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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

NOVO SUMÁRIO

DIREITO CONSTITUCIONAL.....................................................................................................................3
LEITURA DE VÉSPERA – LEGISLAÇÃO.................................................................................................................................... 3
LEITURA DE VÉSPERA – JURISPRUDÊNCIA/INFORMATIVO.......................................................................................... 18
LEITURA DE VÉSPERA – SÚMULAS ........................................................................................................................................ 44

DIREITO ADMINISTRATIVO.....................................................................................................................46
LEITURA DE VÉSPERA – LEGISLAÇÃO .................................................................................................................................. 46
LEITURA DE VÉSPERA – JURISPRUDÊNCIA/INFORMATIVO ......................................................................................... 49
LEITURA DE VÉSPERA – SÚMULAS ........................................................................................................................................ 50

DIREITO PENAL (PARTE GERAL)............................................................................................................51


LEITURA DE VÉSPERA – LEGISLAÇÃO .................................................................................................................................. 51
LEITURA DE VÉSPERA – JURISPRUDÊNCIA/INFORMATIVO ......................................................................................... 53
LEITURA DE VÉSPERA – SÚMULAS ........................................................................................................................................ 56

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DIREITO CONSTITUCIONAL
PROFESSOR RESPONSÁVEL: FREDERICO PEREIRA MARTINS

LEITURA DE VÉSPERA – LEGISLAÇÃO

01

DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (Direitos e Deveres Individuais e Coletivos)

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liber-
dade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
(...)
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercí-
cio dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas
liturgias;
(...)
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção
filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e
recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
(...)
XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consenti-
mento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,
durante o dia, por determinação judicial;
XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados
e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na
forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;
(...)
XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente con-
vocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
(...)
XXV – no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de pro-
priedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;
(...)

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XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da socie-
dade e do Estado;
(...)
XXXVIII – é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de
reclusão, nos termos da lei;
XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática
da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como
crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo
evitá-los, se omitirem;
XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou
militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;
XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar
o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucesso-
res e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos.
XLVII – não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis.
XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza
do delito, a idade e o sexo do apenado;
XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

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L – às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus
filhos durante o período de amamentação;
LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum,
praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entor-
pecentes e drogas afins, na forma da lei;
LII – não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória;
LVIII – o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas
hipóteses previstas em lei;
LIX – será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no
prazo legal;
LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da inti-
midade ou o interesse social o exigirem;
LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada
de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propria-
mente militar, definidos em lei;
LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imedia-
tamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
LXIV – o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu inter-
rogatório policial;
LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança;
LXVII – não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento
voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
LXVIII – conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de
sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou
abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribui-
ções do Poder Público;

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LXX – o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:


a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em
funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou asso-
ciados;
(...)
LXXII – conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, cons-
tantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial
ou administrativo;
(...)
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes
do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a Repú-
blica Federativa do Brasil seja parte.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprova-
dos, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos
respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha
manifestado adesão.

02

ORGANIZAÇÃO DO ESTADO (Estados Federados)

Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem,
observados os princípios desta Constituição.
§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta
Constituição.
§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais
de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regula-
mentação.
§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas,
aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítro-
fes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de inte-
resse comum.
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:

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I – as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalva-


das, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II – as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas
aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros;
III – as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV – as terras devolutas não compreendidas entre as da União.
Art. 27. O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da
representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será
acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.
§ 1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando- sê-lhes as
regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração,
perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.
§ 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembleia
Legislativa, na razão de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em
espécie, para os Deputados Federais, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º,
150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.
§ 3º Compete às Assembleias Legislativas dispor sobre seu regimento interno, polícia e
serviços administrativos de sua secretaria, e prover os respectivos cargos.
§ 4º A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual.
Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de
quatro anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último
domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato
de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do ano subsequente, obser-
vado, quanto ao mais, o disposto no art. 77.
Parágrafo único. Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na
administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e
observado o disposto no art. 38, I, IV e V.
§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administra-
ção pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado
o disposto no art. 38, I, IV e V.
§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão
fixados por lei de iniciativa da Assembleia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 37,
XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. 

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03

INTERVENÇÃO

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
I – manter a integridade nacional;
II – repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;
III – pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
IV – garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;
V – reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo
motivo de força maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro
dos prazos estabelecidos em lei;
VI – prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
VII – assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta;
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida
a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e
serviços públicos de saúde.
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localiza-
dos em Território Federal, exceto quando:
I – deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida
fundada;
II – não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desen-
volvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;
IV – o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância
de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem
ou de decisão judicial.
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:
I – no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto
ou impedido, ou de requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for exercida contra
o Poder Judiciário;

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II – no caso de desobediência à ordem ou decisão judiciária, de requisição do Supremo


Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral;
III – de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral
da República, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de lei federal.
§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de
execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Con-
gresso Nacional ou da Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas.
§ 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a Assembleia Legislativa, far-se-
-á convocação extraordinária, no mesmo prazo de vinte e quatro horas.
§ 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo Con-
gresso Nacional ou pela Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execu-
ção do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade.
§ 4º Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a
estes voltarão, salvo impedimento legal.

04

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (Disposições Gerais)

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impes-
soalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
(...)
V – as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo
efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos,
condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de dire-
ção, chefia e assessoramento;
VI – é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;
VII – o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;
VIII – a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portado-
ras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;
(...)
XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver
compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas;
(...)

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§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos,


a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma
e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente,
servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressar-
cimento.
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

05

PROCESSO LEGISLATIVO (Espécies Legislativas, PEC, Legitimidade para Iniciativa


do Processo Legislativo e Medidas Provisórias)

Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:


I – emendas à Constituição;
II – leis complementares;
III – leis ordinárias;
IV – leis delegadas;
V – medidas provisórias;
VI – decretos legislativos;
VII – resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e con-
solidação das leis.
(...)
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I – 4 de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado
Federal;
II – do Presidente da República;
III – de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, mani-
festando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de
estado de defesa ou de estado de sítio.
§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois
turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respecti-
vos membros.
§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e
do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.

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§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:


I – a forma federativa de Estado;
II – o voto direto, secreto, universal e periódico;
III – a separação dos Poderes;
IV – os direitos e garantias individuais.
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não
pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.
(...)
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou
Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Pre-
sidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-
-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição.
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
I – fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II – disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica
ou aumento de sua remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públi-
cos e pessoal da administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos,
estabilidade e aposentadoria de civis, reforma e transferência de militares para a inatividade;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos,
estabilidade e aposentadoria;
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas
gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Dis-
trito Federal e dos Territórios;
e) criação, estruturação e atribuições dos Ministérios e órgãos da administração pública;
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o dis-
posto no art. 84, VI;
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções,
estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva.
(...)
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medi-
das provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I – relativa a:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b) direito penal, processual penal e processual civil;

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c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus


membros;
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suple-
mentares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;
II – que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro
ativo financeiro;
III – reservada a lei complementar;
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de
sanção ou veto do Presidente da República.
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os pre-
vistos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte
se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia,
desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos
termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por
decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes.
§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória, sus-
pendendo-se durante os períodos de recesso do Congresso Nacional.
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das
medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos
constitucionais.
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de
sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas
do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais
deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando.
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que,
no prazo de sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas
duas Casas do Congresso Nacional.
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados.
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisó-
rias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plená-
rio de cada uma das Casas do Congresso Nacional.
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha
sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a
rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decor-
rentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas.
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória,
esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.

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Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:


I – nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto
no art. 166, § 3º e § 4º;
II – nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputa-
dos, do Senado Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público.

06

CONSELHO DA REPÚBLICA E CONSELHO DA DEFESA NACIONAL

Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da Repú-


blica, e dele participam:
I – o Vice-Presidente da República;
II – o Presidente da Câmara dos Deputados;
III – o Presidente do Senado Federal;
IV – os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
V – os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI – o Ministro da Justiça;
VII – seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois
nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela
Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.
Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre:
I – intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;
II – as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.
§ 1º O Presidente da República poderá convocar Ministro de Estado para participar da reu-
nião do Conselho, quando constar da pauta questão relacionada com o respectivo Ministério.
§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho da República.
(...)
Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da República
nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado democrático, e
dele participam como membros natos:
I – o Vice-Presidente da República;
II – o Presidente da Câmara dos Deputados;
III – o Presidente do Senado Federal;
IV – o Ministro da Justiça;
V – o Ministro de Estado da Defesa
VI – o Ministro das Relações Exteriores;
VII – o Ministro do Planejamento;
VIII – os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

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§ 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional:


I – opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos
desta Constituição;
II – opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção
federal;
III – propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do
território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas
relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo;
IV – estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a garantir
a independência nacional e a defesa do Estado democrático.
§ 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho de Defesa Nacional.

07

SEGURANÇA PÚBLICA

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é


exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimô-
nio, através dos seguintes órgãos:
I – polícia federal;
II – polícia rodoviária federal;
III – polícia ferroviária federal;
IV – polícias civis;
V – polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, estruturado em carreira,
destina-se a:
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela
União e estruturado em carreira, destina-se a:
I – apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens,
serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim
como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija
repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
II – prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o
descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas
áreas de competência;
III – exercer as funções de polícia marítima, aérea e de fronteiras;
III – exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;
IV – exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, estruturado em carreira, destina-se, na


forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estru-
turado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, estruturado em carreira, destina-se, na
forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.
§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estru-
turado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada
a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais,
exceto as militares.
§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos
corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de
atividades de defesa civil.
§ 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do
Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do
Distrito Federal e dos Territórios.
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela
segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades.
§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus
bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.
§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste
artigo será fixada na forma do § 4º do art. 39.
§ 10. A segurança viária, exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade
das pessoas e do seu patrimônio nas vias públicas:
I – compreende a educação, engenharia e fiscalização de trânsito, além de outras ativi-
dades previstas em lei, que assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente; e
II – compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, aos respecti-
vos órgãos ou entidades executivos e seus agentes de trânsito, estruturados em Carreira, na
forma da lei.

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

08

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de


constitucionalidade:
I – o Presidente da República;
II – a Mesa do Senado Federal;
III – a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV – a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
V – o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
VI – o Procurador-Geral da República;
VII – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII – partido político com representação no Congresso Nacional;
IX – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
§ 1º O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de incons-
titucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal.
§ 2º Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma
constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências neces-
sárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias.
§ 3º Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de
norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá
o ato ou texto impugnado.

09

SÚMULA VINCULANTE

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante
decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitu-
cional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vincu-
lante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e
indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou can-
celamento, na forma estabelecida em lei.
§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas deter-
minadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e
a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de
processos sobre questão idêntica.

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cance-
lamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de
inconstitucionalidade.
§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que
indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a
procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determi-
nará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso.

10

MINISTÉRIO PÚBLICO

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:


I – promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
II – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos
direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
III – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público
e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
IV – promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção
da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição;
V – defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;
VI – expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisi-
tando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;
VII – exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar men-
cionada no artigo anterior;
VIII – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados
os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;
IX – exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua fina-
lidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.

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LEITURA DE VÉSPERA – JURISPRUDÊNCIA/INFORMATIVO

01

Imunidade Parlamentar e Medida Cautelar (Informativo 881 do STF)

O Plenário, por maioria, julgou parcialmente procedente ação direta de inconstitucio-


nalidade na qual se pedia interpretação conforme à Constituição para que a aplicação das
medidas cautelares, quando impostas a parlamentares, fossem submetidas à deliberação
da respectiva Casa Legislativa em 24 horas.
Primeiramente, a Corte assentou que o Poder Judiciário dispõe de competência para
impor, por autoridade própria, as medidas cautelares a que se refere o artigo 319 (1) do
Código de Processo Penal (CPP). Vencido, nesse ponto, o ministro Marco Aurélio que julgou
ser inaplicável a referida norma legal.
Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, também por votação majoritária, deliberou enca-
minhar, para os fins a que se refere art. 53, § 2º (2), da Constituição Federal (CF), a decisão
que houver aplicado medida cautelar sempre que a execução desta impossibilitar direta
ou indiretamente o exercício regular do mandato legislativo.
Salientou que, na independência harmônica que rege o princípio da separação dos Pode-
res, as imunidades parlamentares, assim como a vitaliciedade na magistratura, a irredutibili-
dade de vencimentos e a inamovibilidade, na independência harmoniosa que rege o princípio
da separação de Poderes, são instrumentos de vital importância, visto buscarem, priori-
tariamente, a proteção dos parlamentares no exercício de suas funções, contra os abusos
e pressões dos demais Poderes. Constitui-se, pois, um direito instrumental de garantia de
liberdade de opiniões, palavras e votos dos membros do Poder Legislativo bem como de sua
proteção contra prisões arbitrárias e processos temerários.
O Plenário asseverou que essas imunidades não dizem respeito à figura do parlamentar
em si, mas à função por ele exercida, ao Poder que ele representa, no intuito de resguardar
a atuação do Legislativo perante o Executivo e perante o Judiciário, consagrando-se como
garantia de independência perante os outros dois Poderes constitucionais.
Afirmou que, no tocante à imunidade parlamentar processual em relação à prisão, a “ratio”
da norma constitucional é somente permitir o afastamento do parlamentar do exercício de seu
mandato conferido pelo povo em uma única hipótese: prisão em flagrante delito por crime
inafiançável. O art. 53, §2º, da CF protege o integral exercício do mandato parlamentar, ao
referir, expressamente, que a restrição à liberdade de ir e vir do parlamentar somente
poderá ocorrer na referida hipótese. Dessa forma, a norma constitucional estabeleceu,
implicitamente, a impossibilidade de qualquer outro tipo de prisão cautelar.

