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Lorenzo Barreiro Lopes de Almeida

Estudo do tempo em L’emploi du temps, de Michel Butor

Projeto de pesquisa apresentado à FAPESP


para solicitação de bolsa de Iniciação
Científica a ser orientada pelo Prof. Dr.
Pablo Simpson Kilzer Amorim

São José do Rio Preto


2020

Estudo do tempo em L’emploi du temps, de Michel Butor


RESUMO

Pretendemos, ao longo desta pesquisa, investigar uma das obras de Michel Butor, um dos

mais célebres autores da literatura francesa do século XX e um dos líderes do Nouveau Roman,

movimento que tinha como norte a inovação das técnicas da narrativa. Estudaremos, mais

precisamente, a obra L’emploi du temps (1957), a partir da importância do tempo nessa narrativa. A

fábula dessa obra é a de um narrador autodiegético chamado Jacques Revel, jovem francês que

escreveu um diário de viagem sobre os momentos passados na cidade de Bleston, para onde viajou a

fim de estagiar por um ano no escritório de Matthews and Sons. Por ser escrito em formato de diário,

narrando dias ou meses anteriores, temos acesso às memórias do autor ficcional e à simultaneidade

dos tempos — o presente de leitura, o presente e o passado da história narrada. O tempo, inerente à

realidade, é um dos objetos de reflexão por excelência da filosofia e da literatura, não só o do relógio

ou da clepsidra, mas o interior, que, segundo Henri Bergson, em O pensamento e o movente (2006),

condensa-se ou volatiliza-se, dependendo do espírito. Faremos isso sob o lume da Teoria Literária,

segundo autores como Hans Meyerhoff (O tempo na literatura, 1976), Paul Ricœur (Tempo e

narrativa, 1997), Adam Mendilow (O tempo e o romance. 1972) etc.; e da Narratologia — sobretudo

Gérard Genette (Discurso da narrativa, 1979). Isso para, por fim, analisarmos, por um lado, como o

tempo se constrói no romance, e, por outro lado, as reflexões propostas pelo próprio narrador sobre o

tempo.

INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

Contrapondo o romance tradicional, na segunda metade do séc. XX, no pós-guerra,

surge na França um novo movimento literário: o Nouveau Roman. Segundo Alain Robbe-

Grillet (1996) — crítico, teórico e romancista do movimento —, os novos romancistas seriam

os herdeiros da grande literatura dos últimos séculos. Suas obras seriam, por um lado, uma

espécie de “evolução” do romance, e, por outro, uma mudança radical dele, sobretudo, no que
diz respeito ao funcionamento da descrição, ao papel e à representação do herói na narrativa.

Em virtude dessa aspiração à inovação, para Carpeaux, não se trata de um mero anseio ou de

um mero movimento de autores quaisquer, pois “[o] ‘nouveau roman’ é a quebra mais radical

que a tradição do romance francês jamais sofreu.” (CARPEAUX, 1968, p. 311) Dentro do

movimento, além de Robbe-Grillet, podemos salientar os principais expoentes: Claude

Simon, laureado pelo Prêmio Nobel de Literatura; Marguerite Duras, autora de romances

importantes como L’Amant, vencedor do Prix Goncourt em 1984; e Michel Butor, que foi, de

acordo com Maicon Tenfen, o “‘guru’ da revolução novo-romanesca” (TENFEN, 2007, p.

104). Embora sua obra romanesca tenha sido curta — já que se dedicou também ao ensaio, ao

poema, ao teatro e à ópera — Butor (1926-2016) foi um dos principais autores franceses do

século XX, segundo Michał Mrozowicki (2012).

