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Francisca Francirene Tomaz Parente
Francisca Neide Camelo Martins Rodrigues.
Adriana Pinto Martins
Maria da Paz Arruda Aragão
Neudiane Moreira Felix

PESQUISA E PRÁTICA
DE GESTÃO
EDUCACIONAL

1ª Edição
Sobral/2017

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Sumário

Palavra das Professoras autoras


Sobre as autoras
Ambientação à disciplina
Trocando ideias com os autores
Problematizando

UNIDADE DE ESTUDO I: A ORGANIZAÇÃO DA GESTÃO EDUCACIONAL NO


BRASIL

A Política da Gestão Educacional no Brasil


A Gestão Educacional nos Princípios Legais.
A Gestão Educacional no mundo Contemporâneo

UNIDADE DE ESTUDO II: CONSTRUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA GESTÃO


EDUCACIONAL

A gestão participativa nas escolas


As relações entre a gestão da educação e da escola

UNIDADE DE ESTUDO III: A GESTÃO DA ESCOLA NA ORGANIZAÇÃO DA


PROPOSTA CURRICULAR

O Método e a Organização da Gestão Escolar.


Como construir o funcionamento organizacional e curricular da escola?
A Gestão da escola e a construção do P.P.P.

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UNIDADE DE ESTUDO IV: FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS QUE REGEM A
EDUCAÇÃO

A Legislação Educacional e a formação dos profissionais da educação


Como estimular ações inovadoras na gestão educacional e escolar?

Explicando melhor com a pesquisa


Leitura obrigatória
Pesquisando na internet
Saiba mais
Vendo com os olhos de ver
Revisando
Autoavaliação
Bibliografia
Bibliografia da Web
Vídeos

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Palavra das professoras autoras

Prezados estudantes, bem-vindos à disciplina Pesquisa e Prática de


Gestão Educacional que propõe suscitar uma reflexão sobre: a concepção de
gestão educacional, suas políticas e a formação do profissional de educação.

Este estudo tem a particularidade de ser interdisciplinar, oportunidade de


formar um profissional de educação que tenha condições de conhecer
teoricamente as fundamentações da gestão educacional para agir no âmbito
escolar.

Fundamentado na ciência, o gestor encontra nesse estudo um espaço de


reflexão sistemática, através de textos, e outros materiais que serão
disponibilizados de modo a assegurar a qualificação do profissional em suas
competências necessárias a sua formação profissional.

As autoras!

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Sobre as Autoras

Francisca Francirene Tomaz Parente. Mestre em Ciências


da Educação conferido pela Universidade Lusófona de
Humanidades e Tecnologias ULHT – Lisboa/Portugal (2012).
Possui graduação em Gestão Escolar pela Universidade
Estadual do Ceará (2003). Atualmente é coordenadora do
curso de Pedagogia presencial do UNINTA – Centro
Universitário INTA. Tem experiência na formação de professores e gestores
escolares atuando na área temática de organização do trabalho pedagógico e
fundamentos da educação. Tem experiência como professora formadora no curso
PROFORMAÇÃO e PROINFANTIL e como tutora no curso PROGESTÃO.

Francisca Neide Camelo Martins Rodrigues. Mestranda em


Ciências da Educação pela Universidade Lusófona de
Humanidades e Tecnologias (Portugal). Licenciada em
Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (1989),
especialista em Magistério de 1º Grau pela Universidade
Estadual Vale do Acaraú (1994). Atualmente Pró-Diretora de
Supervisão Institucional e Ouvidora do UNINTA – Centro Universitário INTA,
Diretora Geral do Centro de Educação Básica Sobralense - CEBAS.

Adriana Pinto Martins. Especialista em Gestão Escolar pelo


Instituto EDUCAR (2014). Pedagoga pela Universidade
Estadual Vale do Acaraú- UVA (2003). Desenvolveu trabalhos
como Supervisora Pedagógica pela Secretaria de Educação do
município de Ipu/Ce (2009). Atuou como Tutora Educacional
do PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR -

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GESTAR II, em Ipu/Ce. Atualmente Gerente de Projetos no acompanhamento do
material didático para os cursos de Educação a Distância – EAD do UNINTA –
Centro Universitário INTA.

Maria da Paz Arruda Aragão. Especialista em Gestão


Docência do Ensino Superior pela Universidade Estadual Vale
do Acaraú - UVA (2014). Especialista em Gestão Escolar -
UDESC (2004). Pedagoga pela UVA (1986). Vem atuando na
área de educação desde 1986, nas funções de professora,
coordenadora pedagógica e diretora escolar. Desde 2015,
participa do programa PARFOR/CAPES/UVA como Professor
Pesquisador II do Plano Nacional de Articulação e Formação de Professor da
Educação Básica. Atualmente atua na área de EaD - Educação a Distância do
UNINTA – Centro Universitário INTA como assistente de coordenação do curso de
Pedagogia.

Neudiane Moreira Felix. Especialista em Gestão e Docência


do Ensino Superior pela Universidade Estadual Vale do Acaraú
– UVA. Desde 2015, participa do programa
PARFOR/CAPES/UVA como Professor Pesquisador II do Plano
Nacional de Articulação e Formação de Professor da Educação
Básica. Atualmente atua na área de Educação a Distância do
UNINTA – Centro Universitário INTA.

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Ambientação à disciplina

Olá estudantes!

A partir dos estudos desta disciplina, irá aprender sobre as competências


técnico-administrativas e políticas necessárias ao exercício da função de gestor
escolar assim como, a liderança democrática com a legitimidade e a competência
de saberes, teóricos e práticos no exercício da Gestão Escolar. Para tanto,
discutiremos o papel do gestor escolar na construção de uma escola mais
autônoma e crítica que vise a transformação social.

No decorrer dos estudos compreenderá a organização e o funcionamento


do projeto político-pedagógico no contexto escolar, tendo em vista o
desenvolvimento de um trabalho eficiente e integrado com a realidade do contexto
atual da educação.

Você está convidado (a) para partilhar estes e outros saberes que serão
indispensáveis na construção de seus conhecimentos como protagonista da práxis
educacional.

Bons estudos!

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Trocando ideias com os autores

Agora é o momento de você trocar ideias com os autores

Sugerimos a leitura da obra Gestão Educacional: uma


questão paradigmática. A autora traz discussões sobre a
falta de profissionais qualificados nas redes de ensino e
relata casos sobre gestão e administração educacional.
Nesse livro, a autora mostra também como a gestão
escolar é complexa e o quanto é pouco discutida pelos
profissionais de educação. A sua proposta é fazer um elo
entre as pessoas e a escola e promover avanços na área
da educação. Uma obra indispensável para os estudantes do curso de Pedagogia,
futuros gestores e educadores.

LUCK, HELOÍSA. Gestão educacional: uma questão paradigmática. 7. ed.


Petrópolis: Vozes, 2010. 116 p. ISBN 978-85-326-3296-8.

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Propomos também a leitura do livro Gestão da Educação: impasses,
perspectivas e compromissos. Uma obra maravilhosa que
propõe contribuir com o debate sobre a gestão da
educação. Reúne ensaios de pesquisadores e professores
que vêm debatendo, refletindo, criticando e expondo
diversos olhares sobre a política e a gestão da educação
numa conjuntura mundial marcada pela diminuição da
presença do Estado, pela crescente exclusão de
contingentes populares e pelo avanço das forças do
mercado.

AGUIAR, MÁRCIA ÂNGELA DA S. (ORG.); FERREIRA, NAURA SYRIA


CARAPETO. Gestão da educação: impasses, perspectivas e compromissos. 7.
ed. São Paulo: Cortez, 2009. 320 p. ISBN 978-85-249-0753-1.

GUIA DE ESTUDO: Após a leitura das obras, escolha uma e realize uma síntese
a partir das ideias que ficaram mais presentes em sua memória, em seguida
compartilhe com seus colegas na sala virtual através do fórum de debates.

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Problematizando

Hoje as políticas educacionais têm defendido a gestão democrática


fundamentando as propostas pedagógicas e curriculares das escolas. Baseado
nesses conceitos remete-se ao pensamento de Freire quando diz:

É verdade que, sem liderança, sem disciplina, sem ordem, sem


decisão, sem objetivos, sem tarefas a cumprir e contas a prestar,
não há organização e, sem esta, se dilui a ação revolucionária.
Nada disso, contudo, justifica o manejo das massas populares, a
sua coisificação (FREIRE, 1975, p. 251).

Qual a definição da expressão “gestão democrática” no âmbito escolar de


hoje? Está na mesma dimensão das políticas públicas educacionais? Que
atividades da gestão escolar demonstra a participação coletiva? Qual o perfil do
gestor educacional que se pretende formar para atender a demanda atual da
escola?

Atualmente como são definidas e desenvolvidas as atribuições do gestor


educacional nas escolas considerando a realidade da diversidade cultural e a
importância da formação democrática e participativa?

GUIA DE ESTUDO: Considerando como ponto de partida os


questionamentos acima, descreva como deve ser desenvolvida a gestão
escolar considerando esses princípios e valores. Procure trocar opiniões e
comentários com seus colegas na Sala Virtual.

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A ORGANIZAÇÃO DA
GESTÃO EDUCACIONAL
NO BRASIL

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CONHECIMENTOS

Compreender e analisar o processo de gestão da educação no Brasil,


identificando o contexto social e político que marcaram sua trajetória histórica.

HABILIDADES

Discutir a política da gestão educacional idealizada nas legislações brasileiras


baseado nos contextos reais das instituições educacionais.

ATITUDES

Posicionar-se em relação aos conceitos adquiridos como ser atuante na formação


do pensamento da gestão educacional brasileira.

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A Política da Gestão Educacional no Brasil

O contexto da abertura política nacional dos anos 80 deu espaço para que a
educação fosse pensada a partir da realidade escolar. As novas políticas públicas
passaram a contemplar a descentralização administrativa e gestão escolar
participativa de cunho democrático, com o foco na realidade da escola e de suas
comunidades. O final do século XX apresenta várias mudanças na política da
administração da educação brasileira onde a legislação política proporciona mais
participação da sociedade, inclusive com descentralização dos recursos
financeiros. O Estado passa a permitir e incentivar a existência de várias formas
mais democráticas do gerenciamento escolar.

