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Edição 14 – 4° Trimestre de 2018

Subsídio Semanal

Subsídios completos
e Artigos Teológicos
para Professores e
Alunos da Escola
Dominical
4° Trimestre de 2018

As Parábolas
de Jesus
SUBSÍDIOS EBD – AUXÍLIO PARA PROFESSORES E ALUNOS DA ESCOLA DOMINICAL www.subsidiosebd.com

Edição: 14
Ano: 2018
Formato: Digital - PDF
Periocidade: Trimestral
Trimestre: 4° de 2018
Comentarista: EV. Jair Alves
E-mail: projetosbiblicos@live.com
Publicação: Site Subsídios EBD: www.subsidiosebd.com

É proibido disponibilizar esta obra para downloads em sites, blogs, Redes


Sociais e Grupos do WhatsApp.

Lições, Artigos para professores e alunos, Subsídios para a


Escola Dominical, Vídeos Aulas, estudos bíblicos e muito mais.

Acesse: www.sub-ebd.blogspot.com
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Apresentação 2
A fim de disponibilizar uma fonte de estudos e
pesquisas para alunos e professores de Escolas
Bíblicas, o blog “Subsídios EBD” criou o “e-book:
Subsídios EBD”.

O “e-book: Subsídios EBD” é uma fonte auxiliadora


trimestral dos professores e alunos de Escolas
Bíblicas.

Esta ferramenta trata-se de uma grande fonte de


pesquisas e estudos para quem deseja aumentar os seus conhecimentos
relacionados à área da Escola Bíblica e outras relativas ao conhecimento
teológico.

Nossos leitores têm subsídios para cada lição de adultos e vários artigos
teológicos.

Nossa proposta editorial: Fonte de Estudos e Pesquisas do Professor e do


Aluno de Escola bíblica Dominical.

Esta é uma ferramenta indispensável para professores e alunos de Escolas


Bíblicas.

Além deste e-book, nossos leitores contam com publicações de estudos e


outros subsídios para alunos e professores da Escola Dominical em nosso blog
OFICIAL: sub-ebd.blogspot.com.br

EV. Jair Alves


O idealizador – Setembro de 2015-2018

Nisto cremos:

 Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para


ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça.

 Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente


instruído para toda a boa obra (2 Tm 3.16,17).
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Sumário 3
Apresentação..................................................................................................................................... 2
Subsídios para cada lição bíblica – 4° trimestre de 2018............................................................ 4
Lição 1 – Parábola: Uma Lição para a Vida .......................................................................................... 5
Lição 2- Para Ouvir e Anunciar a Palavra de Deus ..............................................................................15
Lição 3- O Crescimento do Reino de Deus .........................................................................................21
Lição 4- Perseverando na Fé ..............................................................................................................26
Lição 5- Amando e Resgatando a Pessoa Desgarrada ........................................................................32
Lição 6- Sinceridade e Arrependimento Diante de Deus ....................................................................38
Lição 7- Perdoamos Porque Fomos Perdoados ..................................................................................43
Lição 8- Encontrando o Nosso Próximo .............................................................................................49
Lição 9- O Perigo da Indiferença Espiritual.........................................................................................57
Lição 10- Precisamos de Vigilância Espiritual .....................................................................................61
Lição 11- Despertamos para a Vinda do Grande Rei ..........................................................................68
Lição 12- Esperando, mas Trabalhando no Reino de Deus .................................................................73
Lição 13- A Humildade e o Amor Desinteressado ..............................................................................79

ARTIGOS Bíblicos-Teológicos
As Razões de Jesus Usar Parábolas ....................................................................................................85
Jesus sempre falou por meio de parábolas, ou não?..........................................................................87
O Cristianismo e as Grandes Transformações ....................................................................................88
Como poderia Faraó estar livre, se Deus endureceu o coração dele?.................................................90
Jesus não cometeu um erro, quando se referiu ao grão de mostarda como sendo a menor de todas as
sementes? ........................................................................................................................................92
Professor desnecessário à igreja: o Leigo que é desleixado ...............................................................93
Introdução ao Estudo da Bíblia ..........................................................................................................96
O Pesquisador Bíblico......................................................................................................................101
Os Dez Mandamentos das Relações Humanas .................................................................................103
Referências Bibliográficas ...............................................................................................................105
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Subsídios para cada lição bíblica – 4° trimestre de 2018 4


Comentarista dos Subsídios EBD: Ev. Jair Alves
Jair Alves é ministro do evangelho. Ordenado a Evangelista na
Assembleia de Deus - Ministério do Belém -SP.
É professor de Teologia sistemática, bacharel em teologia e Filosofia,
fundador e diretor da Escola Bíblica ECB, pregador do Evangelho de
Cristo e comentarista das Revistas ―E-book subsídios EBD‖.
Contatos – E-mail: jairalves13@live.com

Informações:

1- Os Subsídios são baseados nos temas das lições bíblicas de adultos;


2- Esses Subsídios são uma das maiores fontes de Pesquisas para cada
lição a ser estudada neste trimestre.
3- Não esqueça: Esses subsídios trata-se de fonte auxiliar, e não
substituta, das lições bíblicas de adultos, CPAD. Use-os como fonte de
pesquisas e consultas no preparo de suas aulas;
4- Foram usadas algumas das melhores fontes bibliográficas;
5- Esses Subsídios podem ser usados em:

 Escola Bíblica Dominical


 Cultos de Ensinos
 Simpósios
 Estudos Bíblicos
 Escolas Teológicas
Indicação - para:
 Professores (as) EB
 Superintendentes
 Alunos da EB
 Obreiros
 Pregadores (as)

Boa leitura
Site Subsídios EBD
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Subsídio 1 5

Lição 1 – Parábola: Uma Lição para a Vida


INTRODUÇÃO
As parábolas são utilizadas desde a antiguidade. Embora Jesus tenha
contribuído para os escritos sagrados com parábolas inigualáveis e
tenha elevado esse método de ensino ao mais alto grau, era sabedor da
existência milenar desse método de apresentar a verdade.

Quando o Senhor Jesus apareceu entre os homens, como Mestre,


tomou a parábola e honrou-a, usando-a como veículo para a mais
sublime de todas as verdades. Sabedor de que os mestres judeus
ilustravam suas doutrinas com o auxílio de parábolas e comparações,
Cristo adotou essas antigas formas de ensino e deu-lhes renovação de
espírito, com a qual proclamou a transcendente glória e excelência de
seu ensino (Herbert Lockyer).

Dado a grande relevância das parábolas de Jesus é que durante a


presente edição, estudaremos as parábolas de nosso Salvador Jesus.

I – O QUE É PARÁBOLA
De acordo com Klvne Snodrass1,
―possivelmente nenhuma definição
de parábola se mostrará
completamente eficaz, pois toda ‘Parábolas’
definição que seja ampla o suficiente Narrativas especiais que
para englobar todas as formas acaba Jesus usava para transmitir
se revelando tão imprecisa a ponto verdades espirituais
de se mostrar praticamente inútil‖. através de comparações.
Entretanto, apresentarei alguns
definições para o nosso
entendimento do termo em questão.

Dentre os significados para o termo ―parábola‖, destaco os seguintes:

a) Comparação utilizada para indicar uma história breve.


b) Um exemplo esclarecedor para ilustrar uma verdade.
c) Comparação entre duas coisas diferentes.
d) Na maioria dos casos, a parábola é uma analogia ampliada utilizada
para convencer e persuadir.
e) A parábola é uma criação literária na forma de narrativa
desenvolvida para retratar uma espécie de caráter por advertência ou

1
Autor do Livro: Compreendendo todas as Parábolas de Jesus - CPAD
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exemplo, ou para encarnar um princípio do governo de Deus para com 6


este mundo e com os homens.
―A parábola podia ser tirada de uma história real ou alguma outra
criada a partir de fatos possíveis do dia-a-dia das pessoas. Uma
parábola era, na verdade, uma espécie de ilustração da vida. Podia ser
um relato de coisas terrenas, às vezes, histórico — geralmente fiel à
experiência humana — narrado de modo a comunicar uma verdade
moral ou algum ensino espiritual‖ (Elienai Cabral)

1. O USO DAS PARÁBOLAS NOS EVANGELHOS (Mateus, Marcos e Lucas)


A palavra grega parabolé tem nos Evangelhos um sentido mais
abrangente do que o seu uso na língua portuguesa ou inglesa. Como
resultado, nos estudos bíblicos a palavra "parábola" tem, pelo menos,
três usos diferenciados.

Em primeiro lugar, parabolé pode ser usada para se referir a qualquer


dito comparativo que tem por objetivo estimular o pensamento.
Ela é utilizada para se referir a um provérbio como "Médico, cura-te a
ti mesmo" (Lc 4.23),45 a um enigma como "Como pode Satanás
expulsar Satanás?" (Mc 3.23), a uma comparação (Mt 13.33), a um
contraste (Lc 18.1-8) e tanto a histórias simples (Lc 13.6-9) quanto a
complexas (Mt 22.1-14).

Em segundo lugar, o termo "parábola" também pode ser utilizado em


um sentido mais restrito para se referir a qualquer tipo de analogia
(quer seja uma história com duplo sentido quer não), uma definição
que excluiria os provérbios, os enigmas e as formas não-narrativas.

PARÁBOLAS EM NO EVANGELHO DE MARCOS


O número de parábolas em Marcos é relativamente pequeno. Ele
registra somente quatro parábolas narrativas, das quais as três
primeiras formam uma série de parábolas no capítulo 4: a do
Semeador, a da Semente que Cresce de Forma Oculta (exclusiva de
Marcos) e a do Grão de Mostarda. Depois, no capítulo 12, ele os
apresenta a parábola dos Lavradores maus. Algumas pessoas também
consideram como parábola a comparação do Porteiro em 13-34-37 e
da Figueira em 13.28,29.

Das parábolas do livro de Marcos, Mateus e Lucas têm a do Semeador,


a do Grão de Mostarda, a dos Lavradores Maus e a da Figueira.

Mateus e Lucas também têm algumas parábolas em comum que não


se encontram em Marcos. Ambos têm a do Fermento, a da Ovelha
Perdida, a dos Dois Fundamentos, a dos Servos Fiéis e Infiéis, a do
Ladrão e das Crianças no Mercado. Os dois livros também têm
parábolas acerca de convites rejeitados a um banquete e de servos a
quem foi confiada certa quantia em dinheiro, mas se elas representam
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ou não relatos paralelos ou são meramente histórias semelhantes é 7


uma questão controvertida.

EM SUMA:
 10 parábolas são exclusivas de Mateus
 18 são exclusivas de Lucas.
 Cerca de dois terços das parábolas estão em Lucas.
 As parábolas de Mateus aparecem, majoritariamente, nos
capítulos 13, 18, 20—22 e 24—25

2. OBJETIVOS GERAIS DA PARÁBOLA

a) O objetivo imediato de uma parábola é ser algo bastante atraente


e, ao ser atraente, ela redireciona a atenção e desarma o ouvinte.

b) O objetivo final de uma parábola é despertar uma compreensão


mais aprofundada, estimular a consciência e levar os ouvintes a uma
ação.

3. JESUS E AS PARÁBOLAS
A importância que Jesus dava ao uso
de parábolas é, notado pelo fato de
que quase um terço dos seus Reflexão
ensinamentos foram realizados
Jesus falava por meio de
através de parábolas.
parábolas para despertar
Através das parábolas, Jesus tinha o raciocínio e estimular
dois grandes objetivos. uma reação das pessoas
Primeiro – Ilustrara verdade para em relação a Deus.
aqueles que estavam dispostos a
recebe-la.
Segundo – Obscurecer a verdade daqueles que a odiavam (Marcos
4.10-12).

Ao utilizar o método de parábola em seus ensinamentos, Jesus


cumpriu ao menos cinco propósitos. Vejamos.

(1) Ilustrar o amor de Deus pelos pecadores.


(2) Ensinar a cerca da necessidade de confiança na misericórdia de
Deus.
(3) Ilustrar o amor que devemos ter uns pelos outros
(4) Ensinar a cerca da responsabilidade do cristão para desenvolver
seus dons.
(5) Ensinar acerca do julgamento divino sobre aqueles que rejeitam
o evangelho.

3. SETE BENEFÍCIOS DO USO DAS PARÁBOLAS


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(1) Revelar a verdade de forma interessante e despertar maior interesse 8


(Mt 13.10,11,16);
(2) Tornar conhecidas novas verdades a ouvintes interessados (Mt
13.11,12,16,17);
(3) Tornar conhecidos os mistérios por comparações com coisas já
conhecidas (Mt 13.11);
(4) Ocultar a verdade de ouvintes desinteressados e rebeldes de
coração (Mt 13.11-15);
(5) Acrescentar mais conhecimento da verdade aos que a amam e
anseiam mais dela (Mt 13.12);
(6) Afastá-la do alcance dos que a odeiam ou que não a desejam (Mt
13.12);
(7) Cumprir as profecias (Mt 13.14-17,35).

SUBISÍDO BÍBLICO-TEOLÓGICO
Jesus é interrogado sobre o uso das parábolas
Então os discípulos se aproximaram de Jesus e lhe perguntaram:
— Por que o senhor fala com eles por meio de parábolas?
Ao que Jesus respondeu:
— Porque a vocês é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas
àqueles isso não é concedido. Pois ao que tem mais será dado, e terá em
abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso,
falo com eles por meio de parábolas: porque, vendo, não veem; e, ouvindo,
não ouvem, nem entendem. Assim, neles se cumpre a profecia de Isaías [...]
(Mt 13.10-14, NAA).

Cristo cita Isaías 6.9-10 a fim de explicar por que usa parábolas: o
coração do povo está duro; seus ouvidos estão surdos; e seus olhos,
cegos. Jesus não estava ocultando a verdade daqueles que realmente a
procuravam, porque aqueles que eram receptivos à verdade espiritual
compreendiam os seus exemplos.
As parábolas seriam reveladas para aqueles que estavam sinceramente
interessados, mas acabam por ser "apenas uma irritação para aqueles
que eram hostis a Jesus."

Jesus, ao usar parábolas, estimula a curiosidade de quem está


interessado, dos que realmente querem conhecer a verdade. Todavia,
ele esconde a verdade dos rebeldes e, assim, não joga essas pérolas
aos porcos (Mt 7.6).

As parábolas não impedem que as pessoas conheçam a verdade;


antes, estimulam o interesse delas e encoraja-as a aprendê-la. Isso é o
cumprimento de Mateus 11.25 — os orgulhosos não enxergarão,
contudo os inocentes aprenderão a verdade e serão salvos (Warren W.)

II – COMO LER UMA PARÁBOLA


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As parábolas não são listas de informação; elas são histórias, mas 9


podem não ser as histórias que sonhamos que fossem. Cada uma
delas deve ser abordada e tratada de forma individual, sem que
façamos uso de pontos de vista pré-concebidos acerca de como elas
deveriam ser. Sendo assim, podemos indagar: como ler uma parábola
de maneira correta?

Vejamos três dicas:

PRIMEIRA: Ao ler uma parábola procure entender os elementos


culturais existentes na parábola. O contexto cultural e histórico pode
facilitar a compreensão do ensino principal da parábola.

OBSERVAÇÃO: As parábolas são histórias contadas a partir de uma


cultura e tempo diferente do nosso.

SEGUNDA: Procure identificar as declarações explícitas e implícita do


agir de Deus dentro da parábola.

TERCEIRA DICA: Identifique a aplicação prática da parábola. Ou seja,


identifique as lições a serem aplicadas na área ética e espiritual d sua
vida.

Metodologia:
Ao ler uma parábola, pergunte:
1) Para que a parábola foi contada?
2) Qual a moral da parábola?
3) Alguma interpretação é dada no texto bíblico para a parábola?
4) Existe alguma questão de maior destaque na parábola?

ATENÇÃO ESPECIAL!
Não se esqueça de que as parábolas, como as demais figuras, servem
para ilustrar as doutrinas e não para produzi-las.

III – A PARÁBOLA E OUTRAS FIGURAS DE LINGUAGM


NA BÍBLIA
Além da parábola, encontramos na bíblia outras figuras de linguagem
usadas para ilustrar a vontade de Deus para a nossa vida.
Vejamos alguns exemplos.

1. O SÍMILE

O vocábulo símile significa parecença ou semelhança, exemplificado no


Salmo dos dois homens: "Será como a árvore plantada junto a ribeiros
de águas [...] Os ímpios [...] são como a moinha que o vento espalha"
(Sl 1.3,4).
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O símile difere da metáfora por ser apenas um estado de semelhança, 10


enquanto a metáfora transfere a representação de forma mais vigorosa,
como podemos ver nestas duas passagens: "Todos os homens são
como a erva, e toda a sua beleza como as flores do campo. Seca-se a
erva, e caem as flores..." (Is 40:6,7); "Toda a carne é como a erva, e
toda a glória do homem como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua
flor..." (lPe 1.24).

Exemplos de símiles

 "Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua


misericórdia para com os que o temem."
 "Como o pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se
compadece dos que o temem."

 "Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do


campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento,
desaparece; e não conhecerá daí em diante o seu lugar."(Salmo
103.11-16.)

 Outros dois símiles eficazes relativos ao poder da Palavra de


Deus se encontram em Jeremias 23.29 que diz assim: "Não é a
minha palavra fogo, diz o Senhor, e martelo que esmiúça a
penha?" Compare a poderosa metáfora de Hebreus 4.12.

2. O PROVÉRBIO
Este vocábulo procede das palavras latinas pro que significa antes e
verbum que quer dizer palavra. Trata-se de um dito comum ou adágio.
O provérbio tem sido definido como uma afirmação extraordinária e
paradoxal.
O propósito dos Provérbios é afirmado assim na introdução ao Livro
dos Provérbios (1.2-6): "Para aprender a sabedoria, e o ensino; para
entender as palavras de inteligência; para obter o ensino do bom
proceder, a justiça, o juízo, e a equidade; para dar aos simples
prudência, e aos jovens conhecimento e bom siso: ouça o sábio e
crespa em prudência; e o entendido adquira habilidade para entender
provérbios e parábolas, as palavras e enigmas dos sábios."
Exemplos:
"Médico cura-te a ti mesmo" (Lucas 4.23). Este deve ter sido um dito
comum em Nazaré. Aplicava-se a princípio, a médicos atacados de
enfermidades físicas, os quais tratavam de curar delas a outros. Jesus
compreendeu que seus antigos conhecidos da cidade de Nazaré,
motivados pela incredulidade, empregariam essas palavras contra ele,
se não realizasse em Nazaré milagres tão maravilhosos como os que
havia efetuado em Cafarnaum.
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O Senhor respondeu aos seus pensamentos que ainda não se haviam 11


transformado em palavras, com outro provérbio, que constitui uma
defesa própria: "Nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra."
Esta parece ser a interpretação condensada do provérbio que diz: "Não
há profeta sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na
sua casa." (Marcos 6.4; Mateus 13.57.) Jesus demonstra a verdade de
sua declaração ao referir-se à história de Elias (1 Reis capítulos 17 e
18) e de Eliseu (2 Reis, 5.1-14).
Contra os mestres apóstatas e reincidentes que semeavam a ruína
naquela época, o apóstolo Pedro emprega com grandes resultados dois
fatos, que todos deviam ter observado, condensados num provérbio, a
saber: "O cão voltou ao seu próprio vômito; e: a porca lavada voltou a
revolver-se no lamaçal" (2 Pedro 2.22). A interpretação é evidente, e
não é difícil encontrar exemplos para ilustrar a verdade, mesmo em
nossos dias. (Compare Provérbios 26.11, onde a primeira parte deste
duplo provérbio se aplica com respeito a um néscio e sua necessidade.)
Advertências:
(1) Deve-se ter muito cuidado no que respeita à interpretação de
provérbios, e em particular, no referente àqueles que não são fáceis de
entender e interpretar. Quiçá estejam baseados em fatos e costumes
que se perderam para nós.
(2) Dado que os Provérbios podem ser símiles, metáforas, parábolas ou
alegorias, é bom determinar a que classe pertence o provérbio a ser
interpretado. Figuras diferentes podem combinar-se para formar um
provérbio. Por exemplo, em Pv 1.20-33, a sabedoria é personificada e
se apresenta o provérbio na forma de uma parábola com sua
aplicação. Leia também Eclesiastes 9.13-18.
(3) Estude o contexto, isto é, os versículos que precedem e seguem ao
texto, os quais são amiúdo a chave da interpretação, como sucede nos
casos acima mencionados.
(4) Quando houverem fracassado todas as tentativas destinadas a
aclarar o significado, é melhor ficar na expectativa até que se receba
mais luz sobre o assunto.
(5) Não empregue como prova textos, provérbios ou outras Escrituras,
cujo significado não possa determinar, embora favoreçam a doutrina
que você mantém.
(6) Aproveite a ajuda que proporcionam os comentaristas eruditos no
estudo das Sagradas Escrituras; eles conhecem os idiomas originais e
podem proporcionar as conclusões a que chegaram os eruditos
sagrados mais famosos.
(7) Acima de tudo, ore pedindo a iluminação divina.
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3. A METÁFORA 12
Esta figura tem por base alguma semelhança entre dois objetos ou
fatos, caracterizando-se um com o que é próprio do outro.
Exemplos:
Ao dizer Jesus: "Eu sou a videira verdadeira", Jesus se caracteriza com
o que é próprio e essencial da videira; e ao dizer aos discípulos: "Vós
sois as varas", caracteriza-os com o que é próprio das varas. Para a
boa interpretação desta figura, perguntamos, pois: que caracteriza a
videira? ou, para que serve principalmente? Na resposta a tais
perguntas está a explicação da figura. Para que serve uma videira?
Para transmitir seiva e vida às varas, a fim de produzirem uvas. Pois
isto é o que, em sentido espiritual, caracteriza a Cristo: qual uma
videira ou tronco verdadeiro, comunica vida e força aos crentes, para
que, como as varas produzem uvas, eles produzam os frutos do
Cristianismo.
Proceda-se do mesmo modo na interpretação de outras figuras do
mesmo tipo, como por exemplo: "Eu sou a porta, eu sou o caminho, eu
sou o pão vivo; vós sois a luz, o sal; edifício de Deus; ide, dizei àquela
raposa; são os olhos a lâmpada do corpo; Judá é leãozinho; tu és
minha rocha e minha fortaleza; sol e escudo é o Senhor Deus; a casa
de Jacó será fogo, e a casa de José chama e a casa de Esaú restolho",
etc. (João 15.1; 10:9; 14.6; 6.51; Mt 5.13,14; 1 Co 3.9; Lc 13.32; Mt
6.22; Gn 49.9; Sal 71.3; 84.11; Obadias 18.)
4. A ALEGORIA
Expressão figurada, não real, de um pensamento ou de um
sentimento, através da qual um objeto pode significar outro. 2
A alegoria é uma figura retórica que geralmente consta de várias
metáforas unidas, representando cada uma delas realidades
correspondentes. Costuma ser tão palpável a natureza figurativa da
alegoria, que uma interpretação ao pé da letra quase que se faz
impossível. Às vezes a alegoria está acompanhada, como a parábola,
da interpretação que exige.
Exemplos:
 Tal exposição alegórica nos faz Jesus ao dizer: "Eu sou o pão vivo
que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e
o pão que eu darei pela vida do mundo, é a minha carne... Quem
comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna",
etc. Esta alegoria tem sua interpretação na mesma passagem da
Escritura. (João 6.51-65.)

2
https://www.dicio.com.br/alegoria/ (Acesso em 30/08/2018)
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 Outra alegoria apresenta o Salmista (Salmo 80.8-13) 13


representando os israelitas, sua trasladação do Egito a Canaã e
sua sucessiva história sob as figuras metafóricas de uma videira
com suas raízes, ramos, etc., a qual, depois de trasladada, lança
raízes e se estende, ficando porém mais tarde estropiada pelo
javali da selva e comida pelas bestas do campo (representando o
javali e as bestas poderes gentílicos).
 Ainda outra alegoria nos apresenta o povo israelita sob as figuras
de uma vinha em lugar fértil, a qual, apesar dos melhores
cuidados, não dá mais que uvas silvestres, etc. Também esta
alegoria está acompanhada de sua explicação correspondente –
"Porque, a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os
homens de Judá são a planta dileta do Senhor", etc. (Is 5.1-7).
5. A FÁBULA
A fábula é uma alegoria histórica, pouco usada na Escritura, na qual
um fato ou alguma circunstância se expõe em forma de narração
mediante a personificação de coisas ou de animais.
Exemplo:
Lemos em 2 Reis 14.9: "O cardo que está no Líbano, mandou dizer ao
cedro que lê está: Dá tua filha por mulher a meu filho; mas os animais
do campo, que estavam no Líbano, passaram e pisaram o cardo." Com
esta fábula Jeoás, rei de Israel, responde ao repto de guerra que lhe
havia feito Amazias, rei de Judá. Jeoás compara-se a si mesmo ao
robusto cedro do Líbano e humilha a seu orgulhoso contendor,
igualando-o a um débil cardo, desfazendo toda aliança entre os dois e
predizendo a ruína de Amazias com a expressão de que "os animais do
campo pisaram o cardo".
6. O TIPO
O tipo é uma classe de metáfora que não consiste meramente em
palavras, mas em fatos, pessoas ou objetos que designam fatos
semelhantes, pessoas ou objetos no porvir. Estas figuras são
numerosas e chamam-se na Escritura sombra dos bens vindouros, e
se encontram, portanto, no Antigo Testamento.
Exemplos:
Jesus mesmo faz referência à serpente de metal levantada no deserto,
como tipo, prefigurando a crucificação do Filho do homem. (João 3.14.)
Noutra ocasião Cristo se refere ao conhecido acontecimento com Jonas
como tipo, prefigurando sua sepultura e ressurreição. (Mt 12.40.)
Paulo nos apresenta o primeiro Adão como tipo, prefigurando o
segundo Adão, Cristo Jesus; e também o cordeiro pascoal como o tipo
do Redentor. (Rm 5.14; 1 Co 5.7.) Sobretudo, a carta aos Hebreus faz
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referência aos tipos do Antigo Testamento, como, por exemplo, ao 14


sumo sacerdote que prefigurava a Jesus; aos sacrifícios que
prefiguravam o sacrifício de Cristo; ao santuário do templo que
prefigurava o céu, etc. (Hb 9.11-28; 10.6-10).
Muitos abusos têm sido cometidos na interpretação de muitas coisas
que parecem típicas no Antigo Testamento. Assim é que folgamos em
aconselhar:
1° – Aceite-se como tipo o que como tal é aceito no Novo Testamento;
2° – Recorde-se que o tipo é inferior ao seu correspondente real e que,
por conseguinte, todos os detalhes do tipo não têm aplicação à dita
realidade;
3° – Tenha-se presente que às vezes um tipo pode prefigurar coisas
diferentes, e
4° – que os tipos, como as demais figuras, não nos foram dados para
servir de base e fundamento das doutrinas cristãs, mas para
confirmar-nos na fé e para ilustrar e apresentar as doutrinas vivas à
mente.
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Subsídio 2 15

Lição 2- Para Ouvir e Anunciar a Palavra de Deus

INTRODUÇÃO
Em nosso estudo de hoje, abordaremos acerca da parábola do
semeador (Mt 13.18), pois esta parábola ajudou os discípulos a
entender por que Jesus não estava impressionado com a grande
multidão que o seguia: sabia que a maior parte dessas pessoas jamais
produziria os frutos de uma vida transformada, uma vez que a Palavra
que estava pregando era como uma semente caindo em solo infértil.

Destacamos neste parábola (Mc 43-20), seis elementos que fazem parte
dessa parábola, e com isso obteremos valiosas lições.
1. O SEMEADOR (Mc
4.3)
O semeador pode ser
entendido de duas
maneiras. ‘PARÁBOLA DO SEMEADOR’
Jesus chamou essa parábola de "parábola
Primeiro: Representa o
do semeador" (Mt 13:18), mas também
Senhor Jesus. poderia ser chamada de "parábola dos
Segundo: O semeador é tipos de solo". A semente sem solo não
o servo de Deus que dá frutos, e o solo sem semente é
compartilha a Palavra praticamente inútil.
com outros (ver 1 Co A parábola do semeador é uma das
3.5-9). narrativas de Jesus encontrada nos três
Evangelhos sinóticos (Mt 13.1-9, Mc 4.3-9
Todos os que recebem a e Lc 8.4-8)
semente tornam-se
semeadores, portadores
da luz e transmissores
da verdade de Deus (ver 1 Ts 1.5-8). Se guardarmos essa verdade para
nós mesmos, a perderemos; mas se a compartilhamos com outros,
receberemos ainda mais.

O Senhor nos ordenou pregar o evangelho, pois Ele quer que a sua
mensagem atinja toda criatura (Mc 16.15), todas as nações (Mt 28.19),
todo o mundo (Mc 16.15), todas as aldeias (Mt 9.35), todo lugar (At
17.30). Ele ... amou o mundo...‖ (Jo 3.16) e quer que "... homens de
toda tribo, e língua, e povo, e nação‖ (Ap 5.9) ―...venham a arrepender-
se" (2Pe 3.9) ―... se salvem e venham ao conhecimento da verdade‖
(1Tm 2.4).
Todos os crentes, sem exceção, receberam esta incumbência do Senhor
(1Pe 2.9; Mt 10.8). Alguns receberam a determinação de começar a
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trabalhar de madrugada, outros na terceira hora, isto é, às 9 horas; 16


outros, perto da hora sexta, ou seja, entre 11 e 12 horas; e outros
perto da hora undécima, isto é, faltando apenas 1 hora para terminar
o dia — os judeus contavam o período diurno das 6 horas da manhã
às 6 horas da tarde — (Mt 20.1-6).

