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Aula 04

PROTEÇÃO DE
SISTEMAS Relés de Sobrecorrente
não direcional
ELÉTRICOS
2020

Prof: Eng. Fernando Grassi e-mail: fernandograssi@uri.edu.br


Introdução

❑ Relés de sobrecorrente - Definição


o “Relé é um dispositivo por meio do qual um equipamento
elétrico é operado quando se produzem variações nas
condições deste equipamento (ou no circuito ou
equipamento a ele associado).” (ABNT)

o Responde à corrente que flui no elemento do sistema que se


quer proteger quando o módulo dessa corrente supera o
valor previamente ajustado;
Introdução

❑ Funções dos relés

o Relés são os elementos mais importantes do sistema de


proteção;
o Vigiam diuturnamente as condições do sistema;
o Desconectam a parte defeituosa do sistema;
o Diminuem o tempo de defeito nos equipamentos envolvidos;
Introdução

❑ Condições qualitativas de desempenho

o Não deve causar desligamentos indevidos;


o Em anomalias de pequena monta (extensão), de
desligamento não urgente, deve atuar sinalizando/alertando
o operador da subestação;
o Em anomalias que põem em risco o sistema ou
equipamentos, atuar dentro dos tempos limites ajustados.
Introdução

❑ Onde são utilizados

o As proteções com relés de sobrecorrente são utilizadas em


alimentadores de média tensão, linhas de transmissão,
geradores, motores, reatores e capacitores e, de forma geral,
nos esquemas de proteção onde são necessários tempos de
operação inversamente1 proporcionais às correntes que
circulam no sistema

1 – Tempo inversamente proporcional à corrente indica que, quanto maior a


corrente, menos é o tempo de atuação do relé.
Introdução

❑ Tipos de relés de sobrecorrente

o Os principais relés de sobrecorrente empregados nos


sistemas elétricos são:
❖ Relés de sobrecorrente não direcionais (assunto desta
aula);
❖ Relés de sobrecorrente diferenciais;
❖ Relés de sobrecorrente direcionais;
❖ Relés de sobrecorrente de distância.

Cada relé será visto em detalhes ao longo das próximas aulas.


Introdução

❑ Tecnologias de relés de sobrecorrente


o Relés de sobrecorrente de indução
São relés de tecnologia obsoleta e, portanto, não são mais
fabricados.
o Relés de sobrecorrente eletrônicos/estáticos
Da mesma forma que os reles de indução, os reles estáticos são
reles de tecnologia obsoleta e também não são mais fabricados.
o Relés digitais microprocessados
Atualmente são os relés utilizados em todos os esquemas de
proteção.
Introdução

❑ Objetivos dos relés de sobrecorrente


o Sensibilidade;
o Seletividade;
o Rapidez;
o Confiabilidade;
o Robustez;
o Vida útil;
o Estabilidade;
o Operacionalidade;
o Funcionalidade.
Introdução

❑ Operabilidade dos relés de sobrecorrente


o Tem a corrente como grandeza de decisão de atuação;
o O relé de sobrecorrente avalia as variações de corrente tendo
por base uma corrente denominada de pick-up;
o Por exemplo, quando a corrente de um curto-circuito
ultrapassa a corrente de ajuste do sensor do relé, o mesmo
atua instantaneamente ou temporizado, conforme a
necessidade.
Introdução

❑ Elementos envolvidos na proteção de sobrecorrente

o Relé de sobrecorrente: Sensor de corrente e um ou mais


contatos, atua energizando um circuito CC que comandará a
abertura do disjuntor;
o Banco de baterias: Geralmente de 115V, alimentando o
circuito CC de abertura do disjuntor;
o Carregador de baterias: Ponte retificadora para recarregar a
bateria;
Introdução

❑ Elementos envolvidos na proteção de sobrecorrente

o Disjuntor: dispositivo projetado para abrir ou fechar o


circuito CA em carga ou em curto-circuito;
o Contatos auxiliares: sinalização, intertravamento,
energização de outros dispositivos, transferir comandos, etc.
Relés de sobrecorrente não direcionais

