Você está na página 1de 422

Curso Preparatório INTENSIVO 2011

Para os cargos de
2011

PROFESSOR
GESTOR, SUPERVISOR e COORDENADOR
,
CONCURSOS

Conteúdo
LÍNGUA
PORTUGUESA

CONCURSOS
1
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

.:: LÍNGUA PORTUGUESA ::. Exemplo: sAÚde / UÍsque.


OBS: no hiato não existe semivogal
1. Fonética e Fonologia: Relações entre NOTAS: As letras M e N devem ser analisadas com
ortografia, fonética e fonologia: letras e muito cuidado. Elas podem ser:
grafemas; encontros vocálicos e consonantais;
dígrafos; sílabas; acento tônico, acentuação
Consoantes = Quando estiverem no início da
gráfica, regras de acentuação; ortografia.
sílaba.

FONÉTICA Semivogais = Quando formarem os grupos AM, EM


e EN, em final de palavra - somente em final de
Fonema – é som; é a menor parte sonora palavra - sendo representadas foneticamente por Y
constitutiva da palavra. ou W.
Letra – é a representação gráfica do fonema; é o
grafema. Dígrafos Vocálicos ou Ressôo Nasal = Quando
Exemplos: estiverem após vogal, na mesma sílaba que ela,
Bico / Pico caMa / caNa bEla / bOla bAla / bUla excetuando os três grupos acima. Indica que o M e
o N não são pronunciados, apenas tornam a vogal
CRITÉRIOS PARA SE CONTAR FONEMAS nasal, portanto haverá duas letras (a vogal + M ou
N) com um fonema só (a vogal nasal).
DÍGRAFOS:
Consonantais Por exemplo, na palavra manchem, terceira pessoa
CHuva / miLHo / niNHo / aSSunto / deSCer / deSÇa do plural do presente do subjuntivo do verbo
/ eXCeção / eXSudar / GUilherme / QUero / baRRo. manchar, teremos o seguinte: man-chem, 2 vogais =
a, e; 2 consoantes = o 1º m, x(ch); 1 semivogal = y
Vocálicos: (o 2º m); 1 ressôo nasal = an (ã). mãxẽy.
cAMpo / sEMpre / lIMpo / tOMbo / sUNga.
Também chamados de nasalização. Na palavra viagem, vi-a-gem, 3 vogais = i, a, e; 2
consoantes = v, g; 1 semivogal = y (m). viajẽy.
 A letra “H” não se conta como fonema.
Exemplo:
Hoje / oje 1.1 – Acentuação Gráfica

ENCONTROS CONSONANTAIS:
Separáveis – ( AD / VO / GA / DO) (AP / TI / DÃO) 1.1.1. ACENTUAÇÂO DOS PROPAROXÍTONOS
Inseparáveis – (PLA / CA) (PRO / JE / TO
Todas as palavras proparoxítonas são graficamente
ENCONTROS VOCÁLICOS: acentuadas.
Ex.: árvore, metafísica, lâmpada, Ângela, lêvedo,
DITONGO: ínterim, legítimo, matemática, apóstrofe, lídimo,
aborígene etc.
Crescente (semivogal + vogal)
Exemplo: sérIE – vácUO 1.1.2. ACENTUAÇÃO DOS PAROXÍTONOS

Decrescente ( vogal + semivogal) Todos terminados em : l, n, r, x, i, is, us, um,


Exemplo: rEI / sabÃO uns, ps, on, ons, ã, ãs, ão, ãos, ditongo oral
(crescente ou decrescente)
OBS: podem ser orais e nasais.
Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas
TRITONGO (semivogal + vogal + semivogal)
em:
Exemplo ParagUAI / sagUÃO
OBS: podem ser orais ou nasais.
l – fácil, adorável, amável.
HIATO (vogal + vogal) n – pólen, hífen, hímen.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
2
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

r – caráter, revólver, mártir. Verbos crer, dar, ler, ver (e derivados)


x – Félix, ônix, tórax, fênix.
Não mais se emprega o acento circunflexo na
i/is – táxi, lápis, tênis, oásis.
terceira pessoa do plural do presente do indicativo
us – bônus, ânus, ônus dos verbos crer, dar, ler, ver (e de seus derivados).
um, uns – álbum, álbuns, médium. Creem, deem, leem, veem, descreem, desdeem,
ps – fórceps, bíceps, tríceps. releem, reveem.
on, ons – próton, elétron, nêutrons.
Acentuação das vogais i e u nos hiatos
ã (s) – ímã, órfãs, ímãs.
ão (s) – órgãos, sótãos, órfão. Não se acentuam as letras i e u tônicas que formam
Ditongo oral crescente e decrescente – infância, hiato com a vogal anterior, quando precedidas de
óleo, férias, série, pônei, jóquei, úteis. ditongo.

1.1.3. ACENTUAÇÃO DOS OXÍTONOS como era como fica


Baiúca baiuca
Acentuam-se todas as palavras oxítonas terminadas Boiúna boiuna
em: Feiúra feiura
- a, e, o (seguidas ou não de S) – maracujá, vocês,
bisavô, cipós, atrás, através, francês, olá, até, vovô, Observações:
avós, etc.  Nas palavras oxítonas, o acento se mantém:
- em/ens – armazém, porém, parabéns, vinténs, Piauí, tuiuiú
etc.
 Para os demais casos, nada muda, ou seja, as
1.1.4. ACENTUAÇÃO DOS MONOSSÍLABOS letras i e u receberão acento agudo se:
a) estiverem sozinhas na sílaba ou com a letra s;
Acentuam-se todos os monossílabos tônicos b) vierem seguidas de uma vogal não idêntica;
terminados em: c) não estiverem seguidas pelo dígrafo nh.
- a, e, o (seguidas ou não de S) – pá, lá, cá, já, fé, Ex.: sa-í-da, sa-ú-de, sa-ís-te, ba-la-ús-tre, pa-ís,
pé, rês, mês, pó, dó, nós, vós, etc. he-ro-í-na, juízes, ra-í-zes, vi-ú-va, ba-ú, fa-ís-ca, ré-
u-ne, Ita-ú, etc.
1.1.5. ACENTUAÇÃO DOS DITONGOS
 Mas: ruim, Raul, juiz, raiz, rainha, bainha, tainha,
Acentuação dos ditongos de base tônica e de campainha – não possuem acento gráfico.
pronúncia aberta éu, éi, ói
Os ditongos de pronúncia aberta éu, éi, ói recebem 1.1.7. USO DO TREMA
acento agudo na vogal quando ocorrem em
palavras oxítonas ou monossilábicas: Pelo Acordo Ortográfico, o trema fica abolido.
Exemplos: céu, anéis, dói, mausoléu, chapéu,
herói, pastéis, anéis, anzóis. Exemplos: aguentar, sagui, frequente, tranquilo,
linguiça.
Nas palavras paroxítonas, esses ditongos não
deverão mais ser acentuados. Obs.: Conserva-se, no entanto, o trema em
palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros:
Exemplos: assembleia, ideia, heroico, jiboia, hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.
geleia, paranoico, joia, mocreia etc
Importante:
Insisto:  O Acordo aboliu o sinal gráfico trema (¨), mas a
 O acento agudo dos ditongos abertos éu, éi, ói só pronúncia das palavras que recebiam trema nos
desapareceu nas palavras paroxítonas. As encontros gue, gui, que, qui continua a mesma.
oxítonas e os monossílabos tônicos terminados Assim, o u das palavras da lista acima devem ser
em éu, éi, ói continuam recebendo acento gráfico. pronunciadas como antes: aguentar, sagui,
frequente, tranquilo. Lembre-se de que se trata de
1.1.6. ACENTUAÇÃO DOS HIATOS um acordo ortográfico, ou seja, modifica-se a
grafia, mas não a pronúncia das palavras, de sorte
Hiato oo que se continuará a pronunciar as palavras da
O hiato oo não mais recebe acento circunflexo: mesma maneira como eram pronunciadas antes do
enjoo, voo, abençoo, magoo. Acordo, apesar de a grafia ter sido alterada.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
3
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
Observações: pêlo (substantivo) para distinguir de pelo
(contração)
1. Não se usa mais o acento agudo no u pêra (substantivo) para distinguir de pera
tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) (preposição arcaica)
arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir
e redarguir. Em síntese:
Só há, em português, a partir da reforma, duas
2. Há uma variação na pronúncia dos verbos palavras que obrigatoriamente recebem acento
terminados em guar, quar e quir, como aguar, circunflexo diferencial: pôr (verbo) e pôde (terceira
averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, pessoa do singular do pretérito perfeito do
delinquir etc. Esses verbos admitem duas indicativo).
pronúncias em algumas formas do presente do
indicativo, do presente do subjuntivo e também do
imperativo. 2 – Morfologia: classes nocionais e
Veja: gramaticais; classificação, flexão e emprego de
a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas nomes e verbos; processos de formação de
formas devem ser acentuadas. palavras; estrutura dos vocábulos.
Exemplos:
• verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, 2.1. ESTRUTURA E PROCESSOS DE
enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem. FORMAÇÃO DE PALAVRAS.
• verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque,
delínquem; delínqua, delínquas, delínquam. MORFOLOGIA
É a parte da Gramática que estuda a
b) se forem pronunciadas com u tônico, essas estrutura, a formação, a classificação e os
formas deixam de ser acentuadas. mecanismos de flexão das palavras.
Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve
ser pronunciada mais fortemente que as outras): MORFEMAS
• verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, São unidades mínimas de significação que
enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem. se agrupam para formar palavras.
• verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque,
delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.
CLASSIFICAÇÃO DOS MORFEMAS
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a
primeira, aquela com a e i tônicos. RADICAl: govern/ pedr/ feliz.
1.1.8 ACENTUAÇÃO DAS FORMAS VERBAIS AFIXOS:
a) prefixos: INfeliz / DESleal.
1. Os verbos ter e vir, assim com seus derivados, b) sufixos: felizMENTE / formOSO.
recebem o acento circunflexo na terceira pessoa do
plural do presente do indicativo: DESINÊNCIAS:
ele tem – eles têm; ele contém – eles contêm; ele norminais: governoS / meninA.
detém – eles detêm; verbais: cantáSSE-MOS / amaVA.
ele vem – eles vêm; ele provém – eles provêm; ele
intervém – eles intervêm. VOGAL TEMÁTICA:
A= primeira conjugação amAR
1.1.9 ACENTO DIFERENCIAL E= segunda conjugação vendEr
I= terceira conjugação partIr
Emprega-se o acento diferencial em:
a) pôde (terceira pessoa do singular do pretérito TEMA: soma do radical + vogal temática.
perfeito do indicativo do verbo poder) para distinguir AM + A = AMA
de pode (terceira pessoa do singular do presente VEND + E = VENDE
indicativo do mesmo verbo). PART = I = PARTI
b) pôr (forma verbal) para distingui-la de por
(preposição). Obs: Os verbos terminados em OR pertencem a
segunda conjugação (pôr – repor – depor..)
Observação:
 Pelo Acordo, desaparecem os demais acentos VOGAL OU CONSOANTE DE LIGAÇÃO
diferenciais, como em: Ex: cafeTeira / gasÔmetro
pára (verbo) para distinguir de para (preposição)

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
4
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

2.2. PROCESSOS DE FORMAÇÃO DAS 2) SIGLONIMIZAÇÃO (SIGLAS):


PALAVRAS Ex: CPF (Cadastro de pessoas físicas)
FGTS (Fundo de garantia por tempo de serviço)
2.2.1 - DERIVAÇÃO PIB (Produto Interno Bruto)
Subdivide-se em:
3) PALAVRA – VALISE:
A- PREFIXAL Acoplamento de duas palavras em que uma das
Acréscimo de prefixo à palavra primitiva. quais pelo menos sofreu truncação.
Ex; REpor / COMpor / DISpor / INfeliz. Ex: PORTUNHOL (português e espanhol)
brasiguaio
B – SUFIXAL GRENAL (grêmio e internacional)
Acréscimo de sufixo à palavra primitiva:
Ex: felizMENTE / lealDADE / unhaDA 4) ONOMATOPEIA:
Nova forma de uma palavra por meio de uma
C – PREFIXAL E SUFIXAL imitação de sons.
(junção não simultânea) de um prefixo e um sufixo. Ex: pingue-pongue / tique-taque/ bang-bang
Ex: INfelizMENTE / DESlealDADE
2.2 – Morfologia: classes nocionais e
D – PARASSINTÉTICA gramaticais; classificação, flexão e emprego de
(junção simultânea ) de prefixo e sufixo. nomes e verbos.
Ex: AnoiteCER / EMpobreCER
MORFOLOGIA
E – IMPRÓPRIA
Consiste em mudar a classe gramatical A Morfologia é o estudo da palavra dentro da
Ex: comício MONSTRO / O NÃO da noiva ... nossa língua. Elas são agrupadas em dez
classes, denominadas classe de palavras ou
F – REGRESSIVA classes gramaticais.
O substantivo indica ação do verbo.
Ex: O choro (ação de chorar) a caça A seguir, estão listadas as classes:
O combate (ação de combater) Substantivo
Artigo
2.2.2 - COMPOSIÇÃO Adjetivo
Subdivide-se em: Numeral
Pronome
Verbo
A – JUSTAPOSIÇÃO Advérbio
União de elementos sem queda de um deles. Preposição
Conjunção
Ex: passa + tempo (passatempo) Interjeição
quinta + feira (quinta-feira)
Substantivo.
B – AGLUTINAÇÃO Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. A
União de elementos com queda de um deles. palavra que indica o nome dos seres pertence a
Ex: água + ardente (aguardente) uma classe chamada substantivo.
perna + alta (pernalta)
plano + alto (planalto) SUBSTANTIVO é a palavra que dá nome ao ser.
Além de objeto, pessoa e fenômeno, o substantivo
OBS: A Composição também pode ser formada por dá nome a outros seres:
elementos de línguas diferentes (HIBRIDISMO): -lugares: Alfredo Marcondes, Presidente Prudente...
Ex: burocracia (francês + grego) -sentimentos: raiva, amor...
televisão ( grego + latim ) -estados: alegria, tristeza...
bigamia (latim + grego) -qualidades: honestidade, sinceridade...
sambódromo (África + grego) -ações: corrida, pescaria...
2.2.3 - Outros processos de formação de Classificação do substantivo:
palavras:
Comum - é aquele que indica um nome comum a
1) ABREVIAÇÃO VOCABULAR: todos os seres da mesma espécie. Exemplos:
Ex: Florianópolis (Floripa) Futsal criança, rio, cidade, estado, país...
Telefone (Fone)

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
5
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
Coletivo - entre os substantivos comuns Exemplos: A menina, uma menina.
encontram-se os coletivos, que, embora no singular, Classificação do Artigo
indicam uma multiplicidade de seres da mesma O artigo se classifica de acordo com a idéia que
espécie. Exemplos: atribui ao ser em relação a outros da mesma
boiada (de bois), cardume (de peixes), semana (os espécie.
sete dias)... Ex.: Um homem tocou a campainha. Era o técnico
chamado para consertar a TV.
Próprio - é aquele que particulariza um ser da Portanto, o artigo classifica-se em:
espécie.
Exemplos: João, Tietê, Ceará, Caio, Brasil... Definido - é aquele usado para determinar o
Possuem nomes próprios principalmente: substantivo de forma definida: o, as, os, as.
-pessoas
-cidades Indefinido - é aquele usado para determinar o
-estados substantivo de forma indefinida: um, uma, uns,
-países umas.
-rios
-animais domésticos Flexão do Artigo
O artigo é uma classe variável. Varia de gênero e
Concreto - é aquele que indica seres reais ou número para concordar com o substantivo a que se
imaginários, de existência independente de outros refere.
seres.
Exemplos: Adjetivo
-casa (ser real)
-Uruguai (ser real) Outra palavra que, na frase, se relaciona ao
-bruxa (ser imaginário) substantivo, é o adjetivo.
-saci (ser imaginário) Adjetivo é a palavra que caracteriza o substantivo.
O adjetivo, ao caracterizar o substantivo, pode
Abstrato - é aquele que indica seres dependentes indicar: QUALIDADE (delicado, estúpido), ESTADO
de outros seres, não podem ser desenhados. (confuso, calmo), LUGAR DE ORIGEM (brasileiro,
Exemplos: ódio, trabalho, solidão, beleza... carioca).
Portanto, os substantivos que indicam sentimentos,
ações, estados e qualidades são abstratos. Formação do Adjetivo
Como o substantivo, o adjetivo pode ser:
Formação do substantivo:
Primitivo - é aquele que não deriva de outra
Primitivo - é aquele que dá origem a outras palavra. Ex.:pequeno, doce...
palavras.
Exemplos: ferro, pedra, terra... Derivado - é aquele que deriva de outra palavra
(geralmente de substantivos ou verbos). Ex.:
Derivado - é aquele que se origina, que se forma de preguiçosa(subst. preguiça), amargurado(verbo
outra palavra. amargurar)...
Exemplos:
-pedreira, pedrada, pedregulho (derivado de terra) Simples - é aquele formado de apenas um radical.
-terreno, terreiro, terráqueo (derivado de terra) Ex.: escuro, brasileiro...

Composto - é aquele formado com mais de um


Simples - é aquele formado de apenas um radical. radical: castanho-claro, luso-brasileiro...
Ex.: flor maçã couve banana...
Numeral
Composto - é aquele formado com mais de um
radical. Entre as palavras que se relacionam, na frase, ao
Ex.: substantivo há também o numeral.
banana-maçã, couve-flor, girassol, planalto... Exemplo: Comprou duas caixinhas de música.
Numeral é a palavra que se refere ao substantivo
Artigo dando a idéia de número.
O numeral pode indicar:
Na frase, há muitas palavras que se relacionam ao *quantidade - Choveu durante quatro semanas.
substantivo. Uma delas é o artigo. *ordem - O terceiro aluno da fileira era o mais alto.
Artigo é a palavra que se antepõe ao substantivo *multiplicação - O operário pediu o dobro do salário.
para determiná-lo. *fração - Comeu meia maça.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
6
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Classificação do Numeral Pronomes pessoais de Tratamento


Cardinal - Indica uma quantidade determinada de Os pronomes pessoais de tratamento representam
seres. a forma de se tratar as pessoas: trato cortês ou
Ordinal - Indica a ordem (posição) que o ser ocupa informal. Os mais usados são: Você, Senhor, Vossa
numa série. Senhoria, Vossa Excelência, Vossa Alteza, Vossa
Multiplicativo - Expressa a idéia de multiplicação, Majestade, Vossa Magnificência...
indicando quantas vezes a quantidade foi
aumentada. Pronomes possessivos
Fracionário - Expressa a idéia de divisão, indicando Pronomes Possessivos são palavras que, ao
em quantas partes a quantidade foi dividida. indicarem a pessoa gramatical(possuidor),
acrescentam a ela a idéia de posse de algo(coisa
possuída).
Pronome
Pronomes possessivos:
Além do artigo, adjetivo e numeral há ainda outra primeira pessoa do
palavra que, na frase, se relaciona ao substantivo: é singular meu, minha, meus,
o pronome. segunda pessoa do minhas
Pronome é a palavra que substitui ou acompanha singular teu, tua, teus, tuas
um substantivo, relacionando-o à pessoa do terceira pessoa do seu, sua, seus, suas
discurso. singular
As pessoas do discurso são três:
*Primeira pessoa: a pessoa que fala nosso, nossa, nossos,
*Segunda pessoa: a pessoa com quem se fala primeira pessoa do plural nossas
*Terceira pessoa: a pessoa de quem se fala segunda pessoa do plural vosso, vossa, vossos,
terceira pessoa do plural vossas
Classificação do Pronome seu, sua, seus, suas
Há seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos,
demonstrativos, indefinidos, interrogativos e O pronome possessivo concorda em pessoa com o
relativos. possuidor e em gênero e número com a coisa
Pronomes pessoais possuída.
Os pronomes pessoais substituem os substantivos, Pronomes Demonstrativos
indicando as pessoas do discurso. São eles: retos, Pronomes Demonstrativos são palavras que
oblíquos e de tratamento. indicam, no espaço ou no tempo, a posição de um
ser em relação às pessoas do discurso.
Pronomes pessoais retos e oblíquos:
Pessoas do Pronomes Pronomes demonstrativos:
Pronomes oblíquos
discurso Retos Variáveis Invariáveis
primeira pessoa este, esta, estes, estas
isto
do singular me, mim, comigo esse, essa, esses, essas
eu isso
segunda pessoa te, ti, contigo aquele, aquela, aqueles,
tu aquilo
do singular se, si, o, a, lhe, aquelas
ele /ela
terceira pessoa consigo, ele, ela
do singular Pronomes Indefinidos
primeira pessoa Pronomes Indefinidos são palavras que se referem
do plural nos, nós, conosco à Terceira pessoa do discurso, dando-lhe sentido
nós
segunda pessoa vos, vós, convosco vago ou expressando quantidade indeterminada.
vós
do plural se, si, os, as, lhes,
eles /elas
terceira pessoa consigo, eles, elas Pronomes indefinidos:
do plural Variáveis Invariáveis
algum, nenhum, todo,
Formas Pronominais Algo, alguém
muito
Os pronomes o, a, os, as, adquirem as seguintes nada, ninguém
pouco, certo, outro,
formas: tudo, cada
quanto
- lo, la, los, las, quando associados a verbos outrem, quem mais
tanto, vários, diversos
terminados em r, s ou z. Ex.: encontrá-lo, fê-las... menos, demais
um, qual, bastante
- no, na, nos, nas, quando associados a verbos
terminados em som nasal. Ex.: encontraram-no,
põe-nas.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
7
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
Pronomes Interrogativos As indicações de certeza, dúvida e ordem são
Pronomes Interrogativos são aqueles usados na determinadas pelos modos verbais. São portanto
formulação de perguntas diretas ou indiretas. Assim três modos verbais: Indicativo(fato certo),
como os indefinidos, referem-se a Terceira Pessoa Subjuntivo(fato duvidoso), Imperativo(ordem).
do Discurso.
São eles: que, quem, qual, quanto... Vozes do Verbo
Voz é a maneira como se apresenta a ação
Pronomes Relativos expressa pelo verbo em relação ao sujeito. São três
São pronomes relativos aqueles que representam as vozes verbais:
nomes já mencionados anteriormente e com os Ativa - o sujeito é o agente da ação, ou seja, é ele
quais se relacionam. Ex.: quem pratica a ação. Ex.: Ele quebrou o copo.
A página que estou navegando é muito boa. Passiva - o sujeito é paciente, isto é, sofre a ação
expressa pelo verbo. Ex.: O copo foi quebrado por
ele.
Pronomes relativos: Reflexiva - o sujeito é ao mesmo tempo agente e
Variáveis Invariáveis paciente da ação verbal, isto é, pratica e sofre a
ação expressa pelo verbo. Ex.: O garoto cortou-se.
o qual, cujo, quanto que, quem, onde
Advérbio
Há palavras que são usadas para indicar as
Verbo circunstâncias em que ocorre a ação verbal: são os
advérbios.
Quando se pratica uma ação, a palavra que Advérbio é a palavra que indica as circunstâncias
representa essa ação, indicando o momento que ela em que ocorre a ação verbal.
ocorre, é o verbo. Uma ação ocorrida num Classificação do advérbio
determinado tempo também pode constituir-se num De acordo com as circunstâncias que exprime, o
fenômeno da natureza expresso por um verbo. advérbio pode ser de:
Verbo é a palavra que expressa ação, estado e Tempo(ontem, hoje, logo, antes, depois)
fenômeno da natureza situados no tempo. Lugar(aqui, ali, acolá, atrás, além)
Modo(bem, mal, depressa, assim, devagar)
Conjugações do Verbo Afirmação(sim, deveras, certamente, realmente)
Na língua portuguesa, três vogais antecedem o "r" Negaçào(não, absolutamente, tampouco)
na formação do infinitivo: a-e-i. Essas vogais Dúvida(talvez, quiçá, porventura, provavelmente)
caracterizam a conjugação do verbo. Os verbos Intensidade(muito, pouco, mais, bastante)
estão agrupados, então, em três conjugações: a
primeira conjugação (terminados em ar), a segunda Locução Adverbial
conjugação (terminados em er) e a terceira É um conjunto de duas ou mais palavras com valor
conjugação(terminados em ir). de advérbio.
Exemplos:
Flexão do Verbo Ele virá com certeza.
O verbo é constituído, basicamente, de duas partes: Ele chegou de repente.
radical e terminações. Advérbios Interrogativos
Exemplo: São advérbios interrogativos: quando(de tempo),
radical: escrev como(de modo), onde(de lugar), por que(causa).
terminações: o, es, e, emos, eis, em. Podem aparecer tanto nas interrogativas diretas
As terminações do verbo variam para indicar a quanto nas indiretas.
pessoa, o número, o tempo, o modo.
Preposição
Tempo e Modo do Verbo Há palavras que, na frase, são usadas como
O fato expresso pelo verbo aparece sempre situado elementos de ligação: uma delas é a preposição.
nos tempos: Preposição é a palavra invariável que liga dois
presente - Ele anuncia o fim da chuva. termos: a, de, em, por, com, para, sob, sobre,
passado - Ele anunciou o fim da chuva. contra, sem.
futuro - Ele anunciará o fim da chuva. Nessa ligação entre os dois termos, cria-se uma
Além de o fato estar situado no tempo, ele também relação de subordinação em que o segundo termo
pode indicar: se subordina ao primeiro.
fato certo - Ele partirá amanhã.
fato duvidoso - Se ele partisse amanhã... Locução Prepositiva
ordem - Não partas amanhã. É o conjunto de duas ou mais palavras com valor de
uma preposição.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
8
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Ex.: afim de, através de, à custa de... Chegou, / viu / e venceu na vida.

Conjunção
Além da preposição, há outra palavra que, na frase, 1. Sujeito e predicado
é usada como elemento de ligação: a conjunção.
Conjunção é a palavra que liga duas orações ou Sujeito: termo sobre o qual recai a afirmação do
dois termos semelhantes de uma mesma oração. predicado e com o qual o verbo concorda.
Classificação das conjunções Predicado: termo que projeta uma afirmação sobre
As conjunções podem ser coordenativas e o sujeito.
subordinativas. As andorinhas voavam em festa.
(A parte de classificação de conjunções poderá ser
vista na parte da Análise sintática de orações, na
Tipos de sujeito
parte de Sintaxe).

Interjeição Determinado: o predicado se refere a um termo


Há palavras que expressam surpresa, alegria, explícito na frase. Mesmo que venha implícito, pode
aplauso, emoções. Essas palavras são as ser explicitado. A noite chegou fria.
interjeições. O sujeito determinado pode ser:
Interjeição é a palavra que procura expressar, de Simples: tem só um núcleo: A caravana passa.
modo vivo, um sentimento. Composto: tem mais de um núcleo: A água e o fogo
Classificação de interjeição não coexistem.
As interjeições classificam-se segundo as emoções
ou sentimentos que exprimem: Indeterminado: o predicado não se refere a
aclamação: Viva! qualquer elemento explícito na frase, nem é
advertência: Atenção! possível identificá-lo pelo contexto, mas ele existe.
agradecimento: Grato! (?) Falaram de você.
afugentamento: Arreda! (?) Falou-se de você.
alegria: Ah!
animação: Coragem! Inexistente ou oração sem sujeito: o predicado
pena: Oh! não se refere a elemento algum.
Choverá amanhã.
Locução Interjetiva Haverá reclamações.
São duas ou mais palavras com valor de interjeição. Faz quinze dias que vem chovendo.
Exemplos: Meu Deus!, Ora bolas!, Que horror!... É tarde

3 – Sintaxe: A frase e sua constituição. O


período e sua construção; coordenação e 2. Termos ligados ao verbo
subordinação; termos essenciais, integrantes e
acessórios; ordenação dos termos na oração. - Objeto direto: completa o sentido do verbo sem
Concordância nominal e verbal; regência preposição obrigatória.
nominal e verbal. Emprego do acento indicativo Os pássaros fazem seus ninhos.
da crase. Pontuação - Objeto indireto: completa o sentido do verbo por
meio de preposição obrigatória.
SINTAXE: é o estudo das relações que as A decisão cabe ao diretor.
palavras estabelecem entre si nos períodos. - Adjunto adverbial: liga-se ao verbo, não para
completá-lo, mas para indicar circunstância em que
FRASE: é o enunciado lingüístico capaz de ocorre a ação.
transmitir um conteúdo satisfatório. O cortejo seguia pelas ruas.
Ex: Bom dia ! Até logo! Socorro! Devagar! - Agente da voz passiva: liga-se a um verbo passivo
por meio de preposição para indicar quem executou
ORAÇÃO: é a frase formada em torno de um verbo. a ação.
Ex: Amélia estudava ao piano os exercícios de O fogo foi apagado pela água.
Hertz.
3. Termos ligados ao nome
PERÍODO – é o conteúdo que se constitui de duas
ou mais orações.
Adjunto adnominal: caracteriza o nome a que se
Ex: Rubião fitou um pé/que se mexia refere sem a mediação de verbo. As fortes chuvas
disfarçadamente. de verão estão caindo.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
9
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
Predicativo: caracteriza o nome a que se refere - Restritiva: é aquela que restringe ou particulariza o
sempre por meio de um verbo. Pode ser do sujeito e nome a que se refere. Vem iniciada por pronome
do objeto. relativo e não vem entre vírgulas.
As ruas dormiam quietas. Serão recebidos os alunos que passarem na prova.
Os juízes consideraram o injusto o resultado. - Explicativa: é aquela que não restringe nem
Aposto: termo de núcleo substantivo, que se liga a particulariza o nome a que se refere. Indica uma
um nome para identificá-lo. O aposto é sempre um propriedade pressuposta como pertinente a todos
equivalente do nome a que se refere. os elementos do conjunto a que se refere. Inicia-se
O tempo, inimigo impiedoso, foge apressado. por pronome relativo e vem entre vírgulas.
Complemento nominal: liga-se ao nome por meio de Os homens, que são racionais, não agem só por
preposição obrigatória e indica o alvo sobre o qual instinto.
se projeta a ação.
Procederam à remoção das pedras. Nota.
As conjunções integrantes que e se são os
4. Vocativo conectores que ligam a maioria dessas orações.

Termo isolado, que indica a pessoa a quem se faz


um chamado. Vem sempre entre vírgulas e admite a
anteposição da interjeição ó. 3.1.3. Orações subordinadas adverbiais.

Amigos, eu os convido a sentar. São aquelas que desempenham função sintática


própria do advérbio.
3.1 – Sintaxe do Período Composto O aluno foi bem na prova porque estava calmo.
(devido à sua calma).
- Causal: indica a causa que provocou a ocorrência
3.1.1. Orações subordinadas substantivas. relatada na oração principal.
A moça atrai a atenção de todos porque é muito
São aquelas que desempenham a mesma função bonita.
sintática do substantivo. - Consecutiva: indica a conseqüência que proveio
Os meninos observaram | que você chegou. (a sua da ocorrência relatada na oração principal.
chegada). A moça é tão bonita, que atrai a atenção de todos.
- Subjetiva: exerce a função de sujeito do verbo da - Condicional: indica um evento ou fato do qual
oração principal. depende a ocorrência indicada na oração principal.
É necessário que você volte. Se você correr demais, ficará cansado.
- Objetiva direta: exerce a função de objeto direto da - Comparativa: estabelece uma comparação com o
oração principal. fato expresso na oração principal.
Eu desejava que você voltasse. Lutou como luta um bravo.
- Objetiva indireta: exerce a função de objeto - Concessiva: concede um argumento contrário ao
indireto do verbo principal. evento relatado na oração principal.
Não gostaram de que você viesse. O time venceu embora tenha jogado mal.
- Predicativa: exerce a função de predicativo. - Conformativa: indica que o fato expresso na
A verdade é que ninguém se omitiu. oração subordinada está de acordo com o da
- Completiva nominal: desempenha a função de oração principal.
complemento nominal. Tudo ocorreu conforme os jornalistas previram.
Não tínhamos dúvida de que o resultado seria bom. - Final: indica o fim, o objetivo com que ocorre a
- Apositiva: desempenha a função de aposto em ação do verbo principal.
relação a um nome. Estudou para que fosse aprovado.
Só nos disseram uma coisa: que nos afastássemos. - Temporal: indica o tempo em que se realiza o
evento relatado na oração principal.
Chegou ao local, quando davam dez horas.
- Proporcional: estabelece uma relação de
proporcionalidade com o verbo principal.
3.1.2. Orações subordinadas adjetivas. Aprendemos à medida que o tempo passa.

São aquelas que desempenham função sintática Nota: as conjunções subordinativas que levam o
própria do adjetivo. mesmo nome das orações adverbiais são os
Na cidade há indústrias que poluem. (poluidoras). conectivos que ligam as orações subordinadas
adverbiais.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
10
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

O fragmento da entrevista concedida pela atriz e


empresária Íris Brüzzi, descartada a hipótese de
3.1.4. Orações coordenadas. utilização da ironia, apresenta esse problema.

São todas as orações que não se ligam “R – Qual é o segredo para conservar sua beleza
sintaticamente a nenhum termo de outra oração. através dos tempos?
Chegou ao local // e vistoriou as obras.
As coordenadas podem ou não vir iniciadas por Íris – Acredito muito na beleza interior, a de fora
conjunção coordenativa. Chamam-se coordenadas acaba. A natureza tem sido generosa comigo.
sindéticas as que se iniciam por conjunção e Desculpe a modéstia, mas continuo bonita. (Diário
assindéticas as que não se iniciam. Popular, 1996)”.
Presenciei o fato, mas ainda não acredito.
Oração coordenada assindética e oração a) Transcreva a frase que apresenta a incoerência.
coordenada sindética b) Reescreva essa frase, eliminando a incoerência.
As coordenadas assindéticas não se subclassificam.
As coordenadas sindéticas subdividem-se em cinco
3.2 – Sintaxe de Concordância Nominal
tipos:
- Aditiva: estabelece uma relação de soma.
Entrou e saiu logo. 1. Compramos (trezentos – trezentas) gramas de
- Adversativa: estabelece uma relação de queijo.
contradição. A. Substantivos de origem grega terminados em
Trouxe muitas sugestões, mas nenhuma foi aceita. -ma, são geralmente masculinos.
- Alternativa: estabelece uma relação de alternância. Exs.: anátema, estratagema, plasma, axioma,
Aceite a proposta ou procure outra solução. eczema, estigma,trema, edema, hematoma.
- Conclusiva: estabelece relação de conclusão. Exceções: cataplasma, grama (lat.=relva), celeuma
Penso, portanto existo. (lat.), fleuma.
- Explicativa: estabelece uma relação de explicação
ou justificação. Contém sempre um argumento 2. A candidata estava (meio – meia) nervosa.
favorável ao que foi dito na oração anterior. Elas chegaram meio abatidas.
Ele deve ser estrangeiro, pois fala mal o português. Elas comeram meia pizza.

3.1.5. Modelo de questão de análise sintática A. A palavra meio varia quando empregada
tradicional como adjetivo. Permanece invariável, porém,
quando empregada como advérbio.
(U. F. PERNAMBUCO) — No período “nunca pensei Quando é numeral (meio = metade),
que ela acabasse”, a oração sublinhada classifica- concorda com a palavra a que se refere.
se como: Quando advérbio (meio = um pouco), é
invariável
a) subordinada adjetiva restritiva;
b) subordinada adjetiva explicativa; 3. Felizmente, naquela cidade, temos (bastantes –
c) subordinada adverbial final; bastante) amigos.
d) subordinada substantiva objetiva direta; A. Essa palavra pode ser pronome indefinido ou
e) subordinada substantiva objetiva indireta. advérbio.
I– Quando é pronome, concorda com o
Questão de análise sintática inovadora: substantivo a que se refere. Essa palavra pode ter
plural.
II – Quando advérbio é invariável.
Esta questão coloca em jogo a combinação sintática
entre duas orações e o significado resultante dela, Na prática, para saber se a palavra bastante fica no
sem exigir análise formal nem o conhecimento de singular ou plural, basta observar o seguinte:
nomenclatura.
Bastantes (no plural) equivale a muitos/
muitas/ suficientes.
(U. F. PELOTAS) — A questão da incoerência em
Bastante (no plural) equivale a muito/ muita.
um texto quase sempre se liga a aspectos que
ferem o raciocínio lógico, a contradições entre uma
4. Geralmente, os funcionários daquela empresa
passagem e outra do texto ou entre o texto e o
começam a trabalhar ao meio-dia e meia, fazendo
conhecimento estabelecido das coisas.
nos fins de semana, diversas horas (extra – extras).

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
11
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
A. Extra com valor de adjetivo concordam B. Com valor de realmente é advérbio
normalmente com o substantivo; afirmativo = invariável.
B. Com o valor de prefixo são invariáveis.
São satélites extra-atmosféricos. Ela mesma falou conosco a verdade.
Ela falou conosco mesmo.
5. Só – Sós
Eles caminhavam sós pela noite escura. 11. Expressões é bom/ é necessário/ é
Eles caminhavam só em noite escura. proibido.
A. A palavra só, como adjetivo, concorda em
número com o termo a que se refere. A. Com suj. sem determinante (art., adj., etc.)
B. Como advérbio, significa apenas, somente e é = expressão invariável.
invariável. B. Com suj. com determinante = expressão
variável.
6. Anexo(s)/Anexa(s) – Em anexo
Remeto-lhe anexa(s) a(s) certidão(s). 12. Um adjetivo para mais de um substantivo.
Remeto-lhe anexo(s) o(s) certificado(s).
Remeto-lhe em anexo as duplicatas. A. Adjetivo Anteposto = conc. com o subst. mais
próximo.
A. O adjetivo anexo concorda com o B. Adj. Posposto = conc. Com o subst. mais
substantivo a que se refere em gênero e número. próximo ou vai para o plural ( prevalecendo o masc.
B. Incluso, próprio, obrigado, agradecido, grato, sobre o fem.)
quite, leso seguem a mesma regra.
C. Em anexo é invariável, pois é Loc. Adv. Tive má idéia e pensamento.
modo. Tive mau pensamento e idéia.
Encontramos um jovem e uma senhora preocupada/-
7. Menos, alerta, pseudo. dos.
Havia menos alunas na aula.
Coloque menos água na sopa. 13. Um substantivo para mais de um adjetivo.
Temos de estar alerta ao perigo das drogas.
A. Subst. no plural = sem artigos antes dos
Os pseudo-médicos não são confiáveis.
adjetivos.
B. Subst. no sing. = uso de artigos a partir do 2º
A. Menos é invariável, não tem feminino.
adjetivo.
B. Alerta é advérbio, é invariável.
Estudava os idiomas inglês, francês e italiano.
C. Pseudo é prefixo, não tem plural.
Estudava o idioma inglês, o francês e o italiano.

8. Caro / Barato – Caros / Baratos 3.3 – Sintaxe de Concordância Verbal


Os vestidos custaram caro, mas as saias custaram
barato.
Vestidos caros e saias baratas não existem mais. Ocorre quando o verbo se flexiona para concordar
com o seu sujeito.
A. Quando funcionam como advérbio, essas Ex.: Ele gostava daquele seu jeito carinhoso de ser.
palavras são invariáveis. Eles gostavam daquele seu jeito carinhoso de ser.
B. Quando funcionam como adjetivos,
concordam com o nome a que se referem. Casos de concordância verbal

9. Possível 1) Sujeito simples


Quando acompanha expressões superlativas:
O mais, o menos, o melhor, o pior, o os mais, os Regra geral: o verbo concorda com o núcleo do
menos. sujeito em número e pessoa.
Variam conforme o artigo
Ex.: Nós vamos ao cinema.
Comprou alimentos o mais baratos possível.
O verbo (vamos) está na primeira pessoa do plural
Vestia roupas as mais caras possíveis.
para concordar com o sujeito (nós).
Obs.: O adjetivo grifado varia normalmente,
independentemente do artigo.
Casos especiais:
10. Mesmo a) O sujeito é um coletivo – o verbo fica no singular.
Ex.:A multidão gritou pelo rádio.
A. Com valor de próprio (a) (s) é pronome =
variável.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
12
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

j) O sujeito tiver por núcleo a palavra gente (sentido


coletivo) – o verbo poderá ser usado no singular ou
Se o coletivo vier especificado, o verbo pode ficar plural se este vier afastado do substantivo.
no singular ou ir para o plural. Ex.: A gente da cidade, temendo a violência da rua,
Ex.: A multidão de fãs gritou./ A multidão de fãs permanece em casa./ A gente da cidade, temendo
gritaram. a violência da rua, permanecem em casa.
b) Coletivos partitivos (metade, a maior parte,
maioria, etc.) – o verbo fica no singular ou vai para o 2) Sujeito composto
plural. Regra geral: o verbo vai para o plural.
Ex.: A maioria dos alunos foi à excursão./ A maioria
dos alunos foram à excursão. Ex.: João e Maria foram passear no bosque.
c) O sujeito é um pronome de tratamento – o verbo Casos especiais:
fica sempre na 3ª pessoa (do singular ou do plural). a) Os núcleos do sujeito são constituídos de
Ex.: Vossa Alteza pediu silêncio./ Vossas Altezas pessoas gramaticais diferentes – o verbo ficará no
pediram silêncio. plural seguindo-se a ordem de prioridade: 1ª, 2ª e 3ª
d) O sujeito é o pronome relativo que – o verbo pessoa.
concorda com o antecedente do pronome. Ex.: Eu (1ª pessoa) e ele (3ª pessoa) nos
Ex.: Fui eu que derramei o café./ Fomos nós que tornaremos (1ª pessoa plural) amigos.
derramamos o café. O verbo ficou na 1ª pessoa porque esta tem
prioridade sob a 3ª.
e) O sujeito é o pronome relativo quem – o verbo Ex: Tu (2ª pessoa) e ele (3ª pessoa) vos tornareis
pode ficar na 3ª pessoa do singular ou concordar (2ª pessoa do plural) amigos.
com o antecedente do pronome. O verbo ficou na 2ª pessoa porque esta tem
Ex.: Fui eu quem derramou o café./ Fui eu quem prioridade sob a 3ª.
derramei o café.
f) O sujeito é formado pelas expressões: alguns de
nós, poucos de vós, quais de ..., quantos de ..., No caso acima, também é comum a concordância
etc. – o verbo poderá concordar com o pronome do verbo com a terceira pessoa.
interrogativo ou indefinido ou com o pronome Ex.: Tu e ele se tornarão amigos.(3ª pessoa do
pessoal (nós ou vós). plural)
Ex.: Quais de vós me punirão?/ Quais de vós me Se o sujeito estiver posposto, permite-se também a
punireis? concordância por atração com o núcleo mais
próximo do verbo.

Ex.: Irei eu e minhas amigas.


Com os pronomes interrogativos ou indefinidos no
singular o verbo concorda com eles em pessoa e b) Os núcleos do sujeito estão coordenados
número. assindeticamente ou ligados por e – o verbo
Ex.: Qual de vós me punirá. concordará com os dois núcleos. Ex.: A jovem e a
sua amiga seguiram a pé.
g) O sujeito é formado de nomes que só aparecem
no plural – se o sujeito não vier precedido de artigo,
o verbo ficará no singular. Caso venha antecipado Se o sujeito estiver posposto, permite-se a
de artigo, o verbo concordará com o artigo. concordância por atração com o núcleo mais
Ex.: Estados Unidos é uma nação poderosa./ Os próximo do verbo.
Estados Unidos são a maior potência mundial. Ex.: Seguiria a pé a jovem e a sua amiga.
h) O sujeito é formado pelas expressões mais de
um, menos de dois, cerca de..., etc. – o verbo c) Os núcleos do sujeito são sinônimos (ou quase) e
concorda com o numeral. estão no singular – o verbo poderá ficar no plural
Ex.: Mais de um aluno não compareceu à aula./ (concordância lógica) ou no singular
Mais de cinco alunos não compareceram à aula. (concordância atrativa).
Ex.: A angústia e ansiedade não o ajudavam a se
i) O sujeito é constituído pelas expressões a concentrar./ A angústia e ansiedade não o ajudava
maioria, a maior parte, grande parte, etc – o verbo a se concentrar.
poderá ser usado no singular ( concordância lógica)
ou no plural (concordância atrativa). d) Quando há gradação entre os núcleos – o verbo
Ex.: A maioria dos candidatos desistiu./ A maioria pode concordar com todos os núcleos (lógica) ou
dos candidatos desistiram. apenas com o núcleo mais próximo.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
13
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
Ex.: Uma palavra, um gesto, um olhar bastavam./ O verbo existir não é impessoal. Veja:
Uma palavra, um gesto, um olhar bastava. Existem sérios problemas na cidade.
Devem existir sérios problemas na cidade
e) Quando os sujeitos forem resumidos por nada,
tudo, ninguém... – o verbo concorda com o aposto
3) Verbos dar, bater e soar
resumidor.
Ex.: Os pedidos, as súplicas, o desespero, nada o Quando usados na indicação de horas, têm sujeito
comoveu. (relógio, hora, horas, badaladas...) e com ele devem
concordar.
f) Quando o sujeito for constituído pelas expressões
Ex.: O relógio deu duas horas.
um e outro, nem um nem outro... – o verbo
Deram duas horas no relógio da estação.
poderá ficar no singular ou no plural.
Deu uma hora no relógio da estação.
Ex.: Um e outro já veio./ Um e outro já vieram.
O sino da igreja bateu cinco badaladas.
g) Quando os núcleos do sujeito estiverem ligados Bateram cinco badaladas no sino da igreja.
por ou – o verbo irá para o singular quando a idéia Soaram dez badaladas no relógio da escola.
for de exclusão e plural quando for de inclusão.
Ex.: Pedro ou Antônio ganhará o prêmio. (exclusão) 4) Sujeito oracional
A poluição sonora ou a poluição do ar são nocivas
Quando o sujeito é uma oração subordinada, o
ao homem. (adição, inclusão)
verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do
h) Quando os sujeitos estiverem ligados pelas singular.
séries correlativas (tanto...como / assim...como / Ex.: Ainda falta/ dar os últimos retoques na pintura.
não só...mas também, etc.) – o mais comum é o
verbo ir para o plural, embora o singular seja 5) Concordância com o verbo ser:
aceitável se os núcleos estiverem no singular.
Ex.: Tanto Erundina quanto Collor perderam as a- Quando, em predicados nominais, o sujeito for
eleições municipais em São Paulo./ Tanto Erundina representado por um dos pronomes TUDO, NADA,
quanto Collor perdeu as eleições municipais em ISTO, ISSO, AQUILO: o verbo ser ou parecer
São Paulo. concordarão com o predicativo.
Ex.: Tudo são flores./Aquilo parecem ilusões.
Outros casos

1) Partícula SE: Poderá ser feita a concordância com o sujeito


a- Partícula apassivadora: o verbo ( transitivo direto) quando se quer enfatizá-lo.
concordará com o sujeito passivo. Ex.: Aquilo é sonhos vãos.
Ex.: Vende-se carro./ Vendem-se carros. b- O verbo ser concordará com o predicativo
b- Índice de indeterminação do sujeito: o verbo quando o sujeito for os pronomes interrogativos
(transitivo indireto, intransitivo e de ligação) ficará QUE ou QUEM.
obrigatoriamente no singular. Ex.: Que são gametas?/ Quem foram os
Ex.: Precisa-se de secretárias. escolhidos?
Confia-se em pessoas honestas. c- Em indicações de horas, datas, tempo, distância:
Vive-se bem nesta cidade. a concordância será com a expressão numérica
“Devagar se vai ao longe”. Ex.: São nove horas./ É uma hora.
Lá se é feliz.
Aqui se está bem de vida. Em indicações de datas, são aceitas as duas
concordâncias, pois se subentende a palavra dia.
2) Verbos impessoais Ex.: Hoje são 24 de outubro./ Hoje é (dia) 24 de
São aqueles que não possuem sujeito, ficarão outubro.
sempre na 3ª pessoa do singular.
Ex.: Havia sérios problemas na cidade. d- Quando o sujeito ou predicativo da oração for
Fazia quinze anos que ele havia parado de estudar. pronome pessoal, a concordância se dará com o
Deve haver sérios problemas na cidade. pronome.
Vai fazer quinze anos que ele parou de estudar. Ex.: Aqui o presidente sou eu.

Os verbos auxiliares (deve, vai) acompanham os


verbos principais.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
14
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Rei Hussein, da Jordânia, morre aos 63.


24 mil casam-se ao mesmo tempo.
Se os dois termos (sujeito e predicativo) forem
2ª parcela do IPVA vence a partir de hoje.
pronomes, a concordância será com o que aparece
primeiro, considerando o sujeito da oração.
Governador diz que irá a Brasília para reunião.
Ex.: Eu não sou tu
Aparentemente, o verbo ir apresenta
e- Se o sujeito for pessoa, a concordância nunca se
complementação, pois quem vai, vai a algum
fará com o predicativo.
lugar, porém lugar é uma circunstância e não
Ex.: O menino era as esperanças da família.
complementação, como à primeira vista possa
f- Nas locuções é pouco, é muito, é mais de, é parecer.
menos de junto a especificações de preço, peso,
Todos os verbos que indicam destino ou
quantidade, distância e etc, o verbo fica sempre no
procedência são verbos intransitivos, normalmente
singular.
acompanhados de circunstância de lugar - Adjunto
Ex.: Cento e cinqüenta é pouco./ Cem metros é
Adverbial de Lugar. São eles ir, vir, voltar, chegar,
muito.
cair, comparecer, dirigir-se.... Esses verbos
g- Nas expressões do tipo ser preciso, ser admitem as preposições a e de; esta para indicação
necessário, ser bom o verbo e o adjetivo podem de procedência, aquela para a indicação de destino.
ficar invariáveis, (verbo na 3ª pessoa do singular e
adjetivo no masculino singular) ou concordar com o Outros exemplos:
sujeito posposto.
Ex.: É necessário aqueles materiais./ São  O avião caiu ao mar.
necessários aqueles materiais.
 Cheguei a casa antes da meia-noite. Nessa
h- Na expressão é que, usada como expletivo, se o frase não ocorre o acento indicador de crase, pois a
sujeito da oração não aparecer entre o verbo ser e o palavra casa só admite o artigo quando estiver
que, ficará invariável.Se aparecer, o verbo especificada: Cheguei à casa de Joana.
concordará com o sujeito.
Ex.: Eles é que sempre chegam atrasados./ São  Verbos Transitivos
eles que sempre chegam atrasados.
Crase não é acento! O acento (') denomina-se São verbos que necessitam de complementação
grave. verbal, ou seja, objeto direto ou objeto indireto.
Crase é, portanto, fusão. É o fenômeno da Observe as orações:
contração da preposição “a” com, por exemplo, o
artigo “a”. O Santos venceu o Corinthians.
Cliente reclama de promoção da BCP.
3.4 – Predicação ou Transitividade Verbal Medida em estudo dá alívio para os Estados.
Perceba que os três verbos utilizados nos exemplos
necessitam de complementação, pois quem vence,
É o estudo do comportamento do verbo na oração. vence alguém, quem reclama, reclama de algo e
Indica o tipo de relação que o verbo mantém com o quem dá, dá algo a alguém. A complementação,
sujeito da oração. De acordo com essa relação, há porém, dá-se de três maneiras diferentes: na
dois grupos de verbos: os de ligação(ou de estado) primeira, o verbo não exige preposição, mas na
e os nocionais ou significativos (de ação). segunda, sim, e, na terceira, há dois complementos,
um com preposição, outro,sem. Quanto a isso, os
Portanto, os verbos podem ser: verbos são:

Intransitivos Transitivos diretos: exigem complemento sem


Transitivos preposição obrigatória. O complemento é
De Ligação denominado objeto direto.

 Verbos Intransitivos Presidente receberá governadores.


Falta de verbas causa problemas.

São verbos intransitivos os que não necessitam de Transitivos indiretos: exigem complemento com
complementação verbal, ou seja, objeto direto ou preposição obrigatória. O complemento é
objeto indireto. Observe estas frases, retiradas de denominado objeto indireto.
manchetes de jornais:
Eleitor não obedece à convocação do TRE.
População ainda acredita nos políticos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
15
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
O secretário assiste ao presidente O médico assiste
Transitivos diretos e indiretos: possuem dois ao doente
complementos; o objeto direto e o objeto indireto.
d) Objeto direto: ajudar, assessorar:
Governador perdoa a Deputado traição do Eu o assistirei. O médico assiste o doente.
passado.
Empresário doa rendimentos do mês à UNICEF. e) Adjunto adverbial de lugar: morar, residir:
Junto de verbo significativo pode surgir uma O presidente assiste no Palácio Alvorada
qualidade do sujeito ou uma qualidade do objeto. Assistimos em Jucutuquara.
Esta denomina-se predicativo do objeto; aquela,
Nota – Uma vez que o verbo assistir, com o sentido
predicativo do sujeito. Veja estes exemplos:
de ver, presenciar estar presente, tem como
O professor entrou revoltado naquela tarde. complemento objeto indireto e não objeto direto,
Maria morreu feliz. não pode ser empregado na voz passiva. Portanto
são incorretas frases como esta:
 Verbos de Ligação Ex.: O jogo foi assistido por cem mil pessoas.

São verbos que servem como elementos de ligação 3.6 – Crase


entre o sujeito e uma qualidade ou estado ou modo
de ser, denominado Predicativo do Sujeito. Os
principais verbos de ligação são ser, estar, 1. DEFINIÇÃO
parecer, permanecer, ficar, continuar. Não decore Crase não é acento! O acento (') denomina-se
quais são os verbos de ligação, e sim memorize o grave.
significado dele: Crase é, portanto, fusão. É o fenômeno da
Verbo de ligação é aquele que indica a existência contração da preposição “a” com, por exemplo, o
de uma qualidade do sujeito, sem que ele pratique artigo “a”.
uma ação.
2. TESTE DO ARTIGO OU REGRA DO “AO”
Investimento direto será menor em 2003. Emprega-se o acento grave para indicar crase
Matéria-prima fica mais cara. sempre que, substituindo-se a palavra feminina por
O Presidente continuou o discurso interrompido uma masculina, aparecer a contração “ao”. O
pelos grevistas. vocábulo masculino não precisa ser sinônimo do
Quando o verbo indica ação, além de qualidade do feminino. Precisa, sim, fazer sentido para a frase em
sujeito, é denominado transitivo ou intransitivo, que se está fazendo a substituição.
mesmo que haja predicativo do sujeito.
Seleção volta abatida da Ásia.  OCORRE CRASE

Nesse exemplo o verbo não é de ligação, pois está a) Nos objetos indiretos:
indicando uma ação - quem volta, volta de algum Dei um presente à amiga
lugar, mesmo que haja o predicativo do sujeito Narrei um fato às colegas
abatida. É, então, um verbo intransitivo, já que da Assistimos às comemorações
Ásia é Adjunto Adverbial de Lugar. Conclui-se que
pode haver predicativo do sujeito sem que haja b) Nos complementos nominais:
verbo de ligação. O respeito às leis é um dever
A assistência às viúvas é uma necessidade
3.5 – Sintaxe de Regência Verbal
c) Nos adjuntos adverbiais
Eu vou à lendária Manaus
REGÊNCIA DE ALGUNS VERBOS E SEUS Nós vamos à reunião
COMPLEMENTOS Com o Adj. Adv. de Instrumento a crase,
modernamente, é tida como facultativa, sobretudo
ASSISTIR com a intenção de se evitar ambigüidade.
a) Objeto indireto: estar presente, presenciar Feriu o amigo a/à faca.
Assisti ao triste espetáculo
d) Diante dos demonstrativos: a, aquele, aquela,
b) Idem: caber, competir a: aquilo, usa-se a crase no "a" de aquela, no "a" de
Assiste-me o direto de escolha. aquilo, no "a" de aquele.
Exemplo:
c) Idem ajudar, assessorar: Referiu-se àquele que estava ali.
Assistência àquelas pobres meninas.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
16
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Obedecia àquela exigência. Exemplo:


"Ofereci um romance à dama".
e) O substantivo feminino pode estar subentendido "Quanto à Sara".
Exemplo: Machado de Assis-Hist. Românticas-pág. 73)
Sujeitou a rima do primeiro verso à do segundo
m) As expressões: devido a, relativo a, referente a,
f) Diante de possessivo em referência a substantivo quanto a, com respeito a, obediência a, etc.-devem
oculto ter o "a" craseado, vindo antes de nomes femininos.
Exemplo: Exemplo:
Devido à morte do irmão
g) Para evitar ambiguidade: Referente à prisão dos assassinos
Exemplo:
Morrer à fome. n) A conjunção subordinada adv. proporcional.
Pegar à unha. À proporção que
Receber à bala À medida que
Costurar à mão À proporção que chove, o rio sobe
Vendo à vista.
Matar à fome.
Fazer à vela.  FACULTATIVO O USO DA CRASE

h) Diante de locuções constituídas de feminino a) Até a


plural. Exemplo:
Exemplo Ele foi até à feira
Às vezes, às ocultas, às claras, às escondidas, às Ele foi até a feira
quatro da manhã, às apalpadelas, às pressas, às
tontas, às voltas, às expensas, às escuras, às ATENÇÃO:
cegas, às direitas, às mil maravilhas, às moscas, às Observe que o emprego de ATÉ A temos que
ordens, etc prestar atenção na clareza ou verificar o conteúdo
do que se quer dizer.
i) Antes de nomes masculinos, subentendendo-se
as palavras femininas "moda" ou "maneira" Veja o exemplo:
Exemplo: A água inundou a rua até à casa de Manuela (a
Ele veste à Roberto Carlos água chegou perto da casa de Manuela)
Tem estilo à Rui
Vou cantar à Silvio Caldas. Se não houvesse o sinal da crase, o sentido ficaria
Danças à cossaco. ambíguo.
Macarrão à italiana. A água inundou a rua até a casa de Manuela
(inundou inclusive a casa de Manuela).
j) Diante de locuções constituídas do substantivo
feminino singular b) Antes de pronomes possessivos com substantivo
Exemplo: claro
À toa, à roda, à espera, à força, à parte, à mingua Exemplo:
de, à larga, à uma hora, à noite, à guisa de, à Dirigiu-se à minha casa. Dirigiu-se a minha casa
procura de, à pressa, à vontade, à proporção que, à
prova, à razão de, à medida que, à espreita, à baila, c) Antes de nomes próprios femininos de pessoa
à falta de, à cunha, à direita, à guisa de, à Exemplo:
disposição de, à esquerda, à mercê de, à margem, As alusões eram feitas à Sebastiana
à tona, à tarde, à surdina, à sorrelfa, à sombra, à As alusões eram feitas a Sebastiana
saúde, à risca, à revelia, à razão de, à rédea solta, à
custa de, etc. OBSERVAÇÃO:
Só existe crase antes do pronome relativo "QUE"
k) Antes de numeral, referindo-se a "hora": sendo o "a" pronome demonstrativo.
Exemplo: Exemplo:
Sairei à uma hora da manhã Eis a minha história e outra à que fez referência
"Escreveu duas linhas de resposta, e à uma hora da Refiro-me à que comprei ontem
tarde apeava-se de um tílburi".
(Machado de Assis-A Mão e a Luva-pág. 106) -Se o "a" se transforma em "ao", haverá crase antes
do pronome relativo.
l) Antes de nome próprio de pessoa, precedido de
preposição, se o tratamento for íntimo ou familiar.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
17
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
Porém, se o "a" permanece inalterado ou se A polícia prendeu todos, isto é, o pai e os filhos.
transforma em "o" então não haverá crase, é Gastei tudo, ou melhor, quase tudo.
preposição pura ou pronome demonstrativo
Exemplo: 8 – Isolar Objetos Pleonásticos Intercalados
O colégio a que me refiro precisa de professor (não Este assunto, já o li em algum lugar.
crase) A mim, não me interessam suas queixas.
O restaurante a que me refiro precisa de
empregados (não case)  Vírgula Proibida
Veja com atenção:
A rua em que moro é perpendicular à que vai dar na 1 – Entre o sujeito e o predicado
praça A velha irmã de Quaresma não tinha grande
A carreira à qual aspiro é almejada por todos interesse pelo violão. (Lima Barreto)

3.7– Pontuação 2 – Entre o verbo e seus complementos


O orvalho frio e a névoa garoenta dão uma ligeira
trégua às crianças. (Revista E)
 Emprego de Vírgula entre os Termos da
Oração 3 - Entre o Nome e seus Adjuntos Adnominais
O bom e velho jogo está presente em vários
1 – Separar termos de mesma função sintática momentos de nossa vida.
(Termos Coordenados)
As casas, as ruas, as praças, os bares estavam 4 – Entre o Nome e seu Complemento
desertos. (Separar os núcleos do sujeito composto) Brincar é uma atividade acessível a todo ser
Ele morou em Santos, em Brasília, em Porto Alegre. humano.
(Separar os núcleos do adjunto adverbial)
 A Vírgula entre Orações
2 – Isolar o Aposto
Natal, capital do Rio Grande do Norte, é uma linda a) Coordenadas
cidade.
As duas mulheres, Suzy e Eurídice, eram primas. 1 – Separar as Orações Coord. Assindéticas
O homem suspeito saiu do edifício, olhou para os
3 – Isolar o Vocativo lados, saiu em desabalada carreira.
Eles nos temem, Roque, está é a verdade. Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.(Fernando
Senhor, fazei com que eu procure mais consolar Pessoa)
que ser consolado.
2 – Separar as Orações Coord. Sindéticas
4 – Isolar Adjuntos Adverbiais deslocados explicativas, conclusivas e adversativas.
A posição normal do adj. adv. é após o verbo: Tudo deu certo, portanto podemos ficar tranqüilos.
Ele lia o relatório com muita calma. Estava cansada, mas parecia feliz.
Isolando o adj. adv.:
Com muita calma, ele lia o relatório. Obs.: As Coord. Sind. Aditivas ligadas por E, NEM e
A posse da terra, no Brasil, sempre esteve as Coord. Sind. Altern. Ligadas por OU
concentrada nas mãos de pouca gente. normalmente não se separam por vírgula, a não ser
que possuam sujeitos diferentes ou estejam
Obs.: Nos textos modernos, é freqüente a omissão repetidas (polissíndeto) Nesses casos, a vírgula se
desse caso, inclusive em concursos. torna optativa.
Cinco meses antes dera à luz seu primeiro Ou você me conta tudo, ou eu vou embora.
filho.(Veja) Ele gesticulava, e gritava, e tentava nos convencer.
Em Pirapora as romarias não são novidade.(Folha de Nem me ligou, nem eu quis qualquer contato com
São Paulo) ela.
A mãe se fora para a cozinha, e Rafael olhava para
5 – Indicar a elipse de algum termo ele.
No meio do salão, a mesa de jantar. (Viriato Correa) ** Mesmo com o mesmo sujeito, é possível separar
Eles partirão hoje; nós, amanhã. com vírgula orações interligadas pelo E, com a
intenção de enfatizar as ações expressas em cada
6 – Separar o nome do lugar nas datas oração.
São Paulo, 10 de dezembro de 2003. Todos estavam apreensivos, e fizeram questão de
expor o porquê.
7 – Isolar Expressões Explicativas, Retificativas,
etc.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
18
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

b) Subordinadas Dicas:
Existe uma ordem de prioridade na colocação
1 – Em Or. Sub. Adv. anteposta à Or. Princ. a pronominal: 1º tente fazer próclise, depois
vírgula é obrigatória, já nas pospostas , é mesóclise e em último caso ênclise.
facultativa
Mal se foi o Salgueiro, já vem chegando o 11.1. Próclise: É a colocação pronominal antes do
Flamengo. verbo. A próclise é usada:
Se ele estivesse aqui, tudo teria sido mais fácil.
Trabalha muito (,) embora seja rico. 1) Quando o verbo estiver precedido de palavras
Devo embarcar logo (,) desde que os advogados me que atraem o pronome para antes do verbo. São
liberem o passaporte. elas:

2 – Em Or. Sub. Adj. Explicativa as vírgulas são a) Palavra de sentido negativo: não, nunca,
obrigatórias. Já na Restritiva, é facultativa ao ninguém, jamais, etc. Ex.: Não se esqueça de mim.
final desta. b) Advérbios. Ex.: Agora se negam a depor.
Florianópolis, que fica numa ilha, é belíssima.
O homem que lê (,) enxerga além. c) Conjunções subordinativas. Ex.: Soube que me
negariam.
3 – Em Or. Adv. Substantiva a vírgula é d) Pronomes relativos. Ex.: Identificaram duas
obrigatória só quando estiver anteposta à Or. pessoas que se encontravam desaparecidas.
Princ. Quando estivere posposta, não se deve
empregá-la. e) Pronomes indefinidos. Ex.: Poucos te deram a
Não creio que você vá embora. oportunidade.
Que ele é um tolo, eu já percebera. f) Pronomes demonstrativos. Ex.: Disso me
Obs.: Nas Or. Sub. Subst. Apositivas deve-se acusaram, mas sem provas.
empregar a vírgula ou os dois-pontos.
Quero que saiba isso: que não gosto mais de você. 2) Orações iniciadas por palavras interrogativas.
Só lhe pedi uma coisa, que fosse sincera comigo. Ex.: Quem te fez a encomenda?

4 – Em Or. Reduzidas a vírgula será obrigatória 3) Orações iniciadas por palavras exclamativas. Ex.:
quando estas estiverem antepostas à Or. Princ. Quanto se ofendem por nada!
Caso estejam posposta, será facultativa.
Terminada a festa, fomos embora. 4) Orações que exprimem desejo (orações
Vi um elefante (,) passeando na rua. optativas). Ex.: Que Deus o ajude.
C) – Orações Intercaladas
11.2. Mesóclise: É a colocação pronominal no meio
do verbo. A mesóclise é usada:
Devem ser separadas por vírgula(s)
Não tenho dinheiro, disse o pai, e não vou sair
correndo atrás. 1) Quando o verbo estiver no futuro do presente ou
Vamos embora, intimou o pai. futuro do pretérito, contanto que esses verbos não
estejam precedidos de palavras que exijam a
próclise.
3.8– Sintaxe de Colocação
Ex.: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande
É a parte da gramática que trata da correta evento em prol da paz no mundo.
colocação dos pronomes oblíquos átonos na frase. Não fosse os meus compromissos, acompanhar-te-
ia nessa viagem.
Embora na linguagem falada a colocação dos
pronomes não seja rigorosamente seguida, algumas 11.3. Ênclise: É a colocação pronominal depois do
normas devem ser observadas, sobretudo na verbo.A ênclise é usada quando a próclise e a
linguagem escrita. mesóclise não forem possíveis:

Eis os pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, 1) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo.
a (lo, la, no, na), lhe, nos, vos, se, os, as (los, las, Ex.: Quando eu avisar, silenciem-se todos.
nos, nas), lhes.
2) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal.
Ex.: Não era minha intenção machucar-te.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
19
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
3) Quando o verbo iniciar a oração. Ex.: Vou-me 1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral
embora agora mesmo. os pronomes o, a, os, as não se alteram. Ex.:
Chame-o agora. Deixei-a mais tranquila.
4) Quando houver pausa antes do verbo. Ex.: Se eu
ganho na loteria, mudo-me hoje mesmo. 2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas
consoantes finais alteram-se para lo, la, los, las.
5) Quando o verbo estiver no gerúndio. Ex.:
Ex.: (Encontrar) – Encontrá-lo é o meu maior sonho.
Recusou a proposta fazendo-se de desentendida.
(Fiz) – Fi-lo porque não tinha alternativa.
Dicas: 3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am,
O pronome poderá vir proclítico quando o infinitivo em, ão, õe, õe,), os pronomes o, a, os, as alteram-
estiver precedido de preposição ou palavra atrativa. se para no, na, nos, nas. Ex.: Chamem-no agora.
Ex.: É preciso encontrar um meio de não o magoar./ Põe-na sobre a mesa.
É preciso encontrar um meio de não magoá-lo.
4) As formas combinadas dos pronomes oblíquos
mo, to, lho, no-lo, vo-lo, formas em desuso, podem
ocorrer em próclise, ênclise ou mesóclise. Ex.: Ele
mo deu. (Ele me deu o livro)
Colocação pronominal nas locuções verbais.

