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naus: HISTDRICIDADE E Tmscaxnaxcrx

Intrndueâc

]. Ú fate da recen'encia da palavra Darts ne discurse humane da e que pen-


sar, D que es humanas vêm querende significar mediante as seus uses na Histó-
ria? Quem ela afirma cu encobre? Ate que pente as expressões semânticas e es
uses linguísticas (atual e habitual) desta palavra, na seu centexte hermenêuticc-
intersubjctivc, se referem, em termes de significadn, a um Existente que se mestra
mediante a sua cenceitualizaçãe ceme e Tede, ievantande uma pretensãc à vali-
dade inerente ac Sentide incendicicnadc, e a aute-expressâe de Absclutc'i' Ú mi-
nime que se pede dizer a que, num centextn hermenêutica-intersubjetivn, a signi-
ficação e es uses linguísticas da palavra Darts reivindicam uma pretensãc de vali-
dade que afirma, cu nega, uma existência terra : #arrsmnnrr'errn, hard e rrtrrrstsrd-
rica, e cuja expnsiçâo em sistema simbólice exprime as razões de ser de uma
saciedade. Úra, teda afirmação eu negaçãe de existência significa. a afirmaçãe, eu
a negaçãe, de um sentide e de sua validade, mediades pele seu ccntcxte praxicle—
gicc—Iinguisticc, Quais sae es uses linguísticas e quais san as fermas de vida me-
diante cs quais se manifesta c significade da palavra Deus ?
Ccmn se pede ver, ninguém pede abstrair de fala da pretensãe de sentide e
de validade levantada pelas expressões semânticas e peles uses linguísticas da
palavra Deus, que denetam eu a esperança de que ela signifique uma existência
que se manifesta nas estruturas intencienais-semidticas da experiencia de Tede,
eu a suspeita que ela eneubra uma alienaçãe, uma ilusãc eu um erre de use lin-
gtiisticn. A hermenênrrcn de suspeita, ae transcrever a semântica da palavra Deus
na radical imanência dn sujeita humann ne seu centextc mundana sdeic—histdriee,
denuncia a relaçãe de transcendência, nela cnnstitutivamente subjacente, cemc
sendc uma prejeção (Feuerbach), uma alienacãn (Marx), um ressentimentc (Ni-
etzsche), eu uma ilusãc (Freud). Ae significar a cerrespendência eqtiieriginária
entre a autnmanifestaçãn de Absolute e a afirrnaçãc de validade inerente ac Sen-
tide incendicienade, a palavra Dear. per um fade, aponta para as estruturas da

Revirm Ferraariasa de Filesejn, ss [IE-“991 sr *— ss


33 Revisre Ferruguesu de Fdesafia

subjetividade de enunciader de qualquer esperiencia de sentide, se seu respective


centeste hennenênticn—intersnhjetive, mas, per enm:- ladn, ela nie se deixa sub-
sumir pele desenhe eategerial da ehjetivação levada a cabe pela análise gramati-
cal, iesicegrafica, semântica nn pragmática, eu pela eritiea secin-pelitiea. Num
centeste Iingiiistice—prasielegice, aberta ae entendimente intersubjetive subre e
significade da esperança humana, e centeúdc- da palavra Deus manifesta-se ceme
um Existente ahselute, pertader de uma subjetividade absuluta, ae qual e inerente
um Sentide incendicienade, presente cerne pressupesiça'e inuausceudivel e use
centingente de sentide e da sua validade ]ingnlstice—intersnhjetiva inerentes au
Mundn, à Seeiedade e e História