Neste projeto de pesquisa, temos o intuito de estudar uma das narrativas de Butor,

L’emploi du temps (1957). Esse romance, em síntese, é uma espécie de diário no qual Jacques

Revel, um jovem francês, escreve suas experiências passadas na cidade ficcional de Bleston,

onde estagiou no escritório de advocacia Matthews and Sons. Durante a sua estada, graças à

monotonia de seus dias, o narrador-protagonista tenta ocupar-se de diversas maneiras, a

saber: a) com o estudo sobre a cidade; b) com a investigação do crime cometido no livro O

assassinato de Bleston1 e de seu autor; c) com a relação afetuosa com as personagens Rose e

Ann Bayle; d) com o próprio registro de seus dias nessa cidade inglesa. O mais importante é

que, durante toda a história, o tempo está presente não só nas técnicas romanescas, mas

também no conteúdo da narrativa, porque ela descreve os momentos passados em Bleston

como uma espécie de “inventário”. Além disso, Jacques Revel narra em seu diário as suas

experiências passadas em retrospectiva, num lapso de tempo por volta de sete meses, mas que

varia diversas vezes em sua obra.

1
“Meurtre de Bleston”
O romance inicia no fim do percurso de Revel, da França para a Inglaterra. Ao descer

do trem, a sua primeira imagem da cidade foi a de um clarão; em seguida, a de um ambiente

cuja vista é cinzenta e cujo ar é “amargo”. Esta primeira impressão é importante, porque será

carregada pelo narrador-protagonista durante todo o percurso narrativo. Assim, pelos olhos

de Revel, veremos Bleston como um ambiente incessantemente escuro, sufocante e sujo:

Os clarões se multiplicaram.
Foi nesse momento que entrei, em que começa a minha estada nesta cidade, neste ano cuja
metade se decorreu, quando pouco a pouco me libertei de minha sonolência, naquele canto do
compartimento onde eu estava só, sentado de frente, ao lado da janela negra coberta por fora
por gotas de chuva, miríade de pequenos espelhos, cada um refletindo um grão trêmulo de luz
insuficiente, que gotejava do teto sujo, quando a trama da espessa cobertura de ruídos, que me
envolvia há horas quase sem descanso, mais um vez se relaxou, desfeita. [...] É que então a
água de meu olhar ainda não estava sombria, então, cada um dos dias aqui jogou pitada
cinzas. [...] Então respirei profundamente, e o ar me pareceu amargo, ácido, cheio de carvão,
pesado como se um grão de limalha lastreasse cada gotícula de sua névoa. 2 (BUTOR, 1957, p.
9-10)

A cidade tem uma importante relação conflituosa com o protagonista, pois Bleston,

um ser inanimado, rodeia a vida de Revel durante um ano e, durante esse período, é a

verdadeira vilã de sua história, agindo como uma espécie de demiurgo, controlando a sua

vida. Um exemplo desse caráter da cidade é o momento em que o narrador-protagonista

sugere que ela teria controlado o criador do livro O assassinato de Bleston apenas para que

ele, Revel, investigasse essa narrativa e, depois, fracassasse: “penso agora que é de um outro

2
“Les lueurs se sont multipliées.
C’est à ce moment que je suis entré, que commence mon séjour dans cette ville, cette année dont plus de la
moitié s’est écoulée, lorsque peu à peu je me suis dégagé de ma somnolence, dans ce coin de compartiment où
j’étais seul, face à la marche, près de la vitre noire couverte à l’extérieur de gouttes de pluie, myriade de petits
miroirs, chacun réfléchissant un grain tremblant de la lumière insuffisante qui bruinait du plafonnier sali,
lorsque la trame de l’épaisse couverture de bruit, qui m’enveloppait depuis des heures presque sans répit, s’est
encore une fois relâchée, défaite. [...] C’est qu’alors l’eau de mon regard n’était pas encore obscurcie ; depuis,
chacun des jours y a jeté sa pincée de cendres.[...] Alors j’ai pris une longue aspiration, et l’air m’a paru amer,
acide, charbonneux, lourd comme si un grain de limaille lestait chaque gouttelette de son brouillard.”
homem que tu te serviste, Bleston, [...] para me zombar, para me perder, para me fechar

dentro da densa fumaça de possibilidades e de remorsos” 3 (BUTOR, 1957, p. 281).