1) Quando o verbo principal for constituído por um


particípio 4. Léxico-semântica: ambiguidade e
a) O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar. polissemia. Denotação e conotação. Sinonímia,
Ex.: Haviam-me convidado para a festa. antonímia, homonímia, paronímia, hiperonímia,
hiponímia, eponímia; campos semânticos e
b) Se, antes do locução verbal, houver palavra famílias lexicais.
atrativa, o pronome oblíquo ficará antes do verbo
auxiliar. Ex.: Não me haviam convidado para a
festa. SEMÂNTICA é a parte da Língua Portuguesa que
estuda o significado das palavras no texto.
Dicas:
Se o verbo auxiliar estiver no futuro do presente ou Significante e Significado.
no futuro do pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde
que não haja antes dele palavra atrativa. A linguística, além da parte sonora, está carregada
Ex.: Haver-me-iam convidado para a festa. de um significado, uma ideia. Portanto, o signo
linguístico constitui-se de duas partes: o
2) Quando o verbo principal for constituído por um Significante que é o lado material (os sons da
infinitivo ou um gerúndio língua falada ou as letras na língua escrita), e o
a) Se não houver palavra atrativa, o pronome Significado que é o lado imaterial, ou seja, a ideia
oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou depois do que é transmitida pelos fonemas (sons ou pelas
verbo principal. letras).
Ex.: Devo esclarecer-lhe o ocorrido/ Devo-lhe
esclarecer o ocorrido. a) "Comprei uma geladeira nova!"
Estavam chamando-me pelo alto-falante./ Estavam- b) "Minha namorada está uma geladeira comigo!"
me chamando pelo alto-falante.
Note que o mesmo signo (geladeira) tem dois
b) Se houver palavra atrativa, o pronome poderá ser significados diferentes dependendo do contexto em
colocado antes do verbo auxiliar ou depois do verbo que aparece na frase a geladeira significa um móvel
principal. destinado a manter seu interior em baixa
Ex.: Não posso esclarecer-lhe o ocorrido./ Não lhe temperatura, na frase b, geladeira pode significar
posso esclarecer o ocorrido. frieza, desprezo, ausência de sentimentos.
Não estavam chamando-me./ Não me estavam Deduzimos então, que o significante geladeira tem
chamando. OBS.: A colocação do pronome entre os mais de um significado. No caso a, o signo está
dois verbos, mesmo com fator de próclise, é empregado em sentido denotativo.
amplamente aceita no Brasil, inclusive como item de
concursos. Denotação - consiste em utilizar o signo no seu
sentido próprio e único, não permite outra
Observações importantes interpretação.
No caso b, a palavra está empregada em sentido
Emprego de o, a, os, as conotativo, porque ao signo foi atribuído um novo
significado.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
20
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Conotação - consiste em dar novos significados ao Prato = 'vasilha', 'comida', 'iguaria', 'receptáculo
valor denotativo do signo. O valor denotativo ou de balança', 'instrumento musical'.
conotativo do signo depende do contexto em que A palavra fino é polissêmica nestes exemplos:
este signo se encontra. Vinho fino / ambiente fino / livro fino / fino
Ex1: Recentemente fiz exames de saúde e constatei acabamento.
que está tudo bem com o meu coração. Ele ocupa um alto posto na empresa. Abasteci meu
Ex2: A Praça Ari Coelho fica no coração de Campo carro no posto da esquina.
Grande. Os convites eram de graça. Os fiéis agradecem a
graça recebida.
A semântica divide-se em: Estou cansado de ficar sentado nesta posição.
(postura física)
4.1 - Sinonímia a parte que estuda os vocábulos Coloque-se na posição correta para a foto. (o
em que há uma aproximação semântica de local)
significados. Gostou da posição dos móveis? (a disposição)
Ex.: bonito, belo; alfabeto, abecedário: calvo, Na posição em que estamos será difícil reverter a
careca. opinião do povo. (a situação ou circunstância)
Felipe atingiu uma boa posição na empresa. (a
4.2 - Antonímia aquela que trata dos antônimos - situação econômica)
palavras entre as quais ocorre um afastamento de Esta é a minha posição. (a opinião)
significado.
Ex.: bonito, feio; mal, bem; concordar, discordar; 4.6. Formas variantes
ordem, anarquia. Há palavras que podem ser grafadas de duas
maneiras, sendo ambas aceitas em português pela
4.3 – Homonímia é a que estuda os homônimos - norma da língua culta.
palavras iguais na pronúncia, às vezes na escrita, Exemplo:
mas com significados diferentes. Cota ou quota
Ex.: são (sadio), são (verbo), são (santo) Catorze ou quatorze
Podem ser: Cociente ou quociente
a. homógrafos heterofônicos (= escrita, # Cotidiano ou quotidiano
pronúncia)
Ex: colher (subst.), colher (verbo); rego (subst.), Observações:
rego (verbo);
b. homófonos heterográficos (=pronúncia, # Sinonímia - Propriedade de duas ou mais formas
escrita) linguísticas apresentarem o mesmo significado:
Ex: conserto, concerto; sela, cela; sessão, seção, Exemplos: coragem / destemor; ligeiro / lépido /
cessão. rápido / veloz; tolo / bobo
c. homófonos homográficos ou homônimos Não existe sinonímia perfeita, já que dificilmente um
perfeitos (=pronúncia, = escrita) vocábulo substitui outro com perfeita equivalência
Ex: caminha (subst.), caminha (verbo); cedo (adv.), de sentido. Quando dizemos que, alguém
cedo (verbo); somem (somar), somem (sumir). apresentou uma dúvida tola, não corresponde ao
mesmo que dizer que, alguém apresentou uma
4.4 - Paronímia que estuda os parônimos: são dúvida boba. A palavra boba neste caso teria uma
palavras parecidas na escrita e na pronúncia, mas conotação mais vulgar.
com significados diferentes:
Ex.: retificar, ratificar; infringir, infligir; colisão,
coalizão; cumprimento, comprimento.
4.9. Hiperonímia trata da relação estabelecida
4.5 – Polissemia: entre um vocábulo de sentido mais genérico e outro
Sema é uma unidade de significado. de sentido mais específico (p.ex., animal está numa
Diz-se que uma palavra é polissêmica, quando é
relação de hiperonímia com leão, gato; móvel está
capaz de despertar vários, múltiplos significados numa relação de hiperonímia com mesa etc.)
(poli = muito; semia = significado) denotativos,
de primeiro plano, indiferentemente às 4.10. Hiponímia cuida da relação existente entre
conotações. uma palavra de sentido mais específico e outra de
Ex.: Pena: pluma, punição, dó, peça de metal para sentido mais genérico, que tem com a primeira
escrever.
traços semânticos comuns (p.ex., mamífero está
Mangueira: tudo de borracha que conduz água para numa relação de hiponímia com animal; mesa está
regar plantas ou apagar incêndios, árvore frutífera, numa relação de hiponímia com móvel )
grande curral de gado.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
21
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
4.11. Eponímia é o conjunto, a prática ou a teoria mesmas individualmente, aplicadas a um contexto e
de epônimos: diz-se de, ou aquele ou aquilo que dá com influência de outras palavras.
o seu nome a qualquer coisa ou pessoa; que dá ou
empresta seu nome a alguma coisa. O campo semântico, por sua vez, é o conjunto de
Tiradentes, herói epônimo de uma cidade mineira. possibilidades que uma mesma palavra ou conceito
tem de ser empregada (o) em diversos contextos. O
conceito de campo semântico está ligado ao
conceito de polissemia.
4.12. Campos semânticos (conceituais) e
famílias ou campos lexicais. Uma mesma palavra pode tomar vários significados
diferentes em um mesmo texto, dependendo de
Por não estarem devidamente diferenciados ou como ela for empregada e de que palavras a
definidos, os conceitos de campo semântico e acompanham para tornar claro o significado que ela
campo lexical frequentemente são confundidos. assume naquela situação.
Tanto o campo semântico quanto o campo lexical
são utilizados pela lingüística textual a fim do melhor Por exemplo:
e mais adequado uso das palavras da língua - conhecer: ver, aprofundar-se, saber que existe,
portuguesa. Para entendê-los melhor proponho etc.
alguns esclarecimentos e algumas conceituações: - bacia: utensílio de cozinha, parte do esqueleto
humano.
Léxico é o conjunto de palavras pertencentes a - brincadeira: divertimento, distração, passa-tempo,
determinada língua. Por exemplo, temos um léxico gozação, piada, etc.
da língua portuguesa que é o conjunto de todas as - estado: situação, particípio de estar, divisão de um
palavras que são compreensíveis em nossa língua. país, etc.
Quando essas palavras são materializadas em um
texto, oral ou escrito, são chamadas de O campo semântico pode também ser o conjunto
vocabulário. O conjunto de palavras utilizadas por das maneiras que são utilizadas para expressar um
um indivíduo, portanto, constituem o seu mesmo conceito.
vocabulário.
Exemplos:
Nenhum falante consegue dominar o léxico da
língua que fala, já que o mesmo é modificado - Campo semântico em torno do conceito de morte:
constantemente através de palavras novas e bater as botas, falecer, ir dessa para a melhor,
palavras que não são mais utilizadas. Além de passar para um plano superior, falecer, apagar, etc.
possuir uma quantidade muito grande de palavras, o
que impossibilita alguém de arquivar todas em sua - Campo semântico em torno do conceito de
memória. enganar: trapacear, engabelar, fazer de bobo,
vacilar, etc.
O campo lexical, por sua vez é o conjunto de
palavras que pertencem a uma mesma área de
conhecimento, e está dentro do léxico de alguma 5. Organização textual: texto, assunto, tema,
língua. tese, título, ponto de vista, argumentação,
coesão e coerência; referenciação. Parágrafo:
São exemplos de campos lexicais: construção e desenvolvimento. Frase: discurso
direto, discurso indireto, discurso indireto livre;
- o da medicina: estetoscópio, cirurgia, esterilização, adequação semântica e adequação sintática.
medicação, etc. Gêneros textuais. Tipologia textual: descrição,
- o da escola: livros, disciplinas, biblioteca, material narração e dissertação.
escolar, etc.
- o da informática: software, hardware, programas,
5.1. Conceito de texto.
sites, internet, etc.
- o do teatro: expressão, palco, figurino,
A palavra precisa constituir um contexto
maquiagem, atuação, etc.
significativo.
- campo lexical dos sentimentos: amor, tristeza,
ódio, carinho, saudade, etc.
Pensemos na seguinte situação: você está
- campo lexical das relações inter-pessoais: amigos,
dentro de um ônibus e lê, pela janela, num cartaz
parentes, família, colegas de trabalho, etc.
da rua a propaganda de uma calça jeans, com
Semântica é o estudo do significado, no caso das
um casal jovem, namorando. Há uma frase
palavras, a semântica estuda a significação das
escrita embaixo da marca da calça que diz:

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
22
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

"A escolha de ser livre". Roteiro para Interpretação de Textos_1


Agora imagine que você está de carro no centro da
cidade, procurando um lugar para estacionar. Em As questões de interpretação de textos vêm
vários portões há placas dizendo: ganhando espaço nos concursos públicos. Também
é a partir de textos que as questões normalmente
"Não estacione". cobram a aplicação das regras gramaticais nos
grandes concursos de hoje em dia.
Finalmente, pense que, na escola, o professor dá Por isso, é cada vez mais importante observar os
um exercício para colocar frases no plural. comandos das questões. Normalmente o candidato
é convidado a:
Ele está preocupado com o fato de alguns alunos idenficar:
não fazerem a concordância do sujeito com o verbo. Reconhecer elementos fundamentais apresentados
Da lista de frases que ele pôs no quadro-negro no texto.
consta, por exemplo: comparar:
Descobrir as relações de semelhanças ou de
"O carro estacionou em lugar proibido e foi diferenças entre situações apresentadas no texto.
multado." comentar:
Relacionar o conteúdo apresentado com uma
Muito bem, para cada uma das três situações, realidade, opinando a respeito.
temos diferentes frases:
resumir:
Concentrar as idéias centrais em um só parágrafo.
"A escolha de ser livre"
"Não estacione" parafrasear:
"O carro estacionou em lugar proibido e foi Reescrever o texto com outras palavras.
multado”. continuar:
Dar continuidade ao texto apresentado, mantendo a
5.2 - Contexto significativo mesma linha temática.

Exemplos:
Roteiro para interpretar textos_2
1) Você foi visitar um amigo que está hospitalizado 1. Ler atentamente todo o texto, procurando
e, pelos corredores, você vê placas com a palavra focalizar sua idéia central.
"Silêncio". 2. Interpretar as palavras desconhecidas através
do contexto.
2) Você está andando por uma rua, a pé, e vê um 3. Reconhecer os argumentos que dão
pedaço de papel, jogado no chão, onde está escrito sustentação à idéia central.
"Ouro". 4. Identificar as objeções à idéia central;
5. Sublinhar os exemplos que forem
Em qual das situações uma única palavra pode empregados como ilustração da idéia central.
constituir um texto? 6. Antes de responder às questões, ler mais de
uma vez todo o texto, fazendo o mesmo com o
Na situação 1, a palavra "Silêncio" está dentro de enunciado de cada questão.
um contexto significativo por meio do qual as 7. Evite responder “de cabeça”. Procure localizar
pessoas interagem. Assim, a palavra "Silêncio" a resposta no texto.
também é um texto.
8. Se preferir, faça anotações à margem ou
esquematize o texto.
Na situação 2, a palavra "Ouro" não é um texto. É 9. Se o comando pede a idéia principal ou tema,
apenas um pedaço de papel encontrado na rua por normalmente deve situar-se no primeiro parágrafo
alguém. (introdução) ou no último (conclusão).
10. Se o comando busca argumentação, deve
localizar-se os parágrafos intermediários
Concluindo, o texto verbal pode ter uma extensão
(desenvolvimento).
variável: uma palavra, uma frase ou um conjunto
maior de enunciados, mas ele obrigatoriamente
necessita de um contexto significativo para
existir.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
23
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Erros comuns de interpretação: FORMAS DE DISCURSO

Discurso direto;
EXTRAPOLAÇÃO (viagem):
Discurso indireto;
Ocorre quando o candidato sai do contexto, Discurso indireto livre.
acrescentando idéias que não estão no texto,
normalmente porque já conhecia o tema por uso de DISCURSO DIRETO
sua imaginação criativa. É aquele que reproduz exatamente o que escutou
ou leu de outra pessoa.
Portanto, é proibido viajar. Podemos enumerar algumas características do
discurso direto:
REDUÇÃO: - Emprego de verbos do tipo: afirmar, negar,
É o oposto da extrapolação. perguntar, responder, entre outros;
- Usam-se os seguintes sinais de pontuação: dois-
Dá-se atenção apenas a um ou outro aspecto, pontos, travessão e vírgula.
esquecendo-se de que o texto é um conjunto de
idéias. Exemplo:

CONTRADIÇÃO: O juiz disse:


- O réu é inocente.
É comum as alternativas apresentarem idéias
contrárias às do texto, fazendo o candidato chegar a DISCURSO INDIRETO
conclusões equivocadas, de modo a errar a
questão. É aquele reproduzido pelo narrador com suas
próprias palavras, aquilo que escutou ou leu de
Portanto, internalize as idéias do autor e ponha- outra pessoa.
se no lugar dele. No discurso indireto eliminamos os sinais de
pontuação e usamos conjunções: que, se, como,
Só contradiga o autor se isso for solicitado no etc.
comando da questão. Exemplo: “Indique a Exemplo:
alternativa que apresenta idéia contrária à do texto”. O juiz disse que o réu era inocente.

DISCURSO INDIRETO LIVRE

Tipologia Textual É aquele em que o narrador reconstitui o que ouviu


ou leu por conta própria, servindo-se de orações
DISSERTAÇÃO: absolutas ou coordenadas sindéticas e assindéticas.

É a exposição de opiniões fundamentadas em Exemplo:


argumentos e raciocínio. Divide-se em introdução
(apresenta o assunto de forma direta, sem rodeios), Sinhá Vitória falou assim, mas Fabiano franziu a
desenvolvimento (mostra dados, idéias, testa, achando a frase extravagante. Aves matarem
argumentos e exemplos que sustentam a sua bois e cavalos, que lembrança! Olhou a mulher,
posição), e conclusão (fecha o assunto; pode ser desconfiado, julgou que ela estivesse tresvariando”.
na forma de síntese ou sugestões, sem espaço para (Graciliano Ramos).
continuar a discussão).
DESCRIÇÃO:
NARRAÇÃO:
É um “retrato verbal” do que vemos ou
É discorrer sobre um fato, um acontecimento. sentimos. É difícil encontrar um texto
Nela predominam os verbos de ação. Os elementos exclusivamente descritivo. Normalmente
da narração são personagem (quem participa do encontramos trechos descritivos inseridos numa
fato), tempo (momento do fato), ambiente (local), narração ou dissertação.
narrador (quem conta: 1a ou 3a pessoa) e enredo
(o encadeamento das ações).

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
24
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Sobre Leitura (curiosidade) 6. Exercícios práticos e provas aplicadas.

De aorcdo com uma pqsieusa de uma CONTEÚDO DA AULA 1.: SEMÂNTICA –


uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS; LINGUAGEM:
qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso. A DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO.
úncia csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur 1. Marque a frase em que deve ser empregada
crteo. O rseto pdoe ser uma a primeira das duas palavras que aparecem entre
ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem parênteses:
pobrlmea. Itso é poqrue nós não
lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo a) Essas hipóteses _________ das circunstâncias
um tdoo. Vdaerde! (imergem - emergem);
b) Nunca o encontro na _________ em que trabalha
(seção - sessão);
Saiba Diferenciar c) Já era decorrido um _______ que ela havia
partido, (lustre - lustro);
d) O prazo já estava _______ (proscrito - prescrito);
COESÃO x COERÊNCIA: e) O fato passou completamente ________
(desapercebido - despercebido).
Coesão: Aspectos formais do texto. São erros
de coesão: má concordância, pronomes indevidos e 2. Marque a frase que se completa com o
palavras inapropriadas. segundo elemento dos parênteses:
a) A recessão econômica do país faz com que
Coerência: Aspectos implícitos do texto muitos _________ (emigrem - imigrem);
(ligados ao sentido textual). Exemplo de erro de b) Antes de ser promulgada, a Constituição já pedia
coerência: “A polícia e a justiça são as duas mãos muitos ________ (consertos - concertos);
de um mesmo braço”. c) A ditadura _________ muitos políticos de
oposição; (caçou - cassou);
DENOTAÇÃO x CONOTAÇÃO: d) Ao sair do barco, o assaltante foi preso em
___________ (flagrante - fragrante);
e) O juiz _________ expulsou o atleta violento
Denotação: É o sentido real: “Os raios de sol
(incontinente - incontinenti).
adentraram pela imensa janela”.
3. Marque a alternativa que se completa
Conotação: É o sentido figurado: “Seu olhar corretamente com o segundo elemento dos
eram raios de sol a iluminar-me”. parênteses:
a) O sapato velho foi restaurado com a aplicação de
PARÁFRASE x PERÍFRASE: algumas ________ (tachas-taxas);
b) Sílvio _________ na floresta para caçar macacos
Paráfrase: É a reescritura do texto, (imergiu-emergiu);
mantendo-se o mesmo significado. c) Para impedir a corrente de ar, Luís _______ a
porta (cerrou-serrou);
Perífrase: É a substituição de palavras por d) Bonifácio ________ pelo buraco da fechadura
expressões que indicam algo de si: (expiava-espiava);
e) Quando foi realizado o último ________ ? (censo-
senso).
“Fui à Cidade Maravilhosa” (=RJ).
4. Assinale a alternativa que se completa com
“O Rei do Futebol chegou” (=Pelé). o primeiro elemento dos parênteses:
a) A polícia federal combate o _________ de
cocaína (tráfego-tráfico);
b) No Brasil é vedada a ________ racial; embora
haja quem a pratique (discriminação-
descriminação);
c) Você precisa melhorar seu __________ de humor
(censo-senso);
d) O presidente _________ antecipou a queda do
muro de Berlim (ruço-russo);

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
25
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
e) O balão, tremeluzindo _________ para o céu escolhera um ____ momento para comunicar aos
estrelado (acendeu-ascendeu). pais que iria viajar nas férias; _____ seus, dois
irmãos deixaram os pais _____ sossegados quando
5. Em o “o prefeito deferiu o requerimento do disseram que a jovem iria com os primos e a tia.”
contribuinte”, o termo grifado poderia perfeitamente a) mau - mal - mais - mas;
ser substituído por: b) mal - mal - mais - mais;
a) apreciou; c) mal - mau - mas - mais;
b) arquivou; d) mal - mau -mas - mas;
c) despachou favoravelmente; e) mau - mau - mas - mais.
d) invalidou;
e) despachou negativamente. 11. Marque a alternativa que completa
corretamente as lacunas:
6. As ideias liberais saíram incólumes, ainda “Estou ________ de que tais _______ deveriam ser
que se pensasse que seriam dilapidadas, _______ a bem da moralidade do serviço público.”
completamente. a) cônscio – privilégios – extintos;
Os termos grifados são antônimos, respectivamente b) côncio – privilégios – estintos;
de: c) cônscio – privilégios – estintos;
a) arrasadas - dilaceradas; d) côncio – previlégios – estintos;
b) intactas - arrasadas; e) cônscio – previlégios – extintos.
c) intactas - dilaceradas;
d) depauperadas - prestigiadas; 12. Observe as orações seguintes:
e) N.R.A. I - Por que não apontas a vendedora por que foste
ludibriado?
7. Complete as lacunas com a expressão II - A secretária não informa porque linha, de ônibus
correta (entre parênteses): chega-se ao escritório.
“O _______ (cervo - servo) prendia-se nos arbustos, III - Por que será que o governo não divulga o
fugindo dos _______ (cartuchos - cartuxos) que porquê da inflação?
pipocavam por toda a _______ (área - aria);
a) cervo – cartuxos – área; Há erro na grafia:
b) servo – cartuchos – aria; a) na I apenas;
c) cervo – cartuchos – área; b) em duas apenas;
d) servo – cartuchos – área; c) na II apenas;
e) servo – cartuchos – aria. d) na III apenas;
e) em nenhuma.
8. Complete as lacunas, com a expressão
necessária, que consta nos parênteses: 13. Complete as lacunas com (estada / estadia /
É necessário ________ (cegar-segar) os galhos onde / aonde):
salientes do _______ (bucho-buxo), de modo a que “_______ quer que eu me hospede, procuro logo
se possa fazer _____ (xá-chá) com as folhas mais saber o preço da _______, quanto custa a _______
novas.” de um carro alugado, bem como _______ se possa
a) segar – buxo – chá; ir à noite.”
b) segar – bucho – xá; a) aonde – estadia – estada – onde;
c) cegar – buxo – xá; b) onde – estada – estadia – aonde;
d) cegar – bucha – chá; c) onde – estadia – estada – aonde;
e) segar – bucha – xá. d) aonde – estada – estadia – onde;
e) onde – estadia – estadia – aonde.
9. O __________ (emérito-imérito) causídico
____________ (dilatou-delatou) o plano de fuga 14. Leia as frases abaixo:
do meliante, que se encontrava na __________ 1 - Assisti ao ________ do balé Bolshoi;
(eminência-iminência) de escapar da prisão: 2 - Daqui ______ pouco vão dizer que ______ vida
a) emérito – delatou – iminência; em Marte.
b) imérito – dilatou – eminência; 3 - As _________ da câmara são verdadeiros
c) emérito – dilatou – iminência; programas de humor.
d) imérito – delatou – iminência; 4 - ___________ dias que não falo com Alfredo.
e) emérito – dilatou – eminência.
Escolha a alternativa que oferece a sequência
10. Complete as lacunas usando correta de vocábulos para as lacunas existentes:
adequadamente (mas / mais / mal / mau): a) concerto – há – a – cessões – há;
“Pedro e João ____ entraram em casa, perceberam b) conserto – a – há – sessões – há;
que as coisas não iam bem,pois sua irmã caçula c) concerto – a – há – seções – a;

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
26
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

d) concerto – a – há – sessões – há; 18. Preencha as lacunas, usando corretamente


e) conserto – há – a – sessões – a. (expiar/ espiar / eminentes / iminentes):

15. Complete corretamente as lacunas: “Na época do arbítrio, era comum a prática de
________ a conduta pessoal de _______ figuras
“O _______ de veículos de grande porte, em vias da esquerda resistente; instalavam-se câmaras
urbanas, provoca ________ no trânsito; forçando a secretas ou grampos telefônicos, de modo a
que os motoristas dos carros menores ________, prender, torturar e quase sempre executar
muitas delas, completamente sem _________ ; barbaramente os “pseudo-subversivos”, como forma
a) tráfico – infrações – inflijam – concerto; de ________ todas as formas de oposição ao
b) tráfego – infrações – inflijam – conserto; regime, que via em tudo, tramas para _______
c) tráfego – inflações – infrinjam – conserto; conspirações.
d) tráfego – infrações – infrações – conserto;
e) tráfico – infrações – infrações – concerto. a) expiar – iminentes – expiar – eminentes;
b) expiar – eminentes – espiar – iminentes;
16. Reescreva, preenchendo as lacunas com c) espiar – iminentes – expiar – eminentes;
(por que / porque / porquê / por quê). d) expiar – eminentes – expiar – iminentes;
- _________ é que você disse pra ele? e) espiar – eminentes – expiar – iminentes.
- Pra falar a verdade, eu nem sei bem ________ .
- Não será _______ tem inveja dele? 19. Complete as lacunas,usando corretamente
- Acho que não, ________ eu nem guardo rancor (infringir / inflingir / retificar / ratificar / absolver /
dele. absorver):
- Ora, deve haver um ________ para esse tipo de
comportamento. Concorda? “A aplicação da pena de morte, como forma de punir
- Pode ser, acho _______ tenho sido imaturo. aqueles que costumam _______ as leis, não parece
ser a melhor forma de ________ a aplicação da
a) por que – por quê – porque – porque – porquê – penalidade. Até por que executando-se o
porque; condenado, fica impossível __________ uma
b) por quê – por que – por quê – por quê – porquê – possível falha judicial que possa ter havido. Agindo
por que; dessa forma, só iríamos ________ as falhas
c) por que – por que – por que – porque – por quê – irreparáveis, cometidas em outros países, onde a tal
porque; pena capital é adotada.
d) porque – porque – porque – porque – por quê – Melhor seria se decidíssemos ________ os erros
por que; que os outros já cometeram e deixar o réu com vida,
e) porquê – por quê – por quê – por quê – porquê – para que os advogados tenham como o ________
porque. caso seja inocente.”

17. Complete as lacunas usando a) infringir – infligir – retificar – ratificar – absorver –


adequadamente (incipiente / insipiente / imergir / absolver;
emergir / surtir / sortir). b) infligir – infringir – ratificar – retificar – absorver –
“Alguns comerciantes __________ conseguem absolver;
_________ no ramo do varejo, exclusivamente por c) infringir – infligir – retificar – ratificar – absolver –
conseguirem ________ melhor os seus estoques; absorver;
outros porém, talvez por serem _________, acabam d) infligir – infringir – retificar – ratificar – absorver –
por ________ em dívidas impagáveis, que podem absolver;
__________ efeitos indesejáveis, que podem ir e) infringir – infligir – ratificar – retificar – absolver –
desde um simples prejuízo, até a concordata.” absorver.

a) incipientes – imergir – sortir – insipientes – 20. A guerra entre Irã e Iraque recrudesceu
emergir – sortir; neste fim de semana. Faz-nos saber que:
b) insipientes – emergir – surtir – incipientes – a) a guerra aumentou;
imergir – sortir; b) a guerra diminuiu;
c) incipientes – emergir – sortir – insipientes – c) a guerra paralisou;
imergir – surtir; d) a guerra recomeçou;
d) insipientes – imergir – surtir – insipientes – e) n. d. a.
emergir – sortir;
e) insipientes – imergir – surtir – incipientes – 21. Na expressão “O candidato possuía
emergir – sortir. extraordinária loquacidade”, conclui-se que:
a) o candidato falava fluentemente;
b) o candidato era desinibido;

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
27
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
c) o candidato mostrava-se insensato; Usa-se ______________ quando depois dele vier
d) o candidato demonstrava incrível versatilidade; escrita, ou subentendida, a palavra razão ou
e) o candidato demonstrava grande insegurança. motivo.
Este é o caminho ____________ passo todos os
22. Assinale a opção em que a palavra em dias.
destaque está empregada INCORRETAMENTE.
Escreve-se _____________ quando se tratar de
a) Durma cedo, senão acordará tarde amanhã.
uma conjunção causal ou explicativa; geralmente
b) Mal chegou a chover, o barraco deslizou.
equivale a pois, uma vez que.
c) Disse que há cinco anos, ganhou na loteria.
d) Estava mau informado, por isso equivocou-se. Não conheço as pessoas _______________ tanto
e) De hoje a dois meses, pedirei um novo briga.
empréstimo. Não sei _______________ ele ainda não chegou.
Escreve-se ______________ quando se tratar de
23. Quanto aos problemas gerais da língua culta, um substantivo; neste caso virá precedido de artigo
assinale a alternativa em que as palavras ou de outro determinante.
destacadas estão corretamente grafadas. Venha imediatamente ______________ o sorteio já
vai começar.
A) Muita gente não consegue entender porque o _____________ razão você não fez a tarefa?
mal uso de um aparelho eletrônico pode causar
danos à saúde. Nem o governo sabe o ______________ da
B) Havia estudado de mais. Dali há pouco inflação.
começariam as provas e ele estava bem preparado. Foi bem na prova _______________ havia
C) Não a como negar: ele continua sem saber onde estudado bastante.
ir. Ele não vai à festa _______________?
D) Muita gente não consegue entender por que o Não entendemos o __________ daquela atitude.
mau uso de um aparelho eletrônico pode causar
3 – Onde / Aonde / Donde
danos à saúde.
E) Ficariam satisfeitos com o resultado, mais ______________ você nos leva com tal rapidez?
continuavam querendo saber aonde tinham errado.
A região ____________ vim já está muito
24. Empregue adequadamente as palavras desenvolvida.
conforme os sentidos que estabelecerem na frase: Não sei _______________ te encontrar.
Esta é a casa _______________ moro.
1 – Cessão / Sessão / Seção (ou Secção)
________________ você vai com tanta pressa?
_____________ é o ato de ceder, de dar.
4 – Mal / Mau
_____________ é o intervalo de tempo que dura
uma reunião, uma assembleia. Escolheu um _________ momento para sair.
A ____________ do terreno para a construção de Estava acometida de um _________ incurável.
uma creche agradou a todos.
________ ela chegou, o casal foi embora.
_____________ significa “parte de um todo”, “corte”,
Esta carta é _________ redigida.
“subdivisão”.
Na festa ele se comportou __________ .
Compramos os presentes na ______________ de
brinquedos. ________ começou a cantar, todos vaiaram.
A Câmara reuniu-se em _____________ Era um _________ para o qual não havia remédio.
extraordinária. O senhor não é _________ aluno.
Ele fez a _____________ de seus direitos autorais
àquela instituição. 5 – Há / A
Lemos na _____________ de Economia que a
_____dois anos que ele não aparece por aqui.
gasolina vai aumentar.
A formatura será daqui _____ duas semanas.
Assistimos a uma _____________ de cinema.
Luciana formou-se _____ quatro anos.
2 – Por que / Por quê / Porquê / Porque Daqui _____ um mês devo tirar férias.
_____ várias pessoas nos esperando.
Usa-se ______________ quando equivaler a pelo
qual e flexões.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
28
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

6 – Senão / Se não contexto: Fui a cidade


c) Não se deve colocar trema em palavras como
_____________ chover amanhã, poderemos ir à tranquilo, linguiça, sequência
praia. d) Não se deve colocar trema em palavras
Devemos entregar o trabalho no prazo, derivadas como avozinho, vovozinho
______________o contrato será cancelado. e) O emprego do trema é facultativo
Espero que faça bom tempo amanhã,
______________ não poderemos ir à praia. 3. Assinale a alternativa em que pelo menos um
Ele só tem um _____________: não gosta de vocábulo não seja acentuado:
trabalhar.
A festa será amanhã à noite, ______________ a) voo, orfão, taxi, balaustre
ocorrer nenhum imprevisto. b) itens, parabens, alguem, tambem
c) tactil, amago, cortex, roi
7 – Ao invés de / Em vez de d) papeis, onix, bau, ambar
e) hifen, cipos, leem, pe
_______________ jogar futebol, preferimos ir ao
cinema. 4. Assinale a opção em que as palavras, quanto à
acentuação gráfica, estejam agrupadas pelo
_______________ que previu a meteorologia,
mesmo motivo gramatical.
choveu muito ontem.

8 – Ao encontro de / De encontro a a) problemáticos, fácil, álcool


b) já, até, só
Aquelas atitudes iam _____________________ que c) também, último, análises
eles pregavam. d) porém, detêm, experiência
e) país, atribuíram, cocaína
Sua atitude veio _____________________que eu
desejava: meus planos foram de água abaixo.
5. "À luz de seu magnífico ______ do sol ______
parece uma cidade ______ .
9 – Acerca de / Há cerca de / a cerca de
a) por, Itaguaí, tranquila
b) por, Itaguai, tranqila
Discutimos ______________ melhor saída para o
c) por, Itaguaí, tranqüila
caso.
d) pôr, Itaguaí, tranquila
_______________ de uma semana, discutíamos a e) pôr, Itaguai, tranquila
melhor decisão a tomar.
Havia uma placa ________________ dois
6. Marque o item em que necessariamente o
quilômetros.
vocábulo deve receber acento gráfico:

a) historia
b) ciume
AULA 2 - Exercícios – Acentuação gráfica.
c) amem
d) numero
1. Assinale o item em que todas as palavras são e) ate
acentuadas pela mesma regra de: também,
incrível e caráter. 7. São acentuadas graficamente pela mesma razão
as palavras da opção:
a) alguém, inverossímil, tórax
b) hífen, ninguém, possível a) há - até - atrás
c) têm, anéis, éter b) história - ágeis - você
d) há, impossível, crítico c) está - até - você
e) pólen, magnólias, nós d) ordinário - apólogo - insuportável
e) mágoa - ícone - número
2. Assinale a alternativa correta
8. Assinale a série cuja acentuação gráfica se
a) Não se deve colocar acento circunflexo em justifique da mesma forma que em: faísca - ônus –
palavras como avo, bisavo, porque há palavras anzóis.
homógrafas com pronúncia aberta
b) Não se deve colocar acento grave no a do a) viúvo, ônibus, pastéis

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
29
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
b) vírus, hífen, jiboia d) íbero, ávaro, levedo
c) centopeia, Garibáldi, caí e) filantropo, opimo, aziago
d) egoísmo, Quéops, escarcéu
e) lápis - vôlei - girassóis 15. Assinale a opção em que todos os vocábulos
deveriam estar acentuados graficamente:
9. Das alternativas abaixo, aquela em que as
demais não se acentuam, com base na mesma a) perdoo, balaustre, bambu
regra de acentuação gráfica da palavra, entre b) itens, assembleia, cafeina
aspas é: c) tuneis, juri, pessoa
d) aerodromo, estrategia, nectar
a) "holandês" - anunciá-lo / paletós e) agape, apoio (subst.), nuvens
b) "desejável" - açúcar / hífen
c) "público" - súbito / álcool EXERCÍCIOS SOBRE OS QUATRO PORQUÊS.
d) "matéria" - glória / ideia
e) "daí" - viúva / sanduíche 1) Assinale a alternativa que completa corretamente
a frase.
10. Em que série nem todas as palavras se
acentuam pelo mesmo motivo: Se você me disser o __________ disso,
entenderei,_________ não sou tolo.
a) juízo, aí, saíste, saúde a) porquê- porque
b) poética, árabes, lírica, metáfora b) por que - porque
c) glória, apoia, série, inócuo c) por quê – por quê
d) réptil, fêmur, contábeis, ímã d) porque – por que
e) assembleia, dói, papéis, céu
2) Indique a alternativa correta:
11. Todas as palavras devem ser acentuadas na a) Vim por que quero lutar.
alternativa: b) Diga-me o por que da sua luta.
c) Afinal, por que você luta?
d) Eu sei porque você quer lutar.
a) pudico, pegada, rubrica
b) gratuito, avaro, policromo 3) Assinale o incorreto:
c) abdomen, itens, harem a) Trabalho muito porque preciso.
d) magoo, perdoe, ecoa b) Trabalhas tanto, por quê?
e) contribuia, atribuimos, caiste c) Você precisa saber o porque disso.
d) Falei dele porque o conheço.
12. O ________ resulta da __________ entre a
alga e o fungo. 4) Assinale a alternativa correta:
a) Os caminhos por que vim são estes.
a) líquen, simbiose b) O estudo é o caminho porque se deve trilhar.
b) liquen, simbiose c) Alguns vencem por que lutam mais.
c) liquem, simbiose d) Não sei porque você está nervoso.
d) líquen, simbióse
e) líquem, simbióse 5) Assinale a incorreta:
a) Nunca lhes revelarei as razões por que tudo
13. Assinale o item em que as palavras estão começou.
acentuadas segundo a mesma regra: b) Diga-me: por que você faltou?
c) Alguns chateiam por que gostam.
d) Porque é estudioso e dedicado, o menino se
a) miúdo, pêndulo
destaca no colégio.
b) história, distância
c) pedrês, porém
6) Assinale a alternativa incorreta:
d) respeitável, pálpebra
a) Ela ri e sabe por quê.
e) Lucília, três
b) Cada um ri porque gosta de rir.
c) Você sabe por que ela ri?
14. Há erro(s) de acentuação gráfica em: d) Os motivos porque ela ri são mesmo estranhos.

a) recém-vindo, decano, refrega 7) Assinale a alternativa correta:


b) pudico, bímano, gratuito a) Essas são as dificuldades porque passei.
c) inaudito, pegada, zênite

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
30
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

b) No momento, porque assuntos você se c) poderia vir regido de proposição também na


interessa? primeira oração sem que se modificasse o sentido
c) Estava preocupado com o porquê da questão. dela.
d) Todos reclamam sem saber porquê. d) apresenta regência e sentidos diferentes nas
duas orações.
8) Assinale a alternativa que apresenta erro: e) embora tenha o mesmo sentido nas duas
a) Leio revistas e jornais, porque desejo estar orações, ele apresenta regência diferente em cada
sempre informado. uma delas.
b) Gostaria de rever os lugares por que andei
ultimamente. 4. Indique a alternativa correta:
c) Não sei por que desistes com tanta facilidade.
d) você não apresentou o resultado, por que? a) Preferia brincar do que trabalhar.
b) Preferia mais brincar a trabalhar.
9) Assinale a alternativa onde a palavra “QUE” está c) Preferia brincar a trabalhar.
grafada incorretamente: d) Referia brincar à trabalhar.
a) Quê! Você ainda não tomou banho? e) Preferia mais brincar que trabalhar.
b) Depois do banho ficou com um quê irresistível.
c) Quê beleza! Acertei tudo. 5. Aponte o erro de regência:
d) Você vive de quê? De brisa?
a) Avisaram-no que chegaríamos logo.
10) Preenchendo as lacunas com “QUE”, em qual b) Informei-lhe a nota obtida.
alternativa esse “QUE” levaria acento circunflexo c) Os motoristas irresponsáveis, em geral, não
por ser monossílabo tônico? obedecem aos sinais de trânsito.
a) Mas __________ lindo carro você comprou! d) Há bastante tempo que assistimos em Campo
b) O novo diretor tem um _______ estranho. Grande.
c) Eis a aula de _________ mais gosto. e) Quem você namora?
d) Por _____ você saiu?
6. Assinale a alternativa correta:

a) Prefiro redação a leituras.


AULA 3 - EXERCÍCIOS SOBRE REGÊNCIA b) Aqui está o livro de que me referi ontem.
VERBAL, NOMINAL E SOBRE A CRASE. c) Há muitos cargos que aspiro nesta empresa.
d) O jogo de ontem foi bom, porém pouca gente o
1. Assinale a alternativa correta: assistiu.

a) Preferia antes morrer que fugir como covarde.


7. Assinale a regência correta:
b) A cortesia mandava obedecer os desejos da
minha antiga dama.
a) Você se lembra dele?
c) O país inteiro simpatizou-se com esse princípio.
b) Que filme você assistiu?
d) Jesus perdoou ao pecador.
c) Que música você mais gosta?
d) Quanto tempo você pode dispor?
2. Com referência à regência do verbo assistir,
todas as alternativas estão corretas, exceto em:
8. A regência está incorreta na alternativa:
a) Assistimos ontem um belo filme na televisão.
b) Os médicos assistiram os feridos durante a a) Para seu irmão e mim estava bem.
guerra.
c) O técnico assistiu os jogadores no treino. b) Sobre mim e ele pesavam várias acusações.
d) Assistiremos amanhã a uma missa de sétimo dia. c) Entre mim trabalhar e tu não, fico chateado.
e) Machado de Assis assistia em Botafogo. d) Após mim virão outros homens, disse o primeiro
astronauta.
3. Observe o verbo que se repete: “aspirou o ar”
e “aspirou à glória”. Tal verbo: 9. Assinale a regência correta:

a) O livro que mais gosto é esse aqui.


a) apresenta a mesma regência e o mesmo sentido
nas duas orações. b) A novela a que assistimos foi horrorosa.
b) embora apresente regências diferentes, ele tem c) O aluno cujo nome não me lembro colou na
prova.
sentido equivalente nas duas orações.
d) As pessoas com quem nos antipatizamos são
prepotentes.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
31
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
EXERCÍCIOS SOBRE CRASE.
10. Qual a regência incorreta?
1. Quantos acentos de crase devem ser usados
a) Obedeça a sinalização. na frase: “A tarde, fui a pensão e pedi a
b) Perdoei-lhe a antiga dívida. cozinheira um cozido a brasileira.”
c) Paguei aos funcionários o ordenado. a) 2
d) O filme é bom, pois todos assistiram a ele. b) 1
c) 4
11. “Visando ___ objetivo, visou ___ cheque e d) 3
retirou-se.” e) nenhum

De acordo com a regência do verbo visar, o 2. Assinale a frase correta:


preenchimento adequado das lacunas seria:
a) o – ao a) Fui à casa e voltei logo.
b) ao – ao b) Quero tudo as claras.
c) a – ao c) O carro entrou à esquerda.
d) o – o d) Não fiz alusão à Vossa Excelência.
e) ao – o e) Íamos lá as vezes.

12. As informações _______ teve acesso 3. Só não há erro de crase em:


comprovaram suas suspeitas. Ele só tinha medo
________ algo errado acontecesse. a) Obedeçam as leis.
a) a que – de que b) Não fales assim aquela senhora.
b) que – de que c) Fiquei à chorar.
c) que – que d) O homem caminhava as cegas.
d) às quais – que e) Eles voltariam à uma.
e) a que – que
4. Aponte a frase com erro de crase:
13 Indique a alternativa que apresenta regência
verbal incorreta: a) Voltaremos às quatro horas.
b) Não vá a Ipanema.
a) Perdoo aos teus erros. c) Fez referência à jovem do escritório.
b) Somente ontem Nélson pagou uma dívida d) Seus nervos estavam a flor da pele.
atrasada que tinha contraído há meses. e) Estou a sua disposição.
c) Ela, uma jovem bonita e bondosa, perdoou ao
amigo que a ofendeu. 5. Só não há erro de crase em:
d) Custa-me resolver este problema.
a) Minha filha, vamos àquela praça.
14. Assinale a alternativa em que a regência b) Eles ficaram cara à cara.
verbal está correta: c) Já estava à par de tudo.
d) Fiz compras à granel.
a) Flávia não pagou o verdureiro nem o açougueiro. e) Marcos estudou a beça
b) Prefiro brincar do que trabalhar.
c) Este é o aluno que o professor deu nota baixa. 6. Aponte a frase em que não se admite o acento
d) O romance cujas características não me lembro de crase:
agora, foi lido há três anos.
e) Pagaremos o valor justo pela casa. a) Solicitei ajuda à base.
b) Alberto viajou à Turquia.
15. Entre os exemplos abaixo, frequentemente c) O barco nos levará à alguma ilha.
empregados na linguagem informal, apenas um d) O criminoso resistiu à prisão.
está errado. Assinale-o: e) Fui à feira.

a) Com quem você está namorando agora? 8. Assinale o emprego facultativo da crase:
b) Lá em casa somos quatro filhos.
c) Tudo que o pai diz, a mãe aceita. a) Antônio declarou-se à Carolina.
d) Meu amigo, isto implicará em sua demissão. b) Você estava à espera do mensageiro?
e) O candidato residente na rua Joaquim Murtinho c) Serás digno, à medida que pacificares a ti
não compareceu. mesmo.
d) Ninguém irá à Penha.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
32
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

e) Sejamos úteis à sociedade. b) à – a – a – a – à


c) a – a – a – à – à
9. Está errado o acento de crase em: d) à – à – à – à - à

a) Ele já se acostumou à doença.


b) Só falava à pessoas sensatas.
c) Àquela hora, todos tinham saído. Prova 1 – Agente Penitenciário – Secretaria de
d) Fiz menção à que ficou na prateleira. Justiça – Roraima
e) Aspiramos à paz interior para que o mundo
melhore. TEXTO I
Saga da Amazônia
10. Assinale o erro de crase: (Fragmento)

a) Chegarei logo à cidade. Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta
b) Tânia, à qual deram o prêmio, é muito esforçada. mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
c) Esta camisa é inferior à que você comprou. no fundo d'água as Iaras, caboclo lendas e mágoas
d) Eu não disse isso a Juliana. e os rios puxando as águas
e) Isso me cheira à ironia.
Papagaios, periquitos, cuidavam de suas cores
11. Não há erro de crase em: os peixes singrando os rios, curumins cheios de
amores
a) Ela quer ir à Bonito. sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir
b) Estava lá desde às oito da noite. era: fauna, flora, frutos e flores
c) A sala à que me dirigi era espaçosa.
d) Encontrei lá um garoto à ler um gibi. Toda mata tem caipora para a mata vigiar
e) Usava cabelos à Ronaldinho. veio caipora de fora para a mata definhar
e trouxe dragão de ferro, pra comer muita madeira
12. “Quanto ____ suas exigências, recuso-me e trouxe em estilo gigante, pra acabar com a
____ levá-las ____ sério.” capoeira
a) às, à, a.
b) a, a, a. Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
c) as, à, à. pra o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
d) à, a, à. se a floresta, meu amigo, tivesse pé pra andar
e) as, a, a. eu garanto, meu amigo, com o perigo não tinha
ficado lá.
13. “Já estavam ____ poucos metros da clareira, [...]
____ qual chegaram por um atalho aberto ____ (Vital Farias CD: Cantoria I – Kuarup, gravado em
foice.” Salvador, 1984.)
a) à, à, a.
b) a, à, a. Questão 01
c) a, a, à.
d) à, a, à. Comparando as duas primeiras estrofes com a
e) à, à, à. terceira e a quarta, nota-se que existe uma clara
oposição entre elas.
Dos comentários abaixo, o que indica essa oposição
14. Nas manchetes a seguir, assinale a é
alternativa em que não ocorre crase: A) as duas primeiras exaltam a riqueza da floresta,
e a terceira e quarta estrofes criticam a sua
a) Bush acusa Israel de criar obstáculos a paz. destruição.
b) Presidente sírio pede a ajuda do Parlamento para B) as duas primeiras defendem o extrativismo pelos
vencer a corrupção. nativos, e a terceira e quarta estrofes, a floresta
c) Itália pede a Alemanha extradição de nazistas. sustentável.
d) Poço na bacia de Campos leva Petrobrás a maior C) as duas primeiras propõem a ocupação da
jazida já descoberta. floresta, e a terceira e quarta estrofes apóiam a
chegada de forasteiros.
15. “Ele foi ___ cidade; dirigiu-se ___ referida D) as duas primeiras propõem explorar a flora e a
pensão e aí, pondo-se ___ vontade, pediu ___ fauna, e a terceira e quarta estrofes, derrubar a
criada um cozido ___ portuguesa.” mata.

a) à – à – a – a – à

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
33
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
E) as duas primeiras sugerem o aproveitamento D) nos trechos ‘os rios puxando as águas’ e ‘os
agrícola, e a terceira e quarta estrofes, a pecuária peixes singrando os rios’, os termos sublinhados
intensiva. são, respectivamente, adjetivo e verbo.
E) no verso ‘Era uma vez na Amazônia a mais
Questão 02 bonita floresta’, o adjetivo ‘bonita’ está no grau
superlativo.
Na canção, a destruição da floresta está
simbolizada na alternativa. TEXTO II
A) caboclo, lendas e mágoas.
B) caipora para a mata vigiar. Amazônia: a verdade sobre a saúde da floresta
C) peixes singrando os rios. Fragmento
D) rios puxando as águas.
E) trouxe dragão de ferro. No fim da década de 60, sob a justificativa de
que era preciso ocupar a Amazônia para evitar sua
Questão 03 internacionalização, os governos militares
distribuíram terras e subsídios a quem se
Avalie as seguintes afirmações a propósito das dispusesse a se embrenhar na floresta. A ação
formas verbais da segunda estrofe da canção “Saga atraiu para o lugar pequenos agricultores e
da Amazônia”: pecuaristas do Sul e do Sudeste. Desde então, a
I. ‘tem’ e ‘garanto’ estão no presente do indicativo agropecuária floresceu onde antes só havia a
para indicar ações permanentes, consideradas em atividade extrativista.
sua certeza. Atualmente, 36% do gado bovino e 5% das
II. ‘veio’, ‘trouxe’ e ‘fizeram’ estão no pretérito plantações de soja do país encontram-se na região
perfeito do indicativo para expressar uma ação que amazônica. Investir ali é um ótimo negócio. As
se produziu em certo momento do passado. terras custam até um décimo do valor no Sudeste. A
III. ‘tivesse’ está no imperfeito do subjuntivo para fartura de chuvas faz com que o pasto viceje o ano
indicar a certeza de uma ação inconclusa e habitual todo e, em conseqüência disso, os bois atingem a
no passado. maturidade para abate um ano mais cedo.
Nas últimas duas décadas, a expansão do
É correto o que se afirma em agronegócio fez com que as lavouras e pastos
A) I apenas. avançassem cada vez mais pela floresta,
B) II apenas. contribuindo para o desmatamento. As imagens de
C) III apenas. satélite revelam que quase 40% dessa devastação
D) I e II apenas. foi realizada nos últimos vinte anos. Surge aí a
E) I, II e III apenas. questão: quanto é aceitável desmatar para dar lugar
ao agronegócio? Ninguém sabe, porque nenhum
Questão 04 governo produziu um plano de longo prazo para a
ocupação da Amazônia.
Na primeira estrofe da canção, o verbo ‘sorrir’ está Mas uma coisa é certa: os fazendeiros
empregado no sentido figurado para expressar a estabelecidos na região não são criminosos porque
harmonia que reina na natureza quando não é derrubam parte da floresta para tocar seu negócio.
devastada. O recurso usado para isso foi Eles contribuem para o desenvolvimento da
A) antítese. Amazônia, criam empregos e somam pontos ao PIB
B) hipérbole. do país. O que precisa ser combatido é o
C) ironia. desmatamento selvagem, feito à sombra dos órgãos
D) metáfora. ambientais, muitas vezes por grileiros de terras
E) personificação. públicas que não hesitam em sacar da pistola contra
quem se opõe a seus interesses.
Questão 05 Revista Veja, ed. 2053, ano 41, no12, 26 mar. 2008,
p103-104.
Sobre as duas primeiras estrofes da canção, está
incorreto o que se afirma em Questão 06
A) a expressão ‘na Amazônia’ desempenha a
mesma função sintática que a expressão ‘no fundo Comparando o artigo “Amazônia: a verdade sobre a
d’água’. saúde da floresta” com a canção de Vital Farias,
B) a palavra ‘água’ segue a mesma regra de pode-se afirmar que
acentuação das palavras ‘Amazônia’ e ‘mágoas’. A) a canção é não literária, e o artigo da Revista
C) as palavras ‘floresta’, ‘mata’ e ‘frutos’ pertencem Veja, literário.
ao campo semântico de ‘flora’; e as palavras B) a canção é narrativa, e o artigo da Revista Veja,
‘periquitos’, ‘uirapuru’ e ‘preguiça’, ao de fauna. argumentativo.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
34
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

C) os dois textos combinam o literário com o B) aguardente – fidalgo – pernalta – planalto.


argumentativo. C) ambidestro – bisavô – ferrovia - quadrimotor.
D) os dois textos são essencialmente D) antiaéreo – hipertensão – antebraço –
argumentativos. contradizer.
E) os dois textos são predominantemente E) cronômetro – homeopatia – octossílabo –
narrativos. tipografia.

Questão 07 Questão 10

Da leitura dos dois textos, depreende-se que Na frase “As imagens de satélite revelam que
A) o primeiro considera o desmatamento uma quase 40% dessa devastação foi realizada nos
violência, e o segundo propõe um desmatamento últimos vinte anos”, a oração sublinhada pode ser
equilibrado para o desenvolvimento da Amazônia. classificada como oração
B) o primeiro propõe a proibição da derrubada das A) coordenada explicativa.
árvores, e o segundo é favorável ao uso do solo só B) subordinada adjetiva explicativa.
para o agronegócio. C) subordinada adjetiva restritiva.
C) o primeiro não vê esperança na sobrevivência da D) subordinada substantiva objetiva direta.
floresta, e o segundo afirma que a floresta é E) subordinada substantiva completiva nominal.
destruída pela atividade extrativista.
D) os dois textos são contrários à utilização da
floresta para a criação de gado bovino e para a
plantação de soja. Prova 2 – Assistente Social _ SUFRAMA
E) os dois textos são favoráveis à manutenção da
floresta em seu estado natural, uma vez que ela é No norte da Índia, o pior lugar para se nascer
considerada o pulmão do Planeta. mulher
Amelia Gentleman
Questão 08 Em Machrihwa, na Índia

Na construção de um texto, para evitar a repetição O nascimento de um menino é comemorado


de palavras já mencionadas, procura-se substituir em Machrihwa com a compra de doces, que são
essas por outras. A tal processo, que ocorre, distribuídos com grande alegria entre os moradores
predominantemente, com os pronomes, dá-se o da vila. Já o nascimento de uma menina, na maioria
nome de anáfora. Nas alternativas a seguir, as dos casos, não é comemorado.
relações anafóricas estão corretas, excetuando As mulheres nesta vila não gostam de falar
uma. Assinale-a. sobre o assunto, mas muitas daquelas que têm
filhas admitem rancorosamente que pior do que as
A) Em ‘era preciso ocupar a Amazônia para evitar dores do parto foi a tristeza que as acometeu ao
sua internacionalização’, o pronome ‘sua’ refere-se saber que haviam dado à luz a uma menina.
à Amazônia’. (1o parágrafo). Juganti Prasadi, 30, recorda-se do silêncio
B) Em ‘A ação atraiu para o lugar pequenos reprovador que tomou conta do quarto quando ela
agricultores e pecuaristas’, o termo destacado deu à luz a sua terceira filha. A sua sogra entregou-
refere-se à ‘floresta’. (1o parágrafo). lhe a criança e disse-lhe secamente, "É uma
C) Na frase ‘Investir ali é um ótimo negócio’, o menina, de novo", e foi embora.
advérbio sublinhado refere-se à ‘região amazônica’. "Não havia ninguém para me dar sequer um
(2º parágrafo). copo d'água", conta Prasad. "Ninguém se deu ao
D) No fragmento ‘que não hesitam em sacar da trabalho de olhar para mim ou de me alimentar
pistola contra quem se opõe a seus interesses’, o porque a criança era do sexo feminino".
pronome destacado refere-se aos ‘grileiros de terras Enquanto estava deitada se recuperando, ela
públicas’. (4o parágrafo). podia escutar os parentes na casa ao lado
E) No trecho ’em conseqüência disso, os bois lamentando a calamidade.
atingem a maturidade para abate uma ano antes’, o Algumas semanas depois, o marido expulsou
termo sublinhado refere-se a ‘bois’. (2o parágrafo). Prasadi e as três filhas de casa.
Situado a cinco horas de viagem pelas mal
Questão 09 conservadas estradas a partir de Lucknow, a capital
do Estado nortista de Uttar Pradesh, o distrito de
O processo de formação da palavra ‘agronegócio’, Shravasti é, segundo cálculos da UNICEF, o pior
que aparece no segundo parágrafo do texto, é lugar do mundo para se nascer mulher.
semelhante ao das palavras Em grandes áreas do norte rural da Índia,
A) aeromoça – autopeça – eletrodoméstico – longe do rápido desenvolvimento que está
minissaia. acabando com posturas tradicionais em relação às

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
35
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
mulheres nas cidades, o boom econômico da Índia governos daqui tiveram pouco sucesso em
é virtualmente invisível e as perspectivas para as implementar a lei.
meninas continuam bastante limitadas. "Para nós o dote é o problema social básico",
Em novembro, a Índia ficou em 114° lugar afirmou em uma entrevista Renuka Chowdhury,
em uma pesquisa abrangendo 128 nações sobre ministra do Desenvolvimento para Mulheres e
desigualdade entre os sexos, feita pelo Fórum Crianças. "No momento em que tem uma filha, a
Econômico Mundial, tendo apresentado baixos mulher sente que prejudicou a família".
índices de igualdade em educação, saúde e Até mesmo nas cidades a preferência por
economia. A UNICEF usou três parâmetros filhos continua forte. Uma nova cultura de consumo
estatísticos - a idade com a qual as meninas se ostentoso inflacionou os valores dos dotes,
casaram, o índice de alfabetização feminina e a reduzindo ainda mais o entusiasmo pelas filhas
desigualdade entre o número de meninos e de entre as famílias de classe média.
meninas - para determinarem que não existe um Nas áreas urbanas, o preconceito tradicional
lugar mais infeliz para uma menina nascer do que assumiu uma forma moderna eficiente, com a
Shravasti. chegada da tecnologia de ultra-som que permite
Mas nada na aparência externa de que as mulheres evitem ter bebês do sexo feminino.
Machrihwa, no norte de Shravasti, perto da fronteira A identificação do sexo da criança antes do
com o Nepal, indica esse recorde triste. A fumaça nascimento é ilegal, sendo entretanto uma prática
de fogões a lenha sobe em espirais a partir dos generalizada. Em toda a Índia, cerca de dez milhões
telhados de palha, e as meninas sentam-se com as de fetos do sexo feminino foram abortados nos
mães, peneirando arroz à entrada das suas últimos 20 anos, segundo um estudo publicado no
choupanas de estuque, em meio àquela paz ano passado no periódico britânico de medicina
característica das vilas nas quais ninguém possui "Lancet". "Encontramos fetos de meninas em sacos,
carros. Aqui as famílias ganham a vida com a flutuando em canais de esgoto", conta Chowdhury.
agricultura, sem contar com água corrente e Em áreas rurais remotas, uma máquina capaz
eletricidade. "Estamos impressionados com o que de determinar o sexo da criança antes do
está acontecendo nas grandes cidades, mas nascimento é um luxo do qual ninguém ouviu falar.
existem estas áreas rurais remotas nas quais o Apesar da relutância das mulheres em dar à luz a
desenvolvimento ainda não chegou de maneira meninas, a proporção entre o número de meninas e
alguma", diz Rekha Bezboruah, diretor da Ekatra, o de meninos neste distrito é mais elevado do que
uma organização de defesa dos direitos das em áreas mais prósperas da Índia: 941 meninas
mulheres, com sede em Nova Déli. para cada mil meninos no parto, número superior à
A sensação de ambivalência das mulheres média nacional de 927.
daqui em relação às suas filhas está enraizada no Aqui, o alto índice de analfabetismo e a baixa
tradicional sistema indiano de casamento, que idade para o casamento são os fatores que fazem
determina, primeiro, que as moças deixem as casas com que Shravasti seja o pior local do país para as
dos pais permanentemente no dia do casamento, meninas, segundo as classificações da UNICEF,
indo para a residência da família do marido, e, baseadas em dados dos censos de 2001.(...)
segundo, que elas sejam acompanhadas por dotes (Disponível em http://www.iht.com/pages/index.php,
vultosos. acesso à tradução feita pela UOL em 01/12/2007)
Reservadamente, as mulheres da vila
explicam que o ressentimento das mães em relação Questão 01
às suas filhas recém-nascidas é o resultado de um
difícil cálculo financeiro. “A sensação de ambivalência das mulheres daqui
"O mínimo é 25 mil rupias por dote, que inclui em relação às suas filhas...”
o preço de uma bicicleta que é dada ao noivo, bem De acordo com a leitura do texto, tal ambivalência
como diversos ornamentos. E além disso há o pode ser sintetizada pelo fragmento:
próprio custo do casamento, que representa mais
20 mil rupias. Então, já na primeira vez que olha A) “... o ressentimento das mães em relação às
para a criança, tais pensamentos passam pela suas filhas recém-nascidas é o resultado de um
cabeça da mãe", explica Shanta Devi, 35, mãe de difícil cálculo financeiro.”.
duas meninas e dois meninos. B) “A pessoa gosta de ter uma filha, mas gosta
O total de 45 mil rupias, o equivalente a US$ também de ter dinheiro, acrescenta ela”.
1.500, é uma fortuna para trabalhadores sem terra C) “A prática de dar e receber dotes é ilegal
que ganham sem nenhuma regularidade salários de segundo a Constituição do país”.
cerca de 30 rupias por dia. "A pessoa gosta de ter D) “Até mesmo nas cidades a preferência por filhos
uma filha, mas gosta também de ter dinheiro", continua forte”.
acrescenta ela. E) “Em toda a Índia, cerca de dez milhões de fetos
A prática de dar e receber dotes é ilegal do sexo feminino foram abortados nos últimos 20
segundo a Constituição do país. Mas sucessivos anos...”.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
36
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Questão 02 Questão 06
O elemento coesivo destacado que retoma um
Em Machrihwa, “o nascimento de uma menina, na vocábulo expresso anteriormente é:
maioria dos casos, não é comemorado” sobretudo A) “... pior do que as dores do parto foi a tristeza
por razões que as acometeu...”.
A) morais. B) “A sua sogra entregou-lhe a criança e disse-lhe
B) espirituais. secamente...”.
C) materiais. C) “Ninguém se deu ao trabalho de olhar para mim
D) médicas. ou de me alimentar...”.
E) políticas. D) “A pessoa gosta de ter uma filha, mas gosta
também de ter dinheiro”.
Questão 03 E) “... de me alimentar porque a criança era do
sexo feminino”.
Verifica-se um caso de oração sem sujeito em
A) “Já o nascimento de uma menina, na maioria dos Questão 07
casos, não é comemorado.”.
B) "Ninguém se deu ao trabalho de olhar para Considerando o propósito global do texto, o
mim...”. depoimento de Juganti Prasadi só NÃO produz um
C) “Mas nada na aparência externa de Machrihwa, sentido de
no norte de Shravasti, perto da fronteira com o A) denúncia.
Nepal, indica esse recorde triste.”. B) exemplificação.
D) "Estamos impressionados...”. C) veracidade.
E) “E além disso há o próprio custo do D) detalhamento.
casamento...”. E) negação.

Questão 04 Questão 08

O vocábulo grifado só NÃO é pronome relativo em: “A identificação do sexo da criança antes do
A) “... com a compra de doces, que são distribuídos nascimento é ilegal, sendo entretanto uma prática
com grande alegria entre os moradores da vila.”. generalizada.”
B) “... as mulheres da vila explicam que o No trecho em destaque, a conjunção grifada pode
ressentimento das mães em relação às suas filhas ser substituída, sem alteração de sentido, por
recém-nascidas...”. A) por isso.
C) “O mínimo é 25 mil rupias por dote, que inclui o B) pois.
preço de uma bicicleta...”. C) contudo.
D) “... com a chegada da tecnologia de ultra-som D) portanto.
que permite que as mulheres evitem ter bebês do E) logo.
sexo feminino.”.
E) “Aqui, o alto índice de analfabetismo e a baixa Questão 09
idade para o casamento são os fatores que
fazem...”. O vocábulo do texto formado pelo processo de
derivação prefixal e sufixal é
Questão 05 A) rancorosamente.
B) tradicional.
A alteração que mantém o sentido do texto e que C) choupana.
está de acordo com a norma culta é D) desigualdade.
A) “... a tristeza que as acometeu...” – a tristeza que E) eletricidade.
as acometeram.
B) “A sua sogra entregou-lhe a criança...” – A sua Questão 10
sogra entregou-lhe à criança.
C) “... vilas nas quais ninguém possui carros” – vilas “... muitas daquelas que têm filhas...”
cujas ninguém possui carros. O verbo que na terceira pessoa do plural do
D) “... mas existem estas áreas rurais remotas...” – Presente do Indicativo se conjuga como o verbo
mas há estas áreas rurais remotas. “ter” é
E) “No momento em que tem uma filha...” – No A) vir.
momento onde tem uma filha. B) crer.
C) ler.
D) partir.
E) ver.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
37
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
B) coibir a ação de camelôs nas ruas brasileiras.
C) corrigir os rumos de uma operação anterior.
Prova 3 – Administração – MJ D) identificar e punir os consumidores de pirataria.
E) dar início à repressão da pirataria em 13 estados
TEXTO I e no Distrito federal.

