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CURSO DE ENGENHARIA HIDRÁULICA

4° Nível, 7° Semestre

CADEIRA: Engenharia e Ambiente

DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA

FOTOVOLTAICO MOÇAMBICANO

Autor:

 Ronaldo Marcelino Soares Capito

Verificou: Engª. Isabel Zunguze

Corrigiu: ____________________________

Songo, 03 de Abril de 2020


CURSO DE ENGENHARIA HIDRÁULICA

4° Nível, 7° Semestre

CADEIRA: Engenharia e Ambiente

DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA

FOTOVOLTAICO MOÇAMBICANO

Autor:

 Ronaldo Marcelino Soares Capito

Verificou: Engª. Isabel Zunguze

Trabalho recebido pela Docente


que lecciona Engenharia e
Ambiente no ISPSongo, que servirá
de avaliação para esta cadeira.

Songo, 03 de Abril de 2020


DEDICATÓRIA

Dedica-se esse trabalho aos meus pais (minha mãe que Deus a tenha), minhas

avós Aginalda e Rasca, aos meus irmãos e familiares que tiveram de aceitar

e suportar a minha ausência durante esse período de estudos. Aos casais

Noriate & Flora e Deve & Sónia, eles que tem feio de tudo para que eu possa

ir avante. Por último aos membros da Infância e Adolescência Missionária

de Moatize, que tiveram de continuar sem a minha pessoa todos domingos.

I
AGRADECIMENTOS

Agradecer a Deus por me cuidar todos os dias, ao meu tio Sérgio, minha tia Margarida e
todos que directa ou indirectamente tem lutado para que eu possa alcançar os objetivos que
foram traçados.

Agradecer aos docentes que sempre tem lutado para nos transmitir os conhecimentos
necessários para adquirir os conhecimentos básicos do ser Engenheiro Hidráulico, isso
contribuiu de alguma forma para a elaboração desse trabalho.

Ao colega da Engenharia Eléctrica, Anifo António Iavano, vai o meu muito obrigado pela
grande contribuição que teve.

II
RESUMO

A radiação solar a uma escala global varia essencialmente em função da atmosfera,


geometria e do movimento do planeta relativamente ao sol, sendo que numa escala local,
a variação da radiação solar encontra-se maioritariamente associada à morfologia do
terreno, ou seja, variações de elevação, declive, exposição e sombreamento.

Moçambique apresenta uma radiação global em plano horizontal elevada quando


comparada com bons locais na Europa e Ásia, sendo bastante próxima de alguns dos
melhores locais do mundo, África do Sul e Califórnia.

Moçambique tem um bom recurso solar, consistente ao longo do território e estável ao


longo do ano.

Com base nos dados históricos e provenientes das medições de radiação global em plano
horizontal são calibrados os dados de satélite para todo o território e calculada a radiação
global em plano horizontal.

Segundo alguns estudos, indicam que Moçambique tem mais de 2,7 GW de potencial, dos
quais 599 MW com capacidade de ligação à rede.

As províncias de Maputo e Tete são as que apresentam maior potencial para projectos
solares ligados à rede, essencialmente devido à robustez das infra-estruturas de
transporte.

O recurso solar oferece inúmeras possibilidades quer para ligação à rede, quer para
projectos de electrificação rural.

Palavras-chave

Radiação solar, ligação à rede

III
ABSTRACT

Solar radiation on a global scale varies essentially depending on the atmosphere,


geometry and the movement of the planet relative to the sun, and on a local scale, the
variation in solar radiation is mostly associated with the morphology of the terrain, that is,
variations in elevation, slope, exposure and shading.

Mozambique has high global radiation in a horizontal plane when compared to good
locations in Europe and Asia, being very close to some of the best locations in the world,
South Africa and California.

Mozambique has a good solar resource, consistent across the territory and stable
throughout the year.

Based on historical data from global radiation measurements in the horizontal plane,
satellite data for the entire territory are calibrated and global radiation in the horizontal
plane is calculated.

According to some studies, they indicate that Mozambique has more than 2.7 GW of
potential, of which 599 MW with grid connection capacity.

The provinces of Maputo and Tete are the ones that have the greatest potential for solar
projects connected to the grid, essentially due to the robustness of the transport
infrastructures.

The solar resource offers numerous possibilities both for connection to the grid and for
rural electrification projects.

Key words

Solar radiation, grid connection

IV
ÍNDICE

LISTA DE SÍMBOLOS ........................................................................................................ VI

LISTA DE FIGURAS .......................................................................................................... VII

LISTA DE TABELAS......................................................................................................... VIII

1. INTRODUÇÃO ...............................................................................................................1

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ...........................................................................................2

3. Sistemas de energia solar fotovoltaica...........................................................................3

3.1. Tipos de sistemas fotovoltaicos ..................................................................................3

3.2. Elementos de uma instalação de um sistema fotovoltaico .........................................5

4. DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA FOTOVOLTAICO EM MOÇAMBIQUE ..............10

4.1. Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos autónomos .........................................10

4.2. Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos ligados a rede.....................................18

