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A BRUCELOSE NO BRASIL SOB O ENFOQUE DA SAÚDE PÚBLICA

Suellen Cristina Teixeira Cardoso¹


Ligia Maria Cantarino da Costa²

¹Médica Veterinária pela Universidade de Brasília. Aluna da Pós-Graduação em Vigilância Sanitária pela
Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC-GO/IFAR.
²Orientadora: Médica Veterinária pela Universidade Federal Fluminense. Mestre em Saúde Pública pela Escola
Nacional de Saúde Pública – ENSP/Fiocruz. Atuando como docente na Faculdade de Agronomia e Medicina
Veterinária da Universidade de Brasília – UnB. E-mail: ligiacantarino@unb.br

Resumo
Esta revisão bibliográfica trata da brucelose humana no Brasil. A doença é uma zoonose quase sempre
transmitida por contato direto ou indireto com animais infectados ou seus produtos. O possível risco para a saúde
humana é subestimado, pois o problema é de difícil diagnóstico. O objetivo deste trabalho é revisar a situação da
brucelose como zoonose no Brasil. São nove espécies de Brucella reconhecidas atualmente, destas, somente
quatro possuem importância médica. No Brasil, a B. abortus é endêmica para os animais, causa grandes perdas
econômicas para a pecuária bovina nacional e pode ser considerada um risco para a população. O diagnóstico
tem sido realizado por meio de critérios clínicos e laboratoriais, apesar de os sinais clínicos não serem
específicos. Medidas como pasteurização de produtos lácteos, fiscalização do abate de animais para o consumo
humano, utilização de equipamentos de proteção individual e ações de educação sanitária são eficazes para o
controle e profilaxia da doença. A brucelose é uma doença de pouca visibilidade. Ressalta-se a importância de
ações de educação para o controle e erradicação de zoonoses como a brucelose.
Palavras-chave: Brucelose. Zoonoses. Brucella abortus. Brucella. Saúde Pública.

Brucellosis in Brazil under public health approach

Abstract
This literature review deals with the human brucellosis in Brazil. The disease is a zoonosis usually transmitted
by direct or indirect contact with infected animals or their products. The possible risk to human health is
underestimated, since the problem is difficult to diagnose. The aim of this paper is to review the situation of
brucellosis in Brazil as a zoonosis. There are nine currently recognized species of Brucella, only four
have medical importance. In Brazil, B. abortus is endemic in animals, causes great economic losses to
the national bovine livestock and may be a risk to the population. The diagnosis has been made through clinical
and laboratory criteria, despite the clinical signs are nonspecific. Measures such as pasteurization of dairy
products, inspection of slaughter animals for human consumption, use of personal protective equipment and
actions of health education are effective for the control and prevention of disease. Brucellosis is a disease of poor
visibility. We bounce the importance of education actions for the control and eradication of zoonoses such as
brucellosis.
Keywords: Brucellosis. Zoonosis. Brucella abortus. Brucella. Public Health.
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1. INTRODUÇÃO

A brucelose, também conhecida como “febre ondulante”, “febre do


Mediterrâneo” ou “febre de Malta”, é uma zoonose e a infecção é quase sempre
transmitida por contato direto ou indireto com animais infectados ou seus produtos
(WHO, 2006). São reservatórios: o gado bovino, suíno, ovino, caprino e outros
animais como cães (BRASIL, 2010b).
A doença é transmitida ao homem principalmente por meio da ingestão de leite
ou queijo não pasteurizados, que estejam contaminados com uma das quatro espécies
de Brucella patogênicas para os humanos (MEMISH; BALKHY, 2004). A brucelose
humana é também uma doença profissional que acomete agricultores, trabalhadores de
matadouros, açougueiros e médicos veterinários. Nestes profissionais, a infecção
normalmente ocorre pela manipulação de fetos e recém-nascidos, ou por contato com
secreções e excreções vaginais, e carcaças de animais contaminados (ACHA;
SZYFRES, 2001).
A ameaça à saúde humana causada por B. abortus, assim como por outras
espécies de Brucella, é provavelmente subestimada, considerando a inadequação dos
serviços de comunicação e diagnóstico para brucelose humana (POESTER;
GONÇALVES; LAJE, 2002).
Doenças transmitidas por alimentos, incluindo a brucelose, são causa de
morbidade considerável nas populações em várias partes do mundo, tendo um grande
impacto, principalmente em crianças e idosos (WHO, 2006).
Uma doença transmissível animal é tanto mais justificável de uma ação de luta
coletiva quanto mais se constituir em uma ameaça importante para a saúde pública
e/ou para a economia das produções animais. A brucelose bovina justifica essas ações
de luta coletiva duplamente, pela ameaça importante para a saúde pública e para a
economia (TOMA et al., 2004). Neste sentido, o Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, ao instituir o Programa Nacional de Controle e Erradicação da
Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), reconheceu essas doenças como
destacados problemas de saúde animal e de saúde pública no Brasil (BRASIL, 2006).
Este levantamento bibliográfico tem o objetivo de revisar a situação da
brucelose como zoonose no Brasil.
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2. METODOLOGIA

