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Amonóides Coniacianos da Bacia Potiguar, Brasil

(Amonóides|Coniaciano| Bacia Potiguar)

GERALDO DA COSTA BARROS MUNIZ1* e PETER BENGTSON2

’Departamento de Geologia, Universidade Federal de Pernambuco, Cidade Universitária, 50000 Recife, PE, Brasil e 2Pa-
leontologiska Museet, S-751 22 Uppsala, Suécia

Manuscrito aceito para publicação em 6 de agosto de 1986; credenciado por C ând id o Sim ões F e r re ir a

A Bacia Potiguar está situada no Nordeste as da Bacia de Sergipe-Alagoas, situada no


brasileiro. Abrange a parte setentrional do Es­ outro lado da ligação, permitem a reconstrução
tado do Rio Grande do Norte e transpassa, no e a datação dos diversos estágios da fusão dos
seu limite ocidental, a fronteira com o Estado braços norte e sul, do incipiente Atlântico Sul.
do Ceará (Fig. 1). Grande parte da bacia Os amonóides são um dos grupos mais úteis pa­
encontra-se hoje submersa. ra a datação de semelhantes eventos. Ocorrem
A Bacia Potiguar desempenha um papel em abundância na Bacia de Sergipe, porém, in­
importante para a elucidação da história do felizmente, até hoje, poucos exemplares foram
Atlântico Sul, pois, sendo a bacia mais oriental encontrados na Bacia Potiguar.
entre as bacias marginais do Norte do Brasil, Na plataforma continental existe uma
situa-se, conseqüentemente, no limite da área seqüência sedimentar mais ou menos contínua
que se presume ter constituído a última ligação através do Cretáceo Superior (Souza, 1982), en­
continental entre a África e América do Sul. quanto na parte emersa da bacia, segundo al­
Comparações detalhadas de faunas e floras com guns autores, o andar Coniaciano (e Santonia-
no) é representado por um hiato. Os amonóides
descritos neste trabalho são a primeira
evidência bioestratigráfica de inundação das
partes marginais da bacia, durante este interva­
lo, e contribuem para as reconstruções paleo-
geográficas da área chave no Nordeste do Brasil
e Golfo da Guiné, durante o Neocretáceo.

ESBOÇO GEOLÓGICO

O pacote sedimentar da Bacia Potiguar


compreende três seqüências: continental, transi-
cional e marinha. Na parte emersa da bacia, a
seqüência marinha é representada, principal­
mente, por carbonatos — a Formação Jandaíra
(Fig. 1). Dados micropaleontológicos e sismoes-
tratigráficos sugerem idade turoniana-eocam-
Fig. 1 - Mapa geológico simplificado da Bacia Potiguar. paniana para a formação.
(Segundo Souza, 1982).
A Formação Jandaíra está bem exposta,
* Bolsista do CNPq. principalmente nos municípios de Mossoró e

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Governador Dix-Sept-Rosado (antigo Sebas- basal. Devido à ausência de camadas coniacia-


tianópolis), na margem leste do Alto Estrutural nas, K. Beurlen (1961, 1967) sugeriu que o
de Mossoró. Nos calcários da Formação Jan- calcário Jandaíra fosse dividido em uma unida­
daíra nota-se a abundância de fósseis: biválvios, de inferior, a Fomação Sebastianópolis (Turo­
gastrópodes, equinóides, briozoários, os- niano), e uma unidade superior, a Formação
tracódios e foraminíferos. Infelizmente, os a- Jandaíra (Santoniano - M aestrichtiano).
monóides são raros. Porém nenhuma evidência de uma inconformi­
Dados geológicos mais detalhados sobre a dade foi apresentada, e a subdivisão proposta
Formação Jandaíra encontram-se, por exem­ por Beurlen não foi geralmente aceita. (Hoje, a
plo, nos trabalhos de Sampaio & Schaller denominação “ Formação Jandaíra” se refere a
(1968), Tibana & Terra (1981) e Oliveira (1984). toda a seqüência calcária, ou seja, o antigo
“ calcário Jandaíra” ).
HISTÓRICO A área de Mossoró foi mapeada por Peixo­
Os estudos paleontológicos do Cretáceo to (in K. Beurlen, 1967), em escala 1:200 000.
Superior da Bacia Potiguar foram iniciados por O trabalho mais recente sobre amonóides
von Ihering (1907: 40) e Jenkins (1913) e segui­ da Bacia Potiguar é a descrição, por Oliveira
dos por Maury (1925). Esta autora descreveu (1969, publicação póstuma), de Coilopoceras
fósseis de diversas localidades e determinou, lucianoi sp. nov., procedente da base da For­
provisoriamente, a seqüência carbonática, co­ mação Jandaíra (Turoniano) do Ceará oriental.
mo turoniana. Maury (1934) complementou o A paleontologia da Formação Jandaíra foi
■seu trabalho com descrições adicionais de tratada em vários outros trabalhos; contudo,
fósseis da mesma região. Foi Kegel (1957) quem foram citados amonóides somente nos traba­
fez a primeira coleta de amonóides na bacia: lhos acima mencionados. Um recente resumo
dois fragmentos mal preservados, que foram da macropaleontologia da formação foi apre­
descritos por Oliveira (1957) como Pachydiscus sentado por Oliveira (1984).
sp. e Sphenodiscus sp. indet. Kegel propôs uma
divisão tripartida da seqüência (o então chama­ PROCEDÊNCIA