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Nesse contexto, a Corte ponderou que, sendo a finalidade da imunidade formal proteger
o livre exercício do mandato parlamentar contra interferências externas, a “ratio” da norma
constitucional não pode ser contornada pela via das medidas cautelares diversas da prisão.
Assim, ato emanado do Poder Judiciário que houver aplicado medida cautelar que
impossibilite direta ou indiretamente o exercício regular do mandato legislativo, deve
ser submetido ao controle político da Casa Legislativa respectiva, nos termos do art. 53,
§ 2º, da CF.
Vencidos os ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Luiz Fux, Rosa Weber e Celso de
Mello, que julgaram improcedente o pedido. Entenderam que os poderes conferidos ao Con-
gresso para sustar processos penais em curso são estritos, circunscritos às hipóteses especi-
ficamente limitadas na CF, pois as medidas cautelares penais não são instrumentais apenas
ao processo penal, mas também meios de tutela da fase pré-processual investigativa e da
ordem pública.
Nesse sentido, a outorga constitucional de poder para sustar um processo penal não com-
preende a concessão de poderes para impedir a adoção de providências cautelares neces-
sárias à tutela da ordem pública (visando a impedir reiteração delitiva), bem como, à tutela da
investigação e completa elucidação dos fatos.
(1) CPP: “Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: I – comparecimento perió-
dico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades;
II – proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias
relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para
evitar o risco de novas infrações; III – proibição de manter contato com pessoa determinada
quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permane-
cer distante; IV – proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conve-
niente ou necessária para a investigação ou instrução; V – recolhimento domiciliar no período
noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho
fixos; VI – suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica
ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais;
VII – internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou
grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do
Código Penal) e houver risco de reiteração; VIII – fiança, nas infrações que a admitem, para
assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em
caso de resistência injustificada à ordem judicial; IX – monitoração eletrônica”.
(2) CF: ”Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quais-
quer de suas opiniões, palavras e votos. (...) § 2º Desde a expedição do diploma, os membros
do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável.
Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para
que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão”.

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ADI 5526/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julga-
mento em 11.10.2017. (ADI-5526)

EMENTA DO JULGADO
CONSTITUCIONAL E PROCESSO PENAL. INAPLICABILIDADE DE PRISÃO PREVEN-
TIVA PREVISTA NO ARTIGO 312 DO CPP AOS PARLAMENTARES FEDERAIS QUE, DESDE
A EXPEDIÇÃO DO DIPLOMA, SOMENTE PODERÃO SER PRESOS EM FLAGRANTE DELITO
POR CRIME INAFIANÇAVEL. COMPETÊNCIA PLENA DO PODER JUDICIÁRIO PARA IMPO-
SIÇÃO DAS MEDIDAS CAUTELARES PREVISTAS NO ARTIGO 319 DO CPP AOS PARLA-
MENTARES, TANTO EM SUBSTITUIÇÃO A PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO POR CRIME
INAFIANÇÁVEL, QUANTO EM GRAVES E EXCEPCIONAIS CIRCUNSTANCIAS. INCIDÊN-
CIA DO §2º, DO ARTIGO 53 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL SEMPRE QUE AS MEDIDAS
APLICADAS IMPOSSIBILITEM, DIRETA OU INDIRETAMENTE, O PLENO E REGULAR
EXERCÍCIO DO MANDATO PARLAMENTAR. AÇÃO PARCIALMENTE PROCEDENTE.
1. Na independência harmoniosa que rege o princípio da Separação de Poderes, as imuni-
dades do Legislativo, assim como as garantias do Executivo, Judiciário e do Ministério Público,
são previsões protetivas dos Poderes e Instituições de Estado contra influências, pressões,
coações e ingerências internas e externas e devem ser asseguradas para o equilíbrio de um
Governo Republicano e Democrático.
2. Desde a Constituição do Império até a presente Constituição de 5 de outubro de 1988, as
imunidades não dizem respeito à figura do parlamentar, mas às funções por ele exercidas, no
intuito de preservar o Poder Legislativo de eventuais excessos ou abusos por parte do Executivo
ou Judiciário, consagrando-se como garantia de sua independência perante os outros poderes
constitucionais e mantendo sua representação popular. Em matéria de garantias e imunidades,
necessidade de interpretação separando o CONTINENTE (“Poderes de Estado”) e o CONTE-
ÚDO (“eventuais membros que pratiquem ilícitos”), para fortalecimento das Instituições. 
3. A imunidade formal prevista constitucionalmente somente permite a prisão de parlamen-
tares em flagrante delito por crime inafiançável, sendo, portanto, incabível aos congressistas,
desde a expedição do diploma, a aplicação de qualquer outra espécie de prisão cautelar,
inclusive de prisão preventiva prevista no artigo 312 do Código de Processo Penal.
4. O Poder Judiciário dispõe de competência para impor aos parlamentares, por autori-
dade própria, as medidas cautelares a que se refere o art. 319 do Código de Processo Penal,
seja em substituição de prisão em flagrante delito por crime inafiançável, por constituírem
medidas individuais e específicas menos gravosas; seja autonomamente, em circunstancias
de excepcional gravidade.
5. Os autos da prisão em flagrante delito por crime inafiançável ou a decisão judicial de
imposição de medidas cautelares que impossibilitem, direta ou indiretamente, o pleno e regu-
lar exercício do mandato parlamentar e de suas funções legislativas, serão remetidos dentro

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de vinte e quatro horas a Casa respectiva, nos termos do § 2º do artigo 53 da Constituição


Federal, para que, pelo voto nominal e aberto da maioria de seus membros, resolva sobre a
prisão ou a medida cautelar.
6. Ação direta de inconstitucionalidade julgada parcialmente procedente.
(ADI 5526, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ALEXANDRE
DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 11/10/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-159
DIVULG 06-08-2018 PUBLIC 07-08-2018)

02

Deputados Estaduais gozam das mesmas imunidades formais previstas para os


parlamentares federais no art. 53 da CF/1988 (Informativo 939 do STF)

ADI e imunidade parlamentar – 2


O Plenário, por maioria, indeferiu medidas cautelares em ações diretas de inconstitucio-
nalidade ajuizadas contra os arts. 33, § 3º, e 38, §§ 1º, 2º e 3º, da Constituição do Estado do
Rio Grande do Norte, os §§ 2º ao 5º do art. 102 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro
e a Resolução 577/2017 da respectiva Assembleia Legislativa, bem como contra os §§ 2º ao
5º do art. 29 da Constituição do Estado do Mato Grosso e a Resolução 5.221/2017 da res-
pectiva Assembleia Legislativa. Os dispositivos constitucionais impugnados estendem
aos deputados estaduais as imunidades formais previstas no art. 53 da Constituição
Federal (CF) (1) para deputados federais e senadores. Já as Resoluções revogam prisões
cautelares, preventivas e provisórias de deputados estaduais e determinam o pleno retorno
aos mandatos parlamentares, com todos os seus consectários.
O Colegiado entendeu que a leitura da Constituição da República revela que, sob os ângu-
los literal e sistemático, os deputados estaduais têm direito às imunidades formal e mate-
rial e à inviolabilidade conferidas pelo constituinte aos congressistas, no que estendi-
das, expressamente, pelo § 1º do art. 27 da CF (2).
Asseverou que o dispositivo não abre campo a controvérsias semânticas em torno de
quais imunidades são abrangidas pela norma extensora. A referência no plural, de cunho
genérico, evidencia haver-se conferido a parlamentares estaduais proteção sob os campos
material e formal. Se o constituinte quisesse estabelecer estatuto com menor amplitude para
os deputados estaduais, o teria feito expressamente, como fez, no inciso VIII do art. 29 (3),
em relação aos vereadores.
A extensão do estatuto dos congressistas federais aos parlamentares estaduais traduz
dado significante do pacto federativo. O reconhecimento da importância do Legislativo esta-
dual viabiliza a reprodução, no âmbito regional, da harmonia entre os Poderes da República.

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É inadequado, portanto, extrair da Constituição Federal proteção reduzida da atividade do


Legislativo nos entes federados, como se fosse menor a relevância dos órgãos locais para o
robustecimento do Estado Democrático de Direito.
Acrescentou que reconhecer a prerrogativa de o Legislativo sustar decisões judiciais de
natureza criminal, precárias e efêmeras, cujo teor resulte em afastamento ou limitação da
função parlamentar não implica dar-lhe carta branca. Prestigia-se, ao invés, a Carta Magna,
impondo-se a cada qual o desempenho do papel por ela conferido.
Vencidos os ministros Edson Fachin, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Roberto Bar-
roso, que deferiram as medidas cautelares para suspender as normas impugnadas e a eficá-
cia das resoluções.
Prevaleceu, na corrente minoritária, o voto do ministro Edson Fachin. Para ele, as regras
constitucionais não conferem ao Poder Legislativo e, no caso, ao Legislativo estadual, a com-
petência de rever atos emanados em sede de prisão preventiva pelo Poder Judiciário. Isso
porque a decretação da prisão preventiva e das medidas cautelares alternativas envolve um
juízo técnico-jurídico que não pode ser substituído pelo juízo político emitido pelo Legislativo
a respeito de prisão em flagrante.
Dessa forma, conferiu interpretação conforme à Constituição, no sentido de que as normas
estaduais não vedam ao Poder Judiciário decretar medidas cautelares de natureza penal em
desfavor de deputados estaduais, nem conferem poderes às assembleias legislativas para
sustar ou revogar os atos judiciais respectivos.
O ministro Dias Toffoli retificou o voto proferido anteriormente para acompanhar a corrente
vencedora.
(1) CF/1988: “Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por
quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expe-
dição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. § 2º
Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos,
salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de
vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros,
resolva sobre a prisão. § 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime
ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que,
por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros,
poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação. § 4º O pedido de sustação será
apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu rece-
bimento pela Mesa Diretora. § 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto
durar o mandato. (...)”
(2) CF/1988: “Art. 27. O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao
triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e
seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze. § 1º Será

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de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando-sê-lhes as regras desta Cons-
tituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato,
licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.”
(3) CF/1988: “Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com
o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Munici-
pal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constitui-
ção do respectivo Estado e os seguintes preceitos: (...) VIII – inviolabilidade dos Vereadores
por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município;”
ADI 5823 MC/RN, rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 8.5.2019. (ADI-5823)
ADI 5824 MC/RJ, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgamento
em 8.5.2019. (ADI-5824)
ADI 5825 MC/MT, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgamento
em 8.5.2019. (ADI-5825)

03

Afastamento de Deputado Federal do cargo por decisão judicial (Informativo 824 do STF)

ATENÇÃO
O entendimento abaixo foi emanado no ano de 2016, por unanimidade, mas foi alterado em
2018, conforme se pode perceber da leitura do item “01” acima, de modo que o entendimento
atual do STF, por maioria, é no sentido de que qualquer medida cautelar que implique o
afastamento do mandato requer deliberação da respectiva casa do Congresso Nacional
no prazo de 24 horas (ADI 5526), conforme o art. 53, § 2º, da CF/1988. De todo modo,
recomenda-se a leitura do julgado para o conhecimento amplo do tema e percepção da
evolução jurisprudencial a respeito.

