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Fruticultura

ISSN 1808-4931

99771808493145
Anuário Brasileiro da
Fruticultura
Brazilian Fruit Yearbook 2015
Sílvio Ávila
ANUÁRIO BRASILEIRO
DA FRUTICULTURA 2015
brazilian fruit yearbook

1
EXPEDIENTE . PUBLISHERS AND EDITORS
Inor Ag. Assmann

EDITORA GAZETA SANTA CRUZ LTDA.


CNPJ 04.439.157/0001-79
Rua Ramiro Barcelos, 1.224, CEP: 96.810-900, Santa Cruz do Sul, RS
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A636
E-mail: redacao@editoragazeta.com.br
Anuário brasileiro da Fruticultura 2014 /
comercial@editoragazeta.com.br Erna Regina Reetz ... [et al.]. – Santa Cruz do Sul :
Site: www.editoragazeta.com.br Editora Gazeta Santa Cruz, 2015.
104 p. : il.
ANUÁRIO BRASILEIRO DA FRUTICULTURA 2015
Editor: Romar Rudolfo Beling; editor assistente: Igor Müller; ISSN 1808-4931

textos: Erna Regina Reetz, Benno Bernardo Kist, Cleiton Evandro dos
1. Frutas – Cultivo – Brasil. I. Reetz, Erna Regina.
Santos, Cleonice de Carvalho e Marluci Drum;
supervisão: Romeu Inacio Neumann; tradução: Guido Jungblut; CDD : 634.0981
fotografia: Sílvio Ávila, Inor Assmann (Agência Assmann), CDU : 634.1(81)
Robispierre Giuliani e divulgação de empresas e entidades;
projeto gráfico e diagramação: Márcio Oliveira Machado; Catalogação: Edi Focking CRB-10/1197
arte de capa: Márcio Oliveira Machado, sobre fotografia de Sílvio Ávila;
edição de fotografia e arte-final: Márcio Oliveira Machado;
catalogação e tabelas: Sadraque Lenz Veiga;
marketing: Raul José Dreyer, Maira Trojan Bugs, Gabriela da Silva,
Giovani Souza e Ana Paula Knak; supervisão gráfica: Márcio Oliveira
Machado; distribuição: Simone de Moraes; impressão: Gráfica Coan, É permitida a reprodução de informações
Tubarão (SC). desta revista, desde que citada a fonte.
Reproduction of any part of this magazine
ISSN 1808-4931 is allowed, provided the source is cited.

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YaraLiva™ é a linha de nitrato de cálcio da Yara,
para uso via fertirrigação ou via solo, permitindo
o fornecimento as plantas de nitrogênio nítrico e
cálcio solúvel em água. Para aplicações via solo,
existe a linha YaraLiva™ NKálcio, que conta
também com potássio na sua composição para
uma adubação completa de cobertura de inúmeros
cultivos.
SUMÁRIO.summary
06 . Apresentação . Introduction

10 . PRODUÇÃO . Production

28 . MERCADO . Market

46 . AS PRINCIPAIS . Main Fruit

86 . PESQUISA . Research

96 . PAiNEL . Panel
Robispierre Giuliani

100 . EVENTOS . Events

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Gênia
apresentação.introduction

Para todos os gostos


A fruticultura brasileira vive um de seus Tendo o Sudeste como principal polo pomares só não crescem em ritmo ainda
momentos mais dinâmicos. Além da ampla de produção em âmbito nacional, a intro- mais acentuado porque os índices de con-
variedade de espécies produzidas em to- dução da fruticultura nos vários estados sumo per capita avançam de forma lenta
das as regiões do País, e nos mais diversos cria oportunidades de emprego e de renda no País. A melhoria no poder aquisitivo da
tipos de clima, o incremento da produtivi- e estimula a industrialização. Além das fru- população e a disseminação de hábitos cul-
dade e as formas de apresentação e de in- tas in natura oferecidos nos mercados re- turais saudáveis, no entanto, tendem a esti-
dustrialização colocam as frutas em desta- gionais, a sua transformação em alimentos mular a presença cada vez mais acentuada
que no agronegócio. A adoção de eficien- e bebidas com larga aceitação movimen- das frutas no dia a dia do brasileiro.
tes sistemas de cultivo e de rastreamento, ta a economia nas cidades. É o caso, por Coloridas e nutritivas, as dezenas de es-
em sintonia com a responsabilidade social exemplo, da cadeia dos vinhos, dos espu- pécies de frutíferas cultivadas em território
e ambiental, impulsiona as cadeias produti- mantes e dos sucos nas regiões de vitivini- nacional fazem do Brasil um oásis em âmbi-
vas exportadoras e amplia a oferta de frutas cultura, dos sucos de laranja e de outras fru- to global. O mercado interno propicia frutas
para a população brasileira. tas tropicais, e dos industrializados que co- para todos os gostos, e quem ganha com o
meçam a ser exportados. crescimento desse setor é cada pessoa, indi-
Mantendo-se com volume de colheita vidualmente, e a sociedade como um todo.
de aproximadamente 40 milhões Que 2015 possa ser um ano com o pleno sa-
de toneladas anuais, os bor vindo dos pomares.

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Inor Ag. Assmann
Inor Ag. Assmann

For all tastes


Fruit farming in Brazil is going through one of its most dynamic moments. Besides the
vast variety of species, produced in all regions throughout the Country and in different cli-
mate conditions, soaring productivity, appearance and industrialization account for their
prominent position in agribusiness. Efficient cultivation systems, traceability, in line with so-
cial and environmental responsibility, drive the exporting supply chains and expand fruit
supplies for the Brazilian people.
With the main production hub in the Southeast, the introduction of fruit farming in the
states creates jobs, income and industrialization opportunities. Besides an array of fresh fruits
supplied to regional markets, their transformation into largely accepted food and beverages
drive the economy of the cities. For example, it is the case of the wine, sparkling and juice sup-
ply chains in the viticulture regions, orange juices and other tropical fruit, along with indus-
trialized fruit now being shipped abroad.
With an annual harvest volume of approximately 40 million tons, our orchards are not
expanding faster because per capita consumption of fruit is still lagging behind other coun-
tries. The soaring purchasing power of the population and the dissemination of healthy cul-
tural habits, nonetheless, tend to stimulate the presence of fruit in people’s everyday lives.
Colored and nutritious, the tens of fruit species cultivated in our national territory turn
Brazil into an oasis at global level. The domestic market supplies fruit for all tastes, and the
beneficiaries of the growth of this sector are the people themselves and society as a whole. Let
us hope that 2015 will be a year with abundant flavor coming from the orchards.

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produção.production
Inor Ag. Assmann

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Laranja é a cor
mais quente
A laranja é a fruta mais produzida nos pomares do Brasil, e a banana
é a mais consumida pelos brasileiros, que têm fartura à disposição
Para saciar a fome, principalmente anterior, que foi de 6,9 milhões de tone-
no verão, nada melhor do que uma fruta. ladas. A maçã, o abacaxi, a uva e o limão
Num lanchinho rápido, prático e saudá- também tiveram reduções significativas
vel, uma boa pedida pode ser uma bana- no volume total. Problemas com o clima
na. Se a vontade for por outras variedades, – principalmente por seca – contribuíram
laranja e melancia caem muito bem. Para para a diminuição de produção e para o
quem quer manter o corpo em forma, a menor calibre das frutas.
recomendação sempre é por frutas nos in- São Paulo, como principal polo citrí-
tervalos das refeições. Motivos para consu- cola do País, continua sendo o maior pro-
mi-las não faltam. dutor geral, com volume que supera a
Apesar disso, conforme levantamento 16 milhões de toneladas, representando
do Instituto Brasileiro de Geografia e Esta- 39% da produção total de frutas brasilei-
tística (IBGE), a produção brasileira de fru- ras. Além da laranja, principal fruta pro-
tas em 2013 (último ano com dados ofi- duzida no Estado, destaca-se a colheita
ciais disponíveis) somou 41,6 milhões de de banana, com mais de um milhão de
toneladas, o que representa 1,8% a me- toneladas. Com extensão territorial de
nos do que em 2012. O que motiva esse re- 8,5 milhões de quilômetros quadrados,
cuo na colheita de frutas no País são as sé- o Brasil segue como o terceiro maior pro-
rias dificuldades relacionadas ao clima em dutor de fruta no mundo.
todas as regiões produtoras. “Seja pelo ex- Um fator importante que faz o País
cesso de chuva ou pela falta dela, tais pro- continuar nessa posição de liderança
blemas limitam a produtividade e inibem mundial é o oferecimento de espécies
investimentos”, explica o gerente de Inte- tropicais, subtropicais e de clima tempe-
ligência de Mercado do Instituto Brasileiro rado. “Conseguimos proporcionar, assim,
de Frutas (Ibraf), Cloves Ribeiro Neto. grande variedade de frutas o ano inteiro”,
Entre as principais frutas produzidas, a afirma Cloves. Conforme ele, atualmente,
laranja continua no topo do ranking, com a fruticultura ocupa 2 milhões de hecta-
safra que ultrapassa a 17 milhões de tone- res e gera mais de 5 milhões de empregos
ladas; porém, com redução de 2,5% ante a no campo. A atividade tem Valor Bruto de
produção de 2012, devido à crise da citri- Produção superior a R$ 23 bilhões.
cultura vivida no Estado de São Paulo e à
erradicação de plantações. “Como a laran-
ja é o carro-chefe da fruticultura brasileira,
qualquer alteração tem impacto significa- São Paulo é o principal
tivo no volume total”, detalha o gerente.
A banana, fruta in natura mais con-
sumida pelos brasileiros, rendeu produ-
Estado produtor, com
ção de 6,8 milhões de toneladas, volume
estável quando comparado com a safra
cerca de 39% da colheita
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Sílvio Ávila

Orange is the
warmest color
Orange is the most-cultivated fruit in Brazilian orchards, while banana
is the most eaten fruit in the Country, where it is grown abundantly
To satisfy your hunger, especially in the 41.6 million tons, down 1.8% from 2012. The of 17 million tons; however, this year pro-
summer months, there is nothing better than reasons for this decline in fruit production duction was down 2.5% from the volume
a fruit. For a quick, practical and healthy throughout the Country are the serious diffi- achieved in 2012, due to the citrus fruit cri-
snack, a banana could be a good choice. If culties related to climate conditions in all fruit sis across the State of São Paulo, resulting
you crave other varieties, oranges and wa- producing regions. “Whether for excessive into the eradication of countless orange or-
termelons might fit well. For those who want precipitation or the lack of rains, these prob- chards. “The fact is, oranges are the flagship
to keep in good shape, the recommendation lems are limiting factors in terms of produc- in Brazil’s fruit business, and any alteration
is for some fruit in-between meals. There are tivity and equally inhibit new investments”, exerts a significant impact upon the total vol-
plenty of reasons to eat fruit. explains Cloves Ribeiro Neto, Market Intelli- ume”, the manager explains.
Nevertheless, according to a survey by gence manager at the Brazilian Fruit Insti- Banana is the most eaten fruit in Bra-
the Brazilian Institute of Geography and Sta- tute (Ibraf). zil, and its total production amounted to 6.8
tistics (IBGE), the production of fruit in Bra- Orange is still the most cultivated fruit in million tons, a stable volume if compared to
zil in 2013 (latest figures available) reached Brazil, with an annual production in excess the previous growing season, when it totaled

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Na ponta do lápis - On the tip of a pencil
Comparativo de Produção
Safra 2012 Safra 2013 Safra 2014*
Produto
Volume (Ton) Volume (Ton) Volume (Ton)
Abacaxi** 3.453.378 3.235.903 3.343.260
Banana 6.902.184 6.892.622 7.182.714
Coco-da-baía 1.954.354 1.926.857 1.938.230
Laranja 18.012.560 17.549.536 17.340
Maçã 1.339.771 1.231.472 1.377.393
Uva 1.514.768 1.439.535 1.418.691
* Para 2014 os valores são estimados.
** Conversão: 1 fruto = 2,5 Kg (Região Sul-Sudeste, exceto PR (1,6Kg) e SC (1,67Kg) - 2,1Kg (Região Centro-
Oeste)e 1,8Kg (para as demais regiões.

Área plantada (hectares) - Planted area (hectares)


Produto Safra 2013 Safra 2014 Variação (%)
Abacaxi 93.743 96.800 + 3,26
Banana 525.589 523.797 - 0,34%
Coco-da-baía 274.344 257.168 - 6,26
Laranja 788.787 721.252 - 8,56
Maçã 38.420 37.562 - 2,23
Uva 81.438 80.576 - 1,06

Área Colhida (hectare) - Harvested area (hectares)


Produto Safra 2013 Safra 2014 Variação (%)
Abacaxi 61.950 64.673 + 4,40
6.9 million tons. Other fruit with significant
Banana 485.559 487.902 + 0,48
reductions in volume include apples, pine-
Coco-da-baía 257.157 242.174 - 5,83
apples, grapes and limes. Climate induced Laranja 707.661 650.190 - 8,12
problems – especially drought conditions – Maçã 37.986 37.122 - 2,27
are to blame for the smaller amounts and Uva 79.379 79.142 - 0,30
smaller caliber of the fruit.
São Paulo, as major citrus fruit hub in
Brazil, is still the leading producer, with a vol- Tempo de colheita - Harvesting time
ume in excess of 16 million tons, representing Produtividade das frutas no Brasil
39% of Brazil’s total fruit crop. Besides orang- Fruta Safra 2013 Safra 2014 Variação (%)
es, main fruit produced in the State, bananas Abacaxi (frutos por hectare) 26.452 26.779 + 1,24
are also grown abundantly, with a total of 1 Banana (quilogramas por hectare) 14.309 14.631 + 2,25
million tons. Covering an area of 8.5 million Coco-da-baía (frutos por hectare) 7.312 7.644 + 4,54
square kilometers, Brazil is still ranking as Laranja (quilogramas por hectare) 23.012 22.842 - 0,74
third biggest fruit producer in the world. Maçã (quilogramas por hectare) 32.290 37.104 + 14,91
Uva (quilogramas por hectare) 17.860 18.146 + 1,60
An important factor that accounts for
Fonte: Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, IBGE, dezembro de 2014. Elaboração: Ibraf.
Brazil’s global leading position on that score
is its capacity to supply tropical, subtropical
and temperate climate fruits.
“This is how we manage to supply a great São Paulo is the
variety of fruit year round”, Cloves says. In his
view, currently, fruit farming occupies 2 mil- leading producer, with
lion hectares and generates 5 million jobs in
the countryside. Furthermore, its Gross Pro-
duction Value exceeds R$ 23 billion.
about 39% of the total
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Inor Ag. Assmann

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Mudança
de hábito
Consumo de frutas no Brasil chega a 33 quilos por habitante ao ano,
quando o recomendado pela OMS seria ingerir cerca de 100 quilos
Quando bate aquela fome, o que mais bitante/ano. A banana caiu no gosto dos
se quer é dar um jeito de saciá-la logo! En- brasileiros e é hoje a fruta mais consumi-
tre as opções para resolver esse problema da no País. Além dela, laranja, uva e man-
estão os lanches rápidos, que vão desde ga são requisitadas com frequência.
uma beliscadinha em um salgadinho no Cloves afirma que, aos poucos, os brasi-
meio da tarde até a refeição do almoço, leiros estão pegando mais gosto pelas fru-
por exemplo, rica em frituras. A vida corri- tas. “Temos aumentado o consumo ano
da que muitos levam é a justificativa por a ano, ainda que de forma tímida”, frisa.
tais escolhas, que são, por hora, mais rápi- “A melhoria de renda e da qualidade das
das ou fáceis, mas que no fim das contas frutas são fatores que estão contribuindo
comprometem a saúde. Tanto que dados para firmar esse hábito”. Conforme o ge-
do Instituto Brasileiro de Geografia e Esta- rente, com o baixo consumo são necessá-
tística (IBGE) indicam que 98 milhões de rios investimentos para criar esse hábito
brasileiros, quase metade da população, na alimentação regular. No entanto, o Bra-
estão acima do peso. sil não possui políticas públicas e/ou pri-
O indicado, para combater o proble- vadas que possibilitem esses projetos. “O
ma, é que essas pessoas consumam fru- Ibraf mantém diversos projetos de incen-
tas e verduras, além de iniciarem ativida- tivo, mas fica inviabilizado de modificar o
des físicas. Conforme a Organização Mun- cenário por conta da falta de apoio finan-
dial de Saúde (OMS), a ingestão constan- ceiro”, argumenta.
te desses alimentos pode reduzir em até Documento da Associação Brasileira
19% a incidência de câncer no intestino. dos Produtores Exportadores de Frutas e
No Brasil, as pessoas não têm o hábito de Derivados (Abrafrutas) destaca que é fun-
comer frutas como um alimento, e sim damental melhorar a interlocução junto
como sobremesa, afirma o gerente de In- à Agência Nacional de Vigilância Sanitá-
teligência de Mercado do Instituto Brasi- ria (Anvisa). A meta é mostrar que é sau-
leiro de Frutas (Ibraf), Cloves Ribeiro Neto. dável e seguro consumir frutas produzidas
“Este é um dos motivos para o baixo con- no Brasil, e que não há qualquer risco de-
sumo. Além dele, tem a questão do poder corrente delas para a população.
aquisitivo, que inibe parte da população
a consumir regularmente frutas por te-
rem valor médio anual alto e não fazerem
parte da cesta básica”.
De acordo com o último levantamen-
brasileiros manifestam
to do IBGE sobre aquisição domiciliar de
frutas, o Brasil consome 33 quilos por ha-
preferência por banana,
bitante ao ano, quando o recomendado
seria ingerir próximo de 100 quilos/ha-
laranja, uva e manga
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Inor Ag. Assmann

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Change of habit
Per capita consumption of fruit in Brazil reaches 33 kilograms a year,
but WHO recommendations are for about 100 kilograms
When hunger strikes, one wants to find a ing fruit. “Consumption has been rising year
way to quench it as soon as possible. Among after year, though very slowly”, he insists.
the options to solve this problem there is fast “Higher purchasing power and enhanced
food, a bite-sized cracker in mid afternoon, quality are contributing towards strength-
or even a full meal, for example, rich in fried ening this habit. According to the manag-
food. The very busy life that many people er, as consumption is still low, there is need
lead seems to justify such choices, which are, for investments in developing regular fruit
for the moment, easier and faster, but in the consumption habits. However, Brazil has
end could cause serious health problems. neither public nor private policies in place
So much so that data from the Brazilian In- to lend support to these projects. “Ibraf has
stitute of Geography and Statistics (IBGE) in- figured out several incentive projects, but
dicate that 98 million Brazilians, almost half the lack of financial support has made any
the entire population, are overweight. changes unviable”, he argues.
The recommendation for fighting the A document by the Brazilian Association
problem is for these people to consume fruit of Fruit Producers and Exporters (Abrafru-
and vegetables, besides doing physical ex- tas) maintains that it is of fundamental im-
ercises. According to the World Health Or- portance to keep constantly in contact with
ganization (WHO), constant ingestion of Anvisa so as to demonstrate that all fruit pro-
fruit and salads could reduce the incidence duced in Brazil are healthy. And there is more,
of intestine cancer by 19%. In Brazil, people studies have attested that fruit consumers in
do not have the habit of consuming fruit as Brazil are not exposed to any risk.
food, but as dessert, says the manager of the
Brazilian Fruit Institute’s Intelligence Divi- Vai fora - Is lost
sion, Cloves Ribeiro Neto. “This is one of the
Índices de perdas das principais
reasons that explain the problem of defi- frutas no Brasil
cient fruit consumption. Furthermore, there Fruta Valor (% por ano)
is also the buying power question, which Laranja 23%
prevents part of the population from con- Abacaxi 26%
suming fruit on a regular basis. And what is Manga 28%
more, fruit are not included in the so-called Mamão 32%
basic fruit basket “. Abacate 34%
Morango 40%
According to IBGE’s latest survey focused
Banana 42%
on the acquisition of fruits by the Brazilian
Fonte: Luiz Carlos O. Lima, UFLA, 2010.
families, per capita consumption reaches 33 Elaboração: Ibraf.

kilograms a year, although the recommen-


dation is for 100 kilograms. Bananas have
become very popular in Brazil and are now
the most consumed fruit in the Country.
Brazilians prefer bananas,
Other largely consumed fruit are oranges,
grapes and mangoes.
followed by oranges,
Ribeiro Neto maintains that, little by lit-
tle, Brazilians are acquiring the habit of eat-
grape and mangoes
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Sílvio Ávila

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Planeta fruta
Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, num cenário de
colheita que não tende a se alterar de forma significativa a médio prazo
O mundo todo produz anualmen- nessa cultura. De acordo com o presiden-
te mais de 800 milhões de toneladas de te da Associação Brasileira dos Produtores
frutas. O Brasil é o terceiro colocado no Exportadores de Frutas e Derivados (Abra-
ranking das principais nações produtoras. frutas), Luiz Roberto Barcelos, o País tem
Está atrás apenas da China e da Índia, res- condições de abastecer ainda mais o mer-
pectivamente. Já quando se trata de laran- cado externo. Para isso, precisa resolver al-
jas, os brasileiros são líderes. Além disso, é gumas pendências. “Ainda não estamos
o segundo País que mais colhe mamões e acessando esses mercados por conta do
limões tahiti e, ainda, o terceiro na lista dos amadorismo, por ser produção ainda mui-
que mais colhem tangerinas. to familiar ou por não termos grandes em-
Além do Brasil, impõem-se a China, tra- presas estruturadas dedicando-se à expor-
balhando, principalmente, com melancias tação”, explica.
e maçãs; a Índia, com produções expressi- Barcelos ressalta que, resolvendo es-
vas de bananas e de cocos; e a Indonésia, sas questões, o Brasil terá maior importân-
que ocupa o quarto lugar mundial na pro- cia no fornecimento de frutas frescas para
dução de coco. Uma vez que na fruticultu- os países com mais condições de compra,
ra, principalmente de espécies tropicais, caso dos europeus. A gama variada de fru-
o cultivo é perene, o cenário dos maiores tas produzidas no País também é fator re-
produtores mundiais não tende a se alte- levante para aumentar, em breve, a quan-
rar a médio prazo. tidade exportada, que hoje é inferior a 3%
No entanto, de acordo com o geren- da safra total.
te de Inteligência de Mercado do Institu- Nações desenvolvidas, a exemplo da
to Brasileiro de Frutas (Ibraf), Cloves Ribei- União Europeia e dos Estados Unidos, são
ro Neto, existem alguns países que vêm se os maiores consumidores, alguns com 100
destacando, caso do Peru, que já é concor- quilos por habitante ao ano. Já no Brasil, o
rente, não em volume, mas em exportação. patamar é considerado muito baixo: são
“A Colômbia também chama atenção, ten- cerca de 40 quilos por pessoa ao ano.
do em vista que vem se especializando na
fruticultura exótica”, afirma Cloves.
Por outro lado, o gerente adianta que
não será surpresa se, no futuro, alguns pa-
Laranja, mamão, limão tahiti
íses da África circularem na cadeia frutí-
cola. Apesar de, de modo constante, figu-
e tangerina são os
rar no pódio da produção de frutas, o Bra-
sil tem potencial para crescer ainda mais
destaques brasileiros
NO TOPO
Apesar de todas as dificuldades amplamente conhecidas, no chamado “custo Brasil”, a infraestrutura deficiente, a falta de acesso
a crédito e o baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento, o País consegue se adequar constantemente na melhoria da
qualidade, no respeito às condições ambientais e no aumento da produtividade por área cultivada. Isso é possível, de acordo com
Cloves Ribeiro Neto, do Ibraf, devido aos investimentos em tecnologias, como sistemas eficientes de irrigação. “Estas são algumas
características que colocam os brasileiros entre os maiores produtores de frutas no mundo”, conclui.

