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JOÃO ROBERTO PARIZATTO  PRÁTICA FORENSE

AÇÃO DE ALIMENTOS C.C. PEDIDO DE ALIMENTOS PROVISÓRIOS

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da Vara Cível de .................................................

(nome completo), brasileiro, solteiro, menor absolutamente incapaz, nascido em ... de ... de ...., neste
ato representado por sua mãe (nome, qualificação, endereço), portadora do CPF nº ....., residentes e
domiciliados à Rua ......, centro, nesta cidade, por sua procuradora, a advogada signatária desta (instru-
mento de mandato em anexo), com escritório profissional à rua ......, Bairro ...., na cidade de ......, onde
recebe intimações, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, propor a presente AÇÃO DE
ALIMENTOS C.C PEDIDO DE ALIMENTOS PROVISÓRIOS em face de ......, brasileiro, solteiro,
documentos pessoais desconhecidos, filho de ....., residente e domiciliado à rua ....., nesta cidade, o que
faz pelas razões de fato e de direito que a seguir expõe:

DOS FATOS

O requerente é filho do requerido e da Sra. ......, encontrando-se com pouco mais de 06 ...... de idade.
Atualmente, reside com a mãe na casa de sua avó paterna, sendo que aquela é responsável por todo o
sustento do menor.
Desde o nascimento o requerido não ajudou em nada o requerente e nem mesmo o visita. A mãe
do menor não pode trabalhar pois este necessita de atenção integral.
Ressalte-se, por sua vez, que a mãe do requerente vem enfrentando inúmeras dificuldades para
prover as suas necessidades, posto que foi expulsa de casa pelo padrasto após a gravidez e hoje mora
na casa de sua avó.
Mister salientar que além das despesas com alimentação e moradia, a mãe do requerente ainda arca
sozinha (com ajuda da família) com as despesas médicas, odontológicas, de vestuário.
Isso sem contar a impossibilidade de se prover o lazer do requerente, imprescindível para toda e
qualquer criança, tendo em vista que sua mãe não apresenta condições de fazê-lo sozinha.
Enfim, o sustento do requerente se tornou impossível sem o auxílio do requerido, razão pela qual
se faz necessária a condenação do mesmo ao pagamento de pensão alimentícia, no montante corres-
pondente a 1 salário mínimo, o que desde já se requer.

DO DIREITO
A Constituição Federal, em seu artigo 229, estabelece que “Os pais têm o dever de assistir, criar
e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice,
carência ou enfermidade”.
No mesmo sentido, o artigo 1.634, I, do Código Civil dispõe que a criação e a educação dos filhos
menores compete aos pais. Este dever de sustento, criação e educação também é previsto no Estatuto
da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), em seu artigo 22, o qual leciona:

Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores,
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cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as deter-


minações judiciais.

Verifica-se, portanto, que compete também ao requerido prover o sustento do requerente, e não só
a sua mãe, como vem ocorrendo.
Com relação aos alimentos, cumpre ressaltar que estes são prestações para a satisfação das ne-
cessidades vitais de quem não pode provê-las por si. Deve abranger o que é imprescindível à vida da
pessoa, como alimentação, vestuário, habitação, tratamento médico, diversão, instrução e colaboração.
Segundo Maria Helena Diniz (Curso de Direito Civil Brasileiro, 5. vol., 18. ed., São Paulo: Saraiva,
2003, p. 467),

o fundamento desta obrigação de prestar alimentos é o princípio da preservação da dignida-


de da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e o da solidariedade familiar, pois vem a ser um dever
personalíssimo, devido pelo alimentante, em razão do parentesco que o liga ao alimentado.

Quanto à obrigação de prestar alimentos, o artigo 1.694, caput, do Código Civil, estabelece que

podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que
necessitarem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para aten-
der às necessidades de sua educação.

De acordo com o § 1.º do mesmo dispositivo, os requisitos para a sua concessão são: necessidade
do alimentando e capacidade do alimentante, as quais restaram sobejamente demonstradas nos autos.
Ora, o requerente é menor, não apresenta quaisquer condições de prover o seu sustento sozinho, e sua
mãe vem enfrentando dificuldades, não podendo continuar a fazê-lo sozinha.
De outra parte, além de ter o dever de sustento do filho (embora assim não o faça), o requerido
possui plenas condições de contribuir para a satisfação de suas necessidades vitais.
Pelas razões expostas, imprescindível se faz, data vênia, a fixação de pensão alimentícia a ser paga
pelo requerido, em favor do requerente, pensão esta que se pleiteia no valor correspondente a 1 (um)
salário mínimo, como forma de garantir a criação, saúde, educação e sustento deste com dignidade.

DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS

O artigo 4.º da Lei 5.478/68 (Lei de Alimentos) dispõe que: “Ao despachar o pedido, o juiz fixará
desde logo alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expressamente declarar
que deles não necessita”.
Tendo em vista que as necessidades do requerente são vitais e imediatas, deverão, data máxima
vênia, ser fixados alimentos provisórios,o que desde já se requer.

DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer a Vossa Excelência a concessão e fixação liminar, independentemente de


audiência da parte contrária, de alimentos provisórios em favor do requerente, com seu arbitramento
correspondente a um salário mínimo, a serem pagos através de depósito em nome da mãe do menor,
ora requerente, em conta a ser aberta junto à agência de ...... do Banco ....... por ordem deste Juízo.
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Requer, ainda, a designação de audiência de conciliação, instrução e julgamento, com a citação e


intimação do requerido, para a respectiva audiência e para, querendo, responder aos termos da presente
ação, sob pena de revelia e confissão quanto à matéria de fato.
Igualmente, requer sejam julgados procedentes os pedidos autorais, para condenar o requerido ao
pagamento de pensão alimentícia no valor correspondente a 1 salário mínimo, além do pagamento das
custas processuais, honorários advocatícios e demais efeitos da sucumbência.
Requer a intimação do Ministério Público para os termos da presente ação.
Requer ao final, a concessão dos benefícios da Assistência Judiciária / Justiça Gratuita, por ser o
requerente pobre em sentido legal e, nem ele nem sua mãe terem condições de prover as custas do
processo sem prejuízo de seu sustento e de sua família.
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos especialmente juntada
requisição e exibição de documentos, depoimento pessoal do requerido sob pena de confissão e prova
testemunhal.
Dá-se à causa do valor de......., para efeitos fiscais.

Termos em que

Pede deferimento.

(local e data)

(assinatura e n.º da OAB do advogado)