A Metodologia empregada utilizou estudo descritivo, documental, por meio de


pesquisa bibliográfica em livros, revistas, jornais, artigos científicos, documentos
técnicos, normas, manuais técnicos, pareceres, notas e informes técnicos. O período de
pesquisa foi de fevereiro a julho de 2011. Os descritores utilizados para busca foram:
brucelose, zoonoses, Brucella abortus, Brucella, saúde pública.

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1. Breve histórico sobre a doença

De acordo com Greenstone (1993), no final do século 19, na ilha de Malta,


milhares de soldados britânicos desenvolveram uma doença caracterizada por febre,
calafrios, mal-estar, linfadenopatia e, muitas vezes, choque e morte. David Bruce,
microbiologista enviado pelo governo britânico, isolou, em colaboração com um
microbiologista maltês, um microrganismo a que chamaram Micrococcus melitensis,
em amostras coletadas de soldados. Mais tarde, em sua homenagem, a doença passou a
ser denominada brucelose.
Em 1905, Dr. Themistokles Zammit, um médico da República de Malta,
demonstrou que cabras abrigavam o germe e eram fontes de infecção para os soldados
ingleses que bebiam leite de cabra fresco. O governo britânico determinou que os
soldados parassem de beber o leite, e, dessa forma, a doença e a morte associada à
doença diminuíram drasticamente.
Em 1917, os veterinários dinamarqueses Bang e Stribol isolaram o agente
causador do aborto enzoótico dos bovinos denominando-o Bacillus abortus. No ano
seguinte, a pesquisadora americana Alice Evans publicou um trabalho importante para
o conhecimento da brucelose quando demonstrou as semelhanças morfológicas,
imunológicas e de cultivo entre as bactérias isoladas por Bruce e Bang (POESTER,
2009).
Conforme a Organização Pan-Americana de Saúde (2001), a distribuição
geográfica da doença é mundial. A distribuição das diferentes espécies de Brucella e
seus biovares varia de acordo com a região, sendo a Brucella abortus a de maior
distribuição.
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A primeira referência a respeito da brucelose humana no Brasil foi encontrada


em trabalho de Carneiro, professor de Microbiologia da Faculdade de Medicina de
Porto Alegre, que, em 1913, descreveu um caso de brucelose. Tratava-se de um
homem que fora a Cidreira-RS e, no hotel em que se hospedara, tivera a oportunidade
de ingerir leite de vaca; logo depois começou a sentir uma série de sintomas que foram
relacionados aos da brucelose (PACHECO; MELLO, 1950).

3.2. O Agente Etiológico

A brucelose é causada por microrganismos do gênero Brucella, cocobacilos


gram-negativos imóveis, medindo 0,4 a 2,5µ de comprimento por 0,4 a 0,8µ de
largura. Encontram-se em geral isolados e, em menos frequência, aos pares, unidos
pelas extremidades ou em pequenos grupos. Não formam cápsulas, esporos ou
flagelos. São aeróbios, mas algumas cepas requerem um complemento de 5 a 10% de
CO2 para seu crescimento (MENDES; MARCONDES-MACHADO, 2005).
Seis espécies foram classicamente reconhecidas dentro do gênero Brucella:
Brucella abortus, B. melitensis, B. suis, B. canis, B. ovis e B. neotomae. Esta
classificação baseia-se, principalmente, nas diferenças patogênicas, na preferência por
hospedeiros e nas características fenotípicas. Três novas espécies foram recentemente
incluídas no gênero Brucella: B. ceti e B. pinnipedialis, isoladas de mamíferos
marinhos como cetáceos (golfinhos e baleias) e pinípedes (focas), como hospedeiros
preferenciais respectivamente, e B. microti isolada da ratazana comum (MAQUART et
al., 2009).As quatro primeiras têm importância médica para o homem (MENDES;
MARCONDES-MACHADO, 2005).