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Planet fruit
Brazil ranks as third-biggest fruit producer in the world, a scenario
that is not likely to change significantly in the medium run
World production of fruit exceeds 800 structured companies devoted to exports”, increase the amount of fruit shipped abroad,
million tons a year. Brazil ranks as third-big- he explains. which is still less than 3% of the total crop.
gest producer, coming after China and India, Barcelos maintains that, once these ques- Developed countries, like the United
respectively. When it comes to oranges, Bra- tions have been solved, Brazil will be viewed States and European Union members, are
zil is the leading producer. Furthermore, the as a relevant fresh fruit supplier to countries the biggest consumers, totaling 100 kg per
Country ranks as second-biggest producer that can afford them, particularly European person a year in some of them. In Brazil, fruit
of papaya and Tahiti lime, and third-biggest nations. The array of fruits produced in Brazil consumption is still lagging behind: some 40
tangerine producer. is also a relevant factor that might soon help kilos per person/year.
Besides Brazil, other countries renowned
Sílvio Ávila

for their fruit businesses are China, where


watermelons and apples are the most pop-
ular fruits; India, with expressive production
of bananas and coconuts; while Indonesia
ranks as fourth-biggest producer of coconuts
in the world. Seeing that fruit farming, espe-
cially tropical species, is a perennial activity,
the scenario of the largest global producers is
not likely to change in the medium run.
Nonetheless, according to Cloves Ribeiro
Neto, Market Intelligence manager at the
Brazilian Fruit Institute (Ibraf), there are some
countries where fruit farming has been on a
rising trend for some years now. Peru is an ex-
ample, and is now competing in exports, but
not in volume. “Colombia also deserves at-
tention, as this country is now specializing
in the cultivation of exotic fruits”, said Cloves. ON TOP
Moreover, the manager anticipates that In spite of all vastly known hurdles, related to the so-called “Brazil Cost”, deficient
it will be no surprise if, in the future, some Af- infrastructure, lack of credit lines and low investment in research and development,
rican countries begin to circulate in the fruit the Country nevertheless manages to adjust to quality improvement, compliance with
supply chain. In spite of its stable position in environmental standards and soaring productivity rates in the cultivated areas. According
the fruit production podium, Brazil has the to Cloves Ribeiro Neto, of Ibraf, this is viable due to investments in technology, like efficient
potential to develop this business even fur- irrigation systems. These are some characteristics that account for Brazil’s position as one of
ther. According to the president of the Bra- the biggest fruit producers in the world”, he concludes.
zilian Association of Fruit Producers and Ex-
porters (Abrafrutas), Luiz Roberto Barcelos,
the Country is in a position to increase even
further its sales abroad. To this end, some
Orange, papaya, Tahiti lime and
hurdles still have to be countered. “We are
still accessing these markets as amateurs, be-
tangerine are the most widely-
cause fruit farming is still a family business
for the most part, and we do not have well-
cultivated fruit in Brazil
20
Sílvio Ávila

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Palmas para eles
Estado do Tocantins ampliou em mais de 60% a produção de frutas em
quatro anos e planeja tornar-se grande fornecedor para o mundo todo
Apesar dos já conhecidos estrelões da tivar a cultura. “Realizamos dias de campo
fruticultura (São Paulo, Bahia, Minas Ge- com abordagem na produção integrada,
rais, Rio Grande do Sul e Pará), tem no- dias de fruticultura e visitas técnicas, além
vas apostas de áreas produtoras surgindo de monitoramento de pragas e doenças,
– de mansinho, é verdade, mas com jeito promovido todos os meses nas lavouras
de quem veio para ficar. A nova investida de abacaxi e banana das regiões envolvi-
do setor é o Estado do Tocantins. Localiza- das”, destaca Padua.
do na região Norte do Brasil, já está agra-
dando consumidores com suas frutas, que TOCANDO EM FRENTE
são muito adocicadas, por conta das con- As principais frutas produzidas em Tocantins são abacaxi, banana e melancia.
dições favoráveis de clima e de solo. Além destas, o Estado oferece caju, melão, limão, coco e manga. Em cada hectare
Em 2010, a produção de frutas dos to- plantado com abacaxi são colhidos 23 mil frutos, o que coloca o Estado entre os grandes
cantinenses chegou a 170 mil toneladas, fornecedores no Brasil. A estimativa é de que mais 90 mil toneladas de abacaxi tenham
enquanto em 2013 este volume saltou sido colhidas em 2014.
para 278 mil toneladas. Conforme dados Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cultura de banana
do Instituto Brasileiro de Geografia e Es- ocupou área de 3.673 hectares em 2013, acumulando volume de 23.274 toneladas.
tatística (IBGE), nos últimos quatro anos Parte dessa produção abastece mercados vizinhos, como Goiás, Minas Gerais e Distrito
o Estado teve aumento de 63,52% na co- Federal. Em junho de 2014 ocorreu o primeiro embarque experimental de banana
lheita de frutas. Além disso, Tocantins é nanica para a Argentina, totalizando 30 toneladas exportadas.
um dos principais produtores nacionais No Estado, a produção de melancia é favorecida na região de várzeas devido ao
de abacaxi: em 2013, somou 74.705 qui- sistema de sub-irrigação, que dificulta o aparecimento de doenças. Em 2013, foram
los dessa espécie. colhidas mais de 200 mil toneladas da fruta.
Apesar de ainda não existirem da-
Inor Ag. Assmann

dos oficiais sobre a colheita do Estado em


2014, a expectativa é de que a safra tenha
superado os números de 2013. Para o en-
genheiro agrônomo Anderson Pereira, da
Secretaria Estadual de Agricultura e Pecu-
ária (Seagro), além da importância econô-
mica, a fruticultura é considerável no âm-
bito social. “A atividade tem a capacidade
de empregar grande quantidade de mão
de obra. Enquanto a produção de grãos
gera 0,2 emprego por hectare, a fruticul-
tura pode gerar de dois a cinco empregos
por hectare”, explica.
Com tantos pontos favoráveis, o gover-
no de Tocantins desenvolve projetos que
Abacaxi é o grande
fomentem ainda mais a fruticultura. De
acordo com o secretário da Seagro, Ruiter
destaque na fruticultura de
Padua, em 2014 foram realizadas mais de
uma dezena de ações técnicas para incen-
Tocantins na atualidade
23
They deserve applause
State of Tocantins has expanded its fruit growing business by upwards of
60% in four years and is planning to become a relevant global supplier
In spite of the well-known fruit mag- visits, besides pest and disease monitoring,
nates (São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio on a monthly basis, in banana and pineap-
Grande do Sul and Pará), there are several ple plantations”, Padua comments.
fruit producing areas in the making – they
Inor Ag. Assmann

are developing slowly, it is true, but seem


determined to stay. The new undertaking
of the sector is the State of Tocantins. Locat-
ed in North Brazil, the fruits produced there
are pleasing consumers because of their
sweetness, a fact that reflects the favorable
conditions of both soil and climate.
In 2010, fruit production in Tocantins
reached 170 thousand tons, jumping to
278 thousand tons in 2013. According to
data from the Brazilian Institute of Geog-
raphy and Statistics (IBGE), in the past four
years fruit production soared 63.52%. Fur-
thermore, Tocantins is a major pineapple
producer: in 2013, it harvested 74,705 kilo-
grams of this species.
Although no official data on productiv-
ity throughout the State are available, the
expectation for 2014 is a bigger crop than MOVING AHEAD
in 2013. Anderson Pereira, agronomic en- Major fruits produced in Tocantins are pineapples, bananas and watermelons. Other fruits
gineer at the State Secretariat of Agricul- that are equally produced include cashew nuts, melons, coconuts and mangoes. Pineapple
ture and Livestock (Seagro), has it that be- productivity translates into 23 thousand fruits per hectare, turning the State into a huge
sides its economic importance, fruit farm- supplier in Brazil. It is estimated that 90 thousand tons of pineapples were harvested in 2014.
ing exerts a considerable social role. “Fruit According to the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), 3,673 hectares were
farming has the capacity to employ a great devoted to bananas in 2013, resulting into a volume of 23,274 tons. Part of this production
deal of workforce. While grain crops gener- supplies the neighboring states of Goiás, Minas Gerais and the Federal District. In June 2014,
ate 0.2 jobs per hectare, fruit growing could the first trial shipments of dwarf bananas were sent to Argentina, totaling 30 tons.
generate from 2 to 5 jobs per hectare”, ex- Throughout the State, watermelon plantations take advantage of sub-irrigation
plains the agronomic engineer. systems in meadowlands, rarely affected by diseases. In 2013, the banana crop amounted to
With so many positive aspects, the gov- upwards of 200 hundred thousand tons.
ernment of Tocantins is now in the process
of developing projects that foster fruit farm-
ing even further. According to Ruiter Pad-
ua, Seagro secretary, in 2014 tens of techni-
Pineapples are the
cal initiatives were taken with the aim to en-
courage the farmers to produce fruit. “We
highlight in fruit currently
conducted field days addressing integrated
production projects, fruit days and technical
produced in Tocantins
24
www.brasilexport.gov.br

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Ministério da Ministério do
Agricultura, Pecuária Ministério das Desenvolvimento, Indústria
e Abastecimento Relações Exteriores e Comércio Exterior
Cenário nebuloso
Economia nacional sinaliza para ajustes na cadeia, que podem levar os
produtores a reduzirem o volume e a área de cultivo ao longo de 2015
O setor frutícola brasileiro não tem para que a competitividade seja mantida. QUALIDADES A tendência na cadeia
perspectivas muito animadoras para “A atenção maior dos fruticultores deverá é de que, de maniera gradativa, as frutas e
2015. As condições hídricas preocupan- ser para gestão dos custos de produção, os derivados produzidos no Brasil passem
tes nos principais ambientes de cultivo, o controle fitossanitário e tendências dos a se orientar pelo conceito de 5 “S”, termo
aumento de impostos sobre os produtos consumidores”, destaca. utilizado na gestão do agronegócio que
da cadeia e a redução do poder aquisitivo O valor da safra anual das principais vai ao encontro dos anseios dos consu-
da população são alguns dos motivos que frutas acompanhadas pelo Instituto Bra- midores e que os grandes empresários já
podem levar os produtores a diminuir in- sileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi costumam adotar em outros segmentos.
vestimentos. “Com isso, a meta é manter de R$ 23 bilhões em 2013, ante R$ 20,9 bi- Embora tenha como referência o progra-
volume de produção estável ou até mes- lhões no ano anterior. Conforme o geren- ma de qualidade conhecido por 5 S, neste
mo providenciar redução da produção e te do Ibraf, o alto custo de produção da fru- caso, os 5 “S” se referem às características
da área cultivada”, projeta o engenheiro ticultura foi o principal reflexo deste au- que as frutas devem apresentar e às prá-
agrônomo Cloves Ribeiro Neto, gerente mento da receita. “O fruticultor continua ticas gerais utilizadas para produzi-las. Os
de Inteligência de Mercado do Instituto descapitalizado, pois não consegue repas- “S” vêm de: saudabilidade (alimento nu-
Brasileiro de Frutas (Ibraf). sar ao valor final do produto a totalidade tritivo e funcional), simplicidade (produ-
Para ele, o desenvolvimento da cadeia das despesas para produzir”, explica. Em tos práticos ao consumo), segurança (pro-
produtiva de frutas, como um todo, de- 2014, nos negócios com o exterior, o se- dutos seguros à alimentação), sabor (mais
pende da sustentabilidade contínua do tor frutícula obteve US$ 3,2 bilhões, o que aroma e sabor) e sustentabilidade (produ-
comércio interno, da retomada dos vo- representa 3,2% da balança comercial do ção e industrialização de frutas de forma
lumes e dos incentivos governamentais agronegócio, que foi de US$ 96,7 bilhões. sustentável).
Inor Ag. Assmann

26
Cloudy scenario
National economy calls for adjustments to the supply chain, which may lead
the farmers to reduce both volume and planted area throughout 2015
Perspectives are not encouraging itiveness. “Fruit farmers are supposed to QUALITIES The trend in the sup-
for the Brazilian fruit sector in 2015. The pay great heed to the management of ply chain is for the fruits and deriva-
alarming water conditions in all ma- production costs, phytosanitary controls tives obtained in Brazil to, gradual-
jor fruit producing hubs, higher taxes on and consumer trends”, he stresses. ly, be guided by the 5 “S”, word used
products of the supply chain and the de- The annual value of the main fruits in the management of the fruit busi-
clining purchasing power of the popula- under the supervision of the Brazilian In- ness in line with consumer needs, vast-
tion are some of the reasons that could in- stitute of Geography and Statistics (IBGE) ly adopted by commercial fruit grow-
duce the producers to reduce their invest- reached R$ 23 billion in 2013, compared ers, although its reference is the qual-
ments. “Therefore, the target is to keep the to R$ 20.9 billion in the previous year. Ac- ity program known as 5 S, in this case,
production volume stable or even reduce cording to the Ibraf manager, the high the 5 “S” refer to the characteristics the
the size of the crop and the area devoted production cost of fruit farming was the fruits should have and the practices
to it”, projects agronomic engineer Cloves main reflection of the increase in total utilized for their production. The five
Ribeiro Neto, Market Intelligence manager revenue. “Fruit growers continue cash- “S” come from the Portuguese word for
at the Brazilian Fruit Institute (Ibraf). strapped, as they are unable to pass the healthiness (nutritive and function-
He maintains that the development totality of the expenses on to the final al food), simplicity (practical to con-
of the fruit supply chain as a whole, de- price of the product”, he explains. In 2014, sume), safety (safe food), the Portu-
pends on such factors as the continuous in its businesses abroad, the fruit sec- guese word for taste (more aroma and
sustainability of the domestic market, re- tor raked in US$ 3.2 billion, representing flavor), and sustainability (fruit pro-
sumption of the volumes and on govern- 3.2% of the agribusiness trade of balance, duction and industrialization in a sus-
ment incentive, so as not to lose compet- which reached US$ 96.7 billion. tainable manner).

27
mercado.market
Sílvio Ávila

28
Porção equilibrada
Exportação de frutas frescas recuou 5,46% em volume e 3,21% em receita
em 2014, influenciada pela queda significativa dos envios de maçã
O embarque total de frutas frescas e sar de contribuir com o segundo maior que mantém a demanda estável des-
secas do Brasil foi abreviado em gran- volume, obteve receita de US$ 163,727 de 2009 e não demonstra tendência de
de parte pela queda significativa na ex- milhões, superando o valor do melão, aumento no consumo”, explica. Ainda
portação de maçã em 2014. O envio to- de US$ 151,815 milhões. Também o li- destaca que o alto custo de produção
tal somou 672,995 mil toneladas de fru- mão registrou altas de 17,43% no peso tem tornado a fruta nacional menos
tas, volume 5,46% abaixo do negocia- e de 30% na receita. competitiva. Além disso, o produto do
do no ano anterior. Em receita, as ven- Conforme Cloves, os problemas com Brasil vem perdendo benefícios tarifá-
das externas somaram US$ 636,402 mi- o clima, a exemplo do que ocorreu com rios. Um sinal foi o fim do Sistema Geral
lhões, 3,21% a menos do que em 2013. a maçã, não foram os únicos fatores de Preferências (SGP), da UE, em 2014.
Os números são do Instituto Brasileiro que afetaram os negócios internacio- “O mercado interno continua aquecido
de Frutas (Ibraf), com base nos dados da nais das frutas frescas made in Brazil. “O e, em algumas situações, tem sido mais
Secretaria de Comércio e Exterior (Se- principal mercado para as frutas nacio- viável a comercialização no mercado
cex), órgão do Ministério do Desenvol- nais continua sendo a União Europeia, doméstico”, observa.
vimento, Indústria e Comércio e Exte-
rior (MDIC). A presença das frutas nacio-
nais no mercado internacional é consi- CONGELADOS
derada baixa por representantes do se- Sobre os preços internacionais, o gerente de Inteligência de Mercado do Ibraf,
tor, uma vez que o Brasil é o terceiro Cloves Ribeiro, comenta que os valores estão estáveis, para não dizer congelados.
maior produtor mundial. Porém, para espécies como limão, abacate e caqui, a boa qualidade dos frutos,
Em 2014, a maçã foi a quinta fruta aliada à menor oferta de países concorrentes, contribuiu para melhorar a
mais negociada de uma lista de 22 es- negociação de valores.
pécies. Mas registrou quedas de 48,15% Igualmente chama atenção o aumento nas exportações de abacate e de coco,
em volume e de 49,31% em receita. “As embora o volume do segundo não seja tão representativo no todo. “Essas frutas são
exportações recuaram devido ao baixo recentes na pauta da exportação brasileira e possuem qualidade satisfatória para
desempenho da maçã, que caiu quase atender às exigências dos clientes estrangeiros”, refere. “Nos próximos anos, devem
50% na comparação com 2013, em de- continuar com bons resultados”. No entanto, acrescenta que não é possível esperar o
corrência das condições climáticas des- mesmo para frutas tradicionais, como a maçã e a uva.
favoráveis ocorridas na safra de 2014, As expectativas também não são boas para 2015. “O setor está pessimista com
quando o fruto não atingiu a qualidade as dificuldades que o País vem enfrentando, principalmente com as condições
necessária para cumprir as exigências hídricas”, avalia Ribeiro. As principais frutas exportadas pelo Brasil utilizam sistemas
internacionais”, explica o engenheiro de irrigação. Inclusive, os três principais estados exportadores – Ceará (148,944 mil
agrônomo Cloves Ribeiro Neto, geren- toneladas), Rio Grande do Norte (131,2 mil toneladas) e Bahia (115,331 mil) – estão
te de Inteligência de Mercado do Ibraf. situados na região Nordeste, de clima Semiárido. Outro fator, lembra ele, é o aumento
Outras frutas representativas que no custo para produzir, o que tem relação direta com o valor final do produto.
registraram quedas foram a banana
(-14,81% em volume e -10,21% em re-
ceita) e a uva (-34,35% em quantida-
de e -35,15% em valor). Já as mais ex-
Melão e manga
portadas – melão (196,850 mil tonela-
das) e manga (133,033 mil toneladas) –
continuam com a maior
ampliaram os embarques em 2,84% e
9,04%, respectivamente. A manga, ape-
participação nos embarques
29
Balanced portion

Sílvio Ávila
Fresh fruit exports dropped 5.46% in volume
and 3.21% in revenue, influenced by a
significant reduction in apple shipments
Total exports of fresh and dry fruit suffered by 17.43% in weight and 30% in revenue.
a reduction due to a significant drop in the According to Ribeiro, adverse climate prob-
shipment of Brazilian apples abroad, in 2014. lems, which affected the performance of the
Exports totaled 672.995 thousand tons of fruit, apples, were not the only factors that adverse-
down 5.46% from the previous year. In reve- ly affected the international businesses of Bra-
nue, foreign sales brought in US$ 636.402 mil- zil’s fresh fruit. “The European Union is still the
lion, down 3.21% from 2013. The numbers leading market for Brazil’s fruit, and this mar-
come from the Brazilian Fruit Institute (Ibraf), ket has remained stable since 2009, and is show-
based on data released by the Brazilian Sec- ing no signs of rising consumption”, he explains.
retariat of Foreign Trade (Secex), an organ of He equally maintains that high production
the Ministry of Development, Industry and For- costs are to blame for the decreasing competi-
eign Trade (MDIC). The presence of our nation- tive edge. Furthermore, Brazilian fruit have been gram, in 2014. “The domestic market continues
al fruit in the international marketplace is con- losing tariff benefits. A sign of this was the end of heated up and, in some circumstances, sales at
sidered small by representatives of the fruit sec- the EU’s General System of Preferences (GSP) pro- home are more profitable”, he observes.
tor, as Brazil is the third largest global producer.
In 2014, apples ranked as fifth most ne- FROZEN
gotiated fruit from a list of 22 species. Howev- With regard to international prices, Cloves Ribeiro, Market Intelligence manager at Ibraf,
er, exports of this fruit dropped 48.15% in vol- comments that prices are stable if not frozen. However, for species like lime, avocado and
ume and 49.31% in revenue. “Exports receded persimmon, the good quality of these fruit, along with smaller offer from competitor countries,
because of the bad performance of the apple contributed towards fetching better prices.
crop, which fell almost 50% compared to 2013, What is also worth mentioning is the increase in exports of avocado and coconut, although
as a result of adverse climate conditions dur- the volume of the latter is not very representative. “Exports of these fruit have only started
ing the 2014 growing season, when the fruit recently and their quality complies with the discerning standards of foreign clients”, he says.
did not achieve the quality standards in com- “Over the next years, they are supposed to continue performing satisfactorily”. Nonetheless, ha
pliance with international requirements”, says has it that it is not possible to expect the same from traditional fruit like apples and grapes.
agronomic engineer Cloves Ribeiro Neto, man- There are equally no promising expectations for 2015. “The sector is pessimistic at the
ager of Market Intelligence at Ibraf. difficulties the Country is going through, especially as far as water deficiencies go”, says Ribeiro.
Other representative fruit that also reg- Most fruit exported by Brazil rely on irrigation systems. That is no surprise because three biggest
istered drops in shipments abroad were as fruit exporter states are located in the Northeast, where semiarid climates prevail. They are as
follows: bananas (-14.81% in volume and follows: Ceará (148.944 thousand tons), Rio Grande do Norte (131.200 thousand tons) and
-10.21% in revenue) and grapes (-34.35% in Bahia (115.331 thousand. Another factor, he recalls, is the soaring production cost, which is
quantity and -35.15% in value). The most directly related to the final price of the product.
exported ones were the following: mel-
ons (196.850 thousand tons) and mangoes
(133.033 thousand tons) – expanded their
shipments by 2.84% and 9.04%, respectively.
Melon and mango
Although contributing with the second biggest
volume, apple exports brought in US$ 163.727
have the biggest
million, outstripping the revenue from melons,
US$ 151.815 million. Lime exports also soared
share in shipments
30
Origem dos embarques - Origin of the shipments
Exportações brasileiras de frutas frescas ou secas por estado
ESTADOS VALOR (US$) VOLUME (KG)
Ceará 112.228.395 148.944.275
Rio Grande do Norte 90.540.973 131.200.916
Bahia 137.335.818 115.331.757
São Paulo 100.324.635 83.220.493
Pernambuco 114.475.867 74.340.965
Rio Grande do Sul 30.336.549 51.828.569
Santa Catarina 18.282.820 42.682.876
Espírito Santo 22.175.826 14.005.520
Minas Gerais 3.847.367 4.426.896
Paraíba 59.107.41 4.383.079
Paraná 722.256 2.212.060
Goiás 10.068 146.000
Reexportação 70.511 97.412
Consumo de bordo 26.000 94.000
Pará 51.623 32.046
Sergipe 28.252 23.760
Tocantins 26.138 21.269
Alagoas 8.744 3.151
Rio de Janeiro 60 5
TOTAL 636.402.643 672.995.049
Fonte: Secex/Mdic. Elaboração: Ibraf.

Preferência externa - Foreign preference


Exportações brasileiras de frutas frescas
2014 2013 Variação 2014/2013
Fruta
Receita (US$ Fob) Volume (kg) Receita (US$ Fob) Volume (kg) Receita (%) Volume (%)
Melão 151.817.079 196.850.024 147.579.929 191.412.600 2,87 2,84
Manga 163.727.732 133.033.240 147.481.604 122.009.290 11,02 9,04
Banana (exceto da terra) 31.600.737 83.461.504 35.192.167 97.976.479 -10,21 -14,81
Limão e lima 96.099.286 92.301.008 73.923.553 78.602.709 30,00 17,43
Maçã 31.902.813 44.294.111 62.941.935 85.429.045 -49,31 -48,15
Mamão papaia 47.058.855 33.688.192 41.803.057 28.561.452 12,57 17,95
Melancia 16.490.896 30.682.363 16.523.934 32.049.686 -0,20 -4,27
Uva 66.790.828 28.347.952 102.994.687 43.180.556 -35,15 -34,35
Laranja 9.014.409 20.111.176 9.966.726 23.208.179 -9,55 -13,34
Abacate 9.537.147 5.806.712 6.933.265 4.313.307 37,56 34,62
Abacaxi 1.067.073 1.355.504 949.048 1.163.864 12,44 16,47
Figo 8.737.682 1.346.981 8.207.616 1.367.684 6,46 -1,51
Banana-da-terra 149.500 483.000 383.674 1.239.172 -61,03 -61,02
Coco 259.329 428.727 11.637 19.321 2128,49 2118,97
Outras frutas 843.268 293.854 918.251 318.978 -8,17 -7,88
Caqui 769.719 257.044 483.334 206.741 59,25 24,33
Goiaba 443.961 170.776 393.685 143.945 12,77 18,64
Tangerina, mandarina, satsuma etc. 19.644 43.350 707.363 638.330 -97,22 -93,21
Brugnon e nectarina 19.968 22.464 - - - -
Mangostão 39.338 15.130 117.398 24.829 -66,49 -39,06
Ameixa e abrunho 12.798 1.930 10.488 1.730 22,03 11,56
Outros cítricos 590 7 1.012 502 -41,70 -98,61
TOTAL 636.402.643 672.995.049 657.528.719 711.869.719 -3,21 -5,46
* As estatísticas de limão e de lima estão agrupadas.
Fonte: Secex. Elaboração: Ibraf.