Um outro aspecto do romance é a marcação das datas e dos meses. Um exemplo dessa

preocupação do autor ficcional é a anotação no topo da mesma página do início do romance:

“MAIO, outubro”4 e, embaixo, “[q]uinta-feira, 1° de maio”5 (BUTOR, 1957, p. 9). Assim,

quando o narrador os pontua, ele escreve de um mês sobre outro mês e assinala

especificamente os dias que narra. Desse modo, ele discorre, no primeiro dia de maio, sobre

os seus momentos passados em outubro, sua chegada. Então, não é exatamente um diário de

viagem, porque ele não escreve no dia dos eventos. Além disso, a relação entre o presente de

escrita — que o leitor lê como ação acabada — e o passado narrado traz à luz um dos pontos-

chave do romance: o trabalho com a memória.

Assim a sucessão primária dos dias antigos nunca nos é mostrada senão através de uma
multidão de outros, mutáveis, cada evento fazendo ressoar outros anteriores, que são sua
origem, explicação ou homólogo, cada monumento, cada objeto, cada imagem enviando-nos a
outros períodos que é necessário reanimar para nele encontrar o segredo perdido de seu poder
bom ou mau, de outros períodos muitas vezes distantes e esquecidos cuja espessura e
distância também não se medem mais por semanas ou por meses, mas por séculos,
distanciando-se no fundo confuso e obscuro de nossa história inteira [...] 6 (BUTOR, 1957, p.
294-295)

A preocupação com o tempo se desdobra, assim, numa reflexão sobre a memória

reconstruída pelo diário: “[a]ssim a sucessão primária dos dias antigos nunca nos é mostrada senão

através de uma multidão de outros ” (BUTOR, 1957, p. 294). Esse é um exemplo de que, em

3
“je pense maintenant que c’est d’un autre homme que tu t’es servie, Bleston, [...] pour te venger de J. -C.
Hamilton, pour me bafouer, pour me perdre, pour m’enfermer dans l’épaisse fumée de possibilites et de
remors”
4
“MAI, octobre”
5
“[j]eudi, 1er mai.”
6
“Ainsi la succession primaire des jours anciens ne nous est jamais rendue qu’à travers une multitude d’autres,
changeantes, chaque événement faisant en résonner d’autres antérieurs qui en sont l’origine, l’explication, ou
l’homologue, chaque monument, chaque objet, chaque image nous renvoyant à d’autres périodes qu’il est
nécessaire de ranimer pour y retrouver le secret perdu de leur puissance bonne ou mauvaise, d’autres périodes
souvent lointaines et oubliées dont l’épaisseur et la distance se mesurent non plus par semaines ou par mois
mais par siècles, se détachant sur le fond obscur de notre histoire entière [...]”
L’emploi du temps, o tempo se manifesta nítida e constantemente, estando sempre em

primeiro plano, porque intrínseco à memória.

Embora Revel tenha ido para a Inglaterra por causa de seu emprego na Matthews and

Sons, não foi lá onde ele preencheu o vazio de sua estada. Pelo contrário, o trabalho é a parte

oculta de sua vida em Bleston, porque os momentos passados no escritório foram raramente

retratados. Para preencher essa lacuna e ocupar-se, como salientamos e retomamos agora,

Revel tentou criar quatro soluções possíveis, conforme se indicou: ele estudou os mapas e a

geografia da cidade; por grande parte da narrativa, investigou o autor de O assassinato de

Bleston e o homicídio que teve lugar nesse livro; apaixonou-se pelas irmãs Bayles; escreveu o

próprio diário de viagem.

No fim do livro, Revel narra os últimos instantes que passou na cidade “antes que o

ponteiro grande fique na vertical no relógio”7 (BUTOR, 1957, p. 326). Aos poucos, ele narra

a sua despedida da cidade e dos seus conhecidos, mas parece que esse ponteiro o apressa e se

apressa, pois ele interrompe o texto sem nem mesmo terminar o período que escrevia:

não tenho tempo de detalhar porque o ponteiro grande se aproxima cada vez mais da vertical
no relógio que vigio na plataforma, nessa plataforma de Hamilton Station que contemplei no
sábado, 1° de março, como todos os meus dias de liberdade nessa região de nosso ano,
Bleston, que contemplei desde o saguão, chamando com todo o meu ódio o momento distante
de minha libertação, este momento de nossa separação, Bleston, que está na iminência de
ocorrer, (BUTOR, 1988, p. 326) 8

