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Biologia

1. Crescimento e renovação celular

DNA e síntese de proteínas

O programa genético está presente no ácido desoxirribonucleico (DNA), molécula que


coordena toda a atividade celular. Durante muito tempo considerou-se que as proteínas
nucleares eram as moléculas portadoras de informação genética. O DNA, comparado com a
complexidade e diversidade das proteínas, parecia muito simples para explicar as
características especificas de cada organismo.

Só na década de 40 foi considerado o material genético.

Universalidade e variabilidade da molécula de DNA

As moléculas de DNA são invariáveis do ponto de vista químico. Variam de um tipo celular para
outro, o numero e o tamanho das moléculas, mas sobretudo a informação que contém.

Nos seres procariontes, o DNA encontra-se no citoplasma como uma molécula circular, não
tendo, em regra, outros constituintes associados. Essa molécula constitui o nucleoide.

Nas células eucarióticas o DNA encontra-se no núcleo. O núcleo possui duas membranas,
membrana nuclear interna e membrana nuclear externa, que constituem o invólucro nuclear,
com inúmeros poros nucleares para que haja comunicação entre o núcleo e o citoplasma.

Interior do núcleo  Nucleoplasma, local onde estão os cromossomas, massas de material


facilmente corável, constituídos por filamentos de DNA e proteínas. Pode ainda existir um ou
mais nucléolos.

DNA, um polímero de nucleótidos em dupla hélice

Cada organismo possui um património genético que o torna único.

Os constituintes identificados em cada nucleótido são:

- Um grupo fosfato, que confere à molécula características ácidas;

- Um açúcar com cinco átomos de carbono (pentose) – a desoxirribose – C 5H10O4;

- Uma base azotada – das quatro bases azotadas do DNA, a timina e a citosina têm anel
simples, a adenina e a guanina têm anel duplo.

A sequência de nucleótidos é muito importante, pois é nessa sequência que está codificada a
informação genética que define as características de cada indivíduo.

A estrutura do DNA é a mesma em todas as espécies, é universal no mundo vivo.

Proposta da estrutura helicoidal do DNA, macromolécula em cadeia dupla, constituída por


sequências polinucleotídicas complementares e antiparalelas, apresentada em 1953 por
Watson e Crick.

É a sequência de nucleótidos que transporta a mensagem genética.


Embora existam apenas quatro nucleótidos diferentes no DNA, cada um pode estar presente
um grande número de vezes e podem existir diferentes sequências desses nucleótidos, sendo
possível uma grande diversidade de moléculas de DNA. Assim, pode falar-se em universalidade
e variabilidade do DNA.

Totalidade de DNA contido numa célula constitui o genoma de um organismo e os benefícios


do seu conhecimento são inquestionáveis. O QUE É O GENOMA? É a totalidade de DNA
presente em cada célula, igual em todo o organismo.

Replicação do DNA

Antes de Watson e Crick, não tinha sido questionada a forma como acontecia a replicação do
DNA. No processo de replicação semiconservativa, cada uma das cadeias formadas é uma
réplica de uma das cadeias originais. Assim, as novas moléculas de DNA são idênticas às
moléculas originais, sendo cada uma portadora de uma cadeia antiga e de uma cadeia recém-
formada.

Experiências realizadas por Meselson e Stahl com o isótopo “pesado” de azoto, 15N, não
radioativo, mas torna as moléculas mais densas do que o 14N.

- Experiência:

 As bactérias tinham sido cultivadas num meio com 15N, dentro do tubo da centrífuga
migravam para próximo do fundo do mesmo;
 Depois de transferidas para um meio com azoto normal, cada molécula de DNA tem
uma cadeia com 15N e outra com 14N, ou seja, densidade intermédia entre o só com 15N
e o só com 14N.
 Na 2ª geração obtém-se 50% das moléculas com 15N e 14N e outros 50% só com 15N.
 Seguidamente 75%|25%; 87,5%|12,5%; etc.
Consequentemente, os resultados destas experiências apoiam o modelo de replicação
semiconservativa. Os mecanismos subjacentes à autoduplicação da molécula são, no essencial,
idênticos em todos os seres vivos.
Na replicação semiconservativa forma-se uma copia integral de cada uma das cadeias
constituintes da molécula original, através da polimerização ordenada de nucleótidos, segundo
a regra da complementaridade de bases.
Permite que a partir de uma sequência de nucleótidos de uma
cadeia se possa determinar a sequência da outra cadeia.
O modelo da replicação semiconservativa permite explicar a transmissão do programa
genético no decurso das divisões celulares.

Composição e estrutura do RNA


O ácido ribonucleico é quimicamente muito próximo do DNA. Cada nucleótido do RNA
Contém um grupo fosfato, uma pentose (ribose), e uma base azotada (adenina, uracilo,
citosina, guanina). O uracilo é uma base azotada de anel simples que pode formar 2 ligações
de hidrogénio com a adenina.

PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE RNA | DNA


Uma cadeia polinucleotídica. | Duas cadeias polinucleotídicas.
A pentose é a ribose. | A pentose é a desoxirribose.
As bazes azotadas presentes são A, G, U e C. | As bases azotadas presentes são A, G, T, C.
A razão Adenina–Uracilo e Guanina–Citosina varia. | A razão Adenina–Timina e Guanina-
Citosina não varia.
A quantidade varia de célula para célula e dentro da mesma célula de acordo com a atividade
metabólica. | A quantidade é constante em todas as células da mesma espécie (exceto
gâmetas e certos esporos).
Quimicamente pouco estável. | Quimicamente muito estável.
Pode ser temporário, existindo por curtos períodos. | Permanente.
Apresenta 3 formas básicas: mensageiro, transferência e ribossómico. | Somente uma forma
básica.

Fluxo de interação genética – Biossíntese de proteínas


A ordem dos nucleótidos num gene determina a ordem dos aminoácidos na proteína. No
entanto, as células não usam diretamente a informação contida no DNA. É o ácido ribonucleico
que estabeleça a transferência de informação.
mRNA  Formadas no núcleo que migram para o citoplasma, transportando a mensagem que
estava contida num gene. Mensageiro entre DNA e ribossomas.
Estes (ribossomas) são constituídos por duas subunidades de tamanhos diferentes em cuja
constituição entram proteínas e um tipo de RNA chamado RNA ribossómico (rRNA).