O evangelho é a semente viva, poderosa, que ultrapassa qualquer


elemento físico porque ―é poder de Deus para salvação de todo aquele
que crê‖ (Rm 1.16). A Bíblia diz que esta ―semente‖ é ―viva e
incorruptível‖ (1 Pe 22-25); tem poder e produz fé (Rm 1.16; 10.17); é
celestial e divina (Is 55.10,11); imutável e eterna (Is 40.8); pode ser
enxertada e salvar(Tg 1.18,21).

1.1 Características esperadas do semeador


a) O semeador deve ser prudente, orando por ocasiões e campos para
semear.

b) Diligente, trabalhando como quem precisa prestar contas da


semeadura.

c) Perseverante, semeando a tempo e fora de tempo; consagrado,


cordial, inteira e sinceramente entregue à maior de todas as tarefas.

1.2 Observações para os semeadores


 Tudo o que o semeador precisa fazer é semear. Está acima do
seu poder fazer a semente brotar.
 Os semeadores precisam aprender dessa parábola que muito do
seu trabalho é duro e às vezes infrutífero da perspectiva humana.
 "Alguns ouvintes nunca se apegarão efetivamente à verdade", e
outros serão desencorajados pelas dificuldades e seduzidos pela
prosperidade.
 A semente que semeamos, não é apenas a respeito de Cristo, é
Cristo.
 Vivemos em uma época que espera resultados imediatos, mas ao
semear a semente devemos fazê-lo com paciência e esperança, e
às vezes devemos esperar a colheita durante anos.

2. A SEMENTE (Mc 4.4).

A semente representa a Palavra de Deus (Lc 8.11). Por que comparar a


Palavra de Deus a sementes? Porque a Palavra é "viva e eficaz" (Hb
4.12). Ao contrário das palavras dos homens, a Palavra de Deus tem
vida que pode ser concedida àqueles que creem. A verdade de Deus
deve se arraigar no coração, ser cultivada e estimulada a produzir
frutos.
3. OS DIFERENTES TIPOS DE SOLO (Mc 4.15-20)
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O coração humano é como o solo: deve ser preparado para receber a 17


semente de modo que esta crie raízes e produza frutos. Jesus
descreveu quatro tipos de coração, sendo que três deles não
produziram fruto.
3.1 Os quatro tipos de solos
a) O solo duro (Mc 4:4, 15; Lc 8.5,12) resiste à Palavra de Deus e
permite que Satanás (os pássaros) leve a semente embora. Da mesma
forma como a terra à beira da estrada é compactada pela passagem de
muitos transeuntes, também os que agem de modo descuidado e
"abrem o coração" a todo tipo de pessoa e influências correm o risco de
se tornar endurecidos (ver Pv 4.23). Corações endurecidos devem ser
"arados" antes de receber a semente, experiência que pode ser
extremamente dolorosa (Ir 4.3; Os 10.12).
b) Solo raso [coração superficial] (vv. 5, 6, 16, 17) Esse solo ilustra o
ouvinte que se comove com facilidade e aceita a mensagem
prontamente, mas seu interesse vai morrendo e não há continuidade.
Uma vez que esse solo não tem profundidade, qualquer coisa plantada
nele não dura muito tempo, pois não consegue criar raízes. Trata-se de
uma representação do "ouvinte emocional", que aceita com toda alegria
a Palavra de Deus, mas não compreende o preço que deve ser pago
para se tornar um cristão genuíno.

c) Solo com espinhos (vv. 7, 18, 19) representa a pessoa que recebe a
Palavra, mas não se arrepende verdadeiramente nem remove os
"espinhos" do coração. Esse ouvinte tem vários tipos diferentes de
"sementes" competindo por seu coração - as preocupações do mundo,
o desejo de riqueza e as ambições -, e a boa semente da Palavra não
encontra espaço para crescer. Usando outra ilustração, essa pessoa
quer andar pelo "caminho largo" e pelo "caminho estreito" ao mesmo
tempo (Mt 7:13, 14), algo que não pode ser feito.
d) Solo bom [coração frutífero] (vv. 8, 20) é a representação do cristão
verdadeiro, pois o fruto - uma vida transformada - é evidência da
verdadeira salvação (2 Co 5.17; GI 5.19-23).

Nem todos produzem a mesma quantidade de frutos (Mt 13.8), mas


todo cristão verdadeiro produz algum tipo de fruto como prova de sua
vida espiritual.

4. O SOL (Mc 4.6)

Nesta parábola, o sol representa a perseguição decorrente da pregação


da Palavra. A perseguição ajuda os cristãos a crescer, mas a luz do Sol
faz secar a planta que não tem raízes. O sol é bom para as plantas
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quando estas têm raízes. A perseguição aprofunda as raízes do 18


verdadeiro cristão, mas acaba por expor a superficialidade do falso
cristão. Isso explica por que alguns "cristãos" não perseveram: sua fé é
fraca, seu entendimento é insuficiente e sua decisão não foi sincera.
Não é possível "crer" e não ser salvo (Jo 2.23-25). Se não há frutos na
vida, não há fé salvadora no coração.

5. SATANÁS (Mc 4.15)


Satanás literalmente significa "adversário" e descreve seus intentos
maliciosos e persistentes de obstruir os propósitos de Deus. Essa
oposição manifestou-se especialmente nas suas tentativas de impedir
o plano de Deus ao procurar destruir a linhagem escolhida, da qual
viria o Messias — atividade predita em Gên. 3:15. E desde o princípio
ele tem persistido nesta luta.
Satanás perturba a obra de Deus (1 Ts. 2.18); opõe-se ao Evangelho
(Mt 13.19; 2 Co 4.4); domina, cega, engana e laça os ímpios (Lc. 22.3;
2 Co 4:4; Ap 20.7, 8; 1 Tm. 3.7). Ele aflige (Jo 1.12) e tenta (1 Ts 3.5)
os santos de Deus. Ele é descrito como presunçoso (Mt 4.4, 5);
orgulhoso (1 Tm 3.6); poderoso (Ef 2.2); maligno (Jo 2.4); astuto (Gn
3.1 e 2 Co 11.3); enganador (Ef 6.11); feroz e cruel (1 Pe 5.8).
No princípio foi expulso do céu; durante a Tribulação será lançado da
esfera celeste à terra (Ap 12.9); durante o Milênio será aprisionado no
abismo, e depois de mil anos, será lançado ao lago de fogo (Ap 20.10).
Dessa maneira a Palavra de Deus nos assegura a derrota final do mal.
6. O FRUTO (Mc 4.20)
O fruto é a prova da verdadeira salvação (Mt 7.16) e inclui santidade
(Rm 6:22), caráter cristão (Gl 5.22, 23), prática de boas obras (CI 1:10),
testemunho cristão (Rm 1.13), disposição de compartilhar os bens (Rm
15.2528) e louvor a Deus (Hb 13.15).
No mundo em que vivemos, algumas pessoas produzem mais que as
outras, e no Reino de Deus é a mesma coisa (Marcos 4.20). O
importante é que todos produzam, independentemente da quantidade.
Os estudiosos têm procurado entender o texto de Mateus 13.8, que
destaca as proporções de produtividade das sementes semeadas. O
famoso teólogo Fausset interpreta esse texto da seguinte forma: ―trinta
por um‖ designa o nível menor de frutificação; ―sessenta por um‖, o
nível intermediário de frutificação; ―cem por um‖, o mais elevado nível.
Três verdades podem ser aprendidas nesta parábola:
(1) A conversão e a frutificação espiritual dependem de como a pessoa
se porta ante a Palavra de Deus (v. 14; Jo 15.1-10).
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(2) Haverá diferentes reações ante o evangelho, da parte do mundo. 19


Uns ouvirão, mas não entenderão (v. 15; Mt 13.19). Uns crerão, mas
depois se desviarão (vv. 16-19). Uns perseverarão e frutificarão em
diferentes proporções (v. 20).
(3) Os inimigos da Palavra de Deus são: Satanás, os cuidados deste
mundo, as riquezas e os prazeres pecaminosos desta vida (vv. 15,19;
Lc 8.14).3

SUBSÍDIO HISTÓRICO-CULTURAL
Marcos 4.1-4: E OUTRA vez começou a ensinar junto do mar, e
ajuntou-se a ele grande multidão, de sorte que ele entrou e assentou-
se num barco, sobre o mar; e toda a multidão estava em terra junto do
mar. E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes dizia na sua
doutrina: Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. E aconteceu que
semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e
vieram as aves do céu, e a comeram.
As estradas, ruas e atalhos, no oriente, comumente passavam às
margens dos campos de trigo, de cevada e de outras plantações, e
raramente esses campos tinham cercas ou muros; assim sendo,
quando a semente era espalhada, naturalmente não caia somente na
terra preparada para a semeadura, mas também podia cair na terra
pisada pelas pessoas e pelos animais, isto é, na terra batida. Podemos
imaginar que as aves se ajuntavam em bandos nesses lugares, quando
a semente era lançada, a fim de comerem as que caiam na terra
batida. A referência aqui (ao caminho) é principalmente aos atalhos
que ficavam à beira dos campos ou que passavam pelo meio dos
campos plantados.

SUBSÍDIO EXEGÉTICO
Marcos 4.10-12: E, quando se achou só, os que estavam junto dele
com os doze interrogaram-no acerca da parábola. E ele disse-lhes: A
vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão
de fora todas estas coisas se dizem por parábolas, Para que, vendo,
vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que
não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados.

Provavelmente o princípio ou ensino que temos nestes versículos é


que, de conformidade com as leis fixas da natureza da administração
divina, os deveres que os homens se recusam –voluntariamente – a
cumprir, finalmente tornam-se para eles –moralmente impossíveis.
As condições do povo eram tão más que nem mesmo a presença do
próprio Messias atraiu sua atenção. Ele passou os dias de seu
3
Bíblia de Estudo Pentecostal
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ministério no meio deles, proferindo palavras do mais alto quilate, 20


como o homem jamais ouvira, e fazendo prodígios verdadeiramente
notáveis, como nunca antes se vira; no entanto, os seus ouvidos não
ouviram a Palavra, e os seus olhos ficaram cerrados, quase sem haver
indicio, da parte deles, de que compreendiam que alguém fazia alguma
coisa.

Outro lado se dá no terreno da fé. As palavras de Jesus, neste caso,


foram proferidas quando sua rejeição já atingira a muitos (pois até já
procuravam matá-lo), e assim sendo, tais palavras refletem essa
verdade. Entre Jesus e os lideres religiosos dos judeus já havia uma
cisão quase completa, e provavelmente a maioria do povo já preferia
ficar ao lado de seus lideres, não ouvindo nem obedecendo à
mensagem do Messias. Os capítulos décimo primeiro e décimo
segundo deste do evangelho de Mateus dão detalhes sobre essa
situação. Em Mateus 11.23 lemos que Jesus foi rejeitado por sua
própria cidade adotiva, como também por outros lugares onde pregara
frequentemente e onde fizera tantos milagres. As acusações contra ele
já haviam amadurecido, e a chance de obter a confiança do povo e
evitar a morte às mãos do povo era bem pequena.

Alerta!
A paciência de Deus não perdura para sempre, e a relutância do
homem, não querendo ouvir, fatalmente o leva à surdez espiritual. O
desejo que o Homem tem de não ver, finalmente lhe causa a cegueira
espiritual.

CONCLUSÃO
Essa parábola mostra que Jesus não se impressionava com as grandes
multidões que o seguiam. Sabia que a maioria não "ouvia", de fato, a
Palavra nem a recebia em seu coração. Contou essa história como
incentivo a seus discípulos no ministério que estavam prestes a
exercer e como encorajamento para nós hoje. Ao pensar em quanto se
prega, se ensina e se dá testemunho ao longo de um mês ou de um
ano, é possível perguntar por que a colheita é tão pequena. A culpa
não é do semeador nem da semente; o problema é o solo. O coração
humano não se sujeita a Deus, não se arrepende nem recebe a
Palavra, portanto, não é salvo.
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Subsídio 3 21

Lição 3- O Crescimento do Reino de Deus

INTRODUÇÃO
A parábola do grão de mostarda (Mc 4.30-32), sobre a qual
estudaremos agora, ilustra o desenvolvimento do reino (ou a influência
ou propagação da igreja), que teve começo insignificante, segundo os
padrões do mundo, sem contar com qualquer autoridade religiosa ou
política e com poucos discípulos verdadeiros, mas que, afinal,
conseguiu alcançar notável posição no mundo, e exercer grande poder.

I – A PARÁBOLA DO GRÃO DE MOSTARDA (Mc 4.30-32;


Mt 13.31-33; Lc 13.18.19)
1. Definição do grão de mostarda
O termo ―(Em grego sinapi) mostarda‖ ocorre cinco vezes no Novo
Testamento (Mt 13.31; Mt 17.20; Mc 4.31; Lc 13.19; Lc 17.6).
Mostarda é o nome de uma plana que nos países orientais brota de
uma minúscula semente e chega à altura de uma árvore de três
metros ou mias; por isso uma pequena quantidade de algo é
comparada a um grão de mostarda, bem como algo que cresce até um
tamanho extraordinário (Dicionário Strong).
2. Comparando o Reino de Deus com Grão de Mostarda (Mc
4.30,31)
A expressão ―reino de Deus‖ refere-se ao domínio de Deus, o Criador,
sobre a criação e, mui especialmente, sobre os que aceitam sua
soberania. Ela faz alusão ao presente e ao futuro (Mt 12.28; 21.43).
O grão de mostarda ilustra o desenvolvimento que ultrapassa as
expectativas, e é provável que os discípulos que ouviram essas
palavras de Jesus, naquele dia, tivessem ficado surpreendidos se
soubessem que a religião da qual Jesus Cristo é o Salvador viria,
finalmente, a tornar-se uma das principais do mundo, com
representantes em todas as regiões da terra.

O grão de mostarda crescia até ser um arbusto frondoso, muito


parecido a uma árvore. Um viajante nos conta ter visto pessoalmente
uma árvore de mostarda mais alta que um homem a cavalo. Ainda
hoje a mostarda cresce vigorosamente na Palestina. Ela atinge mais de
três metros, e às vezes chega aos cinco metros. No outono, quando
seus ramos se tomam rígidos, as aves de variadas espécies encontram
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aí um refúgio das tempestades, se refazem do cansaço e se escondem 22


do calor do sol.
3. Três explicações desta parábola
Entre os comentadores, existem três explicações desta parábola:
a) A Igreja crescerá até ser um vasto poder mundial, até abranger toda
a humanidade.
Tal interpretação contradiz tanto as lições das duas parábolas
interpretadas como outras passagens das Escrituras. A Palavra de
Deus não prediz tal êxito para a verdadeira Igreja durante a presente
época. Os últimos dias serão os piores (Lc 18.8; 2 Tm 3.1). Além disso,
durante cerca de dezenove séculos, a Igreja não é maior do que era no
tempo dos apóstolos, em proporção ao aumento da população do
mundo.
b) A Igreja sofrerá um crescimento falso e espúrio, tomando-se um
poderio mundial - como se vê no desenvolvimento da Igreja Romana.
As ―aves‖, que na primeira parábola representam os emissários de
Satanás, então se refugiarão nos ramos da ilegítima igreja. Mas a
parábola não dá a entender que o crescimento do grão de mostarda até
ser uma árvore é anormal, nem que representa crescimento
desagradável a Deus. Não há certeza de que as ―aves‖ na parábola do
semeador signifiquem o mesmo na parábola do grão de mostarda.
c) A terceira sugestão, mais razoável e de acordo com as Escrituras, é
que um inicio insignificante e fraco, tal como a Igreja sempre foi e será
até a volta de Jesus, resultará, na sua vinda, em um glorioso reino em
toda a terra. Veja o simbolismo de Daniel (4.10-12; 20-22) e também o
de Ezequiel (31.3-6).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Críticos modernos comentaram que o grão de mostarda não é a menor
semente que existe. Mas Jesus não estava fazendo uma afirmação
científica. Embora o grão de mostarda não seja a menor semente de
toda a criação, ela era usada em provérbios rabínicos para designar a
menor entre todas as coisas. Nenhuma outra semente tão pequena
produzia uma planta tão grande. O que Jesus quer dizer é que, da
mesma maneira como uma semente minúscula irá crescer e tornar-se
uma grande planta, também o reino de Deus irá produzir muitas
pessoas que creem verdadeiramente. 4

II- DOIS ASPECTOS DO REINO DE DEUS


1. Aspecto Presente.
4
Comentário Bíblico Aplicação Pessoal. Vol. 1 - CPAD
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A fase invisível presente é apresentada nos Evangelhos no chamado ao 23


arrependimento feito por João Batista e por Cristo (Mt 3,2; 4.17,23; Lc
4.43; cf, Mt 10.7); no ensino de Cristo sobre a santificação como um
aspecto da vida cristã, como, por exemplo, no Sermão da Montanha
(Mt 5-7); e na revelação dos mistérios do reino, particularmente do
início, crescimento e desenvolvimento ocultos do reino durante a Era
do Evangelho até a sua manifestação aberta no Milénio (Mt 13.19,24,
31, 33, 44, 45, 47,52; Mc 4.30), Passagens nas epístolas revelam que o
governo de Deus na terra hoje é eficaz somente entre aqueles que
foram libertos das trevas e transferidos para o reino de seu Filho (Cl
1.13).

O reino existe no presente onde os cristãos estão vivendo em sujeição à


vontade de Deus, onde o seu poder está produzindo vidas
transformadas (1 Co 4.20). O reino de Deus não é uma questão de
conseguir o que se quer comer e beber, mas uma questão de conduta
íntegra, de se ter paz e harmonia com outros crentes, e alegria
inspirada pelo Espírito Santo (Rm 14.17). Paulo estava aparentemente
se opondo às ideias materialistas que os judeus de seus dias possuíam
com respeito ao esperado reino messiânico.

2. Futuro
O aspecto visível futuro do reino, quando o Messias reinará sobre a
terra a partir de Jerusalém, é predito em muitas passagens do AT (Dt
30.1-10; Sl 2; 72; 89.1929; 110; Is 11.1-16; 65.17-66.24; Jr 32.3644;
33.4-18; J1 3.17-21; Zc 14.9-17). Em sua última visita a Jerusalém,
Cristo proferiu a parábola das minas para ensinar que o futuro reino
terreno ainda estava distante, pois ―cuidavam que logo se havia de
manifestar o Reino de Deus" (Lc 19.11).

A última pergunta feita pelos discípulos do Senhor dizia respeito ao


aspecto futuro do reino: ―Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a
Israel?‖ (At 1.6). Cristo não lhes disse que não haveria um reino
terreno ou a restauração do reino a Israel. Uma vez que ele não disse
nada antes e nem nesta última reunião que mudasse seu conceito e
convicção no que diz respeito ao reino milenial do Filho de Davi sobre o
seu povo, evidentemente eles estavam corretos sobre a natureza do
reino, mesmo que ainda estivessem confusos sobre quando ele viria.

3. Reino de Deus e Reino dos Céus


Ao falar sobre a parábola do grão de mostarda, evangelho de Marcos e
Lucas usam a expressão ―Reino de Deus‖ (Mc 4.30; Lc 13.18),
enquanto que o evangelho de Mateus usa a expressão ―Reino dos
Céus‖ (Mt 13.31 - ACF). Mas Mateus também usa a expressão ―Reino
de Deus‖ (12.28; 19.24; 21.31,43), sugerindo, assim, que a diferença
de nomenclatura é mais uma questão de preferência, ou deferência,
que qualquer outra coisa.
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Mateus usa ―reino dos céus‖ quatro vezes onde Marcos, Lucas e João 24
usam ―reino de Deus‖ (Mt 4.17, cf. Mc 1.15; Mt 10.7, cf. Lc 9.2; Mt 5.3,
cf. Lc 6.20; Mt 13,11, cf. Mc 4.11; Lc 8.10). Evidentemente, Mateus
teve uma razão para sua preferência. Ele era um judeu escrevendo
para sua própria raça e respeitava seu costume de usar o nome de
Deus o menos possível e, portanto, falou do reino dos céus. Por outro
lado, falar do reino dos céus para os gentios e pagãos seria sugerir
conceitos que para eles implicavam em politeísmo, enquanto que falar
do reino de Deus teria enfatizado o monoteísmo. Esta é,
aparentemente, a razão pela qual os três outros escritores não falam
do reino dos céus.
Aqueles que sentem que Mateus usa ―reino dos céus por razões
teológicas, e que pretendem fazer uma distinção entre esta expressão e
a expressão ―reino de Deus‖ devem observar que Mateus usa esta
última cinco vezes (Mt 6.33; 12.28; 19.24; 21.31,43)‖.
É provável que Jesus usasse as duas expressões, mas Lucas e Marcos
simplesmente escolheram usar, de forma consistente, a expressão
―Reino de Deus‖ por ser menos ambígua para leitores gentios que a
expressão mais judaica ―Reino dos céus‖. Fica claro, a partir de
passagens como 19.23,24, em que Jesus diz aos discípulos: ―É difícil
entrar um rico no Reino dos céus. [...] é mais fácil passar um camelo
pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus‖,
que Mateus considera as duas expressões praticamente como
sinônimas.

SUBSÍDIO EXEGÉTICO
Enquanto Mateus diz que essa semente foi semeada num "campo",
Marcos afirma que foi na terra (Mc 4.30-32); e Lucas, em "sua horta"
(Lc 13.18,19). Relativamente a essas diferenças de detalhes, G. H.
Lang diz que ilustram o fato de que "detalhes não devem ser usados
para produzir significados específicos e diferentes; e também as
diferenças podem não ser contradições, pois qualquer solo é terra, e a
horta pode ser um pedaço do campo". O "campo", em nossa parábola,
é "o campo do mundo", na parábola anterior. A semente, então,
semeada no dia de Pentecostes, era pequena e insignificante —"cerca
de cento e vinte" (At 1.15-26).

III – LIÇÕES DA PARÁBOLA


1. Não nos deixemos levar pelas aparências
Na Palestina o grão de mostarda representava simbolicamente a coisa
de menor tamanho concebível. Por exemplo, "ter fé como um grão de
mostarda" significava "ter tão pouca fé que menos seria impossível".
Esta parábola nos diz que nunca nos devem desanimar os começos
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humildes. Pode nos parecer que, nesse momento, somente poderemos 25


produzir efeitos insignificantes; mas se esse efeito insignificante se
repete, e se volta a repetir, virá a ter significado.
2. Não devemos se desanimar por iniciar fazendo algo pequeno
para o Senhor
Muitas vezes sentimos que pelo pouco que somos capazes de fazer
quase nem vale a pena que o façamos. Mas devemos recordar que
alguém deve começar as coisas; tudo começou alguma vez. Nada
aparece na plenitude de seu desenvolvimento. Nosso dever é fazer o
que pudermos; e o efeito acumulado de todos os esforços pequenos
pode chegar a produzir resultados surpreendentes.
3. Jesus ensina sobre o início pequeno do Reino
Nessa parábola do grão de mostarda, Jesus insistiu que seu reino
seria muito pequeno no início – na verdade, ele se iniciou com Jesus
sozinho, e, depois da sua ascensão, foi deixado aos cuidados de doze
apóstolos e apenas umas poucas centenas de outros seguidores. Ao
longo da história a Igreja alcançou milhares de pessoas. Hoje a Igreja
de Cristo compõe-se de bilhões de crentes espalhados pelo planeta (Mt
8.11).
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Subsídio 4 26

Lição 4- Perseverando na Fé
INTRODUÇÃO
Em nosso estudo de hoje veremos acerca da parábola da viúva
persistente do capítulo 18 do evangelho de Lucas. Através dos
personagens – a viúva e o juiz injusto –, o Senhor nos ensina sobre
dever de orar sempre e nunca desanimar (Lc 18.1-8).

I - INJUSTO JUÍZ (Lc 18.2,6)


1. Jesus não compara o Juiz injusto com Deus
Nessa parábola sobre a oração, Jesus contrasta (não compara) o juiz
injusto com seu Pai celestial. Se um juiz que não temia a Deus
respondeu a uma pressão constante, quanto mais um Deus tão grande
e tão amoroso responderá às nossas súplicas. Se sabemos que Ele nos
ama, podemos crer que ouvirá os nossos pedidos de ajuda.

2. Juiz injusto respondeu a pressão da viúva (vv 6-8)


Se um juiz injusto responde à pressão constante, quanto mais irá um
Deus grandioso e amoroso responder ao seu povo? Eles sabem que Ele
os ama; eles podem crer que Ele ouvirá seus pedidos de ajuda. Eles
podem confiar que um dia Deus finalmente irá fazer justiça. À medida
que o povo de Deus procura ser obediente neste mundo de pecado,
todos devem saber que Deus não será tardio pata com eles. Durante
algum tempo, poderá parecer que os seus pedidos não são ouvidos.
Mas um dia, Deus depressa, lhes fará justiça.

II - A VIÚVA (Lc 18.3,5)


A viúva, especialmente no Antigo Testamento, representava – assim
como os órfãos – todo tipo de pessoa desamparada e carente de
recursos (Sl 68.5; Lm 1.1).
1. A viúva no Antigo Testamento
Nas leis do Antigo Testamento, Deus ordenou aos israelitas: "Não
prejudiquem as viúvas nem os órfãos" (Êx 22.22). De fato, em Salmos
68.5 o próprio Deus é apresentado como um "Pai para os órfãos e
defensor das viúvas".
Os agricultores israelitas eram instruídos a deixar alguns grãos por
colher para que os levitas, as viúvas, os órfãos e os estrangeiros
pudessem respigar as sobras em seus campos, tendo assim o que
comer (Dt 24.17-22). Além disso, os dízimos de cada terceiro ano
deveriam ser usados na provisão das viúvas, órfãos, estrangeiros e
sacerdotes (26.12,13). Os hebreus, que haviam sido estrangeiros e
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escravos no Egito, jamais deveriam perverter a justiça devida às 27


viúvas, órfãos e estrangeiros (24.17,18). De fato, uma das razões pelas
quais Deus permitiu que Israel e Judá caíssem diante da Assíria e da
Babilônia foi o povo ter falhado em suas obrigações para com "os
direitos do órfão" e "a causa da viúva" (Is 1.17).
2. Casos de Viúvas citados no Novo Testamento
No Novo Testamento, a viúva de Sarepta (Lc 4.24-26; cf. 1Rs 17.7-24) e
a profetisa e viúva Ana (Lc 2.36-38) são citadas como exemplos de fé, e
uma viúva pobre é considerada por Jesus um modelo de generosidade
(Lc 21.2-4). Na parábola de Jesus em Lucas 18, uma viúva constitui
um claro exemplo de como um ser inocente se toma presa fácil de um
juiz injusto e indiferente (Lc 18.3-5).
Jesus demonstrou misericórdia para com a viúva de Naim (Lc 7.12,13)
e recusou-se a deixar os próprios discípulos como "órfãos", em relação
à proximidade de sua partida deste mundo (Jo 14.18). A viúva judia
tinha direito a receber suporte financeiro dos herdeiros do marido.
Contudo, Jesus foi ainda mais longe quando acusou as autoridades
religiosas de "devorar as casas das viúvas" (Mc 12.40; Lc 20.47).
A igreja primitiva continuou a manter o interesse divino por essas
mulheres que, de outra forma, estariam desamparadas. As viúvas em
maior necessidade eram alimentadas (At 6.1-3), e a discípula Dorcas,
por iniciativa própria, costurava roupas especialmente para elas (At
9.39). Uma ordem ministerial de viúvas foi iniciada com o propósito de
orar (1Tm 5.3-10), e Tiago, irmão de Jesus, definiu a verdadeira
adoração como àquela que é demonstrada pelo "cuidar dos órfãos e
das viúvas em suas dificuldades" (Tg 1.2).
3. Viúvas mencionadas na Bíblia

1) Tamar (Gn 38.1-39).


2) Noemi, Orfa e Rute (Rt 1).
3) Tecoa (2 Sm 14.5).
4) Mãe de Hirão (1 Rs 7.14).
5) Zerua (1 Rs 11.26).
6) Viúva de Sarepta (1 Rs 17).
7) A mulher de um profeta (2 Rs 4).
8) Ana (Lc 2.36,37).
9) Viúva pobre (Mc 12.41; Lc 21.2).
10) Viúva de Naim (Lc 7.11-15).
11) Viúva insistente (Lc 18.1-8).
12) Tabita ou Dorcas (At 9.36-42).