❑ RELÉS DE SOBRECORRENTE NÃO DIRECIONAIS


o A partir daqui chamados apenas de “relés de sobrecorrente”;
o Classificados em:
❖ Relés primários:
Atuam diretamente nos disjuntores por meio de varetas
isolantes;
❖ Relés secundários:
Atuam fechando um contato interno do disjuntor, por meio
de uma fonte externa, normalmente um banco de baterias.
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários
o Também conhecidos como relés de ação direta;
o Atualmente não são aceitos pela norma brasileira NBR 14039
para a proteção geral de unidades consumidoras supridas em
média tensão;
o No entanto, são utilizados na proteção das demais partes ou
componentes dos sistemas de média tensão internos à
unidade consumidora
Relés de sobrecorrente primários

o A grande vantagem é o seu preço acessível e a capacidade de


poder operar sem a necessidade de uma fonte externa,
normalmente cara;
o Como principal desvantagem, não é possível conectar os
relés primários no esquema de proteção de neutro utilizado
na proteção contra curtos-circuitos fase-terra, tal como ocorre
com os relés secundários.
Relés de sobrecorrente primários

o Recorrente substituição deste tipo de relé pelos modelos


digitais secundários acionados por unidades capacitivas (trip
capacitivo);
o Advento dessa tecnologia vem limitando o uso deste tipo de
relé, mesmo que ainda existam unidades protegidas desta
forma;
o Relés primários dividem-se basicamente em
fluidodinâmicos, eletromagnéticos e estáticos/eletrônicos.
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários fluidodinâmicos


o São constituídos de uma bobina de
grossas espiras ligadas em série
com o circuito a ser protegido;
o Sua operação consiste no
deslocamento de óleo consequente
da movimentação de um êmbolo
movido pela bobina;
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários fluidodinâmicos


❖ Vantagens:
o Facilidade na instalação e regulação;
o Custo reduzido.
❖ Desvantagens:
o Inadequado para seletividade;
o Manutenção periódica com
desligamento do sistema;
o Pequenas variações abruptas de
corrente deslocam o êmbolo e o
mesmo não volta à posição original.
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários eletromagnéticos


o Utilizados em subestações de média
tensão;
o Dificuldade de coordenação, por isso
não utilizado em sistemas de
potência;
o A muito tempo já não são fabricados.
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários estáticos/eletrônicos

o Fabricados de componentes estáticos, montados em caixa


metálica blindada para evitar a interferência do campo
eletromagnético dos condutores de média tensão e instalados
nos bornes dos disjuntores;
o Dispensam alimentação auxiliar, o que torna a sua aplicação
bem mais conveniente nas subestações industriais e
comerciais de pequeno e médio portes, em classe de tensão
inferior a 38 kV.
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários estáticos/eletrônicos


❖ Características construtivas

Esses relés são constituídos basicamente de três módulos:


o Transformadores de corrente;
o Circuitos eletrônicos;
o Dispositivos de saída;
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários estáticos/eletrônicos


❖ Características elétricas
São dotados de unidades de atuação instantânea (50) e
temporizada (51);
Funcionamento: No relé temporizado, se a corrente supera o valor
ajustado no relé, é acionado um contador que define um tempo
de retardo, previamente ajustado, para o desligamento do
sistema. Se a corrente de defeito cessa antes do tempo ajustado, o
relé retorna ao seu estado de repouso e fica preparado para um
novo evento. Logo, o relé atua no tempo definido e ajustado.
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários estáticos/eletrônicos


Curva tempo/corrente
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários estáticos/eletrônicos


Características elétricas de ajuste
Relés de sobrecorrente primários

❑ Relés primários estáticos/eletrônicos


Curvas temporizadas de ajuste

Relé estático

Curvas de tempo inverso


Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários de indução


o Chamados de relés de ação indireta;
o Fabricados em unidades monofásicas e alimentados por
transformadores de corrente ligados ao circuito que se quer
proteger;
o São utilizados na proteção de subestações industriais de
médio e grande portes, na proteção de motores e geradores,
banco de capacitores e, principalmente, na proteção de
subestações de sistemas de potência das concessionárias de
energia elétrica.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários de indução

Esquema elétrico de ligação dos


relés secundários.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários de indução


o Operam com razoável precisão;
o São bastante sensíveis;
o Não necessitam de manutenção frequente;
o Não utilizam elementos que podem degradar com as
condições ambientais, como é o caso dos relés
fluidodinâmicos;
o Manutenção sem desligar o disjuntor do circuito que ele
protege.
o Perda de espaço para os relés digitais;
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários de indução


