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EMPREENDEDORISMO

LORENA BEZERRA
LORENA BEZERRA

EMPREENDEDORISMO

1.ª EDIÇÃO

RECIFE
FACULDADE SÃO MIGUEL
2018
Copyright © 2018 Faculdade São Miguel. Todos os direitos reservados.

Direção geral
Maria Antonieta Alves Chiappetta

Direção editorial
George Bento Catunda

Capa, projeto gráfico e editoração eletrônica


George Bento Catunda

Revisão
Annara Mariane Perboire da Silva
Lorena Bezerra da Silva

Editora responsável
Faculdade São Miguel
1.ª Edição – 2018

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISDB

S586e
Silva, Lorena Bezerra da.
Empreendedorismo / Lorena Bezerra da Silva. – Recife: Faculdade
São Miguel, 2018.
57 p.: il.

Inclui referências bibliográficas.


Material didático produzido para os cursos a distância da Faculdade
São Miguel.

1. Empreendedorismo. 2. Negócios – Planejamento. I. Título. II.


Silva, Lorena Bezerra da.

CDU 658.012.4

Elaborado por Hugo Carlos Cavalcanti | CRB-4 2129

Índice para catálogo sistemático:

1. Empreendedorismo: Planejamento: Administração 658.012.4


Sumário

APRESENTAÇÃO................................................................................................ 6

1.EMPREENDEDORISMO E EMPREEDENDOR ......................................................... 7


1.1 Contextualização ....................................................................................... 7
1.2 Conceituação de empreendedorismo e de empreendedor ............................. 10
1.3 Características do perfil empreendedor / intraempreendedor ........................ 17

2.EMPREENDEDORISMO E PLANO DE NEGÓCIOS ................................................ 24


2.1 Características atitudinais dos empreendedores organizadas por Schmidt &
Bohnenberger .............................................................................................. 24
2.2 Organizações Empreendedoras ................................................................. 27
2.3 Empreendedorismo no Brasil .................................................................... 28
2.4 Plano de Negócios ................................................................................... 30
2.4.1 Introdução .......................................................................................... 30
2.4.2 Sumário Executivo ............................................................................... 33
2.4.3 Apresentação da empresa ..................................................................... 34

3.CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO NO CONTEXTO DO EMPREENDEDORISMO. PLANO DE


MARKETING E PLANO OPERACIONAL ................................................................. 39
3.1 Criatividade e Inovação ........................................................................... 39
3.2 Plano de Negócios (continuação) - Plano de Marketing ................................. 44
3.2 Plano de Negócios (continuação) - Plano Operacional .................................. 50

REFERÊNCIAS ...............................................................................................55
APRESENTAÇÃO

Bem-vindos à disciplina de Empreendedorismo!

Caro (a) estudante, nesta disciplina você terá a oportunidade de conhecer melhor o
Empreendedorismo, um tema que vem sendo discutido pelos estudiosos
contemporâneos. Poderá entender o impacto das características do perfil
empreendedor no sucesso das empresas e quais são as características mais comuns
no perfil empreendedor. Você terá oportunidade de compreender a importância do
empreendedorismo corporativo ou intraempreendedorismo; do planejamento para o
alcance do êxito nos projetos empreendedores e receberá algumas orientações de
como elaborar de um bom plano de negócios.

Qualquer pessoa que tenha à frente uma decisão a tomar pode


aprender a ser um empreendedor. (Drucker, 1987)

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1.EMPREENDEDORISMO E EMPREENDEDOR

1.1 Contextualização

Caro (a) estudante, o cenário contemporâneo em que vivemos é dominado pela


contínua e acelerada pluralidade de mudanças sociais, econômicas, tecnológicas e
culturais. A intensidade e rapidez dessas mudanças trazem impactos para as várias
esferas do funcionamento da vida em sociedade. Para a maioria dos cidadãos, essas
mudanças são percebidas como uma crescente incerteza na vida, principalmente
quanto a futuros direcionamentos, tanto no âmbito pessoal como no profissional.

No centro de todas essas transformações encontra-se a globalização e os


significativos avanços tecnológicos que, nos últimos anos, vêm ocorrendo em um
ritmo veloz e se transformou em um gerador de rápidas e profundas alterações nas
estruturas e regras de funcionamento da sociedade e das organizações. Neste cenário
surgem oportunidades de novos negócios e de novas abordagens a antigos mercados;
assim como passa a existir no mercado a necessidade de um novo perfil profissional,
esteja a pessoa inserida dentro de uma organização ou investindo em um projeto
profissional autônomo.

É neste contexto que o empreendedorismo ganha corpo e cresce como uma


alternativa de viabilidade econômica e como um posicionamento profissional diante
dos desafios corporativos. Desta forma o tema empreendedorismo passou a ser foco
de vários estudiosos, por exemplo, Dornelas (2005) afirma que o empreendedorismo
não é um modismo, muito pelo contrário, que empreendedorismo é uma resposta
natural à rapidez das mudanças tecnológicas e esse autor defende o momento atual
pode ser chamado de a “Era do Empreendedorismo”.

Todos nós sabemos que o século XXI é uma época de mudança de paradigmas, na
qual a sociedade está vivenciando a chamada era do conhecimento. Na qual as
informações estão facilmente disponíveis a todos através da internet, mas, por outro
lado, é necessário aprender a selecionar as informações úteis, assim como é essencial

7
saber usar as informações acessadas no mundo virtual para a construção do
conhecimento. Se não houver a seleção adequada de informações, acontecerá apenas
um acúmulo de informações fragmentadas e sem utilidade, e isso não iria atender às
novas necessidades do mercado. Portanto, o pensar de forma estratégica, a inovação
e o espírito empreendedor surgem como práticas primordiais na atuação dos
profissionais, assim como são essenciais para a sobrevivência das organizações.

Vários autores ressaltam que os empreendedores são os grandes propulsores da


economia dos países desenvolvidos, por exemplo, Bortoli Neto (1980) afirma que na
grande maioria dos países, o empreendedorismo tem sido o centro das políticas
públicas e que as empresas decorrentes dessa postura empreendedora desempenham
um importante papel no plano econômico e social por vários motivos, inclusive por
fomentar a concorrência e assim contribuir para a criação de condições para a livre
concorrência. A atividade empreendedora está relacionada, portanto, em função das
características institucionais e demográficas, à cultura empreendedora e ao grau de
bem-estar econômico encontradas em cada país.

É interessante observar que as pequenas e médias empresas, normalmente,


representam a base para o surgimento das grandes organizações. Para sobreviver
diante dos desafios do mercado as pequenas e médias empresas precisam ter um
grande espírito de iniciativa e devem possuir muita capacidade de adaptação a
mudanças. Essas empresas viabilizam a criação de empregos a custo mais baixos e,
principalmente no caso dos países não desenvolvidos, a interiorização da atividade
econômica. Dornelas (2005) nos explica que a atividade empreendedora e as
empresas que surgem dela favorecem o crescimento econômico e a prosperidade dos
países. Esse autor ainda destaca que:

os empreendedores estão eliminando as barreiras comerciais e culturais,


encurtando distâncias, globalizando e renovando os conceitos
econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos,
quebrando paradigmas e gerando riqueza para a sociedade (DORNELAS,
2005 p. 22)

Observe caro(a) estudante, que no atual cenário no qual a mudança é uma constante
algumas características serão condição de sobrevivência, por exemplo, criatividade,

8
flexibilidade e inovação. A capacidade das pessoas e das organizações se
reinventarem fará a diferença e partindo do principio que o empreendedor é um pilar
da mudança, ele será um elemento diferenciador na condução das transformações
econômicas, sociais e ambientais.

De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) o empreendedorismo é uma


força essencial para o desenvolvimento e o bem-estar da sociedade. Empreendedores
geram empregos. Eles dirigem e modelam a inovação, assim acelerando mudanças
estruturais na economia. Gerando novas competições, eles indiretamente contribuem
à produtividade e para o crescimento econômico. (GEM, 2010).

Fica a Dica! O que é GEM?

O projeto Global Entrepreneurship Monitor, iniciado em 1999 por meio de uma parceria entre a
London Business School e o Babson College, abrangendo no primeiro ano 10 países. Desde então,
quase 100 países se associaram ao projeto, que constitui o maior estudo em andamento sobre o
empreendedorismo no mundo. Em 2013, foram incluídos 68 países, cobrindo 75% da população
global e 89% do PIB mundial.

O projeto tem como objetivo compreender o papel do empreendedorismo no desenvolvimento


econômico dos países. Entende-se como empreendedorismo qualquer tentativa de criação de um
novo empreendimento, como, por exemplo, uma atividade autônoma, uma nova empresa ou a
expansão de um empreendimento existente.

É importante destacar que o foco principal é o indivíduo empreendedor, mais do que o


empreendimento em si.

O Brasil participa deste esforço desde 2000, onde a pesquisa é conduzida pelo Instituto Brasileiro
da Qualidade e Produtividade (IBQP) e conta com o apoio técnico e financeiro do Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Desde 2011, o Centro de Empreendedorismo e
Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas tornou-se parceiro acadêmico do projeto. (Sumário
executivo GEM Brasil 2013, acesso em agosto de 2014

Acesse: http://ois.sebrae.com.br/wp-content/uploads/2013/01/Relatorio-Executivo-GEM-Brasil-2013.pdf

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1.2 Conceituação de empreendedorismo e de empreendedor

Empreendedorismo é um fenômeno complexo e vem sendo estudado de forma muito


intensa e por diversos ângulos – econômico, social, etc. - nas últimas décadas. Talvez
seja por esta multiplicidade de visões que existam diversos conceitos para o termo
empreendedorismo, mas sua essência poderia ser resumir em fazer diferente,
empregar os recursos disponíveis de forma criativa, assumir riscos calculados, buscar
oportunidades e inovar. Na visão de Drucker (1987) o interesse no estudo do
empreendedorismo nos últimos anos, vem ocorrendo, principalmente, em virtude da
sua forte relação com o desenvolvimento regional, pois o empreendedorismo tem,
segundo esse autor, se tornado um caminho para a inovação e uma alternativa ao
desemprego.