Nesses últimos anos as políticas educacionais da gestão escolar têm


priorizado a qualidade do ensino considerando os resultados da aprendizagem. A
gestão é o meio de administrar a educação para atingir os objetivos, as metas
avaliando os processos e resultados da aprendizagem e assim fazer os ajustes
necessários que atendam as demandas educacionais. Enfim, a gestão
considerada eficiente é aquela capaz de administrar a instituição de forma
consciente buscando a melhoria da educação, do ensino, da escola e da
aprendizagem.

As políticas públicas buscam a gestão participativa e com ela a qualidade da


educação através do ensino que desenvolva competências e habilidades do aluno
na leitura do mundo como protagonista da história, desenvolvendo o raciocínio
lógico no entendimento dos fatos históricos e sociais.

A gestão educacional visa desenvolver os conceitos e as formas de


administrar a educação de forma que possibilite a escola criar novos padrões de
organizar a gestão garantindo o efetivo ensino e a significativa aprendizagem.

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Segundo Matos e Bassoli (2004, p. 3):

As políticas públicas podem ser conceituadas como


instrumentos de execução de programas políticos baseados
na intervenção estatal na sociedade com a finalidade de
assegurar igualdade de oportunidades aos cidadãos, tendo
por escopo assegurar as condições materiais de uma
existência digna a todos os cidadãos.

Segundo Saut (2007) as políticas públicas representam um ponto fundamental


da rede de garantia dos direitos porque integram o conceito e a função social do
Estado, e porque constituem a primeira instância de soluções, possibilidades e
oportunidades de transformação da realidade.

A gestão escolar visa conhecimento da política educacional, da organização


do trabalho pedagógico, dos fundamentos da educação para orientar na tomada
de decisões e supervisão da escola como um todo. “Gestão da educação significa
ser responsável por garantir a qualidade de uma mediação no seio da prática
social global” (SAVIANI, 1996, p. 120).

A sociedade e a educação devem servir de pontos de referências no processo


de planejamento e desenvolvimento das políticas das gestões educacionais do
sistema de ensino. É importante reconhecer o contexto real que a escola está
inserida para dar suporte no planejamento das estratégias de ensino.

Não basta existir a lei educacional, é necessário disponibilizar escola de


qualidade com recursos humanos qualificados e materiais didáticos diversificados
com possibilidade de atender a demanda escolar e social construindo saberes e
fazeres que possibilitem formar o cidadão crítico, consciente e reflexivo.

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De acordo com Dourado (2007) não tem como dissociar políticas públicas da
gestão escolar, muitos programas foram criados, objetivando contribuir para o
processo de democratização da escola pública. A gestão escolar deve ser
conhecedora do processo educativo desenvolvido no contexto sociocultural, pelas
práticas docentes que se efetiva no ensino e na aprendizagem, pelas formas
organizacionais da escola através das propostas pedagógicas, metodológicas e
curriculares.

A gestão educacional constitui uma área importante da educação através da


função social da escola relacionando as questões educacionais com a visão
estratégica das ações interligadas com o perfil de aluno que a escola pretende
formar. Os gestores precisam se envolver com as questões político educativas
para que as escolas públicas desenvolvam a formação do aluno com capacidade
de conquistar a educação que forme a igualdade de direitos para todos
respeitando as culturas diversas.

É importante saber

Gestão de Sistema Educacional


A gestão de sistema implica o ordenamento normativo e jurídico e a vinculação
de instituições sociais por meio de diretrizes comuns. A democratização dos
sistemas de ensino e da escola implica aprendizado e vivência do exercício de
participação e de tomadas de decisão. Trata-se de um processo a ser construído
coletivamente, que considera a especificidade e a possibilidade histórica e
cultural de cada sistema de ensino, municipal, distrital, estadual ou federal de
cada escola.

Gestão da Escola Pública


Trata-se de uma maneira de organizar o funcionamento da escola pública quanto

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aos aspectos políticos, administrativos, financeiros, tecnológicos, culturais,
artísticos e pedagógicos, com a finalidade de dar transparência às suas ações e
atos e possibilitar à comunidade escolar e local a aquisição de conhecimentos,
saberes, ideias e sonhos, num processo de aprender, inventar, criar, dialogar,
construir, transformar e ensinar.
Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Programa Nacional de
Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Gestão da educação escolar. Brasília: UnB/ CEAD,
2004.

No cenário atual da educação a gestão do ensino é objeto de estudo da


política educacional procurando compreender os fatores que compõem esse
processo e os segmentos escolares que também são envolvidos. O projeto político
pedagógico da escola idealiza uma gestão que promova a prática pedagógica
qualificada podendo repercutir na aprendizagem significativa do aluno.

Legalmente a educação brasileira se institucionaliza como democrática e


participativa através da organização do seu sistema de ensino e do
desenvolvimento das instituições educacionais. Ainda existe a necessidade de
pesquisas e experiências sobre a melhor forma de gerir a educação fundamentada
nos princípios e valores da família, escola e sociedade.

Várias medidas da política da gestão educacional têm sido idealizadas e


planejadas para a melhoria dos indicadores educacionais, mas a qualidade da
educação, sendo foco maior da meta principal, ainda apresenta baixos indicadores
do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), de grande parte dos
municípios brasileiros.

A pretendida eficiência da gestão educacional é orientada pelos princípios


legais da educação brasileira visando um padrão de gestão cuja qualidade resulte

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da organização administrativa dos resultados alcançados no ensino e na
aprendizagem.

O modo democrático de gestão abrange o exercício do poder, incluindo os


processos de planejamento, a tomada de decisões e a avaliação dos resultados
alcançados. É importante a participação das comunidades escolar e local na
gestão, descentralizando os processos de decisão e dividindo as
responsabilidades, envolvendo assim todos os componentes escolares na
construção da educação de qualidade. Nesse processo de organização gerencial
devem ser envolvidos os aspectos pedagógicos, financeiros e administrativos.

Na gestão competente são desenvolvidas atividades pedagógicas que


garantem a conquista e a confiança mútua entre os membros da escola validando
a realidade local com os desafios da atualidade educacional. A formação dos
gestores para atuarem em educação é uma estratégia importante para entender
todo o processo educacional, trabalhando baseado nas teorias pedagógicas e nas
práticas docentes.

SAIBA MAIS

Política Educacional, Administração e Qualidade.


A relação que se quer estabelecer entre qualidade e participação no
contexto escolar vai muito além da competência técnica capaz de ser resolvida
pela competência dos gestores, pais, professores, alunos, funcionários. Ela
envolve questões políticas internas e externas à escola e que vislumbram no
desenvolvimento do processo educacional. Os desafios educacionais e os
problemas escolares têm sido creditados na participação das comunidades
escolar e local, que devem estar preparadas para entendê-los e assim criar

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estratégias educacionais para resolvê-los.
A sociedade admite a importância da escola na preparação de cidadãos
com melhor potencial de trabalho e passa a exigir mais competência, mais
flexibilidade e agilidade dos gestores escolares, de modo que a escola possa
acompanhar seu próprio desenvolvimento educacional. A autonomia do gestor
escolar tem sido mero de muitas discussões, enquanto a descentralização ainda
se encontra em processo de formação, pois a escola de hoje exige do gestor
educacional um maior conhecimento e experiência nessa habilidade profissional.
O exercício da autonomia pode ser um aliado na busca da qualidade da
educação. Os líderes escolares devem exercer gestão democrático-participativa e
autonomia, conforme legislam a Constituição da República Federativa do Brasil
de 19882 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96. A
participação do gestor no processo educacional é condição básica para uma
vivência democrática, e para o exercício pleno da autonomia, o que impõe
desafios constantes para as comunidades escolar e local. Esses desafios na
rotina escolar são grandes e permanentes dificultando a participação do gestor
nas tomadas de decisões coletivas e no envolvimento de toda comunidade local.
Fonte: LÜCK, Heloísa. Gestão escolar e formação de gestores. ISSN 0104-1037 Em Aberto,
Brasília, v. 17, n. 72, p. 1-195, fev./jun. 2000.
http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/em_aberto_72.pdf

As políticas públicas envolvem todos os grupos de necessidades da


sociedade civil, que são as políticas sociais, estas determinam o padrão de
proteção social implementado pelo Estado, voltadas em princípio, à redistribuição
dos benefícios sociais (INEP, 2006, p. 165), dentre eles o direito a educação.

A política educacional do Brasil deve ser guiada pela demanda do povo,


respeitando o direito de cada indivíduo e assegurando o bem comum social. O
exercício da construção de uma política de gestão deve ser regido pelos anseios,
objetivos e valores da educação.

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A Gestão Educacional nos Princípios Legais

Dentre os direitos constituídos legalmente na Constituição Federal encontra-


se o da educação afirmado no art. 205, a educação é regida como direito de todos
e dever do Estado e da família, que deverá ser promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu
preparo para exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Assim,
cabe aos Estados e municípios em regime de colaboração com os sistemas de
ensino oferecer uma educação pública de qualidade com uma gestão educacional
que garanta a formação continuada do professor e o desenvolvimento integral do
aluno.

As lutas pela democratização da educação pública e de qualidade fazem


parte das reivindicações da sociedade resultando na aprovação do princípio de
gestão democrática na educação descrita na Constituição Federal no artigo 206.

Artigo 206 da Constituição Federal de 1988

O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;


II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e
o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de
instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da
lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de
provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 53, de 2006)
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.

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VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação
escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 53, de 2006).

O art. 208 da Constituição Federal evidencia o dever do Estado com a


educação, § 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público
subjetivo. § 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público, ou
sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. A
Constituição Federal de 1988 estabelece princípios para a educação brasileira,
com a obrigatoriedade, gratuidade, liberdade, igualdade e gestão democrática.
O artigo 227 expressa ser dever da família, da sociedade e do Estado
assegurar à criança e ao adolescente o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à
liberdade e à convivência familiar e comunitária sem discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão. A Constituição já visava a qualidade da gestão
educacional de forma democrática, cooperativa, planejada garantindo legalmente
um padrão de qualidade da educação e do ensino.

Segundo Arelaro (2005)

A Constituição Federal declara como princípios do ensino a


igualdade de condições de acesso e permanência com oferta
de uma escola com um padrão de qualidade que possibilite a
todos brasileiros cursar uma escola com boas condições de
funcionamento e de competência educacional, em termos de
pessoal, material, recursos financeiros e projeto pedagógico,
que lhes permita identificar e reivindicar a “escola de
qualidade comum” de direito de todos os cidadãos
(ARELARO, 2005, p.37).

