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1 INTRODUÇÃO

Ensaios mecânicos são instrumentos científicos que nos permitem conhecer as


características e propriedades de determinado material. Para atingir essa finalidade,
existem diferentes procedimentos, cada qual voltado para a quantificação e
qualificação de dado comportamento do material em estudo.
As propriedades dos materiais podem ser divididas basicamente em duas
categorias: físicas e químicas. As propriedades físicas são determinantes no
processo de fabricação e de utilização; são subdivididas em mecânica, térmica e
elétrica. A propriedade mecânica está relacionada com os limites de capacidade do
material para transmitir e suportar cargas que lhe são aplicadas, tanto durante sua
fabricação quanto durante toda a sua vida útil. É essa propriedade que representa o
maior peso na escolha de uma matéria-prima; engloba a resistência, fragilidade,
dureza, elasticidade e plasticidade do componente. A propriedade térmica
representa a resposta da substância quando submetida a diferenças de temperatura,
o que é muito útil quando se consideram equipamentos de corte, por exemplo. O
ponto de fusão, dilatação e condutividade térmica são características associadas a
essa propriedade. A propriedade elétrica é responsável pelo comportamento do
material quando submetido à corrente elétrica; é determinante da condutividade
elétrica e da resistividade.
As propriedades químicas são manifestas quando os componentes materiais
entram em contato com outras substâncias ou com o meio. A corrosão é um dos
processos químicos importantes para caracterizar um material. Ela pode ser
conhecida pelo desgaste visual aparente na matéria-prima quando realiza reações
de oxirredução com o ar do ambiente.
Na área da engenharia, os projetos em sua totalidade exigem conhecimentos
das propriedades mecânicas dos componentes que poderão ser utilizados. Dessa
forma, os ensaios constituem formas de verificação dessas propriedades,
procurando reproduzir da forma mais fiel possível as condições reais a que a matéria
será submetida. Os fatores que devem ser levados em conta durante a realização
dos experimentos são a natureza do carregamento a ser aplicado – tração,
compressão ou cisalhamento –, a duração dessa aplicação – uma fração de
segundo ou vários anos – e aspectos relativos ao meio – entre esses últimos, a
temperatura tem grande destaque. É de vital importância que os resultados sejam
trabalhados de forma consistente, lançando mão de técnicas padronizadas.
2 ENSAIOS MECÂNICOS DESTRUTIVOS
Quando falamos de integridade geométrica e dimensional de peças,
classificamos os experimentos em destrutivos e não destrutivos. Os ensaios
denominados destrutivos são caracterizados por causar a inutilização total ou parcial
dos elementos ensaiados. É por meio destes que verificamos a adequação dos
materiais ao uso, garantindo a segurança e confiabilidade dos produtos.

2.1 Extração de testemunhos


A extração e ensaio de testemunhos de concreto de estruturas acabadas é
realizado quando surgem dúvidas a respeito da resistência e do desempenho
estimado, seja por divergências apresentadas pelo controle tecnológico, seja por
deterioração aparente. As amostras retiradas devem apresentar homogeneidade e
integridade, sendo necessário uma boa aparelhagem laboratorial (Figura 1).
Figura 1: Extração de testemunho de forma íntegra e homogênea

Fonte: Revista AdNormas, 2019

Se a finalidade da realização do ensaio for testar a compressão axial do


concreto, a retirada do testemunho deve ser na direção ortogonal ao lançamento do
concreto, afastada das juntas de concreto. Além disso, para preservar a estabilidade
da estrutura faz-se necessário o escoramento adequado. Um fator importante a ser
pensado durante a execução do ensaio é que os corpos de prova utilizados pelo
controle tecnológico para determinar a resistência característica são calculados em
condições ideais de cura e considerando o maior valor de ruptura encontrado entre
os elementos ensaiados; caso que não é observado nos testemunhos – submetidos
a condições reais de carregamento – extraídos da estrutura em estudo. Cumpre
então fazer uma equivalência entre os valores reais e idealizados, por meio de uma
conversão.