31
Novas rotas

Inor Ag. Assmann


Exportação brasileira de frutas frescas continua
muito restrita à União Europeia, que manteve
as aquisições estáveis ou até menores em 2014
O Brasil exportou frutas frescas para 58 rio do Desenvolvimento, Indústria e Comér-
nações em 2014, mas os principais clien- cio e Exterior (MDIC).
tes foram países da União Europeia. Além Igualmente importaram quantias signi-
disso, os envios mantiveram-se estáveis, e ficativas Reino Unido (121,163 mil tonela-
alguns países da UE compraram volumes das), Espanha (87,275 mil toneladas) e Uru-
menores do que em 2013. “Esse desempe- guai (32,981 mil toneladas). Desses países,
nho ainda é reflexo da dificuldade econô- apenas o último registrou receita 24,32%
mica instalada em 2008 e deve continu- superior ao valor obtido em 2013. O mer-
ar em 2015 e, provavelmente, 2016”, ava- cado alemão foi um dos integrantes da UE
lia o engenheiro agrônomo Cloves Ribeiro que reduziu a importação de frutas brasilei-
Neto, gerente de Inteligência de Mercado ras em 49,49%, passando de 28,1 mil tonela-
do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). das para 14,192 mil toneladas em 2014. correntes estarão fortalecidos no mercado
Conforme Ribeiro, a busca de novos As exportações de frutas frescas do Bra- internacional. As nações sul-americanas
mercados, que vem acontecendo há alguns sil foram prejudicadas pelo fim do Siste- que não integram o Mercosul, como Chile
anos, está contribuindo para melhorar o de- ma Geral de Preferências (SGP). De acor- e Peru, têm acordos bilaterais e exportam
sempenho de algumas frutas. Como exem- do com a Confederação Nacional da Agri- para os países da UE com tarifa zero ou alí-
plo, menciona o aumento das vendas para cultura (CNA), o SGP previa vantagens tari- quota muito reduzida em determinadas
mercados como Emirados Árabes Unidos, fárias na entrada do produtos na comuni- épocas do ano.
Canadá, Dinamarca e Rússia. Em 2014, a dade europeia. O Brasil era o quinto maior Para a CNA, o impacto do fim do siste-
maior importação de frutas frescas nacio- beneficiário do SGP Europeu, mas, a par- ma geral da UE pode ser minimizado com
nais foi feita pelos Países Baixos (Holanda), tir de 2014, foi excluído da lista pelo crité- a abertura de mercados e com a promoção
que adquiriram 261,345 mil toneladas de rio de renda per capita utilizado pelo Ban- das frutas brasileiras. A entidade observa
um total de 672,995 mil toneladas. Os resul- co Mundial. que, mesmo o Brasil ocupando o terceiro
tados são apontados pelo Ibraf, a partir dos Sem o SGP, avalia a CNA, a fruticultu- lugar no ranking mundial de produção de
números apurados pela Secretaria de Co- ra nacional enfrentará cenário adverso em frutas, ainda tem inserção sem qualquer
mércio e Exterior (Secex), órgão do Ministé- 2015. A entidade aponta que países con- expressividade no comércio global.

Clientes VIPs - Special clients


Exportação de frutas frescas por país de destino
2014 2013 Variação 2014/2013
País Valor (US$) Volume (kg) Valor (US$) Volume (kg) Valor (US$)% Volume (kg)%
Países Baixos (Holanda) 258.458.735 261.345.097 273.439.888 274.203.147 -5,48 -4,69
Reino Unido 129.917.298 121.163.084 131.361.800 126.866.139 -1,10 -4,50
Espanha 72.714.224 87.275.535 71.324.094 92.554.745 1,95 -5,70
Uruguai 12.023.618 32.981.942 9.671.863 32.803.777 24,32 0,54
Estados Unidos 30.062.105 27.141.461 31.967.693 30.482.688 -5,96 -10,96
Argentina 10.191.744 24.034.534 7.104.355 20.218.090 43,46 18,88
Portugal 22.746.947 18.389.033 20.098.356 14.907.502 13,18 23,35
Alemanha 18.424.313 14.192.722 28.279.579 28.100.187 -34,85 -49,49
Outros 58 países – – – – – –
TOTAL 636.402.643 672.995.049 657.528.719 711.869.719 -3,21 -5,46
Fonte: Secex. Elaboração: Ibraf.

32
New routes
Brazilian fruit exports, almost in their entirety, go to the European Union, which
has kept acquisitions stable and, in 2014 has even imported smaller amounts
Brazil shipped fresh fruit to 58 coun- These figures were released by Ibraf, based European Community. Brazil was the fifth-
tries in 2014, but all major clients were Eu- on the numbers ascertained by the Brazil- largest beneficiary of the European GSP,
ropean Union countries. Furthermore, ian Secretariat of Foreign Trade (Secex), an but, as of 2014, was excluded from the list
shipments remained stable, but some EU organ of the Ministry of Development, In- by the World Bank on the grounds of the
countries did not purchase as much as in dustry and Foreign Trade (MDIC). per capita income criterion.
2013. “This performance is still a reflection Other countries that imported signif- Without the GSP, CNA officials maintain
from the economic downturn that started icant amounts of fresh fruit are as fol- that our national fruit business will face an
in 2008 and is likely to continue until late lows: the United Kingdom (121.163 thou- adverse scenario in 2015. The entity has it
2015, or even through to 2016”, says agro- sand tons), Spain (87.275 thousand tons) that competitor countries will strengthen
nomic engineer Cloves Ribeiro Neto, Market and Uruguay (32.981 thousand tons). Of their position in the international market.
Intelligence manager at the Brazilian Fruit these countries, only Uruguay’s purchas- South American nations that do not belong
Institute (Ibraf). es were up 24.32% from 2013. The German to Mercosur, like Chile and Peru, have bilat-
According to Ribeiro, the search for new market was one of the members of the EU eral agreements and export to EU coun-
markets, which started some years ago, has that reduced its fruit imports from Brazil tries, exempted from any tariff or pay very
contributed towards improving the perfor- by 49.49%, from 28.100 thousand tons to low tariffs in certain periods over the year.
mance of some types of fruit. As an exam- 14.192 thousand tons 2014. CNA officials understand that the impact
ple, he cites the bigger sales to such markets Brazil’s fresh fruit exports were adverse- of the end of the GSP could be minimized with
as the United Arab Emirates, Canada, Den- ly affected by the termination of the Gener- the conquest of new markets and through
mark and Russia. In 2014, Holland was the al System of Preferences (GSP). According the promotion of Brazilian fruit. The entity
country that imported the biggest amount to the Brazilian Agriculture and Livestock notes that, although Brazil ranks as third big-
of fresh fruit from Brazil, 261.345 thousand Confederation (CNA), the GSP provided tar- gest global fruit producer, its insertion into the
tons from a total of 672.995 thousand tons. iff advantages on products destined for the global market is still at a fledgling stage.

33
Um baque
Vale do São Francisco perdeu o mercado de uvas de mesa dos EUA em
2014 e lida com alto custo de produção e concorrência para recuperá-lo
A competitividade na vitivinicultura

Inor Ag. Assmann


não é problema só nos vinhos finos na-
cionais. O ano de 2014 foi marcado pelo
retrocesso nas exportações de uvas de
mesa do Vale do São Francisco, maior
polo produtor brasileiro, que reúne mu-
nicípios de Bahia e Pernambuco. O pes-
quisador João Ricardo Lima, da Embra-
pa Semiárido, de Petrolina (PE), enfatiza
que há muito a competitividade do se-
tor dá sinais de enfraquecimento, em es-
pecial pelos elevados custos de produção,
a começar pela mão de obra. “Outros fa-
tores afetam a competitividade nacional,
como logística, política cambial e ausên-
cia de acordos de comércio”, acrescenta.
Ao mesmo tempo, a concorrência
vem se tornando mais eficiente, casos do
Peru e da África do Sul, que operam com
custos de produção e de transporte mais
baixos. Assim, conseguiram aumentar o
market share e assumiram o espaço que
tradicionalmente era do Brasil, em espe-
cial nos Estados Unidos. É o caso do Peru,
que conseguiu ocupar a janela brasileira
de exportações. “Os produtores brasilei- to no comércio exterior, ocorreu aumen- mentar e o dólar estiver em patamares aci-
ros não têm como concorrer com os pe- to na oferta interna de uvas de mesa. O ma de R$ 2,70, aumentando a competiti-
ruanos”, reconhece Lima. Ao mesmo tem- preço obtido no mercado doméstico está vidade, é possível que haja estímulo para
po, a África do Sul está adiantando cada compensando, e os produtores acaba- a retomada das vendas externas. Porém, o
vez mais sua época de colheita e passou a ram redirecionando a produção. Confor- Brasil precisa ficar atento ao desempenho
concorrer também por este espaço. me João Ricardo Lima, o comportamen- dos seus concorrentes. De agora em dian-
Analisando o histórico das exporta- to comercial do segmento no Vale do São te, as chances no mercado norte-america-
ções de uvas finas de mesa do Vale do São Francisco em 2015 é uma incógnita. no dependerão muito do comportamen-
Francisco para os Estados Unidos, perce- Se a produção, que registrou queda em to do clima e da economia nestes países, e
be-se claramente esta queda. Em 2011, 2014, por questões climáticas, voltar a au- ainda da política cambial brasileira.
o Brasil embarcou 16 mil toneladas para
o mercado dos EUA; em 2012, o volume
caiu para 8,8 mil toneladas. Já na tempo-
rada de 2013, a queda seguiu ocorren-
Mercado interno absorveu
do, para 2,7 mil toneladas. “E em 2014 ex-
portamos apenas 61 toneladas”, revela o
a oferta, diante da queda
analista da Embrapa.
Como resultado deste comportamen-
produtiva de 2014
34
A terrible setback
Vale do São Francisco lost its North American table grapes market in 2014, and
is grappling with high production costs and tight competition to recover it
ca has been advancing its harvesting pe-
riod and is now equally competing for this
share.
Analyzing the history of the exports of
fine table grapes produced in Vale do São
Francisco to the United States, the drop is
clearly perceived. In 2011, Brazil shipped
16 thousand tons to the North American
market; in 2012, the volume dropped to
8.8 thousand tons. In 2013, exports only
amounted to 2.7 thousand tons. “And in
2014, we exported only 61 tons”, the Embra-
pa analyst reveals.
As a result of this behavior of our for-
eign trade, the supply of table grapes to the
domestic market rose considerably. Prices
fetched in the domestic market are remu-
nerating, and the farmers ended up redi-
recting their production. According to João
Ricardo Lima, the behavior of the commer-
cial segment in Vale do São Francisco, in
2015, is still unknown.
If the crop, that in 2014 suffered a reduc-
tion because of adverse weather conditions,
starts soaring again and the exchange rate
Competitiveness is not only a prob- South Africa, where production and trans- remains at R$ 2.70, or more, to the dollar,
lem with the national fine wines. 2014 was port costs are very low. This is how they thus increasing the competitive edge, may-
also market by setbacks to exports of table managed to increase their market share be there is enough stimulus to resume for-
grapes produced in Vale do São Francis- and took over markets that traditional- eign sales again. However, Brazil should pay
co, biggest Brazilian producing hub that ly belonged to Brazil, especially the United heed to the performance of the competitor
comprises municipalities of Bahia and Per- States. It is the case of Peru, a country that countries. From now onward, the chances
nambuco. Researcher João Ricardo Lima, occupies Brazil’s export window. “There is in the North American market will depend a
of Embrapa Semiarid, based in Petrolina no way for Brazilian producers to compete lot on the behavior of the climate and the
(PE), emphasizes that the competitiveness with their counterparts in Peru”, Lima ac- economy of these countries, and equally on
of the sector has been weakening since a knowledges. At the same time, South Afri- Brazil’s exchange rate policy.
long time ago, especially because of the
high production costs, starting with labor.
“There are other factors that affect our na-
tional competitiveness, like logistics, ex-
Domestic market absorbed
change rate policies and the absence of
trade agreements”, he adds.
the crop, in view of the
In the meantime, competitors have
been getting more efficient, like Peru and
smaller production in 2014
35
Muitos sotaques
Brasil importou 469,258 mil toneladas de frutas frescas em 2014, com
acréscimo de 8,95%, impulsionado pela maior demanda de pera e maçã
Os brasileiros também apreciam as fru- frutas de contra-estação, outros países for- neladas, com decréscimo de 12,5%. Tam-
tas colhidas em outros países. É o que mos- necedores do País também exportam suas bém contribuíram com quantias significa-
tra o resultado da balança comercial de frutas quando não produzimos, e princi- tivas Espanha (70,250 mil toneladas), Por-
frutas frescas de 2014. O Brasil importou palmente quando não temos produção tugal (60,381 mil toneladas) e Itália (23,225
469,258 mil toneladas de frutas in natura, suficiente para o mercado, como aconte- mil toneladas).
8,95% a mais do que em 2013. A compra ce com a pera”, explica o engenheiro agrô- Nem mesmo a desvalorização do real
custou US$ 538,012 milhões, com aumento nomo Cloves Ribeiro Neto, gerente de In- frente ao dólar serviu para frear a impor-
de 4,91% sobre o valor do ano anterior, de teligência de Mercado do Ibraf. Ainda des- tação brasileira de frutas frescas em 2014,
acordo com o Instituto Brasileiro de Frutas taca que o setor frutícola brasileiro é gran- destaca a equipe de pesquisadores de fru-
(Ibraf), que utiliza os números da Secretaria de supridor de frutas de contra-estação, ou tas do Projeto Hortifruti, do Centro de Es-
de Comércio e Exterior (Secex), órgão vincu- seja, de espécies que são cultivadas no He- tudos Avançados em Economia Aplica-
lado ao Ministério do Desenvolvimento, In- misfério Sul e não ofertadas no Hemisfério da (Cepea), da Esalq/USP. A maior impor-
dústria e Comércio Exterior (MDIC). Norte, como melão, manga e mamão. tação de maçã serviu para contrabalan-
No mesmo ano, as exportações das fru- çar a menor oferta da fruta nacional com
tas nacionais registraram quedas de 5,46% ORIGEM Um total de 24 países abaste- qualidade, menciona a equipe. O aumen-
em volume e de 3,21% em receita. Supera- ceu o mercado interno nacional com fru- to na uva do exterior foi estimulado pela
ram o total importado em 203,736 mil to- tas frescas em 2014, conforme o Ibraf. O quebra de safra no Vale do São Francis-
neladas e no equivalente a US$ 98,389 mi- maior volume veio da Argentina, que en- co no segundo semestre do ano. Países
lhões. No entanto, em 2013, a diferença viou para o Brasil 194,498 mil toneladas, como Espanha e Itália, que negociavam
positiva havia sido de 281,169 mil tonela- com queda de 6,43% sobre o volume de com a Rússia antes do embargo, igual-
das e de US$ 144,718 milhões. 2013. O Chile ofertou ao País 91,752 mil to- mente enviaram mais frutas para o Brasil.
A pera foi a mais importada pelo País
Inor Ag. Assmann

em 2014, quase 50% do total adquiri-


do no mercado externo. Desembarcaram
em território brasileiro 208,346 mil tonela-
das da fruta, pelo valor de US$ 200,725 mi-
lhões, com acréscimos de 2,25% em volu-
me e de 9,83% em valor. Outras duas fru-
tas que pesaram bastante no pacote vindo
do estrangeiro foram a maçã (116,697 mil
toneladas) e a uva (33,76 mil toneladas).
De uma lista de 19 frutas buscadas no
mercado internacional, a ameixa e o kiwi
ocuparam a quarta e a quinta posições,
com os respectivos volumes de 32,235 mil
toneladas e 22,221 mil toneladas em 2014.
No caso do kiwi, o peso foi 19,16% menor
do que o verificado em 2013. Também fa-
zem parte da salada de frutas importadas
laranjas, brugnons (espécie de nectarina),
nectarinas e tangerinas, dentre outras.
“Da mesma forma que o Brasil produz

36
TENDÊNCIA
Na avaliação dos pesquisadores do Cepea, as importações de frutas frescas podem
diminuir em 2015, principalmente se a safra de maçã e de uva se recuperarem, em
volume e qualidade. A tendência é de que mais fruta nacional seja direcionada ao
mercado interno. “Além disso, o dólar valorizado frente ao real pode diminuir as
compras de frutas estrangeiras”, estimaram.

Different accents
Brazil imported 469.258 thousand tons of fresh fruit in 2014, up 8.95%
from a year earlier, driven by soaring demand for pears and apples
Brazilians are also fond of fruit harvest- ine), nectarines, tangerines, among others. thousand tons to Brazil, down 6.43% from the
ed abroad. This is attested by the final result “Just like Brazil, where off-season fruit are volume in 2013. Chile supplied 91.752 thou-
of the fresh fruit trade balance in 2014. Brazil produced, other countries that supply our sand tons, down 12.5%. Significant amounts
imported 469.258 thousand tons of fresh fruit, Country equally export fruit when we do not equally came from Spain (70.250 thousand
up 8.95% from 2013. The Country shelled out produce them and, particularly, when our tons), Portugal (60.381 thousand tons) and It-
538.012 million, up 4.91% from the amount production is not enough to meet our mar- aly (23.225 thousand tons).
spent the previous year, according to data re- ket needs, a fact that happens with pears”, Not even the higher value of the dol-
leased by the Brazilian Fruit Institute (Ibraf), explains agronomic engineer Cloves Ribeiro lar against the real managed to curb Bra-
which relies on numbers furnished by the Neto, Market Intelligence manager at Ibraf. zil’s fresh fruit imports in 2014, say research
Brazilian Secretariat of Foreign Trade (Se- He equally mentions that the Brazilian fruit teams of the Hortifruti Project at the Center
cex), an organ of the Ministry of Develop- sector is a huge supplier of off-season fruit, for Advanced Studies on Applied Economics
ment, Industry and Foreign Trade (MDIC). that is to say, species that are not cultivat- (Cepea), of Esalq/USP. Bigger apple imports
In the same year, exports of our national ed in the Southern Hemisphere and are not compensated for the smaller supplies of na-
fruit suffered a 5.46% decline in volume and available in the Northern Hemisphere, like tional quality fruit, the teams mentioned.
3.21% in revenue. They outstripped imports melons, mangoes and papayas. The higher prices fetched by grapes abroad
by 203.736 thousand tons, equivalent to US$ were stimulated by the smaller crop in Vale
98.389 million. Nonetheless, in 2013, the pos- ORIGIN A total of 24 countries supplied the do São Francisco, in the second half of the
itive difference had reached 281.169 thou- domestic market with fresh fruit in 2014, ac- year. Countries like Spain and Italy, which
sand tons, representing US$ 144.718 million. cording to Ibraf sources. The biggest volume negotiated with Russia before the embargo,
Pear imports really made the differ- came from Argentina, which shipped 194.498 equally shipped more fruit to Brazil.
ence in 2014, representing almost 50% of all
fresh fruit purchased abroad. Fruit imports
Fatias - Chunks
amounted to 208.346 thousand tons, val-
ued at US$ 200.725 million, up 2.25% in vol- Balança comercial da fruticultura 2013/14
ume and 9.83% in value. Other fruit very rep- 2014 2013
resentative in imports are apples (116.697 Valor (US$ FOB) Volume (t) Valor (US$ FOB) Volume (t)
thousand tons) and grapes (33.760 thou- Exportações 636.402.643 672.995.049 657.528.719 711.869.719
Importações 538.012.722 469.258.678 512.810.336 430.700.358
sand tons).
Fonte: Secex/Mdic. – Elaboração: Ibraf.
From a total of 19 fruit purchased
abroad, plums and kiwi ranked as fourth
and fifth, with respective volumes of 32.235 TREND
thousand tons and 22.221 thousand tons Cepea Researchers understand that fresh fruit imports could decline in 2015, particularly
in 2014. Kiwi imports fell 19.16% compared if the grape and apple crops make a good recovery in volume and quality. The trend is for
to 2013. Other fruit species on the list of im- the destination of more national fruit for the domestic market. “Furthermore, the highly
ports include brugnons (a kind of nectar- valued dollar against the real could adversely affect fruit purchases abroad”, they reckon.

37
Menu cítrico
Suco de laranja ainda é o principal produto industrializado que o Brasil
exporta, com participação de mais de 2 bilhões de toneladas em 2014
O suco de laranja continua sendo da foi composta por suco de laranja não portou outros tipos de frutas em forma
o produto processado mais exportado congelado, suco de laranja congelado de suco, secas, em preparados ou em
pelo Brasil. O embarque brasileiro de fru- não fermentado e outros sucos da fruta conservas. Apenas quatro países – Bél-
tas processadas totalizou 2,037 bilhões não fermentados. Os três produtos soma- gica, Holanda, Estados Unidos e Japão –
de toneladas, com volume 9,22% infe- ram 1,926 bilhão de toneladas em 2014. compraram 90% do volume total envia-
rior ao enviado em 2013. O resultado em Nos últimos anos, o suco de laranja vem do no ano em destaque.
valor foi de US$ 2,279 bilhões, com que- enfrentando problemas devido à dimi- Em 2015, na avaliação de Cloves, as
da de 12,64% em comparação com o va- nuição de consumo do produto, desta- mesmas dificuldades enfrentadas pelas fru-
lor do ano anterior, conforme cálculo do ca o engenheiro agrônomo Cloves Ribei- tas frescas também vão se refletir nos pro-
Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). Os nú- ro Neto, gerente de Inteligência de Merca- dutos processados, inclusive as tendências.
meros são divulgados pela Secretaria de do do Ibraf. “De forma geral, os produtos No mercado interno, o segmento de frutas
Comércio e Exterior (Secex), órgão vin- processados são de alto valor agregado, o industrializadas vem crescendo há alguns
culado ao Ministério do Desenvolvimen- que os torna mais ‘caros’ na comercializa- anos. “A tendência deve permanecer. O
to, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). ção. Isso dificulta as negociações em âm- que pode inibir este crescimento é o poder
Em proporções menores, o País importou bito internacional”, explica. aquisitivo da população, uma vez que são
130,435 mil toneladas de processadas em Depois dos sucos de laranja, as frutas produtos com maior valor unitário em re-
2014, no valor de US$ 407,244 milhões, industrializadas mais negociadas no ex- lação às frutas frescas”, frisa. Os principais
com queda de 16,92% em volume e alta terior foram castanha de caju, fresca ou produtos comercializados no Bra-
de 12,16% em receita. seca, sem casca, e sucos de maçã. Além sil são sucos, néctares, cas-
Grande parte da quantia exporta- desses itens, em 2014 o País também ex- tanhas e polpas.

MAIS SUCO OU POLPA


Desde de julho de 2014, a indústria deve informar no painel principal do rótulo
das bebidas não alcoólicas o percentual de polpa da fruta ou de suco utilizado nos
ingredientes. A regra foi determinada pelas Instruções Normativas
números 17, 18, 19 e 42, publicadas em 2013 pelo
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
A norma passou a valer para néctares e sucos tropicais em dezembro de 2014.
De acordo com o Mapa, a obrigatoriedade beneficia tanto o produtor quanto o
consumidor, pois aumenta a transparência nas relações de consumo dos setores
produtivos envolvidos. Em janeiro de 2015, o aumento do percentual mínimo
obrigatório de suco ou de polpa para os néctares de laranja e uva
passou de 30% para 40%. A presença deverá ser de 50% a partir de janeiro
de 2016. Para ser chamada de suco, a bebida deve conter 100% da fruta.

Quatro países importaram


90% do total de
2,037 bilhões de toneladas
38
Robispierre Giuliani

39
Sílvio Ávila

Citrus menu
Orange juice is still the main industrialized product exported
by Brazil, with a share of 2 billion tons in 2014
Orange juice continues to be the most ing challenges due to shrinking consump- United States and Japan - purchased 90% of
exported Brazilian processed product. Ship- tion, says agronomic engineer Cloves Ri- the total volume during the year in question.
ments of processed fruit totaled 2.037 bil- beiro Neto, Market Intelligence manager at In 2015, according to Cloves, the same
lion tons, down 9.22% in volume from Ibraf. “In general, all processed foods turn difficulties faced by fresh fruit will reflect
2013. In terms of revenue, Brazil raked in into high value added products that fetch on processed products, and will even dic-
US$ 2.279 billion, down 12.64% compared better prices. This is a problem when it comes tate new trends. In the domestic market,
to the previous year, according to calcula- to international sales”, he explains. the segment of industrialized fruit has been
tions by the Brazilian Fruit Institute (Ibraf). After Orange juice, the most negotiat- soaring over the past years. “This trend
The numbers come from the Secretariat ed fruit abroad were cashew nuts, fresh or is likely to persist. What could inhibit this
of Foreign Trade (Secex), part of the Minis- dry, shelled, and apple juices. Besides these growth is people’s purchasing power, as
try of Development, Industry and Foreign items, in 2014 the Country equally exported they are products with a higher value per
Trade (MDIC). In smaller proportions, the other types of products in the form of juices, unit than fresh fruit”, he explains. Major
Country imported 130.435 thousand tons dried fruit, other preparations and preserves. products sold in Brazil are as follows: juices,
of processed fruit in 2014, representing US$ Four countries alone – Belgium, Holland, the nectars, cashew nuts and pulp.
407.244 million in revenue, down 16.92% in
volume and up 12.16% in revenue.
A huge portion of the exported amount
consisted of unfrozen orange juice, non-fer-
Four countries imported
mented fermented orange juice and other
non-fermented fruit juices. The three prod-
90% of the total of
ucts totaled 1.926 billion tons in 2014. Over
the past years, orange juice has been fac-
2.037 billion tons
40
MORE JUICE OR PULP
Since July 2014, it has been mandatory for the industry to clearly state on the label of non-alcoholic beverage
the percentage of pulp or juice of the fruit used as ingredient. This rule was set forth by Normative Instructions 17,
18, 19 and 42, published in 2013 by the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (Mapa).
The standard entered into force for tropical nectars and juices in December 2014. According to Mapa sources,
this mandatory standard benefits both producers and consumers, as it boosts the transparency in the consumer
relations of the productive sectors involved. In January 2015, the minimum percentage of juice and pulp for
orange and grape nectars was raised from 30% to 40%. As of January 2016, it will be 50%.To be referred to as
juice, the beverage must contain 100% of the fruit.