do calcário Jandaíra): uma parte superior ca­ Os dois exemplares de amonóides, aqui
racterizada por Pachydiscus, uma parte media­ descritos, procedem de uma pedreira perto da
na contendo Sphenodiscus e uma parte basal cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte. Fo­
com outros moluscos (isto é, ausente de a- ram coletados por um trabalhador; sua locali­
monóides). Correlacionou as duas partes supe­ zação exata, dentro da seqüência exposta, é
riores com a Formação Gramame, da Bacia de desconhecida.
Pernambuco-Paraíba e atribuiu a esta Descrição da Localidade
seqüência idade campaniana —maestrichtiana.
A parte basal, contendo abundância de Para a descriação da localidade usamos o
gastrópodes do gênero Tylostoma, foi atribuí­ sistema de Bengtson (1983), elaborado para a
da ao Turoniano. Bacia de Sergipe.
K. Beurlen (1964) publicou uma monogra­ A localidade, por nós designada Mossoró
fia do calcário Jandaíra, com revisão dos tra­ 1, está marcada na Figura 2. Mossoró 1: UTM
balhos anteriores. Incluiu descrições dos a- 9 424 850/678 200. Folha topográfica.
monóides Mammites sp., Hoplitoides sp. e SB.24-X-D-I Mossoró.
Hypophylloceras sp. (mencionados em nota Pedreira de forma circular, em exploração
preliminar: K. Beurlen, 1961). O Hypophyllo­ pela Fábrica de Cimento Itapetinga Agro-
ceras fora encontrado em Mossoró. Segundo Industrial, Mossoró. Altitude c. 15-25 m. Kj:
Beurlen, estes amonóides, junto com a presen­ Calcários predominantemente grosseiros, de
ça de Inoceramus labiatus (von Schlotheim), cor creme e amarelada. Kj = Formação
confirmaram a idade turoniana para a unidade Jandaíra.

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Fig. 2 - Localização da pedreira Mossoró 1 da Fábrica de Cimento Itapetinga


Agro-Industríal.

Litologia, E stratigrafia e P aleontolo­ mente pequenos, associados a restos frag­


gia mentários. Perfurações e outras manifestações
de endobiontes, de calibres variáveis, são
A Formação Jandaíra é composta por: (1) freqüentes (Muniz & Oliveira, 1982).
calcarenito com fragmentos de moluscos, algas
verdes, briozoários e equinóides; (2) calcareni­ DESCRIÇÕES SISTEMÁTICAS
to com foraminíferos miliolídeos; (3) calcilutito Os números das amostras referem-se às co­
bioclástico, e calcilutito “ birdseye” (Souza leções do Departamento de Geologia da Univer­
1982). A espessura máxima da formação é esti­ sidade Federal de Pernambuco, Recife (DG-
mada em torno de 650 m.
Na pedreira Mossoró 1, a espessura da for­
mação é de 340 m, medida constatada através Solo calcário amarelado.
de sondagens feitas pela Itapetinga Agro-In­ Calcário argiloso.
dustrial. A Figura 3 mostra a seqüência exposta
na pedreira.
Amonóides são raros na área de Mossoró. Calcário grosseiro creme-escuro,
gradando para amarelo.
Somente um exemplar foi descrito anterior­
mente, o Hypophylloceras sp. de K. Beurlen
(1961, 1964). A litologia dos dois exemplares,
aqui descritos, sugere que provêm do limite en­
tre o calcário grosseiro creme e o amarelado de
textura média (isto é, do nível de c. 3,75 m; Fig. Calcário amarelado
de textura média.
3). Outros fósseis são raros nestas camadas,
podendo ocorrer, com mais freqüência, em de­
terminados níveis. Por exemplo, na camada ta­
bular de calcário argiloso (o nível de 0,80-0,95 Alternância de calcário compacto
de textura tina com leitos argilosos.
m) são encontrados espinhos de equinóides,
fragmentos de pequenos ostreídeos e moldes de Calcário amarelo-claro, passando a
pequenos gastrópodes. cinza na base. Textura grosseira.
Fragmentos de biválvios são encontrados
também no calcário compacto, mas ostreídeos
maiores são raros. Em alguns níveis existem Fig. 3 - Seção da Formação Jandaíra exposta na pedreira
equinóides regulares e irregulares, dominante­ Alossoró 1.