Brasília, 1º/07/08 (MJ) – “Após a invasão de Questão 3


camelôs nas ruas brasileiras vendendo produtos
falsos, agora esse tipo de mercado migra para a No título, o vocábulo “pirataria” é formado por meio
Internet, com potencial ofensivo muito maior. de derivação sufixal. A palavra do texto I, que
Verdadeiras redes estão se estruturando e há também se formou por derivação sufixal, é
vinculação de várias delas com o crime organizado, A) secretário.
como o tráfico de drogas e de armamentos”. A B) combate.
declaração é do presidente do Conselho Nacional C) desarticulação.
de Combate à Pirataria, Luiz Paulo Barreto, também D) devemos.
secretário-executivo do Ministério da Justiça. E) narcotráfico.
Segundo o secretário, o trabalho da Polícia Federal
na Operação I-Commerce 2, que teve início nesta Questão 4
terça-feira (1º) é de fundamental importância, para
acabar com o problema na raiz, antes que comece a Em “...o trabalho da Polícia Federal na Operação I-
se alastrar. Barreto informou que se trata de uma Commerce 2, que teve início nesta terça-feira...”, o
segunda fase da operação, que começou em 2006, vocábulo “que” é um pronome relativo. Outro
em que a PF deu início à repressão da pirataria na exemplo no qual o vocábulo “que” possui a mesma
Internet em 13 estados e no Distrito federal. classificação gramatical é
“A pessoas, por Download, estão comprando gato A) “Barreto informou que se trata de uma segunda
por lebre. Nossa ação é positiva, não apenas pelas fase da operação..."
prisões, mas principalmente pela desarticulação das B) “...numa forte demonstração de que o governo
quadrilhas, numa forte demonstração de que o está atento...”
Governo está atento, para não permitir que a C) “...para não permitir que a Internet...”
Internet se torne um campo livre de práticas ilícitas”, D) “...informou, ainda, que a pirataria provoca uma
disse o secretário. “Não há como punir o redução de dois milhões de postos de trabalho...”
consumidor, mas devemos educar e alertar para os E) “...uma segunda fase da operação, que começou
fins que o dinheiro da pirataria é utilizado, como o em 2006...”
narcotráfico”.
Luiz Paulo Barreto informou, ainda, que o a pirataria Questão 5
provoca uma redução de dois milhões de postos de
trabalho no mercado formal. O Brasil, de acordo O vocábulo do texto I, cuja acentuação gráfica se
com o secretário, perde, por ano, R$ 30 bilhões em justifica pela mesma regra de “ilícitas”, é
arrecadação de impostos. No mundo, a Interpol A) após.
(Polícia Internacional) já considera a pirataria o B) camelôs.
crime do século, movimentando U$ 522 bilhões/ano, C) século.
bem mais do que o tráfico de entorpecentes, de U$ D) também.
360 bilhões/ano. E) já.
(Disponível em: http://www.mj.gov.br, acesso:
16/08/2008) Questão 6

Questão 1 “Luiz Paulo Barreto informou, ainda, que o a


pirataria provoca uma redução de dois milhões de
Pode-se afirmar que o texto I é: postos de trabalho no mercado formal.”
A) lírico. No trecho destacado, “ainda” pode ser substituído,
B) narrativo. mantendo o mesmo significado da prova original,
C) figurado. por
D) informativo. A) porém.
E) antitético. B) apenas.
C) aliás.
Questão 2 D) conquanto.
E) também.
De acordo com o texto I, a Operação I-Commerce 2
objetiva:
A) acabar com a pirataria na Internet.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
38
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

TEXTO II do comércio informal. "Essa idéia de que há uma


linha divisória entre o trabalho formal e informal não
Trabalho de camelô é fuga da marginalidade, existe. Ambos fazem parte de um único sistema
conclui pesquisa econômico", finaliza Ramires.
Raquel Souza (Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/sonos
Equipe GD so/index.htm, acesso: 16/08/2008, texto adaptado)

A venda ambulante não é trabalho. Essa é a Questão 7


opinião de 38 camelôs de São Paulo. Expulsos ou
sequer convidados para o mercado formal, essas A pesquisa feita por Francisco José Ramires, de
pessoas se viram obrigadas a montar uma acordo com o texto II, conclui que
barraquinha e vender bugigangas nas ruas da A) as garantias trabalhistas não mais atraem os
cidade. No entanto, creditam à prática apenas um camelôs.
"jeito de ganhar a vida" sem cometer crimes. B) os “severinos” não deveriam migrar para as
"Eles não criam uma identidade de trabalhador metrópoles.
como outro profissional qualquer. O trabalho de C) alguns estabelecimentos da economia formal se
camelô é encarado como ganha pão e o jeito de beneficiam do comércio informal.
distinguir-se daqueles que cometem atos ilícitos D) o trabalho dos ambulantes deve ser reprimido.
para ter dinheiro, apesar da perseguição policial", E) muitos camelôs entrevistados se orgulham de
comenta Francisco José Ramires, que pesquisou o sua atividade.
tema entre 1999 e 2001. Os resultados estão em
seu trabalho de mestrado, apresentado na Questão 8
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
da USP. A palavra do texto II, que apresenta valor pejorativo
Intitulado "Severinos na metrópole: a negação é
do trabalho na cidade de São Paulo", a pesquisa A) ambulante.
conta com depoimentos de camelôs de diversos B) nordestinos.
cantos da cidade – do D. Pedro II, Praça da Sé, C) bugiganga.
Hospital das Clínicas e da rua Teodoro Sampaio. D) patrão.
As histórias de vida variam bastante. E) mito.
Possuem em comum o fato de serem quase na
totalidade, nordestinos ou filhos de migrantes. Questão 9
Os mais velhos (compreenda como aqueles
que passaram dos 38 anos) possuem baixa De acordo com o texto II, a única palavra que NÃO
escolarização, em média 4ª série do Ensino pertence ao campo semântico de “camelô” é
Fundamental. Já os jovens concluíram o Ensino A) Severinos.
Médio e, em alguns casos, fizeram até cursos B) migrantes.
profissionalizantes e o primeiro ano de faculdade C) identidade.
(que foi abandonada por falta de recurso financeiro). D) nordestinos.
Todos gostariam de trabalhar tendo um E) informal.
patrão – contrariando o mito de que a venda
ambulante é uma maneira de ganhar autonomia e Questão 10
maiores dividendos. "Muitos daqueles que
sobrevivem graças ao trabalho informal gostariam No entanto, creditam à prática apenas um "jeito de
de voltar ou integrar-se à formalidade. Isso é quase ganhar a vida" sem cometer crimes. No fragmento
um sonho para muitos". do texto II destacado, o emprego das aspas é feito
Ramires explica que a maioria dos para
ambulantes veio de trabalhos com registro em A) assinalar o discurso direto do autor.
carteira e, por isso, sabe das "tranqüilidades" que o B) revelar a ironia dos camelôs.
mercado formal possibilita: previdência social, fundo C) indicar referência ao discurso alheio.
de garantia, décimo terceiro salário, entre outros. D) registrar o uso da linguagem informal.
São pouquíssimos os que ganham mais de R$300 E) marcar a citação de autor consagrado.
por mês. O pesquisador encontrou alguns que
guardam o colchão sob a barraca e que, quando Questão 11
anoitece, dormem embaixo dela.
Em alguns casos, os camelôs pagam a A opção em que o vocábulo destacado em caixa-
comerciantes e clínicas médicas para guardar seus alta apresenta valor anafórico é
produtos em seus estabelecimentos. Assim, parte A) “Expulsos OU sequer convidados...”
da renda obtida por essas instituições é proveniente B) “ESSA é a opinião de 38 camelôs de São Paulo.”

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
39
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
C) “NO ENTANTO, creditam à prática...” extremamente banais. As coisas que acabam sendo
D) “Ramires explica QUE a maioria dos essenciais, primeiro, não são sempre as mesmas,
ambulantes...” mudam sempre; segundo, para mim pelo menos,
E) “...QUANDO anoitece, dormem embaixo dela.” elas são absolutamente quaisquer. São, de repente,
o reflexo em um copo d’água, o cheiro da pipoca no
Questão 12 cinema... As coisas essenciais da vida são
pequenas mas precisa que, por alguma razão – é
“Assim, parte da renda obtida por essas instituições disso que eu vou tentar falar -, elas sejam
é proveniente do comércio informal.” portadoras de um certo tipo de emoção que as torna
O fragmento acima poderia ser reescrito, mantendo coisas essenciais da vida.
o mesmo sentido presente no texto II, da seguinte Para tentar entender esse tipo de
forma: emoção, a primeira coisa que queria dizer é que o
drama – que pode ter um lado divertido mas é um
A) Parte da renda obtida por essas instituições é, drama – para nós humanos, é que o essencial não
pois, proveniente do comércio informal. coincide nunca com o necessário. Comida,
B) Contudo, parte da renda obtida por essas agasalho, moradia, coitos regulares, são
instituições é proveniente do comércio informal. necessários para sobreviver e para reproduzir a
C) Parte da renda obtida por essas instituições é, espécie, mas não são coisas essenciais da vida.
todavia, proveniente do comércio informal. Se não existisse esse divórcio entre o necessário e
D) Embora parte da renda obtida por essas o essencial, é claro que nós seríamos muito mais
instituições seja proveniente do comércio informal. simples, seríamos menos doídos e também menos
E) Se parte da renda obtida por essas instituições doidos. Mas, por outro lado, sem esse divórcio entre
for proveniente do comércio informal. o que é para nós essencial e as coisas que são
necessárias, a corrida louca da nossa espécie não
Questão 13 teria nem começado (...)
Na verdade, as coisas essenciais da vida
A classe gramatical do vocábulo em caixa-alta está só aparecem no catálogo das coisas necessárias
corretamente indicada em: sob a forma seguinte: como a sensação de uma
A) “... a montar uma BARRAQUINHA...” - adjetivo. estranha falta. Talvez a presença mais clara, mais
B) “... explica QUE a maioria dos ambulantes...” - positiva, do essencial da vida, para mim, seja isto:
pronome relativo. um mal-estar que me faz sentir que o necessário
C) “... VENDA ambulante não é trabalho.” - não me basta e que a lista das coisas essenciais
substantivo. está sempre incompleta. Talvez essa seja a
D) “... pagam A comerciantes...” - artigo. presença mais constante das coisas essenciais da
E) “... OU sequer convidados...” - preposição. vida.
Claro que ao falar do divórcio entre o
Questão 14 essencial e o necessário, sinto um pouco de
vergonha e de culpa. Porque, no fundo, eu acharia
O exemplo do texto II, em que aparece uma oração muito mais simples dizer que as coisas essenciais
sem sujeito, é são as necessárias. Constatar o contrário me deixa
A) “... há uma linha divisória entre o trabalho formal um gosto desconfortável na boca, porque parece
e informal...” conversa de menino rico. “Não vem com esse papo,
B) “No entanto, creditam à prática apenas um ‘jeito você não sabe o que é estar em falta do necessário
de ganhar a vida’ sem cometer crimes.” para a sobrevivência. É fácil dizer de pança cheia
C) “Todos gostariam de trabalhar tendo um que o necessário para a sobrevivência é o
patrão...” essencial. Traz a comida, depois a gente fala”: é
D) “Isso é quase um sonho para muitos" uma reação possível, uma reação que se impõe.
E) “São pouquíssimos os que ganham mais de Será que dizer que o essencial não coincide com o
R$300 por mês.” necessário não é um jeito de estar negando o
essencial aos outros? É a mesma vergonha do
artista que se pergunta o porquê de sua arte em
uma época de peste.
Prova 4 – Assistente Social – Prefeitura de Para responder, há a história do radinho,
Niterói não sei se vocês conhecem essa história... numa
campanha de controle demográfico – se lembro
COISAS ESSENCIAIS DA VIDA bem, na Índia, muitos anos atrás – convidaram
Rubem Alves homens e mulheres a pedir (essa coisa de convidar
a pedir...). Bom, convidaram-nos a pedir para serem
Se eu tivesse que propor uma lista das esterilizados. E, para estimular essa decisão
coisas essenciais da vida, elas pareceriam “autônoma” era oferecida uma escolha entre duas

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
40
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

recompensas: uma saca de arroz ou um radinho de É correto afirmar, segundo o autor do texto, que o
pilhas. Agora, o interessante é que, numa situação “divórcio entre o essencial e o necessário” é:
de pobreza absoluta, de falta do necessário para a A) incomum entre as pessoas pobres
subsistência, quase todos escolheram o radinho. B) vergonhoso e, por isso, deve ser esquecido
Mesmo na falta mais cruel do necessário o que lhes C) equivocado, por separar o banal do supérfluo
parecia essencial era o que é aparentemente D) próprio do ser humano
supérfluo, era o radinho. Na verdade, privados da E) fruto da alienação
liberdade, ou então vivamente encorajados a
desistir da liberdade de se reproduzir, Questão 03
aparentemente, era mais importante para eles
afirmar sua humanidade querendo um rádio do que A palavra que no texto assume sentido irônico é:
satisfazer as necessidades querendo o arroz. A A) divórcio (2º parágrafo)
resposta, então, era algo assim “você me trata e me B) catálogo (3º parágrafo)
esteriliza como se eu fosse gado. Agora, eu não sou C) vergonha (4º parágrafo)
bicho, eu não quero arroz, eu quero rádio”. D) autônoma (5º parágrafo)
A racionalidade nos diria que é uma falsa E) poesias (7º parágrafo)
escolha, uma escolha alienada. Vamos morrer de
fome para escutar musiquinhas e propagandas. Mas Questão 04
a questão é outra. Qual racionalidade nos autoriza a
retirar a um miserável sua qualidade humana sob o O autor conta a “história do radinho”, buscando
pretexto de lhe facilitar a subsistência? Porque é obter um efeito argumentativo de:
disso que se trata. Em nome da necessidade, A) autoridade
gostaríamos que ele parasse de querer o supérfluo. B) simplificação
Enquanto que é propriamente considerar que a C) contraposição
coisa essencial da vida é o supérfluo, que resiste, D) detalhamento
mesmo na miséria, a humanidade de todos. E) comprovação
Se não gostaram da história do radinho,
vou lhes contar outra. Numa prisão onde a Gestapo Questão 05
interrogava, torturava e matava presos políticos na
Polônia, quando o Exército Vermelho chegou na “Vamos morrer de fome para escutar musiquinhas
hora da libertação, encontrou (além de estrago, e propagandas.”
morte, nenhum sobrevivente) escondidos, enfiados De acordo com o texto, diminutivo dá à palavra
à força nas pedras das paredes, bilhetinhos grifada acima:
escritos. Não devia ser muito fácil, naquelas A) valor afetivo
condições, achar caneta, papel, tinta, se não fosse B) noção de tamanho reduzido
sangue, e achar vontade de escrever. O que eram C) sentido pejorativo
esses bilhetinhos? Será que respondiam à D) idéia de indignação
necessidade de contar o acontecido ou de deixar E) sugestão musical
uma última mensagem à mulher, aos pais, aos
filhos, aos amigos, a alguém... nada disso, os Questão 06
bilhetinhos não eram mensagens para alguém,
também não eram depoimentos. Eram poesias. “Não vem com esse papo, você não sabe o que é
(Palestra proferida na UFRGS, no Projeto estar em falta do necessário para a sobrevivência. É
“Coisas essenciais da vida”, disponível em fácil dizer, de pança cheia, que o necessário para a
http://www.ufrgs.br. Acesso em 22/02/2008) sobrevivência é o essencial. Traz a comida, depois
a gente fala” No fragmento acima, o emprego das
Questão 01 aspas é feito para:
A) indicar referência ao discurso alheio
De acordo com o ponto de vista expresso pelo autor B) assinalar o discurso direto do autor
do texto, a palavra ou expressão que pertence ao C) revelar a falta de coerência do povo
campo semântico de “coisas essenciais” é: D) fragmentar o discurso do autor
A) agasalho E) marcar a citação de autor consagrado
B) arroz
C) cheiro da pipoca Questão 07
D) mensagem aos amigos
E) moradia “... as coisas essenciais da vida só aparecem no
catálogo das coisas necessárias...”
Questão 02 A acentuação do vocábulo “catálogo” justifica-se
pela mesma regra segundo a qual é acentuada a
seguinte palavra do texto:

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
41
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
A) desconfortável discutindo seriamente os destinos da nação.
B) demográfico Tecnômades do século XXI. Gente pobre e gente
C) fácil rica. Celulares pululando Brasil afora, mundo afora.
D) porquê Mas não se fica por aí, como quem tivesse
E) alguém um relógio de pulso e o fato de saber as horas o
satisfizesse. Comunicação é outra história. Há
Questão 08 pessoas com dois celulares. Um para os contatos
profissionais, outro para falar com a família e os
No parágrafo final, para validar seus argumentos, o amigos.
autor lança mão de um artifício que tem como base Conheço chefe de empresa que dá de
a: presente ao funcionário de confiança um celular
A) moral para contato exclusivo. E o celular, linha direta com
B) mídia o dever, pode tocar música animada em pleno
C) arte domingo à tarde.
D) correspondência E há os que carregam três celulares, pessoas
E) sociedade importantíssimas, o dia inteiro procuradas por todos.
Questão 09 Um ilustre comentador de TV declarou, faz alguns
meses, sem nenhum pudor, que possui três! Três
O vocábulo grifado só NÃO é pronome relativo em: oportunidades de ouvir e ser ouvido. Conversas
A) ”... eu acharia muito mais simples dizer que as nacionais, internacionais e siderais.
coisas essenciais são as necessárias.” Haverá alguém com quatro celulares? Não
B) “... uma reação que se impõe.” duvido. Um celular para falar com os de sempre.
C) “É a mesma vergonha do artista que se Outro para falar com os novos. Outro para falar com
pergunta...” os estranhos. Outro para falar com pouquíssimos
D) “...é o supérfluo, que resiste, mesmo na seletos, seres privilegiados...
miséria...” E cinco? Cinco celulares, um para cada dia
E) “Numa prisão onde a Gestapo interrogava, da semana laboral. O celular da segunda, para
torturava e matava presos políticos na Polônia...” marcar reuniões. O da terça, para cancelá-las. O da
quarta, para discussões. O da quinta, para
Questão 10 reconciliações. O da sexta, para planejar a semana
que vem.
“É a mesma vergonha do artista que se pergunta o Quem dá mais?! No meio da multidão, um
porquê de sua arte em uma época de peste.” homem levanta os braços, grita, alega ter seis
No fragmento em destaque, o vocábulo grifado celulares. Com um deles, o mais sofisticado,
assume papel de: mantém longas conversas com o próprio Deus,
A) conjunção ligação caríssima, mas vale a pena. Para que lançar
B) substantivo mão da oração gratuita se é possível ter certeza de
C) advérbio que o Interlocutor está realmente nos ouvindo e
D) adjetivo respondendo?
E) pronome Tenho um celular só, modelo simples,
instrumento necessário na Idade Mídia. Mas se
alguém quiser me dar de presente um segundo
bichinho desses... Obrigado, um já é demais.
Prova 5 – Prefeitura de Niterói (Disponível em http://www.correiocidadania.com.br,
acesso: 03/03/2008)
A MULTIPLICAÇÃO DOS CELULARES
Gabriel Perissé Questão 01

Telefone celular deixou de ser novidade. Um traço característico da crônica lida é:


Deixou de ser luxo. Deixou de ser sonho. Virou A) temática atual
objeto corriqueiro, que vive de boca em boca, de B) prosa poética
orelha em orelha. Tornou-se artigo de primeira C) estrofação regular
necessidade, instrumento de trabalho imprescindível D) método indutivo
e barato, espaço social concentrado na palma da E) exposição imparcial
mão.
Normal (talvez apenas comum...) ver todo tipo Questão 02
de gente andando pelas ruas e falando com o
além... Ou com alguém. Todos recebendo Pode-se afirmar que o autor do texto:
informações e tomando decisões e trocando idéias A) almeja ter mais de um celular
e falando, falando. Ou marcando encontros. Ou B) apóia quem opta por ter vários celulares

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
42
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

C) acha que pessoas superiores têm mais de um Questão 09


celular “Há pessoas com dois celulares”
D) satiriza os excessos praticados pelos usuários de Segundo as regras de concordância verbal, verbos
celular impessoais são empregados na terceira pessoa do
E) compreende que tudo deve ser feito para facilitar singular.
a comunicação O exemplo do texto em que o verbo encontra-se no
singular por ser considerado impessoal é:
Questão 03
A) “Há pessoas com dois celulares.”
“Tecnômades do século XXI.” “Tecnômades” é B) “Conheço chefe de empresa que dá de presente
um(a): ao funcionário de confiança um celular...”
A) palavra inglesa C) “Quem dá mais?!”
B) neologismo D) " Com um deles, o mais sofisticado, mantém
C) galicismo longas conversas com o próprio Deus ...”
D) termo corrente na informática E) “Mas se alguém quiser me dar de presente um
E) vocábulo latino segundo bichinho desses...”

Questão 04 Questão 10

“Telefone celular deixou de ser novidade. Deixou de O vocábulo do texto cuja acentuação gráfica se
ser luxo. Deixou de ser sonho.” justifica segundo a mesma regra observada
No trecho acima destacado há: “haverá” é:
A) duas orações absolutas A) alguém
B) três orações coordenadas sindéticas B) imprescindível
C) duas orações sem paralelismo semântico C) idéias
D) um período composto por coordenação D) cancelá-las
E) três períodos sintaticamente paralelos E) mídia

Questão 05

“Um ilustre comentador de TV declarou...” Prova 6. Professor de Educação Infantil – Séries


A palavra comentador é formada por: iniciais
A) prefixação
B) composição LÍNGUA PORTUGUESA
C) sufixação
D) aglutinação TEXTO I
E) redução
Pai é um só
Questão 06
Mãe é tudo igual, só muda de endereço.
“Normal (talvez apenas comum...)” Não concordo 100% com essa afirmação,
No trecho acima destacado, é possível, sem alterar mas é verdade que nós, mães, temos lá nossas
o significado, retirar os parênteses e acrescentar, semelhanças. Basta reunir uma meia dúzia num
após a palavra “normal”, a seguinte conjunção: recinto fechado para se comprovar que, quando o
A) que assunto é filho, as experiências são praticamente
B) ou xerox umas das outras.
C) portanto Por outro lado, quem arriscaria dizer que pai é
D) porque tudo farinha do mesmo saco? Historicamente,
E) quando nunca foram supervalorizados, nunca receberam
cartilhas de conduta e sempre passaram longe da
Questão 08 santificação. Cada pai foi feito à imagem e
semelhança de si mesmo.
“Interlocutor” aparece no texto com letra maiúscula As meninas, assim que nascem, já são
por: tratadas como pequenas “nossas senhoras” e
A) ser nome de pessoa começam a ser catequizadas pela campanha: “Mãe,
B) começar frase um dia você vai ser uma”. E dá-lhe informação,
C) referir-se a Deus incentivo e receitas de como se sair bem no papel.
D) ser um vocativo Outro dia, vi uma menina de não mais de três anos
E) equiparar-se a um topônimo empurrando um carrinho de bebê com uma boneca
dentro. Já era uma minimãe. Os meninos, ao

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
43
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
contrário, só pensam nisso quando chega a hora, e (A) condição: “Não concordo 100% com essa
aí acontece o que se vê: todo pai é fruto de um afirmação, mas é verdade que nós, mães, temos lá
delicioso improviso. nossas semelhanças.” (_. 2-4)
Tem pai que é desligado de nascença, coloca (B) conclusão: “Por outro lado, quem arriscaria
o filho no mundo e acha que o destino pode se dizer que pai é tudo farinha do mesmo saco?” (_. 8-
encarregar do resto. Ou é o oposto: completamente 9)
ansioso, assim que o bebê nasce já trata de sumir (C) consequência: “As meninas, assim que
com as mesas de quinas pontiagudas e de instalar nascem, já são tratadas como pequenas ‘nossas
rede em todas as janelas, e vá convencê-lo de que senhoras’...” (_. 13-14)
falta um ano para a criança começar a caminhar. (D) temporalidade: “...vá convencê-lo de que falta
Tem pai que solta dinheiro fácil. E pai que um ano para a criança começar a caminhar.” (_. 28-
fecha a carteira com cadeado. Tem pai que está 29)
sempre em casa, e outros, nunca. Tem pai que vive (E) causalidade: “Esses pais correm o risco de um
rodeado de amigos e pai que não sabe o que fazer dia também só trocarem de endereço, já que
com suas horas de folga. Tem aqueles que seguem os conselhos da mamãe-sabe-tudo,” (_. 49-
participam de todas as reuniões do colégio e outros 51)
que não fazem ideia do nome da professora. Tem
pai que é uma geleia, e uns que a gente nunca viu 3. Alguns textos jornalísticos opinativos
chorar na vida. Pai fechado, pai moleque, pai apresentam marcas de oralidade para facilitar a
sumido, pai onipresente. Pai que nos sustenta e pai comunicação com os leitores.
que é sustentado por nós. Que mora longe, que No artigo de Martha Medeiros, esse procedimento
mora em outra casa, pai que tem outra família, e pai pode ser comprovado nas frases a seguir, com
que não desgruda, não sai de perto jamais. Tem pai EXCEÇÃO de
que sabe como gerenciar uma firma, construir um
prédio, consertar o motor de um carro, mas não (A) “Mãe é tudo igual, só muda de endereço.” (_. 1)
sabe direito como ser pai, já que não foi treinado, (B) “Por outro lado, quem arriscaria dizer que pai é
ninguém lhe deu uma dica. Ser pai é o legítimo tudo farinha do mesmo saco?” (_. 8-9)
“faça você mesmo”. (C) “Cada pai foi feito à imagem e semelhança de si
Alguns preferem não arriscar e simplesmente mesmo.” (_. 11-12)
obedecem suas mulheres, que têm mestrado e (D) “E dá-lhe informação, incentivo e receitas de
doutorado no assunto. Esses pais correm o risco de como se sair bem no papel.” (_. 16-17)
um dia também só trocarem de endereço, já que (E) “Tem pai que solta dinheiro fácil.” (_. 30)
seguem os conselhos da mamãe-sabe-tudo, aquela
que é igual a todas. Mas os que educam e 4. Quanto à acentuação gráfica, a relação de
participam da vida dos filhos a seu modo é que palavras em que todas estão conformes ao atual
perpetuam o encanto dessa raça fascinante e Acordo Ortográfico é
autêntica. Verdade seja dita: há muitas como sua (A) família – arcaico – espermatozóide – pólo.
mãe, mas ninguém é como seu pai. (B) epopeia – voo – tranquilo – constrói.
MEDEIROS, Martha. Revista O Globo, 08 ago. (C) troféu – bilíngue – feiúra – entrevêem.
2010. p. 28. (D) decompor – agüentar – apóio – colmeia.
(E) linguística – joia – refém – assembléia.
1. A estratégia argumentativa utilizada pela
autora, no 5o e no 6o parágrafos, para defender sua 5. No que se refere à regência – nominal e
tese de que “pai é um só”, é a(o) verbal – o uso correto da crase ocorre em
(A) comparação entre os processos de formação de (A) O juiz deu seu parecer favorável a guarda
meninos e meninas. compartilhada.
(B) descrição da criação dos homens para se (B) Preferir o pai à mãe negligente é comum.
transformarem em bons pais. (C) O filho retorna sempre a casa do pai.
(C) enumeração de vários comportamentos (D) Os maridos consultam sempre às mulheres, pois
paternos positivos e negativos. preferem não arriscar.
(D) desenvolvimento de uma explicação apoiada em (E) Ir as reuniões escolares é obrigação de pai e
teoria comportamental. mãe.
(E) relato de um acontecimento que exemplifica a
hipótese defendida. 6. Na oração “todo pai é fruto de um delicioso
improviso.” (_. 21-22), a palavra destacada pode ser
2. A relação lógica estabelecida entre as ideias substituída por outra, sem prejuízo de sentido, tal
de um texto, por meio do termo ou da expressão como é empregado em:
destacada, está exemplificada corretamente em
(A) Aquele que coloca o filho no mundo é pai
biológico.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
44
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

(B) Nenhum daqueles seria um bom pai. AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da
(C) Certos pais concordam com as mães. Língua Portuguesa, 2ª. ed. São Paulo: Publifolha,
(D) Qualquer homem se compraz com a missão de 2008.
ser pai.
(E) Alguns preferem não arriscar. Um exemplo de metáfora, no Texto I, é:
(A) “Tem pai que está sempre em casa, e outros,
7. Entre os recursos conotativos utilizados no nunca.” (_. 31-32)
Texto I, destaca-se a metáfora, cuja definição (B) “Tem pai (...) que não sabe o que fazer com
apresenta-se a seguir. suas horas de folga.” (_. 32-34)
(C) “Tem pai que é uma geleia, e uns que a gente
“A metáfora consiste no emprego de palavras ou nunca viu chorar na vida.” (_. 36-37)
expressões convencionalmente identificadas com (D) “Pai que nos sustenta e pai que é sustentado
dado domínio de conhecimento para verbalizar por nós.” (_. 38-39)
experiências conceptuais de outro domínio.” (E) “Que mora longe, que mora em outra casa, pai
que tem outra família,” (_. 39-41)

Texto II

DRUMMOND, Bruno. Gente fina. Revista O Globo, 08 ago. 2010. p. 27.

8. A visão apresentada na charge (Texto II) sobre o papel social desempenhado por pais e mães fica
explícita, no Texto I, em:

(A) “Historicamente, nunca foram supervalorizados, nunca receberam cartilhas de conduta e sempre passaram
longe da santificação.” (_. 9-11)
(B) “Tem pai que é desligado de nascença, coloca o filho no mundo e acha que o destino pode se encarregar
do resto.” (_. 23-25)
(C) “Tem aqueles que participam de todas as reuniões do colégio e outros que não fazem ideia do nome da
professora.” (_. 34-36)
(D) “Tem pai que sabe como gerenciar uma firma, construir um prédio (...), mas não sabe direito como ser pai,
já que não foi treinado, ninguém lhe deu uma dica.” (_. 42-45)
(E) “Esses pais correm o risco de um dia também só trocarem de endereço, já que seguem os conselhos da
mamãe-sabe--tudo, aquela que é igual a todas.” (_. 49-52)

9. De acordo com o registro formal culto da língua, a colocação pronominal está INADEQUADA em:

(A) Pulso firme era o que julgava-se indispensável para ser um bom pai.
(B) O pai afirmou que lhe dera tudo de que necessitava.
(C) Eu não o entendo – disse o pai a seu filho.
(D) Diga-me qual é a solução para o problema.
(E) Pai e mãe entender-se-iam a respeito da educação dos filhos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
4
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

10. Em qual dos pares a relação entre o sinal de pontuação e a justificativa do emprego desse sinal NÃO
está correta?

(A) “...mas é verdade que nós, mães, temos lá nossas semelhanças.” (Texto I – _. 2-4) – uso de vírgulas para
isolar o vocativo.
(B) “Pai, você é uma mãe para mim.” – uso de aspas para transcrever a fala do filho. (Texto II)
(C) “eu não entendo...” – uso de reticências para marcar a interrupção do pensamento. (Texto II)
(D) “Basta reunir uma meia dúzia num recinto fechado para se comprovar que, quando o assunto é filho, as
experiências são profundamente xerox uma das outras.” – uso de vírgulas para isolar a oração subordinada
adverbial intercalada. (Texto I – _. 4-7)
(E) “eu dei exemplo, amor, carinho, afeto, respeito...” – uso de vírgulas para separar os itens de uma
enumeração. (Texto II)

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
Curso Preparatório INTENSIVO 2011
Para os cargos de
2011

PROFESSOR
GESTOR, SUPERVISOR e COORDENADOR
,
CONCURSOS

Conteúdo
CONTEÚDOS
PEDAGÓGICOS I

CONCURSOS
1
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Conteúdos
recursos para atingir à inteligência das crianças e
encontrar-lhes o caminho do coração”. (AZEVEDO,
1943, p.290).
Pedagógicos I
A adaptação aos costumes locais em respeito à
. História da Educação no Brasil diversidade das regiões sob domínio jesuítico, para
. Pilares da Educação a eficácia da catequese, era orientação que
constava nas Constituições da Companhia de Jesus,
. Tendências Pedagógicas apresentada por Inácio de Loyola, em 1550, aos
padres e irmãos que estavam em Roma:

“De fato, os jesuítas empreenderam no Brasil uma


Abordagem histórica da significativa obra missionária e evangelizadora,
especialmente fazendo uso de novas metodologias,
Educação no Brasil das quais a educação escolar foi uma das mais
poderosas e eficazes. Em matéria de educação
escolar, os jesuítas souberam construir a sua
hegemonia. Não apenas organizaram uma ampla
A história da educação no Brasil começou em 1549 ‘rede’ de escolas elementares e colégios, como o
com a chegada dos padres jesuítas, responsáveis fizeram de modo muito organizado e contando com
pelo lançamento das bases de um vasto sistema um projeto pedagógico uniforme e bem planejado,
educacional, que se desenvolveu progressivamente sendo o Ratio Studiorum a sua expressão máxima” .
com a expansão territorial da colônia. Por dois (SANGENIS, 2004, p.93)
séculos, eles foram quase os únicos educadores do
Brasil. O Ratio Studiorum ou Plano de Estudos – o método
pedagógico dos jesuítas, publicado em 1599 foi
Os períodos históricos da Educação sistematizado a partir das experiências pedagógicas,
Brasileira que tiveram início no Colégio de Messina, primeiro
colégio aberto na Sicília, em 1548. A par dessa
primeira experiência na Itália a disputa entre o
COLONIA PERÍODO JESUÍTICO (1500- modus italicus e o modus parisiensis foi vencida pelo
1759) último, com o predomínio do modelo da
Nos trinta primeiros anos da colonização do Brasil, Universidade de Paris, por onde passaram muito
Portugal dedicou-se exclusivamente à exploração dos jesuítas, inclusive o próprio Loyola.
das riquezas sem efetivo projeto de povoamento.
Os índios que ocupavam o território brasileiro, nas Este código de ensino ou estatuto pedagógico era
palavras de Pero Magalhães Gandavo, composto de um conjunto de regras, que envolvia
“não tinham as letras ‘F, nem L, nem R’, não desde a organização escolar e orientações
possuindo ‘Fé, nem Lei, nem Rei’ e vivendo pedagógicas até a observância estrita da doutrina
‘desordenadamente’. Essa suposição de uma católica. O método de estudos contido no Ratio
ausência lingüística e de ‘ordem’ revela, um tanto compreendia o trinômio estudar, repetir e disputar,
avant la lettre, o ideal de colonização trazido pelas prescrito nas regras do Reitor do Colégio, e como
autoridades portuguesas: superar a ‘desordem’, exercícios escolares havia a preleção, lição de cor,
fazendo obedecer a um Rei, difundindo uma Fé e composição e desafio, práticas pedagógicas essas
fixando uma Lei. [...] ( Apud VILLALTA, 2002, p. que remetem diretamente à escolástica medieval,
332). configurando-se como Pedagogia Tradicional, que
na sua vertente religiosa, tornava a educação
A vinda dos jesuítas, em 1549, proporcionava assim sinônima de catequese e evangelização. A
a expansão da Fé e do Império, reunindo educação almejada pelo Ratio tinha como meta a
mercadores e evangelizadores. Com sua política de formação do homem perfeito, do bom cristão e era
instrução – uma escola, uma igreja –, edificaram centrada em um currículo de educação literária e
templos e colégios nas mais diversas regiões da humanista voltada para a elite colonial.
colônia, constituindo um sistema de educação e
expandindo sua pedagogia através do uso do teatro,
da música e das danças, “multiplicando seus

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
2
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

A política educacional como outra qualquer de passou a empregá-lo para ocupar o vácuo que foi
Pombal era lógica, prática e centrada nas relações deixado com a saída dos jesuítas, pelo menos no
econômicas anglo-portuguesa. que diz respeito ao controle e gestão administrativa
do sistema escolar.

COLONIA – PERÍODO POMBALINO As aulas régias eram autônomas e isoladas, com


(1759 – 1822) professor único e uma não se articulava com as
outras. Destarte, o novo sistema não impediu, a
A reforma educacional pombalina culminou com a
continuação do oferecimento de estudos nos
expulsão dos jesuítas precisamente das colônias
seminários e colégios das ordens religiosas que não
portuguesas, tirando o comando da educação das
a dos jesuítas (Oratorianos, Franciscanos e
mãos destes e passando para as mãos do Estado.
Carmelitas, principalmente).
Os objetivos que conduziram a administração
pombalina a tal reforma, foram assim, um imperativo
Em lugar de um sistema mais ou menos unificado,
da própria circunstância histórica. Extintos os
baseado na seriação dos estudos, o ensino passou
colégios jesuítas, o governo não poderia deixar de
a ser disperso e fragmentado, baseado em aulas
suprir a enorme lacuna que se abria na vida
isoladas que eram ministradas por professores
educacional tanto portuguesa como de suas
leigos e mal preparados.
colônias.

Para o Brasil, a expulsão dos jesuítas significou,


Com a implantação do subsídio literário, imposto
entre outras coisas, a destruição do único sistema
colonial para custear o ensino, houve um aumento
de ensino existente no país. Para Fernando de
no número de aulas régias, porém ainda muito
Azevedo, foi “a primeira grande e desastrosa
precário devido à escassez de recursos, de
reforma de ensino no Brasil”.
docentes preparados e da falta de um currículo
regular. Ademais, vemos uma continuidade na
Como bem colocou Niskier,
escolarização baseada na formação clássica,
“A organicidade da educação jesuítica foi
ornamental e europeizante dos jesuítas, isto porque
consagrada quando Pombal os expulsou levando o
a base da pedagogia jesuítica permaneceu a
ensino brasileiro ao caos, através de suas famosas
mesma, pois os padres missionários, além de terem
‘aulas régias’, a despeito da existência de escolas
cuidado da manutenção dos colégios destinados à
fundadas por outras ordens religiosas, como os
formação dos seus sacerdotes, criaram seminários
Beneditinos, os franciscanos e os Carmelitas”.
para um clero secular, constituído por “tios-padres” e
(Niskier, 2001, p. 34)
“capelães de engenho”, ou os chamadas “padres-
mestres”.
É importante destacar que a reforma pombalina no
Brasil não foi implementada no mesmo momento e
Estes, dando continuidade à sua ação pedagógica,
da mesma forma que em Portugal. Foi de quase
mantiveram sua metodologia e seu programa de
trinta anos o tempo de que o Estado português
estudos, que deixava de fora, além das ciências
necessitou para assumir o controle pedagógico da
naturais, as línguas e literaturas modernas, em
educação a ser oferecida em terras brasileiras; da
oposição ao que acontecia na Metrópole, onde as
completa expulsão dos jesuítas e do
principais inovações de Pombal no campo da
desmantelamento sistemático de seu aparelho
educação como o ensino das línguas modernas, o
educacional, dos métodos aos materiais didáticos,
estudo das ciências e a formação profissional já se
até a nomeação de um Diretor Geral dos Estudos
faziam presentes.
que deveria, em nome do Rei – D. José I, nomear
professores e fiscalizar sua ação na colônia.
Se para Portugal as reformas no campo da
educação, que levaram a laicização do ensino
Através do Alvará Régio de 28 de junho de 1759, o
representou um avanço, para o Brasil, tais reformas
Marquês de Pombal, suprimia as escolas jesuíticas
significaram um retrocesso na educação escolar
de Portugal e de todas as colônias ao expulsar os
com o desmantelamento completo da educação
jesuítas da colônia e, ao mesmo tempo, criava as
brasileira oferecida pelo antigo sistema de educação
aulas régias ou avulsas de Latim, Grego, Filosofia e
jesuítica, melhor estruturado do que as aulas régias
Retórica, que deveriam suprir as disciplinas antes
puderam oferecer.
oferecidas nos extintos colégios jesuítas.
As aulas régias instituídas por Pombal para
Foi implantado o novo sistema educacional que
substituir o ensino religioso constituíram, dessa
deveria substituir o sistema jesuítico. Aberto que
forma, a primeira experiência de ensino promovido
estava à modernidade européia, incorporou partes
pelo Estado na história brasileira. A educação a
do discursos sobre a ação do Estado na educação e
partir de então, passou a ser uma questão de

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
3
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Estado. Desnecessário frisar que este sistema de doutrina da religião católica e apostólica romana;
ensino cuidado pelo Estado servia a uns poucos, em deve ser dada preferência aos temas, no ensino de
sua imensa maioria, filhos das incipientes elites leitura, sobre a Constituição do Império e História do
coloniais. Brasil.

Graças à descentralização da educação através do


IMPÉRIO (1822 -1889) Ato Adicional, em 1835 surgiu a primeira Escola
Este período histórico foi determinado pelas Normal do país, em Niterói. Em seguida outras
transformações ocorridas no século XVIII Escolas Normais foram criadas visando melhorias
desencadeadas a partir da Revolução Francesa no preparo do docente. Em 1836 foi criada a da
(1789) e da Revolução Industrial iniciada na Bahia, em 1845 a do Ceará e, em 1846, a de São
Inglaterra, que abriram o caminho para o avanço do Paulo.
capitalismo para outros países.
Em 1837, na cidade do Rio de Janeiro foi criado o
Para suprir as carências oriundas do longo período Colégio Pedro II, onde funcionava o Seminário de
colonial foram criadas várias instituições de ensino São Joaquim. O Colégio Pedro II fornecia o diploma
superior, “com a finalidade estritamente utilitária, de de bacharel, título necessário na época para cursar
caráter profissional, visando formar os quadros o nível superior. Foram também criados nessa
exigidos por essa nova situação.” (WEREBE, 1994). época colégios religiosos e alguns cursos de
Assim, foram criados diversos cursos de nível magistério em nível secundário, exclusivamente
superior: na Academia Real da Marinha (1808), masculinos. O colégio de Pedro II era freqüentado
Academia Real Militar (1810), Academia Médico- pela aristocracia, onde era oferecido o melhor
cirúrgica da Bahia (1808) e Academia Médico- ensino, a melhor cultura, com o objetivo de formar
cirúrgica do Rio de Janeiro (1809). as elites dirigentes. Por este motivo, era considerado
uma escola modelo para as demais no país.
Diante do enfraquecimento econômico e político de
Portugal e o contexto de contradição entre a política Em 1879, a reforma de Leôncio de Carvalho instituiu
econômica portuguesa e a política econômica a liberdade de ensino, o que possibilitou o
internacional ocorreu a conquista brasileira de sua surgimento de colégios protestantes e positivistas.
autonomia política e econômica. Em 1891, Benjamim Constant, baseado nos
ensinamentos de Augusto Comte, elaborou uma
A Independência brasileira foi conquistada em 1822, reforma de ensino de nítida orientação positivista,
com base em acordos políticos de interesse da defensora de uma ditadura republicana dos
classe dominante, composta da camada senhorial cientistas e de uma educação como prática
brasileira, que entrava em sintonia com o neutralizadora das tensões sociais.
capitalismo europeu.
No final do Império, o quadro geral do ensino era de
A Assembléia Constituinte e Legislativa instalada poucas Instituições Escolares, com apenas alguns
após a proclamação da Independência para legar liceus províncias nas capitais, colégios privados bem
nossa primeira Constituição, iniciou os trabalhos instalados nas principais cidades, cursos normais
propondo uma legislação particular sobre a em quantidade insatisfatórias para as necessidades
instrução, com o objetivo de organizar a educação do país. Alguns cursos superiores quem garantiam o
nacional. projeto de formação (médicos, advogados, de
políticos e jornalistas). Identificando o grande
Em 15 de outubro de 1827, a Assembléia Legislativa abismo educacional entre a maioria da população
aprovou a primeira lei sobre a instrução pública brasileira que, quando muito, tinham uma casa e
nacional do Império do Brasil, estabelecendo que uma escola, com uma professora leiga para ensinar
“em todas as cidades, vilas e lugares populosos os pobres brasileiros excluídos do interesse do
haverá escolas de primeiras letras que forem governo Imperial.
necessárias” .
PRIMEIRA REPÚBLICA (1889 -1930
A mesma lei estabelecia o seguinte: os presidentes A consolidação da República e em seguida, a
de província definiam os ordenados dos professores; elaboração da Constituição de 1891, deu ao Brasil
as escolas deviam ser de ensino mútuo; os um regime presidencialista e representativo Apesar
professores que não tivessem formação para de seu anuncio como de tendência liberal e
ensinar deveriam providenciar a necessária democrático, foi esse regime dominado por forças
preparação em curto prazo e às próprias custas; política elitista, constituída a partir de um modelo
determinava os conteúdos das disciplinas; devem de Estado oligárquico, no qual prevaleceu o
ser ensinados os princípios da moral cristã e de interesse dos grupos dominante dos Estados mais

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
4
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

ricos, isto é, às oligarquias cafeeiras de São Paulo, continuaram sendo inaugurados, tanto no interior
Minas Gerais e do Rio de Janeiro. paulista como na capital, além deles as escolas
isoladas, escolas preliminares, escolas provisórias,
Já a partir de 1900, inaugurava a “Política dos ambulantes e isoladas, etc.
Governadores ou dos Estados”, no qual buscava
empreender o entrosamento entre a União e os As escolas criadas não foram em números
Estados. Esse modelo, refletiu diretamente na suficientes para atender a demanda, daí o projeto
atuação do Congresso que havia se tornado republicano para a educação, transformar no tempo
submisso aos desígnios presidenciais, e sujeito à em uma escolarização rápida e para todos,
troca de favores, atendendo principalmente aos principalmente nos anos de 1920 a 1930, é quando
grupos oligárquicos das unidades federativas que a educação passa por uma fase de mudanças e
tinham seus interesses assegurados. Esta prática transformação.
política perpetuaria as grandes famílias de
oligarcas, ERA VARGAS (1930 – 1945)
Desde as primeiras décadas do século XX, os rumos
Para retirar o Brasil do atraso educacional, da educação do país estiveram na pauta de
promovendo o seu desenvolvimento e progresso discussão de vários setores organizados da
industrial, os liberais republicanos encontram sociedade. A fundação da Associação Brasileira de
resposta na ideologia positivista criado por Augusto Educação, em 1924, com a função de promover
Comte (1798-1857), surgida na Europa com o debates em torno da questão educacional; a
objetivo de exaltar o progresso das ciências influência da Escola Nova e seus defensores,
experimentais e propor uma reforma conservadora e movimento que se empenhou em dar novos rumos à
autoritária, ao mesmo tempo que inovadora. educação, questionando o tradicionalismo
Durante o período de 1889 a 1925 várias reformas pedagógico, e os embates da Igreja no seu
educacionais foram promovidas com o objetivo de confronto com o estabelecimento de novos modelos
melhor estruturar o ensino primário e secundário. para a educação tornam evidente a diversidade de
Depois de ser criada a Escola Normal Caetano de interesses que abrangia a educação escolarizada.
Campos (1891) em São Paulo , O governo paulista
através do Decreto Estadual nº 248, de 26 de A criação do Ministério dos Negócios da Educação e
setembro de 1894 resolveu criar o Grupo Escolar. Saúde Pública em 1930; a Constituição de 1934
estabelecendo a necessidade de um Plano Nacional
A implantação dos Grupos Escolares alterou o curso de Educação, como também a gratuidade e
de história do ensino público primário no país, obrigatoriedade do ensino elementar, e as Reformas
através de seus projetos de organização curricular e Educacionais nos anos de 1930 e 40 demonstram
administrativa, a criação dessa modalidade de que, nessas décadas, houve mudanças formais e
ensino, apresentava um ensino seriado onde os substanciais na educação escolar do país.
alunos eram distribuídos homogeneamente sob a
orientação de um só professor, cujo método seguido O golpe de Estado em 1937, que instalou o Estado
era o intuitivo. Isso criou novas relações de poder Novo, foi justificado pela necessidade de se manter
dentro das escolas, e a partir de 1894, se criava a ordem institucional contra os regionalismos,
também o cargo de diretor escolar, além disso, herança do período anterior; contra as divergências
renovou os saberes escolares, sendo também entre os grupos dominantes: setores agrários e
proposto uma nova estrutura arquitetônica, burguesia industrial e contra as manifestações das
construída especificamente para essa fim. forças de oposição, como por exemplo, a Intentona
Essa modalidade de escolas surgida primeiramente Comunista em 1935.
na Europa e nos Estados Unidos e depois
transplantada para o Brasil, tinha por objetivo A recente modernização capitalista no Brasil, nos
promover modificações e inovações no ensino anos de 1930, trouxe a expansão de novas camadas
primário, ajudando a produzir uma nova cultura sociais e abriu possibilidades de mobilidade social
escolar no meio urbano. Está concepção de escola na estrutura de classes da sociedade brasileira, com
primária, criada inicialmente em São Paulo, nasceu a ampliação do mercado de trabalho e do mercado
ligada ao Projeto Educacional Republicano que consumidor.
entendia a educação como instrumento de
desenvolvimento intelectual e moral, requisitos Nesse contexto de expansão das forças produtivas,
importantes para se alcançar o progresso nacional. a educação escolar foi considerada um instrumento
fundamental de inserção social, tanto por
Os grupos escolares surgiram como estratégia da educadores, quanto para uma ampla parcela da
elite republicana paulista constituiu um modelo de população que almejava uma colocação nesse
escola a ser implantados por outros Estados do processo. Às aspirações republicanas sobre a
país. Ainda em 1920 vários grupos escolares

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
5
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

educação como propulsora do progresso, soma-se a centralidade na criança e na sua iniciativa no


sua função de instrumento para a reconstrução processo de aquisição do conhecimento. Mesmo
nacional e a promoção social. que inicialmente restrito, porque atendendo a uma
camada da população, esse ensino renovado se
O discurso pedagógico liberal se expressou na sedimentou, atingindo amplos setores educacionais,
escola nova, movimento de renovação escolar que incitando uma discussão sobre os princípios
se desenvolveu em vários países e chegou ao Brasil norteadores de seu método de ensino, que nem
na década de 1920, fruto das mudanças inerentes sempre atende as necessidades de parte da
ao processo de desenvolvimento capitalista, com população escolar.
seus novos valores, necessitando, segundo seus
defensores, de uma renovação da escola. NACIONAL DESENVOLVIMENTISMO
(1946 – 1964)
Escola ativa ou escola da iniciativa foram termos
Em maio de 1945, a 2ª Guerra Mundial chegava ao
usados, na época, para designar esse movimento de
fim com a vitória das Forças Aliadas, lideradas pelos
renovação educacional, o aprender a aprender, na
Estados Unidos, sobre as forças nazi-fascistas. Este
definição atual. No dizer da Escola Nova, o processo
acontecimento repercutiu na política brasileira, a
de aquisição do conhecimento, diferentemente da
ponto de acelerar o fim do regime ditatorial do
escola tradicional, surge da ação da criança.
Estado Novo (1937-1945), com a deposição de
Vargas, dando início a uma nova fase de
Os anos de 1930 foram férteis em relação à nova
redemocratização do país.
educação. As propostas sobre educação do
Manifesto dos Pioneiros, publicado em 1932, foram
Desde o Estado Novo, a política brasileira se
defendidas por educadores que ocuparam cargos na
caracterizava pelo populismo, nacionalismo e
administração pública e que implementaram
desenvolvimentismo. O populismo era adotado
diretrizes educacionais, respaldados por essa visão
como instrumento de controle e mobilização das
de educação. Contrastando com a educação
massas em proveito das classes dominantes. O
tradicional, as novas tendências pedagógicas
nacionalismo surgiu entre os grupos políticos,
visavam proporcionar espaços mais descontraídos,
tecnocratas e militares, que buscavam uma
opondo-se como investigação livre, à educação
estratégia estatal capaz de enfrentar os problemas
ensinada. Os novos métodos de ensino visavam à
do desenvolvimento crônico do Brasil. (Cunha,
auto-educação e a aprendizagem surgia de um
1989).
processo ativo.
No início da década de 1960 a sociedade brasileira
Sobre a Escola Ativa, Lourenço Filho, um de
já havia se tornado bastante complexa, resultado do
seus precursores no país, afirma:
desenvolvimento urbano e industrial e da mudança
das relações de trabalho no campo. Havia um alto
[...] aprende-se observando, pesquisando,
nível de desigualdades sociais, que motivaram os
perguntando, trabalhando, construíndo, pensando e
movimentos de luta por reformas de base que
resolvendo situações problemáticas apresentadas,
reduzissem as grandes diferenças de condições de
quer em relação a um ambiente de coisas, de
vida entre as classes sociais.
objetos e ações práticas, quer em situações de
sentido social e moral, reais ou simbólicos.
O governo Goulart, ao tentar compatibilizar a
(LOURENÇO FILHO, 1978, p. 151),
manutenção do modelo político nacional-
Na sua exposição sobre a Escola Nova, esse
desenvolvimentista e mudar a orientação econômica
educador relata uma experiência com alunos do
através das reformas de base, sob o argumento de,
curso primário na Escola Experimental Rio Branco,
com esta ação, provocar a redução das
sobre a técnica dos projetos, como procedimento
desigualdades sociais, deu origem à uma nova crise
didático, desenvolvida por John Dewey, que prima
econômica e social, que levou ao golpe militar de
pela participação do aluno, o que promove sua
1964 (RIBEIRO, 2003, p. 155).
motivação e a aprendizagem com objetivos
definidos.
É esse contexto de redemocratização do país, com
uma política baseada no populismo e nacionalismo,
Ainda sobre sua experiência na Escola Rio Branco,
e no plano econômico pela opção ao
Lourenço Filho indica que o projeto implica ensino
desenvolvimento econômico nacional associado ao
globalizado [...] e o papel do mestre como
capital externo e da crescente urbanização das
conselheiro discreto, (que) encaminha, estimula,
capitais de Estado, que explica as linhas gerais da
sugere. (LOURENÇO FILHO, 1978, p.199, 210).
educação nesse período e que foi marcada,
principalmente, pela elaboração da lei de diretrizes e
A Era Vargas foi palco das primeiras investidas dos
bases da educação nacional.
novos métodos de ensino, preconizando a

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
6
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Os conservadores, representados pela Igreja ensino brasileiro por meio da pedagogia tecnicista.
Católica, manifestavam suas preocupações com a (Saviani, 2005)
questão da laicidade do ensino. Apesar da Enquanto o desenvolvimento caminhava
separação da Igreja e Estado a partir da fundamentalmente no sentido da expansão do
Proclamação da República, a Igreja continuou capitalismo industrial no Brasil, a educação escolar
atuando sobre a vida nacional, através da educação. continuava a estruturar-se em bases, valores e
A superioridade em número de colégios católicos, técnicas próximas da mentalidade pré-capitalista.
em especial para as elites, bem como a tradição
católica da população brasileira, permitiam que a A ênfase no desenvolvimento econômico do país,
Igreja tivesse uma ampla atuação sobre a como pressuposto para o desenvolvimento das
sociedade. demais instâncias da sociedade, produziu uma
inversão do papel do ensino público, colocando a
Nessa direção, em 1959, os educadores escola sob os desígnios do mercado de trabalho,
progressistas e o Jornal “O Estado de S.Paulo” passando a concepção produtivista a moldar todo o
desencadearam a Campanha de Defesa da Escola ensino brasileiro por meio da pedagogia tecnicista.
Pública, no interior do qual foi divulgado o “Manifesto (Saviani, 2005)
dos Educadores Mais uma vez Convocados”,
invocando e “requentando” as idéias do “Manifesto Enquanto o desenvolvimento caminhava
dos Pioneiros da Educação Nova” de 1932. fundamentalmente no sentido da expansão do
capitalismo industrial no Brasil, a educação escolar
A LDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da Educação continuava a estruturar-se em bases, valores e
Nacional - foi aprovada através da Lei 4024, em técnicas próximas da mentalidade pré-capitalista.
1961. Como principais características desta lei,
pode-se destacar: a garantia de igualdade de PERÍODO MILITAR (1964 – 1984)
tratamento por parte do Poder Público para os A ditadura civil-militar que vigorou no Brasil entre
estabelecimentos oficiais e particulares; a 1964 e 1984 caracterizou-se pelo alinhamento da
obrigatoriedade do ensino primário, conquistada na economia nacional ao padrão de desenvolvimento
Legislação anterior, foi prejudicada pelas isenções capitalista em vigor nos anos 1960 e 1970,
que a Lei permitia e que, na prática, anulava a sua alinhamento este que se traduziu em autoritarismo
obrigatoriedade; a estrutura de ensino não foi do Estado (Atos Institucionais, censuras de toda
alterada: continuava o ensino pré-primário, o ensino ordem, repressão, torturas, ferrenha perseguição a
primário de 4 anos, o ensino médio, nas opositores, tudo isso sob a vigência da Doutrina de
modalidades: ginasial em 4 anos e colegial em 3 Segurança Nacional), em um modelo econômico
anos, e o ensino superior; o Conselho Federal de altamente concentrador de renda, que rompeu com
Educação recebeu a delegação de determinar os um certo equilíbrio existente entre o modelo político
valores das bolsas de estudo e financiamento para de tendências populistas e o modelo econômico de
os graus de ensino, que a lei atribuia aos Estados, expansão da indústria vigentes no período anterior
ao Distrito Federal e aos Territórios. Pode-se ao golpe civil-militar, em um conjunto de reformas
destacar, também, como aspectos positivos da políticas e institucionais que visavam a
LDBEN: a unificação do sistema escolar e a sua “reconstrução da nação” e a “restauração da ordem”,
descentralização; a autonomia do Estado para tudo isso se encaminhando para o endurecimento
exercer a função educadora e o da distribuição de do regime instalado, defendido como necessário
recursos para a educação. para o “desenvolvimento” social e econômico do
país (CLARK; NASCIMENTO & SILVA, 2005).
Em relação às concepções pedagógicas defendidas
no período nacional-desenvolvimentista, Saviani GOVERNOS MILITARES
(2005) assinala:
MARECHAL CASTELO BRANCO (1964 -1966)
[...] se o período situado entre 1930 e 1945 pode ser
COSTA E SILVA (1966 – 1969)
considerado como marcado pelo equilíbrio entre as
JUNTA MILITAR (1969)
influências das concepções humanista tradicional
GARRASTAZU MÉDICE (1969 -1974)
(representada pelos católicos) e humanista moderna
ERNESTO GEISEL (1974 – 1979)
(representada pelos pioneiros da educação nova), a
JOÃO FIGUEIREDO (1979 – 1985)
partir de 1945 já se delineia como nitidamente
predominante a concepção humanista moderna.
o golpe civil militar de 1964 representou a vitória da
A ênfase no desenvolvimento econômico do país,
parcela da burguesia nacional que defendia a
como pressuposto para o desenvolvimento das
internacionalização da economia, o que resultou na
demais instâncias da sociedade, produziu uma
consolidação de um modelo de desenvolvimento
inversão do papel do ensino público, colocando a
associado (dependente) ao capital internacional
escola sob os desígnios do mercado de trabalho,
(IANNI, 1975), com uma particular gravitação em
passando a concepção produtivista a moldar todo o

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
7
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

torno do capital norte-americano, numa espécie de departamentalização, ou seja, o parcelamento do


reinvenção, feita pela Ditadura, das relações de trabalho na universidade, instituiu os cursos
dependência já antigas do Brasil em relação aos “parcelados” através dos créditos, adotou o
países centrais do capitalismo. vestibular unificado e classificatório para resolver o
problema da falta de vagas (ao invés de expandir a
No campo da educação as ações e projetos universidade pública e “gratuita”) e criou uma
governamentais também apontam para um estrutura burocrática para dar suporte ao
alinhamento ao capital internacional. Foi sob os parcelamento e fragmentação do trabalho na
auspícios da ditadura civil-militar que foram universidade.
assinados os chamados “Acordos MEC-USAID”
(Ministério da Educação e Cultura – United States A Lei 5.692/71, de maneira geral, objetivou
Agency for International Development), sendo que direcionar o ensino para a qualificação profissional,
os técnicos da USAID participaram diretamente na “com a introdução do ensino profissionalizante
reorganização do sistema educacional brasileiro. através dos ginásios orientados para o trabalho
(GOT) e a implantação da profissionalização
Os acordos deram à USAID um poder de atuação compulsória no ensino de 2º grau” (CLARK;
em todos os níveis de ensino (primário, médio e NASCIMENTO & SILVA, 2005, p. 06), em compasso
superior), nos ramos acadêmico e profissional, no direto com a preparação para um mercado de
funcionamento do sistema educacional, através da trabalho altamente rotativo, dentro do modelo de
reestruturação administrativa, no planejamento e industrialização e crescimento econômico associado
treinamento de pessoal docente e técnico, e no e dependente do capital estrangeiro. Outro ponto
controle do conteúdo geral do ensino através do que é importante destacar desta lei é que ela postula
controle da publicação e distribuição de livros a extensão da obrigatoriedade escolar de 1º grau
técnicos e didáticos. Essa abrangência de atuação para oito anos.
mostra a importância atribuída à educação pelos
países centrais, na integração e no posicionamento a política educacional da ditadura se caracterizou
das sociedades periféricas no contexto geral do por proporcionar uma débil formação escolar e
capitalismo internacional. (CLARK; NASCIMENTO & algum tipo de treinamento na formação escolar
SILVA, 2005, p. 05) básica para inserção nos processos produtivos e por
procurar enfraquecer o ensino superior público e
Foi a partir das orientações estabelecidas pelos crítico, abrindo enormes espaços para que a
acordos MEC-USAID e dos Relatórios do Grupo de iniciativa privada pudesse operar no ensino superior.
Trabalho da Reforma Universitária e do Relatório
Meira Matos, que foram realizadas as reformas Essa política educacional foi, também, altamente
educacionais sob a ditadura, culminadas com as repressora, atingindo as diferentes categorias de
Leis 5.540/68 e 5.692/71, sendo a primeira trabalhadores universitários (docentes,
destinada ao Ensino Superior e a segunda aos administrativas, técnicas) do sistema educacional,
Ensinos de Primeiro e Segundo Graus (o que hoje de forma a procurar, pelo medo, obter seu consenso
denominamos Ensino Fundamental e Médio, ao regime (CUNHA, 1996). Aos descontentes, além
respectivamente). da repressão, destinou-se também o recado de que
não seria fácil nadar contra essa maré, expresso no
Essas reformas acabaram com os movimentos de seguinte lema: “Brasil: ame-o ou deixe-o!”
alfabetização baseados no método crítico
desenvolvido por Paulo Freire, no qual a educação TRANSIÇÃO – DEMOCRÁTICA
aparecia ’como prática da liberdade‘. (1984 – HOJE)
A derrocada da Ditadura Militar representou uma
O método de alfabetização de Freire seria adotado
importante mudança no cenário político brasileiro na
em todo o país, como previa o PNA (Plano Nacional
década de 1980. A chamada “transição democrática”
de Alfabetização), criado no governo de João
levou a termo o processo de abertura “lenta, gradual
Goulart. O PNA, porém, foi extinto pelo decreto nº
e segura” iniciada pelo Governo Geisel (1974-9) e
53.886, 1964 e, para substituí-lo, a ditadura
combatida pela chamada linha dura do Exército
implantou a CRUZADA ABC (Cruzada da Ação
brasileiro.
Básica Cristã), a fim de neutralizar a ação das Ligas
Camponesas e, posteriormente, o MOBRAL
A democratização consistia, de um lado, na
(Movimento Brasileiro de Alfabetização), utilizado
destituição dos militares do poder após 21 anos; de
como instrumento controlar politicamente as massas
outro lado, marcava a ascensão de importantes
(XAVIER; RIBEIRO & NORONHA, 1994).
movimentos sociais organizados, que fizeram dos
80, não a “década perdida”, mas um período de
A Lei 5.540/68 (da Reforma Universitária)
intensa mobilização social e de conquistas
estabeleceu o fim da cátedra e a

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
8
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

importantes na história da educação brasileira. Esta A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
ascensão inaugurou, também, uma intensa (LDB, de 20/12/1996), elaborada durante longos oito
participação social nos processos decisórios do anos, mas aprovada de forma a deixar importantes
Poder Legislativo brasileiro, nunca antes lacunas para serem preenchidas por legislação
testemunhado na história, cuja culminância ocorreu complementar depois da aprovação da LDB. Uma
no processo de elaboração da Constituição Federal lei, portanto, deliberadamente minimalista e enxuta.
de 1988.
A ação dos organismos multilaterais foi o outro lado
A revolução tecnológica de base microeletrônica, da moeda das reformas educacionais no período em
geradora da tecnologia da informática, criou novas questão. Banco Mundial , FMI, UNESCO, entre
bases materiais para a expansão do capital. O outros, passaram a também desempenhar o papel
processo da globalização tornava possível a de porta-vozes dos interesses do grande capital
ocupação de amplos espaços do globo terrestre, internacional, no que diz respeito à educação, na
bem como de setores da produção e da reprodução medida de sua necessidade de reestruturação e
das relações sociais (como as políticas sociais, por expansão/acumulação em diversos setores
exemplo) até então não determinados inteiramente fundamentais à reprodução social.
pela lógica do capital.
Sinteticamente, as principais diretrizes disseminadas
As forças do capital encontravam-se por tais organismos são:
progressivamente livres de suas barreiras nacionais 1) focalização do gasto público no ensino básico,
(territoriais) e de seus limites técnicos, o que abria com ênfase no ensino fundamental;
possibilidades inéditas de expansão/acumulação. 2) descentralização do ensino fundamental, o que
vem sendo operacionalizado através do processo de
A redução dos gastos sociais como uma das municipalização do ensino;
premissas essenciais do neoliberalismo, abria 3) estímulo à privatização dos serviços educacionais
horizontes sombrios para o futuro da educação. A e à criação de verdadeiras indústrias em torno das
política educacional típica do período consistiu em atividades educacionais;
reformar: reformar para tornar eficiente e eficaz a 4) ajuste da legislação educacional no sentido da
educação; reformar para adequar a educação aos desregulamentação dos métodos de gestão e das
ditames do novo paradigma da acumulação instituições educacionais, garantido ao governo
capitalista; reformar para flexibilizar as relações de central maior controle e poder de intervenção sobre
trabalho entre os trabalhadores da área; reformar os níveis de ensino (através dos sistemas nacionais
para criar mecanismos de controle (avaliação e de avaliação e fixação de parâmetros curriculares
autonomia) do ensino e da produção científica; nacionais, por exemplo), mas sem que ele mesmo
reformar para tornar a forma de organização e participe diretamente da execução dos serviços.
gestão do ensino apto a converter-se em campo de
domínio do capital e da produção de mercadorias. O quadro que se desenvolve para a educação
brasileira nos anos 90 é, portanto, quase que uma
No campo educacional, a liberdade concedida ao caricatura de tais diretrizes. No ensino fundamental,
capital traduzir-se-ia pela ampliação progressiva de a tendência verificada foi a de descentralizar a ação
seu campo de ação, dando continuidade e do Estado, divulgada sob o lema da democratização.
ampliando a tendência privatizante dos anos da Tendência essa que gerou uma deliberada
Ditadura Militar. Uma das maiores perdas para o concorrência entre as diferentes esferas de governo
ensino público, nesse sentido, ocorreu na própria – sobretudo entre municípios e, dentro deles, entre
Constituição Federal de 1988, que não garantiu a as próprias redes municipais e estaduais – pelos
exclusividade de recursos públicos para os recursos da educação.
estabelecimentos de ensino mantidos pelo Estado,
abrindo uma brecha – que, aliás, ainda não foi O FUNDEF (Fundo de Manutenção e
fechada – para o setor privado apropriar-se de Desenvolvimento do Ensino Fundamental), criado
novas fatias do fundo público para a educação. através da Emenda Constitucional n° 14, de 1996,
para regular a distribuição dos recursos públicos
A incorporação cada vez maior das demandas do para as redes educacionais dos estados e
setor privado na política educacional brasileira, municípios, foi um dos maiores estímulos a essa
consagrou também uma nova tendência, que nefasta concorrência. Além disso, outras diretrizes
marcou todo o processo legislativo no país nos anos reformistas ainda estão na ordem do dia das
90: legislar de forma fragmentada, em doses políticas educacionais, como é o caso dos
homeopáticas, sem tratar de grandes questões num Parâmetros Curriculares Nacionais (os PCNs).
mesmo processo. Outras, como as avaliações, de caráter nacional,
homogêneas e centralizadas, já se transformaram
em medidas efetivas.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
9
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

A partir do mês de janeiro de 2007 sai de cena o Concluindo...


FUNDEF e entra o FUNDEB, que assim como seu A Educação como processo de reconstrução da
antessessor, se caracteriza como um Fundo de experiência é um atributo da pessoa humana
natureza contábil, formado por recursos dos próprios (TEIXEIRA, 1959) e, por isso, tem que ser comum a
estados e municípios, além de uma parcela de todos.
recursos federais, cuja finalidade é promover o É essa concepção que a constituição agasalha nos
financiamento da educação básica pública brasileira. Artigos de 205 a 214, quando declara que ela é um
Para cobrir as despesas com as demais faixas da direito de todos e dever do estado.
educação agora incorporadas ao FUNDEB (o
FUNDEF atendia somente o ensino fundamental), os Uma importante conquista da Constituição de 1988
estados e municípios irão colaborar com o fundo não foi definir que “o acesso ao ensino obrigatório e
mais com 15%, mas sim com 20% da sua receita gratuito é direito público subjetivo”, conquista
proveniente de impostos e transferências, mantida pela LDB, que assegura a “qualquer
aumentando dos 15% que eram até dez/2006, para cidadão, ou grupo de cidadãos, associação
16,66% em 2007, 18,33% em 2008 e de 2009 em comunitária, organização sindical, entidade de
diante 20%. Já a União aplicará no FUNDEB 2 classe ou outra legalmente constituida, e, ainda,
bilhões de reais em 2007, 3 bilhões em 2008, 4,5 o Ministério Público, acionar o Poder Público
bilhões em 2009 e a partir de 2010 sua colobaração para exigi-lo”. O “dever de educar” é
será de, no mínimo, 10% do total de recursos do responsabilidade do Estado e da família. Para o
Fundo (algo em torno de 5,5 bilhões de reais). Poder Público este dever é atribuição repartida entre
as diferentes instâncias governamentais. Para “a
O FUNDEB (Fundo de Manutenção e família esta responsabilidade se concretiza através
Desenvolvimento da Educação Básica e de do dever dos pais ou responsáveis de matricular
Valorização dos Profissionais da Educação) destina seus filhos” menores, a partir dos seis anos
recursos para a educação infantil , no ensino (atualizada), no ensino fundamental.
fundamental e no ensino médio, inlcusive na
modalidade de educação de jovens e adultos. Sua A Educação pressupõe necessariamente a
implantação foi programada de maneira gradativa diversidade de pensamento e de concepções posto
nos três primeiros anos.Está previsto no quarto ano que baseada em interpretações da realidade e dos
de vigência, atender 47,2 milhões de alunos com acontecimentos e fenômenos do mundo físico,
investimentos públicos anuais de R$ 50,4 bilhões, político e cultural. Indispensável, pois que se firme
dos quais R$ 4,3 bilhões serão provenientes da sobre o pluralismo de idéias e de concepções
União. O FUNDEB deve aumentar os recursos filosóficas.
aplicados pela União, estados e municípios na
educação básica pública e melhorar a formação e o Ministrar o ensino com base no princípio do
salário dos profissionais da educação. pluralismo de idéias e de concepções
A distribuição dos recursos é feita de acordo com o filosófico/pedagógicas é a abertura didática que
número de alunos da Educação Básica (Educação terá a escola de discutir amplamente e, depois, de
Infantil, Fundamental e Médio), de acordo com optar pelo melhor método de ensino colocando – o
dados do Censo Escolar do ano anterior, em confronto com as demais. Desse modo, ao
observando o seguinte: alunos do ensino invés de impor uma idéia, tese ou concepção,
fundamental regular e especial - 100% a partir do 1º recomenda o legislador (TEIXEIRA, 1959) o debate
ano; alunos da Educação Infantil, Ensino Médio e preliminar até que selecione a melhor informação e
EJA - 1/3 no 1º ano; 2/3 no 2º ano; 3/3 do 3º ano e, ao mesmo tempo método ideal de ensino para cada
diante. Entretanto, a aplicação pode se dar de escola. (Maurício A. Lopes – Ed. Revista dos
maneira indistinta entre as etapas, modalidades e Tribunais).
tipos de estabelecimento de ensino.