4. O pedido da viúva (Lc 18.3)


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A viúva não prevaleceu por causa de sua eloquência ou por sua 28


elaborada petição. Suas palavras foram poucas, somente seis: "Faz-me
justiça contra o meu adversário". Seu clamor foi curto e explícito. Ele
nada disse sobre a sua condição como viúva, sua família ou sua
opinião sobre o juiz iníquo. Tudo que ela queria era justiça contra o
seu adversário.
5. O crente em melhores condições do que a viúva da parábola
A viúva não tinha advogado, mas nós temos, no céu, o Sumo Sacerdote
no trono do Senhor. Ela não tinha promessas, no entanto nós temos
uma Bíblia cheia de promessas que podemos reivindicar. Ela era
estrangeira, nós somos filhos de Deus! A oração é um privilégio!
Leia: 1Jo 2.1; Hb 4.14; Jo 1.11,12; 1Jo 3.1,2

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
A proeminência dada às mulheres no Evangelho de Lucas
Quem pode ter deixado de notar a proeminência dada às mulheres?
Logo no início vemos uma indicação disso na proeminência dada a
Isabel, Maria, Ana. Ela se destaca em todos os ensinamentos do
Senhor.
Só em Lucas encontramos Jesus absolvendo a mulher pecadora (7.37-
50); acalmando com simpatia certa mulher com suas palavras
inesquecíveis: Marta! Marta! andas inquietas e te preocupas com
muitas coisas‖ (10.41); somente aqui Ele cura a "mulher possessa de
um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos‖ e a seguir confunde
os sabatístas críticos e intolerantes com sua réplica: ― Por que motivo
não se devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de
Abraão, a quem Satanás trazia presa?‖ (13.10-17) (No original inglês: ―
esta mulher, filha de Abraão‖ .) Encontramos apenas em Lucas a
"mulher que, tendo dez dracmas...‖ (15.8); e só aqui vemos Jesus
voltando-se na Via Dolorosa para dizer: "Filhas de Jerusalém, não
choreis por mim‖ (23:28).
Só Lucas nos fala sobre a mãe de João, Isabel; e de Ana, a profetiza
(2.36) octogenária; de ―algumas mulheres‖ [...] Que lhe prestavam
assistência com os seus bens‖; da queixa de Marta e de Maria, sentada
aos pés de Jesus; de‖ uma mulher‖ na multidão que exclamou: ―Bem-
aventurada aquela que te concebeu1.‖; e de‖ mulheres, que batiam no
peito e o lamentavam‖ enquanto seguiam Jesus no caminho para a
cruz.
As mulheres são mencionadas em Lucas mais vezes do que em
qualquer dos outros três evangelhos, e as viúvas mais do que nos
outros três juntos. Só aqui encontramos a ―viúva‖ Ana; ouvimos Jesus
faiar das‖ muitas viúvas em Israel‖ e da mulher de Sarepta que era‖
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viúva‖. Só aqui lemos sobre a ―viúva‖ enlutada de Naim e apenas aqui 29


aprendemos sobre a‖ viúva‖ insistente que não dava sossego ao juiz.

III- LIÇÕES DA PARÁBOLA


O objetivo da parábola: ―Jesus lhes contou uma parábola para mostrar
que deviam orar sempre e nunca desanimar‖ (Lucas 18.1 – NAA).

1. Cinco lições
Desta parábola da viúva que perseverava em oração, aprendemos ao
menos cinco lições:
a) Os crentes devem perseverar em oração em todo tempo, até a volta
de Jesus (Lc 18. 7,8; Rm 12.12; Cl 4.2; Ef 6.18; 1 Ts 5.17).

b) Nesta vida, temos um adversário (Lc 18. 3), que é Satanás (1 Pe 5.8).
A oração pode nos proteger do Maligno (Mt 6.13).

c) Através da oração, os filhos de Deus devem clamar-lhe contra o


pecado e por justiça (Lc 18. 7).

d) A oração perseverante é considerada como fé (Lc 18. 8).

e) Nos últimos dias antes da volta de Cristo haverá um aumento de


oposição diabólica às orações dos fiéis (1 Tm 4.1). Por causa de
Satanás e dos prazeres do mundo, muitos deixarão de ter uma vida de
perseverante oração (Lc 18). 8.14; Mt 13.22; Mc 4.19

2. Duas características de nossa oração


Há duas características que devem ser notadas sobre o tipo de oração
fervorosa que devemos fazer.

a) Orar sempre
Antes de tudo devemos orar sempre, o que significa "continuamente".
Precisamos estar "presentes na oração". Muitas orações são como
garotos levados que batem na porta e depois correm. Eles se afastam
muito antes das portas serem abertas. Porém não devemos apenas
pedir, mas continuar pedindo, buscando e batendo até que a porta do
céu se abra. Em nossa oração constante devemos ser específicos como
aquela viúva, pois ela, dia após dia, se dirigia ao juiz com o mesmo
pedido. Nossas orações são muitas vezes muito genéricas e sem meta.

b) Não devemos esmorecer


Quando orarmos, jamais devemos "esmorecer". Nunca sejamos
desencorajados se a nossa oração não for respondida imediatamente.
Se passarmos por alguns perigos e a ajuda der a impressão que foi
protelada, nosso espírito não deve enfraquecer nem sucumbir. A
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oração que o Senhor nos exorta a praticar tem de ser respondida por 30
ele. Pessoas com coração reto são muitas vezes provadas pela demora
divina em responder às orações, e são tentadas a abandonar a
disposição de orar. Para todos os que estejam nessas condições, essa
parábola tem uma mensagem de encorajamento.

Muitas vezes a interferência humana é o maior obstáculo para que as


nossas orações sejam respondidas. Além disso, um dos propósitos da
oração que Deus demora a atender é a fortificação da nossa fé e da
nossa paciência. Não sabemos o tempo e os caminhos de Deus. "Ele
tudo fará" (SI 37:5). Quando aparentemente Deus segura a reposta aos
pedidos de seus filhos, ele faz isso com sabedoria e amor.

IV- JESUS E A PRÁTICA DA ORAÇÃO


Cada um dos sinóticos registra a oração de Jesus no Getsêmani, mas,
além disso, o fato do Senhor orar só é mencionado uma vez em Mateus
e duas em Marcos, enquanto Lucas o relata repetidamente.
Aprendemos as seguintes lições sobre a prática de oração de Deus.

 Ao descer sobre ele o Espírito Santo no Jordão, Ele estava ―a


orar‖ (Lc 3.21);
 Ao afastar-se das multidões que o assediavam continuamente,
ele ―orava‖ (Lc 5.16);
 Antes de escolher os Doze, passou sozinho ―à noite orando a
Deus‖ (Lc 6.12);
 Na ocasião em que perguntou aos Doze ― Quem dizeis que eu
sou?‖ ele estava ―orando em particular‖ (Lc 9.18);

 Na sua transfiguração Jesus subira ao monte ―com o propósito


de orar" e a metamorfose ocorreu ―enquanto ele orava‖ (Lc 9.29);

 Justamente antes de ensinar a hoje chamada ―Oração


Dominical‖ ele se achava ―orando em certo lugar‖ (Lc 11.1);

 Ele assegurou a Pedro, ―Eu, porém, roguei por ti, para que a tua
fé não desfaleça‖ (Lc 22.32);

 No Getsêmani ele ―orava mais intensamente‖ (Lc 22.44);

 Na cruz tanto o seu primeiro como último pronunciamentos


foram orações (Lc 23.34, 36).

SUBSÍDIO BÍBLICO
Três parábolas tratam do tema da oração, todas no Evangelho de
Lucas: a parábola do pedido feito à meia-noite, ―Amigo, empresta-me
três pães‖, ensinando a insistência na oração (11.5-10); a parábola do
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juiz importunado e da viúva, ensinando constância na oração (18.1-8); 31


a parábola do fariseu e do publicano orando no templo, ensinando
humildade na oração (18.9-14).

Amigo Incomodado à Meia-Noite (Lc 11.5-8)


A parábola do Amigo Incomodado à Meia-Noite não consta nos outros
Evangelhos, mas o restante do material em Lucas 11.1-3 está
registrado em Mateus em dois lugares diferentes. Mateus apresenta a
Oração do Senhor em 6.9-15 e paralelos da maior parte de Lucas 11.9-
13 em 7.7-11. Mateus 7.9 inclui um provérbio que Lucas não tem: "E
qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará
uma pedra?" Lucas provavelmente omitiu este provérbio por já ter
inserido a parábola que fala de um amigo que está à busca de pão.
Lucas apresenta um provérbio adicional em 11.12 não encontrado em
Mateus: "Ou também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?‖.

Conclusão
O propósito da Parábola do juiz era o de ensinar a perseverança na
oração. Deus certamente responderá, mesmo que pareça, por algum
tempo, que ele não nos ouve quando pedimos.
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Subsídio 5 32

Lição 5- Amando e Resgatando a Pessoa


Desgarrada
INTRODUÇÃO
Nesta oportunidade estudaremos acerca da parábola da Ovelha
Perdida. A importância de até mesmo o mais humilde crente está
ilustrada pela parábola da Ovelha Perdida. Considerando que o pastor
se preocupa grandemente por uma simples ovelha desgarrada, como é
grande a nossa obrigação de não desprezar essas infelizes. Esta
parábola foi usada em outra ocasião (Lc. 15.3-7) para ilustrar a
salvação dos pecadores. 5

A história da ovelha perdida em Lc 15.3-7 é aplicada aos incrédulos,


mas em Mateus é aplicada aos cristãos (Mt 18.12-14).

I- A OVELHA PERDIDA
Ao perceber a murmuração dos escribas e fariseus, Jesus aproveitou a
ocasião e lhes propôs a parábola da ovelha perdida.

1. O valor de uma ovelha perdida (Lc 4.4).


Jesus dá a entender que mesmo para os homens daquela época,
acostumados á vida pastoril, um a ovelha tinha muito valor. O pastor,
que passava os dias e, por vezes, as noites (Lc 2.8) com seu rebanho,
por certo, muito se apegava a cada um daqueles animais, a ponto de
chamá-las uma a um a pelo nome. Jesus disse que as ovelhas ouvem a
voz do pastor e este ―chama pelo nome às suas ovelhas e as ovelhas o
seguem, porque conhecem a sua voz‖ (Jo 10.3-4). Em termos
absolutos, 99 ovelhas valem muito mais que um a apenas. Entretanto,
para um pastor que as amava tanto, uma que estivesse perdida,
extraviada do redil, tinha mais valor que as no venta e nove. A
aritmética de Jesus era diferente, quando se tratava de mostrar-lhes
lições e spirituais.

2. Cem ovelhas menos uma


As noventa e nove ovelhas não ficaram abandonadas no deserto. No
Oriente, antigamente, e ainda hoje, segundo se sabe, os rebanhos era
m conduzidos pelo pastor, que ia adiante (à frente) das ovelhas (Jo
10.4b), auxiliado pelos guardas do rebanho, principalmente, quando se
tratava de um de porte considerável, como o da parábola. Ter cem
ovelhas era a prova de ser um proprietário rico, o qual contava com
outras pessoas para ajudá-lo. Assim, entendemos que as noventa e
5
Comentário Bíblico Moody
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nove foram deixadas em segurança, aos cuida dos guardadores, 33


enquanto o pastor, ele mesmo, saiu em busca da perdida. Esse
entendimento tem base bíblica. O rebanho de Davi talvez não fosse tão
grande, mas, para se dirigir aos seus irmãos, na guerra, deixou as
ovelhas aos cuidados de alguém (1 Sm 17.20).

Detalhes sobre a parábola


a) A ovelha difere dos outros animais em que não consegue encontrar o
seu caminho de volta ao aprisco. O pastor tem de trazê-la.
b) Deixar as noventa e nove no ―deserto‖ (Lc 15.4 – ARC). Significa
pasto aberto.
c) Cem ovelhas (Lc 15.4). Esta quantidade representava um rebanho
de porte médio. A média de animais em um rebanho desse porte
variava de 20 a 200, enquanto um rebanho considerado grande
possuía 300 animais ou mais.

3. A importância da ovelha nas escrituras

a) A ovelha é o animal mais mencionado da Bíblia; e, ao lado do boi, do


camelo, e do jumento, aparecem como os quatro animais de maior
utilidade na Terra Santa. Por diversas ocasiões, as Escrituras se
referem à importância da ovelha para o alimento e vestuário dos
homens (Dt 32.14; 2Sm 17.29; Pv 31.21; Ez 34.1-3).

b) A ovelha aparece associada a características como pureza, mansidão


e simplicidade. Por causa disso, o Senhor escolheu este pacato animal
para simbolizar o seu próprio povo (Sl 78.70-72; 100.3; Is 40.10-11).

c) Em Mt 9.36, Jesus se compadeceu das multidões aflitas e as


comparou como ovelhas que não têm pastor.

d) Em Jo 10.3, Jesus disse que, o pastor chama as ovelhas pelo seu


nome, e as ovelhas conhecem a voz do seu pastor.

e) Em Jo 10.1-18, Jesus é retratado como o mais perfeito e bondoso


Pastor das ovelhas.

II- ATITUDES DO PASTOR


1. A busca do pastor (Lc 15.4)
Na parábola, o pastor sai Em busca da perdida ―até que venha a achá-
la‖. Quanto o pastor deve ter sofrido, na busca incessante, para
encontrar aquela ovelha! Talvez subiu montes e desceu vales, sobre
pedras e espinhos e até se feriu, para encontrar aquela única ovelha.

Tudo isso tem muito a nos dizer. Deus, no seu amor infinito, não
deseja que alguma pessoa se perca, mas ―todos os homens se salvem,
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e venham ao conhecimento da verdade‖ (1 Tm 2.4). Jesus, em seu 34


ministério terreno, ―... viu uma grande multidão, e teve compaixão
deles, porque eram como ovelhas que não tem pastor; e começou a
ensinar-lhes muitas coisas‖ (Mc 6.34). Ele, o Bom Pastor, muito
sofreu, para nos achar, e encontrou-nos no meio do deserto da
humanidade, longe do seu redil.

2. A alegria do pastor (Lc 15.5).


O texto diz que o pastor, após achar a ovelha perdida, a pôs sobre os
ombros, gostoso (cheio de alegria)!

a) O encontro
O pastor encontrou a ovelha perdida, faminta, sedenta, com frio, com
medo. É afigura do pecador, longe do Senhor. O Diabo o faz sentir
aparente felicidade na situação de ovelha desgarrada. Mas é só ilusão.
A Palavra de Deus mostra que é terrível a situação de um pecador ou
desviado. Diz que ―toda a cabeça está enferma e todo coração fraco.
Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas e
inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem
nenhuma delas amolecidas com óleo‖ (Is 1.5,6).

b) O cuidado e a alegria do pastor (Lc 15.5,6)


No item anterior, imaginamos qual era o estado dela. Certamente, não
podia caminhar com seus próprios pós. O pastor a levantou e pô-la em
seus ombros. Era o cuidado. A alegria é demonstrada pela expressão
revelada no texto. ―E, achando-a a põe sobre seus ombros, cheio júbilo
(Lc 15.5)‖. Além disso, o regozijo é tanto, que ele não quer desfrutá-lo
sozinho. ―Chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-
lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida‖.

3. A alegria no Céu (Lc 15.7).


Deus se alegra com a recuperação de um pecador perdido e, portanto,
o maior desejo de Jesus é buscar e salvar o perdido (Lc 19.10). A
vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos (1 Tm 2.4; 2 Pe
3.9; Jo 3.16). Todos os que aceitarem as suas condições serão salvos
(Jo 3.16-20; Rm 1.16; 10.9,10; Ef 2.8,9; 1 Jo 1.9).

Ao concluir a parábola, o Senhor Jesus disse aos seus ouvintes que,


assim como o pastor alegrou-se tanto, por ter encontrado uma única
ovelha perdida, mesmo possuidor de noventa e nove no rebanho,
―haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que
por noventa e nove justos, que não necessitam de arrependimento‖. A
alegria maior por causa de um pecador que se arrepende do que pelos
99 que já se arrependeram parece injusta, mas não é, pois para cada
um destes 99 já houve alegria semelhante quando se arrependeram,
isto simplesmente serviu para dizer a esses hipócritas que Jesus veio
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pelos perdidos, e como somente um pecador arrependido já traz 35


alegria' aos céus.
4. O significado das 99 ovelhas e da ovelha perdida (Lc 15.3-8)
O comentarista Merrill Frederick Unger6 observa que ―as noventa e
nove ovelhas representavam os críticos fariseus; a ovelha perdida, os
publicanos e os pecadores que o Filho do homem veio salvar. A
parábola repreende severamente a vazia religiosidade e a orgulhosa
hipocrisia dos fariseus‖.

SUBSÍDIO EXEGÉTICO
A parábola da ovelha perdida em Mateus não ensina a doutrina,
que afirma cada crente tem um anjo da guarda (18.12-14).
Seus anjos (v 10). Isso não sugere que cada crente tem um anjo da
guarda pessoal. Em vez disso, o pronome é coletivo e refere-se ao fato
de que os crentes são servidos por anjos em geral. Esses anjos são
retratados como estando "incessantemente" diante da face de Deus de
modo a ouvir suas ordens para que eles ajudem um crente quando for
necessário. É coisa extremamente séria tratar qualquer crente com
desdém, dado o fato de que Deus e os santos anjos estão muito
preocupados com o bem-estar dessa pessoa.

As Escrituras ensinam que Deus frequentemente cuida dos seus fiéis


por meio dos anjos, os quais têm genuíno interesse e amor pelos filhos
de Deus (cf. Sl 34.7; 91.11; Lc 15.10; 16.22; Hb 1.13,14; Ap 5.11,12).

III- OS CRENTES COMO OVELHAS


Nós, como as ovelhas, temos um pastor. Lembra-se das palavras: "[Ele]
nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto" (Sl 100.3).
Se os Evangelhos nos ensinam alguma coisa, ensinam-nos que Jesus é
o Bom Pastor. "Eu sou o bom pastor", anunciou Jesus. O bom pastor
dá a vida pelas ovelhas" (Jo 10.11).
1. Passos para o Senhor cuidar do crente como ovelha
a) Primeiro, vá a Ele. Davi não confiaria suas feridas a outra pessoa,
senão a Deus. Ele disse: "[Tu] unges a minha cabeça com óleo". Não os
"seus profetas" ou os "seus professores" ou os "seus conselheiros".
Outros podem guiar-nos a Deus, mas apenas Deus pode curar-nos.
Deus "sara os quebrantados de coração" (Sl 147.3).
Você tem levado os seus desapontamentos a Deus? Você os tem
partilhado com os vizinhos, parentes e amigos. Porém os tem levado a

6
Manual Bíblico Unger. Editora Vida
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Deus? Tiago aconselha: Está alguém entre vós aflito? Ore (Tg 5.13). 36
Antes de ir a qualquer um com os seus desapontamentos, vá a Deus.
Talvez você não queira importunar Deus com os seus machucados.
Afinal, você pensa, Ele trata de penúrias, pestilências e guerras; não se
importará com minhas pequenas lutas. Por que você não o deixa
decidir isto? Ele preocupou-se o suficiente com um casamento para
prover o vinho. Preocupou-se o suficiente com o pagamento de
impostos de Pedro para dar-lhe uma moeda. Preocupou-se o suficiente
com a mulher junto ao poço para dar-lhe respostas. "Ele tem cuidado
de vós" (1 Pe 5.7).
Seu primeiro passo é ir à pessoa certa. Vá para Deus.
b) Curve-se perante Deus
A fim de ser ungida, a ovelha deve ficar quieta, abaixar a cabeça, e
deixar o pastor fazer o seu trabalho. Pedro insta conosco: "Humilhai-
vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos
exalte" (1 Pe 5.6).
Quando nos chegamos a Deus, fazemos pedidos; não fazemos
demandas. Chegamos com elevadas esperanças e um coração humilde.
Exprimimos o que querermos, mas oramos pelo que é certo. E se Deus
nos dá a prisão de Roma em vez da missão na Espanha, aceitamo-la
porque sabemos que Deus fará justiça aos seus escolhidos que
clamam a Ele de dia e de noite, e não se demorará em atendê-los (Lc
18.7). Nós vamos até Ele. Curvamo-nos diante dEle. E confiarmos
nEle.
c) Aceite o fato que nem sempre você entender as maneiras que
Deus agirá em sua vida
As ovelhas não entendem por que o óleo repele as moscas. As ovelhas
não entendem como o óleo cura as feridas. De fato, tudo o que as
ovelhas sabem é que alguma coisa acontece na presença do pastor. E
isto é tudo o que precisamos saber também. "A ti, Senhor, levanto a
minha alma. Deus meu, em ti confio" (Sl 25.1,2).

SUBSÍDIO EXEGÉTICO
MATEUS 18.12-14. Aversão de Mateus da Parábola da Ovelha Perdida
(ou Desgarrada) é encontrada num contexto diferente do Evangelho de
Lucas (Lc 15.3-7). Em Lucas é a primeira das três parábolas sobre
coisas de valor que foram perdidas - a ovelha perdida, a moeda perdida
e o filho perdido (Lc 15.3-32) - e é endereçada aos inimigos de Jesus,
que consideram falta gravosa Ele se associar com pecadores (Lc 15.1-
2). Em Mateus é endereçada aos discípulos e ressalta a preocupação
compassiva que eles devem ter pela pessoa que erra.
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O verbo grego usado em Mateus 18.12 e 13 e traduzido por 37


―desgarrar‖ é planao em vez de apollymi (―perder‖) que aparece em
Lucas 15. Das quinze vezes que o verbo planao é usado nos
Evangelhos, Mateus a emprega oito vezes. É empregado
frequentemente para aludir à fraude praticada por falsos profetas e
falsos cristos.
CONCLUSÃO
As três parábolas de Lc 15: A Ovelha Perdida, A Dracma Perdida e O
Filho Pródigo revelam que Deus é aquele que, no seu amor, busca a
pessoa perdida para salvá-la. Nelas aprendemos que:
(1) é da máxima importância para o coração de Deus a nossa busca
dos perdidos (vv. 4, 8, 20,24);
(2) tanto Deus quanto o céu se regozijam, mesmo quando um só
pecador se arrepende (vv. 7,10); e.
(3) nenhum labor ou sofrimento nosso é demasiado grande na busca
dos perdidos para levá-los a Cristo (vv. 4,8).
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Subsídio 6 38

Lição 6- Sinceridade e Arrependimento Diante de


Deus
INTRODUÇÃO
A parábola que iremos estudar hoje é conhecida como ―a parábola do
Fariseu e o Publicano‖ (Lc 18.9-14). Na Palestina os devotos oravam
três vezes por dia: às nove da manhã, ao meio dia, e às três da tarde.
Considerava-se que a oração era especialmente eficaz se fosse
oferecida no templo, de modo que nessas horas muitos foram aos
átrios do templo a orar. A dois desses homens se referiu Jesus: um
fariseu e o outro publicano.

I- OS FARISEUS
O fariseu se apresentava com os seus conhecimentos e com a sua
prática particular da lei, com as suas doutrinas acerca da lei e com a
sua frequência constante aos cultos no templo e nas sinagogas, com
seus jejuns e com as suas orações diárias. Todavia, o seu coração não
se mostrava sensível para com Deus.

1. Quem eram os Fariseus


O significado exato do termo "fariseus" é incerto. O substantivo deriva
do verbo hebreu que significa "separar" ou "distinguir". Eles eram um
dos principais grupos religiosos dos judeus. Eles seguiam
rigorosamente a Lei de Moisés, as tradições e os costumes dos
antepassados (Mt 9.11,14; 12.1-2; 15.1-2; 19.3; Lc 18.11-12; At 15.5).
Eles foram contra Jesus (Mt 9.34; 12.14; 16.1-12; Jo 9.17; 11.47-
48,57), mas alguns deles o trataram com respeito e cordialidade (Lc
7.36-50; 11.37; Jo 3.1; 7.50-51; 19.39-40). O apóstolo Paulo foi criado
fariseu (At 23.6; 26.5; Fp 3.5-6) e foi aluno do renomado mestre
fariseu Gamaliel, de Jerusalém (At 22.3).

Os fariseus viam-se como os herdeiros de um vasto conjunto de


tradições interpretativas que lhes permitia atuar como guias seguros
para os judeus em tempos tumultuados (Rm 2.17-20). Embora alguns
fariseus viessem a acreditar que Jesus era o Cristo (At 15.5; Fp 3.4-
11), a maioria justificava sua oposição a ele pelo fato de Jesus
apregoar ostensivamente a própria autoridade (Mt 7.29; Jo 3.1-3; 8.13)
e também pela maneira em que interpretava alguns assuntos que eram
de importância vital para eles. Jesus criticava os fariseus porque,
apesar da recomendável observância de regras e tradições, eram
fundamentalmente impenitentes, não conheciam a Deus nem eram
pessoas amorosas (Mt 23).
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2. A tentativa do fariseu ao orar (Lc 18.11,12) 39


O fariseu tenta justificar-se a si mesmo ao apresentar suas
qualificações morais e espirituais ao Senhor. Algumas, inclusive,
acima do que a lei de Moisés ordenava. Entretanto, somente Deus
pode justificar o ser humano culpado e já condenado (Rm 1.17; 5.1).
Ao tentar justificar-nos a nós mesmos, estamos sendo falsos,
mentirosos e desprezando a justiça da graça de Deus (Rm 3.20).

II- O PUBLICANO
De acordo com Emílio Conde, em sua obra Tesouro de Conhecimentos
Bíblicos, o ―publicano‖ (―Do grego‖ telõnês‖ [de‖ telos‖, imposto]; do
latim ―publicanus‖ (de‖ publicus‖, público). Era o cobrador dos
rendimentos (impostos) públicos nas províncias romanas. Publicano
nada tem a ver com publicidade, embora os publicanos fossem bem
populares e bem conhecidos em sua época. Tem algo a ver com o
público, pois era com ele que os publicanos trabalhavam.

Tradicionalmente conhecidos como ―publicanos‖, os cobradores de


impostos eram homens contratados pelos romanos para coletar
impostos. Pelo fato de trabalharem para Roma e não raro exigirem
pagamentos injustos, a reputação dos cobradores de impostos era
muito ruim. Eram odiados e considerados traidores pelo povo.

1. A classificação que se faziam dos publicanos


Os publicanos eram classificados como ladrões, assassinos e outros
elementos envilecidos da sociedade, declarando que os mesmos
estavam além do alcance do arrependimento e da vida eterna.
Portanto, aqui encontramos um homem dessa espécie ímpia,
confessando francamente sua vida de miséria, mas que a despeito de
tudo ainda sabia buscar a Deus.

2. Publicanos que foram transformadas por Jesus

a) Mateus (Mt 9.9; 10.3; Mc 3.18; At 1.13)

Mateus, filho de Alfeu (Mc 2.14), cobrador de impostos, também era


chamado de Levi (Mc 2.14; Lc 5.27). Os nomes duplos eram comuns
entre os judeus, por isso resta pouca dúvida de que Levi e Mateus
sejam a mesma pessoa. Levi provavelmente mudou seu nome para
Mateus (―presente de Yahweh‖) quando se tornou discípulo de Jesus.
Mateus talvez fosse responsável por coletar as taxas de pedágios de
comércio ou impostos sobre a pesca no mar da Galileia — uma taxa
pesada arrancada dos esforçados galileus. Os romanos impuseram
tributos ou impostos (tipicamente um pedágio de estrada) em todos
seus domínios para a manutenção do governo das províncias.
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A prontidão com que Mateus atendeu ao chamado de Jesus parece 40


indicar que ele já tivera contato prévio com Jesus e com seus ensinos e
já havia decidido dedicar sua vida à sua causa. Que Jesus tenha
escolhido como discípulo um judeu cobrador de impostos a serviço do
governo romano é de fato notável.

b) Zaqueu (Lc 19.1-10)


Em hebraico literal, o nome ―Zaqueu‖ significa, ―o justo‖. Ele não era
apenas um cobrador de impostos, mas uma espécie de gerente geral de
arrecadações, cargo esse mencionado somente em Lucas 19.2. Zaqueu
ganhava uma porcentagem sobre o trabalho de todos os demais
publicanos do distrito. Zaqueu é um exemplo de que o impossível ao
ser humano é possível a Deus (Lc18. 24-47; Mc 2.14,15).

III- AS DIFERENÇAS DO FARISEU PARA O PUBLICANO


1. O contraste entre Fariseu e o publicano
O fariseu falou consigo mesmo e a respeito de si mesmo; o publicano
orou a Deus e foi ouvido. O fariseu enxergava o pecado dos outros,
mas não os próprios pecados (Lc 7.36-50), enquanto o publicano
concentrava-se em suas necessidades e admitia-as abertamente. O
fariseu gabava-se; o publicano orava. O fariseu saiu um homem pior
do que quando chegou; todavia, o publicano foi para casa perdoado.

2. A diferença do Fariseu para o Publicano


Jesus identificou a diferença entre o fariseu e o publicano: um era
orgulhoso e o outro humilde. É o mesmo contraste entre aqueles que
se exaltam e os que se submetem. Deus exalta quem se humilha e
rebaixa quem se exalta (Lc 1.52; 14.11).

3. O publicano saiu justificado (Lc 18.14)


Justificado significa "declarado justo". É um termo legal que significa
que se destruíram todas as evidências e não há registro algum de que
já pecamos. Significa também que Deus não mantém mais um registro
de nossos pecados (SI 32.1-4; Rm 4). Em vez disso, ele nos credita a
justiça de Cristo (2 Co 5.21). Tudo isso nos é concedido pela
misericórdia do Senhor (Lc 18.13), não por mérito do homem.