Outros formatos - Other formats


Exportações brasileiras de frutas processadas 2014/2013
2014 2013 % %
Frutas Valor (US$) Volume (kg) Valor (US$) Volume (kg) Valor (US$) Volume (kg)
Sucos de laranja não cong. com valor brix <=20 392.246.375 1.042.503.472 434.519.582 1.101.852.066 -9,73 -5,39
Sucos de laranjas, congelados, não fermentados 940.450.710 530.801.994 1.058.120.407 571.726.410 -11,12 -7,16
Outros sucos de laranja, não fermentados 633.390.339 354.929.123 802.727.995 446.830.231 -21,10 -20,57
Castanha de caju, fresca ou seca, sem casca 110.296.326 17.022.704 134.168.611 20.963.593 -17,79 -18,80
Outros sucos de maçã 21.946.302 15.821.725 32.660.246 24.768.190 -32,80 -36,12
Outros sucos de outros cítricos 38.904.329 13.291.159 14.397.527 5.514.594 170,22 141,02
TOTAL GERAL 2.279.753.065 2.037.001.812 2.609.664.153 2.243.830.716 -12,64 -9,22
Fonte: Secex/Mdic. Elaboração: Ibraf.
Caminhos
a seguir
Apex-Brasil e Abrafrutas firmam convênio que prevê investimento de
R$ 5,2 milhões na promoção das frutas frescas no mercado internacional
Os embarques de frutas frescas e de- internacionalização. As 29 empresas parti-

Wenderson Araújo
rivados do Brasil tendem a ser impulsio- cipantes do atual convênio e a Abrafrutas
nados nos próximos anos. Convênio para definiram oito mercados prioritários para
promover as frutas in natura e seus sub- os produtos brasileiros. Esses mercados-al-
produtos no mercado internacional foi vo são Estados Unidos, segundo maior im-
assinado entre a Associação Brasileira dos portador mundial de frutas; Emirados Ára-
Produtores Exportadores de Frutas e De- bes Unidos, Alemanha, Reino Unido, Espa-
rivados (Abrafrutas) e a Agência Brasilei- nha, Hong Kong, França e Rússia.
ra de Promoção de Exportações e Investi- Para o presidente da Abrafrutas, Luiz
mentos (Apex-Brasil). A assinatura ocor- Roberto Barcelos, a parceria com a Apex-
reu no dia 27 de janeiro de 2015, na sede -Brasil, além dos recursos financeiros, traz
da Confederação da Agricultura e Pecu- os conhecimentos da agência em pro-
ária do Brasil (CNA). A solenidade reuniu moção e inteligência comercial a fim de
cerca de 60 especialistas e produtores. identificar as melhores oportunidades
No acordo ficou definido que serão in- para as frutas brasileiras. Ele lembra que o
vestidos R$ 5,2 milhões em ações de pro- Brasil tem produção anual de 40 milhões
moção comercial, posicionamento de de toneladas de frutas frescas, mas expor-
mercados, capacitação de empresas para ta apenas 2% do que colhe. Barcelos es-
exportação e facilitação de negócios. Des- tima que as exportações anuais, de US$
te total, R$ 4,2 milhões serão liberados 630 milhões em 2014, devem crescer 15%
pela Apex-Brasil e R$ 1 milhão pela Abra- no decorrer dos próximos cinco anos.
frutas. O convênio terá duração de dois “A parceria entre a Apex-Brasil e a
anos. O principal alvo da parceria serão a Abrafrutas vai estimular o produtor ru-
exportação de frutas frescas e a diversifi- ral a ter gestão cada vez mais eficiente da
cação no número de importadores. sua propriedade. Trará ganhos de produ-
Neste sentido, uma das ações previs- tividade para que o setor aumente suas
tas é a contratação de escritório de distri- vendas externas e conquiste novos mer-
buição e de facilitação de negócios nos cados”, avalia o presidente da CNA, João
Estados Unidos, com o objetivo de auxi- Martins da Silva Júnior. Já o diretor de
liar a abertura daquele mercado para as Negócios da Apex-Brasil, Ricardo Santa-
frutas nacionais. Além da participação na, destaca que a agência tem longa par-
em feiras internacionais, o projeto vai de- ceria com o agronegócio e que a assina-
senvolver ações de relacionamento em tura conforma mais do que um convê-
eventos estratégicos, como a Gulfood, nio, e sim um plano de trabalho conjun-
importante feira de alimentos do Oriente to centrado na expertise da Apex em qua-
Médio, e a World Food Moscou. tro pontos principais: promoção comer-
Pelo menos 10 empresas serão capaci- cial, defesa de interesse, sustentabilida-
tadas nos próximos dois anos, com vistas à de e design.

42
NOVA ASSOCIAÇÃO
A Abrafrutas foi lançada em março de 2014, sendo que a sua criação ocorreu no final
de 2013. Além de promover o aumento das exportações de frutas, a associação nasceu
com a meta de resolver dois grandes problemas do setor. Estes envolvem o registro de
defensivos para as frutas e a remoção de barreiras tarifárias e fitossanitárias no mercado
externo, conforme destaca Luiz Roberto Barcelos, primeiro presidente da entidade e
maior exportador de frutas do Brasil, na condição de produtor rural do Ceará.

43
Routes to
be followed
Apex-Brasil and Abrafrutas sign agreement that involves an investment of
R$ 5.2 million in the promotion of fresh fruit in the international market
Brazil’s shipments of fresh fruit and de- biggest global fruit importer, the United Arab “The partnership between Apex-Bra-
rivatives are likely to soar over the coming Emirates, Germany, the United Kingdom, sil and Abrafrutas encourages all rural pro-
years. An agreement for promoting fresh Spain, Hong Kong, France and Russia. ducers to manage more efficiently their rural
fruit and byproducts in the international The president of Abrafrutas, Luiz Rober- holdings. It will result into productivity gains,
market was signed between the Brazilian to Barcelos, understands that the partnership soaring foreign sales and the conquest of
Association of Fruit Producers and Export- with Apex-Brasil, besides financial resources, new markets”, says CNA president João
ers (Abrafrutas) and the Brazilian Trade and also gives access to the agency’s expertise in Martins da Silva Júnior. On the other hand,
Investments Promotion Agency (Apex-Bra- promotion and commercial intelligence with Apex-Brasil Business Director Ricardo San-
sil). The agreement was signed on 27th Jan- the aim to identify the best opportunities for tana, refers to the agency’s long-term part-
uary 2015, at the Head Office of the Brazil- Brazilian fruit. He recalls that Brazil’s annu- nership with agribusiness, highlighting that
ian Agriculture and Livestock Confederation al fruit production reaches 40 million tons, the agreement goes beyond its boundaries
(CNA). This solemn occasion was attended but exports no more than 2 percent of what is and translates into a joint working plan fo-
by about 60 specialists and producers. harvested. Barcelos estimates that the exports cused on Apex’s expertise in four major top-
The agreement proposes an investment of US$ 630 million in 2014 are expected to in- ics: commercial promotion, defense of inter-
of R$ 5.2 million in commercial promo- crease by 15% over the next five years. ests, sustainability and design.
tion initiatives, prospection of new markets,
Wenderson Araújo

qualification of companies as exporters and


business facilitators. Of this total, R$ 4.2 mil-
lion will be liberated by Apex-Brasil and R$
1 million by Abrafrutas. It will be a two-year
agreement. The main targets of the partner-
ship are shipments of fresh fruit and the di-
versification in the number of importers.
Within this context, one of the initiatives
consists in hiring a distribution and busi-
ness facilitator Office in the United States,
with the aim to open that market to Brazil-
ian fruit. Besides the participation in interna-
tional fairs, the project will equally develop
relationships with strategic events, like Gul-
food, a well-known food fair in the Middle
East, and World Food Moscow.
At least 10 companies will receive capaci- NEW ASSOCIATION
ty building assistance over the next two years, Abrafrutas was launched in March 2014, but its creation had taken place in late
focused on international businesses. The 29 2013. Besides promoting bigger fruit shipments to foreign countries, the association
companies that belong to the present agree- was born with the target to solve two big problems of the sector. They involve the
ment and Abrafrutas defined eight priori- register of pesticides for fruit and the removal of tariff and phytosanitary barriers
ty markets for Brazilian products. These tar- abroad, says Luiz Roberto Barcelos, first president of the entity and biggest fruit exporter
get-markets include the United States, second in Brazil, in his capacity as rural producer in Ceará.

44
AS PRINCIPAIS.main FRUIT ABACAXI
.pineapple
Sílvio Ávila

46
Cada vez
melhor
Abacaxi está entre as culturas mais rentáveis da fruticultura e vem
aumentando a produtividade com avanços obtidos na área da pesquisa
A abacaxicultura no Brasil, que rendeu ceu principalmente devido aos ganhos de participa das exportações brasileiras, es-
R$ 1,85 bilhão em 2013, e assim se coloca produtividade, que em 2013 atingiu a mé- pecialmente em sucos. Estes responderam
como a quarta fruta brasileira em valor co- dia de 26.199 frutos por hectare. O progra- por 74,8% do total das vendas do País re-
mercializado, experimenta contínuo cres- ma da unidade da Embrapa com a cultu- lacionadas à cultura em 2014, que chega-
cimento, especialmente na produtividade, ra é concentrado em variedades resisten- ram a US$ 4,9 milhões. Abacaxis frescos ou
graças a melhorias introduzidas pela pesqui- tes à fusariose, ainda responsável por per- secos representaram 21,6% do total. Am-
sa. Entre 2001 e 2013, conforme a Embrapa da média de 30% no processo produtivo. bos registraram crescimento na comercia-
Mandioca e Fruticultura, sediada em Cruz Ações complementares, como adensa- lização externa no último ano, respectiva-
das Almas, na Bahia, o tamanho da lavou- mento, adubação e irrigação, também me- mente de 30,6% e 16,4% em termos de vo-
ra cresceu por ano, em média, 0,33%, mas recem atenção. Assim, com novas varieda- lumes, enquanto os percentuais em valo-
a produção avançou 1,11%, uma vez que o des e novos sistemas de produção, a ex- res foram um pouco menores. Mas foi pos-
rendimento por área evoluiu 0,77% ao ano. pectativa é aumentar a produtividade mé- sível alcançar a maior participação busca-
Em 2014, após um ano em que a seca dia do Brasil para 40 mil frutos por hectare. da pelo setor no mercado internacional,
havia afetado a cultura, concentrada mais com o câmbio mais favorável e a boa qua-
ao norte do País, levantamento do Insti- EMBARQUES O abacaxi igualmente lidade da produção.
tuto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) indica que a área colhida deve re-
Descascado - Skinless
gistrar crescimento de 4,4%, a produção,
Abacaxi brasileiro
5,68%; e a produtividade, 1,24%. Os esta- Ano Área colhida (ha) Produção (mil frutos)
dos com maior produção da fruta são, por 2013 61.950 1.638.718
sequência, o nortista Pará, a nordestina 2014 64.673 1.731.879
Paraíba, e Minas Gerais, do Sudeste, região Fonte: IBGE/LSPA Dez. 2014.

em que o Rio de Janeiro tem produção re-


presentativa e ocupa o quarto lugar, segui- Ano Exportação (t) Receita (US$)
2013 1.164 949.048
do do Rio Grande do Norte.
2014 1.355 1.067.073
Retornando mais no tempo, a Embra- Fonte: Mdic/Ibraf – Ref. a abacaxis frescos ou secos.
pa registra que no início da década de 1970
o Brasil tinha área colhida de abacaxi de 30 Ano Exportação sucos (t) Receita (US$)
mil hectares, e a produtividade média fica- 2013 1.650 2.932.282
va em cerca de 9 mil frutos por hectare. En- 2014 2.155 3.693.320
tre 1970 e 2000, a produção cresceu tanto Fonte: Mdic/Ibraf.

por meio do incremento na área quanto em


produtividade, mas esta última foi a variável
mais importante, acentua José da Silva Sou-
za, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fru-
Abacaxi rende
ticultura, mestre em Economia Rural.
A partir da década de 2000, conforme
26 mil frutos por hectare
Souza, a área colhida tem se mantido em
torno de 60 mil hectares e a produção cres-
e a meta é chegar a 40 mil
47
Ever better
Pineapple is one of the most profitable fruit crops and its
productivity has been rising due to research advances
Pineapple farming in Brazil yielded rev- equally produces the fruit, and ranks fourth, Complementary actions, like dense plan-
enue of R$ 1.85 billion in 2013, and ranks as followed by Rio Grande do Norte. tations, fertilization and irrigation, also de-
fourth Brazilian fruit in commercial value, Farther back in time, Embrapa sourc- serve attention. Therefore, with new variet-
now constantly soaring, especially in produc- es refer to 30 thousand hectares of pineap- ies and new production systems, the expec-
tivity, thanks to enhancements introduced by ples in the 1970s, with average productivity tation is for the crop to achieve average pro-
research works. From 2001 to 2013, according of about 9 thousand fruits per hectare. From ductivity rates of 40 thousand fruits per hect-
to Embrapa Cassava and Fruticulture, based 1970 to 2000, production soared both as a are in Brazil.
in Cruz das Almas, in Bahia, the planted area result of area increases and higher produc-
soared, on average, 033% a year, but produc- tivity, where the latter was the most impor- SHIPMENTS Pineapples are equally on
tion increased by 1.11%, while productivity tant variable, says José da Silva Souza, Em- the agenda of Brazilian exports, especial-
per area went up 0.77% a year. brapa Cassava and Fruticulture research- ly in juice form. Juices account for 74.8% of
In 2014, after a year of dry weather con- er, with a Master’s Degree in Rural Economy. the Country’s total pineapple sales in 2014,
ditions that adversely affected the crop, con- Starting in the year 2000, according to which totaled US$ 4.9 million.
centrated in the North for the most part, a Souza, the cultivated area has remained at Fresh or dried pineapples accounted for
survey by the Brazilian Institute of Geog- 60 thousand hectares and production has 21.6% of the total. Both registered foreign
raphy and Statistics (IBGE) points to an in- gone up particularly because of productivity sales increases last year, 30.6% and 16.4%
crease of 4.4% in planted area, and 5.68% gains, which achieved an average of 26,199 in terms of volumes, respectively, while per-
in production; with productivity soaring fruits per hectare, in 2013. Embrapa unit’s centages in revenue were somewhat small-
1.24%. The States with the biggest pineapple program relative to the fruit is focused on er. The long sought-after higher share in the
plantations are as follows: Pará, in the North; varieties resistant to fusariosis, still respon- international market was achieved, due to
Paraíba, in the Northeast; Mina Gerais, in the sible for 30-percent losses in the productive more favorable exchange rates and produc-
Southeast, a region where Rio de Janeiro process, on average. tion quality.

48
Pineapple production reaches 26
thousand fruit per hectare and
the target is for 40 thousand

Sílvio Ávila

49
AS PRINCIPAIS.main aÇaÍ
.açaí
Sílvio Ávila

50
Tudo a favor
Fruta virou sinônimo de saúde e energia, tem se expandido no Pará e
atrai investimentos para plantio em terras firmes, com uso de irrigação
O sucesso do açaí, fruta típica da região 2013, sendo enviadas ao exterior 4.560 to-
amazônica, tem atraído investimentos ao neladas, com US$ 16,38 milhões em divi-
Pará, Estado que possui a maior produção sas. Em 2014, houve pequena recupera-
nacional. O cultivo, tipicamente extrativis- ção, com o embarque de 4.983 toneladas e
ta, ganha reforço pelo plantio de áreas em geração de receita de US$ 22,523 milhões.
terra firme, com a utilização de técnicas
de irrigação e de fertiirrigação. “Hoje, exis-
te entendimento de que os açaizeiros na-
APOIO
Em 2011, o governo do Pará lançou o Programa Estadual de Qualidade do Açaí
tivos não irão suprir, a médio e longo pra-
(Peqa), que tem auxiliado os produtores a obterem frutas com maior qualidade.
zos, a demanda crescente do produto”, jus-
A iniciativa envolve 14 instituições públicas e privadas, sob coordenação da Sagri.
tifica Geraldo Tavares, gerente de Fruticul-
O gerente de Fruticultura, Geraldo Tavares, destaca que os marcos legais criaram
tura da Secretaria de Estado da Agricultura
normatizações para os batedores artesanais, que agora estão sujeitos à fiscalização
do Pará (Sagri).
da Vigilância Sanitária. “A capacitação intensiva dessa categoria profissional, em boas
Conforme dados do Instituto Brasileiro
práticas de processamento do açaí, estabelece maior consciência quanto à importância
de Geografia e Estatística (IBGE), o Pará tem
da atividade”, observa.
produção anual de açaí de cerca de 825 mil
Outra ação fundamental do Peqa é o desenvolvimento do tanque de branqueamento,
toneladas, em área plantada que ultrapas-
equipamento utilizado na conservação de alimentos. Para o gerente de Fruticultura, o
sa a 105 mil hectares, números relativos a
uso da máquina colocou o processamento do açaí em nova perspectiva, uma vez que
2013. Somente da quantidade obtida em
minimiza um grave problema, que é a contaminação do fruto por microorganismos. Uma
plantas nativas o Estado colheu, no mes-
das maiores preocupações é com a doença de Chagas, transmitida pelo inseto barbeiro,
mo ano, 111.073 toneladas, do total brasi-
que teve 146 casos confirmados em 2012 no Estado do Pará.
leiro de 202.216 toneladas.
Os batedores que comprovadamente realizam boas práticas de colheita,
O fruto caiu nas graças de consumido-
processamento e transporte do fruto recebem um selo de qualidade. Tavares enfatiza
res do Brasil e do mundo pelos minerais
que essa distinção valoriza o açaí. “Muitas empresas mantêm contratos de exclusividade
e pelas vitaminas que possui e, principal-
de compra com associações e produtores que colham o fruto em basquetas plásticas,
mente, por suas propriedades energéticas.
evitando a contaminação”, enfatiza.
De acordo com Geraldo Tavares, do total
O programa desenvolvido pelo governo colabora ainda com fornecimento de
da produção do Pará, 60% é consumida no
sementes melhoradas, produção de mudas e apoio à agregação de valor aos produtos
próprio Estado, 30% é enviada a outros lo-
com a industrialização no próprio Estado. Desde 2008, foram distribuídas cerca de
cais do País e apenas 10% é exportada. “A
20 toneladas de sementes, o suficiente para a produção de 10 milhões de mudas. Na
demanda local é expressiva, em virtude do
sequência das ações da Peqa, a Sagri estuda a implantação do Programa Estadual de
hábito alimentar da população”, enfatiza.
Fomento à Irrigação, voltado exclusivamente à cultura, com o objetivo de incentivar o
“O açaí é comercializado diariamente no
plantio em terra firme, levando a maior oferta na entressafra.
período da safra. Somente na região me-
tropolitana de Belém, cerca de 470 mil li-
tros de açaí são oferecidos por dia em mais
de três mil pontos de venda”.
Já as exportações do açaí paraense ul-
Demanda internacional
trapassaram a 6 mil toneladas em 2012,
com faturamento de US$ 17 milhões. Com
cresce a cada ano e aquece
a crise econômica nos Estados Unidos e na
Europa, houve retração nos negócios em
a economia paraense
51
Favorable winds
Fruit has become synonymous with health and energy, and has greatly expanded
in the State of Pará, attracting investments for plantations in firm land, with irrigation
The success of açaí, a native fruit of Bra- the annual production of açaí in the State of es. “Açaí fruits are sold on a daily basis dur-
zil’s Amazon forest, has attracted invest- Pará reaches 825 thousand tons, numbers ing the harvesting season. In the metropoli-
ments to Pará, State that is home to the larg- that go back to 2013. In that same year, the tan region of Belém, about 470 thousand li-
est national production of this fruit. Its cul- State harvested 111,073 tons only from na- ters of açaí are supplied to more than three
tivation, typically extractivistic, is now also tive plants, whilst the total in Brazil amount- thousand retail outlets, every day”.
picking up steam and strength on firm land, ed to 202,216 tons. The State of Pará shipped abroad up-
with the utilization of irrigation and fertirri- The fruit began to attract consumers at wards of 6 thousand tons of açaí in 2012,
gation techniques. “It is now clear that na- home and abroad for its minerals and vita- with revenue amounting to US$ 17 million.
tive açaí trees will no longer be enough to mins and, particularly, for its energetic prop- With the economic crisis in the United States
supply the soaring market demand in the erties. According to Geraldo Tavares, of the and Europe, these shipments suffered re-
medium and long run”, justifies Geraldo Ta- total produced in Pará, 60% is consumed in ductions in 2013, and exports reached 4,560
vares, fruticulture manager at the Pará State the State, 30% is sent to other states through- tons, with revenue of US$ 16.38 million. In
Secretariat of Agriculture (Sagri). out Brazil and only 10% is shipped abroad. 2014, exports made a slight recovery, reach-
According to data from the Brazilian In- “Local demand is expressive, due to the lo- ing 4,983 tons, generating revenue of US$
stitute of Geography and Statistics (IBGE), cal population’s eating habits”, he stress- 22.523 million.

Para viagem - Going abroad


Exportações paraenses de açaí
Ano Quantidade (t) Receita (US$)
2012 6.061 17 milhões
2013 4.559 16,38 milhões
2014 4.983 22,52 milhões
Fonte: Sagri.

International demand has been


rising year after year, driving the
economy of the entire state of Pará
52
SUPPORT
In 2011, the government of Pará launched the National Açaí Quality Program (Peqa), which has been
of great help for the farmers in the production of quality fruit. The initiative involves 14 public and private
institutions, under the coordination of Sagri. The manager of the fruticulture division, Geraldo Tavares,
emphasizes that regulatory compliance marks were created for all açaí sellers and processors, and they are
now under the supervision of the Brazilian Sanitary Surveillance System. “Intensive capacity building train-
ing for this professional category, including best açaí processing practices, creates awareness of the impor-
tance of this activity”, he observes.
Another fundamental Peqa initiative is the development of the whitening tank, equipment used for the
conservation of food. The fruticulture manager understands that the use of the machine has brought new
perspectives for açaí processing, as it minimizes a serious problem that consists in fruit contamination by
microorganisms. One of the biggest concerns has to do with the Chagas Disease, an inflammatory, infec-
tious disease caused by a parasite found in the feces of the triatomine (reduviid) bug, which affected 146
people in the State of Pará, in 2012.
The processors that comply with good harvesting, processing and transportation practices are given a
quality label. Tavares has it that this distinction adds value to the fruit. “Several companies have exclusive
purchasing contracts with associations and farmers that reap their fruit in plastic baskets, in order to avoid
contamination”, he explains.
The program developed by the government also provides for enhanced seed, seedlings and support
to value added fruit industrialized in the State. Since 2008, some 20 tons of seed have been handed out,
enough for the production of 10 million seedlings. Following on the heels of these initiatives, Peqa and Sag-
ri are strongly engaged in implementing the Irrigation-Oriented State Program, exclusively focused on the
açaí, with the aim to encourage plantings in firm land, thus increasing supplies during off-season periods.

Sílvio Ávila

PARA VIAGEM
Exportações paraenses de açaí
Ano Quantidade (t) Receita (US$)
2012 6.061 17 milhões
2013 4.559 16,38 milhões
2014 4.983 22,52 milhões
Fonte: Sagri.