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CT-UFPE). Abreviações das medidas: D = cha. O corte transversal da volta é comprimido,


diâmetro, Wb = espessura da volta (whorl sendo a altura da última volta quase o dobro da
breadth), Wh = altura da volta (whorl height), sua largura.
U = diâmetro umbilical. D, Wb e Wh são me­ As costelas são relativamente espaçadas.
didas sem costelas ou tubérculos. Números en­ Na última volta existem aproximadamente 22
tre parênteses se referem a dimensões em por­ costelas primárias, com algumas costelas inter­
centagem do diâmetro. Números entre colche­ caladas. As costelas primárias são munidas de
tes são estimativas. A terminologia da tubercu- tubérculos umbilicais e submarginais alongados
lação, empregada para Protexanites, é de Klin­ radialmente. Nas costelas intercaladas faltam os
ger & Kennedy (1980: 3). tubérculos umbilicais, e os submarginais são
menos pronunciados. Todas as costelas termi­
Superfamília Acanthocerataceae de Gros- nam em tubérculos externos claviformes, for­
souvre, 1894 mando uma carena lateral, ondulada, em am­
Família Collignoniceratidae Wright & bos os lados da carena sifonal. O estado de pre­
Wright, 1951 servação não permite estudo ontogenético da
ornamentação; porém, comparando as últimas
Subfamília Texanitinae Collignon, 1948 duas voltas, pode-se notar uma tendência dos
Gênero e Subgênero Protexanites Matsumoto, tubérculos umbilicais a se deslocarem para os
1955 flancos (isto é, em direção ventral) com o cresci­
mento da concha.
Espécie-tipo: Ammonites bourgeoisianus
A carena sifonal apresenta-se inteira, e pa­
d’Orbigny, 1850, por designação original (Mat­
rece ser levemente ondulada.
sumoto, 1955: 38).
Diagnose e discussão: Vide Matsumoto A linha de sutura não está preservada.
(1970: 227) e Klinger & Kennedy (1980: 8) para
diagnoses, discussões e lista de espécies atribuí­ Discussão: O exemplar aqui descrito, embora
das a Protexanites (Protexanites). mal preservado, apresenta os caracteres típicos
Ocorrência: Coniaciano e Santoniano infe­ dos texanitíneos: é evoluto, tem a carena sifo­
rior, sendo melhor representado no Coniaciano nal inteira e está munido de costelas portadoras
superior. Distribuição provavelmente global. de tubérculos. O número de tubérculos e o de­
senvolvimento claviforme dos tubérculos exter­
Protexanites (Protexanites) aff. nos enquadra-o no gênero e subgênero Prote­
bourgeoisianus (d’Orbigny, 1850) xanites (Protexanites).
O nosso exemplar difere da maioria das
Fig. 4: A-B espécies conhecidas de Protexanites (Protexani­
tes) por ter o corte transversal da volta mais
Material: Um exemplar completo: DG-CT-
UFPE 2662. comprimido. Das espécies atribuídas a este
subgênero, na recente revisão de Klinger & Ken­
Horizonte estratigráfico e localidade:
nedy (1980: 8), parece mais ligado a P. (P.)
Calcário duro, grosseiro, amarelado da For­
bourgeoisianus (d’Orbigny, 1850), uma vez que
mação Jandaíra; localidade Mossoró 1, ao su­
doeste da cidade de Mossoró, RN, Brasil. apresenta a carena sifonal ondulada, e os
tubérculos umbilicais da última volta levemente
Dimensões (mm):
deslocados para os flancos. Difere de P. (P.)
DG-CT-UFPE 2662
bourgeoisianus por ter os tubérculos submargi­
D Wb Wh Wb: Wh U
nais radialmente alongados, em vez de nodulo-
165 [29(18)] 52(32) 0,56 73(44)
sos ou claviformes, pelo corte transversal com­
Descrição: A espira é muito evoluta, com primido, e também pelo seu tamanho maior (se­
largura umbilical de 44% do diâmetro da con­ gundo a literatura, os maiores exemplares rara-

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Fig. 4 - Protexanites (Protexanites) aff. bourgeoisianus (d’Orbigny, 1850) e Gauthiericeras sp. da Bacia Potiguar, Brasil.
Todas as figuras xO,5.A-B - Protexanites (P.) aff. bourgeoisianus (DG-CT-UFPE 2662). C-F - Gauthiericeras sp. (DG-
CT-UFPE 2663). As figuras D e F são vistas oblíquas para salientar os detalhes da ornamentação.