3.2.1. Brucella abortus

O gado bovino é o hospedeiro específico original dos nove biotipos de B.


abortus, mas outras espécies animais podem introduzir o agente numa criação,
como, por exemplo, os suínos, cavalos, cães e gatos (BEER, 1999)
No Brasil, a grande preocupação, tanto de saúde animal quanto de consequente
risco para a saúde pública, é a brucelose bovina, causada pela espécie B. abortus,
devido ao tamanho e a distribuição do rebanho brasileiro, e pelas taxas de prevalência
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da infecção (MATHIAS, 2008). A maioria dos quadros de brucelose humana, no país,


está associada a B. abortus (BRASIL, 2010b).
Um diagnóstico de situação da brucelose bovina nacional foi realizado em
1975, tendo sido estimada a porcentagem de animais soropositivos em 4% na região
Sul, 7,5% na região Sudeste, 6,8% na região Centro-Oeste, 2,5% na região Nordeste e
4,1% na região Norte. Os dados de notificações oficiais indicam que a prevalência de
animais soropositivos se manteve entre 4 e 5% no período de 1988 a 1998 (BRASIL,
2006).

3.2.2. Brucella melitensis

O principal agente etiológico da brucelose em caprinos é a B. melitensis. A


sintomatologia é semelhante à observada em outras espécies de animais e o principal
sintoma é o aborto que ocorre mais frequentemente no terceiro ou quarto mês de
gestação. As condições inadequadas nas quais os caprinos são criados constituem um
dos fatores mais importantes na manutenção e na propagação da infecção na América
Latina (Argentina, Peru e México) e nos países em desenvolvimento (PAHO, 2001).
A B. melitensis é a mais patogênica para o homem. A presença desta espécie
bacteriana nunca foi reconhecida no Brasil (POESTER, 2009).

3.2.3. Brucella suis

O principal reservatório da B. suis é o suíno. A infecção no homem causada


por esta espécie é geralmente ligada à atividade profissional (PAHO, 2001). Porém,
podem ocorrer surtos epidêmicos originados a partir de leite de vacas infectadas por
B. suis (GERMANO; GERMANO, 2003).

3.2.4. Brucella canis

Nos cães, a brucelose tem como principal agente etiológico a B. canis. A


brucelose canina caracteriza-se como doença infecto-contagiosa crônica, de
distribuição mundial, que acomete os canídeos domésticos, silvestres e o homem
(MEGID et al., 2002).
Roxo et al. (1990) apud Azevedo et al. (2003) relataram um caso, em São
Paulo, de brucelose por B. canis em um adolescente de 14 anos que apresentou febre,
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sudorese profusa, forte sensação de cansaço e sintomas psicóticos, com quadro


depressivo intercalado com histerismo, confusão mental, rigidez da nuca e priapismo.
A informação da ocorrência de zooerastia levou a suspeita da possível fonte de
infecção ter sido uma cadela da raça Doberman positiva na sorologia para B. canis.

3.2.5. Brucella ovis

Também conhecida como epididimite infecciosa dos ovinos, a infecção dos


ovinos produzida pela B. ovis adota, com preferência, evolução crônica e é
caracterizada por inflamações do epidídimo e testículo dos carneiros (BEER, 1999).

3.2.6. Brucella neotomae

A B. neotomae foi isolada de ratos do deserto (Neotoma lepida), em Utah


(EUA), e sua distribuição é limitada a focos naturais, já que a infecção nunca foi
confirmada no homem ou em animais domésticos (PAHO, 2001).

3.2.7. Brucella ceti e Brucella pinnipedialis

As linhagens de Brucella dos mamíferos marinhos foram isoladas e


caracterizadas em 1994, tanto fenotipicamente como por meio de diferentes métodos
de tipagem molecular. Isso levou à classificação das cepas de Brucella dos mamíferos
marinhos em duas espécies, que são as B. ceti e B. pinnipedialis. Essas espécies são
definidas por padrões de metabolismo oxidativo e pela exigência de CO2 para o
crescimento, e uma série de subgrupos definida por métodos complementares de
análise molecular (MAQUART et al., 2009). A Brucella isolada de mamíferos
marinhos também é patogênica para os humanos (MATHIAS, 2008).