Parlamentar e afastamento do cargo – 1


Por reputar que os elementos fáticos e jurídicos teriam demonstrado que a presença de
parlamentar na função de Presidente da Câmara dos Deputados representaria risco para as
investigações penais sediadas no Supremo Tribunal Federal, o Plenário referendou medida
cautelar deferida em ação cautelar ajuizada pelo Procurador-Geral da República, no âmbito de
inquéritos já instaurados na Corte. A decisão referendada decretara a suspensão do exercício
do mandato de deputado federal e, em decorrência, da função de Presidente da Câmara dos
Deputados. O Tribunal também determinou que fosse notificado o Primeiro-Vice-Presidente da
Câmara dos Deputados, ou, na sua ausência, o Segundo-Vice-Presidente (Regimento Interno
da Câmara dos Deputados, art. 18), do inteiro teor da presente decisão, a fim de dar-lhe cum-
primento, nos termos regimentais próprios. Na espécie, embora se tratasse de providência

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inserida no rol das competências originárias do relator das ações penais (Lei 8.038/1990, art.
2º, “caput” e parágrafo único), a decisão fora levada a referendo do Plenário pela relevância
institucional de suas consequências. O Colegiado reputou que de forma minuciosa o Minis-
tério Público Federal descrevera diversos fatos supostamente criminosos e praticados com
desvio de finalidade, sob a atuação direta do referido parlamentar que estaria a utilizar o cargo
de deputado federal e a função de Presidente da Câmara dos Deputados para fins ilícitos e,
em especial, para obtenção de vantagens indevidas. Apontou que a reforma positivada pela
Lei 12.403/2011 no CPP trouxe alterações quanto à decretação de medidas de cautela, entre
as quais o estabelecimento da preferencialidade do uso de meios alternativos à prisão pre-
ventiva. É o que dispõe o art. 282, § 6º da referida norma [“Art. 282. As medidas cautelares
previstas neste Título deverão ser aplicadas observando-se a: ... § 6º. A prisão preventiva será
determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar (art. 319)]”.
Entretanto, o cabimento da medida suspensiva reclama inevitável leitura a respeito da existên-
cia de riscos que possam transcender a própria instância processual penal, sobretudo quando
se tratar do exercício de funções públicas relevantes. Nestes casos, a decretação da medida
servirá a dois interesses públicos indivisíveis: a) a preservação da utilidade do processo (pela
neutralização de uma posição de poder que possa tornar o trabalho de persecução mais aci-
dentado); e b) a preservação da finalidade pública do cargo (pela eliminação da possibilidade
de captura de suas competências em favor de conveniências particulares sob suspeita).
AC 4070/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 5.5.2016. (AC-4070)

Parlamentar e afastamento do cargo – 2


O relator lembrou que o CPP tutela igualmente e a um só tempo o risco tanto da prática da
delinquência no poder quanto do uso do poder para delinquir (“Art. 319. São medidas caute-
lares diversas da prisão: ... VI – suspensão do exercício de função pública ou de atividade de
natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática
de infrações penais”).
Esclareceu que compete a cada uma das Casas Parlamentares a grave missão institucional
de decidir sobre a cassação do título que investe deputados e senadores nos poderes ineren-
tes à representação popular. Isso implica admitir por mais excêntrico que possa parecer à cons-
ciência cívica em geral que um mandato parlamentar pode vir a subsistir ainda quando o seu
titular tenha tido seus direitos políticos suspensos pela justiça, por decisão transitada em julgado
(“Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador: I – que infringir qualquer das proibições
estabelecidas no artigo anterior; II – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro
parlamentar; ... VI – que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado. ...
§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos
Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva
Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa”).

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O preceito trabalha com uma lógica de harmonia entre Poderes, que não interdita o
funcionamento de qualquer um deles. Pelo contrário, permite que cada um funcione dentro
de suas respectivas competências. O Poder Judiciário se pronuncia quanto à formação
da culpa, enquanto o Poder Legislativo se manifesta sobre a cessação do mandato,
cabendo a esta última instância justificar o seu entendimento sobre a subsistência de vínculo
de representatividade já debilitado no seu substrato de legitimidade diante dos apelos da
opinião pública. Segundo o Plenário, a ascensão política do investigado à posição de Presi-
dente da Câmara, além de não imunizá-lo de eventuais medidas penais de caráter cautelar,
concorre para que o escrutínio a respeito do cabimento dessas medidas seja ainda mais apro-
fundado. Afinal, de acordo com o art. 282, II, do CPP, o exame deve considerar as condições
pessoais do agente, o que remete, quando a medida postulada for aquela do art. 319, VI, do
mesmo Código, a investigação sobre a realidade de Poder em que ele está inserido (“Art. 282.
As medidas cautelares previstas neste Título deverão ser aplicadas observando-se a: ... II –
adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias do fato e condições pessoais do
indiciado ou acusado”). Por óbvio, quando se trata de responsabilidades da liderança de uma
das duas Casas Legislativas mais importantes da Nação, que exige escrúpulos compatíveis
com a sua altíssima honorabilidade, mais intensa deve ser a crítica judiciária a respeito da
presença de riscos para o bom desenvolvimento da jurisdição penal. Depoimentos de teste-
munhas, documentos e mensagens em telefones celulares demonstraram a atuação do parla-
mentar que, de forma reiterada, agiria com aparente desvio de finalidade e para o alcance de
fins ilícitos, entre eles o recebimento ilícito de valores expressivos. Ainda, teria o parlamentar
colocado seus aliados em cargos chaves de importante CPI para fins de constranger colabo-
radores, bem como para evitar que ele próprio fosse investigado, além de desqualificar pes-
soas, empresas e políticos que se disponibilizaram a colaborar com a elucidação dos crimes.
AC 4070/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 5.5.2016. (AC-4070)

Parlamentar e afastamento do cargo – 3


O Colegiado considerou que os episódios narrados configurariam caso típico de abuso de
poder que merece a intervenção do Judiciário, sob pena de comprometer o resultado final da
investigação e, portanto, da aplicação da lei penal. Destacou o fato de que o cumprimento de
qualquer diligência investigatória na Câmara dos Deputados deve ser precedido de autoriza-
ção de sua Mesa Diretora, que é presidida pelo parlamentar em questão. Ou seja, a produção
de provas em relação a eventuais ilícitos praticados pelo Presidente da Câmara dependeria
de prévia autorização do próprio investigado. Ainda que a perfeita interação entre os Poderes
seja a situação idealizada como padrão pela Constituição, que deles exige harmonia, isso se
manifesta claramente impossível quando o investigado é, como no caso, o próprio Presidente
da Mesa Diretora. Portanto, embora não seja a prévia autorização do Parlamento um pressu-
posto de validade do ato investigatório, porque ausente previsão constitucional que malfira a
jurisdição do STF, não há dúvida de que a condição de investigado do Presidente da Câmara

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

compromete a harmonia entre os Poderes da República. Ainda que não seja o momento de
se formular juízo definitivo acerca dos fatos narrados, há indícios de que o requerido, na con-
dição de parlamentar e, mais ainda, na de Presidente da Câmara dos Deputados, tem meios
e é capaz de efetivamente obstruir a investigação e a colheita de provas, intimidar testemu-
nhas e impedir, ainda que, indiretamente, o regular trâmite da ação penal em curso no STF,
assim como das diversas investigações existentes nos inquéritos regularmente instaurados.
Frisou haver fato superveniente ao pedido ora analisado consistente no fato de o Conselho
de Ética daquela Casa Legislativa haver admitido a representação formulada em desfavor do
requerido. Além disso, o estado de suspeição que paira sobre a figura do atual ocupante da
presidência da Casa Legislativa — formalmente acusado por infrações penais e disciplinares
— contracena negativamente com todas suas responsabilidades, principalmente quando há
ponderáveis elementos indiciários a indicar que ele articulou uma rede de obstrução contra as
instâncias de apuração dos pretensos desvios de conduta que lhe são imputados.
AC 4070/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 5.5.2016. (AC-4070)

Parlamentar e afastamento do cargo – 4


A presença do requerido na função por ele ora ocupada além representar risco para
as investigações penais sediadas no Supremo Tribunal Federal, é um pejorativo que cons-
pira contra a própria dignidade da instituição por ele liderada. O exercício do cargo, nas circuns-
tâncias indicadas, compromete a vontade da Constituição, sobretudo a que está manifestada
nos princípios de probidade e moralidade que devem governar o comportamento dos agentes
políticos. A Corte asseverou que todo ocupante de mandato tem ao menos dois compromissos
a respeitar: um deles é com os seus representados; o outro é com o do projeto de país que
ele se obriga a cumprir ao assumir sua função pública. A atividade parlamentar só poderá ser
exercida, com legitimidade, se for capaz de reverenciar essas duas balizas. Se os interesses
populares vierem a se revelar contrários às garantias, às liberdades e ao projeto de justiça
da Constituição, lá estará o STF para declará-los nulos, pelo controle de constitucionalidade.
No entanto, não são apenas os produtos legislativos que estão submetidos ao controle
judicial. Também o veículo da vontade popular — o mandato — está sujeito a controle.
A forma preferencial para que isso ocorra é pelas mãos dos próprios parlamentares. Mas,
em situações de excepcionalidade, em que existam indícios concretos a demonstrar riscos de
quebra da respeitabilidade das instituições, é papel do STF atuar para cessá-los, garantindo
uma república para os comuns, e não uma comuna de intocáveis. O Tribunal concluiu que, em
razão dos fatos descritos, a medida postulada mostra-se necessária, adequada e suficiente.
AC 4070/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 5.5.2016. (AC-4070)

EMENTA OFICIAL DO JULGADO


Ementa: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL PENAL. MEDIDA CAUTELAR DE SUS-
PENSÃO DO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO (ART. 319, VI, DO CPP), A ABRANGER TANTO

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O CARGO DE PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS QUANTO O MANDATO


PARLAMENTAR. CABIMENTO DA PROVIDÊNCIA, NO CASO, EM FACE DA SITUAÇÃO
DE FRANCA EXCEPCIONALIDADE. COMPROVAÇÃO, NA HIPÓTESE, DA PRESENÇA DE
MÚLTIPLOS ELEMENTOS DE RISCOS PARA A EFETIVIDADE DA JURISDIÇÃO CRIMI-
NAL E PARA A DIGNIDADE DA PRÓPRIA CASA LEGISLATIVA. ESPECIFICAMENTE EM
RELAÇÃO AO CARGO DE PRESIDENTE DA CÂMARA, CONCORRE PARA A SUSPENSÃO
A CIRCUNSTÂNCIA DE FIGURAR O REQUERIDO COMO RÉU EM AÇÃO PENAL POR
CRIME COMUM, COM DENÚNCIA RECEBIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, O
QUE CONSTITUI CAUSA INIBITÓRIA AO EXERCÍCIO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
DEFERIMENTO DA MEDIDA SUSPENSIVA REFERENDADO PELO PLENÁRIO.
(AC 4070 Ref, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 05/05/2016,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-225 DIVULG 20-10-2016 PUBLIC 21-10-2016)

04

Desnecessidade de prévia autorização da ALE para recebimento de denúncia contra


Governador de Estado (Informativo 863 do STF)

Processamento de governador: autorização prévia da assembleia legislativa e suspensão


de funções – 3
Não há necessidade de prévia autorização da assembleia legislativa para o recebimento
de denúncia ou queixa e instauração de ação penal contra governador de Estado, por crime
comum, cabendo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), no ato de recebimento ou no curso
do processo, dispor, fundamentadamente, sobre a aplicação de medidas cautelares penais,
inclusive afastamento do cargo.
Com base nessa orientação, o Plenário, em conclusão e por maioria, julgou parcialmente
procedente pedido formulado em ação direta para: a) dar interpretação conforme ao art. 92, §
1º, I, da Constituição do Estado de Minas Gerais para consignar não haver necessidade de
autorização prévia de assembleia legislativa para o recebimento de denúncia e a instaura-
ção de ação penal contra governador de Estado, por crime comum, cabendo ao STJ, no ato
de recebimento da denúncia ou no curso do processo, dispor, fundamentadamente, sobre a
aplicação de medidas cautelares penais, inclusive afastamento do cargo; e b) julgar improce-
dente o pedido de declaração de inconstitucionalidade da expressão “ou queixa” do art. 92, §
1º, I, da Constituição do Estado de Minas Gerais — ver Informativos 851 e 855.
O referido dispositivo prevê que o governador será submetido a processo e julgamento
perante o STJ nos crimes comuns e será suspenso de suas funções, na hipótese desses
crimes, se recebida a denúncia ou a queixa pelo STJ.
Preliminarmente, o Colegiado, por maioria, conheceu da ação. Vencidos os ministros Dias
Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello.