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mente ultrapassam 150 mm de diâmetro). A Diagnose: Vide Klinger & Kennedy (1984:
forma aberrante dos tubérculos submarginais 238-243) para uma diagnose e discussão do
poderia talvez ser explicada como o resultado gênero.
de um ferimento grave, afetando a linha media­
na do flanco da última volta. Este tipo de aber­ Ocorrência: Coniaciano superior da Europa
ração foi constatado num texanitíneo de Hok­ central e sudoeste, África do norte, oeste e les­
kaido, Japão (T. Matsumoto, Fukuoka, in litt., te, Madagascar, México, Peru, Colômbia e No­
26 de fevereiro de 1983). Ornamentação aber­ va Caledonia (Klinger & Kennedy, 1984).
rante devido a ferimento foi observada,
também, num Prionocycloceras sp., coletado
por P.B., na Bacia de Sergipe. Gauthiericeras ? sp.
Os texanitíneos mostram uma variação
Fig. 4: C-F
intra-específica muito grande (Klinger & Ken­
nedy, 1980), por isso, mesmo que a forma dos
Material: Um exemplar, DG-CT-UFPE 2663,
tubérculos submarginais seja original e normal,
representado por, aproximadamente, 40% da
é possível que P. (P.) aff. bourgeoisianus esteja
última (?) volta.
dentro da variação de uma espécie já conhecida
de Protexanites. Somente com o estudo de mais
Horizonte estratigráfico e localidade: Calcário
material pode-se fazer uma determinação defi­
duro, grosseiro, amarelado, dolomitizado da
nitiva, ou descrição de uma nova espécie.
Formação Jandaíra; localidade Mossoró 1, ao
G. Beurlen (1970) descreveu Protexanites
sudoeste da cidade de Mossoró, RN, Brasil.
troelseni sp. nov. do Coniaciano inferior da Ba­
cia de Sergipe. Exame do holótipo desta
Dimensões:
espécie, depositado no Museu Nacional do Rio
de Janeiro sob o número MN 5298 —I, mostra DG-CT-UFPE 2663
que não há nenhuma relação com o P. (P.) aff. D Wb Wh Wb:Wh U
bourgeoisianus da Bacia Potiguar. Os poucos [>260] 64 73 0,88 [120(45)]
caracteres preservados sugerem afinidade com o
gênero Prionocycloceras em vez de Protexani­ Descrição: A espira é muito evoluta, sendo a
tes, embora o péssimo estado de preservação largura umbilical estimada em, aproximada­
nãò permita atribuição genérica definitiva (cf. mente,. 45% do diâmetro total. O corte trans­
Bengtson 1983, Tabela 1). Entre os outros re­ versal da volta é subquadrado ou levemente
presentantes sulamericanos do gênero Protexa­ comprimido. As costelas são largas, achatadas,
nites (Venezuela, Colômbia e Peru), nenhum espaçadas e inclinadas para frente. Cada costela
parece estar estreitamente ligado ao P.(P.) aff. porta um tubérculo lateral, radialmente alonga­
bourgeoisianus. do (tubérculo umbilical deslocado?), e um
tubérculo ventrolateral claviforme. A maior lar­
Idade: Protexanites (Protexanites) é conhecido,
gura da volta encontra-se em alinhamento com
principalmente, do Coniaciano superior, com
o tubérculo lateral. A densidade das costelas é
possíveis ocorrências no Coniaciano médio e
estimada em, aproximadamente, 22 costelas por
Santoniano inferior (Kennedy 1984: 105). A
volta. A carena sifonal é proeminente, inteira, e
espécie P. (P.) bourgeoisianus é restrita ao Co­
ladeada por sulcos rasos contínuos. A im­
niaciano superior (Kennedy 1984: 112).
pressão do lado ventral da penúltima volta, dei­
Subfamília P eroniceratinae Hyatt, 1900 xada no lado dorsal da última volta, mostra a
Gênero Gauthiericeras de Grossouvre, 1894) mesma ornamentação que na última volta.
Espécie-tipo: Ammonites margae Schlüter, Não é possível a constatação da linha de
1867: 29, P l. 5 (Fig. 2), por designação original sutura; o fragmento estudado, provavelmente,
(de Grossouvre, 1894: 87). representa parte da câmara de habitação.