2.1.1 Procedimento de retirada dos testemunhos


O local escolhido para realizar a extração dos testemunhos deve ser decidido
em comum acordo entre o projetista estrutural, construtor e tecnologista do concreto,
de forma a reduzir riscos. Deve obedecer às seguintes recomendações:
 Divisão em lotes;
 A distância maior ou igual ao diâmetro do testemunho das bordas da
peça ensaiada e das juntas de concreto;
 Não cortar armaduras;
 Perfurações espaçadas pela distância de um diâmetro, pelo menos;
 Em paredes, pilares e elementos verticais passíveis de exsudação, as
extrações devem ser, pelo menos, 30 cm distantes dos limites de
concretagem – superior e inferior – e acima da região de traspasse das
barras longitudinais;
 Quando necessário retirada de mais de um testemunho em um mesmo
pilar, eles devem ser extraídos da mesma prumada.
O equipamento previsto pela norma NBR 7680 para a retirado dos elementos a
serem ensaiados consiste de uma extratora detentora de cálice e coroa diamantada,
ou outro material com propriedades abrasivas igualitárias que possibilite o corte
preciso dos testemunhos, sem, contudo, danificar de forma excessiva a estrutura
(Figura 2).
Figura 2: Equipamento extrator de testemunhos

Fonte: http://www.peritos.eng.br/ferramentas/extrator-de-testemunhos/
Além desses critérios, deve reduzir vibrações induzidas pelo corte e possibilitar
a refrigeração à água no local, sem uso de percussão. O diâmetro do exemplar de
concreto deve possuir 15cm; havendo caso especial, deve-se observar para que o
diâmetro não seja menor que 3 vezes o diâmetro do agregado graúdo que for
utilizado no concreto em questão, não podendo ser inferior a 10cm. Os elementos
devem estar íntegros e não conter materiais não constituintes do concreto (pedaços
de madeira, barras de aço, etc.). Se contiver aço, este pode ser aceito, desde que
esteja em direção ortogonal ao eixo do testemunho e não ocupe mais que 4% da
sua seção transversal (Figura 3).
Figura 3: Extração de testemunho em boas condições

Fonte: http://www.peritos.eng.br/ferramentas/extrator-de-testemunhos/

O lote deve abranger um espaço amostral suficientemente grande para


possibilitar a correta análise a respeito da segurança da edificação, mas ao mesmo
tempo deve-se procurar reduzir o mínimo possível o número de testemunhos de
forma a não comprometer a estabilidade estrutural. No caso excepcional de
elementos estruturais que apresentem concentração de armaduras, impossibilitando
o cumprimento dos 10cm mínimos de diâmetro do testemunho, é permitida a
redução deste para 7,5cm.
Antes de efetuar a caracterização dos testemunhos, é necessário observar se
estes atendem à relação altura/diâmetro (1 ≤ h/d ≤ 2), se foram retirados quaisquer
materiais estranhos à composição do concreto e se há paralelismo entre os topos e
ortogonalidade entre as geratrizes; não atendendo algum destes critérios, se efetua
cortes nos corpos de prova. Só então, o elemento pode ser caracterizado;
determina-se a massa, a área, volume, comprimento e massa específica.
O lote que será analisado deverá ter correspondência com o Quadro 1.
Quadro 1: Mapeamento da estrutura, formação de lotes e quantidade de testemunhos

Fonte: NBR 7680-1/2015

2.1.2 Procedimento para determinação da resistência à compressão (ou tração)


Os testemunhos devem ser ensaiados conforme a NBR 5739 para determinar
sua resistência à compressão axial ou conforme a NBR 12142 para obter a
resistência à tração por flexão. É imprescindível uma atenta observação de antes e
após a ruptura do corpo de prova, carregando-o até a sua desagregação. Se
observadas irregularidades, fazer o devido registro com fotos e anotações.
Para ser possível a aceitação do concreto ensaiado, é necessário estabelecer
relações de equivalência e comparação, que corrijam interferências oriundas dos
processos construtivos e de extração. Fatores como variações de dimensões entre
corpos de prova moldados no processo de controle tecnológico e dos testemunhos;
problemas relativos à projeto executivo; idade dos corpos ideais e reais, entre outros
devem ser considerados no cálculo da resistência do testemunho.
Ao final da análise, elabora-se um relatório que retrate todos os dados obtidos
ao longo do experimento, para fins de comprovação.
REFERÊNCIAS
https://jorgeteofilo.files.wordpress.com/2010/08/epm-apostila-capitulo09-ensaios-
mod1.pdf

https://i1.wp.com/revistaadnormas.com.br/wp-content/uploads/2019/03/concreto3-
1.jpg?ssl=1

http://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/arquivosUpload/15030/material/
NBR%207680-1%20-%2015_aula.pdf

http://www.peritos.eng.br/ferramentas/extrator-de-testemunhos/