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Prova da disciplina Juizados Especiais

Aluno: Vinícius Santin Menger - 15201065

1ª QUESTÃO: Das possíveis interpretações, primeiramente, explica-se o brilhantíssimo do professor Mello, ao


apontar a fragilidade imiscuída nas referências dentro dos incisos do art. 3º da lei 9.099/95, eis que, dessa leitura,
extrai-se que a matéria prevalece independentemente do valor da causa, pois, nos casos previstos nos incisos II, III e
IV do referido artigo, uma vez que o caput do referido dispositivo prevê que compete ao juizado especial estadual
julgar as causas de menor complexidade e considerando que o inciso II versa sobre o artigo 275 do CPC de 1973, o
qual prevê em sua redação que as causas ali elencadas serão processadas e julgadas “independentemente do valor”,
assim, o valor de causa nos juizados especiais previsto no inciso I do artigo 3º da lei 9.099/95, para esta teoria, seria
apenas um dos critérios delimitativos do que se considera como de menor complexidade.
Contudo, há ainda quem avalie apenas o valor da causa como importante, dada a redação do caput do artigo
3º da Lei 9.099/95, o que leva alguns tribunais a interpretaram que bastava causa inferior a 40 salários mínimos para
ser de competência do juizado, dado que o foco da Lei era abarcar causas de “menor complexidade” as previsões dos
incisos enumerados no artigo 3º seriam exemplificativos e qualquer matéria seria de competência do juizado.
Ademais, a expressão “menor complexidade”, além de ser um conceito fluido é, igualmente, indeterminado, pois os
seus limites dependem da ótica do julgador, o que faz com que, na prática, ocorram divergências, e um possa
preservar, e o outro não, a sua competência.
Podemos elencar ainda uma terceira teoria que por sua vez, trata de considerar a matéria e a valoração da
causa para delimitar a competência, interpretando que o rol é taxativo e sempre limitado ao valor de 40 salários
mínimos.
2ª QUESTÃO: O art. 23 do JEC Federal permitiu que o juizado se fizesse crescer em harmonia com a
demanda necessária, diferentemente do Estadual que do dia pra noite recebeu a sobrecarga do judiciário, ainda a fase
de execução não contém a aberração do parágrafo 4º do art. 53 do JEC Estadual e o pagamento pode, ainda, ser
realizado por precatório.

3ª QUESTÃO: O sistema recursal do juizado estadual prevê apenas os embargos de declaração e recurso
inominado em 1º grau. Na prática se permite agravos de instrumento, pois o sistema previsto na Lei de juizado
especial não é aplicado, e via de regra se aplica com base no macrossistema do CPC. Contra a decisão de 2º grau
caberá recurso, apenas, ao STF por meio de recurso extraordinário, tendo em vista que a Constitução não submete o
juizado especial ao STJ. Entretanto é possível fazer reclamação ao STJ, sendo essa uma ação impugnativa autonôma,
ou seja, incidente externo ao processo do juizado, e deverá se feito com base na resolução 12/2009 do regimento
interno do STJ, desde que haja discordância entre a compreensão da turma de recurso e súmula, ou orientações de
recursos especiais, do STJ.

4ª QUESTÃO: Uma mistura de dicionário de utopias e regulamentação minuciosa do efêmero, a


mediação/concilação, condição obrigatória e que atrasa o processo em meses, se resume em um encontro que em
geral é realizada em 15min, quando a menina conciliadora pergunta: “há possibilidade de acordo?” e depois da
negativa das partes passa-se a redigir curtas atas mas que levam mais tempo que a própria audiência “presentes as
partes, ausentes possibilidades de acordo”.

A arbitragem é feita por um ser que não existe na realidade, denominado “juiz leigo”, mas, que mesmo que
exista a sua condição de “leigo” impede que seu ato seja válido por si, o que leva a arbitragem a possibilidade de
revisão pelo juiz que poderá decidir o processo a seu modo, e promulgará uma decisão irrecorrível.

Ainda, há impedimento expresso de ação rescisória no artigo 59 da Lei, o que só aumenta os motivos de
desinteresse em acordos ou arbitragens.

A execução do título judicial/extrajudicial em que o executado não possua bens é extinta imediatamente, o
que configura verdadeiro absurdo.

Por fim, vê-se que os institutos são banalizados e não conseguem atingir as finalidades pretendidas o que
acaba por deslegitimar os procedimentos.

5ª QUESTÃO - O NCPC revogou o art. 48 e 50 e no primeiro caso retirou a previsão de embargos de


declaração a “dúvidas”, remanescendo apenas a obscuridade, contradição e omissão, agora, de acordo com a lei do
NCPC, no segundo caso, também pela previsão do NCPC, os embargos também passaram a interromper o prazo para
interpor o ‘recurso inominado’ da sentença.