Em síntese, ao final da Ditadura Militar inaugura-se REFERÊNCIAS:


um período permeado por mudanças, complexas e Sistematização realizada a partir do site:
contraditórias, que transfiguraram o caráter da www.histedbr.fae.unicamp
educação brasileira. Por maiores que tenham sido
as conquistas obtidas, não é de se negar que a
tendência mais significativa do período foi a do
reforço da privatização do ensino, em todos os seus
sentidos e tendo como contrapartida a destruição,
ideológica e efetiva, da educação mantida pelo
Estado.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
10
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

OS PILARES DA EDUCAÇÃO  O aumento dos saberes, permite compreender


melhor o ambiente sob os seus diversos aspectos,
favorece o despertar da curiosidade intelectual,
A educação deve transmitir, de forma estimula o sentido crítico e permite compreender o
maciça e eficaz, cada vez mais saberes e saber- real, mediante a aquisição de autonomia na
fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, capacidade de discernir.
pois são as bases das competências do futuro. À  A cultura geral, enquanto abertura a outras
educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas linguagens e outros conhecimentos permite, antes
de um mundo complexo e constantemente agitado de tudo, comunicar-se.
e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar  A formação cultural, cimento das sociedades no
através dele. tempo e no espaço, implica a abertura a outros
campos do conhecimento e, deste modo, podem
Para poder dar resposta ao conjunto das operar-se fecundas sinergias entre as disciplinas.
suas missões, a educação deve organizar-se em  Aprender para conhecer supõe, antes de tudo,
torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao aprender a aprender, exercitando a atenção, a
longo de toda a vida, serão de algum modo para memória e o pensamento.
cada indivíduo, os pilares do conhecimento:  Combinando uma cultura geral, suficientemente
aprender a conhecer, isto é adquirir os vasta, com a possibilidade de trabalhar em
instrumentos da compreensão; aprender a fazer profundidade um pequeno número de matérias. O
para poder agir sobre o meio envolvente; aprender que também significa aprender a aprender, para
a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela
outros em todas as atividades humanas e aprender educação ao longo da vida.
a ser, via essencial que integra as outras
antecedentes. Estas quatro vias do saber constituem 2. APRENDER A FAZER
apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos
pontos de contato, de relacionamento e de permuta.
 Está mais ligada à questão da formação
profissional: como ensinar o aluno a pôr em prática
Para enfrentar os desafios deste século XXI,
os seus conhecimentos e, como adaptar a educação
é indispensável assinalar novos objetivos à
ao trabalho futuro quando não se pode prever qual
educação e, portanto, mudar a idéia que se tem da
será a sua evolução.
sua utilidade. Uma nova concepção ampliada de
 As aprendizagens devem evoluir e não podem
educação devia fazer com que todos pudessem
mais ser consideradas como simples transmissão de
descobrir, reanimar e fortalecer o seu potencial
práticas mais ou menos rotineiras, embora estas
criativo – revelar o tesouro escondido em cada um
continuem a ter um valor formativo que não é de
de nós. Isto supõe que se ultrapasse a visão
desprezar.
puramente instrumental da educação, considerada
como a via obrigatória para obter certos resultados  As qualidades como a capacidade de comunicar,
(saber-fazer, aquisição de capacidades diversas, de trabalhar com os outros, de gerir e de resolver
fins de ordem econômica), e se passe a considerá-la conflitos, tornam-se cada vez mais importantes. E
em toda a sua plenitude: realização da pessoa que, esta tendência torna-se mais forte, devido ao
na sua totalidade, aprende a ser. desenvolvimento do setor de serviços.
 A fim de adquirir, não somente uma qualificação
A educação ao longo de toda a vida baseia- profissional mas, de uma maneira mais ampla,
se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender competências que tornem a pessoa apta a enfrentar
a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. numerosas situações e a trabalhar em equipe.
 Aprender a fazer também no âmbito das diversas
experiências sociais ou de trabalho que se oferecem
1. APRENDER A CONHECER aos jovens e adolescentes, quer espontaneamente,
fruto do contexto local ou nacional, quer
 Domínio do conhecimento pode ser formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino
considerado, simultaneamente, como um meio e alternado ao trabalho.
como uma finalidade da vida humana. Meio, porque
se pretende que cada um aprenda a compreender o
mundo que o rodeia, pelo menos na medida em que 3. APRENDER A VIVER JUNTOS,
isso lhe é necessário para viver dignamente, para
desenvolver as suas capacidades profissionais, para APRENDER A VIVER COM OS OUTROS
comunicar. Finalidade, porque seu fundamento é o
prazer de compreender, de conhecer, de descobrir.  A educação tem por missão, transmitir
conhecimentos sobre a diversidade da espécie

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
11
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

humana e, por outro, levar as pessoas a tomar riqueza e na complexidade das suas expressões e
consciência das semelhanças e da interdependência dos seus compromissos: indivíduo, membro de uma
entre todos os seres humanos do planeta. família e de uma coletividade, cidadão e produtor,
 Desenvolver a atitude de empatia, na escola, é inventor de técnicas e criador de sonhos.
muito útil para os comportamentos sociais ao longo  A educação como meio para uma tal realização
de toda a vida. é, ao mesmo tempo, um processo individualizado e
 A curiosidade deve ser atiçada assim como o uma construção social interativa.
espírito crítico dos alunos e pode gerar a capacidade  Para desenvolver sua personalidade e estar à
de alteridade e de enfrentar as inevitáveis tensões altura de agir cada vez com maior capacidade de
entre pessoas, grupos e nações. autonomia, de discernimento e de responsabilidade
 O confronto através do diálogo e da troca de pessoal. Para isso, não negligenciar na educação
argumentos é um dos instrumentos indispensáveis à nenhuma das potencialidades de cada indivíduo:
educação do século XXI. memória, raciocínio, sentido estético, capacidades
 A educação formal deve reservar tempo e físicas, aptidão para comunicar-se.
ocasiões em seus programas para iniciar os jovens
em projetos de cooperação, logo desde a infância,
no campo das atividades desportivas e culturais, TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
estimulando sua participação em atividades sociais:
renovação de bairros, ajuda aos desfavorecidos,
ações humanitárias, serviços de solidariedade entre As principais Tendências Pedagógicas na
gerações entre outros. Prática Escolar Brasileira e seus
 Desenvolver a compreensão do outro e a
percepção das interdependências – realizar projetos Pressupostos de Aprendizagem
comuns e preparar-se para gerir conflitos – no
respeito pelos valores do pluralismo, da Délcio Barros da Silva – Prof. Depto. de Letras
compreensão mútua e da paz. Vernáculas da UFSM.

4. APRENDER A SER 1. Introdução

 A educação deve contribuir para o O objetivo deste artigo é verificar os pressupostos


desenvolvimento total da pessoa – espírito e corpo, de aprendizagem empregados pelas diferentes
inteligência, sensibilidade, sentido estético, tendências pedagógicas na prática escolar
responsabilidade pessoal, espiritualidade. brasileira, numa tentativa de contribuir,
 Todo ser humano deve ser preparado também teoricamente, para a formação continuada de
via educação para elaborar pensamentos professores.
autônomos e críticos e para formular os seus
próprios juízos de valor, de modo a poder decidir, Sabe-se que a prática escolar está sujeita a
por si mesmo, como agir nas diferentes condicionantes de ordem sócio-política que implicam
circunstâncias da vida. diferentes concepções de homem e de sociedade e,
conseqüentemente, diferentes pressupostos sobre o
 A educação tem como papel essencial, conferir a
papel da escola e da aprendizagem, inter alia.
todos os seres humanos a liberdade de
Assim, justifica-se o presente estudo, tendo em vista
pensamento, discernimento, sentimentos e
que o modo como os professores realizam o seu
imaginação de que necessitam para desenvolver os
trabalho na escola tem a ver com esses
seus talentos e permanecerem, donos de seu
pressupostos teóricos, explícita ou implicitamente.
próprio destino.
 Oferecer às crianças e aos jovens todas as
Embora se reconheçam as dificuldades do
ocasiões possíveis de descoberta e de
estabelecimento de uma síntese dessas diferentes
experimentação – estética, artística, desportiva,
tendências pedagógicas, cujas influências se
científica, cultural e social -, que venham completar
refletem no ecletismo do ensino atual, emprega-se,
a apresentação atraente daquilo que, nestes
neste estudo, a teoria de José Carlos Libâneo, que
domínios, foram capazes de criar as gerações que
as classifica em dois grupos: "liberais" e
os precederam.
"progressistas". No primeiro grupo, estão incluídas a
 Preocupação em desenvolver a imaginação e a tendência "tradicional", a "renovada progressivista",
criatividade, revalorizar a cultura oral e os a "renovada não-diretiva" e a "tecnicista". No
conhecimentos retirados da experiência da criança segundo, a tendência "libertadora", a "libertária" e a
ou do adulto. "crítico-social dos conteúdos".
 Portanto, o desenvolvimento tem por objeto a
realização completa do ser humano, em toda a sua Justifica-se, também, este trabalho pelo fato de que

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
12
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

novos avanços no campo da Psicologia da concepção que considera a linguagem como


Aprendizagem, bem como a revalorização das idéias expressão do pensamento. Os seguidores dessa
de psicólogos interacionistas, como Piaget, Vygotsky corrente lingüística, em razão disso, preocupam-se
e Wallon, e a autonomia da escola na construção de com a organização lógica do pensamento, o que
sua Proposta Pedagógica, a partir da LDB 9.394/96, presume a necessidade de regras do bem falar e do
exigem uma atualização constante do professor. bem escrever. Segundo essa concepção de
Através do conhecimento dessas tendências linguagem, a gramática tradicional ou normativa se
pedagógicas e dos seus pressupostos de constitui no núcleo dessa visão do ensino da língua,
aprendizagem, o professor terá condições de avaliar pois vê nessa gramática uma perspectiva de
os fundamentos teóricos empregados na sua prática normatização lingüística, tomando como modelo de
em sala de aula. norma culta as obras dos nossos grandes escritores
clássicos. Portanto, saber gramática, teoria
No aspecto teórico-prático, ou seja, nas gramatical, é a garantia de se chegar ao domínio da
manifestações na prática escolar das diversas língua oral ou escrita.
tendências educacionais, será dado ênfase ao
ensino da língua portuguesa, considerando-se as Assim, predomina, nessa tendência tradicional, o
diferentes concepções de linguagem que perpassam ensino da gramática pela gramática, com ênfase nos
esses períodos do pensamento pedagógico exercícios repetitivos e de recapitulação da matéria,
brasileiro. exigindo uma atitude receptiva e mecânica do aluno.
Os conteúdos são organizados pelo professor, numa
seqüência lógica, e a avaliação é realizada através
2. Tendências Pedagógicas Liberais de provas escritas e exercícios de casa.

Segundo LIBÂNEO(1), a pedagogia liberal sustenta 2.2. Tendência Liberal Renovada


a idéia de que a escola tem por função preparar os Progressivista
indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de
acordo com as aptidões individuais. Isso pressupõe Segundo essa perspectiva teórica de Libâneo, a
que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e tendência liberal renovada progressivista (ou
normas vigentes na sociedade de classe, através do pragmatista) acentua o sentido da cultura como
desenvolvimento da cultura individual. Devido a essa desenvolvimento das aptidões individuais
ênfase no aspecto cultural, as diferenças entre as A escola continua, dessa forma, a preparar o aluno
classes sociais não são consideradas, pois, embora para assumir seu papel na sociedade, adaptando as
a escola passe a difundir a idéia de igualdade de necessidades do educando ao meio social, por isso
oportunidades, não leva em conta a desigualdade de ela deve imitar a vida. Se, na tendência liberal
condições. tradicional, a atividade pedagógica estava centrada
no professor, na escola renovada progressivista,
defende-se a idéia de "aprender fazendo", portanto
2.1. Tendência Liberal Tradicional centrada no aluno, valorizando as tentativas
experimentais, a pesquisa, a descoberta, o estudo
Segundo o uadro teórico de LIBÂNEO(2), a do meio natural e social, etc, levando em conta os
tendência liberal tradicional se caracteriza por interesses do aluno.
acentuar o ensino humanístico, de cultura geral. De
acordo com essa escola tradicional, o aluno é Como pressupostos de aprendizagem, aprender se
educado para atingir sua plena realização através de torna uma atividade de descoberta, é uma auto-
seu próprio esforço. Sendo assim, as diferenças de aprendizagem, sendo o ambiente apenas um meio
classe social não são consideradas e toda a prática estimulador, conforme LIBÂNEO(3). Só é retido
escolar não tem nenhuma relação com o cotidiano aquilo que se incorpora à atividade do aluno, através
do aluno. da descoberta pessoal; o que é incorporado passa a
compor a estrutura cognitiva para ser empregado
Quanto aos pressupostos de aprendizagem, a idéia em novas situações. É a tomada de consciência,
de que o ensino consiste em repassar os segundo Piaget.
conhecimentos para o espírito da criança é
acompanhada de outra: a de que a capacidade de No ensino da língua, essas idéias escolanovistas
assimilação da criança é idêntica à do adulto, sem não trouxeram maiores conseqüências, pois
levar em conta as características próprias de cada esbarraram na prática da tendência liberal
idade. A criança é vista, assim, como um adulto em tradicional.
miniatura, apenas menos desenvolvida.

No ensino da língua portuguesa, parte-se da

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
13
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

2.3. Tendência Liberal Renovada Não- para os estruturalistas, saber a língua é, sobretudo,
Diretiva dominar o código.

Acentua-se, nessa tendência, o papel da escola na No ensino da Língua Portuguesa, segundo essa
formação de atitudes, razão pela qual deve estar concepção de linguagem, o trabalho com as
mais preocupada com os problemas psicológicos do estruturas lingüísticas, separadas do homem no seu
que com os pedagógicos ou sociais, conforme contexto social, é visto como possibilidade de
LIBÂNEO(4). Todo o esforço deve visar a uma desenvolver a expressão oral e escrita. A tendência
mudança dentro do indivíduo, ou seja, a uma tecnicista é, de certa forma, uma modernização da
adequação pessoal às solicitações do ambiente. escola tradicional e, apesar das contribuições
teóricas do estruturalismo, não conseguiu superar os
Aprender é modificar suas próprias percepções. equívocos apresentados pelo ensino da língua
Apenas se aprende o que estiver significativamente centrado na gramática normativa. Em parte, esses
relacionado com essas percepções. A retenção se problemas ocorreram devido às dificuldades de o
dá pela relevância do aprendido em relação ao "eu", professor assimilar as novas teorias sobre o ensino
o que torna a avaliação escolar sem sentido, da língua materna.
privilegiando-se a auto-avaliação. Trata-se de um
ensino centrado no aluno, sendo o professor apenas
um facilitador. No ensino da língua, tal como ocorreu 3. Tendências Pedagógicas
com a corrente pragmatista, as idéias da escola Progressistas
renovada não-diretiva, embora muito difundidas,
encontraram, também, uma barreira na prática da
Segundo LIBÂNEO(9), a pedagogia progressista
tendência liberal tradicional.
designa as tendências que, partindo de uma análise
crítica das realidades sociais, sustentam
implicitamente as finalidades sociopolíticas da
2.4 Tendência Liberal Tecnicista educação.
A escola liberal tecnicista, segundo LIBÂNEO(5),
atua no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o
3.1 Tendência Progressista Libertadora
sistema capitalista), articulando-se diretamente com
o sistema produtivo; para tanto, emprega a ciência
As tendências progressistas libertadora e libertária
da mudança de comportamento, ou seja, a
têm, em comum, a defesa da autogestão
tecnologia comportamental. Seu interesse principal
pedagógica e o antiautoritarismo. A escola
é, portanto, produzir indivíduos "competentes" para
libertadora, também conhecida como a pedagogia
o mercado de trabalho, não se preocupando com as
de Paulo Freire, vincula a educação à luta e
mudanças sociais.
organização de classe do oprimido. Segundo
GADOTTI(10), Paulo Freire não considera o papel
Conforme MATUI(6), a escola tecnicista, baseada na
informativo, o ato de conhecimento na relação
teoria de aprendizagem S-R, vê o aluno como
educativa, mas insiste que o conhecimento não é
depositário passivo dos conhecimentos, que devem
suficiente se, ao lado e junto deste, não se elabora
ser acumulados na mente através de associações.
uma nova teoria do conhecimento e se os oprimidos
Skinner foi o expoente principal dessa corrente
não podem adquirir uma nova estrutura do
psicológica, também conhecida como behaviorista.
conhecimento que lhes permita reelaborar e
Segundo RICHTER(7), a visão behaviorista acredita
reordenar seus próprios conhecimentos e apropriar-
que adquirimos uma língua por meio de imitação e
se de outros.
formação de hábitos, por isso a ênfase na repetição,
nos drills, na instrução programada, para que o
Assim, para Paulo Freire, no contexto da luta de
aluno forme "hábitos" do uso correto da linguagem.
classes, o saber mais importante para o oprimido é a
descoberta da sua situação de oprimido, a condição
A partir da Reforma do Ensino, com a Lei 5.692/71,
para se libertar da exploração política e econômica,
que implantou a escola tecnicista no Brasil,
através da elaboração da consciência crítica passo a
preponderaram as influências do estruturalismo
passo com sua organização de classe. Por isso, a
lingüístico e a concepção de linguagem como
pedagogia libertadora ultrapassa os limites da
instrumento de comunicação. A língua – como diz
pedagogia, situando-se também no campo da
TRAVAGLIA(8) – é vista como um código, ou seja,
economia, da política e das ciências sociais,
um conjunto de signos que se combinam segundo
conforme GADOTTI(11).
regras e que é capaz de transmitir uma mensagem,
informações de um emissor a um receptor. Portanto,
Como pressuposto de aprendizagem, a força
motivadora deve decorrer da codificação de uma

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
14
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

situação-problema que será analisada criticamente,


envolvendo o exercício da abstração, pelo qual se 4. Tendências Pedagógicas Pós-LDB
procura alcançar, por meio de representações da 9.394/96
realidade concreta, a razão de ser dos fatos. Assim,
como afirma LIBÂNEO(12), aprender é um ato de Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
conhecimento da realidade concreta, isto é, da Nacional de n.º 9.394/96, revalorizam-se as idéias
situação real vivida pelo educando, e só tem sentido de Piaget, Vygotsky e Wallon. Um dos pontos em
se resulta de uma aproximação crítica dessa comum entre esses psicólogos é o fato de serem
realidade. Portanto o conhecimento que o educando interacionistas, porque concebem o conhecimento
transfere representa uma resposta à situação de como resultado da ação que se passa entre o sujeito
opressão a que se chega pelo processo de e um objeto. De acordo com ARANHA(14), o
compreensão, reflexão e crítica. conhecimento não está, então, no sujeito, como
queriam os inatistas, nem no objeto, como diziam os
No ensino da leitura, Paulo Freire, numa entrevista, empiristas, mas resulta da interação entre ambos.
sintetiza sua idéia de dialogismo: "Eu vou ao texto
carinhosamente. De modo geral, simbolicamente, eu Para citar um exemplo no ensino da língua, segundo
puxo uma cadeira e convido o autor, não importa essa perspectiva interacionista, a leitura como
qual, a travar um diálogo comigo". processo permite a possibilidade de negociação de
sentidos em sala de aula. O processo de leitura,
portanto, não é centrado no texto, ascendente,
3.2. Tendência Progressista Libertária bottom-up, como queriam os empiristas, nem no
receptor, descendente, top-down, segundo os
A escola progressista libertária parte do pressuposto inatistas, mas ascendente/descendente, ou seja, a
de que somente o vivido pelo educando é partir de uma negociação de sentido entre
incorporado e utilizado em situações novas, por isso enunciador e receptor. Assim, nessa abordagem
o saber sistematizado só terá relevância se for interacionista, o receptor é retirado da sua condição
possível seu uso prático. Segundo LIBÂNEO(13), a de mero objeto do sentido do texto, de alguém que
ênfase na aprendizagem informal, via grupo, e a estava ali para decifrá-lo, decodificá-lo, como
negação de toda forma de repressão, visam a ocorria, tradicionalmente, no ensino da leitura.
favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres.
No ensino da língua, procura valorizar o texto As idéias desses psicólogos interacionistas vêm ao
produzido pelo aluno, além da negociação de encontro da concepção que considera a linguagem
sentidos na leitura. como forma de atuação sobre o homem e o mundo
e das modernas teorias sobre os estudos do texto,
como a Lingüística Textual, a Análise do Discurso, a
3.3. Tendência Progressista Crítico-Social Semântica Argumentativa e a Pragmática, entre
dos Conteúdos outros.

Conforme LIBÂNEO, a tendência progressista 5. Considerações Finais


crítico-social dos conteúdos, diferentemente da
libertadora e libertária, acentua a primazia dos De acordo com esse quadro teórico de José Carlos
conteúdos no seu confronto com as realidades Libâneo, deduz-se que as tendências pedagógicas
sociais. A atuação da escola consiste na preparação liberais, ou seja, a tradicional, a renovada e a
do aluno para o mundo adulto e suas contradições, tecnicista, por se declararem neutras, nunca
fornecendo-lhe um instrumental, por meio da assumiram compromisso com as transformações da
aquisição de conteúdos e da socialização, para uma sociedade, embora, na prática, procurassem
participação organizada e ativa na democratização legitimar a ordem econômica e social do sistema
da sociedade. capitalista.
No ensino da língua, predominaram os métodos de
Na visão da pedagogia dos conteúdos, admite-se o base ora empirista, ora inatista, com ensino da
princípio da aprendizagem significativa, partindo do gramática tradicional, ou sob algumas as influências
que o aluno já sabe. A transferência da teóricas do estruturalismo e do gerativismo, a partir
aprendizagem só se realiza no momento da síntese, da Lei 5.692/71, da Reforma do Ensino.
isto é, quando o aluno supera sua visão parcial e
confusa e adquire uma visão mais clara e Já as tendências pedagógicas progressistas, em
unificadora. oposição às liberais, têm em comum a análise crítica
do sistema capitalista. De base empirista (Paulo
Freire se proclamava um deles) e marxista (com as
idéias de Gramsci), essas tendências, no ensino da

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
15
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

língua, valorizam o texto produzido pelo aluno, a


partir do seu conhecimento de mundo, assim como a
possibilidade de negociação de sentido na leitura.

A partir da LDB 9.394/96, principalmente com as


difusão das idéias de Piaget, Vygotsky e Wallon,
numa perspectiva sócio-histórica, essas teorias
buscam uma aproximação com as modernas
correntes do ensino da língua que consideram a
linguagem como forma de ação sobre o homem e o
mundo, ou seja, como processo de interação verbal,
que constitui a sua realidade fundamental. RENOVADO NÃO DIRETIVA
(Carl Rogers, A Neill)
- motivação; auto-realização; valorização do “eu”;
Principais Correntes Pedagógicas aprende-se aquilo que estiver significativamente
relacionado com a modificação das percepções
*Pedagogia Liberal e *Pedagogia (auto-avaliação)
Progressista

PEDAGOGIA LIBERAL:

-Tradicional
- Renovado progressista (Escola Nova)
- Renovado não diretiva
-Tecnicista

PEDAGOGIA PROGRESSISTA
- Libertadora
- Libertária TECNICISTA
- Crítico Social (Pedagogia Histórico-crítica) (Lei 5692/71, Bloom, Gagné, Skinner)
- enfoque diretivo; motivação; retenção; preparo da
PEDAGOGIA LIBERAL mão-de-obra para mercado de trabalho; educação
pressupostos de aprendizagem de cada uma para desenvolvimento econômico ;

TRADICIONAL (Herbart)
- ensinar é repassar conhecimentos; programas
obedecem a uma lógica (adulta); aprendizagem
receptiva, mecânica (memorização); reforços
positivos e negativos

PEDAGOGIA PROGRESSISTA

Pressupostos de aprendizagem
LIBERTADORA
(Paulo Freire)

RENOVADO PROGRESSISTA - educação problematizadora; análise; abstração;


(Dewey, Montessori, Decroly) visando a consciência, a razão de ser dos fatos;
- aprender é uma descoberta/auto-aprendizagem; aprender é conhecer a realidade.
motivação depende da estimulação do problema e
dos interesses dos alunos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
16
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

- conteúdos culturais universais, permanentemente


reavaliados frente às realidades sociais; não basta
ensinar bem, é preciso que se liguem à sua
significação humana e social.

MÉTODOS DE ENSINO
- subordinados aos conteúdos; visam uma ruptura
com “senso comum”; busca atingir um certo nível de
consciência crítica e unidade entre teoria e prática.
LIBERTÁRIA (Tragtemberg, Arroyo, Freinet)
- crescer em grupo, de acordo com suas aspirações RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO
e necessidades; anti-autoritária; professor é um - professor como autoridade competente; direciona o
instrutor, um monitor à disposição do grupo. processo ensino aprendizagem; fazendo a
medicação entre o educando e os conteúdos; não
abre mão de uma certa disciplina.

MANIFESTAÇÕES NA PRÁTICA ESCOLAR

PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA
(Saviani, Libâneo, Nosella)
- parte daquilo que o aluno já sabe e caminha em
direção ao domínio do saber sistematizado;
articulado à prática social do educando. - proposta que manifesta um compromisso concreto
com as transformações da sociedade; saber
sistematizado; conteudista

REFERÊNCIA S

LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública.


A Pedagogia critico social dos conteúdos.
SAVIANI, D. Pedagogia Histórico crítica.
MELLO, G.N. Tecnicismo...

PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA
PAPEL DA ESCOLA TENDÊNCIAS EDUCACIONAIS
- difundir conteúdos (vivos, concretos,
localizados no tempo e no espaço); escola é CONCEPÇÃO HISTÓRICO-CULTURAL E
parte integrante do todo social; escola deve TEORIA HISTÓRICO-CRÍTICA
preparar o aluno para o mundo adulto
(contraditório); para a participação ativa na Vera Regina Oliveira Alves1
democratização da sociedade

RESUMO: Este artigo visa levantar


questionamentos referentes às tendências
educacionais em questão. Diante de sua
complexidade, professores, embora tendo
conhecimento sobre algumas, não dominam esse
saber em sala de aula. È muito comum ouvi-los
dizer: na teoria é fácil, mas na prática! Haja vista,
que mesmo acreditando estarem trabalhando certa
teoria, na verdade não estão. Faz no final uma

1
CONTEÚDOS DE ENSINO Acadêmica da Universidade Federal de Rondônia-UNIR, cursando o 7º
período de Pedagogia. Colaboradora PIBIC/UNIR.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
17
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

mistura delas. Seria esse o caminho correto a “igualdade, liberdade, fraternidade”, foi também,
seguir? Professores melhores qualificados, determinante do liberalismo no mundo ocidental e do
conhecedores da diversidade teórica, não teriam sistema capitalista. Onde estabeleceu uma forma de
condições mais adequadas, que correspondessem organização social baseada na propriedade privada
as suas necessidades e a de seus alunos? É nessa dos meios de produção, o que se denominou como
perspectiva que esta pesquisa aponta sugestões de sociedade de classes. Sua preocupação básica é o
como a concepção psicológica histórico-cultural de cultivo dos interesses individuais e não sociais. Para
Vygotsky e outras, podem dar embasamento à teoria esta tendência educacional, o saber já produzido
histórico-crítica de Saviani e podem estar auxiliando, (conteúdos de ensino) é muito mais importante que
professores, no processo ensino aprendizagem. a experiência do sujeito e o processo pelo qual ele
aprende, mantendo o instrumento de poder entre
dominador e dominado.
Palavras-Chave: Tendência educacional, professor,
concepção psicológica histórico-cultural e teoria
histórico-crítica. Na Tendência Liberal Tradicional é tarefa do
professor fazer com que o aluno atinja a realização
pessoal através de seu próprio esforço. O cultivo do
INTRODUÇÃO intelecto é descontextualizado da realidade social
com ênfase para o estudo dos clássicos e das
biografias dos grandes mestres. A transmissão é
Esta pesquisa tem como objetivo, levantar, feita a partir dos conteúdos acumulados
sinteticamente, alguns pontos que possam se referir historicamente pelo homem, num processo
às teorias em educação. As tendências pedagógicas cumulativo, sem reconstrução ou questionamento. A
têm basicamente sua origem em movimentos aprendizagem se dá de forma receptiva, automática,
sociais, filosóficos e antropológicos em sem que seja necessário acionar as habilidades
determinados momentos da história humana, mentais do aluno além da memorização.
terminam assim por influenciar as práticas Seu método enfatiza a transmissão de conteúdos e
pedagógicas associadas às expectativas da a assimilação passiva. É ainda intuitivo, baseado na
sociedade. Neste caso é importante ao professor em estimulação dos sentidos e na observação. Através
formação e ao que já se encontra atuando, o da memorização, da repetição e da exposição
conhecimento de tais tendências a fim de construir verbal, o professor chega a um interrogatório (tipo
conscientemente a sua própria trajetória político- socrático), estimulando o individualismo e a
pedagógica. Somente a partir deste conhecimento, e competição. Envolve cinco passos que segundo
de autoconhecimento é que poderá propor Friedrich Herbart são os seguintes: preparação,
mudanças a fim de transformar fazeres e saberes, recordação, associação, generalização e aplicação.
problematizando-os, inserindo-os no cotidiano e na
própria expressão do educador. Já a Tendência Liberal Renovada trata de um novo
pensamento pedagógico internacional, que inspirado
Na verdade, conhecendo a teoria que sustenta a
em John Dewey, veio revolucionar o tradicionalismo
sua prática, o educador pode desejar e fazer a sua
na educação brasileira, sofrendo esta, baseada em
transformação em direção a conscientização e à
Augusto Comte inspiração positivista.
conseqüente liberação de condicionantes sociais,
tornando o processo ensino aprendizagem algo Para essa tendência o papel da escola é o de
realmente significativo tanto para o educador como atender as diferenças individuais, as necessidades e
para o educando. interesses dos alunos, enfatizando os processos
mentais e habilidades cognitivas necessárias a
Diante do pressuposto, sem ser nosso objetivo
adaptação do homem ao meio social. Sendo o aluno
questionar a prática docente, partirmos de uma
o centro e sujeito do conhecimento.
perspectiva discutida por Libâneo (1994), Saviani
(2003), Vygotsky (1991) e outros autores que se Segundo Libâneo (1994), esta tendência em nosso
preocupam ou se preocuparam em analisar as país segue duas versões distintas: a Renovada
diversas teorias educacionais existentes no Brasil. Progressivista (que se refere a processos internos
de desenvolvimento do indivíduo; não confundir com
progressista, que se refere a processos sociais) ou
TENDÊNCIAS EDUCACIONAIS: UM ESTUDO Pragmatista, inspirada nos Pioneiros da Escola
PARA A PRÁTICA EM SALA DE AULA Nova, e a Tendência Renovada não-Diretiva,
inspirada em Carl Rogers e A.S.Neill, que se volta
muito mais para os objetivos de desenvolvimento
As Tendências Pedagógicas Liberais tiveram seu pessoal e relações interpessoais, (sendo que este
início no século XIX, tendo recebido as influencias último não chegou a desenvolver um sistema a
do ideário da Revolução Francesa (1789), de respeito dos métodos da educação). No Brasil, há

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
18
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

que se destacar o papel fundamental de Anísio Seu método é o da transmissão e recepção de


Teixeira como grande incentivador da pedagogia informações. Nele o aluno é submetido a um
renovada na escola pública. processo de controle do comportamento, a fim de
Seu método de ensino é o ativo, que inicialmente que os objetivos operacionais previamente
caracteriza-se pelo método “aprender fazendo” e estabelecidos possam ser atingidos. Trata-se do
após a junção dos cinco passos, propostos por “aprender fazendo”.
Dewey: experiência, problema, pesquisa, ajuda Se nas Tendências Liberais a escola possuía uma
discreta do professor, estudo do meio natural e função equalizadora, nas Tendências Progressistas,
social desenvolve o “aprender a aprender”, que derivada das teorias críticas, ela passa a ser
privilegiando os estudos independentes e também analisada como reprodutora das desigualdades de
os estudos em grupo, seleciona uma situação vivida classe e reforçadora do modo de produção
pelo aluno, que seja desafiante e que careça de uma capitalista.
solução para um problema prático. Tendo surgido na França a partir de 1968, e no
Para Saviani, apud Gasparin (2005), por estes Brasil com a Revolução Cultural, nas Tendências
motivos, e entre outros de ordem política, a Escola Progressistas, a escola passa a ser vista não mais
Nova seguidora dessas vertentes, acaba por como redentora, mas como reprodutora da classe
aprimorar o ensino das elites e rebaixando o das dominante. Snyders (1994) foi o primeiro a usar o
classes populares. Mas, mesmo recebendo esse termo “Pedagogia Progressista”, partindo de uma
tipo de crítica, podemos considerá-la como o mais análise crítica da realidade social, sustentando,
forte movimento “renovador” da educação brasileira. implicitamente, as finalidades sociais e políticas da
A Tendência Liberal Tecnicista tem seu início, com o educação.
declínio no final dos anos 60, da Escola Renovada. Três teorias como movimento mundial, tiveram
Quando mais uma vez, sob a instalação do regime grande repercussão, foram e têm sido fundamentais
militar no país, as elites dão ênfase a um outro tipo para a desmistificação da concepção ingênua e a-
de educação direcionada às massas, a fim de crítica da escola: teoria do Sistema enquanto
conservar a posição de dominação, ou seja, manter Violência Simbólica (Bourdieu e Passeron, 1970);
o status quo dominante. teoria da escola enquanto Aparelho Ideológico do
Atendendo aos interesses da sociedade capitalista, Estado (AIE, Althusser, 1968); e teoria da escola
inspirada especialmente na teoria behaviorista, Dualista (Baudelot e Establet, 1971), todas elas
corrente comportamentalista organizada por Skinner denominadas como “crítico-reprodutivistas”, não
e na abordagem sistêmica de ensino, traz como apresentam, no entanto, explicitamente uma
verdade absoluta à neutralidade científica e a proposta pedagógica, limitando se apenas, a
transposição dos acontecimentos naturais à explicar as razões do fracasso escolar e da
sociedade. marginalização das classes populares, além da
necessidade de superação, tanto da “ilusão da
Negando os determinantes sociais, o tecnicismo escola como redentora, como da impotência e o
tinha como princípios à racionalidade, a eficiência, a imobilismo da escola reprodutora” (Saviani, 2003a).
produtividade e a neutralidade científica produzindo
no âmbito educacional, uma enorme distância entre Nessa perspectiva, Libâneo (1994), designa a
o planejamento, preparado por especialistas e não Pedagogia Progressista três tendências:
por professores, seus meros executores, e a prática A Pedagogia Progressista Libertadora que partindo
educativa. de uma análise crítica das realidades sociais,
Neste período, a escola passa a ter seu trabalho sustenta, os fins sócio-políticos da educação. Teve
parcelado, fragmentado a fim de produzir seu início com Paulo Freire, nos anos 60, rebelando-
determinados produtos desejáveis pela sociedade se contra toda forma de autoritarismo e dominação,
capitalista e industrial. Muitas propostas surgem defendendo a conscientização como processo a ser
como enfoque sistêmico, o micro-ensino, o tele- conquistado pelo homem, através da
ensino, a instrução programada, entre outras. problematização de sua própria realidade.
Subordina a educação à sociedade, tendo como Revolucionária, preconizava a transformação da
função principal à produção de indivíduos sociedade e acreditava que a educação, por si só,
competentes, ou seja, a preparação da mão-de-obra não faria tal revolução, embora fosse uma
especializada para o mercado de trabalho a ser ferramenta importante e fundamental nesse
consolidado. processo.
Neste contexto a pedagogia tecnicista termina A teoria educacional freireana é utópica, em seu
contribuindo ainda mais para o caos no campo sentido de vir-a-ser, de inédito viável, expressões
educativo, gerando, assim, a inviabilidade do usadas por Freire, e esperançosa, porque deposita
trabalho pedagógico. na transformação do homem a idéia de que mudar é
possível, e que não estamos necessariamente
imobilizados por estarmos submetidos a papéis pré-

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
19
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

determinados em uma sociedade de classes. Esta tendência prioriza, o domínio dos conteúdos
Segundo ele, apesar de os seguidores dessa científicos, os métodos de estudo, habilidades e
tendência não terem tido a preocupação com uma hábitos de raciocínio científico, como modo de
proposta pedagógica explicita, havia uma didática formar a consciência crítica face à realidade social,
implícita em seus “círculos de cultura”, sendo cerne instrumentalizando o homem como sujeito da
da atividade pedagógica a discussão de temas história, apto a transformar a sociedade e a si
sociais e políticos, que a nós nos parece claro ser o próprio. Seu método de ensino parte da prática
método dialógico, usado para o despertar da social, constituindo tanto o ponto de partida como o
consciência política dos analfabetos adultos. ponto de chegada, porém, melhor elaborado
A Pedagogia Progressista Libertária tem como teoricamente.
idéia básica modificações institucionais, que a partir Os autores, Libâneo e Saviani, ao interpretar a
dos níveis subalternos, vão “contaminando” todo o pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos chegaram
sistema, sem modelos e recusando-se a considerar ao consenso de que dela parte uma das fases, entre
qualquer forma de poder ou autoridade. tantas outras, de fundamento para a pedagogia
Percebemos esta tendência como decorrência a Histórico-Crítica (SAVIANI, 2003b, p.84).
uma abertura para uma sociedade democrática, que O que se deseja com esta pesquisa, é apresentar
vai se firmando lentamente a partir do início dos aos professores, e educadores, os passos dessa
anos 80, com a volta dos exilados políticos e a pedagogia, tendo como base todo um contexto
liberdade de expressão nos meios acadêmicos, histórico pedagógico, numa tentativa de entender,
políticos e culturais do país. Firmando-se os como se movem na atualidade, diante de tantos
interesses por escolas realmente democráticas e desafios, equívocos, confusões, incertezas e, ainda,
inclusivas e a idéia do projeto político pedagógico da das novas necessidades da educação. A exploração
escola como forma de identificação política que desse conhecimento pode revelar-se extremamente
atenda aos interesses locais e regionais, primando útil aos processos educativos em geral e diante do
por uma educação de qualidade para todos. A que exige a sociedade, e a nova consciência
participação em grupos e movimentos sociais na humana.
sociedade, além dos muros escolares, é incentivada A pedagogia Histórico-Crítica surge, no Brasil por
e ampliada, trazendo para dentro dela a volta de 1984, como tentativa a essa superação,
necessidade de concretizar a democracia, através origina-se no materialismo histórico que, em sala de
de eleições para conselhos, direção da escola, aula, se expressa na metodologia dialética de
grêmios estudantis e outras formas de gestão construção sócio-individualizada do conhecimento.
participativa.
Concluindo que essa teoria responde aos três
No Brasil, os libertários recebem a influência do grandes passos do método dialético de construção
pensamento de Celestin Freinet e suas técnicas na do conhecimento: prática-teoria-prática, entende
qual os próprios alunos organizavam os seus plano Gasparin (2003 p.151), ser viável a junção da
de trabalho. O método de ensino é a própria Concepção Psicológica Histórico-Cultural à Teoria
autogestão, tornando o interesse pedagógico Histórico-Crítica na realidade da sala de aula. Isso
dependente de suas necessidades ou do próprio por constatar que existe grande dificuldade para
grupo. elaborar um plano de atividades que procure colocar
A Pedagogia Progressista Crítico-Social dos em prática os princípios desta nova metodologia de
Conteúdos tendo sido fortalecida a princípio na ensino-aprendizagem.
Europa e depois no Brasil, a partir da década de 80, E também, nesse sentido, a partir da contribuição de
foi considerada como sinônimo de pedagogia Sanchez Vázquez (1968); Saviani, elaborou o
dialética, no sentido da “dialógica”. Firmando-se significado de práxis, entendendo-a como um
como teoria que busca captar o movimento objetivo conceito sintético que articula a teoria e a prática. A
do processo histórico, uma vez que concebe o prática para desenvolver-se e produzir suas
homem através do materialismo histórico-marxista, conseqüências, necessita da teoria e precisa ser por
trata-se de uma síntese superadora do que há de ela iluminada. É a prática ao mesmo tempo,
significado na Pedagogia Tradicional e na Escola fundamento, critério de verdade e finalidade da
Nova, direcionando o ensino para a superação dos teoria, é, portanto da prática que se origina a teoria.
problemas cotidianos da prática social e, ao mesmo
tempo, buscando a emancipação intelectual do Quando falamos em uma tendência, normalmente
aluno. Aluno este, concreto, inserido num contexto pensamos na teoria, o que nos leva a pensar em
de relações sociais. Da articulação entre a escola e termos de sua consistência lógica, em seu potencial
a assimilação dos conteúdos por parte deste aluno e influxo em direção a prática pedagógica. E não
concreto é que resulta o saber criticamente pensamos, no caminho inverso, isto é, no caminho
elaborado (Libâneo, 1990). que vai da prática a teoria.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
20
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

E é este o ponto fundamental levantado por este 2 - PROBLEMATIZAÇÃO


texto, ou seja, buscar enfrentar e vencer desafios
tendo como referencia a pedagogia histórico-crítica,
que, grosso modo, também enfrenta, entre outros, O segundo passo, constitui o elo entre a prática e a
dois grandes desafios teóricos: o primeiro implicaria instrumentalização. “Trata-se de detectar que
desenvolver aspectos da teoria que ainda requerem questões precisam ser resolvidas no âmbito da
maior elaboração; o segundo seria sistematizar, prática social e, em conseqüência, que
explicitar aspectos que a teoria já contém, mas conhecimento é necessário dominar” (Saviani, 1999,
ainda não deu a eles uma forma articulada, p.80).
orgânica, ampla, totalizante e coerente. Um desses
aspectos diz respeito, à articulação psicológica. A problematização é o elemento-chave na transição
Sobre o assunto e a abrangência dos procedimentos entre prática e teoria, torna-se fundamental para o
metodológicos relativos ao desenvolvimento da encaminhamento de todo o processo de trabalho
prática de ensino em sala de aula, Suze Scalcon docente-discente.
(2002) avança significativamente na compreensão Os principais problemas são as questões
dessa teoria.2 fundamentais que foram apreendidas anteriormente
Assim, com ênfase em Gasparin (2003-2005), pelo professor e alunos e que precisam ser
descreveremos, resumidamente, os cinco passos resolvidas, não pela escola, ou na escola, mas no
metodológicos dessa teoria, evidenciando como âmbito da sociedade como um todo. A
entendemos que cada uma dessas fases deva ser problematização é, então, o fio condutor de todas as
traduzida para a prática escolar. atividades que os alunos desenvolverão no processo
de construção do conhecimento.

1 - PRÁTICA SOCIAL INICIAL

3 - INSTRUMENTALIZAÇÃO
Saviani, apud Gasparin (2005) ao explicitar o
primeiro passo de seu método pedagógico afirma
ser ele o ponto de partida de todo o trabalho
Esta fase, segundo Saviani (1991, p.103) consiste
docente. Evidencia que a prática social é comum a
na apreensão, “dos instrumentos teóricos e práticos
professores e alunos. Consiste este passo, no
necessários ao equacionamento dos problemas
primeiro contato que o aluno mantém com o
detectados na prática social (...). Apud Gasparin
conteúdo trabalhado pelo professor. Sendo a visão
(2003, p.54), trata-se da apropriação pelas camadas
do aluno, uma visão de senso comum, empírica,
populares das ferramentas culturais necessárias à
geral, uma visão um tanto confusa, ou seja,
luta que travam diuturnamente para se libertar das
sincrética, onde tudo de certa forma, aparece como
condições de exploração em que vivem”. É o
natural. Nesta fase, deve, então o professor,
momento do método que passa da síncrese a
posicionar se em relação à mesma realidade de
síntese a visão do aluno sobre o conteúdo escolar
maneira mais clara e, ao mesmo tempo, com uma
presente em sua vida social.
visão mais sintética. A fim de conduzir o processo
pedagógico com maior segurança e realizar o A tarefa do professor e dos alunos, nesta fase,
planejamento de suas atividades antecipadamente. desenvolve-se através de ações didático-
Ao dialogar com seus alunos sobre o tema a ser pedagógicas necessárias à efetiva construção
estudado mostrará a eles o quanto já conhecem conjunta do conhecimento nas dimensões científica,
sobre o assunto, evidenciando, que a temática social e histórica. Consiste em realizar as operações
desenvolvida em sala de aula, está presente na mentais de analisar, comparar, criticar, levantar
prática social, ou seja, em seu dia a dia. hipótises, julgar, classificar, conceituar, deduzir,
generalizar, discutir explicar, etc. Na
Sendo assim, a assimilação das características
instrumentalização o educando e o educador
fundamentais de um conceito será muito mais fácil
efetivam o processo dialético de construção do
para o aluno quando os traços definidores desse
conhecimento que vai do empírico ao abstrato
conceito se apresentarem com as imagens visuais
chegando, assim, ao concreto, ao realizável.
correspondentes.

4 - CARTASE
2
Suze Scalcon (2002) À Procura da Unidade Psicopedagógica:
articulando psicologia histórico-cultural a pedagogia histótico-crítica.
Também o livro de João Luiz Gasparin (2002), Uma Didática para a
Esta é a fase em que o educando mostra que de
Pedagogia Histórico-Crítica, oferece importante contribuição neste uma síncrese inicial sobre a realidade social do
contexto.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
21
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

conteúdo que foi trabalhado, chega agora à síntese, a expressão elaborada da nova forma de entender a
que é o momento em que ele estrutura, em nova prática social; cartase; e o quinto e último, ao nível
forma, seu pensamento sobre as questões que o de desenvolvimento atual do educando; prática
conduziram a construção do conhecimento. social final. Sendo que os três passos intermediários
Segundo Saviani (1999 p.80-81), “o momento compõem a zona de desenvolvimento imediato ou
cartático pode ser considerado como o ponto proximal do educando, (Vygotsky, 1991).
culminante do processo educativo, já que é ai que
se realiza pela mediação da análise levada a cabo
no processo de ensino, a passagem da síncrese à CONSIDERAÇÕES FINAIS
síntese”. É o momento que se assemelha a um grito
Assim, considerando que a leitura deste artigo possa
de gol. É a conclusão de todo um trabalho, mas que
ser de grande utilidade a todos que se preocupem
deverá continuar sempre em construção, através
com a educação, e de modo particular, àqueles que
dos tempos e de novos conhecimentos.
compartilhem das idéias constitutivas da Concepção
Psicológica Histórico-Cultural e Pedagogia Histórico-
Crítica, e ainda, concordando com Saviani, para
5 - PRÁTICA SOCIAL FINAL àqueles que perfilham idéias diferentes ou opostas a
Conforme Saviani (1999, p.82), a prática social essa Teoria, viabiliza-se uma prática de ensino, de
inicial e final é a mesma, embora não o seja. É a teor crítico, que busque elevar a qualidade da
mesma enquanto se constitui “o suporte e o formação ministrada no âmbito de nossas escolas.
contexto, o pressuposto e o alvo, o fundamento e a Espera-se, de acordo com essa perspectiva, contar
finalidade da prática pedagógica. E não é a mesma, com o apoio de pessoas que se interessem em
se considerarmos que o modo de nos situarmos em seguir os passos metodológicos dessa pedagogia
seu interior se alterou qualitativamente pela em seu trabalho educacional. Por ser esta teoria
mediação da ação pedagógica...”. Professor e comprometida com o conceito geral do
alunos se modificaram intelectualmente e desenvolvimento da realidade humana, propor-se a
qualitativamente em relação as suas concepções identificar as formas do saber objetivo produzido
sobre o conteúdo que reconstruíram, passando de historicamente para que os alunos não apenas
um estágio de menor compreensão científica, social assimilem o saber, mas apreendam o processo de
e histórica a uma fase de maior clareza e sua produção, bem como as tendências atuais para
compreensão. sua transformação. Sendo constatado durante a
Essa proposta de trabalho pode referir-se tanto as pesquisa bibliográfica existir diversas teorias
ações intelectuais quanto aos trabalhos manuais educacionais, cabe ao professor/educador buscar
físicos. A prática social final é assim, o momento da conhecê-las e adequá-las à realidade do aluno em
ação consciente do educando dentro da realidade sala de aula para melhor qualificação do processo
em que vive. É uma proposta metodológica de ensino e aprendizagem.
apropriação e de reconstrução do conhecimento
sistematizado buscando evidenciar que todo o
conteúdo que é trabalhado na escola e pelo aluno, REFERÊNCIAS
através do processo pedagógico, retorna agora, de GASPARIN, João Luiz. Uma Didática para a Pedagogia
maneira nova e compromissada, para o cotidiano Histórico-Crítica. 2ª ed. Campinas, SP: Autores
social a fim de ser nele um instrumento a mais na Associados, 2003.
transformação da realidade. Seus passos, aqui
__________ Metodologia Histórico-Crítica: processo
apresentados, embora de modo formal, aparecem dialético de construção do conhecimento escolar. Obtida
como se fossem independentes e estanques, mas via internet: www.educação on-
na realidade prática eles constituem um todo line.pro.br/metodologia_histórico.asp. Acesso em 28 de
indissociável e dinâmico, onde cada fase interpreta jul. 2005.
as demais. Assim, a prática social inicial e final é o
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola
conteúdo reelaborado pelo processo escolar. A Pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São
problematização, a instrumentalização e a cartase Paulo: Loyola, 1990.
são os três passos de efetiva construção do
conhecimento na e para a prática social. __________ Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

Segundo Gasparin (2003), o primeiro passo da MOREIRA, Carmen Tereza Velanga. (coord). Estado da
pedagogia histórico-crítica diz respeito ao nível de Arte da Pesquisa em Educação em Rondônia. Relatório
Parcial das Atividades Desenvolvidas no Projeto de
desenvolvimento real do educando; prática social
Pesquisa - CNPq/PIBIC - Porto Velho, RO: 2005.
inicial; o segundo, constitui o elo entre a prática
social e a instrumentalização; é a problematização; o SAVIANI, Demerval. Escola e Democracia. 36ª ed.
terceiro, relaciona-se às ações didático-pedagógicas Campinas, SP: Autores Associados, 2003.
para a aprendizagem; instrumentalização; o quarto,

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
22
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
__________ Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras Concepção Pedagógica Tradicional
aproximações. 8ª ed. Campinas, SP: Autores Associados, A denominação “concepção pedagógica tradicional”
2003. ou “pedagogia tradicional” foi introduzida no final do
VYGOTSKY,L S. A Formação Social da Mente. São século XIX com o advento do movimento renovador
Paulo: Martins Fontes, 1991. que, para marcar a novidade das propostas que
começaram a ser veiculadas, classificaram como
“tradicional” a concepção até então dominante.
Assim, a expressão “concepção tradicional”
AS CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS NA subsume correntes pedagógicas que se formularam
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA desde a Antigüidade, tendo em comum uma visão
filosófica essencialista de homem e uma visão
Dermeval Saviani pedagógica centrada no educador (professor), no
adulto, no intelecto, nos conteúdos cognitivos
transmitidos pelo professor aos alunos, na disciplina,
Verbetes na memorização.

Distinguem-se, no interior dessa concepção, duas


Concepção pedagógica vertentes: a religiosa e a leiga.
A expressão “concepções pedagógicas” é correlata
de “idéias pedagógicas”. A palavra pedagogia e, Concepção pedagógica tradicional religiosa
mais particularmente, o adjetivo pedagógico têm A vertente religiosa da pedagogia tradicional afunda
marcadamente ressonância metodológica raízes na Idade Média tendo como manifestação
denotando o modo de operar, de realizar o ato filosófica característica as correntes do tomismo e
educativo. Assim, as idéias pedagógicas são as do neotomismo, referência fundamental para a
idéias educacionais entendidas, porém, não em si educação católica. A pedagogia desenvolvida pelas
mesmas, mas na forma como se encarnam no escolas de confissão protestante também se insere
movimento real da educação orientando e, mais do nessa concepção, ainda que, como um movimento
que isso, constituindo a própria substância da de reforma da Igreja Católica, o protestantismo
prática educativa. participa do movimento de laicização, de crítica à
As concepções educacionais, de modo geral, hierarquia, de defesa do livre arbítrio que marcou a
envolvem três níveis: o nível da filosofia da constituição da ordem burguesa.
educação que, sobre a base de uma reflexão
radical, rigorosa e de conjunto sobre a problemática Pedagogia católica
educativa, busca explicitar as finalidades, os valores A pedagogia católica constitui a manifestação mais
que expressam uma visão geral de homem, mundo vigorosa da concepção pedagógica tradicional no
e sociedade, com vistas a orientar a compreensão Brasil. Defendendo o primado da família e da igreja
do fenômeno educativo; o nível da teoria da sobre o Estado em matéria de educação, advoga o
educação, que procura sistematizar os subsídio público às escolas católicas. Os católicos
conhecimentos disponíveis sobre os vários aspectos entendem que apenas a Igreja tem condições de
envolvidos na questão educacional que permitam educar em sentido próprio. Por isso denominam sua
compreender o lugar e o papel da educação na concepção de “pedagogia integral”, uma vez que alia
sociedade. Quando a teoria da educação é ao âmbito natural o âmbito sobrenatural, integrando
identificada com a pedagogia, além de compreender três planos ontológicos: o físico (ordem da
o lugar e o papel da educação na sociedade, a natureza), o intelectual (ordem das idéias), ambos
teoria da educação se empenha em sistematizar, subordinados ao plano moral e religioso (ordem dos
também, os métodos, processos e procedimentos, deveres). Mesmo quando se renova incorporando as
visando a dar intencionalidade ao ato educativo de inovações trazidas pelos avanços da teoria e da
modo a garantir sua eficácia; finalmente, o terceiro prática pedagógicas, a pedagogia católica jamais
nível é o da prática pedagógica, isto é, o modo como abre mão da doutrina subordinando todas as novas
é organizado e realizado o ato educativo. conquistas, inovações metodológicas e avanços
Portanto, em termos concisos, podemos entender a sociais a uma “filosofia verdadeiramente católica da
expressão “concepções pedagógicas” como as vida”.
diferentes maneiras pelas quais a educação é
compreendida, teorizada e praticada. Na história da jesuítica
educação, de modo geral, e na história da educação Versão da pedagogia católica elaborada pelos
brasileira, em particular, produziram-se diferentes jesuítas e sistematizada no “Ratio Studiorum”, o
concepções pedagógicas, cujas características são Plano de Estudos cuja versão definitiva foi aprovada
apresentadas nos verbetes seguintes. em 1599 e adotada por todos os colégios jesuítas
em todo o mundo. Esse Plano é constituído por um

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
23
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

conjunto de 467 regras cobrindo todas as atividades religiosas e, com base nas idéias laicas inspiradas
dos agentes diretamente ligados ao ensino indo no Iluminismo, instituíram o privilégio do Estado em
desde as regras do Provincial, passando pelas do matéria de instrução. Tivemos, então, a influência da
Reitor, do Prefeito de Estudos, dos professores de pedagogia tradicional leiga, embora se deva
modo geral e de cada matéria de ensino, reconhecer que o Estado português era, ainda,
abrangendo as regras da prova escrita, da regido pelo estatuto do padroado, vinculando-se
distribuição de prêmios, do bedel, chegando às estreitamente à Igreja Católica. Nessas
regras dos alunos e concluindo com as regras das circunstâncias, a substituição da orientação jesuítica
diversas Academias. se deu não exatamente por idéias formuladas por
pensadores formados fora do clima religioso, mas
Pedagogia brasílica mediante uma nova orientação, igualmente católica,
Pedagogia brasílica é a denominação dada à formulada por padres de outras ordens religiosas,
orientação que os jesuítas procuraram implantar ao com destaque para os oratorianos. A sistemática
chegar ao Brasil, em 1549, sob a chefia do Pe. pedagógica introduzida pelas reformas pombalinas
Manuel da Nóbrega. Para tanto, Nóbrega elaborou foi a das “aulas régias”, isto é, disciplinas avulsas
um plano de estudos que se iniciava com o ministradas por um professor nomeado e pago pela
aprendizado do português (para os indígenas); coroa portuguesa com recursos do “subsídio
prosseguia com a doutrina cristã, a escola de ler e literário” instituído em 1772. As “aulas régias”
escrever e, opcionalmente, canto orfeônico e música perduraram no Brasil até 1834.
instrumental; e culminava, de um lado, com o
aprendizado profissional e agrícola e, de outro lado, Concepção pedagógica nova ou moderna
com a gramática latina para aqueles que se Contrapondo-se à concepção tradicional, a
destinavam à realização de estudos superiores na concepção pedagógica renovadora se ancora numa
Europa (Universidade de Coimbra). Esse plano não visão filosófica baseada na existência, na vida, na
deixava de conter uma preocupação realista, atividade. Não se trata mais de encarar a existência
procurando levar em conta as condições específicas humana como mera atualização das potencialidades
da Colônia. Daí, a denominação de “pedagogia contidas na essência. A natureza humana é
brasílica”. Contudo, sua aplicação encontrou considerada mutável, determinada pela existência.
oposição no interior da própria Ordem jesuítica e Na visão tradicional o privilégio era do adulto,
acabou sendo suplantada pelo plano geral de considerado o homem acabado, completo, por
estudos organizado pela Companhia de Jesus e oposição à criança, ser imaturo, incompleto. Na
consubstanciado no Ratio Studiorum, que se visão moderna, sendo o homem considerado
tornou obrigatório em todos os colégios da Ordem a completo desde o nascimento e inacabado até
partir de 1599. morrer, o adulto não pode se constituir como
modelo, razão pela qual a educação passa a
Concepção pedagógica tradicional leiga centrar-se na criança. Do ponto de vista pedagógico
A vertente leiga da pedagogia tradicional centra-se o eixo se deslocou do intelecto para as vivências; do
na idéia de “natureza humana”. Diferentemente, lógico para o psicológico; dos conteúdos para os
portanto, da vertente religiosa que considerava a métodos; do professor para o aluno; do esforço para
essência humana como criação divina, aqui a o interesse; da disciplina para a espontaneidade; da
essência humana se identifica com a natureza direção do professor para a iniciativa do aluno; da
humana. Essa concepção foi elaborada pelos quantidade para a qualidade; de uma pedagogia de
pensadores modernos já como expressão da inspiração filosófica centrada na ciência da lógica
ascensão da burguesia e instrumento de para uma pedagogia de inspiração experimental
consolidação de sua hegemonia. A escola surge, aí, baseada na biologia e na psicologia. Se bem que a
como o grande instrumento de realização dos ideais concepção pedagógica renovada tenha se originado
liberais, dado o seu papel na difusão das luzes, tal de diferentes correntes filosóficas como o vitalismo,
como formulado pelo racionalismo iluminista que historicismo, existencialismo, fenomenologia,
advogava a implantação da escola pública, pragmatismo e assumido características variadas,
universal, gratuita, leiga e obrigatória. sua manifestação mais difundida é conhecida sob o
nome de escolanovismo.
Pedagogia pombalina
Corresponde à orientação que se imprimiu ao ensino
em Portugal e no Brasil com a promulgação, em Concepção pedagógica produtivista
1759, das “reformas pombalinas da instrução A concepção pedagógica produtivista postula que a
pública”, assim denominadas por terem sido educação é um bem de produção e não apenas um
baixadas pelo Marquês de Pombal, então primeiro bem de consumo. Tem, pois, importância decisiva
ministro do Rei de Portugal, D. José I. Essas no processo de desenvolvimento econômico. As
reformas se contrapunham ao predomínio das idéias análises que serviram de base a essa concepção
foram sistematizadas principalmente na “teoria do

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
24
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

capital humano”, cuja base filosófica se expressa propunham a transformação da ordem capitalista
pelo positivismo na versão estrutural-funcionalista. A burguesa pela via da educação. De acordo com
referida concepção se desenvolveu a partir das essa concepção a sociedade poderia ser organizada
décadas de 1950 e 1960, tornando-se orientação de forma justa, sem crimes nem pobreza, com todos
oficial no Brasil sob a forma da pedagogia tecnicista. participando da produção e fruição dos bens
E, mesmo com o refluxo do tecnicismo a partir do segundo suas capacidades e necessidades. Para
final dos anos 80, permaneceu como hegemônica tanto, era mister erradicar a ignorância, o grande
assumindo novas nuances, inclusive quando, na obstáculo para a construção dessa nova sociedade.
década de 1990, a organização do ensino tendeu a A educação desempenharia, pois, um papel decisivo
se pautar dominantemente pelo cognitivismo nesse processo. Seguindo essa orientação, no
construtivista. O caráter produtivista dessa Brasil os vários partidos operários, partidos
concepção pedagógica tem uma dupla face: a socialistas, centros socialistas assumiram a defesa
externa, que destaca a importância da educação no do ensino popular gratuito, laico e técnico-
processo de produção econômica e a interna, que profissional. Reivindicando o ensino público,
visa dotar a escola do máximo de produtividade criticavam a inoperância governamental no que se
maximizando os investimentos nela realizados pela refere à instrução popular e fomentaram o
adoção do princípio da busca constante do máximo surgimento de escolas operárias e de bibliotecas
de resultados com o mínimo de dispêndio. populares. Mas não chegaram a explicitar mais
claramente a concepção pedagógica que deveria
Pedagogia tecnicista orientar os procedimentos de ensino.
A partir do pressuposto da neutralidade científica e
inspirada nos princípios de racionalidade, eficiência
e produtividade, a pedagogia tecnicista advogou a Pedagogia libertária
reordenação do processo educativo de maneira a A educação ocupa posição central no ideário
torná-lo objetivo e operacional. De modo semelhante libertário e se expressa num duplo e concomitante
ao que ocorreu no trabalho fabril, pretendeu-se a movimento: a crítica à educação burguesa e a
objetivação do trabalho pedagógico. Buscou-se, formulação da própria concepção pedagógica que
então, com base em justificativas teóricas derivadas se materializa na criação de escolas autônomas e
da corrente filosófico-psicológica do behaviorismo, autogeridas. No aspecto crítico denuncia-se o uso
planejar a educação de modo a dotá-la de uma da escola como instrumento de sujeição dos
organização racional capaz de minimizar as trabalhadores por parte do Estado, da Igreja e dos
interferências subjetivas que pudessem pôr em risco partidos. No aspecto propositivo estudam-se os
sua eficiência. Se na pedagogia tradicional a autores libertários extraindo deles os principais
iniciativa cabia ao professor e se na pedagogia nova conceitos educacionais como o de “educação
a iniciativa deslocou-se para o aluno, na pedagogia integral” e “ensino racionalista”. Mas os libertários
tecnicista o elemento principal passou a ser a não ficam apenas no estudo das idéias. Buscam
organização racional dos meios, ocupando o praticá-las por meio da criação de universidade
professor e o aluno posição secundária. A popular, centros de estudos sociais e escolas. Em
organização do processo converteu-se na garantia especial as denominadas “Escolas Modernas”
da eficiência, compensando e corrigindo as proliferaram após a morte de Francisco Ferrer,
deficiências do professor e maximizando os efeitos inspirador do método racionalista, executado em
de sua intervenção. 1909 pelo governo espanhol, pelo crime de
professar idéias libertárias.
Concepções pedagógicas contra-
hegemônicas Pedagogia comunista
Denominam-se pedagogias contra-hegemônicas A pedagogia comunista se inspira no marxismo-
aquelas orientações que não apenas não leninismo. Tendo em vista que essa corrente
conseguiram se tornar dominantes, mas que considera que o desenvolvimento das sociedades se
buscam intencional e sistematicamente colocar a dá pela ação dos homens na história, as novas
educação a serviço das forças que lutam para formas sociais superam as anteriores incorporando
transformar a ordem vigente visando a instaurar uma os elementos antes desenvolvidos os quais se
nova forma de sociedade. Situam-se nesse âmbito integram no acervo cultural da humanidade. Assim
as pedagogias socialista, libertária, comunista, sendo, o desenvolvimento da nova sociedade e da
libertadora, histórico-crítica. nova cultura exige a apropriação, por parte das
novas gerações, do patrimônio construído pelas
gerações anteriores. Em outros termos, entende-se
Pedagogia socialista
que uma cultura comunista, a cultura proletária, não
As idéias socialistas vicejaram no movimento
surge do nada. Ela será o desenvolvimento e
operário europeu ao longo do século XIX. Também
transformação dos conhecimentos produzidos pela
chamadas de “socialismo utópico” essas idéias
humanidade sob o jugo das formas anteriores de

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
25
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

sociedade, entre as quais sobreleva a sociedade numerosas. Embora esses alunos tivessem papel
capitalista no seio da qual se desenvolve, por central na efetivação desse método pedagógico, o foco
contradição, a nova forma social de tipo comunista. O não era posto na atividade do aluno. Na verdade, os
papel fundamental da educação será, pois, possibilitar alunos guindados à posição de monitores eram
a apropriação do acervo cultural da humanidade como investidos de função docente. O método supunha
base para realizar as ações necessárias à construção regras pré-determinadas, rigorosa disciplina e a
da nova sociedade e da nova cultura. distribuição hierarquizada dos alunos sentados em
bancos dispostos num salão único e bem amplo. De
Pedagogia libertadora uma das extremidades do salão, o mestre, sentado
Convencionou-se denominar de “pedagogia numa cadeira alta, supervisionava toda a escola, em
libertadora” a concepção pedagógica cuja matriz especial os monitores. Avaliando continuamente o
remete às idéias de Paulo Freire. Sua inspiração aproveitamento e o comportamento dos alunos, esse
filosófica se encontra no Personalismo cristão e na método erigia a competição em princípio ativo do
fenomenologia existencial. Como se trata de correntes funcionamento da escola. Os procedimentos didáticos
que, como o pragmatismo, se inserem na Concepção tradicionais permanecem intocados. Busca-se, pois, no
humanista moderna de filosofia de educação, a ensino mútuo proposto por Lancaster o
pedagogia libertadora mantém vários pontos de contato equacionamento do método de ensino e de
com a pedagogia renovadora. Também ela valoriza o disciplinamento, correlacionados um ao outro.
interesse e iniciativa dos educandos, dando prioridade
aos temas e problemas mais próximos das vivências
dos educandos sobre os conhecimentos Método intuitivo
sistematizados. Mas, diferentemente do movimento O método intuitivo, conhecido como lições de coisas,
escolanovista, a pedagogia libertadora põe no centro foi concebido com o intuito de resolver o problema da
do trabalho educativo temas e problemas políticos e ineficiência do ensino diante de sua inadequação às
sociais, entendendo que o papel da educação é, exigências sociais decorrentes da revolução industrial
fundamentalmente, abrir caminho para a libertação dos que se processara entre o final do século XVIII e
oprimidos. meados do século XIX. Ao mesmo tempo, essa mesma
revolução industrial viabilizou a produção de novos
Pedagogia histórico-crítica materiais didáticos como suporte físico do novo método
Essa pedagogia é tributária da concepção dialética, de ensino. Esses materiais, difundidos nas exposições
especificamente na versão do materialismo histórico, universais, realizadas na segunda metade do século
tendo fortes afinidades, no que ser refere às suas XIX com a participação de diversos países, entre eles o
bases psicológicas, com a psicologia histórico-cultural Brasil, compreendiam peças do mobiliário escolar;
desenvolvida pela “Escola de Vigotski”. A educação é quadros negros parietais; caixas para ensino de cores
entendida como o ato de produzir, direta e e formas; quadros do reino vegetal, gravuras, cartas de
intencionalmente, em cada indivíduo singular, a cores para instrução primária; aros, mapas, linhas,
humanidade que é produzida histórica e coletivamente diagramas, caixas com diferentes tipos de objetos
pelo conjunto dos homens. Em outros termos, isso como pedras, metais, madeira, louças, cerâmica,
significa que a educação é entendida como mediação vidros; equipamentos de iluminação e aquecimento;
no seio da prática social global. A prática social se põe, alimentação e vestuário etc. Mas o uso de todo esse
portanto, como o ponto de partida e o ponto de variado material dependia de diretrizes metodológicas
chegada da prática educativa. Daí decorre um método claras, implicando a adoção de um novo método de
pedagógico que parte da prática social onde professor ensino entendido como concreto, racional e ativo. O
e aluno se encontram igualmente inseridos ocupando, que se buscava, portanto, era uma orientação segura
porém, posições distintas, condição para que travem para a condução dos alunos, por parte do professor,
uma relação fecunda na compreensão e nas salas de aula. Para tanto foram elaborados
encaminhamento da solução dos problemas postos manuais segundo uma diretriz que modificava o papel
pela prática social, cabendo aos momentos pedagógico do livro. Este, em lugar de ser um material
intermediários do método identificar as questões didático destinado à utilização dos alunos, se converte
suscitadas pela prática social (problematização), dispor num recurso decisivo para uso do professor, contendo
os instrumentos teóricos e práticos para a sua um modelo de procedimentos para a elaboração de
compreensão e solução (instrumentação) e viabilizar atividades, cujo ponto de partida era a percepção
sua incorporação como elementos integrantes da sensível. O mais famoso desses manuais foi o do
própria vida dos alunos (catarse). americano Norman Allison Calkins, denominado
Primeiras lições de coisas, cuja primeira edição data de
1861, sendo reformulado e ampliado em 1870. Foi
Método monitorial-mútuo traduzido por Rui Barbosa em 1881 e publicado no
Proposto e difundido pelos ingleses Andrew Bell, pastor Brasil em 1886.
da Igreja Anglicana e Joseph Lancaster, da seita dos
Quakers, o método mútuo, também chamado de .....
monitorial ou lancasteriano, se baseava no -------------------------------------
aproveitamento dos alunos mais adiantados como
auxiliares do professor no ensino de classes

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
26
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

QUADRO SÍNTESE DAS TEDÊNCIAS PEDAGÓGICAS


Nome da Professor
Papel da Manifestaçõ
Tendência Conteúdos Métodos x Aprendizagem
Escola es
Pedagógica aluno
São
conhecimentos
Preparação A aprendizagem
e valores sociais Exposição e Nas escolas
intelectual e Autoridade do é receptiva e
acumulados demonstração que adotam
Pedagogia moral dos professor que mecânica, sem
através dos verbal da filosofias
Liberal alunos para exige atitude se considerar as
tempos e matéria e / ou humanistas
Tradicional. assumir seu receptiva do características
repassados aos por meios de clássicas ou
papel na aluno. próprias de cada
alunos como modelos. científicas.
sociedade. idade.
verdades
absolutas.
Os conteúdos
A escola são
Por meio de Montessori
deve estabelecidos a O professor é
Tendência experiências, É baseada na Decroly
adequar as partir das auxiliador no
Liberal pesquisas e motivação e na Dewey
necessidade experiências desenvolviment
Renovadora método de estimulação de Piaget
s individuais vividas pelos o livre da
Progressiva. solução de problemas. Lauro de
ao meio alunos frente às criança.
problemas. oliveira Lima
social. situações
problemas.
Educação
centralizada no
Tendência Baseia-se na
Método aluno e o Aprender é Carl Rogers,
Liberal busca dos
Formação baseado na professor é modificar as "Sumerhill"
Renovadora não- conhecimentos
de atitudes. facilitação da quem garantirá percepções da escola de A.
diretiva (Escola pelos próprios
aprendizagem. um realidade. Neill.
Nova) alunos.
relacionamento
de respeito.
É
Relação objetiva
modeladora São
Procedimentos onde o
do informações
Tendência e técnicas para professor Aprendizagem Leis 5.540/68
comportame ordenadas
Liberal a transmissão e transmite baseada no e
nto humano numa seqüência
Tecnicista. recepção de informações e o desempenho. 5.692/71.
através de lógica e
informações. aluno vai fixá-
técnicas psicológica.
las.
específicas.
Não atua em
escolas,
porém visa
levar
professores
e alunos a
Tendência atingir um A relação é de Resolução da
Temas Grupos de
Progressista nível de igual para igual, situação Paulo Freire.
geradores. discussão.
Libertadora consciência horizontalmente. problema.
da realidade
em que
vivem na
busca da
transformaç
ão social.
Transformaç
ão da
personalidad É não diretiva, o C. Freinet
Tendência As matérias são Vivência grupal Aprendizagem
e num professor é Miguel
Progressista colocadas mas na forma de informal, via
sentido orientador e os Gonzales
Libertária. não exigidas. auto-gestão. grupo.
libertário e alunos livres. Arroyo.
autogestioná
rio.
Conteúdos
O método parte
culturais Papel do aluno Makarenko
Tendência de uma relação
universais que como Baseadas nas B. Charlot
Progressista direta da
são participador e estruturas Suchodoski
"crítico social Difusão dos experiência do
incorporados do professor cognitivas já Manacorda
dos conteúdos conteúdos. aluno
pela como mediador estruturadas nos G. Snyders
ou "histórico- confrontada
humanidade entre o saber e alunos. Demerval
crítica" com o saber
frente à o aluno. Saviani.
sistematizado.
realidade social.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
27
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Resumindo...