Esses preceitos legais da Constituição Federal de 1988 representa um


marco para a construção de uma sociedade com vistas a atender a demanda do

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contexto sócio educacional. Com isso ficava a necessidade de uma nova Lei de
Diretrizes e Bases da Educação- LDB 9.394/96.

É responsabilidade de o governo criar e desenvolver programas que


garantam a todos seus deveres de ensinar e seus direitos de aprender.

. A própria LDB de 1996 enfatiza em seu artigo 10 que “incumbe aos Estados
elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonância com as
diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas
ações dos seus Municípios”.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação estabelece que a educação tem por


finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho e que o ensino público deve ser
ministrado com base na gestão democrática. A democratização na escola se
desenvolve através da participação dos representantes da comunidade escolar em
todas as etapas da proposta pedagógica, metodológica e curricular da escola
envolvendo o planejamento, a execução e avaliação do desempenho escolar.

A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) - Lei nº


9394/96 defende nos artigos de 12 a 15 que:

A gestão democrática do ensino público fundamental é amparada


na autonomia pedagógica e administrativa das escolas, com a
elaboração de ações por todos os membros envolvidos na escola,
incluídas práticas sociais que possam contribuir para a consciência
democrática e a participação popular no interior da escola. A
gestão democrática vai planejar suas ações na área educativa
propriamente dita da escola, definindo as linhas de atuação em
função dos objetivos das comunidades e dos alunos, propondo
metas a serem atingidas, onde o diretor é auxiliado nessa tarefa
pela comunidade escolar.

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No artigo 22 da LDB 9.394/96 a educação básica tem por finalidade
desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o
exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em
estudos posteriores.

Entendendo Melhor

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) trata a questão da


gestão da educação quando determina os princípios que devem reger o ensino,
indicando que um deles é a gestão democrática. O artigo 14 define que os
sistemas de ensino devem estabelecer normas para o desenvolvimento da gestão
democrática nas escolas públicas de educação básica e que essas normas devem
estar de acordo com as peculiaridades de cada sistema garantindo a “participação
dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola”. A
gestão democrática da educação requer mudanças nas estruturas
organizacionais, conhecimento da legislação educacional, formação continuada
dos gestores escolares e professores, criação de projetos de pesquisa baseado na
demanda dos alunos, elaboração de plano de gestão escolar fundamentada na
proposta educacional. A visão do gestor educacional deve estar além dos muros
da escola numa forma de situar o cenário real na perspectiva de projetar a escola
ideal. Deve estar além dos padrões considerados normais numa perspectiva de
desafiar sempre o novo, saindo um pouco do espaço burocrático inserindo mais
na área pedagógica. A forma de administrar a educação constitui-se num fazer
coletivo, no processo diversificado e múltiplo onde várias falas têm direito a voz
definindo o padrão da educação de qualidade para todos.
BORDIGNON, G.; GRACINDO, R. V. Gestão da educação: o município e a escola. In: FERREIRA,
N. S. C.; AGUIAR, M. A. da S. Gestão da Educação: impasses, perspectivas e compromissos. São
Paulo: Cortez, 2004.

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A educação pertence ao grupo de políticas públicas sociais do país movido
por pessoas que conhecem, sentem e fazem a educação gerencial. A política da
gestão educacional é de responsabilidade de todos com base nos conhecimentos
da sociedade e se estabelece um processo de tomada de decisões que resultam
nas normatizações da escola.

No âmbito educacional, a gestão democrática tem sido defendida como


dinâmica a ser efetivada nas escolas, visando garantir processos coletivos de
participação e decisão na função social da escola.

A legislação educacional propõe a descentralização do sistema, dando à


escola autonomia pedagógica, administrativa e financeira, estabelecendo uma
relação mútua entre poder e exercício deste poder na prática da gestão
educacional.

A escola pode assumir com responsabilidade a competência de gestão com


profissionais qualificados, salários dignos de sua função, tempo disponível para
estudo, discussão e atuação em outras atividades educacionais dentro e fora do
contexto escolar. Atualmente o processo da política da gestão educacional no
Brasil é desenvolvido fundamentado legalmente na Constituição Federal de 1988
e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/96 primando pela
descentralização de poderes distribuídos entre escola, estado e municípios com
participação da sociedade civil.

A LDB nº 9.394/1996 é a lei orgânica da educação brasileira, dita as diretrizes e


as bases da organização do sistema educacional onde estabelece:

I A educação profissional técnica de nível médio articulada, segundo essa Lei,


será desenvolvida nas formas integrada e concomitante.

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II A educação de jovens e adultos deverá ser oferecida, preferencialmente,
articulada à educação profissional.
III As instituições de educação profissional e tecnológica oferecerão cursos
regulares e cursos especiais, abertos à comunidade.
IV Na educação profissional técnica de nível médio, a preparação geral para o
trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas
nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com
instituições especializadas em educação profissional.

A Conferência Mundial de Educação para Todos (Jomtien-Tailândia,1990)


identificou a necessidade da construção de um novo modelo de
gestão educacional capaz de assegurar, para todos, uma educação básica de
qualidade, vista como uma das condições essenciais do desenvolvimento
humano.

No processo de elaboração da política educacional é considerado


importante mobilizar educadores na organização e reordenação da gestão
educacional considerando os diferentes momentos históricos, os vários espaços
sociais que apresentam culturas diversificadas. A descentralização, a
municipalização, a participação, a gestão democrática e a "modernização" são
fatores que devem ser considerados no processo da gestão educacional. Os
princípios que norteiam a gestão educacional estão focalizados na participação,
descentralização e transparência na área educacional e social segundo critérios
político-econômicos.

A Gestão Educacional no mundo Contemporâneo

No momento atual as políticas públicas de governo ainda não formam o


gestor escolar de qualidade com capacidade de entender o processo educacional
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envolvendo a organização do trabalho pedagógico e os fundamentos legais da
educação. O gestor capacitado atua na escola com mais segurança, entendendo
as razões dos acontecimentos e sabendo direcionar as estratégias de trabalho
docente.

O nível do trabalho do gestor repercute na qualidade da educação fazendo


gerar as dinâmicas de administração do trabalho na escola. A gestão precisa de
dinâmicas inovadoras, abertas e participativas de forma que atenda as exigências
da sociedade moderna.

É preciso e até urgente que a escola vá se tornando em espaço escolar


acolhedor e multiplicador de certos gostos democráticos como o de ouvir os
outros, não por puro favor, mas por dever, o de respeitá-los, o da tolerância, o do
acatamento às decisões tomadas pela maioria a que não falte, contudo o direito
de quem diverge de exprimir sua contrariedade. (FREIRE, 1995, p. 91).

Para administrar a escola é necessário um gestor que entenda de


investimento na qualidade do ensino e da aprendizagem de forma que sua visão
se estenda desde as áreas pedagógicas, administrativas e financeiras,
respondendo a demanda do cenário da educação brasileira.

Atualmente os gestores das escolas se voltam mais para os resultados dos


indicadores educacionais. Na realidade o país ainda conta com professores que
precisam da formação continuada de forma que responda as expectativas do
aluno através da dinâmica da prática docente. Enquanto o país demonstra
evolução em números, ainda não avançou o suficiente na estrutura organizacional
e financeira da escola como forma de sustentar as exigências emergenciais
pedagógicas.

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Hoje, o gestor escolar é considerado o gerenciador de resultados que
servem de propósitos educativos para a escola se destacar no patamar desejado
a nível nacional, estadual e municipal.

A educação precisa ser organizada baseada em metas e objetivos descritos


pelos indicadores de avaliação da escola, como SAEB (Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Básica), Prova Brasil, ENEM (Exame Nacional do Ensino
Médio) e IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

O gestor escolar precisa planejar as atividades administrativas,


pedagógicas e financeiras da escola acompanhando todo o processo do cotidiano
de suas realizações, consolidando as atividades pedagógicas que desenvolvem o
ensinar e o aprender.

O conceito de qualidade envolve muitas definições, a UNESCO


apresenta que:

A qualidade se transformou em um conceito dinâmico que deve se


adaptar permanentemente a um mundo que experimenta
profundas transformações sociais e econômicas. É cada vez mais
importante estimular a capacidade de previsão e de antecipação.
Os antigos critérios de qualidade já não são suficientes. Apesar
das diferenças de contexto, existem muitos elementos comuns na
busca de uma educação de qualidade que deveria capacitar a
todos, mulheres e homens, para participarem plenamente da vida
comunitária e para serem também cidadãos do mundo (UNESCO,
2001, p.01).

A escola deve ser um lugar de práticas sociais democráticas, onde todos


trabalhem visando a mesma finalidade que é a educação de qualidade. O objetivo
do gestor é construir uma educação com a contribuição e participação dos

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membros da comunidade, entendendo que a escola é administrada pelos desejos
e propostas populares formando sua identidade própria.

Vivemos no mundo de variedades de linguagens, de ideias, de ideais, de


formas, de cores, de desejos e de crenças onde essas diferenças formam o novo
saber. O gestor educacional deve conhecer e reconhecer as identidades próprias
dos agentes escolares como forma de melhor administrar a diversidade cultural na
escola. Segundo Santos (2003, p. 56),

Temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos


inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa
igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma
igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença
que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.

O gestor escolar deve ampliar sua habilidade de visão para conhecer e


analisar os níveis de formação e competência dos professores relacionando com o
desempenho dos alunos para identificar as reais necessidades da escola e daí
projetar ideias para atingir uma educação significativa para todos. Gestão
democrática, gestão compartilhada e gestão participativa são termos que fazem
parte da luta de educadores e movimentos sociais organizados em defesa de um
projeto de educação pública de qualidade social e democrática.

A gestão educacional é considerada como forma de descrever o processo


pedagógico e administrativo contextualizado da educação a partir dos conceitos
de sistemas de ensino e gestão escolar.

De acordo com o Plano Nacional de Educação “a gestão deve estar inserida


no processo de relação da instituição educacional com a sociedade, de tal forma a
possibilitar aos seus agentes a utilização de mecanismos de construção e de
conquista da qualidade social na educação”.

31
A participação só será considerada efetiva se os agentes que compõem a
comunidade escolar conhecerem as leis que a regem, as políticas governamentais
que a formam e as propostas educacionais que a administram.