2. (] sentido e es uses lingtlistices da palavra Deus, entrelaçades eriginari-


amente & linguagem da esperiencia de âbselute na História e da esperiencia de
Sentide incendicienade em qualquer articulaçãe de sentide, manifestam—se graças
à estrutura intencienal-semidtica da censciência histórica. O desenhe ceneeptnal
da presença de Ahselute na História., enquante presença de Sentide incendiciena—
de nes sentides parciais, e hemdlegn, na sua face subjetiva, à censciência histeri-
ea, na sua lª'aee intersubjetiva, ae recnnhecimentn intersubjetivn, e, na sua face
ebjetiva, ae sentide e & escritura da história.. Esplicande es termes da questãe!
Entende—se per ser a pressuposiçãn inn-unseendlvel e incendicienal inerente ae
disenrae, e que se manifesta ne medium de entendimente intersnbjetivn cerne
uma presença que levanta uma pretensân de sentidn e de validade universais. Per
mascªrada entende-se uma estrutura neetice-velitiva erientada para n ser, que se
euterieriza ceme um sistema semietice aute-refleuive. Per eeusciêrsciu histórica
entende-se e mede temperal da existência humana, apreendida ceme uma presen-
ça inteneinnal-semidtica que vive na diacrenia de tempe histerice, i. e, ne temp-e
duma estrutura de sentide histórica e lingiiisticamente aberta., eu, ainda, ne tempe
culturalmente vivide, apreendide nu cenceitn. A eensçiêneia histórica existe na
tempe da interpretaçãe tilesetica da cultura. Per receuhecirueure reciprece enten-
de—se e cenhecimente de entre numa relação de simetria intencienal, na qual esta
presença de entre manifesta-se ceme after-ega. Farafraseande Hegel, a censcien-
cia histórica e um si"-mesmu que É um nutre, e um nutre que e“ um ari-mesmu. Per
Endumeuruçãu eu justificação entende-se a anteapresentaçãe nae circular da
razãe enquantn se antelegitima ne sen significade de sistema das determinações
da linguagem, apresentande—se a si mesma cume instrumental mete-dice, universal
e imprescindível de validade. Finalmente, entende«se per sentida e escritura da
história a hermenêutica filesefica de valer que a censciEncia histórica atribui se
ainda de tempe (e agem eu e atual) ne qual ela exerce e pensamente de si mesma,
mediante a explicitação das regras semânticas e pragmáticas da rememuruçd'u de
Deus: Hismrieidede e Transcendência 39

uma história que se desdobra como inscrição da livre necessidade da efetividade


na contingência do tempo. Ú sentido e os usos da palavra Dans, na hermenêutica
cultural levada a cabo pela modernidade modems, vão-se elucidar na resposta que
se der a esta questão: o prisma: irrisiiigibiis, para o qual convergem as varias litt-
guagens da experiência do Mundo, da Sociedade e da Historia, nele experimen-
tando a unidade focal de seu significado, e um principio intra e transtemporal, i. s,
imanente e transcendente ao tempo do existir histórico, ou e um principio radi-
calmente imanente ao tempo histórico, totalmente objetivado pela praxis e pela
linguagem, que possibilitam o seu transpassamento no campo inteligível da Natu-
resa ou da Cultura ?
A pretensão de entendimento intersuhjetivo levantada pelo discurso da ex-
periência do Absoluto no tempo historico e da experiência do Sentido incondicio-
nado em qualquer franja de afirmação de sentido e a de signiiicar a sua presença-
ausência na imanencia da estrutura intencional-semiótica da consciência histórica.
Drientsda teleologicamente ao Bentido incondicionado, subjacente a cada sentido
parcial, a consciência histórica se articula na seguinte estrutura triádica: lª iniini-
dade intencional mediada pela praxis e pela linguagem [em outros termos, abertu-
ra ilimitada ao ser mediado pela pra'xis e pela linguagem); 2ª impulso para a
transcendência; 3ª auto-reflexão. O discurso da experiência de Deus na cultura
moderna é marcado pelo desafio de deslocar as figuras da Transcendência, que
significam o Principio ordenador do sentido, ou seja, o Sentido incondicionado ou
o Absoluto, do paradigma matricial da Natureza para o da Historia, Esta transfe-
rência do sentido fundante e dos usos lingdisticos que lhe são inerentes, do campo
intencional—semiotico da Natureza para o da Historia, i. s, para a esfera que Hegel
chama de Espirito objetivo e que Lima Vas chama de Cultura, levanta a pretensão
de validade que o Dutro absoluto manifesta-se mediante as figuração-s do reco-
nhecimento intersubjetivo como uma presença, por um lado infinitamente proxi-
ma dos sujeitos da interlocução, e, por outro lado, irredutível & imanência das
estruturas semântico-pragmáticas do discurso.

3, A intuição do ser como reioçdo, que se exprime no campo inteligível da


racionalidade inerente a ontologia relacional mediante categorias Iingiiistico-
praxioldgicas, fundamenta e exprime a presença mediadora do outro no campo
intencional-semiotico da presença—a-si da consciência histórica. Esta existe no
mediam das significações, dos usos Iingiiisticos e das instituições sociais como
síntese dialética de ser-em-si e ser-para-si no ato do seu ser-para—o-outro, A partir
do foco significativo da ontologia relacional, entende-se por subjetividade a inte-
rioridade humana mais profunda, que se exteriorisa na sua capacidade ativa de
agir intersubjetivamente mediante a práxis e a linguagem no trânsito dialético do
40 Revista Permguesa de Fdesafia