Os relés de indução normalmente são constituídos unidades
operacionais:
o Unidade de sobrecorrente temporizada (51);
o Unidade de sobrecorrente instantânea (50).
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários de indução


❖ Unidade de sobrecorrente temporizada (51)
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários de indução


❖ Unidade de sobrecorrente instantânea (50)

❖ A bobina da unidade instantânea é alimentada em corrente


alternada, pois está em série com a unidade de indução. Ao
contrário da unidade de indução, a unidade instantânea é
sensível ao componente contínuo da corrente de curto-circuito
de valor assimétrico, que deve ser considerada na
determinação do seu ajuste.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários de indução


❖ Unidade de sobrecorrente instantânea (50)
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários de indução


❖ Curvas de operação
o Relés de tempo curto operam rapidamente, impedindo danos nos
equipamentos.;
o Relés de tempo longo não operam no início de intensa sobrecarga
ou moderada sobrecorrente de maior duração;
o Relés de tempo moderadamente inverso operam em
sobrecorrentes de valores elevados num tempo mais constante;
o Relés de tempo inverso e muito inverso operam,
respectivamente, com maior rapidez para valores maiores de
corrente de defeito.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários
de indução

Tipos de curvas
características de operação.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários
de indução

Curva de temporização
inversa.

Relés IAC51 e IAC52


Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários
de indução

Curva de temporização
muito inversa.

Relés IAC51 e IAC52


Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários
de indução

Curva de temporização
extremamente inversa.

Relés IAC77 e IAC78


Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários
de indução

Curva de temporização
inversa longa.

Relés IAC77 e IAC78


Relés de sobrecorrente secundários

❑ Exemplo 1
❖ Seja uma corrente de
curto-circuito que
resultou num
múltiplo M = 7. Qual é
o tempo de atuação
para:
a) Curva 10%
b) Curva 30%
c) Curva 50%
Relés de sobrecorrente secundários

O múltiplo 10 indica que a corrente de curto-circuito é X vezes


maior que a corrente de ajuste do relé:
❖ Exemplo: corrente de ajuste = 25A.
Se a corrente de curto-circuito é 100A, o múltiplo é 100/25 = 4,
então olha-se o tempo de acionamento para o múltiplo 4 no
gráfico. Da mesma forma, se a corrente de curto-circuito é 600A,
o múltiplo é 600/25 = 24, então olha-se o tempo de acionamento
para o múltiplo 24 no gráfico.
Cada curva no gráfico é uma configuração diferente do relé, e
serve para que o tempo de acionamento em determinada
corrente de curto-circuito, possa ser escolhido de forma a
proporcionar a seletividade e coordenação com outros relés a
jusante.
Relés de sobrecorrente secundários

Onde lê-se
❑ Voltando... 0,04 = 0,4
0,05 = 0,5
❖ Seja uma corrente 0,06 = 0,6
0,07 = 0,7
de curto-circuito 0,08 = 0,8
Erro do livro
que resultou num
múltiplo M = 7.
Qual é o tempo de
atuação para:
a) Curva 1 = 0,35s
b) Curva 3
c) Curva 5
Relés de sobrecorrente secundários

Onde lê-se
❑ Voltando... 0,04 = 0,4
0,05 = 0,5
❖ Seja uma corrente 0,06 = 0,6
0,07 = 0,7
de curto-circuito 0,08 = 0,8
Erro do livro
que resultou num
múltiplo M = 7.
Qual é o tempo de
atuação para:
a) Curva 1 = 0,35s
b) Curva 3 = 0,90s
c) Curva 5
Relés de sobrecorrente secundários

Onde lê-se
❑ Voltando... 0,04 = 0,4
0,05 = 0,5
❖ Seja uma corrente 0,06 = 0,6
0,07 = 0,7
de curto-circuito 0,08 = 0,8
Erro do livro
que resultou num
múltiplo M = 7.
Qual é o tempo de
atuação para:
a) Curva 1 = 0,35s
b) Curva 3 = 0,90s
c) Curva 5 = 1,5s
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ou seja...
Para uma mesma corrente de
curto-circuito, diferentes
curvas podem ser escolhidas,
consequentemente resultando
em diferentes tempos de
acionamento.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários de indução