O jovem francês partiu no dia primeiro de outubro, mesmo dia em que tinha chegado

no ano anterior. Seguindo a lógica marcação dos dias e dos meses, quando ele escreve

“SETEMBRO, agosto, julho, março, setembro” 9 (BUTOR, 1957, p. 298), podemos pensar

7
“avant que la grande aiguille soit devenue verticale sur l’horloge”
8
“je n’ai pas le temps de détailler parce que la grande aiguille se redresse de plus en plus sur le cadran de cette
horloge que je surveille sur le quai, sur ce quai de Hamilton Station que j’avais contemplé le samedi 1 er mars
comme tous mes jours de liberté en cette région de notre année, Bleston, que j’avais contemplé depuis le hall,
appelant de toute ma haine le moment lointain de ma délivrance, ce moment de notre séparation, Bleston, qui
est sur le point de sonner”
9
“SEPTEMBRE, août, juillet, mars, septembre”
que estava com pressa de registrar os seus últimos instantes e, ao mesmo tempo, com anseio

de acabar de escrever. Isso porque ele finalmente se libertou da angústia de estar naquela

cidade; logo, não precisaria mais escrever. Assim, o autor ficcional termina o livro

“correndo”, como se fizesse um esboço ou um rabisco às pressas, não terminando nem o

período, pontuando apenas com uma vírgula. Nós lemos um texto de mais de 300 páginas de

um narrador que quis realizar um inventário, um catálogo de sua vida em Bleston; entretanto,

assim que possível, para de escrever, por isso, podemos questionar quando e quanto escrever

é importante para ele.

O tempo trazido à baila pela memória do autor ficcional não é apenas o inevitável

tempo físico do relógio (ou mesmo do próprio diário), mas o psicológico. Bergson, em O

pensamento e o movente (2006), se preocupa com a concepção tempo, cuja “essência” —

para ele — “consistindo em passar, nenhuma de suas partes está mais aí quando outra se

apresentaconsist[e] em passar, nenhuma de suas partes pode permanecer ainda, quando outra

se apresenta” (BERGSON, 2006, p. 4). Mas diz respeito aquele mais metafísico, empírico e

presente na ontologia do ser, o tempo relativo, que pode se alongar, se estender,

independentemente do tempo físico. Isso porque ele é relativo à percepção do eu, que vê a

sucessão de momentos passarem rapidamente ou não. Logo, ele é impreciso e, por sua vez,

incontável. Dessa maneira, a percepção de Revel do tempo que ele passa na cidade inglesa é

de um tempo condensado de uma "tensão que se asfixia e tempo que se escapa" (BERGSON,

2006, p. 10), que lhe provoca o tédio, a espera e a solidão. Porém, ele tenta suprir esses

sentimentos angustiantes. Para isso, ele cria diversas formas de ocupar-se, mas, na sua vida

em Bleston, poucas coisas lhe são envolventes, e as tarefas que lhe são importantes não

parecem ser suficientes, a ponto de não possuírem uma importância concreta, e, por isso, são

deixadas de lado pelo narrador.


A relação entre diversos tempos evocados no romance por meio da memória é

possível pela discordância da ordem, de acordo com Genette (1979), entre “tempo da coisa-

contada” (tempo daquilo que é narrado) e “tempo da narrativa” (tempo de como a história é

contada). A grande diferença temporal entre o momento em que Jacques narra e o em que

descreve sua estada funciona como Jean Ricardou descreve: “L’emploi du temps é uma

narrativa de hiato. Do passado que ele pretende reestabelecer, o narrador assegura ‘que se

trata de preencher as lacunas nos dias que nos restam’”10 (RICARDOU, 1967, p. 185).

