sekulo. cada um dos anciões Antônio Filho. RIOS; CORRÊA,
que, nas aldeias angolanas, 2008, Fagundes.
constituem o estado-maior do ▲ otaca, otata, tata. pai.
soba. LOPES, 2003. BYRD , 2005, Patrocínio; tata,
• sekulu. quimb. ancião. MAIA, otata. Genitor. QUEIROZ, 1998,
1964; ASSIS JR., [19--]. nkulu. Tabatinga; tata. pai. VOGT; FRY,
quic. ancião. COBE, 2010; MAIA, 1996, Milho Verde; mãe. VOGT;
1964. osekulu. umb. velho. FRY , 1996, Patrocínio; otata,
GUENNEC ; VALENTE , 2010 ; tata. pai. GONÇALVES , 1995,

122 Vissungos no Rosário


Belo Horizonte; otaka, otata. tata da curima do palulé do
BATINGA, 1994, Alto Paranaíba/ pelotão. futebolista. ANDRADE
Triângulo; otata. MACHADO Fo, Fo, 2000, Cafundó.
1943, São João da Chapada; tata camanaco. moço, jovem.
tatá. DORNAS Fo, 1938, Itaúna ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
Ocudê-tatariovê. insulto: ”filho tata cucuerado. homem casado.
sem pai”. GONÇALVES , 1995, ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
Jatobá. tata do injó do mafin-
q Não encontrada nos registros de gue. irmão. ANDRADE Fo, 2000,
nomes de lugares em Minas. Cafundó.
♦ tata. pai, tratamento respeitoso, tata do injó do maiêmbi. far-
título equivalente a ogã. CAS- macêutico. ANDRADE Fo, 2000,
TRO, 2001, Bahia. tata. homem. Cafundó.
tataiova. senhor, pai, homem. tata do injó do maiêmbi do
ANDRADE F o, 2000, Cafundó. nangá avere. médico, enfer-
tataiova, tataiove. pai. VOGT; meiro, farmacêutico. ANDRADE
FRY, 1996, Cafundó. Fo, 2000, Cafundó.
tata do cupópia vatema. tata do sêngui. macaco.
advogado. ANDRADE Fo, 2000, ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
Cafundó. tata do tuim. delegado, soldado.
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 123


tata do viçó vavuro. homem tata que curima o nangá do
do olho grande, homem inve- palulé. sapateiro. ANDRADE Fo,
joso. ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
2000, Cafundó.
tata jocorocoto do injó. qual- tata que curima o túri. lavra-
quer homem idoso da casa (pai, dor. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
avô, etc.). ANDRADE Fo, 2000, tata que curima o viçó. ocu-
Cafundó. lista. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
tata que cuenda o lepo no tata que curima vavuro a ten-
maçuruco da caméria. bar- hora da mucanda. jornalista.
beiro. ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
tata que cuenda o lepo no tata vavuro na mucanda.
orofim do sêngui. lenhador. professor. ANDRADE F o, 2000,
ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
Cafundó.
tata que cupopeia a cupópia tata vavuro no túri. fazendeiro.
de Jambi. padre. ANDRADE Fo, ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
2000, Cafundó. ■ tata. grande sacerdote. LOPES,
tata que curima a açória. den- 2003. espírito protetor da cabula.
tista. ANDRADE F , 2000, Cafundó.
o
FERREIRA, 1975.
tata que curima o ingômbi do • tata. quimb. pai, homem idoso,
andaru. mecânico, motorista. chefe. MAIA , 1964; ASSIS JR .,
ANDRADE Fo, 2000, Cafundó. [19--]. tata. quic. senhor, pai.