Eu para e Nós e de Nós para e Eu. Assim eempreendida, a subjetividade e uma


esmnura neétiee-velitiva eenstituida pela sua abertura se ser, pela sua aute-
reflesividade Iingtiistiee—prasieiógiea e pela sua autemediaçãe,
A teleelegia imanente a subjetividade finita e aberta ae ser realiza-se na ul'
trapassagem da sua presença inteneienal ae Mande, à Sociedade e à Histeria1 para
se aute-afinnar na sua relaeãe eem e Absolute. A eenseiêneia histdriea pergunta-
se pela sentida da vida e pelo sentido de história ne mediam da espressãe simbó—
Iiea da sua presença ae Munde, & Seeiedade e a História., seb a regência da raeie-
ualidade peietiee—fabrieadera e praaieldgiee—eultural. Mas, ne eampe inteligível
da teeria, em euja raeienalidade ela exprime a sua relaçãe sem e Abselute, ela se
pergunta pele Sentide incendieiemde. i. &, pele Prineipie que fundamenta e uni-
fiea a multiplieidade des sentides da vida e da história, mestrande-se eeme a
pressupesieãe intranseendivel, e a fipnteira eem e absurde e e nada. O entrelaça-
mente' das raeienaiidades peiétiee—fabrieadera e praxielógiee—eultural eem a tee-
ria eenstitui es grandes deminies da aum-expressão des humanes: e faxer simbt'i—
Iiee e e agir simbdlieer Ú eampe simbóliee da teeria & a eentemplaçãet Ú direeie-
namente inteneienaI—semidtiee da eenseiêneia históriea para e Sentide ineendiei-
enade permite-Ihe entrelaçar dialetieamente e sensível e e inteligível, e eentin-
gente e e neeeesane, e possivel e e atual, e empiriee e e transeendental, e relative
e e absoluta .
A hermenêutiea eultural prepesta pela medemidade ilustrada refere e senti-
de e es uses da palavra Deus se eentertte intersubjetive prasieldgiee—lingiiistiee
da eenseiêneia histórieat Neste eenteate herrneneutieer1 a palavra e e subam-::-
unifieam as dimensões subjetiva e ebjetiva da inteligibilidade inerente ae Mundo,
a Sociedade e a História,. e que se traduaem eeme Namrere e Cultura nas estrutu-
ras simbólicas da peiesis fabri'eadera e da práxis sdeie-histdriea. Ú diviser de
águas da hermenêutiea eultura'l preposta pela medernidade esta eu na eempreen-
sãe reclueienista da ação intersubjetiva praaieldgiee-lingtiistiea à esfera da Natu-
reza eu da Cultura., eu ne reeenheeimente de eaeesse entelógiee inerente ae pró-
prie agir intersubjetive, simbolizando e Abselute, na sua pretensãe ineendieiena—
da de sentide, preeisamente eeme Sentide ineendieienade ne eampe simbóiiee' da
eentemplaçãe. A. fundamentação enteldgiee-relaeienal da eenseiêneia históriea
eeme expressão incessante de sentido mediante seus uses lingiiistiees legítima a
açãe intedeeutdria de diseurse.
Deus: Historieiriaa'e e Transcendência 4]

lineamento de uma ontologia relacional

], Num primeiro momento do discurso, a exposição do sentido e do uso da


palavra Deus. dados num contexto hermenêutico-intersubjetivo, parte da articula-
ção coereucial-analogica das determinações do ser. |I'L'aso não se queira— incorrer
numa contradição performativa, e preciso acolher o ser como a pressuposição
intranscendivel e absolutamente incontestável inerente ao discurso, cuja eu?-finda-
a'e levanta urna pretensão de sentido e de validade universais. É: no horizonte do
ser que termos como Idéia e Espirito adquirem seu sentido original e, por outro
lado, temos como Mo, Sociedade e História significam uma realidade verda-
deiramente concreta, racional e sensata. D sentido e homólogo ao ser, enquanto
ele inscreve nas formas de vida praxiologicas e linguísticas a originaria síntese
judicativa do ato de existir com o ato de conhecer. A unidade junta! do ser e
eqiiioriginãria & unidade do sentido, que envolve na sua efetividade todo e qual—
quer existente dado, fundando, consequentemente, a unidade da rascio, Qualquer
representação do ato fontal de existir como um dualismo ontológico, entre o plano
da felicidade e o da validade, ri intolerável para a ontologia relacional.
A pretensão de sentido e de validade levantada pelo discurso pressunãe a
universalidade e a incondicionalidade do ser. Com outras palavras, as fonnas de
vida naturais, sociais e históricas que configuram um contexto hermenêutico-
intersubjetivo referem-se ao ser, que as fundamenta e unifica. E'! ser e estrutural-
mente relacional. Ele se relaciona como uma inteligibilidade que e uma estrutura
em movimento. A unidade fontal do ser como ato de estara manifesta-se como
uma plenitude não desenvolvida, uma imediatidade não refletida, Ú campo inten-
cional-semiotico da inteligibilidade e da unidade do ser e formado por dois termos
referenciais: a afirmação e a negação, A afirmação & originaria, preenchendo as
condições de possibilidade da negação, que por sua vez desenvolve a plenitude
não desenvolvida do ato de afinnar, A negação «& determinaria pela inteligibilida-
de e pela unidade inerentes a afirmação, inaugurando um novo campo intencional—
semiotico que se submete a uma nova for-ma de negação: negatia neganonis. O
ser autodiferencia-se graças ao seu movimento interno de afirmação e negação,
segundo o qual as suas detenninaçães, iranspassanr reciprocamente uma a outra,
aparecem eoniradiiorianrenre uma na outra, para alcançar o desenvoivinrenio
duma plenitude realizada, Em cada um destes niveis de auto-exposição do ser,
configura-se uma totaliaação da sua efetividade, indo da determinação mais abs-
trata ae o universal—concreto, A exposição do ser como processo não anula os
nexos inteligiveis da estrutura, pois esta e condição daquele .
42 Revista Ferruguesa ale Fdeseja