Código Genético
A informação contida no DNA é copiada para o mRNA, sendo posteriormente descodificada e
traduzida ao nível dos ribossomas numa sequência de aminoácidos que constituem uma
determinada proteína. Cada grupo de três nucleótidos do mRNA que codifica um determinado
aminoácido, o início ou o fim da síntese de proteínas tem o nome de codão.
AUG – Codão de iniciação, Metionina | UGA, UAA, UAG – Codões de finalização.

Universalidade do código genético – Em todos os seres vivos existe uma linguagem comum a
todas as células, o código genético. A um determinado codão corresponde o mesmo
aminoácido na maioria dos organismos.
O código genético é redundante – existem vários codões que podem codificar o mesmo
aminoácido.
O código genético não é ambíguo – um determinado codão não codifica dois aminoácidos
diferentes, codifica apenas um e um só a.a.
O terceiro nucleótido de cada codão não é tão específico como os dois primeiros – Por
exemplo o a.a. arginina pode ser codificado pelos codões CGU, CGC e CGA.

Mecanismo da síntese de proteínas


Transcrição – Informação contida em cada gene é copiada para RNA.
Tradução – Informação contida nas moléculas de mRNA é traduzida em sequências de
aminoácidos.

Intervenientes e as suas funções |TRANSCRIÇÃO|


Cadeia de DNA – Molde para a síntese de RNA
Nucleótidos de RNA (ribonucleótidos) – Síntese de RNA
RNA-polimerase (enzima) – catalisador das reações
Só uma das cadeias do DNA é utilizada como molde. A síntese de RNA a partir de nucleótidos
livres faz-se na direção 5”  3”. Nas células eucarióticas, a transcrição ocorre no núcleo
formando o pré-mRNA. Mais tarde os intrões são expulsos, formando-se o mRNA
(Processamento).

Tradução da informação genética – A informação genética contida no mRNA é traduzida numa


sequência de aminoácidos (polipéptidos), havendo intervenção de vários componentes.

Intervenientes e as suas funções |TRADUÇÃO|


mRNA – Contém as informações para a síntese de proteínas.
Aminoácidos – Moléculas básicas para a construção de proteínas.
tRNA – Transfere os aminoácidos para os ribossomas.
Ribossomas – Sistemas de leitura onde ocorre a tradução.
Enzimas – Catalisam as reações.
ATP – Transferem energia para o sistema.
Tradução (iniciação, alongamento, finalização)
Iniciação – A subunidade pequena do ribossoma liga-se ao mRNA na região de AUG. O tRNA,
que transporta o aminoácido metionina, liga-se ao codão de iniciação. A subunidade grande
ribossomal liga-se à pequena subunidade. O ribossoma está funcional.
Alongamento – O anticodão de um novo tRNA, que transporta um segundo aminoácido, liga-
se ao segundo codão por complementaridade. Estabelece-se uma ligação peptídica entre o
aminoácido que ele transporta e a metionina. O ribossoma avança três bases e o processo
repete-se ao longo do mRNA. Continua a tradução para a construção da proteína.
Finalização – Quando o ribossoma chega a um codão de finalização e por complementaridade
o reconhece, termina a síntese. Os componentes do complexo de tradução separam-se. As
subunidades ribossomais podem ser utilizadas para formar um novo complexo de iniciação
com uma molécula de mRNA.

O RNA de transferência seleciona e transfere os aminoácidos para o lugar de síntese, os


ribossomas. Cada tRNA tem numa zona especial uma sequência de três nucleótidos, o
anticodão, que é complementar de um dos codões do mRNA. Na extremidade 3’ da molécula
de tRNA liga-se o respetivo aminoácido. Implicam transferências de energia.
Na síntese de proteínas, processo complexo em que participam vários intervenientes, podem
salientar-se como características importantes a complexidade, a rapidez e a amplificação.
Rapidez – Proteínas complexas produzidas em apenas alguns minutos.
Amplificação – No decurso do processo, algumas fases são amplificadas, transcrição repetida
da mesma zona de DNA, e tradução repetida do mesmo mRNA.
Complexidade – Intervenção de vários agentes.
Várias moléculas de mRNA podem ser sintetizadas a partir de um mesmo gene no DNA, assim
como a mesma mensagem do mRNA pode ser descodificada várias vezes por diferentes
ribossomas, criando assim várias cadeias polipeptídicas idênticas. Assim, apesar do mRNA ter
curta duração, como a mensagem pode ser traduzida várias vezes, a sua atividade é
amplificada.
Alteração do material genético
As alterações na sequência nucleotídica do DNA têm o nome de mutações génicas e os
indivíduos que as manifestam dizem-se mutantes.
Algumas consequências de diferentes mutações: Albinismo, Hemofilia, Daltonismo.
O efeito de uma mutação a nível celular pode ser tão pequeno que não permite evidenciar-se
facilmente, mas pode também ser tão significativo que pode conduzir à morte da célula ou do
organismo.
Devido à redundância do código genético, ocorrem mutações que não provocam alterações
nas proteínas, pois o codão mutado pode codificar o mesmo aminoácido (mutações
silenciosas). Também, o aminoácido sintetizado pode ter propriedades semelhantes às do aa
substituído, ou pode ocorrer numa zona que não é determinante para a proteína sintetizada.
Também as mutações podem ajudar na produção de proteínas extremamente úteis, nem
todas as mutações têm efeitos negativos no organismo. É por causa delas que existe uma tão
grande diversidade de genes no mundo vivo, permitindo a evolução de espécies.
Mutações que ocorrem ao nível dos gâmetas – mutações germinais, podem ser transmitidas à
geração seguinte.
Mutações que ocorrem nas outras células – mutações somáticas, não são transmissíveis à
descendência.
Raios X, raios gama, radiações ultravioleta, calor, alguns componentes do fumo do tabaco, etc.
podem aumentar a incidência de mutações.