Cabe ao administrador da escola conhecer e fazer cumprir a legislação


educacional, garantindo o desenvolvimento das obrigações de cada membro
escolar, criando estratégias para enfrentar os desafios da rotina na escola e
fazendo relação entre as instâncias do sistema educacional e escolar dentro do
contexto real vivido na comunidade local.

As transformações que vêm ocorrendo no mundo contemporâneo são


consequências dos processos de globalização, das necessidades sociais, da
demanda da qualidade da educação, das propostas que formam o conhecimento
da sociedade civil como um todo. As relações entre essas transformações e a
gestão escolar apontam para um gestor competente com habilidade na
criatividade das ideias e praticidade dos projetos educacionais.

Segundo Libâneo (2003) as escolas são organizações sociais constituídas


de pessoas que trabalham juntas destinadas a atingir determinados objetivos.

De acordo com Libâneo (2003) a organização e a gestão adotadas na


instituição escolar envolvem recursos humanos e materiais.

Por racionalização do uso de recursos compreende-se a escolha


racional de meios compatíveis com os fins visados e adequada
utilização desses recursos [...] Por coordenação e
acompanhamento compreende-se as ações e procedimentos
destinados a reunir, a articular e a integrar as atividades das
pessoas que atuam na escola, para alcançar os objetivos comuns.
(LIBÂNEO, 2003, p. 293).

32
A escola é um espaço legítimo da educação, lugar de criação e construção
do conhecimento visando o entendimento das múltiplas linguagens e das
diversidades culturais que interagem no processo de formação humana.

O gestor deixa de ser a autoridade máxima para ser um grande


articulador de todos os segmentos, aquele que prioriza as
questões pedagógicas e mantém o ânimo de todos na construção
do trabalho educativo. Partilha decisões com a comunidade
escolar trazendo as mesmas dificuldades da convivência
democrática presentes em nossa sociedade. (SÁ, 2002, p.08).

As políticas educacionais da democratização escolar deve considerar o


contexto em que estão inseridas, as necessidades decorrentes e as condições
objetivas em que se efetivam a educação.

Com base no princípio significativo do papel do diretor da escola na gestão


da organização do trabalho escolar, Libâneo (2003) destaca:

A participação, o diálogo, a discussão coletiva, a autonomia são


práticas indispensáveis da gestão democrática, mas o exercício da
democracia não significa ausência de responsabilidades. Uma vez
tomadas as decisões coletivamente, participativamente, é preciso
pô- las em prática. Para isso, a escola deve estar bem coordenada
e administrada. (LIBÂNEO et. al., 2003, p. 332).

Ramalho afirma que, numa gestão democrática,

O gestor, que continua tendo o papel mais importante, fica com a


missão de identificar e mobilizar os diferentes talentos para que as
metas sejam cumpridas. E, principalmente, conscientizar todos da
contribuição individual para a qualidade do todo. De olho nessa
nova realidade, cabe a ele desenvolver algumas competências
como aprender a buscar parcerias, pensar em longo prazo,
trabalhar com as diferenças e mediar conflitos. (RAMALHO, 2000,
p. 11).

33
Concluímos com as palavras do educador Gadotti (2004):

A gestão democrática é, portanto, atitude e método. A atitude


democrática é necessária, mas não é suficiente. Precisamos de
métodos democráticos de efetivo exercício da democracia. Ela
também é um aprendizado, demanda tempo, atenção e trabalho.
(GADOTTI, 2004, p. 04).

O gestor escolar necessita criar situações para romper as barreiras entre a


teoria e a prática, entre a escola e a comunidade como forma de gerir
democraticamente o ensino e a aprendizagem. O processo de gestão democrática
e participativa não é uma função centralizada no gestor escolar, mas no trabalho
participativo, que envolve todos os segmentos sociais que compõem a escola com
decisões compartilhadas.

O gestor escolar deve trabalhar no currículo pautado na realidade local,


baseado na proposta pedagógica envolvendo os diferentes agentes em uma
proposta onde todos se sintam responsáveis pelo sucesso da escola repercutindo
na aprendizagem e desenvolvimentos dos alunos.

A gestão educacional atua na rotina escolar buscando garantir o ensino de


qualidade na intenção de formar pessoas conscientes e reflexivas para atuarem
como protagonistas da história educacional. A democratização é considerada
como condição básica para a qualidade e efetivação da educação.

34
CONSTRUÇÃO E
DESENVOLVIMENTO DA
GESTÃO EDUCACIONAL

2
CONHECIMENTOS

Compreender a gestão democrática e participativa articulando educação,


escola e ensino.

HABILIDADES

Identificar os protagonistas que compreendem o trabalho desenvolvido na Gestão


Educacional.

ATITUDES

Posicionar-se criticamente sobre as especificidades e características que


compreendem os modelos de gestão e suas práticas desenvolvidas.

35
36
A gestão participativa nas escolas

Numa democracia os problemas da sociedade, são problemas em que


todos têm o direito de participar das decisões que afetam sua vida. Numa escola,
as decisões interferem com a vida de muita gente: pais, alunos, professores,
funcionários etc, mas será que a democracia funciona no dia a dia de uma escola?

Percebe-se que a sociedade vive em constante metamorfose e o momento


atual reclama por novas concepções e práticas no cotidiano escolar. Não se pode
falar em gestão participativa sem remeter conceitos à gestão democrática, ou seja,
uma está para a outra. Sabe por quê?

De acordo com Libâneo (2004, p.102) “a participação é o principal meio de


assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de
profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento
da organização escolar”.

Já segundo Bordignon e Gracindo (2004, p. 170), quando se referem à


participação, revelam que:

Tem-se falado muito em participação e compromisso, sem definir


claramente o sentido. E não raras vezes situa-se a participação
como mero processo de colaboração, de mão única, de adesão,
de obediência às decisões da direção. Subserviência jamais será
participação e nunca gerará compromisso.

A gestão democrática é uma prática cotidiana, que contém o princípio da


reflexão, da compreensão e da transformação sobre as dificuldades e
necessidades da escola. Tem como fundamento, a descentralização das decisões
onde tudo e todos se tornam responsáveis pela escola.

37
Para melhor compreender, vale relembrar que as instituições escolares
passaram por muitas mudanças desde a constituição federal de 1988 onde o
poder centralizador era a maneira mais comum de administrar as escolas. Desse
modo, todas as decisões centralizavam-se na figura do “diretor”.

A administração escolar era pautada no autoritarismo e controle absoluto


das decisões, mas a construção de uma educação de qualidade não se constrói
apenas com visão única. É preciso que a comunidade escolar tenha participação
ativa nas decisões, tornando a escola coletiva e transparente onde cada um é
responsável pelas tomadas de decisões no âmbito escolar, pois “só participa
efetivamente quem efetivamente exerce a democracia.” (ANTUNES, 2002, p.98).

A relação entre família e escola é e sempre será muito importante para o


ensino e aprendizagem de todos, mas algumas vezes ela se dá com alguns
desencontros. Frequentemente essas relações se dão pela falta de diálogo,
parceria ou conflitos de opiniões e por isso é preciso estar aberto a encontrar
outros caminhos possíveis. O interessante é que tanto a família como a escola
almeja a mesma coisa, melhorar aprendizagem dos educandos, por isso é
fundamental que os assuntos pedagógicos digam respeito a todos: família,
comunidade, estudantes, professores, gestores etc.

Figura 1: Gestão Participativa

38
Fonte: http://cacimbaodahistoria.blogspot.com.br/2017/03/ii-simulado-do-curso-de-formacao-
de.html

A escola é a responsável por criar espaços de troca e discussão sobre os


assuntos pedagógicos, onde todos possam ter voz e não apenas serem
informados das decisões tomadas. Mas como a escola pode favorecer a criação
desses espaços?

Nos estudos educacionais feitos por um Centro de Pesquisa Europeu


chamado CREA - Centro Especial de Investigação em Teorias e Práticas
Superadoras de Desigualdades, foram identificadas 05 formas diferentes de
participação da comunidade na escola e a sua relação com os resultados e
objetivos. Vamos conhecê-las?

I- A INFORMATIVA: Ficou mais conhecida como aquelas reuniões de pais que


acontecem uma vez por semestre para apresentar o trabalho desenvolvido e
aquele que estar por vir. Nestes casos, as decisões foram tomadas pela escola e
os pais são apenas informados.

II - Na CONSULTIVA: A participação dos pais se baseia em consultas as famílias


sobre decisões que a escola pretende tomar, geralmente se dão pelas entidades
estatutárias da escola como Associação de Pais e Mestres e os Conselhos de
escola onde as famílias participam por representatividade, ou seja, os poucos
familiares que fazem parte daquele grupo opinam em nome de todos os demais.

Estas duas instâncias são muito importantes e as mais adotadas na maioria


das escolas, porém tanto na participação informativa quanto na consultiva a
probabilidade de se conseguir êxito escolar e envolvimento das famílias é menor.

39
Por outro lado, as formas de participação decisória, avaliativa e educativa
que serão discutidas a seguir serão as que mais incluem os familiares.

III- Na forma DECISÓRIA que também ocorre por meio das entidades estatuárias
já mencionadas ou pelas formações de comissões mais abertas, como por
exemplo, membros da comunidade participam de modo efetivo na tomada de
decisões que impactam diretamente os resultados educacionais.

IV- Na AVALIATIVA, os familiares e membros da comunidade ajudam a avaliar o


progresso dos educandos e decidir sobre os programas e currículos da escola a
partir da participação dos processos de aprendizagem dos estudantes.

V - Na EDUCATIVA, os familiares e membros da comunidade participam de


algumas das atividades propostas aos estudantes, atuando diretamente para a
melhoria da aprendizagem. Nessa forma de participação também são planejadas
e colocadas em prática pela comunidade, programas educacionais que
respondam as suas próprias necessidades.

Vários autores como Tassoni (2000), Mortimer (2002) destacam a


importância das interações no ambiente de aprendizagem e o quanto a presença
da comunidade na escola favorece o desenvolvimento dos estudantes e da própria
comunidade. Nessa perspectiva, como bem diz Paro (1997, p.30):

A escola por sua maior aproximação às famílias constitui-se em


instituição social importante na busca de mecanismos que
favoreça um trabalho avançado em favor de uma atuação que

40
mobilize os integrantes tanto da escola, quanto da família, em
direção a uma maior capacidade de dar respostas aos desafios
que impõe a essa sociedade.