5. Relação entre o Sistema Fotovoltaico e o Meio Ambiente ...........................................22

5.1. Vantagens.................................................................................................................22

5.2. Desvantagens ...........................................................................................................22

6. CONCLUSÃO ..............................................................................................................23

7. BIBLIOGRAFIA ...............................................................................................................24

8. ANEXOS .........................................................................................................................25

V
LISTA DE SÍMBOLOS

CC – Corrente Continua

CA – Corrente alternada

Vmpp -Tensão de Máxima Potência

Voc - Tensão em Circuito Aberto

Imp - Corrente em Máxima Potência

Isc - Corrente de Curto Circuito

𝑷𝒑𝒑 é a potência de pico do painel

𝑄 é a capacidade mínima da bateria

VI
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Sistema ligado a rede e os seus elementos. .......................................................3


Figura 2 - Sistema fotovoltaico autónomo e os seus elementos. .........................................4
Figura 3 - Painel fotovoltaico e as respectivas células ........................................................6
Figura 4 - Regulador de tensão ...........................................................................................7
Figura 5 - Banco de baterias www.bluesol.com.br ............................................................8
Figura 6 - Inversor em sistemas ligado a rede .....................................................................9
Figura 7 - .inversor em sistemas autónomo .........................................................................9
Figura 8 - Algoritmo para o dimensionamento de sistemas fotovoltaico autónomo ...........12
Figura 9 - Algoritmo para o dimensionamento de sistemas fotovoltaico ligados a rede.....18

VII
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Características eléctricas dos painéis solares www.bluesol.com.br ...................6

VIII
1. INTRODUÇÃO
Desde os tempos remontos, o Homem tem procurado formas de como obter energia, com
vista a suprir as suas actividades quotidianas, bem como as actividades industriais e outros.
Com tempo essa questão, tem vindo a ser respondida através de várias investigações
cientificas que resultaram na Energia eléctrica (água), Energia eólica (vento) e entre elas
esta a Energia Solar (sol). Este trabalho vem salientar alguns aspectos ligados à questão
do sistema fotovoltaico (painel solar).

Entre vários países, Moçambique também tem vindo procurar suprir essa necessidade e
tem vindo a adopatr sistemas com métodos proprios, segundo a realidade solar no país, é
nesse âmbito que vai – se procurar desenvolver sobre o processo de “Dimensionamento de
um Sistema Fotovoltaico em Moçambique”.

1.1. Objectivos

1.1.1. Geral:
 Desrever o processo de “Dimensionamento de um Sistema Fotovoltaico em
Moçambique”.

1.1.2. Específicos:
 Conhecer os componentes de um Sistema Fotovoltaico;
 Conhecer a situação solar dos vários pontos do país;
 Relacionar o Sistema Fotovoltaico com o meio ambiente.

1.2. Metodológias

Para a elaboração do presente trabalho, recoreu-se à fontes electronicas e fisícas que


apresentam uma abordagem geral e de Moçambique sobre o Sistema Fotovoltaico.
Também houve a necessidade de recorrer a intervençoes dos colegas da Eng. Eléctrica.

1
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
a. Irradiação solar: Energia incidente por unidade de superfície sobre um plano dado.
Expressa-se em 𝑀𝐽/𝑚2 ou 𝑘𝑊ℎ/𝑚2 .

b. Perdas por Orientação (𝒌𝑾𝒉 𝒐𝒖 𝑴𝑱/𝒎𝟐 ): Quantidade de irradiação solar não


aproveitada pelo sistema captador por consequência de não ter uma orientação óptima.

c. Perdas por Inclinação (𝒌𝑾𝒉 𝒐𝒖 𝑴𝑱/𝒎𝟐 ): Quantidade de irradiação solar não


aproveitada pelo sistema captador por consequência de não ter a inclinação óptima.

d. Perdas por Sombras (𝒌𝑾𝒉 𝒐𝒖 𝑴𝑱/𝒎𝟐 ): Quantidade de irradiação solar não


aproveitada pelo sistema captador por consequência da existência de sombras sobre o
mesmo em algum momento do dia.

NOTA: O conhecimento dos detalhes acerca estudo de localização da instalação do sistema


fotovoltaico é dispensável para este trabalho, uma vez que (ou pressupõe-se) a instalação
será feita em Moçambique, onde a distribuição da radiação solar já é conhecida.

2
3. Sistemas de energia solar fotovoltaica
Os sistemas de energia solar fotovoltaica convertem a energia proveniente da radiação solar
que atinge a superfície terrestre em energia eléctrica.

3.1. Tipos de sistemas fotovoltaicos


Os sistemas solares fotovoltaicos podem ser explorados de três formas distintas:

 Sistemas ligados à rede;

 Sistemas isolados ou autónomos;

3.1.1. Sistemas ligados à rede

Os sistemas ligados à rede entregam toda a energia que a radiação solar lhes permite
produzir à rede. Para tal é necessário um inversor que faz a interface entre o painel e a rede,
de modo a converter a energia produzida em CC pelo painel para CA exigida pela rede.