4. Lições da parábola
a) Ninguém que menospreze a seus semelhantes pode orar. Na oração
não nos elevamos acima de nossos semelhantes. Recordamos que
somos um do grande exército da humanidade pecadora, que sofre e
está contrita, ajoelhados todos perante o trono da misericórdia de
Deus.

b) A verdadeira oração brota da aproximação de nossas vidas a de


Deus. Sem dúvida tudo o que o fariseu dizia era verdade. Jejuava;
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dava meticulosamente, o dízimo; não era como os outros homens; sem 41


dúvida não era como o coletor de impostos. Mas a pergunta não é:
"Sou tão bom como meus semelhantes?" A pergunta é: "Sou tão bom
como Deus?"

SUBSÍDIO HISTÓRICO
Na República romana, os impostos comuns eram chamados vectigalia,
embora um tributo extra chamado tributum também podia ser
arrecadado. O Senado, anualmente, estabelecia o montante de
impostos a ser coletado. Com a expansão do poder romano, entretanto,
uma grande quantidade de riquezas provenientes das províncias era
vertida em Roma, e o império era menos dependente das taxas
coletadas dos próprios cidadãos. Os governantes coletavam impostos
para Roma nas províncias e também enriqueciam durante esse
processo. Os provincianos sofriam muito sob esse sistema, mas um
governador que mostrasse comedimento e justiça podia ganhar a
admiração do povo local (como fez Cícero quando governou a Cilícia,
na Ásia Menor).

Com o estabelecimento do império, César Augusto criou uma


burocracia comum para conduzir o censo e cobrar impostos (ver Lc
2.1). 2 As províncias estavam sujeitas tanto a um imposto sobre o voto
quanto a um imposto sobre a terra. Os impostos sustentavam o
exército, a casa imperial, os salários do governo, a manutenção das
estradas e as obras públicas, assim como o donativo de cereais para as
massas romanas.

A tarefa de coletar impostos nas províncias era delegada a companhias


privadas de coletores de impostos chamadas publicani ou conductores.
Esses coletores acumulavam muito dinheiro para abastecer as
demandas do Estado e também retinham algum lucro para si. Como se
percebe pelo NT, os publicani eram considerados traidores e
gananciosos a serviço dos soberanos estrangeiros.

Questões em torno dos impostos aparecem várias vezes no Novo


Testamento, o próprio Jesus pagou impostos, a despeito dos meios
incomuns de que se utilizava para conseguir o dinheiro (Mt 17.24-27;
esse imposto era cobrado dos judeus para a manutenção do templo de
Jerusalém). A imagem de César nas moedas romanas causava certo
dilema religioso para os judeus, embora Jesus considerasse os
escrúpulos acerca do assunto mais artificiais que sinceros (Mt 22.15-
22). Paulo, em Romanos 13.6,7, deixa claro que a coleta de impostos
por um governo é legítima e que o pagamento de impostos pelos
cristãos é imperativo. Contra o panorama geral dos impostos romanos
da época, a resistência era baseada num princípio, não na satisfação
popular como sistema.
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Conclusão 42
Jesus conclui a parábola declarando que o publicano volta para casa
justificado diante de Deus. Com humildade, ele clamou por
misericórdia e recebeu a aprovação de Deus sendo-lhe perdoados os
pecados. Por outro lado, o fariseu hipócrita não é justificado Jesus
conclui: ―Qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e
qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado‖.
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Subsídio 7 43

Lição 7- Perdoamos Porque Fomos Perdoados


INTRODUÇÃO
Em nosso estudo de hoje abordaremos acerca da ―parábola do servo
que não queria perdoar (Leia Mt 18.21-35)‖. Onde aprenderemos a lidar
com a ofensa e com o perdão. A parábola ilustra o poder do perdão.
Trata do perdão entre irmãos, não entre os pecadores e Deus. A ênfase
deste capítulo é sobre irmãos perdoando irmãos (Mt 18.15, 21).

I- PERSONAGENS DESTACADOS NA PARÁBOLA (Mt


18.23,24, 28)
1. Um certo Rei (Mt 18.22,23)
O rei da parábola representa o Pai celestial e retrata o seu papel como
juiz. No contexto da punição dentro da igreja, a parábola poderia
ressaltar a responsabilidade corporativa da igreja em tratar com
justiça os membros pecadores. Isto inclui o julgamento severo
daqueles que ferem a comunhão recusando-se a perdoar os outros.
Mas como Deus perdoou todos os nossos pecados, nós não deveríamos
negar perdão aos outros. Perceber o quão completamente Cristo nos
perdoou deveria produzir uma atitude livre e generosa de perdão em
relação aos outros. Quando não perdoamos os outros, estamos dizendo
que apreciamos o amor e o perdão de Deus, mas que não estamos
dispostos a estendê-los a ninguém mais.

2. Dois devedores (Mt 18.24,28)


O ―talento‖ era uma medida de peso, usada para pesar ouro e prata,
equivalente, a cerca de 35 quilos. Cada talento valia cerca de 6.000
denários. O ―denário” era uma moeda de prata que equivalia a um dia
de trabalho braçal (Mt 20.2). Dez mil talentos então eram o salário de
sessenta milhões de dias de trabalho, uma quantia impossível de ser
paga. Foi assim que Jesus retratou de modo bem claro a situação
desesperadora do homem (Mt 18.26).

a) Consequências para os que não podiam pagar suas dividas


Naquela época, havia sérias consequências para os que não podiam
pagar suas dividas. Um credor podia apoderar-se do devedor e de sua
família, forçá-los a trabalhar para ele até que a dívida fosse paga. O
devedor também podia ser enviado para a prisão, seus familiares
podiam ser vendidos como escravos, para ajudar a pagar o débito.
Esperava-se que, enquanto estivesse na prisão, as terras do devedor
fossem vendidas ou que seus parentes pagassem a divida em seu
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lugar. Caso contrário, o devedor permaneceria na prisão por toda a 44


vida.

b) Um cervo que devia cem talentos (Mt 18.24-26)


O homem da parábola estava roubando do rei e, depois de uma
auditoria contábil, seu crime foi descoberto. Porém, o homem pensou
ser possível livrar-se dessa dívida e disse ao rei que seria capaz de
saldá-la, caso tivesse mais tempo. Vemos aqui dois pecados: orgulho e
falta de arrependimento sincero. O homem não estava com vergonha
por ter roubado o dinheiro, mas sim por ter sido descoberto. Além
disso, se considerava poderoso o suficiente para ganhar o dinheiro que
havia roubado.

Este Homem devia dez mil talentos. Dez mil talentos foram usados
para descrever uma dívida impossível de ser paga (Mt 18.25). A atitude
deste devedor do rei: ―Então o servo, caindo aos pés dele, implorava:
―Tenha paciência comigo, e pagarei tudo ao senhor (Mt 18.27 –NAA)‖

O rei era um homem compassivo. Aceitou o prejuízo e perdoou o servo.


―E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e
perdoou-lhe a dívida (Mt 18.27 – NAA)‖.

Assim, o homem ficou livre, e ele e sua família não seriam jogados na
prisão. O servo não merecia ser perdoado; o perdão foi um ato do mais
puro amor e misericórdia por parte de seu senhor.

c) Um conservo que devia cem dinheiros (Mt 18.28-34)

Este homem devia, apenas cem denários (Mt 18.28 - NAA), para aquele
que teve a dívida de dez mil talentos perdoada pelo rei. Em vez de
compartilhar com esse amigo a alegria do perdão que havia recebido, o
servo perdoado maltratou-o e exigiu que pagasse a dívida. O segundo
servo usou o mesmo argumento que o primeiro havia usado com o rei:
"Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei o que devo!" Mas o servo
injusto não estava disposto a conceder a outros aquilo que desejava
que lhe concedessem.

3. Perdão revogado
“Vendo os seus companheiros o que havia acontecido, ficaram muito
tristes e foram relatar ao seu senhor tudo o que havia acontecido. Então
o senhor, chamando aquele servo, lhe disse: “Servo malvado, eu lhe
perdoei aquela dívida toda porque você me implorou”. Será que você
também não devia ter compaixão do seu conservo, assim como eu tive
compaixão de você?” E, indignando-se, o senhor entregou aquele servo
aos carrascos, até que lhe pagasse toda a dívida (Mt 18.31-34, NAA)‖.
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Jesus concluir a parábola com uma alerta muito séria para todo 45
cristão: ―Assim também o meu Pai, que está no céu, fará com vocês, se
do íntimo não perdoarem cada um a seu irmão (Mt 18.35, NAA)‖.

Por incrível que pareça, existem aqueles que se dizem cristãos, mas
não serão perdoados, pois não querem perdoar. Há quem deseja ser
bem tratado, mas não trata bem ao seu próximo.

Mt 6.16: Se, porém, não perdoarem aos outros as ofensas deles,


também o Pai de vocês não perdoará as ofensas de vocês (NAA).

Lc 6.31: ―Façam aos outros o mesmo que vocês querem que eles façam
a vocês (NAA)‖.

De acordo com a Bíblia de Estudo Pentecostal ―Jesus nesta parábola


ensina que o perdão divino, embora seja concedido graciosamente ao
pecador arrependido, é, também, ao mesmo tempo condicional, de
conformidade com a disposição do indivíduo, de perdoar ao seu
próximo. Por isso, uma pessoa pode ficar sem perdão divino por ter um
coração cheio de amargura, que não perdoa ao próximo (ver Mt
6.14,15; Hb 12.15; Tg 3.14; Ef 4.31,32). Estes textos mostram que
amargura, ressentimento e animosidade contra o próximo são
totalmente incompatíveis com a verdadeira vida cristã, e que devem ser
banidos da vida do crente‖.

II- BASE DE RELACIONAMENTOS SAUDÁVEIS: O


PERDÃO
1. Conflitos nos relacionamentos
(Cl 3.13)
Todo relacionamento humano está Se um irmão é culpado de
sujeito a conflitos, desavenças e um pecado repetidas vezes,
queixas (At 15.36-39; 1Co 1.10-30). sem dúvida encontrará a
Não existe interação humana força e o poder de que
precisa para vencer esse
perfeita e por isso a dádiva do
pecado se receber estímulo
perdão deve estar presente (Mt de irmãos amorosos e
18.21,22). clementes. Ao condenar um
irmão, só o incentivamos a
2. As duas dimensões do perdão mostrar o que tem de pior.
O perdão entendido corretamente
abrange duas dimensões da vida
humana: vertical e horizontal. Na primeira advém de Deus para o
homem, removendo a culpa e se constituindo um ato de graça
mediante o qual o ser humano é restaurado à comunhão com Deus
(2Co 5.19; Dn 9.9). Ninguém perdoa a Deus, pois Ele é Perfeito e Justo
(Sl 9.8; 18.30; 19.7; 98.9; Mt 5.48). Na segunda, diz respeito ao
tratamento dispensado ao próximo (Mt 5.44; 6.12; 18.21,22; Rm
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12.14,19). Essas duas dimensões são interdependentes (Mt 6.12; 46


18.23-35).

3. A dádiva do perdão
Perdoar é um ato de pura graça e de superação à ofensa recebida (Mt
18.21,22). Quem exerce o perdão lida melhor com o ressentimento e
mágoas que advêm das injustiças sofridas. Perdoar é o melhor remédio
para curar as feridas da alma: tristeza, angústia, compaixão própria,
depressão entre outras. Quando a pessoa perdoa ela abre-se para uma
nova e saudável experiência na qual as doenças psicossomáticas não
se instalam sobre sua vida. O exercício do perdão traz saúde para a
vida. Perdoe e viva feliz!

4. Perdoar não é uma opção


Perdoar não pode ser uma opção, até porque não há outra saída para
quem foi ferido. Quem não perdoa anula a possibilidade de ser livre,
vivendo aprisionado às lembranças do que passou. Dentro desta ótica,
o perdão é o passaporte para a liberdade: quem não perdoa sofre e
vivencia a mágoa noite e dia, carregando um fardo que pode
transformar-se em doenças do físico e da alma, ou até serem as duas
associadas (doenças psicossomáticas).

O irônico é que muitas vezes quem comete o erro se arrepende, busca


ajustar-se, procura terapia para conhecer seus motivos e fortalecer-se
contra quedas futuras, e até passa a ter uma vida emocional e
espiritual mais frutífera do que antes da queda. Até porque uma das
capacidades humanas é aprender com o erro e com a dor, tornando-
nos pessoas mais conscientes de fraquezas e tendências. Contudo,
quem foi ferido, se não decidir perdoar e submeter-se ao processo de
perdão, viverá sob o peso da dor da traição e pagará o preço
emocionalmente pelo erro do ofensor. É por essa razão que perdoar
não é uma opção dentre outras para ser considerada. Mas é a opção, a
única decisão correta a ser tomada para que você seja livre da dor, da
ira, das doenças, do envelhecimento precoce, dos olhos turvos, da
aniquilação dos projetos de vida.7

5. Perdoar não é esquecer


Deus é o único que consegue apagar nossas culpas e pecados, deles
não se lembrando mais, tornando-nos, a cada vez que pedimos perdão
a Ele, novas criaturas, limpas da nódoa do pecado e brancos como a
neve.

Bom seria se tivéssemos um mar de esquecimento. Jogaríamos nele as


nossas mágoas, os fatos que nos fazem sofrer, as palavras que nos
machucaram, nossos desapontamentos, fracassos e tragédias — e

7
CRUZ, Elaine. Sócios, Amigos & Amados: Os Três Pilares do Casamento. 1ª Edição. CPAD. RJ: 2005, p.206.
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para ficar melhor ainda, colocaríamos uma placa ao redor com os 47


letreiros ‗É proibido pescar‘. Não seria, simplesmente, maravilhoso?

Infelizmente isto não é possível. Nós, humanos, temos uma memória


que não se apaga. Alguns podem até passar por traumas ou dores tão
profundas, que submergem em uma amnésia temporária ou
permanente os fatos e período que os fizeram sofrer: é comum que
pessoas que sofram acidentes graves esqueçam os momentos que
antecederam o fato. A única forma de apagar definitivamente a
memória é remover do cérebro as áreas onde ela se concentra, por
uma lobotomia ou por perda da massa cinzenta. E isto certamente não
é o que desejamos.

III- O QUE É O PERDÃO


1. Nas línguas bíblicas
O vocabulário para ―perdão‖ nas Escrituras do Antigo e Novo
Testamento é variado e rico. No hebraico, salach, designa a ação
misericordiosa de Deus mediante a qual Ele perdoa, desculpa e livra o
pecador da culpa e do castigo advindos pela transgressão (Gn 18.26;
Lv 4.20; Nm 14.19; 15.25; Sl 25.18; 32.1,5; 85.2; Rm 4.6-8). No grego,
aphiemi, quer dizer ―soltar‖, ―cancelar‖, ―remir‖ e ―perdoar‖ e aparece
nos Evangelhos referindo-se ao perdão dos pecados (Mt 26.28; Mc 2.5;
Lc 7.47), de dívidas (Mt 6.12) e ―ofensas‖ (Mc 11.25).

2. Nos atos e ensinos de Jesus


O perdão foi ensinado (Mt 6.9-15; 18.25-35; Lc 7.36-50; 15.11-32) e
praticado por Jesus (Mt 9.6; Lc 23.34, 39-42). A pregação das Boas-
Novas era o anúncio do perdão irrestrito ao pecador penitente (Mt
1.21; Mc 10.45). Incluía desde o cancelamento do efeito do pecado
cometido (Mc 2.5; Jo 8.11) à aceitação graciosa do pecador à
comunhão com Deus (Lc 15.20-24). A morte de Jesus Cristo no
Calvário cumpria assim a oferta escatológica do perdão anunciada
pelos profetas (Jr 31.34; 33.8 ver Lc 1.76-79; 4.18,19).

3. Nos ensinos das epístolas


O perdão nas epístolas aparece no contexto da doutrina da justificação
e da graça divina (Rm 3.21-26; 5.1,2, 6-11). A pessoa não é tão
somente perdoada dos pecados e livre da culpa, mas liberta
completamente do poder do pecado sobre ela. O perdão promove a
reconciliação do homem com Deus (Rm 5.10,11; 2Co 5.18-21) e faz
com que o pecador participe da justiça de Cristo em Deus (Rm 3.21-
28; 8.1; 9.30; 1Co 1.30,31).

IV- O QUE NÃO É PERDÃO


1. Não é fraqueza e covardia
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Na perspectiva da filosofia existencialista anticristã, o perdão é visto 48


tanto como fraqueza quanto covardia, e uma forma de corrupção e
domesticação da natureza do homem por meio da moral cristã. O
filósofo ateu F. Nietzsche entendia os ensinos de Jesus e a ética cristã
deste modo. Para ele, o perdão ensinado por Jesus representava
fraqueza e uma maneira de comprar a Deus. Ele afirmava que ―o
homem perde poder quando se compadece‖.

2. Não é tolerância ao erro


Outro pensamento equivocado a respeito do perdão é considerá-lo
como tolerância ao erro. Aquele que perdoa estaria deste modo sendo
conivente com o erro, o mal, ou pecado. Assim, tolerar é compreendido
como ―consentimento‖ ou ―permissão‖. Todavia, tolerância é suportar o
peso do erro de alguém em vez de concordar ou consentir com o
pecado. Quem perdoa não é conivente com o erro que lhe foi cometido,
mas suporta a ofensa e a perdoa.

3. Não é anular a justiça (Lc 23.39-43)


O perdão de modo algum anula o exercício ou prática da justiça (Dt
16.19). Justiça é dar a cada um o que lhe é devido (v.41). Está
relacionada à ação (Jo 7.24). O perdão reconhece que a injustiça foi
cometida, mas opera para além dela. É uma dádiva. Na morte de
Jesus, entretanto, temos a satisfação da justiça de Deus e a
ministração do perdão divino (Rm 1.17; 3.21-31 ver Mt 21.28-32).
Assim, o perdão e a justiça podem atuar conjuntamente. No caso do
ladrão na cruz, a justiça veio primeiro e, depois, o perdão (Lc 23.39-
43). O perdão opera na esfera do sentimento e da subjetividade, a
justiça, no entanto, é concreta e objetiva.

Conclusão

Essa Parábola (Mt 18.21-35) do servo sem misericórdia, que pode ser
comparada com a do Credor e dois devedores, tendo em vista que
acontece o mesmo simbolismo, tanto no tema central como nos
detalhes (Lc 7.41-43), veio como resposta do Senhor à pergunta de
Pedro com relação a quantas vezes devemos perdoar a um irmão. A
verdade ensinada pela parábola, é que o perdão deve ser uma atitude
constante, como o é com Deus. "Tu podes ser temido, porque contigo
há perdão". Quando Deus perdoa, ele esquece: "Não mais me lembrarei
dos seus pecados e iniquidades", e as parábolas de impacto de nosso
Senhor ilustram bem essa característica divina.
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Subsídio 8 49

Lição 8- Encontrando o Nosso Próximo


INTRODUÇÃO
Nesta aula estudaremos acerca da ―parábola do Bom Samaritano‖, na
qual veremos que Jesus conta a história do samaritano para mostrar
que o próximo não é um assunto a ser discutido ou definido, mas uma
pessoa que a gente encontra e que precisa de ajuda, pouco importando
a raça, cultura ou religião.

Na parábola do Bom Samaritano Jesus é questionado sobre a vida


eterna por um doutor da Lei, ao desenvolver o diálogo Jesus apresenta
o samaritano como exemplo de amor para com seu próximo.

I- O DOUTOR DA LEI (Lc 10.25 - ARC)


1. Quem era o Doutor da lei
No sentido judaico o doutor da lei era um intérprete e professor
(mestre) da Lei Mosaica (Mt 22.35; Lc 7.30; 11.45,52; 14.3). Os
―mestres da lei‖ eram os estudiosos judeus da época, profissionais do
desenvolvimento, ensino e aplicação da Lei. Sua autoridade era
estritamente humana e tradicional. Também eram membros do
Sinédrio.

2. O objetivo do doutor da lei


―E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o objetivo
de pôr Jesus à prova [...] (Lc 10.25 – NAA)‖. A intenção não era
aprender de Jesus, mas sim, testar Jesus na expectativa de encontrar
uma oportunidade para acusar o Senhor Jesus.

3. A situação espiritual dos doutores da lei


Jesus nos conta como estava a situação espiritual e moral dos
doutores da leia ao dizer: Mas Jesus respondeu:
Ai de vocês também, intérpretes da Lei! Porque sobrecarregam os outros
com fardos superiores às suas forças, mas vocês nem sequer com um
dedo tocam nesses fardos. Ai de vocês, intérpretes da Lei! Porque vocês
pegaram a chave do conhecimento. No entanto, vocês mesmos não
entraram e impediram os que estavam entrando. Quando Jesus saiu
dali, os escribas e fariseus começaram a contestá-lo com veemência,
fazendo perguntas a respeito de muitos assuntos, com o objetivo de tirar
daquilo que ele dizia um motivo para o acusar (Lc 11.46, 52-54 – NAA).
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II- JESUS CONTA UMA HISTÓRIA PARA DEMONSTRAR 50


QUEM É O PRÓXIMO
Jesus prosseguiu, dizendo: Um homem descia de Jerusalém para
Jericó8 e caiu nas mãos de alguns ladrões. Estes, depois de lhe tirar a
roupa e lhe causar muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o
semimorto. Por casualidade, um sacerdote estava descendo por aquele
mesmo caminho e, vendo aquele homem, passou de largo. De igual
modo, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, passou de largo.
Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou perto do homem
e, vendo-o, compadeceu-se dele. E, aproximando-se, fez curativos nos
ferimentos dele, aplicando-lhes óleo e vinho. Depois, colocou aquele
homem sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e
tratou dele. No dia seguinte, separou dois denários e os entregou ao
hospedeiro, dizendo: ―Cuide deste homem. E, se você gastar algo a
mais, farei o reembolso quando eu voltar‖.
Então Jesus perguntou:
— Qual destes três lhe parece ter sido o próximo do homem que caiu
nas mãos dos ladrões?
O intérprete da Lei respondeu:
— O que usou de misericórdia para com ele.
Então Jesus lhe disse:
— Vá e faça o mesmo (Lucas 10.30-37 - NAA)

III – OS SAMARITANOS (Lc 10.30-33; Jo 8.48)


Ao usar o samaritano como o benfeitor na parábola, Jesus
desconcertou os judeus, pois judeus e samaritanos eram inimigos (Jo
4.9; 8.48). Os samaritanos eram descendentes de colonos gentios que
os reis assírios haviam enviado para a Palestina depois da queda de
Samaria, em 722 a.C. Eram desprezados pelos judeus por causa de
seu sangue misturado com os gentios e pela religião distinta, cujo
centro ficava no monte Gerizim (Jo 4.20-22).

1. A história dos Samaritanos


Os samaritanos vieram a existir como resultado da mistura do pouco
da população judia deixada na terra pelos assírios na época do
cativeiro, com povos do norte que o conquistador enviou para ocupar a
terra. Depois do cativeiro (722 A. C.), Sargão II transformou o local em
uma província e deu a ela o nome de Samerena. A única passagem do
Antigo Testamento que fala do ―território da Samaria" é II Reis 17.29.
Os judeus remanescentes conseguiram preservar muito de seus
antigos costumes, mas os do sul (Judá) e os de períodos posteriores os
consideravam pagãos.

8
Jerusalém ficava a uma distância de 27 quilômetros de Jericó, uma descida de 762 metros acima do nível do
mar para 244 metros abaixo do nível do mar. A estrada passava por áreas rochosas e desérticas, que
proporcionavam esconderijos naturais para os ladrões, que ficavam à espreita para assaltar os viajantes
indefesos.
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a) O nome 51
A cidade de Samaria (modernamente Sebastienh) aparece nos registros
sagrados pela primeira vez ao ser edificada por Onri, a fim de servir de
capital do reino de Israel (ver 1 Reis 16.23,24), Do hebraico
shomeronee, habitantes de shomerone (um posto de vigia), derivado do
fato de que a cidade capital, Samaria, era construída em um morro.

c) Origem dos Samaritanos


O reino do norte (chamado de Israel em contraste com o reino do sul,
chamado de Judá) foi convidado pelo império assírio e, em 722 A. C., a
Samaria e as outras cidades importantes foram dominadas. Seguiu-se
então o cativeiro da maioria dos sobreviventes. Os hebreus que foram
deixados misturaram-se então com os povos que os assírios enviaram
para ocupar a terra. A população mista resultante foi chamada de
"samaritana‖.

Salmaneser V (726-722 A. C.) foi o captor. Seu sucessor foi Sargão II.
Quantos hebreus permaneceram na terra é um número disputado,
portanto é difícil determinar o percentual de hebreus em relação a
outros povos importados, mas sabemos que o local era considerado
pagão pelos judeus do sul e que o número de estrangeiros cresceu com
o passar do tempo. Algumas raízes judaicas, contudo, nunca foram
perdidas, nem mesmo com os samaritanos da atualidade.

2. A relação dos samaritanos com os judeus


Os samaritanos provocavam propositadamente as hostilidades,
mediante atos de profanação em Jerusalém, como, por exemplo,
espalhar ossos de mortos no pavimento sagrado do templo, além de
outros ultrajes semelhantes. A religião samaritana, entretanto,
também esperava o Messias.

Eles formaram sua própria religião, uma mistura de judaísmo com


paganismo. Adotaram o Pentateuco como o único livro sagrado e
erigiram um templo no monte Gerazim, perto de Sicar, em 331 a.C.
(Josefo, Ant., livro XI, 7-2; 8-2). Os judeus que retornavam do exílio
rejeitaram a ajuda deles na reconstrução de Jerusalém e do templo (Ed
4; Ne 1; 4; 6), e a divisão entre eles e os judeus tornou-se permanente
e tão grande que os judeus não passavam dentro de Samaria para
chegar até a Galileia, mas se desviavam por uma rota a leste do Jordão
(Jo 4.9; 8.48; Josefo, Ant. livro XX, 6-1). Eles ensinavam que o Messias
não era maior do que Moisés e que apareceria 6.000 anos após a
criação, viveria 110 anos e lideraria os homens à verdadeira fé. 9

IV- PRICÍPIOS ENSINADOS NA PARÁBOLA

9
Bíblia de Estudo Dake
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Para o doutor da lei, os samaritanos eram os menos propensos a agir 52


corretamente. De fato, o escriba não suportava ter de reconhecer que
na parábola de Jesus o samaritano agiu como o próximo do homem
necessitado, enquanto a atitude do sacerdote e do levita fez com que
eles se traíssem, pois revelava a falta do cumprimento da lei em sua
vida, visto que não praticavam o amor.

Com essa ilustração, aprendemos três princípios sobre o amor ao


nosso próximo:
(1) a falta de amor é frequentemente fácil de ser justificada, embora
nunca seja correta;
(2) nosso próximo é qualquer pessoa, de qualquer povo, credo ou
posição social que esteja em necessidade; e
(3) amar significa querer bem e atender à necessidade de uma pessoa.
Onde quer que você viva, certamente existem pessoas necessitadas por
perto. Não há uma boa razão para você recusar-se a ajudar!

V- A GRANDE PERGUNTA
A pergunta do Doutor da Lei é semelhante com a do certo jovem rico.
Vejamos.
A pergunta do jovem rico: ―E eis que, aproximando-se dele um jovem,
disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna‖?
(Mt 19.16).
A pergunta do doutor da lei: ―E eis que se levantou um certo doutor
da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida
eterna‖? (Lc 10.25).
A vida eterna é uma vida de existência sem fim. É também estar
permanentemente ao lado de Deus. O que devemos fazer então para
termos a vida eterna? A vida eterna nos é dada somente pela graça
mediante a fé (Ef 2.8,9). Porém cabe a nós que precisamos da vida
eterna, tomarmos algumas atitudes.
1. Devemos crê no senhor Jesus Cristo.
Assim diz a bíblia: ―... Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a
tua casa‖ (Atos 16.31).
―... mas quem não crer será condenado‖ (Marcos 16.16).
CRER EM Jesus quer dizer: Aceitar como verdadeiro.

Sendo assim quem não obedece às palavras de Jesus, não está de fato
crendo em Jesus. Dizer que temos Jesus no coração e ir algumas vezes
a igreja não é prova de que cremos em Jesus. Obedecer é de fato prova
de que cremos em Jesus.
Vejamos dois grandes motivos para cremos em Jesus.
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Primeiro, ELE É O ÚNICO QUE PODE NOS LEVAR A DEUS. 53


Assim diz a bíblia: ―Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a
vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim‖ (João 14.6).

Segundo, JESUS É O ÚNICO SALVADOR.


Assim diz a bíblia: ―E em nenhum outro há salvação, porque também
debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo
qual devamos ser salvos‖ (Atos 4.12).

2. Devemos nos arrepender e nos converter a Jesus


Assim diz a bíblia: ―Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que
sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do
refrigério pela presença do SENHOR‖ (Atos 3.19).

―O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por
tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se
percam, senão que todos venham a arrepender-se‖ (2Pe 3.9).

ARREPENDER-SE QUER DIZER: Mudar de ideia ou atitude.


Portanto a se você abandonar os maus caminhos e voltar-se para
Cristo, você está de fato arrependido.

JÁ CONVERTER-SE É VOLTAR-SE PARA CRISTO.


Bem, e se você não quiser se converter a Cristo?
A bíblia dar a seguinte resposta: ―Em verdade vos digo que, se não vos
converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum
entrareis no reino dos céus‖ (Mateus 18.3).