Mas qual é o efeito desse hiato na narrativa? Há uma grande diferença entre relatar um

acontecimento que acabou de se realizar e relatar um acontecimento de meses antes. Além de

ser impossível narrar exatamente um acontecimento por meio da linguagem, quando há uma

larga diferença entre o locus temporal do autor ficcional, há uma espécie de trabalho de

distorção da memória por parte do narrador-protagonista, porque possui um ponto de vista

posterior que pode alterar a sua perspectiva do acontecimento:

Ele [o narrador autodiegético] sempre projeta a sua personalidade que escreve posteriormente
sobre a sua personalidade que agiu anteriormente, e fica-se em dúvida se as lições de moral
que forma, a partir da sua vida, em realidade dela derivam ou se coloriu a sua descrição para
fazê-la concordar com as suas visões subsequentes. (MENDILOW, 1972, p. 101)

Ademais, devemos considerar que a trama da narrativa não se encerra somente na

discordância entre tempo da coisa-narrada X tempo da narrativa, mas há também a

concordância entre diversos momentos de Jacques Revel. Neste excerto, o narrador-

protagonista narra, no dia 28 de julho, o momento em que ele começa a escrever o seu diário,

no dia 1º de maio, quando, por sua vez, narra a sua chegada em outubro. Portanto, ele não

10
“L’emploi du temps est un récit de hiatus. Du passé qu’il envisage de rétablir, le narrateur assure ‘qu’il s’agit
de combler les lacunes en ces quelques jours qui nous restent.”
apenas narra a sua estada no passado, mas também consegue narrar, através de um passado,

outro ainda mais distante e já narrado.

“Os clarões se multiplicaram”, cujos caracteres se começaram a queimar nos meus olhos
quando eu os fechei, inscrevendo-se em chamas verdes sobre o fundo vermelho-escuro, essa
frase cujas cinzas eu já encontrei nessa página quando eu reabri as pálpebras, essas cinzas que
reencontro agora.11 (BUTOR, 1957, p. 186)

A presença do tempo futuro é um pouco mais sútil. Segundo Meyerhoff (1976), em

geral, a relação entre o tempo psicológico do narrador autodiegético e o futuro se dá por meio

das expectativas. No L’emploi du temps, esse tempo psicológico é a expectativa de voltar

para a França depois de um ano. E esse é o norte de Revel durante a sua estada, pois,

independentemente do diário e das outras atividades que ocupam o seu tempo, ele sempre

anseia, paradoxalmente, que essa viagem acabe sem demora. Dessa forma, o tempo de suas

expectativas é um segmento que possui uma direção, uma data de início e outra de fim. Sob

esse ponto de vista, o tempo futuro seria muito mais linear, porque, mesmo que ele esteja

preso a uma rotina, sempre está direcionado ao seu retorno à França. Talvez, dependendo do

ponto de vista, esse desfecho possa parecer um tanto positivo, afinal, como dissemos,

podemos ler que, a partir desse momento, ele estaria livre de todos os fardos que a cidade e

que a estada nela lhe impunham. Para Bergson (2006), o porvir, na verdade, pode ser não só

de eventos infelizes, mas também, do oposto. Isso porque o futuro está relacionado à

imprevisibilidade, que abre um leque de possibilidades dentre as quais se cria o eixo da

mudança: “[a] duração revelar-se a criação continua, ininterrupto jorro de novidade”

(BERGSON, 2006, p. 30). Assim, no horizonte do amanhã de Revel, há a possibilidade do

11
“« Les lueurs se sont multipliées », dont les caractères se sont mis à brûler dans mes yeux quand je les ai
fermés, s'inscrivant en flammes vertes sur fond rouge sombre, cette phrase dont j'ai retrouvé les cendres sur
cette page quand j’ai rouvert mes paupières, ces cendres que je retrouve maintenant.”
oposto de sua estada em Bleston: do júbilo e da “modificação” (utilizando do título de outro

dos romances de Butor).

Assim, por ser uma narrativa memorialística de hiato e também por trabalhar diversos

tempos simultaneamente, como salienta Leal (2012), o narrador-protagonista se envolve tanto

com a escrita de suas memórias, que tropeça nelas, perde-as de controle, confunde o que é

memória e o que é real, o que é passado, presente e futuro. Tendo em vista essa confusão do

narrador, até que ponto podemos assegurar o que é verdade? E, se ele mesmo confunde os

fatos, o que de fato aconteceu? Na verdade, em nosso estudo, faz parte de nosso papel

questionar a escrita de Revel e interpretar as consequências disso para leitura do romance.