No quadro abaixo vamos apresentar aqui alguns conceitos frequentemente


referenciados na literatura. De acordo com Cunha (2004), a palavra empreender,
imprehendere, tem origem no latim medieval e significa tentar “empresa laboriosa e
difícil”, ou ainda, “pôr em execução” (p. 293).

Autores e ano Conceitos de empreendedorismo


Dornelas (2003) Empreendedorismo significa fazer algo novo, diferente,
mudar a situação atual e buscar, de forma incessante,
novas oportunidades de negócio, tendo como foco a
inovação e a criação de valor.
Stevenson (1993) Empreendedorismo é o processo de criação de valor pela
utilização de forma diferente dos recursos, buscando
explorar uma oportunidade.
Hisrich e Peters Empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e
com valor, dedicando tempo e esforços necessários para
(2004)
sua realização.
A essência do empreendedorismo é a inovação que
implica a percepção e exploração de novas oportunidades
Shumpeter (1985)
de negócio. A inovação e a novidade estão intrínsecas à
definição de empreendedorismo ao se considerar a
concepção, a proposição ou a realização de algo novo.
Baron e Shane O empreendedorismo surge com a percepção de
oportunidades para criar novos produtos ou serviços e
(2007)
que possui raízes importantes na economia, nas ciências do
comportamento e na sociologia.
Legge e Hindle Empreendedorismo é o processo de identificação de
oportunidades por meio de uma abordagem criativa.
(2004)
Fonte: adaptado de Dornelas (2011)

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Qual a importância de estudarmos e/ ou percebermos essas múltiplas definições?
Para ampliarmos nosso modelo mental e para conseguirmos um entendimento amplo
desse fenômeno complexo, isto é, que possui diversas variáveis. Alguns autores,
inclusive, chamam a atenção para algumas variáveis que sobressaem a partir da
definição do termo empreendedorismo. Por exemplo, na visão de Morris e Kuratko
(2002, pág.16) a definição de empreendedorismo possui quatro componentes
principais:

 Os processos: que podem ser gerenciados, subdivididos em partes menores, e


aplicados a qualquer contexto organizacional.
 A criação de valor: desde que os empreendedores, normalmente, criam algo
novo onde não havia nada antes. Portanto, esse valor é criado dentro das
empresas e no mercado.
 Os recursos: pois os empreendedores utilizam os recursos – sejam recursos
financeiros, pessoas, procedimentos, tecnologia, materiais, estruturas ou outros
– que estejam disponíveis de forma criativa. Esses recursos constituem os
meios pelos quais os empreendedores criam valor e diferenciam seus esforços.
 Oportunidade: o empreendedorismo é focado na identificação, na avaliação e
na captura de oportunidades de negócios.

Nesta mesma linha de pensamento de entender o empreendedorismo na sua


complexidade, Longenecker, Moore e Petty (1997) identificaram três elementos que
seriam a essência do empreendedorismo: a inovação, o risco e a autonomia.
Esses autores defendem que para acontecer uma atividade empreendedora, a
liberdade é um fator fundamental, assim como para a concretização dos objetivos do
empreendimento. Essa liberdade deve estar alinhada aos recursos, às estratégias de
ação, como também a busca de oportunidades relevantes ao negócio, pois ela
significa ter a autonomia de unir forças para o desenvolvimento de um projeto e não
uma ação individualista.

Stevenson e Jarillo (1990) apresentam o empreendedorismo sob três escolas: a


econômica, com foco nos resultados obtidos através da atividade empreendedora,
da inovação e do desenvolvimento econômico; a psicológica ou

11
comportamentalista, que foca a atenção nos aspectos atitudinais da pessoa, por
exemplo, a criatividade e a intuição; e a administrativa, que procura identificar os
diferentes procedimentos voltados à gestão do empreendedor, associado à cultura, a
metodologia e a lógica de seu campo de estudo original.

Outro enfoque que vem sendo estudado é o empreendedorismo praticado dentro de


empresas já estabelecidas. Essas organizações geralmente estão procurando
alternativas inovadoras para crescerem. Quando praticado dentro das organizações o
empreendedorismo é chamado de Intraempreendedorismo ou
empreendedorismo corporativo. Competências empreendedoras são importantes
para o crescimento e sucesso do negócio, portanto, podemos entender que são
empreendedores os funcionários inovadores que agregam valor à empresa; as
pessoas que com imaginação e ousadia que geram melhorias a partir de poucos
recursos; trabalhadores que montaram seus negócios por identificar oportunidades de
atuação, etc.

Assim como a palavra empreendedorismo o termo empreendedor recebe definições


que são distintas e algumas vezes complementares, por exemplo, Timmons (1994, p
13) define o empreendedor como “alguém capaz de identificar, agarrar e aproveitar
oportunidades, buscando e gerenciando recursos para transformar a oportunidade em
negócio de sucesso”. No início do século XIX, o economista Jean-Baptiste Say (citado
por Dornelas, 2003, p.42) definiu o empreendedor como “um indivíduo que transfere
recursos econômicos de um setor de produtividade baixa para outro de elevada
produtividade e de maior rendimento”.

12
Fonte: https://eusouempreendedor.files.wordpress.com/

A partir de outra visão, Oliveira (1995) afirma que o empreendedor é aquela pessoa
que, como principal tomador das decisões, consegue formar novo negócio ou
desenvolver negócios já existentes, elevando muito o seu valor patrimonial. Já Fillion
(1999, p.24) afirma que “um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e
realiza visões”. Observe, caro (a) estudante, que a ideia de construir o futuro é
recorrente, direta ou indiretamente em todas as definições mencionadas.

Caro (a) estudante, gostaria de convidá-lo a refletir sobre características ligadas a


algumas palavras usadas nas definições de uma pessoa empreendedora. Será que
você se identifica com algumas? Você acredita que faz as coisas acontecerem? Com
que frequência você identifica novas oportunidades? Dedica tempo e esforço para
agregar valor às coisas que você faz? Você se considera uma pessoa criativa? Agora,
a partir dessas reflexões vá ao fórum e relate um fato ou uma ação que comprove
sua percepção. Dê um exemplo prático de uma situação em que você foi criativo. Eu
poderia dizer que fui criativa quando criei um fórum para os alunos discutirem esse
tema.

13
Fonte: http://historiadesaopaulo.wordpress.com/

De uma forma resumida, Morris (1998) nos apresenta um resumo das sete
perspectivas para a natureza do empreendedorismo, são elas:

 Criação da riqueza: Empreendedorismo envolve assumir riscos calculados


associados com as facilidades de produzir algo em troca de lucros.
 Criação da empresa: Empreendedorismo está ligado à criação de novos
negócios, que nãos existiam anteriormente.
 Criação da inovação: Empreendedorismo está relacionado a combinação única
de recursos que fazem os métodos e produtos atuais ficarem obsoletos.
 Criação da mudança: Empreendedorismo envolve a criação da mudança
através do ajuste, adaptação e modificação da forma de agir das pessoas,
abordagens, habilidades, que levarão à identidade de diferentes oportunidades.
 Criação do emprego: Empreendedorismo não prioriza, mas está ligado à
criação de empregos, já que empresas crescem e precisarão de mais
funcionário para desenvolver as atividades.
 Criação do valor: Empreendedorismo é o processo de criar valor para os
clientes e consumidores através de oportunidades ainda não exploradas.
 Criação de crescimento: Empreendedorismo pode ter um forte e positivo
relacionamento com o crescimento das vendas da empresa, trazendo lucros e
resultados positivos.

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Caro (a) estudante, antes de passar para o próximo item que tal fazer o teste a seguir e
identificar se você tem um perfil empreendedor. Seja bem sincero ao fazer o teste e depois
reflita um pouco sobre o resultado. Mãos à obra! O resultado está no fim do material dessa
semana. Lembre-se de que os testes são norteadores, mas não devem ser usados para
definir você ou colocar um rótulo. Caso você queira mudar seu perfil, desenvolva as
competências necessárias e sucesso!

Grande parte dos empreendedores de sucesso possui perfis semelhantes, e isso não é
apenas uma coincidência”, afirma Irineu de Ascenção, diretor de relações
institucionais da Associação Comercial Empresarial do Brasil (ACEB).

Faça o teste elaborado pela ACEB e descubra se você tem o perfil empreendedor e se
possui chances de obter sucesso ao montar seu próprio negócio.

1 – Ao realizar trabalhos em grupo, você:

a) Sempre dá ideias, opiniões e gosta de participar de todo o processo de elaboração


do trabalho;
b) Nunca participa efetivamente e adora quando os outros integrantes fazem tudo por
você;
c) Dá boas ideias e colabora, mas só quando pedem sua ajuda.

2 – Ao terminar os estudos, qual foi a sua reação?

a) Ficou extremamente inseguro, porque não tinha noção do que faria dali pra frente
e por isso demorou a decidir que carreira seguir;
b) Apesar do medo, decidiu ir à luta e traçar metas profissionais;
c) Sentiu-se bastante contente e confiante em enfrentar os desafios que a vida iria
lhe proporcionar.

3 – No início de sua carreira profissional, você:

a) Tentava adquirir conhecimentos e experiência com os demais funcionários, mas


nunca acreditou que isto o levaria a crescer profissionalmente;

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b) Sempre observava os profissionais à sua volta, principalmente os mais
experientes, a fim de acumular conhecimentos que o fizessem crescer;
c) Não dava a mínima para o que os outros estavam fazendo, o importante era
cumprir as suas tarefas.

4 – Em sua vida profissional, quando surgem outras oportunidades de


emprego você:

a) Nunca as aceita, por mais positivas que elas sejam. A ideia de encarar um novo
desafio o deixa muito inseguro;
b) Fica extremamente contente por ter surgido uma oportunidade de ascender
profissionalmente em um ambiente novo e na companhia de outros profissionais;
c) Analisa durante dias se esta será a melhor escolha e, se chegar à conclusão de que
não tem nada a perder, aceita o desafio.