Ideias-Chave:
1. O fluxo de informação genética na célula é: DNA  RNA  Proteínas;
2. O código genético é o mesmo para todos os seres vivos, é universal. Esta
universalidade está na base de várias aplicações biotecnológicas;
3. As mutações introduzem variabilidade na informação genética.
2º TESTE
Ciclo Celular
Quando as células se dividem, cada uma, em regra, origina duas células-filhas, geneticamente
iguais à célula mãe.
Nos organismos unicelulares (como as bactérias ou leveduras), cada divisão corresponde à
reprodução, a partir de uma célula formam-se duas ou mais células independentes.
Nos pluricelulares não é assim tão simples. Tanto nos eucariontes como nos procariontes há
uma grande precisão na duplicação da informação genética e na sua divisão pelas células-
filhas.

Estrutura dos cromossomas das células eucarióticas


Nos eucariontes, o DNA está no núcleo das células associado a proteínas. Os cromossomas
podem apresentar-se ao longo da vida das células de forma distendida ou de forma
condensada.
A unidade básica de um cromossoma de uma célula eucariótica é uma longa molécula de DNA
que se encontra ligada a proteínas. O DNA transporta a informação genética, enquanto as
proteínas são responsáveis pela forma física e pela regulação da atividade do DNA.
Fases do ciclo celular
Geralmente, as células crescem, aumentam o seu conteúdo e depois dividem-se. O conjunto
de transformações que ocorrem até a divisão da célula chama-se ciclo celular, constituído por
duas fases: Interfase e Fase Mitótica.
A interfase corresponde ao período compreendido entre o fim de uma divisão celular e o
início da seguinte. A fase mitótica diz respeito ao período durante o qual ocorre a divisão
celular. De forma geral, as células passam perto de 90% das suas vidas em interfase, período
de intensa atividade biossintética. As células possuem microtúbulos, constituídos por uma
proteína e coordenados por um Centro Organizador De Microtúbulos. Nas células animais é
constituído pelo centrossoma, que inclui os centríolos dispostos perpendicularmente.

Interfase
Nesta fase, os cromossomas encontram-se distendidos, não sendo visíveis ao microscópio.
G1  Intensa atividade biossintética (proteínas estruturais, enzimas e RNA), havendo ainda
formação de organelos celulares e, consequentemente, um notório crescimento da célula. É
neste período que são sintetizadas as histonas que são incorporadas no DNA.
S  Autorreplicação de cada uma das moléculas de DNA. A estas novas moléculas associam-
se as respetivas proteínas e, a partir desse momento, cada cromossoma passa a ser constituído
por dois cromatídeos ligados pelo centrómero. Nas células animais, fora do núcleo, dá-se ainda
a duplicação dos centríolos, originando-se dois pares.
G2  Decorre entre o final da síntese de DNA e o início da mitose. Neste período dá-se,
sobretudo, a síntese de biomoléculas necessárias à divisão celular, como, p. e., proteínas que
vão ser usadas na fase mitótica.
Fase Mitótica
Apesar de poder variar de organismo para organismo em pormenores, na maior parte das
células eucarióticas o processo é semelhante. Na fase mitótica podem considerar-se duas
etapas: Mitose ou Cariocinese – divisão do núcleo; Citocinese – divisão física do citoplasma.
A mitose é o conjunto das transformações durante as quais o núcleo da célula eucariótica se
divide. Nesta fase, as células reorganizam os seus microtúbulos na forma de um fuso bipolar,
estando o MTOC nos polos do fuso. Embora a mitose seja um processo contínuo, distinguem-
se convencionalmente 4 etapas: Prófase, Metáfase, Anáfase, Telófase.
1. Prófase – Os filamentos de cromatina condensam-se, tornando-se cada vez mais
grossos e mais curtos. Cada cromossoma é constituído por dois cromatídeos unidos
pelo centrómero. Os dois pares de centríolos começam a afastar-se formando-se,
entre eles, o fuso acromático ou mitótico constituído por um sistema de microtúbulos
proteicos. Desorganiza-se o invólucro nuclear e o nucléolo.
2. Metáfase – Os cromossomas atingem o seu máximo encurtamento. Os pares de
centríolos estão nos polos da célula. O fuso acromático completa o seu
desenvolvimento, notando-se que alguns microtúbulos se ligam a cromossomas. Os
cromossomas dispõem-se com os centrómeros no plano equatorial (plano
equidistante entre os dois polos), voltados para o centro desse plano e com os braços
para fora. Imobilizados na placa equatorial e prontos para se dividirem.
3. Anáfase – Dá-se a clivagem de cada u dos centrómeros, separando-se os cromatídeos
que passam a constituir dois cromossomas independentes. Os microtúbulos ligados
aos cromossomas encurtam-se e estes começam a afastar-se, migrando para polos
opostos: ascensão polar dos cromossomas-filhos (1 cromatídeo).
4. Telófase – A membrana nuclear reorganiza-se à volta dos cromossomas de cada célula-
filha. Os nucléolos reaparecem. Dissolve-se o fuso mitótico. Os cromossomas
descondensam-se e alongam-se, tornando-se menos visíveis. A célula fica constituída
por dois núcleos, terminando assim a mitose.
Citocinese – Diz respeito à divisão do citoplasma e, portanto, à consequente individualização
das duas células-filhas.
Em regra, nos dois últimos estádios da mitose, forma-se na zona na zona do placo equatorial
um anel contráctril de filamentos proteicos (actina). Estes contraem-se e puxam a membrana
para dentro, causando um sulco de clivagem que vai estrangulando o citoplasma, até se
separarem as duas célula-filhas.

Aspetos comparativos da fase mitótica em células animais e em células vegetais


Apesar de seguirem o mesmo modelo, há algumas diferenças importantes, quer na mitose
quer na citocinese. Ao contrário das células animais, nas células das plantas superiores o
centro organizador de microtúbulos não possui centríolos visíveis. Os microtúbulos estão na
dependência do centro organizador de microtúbulos e é à sua coordenação que se deve o
movimento dos cromossomas (Não percebi mitose nas células vegetais). Respetivamente à
citocinese o processo é substancialmente diferente.
Nas células animais, a citocinese ocorre por estrangulamento. Nas células vegetais, como
possuem a parede celular, as vesículas derivadas do complexo de Golgi alinham-se no plano
equatorial e fundem-se formando uma estrutura plana. Nesta estrutura as membranas das
vesículas originam as membranas celulares das células-filhas e o conteúdo das vesículas possui
os percursores da parede celular.
Apesar das células eucarióticas se dividirem seguindo os mesmos mecanismos, o ritmo e o
movimento são muito variáveis dependendo do tipo de célula e dos fatores ambientais.