3.2.8. Brucella microti

Brucella microti é uma espécie recentemente descrita e que foi isolada no ano
2000 de infecção sistêmica em ratazanas comuns (Arvalis microtus) no sul da
Morávia, na República Tcheca. O organismo é caracterizado por um rápido
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crescimento em meio padrão e alta atividade metabólica, o que é atípico para o gênero
Brucella (SCHOLZ et al., 2008).

3.3. Importância Veterinária

A brucelose está presente na lista de enfermidades 2011 da Organização


Mundial para Saúde Animal - OIE (OIE, 2011). Ela é classificada como doença
transmissível considerada de importância socioeconômica e/ou para a saúde pública e
com consequências no comércio internacional de animais e seus produtos
(MONTEIRO, 2004).
Nos animais, predominam clinicamente os abortos e retenções placentárias
(BEER, 1999). O prejuízo econômico causado origina-se da infertilidade de machos e
fêmeas causada pela doença, fazendo com que a produção de carne e leite diminua
drasticamente (EMBRAPA, 2000).
No Brasil, a brucelose bovina é endêmica e as perdas econômicas são causadas
por abortos, com estimativas de redução de 15% na produção de bezerros, aumento no
intervalo entre partos de 11,5 para 20 meses, diminuição de 25% na produção de leite
e carne, por complicações reprodutivas, com períodos de esterilidade temporária e
infertilidade, além da desvalorização comercial das propriedades e seus animais
considerados infectados (MONTEIRO, 2004). Neste sentido, a brucelose é uma das
maiores causas de prejuízo da criação de bovinos (BEER, 1999).
Existe um consenso geral de que o método mais bem sucedido de prevenção e
controle da brucelose nos animais é por meio de vacinação (WHO, 2006). Porém,
baixas coberturas vacinais em bovinos não são eficientes na redução da prevalência da
brucelose. Já para coberturas vacinais acima de 70%, o tempo para reduzir a
prevalência a 2% é da ordem de 10 anos. Esse fato é de extrema importância, pois
significa que para produzir uma redução relevante da prevalência da brucelose em
bovinos não é necessário atingir coberturas vacinais próximas de 100%, que
naturalmente exigem alto investimento (AMAKU et al., 2009).

3.4. Epidemiologia

No Brasil, não existem dados epidemiológicos acerca da brucelose humana, e


como o país abriga a maior população comercial de bovinos do mundo, este fator é
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presumivelmente um risco para o aumento da prevalência da doença humana causada


por B. abortus (PAPPAS, 2006). De acordo com Mendes e Marcondes-Machado
(2005), a prevalência real da brucelose é desconhecida, pois são poucos os laboratórios
da rede pública que disponibilizam os meios diagnósticos e por não se tratar de doença
de notificação obrigatória.
Com relação à incidência da brucelose humana no Brasil, o número é
grandemente subestimado devido ao quadro clínico da doença ser extremamente
variável, por não ser declarada às autoridades sanitárias e por ser diagnosticada
erroneamente por médicos. A verdadeira incidência pode ser estimada em 10 a 25
vezes maior que o relatado (NIMRI, 2003).
A transmissão ao homem pode dever-se ao contato com animais doentes
podendo haver transmissão através da pele, ao levar as mãos aos olhos, pela ingestão
de leite e queijo contaminados que não sofreram pasteurização, pela manipulação dos
produtos animais resultantes de aborto, entre outros (NOCITI et al., 2008). A medula
óssea e vísceras mal cozidas podem ser importantes fontes de infecção humana. Nos
laboratórios e abatedouros, a bactéria é geralmente transmitida sob a forma de
aerossóis. Dessa forma, o contato com culturas de laboratório, com amostras de
tecidos contaminados e a injeção acidental de vacinas vivas são importantes fontes de
infecção para humanos (POESTER, 2009). A transmissão de brucelose inter-humana é
rara, mas já foi descrita a via sexual, por transfusão de sangue e por transplante de
órgãos (MENDES; MARCONDES-MACHADO, 2005). A doença não é transmitida
do homem para o rebanho animal (ZINSSTAG et al., 2007).
A eliminação de brucelas no meio ambiente por animais contaminados acarreta
a contaminação dos meios de transporte e dos campos (caminhos e corredores
comuns) de forma que estes participam, frequentemente, como causa de disseminação
da brucelose. Neste sentido, os alimentos de origem animal e os produtos e
subprodutos de matadouro também têm um significado transcendental se forem
processados incorretamente (BEER, 1999).
A suscetibilidade à brucelose em humanos depende de vários fatores, incluindo
o estado imunológico, as vias de infecção, a quantidade de inócuo e, em certa medida,
as espécies de Brucella. Em geral, B. melitensis e B. suis são mais virulentas para os
humanos do que B. abortus e B. canis, embora sérias complicações possam ocorrer
com qualquer espécie de Brucella (WHO, 2006).
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Sabendo-se que a brucelose na espécie humana tem como principal fonte de