5 – Em qual dos perfis abaixo você melhor se encaixa?

a) O líder;
b) O observador;
c) O flexível.

6 – Com que frequência você se informa sobre economia e o mundo dos


negócios?

a) Pelo menos três vezes por semana;


b) Todos os dias, de preferência de manhã e à noite;
c) Nunca. Fica sabendo das novidades somente quando alguém o informa.

7 – Como você toma decisões importantes na sua vida profissional ou


pessoal?

a) Consulta a opinião de amigos e parentes, mas a decisão final sempre é sua;


b) Sempre coloca a opinião das pessoas próximas a você em primeiro lugar, afinal,

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elas gostam de você e só querem o seu bem;
c) Não escuta a opinião de terceiros. Você é a pessoa mais indicada para tomar suas
próprias decisões e traçar o seu caminho.

8 – Se algo der errado em algum projeto profissional, você:

a) Não se deixa abalar, afinal, para que as coisas sejam resolvidas é necessário
manter a calma;
b) Acredita que tudo irá se resolver da melhor maneira, mas que é preciso trabalhar
para que a melhora aconteça;
c) Acha que o mundo está desabando e que, por mais que você se esforce, nada
poderá ajudá-lo a resolver o problema.

9 – Você se considera criativo?

a) Sim. Sempre procuro transformar idéias simples em negócios efetivos;


b) Não. Por mais que eu me esforce para ter ideias empreendedoras, nada me vem à
cabeça;
c) Às vezes. Em dias de muita inspiração consigo ter ideias que possivelmente
resultarão em bons negócios.

10 – Como você projeta sua vida para daqui 5 anos?

a) Procuro não pensar no futuro, pois meu sucesso depende muito da oportunidade
dada por outras pessoas;
b) Tenho vários planos, entre eles o de montar meu próprio negócio. Porém, não
tenho muita certeza de que dará certo, pois muitas empresas fecham logo no início
de sua existência;
c) Imagino-me um empreendedor de sucesso, com meu próprio negócio concretizado
e bastante competitivo no mercado. Tenho este anseio e só depende de mim alcançá-
lo.

1.3 Características do perfil empreendedor / intraempreendedor

É possível entender perfil como a descrição de uma pessoa em traços mais ou menos
rápidos. Muitos estudiosos concordam que existem varias semelhanças no perfil e nas
características dos empreendedores de sucesso, tais como ousadia, criatividade,

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coragem, etc. São comuns também alguns traços de personalidade, algumas atitudes
e vários comportamentos que contribuem para um empreendedor alcançar o êxito
nos negócios.

Fonte: http://fiquericojovem.com/

Os empreendedores são considerados excelentes identificadores de oportunidades,


pois são capazes de criar e de construir uma visão (de mundo, de negócios, de
organizações) sem ter uma referência anterior, portanto são capazes de criar a partir
do nada. O empreendedorismo é um ato comportamental, humano e de criatividade.
Os empreendedores, com frequência, assumem riscos calculados, buscando
compreender o ambiente e objetivando controlar o máximo de vaiáveis / fatores
possíveis para que seu empreendimento dê certo. A fim de alcançar seus objetivos os
empreendedores desenvolvem varias competências e usam diversas habilidades,
como por exemplo, a observação e a persuasão para formar boas equipes, isto é,
equipes formadas por pessoas que possuam conhecimentos e habilidades
complementares. (TIMMONS, 1994)

De acordo com DRUCKER (1987), as pessoas com o perfil de empreendedores estão


sempre buscando mudanças. Eles exploram essas mudanças como sendo boas
oportunidades que quase sempre não são percebidas pelas outras pessoas. Os
empreendedores são essencialmente inovadores e, geralmente, possuem grande
capacidade para conviver com riscos e incertezas envolvidas nas decisões. As pessoas
empreendedoras são aqueles seres que mudam ou transformam valores, assim como
também são responsáveis pela criação de novos produtos e mercados.

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No entanto, o espírito empreendedor não é característica da personalidade uma vez
que qualquer pessoa que sinta uma grande necessidade de tomar uma decisão
importante pode aprender a se comportar de forma empreendedora. Alguns autores
diferenciam o conceito de empreendedores do conceito de intraempreendedores
a partir de diferentes perspectivas. De forma simplificada podemos entender
empreendedor como aquela pessoa que abre e gerencia seu negócio, enquanto o
termo intraempreendedor é definido por Stevenson e Jarillo (1990) como as
pessoas que estando dentro das organizações buscam oportunidades independentes
dos recursos que controlam.

As organizações, nos últimos tempos, passaram a valorizar e inclusive a depender de


atitudes empreendedoras para sobreviver no mercado. O cenário mundial turbulento
e permeado de mudanças bruscas vem sendo bombardeado por tipos de
comunicações rápidas e constante desenvolvimento tecnológico. Neste contexto a
imprevisibilidade das economias e aumento do nível de exigência dos mercados
exigem que as vantagens competitivas sejam mais consistentes e sustentáveis,
portanto, o foco se volta para o capital intelectual da empresa.

Hoje, o diferencial competitivo é saber usar o talento, conhecimento e as


competências que existem dentro da organização para gerar soluções inovadoras e
aproveitar as oportunidades de crescimento e ou ampliação do negócio. Dentro desse
contexto ganham destaque as pessoas com perfil empreendedor em função dos seus
comportamentos e suas atitudes. Pois no ambiente empresarial existe uma grande
variedade de atributos envolvendo o comportamento empreendedor, dependendo do
nível de empreendedorismo do proprietário e do tipo de atividade do
empreendimento.

Há um forte vínculo entre os conceitos de empreendedor / intraempreendedor e a


ideia de inovação. É importante lembrar que o empreendedor corporativo ou
intraempreendedor busca o reconhecimento e realização profissional, que são
formas de recompensas para o seu desempenho diferenciado. Ao mesmo tempo a
empresa ganha com sua atitude inovadora e postura empreendedora, por exemplo,

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mobilizando pessoas para diminuir a resistência a mudança de hábitos antigos e não
produtivos.

Embora não seja o proprietário da empresa, o intraempreendedor age como se fosse


dono do negócio, pois desenvolve uma visão sistêmica e holística em busca de
melhorar processos, produtos, serviços e de aumentar a produtividade. No entanto,
esse empreendedor corporativo só poderá agir dessa forma e trazer benefícios para a
empresa se os gestores da organização possuírem visão estratégica e derem apoio
através de políticas organizacionais que favoreçam a atuação do funcionário
empreendedor. A transparência nas políticas corporativas de avalição de
desempenho, de reconhecimento, de remuneração e a clareza da autonomia das
funções podem contribuir para a atuação dos empreendedores corporativos e para o
aumento da competitividade da empresa.

Uma característica marcante no empreendedor corporativo é a necessidade de


desenvolvimento pessoal através do aprendizado continuo. Essa busca de
aperfeiçoamento das habilidades, dos conhecimentos e das competências faz com que
o intraempreendedor valorize muito o feedback a respeito do seu desempenho e do
seu comportamento no ambiente corporativo. A prática de dar feedback é muito
saudável, mas alguns gestores organizacionais não possuem o hábito de dar
feedback. Existem técnicas adequadas para se dar feedback – objetividade, ser
específico, etc. - e muitos gestores não dominam essas técnicas. Em alguns casos, o
feedback perde um pouco de sua força em função do gestor esperar um tempo longo
entre a ação e o retorno / feedback. O feedback é uma poderosa ferramenta de
gestão, que pode nortear a atuação dos funcionários e, deve ser bem utilizada para
fomentar comportamentos empreendedores.

Alguns estudiosos se dedicaram a elaborar listas de características e comportamentos


inerentes ao perfil empreendedor. Apresentaremos algumas para que você durante as
três semanas da disciplina para que você possa ter uma visão ampla desses aspectos.
Uriarte (2000) menciona Mori e afirma que as características de personalidade do
empreendedor / intraempreendedor podem ser agrupadas em quatro aspectos:

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necessidades, conhecimentos, habilidades e valores. Baseados nessa lista, vamos
conhecer cada um desses aspectos:

 Necessidade: os empreendedores e os intraempreendedores possuem


necessidade de:
o Ter aprovação dos demais
o Ser independente
o Se desenvolver como pessoa
o Ter segurança
o Alcançar autorrealização
o Criar vínculos com parceiros

 Conhecimentos: os empreendedores e intraempreendedores procuram obter


conhecimento através de:
o Aspectos técnicos relacionados ao negócio
o Obter experiência na área
o Melhorar o grau de escolaridade
o Ter boa experiência empresarial
o Valorizar cursos de formação complementar
o Ter diferentes vivências com situações novas

 Habilidades: os empreendedores e intraempreendedores buscam desenvolver


as seguintes habilidades:
o Identificação de novas oportunidades
o Valoração de oportunidades e pensamento criativo
o Comunicação persuasiva
o Negociação
o Aquisição de informações
o Resolução de problemas
o Alcançar metas
o Motivação e decisão

 Valores: os empreendedores e intraempreendedores dão foco aos seguintes


valores:
o Existenciais
o Estéticos
o Intelectuais
o Morais
o Religiosos

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Na próxima semana traremos a percepção de outros autores para que você observe a
complementaridade das listas de características. Veja agora o resultado do seu teste
sobre o perfil empreendedor e bom estudo!

Resultado do teste

Agora, veja os pontos correspondentes às suas respostas, conforme a tabela


abaixo, e some para ver o resultado.

Respostas:

Questões A B C

1 2 0 1

2 0 1 2

3 1 2 0

4 0 2 1

5 2 1 0

6 1 2 0

7 1 0 2

8 1 2 0

9 2 0 1

10 0 1 2

Resultado do teste sobre o perfil empreendedor

De 0 a 6 pontos:

Você não possui o perfil empreendedor. Se o seu grande objetivo profissional é


constituir seu próprio negócio, é necessário que você mude diversas características se
quiser obter sucesso. Comece se informando mais sobre o ramo em que quer atuar,
procure ser mais otimista, ativo e mais seguro no momento de tomar decisões.
Porém, não é interessante forçar a barra. Se você não nasceu para ser empresário,
com certeza encontrará sua aptidão e obterá sucesso no que se propor a fazer.