As fermas de vida que eent'lguram e eenteate hermenémiee—intersubjetive


referem-se tante ae ser eeme feee signifieative de unidade quanta, em signiflean-
de—e, e medeiam, Na perspectiva da entelegia relaeienal, e eeneeite de ser e,
igualmente, eaereaeial e analógica. [) eeneeite de ser e eeereneial parque ae
mesma tampa em que ele & eendiçâe da espesiçae simbóliea de Mande, da Seei-
edade e da História, pela eenseiêneia histórias, ele é, igualmente, mediada pela
práxis e pela linguagem da mesma, que põe reflexivamente e pressupeste ne tem-
pe histeriee. Cem eutras palavras, e ser e uma letalidade inteligível e distrai, Ú
eeneeite de ser e analógiee parque, na sua hernelegia a liberdade, eae se deixa
reduzir às fermas univeeas da raeienalidade Iógiee-matematiea, nem as figurações
real-sistematieas.
A intuieae de ser, i, e, e acesse ae herizente universal de sentida e de val i-
dade, e mediada pelas ferrnas de vida naturais, seeiais e histórieas que a pressu-
põem. A eatelegia relaeienal mestra a relação das fermas de vida da práxis e da
linguagem ae ser, e, vice—versa, mestre a relaçãe de ser as fermas de vida, Este
relaeienarnente universal mediada pela praais e pela linguagem eeastitui a intrin-
seea e universal inteligibilidade e efetividade de ser. Censeqiientemente, a eensei-
Eneia bistdriea e, eenstitutivamente, tante relaçãe eem e ser quanta relaçâe eem e
eenteate barmenEutiee-intersubjetive. A transeriçãe eeneeitual da eaperiêneia de
Sentide incendieienade nas estruturas inteneimtais-semietieas da esperieneia de
Abselute realiza—se ne eampe inteligível da entelegia relaeienal. A partir da sua
eenteatualizaçae ne earnpe inteligível da entelegia relaeienal, a esperieneia de
Abselute eerrespende s eaperiéneia neetiea da verdade, e à eaperiêneia etiea de
beer. pois e Absolute manifesta-se & eenseieneia histeriea eeme aeeraa na perfei-
çãe de ate da sua intelecçãe, e eeme agarrada na perfeição de ata da sua autede—
tenninação.
O ser na sua efetividade e, país, uma retaliaade que eempreende, e vai infi-
nitamente além des limites de sensivel. A práxis e a linguagem sae mediações
que mestram a validade inerente ae ser, na sua unidade, verdade e bondade. Ú
eampe inteneienal-semidtiee da entelegia relaeienal e eenstituide per relações
que se manifestam passande per fases sueessivas, que eenstituem um preeesse. Ú
ser na sua inteligibilidade e na sua unidade e uma tetalidade que se eenfigura em
estruturas, relações e processes praaielógiees e linguistiees. A entelegia relaeie-
nal prepõe uma espesiçãe eeereneial-analegiea de ser, na qual e estrutural, e
relaeienal e e preeessua] de ser sae faees equieeaespondentes da mesma efetivi-
dade Ú lustdriee—eeatrisme eatelegiee é a figura da mãe assumida pela entele—
gia relaeienal.
Deus: Hisroricírfoa'e e Transcendência 43