❖ Unidade temporizada de fase
o A unidade temporizada não deve atuar para a sobrecarga
admitida do sistema.
o A corrente de tape é então definida por
K f  Ic
I tf =
RTC
I tf = Corrente de tape da unidade temporizada de fase, em A.
K f = Fator de sobrecarga2 admitida, entre 1,2 e 1,5.
I c = Corrente nominal do circuito a ser protegido, em A.
RTC = Relação de transformação do transformador de corrente.
2 - (quanto mais sensível é a carga, menor é o fator de sobrecarga)
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários de indução


❖ Unidade temporizada de fase
o O relé deve operar de acordo com a curva de temporização para
o múltiplo da corrente ajustada.
o Deve-se manter uma diferença mínima de 0,4 s entre os tempos
de operação de dois relés funcionando em cascata. Esse tempo é
resultado das seguintes premissas:
• Tempo próprio de operação do disjuntor: ≅0,13 s;
• Tolerância do fabricante do disjuntor: ≅ 0,10 s;
• Tempo de segurança do projeto: ≅ 0,17 s.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários de indução


❖ Unidade temporizada de fase
o A escolha da curva de atuação do relé é feita com base no
múltiplo da corrente de acionamento, e no tempo requerido para
o disparo do disjuntor.
Im
M=
RTC  I tf
M = Múltiplo da corrente de acionamento.
I tf = Corrente de tape da unidade temporizada de fase, em A.
I m = Corrente máxima admitida no circuito.
RTC = Relação de transformação do transformador de corrente.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários de indução


❖ Unidade temporizada de fase
o A corrente de acionamento deve ser, no máximo, igual à
corrente térmica do transformador de corrente. Dessa forma, fica
resguardada a integridade deste equipamento quanto aos efeitos
térmicos;
o O relé deve operar para a menor corrente de curto-circuito do
trecho protegido pelo disjuntor (Icc bifásica para proteção de fase
e fase-terra para proteção de neutro.
Relés de sobrecorrente secundários

Onde lê-se
❑ Exemplo 2 0,04 = 0,4
0,05 = 0,5
Determinar o tempo de 0,06 = 0,6
0,07 = 0,7
atuação do relé para o curto- 0,08 = 0,8
Erro do livro
circuito mostrado no
esquema:

Im 1800 1800
M= = = =6
RTC  I tf 500  3 100  3
5
Para a curva 2 e múltiplo 6,
tempo é aproximadamente 0,68s
Relés de sobrecorrente secundários

Onde lê-se
❑ Exemplo 3 0,04 = 0,4
0,05 = 0,5
Qual a curva a ser escolhida 0,06 = 0,6
para o diagrama unifilar 0,07 = 0,7
abaixo, para que o relé atue 0,08 = 0,8
Erro do livro
em 0,4 s ?

Im 3600 3600
M= = = = 12
RTC  I tf 500  3 100  3
5
Para o múltiplo 6 e tempo
0,7s, a curva é a 3.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários de indução


❖ Unidade instantânea de fase
o A corrente mínima de acionamento deve ser inferior à menor
corrente simétrica de curto-circuito no trecho protegido pelo
disjuntor;
o A corrente mínima de acionamento deve ser superior à corrente
de magnetização do transformador.
o A unidade instantânea pode ser dispensada de um projeto de
proteção quando não há condições de coordenação.
o Deve-se levar em consideração a componente contínua da
corrente de curto-circuito
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários de indução


❖ Unidade temporizada de neutro

Kn  Ic
I tn =
RTC

I tn = Corrente de tape da unidade temporizada de neutro, em A.


K n = Fator de desequilíbrio da corrente trifásica, entre 0,1 e 0,3.
I c = Corrente nominal do circuito a ser protegido, em A.
RTC = Relação de transformação do transformador de corrente.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários de indução


❖ Unidade temporizada de neutro
o A escolha da curva de atuação do relé é feita com base no
múltiplo da corrente de acionamento, e no tempo requerido para
o disparo do disjuntor.
I ft
M=
RTC  I tn
M = Múltiplo da corrente de acionamento.
I tn = Corrente de tape da unidade temporizada de neutro, em A.
I ft = Corrente máxima admitida no circuito (fase-terra).
RTC = Relação de transformação do transformador de corrente.
Relés de sobrecorrente secundários