Regulação do ciclo celular


Os mecanismos de regulação do ciclo celular atuam fundamentalmente em três pontos: no
final de G1, durante a mitose e no final de G2.
Controlo em G1 – Neste ponto de controlo a célula pode entrar em G0 ou então desencadear-
se-á a apoptose ou a morte celular, se o DNA se apresentar danificado e não puder ser
reparado.
Controlo em G2 – O Ciclo Celular prossegue se o DNA se autorreplicou de forma apropriada.
Caso contrário, ocorre apoptose celular.
Controlo M – A mitose é interrompida se os cromossomas não se alinham de forma adequada
ou não se distribuem de forma equitativa.
Quando estes mecanismos falham, pode ocorrer, por exemplo, um cancro ou neoplasia
maligna. Numa neoplasia as células dividem-se descontroladamente e podem adquirir
características de malignidade. Pode ocorrer a metastização – Invadir tecidos vizinhos e
espalharem-se pelo corpo. Os mecanismos de regulação são influenciados por moléculas
provenientes tanto do meio interno como do meio externo, logo é fácil perceber a influência
do tabaco, p.e.. Também temos que evitar situações que possam danificar o DNA, como
radiações, onde os mecanismos de controlo e de reparação podem não atuar.

Estabilidade do programa genético


Depois da fase S, os cromossomas ficam constituídos por dois cromatídeos ligados por um
centrómero. Neste momento, as células têm informação genética duplicada. Os dois
cromatídeos de cada cromossoma são idênticos. Durante a mitose, cada um migra para os
polos da célula. Assim, na anáfase ocorre uma divisão equitativa dos cromossomas, e por isso,
do DNA, pelas células-filhas. Por este processo, recebem um número de cromossomas idêntico
ao da célula-mãe, logo a mesma informação genética, garantido a estabilidade genética
através das gerações, se não acontecer nenhum erro.

Crescimento e regeneração de tecidos


A reposição de todas as células só é possível devido à capacidade das células se dividirem,
assim como a regeneração de tecidos. Para além da reprodução e do crescimento, a divisão
celular é fundamental para assegurar a manutenção da integridade física dos indivíduos.
Mecanismo vital que permite manter a vida.

Diferenciação celular
As células de um organismo, que provieram de uma célula-ovo por divisões mitóticas
sucessivas, contêm, no seu núcleo, exatamente os mesmos cromossomas e, por isso, a mesma
informação genética. No entanto, constituem órgãos e tecidos diferentes, onde assumem
formas e funções diferentes. No corpo humano calcula-se que existam mais de 200 tipos de
células diferentes. As diferentes combinações dessas células especializadas levam à formação
de estruturas complexas, que desempenham funções complexas. Por exemplo, no olho
teremos células especializadas na captação da luz e no cérebro na identificação da imagem. No
entanto, todas as células receberam o mesmo património genético.
Ao longo do desenvolvimento de um indivíduo ocorre, em regra, um conjunto de processos
onde células geneticamente idênticas se diferenciam. Esta especialização bioquímica e
morfológica, chamada diferenciação celular, acarreta alterações não só ao nível da função,
mas também da composição e da estrutura das células. Calcula-se que cada célula diferenciada
possua, num determinado momento, apenas 5% a 10% do seu DNA ativo.
Primeiramente, os biólogos apresentaram uma hipótese onde diziam que a célula perdia parte
dos seus genes, retendo apenas aqueles que eram funcionais num determinado órgão.
Em 1950, Steward, a partir de cenouras, obteve plantas completas através de células
diferenciadas da raiz (???). Estavam dados os primeiros passos da clonagem. Os clones podem
ser definidos ao nível dos genes, das células ou mesmo dos indivíduos. Também Briggs,
transplantado núcleos de células especializadas de um girino para óvulos cujo núcleo tinha
sido destruído, conseguiram girinos.
A partir destes resultados, verifica-se que, em determinadas circunstâncias, as células
diferenciadas podem perder a sua especialização, transformando-se em células
indiferenciadas. Readquirem a capacidade de originar um indivíduo complexo e dizem-se
totipotentes, pois conservam todas as potencialidades genéticas do núcleo inicial.
Assim conclui-se que as células conservam todo o DNA embora apenas uma parte esteja ativa.
Totipotentes, pluripotentes, multipotentes, unipotentes, especializadas.
Metaplasias – Mudanças reversíveis num determinado tipo de células que são substituídas por
células de outro tipo. Por exemplo, as células que revestem as paredes da traqueia e dos
brônquios têm uma forma colunar e apresentam cílios à superfície. Nos fumadores, essas
células vão sendo substituídas por outras desprovidas de cílios e com forma paralelepipédica.
Provavelmente, este tipo de tecido resiste melhor às agressões causadas pelo fumo; contudo,
perdem-se importantes mecanismos de defesa como o muco e os cílios existentes nas células.

As potencialidades genéticas dos indivíduos superam largamente as características que eles


expressam.
Muitos genes que constituem o património genético destinam-se a regular o funcionalmente
de outros genes.
Os genes que se expressam num determinado contexto dependem das relações que se
estabelecem entre o DNA e o ambiente que caracteriza esse contexto.
Muitas das potencialidades genéticas das células diferenciadas encontram-se inibidas e nunca
chegam a expressar-se.

Reprodução nos seres vivos


A continuidade da vida é assegurada pela reprodução (conjunto de processos pelos quais os
seres vivos originam novos seres vivos idênticos). Há dois tipos fundamentais: reprodução
sexuada e reprodução assexuada.
 Reprodução assexuada – Formam-se novos indivíduos a partir de um só progenitor,
sem ocorrer fusão de gâmetas, ou seja, fecundação.
 Reprodução sexuada – Os novos indivíduos são originados a partir de um ovo, célula
que resulta da fusão de dois gâmetas.
A reprodução é sempre baseada na divisão celular e, logicamente, na capacidade de
replicação do DNA, garantindo a passagem de informação genética ao longo das sucessivas
gerações.