De 7 a 14 pontos:

Se sua intenção é investir em um empreendimento, ainda faltam alguns passos


importantes para que você consiga êxito. Você pode ser criativo, mas tem

22
dificuldades em administrar uma equipe. Ou gosta de enfrentar desafios, mas sente-
se inseguro no momento de tomar decisões importantes. Administrar uma empresa é
uma tarefa difícil e requer bastante preparação. Portanto, você precisa se aperfeiçoar,
e somente após se sentir seguro deve aceitar este desafio.

De 15 a 21 pontos:

Você nasceu para o empreendedorismo, pois possui as principais características que


um empresário necessita ter: é otimista, criativo, independente e tem espírito de
liderança. Você sente-se à vontade para tomar decisões difíceis, adora encarar
desafios e sabe aproveitar as oportunidades. Portanto, se você sempre objetivou ter
seu próprio negócio, agora mais que nunca você sabe que tem grandes chances de
montá-lo, administrá-lo com excelência e caminhar rumo ao sucesso!

Esse teste está publicado em:

http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/faca-o-teste-voce-possui-
perfil-empreendedor/16260/

Avaliação de aprendizagem

1) Embora o conceito de empreendedorismo seja complexo e não exista na literatura


acadêmica unanimidade nas visões, Morris e Kuratko elaboraram uma definição
pautada em quatro componentes principais. Comente essa definição explicando
quais são esses quatros componentes.

2) Dentre as várias características do perfil empreendedor, comente quais são as


quatro mais importantes e explique porque elas são mais importantes que as
outras.

23
2.EMPREENDEDORISMO E PLANO DE NEGÓCIOS

Caro (a) estudante, nós concluímos a semana anterior comentando que existem
características que identificam os empreendedores e que alguns autores se dedicaram
para elencar essas características em listas. Apresentamos a relação de
características de personalidade do empreendedor e do intraempreendedor elaborada
por Mori e apresentada por Uriarte (2000). A fim de possibilitar que você possa fazer
um paralelo e observar semelhanças e complementaridades, vamos começar essa
semana resgatando esse aspecto com a lista características atitudinais do
empreendedor elaborada por Schmidt & Bohnenberger (2009, p. 453/ 454). É muito
interessante observar que nessa lista os autores reuniram visões e fragmentos de
textos de diversos outros autores para consolidar as características atitudinais
identificadas como comuns aos empreendedores.

O maior perigo em tempos turbulentos não é a turbulência em si, mas agir com a lógica
do passado. - Peter Drucker

2.1 Características atitudinais dos empreendedores organizadas por Schmidt


& Bohnenberger

 O empreendedor deve ser autoeficaz


o “é a estimativa cognitiva que uma pessoa tem das suas capacidades de
mobilizar a motivação, recursos cognitivos e cursos de ação necessários
para exercitar controle sobre eventos na sua vida” (Chen, Greene, &
Crick, 1998, p. 296).
o “Em quase todas as definições de empreendedorismo, há um consenso de
que estamos falando de uma espécie de comportamento que inclui: (1)
tomar iniciativa; (2) organizar e reorganizar mecanismos sociais e
econômicos, a fim de transformar recursos e situações para proveito
prático; (3) aceitar o risco ou o fracasso” (Hisrich & Peters, 2004, p. 29).

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 O empreendedor deve assumir riscos calculados
o “Indivíduos que precisam contar com a certeza é de todo impossível que
sejam bons empreendedores” (Drucker, 1986, p. 33).
o “O passaporte das empresas para o ano 2000 será a capacidade
empreendedora, isto é, a capacidade de inovar, de tomar riscos
inteligentemente, agir com rapidez e eficiência para se adaptar às
contínuas mudanças do ambiente econômico” (Kaufman, 1991, p. 3).

 O empreendedor deve ser bom planejador


o “Os empreendedores não apenas definem situações, mas também
imaginam visões sobre o que desejam alcançar. Sua tarefa principal
parece ser a de imaginar e definir o que querem fazer e, quase sempre,
como irão fazê-lo” (Filion, 2000, p. 3).
o “O empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa
aos fatos e tem uma visão futura da organização” (Dornelas, 2001, p.
15).

 O empreendedor sabe detectar oportunidades


o “é a habilidade de capturar, reconhecer e fazer uso efetivo de informações
abstratas, implícitas e em constante mudança” (Markman & Baron, 2003,
p. 289).
o “que tem capacidade de identificar, explorar e capturar o valor das
oportunidades de negócio” (Birley & Muzyka, 2001, p. 22).
o “A predisposição para identificar oportunidades é fundamental para quem
deseja ser empreendedor e consiste em aproveitar todo e qualquer ensejo
para observar negócios” (Degen, 1989, p. 19).

 O empreendedor deve ser persistente


o “capacidade de trabalhar de forma intensiva, sujeitando-se até as
privações sociais, em projetos de retorno incerto” (Markman & Baron,
2003, p. 290).
o “Desenvolver o perfil empreendedor é capacitar o aluno para que ele crie,
conduza e implemente o processo de elaborar novos planos de vida. ... A

25
formação empreendedora baseia-se no desenvolvimento do
autoconhecimento, com ênfase na perseverança, na imaginação, na
criatividade, associadas à inovação” (Souza, Souza, Assis, & Zerbini,
2004, p. 4).

 O empreendedor deve ser sociável


o “Os empreendedores ... fornecem empregos, introduzem inovações e
estimulam o crescimento econômico. Já não os vemos como provedores
de mercadorias e autopeças nada interessantes. Em vez disso, eles são
vistos como energizadores que assumem riscos necessários em uma
economia em crescimento, produtiva” (Longenecker, Moore, & Petty,
1997, p. 3).

 O empreendedor deve ser inovador


o Carland, Hoy e Carland (1988) concluem que o empreendedorismo é
principalmente função de quatro elementos: traços de personalidade
(necessidade de realização e criatividade), propensão à inovação, risco e
postura estratégica.

 O empreendedor deve ser um bom líder


o “Uma vez que os empreendedores reconhecem a importância do seu
contato face a face com outras pessoas, eles rapidamente e
vigorosamente procuram agir para isso” (Markman & Baron, 2003, p.
114).

Observe caro (a) estudante que as atitudes relacionadas acima constituem um


diferencial para qualquer profissional. Essas atitudes beneficiam as organizações que
possuem um modelo de gestão empreendedora, desde que essas organizações
realmente alinhem o discurso e a prática corporativa, e exista o comprometimento do
alto escalão da organização para a mudança de cultura organizacional. Esses
benefícios se refletem na obtenção de vantagens competitivas sustentáveis em
cenários turbulentos, permeados de mudanças constantes; e no aumento do nível de
competitividade.

26
2.2 Organizações Empreendedoras

As organizações empreendedoras incorporam ao seu planejamento estratégico a


descentralização na tomada de decisão, visando à elevação da qualidade dos
produtos/ serviços que são ofertados com a participação direta de seus funcionários e
a redução de custos e de retrabalho. De acordo com Schenatto e Lezana (2001, p.4):

Cabe aos dirigentes [...] suscitar e dar espaço à vocação empreendedora


interna, concentrando esforços também em buscar mais flexibilidade
estrutural e agilidade nos processos burocráticos, a fim de reduzir os
custos e dar suporte à ação inovadora permanente.

Outros aspectos importantes sobre as organizações empreendedoras são: a postura


dos gestores imediatos, pois eles são o elo entre a alta gestão e os funcionários; e o
esforço de conscientização da importância do trabalho realizado por cada colaborador.
Souza et al. (2003, p.2), explicam que “uma organização empreendedora deve estar
com lideres preparados e capacitados para gerenciar e isto significa: coordenar, ter
visão de futuro [...], estimular a participação dos empregados, incentivar e motivar
as pessoas em função de objetivos e metas compartilhadas, promovendo crescimento
mútuo”. Isto é, semear uma cultura na qual exista possibilidade de plantar e colher
novas ideias, novas perspectivas e novas soluções para velhos problemas.

Fonte: http://papouniv.com.br/

27
2.3 Empreendedorismo no Brasil

Caro (a) estudante no material passado explicamos o que é GEM – um projeto global
de monitoramento do empreendedorismo, iniciado em Londres (1999) e que é o
maior estudo sobre empreendedorismo no mundo. Relembrando que o projeto tem
como objetivo compreender o papel do empreendedorismo no desenvolvimento
econômico dos países.

O Brasil participa do projeto desde o ano 2000 e para trazer para vocês o cenário
brasileiro em relação ao empreendedorismo escolhemos trazer o resultado da
pesquisa do GEM de 2013, pois esse é um retrato mais próximo da realidade
contemporânea brasileira. Traremos o texto na íntegra (em fonte azul), mas
tomamos a liberdade de negritar e dar destaque a alguns pontos relevantes, além de
comentar e complementar as informações. Para contextualizar com bastante clareza
trazermos para você o conceito GEM de empreendedorismo:

Qualquer tentativa de criação de um novo negócio ou novo


empreendimento, como, por exemplo, uma atividade autônoma, uma
nova empresa, ou a expansão de um empreendimento existente, por um
indivíduo, grupos de indivíduos ou por empresas já estabelecidas.

Empreendedorismo no Brasil (GEM, 2013)


Fonte: GEM – Global Entrepreneurship Monitor - 2013

A pesquisa “Empreendedorismo no Brasil”, realizada em 2013 pelo Global


Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade
e Produtividade (IBPQ) e o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da
Fundação Getúlio Vargas (FGV), com o apoio do Sebrae, revela que praticamente 40
milhões de brasileiros estão empreendendo, demonstrando a importância
econômica e social do tema e a necessidade de ações governamentais ou não
governamentais para sua consolidação. O Brasil ocupa a quarta posição no ranking
em número absoluto de empreendedores, atrás da China, Índia e Nigéria.