Pedagogia Liberal3

O termo liberal não tem o sentido de “avançado”, “democrático”, “aberto”, como costuma ser usado. A
doutrina liberal apareceu como justificação do sistema capitalista que, ao defender a predominância da
liberdade e dos interesses individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de organização social baseada na
propriedade privada dos méis de produção, também denominada sociedade de classes. A pedagogia liberal,
portanto, é uma manifestação própria desse tipo de sociedade.
A educação brasileira, pelo menos nos últimos cinquenta anos, tem sido marcada pelas tendências
liberais, nas suas formas ora conservadora, ora renovada. Evidentemente tais tendências se manifestam,
concretamente, nas práticas escolares e no ideário pedagógico de muitos professores, ainda que estes não se
dêem conta dessa influência.
A pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o
desempenho de papeis sociais, de acordo com as aptidões individuais. Para isso, os indivíduos precisam
aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes, através do desenvolvimento
da cultura individual. A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das diferenças de classes, pois,
embora difunda a ideia de igualdade de oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições.
Historicamente, a educação liberal iniciou-se com a pedagogia tradicional e, por razões de recomposição da
hegemonia da burguesia, evoluiu para a pedagogia renovada (também denominada de escola nova ou ativa),
o que não significou a substituição de uma pela outra, pois ambas conviveram e convivem na prática escolar.

Na tendência tradicional, a pedagogia liberal se caracteriza por acentuar o ensino humanístico, de


cultura geral, no qual o aluno é educado para atingir, pelo próprio esforço, sua plena realização como pessoa.
Os conteúdos, os procedimentos didáticos, a relação professor-aluno não têm nenhuma relação com o
cotidiano do aluno e muito menos com as realidades sociais. É a predominância da palavra do professor, das
regras impostas, do cultivo exclusivamente intelectual.

A tendência liberal renovada acentua, igualmente, o sentido da cultura como desenvolvimento das
aptidões individuais. Mas a educação é um processo interno, não externo; ela parte das necessidades e
interesses individuais necessários para a adaptação ao meio. A educação é a vida presente, é parte da própria
experiência humana. A escola renovada propõe um ensino que valorize a auto-educação (o aluno como sujeito
do conhecimento), a experiência direta sobre o meio pela atividade; um ensino centrado no aluno e no grupo.
A tendência liberal renovada apresenta-se, entre nós, em duas versões distintas: a renovada progressivista
(vem de “educação progressiva”, termo usado por Anísio Teixeira para indicar a função da educação numa
civilização em mudança, decorrente do desenvolvimento científico – ideia equivalente a “evolução” em
biologia. Esta tendência inspira-se no filósofo e educador norte-americano John Dewey) ou pragmatista,
principalmente na forma difundida pelos pioneiros da educação nova, entre os quais se destaca Anísio
Teixeira (deve-se destacar também, a influência de Montessori, Decroly e de certa forma, Piaget); a renovada
não diretiva, orientada para os objetivos de auto-realização (desenvolvimento pessoal) e para as relações
interpessoais.

A tendência liberal tecnicista subordina a educação à sociedade, tendo como função a preparação
de “recursos humanos” (mão de obra para a indústria). A sociedade industrial e tecnológica estabelece
(cientificamente) as metas econômicas, sociais e políticas, a educação treina (também cientificamente) nos
alunos os comportamentos de ajustamento a essas metas. No tecnicismo acredita-se que a realidade contém
em si suas próprias leis, bastando aos homens descobri-las e aplicá-las. Dessa forma, o essencial não é o
conteúdo da realidade, mas as técnicas de descoberta e aplicação. A tecnologia é o meio eficaz de obter a
maximização da produção e garantir um ótimo funcionamento da sociedade; a educação é um recurso
tecnológico por excelência. Ela é “encarada como um instrumento capaz de promover, sem contradição, o
desenvolvimento econômico pela qualificação da mão-de-obra, pela redistribuição da renda, pelo maximização
da produção e, ao mesmo tempo, pelo desenvolvimento da `consciência política` indispensável à manutenção
do Estado autoritário” (KUENZER e MACHADO). Utiliza-se basicamente do enfoque sistêmico, da tecnologia
educacional e da análise experimental do comportamento.

3
Texto extraído das obras de LIBÂNEO, J.C. Democratização da escola pública – A pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo:
Edições Loyola, 1993 e Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
28
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Desenvolveu-se no Brasil na década de 1950, ganhando nos anos 1960 autonomia quando constituiu-
se especificamente como tendência, inspirada na teoria behaviorista da aprendizagem e na abordagem
sistêmica do ensino. A Didática instrumental está interessada na racionalização do ensino, no uso de meios e
técnicas mais eficazes. O sistema de instrução compõe das seguintes etapas: a) especificação de objetivos
instrucionais operacionalizados; b) avaliação prévia dos alunos para estabelecer pré-requisitos para
alcançar os objetivos; c) ensino ou organização das experiências de aprendizagem; d) avaliação dos alunos
relativa ao que se propôs nos objetivos iniciais. O professor é um administrador e executor do planejamento, o
meio de previsão das ações a serem executadas e dos meios necessários para se atingir os objetivos.

As tendências de cunho progressista interessadas em propostas pedagógicas voltadas para os


interesses da maioria da população foram adquirindo maior solidez e sistematização por volta dos anos 1980.
são também denominadas teorias críticas da educação. Não é que não tenham existido antes esforços no
sentido de formular propostas de educação popular. Já no começo do século XX formaram-se movimentos de
renovação educacional por iniciativa de militantes socialistas. Muitos dos integrantes do movimento dos
pioneiros da Escola Nova tinham real interesse em superar a educação elitista e discriminadora da época. No
início dos anos 1960 surgiram os movimentos de educação de adultos que geraram idéias pedagógicas e
práticas educacionais de educação popular, configurando a tendência que veio a ser denominada de
Pedagogia Libertadora.

Na segunda metade da década de 1970, com a incipiente modificação do quadro político repressivo
em decorrência de lutas sociais por maior democratização da sociedade, tornou-se possível a discussão de
questões educacionais e escolares numa perspectiva de crítica política das instituições sociais do capitalismo.
Muitos estudiosos e militantes políticos se interessaram apenas pela crítica e pela denúncia do papel
ideológico e discriminador da escola na sociedade capitalista. Outros, no entanto, levando em conta essa
crítica, preocuparam-se em formular propostas e desenvolver estudos no sentido de tornar possível uma
escola articulada com os interesses do povo. Entre essas tentativas destacam-se a Pedagogia Libertadora e a
Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. A primeira retomou as propostas de educação popular dos anos
1960, refundindo seus princípios e práticas em função das possibilidades do seu emprego na educação formal
em escolas públicas, já que inicialmente tinham caráter extra-escolar, não-oficial e voltadas para o
atendimento de clientela adulta. A segunda, inspirando-se no materialismo histórico dialético, constituiu-se
como movimento pedagógico interessado na educação popular, na valorização da escola pública e do trabalho
do professor, no ensino de qualidade para o povo e, especificamente, na acentuação da importância do
domínio sólido por parte de professores e alunos dos conteúdos específicos do ensino como condição para a
participação efetiva do povo nas lutas sociais (na política, na profissão, no sindicato, nos movimentos sociais e
culturais). Trata-se de duas tendências pedagógicas progressistas, propondo uma educação escolar crítica a
serviço das transformações sociais e econômicas, ou seja, de superação das desigualdades sociais
decorrentes das formas sociais capitalistas de organização da sociedade. No entanto, diferem quanto a
objetivos imediatos, meios e estratégias de atingir essas metas gerais comuns.

A Pedagogia Libertadora não tem uma proposta explícita de Didática e muitos dos seus seguidores,
entendendo que toda didática resumir-se-ia ao seu caráter tecnicista, instrumental, meramente prescritivo, até
recusam admitir o papel dessa disciplina na formação dos professores. No entanto, há uma didática implícita
na orientação do trabalho escolar, pois, de alguma forma, o professor se põe diante de uma classe com a
tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos. A atividade escolar é centrada na discussão de temas sociais e
políticos; poder-se-ia falar de um ensino centrado na realidade social, em que professor e alunos analisam
problemas e realidades do meio sócio-econômico e cultural, da comunidade local, com seus recursos e
necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente a esses problemas e realidades. O trabalho escolar não
se assenta, prioritariamente, nos conteúdos de ensino já sistematizados, mas no processo de participação
ativa nas discussões e nas ações práticas sobre questões de realidade social imediata. Nesse processo em
que se realiza a discussão, os relatos da experiência vivida, a assembléia, a pesquisa participante, o trabalho
de grupo etc., ao surgindo temas geradores que podem vir a ser sistematizados para efeito de consolidação de
conhecimentos. É uma didática que busca desenvolver o processo educativo como tarefa que se dá no interior
dos grupos sociais e por isso o professor é coordenador ou animador das atividades que se organizam sempre
pela ação conjunta dele e dos alunos.

A Pedagogia Libertadora tem sido empregada com muito êxito em vários setores dos movimentos
sociais, como sindicatos, associações de bairro, comunidades religiosas. Parte desse êxito se deve ao fato de
ser utilizada entre adultos que vivenciam uma prática política e onde o debate sobre a problemática
econômica, social e política pode ser aprofundado com a orientação de intelectuais comprometidos com os
interesses populares. Em relação à sua aplicação nas escolas públicas, especialmente no ensino fundamental,

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181 / (67) 3313-8185


www.liberalimes.com.br
29
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

os representantes dessa tendência não chegaram a formular uma orientação pedagógico-didática


especificamente escolar, compatível com essa faixa etária.

Para a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos a escola pública cumpre a sua função social e política,
assegurando a difusão dos conhecimentos sistematizados a todos, como condição para a efetiva participação
do povo nas lutas sociais. Não considera suficiente colocar como conteúdo escolar a problemática social
cotidiana, pois somente com o domínio dos conhecimentos, habilidades e capacidades mentais podem os
alunos organizar, interpretar e reelaborar as suas experiências de vida em função dos interesses de classe. O
que importa é que os conhecimentos sistematizados sejam confrontados com as experiências sócio-culturais e
a vida concreta dos alunos, como meio de aprendizagem e melhor solidez na assimilação dos conteúdos. Do
ponto de vista didático, o ensino consiste na mediação de objetivos-conteúdos-métodos que assegure o
encontro formativo entre os alunos e as matérias escolares, que é o fator decisivo da aprendizagem.

A Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos atribui grande importância à Didática, cujo objeto de estudo
é o processo de ensino nas suas relações e ligações com a aprendizagem. As ações de ensinar e aprender
formam uma unidade, mas cada uma tem a sua especificidade. A Didática tem como objetivo a direção do
processo de ensinar, tendo em vista finalidades sócio-políticas e as condições e meios formativos; tal direção,
entretanto, converge para promover a auto-atividade dos alunos, a aprendizagem. Com isso, a Pedagogia
Crítico-Social dos Conteúdos busca uma síntese superadora de traços significativos da Pedagogia Tradicional
e da Escola Nova. Postula para o ensino a tarefa de propiciar aos alunos o desenvolvimento de suas
capacidades e habilidades intelectuais, mediante a transmissão e assimilação ativa dos conteúdos escolares
articulando, no mesmo processo, a aquisição de noções sistematizadas e as qualidades individuais dos alunos
que lhes possibilitam a auto-atividade e a busca independente e criativa das noções. Mas trata-se de uma
síntese superadora. Com efeito, se a Pedagogia define fins e meios da prática educativa a partir dos seus
vínculos com a dinâmica da prática social, importa um posicionamento dela face a interesses sociais em jogo
no quadro das relações sociais vigentes na sociedade. Os conhecimentos teóricos e práticos da Didática
medeiam os vínculos entre o pedagógico e a docência; fazem a ligação entre o “para quê” (opções político-
pedagógicas) e o “como” da ação educativa escolar (a prática docente). A Pedagogia Crítico-Social toma o
partido dos interesses majoritários da sociedade, atribuindo à instrução e ao ensino o papel de proporcionar
aos alunos o domínio de conteúdos científicos, os métodos de estudo e habilidades e hábitos de raciocínio
científico, os métodos de estudo e habilidades e hábitos de raciocínio científico, de modo a irem formando a
consciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a assumir no conjunto das lutas sociais a sua
condição de agentes ativos de transformação da sociedade e de si próprios.

Questões para Fixação do Conteúdo

Tendências Pedagógicas

1. Assinale a alternativa em que aparece a característica do conteúdo na tendência Libertária:


A) São conhecimentos acumulados pelo professor através do tempo e repassados para os alunos como verdade absoluta;
B) Os conteúdos são colocados, porém não são exigidos;
C) É apresentado através de temas geradores;
D) Baseia-se na busca do conhecimento dos alunos;
E) São apresentados universal e culturalmente sendo incorporados pela humanidade frente a uma realidade social.

2.. A prática pedagógica do professor, mesmo de forma implícita, sempre pressupõe uma concepção de
ensino e de aprendizagem que influencia sua atividade profissional. São diversas as tendências pedagógicas
que se formam nas escolas brasileiras. Embora essas tendências não apareçam de forma pura, elas podem
ser identificadas por determinadas características. No quadro abaixo, descrevem-se situações didáticas típicas
de três tendências pedagógicas.

Situação Características
Didática
A prática pedagógica é altamente controlada e dirigida pelo professor, com atividades de caráter
I mecânico, inseridas numa proposta educacional rígida e passível de ser totalmente programada;
supervaloriza as tecnologias programadas de ensino; supervaloriza as tecnologias programadas de
ensino.
II A prática pedagógica valoriza o aluno como ser livre, ativo e social; destaca o princípio da aprendizagem
por descoberta; o aluno é ativo, curioso e centro da atividade escolar; o importante não é o ensino: são os

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
30
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

processos de aprendizagem.
III Exposição oral dos conteúdos, numa seqüência predeterminada e fixa, independentemente do contexto
escolar; a prática enfatiza a necessidade de exercícios como forma de se fixar o conteúdo.

As situações didáticas I, II e III correspondem, respectivamente, às tendências pedagógicas


A) tradicional, crítico-social dos conteúdos e tradicional.
B) tecnicista, renovada e tradicional.
C) renovada, tradicional, critico social dos conteúdos.
D) libertadora, tecnicista, renovada.

3. Assinale a alternativa que representa corretamente as principais características de cada Tendência


Pedagógica.

PEDAGOGIA PEDAGOGIA NOVA PEDAGOGIA TECNICISTA


TRADICIONAL
A ESCOLA Modeladora de Formadora de atitudes. Agência transmissora de
comportamentos conhecimento. Lugar por excelência
onde se realiza a educação.
B PROFESSOR Transmissor de conteúdos e Facilitador da Técnico que seleciona – organiza e
conhecimentos. aprendizagem e do aplica um conjunto de meios que
desenvolvimento natural e garantam a eficácia do ensino. Técnico
espontâneo. que seleciona – organiza e aplica um
conjunto de meios que garantam a
eficácia do ensino.
C ALUNO Um ser ativo. Centro do Ser passivo. Assimilador Receptor passivo. Manipulado e
processo. Um vir à ser de conteúdos transmitidos. controlado pelo meio.
constante.
D CONTEÚDOS Qualquer conteúdo Selecionados a partir dos Selecionados a partir da cultura
estruturado segundo os interesses do aluno. O universal acumulada. Estático.
objetivos operacionais. desenvolvimento Organizados em disciplinas.
psicológico. Quantidade de conteúdos.
E AVALIAÇÃO Valorização dos aspectos Valorização dos aspectos Dos objetivos propostos com ênfase na
afetivos (atividades) com acumulativos com ênfase produtividade do aluno sob a forma de
ênfase em auto-avaliação. na memorização. um sistema de avaliação.
Avaliação do Avaliação para o
desenvolvimento do aluno. professor.

4. A Escola Manoel de Barros estabelece em seu projeto político-pedagógico que o ensino será humanístico,
de cultura geral. Sendo assim, o aluno é educado para atingir, por seu próprio esforço, sua plena realização
como pessoa. Assim, podemos afirmar que tendência pedagógica desta escola é:
A) liberal renovada.
B) renovada não-diretiva.
C) tradicional.
D) liberal tecnicista.
E) renovada progressivista.

5 A escolarização é um dos requisitos fundamentais para o processo de democratização da sociedade. Numa


linha progressista de ensino, a democratização é entendida como:
A) A eleição direta para diretores escolares, exclusivamente.
B) A conquista das condições materiais, sociais, políticas e culturais que possibilitam a todos participar na condução das
decisões políticas e
governamentais.
C) O acesso ao ensino supletivo de alunos provenientes das camadas populares da população que não necessitam da
continuidade de estudos.
D) A oportunidade que é oferecida para o ingresso de todos na escola, de forma a considerar que o aproveitamento
escolar é exclusivamente resultante de esforço do estudante.
E) A capacidade do diretor gerir, internamente a escola, independente da participação dos pais.

6. As novas relações entre conhecimento e trabalho exigem capacidade de iniciativa e inovação e, mais do
que nunca, “aprender a aprender”. Isso coloca novas demandas para a escola. Nesse sentido, é necessário
que, no processo de ensino e aprendizagem, sejam exploradas a aprendizagem de:
A) Saberes obsoletos e de atitudes oportunistas.
B) Saberes docentes que favoreçam a exclusão dos alunos apáticos.
C) Metodologias usadas como um fim em si mesmos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181 / (67) 3313-8185


www.liberalimes.com.br
31
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
D) Habilidades e atitudes excludentes.
E) Metodologias capazes de priorizar a construção doconhecimento e o sentimento de segurança em relação as próprias
capacidades do discente.

7. Os teóricos da pedagogia histórico-crítica afirmam que a dialética é a essência dessa proposta didática.
Acerca desse tema, assinale a alternativa correta.
(A) Nessa concepção didática, há um entendimento idealista da dialética, que se resume no ato de transformar as
questões sociais em diálogo, no qual todos têm espaço para expor suas ideias, sem haver uma reordenação teórica
destas.
(B) Não é possível a emancipação do sujeito sem que ele se aproprie de conhecimentos historicamente construídos e
sistematizados socialmente, tendo como ponto de partida e de chegada a prática social vivida pelo educando, respeitando
as três fases do método dialético — prática, teoria, prática.
(C) A ideia de práxis, defendida pelos marxistas, não se aplica aqui pelo fato de transformar a educação em um ato
político. Essa concepção está mais preocupada com as questões histórico-críticas que com as políticas.
(D) Essa concepção defende a emancipação do educando por meio da retrospectiva histórico-crítica. Por isso, tem como
fundamento psicológico as teorias da aprendizagem focadas no estímulo e na resposta.
(E) A emancipação do sujeito ocorre de diferentes formas: a educação é um importante instrumento; mas, sem ela, é
possível se apropriar dos conhecimentos historicamente construídos e socialmente sistematizados.

8. De acordo com os teóricos da pedagogia histórico-crítica, é possível realizar um trabalho pedagógico


significativo para o aluno, por meio de uma metodologia de trabalho que venha ao encontro de seus
interesses, confrontando-os com a realidade em que vivem. A respeito desse assunto, assinale a alternativa
incorreta.
(A) Uma proposta de trabalho crítico e transformador da realidade vivida pelo aluno, que aponte caminhos e ações
didático-pedagógicas de mediação entre aluno e objeto de conhecimento, pode tornar as aulas mais interessantes e
significativas para os alunos.
(B) É necessário que cada educador realize uma avaliação de sua prática docente, visando atender às necessidades de
transformação social por meio de uma prática educativa significativa.
(C) Além das ferramentas convencionais de mediação utilizadas em sala de aula, os educadores precisam lançar mão das
novas tecnologias, que os auxiliam no processo de ensino e de mediação da aprendizagem dos conteúdos escolares.
(D) O confronto com a realidade dá-se por meio da tomada de consciência de suas limitações. O melhor instrumento do
professor para tornar isso significativo para o aluno é a avaliação somativa.
(E) O compromisso da escola e dos educadores, nesse momento, é ensinar de forma significativa, lançando mão de
metodologias que instiguem o aluno para a aprendizagem, tendo a certeza de que estes farão um novo uso social dos
conteúdos científicos aprendidos na escola para a transformação da sociedade.

9. A problematização é um dos elementos essenciais da didática na perspectiva sócio-histórica. É o momento


no qual ocorre a discussão de questões inerentes ao conteúdo proposto. A respeito da problematização,
assinale a alternativa correta.
(A) É o momento de superação da teoria sobre a prática social dos indivíduos.
(B) Um conteúdo problematizado deverá mostrar-se exclusivamente nas dimensões histórica, social e política.
(C) É o espaço para desligar a vivência do conteúdo, percebida no momento da prática social do conteúdo em sua teoria.
(D) O processo de investigação para solucionar as questões em estudo nega a aprendizagem significativa.
(E) É momento no qual se aproximam conhecimentos espontâneos dos conhecimentos científicos.

10. De acordo com a didática de ensino, na perspectiva sócio-histórica, entende-se por instrumentalização o(a)
(A) momento em que a criança é capaz de realizar sozinha o processo de aprendizagem. Dessa maneira, o nível de
desenvolvimento de uma criança resulta daquilo que ela consegue realizar sem a ajuda dos outros.
(B) etapa na qual o professor deve desenvolver o conteúdo, de modo sistematizado, buscando equacionar,
conceitualmente, os problemas levantados na etapa anterior.
(C) processo no qual se parte do conhecimento complexo e abrangente a que se tem chegado para um conhecimento
mais ampliado (sincrético).
(D) momento em que o educando vai se apropriar de instrumentos culturais e científicos necessários para transformar sua
vida, pois ela não traz nenhum conhecimento aproveitável.
(E) etapa final na qual o docente modifica o discente, por meio da transferência dos conhecimentos científicos.

11. Uma pedagogia que se coloca a serviço da transformação social requer novas posturas em sala de aula. A
respeito desse tema, assinale a alternativa correta.
(A) Espera-se do professor maior conhecimento dos conteúdos e domínio das formas de transmissão.
(B) Espera-se dos alunos uma postura de indiferença diante dos novos conhecimentos.
(C) As salas de aula devem se transformar em ambientes políticos nos quais prevalecem as ideologias do professor.
(D) A relação professor-aluno deve ser de distanciamento, pois a aproximação impede o exercício correto do magistério,
provocando o desrespeito e a falta de autoridade.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
32
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
(E) Para que o espírito de transformação se instaure, o professor precisa priorizar as relações pessoais em detrimento de
sua competência técnica.

12. Na perspectiva sócio-histórica, a gestão da sala de aula deve levar em conta o papel de mediação
assumido pelo professor no processo de ensino e aprendizagem. Acerca desse tema, assinale a alternativa
correta.
(A) O professor é o único que colabora para que o conhecimento ocorra de forma mediada.
(B) A mediação pressupõe a não-diretividade como forma de orientação do trabalho escolar.
(C) O papel do adulto é insubstituível sem, no entanto, desvalorizar a participação do aluno nesse processo.
(D) O professor se contentará em satisfazer as necessidades e as carências dos alunos.
(E) As tendências espontâneas são suficientes para que os alunos desejem estudar mais e progredir.

13. As intenções ou tendências pedagógicas são referências norteadoras da prática educativa, sendo que, os
movimentos sócio-políticos e filosóficos exercem intensa influência sobre as tendências pedagógicas. Qual
das abordagens em educação abaixo relacionadas é crítica, questiona as relações do homem no seu meio,
visa levar professores e alunos a atingirem um nível de consciência da realidade em que vivem na busca a
transformação social?
A) Tendência Progressista Libertária.
B) Tendência Progressista Libertadora.
C) Tendência Liberal Renovadora.
E) Tendência Liberal Tecnicista.

14. A tendência libertadora da qual faz parte dentre outros o educador Paulo Freire, contrapõe-se à concepção
tradicional de educação. Em relação à prática docente a tendência libertadora, pode-se afirmar EXCETO que:
A) considera a necessidade da concretude das práticas escolares com a clareza de que é dos diversos sujeitos aí
envolvidos e das ações e relações que aí se desenvolvem, que depende a aprendizagem;
B) nega a imposição de uma lógica única, de um só saber, o reconhecimento de um conjunto de conhecimentos como
único, legítimo;
C) considera que no processo de aprendizagem há necessidade de um amplo processo de indagação e redefinição do
papel da escola na sociedade e, simultaneamente, das próprias práticas pedagógicas;
D) considera a educação como uma forma de intervenção no mundo, substantivamente identificada à transferência de
conhecimentos, materializada em avanços teóricos compreendidos e realizados de maneira neutra;
E) valoriza a reflexão sobre as experiências dos alunos, seus conhecimentos, sua cultura, articulando contexto escolar e
contexto escolar e contexto social; singularidade e multiplicidade.

15. Analise os pressupostos teóricos descritos:


I. O ensino deve desenvolver integralmente todas as possibilidades da criança, com abrangência de todos os aspectos:
físico, intelectual e afetivo.
II. A educação é sempre um ato político, ou seja, conscientizadora, preocupando-se com o reconhecimento dos
educandos, enquanto sujeitos histórico-sociais, capazes de transformar a realidade.
III. A ação educativa pressupõe uma articulação entre o ato político e o ato pedagógico, com interação de professor aluno-
conhecimento e contexto histórico-social. A intersubjetividade é mediada pela competência do professor em situações
objetivas.

Relacionando estes pressupostos didáticos com as concepções e tendências pedagógicas e seus


representantes mais significativos, verifica-se:
A) I. Tendência libertadora de Rubem Alves; II. Tendência histórico-crítica de Wallon; III. Tendência tecnicista de Skinner.
B) II. Tendência tecnicista de Skinner;II. Tendência escola nova não diretiva de Piaget; III. Tendência libertadora de Paulo
Freire.
C) I. Tendência libertária de Freinet; II. Tendência libertadora de Paulo Freire; III. Tendência histórico-crítica de Vygotsky.
D) I. Tendência libertária de Paulo Freire; II. Tendência pedagógica tradicional de Herbart; III. Tendência pedagógica da
escola nova de Rousseau.
E) I. Tendência libertária de Paulo Freire; II. Tendência tecnicista de Skinner.

16. Uma perspectiva progressista de prática pedagógica, visualiza a docência, dentro de suas contradições,
mas procura agir criativamente buscando elementos de superação. Tais atitudes revelam visões de mundo e
de ensino. Nesta direção é correto afirmar que uma prática pedagógica crítica:
a) compreende a educação como interferência absoluta na sociedade, assumindo autonomia frente a contradições sociais.
b) compreende a educação como uma instância dentro da sociedade e exclusivamente ao seu serviço.
c) compreende a educação como mediação de um projeto social, uma instância, entre outras, na luta por mudanças
sociais.
d) compreende a educação como instância social que está voltada para a formação da personalidade dos indivíduos
integrando-os harmonicamente.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181 / (67) 3313-8185


www.liberalimes.com.br
33
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

17. Trabalhar com jovens e adultos é assumir o compromisso que a prática


educativa será permeada pelo diálogo. Numa visão histórico-crítica de educação é correto afirmar que:
a) no trabalho com jovens e adultos o conhecimento resulta de trocas que se estabelecem na interação entre o meio
cultural, social, sendo o professor guiado pelo grupo neste processo.
b) no trabalho com jovens e adultos o conhecimento resulta de trocas que se estabelecem na interação entre o meio
cultural, social, sendo o professor o facilitador neste processo.
c) no trabalho com jovens e adultos o conhecimento resulta de trocas que se estabelecem na interação entre o meio
cultural, social, sendo o professor o mediador neste processo.
d) no trabalho com jovens e adultos o conhecimento resulta de trocas que se estabelecem na interação entre o meio
cultural, social, sendo o professor o responsável, sozinho, deste processo.

18. No ensino fundamental a relação entre ensino e aprendizagem não pode ser mecânica, nem uma simples
transmissão do professor que ensina para um aluno que aprende. Tem-se clareza que a unidade entre ensino
e aprendizagem se compromete quando o educador enfatiza o excesso de memorização e não suscita a
participação crítica dos alunos. Numa visão progressista é correto afirmar que:
a) o processo de ensino é um conjunto de atividades organizadas pelo professor com os alunos, visando alcançar a
aprendizagem de quem demonstrar interesse.
b) o processo de ensino é um conjunto de atividades organizadas do professor sobre os alunos, visando alcançar a
aprendizagem de todos.
c) o processo de ensino é um conjunto de atividades organizadas pelo professor com os alunos, visando alcançar a
aprendizagem de todos.
d) o processo de ensino é um conjunto de atividades organizadas pelo professor, visando alcançar a aprendizagem de
todos.

19. Referenda basicamente a autoridade do professor. Assim, este exige atitude receptiva dos alunos e
impede qualquer comunicação entre eles no decorrer da aula. O professor transmite o conteúdo na forma de
verdade a ser absorvida; em conseqüência, a disciplina é o meio mais eficaz para assegurar a atenção e o
silêncio.
A descrição acima refere-se à concepção de educação
(A) tecnicista.
(B) libertária.
(C) progressista.
(D)) conservadora.
(E) renovada não-diretiva.

20. “O modo como os professores realizam o seu trabalho, selecionam os conteúdos das disciplinas,
organizam os tempos escolares, orientam as atividades dos alunos e definem instrumentos de avaliação indica
as intenções educativas e as concepções de aprendizagem que os orientam.”
Sobre a referência as tendências pedagógicas e a prática educativa, relacione as colunas abaixo:
1. Tradicional.
2. Renovada/Nova.
3. Tecnicista.
4. Libertadora crítico-social.
( ) O papel do professor é implementar ações, aplicar materiais instrucionais, controlar.
( ) A função da avaliação é diagnosticar e regular as aprendizagens, orientar as intervenções pedagógicas e acompanhar o
desenvolvimento do aluno.
( ) O papel do aluno é memorizar conhecimentos, ouvir com atenção, fazer exercícios.
( ) A metodologia didática é o diálogo, construção coletiva do conhecimento, interações entre os sujeitos no processo de
conhecimento.
( ) O papel do aluno é dar respostas programadas, reagir a estímulos externos.
( ) A metodologia didática é a descoberta pelo aluno, passos do método científico.
A sequência está correta em:
A) 3, 4, 1, 4, 3, 2
B) 4, 3, 2, 2, 1, 1
C) 3, 3, 1, 2, 2, 4
D) 2, 4, 1, 3, 3, 2
E) 1, 2, 3, 4, 1, 2

21. Historicamente, na Pedagogia, tem desenvolvido diferentes abordagens sobre o ensino e a aprendizagem,
identificadas como tendências pedagógicas.
Os enunciados abaixo correspondem a características de diferentes tendências pedagógicas:
I O conhecimento é problematizado, tendo-se em vista uma ação para a solução de problemas.
II O professor, por sua militância política, é a figura central no processo de ensino e de aprendizagem.
III O interesse e o esforço individual possibilitam a aprendizagem ativa, ou seja, o aprender fazendo.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
34
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

IV O principal objetivo da educação é desenvolver a autonomia moral e intelectual dos alunos para se adaptarem às
exigências da sociedade.
V As relações são não-diretivas na sala de aula, o que possibilitam os processos de conscientização e a ação
transformadora dos alunos.
VI Os alunos devem ter oportunidades para comprovarem suas idéias, esclarecendo os significados e a validade
destas por si mesmo.

Dentre as características elencadas acima, correspondem à teoria pedagógica de P. Freire:


A) II e III
B) II e IV
C) V e VI
D) I e III

22. De acordo com Gasparin (2002, p. 10), no livro “Uma Didática para a Pedagogia Histórico-Crítica”, a
metodologia de ensino-aprendizagem na Pedagogia Histórico-Crítica apresenta uma característica desafiadora
na nova maneira de planejar as atividades docentes-discentes, tendo como base o processo dialético: prática-
teoria-prática. As etapas de construção de um plano de aula nessa perspectiva podem ser:
(A) Cabeçalho, Objetivo Geral, Objetivos específicos, Prática Social Inicial do Conteúdo, Problematização,
Instrumentalização, Catarse e Prática Social Final do Conteúdo.
(B) Cabeçalho, Objetivos e Encaminhamentos Metodológicos.
(C) Cabeçalho, Objetivos, Procedimentos Metodológicos, Recursos e Referências.
(D) Cabeçalho, Objetivo Geral, Objetivos Específicos e Problematização.
(E) Cabeçalho, Prática, Teoria, Prática, Catarse e Finalização

23. A avaliação deve valorizar os aspectos cognitivos e quantitativos com ênfase na memorização. Refere-se a
uma verificação dos resultados por meio de interrogatórios orais e escritos, provas, exercícios e trabalhos de
casa. Nessa tendência, o aluno deve reproduzir na íntegra o que foi ensinado. A avaliação é Classificatória.
O trecho acima se refere à avaliação da tendência educacional denominada
(A) Tendência Histórico-Crítica.
(B) Tendência Escola Nova.
(C) Tendência Tradicional.
(D) Tendência Construtivista.
(E) Tendência Tecnicista

24. A perspectiva histórico-cultural da aprendizagem considera a avaliação como fonte de informação para
novos procedimentos a serem tomados a cada instante, no processo educacional.
Isso significa que:
A) a avaliação deve ocorrer para decidir quanto à aprovação ou reprovação do aluno, no final do período letivo.
B) a ação de avaliar deve ser sempre classificatória.
C) a ação de avaliar deve ser sempre diagnóstica e processual.
D) Somente os alunos devem ser avaliados.

25. As metodologias das diversas áreas do conhecimento são decorrentes de uma concepção pedagógica
denominada Pedagogia Histórico-Crítica, sistematizada no Brasil por Dermeval Saviani. Essa pedagogia
propõe que o ensino seja baseado em 5 passos fundamentais:
a) atividade – problema – coleta de dados – hipóteses – experimentação.
b) preparação – apresentação – assimilação – generalização – aplicação.
c) prática social – problematização – instrumentalização – catarse – prática social.
d) vivência – temas geradores – problematização – conscientização – ação política.
e) apresentação de problemas – vida cotidiana – discussão – narrativas – ação cultural, social e política.

26. O educador Paulo Freire formulou uma metodologia baseada em 5 passos: 1- Vivências dos alunos; 2-
Temas geradores; 3- Problematização; 4- Conscientização; 5- Ação política.
Essa proposta pedagógica é denominada:
a) Pedagogia da escola nova.
b) Pedagogia tradicional.
c) Pedagogia libertadora.
d) Pedagogia pós-moderna.
e) Pedagogia tecnicista.

27. Assinale a alternativa correta referente à concepção construtivista de educação.


(A) Cada concepção produz sua própria linha de investigação, exceto no construtivismo, que por ser processual, a linha
não pode ser definida a priori.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181 / (67) 3313-8185


www.liberalimes.com.br
35
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
(B) Nessa concepção o aprendiz é um ser ativo que aprende pela descoberta, isto é, realiza aprendizagens por si mesmo.
(C) O conhecimento é visto como produto da ação e reflexão do aprendiz num processo individual, sem interferência
externa e decorrente da herança
genética do sujeito.
(D) A idéia predominante é que o papel do ensino é criar possibilidades para que o aluno possa “aprender a aprender”.
(E) No modelo de ensino relacionado ao construtivismo a aprendizagem pela resolução de problemas tem sido uma
intervenção pedagógica poderosa, pois o conhecimento avança quando se tem desafios para pensar.

28. A metodologia de ensino está associada às tendências pedagógicas que norteiam a educação. Uma
dessas abordagens pedagógicas, metodologicamente, implicava na existência de uma teoria do
conhecimento. Implicações dessa teoria é que a inteligência se constrói a partir da troca do organismo com o
meio, por meio das ações dos indivíduos. Além disso, deve considerar a construção de operações pelo aluno,
sendo baseado na investigação (experiências feitas pelos alunos).
- Trata-se da abordagem:
A) Tradicional;
B) Cognitivista;
C) Comportamentalista;
D) Humanista.

29 Nos últimos anos, diversos estudos têm sido dedicados à história da Didática no Brasil, suas relações com
as tendências pedagógicas e à investigação do seu campo de conhecimentos. Uma dessas tendências
desenvolveu-se no Brasil na década de 50, à sombra do progressivismo,
ganhando nos anos 60 autonomia quando constituiu-se especificamente como tendência inspirada na teoria
behaviorista da aprendizagem e na abordagem sistêmica do ensino.
- A tendência citada acima é:
A) Pedagogia Renovada;
B) Pedagogia Tradicional;
C) Tecnicismo Educacional;
D) Pedagogia Libertadora.

30. Os diversos estudos , realizados nos últimos anos sobre a história da Didática no Brasil, classificamas
Tendências Pedagógicas em dois grandes grupos que são: Pedagogia Liberal e Pedagogia Progressista.
Cada um desses grupos abriga tendências que apresentam posições semelhantes em relação aos
condicionantes sociopolíticos da educação.
Podemos afirmar então que:
I. A Pedagogia Liberal se apresenta como organização que se opõe à sociedade classista.
II. A Pedagogia Progressista acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais.
III. A Pedagogia Progressista não tem como se institucionalizar numa sociedade capitalista .
IV. A Pedagogia Liberal sustenta a idéia de que a escola tem como função preparar os educandos para o desempenho de
papéis sociais.
V. Tanto a Pedagogia Liberal como a Pedagogia Progressista analisam a realidade social de forma a garantir a inclusão
dos estudantes no mercado de trabalho.
Está CORRETO o que se afirma nos itens:
A) I , I e IV
B) II , IV e V
C) I , II e III
D) II , III e IV

31. A história da Pedagogia no Brasil teve início com o ensino catequético dos Jesuítas que assegurou a
manutenção da estrutura social constituída de: escravos, latifundiários, senhores de engenho e clero. Em
decorrência do surgimento do regime republicano, surge também o sistema estatal de ensino que, a exemplo
do europeu, adotou o modelo Liberal Tradicional de escola.
Com base na assertiva pode-se afirmar que:
a) O modelo Liberal Tradicional não oportunizou avanços sociais pois manteve a organização educacional presente no
ensino catequético.
b) O modelo Liberal Tradicional trouxe avanços consideráveis à educação brasileira pois transformou a sociedade
vigente.
c) O modelo Liberal Tradicional apresentou avanços ao sistema educacional brasileiro por defender a liberdade e a
democracia.
d) O modelo Liberal Tradicional não trouxe avanços à educação brasileira por defender o pluralismo cultural e social.

32. Numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª de forma a relacionar cada Tendência Pedagógica às suas
características.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
36
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

(1) Tendência Liberal Tradicional


(2) Tendência Liberal Tecnicista
(3) Tendência Progressista Libertadora
(4) Tendência Progressista Crítico-social dos Conteúdos.
( ) Busca a integração teoria e prática.Conteúdos aliados à realidade social.
( ) Aprendizagem receptiva e mecânica, coercitiva, busca a retenção. A aprendizagem depende de treino.
( ) Tem como pressuposto básico a eliminação de toda relação autoritária que impeça a aproximação de consciências.
( ) Modelagem do comportamento do educando. Preparação de indivíduos competentes para o mercado de trabalho.
( ) Preparação intelectual e moral. Compromisso com o saber desvinculado da realidade social. Ênfase na capacidade
individual.
( ) A ação didática estimula e incentiva a participação ativa do educando em sua realidade social.
Na sequência, a numeração correta é :
a) 4 , 4, 3 , 1 , 2 e 1.
b) 4 , 3 , 2 , 1 , 4 e 1.
c) 4 , 1 , 3 , 2 , 1 e 4.
d) 1 , 3 , 2 , 4 , 1 e 4.

Gabarito:
01 – B; 02-B; 03-B; 04-C; 05-B; 06-E; 07-B; 08-D; 09-E; 10-B; 11-A; 12-C; 13-B; 14-D; 15-C; 16-C;
17-C; 18-C; 19-D; 20-A; 21-D; 22-A; 23-C; 24-C; 25-C; 26-C; 27-E; 28-B; 29-C; 30-D; 31-A; 32-C.

– Anexo –
TENDÊNCIAS
PEDAGÓGICAS
(Quadros Explicativos)

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181 / (67) 3313-8185


www.liberalimes.com.br
QUADRO SINÓTICO DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NA PRÁTICA ESCOLAR ORGANIZADO
POR MARIA ESTRELA FERNANDES/UFC
PEDAGOGIA LIBERAL PEDAGOGIA PROGRESSISTA
ASPECTOS TRADICIONAL RENOVADA NÃO -DIRETIVA TECNICISTA LIBERTADORA LIBERTARIA CRÍT. SOCIAL
PROGRESSIVISTA CONTEÚDOS
TEÓRICOS Durkheim Dewey Carl Rogers Skinner Paulo Freire Lebret Dermeval
Anísio Teixeira Gagné Freinet Saviani
Herbart Montessori A . S.Neill Bloom Vasquez Libâneo
Decroly Mager Miguel Arroyo Snyders
Piaget
Lauro de O. Lima
CARACTERI- Intelectualismo Ativismo Psicologismo Tecnicismo Mudança Social Auto Gestão (informal) O conteúdo ser
ZAÇÃO (assistemática) Pedagogia do Trabalho elemento de
reflexão social.
CONTEXTO Sociedade Feudal até Ascensão da Burguesia Instaurada Capitalismo avançado Países do 3º Mundo Países socialistas Brasil de 80 até
HISTÓRICO 1.945 (2ª guerra Burguesia de 1.945 - 1.955 - 64 (no Brasil) 64 a 80 de 60 a 64 No Brasil de 80 até hoje hoje
1
mundial) 55 (Brasil) de 75 até hoje
OBJETIVOS Formar intelectual Ajustar a pessoa ao Desenvolver-se como Modelar o Conscientizar para Coletivar para mudar o Formar pessoas
DA ESCOLA e moralmente meio pessoa (formar comportamento mudar a sociedade social críticas através
atitudes) humano para o do conteúdo
trabalho
CONTEÚDOS Essenciais e Experimentais Existenciais e de Informações objetivas Temas geradores Inexistentes, Essenciais e
DE ENSINO dogmáticos (vivenciais) relacionamento dependem do grupo universais
Atividades
MÉTODOS DE Expositivo Ativo (aprender “Não-diretivo” Instrucional Dialógico (de igual Auto-gestor Crítico-
ENSINO fazendo para igual) participativo
AVALIAÇÃO Deveres e provas Em grupo Auto-Avaliação Testes objetivos Em grupo e auto Informal Global e
DE ENSINO orais e escritas Por atividades avaliação da diversificado
prática social
POSICIONA- Dogmatismo cen- Ativismo Individualista Fazer x Pensar Falta dos Valida a pedagogia do Tende ao
MENTO Escassez de Descaracterizar o Neutralidade falsa conhecimentos trabalho conteudismo e
CRÍTICO trado no professor. Conteúdo ensino Redução ao aspecto universais Tendência à anarquia centralização no
Artificial técnico crítica e professor
questionadora
Alienação.
Valorização do
conteúdo
APRENDER VIVER SER FAZER CONSCIENTIZAR AUTO-GESTAR PENSAR E FAZER
CRITICAMENTE

1
Este dado requer revisão, pois a escola tradicional (expressão do capitalismo nascente) não deve ser confundida com a escola jesuítica, expressão da organização
feudal.
QUADRO SINÓTICO DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
SÍNTESE ELABORADA PELA PROFª MARIA ESTRELA ARAÚJO FERNANDES/UFC

1. PEDAGOGIA LIBERAL 2. PEDAGOGIA PROGRESSISTA

x Legitima o sistema capitalista x Aspira uma mudança de sistema para o socialismo


x Assume os valores capitalistas: competição, x Critica o capitalismo
individualismo, comodismo x Assume valores sociais tais como: cooperação,
x Prega os méritos por aptidões naturais coletivização, criatividade
x Escamoteia o dever social do Estado: não cria x Exige que o Estado assuma sua função social
oportunidades x É consciente da relação saber-poder
x Cria um sistema de privilégios e preconceitos x Luta pela democratização do saber
x Tem visão harmônica da sociedade x Reage a toda espécie de privilégio e autoritarismo
x A escola é o aparelho ideológico do estado, lutando x Tem visão contraditória e dialética da sociedade
pela preservação do “status quo” x A escola surge como instrumento de libertação do
homem através da consciência de seu papel
histórico-transformador

Tendências: Tendências:
1- tradicional 1. Libertadora
2- renovada progressivista 2. Libertária
3- renovada não- diretiva 3. Crítico-social dos conteúdos
4- tecnicista
ABORDAGENS DO PROCESSO DE ENSINO ( SEGUNDO MARIA DA GRAÇA NICOLETTI MIZUKAMI).
ABORDAGENS ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM SÓCIO-
COMPORTAMEN- HUMANISTA COGNITIVISTA CULTURAL
CATEGORIAS TRADICIONAL TALISTA
CONCEPÇÃO EMPIRISTA (PRIMADO DO EMPIRISTA NATIVISTA INTERACIONISTA INTERACIONISTA
EPISTEMO- OBJETO) (PRIMADO DO APRIORISTA OU (SUJEITO E OBJETO (SUJEITO E OBJETO
LÓGICA OBJETO) INATISTA (PRIMADO INTERAGEM) INTERAGEM)
DO SUJEITO)
HOMEM No início de sua vida é É fruto do meio. Não é O homem é um ser Homem e mundo são Homem e mundo são
considerado uma tábula livre, o máximo que situado no mundo. Não tratados conjuntamen- tratados conjuntamen-
rasa, na qual são impressas, pode alcançar é seu nasce com fim determi- te. O desenvolvimen- te, embora haja ênfa-
progressivamente, imagens auto-condicionamento. nado, mas goza de to se dá em fases inter- se no sujeito.
e informações fornecidas liberdade plena. Ele se relacionadas e suces- O homem é concreto
pelo ambiente. constrói permanen- sivas. O homem é um situado no tempo e no
temente. sistema aberto, em espaço, inserido num
reestruturações contí- contexto sócio-político-
nuas geradas por cultural-econômico, um
processos de adapta- cointexto histórico. Ele
ção (assimilação X chegará a ser sujeito
acomodação). A através da reflexão
inteligência desenvol- sobre sua situação
ve-se ontogenética e concreta, e seu
filogeneticamente. comprometimento em
transformá-la. É um ser
da práxis.
MUNDO É externo ao indivíduo e É um fenômeno Ë um fenômeno subje- O homem progride de
será transmitido a ele pela objetivo, já construído tivo, pois reconstruído estágios mais primiti-
educação escolar, religiosa, e que pode ser pelo homem, mediante vos (inatos) para os
etc. manipulado, através do suas percepções. mais complexos( hipo-
planejamento ambien- tético-dedutivo),
tal, formulado pelo usando sempre inteli-
condicionamento gência e afetividade.
operante. No âmbito moral, pro-
gride-se da anomia
para a autonomia,
passando-se pela
heteronomia. E social-
mente, deve-se supe-
rar a teocracia e a
gerontocracia para
alcançar a democracia.
ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM SÓCIO-
TRADICIONAL COMPORTAMENTA- HUMANISTA COGNITIVISTA CULTURAL
LISTA
CONHECI- A inteligência permite a A experiêcia planejada É fruto da experiência É caracterizado pela O conhecimento é
MENTO acumulação/armazenagem é a base do pessoal e subjetiva do formação de novas es- resultado da relação
de informações sobre o conhecimento. Admite homem. Possui carac- entre pensamento e
truturas. Quanto a
mundo, indo das mais a existência de proces- ação (práxis), e ao
terística dinâmica, pois aquisição admite-se as
simples às mais complexas. sos cognitivos supe- processo de conscien-
é ponto de partida para fases: exógena e
Ênfase na memória. riores, mas preocupa- tização, que é sempre
a mudança e cresci- endógena. O verdadei-
se apenas com o progressivo e contínuo.
mento do sujeito. ro conhecimento impli-
controle do comporta- Passa-se por níveis de
ca na abstração, que
mento observável consciência ( intransiti-
pode ser empírica ou
va, transitiva ingênua e
reflexiva. Construir co-
transitiva). Esta con-
nhecimentos exige
quista é paralela à
tornar as estruturas
promoção do nível
motoras, verbais ou
sócio-econômico da
mentais cada vez mais
comunidade.
complexas, móveis e
estáveis, criando novas
combinações.
EDUCAÇÃO A educação é um produto, Deve transmitir conhe- É centrada na pessoa A educação é um todo Para ser válida deve
pois os modelos a serem al- cimentos, hábitos e e não apenas na esco- indissociável, abran- ser precedida de uma
cançados estão previamen- habilidades necessári- la. Tem cunho demo- gendo aspectos mo- reflexão sobre o ho-
te estabelecidos. Objetiva a à manipulação e crático, e atribui ao rais e intelectuais. Não mem e seu meio, de
adaptação do homem ao controle da sociedade. aluno a responsabilida- consiste na transmis- modo a torná-lo sujeito
meio. de sobre sua aprendi- são de verdades, mas da educação e da
zagem. Objetiva a faci- em que o próprio aluno história.
litação da aprendiza- conquiste estas verda-
gem do aluno, e o de- des. É um processo de
senvolvimento de sua socialização, de demo-
iniciativa, responsabili- cratização das
dade, discernimento. relações.
ESCOLA É o lugar onde se realiza Objetiva manter e Caracterizada pela A escola deve ensinar Não é o único ou o
educação e ocorre a modificar padrões de auto-gestão, e pelo a criança a observar e local onde
transmissão de informações. comportamento, con- não-diretivismo. Busca construir suas informa- preferencialmente
É uma agência sistema- forme as exigências a liberdade para ções desenvolvendo ocorre a
tizadora de uma cultura sociais. Ligada a outras aprender. suas estruturas. E para aprendizagem. Deve
complexa e que transmite agências controladoras tanto, deve dar liberda- ser entendida a partir
um modelo sócio-cultural das quais depende de de ação à mesma. de uma análise do
visando preservá-lo. para sobreviver. meio em que está
inserida e das classes
a quem serve.
ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM SÓCIO-
TRADICIONAL COMPORTAMENTAL HUMANISTA COGNITIVISTA CULTURAL
ENSINO- Enfatiza a variedade e Ensinar é arranjar e Usa o método não O ensino deve priorizar É essencialmente um
APRENDIZA- quantidade de informações planejar contingências diretivo que consiste as atividades do sujei- processo de conscien-
GEM verbalizadas pelo professor de reforço para mode- em dirigir sem dirigir, to, considerando-o tização. O primeiro
e memorizadas pelo aluno, lar o comportamento. E ou seja, dirigir a inserido numa situação passo para tanto é o de
visando a aquisição de a aprendizagem é a pessoa a sua própria social. As ações de identificar-se enquanto
hábitos esteriotipados e mudança comporta- experiência para que ensino devem variar oprimido, ou hospedei-
informações. mental produzida pelo ela possa estruturar-se conforme o estágio de ro do opressor, saber-
reforço. e agir. Visa a desenvolvimento do se condicionado e lutar
aprendizagem signifi- aluno, baseadas no para superar as condi-
cativa, que envolve ensaio e erro, na ções concretas que
toda a pessoa. pesquisa, permitindo a geram a opressão e a
descoberta. relação opressor-
oprimido. O ensino é
baseado no diálogo e
na troca de informa-
ções, valorizando-se a
bagagem cultural do
indivíduo.
PROFESSOR- É uma relação vertical, com O professor é um O professor é uma per- O professor deve evitar É horizontal, dialógica.
ALUNO predomínio do professor que engenheiro comporta- sonalidade única, que a rotina e criar situa-
decide e conduz o mental que deve estrutura sua forma de ções de reciprocidade
processo. Não há interação planejar eficazmente o ensinar. Sua compe- intelectual e coopera-
entre alunos. ensino para maximizar tência está ligada a ção. Ele é um proble-
o desempenho do maneira como se rela- matizador que não traz
aluno e atingir os ciona com os alunos. É respostas prontas ao
objetivos. O aluno um facilitador da apren- aluno. O aluno será
controla sua aprendiza- dizagem. O aluno tratado conforme as
gem. elege os objetivos de características da fase
sua aprendizagem e em que se encontra,
responsabiliza-se por sendo um sujeito ativo
ela. e construtor de seu
conhecimento.
ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM ABORDAGEM SÓCIO-
TRADICIONAL COMPORTAMENTAL HUMANISTA COGNITIVISTA CULTURAL

METODOLO_ Baseada na aula expositiva Propõe a individualiza- Não há estratégias Não há um modelo pe- Método de
GIA e nas demonstrações feitas ção do ensino que re- prontas, pois cada dagógico piagetiano. alfabetização de
pelo professor, seguidas de quer: especificação de professor cria seu Mas sua teoria indica a adultos.
exercícios de fixação. Com o objetivos; envolvimento método de ensino, importância do jogo, da
mesmo ritmo de trabalho do aluno; feedback; mediante sua interação problematização das
para todos e preponderância apresentação do mate- com o grupo de alunos. situações, da pesquisa,
de algumas disciplinas sobre rial em pequenos pas- Também os recursos do trabalho em grupo
outras. sos e respeito ao ritmo têm pouca importância, (socialização), do
Individual. Usa-se ins- pois a motivação desafio motivador,
trução programada, depende do aluno. sempre respeitando as
módulos instrucionais... fases de desenvolvi-
mento, lembrando que
as iniciais requerem a
manipulação de obje-
tos.
AVALIAÇÃO Visa a exatidão da Consiste na verificação Consiste na auto-avali- É contrária às práticas Auto-avaliação de
reprodução do conteúdo, do alcance dos objeti- ação, pois só o sujeito tradicionais. Parte da todos os envolvidos no
medida através de provas, vos. Sendo realizada pode indicar objetivos e verificação da aquisi- processo.
chamadas orais, exercícios, no início (diagnóstica), critérios para avaliação ção de noções, habi-
etc. desenvolvimento(forma e medir seus progres- lidades e hábitos,
tiva) e final (somativa) sos. através de reproduções
do processo. livres, explicações
práticas e causais,
relativos a cada aluno.
REPRESEN- JOHN F. HERBART FREDERICK B. CARL ROGERS E JEAN PIAGET PAULO FREIRE
TANTES SKINNER A. S. NEILL
Curso Preparatório INTENSIVO 2011
Para os cargos de
2011

PROFESSOR
GESTOR, SUPERVISOR e COORDENADOR
,
CONCURSOS

Conteúdo
CONTEÚDOS
PEDAGÓGICOS II

CONCURSOS
1
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Conteúdos Pedagógicos II
. Projetos na Prática Pedagógica
. Avaliação da Aprendizagem
. Planejamento Educacional

O uso de Projetos na Prática Pedagógica


PROJETOS DE TRABALHO 1
 traduz uma determinada concepção de conhecimento escolar;

PRINCÍPIOS QUE REGEM O TRABALHO COM PROJETOS

1-Aprendizagem Significativa – conteúdos apresentados devem relacionar-se com os conhecimentos


prévios do aluno em sua vida escolar ou extra, as atividades não devem desconsiderar a natureza do
objeto que estão tratando e, ao mesmo tempo, favorecer a aquisição de novos conhecimentos.

2-Globalização –enfoque globalizador significa coordenar as propostas educativas de tal maneira que
uma mesma proposta possibilite a aprendizagem de conteúdos de diferentes áreas de conhecimento.

3-Aluno enquanto produtor – do modelo do adulto os alunos recolhem na experiência direta com estes,
as informações que serão depois reapresentadas por elas (colocar-se no papel de leitor, escritor, cientista,
historiador) – estratégia de aprendizagem que possibilita à criança reagir com o objeto de conhecimento.

4- Destino Social das Produções – Socializar os materiais produzidos pelos estudantes.

“Característica básica de um projeto é ter um objetivo compartilhado por


todos os envolvidos que se expressa num produto final em função do
qual todos trabalham” (PCNs, Língua Portuguesa, p. 70).

“Um projeto envolve uma série de atividades com o propósito de produzir,


com a participação das equipes de alunos, algo com função social real:
um jornal, um mural, etc. Cada etapa deve ser compartilhada com os
alunos” (PCNs, Ciências Naturais, p. 126).

O TRABALHO COM PROJETOS PERMITE2


(Zabala, 1998, p. 155)

 Trabalhar na perspectiva de conteúdos de aprendizagem definidos pela escola a partir do diálogo que
se estabelece entre os objetivos explicitados pelos alunos e a mediação e intervenção do professor,
que assegura sua correta sequenciação.

 Ao aluno, a partir de uma proposta inicial – relacionada com seus conhecimentos prévios – buscar
informação, selecioná-la, compreendê-la e relacioná-la através de diferentes situações para convertê-
la em conhecimento.

1
Texto extraído de HERNANDEZ, F e VENTURA, M. A organização do currículo por projetos de trabalho o conhecimento é um
caleidoscópio. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
2
Texto extraído de Zabala. A. A prática educativa como ensinar. Porto Alegre: Artes Médica, 1998.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
2
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

 Contribuir com um sentido de globalização, segundo o qual as relações entre as fontes de informação
e os procedimentos para compreendê-la e utilizá-la têm que ser estabelecidas pelos alunos.

 Valorizar a memorização compreensiva de aspectos da informação, com a perspectiva de que esses


aspectos constituem uma base para estabelecer novas aprendizagens e estabelecer novas relações.

 Avaliar, analisar o processo, parte das situações nas quais é permitido antecipar decisões estabelecer
relações ou inferir novos problemas.

 Favorecer a aprendizagem procedimental.

 Promover um bom envolvimento do grupo/classe, pois estão aprendendo e compartilhando o que


aprendem. Não sendo os educadores os únicos responsáveis pela atividade que se realiza em aula.

 Contribuir para levar em conta as diferentes possibilidades e interesses dos alunos na aula, a fim de
que ninguém permaneça desconectado e que cada um encontre um lugar para participar na
aprendizagem.
ELEMENTOS CENTROS DE INTERESSE PROJETOS
Modelo de aprendizagem Por descoberta Significativa
Temas trabalhados As Ciências Naturais e Sociais Qualquer tema
Decisão sobre que temas Por votação majoritária Por argumentação
Função do professor Especialista Estudante, intérprete
Sentido da globalização Somatório de matérias Relacional
Modelo curricular Disciplinas temas
Papel dos alunos executor Co-partícipe
Tratamento da informação Apresentada pelo professor Busca-se com o professor
Técnicas de trabalho Resumo, destaque, questionários, conferências Índice, síntese, conferências
Procedimentos Recompilação de fontes diversas Relação entre as fontes
Avaliação Centrada nos conteúdos Centrada nas relações e nos
procedimentos
Fonte: HERNÁNDEZ, Fernando e VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho. Porto Alegre:
Artes Médicas, 1998, p.65.

ELABORAÇÃO DE PROJETOS

TEMA: É o ponto de partida para definição do Projeto.


Objetivos de Aprendizagem: o que se pretende alcançar ao estudar o tema.
Conteúdos de Aprendizagem: o que será possível estudar neste projeto.
Desenvolvimento do Projeto: Como o projeto será desenvolvido.
Elaboração do Produto: concretização para os alunos do produto do projeto e que conduziu todo o estudo até esta
etapa.
Destino Social das Produções: como o produto será exposto e para quem.
Avaliação: de todo o processo e finalização do projeto.

Função do Projeto:
Favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação a:
a) tratamento da informação;
b) a relação entre os conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos alunos a construção de
seus conhecimentos, a transformação da informação procedente dos diferentes saberes disciplinares em
conhecimento próprio.

ATUAÇÃO DO PROFESSOR
 Levantar uma série de hipóteses em termos do que se quer saber que vale a pena estudar;
 Especificar o eixo condutor;
 Realizar previsão dos conteúdos conceituais, procedimentais, atitudinais;
 Realizar previsão das atividades que possam ser desenvolvidas;
 Buscar as fontes de informação que permitam iniciar e desenvolver o projeto;

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
3
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

 Estudar e atualizar-se em torno do tema ou do problema do Projeto;


 Criar um clima de envolvimento e de interesse do grupo;
 Fazer a previsão dos recursos;
 Planejar o desenvolvimento do Projeto e a seqüência de avaliação:
Inicial: o que os alunos sabem sobre o tema – suas hipóteses e referências de aprendizagem.
Formativa: o que estão aprendendo, como estão acompanhando o sentido do Projeto.
Final: o que aprenderam em relação às propostas iniciais? São capazes de estabelecer novas relações?
 Recapitular – compatibilizar com os objetivos finais, com o currículo oficial e como ponto de partida para
novo Projeto.

ATUAÇÃO DO ALUNO
 Após escolhido e justificado o tema;
 Cada aluno realiza um índice individual (critérios e argumentos) no qual especifica os aspectos que vai
trabalhar no Projeto – os alunos menores fazem coletivamente. O índice: é um instrumento de avaliação e de
motivação inicial; pois se faz previsões diferentes e envolve todo o grupo.
 Socialização dos índices – roteiro inicial da classe – ponto de partida que irá organizar o planejamento.
 Buscar a informação em diferentes fontes.
 Tratamento da informação, individual e em grupo, ordená-la em relação a finalidade do Projeto – dos
capítulos do índice e das variações.
 Desenvolver os capítulos assinalados no índice – individual e pequeno grupo.
 Realizar o índice final de ordenação e incorporar novos capítulos.
 Avaliação – aplicar em situações simuladas os conteúdos estudados. Interna: o que realiza cada estudante e
faz recapitulação do que viu. Externa: aplicar em situações diferentes a informação trabalhada.
 Novas perspectivas – novas perguntas para outros temas.

Estrutura de um Projeto Didático

 Tema: É o ponto de partida para definição do Projeto.

 Desenvolvimento: proposta de índice dos diferentes tópicos do dossiê. Faz previsões sobre a distribuição do tempo e as
atividades a serem realizadas para a busca da informação que tem que dar resposta aos tópicos do índice.

 Objetivos de Aprendizagem: o que se pretende alcançar ao estudar este tema.

 Conteúdos de Aprendizagem: o que será possível estudar neste projeto.

 Busca de Informação: exposição das diferentes propostas de índice – roteiro de trabalho. Escolhidas as formas e os
meios mais apropriados e acessíveis para coletar a informação, os alunos, distribuídos em pequenos grupos ou
individualmente, buscarão os dados necessários.

 Tratamento da Informação: o aluno irá selecionar e reconhecer o que é essencial, distinguir as habilidades para
trabalhar com meios e recursos diferentes; classificar e ordenar a informação, chegar a conclusões e estabelecer
processos de descontextualização para poder generalizar e, finalmente, propor novas perguntas.

 Desenvolvimento dos Diferentes Tópicos do Índice: a partir da informação coletada e selecionada, se elaboram os
conteúdos dos diferentes capítulos que compõem o índice.

 Elaboração do produto (síntese): concretização para os alunos do produto do projeto e que conduziu e justificou todo o
trabalho anterior.

 Síntese: dos aspectos tratados e dos que ficaram abertos a futuras investigações por parte da turma e de cada aluno.

 Avaliação: Caráter interno: o que cada aluno realiza e no qual faz a recapitulação do que fez e aprendeu.
Caráter externo: com ajuda do professor, os alunos têm que se aprofundar no processo de
descontextualização, aplicando a situações diferentes a informação trabalhada e as conclusões obtidas, estabelecendo
relações e comparações que permitam a generalização e a conceitualização.
 Novas Perspectivas: de continuidade para o projeto seguinte, a fim de que se mantenha um maior grau de inter-relação
e significado no processo de aprendizagem.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
4
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Projeto Político Pedagógico3

Histórico:
O país passa pelo período de redemocratização do país. Nesse período há proposta de organização das
escolas por meio dos Colegiados.
Com o final da ditadura militar; avalia-se que o saldo para a educação não foi positivo.
As conferências, congressos educacionais e as publicações são diversificados e ampliados.
A Constituição Federal de 1988 indica, em seu artigo 206, como princípio para o ensino público, a gestão
democrática, na forma da lei. Está plantada a semente legal do Projeto Político Pedagógico.

Bases Legais:
Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n° 9.394/1996, há três artigos que dão a base ao Projeto
Político Pedagógico:

Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as dos seus sistema de ensino,
terão incumbência de:

I- elaborar e executar sua proposta pedagógica;


II- administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
III- assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;
IV- velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
V- prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento;
VI- articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a
escola;
VII- informar os pais e responsáveis sobre a freqüência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a
execução de sua proposta pedagógica;
VIII- notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao respectivo
representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas
acima de cinqüenta por cento do percentual permitido em lei.

Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:


I- participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
II- elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de
ensino;
III- zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV- estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;
V- ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos
dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;
VI- colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.

Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação
básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I- participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II- participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

No documento introdutório dos Parâmetros Curriculares Nacionais, é feita a referência explícita à


necessidade do projeto da escola:

3
As idéias aqui contidas estão baseadas nos seguintes autores e obras: ARAÚJO, C.B.Z.M de (org.) Saberes em construção: a
formação docente e suas relações. Campo Grande: editora da UNIDERP, 2005.
MEDEL, C.R..M. de. Projeto Político Pedagógico consrução e implementação na escola. Campinas: Autores Associados, 2008.
VASCONCELLOS, C.dos S. Planejamento Plano de Ensino-Aprendizagem e Projeto Educativo. São Paulo: Libertad, 1995.
VEIGA, I. P. de A. Projeto-Político-Pedagógico da Escola uma construção possível (org.). Campinas: Papirus, 1997.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
5
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
Para ser uma organização eficaz no cumprimento de propósitos estabelecidos em conjunto por
professores, coordenadores e diretor, e garantir a formação coerente de seus alunos ao longo da
escolaridade obrigatória, é imprescindível que cada escola construa seu projeto educativo.
Este projeto deve ser entendido como um processo que inclui a formulação de metas e meios,
segundo a particularidade de cada escola, por meio da criação e da valorização de rotinas de
trabalho pedagógico em grupo e da co-responsabilidade de todos os membros da comunidade
escolar, para além do planejamento de início de ano ou dos período de “reciclagem” (BRASIL,
PCNs, 1997).
A LDB/1996 evidencia o papel da escola e dos educadores na construção de propostas educacionais
articuladas com as políticas nacionais, com as diretrizes dos estados e municípios, levando em
consideração a realidade específica de cada instituição.
Estão incluídos na LDB/1996 três eixos relacionados à construção do PPP:
 Flexibilidade: vinculado à autonomia pedagógica.
 Avaliação: reforça aspecto importante a ser observado nos diversos níveis do ensino público.
 Liberdade: expressa no âmbito do pluralismo de ideias e concepções pedagógicas.

Conceituando o Projeto Político- Pedagógico


 Busca um rumo, uma direção;
 É uma ação intencional, com sentido explícito;
 Tem um compromisso definido coletivamente;
 Processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola;
 Uma forma de organização do trabalho pedagógico (como organização da escola como um todo e como
organização da sala de aula);
 Instrumento teórico-metodológico, norteador da vida da unidade escolar, que vai orientar e servir de referência
para uma garantia de um currículo com a qualidade desejável;
 É uma metodologia de trabalho que possibilita re-significar a ação de todos os membros da escola.

Tem relação com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis:


1. Organização da escola.
2.Organização da sala de aula.

Características do Projeto Político Pedagógico:


 Abrangência: amplo, integral, global.
 Duração: longa.
 Participação: coletiva, democrática.
 Concretização: processual.

Dimensões Básicas do PPP:


 Dados; conhecimento; diagnóstico; necessidade; problema; justificativa; situação; contexto; realidade.
 Objetivo; meta; missão; princípio; visão de futuro; utopia; sonho; horizonte; finalidade.
 Orientação para a ação; diretriz; política; estratégia; programação; plano de ação.
 Prática; aplicação; operacionalização; execução; implantação; realização; mediação; ação.
 Análise dos resultados; controle; retro-alimentação; monitoramento dos resultados; acompanhamento;
avaliação.

Dimensões Fundamentais do PPP:


 Análise da Realidade.
 Projeção de Finalidades.
 Elaboração de Formas de Mediação (Plano de Ação).

Outras Dimensões:
 Pedagógica: finalidade da escola, forma de gestão, abordagem curricular, relação escola-
comunidade.
 Administrativa: aspectos gerais de organização da escola, quadro de pessoal, patrimônio, merenda,
registros da vida escolar, entre outros.
 Financeira: captação e aplicação de recursos financeiros, tendo em vista a sua repercussão frente ao
desempenho pedagógico do aluno, capacitação docente.
 Jurídica: retrata a legalidade das ações e a relação da escola com outras instâncias.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
6
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Princípios que deverão nortear a escola democrática e gratuita:


 Igualdade de condições para aceso e permanência na escola: ampliação do atendimento
somada à qualidade.
 Qualidade: qualidade técnica e política para todos.
 Gestão Democrática: é um princípio consagrado pela Constituição vigente e abrange as
dimensões pedagógica, administrativa e financeira.
 Liberdade: está associada à idéia de autonomia, não é ausência de limites ou regras, mas uma
articulação entre os membros da escola e a sociedade.
 Valorização do Magistério: qualidade de ensino implica as condições de trabalho e da formação
inicial e continuada dos docentes.

Quais finalidades a escola irá priorizar?


 Finalidade Cultural: preparar culturalmente os indivíduos para obtenção de uma melhor
compreensão da sociedade em que vivem;
 Finalidade Política e Social: como formar o indivíduo para a participação política, prepará-lo
para exercer seus direitos e deveres de cidadão;
 Finalidade de Formação Profissional: a compreensão do papel do trabalho na formação
profissional do aluno;
 Finalidade Humanística: promover o desenvolvimento integral da pessoa.

Finalidades do PPP:
 Resgatar a intencionalidade da ação.
 Ser instrumento de transformação da realidade.
 Dar um referencial de conjunto.
 Construir a unidade da instituição.
 Racionalizar os esforços e recursos.
 Ser um canal de participação efetiva.
 Concretização do trabalho.
 Fortalecer o grupo.
 Formação dos participantes.

Análise dos Elementos Básicos Constitutivos do Projeto Político Pedagógico:


 Finalidades: quais serão perseguidas pela escola?
 Estrutura Organizacional: administrativa, recursos humanos, financeiros, físicos, pedagógica.
 Currículo: construção social do conhecimento.
 Gestão do Tempo Escolar: com vistas a melhorar a qualidade do trabalho pedagógico é preciso que
a escola reformule seu tempo.
 Processo Decisório: o fluxo das tarefas e das ações e decisões adequadas ao alcance dos objetivos
educacionais estabelecidos.
 Relações de trabalho: quando se busca uma nova organização do trabalho pedagógico, está se
considerando que as relações de trabalho serão alicerçadas nas atitudes de: solidariedade,
reciprocidade e de participação coletiva.
 Avaliação: qualifica e oferece subsídios ao projeto político-pedagógico e imprime direção às ações
dos educadores e dos educandos.

Estrutura do Projeto Político Pedagógico:


 Marco Referencial: Marco Situacional (leitura da realidade geral), Marco Filosófico (ideal geral) e
Marco Operativo (ideal específico).
 Diagnóstico: Pesquisa + Análise → Necessidades.
 Programação: ação concreta (transformação), linha de ação, atividade permanente e as normas.

Projeto Político Pedagógico:


 Na sua elaboração, são três dimensões básicas: realidade, finalidade e plano de ação.
 O PPP enquanto processo na sua elaboração e produto: Marco Referencial, Diagnóstico e a
Programação.
 Processo: Realização Interativa e Produto: Ação.
 Processo: Avaliação de Conjunto e Produto: Indicadores de Mudança para o Projeto.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
7
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

 Deve ser uma construção coletiva, que é diferente de dar sugestões e palpites para construir e
elaborar o documento norteador da escola.

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO

CONCEPÇÃO DE CONHECIMENTO E REALIDADE


TEORIA DE EDUCAÇÃO: Sociedade, Ser Humano, Aprendizagem e Ensino


DIAGNÓSTICO

PARTICIPAÇÃO

PROJETO HISTÓRICO

Texto complementar para Estudo


PEDAGOGIA DE PROJETOS: TRANSGREDINDO A LINEARIDADE
Isabel Petry Kehrwald e Maria Ângela Paupério Gandolfo

Um pouco da história: do que falamos?

Nos últimos anos, sob a influência dos avanços da ciência - da biologia e da psicologia no início do século -, e
das mudanças sociais causadas pela industrialização, urbanização acelerada e pelas duas grandes guerras, a
organização do ensino passou por um movimento educacional renovador conhecido como Escola Nova.
(Aranha, 1989)
Este movimento (final do século XIX na Europa e 1920 - mais fortemente na década de 30 no Brasil) foi uma
reação à educação tradicional alicerçada no silêncio e no imobilismo, no estudo de conteúdos
descontextualizados e no descompasso entre a escola e a vida, serviu como base para propostas de ensino
integrado, entre elas a Pedagogia de Projetos. (Santomé, 1998)
Quem abriu caminhos?
. Pestalozzi e Fröebel - século XVIII - apontam a necessidade de uma educação voltada para os interesses e
necessidades infantis.
. Ferrière e Krupskaia e depois Makarenko- realizam experiências com projetos integrados no início do
século XX.
. Montessori e Decrolly - a partir de 1907 - defendem os temas lúdicos e o ensino ativo. Maria Montessori
aponta a necessidade da atividade livre e da estimulação sensório-motora e Ovide Decrolly sugere a
aprendizagem globalizadora em torno de centros de interesse.
. Dewey e Kilpatrick - década de 20 - acentuam a preocupação de tornar o espaço escolar um espaço vivo e
aberto ao real. John Dewey, que esteve no Brasil valoriza a experiência e considera que a educação tem
função social e deve promover o sujeito de forma integrada, principalmente valendo-se da arte.
. Freinet - década de 30 - propôs a valorização do trabalho e da atividade em grupo para estimular a
cooperação, a iniciativa e a participação.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
8
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

. Paulo Freire - década de 60 - é destaque na educação brasileira com a introdução do debate político e da
realidade sóciocultural no processo escolar com a educação libertadora e os chamados temas geradores.
Suas idéias são mundialmente divulgadas através de seus vários livros como Pedagogia do oprimido,
Pedagogia da autonomia, entre outros.
. Jurjo Santomé e Fernando Hernández - década de 90 em diante- propõem o currículo integrado e os
projetos de trabalho (na Espanha) com repercussões no Brasil.
. Antoni Zabala - década de 90 e século XXI - (Espanha) entende que a complexidade do projeto educativo
deve ser abordado por um enfoque globalizador no qual a interdisciplinaridade está presente.
. Jolibert na França, Adelia Lerner e Ana Maria Kaufman, ambas na Argentina, também divulgam estudos
sobre propostas educativas globalizadoras
. Miguel Arroyo, entre outros educadores brasileiros, defende a presença na escola dos temas
emergentes, de um currículo plural e aponta que "Se temos como objetivo o desenvolvimento integral dos
alunos numa realidade plural, é necessário que passemos a considerar as questões e problemas enfrentados
pelos homens e mulheres de nosso tempo como objeto de conhecimento. O aprendizado e vivência das
diversidades de raça, gênero, classe, a relação com o meio ambiente, a vivência equilibrada da afetividade e
sexualidade, o respeito à diversidade cultural, entre outros, são temas cruciais com que, hoje, todos nós nos
deparamos e, como tal, não podem ser desconsiderados pela escola". (Arroyo, 1994, p. 31).
São várias as modalidades de projetos educativos integrados, mas de um modo geral todas envolvem atitudes
interdisciplinares, planejamento conjunto, participação ativa e compartilhada entre professores e professoras e
seus alunos e alunas, bem como aspectos da realidade cotidiana de ambos. Dessa forma, todos são co-
responsáveis pelo desenvolvimento do trabalho e, principalmente, vislumbram a possibilidade de, cada um,
expor sua singularidade e encontrar um lugar para sua participação na aprendizagem.
A organização do trabalho escolar por projetos sugere o reconhecimento da flexibilização organizativa, não
mais linear e por disciplinas, mas em espiral, pela possibilidade de promover as inter-relações entre as
diferentes fontes e os desafios impostos pelo cotidiano, ou seja, articular os pontos de vista disjuntos do saber,
num ciclo ativo (Morin, 1981), aprendendo a utilizar fontes de informação contrapostas ou complementares, e
sabendo que ... "todo ponto de chegada constitui em si um novo ponto de partida" (Hernández, 1998, p.48).

A transgressão: Fernando Hernández e os projetos de trabalho

Hernández (1998) chama Projeto de trabalho o enfoque integrador da construção de conhecimento


que transgride o formato da educação tradicional de transmissão de saberes compartimentados e
selecionados pelo/a professor/a e reforça que o projeto não é uma metodologia, mas uma forma de refletir
sobre a escola e sua função. Como tal, sempre será diferente em cada contexto. Há um conceito de educação
que permeia esta modalidade de ensino que entende a função da aprendizagem como desenvolvimento da
compreensão que se constrói a partir de uma produção ativa de significados e do entendimento daquilo que
pesquisam, identificando diferentes fatos, buscando explicações, formulando hipóteses enfim, confrontando
dados para poder realizar "uma variedade de ações de compreensão que mostrem uma interpretação do
tema, e, ao mesmo tempo, um avanço sobre o mesmo". (Hernández, 2000, p. 184).
Um problema, uma situação conflitante ou algo que está intrigando alunos e alunas pode ser um bom
início de projeto, uma vez que favorece o interesse e a busca das informações, esta entendida como
construção de saberes interligados. Indica também a importância de envolver no projeto, várias áreas de
conhecimento, presentes tanto na escola, como fora dela.
No que se relaciona à Arte, Hernández (2000) defende a idéia de educar para a compreensão da
cultura visual, relata projetos executados e sugere que se inicie com uma pergunta que poderá ser um fio
condutor de outras. Por exemplo:

- O que se pode aprender de uma imagem?

Desta questão é possível derivar outras três: o que foi pintado? de que falam estas obras? o que se pode
estudar e aprender de um quadro?
A partir das respostas do grupo, o professor/a vai compondo com seus alunos e alunas, um roteiro de
construção de conhecimento, no qual estão entrelaçados os objetivos, conceitos e conteúdos elencados no
planejamento pedagógico da área de Artes Visuais. Fica estabelecido, também, quem registrará cada etapa do

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
9
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

trabalho e como isso será feito. Os relatórios com os registros dessas observações, servem de suporte para
dar continuidade ao planejamento do roteiro. É conveniente que o grupo possa contar com a assessoria de
outros profissionais, de modo que a pesquisa possa ser enriquecida com saberes de diferentes áreas do
conhecimento.

Etapas de um projeto: como fazer?


Hernández aponta como possíveis etapas:
- determinar com o grupo a temática a ser estudada e princípios norteadores
- definir etapas: planejar e organizar as ações - divisão dos grupos, definição dos assuntos a serem
pesquisados, procedimentos e delimitação do tempo de duração

- socializar periodicamente os resultados obtidos nas investigações (identificação de conhecimentos


construídos).
- estabelecer com o grupo os critérios de avaliação.
- avaliar cada etapa do trabalho, realizando os ajustes necessários.
- fazer o fechamento do projeto propondo uma produção final, como elaboração de um livro, apresentação de
um vídeo, uma cena de teatro ou uma exposição que dê visibilidade a todo processo vivenciado e possa servir
de foco para um outro projeto educativo.
Esta forma de organização de saberes que vai se construindo como uma rede, sensibiliza alunos e alunas
para aquilo que lhes interessa ou preocupa, legitimando a função social da escola. Possibilita a validade do
conhecimento aprendido, resultando numa melhor decisão para a qualidade de vida na sociedade e reconhece
o sujeito cidadão, capaz de se inserir no pensamento coletivo para o compartilhamento de espaços e serviços
comuns.
Incluir o aluno na análise e na decisão, de questões que lhe dizem respeito, contribui para o desenvolvimento
consciente de sua cidadania. A escola, em particular, é o lugar para oportunizar este tipo de aprendizagem: o
exercício da tomada de decisões, tanto individuais como coletivas. Ao refletir sobre suas próprias concepções,
frente às de outros, o aluno amplia seu repertório de alternativas para uma determinada situação e provoca a
desestabilização e o descentramento de seus critérios de inserção na coletividade.

O/a professor/a frente aos projetos: o que fazer?


.é pesquisador da realidade e conduz os alunos/as ao exercício da observação, percepção, análise crítica e
criatividade.
. compreende sua responsabilidade social e investe na interação.
. sabe como se constrói conhecimento e planeja levando em conta o aluno real.
. avalia permanentemente sua prática e a modifica.
.é comprometido com novos paradigmas que orientam o pensar pedagógico
.é um observador constante e atento, mediando as ações e interagindo com seus alunos.
É importante ressaltar novamente que não há um método ou uma fórmula pronta para desenvolver projetos,
mas sim uma concepção diferenciada do/a professor/a em relação ao ensinar e aprender. Esta será sempre
uma relação de troca e de construções sociais interativas, nas quais todos são importantes parceiros e
colaboradores.
A seguir um exemplo de tópicos para um projeto educativo não linear para qualquer nível de ensino que
poderá ser desenvolvido a partir da pergunta: O que podemos aprender de um objeto de arte?

BIBLIOGRAFIA DE APOIO:
ARANHA, M. L.. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989.
ARROYO, Miguel. Escola plural. Proposta pedagógica Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Belo Horizonte:
SMED, 1994.
HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed,1998.
HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2000.
MORIN, E. El método: la naturaleza de la naturaleza. Madrid: Cátedra, 1981.
SANTOMÉ, Jurjo T. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
ZABALA, Antoni. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma proposta para o currículo escolar. Porto Alegre: Artes
Médicas, 2002.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:
HERNÁNDEZ, Fernando.; VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é
um caleidoscópio. 5ed., Porto Alegre: Artmed, 1998.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
10
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
PETRY KEHRWALD, Isabel. Ler e escrever em Artes Visuais. In: NEVES, Iara et al. (orgs.). 4ed. Ler e escrever:
compromisso de todas as áreas. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2001.
SACRISTÁN, J. Gimeno. A educação obrigatória: seu sentido educativo e social. Porto Alegre: Artmed, 2001.

QUESTÕES PARA FIXAÇÃO DO CONTEÚDO

1. A L.D.B. 9.394/96 em seu art. 12, apresenta como obrigação da escola a elaboração e execução da
proposta pedagógica. Em seu artigo 13, apresenta como incumbência dos professores participar da
elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. Nesta tônica concebe-se um projeto
político pedagógico que conte com a participação dos docentes, de representantes da comunidade de pais, de
funcionários administrativos e de alunos. Ao coordenador da elaboração do projeto político pedagógico
compete encontrar uma metodologia que favoreça essa participação. Desta forma, o projeto político
pedagógico pode ser compreendido, como:
A)um plano global da instituição definitivo, resultado de um processo de planejamento participativo .
B) um instrumento teórico-metodológico com vistas a uma construção coletiva, não sendo necessário a atividade de
avaliação, uma vez que será totalmente refeito após um determinado período.
C) um instrumento teórico-metodológico com vistas a um cumprimento legal, sendo feito de forma que incentive a
participação, sem preocupações com o transformar com o re-significar a escola.
D) um instrumento organizado, sistematizado, visando a integração das atividades da instituição escolar nesse processo
de transformação, sendo avaliado e reelaborado ao término de um período previsto.

2. O Projeto Pedagógico dá voz à escola e


I- é a concretização de sua identidade;
II- é a reflexão de um só responsável hierárquico ou de um grupo restrito;
III-é uma simples formalidade administrativa;
IV- explicita os valores coletivos assumidos.
Estão corretas as afirmativas:
A)I, III e IV
B) II, III e IV
C) I e IV
D) I, II, III e IV
3. A elaboração e a implementação do projeto pedagógico (P.P.) é uma condição essencial para a construção
da identidade de uma escola, como espaço da educação básica. É um processo de consolidação da
democracia e da autonomia da escola.
Sobre a elaboração e a implementação do P. P de uma escola, é correto afirmar:
A) Cada escola, ao definir seu itinerário educativo, deve prestar conta dos resultados aos usuários e à sociedade,
sobretudo em relação à qualidade da aprendizagem dos alunos.
B) No P.P., a organização do saber deve seguir uma ordem hierárquica e progressiva, disposta na programação das
disciplinas ao longo dos anos ou séries.
C) O P. P. da escola não deve tomar como ponto de partida objetivos ou finalidades explicitos, devido à complexidade de
se limitarem ações educativas relacionadas à formação geral dos alunos.
D) A organização do tempo, no P. P., deve ser definida pelos blocos de tempo predeterminados, em função das
aprovações ou reprovações de alunos.

4. O Projeto Político Pedagógico de algumas escolas costuma ser elaborado por um pequeno grupo da escola
ou por consultores especialistas contratados.
Essa prática não condiz com a LDB 9394/96 porque:
A) A iniciativa contradiz a gestão democrática, a autonomia institucional, a participação dos professores da escola e dos
membros da comunidade.
B) O Projeto Político Pedagógico deve ser feito pelas secretarias municipais de educação.
C) A legislação proíbe a elaboração de documentos da escola por assessores sem vínculos profissionais com ela.
D) O Projeto Político Pedagógico deve ser construído a partir de uma base comum nacional, em que estão previstas
diretrizes gerais de uma educação para todos.
E) A redação do projeto é uma atividade de cunho burocrático que só adquire sentido quando sai do papel para a prática

5. Para a efetiva atuação de uma gestão democrática na escola, é preciso:


A) Incentivar a manutenção das hierarquias piramidais nas escolas;
B) Organizar o trabalho pedagógico gerando um movimento dialético entre interesses externos e internos, remetendo os
educadores a outros âmbitos do pensamento e da ação política;
C) Desencorajar a mobilidade dos professores polivalentes;

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
11
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
D) Favorecer o desconhecimento da comunidade escolar sobre a aplicação de recursos financeiros da escola.

6. A escola pública Pedro II convocou todos os professores para discutirem a reelaboração do seu Projeto
Político- Pedagógico. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/1996),
A) é opcional ao docente participar ou não da elaboração da proposta pedagógica de cada unidade escolar.
B) é responsabilidade somente dos docentes mais antigos participarem da elaboração da proposta pedagógica da escola.
C) é responsabilidade dos docentes participarem da proposta pedagógica do estabelecimento.
D) cada docente deve indicar um colega para representá-lo no momento da elaboração da proposta pedagógica da escola.
E) somente os funcionários administrativos é que discutem a elaboração da proposta pedagógica da escola.

7. A profª Fernanda, ao se apresentar na escola onde irá atuar, entregou à diretora e coordenadora os
seguintes documentos: Plano Anual, constando tudo o que pretende trabalhar durante o ano; os Projetos
Didáticos que deseja desenvolver ao longo do ano e o rascunho de seus planos de aula. A diretora e
coordenadora lhe disseram que:
A) ao apresentar esses planos ela já havia adiantado bastante o seu trabalho e, com isso, poderia ter algumas horas de
folga durante a semana destinada ao planejamento.
B) primeiramente é necessário conhecer o Projeto Político-Pedagógico, pois este documento é a grande referência para os
demais planos e projetos da escola, inclusive os planos de aula.
C) nessa escola, cada professor tem autonomia para desenvolver o seu trabalho. Assim, ela já apresentou seus planos e
projetos e está apta a iniciar as aulas.
D) mesmo a escola tendo o seu Projeto Político-Pedagógico não há necessidade de articular o trabalho de sala de aula ao
documento maior da escola. Portanto, poderá ter algumas horas de folga no momento da semana de planejamento.
E) na primeira reunião seriam apresentados à equipe de professores, o Projeto Político-Pedagógico e o Regimento
Escolar, pois esses são documentos que dizem respeito à direção. Mas, isso seria apenas para que tomassem
conhecimento, já que ela havia adiantado a sua parte.

8. Além de constituir uma exigência formal, contida inclusive na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, o projeto pedagógico revela-se uma necessidade cotidiana das instituições educativas e um
instrumento eficaz para a implementação de suas ações. Nessa perspectiva, o projeto pedagógico caracteriza-
se, essencialmente, como
A)um plano didático-pedagógico, previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional como instrumento regulador
das atividades.
B)um instrumento norteador das escolas públicas e das ações sistemáticas de todos os membros da comunidade
educativa.
C)um recurso de gestão administrativa e financeira da escola, que deve ser conhecido por toda a comunidade escolar.
D)um referencial que exprime as exigências da sociedade, das autoridades governamentais e da comunidade local,
construído diretamente por esses agentes.
E)um documento que se reflete no currículo da escola, construído e vivenciado por todos os envolvidos no processo
educativo, que busca rumo, ação intencional e compromisso coletivo.

9. A efetivação de um projeto pedagógico pode ser dificultada por certos entraves, fatores que, ainda hoje
caracterizam as escolas no Brasil o que exige, tanto dos sistemas de ensino quanto das escolas um esforço
para superá-los.
São entraves à efetivação do projeto pedagógico:
1- Rotatividade do corpo docente; a falta de professores e a improvisação com professores não efetivos que ministram
aulas em várias escolas e têm pouca participação na vida da escola.
2- Falta de espaço coletivo para estudo e discussão periódicas, para formação continuada, que é base para a efetivação
do projeto, decorrente da forma de organização da escola, que não possibilita ação colegiada e reflexão permanente.
3- Gestão escolar descentralizada, colegiada e democrática; o caráter público da escola; a autonomia; o fato da construção
do projeto ser algo processual; a coesão do grupo e a articulação.
4- A participação da comunidade e do Conselho Escolar; a gestão escolar descentralizada.
O correto está somente em:
A) 1 e 2.
B) 3 e 4.
C) 1 e 4.
D) 2 e 3.

10. Há vários caminhos para a construção de um projeto pedagógico. Alguns autores os caracterizam como
movimentos de construção, outros como atos distintos, mas interdependentes. Ilma Passos aponta três atos:
(1) ato situacional – que descreve a realidade na qual desenvolvemos nossa ação e é o desvelamento da
realidade sóciopolítica, econômica, educacional e ocupacional.
(2) ato conceitual – que diz respeito à concepção ou visão de sociedade, homem, educação, escola, currículo,
ensino e aprendizagem.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
12
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

(3) ato operacional – que orienta-nos a como realizar nossa ação [...] atividades a serem assumidas para
transformar a realidade da escola [...] a tomada de decisão de como vamos atingir nossas finalidades.
Numere nos parênteses abaixo, (1) (2) ou (3) conforme as indagações estejam relacionadas com (1) ato
situacional, (2) ato conceitual ou (3) ato operacional. Em seguida, assinale a alternativa que contém a
seqüência correta, de cima para baixo.
( ) Que tipo de aluno queremos formar? Para qual sociedade? O que significa ser uma escola voltada para a educação
básica? Que concepção de escola, de educação e de ensino queremos?
( ) Como compreendemos a sociedade atual? Qual é a população-alvo da escola? Quais suas características em termos
socioeconômicos, culturais e educacionais? Qual o papel da educação/escola nessa realidade?
( ) Quais as decisões básicas referentes a: o que, para que e como ensinar, articuladas ao para quem ensinar?
( ) Como redimensionar a organização do trabalho pedagógico? Qual tipo de gestão? O que é prioritário realizar? As ações
propostas são exeqüíveis?
( ) Qual o papel específico de cada membro da comunidade escolar? De que recursos a escola dispõe para realizar seu
projeto? Quais as decisões necessárias para sua concretização?
A sequência correta de cima para baixo é:
A) 2, 3, 2, 1, 1
B) 2, 1, 2, 1, 3
C) 1, 3, 2, 1, 3
D) 2, 1, 2, 3, 3

11. O Projeto Pedagógico define a identidade da escola e busca uma ação organizada e transformadora. A
responsabilidade pela elaboração do Projeto Pedagógico é do:
A) Estabelecimento de Ensino;
B) Departamento de Projetos da Secretaria de Educação;
C) Sistema de Ensino Estadual;
D) Sistema de Ensino Municipal;
E) Conselho Estadual de Educação.

12. Qual a alternativa que melhor define Proposta Pedagógica?


A) É o currículo da escola, pois relaciona todos os conteúdos a serem trabalhados em todas as áreas do conhecimento.
B) É a organização de um conjunto de matérias que vão ser ensinadas e desenvolvidas em uma instituição educacional.
C) É um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, de forma
refletida, intencional, participativa.
D) É o registro dos resultados do planejamento da educação escolar; é o documento mais global da escola.
E) É o processo de decisão sobre a atuação concreta dos professores no cotidiano de seu trabalho pedagógico,
envolvendo as ações e situações, em constante interação entre professor e alunos.

13. “Não basta o docente saber, dominar bem o assunto. É preciso refletir sobre o que se pretende a partir da
realidade do grupo, e assim poder organizar o fluxo das informações de maneira significativa. O projeto que o
professor elabora é um instrumento de luta, de resistência, para tentar fazer um trabalho melhor”
(VASCONCELLOS, 2002, p. 149).
Alguns elementos devem ser considerados na construção dos planos de ensino, tendo em vista os
processos de ensino-aprendizagem, que são:
I. ter clareza de que o Projeto Político Pedagógico é a grande referência para todos os demais projetos da escola, inclusive
o projeto de ensino aprendizagem;
II. a disciplina que o professor ministra não é seu “feudo” ou “propriedade particular”;
III. buscar superar as visões parciais, dicotômicas do planejamento, em direção à concepção dialética;
IV. superar a inversão entre o necessário e o contingente: muitos conteúdos, que são meramente contingencionais,
tornam-se, no cotidiano da escola, desnecessários.

Estão CORRETOS os itens:


a) I e II, apenas.
b) III e IV, apenas.
c) I, II e III, apenas.
d) II, III e IV, apenas.

14. Uma gestão educacional de base democrática, participativa e com qualidade social procura estabelecer
em seu Projeto Político Pedagógico alguns princípios e ações que garantam
A) proporcionar treinamento de pessoal para a competência e valorizar as formas eficientes de competição.
B) buscar eficácia na gestão dos meios, incentivar o planejamento e prestigiar o controle de resultados.
C) promover sólida formação básica e oferecer igualdade de oportunidades no acesso e permanência à educação.
D) oferecer educação para a cidadania e deslocar as funções do Estado para a comunidade.
E) favorecer soluções de alcance imediato e priorizar o desempenho econômico.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
13
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

15. Após terem participado da elaboração do Projeto Político Pedagógico de uma escola, os professores e os
demais profissionais da instituição buscaram uma atuação coerente com o documento, o que, em uma escola
democrática e participativa, supõe:
A) agrupar os planos de ensino do ano letivo e estruturar o calendário escolar.
B) organizar o trabalho pedagógico de forma contextualizada na escola como um todo e na sala de aula.
C) firmar parcerias com partidos políticos, organizações não governamentais e entidades religiosas.
D) encaminhar o projeto às autoridades educacionais conforme as recomendações legais.
E) estimular as relações competitivas para dar novo sentido ao trabalho e à burocracia escolar.

16. Insatisfeito com a condução do projeto pedagógico de uma escola, um grupo de pais de alunos pleiteou
mais espaço para discussões acerca das práticas adotadas, sem, no entanto, encontrar receptividade no
ambiente escolar.
Considerando-se que a construção e implementação do projeto pedagógico parte do princípio que é de
forma coletiva, a atitude da escola foi
A) inadequada, pois os pais devem encaminhar suas reclamações aos órgãos governamentais competentes.
B) inadequada, pois não corresponde às práticas de uma escola participativa que requer a articulação escola/comunidade.
C) inadequada, pois a legislação atual confere aos pais o direito de questionar a dignidade profissional dos professores.
D) adequada, pois os pais devem acompanhar o desempenho acadêmico dos filhos somente nos seus lares.
E adequada, pois não se pode pôr em dúvida o espaço específico e autônomo dos profissionais da escola.

17. Em uma escola preocupada com a elaboração de um projeto pedagógico relevante, entre outros aspectos
é preciso que haja:
I- visão global da organização.
II- comprometimento com o desenvolvimento da coletividade.
III- descentralização do poder.
IV- predomínio da concepção técnica.

A) As alternativas I e II estão corretas


B) As alternativas I e II e IV estão corretas
C) As alternativas I, II e III estão corretas
D) As alternativas II, III e IV estão corretas
E) As alternativas I, III e IV estão corretas

18. A equipe de uma escola, após se conscientizar do equívoco que havia cometido em relação ao projeto
pedagógico, resolveu modificar por meio de decisões que concretizassem um trabalho coletivo. Deverá,
então, realizar as seguintes atividades:
A) releitura do projeto para melhor apreensão de seu conteúdo; multiplicação de cópias do projeto para serem entregues
aos pais e responsáveis pelos alunos com fraco desempenho; reuniões com os pais para explicação do projeto.
B) otimização de recursos materiais e financeiros; aquisição de softwares educacionais específicos para alunos de baixo
rendimento escolar; reuniões periódicas para novas avaliações do projeto pedagógico.
C) reunião com os diferentes atores da escola, para juntos discutirem os rumos da escola e reelaborarem o Projeto
Pedagógico por meio de participação da comunidade.
D) avaliação do projeto pedagógico para mudança de redação; redefinição curricular; criando turmas para alunos com
baixo rendimento, de acordo com suas diferenças culturais; adoção de sistemas de avaliação diferenciados.
E) adoção de uma nova redação do Projeto Pedagógico com a criação de novas estratégias de recuperação para alunos
com baixo rendimento.

19.São elementos que devem compor a Proposta Pedagógica da escola, EXCETO;


A) Fundamentação teórica
B) Diagnóstico
C) Objetivos e metas
D) Ações estratégicas
E) Resultados atingidos

20. Ao articular o projeto político da escola o diretor precisa:


A) criar condições de partilha do poder, valorizando a participação, fortalecendo o trabalho coletivo, centrando a escola na
sua função de ensino.
B) criar condições de garantir que as decisões sejam por ele tomadas.
C) criar condições de valorizar a opinião e sugestão dos participantes, mas optando somente pelas suas propostas.
D) criar condições de apresentar as suas decisões a comunidade escolar.
E) Nenhuma das alternativas.

21. A construção do projeto político-pedagógico da escola requer


I- continuidade das ações

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
14
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
II- predomínio do tecnicismo
III- descentralização
IV- democratização do processo de tomada de decisões
V- hierarquização e limitação de responsabilidade;
V- instalação de um processo coletivo de avaliação
Estão corretas apenas:
A) I e II
B) I, II e V
C) II, III e V
D) I, III , IV e VI
E) I, II, III, IV e V

22. Pensar na construção, elaboração de um Projeto Político Pedagógico para uma respectiva unidade
escolar, é pensar que o mesmo será constituído através de relações democráticas, respeitando as
diversidades de toda a comunidade escolar envolvida. Tendo a proposta educativa características diversas,
quanto a concepção de homem, modelo de sociedade, tendência e concepção pedagógica, entre outras, é
correto afirmar:
I. O projeto político está em permanente (re)construção.
II. O projeto político pedagógico é o eixo estruturante e integrador de toda a atividade pedagógica escolar.
III. O projeto político pedagógico não precisa ter pertinência histórica, nem contextualização social, pois é uma
reivindicação educacional muito recente.
Estão corretas as assertivas:
A) Somente a assertiva I está correta.
B) Somente I e II estão corretas.
C) Nenhuma das assertivas está correta.
D) Somente I e III estão corretas.

23. A implementação do projeto político-pedagógico é uma das condições para que se afirme a identidade da
escola como espaço necessário à construção do conhecimento e da cidadania.
PORQUE
Sabe-se que o currículo é parte integrante desse processo e deve contemplar a formação do aluno.
A) se as duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
B) se as duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira.
C) se a primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa.
D) se a primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira.
E) se as duas afirmações são falsas.

24. A gestão democrática é um princípio consagrado constitucionalmente. Para torná-lo mais eficiente e
legítimo, a LDB estabelece no artigo 14:
A) Apenas a participação de alunos e pais em conselho de classe.
B) A obrigatoriedade, em âmbito nacional, da eleição para diretores de escola.
C) A participação dos profissionais da educação na elaboração do Projeto Político Pedagógico da escola; e, participação
das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.
D) A garantia da permanência e a estabilidade do docente na escola.

25. Segundo a LDBEN 9.394/96, as incumbências dos docentes são, EXCETO:


A) participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.
B) participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e
ao desenvolvimento profissional.
C) zelar pela aprendizagem dos alunos e auxiliar no processo de transferências entre estabelecimentos, tendo como base
as normas curriculares gerais.
D) elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.

26. Alice trabalha na rede pública e a direção da escola está preocupada em rever o Projeto Político
Pedagógico, pois a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), em seu artigo 12, diz
que os estabelecimentos de ensino terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica.
Desta forma, a direção convidou professores, demais funcionários e pais para discutirem sobre esta
proposta, que expressa
A) as regras que orientam a gestão administrativa da escola.
B) aquilo que parte da equipe da escola quer realizar.
C) parte da organização do ensino.
D) aquilo em que a direção da escola acredita.
E) a identidade da escola.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
15
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

27. O projeto político pedagógico é uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso
definido coletivamente.
PORQUE
Todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao
compromisso da mantenedora e seus reais interesses.

A) se as duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.


B) se as duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira.
C) se a primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa.
D) se a primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira.
E) se as duas afirmações são falsas.

28. Quando temos a preocupação com a elaboração do Projeto Político Pedagógico, logo pensamos na
concepção filosófico-pedagógica, na organização escolar e na organização do ensino. A concepção filosófica,
definida como norteadora do processo ensino e aprendizagem, deve:
I. Definir a concepção de mundo, sociedade, homem e escola que quer trabalhar e produzir.
II. Definir a função sócio-econômica e pública da escola, e ainda definir as inter-relações de poder dentro da escola.
III. Materializar as condições necessárias à garantia dos direitos e deveres dos segmentos que compõem a comunidade
escolar: alunos, pais, professores e corpo diretivo-administrativo.
IV. Definir que as deliberações deverão seguir a seguinte ordem hierárquica de poder: diretor da escola, conselho
deliberativo, Associações de Pais e Mestres, Grêmio Estudantil.
Está(ao) correta(s) a(s) assertiva(s):
A) Somente a I está correta.
B) Somente I e III estão corretas.
C) Somente III e IV estão corretas.
D) Somente I, II e IV estão corretas.

29. A elaboração do projeto político pedagógico é um processo de consolidação da democracia e da


autonomia da escola, com vistas à construção de sua identidade. É uma ação intencional, com um
compromisso definido coletivamente, que reflete a realidade, busca a superação do presente e aponta as
possibilidades para o futuro. O projeto político pedagógico é um documento que não se reduz à dimensão
didático pedagógica. Nesse texto, o projeto político pedagógico se constitui como
A)instrumento legitimador das ações normativas da equipe gestora.
B) desenvolvimento de ações espontâneas da comunidade escolar.
C) definição de princípios e diretrizes que projetam o vir a ser da escola.
D) incorporação de múltiplas teorias pedagógicas, produzidas na contemporaneidade.
E) implementação de estrutura organizacional visando à administração interna da escola.

30. Todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao
compromisso sóciopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. É político no sentido
de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. Na dimensão pedagógica reside
I- a possibilidade de se estabelecer as ações educativas.
II- a possibilidade de efetivação da intencionalidade da escola.
III- a possibilidade de se estabelecer as características necessárias à escola de cumprir seus propósitos.
IV- a possibilidade de se estabelecer um padrão comum de escola.
Estão corretas as afirmativas
A) I e II
B II e III
C )III e IV
D) I, II e III
E) I e IV

31. A Escola Nova Fronteira apresentava altos índices de reprovação e de violência. Na avaliação dos
professores, as práticas pedagógicas eram individualizadas e não havia articulação interna ou com a
comunidade. A professora Clara foi eleita diretora e entendeu que os aspectos administrativos deveriam dar
sustentação aos pedagógicos. Liderou um movimento de organização da escola em direção a uma instituição
autônoma e democrática. Para isso, Clara considerou alguns dos princípios a seguir.
I- A implementação do projeto político pedagógico constrói a identidade da instituição por meio de permanente reflexão e
discussão.
II- A participação dos pais e da comunidade nas assembléias escolares é uma forma de aproximar a escola da
comunidade.
III- A centralização das ações desburocratiza os processos de gestão e de organização.
IV- A gestão colegiada organiza o trabalho pedagógico viabilizando a ampla participação.
A) I e II

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
16
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
B) II e IV
C) I, II, III e IV
D) II e III
E) I, II e IV

32.“O projeto político pedagógico não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às
autoridades educacionais como prova de cumprimento de tarefas burocráticas” (VEIGA, 1997, p. 13). Tem
como finalidade:
A) apresentar uma proposta pedagógica para a escola, não sendo necessário a sua aplicação;
B) oferecer uma diretriz educacional à escola, para ser divulgada em reuniões, sendo que os professores não precisam
envolver-se com as mudanças educacionais ali contidas;
C) apresentar um rumo, uma direção à escola, devendo ser construído, vivenciado e avaliado por todos os envolvidos no
processo educativo da escola;
D) ser um documento oficial da escola, pois é uma exigência legal, não sendo preciso ser operacionalizado;

33. “[...] o projeto político pedagógico, entendido como a própria organização do trabalho pedagógico da
escola como um todo” (VEIGA, 1997, p. 11). Nesta perspectiva compreende-se que:
A) não há comprometimento dos professores e direção na elaboração do projeto, somente da secretaria educacional.
B) compete ao diretor escolar, supervisão e orientação educacional a elaboração do projeto político pedagógico.
C) o projeto político pedagógico é uma mera exigência burocrática.
D) a escola é o lugar de elaboração, realização e avaliação do seu projeto educativo.
E) a mantenedora deve enviar o projeto pedagógica para a escola.

34. Enfim, um projeto político-pedagógico da escola apóia-se em vários aspectos, exceto:


A) No desenvolvimento de uma consciência crítica.
B) No autoritarismo e na irresponsabilidade social.
C) No envolvimento das pessoas: a comunidade interna e externa à escola.
D) Na participação e na cooperação das várias esferas de governo.
E) Na autonomia, responsabilidade e criatividade como processo e como produto.

35. O diretor de uma escola contratou um consultor, especialista na redação de regimentos e projetos
pedagógicos, para a elaboração do projeto de sua escola. Esta prática não condiz com a LDB 9.394/96 porque
A) a legislação proíbe a elaboração de documentos da escola por assessores sem vínculos profissionais com a mesma.
B) a redação do projeto é uma atividade de cunho burocrático que só adquire sentido quando sai do papel para a prática.
C) a elaboração do projeto pedagógico é atribuição exclusiva dos docentes que atuam na unidade escolar, que são
incentivados a participar.
D) o projeto pedagógico deve ser construído a partir de uma base nacional comum, onde estão previstas as diretrizes
gerais de uma educação para todos.
E) a iniciativa contradiz a gestão democrática, a autonomia institucional, a participação dos profissionais da escola e dos
membros da comunidade.

36. Sobre o Projeto Político Pedagógico, considere as seguintes afirmativas:


1. Deve ser elaborado coletivamente.
2. Deve contemplar as demandas da comunidade atendida.
3. Deve partir de amplo e aprofundado processo de diagnóstico, análise e proposição de alternativas.
4. Deve atender as características e necessidades do alunado.
São exigências do projeto político-pedagógico da escola os itens:
A) 1 e 2 apenas.
B) 2 e 3 apenas.
C) 1, 2 e 3 apenas.
D) 1 e 4 apenas.
E) 1, 2, 3 e 4.

37. A construção do Projeto Político Pedagógico da escola precisa estar baseada em pressupostos teórico-
práticos.
Identifique como V (verdadeira) ou F(falsa) as seguintes afirmativas:
( ) A elaboração do Projeto Político Pedagógico é uma oportunidade para que todos se conscientizem dos
principais problemas da escola.
( ) A LDB atual (lei 9394/96) dá às escolas e entidades mantenedoras liberdade e responsabilidade para elaborar suas
propostas pedagógicas.
( ) O Projeto Político Pedagógico da escola busca a concretização de uma gestão democrática.
( ) O Projeto Político Pedagógico deve ser construído, individualmente, pelo professor pedagogo.
( ) O Projeto Político Pedagógico da escola é um agrupamento de planos de ensino e atividades diversas que deve
ser elaborado na ótica da entidade mantenedora que dita as normas e exerce o controle técnico burocrático.
Assinale a alternativa que apresenta a seqüência correta, de cima para baixo.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
17
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
A) V – V – V – F – F.
B) F – V – F – V – F.
C) V – V – F – F – V.
D) V – F – V – F – F.
E) F – F – V – V – F.

38. No processo de elaboração do Projeto Político Pedagógico, é necessário:


1. Que cada professor elabore o seu plano de ensino e a junção de todos os planos vai compor o Projeto Político
Pedagógico da escola.
2. O estudo das diferentes Pedagogias, pois elas serão definidoras dos eixos básicos da pedagogia da escola.
3. Que se faça uma articulação coerente entre perspectivas filosóficas, pedagógicas e psicológicas a serem adotadas pela
escola.
4. Que se análise a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, porque o Projeto Político Pedagógico não pode fugir
a essas determinações legais.
5. Que se discutam os problemas da escola, buscando possibilidades de solução e definição das responsabilidades
coletivas e individuais.
Assinale a alternativa correta.
A) Somente os itens 1, 3 e 5 são verdadeiros.
B) Somente os itens 2, 3 e 5 são verdadeiros.
C) Somente os itens 2, 3, 4 e 5 são verdadeiros.
D) Somente os itens 1, 4 e 5 são verdadeiros.
E) Somente os itens 2, 3 e 4 são verdadeiros.

39. A elaboração de um Projeto Político Pedagógico exige a definição de uma concepção de currículo. As
propostas progressistas de educação afirmam que currículo é:
1. a definição de programas e conteúdos a serem desenvolvidos pela escola.
2. um fenômeno histórico, resultado de forças sociais, políticas e pedagógicas.
3. a grade de disciplinas a serem desenvolvidas e suas respectivas cargas horárias.
4. ação, trajetória e caminhada, construídas coletivamente.
5. um processo dinâmico, mutável, sujeito a inúmeras influências, portanto, aberto e flexível.
Assinale a alternativa correta.
A) Somente os itens 1 e 3 são verdadeiros.
B) Somente os itens 1 e 2 são verdadeiros.
C) Somente os itens 2, 4 e 5 são verdadeiros.
D) Somente os itens 2 e 5 são verdadeiros.
E) Somente os itens 3, 4 e 5 são verdadeiros.

40. A construção de um Projeto Político Pedagógico requer um longo processo de reflexão/ação (unidade
teoria/prática) orientado por parâmetros que se articulem em duas dimensões:
A) dimensão técnica e dimensão centralizadora.
B) dimensão autônoma e dimensão submissa.
C) dimensão individual e dimensão central.
D) dimensão política e dimensão pedagógica.
E) dimensão física e dimensão material.

41. Na escola da professora Alice, as frequentes reuniões desse semestre visam à construção do Projeto
Político-Pedagógico. É do conhecimento de todos da equipe que o Projeto contribuirá para mudanças
significativas na escola, se considerar que:
A) alunos e professores ficarão responsáveis pela tarefa de construir o Projeto, de acordo com um calendário previamente
distribuído pela direção da escola.
B) a comunidade deve participar da construção desse Projeto, votando nas eleições para diretor da escola e
comparecendo às reuniões para entrega de boletins.
C) a elaboração do Projeto só se dá por meio de um processo de construção coletiva, envolvendo alunos, pais,
professores, funcionários e representantes da comunidade.
D) a comunidade deverá ser convidada a participar mais ativamente somente em caso de necessidade, principalmente
para montar mutirões.
E) a escola pode abrir mão das decisões inerentes a ela, pois, com isso, conquista sua autonomia e especificidade.

42. “O projeto representa a oportunidade de a direção, a coordenação pedagógica, os professores e a


comunidade, tomarem sua escola nas mãos, definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens,
organizar suas ações, visando a atingir os objetivos que se propõem. É o ordenador, o norteador da vida
escolar” ( J. C. Libâneo)
A respeito do Projeto Político Pedagógico, observe os itens a seguir:
I. Precisam considerar as características do alunado.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
18
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
II. Precisam ter como base um intenso processo de diagnóstico.
III. Requer uma concepção de currículo.
IV. A gestão democrática da escola é uma exigência de seu projeto político-pedagógico.
V. Um projeto político-pedagógico da escola se apoia no desenvolvimento de uma consciência crítica.
Estão corretos:
A) I – II – III
B) II – III – IV
C) II – IV – V
D) I – II – IV – V
E) Todas as afirmativas.

43. O Projeto Pedagógico apresenta algumas características:


( ) quanto a abrangência: amplo, integral e global.
( ) quanto a análise dos resultados: a avaliação não se faz necessária.
( )quanto a participação: coletiva e democrática.
( )quanto a concretização: processual.
Assinale a alternativa que apresenta a seqüência correta da coluna
A) V,F, V, F
B) F,V,F,,F
C)V, F,V,V
D) F,F, V, V

44.Sobre projetos pedagógicos marque V para afirmativa(s) verdadeira(s) e F para falsa(s):


( ) Ao organizarmos os projetos de nossas escolas, planejamos o trabalho que não temos intenção de realizar, lançamo-
nos para diante, e não olhamos para frente.
( ) Projetar-se é relacionar-se com o futuro, é começar a fazê-lo. E só há um momento de fazer o futuro - no presente.
( ) Para elaborar um projeto é necessário, então, considerar criticamente os limites e possibilidades do contexto escolar,
definindo os princípios norteadores da ação, determinando o que queremos conseguir, estabelecendo caminhos e etapas
para o trabalho, designando tarefas para cada um dos sujeitos envolvidos e avaliando o processo e os resultados.
( ) Os diretores são articuladores dos projetos; o que significa que não o fazem isolados ou por uma determinação pessoal,
mas que devem estar mesmo procurando ligar ações, coordenar atividades, promover relações, no sentido de compor a
teia curricular das unidades escolares.
A seqüência correta é:
A) F – V – F – V
B) V – F – V – F
C) V – V – F – F
D) F – V – V – V
E) F – F – V – V

45. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) inovou bastante quanto à liberdade e autonomia que deu
às escolas, especialmente com a possibilidade de se construir o seu projeto político-pedagógico, que deverá
ser elaborado por toda a comunidade escolar (direção, professores, funcionários, alunos, pais e outros
membros da comunidade). Suas propostas político-pedagógicas significam uma oportunidade dada às escolas
de eleger os aspectos que:
A) são fundamentais para o seu desenvolvimento de acordo com a sua realidade.
B) mais interessam aos professores como promoção profissional e aprovação.
C) atendem ao corpo docente no sentido da realização profissional e da eficiência.
D) são fundamentais na ascensão profissional de todo o corpo discente.
E) poderão contribuir para a redução da criminalidade do país como um todo.

46. A preocupação maior da escola deve ser o melhor atendimento ao aluno. O projeto político-pedagógico
deve partir da avaliação objetiva das necessidades e expectativas de todos os segmentos da comunidade
escolar. O surgimento de tal projeto representa um grande avanço, na medida em que muitas decisões
relevantes são tomadas pela comunidade escolar e:
A) pelos representantes das classes dominantes.
B) pela elite politicamente dominante.
C) não mais somente nos gabinetes das secretarias de Educação.
D) não mais pelo diretor da unidade escolar.
E) pelo governo federal prioritariamente.

47. O projeto político-pedagógico da escola pode ser inicialmente entendido como um processo de mudança e
de antecipação do futuro que estabelece princípios, diretrizes e propostas de ação para:
A) manter o status quo, apaziguar e continuar no caminho já conhecido.
B) continuar a jornada histórica, manter e seguir o caminho do êxito.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
19
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
C) esclarecer dúvidas, manter a jornada e continuar no desenvolvimento.
D) dirimir dúvidas, manter o status quo e dar significado à teoria conhecida.
E) melhor organizar, sistematizar e significar as atividades desenvolvidas.

48. Sobre os níveis de atuação na elaboração do projeto político pedagógico, avalie as afirmativas a seguir:
I - o pessoal, com flexibilidade para as diferenças.
II - o da comunidade ou do grupo de famílias a que atende.
III - o social como instituição que tem um posicionamento próprio na construção da sociedade.
IV - o do conhecimento como fator único para a direção dos valores da sociedade.
V - o instrumental técnico-pedagógico de cada disciplina e o conjunto de conhecimentos que definem a aprendizagem.
Assinale apenas as afirmativas corretas:
A)I, II e V;
B) II, IV e V;
C) II, III e IV;
D) III, IV e V;
E) I, II e III.

49. O projeto pedagógico favorece o desenvolvimento de um trabalho escolar de qualidade quando é:


A) produzido pela equipe de gestão escolar, executado pelos docentes e voltado para os alunos.
B) calcado nos pressupostos da LDB, referendado pelas autoridades governamentais e produzido pelos discentes.
C) construído pela Secretaria de Educação, produtor de autonomia escolar e incentivador de uma prática social
transformadora.
D) executado pelos docentes, voltado para a comunidade local e pautado numa concepção neoliberal.
E) elaborado coletivamente, democratizador do ensino e um instrumento em permanente construção.

50. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96, no Art 12, estabelece que as escolas têm
a incumbência de “elaborar e executar sua proposta pedagógica”. Para que essa proposta vise à construção
de uma “felicidadania”, segundo a concepção de Rios (2002), faz-se necessário:
A) coletivizar a participação, considerando limites e possibilidades do contexto escolar e comunitário, definindo princípios
norteadores e metas, designando tarefas e avaliando continuamente.
B) reunir os projetos individuais dos docentes num somatório, de modo a formar um único grande projeto coletivo, que
ganhará organicidade durante sua implementação e execução.
C) oferecer cursos com a temática da cidadania, visando à formação permanente dos educadores e à participação efetiva
da comunidade, o que resultará na elaboração da proposta.
D) desenvolver a autonomia dos profissionais da educação, no sentido de que tenham a liberdade de traçar projetos
segundo suas vivências, e que sejam postos em comum numa só proposta.
E) moldar as competências dos educadores a partir de uma proposta elaborada pela equipe gestora, que busque rumo,
ação intencional e compromisso coletivo.

51. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (Resolução CEB/CNE no 2, de 7/4/98)
indicam que, na definição de suas propostas pedagógicas, as escolas devem:
A) contar com a participação de todos os profissionais da educação na sua elaboração e execução e com a participação
da comunidade local em conselhos
escolares.
B) explicitar o reconhecimento da identidade pessoal de alunos e outros profissionais e da identidade de cada unidade
escolar e de seus respectivos sistemas de ensino.
C) assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aulas estabelecidas e velar pelo cumprimento do plano de trabalho
de cada docente.
D) articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola e informando
aos pais e responsáveis sobre a execução da proposta.
E) organizar-se na forma de ciclos, com base na idade, na competência e em outros critérios, sempre que o interesse do
processo de aprendizagem assim o recomendar.

52. Como proposta pedagógica prevista na LDB 9394/96, a construção do Projeto Político Pedagógico cria
novas formas de organização escolar. Assim, o Projeto Político Pedagógico interfere na organização da escola
com o objetivo de:
A) refletir sobre as demandas da comunidade frente às exigências do mercado;
B) tornar os profissionais da educação únicos responsáveis pelo sucesso do aluno;
C) apoiar a participação política da comunidade junto ao Conselho Estadual de Educação;
D) acentuar a participação da comunidade escolar nos projetos pedagógicos;
E) promover a transversalidade dos conhecimentos aplicados na escola.

53. “O Projeto Político Pedagógico é o plano global da instituição. Pode ser entendido como a sistematização,
nunca definitiva, de um processo de planejamento participativo, que se aperfeiçoa e se objetiva na caminhada,

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
20
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar, a partir de um posicionamento quanto à
sua intencionalidade e de uma leitura da realidade” (VASCONCELLOS, 2002, p. 17).
São características do Projeto Político Pedagógico:
A) abrangência, duração e diagnóstico.
B) abrangência, duração e participação.
C) abrangência, participação e diagnóstico.
D) abrangência, diagnóstico e concretização.

Gabarito

01-D 02–C 03–A 04–A 05–B 06–C 07–B 08–E 09–A 10-D 11-A 12-C 13-C 14-C
15-B 16-B 17-C 18-C 19-E 20-A 21-D 22-B 23- A 24-C 25-C 26-E 27-C 28-B
29-C 30-D 31-E 32-C 33-D 34-B 35-E 36-E 37-A 38-C 39-C 40-D 41-C 42-E
43-C 44-D 45-A 46-C 47-E 48-E 49-E 50-A 51-B 52-D 53-B

Planejamento

Planejamento e o Processo de Construção


da Prática Pedagógica
Profª Márcia Rita Trindade Leite Malheiros4

[...] antes de mais nada, fazer planejamento é uma reflexão sobre


a realidade da escola e da sala de aula, perceber as
necessidades, re-significar o trabalho, buscar formas de
enfrentamento e comprometer-se com a transformação da prática.
Se isto vai para um plano escrito depois, é um detalhe.
Vasconcelos (1995, p. 59)

4
Pedagoga, Mestre em Educação, Diretora da Faculdade UNIGRAN Capital

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
21
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

O entendimento do processo de desenvolvimento da prática pedagógica, tomada a partir da


concepção de sociedade em uma proposta ampla de formação do homem e de responsabilidade social do
processo educativo, requer uma série de reflexões acerca da construção de tal prática.

Parte-se do princípio de que para analisar e construir uma prática consistente que efetive o processo
educativo enquanto formação de valores que possibilitem a transformação social é necessário o entendimento
teórico de uma série de questões que envolvam tal prática.

Tomado o “fazer” pedagógico como ações que se desenvolvem no processo educativo que têm
como principal objetivo a construção de práticas que possibilitem a ampliação do conhecimento e o
desenvolvimento de competências e habilidades que efetivem uma ação humana eficaz no processo de
transformação social (pretendido por todos).

Para estabelecermos conceitos acerca de planejamento de ensino, propõe-se discutir a prática


pedagógica a partir do processo de planejamento de tal prática, tomando como base a trajetória de tal
processo desde o estabelecimento de políticas públicas, até sua efetivação em sala de aula.

São questões que merecem destaque para uma concepção de planejamento: a função da escola, as
necessidades sociais e os elementos que constituem o planejamento educacional (objetivos, conteúdos,
metodologia e avaliação).

O PROCESSO DE PLANEJAMENTO
Planejar suas ações foi sempre um desafio para o professor, e historicamente tem sido em muitos
momentos, trabalho de Sísifo (inútil)5, frente a ideologia de que o planejamento foi por muito tempo
instrumento de controle do trabalho docente.
Na perspectiva que adotamos para a prática educativa se faz importante o entendimento de que o ato
de planejar requer que o professor compreenda todo o processo de constituição da política educativa e os
níveis de concretização curricular que efetiva-se em sala de aula. Tais níveis levam em consideração o
disposto no artigo 205 da Constituição Federal que prevê:
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada
com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.(gifos nossos)
A partir da efetivação da colaboração da sociedade, estabeleceu-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB nº 9394/96), com base no proposto na LDB, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) edita os Parâmetros
Curriculares Nacionais, que são as diretrizes nacionais para o trabalho na educação e tais diretrizes abrangem desde a
educação infantil até o ensino superior6. Com base na estrutura de tais políticas os estados e municípios estabelecem suas
próprias diretrizes, que norteiam a elaboração dos projetos político pedagógico das escolas, que por sua vez norteiam os
planos dos professores. Assim, é possível afirmar que, para estabelecermos planos efetivos, devemos conhecer as
políticas e concepções que balizam nosso trabalho.
O processo de elaboração do planejamento de ensino ocorre a partir de um exercício reflexivo, em que os
professores esclarecem seus pressupostos teóricos e definem sua metodologia de trabalho, a partir de suas concepções
de homem, de mundo e de sociedade, para que se possa então chegar a tomada de decisões que nos servirão como
elemento de ação.
7
O planejamento de ensino pode ser caracterizado pela contínua reflexão e foi classificado por autores da área
de didática em plano de ensino, plano de unidade e plano de aula.
É importante destacar que nossa tarefa tem sido a de convencer o docente de que se faz necessário o
processo de planejar a ação didática, o ensino, isto é, é importante a previsão de ações para a concretização dos objetivos
de ensino. Lembramos ainda que: planejamento é processo e o documento resultante de tal processo é denominado
plano. Este processo de tomada de decisões não deve ser para o professor mais um preceito burocrático a ser cumprido,
mas, e fundamentalmente um instrumento de apoio a sua prática, e, por tal motivo deve ser ancorado na realidade.

5
Conheça o Mito de Sísifo, ele está disponível nos arquivos do portal
6
Para a Educação Infantil temos o Referencial Curricular da Educação Infantil, para o Ensino Fundamental os Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCNs), para o Ensino Médio as Diretrizes Curriculares do Ensino Médio e para o Ensino Superior as Diretrizes Curriculares dos
cursos. Importante ressaltar que todos esses documentos podem ser acessados na página do MEC www.mec.gov.br
7
Para aprofundamento sugerimos a leitura de LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1980.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
22
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

TIPOS DE PLANEJAMENTO

Araújo (2004)8 descreve os tipos de planejamento envolvido no trabalho do professor. Para a autora,
os elementos do ensino são previstos pelo/a professor/a e registrados em planos. Quando a organização do
ensino é feita através de disciplinas, o/a professor/a tem condições de elaborar três planos: de Curso, de
Unidade e Aula. O plano de curso é a visão mais global do que será ensinado ao longo da disciplina em toda a
sua duração, sendo mais geral e menos específico. Nele, o/a professor/a define objetivos gerais, conteúdos de
modo geral, a proposta de metodologia e avaliação. Os planos de unidade são o detalhamento do plano de
curso, pois a partir dos conteúdos mais gerais são detalhadas unidades de conhecimentos; para as quais são
definidos objetivos específicos, metodologia e avaliação. E os planos de aula são detalhamentos das
unidades, pois cada unidade poderá ter dez horas-aula; vinte horas-aula, sendo necessário prever com
detalhes os objetivos, conteúdos, metodologia e avaliação de cada uma delas.
No quadro 1, indica-se a caracterização dos três tipos de planos.
QUADRO 1 – Planos de ensino
PLANO DE CURSO PLANO DE UNIDADE PLANO DE AULA
PREVISÃO GLOBAL DE TODO PREVISÃO DE OBJETIVOS, CON- DESDOBRAMENTO DO PLANO DE
TRABALHO A SER REALIZADO TEÚDOS, METO-DOLOGIA E UNIDADE, DESCREVE
DURANTE O ANO, SEMESTRE... AVALIAÇÃO RELATIVOS A UMA DETALHADAMENTE OBJETIVOS,
ENFIM, CONFORME A DURAÇÃO UNIDADE DE CONHECIMENTOS. CONTEÚDOS... PARA A AULA (CARGA
DO CURSO. HORÁRIA VARIÁVEL(1, 2, 3, 4 HORAS-
AULA...).
OBJETIVOS GERAIS (LONGO OBJETIVOS ESPECÍFICOS OBJETIVOS OPERACIONAIS(AL-CANCE
ALCANCE) (MÉDIO IMEDIATO).
ALCANCE).
DESCRIÇÃO AMPLA DOS CONTEÚDOS RELATIVOS A UMA CONTEÚDOS RELATIVOS ÀQUELA(S)
CONTEÚDOS UNIDADE. AULA(S).
DESCRIÇÃO DOS TIPOS DE PROCEDIMENTOS E RECURSOS PROCEDIMENTOS E RECURSOS
PROCEDIMENTOS E ESPECÍFICOS PARA A UNIDADE. ESPECÍFICOS PARA A(S) AULA(S).
RECURSOS A SEREM USADOS
APRESENTAÇÃO DE UMA TÉCNICAS, CRITÉRIOS E TÉCNICAS, CRITÉRIOS E
PROPOSTA DE AVALIAÇÃO. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO A INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO A
SEREM USADOS NAQUELA SEREM USADOS NAQUELA(S)
UNIDADE.
AULA(S).
FONTE: ARAÚJO (2004)
O ato de organizar o ensino requer compromisso técnico político do professor, o que implica em
domínio de conteúdo e acompanhamento sistemático das ações educativas.
Tratando do Planejamento Masetto (2003, p. 176), chama a atenção especial para o planejamento
de uma disciplina, considerando esta como um dos instrumentos da prática educativa, alertando que: “O
planejamento de uma disciplina se faz em função de objetivos educacionais a serem alcançados e não
unicamente em razão dos conteúdos a serem transmitidos”.
O autor aponta quatro fases do planejamento: a primeira refere-se a uma leitura da realidade a ser
encarada; a segunda é a discussão e o aperfeiçoamento do planejamento junto com a turma com que se vai
trabalhar; a terceira e a implantação do plano, avaliando-o para verificar a necessidade de outras adaptações
e a quarta e última fase refere-se ao recolhimento e organização de todas as informações colhidas no sentido
de preparação de novo planejamento para as turmas futuras.
É importante que se entenda o planejamento não como uma exigência meramente burocrática a ser
cumprida, mas essencialmente como um instrumento de trabalho do professor, que leva em consideração
outros planos, como por exemplo o Projeto Pedagógico Institucional.

DICAS...

Objetivos são o ponto de partida, as premissas gerais do processo pedagógico.

8
Nos referimos ao texto elaborado pela Profª Me. Carla B. Z. M. de Araújo, para a Disciplina de Didática no Curso de Especialização Lato
Sensu em Práticas Pedagógicas no Ensino, oferecido na modalidade a distancia pela UNIDERP em 2004.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
23
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Para um plano de curso vamos trabalhar com objetivos gerais, que, segundo Libâneo (1994, p. 123)
são explicitados em três níveis de abrangência, do mais amplo ao mais específico:
a) pelo sistema escolar, que expressa as finalidades educativas de acordo com ideais e
valores dominantes na sociedade;
b) pela escola, que estabelece os princípios e diretrizes de orientação do trabalho escolar
com base num plano pedagógico-didático que represente o consenso do corpo docente
co relação à filosofia da educação e á prática escolar;
c) pelo professor, que concretiza no ensino da matéria a sua própria visão de educação e
da sociedade.
Por esses níveis é possível perceber a importância de se conhecer as políticas públicas, intenções da
instituição escolar em que se atua e seu próprio posicionamento quanto a profissão docente.
Ao redigir os objetivos procure ser o mais claro possível, direto mesmo, inicie com um verbo no
infinitivo (terminado em ar, er, ir, or). Por exemplo:
Oportunizar a releitura de obras clássicas, visando o desenvolvimento do gosto pela pintura.

Conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos e


atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo em vista a assimilação ativa e
aplicação pelos alunos na sua prática de vida.
Englobam portanto:
 conceitos, idéias, fatos, processos, princípios, leis científicas, regras,
 habilidades cognocitivas, modos de atividade, métodos de compreensão e aplicação, hábitos de
estudo, de trabalho e de convivência social;
 valores, convicções, atitudes. (LIBÂNEO, 1994, p. 128-129)

Onde são expressos os conteúdos?


 Nos programas oficiais,
 Nos livros didáticos,
 Nos planos de ensino e de aula,
 Nas atitudes e convicções do professor,
 Nos exercícios,
 Nos métodos e formas de organização do ensino.

Zabala (1998, p. 30) nos adverte que devemos entender conteúdos como muito além da simples
expressão daquilo que se deve aprender e “[...] entendê-lo como tudo quanto se tem para aprender para
alcançar determinados objetivos que não apenas abrangem capacidades cognitivas, como também incluem as
demais capacidades. [...] também serão conteúdos de aprendizagem todos aqueles que possibilitem o
desenvolvimento das capacidades motoras, afetivas, de relação interpessoal e de inserção social.”
Verifique aí o motivo pelo qual inicialmente se estabelecem os objetivos para a partir deles definir o
que se terá como conteúdo. É um exaustivo processo de reflexão.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Carla B. Z. M. de. PLANEJAMENTO: organização do conhecimento, das relações, do tempo e do espaço da aula. Curso de
Especialização Lato Sensu em Práticas Pedagogicas no Ensino. Campo Grande: UNIDERP, 2004. {material de aula]
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez , 1992.
MASETTO, Marcos Tarciso. Competência pedagógica do professor universitário. São Paulo: Summus, 2003.
VASCONCELOS, Celso dos Santos. Avaliação: concepção dialética-libertadora do processo de avaliação escolar. São Paulo: Libertad,
1995
ZABALA, Antoni. Prática Educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed,1998.
PARA APROFUNDAMENTO
GANDIN, Danilo. Planejamento como prática educativa. São Paulo: Loyola, 1980.
HAYDTH, Regina Célia Cauzaux. Curso de Didática Geral. São Paulo: Ática, 1997. (capitulo 4 trata de planejamento – sugerimos
também os capítulos 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11)
KUENZER, Acácia Zeneida et al. Planejamento e educação no Brasil. 3. Ed. São Paulo: Cortez, 1996.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1992. (o capítulo 10 trata do planejamento)
VASCONCELOS, Celso dos S.. Planejamento: Plano de Ensino-Aprendizagem e Projeto Educativo. São Paulo: Libertad, 1995.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
24
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

O QUE É O PLANEJAMENTO?
 Não é uma ação neutra. Ao contrário, é uma ação política, é um processo de tomada de decisões para a
ação, frente a entendimentos filosófico - políticos do mundo e da realidade.
 Planejamento: tomada de decisão. Para planejar torna-se necessário ter presentes os princípios
pedagógicos. Deve ser uma ação viva e decisiva, pois é um ato político decisório.
 Execução da ação planejada: finalidade do ato a ser praticado (ação-reflexão-ação)
 Avaliação: julgamento qualitativo da ação, tendo como base critérios estabelecidos previamente. É uma
apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo ensino e aprendizagem que auxilia o professor a
tomar decisões sobre o seu trabalho.