53
AS PRINCIPAIS.main banana
.banana
Sílvio Ávila

54
Sabor caseiro
Segunda fruta mais produzida no Brasil, banana supera a marca de 7
milhões de toneladas em 2014, com alta de 2,74% sobre a safra anterior
A banana é a segunda fruta fresca a pesquisadora Áurea Fabiana Apolinário dos obtêm rendimento bem maior do que
mais produzida no Brasil, perdendo ape- de Albuquerque, da Embrapa Mandioca e a média nacional, equivalente à dos princi-
nas para a laranja. Grande parte da oferta Fruticultura, em Cruz das Almas (Bahia). “O pais países exportadores”, compara.
da espécie, que fica próximo dos 7 milhões aumento da produtividade se dá, sobretu- Conforme Áurea, quanto à possibilida-
de toneladas por ano, é consumida pelos do, através da troca de variedades por ou- de de aumentar a produção atual da fruta
próprios brasileiros, uma vez que o País ex- tras mais resistentes às principais doenças no Brasil, a estratégia de mercado deveria
porta menos de 90 mil toneladas, e as per- da planta e ainda de manejo mais eficien- ser a diminuição das perdas no pós-colhei-
das no pós-colheita ficam acima de 30%. te”, acrescenta. ta, que em algumas regiões chega a atin-
A safra totalizou 6,892 milhões de tonela- Conforme a pesquisadora, além da va- gir mais de 30%. No entanto, relata que a
das em 2013, conforme apontou a pesqui- riedade, a eficiência da cultura depende tendência é produzir mais para atender
sa Produção Agrícola Municipal (PAM), do do sistema de produção adotado e do ní- aos mercados interno e externo, sobretu-
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísti- vel de tecnificação. “Nos principais polos do através de ganhos de produtividade, e
ca (IBGE), último dado oficial disponível. do País, produtores altamente tecnifica- menos por ampliação de área.
O estimado é que a oferta tenha che-
gado a 7,138 milhões de toneladas em PREFERÊNCIAS
2014, de acordo com estudos prelimina- De acordo com a pesquisadora Áurea Fabiana Apolinário de Albuquerque, da
res do Levantamento Sistemático da Pro- Embrapa, o polo de Mossoró, no Rio Grande do Norte (RN), está investindo no aumento
dução Agrícola (LSPA), do IBGE. Caso se da banana Prata Anã para abastecer o mercado doméstico. A produção da variedade
confirme, o volume será 2,74% superior do tipo Cavendish está sendo fortalecida para a exportação nos polos do Rio Grande do
ao registrado em 2013. Também previa Norte e do Ceará.
que a área colhida seria de 487,9 mil hec- O polo de Jaíba, em Minas Gerais, aposta na maior oferta da Prata Anã para o
tares, com leve acréscimo de 0,48% sobre mercado europeu. Esse polo apresenta trajetória crescente nos negócios externos
o espaço de 2013. O LSPA estima que a de banana orgânica, destacando-se os produtos processados, como a banana-passa
produtividade média dos plantios tenha embarcada principalmente para Estados Unidos e União Europeia.
evoluído para 14,6 toneladas por hectare A exportação total de bananas foi de 83,461 mil toneladas em 2014, com queda de
em 2014, com alta de 2,25% sobre o de- 14,81% sobre o embarcado no ano anterior. A receita totalizou US$ 31,6 milhões, 10,21%
sempenho do ano anterior. a menos do que o obtido em 2013. Os números são elaborados pelo Instituto Brasileiro
Os maiores volumes são colhidos pe- de Frutas (Ibraf), com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão
los estados de São Paulo (1,133 milhão de vinculado ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
toneladas) e Bahia (1,088 milhão de to- Os principais destinos da fruta nacional são a União Europeia e a América do Sul. No
neladas, pelos números estimados para início de 2014, a multinacional Del Monte, instalada no Nordeste, anunciou que não iria
2014). Na sequência, estão posicionados mais exportar banana para UE devido à alta concorrência e às elevadas tarifas impostas
os estados de Minas Gerais, com 711 mil ao produto. No entanto, parte deste mercado foi compensado com as embarcações de
toneladas, e Santa Catarina, com 701 mil outras empresas e com o aumento dos envios para países sul-americanos.
toneladas. Praticamente todos os estados
do País produzem a fruta, embora alguns
em menores quantidades.
Quando a cultura dispõe de condições
Exportação foi de
climáticas favoráveis e não enfrenta ne-
nhum surto de doença, os ganhos de pro-
83,461 mil toneladas em 2014,
dução por hectare são gerados por inter-
médio de melhorias tecnológicas, explica
com recuo de 14,81%
55
Taste of home
Second most widely produced fruit in Brazil, bananas amounted
to 7 million tons in 2014, up 2.74% from the previous year
Second most produced fruit in Brazil, ba- (IBGE), latest official data available. estimate productivity rates at 14.6 tons per
nanas come only after oranges. Most of the It is believed that supply reached 7.138 hectare in 2014, up 2.25% from the perfor-
bananas produced in Brazil, some 7 million million tons in 2014, according to prelim- mance in the previous year.
tons a year, are consumed in the Country, inary numbers from the Systematic Agri- The biggest banana producers in Brazil
once less than 90 tons are shipped abroad, cultural Production Survey (SAPS), of the are the states of São Paulo (1.133 million tons)
and post-harvest losses reach upwards of 30 IBGE. Should it confirm, the volume will and Bahia (1.088 million tons, in the 2014
percent. The crop totaled 6.892 million tons in be up 2.74% from 2013. The above survey growing season). The following states come
2013, according to the Municipal Agricultur- also estimated the planted area at 487.9 next: Minas Gerais, with 711 thousand tons,
al Production (MAP) survey, conducted by the thousand hectares, with a slight increase and Santa Catarina, with 701thousand tons.
Brazilian Institute of Geography and Statistics of 0.48% over the 2013 area. SAPS sources The fruit is produced almost in every state of
Sílvio Ávila

56
the Country, but in smaller quantities. yields that outstrip national averages, equiv- ing post-harvest losses, which in some regions
When the crop develops under favorable alent to major banana exporting countries”, reach up to 30%. However, she has it that the
climatic conditions and is not affected by any she admits. trend is for bigger crops, so as to meet the
disease outbreak, production gains per hect- In her view, as to the chance of increasing needs of the markets at home and abroad, es-
are stem from technological enhancements, the present production volumes in Brazil, the pecially through productivity gains, and not
says researcher Áurea Fabiana Apolinário best market strategy would consist in reduc- through area expansion.
de Albuquerque, of Embrapa Cassava and
Fruit farming, in Cruz das Almas (Bahia). PREFERENCES
“Productivity improvements result from the Researcher Áurea Fabiana Apolinário de Albuquerque, of Embrapa, maintains that
replacement of varieties with more resistant the Mossoró hub, in Rio Grande do Norte (RN), is investing in the production of Dwarf Silver
ones, capable of enduring all major diseas- bananas to supply the domestic market. The production of the Cavendish variety is being
es, and through more efficient management expanded in the exporting hubs in Rio Grande do Norte and Ceará.
practices”, she adds. The Jaíba hub, in Minas Gerais, is betting on the supply of Dwarf Silver bananas for the
The researcher maintains that, besides European market. In this hub, the supply of organic bananas to foreign buyers is on a rising
the variety, the efficiency of the crop depends trend, where the highlights are processed products, like banana raisin, particularly to the
on the production system and on the level of United States and the European Union.
technology. “In all major banana hubs in the Total banana exports reached 83.461 thousand tons in 2014, down 14.81% from the
Country, technically equipped farmers get shipments a year earlier. Revenue totaled US$ 31.6 million, down 10.21% from 2013. These
numbers come from the Brazilian Fruit Institute (Ibraf), based on data furnished by the
Brazilian Secretariat of Foreign Trade (Secex), an organ linked to the Ministry of Development,
Industry and Foreign Trade (MDIC).
The main destinations of the national fruit are the European Union and South America.
In early 2014, Del Monte, a multinational corporation based in the Northeast, announced its
decision to stop exporting bananas to the EU due to tight competition and tariffs imposed
on the product. However, part of this market was compensated by shipments of other
companies and bigger shipments to South American countries.

Longe de casa - Away from home


Comparativo das exportações brasileiras de bananas* – 2013/14
2013 2014 %
Exportação (kg) 97.976.479 83.461.504 - 14,81%
Exportação (US$ FOB) 35.192.167 31.600.737 - 10,21%
* Exceto bananas-da-terra - Fonte: Secex/Mdic. - Elaboração: Ibraf.

Às pencas - In plenty
Quadro de safra da banana no Brasil
2013 2014 %
Área plantada (ha) 525.589 523.797 -0,34%
Área colhida (ha) 485.075 487.902 0,48%
Produtividade 14.309 14.631 2,25%
Produção 6.947.786 7.138.437 2,74%
Fonte: Levantamento Sistemático da Produção Agropecuária. - Janeiro/2015– IBGE.

Exports reached
83.461 thousand tons
in 2014, down 14.81%
57
AS PRINCIPAIS.main laranja
.orange
Inor Ag. Assmann

58
Freio puxado
Maior produtor da fruta, São Paulo convive com excesso de produção
e queda de mais de 10% no consumo mundial de suco em 10 anos
Ao contrário do que ocorre em outras tura tem sido a fitossanidade. Conforme
culturas, o aumento no volume produzi- Ibiapaba Netto, o greening, doença que
do não é necessariamente uma boa notí- vem assolando os pomares nacionais, pro-
cia na citricultura. Com demanda por suco vocou grandes perdas de produção. Ela é
de laranja em queda em âmbito mundial, causada por uma bactéria transmitida por
o setor tem sofrido nos últimos ciclos com psilídeo (um mosquito menor do que a
o excesso de oferta da fruta. Se for confir- mosca da banana). “Atualmente, é impres-
mada a safra de 308 milhões de caixas de cindível ter controle rígido da doença, se-
laranjas (de 40,8 quilos cada) em 2014, re- guindo as práticas e as técnicas de mane-
presentará crescimento de 6,5% em rela- jo recomendadas pelo Fundo de Defesa da
ção à colheita de 2013, cuja produção se si- Citricultura (Fundecitrus)”, salienta.
tuara em 289 milhões de caixas.
Estudo realizado pela empresa Markes-
trat mostra que entre 2003 e 2013 o con-
sumo mundial da bebida caiu 10,8%. É um
agravante, tendo em vista que o Brasil, que
responde por 80% das exportações mun-
diais de suco de laranja e por 53% da pro-
dução mundial da bebida, exporta 90% do
que produz.

Inor Ag. Assmann


De acordo com o diretor executivo da
Associação Nacional dos Exportadores de
Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, a
situação se reflete em toda a cadeia. “Basta PAULISTAS NO TOPO
notar que, atualmente, o mundo demanda O Estado de São Paulo, principal produtor brasileiro de laranja, registra cerca de
75 milhões de caixas a menos do que há 10 10.100 citricultores, cujos pomares totalizam 170,6 milhões de árvores em produção,
anos”, explica. “Isso dá uma mostra da crise em área de 464,4 mil hectares. Além disso, o Estado tem 23 milhões de pés ainda sem
de consumo pela qual estamos passando.” produção, em área de 37,3 mil hectares. A colheita comercial paulista de laranja na
A seca de 2014, que, por um lado, aju- safra 2013/14 está projetada em 268,6 milhões de caixas, das quais 215,3 milhões
dou na qualidade das frutas colhidas para destinam-se à indústria e 53,3 milhões de caixas vão para comercialização in natura.
a atual safra, pois melhorou o teor de açú- Os dados fazem parte do levantamento realizado pelo Instituto de Economia
car das laranjas, prejudicou a florada das Agrícola (IEA/Apta) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgãos
variedades precoces e de meia estação. da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, em parceria com a
Assim, conforme a Câmara Setorial da Ci- Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
tricultura, dificilmente a oferta na safra
2015/16, que se inicia oficialmente em ju-
lho, deve superar o montante colhido no
atual ciclo. “Seguramente a queda vai ser
Brasil responde por 80%
significativa”, resumiu o presidente da en-
tidade, Marco Antônio dos Santos, em en-
das exportações mundiais
trevista para o Estadão Conteúdo.
Um dos grandes problemas da citricul-
de suco de laranja
59
Brakes applied
Leading fruit producer, the State of São Paulo has to put up with excessive
production, while the consumption of juice has fallen by 10% over the past 10 years
Contrary to what is happening to oth- had to put up with excessive offer. If the Study conducted by Markestrat, a
er crops, the production of bigger vol- estimated 308 million orange boxes (40.8 projects and research corporation, re-
umes is not necessarily good news in cit- kilos each) confirm in 2014, it will repre- veals that from 2003 to 2013, orange
rus farming. With demand for orange sent an increase by 6.5% from the 2013 juice consumption dropped 10.8% in the
juice on the decline at global level, over harvest, whose production had reached world. It is an aggravating factor because
the past growing seasons, the sector has 289 million boxes. Brazil accounts for 80% of global orange
Inor Ag. Assmann

60
juice exports and for 53% of global pro- harvested, as it enhanced the sugar con- rus farmers has been related to phytos-
duction of this beverage, and exports tent of the oranges, damaged the flower- anitary questions. In the words of Ibiapa-
90%. ing stage of the early and semi-early va- ba Netto, citrus greening disease, which
According to the executive director of rieties. Therefore, according to the Sec- has been afflicting the national orchards,
the National Association of Citrus Juice toral Chamber of the Citrus Fruit, the size has caused huge production losses. It is
Exporters (CitrusBR), Ibiapaba Netto, the of the 2015/16 fruit crop, to be harvested caused by a bacterium transmitted by
situation has reflections on the entire as of July, will have little chance to out- the psyllid (a mosquito smaller than the
supply chain. “It is just a matter of con- strip the present one. “There is no doubt, banana fly). “Currently, it is absolutely
sidering that, currently, global consump- there will be a significant decrease”, said necessary to keep the disease under con-
tion of juice has been reduced by 75 mil- the president of the entity, Marco Antônio trol, following the techniques and man-
lion boxes, compared to 10 years ago”, he dos Santos, in an interview to Cidadão agement practices recommended by the
explains. This clearly attests to the con- Conteúdo. Citriculture Surveillance Fund (Fundecit-
sumption crisis we are now facing”. One of the big problems faced by cit- rus)”, he says.
The 2014 drought, for one thing, fa-
vored the production of fruit now being
SÃO PAULO OCCUPYING
THE TOP POSITION
The State of São Paulo, leading Brazilian orange producer, is
home to some 10,100 citrus farmers, whose orchards total 170.6
million trees under production, occupying an area of 464.4 thousand
hectares. Furthermore, there are about 23 million young orange trees
not bearing fruit yet, occupying an area of 37.3 thousand hectares.
The 2013/14 commercial orange crop in São Paulo is projected
at 268.6 million boxes, of which, 215.3 million are destined for the
industry and 53.3 million boxes are sold fresh. These numbers come
from the survey conducted by the Agricultural Economy Institute
(IEA/Apta) and by the Integral Assistance Coordinating Office (Cati),
organs of the São Paulo State Secretariat of Agriculture and Supply,
in a partnership with the National Supply Company (Conab).

Pomar vitaminado - Vitamin laden orchard


Produção brasileira de laranja
2012 2013 2014*
Volume (toneladas) Volume (toneladas) Volume (toneladas)
18.012.560 17.549.536 17.340.000
Fonte: IBGE. Elaboração: Ibraf. - * Para a safra de 2014 o valor é estimado.

Embarques - Shipments
Comparativo de exportação de laranja
2014 2013 Variação 2014/2013
Receita (US$ Fob) Vol. (kg) Receita (US$ Fob) Vol. (kg) Receita (%) Volume (%)
9.014.409 20.111.176 9.966.726 23.208.179 -9,55 -13,34
Fonte: Secex. Elaboração: Ibraf.

Brazil accounts
for 80% of global
orange juice exports
61
AS PRINCIPAIS.main limão
.tahiti lemon tahiti
Inor Ag. Assmann

62
Azeda, só a fruta
Produtores brasileiros de limão tahiti fecham mais um ano com bom
desempenho na produção e nas exportações, que cresceram 15%
Ele não é nada doce mas está fazen- de aproximadamente 45 mil hectares. Mesmo assim a relação oferta-procura
do um enorme sucesso nas mesas e nos Embora os principais produtores tenham continuará equilibrada, garantindo boa
bares europeus. Pelo segundo ano segui- investido pesado em irrigação, a estia- remuneração ao produtor. “O aumento
do aumentou a exportação do limão tahi- gem verificada na região Sudeste do Bra- nas exportações vai compensar essa leve
ti produzido no Brasil, em especial em 10 sil poderá reduzir a produção em até 10%. queda na colheita”, analisa.
municípios da região noroeste do Esta-
Inor Ag. Assmann

do de São Paulo. Com total de 92,3 mil to-


neladas embarcadas em 2014, o produ-
to consolida-se como terceiro no ranking
das frutas frescas que são produzidas
aqui, mas consumidas ao redor do mun-
do. À frente do limão aparecem apenas
melão e manga, pela ordem.
De acordo com balanços da Secreta-
ria de Comércio Exterior (Secex), vincu-
lada ao Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em
2014 o Brasil exportou 15% mais limão na
comparação com o ano anterior. Os em- Destino Europa
barques saltaram de 78,6 mil toneladas O aumento de 15% nas exportações de limão tahiti brasileiro não significa,
para 92,3 mil toneladas. O faturamento exatamente, que o setor conquistou novos mercados em 2014. O que houve foi
cresceu um pouco mais, passando de US$ um apetite maior por parte dos principais compradores. No topo da lista, segundo
73,9 milhões em 2013 para US$ 96,09 mi- o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, está a Holanda.
lhões no ano seguinte. O país importou 58,8 mil toneladas ao longo do ano, mais da metade de todos
Os resultados são comemorados pela os carregamentos de limão embarcados no Brasil. O faturamento chegou a US$
Associação Brasileira dos Produtores e 59,2 milhões. Depois aparecem, pela ordem, Reino Unido, Emirados Árabes
Exportadores de Limão (ABPel), princi- Unidos, Alemanha e Canadá. Conforme Waldyr Promicia, presidente da ABPel, boa
palmente porque acabam de vez com qualidade e garantia de fornecimento são os fortes do setor perante os compradores
uma sequência de três anos de estabili- internacionais. O México é o principal concorrente do País.
zação no mercado. “Fatores como a boa
qualidade do nosso produto e até mes-
Mais embarques - More shipments
2012 2013 2014
mo a Copa do Mundo no Brasil estão im-
US$ 59,8 milhões 73,9 milhões 96,09 milhões
pulsionando esse crescimento”, resume
Toneladas 72,81 mil 78,60 mil 92,30 mil
Waldyr Promicia, presidente da ABPel e Fonte: Secex/Mdic
produtor de limão. A expectativa é de
que em 2015 a tendência de nova alta se
confirme. “Estamos conquistando novos
espaços”, festeja.
Boa qualidade e até a Copa do
Conforme Promicia, apesar do au-
mento nas exportações, a produção con-
Mundo foram decisivas para
tinua estável no País, oscilando na faixa
de 1,1 milhão de toneladas/ano em área
ampliar os embarques da fruta
63
Sour, only the fruit
Brazilian producers of Tahiti lime are celebrating another
good year, with production and exports up 15%
The fruit is by no means sweet but is a suc- (ABPel), especially because three years of mar-
cess in European bars and on their kitchen ta- ket stabilization have definitively come to a
bles. For the second year in a row, exports of Ta- close. “Factors like the good quality of our limes
hiti lime produced in Brazil soared, especially in and even the Fifa World Cup have been behind
ten municipalities located in São Paulo’s north- this growth”, says Waldyr Promicia, ABPel pres-
eastern region. With total shipments amount- ident and lime producer. The expectation is
ing to 92.3 thousand tons, and the fruit is now for the upward trend to hold true throughout
ranking as third fresh fruit produced in Brazil 2015. “We are conquering new clients”, he re-
but consumed abroad. It is only surpassed by joices.
melons and mangoes, respectively. Promicia maintains that in spite of soar-
According to figures released by the Secre- ing exports, production continues stable in the
tariat of Foreign Trade (Secex), an organ of the Country, with about 1.1 million tons/year in
Ministry of Development, Industry and For- an area of approximately 45 thousand hect-
eign Trade, in 2014, lime exports in Brazil were ares. Although most commercial producers
up 15% from the previous year. Shipments have invested heavily in irrigation, the drought
jumped from 78.6 thousand tons to 92.3 thou- conditions now hitting the Brazilian Southeast
sand tons. Revenue went up a little more, from might reduce the crop by up to 10%. None-
US$ 73.9 million in 2013 to US$ 96.09 million theless, the offer-demand relation will contin-
the following year. ue balanced, ensuring good remuneration to
The results are celebrated by the Brazilian growers. “Higher exports will make up for this
Association of Lime Producers and Exporters slight decline in production”, he analyzes.

Destination Europe
The 15-percent increase in Brazilian Tahiti lime exports does not necessarily mean that the
sector has conquered new markets in 2014. What in fact happened was a stronger appetite
on the part of our major clients. Holland is on the top of the list, according to the Ministry of
Development, Industry and Foreign Trade. The country imported 58.8 thousand tons over the
year, more than half of all lime shipments that left Brazil for other countries. Revenue reached
US$ 59.2 million. Holland is followed by the United Kingdom, United Arab Emirates, Germany
and Canada. According to Waldyr Promicia, president of ABPel, good quality and stable sup-
ply are the sector’s strong points, much in line with international requirements. Mexico is Bra-
zil’s major competitor on that score.

64
Good quality and even the Fifa
World Cup played a decisive role in
the expansion of shipments abroad

Inor Ag. Assmann

65
AS PRINCIPAIS.main maçÃ
.apple
Inor Ag. Assmann

66
Muita
tentação
Safra 2013/14 de maçã registrou problemas de qualidade pelo excesso de
calor, o que prejudicou as vendas externas e estimulou as importações
Quebra de safra, exportações em que- mares concentrados no Rio Grande do Sul dade na safra 2013/14, as importações de
da e recorde de importações. O resumo e em Santa Catarina. No entanto, outros maçã acabaram favorecidas. Acompanha-
de 2014 para os produtores brasileiros de estados também cultivam a fruta. É o caso mento realizado pela Secretaria de Comér-
maçã não foi nem um pouco animador. do Paraná, onde houve boa adaptação do cio Exterior (Secex), órgão do Ministério
O clima não colaborou e as frutas perde- tipo Eva, que possui ciclo mais precoce. do Desenvolvimento, Indústria e Comér-
ram em qualidade. Além de pouco pro- Bahia, São Paulo e Minas Gerais igualmen- cio Exterior, mostrou que em 2014 o Brasil
duto para oferecer aos clientes internacio- te possuem áreas com macieiras. “Os qua- teve de buscar no exterior 116.697 tonela-
nais, ainda houve a concorrência da Eu- tro estados somados devem representar das da fruta, com aumento de 24,19% so-
ropa, que mantinha grandes estoques. O em torno de 2% da produção nacional”, in- bre 2013. Os valores desembolsados com
próprio consumo doméstico ficou prejudi- forma o presidente da ABPM. as compras somaram US$ 111,9 milhões,
cado, uma vez que as importações preci- Como o problema foi mesmo de quali- 17,28% a mais do que no período anterior.
saram ser elevadas de forma significativa.
O grande vilão da safra 2013/14 de ma- QUEDA LIVRE
çãs foi o calor intenso verificado no início Por outro lado, as vendas externas despencaram em 2014, deixando a balança
de 2014, quando estava começando a co- comercial negativa. O volume embarcado caiu 48,15%, no comparativo com o ano
lheita. O presidente da Associação Brasi- anterior, fechando em 44.294 toneladas. A queda em valor foi de 49,31%, atingindo a
leira de Produtores de Maçã (ABPM), Pier- cifra de US$ 31,902 milhões. Para o presidente da ABPM, Pierre Nicolas Pérès, o ruim
re Nicolas Pérès, destaca que as tempera- desempenho das exportações não teve como único fator a falta de qualidade da fruta
turas verificadas na época foram as mais brasileira. “Foi uma decisão comercial”, avalia.
altas dos últimos 50 anos. “Houve regis- O dirigente conta que em fevereiro de 2014, quando participou da Fruit Logística,
tro de até 42 graus dentro da fruta colhi- maior evento mundial do setor frutícola, em Berlim, na Alemanha, ainda não se tinha ideia
da”, ilustra. dos problemas de qualidade das maçãs brasileiras. “Naquele momento, esperávamos que
O calor excessivo prejudicou o desen- a exportação seria boa”, observa. No entanto, já havia suspeita de que os europeus tinham
volvimento das maçãs, que não cresceram muita fruta para escoar, o que acabou se confirmando com o passar dos meses.
o suficiente. “A Gala rachou e a Fuji apo- As perspectivas para 2015 não são das melhores. O presidente da ABPM prevê que
dreceu, pois apresentava teor muito ele- o desempenho das exportações deverá ser ainda pior do que o verificado em 2014. “Os
vado de açúcar”, observa Pérès. Os proble- estoques na Europa continuam altos, além de a crise persistir no continente”, avalia.
mas atingiram, de forma geral, grandes e Quanto à produção, tudo leva a crer que será uma das maiores safras dos últimos
pequenos produtores. Mesmo assim, a sa- tempos. “A qualidade está boa e as frutas apresentam bom calibre”, observa. Além disso,
fra 2013/14 foi considerada boa em quan- refere que a remuneração será melhor do que em 2014, mesmo com os custos em alta,
tidade. Pelos números da ABPM, foram co- por causa dos aumentos na energia elétrica e na gasolina.
lhidas 1,156 milhão de toneladas. O Insti-
tuto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), por meio do Levantamento Siste-
mático de Produção Agrícola (LSPA), com-
Em 2015, produção
putou 1,377 milhão de toneladas, com au-
mento de 12,3% sobre o ciclo anterior.
deve ser grande, com
As variedades Gala e Fuji dominam a
produção brasileira de maçã, com os po-
exportações ainda em baixa
67
Much more than a
symbol of temptation
2013/14 growing season was affected by quality problems induced by exces-
sively warm temperatures, jeopardizing foreign sales and stimulating imports
Inor Ag. Assmann

In 2015, high production


volumes are expected,
but exports on the decline
68
Smaller-than-expected crop, exports on vest had just started. The president of the Bra- sent about 2% of the entire national crop”,
the decline and record imports. Businesses of zilian Association of Apple Producers (ABPM), says the president of ABPM.
the Brazilian apple farmers were little encour- Pierre Nicolas Péres, comments that the tem- As the problem in the 2013/14 growing sea-
aging in 2014. Weather conditions were unfa- peratures of that period were the highest in the son was related to quality, apple imports took
vorable and the fruit lacking in size and quality. past 50 years. “Some of the fruit were harvested advantage of the situation. A survey conduct-
Besides shortages of apples for the internation- at temperatures as high as 42ºC”. ed by the Brazilian Secretariat of Foreign Trade
al clients, there was competition from Europe, Excessively warm temperatures adverse- (Secex), a division of the Ministry of Develop-
where stocks were accumulating. Even domes- ly affected the development of the apples, ment, Industry and Foreign Trade (MDIC), es-
tic consumption was jeopardized, as imports and they did not reach their ideal size. “Gala timated Brazil’s apple imports at 116.697 tons,
had to be increased significantly. apples began to split and Fuji apples began up 24.19% from 2013. The importers shelled
The villain of the 2013/14 apple crop was to decay, because of their high content of out the considerable amount of US$ 111.9 mil-
the high temperature in early 2014, when har- sugar”, Péres observes. These problems hit lion, 17.28% more than a year earlier.
both commercial and small-scale farmers.
Even so, the 2013/14 crop was rated good, Números - numbers
as far as quantity goes. According to num-
bers released by the ABPM, 1.156 million tons
Produção (t) - Production
were harvested. The Brazilian Institute of Ge- Ano Quant. (t) Área plantada (ha)
2013 1,226 milhão 38.420
ography and Statistics (IBGE), based on the
2014 1,377 milhão 37.562
Systematic Agricultural Production Survey Fonte: IBGE (LSPA)
(LSPA), estimated the volume at 1.377 mil-
lion tons, up 12.3% from the previous cycle. Exportações - Exports
Gala and Fuji are the most widely grown Ano Valor (US$) Volume (t)
varieties in Brazil, where most of the or- 2013 62,941 milhões 85,429 mil
chards are concentrated in the States of Rio 2014 31,902 milhões 44,294 mil
Grande do Sul and Santa Catarina. Howev-
er, the fruit is equally grown in other states. Importações - Imports
It is the case of Paraná, where the Eva vari- Ano Valor (US$) Volume (t)
ety adapted very well, and its cycle is much 2013 95,427 milhões 93,964 mil
shorter. Bahia, São Paulo and Minas Gerais 2014 111,920 milhões 116,697 mil
also grow apples. “These four States repre- Fonte: Secex.