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De acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e estatistica – a população
brasileira estava ultrapassando um pouco a marca de 200 milhões de brasileiros, em
2013.

A amostra traz 68 países pesquisados, com cobertura de 75% da população e 89% do


PIB global. O Brasil é considerado pela pesquisa um país em transição entre
um modelo orientado da eficiência para a inovação. Em relação às
novecondições chaves para empreender, o Brasil apresenta um quadro acima da
média da América Latina e Caribe em todos os itens, à exceção dos
impostos/regulamentação e infraestrutura física, itens também verificados
como hiato em relação à média total dos países pesquisados.

As nove condições chave para empreender mencionadas no texto são as seguintes:

1. Apoio Financeiro – que avalia a disponibilidade de recursos financeiros


(investimentos, capital de giro etc.), para empresas novas e em crescimento,
incluindo doações e subsídios.
2. Política Governamental - Que avalia a extensão com que políticas
governamentais, refletidas em tributos e regulamentações, ou na aplicação de um
ou outro, são neutras ou encorajam o surgimento de novos empreendimentos.
3. Programas Governamentais – que avalia a presença de programas diretos para
auxiliar empresas novas ou em crescimento em todos os níveis de governo.
4. Educação e Treinamento – que avalia a extensão com a qual a capacitação para
a criação ou gestão de novas empresas ou empresas em crescimento é incorporada
aos sistemas educacionais e de treinamento em todos os níveis.
5. Transferência de Tecnologia – que avalia a extensão na qual a pesquisa e
desenvolvimento levarão a novas oportunidades empresariais e se estão ou não
disponíveis para novas empresas ou empresas em crescimento.
6. Infra-estrutura Profissional e Comercial – que avalia a disponibilidade de
serviços de contabilidade, comerciais ou outros serviços de ordem legal e tributária,
bem como de instituições que permitam ou promovam o surgimento de novas
empresas ou empresas em crescimento.
7. Barreiras à Entrada no Mercado – que avalia a extensão na qual acordos
comerciais são inflexíveis ou instáveis, impedindo que novas empresas ou empresas

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em crescimento possam competir e substituir prestadores de serviço, subcontratados
e consultores existentes.
8. Acesso à Infra-estrutura Física – que avalia o acesso a recursos físicos
disponíveis, comunicações, serviços de utilidade pública, transporte, terras ou áreas
a um preço que não discrimine empresas novas, pequenas ou em crescimento.
9. Normas Culturais e Sociais – que avalia a extensão em que normas sociais e
culturais encorajam, ou não desencorajam, ações individuais que possam levar a
novas maneiras de conduzir um negócio ou atividades econômicas, que, por sua vez,
levam a uma maior discussão em ganhos e riquezas.

Fonte: http://www.gemconsortium.org/docs/download/437

2.4 Plano de Negócios

2.4.1 Introdução

Partindo da afirmação de Dornelas (2011) que empreendedor é quem faz acontecer,


se antecipa aos fatos, é aquela pessoa que tem uma visão futura da organização,
neste momento vamos entender o básico sobre como se faz um plano de negócios.
Para isso, tomamos como ponto de partida as orientações do SEBRAE contidas no
texto de Rosa, 2004.

Embora nem todas as organizações solicitem um plano de negócio formal e completo,


saber fazer um plano de negócios é um diferencial para ter uma visão geral do
cenário e analisar a viabilidade do empreendimento. Para contextualizar a
necessidade de se elaborar um plano de negócios, lendo o texto abaixo.

Imagine que você deseja construir uma casa, organizar uma festa, ou planejar uma
viagem nas férias. Com certeza, sua intenção é que tudo dê certo, então você precisa
fazer um cuidadoso planejamento. Ou seja, a casa, a festa e a viagem de seus sonhos
não vão se realizar apenas porque você deseja muito essas coisas. Isso acontece
também com as ideias, pois depois de ter uma boa ideia você precisa consolidar essa
ideia passo a passo.

30
Para que uma viagem aconteça, é necessário escolher o local a ser visitado, decidir o
tempo da viagem, quanto dinheiro levar, comprar passagens, reservar hotel, arrumar
as malas, entre tantas outras coisas.

Se, para uma simples viagem, precisamos fazer tudo isso, imagine quando queremos
abrir um negócio. E empreender, muitas vezes, é uma viagem para um lugar
desconhecido.

Para ajudar na organização das ideias é preciso elaborar um PLANO DE NEGÓCIO.


Nesta viagem ao mundo dos empreendedores, o plano de negócio é o mapa.

O plano ajuda a responder se vale a pena abrir, manter ou ampliar o negócio. Pois
através do plano de negócio é possível entender se a ideia é viável e buscar
informações mais detalhadas sobre o ramo de negócios, os produtos e serviços que
pretende oferecer, os clientes, os concorrentes, os fornecedores e, principalmente,
sobre os pontos fortes e fracos do negócio.
A preparação de um plano de negócio não é uma tarefa fácil, exige persistência,
comprometimento, pesquisa, trabalho duro e muita criatividade. Mas é importante
lembrar que começar já é a metade de toda a ação. Sucesso!

*Adaptado do texto “Plano de Negócios: Um guia para o voo de sua empresa”.


Cláudia Pavani (http://www.cin.ufpe.br/~dmvb/empreendimentos/Check%20list.pdf)

Fonte: http://jacksonsantore.files.wordpress.com/

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Embora a ideia de elaborar um plano de negócio completo possa amedrontar pela sua
complexidade, quando o empreendedor se dedica e vai seguindo as orientações para
fazer por partes, a missão de elaborar o plano de negócios torna-se possível. É muito
importante ter a humildade de solicitar ajuda técnica, principalmente de contabilistas
em relação a cálculo de tributos, de risco ou de investimentos. Nosso objetivo é
fornecer elementos norteadores que possam orientar você na estrutura geral da
elaboração de algumas partes de um plano de negócios.

Um plano de negócio é um documento que descreve (por escrito) quais os objetivos


deum negócio e quais passos devem ser dados para que esses objetivos sejam
alcançados, diminuindo os riscos e as incertezas. Um plano de negócio permite
identificar e restringir seus erros no papel, ao invés de cometê-los no mercado.

Mas por onde começar?

Existe uma estrutura já validada no mercado e, como não é necessário reinventar a


roda, vamos seguir o modelo do SEBRAE, fazendo as adaptações que forem
necessárias ao nosso objetivo.

É muito importante que o próprio empreendedor, neste caso você, elabore


pessoalmente o plano de negócio, pois essa é a oportunidade de preparar um plano
feito sob medida para seu empreendimento, baseado em informações que você
mesmo levantou e nas quais pode confiar. Quanto mais você conhecer sobre o
mercado e sobre o ramo em que pretende atuar, mais bem-feito será seu plano de
negócios.

Vamos apresentar agora o roteiro para a elaboração. O plano de negócios começa


pelo sumário executivo, que tem por objetivo deixar muito clara a ideia para os
investidores interessados, assim como demonstrar a viabilidade da implantação da
ideia.

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Atenção - embora no modelo clássico do plano de negócio o sumário seja o primeiro item,
ele só será elaborado quando o plano de negócios estiver concluído. A título de aprendizado
você deve ir fazendo cada passo para ir treinando, portanto antes de continuar pegue papel e
lápis ou caneta e reflita que negócio você gostaria de montar. Mesmo que esse não seja seu
objetivo neste momento, escolha um negócio e siga as orientações da estrutura.

2.4.2 Sumário Executivo

O sumário executivo é um resumo do plano de negócio. Não se trata de uma


introdução ou justificativa do projeto. É um resumo das definições principais do
projeto. Nele constará:

 Descrição do projeto

Ao descrever o projeto, faça um breve relato das principais características dele.


Mencione:

 O que é o negócio?
 Quais os principais produtos e/ou serviços?
 Quem serão seus principais clientes?
 Onde será localizada a empresa?
 Qual o montante de capital a ser investido?
 Que lucro espera obter do negócio?
 Em quanto tempo espera que o capital investido retorne?

 Dados dos empreendedores, perfis e atribuições dos sócios.

Aqui serão colocados os dados dos responsáveis pela administração do negócio. Faça
também uma breve apresentação do seu perfil, destacando seus conhecimentos,
habilidades e experiências anteriores. Pense em como será possível utilizar isso a
favor do seu empreendimento.

Reflita que uma sociedade é como um casamento, só fica estável se houver diálogo e
clareza. Conflitos são inevitáveis, a maneira de resolvê-los é que vai ditar a
continuidade da sociedade.

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Fica a Dica!
Verifique se seu futuro sócio não possui restrições cadastrais e nem pendências junto a
órgãos como a Receita Federal, Secretaria de Estado da Fazenda e INSS. Situações como
essas podem dificultar o acesso ao crédito junto a fornecedores e instituições financeiras,
além de impedir o registro do negócio.

Para prevenir-se contra a escolha equivocada de sócios:

 Analise se os objetivos dos sócios são os mesmos, tendo em vista o grau de


ambição de cada um e a dimensão que desejam para o negócio;
 Divida as tarefas antes de montar a empresa.
 Defina o campo de atuação e o horário de trabalho de cada sócio;
 Defina, com antecedência, o valor da retirada pró-labore, como será feita a
distribuição dos lucros e o quanto será reinvestido na própria empresa;
 Estabeleça o grau de autonomia de cada um e até que ponto um dos envolvidos
pode sozinho, tomar decisões;
 Determine se os familiares poderão ser contratados e quantos por parte de cada
sócio.
 Sempre escolha funcionários e parceiros em conjunto;
 Defina o que acontecerá com a sociedade quando um dos sócios morrer ou não
puder mais trabalhar. Determine, se possível, o sistema de sucessão;
 Escreva esses e outros pontos que possam gerar atritos futuros em um contrato
assinado por todos os sócios.

2.4.3 Apresentação da empresa

 Dados do empreendimento

Nesta etapa, você irá informar o nome da empresa e o número de inscrição no CNPJ –
Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, se a mesma já estiver registrada. Caso
contrário, indique o número do seu CPF.