3. Guardar os mandamentos
Para obtermos ávida eterna não precisamos pagar nem um centavo, no
entanto é necessário que guardemos, obedeçamos, os mandamentos
de Cristo.
Assim diz a bíblia: ―Se queres, porém, entrar na vida, guarda os
mandamentos‖ (Mateus 19.17).

Apenas falar que amamos a Jesus, não significa que o amamos


realmente! Somente aquele que guarda os seus mandamentos é quem
de fato o ama.
João 14.21: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é
o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o
amarei, e me manifestarei a ele.

O Reino do Céu é para aquele que obedece ao Pai celestial.


―Nem todos que me chamam: Senhor! Senhor! Entrarão no reino dos
céus, mas apenas aqueles que, de fato, fazem a vontade de meu Pai,
que está no céu‖ (Mt 7.21 - NVT).
Então quais são os mandamentos de Jesus?
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Dentre os muitos mandamentos vejamos alguns. 54

1) O amar a Deus sobre todas as Coisa (MC 12.30);


2) Amar uns aos outros (Jo 13.34; Mc 12.31);
3) Crê em Jesus (Jo 14.1);
4) Não amar o mundo (1Jo 2.15,16; Tg 4.4);
5) Andar em Jesus (2 Jo 6);
6) Viver em santidade (Hb 12.14; 1Pe 1.15);
7) Buscar em Primeiro lugar o reino de Deus (Mt 6. 33).
Se alguém não quiser amar Jesus, também não deve querer a proteção
e ajuda de Jesus.
8) Obedecer a Palavra de Deus (Tg 1.21; Mt 7.21).
Então, Você ama de fato a Jesus? Obedecer aos mandamentos de,
significa que amamos a Jesus.

Nós que temos a certeza de nossa salvação, devemos anunciar o


evangelho, pois o evangelho de Cristo é o poder de Deus para salvação
de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego (Rm
1.16). Como salvos, estamos livres da condenação do lago de fogo
eterno. ―PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão
em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o
Espírito‖ (Rm 8.1). Como salvos temos a responsabilidade de anunciar
o evangelho de Cristo a todos (Mc 16.15), a fim de que a fé seja
produzida naqueles que ouvirem a Palavra de Deus (Rm 10.17).

SUBSÍDIO HISTÓRICO
Os samaritanos
Os samaritanos acreditavam que eram descendentes das tribos do
norte exiladas em 722 a.C. pela Assíria. 1 Em 2Reis 17, porém, está
registrado que os samaritanos eram um grupo composto, pelo menos
em parte, de pagãos que o rei da Assíria mandara trazer de outras
nações para ocupar o território de Israel. Em Esdras 4, os samaritanos
aparecem como estorvo para os judeus, que buscavam restabelecer a
si mesmos e ao seu templo na terra após o retorno do exílio.

Esse grupo não se identificava tanto com Samaria quanto com o


monte Gerizim, perto de Siquém, apontado por seus moradores como o
lugar que Deus havia escolhido para erguer seu santuário (ver Dt
12.5,11, 21,26; 14.24,25; 16.6; 17.8; 18.6; 262)? Eles acreditavam que
Israel se tornara apóstata depois que o santuário foi removido de
Siquém, na época de Eli, o sacerdote.

Os samaritanos rejeitavam a ideia de que Jerusalém fosse um lugar


especial nos planos de Deus, e a tensão crescente com respeito ao local
do santuário é evidente em João 4.20. Os samaritanos acreditavam no
Deus de Israel, reconheciam Moisés como seu profeta, o Pentateuco
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como sua revelação e aguardavam o dia em que ele enviaria o "profeta 55


como [Moisés]", conforme havia prometido (Dt 18.18). Não aceitavam
nem reconheciam como canônico outro escrito do AT além do
Pentateuco.

O sumo sacerdote e governante judaico João Hircano destruiu o


santuário de Samaria no monte Gerizim em 128 a.C., e as tensões
entre judeus e samaritanos chegaram ao limite no século I d.C. Os
samaritanos espalharam ossos no templo de Jerusalém durante a
Páscoa de 6/7 d.C., e em 52 d.C. massacraram um grupo de
peregrinos galileus que estava a caminho de Jerusalém (Josefo,
Antiguidades judaicas, 20.6.1; Guerras dos judeus, 2.12.3). Os judeus
evitavam passar por Samaria quando viajavam entre a Judeia e a
Galileia. A acusação dos judeus contra Jesus, segundo a qual ele era
samaritano e, portanto, possesso de demônios, é consistente com o
forte sentimento antissamaritano que motivara a destruição do
santuário. Alguns escritos judaicos da época (e.g., Eclesiástico,
50.25,26; Jubileus, 30.5-6; Testamento de Levi, 7.2)4 confirmam essa
hostilidade (Jo 4.7-9).

SUBSÍDIO ARQUEOLÓGICO
O TEMPLO SAMARITANO NO MONTE GERIZIM
A rivalidade entre samaritanos e judeus datava de muitos séculos. De
acordo com 2Reis 17, os samaritanos descendiam de povos da
Mesopotâmia estabelecidos à força na região norte de Israel, pelo rei da
Assíria, por ocasião do exílio de 722 a.C.2 Eles combinaram a
adoração de Yahweh com práticas idólatras. A construção de um
templo samaritano dedicado a Yahweh no monte Gerizim e o
estabelecimento de um sacerdócio hereditário rival datam do século IV
a.C. Josefo informa que o sumo sacerdote Manassés esteve a ponto de
ser expulso de Jerusalém por causa de sua esposa estrangeira,
Nicasis, filha do samaritano Sambalate. Sambalate, por sua vez,
prometeu preservar o sacerdócio de Manassés, indicá-lo como
governador de seu território e construir no monte Gerizim um templo
semelhante ao de Jerusalém, com a condição de que Manassés
permanecesse casado com sua filha (Josefo, Antiguidades judaicas,
11.8.2).

Os samaritanos, entretanto, consideravam- se descendentes fiéis de


Israel e viam os judeus como apóstatas. Eles aceitavam apenas o
Pentateuco como Escritura, numa versão em que o monte Gerizim é o
lugar escolhido para o santuário (Dt 11.29,30; cf. Jo 4.20).

A história em torno do local do templo no monte Gerizim é bastante


confusa:
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• Desde o tempo da construção do templo samaritano (geralmente 56


datado de 388 a.C.), Samaria funcionou como templo-Estado sob a
liderança de uma aristocracia sacerdotal própria.

• No período da dominação grega, o templo samaritano dedicado ao


Júpiter (Zeus) Hospitaleiro (2Mc 6.2).

• Depois do êxito dos macabeus na guerra, o templo samaritano foi


atacado e destruído pelo sacerdote-rei hasmoneu João Hircano, em
128 a.C. (Antiguidades judaicas, 13). Esse ato selou uma discórdia
permanente entre as duas comunidades e fundamenta em grande
parte a hostilidade entre judeus e samaritanos refletida no NT (v. 9).
• O imperador Adriano construiu ali outro templo dedicado a Zeus
(século II d.C.).
• O imperador cristão Justiniano construiu uma igreja no mesmo lugar
(séc. VI), mais tarde destruída pelos árabes (séc. VII).

Os arqueólogos descobriram as ruínas da igreja de Justiniano, do


templo de Adriano e do templo que João Hircano destruiu. As palavras
da mulher no poço refletiam a devoção dos samaritanos para com esse
local.

Os samaritanos, como os judeus, esperavam a vinda do Messias.


Reverenciavam Moisés como seu verdadeiro profeta e, baseados em
Deuteronômio 18, alimentavam a esperança de que um profeta
semelhante a ele surgiria para restaurar seu santuário. Essa
personagem messiânica era denominada o Restaurador. Um
documento samaritano, o MemarMarqah, embora escrito no século IV
d.C., contém tradições samaritanas mais antigas e declara: "Deixe o
Restaurador vir com segurança e oferecer um verdadeiro sacrifício. O
Restaurador virá em paz e revelará a verdade, purificará o mundo e
estabelecerá os líderes do povo como eram em outro tempo" (Memar
Marqah, 2.33,70, 180). A mulher samaritana expressa essa expectativa
ao declarar: "eu sei que o Messias [...] está para vir. Quando ele vier,
explicará tudo para nós" (v. 25). A resposta de Jesus é suave, como de
praxe: "Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você" (Jo 4. 26).

Conclusão
Destaco duas lições práticas da parábola do bom samaritano.
Primeira, não é suficiente conhecermos os ensinamentos das
Escrituras Sagrada e até mesmo de corar parte da Bíblia e citar de cor,
a exemplo do doutor da lei (Jo 10.25-28). Segunda lição, devemos nos
aproximar de Jesus não para testa-lo ou tentar justificar nossas ações,
e sim, para obtermos sua graça, seu perdão e aprendizado.
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Subsídio 9 57

Lição 9- O Perigo da Indiferença Espiritual


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos acerca da parábola dos Dois Filhos,
Registra unicamente em Mateus 21.28-32.

I- INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA
Lendo o texto: Mateus 21.28-32:
28 Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao
primeiro, disse: Filho vai trabalhar hoje na minha vinha.
29 Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se,
foi.
30 E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele,
disse: Eu vou, senhor; e não foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-
lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram
adiante de vós no reino de Deus.
32 Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os
publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos
arrependestes para o crer.

1. Um pai que tinha dois filhos (v. 28)


Os dois filhos representam as duas classes de pessoas em Israel: os
religiosos hipócritas e os publicanos e pecadores. Quando João
ministrou, as multidões religiosas mostraram grande interesse em seu
trabalho, mas se recusaram a arrepender-se, humilhar-se e ser
batizados (Mt 3.7-12; Jo 1:19-28). Os que não eram religiosos, no
entanto, confessaram seus pecados, obedeceram às palavras de João e
foram batizados.

a) A figura do pai
Ele não foi rude com seus filhos, nem os tratou com imposição.
Apenas solicitou que o ajudassem na administração da vinha. O pai se
destaca como alguém que deseja contar com seus filhos na
administração da sua vinha. Ele é o retrato do Pai Celestial, sempre
amoroso e pronto a dividir as responsabilidades pela sua vinha na
terra, a sua igreja.

A interpretação dessa parábola sugere um ensino para o


relacionamento dos crentes em Cristo com o Pai Celestial. É fato
consumado que somos filhos de Deus, e alcançamos esse direito filial
através de Jesus Cristo (Jo 1.12; Rm 8.14; G1 4.5).
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2. A vinha (v. 28b) 58


A vinha, obviamente, refere-se ao povo de Israel (SI 80.8-16; Is 5).
3. O primeiro filho (vv. 28,29)
O filho (criança) que primeiro disse Não quero, mas se arrependeu
mais tarde e foi descreve os publicanos e as meretrizes, que finalmente
aceitaram a mensagem de João. Muitos deles tornaram-se seguidores
de Jesus (Lc 15.1, 2).

Os coletores (os publicanos) de impostos e as meretrizes tinham-se


recusado a obedecer à vontade de Deus. Mas, quando ouviram a
mensagem de arrependimento, voltaram-se para Deus, em obediência.
Eram como o filho que disse: ―Não quero‖, mas que, mais tarde,
mudou de ideia e foi trabalhar na vinha. Eles eram como Zaqueu, que
disse a Jesus: ―Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus
bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro
vezes mais.‖ (Lc 19.8).

4. O segundo filho (v. 30)


O filho que disse Eu vou, mas não foi descreve os líderes religiosos que
primeiro deram uma aprovação mais ou menos incerta a João (Jo
5.35), mas nunca foram até o fim (Lc 7.29, 30). Assim os publicanos e
as meretrizes, aceitando a João, demonstraram a sua prontidão para
aceitação do reino de Deus messiânico.

5. João no caminho da justiça (v. 32)


"O caminho da justiça" significa um reto modo de vida (Pv 8.20; 12.28;
16.31), que era praticado por João e sua mensagem. O caminho da
justiça (2 Pe 2.21) descreve a pregação de João (conf. 22.16 "caminho
de Deus") em termos que faziam lembrar Noé (2 Pe 2.5), e
provavelmente se refere mais ao conteúdo de sua mensagem do que ao
seu comportamento pessoal.

II – A IMPORTÂNCIA DA OBEDIÊNCIA
A parábola que estudamos contém o ensino do Velho e Novo
Testamento: obedecer a Palavra de Deus, escutar a sua voz e fazer a
sua vontade. Como disse Samuel a Saul: ―Eis que o obedecer é melhor
que a gordura dos carneiros‖ (1 Sm 15.22), do mesmo modo Jesus
instrui seus discípulos: ―Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos
mando‖ (Jo 15.14). O próprio Jesus fala abertamente de sua
obediência a Deus, o Pai, dizendo: ―Porque eu desci do céu, não para
fazer a minha própria vontade; e, sim, a vontade daquele que me
enviou. E a vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum eu perca
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de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último 59


dia‖ (Jo 6.38,39). 10
1. A prática da obediência
Jesus ensinava enfaticamente que cumprir a vontade do seu Pai
celestial é uma condição prévia essencial para a entrada no reino dos
céus (cf. vv. 22-25; 19.16-26; 25.31-46). Isto, no entanto, não significa
que a pessoa pode ganhar ou merecer a salvação mediante seus
próprios esforços ou obras. Isto é verdadeiro pelas seguintes razões:

a) O perdão divino o homem obtém mediante a fé e o arrependimento,


concedidos pela graça de Deus e a morte vicária de Cristo por nós (ver
26.28 nota; Lc 15.11-32; 18.9-14).

b) A obediência à vontade de Deus, requerida por Cristo, é uma


condição básica conducente à salvação, mas Cristo também declara
ser ela uma dádiva ligada à salvação dentro do reino. Embora seja a
salvação uma dádiva de Deus, o crente deve buscá-la continuamente;
recebê-la e evidenciá-la mediante uma fé sincera e decidido esforço.
Esse fato é visto na Oração Dominical (6. 9-13) e nas muitas
exortações para que o crente mortifique o pecado e se apresente a
Deus como sacrifício vivo (cf. Rm 6. 1-23; 8. 1-17; 12.1,2).

c) O crente pode fazer a vontade de Deus e viver uma vida justa em


virtude dessa dádiva, isto é, a graça e o poder de Deus e a vida
espiritual que lhe são comunicados continuamente mediante Cristo.
As Escrituras declaram: Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso
não vem de vós; é dom de Deus... Porque somos feitura sua (Ef 2.8-
10).

d) Deus sempre torna possível a prática da obediência que Ele requer


de nós. Isto é atribuído à ação redentora de Deus. Porque Deus é o que
opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa
vontade (ver Fp 2.13 nota). Todavia, o dom da graça de Deus não
anula a responsabilidade nem a ação humanas. O crente deve
corresponder positivamente ao dom divino da obediência (Fp 2.12; Jd
20, 21,24; Ef 4.22-32), todavia ele é livre para rejeitar a graça de Deus,
para recusar aproximar-se de Deus por meio de Cristo (Hb 7.25), e
para recusar orar por uma vida de obediência e viver essa vida.

2. Alguns textos bíblicos sobre a obediência


a) A prioridade de nossa obediência
―Então Pedro e os demais apóstolos afirmaram: É mais importante
obedecer a Deus do que aos homens‖ (At 5.29 – NAA).

b) Os filhos em relação aos pais

10
Simon J. Kistemaker
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―Filhos, em tudo obedeçam a seus pais, pois fazer isso é agradável 60


diante do Senhor‖ (Cl 3.20 – NAA).
c) A Obediência à liderança espiritual
“Obedeçam aos seus líderes e sejam submissos a eles, pois zelam pela
alma de vocês, como quem deve prestar contas. Que eles possam fazer
isto com alegria e não gemendo; do contrário, isso não trará proveito
nenhum para vocês‖ (Hb 13.17 – NAA).

d) A obediência às autoridades
Que todos estejam sujeitos às autoridades superiores. Porque não há
autoridade que não proceda de Deus, e as autoridades que existem
foram por ele instituídas. Assim, aquele que se opõe à autoridade resiste
à ordenação de Deus, e os que resistem trarão sobre si mesmos
condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz
o bem, e sim quando se faz o mal. Você quer viver sem medo da
autoridade? Faça o bem e você terá louvor dela, pois a autoridade é
ministro de Deus para o seu bem. Mas, se você fizer o mal, então tenha
medo, porque não é sem motivo que a autoridade traz a espada; pois é
ministro de Deus, vingador, para castigar quem pratica o mal. Portanto,
é necessário que vocês se sujeitem à autoridade, não somente por causa
do temor da punição, mas também por dever de consciência. É por isso
também que vocês pagam impostos, porque as autoridades são
ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Paguem a
todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto,
imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra (Romanos
13.1-7 – NAA).

Conclusão
A parábola que estudamos hoje é marcada pela simplicidade e por ser
resumida nas conhecidas palavra de Tiago: ―Tornai-vos, pois,
praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós
mesmos‖ (1.22). Ela ensina que a pessoa que se recusa a fazer o que
lhe é pedido, mas que, mais tarde, muda de ideia e faz a tarefa, é
melhor que aquela que promete cuidar de suas obrigações, mas nunca
as realiza.
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Subsídio 10 61

Lição 10- Precisamos de Vigilância Espiritual


INTRODUÇÃO
Hoje estudaremos ―a parábola do servo fiel e do servo mau‖ (Leia:
Mateus 24.45-51; Lucas 12.41-46). Esta parábola se refere a um servo
que recebe a responsabilidade de administrar a casa, na ausência de
seu senhor. Se ele provar ser fiel e prudente, o senhor o recompensará
generosamente ao regressar. Mas, se for preguiçoso, indigno e
descuidado, o senhor voltará quando não estiver sendo esperado e lhe
infligirá severa punição.

I- O SERVO FIEL (Mt 24.45)


Nos tempos antigos era um costume comum que os senhores
deixassem um servo encarregado de todos os assuntos da família. O
servo, descrito como fiel e prudente, corresponde aos discípulos, aos
quais foi atribuída por Jesus uma responsabilidade sem precedentes.

1. Significado de servo fiel


Significa que o servo tem constância, perseverança; não pode desviar
da tarefa a sua atenção. Seu conhecimento se fundamenta na
sabedoria do Senhor, que se demora em sua viagem. Sua sabedoria
não é apenas teórica, mas também é prática. Esse tipo de sabedoria se
expressa em atividades e ensinos positivos, em ajuda positiva a outros,
em sua inquirição espiritual. Assim sendo, ele ensinará, buscará, crerá
e praticará a verdade, encorajando os demais a fazerem o mesmo.

2. Bem aventurança do servo fiel (Mt 24.46)


Bem-aventurado aquele servo... Esta palavra, bem-aventurado, com
seus cognatos, é usada cerca de cinquenta e cinco vezes no Novo
Testamento, sendo uma das palavras que o Novo Testamento
expandiu, para dar-lhe um sentido mais alto e mais significativo. Sua
raiz, no grego clássico original, significa grande, e também era usada
como sinônimo de rico; mas quase sempre visava à prosperidade
externa, e não a prosperidade espiritual.

Os filósofos gregos empregavam o vocábulo com o sentido de elemento


moral, e algumas vezes indicaram, por meio dele, aquela felicidade que
resulta da bondade interior de caráter. Alguns intérpretes acreditam
que ouso que Jesus fez aqui reflete mais as ideias e expressões
hebraicas como aquelas que se encontram em Sl 1.1; 32.1 e 112.1, e
que o termo hebraico ashrê ou ―quão feliz‖ indica a condição de
felicidade tencionada aqui. Pelo menos o Senhor Jesus elevou todo o
terreno da ―felicidade‖ para um ambiente espiritual. A verdadeira
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felicidade está associada à correta posição espiritual diante de Deus. 62


Esse mesmo termo é aplicado aos mortos que morrem no Senhor (Ap
14.13), e esse uso do vocábulo é intensamente instrutivo. Assim sendo,
o servo que se ocupa de coisas espirituais, tanto para seu próprio
benefício espiritual como para alimentar os seus conservos, é um
homem verdadeiramente feliz, pois em certa medida está participando
da vida de Deus.

3. Responsabilidades futuras ao servo fiel (Mt 24.47).


Este versículo reflete, bem definidamente, a crença que aparece em
várias porções do Novo Testamento, de que àqueles que forem fiéis em
seus deveres terrenos, receberão poderes especiais de governo, além de
outros altos privilégios, no reino de Cristo ou no estado eterno. Os
discípulos mostraram que tinham tal conhecimento ao indagarem
entre si quem seria o maior no reino de Deus e quando requereram
exaltadas posições, isto é, quando solicitaram o direito de se assentar
à direita ou à esquerda do rei Jesus, quando ele estivesse reinando. O
trecho de 1Co 6.2,3 reflete a mesma crença; ―Ou não sabeis que os
santos hão de julgar o mundo...? Não sabeis que havemos de julgar os
próprios anjos...?‖ A passagem de Ap 20.4 ensina as mesmas verdades
concernentes à participação do crente no reino milenar de Cristo.

II- O SERVO MAU (Mt 24.48-51)


1. Características do servo mau
a) Despreocupação
Ele está dizendo alguma coisa ―em seu coração‖, isto é, a si mesmo (Mt
24.48b). Ora, o que um homem diz a si mesmo é às vezes muito mais
importante do que o que ele diz publicamente. Ver Provérbios 23.7:
Mateus 9.3,21; Lucas 12.17; 15.17-19. Dentro dos recessos mais
íntimos de seu ser, porém, esse homem em particular está
conversando perversidade, irresponsabilidade. Somos lembrados de 1
Pedro 3.20 e 2 Pedro 3.4. Ele está dizendo: ―Vai transcorrer um tempo
muito longo antes que o senhor volte. Nesse meio tempo desfrutarei de
alguma diversão mundana.‖

b) Crueldade
Que homem sádico é esse servo. Ele começa a espancar os seus
conservos. O contexto explica a palavra: o homem mau não vai muito
longe, porque de repente, e quando menos esperava, o senhor volta (v.
50).

A parábola contém uma advertência especial para os crentes que têm


cargos de responsabilidade que dizem respeito ao cuidado dos outros,
mas que usam a sua posição para adquirir vantagens pessoais,
tentando ser senhores, em vez de servos, exercendo uma tirania sobre
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os que não os apoiam, e sendo indulgentes para com os que os 63


apoiam.
c) Leviandade no agir
E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os
ébrios (Mt 24.49).

O pastor Orlando Boyer 11, falando sobre o mau servo, faz as seguintes
observações.

O mau servo:
1) Não é descrente, nem é agnóstico; é, por profissão, um servo de
Jesus Cristo. E crente que se refere a Cristo como ―Meu Senhor‖;

2) Acredita na segunda vinda de Cristo. A sua falta não consiste em


negar a volta de Jesus, nem em dizer que é para ser considerada
figuradamente, mas em declarar: ―Meu Senhor demora-se‖, ou: ―Que
meu Senhor virá é certo, mas não é necessário preocuparmo-nos com
tal evento agora‖;

3) Não diz abertamente com a boca que o seu Senhor demora-se, mas
o diz ―no seu coração‖. Exteriormente, pretende crer na iminência da
vinda do Senhor, mas no coração diz: ―Não será por muito tempo,
talvez; não preciso preocupar-me sobre isso agora‖. Não é uma
negação declarada, mas uma negação na prática. O resultado na sua
vida é: ―Como imaginou na sua alma, assim é‖; ele passa a conformar-
se com o mundo.

2. A recompensa do servo mau (Mt 24.50,51)


O julgamento do senhor contra o seu mau será extremamente severo.
Ainda pior do que esse horrível castigo será o destino eterno do servo.
Ele será designado a um lugar onde haverá pranto e ranger de dentes
(referência ao lago de fogo – Mt 13.42; 22.13; 24.51; Ap Ap 20.15). O
julgamento futuro de Deus é tão certo quanto à volta de Jesus a terra.

A Bíblia ensina que a existência do homem não termina com a morte,


mas que continua para sempre, ou na presença de Deus, ou num
lugar de tormento. A respeito do estado dos perdidos, na outra vida,
devemos notar os seguintes fatos:

a) Jesus ensinou que há um lugar de castigo eterno para aqueles que


são condenados por rejeitarem a salvação (5.22, 29, 30; 10.28; 18.9;
23.15, 33; Mc 9.43, 45, 47; Lc 10.16, 12.5; 2 Ts 1.8,9). Trata-se da
terrível realidade do inferno, como o lugar onde o fogo nunca se apaga
(Mc 9.43); O fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos (25.41);
um lugar de pranto e ranger de dentes (13.42,50); um lugar onde os

11
Espada Cortante, Vol 1 - CPAD
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perdidos ficarão aprisionados nas trevas (22.13); e um lugar de 64


tormento e angústia e de separação do céu (Lc 16.23).

b) O ensino nas Epístolas é do mesmo teor. Fala de um julgamento


vindouro da parte de Deus. Da sua vingança sobre os que
desobedecem ao evangelho (2 Ts 1.5-9). Fala de uma separação da
presença e da glória do Senhor (2 Ts 1.9), e da destruição dos inimigos
de Deus (Fp 3.18,19; ver também Rm 9.22; 1 Co 16.22; Gl 1.9; Hb
10.27; Jd 7; 2 Pe 2.4; Ap 14.10; 19.20; 20.10, 14).

c) A Bíblia ensina que é inevitável o castigo dos malfeitores. O fato


predominante é a condenação, o sofrimento e a separação de Deus,
eternamente. O cristão sabe que essa doutrina não é agradável, nem
de fácil entendimento. Mesmo assim, ele deve submeter-se à
autoridade da Palavra de Deus e confiar na decisão e na justiça
divinas.

d) Devemos sempre ter em mente que Deus enviou seu Filho para
morrer por nós, para que ninguém pereça (Jo 3.16). É intenção e
desejo de Deus que ninguém vá para o inferno. Quem for para o
inferno é porque rejeitou a salvação provida por Deus (Rm 1.16; 2.10).
O fato e a realidade do inferno devem levar todo o povo de Deus a
aborrecer e repelir o pecado com toda veemência; a buscar
continuamente a salvação dos perdidos, e a advertir todos os homens
a respeito do futuro e justo juízo de Deus.

3. O destino dos perdidos


A Bíblia descreve um quadro terrível do destino dos perdidos.
a) Fala de "tribulação e angústia" (Rm 2.9), "pranto e ranger de dentes"
(Mt 22.13; 25.30), "eterna perdição" (2 Ts 1.9) e "fornalha de fogo" (Mt
13.42,50). ―Fala das ―cadeias da escuridão‖ (2 Pe 2.4), do ―tormento
eterno‖ (Mt 25.46), de um ―inferno‖ e de um ―fogo que nunca se apaga‖
(Mc 9.43), de um ardente lago de fogo e de enxofre‖ (19.20) e onde "a
fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso,
nem de dia nem de noite" (Ap 14.11). Realmente, "horrenda coisa é cair
nas mãos de Deus vivo" (Hb 10.31); "bom seria para esse homem se
não houvera nascido" (Mt 26.24; ver também Mt 10.28).

b) Os crentes do Novo Testamento tinham nítida consciência do


destino de quem vive no pecado. Por essa razão eles pregavam com
lágrimas (ver Mc 9.24; At 20.19 nota) e defendiam a Palavra infalível de
Deus e o evangelho da salvação contra todas as distorções e as falsas
doutrinas.

c) O sinistro fato do castigo eterno para os ímpios é a maior razão para


levar o evangelho a todo o mundo, e fazer o máximo possível para
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persuadir as pessoas a arrependerem-se e a aceitarem a Cristo antes 65


que seja tarde demais.

III- A INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA


O relato da parábola é idêntico nos Evangelhos de Mateus e Lucas,
exceto na escolha das palavras da narrativa. Por exemplo, o servo fiel e
prudente no Evangelho de Mateus é um mordomo fiel e prudente no
Evangelho de Lucas; embora Lucas se refira a ele como ―servo‖ no
restante da parábola. Mateus escreve que o servo mau passa a
espancar os seus companheiros, mas Lucas diz que ele passa a
espancar os criados e as criadas. Este servo terá seu lugar com os
hipócritas, de acordo com Mateus, e um lugar com os infiéis, segundo
Lucas.

Algumas outras pequenas diferenças podem, ainda, ser apontadas,


mas que importância tem? Naturalmente, o apóstolo Mateus, guiado
pelo Espírito Santo, se recordou de tudo que Jesus lhe havia dito (Jo
14.26). Lucas confiou nas informações que lhe foram dadas pelas
testemunhas oculares e pelos ministros da Palavra (Lc 1.2). Os dois
escritores foram inspirados pelo Espírito Santo, quando escreveram
seus Evangelhos, embora cada um reflita seu próprio estilo e
propósito. Como judeu, Mateus procurou trazer o evangelho aos
judeus seus contemporâneos. Lucas, helenista, escreveu seu
Evangelho para aqueles que, naqueles dias, falavam grego.

Ao usar o termo mordomo, no começo de sua parábola, Lucas quer


chamar a atenção para o chefe dos servos que é o responsável pela
casa de seu senhor, com seus criados e criadas. Ao usar a palavra
servo, em todo o restante da parábola, Lucas mostra, claramente, que
vê os responsáveis pela administração de modo muito semelhante ao
de Mateus. O uso de palavras diferentes, portanto, pode ser atribuído
ao estilo característico de cada escritor. Isso é especialmente verdade
com respeito ao uso da palavra hipócritas que ocorre mais
frequentemente no Evangelho de Mateus. Lucas, por outro lado, usa o
termo infiéis, que no contexto não difere em sentido da palavra usada
por Mateus, pois um hipócrita é, de fato, um infiel.