infecção os reservatórios animais, constata-se que ela continua infelizmente a ocupar,
dentre as doenças infecciosas transmissíveis dos animais ao homem, um risco de saúde
pública de caráter persistente, de difícil tratamento, controle e erradicação (NOCITI et
al., 2008).

3.5. Impacto na Saúde Pública

A brucelose é uma das zoonoses mais importantes do mundo, ao lado da


tuberculose bovina e da raiva (ROTH et al., 2003). O isolamento da Brucella nos seres
humanos reflete a sua presença na população animal (LUCERO et al., 2007).

3.5.1. Doenças transmitidas por alimentos (DTA)

A brucelose está incluída no contexto das doenças transmitidas por alimentos,


uma vez que o leite e seus derivados, não pasteurizados, constituem a via de
transmissão primordial do agente etiológico para o homem (GERMANO;
GERMANO, 2003).
De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 realizada pelo
IBGE (2010a), a aquisição alimentar domiciliar per capita de leite cru, no Brasil,
naquele período, correspondeu a 25% do consumo do grupo “Leite e creme de leite”,
sendo que o leite pasteurizado correspondeu a 61%.
Langoni et al. (2000) realizaram estudo para investigar a presença de
microrganismos do gênero Brucella no leite de vacas soropositivas para brucelose em
São Paulo e Minas Gerais. O estudo considera que muitas pessoas no Brasil
consomem leite cru e que o isolamento de Brucella spp. em 30,61% das 49 amostras
estudadas demonstra a importância potencial do leite como um veículo deste agente
para os homens. Dessa forma, leite pasteurizado inadequadamente pode ser um
potencial veículo de Brucella abortus para o ser humano em São Paulo e em Minas
Gerais.
Turistas ou viajantes de negócios para áreas endêmicas podem adquirir
brucelose, geralmente pelo consumo de leite não pasteurizado ou de outros produtos
lácteos. O consumo de produtos contaminados adquiridos por importação, sem
fiscalização, também é um meio de infecção. Casos importados representam hoje a
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maior parte dos casos de brucelose aguda, atendidos na América do Norte e no norte
da Europa (WHO, 2006).

3.5.2. Doença ocupacional

Em saúde ocupacional, a brucelose tem lugar de destaque por afetar grupos


profissionais da área de pecuária, que lidam com animais, principalmente os de
produção leiteira. Pode acometer, ainda, os funcionários que participam diretamente
do abate de animais e que estão expostos ao sangue, carcaças e vísceras. Enfrentam o
mesmo risco os médicos veterinários, quando do exercício das atividades de
assistência às criações ou da inspeção sanitária de produtos de origem animal nos
abatedouros (GERMANO; GERMANO, 2003). A doença faz parte da lista de doenças
infecciosas e parasitárias relacionadas com o trabalho sendo classificada no Grupo I do
Código Internacional de Doenças - CID 10 (BRASIL, 1999).
Freitas et al. (2001) concluíram, em estudo, que há elevado risco sanitário no
que se refere ao contágio por brucelose, para as pessoas envolvidas em abate
clandestino de suínos.

3.5.3. Sinais clínicos

A infecção humana por brucelose é considerada frequentemente


subdiagnosticada porque os sinais clínicos podem ser confundidos e os procedimentos
de isolamento laboratorial não são rotineiramente aplicados (LUCERO et al., 2007).
Devido ao polimorfismo das manifestações e ao seu curso insidioso, nem sempre se
faz a suspeita diagnóstica (BRASIL, 2010b).
A brucelose geralmente é confundida com gripe recorrente, sendo observadas
fadiga, cefaléia, dores musculares e sudorese. Algumas das complicações mais
frequentes são tromboflebite, espondilite e artrite periférica. O quadro agudo pode
evoluir para toxemia, trombocitopenia, endocardite e outras complicações, podendo
levar à morte (BRASIL, 2006). A infecção pelo organismo do gênero Brucella pode
acometer quase todos os órgãos ou sistemas (SANTOS NETO et al., 1999), e
apresenta consequências mais ou menos graves como, por exemplo, a incapacidade
temporária para o trabalho por períodos relativamente longos (15 a 90 dias), a
imposição de tratamentos médicos prolongados e onerosos, a recuperação lenta e,
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muitas vezes, inacessível acompanhada das inevitáveis e penosas sequelas nos


