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Módulo 03 – Professor Renê Dutra1

Vídeo Aula 22
O Conselho Tutelar
Este pretende tratar de algumas características do Conselho Tutelar.
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente todo município deve ter pelo
menos um Conselho Tutelar, porém, em muitos locais, ele ainda muito
desconhecido. É importantíssimo que os professores e professoras conheçam
o Conselho Tutelar. Poderíamos dizer que os educadores não têm o direito de
desconhecer este órgão tão importante na garantia e na defesa dos direitos de
crianças e adolescentes.
Segundo o artigo 131 do ECA, o Conselho Tutelar foi pensado como um
órgão permanente, autônomo (independente nas suas decisões em relação às
crianças e adolescentes que atende), não jurisdicional (não compõe o Poder
Judiciário, nem é subordinado a ele), encarregado pela sociedade, para
garantir os direitos de nossas crianças e adolescentes. O Conselho Tutelar é
tão ligado à sociedade que quem o escolhe, quem elege este colegiado, de
cinco conselheiros ou conselheiras é a própria comunidade, por um processo
municipal, conduzindo pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
Adolescente, que também tem a incumbência de organizar a política da criança
e do adolescente no município.
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente –
CMDCA – é também um órgão importantíssimo, muitas vezes mais
desconhecido do que o próprio Conselho Tutelar, mas que tem que ser muito

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Renê Dutra é conselheiro tutelar de Rio das Ostras/RJ, representante da Associação de
Conselheiros Tutelares do Rio de Janeiro e membro do Fórum Colegiado Nacional de
Conselheiros Tutelares (FCNCT).
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Foram feitas apenas as adaptações necessárias à transposição do texto falado para o texto
escrito.
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valorizado pela sociedade. O Conselho Municipal dos Direitos e o Conselho
Tutelar são dois órgãos que a sociedade precisa conhecer e valorizar muito.
Ambos são escolhidos pela comunidade, para garantir os direitos das crianças
e adolescentes. E quando a comunidade escolhe os seus representantes, ela
precisa estar mais presente, interferindo cada vez mais no trabalho do
Conselho Tutelar, colaborando para que ele funcione melhor, pois nós temos
municípios onde o Conselho Tutelar é muito desvalorizado pelo poder público,
que não garante uma estrutura mínima de funcionamento ou condições para
que os conselheiros possam desenvolver bem o seu trabalho.
É preciso que a sociedade se empodere e perceba a necessidade de ter o
seu Conselho Tutelar organizado, fortalecido, porque ele representa a própria
comunidade, foi escolhido por ela e, por isso, tem que ser cada vez mais
valorizado. O Conselho Tutelar só funciona bem se tiver uma rede de
atendimento muito articulada no município.
Outro ponto importante é que o Conselho não é um órgão punitivo. Ele
não foi pensado como órgão de polícia em momento nenhum. Ao contrário, foi
concebido como garantidor de direitos, ou seja, é um órgão de defesa, que veio
defender a criança e o adolescente em nome da comunidade. O Conselho
Tutelar não se representa, ele representa a comunidade que o elegeu para
esta função. É importantíssimo lembrar que os educadores e educadoras que
ainda mantém discursos que buscam ameaçar alunos com o Conselho Tutelar
estão totalmente equivocados, porque a razão de existir do conselho é
exatamente inversa: defender e garantir o direito da criança e do adolescente.
O Conselho Tutelar sempre vai agir, conforme define o artigo 98 do ECA,
quando os direitos de crianças ou adolescentes são ameaçados ou violados. É
importante frisar que mesmo quando nós suspeitamos de alguma situação de
violação, por causa, por exemplo, de um comportamento diferente de um
aluno, quando percebemos que a criança está mais quieta, com um
comportamento que não é o natural do seu dia a dia, ou quando vemos marcas
naquela criança, mesmo que nós suspeitemos de alguma coisa, mesmo que
nós não comprovemos, nós precisamos notificar. O educador deve encaminhar
para quem de direito, ou seja, para o órgão que tem a função de verificar estes
casos, que é o Conselho Tutelar.
Usando uma metodologia adequada, buscando suporte nas equipes
técnicas ou na rede local, o conselho deverá verificar a denúncia e, percebendo
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agressões aos direitos básicos, encaminhará esta criança ou família aos
serviços existentes, acompanhando o caso e aplicando medidas de proteção.
Estas medidas, elencadas no artigo 101, destinam-se à criança e ao
adolescente. Também existem àquelas aplicadas aos pais ou responsável,
conforme o artigo 129, ambos do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Apenas como exemplo, podemos citar entre as medidas aplicadas aos
pais ou responsáveis, o encaminhamento a programa oficial e comunitário de
proteção à família, ou a inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio
à alcoólatras e toxicômanos. Sempre buscando apoiar esta família, também
orientando-a. No dia a dia da escola nós percebemos que a questão do álcool
e da droga representam problemas seriíssimos na nossa realidade escolar.
Determinar o tratamento destas famílias, crianças ou adolescente é uma das
atribuições do conselho.
Outro ponto importantíssimo é que o Conselho encaminha, ele não
executa as medidas diretamente como, equivocadamente, muitos acreditam. O
Conselho encaminha para quem de direito, para quem tem a função e a
capacitação para os atendimentos, como médicos, psicólogos, ou assistentes
sociais, entre outros. Este contato com os profissionais e serviços do município
permite que o Conselho colabore muito com a articulação da rede de proteção,
pois ele atua em contato com praticamente todos os órgãos de atendimento.
Outros exemplos de encaminhamentos são os serviços de tratamento
psiquiátrico para crianças ou responsáveis, cursos, programas de orientação
ou outros serviços existentes no município (governamentais ou não). Muitas
vezes a criança é encaminhada para um tratamento especializado e a família
negligencia, não levando a criança ao serviço. Nestes casos, se o problema se
repete, ela terá que ser advertida, porque está negligenciando esta tarefa que é sua.
É muito importante que nós conheçamos as medidas constantes no
Estatuto, que tenhamos o domínio delas, para que possamos ajudar a resolver
toda esta problemática de violação. Entender que existem medidas a serem
aplicadas pelas autoridades competentes é parte da solução deste problema, e
nós, enquanto educadores e educadoras, não podemos estar fora desta tarefa.
Esta tarefa é de todos nós. Alguns aplicam as medidas, mas toda a sociedade
tem a incumbência de ajudar na resolução destes problemas, e nós como
comunidade educativa, como aqueles que convivem muito com as crianças,
pelo menos uma parte do dia, quase que diariamente, precisamos estar cientes

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das possibilidades de atuação e das disposições legais colocadas no Estatuto
da Criança e do Adolescente.