A parábola pretende chamar a atenção para a responsabilidade que


recebem os seguidores de Jesus. Alguns desses seguidores recebem
privilégios maiores que outros, mas são investidos de
responsabilidades, também maiores. Porque cada um tem o seu
próprio dever no serviço do Senhor; ninguém está excluído ou isento. A
parábola, na sequência de Mateus, serve de introdução à parábola das
dez virgens e à dos talentos. Para Jesus todos são responsáveis.

Jesus é representado pelo senhor da casa. Ele parte, com a promessa


de seu retorno. Na ausência de Jesus, seus seguidores recebem
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privilégios e responsabilidades. Se o crente for fiel e prudente no 66


desempenho de seus deveres, Jesus o recompensará abundantemente,
em sua volta. Mas, se for infiel e agir irresponsavelmente, a volta de
Jesus será para ele um acontecimento inesperado, do qual resultará
sua completa separação do povo de Deus e consequente punição.

Enquanto Mateus conclui a parábola com a expressão conhecida: ―ali


haverá choro e ranger de dentes‖ (Mt 24.51), Lucas termina a
sequência das três parábolas sobre a vigilância (o porteiro, o ladrão e o
servo fiel e prudente) com palavras conclusivas de Jesus, registradas
apenas por Lucas:

―Aquele servo, porem, que conheceu a vontade de seu senhor e não se


aprontou, nem fez segundo a sua vontade, será punido com muitos
açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez
coisas dignas de reprovação, levará poucos açoites. Mas àquele a quem
muito foi dado, muito será exigido; e àquele a quem muito se confia,
muito mais lhe pedirão‖ (Lc 12.47,48).

IV- O CHAMADO À VIGILÂNCIA


“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito
está pronto, mas a carne é fraca (Mt 26.41). Vigiai, pois, porque não
sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24.42).
1. Definindo o termo vigiai
Vigiai (gr. gregoreuo) é um imperativo presente e denota uma vigília
constante no tempo atual. Metaforicamente quer dizer dar estreita
atenção a, ser cauteloso, ativo. Ê como se o Senhor tivesse dito: ―Sedes
diferentes dos outros, que pertencem a este mundo. Não sejais tolos e
insensíveis‖.
A razão para a vigília constante, hoje, e não apenas no futuro, é que os
crentes dos dias atuais não sabem quando o Senhor virá buscá-los (Jo
14.3). Não haverá sinais específicos de aviso para eles. Nunca devem
presumir que Ele não poderá vir hoje (Mt 24. 44; Mc 13.33-37). A volta
de Cristo para buscar a igreja pode ocorrer a qualquer dia.

1. Estrita vigilância
As doutrinas referentes às coisas futuras, como a tribulação, o período
de sofrimento, a volta de Cristo para reinar, requerem uma estrita
vigilância. Não devemos ser insensatos e insensíveis como foram os
líderes religiosos da nação judaica, os quais nem ao menos
reconheceram o Messias e chegaram ao extremo de exigirem a sua
crucificação.

2. Recompensa para os servos vigilantes


A vigilância traz recompensa, especialmente se, durante a demora do
Senhor, servirmo-nos uns aos outros em amor. Deus não se esquecerá
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disso, e a glória espera aqueles que forem ―sábios‖ e ―fiéis‖ e 67


―vigilantes‖. O Senhor haverá de chegar finalmente, e, como é natural,
conforme ele mesmo avisou, virá inesperadamente (Leia: Mt 25.13; 1Co
15.58; Hb 6.10).
Conclusão
―A lição geral da parábola é esta: ―Sejam e permaneçam ativamente
leais ao Senhor, desempenhando prudente e alegremente a tarefa
designada por ele, no interesse daqueles que lhe são preciosos‖.
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Subsídio 11 68

Lição 11- Despertamos para a Vinda do Grande Rei


INTRODUÇÃO
Nesta oportunidade estudaremos uma parábola que envolvem dez
virgens e um noivo, a fim de nos ensinar valiosas lições sobre o Reino
dos Céus (Mt 25.1-13). A parábola das dez virgens é apresentada para
enfatizar a importância de estar preparado para a volta de Cristo a
qualquer momento — mesmo se ele demorar mais do que o esperado.
Pois quando ele voltar, não haverá uma segunda chance para os que
estiverem despreparados (Mt 25.11-12).

I- DEZ VIREGNS E UM NOIVO


―Portanto, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que pegaram suas
candeias e saíram para encontrar-se com o noivo” (Mt 25.1 – KJA).

1. O noivo em busca da noiva


―À meia-noite, ouviu-se um grito: „Eis que vem o noivo! Saí ao seu encontro!
(Mt 25.6 - KJA)‖.
Havia duas fases nos casamentos judaicos típicos da época de Cristo. Na
primeira, o noivo ia à casa da noiva e participava da cerimônia de entrega da
noiva. Na outra fase, o noivo voltava e a levava para um grande banquete em
sua casa. As virgens eram damas de honra e tinham o dever de preparar a
noiva para o encontro com o noivo.

―Essa parábola se refere a um casamento. Naquela época, no dia do


casamento, o noivo ia à casa da noiva para a cerimônia, então, os nubentes
e um grande número de convidados dirigia-se à casa do noivo, onde se
realizava uma festa, que geralmente durava uma semana inteira. As dez
virgens eram damas de honra que esperavam para juntar-se aos convidados,
a fim de participar da festa, mas, na parábola, devido à demora do noivo,
cinco delas ficaram sem óleo para as suas lâmpadas. Quando conseguiram
comprar o óleo necessário, já era tarde demais, não puderam unir-se aos
outros na festa. Isso significa que, quando Jesus voltar para levar o seu povo
para o céu deveremos estar prontos. A preparação espiritual não pode ser
comprada ou emprestada no último minuto. O nosso relacionamento com
Deus é pessoal e individual, pertence somente a cada um de nós (Bíblia de
Estudo Aplicação Pessoal – CPAD)‖.

2. Interpretações sobre o Noivo e as virgens (Mt 25.1)


1) A nação judaica daquela época.
2) A nação judaica no tempo futuro da segunda vinda de Cristo.
3) A igreja judaica restaurada, e neste caso, os convidados que
acompanharão o noivo serão os gentios, que também participarão das
bênçãos da vinda do noivo.
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4) Outros estudiosos dizem que o noivo é a igreja judaica restaurada, e que


69
os convidados são os gentios, que também serão beneficiados em face dá
volta do noivo.
5) A noiva, naturalmente, mui provavelmente é símbolo da igreja, neste caso;
todavia, ao mesmo tempo, os convidados, embora apareçam como entidades
separadas nessa parábola, devem representar os membros da igreja, bem
como aqueles que aparentemente tinham fé autêntica, mas não
verdadeiramente, porquanto não estavam esperando pelo noivo, pois essa
expectação, nesta parábola, é exposta como uma qualidade essencial dos
verdadeiros discípulos do reino, conforme também se vê na parábola do
servo bom e dos servos iníquos (Mat. 24.45-51).

O comentário bíblico Broadman, volume 8. 3ª edição da JUERP 12, afirma que


―Jesus é o noivo, as dez virgens são o povo (possivelmente, mas não
necessariamente a Igreja) que espera a sua volta‖.

3. As lâmpadas das virgens (Mt 25.1,3, 7,8 - ARC)


As lâmpadas eram tochas capazes de permanecer acesas ao ar livre, feitas
com longas varas, com trapos enrolados numa das pontas, embebidos em
azeite de oliva. Pequenas candeias de barro eram comumente usadas no
interior das residências.

a) O azeite (Mt 25.4)


Quando o azeite era consumido pelo fogo cortavam-se as pontas
chamuscadas dos trapos e adicionava-se mais óleo para um novo período
médio de iluminação de 15 minutos.

O azeite para a lâmpada não representa Espírito Santo, porque Ele não pode
ser vendido ou dividido entre as pessoas. Esse texto não se refere ao Espírito
Santo, e sim ao azeite, como em Gênesis 28.18; 2 Reis 4.1-6; Lucas 7.46;
16.6.

Divergência de opinião
A Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) publicou duas boas
bíblias de Estudos, mas que divergem sobre quem representa o azeite.
Embora o Azeite, geralmente seja símbolo do Espírito Santo nas Escrituras
(Zc. 4; Is. 61.1), Bíblia de Estudo Dake (CPAD/ATOS) afirma que o azeite
para a lâmpada não representa Espírito Santo, porque Ele não pode ser
vendido. Já a Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD) afirma que ―o azeite nesta
parábola representa no crente a presença permanente do Espírito Santo
[...]‖. O Comentário Bíblico Moody concorda com esta posição da bíblia de
Estudo Pentecostal, quando diz:
―O Espírito Santo é um dom gratuito, mas pode ser descrito por essa
metáfora (Mt 25.9; Is. 55.1). Cada pessoa deve obter seu próprio
fornecimento‖.

Ambas as bíblias a cima citada, também tem opiniões divergentes em relação


a quem representa as noivas. A bíblia de Estudos Pentecostal afirma que ―a
parábola das dez virgens refere-se aos crentes vivos antes da tribulação‖. Já

12
Junta de Educação Religiosa e Publicações da Convenção Batista Brasileira
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a Bíblia Deke (CPAD/ATOS) deixa claro que as virgens não representam os


70
crentes.

4. Quem representa as Virgens (Mt 25.2)


A lição bíblica da Escola Dominical classe de Adultos, 4° trimestre de 2018 -
CPAD deixa claro que as virgens prudentes ―simbolizam os crentes fieis,
sinceros, constantes e santos‖. Já as virgens loucas ―representam os crentes
mornos e nominais [...]‖. Em outras palavras: representam a igreja que será
arrebatada e a igreja que ficará no arrebatamento. A pergunta que não quer
calar é: Ora se as virgens representam os crentes preparados e os
despreparados, quem é a noiva que casou com o noivo da parábola?

Na linguagem escatológica, a Igreja é a noiva de Cristo porque está


comprometida com Ele (Ap 19.7; 21.9; 22.17). Ora já que a noiva representa
a igreja, logo as virgens não podem representar também a igreja (as cinco
virgens prudentes). O salmista fala das virgens como "companheiras" que
seguem a noiva (SI 45.14), isso mais uma vez reforça a ideia de que as
virgens não pode representar a igreja, uma vez que é a noiva que representa
a igreja.

Três correntes de interpretação:


a) A primeira, interpreta ―as virgens‖ como sendo ―um grupo especial‖ que
representa o ―remanescente judeu‖ que professar sua fé no Messias quando
ele voltar. Naturalmente, essa interpretação diz respeito aquele tempo
especial que acontecerá no período da Grande Tribulação.

b) A segunda interpretação refere-se às virgens que representa a Igreja como


um todo. Existem dois grupos distintos no seio da Igreja: o grupo das cinco
loucas e o das cinco prudentes. Dividem em duas metades, ou seja, 50%
representando as ―cinco loucas‖, e os outros 50% representando as ―cinco
prudentes‖. Ensinam que uma metade será salva (as prudentes), e a outra
metade (as loucas) será deixada. Uma metade subirá e a outra não subirá no
arrebatamento da Igreja. Usa-se como argumento o texto de Mateus 24.40-
42 que diz: ―Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o
outro; estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra‖.
Esse texto precede uma exortação de Cristo à sua Igreja que será tirada
antes que venha o grande dia da vinda pessoal e visível do Messias.
Portanto, a ideia de duas metades é incompatível com o ensino geral sobre o
arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16,17).

c) A terceira interpretação refere-se ao número dez que tem o sentido de


totalidade; por isso, as dez virgens representam os cristãos como um todo (a
Igreja) e cada cristão individualmente. Esta interpretação é a que ganha
maior aceitação no meio evangélico. As ―dez virgens‖ representam ―uma
totalidade‖, ou seja, a totalidade dos crentes em Cristo no mundo. Assim
como estas virgens aguardavam a chegada do esposo, assim, também, a
Igreja aguarda a vinda do Esposo.

No meio de interpretações conflitantes das parábolas, a nossa


responsabilidade pessoal é "vigiar", pois o ato de vigiar implica um
suprimento constante de azeite. No meio das densas trevas do mundo nossa
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lâmpada deve brilhar, e "quando o Espírito de Deus é dado, na vida


71
submissa ao Espírito e dominada por esse Espírito, há sempre o azeite que
produz a luz". A pergunta que cada coração deve responder é: "Estarei
pronto quando o Noivo vier‖?

II- AS BODAS DO CASAMENTO (Mt 25.10)


Sobre este ponto vejamos que nos ensina outra obra publicada pela Casa
Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), Parábolas de Jesus.
Advertências para os dias de hoje. 1ª edição de 2005. Autor: Elienai Cabral.

1. Onde será o lugar da celebração das Bodas?


Naturalmente, o lugar das Bodas será nas mansões celestiais, no céu, não
na terra (Ap 19.1,7; 21.9,10); nem será no período do milênio 11a terra. A
despeito da linguagem figurada que a Bíblia usa para ilustrar eventos
espirituais, esse lugar não é fictício. E real e verdadeiro, porque a Bíblia
assim o diz.

2. Quem é o esposo?
O esposo é Cristo (Ap 19.7) e a esposa é a Igreja neotestamentária (Ef 5.22-
32). Ele é chamado ―o Cordeiro de Deus‖, por causa do seu sacrifício no
Calvário, pela sua amada (Jo 1.29; 3.28,29).

3. Quem é a esposa?
A palavra ―esposa‖ refere-se, naturalmente, a uma mulher e, na Bíblia,
metaforicamente, pode significar ―nação, povo, gente, comunidade‖,
conforme o contexto da escritura que usa a palavra ―mulher‖. Portanto, o
contexto figurado escatológico, a ―esposa‖ do Cordeiro não é Israel, visto que
Israel o rejeitou em sua primeira vinda (Jo 1.11), por isso, através de uma
linguagem metafórica, Israel é denominada ―mulher rameira, adúltera, por
causa do seu pecado com os costumes das nações (Ap 18.9,10, 24)‖. A
verdadeira esposa é a Igreja gentia, lavada e purificada pelo sangue do
Cordeiro e preparada pelo Espírito Santo para ser a esposa do Cordeiro (2 Co
11.2; Ap 19.7).

4. Quem são os convidados das Bodas?


Os convidados do esposo para as Bodas (Ap 19.9) são os anjos que os
servirão. O remanescente judeu (os 144 mil) salvo na Grande Tribulação (Ap
14.1-4), o amigo do noivo que é o Espírito Santo e os santos do Antigo
Testamento ressuscitados na grande ressurreição que aparecem na
qualidade de amigos do esposo. Imagine os convidados do noivo que
encontraremos lá, tais como Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Elias, Davi
e tantos outros do Antigo Testamento.

5. A exclusividade das Bodas (Mt 25.10)


Diz o texto literalmente que após o esposo e a esposa entrarem com os seus
convidados no lugar da Grande Festa, identificado como ―Bodas do Cordeiro‖
(Ap 19.7-9), a porta da Casa do Rei será fechada. Na parábola, literalmente,
está escrito que ―fechou-se a porta‖ (Mt 25.10). Este é o tempo da graça de
Deus quando todos os crentes tem a oportunidade de se prepararem para
aquele Dia Festivo; porém, quando fechar-se a porta, não haverá uma
segunda oportunidade. Toda e qualquer justificativa será desconhecida
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perante o Senhor (Mt 25.11). A grande lição que aprendemos nesta parábola
72
é que devemos estar atentos para este Grande Dia da vinda do Esposo,
quando ninguém saberá a hora.

III- O SIGNIFICADO DA PARÁBOLA


A conclusão que Jesus dá à parábola é simples e direta: ―Vigiai, pois, porque
não sabeis o dia nem a hora.‖ Ele, evidentemente, se refere a si mesmo, e
nessa parábola ensina a respeito de seu próprio retorno. Ele é o noivo, é
aquele que vem. Repetidamente, durante seu ministério, ele fez referências
ao noivo. À questão sobre por que seus discípulos não jejuavam, Jesus
respondeu: ―Podem acaso estar tristes os convidados para o casamento,
enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado
o noivo, e nesses dias hão de jejuar‖ (Mt 9.15). Além disso, o final da
parábola das dez virgens é um claro eco do ensino de Jesus, registrado em
Mt 7.21-23).

―Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas
aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos, naquele dia,
hão de dizer-me: ―Senhor, Senhor‖! porventura não temos nós profetizado
em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não
fizemos muitos milagres? Então lhes ditei explicitamente-. Nunca vos
conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade‖.

O ensinamento óbvio é que Jesus exclui do reino dos céus todo aquele que
deixa de fazer a vontade de Deus, o Pai. No dia da volta de Jesus, eles podem
chamá-lo pelo nome e mostrar suas obras religiosas, mas porque não
fizeram a vontade do Pai não terão parte no reino. Como o noivo, na cultura
e nos dias de Jesus, podia vir a qualquer hora da noite, assim Jesus virá,
subitamente, no dia de sua volta.

Conclusão
A mensagem da parábola é simples: não espere, mas faça agora seus
preparativos para a vinda de Cristo. O Noivo está vindo. Nós não sabemos
quando, mas devemos estar seguros de estar prontos, agora.13

13
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento - CPAD
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Subsídio 12 73

Lição 12- Esperando, mas Trabalhando no Reino de


Deus
INTRODUÇÃO
A parábola dos talentos (Mateus 25.14-30) ensina que os servos do
Senhor devem ser fiéis, administrando pronta e eficientemente o que
lhes foi confiado, até ao dia do ajuste de contas. A parábola ensina
que, durante a ausência de Jesus, espera-se que seus seguidores
trabalhem diligentemente com os dons a eles confiados, pois serão
considerados responsáveis por eles, na ocasião de sua volta. 14

I- OS TALENTOS
―Porque isto é também como um homem que, partindo para fora terra,
chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco
talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua
capacidade, e ausentou-se logo para longe‖ (Mt 25.14,15).

1. Definindo talentos
A palavra talento, como a usamos hoje, se refere a um dom natural.
Assim, se uma pessoa possui talento artístico e é criativa, geralmente é
muito admirada. Mas, no Novo Testamento, talento se refere a uma
moeda de uso corrente na época, e representa determinado valor em
dinheiro.

Um talento correspondia à cerca de 35 quilos de prata pura, o


equivalente a 6.000 denários, o denário, como já vimos, era uma
moeda de prata e valia um dia de trabalho de um soldado romano.

Deus concede, aos cristãos, fé e capacidades espirituais para, em


primeiro lugar, compreenderem a pessoa e a obra do Seu Filho Jesus,
e, em seguida, para servirem no Reino: testemunhando, anunciando a
Salvação e cooperando com o Corpo de Cristo, a Igreja. Curiosamente,
o uso atual da expressão portuguesa ―talento‖, significando o conjunto
de dons, capacidades e habilidades de uma pessoa, originou-se com
base nessa parábola (Lc 19.13). Jesus não está ensinando que o
julgamento das pessoas em geral e dos cristãos em particular tem algo
a ver com o esforço pessoal e o pleno uso dos dons e capacidades, pois
o caminho da Salvação é bem diferente.

O uso dos talentos é apenas uma consequência natural na vida diária


de quem já foi contemplado, abraçou a fé em Jesus e agora vive a

14
Simon J. Kistemaker
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alegria da Salvação, mesmo em meio aos sofrimentos deste mundo. É 74


um julgamento semelhante àquele pronunciado contra o convidado
que comparece à festa eterna sem vestir-se da justificação (salvação)
em Cristo (22.12-14).15

2. “Banqueiros” e “Juros”
―Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu
viesse, receberia o meu com os juros (Mt 25.27)‖.

A palavra ―banqueiro‖ vem do grego trapeza (mesa), e ainda hoje é


comum ver essa palavra nas fachadas das instituições financeiras na
Grécia. Na época de Jesus, os ―banqueiros‖ eram pessoas que ficavam
sentadas atrás de pequenas mesas e trocavam dinheiro (Mt 21.12).
Outra palavra interessante é ―juro‖, que tinha o sentido de ―prole‖, ou
seja, os juros eram considerados ―filhotes‖ do principal emprestado ou
investido.

A lei do Antigo Testamento proibia os israelitas de cobrarem juros de


outros israelitas (Ex 22.25; Lv 25.35-37; Dt 23.19,20), uma lei que era
frequentemente desrespeitada (SI 15.5; Jr 15.10; Ez 18.8, 13, 17;
22.12), mas os juros poderiam ser cobrados de não israelitas (Dt
23.20).

3. A multiplicação dos talentos (Mt 25.20-23)


O primeiro servo investiu bem os cinco talentos, e logo havia dobrado a
quantia. Assim fez, também, o servo que recebera dois talentos. Aquele
a quem fora dado um talento, no entanto, teve medo de investir.

Os dons e talentos de Deus multiplicam-se quando os utilizamos, pois


transformam nossas vidas e ficamos preparados para receber ainda
mais da plenitude do Espírito Santo. O amor de Cristo em nós gera
mais amor, a fé mais fé, o caráter mais caráter de Deus nos crentes, e
a obediência à Palavra do Senhor produz uma fonte de virtudes que
influencia todo o ambiente (2Pe 1.3-7).

SUBSÍDIO EXEGÉTICO
Como essa Parábola dos talentos tem sido confundida com a das
Minas que Lucas nos concede (19.12-36), pode ser bom nesse ponto do
estudo analisarmos as duas. São semelhantes em alguns aspectos. Por
exemplo, ambas dizem respeito a um rico que parte para um país
distante e deixa uma quantia de dinheiro, a fim de que os seus servos
invistam para ele. Em ambas há a sua promessa de que, quando
voltar, ele agirá com os seus servos em função do uso que fizessem do
dinheiro que lhes fora confiado-recompensa para o fiel, punição para o
negligente. Mas parece que aqui termina a semelhança entre elas.

15
Bíblia King James Atualizada
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75
Essas são as diferenças importantes entre elas, quando as
caracterizamos diferentes uma da outra:

 Na Parábola dos talentos, Jesus falou com os seus enquanto


estava no monte das Oliveiras; em As Minas, ele fala com a
multidão em Jerico.

 Nos Talentos, está em foco a diferença de responsabilidade


sobre os negócios. Diferimos uns dos outros na quantidade de
dons recebidos. Em As Minas, todos somos igualmente
responsáveis. Os servos foram diferentes uns dos outros quanto
à diligência que demonstraram.

 Nos Talentos, os servos receberam uma quantidade diferente de


talentos, de acordo com a sua capacidade pessoal. Dois dos
servos usaram os talentos da mesma forma e, portanto, a sua
recompensa também foi igual. Em As Minas, foi-lhes dada a
mesma quantia, mas os servos usaram o dinheiro de forma
diferente e, portanto, a sua recompensa também foi diferente.
Ambas demonstram a suprema diferença entre o fiel e o infiel, a
recompensa da diligência e a condenação da improdutividade;
contudo, ambas consideram a responsabilidade de ambos os lados.
Um supre o que o outro omite.

II- INTERPRETANDO A PARÁBOLA


1. Os destinatários da parábola
A parábola dos talentos foi primeiramente endereçada aos discípulos
de Jesus. Eles eram os únicos a quem o evangelho tinha sido confiado;
a eles fora dito que pregassem o arrependimento e o perdão, em nome
de Cristo, a todas as nações, começando por Jerusalém (Lc 24.47).
Mas, o ensinamento da parábola não se limitava aos discípulos. O
autor da Epístola aos Hebreus advertiu explicitamente os cristãos de
seus dias, ao perguntar: ―como escaparemos nós, se negligenciarmos
tão grande salvação?‖ (Hb 2.3). E, através dos séculos, a parábola dos
talentos tem falado, e continua a falar, a todos os cristãos. Eles devem
ser o canal por onde a mensagem da Palavra de Deus flui para o
mundo que os cerca.

2. A simbologia da parábola
2.1 “[...] um homem... chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus
bens (Mt 25.14)‖.
O senhor rico a quem os servos se referiram como "Senhor" é "o Filho
do homem", o Senhor Jesus Cristo. Jesus nos entregou:
a) As verdades do evangelho (1Tm 6.20; 1Co 9.16,17; Jd 3;
b) Poder espiritual (Mt 1.8; Lc 10.19; 2Tm 1.14);
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c) Dons espirituais (1Co 12.4-11; Rm 12.6-8; 1Tm 4.14); 76


d) Dons ministeriais (Ef 4.11,12).

2.2 ―[...] um homem que, partindo para fora da terra [...] (Mt 25.14)‖.
A viagem a um país distante se refere à partida de Jesus para o céu,
após a sua ascensão.

2.3 ―[...] chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens (Mt


25.14)‖.
Os servos, ou cativos, ou escravos, eram em primeira instância os doze
discípulos a quem Jesus dirigiu a parábola, e também num sentido
mais amplo todos os nascidos de novo (Jo 3.1-7).

2.4 ―E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um


segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe (Mt 25.15)”.
Devemos entender que os talentos são os dons que Jesus recebeu para
os seus servos e lhes entregou. O senhor estar ausente de casa sugere
o fato de Cristo não mais estar visivelmente na terra, e a sua volta é
equivalente ao retorno prometido do Mestre.

2.5. O dia da prestação de contas (Mt 25.19-23)


As negociações empreendidas pelos servos durante a ausência de seu
senhor revelam o uso fiel que o povo do Senhor deveria fazer dos dons
espirituais e das oportunidades de servirem a ele. Os elogios que o
senhor fez aos servos, ao retornar, são os galardões que se pode
esperar do Julgamento de Cristo, quando as nossas obras, a seu
serviço, serão recompensadas.

2.6 ―Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e
ranger de dentes. (Mt 25.30)‖.

O servo inútil é aquele que não é fiel às tarefas que seu senhor lhe
confiou. Esse servo não receberá recompensa alguma (Mt 8.12;
13.42,50; 22.13). A condenação do servo que falhou em sua
responsabilidade é uma advertência contra o não uso, ou o uso
indevido, dos dons do céu.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Talento e habilidade
Talento e habilidade não significam a mesma coisa. O senhor na parábola
sabia a capacidade de negociação dos servos escolhidos e distribuiu os seus
talentos segundo esse critério. Os talentos são os dons espirituais do
Mestre; a habilidade são as nossas aptidões naturais e nossa personalidade.
Uma pessoa pode ter grandes habilidades naturais e, no entanto nenhum
dom espiritual. Contudo a habilidade natural, que é também um dos dons
de Deus, é necessária para que se possa receber os dons sobrenaturais. Não
há a intenção aqui de considerar o terceiro servo, dentro dessas
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considerações, só porque ele recebeu apenas um talento. Ele não tinha


77
condições de administrar mais do que isso. Dentre os grandes dons, para o
benefício e uso da Igreja, Paulo menciona "socorros", simplesmente
"socorros"; mas esse de forma alguma é inferior aos demais. Cada servo do
Senhor recebe tudo o que precisa, e pode usar, a fim de desempenhar o seu
trabalho para ele (1Co 12.4-30).

III - SERVO INÚTIL (Mt 25.26-30)


1. O pecado de fazer nada.
Aquele senhor descreve em três palavras o homem com o único talento:
―mau‖ porque defendeu-se falando contra seu senhor; ―negligente‖ porque
deixou de fazer sua obrigação; ―inútil‖ porque malbaratou sua oportunidade,
deixando inativo o dinheiro de seu senhor.

―Sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei; devias então
ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o
meu com juros‖. O senhor daquele servo não debateu acerca do que este
dissera de seu caráter; responde-lhe, fazendo-o condenar-se por sua própria
boca (2 Sm 1.16; Jo 15.6). Não são aceitas desculpas. Parece dizer-lhe: ―Se
sou um senhor duro e exigente, isto é mais um motivo para que se tivesse
empenhado em ganhar algo com o meu dinheiro; não precisava ser grande a
soma; se você era tímido para fazer comércio, poderia ter investido o dinheiro
num banco, produzido, assim, juros‖. Explica-se: aqueles por demais
tímidos para arriscar-se em aventuras corajosas em prol da causa de Cristo,
podem servi-lo por caminhos mais humildes e seguros. Nenhum cristão
precisa ver-se condenado à inatividade ou à inutilidade: há trabalho para
todos. Se alguém não tiver feito nada, ser-lhe-á perguntado se pelo menos
orou.

Há duas maneiras de pecar: fazendo coisas que não devíamos, e não


fazendo o que devíamos. O homem de um só talento pertencia à segunda
classe. Não se diz que ele desviou dinheiro de seu senhor, nem que o tenha
gasto em viver desregradamente; apenas que o negligenciava. Não vivia uma
vida escandalosamente imoral, mas, de modo infiel, desprezava as
oportunidades de serviço colocadas diante dele. Certo imperador romano
costumava exclamar: ―Perdi um dia!‖ se, ao final do mesmo, não pudesse
indicar nada de bom que tivesse feito pelo seu povo. Deixará um pagão os
cristãos envergonhados? Tiago escreve: ―Aquele, pois que sabe que deve fazer
o bem e não o faz, comete pecado‖ (Tg 4.17).