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

No mérito, prevaleceu o voto do ministro Edson Fachin (relator), reajustado nesta sessão
com os acréscimos do voto do ministro Roberto Barroso no sentido do afastamento do cargo
não se dar de forma automática.
O relator afirmou a necessidade de superar os precedentes da Corte na dimensão de uma
redenção republicana e cumprir a promessa do art. 1º, “caput”, da Constituição Federal (CF),
diante dos reiterados e vergonhosos casos de negligência deliberada pelas assembleias legis-
lativas estaduais, que têm sistematicamente se negado a deferir o processamento de gover-
nadores. Asseverou ser refutável a referida autorização prévia em razão de: a) ausência de
previsão expressa e inexistência de simetria; b) ofensa ao princípio republicano (CF, art. 1º,
“caput”); c) ofensa à separação de poderes (CF, art. 2º, “caput”) e à competência privativa da
União (CF, art. 22, I); e d) ofensa à igualdade (CF, art. 5º, “caput”).
Esclareceu não haver na CF previsão expressa da exigência de autorização prévia de
assembleia legislativa para o processamento e julgamento de governador por crimes
comuns perante o STJ. Dessa forma, inexiste fundamento normativo-constitucional expresso
que faculte aos Estados-membros fazerem essa exigência em suas Constituições estaduais.
Não há, também, simetria a ser observada pelos Estados-membros. No ponto, o relator
considerou que, se o princípio democrático que constitui nossa República (CF, art. 1º, “caput”)
se fundamenta e se concretiza no respeito ao voto popular e à eleição direta dos represen-
tantes do povo, qualquer previsão de afastamento do presidente da República é medida
excepcional e, como tal, é sempre prevista de forma expressa e taxativa, sem exceções.
O afastamento do presidente da República é medida excepcional, e, no caso de crime
comum, seu processamento e julgamento devem ser precedidos de autorização da Câmara
dos Deputados (CF, arts. 51, I; e 86, “caput” e § 1º, I). Essa exigência foi expressamente
prevista apenas para presidente da República, vice-presidente e ministros de Estado.
Essa é uma decorrência das características e competências que moldam e constituem o cargo
de presidente da República, mas que não se observam no cargo de governador.
Diante disso, verifica-se a extensão indevida de uma previsão excepcional válida para
o presidente da República, porém inexistente e inaplicável a governador. Sendo a exceção
prevista de forma expressa, não pode ser transladada como se fosse regra ou como se esti-
vesse cumprindo a suposta exigência de simetria para governador. As eventuais previsões em
Constituições estaduais representam, a despeito de se fundamentarem em suposto respeito à
Constituição Federal, ofensa e usurpação das regras constitucionais.
Segundo o relator, afastado o argumento de suposta obediência à simetria, a consequên-
cia da exigência de autorização prévia de assembleia legislativa para processamento e julga-
mento de governador por crime comum perante o STJ é o congelamento de qualquer tentativa
de apuração judicial das eventuais responsabilizações dos governadores por cometimento de
crime comum. Essa previsão afronta a responsividade exigida dos gestores públicos, o
que viola o princípio republicano do Estado.

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A exigência viola, ainda, a separação de poderes, pois estabelece condição não prevista
pela CF para o exercício da jurisdição pelo Poder Judiciário. Assim, o STJ fica impedido de
exercer suas competências e funções até a autorização prévia do Poder Legislativo estadual.
Esse tipo de restrição é sempre excepcional e deve estar expresso na CF. Além disso, a pre-
visão do estabelecimento de condição de procedibilidade para o exercício da jurisdição penal
pelo STJ consiste em norma processual, matéria de competência privativa da União (CF, art.
22, I), portanto impossível de ser prevista pelas Constituições estaduais.
O relator afirmou que estabelecer essa condição de procedibilidade equivale a alçar um
sujeito à condição de desigual, supostamente superior por ocupar relevante cargo de repre-
sentação. No entanto, tal posição deveria ser, antes de tudo, a de servidor público. A autori-
zação prévia de assembleias estaduais para o processamento e julgamento de governador
por crime comum perante o STJ é, portanto, afronta cristalina à cláusula geral de igualdade
estabelecida na CF.
Destacou que a Emenda Constitucional (EC) 35/2001 alterou a redação do art. 53, § 1º, da
CF e aboliu a exigência de autorização prévia das casas legislativas para o processamento e
julgamento de deputados federais e estaduais. O mesmo entendimento de valorização da igual-
dade e “accountability” dos representantes do povo deve ser aplicado aos governadores, sem
as exigências prévias que consubstanciam privilégios e restrições não autorizados pela CF.
Por fim, sustentou inexistir inconstitucionalidade na expressão “ou queixa”, por considerá-la
coerente com o disposto no art. 105, I, “a”, da CF. Explicou que a CF não fez nenhuma distin-
ção ao se referir a “crimes comuns”, ou seja, não fez diferenciação entre crimes de ação penal
pública ou crimes de ação penal privada. Da mesma forma, a Constituição do Estado de Minas
Gerais previu o afastamento do governador no caso de recebimento de denúncia ou queixa.
Nesta assentada, o ministro Roberto Barroso esclareceu acompanhar o relator, e o minis-
tro Marco Aurélio esclareceu, ultrapassada a preliminar de admissibilidade da ação, também
acompanhar o relator.
Vencidos os ministros Dias Toffoli e Celso de Mello, que julgaram improcedente a ação,
na linha da jurisprudência até então prevalecente na Corte no sentido de considerar legítimas
as normas de Constituições estaduais que subordinam a deflagração formal de um processo
acusatório contra o governador a um juízo político da assembleia legislativa local.
ADI 5540/MG, rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 3.5.2017. (ADI-5540)

Autonomia federativa: crimes de responsabilidade e crimes comuns praticados por


governador – 3
É vedado às unidades federativas instituir normas que condicionem a instauração de ação
penal contra governador por crime comum à previa autorização da casa legislativa, cabendo
ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) dispor, fundamentadamente, sobre a aplicação de medi-
das cautelares penais, inclusive afastamento do cargo.

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Com base nesse entendimento, o Plenário, em conclusão e por maioria, julgou procedente
pedido formulado em ações diretas para declarar a inconstitucionalidade de dispositivos das
Constituições dos Estados do Acre, de Mato Grosso e do Piauí. Os preceitos tratam da com-
petência privativa da assembleia legislativa local para processar e julgar o governador nos
crimes de responsabilidade e cuidam do processo e julgamento de chefe do Executivo esta-
dual em crimes comuns, mediante admissão da acusação pelo voto de 2/3 da representação
popular local — ver Informativo 793.
O Supremo Tribunal Federal (STF) alterou o entendimento a respeito da necessidade de
autorização prévia das assembleias legislativas para instauração de ação penal. Afirmou que
a orientação anterior, que privilegiava a autonomia dos Estados-membros e o princípio fede-
rativo, entrou em linha de tensão com o princípio republicano, que prevê a responsabilização
política dos governantes. Verificou que, ao longo do tempo, as assembleias legislativas blo-
quearam a possiblidade de instauração de processos contra governadores.
Há três situações que legitimam a mutação constitucional e a superação de jurispru-
dência consolidada:
a) mudança na percepção do direito;
b) modificações na realidade fática; e
c) consequência prática negativa de determinada linha de entendimento.
Para o Colegiado, as três hipóteses estão presentes no caso concreto.
Fora as situações expressamente previstas na Constituição Federal (CF), o poder consti-
tuinte estadual não pode alterar a competência e o desempenho das funções materialmente
típicas do Poder Judiciário e do Ministério Público.
A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas
de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União. Isso consta da
Súmula Vinculante 46.
Por fim, o afastamento do governador não é automático no caso de abertura de ação
penal. O simples recebimento de uma denúncia, ato de baixa densidade decisória, não pode
importar em afastamento automático do governador. Esse afastamento somente pode ocorrer
se o STJ entender que há elementos a justificá-lo. O governador pode ser afastado, mas não
como decorrência automática do recebimento da denúncia.
Vencido em parte o ministro Celso de Mello (relator), que julgou parcialmente procedentes
os pedidos nos três casos. Pontuou que o crime de responsabilidade, por sua natureza jurí-
dica político-constitucional, tem caráter extrapenal, razão pela qual o Estado-membro pode
legislar a respeito.
ADI 4764/AC, rel. Min. Celso de Mello, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgamento em
4.5.2017. (ADI-4764)
ADI 4797/MT, rel. Min. Celso de Mello, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgamento em
4.5.2017. (ADI-4797)
ADI 4798/PI, rel. Min. Celso de Mello, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgamento em

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EMENTA OFICIAL DO JULGADO


Ementa: Direito Constitucional. Ação Direta de Inconstitucionalidade. Governador de
Estado. Normas da Constituição Estadual sobre Crimes de Responsabilidade. Licença Prévia
da Assembleia Legislativa para Instauração de Processos por Crimes Comuns .
1. “A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas
de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União” (Súmula Vincu-
lante 46, resultado da conversão da Súmula 722/STF). São, portanto, inválidas as normas de
Constituição Estadual que atribuam o julgamento de crime de responsabilidade à Assembleia
Legislativa, em desacordo com a Lei nº 1.079/1950. Precedentes. 2. A Constituição Estadual
não pode condicionar a instauração de processo judicial por crime comum contra Governador
à licença prévia da Assembleia Legislativa. A república, que inclui a ideia de responsabilidade
dos governantes, é prevista como um princípio constitucional sensível (CRFB/1988, art. 34,
VII, a), e, portanto, de observância obrigatória, sendo norma de reprodução proibida pelos
Estados-membros a exceção prevista no art. 51, I, da Constituição da República. 3. Tendo
em vista que as Constituições Estaduais não podem estabelecer a chamada “licença prévia”,
também não podem elas autorizar o afastamento automático do Governador de suas funções
quando recebida a denúncia ou a queixa-crime pelo Superior Tribunal de Justiça. É que, como
não pode haver controle político prévio, não deve haver afastamento automático em razão de
ato jurisdicional sem cunho decisório e do qual sequer se exige fundamentação (HC 101.971,
Primeira Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. em 21.06.2011, DJe 02.09.2011; HC 93.056 Rel.
Min. Celso de Mello, Segunda Turma, j. em 16.12.2008, DJe 14.05.2009; e RHC 118.379 (Rel.
Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, j. em 11.03.2014, DJe 31.03.2014), sob pena de violação
ao princípio democrático. 4. Também aos Governadores são aplicáveis as medidas cautelares
diversas da prisão previstas no art. 319 do Código de Processo Penal, entre elas “a suspen-
são do exercício de função pública”, e outras que se mostrarem necessárias e cujo funda-
mento decorre do poder geral de cautela conferido pelo ordenamento jurídico brasileiro aos
juízes. 5. Pedido julgado integralmente procedente, com declaração de inconstitucionalidade
por arrastamento da suspensão funcional automática do Governador do Estado pelo mero
recebimento da denúncia ou queixa-crime. Afirmação da seguinte tese:
“É vedado às unidades federativas instituírem normas que condicionem a instauração de
ação penal contra o Governador, por crime comum, à prévia autorização da casa legislativa,
cabendo ao Superior Tribunal de Justiça dispor, fundamentadamente, sobre a aplicação de
medidas cautelares penais, inclusive afastamento do cargo".
(ADI 4764, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO
BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 04/05/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-178
DIVULG 14-08-2017 PUBLIC 15-08-2017)

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

05

Extradição e perda de nacionalidade brasileira (Informativo 859 do STF)

A Primeira Turma, por maioria, julgou procedente pedido formulado em extradição ajui-
zada pelo Governo dos Estados Unidos da América para assentar a possibilidade de entrega
da extraditanda, brasileira nata naturalizada americana, acusada da suposta prática de homi-
cídio doloso contra seu marido naquele país.
Inicialmente, a Turma relembrou que a perda da nacionalidade brasileira da extradi-
tanda, decretada pelo Ministério da Justiça, teria sido validada no julgamento do Mandado de
Segurança 33864/DF (DJE de 9.12.2016).
Asseverou que, na ocasião, a Turma, por maioria, firmou entendimento no sentido de que
a Constituição Federal (CF), ao tratar da perda da nacionalidade brasileira, estabeleceu duas
hipóteses:
a) o cancelamento judicial da naturalização, em virtude da prática de ato nocivo ao inte-
resse nacional, o que somente alcança brasileiros naturalizados (art. 12, § 4º, I); e
b) a aquisição voluntária de outra nacionalidade secundária, o que alcança, indistinta-
mente, brasileiros natos e naturalizados.
Nesta última hipótese — a de aquisição de outra nacionalidade —, não se perde a nacio-
nalidade brasileira em duas situações que constituem exceção à regra:
a) tratar-se não de aquisição de outra nacionalidade, mas do mero reconhecimento
de outra nacionalidade originária, considerada a natureza declaratória deste reconheci-
mento (art. 12, § 4º, II, “a”); e
b) ter sido a outra nacionalidade imposta pelo Estado estrangeiro como condição de
permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis (art. 12, § 4º, II, “b”).
Entretanto, a situação da então impetrante não se enquadra em nenhuma dessas exce-
ções, porque ela já detinha, desde muito antes de 1999, quando requereu a naturalização, o
denominado “green card”, cuja natureza jurídica é a de visto de permanência e que confere,
nos Estados Unidos da América, os direitos que alega ter pretendido adquirir com a naturali-
zação: a permanência em solo norte-americano e a possibilidade de trabalhar naquele país.
Em razão disso, desnecessária a obtenção da nacionalidade norte-americana para os
fins que constitucionalmente revelam exceção à regra da perda da nacionalidade brasileira
(CF, art. 12, II, § 4º, “a” e “b”).
Ao contrário, a extraditanda pretendeu integrar-se àquela comunidade nacional, o que jus-
tamente constitui a razão central do critério adotado pelo constituinte originário para a perda da
nacionalidade brasileira, critério este não excepcionado pela Emenda Constitucional 3/1994,
que introduziu as exceções previstas nas alíneas “a” e “b” do § 4º do inciso II do art. 12 da CF.