PLANEJAR É: Estudar é assumir uma atitude séria e curiosa diante de um problema, necessário para se
atingir determinados objetivos (Paulo Freire,1979 – Revista Educação) e PLANEJAMENTO: é considerada
uma necessidade em todos os campos da atividade humana.

Dessa forma...
O PLANEJAMENTO é um processo de racionalização organização e coordenação da ação docente,
articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social

Como se dá o Processo de PLANEJAMENTO?


No processo de PLANEJAMENTO procuramos responder às seguintes perguntas:
 O que pretendo alcançar?
 Em quanto tempo pretendo alcançar?
 Como posso alcançar isso que pretendo?
 O que fazer e como fazer?
 Quais os recursos necessários?
 O que e como analisar a situação a fim de verificar se o que pretendo foi alcançado?

Planejamento Educacional => de forma mais ampla sobre as decisões acerca da educação, requer assim
uma proposição de objetivos a longo prazo que defina, uma política da educação.
O Trabalho Docente é uma atividade consciente e sistemática, em cujo centro está a aprendizagem ou o
estudo dos alunos.
“A assimilação de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento das capacidades mentais decorrentes do
processo ensino não tem valor em si mesmos, mas visam instrumentalizar os alunos como agentes ativos e
participantes na vida social”.

O PROFESSOR USA O PLANEJAMENTO COMO OPORTUNIDADE DE REFLEXÃO E AVALIAÇÃO DA


SUA PRÁTICA

PLANEJAMENTO ESCOLAR

1- O PLANEJAMENTO ESCOLAR é uma atividade que orienta a tomada de decisões da escola e do


professor em relação às situações docentes de ensino e aprendizagem, tendo em vista alcançar os melhores
resultados possíveis.

São três tipos de planos apontados por Libâneo (1996): da ESCOLA, de ENSINO e de AULAS.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
25
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

MODALIDADES DE PLANEJAMENTO
 Plano da Escola: é um documento mais global; expressa orientações gerais que sintetizam, de um lado,
as ligações da escola com o sistema escolar mais amplo e, de outro, as ligações do projeto pedagógico da
escola com os planos de ensino propriamente ditos.
 Plano de Ensino/ Plano de Unidades: é a previsão dos objetivos e tarefas do trabalho docente para um
ano ou semestre; é um documento mais elaborado, dividido por unidades seqüenciais, no qual aparecem
objetivos específicos, conteúdo, metodologia e avaliação.
 Plano de Aula: é a previsão do desenvolvimento do conteúdo para uma aula ou conjunto de aulas e tem
um caráter bem específico, é um detalhamento do plano de ensino.

As PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS de cada um desses planos são:

PLANO DA ESCOLA PLANO DE ENSINO PLANO DE AULA


É um roteiro organizado das É um guia de orientação para o É um detalhamento do Plano de Ensino,
unidades didáticas para um ano planejamento do plano de aula. servirá para orientar as ações do professor
A ou semestre. como também para possibilitar constantes
revisões e aprimoramentos de ano para
ano.
É um detalhamento do Plano de É um roteiro organizado das É um guia de orientação para o
Ensino, servirá para orientar as unidades didáticas para um ano ou planejamento do plano de ensino.
ações do professor como também semestre.
B
para possibilitar constantes
revisões e aprimoramentos de ano
para ano.
É um guia de orientação para o É um detalhamento do Plano da É um detalhamento do Plano de Ensino,
planejamento do plano de ensino. Escola, que serve para orientar o servirá para orientar as ações do professor
C diretor da escola de ano para ano. como também para possibilitar constantes
revisões e aprimoramentos de ano para
ano.
É um guia de orientação para o É um roteiro organizado das É um detalhamento do Plano de Ensino,
planejamento do processo de unidades didáticas para um ano servirá para orientar as ações do
D ensino. ou semestre. professor como também para possibilitar
constantes revisões e aprimoramentos
de ano para ano.
É um roteiro organizado dos É um roteiro organizado das É um detalhamento do Plano da Escola, que
planos de aula. unidades didáticas para o ano ou serve para orientar as ações da
E
semestre. coordenação pedagógica em constantes
revisões do processo de ensino.

ATO DE PLANEJAR
 O ATO DE PLANEJAR ENVOLVE DEFINIR SOBRE:
1. Objetivos Educacionais
2. Conteúdos
3. Estratégias/metodologias
4. Recursos
5. Avaliação da Aprendizagem

1. OBJETIVOS EDUCACIONAIS
 Expressam os propósitos definidos quanto ao desenvolvimento das qualidades humanas que todos os
indivíduos precisam adquirir para se capacitarem para as lutas sociais de transformação da sociedade.
 Requerem um posicionamento ativo do professor em sua explicitação, seja no planejamento escolar, seja no
desenvolvimento das aulas.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
26
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

OS NÍVEIS DE OBJETIVOS EDUCACIONAIS


 Objetivos Gerais: expressam propósitos mais amplos acerca do papel da escola e do ensino diante das
exigências postas pela realidade social. São explicitados em três níveis de abrangência:
 pelo sistema escolar
 pela escola
 pelo professor
 Objetivos Específicos: expressam as expectativas do professor sobre o que deseja obter dos alunos no
decorrer do processo de ensino.
 Têm sempre um caráter pedagógico, porque explicitam o rumo a ser impresso ao trabalho escolar.
 O professor deve vincular os objetivos específicos aos objetivos gerais sem perder de vista a situação
concreta da escola, da matéria e dos alunos) em que serão aplicados.

2. CONTEÚDOS DE ENSINO
 Conteúdos de Ensino:
 Conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, valores, atitudes organizados pedagógica e didaticamente
e aplicados em sala de aula.
 Os conteúdos são organizados em matérias de ensino e dinamizados pela articulação objetivos-conteúdos-
métodos e formas de organização do ensino.

 Conteúdo Factual: (conhecimento de fatos, acontecimentos, situações, dados e fenômenos concretos).


São conteúdos importantes desde que disponham dos conceitos associados que permitam interpreta-los para
não se converter em conhecimentos mecânicos. Quando o aluno aprendeu o conteúdo factual? Quando é
capaz de reproduzi-lo.

 Conteúdo de Conceitos e Princípios:


 Conceitos: se referem ao conjunto de fatos, (objetos ou símbolos que têm características comuns).
 Princípios: se referem as mudanças que se produzem num fato, objeto ou situação e que normalmente
descrevem relações de causa-efeito ou de correlação.
 Quando ocorre a aprendizagem?
 Quando se entende o significado de conceito e princípio, envolve compreensão que vai além da reprodução
de enunciados, sabe utilizá-lo para interpretação.
 Sempre há a possibilidade de aprofundar o conhecimento, de faze-la mais significativa.

 Conteúdo Procedimental: (regras, técnicas, métodos, destrezas ou habilidades). Conjunto de ações


ordenadas e dirigidas para a realização de um objetivo.
 Quando se aprende? Com base em ações
 Conteúdos Atitudinais: (valores, atitudes, normas)
 Valores: idéias éticas que permitem as pessoas emitir um juízo sobre as condutas e seu sentido. Ex:
solidariedade, respeito ao outro, responsabilidade, liberdade.
 Atitudes: tendência das pessoas de atuar de certa maneira. A forma como cada pessoa realiza sua conduta
de acordo com valores determinados.
 Normas: padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações.
 Quando se aprende? Aprende-se uma atitude quando se pensa sobre ela (componente cognitivo).

Questões para fixação do Conteúdo


LEIA O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER AS QUESTÕES 1, 2, 3 e 4
[...] a determinação das finalidades ou objetivos da educação, sejam explícitos ou não, é o ponto de partida de
qualquer análise prática. É impossível avaliar o que acontece na aula se não conhecemos o sentido último do
que ali se faz. Mas, ao mesmo tempo, as intenções educacionais são tão globais e gerais que dificilmente
podem ser instrumentos de atuação prática no âmbito tão concreto de sala de aula. Os grandes propósitos
estabelecidos nos objetivos educacionais são imprescindíveis e também úteis para realizar a análise global do
processo educacional ao longo de toda uma série e, sem dúvida, durante todo um ciclo ou etapa. Mas quando
nos situamos no âmbito da aula, e, concretamente, numa unidade de análise válida para entender a prática
que nela acontece, temos que buscar alguns instrumentos mais definidos. (ZABALA, 1998, p. 29-30)

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
27
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

1- A ação que propicia ao professor a tomada de decisão quanto ao o que, como e quando ensinar é a
de:
a) planejar.
b) estudar.
c) qualificar.
d) socializar.
e) interagir.

2- Tudo o que se tem que aprender para alcançar determinados objetivos que não apenas abrangem as
capacidades cognitivas, mas também incluem as demais capacidades são denominados:
a) objetivos de ensino
b) avaliação da aprendizagem
c) estratégias de ensino
d) conteúdos de aprendizagem
e) procedimentos de ensino

3- Cesar Coll (1986) agrupou os conteúdos de aprendizagem em conceituais, procedimentais e


atitudinais. Um conteúdo procedimental inclui regras, métodos, técnicas, as destrezas ou habilidades,
as estratégias ou procedimentos. São conteúdos procedimentais:
I – ler
II – escrever
III – desenhar
IV- calcular
V- classificar

Estão corretas:
a) I e II
b) II e III
c) II e V
d) II e IV
e) I, III, IV e V

4- A concepção construtivista influencia nas interações educativas em sala de aula, do conjunto dessas
relações interativas necessárias para facilitar a aprendizagem se deduz uma série de funções dos
professores, que têm como ponto de partida o próprio planejamento, é uma característica dessas
funções docente:
a) Planejar a atuação docente de uma maneira suficientemente flexível para permitir a adaptação às necessidades
dos alunos em todo o processo de ensino/aprendizagem.
b) Planejar a atuação docente de uma maneira inflexível para permitir a adaptação às necessidades dos alunos em
todo o processo de inserção política.
c) Promover atividades reguladoras da aprendizagem com o objetivo de premiar os melhores e punir os piores.
d) Planejar a atuação docente de uma maneira suficientemente flexível para permitir a adaptação às necessidades
das famílias dos alunos em todo o processo educativo.
e) Estabelecer um ambiente autoritário, presidido pela autoridade docente.

5- O planejamento de ensino é uma das tarefas do professor e tem funções que são apresentadas nas
assertivas abaixo. São funções do planejamento de ensino:
I- Prever conteúdos, objetivos e métodos com base nas exigências postas pela realidade social.
II- Assegurar a racionalização, a organização e a coordenação do trabalho docente.
III- Apresentar as formas organizativas de ensino e seus métodos.
IV- Controlar a aprendizagem por meio de verificação e qualificação dos resultados.
V- Constituir-se em uma ferramenta de apoio ao trabalho do professor.

Estão corretas:
a) I, II e IV
b) I, II, III e V
c) I, II, III e IV
d) I e IV
e) IV e V

6 – Os resultados desejados e previstos para a ação educativa, são denominados:


a) métodos de ensino.
b) objetivos educacionais
c) procedimentos pedagógicos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
28
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
d) estratégias didáticas.
e) métodos construtivistas.

LEIA O TEXTO QUE SE SEGUE PARA RESPONDER AS QUESTÕES 7 e 8

Na medida em que se concebe o planejamento como um meio para facilitar e viabilizar a democratização do
ensino, o seu conceito necessita ser revisto, reconsiderado e redirecionado.
Na prática docente atual, o planejamento tem-se reduzido à atividade em que o professor preenche e entrega
à secretaria da escola um formulário. Este é previamente padronizado e diagramado em colunas, onde o
docente redige os seus "objetivos gerais", "objetivos específicos' "conteúdos", "estratégias" e "avaliação".
Em muitos casos, os professores copiam ou fazem fotocópias do plano do ano anterior e o entregam à
secretaria da escola, com a sensação de mais uma atividade burocrática cumprida.
É preciso esclarecer que planejamento não é isto. Ele deve ser concebido, assumido e vivenciado no cotidiano
da prática social docente, como um processo de reflexão.
Segundo SAVIANI (1987, p. 23), "a palavra reflexão vem do verbo latino 'reflectire' que significa 'voltar atrás'.
É, pois um (re)pensar, ou seja, um pensamento em segundo grau. [.. .] Refletir é o ato de retomar,
reconsiderar os dados disponíveis, revisar, vasculhar numa busca constante de significado. É examinar
detidamente, prestar atenção, analisar com cuidado. E é isto o filosofar'. (FUSARI, on-line, 2010)

7- Sendo o planejamento um processo de reflexão, este processo deve ser:


a) articulado, crítico e rigoroso.
b) Desregrado, acrítco, relativizado.
c) Desarticulado, acrítico e benevolente
d) Histórico e social
e) Rigoroso, político e pedagógico

8- Como reflexão filosófica o planejamento do ensino é o processo de pensar, de forma "radical", "rigorosa" e
"de conjunto", os problemas da educação escolar, no processo ensino-aprendizagem. Conseqüentemente,
planejamento do ensino é algo muito mais amplo e abrange a elaboração, execução e avaliação de planos de
ensino. O planejamento, nesta perspectiva, é,
a) o único instrumento de ação do professor
b) uma atitude crítica do educador perante seu trabalho docente
c) uma atitude crítica da escola perante o trabalho do educador
d) uma atitude crítica da família do aluno perante o trabalho do educador
e) uma atitude crítica da família do aluno perante o trabalho da escola

9- Enquanto o planejamento do ensino é o processo que envolve "a atuação concreta dos educadores no
cotidiano do seu trabalho pedagógico, envolvendo todas as suas ações e situações, o tempo todo, envolvendo
a permanente interação entre os educadores e entre os próprios educandos" (FUSARI, 1989, p. 10), o plano
de ensino é um momento de documentação do processo educacional escolar como um todo. Plano de ensino
é, então, um
a) processo conduzido pelo professor.
b) processo definido na proposta pedagógica da escola, tendo como base o disposto nas políticas públicas.
c) documento elaborado pelo grupo dirigente da escola que tem como objetivo controlar a ação docente.
d) documento elaborado pelo(s) docente(s), contendo a(s) sua(s) proposta(s) de trabalho, numa área e/ou disciplina
específica.
e) processo conduzido pela direção da escola.

10- O Planejamento do educador deve considerar os valores, os saberes e as experiências que as crianças
possuem. O plano semanal auxilia na organização adequada do currículo, tendo em vista:
a) o cumprimento do disposto na LDB
b) a necessária aplicação de avaliações sistemáticas
c) a ação pedagógica mais eficaz e eficiente
d) o empenho do professor na rotina
e) o disposto nas diretrizes da educação infantil

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
29
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Considere a informação abaixo para responder as questões 11, 12 e 13

Na esfera da educação e do ensino, há vários tipos de planejamento, que variam em abrangência e


complexidade:
a) planejamento de um sistema educacional;
b) planejamento geral das atividades de uma escola;
c) planejamento de currículo;
d) planejamento didático ou de ensino:
- planejamento de curso;
- planejamento de unidade didática ou de ensino;
- planejamento de aula. (HAYDT, 1997, p. 95)

11- O planejamento de um sistema educacional consiste no:


a) processo de tomada de decisão quanto aos objetivos a serem atingidos e a previsão das ações, tanto pedagógicas
quanto administrativas que devem ser executadas por toda a equipe escolar.
b) processo de análise e reflexão das várias facetas de um sistema educacional, para delimitar suas dificuldades e prever
alternativas de solução.
c) processo de análise e reflexão das várias facetas de um sistema educacional, para delimitar suas dificuldades e punir os
que criam as dificuldades.
d) processo participativo de tomada de decisão.

12- O planejamento de currículo é a previsão dos diversos componentes curriculares que serão
desenvolvidos ao longo de um curso, com a definição de objetivos gerais e a previsão dos conteúdos
programáticos de cada componente. Sendo assim, o primeiro passo para o planejamento curricular é a
definição de forma clara e precisa da concepção:
a) filosófica que vai nortear os fins e objetivos da ação educativa.
b) Político partidária que definirá a metodologia do ensino.
c) Econômica que definirá o campo de atuação da escola.
d) Social onde a escola se insere.
e) Histórica que delimita a ação do homem no contexto da escola.

13- Planejar é uma ação, o documento resultante dessa ação denominamos plano. O plano
didático em geral assume a forma de um documento escrito, pois:
a) é obrigado escrever segundo a LBD.
b) é o registro das conclusões do processo de previsão das atividades docentes e discentes.
c) Constitui-se em uma exigência dos coordenadores pedagógicos do sistema de ensino.
d) É o registro dos erros que o professor cometeu durante a ação docente.
e) Torna-se o instrumento avaliativo do sistema de ensino.

14- O Plano de aula é um guia para que os professores possam refletir sobre sua prática e percebê-la como
ação integrada ao coletivo da escola. É um dos diferentes tipos de planejamento realizados na escola, que
deve ser entendido como...
a) uma programação detalhada de como será desenvolvida uma experimentação.
b) um planejamento parcial, referente a um determinado tema, que pode durar uma ou duas aulas.
c) a descrição detalhada da aula, abrangendo: objetivos, conteúdo, metodologia e avaliação, observando articulações com
os demais planos da escola.
d) a antecipação de ações gerais que abrange: objetivos gerais, visão global dos conteúdos, proposta metodológica e
concepção de avaliação.
e) um planejamento amplo, a ser desenvolvido ao longo do semestre.

15 Celso Vasconcellos, ao fazer considerações sobre as contribuições do Planejamento, afirma que...


A) o planejamento é necessário, pois ajuda o professor a estabelecer ordem, disciplina e obediência em sua sala de aula,
já que garante a racionalização das ações e o alcance das metas.
B) o planejamento contribui para a formação do professor, pois implica em pensar sistematicamente sobre a realidade, a
proposta pedagógica da escola, a prática docente, ajudando a diminuir a distância entre a teoria e a prática, evitando a
rotina e a improvisação.
C) é necessário planejar sempre para garantir a execução perfeita das ações planejadas, propiciando aos professores e
alunos, uma previsão infalível do que deve ser feito, como deve ser realizado, de modo a evitar novidades e surpresas,
que possam atrapalhar as previsões estabelecidas.
D) o planejamento é uma diretriz eficaz e imutável que garante, aos professores e alunos, a distribuição de tarefas
previsíveis e controladas, sendo o único modo de alcançar a eficiência, a produtividade e a eficácia no processo de ensino.
E) não há nenhuma vantagem no planejamento, já que ele consiste numa seqüência pré-determinada de ações
burocráticas, que nada tem a ver com as necessidades da sala de aula, de seus professores e alunos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
30
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Questões de 1 a 10 – Concurso da Prefeitura Municipal de Sidrolândia-MS/2010


11, 12 e 13 - Concurso da Prefeitura Municipal de Nova Alvorada do Sul MS/2010
14, 15 Concurso da Rede Municipal de Campo Grande 2007

GABARITO
1 2 3 4 5
A D E A B
6 7 8 9 10
B A B D C
11 12 13 14 15
B A B C B

Avaliação....?

Avaliação: definições, funções, instrumentos, critérios


Profª Márcia Rita Trindade Leite Malheiros

O ato de avaliar o processo de ensino e aprendizagem, requer do professor um entendimento básico


do que é este ato, seu significado e suas implicâncias no processo de aprendizagem. Ressaltando que a
avaliação faz parte de um processo e que tal ato deve estar em coerência com os objetivos estabelecidos e
com a metodologia de trabalho adotada, procuramos a seguir tratar das definições e funções da avaliação, sob
a ótica dos autores que tratam dessa temática.
Todos nós, frutos do processo educativo emanado a partir da Lei 5692/719, entendemos avaliação
na concepção de Bloom (1970) que a define como “[...] sistemática de dados por meio do qual se determinam
as mudanças de comportamento do aluno e em que medida essas mudanças ocorrem.” Desta forma nos
tornamos sujeitos de uma mudança em que nosso comportamento era determinado por objetivos educacionais
emanados de uma visão técnica, apesar do texto da Lei ressaltar aspectos qualitativos sobre os quantitativos,
o que caberia uma discussão do entendimento do que seja “qualidade”, o que não é nosso objetivo neste
momento.
Viemos assim sendo conduzidos a concepções e instrumentos variados de avaliação que atendiam
a cada proposta, acontecida em cada momento histórico que vivemos. Poderemos acompanhar essas
concepções e instrumentos através de uma sistematização feita pela Profª Maria Estrela Araújo Fernandes, da
Universidade Federal do Ceará, tal sistematização nos mostra as tendências pedagógicas em relação ao
processo de ensino e aprendizagem. Verificar tais posições e tendências se faz necessário, não para
tentarmos nos encaixar em “gavetas teóricas” ou “modismos pedagógicos”, mas essencialmente para
entendermos o processo de construção das teorias pedagógicas atuais e a visão dos documentos oficiais que
estamos convivendo atualmente (Parâmetros Curriculares Nacionais, Referenciais Curriculares para e
Educação Infantil, Proposta para a Educação de Jovens e Adultos, entre outras).

9
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 5692/71, previu em seu Art 14 § “na avaliação do aproveitamento a ser expressa em notas
ou menções, preponderarão os aspectos qualificativos sobre os quantitativos e os resultados obtidos durante o período letivo sobre os da
prova final, caso esta seja exigida.”

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
31
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Luckesi (1996)10, trabalha com as questões que envolvem a avaliação do processo de ensino e
aprendizagem desde muito tempo. Em seu estudo mais divulgado no meio escolar, o autor trabalha com as
concepções de autoritarismo frente as questões que envolvem, em particular, a avaliação da aprendizagem
escolar. O autor ressalta seu entendimento que “[...] a avaliação não se dá e nem se dará num vazio
conceitual, mas sim dimensionada por um modelo teórico de mundo e de educação, traduzido em prática
pedagógica.” Ou seja, ele afirma que a avaliação está a serviço da pedagogia, entendida por ele como
concepção teórica da educação.
Já Perrenoud (1999)11 trata da avaliação entre duas lógicas: a que ele denomina tradicional, que
refere-se a comparação e classificação dos alunos e a emergente que refere-se a uma avaliação formativa,
pois, segundo o autor;
Toda ação pedagógica repousa sobre uma parcela intuitiva de avaliação
formativa, no sentido de que, inevitavelmente, há um mínimo de regulação em
função das aprendizagens ou, ao menos, dos funcionamentos observáveis dos
alunos. (p. 14)

Pontuando as discussões elaboradas pelos dois autores (Luckesi e Perrenoud) nos textos aqui
utilizados como referência, é fácil observarmos analisando o quadro 1, que temos primado em nossas escolas
pela avaliação classificatória. O desafio é: como estabelecer as duas lógicas colocadas por Perrenoud? Esta é
a questão devemos procurar resolver em nosso cotidiano enquanto professores/educadores. Entender que ato
de avaliar “implica a busca do melhor e mais satisfatório estado daquilo que está sendo avaliado” (Luckesi,
2000), pode ser um primeiro passo para atingir a mediação entre a lógica tradicional e emergente que nos
propõe Perrenoud.

uadro 1: FUNÇÕES DA AVALIAÇÃO


DIAGNÓSTICA CONTROLE CLASSIFICAÇÃO
Propósitos  determinar a presença ou  informar o professor e o  classificar os alunos ao fim
ausência de habilidades e/ou aluno sobre o rendimento da de um semestre, ano ou
pré-requisitos; aprendizagem durante o curso, segundo níveis de
 identificar as causas de desenvolvimento das aproveitamento.
repetidas dificuldades na atividades escolares;
aprendizagem.  localizar deficiências na
organização do ensino, de
modo a possibilitar
reformulações e a aplicação
de técnicas de recuperação
do aluno.
Objeto de  comportamento cognitivo,  comportamento cognitivo,  geralmente
medida afetivo e psicomotor. afetivo e psicomotor comportamentos
cognitivos, às vezes
comportamento psicomotor
e ocasionalmente
comportamento afetivo.
Época no início de um semestre, ano  Durante o ensino  ao final de um semestre,
letivo ou curso; ano letivo ou curso.
 durante o ensino, quando o
aluno evidencia incapacidade
de seu desempenho escolar.
Instrumentos  pré-teste  instrumentos  exame, prova ou teste
 teste padronizado de especificamente planejados final.
rendimento de acordo com os objetivos
 teste diagnóstico propostos
 ficha de observação
 Instrumento elaborado pelo
professor.
Extraído de: SCHWEZ, Nicolau. A complexidade da avaliação no processo ensino-aprendizagem. In: REVISTA do
Conselho Regional de Contabilidade. Porto Alegre: CRCRS, mai/2000. p. 45-52

10
Refiro-me ao texto de Cipriano Carlos Luckesi, intitulado “Avaliação educacional escolar: para além do autoritarismo”. Disponível em:
LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1999. p. 27-47
11
Refiro-me a obra de PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Trad.
Patrícia Chittoni Pamos. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
32
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Acerca das funções da avaliação, Demo (1999)12 nos oferece contribuições interessantes ao discutir
a avaliação como classificação e escalonamento. Com relação a classificação o autor faz referencia à
sociedade de classes, afirmando que

[...] o fundo classificatório de todo processo avaliativo não aponta necessariamente para a
relação capitalista de classe, mas sim para a relação de clivagem social genérica e que no
capitalismo aparece mais nitidamente no confronto de classe. [...] A relação de classe está
presente na escola pelo próprio fato de que, nas públicas geralmente, grande parte dos
alunos faz parte das camadas populares mais excluídas. Diante disso, imaginar avaliação
isenta é ignorar o social.

Essa não isenção da prática avaliativa parte da concepção de que o ato educativo não é um ato
neutro, mas uma ação intencional que possui a possibilidade de uma ação transformadora. Resta-nos saber
com clareza, que tipo de transformação queremos.
Com relação ao escalonamento, Demo (1999) faz uma reflexão a partir do ato de atribuir notas,
afirmando que tal ato pode “tornar as coisas mais fáceis, mas igualmente mais arriscadas.”
Podemos ainda citar inúmeros autores que tratam da complexidade e do pavor a avaliação.
Vasconcelos (1995)13 trata da lógica do absurdo acerca da avaliação, colocando vinte e sete teses sobre a
“avaliação pervertida ou sobre a perversão da avaliação”. O fato é que nós, enquanto professores, não
gostamos de ser avaliados, mas avaliamos nossos alunos.Com que critérios? Com quais instrumentos?
Sabemos que unir as funções da avaliação não é tarefa fácil, mas o ideal seria que ao diagnosticar
pudéssemos, com segurança, constatar a qualificação do objeto de avaliação, para dessa forma, decidir o que
e como fazer para atribuir valor a aprendizagem construída durante14 o processo de ensino.
Apresentadas as definições e funções da avaliação a partir do exposto pelos autores que
utilizamos como referencial para este momento do trabalho, julgamos que será necessário a partir
deste ponto discutirmos acerca dos instrumentos de avaliação possíveis de serem utilizados em
cada momento do processo de ensino e aprendizagem.
Para tratar de instrumentos, entendemos ser necessário num primeiro momento definir as
questões que se confundem. Trata-se da questão de método, que etimologicamente significa
“caminho”. Temos ouvido muito a seguinte afirmação: “meu método de avaliação é o da prova
dissertativa”. Se a prova é o caminho, então podemos afirmar que, a finalidade do ato de ensinar
seja o único e simples resultado de uma prova. Na verdade, entendemos que a prova é o
instrumento, ou melhor, é um dos instrumentos que o professor está utilizando para avaliar.
Considerando a avaliação como processo contínuo que deve acontecer nos diferentes momentos do
trabalho pedagógico, é importante ressaltar que a verificação e a qualificação dos resultados da aprendizagem
no início, durante e no final das atividades didáticas, que, segundo Libâneo (1994) “visam sempre diagnosticar
e superar dificuldades, corrigir falhas e estimular os alunos a que continuem dedicando-se aos estudos.” (grifo
nosso)
Desta forma, podemos considerar que o processo de avaliação inclui diversos instrumentos e
procedimentos visando estimular e não excluir a dedicação aos estudos, tais instrumentos e procedimentos
devem ser adequados a cada situação de aprendizagem.
Em material elaborado para suas aulas de didática, a Profª Carla Busato Zandavalli Maluf de Araújo,
classifica os instrumentos de avaliação conforme o quadro abaixo:

12
DEMO, Pedro. Mitologias da Avaliação: de como ignorar em vez de enfrentar problemas. Campinas: Autores Associados, 1999.
13
VASCONCELOS, Celso dos Santos. Avaliação: concepção dialética-libertadora do processo de avaliação escolar. São Paulo:
Libertad, 1995
14
Defendemos a utilização de uma avaliação processual, onde cada momento do processo de ensino e aprendizagem seja objeto de um
momento de reflexão do encaminhamento dado a esse processo

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
33
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Quadro 2: INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO


INSTRUMENTO MODALIDADES
Trabalho escrito Individual  Dissertação ou Produção de Texto;
 Estudo Dirigido;
 Estudo através de fichas;
 Estudo de texto;
 Provas:
 Com questões dissertativas (abertas);
 Com questões fechadas (certo ou errado, preencher lacunas,
correspondência entre colunas, múltipla escolha, ordenação;
 Com questões de identificação a partir de ilustrações;
 Com questões interpretativas
Fichas  Auto-avaliação
 Hétero-avaliação
Trabalho Grupal  Pesquisas;
 Resumos;
 Produções de Textos;
 Anotações sobre apresentações, etc.

Passamos a listar e definir alguns dos procedimentos e instrumentos de avaliação, ressaltando que
em anexo a este material existem modelos de alguns instrumentos elaborados por nós, além de outros
disponíveis em literatura e/ou programas de avaliação que transcrevemos no intuito de exemplificar tais
instrumentos.
Quanto aos instrumentos é importante que se tenha presente que quanto mais variado o tipo
utilizado em um processo maior o alargamento das condições de aprendizagem e de “calibragem” do trabalho
didático/pedagógico.

INSTRUMENTOS FORMAIS:
Prova escrita dissertativa – trata-se de um conjunto de questões ou temas que devem ser
respondidos pelos alunos com suas próprias palavras. Permitem avaliar conhecimentos, habilidades,
atitudes e hábitos.
Existem alguns procedimentos a serem observados com relação a elaboração e correção dessas
provas. Transcrevemos a seguir o material elaborado pela Profª Doralice dos Santos Russi, que traz essas
orientações.
01- As questões ou tarefas devem solicitar o domínio do essencial.
02- Deve haver precisão de linguagem na formulação da questão, de modo a orientar claramente o aluno
sobre o que deve realizar.
03- Devem ser evitadas expressões do tipo: “fale sobre”, “diga tudo que sabe” e “qual sua opinião sobre?”
04- Indique claramente em cada questão, a extensão e a profundidade das respostas desejadas. Limite
também o quanto o aluno deve responder.
05- As questões dissertativas devem ser utilizadas para medir habilidades intelectuais complexas como:
compreensão, análise, síntese e avaliação e não a simples memorização.
06- Exemplos de termos adequados para introduzir questões dissertativas são: comprar, confrontar,
argumentar, exemplificar, relacionar, interpretar.
07- Ao corrigir a prova com questões dissertativas, deve-se preparar um gabarito, com as respostas
consideradas corretas.
08- Deve-se corrigir por questões, e não por aluno, para comprar as respostas.
09- Quando solicitar dissertação de um só tema, em que não há exatamente uma resposta correta, o ideal é
ler todas as provas, comparando-as em 3 grupos: boas, razoáveis e insuficientes. Em seguida, faz-se
nova leitura mais cuidadosa, e aí atribui-se a nota.
10- Caso se sinta em dúvida, peça ajuda de um colega. Lembre-se que não é fácil ser objetivo na correção.

Observação complementares:

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
34
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

 Verifique se existe tempo disponível para a elaboração das respostas.


 Informe ao aluno sobre o valor das questões.
 É melhor que todos os estudantes respondam a todas as questões, eliminando-se por exemplo a
possibilidade de escolher apenas algumas para responder.

Prova escrita de questões objetivas – trata-se de um conjunto de questões para escolha


de alternativas possíveis de respostas. Avaliam a extensão de conhecimentos e habilidades.
As orientações para elaboração de provas objetivas, são transcritas a seguir.

1. Questões de resposta curta


1.1 - Complemento
- colocar a lacuna mais para o final de afirmação:
- omitir tão poucas palavras, quanto possível (no máximo 2 lacunas)
- utilizar espaços em branco, de tamanho uniforme;
- evitar indícios gramaticais facilitadores;
- evite retirar frases de livros ou apostilas, suprimindo delas alguns elementos;
- as lacunas devem corresponder a aspectos importantes; e não a palavras sem significação;
- não omitir adjetivos e advérbios

1.2 – Questões de F ou V
- evitar frases longas;
- evitar frases negativas
- expor uma idéia em cada frase
- as frases devem ter o mesmo comprimento, e ser dispostas anarquicamente. Evitar seqüências,
tipo 2 questões F, e 2 questões V;
- as frases não podem ser parcialmente falsas, ou parcialmente verdadeiras.
- quando usar a palavra não, sublinhá-la para destacar,
- evitar generalizações como: todo, todas, nenhum, nunca, somente, raramente.
- se citar a opinião de alguém, esclarecer o autor e a fonte;
- evitar ambigüidades.

1.3 – Questões de associação


- incluir elementos homogêneos em cada questão.
- deve haver mais elementos da classe numerada, que elementos da coluna a numerar, ou vice-
versa;
- uma resposta deve ser verdadeira para mais de uma pergunta;
- não incluir palavras claramente erradas na lista de respostas

2 . Questões de múltipla escolha


- desenvolver o item, a partir de idéias relevantes;
- primeiro estruturar a idéia que servirá de base ao item, para num 2º momento, elaborar a questão.
- apresentar a questão com clareza;
- as itens devem ser independentes;
- evitar itens negativos, quando for necessário utilizar, sublinhá-los para destacar;
- o problema deve ser proposto na raiz do item;
- as opções devem ser plausíveis, e estar relacionadas ao mesmo aspecto do problema;
- devem ser evitadas pistas como: a resposta certa ser mais longa, indícios gramaticais, a resposta
certa ocupar sempre a mesma posição entre as alternativas;
- devem ser evitadas palavras como: sempre, nunca, todos, nenhum, só, somente;
- deve haver sempre uma só resposta certa:
- devem ser evitadas alternativas como: nenhuma das anteriores ou todas as respostas acima.

Obs.: na organização da prova, procurar:


- dispor os itens conforme a crescente dificuldade,
- agrupar conforme o conteúdo;
- agrupar conforme os tipos de item
- deve ter de 3 a 5 alternativas

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
35
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Cabe ressaltar que tanto em provas objetivas como, principalmente, em provas subjetivas a correção
deve ser extremamente criteriosa, mostrando ao aluno onde errou, em que deve dedicar-se mais e
principalmente, mostrando os acertos dos alunos.
Portfólio – Segundo Both (2000)15, “trata-se de um instrumento que compreende a compilação de
todos os trabalhos realizados pelos alunos, durante o curso, série ou disciplina.”
Compõe-se do registro de todas as atividades realizadas no decorrer do curso/disciplina; tais como:
visitas, resumos de textos, projetos e relatórios de pesquisa, avaliações, recortes, anotações de aulas e de
experiências.
Trata-se de uma abordagem inovadora, que foge dos padrões tradicionais de avaliação e exige um
tempo maior dos professores pois têm que analisar em conjunto ou individualmente os trabalhos dos alunos.
Neste caso, o professor não decide sozinho o destino do aluno, este tem a oportunidade de refletir acerca de
seu desempenho, documentando ativamente sua aprendizagem, através do portfólio.
Em sua estrutura, o portfólio deve apresentar: a) Pasta individual, contendo afixados: nome do
aluno (a) e professor (a), curso, disciplina, série, ano; b) Folha de rosto para registrar: pensamentos,
sentimentos e auto-avaliações de crescimento ao longo de sua experiência de ensino; c) Índice com a
relação seqüencial do material: registro de visitas, resumos de textos, projetos e relatórios de pesquisa,
avaliações, recortes, anotações de aulas e de experiências.
Auto-avaliação – trata-se de um instrumento que objetiva tornar o aluno co-responsável por sua
avaliação. Através da auto-avaliação o professor ajudará o aluno a refletir sobre a responsabilidade de seu
desenvolvimento, o que contribuirá para o auto-conhecimento, o que, segundo Depresbiteris (1993), “é o
principal desencadeador de mudança de natureza social”.
A solicitação de trabalhos de pesquisa é uma atividade complexa, não devemos “passar” pesquisa
só para dizer que somos “construtivistas”. A pesquisa deve ser um complemento das atividades trabalhadas
em aula e deve possuir uma finalidade clara e construtiva. É interessante elaborarmos roteiro para pesquisa e
indicações bibliográficas sobre o tema pesquisado, assim, estaremos habituando nossos alunos a trabalharem
com disciplina e rigor científico desde cedo.

PROCEDIMENTOS AUXILIARES DE AVALIAÇÃO

Observação – tem por objetivo, segundo Libâneo (1994)16:


investigar informalmente as características individuais e grupais dos alunos, tendo em vista identificar
fatores que influenciam a aprendizagem e o estudo das matérias e, na medida do possível, modificá-
las

Existem algumas recomendações acerca da observação, principalmente no que refere-se a nossa


postura enquanto educadores e educadoras, que ao estabelecermos a sistematização da observação, já
temos em mente hipóteses acerca do educando. As perguntas presentes em nossa pauta de observação,
poderão ou não confirmar nossas hipóteses durante a avaliação.

Entrevista – segundo Libâneo (1994), trata-se de uma técnica direta e simples de conhecer o
aluno e auxiliar em seu desempenho escolar.
Tem por objetivo “ampliar os dados que o professor já tem, tratar de um problema específico
detectado nas observações, esclarecer dúvidas quanto a determinadas atitudes e hábitos.”
Este procedimento requer um relacionamento amigável do professor com o aluno, colocando-o à
vontade para falar o maior tempo possível.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
Outro ponto a ser destacado são os critérios de avaliação. Critérios que são definidos “a
priori” e que devem estar sempre claros, não só para quem avalia, como também para que é
avaliado.
Depresbiteris (1993)17 ressalta que:

15
BOTH, Ivo José. Portfólio: excelente instrumento de avaliação do desempenho do aluno. Ponta Grossa, mime, 2000. Material utilizado
como subsídio do Curso de Especialização em Avaliação Institucional.
16
LIBÂNEO, José Carlos. A avaliação Escolar. In: Didática. São Paulo: Cortez, 1994. p.195-220

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
36
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
Tanto em grego como em latim, o termo “critério” quer dizer discernir. Em sua
acepção comum, indica uma regra que se aplica para julgar a verdade. No
sentido filosófico, significa uma característica que permite avaliar uma coisa,
uma noção ou apreciar um objeto. Enfim, é o que serve de fundamento para um
juízo.

Ou seja, o ato de avaliar nos concede o estatuto de emitir um juízo de valor acerca de alguém ou
alguma coisa. É esta relação de poder que deve ser discutida e esclarecida no âmbito escolar. A instituição
escola deve ter clareza de como vai trabalhar com esse “poder” que lhe é atribuído, para isso necessita saber
quem é o cidadão, o profissional que deseja preparar para atuar na sociedade e no mercado de trabalho.
Ainda Depresbiteris (1993) nos alerta para o que Luckesi enfatiza como importância do critério:
“dizendo que a avaliação não poderá ser praticada sobre dados
inventados pelo sujeito, sob pena de nada estar avaliando ou, pior
ainda, estar enganando a si mesmo e aos outros.”

Desta forma, concluímos esta etapa de nossa proposta de discussões em uma disciplina que se
propõe instrumentalizar os acadêmicos e acadêmicas para uma postura avaliativa em consonância com a
idéia progressista em relação a prática docente, lembrando que é recomendável que se proceda ampla
reflexão com base em objetivos educacionais para elaboração de uma proposta avaliativa que contemple
as expectativas previstas em um projeto pedagógico.

REFERÊNCIAS

BOTH, Ivo José. Portfólio: excelente instrumento de avaliação do desempenho do aluno. Ponta Grossa, mimeo, 2000.
DEMO, Pedro. Mitologias da Avaliação: de como ignorar em vez de enfrentar problemas. Campinas: Autores Associados,
1999.
DEPRESBITERIS, Lea. Avaliação da aprendizagem – revendo conceitos e posições. In: SOUSA, Clariza Prado de (org).
Avaliação do rendimento escolar. 2. ed. Campinas: Papirus, 1993.
LIBÂNEO, José Carlos. A avaliação Escolar. In: Didática. São Paulo: Cortez, 1994
LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1999.
PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Trad. Patrícia
Chittoni Pamos. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
SCHWEZ, Nicolau. A complexidade da avaliação no processo ensino-aprendizagem. In: REVISTA do Conselho Regional
de Contabilidade. Porto Alegre: CRCRS, mai/2000. p. 45-52
VASCONCELOS, Celso dos Santos. Avaliação: concepção dialética-libertadora do processo de avaliação escolar. São
Paulo: Libertad, 1995

Pontos complementares sobre Avaliação


O QUE É MESMO O ATO DE AVALIAR A APRENDIZAGEM?
 Ato de avaliar – disposição de acolher (no seu modo de ser) para se trabalhar, para se decidir o que fazer.
 Avaliador – é quem tem a disposição de acolher (ponto de partida da avaliação), é o adulto da relação.
 O ato de avaliar – não é um ato neutro que se encerra na constatação. Não é um ato impositivo, mas um
ato dialógico, amoroso e construtivo.
 Ato de avaliar – diagnosticar e decidir.
 Diagnosticar – constatação e de qualificação do objeto de avaliação.
 Qualificar - atribuir uma qualidade mais ou menos ao objeto avaliado.
 Decidir – tomada de decisão mais ou menos o que fazer? Sem este ato de decidir o ato de avaliar não se
completa, não se realiza.

17
DEPRESBITERIS, Lea. Avaliação da aprendizagem – revendo conceitos e posições. In: SOUSA, Clariza Prado de
(org). Avaliação do rendimento escolar. 2. ed. Campinas: Papirus, 1993. p 51-78.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
37
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

PONTOS BÁSICOS NA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR


 Dados relevantes:
 o que é essencial para avaliar aquilo que estamos pretendendo, são aqueles que estão definidos nos
planejamentos de ensino, a partir de uma teoria pedagógica, e que foram traduzidos em práticas educativas
nas aulas.
 Instrumentos de avaliação da aprendizagem :
 tem que ser adequados para coletar os dados.
 Utilização dos instrumentos:
 momento de qualificar a aprendizagem.
 A teoria pedagógica dá o norte da prática educativa e o planejamento de ensino faz a mediação entre a
teoria pedagógica e a prática de ensino na aula. Sem ele, a prática da avaliação escolar não tem sustentação.

MODALIDADES DE AVALIAÇÃO
 Diagnóstica: permite averiguar como está cada aluno e as providências que são necessárias.
 Formativa: ocorre durante o desenvolvimento das atividades e tem a finalidade de informar professor e
aluno sobre o resultado da aprendizagem.
 Somativa: ocorre ao final de cada período com a finalidade de classificar o aluno de acordo com o seu
aproveitamento.

Para Luckesi a Avaliação da Aprendizagem é....


Cipriano Carlos Luckesi

Conceito: Avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista
uma tomada de decisão. Avaliar significa julgar qualidade comparando-a com critérios e padrões previamente
definidos. Um julgamento comparativo entre os resultados observados e os pretendidos.

1. Juízo de valor: é uma afirmação qualitativa sobre um dado objeto, a partir de critérios pré-estabelecidos.
São afirmações ou negações sobre alguma coisa. O juízo expressa a qualidade do objeto que está sendo
ajuizado, recebe a denominação de juízo de qualidade. O objetivo é expressar uma qualidade que se atribui a
um objeto. O juízo de qualidade é produzido por um processo comparativo entre o objeto que está sendo
ajuizado e um determinado padrão ideal de julgamento.

2. Julgamento: se faz com base nos caracteres relevantes da realidade (do objeto da avaliação). Portanto, o
julgamento, apesar de qualitativo, não será inteiramente subjetivo. O juízo emergirá dos indicadores da
realidade que delimitam a qualidade efetivamente esperada do objeto. Exemplo: se pretendo, avaliar a
aprendizagem de matemática, não será observando condutas sociais do educando que virei a saber se ele
detém o conhecimento do raciocínio matemático adequadamente. Para o caso, é preciso tomar os indicadores
específicos do conhecimento e do raciocínio matemático.

3. Tomada de Decisão: o julgamento de valor, por sua constituição, desemboca num posicionamento de não
indiferença, o que significa obrigatoriamente uma tomada de posição sobre o objeto avaliado, e uma tomada
de decisão quando se trata de um processo, como é o caso da aprendizagem.

Atenção: São esses três elementos que compõem a compreensão constitutiva da avaliação que, na prática escolar, se
pode dar, o arbitrário da autoridade pedagógica. Qualquer um dos três elementos pode ser perpassado pela posição
autoritária. A tomada de decisão é o componente da avaliação que coloca mais poder na mão do professor.

Por que Diagnosticar e Não Classificar?

O julgamento de valor que teria a função de possibilitar uma nova tomada de decisão sobre o objeto avaliado,
passa a ter a função estática de classificar um objeto ou um ser humano histórico num padrão definitivamente
determinado. Essas classificações são registradas e transformadas em números e, por isso, adquirem a
possibilidade de serem somadas e divididas em médias.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
38
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Nesse raciocínio o ato de avaliar não serve como pausa para pensar a prática e retornar a ela, mas sim como
um meio de julgar a prática e torná-la estratificada. Com a função classificatória, a avaliação não auxilia em
nada o avanço e o crescimento, constitui-se num instrumento estático do processo de crescimento. Subtrai da
prática da avaliação aquilo que lhe é constitutivo: a obrigatoriedade da tomada de decisão quanto à ação,
quando ela está avaliando uma ação.

A função diagnóstica constitui-se num movimento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da


ação, do crescimento para a autonomia, do crescimento para a competência etc. Será um momento dialético
de análise do estágio em que se está e de sua distância em relação à perspectiva que está colocada como
ponto a ser atingido à frente.

Avaliação educacional como instrumento tradutor de uma pedagogia a serviço da


transformação social

Para que a avaliação educacional assuma seu verdadeiro papel de instrumento dialético de diagnóstico para o
crescimento, terá de se situar e estar a serviço de uma pedagogia que esteja preocupada com a
transformação social. A avaliação deixará de ser autoritária se o modelo social e a concepção teórico-prática
da educação também não forem autoritários.
Para isso é necessário que a avaliação seja efetivamente um julgamento de valor sobre manifestações
relevantes da realidade para uma tomada de decisão. Para tanto é preciso o resgate da função diagnóstica.
Para isso o professor ao planejar suas atividades de ensino, estabeleça previamente o mínimo necessário a
ser aprendido efetivamente pelo aluno. É preciso que os conceitos ou notas médias de aprovação signifiquem
o mínimo necessário para que cada cidadão se capacite para comandar. Desta forma os alunos que
apresentarem a aprendizagem dos mínimos necessários seriam aprovados para o passo seguinte de sua
aprendizagem. Enquanto não conseguirem isso, cada educando merece ser reorientado.

E o erro no processo avaliativo?

A idéia de erro só emerge no contexto da existência de um padrão considerado correto. Ex: a solução
insatisfatória de um problema só pode ser considerada errada a partir do momento em que se tem uma forma
considerada correta de resolvê-lo; uma conduta é considerada errada na medida em que se tem uma definição
de como seria considerada correta. Ou seja, sem padrão não há erro.

 Os erros da aprendizagem, que emergem a partir de um padrão de conduta cognitivo ou prático já


estabelecido pela ciência ou pela tecnologia, servem positivamente de ponto de partida para o avanço, na
medida em que são identificados e compreendidos, e sua compreensão é o passo fundamental para sua
superação.
 O erro, para ser utilizado como fonte de virtude ou de crescimento, necessita de efetiva verificação,
para ver se estamos diante dele ou da valorização preconceituosa de um fato; e de esforço, visando
compreender o erro quanto à sua constituição (como é esse erro?) e origem (como emergiu esse erro?).
 A partir do momento que reconhece a origem e a constituição do erro pode-se superá-lo, com
benefícios significativos para crescimento.

O que vem acontecendo?

O que ocorre na prática da avaliação educacional é que dificilmente os professores definem com clareza, no
ato do planejamento de ensino, qual é o padrão de qualidade que se espera da conduta do aluno, após ser
submetido a uma determinada aprendizagem.

A avaliação praticada independentemente de uma definição prévia dos mínimos necessários, pode ser
utilizada para muitas outras coisas dentro da escola que não sejam propriamente a avaliação do aluno.

 Uma análise dos dados relevantes da realidade. Para que o avaliador seja relativamente verdadeiro
no juízo de qualidade, há que tomar como fundamento as caracteres da realidade que dizem respeito ao
objetivo que tem ao proceder a avaliação. Os dados a serem levados em consideração na avaliação deverão
ser compatíveis com o objeto a ser avaliado e com os objetivos que se tem.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
39
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

 A avaliação deve ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem


em que se encontra o aluno, tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que possa
avançar no seu processo de aprendizagem. A avaliação não seria tão-somente um instrumento para a
aprovação ou reprovação dos alunos, mas sim um instrumento de diagnóstico de sua situação, tendo em vista
a definição de encaminhamentos adequados para a sua aprendizagem.
 Para que a avaliação diagnóstica seja possível, é preciso compreendê-la e realizá-la comprometida
com uma concepção pedagógica. Portanto, a avaliação diagnóstica não se propõe e nem existe de uma forma
solta e isolada. É condição de sua existência a articulação com uma concepção pedagógica progressista.

VERIFICAÇÃO OU AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM?

 A avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um
projeto pedagógico e com seu conseqüente projeto de ensino.
 A avaliação, tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem, não possui uma finalidade em
si; ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido.
 A avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos educandos, tendo em vista garantir a
qualidade do resultado que estamos construindo.
 Não se pode estudar avaliação de forma isolada de um projeto que a articule.

Na prática da aferição do aproveitamento escolar, os professores realizam 3 procedimentos:

1. Medida do aproveitamento escolar: medida é uma forma de comparar grandezas, tomando uma
como padrão e outra como objeto a ser medido, tendo como resultado a quantidade de vezes que a medida
padrão cabe dentro do objeto medido.

2. Transformação da medida em nota ou conceito: a transformação dos resultados medidos em nota


ou conceito dá-se por meio do estabelecimento de uma equivalência simples entre os acertos ou pontos
obtidos pelo educando e uma escala, previamente definida, de notas ou conceitos.
3. Utilização dos resultados: com os resultados nas mãos o professor:

 registra no Diário de Classe, ou;


 oferece ao educando a oportunidade de melhorar a nota ou conceito, permitindo que faça uma nova
aferição, ou;
 atenta-se para as dificuldades e desvios da aprendizagem dos educandos e decidir trabalhar com eles
para que, de fato, aprendam aquilo que deveriam aprender, construam efetivamente os resultados necessários
da aprendizagem.

Melhorar a nota ou aprendizagem? Muitas vezes observa-se que o que está motivando e polarizando a ação
não é a aprendizagem necessária, mas sim a nota. A terceira opção possível de utilização dos resultados da
aprendizagem é a mais rara na escola, pois exige que estejamos, em nossa ação docente, voltados para
aprendizagem e para o desenvolvimento do educando; a efetiva aprendizagem seria o centro de todas as
atividades do educador.

 O processo de verificar configura-se pela observação, obtenção, análise e síntese dos dados ou
informações que delimitam o objeto ou ato com o qual se está trabalhando.
 A verificação encerra-se no momento em que o objeto ou ato de investigação chega a ser
configurado, sinteticamente, no pensamento abstrato, Isto é, no momento em se chega à conclusão que tal
objeto ou ato possui determinada configuração.
 A dinâmica do ato de verificar encerra-se com a obtenção do dado ou informação que se busca, isto é,
“vê-se” ou “não se vê” alguma coisa. A verificação não implica que o sujeito retire dela conseqüências novas e
significativas.
 A verificação é uma ação que congela o objeto.

 O ato de avaliar implica coleta, análise e síntese dos dados que configuram o objeto da avaliação,
acrescido de uma atribuição de valor ou qualidade, que se processa a partir da comparação da configuração
do objeto avaliado com um determinado padrão de qualidade previamente estabelecido para aquele tipo de
objeto.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
40
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

 O valor ou qualidades atribuídos ao objeto conduzem a uma tomada de posição a seu favor ou contra
ele. E o posicionamento a favor ou contra o objeto, ato ou curso de ação, a partir do valor ou qualidade
atribuídos, conduz a uma decisão nova: manter o objeto como está ou atuar sobre ele.

USO DA AVALIAÇÃO

Luckesi propõe que a avaliação do aproveitamento escolar seja praticada como uma atribuição de qualidade
aos resultados da aprendizagem dos educandos, tendo por base seus aspectos essenciais e, como objetivo
final, uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e, conseqüentemente, o desenvolvimento do
educando.

O autor propõe que o professor fuja do aspecto classificatório, que sob forma de verificação, tem atravessado
a aferição do aproveitamento escolar. Ao avaliar o professor deverá:

1. coletar, analisar e sintetizar, da forma mais objetiva possível, as manifestações das condutas –
cognitivas, afetivas, psicomotoras – dos educandos, produzindo uma configuração do efetivamente aprendido;
2. atribuir uma qualidade a essa configuração da aprendizagem, a partir de um padrão (nível de
expectativa) pré-estabelecido e admitido como válido pela comunidade dos educadores e especialistas dos
conteúdos que estejam sendo trabalhados;
3. a partir dessa qualificação, tomar uma decisão sobre as condutas docentes e discentes a serem
seguidas, tendo em vista: a reorientação imediata da aprendizagem, o encaminhamento dos educandos para
passos subseqüentes da aprendizagem, caso se considere que, qualitativamente, atingiram um nível
satisfatório no que estava sendo trabalhado.

Padrão mínimo

Para que se utilize a avaliação no processo ensino-aprendizagem no contexto escolar, é preciso estabelecer
um padrão mínimo de conhecimentos que o educando deverá adquirir e não uma média mínima de notas.

Planejamento e Avaliação: são atos que estão a serviço da construção de resultados satisfatórios. Enquanto
o planejamento traça previamente os caminhos, a avaliação subsidia os redirecionamentos que venham a se
fazer necessários no percurso da ação. A avaliação é um ato de investigar a qualidade dos resultados
intermediários ou finais de uma ação, subsidiando sempre sua melhora.

Luckesi finaliza que:

 A avaliação da aprendizagem deve ser definida como um ato amoroso, no sentido de que a avaliação,
por si só, seja um ato acolhedor, integrativo, inclusivo. A avaliação tem por base acolher uma situação, para,
então, ajuizar a sua qualidade, tendo em vista dar-lhe suporte de mudança, se necessário.
 A avaliação como ato diagnóstico, tem por objetivo a inclusão e não a exclusão; a inclusão e não a
seleção. O diagnóstico tem por objetivo aquilatar coisas, atos, situações, pessoas, tendo em vista tomar
decisões no sentido de criar condições para a obtenção de uma maior satisfatoriedade daquilo que se esteja
buscando ou construindo.
 A avaliação da aprendizagem escolar pode ser compreendida como um ato amoroso, na medida em
que a avaliação tem por objetivo diagnosticar e incluir o educando, pelos mais variados meios, no curso da
aprendizagem satisfatória.

No processo de prever a avaliação Araújo (2005) esclarece que o professor deve ter clareza sobre os critérios
a serem usados; as técnicas e instrumentos:

 Critérios: permitem dizer se o processo ou produto observado é excelente, ótimo, bom ou


insuficiente, pois indicam o patamar de qualidade e quantidade a ser atingido, observando-se que o professor
não define esse patamar solitariamente, mas deve se basear em diretrizes curriculares e nos referenciais
disponíveis na literatura de sua área.

 Técnicas: são as ações desenvolvidas pelo professor com a finalidade de acompanhar o desempenho
dos alunos. E no caso de avaliação contínua, diagnóstica, elas quase se confundem com as técnicas de
ensino; pois todos os momentos da aula permitem identificar aprendizagens dos alunos; não sendo necessário

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
41
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

destinar um momento único para esta finalidade – a data da prova. As técnicas de avaliação podem ser
usadas para diagnosticar os conhecimentos prévios dos alunos. Ex: tempestade cerebral. Verificar o grau de
compreensão após a aula dada. Ex: debate, bingo. Verificar a capacidade de aplicar conhecimentos. Ex:
situações-problema.

 Instrumentos: são os meios que permitem registrar o desenvolvimento dos alunos, abrangendo:
resenhas, artigos, estudos dirigidos, provas, seminários, fichas de avaliação etc.

A AVALIAÇÃO TAMBÉM TEM COMO PRESSUPOSTO OFERECER AO PROFESSOR OPORTUNIDADE


DE VERIFICAR, CONTINUAMENTE, SE AS ATIVIDADES, MÉTODOS, PROCEDIMENTOS, DISCURSOS E
TÉCNICAS UTILIZADAS POSSIBILITARAM AO ALUNO O ALCANCE DOS OBJETIVOS PROPOSTOS.

Resumo para Estudo


PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO

PLANEJAMENTO DE ENSINO
LIBÂNEO

Planejamento: É um meio para se programar as ações docentes, mas é também um momento de pesquisa e
reflexão intimamente ligado à avaliação.

Níveis de Planejamento:

 Plano da Escola: é um documento mais global; expressa orientações gerais que sintetizam, de
um lado, as ligções da escola com o sistema escolar mais amplo e, de outro, as ligações do projeto
pedagógico da escola com os planos de ensino.

 Plano de Ensino: ou de unidades. É a previsão dos objetivos e tarefas do trabalho docente para
um ano ou semestre. É um documento mais elaborado, dividido por unidades seqüenciais, no qual aparecem
objetivos específicos, conteúdos e desenvolvimento metodológico.

 Plano de Aula: é a previsão do desenvolvimento do conteúdo para uma aula ou conjunto de


aulas e tem um caráter bastante específico.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Têm sempre um caráter pedagógico, porque explicitam o rumo a ser impresso ao trabalho escolar.

AVALIAÇÃO
 Avaliar significa emitir um juízo de valor sobre a realidade que se questiona, seja a propósito das exigências
de uma ação que se projetou realizar sobre ela, seja a propósito das suas conseqüências.
 Determinação do valor ou mérito de um objeto, seja o que for que estiver sendo avaliado.
 Conjunto de atuações que tem a função de alimentar, sustentar e orientar a intervenção pedagógica.
 Acontece contínua e sistematicamente por meio da interpretação qualitativa do conhecimento construído
pelo aluno.
 Possibilita conhecer o quanto ele se aproxima ou não da expectativa de aprendizagem que o professor tem
em determinados momentos da escolaridade, em função da intervenção pedagógica realizada.

Avaliação para o professor


Subsidia com elementos para uma reflexão contínua sobre a sua prática, sobre a criação de novos
instrumentos de trabalho e a retomada de aspectos que devem ser revistos, ajustados ou reconhecidos como
adequados para o processo de aprendizagem.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
42
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Avaliação para o aluno


É um instrumento de tomada de consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades para
reorganização de seu investimento na tarefa de aprender.

Avaliação para a escola


Possibilita definir prioridades e localizar quais aspectos das ações educacionais demandam maior apoio.

Avaliação Investigativa Inicial


serve para o professor obter informações necessárias para propor atividades e gerar novos conhecimentos,
assim como para o aluno tomar consciência do que já sabe e do que pode ainda aprender sobre um
determinado conjunto de conteúdos.

Avaliação Contínua
subsidia a avaliação final, se o professor acompanha o aluno sistematicamente ao longo do processo pode
saber, em determinados momentos, o que o aluno já aprendeu sobre os conteúdos trabalhados.

Critérios de Avaliação
 Explicitam as expectativas de aprendizagem, considerando os objetivos e conteúdos propostos.
 Apontam as experiências educativas a que os alunos devem ter acesso e são consideradas essenciais para
o seu desenvolvimento.
 Representam as aprendizagens imprescindíveis, não expressam todos os conteúdos que foram trabalhados,
mas apenas aqueles que são fundamentais para que se possa considerar que um aluno adquiriu as
capacidades previstas de modo a poder continuar aprendendo no ano seguinte, sem que seu aproveitamento
seja comprometido.
Instrumentos de Avaliação
São os meios que permitem registrar o desenvolvimento dos alunos.

Questões para fixação do Conteúdo

QUESTÕES SOBRE AVALIAÇÃO


1- Como uma das etapas do planejamento, a avaliação do processo de ensino e de aprendizagem tem
características de:
I controlar a disciplina dos alunos.
II possibilitar a revisão do plano de ensino.
III ajudar a desenvolver capacidades e habilidades nos alunos.
IV refletir os valores e expectativas do professor em relação aos alunos.
Assinale a alternativa que indica os itens que tratam das características da avaliação:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) II, III e IV.
e) I e IV

2- No modelo educacional centrado nas aprendizagens significativas (apoiado na Pedagogia Diferenciada de


Perrenoud e da Autonomia de Paulo Freire) a avaliação é concebida como processo/instrumento de coleta de
informações, sistematização e interpretação das informações, julgamento de valor do objeto avaliado através
das informações tratadas e decifradas, e, por fim, tomada de decisão (como intervir para promover o
desenvolvimento das aprendizagens significativas).Nessa medida, a avaliação é:
a) espaço de mediação/aproximação/diálogo entre formas de ensino do professor e percursos de aprendizagens dos
alunos.
b) Instrumento regulador das políticas públicas nos preceitos do estado neoliberal.
c) Instrumento definitivo quanto a atuação docente no processo de aprendizagem dos alunos.
d) Espaço de distanciamento entre as formas de ensinar do professor e a forma de aprender dos alunos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
43
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
e) Instrumento fundamental que a gestão pública se utiliza para punir os professores que não aprovam 100% de seus
alunos.

3- Segundo Cronbach (1982), quanto mais informações se tenha sobre o objeto avaliado, mais condições de
compreendê-lo e tomar os vários tipos de decisão necessários à trajetória/percurso do fazer avaliativo e do
trabalho educativo docente na sua amplitude. Sendo assim, a diversificação dos instrumentos avaliativos tem
uma função:
a) altamente reguladora no trabalho do professor.
b) unicamente política.
c) estratégica na coleta de um maior número e variedade de informações sobre o trabalho docente e os percursos de
aprendizagens.
d) estratégica na coleta de um maior número e variedade de informações sobre o trabalho do gestor da escola.
c) estratégica na coleta de um maior número e variedade de informações sobre o financiamento da educação.

4- A avaliação do rendimento escolar pode ser vista em duas grandes perspectivas: quantitativa e qualitativa.
Na perspectiva quantitativa, a avaliação do rendimento escolar visa medir a quantidade de conteúdos
apreendidos. Na perspectiva qualitativa, a avaliação do rendimento escolar visa à
a) promoção daqueles que foram capazes e à reprovação daqueles que ainda necessitam de mais tempo para progredir.
b) compreensão do estágio de aprendizagem do aluno e à definição de encaminhamentos para seu avanço.
c) classificação de alunos ao final de um período, segundo níveis, por meio de notas.
d) utilização de padrões previamente estabelecidos para identificar resultados obtidos.
e) comparação de alunos entre si para efeito de julgamento individualizado.

5- A avaliação do processo de ensino e de aprendizagem, tem como característica:


I - controlar a disciplina dos alunos.
II- possibilitar a revisão do plano de ensino.
III- ajudar a desenvolver capacidades e habilidades nos alunos.
IV- refletir os valores e expectativas do professor em relação aos alunos.
V- somente classificar os alunos por nível de conhecimentos demonstrados.
Estão corretas as afirmações:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) II, III e IV.
e) II, IV e V

6 - É função educativa da avaliação na prática escolar:


a) A avaliação deve ser utilizada como recompensa aos bons alunos e punição para os desinteressados ou indisciplinados.
b) O bom professor é aquele que confia em seu olho clínico, por isso não necessita de verificações parciais no decorrer
das aulas.
c) No processo de avaliação, deve-se considerar a relação mútua entre aspectos quantitativos e qualitativos, visando ao
desenvolvimento autônomo e independente do educando.
d) As avaliações qualitativas devem ser valorizadas em detrimento das quantitativas, que não medem o conhecimento dos
alunos.
e) A avaliação deve ser meramente classificatória.

7- O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica - SAEB implantado em 1990, é coordenado pelo
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP e conta com a participação e o apoio das
Secretarias Estaduais e Municipais de Educação das 27 Unidades da Federação.Os levantamentos de dados
do SAEB são realizados, a cada dois anos, em uma amostra probabilística representativa dos 26 estados
brasileiros e do Distrito Federal. A cada aplicação de instrumentos são pesquisados aproximadamente 700
municípios, 3.000 escolas públicas e privadas, 25.000 professores, 3.000 diretores e 220.000 alunos do
Ensino Básico (da 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino Médio).A análise dos
resultados dos levantamentos do SAEB permite acompanhar a evolução do desempenho dos alunos e dos
diversos fatores incidentes na qualidade e na efetividade do ensino ministrado nas escolas, possibilitando:
a) o elenco de dificuldades apresentadas no processo educacional com a finalidade de punir as escolas que não foram
bem avaliadas.
b) o elenco de dificuldades apresentadas no processo educacional com a finalidade de premiar as escolas que não foram
bem avaliadas.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
44
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
c) a definição de ações voltadas para a correção das distorções identificadas e o aperfeiçoamento das práticas e dos
resultados apresentados pelas escolas e pelo sistema de ensino brasileiro.
d) a definição de ações voltadas para aumentar a distribuição de verbas para as escolas.
e) relacionar dificuldades dos alunos com a deficiência na formação dos professores.

8- O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), é composto por dois processos, quais sejam:
Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb) e a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc). A
“Anresc” em sua divulgação recebe o nome de:
a) Provão
b) Prova Brasil
c) ENADE
d) ENEM
e) SAEMS

9- A avaliação é conceituada por Luckesi (1996, p. 33) como “[...] um juízo de valor sobre manifestações
relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão”. Assinale, no quadro abaixo, a alternativa
(linha) que aponta a caracterização correta dos termos centrais deste conceito:

Alternativas Juízo de valor Manifestações Tomada de decisão


relevantes da realidade

A Notas ou conceitos emitidos Aspectos prioritários do Registro das notas ou conceitos


pelos professores. currículo definido pela e sua divulgação.
escola.

B Afirmação qualitativa sobre um Indicadores da realidade Intervenção do(a) professor(a)


dado objeto/aspecto, a partir de que delimitam a qualidade sobre o processo de
critérios pré-estabelecidos efetivamente esperada do aprendizagem, com objetivo de
objeto. manter, aprimorar ou modificar
processos e resultados
desenvolvidos.

C Classificação desenvolvida pelos Respostas dos alunos aos Registro das notas ou conceitos
professores: ótimo, bom, questionários, provas e sua divulgação.
suficiente... escritas ou orais.

D Indicadores da realidade que Conteúdos explorados Notas ou conceitos emitidos


expressam a quantidade pelos professores para pelos professores.
efetivamente esperada do objeto. ampliação das noções
prioritárias.

E Afirmação quantitativa sobre um Aspectos prioritários do Possibilidade de aprovação,


dado objeto/aspecto, a partir de currículo definido pela recuperação paralela ou
critérios pré-estabelecidos escola. retenção dos alunos.

LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER AS QUESTÕES 10, 11 E 12.