2. Num segundo momento, o sentido e o uso da palavra Deus são atraídos


para o campo inteligível da relação da subjetividade finita ao ser. Na hermenêuti-
ca cultural proposta pela modemidade pos-cristã, as figuracoee do sentido e do
uso da palavra Deus são apreendidas no modo atual do esistir historico, L e, no
tempo histórico. Ú ser e o agir intersubjctivo prasiologico—Iingtiistico, no histori-
co-centrismo ontológico, estão dialeticamente entrelaçados, resultando desta sin-
tese a transcrição do Mundo, da Sociedade e da História na respectiva efetividade
simbólica, Em resumo! A. consciência histórica é a potência ativa de agir inter-
subjetivamcntc mediante a práxis e a linguagem, autocompreendendo-se no tempo
histórico, ou seja, existindo como ato de julgar a atualidade do tempo. Existir no
contesto historico-linguístico significa recriar simbolicamente a contei-dualidade
mundano-socio-historica como um ogoro cultural, ou como uma atualidade de
sentido.
0 agir intersubjetivo recria no horizonte da temporalidade historica, medi-
ante a práxis e a linguagem, o conteúdo mundano-socio-historico da consciência
histórica. 0 ser humano torna-sc na relação aquilo que, estruturalmente, ele e,
anime! symooh'coar, na medida em que ele simboliea o enlace dialético do si-
mesmo e do outro no seu eu mais profundo, A. tryinidode inrcncr'orro! mediada
pela praxis e pela linguagem, e afinidade semiotico mediada pela auto—reflexao
são os dois vetores que constituem a cstmtura ontológica da subjetividade finita.
A intencionalidade inerente & infinidade da consciência e': um sair de si e um per-
munecerjunro de si, mediados pelo sistema dos sinais distendido entre a sua sin-
taxe, a sua semântica e a sua pragmática. Este direcionamento intencional praxi-
ologico-lingulstico pressupõe o ser na sua efetividade contextual, A linidade sc-
rniótica, i, é, a estrutura simbólico-significativa do agir intersubjetivo pressupõe a
auto—reflexão, gracas a qual põe o ser na efetividade da significação c do uso lin-
giiistico.
Ú enlace da infinidade intencional com a finidadc semiótica constitui a ca-
trutura ontológica que possibilita a compreensão da subjetividade finita como
unidade de inteligência e vontade, ou medo e liberdade. ou ainda como espírito
subjerivo e espíriro oly'crivo. A inteligência e a vontade são essencialmente sim-
boliaantes. Por conseguinte, a linguagem e a práxis são elementos constitutivos,
respectivamente, da inteligência e da vontade. A inteligência é acolhimento do
ser, mediado pela linguagem. A vontade e consentimento ao ser, mediado pela
praxis. Parafraseando Rent, a inteligência ou a razão sem a linguagem sao vazias,
e a linguagem sem a inteligência ou a razão é cega, A vontade ou a liberdade sem
a práxis são vazias, e a prasis sem a vontade ou a liberdade é cega. O campo intc-
lígível da ontologia relacionai é caracteriaado por uma circular-idade dialético,
que resulta do rrorrspossomcnro recíproco da inteligência e da vontade, uma na
44 rtttgtteso de Filosofia
Pcneguem
Revista Po FtIosoflo

outra. Igualmente, o campo inteligível da semiótica geral caracteriza-se pela cor-