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Em seguida, a Turma considerou preenchidos todos os requisitos previstos na Lei


6.815/1980 e no Tratado de Extradição firmado entre o Brasil e os Estados Unidos.
Também não vislumbrou nenhum dos óbices fixados no art. 77 da Lei 6.815/1980 ao defe-
rimento do pedido:
a) a extraditanda não é nacional brasileira;
b) sua extradição foi requerida por Estado que mantém Tratado de Extradição com o Brasil;
c) a pena máxima prevista para os crimes comuns — pelo qual responde — é superior a
um ano de privação de liberdade (art. III do Tratado de Extradição);
d) a prisão foi decretada por juízo regularmente instituído;
e) o Brasil não é competente para o julgamento do crime; e
f) o crime não tem conotação política.
No que concerne à alegação de não ter sido apresentada tradução juramentada em língua
portuguesa dos documentos que instruem o pedido, o Colegiado entendeu que a expressão
“tradução oficial”, utilizada pelo art. 80 do Estatuto do Estrangeiro, refere-se à tradução cuja
autenticidade é certificada pelas autoridades do Estado requerente e cujo encaminhamento
se dá por órgãos oficiais, o que confere a mencionada autenticidade, nos termos do art. IX do
Tratado e da jurisprudência desta Corte (Ext 1100/República do Chile, DJE de 3.10.2008; Ext
1171/República da Argentina, DJE de 25.6.2010).
Observou que, no caso, a tradução foi certificada pelo Departamento de Estado dos Esta-
dos Unidos da América, e os documentos encaminhados a esta Corte pelo Ministério da Jus-
tiça e pela via diplomática, não havendo falar-se em defeito de tradução.
Por fim, a Turma salientou não ser possível prosperar a cooperação quando houver o risco
de imposição ao extraditando de penas não admitidas no ordenamento jurídico brasileiro.
Assim, pode o Estado que coopera em matéria penal exigir o compromisso formal de que tais
penas não serão eventualmente aplicadas ao extraditando entregue ao Estado requerente.
Dessa forma, deferiu o pedido de extradição e condicionou a entrega ao Estado reque-
rente ao compromisso formal de:
a) não aplicar penas interditadas pelo direito brasileiro, em especial a de morte ou prisão
perpétua (CF, art. 5º, XLVII, “a” e “b”);
b) observar o tempo máximo de cumprimento de pena previsto no ordenamento jurídico
brasileiro de trinta anos (CP, art. 75); e
c) detrair da pena o tempo que a extraditanda permaneceu presa para fins de extradição
no Brasil.
Vencido o ministro Marco Aurélio, que indeferia o pedido, ao fundamento de persistir a
condição de brasileira nata da extraditanda.
Ext 1462/DF, rel. Min. Roberto Barroso, 28.3.2017. (Ext-1462)

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EMENTA OFICIAL DO JULGADO


CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. BRASILEIRA NATURALIZADA
AMERICANA. ACUSAÇÃO DE HOMICÍDIO NO EXTERIOR. FUGA PARA O BRASIL. PERDA
DE NACIONALIDADE ORIGINÁRIA EM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO REGULAR.
HIPÓTESE CONSTITUCIONALMENTE PREVISTA. NÃO OCORRÊNCIA DE ILEGALIDADE
OU ABUSO DE PODER. DENEGAÇÃO DA ORDEM.
1. O Supremo Tribunal Federal é competente para o julgamento de mandado de segu-
rança impetrado contra ato do Ministro da Justiça em matéria extradicional. (HC 83.113/DF,
Rel. Min. Celso de Mello).
2. A Constituição Federal, ao cuidar da perda da nacionalidade brasileira, estabelece duas
hipóteses:
(i) o cancelamento judicial da naturalização (art. 12, § 4º, I); e
(ii) a aquisição de outra nacionalidade.
Nesta última hipótese, a nacionalidade brasileira só não será perdida em duas situações
que constituem exceção à regra:
(i) reconhecimento de outra nacionalidade originária (art. 12, § 4º, II, a); e
(ii) ter sido a outra nacionalidade imposta pelo Estado estrangeiro como condição de per-
manência em seu território ou para o exercício de direitos civis (art. 12, § 4º, II, b).
3. No caso sob exame, a situação da impetrante não se subsume a qualquer das exceções
constitucionalmente previstas para a aquisição de outra nacionalidade, sem perda da nacio-
nalidade brasileira.
4. Denegação da ordem com a revogação da liminar concedida.
(MS 33864, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 19/04/2016,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-200 DIVULG 19-09-2016 PUBLIC 20-09-2016)

06

É inconstitucional foro por prerrogativa de função para Procuradores do Estado


(Informativo 940 do STF)

Prerrogativa de foro e autoridades estaduais


O Plenário, por maioria, julgou procedente pedido formulado em ação direta para declarar
a inconstitucionalidade do art. 81, IV, da Constituição do Estado do Maranhão, acrescentado
pela Emenda Constitucional 34/2001.
O dispositivo impugnado inclui, entre as autoridades com foro criminal originário perante o
tribunal de justiça, os procuradores de Estado, os procuradores da assembleia legislativa, os
defensores públicos e os delegados de polícia.

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

Prevaleceu o voto do ministro Alexandre de Moraes, redator para o acórdão. Para ele, ao
dispor sobre os órgãos do Poder Judiciário, o art. 92 da Constituição Federal (CF) (1) previu
como regra que a primeira e a segunda instâncias constituem juízo natural com cognição plena
para a questão criminal. Apenas excepcionalmente a CF conferiu prerrogativas de foro
para as autoridades federais, estaduais e municipais. No ponto, citou, como exemplo, a
competência do Supremo Tribunal Federal (STF) para processar e julgar o presidente da Repú-
blica, o vice-presidente, membros do Congresso Nacional, seus próprios ministros e o procu-
rador-geral da República; a competência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para processar
e julgar os desembargadores; e a competência dos tribunais de justiça para processar e julgar
os membros do ministério público estadual, os próprios magistrados e os prefeitos municipais.
Sublinhou a inviabilidade de se aplicar, nesse caso, o princípio da simetria, uma vez
que a CF já estabelece prerrogativa de foro nos três níveis: federal, estadual e municipal.
Ressaltou que interpretação que conferisse às constituições estaduais a possibilidade de
definir foro, considerando o princípio federativo e com esteio no art. 125, § 1º, da CF (2), per-
mitiria aos Estados dispor, livremente, sobre essas prerrogativas, o que seria equivalente a
assinar um cheque em branco.
Por fim, esclareceu que o vice-governador, os secretários de Estado e o comandante dos
militares estaduais, por determinação expressa do art. 28 da CF (3), também possuem prerro-
gativa de foro, independentemente de a constituição estadual fixá-la ou não.
Vencidos, em parte, os ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello, que julgaram o pleito
procedente apenas para declarar a inconstitucionalidade da expressão “delegados de polícia”,
incluída no art. 81, IV, da Constituição estadual.
Consideraram que a competência dos tribunais de justiça é estabelecida pela constituição
estadual (CF, art. 125, § 1º). Portanto, eventualmente, a competência originária do tribunal de
justiça pode ser estendida mesmo para autoridades para as quais a Constituição Federal não
resguarda paralelo. Ademais, reputaram não violado o art. 22, I, da CF (4), visto que a ques-
tão relativa à prerrogativa possui mais natureza constitucional e política do que processual.
Quantos aos delegados de polícia, a despeito da relevância de suas atribuições, a juris-
prudência do STF impede que seja conferida essa prerrogativa.
(1) CF/1988: “Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: I – o Supremo Tribunal Federal; I-A
– o Conselho Nacional de Justiça II – o Superior Tribunal de Justiça; II-A – o Tribunal Supe-
rior do Trabalho; III – os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; IV – os Tribunais e
Juízes do Trabalho; V – os Tribunais e Juízes Eleitorais; VI – os Tribunais e Juízes Militares;
VII – os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.”
(2) CF/1988: “Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios
estabelecidos nesta Constituição. § 1º A competência dos tribunais será definida na Constitui-
ção do Estado, sendo a lei de organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça.”
(3) CF/1988: “Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para
mandato de quatro anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término


do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do ano subse-
quente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77.”
(4) CF/1988: “Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I – direito civil,
comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;”
ADI 2553/MA, rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 15.5.2019.
(ADI-2553)

07

A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III, da CF, aplica-se tanto para con-
denados a penas privativas de liberdade como também a penas restritivas de direitos
(Informativo 939 do STF)

Suspensão de direitos políticos e substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva


de direitos
A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III (1), da Constituição Federal (CF),
aplica-se no caso de substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos.
Com base nesse entendimento, o Plenário, ao apreciar o Tema 370 da repercussão
geral, deu provimento a recurso extraordinário em que se discutia a suspensão dos direitos
políticos de condenado por sentença criminal transitada em julgado, cuja pena privativa de
liberdade foi substituída por pena restritiva de direitos.
O Plenário afirmou que, de acordo com a jurisprudência firmada antes e depois de 1988,
o art. 15, III, da CF é norma autoaplicável.
Observou que, das constituições brasileiras, somente a Constituição de 1824 restringia a
aplicabilidade da suspensão dos direitos políticos às hipóteses de sentença condenatória a
pena privativa de liberdade (Constituição de 1824, art. 8, II) (2). A partir da Constituição repu-
blicana de 1891, até a atual, não há mais essa diferenciação.
A razão de ser da norma atual (CF, art. 15, III) é impedir aos condenados — após o devido
processo legal e com sentença transitada em julgado — o exercício dos direitos políticos
enquanto cumprirem pena. Não há nenhuma arbitrariedade no fato de a própria Constituição
estabelecer, de forma excepcional, a possibilidade, seja temporária – no caso de suspensão
–, seja permanente – no caso de perda –, do afastamento do exercício dos direitos políticos.
Isso porque o exercício dos direitos políticos, assim como o exercício de qualquer outro direito
fundamental, não é absoluto.
Ressaltou que, ainda que em casos mais leves do que a condenação penal, a legislação
reclamada pelos arts. 37, § 4º (3), e 14, § 9º, da CF (4) também permite a parcial suspen-

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são do exercício de direitos políticos. Até porque, na inelegibilidade, os efeitos nada mais
são do que uma parcial suspensão da capacidade eleitoral passiva, ou seja, de poder ser
votado. E, para isso, não se exige, no campo civil, sequer o trânsito em julgado.
Entretanto, nos casos mais graves, em que se aplica o Direito Penal, a CF determina que,
enquanto durar o cumprimento da pena aplicada, ficam suspensos os direitos políticos.
Vencidos os ministros Marco Aurélio e Rosa Weber, que negaram provimento ao recurso extra-
ordinário. Assentaram que, vindo a pena inicial a ser convertida em restritiva de direitos, tem-se
quadro decisório que não atrai a suspensão dos direitos políticos prevista no art. 15, III, da CF.
(1) CF/1988: “Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão
só se dará nos casos de: (...) III – condenação criminal transitada em julgado, enquanto dura-
rem seus efeitos;”
(2) Constituição de 1824: “Art. 8. Suspende-se o exercício dos Direitos Políticos (...) Por
Sentença condenatória a prisão, ou degredo, enquanto durarem os seus efeitos.”
(3) CF/1988: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legali-
dade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) § 4º
Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda
da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gra-
dação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.”
(4) CF/1988: “Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto
direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: (...) § 9º Lei com-
plementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim
de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada
vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência
do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração
direta ou indireta.”
RE 601182/MG, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julga-
mento em 8.5.2019. (RE-601182)