Por norma estes sistemas utilizam painéis fotovoltaicos de grandes dimensões, embora com
a promoção da microgeração comecem a aparecer também sistemas de dimensões
reduzidas, sem necessidade de recurso a baterias. No entanto, o inversor tem que possuir
características adequadas a satisfação dos requisitos que a ligação impõe de modo a não
afectar a qualidade de energia e assegurar as questões de segurança. Nestes sistemas
fotovoltaicos ligados à rede o critério de dimensionamento é a maximização de energia
produzida

Figura 1 - Sistema ligado a rede e os seus elementos.

.
3
3.1.2. Sistemas Autónomos

Um sistema fotovoltaico autónomo é concebido para alimentar um conjunto de cargas sem


a presença da rede eléctrica, durante todo o ano. Assim, o dimensionamento do painel é
normalmente efectuado com base na radiação disponível no mês com menor radiação solar.
Em conjunto com o painel solar o sistema deve incluir também:

 Baterias, de modo a assegurar a alimentação dos consumos nos períodos em que o


recurso (radiação solar) não está disponível. As baterias são carregadas sempre que a
radiação solar disponível permite gerar uma potência superior a potência de carga da
bateria;

 Controlador de carga, para efectuar a gestão da carga da bateria;

 Inversor, no caso de haver cargas a alimentar em CA. Alguns sistemas autónomos não
necessitam de armazenamento. É o caso da irrigação onde toda a água bombeada é
directamente consumida ou colocada em reservatórios. Quando as bombas são
alimentadas em CA torna-se necessário um inversor.

Figura 2 - Sistema fotovoltaico autónomo e os seus elementos.

4
3.2. Elementos de uma instalação de um sistema fotovoltaico
Dependendo do tipo de sistema fotovoltaico, a sua constituição pode ser diferente, porem,
com alguns elementos em comum. Assim, em geral, os elementos que constituem um
sistema fotovoltaico são:

 Painéis solares (também chamados de módulos fotovoltaicos)

 Reguladores de carga

 Conjunto de baterias (também chamados de banco de baterias)

 Inversores de corrente continua para corrente alternada.

 Contadores de produção e consumo e energia eléctrica (somente para sistema


conectado a rede).

3.2.1. Painéis solares

Um painel solar é constituído por um conjunto de células, cuja função é de converter


directamente a energia solar em electricidade. Uma célula individual, unidade de base dum
sistema fotovoltaico, produz apenas uma reduzida potência eléctrica, o que tipicamente
varia entre 1 e 3 W, com uma tensão menor que 1 Volt. Para disponibilizar potências mais
elevadas, as células são integradas, formando um módulo. A maioria dos módulos
comercializados é composto por 36 células de silício cristalino, ligadas em série, para
aplicações de 12V.
Quanto maior for o módulo, maior será a potência e/ou a corrente disponível.

A descrição detalhada das células fotovoltaica é dispensada neste trabalho, pois este
conhecimento é fundamental para o caso em que se queira encomendar o fabrico das
mesmas.

5
Figura 3 - Painel fotovoltaico e as respectivas células

3.2.1.1. Características eléctricas dos painéis solares

 Tensão Nominal: é a tensão padrão para a qual o módulo foi desenvolvido para
trabalhar. A quantidade células fotovoltaicas determina esse parâmetro. Exemplo:

Tabela 1 - Características eléctricas dos painéis solares www.bluesol.com.br

 Tensão de Máxima Potência (Vmpp): é a tensão máxima que o módulo gerará, em seu
ponto de máxima potência, sob as condições padrão de teste.

 Tensão em Circuito Aberto (Voc): tensão máxima que o modulo fornece em seus
terminais, sem a presença de uma carga (em vazio). É uma tensão de teste. Podemos
medi-la com um multímetro.

6
 Corrente em Máxima Potência (Imp): corrente máxima que um módulo fotovoltaico
pode fornecer a uma carga, em condições padrão de teste.

 Corrente de Curto Circuito (Isc): corrente máxima que o módulo fotovoltaico fornece,
quando seus terminais estão em curto circuito, sob as condições padrão de teste.
Diferente das baterias e outras fontes de energia, podemos medir a corrente em curto
circuito de um módulo fotovoltaico. A corrente em curto circuito, geralmente é 5%
superior à corrente máxima.

 Potência Máxima: a corrente eléctrica gerada por um módulo varia de zero ao Isc,
enquanto a tensão entre os terminais varia de zero até o Voc sob diferentes condições
de Irradiância e temperatura. Como a potência é o produto da tensão pela corrente, essa
só será a máxima para uma única combinação de tensão e corrente. Um módulo
fotovoltaico estará fornecendo a máxima potência, quando o circuito externo possuir uma
resistência tal, que determine os valores máximos de tensão e corrente e, portanto, o
seu produto será o máximo.

3.2.2. Regulador de carga (ou controlador de carga)


Para o correcto funcionamento da instalação, há que instalar um sistema de regulação de
carga na união entre os painéis solares e as baterias. Este elemento recebe o nome de
regulador e tem como missão evitar situações de carga e sobrecarga da bateria, com a
finalidade de alargar a sua vida útil.