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Discussão: Uma vez que faltam as voltas inter­ lembra a de alguns representantes de Reginaites
nas e a linha de sutura, é difícil enquadrar este zulu Klinger & Kennedy, 1980 (p. ex., Klinger
exemplar no gênero Gauthiericeras ou no Pero- & Kennedy, 1980, Fig. 91); porém, Reginaites é
niceras, pois apresenta caracteres de ambos. um gênero nitidamente tricarenado.
Tem o ventre unicarenado, como Gauthierice­ A linha de sutura pode ser usada para dife­
ras, porém, seu aspecto morfológico geral, lem­ rençar os dois gêneros, sendo a de Gauthierice­
bra mais o de Peroniceras. As espécies de Pero- ras mais simples que a de Peroniceras. Infeliz-
niceras, em sua maioria, são nitidamente mente, no exemplar de Mossoró, não foi obser­
tricarenadas. Uma exceção é o subgênero P. vada a linha de sutura.
(Zuluiceras) (= Sornayceras Matsumoto, 1965, O exemplar aqui descrito é referido a Gau­
segundo Klinger & Kennedy, 1984) que, nas vol­ thiericeras, com interrogação, em vez de a Pero­
tas externas, pode desenvolver homeomorfia niceras (Zuluiceras) pelos seguintes motivos: (1)
com certas formas evolutas de Gauthiericeras, A maioria das espécies de P. (Zuluiceras) tem a
apresentando, então, o ventre unicarenado. carena crenulada em vez de inteira; (2) P. (Zu­
Portanto, tendo somente a câmara de habitação luiceras) normalmente apresenta as voltas exter­
de um indivíduo adulto, a distinção entre repre­ nas arredondadas, com ornamentação reduzi­
sentantes evolutos de Gauthiericeras e o sub­ da; (3) P. (Zuluiceras) normalmente é menos
gênero P. (Zuluiceras) pode ser muito difícil. evoluto que os representantes mais evolutos de
Entre as formas evolutas de Gauthierice­ Gauthiericeras.
ras, a espécie descrita sob o nome G. (Ciryella) Idade: Provavelmente neo-Coniaciano, equiva­
vascogoticum Wiedmann, 1960, é a que lembra lente à Zona de Gauthiericeras margae ou à Zo­
mais o exemplar de Mossoró: a parte ventral é na de Paratexanites serratomarginatus, da
quase idêntica. Apesar da diagnose do G. (Ci­ área-tipo na França (Kennedy, 1984).
ryella), dada por Wiedmann (1960), indicar que
a costelação seja densa, a diferença com a do DISCUSSÃO
nosso exemplar é, na realidade, pequena. Este Por causa das limitações do material, a ida­
difere da espécie de Wiedmann por ser bem de exata dos dois amonóides da Bacia Potiguar
maior (pelo menos o dobro), pelas costelas não pode ser determinada com certeza absoluta;
mais largas e achatadas, e por ter os tubérculos o que se pode afirmar é que provêm de cama­
laterais radialmente alongados (em vez de das meso ou neoconiacianas. O material não
tubérculos umbilicais salientes). As diferenças permite identificação ao nível de espécie (sendo
morfológicas com G. (C.) vascogoticum são possível os exemplares representarem novas
tão grandes, que é evidente que se trata de espécies). Além disso, nas bacias sul-
espécies distintas. americanas adjacentes faltam formas seme­
lhantes que possibilitem correlação.
Klinger & Kennedy (1984) consideram o al­
A bacia marginal mais próxima, contendo
to grau de evolução da espira de G. (Ciryella)
uma fauna de amonóides razoavelmente bem
como dentro da variação intragenérica normal
estudada, é a Bacia de Sergipe. Apesar de um le­
de Gauthiericeras, citando como comparação
vantamento extensivo das localidades coniacia-
exemplares de G. obesum van Hoepen, 1955,
nas em Sergipe (Bengtson, 1983), não se conhe­
com U até 46,5% (no nosso Gauthiericeras? sp.
ce nenhuma forma semelhante aos exemplares
foi estimado em 45%) e G. nouelianum (d’Or-
da Bacia Potiguar. O Protexanites descrito de
bigny, 1850) com U não ultrapassando 20%.
Sergipe (G. Beurlen, 1970) é, com quase certe­
A ornamentação dos dois gêneros é muito za, um Prionocycloceras do Coniaciano inferior
variável e não fornece base para atribuição ou médio. O Gauthiericeras duvidoso, encon­
genérica. Pode ocorrer homeomorfia também trado (Bengtson, 1983, Fig. 39) é muito mais in-
com certos texanitíneos; por exemplo, a orna­ voluto, e os Peronicera de Sergipe são bem me­
mentação do Gauthiericeras? sp. de Mossoró nores, e de morfologia diferente, em relação ao