Reprodução assexuada
Os seres procariontes e a maioria dos seres unicelulares eucariontes podem reproduzir-se
assexuadamente. Também ocorre em muitos seres multicelulares.

Processos Algumas características Exemplos


Bipartição Divisão de um ser em dois com idênticas Amiba;
dimensões. Paramécia;
Planária
Gemulação Formação de uma ou mais saliências, os Leveduras;
gomos ou gemas, que se desenvolvem e Hidras de água doce;
separam, originando novos seres. Anémonas-do-Mar
Esporulação Formação de células reprodutoras, os Bolores como o do pão ou
esporos, cada um dos quais pode originar da fruta.
um novo indivíduo.
Multiplicação Formação de novos seres a partir do Batateira (tubérculo)
Vegetativa desenvolvimento de certas estruturas Lírio (rizoma)
vegetativas, como raízes, caules, folhas. Cenoura (raiz)
Morangueiro – estolhos.
Fragmentação Separação de fragmentos do corpo, Estrelas-do-mar
originando cada fragmento um novo Algas
indivíduo por regeneração. Plantas
Partenogénes Formação de novos indivíduos Rotíferos
e exclusivamente a partir do Pulgões como o da roseira
desenvolvimento de gâmetas femininos.

Neste tipo de reprodução verificam-se multiplicações celulares em que o núcleo se divide por
mitose e, por isso, os indivíduos das sucessivas gerações são, em geral, idênticos
geneticamente entre si e também idênticos ao respetivo progenitor, do qual recebemos todos
os genes.
A produção de indivíduos geneticamente iguais chama-se clonagem. Esta designação pode ser
atribuída a qualquer processo de reprodução assexuada e os indivíduos originados constituem
clones.

Clonagem nas plantas


Certas plantas reproduzem-se naturalmente por multiplicação vegetativa. Além dos processos
naturais, foram-se desenvolvendo técnicas de propagação artificial de espécies com interesse
económico.
O termo clonagem passou a ter um significado especial; diz também respeito ao processo de
obtenção de indivíduos geneticamente iguais através de técnicas de manipulação de células e
tecidos. Usando a técnica de micropropagação em cultura in vitro, podem ser produzidas
rapidamente milhares de plantas a partir de uma planta original. Assim, podem povoar-se
rapidamente jardins, pomares, …. Tem permitido também a recuperação de espécies
ameaçadas de extinção.

Vantagens Desvantagens
É utilizado um só indivíduo selecionado Requer uma técnica especializada.
pelos seus caracteres. Equipamentos sofisticados.
Pessoal qualificado
Os caracteres pretendidos permanecem em Aumenta a probabilidade de uma vasta
todos os indivíduos. plantação ser totalmente dizimada por
As plantas obtidas são robustas e saudáveis. parasitas, uma vez que os indivíduos são
geneticamente iguais.

Clonagem em animais
É pouco comum nos animais complexos. No entanto, surgem, por vezes, os chamados gémeos
verdadeiros, mesmo na espécie humana.
Dolly é um clone de uma ovelha de onde foi retirado o núcleo de uma célula diferenciada e
introduzido num oócito já sem núcleo. Foram necessárias muitas tentativas. A taxa de sucesso
é pequena, nascendo muitas vezes seres vivo com deformações.
A possibilidade de clonar um animal, utilizando a transferência de um núcleo de uma célula
especializada pode perder a sua especificidade, comportando-se como o núcleo de um ovo.

A mitose é o único processo de divisão nuclear que se verifica na reprodução assexuada.


Reprodução sexuada
Neste tipo de reprodução, os indivíduos das sucessivas gerações não apresentam uma
uniformidade de informação genética. Os descendentes possuem caracteres comuns entre si e
também com os progenitores, de acordo com a espécie a que pertencem, mas apresentam
também diferenças significativas em consequência, nomeadamente, dos fenómenos de
fecundação e meiose que ocorrem.

Fecundação e meiose
A reprodução sexuada implica que ocorra a fusão de dois gâmetas, o gâmeta masculino e o
gâmeta feminino, ou seja, é necessário que se verifique fecundação. A célula resultante (ovo)
tem um conjunto de cromossomas que provêm de cada um dos gâmetas. Cada par de
cromossomas, um de origem materna e outro de origem paterna, são chamados homólogos.
Têm a forma e estrutura semelhantes e são portadores de genes para os mesmo caracteres. As
células que os possuem chamam-se células diploides (2n).

Meiose – redução cromossómica


É o processo de divisão nuclear através do qual, a partir de uma célula com núcleo diploide, se
podem formar células com núcleo haploide.
Na meiose ocorrem duas divisões sequenciais, a divisão I e a divisão II, dando origem a quatro
núcleos haploides. A divisão I é precedida pela interfase. No período S efetua-se a replicação
do DNA constituinte dos cromossomas.

Divisão I – Divisão reducional:


1. Prófase I – Os dois cromossomas de cada par emparelham, justapondo-se gene a gene,
formando bivalentes. Ao dar-se o emparelhamento surgem pontos de cruzamento
entre cromatídeos, pontos de quiasma. Nestes pontos, pode haver rutura de
cromatídios podendo ocorrer trocas recíprocas de segmentos de cromatídios entre
dois cromossomas homólogos. Este fenómeno designa-se crossing-over. No final,
diferencia-se o fuso acromático e desintegra-se o invólucro nuclear.
2. Metáfase I – Os bivalentes ligam-se a microtúbulos do fuso acromático pelos
centrómeros. Os pontos de quiasma localizam-se no plano equatorial do fuso
acromático. A orientação dos pares de cromossomas homólogos em relação aos polos
da célula é independente e efetua-se por acaso.
3. Anáfase I – Os dois cromossomas homólogos de cada bivalente separam-se e cada
cromossoma, constituído por dois cromatídios, migra para um dos polos da célula.
4. Telófase I – Os cromossomas atingem os polos da célula, tornando-se mais finos e mais
longos. O fuso acromático desaparece e forma-se o invólucro nuclear em volta de cada
conjunto de cromossomas. Cada núcleo tem metade do número de cromossomas do
núcleo diploide inicial.

Em alguns casos, na parte final da divisão I, efetua-se uma citocinese, formando-se duas
células haploides.