Figura 4 - Regulador de tensão

Um controlador de carga mede a tensão das baterias e as protege de sobrecargas


indevidas, de uma das seguintes formas:

 Desconectando o arranjo fotovoltaico quando sua tensão ultrapassa a tensão limite para
recarga, como fazem os controladores em série;
7
 Aplicando um curto-circuito no arranjo PV através de um controlador shunt;
 Ajustando a tensão do arranjo, como fazem os controladores com MPPT;
 Quando o nível de irradiância é baixo, o nível de tensão do arranjo PV será inferior à das
baterias, fazendo com que as baterias se descarreguem nos módulos. Para evitar isto,
os controladores possuem díodos de bloqueio integrados.

3.2.3. Banco de baterias


Um banco de baterias é constituído por uma quantidade calculada de elementos conectados
em serie e/ou paralelo, que fornecerão a potência demandada pelas cargas, no período de
autonomia em que devem funcionar sem receber recarga do arranjo fotovoltaico nos dias
sem insolação.

Figura 5 - Banco de baterias www.bluesol.com.br

3.2.3.1. Funções do banco de baterias

Em sistemas isolados, a baterias tem as seguintes funções:

 Autonomia: essa é a função mais importante, que é suprir a energia para os consumos,
quando o painel não é capaz de gerar energia suficiente. Isso acontece todas as noites,
e também nos períodos chuvosos ou nublados, que podem varia durante o dia;

8
 Estabilizar a tensão: os módulos fotovoltaicos têm uma grande variação de tensão, de
acordo à irradiância recebida. A conexão de cargas de consumo directamente aos
módulos pode expô-los a tensões muito altas ou muito baixas para o seu

funcionamento. As baterias possuem uma faixa de tensões mais estreita que os módulos
fotovoltaicos, e garantirão uma faixa de operação mais uniforme para as cargas;

 Proporcionar uma potência instantânea elevada.

3.2.4. Inversor
O inversor encarrega-se de converter a corrente continua da instalação em corrente
alternada, igual a utilizada na rede eléctrica: 220 V de valor eficaz e frequência de 50 Hz. É
o elemento imprescindível em instalações conectada a rede, e estas presente na maioria
das instalações autónomas, sobretudo naquelas destinadas a electrificação de vivendas.

Figura 6 - Inversor em sistemas ligado a rede Figura 7 - .inversor em sistemas autónomo

As características desejáveis para um inversor DC-AC são: Ata eficiência:

 Deve funcionar bem para uma ampla gama de potências;

 Baixo consumo em vazio;

 Alta fiabilidade: resistência aos picos de arranque;

 Protecção contra curto-circuitos;

 Segurança;

9
 Boa regulação de tensão e frequência de saída, visto que em alguns casos devem
ser compatíveis com a rede eléctrica.

4. DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA FOTOVOLTAICO EM MOÇAMBIQUE


Tal como foi referido anteriormente, os sistemas solares fotovoltaicos podem ser divididos
em sistemas solares autónomos e ligados à rede. A concepção destes dois tipos de
sistemas é feita de modo a garantir objectivos distintos e por isso são constituídos por
diferentes tipos de componentes. Consequentemente o seu dimensionamento é feito de
forma diferenciada.

4.1. Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos autónomos


O dimensionamento de uma instalação fotovoltaica tem de ser efectuado de uma forma
muito criteriosa, principalmente em sistemas autónomos. Considerando os custos
relativamente elevados dos sistemas em relação à sua capacidade de produção de energia
é importante que sejam adoptados critérios de dimensionamento adequados. Instalações
superdimensionadas levam a custos de instalação muito altos que podem inviabilizar o
projecto. Ao contrário, instalações subdimensi4onadas levam ao descrédito da tecnologia.

A utilização de uma metodologia sistemática para auxiliar no projecto de dimensionamento


de sistemas fotovoltaicos autónomos assume grande importância. O procedimento que
deve ser seguido envolve alguns processos de avaliação, nomeadamente no que diz
respeito a:

1) Avaliação da viabilidade técnica atendendo ao recurso solar disponível no local;

2) Avaliação da radiação solar disponível de forma detalhada;

1) Avaliação da viabilidade técnica

Quando se pretende instalar um sistema fotovoltaico autónomo, o primeiro passo é realizar


uma avaliação da viabilidade do projecto. Isto quer dizer, que o projecto deve ter garantias
de ser vantajoso para se proceder à instalação do mesmo e devem ser analisadas outras

10
opções. Para ser efectuado este tipo de avaliação torna-se necessário conhecer as
características da radiação solar no local onde se pretende instalar o sistema. No caso de
se verificar que se deve proceder à instalação do sistema autónomo, então deve recolher-
se mais informação relativa aos pontos enumerados a seguir:

 Objectivo concreto do sistema fotovoltaico;

 Planeamento e expansão futura do sistema;

 Avaliação dos consumos do sistema;

 Estabelecimento de um padrão de utilização do sistema fotovoltaico;

 Estabelecer o nível de segurança do abastecimento dos consumos;

 Avaliar a logística da instalação.

