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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(ÍZA) PRESIDENTE

DA TURMA RECURSAL DO ESTADO DE SERGIPE

Processo nº 201701010253

Processo de Origem nº 201755501705

ANDRÉ SANTOS TEXEIRA, já qualificado nos autos do processo em


epígrafe, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar
CONTRARRAZÕES AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, interposto pela Companhia
de Saneamento de Sergipe(DESO), requerendo seja recebida e apreciada as
contrarrazões para negar seguimento ao recurso extraordinário interposto, pelos fatos
e fundamentos a seguir delineados.

Nestes termos, pede deferimento.

Lagarto/SE, 30 de maio de 2018.

BRUNO CAÍQUE MENEZES FONTES

OAB/SE 9608

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TEL: 79 99974-6031/79 99879-1550
EGRÉGIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

EMINENTES MINISTROS

NOBRES JULGADORES

CONTRARRAZÕES DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Processo Nº 201701010253

Processo de Origem nº 201755501705

Recorrente: Companhia de Saneamento de Sergipe- Deso


Recorrido: André Santos Texeira

I-DO DESCABIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO


INTERPOSTO. DA INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. DA
INEXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INOBSERVÂNCIA DO
ART. 1025 DO CPC. DO NÃO CONHECIMENTO E DA
IMPROCEDÊNCIA.

O ora recorrente interpôs recurso afirmando que o acórdão prolatado violou os


incisos V, LIV e LV do artigo 5º da Constituição Federal, irresignando-se
principalmente em relação ao quantum arbitrado na indenização, pois, segundo o
recorrente, fere os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, tratando-se o

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presente caso de uma aventura jurídica e que os fatos concretos não ensejaram
indenização tão incompatível.

Em verdade, conforme restará demonstrado abaixo, trata-se o presente recurso


de uma tentativa sorrateira da recorrente em protelar o processo, se eximindo assim
de cumprir com a obrigação que lhe recai, frise-se, obrigação esta que foi confirmada
por dois juízos.

É cediço que um dos requisitos para interposição e admissibilidade do recurso


extraordinário é a existência de repercussão geral. Observe-se:

Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão


irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário
quando a questão constitucional nele versada não tiver
repercussão geral, nos termos deste artigo.

§ 1o Para efeito de repercussão geral, será considerada


a existência ou não de questões relevantes do ponto de
vista econômico, político, social ou jurídico que
ultrapassem os interesses subjetivos do processo.

In casu, a recorrente se restringiu a tecer argumentos genéricos e


incongruentes sobre a repercussão geral supostamente havida. Fundamentou que a
decisão havia violado à Constituição Federal ao estipular o valor da indenização em
excessividade e que a situação auferida em sede de processo cognitivo não passou
de um mero aborrecimento. Não trouxe, pois, fundamentos idôneos e correlatos a
demonstrar a existência de repercussão geral nas peculiaridades trazidas no caso
concreto. Notadamente, apenas transcreveu trechos do que seria o entendimento
doutrinário acerca de repercussão geral. Mas não foi somente a Constituição Federal
que foi ignorada no recurso extraordinário interposto!

A própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é rigorosa a delimitar


que o instituto da repercussão geral será atendido com a demonstração inequívoca e
pormenorizada das peculiaridades do caso concreto que denotem as questões

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políticas, econômicas, sociais ou jurídicas envolvidas que ultrapassam os interesses
subjetivos do processo.

Analisando os argumentos trazidos acerca da suposta existência da


repercussão geral, temos que o detalhamento apontado acima é inavistável. Desta
feita, não preencheu o disposto no artigo alhures transcrito, não havendo que se falar
em repercussão geral.

No tocante ao prequestionamento, este também não restou configurado. Senão


vejamos.

O venerando acórdão que decidiu a matéria pautou-se tão somente na


legislação infraconstitucional, não sendo objeto de apreciação os incisos V, LIV e LV
do artigo 5º da Constituição Federal que alega a recorrente terem sido violados.

Ressalte-se que tais dispositivos não foram tratados nem de forma expressa,
nem implicitamente no acórdão vergastado, o que, por si, descaracteriza a existência
de prequestionamento da matéria. Toda a decisão baseou-se na legislação ordinária,
o que é de fácil conclusão, bastando-se uma simples leitura do decisum.

Ressalte-se que não houve a oposição de embargos declaratórios do acórdão


combatido pela recorrente com o escopo de prequestionar a matéria por esta
suscitada em sede de REX.

Com o advento do NCPC, fora sedimentado o entendimento de que o pré


questionamento só ocorreria com a oposição de embargos, veja-se:

Art. 1.025. Consideram-se incluídos no


acórdão os elementos que o embargante suscitou,
para fins de pré-questionamento, ainda que os
embargos de declaração sejam inadmitidos ou
rejeitados, caso o tribunal superior considere
existentes erro, omissão, contradição ou
obscuridade.

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Em nenhum momento a recorrente opusera embargos declaratórios, o que
rechaça indubitavelmente o requisito do pré questionamento.

Destaque-se também o teor da súmula 282 do STF:

Súmula 282: É inadmissível o recurso extraordinário,


quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão
federal suscitada.