eor-
dial—etica, resultante do transpassamento recíproco
respondente circularidade dialética, reeiptoeo da
cutra, Na
praa-ds uma na outra,
linguagem e da práxis relacicnal, a verdade e o aeo-
cntclcgia relacional,
Ha ontologia eco—
rezan, mediado pela linguagem, e o beat
lhimento do ser pela razão, beet é o consentimento
eonsentimento
vcntade, mediado
ao ser pela vontade,
ac mediada pela práxis.
praxis. Ú
Ü transpassamento recíproco
reeiproeo da verdade
e do bem um no nutre ccnt'igura uma
outro configura camp-c inte-
eujo campo
urna circularidade dialética, em cujo
tema—se a verdade da
tama-se o bem da inteligência, e o bem toma—se
ligível a verdade torna-se
vcntade. eomo inteligência, medo.
Termes como
vontade. Termos ttngnrrgem, verdade são
reeäe. iiuguegem, sac as faces inte—
dc espirito
ligiveis do Tenncs como
subjetiva, Termos
espirita subjetivo, eomo vantade, ”herdade, práxis,
vontade, liberdade, hem são as
práxis. bem
iuteliglveis do espirito
faces inteligiveis cbjetivc. A autoesuuturação
espirita objetivo, eomo ser,
Absolute como
autoesnuturaeiin do Absoluto
bem da os parâmetros
verdade e hem cntcldgica do
articulação ontológica
parâmetrcs para a articulaçãc dc sentido, tecria
sentida, da teoria
e da práxis.
ccrrespcndem eqiliorigiuariamente
A verdade e o bem correspondem ao ser. A linguagem
eqilicriginariamente ac
praxis medeiam a significaçãc
e a práxis significação simbólico—intersubjetiva aeolhimento e do
simbdlica—intersubjetiva do acolhimento
eonsentimento ac
consentimento muda e a liberdade são
ao ser, A razão cs vetores
sac os da circularidade diale-
vetcres de
linita. A correlação
automediaçâo da subjetividade iinita.
tica da autcmediaçãc rezan e
ccrrelaçãc dialética entre razão
assegurandc-lhe o
vontade, assegurando-lhe
liberdade, mediante a qual a inteligencia passa na vcntade,
verdadeira vontade passa na inteligencia,
verdadeiro bem, e a vnntade bcndade da
inclinandc-a aà bondade
inteligência, inclinando—a
verdade, e a fonua
fonna do existir histórica
histórico da subjetividade tinita,
finita, ou
eu seja, e o seu
tcmar-se consciência histórica. Por
tomar—se ccnsciência ccnseguinte, a partir destas circularidades
Per conseguinte,
dialéticas, que tem como
eomo pano
pane de fundo
fondo a referência ao ser e as mediações do ser,
referencia ac
Absolute e
o Absoluto lingtiisticamente inteligível na sua farma,
s lingiiisticamente ama-
pretteologieamente amá-
forma, e praaeologicamente
vel na sua existência.
As determinações da cntclcgia relacicnal mcstram
ontologia relacional ptoeesso pelo qual o
mostram o processo
ser terna-se aqoilo que, estruturalmente, ele ae: relação.
torna-se aquilo relaçãc. Ü auto-realize como
E! ser se auto—realiza eomo
relaçãc;
relaçâo; ista
isto significa: o que ele &e' imediatamente, terna-se
torna-se uma plenitude mediati-
Relação e direeionamento
sada. Relacãc mesma
direcionamento para o outro e, mediante este, para si mesmo
ccmc intencicnal idade lingtiistica
como o outro de si. Mediante a intencional prasicldgica, a
linguística e prasioldgica,
ccnsciencia
consciência histórica refere-se ac
ao outro e, se
ao referir-se ao
ae outro no campo
eampo da inte-
ligibilidade simbólica, ela chega a si, deseabrindc-se eomo um cards,
descobrindo-se como outds, um area.
tese.
A censciencia
consciência histórica situa a sua relaçãc
relação com
eom o ser no tempo historico,
historieo.
Este ée o seu esistir enquantc entrara. D
enquanto ser de cultura sentida e o uso da palavra Deus
O sentido Decis
mcstram-se
mostram-se as ccnsciencia
consciência histórica na sua relacãc
relação ccm
com o ser no tempo histórico,
histdricc,
ou seja, o sentido e o uso da palavra Bens
eu Deus estan
estão dialeticamente
dialetieamente entrelaçadcs
entrelaçados as
figuraçdes praxiológicas
praxiclógicas e linguísticas da cultura, Na atualidade da relaçãc
relação da
consciência histórica cctn
com o ser no tempo histórica,
histórico, o Existente absoluta
absoluto mani-
festa-se, na sua detenninaçac
determinação defimdoeteuto
definitivamente e de totalidade,
tctaiiddde, como
ccmc uma ipseido-
tpseida-
de. um entes, uma subjetividade originário absoluto, i. e inccndicicnada
artgtndria e at:-sutura, iucondicionada e livre,
termo da relação de transcendência
ttauscendencia da ccnsciencia
consciência histórica
histórica,
Dete: Histerteídee'e e meneªme 45