Telma é professora do 5º ano e está desenvolvendo um projeto com os alunos sobre o comércio, por meio
do: levantamento de informações e elaboração de textos; visita à feira municipal; entrevistas com
empresários, funcionários e clientes; discussão de filmes; elaboração de painéis. Para fechar o projeto,
Telma está preparando uma exposição, na qual os alunos farão a apresentação oral sobre os conteúdos
dispostos nos painéis para a comunidade escolar. A professora procurou avaliar os alunos no decorrer do
processo, utilizando fichas de avaliação, anotações sobre o desempenho dos alunos, análise dos painéis e
textos elaborados pelos alunos. Estes materiais serviram para verificar se os alunos efetivamente
estavam atingindo os objetivos definidos coletivamente na elaboração do projeto. Assim, ao final das
atividades, Telma realizou intervenções para a melhoria da aprendizagem.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
45
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

10- A concepção de avaliação da professora Telma é...


classificatória (exame)
diagnóstica (avaliação).
mecanicista.
behaviorista (comportamental).
subjetivista.

11- Telma utilizou como instrumentos de avaliação...


A) levantamento de informações; visita à feira municipal; entrevistas com empresários, funcionários e clientes; discussão
de filmes.
B) provas orais e escritas.
C) fichas de avaliação, anotações sobre o desempenho dos alunos, análise escrita dos painéis e textos elaborados pelos
alunos.
D) os conteúdos trabalhados no projeto.
E) indicadores específicos para cada atividade, como por exemplo: coerência, clareza, objetividade e correção da
linguagem nos textos escritos.

12 Os critérios de avaliação...
A) utilizados por Telma foram: as fichas de avaliação, anotações sobre o desempenho dos alunos, análise dos painéis e
textos elaborados pelos alunos.
B) não foram explicitados no texto, pois a descrição deveria apontar os referenciais de qualidade e quantidade para cada
atividade realizada.
C) abrangeram: levantamento de informações; visita à feira municipal; entrevistas com empresários, funcionários e
clientes; discussão de filmes.
D) estão relacionados com a forma de desenvolver o projeto, por isso, pode-se afirmar que são parte da metodologia.
E) não precisam ser trabalhados, pois já estão explícitos nos objetivos de cada atividade.

13 - A Prova Brasil foi criada com o propósito de refinar a avaliação da Educação Básica, feita pelo MEC
desde a década de 1990. Com essa mudança, o Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) passou a ser
composto de duas provas nacionais, quais sejam:
a) Enen e Enade
b) Provão e Simuladão
c) Pac e Pib
d) Aneb e Anresc
e) Enc e Enade

14- A avaliação do rendimento escolar não está desvinculada das diretrizes mais amplas da escola e da
pedagogia expressa em seu projeto pedagógico. Em uma escola progressista as práticas avaliativas
devem considerar:
A) o domínio manifestado pelos alunos nas provas orais e escritas, pois são evidências objetivas da aprendizagem e
só a partir delas é possível quantificar o que foi aprendido e atribuir notas.
B) o nível manifestado de aprendizagem nas várias atividades desenvolvidas, como ponto de partida para a
intervenção pedagógica, pois a principal função da avaliação é de diagnóstico, por isso deve ser contínua e
subsidiária ao processo de ensino.
C) as possibilidades e limites dos alunos que vêm de culturas e meios socioeconômicos diversos, trazendo
bagagens de informações diferenciadas, o que inviabiliza a avaliação a partir de parâmetros objetivos.
D) o ritmo dinâmico da atualidade que requer a formação rápida de novas competências por dos futuros
trabalhadores, especialmente o domínio das novas tecnologias e a capacidade de adaptação a novas situações,
assim, as avaliações devem centrar-se nas exigências da atualidade e evitar a solicitação de conteúdos
ultrapassados.
E) o nível manifestado de aprendizagem nas várias atividades desenvolvidas, para que seja possível ao professor,
classificar de forma justa e objetiva o desempenho de cada aluno, evitando uma avaliação desigual e baseada em
percepções subjetivas.

12- Quanto ao conceito de avaliação em diferentes contextos educacionais, julgue os itens abaixo
como Verdadeiros (V) ou Falsos (F) e, em seguida, assinale a opção correta.
I – Na escola tradicional, a avaliação cumpre um papel claramente seletivo, ou seja, a organização do sistema escolar está
voltada para a seleção dos, assim chamados, melhores alunos.
II – A avaliação tida como instrumento de classificação cria e reforça as hierarquias individuais e sociais.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
46
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
III – A avaliação põe em destaque os princípios que guiam a ação pedagógica. Esses princípios podem reforçar a
aprendizagem reprodutiva ou valorizar o pensamento
autônomo, reflexivo e criativo.
IV – A avaliação formativa é aquela que ensina o aluno a aprender e o mestre a ensinar, e deve estar a serviço do
acompanhamento da aprendizagem e da ação didática.
A seqüência correta é:
(A) V, V, V, V.
(B) F, F, V, F.
(C) F, V, F, V.
(D) V, F, F, F.

16 - Quando na análise da avaliação introduzimos a concepção construtivista do ensino e da aprendizagem


como referencial psicopedagógico, o objeto da avaliação deixa de ser somente os resultados obtidos, mas
fundamentalmente:
a) a mudança de comportamento.
b) o ensino.
c) a quantidade de aprendizagens.
d) o processo de ensino e de aprendizagem.
e) a qualidade do ensino.

1, 2, 3 – Prefeitura de Amambaí 2008


4, 5, 6 e 7 - Prefeitura de Anaurilandia 2008
8 - Prefeitura de Camapuã 2007
9, 10, 11, 12, 13, 14 - Prefeitura de Campo Grande 2007
15- Hospital Regional de Santa Maria-RS – Prova de Pedagogo 2009
16- Prefeitura de Ladário 2007

GABARITO AVALIAÇÃO

1 2 3 4
D A C B
5 6 7 8
D C C B
9 10 11 12
B B C B
13 14 15 16
D B A D

Questões Complementares
Fixação do Conteúdo – Planejamento e Avaliação

1. Segundo os princípios da avaliação da aprendizagem, numere a coluna da direita de acordo com sua
correspondência com a da esquerda.
1. Coleta dados relevantes, através de instrumentos que expressem o estado de aprendizagem do aluno, tendo em vista
objetivos e capacidades que se pretende avaliar.
2. Tem caráter classificatório, somativo, controlador, com o objetivo de certificação; traduz-se em registros quantitativos e
medidas de produtos
definidores da promoção ou reprovação dos alunos.
3. Organiza e arquiva registros das aprendizagens dos alunos, selecionados por eles próprios, com intenção de fornecer
uma síntese de seu percurso
ou trajetória de aprendizagem.
4. Tem função processual, descritiva e qualitativa, sinalizadora do patamar de aprendizagens consolidadas pelo aluno e de
suas dificuldades ao longo do trabalho.
( ) Dimensão Formativa ou Continuada
( ) Portfólio
( ) Dimensão Técnica ou Burocrática
( ) Diagnóstico

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
47
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna direita, de cima para baixo.
a) 4 – 3 – 2 – 1.
b) 1 – 2 – 3 – 4.
c) 3 – 4 – 2 – 1.
d) 3 – 1 – 2 – 4.
e) 2 – 3 – 1 – 4.

2. Considere as seguintes afirmativas:


1. A avaliação é um processo contínuo.
2. A avaliação tem função diagnóstica, formativa e somativa.
3. A avaliação da aprendizagem é mera exigência burocrática da escola.
4. As informações da avaliação propiciam o redimensionamento da ação pedagógica e educativa.
5. A avaliação possibilita avançar no entendimento e desenvolvimento do processo de aprendizagem.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas 3, 4 e 5 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 2, 3, 4 e 5 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 1, 2, 4 e 5 são verdadeiras.

3. Com relação a uma concepção progressista de avaliação, identifique as afirmativas a seguir como
verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) A avaliação do processo de ensino e aprendizagem deve ser realizada na escola de forma contínua, cumulativa e
sistemática.
( ) A LDB 9.394/96, ao se referir à verificação do conhecimento escolar, determina a prioridade dos aspectos qualitativos
sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais.
( ) A avaliação representa um papel fundamental, visto que é por intermédio da análise reflexiva dos avanços e
dificuldades dos alunos que os professores poderão rever e redefinir sua prática pedagógica.
( ) A avaliação escolar é uma necessidade institucional para classificar os alunos, de modo a constituir classes mais
homogêneas quanto ao rendimento.
Assinale a alternativa que apresenta a seqüência correta, de cima para baixo.
a) V – F – V – F.
b) F – V – V – F.
c) F – F – V – F.
d) V – F – F – F.
e) V – V – V – F.

4.Ao longo do processo de avaliação três questões se impõem:


Para que se avalia?
O que se avalia?
Quem avalia?
Considerando que a avaliação tradicional deve ser substituída por uma dinâmica de avaliação capaz de trazer para a
escola elementos de crítica e transformação ativa, é possível considerar que:
I. o projeto pedagógico da escola interfere no desempenho dos alunos, uma vez que eles são influenciados pelo próprio
contexto escolar;
II. toda a equipe da instituição escolar é objeto e sujeito da avaliação: devem-se analisar os fatores internos da escola,
reconhecendo as práticas que levam à evasão dos alunos;
III. nos anos iniciais, a avaliação é prescindível, uma vez que o currículo se organiza em torno dos interesses dos alunos;
IV. a avaliação classificatória tem importância social e política no fazer educativo, porque contribui para a permanência do
aluno na escola.
Analise os itens acima e assinale:
(a) se somente os itens I e II estiverem corretos.
(b) se somente os itens I, II e III estiverem corretos.
(c) se somente os itens I, II e IV estiverem corretos.
(d) se somente os itens I e IV estiverem corretos.
(e) se todos os itens estiverem corretos.

5. Tradicionalmente, a avaliação da aprendizagem na maioria das escolas tem relacionado os conteúdos


ensinados e a comprovação, através da resposta certa a testes e provas, da assimilação desses conteúdos.
Esse modelo de avaliação concebe:
a)O aluno como ser passivo diante do saber.
b)O aluno como ser produtor de conhecimento.
c)O professor como mediador da aprendizagem.
d)O aluno como ser ativo perante seu processo de aprendizagem.
e)Todas as alternativas estão corretas.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
48
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

6. As alternativas abaixo apresentam considerações sobre a Avaliação Escolar no Processo de Construção do


Conhecimento. Assinale a que está incorreta.
a) É um processo em si mesmo, que busca o domínio da aprendizagem e as competências adquiridas.
b) Deve assumir um caráter coerente com a concepção que orienta a ação educativa.
c) É considerado como elemento de diagnóstico permanente.
d) Os resultados da avaliação devem favorecer a reorganização do processo de ensino-aprendizagem.
e) Deve tornar-se uma situação de encontro entre o aluno e o objeto do conhecimento mediado pelo professor

7. A organização do ensino em ciclos, com regime de progressão continuada, não supõe diminuição ou
eliminação de mecanismos de avaliação. Ao contrário, este regime demanda uma ampliação das práticas de
avaliação em seus diferentes níveis e tipos, visando à melhoria da qualidade de ensino. Dentre estes níveis de
avaliação está a institucional que, num âmbito interno, em regime de progressão continuada, deve ter como
objetivo:
(a) estabelecer critérios de seleção de alunos para a passagem entre séries e entre ciclos, por meio de testagens, para
colher amostras da aprendizagem efetivada e escalonar o desempenho geral da escola.
(b) analisar os procedimentos pedagógicos, administrativos e financeiros, tendo em vista estabelecer novas orientações e
corrigir trajetórias, a partir de definições do conselho de escola.
(c) oferecer subsídios para a composição do projeto político pedagógico
da instituição e de seus indicadores de autonomia, para o estabelecimento de diagnósticos e de regras de retenção.
(d) medir o desempenho escolar por meio de escalas padronizadas, tendo em vista o envio de resultados à Secretaria
Estadual de Educação.
(e) elaborar relatórios sintéticos a serem apreciados pelo conselho da escola e anexados ao plano de gestão, constituindo-
se como documentos a serem apresentados à comunidade escolar.

8. O trabalho da professora Carmem tem sido inovador em relação ao reforço e aos processos de
recuperação; sua experiência é desenvolvida dentro do processo regular de aulas, por meio de sistema de
monitoria entre os alunos e de atividades diversificadas que resgatam aprendizagens de conteúdos escolares.
As alternativas pedagógicas que direcionam o trabalho de suporte e de recuperação junto aos alunos têm
como princípio
(a) o controle do processo avaliativo que orienta a prática classificatória e a emancipação social.
(b) o acompanhamento sistemático da progressão e aquisições a partir de uma visão conteudista.
(c) o acompanhamento por meio de uma pedagogia diferenciada e de avaliação mediadora.
(d) a objetividade e precisão dos conteúdos escolares por meio de avaliação contínua e quantitativa.
(e) a implantação de avaliação mediadora baseada em intervenções frontais que resgatam a homogeneidade de
comportamentos e de conteúdos.

9. A organização do trabalho escolar em ciclos está associada à progressão continuada e ao questionamento


à cultura da repetência. O propósito de impulsionar os processos de mudança e de reorganização do ensino
em ciclos considera os processos de avaliação capazes de
(a) eliminar a repetência e favorecer a democratização do ensino e, ainda, economizar gastos com material didático.
(b) promover automaticamente o aluno, evidenciando uma organização flexível e de acesso mais imediato ao mercado de
trabalho.
(c) superar a cultura da multirrepetência, fruto de um atraso social e de uma naturalização das diferenças culturais.
(d) prosseguir continuamente como uma regulamentação do fluxo e da reprogramação do trabalho, essencialmente no
regime seriado.
(e) avançar em relação às situações de classificação e de discriminação, comprometendo-se com um modelo de avaliação
de caráter processual.

10– A avaliação deve ser interpretada como um momento de observação de um processo dinâmico e não
linear da construção do conhecimento.
A partir dessa afirmativa a avaliação não deve ser compreendida como:
(a)o conjunto de ações que ajusta e orienta a intervenção pedagógica.
(b) o conjunto de ações que informa o que o aluno aprendeu e como aprendeu.
(c) um elemento de reflexão sobre a prática educativa do professor.
(d) um instrumento que permite que o aluno tome consciência de seus avanços.
(e) uma ação específica que caracteriza o fechamento de grandes etapas de trabalho.

11. Um professor deu o seguinte depoimento:


“Esse processo em que o aluno passa automaticamente à série posterior mascara sua aprendizagem real e
suas dificuldades reais. Além disso, a disciplina foge do controle e o aluno faz o que quer, porque fica sem
compromisso”.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
49
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Este depoimento reflete uma concepção de avaliação:


(A) classificatória, por meio da qual é possível favorecer o máximo de desenvolvimento e promover o aluno.
(b) burocrática e disciplinadora, em que o ato de avaliar no sentido de observar e orientar é desconsiderado.
(c) bancária e integrada, por fazer da progressão continuada um fator de aprendizagem mais individualizada.
(d) mediadora e preocupada com a qualidade, através de objetivos claramente delineados.
(e) desenvolvimentista, no sentido de resgatar os valores tradicionais da educação.

12. Uma professora escreveu no alto de uma ficha: “Verificação bimestral”. Uma colega da mesma escola, ao
ver a ficha, perguntou se não seria melhor se registrasse “Avaliação da aprendizagem”.
Na contraposição entre verificação e avaliação, há na segunda concepção a busca por uma construção efetiva
da aprendizagem porque a avaliação:
(a) subsidia a ação educativa ao proporcionar a compreensão de avanços, limites e dificuldades dos educandos diante dos
objetivos.
(b) supõe observação, obtenção, análise e síntese dos dados que delimitam os conteúdos com os quais se está
trabalhando.
(c) culmina com a obtenção da informação necessária para constatar se o educando atingiu os objetivos traçados.
(d) proporciona ao educando a utilização de instrumentos diferenciados de medida, que possibilitam uma melhoria de sua
nota.
(e) classifica os alunos segundo critérios de aproveitamento que são registrados e escalonados para a formulação de uma
média.

13. Um aluno expressou um conceito errado em uma redação. Ao constatar o erro, seu professor, por aderir a
uma concepção mediadora de avaliação, considerou que essa redação e as tarefas de aprendizagem, em
geral, devem ser compreendidas como um(a):
(a) momento de fixação de conteúdos e de aferição de resultados, no intuito de devolver ao aluno uma compreensão o
mais clara e fiel possível dos conhecimentos trabalhados pela escola.
(b) elemento de reflexão sobre o processo de construção do conhecimento, subsidiando a reformulação de tarefas e a
revisão sobre o modo como os conteúdos são trabalhados.
(c) resultado da interação entre a subjetividade do aluno e a subjetividade do professor, oferecendo ao docente a
possibilidade de medir a aprendizagem com maior precisão e fazer a decorrente classificação.
(d) possibilidade de conhecer as hipóteses dos alunos e de retê-las, pois são a expressão da criatividade necessária para
lidar com a complexidade do mundo contemporâneo.
(e) busca de problematização, tendo em vista a seleção dos mais aptos e a recuperação dos que ainda precisam de
reforço, por meio da reescritura após a correção.

14 .Após a proposição de uma atividade, um aluno perguntou ao professor: “Vai ser para nota?”. Diante da
negativa do professor, o aluno comentou: “Ah, então eu não vou fazer...” Falas como a desse aluno revelam
uma concepção de avaliação com a qual os discentes se habituaram. Trata-se
da “Pedagogia do exame” (Luckesi, 1995), que tem como conseqüências:
(a) oferecimento de subsídios para a decisão da melhoria da aprendizagem, conformismo psíquico e ênfase em resultados.
(b) auxílio na construção de aprendizagem satisfatória, desenvolvimento do autocontrole e compromisso com a geração de
competências.
(c) práticas pedagógicas centradas na avaliação, ajuda na construção de um psiquismo auto-referente e ação didática
voltada para a promoção social.
(d) controle da aprendizagem e da disciplina baseado no medo, internalização positiva de padrões de conduta e reforço à
estruturação social classista.
(e) secundarização do significado do ensino e da aprendizagem, desenvolvimento de personalidades submissas e
produção de seletividade social.

15. O professor Marcos aplicou alguns instrumentos de avaliação a seus alunos, como trabalhos, textos e
provas. Ao final do bimestre, verificou que a maioria tinha atingido notas muito abaixo do esperado. Sob o
ponto de vista de uma avaliação que efetivamente diagnostique o processo de ensino e de aprendizagem, o
procedimento que se espera desse professor é que:
(a) elabore instrumentos de avaliação mais fáceis no bimestre seguinte, para que os alunos possam obter notas melhores
e atingir uma média aceitável.
(b) considere os resultados como produto de desatenção e indisciplina dos alunos, o que proporcionará mudança de
postura e melhor aproveitamento no bimestre seguinte.
(c) desconsidere as notas obtidas e os instrumentos de avaliação aplicados e lance nos boletins dos alunos as notas que
julgar que cada aluno mereça.
(d) passe a adotar os trabalhos em grupo como forma exclusiva de avaliação, pois motivam mais os alunos e facilitam a
obtenção de boas notas pelos mais fracos.
(e) utilize os resultados para avaliar e redimensinoar seu próprio trabalho, retornando aos conteúdos com uma nova
abordagem metodológica.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
50
Prof. MSc. Liliana Gonzaga
Professores (REME, SEED-MS e outros) / 2009
16. A avaliação é conceituada por Luckesi (1996, p. 33) como “[...] um juízo de valor sobre manifestações
relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão”. Assinale, no quadro abaixo, a alternativa que
aponta a caracterização correta dos termos centrais deste conceito:

Juízo de Valor Manifestações relevantes da realidade Tomada de decisão


a Notas ou conceitos emitidos pelos Aspectos prioritários do currículo Registro das notas ou conceitos e sua
professores. definido pela escola. divulgação.
b Afirmação qualitativa sobre um dado Indicadores da realidade que delimitam Intervenção do(a) professor(a) sobre o
objeto/aspecto, a partir de critérios pré- a qualidade efetivamente esperada do processo de aprendizagem com objetivo
estabelecidos. objeto. de manter, aprimorar ou modificar
processos e resultados desenvolvidos.
c Classificação desenvolvida pelos Respostas dos alunos aos questionários, Registro das notas ou conceitos e sua
professores: ótimo, bom, suficiente. provas escritas ou orais. divulgação.
Indicadores da realidade que expressam Conteúdos explorados pelos professores Notas ou conceitos emitidos pelos
d a quantidade efetivamente esperada do para ampliação das noções prioritárias. professores.
objeto.
e Afirmação quantitativa sobre um dado Aspectos prioritários do currículo Possibilidade de aprovação, recuperação
objeto/aspecto, a partir de critérios pré- definido pela escola. paralela ou retenção dos alunos.
estabelecidos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
51
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

LEIA O TEXTO, A SEGUIR, PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 17, 18 E 19.

17. Telma é professora do 5°ano e está desenvolvendo um projeto com os alunos sobre comércio, por meio
do: levantamento de informações e elaboração de textos; visita à Feira Municipal; entrevistas com
empresários, funcionários e clientes; discussão de filmes; elaboração de painéis. Para fechar o projeto, Telma
está preparando uma exposição, na qual os alunos farão a apresentação oral sobre os conteúdos dispostos
nos painéis para a comunidade escolar. A professora procurou avaliar os alunos no decorrer do processo,
utilizando fichas de avaliação, anotações sobre o desempenho dos alunos, análise dos painéis e textos
elaborados pelos alunos. Estes materiais serviram para verificar se os alunos efetivamente estavam atingindo
os objetivos definidos coletivamente na elaboração do projeto. Assim, ao final das atividades, Telma realizou
intervenções para a melhoria da aprendizagem.
A concepção de avaliação da professora Telma é:
a) classificatória (exame).
b) diagnóstica (avaliação).
c) mecanicista.
d) Behaviorista (comportamental).
e) Subjetivista.

18. Telma utilizou como instrumentos de avaliação


a) levantamento de informações; visita à Feira Municipal; entrevistas com empresários, funcionários e clientes;
discussão de filmes.
b) provas orais e escritas.
c) fichas de avaliação, anotações sobre o desempenho dos alunos, análise escrita dos painéis e textos elaborados
pelos alunos.
d) os conteúdos trabalhados no projeto.
e) Indicadores específicos para cada atividade, como por exemplo: coerência, clareza, objetividade e correção da
linguagem nos textos escritos.

19. Os critérios de avaliação utilizados por Telma foram:


a)as fichas de avaliação, anotações sobre o desempenho dos alunos, análise dos painéis e textos elaborados pelos
alunos.
b) não foram explicitados no texto, pois a descrição deveria apontar os referenciais de qualidade e quantidade para cada
atividade realizada.
c) abrangeram: levantamento de informações; visita à Feira Municipal; entrevistas com empresários, funcionários e
clientes; discussão de filmes.
d) estão relacionados com a forma de desenvolver o projeto, por isso pode-se afirmar que são parte da metodologia.
e) não precisam ser trabalhados, pois já estão explícitos nos objetivos de cada atividade.

20. As políticas de educação nos últimos anos têm buscado promover a correção do fluxo de alunos na
educação básica, principalmente no ensino fundamental, por meio de mecanismos de redução da evasão e da
reprovação. Podemos afirmar que um desses mecanismos é o regime de:
a) avaliação somativa.
b) progressão continuada
c) exame final
d) simulados
e) provas diversificadas

21. A verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:


I- avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre
os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
II- possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;
III- possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;
IV- aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
V- obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de
baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos.
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, são verdadeiros os itens:
a) I, II, III, IV e V.
b) I, II, IV e V.
c) I, III e V.
d) II, III, IV e V.
e) III, IV e V.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
52
Conhecimentos Pedagógicos III
Professor REME-PMCG / 2009

22. 0. O sistema de avaliação proposto pela LDB 9394/96, problematiza a avaliação classificatória, por alguns
identificada como garantia de um ensino de qualidade. A nota classificava o “bom” e o “mau” aluno. Hoje,
devemos considerar o erro como algo construtivo, procurando desenvolver saberes e competências para
resolver situações problema simples ou complexas. Assim, o procedimento que pode levar o educador a
atingir esses objetivos é:
(a) repetir as tarefas e utilizar os mesmos recursos a fim de oferecer mais uma oportunidade de revisão do erro;
(b) buscar a origem do erro cometido pelo aluno, procedendo, com ele, o caminho que o levou a cometer o erro;
(c) quantificar os erros cometidos, determinar os mais freqüentes e propor exercícios complementares;
(d) recolher e corrigir o material do aluno, objetivando que esta correção seja por ele posteriormente analisada;
(e) estimular a repetição de exercícios, determinando atenção naqueles em que o erro foi verificado.
23. No momento presente, as leis que regem a educação no Brasil definem que o sistema educacional deva
criar formas próprias de avaliação, incluindo o próprio sistema, as escolas e a aprendizagem dos alunos em
sala de aula. Sobre a temática, julgue os itens a seguir.
I – A avaliação da aprendizagem dos alunos, realizada pelos professores em sala de aula, pode ser substituída pela
avaliação do sistema de ensino.
II – A avaliação da escola precisa considerar os elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e
do sucesso escolar dos alunos, tais como características dos alunos, rendimento escolar por classe, composição do corpo
docente, condições de trabalho e motivação dos professores.
III – A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos professores deve pautar-se exclusivamente no conteúdo ministrado e
deve ser aplicada ao final de cada bimestre, por meio de provas ou testes escritos.
IV – Faz-se necessário que os educadores, além de tomarem a avaliação como importante meio de diagnóstico do seu
trabalho, saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de aferição da qualidade da oferta dos serviços de
ensino junto com a qualidade do aluno que se que formar.
V – Dentre as medidas a serem tomadas pela escola no tocante ao enfrentamento dos problemas da avaliação, citam-se a
coerência entre a teoria sobre a avaliação e o saber fazer a avaliação e a definição clara de competências do professor e
dos saberes necessários para diagnosticar, compreender e neutralizar as causas dos insucessos escolares.
Estão certos apenas os itens
(A) I, III e IV.; (B) II, IV e V. (C) I, II, IV e V. (D) I, III e V. (E) I, II, III e V.

24. “As questões e considerações sobre a avaliação da aprendizagem pretendem, justamente, delinear uma
investigação que julgo necessária. Uma relação que ainda não percebo em sua total complexidade, mas que
se refere essencialmente ao descrédito que se estabelece quanto a uma perspectiva de avaliação mediadora
devido à postura conservadora dos educadores” (HOFFMANN, 1991, p. 67).
A partir da abordagem da autora, podemos considerar que a avaliação mediadora diz respeito à
concepção de que:
a) o erro é fecundo e positivo, um elemento fundamental à produção de conhecimento pelo ser humano.
b) a opção epistemológica está em corrigir ou refletir sobre a tarefa do aluno;corrigir para ver se ele aprendeu.
c) a correção da produção de conhecimento do aluno o leva à superação da
dificuldade, ao enriquecimento do saber.
d) o aluno é considerado um receptor passivo dos conteúdos que o docente
sistematiza; suas falhas, seus argumentos incompletos e inconsistentes não são considerados senão algo indesejável e
digno de um dado de reprovação.

25. Ao caracterizar a perspectiva da ação avaliativa como uma das mediações pelas quais o professor
encoraja a reorganização do saber, Hoffmann (1991) destaca a importância da reciprocidade intelectual entre
os elementos da ação educativa. Ou seja, professor e aluno buscando coordenar seus pontos de vista. Nesse
sentido, podemos afirmar que a avaliação mediadora pressupõe:
a) conversar com os alunos, despertando o interesse e a atenção pelo conteúdo a ser transmitido.
b) acompanhar os alunos, em todos os momentos possíveis, para observar passo a passo seus resultados individuais.
c) organizar os estímulos com os quais o aluno entrará em contato para aprender, uma vez que seu conhecimento vem
dos objetos.
d) dialogar, que é refletir em conjunto sobre o objeto de conhecimento. Exige aprofundamento em teorias do conhecimento
e nas diferentes áreas do saber.

26. “A concepção de avaliação dos Parâmetros Curriculares Nacionais vai além da visão tradicional, que
focaliza o controle externo do aluno mediante notas ou conceitos, para ser compreendida como parte
integrante e intrínseca ao processo educacional.” (PCN)
Pode-se afirmar que a avaliação contemplada nos PCN deve ser compreendida como um fator de:
a) orientação para o aluno na busca de melhores notas ou conceitos
b) intervenção do professor com o objetivo de recuperar os alunos com dificuldades de aprendizagem
c) ajuste entre o que foi ensinado e as notas ou conceitos obtidos, após o uso de instrumentos avaliativos
d) mudança da terminologia de notas para conceito
e) reflexão contínua do professor sobre sua prática educativa

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181 / (67) 3313-8185


www.liberalimes.com.br
53
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

27. Quanto à Educação Infantil é correto afirmar:


I- Na educação infantil a avaliação deverá ser realizada mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento,
sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.
II- A educação infantil, primeira etapa da educação básica, deve ser oferecida em creches, ou entidades equivalentes.
III- A educação infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, o
desenvolvimento da capacidade de aprender e o pleno domínio da escrita e do cálculo.
IV-A jornada escolar na educação infantil incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, devendo
ser progressivamente ampliado o período de permanência da pré-escola ou creche.
O correto está somente em:
a) I e II.
b) II e III.
c) II e IV.
d) I e IV.

28. É comum aos leigos no assunto confundir progressão continuada com promoção automática, que
expressam decisões e ações pedagógicas distintas. Assinale a opção que caracteriza corretamente essa
diferença.

Progressão continuada Promoção automática

a) Processo de acompanhamento do progresso intra e interciclos Instrumento de seletividade do processo


escolar
b) Modalidades alternativas de aproveitamento escolar Processo de retenção indiscriminado
c) Estratégias diferenciadas de trabalho pedagógico Modelo de avaliação mediadora
d) Concepção de ensino, de aprendizagem e de avaliação Critérios de aprovação para séries
subsequentes
e) Concepção de currículo escolar e de construção de Procedimento decisório de promoção
conhecimento escolar para alunos carentes

29. João, um aluno da 3ª série do ensino fundamental, mostrou o resultado de uma prova de matemática aos
seus pais. Estes ficaram preocupados, pois João só acertara 40% da prova e demonstrara muita insegurança.
Seus pais, então, decidiram conversar com a coordenação pedagógica da escola que, levando em conta as
determinações da Lei 9394/96, teve a seguinte atitude:
a) acalmou os pais, afirmando que João tem grande chance de reverter o quadro com os estudos de recuperação que,
embora sejam facultativos na LDB, a escola oferece aos seus alunos;
b) buscou tranqüilizar os pais, afirmando que João possivelmente
reverteria o quadro na recuperação, que deve ocorrer em dois momentos: no meio e no final do ano letivo, conforme
determina
a LDB;
c) informou aos pais que conversaria com a professora para que ela observasse mais atentamente João em suas aulas, já
que a escola não disponibiliza estudos de recuperação para as séries iniciais do ensino fundamental;
d) ponderou com os pais que a escola não prioriza uma única prova e sim o processo; além disso, ela lembrou que João
tem chances de obter novos resultados a partir da recuperação que ocorre ao longo do ano letivo;
e) ficou receosa com o resultado de João, já que a LDB recomenda que o aspecto quantitativo deve prevalecer na
avaliação; assim, ela informou aos pais que acompanhassem o interesse de João nas aulas de recuperação.

30. Uma professora que atua na Educação Infantil avaliou a produção de seu aluno como inconsistente e, por
isso, optou por não promovê-lo para o ensino fundamental. A mesma professora, no entanto, aprovou os
demais colegas da turma alegando maturidade cognitiva e psicológica. Com base na atual LDB 9394/96, é
possível afirmar que a professora:
a) agiu corretamente, pois a LDB apresenta uma preocupação central com a qualidade de ensino;
b) agiu corretamente, pois o aluno teria dificuldades quando ingressasse no ensino fundamental, que é um direito público
subjetivo;
c) equivocou-se, pois a avaliação deve ser feita a partir do ensino
fundamental e não no âmbito da educação infantil;
d) equivocou-se, já que a avaliação na educação infantil não deve ter o caráter de promoção;
e) equivocou-se, já que a maturidade cognitiva não é um critério relevante na avaliação da educação infantil, como
explicita a LDB.

31. A avaliação da aprendizagem escolar é um elemento do processo de ensino e de aprendizagem. Dessa


forma, a avaliação tanto serve para avaliar a aprendizagem dos alunos quanto o ensino desenvolvido pelo
professor. Numa perspectiva emancipatória, que parte dos princípios da auto-avaliação e da formação,
podemos afirmar que:

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
54
Conhecimentos Pedagógicos III
Professor REME-PMCG / 2009
(a) os alunos também devem participar dos critérios que servirão
de base para a avaliação de sua aprendizagem.
(b) os professores devem utilizar a avaliação como um mecanismo de seleção para o processo de ensino.
(c) alunos e professores devem compartilhar dos mesmos critérios que possam classificar as aprendizagens corretas.
(d) os alunos também devem registrar o processo de avaliação que servirá para disciplinar o espaço da sala de aula.
(e) alunos e professores devem participar do processo de avaliação para criar mecanismos seletivos e classificatórios.

32. A avaliação é uma atividade que envolve todos os componentes dos processos de desenvolvimento e
aprendizagem dos alunos. A integração entre os componentes é fundamental para realização de uma
avaliação acolhedora e inclusiva. Isso implica pensar que, ao avaliar a aprendizagem e o desenvolvimento dos
alunos, escola, professores e família também estão sendo avaliados. Tomando como referência os
componentes envolvidos no processo de avaliação da aprendizagem, assinale a opção correta
(a) Desenvolver a capacidade de observação e de registro dos avanços dos alunos, atendendo às necessidades
educacionais, é uma função da família, já que o professor está sobrecarregado.
(b) As instituições escolares têm total responsabilidade no desenvolvimento do processo de avaliação de aprendizagem
dos alunos.
(c) É fundamental o acompanhamento da família na escola somente quando o aluno tem dificuldade de desenvolver as
atividades propostas pelos professores.
(d) Os alunos com capacidade de desenvolver mais rapidamente as atividades de avaliação da aprendizagem têm o dever
de ajudar os colegas com dificuldade.
(e) Deve-se avaliar a aprendizagem em um processo constante de ação–reflexão–ação, que oriente a tomada de
consciência dos envolvidos no processo de aprendizagem.

33. O Prof. Márcio resolveu trabalhar de forma diferente com seus alunos, com o objetivo de desenvolver a
iniciativa e a habilidade de comunicar-se, dividiu a turma em grupos e atribui-lhes a tarefa de preparar o
conteúdo de uma das unidades do programa para apresentação à toda classe.
Informou-lhes que haveria uma avaliação formal, portanto todos os membros do grupo deveriam participar
ativamente das sessões de estudo, preparação e apresentação da unidade. A nota do grupo dependeria do
desempenho de cada um. A divisão dos grupos foi feita por ordem alfabética para evitar “panelinhas”.

No dia marcado para a apresentação, o Prof. Mário percebeu que teria grandes dificuldades para ser justo nas
avaliações. Num dos grupos, por exemplo, apenas um dos cinco participantes teve um desempenho excelente
e outro bom; os demais foram péssimos.
De acordo com esta situação o Prof. Marcio concebe a avaliação da aprendizagem
a) numa perspectiva diagnóstica.
b) numa perspectiva classificatória.
c) numa perspectiva classificatória e diagnóstica.
d) numa perspectiva formativa.
e) numa perspectiva diagnóstica e formativa.

34.No trabalho do professor, a avaliação constitui uma tarefa didática e permanente que deve acompanhar o
processo ensino-aprendizagem. Assim, uma das funções pedagógicas da avaliação é
a) verificar as falhas existentes e definir as providências a serem tomadas.
b) verificar o quanto cada aluno aprendeu através do uso de instrumentos de medida.
c) organizar os alunos em grupos para lhes dar orientação mais adequada dentro da turma.
d) realizar um diagnóstico do processo educativo, buscando aprimorá-lo.
e) cumprir uma formalidade legal, dando conceitos aos alunos ao final de cada bimestre.

35. Para saber se o rendimento dos alunos de uma escola vai bem, a equipe pedagógica pode observar os
comportamentos e colher impressões relatadas pelos membros da comunidade escolar. Além disso, existem
importantes indicadores do rendimento escolar, de caráter quantitativo, a serem considerados na gestão
pedagógica da escola. São eles:
a)taxa de reprovação, taxa de afastamento por abandono e distorção série-idade.
b)taxa de aprovação por série; distorção série-idade e relação de alunos por função docente.
c)taxa de aprovação, taxa de reprovação e distribuição da matrícula por turno.
d)número de professores por titulação, taxa de aprovação e distorção série-idade.
e)relação de alunos por função docente, número de alunos por turma e taxa de reprovação.

36. Na figura abaixo, de Francesco Tonucci, a professora reage ao “erro” do aluno de forma contundente,
desvalorizando o seu raciocínio analógico. O erro e sua correção tiveram, ao longo do tempo, diferentes
abordagens relacionadas a concepções e reflexões sobre a avaliação da aprendizagem.
O procedimento docente que caracteriza uma concepção mediadora de avaliação é:

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181 / (67) 3313-8185


www.liberalimes.com.br
55
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador
a) determinar a correspondência entre as intenções e as observações, verificando se os dados observados correspondem
às intenções formuladas.
b) respeitar as diferenças individuais e, sem comparar um aluno em relação a outros, fazer um julgamento com base nos
objetivos alcançados por ele.
c) analisar as várias manifestações dos alunos em situações de aprendizagem, considerando suas hipóteses, para exercer
uma ação educativa.
d) valorizar a produção individual sobre a coletiva, acompanhando os alunos em diversas situações de aprendizagem, para
estabelecer as estratégias de ensino.
e) considerar o resultado obtido pelo aluno como conseqüência do seu empenho em reproduzir os conteúdos dados e as
normas estabelecidas pela instituição onde ele estuda

37. A professora retratada na figura abaixo entende avaliação como


a) utilização de critérios adequados para classificar os alunos.
b) identificação das características individuais dentro de turmas heterogêneas.
c) atribuição de rótulos que contribuem para a exclusão dos alunos.
d) constatação de diversidades para repudiar as atitudes de preconceito racial.
e) reconhecimento das diferenças para valorizar as vivências dos alunos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
56
Conhecimentos Pedagógicos III
Professor REME-PMCG / 2009

38. É realizada com o propósito de informar o professor e o aluno sobre o resultado da aprendizagem, durante
o desenvolvimento das atividades escolares. Localiza deficiências na organização do ensino-aprendizagem,
de modo a possibilitar reformulações no mesmo e assegurar o alcance dos objetivos. Esta é uma modalidade
de avaliação:
a) diagnóstica b) formativa c) somativa d) feedback e) versátil

GABARITO:
01-A 16-B 31-A
02-E 17-B 32-E
03-E 18-C 33-B
04-A 19-B 34-D
05-A 20-B 35-A
06-A 21-A 36-C
07-B 22-B 37-C
08-C 23-B 38-B
09-E 24-A
10-E 25-D
11-B 26-E
12-A 27-A
13-B 28-D
14-E 29-D
15-E 30-D

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181 / (67) 3313-8185


www.liberalimes.com.br
Curso Preparatório INTENSIVO 2011
Para os cargos de
2011

PROFESSOR
GESTOR, SUPERVISOR e COORDENADOR
,
CONCURSOS

Conteúdo
CONTEÚDOS
PEDAGÓGICOS III

CONCURSOS
1
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Conteúdos Pedagógicos III


. Jean Piaget
. Vygostky
. Resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2009 – CEB/CNE/MEC

Jean Piaget
I - A TEORIA DE PIAGET DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO: AS INFLUÊNCIAS, AS
TENDÊNCIAS E OS ESTÁGIOS

JEAN PIAGET (1896 – 1980)

O RESPEITO AO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, a 9 de agosto de 1896.


Desde criança interessou-se por mecânica, fósseis e zoologia.
Enquanto realizava seus estudos secundários, trabalhou como
assistente voluntário do laboratório do Museu de História Natural, de
Neuchâteul. Registrando-se na divisão de ciências da Universidade de
Neuchâtel, recebeu o título de doutor em ciências (1918), seguindo
depois para Zurique, onde estudou nos laboratórios de psicologia de G.
F. Lipps e estagiou na clínica psiquiátrica de E. Bleuler.

Foi nesse período que tomou contato com as obras de S. Freud e C. Jung. Escreveu seu primeiro
trabalho para o Journal de Psycologie, sob o título “Ensaio sobre alguns aspectos do desenvolvimento
da noção de parte na criança”. Cerca de 1923 recebeu convite de E. Claparède para assumir a direção
de estudos do Instituto Jean Jacques Rousseau, de Genebra, iniciando então um projeto de estudo
sistemático da inteligência. Sua teoria pode ser classificada em duas áreas principais: a que procura
explicar a formação da estrutura cognitiva, tema central de sua psicologia evolutiva, e a que se
desenvolve em torno da epistemologia genética. De acordo com Piaget, o papel da ação é fundamental
pois a característica essencial do pensamento lógico é ser operatório, ou seja, prolongar a ação
interiorizando-a. Esteve no Rio de Janeiro em 1949, como professor-conferencista, recebendo da
Universidade Nacional do Brasil, atual UFRJ, o título de Doutor honoris causa. Piaget morreu em
Genebra, a 16 de setembro de 1980.

PIAGET E A EDUCAÇÃO

Ele não era um educador, como alguns pensam, e não fez uma teoria ou proposta pedagógica.
Ele foi um estudioso também na área da psicologia, cujas teorias dão base de sustentação a
diversos movimentos pedagógicos, inclusive os que ocorreram anteriormente.
Como enfatiza Piaget, a lógica, a moral, a linguagem e a compreensão de regras sociais não são
inatas, ou seja, pré-formadas na criança, nem são impostas de fora para dentro, por pressão do meio. São

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
2
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

construídas por cada um dos indivíduos ao longo do processo de desenvolvimento, processo este
entendido como sucessão de estágios que se diferenciam uns dos outros, por mudanças qualitativas.
Para que o processo (assimilação-acomodação-adaptação) se efetive, é importante considerar o
principal objetivo da educação, que é a autonomia, tanto intelectual como moral.

O Método de Pesquisa:

Trabalhou especialmente com situações-problema, buscando apontar resoluções e dificuldades em seu


processo de estudo.
Desenvolveu estudos de observação com seus filhos na faixa de 0 a 2 anos. No entanto, a maior parte de
suas pesquisas teve como campo de investigação crianças de 06 a 12 anos, que não seus filhos

DOIS DOS EQUÍVOCOS MAIS FREQÜENTES POR PARTE DE ALGUNS


ESTUDIOSOS, EM RELAÇÃO À TEORIA PIAGETIANA:

1º) Piaget nunca desenvolveu uma teoria maturacional, ou seja, que só considera os aspectos endógenos.
Muito pelo contrário, sua teoria é interacionista, considera e propõe a articulação entre os aspectos internos e
externos para o desenvolvimento harmonioso do ser humano.

2º) Negação do social na teoria da inteligência. Esta é uma afirmação completamente equivocada. O fato
de não ter aprofundado seus estudos sobre esse aspecto não significa sua negação. Encontramos em sua
obra referências a esse respeito.

TEORIA DE JEAN PIAGET

Desenvolvimento da
Inteligência
Construção do
conhecimento

PESQUISOU e Epistemologia
elaborou uma TEORIA Genética

sobre os mecanismos cognitivos da espécie (sujeito epistêmico) e dos indivíduos


(sujeito psicológico).

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
3
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

A GRANDE QUESTÃO:

Como os homens
constróem Resulta das ações e interações do
conhecimento?? sujeito com o ambiente onde
vive.

1º) O conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado desde o nascimento (inatismo), nem
como resultado do simples registro de percepções e informações (empirismo).

2º) Ao elaborar a Teoria Psicogenética, procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por que passa a
criança, desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor), até o pensamento formal,
lógico-dedutivo, a partir da adolescência.

CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

A construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que,
provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação ou, acomodação e assimilação dessas ações e, assim,
em construção de esquemas ou conhecimento.
Em outras palavras, uma vez que a criança não consegue assimilar o estímulo, ela tenta fazer uma
acomodação e após, uma assimilação e o equilíbrio é, então, alcançado.
Josiane Lopes, (revista Nova Escola - ano XI - Nº 95), cita que para quando o equilíbrio se rompe, o indivíduo
age sobre o que o afetou buscando se reequilibrar. E para Piaget, isso é feito por adaptação e por
organização.

Esquema:

Autores sugerem que imaginemos um arquivo de dados na nossa cabeça. Os esquemas são análogos às
fichas deste arquivo, ou seja, são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos
intelectualmente organizam o meio.
São estruturas que se modificam com o desenvolvimento mental e que tornam-se cada vez mais refinadas à
medida em que a criança torna-se mais apta a generalizar os estímulos.
Por este motivo, os esquemas cognitivos do adulto são derivados dos esquemas sensório-motores da criança
e, os processos responsáveis por esses mudanças nas estruturas cognitivas são assimilação e acomodação.

Assimilação:

1) Assimilação: o sujeito entra em contato com o objeto (com o meio), retira informações e interpreta-as...
assimila-as.
É o processo cognitivo de colocar (classificar) novos eventos em esquemas existentes. É a incorporação de
elementos do meio externo (objeto, acontecimento, ...) a um esquema ou estrutura do sujeito.
Em outras palavras, é o processo pelo qual o indivíduo cognitivamente capta o ambiente e o organiza
possibilitando, assim, a ampliação de seus esquemas.

Na assimilação o indivíduo usa as estruturas que já possui.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
4
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

2) Acomodação: os objetos do conhecimento apresentam propriedades e particularidades que nem sempre


são assimiladas (incorporadas) pelos esquemas já estruturados no sujeito. A este mecanismo de ampliação ou
modificação de um esquema de assimilação, Piaget chamou de acomodação.

Assim, conhecer um objeto é assimilá-lo. No entanto, quando um objeto apresenta certas resistências
ao conhecimento, a organização mental se modifica e a esse processo chamamos acomodação.
A acomodação pode ser de duas formas, visto que se pode ter duas alternativas:
Criar um novo esquema no qual se possa encaixar o novo estímulo, ou Modificar um já existente de
modo que o estímulo possa ser incluído nele.
Após ter havido a acomodação, a criança tenta novamente encaixar o estímulo no esquema e aí
ocorre a assimilação.
Por isso, a acomodação não é determinada pelo objeto e sim pela atividade do sujeito sobre este, para
tentar assimilá-lo.O balanço entre assimilação e acomodação é chamado de adaptação.

Por aproximações sucessivas, articulando assimilações e acomodações, completa-se o processo a


que Piaget chamou de adaptação.

A cada adaptação realizada, novo esquema assimilador se torna estruturado e disponível para que o sujeito
realize novas acomodações e assim sucessivamente. O que promove este movimento é o processo de
equilibração, conceito central na teoria construtivista

O Processo de equilibração:
É o processo da passagem de uma situação de menor equilíbrio para uma de maior equilíbrio. Uma fonte de
desequilíbrio ocorre quando se espera que uma situação ocorra de determinada maneira, e esta não acontece.

Abstração Empírica: informações retiradas do meu objeto.

Abstração Reflexiva: informações retiradas do minha ação sobre o objeto.

Equilibração cognitiva – produto das trocas do sujeito com o mundo; síntese provisória, pois todo
conhecimento aponta novos problemas a investigar.
Equilibração majorante – movimento em espeiral, em que cada equilíbrio de nível superior funciona como
novo ponto de partida para formações mais amplas, elaboradas e complexas.
Sujeito epistêmico – sujeito ideal, universal, que representa o conjunto de possibilidades a que pôde chegar
o ser humano (pensamento hipotético-dedutivo).
O sujeito crítico e criativo da pedagogia progressista encontra respaldo no construtivismo

ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO

De acordo com Piaget, o desenvolvimento cognitivo é um processo de sucessivas mudanças qualitativas e


quantitativas das estruturas cognitivas derivando cada estrutura de estruturas precedentes. Ou seja, o
indivíduo constrói e reconstrói continuamente as estruturas que o tornam cada vez mais apto ao equilíbrio.

Essas construções seguem um padrão denominado por Piaget de ESTÁGIOS que seguem idades mais ou
menos determinadas. Todavia, o importante é a ordem dos estágios e não a idade de aparição destes.
Os Estágios:
O desenvolvimento da Inteligência não é linear...Se dá por saltos e não podem ser “pulados”.
A qualidade da inteligência se modifica...é quando ocorrem as mudanças de estágio.
Piaget dividiu os estágios de desenvolvimento em 3:

1) Sensório-motor (0 a 24 meses) ==> Ação


2) Pré-Operatório (2 a 7 anos) ==> Ação Interiorizada
3) Operatório ( 7 anos em diante) ==> Ação Interiorizada Reversível

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
5
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

Operatório Concreto (até 12 anos)


Operatório Formal (a partir dos 12 anos)

1) ESTÁGIO SENSÓRIO MOTOR (0 A 2 AN0S)

A partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar
mentalmente o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O
contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento.

Exemplos:
O bebê pega o que está em sua mão; "mama" o que é posto em sua boca; "vê" o que está diante de si.
Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo a boca.

2) PRÉ-OPERATÓRIO (2 A 7 ANOS)
Também chamado de estágio da Inteligência Simbólica . Caracteriza-se, principalmente, pela interiorização
de esquemas de ação construídos no estágio anterior (sensório-motor).

A criança deste estágio:


- É egocêntrica, centrada em si mesma, e não consegue se colocar, abstratamente, no lugar do outro.
- Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos "por quês").
- Já pode agir por simulação, "como se".
- Possui percepção global sem discriminar detalhes.
- Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos.

Exemplo:
Mostram-se para a criança, duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. A criança
nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas são diferentes. Não relaciona as situações.

3) OPERATÓRIO CONCRETO (7 A 11 AN0S)


A criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade, ..., já sendo capaz de
relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. Não se limita a uma representação imediata, mas
ainda depende do mundo concreto para chegar à abstração.

Desenvolve a capacidade de representar uma ação no sentido inverso de uma anterior, anulando a
transformação observada (reversibilidade).

Exemplos:
despeja-se a água de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criança diga se as quantidades
continuam iguais. A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de "refazer"
a ação.

3.1) OPERATÓRIO FORMAL (12 ANOS EM DIANTE)

A representação agora permite a abstração total. A criança não se limita mais a representação imediata nem
somente às relações previamente existentes, mas é capaz de pensar em todas as relações possíveis
logicamente buscando soluções a partir de hipóteses e não apenas pela observação da realidade.
Em outras palavras, as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento
e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas.

Exemplos:
Se lhe pedem para analisar um provérbio como "de grão em grão, a galinha enche o papo", a criança trabalha
com a lógica da idéia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
6
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

CONSTRUTIVISMO

Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana
se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações
mútuas entre o indivíduo e o meio.

Esta concepção do conhecimento e da aprendizagem que derivam, principalmente, das teorias da


epistemologia genética de Jean Piaget e da pesquisa sócio-histórica de Lev Vygotsky, parte da idéia de que o
homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, isto é, ele responde aos
estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada
vez mais elaborada.

Nesta concepção, o conhecimento não se traduz em atingir a verdade absoluta, em representar o real
tal como ele é, mas numa questão de adaptação (noção trazida da biologia) do organismo a seu meio
ambiente. Assim, o sujeito do conhecimento está o tempo todo modelando suas ações e operações
conceituais com base nas suas experiências. O próprio mundo sensorial com que se depara é um resultado
das relações que se mantém com este meio, de atividade perceptiva para com ele, e não um meio que existe
independetemente.

Na aquisição de novos conhecimentos o ser humano, segundo Piaget, adota dois procedimentos: a
assimilação e a acomodação. Estes dois processos buscam reestabelecer um equilíbrio mental perturbado
pelo contato com um dado incompatível com aquilo que se conhece até então (princípio de equilibração). No
primeiro caso aquilo com que se entra em contato é assimilado por um esquema já existente que então se
amplia, no segundo, o dado novo é incompatível com os esquemas já formulados e então se cria um novo
esquema acomodando este novo conhecimento. Este novo esquema será então ampliado na medida em que
o indivíduo estabelecer relações com seu meio.

Processos de Inteligência: se dá pela Assimilação e a Acomodação

1) Assimilação: o sujeito entra em contato com o objeto (com o meio), retira informações e interpreta-as...
assimila-as.

2) Acomodação: os objetos do conhecimento apresentam propriedades e particularidades que nem sempre


são assimiladas (incorporadas) pelos esquemas já estruturados no sujeito. A este mecanismo de ampliação ou
modificação de um esquema de assimilação, Piaget chamou de acomodação.

Assim, conhecer um objeto é assimilá-lo. No entanto, quando um objeto apresenta certas resistências
ao conhecimento, a organização mental se modifica e a esse processo chamamos acomodação.

Por aproximações sucessivas, articulando assimilações e acomodações, completa-se o processo a


que Piaget chamou de adaptação.

A cada adaptação realizada, novo esquema assimilador se torna estruturado e disponível para que o
sujeito realize novas acomodações e assim sucessivamente. O que promove este movimento é o processo
de equilibração, conceito central na teoria construtivista.

Abstração Empírica: informações retiradas do meu objeto.

Abstração Reflexiva: informações retiradas do minha ação sobre o objeto.

Equilibração cognitiva – produto das trocas do sujeito com o mundo; síntese provisória, pois todo
conhecimento aponta novos problemas a investigar.
Equilibração majorante – movimento em espeiral, em que cada equilíbrio de nível superior funciona como
novo ponto de partida para formações mais amplas, elaboradas e complexas.
Sujeito epistêmico – sujeito ideal, universal, que representa o conjunto de possibilidades a que pôde chegar
o ser humano (pensamento hipotético-dedutivo).

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
7
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

O sujeito crítico e criativo da pedagogia progressista encontra respaldo no construtivismo

IMPLICAÇÕES DA TEORIA DE PIAGET PARA OS PROFESSORES


1. Os objetivos pedagógicos necessitam estar centrados no aluno, a partir das atividades do aluno;
2. Os conteúdos não são concebidos como fins em si mesmos, mas como instrumentos que servem ao
desenvolvimento evolutivo natural;
3. Primazia de um método que leve ao descobrimento por parte do aluno ao invés de receber
passivamente por meio do professor;
4. A aprendizagem é um processo construído internamente;
5. A aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito;
6. A aprendizagem é um processo de reorganização cognitiva;
7. Os conflitos cognitivos são importantes para o desenvolvimento da aprendizagem.

INTERAÇÃO SOCIAL FAVORECE A APRENDIZAGEM

As experiências de aprendizagem necessitam estruturar-se de modo a privilegiarem a colaboração, a


cooperação e intercâmbio de pontos de vista na busca conjunta do conhecimento.
Piaget não aponta respostas sobre o que e como ensinar, mas permite compreender como a criança e
o adolescente aprendem, fornecendo um referencial para a identificação das possibilidades e limitações de
crianças e adolescentes. D esta maneira, oferece ao professor uma atitude de respeito às condições
intelectuais do aluno e um modo de interpretar suas condutas verbais e não verbais para poder trabalhar
melhor com elas.
A complexidade e a extensão da obra de Piaget levou-nos a optar por evidenciar aspectos que estão
mais diretamente ligados à educação. Criador da epistemologia genética, sempre esteve preocupado em
investigar como se dava a construção do conhecimento no campo social, afetivo, biofisiológico e cognitivo,
mais especificamente, qual é a sua gênese, seus instrumentos de apropriação e, em como se constituem,
sendo as crianças o seu objeto de investigação, para a construção de seu conhecimento científico. Quanto à
aplicabilidade de sua teoria no campo pedagógico, é fundamental reafirmar que esse não foi seu objetivo, seu
interesse voltava-se para o campo epistemológico e teórico. Nesse sentido, a tentativa de fazer uso de sua
teoria, no campo pedagógico, requer bastante cuidado, visto que a distorção de seus pressupostos básicos
leva-nos a deformar suas contribuições. O próprio Piaget adverte:
Estou convencido de que os nossos trabalhos podem prestar serviços à educação, na medida em que
vão além de uma teoria do aprendizado e permitem vislumbrar outros métodos de aquisição de
conhecimentos. Isso é essencial. Mas como não sou pedagogo, não posso dar nenhum conselho aos
educadores. A única coisa que posso fazer é fornecer fatos. Além do mais, considero que os educadores
estão em condições de encontrar por si mesmos novos métodos pedagógicos. (Lerner, p. 87)
Isso aplica-se, também, aos outros teóricos. Iremos, portanto, ressaltar alguns pontos que nos
direcionem para um estudo sistematizado de sua teoria, que nos conduzam à pesquisa e análise crítica
constante da prática pedagógica.
A epistemologia genética, os estudos e pesquisas iniciais de Piaget levaram-no, a partir de
observações e experimentações com crianças, em momentos especiais, com seus filhos, a elaborar um
método de investigação. Esse método, “o método clínico”, visava a obtenção de respostas ao entendimento de
como se processava a aquisição do conhecimento, tanto no que se refere aos aspectos figurativos (percepção,
espaço, tempo, movimento, velocidade), quanto aos operativos (números, quantidades).
Com o desenvolvimento de suas investigações, Piaget realizou algumas mudanças em seu método de
pesquisa, que inicialmente, baseava-se, apenas, na observação das conversações das crianças. A introdução
de materiais concretos possibilitou a realização de experiências que lhe permitiram entender os aspectos
verbais e conceituais do pensamento da criança e, conseqüentemente, analisar as fontes práticas e sensório-
motoras de seu desenvolvimento.
Tratou, pois, de constatar, experimentalmente, como se processa a aquisição do conhecimento,
evidenciando que esses conhecimentos são mutáveis ao longo de todas as fases da vida humana.
Constatamos que para a realização de tal feito, Piaget desenvolveu longos estudos e pesquisas nos mais

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
8
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

diversos campos do saber. Sua perspectiva interdisciplinar pode ser apontada ao verificarmos que suas
contribuições se deram no campo da psicologia, biologia, sociologia, lógica, física e matemática.
Somente um estudo exaustivo de suas obras nos permitiria dominar a gama de contribuições, por ele
deixada, para que compreendamos suas concepções a respeito da gênese e desenvolvimento do
conhecimento infantil. Com o intuito de garantir uma abordagem sobre alguns aspectos por ele abordados,
porém de forma sintética, optamos por seguir a linha de raciocínio por ele apresentada, considerando a
organização por faixa-etária, no entanto, limitar-no-emos a discorrer somente sobre a primeira infância, onde
está o centro de nosso maior interesse no momento. Ressaltamos, porém, que necessário se faz um estudo
sistematizado sobre todas as faixas etárias.

I - A PRIMEIRA INFÂNCIA: de zero a dois anos

Nesse período, para Piaget, a inteligência se caracteriza pela ausência de pensamento, representação
e linguagem, é a denominada inteligência prática. As atitudes infantis (movimentos reflexos) são conseqüentes
das percepções imediatas que têm das pessoas, situações e objetos, e são elas as responsáveis pelas
grandes aquisições desse período, alicerce das construções futuras.
As coordenações sensoriais e motoras são predominantes e se traduzem em ações-reflexos,
resultantes de suas necessidades imediatas. Segundo Piaget, trata-se da assimilação senso-motora,
prenúncio da assimilação mental. As aquisições infantis desse período baseiam-se em percepções e
movimentos que, aos poucos, vão se complexificando pela integração de novos elementos. A essa ampliação
de aquisições, podemos denominar de “esquemas de ação”.1
Chamamos reação circular primária, quando, num primeiro momento, há a incorporação de novos
elementos a um ciclo de reflexos, modificando as ações do bebê que, posteriormente, permitem-lhe constatar
o resultado da variação de suas ações, como por exemplo, ouvir-olhar, ouvir-olhar-pegar. “Esta ‘reação
circular’, como a chamaram, desempenha papel essencial no desenvolvimento senso-motor e representa
forma mais evoluída de assimilação” (PIAGET , 1998, p. 19).
Gradativamente, a criança explora mais ativamente o ambiente que a circunda, interessando-se pelo
resultado de suas ações. Podemos perceber que, aos poucos, vai surgindo uma certa intencionalidade em
suas ações, sendo caracterizado por Piaget como “primeiro nível de aquisição estruturada do reflexo em
direção à inteligência” (FURTH, 1974, p. 66). A esse aprimoramento denominamos “reação circular
secundária”.
Novas combinações de movimentos coordenados vão sendo estabelecidas, de forma mais intencional,
gerando situações de grandes explorações, de tal maneira que os meios estejam coordenados aos fins
evidenciando as relações entre os objetos manipulados, “nota-se a analogia funcional de suas coordenações
com os raciocínios” (DOLLE, 1978, p. 85). A esse desenvolvimento intelectual é que Piaget denominou
“inteligência prática”.
A criança dá início a novas variações de movimentos e ações, dando prova de que já desenvolve uma
atividade intelectual mais aprimorada. Ela busca novos meios, através da diferenciação de esquemas antigos,
fazendo uso do ensaio e erro, com o intuito de ter uma melhor visão, julgando para quê realmente servem as
coisas. A essa nova atitude denominou-se “reação circular terciária”.
Nesse momento, a criança está iniciando um processo de interiorização de suas ações, efetuando a
transição entre inteligência sensório-motora e inteligência representativa, ou seja suas ações já são
elaboradas mentalmente, “como conseqüência final destas realizações, a criança está em condições de formar
e compreender símbolos, e podem-se observar, nesta fase, as primeiras manifestações do comportamento
simbólico” (FURTH, 1974, p.69).

Esquema geral dos períodos pré-verbais:


(0 – 1 mês). As condutas globais estão determinadas hereditariamente (reflexos);

1
- “O esquema de uma ação é, por definição, o conjunto estruturado dos caracteres generalizáveis desta ação, isto é, dos que permitem
repetir a mesma ação ou aplicá-la a novos conteúdos. Mas o esquema de uma ação não é nem perceptível (percebe-se uma ação
particular, mas não seu esquema) nem diretamente introspectível e só se toma consciência de suas implicações repetindo a ação e
comparando seus resultados sucessivos”. Antonio M BATTRO. Dicionário terminológico de Jean Piaget, p. 92.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
9
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

(1 – 4 meses). Primeiras adaptações adquiridas, onde a assimilação começa a distinguir-se da


acomodação por meio das “reações circulares primárias”;
(8 meses). Comportamentos que repetem o gesto que chegou por acaso a produzir uma ação
interessante sobre as coisas, os meios empregados, contudo, não se distinguem definitivamente dos fins, e
portanto, esta inteligência “empírica” está longe de ser uma inteligência “sistemática”, mas pelo menos
participa de algumas propriedades dos comportamentos superiores. A esta atividade bem definida chamará de
“reação circular secundária”;
(8 – 12 meses). Aplicação de meios já conhecidos para resolver situações novas. Diferencia-se
claramente do anterior, pois alguns esquemas se interpõem como meios em vista de um fim e,
simetricamente, os objetos que a criança começa a manipular são mais estáveis no que diz respeito à
causalidade e ao espaço.
V) (12 – 18 meses). Experimentação ativa que leva a descobrir meios novos para resolver certas
situações. É o último grau de inteligência meramente empírica ou “reação circular terciária”.
VI) (além dos 18 meses). Invenção de novos meios por combinação mental ou dedução: a
criança alcança o desenvolvimento que lhe permite adaptar-se a situações novas com maior desenvoltura e
mobilidade. Os procedimentos tornam-se sistemáticos e libertam-se progressivamente da experiência ativa e
do fenômeno atual.

II - A PRIMEIRA INFÂNCIA: de dois a sete anos.

Em torno dos dois anos, a capacidade de representar acontecimentos, objetos, esquemas conceituais etc, não
perceptíveis até o momento, caracteriza o início do período simbólico. A inteligência sensório-motora, presente
no primeiro período, dá lugar ao chamado pensamento pré-operatório, predominando a interiorização das
ações, o que significa reconstruí-las mentalmente. A representação2 pode se dar de forma diferenciada, para
isso a criança fará uso de símbolos e sinais, dentre eles o jogo simbólico, a imitação, a imagem mental e a
linguagem.

A imitação
A imitação que até então, apesar de ter se tornado sistemática e intencional, se dava no campo da
percepção, em uma atividade prática, passa a ser “diferida”: A gênese da linguagem se dá nesse processo de
interiorização do real, elaborando um sistema de imagens/signos que lhe permitem representar, de modo
particular, a realidade. A imitação tem papel importante na construção do sistema representativo e operativo
da criança, o que representa a aquisição da capacidade de realizar uma ação interna de coordenação.

O Jogo simbólico
A necessidade de lidar com o mundo real leva a criança a criar mecanismos próprios para lidar com
as situações do seu cotidiano, para isso ela precisa transformar essa realidade, adequando-a ao seu eu e
aos seus desejos. O jogo simbólico é o mecanismo utilizado para superar essa necessidade de adaptação
ao mundo social, buscando a assimilação do real de acordo com o seu eu, de maneira a “evocar uma
realidade particular ou seu correspondente imagístico”.
No período inicial, do surgimento do pensamento, o que se torna relevante, no campo do
desenvolvimento da inteligência, é a capacidade da operatividade mental, que leva a criança a fazer uso do
jogo para elaborar pré-conceitos particulares. Para Piaget o jogo simbólico é a possibilidade que a criança
tem para relacionar-se com o mundo adulto.
A criança que, no nível sensório-motor, fazia uso do “jogo de exercício”, ausente de qualquer tipo
de simbolismo, passa a fazer uso de um “simbolismo lúdico”, que lhe possibilita reviver um acontecimento
ou ação.

2
- Para Piaget usa-se o termo “representação” em dois sentidos muito diferentes: num sentido mais amplo, a representação é confundida com o
pensamento, ou seja, com toda inteligência que se apóia num sistema de conceitos; num sentido mais estrito, reduz-se à imagem mental, isto é, às
lembranças simbólicas de realidades ausentes. Essas duas espécies de representações se relacionam entre si, e, nessa relação, a imagem é um símbolo
concreto, em oposição ao conceito, geralmente mais abstrato. Embora o pensamento não se reduza a um sistema de imagens, ele se faz acompanhar de
imagens. Analice Dutra PILLAR. Desenho e escrita como sistema de representação, p. 23.

Libera Limes Concursos - (67) 3313-8181


www.liberalimes.com.br
10
Preparatório para Concursos / 2011
Professor, Gestor, Supervisor e Coordenador

O desenho3
O desenho, assim como a imitação e o jogo simbólico é mais uma forma de representação usada pela
criança que se encontra no segundo período de desenvolvimento, supõe, portanto, “a construção de uma
imagem bem distinta da própria percepção”. Em suas pesquisas sobre o desenho, Piaget fez uso dos estudos
realizados por LUQUET (1969) a respeito do desenho infantil.
As fases do desenho infantil, utilizadas por Piaget, e que segundo Luquet, a criança reproduz o
modelo interno que tem do objeto, isto é, expressa sua realidade psíquica, são as seguintes (PIAGET, 1978, p.
57-8):
- realismo fortuito: o da garatuja com significação descoberta em seu desenrolar;
- realismo gorado: ou fase da incapacidade sintética, em que os elementos da cópia estão justapostos
em vez de estarem coordenados num todo;
- realismo intelectual: em que o desenho sobrepujou as dificuldades primitivas mas em que apresenta,
essencialmente, os tributos conceptuais do modelo, sem preocupação de perspectiva visual;
- realismo visual: o desenho já não representa o que é visível de um ponto de vista perspectivo
particular e toma em consideração a disposição dos objetos segundo um plano de conjunto e de suas
proporções métricas.

As imagens mentais

A capacidade de representar um objeto, na sua ausência (imagem mental) se dá, de acordo com Piaget, em
torno de 1 ano e meio, não podemos considerá-la como uma simples extensão das percepções e sim uma
reprodução ativa e esquematizante por interiorização. Assim, de forma representativa, a imagem mental
reproduz os elementos do universo infantil, de acordo com a capacidade que a criança tem de percebê-lo, de
abstrair alguns elementos dessa realidade.

A linguagem

Ao abordarmos esse assunto, a linguagem, fazemo-lo considerando a sua relação com o pensamento,
aspectos considerados por Piaget intimamente imbricados. Sua teoria muito contribuiu para dissipar vários
pontos obscuros a respeito de como se desenvolve a linguagem infantil.
Para Piaget a linguagem, juntamente, com o jogo simbólico, a imitação, a imagem mental constituem aspectos
da função simbólica e/ou semiótica, o que significa adquirir a capacidade de diferir o significado do
significante4, fazendo uso do segundo para representar o primeiro. A competência lingüística vai se
desenvolvendo com a apropriação dos signos lingüísticos, o que resulta na construção da linguagem verbal,
esse processo inicia-se em torno de um ano e meio, dois anos. Há que se ressaltar que a organização da
linguagem em um discurso coerente depende de uma organização espa