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 Setor de atividades

Defina qual é o negócio de sua empresa e, em seguida, assinale em qual (is) setor
(es) sua empresa pretende atuar. Para ajudá-lo, leia a seguir as explicações sobre os
principais setores da economia.

o Agropecuária - São os negócios cuja atividade principal diz respeito ao cultivo


do solo para a produção de vegetais (legumes, sementes, frutos, etc.) e/ou a
criação e tratamento de animais (bovino, suíno, etc.). Exemplos: plantio de
pimenta, cultivo de laranja, criação de peixes ou cabras, etc.
o Indústria - São as empresas que transformam matérias-primas, com auxílio
de máquinas e ferramentas ou manualmente, fabricando mercadorias.
Abrangem desde o artesanato até a moderna produção de instrumentos
eletrônicos. Exemplos: fábrica de móveis, confecção de roupas, marcenaria,
etc.
o Comércio - São as empresas que vendem mercadorias diretamente ao
consumidor – no caso do comércio varejista – ou aquelas que compram do
fabricante para vender ao varejista - comércio atacadista. Exemplos: papelaria,
lanchonete, loja de roupas, distribuidora de bebidas, etc.
o Prestação de serviços - São as empresas cujas atividades não resultam na
entrega de mercadorias e, sim, no oferecimento do próprio trabalho ao
consumidor. Exemplos: lavanderia, oficina mecânica, escola infantil, etc.

 Forma jurídica

Legalizar é o primeiro passo para que uma empresa exista, isto é, sua
CONSTITUIÇÃO. Para tanto, é necessário definir qual a sua forma jurídica. A forma
jurídica determina a maneira pela qual ela será tratada pela lei, bem como o seu
relacionamento jurídico com terceiros. A seguir, estão informações básicas sobre as
formas jurídicas mais usuais para micro e pequenas empresas.

o Sociedade Simples - Sociedade Simples é aquela constituída por


pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou
serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si,
dos resultados. São formadas por pessoas que exercem profissão

35
intelectual, de natureza científica, literária ou artística, mesmo contando
com auxiliares ou colaboradores. Exemplos: dois médicos constituem um
consultório médico; dois dentistas constituem um consultório
odontológico.
o Sociedade Empresária - A Sociedade Empresária é aquela que exerce
profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou
circulação de bens ou de serviços, constituindo elemento de empresa,
devendo inscrever-se na Junta Comercial. Exemplo: dois médicos
constituem um hospital, dois dentistas constituem um convênio
odontológico, duas ou mais pessoas unem-se para constituir uma
empresa cuja atividade será comércio varejista de suprimentos de
informática.
o Empresário - É aquele que exerce profissionalmente atividade econômica
organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços, ou
melhor, é a pessoa física, individualmente considerada, sendo obrigatória
a sua inscrição na Junta Comercial. A característica fundamental dessa
forma jurídica é o fato de que o patrimônio particular do proprietário se
confunde com o da empresa. A consequência é que as dívidas da empresa
podem ser cobradas da pessoa física.

Fica a Dica!
É importante procurar um bom contabilista para se informar sobre qual é a forma jurídica
mais adequada para a constituição de sua empresa.

 Enquadramento tributário

Basicamente, a pequena empresa utiliza-se do Regime Simples ou do Regime Normal


para o cálculo e o recolhimento dos impostos devidos em nível federal.

o Encaixam-se no REGIME NORMAL as empresas que fazem o recolhimento de


impostos da forma tradicional, ou seja, cumprem todos os requisitos previstos
em lei para cada imposto existente.

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 IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica
 PIS - Contribuição para os Programas de Integração Social
 COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social
 CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

o Já o REGIME SIMPLES é para as empresas que – com possibilidade de


enquadramento – irão se beneficiar da redução da carga tributária na qual os
recolhimentos dos impostos são realizados de forma unificada e simplificada. O
enquadramento no SIMPLES está sujeito à aprovação da Receita Federal,
considerando critérios como ramo de atividade e a estimativa de faturamento
anual da empresa.

Além dos tributos federais, são devidos impostos e contribuições para o Governo
Estadual (ICMS) e Municipal (ISS).

Quem pode solicitar o enquadramento no Simples Nacional?

 Empresas com atividades permitidas em um dos anexos do Simples Nacional.


 Micro e pequenas empresas (ME) e Empresas de pequeno porte (EPP).
 Empresas que não possuam débitos em aberto (aqueles sem
negociação/parcelamento) com o Governo.

Você pode pesquisar as empresas que podem se enquadrar no Simples Nacional no


seguinte link https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/tabela-simples-
nacional-completa/

 Capital social

O capital social é representado por todos os recursos (dinheiro, equipamentos,


ferramentas, etc.) colocado (s) pelo (s) proprietário(s) para a montagem do negócio.
Quando você for elaborar o plano financeiro do seu empreendimento, você saberá o
total do capital a ser aplicado.

37
Caso você escolha ter uma sociedade, é preciso que você determine o valor do capital
investido por cada um dos sócios e o seu percentual.

Avaliação de aprendizagem

1 – Comente o cenário atual do empreendedorismo no Brasil? Este cenário está relacionado a


que tipo de empreendedor, o de oportunidade ou o de necessidade?
2 – Como empreendedorismo é prática, segundo Peter Drucker, vamos praticar. Você deve
elaborar uma objetiva descrição de seu projeto, faça um breve relato das principais características
dele. Seja coerente e mencione:
 O que é o negócio?
 Quais os principais produtos e/ou serviços?
 Quem serão seus principais clientes?
 Onde será localizada a empresa?
 Qual o montante de capital a ser investido?
 Qual será o faturamento mensal?
 Que lucro espera obter do negócio?
 Em quanto tempo espera que o capital investido retorne?

38
3.CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO NO CONTEXTO DO
EMPREENDEDORISMO. PLANO DE MARKETING E PLANO
OPERACIONAL

3.1 Criatividade e Inovação

Caro(a) estudante, começamos essa semana assistindo, na atividade presencial, a um


vídeo sobre criatividade e inovação, no qual Waldez Ludwig destaca o poder da
criatividade no processo de inovação e da geração de valor. Waldez Ludwig nos
lembra de que para sermos criativos precisamos nos aventurar com a coragem das
crianças no processo de quebrar paradigmas através de percepções inusitadas. O
povo brasileiro é considerado muito criativo, mas pouco inovador. Você se considera
uma pessoa criativa? Que tal fazer o teste a seguir e observar o seu grau de
criatividade?

Seja bastante sincero(a) e ao final deste material você poderá fazer a auto avaliação
do resultado do teste. Lembre sempre de que os testes são apenas norteadores para
a tomada de consciência e não devem ser usados para rotular as pessoas.

“Muitas vezes, a imaginação é mais importante que o conhecimento”.


(Albert Einstein)

Teste - Você se considera criativo?

Você se considera criativo? Talvez nem tanto? O questionário permitirá avaliar seu grau de
criatividade. Responda como você realmente é e não como você acha que deveria ser.
S = SIM N = NÃO AV = ÀS VEZES
1. Você encara desafios e barreiras como algo que possa trazer oportunidades, em vez de
trazer problemas?
S N AV
2. Ao procurar soluções para determinados problemas, você faz uso de processos e técnicas
criativas de tomada de decisão?
S N AV
3. Você costuma ter ideias criativas para resolver problemas intrincados?
S N AV

39
4. Quando alguém lhe traz uma ideia criativa para resolver um problema você usa frases do
tipo “não vai dar certo”, ou “não vale a pena”?
S N AV
5. Você costuma implantar novas alternativas e processos que ajudam a agilizar seu trabalho
ou sua tomada de decisão?
S N AV
6. Você já ignorou boas ideias suas porque não tinha recursos ou não sabia como implantá-
las?
S N AV
7. Para você, tudo o que você faz tem que ser sempre muito prático, objetivo e rápido?
S N AV
8. Quando tenta resolver um problema ou buscar novas alternativas você se inspira em
soluções que já deram certo?
S N AV
9. Você se interessa por processos criativos que utilizam ideias inovativas para serem
implantadas no seu trabalho?
S N AV
10. Você exercita sua mente regularmente em pensar “fora da caixa”, isto é, imaginar as
coisas de uma perspectiva fora da visão tradicional?
S N AV
11. Você costuma utilizar instrumentos criativos de tomada de decisão ou de resolução de
problemas como, por exemplo, o “brainstorming”?
S N AV
12. Você se considera criativo?
S N AV
13. Você já teve a oportunidade de implantar soluções criativas em seu trabalho que deram
certo?
S N AV

14. Para você é uma perda de tempo procurar soluções inovadoras para situações
indesejáveis que acontecem em sua vida?
S N AV
15. Quando seu trabalho sai da rotina habitual e você é obrigado a enfrentar circunstâncias
imprevistas, você se sente inseguro ou desconfortável?
S N AV

40
Fonte: http://vestibular.blogs.unipar.br/

A criatividade e a inovação são variáveis muito importantes do empreendedorismo.


Ter boas ideias e conseguir colocá-las em prática, inovando o contexto social,
ambiental, familiar ou profissional constituem a essência do complexo processo de
empreender.

Vamos falar um pouco mais sobre inovação, no entanto, antes vamos resgatar mais
uma relação de características do perfil empreendedor e comparar com características
do perfil de pessoas criativas. A primeira lista é de características frequentemente
atribuídas ao indivíduo empreendedor e foi resgatada de Inácio Jr (2002):

1. LócusInterno de Controle 11. Tolerância à incerteza,


ambiguidade.
2. Determinado, perseverante 12. Necessidade de poder
3. Enérgico, diligente 13. Orientado ao lucro
4. Propensão ao risco 14. Experiência de trabalho prévia
5. Necessidade de realização 15. Dinâmico, líder
6. Criativo, inovador 16. Habilidade em se relacionar com
os outros
7. Proativo, iniciativa 17. Sensibilidade para com os outros
8. Flexível 18. Preditor

9. Resposta positiva frente a 19. Egoísta


desafios
10. Independente 20. Cooperativo

41
Nesta lista aparecem algumas características diferentes, como por exemplo, preditor -
aquela pessoa que consegue antecipar os cenários; e o “locus de controle” – que
descreve a maneira pela qual as pessoas atribuem responsabilidade pelas coisas que
acontecem nas suas vidas. Quem tem “locus de controle interno” – se percebem
como responsáveis pelos problemas que enfrentas. Por outro lado, quem tem “locus
de controle externo” – atribui responsabilidade ao que lhes acontece a fatores
externos.