08

Parâmetros para a validade da entrada forçada em domicílio sem mandado judicial


(Informativo 806 do STF)

A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período


noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas “a posteriori”,
que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabi-
lidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos praticados.
Essa a orientação do Plenário, que reconheceu a repercussão geral do tema e, por maioria,

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negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia, à luz do art. 5º, XI, LV e LVI, da
Constituição, a legalidade das provas obtidas mediante invasão de domicílio por autoridades
policiais sem o devido mandado de busca e apreensão. O acórdão impugnado assentara o
caráter permanente do delito de tráfico de drogas e mantivera condenação criminal fun-
dada em busca domiciliar sem a apresentação de mandado de busca e apreensão. A Corte
asseverou que o texto constitucional trata da inviolabilidade domiciliar e de suas exceções no
art. 5º, XI (“a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consen-
timento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro,
ou, durante o dia, por determinação judicial”). Seriam estabelecidas, portanto, quatro exce-
ções à inviolabilidade:
a) flagrante delito;
b) desastre;
c) prestação de socorro; e
d) determinação judicial.
A interpretação adotada pelo STF seria no sentido de que, se dentro da casa estivesse
ocorrendo um crime permanente, seria viável o ingresso forçado pelas forças policiais, inde-
pendentemente de determinação judicial. Isso se daria porque, por definição, nos crimes per-
manentes, haveria um interregno entre a consumação e o exaurimento. Nesse interregno, o
crime estaria em curso. Assim, se dentro do local protegido o crime permanente estivesse
ocorrendo, o perpetrador estaria cometendo o delito. Caracterizada a situação de flagrante,
seria viável o ingresso forçado no domicílio. Desse modo, por exemplo, no crime de tráfico
de drogas (Lei 11.343/2006, art. 33), estando a droga depositada em uma determinada casa,
o morador estaria em situação de flagrante delito, sendo passível de prisão em flagrante.
Um policial, em razão disso, poderia ingressar na residência, sem autorização judicial, e rea-
lizar a prisão. Entretanto, seria necessário estabelecer uma interpretação que afirmasse a
garantia da inviolabilidade da casa e, por outro lado, protegesse os agentes da segurança
pública, oferecendo orientação mais segura sobre suas formas de atuação. Nessa medida,
a entrada forçada em domicílio, sem uma justificativa conforme o direito, seria arbitrária. Por
outro lado, não seria a constatação de situação de flagrância, posterior ao ingresso, que jus-
tificaria a medida. Ante o que consignado, seria necessário fortalecer o controle “a posteriori”,
exigindo dos policiais a demonstração de que a medida fora adotada mediante justa causa,
ou seja, que haveria elementos para caracterizar a suspeita de que uma situação a autorizar
o ingresso forçado em domicílio estaria presente. O modelo probatório, portanto, deveria
ser o mesmo da busca e apreensão domiciliar — apresentação de “fundadas razões”,
na forma do art. 240, §1º, do CPP —, tratando-se de exigência modesta, compatível com
a fase de obtenção de provas. Vencido o Ministro Marco Aurélio, que provia o recurso por
entender que não estaria configurado, na espécie, o crime permanente. RE 603616/RO, rel.
Min. Gilmar Mendes, 4 e 5.11.2015. (RE-603616)

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EMENTA OFICIAL DO JULGADO


Recurso extraordinário representativo da controvérsia. Repercussão geral. 2. Inviolabili-
dade de domicílio – art. 5º, XI, da CF. Busca e apreensão domiciliar sem mandado judicial
em caso de crime permanente. Possibilidade. A Constituição dispensa o mandado judi-
cial para ingresso forçado em residência em caso de flagrante delito. No crime permanente,
a situação de flagrância se protrai no tempo. 3. Período noturno. A cláusula que limita o
ingresso ao período do dia é aplicável apenas aos casos em que a busca é determinada
por ordem judicial. Nos demais casos – flagrante delito, desastre ou para prestar socorro – a
Constituição não faz exigência quanto ao período do dia. 4. Controle judicial a posteriori.
Necessidade de preservação da inviolabilidade domiciliar. Interpretação da Constituição. Pro-
teção contra ingerências arbitrárias no domicílio. Muito embora o flagrante delito legitime o
ingresso forçado em casa sem determinação judicial, a medida deve ser controlada judicial-
mente. A inexistência de controle judicial, ainda que posterior à execução da medida, esva-
ziaria o núcleo fundamental da garantia contra a inviolabilidade da casa (art. 5, XI, da CF) e
deixaria de proteger contra ingerências arbitrárias no domicílio (Pacto de São José da Costa
Rica, artigo 11, 2, e Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, artigo 17, 1). O con-
trole judicial a posteriori decorre tanto da interpretação da Constituição, quanto da aplicação
da proteção consagrada em tratados internacionais sobre direitos humanos incorporados ao
ordenamento jurídico. Normas internacionais de caráter judicial que se incorporam à cláusula
do devido processo legal. 5. Justa causa. A entrada forçada em domicílio, sem uma justifica-
tiva prévia conforme o direito, é arbitrária. Não será a constatação de situação de flagrância,
posterior ao ingresso, que justificará a medida. Os agentes estatais devem demonstrar que
havia elementos mínimos a caracterizar fundadas razões (justa causa) para a medida. 6.
Fixada a interpretação de que a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita,
mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justifi-
cadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob
pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade
dos atos praticados. 7. Caso concreto. Existência de fundadas razões para suspeitar de fla-
grante de tráfico de drogas. Negativa de provimento ao recurso.
(RE 603616, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 05/11/2015,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-093 DIVULG 09-05-2016
PUBLIC 10-05-2016)

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09

É constitucional lei estadual que permite o sacrifício de animais em cultos de religi-


ões de matriz africana (Informativo 935 do STF)

Lei estadual e sacrifício de animais em rituais – 2


É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade religiosa,
permite o sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz africana.
Com base nessa orientação, o Plenário, por maioria, negou provimento a recurso extraor-
dinário em que discutida a constitucionalidade da Lei estadual 12.131/2004, que acrescentou
o parágrafo único (1) ao art. 2º da Lei 11.915/2003 do estado do Rio Grande do Sul (Código
Estadual de Proteção aos Animais).
Para a Corte, a legislação local está em consonância com a Constituição Federal
(CF). Sob o prisma formal, improcede a alegação de inconstitucionalidade ao argumento de
a legislação versar sobre matéria penal. O ato normativo impugnado acrescentou ao código
estadual situação de exclusão de responsabilidade administrativa na hipótese de abate de
animais em cultos religiosos, que em nada se relaciona com a excludente de ilicitude penal.
O caráter penal da legislação, por sua vez, exigiria a definição de fatos puníveis e suas
respectivas sanções. O mencionado código estabelece regras de proteção à fauna, define
conceitos e afasta a prática de determinadas condutas. Inexiste, portanto, descrição de infra-
ções, tampouco de penas a serem impostas. Dessa forma, a natureza do diploma não é penal,
mostrando-se impróprio falar em usurpação de competência da União.
Igualmente não se pode considerar ofensa à competência da União para editar normas
gerais de proteção do meio ambiente, sobretudo ante o silêncio da legislação federal acerca
do sacrifício de animais com finalidade religiosa. Os dispositivos apontados pelo recor-
rente (arts. 29 e 37 (2) da Lei 9.605/1988) cuidam tão somente do abate de animais silves-
tres, sem abranger os domésticos, utilizados nos rituais.
A par disso, as regras federais foram editadas em contexto alheio aos cultos religiosos,
voltando-se à tutela da fauna silvestre, especialmente em atividades de caça. O quadro impõe
o reconhecimento de que a União não legislou sobre a imolação de animais. A omissão na
edição de normas gerais sobre meio ambiente outorga ao estado liberdade para estabelecer
regras a respeito, observado o § 3º (3) do art. 24 da CF.
Sob o prisma material, o colegiado asseverou que a temática envolve a exegese de normas
fundamentais, alcançando a conformação do exercício da liberdade de culto e de liturgia.
A religião desempenha papel importante em vários aspectos da vida da comunidade, e essa
centralidade está consagrada no art. 5º, VI (4), da CF.
Pontuou que o Estado brasileiro tem o dever de proteger as “manifestações das culturas
populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civi-

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lizatório nacional” (art. 215, § 1º (5), da CF). Nessa perspectiva, o modo de ser e viver das
comunidades, bem como a experiência da liberdade religiosa são vivenciadas com base em
práticas não institucionais.
Ademais, entendeu não ter havido violação aos princípios da laicidade e da igual-
dade. A proteção legal às religiões de matriz africana não representa um privilégio, mas sim
um mecanismo de assegurar a liberdade religiosa, mantida a laicidade do Estado. De fato,
o Estado não pode estar associado a nenhuma religião, nem sob a forma de proteção nem
de perseguição, numa separação formal entre Igreja e Estado. A laicidade do Estado veda o
menosprezo ou a supressão de rituais, principalmente no tocante a religiões minoritárias ou
revestidas de profundo sentido histórico e social.
A CF promete uma sociedade livre de preconceitos, entre os quais o religioso. A cultura
afro-brasileira merece maior atenção do Estado, por conta de sua estigmatização, fruto
de preconceito estrutural. A proibição do sacrifício negaria a própria essência da pluralidade
cultural, com a consequente imposição de determinada visão de mundo. Essa designação de
especial proteção aos cultos de culturas historicamente estigmatizadas não ofende o princípio
da igualdade, sendo válida a permissão do sacrifício de animais a determinado segmento
religioso, como previsto na norma questionada.
Por fim, a Corte entendeu que admitir a prática de imolação não significa afastar o amparo
aos animais estampado no art. 225, § 1º, VII (6), da CF. Deve-se evitar que a tutela de um
valor constitucional relevante aniquile o exercício de um direito fundamental, revelando-se
desproporcional impedir todo e qualquer sacrifício religioso quando diariamente a população
consome carnes de várias espécies.
Vencidos, em parte, os ministros Marco Aurélio (relator), Alexandre de Moraes e Gilmar
Mendes, que admitiram a constitucionalidade da lei, porém para dar interpretação conforme à
Constituição no sentido de ser estendida a excludente de responsabilidade a cultos de quais-
quer religiões que realizem a sacralização com abates de animais, afastando maus-tratos e
tortura. O relator ainda condicionou o abate ao consumo da carne.
(1) Lei 11.915/2003 do estado do Rio Grande do Sul: “Art. 2º É vedado: I – ofender ou agredir
fisicamente os animais, sujeitando-os a qualquer tipo de experiência capaz de causar sofrimento
ou dano, bem como as que criem condições inaceitáveis de existência; II – manter animais em
local completamente desprovido de asseio ou que lhes impeçam a movimentação, o descanso
ou os privem de ar e luminosidade; III – obrigar animais a trabalhos exorbitantes ou que ultrapas-
sem sua força; IV – não dar morte rápida e indolor a todo animal cujo extermínio seja necessário
para consumo; V – exercer a venda ambulante de animais para menores desacompanhados por
responsável legal; VI – enclausurar animais com outros que os molestem ou aterrorizem; VII –
sacrificar animais com venenos ou outros métodos não preconizados pela Organização Mundial
da Saúde – OMS –, nos programas de profilaxia da raiva. Parágrafo único. Não se enquadra
nessa vedação o livre exercício dos cultos e liturgias das religiões de matriz africana.”