Alguns pesquisadores focam na maneira como a participação da família em


processos que envolvam a sua própria aprendizagem gera novas interações
dentro do contexto familiar e impacta de forma positiva na aprendizagem do
estudante pertencente aquela família.
Em outras palavras a participação da família pode ajudar e muito na
participação de todos seja de forma direta em sala de aula ou indiretamente nos
espaços de decisão e avaliação da escola.

Existem diversas formas que as escolas propõem para participação


avaliativa, decisória e educativa dos familiares na escola.

Vamos conhecer aquelas que as comunidades de aprendizagem realizam:

 Participação em cursos de formação nas áreas de interesse da


comunidade em espaços compartilhados pelos estudantes e famílias;
 Realização de tertúlias dialógicas literárias organizadas por e para os
familiares e comunidade;
 Envolvimento da família e da comunidade nos grupos interativos
participando de atividades dentro da sala de aula como voluntários;
 A presença da comunidade, familiares e estudantes nas comissões
mistas contribuindo nos momentos de decisão e avaliação da escola,
como por exemplo, na avaliação e desenvolvimento do currículo.

Essas formas de participação favorecem o diálogo igualitário onde os


argumentos e as vozes de todos são consideradas imprescindíveis para a vida
escolar.

41
O gestor escolar desempenha uma importante função no processo
educacional de uma instituição de ensino. Necessita ter a compreensão de
articular, acompanhar, intervir na elaboração, execução e avaliação da proposta
pedagógica, visando o desempenho de qualidade e seu estabelecimento de
ensino.

Precisa inclusive de uma ampla experiência na área educacional e


competência de saberes para o exercício de sua gestão escolar. Assim sendo o
diretor deve ser o representante do projeto político social de educação, buscando
uma gestão democrática voltada a necessidade de sua comunidade.

Considerando essas características, a LDB/1996 destaca a importância


dessa atuação da gestão educacional no desenvolvimento das ações do gestor
escolar, integrando a proposta pedagógica e administrativa com a comunidade.

O desenvolvimento dentro da democratização escolar consiste no processo


de mobilização da proposta escolar, para implementação de mudanças no intuito
de elevar as oportunidades e a qualidade da educação tendo como base a
participação da sociedade no processo.

Sobre o gestor escolar de acordo com Adrião e Camargo (2007, p. 68)


explicam: “uma tentativa de superação do caráter técnico, pautado na
hierarquização e no controle do trabalho por meio da gerência científica, que a
palavra administração (como sinônimo de direção) continha”.

As competências e habilidades que devem ser observadas no exercício de


uma gestão democrática são aspectos que necessitam do desenvolvimento das
relações (intra e inter) pessoais que são: tomada de decisão, criatividade,

42
colaboração, cidadania, formação de opinião, resolução de problemas,
pensamento crítico e no trabalho em equipe.

Segundo Libâneo (2008, p. 105):

Para atingir os objetivos de uma gestão democrática e participativa


e o cumprimento de metas e responsabilidades decididas de forma
colaborativa e compartilhada é preciso uma mínima divisão de
tarefas e a exigência de alto grau de profissionalismo.

Assim constata-se que a Gestão Democrática da educação se constrói de


forma coletiva por meio da participação de todos os envolvidos nos processos
escolares, no desenvolvimento de ações que incidem na cidadania da escola
possibilitando o desenvolvimento de uma consciência de participação mais ampla
na sociedade.

As relações entre a gestão da educação e da escola

A gestão educacional baseia-se na organização dos sistemas de ensino:


federal, estadual, municipal e das delegações desses sistemas com várias formas
de articulação entre as instâncias que determinam as normas que executam e
definem o setor educacional e a oferta da educação pelo setor público e privado.

No contexto educacional do País, cada sistema tem um papel a


desempenhar. Por exemplo, a educação básica, compete aos Estados, Distrito
Federal e Municípios ofertá-la. O ensino médio é um dever dos Estados e do
Distrito Federal e a educação infantil fica sob a responsabilidade dos Municípios.

Diferente da gestão educacional, a gestão escolar é uma forma diferente de


gestão, ela é quem organiza o trabalho pedagógico que implica na visibilidade de
objetivos e metas dentro da instituição escolar. Cada escola deve elaborar e

43
executar sua proposta pedagógica, administrando seus recursos, materiais e
humanos, planejamento de suas atividades, distribuições de funções e atribuições
na relação interpessoal de trabalho e partilha do poder.

Com base nisso, podemos perceber que a gestão escolar, situa-se no


âmbito da escola e trata das tarefas que estão sob sua responsabilidade, ou seja,
procura promover o ensino e a aprendizagem para todos. Já a gestão educacional
é compreendida através das iniciativas desenvolvidas pelos sistemas de ensino.

Você sabe qual é a função social da escola? A resposta para essa questão
varia de acordo com a época e o contexto histórico vivido pela sociedade. As
funções políticas e sociais da escola consistem em interesses diferenciados das
classes sociais nas quais contribuem nas diferentes concepções da função
escolar.

Em geral, pode-se adiantar que a escola é a responsável pelos processos


de ensino e aprendizagem, proporcionando a todos os instrumentos necessários a
aquisição do saber sistematizado. Percebe-se que a escola pode apresentar
funções sociais diferenciadas de acordo com cada perspectiva e teoria de
educação, influenciada pela concepção social vigente em cada época. Mas o que
é possível afirmar sobre a função social da escola atualmente?

Você já observou que existem diversas formas de atuar na gestão escolar?


É importante que você conheça esses aspectos que norteiam o conceito sobre
liderança e sua implicação na gestão escolar. A partir de agora você irá aprender
que existem diversos tipos ou estilos de direção assim como diferentes formas de
conceber a Gestão Educacional, por exemplo, há o gestor autocrático, o
democrático, o laissez-faire (liberais).

Vejamos as características que identificam cada modelo de liderança:


44
Gestão Autocrática (EU) Apenas o líder decide, estilo dominador;
Gestão Democrática (NÓS) Comanda de forma participativa;
Gestão Liberal (ELES) Delega a responsabilidade na tomada de
decisão.

O gestor não vem pronto é fruto de um processo de formação que promove


compromisso pessoal para o alcance e ampliação de conhecimentos gerais e
habilidades específicas. Dessa maneira, o gestor por meio dessa competência
conseguirá orientar, mobilizar e coordenar o trabalho da comunidade escolar no
sentido amplo, visando a melhoria contínua dos processos de ensino e
aprendizagem.

Assim sendo, enquanto a gestão educacional está preocupada em gerir o


sistema de ensino no todo, a gestão escolar está voltada para a transformação
social do poder na instituição escolar e nas demais organizações, primando pela
participação dos funcionários, professores, estudantes, pais e comunidade local
na gestão da escola e na luta pela superação da forma como a sociedade está
organizada e isto como já foi discutido de forma bastante específica.

45
46
A GESTÃO ESCOLAR E A
PROPOSTA CURRICULAR

3
CONHECIMENTOS

Compreender sobre os métodos de gestão escolar.


Entender a forma de elaboração do Projeto Político Pedagógico da escola.

HABILIDADES

Reconhecer os critérios para construir, implementar e avaliar o Projeto Político


Pedagógico.

ATITUDES

Aplicar o PPP (Projeto Político Pedagógico) nas escolas afim de contribuir com as
melhorias do desenvolvimento escolar.

47
48
O Método e a Organização da Gestão Escolar.

Sabemos que a escola funciona como uma organização social e local de


formação de homens e mulheres, tendo como uma de suas funções a criação de
projetos educativos numa perspectiva transformadora e inovadora onde os
afazeres e as práticas não estejam centrados nas questões individuais, mas sim
coletivas. Dessa forma, para que o trabalho realizado pela escola dê certo, o
mesmo precisa ser feito de forma organizada, ou seja, é necessário haver uma
gestão escolar de qualidade, sendo imprescindível que o gestor saiba trabalhar
com a coletividade, articulando e estimulando atividades educacionais.

Frequentemente, costuma-se confundir os termos “Gestão Escolar” e


“Administração Escolar”, mas os mesmos apresentam algumas diferenças. A
palavra Gestão vem do latim do termo gerere que tem o sentido de governar,
conduzir, dirigir. Já o termo administração também vem do latim da palavra
administrare, e tem sentido de gerir um bem, defendendo os interesses daquele
que o possui.

Assim podemos dizer que gestão escolar é o conjunto de funções


desempenhadas pelos atores institucionais da escola que tem diferentes graus de
complexibilidade, coordenadas por uma equipe técnica-pedagógica liderada pelo
diretor da escola. A ideia da existência de uma equipe gestora marca uma
característica bastante atual da gestão escolar.

Muitas vezes, a imagem que temos é a de um diretor tradicional, rígido,


burocrático, sentado atrás de sua mesa, carimbando e assinando papeis. A visão
moderna da gestão em equipe começou a aparecer no Brasil a partir da década
de 80. Podemos dizer que a partir de estudos realizados no Brasil nos últimos
anos é possível elencar três concepções mais relevantes de organização da

49
gestão escolar: a técnico-científica ou funcionalista, a autogestionária e a
democrático-participativa.
A concepção técnico científica visa a racionalização do trabalho e os bons
resultados dos serviços escolares, baseando-se na hierarquia de funções e
cargos. Assemelha-se à administração empresarial no sentido de possuir uma
divisão técnica do trabalho escolar, nas relações de subordinação e hierarquia,
existência de normas, regras e atividades burocráticas, comunicação linear e
maior importância nas tarefas que nas pessoas.

Na concepção autogestionária percebe-se a ausência de uma direção


centralizada e a presença da participação de todos os membros da escola de
maneira direta e uniforme. Essa concepção baseia-se na responsabilidade coletiva
e por isso, as decisões são tomadas em reuniões onde não há autoritarismo, pois
se exerce a autogestão. Há, também, maior importância nas inter-relações que
nas tarefas.

A concepção democrática-participativa tem como base a participação e


envolvimento de todas as pessoas na busca por objetivos educacionais comuns
assumidos por todos. Nessa concepção, a coletividade discute publicamente as
questões e toma as decisões, e cada membro da equipe de gestão assume uma
parte no trabalho. Há uma intensa interação entre direção e os demais membros
da escola, pois a gestão é realizada com a participação de todos os sujeitos da
comunidade escolar.