Divisão II – Divisão equacional:


1. Prófase II – Os cromossomas constituídos por dois cromatídeos tornam-se mais
grossos e mais curtos. Organiza-se o fuso acromático e o invólucro nuclear desaparece.
2. Metáfase II – Os cromossomas, no seu máximo de encurtamento, dispõem-se na zona
equatorial do fuso acromático com os centrómeros no plano equatorial do fuso
acromático.
3. Anáfase II – Os centrómeros dividem-se e os dois cromatídios de cada cromossoma,
que passam a constituir cromossomas independentes, separam-se e migram para
postos opostos da célula.
4. Telófase II – Os cromossomas chegam aos polos da célula e tornam-se mais finos e
longos. Organiza-se um invólucro nuclear em volta de cada conjunto de cromossomas.

No final da Divisão II formam-se quatro células haploides, contendo, cada uma, um


cromossoma de cada par de homólogos.

Alterações ao nível dos cromossomas


Durante os fenómenos complexos da meiose podem ocorrer, ocasionalmente, erros que
conduzem a alterações na estrutura ou no número de cromossomas das células restantes.
Designadas por mutações cromossómicas que podem ser numéricas ou estruturais.
Mutações numéricas – Anomalias em que há alteração do numero de cromossomas. Podem
ocorrer em diferentes etapas da meiose:
1. Durante a divisão I, pela não separação de cromossomas homólogos;
2. Durante a divisão II, pela não separação de cromatídios de cada cromossoma.

Mutações estruturais – Envolvem alterações no número ou no arranjo dos genes, mas


mantém-se o número de cromossomas. É sobretudo a rutura da estrutura linear dos
cromossomas durante o crossing-over, seguida de uma reparação deficiente, que é
responsável pelo aparecimento de sequências anormais de genes.

Mutações estruturais:
a) Deleção  Perde um segmento;
b) Duplicação  Duplicação de um segmento;
c) Inversão  Um segmento troca de posição, inversão de 180º;
d) Translocação  Transferência de um segmento entre cromossomas não-homólogos.

As mutações podem ser espontâneas ou induzidas por agentes exteriores como raios X ou
certos agentes químicos. A maioria das mutações cromossómicas são prejudiciais para o
indivíduo que é portador ou para os seus descentes.

Mitose e meiose – Aspetos comparativos

Prófase e Prófase I : Cromatídios-irmãos / Tetradacromatídica; Cromossomas replicados nos


dois;
Metáfase e Metáfase I : Os cromossomas alinham-se no plano equatorial / Tetradas alinham-
se no plano equatorial;
Anáfase, Telófase e Anáfase I, Telófase I : Cromatídios-irmãos separam-se na telófase /
Cromossomas homólogos separam-se na anáfase I. Os cromatídios-irmãos continuam unidos.
Os cromatídios irmãos separam-se na Anáfase II.

Características Mitose Meiose


Número de divisões 1 2
Número de núcleos formados 2 4
Emparelhamento de cromossomas homólogos Não ocorre Ocorre
Número de cromossomas das células-filhas em relação em Igual Metade
relação à célula-mãe
Fenómenos de crossing-over Não se efetuam Efetuam-se

Reprodução sexuada e variabilidade genética


Os descendentes são semelhantes e não iguais, pois apresentam uma mistura de genes
paternos e maternos. As quatro células haploides resultantes de uma meiose, apesar de
apresentarem o mesmo número de cromossomas, não possuem entre si a mesma informação
genética. Durante a anáfase I, os diferentes pares homólogos separam-se independentemente
uns dos outros, de modo que diversas combinações de cromossomas de origem paterna e
origem materna podem ocorrer. Isto contribui para a variação genética das células resultantes
da meiose.
Na espécie humana, o numero possível de combinações é 2 23, cerca de 8 milhões de tipos de
gâmetas, sendo que ainda é mais elevado devido ao crossing-over. A meiose, para alé, de
assegurar a estabilidade de cromossomas próprios de cada espécie de geração em geração,
permite novas recombinações genéticas, contribuindo para uma acentuada variabilidade de
características de descendência.
A variabilidade genética dos indivíduos deve-se à meiose e à fecundação:
 À meiose porque a separação dos cromossomas homólogos se efetua ao acaso e
também devido ao fenómeno de crossing-over;
 À fecundação porque ocorre a união ao acaso dos gâmetas com informação genética
diferente.

3º TESTE

Reprodução sexuada nos animais


Nos animais, as estruturas onde se produzem os gâmetas chamam-se gónadas (testículos e
ovários). Quando os dois se encontram no mesmo indivíduo, esse designa-se hermafrodita.
Quando os sexos estão separados chama-se unissexuados.
Em organismos que vivem isolados, como a ténia, verifica-se autofecundação; tratando-se de
um caso de hermafroditismo suficiente. Hermafroditismo insuficiente é quando um indivíduo
tem os dois sexos, mas não tem a capacidade de reproduzir sozinho.
Nos animais em que ocorre unissexualismo, existem dois tipos de fecundação;
1. Fecundação externa – Efetua-se em meio líquido e sucede na maioria das espécies
aquáticas, ou em seres vivos que procuram a água para reprodução, como as rãs.
Machos e fêmeas lançam os ovos para o meio aquático.
2. Fecundação interna – Efetua-se no interior do organismo da fêmea. Macho deposita
espermatozoides e segue-se a fecundação. Este tipo de fecundação é fundamental
nos seres terrestres, pois os gâmetas não suportam a dessecação que se verifica em
meio terrestre.

PARADA NUPCIAL – Normalmente é o macho que, pelo seu comportamento, tenta atrair a
fêmea através de um complexo ritual.

Reprodução sexuada nas plantas


Nas plantas, as estruturas onde são formados os gâmetas designam-se por gametângios.
Nas flores os órgãos reprodutores masculinos são os estames e os femininos são os carpelos.
Podem ser hermafroditas ou unissexuadas. Na época de reprodução, desabrocham as flores.
Nas anteras (constituinte dos estames) existem sacos polínicos (pluricelulares) onde são
produzidos grãos de pólen. Nos carpelos, ao nível dos ovários, encontram-se os óvulos.
Pode ocorrer polinização direta ou cruzada. Cruzada permite maior variabilidade genética das
novas gerações.