2) Avaliação do recurso solar

A maioria dos sistemas fotovoltaicos autónomos é concebida para satisfazer os consumos


durante todo ano, incluindo o mês de menor radiação solar disponível. Desta forma o ângulo
da inclinação do painel deve ser aquele que permite maximizar a radiação incidente no plano
do painel, extraindo assim a máxima potência do painel para o mês em que a radiação solar
é mais baixa.

Para o caso em que se pretenda instalar esse sistema em Moçambique, de acordo com
ATLAS DE MOCAMBIQUE, feito em 2007 revela que o maior potencial energético solar
localiza-se na província de Manica, sendo assim desnecessária uma pesquisa minuciosa.

11
4.1.1. Algoritmo para o dimensionamento de sistemas fotovoltaico autónomo
Depois destas etapas serem satisfeitas, o passo a seguir obedece o seguinte algoritmo.

Figura 8 - Algoritmo para o dimensionamento de sistemas fotovoltaico autónomo

12
I. Avaliação das necessidades energéticas do sistema

A previsão da energia consumida no sistema fotovoltaico autónomo é um ponto de partida


para o dimensionamento, esta estimativa é efectuada em termos dos Watt-hora consumidos
por dia.
Convém fazer-se uma análise relativamente à utilidade que se vai dar à instalação. Por
exemplo no caso de casas isoladas deve especificar-se se ela vai ser utilizada os 7 dias da
semana ou somente aos fins-de-semana e em que alturas do ano. De forma a poder
calcular-se a energia consumida pelas cargas deve proceder-se a uma listagem onde conste
a potência nominal de cada equipamento que vai ser utilizado bem como o número de horas
que o equipamento irá estar em funcionamento.

𝑪𝒐𝒏𝒔𝒖𝒎𝒐 𝒅𝒆 𝒆𝒏𝒆𝒓𝒈𝒊𝒂(𝑾𝒉)
= 𝑷𝒐𝒕𝒆𝒏𝒄𝒊𝒂 𝒏𝒐𝒎𝒊𝒏𝒂𝒍 𝒅𝒆 𝒄𝒂𝒅𝒂 𝒆𝒒𝒖𝒊𝒑𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒔𝒆𝒓𝒂 𝒖𝒕𝒊𝒍𝒊𝒛𝒂𝒅𝒐 𝒏𝒂𝒒𝒖𝒆𝒍𝒂 𝒊𝒏𝒔𝒕𝒂𝒍𝒂𝒄𝒂𝒐 (𝑾)
× 𝑵°𝒅𝒆 𝒉𝒐𝒓𝒂𝒔 𝒆𝒎 𝒇𝒖𝒏𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐 𝒅𝒆𝒔𝒕𝒆 𝒆𝒒𝒖𝒊𝒑𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐(𝒉)

Através da análise da listagem é possível identificar as cargas qye consomem mais energia
para se estudar possibilidades alternativas de as alimentar. Neste ponto deve incluir-se uma
estimativa de perdas no sistema (baterias, inversores e cabos) a alimentar.

II. Selecção

a) Localização

Quando se procede ao dimensionamento de sistemas fotovoltaicos, tem de se realizar uma


análise dos níveis de radiação solar e tendo em conta o valor de radiação disponível e o
número de horas de Sol vai-se proceder ao cálculo da potência de pico do painel
fotovoltaico.

A potência de pico do painel pode ser calculada utilizando a seguinte expressão:

𝑬
𝑷𝒑𝒑 = 𝜼 ×
𝑮

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Onde:
𝑷𝒑𝒑 é a potência de pico do painel em Wp;
𝑬 é a energia consumida diariamente em Wh;
𝑮 é o número de horas de sol verificadas no pior mês tendo em conta o ângulo de
orientação e inclinação do painel;
𝜼 é o rendimento total do sistema expresso em valor percentual (0.6 para 60%) descrito na
equação a seguir.

𝜼 = 𝜼𝑷𝑽 × 𝜼𝑷𝑽−𝑩𝒂𝒕 × 𝜼𝑪𝑪 × 𝜼𝒅𝒊𝒔𝒕 × 𝜼𝒊𝒏𝒗𝒆𝒓𝒐𝒓

Onde:
𝜼 é o rendimento total do sistema;
𝜼𝑷𝑽 é o rendimento do painel tendo em conta que não está a funcionar no ponto de
potência máxima (80% do valor típico);
𝜼𝑷𝑽−𝑩𝒂𝒕 representa as perdas devido à queda de tensão nos cabos que ligam o painel à
bateria, tomando valores de 2%, logo o rendimento é de 98%;
𝜼𝑪𝑪 é o rendimento do controlador de carga, na ordem dos 98%;
𝜼𝒅𝒊𝒔𝒕 representa as perdas nos cabos de distribuição na ordem dos 2%, sendo o
rendimento de 98%;
𝜼𝒊𝒏𝒗𝒆𝒓𝒐𝒓 é o rendimento do inversor, na ordem de 90%

O pior mês corresponde ao mês em que a carga a alimentar é maior e em simultâneo a


radiação solar disponível assume o valor anual mais baixo. Os meses para os quais se
verificam os valores mais baixos são Dezembro e Janeiro, no caso de o sistema estar a
funcionar todo o ano e os consumos energéticos serem constantes anualmente.