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

(2) Lei 9.605/1988: “Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna
silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da
autoridade competente, ou em desacordo com a obtida: (...) Art. 37. Não é crime o abate de
animal, quando realizado: I – em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de
sua família; II – para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destrui-
dora de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente;
(...) IV – por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.”
(3) CF/1988: “Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concor-
rentemente sobre: (...) § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão
a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.”
(4) CF/1988: “Art. 5º (...) VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos
locais de culto e a suas liturgias.”
(5) CF/1988: “Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais
e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das
manifestações culturais. § 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares,
indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório
nacional. ”
(6) CF/1988: “Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gera-
ções. § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: (...) VII –
proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.”
RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgamento
em 28.3.2019. (RE-494601)

10

Resolução do CONTRAN não pode estabelecer penalidades, devendo as sanções


ser previstas em lei em sentido formal e material (Informativo 937 do STF)

Multa de trânsito e exercício do direito de propriedade


O Plenário, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em ação direta para decla-
rar a constitucionalidade dos arts. 124, VIII (1), 128 (2), e 131, § 2º (3), do Código de Trân-
sito Brasileiro (CTB).
Além disso, deu interpretação conforme a Constituição ao art. 161, parágrafo único, do
CTB (4), para afastar a possibilidade de estabelecimento de sanção por parte do Con-

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selho Nacional de Trânsito (CONTRAN) e, por decisão majoritária, declarou a nulidade da


expressão "ou das Resoluções do Contran" constante do art. 161, caput, do CTB, bem como
reputou prejudicado o pleito referente ao art. 288, § 2º, do CTB (5).
O requerente alegou a inconstitucionalidade dos referidos dispositivos por afronta ao prin-
cípio do devido processo legal e violação do direito de propriedade, por condicionarem a utili-
zação de veículo automotivo ao pagamento de débitos relativos a tributos, encargos e multas
a ele vinculados, independentemente da responsabilidade das infrações cometidas.
Asseverou, também, a incompatibilidade do parágrafo único do art. 161 do CTB com o
disposto no art. 5º, II (6), da Constituição Federal (CF), pois a possibilidade de edição, pelo
Contran, de resoluções com previsão de sanções administrativas sem a instauração do cor-
respondente processo administrativo violaria o princípio da legalidade.
O Tribunal entendeu que as exigências contidas nos arts. 124, VIII, 128, e 131, § 2º, não
limitam o direito de propriedade, tampouco constituem-se coação política para arrecadar o
que é devido, mas de dados inerentes às sucessivas renovações dos certificados de registro
do automóvel junto ao órgão competente, para a liberação do trânsito de veículos.
Vencido o ministro Celso de Mello, que julgou procedente o pedido por vislumbrar sanção
política. Para o ministro, o Estado não pode valer-se de meios indiretos de coerção, convertendo-
-os em instrumentos de acertamento da relação tributária, para, em função deles e mediante
interdição ou restrição ao exercício de uma atividade lícita de natureza econômica ou de caráter
profissional, constranger o contribuinte a adimplir obrigações eventualmente em atraso.
Em relação ao art. 161, o colegiado conferiu interpretação conforme a Constituição, para
declarar inconstitucional a possibilidade do estabelecimento de sanção por parte do
Contran, como se órgão legislativo fosse, visto que as penalidades têm de estar previstas
em lei em sentido formal e material. Assim, por ato administrativo secundário, não é possível
inovar na ordem jurídica.
A Corte declarou, ainda, a nulidade da expressão “ou das Resoluções do Contran” cons-
tante do art. 161, caput, do CTB, pelos mesmos motivos.
Vencidos, no ponto, os ministros Marco Aurélio (relator), Edson Fachin, Roberto Barroso
e Rosa Weber, por entenderem que o art.161, por si só, não é conflitante com a Constituição
Federal, uma vez que ele remete às infrações previstas no CTB.
Por fim, foi declarada a prejudicialidade do pedido quanto ao § 2º do art. 288 do CTB, em
razão de esse parágrafo já ter sido revogado.
Vencido o relator, que, à mingua de informação sobre a revogação do dispositivo, consi-
derou o dispositivo inconstitucional. Ponderou que conflita com noções próprias ao direito de
defesa e ao devido processo legal administrativo impor ao responsável por infração o recolhi-
mento do valor de multa para sua impugnação e para admissão de recurso.

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

(1) Lei 9.503/1997 – Código de Trânsito Brasileiro: “Art. 124. Para a expedição do novo
Certificado de Registro de Veículo serão exigidos os seguintes documentos: VIII – compro-
vante de quitação de débitos relativos a tributos, encargos e multas de trânsito vinculados ao
veículo, independentemente da responsabilidade pelas infrações cometidas;”
(2) Lei 9.503/1997 – Código de Trânsito Brasileiro: “Art. 128. Não será expedido novo Certi-
ficado de Registro de Veículo enquanto houver débitos fiscais e de multas de trânsito e ambien-
tais, vinculadas ao veículo, independentemente da responsabilidade pelas infrações cometidas.”
(3) Lei 9.503/1997 – Código de Trânsito Brasileiro: “Art. 131. O Certificado de Licenciamento
Anual será expedido ao veículo licenciado, vinculado ao Certificado de Registro, no modelo e
especificações estabelecidos pelo CONTRAN. § 2º O veículo somente será considerado licen-
ciado estando quitados os débitos relativos a tributos, encargos e multas de trânsito e ambien-
tais, vinculados ao veículo, independentemente da responsabilidade pelas infrações cometidas.”
(4) Lei 9.503/1997 – Código de Trânsito Brasileiro: “Art. 161. Constitui infração de trân-
sito a inobservância de qualquer preceito deste Código, da legislação complementar ou das
resoluções do CONTRAN, sendo o infrator sujeito às penalidades e medidas administrativas
indicadas em cada artigo, além das punições previstas no Capítulo XIX. Parágrafo único. As
infrações cometidas em relação às resoluções do CONTRAN terão suas penalidades e medi-
das administrativas definidas nas próprias resoluções.”
(5) Lei 9.503/1997 – Código de Trânsito Brasileiro: “Art. 288. Das decisões da JARI cabe
recurso a ser interposto, na forma do artigo seguinte, no prazo de trinta dias contado da publi-
cação ou da notificação da decisão. § 2º (Revogado pela Lei n. 12.249, de 2010)”
(6) CF/1988: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: II – nin-
guém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;”
ADI 2998/DF, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento
em 10.04.2019. (ADI-2998)

LEITURA DE VÉSPERA – SÚMULAS

01

Súmula Vinculante n. 2/STF: É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital


que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.

02

Súmula Vinculante n. 5/STF: A falta de defesa técnica por advogado no processo admi-
nistrativo disciplinar não ofende a Constituição.

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

03

Súmula Vinculante n. 10/STF: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a deci-
são de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucio-
nalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte.

04

Súmula Vinculante n. 11/STF: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de


fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso
ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade dis-
ciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual
a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

05

Súmula Vinculante n. 46/STF: A definição dos crimes de responsabilidade e o estabe-


lecimento das respectivas normas de processo e julgamento são da competência legislativa
privativa da União.

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DIREITO ADMINISTRATIVO
PROFESSOR RESPONSÁVEL: GUSTAVO SCATOLINO

LEITURA DE VÉSPERA – LEGISLAÇÃO

01

Lei n. 9.784/1999

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:


I – a edição de atos de caráter normativo;
II – a decisão de recursos administrativos;
III – as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.

02

Lei n. 9.784/1999

Art. 57. O recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias administrativas,
salvo disposição legal diversa.

03

Lei n. 8.429/1992

Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não,
contra a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimô-
nio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com
mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma desta lei.
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade
praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo,
fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário
haja concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita
anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a con-
tribuição dos cofres públicos.

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04

Lei n. 8.429/1992

Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda
que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação
ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas
entidades mencionadas no artigo anterior.

05

Lei n. 8.429/1992

Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não
sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se
beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.

06

Lei n. 8.429/1992

Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público ou
pela pessoa jurídica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.

07

CF

Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercí-


cio de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
I – tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu
cargo, emprego ou função;
II – investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-
-lhe facultado optar pela sua remuneração;
III – investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá
as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo ele-
tivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;

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08

CF

Art. 37, XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando
houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001)

09

Lei n. 8.666/1993

Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:


I – para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos
por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca,
devendo a comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão
de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo
Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;
II – para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza
singular, com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade
para serviços de publicidade e divulgação;
III – para contratação de profissional de qualquer setor artístico, diretamente ou através
de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião
pública.

10

CF

Art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a ins-
tituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei
complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;

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LEITURA DE VÉSPERA – JURISPRUDÊNCIA/INFORMATIVO

01

CTB pode exigir a quitação do pagamento dos tributos, encargos e multas como
condição para que o veículo possa circular. O CTB prevê que só poderá ser expedido novo
certificado de registro de veículo e novo certificado de licenciamento anual se ficar compro-
vado o pagamento dos débitos relativos a tributos, encargos e multas vinculadas ao veículo,
independentemente da responsabilidade pelas infrações cometidas (arts. 124, VIII, 128, e
131, § 2º). Tais dispositivos são constitucionais e não limitam o direito de propriedade. Além
disso, não se constituem em sanções políticas. STF. Plenário. ADI 2998/DF, rel. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/04/2019 (Info 937)
É constitucional a remarcação de curso de formação para o cargo de agente peni-
tenciário feminino de candidata que esteja lactante à época de sua realização, indepen-
dentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STJ. 1ª Turma. RMS
52.622-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/03/2019 (Info 645)
Não ocorre a prescrição do fundo de direito no pedido de concessão de pensão por
morte, estando prescritas apenas as prestações vencidas no quinquênio que precedeu
à propositura da ação. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.269.726-MG, Rel. Min. Napoleão Nunes
Maia Filho, julgado em 13/03/2019 (Info 644).
É inconstitucional lei que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso
público ingressar imediatamente no último padrão da classe mais elevada da carreira.
Essa disposição afronta os princípios da igualdade e da impessoalidade, os quais regem o con-
curso público. Por essa razão, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 18 da Lei nº
8.691/93. STF. Plenário. ADI 1240/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 28/2/2019 (Info 932).
O STF entendeu que o teto remuneratório de Procuradores Municipais é o subsídio
de Desembargador de TJ. Isso porque, a expressão "Procuradores", contida na parte final do
inciso XI do art. 37 da Constituição da República, compreende os procuradores municipais, uma
vez que estes se inserem nas funções essenciais à Justiça, estando, portanto, submetidos ao
teto de 90,25% (noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento) do subsídio mensal, em
espécie, dos ministros do STF. Logo, não estariam submetidos aos limites impostos aos demais
servidores do Poder Executivo, não sendo o teto para os Procuradores Municipais o subsídio
do Prefeito. STF. Plenário. RE 663696/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932)
O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais
que, no exercício de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso
contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administra-
tiva. O Estado possui responsabilidade civil direta, primária e objetiva pelos danos que notários
e oficiais de registro, no exercício de serviço público por delegação, causem a terceiros. STF.
Plenário. RE 842846/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27/2/2019 (repercussão geral) (Info 932)

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A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), empresa pública federal, pode


ser contratada sem licitação, com fundamento no art. 24, VIII, da Lei nº 8.666/93, para a
prestação de serviços de logística. STF. 2ª Turma. MS 34939/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 19/3/2019 (Info 934).
É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja regra sobre a orga-
nização ou funcionamento do TCE de forma diferente do modelo federal. STF. Plenário.
ADI 5323/RN, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11/4/2019 (Info 937).
A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se
tratar de cargo público de natureza política, por si só, não caracteriza ato de improbi-
dade administrativa. STF. 2ª Turma. Rcl 22339 AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914).
O limite de idade, quando regularmente fixado em lei e no edital de determinado
concurso público, há de ser comprovado no momento da inscrição no certame.ARE
840.592/CE, Min. Roberto Barroso, 23.6.2015. (ARE-840.592) INF 791 STF

LEITURA DE VÉSPERA – SÚMULAS

01

Súmula n. 611/STJ: Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação


ou sindicância, é possível a instauração de processo administrativo disciplinar com base em
denúncia anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à Administração.
Súmula n. 615/STJ: Não pode ocorrer ou permanecer a inscrição do município em cadas-
tros restritivos fundada em irregularidades na gestão anterior quando, na gestão sucessora,
são tomadas as providências cabíveis à reparação dos danos eventualmente cometidos. STJ.
1ª Seção. Aprovada em 09/05/2018, DJe 14/05/2018.
Súmula Vinculante n. 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União assegu-
ram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revo-
gação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legali-
dade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
Súmula Vinculante n. 5: A falta de defesa técnica por advogado no processo administra-
tivo disciplinar não ofende a Constituição.
Súmula Vinculante n. 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha
reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento,
para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na
Administração Pública Direta e Indireta em qualquer dos Poderes da União, dos estados, do
Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas,
viola a Constituição Federal.

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DIREITO PENAL (PARTE GERAL)


PROFESSOR RESPONSÁVEL: FLÁVIO DAHER

LEITURA DE VÉSPERA – LEGISLAÇÃO

01

Art. 72. No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente.