3. A Açãe intersubjetiva, piasielegiea eu lingtiistiea, medeia e eenheei-


mente de eenteúde da estrutura inteligente e livre, que é a subjetividade finita.
Pede-se saber se aige eu alguem e (en sit), e e que e, eu quem & (said sit), ne
eenteste da experiência intersubjetiva de diseurse, enquante este e a faee mani-
festativa da efetividade de ser.
Os diferentes termes de eenteste humane, desde sempre envelvides pele
herizente eriginarie de sentide, i. e pele ser, sie: a Açãe praaielógiea eu linguís—
tiea mediadera de sentide, e Me, a Seetedede e a História. Fertante, a eensei-
êneia histeriea & um ser-ne-munde e um ser-eem-es-eutres see a regêneia de
tempe histeriee, na atualiaaeãe da sua estrutura enteldgiea que s a de uma infini-
dade inteneienal prasielegiee-linguístiea entrelaçada a uma t'inidade semiótiea
ante-reflexiva, Esta estrutura pessibilita a eenseieneia histeriea perguntar-se pele
sentide da vida e pele sentide de história. A hermenêutica eu Itural destas duas
perguntas vai depender da tematiaaeâe eu de rechaçe tilesefiees da pessibilidade
da eenseieneia histeriea perguntar-se, ulteriermente, pele Sentide ineendieiemafe.
A subjetividade finita pressupõe, ne seu existir histeriee, a universalidade e
a ineendieienalidade de ser na efetividade de diseurse, Ela se põe na aute—
reflertãe, e esta sua autepesiçãe eenfigura-se mediante a transfermaçae de munde
pele trabalhe (peiesis fabrieadera), e pele efetive reeenheeimente intersubjetive
(praxis etiea), A. partir da validade inerente às relações eem e Munde, eem a Se—
eiedade e eem a História a questae de Abselute desenha-se eeme uma validade
adventieia ae amada e ae entre, sende inteneienada linguístiea e prasielegiea-
mente pela eentempieçde. Se es ates humanes da aute-reflesãe, de trabalhe e de
reeenheeimente intersubjetive sae mediades pela linguagem e pela praa-ris, peis e
dentre de universe das signifieaçdes e des uses Iingtiistiees que es humanes se
ante-afirmam; e se e munde ne qual es sujeites esistem histerieamente & e mande
de diseurse, ferma simbeliea per eaeelêneia, entãe e sujeite humane esiste histe-
rieammte, aginde simbóliea e intefsubjetivamente. Ceme já fei viste, a lingua-
gem e a práxis sie as fermas simbólieas que eenfiguram a esistêneia histeriea
eeme um sistema de eultura, ne qual as neeessidades vitais de ser humane sae
suprassumidas, Úra, e sentide e es uses da palavra Deus, por um lade, estãe rela-
eienades a um sistema eultural, e per entre lado levantam a pretensãe da eenfigu-
raçãe de uma simbóliea, eu melher de uma semietiea rnetalegiea, própria da een-
templação e da esperança,
415 Revlite! Permguese de F iieseji'rr

Subjetividade abseluta, Mande, Sneiedade e t r i a

l, Ú sentide e es uses da palavra Deus, per um lade, se manifestam ne


eenteate das perguntas pele sentide da vida e pele sentide da história, mas, per
eutre lade reivindieam a abselutidade da pergunta pele Sentido ineendieienade,
subjaeeate & experiencia de sentide de Mende, da Seeiedade e da História, e da
perguma pele Absolute, presente e ausente ne tempe histeriee. Ú desafie eultural,
heje em dia, e e de deseebrir as eendições da experiência de Sentido ineendieie-
nade, eu seja, de Abselute, nas estruturas inteneienais—semietieas da eenseiêneia
históriea, Ae Ienge deste ensaie, mestreu-se que a subjetividade finita e uma es-
trutura prasielegiea e lingiiistiea aute-refleaiva, que se autemedeia eeme inteli-
gêneia e ventade, seb a regêneia de ate de existir. A eerrelaeãe dialética entre
mãe e liberdade, eu seja, entre verdade e bem, e a tema de existir da subjetivi-
dade finita. Cern eutras palavras, e ser-pme—e—eatre da subjetividade pressupõe a
identidade dialética de ser-em-si e de ser-pmm—si. Ú para-si e e memente da re-
flesividade, eu da identidade ativa da subjetividade eensige mesma. Tede preces-
se humane de manifestaeãe simbóliea, e, pertante, de entendimente intersubjeti-
ve, pressupee uma identidade ante—reflexiva, Ora, a a partir da estrutura praniele—
giea e Iingiiistiea ante-reflexiva da subjetividade finita que se levanta a pergunta
pela _pretensãe de sentide e de validade inerente à eempreensãe da subjetividade
abseluta eeme eme-rejexde abseitrrrr, i, e, identidade entre ser e ante-reflexae, eu
ainda eeme petêneia ativa de ante-refletida e autemediaeãe abselutas. a subjeti-
vidade abseluta e inerente ae Existente abselute, ne qual a diferença retema na
identidade abseluta da inteligêneia e de inteligível, e da liberdade e de amável, de
mede que a inteleeçãe e e amer, eu ainda a teeria e a práxis, se interpenetram na
plenitude infinita de ate de existir.
A ante-refleaãe da subjetividade finita direeiena inteneienaI-semieti-
eamente a presença da eenseieneia histórica ne Mende, na Sociedade e na Histe-
ria, A aute-reflesividade e a eendieãe e prieri da pessibilidade de ebjetivaçãe de
Munde, da Seeiedade e da História pela epesieãe dialetiea entre a subjetividade e
es termes de seu direeienamente inteneienaI—semidtiee. Fertante, e Mande, a
Seeiedade e a História existem para a eenseiêneia histeriea eeme eempreendides
e significades per ela, graças à sua estrutura ante-reflexiva.
A presença ante-reflexiva da eenseiêneia histeriea ne Munde, na Sociedade
e na História eenfere ae agir simbolizante intersubjetive sua forma espeeifiea-
mente humana de manifestada Ú ser-ne-munde e e ser-eem-e-eutre de esistir
temporal humane naspassam e tempo históriee, ja eeme ser simbóliee. Cense—
Deris: Historieiriorie e Transcendência dª?