124 Vissungos no Rosário


COBE , 2010. tate. olun. meu • olwili, oluali. umb. terra. GUEN-
pai. DICCIONARIO PORTUGUEZ- NEC ; VALENTE , 2010; WILSON ,
OLUNYANEKA, 1896. 1954.
ualê. [terra] messaquilibu babá utelese. [?] angana musambê/
oquê/mulendi eledá/muna ualê angana lubambu/oncó uteleze/
e duaiê/ê ê aruê, aruê, aruê/ê ê oncó ocolofé. Capitã Pedrina de
aruê, aruê, aruê. Capitã Pedrina Lourdes Santos. TITANE, 1999,
de Lourdes Santos. TITANE, 1999, Oliveira.
Oliveira. ▲ Não encontrada nos registros de
▲ Não encontrada nos registros de falares africanos em Minas.
falares africanos em Minas. q Não encontrada nos registros de
q Não encontrada nos registros de nomes de lugares em Minas.
nomes de lugares em Minas. ♦ Não encontrada nos registros
♦ Não encontrada nos registros de falares africanos em outras
de falares africanos em outras regiões do Brasil.
regiões do Brasil. ■ Não encontrada entre os africa-
■ Não encontrada entre os africa- nismos registrados em dicioná-
nismos registrados em dicioná- rios e glossários brasileiros.
rios e glossários brasileiros. • Não encontrada em dicioná-
rios de quicongo, quimbundo e
umbundo.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 125


vangue opungo. Ver zambi. • Não encontrada em dicioná-
xiquirá. no tempo do cativero/ rios de quicongo, quimbundo e
vida de nego era só trabucá/ umbundo.
trabucava o dia intero/e ainda zambi, dambi. deus. duro cum
ganhava era o xiquirá. TITANE, bambi/dipupi aiovê,auê.../ê
1999, Oliveira. duro cum zambi/dipupu aiovê/
▲ chiquirá. chicote comprido de zambi dimanga zambi no jira
couro trançado. PEREIRA; GOMES, tingô auê... Capitão João Lopes.
2000, Arturos. LUCAS, [1990], Jatobá.
q Não encontrada nos registros de ô indamba angananzambi punga
nomes de lugares em Minas. auê.../duro cum bambi/dipupi
♦ xequerê. Instrumento feito de aiovê,auê.../ê duro cum zambi/
ma cabaça enrolada de con- dipupu aiovê. Capitão João
chas ou fios de búzios ou de Lopes. LUCAS, [1990], Jatobá.
sementes brancas consagrado abá cuna zambi pala oso/aiabá
a Oxalá. tšekèlè. ior. CASTRO, cuiama cana abá apaninjé/ê ê
2001, Bahia. aruê, aruê, aruê/ê ê aruê, aruê,
■ xequerê. Instrumento ritualís- aruê. Capitã Pedrina de Lourdes
tico. MENDONÇA, 1973. Santos. TITANE, 1999, Oliveira.

126 Vissungos no Rosário


vangueopungo é quem me criô, São João da Chapada; ingana-
o vangue. Capitão Ivo Silvério zambe. deus. PEREIRA; GOMES,
da Rocha. RAJÃO, 2000, Serro. 2000, Arturos; vangueopungo.
Padre Nosso com Ave Maria/ Vangueopungo é quem me criô,
securo camera que tanazambê/ o vangue. Capitão Ivo Silvério
tanazambê, ê/tanazambê, ah/ da Rocha. RAJÃO, 2000, Serro;
bamba jambê, ah/bamba jambê, zambi. santo. VOGT; FRY, 1996,
ah. Capitão Ivo Silvério da Rocha. Alfenas; gananzambe. padre.
DIAS, 2001, Serro. VOGT ; FRY , 1996, Patrocínio;
aqui neste reino curiô com zâmbi, zambiapungo. deus
dambi/eh, dambiojira cafom criador. GONÇALVES , 1995 ,
de vindero ocaia. Capitão Julio Jatobá; nzambi. deus criador.
Antônio Filho. RIOS; CORRÊA, O assunto do dia era: qual das
2008, Fagundes. criaturas feitas por Nzambi era
▲ gananzambe. pai. BYRD, 2005, a mais valente e temida. nzam-
Patrocínio; inganazambe, tan- biapungo. deus criador. Porém,
ganazambe, t’anzandoiola.. era um acontecimento muito
deus. Que é primero com tan- especial feito por Nzambiapungo,
ganazambe. Ê pade nosso cum sendo então um tabu, sujeito a
ave maria seguru o camera qui penas severas se não cumprisse
t’anzandoiola. NASCIMENTO, 2003, o ritual. GONÇALVES , [1994],