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452 G. C. B. MUNIZ e P. BENGTSON

Gauthiericerasl sp. aqui descrito. Não há moti­ Uma hipótese interessante foi lançada por
vo para supor que se trata de diferenças laterais Noguti & Santos (1973), para explicar a escassez
e contemporâneas entre as duas bacias; estudos de foraminíferos planctônicos, hipótese esta
biogeográficos das áreas vizinhas indicam que possível de se aplicar também aos amonóides.
havia livre comunicação norte-sul no Atlântico Estes autores sugeriram que o forte fluxo de
Sul, durante o Coniaciano. A explicação mais água doce, dos rios e das chuvas tropicais, no
provável parece ser a de diferenças estratigráfi- estreito Atlântico Sul baixou a salinidade a tal
cas, isto é, os dois amonóides de Mossoró, pro­ ponto que impossibilitou a sobrevivência de cer­
vavelmente, provêm de um horizonte mais ele­ tos organismos marinhos na área. Rand & Ma-
vado que o nível mais alto, representado em besoone (1982), rejeitaram esta hipótese, usan­
afloramento na Formação Cotinguiba, de Ser­ do como argumento que o clima era seco de­
gipe. Se a parte superior da seqüência sergipana mais para desenvolver semelhantes condições, o
pertence ao Coniaciano inferior e médio (sensu que contradiz o estudo paleoclimatológico de
Kennedy, 1984), baseado na datação de a- Parrish et ai. (1982). Sendo os biválvios, gas-
monóides e inoceramídeos (Bengtson, 1983), trópodes e equinóides freqüentes na bacia, a es­
então o calcário Jandaíra, em Mossoró, pode cassez de amonóides não pode ser explicada
ser atribuído ao Coniaciano médio ou, mais simplesmente como um fator de preservação.
provavelmente, superior. Esta datação é conso­
lidada pela distribuição estratigráfica global CONSIDERAÇÕES PALEOGEOGRÁFICAS
conhecida para Protexanites bourgeoisianus e o
É interessante considerar os novos achados
gênero Gauthiericeras (Kennedy, 1984).
de amonóides da Bacia Potiguar, à luz das teo­
Convém ressaltar que uma idade neoconiaciana
rias atuais sobre a separação da América do Sul
seria igualmente válida para o gênero Peronice-
da África. Em primeiro lugar, o termo sepa­
ras.
ração precisa ser brevemente analisado, pois seu
É preciso muito mais material bioestra-
uso indiscriminado tem causado certa confusão
tigráfico da Bacia Potiguar para datações segu­
e malentendidos desnecessários.
ras de toda seqüência, na parte emersa da bacia,
e para fornecer uma base para reconstruções A separação continental envolve vários
estágios, podendo cada um ser identificado por
paleogeográficas. Amonóides e inoceramídeos
intermédio de diversos métodos geológicos,
são os macrofósseis mais úteis para bioestrati-
geofísicos, paleontológicos, etc. Usando a sepa­
grafia pormenorizada, e existem pouquíssimos
ração da América do Sul e África como exem­
dados sobre estas faunas. Amonóides são consi­
plo, podem-se visualizar seis estágios principais:
derados raros na bacia; provavelmente um in­
(1) Formação de um “ rift” com uma série de
ventário sistemático, de longa duração, dos
lagos;
afloramentos existentes, seja a única maneira de
obter resultados satisfatórios. (2) Incursão marinha no “ rift” recém-
formado;
O motivo da escassez de amonóides na ba­
cia — a não ser que seja um artefato de coleta (3) Inundações ocasionais da área do último
insuficiente! — foi atribuído a fatores ambien­ contato terrestre entre os continentes; isto ocor­
tais: a área era constituída por águas rasas, sem re normalmente durante períodos de alto nível
correntes oceânicas, que podiam acumular eustático;
amonóides (K. Beurien 1964: 159-165). Com (4) Estabelecimento de um corredor marítimo
base em estudos petrográficos, Srivastava permanente na região do antigo contato terres­
(1982) interpretou o ambiente deposicional da tre; isto ocorre normalmente como resultado de
Formação Jandaíra como de água muito rasa, subsidência, com ou sem influência eustática;
intermaré alto a submaré alto, ocasionalmente (5) Formação de crosta oceânica entre os conti­
restrito, dominantemente marinho normal, e de nentes, não envolvendo necessariamente signifi­
energia baixa a moderada. cativo deslocamento;