Ciclos de vida – unidade e diversidade


A sequência de etapas que ocorrem na vida de um organismo, desde que se forma até que
produz a sua própria descendência, constitui o seu ciclo de vida.

Ciclo de vida de uma alga – a espirogira


Quando ocorre reprodução sexuada são os conteúdos das células que constituem os
filamentos que vão funcionar como gâmetas.
Quando dois filamentos de espirogira se encontram próximos formam-se saliências que
crescem e entram em contacto formando um canal, tubo de conjugação.
O conteúdo de cada célula condensa-se (gâmeta dador) e desloca-se pelo tubo até à célula do
outro filamento ao encontro do gâmeta recetor.
Após a fecundação, os filamentos desagregam-se, ficando cada um dos ovos rodeados por
uma parede espessa, em estado de vida latente, geralmente durante o inverno, até que as
condições ambientais voltem a ser favoráveis. O núcleo de cada ovo divide-se por meiose,
formando quatro núcleos. Três degeneram, ficando a célula com um único núcleo haploide.
Através de divisões mitóticas, forma-se um novo filamento de espirogira. Verifica-se alteração
de fases nucleares: uma fase haploide (entre a meiose e a fecundação), e uma fase diploide
(zigoto). A espirogira é um organismo haplonte, todo o ciclo de vida decorre na fase haploide,
com exceção do ovo. Quando a reprodução é assexuada, o organismo adulto fragmenta-se e
as células de cada fragmento dividem-se por mitose (não há alternância de fases nucleares e a
informação genética mantém-se).
Ciclo de vida de um feto – o polipódio
Reproduz-se assexuadamente, por multiplicação vegetativa, através dos rizomas (caules
subterrâneos) e também por reprodução sexuada.
Na época de reprodução surgem, na parte inferior do limbo das folhas, formações
amareladas: são grupos de estruturas pluricelulares (esporângios, contêm células-mães dos
esporos quando jovens). Essas células-mães dividem-se por meiose, originando esporos que
são libertados quando maduros. Os que caem em solo favorável germinam e criam uma
estrutura com cerca de 1cm, protalo.
Na face inferior formam-se gametângios (masculinos – anterídios; femininos – arquegónios).
Os gâmetas masculinos, anterozoides, movimentam-se na água que embebe o protalo, até ao
gametângio feminino, onde ocorre a fecundação. O zigoto começa a desenvolver-se sobre o
protalo formando uma planta adulta.
Neste ciclo de vida verifica-se alternância de fases nucleares, pois ocorre fecundação e
meiose. A fase diploide é mais desenvolvida, fase do organismo adulto. É um ser
haplodiplonte, a fase haploide e a diploide são bem diferenciadas, incluindo entidades
multicelulares.
Na multiplicação vegetativa não se verifica alternância de fases nucleares (não ocorre meiose
nem fecundação).

Ciclo de vida de um mamífero


Nos mamíferos a reprodução é exclusivamente sexuada, existindo unissexualismo. A produção
de gâmetas ocorre nas gónadas, através da meiose. Também apresentam alternância de fases
nucleares. A fase mais diferenciada é a fase diploide, pois corresponde ao organismo adulto.
São seres diplontes, pois como a meiose ocorre quando se formam os gâmetas todo o ciclo de
vida decorre na fase diploide, exceto os gâmetas.

Relações entre o ciclo de vida dos organismos e o meio

As condições do meio interferem, de um modo geral, nas soluções de reprodução. Na


espirogira, no polipódio e plantas com flores ocorre reprodução assexuada até que as
condições sejam favoráveis. Isto também acontece nos animais (pulgões ou afídios).

Tipo de reprodução Vantagens Desvantagens


Reprodução - Assegura a formação de clones, visto - A diversidade dos
assexuada que a mitose é o processo de divisão indivíduos produzidos
nuclear que ocorre. é praticamente nula.
- Todos os indivíduos podem originar - Difícil adaptação dos
descendentes. novos indivíduos a
- Processo rápido e com pouco mudanças do meio.
dispêndio de energia. - Não favorece a
- Um só indivíduo pode originar muitos evolução das espécies.
descendentes.
Reprodução sexuada - Proporciona uma grande variabilidade - Processo lento.
de características na descendência. - Grande dispêndio de
- A diversidade de características energia, quer na
permite às espécies não só maior formação dos gâmetas
capacidade de sobrevivência, caso haja quer nos processos
mudanças ambientais, mas também que desencadeiam a
proporciona evolução para novas fecundação.
formas.
Intervenção humana no ciclo de vida dos seres vivos
A atuação humana nos ecossistemas tem vindo a causar interferências no ciclo de vida de
muitas espécies, pondo em risco a preservação de algumas delas.

Unicelularidade e multicelularidade
Dos seres procariontes aos seres eucariontes
As células procarióticas são estruturalmente simples, mas possuem grande diversidade
metabólica, apesar de não terem quaisquer organelos, como mitocôndrias e cloroplastos;
apresentam ribossomas de dimensões inferiores aos das células eucarióticas. Podem ser
fotoautotróficas, tendo os pigmentos fotossintéticos na membrana celular.
As células eucarióticas apresentam uma constituição bem mais complexa, nomeadamente no
que respeita ao matéria genético que se encontra organizado no núcleo, e à grande
abundância de estruturas membranares.
De acordo com os fósseis, os procariontes estão na origem da vida e os eucariontes
apareceram há cerca de 1500 anos, cerca de 2 milhões de anos após os procariontes.
Há várias hipóteses para explicar o aparecimento dos eucariontes.

O modelo autogenético admite que a célula eucariótica terá surgido a partir de organismos
procariontes por invaginações sucessivas de zonas da membrana plasmática seguidas de
especialização. Uma dessas invaginações terá cercado o material genético, DNA, o que terá
dado origem ao núcleo individualizado. Alguns fragmentos de DNA teriam posteriormente
abandonado o núcleo e originado as mitocôndrias e cloroplastos, ao serem alojados noutros
sistemas membranares no interior da célula. Segundo esta hipótese todo o DNA presente na
célula tem uma origem comum. Pouco apoiada, não esclareceu a causa dos fenómenos que
descreve.