Exemplo de aplicação: Relé de indução


Determinar os ajustes do relé de sobrecorrente 51F e 51N,
curva inversa, atuando no disjuntor 52.1. Será adotada uma
sobrecarga máxima de 30% (Kf = 1,3) e um desequilíbrio de
corrente de fases de 20% (Kn = 0,2). Será utilizado um relé de
indução de sobrecorrente cuja corrente nominal é de 5 A. A
corrente de curto-circuito trifásica no lado de 69kV vale 7,5kA,
e a de fase-terra tem o valor mínimo de 400A. O tempo
máximo de atuação da unidade de fase deve ser de 0,65s, e o
tempo máximo de atuação da unidade de neutro deve ser de
0,3s em virtude de manter a coordenação com um relé a
montante já configurado.

RESOLVER O EXEMPLO ANTES DE


DAR SEGUIMENTO AO CONTEÚDO
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários estáticos


o Tecnologia mais avançada em relação aos relés de indução;
o Menor consumo;
o Faixas de ajuste contínuos;
o Compacto;
o Circuito de alimentação auxiliar não polarizado;
o Mais preciso;
o Contêm numa só unidade, as funções 50/51 e 50/51N;
o Não possuem significativo avanço funcional em relação aos de
indução, portando descontinuados e substituídos pelos relés
digitais.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários estáticos - Curvas


Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


o Normalmente, os relés de sobrecorrente digitais são
comercializados em unidades trifásicas;
o São dotados das funções de sobrecorrente instantânea (50) e
temporizada (51);
o Como as funções são trifásicas, o relé atua quando pelo menos
uma das correntes de fase atinge o valor ajustado.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


o Termos normalmente utilizados no estudo dos relés digitais:
▪ Partir: deixar uma condição inicial especificada ou o
estado de repouso para assumir ou não outra condição
também especificada;
▪ Rearmar: retornar a uma condição inicial especificada ou
de repouso após a sua partida;
▪ Valor de partida: valor da corrente de alimentação de
entrada do relé ligeiramente acima do valor com o qual o
relé inicia a sua partida em condições especificadas.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


o Características construtivas
o São fabricados no mínimo com as seguintes partes
componentes:
▪ Sistema de aquisição e avaliação;
▪ Painel frontal onde podem ser realizadas as diversas
operações de ajuste, através de teclas de membrana;
▪ Saídas de eventos, alarmes e comando;
▪ Interfaces seriais;
▪ Conversor de alimentação
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


o Os relés podem ser ajustados no local da sua instalação ou
remotamente, por exemplo, no Centro de Operação do
Sistema.
o No Brasil, os relés já são fabricados tropicalizados, isto é,
próprios para operar no interior de painéis metal.- cos ao
tempo ou abrigados sujeitos às temperaturas elevadas de
nossa região e à umidade elevada e são imunes às
interferências eletromagnéticas, já que operam em ambientes
excessivamente hostis.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


Curva de temporização
normalmente inversa.

0,14
T= 0,02
 Tms Relé
 I ma 
  −1 URPE 7185 - Pextron
 a 
I

T= Tempo de disparo
I ma = Corrente máxima admitida no circuito.
I a = Corrente de acionamento.
Tms = Multiplicador de tempo
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


Curva de temporização
muito inversa.

13,5
T=  Tms Relé
 I ma 
  −1 URPE 7185 - Pextron
 Ia 
T= Tempo de disparo
I ma = Corrente máxima admitida no circuito.
I a = Corrente de acionamento.
Tms = Multiplicador de tempo
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


Curva de temporização
extremamente inversa.

80
T= 2
 Tms Relé
 I ma 
  −1 URPE 7185 - Pextron
 Ia 
T= Tempo de disparo
I ma = Corrente máxima admitida no circuito.
I a = Corrente de acionamento.
Tms = Multiplicador de tempo
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


Curva de temporização
inversa longa.

120
T=  Tms Relé
 I ma 
  −1 URPE 7185 - Pextron
 Ia 
T= Tempo de disparo
I ma = Corrente máxima admitida no circuito.
I a = Corrente de acionamento.
Tms = Multiplicador de tempo
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


Curva de temporização
inversa curta.

0, 05
T= 0,04
 Tms Relé
 I ma 
  −1 URPE 7185 - Pextron
 a 
I

T= Tempo de disparo
I ma = Corrente máxima admitida no circuito.
I a = Corrente de acionamento.
Tms = Multiplicador de tempo
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Relés secundários digitais


Curva de temporização IxT.