O conceito de gestão escolar engloba diversos elementos ligados à


otimização dos serviços educacionais. Cada escola possui, conforme determina a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, liberdade e autonomia para
organizar a sua gestão. Para isso, cada escola pode e deve elaborar seu próprio
plano de gestão desde que esteja de acordo com a legislação em vigor, tendo
como base a busca por resultados excelentes através de liderança forte e
50
integrada com os sujeitos que compõem a comunidade escolar. Por isso, é
necessário que esse plano contemple os aspectos mais importantes da
organização da gestão escolar: gestão pedagógica da escola, gestão
administrativa da escola e gestão de recursos humanos da escola.

Na gestão pedagógica da escola, o gestor deve se preocupar em


organizar e planejar a parte educacional da escola, bem como os conteúdos
curriculares, além de acompanhar os resultados e rendimentos de estudantes e
professores. Nesse campo da gestão são desenvolvidas atividades diretamente
ligadas ao planejamento e à organização educacional de acordo com o que consta
no projeto político-pedagógico da escola, colaborando para que tudo o que há
nesse projeto não fique apenas registrado no papel, mas, de fato, aconteça na
prática.

Na gestão de recursos humanos da escola, é necessário gerir o corpo


docente, discente, colaboradores e comunidade externa de forma que seja
mantido um bom relacionamento entre todas as partes, a fim de que os direitos e
deveres sejam respeitados. O gestor precisa saber lidar com os possíveis conflitos
que possam existir, além de criar um ambiente onde todos os alunos, professores,
colaboradores e demais pessoas da comunidade externa, sintam-se responsáveis
e motivados a darem a sua contribuição no intuito de conseguirem excelentes
resultados.

Já na gestão administrativa da escola, o gestor necessita organizar a


estrutura de funcionamento da escola no que se refere à utilização de recursos
materiais e didáticos, recursos financeiros e recursos físicos de acordo com o
Plano Político Pedagógico de Gestão Escolar e o Regimento Escolar. Faz-se
necessário, também, controlar o orçamento da escola, priorizar os investimentos e
prestar contas sobre os gastos com o intuito de que todas as necessidades da
escola sejam atendidas.
51
Como construir o funcionamento organizacional e curricular da
escola?

Nos últimos anos o termo gestão democrática na escola tem sido alvo de
estudo por alguns estudiosos. O processo organizacional é um dos pontos de
maior discussão, quando a escola é capaz de construir, implementar e avaliar o
seu projeto pedagógico, ela propicia uma educação de qualidade e exerce sua
autonomia pedagógica. Ao exercer essa autonomia, a escola realiza uma missão,
constrói um processo integrado de planejamentos e ações que corresponde os
resultados de avanços e conquistas futuras.

Nesta perspectiva, podemos conceituar o projeto político - pedagógico


(PPP) como uma ferramenta teórico - metodológico responsável pela organização
e integração do trabalho escolar, visando à transformação dessa realidade e
acreditando que cada escola irá construir suas alterações a partir de condições
específicas. Sabendo-se que a maior compreensão é que o projeto pedagógico é
o elemento que busca um rumo, um direcionamento para as práticas que serão
desenvolvidas na escola é um instrumento que tem a responsabilidade de
construção da identidade da escola.

Os resultados direcionados do PPP são estudados, executados e


amparados pela LDB/ 9.394/96, as leis não fazem milagres por si só, é necessário
pessoas que construam suas práticas visando a democratização do espaço
escolar.

É importante favorecer um momento em que cada educador faça uma


reflexão da sua própria identidade cultural e através dessa reflexão ele seja capaz
de descrevê-la e desenvolver como tem sido construída, que referenciais têm sido
privilegiados e por quais caminhos essa análise pessoal instigará o profissional a

52
estruturar essa construção. Essa autonomia é dada para que haja uma construção
de um ensino de qualidade e dar oportunidades ao profissional a reconhecer a
importante missão de construir através de suas experiências e buscando
aprendizado e respeito para a classe educacional.

Será analisada através de reflexões de suas práticas para consolidar sua


própria autonomia, a escola pode construir o conceito de qualidade de ensino e
adequar melhor a sua função às necessidades da comunidade nesse sentido,
organizando o seu trabalho pedagógico, a escola avança para outro nível de
autonomia, mais solidário e com mais diálogo, que pode levar as partes a se
envolverem no processo de forma mais efetiva, pelas ações desenvolvidas no dia
a dia escolar. Aí temos, de fato, uma autonomia gerada pelas práticas da própria
escola.

Na LDB (Lei de Diretrizes e Bases), destacam-se três grandes eixos


diretamente relacionados à construção do projeto pedagógico: Eixo da
Flexibilidade, Eixo da Avaliação e Eixo da Liberdade

Considerando esses três eixos, a LDB destaca na escola um importante


ambiente educativo e nos profissionais da educação uma capacidade técnica e
política que os certifica a participar da elaboração do seu projeto pedagógico.
Nessa perspectiva democrática, a lei estende o papel da escola diante da
sociedade, coloca-a como centro de atenção das políticas educacionais mais
gerais e sugere o fortalecimento de sua autonomia.

Podemos concluir que a construção coletiva do projeto pedagógico deve


acontecer visando à autonomia dialogada na escola, e não simplesmente para
cumprir uma formalidade legal. Essa autonomia deve ser criada em torno de uma
concepção educativa que aponte à melhoria da qualidade do ensino e ao sucesso

53
da aprendizagem do aluno, essa é a razão que torna importante a construção do
projeto pedagógico.

É necessário compreender que as leis não modificam a realidade como


um passe de mágica, é preciso um ponto de partida para as pessoas pensarem
suas próprias condições e transformá-las. Por isso, não basta a LDB (Lei nº
9.394/96) impor as unidades escolares de ensino a tarefa de elaborar o projeto
pedagógico; é necessário que a escola, não confunda autonomia com soberania,
encontre alternativas teóricas e práticas para mostrar aos seus segmentos a
importância de outra autonomia: construída, solidária e dialogada.

A Gestão da escola e a construção do P.P.P.

A proposta pedagógica é o grande alicerce para que a escola faça as


conexões e articulações necessárias para compreender o sujeito em toda sua
complexidade. Para se construir a proposta curricular de uma escola faz-se
necessário seguir algumas etapas que serão de grande importância para a
construção do PPP.

Veja quais são as etapas:

 Diagnóstico da realidade escolar;


 Levantamento das concepções do coletivo da escola;
 Definições de estratégias, pessoais ou grupos, visando garantir as ações
estabelecidas pelo coletivo.

Essas etapas, juntas e bem consolidadas revelam-se como elemento


dinâmico que contribui para criação da identidade da escola.

54
É importante ressaltar que o fato do projeto pedagógico ser construído
coletivamente não isenta a equipe gestora de cumprir o papel importante em seu
processo de construção e implementação. O gestor tem o desafio da mobilização
e conscientização dos conflitos existentes, garantindo assim um processo
participativo, democrático e produtivo.

Cada escola seguirá uma dinâmica própria na construção do seu projeto,


é importante que os participantes levantem as informações que seja fundamental
para identificar a escola e o seu projeto tais como: Denominação, localização,
referenciais legais de sua criação e níveis de ensino, as modalidades de educação
que ela oferta, quantidades de alunos, enfim tudo que for importante para compor
e traçar os dados que serão decisivos nessa criação de identidade.

Essa atividade diagnóstica baseia - se no levantamento de informações


que mostrem o trabalho escolar como o todo. Após a coleta desses dados, a
escola se reúne e discute, problematiza e compreende questões relacionadas a
prática.

Nessa etapa do diagnóstico, a escola deve desenvolver também, a


capacidade de identificar suas possibilidades e obstáculos a enfrentar em suas
práticas diárias. É importante que a escola não perca de vista a necessidade de
identificar os responsáveis por determinadas ações assumidas pelo grupo.

É importante que a escola trabalhe com cronogramas, calendários e


horários bem definidos, afim de assegurar o acompanhamento e a avaliação das
ações que venham sendo desenvolvidas.

Vale ressaltar que todas as etapas que compõem os três grandes


momentos de construção do projeto político pedagógico devem passar por
constante processo de avaliação. Essa estratégia é de fundamental importância
55
para garantir que o projeto construído seja investigador das práticas da escola,
processual, contínuo, flexível e duradouro.

A construção do projeto pedagógico é um processo que exige diálogo,


persistência e a sistematização e avaliação dos dados coletados em todos os seus
movimentos. Como processo, necessita ser visto em sua construção contínua e
com resultados gradativos que decorrem da vivência dos segmentos que o
elaboram, constituindo-se em uma referência de autocrítica para esses mesmos
sujeitos.

É importante determinar coletivamente, formas claras de


acompanhamento e avaliação das ações que serão desenvolvidas e os
segmentos responsáveis por determinadas ações. As avaliações que serão feitas
sobre a realização das ações definidas pelo coletivo precisam apontar não só as
fragilidades encontradas no caminho, mas também os avanços da escola, ao
implementar o projeto pedagógico. A avaliação precisa preocupar-se com os
múltiplos aspectos do seu processo de construção, cobrindo um grande número
de questões que vão desde aquelas especificamente voltadas para o processo
ensino-aprendizagem desenvolvido em sala de aula até outras que tratam do
trabalho da escola como um todo.

Na verdade, você verifica que a mensagem apresentada e a avaliação do


projeto pedagógico mostram que ele é um processo longo, cheio de idas e vindas,
mas bastante compensador, não é verdade? Ele não acaba somente porque o ano
letivo termina: na realidade, ele é construído durante todo o ano e recomeça no
ano seguinte, sofrendo, obviamente, as adaptações necessárias. Por último, é
preciso lembrar que o processo avaliativo, estando presente em todos os
movimentos de elaboração do projeto pedagógico, não pode restringir-se aos
olhares dos segmentos internos à escola. Ao contrário, deve-se ouvir a
comunidade local acerca do projeto que ela espera da escola, um projeto capaz
56
de ajudar esta última a alcançar, da melhor maneira possível, sua função social.
Por isso, é importante comparar os olhares dos próprios atores da escola sobre a
prática que produzem com os de outros indivíduos que avaliam o trabalho da
escola, a partir de uma posição externa.

57
58
FORMAÇÃO DOS
PROFISSIONAIS QUE REGEM
A EDUCAÇÃO

4
CONHECIMENTOS

Conhecer e compreender a legislação que regulamenta a formação dos


educadores

HABILIDADES

Posicionar - se criticamente em relação a aplicação das leis no que se refere a


formação dos educadores, interpretando e compreendendo - as para melhor
aplicação no cotidiano da escola.