O modelo endossimbiótico surge da possibilidade de um caso de endossimbiose, associação


entre organismos diferentes, em que um deles (endossimbionte) vive no interior de outro,
beneficiando ambos. h
 Uma célula procariótica grande terá captado outras células procarióticas que
permaneceram no interior, resistindo à digestão.
 As células estabeleceram uma relação de endossimbiose.
 A cooperação foi tão íntima e tão eficaz entre os diferentes elementos que se
tornaram dependentes uns dos outros e passaram a constituir organismos estáveis e
singulares.
 As células-hóspedes vieram a constituir alguns dos organelos da célula eucariótica.
 O flagelo e os cílios poderão ter surgido dos seres procariontes.
Os primeiros eucariontes seriam unicelulares. Esta hipótese é muito aceita por apresentar
argumentos válidos.

 Mitocôndrias e cloroplastos assemelham-se a bactérias (forma, tamanho, composição


membranar).
 Cloroplastos e mitocôndrias têm o seu próprio genoma e produzem as suas próprias
membranas internas, dividem-se independentemente da célula e contêm moléculas
de DNA circulares, como as dos procariontes.
 Os ribossomas dos cloroplastos e mitocôndrias são muitos mais semelhantes aos dos
procariontes do que aos dos eucariontes.
 É possível encontrar associações simbióticas entre bactérias e alguns eucariontes.

No entanto, esta teoria não explica, por exemplo, a origem do núcleo da célula eucariótica.
Alguns cientistas admitem que pode ter aparecido a partir de invaginações da membrana p.
que envolveram o DNA, conciliando assim os dois modelos.

Origem da multicelularidade
COLÓNIAS

Evolucionismo e fixismo

Quando observamos as várias gerações de indivíduos e visto que o tempo de vida humana é
insignificante comparado com o tempo geológico, parece-nos evidente que do acasalamento
de lobos tenham surgido sempre lobos. Durante séculos, admitiu-se que as espécies surgiram
como se encontram hoje e se mantiveram imutáveis ao longo do tempo. Esta visão, conhecida
como fixismo, prevaleceu, e em alguns casos, ainda prevalece fortemente apoiada por
princípios religiosos.
O fixismo é muitas vezes confundido com o criacionismo. Mas uma visão estática não implica
que tenham surgido de um ato divino.
No entanto, no século XIX, vai transitar-se para uma visão evolucionista, admitindo-se que as
espécies se alteram de forma lenta e progressiva ao longo do tempo, originando outras
espécies. O aparecimento de fósseis de espécies muito diferentes das atuais abalou as ideias
fixistas.

Mecanismos da evolução
A primeira teoria explicativa acerca dos mecanismos da evolução dos seres vivos surgiu por
Lamarck.

Lamarckismo
As ideias de Lamarck podem resumir-se em dois princípios fundamentais:
-Lei do uso e do desuso;
-Lei da herança dos caracteres adquiridos.
O ambiente condiciona a evolução! A adaptação, segundo o lamarckismo, representa a
faculdade que os seres vivos possuiriam de desenvolver características estruturais ou
funcionais que lhes permitissem sobreviver e reproduzir-se num determinado ambiente. Essas
modificações que levam à adaptação são explicadas pela lei do uso e do desuso. Segundo esta
lei, a necessidade de um órgão em determinado ambiente cria-o e a função modifica-o,
tornando-o mais forte; pelo contrário, se não forem usados, degeneram e atrofiam.
Segundo a lei da herança dos caracteres adquiridos, as modificações que se produzem nos
indivíduos ao longo da sua vida, como consequência do uso ou desuso dos órgãos, são
hereditárias, originando mudanças morfológicas no conjunto da população.
De acordo com esta lei, os organismos, pela necessidade de se adaptarem ao ambiente,
adquirem modificações durante a sua vida que passam aos descendentes. Com estas
modificações, as espécies caminham para a perfeição.
O modelo de Lamarck foi muito contestado, pois fornece uma explicação sobre a evolução
que tem um carácter animista; existe uma intenção e uma finalidade na evolução, de tal forma
que as evoluções surgem das espécies procurarem o “melhor”.
Por outro lado, a herança dos caracteres adquiridos não se verifica experimentalmente.
Atualmente admite-se que nos organismos com reprodução sexuada, apenas alterações do
DNA nos gâmetas são transmitidas à descendência.

Darwinismo
Dados principais que influenciaram Darwin:
Dados da Geologia – A personalidade que mais o afetou foi Charles Lyell, que estabeleceu
vários princípios que muito influenciaram Darwin:
 As leis naturais são constantes no espaço e no tempo;
 Deve explicar-se o passado a partir dos dados do presente;
 Na longa história da Terra ocorreram mudanças geológicas lentas e graduais.

Dados da Biogeografia – A grande diversidade de seres vivos e o aspeto exótico que, por
vezes, algumas espécies assumem, bem como a constatação de que a fauna e a flora diferem
de continente para continente e das montanhas para os desertos, constituem elementos
relevantes na formulação da teoria de Darwin.

Seleção artificial, seleção natural e variabilidade


Se um tratador tiver um especial apreço pelas modificações dos animais e controlar os
cruzamentos intraespecíficos, ao fim de alguns cruzamentos pode obter indivíduos com as
características que selecionou.
Se isto acontece artificialmente, de um modo análogo é possível que ocorra na Natureza uma
seleção consumada pelos fatores ambientais, designada por seleção natural, conceito que
verdadeiramente caracteriza a teoria darwinista.
Numa população, o número de indivíduos mais aptos vai aumentando, diminuindo o de
menos aptos.
A teoria de Darwin pode sistematizar-se em alguns pontos fundamentais:
 Os seres vivos, mesmo os da mesma espécie, apresentam variações entre si;
 Em cada geração, uma parte dos indivíduos é eliminada porque se estabelece uma
“luta pela sobrevivência”, devido à competição pelo alimento, refúgio, etc.;
 Sobrevivem os indivíduos melhor adaptados, os que possuírem as características que
lhes conferem qualquer vantagem em relação aos restantes, que ao longo do tempo
serão eliminados progressivamente. Existe, pois, uma seleção natural, processo que
ocorre na natureza e pelo qual só os indivíduos melhor dotados relativamente a
determinadas condições do ambiente sobrevivem – “sobrevivência do mais apto”;