Vamos agora observar algumas semelhanças com a lista com das características das
pessoas mais criativas - adaptado de Whiting (1988, p. 180).

Características Breve descrição


Não é constrangido por outros; é ao contrário das
regras; possui um desrespeito saudável para com o
Independente saber convencional (há um modo melhor); segue
padrões de pensamento diferentes, flexível e possui
padrões internos de excelência e realização.
Orientado à realização Tem responsabilidade; persistente; toma iniciativa;
enfocado nos esforços; alto investimento de energia.
Olha por si próprio; explora assuntos atentamente;
Curioso atraído pelo desconhecido, novo, complexo e
desafiador; tolera bem a ambiguidade.
Autoconfiante Alta estima / eficácia; lócus interno de controle;
otimista,
Se põe completamente envolvido, fica muito
Imersão profunda conhecedor em áreas distintas; pensa em seu
negocio quando se ocupa de outras tarefas; distraído
com o tempo; busca informações pertinentes.

Essas características que estão relacionadas a um perfil empreendedor que estamos


trabalhando nas três semanas desta disciplina devem ser usadas na consolidação das
inovações e na elaboração do plano de negócios. O termo inovação também possui
várias definições, de uma forma resumida podemos dizer que a inovação pode ser
compreendida como o desenvolvimento ou o aperfeiçoamento de novos produtos e
processos. E no cenário corporativo a palavra inovação está ligada a palavra
novidade, algo que é novo, mas não necessariamente original, pode ser novo apenas
naquele contexto. As novidades normalmente surgem a partir de uma ‘necessidade’
do mercado ou do avanço tecnológico.

42
Alguns autores acrescentam detalhes ao conceito de inovação. Damanpour (1991)
classifica a inovação em dois tipos específicos: inovação técnica ou administrativa.
Para esse autor, inovações técnicas são aquelas que se referem a produtos ou
serviços e aos processos e operações de produção.

Já as inovações administrativas, para Damanpour (1991), estão mais diretamente


relacionadas com o gerenciamento da empresa e referem-se às mudanças na
estrutura organizacional ou às atividades administrativas.

Fonte: https://estrategiaparatodos.files.wordpress.com

Outro conceito interessante é o de Rogers (1971) que define a inovação como a


percepção do novo, não importando se a ideia é ou não objetivamente nova ou se
está sendo reinventada, mas levando em consideração o que esse autor chama de
“processo de inovação”, isto é o tempo entre o desenvolvimento e a adoção da
inovação. Esse processo de inovação pode ser definido em três etapas:

• a novidade da inovação pode ser conhecida, embora não adotada e talvez


nunca o sendo;
• a decisão ou persuasão é a segunda etapa – a inovação é reconhecida e
inicia-se o processo de “venda” da ideia;
• por último, é definido o processo de comunicação da inovação que se insere
na terceira etapa, nomeada difusão da inovação.

43
Todo esse contexto de criatividade e de inovação está fortemente relacionado ao
plano de marketing que é uma importante parte do plano de negócios e que veremos
a seguir.

3.2 Plano de Negócios (continuação) - Plano de Marketing

Um plano de marketing bem feito pode se transformar em um diferencial no plano de


negócios, pois vai ajudar o empreendedor a conhecer e a conquistar os clientes. Aqui
continuaremos a seguir as orientações do SEBRAE, sobre os passos básicos na
orientação do seu plano de negócios.

Vale ressaltar que no plano de marketing serão postas em evidência as qualidades


que os produtos ou serviços realmente possuem. Lembre-se de que a qualidade de
um produto/ serviço é a qualidade que o consumidor percebe.

 Descrição dos principais produtos

Aqui você deve fazer uma breve descrição dos principais itens que serão vendidos
pela empresa ou dos serviços que serão prestados. Informe quais as linhas de
produtos, especificando detalhes como tamanho, modelo, cor, sabores, rótulo, marca,
etc.

Se necessário, fotografe esses produtos e coloque as fotos como documentação de


apoio ao final do seu plano de negócio. No caso de uma empresa de serviços, você
deve informar todos os serviços que serão prestados, suas características e as
garantias oferecidas.

 Estudo dos clientes

Esta é uma das etapas mais importantes da elaboração de seu plano. Afinal, sem
clientes não há negócios. Os clientes não compram apenas produtos, mas soluções
para algo que precisam ou desejam. Você pode identificar essas soluções se procurar
conhecê-los melhor. Para isso, responda às perguntas e siga os passos a seguir:

44
• 1º passo: identificando as características gerais dos clientes.

o SE PESSOAS FÍSICAS

 Qual a faixa etária?


 Na maioria são homens ou mulheres?
 Têm família grande ou pequena?
 Em que trabalham?
 Quanto ganham?
 Qual a escolaridade?
 Onde moram?

o SE PESSOAS JURÍDICAS (outras empresas)


 Em que ramo atuam?
 Que tipo de produtos ou serviços oferecem?
 Quantos empregados possuem?
 Há quanto tempo estão no mercado?
 Possuem filial? Onde?
 Têm uma boa imagem no mercado?

• 2º passo: identificando os interesses e comportamentos dos clientes.


o Com que frequência compram seus produtos ou serviços?
o Onde costumam comprar?

• 3º passo: identificando o que leva essas pessoas a comprar.


o O preço?
o A qualidade dos produtos e/ou serviços?
o A marca?
o O prazo de entrega?
o O prazo de pagamento?
o O atendimento da empresa?

• 4º passo: identificando onde estão os seus clientes.


o Qual o tamanho do mercado em que você pretende atuar?
o É apenas sua rua? O seu bairro? Sua cidade? Todo o estado?
o No país todo ou em outros países?
o Seus clientes encontrarão sua empresa com facilidade?

45
Fonte: http://rizzattigestao.com.br

Após responder essas perguntas, será possível entender melhor seus clientes. No
principio você pode escolher apenas uma parte do mercado para atender, isto é,
fornecer produtos ou serviços para um grupo de pessoas ou empresas com
características e necessidades parecidas. Por exemplo, uma loja de doces que não use
açúcar ou uma loja de roupas infantis.

Fique atento(a), uma empresa é viável quando tem um número suficiente de clientes
com poder de compra necessário para gerar vendas que cubram todas as despesas,
obtendo lucro.

Você pode utilizar diversas técnicas para conhecer melhor seu mercado consumidor.
Essas técnicas vão desde a aplicação de questionários e entrevistas a conversas
informais com seus futuros clientes e a observação dos concorrentes.

 Estudo dos concorrentes

Procure identificar quem são seus principais concorrentes e aprenda com eles.
Observe o que eles fazem de muito bom e onde eles estão falhando, para não
cometer o mesmo erro. Concorrentes são aquelas empresas que atuam no mesmo
ramo de atividade que você e que atendem o mesmo tipo de cliente.

Faça comparações entre a concorrência e o seu próprio negócio. Enumere as


vantagens e desvantagens em relação a:

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 Qualidade dos materiais empregados - cores, tamanhos, embalagem,
variedade, etc.; Preço cobrado;
 Localização;
 Condições de pagamento - prazos concedidos, descontos praticados, etc.;
 Atendimento prestado;
 Serviços disponibilizados - horário de funcionamento, entrega em domicílio, etc.
 Garantias oferecidas.

Após fazer essas comparações você será capaz de concluir se sua empresa poderá
competir com as outras mais antigas no ramo. Se existe espaço para todos, inclusive
para sua empresa. Se a resposta for sim, detalhe no texto os motivos disso. Caso
contrário, que mudanças devem ser feitas para que as pessoas deixem de ir aos
concorrentes para comprar de sua empresa?

 Estudo dos fornecedores

Você deve levantar quem serão os seus fornecedores de equipamentos, ferramentas,


móveis, utensílios, matéria-prima, embalagens, mercadorias e serviços.

Mantenha um cadastro atualizado desses fornecedores. Isso irá facilitar a coleta de


informações. Pesquise, pessoalmente ou por telefone, questões como: preço,
qualidade, condições de pagamento e o prazo médio de entrega. Essas informações
serão úteis para determinar o investimento inicial e as despesas do negócio.

Para obter um bom relacionamento com os fornecedores é importante pensar em


longo prazo. É preciso ter um fluxo constante (ainda que pequeno) de compras e
pagamentos em dia. Tratar desse aspecto é fundamental, pois, a troca de
fornecedores durante um processo operacional, normalmente, prejudica os resultados
da empresa, atingindo, consequentemente, os clientes.

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Algumas dicas importantes na seleção de fornecedores

 Analise pelo menos três empresas para cada artigo necessário;


 Mesmo escolhendo um entre vários fornecedores, é importante manter contato pelo
menos com os principais, de tempos em tempos, pois não é possível prever quando
um fornecedor enfrentará dificuldades;
 Ao adquirir materiais, equipamentos ou mercadorias faça um breve estudo de
verificação da capacidade técnica dos fornecedores. Todo fornecedor deve ser capaz
de suprir o material ou as mercadorias desejadas, na qualidade exigida, dentro do
prazo estipulado e com o preço combinado.

• Estratégias promocionais

Promoção é toda ação que tem como objetivo apresentar, informar, convencer ou
lembrar os clientes de consumir os seus produtos ou contratar os seus serviços e não
os dos seus concorrentes. A seguir, estão relacionadas algumas estratégias que você
pode utilizar em sua empresa.