FREE FALL
On the other hand, foreign sales plummeted in 2014, resulting into a negative trade
of balance. The volume shipped abroad was down 48.15% from the same period the
year before, totaling 44,294 tons. Revenue from apple shipments was down 49.31%,
amounting to US$ 31.902 million. ABPM president Pierre Nicolas Péres has it that the bad
performance in exports cannot be blamed only on the bad quality of the Brazilian fruit. “It
was a commercial decision”, he concludes.
The official recalls that in February 2014, when he visited the Fruit Logistica in Berlin,
Germany, biggest global event of the fruit sector, the quality problems of the Brazilian
apples had not yet surfaced. “Back then, we were expecting our apple exports to perform
well”, he observes. However, rumor had it that the European farmers had plenty of apples
to sell, and the confirmation came true as time went by.
The perspectives for 2015 are not very encouraging. The president of the ABPM
maintains that exports are likely to have a worse performance than in 2014. “Ending
stocks in Europe continue high, and the crisis is still hovering over this continent”, he
observes. As to production, there is every indication that it will be one of the biggest crops
in recent years. “Quality is good and the fruits are of high caliber”, he says. Moreover, he
has it that remuneration will be better than in 2014, in spite of the higher production
costs, induced by higher gasoline and electric energy prices.

69
AS PRINCIPAIS.main mamão
.papaya
Sílvio Ávila

70
Ao sabor
do dólar
Vantagem cambial e boa receptividade ao mamão nacional garantem
aumento nas exportações do Brasil, segundo maior produtor da fruta
“O mercado está bem receptivo ao ma- O produto registrou problemas de quali- a questão logística, com as plantações pró-
mão brasileiro e, a curto e médio prazos, dade, por interferência do clima, e, em con- ximas aos portos de Natal, no próprio Esta-
temos a vantagem cambial, o que nos tor- sequência, menor remuneração, em torno do, e de Fortaleza, no Ceará, possibilitando
na ainda mais competitivos frente a outros de 23% na espécie Havaí, conforme apura- a exportação por via marítima e com meno-
produtores internacionais da fruta”. A análi- do pelo Cepea, o que determinou lentidão res custos.
se é feita por Franco Fiorot, diretor-executi- no mercado doméstico. Em contraparti- Com isso, a quantidade exportada pelo
vo da Associação Brasileira dos Produtores da, o mercado externo foi favorável, absor- Rio Grande do Norte chegou a aumentar
e Exportadores de Papaya (Brapex), ao ob- vendo as melhores frutas colhidas no Brasil 56,5% em 2014, alcançando 7.156 tonela-
servar o aumento nas exportações brasilei- e apresentando aumento próximo de 18% das. O maior exportador, o Espírito Santo,
ras, enquanto a área de produção se mante- no volume embarcado em 2014. A receita vendeu 12.911 toneladas, e a Bahia, 6.966
ve estável no País, segundo maior produtor da venda externa cresceu 12,5% e atingiu toneladas. O principal mercado no exterior
mundial, logo depois da Índia. US$ 47 milhões. continua sendo a União Europeia, região na
O cultivo de mamão no Brasil, onde a ati- Além da valorização do dólar, que tor- qual foram renovadas campanhas promo-
vidade gera renda de R$ 1,2 bilhão, apresen- nou os exportadores brasileiros mais com- cionais em 2014. Mas com a nova situação
ta estabilidade e inclusive alguma diminui- petitivos, o dirigente da Brapex observa cambial, o Brasil voltou a exportar mamão
ção nos últimos anos, com problemas de vi- que a evolução também se deve à melho- Formosa aos Estados Unidos, onde a fruta
roses e alto custo de produção. Em 2013, no ria da qualidade do mamão Formosa, pro- brasileira chegava sempre mais cara do que
comparativo com o ano anterior, conforme duzido na região de Chapada do Apodi, no a de produtores próximos. “Voltamos a ter
os últimos números oficiais, a cultura regis- Rio Grande do Norte, e ao aumento da de- competitividade e preço para esse produto
trou leve redução da área destinada à colhei- manda e da preferência dos compradores tão disputado no mercado norte-america-
ta e pequeno aumento na parte colhida, as- externos por esta espécie. Ainda contribui no”, conclui Franco Fiorot.
sim como na produção. Em 2014, pesquisa
Inor Ag. Assmann

da equipe HortifrutiBrasil, do Centro de Estu-


dos Avançados em Economia Aplicada (Ce-
pea), da Universidade de São Paulo (USP), fei-
ta nas principais áreas produtoras, indicou
recuo de 0,7% na área cultivada.
A Bahia, de acordo com o Instituto Bra-
sileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o
Estado que obtém a maior produção, com
718 mil toneladas em 2013, seguida de Espí-
rito Santo, que mais exporta; Minas Gerais,
Ceará e Rio Grande do Norte. O Sul da Bahia,
junto ao Espírito Santo, é destaque na pro-
dução e manteve a área de cultivo em 2014,
Produção de mamão
enquanto a região produtora no Oeste
baiano verifica redução, com falta de mão
no Brasil apresentou
de obra. A produção capixaba, por sua vez,
aumentou, estimulada pela exportação.
estabilidade ao longo de 2014
71
At the mercy
of the dollar
Exchange-rate driven competitive advantages and well-accepted by the market,
exports of papaya by Brazil, second largest producer of the fruit, are on the rise
“The market is showing great interest This explanation is given by Franco Fiorot, after India.
in Brazilian papaya and, in the short and executive director of the Brazilian Associ- Papaya farming in Brazil, where this
medium run, we are benefiting from the ation of Papaya Producers and Exporters crop generates revenue of R$ 1.2 billion
exchange-rate driven competitive advan- (Brapex), regarding the surge in Brazilian a year, has remained stable over the past
tages in the international marketplace”. exports of the fruit, while the planted area years, and in some regions has even de-
has remained stable in the Country, sec- creased due to virus problems and high
ond largest global producer, coming only
Sílvio Ávila

72
production costs. In 2013, compared to the
previous year, according to the latest offi-
cial numbers, the crop registered a small
Production of papaya
decrease in planted area, but a slight in-
crease in crop size and production. In
in Brazil remained
2014, a survey by the HortifrutiBrasil team,
of the Center for Advanced Studies on Ap-
stable over 2014
plied Economics (Cepea), of the University
of São Paulo (USP), conducted in the main papaya growing region in Western Bahia umes up 18% from the previous period.
producing regions, pointed to a reduction has reduced its production due to the lack Revenues from sales were up 12.5% and
of 0.7% in the cultivated area. of labor. Production in Espírito Santo, in achieved US$ 47 million.
According to the Brazilian Institute of turn, soared, encouraged by exports. Besides the soaring value of the dollar,
Geography and Statistics (IBGE), Bahia is The crop was affected by climate in- what made the Brazilian exporters more
the leading producer in Brazil, with 718 duced quality problems and, as a result, competitive, in the words of the Brapex of-
thousand tons in 2013, followed by Es- prices of Havaí papaya were down 23% ficial, was the better quality of the ‘Formo-
pírito Santo, the leader in exports, Minas from a year earlier, according to Cepea sa’ papaya, produced in the region of Cha-
Gerais, Ceará and Rio Grande do Norte. sources, causing the domestic market to pada do Apodi, in Rio Grande do Norte,
South Bahia, near Espírito Santo, stands move slowly. On the other hand, the for- and the rising demand and preference of
out for its production and maintained the eign market was favorable, absorbing the foreign consumers for this species of
same cultivated area in 2014, while the the best fruit harvested in Brazil, with vol- papaya. The question of logistics also had
a say, with plantations near the ports of
Natal, in the State, and Fortaleza, in Ceará,
making shipments by boat possible, with
smaller freight costs.
As a result, the amount exported by
Rio Grande do Norte went up by 56.5% in
2014, totaling 7,156 tons. The largest ex-
porter, Espírito Santo, sold 12,911 tons,
and Bahia, 6,966 tons. The main mar-
ket abroad is the European Union, a re-
gion where promotional campaigns were
staged again in 2014. But with the new ex-
change rate, Brazil resumed its exports
of Formosa papaya to the United States,
where the Brazilian fruit used to be more
expensive compared to the productions in
nearby countries. “We have recovered our
competitiveness and prices for this much
required fruit in the North-American mar-
ket”, Franco Fiorot concludes.

Apetitoso - Delicious
Mamão do Brasil
Ano Área colhida (ha) Produção (t)
2012 31.310 1.517.696
2013 31.989 1.582.638
Fonte: IBGE/PAM.

Ano Exportação (t) Receita (US$)


2013 28.561 41.803.057
2014 33.688 47.058.855
Fonte: Mdic/Ibraf/Brapex.

73
AS PRINCIPAIS.main manga
.mangoes
Inor Ag. Assmann

74
O aroma do lucro
Mercado positivo eleva a manga à condição de principal fruta exportada
pelo Brasil em receita gerada em 2014; em termos de volume, é a segunda
Saborosa, nutritiva e vitaminada, a volume, a alta foi de 9%, equivalente a 11
manga tornou-se em 2014 a fruta número milhões de toneladas, enquanto a receita
um do ranking das exportações nacionais subiu 10,76%, ou US$ 15,9 milhões, avan-
em receita. Em volume, ainda está longe çando para US$ 163,7 milhões (FOB).
do líder, o melão. O cenário de bons preços O Vale do São Francisco manteve o pa-
de comercialização obtidos nas mais re- tamar de cerca de 85% do volume expor-
centes temporadas vem fazendo com que tado por ano pelo Brasil. Do total exporta-
a área plantada com manga siga crescen- do em 2014, 99,5 milhões de toneladas ti-
do no Vale do São Francisco, na região de veram por destino a União Europeia (US$
Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). 126,2 milhões) e 22,7 milhões de tonela-
No Brasil, a área comercial da fruta é es- das seguiram rumo aos Estados Unidos
timada em 70 mil hectares pelo Instituto (US$ 24,2 milhões). “Não fosse o problema
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); da redução dos frutos e da qualidade por
no Vale do São Francisco, chega a 30 mil causa do clima, o resultado teria sido ainda
hectares. A manga caiu nas graças dos mais favorável”, estima João Ricardo Lima.
consumidores brasileiros e internacionais
especialmente depois que as ações de me-
lhoramento genético resultaram em va-
O QUE RESERVA O FUTURO
Mesmo que os produtores do Vale do São Francisco ainda comemorem os
riedades não fibrosas, mais macias e gos-
resultados obtidos na temporada de 2014, o cenário ainda é nebuloso para
tosas, nos últimos 15 anos.
2015 em termos de volume de colheita e de qualidade dos frutos, segundo o
O pesquisador João Ricardo Lima, da
pesquisador João Ricardo Lima, da Embrapa Semiárido. Os prognósticos climáticos
Embrapa Semiárido, de Petrolina, explica
não permitem antever se as temperaturas se manterão elevadas ou se aumentará
que as variáveis climáticas – em especial
o nível das chuvas. Os reservatórios de agua, tão importantes para a agricultura
a seca – vêm afetando a produtividade e
irrigada, estão com níveis muito baixos para o período. “Precisamos saber se
a qualidade dos frutos na região do Vale,
ocorrerá algum racionamento de energia ou de água na região, fatores que podem
tal qual ocorre em outras áreas produto-
determinar alterações na safra”, explica.
ras da Bahia, de São Paulo e de Minas Ge-
Em seu entender, as expectativas não são favoráveis para aumento da oferta em
rais, mais dirigidas ao mercado nacional. A
2015. Reconhece, por outro lado, que quem conseguir ofertar frutos de qualidade e
estiagem também afetou a produção nes-
com bom volume deve receber preços atrativos. “Se o dólar se mantiver nos atuais
tas áreas e o calibre das frutas, elevando o
patamares, isso favorecerá o aumento da competitividade brasileira”, frisa. De
valor do mercado interno e gerando pre-
acordo com o pesquisador, o ânimo dos produtores do Vale do São Francisco para
ços remuneradores para quem conseguiu
2015 é marcado por incertezas, com a impressão de que dificilmente se repetirá um
produzir bons frutos.
ano tão positivo quanto 2014 para a manga.
Porém, em 2014, a limitação climáti-
ca afetou em cheio os países concorren-
tes do Brasil no comércio internacional, o
que escancarou a janela de vendas mun-
diais para a entrada da fruta brasileira com
Quebra da safra dos
preços bem superiores aos da temporada
2013. Este cenário fez com que as exporta-
países concorrentes
ções e a receita obtida com os embarques
de manga tivessem forte crescimento. Em
beneficiou os preços nacionais
75
The scent of profit
Positive market moves mangoes to the condition as main fruit exported
by Brazil, in revenue generated in 2014; in volume, it is the second
Delicious, nutritive and vitamin laden, has induced the farmers to increase their Brazilian Institute of Geography and Statis-
in 2014, mangoes brought in the biggest areas devoted to mangoes in Vale do São tics (IBGE); in Vale do São Francisco, it reach-
revenue from our national exports. In vol- Francisco, in the region of Juazeiro (BA) and es 30 thousand hectares. Mangoes began to
ume, they are still lagging far behind the Petrolina (PE). attract domestic and international consum-
leader, the melon. The scenario of good In Brazil, the fruit’s commercial area is ers when genetic enhancement works, over
prices fetched in recent growing seasons estimated at 70 thousand hectares by the the past 15 years, resulted into softer and
Inor Ag. Assmann

76
more delicious nonfibrous varieties. Nonetheless, in 2014, climate limitations
Researcher João Ricardo Lima, of Em- hit hard competitor countries in interna-
brapa Semiarid, in Petrolina, explains that tional trade, which opened the gates of glob-
climatic variables – especially drought con- al sales to the Brazilian fruit, at much high-
ditions – have been affecting both quali- er prices, compared to 2013. This scenario
ty and productivity of the fruit in the Val- strongly increased mango exports and rev-
ley region, just like what happens in other enue coming from shipments abroad. Vol-
mango producing areas in Bahia, São Pau- ume was up 9%, equivalent to 11 million
lo and Minas Gerais, mostly focused on the tons, while revenue soared 10.76%, or US$
domestic market. The dry weather condi- 15.9 million, totaling US$ 163.7 million (FOB).
tions equally affected production and fruit Vale do São Francisco was again respon-
caliber in these areas, pushing up prices in sible for 85% of the volume exported by Bra-
the domestic market and generating sub- zil per year. Of the total exported in 2014, the
stantial remuneration for those who man- European Union was the destination of 99.5
aged to produce good fruit. million tons (US$ 126.2 million) and 22.7 mil-
lion tons were shipped to the United States
(US$ 24.2 million). “If climate problems had
not affected quantity and quality, the result
would have been even more favorable”, says
João Ricardo Lima.

WHAT THE FUTURE HAS IN STORE


Although the farmers in Vale do São Francisco are still celebrating the results achieved in
the 2014 growing season, the 2015 scenario is still cloudy in terms of volume and fruit qual-
ity, says researcher João Ricardo Lima, of Embrapa Semiarid. The future climate conditions
are unclear as to possible higher temperatures or amount of rainfalls. Most water dams,
very important for irrigated agriculture areas, have not reached their normal levels for the
period. “We should know if there will be water and energy shortages, factors that could alter
the conditions of the growing season”, he explains.
In his view, expectations for the 2015 crop year look rather bleak. On the other hand, he
acknowledges that those farmers who manage to produce good fruit and in big quanti-
ties, should fetch good prices. “If the dollar suffers no devaluation during the period, it will fa-
vor Brazil’s competitive edge”, he says. According to the researcher, there is a mood of uncer-
tainty hovering over the farms in Vale do São Francisco, with a feeling that there are scarce
chances for a repeat of the positive year of 2014 for mango producers.

Mangas para o mundo - Mangoes for the world


Exportações
2013 2014
Volume (t) Valor (US$/Fob) Volume (t) Valor (US$/Fob)
122 milhões 147,8 milhões 133 milhões 163,7 milhões
Fonte: Mdic.
Elaboração: João Ricardo Lima, Embrapa Semiárido, fevereiro de 2015.

Smaller than expected


crops in competitor countries
benefited our national prices
77
AS PRINCIPAIS.main melão
.melon
Sílvio Ávila

78
O céu é
o limite
Estiagem prolongada no Nordeste gera incertezas para a próxima safra
de melão no Brasil, cujas exportações se estendem de setembro a março
A região Nordeste, principal produtora um dos grandes exportadores brasileiros, o abaixo da média, a situação será crítica. Difi-
de melão do Brasil, sofreu nas últimas três desempenho da última temporada era espe- cilmente a região manterá a área”, adianta.
temporadas com aquela que é considera- rado devido à previsão climática. “Mas para Além do clima, interferem fatores comerciais
da pelos institutos meteorológicos como a 2015, se for mantida a expectativa de chuva e a elevação dos custos produtivos no setor.
pior seca dos últimos 50 anos. Mesmo assim,
as empresas exportadoras fecharam a safra COMPLEXO
no azul. Em valores, aproveitando a quebra De acordo com o empresário Francisco Vieira, da Brazil Melon, a cadeia produtiva
de safra dos concorrentes internacionais, a precisa contabilizar a alta nos preços dos combustíveis, da mão de obra, da energia,
cadeia produtiva da manga assumiu a lide- que pode superar 30%; e das embalagens, que são importante componente de custos
rança do ranking das exportações, apesar de para o setor e ficarão de 8% a 10% mais caros nesta safra. “E insumos, fertilizantes e
o melão ter avançado 2,87% no faturamen- defensivos tendem a acompanhar esses aumentos”, relata.
to, saltando para US$ 163,7 milhões. Em vo- Além disso, as cotações internacionais, em dólar, mantêm os mesmos patamares
lume, os 16 tipos de melões exportados con- há quatro safras. “A Europa está demorando mais do que o previsto para superar a crise
tinuam imbatíveis e apresentaram cresci- econômica e isso impacta na evolução dos preços das frutas”, explica. Por isso, alguns
mento de 2,84%, com 196,8 mil toneladas. A exportadores participaram da Fruit Logistica, em Berlim, na Alemanha, com o objetivo de
valorização do dólar ajudou o setor a ampliar estabelecer tratativas com os clientes e identificar as tendências do mercado em 2015.
a receita, já no final do ano. A intenção era ver se será possível repassar um pouco dos custos ao preço final das
Em 2014, o índice de chuvas muito abai- vendas internacionais. Cerca de 95% das exportações brasileiras destinam-se à Europa.
xo da média para a região afetou o resulta- O restante segue para América do Sul e Oriente Médio, principalmente. O setor começa
do de safra e levou à queda da superfície se- a se preocupar com a antecipação das exportações dos concorrentes da América
meada ainda em 2013, pois os poços de irri- Central, especialmente Honduras e Guatemala, cujos melões agora entram na Europa
gação baixaram seus níveis ou secaram, e al- um pouco mais cedo, em meio à janela de vendas que o Brasil explora. “Antigamente,
guns salinizaram. O clima seco favoreceu os eles começavam a exportar no final de janeiro. Agora, já têm produto na primeira
ataques de pragas e doenças, e os produto- semana”, menciona Francisco Vieira.
res tiveram maior custo com defensivos.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Es- Made in Brazil
tatística (IBGE) considera que o Brasil repe- Exportações de Melão – Safra 2013/14
tiu a produção de 2013 na última tempora- 2014 2013 Variação (2013/2014)
da, ou seja, de 575,4 mil toneladas de melão, Receita (US$) Volume (kg) Receita (US$) Volume (kg) Receita (%) Volume (%)
151.817.079 196.850.024 147.579.929 191.412.600 2,87 2,84
em pouco mais de 22 mil hectares. O Centro
Fonte: Secex/Mdic – janeiro 2015
de Estudos Avançados em Economia Aplica- Elaboração: Ibraf.
da (Cepea) da Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz (Esalq), vinculada à Universi-
dade de São Paulo (USP), aponta queda de
4%, para 14.350 hectares comerciais, nos po-
Em 2014, temporada foi boa
los de produção de Pernambuco, do Ceará e
do Rio Grande do Norte.
para o melão, graças à
Na avaliação de Francisco Vieira, da em-
presa Brazil Melon, produtor há 24 anos e
valorização do dólar
79
Sky is the limit
Prolonged drought in the Northeast gives rise to uncertainties regarding the
next melon crop in Brazil, with exports extending September through March
Over the past three growing seasons, the surprise due to the anticipated weather con- for the region to repeat the planted area”, he
Northeast, main melon producing region in ditions. “But for 2015, if the expectation of anticipates. Besides climate variations, oth-
Brazil, endured serious problems caused by lower than average rainfall holds true, the er interferences come from trade factors and
the worst drought in the past 50 years, ac- situation will get serious. It will not be easy soaring production costs.
cording to meteorological institutes. Even
Sílvio Ávila

so, most exporting companies celebrated


positive performances. In values, taking ad-
vantage of the smaller than expected crops
in competitor countries, the mango sup-
ply chain climbed to the leading position
in exports, but revenue was only up 2.87% ,
jumping to US$ 163.7 million. In volume, the
16 melon varieties shipped abroad continue
unbeatable, and soared 2.84%, with 196.8
thousand tons. The higher value of the dol-
lar, by year’s end, was responsible for the big-
ger profits.
In 2014, lower than average rainfall
throughout the region adversely affect-
ed the result of the crop and was responsi-
COMPLEX
Entrepreneur Francisco Vieira, of Brazil Melon, maintains that the supply chain should
ble for the smaller area devoted to the crop
factor in the higher prices of fuel, labor, energy, which could exceed 30%: and the price of
in 2013, as the irrigation dams dropped con-
packaging, important cost component of the sector, and supposed to soar 8% to 10% during
siderably or even dried up, and the water in
the season. “Inputs, fertilizers and pesticides tend to keep pace with these increases”, he says.
some of the dams salinized. The dry climate
In addition, international quotes, in dollar, have not changed for the past four years.
triggered disease and pest outbreaks, forc-
“Europe’s financial recovery is taking longer than expected and this implies in the evolution
ing the farmers to spend more on pesticides.
of fruit prices”, he explains. Therefore, some exporters will attend the Fruit Logistica, in Berlin,
The Brazilian Institute of Geography and
Germany, with the aim to contact clients and identify market trends in 2015.
Statistics (IBGE) maintains that in the past
The intention is to check if there are chances for adding some of the production costs to
growing season, Brazil repeated the 2013
final international prices. About 95% of Brazilian exports are shipped to Europe. The other
season, that is to say, 575.4 thousand tons
5% are sent to South America and the Middle East. The sector is getting concerned about the
of melons, in 22 thousand hectares, or more.
anticipation of exports by competitor countries in Central America, especially Honduras and
The Center for Advanced Studies on Applied
Guatemala, whose melons reach Europe a little earlier, amid the sales window explored by
Economics (Cepea) of the Luiz de Queiroz
Brazil. “In the past, they used to start their exports in late January. Now, some of them start in
College of Agriculture (Esalq), a division of
the first week”, Francisco Vieira says.
the University of São Paulo (USP) refers to a
4-percent drop, to 14,350 commercial hect-
ares in the production hubs in Pernambuco,
Ceará and Rio Grande do Norte.
In 2014, melon exports took
According to Francisco Vieira, official of
Brazil Melon company, in the business of
advantage of the
growing and exporting melons for 14 years,
the performance of the past season was no
highly valued dollar
80
SEMEAR, CUIDAR, COLHER.