A forma mais precisa de obter a radiação solar incidente no plano do painel consiste no
recurso a ferramentas computacionais. No entanto, também são utilizados métodos
manuais com recurso a mapas que oferecem níveis de previsão aceitáveis.

14
b) Tensão do sistema

A tensão do sistema a adoptar depende do tamanho do sistema, podendo ser de 12V, 24V
ou 48V.

c) Número de dias de autonomia

As cargas têm de ser alimentadas mesmo que não haja produção de energia sendo
necessário prover o sistema de reservas de energia nas baterias.

O número de dias de autonomia geralmente é escolhido entre 3 a 5 dias e está relacionado


com as necessidades de cargas em termos de continuidade de serviço. O dimensionamento
da bateria para menos de 3 dias reduz o seu ciclo de carga, diminuindo o seu tempo de vida
útil. Por outro lado, o dimensionamento para mais de 5 dias aumenta consideravelmente o
custo do sistema, podendo comprometer o projecto.

III. Cálculo da capacidade de bateria

A bateria deve ser dimensionada para armazenar a energia consumida diariamente e mais
alguns dias de reserva. Desta forma o sistema pode fornecer energia em dias em que a
radiação solar é escassa, como por exemplo em dias nublados, compensar as perdas do
sistema e assegurar que a carga da bateria não excede o nível de profundidade de descarga
máximo permitido.

A capacidade da bateria pode ser calculada através da seguinte da expressão

𝑬×𝑨
𝑸=
𝑽 × 𝑻 × 𝜼𝒊𝒏𝒗𝒆𝒓𝒐𝒓 × 𝜼𝒄𝒂𝒃𝒐

𝑄 é a capacidade mínima da bateria em Ah;


𝐸 é a energia média diária consumida em Wh;
𝐴 é o número de dias de autonomia;
𝑽 é a tensão do sistema;
𝑻 é o limite máximo permitido da profundidade de carga da bateria (0.3 a 0.9);

15
𝜼𝒊𝒏𝒗𝒆𝒓𝒐𝒓 é o rendimento do inversor;
𝜼𝒄𝒂𝒃𝒐 é o rendimento dos cabos de distribuição calculado com base nas perdas.

IV. Selecção do módulo fotovoltaico

A potência de pico do painel fotovoltaico permite a selecção do modulo fotovoltaico. Após a


selecção do módulo, é necessário calcular-se o número de módulos necessários para se
obter o valor da potência do painel fotovoltaico. O cálculo do número de módulos é feito
através da equação

𝑃𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑙𝑎𝑐𝑎𝑜


𝑁° 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜𝑠 =
𝑃𝑝𝑝

A potencia total da instalação e aquela obtida através da soma das potencias nominais de
cada equipamento.

V. Selecção do inversor

O inversor deve ser seleccionado tendo por base o valor da potência calculada inicialmente,
que é o valor da soma das potências nominais das cargas.

𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑚𝑖𝑛𝑖𝑚𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑎𝑑𝑜𝑟

Assim,

𝑃𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑙𝑎𝑐𝑎𝑜


𝑁° 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 =
𝑃𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜𝑟 𝑒𝑠𝑐𝑜𝑙ℎ𝑖𝑑𝑜

VI. Selecção do controlador

Este componente tal como foi referido anteriormente, tem a função de proteger as baterias
de eventuais sobrecargas e de descargas excessivas. Por questões de segurança em caso
de corrente excessiva provocada por um aumento de radiação, o controlador deve ser

16
sobredimensionado na ordem dos 25% em relação à corrente de curto-circuito do painel
fotovoltaico, conforme a equação

𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑚𝑖𝑛𝑖𝑚𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑎𝑑𝑜𝑟 = 1,25 × 𝐼𝐶𝐶 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 𝑓𝑜𝑡𝑜𝑣𝑜𝑙𝑡𝑎𝑖𝑐𝑜

Assim o numero de controladores ee calculado pela expressão

𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑚𝑎𝑥𝑖𝑚𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑎𝑑𝑜𝑟


𝑁° 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑙𝑎𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 =
𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑚𝑖𝑛𝑖𝑚𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑎𝑑𝑜𝑟

VII. Selecção da bateria

Quando se selecciona a bateria, vâo ser verificadas as seguintes condições:

a) Se a capacidade do sistema (Q) for maior que a capacidade da bateria fornecida pelo
fabricante, é efectuado o cálculo do número de baterias a colocar em paralelo pela equação

𝑄
𝑁° 𝑑𝑒 𝑏𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑒𝑚 𝑝𝑎𝑟𝑎𝑙𝑒𝑙𝑜 =
𝐶𝑎𝑝𝑎𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑎 𝑏𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎 𝑓𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑖𝑑𝑎 𝑝𝑒𝑙𝑜 𝑓𝑎𝑏𝑟𝑖𝑐𝑎𝑛𝑡𝑒

b) Se a tensão do sistema for maior que a tensão da bateria seleccionada então o número
de baterias
que se devem colocar em série vai ser igual ao valor resultante da equação

𝑇𝑒𝑛𝑠𝑎𝑜 𝑑𝑜 𝑠𝑖𝑡𝑒𝑚𝑎
𝑁° 𝑑𝑒 𝑏𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑒𝑚 𝑠𝑒𝑟𝑖𝑒 =
𝑇𝑒𝑛𝑠𝑎𝑜 𝑛𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑏𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎 𝑒𝑠𝑐𝑜𝑙ℎ𝑖𝑑𝑎

17
4.2. Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos ligados a rede

Algoritmo

Figura 9 - Algoritmo para o dimensionamento de sistemas fotovoltaico ligados a rede

Descrição detalhada.