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 127


Jatobá. anganaiovê, angana- de defunto). QUEIROZ , 1998,
nzambi, angananzambê, Tabatinga.
anganazambê-opungo, gana- q Não encontrada nos registros de
zambi, nganazambi, angana- nomes de lugares em Minas.
zambi-opungo, zambiopungo, ♦ zambi, inzambi deus supremo.
anzambe, anzambi, anzambê. gangazambi, ganganzambi,
MACHADO F°, 1943. inganazambi, angananzambi,
iganazambe tiquatita. deus angananzambi-opungo, gan-
que ajude. NASCIMENTO, 2003, ganzambi. deus, ser Supremo.
São João da Chapada. CASTRO , 2001, Bahia. jambi.
anganazambi punga, ingana- deus, santo. ANDRADE Fo, 2000,
zamba punga. Deus. ê ingana- Cafundó. ingananzambe. deus,
zamba punga auê.../ auê, auê, santo. VOGT; FRY, 1996, Cafundó.
ô... /ô indamba anganazambi jambi vimbundo. São Benedito.
punga auê... Capitão João Lopes. ANDRADE Fo, 2000, Cafundó.
LUCAS, [1990], Jatobá. ■ zambi. 1. deus. 2. chefe. 3.
coroa de granjão. abacaxi. (lit. topônimo. LOPES, 2003; AURÉ-
coroa de Deus). QUEIROZ, 1998, LIO, 1975; MENDONÇA, 1973; BAS-
Tabatinga. TIDE, 1971; SOARES, 1954; SENNA,
levá pro granjão de viru. 1921, 1938.
matar (lit. levar para o Deus

128 Vissungos no Rosário


• nzambi, ngana, ngana-
nzambi, nzambi-pungu.
quimb deus. MAIA, 1964; ASSIS
JR., [19--]. nzambi. quic. deus.
COBE, 2010; MAIA, 1964. ngãla
njambi. umb. deus. GUENNEC;
VALENTE, 2010.
zambiapungo. Ver zambi.
zambiopungo. Ver zambi.

Palavras de língua africanas presentes nos cantos 129


Referências

Livros, revistas e jornais


ANDRADE FILHO, Sílvio Vieira de. Um estudo sociolingüístico das comunidades negras do Cafundó,
Caxambu e de seus arredores. Sorocaba: Prefeitura Municipal, SEC, 2000.

APOCALYPSE, Mary. Estórias e lendas de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. 2. ed.
São Paulo: EDIGRAF. (Col. Antologia Ilustrada do Folclore Brasileiro, 6). p. 325-332: Vocabulário.

BASTIDE, Roger. Negros no Brasil. São Paulo: Escola de Comunicações e Artes/USP, 1971.

BATINGA, Gastão. Aspectos da presença do negro no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba: Kalunga.


Uberlândia: Ed. do autor, 1994.

BEAUREPAIRE-ROHAN. Dicionário de vocábulos brasileiros. 2. ed. Salvador: Progresso, 1956. (Coleção


de Estudos Brasileiros/Série Cruzeiro-IN 8)

BRANDÃO, Adelino. Contribuições afro-negras ao léxico popular brasileiro. Revista Brasileira de


Folclore, Rio de Janeiro, a. VIII, n. 21, p. 199-128, maio/ago. 1968.

BYRD, Steven Eric. Calunga, an Afro-Brazilian Speech of the Triângulo Mineiro: Its Grammar and
History. 2005. 1 v. Dissertation (Doctorate of Philosophy) – University of Texas at Austin, 2005.

CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 5. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984.

CASTRO, Yeda P. de. Falares africanos na Bahia (um vocabulário afro-brasileiro). Rio de Janeiro:
Academia Brasileira de Letras, Topbooks, 2001.
DORNAS FILHO, João. Vocabulário quimbundo. Revista do Arquivo Municipal, [São Paulo], n. 5,
v. 49, p. 143-150, jul./ago. 1938.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1975.

