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GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.

● Idéias não conseguem ser universais e resolver todo os problemas fundamentais.


- Necessidade de limitar e reduzir o conceito de cultura a uma dimensão mais
justa.

● Geertz percebe a antropologia não como uma “ciência experimental a busca de leis’ (p.
15), mas sim como uma ciência interpretativa.
● Cultura como uma “teia de significados” que o próprio homem teceu e a ela está
amarrado, e a análise dessas “teias”.

● Necessidade de compreender a etnografia e a sua prática para entender o que


representa a análise antropológica como forma de conhecimento.

- O que o define é o tipo de esforço intelectual que ele representa.


- o objeto da etnografia é uma hierarquia estratificada de estruturas significantes
sobre as ações e atos que são produzidos, percebidos e interpretados.

● A antropologia é mais interpretativa e menos observadora.


- “O que chamamos de nossos dados são realmente nossa própria construção
das construções de outras pessoas, do que elas e seus compatriotas se
propõem”. (p.19)
- “A análise é, portanto, escolher as estruturas de significação e determinar sua
base social e sua importância”. (p. 19).
- A etnografia, por sua vez, é uma descrição densa.

● Crítica a certos debates sobre o comportamento humano.


- “O que devemos indagar é qual é a sua importância”. (p. 20).
- O autor critica a retificação e a redução do comportamento para enquadrá-lo em
teorias existentes.

● Etnociência
- Antropologia cognitiva;
- Geertz percebe esse cognitivismo como uma “falácia destrutiva”, que reduz a
cultura à estruturas psicológicas.
- Compara essa antropologia às vertentes behavioristas e idealistas as quais
também são consideradas “falácias”.
● Antropologia:
- Objetivo: Alargamento do universo do discurso humano.
- Cultura sob uma visão semiótica: sistemas entrelaçados de signos
interpretáveis.
- “A cultura não é um poder, algo ao qual podem ser atribuídos casualmente os
acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições ou os processos”.
(p.24).
- “Os textos antropológicos são eles mesmos interpretações e, na verdade, de
segunda e terceira mão”. (p.25).

● Crítica a análise superficial do comportamento humano.


- “A cultura é tratada de modo mais efetivo, prossegue o argumento, puramente
como sistema simbólico (a expressão chave é, “em seus próprios termos”), pelo
isolamento dos seus elementos, especificando as relações internas entre eles
elementos e passando então a caracterizar todo o sistema de uma forma geral”.
(p. 27).
- “Se a interpretação antropológica está construindo uma leitura do que acontece,
então divorciá-la do que acontece é divorciá-la das suas aplicações e torná-la
vazia”. (p 28).

● Análise cultural: uma advinhação dos significados, uma avaliação das conjecturas, um
traçar de conclusões explanatórias a partir das melhores conjecturas.

● Características da descrição etnográfica:


1. Interpretativa; interpreta o fluxo do discurso social;
2. Microscópica;

“Olhar as dimensões simbólicas da ação social - arte, religião, ideologia, ciência, lei,
moralidade, senso comum - não é afastar-se dos dilemas existenciais da vida em favor de
algum domínio empírico de formas não-emocionalizadas; é mergulhar do meio delas” (p.40).