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são dadas de boa fé e não como garantia da Monsoy quanto ao desempenho das variedades vendidas. O desempenho pode depender de condições climáticas, de solo e outros fatores, sendo
assim a Monsoy se isenta de qualquer responsabilidade pelas informações prestadas.
AS PRINCIPAIS.main uva
.grape
Inor Ag. Assmann

82
Mentes abertas
Baixo desempenho da economia, aliado à forte pressão de tradicionais
países vitícolas no mercado nacional, exige novas soluções das empresas
A vitivinicultura realça sua importân- la nacional em 2014 apresentou déficit de
cia social, econômica e cultural no agro- US$ 350,77 milhões, 32,49% acima do ve-
negócio brasileiro e se destaca ao agregar rificado na temporada anterior. Enquan-
valor à cadeia produtiva e impulsionar ra- to as importações cresceram 8,96%, as ex-
mos da economia, como turismo e gastro- portações tiveram fraco desempenho: ca-
nomia. A atividade é vital na sustentação íram 35,84% em valor. No Rio Grande do
da agricultura familiar, especialmente nas Sul, em 2014, a produção de vinhos, su-
regiões serranas do Rio Grande do Sul e de cos e derivados alcançou 507,84 milhões
Santa Catarina, que têm milhares de vitivi- de litros, 2,6% superior ao volume verifica-
nicultores, mas também se desenvolve no do em 2013. A bebida nacional registra de-
Nordeste e no Sudeste. manda decrescente, em especial pela for-
A pesquisadora Loiva Ribeiro de Mello, te concorrência do vinho importado. Em
da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçal- 2014, houve retração de 2,75%.
ves (RS), afirma que o setor está fortaleci- Os sucos de uva, por sua vez, cresceram
do com as Indicações Geográficas alcança- 10,85% na demanda industrial. “O seg-
das nos últimos anos. Mas o baixo desem- mento tem sido alternativa para a susten-
penho da economia e a pressão de tradi- tabilidade da vitivinicultura brasileira”, sa-
cionais países vitícolas sobre o mercado lienta Loiva. “Em 2014, a área de sucos uti-
doméstico exigem das empresas ajustes lizou cerca de 15% mais de uvas do que o
constantes, novas soluções, produtos atra- segmento de vinhos”, comenta.
entes e proximidade com o consumidor.
Os segmentos de sucos e de espuman- RESISTÊNCIA
tes estão conseguindo alcançar as metas A conjuntura econômica no Brasil não foi favorável ao setor em 2014. Essa é a
de crescimento para abastecer o mercado avaliação de Dirceu Scottá, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto
doméstico e ainda exportar. No entanto, o Brasileiro do Vinho (Ibravin) e presidente da União Brasileira da Vitivinicultura (Uvibra).
setor de vinhos não tem alcançado a mes- “Tivemos de lidar com a resistência do consumidor em relação aos produtos nacionais
ma performance, por conta da acirrada e à baixa competitividade da cadeia nos custos de produção frente aos importados”,
concorrência, especialmente com produ- relata Scottá.
tos chilenos, uruguaios e argentinos. Ana- O destaque do ano para o setor vitivinícola brasileiro, mais uma vez, foi o suco de
lisando os dados do Instituto Brasileiro de uva, mas com queda nos índices anuais médios. “A elevação produtiva reflete a maior
Geografia e Estatística (IBGE), Loiva destaca demanda, e isso quer dizer que o suco de uva caiu no gosto do consumidor”, enfatiza
que em 2014 ocorreu aumento de 1,64% Oscar Ló, que preside a Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul
na produção nacional de uvas, com excep- (Fecovinho). “Este tornou-se um produto muito relevante para o balanço setorial, e foi
cional desempenho na Bahia e em Santa responsável pelo ano positivo das cooperativas que trabalham forte neste segmento”.
Catarina. Houve também aumento produ-
tivo em Pernambuco, no Paraná e no Rio
Grande do Sul. As áreas plantada e colhida
no País, que em 2013 haviam apresentado
Indústria nacional precisa
queda, em 2014 diminuíram 1,23% e 0,3%,
respectivamente, o que sugere maior pro-
de ajustes constantes
dutividade média.
A balança comercial do setor vitiviníco-
para seguir competitiva
83
Open minds
Economy performing badly, along with strong pressure from traditional winegrowing
countries in the international market, requires companies to come up with new solutions
Winegrowing is a relevant activity for its there are thousands of farmers devoted economy and pressure from tradition-
social, economic and cultural role in Brazil- to winegrowing, an activity that is equally al winegrowing countries upon the do-
ian agribusiness, and stands out for the val- common in the Northeast and Southeast. mestic market require the companies to
ue it adds to the supply chain, whilst driv- Researcher Loiva Ribeiro de Mello, of constantly adjust and come up with so-
ing sectors of the economy, where tourism Embrapa Grape and Wine, in Bento Gon- lutions, attractive products and proxim-
and gastronomy are major components. It çalves (RS), maintains that the sector has ity with consumers.
is vital for sustaining family farming, espe- been strengthened with the Geograph- The segments of juices and sparkling
cially throughout the sierra regions in Rio ical Indications achieved over the past wines are managing to achieve the growth
Grande do Sul and Santa Catarina, where years. But the low performance of the targets to supply the domestic market and

Inor Ag. Assmann


Vindima - Harvest time
Produção de uvas para processamento e consumo in natura
Brasil – Em toneladas
Ano 2011 2012 2013 2014
Processamento 836.058 830.915 679.793 673.422
Consumo in natura 627.423 624.894 733.061 762.652
TOTAL 1.463.481 1.455.809 1.412.854 1.436.074
Fonte: IBGE/Embrapa/Cadeia produtiva.
Elaboração: Loiva Ribeiro de Mello/Embrapa Uva e Vinho, fevereiro de 2015.

Balanço negativo - Negative balance


Exportações e importações de uvas, sucos de uvas, vinhos e derivados – 2013 e 2014
Exportações/Ano 2013 2014
Volume Valor Volume Valor
(U$S 1.000,00) ( U$S 1.000,00)
Uvas frescas (t) 43.181 102.995 28.348 66.791
Suco de uvas (t) 4.212 12.428 4.953 12.866
Vinhos (1.000 L) 9.149 22.745 2.324 7.473
Espumantes (1.000 L) 215 929 452 2.109
Total em valores 139.097 89.239

Importações/Ano 2013 2014


Volume Valor Volume Valor
(U$S 1.000,00) (U$S 1.000,00)
Uvas frescas (t) 32.631 59.581 33.761 62.338
Uvas passas (t) 23.414 53.285 23.723 53.062
Vinhos (1.000 L) 67.954 255.566 76.910 290.253
Expumantes (L) 4.269 34.652 4.317 34.261
Suco de uva (t) 1.064 754 88 91
Total em valores 403.838 440.005
Balanço (264.741) (350.766)
Fonte: Mdic.
Elaboração: Loiva Ribeiro de Melo, Embrapa Uva e Vinho, fevereiro de 2015.

84
ship surpluses abroad. However, the wine
sector has not accomplished the ideal per-
formance, on account of the tight compe-
National industry needs
tition, especially from wines coming from
Chile, Uruguay and Argentina. Consider-
constant adjustments to
ing the data released by the Brazilian In-
stitute of Geography and Statistics (IBGE),
continue competitive
Loiva comments that in 2014 our nation-
al production volumes increased by 1.64%,
where the States of Bahia and Santa Ca- ticulture sector presented a deficit of US$ wines is on the decline, particularly due to
tarina had an exceptional performance. 350.77 million, up 32.49% from the previ- tight competition from imported wines. In
Production also soared in Pernambuco, ous growing season. While imports went 2014, it was down 2.75%.
Paraná and Rio Grande do Sul. The planted up 8.96%, exports had a weak perfor- Industrial demand for grape juices
and harvested areas throughout the Coun- mance: they dropped 35.84% in value. In soared 10.85%. “The segment has been an
try decreased in 2013 and 2014, 1.23% and Rio Grande do Sul, in 2014, the production alternative for sustaining viticulture in Bra-
0.3%, respectively, suggesting higher aver- of wines, juices and derivatives amount- zil”, says Loiva. “In 2014, the juice area uti-
age productivity. ed to 507.84 million liters, up 2.6% from the lized about 15% more grapes compared to
The trade balance of the national vi- volume in 2013. Demand for our national the wine sector”, she comments.

RESISTANCE
Brazil’s economic scenario was not
favorable to the sector in 2014. This
evaluation comes from Dirceu Scottá,
vice-president of the Deliberative
Council of the Brazilian Wine Institute
(Ibravin) and president of the Brazilian
Viticulture Union (Uvibra). “We had
to surmount consumers’ resistance
with regard to the national products
and overcome problems stemming
from the low competitive edge of the
supply chain due to high production
costs , compared to imported wines”,
he comments.
The highlight of the year for
the Brazilian viticulture sector was
again grape juice, but with a smaller
performance compared to annual
average sales. “Higher production
reflects growing demand, and it
means that grape juice has attracted
new consumers”, stresses Oscar Ló,
who presides over the Rio Grande
do Sul State Federation of Wine
Cooperatives (Fecovinho). “It has
turned into a relevant product for
sectoral balance, and was responsible
for the positive year experienced by
the cooperatives that are strongly
involved with the segment”.

85
pesquisa.research
Sílvio Ávila

86
Um drama
no pomar
Institutos de pesquisa trabalham em várias frentes para combater o
greening, doença devastadora capaz de destruir pomares inteiros de citros
Desde 2004, os produtores brasileiros denada. A fim de diminuir a infestação,
de citros convivem com uma doença de- a recomendação é de uso de inseticidas
vastadora, capaz de contaminar poma- e monitoramento da população do psilí-
res inteiros, e que ainda não possui cura. deo, podendo haver complemento bioló-
O huanglongbing (HLB), mais conhecido gico, com a utilização de uma vespinha,
como greening, ou amarelão, é associado como predadora natural.
a bactérias, que são disseminadas pelo in- A Embrapa, assim como outras insti-
seto psilídeo Diaphorina citri. Em 10 anos tuições de pesquisa, trabalha em várias
de convívio com a enfermidade no País, frentes para amenizar os efeitos do gree-
pesquisadores de várias entidades se- ning nos pomares de citros. Girardi cita os
guem em busca de soluções para ameni- estudos que envolvem o desenvolvimen-
zar os prejuízos econômicos acarretados to de materiais com resistência genética à
pelo problema. doença, bem como a preocupação com o
Por enquanto, a recomendação técni- correto diagnóstico do mal, pois os sinto-
ca tem sido erradicar as plantas que apre- mas podem ser confundidos com outros
sentam sintomas de greening. De janeiro problemas.
de 2005 ao final de 2013, foram derruba-
dos 34,8 milhões de pés contaminados, BIOLOGIA
somente em São Paulo, o que equivale a O controle biológico do vetor é outra vertente que vem recebendo
cerca de 7% do total de árvores do cintu- a atenção dos pesquisadores. O Instituto Agronômico de Campinas
rão citrícola do Estado. A doença apresen- (IAC), primeira instituição que identificou o HLB no Brasil, concluiu
ta incidência ainda em pomares de Minas em 2014 testes com o uso de Bacillus thuringiensis (BT) no controle
Gerais e do Paraná. da Diaphorina citri. “Foram identificados três isolados eficientes
Enquanto não se tem solução eficaz e o próximo passo é ver como poderão ser aplicados”, destaca o
para combater o HLB, os produtores são pesquisador Eduardo Girardi, da Embrapa.
orientados a usar mudas sadias (não exis- Levantamento a ser realizado em polos citrícolas de agricultura
tem variedades tolerantes à doença) e er- familiar também deve trazer boas respostas para o combate ao
radicar as plantas que apresentam sinto- greening. Um aparelho capaz de identificar sinais da doença de modo
mas. O pesquisador Eduardo Girardi, da precoce, antes do aparecimento dos sintomas, foi desenvolvido pela
Embrapa Mandioca e Fruticultura, con- Embrapa Instrumentação, sediada em São Carlos (SP), e encontra-se
sidera como ação fundamental o contro- em fase de validação.
le do inseto-vetor. “O psilídeo dissemina a
bactéria num pomar e, com o tempo, mi-
gra para outros locais, levando o proble-
ma”, observa.
Recomendação ao produtor
Para obter maior eficiência no con-
trole do vetor, conforme o pesquisador,
é de erradicação das
é importante que os produtores de deter-
minada região trabalhem de forma coor-
plantas contaminadas
87
A drama in the orchard
Research institutions have set up several fronts to fight citrus greening,
a devastating disease capable of destroying entire citrus orchards
Since 2004, Brazilian citrus farmers seeking solutions to mitigate the econom- ange belt. The disease has also been detected
have had to put up with a devastating dis- ic damages caused by the problem. in orchards in Minas Gerais and Paraná.
ease, capable of afflicting entire orchards, Up to now, technical recommenda- While there is no effective solution
and there is no cure for it. Huanglong- tions have consisted in advising the farmers against the HLB, the farmers are advised to
bing (HLB), also known as citrus green- to eradicate all plants with citrus greening use healthy seedlings (there are no variet-
ing, or yellow dragon disease, is associat- symptoms. From January 2005 to the end of ies tolerant to the disease) and destroy the
ed with bacteria, which are disseminated 2013, the considerable amount of 34.8 mil- plants with symptoms. Researcher Eduardo
by an insect known as psyllid Diaphorina lion afflicted orange plants were eradicated, Girardi, of Embrapa Cassava and Fruticul-
citri. In the 10 years of its existence in Bra- only in the State of São Paulo, equivalent to ture, maintains that keeping the vector insect
zil, researchers of different entities are still about 7% of all citrus plants in the State’s or- under control is of fundamental importance.
Sílvio Ávila

88
“Psyllids spread bacteria in orchards and, as
time goes by, migrate to other places, dissem-
inating the problem”, he observes.
Farmers are
So as to control the vector more efficient-
ly, according to the researcher, there is need
advised to destroy
for the farmers of a certain area to work in
coordinated manner. The recommendation
afflicted trees
for reducing the infestations is to apply in-
secticides and monitor psyllid populations,
with possible biological complements like BIOLOGY
natural predator wasps. Biological control of the vector is another possible solution that has been capturing
Embrapa, just like other research insti- researchers’ attention. The Campinas Agronomic Institute (IAC), first institution that has
tutions, has set up several fronts to mitigate identified the HLB in Brazil, in 2014 concluded tests with the use of Bacillus thuringiensis (BT)
the effects of citrus greening in the orchards. in the control of Diaphorina citri. “Three efficient proteins were identified and the next step
Girardi cites studies focused on the develop- consists in coming up with a manner to use them”, says Embrapa researcher Eduardo Girardi.
ment of materials that are genetically resis- A survey to be conducted in family farming citrus belts should also come up with good
tant to the disease, as well as the correct di- answers regarding the fight against citrus greening. A tool capable of identifying early disease
agnosis of the scourge, as symptoms may be signals, before the symptoms appear, was developed by Embrapa Instruments, based in São
confused with other problems. Carlos (SP), and is now in its validation phase.

89
Bolachinha em árvore
Embrapa Clima Temperado desenvolve a primeira variedade brasileira de
pêssego do tipo platicarpa, de formato achatado, como uma bolachinha
Os produtores brasileiros de pêssego ras, que abastecem o mercado brasilei- da Embrapa acredita que os produtores da
terão à disposição, ainda em 2015, as mu- ro, medem em torno de sete centímetros. BRS Mandinho poderão comercializar a es-
das da primeira variedade nacional do tipo Para Maria do Carmo Raseira, as menores pécie por valores mais altos que os recebi-
platicarpa, fruta em formato chato, conhe- dimensões facilitam o consumo para as dos pelos pêssegos encontrados no mer-
cida como bolachinha. A cultivar BRS Man- crianças. Ela garante que as que tiveram cado. “Acho que não é um item para ser
dinho foi desenvolvida por pesquisadores oportunidade de experimentar adoraram vendido a granel, talvez em bandejas”, su-
da Embrapa Clima Temperado, com sede o pêssego, fácil de comer pelo seu forma- gere. Na metade do ano, os viveiristas cre-
em Pelotas (RS). Antes do lançamento, em to bolachinha. denciados já estarão vendendo as mudas
novembro de 2014, o material genético foi A fruta achatada possui polpa amare- da nova variedade, cujos primeiros frutos
submetido a testes em regiões serranas la, com sabor doce ácido. A pesquisadora poderão ser colhidos em dois anos.
nos estados de Santa Catarina, Minas Ge-
Divulgação

rais, Paraná, São Paulo e Espírito Santo.


Os pêssegos do tipo platicarpa que
chegam ao Brasil são oriundos da Europa
e dos Estados Unidos e abastecem merca-
dos e fruteiras sofisticadas, principalmente
nas grandes capitais. A pesquisadora Ma-
ria do Carmo Bassols Raseira, da Embra-
pa Clima Temperado, que liderou os estu-
dos com a BRS Mandinho, explica que a es-
pécie importada caracteriza-se por preci-
sar de muitas horas de frio para florescer
de forma uniforme. “A variedade nacional
precisa bem menos, inferior a 150 horas”
observa Maria do Carmo.
O florescimento completo da cultivar
nacional ocorre no final de julho. A matu-
ração acontece na segunda quinzena de
novembro, nas condições climáticas de
Pelotas. No caso de regiões mais quentes,
como São Paulo, ela ocorre de 20 a 30 dias
antes, podendo ser ainda mais antecipado
dependendo do tratamento para quebra
da dormência. A produtividade alcançada
nos experimentos chegou a 14 toneladas
por hectare, considerada atrativa.
Outra característica importante da va-
riedade desenvolvida pela Embrapa está
no tamanho da fruta, entre pequena e mé- CURIOSIDADE
dia, aproximadamente cinco centímetros O nome Mandinho refere-se a um termo regional, usado no Rio Grande
de diâmetro e com caroço, proporcional- do Sul, para designar criança pequena, moleque, guri, menino, piá, garoto.
mente, pequeno. As cultivares estrangei- O nome da variedade foi escolhido pelo fato de a fruta ser pequena.

90
Cookies hanging
from trees
Embrapa Temperate Climate develops the first Brazilian peach
variety of the platicarpa species, flat-shaped like cookies

Divulgação
Before year-end, Brazilian peach grow- The national cultivar flourishes fully by seven millimeters in size. Maria do Carmo
ers will have access to seedlings of the first na- the end of July. Maturation takes place in the Raseira understands that the smaller size of
tional platicarpa variety, flat-shaped, known second half of November, under the climate the fruit makes it easier for children. She as-
as cookie. BRS Mandinho cultivar was de- conditions in the region of Pelotas. In the case sures that those people who had a chance to
veloped by Embrapa Temperate Climate re- of warmer regions, like São Paulo, it occurs try the new type of peach simply loved it, as it
searchers, based in Pelotas (RS). Before it was some 20 to 30 days earlier, with chances to be easy to eat for its cookie format.
launched, in November 2014, the genetic anticipated even further, depending on their The flat fruit’s pulp is yellow, with a sweet-
material was submitted to tests in sierra re- dormancy breaking treatment. Productivity acid flavor. The Embrapa researcher believes
gions in the states of Santa Catarina, Minas achieved in the experiments reached 14 tons that the growers of BRS Mandinho could
Gerais, Paraná, São Paulo and Espírito Santo. per hectare, considered very attractive. fetch higher prices for the fruit, compared
The platicarpa peach cultivars now in Bra- Another important trait of the variety to the peaches found in the market. “I think
zil were brought from Europe and the United developed by Embrapa lies in the size of the it is not an item to be sold in bulk, maybe in
States, and they supply sophisticated markets fruit, from small to medium, approximately trays”, she suggests. In the second half of the
and fruit stands, especially in big capital cit- five centimeters in diameter and with seed, year, credentialed nurseries will be selling
ies. Researcher Maria do Carmo Bassols Ra- proportionately small. The foreign cultivars seedlings of the new variety, whose first fruits
seira, of Embrapa Temperate Climate, who that supply the Brazilian market, are about will come in two years.
conducted the studies on BRS Mandinho, ex-
plains that the imported species is different CURIOSITY
in that it needs many hours of cold tempera- The name Mandinho refers to a regional term, used in Rio Grande do Sul,
tures to flourish uniformly. “The national va- to designate a small child, urchin, kid, boy, youngster or teenager. The name
riety needs less than 150 hours” she observes. of the variety was chosen because the fruit is very small.

91
Prontos para a luta
Embrapa conduz ações preventivas para combater a raça 4 do Mal do
Panamá, doença fúngica que ataca bananeiras, ainda ausente no Brasil
Depois de praticamente dizimar planta- desde a década de 1970, sendo suscetíveis Para esta ação, que deve ser desenvolvida
ções de banana do tipo Maçã, o Mal do Pa- à nova categoria da doença. “Tudo indica ainda no primeiro semestre de 2015, a Em-
namá, causado pelo fungo Fusarium axys- que o tipo 4 seja mais agressivo do que o brapa conta com a parceria da Universida-
porum, volta a ameaçar a produção brasi- patógeno presente no Brasil”, ressalta. de de Queensland, na Austrália, e da Uni-
leira da fruta. A preocupação da vez é com a Para avaliar o comportamento das va- versidade de Wageningen, na Holanda.
raça 4 da doença, que foi detectada na Ásia riedades mais utilizadas pelos produtores O resultado dos experimentos realizados
e já se disseminou pela África. O foco prin- nacionais em relação à incidência da nova nesses países serão determinantes para
cipal desta cepa é a banana Cavendish, co- cepa do fungo, serão realizados testes em nortear as pesquisas de melhoramento
nhecida como Nanica, justamente a que ambientes onde ela já esteja instalada. genético da estatal brasileira.
tem maior saída para exportação. As varie-
Sílvio Ávila

dades Prata e Maçã também já foram iden-


tificadas como suscetíveis ao problema.
Com o objetivo de se antecipar à che-
gada da doença, que já é considerada
como certa, a Embrapa Mandioca e Fruti-
cultura, com sede em Cruz das Almas (BA),
realiza uma série de ações preventivas. O
pesquisador Fernando Haddad, da unida-
de, explica que as cultivares utilizadas no
Brasil, todas voltadas ao combate da raça 1
do Mal do Panamá, são suscetíveis ao tipo
4. A presença do fungo nos pomares na-
cionais pode comprometer toda a indús-
tria bananeira. O patógeno age no sistema
radicular da planta, que vai perdendo nu-
trientes e água até secar e morrer.
O trabalho realizado pelos pesquisado-
res brasileiros conta com parceria de várias
instituições internacionais. Uma das ações
desenvolvidas foi a elaboração de um pla-
no de contenção, com barreiras quarente-
nárias, para evitar eventual surto do tipo 4,
que ainda não foi implementado no País.
O pesquisador Miguel Dita, também da
Embrapa de Cruz das Almas, desenvolveu
ferramenta de diagnóstico usando marca-
dores moleculares, já utilizado em países
da América Latina e do Caribe.
O pesquisador Fernando Haddad lem-
bra que os materiais de banana plantados
no Brasil são resistentes à raça 1 do Mal
do Panamá, encontrado em solo nacional

92
Ready for the fight
Embrapa is conducting preventive action to fight Tropical Race 4, a strain of
Panama fungal disease that devastates banana plants, still unknown in Brazil
After affecting Apple Bananas, Panama banana”, the most exported species. Silver tivars used in Brazil, all focused on fighting
Disease, caused by the fungus Fusarium and Apple varieties have also been identi- tropical race 1 of the Panama Disease, are
axysporum, is again threatening the Bra- fied as susceptible to the problem. susceptible to race 4. The presence of the
zilian banana plants. The biggest concern With the aim to act before the arrival of fungus in the national orchards could jeop-
of the moment is about Tropical Race 4, a the disease, now taken as inevitable, Em- ardize Brazil’s entire banana farming busi-
strain of Panama disease, detected in Asia, brapa Cassava and Fruit Farming, based ness. The pathogen attacks the root system,
and now also present in African countries. in Cruz das Almas (BA), has started a lot of which begins to lose nutrients and water,
The main focus of this strain is the Caven- preventive actions. Fernando Haddad, re- ending up drying completely and dying.
dish group of bananas, known as “dwarf searcher at the unit, explains that the cul- The work performed by Brazilian re-
searchers relies on partnerships with sev-
eral international institutions. One of the
initiatives, still to be carried out, consists
in setting up a contention plan, with quar-
antine barriers, to avoid race 4 outbreaks.
Researcher Miguel Dita, also an official of
Embrapa in Cruz das Almas, developed a
diagnosis tool using molecular markers,
already used in Latin America and Carib-
bean countries.
Researcher Fernando Haddad recalls
that all banana species grown in Brazil are
resistant to tropical race, of Panama Dis-
ease, present in Brazilian soil since 1970,
but are susceptible to the new strain of
the disease. “There is every indication that
race 4 is more aggressive than the patho-
gen present in Brazil”, he stresses.
So as to learn more about the behavior
of the most common varieties used by the
farmers, relative to the outbreaks of the
new strain of the disease, tests will be con-
ducted in environments where the pest
has already arrived. With regard to this ini-
tiative, which has been scheduled for the
first half of the year 2015, Embrapa counts
on a partnership of Queensland Universi-
ty, in Australia, and Wageningen Univer-
sity, in Holland. The results of the experi-
ments conducted in these countries will
be a determining factor in guiding the ge-
netic enhancement works of the Brazilian
state corporation.