GARCIA, Rodolfo. Vocabulário nagô. In: MENDONÇA, Renato et alii. Estudos afro-brasileiros;
trabalhos apresentados ao 1o Congresso Afro-Brasileiro reunido no Recife em 1934. Rio de
Janeiro: Ariel, 1935. v. 1, p. 21-27.

GOMES, Lindolfo. Contos populares brasileiros. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1948. p. 193-
203: Vocabulário.

GONÇALVES, Eugênia Dias. Os falares de Angola da Irmandade do Rosário de Belo Horizonte.


FUNDAC Informa, Belo Horizonte, p. 5, [1994?].

GONÇALVES, Eugênia Dias. O vocabulário dos Tata n’ Ganga Mukice da Irmandade de N. S. do


Rosário do Bairro Jatobá, Belo Horizonte, Minas Gerais. Belo Horizonte: FAFI-BH, 1995.

LAYTANO, Dante de. Os africanismos do dialeto gaúcho. Separata da Revista do Instituto Histórico
e Geográfico do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, v. 16, n. 2, p. 7-66, 1936.

LIMA, Emanoela Cristina. A toponímia africana em Minas Gerais. 2012. 216 f. Dissertação (Mestrado
em Estudos Linguísticos) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo
Horizonte, 2012.

LOPES, Nei. Novo dicionário banto–português. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.

MACHADO FILHO, Aires da Mata. O negro e o garimpo em Minas Gerais. 2. ed. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1964. (Retratos do Brasil, 26)

MENDONÇA, Renato. A influência africana no português do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização


Brasileira/INL, 1973. (Retrato do Brasil, 83)

NASCIMENTO, Lúcia Valéria do. A África no Serro Frio – vissungos: uma prática social em extinção.
2003. 129 f. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos) – Faculdade de Letras, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2003.

132 Vissungos no Rosário


PEREIRA, Edimilson de Almeida. Os tambores estão frios: herança cultural e sincretismo religioso
no ritual de candombe. Belo Horizonte: Mazza, 2005.

PEREIRA, Edimilson de Almeida; GOMES, Núbia Pereira de Magalhães. Negras raízes mineiras: os
Arturos. Belo Horizonte: Mazza, 2000.

PIRES, Cornélio. Conversas ao pé do fogo. São Paulo: [Ed. do Autor], 1921. p. 201-247: Vocabulário.
[“Brasileirismos, archaismos e corruptelas empregadas na ‘Musa Caipira’, ‘Scenas e paisagens
de minha terra’, ‘Quem conta um conto...’ e na presente obra.”]

QUEIROZ, Sônia. Pé preto no barro branco: a língua dos negros da Tabatinga. Belo Horizonte:
Ed. UFMG, 1998.

RAIMUNDO, Jacques. O elemento afro-negro na língua portuguesa. Rio de Janeiro: Renascença, 1933.

SENNA, Nelson de. Africanismos no Brasil. Revista de Língua Portuguesa, n. 10, p. 159-163, mar. 1921.

SENNA, Nelson de. Africanos no Brasil (Estudo sobre os negros africanos e influências afro-negras
sobre a linguagem e costumes do povo brasileiro). Belo Horizonte: Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, 1938.

SILVEIRA, Valdomiro. O mundo caboclo de Valdomiro Silveira. Estudos de Júnia Silveira Gonçalves,
Bernardo Elis e Ruth Guimarães. Rio de Janeiro: José Olympio; São Paulo: Secretaria de Cultura,
Esportes e Turismo; Brasília: INL, MEC, 1974. p. 157-180: Vocabulário.

SILVEIRA, Valdomiro. Os caboclos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: MEC, 1975.
p. 128-164: Vocabulário.

SIMÕES, Everton Machado. África Banta na região diamantina: uma proposta de análise
etimológica. 2014. 196 f. (Mestrado em Linguística) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

SOARES, Antônio Joaquim de Macedo. Dicionário brasileiro da língua portuguesa. Rio de Janeiro:
Ministério da Educação e Cultura, Instituto Nacional do Livro, 1954.