O cristão possui apenas aquilo que usa; e nisto o que tem se multiplica. O
lema dos negociantes - ―Dinheiro chama dinheiro‖ - funciona em negócios
espirituais: cinco talentos transformaram-se em dez, dois em quatro. Não há
melhor maneira de aumentar a nossa fé do que compartilhá-la com outras
pessoas, procurando fortalece-las. E o modo mais eficiente de multiplicar
uma bênção é passá-la adiante. Mesmo o testemunho sincero é investimento
que traz ricos dividendos à alma. As sementes empilhadas e armazenadas
podem sofrer ataque de traças e ratos, mas, lançadas nos sulcos do campo,
multiplicam-se em pão e mais sementes. Salomão afirmou: ―Alguns há que
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espalham, e ainda se lhes acrescenta mais; e outros que retêm mais do que é
78
justo, mas é para sua perda‖ (Pv 11.24).
2. Características do servo inútil (Mt 25)
Este servo que recebeu um talento era:
1) Ingrato (v. 18).
2) Erróneo em sua argumentação (vv. 18,24).
3) injusto (v. 18).
4 Acusador (v. 24).
5) Auto justificado (v. 24).
6) Medroso (v. 25).
7) Mau (v. 26).

3. Consequências para o servo inútil (Mt 25)


1) Repreendido (v. 26).
2) Julgado com as suas próprias palavras (v. 26).
3) Julgado pela sua falha na confiança depositada (v. 27).
4) Desprovido de seu talento (vv. 28,29).
5) Retirado e banido para sempre da presença de seu mestre (v. 20).

4. O pecado do servo inútil


O pecado deste servo foi àquele contra o qual Paulo advertiu Timóteo
(1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6), ou seja, não cumprir o serviço a ele confiado
por Deus e para o qual recebera talento. O serviço cristão acarreta
séria responsabilidade. Por exemplo: Ezequiel 33.7-9; Atos 20.26,27. O
servo, neste caso, tipifica aquele que, temeroso de enfrentá-lo,
negligencia o seu serviço, com prejuízo a si mesmo e à causa do
Mestre.

Conclusão
―O ensino básico da parábola dos talentos é que cada crente é dotado
de dons diferentes, quanto à sua habilidade, e que esses dons devem
ser postos a serviço da obra de Deus‖. No reino de Deus é esperado
que cada um empregue plenamente os dons que recebeu. No reino de
Deus não há lugar para zangões — apenas para as abelhas operárias!
(Simon J. Kistemaker).
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Subsídio 13 79

Lição 13- A Humildade e o Amor Desinteressado


INTRODUÇÃO
A parábola em estudo, registrada em Lucas 14.7-14 (Leia), traz à tona
o que ocorre comumente entre muitas pessoas, as quais desejam
ocupar os primeiros lugares entre os homens, a fim de receberem a
honra e a glória efêmera desta vida.

I- O CONTEXTO DA PARÁBOLA DOS PRIMEIROS


ASSENTOS (Lc 14.1-6)
Após o culto na sinagoga, aos sábados, os judeus costumavam ter uma
farta refeição, para a qual, muitas vezes, havia vários convidados. Um
dos principais dos fariseus convidara Jesus para um desses almoços,
com o propósito de armar-lhe uma cilada. Lá, bem na frente de Jesus,
estava um homem hidrópico. Jesus curaria o homem, no Sábado, ou
esperaria até à noite, quando o sábado terminasse?

1. Em um sábado, na casa de um líder fariseu


Jesus não perdia tempo em sua missão. Normalmente, no dia de
sábado, Ele estava em algum lugar, ou seja, numa sinagoga, ao ar
livre, ou na casa de alguém, levando sua mensagem. Na parábola em
análise, Ele atendera o convite de um fariseu cujo nome a Bíblia não
diz, mas era um conhecido e principal, no farisaísmo.

2. Em cena certo doente


Na casa do fariseu, muitos observavam, para ver as atitudes de Jesus,
a fim de encontrar nele alguma falta. Lucas 14.2 registra que ali estava
certo homem hidrópico‖. A hidropisia é o acúmulo anormal de líquidos
nos tecidos e nas cavidades do corpo, provocando inchaços. Ela pode
ser causada por desordens nos rins ou no coração, ou alguma outra
disfunção orgânica.

3. A grande pergunta de Jesus


Cristo, ao perceber o que se passava no coração dos convidados (fariseus e
doutores da lei), indagou: ―É lícito curar no sábado?‖ Todos ficaram mudos.
Jesus curou o doente e o despediu. Diante do silêncio deles, o Senhor ainda
lhes perguntou se, no sábado, não tiravam do poço o jumento ou o boi. Eles
nada responderam. Ele, então, expôs a hipocrisia daqueles homens, pois
davam mais valor aos animais do que à vida de seres humanos.

4. Sobre a cura no sábado


A lei de Deus proibia o trabalho no sétimo dia da semana (Ex 31.14-
17); em vista disto, os líderes religiosos não permitiam a realização de
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curas num sábado judeu, a menos que fosse comprovado que a vida 80
da pessoa estava em risco. Curar, argumentavam eles, era praticar
medicina, e eles tinham uma lei que dizia que uma pessoa não podia
praticar a sua profissão no sábado. Mas Jesus, como Senhor do
sábado, tinha autoridade para anular as tradições e regras dos
fariseus. Se tivesse esperado até o dia seguinte, Ele teria se submetido
aos fariseus e mostrado que as suas regras inventadas eram realmente
equivalentes à lei de Deus. Mas a lei de Deus para os sábados nunca
pretendeu deixar as pessoas em escravidão. Quando Jesus via uma
necessidade, Ele a atendia, independentemente do dia ou da hora.

II- A PREOCUPAÇÃO EM APARECER


Na época de Jesus, o costume judaico em um jantar era dispor os assentos
em forma de U com uma mesa baixa diante deles. Os convidados se
apoiariam no cotovelo esquerdo, e estariam sentados de acordo com a sua
posição social, sendo o lugar de honra o assento no centro do U. Quanto
mais distante do lugar de honra, menor o status. Se alguém se colocasse no
primeiro lugar e então chegasse outro convidado mais digno, lhe pediriam
que passasse para um lugar inferior. Mas a esta altura o único lugar vago
seria o derradeiro, no final da mesa.

1. O olhar observador de Jesus (Lc 14.7).


Ele reparou como os convidados escolhiam os primeiros assentos. Segundo
estudiosos dos costumes orientais, era comum a disputa por lugares o mais
próximo possível do anfitrião (o dono da casa). Os fariseus e escribas
gostavam disso (Mt 23.2,6; Mc 12.38,39). Hoje, ainda é assim. Nos
palanques políticos, muitos querem estar nas fotos junto ao candidato
principal; nas inaugurações, as pessoas desejam se destacar. Nas
reportagens, há sempre alguém que procura o melhor ângulo para aparecer
no vídeo. É a natureza humana, com suas vaidades. E nós, servos de Deus,
que lugares devemos buscar? Jesus nos repara! Certamente, o melhor é
buscarmos o lugar de servos, pois é o mais importante, glorioso, e o menos
procurado. Sigamos o exemplo de Jesus que ―Sendo em forma de Deus, não
teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se (despojou-se) a si
mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens‖ (Fp
2.6,7).

SUBSÍDIO HISTÓRICO
Festas e Banquetes
Os hebreus, como outros povos do antigo Oriente Médio, eram apaixonados
por festas sociais. Havia as festas a e aniversário (Gn 40.20; Jó 1.4; Mt
14.6), de casamento (Gn 29.22; Mt 22.2), de funeral (2Sm 3.35; Jr 16.7), ao
se colocar fundações (Pv 9.1-5), da vindima (Jz 9.27), da tosquia das ovelhas
(1Sm 25.2,36) e em outras ocasiões.

Num banquete, o vinho era obrigatório. Para um grande banquete,


costumava-se enviar um segundo convite, ainda no mesmo dia, ou então um
criado escoltava os convidados até a festa (ver também Lc 14.17). O anfitrião
providenciava roupas para os convidados, que eram usadas em sua honra,
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como símbolo de consideração a ele. Os convidados eram saudados pelo


81
anfitrião com um beijo (Lc 7.45), e os pés dos recém-chegados eram lavados
por causa das estradas empoeiradas (Gn 18.4; Jz 19.21; Lc 7.44). A cabeça
dos convidados era ungida (SI 23.5; Lc 7.46), e às vezes também a barba, os
pés e a roupa. A cabeça era enfeitada com grinaldas (Is 28.1). Os convidados
ficavam sentados de acordo com o grau de importância (1Sm 9.22; Lc 14.8),
as mãos eram lavadas (2Rs 3.11) e oferecidas orações para abençoar a
refeição (1Sm 9.13; Mt 15.35,36; Lc 22.17).

O banquete era servido sob a supervisão de um ―mestre de cerimônias‖,


normalmente um dos convidados cujas tarefas eram provar a comida e a
bebida e supervisionar os brindes e as diversões. Os convidados que eram
alvo de maior honra recebiam porções maiores ou melhores (Gn 43.34; 1Sm
9.23,24), e às vezes eram enviadas porções a amigos que não compareciam
ao banquete (2Sm 11.8; Ne 8.10). Normalmente, as refeições eram animadas
com música, cantos e danças (2Sm 19.35; Lc 15.25) ou com enigmas (Jz
14.12). Um grande banquete às vezes durava sete dias, mas os excessos na
comida e na bebida eram condenados pelos escritores sagrados (Ec
10.16,17; Is 5.11,12).

III. EXORTAÇÃO À HUMILDADE


1. Quando fores convidado (Lc 14.8).
Jesus olhou para os convivas e disse-lhes: ―Quando por alguém fores
convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar‖, a fim de que ―não
aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu; e, vindo o que te
convidou a ti e a ele, te diga: dá o lugar a este‖. O Senhor os alertou para o
fato de serem convidados e não tomarem a atitude de prudência, sabedoria e
humildade. Era como dissesse que colocassem um freio em seus impulsos
na busca do primeiro lugar, e, assim, evitariam a vergonha de serem
mandados para o último lugar, na festa. Graças a Deus que, para o
banquete da salvação, muitos estão convidados, pois Jesus disse: ―Vinde a
mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei‖ (Mt11. 29).

2. A honra ante a humildade (Lc 14.10).


Jesus ensinou que o convidado deve sentar-se no último lugar, a fim de que
o dono da festa, ao vê-lo, convide-o para o local de honra à mesa. Isso
contraria a natureza e o comportamento de muitas pessoas. Toda a
mensagem de Jesus contradiz os sentimentos carnais, inclinados à vaidade,
à ostentação. Até em certas igrejas, há irmãos que só se sentem satisfeitos
se ficarem em um lugar de destaque nas reuniões. Do contrário, se
aborrecem e há até os que vão embora. Isso não é atitude cristã. Paulo
ensina que devemos amar ―cordialmente uns aos outros com amor fraternal‖
(Rm 12.10).

IV- O CONTRASTE ENTRE A EXALTAÇÃO E A


HUMILDADE
Temos uma declaração magistral do Senhor Jesus: ―Porquanto, qual quer que
a si mesmo se exaltar, será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar,
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será exaltado‖. É, na verdade, uma sentença ditada por aquele que pode
82
exaltar e abater a quem deseja (1 Sm 2.7).

1. É melhor ser humilde.


Por causa do pecado, que passou a todos os homens, o ser humano possui a
tendência natural para a exaltação. Mas o cristão, agora, é nova criatura (2
Co 5.17). O velho comportamento 6 deixado para trás, da mesma forma que
o cego Bartimeu deixou à velha e suja capa com a qual esmolava. A Bíblia
nos ensina bastante sobre a vantagem de sermos humildes. Anotemos
algumas delas:

a) Os humildes são exaltados por Deus (Lc 14.11b).


A Bíblia tem exemplos maravilhosos de pessoas que foram humilhadas e,
depois, ocuparam lugares de destaque. José foi vendido; como escravo, pelos
irmãos, a estrangeiros. Depois, tornou-se governador do Egito e seus
familiares ajoelharam- se aos seus pés. Davi vivia no campo com as ovelhas,
mas, depois, foi feito por Deus rei de Israel.

b) Deus ouve o humilde (Sl 10.17).


Alguém disse que Deus nos escuta, pela oração, mas nos responde através
de nossa humildade. Muitos não são atendidos, por causa do orgulho que os
domina.

d) Deus dá graça aos humildes (1 Pe 5.5d).


É coisa boa ter a graça de Deus. É melhor que a vida (Sl 63.3).

d) Jesus ensina aos humildes (M t 11.29).


É maravilhoso ser aluno de
Jesus. Ele disse: ―... aprendei de mim, que sou manso e humilde decoração;
e encontrareis descanso para as vossas almas‖ (Mt 11.29,30). Se alguém
deseja fazer parte da escola do Senhor, precisa passar no vestibular da
humildade.

2. Às desvantagens da exaltação
A Bíblia nos mostra que só há desvantagens para os que optam pelo
comportamento exaltado ou soberbo.

a) O exaltado é humilhado (Lc 14.11)


Na parábola, Jesus advertiu para a vergonha causada, por se estar no
primeiro lugar e ser convidado, diante dos outros, a tomar o derradeiro. A
vida mostra experiências assim. Um jovem vivia a criticar os pregadores, e
anotava os erros de pronúncia, de concordância, etc, e dizia: ―Estes
pregadores não sabem falar. Se eu fosse pregar, faria melhor que eles‖. Um
dia, o pastor, sabedor do desejo do moço, concedeu-lhe a oportunidade para
dar uma palavra. O rapaz subiu ao púlpito, com um sorriso de exaltação.
Abriu a Bíblia, mas não encontrou o texto que desejava. Ficou suado,
nervoso, embaraçado. Pediu desculpas, e desceu cabisbaixo. Um velho irmão
chamou-o e disse: ―Se você tivesse subido como desceu (humilde), teria
descido como subiu‖. Foi uma grande lição. Os irmãos de José exaltaram-se
e, um dia, foram humilhados, ao suplicarem o favor daquele a quem
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venderam para o Egito. Há muitos exemplos na Bíblia, os quais mostram o


83
fim dos exaltados.

b) Deus resiste aos soberbos (1 Pe 5.5).


Pedro informa que o Senhor não abre espaço para os exaltados. Diante dele,
os soberbos não têm vez. Deus dá o pago a eles (Sl 94.2) e os conhece de
longe (Sl 139.6b). Faraó, no Egito, orgulhoso, não permitia que o povo de
Israel saísse do seu país. A mão de Deus tornou-se cada vez mais pesada
sobre ele, até que o cruel soberano desistiu de lutar contra o Senhor dos
Exércitos (Êx 12.29- 33). Saulo de Tarso experimentou a resistência de
Jesus no caminho de Damasco (At 9.4,5).

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
HUMILDADE
O termo aparece apenas uma vez na versão KJV em inglês (Cl 3.12), e
nenhuma vez na versão RSV em inglês, porém aparece 11 vezes na
versão ARC em português. A palavra gr. tapeinophrosyne é usada
outras seis vezes e traduzida na versão KJV em inglês como
―humildade‖ de pensamento (Fp 2.3; Ef 4.2), e como ―humildade‖ (At
20,19; Cl 2.18,23; 1 Pe 5.5). Várias versões o traduzem, de forma
geral, como ―humildade‘‘ (Fp 2.3; At 20.19; 1 Pe 5.5; Ef 4.2; Cl 2,
18,23)‖.

Uma característica cristã, resumida em Romanos 12.3: ―Porque...


digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber‖.
A humildade (gr. tapeinophrosyne, 1 Pe 5.5) é uma atitude mental de
inferioridade (Ef 4.2; Pp 2.3), o oposto do orgulho. É aquela graça
específica desenvolvida no cristão pelo Espírito de Deus, em que ele
sinceramente reconhece que tudo o que tem e é deve-se ao Deus Trino,
que opera de forma dinâmica a seu favor. Ele então se submete
voluntariamente à mão de Deus (Tg 4.6-10; 1 Pe 5.5-7). Assim, a
humildade não deve ser equiparada a um piedoso complexo de
inferioridade, Ela pode ser fingida pelos falsos mestres (Cl 2.18,23) por
meio de atos de auto-humilhação. Esta qualidade é louvada no AT (Pv
15.33; 18.12; 22.4). O termo heb. ‗anatva (de ‗anah, ―ser afligido‖)
sugere que a humildade de espírito é frequentemente o resultado da
aflição.

A vida de muitos reis de Judá e de Israel foram avaliadas de acordo


com esta característica (1 Rs 21.29; 2 Cr 32.26; 33.23; 34.27; 36.12).
Humilhar-se é o primeiro passo para o verdadeiro avivamento (2 Cr
7.14; Mq 6.8). O próprio Deus, que é sublime e grandioso, deleita-se
em habitar com aquele que tem um espírito contrito e humilde, a fim
de avivá-lo (Is 57,15). Jesus Cristo, como o supremo exemplo de
humildade (Mt 11.29), forneceu aos seus discípulos uma
demonstração visível de humildade ao lavar-lhes os pés (Jo 13.3-16).
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Uma importante passagem cristológica no NT (Fp 2.5-11) encontra seu 84


ponto-chave no cultivo desse traço de Jesus Cristo por parte do crente.

Conclusão
―O temor do SENHOR é instrução na sabedoria, e a humildade precede
a honra (Pv 15.33- NAA)‖. ―[...] peço que vocês vivam de maneira digna
da vocação a que foram chamados, com toda a humildade e mansidão,
com longanimidade, suportando uns aos outros em amor (Ef 4.1,2 –
NAA)‖.
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ARTIGOS PARA PROFESSORES E ALUNOS 85

ARTIGOS Bíblico-Teológicos

As Razões de Jesus Usar Parábolas


Leitura Bíblica: Mateus 13.10-17
10 E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por
parábolas?
11 Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do
reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;
12 Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem,
até aquilo que tem lhe será tirado.
13 Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não
ouvem nem compreendem.
14 E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não
compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis.
15 Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com
seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam
com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure.
16 Mas, bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos,
porque ouvem.
17 Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que
vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.

A resposta de Jesus concernente ao uso que Ele faz de parábolas sublinha a


contínua ênfase de Mateus no contraste entre os discípulos e as multidões. Jesus já
não está se dirigindo aos muitos, mas está falando só aos discípulos. Somente eles
têm permissão de ―conhecer os mistérios [mysteria] do Reino dos céus‖. Nos
Evangelhos a palavra mysterion ocorre apenas aqui e nas passagens paralelas em
Marcos 4.11 e Lucas 8.10. Paulo usa a palavra mysterion para indicar que a verdade
do Evangelho só vem por revelação (France, 1985, p. 221). Sem usar esta palavra,
Mateus fala de Jesus revelar coisas às criancinhas, coisas estas que estão
escondidas dos sábios (Mt 11.25-27).

O versículo 12 descreve a natureza paradoxal do Reino dos Céus: Aqueles que são
inclinados a seguir e obedecer Jesus recebem cada vez mais entendimento, ao
mesmo tempo em que os que estão fora do Reino, a despeito de sua desenvoltura,
recebem cada vez menos entendimento. A obediência, até certo ponto, precede o
entendimento.

A questão do livre-arbítrio e da predestinação surge nos versículos 11 e 12. No


versículo 11 Deus escolheu dar os segredos do Reino aos discípulos, e não aos
incrédulos. Marcos cita Isaías 6.9,10 para mostrar que Jesus falou em parábolas
―para que‖ (bina) alguns não entendam (Mc 4.12). Mateus 13.13 suaviza o ―para
que‖ de Marcos com ―porque‖ (hoti). Ele faz isso talvez para abrir espaço à livre
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rejeição de Jesus por parte das multidões e seus inimigos. Os leitores da atualidade
86
terão de aceitar que na literatura bíblica o assunto do livre-arbítrio e do determinismo
não está resolvido, e que os dois modelos filosóficos são usados e mantidos em
tensão dinâmica — e pelo mesmo autor (notavelmente Paulo).

Em Mateus 11.20-24 (a passagem sobre a rejeição de Jesus pelas cidades de


Corazim e Betsaida), Mateus endossa claramente o conceito do livre-arbítrio. Ele
também mantém a tensão entre a escolha soberana de Deus e a livre vontade
humana sem as solucionar. Ele apresenta o ―grande quadro‖ do grandioso desígnio
de Deus que será executado a despeito da rejeição humana e da responsabilidade
individual dos que persistem na ―incredulidade crônica‖ (para inteirar-se de mais
detalhes, veja Carson, 1984, pp. 308-310). Como logo veremos, Jesus tinha várias
razões para construir tais ambiguidades nas Suas abordagens públicas.

Embora todos os escritores sinóticos aludam à passagem de Isaías acerca de ver e


não estar vendo, e ouvir e não estar ouvindo (Is 6.9,10), Mateus caracteristicamente
adiciona sua fórmula favorita sobre cumprimento profético (Mt 13.14) e cita mais
extensivamente o profeta do que Marcos ou Lucas. Deus chamou Isaías para
profetizar aos habitantes de Judá, ainda que Ele soubesse que por causa da
insensibilidade dos corações eles não se arrependeriam. Para os discípulos Jesus
dá palavras de conforto dizendo-lhes que os profetas e os justos desejaram ver, mas
não viram, e ouvir, mas não ouviram, o que os olhos dos discípulos viram e os seus
ouvidos ouviram. As palavras de Simeão, que abençoou o menino Jesus no templo,
ecoam o sentimento: ―Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a
tua palavra, pois já os meus olhos viram a tua salvação" (Lc 2.29,30).

Outra razão que Jesus tem para ensinar em parábolas é que elas mantêm os
acusadores com a guarda aberta à medida que eles procuram algo de que o
condenar. Porém, em outras ocasiões Ele usou parábolas para comunicar-se
claramente com os inimigos, como na Parábola do Bom Samaritano, que era a
resposta à pergunta feita pelo doutor da lei: ―E quem é o meu próximo?‖ Mesmo
depois, os inimigos de Jesus entenderam as parábolas o bastante para saber que
Ele estava falando contra eles (Mc 12.12). Ele também usou parábolas para fazer
com que os ouvintes ―abaixassem a guarda‖ e repensassem a posição,
reavaliassem as prioridades e examinassem os corações.

Fonte: Comentário Bíblico Pentecostal - CPAD


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Jesus sempre falou por meio de parábolas, ou não? 87


Texto Bíblico: Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes
falava sem parábolas (Mateus 13.34).
PROBLEMA: Esse texto afirma categoricamente que "sem parábolas nada
[Jesus] lhes dizia". Contudo, Jesus proferiu todo o Sermão do Monte (Mt 5-7)
sem fazer uso de nem uma única parábola.
SOLUÇÃO: Há dois fatores a respeito desse ponto, que precisam ser
considerados: um explícito e outro implícito. Primeiro, Mateus 13:34 afirma
que Jesus falou essas coisas "às multidões", sendo que o Sermão do Monte
foi proferido para os seus "discípulos‖ (Mt 5:1-2; cf. Lc 6:20), muito embora as
multidões aparentemente o tenham ouvido também (cf. Mt 7:28). Além disso,
essa referência pode aplicar-se apenas ao que Jesus estava fazendo naquela
hora, e não a todas as ocasiões. O texto não diz que ele sempre, em todas as
ocasiões, somente falaria às multidões por parábolas. Contudo, essa
interpretação é possível, já que ternas apenas um registro limitado do que
Jesus falou (Jo 21.25).
GEISLER, Norman L.; HOWE, Thomas. Enciclopédia: Manual Popular de Dúvidas, Enigmas
e ―Contradições‖ da Bíblia. Tradução de Milton Azevedo Andrade. São Paulo: Mundo
Cristão, 1999
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O Cristianismo e as Grandes Transformações 88


O cristianismo transforma a vida do indivíduo. Em 1 Coríntios 6.9-10, Paulo
reúne uma lista do tipo mais terrível, desagradável e odioso de pecadores e
no versículo seguinte faz uma afirmação aterradora: "Tais fostes alguns de
vós." Como dizia Denney, nunca devemos esquecer que a função e o poder
de Cristo é converter os homens maus em bons. A transformação do
cristianismo começa na vida individual, porque por meio de Cristo, a vítima da
tentação pode vencê-la.
Há quatro grandes aspectos sociais nos quais o cristianismo transformou a
vida. Vejamos.
1. O cristianismo transformou a vida para as mulheres.
Em sua oração pela manhã o judeu agradecia a Deus por não tê-lo feito
nascer gentio, escravo ou mulher. Na civilização grega, a mulher levava uma
vida de reclusão total, na qual não tinha nada a fazer além das tarefas da
casa. Referindo-se ao menino ou jovem grego, J. K. Freeman escreve sobre
Atenas, até em sua época melhor; "Quando o moço voltava para sua casa,
não havia nenhum tipo de vida de lar. Seu pai quase nunca estava em casa.
Sua mãe era um ser sem importância que vivia nos quartos das mulheres. É
muito provável que a visse muito pouco."
Nas terras orientais com frequência era possível encontrar uma família que
estava viajando. O pai montado sobre um burro, a mãe andando a seu lado,
frequentemente com uma pesada carga sobre os ombros. Uma verdade
histórica demonstrável é que o cristianismo transformou a vida da mulher.
2. O cristianismo transformou a vida dos fracos e doentes
Na vida pagã, os fracos e os doentes eram considerados como algo
incômodo. Em Esparta, quando nascia um menino ele era examinado, se era
sadio tinha permissão de viver, se era fraco ou tinha algum defeito era
deixado para morrer na ladeira de uma montanha. O Dr. A. Rendle Short
assinala que o primeiro asilo para cegos foi fundado por Talasio, um monge
cristão. O primeiro dispensário gratuito foi fundado por Apolônio, um
comerciante cristão. O primeiro hospital do que se têm notícias foi fundado
por Fabíola, uma dama cristã. O cristianismo foi a primeira religião que se
interessou pelas coisas defeituosas que há na vida.
3. O cristianismo transformou a vida dos anciãos
O cristianismo transformou a vida dos anciãos. Assim como os fracos, os
anciãos eram um estorvo. Catão, o autor romano que escrevia sobre
agricultura, dá conselhos a qualquer um que pense ocupar-se de uma granja:
"Revisem seus pertences e celebrem uma venda. Vendam seu azeite, se o
preço for conveniente, e vendam o vinho e o grão que sobrarem. Vendam os
bois cansados, a fazenda com defeitos, as ovelhas que não são perfeitas, a
lã, as peles defeituosas, um carro velho, as ferramentas velhas, um escravo
velho, um escravo doente, e qualquer outra coisa que seja supérflua." Os
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anciãos, cujos dias de trabalho tinham terminado, só serviam para ser 89


descartados como trastes velhos.
O cristianismo foi a primeira religião que tomou os homens como pessoas e
não como instrumentos com uma determinada capacidade de trabalho.
4. O cristianismo transformou a vida para o menino
No contexto imediato do cristianismo, a relação matrimonial tinha degenerado
e o lar estava em perigo. O divórcio era algo tão comum que não era estranho
nem imperdoável que uma mulher tivesse a cada ano um marido novo. Em
semelhantes circunstâncias os meninos eram um desastre, e o costume de
limitar-se a deixar morrer os meninos era tragicamente comum. Existe uma
carta muito famosa que um tal Hilário, que tinha viajado a Alexandria, enviou a
sua mulher, Alis, que tinha ficado em casa. Escreve-lhe: "Se, com sorte, tens
um filho, se for varão deixa-o viver, se for uma mulher, atira-a." Na civilização
moderna, a vida se constrói quase ao redor do menino. Na antiguidade, o
menino tinha muitas probabilidades de morrer antes de começar sua
existência.
Conclusão
Qualquer pessoa que formula a pergunta: "O que tem feito o cristianismo pelo
mundo?" irá perder em um debate com um cristão. Não há na história nada
que se possa demonstrar em forma tão indiscutível como o poder
transformador do cristianismo e de Cristo na vida individual e na da
sociedade. Somente o cristianismo diz a verdade quando afirma que o seu
líder e o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, por meio Dele –
Jesus Cristo (Jo 14.6).