93
Auxílio mútuo
Variedades de banana da Embrapa serão testadas na África, como parte de
um programa de ajuda a países que possuem menor capacidade técnica
Tecnologia desenvolvida no Brasil vai te africano são dos tipos Maçã e Prata, só cais terão frutos mais limpos, com menos
auxiliar no melhoramento genético de ba- que sofrem com frequência de Sigatoka perdas e menor custo de produção.
nanas em países da África. A Embrapa Man- Negra e do Mal do Panamá, duas enfermi- Se por um lado os africanos terão aces-
dioca e Fruticultura, com sede em Cruz das dades que acarretam grandes perdas co- so a bons materiais de banana, por outro
Almas (BA), enviou a Uganda e à Nigéria 13 merciais. “As variedades enviadas para tes- os brasileiros receberão em troca 33 aces-
variedades de seu portfólio, que passarão tes são resistentes a uma ou a outra doen- sos de Plátanos (conhecida como banana
por testes para futura avaliação da adapta- ça, ou ainda às duas em conjunto. Além da terra) para avaliação nas condições na-
ção às condições locais e às possibilidade de disso, são rústicas, adaptando-se bem a lo- cionais. “É uma espécie muito consumi-
uso dos materiais naquele continente. cais com pouca água e baixa fertilidade do da nos estados do Norte e do Nordeste e,
Essa é a primeira iniciativa da estatal solo”, enfatiza. Dessa forma, avalia Edson com materiais novos, podemos identicar
com vistas a ampliar a adoção das culti- Amorim, se algumas das cultivares brasi- algum que possa ser recomendado para
vares de banana da Embrapa no exterior. leiras forem adotadas, os plantadores lo- plantio”, conclui.
De acordo com o pesquisador Edson Pe-
Sílvio Ávila

rito Amorim, a ação está inserida no pro-


jeto Plataforma África/Brasil Marketplace,
que conta com a parceria da Fundação Bill
e Melina Gates. “O objetivo é transferir tec-
nologia a países com menor capacidade
técnica da América Latina, do Caribe e da
África”, destaca.
No final de dezembro de 2014, a Em-
brapa enviou ao Instituto Internacional de
Agricultura Tropical (IITA), com sede na Ni-
géria e atuação em vários países da África,
30 cópias in vitro de cada cultivar de banana
escolhida para atender à demanda. Os ma-
teriais serão multiplicados para instalação
em estações de pesquisa e em fazendas, em
regiões de produção nas duas nações sele-
cionadas. A perspectiva, segundo Amorim,
é de que já em maio de 2015 as mudas pos-
sam ser instaladas nas lavouras.
A avaliação comercial das variedades
da Embrapa na África serão feitas em um
período de cinco anos. “A bananeira pos-
sui ciclo longo, e leva tempo para começar
a frutificar”, justifica o pesquisador. O tra-
balho de análise dos materiais brasileiros,
além das questões agronômicas, envol-
ve testes sensoriais e de aceitabilidade do
produto junto ao consumidor.
As cultivares mais usadas no continen-

94
Mutual help
Banana varieties developed by Embrapa will be tested in Africa, as part
of an aid program aimed at countries with deficient technical capacity
Technology developed in Brazil will be tivars grown in other countries. According erations in several countries in Africa, 30 in
used for genetically enhancing bananas to researcher Edson Perito Amorim, this vitro cultures of each banana cultivar cho-
cultivated in African countries. Embrapa initiative is part of a project known as Plat- sen to meet demand. These materials are to
Cassava and Fruticulture, based in Cruz form Africa / Brazil Marketplace, which be propagated and established in experi-
das Almas (BA), sent to Uganda and Nige- counts on a partnership with Bill & Melina mental stations and in farms, in produc-
ria 13 varieties of its portfolio, which will Gates Foundation. “The aim is to transfer tion regions of the two selected countries.
undergo tests to determine to what ex- technology to countries with less technical The perspective, according to Amorim, is
tent they adapt to local conditions and the skill in Latin America, the Caribbean and that by May 2015 the seedlings are ready to
chances for these varieties to be cultivated Africa”, he says. be transplanted in the fields.
in that continent. In late December 2014, Embrapa sent to The commercial evaluation of the Em-
This is the state corporation’s first ini- the International Institute of Tropical Agri- brapa varieties grown in Africa will be con-
tiative with an eye towards having its cul- culture (IITA), based in Nigeria and with op- ducted over a five-year period. “Banana
plants have a long cycle and take some
time to start producing bunches”, the re-
searcher justifies. All analyses of the Brazil-
ian cultivars, besides the agronomic vari-
ables, involve sensorial tests and consum-
er adhesion to the product.
The most common cultivars in the Af-
rican continent are Apple and Silver vari-
eties, but they are frequently afflicted by
Black Sigatoka and Panama disease, two
pests that cause huge losses. “The variet-
ies sent for tests are resistant to the two
diseases, separately, or to both together.
Furthermore, they are rustic, adapt well to
water deficient areas and low fertile soil”,
he explains. Therefore, Edson Amorim
maintains that if some of the Brazilian cul-
tivars are adopted, local growers will har-
vest cleaner fruit, with less loss and small-
er production cost.
If, for one thing, African farmers suc-
ceed in cultivating these banana cultivars,
on the other hand, Brazil will have 33 ac-
cesses to plantain banana (also known
as common banana) for an evaluation
of the national conditions. “This species is
much consumed in the North and North-
east and, with new cultivars, we can possi-
bly identify one that could be recommend-
ed for planting”, he concluded.

95
painel.panel

Vida longa ao pulverizador


Jacto usa a internet

Divulgação
para difundir junto aos
consumidores vídeos de
treinamento sobre a sua
linha de pulverizadores
costais manuais
A Jacto Small Farm Solutions acaba de
lançar, no YouTube e no Facebook, sua
nova linha de vídeos de treinamento so-
bre pulverizadores costais manuais. Por
meio desse novo canal de comunicação,
o consumidor irá encontrar, passo a passo, vida longa aos produtos de sua linha”. In- em mais de 100 países.
as instruções para realizar montagem, ma- teressados podem se inscrever no YouTu- Um dos fatores que garante a durabi-
nutenção, limpeza e calibração da linha de be pelo endereço www.youtube.com/jac- lidade do produto, que já é bastante alta
costais Jacto. tosmallfarm ou na página no Facebook em comparação aos concorrentes, é a cor-
De acordo com Anderson Eduardo Mi- (www.facebook.com/jactosmallfarmsolu- reta manutenção. Pensando nisso, a Jacto
chel, responsável pela área de marketing tions). Small Farm produziu vídeos sobre como
da Jacto Small Farm Solutions, o cliente A Jacto Small Farm Solutions é a unida- fazer corretamente a manutenção e, as-
tem a opção de assistir aos vídeos com le- de de negócios do Grupo Jacto que fabrica sim, garantir vida longa aos produtos da
gendas em português, inglês, francês e es- pulverizadores costais, entre eles o PJH, lí- empresa. A ideia é que o consumidor não
panhol. “Ou seja, a Jacto compartilha dire- der absoluto de mercado e o primeiro pro- dependa de terceiros para fazer a manu-
tamente com o consumidor final, em qual- duto das Máquinas Agrícolas Jacto – foi tenção de seu equipamento, que, por ser
quer parte do mundo, via internet, os prin- com um pulverizador costal que a empre- simples quando bem orientada, pode ser
cipais procedimentos que garantem uma sa começou. Hoje, o produto está presente feita por ele mesmo.

Long life for backpack sprayers


Jacto uses the internet for in charge of the marketing department at ed market leader, while the first product by
Jacto Small Farm Solutions, clients have an Máquinas Agrícolas Jacto was a backpack
training videos that keep option to watch the videos with subtitles in sprayer. It is now present in more than 100
consumers abreast of its new Portuguese, English, French and Spanish. countries.
range of backpack sprayers “That is to say, Jacto interacts directly with One of the factors that accounts for the
the final consumers, anywhere in the world, product’s durability, which is very high com-
Jacto Small Farm Solutions has just post- via internet, who can learn about the proce- pared to competitors, has to do with correct
ed a YouTube video on the Facebook, to show dures to ensure long life to its line of products”. maintenance. Incidentally, Jacto Small Farm
its new range of training videos on manual Those who are interested can register on the has launched videos on how to do correct
backpack sprayers. Through this new com- YouTube, accessing www.youtube.com/jac- maintenance in order to ensure long life to
munication channel consumers will find, tosmallfarm or on the Facebook page www. the company’s products. The idea is to prevent
step by step, the instructions for assembling, facebook.com/jactosmallfarmsolutions). consumers from depending on third parties for
maintaining, cleaning and calibrating Jacto Jacto Small Farm Solutions is the business the maintenance of their equipment, which is
backpack sprayers. unit of Grupo Jacto, manufacturer of back- very simple under correct guidance, and can
According to Anderson Eduardo Michel, pack sprayers, including the PJH, uncontest- be carried out by the farmers themselves.

96
Driblando os problemas
Mulching de polietileno de. Entre os vários benefícios que esta prática fertilizantes e defensivos;
proporciona estão: * Maior sanidade da lavoura;
dupla face permite reduzir * Eliminação da mão de obra de capina e re- * Precocidade de ciclo;
custos no cultivo de frutíferas, dução do consumo de herbicidas; * Melhor qualidade do produto colhido.
em itens que vão da mão de * Redução de até 70% do volume de água Enfim, no País de dribles históricos do fu-
com irrigação; tebol, falta entrar em campo com ferramen-
obra à economia em água * Melhor controle de temperatura, tanto na tas para driblar de letra os problemas do dia a
superfície como na área radicular; dia do produtor. Mais informações constam
A fruticultura vem crescendo no Brasil nos
* Melhor aproveitamento de insumos, como em www.electroplastic.com.br.
últimos anos. Com o incremento aparecem
Divulgação

também as dificuldades, algumas já velhas co-


nhecidas dos produtores, e muitas vezes em
escala maior, como a mão de obra, cada vez
mais difícil; a escassez de água em várias regi-
ões, e por aí afora. Para driblar esses eventuais
contratempos, pode-se utilizar ferramentas
bem conhecidas em algumas culturas, como
abacaxi, morango, melão, mamão, e que mui-
tas vezes passam despercebidas ou merecem
pouco crédito em outros cultivos.
O uso do mulching de polietileno dupla
face, o Agroplás Eco Mulching MPB, da Elec-
tro Plastic, vem se revelando ferramenta ex-
traordinária para estas situações, quando se
necessita reduzir custos com mão de obra,
economizar água, maximizar insumos e
buscar maior produtividade e mais qualida-

Countering problems
Double face polyethylene as to surmount these hurdles, there are pop- tion in the use of herbicides;
ular tools, frequently used in crops like pine- * Reduction of up to 70% in the volume of ir-
mulching reduces fruit apples, strawberries, melons, papaya, and rigating water;
production costs in items are frequently overlooked or deserve little * Temperature control easier, both on the
that range from labor to credit in other crops. surface and in the root area;
The use of double face polyethylene * Improved inputs use, like fertilizers and pes-
water conservation mulching, known as Agroplás Eco Mulch- ticides;
Fruit farming has been on a rising trend ing MPB, produced by Electro Plastic, has * Healthier crops;
in Brazil over the past years. In the mean- shown to be an extraordinary tool for these * Cycle precocity;
time, difficulties are equally surfacing as a situations, when there is need to reduce labor * Better quality of harvested product.
result of the increase. Some of these difficul- costs, conserve water, maximize inputs and After all, in the Country of historical soccer
ties are well known by the farmers, and fre- pursue higher productivity rates and better dribbling skills, the only thing to do is to enter
quently come on a larger scale, like labor quality. Among the various benefits derived the field and counter farmers’ everyday prob-
shortages and water deficiencies through- from this practice, the following are of note: lems. For more information, access www.
out several regions, almost everywhere. So * Elimination of labor at hoeing and reduc- electroplastic.com.br.

97
Inovações na
produção de morango
Divulgação

A produção de morango vem se mentos específicos, como tratores e en- PERFIL


destacando em várias regiões do Brasil, canteiradeiras. Além disso, são exigidas Sistema semi hidropônico ideal:
com ênfase em Minas Gerais, mas tam- correção do solo e adubação com gran- * Ambientes protegidos com controle de
bém em estados como Rio Grande do des quantidades de fertilizantes, e ain- temperaturas, uso de telados móveis.
Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, da a forração dos canteiros com Mul- * Plantio em canaletas: facilita a uniformi-
Espírito Santo, Distrito Federal, Bahia ching. dade do substrato e da irrigação.
e Ceará. Na última década, a cultura Já no sistema semi hidropônico, não * Plantio em canaletas de filas simples: per-
teve grande crescimento, justificado é necessário o uso do solo, ficando as mite que as frutas fiquem penduradas nas
por sua alta rentabilidade. Além disso, plantas suspensas plantadas em subs- laterais.
vem sofrendo transformações no pro- tratos adequados e estabilizados para a * Permite a estratificação do substrato: uso
cesso, mudando do convencional para cultura. O cultivo de morango no siste- de material de dreno no fundo da canaleta.
o sistema semi hidropônico protegido. ma semi hidropônico pode ser feito em * A canaleta deverá facilitar a drenagem de
Como salientam os engenheiros sacolas plásticas chamadas de SLAB ou forma homogênea e permitir a coleta do
agrônomos Dario Pauletto e Rodrigo em canaletas feitas de madeira ou de volume drenado para reutilização.
Carrara, no modelo convencional é ne- plástico, ficando suspensas em banca- * Controle total da fertirrigação por auto-
cessário o preparo de solo com equipa- das, enfatizam os especialistas. mação.

98
Innovations in the
production of strawberries

Divulgação
The production of strawberries is taking place in several regions throughout Bra-
zil, and the highlight is Minas Gerais, but other states are also investing in this crop,
particularly Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo,
Federal District, Bahia and Ceará. Over the past decade, the crop made strides due
to its profitability. Furthermore, it has been through process innovations, changing
from conventional systems to semi-hydroponic systems.
According to agronomic engineers Dario Pauletto and Rodrigo Carrara, the con-
ventional model requires soil preparation with specific equipment, like tractors and
plan the construction of raised beds, besides soil correction and huge amounts of
fertilizers and plantbed coating with Mulching.
The semi-hydroponic system does not use soil, and the plants float in appropriate
and stabilized medium for the crop. In the semi-hydroponic system, strawberries can
be cultivated in plastic bags, known as SLAB or in channels made of wood or plastic
material, and they remain suspended in platforms, specialists say.

99
eventos.events

O máximo
do mínimo
Frutas e hortaliças minimamente processadas expandem-se no mercado
nacional, e a demanda entusiasma produtores, pesquisadores e varejo
Para debater o cenário das frutas mi- de Pós-colheita, Frutas, Hortaliças e Flo- com processamento mínimo, pós-colhei-
nimamente processadas no Brasil e no res. O objetivo é ampliar as avaliações ta de frutas, hortaliças e flores.
mundo, e apresentar as novas tecnolo- desse segmento e, principalmente, reali- A primeira edição do evento será orga-
gias na área, serão realizados entre 24 e zar evento técnico-científico que oportu- nizada pela Universidade Federal de Ser-
28 de maio de 2015, em Aracaju (SE), o I nize a apresentação de número crescente gipe, em parceria com a Empresa Brasilei-
Congresso Brasileiro de Processamen- de trabalhos de pesquisas de interesse de ra de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e
to Mínimo e Pós-colheita de Frutas, Flo- empresas, técnicos, produtores e do res- com o apoio dos demais centros de pes-
res e Hortaliças e o V Simpósio Brasileiro tante da cadeia produtiva que trabalha quisa e de instituições de ensino ligadas

100
ao setor agro. O tema central é “Os avan- agregação de valor às agroindústrias e com embalagens e cortes especiais, valori-
ços na conservação e na qualidade dos ali- aos produtores. O processo oferece be- zando o produto. E em porções pequenas,
mentos”, com o objetivo de reduzir as per- nefícios ao consumidor, como redução para quem mora sozinho, por exemplo.
das em pós-colheita destes produtos e ga- do tempo de preparo da refeição, padro- Há poucas empresas que fornecem
nhar maior eficiência no processamento nização, maior acesso a frutas e hortali- frutas minimamente processadas. Geral-
das frutas, segundo explica o presidente ças frescas e mais saudáveis, menor espa- mente, elas são preparadas nos próprios
do Congresso, Marcelo Carnellossi. Mais ço para estocar, embalagens de armaze- supermercados, e, muitas vezes, impli-
informações podem ser obtidas no site namento facilitado e redução do desper- cam no aproveitamento de partes sadias
www.poscolheita2015.com.br. dício e da manipulação. de frutas que apresentam pequenos de-
No Brasil, a comercialização de frutas feitos. Pela sua alta perecibilidade, os pro-
ATUAL A escolha dos alimentos de minimamente processadas está concen- dutos necessitam de estudos que permi-
qualidade, de fácil manuseio, com me- trada em grandes cidades. As mais comu- tam estabelecer os tipos de embalagens
nor tempo de preparo e que façam bem mente encontradas são abacaxi, mamão, e filmes protetores mais adequados, bem
para a saúde é uma preocupação em melão e melancia. A forma de comerciali- como tipos de preparo e os sistemas de
alta entre os consumidores que bus- zação é muito simples, sendo os frutos cor- produção. É preciso também desenvol-
cam o bem-estar físico. Frutas e hortali- tados ao meio, ou em fatias, e revestidos ver máquinas descascadoras e picadoras
ças são fundamentais na dieta alimentar com filme de PVC, ou ainda colocados em para maximizar a produção e minimizar
e suas demandas não param de crescer. bandejas. Algumas empresas já trabalham o estresse ao produto.
Nos pontos de vendas, é cada dia mais
comum encontrar frutas e verduras com
diversidade de opção: lavadas, higieni-
zadas, embaladas, fatiadas, prontas para
Congresso nacional
consumir. São os chamados produtos
minimamente processados.
centrado nesse tema ocorre
Essa alternativa alia praticidade ao
consumo e gera ótima oportunidade de
em Aracaju, em maio

Sílvio Ávila

101
Sílvio Ávila

The most out of the least


Minimally-processed fruit and vegetables are selling briskly in the domestic
market and demand is encouraging producers, researchers and retailers
The preference for quality foods, easi- to fresh and healthy fruit and vegetables,
ly handled, requiring shorter preparation smaller space to store them, practical stor-
time, nutritious and healthy, has become ing packaging and reduction of waste and
a soaring concern among consumers who handling time.
seek physical well-being. Fruit and vege- In Brazil, sales of minimally processed
tables are fundamental components of a fruit take place in huge cities. The most mini-
healthy diet, and demand has been rising mally processed fruit are pineapple, papaya,
constantly. In sales outlets, fruits and vegeta- melon and watermelon. The commercial-
bles of different kinds are getting more and ization format is very simple, with fruit cut
more common: rinsed, hygienized, packed, in half, or in slices, and wrapped in PVC film,
sliced, ready to consume. They are known or accommodated on trays. Some compa-
as minimally processed fruit and vegetables. nies have already started using special pack-
This alternative makes consumption aging and cuts, adding value to the prod-
practical and generates excellent opportu- uct. And there are equally small portions, for
nities for industries and farmers to add val- those who live alone, for example.
ue to their products. The process offers ben- There are only a few companies that
efits to consumers, like the reduction of meal supply minimally processed fruit. Normal-
preparation time, standardization, access ly, preparation takes place at the supermar-

102
kets and, frequently, it is a manner of using nies, technicians, farmers and the entire sup-
healthy portions of fruit that have some kind ply chain involved with minimal processing,
of problem. As these fruit are highly perish- post-harvest of fruit, vegetables and flowers.
able, there is need for studies that determine The first edition of the event is under the
the best types of packaging and most appro- coordination of the Federal University of Ser-
priate plastic films, as well as types of prep- gipe, jointly with the Brazilian Agriculture
aration and production systems. Machines Research Corporation (Embrapa), relying
that remove the skin from the fruit and fruit on support from other research institutions
slicers are needed for maximizing produc- related to the agribusiness sector. The cen-
tion and minimizing fruit stress. tral theme is “Advances in Food Conserva-
So as to debate this subject, and to set up tion and Quality”, with the target to reduce
a new scenario for this segment in Brazil and post-harvest losses of these products, whilst
the world, along with new technologies in turning fruit processing more efficient, says
this area, meetings have been scheduled for Congress president Marcelo Carnellossi. For
24 – 28 May 2015, in Aracaju (SE), during the more information, please access site www.
1st Brazilian Minimal Fruit Processing Con- poscolheita2015.com.br.
gress and Post-Harvest of Flowers, Vegetables
and Fruit and the 5th Brazilian Post–Harvest
Symposium of Fruit, Vegetables and Flow- National congress focused
ers. The aim is to expand the evaluations of
this segment and, above all, conduct a sci-
entific and technical event that allows for the
on this theme has been
presentation of an ever-increasing number
of research papers that interest the compa-
scheduled for Aracaju, in May
Inor Ag. Assmann

FRUIT-BREAK
.Confira a agenda de eventos da cadeia da fruticultura para 2015
Hortifruti Brasil Show & Foods Brasil 2015 Frutal 2015 - 22ª Semana Internacional da
Data: 8 a 10 de abril de 2015 Fruticultura, Floricultura e Agroindústria
Local: Centro de Eventos Fiep - Curitiba (PR) Data: 1º a 3 de setembro de 2015
Fone: (41) 3072-1000 Local: Centro de Eventos do Ceará - Fortaleza (CE)
Site: www.hortifrutibrasilshow.com.br Fone: (85) 3246-8126
E-mail: geral@frutal.org.br
Femaçã 2015 – 9ª Festa Nacional Site: www.frutal.org.br
da Maçã e Feira AgroindUstrial
Data: 10 a 23 de abril de 2015 Congresso Internacional de Citros
Local: Parque de Exposições – Veranópolis (RS) (Citrus International Congress)
Fone: (54) 9644-7682 (54) 3441-7921 Data: 18 a 23 de setembro de 2016
Site: www.femaca.com.br/ Local: Mabu Thermas & Resort – Foz do Iguaçu (PR)
Contato: F&B Eventos – Londrina (PR)
Expovinis Brasil 2015 Fone: +55 (43) 3025-5223
19º Salão Internacional do Vinho E-mail: icc2016@fbeventos.com
Data: 22 a 24 de abril de 2015 Site: www.icc2016.com
Local: Expo Center Norte – Blue Pavilion – São Paulo (SP)
Fone: (11) 3598-7800
E-mail: falecom@informa.com
Site: www.btsinforma.com.br

I Congresso Brasileiro de Processamento Mínimo e


Pós Colheita de Frutas, Flores e Hortaliças
V Simpósio Brasileiro de Pós-colheita,
frutas, hortaliças e flores
VIII Encontro Nacional sobre Processamento
Mínimo de Frutas e Hortaliças
Data: 24 a 28 de maio de 2015
Local: Hotel Mercure – Aracaju (SE)
Fones: (79) 3243-0537 / 4141-3611 / 3041-2179
E-mails: contato@octeventos.com,
atendimento@octeventos.com
Site: http://www.poscolheita2015.com.br

22ª Hortitec – Exposição Técnica de Horticultura,


Cultivo Protegido e Culturas Intensivas
Data: 17 a 19 de junho de 2015
Local: Holambra (SP)
Fone: (19) 3802-4196
E-mail: contato@rbbeventos.com.br
Site: www.hortitec.com.br

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