Assim, tem-se que este segundo pressuposto de admissibilidade também não


restou preenchido no recurso sub judice.

Há, ainda, no presente caso, uma terceira vedação ao recurso interposto.


Explico!

Em suas razões, o recorrente alega, dentre outras coisas, que o quantum fixado
a título de verba indenizatória é desproporcional, excessivo, incompatível com as
peculiaridades do caso concreto.

Ora, em sede de recurso inominado, a recorrente pleiteou a improcedência da


condenação em primeiro grau, alegando que não havia ato ilícito em seu
procedimento, que as cobranças eram devidas, assim como a negativação, que não
havia provas da autora, entre outros argumentos para sustentar os pleitos autorais.

Ocorre que, quando a Turma Recursal analisou o referido recurso, analisou


todas as provas colacionadas ao caso concreto e julgou improcedente o recurso
inominado para a recorrente DESO.

Desta forma, no momento da decisão em segundo grau já houvera a reanálise


de provas pela Turma Recursal do Estado a qual julgou, de forma unânime, pela
incidência da falha na prestação do serviço as cobranças indevidas, bem como
indevida a negativação, deliberando pelo valor final fixado (sete mil reais) como o justo
e atinente às peculiaridades e provas do caso concreto.

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Nesta senda, na seara meritória, o presente recurso extraordinário não
prospera, tendo em vista que culminaria na reanálise de provas, o que é vedado pela
súmula 279 do STF. Veja-se:

Súmula 279:Para simples reexame de prova não cabe


recurso extraordinário.

Em arremate, leia-se:

Descabimento do recurso extraordinário para simples


reexame de prova
"Verifico, ainda, que o acórdão recorrido solucionou
a controvérsia relativa à fixação do quantum
arbitrado a título de indenização por danos morais
com fundamento nos elementos fático-probatórios
dos autos, que não podem ser reexaminados na via
extraordinária, a teor do Enunciado 279 da Súmula do
STF." (ARE 743771 RG, Relator Ministro Gilmar Mendes,
Tribunal Pleno, julgamento em 16.5.2013, DJe de
31.5.2013)
"4. Ora, no caso dos servidores do Estado do Rio Grande
do Sul, não houve conversão dos vencimentos para URV.
A remuneração foi convertida diretamente de Cruzeiro
Real para Real. E, de acordo com a moldura traçada pela
instância judicante de origem (há menção, inclusive, a
laudos periciais fls. 88v), não houve decréscimo
remuneratório. O Tribunal de origem assentou que a
legislação estadual (contemporânea à conversão, é bom
ressaltar) concedeu expressivos aumentos salariais aos
servidores públicos, sendo muito superiores os
percentuais aos das ditas perdas ora em discussão (fls.
89). 5. Presente essa moldura, tenho que, para se
chegar à conclusão pretendida pela parte recorrente,
se faz necessário o reexame do conjunto fático-
probatório dos autos. Providência que não tem lugar
em sede recursal extraordinária (Súmula 279 do
Supremo Tribunal Federal). Nesse mesmo sentido é a
jurisprudência desta nossa Casa de Justiça, de que são
exemplos os AIs 787.068, da relatoria do ministro
Joaquim Barbosa; 785.451-AgR, da relatoria da ministra
Cármen Lúcia; e 747.087-ED, da relatoria do ministro
Marco Aurélio." (RE 631444 RG, Relator Ministro Ayres
Britto, Tribunal Pleno, julgamento em 12.4.2012, DJe de
8.11.2012).(GRIFO NOSSO).

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Todavia, caso estes doutos julgadores entendam pelo preenchimento dos
requisitos de admissibilidade, em sede meritória, o pleito do recorrente não merece
amparo, conforme restará demonstrado a seguir.

Irresigna-se a recorrente com a decisão da Egrégia Turma Recursal de Sergipe


por ter confirmado a sentença do juízo a quo em relação aos pleitos formulados pela
recorrida, e mais ainda, por ter julgado parcialmente procedente o recurso inominado
da recorrida para majorar o quantum indenizatório.

Alega que não houve provas da ligação entre o dano sofrido e a omissão da
recorrente, tampouco da existência de causalidade entre ambos, pois não houve
qualquer comunicação da existência de problemas no abastecimento de água. Aduz,
por conseguinte, que não houve prova do dano moral sofrido e que este, além de
inadequado o deferimento da indenização à recorrida, se revelou excessivo.

Em apertada síntese, versa a presente demanda sobre cobranças indevidas,


referentes a serviços cujo o vínculo consumerista havia se esvaído, onde por
conseguinte culminou também na inserção do nome da autora no cadastro do
SPC/SERASA. Desde que realizou a obra de um poço artesiano em sua residência, o
recorrido, conforme fora vastamente exposto no processo de conhecimento, cancelou
o serviço de fornecimento de água, todavia a recorrente insistira, mesmo após o
referido cancelamento a efetuar as cobranças e incluiu o nome do recorrido no rol de
caloteiros.

Diante de tal conjuntura, o requerente sofreu todos os transtornos oriundos da


limitação de crédito advinda da inclusão dos cadastros de maus pagadores do SPC e
SERASA.