ATITUDES

Aplicar os conhecimentos adquiridos para desenvolver uma boa gestão


educacional, dentro de uma visão sócio, política e democrática.

59
60
A Legislação Educacional e a formação dos profissionais
da educação

O termo Formação, ainda é um grande desfio para a educação brasileira e


traz em seu significado a possibilidade de verdadeiramente educarmos o ser
humano para a vida. A verdadeira formação não se limita apenas a treinamentos,
reciclagens e ou capacitações, mas é um processo permanente de transformação
ao qual nos submetemos para como seres humanos, nos responsabilizarmos por
outros seres humanos através da educação, ou seja educar o educador para
educar seres humanos, dando formação para a vida, com base em princípios e
valores éticos, morais e sociais que contribuam para uma formação integral do
cidadão.

O processo de formação do profissional da educação passa pela


emancipação enquanto ser humano que pretende educar se e educar o outro num
constante processo de preparação para atuar no espaço escolar, seja como gestor
de sala de aula, seja como gestor de um grupo mais amplo = escola, considerada
como lócus do saber docente.

A formação dos profissionais da educação é um assunto que tem tomado


importante relevância nas discussões nos últimos anos. As discussões crescem
por dois principais motivos: o primeiro é a constatação de que a escola não vai
bem, que apesar das discursões sobre o assunto, quase nada tem mudado no que
se refere a qualidade do ensino. O segundo motivo refere se as criticas sobre as
concepções tecnicistas da educação da década de 70. Quando na época o que
interessava era a técnica, ou seja os meios e recursos utilizados para o ensino, e
os professores eram apenas treinados para a aplicação com os alunos que não
passavam de meros aprendizes. Percebe se ao longo da história, que a formação

61
dos profissionais da educação não era assumida pelo poder publico, não havendo
por parte deste, nenhuma preocupação e investimento nessa área.
Mas até antes mesmo de falarmos nesse assunto, é de relevante
importância refletirmos de forma mais fundamentada, sobre a questão: quem são
realmente os profissionais da educação ?

Alguém com formação em curso de graduação (licenciatura), que dedica


todo o seu tempo na sala de aula? Alguém com formação em bacharelado, que
ministra aulas na rede de ensino pública e particular, e que faz curso de formação
na área específica de atuação? Alguém que tem formação em curso de
graduação, que atua na escola, dedicando todo o seu tempo em atividades
voltadas para o aluno, mas que está fora de sala de aula? Enfim, alguém que tem
formação em curso de licenciatura, que atua na escola, dedicando todo o seu
tempo em atividades docentes?

Um docente é considerado um profissional de Educação quando exerce


como prioridade e de forma definitiva o magistério como carreira.

Assim sendo, diríamos que todo profissional de educação é professor, mas


nem todo professor é um profissional de educação. Um jornalista, um
fisioterapeuta, um arquiteto, um dentista, qualquer profissional liberal, pode em
suas horas livres, fazer o exercício do magistério. Isso de certa forma irá contribuir
com as instituições de ensino, que certamente ganharão muito com suas
experiências no mundo do trabalho.

Dessa forma, por exemplo, um juiz torna-se, um juiz-professor, mas não é


um profissional de educação na sua essência, ao contrário dos demais
profissionais de ensino que exercem o magistério com dedicação exclusiva, isto é,
faz da sala de aula é sua principal fonte de sustento.

De acordo com Campos (2010, p.55):

62
A gestão educacional baseia-se na organização dos sistemas de
ensino: federal, estadual, municipal e das delegações desses
sistemas com várias formas de articulação entre as instâncias que
determinam as normas que executam e definem o setor
educacional e a oferta da educação pelo setor público e privado.
No contexto educacional do País, cada sistema tem um papel a
desempenhar.

Segundo o autor, o professor deve ter sua formação baseada nas diretrizes
curriculares, e esta formação deverá permear a sua prática docente, considerando
a necessidade de formação continuada e permanente para o exercício de sua
profissão com competência e responsabilidade, de forma a desenvolver um
trabalho com qualidade e eficiência.

A regulamentação e normatização do sistema nacional de educação é feita


por intermédio da LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional),
sancionada no dia 20/12/96, pelo presidente em exercício Fernando Henrique
Cardoso. A Lei foi ainda denominada de Lei Darcy Ribeiro e sinaliza um período
de mudanças significativas para a educação no Brasil. É por intermédio da LDB
que ocorrem os processos educacionais, no entanto a lei por si só, não tem poder
de modificar a realidade da educação brasileira, principalmente no que se refere a
formação inicial e continuada de professores, mas pode intervir na busca de
melhoria nesse processo de formação, ao fixar normas que orientam o
funcionamento dos mesmos. Por outro lado, a formação ocorre na prática do dia a
dia e por meio de estudos, discussões, seminários, congressos que proporcionam
momentos de reflexões e aprofundamento sobre temáticas trazidas pelos
profissionais de dentro do espaço escolar, quando nos referimos a formação
continuada.

63
Vejamos o que diz a RESOLUÇÃO Nº 2, DE 1º DE JULHO DE 2015

Art. 1º Ficam instituídas, por meio da presente Resolução, as Diretrizes


Curriculares Nacionais para a Formação Inicial e Continuada em Nível Superior de
Profissionais do Magistério para a Educação Básica, definindo princípios,
fundamentos, dinâmica formativa e procedimentos a serem observados nas
políticas, na gestão e nos programas e cursos de formação, bem como no
planejamento, nos processos de avaliação e de regulação das instituições de
educação que as ofertam.

§ 1º Nos termos do § 1º do artigo 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação


Nacional (LDB), as instituições formadoras em articulação com os sistemas de
ensino, em regime de colaboração, deverão promover, de maneira articulada, a
formação inicial e continuada dos profissionais do magistério para viabilizar o
atendimento às suas especificidades nas diferentes etapas e modalidades de
educação básica, observando as normas específicas definidas pelo Conselho
Nacional de Educação (CNE).

§ 2º As instituições de ensino superior devem conceber a formação inicial e


continuada dos profissionais do magistério da educação básica na perspectiva do
atendimento às políticas públicas de educação, às Diretrizes Curriculares
Nacionais, ao padrão de qualidade e ao Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior (Sinaes), manifestando organicidade entre o seu Plano de
Desenvolvimento Institucional (PDI), seu Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e
seu Projeto Pedagógico de Curso (PPC) como expressão de uma política
articulada à educação básica, suas políticas e diretrizes.

§ 3º Os centros de formação de estados e municípios, bem como as instituições


educativas de educação básica que desenvolverem atividades de formação
continuada dos profissionais do magistério, devem concebê-la atendendo às
políticas públicas de educação, às Diretrizes Curriculares Nacionais, ao padrão de

64
qualidade e ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes),
expressando uma organicidade entre o seu Plano Institucional, o Projeto Político
Pedagógico (PPP) e o Projeto Pedagógico de Formação Continuada (PPFC)
através de uma política institucional articulada à educação básica, suas políticas e
diretrizes.

Art. 2º As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial e Continuada


em Nível Superior de Profissionais do Magistério para a Educação Básica aplicam-
se à formação de professores para o exercício da docência na educação infantil,
no ensino fundamental, no ensino médio e nas respectivas modalidades de
educação (Educação de Jovens e Adultos, Educação Especial, Educação
Profissional e Tecnológica, Educação do Campo, Educação Escolar Indígena,
Educação a Distância e Educação Escolar Quilombola), nas diferentes áreas do
conhecimento e com integração entre elas, podendo abranger um campo
específico e/ou interdisciplinar.

Como estimular ações inovadoras na gestão educacional


escolar?

A realidade da escola apresentada no Censo Escolar, realizado em nosso


país, não é satisfatória, considerando que das mais de 186,1 mil escolas de
educação Básica da rede pública e particular, e dos mais de 50 mil alunos
matriculados dados do censo escolar 2016, precisam ser melhores cuidados
pela gestão nos aspectos pedagógicos, administrativos e financeiros. Essa
tarefa é atribuída ao gestor escolar, que tem como principal objetivo fazer
acontecer a aprendizagem significativa do aluno, tendo como principal desafio
gerenciar e gerir a escola. Definindo como, gerenciar o ato de cuidar para que
os processos funcionem e que as pessoas façam o que devem fazer; e gerir
como o ato de aperfeiçoar os processos e desenvolver pessoas.

65
Para melhor compreensão, vejamos o quadro a seguir:

Figura 2: Papel do gestor

GERENTE LIDER

GESTOR

SALADE ESCOLAR
PEDAGÓGICO
AULA

Observa-se no gráfico que o gestor como um líder, é um idealizador de


transformação democrática da sociedade que atua na escola desenvolvendo
suas atividades numa perspectiva de gestão escolar INTEGRATIVA e
PEDAGÓGICA, podendo ainda classificar a Gestão em três níveis:

I - GESTÃO ESCOLAR
Á gestão escolar precisa cuidar dos processos da escola como um todo,
proporcionando uma aprendizagem significativa para o aluno.

GESTÃO DE RECURSOS a essa compete o gerenciamento dos recursos


(tecnológicos, financeiros, pedagógicos e de consumo),

66
GESTÃO DE PROCESSOS é o olhar para todos os processos que
ocorrem na escola, ou seja como esses processos são desenvolvidos, por
quem, socializar os processos para que seja do domínio coletivo.

GESTÃO DE PESSOAS visa integrar as pessoas, apoiar, supervisionar,


assessorar quando necessário. Motivar para que façam bem o que tem
para fazer.

II - GESTÃO PEDAGÓGICA
É subdividida em processos e privilegia três áreas específicas:

GESTÃO DO CURRÍCULO diz respeito ao que estamos ensinando PPP


(Projeto Político Pedagógico da Escola), e sua legitimação com a comunidade
escolar. O que está sendo, como está sendo ensinado e que competências
estão sendo desenvolvidas com os alunos. Essa gestão privilegia em seu
trabalho o currículo.

GESTÃO DA AÇÃO DOCENTE é o fazer do professor (processo de


aprendizagem, a metodologia, a avaliação, a relação com o aluno no que se
refere a afetividade, como elemento que favorece o processo de ensino
aprendizagem.

GESTÃO DE RESULTADOS refere se aos resultados das avaliações


sejam internas (avaliação da aprendizagem através dos conteúdos e avaliações
externas (resultados obtidos através das avaliações de larga escala PROVINHA
BRASIL, SAEB, ENEM etc. e como utilizar os indicadores para melhoria do
trabalho da escola como um todo.