O autor ficcional dessas memórias tentou, diversas vezes, superar as consequências do

espaço e do tempo nele, mas há certa diferença entre ambos. A cidade, mesmo que fosse

assustadora para Revel, ele conseguiu um mapa dela, ele andou por ela, ele a investigou, ele

visitou e revisitou diversos lugares (por exemplo, o restaurante Oriental Bamboo, a igreja e

seu vitral de Caim). Ou seja, como caracteriza Leal (2012), o espaço não deixa de ser

palpável e reversível na obra. A tese central da Teoria do romance (2003), de Georg Lukács,

é sobre o herói moderno, o “indivíduo problemático”, que seria marcado pelo desacordo entre

“alma” e realidade. Isso pois as virtudes e as vontades da alma desse herói não se adequariam

ao “o mundo externo”; na verdade, são divorciados por abismo intransponível. Por essa

razão, todo o espaço, desde o início da narrativa, está em desacordo com a alma de Jacques

Revel — como afirmamos há pouco. Porém, o tempo não só faria parte da realidade, mas

também seria o seu aspecto mais opressor. Isso porque, no mesmo tempo, como no rio

heraclitiano, nunca nos banhamos duas vezes. O tempo e é uma entidade invisível que,

independentemente dos pensamentos de Revel, ou dos nossos, caminha do ponto A para o

ponto B, sem pausar, sem retroceder; passando por tudo e levando tudo. Assim, essa grandeza

física é muito mais inevitável e muito mais tenaz para com o personagem do que o espaço.
A maior discrepância entre ideia e realidade é o tempo: o decurso do tempo como duração. A
mais profunda e humilhante incapacidade de autoafirmação da subjetividade consiste menos
na luta vã contra as estruturas vazias de ideias e seus representantes humanos do que no fato
de ela ter de resvalar, lenta mas irresistivelmente, de cumes escalados a custo; de esse ente
inapreensível e invisivelmente ágil despojá-lo aos poucos de toda a sua posse e — de maneira
imperceptível — impingir-lhe conteúdos alheios. Eis por que só o romance, a forma do
desterro transcendental da ideia, assimila o tempo real, a durée de Bergson, à fileira de seus
princípios constitutivos. (LUKÁCS, 2003, p. 127)

Dessarte, ao escrever, ele ocupa o seu tempo, como o faz em outras atividades. Por

mais que ele tenha se envolvido com essas ocupações, de fato, não se importa, pois elas são

descartáveis e substituíveis, como ele substituiu uma pela outra. O ato de escrever é uma

forma de ele catalogar o tempo (por isso, “inventário do tempo”) e rememorar o que passou

em Bleston. É uma busca do seu tempo perdido, uma forma de registrar os acontecimentos e

tomar consciência do tempo, já que, como diria a máxima latina: Verba volant, scripta

manent. Dessa forma, como Leal (2012) pensou, ao escrever, Revel, sobretudo, procura a si

próprio.

OBJETIVOS

Os objetivos desta pesquisa centralizam-se na seguinte questão: como se dá a relação

entre tempo e narrativa na obra L’emploi du temps, de Michel Butor, e quais são suas

possibilidades de interpretação. Para isso, objetivamos estudar e interpretar a especificidade

do tempo no nosso corpus sob o lume da Narratologia e da Teoria Literária, tomando como

principal interlocutora Tempo e narrativa (1997), obra teórica de Paul Ricœur. Nessa obra,

para o teórico, a principal questão é a relação entre tempo narrativa e tempo humano. Isso

porque, a) em toda a narrativa, há, inevitavelmente, um trabalho com questões temporais; b)


na experiência humana, o tempo é um tempo contado. Para essa discussão, é trazido à tona

diversas abordagens de diversas áreas do conhecimento, como a filosofia.

Por fim, entendemos que a problemática levantada por nós como tema de nossa

pesquisa possui a sua relevância, porque o tempo é um sujeito de estudos universais,

inevitável em quase todas as áreas do conhecimento, mas também é um sujeito inevitável no

estudo e no fazer literário. Quando visto de chofre, o tempo pode parecer superficial, mas,

como vimos, demanda um estudo mais detido a fim de ser investigado de modo mais

sistemático.