Reitere-se que todos os documentos probatórios foram anexados ao processo,


sejam números de protocolos, comprovante de atendimento, fotos do hidrômetro,
oitiva pessoal e de testemunha. Enfim, provas sobejas foram colacionadas e
produzidas durante toda a marcha processual.

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Todas estas provas foram analisadas pelo juízo a quo e ad quem que não
relutaram em reconhecer a procedência da ação para a recorrida, não havendo que
se falar, como alega a recorrente, que não houve documentos probandi, nem elo entre
o dano e a conduta. Mais provado do que isso, com a devida vênia, somente se Jesus
Cristo testemunhasse.

A situação vivenciada pela recorrida gerou inúmeros transtornos, impotência,


desassossego, sofrimento. Não se pode olvidar que se está a tratar de bem de grande
valia no presente caso: a honra. A violação dos direitos relativos a esses dois bens
gera danos imensuráveis e que, no desenrolar destes autos, puderam ser imaginados.

Ora, o valor fixado a título de dano moral não ultrapassou em nenhum momento
a razoabilidade e proporcionalidade do caso concreto. Ao contrário, tantos
constrangimentos sofridos e violação dos direitos da recorrida dariam azo a uma
condenação muito maior e, ainda assim, não estaria sendo desmedido.

É preciso rememorar que o dano moral aqui é in re ipsa- não obstante os fatos
narrados e provas carreadas serem suficientes para demonstrar sua existência.
Afirmar que há desproporcionalidade ou que é mero aborrecimento e diminuir o
quantum arbitrado é diminuir o cidadão- e aqui especificamente a recorrida- ao
patamar de objeto: algo sem valor, sem sentimentos, sem dignidade, sem proteção.

É lamentável que a recorrida, além de sofrer todos os transtornos causados


pela recorrente, ainda tenha que se deparar com a situação aqui descrita, onde sua
moral e dignidade são atacadas e seu sofrimento seja de tão pouca estima e respeito
pela recorrida.

Não indenizar o abalo moral ou banalizar o valor a ser indenizado é deixar


sem sanção um direito ou uma série deles. A indenização é a única sanção para
os casos em que se perdem ou se têm lesados a honra, o respeito e outros bens
morais mais valiosos do que os próprios valores econômicos.

Neste toar, o ordenamento jurídico pátrio, visando proteger o consumidor de


situações análogas dispôs no artigo 6º do código consumerista a prevenção e a

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reparação dos danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos causados
ao consumidor. E mais. A melhor doutrina, aqui representada pelo ilustre Carlos
Alberto Bittar, também escuda o consumidor dos ilícitos sofridos com o direito à
reparação. Eis aqui o que disserta em seu livro Curso de Direito Civil:

O lesionamento a elementos integrantes da esfera


jurídica alheia acarreta ao agente a necessidade de
reparação dos danos provocados. É a responsabilidade
civil, ou obrigação de indenizar, que compele o causador
a arcar com as consequências advindas da ação
violadora, ressarcindo os prejuízos de ordem moral ou
patrimonial, decorrente de fato ilícito próprio, ou de
outrem a ele relacionado. (BITTAR, Carlos Alberto. 1º Ed.
Rio de Janeiro: Forense,1994, pg.561).

Digno de registro também é o segundo caráter do dano moral, em que, além


de ressarcir o consumidor, visa punir o agente que cometeu o ato ilícito, buscando,
por fim, a não reiteração por ele de práticas semelhantes.

Neste sentido, o Des. Pinheiro Lago, na ocasião do julgamento da apelação


Cível n. 90.681/8, no TJMG, com muita propriedade asseverou em seu voto que:

[...] não se pode perder de vista que o ressarcimento por


dano moral não objetiva somente compensar à pessoa
ofendida o sofrimento que experimentou pelo
comportamento do outro, mas também, sobre outra ótica,
punir o infrator, através da imposição de sanção de
natureza econômica, em benefício da vítima, pela ofensa
à ordem jurídica alheia.

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Ex positis, restou cabalmente demonstrado que inexiste
desproporção no valor fixado da indenização, sendo, pois, justo e equânime, merece
ser mantido.

II-DO PEDIDO

Diante do exposto, requer aos Nobres Julgadores, para tanto, que seja
mantido o Acórdão recorrido, não conhecendo o Recurso Extraordinário, pois
este não preenche os requisitos do de admissibilidade, no tocante a falta de
repercussão geral, visto que não há qualquer ofensa à Constituição Federal, bem
como a ausência de pré questionamento, em decorrência da ausência de oposição
de embargos declaratórios, conforme o art. 1025 do Código de Processo Civil.
Não obstante, caso superadas as barreiras intransponíveis acima apontadas,
deve ser mantida a decisão do acórdão ora recorrido, negando provimento ao
recurso, haja vista não existir motivo realmente justificável para que seja modificado
o valor indenizatório fixado.

Nestes termos, pede deferimento.

Lagarto/SE, 30 de maio de 2018

BRUNO CAÍQUE MENEZES FONTES

OAB/SE 9608

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