67
III - GESTÃO DE SALA DE AULA
A gestão de sala de aula diz respeito ao trabalho do professor, como gestor
da aprendizagem

GESTÃO DA APRENDIZAGEM compete ao professor a responsabilidade


pelo processo de aprendizagem do aluno, com trabalho desenvolvido com foco
na qualidade da aprendizagem.

GESTÃO DA CONDUTA diz respeito a construção das normas, regras de


convivência para garantir o cumprimento das normas construídas na escola de
forma democrática e participativa.

GESTÃO DA INTERAÇÃO CULTURAL o professor deverá compreender,


apropriar se e respeitar o aluno na sua diversidade sócio, cultura.

Segundo Libâneo: (2001, p. 115)

[...] as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo


professores, alunos, funcionários, pais e comunidade próxima que,
se tornam corresponsáveis pelo êxito da instituição. É assim que a
organização da escola se transforma em instância educadora
espaço de trabalho coletivo e aprendizagem.

Nessa perspectiva, cabe ao gestor criar alternativas para solucionar vários


problemas que surgem no dia a dia da escola, seja vindo do aluno, dos
professores, funcionários e ou a comunidade como um todo, bem como de
todas as redes de ensino, seja pertencente a esfera municipal, estadual ou
federal. as dificuldades são várias e nos diversos aspectos que acabam por
interferir na prática pedagógica de sala de aula. A medida que o gestor foca
apenas no administrativo, deixa de cuidar do pedagógico fragilizando o

68
processo de ensino aprendizagem, que poderá levar o aluno ao fracasso
escolar. Na verdade é o gestor que tem o desafio de GERENCIAR E GERIR a
aprendizagem de forma coletiva e com qualidade.

Dessa forma, não podemos também atribuir apenas ao gestor escolar a


culpa pelo fracasso, porém, esse, precisa ter uma formação baseada numa
concepção de gestão que responda às necessidades atuais da escola, sem que
se torne refém do fracasso do aluno que não consegue exercer sua verdadeira
cidadania, pois não encontram um ambiente educacional favorável, acolhedor e
dinâmico para fazer a integração entre sua cultura e a verdadeira cultura da
escola (LIBANEO, 2008).

Diante da realidade apresentada percebe-se que existe uma deficiência na


formação, bem como no processo de escolha, desempenho e avaliação dos
gestores que atuam nas escolas e que compete aos órgãos responsáveis
ofertar uma formação conforme está estabelecido nas diretrizes educacionais.

A educação brasileira a partir da lei: 9394/96, passa por mudanças na


perspectiva de ampliar o acesso, melhorar a qualidade do ensino aprendizagem
e descentralizar a gestão. Com essas mudanças, inicia-se o processo de
quebra de paradigmas.

Segundo Luck (1998), o movimento em favor da descentralização e da


democratização da gestão das escolas públicas iniciou-se no princípio da
década de 1980, concentrando-se em três vertentes:

 Participação da Comunidade Escolar (seleção de diretores da


escola);
 Criação de Colegiado (conselho escolar);
69
 Autonomia Financeira;

Essas três vertentes deram a escola uma nova cara, pois além da
contribuição com a democratização, motivada pelo processo de seleção de
diretores e da instituição dos conselhos escolares, que permitiu a comunidade
adentrar a escola, tornando parte integrante e corresponsável pelas decisões e
ações desenvolvidas no dia a dia da escola, ainda teve o grande avanço na
autonomia financeira, garantindo a gestão da escola gerenciar os recursos
disponibilizados pelo governo através dos programas e projetos, de forma
consciente e coerente, atendendo às necessidades conforme a realidade da
escola no contexto social e econômico no qual está inserida.

Com esses avanços, ganha o aluno, os pais, a comunidade escolar e a


sociedade como todo, pois os resultados refletirão na qualidade do processo
ensino aprendizagem, foco maior do trabalho da escola.

70
Explicando melhor com a pesquisa

Sugerimos a leitura do artigo: Gestão Escolar: novas abordagens, novos


olhares e novas propostas da autoria de Eunice Maria Ferreira Silva, o texto
apresenta um estudo sobre alguns temas centrais da gestão escolar, abordados
pela pesquisa realizada em três escolas da rede pública estadual da Baixada
Fluminense, região periférica da cidade do Rio de Janeiro.

Propomos também que leia o artigo: O Papel do Pedagogo na Gestão:


possibilidades de mediação do currículo. A gestão democrática na escola
pública foi o objeto de análise deste trabalho. O presente artigo traz em debate o
papel do pedagogo na gestão – democrática - escolar e na mediação do currículo
como expressão da intencionalidade da escola em função dos seus sujeitos.

GUIA DE ESTUDO: Após a leitura dos artigos, escolha um e realize um


fichamento a partir das ideias que mais se destacaram, em seguida compartilhe
com seus colegas na sala virtual através do fórum de debates.

71
Leitura Obrigatória

Este livro destina-se aos profissionais de ensino que atuam


nas escolas ocupando as diferentes funções que dão apoio
ao trabalho dos professores e dos alunos (diretores, vice-
diretores, coordenadores pedagógicos, orientadores
educacionais), em especial, aos estudantes dos cursos de
Pedagogia, aos alunos das demais Licenciaturas, e todos
aqueles interessados na melhoria do ensino público
brasileiro.

PINTO, Umberto de Andrade. "Pedagogia escolar: coordenação pedagógica e


gestão educacional." São Paulo: Cortez Editora.

GUIA DE ESTUDO:
Após a leitura da obra, realize uma síntese a partir das ideias que ficaram mais
vivas em sua memória, em seguida compartilhe com seus colegas na sala virtual
através do fórum de debates.

72
Saiba mais

Sugerimos a leitura da Entrevista com Patricia Mota Guedes, especialista


em Gestão Educacional concedida ao Blog Gestão 2 - Polo Itaguaí/ RJ. Nesta
entrevista é abordado que a supervisão escolar é indispensável na comunidade
escolar, na medida em que o mesmo participa do processo de gestão
democrática.

Leia também a entrevista: Gestão: ação para mudança em educação. Esta


entrevista fala sobre a situação do Orientador Educacional nas instituições
escolares atualmente.

GUIA DE ESTUDO:
Após a leitura das obras, escolha uma e realize uma síntese a partir das ideias
que ficaram mais vivas em sua memória, em seguida compartilhe com seus
colegas na sala virtual através do fórum de debates.

73
Pesquisando com a Internet

Para ampliar seus conhecimentos realize uma pesquise destacando os


avanços da Gestão Educacional em duas categorias: impasses e perspectivas.

GUIA DE ESTUDO:
Logo após a pesquisa, reflita e responda: Uma escola deve formar para a
cidadania. De que forma ela pode colocar em prática esta missão? Comente com
seus colegas na sala virtual através do fórum de debates.

74
Vendo com os olhos de ver

Propomos você que assista ao vídeo “Entre os muros da


Escola”, um filme produzido na França no ano de 2008 que
põe em questão fatores como: a indisciplina, a postura do
professor, a realidade de um sistema educacional civilizador e
a diversidade cultural que existe na sala de aula, a
desestrutura familiar, dentre outros fatores sociais, culturais e
econômicos que podem influenciar positivamente ou
negativamente a formação humana. No filme você verá que a
realidade exposta naquele ambiente escolar não difere muito do que tem ocorrido
atualmente nas salas de aulas, no pátio da escola e no sistema educacional de
muitas escolas públicas e também privadas existentes no Brasil ou em outra parte
do mundo.

GUIA DE ESTUDO:
Após assistir o vídeo, identifique aspectos em que o filme expressa a realidade
econômica, social, política e cultural da atualidade. (Analise a partir de categorias,
conceitos ou ideias estudadas).

75
Revisando

Aprendemos que a gestão educacional do Brasil é baseada na


organização dos sistemas de ensino nas esferas federal, estadual e municipal
considerando as formas que determinam as normas, a execução e a deliberação
do processo educacional da gestão escolar.

Discutimos que a gestão escolar trata das atividades dos sistemas de


ensino, respeitando as propostas pedagógicas, metodológicas e curriculares da
instituição. Compreendemos que cada escola deve elaborar e executar sua
proposta pedagógica, administrar seu pessoal e seus recursos materiais e
financeiros; proporcionando meios para a qualidade do ensino e da aprendizagem;
proporcionando um processo de integração inovador.

Debatemos a importância da gestão participativa e a participação da família


nas comunidades de aprendizagem. Foram apresentados os protagonistas que
compreendem o trabalho desenvolvido na gestão educacional juntamente com o
percurso histórico e as práticas desenvolvidas no contexto escolar. Conhecemos
também as especificidades e as características que compreendem as funções do
gestor escolar.

Constatou-se que atualmente a gestão das escolas é acompanhada pelos


resultados quantitativos dos indicadores educacionais podendo chegar a medir a
qualidade do ensino e aprendizagem pelos números apresentados.

Descobriu-se que os princípios legais da política da gestão educacional


estão voltados para a democracia envolvendo a participação coletiva no

76
planejamento e tomadas de decisões na escola, estabelecendo a qualidade social
da educação.
A última unidade abordou sobre a formação dos profissionais da
educação conforme o que preconiza as leis e diretrizes da educação brasileira,
buscando qualificar o gestor escolar para uma atuação eficiente e eficaz na
escola, de forma a desenvolver um trabalho baseado nos princípios da
democracia, participação e qualidade da educação.

77
Autoavaliação

1. O que você entende sobre Gestão Educacional?

2. Quais os elementos necessários para uma boa gestão?

3. Qual a relevância da gestão na escola para a vida profissional do


estudante?

4. O que acontece na Gestão Educacional no Mundo Contemporâneo?

5. A gestão democrática é desenvolvida no ambiente escolar de forma


eficiente, sem limitações e obstáculos?

6. Por que na escola é preciso uma gestão participativa?

7. O que você entende por Gestão Educacional e Gestão Escolar?

8. A gestão democrática engloba as ações dos responsáveis pela instituição


escolar, desde a divisão do trabalho até as tomadas de decisão?

78
Bibliografia

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Vídeos

Entre os Muros da Escola. Direção: Laurent Cantet. Roteiro: Laurent


Cantet, François Bégaudeau, Robin Campillo. Edição: Robin Campillo, Stephanie
Legger. Gênero: Drama/Comédia dramática. França. 2008 (Duração: 2h 10m).

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Você também pode gostar