sistemas locomotores e nos equilíbrios psíquico e psicológico dos doentes. (NOCITI et
al., 2008). Os sintomas múltiplos e não-específicos da brucelose contribuem para
dificultar o diagnóstico nas áreas onde doenças com sintomas clínicos similares como
a malária, tuberculose, febre tifóide e outras doenças coexistem (KUNDA et al.,
2007).
Nos humanos, toda sintomatologia febril deve ser pesquisada para descartar a
brucelose, principalmente se o paciente for proveniente de área rural ou tiver contato
frequente com animais (POESTER, 2009).

3.5.4. Diagnóstico

O diagnóstico da doença é feito pelo critério clínico-epidemiológico e pelo


critério laboratorial. O método laboratorial utilizado na rede do Sistema Único de
Saúde (SUS) é o teste sorológico por reação de aglutinação rápida com antígenos de B.
abortus, conhecido como rosa de bengala (BRASIL, 2008). A baixa especificidade do
teste rosa de bengala indica que, pelo menos em áreas endêmicas, ele não deveria ser
utilizado como ferramenta de diagnóstico, especialmente em indivíduos com
exposição ocupacional (SERRA; VIÑAS, 2004).
Para Alişkan (2008), o método ideal para diagnóstico da brucelose baseado em
história clinica detalhada é obtido por isolamento de Brucella spp. a partir de culturas
de sangue sendo que o diagnóstico definitivo da brucelose exige isolamento da
bactéria a partir de sangue de medula óssea ou de amostras de tecido. A cultura de
medula óssea é considerada como padrão-ouro para o diagnóstico da brucelose, uma
vez que a concentração relativamente elevada de Brucella no sistema retículo-
endotelial permite a detecção do organismo.
Basapa et al. (2010) afirmam que o teste de ELISA tem oferecido uma
vantagem significativa sobre os métodos de diagnóstico convencionais de aglutinação,
no diagnóstico da brucelose, em áreas onde a doença é endêmica. Para eles, a
aplicação de uma combinação de ELISA IgM e IgG poderia ser de valor para o
diagnóstico definitivo da brucelose nos países em desenvolvimento, nos quais as
capacidades de diagnóstico por meio de cultura, incluindo sistemas de cultura
automatizada e PCR, são pobres. Os resultados obtidos em seu estudo indicam
claramente que tanto o 2-ME quanto o ELISA IgG são ferramentas valiosas no
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acompanhamento de casos, para monitoramento e justificativa da terapia prolongada


dos pacientes.
Numa comparação dos testes sorológicos convencionais e culturas de sangue
com ensaios de PCR, em brucelose aguda, Mitka et al. (2007) concluem que o ensaio
por PCR consegue diagnosticar mais rapidamente a enfermidade que os métodos
convencionais, com percentuais similares de confiabilidade.
Comumente, assim como ocorre com outras zoonoses, os casos de brucelose
não são corretamente diagnosticados, e/ou os doentes não recebem o tratamento
apropriado e morrem (TOMA et al., 2004). Segundo Kunda et al. (2007), alguns
pacientes vão ao hospital diversas vezes e recebem tratamento para outras doenças,
como a malária, antes de serem diagnosticados como infectados por brucelose.
O Protocolo de Direcionamento para Suspeita Clínica, Diagnóstico, Tratamento
e Acompanhamento dos Casos de Brucelose Humana do Estado do Tocantins (2010)
confirma que alguns dos problemas relacionados à brucelose humana dizem respeito à
incipiência na sensibilidade dos profissionais médicos para o diagnóstico da brucelose
humana e à dificuldade destes na realização do diagnóstico adequado da doença. Além
disso, também são entraves: a ausência de fluxo e contra fluxo de referência para
diagnóstico, tratamento e acompanhamento do paciente e a ausência de protocolo para
fornecimento da medicação para tratamento. Porém, se for apropriadamente tratada no
início da sintomatologia, a doença é plausivelmente curável e permite ao paciente uma
evolução sem sequelas. Em geral, após o tratamento adequado o paciente se cura da
doença, mas pode ficar com incapacidade intensa para suas atividades laborais no
curso da enfermidade, sendo importante o diagnóstico e o tratamento precoces. No
entanto, até 10% dos casos tratados apresentam recorrência após o tratamento, sendo
por isso necessário o acompanhamento pós-tratamento.
Quando as zoonoses estão presentes, os custos que implicam para a saúde
humana são muito importantes. Nos países onde existe uma boa infraestrutura médica,
a maioria dos sujeitos atendidos é diagnosticada e tratada. Mas, nos países em
desenvolvimento, nos quais, frequentemente, este não é o caso, doenças como a
brucelose impõem sofrimentos e custos importantes. Estes aspectos são dificilmente
quantificáveis (TOMA et al., 2004).
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3.5.5. Notificação