60
T=  Tms Relé
 I ma 
  URPE 7185 - Pextron
 Ia 
T= Tempo de disparo
I ma = Corrente máxima admitida no circuito.
I a = Corrente de acionamento.
Tms = Multiplicador de tempo
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários digitais


❖ Unidade temporizada de fase
o A unidade de sobrecorrente de um relé de fase opera de acordo
com o valor eficaz da corrente que chega aos seus terminais de
entrada;
o Sendo ativada a partida do relé, ocorre a habilitação da função de
temporização por meio de um contador de tempo, determinando
o tempo de atuação da proteção;
o Se durante o período da contagem da temporização integrada o
valor eficaz da corrente se reduzir a um valor inferior ao valor
definido no ajuste da partida, o relé retorna a sua posição inicial.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários digitais


❖ Unidade de tempo definido de fase
o Nos relés digitais, a unidade de tempo definido possui um
temporizador ajustável;
o Assim, quando a corrente no relé atinge a corrente ajustada na
unidade de tempo definido, o relé conta o tempo programado e
gera um pulso de disparo nos seus bornes.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários digitais


❖ Unidade instantânea de fase

❖ Opera a partir de dois diferentes critérios:


Valor da corrente eficaz: O relé atua quando o valor eficaz da
corrente é superior a 5% do valor da corrente ajustada;
Valor da corrente de pico: O relé atua quando a diferença entre os
valores medidos é superior a 2,1 vezes o valor de pico
correspondente ao valor eficaz ajustado
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Curvas de ajuste dos relés secundários digitais


Relés de sobrecorrente secundários

❑ Ajustes dos relés secundários digitais


❖ Unidade temporizada de neutro
❖ Opera de acordo com o valor eficaz da corrente que chega aos
seus terminais de entrada, ocorrendo a partida ou arranque
quando o valor da corrente medida supera a 1,05 vez o valor
da corrente ajustado e voltando ao estado normal a 1 vez o seu
valor.
* Unidade instantânea e de tempo definido com as mesmas
considerações da função de fase
Relés de sobrecorrente secundários

❑ Exemplo de aplicação: Relé digital


Determinar os ajustes do relé de sobrecorrente URPE 7185 – Pextron
(51, fase e neutro temporizado e de tempo definido), proteção do
disjuntor 52.2, localizado no secundário do transformador de 12,5
MVA, 69/13,8 kV. Curva muito inversa. Será adotada uma sobrecarga
máxima de 20% (Kf = 1,2) e um desequilíbrio de corrente de fases de
20% (Kn = 0,2). Será utilizado um relé de sobrecorrente cuja corrente
nominal é de 5 A. A corrente de curto-circuito trifásica no lado de 13,8
kV vale 11 kA, e a de fase-terra tem o valor mínimo de 1,8 kA. O tempo
máximo de atuação da unidade de fase deve ser de 0,5s, e o tempo
máximo de atuação da unidade de neutro deve ser de 0,3s em virtude
de manter a coordenação com um relé a montante já configurado. A
proteção de tempo definido serve como backup da unidade
temporizada para altas correntes de curto-circuito.
Relés de sobrecorrente secundários

❑ EXERCÍCIO PARA ENVIAR


Determinar os ajustes do relé de sobrecorrente URPE 7185 – Pextron
(51, fase e neutro temporizado e de tempo definido), proteção do
disjuntor 52.2, localizado no secundário do transformador de 10 MVA,
69/13,8 kV. Curva extremamente inversa. Será adotada uma sobrecarga
10MVA
máxima de 30% (Kf = 1,3) e um desequilíbrio de corrente de fases de 69/13,8 kV

20% (Kn = 0,2). Será utilizado um relé de sobrecorrente cuja corrente


nominal é de 5 A. A corrente de curto-circuito trifásica no lado de 13,8
kV vale 8 kA, e a de fase-terra tem o valor mínimo de 1,4 kA. O tempo
máximo de atuação da unidade de fase deve ser de 0,7s, e o tempo
máximo de atuação da unidade de neutro deve ser de 0,4s em virtude
de manter a coordenação com um relé a montante já configurado. A
proteção de tempo definido serve como backup da unidade
temporizada para altas correntes de curto-circuito.