MATERIAIS E MÉTODOS

Propomos, como uma das abordagens metodológicas para um estudo do tempo na

narrativa, uma investigação que foque nas questões narratológicas, conforme sugeridas pelos

estudos de Gérard Genette. Como podemos observar no seguinte trecho do romance de Butor:

embarquei na rodada da semana no Matthews and Sons ao mesmo tempo que todos os meus
companheiros de sala, onde comecei a girar, preso a esse rebolo que, nessa manhã como todas
as segundas-feiras às nove horas, retomava seu mesmo movimento, como se eu tivesse me
reencontrado, enquanto eu atravessava o limite do “White Street, sessenta e dois”, oito dias
antes, quinze dias antes, ou mesmo neste 8 de outubro, sempre no mesmo cenário, como única
mudança a diminuição da luz até janeiro, depois seu aumento, cativando os mesmos atores
tomando as mesma atitudes, de tal modo que me seria difícil de precisar em qual momento é
produzido tal mínimo evento que ocupou no entanto por muito tempo nossas conversas de
colegas na hora do almoço, no bom-dia ou no até-amanhã [...], de tal modo que, na minha
lembrança, todas essas semanas cujo número me assusta quando consulto meu calendário, das
quais cada uma passou tão lentamente, se contraem quase em uma única imensa, espessa,
compacta, confusa, tudo o que me resta de tantas horas daquele outono, daquele inverno e
deste começo de primavera, sempre nesse movimento que não parará somente no fim de
setembro, pois está entendido que não terei férias enquanto estiver aqui. 12 (BUTOR, 1957, p.
37-38)

Neste excerto, diversas ações diferentes de diversos momentos de “todas essas

semanas cujo número me espanta” da existência de Revel são resumidas em algumas poucas

frases e orações. Assim, o tempo do que foi narrado é encurtado, comparado ao

acontecimento da história narrada, o que Genette (1979) alcunha como sumarização. Dessa

forma, podemos salientar que as atividades que Jacques Revel vivenciou, como os “bons

dias” todos os dias no escritório, são capazes de serem sintetizadas, porque foram repetitivas,

monótonas e cansativas. Em vista disso, o tempo é abordado desde a superfície textual até os

elementos mais complexos da forma do diário de viagem de Revel, dialogando, assim, com o

que está sendo narrado.

Outra forma de investigação do tempo em L’emploi du temps é estudá-lo seguindo as

teorias da Teoria Literária, porque o tempo, por sua vez, é um dos fulcros da narrativa. Para

Ricœur (1994), há “círculo vicioso entre o ato de narrar e o ato temporal” (1994, p. 87), que

graças à mimese aristotélica da realidade intrínseca à arte, que, a partir da percepção do

tempo real, cria um novo tempo, o da narrativa. Além disso, para o teórico literário francês,

durante todo percurso narrativo, há diversos motivos que desenrolam a narrativa e que agregam

sentido à intriga13, o "por quê", o "quem", o "como" etc. Dito isso, a “tessitura da intriga” nos permite

12
“j'ai abordé la roue de la semaine chez Matthews and Sons en même temps que tous mes compagnons de salle,
où j'ai commencé à tourner, attaché à cette meule qui, ce matin comme tous les lundis à neuf heures, a repris
son même mouvement, comme si je m'étais retrouvé, tandis que je franchissais le seuil du « soixante-deux,
White Street », huit jours auparavant, quinze jours auparavant, ou même à ce 8 octobre, toujours dans le même
décor, avec pour seul changement la diminution de la lumière jusqu'en janvier, puis son accroissement,
entraînant les mêmes acteurs selon les mêmes attitudes, de telle sorte qu'il me serait bien difficile de préciser à
quel moment s'est produit tel minime événement qui a occupé pourtant longtemps nos brèves conversations de
collègues au moment du repas, au bonjour ou à l'au revoir [...], de telle sorte que, dans mon souvenir, toutes
ces semaines dont le nombre m'épouvante, quand je consulte mon calendrier, dont chacune a passé si
lentement, se contractent presque en une seule immense, épaisse, compacte, confuse, tout ce qui me reste de
tant d'heures de cet automne, de cet hiver, et de ce début de printemps, toujours ce même mouvement qui ne
s'arrêtera qu'en fin septembre, puisqu'il est entendu que je ne prendrai pas de vacances tant que je resterai ici.”