I) Área e potência do sistema

Inicialmente define-se a área disponível ou o valor da potência a injectar na rede. Ao definir


a área disponível é efectuado o cálculo da potência previsível a instalar. No caso de se
definir a potência, efectua-se o cálculo da área aproximada necessária para implementar o
sistema. Para a produção de 1 kW tem que existir uma área disponível aproximada de 9m2

18
II) Selecção do módulo e estimativa do número de módulos necessários

Depois de se seleccionar o módulo, faz-se uma estimativa inicial do número de módulos


necessários.

Para tal efectua-se uma divisão do valor da potência de pico do sistema fotovoltaico pelo
valor de pico do
módulo que se pretende utilizar, utilizando a equação

𝑃𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑙𝑎𝑐𝑎𝑜


𝑁° 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜𝑠 =
𝑃𝑝𝑝

Uma vez determinado o número de módulos torna-se necessário verificar se é possível


colocá-los no
espaço disponível para o efeito.

III) Cálculo da potência corrigida do sistema

𝑃𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑖𝑔𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 = 𝑁𝑢𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜𝑠 × 𝑃𝑝𝑝 𝑑𝑜 𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜

IV) Cálculo da tensão para as temperaturas extremas do módulo (-10ºC e 70ºC)

Os valores de tensão (máxima, mínima, normal de funcionamento) devem ser determinados.


O valor máximo de tensão é alcançado no Inverno e o mínimo no Verão quando os módulos
estão quentes. A tensão em circuito aberto Vca (a -10ºC) é calculada de seguinte modo,

Considerando uma variação média anual da temperatura no plano do painel entre -10°C e
a 70°C, os desvios absolutos relativamente à temperatura de 25°C (STC) é de -35º e
45° respectivamente.

19
Assim:
𝑉𝑐𝑎 (𝑎 − 10°) = 𝑉𝑐𝑎 (25°) + 35 × 𝑇𝑐 ( 𝑉𝑐𝑎 )

𝑉𝑃𝑃𝑀 (𝑎 − 10°) = 𝑉𝑃𝑃𝑀 (25°) + 35 × 𝑇𝑐 ( 𝑉𝑐𝑎 )

𝑉𝑃𝑃𝑀 (70°) = 𝑉𝑃𝑃𝑀 (25°) − 45 × 𝑇𝑐 ( 𝑉𝑐𝑎 )

Onde:

𝑉𝑐𝑎 (𝑎 − 10°) é a tensão em circuito aberto a -10ºC;


𝑉𝑐𝑎 (25°) é a tensão em circuito aberto a 25ºC;
𝑇𝑐 ( 𝑉𝑐𝑎 ) é o valor de variação da tensão em função da temperatura;
𝑉𝑃𝑃𝑀 (𝑎 − 10°) é a tensão máxima a -10ºC;
𝑉𝑃𝑃𝑀 (70°) é a tensão máxima a 70°

V) Selecção do inversor

Se a Potência corrigida do sistema for maior do que a Potência nominal do inversor, então
o número de inversores necessários é obtido através da expressão a seguir. Caso contrário,
o número de inversores é igual a um.

𝑃𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑖𝑔𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎


𝑁° 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 =
𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑛𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎 𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜𝑟

De modo a verificar os limites de tensão da configuração do painel, o número máximo e


mínimo de módulos ligados em série tem que ser calculado através das equações

𝑉𝑃𝑃𝑀𝑚𝑎𝑥
𝑁° 𝑚𝑎𝑥𝑖𝑚𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜𝑠 =
𝑉𝑃𝑃𝑀(−10°)

𝑉𝑃𝑃𝑀𝑚𝑖𝑛
𝑁° 𝑚𝑖𝑛𝑖𝑚𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜𝑠 =
𝑉𝑃𝑃𝑀(70°)

De modo a assegurar que o valor máximo da tensão de entrada do inversor não é excedido
em nenhuma circunstância o número máximo de módulos por fileira deve ser o seguinte

𝑉𝑑𝑐 𝑚𝑎𝑥
𝑁° 𝑚𝑎𝑥𝑖𝑚𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑓𝑖𝑙𝑒𝑖𝑟𝑎 =
𝑉𝑐𝑎(−10°)

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VI) Configuração do painel compatível com o inversor

Nesta fase do projecto é necessário quantificar o número de fileiras e o número de


módulos por fileira.
De modo a verificar a compatibilidade entre o painel e o inversor, tendo em conta a
configuração do painel, torna-se necessário calcular o valor da tensão para as condições
extremas de temperatura através das expressões