A brucelose tem um impacto importante no mundo inteiro sobre a saúde


humana e a indústria animal. Na maioria dos países, a brucelose é uma doença de
notificação obrigatória (PAHO, 2000).
De acordo com a Portaria do Ministério da Saúde nº 104, de 25 de janeiro de
2011, os surtos de brucelose, assim como os surtos de outras doenças de veiculação
hídrica e alimentar, são enquadrados como eventos de potencial relevância em saúde
pública quando haja alteração no padrão epidemiológico da doença (BRASIL, 2011b).
Dessa forma, no Brasil, quanto à notificação, não é obrigatória quando ocorrem casos
isolados, mas na vigência de surtos, deve ser notificada, realizada a investigação
epidemiológica e adotadas as medidas de controle indicadas (BRASIL, 2010b).
No entanto, no estado do Tocantins (2010), há determinação para que todos os
casos suspeitos de brucelose humana sejam notificados, conforme o Protocolo de
Direcionamento para Suspeita Clínica, Diagnóstico, Tratamento e Acompanhamento
dos Casos de Brucelose Humana. Este documento objetiva orientar os profissionais da
rede estadual de atenção do SUS e das áreas técnicas de vigilância estadual para o
manejo dos casos em sua área de abrangência.

3.5.6. Dados brasileiros

No Brasil, de acordo como Sistema de Informações Hospitalares do SUS -


SIH/SUS (BRASIL, 2011a), do Ministério da Saúde, de janeiro de 2008 a abril 2011,
houve 108 (cento e oito) internações devido à brucelose, no âmbito do SUS, sendo 13
(treze) na Região Norte, 17 (dezessete) na Região Nordeste, 34 (trinta e quatro) na
Região Sudeste, 38 (trinta e oito) na Região Sul e 6 (seis) na Região Centro-Oeste. A
média de dias de internação por brucelose no Brasil, naquele período, foi de 9,5 dias.
Com relação ao número de óbitos ocorridos, foram 4 (quatro) durante este mesmo
período, sendo 1(um) óbito na Região Nordeste, 1 (um) na Região Sudeste e 2 (dois)
na Região Sul do Brasil.
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3.6. Profilaxia/Medidas de Controle

O controle da brucelose requer colaboração multidisciplinar entre os serviços


médicos humano e animal na vigilância ativa a nível local, e monitoramento integrado
da doença em nível regional, nacional e internacional (WHO, 2004).
Medidas de controle da brucelose são baseadas na prevenção dos fatores de
risco. A vigilância é um elemento fundamental para a gestão de programas de
prevenção e controle (PAHO, 2000).
A prevenção da brucelose no homem depende, sobretudo, do controle e
erradicação da doença nos animais (PESSEGUEIRO; BARATA; CORREIA, 2003).
De acordo com Zinsstag et al. (2007), a eliminação da brucelose só será possível por
meio da intervenção nos reservatórios animais. Consequentemente, a incidência dessa
doença no homem tem diminuído nos países que têm buscado erradicar a infecção nos
animais (FIORI et al., 2000).
Vacinação e controle sanitário dos rebanhos (eliminação dos animais doentes)
são medidas de controle (BRASIL, 2010b). Intervenções no rebanho devem sempre
ser acompanhadas por informação massiva, educação e programas de comunicação
(ZINSSTAG et al., 2007).
Torna-se, também, fundamental a adoção de medidas de proteção nas
diferentes atividades profissionais como a proteção individual ao manipular fetos ou
produtos de abortos (POESTER, 2009). Numa exploração animal, as pessoas devem
utilizar equipamentos de proteção individual - EPIs (luvas, óculos, máscaras e botas),
fazer a eliminação (abate sanitário) dos animais excretores (doentes), assim como dos
produtos excretados de animais doentes (sangue, vísceras, abortos, carcaças), além de
cuidados no momento da imunização dos animais (NOCITI et al., 2008). Nos
laboratórios deve-se atentar para o atendimento aos quesitos de biossegurança e boas
práticas laboratoriais (BRASIL, 2010b).
Ações e medidas de vigilância sanitária para reprimir a atividade clandestina de
abate de animais para consumo humano devem ser postas em execução, como objetivo
de prevenir o risco potencial de infecção brucélica zoonótica (FREITAS et al., 2001).
A inspeção sanitária dos produtos de origem animal é uma medida de controle
importante (BRASIL, 2010b), visto que, de acordo com o artigo 163 do Regulamento
da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal – RIISPOA, Decreto
nº 30.691, de 29 de março de 1952, devem ser condenadas as carcaças bovinas com
15