13
Ricoeur (1994) se debruça sobre a idéia de muthus (“intriga”) da tragédia de Aristóteles, que seria uma
mimese (grosso modo, uma imitação) da ação da vida. Além disso, o muthus possui um tempo que caminha para
um fim, o desenlace, no sentido de finalidade e desfecho. No entanto, esse momento não é arbitrário, pois, como
escrevemos acima, está relacionado com diversos motivos da narrativa que lhe dão sentido.
ter uma visão panorâmica da tessitura das ações e dos motivos, o que o crítico francês chama de

"compreensão prática" (RICŒUR, 1994, p. 89). Isso elucida a dimensão da Teoria Literária para

esse estudo, pois mostramos e exemplificamos que, em L’emploi du temps, praticamente toda a sua

tessitura concerne ao tempo. Assim, ao compreendermos o funcionamento da intriga, logo, teremos

um estudo aprofundado da obra graças à compreensão da estruturas referentes ao tempo na narração.

Mas o temporalidade na narrativa não morre à beira da tautologia, como afirma

Abraham Mendilow "o tempo em seus vários aspectos é um fator condicionante maior na

técnica da narrativa" (MENDILOW, 1972, p. 71). Por isso, é levado em consideração desde a

duração da tragédia de Aristóteles e é trabalhado por todos os grandes autores que

contribuíram para as técnicas do romance como Joyce, Woolf, Mann e Proust (autores cujas

obras já temos leitura).

Além dessas formas de abordagem do tempo, do mesmo modo, será possível analisar

o que está ainda mais evidente no texto: a própria fala de Revel, que nos expõe a sua

percepção e a sua relação com o tempo.

Não posso mais avançar senão com uma extrema lentidão, e o desejo me invade cada vez
mais de que todas essas desgraças explodam para que a espera se termine e que se possa
caminhar enfim, falar enfim, respirar; mas elas se ocorrem por vezes; isso faz uma grande
manchete no Evening News ou no Bleston Post; e a espera não termina; tudo é ainda pronto;
pois nenhum outro saberia verdadeiramente passar em tal cenário, apenas crimes sórdidos, e
todo o resto permanece levando a isso através de inúmeros desvios, de tudo, só permanece
um véu diante deles.”14 (BUTOR, 1957, p. 92)

Neste excerto, o próprio Revel aponta para algumas questões centrais para esta

pesquisa, como o tempo que demora para passar graças à sua “lentidão extrema”, que

14
Je ne puis plus alors avancer qu'avec une extrême lenteur, et l'envie m'envahit de plus en plus que
tous ces malheurs éclatent pour que l'attente se termine et que l'on puisse marcher enfin, parler enfin,
respirer ; mais ils se produisent parfois ; cela fait un grand titre sur l'Evening News ou le Bleston
Post ; et l'attente ne finit pas ; tout est encore prêt ; car rien d'autre ne saurait véritablement se
passer dans un tel décor, que de sordides crimes, et tout le reste y mène à travers d'innombrables
détours, tout le reste n'est que voile devant eux. »
também está associado ao tema da espera e do tédio. Podemos inferir que o tempo, segundo o

próprio narrador autodiegético, angustia-o e o sufoca a ponto de sentir-se preso a ele.

Assim, quando afirmamos a presença constante do tempo, não tocamos apenas em

expressões como “ontem”, “na hora do almoço”, “é x hora”, porque o tempo é evidente no

diário de viagem de Revel, mas não está apenas nessas formas simples. No nosso corpus, o

tempo funciona como uma força centrípeta, porque tudo gira em torno dele, do tédio, da

duração e da espera da percepção de Revel, e tudo retorna a eles, desde as técnicas

narratológicas até o pensamento do narrador-protagonista.

CRONOGRAMA

Atividades previstas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Levantamento ●

bibliográfico
Leitura e fichamento ● ● ● ●

Análise interpretativa do ● ● ● ●

corpus
Redação do relatório ● ●

parcial
Redação do relatório ●

final

BIBLIOGRAFIA FUNDAMENTAL

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FORMA DE ANÁLISE DOS RESULTADOS