VOGT, Carlos; FRY, Peter. Cafundó: a África no Brasil: linguagem e sociedade. São Paulo:
Companhia das Letras; Campinas: Ed. da UNICAMP, 1996.

Referências 133
Gravações sonoras
DIAS, Paulo (Dir. geral de pesquisa). Congado mineiro. [São Paulo: Cia. de Áudio/Classic Master,
2001]. (Col. Itaú Cultural. Documentos Sonoros Brasileiros Acervo Cachuera!, 1). CD.

LUCAS, Glaura (Pesq.). Gravação em cassete com João Lopes, capitão-mor da Irmandade do
Rosário do Jatobá (BH/MG), feita durante pesquisa de campo para o livro Os sons do Rosário
(Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002).

RAJÃO, Caxi (Dir. geral de pesquisa.). Festa do Rosário. Serro-MG 1724–2000. Nova Lima (MG):
Nas Montanhas, 2000. CD.

RIOS, Sebastião; CORRÊA, Roberto (Dir. geral de pesquisa). Foi o que me trouxe: Moçambique
do Capitão Júlio Antônio Filho. Brasília: Viola Corrêa Produções Artísticas e Clube do Violeiro
Caipira de Brasília, 2008. CD.

TITANE (Dir. geral de pesquisa.). Os negros do Rosário. Belo Horizonte: Lapa Discos, 1999. CD.
[1. ed. 1992. LP.]

Dicionários africanos
ASSIS JR., Antônio de. Dicionário kimbundu-português. Luanda: Edição de Argente, Santos &
Cia., [19--].

COBE, Francisco Narciso. Novo dicionário português-kikongo. Luanda: Mayamba, 2010.

DICCIONARIO portuguez-olunyaneka; pelos padres missionários da Congregação do Espírito Santo


e do Sagrado Coração de Maria. Huila: Typographia da Missão, 1896.

LE GUENNEC, Grégoire; VALENTE, José Francisco. Dicionário português-umbundu. Luanda: Escolar


Editora, 2010.

134 Vissungos no Rosário


MAIA, Pe. António da Silva. Dicionário complementar português-kimbundo-kikongo: línguas
nativas do centro e norte de Angola. Cucujães: Tipografia das Missões, 1964.

WILSON, Ralph L. Dicionário prático português-umbundo. Bela Vista, Angola: Tipografia do


Dondi, 1954.

Referências 135
Publicações Viva Voz de
interesse para a área de estudos da oralidade

Vissungos
Cantos afrodescendentes em Minas Gerais
3ª ed. revista e ampliada
Neide Freitas
Sônia Queiroz (Org.)

Negros pelo Vale


3ª ed. revista e ampliada
Josiley Souza (Org.)

Literarização da oralidade,
oralização da literatura
Jean Derive

Os livros e cardernos Viva Voz estão disponíveis em


versão eletrônica no site: <www.letras.ufmg.br/vivavoz>
A compilação e edição desses cantos do Reinado do

Rosário em que se mesclam à língua portuguesa palavras

de línguas africanas, especialmente das línguas do grupo

banto, vindas dos antigos Reinos do Congo, de Matamba,

Ngola e de Benguela, começou em 2010, ganhou força

em 2012 e 2013, no Festival de Inverno da UFMG, em

que teve início o projeto Cantares em línguas africanas

rituais. Com a disciplina Injira de ngoma, em 2015, que


trouxe para o protagonismo no ensino de graduação da

UFMG mestres de saberes tradicionais, trabalhou-se na

revisão e atualização das duas edições anteriores, agora

tendo ao nosso lado capitães do Reinado do Rosário

que ainda cantam e eventualmente conversam nessa

língua de antigos reinos que se reinventam no Brasil.


As publicações Viva Voz acolhem textos de alunos e professores da Faculdade

de Letras, especialmente aqueles produzidos no âmbito das atividades

acadêmicas (disciplinas, estudos orientados e monitorias). As

edições são elaboradas pelo Laboratório de Edição da

FALE/UFMG, integrado por estudantes de Letras –

bolsistas e voluntários – supervisionados

por docentes da área de edição.