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AMONÓIDES CONIACIANOS, BRASIL 453

(6) Formação de uma barreira oceânica por des­ AGRADECIMENTOS


locamento dos dois blocos continentais. Os dois amonóides descritos foram coleta­
As “ separações” envolvidas em cada um dos pelo tratorista Raimundo Monteiro da Sil­
destes estágios de desenvolvimento levam a efei­ va, Mossoró, e levados ao Prof. Jerônimo
tos paleogeográficos bastante diferentes. As da­ Vingt-un Rosado Maia, da Escola Superior de
tações dos estágios da separação da América do Agricultura de Mossoró, que muito gentilmente
Sul e África estão longe de serem estabelecidas, nos cedeu o material para estudo. Agradecemos
embora a maioria dos autores concorde em que a W. J. Kennedy (Oxford), Herbert C. Klinger
uma fusão permanente de águas superficiais (Cidade do Cabo) e Tatsuro Matsumoto (Fu­
(estágio 4) dos braços norte e sul do Atlântico kuoka) as sugestões apresentadas. W. J. Ken­
Sul foi estabelecida pela elevação global do ní­ nedy atenciosamente ofereceu moldes de espéci-
vel do mar, durante o neo-Cenomaniano a eo- mens de Protexanites (P.) bourgeoisianus, Gau-
Turoniano. thiericeras spp. e Peroniceras (Zuluiceras) spp.
para estudo comparativo. Agradecemos a as­
É evidente que dois amonóides do neo-
sistência de Dagmar Engstrõm (desenhos) e
Coniaciano da Bacia Potiguar não formam base
Tommy Westberg (fotografias). A participação
suficiente para se tirarem conclusões sobre as
de P.B. foi financiada pelo Conselho Nacional
posições continentais, e a extensão de braços
de Pesquisas de Ciências Naturais de Suécia
marítimos. Contudo, é relevante salientar que
(NFR). Este trabalho é uma contribuição ao
pelo 'menos parte do hiato, anteriormente su­
projeto “ Mid-Cretaceous Events” do Progra­
posto nas áreas marginais da bacia (i.e., a atual
ma Internacional de Correlação Geológica
parte emersa), foi eliminada. Isto apoia as teo­
(PICG).
rias de um contínuo e extenso contato de águas
superficiais (estágio 4), provavelmente existindo
RESUMO
desde a transgressão eocenomaniana; porém,
São descritos dois amonóides, Protexanites (Protexani­
não revela nada sobre possíveis estágios mais tes) aff. bourgeoisianus (d’Orbigny, 1850) e Gauthiericerast
avançados de separação (estágios 5 ou 6). Com sp., provenientes dos calcários da Formação Jandaíra, ex­
base na palinoestratigrafia da Bacia Potiguar, postos numa pedreira próxima à cidade de Mossoró, Rio
Regali & Gonzaga (1983) chegaram à conclusão Grande do Norte. Na Bacia Potiguar os amonóides são ra­
de que os dois continentes estavam relativamen­ ros, sendo estes os primeiros achados do andar Coniaciano.
Assim, a antiga hipótese de um hiato abrangendo grande
te próximos, até o Santoniano. O presente acha­
parte da seqüência turoniana-campaniana, na parte emersa
do de amonóides não contradiz essa teoria. da bacia, pode ser definitivamente rejeitada. Os dois
amonóides descritos representam grupos de ampla distri­
CONCLUSÕES buição geográfica. Apesar de identificação ao nível de
espécie não ser possível, a partir do material limitado, com­
(1) Os dois amonóides descritos indicam uma parações com seqüências de amonóides de outras áreas indi­
idade neoconiaciana para a seqüência da For­ cam fortemente uma idade neoconiaciana.
mação Jandaíra, exposta na pedreira Mossoró
1.
SUMMARY
Protexanites (Protexanites) aff. bourgeoisianus (d’Or­
(2) A hipótese de um hiato extenso dentro da bigny) and Gauthiericeras? sp. are described from the Jan­
Formação Jandaíra, na parte emersa da bacia, daíra Formation of the Potiguar Basin, Rio Grande do
Norte, Brazil. This is the first report of Coniacian
parece pouco provável.
macrofossils from the onshore part of the basin. The occur­
(3) A presença de camadas coniacianas, na par­ rences disprove the hypothesis of an extensive hiatus within
te emersa da Bacia Potiguar, dá apoio à teoria the Turonian-Campanian sequence. The two ammonites re­
present groups that have wide geographical distributions.
de um mar extenso e permanente, entre a Áfri­
Although specific identification is not possible from the li­
ca e a América do Sul, a partir do início do Neo- mited material available, comparison with ammonite se­
cretáceo, em harmonia com as reconstruções quences of other areas clearly points to a late Coniacian
paleogeográficas atuais. age.