02

Art. 108. A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento constitutivo


ou circunstância agravante de outro não se estende a este. Nos crimes conexos, a extin-
ção da punibilidade de um deles não impede, quanto aos outros, a agravação da pena
resultante da conexão.

03

Art. 22. Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

04

Art. 62. A pena será ainda agravada em relação ao agente que:


II – coage ou induz outrem à execução material do crime;

05

Art. 65. São circunstâncias que sempre atenuam a pena:


III – ter o agente:
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de auto-
ridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;

06

Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se-á na forma


deste e dos arts. 46, 47 e 48.

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

§ 1º A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus


dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância
fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e
sessenta) salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual con-
denação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários.

07

Art. 33. A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. A de
detenção, em regime semiaberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado.
§ 4º O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de
regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à
devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.

08

Art. 111. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr:
V – nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos
neste Código ou em legislação especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito)
anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal.

09

Art. 117. O curso da prescrição interrompe-se:


I – pelo recebimento da denúncia ou da queixa;
II – pela pronúncia;
III – pela decisão confirmatória da pronúncia;
IV – pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis;
V – pelo início ou continuação do cumprimento da pena;
VI – pela reincidência.
§ 1º Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição
produz efeitos relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam
objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles.

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

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Art. 91. São efeitos da condenação:


§ 1o Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou pro-
veito do crime quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior.
§ 2o Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias previstas na legislação proces-
sual poderão abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para
posterior decretação de perda.

LEITURA DE VÉSPERA – JURISPRUDÊNCIA/INFORMATIVO

Importação de arma de pressão e tipicidade – A importação de arma de pressão por ação


de gás comprimido, ainda que de calibre inferior a 6 mm, configura o crime de contrabando,
sendo inaplicável o princípio da insignificância. (Informativo 929).
Corrupção passiva e lavagem de dinheiro: absorção de condutas – A Segunda Turma
indeferiu “habeas corpus” impetrado em favor de deputado federal condenado pela prática de
delitos de corrupção passiva, lavagem de bens e evasão de divisas. O impetrante pretendia
o reconhecimento da consunção entre os delitos de corrupção passiva e lavagem de bens,
ao argumento da inexistência de ato de lavagem posterior à consumação do delito de corrup-
ção na modalidade receber indiretamente. Subsidiariamente, pleiteava o reconhecimento de
concurso formal entre as infrações de corrupção e lavagem, em razão da não ocorrência de
pluralidade de condutas [Código Penal (CP), art. 70] (1). (Informativo 932).
Aplicação da Pena Acordo de colaboração premiada e delegado de polícia – O Plenário,
por maioria, julgou improcedente pedido formulado em ação direta para assentar a constitu-
cionalidade dos §§ 2º e 6º do art. 4º (1) da Lei 12.850/2013, a qual define organização crimi-
nosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais
correlatas e o procedimento criminal. A ação impugnava as expressões “e o delegado de
polícia, nos autos do inquérito policial, com a manifestação do Ministério Público” e “entre o
delegado de polícia, o investigado e o defensor, com a manifestação do Ministério Público, ou,
conforme o caso”, contidas nos referidos dispositivos, que conferem legitimidade ao delegado
de polícia para conduzir e firmar acordos de colaboração premiada (Informativo 888).
Crimes contra o patrimônio Furto famélico e princípio da insignificância – A Segunda
Turma deu provimento a agravo regimental para conceder a ordem de “habeas corpus” a fim
de absolver paciente da acusação de furto qualificado [CP, art. 155, § 4º, IV (1)] em face da
aplicação do princípio da insignificância. Para o colegiado, como regra, a habitualidade delitiva
específica é um parâmetro que afasta a análise do valor do bem jurídico tutelado para fins de
aplicação do princípio da bagatela. Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do caso
concreto podem justificar a exclusão dessa restrição, com base na ideia da proporcionalidade

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em sentido concreto. Essa é justamente a situação dos autos, de furto de um galo, quatro gali-
nhas caipiras, uma galinha garnizé e três quilos de feijão, bens avaliados em pouco mais de
cem reais. O valor dos bens é inexpressivo e não houve emprego de violência. Enfim, é caso
de mínima ofensividade, ausência de periculosidade social, reduzido grau de reprovabilidade
e inexpressividade da lesão jurídica. Mesmo que conste em desfavor do paciente outra ação
penal instaurada por igual conduta, ainda em trâmite, a hipótese é de típico crime famélico. A
excepcionalidade também se justifica por se tratar de hipossuficiente. Não é razoável que o
Direito Penal e todo o aparelho do Estado-polícia e do Estado-juiz movimente-se no sentido de
atribuir relevância a estas situações. (1) CP: “Art. 155 – Subtrair, para si ou para outrem, coisa
alheia móvel: § 4º – A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas.” HC 141440 AgR/MG, rel. Min. Dias Toffoli,
julgamento em 14.8.2018. (Informativo 911, Segunda Turma)
Roubo e extorsão e a continuidade delitiva. Por não constituírem delitos da mesma espécie,
não é possível reconhecer a continuidade delitiva na prática dos crimes de roubo e extorsão.
Com base nesse entendimento, a Primeira Turma, por maioria, denegou a ordem de “habeas
corpus”. A defesa alegou ser cabível a continuidade delitiva, pois o roubo e a extorsão teriam
sido praticados contra a mesma pessoa, no mesmo lugar e em contexto semelhante. Sustentou,
ainda, que os crimes são da mesma espécie, pois tangenciam o mesmo bem jurídico e revelam
elementos e sanções similares. O Colegiado considerou evidente a divisão de desígnios das
condutas, uma vez que o paciente já havia consumado o roubo quando passou a exigir algo que
apenas a vítima podia fornecer, de modo a caracterizar a consumação do crime de extorsão.
Vencido o ministro Marco Aurélio (relator), que deferiu a ordem. Entendeu que estava carac-
terizada a continuidade delitiva. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Roberto Barroso, julgamento em 24.4.2018. (HC – 114667) (Informativo 899, Primeira Turma)
Cumprimento da Pena Fixação de regime menos gravoso: princípio da insignificância e
reincidência – A Primeira Turma, por maioria, concedeu ordem de “habeas corpus” para fixar o
regime de cumprimento de pena semiaberto a condenado reincidente por crime de furto sim-
ples [CP, art. 155, caput (1)]. O paciente foi condenado por furto simples a um ano e quatro
meses de reclusão, em regime inicial fechado. A defesa postulou a aplicação do regime aberto
com base no princípio da insignificância, considerado o objeto furtado ter sido apenas uma
garrafa de licor. Para o colegiado, o regime semiaberto é o mais plausível para o paciente. De
um lado, o regime fechado deve ser afastado. Por outro, o aberto não beneficia condenado
reincidente, uma vez que esse regime pode se tornar um incentivo à criminalidade, mais ainda
em cidades menores, onde o furto é, via de regra, perpetrado no mesmo estabelecimento. A
reincidência delitiva do paciente, que praticou o quinto furto em pequeno município, eleva a
gravidade subjetiva de sua conduta. (Informativo 910, Primeira Turma)
Prescrição Recurso exclusivo da defesa: “reformatio in pejus” e prescrição – A Segunda
Turma concedeu, de ofício, “habeas corpus” impetrado em favor de pronunciado pela prática
do crime de homicídio, para reconhecer a extinção da punibilidade e determinar o trancamento

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da ação penal. Em 19.10.2000, o paciente foi denunciado pela prática do crime de homicídio
qualificado e de quatro tentativas de homicídio, com base nos arts. 121, § 2º, I e III, e 121, §
2º, I e III, c/c o art. 14, II, do Código Penal (CP). A denúncia foi recebida em 31.10.2000, mas o
juízo de origem desclassificou a acusação para homicídio culposo e lesões corporais. Contra
essa decisão o Ministério Público interpôs recurso em sentido estrito, que foi provido. Em
2007, o tribunal do júri condenou o paciente, pela prática do crime de homicídio duplamente
qualificado, à pena de doze anos de reclusão, acrescida de 1/6 em razão do concurso formal.
O conselho de sentença afastou as quatro tentativas de homicídio e reconheceu a existência
de quatro crimes de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. Posteriormente à
condenação, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2009, reconheceu, em habeas corpus,
a nulidade do acórdão do tribunal de justiça que provera o mencionado recurso em sen-
tido estrito. Naquela ocasião, o STJ desconstituiu a pronúncia e impôs novo julgamento por
câmara constituída de acordo com o disposto na Constituição Federal e na Lei Complemen-
tar estadual 646/1990. Em 21.7.2009, o tribunal de justiça estadual, em apelação interposta
exclusivamente pela defesa, reexaminou o recurso em sentido estrito interposto pelo Ministé-
rio Público e pronunciou novamente o paciente, dessa vez pela infração do art. 121, caput, do
CP. Em outubro de 2018, o juízo de origem afastou o pedido de reconhecimento de prescrição
apresentado pelo paciente e designou sessão plenária do júri para dezembro. A defesa impe-
trou habeas corpus no tribunal de justiça, o qual foi indeferido liminarmente, e, na sequência,
um outro no STJ, também indeferido liminarmente. A Turma entendeu ter ocorrido a prescrição
da pretensão punitiva do Estado. Esclareceu que o paciente foi condenado a quatorze anos
de reclusão, mas, nos termos do art. 119 do CP (1), a pena inicialmente fixada para o crime de
homicídio duplamente qualificado foi de doze anos. Dessa forma, a prescrição da pretensão
punitiva passou a se regular com base nesse lapso temporal, notadamente porque a capitu-
lação imposta na nova pronúncia é menos grave do que aquela que subsidiou a condenação
inicial pelo tribunal do júri. Observou, também, incidir o art. 115 do CP (2), já que o paciente
tinha dezoito anos de idade na época do crime. Fixada a pena de doze anos pelo juízo de
origem na primeira condenação, seria inviável, haja vista o recurso exclusivo da defesa, a
exasperação desse montante no segundo julgamento, marcado para dezembro de 2018. Por
isso, o prazo prescricional a ser observado, na espécie, é de oito anos, de acordo com o dis-
posto no art. 109, II, do CP (3). O colegiado registrou ainda que, entre a data do recebimento
da denúncia, 31.10.2000, e a da pronúncia, 21.7.2009, e entre esta data e a atual, já teriam
transcorrido dois prazos superiores a oito anos. Ressaltou que a soberania relativa do vere-
dito do conselho de sentença não enseja o agravamento da pena com base em novo julga-
mento pelo tribunal do júri em consequência de recurso exclusivo da defesa. Asseverou que o
Supremo Tribunal Federal tem admitido o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva
derivada de contagem de prazo adstrito à pena fixada em condenação posteriormente anu-
lada quando questionada exclusivamente por recurso da defesa. Acrescentou que, na decisão
do tribunal de justiça, não há fundamento concreto para o indeferimento da medida liminar lá

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ESTUDO DIRIGIDO DELTA 2020 – VOLUME 01

requerida e que o órgão judicial se limitou a afirmar a impossibilidade da verificação de prazos,


“à míngua de elementos precisos, datas e fatos, além dos demais elementos probatórios que
tanto indiquem”. Concluiu que a Constituição da República impõe a necessária motivação de
decisão judicial, principalmente em providência restritiva de direito, e não admite exceção à
observância desse dever. Novo júri a conduzir a nonada jurídica é mais uma atitude agressiva
ao direito e manifesto déficit do Estado-juiz. (1) CP: “Art. 119. No caso de concurso de crimes,
a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente. ” (2) CP: “Art. 115.
São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime,
menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta) anos. ” (3) CP:
“Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1º
do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao
crime, verificando-se: (...) II – em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos
e não excede a doze;” HC 165376/SP, rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 11.12.2018.
(HC-165376) (Informativo 927, Segunda Turma)

LEITURA DE VÉSPERA – SÚMULAS

01

Súmula n. 715/STF: A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumpri-
mento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de
outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução.

02

Súmula n. 716/STF: Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a


aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado
da sentença condenatória.

03

Súmula n. 717/STF: Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada


em sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial.

04

Súmula n. 718/STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não


constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido
segundo a pena aplicada.

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05

Súmula n. 719/STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena


aplicada permitir exige motivação idônea.

06

Súmula Vinculante n. 56/STF: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza


a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa
hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS.

07

Súmula n. 243/STJ: O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação


às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade deli-
tiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante,
ultrapassar o limite de um (01) ano.

08

Súmula n. 269/STF: É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reinci-


dentes condenados a pena igual ou inferior a 4 (quatro) anos se favoráveis as circunstâncias
judiciais.

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