 Propaganda em rádio, jornais e revistas;


 Amostras grátis;
 Mala direta, folder e cartões de visita;
 Catálogos;
 Brindes e sorteios;
 Descontos (de acordo com os volumes comprados);
 Participação em feiras e eventos;
 Uso das redes sociais.

Determine de que maneira você irá divulgar os produtos ou serviços, pois todas as
formas de divulgação implicam em custos. Descreva as estratégias e leve em conta
qual o retorno que essa estratégia trará, seja na imagem do negócio, no aumento do
número de clientes ou no acréscimo de receita da empresa. Use a criatividade para
encontrar as melhores maneiras de divulgar a empresa.

48
Fica a Dica!

 Os catálogos de produtos, bem elaborados, apresentam a empresa de forma


organizada e detalhada. Se possível, inclua em seu catálogo fotos, informações
técnicas e formas de utilização.
 Panfletos podem ser entregues em locais com grande fluxo de pessoas. Neles, você
deve colocar informações básicas (nome da empresa, endereço, telefone, etc.) e sobre
os produtos e serviços.
 Uma alternativa interessante é a divulgação em revistas especializadas de seu setor ou
nos jornais de bairro. Anúncios nesse tipo de publicação são mais baratos e atingem
diretamente o seu público-alvo.
 As feiras especializadas são bons locais para apresentar sua empresa a um público
selecionado, por juntar clientes, especialistas, concorrentes e fornecedores, além de
possibilitar vendas de seus produtos e/ou serviços.

Uma marca bem trabalhada pode contribuir para o sucesso do empreendimento. Crie
uma marca (nome e logotipo) que seja fácil de pronunciar e memorizar. Antes de
levar ao mercado, o nome e a logomarca, faça uma consulta junto ao INSTITUTO
NACIONAL DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL – INPI, para certificar-se de que poderá
fazer uso de ambos. Busque mais informações no site do INPI (www.inpi.gov.br).

 Estrutura de comercialização

A estrutura de comercialização diz respeito aos canais de distribuição, isto é, como


seus produtos e/ou serviços chegarão até os seus clientes. A empresa pode adotar
uma série de canais para isso, como: vendedores internos e externos,
representantes, etc.

Reflita sobre quais serão os meios mais adequados para se alcançar os clientes. Para
isso, pense no tamanho dos pedidos, na quantidade de compradores e no
comportamento do cliente, isto é, se ele tem por hábito comprar pessoalmente, por
telefone, através da internet, etc.

49
Fica a Dica!

 A comercialização dos produtos e/ou serviços pode ser feita pelos proprietários, por
vendedores ou por outras empresas. Independente da forma, o importante é que isso
seja feito.
 Uma opção é montar uma boa equipe interna de vendas, que conheça bem os produtos
da empresa e as vantagens existentes sobre a concorrência.
 Outra alternativa é a contratação de representantes comerciais. Isso é viável quando
se explora uma região extensa e desconhecida. Ao trabalhar com representantes, tome
cuidado com questões trabalhistas e não se esqueça de elaborar um contrato
específico. Consulte um contador ou um advogado sobre o assunto.

Nossas últimas dicas sobre plano de negócios serão a respeito do plano operacional,
que vai ajudar você a estruturar como seu negócio funciona. Não estamos afirmando
que o plano de negócios se encerra neste item, há outros pontos importantes como o
planejamento financeiro, mas esse aspecto você estudará em disciplinas da área
contábil.

3.2 Plano de Negócios (continuação) - Plano Operacional

 Localização do negócio

O empreendedor deve identificar qual a melhor localização para a instalação de seu


negócio e justificar os motivos da escolha desse local. A definição do ponto está
diretamente relacionada com o ramo de atividades da empresa.

Um bom ponto comercial é aquele que gera resultados e um volume razoável de


venda. Por isso, se a localização é fundamental para o sucesso de seu negócio, não
deixe de levar em consideração os seguintes aspectos:

 Analise o contrato de locação, as condições de pagamento e o prazo do aluguel do


imóvel;
 Verifique as condições de segurança da vizinhança;

50
 Observe os seguintes itens: a facilidade de acesso, o nível de ruído, as condições
de higiene e limpeza e a existência de locais para estacionamento;
 Fique atento para a proximidade dos clientes que compram seus produtos e o
fluxo de pessoas na região;
 Lembre–se de observar a proximidade de concorrentes e similares;
 Avalie a proximidade dos fornecedores, pois isso influencia no prazo de entrega e
no custo do frete;
 Visite o ponto pelo menos três vezes, em horários alternados, para verificar o
movimento de pessoas e de veículos no local.

Fonte: http://4.bp.blogspot.com

Fica a dica!

 A compra de um imóvel para a instalação da empresa é uma opção pouco comum.


Agindo assim, você imobiliza a maior parte dos recursos, comprometendo os valores
que seriam destinados para capital de giro.

 Escolha a localização tendo em mente o tipo de empreendimento. Você pode achar


conveniente montar um bar em um espaço que você já tem disponível. Cuidado, pois
você pode estar forçando um negócio em um local que pode não ser o mais
adequado. Se você já possui o local, procure encontrar o negócio mais adequado para
o mesmo.

 Caso venha alugar um imóvel comercial, não feche o contrato de locação sem antes
verificar se, naquele local, é permitida a atividade prevista. Essa consulta é feita junto
à Prefeitura de sua cidade. Verifique, também, se existem implicações junto a órgãos
como a Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros.

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 Layout ou arranjo físico

Por meio do layout, isto é, do arranjo físico, você irá definir como será a distribuição
dos diversos setores da empresa, de alguns recursos (mercadorias, estantes,
gôndolas, vitrines, prateleiras, equipamentos, móveis, etc.) e das pessoas no espaço
disponível. Um bom arranjo físico é aquele que favorece o fluxo do trabalho e traz
uma série de benefícios, como por exemplo:

 O aumento da produtividade;
 Diminuição do desperdício e do retrabalho;
 Maior facilidade na localização dos produtos pelos clientes;
 Melhoria na comunicação entre os setores e as pessoas.

O ideal é contratar um profissional qualificado para ajudá-lo nessa tarefa, mas, se


isso não for possível, faça você mesmo um esquema, distribuindo as áreas da
empresa, os equipamentos, móveis e as pessoas de forma racional e sensata. O uso
adequado do espaço é essencial, principalmente se o espaço disponível é pequeno.

 Capacidade produtiva e /ou comercial

É importante estimar a capacidade instalada da empresa, isto é, o quanto pode ser


produzido ou quantos clientes podem ser atendidos com a estrutura existente. Com
isso, é possível diminuir a ociosidade e o desperdício.

Atenção!
Seja realista e leve em consideração, na projeção do volume de produção, de vendas ou de
serviços: o tipo de mercadoria ou serviço que colocará no mercado, as suas instalações e
maquinários, sua disponibilidade financeira, o fornecimento de matérias-primas e/ou
mercadorias.
Leve em conta, também, a sazonalidade, isto é, as oscilações do mercado, em função daquilo
que irá produzir ou revender. Por exemplo, a venda de sorvete tende a ser maior no período
de verão.

52
 Processo de produção e/ou de comercialização

É muito importante registrar como a empresa vai funcionar. Você deve pensar em
como serão feitas as várias atividades do negócio, descrevendo, etapa por etapa,
como se dará a fabricação dos produtos, a venda de mercadorias, a prestação dos
serviços e, até mesmo, as rotinas administrativas.

Identifique que trabalhos serão realizados, quais serão os responsáveis, assim como
os materiais e equipamentos necessários. Para isso, você pode elaborar um roteiro
com tais informações. A princípio isso pode parecer que vai consumir muito tempo e
que é muito trabalho, mas na verdade você estará diminuindo a possibilidade de
erros e de problemas.

Isso deverá ser feito a partir de um fluxograma que identifique os passos. Observe
um exemplo do processo de fabricação de uma confecção de artigos do vestuário e,
tome como base para fazer o mesmo para as diversas atividades da sua empresa.

 Necessidade de pessoal

É necessário fazer uma projeção de todo o pessoal que necessitará para que o
negócio funcione. Esse item inclui o(s) sócio(s), familiares que trabalharão na
empresa, se for o caso, e as pessoas a serem contratadas.

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Resultado do Teste sobre sua criatividade

Faça Sua Autoavaliação


Marque um ponto para cada resposta SIM dada às seguintes questões: 1, 2, 3, 5, 8,
9, 10, 11, 12, 13
Marque um ponto para cada resposta NÃO dada às seguintes questões: 4, 6, 7, 14,
15
Marque meio ponto para cada resposta ÀS VEZES.

TOTAL DE PONTOS________

De 13 a 15 pontos. Ótimo. A criatividade e a inovação estão entre os seus pontos


fortes. Para que seus resultados melhorem ainda mais envolva seus amigos e colegas
de trabalho nos processos de criatividade e inovação, pois todos se beneficiarão com
isso.
De 10 a 12,5 pontos. Sua criatividade está em fase de progresso. Talvez você até já
tenha conseguido algum sucesso, mas pode melhorar bem mais se fizer da
criatividade e da inovação um processo constante em suas atividades.
Abaixo de 10 pontos. Você está inseguro quanto ao seu talento criativo. Talvez até
você se julgue pouco criativo. Seja como for, procure oportunidades para melhorar e
colocar em prática formas mais criativas e diferentes de pensar e de trabalhar as
coisas, mesmo que não tenha nenhuma necessidade disso no momento.
Texto extraído e condensado do livro “Manual de Criatividade
Aplicada”, de Ernesto Artur Berg

Fonte: http://canaldoempreendedor.com.br/coaching/faca-o-teste-voce-se-considera-
criativo/

Avaliação de Aprendizagem

Como você já foi solicitado a pensar em um empreendimento e vem aprendendo sobre


plano de negócios desde a semana passada, nesta atividade você será solicitado a elaborar os
seguintes planos:

1 – Elabore um plano de marketing para o produto ou serviço principal da sua


empresa.
2 – Elabore um plano operacional para sua empresa. Dê foco no processo principal.

54
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