An. Acad, brasil. Ciênc., (1986) 58 (3)


454 G. C. B. MUNIZ e P. BENGTSON

The Potiguar Basin plays a key role for elucidating the I hering, H. von, (1907), Les Mollusques fossiles du Ter-
history of the South Atlantic Ocean. It is the easternmost of tiaire et du Crétacé supérieur de 1’Argentine. Anales
the northern Brazilian marginal basins and as such lies adja­ dei Museo Nacional de Buenos Aires, 3 (7): 1-611, est.
cent to the area where the Africa-South American continen­ 1-18.
tal connexion is presumed to have been finally brokén. Am­ J enkins, O. P., (1913), Geology of the region about Natal,
monites are among the most useful fossil groups for dating Rio Grande do Norte, Brazil. Proceedings o f the
the various stages of merging of the northern and southern American Philosophical Society, 52 (211): 431-466,
arms of the incipient South Atlantic. They occur abundant­ est. 15-20.
ly in the Sergipe Basin (Bengtson, 1983), south of the
Kegel, W., (1957), Contribuição ao estudo da bacia costei­
presumed land connexion, but so far very few specimens
have been reported from the Potiguar Basin. In the offshore ra do Rio Grande do Norte. Departamento Nacional
da Produção Mineral, Boletim da Divisão de Geologia
part of this basin, there is a more or less continuous Upper
e Mineralogia, 170: 1-52, 1 mapa.
Cretaceous sequence (Souza, 1982), whereas onshore a Con-
iacian (and Santonian) unconformity has been postulated Kennedy, W. J., (1984), Systematic palaeontology and
by some authors. The ammonites described herein provide stratigraphic distribution of the ammonite faunas of
the first biostratigraphic evidence for flooding of the the French Coniacian. Palaeontological Association,
marginal parts of the basin during the Coniacian-Santonian Special Papers in Palaeontology, -31: 1-160, est. 1-33.
time interval. Klinger, H. C. & Kennedy, W. J., (1980), Cretaceous
The sedimentary fill of the Potiguar Basin comprises faunas from Zululand and Natal, South Africa: the
three sequences: continental, transitional and marine. On­ ammonite subfamily Texanitinae Collignon, 1948. A n ­
shore the marine sequence is developed essentially as car­ nals o f the South African Museum, 80: 1-357.
bonates, the Jandaira Formation (Fig. 1), with a maximum
Klinger, H. C. & Kennedy, W. J., (1984), Cretaceous fau­
thickness of approximately 650 m. The formation is infer­
nas from Zululand and Natal, South Africa: the am­
red to comprise the Turonian-Campanian interval (Souza,
monite subfamily Peroniceratinae Hyatt, 1900. A n ­
1982), based mainly on microfossil and seismostratigraphic
nals o f the South African Museum, 92 (3): 1-294.
evidence. Fossils are fairly abundant and include bivalves,
gastropods, echinoderms, bryozoans, ostracodes and fora- Matsumoto, T., (1955), Evolution of Peroniceratidae.
minifers; however, ammonites are rare. Transactions and Proceedings o f the Palaeontological
The two ammonites described herein were collected Society o f Japan, New Series, 18: 37-44.
from a quarry near Mossoró, Rio Grande do Norte (Fig. 2). Matsumoto, T., (1970), A monograph of the Collignoni-
The specimens were found by a quarry worker; the exact ceratidae from Hokkaido. Part IV. Memoir o f the Fa­
horizon within the quarry is not well known. The thickness culty o f Science, Kyushu University, Series D [Geo­
of the formation is 340 m in the area, although only some 10 logy], 20 (2): 225-304, est. 30-47.
m are exposed in the quarry (Fig. 3).
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AMONÓIDES CONIACIANOS, BRASIL 455

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