Adaptação: Site Subsídios EBD. Fonte: O Novo Testamento Comentado por William
Barclay. Tradução: Carlos Biagini.
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Como poderia Faraó estar livre, se Deus endureceu 90


o coração dele?
Leitura bíblica: Rm 9:17: Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto
mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu
nome seja anunciado em toda a terra.
QUESTAL LEVANTADA:
Deus disse a Faraó: "Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu
poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra" (Rm 9:17).
Em cumprimento disso, está escrito que Deus endureceu o coração de Faraó
(Êx 4.21; Êx 7.3). Mas se Deus levantou Faraó e ainda endureceu o coração
dele para realizar os seus propósitos divinos, então Faraó não está isento de
responsabilidade em relação às ações que praticou?
RESPOSTA APOLOGÉTICA
Primeiro, Deus em sua onisciência sabia de antemão exatamente como o
Faraó iria agir, e ele usou isso para realizar os seus propósitos. Deus
prescreveu os meios da ação livre, porém teimosa, de Faraó, bem como o fim
da libertação de Israel. Em Êxodo 3:19, Deus disse a Moisés: "Eu sei, porém,
que o rei do Egito não vos deixará ir se não for obrigado por mão forte". Faraó
rejeitou o pedido de Moisés e somente depois de dez pragas foi que
finalmente ele deixou o povo ir.
Segundo, é importante notar que Faraó primeiramente endureceu o seu
próprio coração. No início, quando Moisés aproximou-se de Faraó com vistas
à libertação dos israelitas (Êx 5:1), Faraó respondeu: "Quem é o Senhor para
que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem
tampouco deixarei ir a Israel" (Êx 5:2).
A passagem que Paulo cita (em Romanos 9:17) é Êxodo 9:16, a qual, no
contexto, refere-se à praga das úlceras, a sexta praga. Mas Faraó endurecera
o seu coração antes de Deus afirmar o que afirmou. Somente porque Deus
levantou Faraó, isso não quer dizer que Faraó não seja responsável por suas
ações.
Terceiro, Deus usa a injustiça dos homens para mostrar a sua glória. Deus
ainda considera Faraó responsável, mas no processo do endurecimento do
seu coração o Senhor usou Faraó para manifestar a sua grandeza e glória.
Deus às vezes faz uso de atos maus para obter bons resultados.
A história de José é um bom exemplo disso. José foi vendido por seus irmãos,
e mais tarde tornou-se o governante do Egito. Lá ele salvou muitas vidas
durante o tempo de fome.
Quando mais tarde ele se revelou aos seus irmãos e os perdoou, ele disse:
"Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em
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bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida " 91
(Gn 50:20). Deus pode usar atos perversos para manifestar a sua glória (veja
também o que é exposto sobre Êxodo 4:21).
MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia / Norman Geisler - Thomas Howe
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Jesus não cometeu um erro, quando se referiu ao 92


grão de mostarda como sendo a menor de todas as
sementes?
Texto Bíblico: E dizia: A que assemelharemos o reino de Deus? ou
com que parábola o representaremos? É como um grão de mostarda,
que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que
há na terra (Marcos 4.30,31).
PROBLEMA 1: Jesus disse que a semente de mostarda é "a menor de
todas as sementes". Contudo, hoje sabemos que a semente de
mostarda não é absolutamente a menor semente que existe. Alguns
acham que Jesus estaria falando da semente de mostarda preta. Porém,
ainda essa não é a menor de todas as sementes.
SOLUÇÃO 1: Jesus não estava se referindo a todas as sementes
existentes no mundo, mas apenas àquelas que os fazendeiros
palestinos de então semeavam em seus campos. Isso está claro pela
frase: "que um homem tomou e plantou no seu campo". E é um fato que
a semente de mostarda era a menor de todas as sementes que o
fazendeiro judeu do primeiro século semeava em seu campo. Assim,
não há contradição alguma entre a ciência e as Escrituras. O que Jesus
disse era literalmente verdadeiro no contexto em que ele falou.
PROBLEMA 2: Alguns dizem que um pé de mostarda não pode crescer
a ponto de poder aninhar pássaros, e muito menos chegar a se tornar
uma árvore.
SOLUÇÃO 2: Isso não é verdade, porque é comprovado que alguns pés
de mostarda crescem a ponto de se tornarem árvores com cerca de três
metros de altura. É certo que com esse tamanho uma árvore tenha
espaço suficiente para que aves se aninhem nela (Mt 13:32).

Fonte: GEISLER, Norman L.; HOWE, Thomas. Enciclopédia: Manual Popular de Dúvidas,
Enigmas e ―Contradições‖ da Bíblia. Tradução de Milton Azevedo Andrade. São Paulo:
Mundo Cristão, 1999.
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Professor desnecessário à igreja: o Leigo que é 93


desleixado
Não haverá uma nova safra de crentes se não houver uma nova classe de
professores da Escola Dominical! Não se pode imaginar um futuro para a
igreja sem educadores. Muitos acreditam que o professor da Escola Dominical
é dispensável. E de fato o é, mas de qual docente estamos falando?
Certos professores são dispensáveis, assim como certos pregadores também
o são. E claro que assim como não posso generalizar o último também não
devo fazê-lo em relação ao primeiro. A falácia de que os professores
dominicais são desnecessários à igreja é uma tentativa malsã de,
parafraseando Paulo Freire, "retirar a boniteza do sonho de ser professor de
tantos jovens cristãos nesse Brasil". Em um país que ideologicamente
aprendeu a escamotear e a desvalorizar o professor, não ignoro que muitos
líderes cristãos também desprezem esse importante e insubstituível ofício na
igreja. Nalgumas vezes, eles parecem ter razão.

Alguns docentes há muito deveriam ter pendurado a


batuta:
• Ainda continuam lendo integralmente a revista da Escola Dominical diante
da classe;
• Não usam qualquer tipo de método;
• São incapazes de comentar com profundidade teológica o tema da lição;
• Reclamam que o assunto é repetido, pois não sabem o que ensinar quando
o aluno sabe o que ele sabe;
Sim, esse é o perfil do professor desnecessário, substituível, que não
interessa à igreja. Tal ensinante é inútil à renovação da igreja.

Ele é:
• Monocultural, como afirma Luiza Cortesão,1 incapaz de abrir-se ao
novo, à renovação;
• Taciturno, perdeu a alegria de ensinar e, por pouco, não perde a
satisfação de viver.
• Incapaz de refletir a teologia, porquanto não compreende o contexto
epocal da teologia e, por isso, preserva uma linguagem antiquada sobre a
doutrina bíblica;
• Iludido, pensa estar cumprindo os propósitos do Reino de Deus. Na
verdade, ele se colocou na porta, da ED e não permite que ninguém mais
atravesse.
• Resistente, não admite qualquer mudança de paradigma na educação
cristã, embora ele mesmo não saiba explicar suas práticas de ensino-
aprendizagem.

Não resta dúvida, o professor desnecessário é aquele que perdeu o rumo, o


telos, o sentido da vocação, o sentido que move e dirige toda ação
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pedagógica: o amor, o respeito e a edificação do indivíduo. Ele se perdeu na 94


formação do ser e não reconstruiu-se no sendo. Ele não faz as perguntas:
"Por que ensino?", "Por que sou professor?", e quando as faz não encontra
respostas que o recoloque em direção ao telos. O máximo que encontra são
feixes de escusas emaranhadas que inebriam sua consciência incorrigível.
Todavia, professores renovados produzirão uma igreja viva e saudável.

O leigo-desleixado
Um dos tipos de professores desnecessários à igreja contemporânea é o
leigo-desleixado. Leigo, inicialmente, é aquele que não tem formação
pedagógica; depois, o professor que não é ordenado ministro. No âmbito da
educação cristã, temos milhares de professores valorosos nas igrejas
brasileiras que são leigos em ambos os sentidos. Eu mesmo iniciei a prática
da educação cristã como professor leigo. Tanto na educação cristã quanto
nos corredores da educação brasileira ver-se-á o leigo transitando e atuando
na educação. Da reforma pombalina2 ao final da Década da Educação, a
presença do professor leigo é incontestável.

A esta altura de nosso tema, posso correr o risco de


classificar alguns tipos de laicado:
a) leigo, em sentido próprio, isto é, não ordenado;

b) leigo, considerando o elemento prático, ou seja, sem qualificação ou


formação, mas que exerce uma função no lugar de um qualificado;

c) leigo-desleixado, o negligente, preguiçoso, descuidado.


Assim, não vejo qualquer problema em ser leigo em sentido próprio na igreja.
Eu mesmo iniciei o ministério de ensino como leigo durante muitos anos.
Contudo, existe uma diferença entre o leigo das categorias "a" e "b" com o da
categoria "c", o desleixado.
O primeiro não foi ordenado ao ministério, mas, potencialmente, é um
obreiro. Ele possui ou está em processo de formação e até mesmo de
ordenamento ou, mesmo que não seja assim, ele é qualificado para aquilo a
qual é responsável.
O segundo exerce uma função - no caso, a docência - mesmo sem estar
formalmente qualificado. Ele é, como afirma Martins, "professor prático
experimentado-leigo na docência".4 Essa classe de professor não possui a
teoria que deve embalar a formação, mas desenvolveu uma prática que o
"qualifica", pela experiência e conhecimento, ao exercício magisterial, mesmo
que limitado. Embora o leigo-prático não tenha a formação técnica ou
acadêmica, ele se preocupa com sua formação, fazendo aqui e ali cursos de
pequena duração para o exercício do magistério eclesiástico.

E fácil identificá-lo:
1) Sua presença é certa em seminários para professores da ED;
2) Sempre está presente nas reuniões de professores;
3) Busca capacitação adequada;
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4) Costuma variar os métodos em sala de aula, conforme a necessidade de 95


seus alunos;
5) Busca formação teológica em nível fundamental ou superior;
6) Reconhece suas limitações e, caso não tenha completado os estudos,
empenha-se em concluí-los para exercer o ministério mais eficientemente;
7) Não se aparta dos livros de teologia, didática e formação geral;
8) Tem em grande estima aqueles que, como ele, se dedicam ao ministério do
ensino;
9) Esforça-se para aprender e melhorar a si mesmo.

O terceiro, o leigo-desleixado, diferente dos anteriores, não tem qualquer


interesse em sua própria formação. Ele é fácil de identificar, pois, como o
próprio termo designa, é indolente, preguiçoso, relapso e não tem qualquer
interesse em ser um docente mais qualificado. Está mais interessado no título
e na ocupação, que lhe dão status na comunidade, do que preocupado em
exercer o magistério cristão com eficiência.

Ele:
(1) Falta constantemente aos seminários para professores;
(2) Dificilmente aparece nas reuniões de professores;
(3) Enfada aos alunos pela falta de método e didática;
(4) Não tem qualquer interesse em buscar formação teológica; na verdade,
ele é contra a teologia;
5) Jamais reconhece suas limitações e não tem qualquer interesse em
estudar ou concluir os estudos;
(6) Não lê qualquer manual didático, com exceção da Bíblia, a qual não ’
entende apropriadamente;
(7) Critica os professores que se dedicam ao magistério cristão porque
entende que o dom é suficiente para o desempenho do munus docendi;
(8) E desleixado com sua própria formação.
Essa categoria de professor é um estorvo para a formação do aluno e
crescimento da Escola Dominical. Todavia, será possível restaurar o sabor do
sal depois de insosso? Pergunta o Mestre dos mestres!

Divulgação: Subsídios EBD | Fonte: Ensinador Cristão, n° 76 – Artigo: Esdras Costa Bentho
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Introdução ao Estudo da Bíblia 96


A palavra "Bíblia" designa as Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos
reconhecidas e empregadas pelas igrejas cristãs. O judaísmo reconhece
apenas as Escrituras do AT. Outras religiões, tais como o budismo, o
hinduísmo, o zoroastrismo e o islamismo têm seus escritos sagrados.
Mas só existe uma Bíblia — incomparável, singular em relação a todas as
outras literaturas "sagradas", porque:
(1) é a revelação de Deus;
(2) é "inspirada por Deus" (2Tm 3.16), e inspirada num sentido diferente de
todas as outras literaturas;
(3) revela os planos e os propósitos de Deus para as eras passadas e para a
eternidade;
(4) centra-se no Deus encarnado em Jesus Cristo, o Salvador da humanidade
(Hb 1.1-2).

1. Significado do nome "Bíblia"


A palavra "Bíblia" vem do termo grego biblia ("livros"), forma diminutiva de
biblos ("livro"), denotando a parte interna da casca da cana do papiro (papel
da antiguidade) da qual eram feitos os livros antigos (rolos). Daniel 9.2 refere-
se aos escritos proféticos do AT como "os livros" (gr. ta biblia).

O prólogo de Eclesiástico (livro apócrifo de c.130 a.C.) chama os escritos do


AT à parte da Lei e dos Profetas de "os outros livros". O autor de 1Macabeus
(outro livro apócrifo) os designa como "os livros santos" (12.9). Essa
designação foi transmitida para a terminologia cristã (2Clemente 14.2) e por
volta do séc.V passou a ser aplicada às Escrituras como um todo. Jerônimo
(c.400 d.C.) chamou a Bíblia de Bibliotheca Divina.

Por volta do séc. XIII, "por um feliz solecismo, o plural neutro passou a ser
entendido como feminino singular, e 'os Livros' passou, de comum
acordo, a "O Livro" (biblia, sing.), em cuja forma a palavra entrou nas línguas
da Europa moderna" (Westcott, Bible in the Church, p.5). Essa evolução do
termo "a Bíblia" da concepção plural
para a singular tem se mostrado providencial, reforçando a unidade dos 39
livros do AT e dos 27 do NT.

2. Nomes que a Bíblia atribui a si mesma


O Senhor costumava referir-se aos livros do AT como "as Escrituras" (Mt
21.42; Mc 14.49; Jo 5.39). Seus seguidores fizeram o mesmo (Lc 24.32; At
18.24; Rm 15.4). Paulo referiu-se a elas como "as Sagradas Letras" (2Tm
3.15), "nas santas Escrituras " (Rm 1.2), "as palavras de Deus" (Rm 3.2,
ARC).
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Certa vez, Jesus se referiu a elas como "a Lei de Moisés, os Profetas e os 97
Salmos" (Lc 24.44), fazendo eco à organização formal em hebraico. O AT é
referido de forma mais breve como "a Lei e os Profetas" (cf. Mt 5.17; 11.13; At
13.15). Ainda mais sucinto, o termo "lei" compreende as outras divisões (Jo
10.34; 12.34; 15.25; 1Co 14.21).

A Bíblia não apresenta um nome para o conjunto completo das Escrituras. As


únicas Escrituras conhecidas na época eram as do AT e os livros mais antigos
do NT. Nesta última categoria, Pedro refere-se às epístolas de Paulo como
"Escrituras" (2Pe 3.16).

3. Os termos "Antigo Testamento" e "Novo Testamento"


Desde o fim do séc. 2°, os termos "Antigo Testamento" e "Novo Testamento"
têm sido empregados para diferenciar as Escrituras hebraicas das cristãs.

A coleção formal de escritos cristãos feita na segunda metade do séc. 2°. Foi
chamada Novo Testamento. Essa coleção foi colocada junto aos livros
canónicos hebreus, em condições de igualdade quanto à inspiração e
autoridade. As Escrituras hebraicas foram então denominadas Antigo
Testamento. Tertuliano, antigo pai latino (c.200), foi o primeiro a empregar o
nome Novum Testamentum. A partir de então, o termo passou a ter uso
corrente, cristalizando-se o conceito de uma Bíblia cristã.

Aplicados às Escrituras, os termos Antigo Testamento e Novo Testamento


têm o significado estrito de Antiga Aliança e Nova Aliança. A Aliança (hebr.
berith; gr. diatheké) é uma continuação da designação do AT para a lei
mosaica, o livro da aliança (2Rs 23.2). Nesse sentido, Paulo fala em ler a
"antiga aliança" (2.Co 3.14).

Assim também, o NT emprega diatheke não no sentido de testamento ou


legado (exceto em Hb 9.16-17), como no grego clássico, mas de aliança. A
conotação mais antiga, porém, ficou muito fixada para ser mudada. É
importante notar que, mesmo dentro do NT, muitos dos eventos registrados
(e.g., a maior parte dos quatro Evangelhos) ocorreram sob a Antiga Aliança. É
só depois da morte de Cristo, seguida do rasgamento do véu que separava o
Lugar Santo do Lugar Santíssimo (Mt 27.51), que termina a era da lei e, de
fato, começa o novo testamento (aliança).

4. As línguas da Bíblia
O AT foi escrito quase totalmente em hebraico, um dialeto semítico da família
do fenício e do ugarítico. Nele, os únicos trechos escritos em aramaico, outra
língua semítica da família do hebraico, foram Ed 4.8 - 6.18; 7.12-16; Dn 2.4 -
7.28 e Jr 10.11. O NT foi todo escrito em grego. A arqueologia demonstra que
essa era a língua cotidiana (koinê) do mundo greco-romano da época.

5. A ordem dos livros no Antigo Testamento hebraico


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Os livros canónicos numa Bíblia hebraica de hoje são 24, sendo divididos em 98
três partes — a Lei (Torah), os Profetas (Nebhiim) e os Escritos (Ketubim),
também denominadas "os Salmos" (Lc 24.44). Essa divisão é antiga, sendo
claramente implícita no prólogo do livro apócrifo de Eclesiástico (c.180 a.C.),
conhecida por Fílon e mencionada pelo Senhor (Lc 24.22). A classificação,
porém, sofreu algumas mudanças visíveis,
com livros passando da segunda para a terceira divisão nos primeiros
séculos cristãos.

A forma que nos chegou do período massorético (c.600-900 d.C.) é a


seguinte:

1. A Lei (Torah), 5 livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio

2. Os Profetas (Nebhiim), 8 livros:


 Profetas Anteriores, 4 livros: Josué, Juizes, Samuel, Reis;
Profetas
 Posteriores, 4 livros: Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze

3. Os Escritos, 11 livros:
Livros Poéticos, 3 livros: Salmos, Provérbios, Jó;
os Rolos (Megilloth), 5 livros: Cantares de Salomão, Rute,
Lamentações, Eclesiastes, Ester;
Livros Profético-Históricos, 3 livros: Daniel, Esdras—Neemias, Crônicas.

Josefo, expressando a opinião judaica corrente no séc. 1a d.C., reconhece 22


livros (5 da Lei, 13 dos Profetas, 4 dos Escritos), em vez dos 24 posteriores.
Nos livros da Lei, é claro, ele incluía Génesis, Êxodo,
Levítico, Números e Deuteronômio. Josefo incluía entre os 13 livros dos
Profetas todas as Escrituras históricas e proféticas, contando como um livro
cada um dos seguintes conjuntos: Juízes - Rute, 1 - 2Samuel, 1 - 2Reis, 1 -
2Crônicas, Esdras - Neemias, Jeremias - Lamentações e os Doze Profetas
Menores (total de 7 livros). Josefo também incluía Josué, Isaías, Jeremias,
Ezequiel, Jó e Ester entre os Profetas. Nos Escritos ele colocava Salmos,
Provérbios, Cantares e Eclesiastes.

Os 22 livros de Josefo eram, portanto, só os do cânon hebraico (sem incluir


nenhum apócrifo). A divisão em 22 livros (número de letras do alfabeto
hebraico) representa, ao que parece, uma divisão mais antiga que a rabínica,
em 24 livros, que nos foi transmitida pelas Bíblias hebraicas modernas. Melito
de Sardes (c.170 d.C.), Orígenes (c.250) e
Jerônimo (c.400), seguindo autoridades judaicas, confirmam a divisão em 22
livros, registrada por Josefo, com alguma diferença de enumeração. Jerônimo
também estava familiarizado com a divisão rabínica de 24 livros, obtida pela
separação de Rute e Juizes e de Lamentações e Jeremias.

6. A inspiração da Bíblia
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99
Por inspiração entende-se a influência de Deus sobre os autores humanos
das Escrituras, de modo que as palavras e pensamentos por eles registrados
nos autógrafos originais fossem isentos de erros (cf. 2Tm 3.16; Jo 10.35; 2Pe
1.19-21). Essa inspiração cobre apenas os escritos originais, embora um alto
grau de precisão no texto transmitido não seja apenas algo que se espera,
caso Deus esteja dirigindo o processo, mas também um fato demonstrado
pela crítica textual. A exclusão de quaisquer erros de cópia que possam ter se
infiltrado no texto transmitido é uma atividade que pertence ao domínio da
baixa crítica, sendo um esforço legítimo de estudiosos consagrados.

A inspiração divina faz com que a Bíblia seja a Palavra de Deus, de forma
sem igual, e não apenas um livro que contenha a Palavra de Deus, sendo
essa a diferença que a distingue de outros livros sagrados ou seculares. É
uma revelação inspirada do plano e dos propósitos redentores de Deus em
Cristo por amor dos homens, e não uma revelação da ciência natural ou um
livro de história secular. As supostas discrepâncias científicas devem-se ou a
teorias científicas equivocadas ou a interpretações inadequadas das formas
de pensamento da Bíblia.

Os supostos erros históricos podem ser causados por fatores como tradição
textual falha, ou interpretação inexata de provas históricas ou arqueológicas,
ou do próprio texto bíblico.

7. A autoridade da Bíblia
A autoridade reside na Palavra inspirada de Deus (a Bíblia), interpretada pelo
Espírito de Deus, operada por meio de agentes humanos orientados pelo
Espírito. O protestantismo ortodoxo difere do catolicismo por não defender
nenhuma outra autoridade, exceto as Escrituras canónicas, como a voz do
Espírito Santo.

Durante a Idade Média, a Igreja de Roma concentrou em si mesma toda a


autoridade por meio do episcopado, pressupondo que o magisterium detinha
a chave da interpretação das Escrituras e das leis divinas. Esse movimento
culminou no decreto da infalibilidade papal de 1870, que sustenta que "o
romano pontífice, quando fala ex cathedra, é dotado daquela infalibilidade
com que o divino Redentor quis que sua Igreja estivesse equipada, definindo
uma doutrina concernente à fé e aos costumes".

Correntes neo-ortodoxas e liberais do protestantismo negam a inerrância e a


infalibilidade das Escrituras e, assim, sua autoridade final, substituindo-a por
alguma autoridade interna, tal como sentimento, consciência, experiência,
"Cristo falando por meio do Espírito Santo" etc.

8. Cristo, o tema unificador da Bíblia


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Embora a Bíblia seja formada de 66 livros (39 no AT e 27 no NT), ainda é um 100


livro. O tema unificador das Escrituras é Cristo. O AT faz a preparação para
ele e o prediz, por tipos e por profecias. Os evangelhos o apresentam de
modo redentor, em manifestação divina e humana. Atos
retrata Cristo sendo proclamado e seu evangelho sendo propagado no
mundo. As epístolas expõem sua obra redentora. Apocalipse o revela como a
consumação de todos os planos e propósitos de Deus. Da descendência da
mulher (Gn 3.15), prometido no paraíso perdido, ao "Alfa e ômega" (Ap 22.13)
concretizado na reconquista do paraíso, ele é "o primeiro e o último", "o
princípio e o fim" nos planos revelados de Deus para o homem.

9. O propósito da Bíblia
A Bíblia foi dada para testemunhar de um Deus Criador e Sustentador do
universo, por meio de Cristo, Redentor dos pecadores. Ela apresenta uma
história contínua — a da redenção humana. Essa história é um desvendar
progressivo da verdade central da Bíblia de que Deus, em seu conselho
eterno, se encarnaria em Jesus Cristo para a redenção do homem perdido.

O desvendamento dessa verdade central da redenção é feito por meio da


história, profecias, tipos e símbolos. Essa revelação da redenção humana
mediante Cristo orienta o homem no contexto maior dos planos de Deus para
ele ao longo dos séculos, bem como o propósito divino para ele na
eternidade.
Divulgação: www.escolabiblicaecb.com.br | Fonte: Manual Bíblico Unger.1ª Edição
de 2006 – Ed. Vida Nova
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O Pesquisador Bíblico 101

O bom estudioso da Bíblia, a fim de que faça suas pesquisas, quer para
estudos, quer para elaboração de sermões, quer para escrever livros, deve ter
em mente as seguintes verdades.

I - Precisa saber o que vai pesquisar


Tenha em mente o assunto que deseja obter o máximo de informação.

II - Ter onde pesquisar


Obs. Tenha uma grande biblioteca organizada por assunto.
Exemplo.
1) Comentários Bíblicos
2) Dicionários Bíblicos/ Teológicos
3) Enciclopédias Bíblicas
4) Manuais Teológicos
5) Bíblias de Estudos
6) Concordâncias Exaustivas da Bíblia
7) Livros sobre teologia sistemática
8) Livros sobre Teologia do Antigo e do Novo Testamento
9) Livros sobre os mais variados assuntos Bíblicos-Teológicos

III - Saber como iniciar a pesquisa


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Após saber o que você deseja pesquisar, comece a ler em cada uma das 102
suas fontes (os livros de sua biblioteca) a fim de obter o máximo de detalhes
sobre o assunto para o qual deseja informações.

IV - Ter coragem e tempo para pesquisar


Inicie esta etapa e termina com oração.

V - Tenha o grande segredo para a produtividade das suas


pesquisas!
O segredo é você investir em uma biblioteca digital. Monte em seu
computador usado livros em PDF e no formato Word.

Mãos a obra!
Não seja um pesquisador sufista; seja sim, um pesquisador mergulhador!

O sufista é superficial. O Mergulhador vai além da superfície.

Ev. Jair Alves


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Os Dez Mandamentos das Relações Humanas 103


I - FALE com as pessoas. Nada há tão agradável e animado quanto uma
palavra de saudação, particularmente hoje em dia quando precisamos mais
de "sorrisos amáveis".
II - SORRIA para as pessoas. Sorrir traz benefícios para todos nós. A Bíblia
diz: "Um coração feliz é tão bom quanto um remédio, mas um espírito abatido
corrói os ossos." Sorrir não só melhora o nosso estado de humor e melhora o
nosso relacionamento com os outros.
Existem inúmeros benefícios produzidos pelo sorriso como: redução do
estresse, ajuda a combater infecções ao fortalecer o sistema imunológico,
aumenta a atividade das células responsáveis pela destruição de tumores
(células malignas), e alivia a dor.
III- CHAME as pessoas pelo nome. A música mais suave para muitos ainda é
ouvir o seu próprio nome. pronunciar o nome da pessoa desperta um grande
interesse na conversa e faz com que ela preste atenção a qualquer
declaração que você faça a seguir. Se você está num restaurante, num banco
ou em qualquer estabelecimento comercial, experimente tratar a pessoa que
lhe atende pelo nome e verá como será melhor atendido.
IV - SEJA amigo prestativo. Se você quiser ter amigos, seja amigo. Ter um
amigo ou ser amigo de alguém é algo muito importante na vida. Uma pessoa
que não tem amigos pode se sentir sozinha. Porém precisamos ter cuidado
para não exagerar nas nossas amizades cobrando demais do outro, indo a
sua casa com muita frequência, ou exigindo atenção excessivamente.
V - SEJA cordial. Fale e aja com toda a sinceridade! Tudo o que você fizer,
faça-o com todo o prazer. se você agir de modo hostil ou se sentir hostil, você
verá refletida essa hostilidade na pessoa do outro. Quando você grita com a
outra pessoa, praticamente ela se vê obrigada a responder gritando. Se você
age com calma e não pela emoção, a ira dessa pessoa será desviada antes
de aparecer.
VI - INTERESSE-SE sinceramente pelos outros. Lembre-se de que você sabe
o que sabe, porém você não sabe o que os outros sabem. Seja sinceramente
interessado pelos outros.
VII - SEJA generoso ao elogiar, cauteloso ao criticar. Os líderes elogiam.
Sabem encorajar, dar confiança, e elevar os outros.
VIII - SAIBA considerar os sentimentos dos outros. Existem três lados numa
controvérsia: o seu, o da outra pessoa, e o lado de quem está certo.
IX - PREOCUPE-SE com a opinião dos outros. Evite travar uma batalha com
as outras pessoas obrigando-as a concordar com você.
X - PROCURE apresentar um excelente serviço. O que realmente vale em
nossa vida é aquilo que fazemos para os outros. ("Exercícios Práticos de
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Dinâmica de Grupo e de Relações Humanas", 4º volume, 3ª edição, página 7 - 104


Silvino José Fritzen.)
Um bom relacionamento depende das nossas atitudes. A boa notícia é que
podemos aprender boas atitudes e conquistarmos as pessoas melhorando
assim a nossa convivência com elas.
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Referências Bibliográficas 105

- BAXTER, J. Sidlow. Examinai as Escrituras. Editora Vida


- Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
- Bíblia de Estudo Arqueológica – Vida
- Bíblia de Estudo KJA
- Bíblia de Estudo MacArthur - SBB
- BÍCEGO, Valdir. Manual de Evangelismo. Aprendendo a Ganhar Almas
para Cristo. 17ª edição de 2007, CPAD
- BOYER, Orlando. Espada Cortante. Vol. 1 – 8ª edição de 2009 - CPAD
- CABRAL. Elienai. Parábolas de Jesus. Advertências para os dias de
hoje. 1ª edição de 2005, CPAD
- CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por
versículo. 1ª edição de 2002. Vol 1- Editora Hagnos.
- DAVIS, John. Dicionário da Bíblia. 16ª edição. JUERP
- Dicionário Bíblico Wycliffe - CPAD
- KISTEMAKER, Simon J. As Parábola de Jesus. 1ª Edição de 1992,
Casa Editora Presbiteriana
- Lições Bíblicas CPAD, Jovens, 4º Trimestre de 2015
- Lições Bíblicas Jovens e Adultos, 4° trimestre de 1994 – CPAD
- LOCKYER, Herbert. Todas as parábolas da Bíblia. 1999, Editora Vida
- LUCADO, Max. Aliviando a Bagagem.1995, CPAD
- LUND. E. / NELSON. P. C. Hermenêutica: Regras de interpretação Das
sagradas escrituras. 7ª edição, 1968. Editora Vida.
- NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje
- O Novo Testamento Comentado por William Barclay. Tradução: Carlos
Biagini
- PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. 2006. Editora Vida.
- SNODGRASS, Klvne R. Compreendendo todas as Parábolas de Jesus. 1ª
Edição de 2010 – CPAD
- Unger, Merrill Frederick. Manual Bíblico. Editora Vida Nova, 2006.
- WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento.
Vol. 1. 1ª edição de 2017. Editado por Geográfica.
- ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1ª edição de 2008 –
CPAD
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento, Vol 2. 1ª edição de
2001 – Editora Cultura Cristã.
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Anotações 106
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107
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108
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