lesões extensas de brucelose e nos casos de lesões localizadas, encaminham-se as


carcaças à esterilização pelo calor depois de removidas e condenadas as partes
atingidas. Ainda conforme este normativo, dá-se o mesmo destino para carcaças de
outras espécies animais acometidas por brucelose (BRASIL, 1952).
A população deve ser orientada para apenas consumir leite ou derivados lácteos
pasteurizados ou fervidos (BRASIL, 2010b). Com relação ao turismo, embora muitos
dos viajantes estejam dispostos a experimentar novas preparações e comidas exóticas,
eles precisam ser claramente informados sobre os modos de transmissão da doença,
para que possam ter cuidado ao se alimentarem, principalmente com relação a
alimentos de vendedores ambulantes, em países endêmicos para a doença, para não se
exporem a infecções por Brucella spp. (GODFROID et al., 2005).
Educação em saúde ao público deve, também, enfatizar aos pacientes para se
apresentarem ao serviço médico em tempo oportuno, quando os sintomas crônicos e
complicações ainda não se desenvolveram, pois uma busca médica tardia pode
acarretar em um prognóstico ruim, mesmo depois de tratamento (KUNDA et al.,
2007).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A brucelose humana no Brasil ainda é uma doença de pouca visibilidade. Por


ser um agravo de complicado diagnóstico, pouco se sabe sobre a sua real situação no
país. Desta maneira, supõe-se que seja conhecida apenas a “ponta do iceberg” da
brucelose humana no Brasil, ou seja, o problema pode ser muito maior do que se tem
notícia.
É importante o aprimoramento da vigilância epidemiológica acerca da doença,
com o fortalecimento, inclusive, de vigilância ativa no que se refere àquelas espécies
do gênero Brucella consideradas exóticas no Brasil. É sabido que a B. melitensis está
presente em alguns países da América do Sul. Dessa forma, existe a possibilidade
deste microrganismo adentrar o país, seja por meio de animais vivos ou de seus
subprodutos. A infecção causada por B. canis também pode estar sendo negligenciada.
Devido ao contato íntimo entre ser humano e cães de estimação, a B. canis difundida
entre estes animais pode ser agente de infecções em seres humanos. Portanto, faz-se
necessário investigar a ocorrência da B. melitensis e a prevalência da B. canis no
Brasil para que se possa estimar a amplitude da questão.
16

Ressalta-se, também, a relevância da atualização periódica dos médicos no que


concerne à visibilidade da brucelose. Muitas vezes não ocorre a suspeita clínica devido
ao despreparo dos profissionais de saúde em lidar com zoonoses. Ademais, o estímulo
ao uso adequado das ferramentas de diagnóstico laboratorial, bem como sua
disponibilidade nos laboratórios do sistema de saúde favorecerá o diagnóstico
oportuno e correto, fator primordial para o sucesso da vigilância.
A educação em saúde, baseada na comunicação do risco, é fator chave para o
controle das zoonoses. No caso da brucelose, a educação sanitária direcionada a que
não sejam consumidos alimentos sem fiscalização pode ser eficaz. Neste caminho, a
orientação aos trabalhadores que lidam com animais para que utilizem EPIs também é
essencial. Portanto, ações de educação são importantes para a promoção da saúde da
população, pois possibilitam que as pessoas aumentem o controle sobre os
determinantes da saúde e, dessa forma, melhorem sua própria saúde.
A parceria entre instituições públicas e privadas, dos setores de saúde pública
humana e animal, parece ser o caminho para o controle e erradicação de zoonoses
como a brucelose.

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