𝑉𝑃𝑃𝑀 (70°) 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 = 𝑁° 𝑑𝑒𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑓𝑖𝑙𝑒𝑖𝑟𝑎 × 𝑉𝑃𝑃𝑀 (70°)

𝑉𝑃𝑃𝑀 (−10°) 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 = 𝑁° 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑓𝑖𝑙𝑒𝑖𝑟𝑎 × 𝑉𝑃𝑃𝑀 (−10°)

𝑉𝑐𝑎 (−10°) 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 = 𝑁° 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑑𝑢𝑙𝑜𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑓𝑖𝑙𝑒𝑖𝑟𝑎 × 𝑉𝑐𝑎 (−10°)

É também necessário calcular o valor máximo da corrente fornecida pelo painel fotovoltaico
através da equação

𝐼𝑃𝑃𝑀 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 = 𝑁° 𝑑𝑒 𝑓𝑖𝑙𝑒𝑖𝑟𝑎𝑠 × 𝐼𝑃𝑃𝑀 (25°)

Os valores obtidos das equações anteriores são então comparados com os valores de
tensão máxima e mínima e com o valor da corrente máxima do inversor. O painel é
compatível com o inversor se forem verificadas as seguintes condições:

i. 𝑉𝑃𝑃𝑀 (70°) 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 > 𝑉min 𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜𝑟

ii. 𝑉𝑃𝑃𝑀 (−10°) 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 < 𝑉max 𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜𝑟

iii. 𝑉𝑐𝑎 (−10°) 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 < 𝑉cc max 𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜𝑟

iv. 𝐼𝑃𝑃𝑀 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑖𝑛𝑒𝑙 < 𝐼cc max 𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜𝑟

Se as quatro condições anteriores forem verificadas, passamos para o passo seguinte onde
são apresentadas as configurações do sistema. Caso não se verifique a compatibilidade

21
entre o painel e o inversor, terá que ser seleccionado outro inversor ou até mesmo outro
módulo.

5. Relação entre o Sistema Fotovoltaico e o Meio Ambiente


A Energia Solar soma características vantajosamente positivas para o sistema ambiental,
pois o Sol, trabalhando como um imenso reator à fusão, irradia na terra todos os dias um
potencial energético extremamente elevado e incomparável a qualquer outro sistema de
energia, sendo a fonte básica e indispensável para praticamente todas as fontes energéticas
utilizadas pelo homem.

A energia solar é importante na preservação do meio ambiente, pois tem muitas vantagens
sobre as outras formas de obtenção de energia.

5.1. Vantagens
 Não é poluente;
 Não influir no efeito estufa;
 Não precisar de turbinas ou geradores para a produção de energia elétrica.

Para cada um metro quadrado de coletor solar instalado evita-se a inundação de 56 metros
quadrados de terras férteis, na construção de novas usinas hidrelétricas.

5.2. Desvantagens
 Exigência de altos investimentos para o seu aproveitamento.

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6. CONCLUSÃO
Com o aprofundamento do conhecimento cientifico, surge o sistema fotovoltaico, que vem
responder e suprir as várias necessidades existentes. Para que esse sistema possa
funcionar correctamente, é necessário o conhecimento aprofundado a cerca dos
procedimentos a seguir para alcançar o que se pretende. A energia solar é abundante e
permanente, renovável a cada dia, não polui e nem prejudica o ecossistema. A energia solar
é a solução ideal para áreas afastadas e ainda não eletrificadas, especialmente num país
como o Moçambique onde se encontram bons índices de insolação em algumas partes do
território.

Felizmente, Moçambique apresenta bons cenários para a implementação desse sistema,


mas ainda não é bem usado devido a insuficiência de meios. Verifica-se que, para além do
país estar muito dependente da energia elétrica, pode-se adaptar esse sistema em grande
escala para melhorar a questão de energia no país, desde que haja pessoas qualificadas e
os respectivos meios.

23
7. BIBLIOGRAFIA
[1] -- FREITAS, Susana s. Alves. Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos. Instituto
politécnico de Bragança 2008

[2] Atlas de Moçambique

 https://www.funae.co.mz/index.php/en/recursos/recurso-solar

[3] Sistemas solares fotovoltaicos. www.bluesol.com.br

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8. ANEXOS
Atlas do Potencial Solar de Moçambique

25
Moçambique tem mais de 2,7 GW de potencial, dos quais 599 MW com capacidade
de ligação à rede

O recurso solar oferece inúmeras possibilidades quer para ligação à rede, quer para
projectos de electrificação rural.

As províncias de Maputo e Tete são as que apresentam maior potencial para projectos
solares ligados à rede, essêncialmente devido à robustez das infra-estruturas de
transporte.

No total, Moçambique tem mais de 2,7 GW de potencial, dos quais 599 MW com
capacidade de ligação à rede

26
Projectos Solares Identificados

27
Atlas do Potencial de Biomassa de Moçambique

28
Custo Nivelado da Energia dos Projectos Prioritários

NB:

Essas informações em anexo foram obtidas a partir de “ATLAS – energias renováveis em


moçambique “.

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