quenterrrente, a consciência historica esiste no Mundo, na Sociedade e na História


como uma presença auto-reflexiva mediada simbolicamente pela linguagem e
pela praxis Ura, entende-se por linguagem um sistema de signos, com seus signi-
ficados, suas significações e seus usos. Por praxis entende-se o sistema de media-
ções que transpassam o costume o hábito,, um e o outro. A linguagem e a práxis
são,' por escelencia, os atos humanos manifestativos da identidade auto—reflexiva,
graças a qual a forma natural de qualquer pressuposição e integrada no sistema da
cultura. Portanto, enquanto ações humanas, i. e, ações cujo fim & imanente ao
processo, a linguagem e a práxis são eo-estensivas à cuiirrro.
Ú agir simbolizante intersubjetivo & um processo constituido por dois mo-
mentos que se integram reciprocamente. Num primeiro momento, a ação linguís-
tica ou prasiologiea assume aquilo ou aquele que pressupõe no campo da sua
intencionalidade ativa. Ú ser natural pressuposto e negado em si mesmo, recebeu-
do uma significação e um uso, lingiiistieo ou praxiologieo, propriamente huma-
nos. A linguagem e a práxis silo mensreonies, i. e, medeiam a realidade. O hori—
zonte hermenêutico-intersubjetivo, na circular-idade dialética da comunidade lin-
guistica e da comunidade etica, tem a primazia, na argumentação e no entendi-
mento intersubjetivo. Num segundo momento, esta primaria do contesto inter-
subjetivo e negada, abrindo espaço para a negação da negação. A realidade pres-
suposta nega a contingência puramente empirica da ação intersubjetiva, tomando—
se mensurante da mesma. Neste segundo momento, a significação e o uso são
nornrados pelo conteúdo significado. A. suprassnnção desta oposição dialética
entre o agir simbolizante intersnbjetivo e a real idade pressuposta e constitutiva da
prolação da poiovro e de crises Há, pois, uma eireularidade estrutura! entre o
momento comensais! e o momento da correspondência no ato lingiiistieo ou pra-
siologico: a palavra e o ethos medeiarn o ser, e, por sua vez, o ser e o termo refe-
rencial da palavra e do ethos Ú agir simboliaante configura1 pois, na eireularidade
dialética do ato Iingiiistieo e do ato prasiologieo as formas de vida nas quais o
Mundo, a Sociedade e a História mostram-se a consciência histórica.

2, D Mundo e o horizonte imediato que define o contorno situacional da


estrutura intencional-semiótica da subjetividade finita, significado como relaçao
Com outras palavras, o Mundo e o primeiro estágio da abertura infinita da cons-
ciência ao ser. A relação da subjetividade finita com o Mundo desdobra-se no
entrelaçamento da atividade poietica com a contemplação, dando origem ao faser
simbdiico humano, que e a face objetiva do próprio agir simbolico-intersubjetivo.
rªts formas de vida do faser simbolico são: o mito (produto da poiesis fabuladora),
a arte (produto da poiesis estética), a tecnica (produto da poiesis fabricadora) e a
ciência (produto da pÚíESÉE epistêmiea). Ú mito e a arte levantam uma pretensão
43 Revista Portuguesa de Fria.-safra

de validade inerente an heriznnte hermenêutica, eu a raeinnalidade narrativa. A


teeniea e a eiéneia levantam uma pretensan de validade inerente an hnriznnte
epistemnldgiee-eperativn, eu a uma raeinnalidade instrumental, A téeniea, que
utiliza e transt'nrma n Munde , e a eiêneia, que e eapliea e eempreende, simboli-
zam e I'vlunde eemn Natureza. 0 mitn, a arte, a têeniea e a ciência, enquanta dis-
enrsns sabre n Mande, san fnnnas de vida em eujes herizentes inteneienais mani-
festam-se as figuraçães e as figuras inerentes se fazer simbólica de diseursn hu-
mana sabre n lvlundn. Nestas farmas de vida manifestam-se e sentida e as asas da
palavra Deus, Ú eaneeitn de Natureza e n simbnln fundamental da mestraçãe de
Munda mediante a fazer simbólica intersubjetivn da ennsniêneia histórica. Esta
age simbóliea e intersubjetivamente sabre n Mundn mediante a esperieneia, a
teeniea e a ciência. A raeinnalidade teenien-eientíf'iea submete a Natureza as suas
nnrmas ldgien—eperaeinnais, eaprimindn—a em tenrias, leis, mndelns e eeneeitns.
As fnnnas per eaeelêneia de agir simbelizante intersubjetivn san a lingua-
gem e a práxis, eu a palavra e n ethes, Elas tante pressupõem a abertura transeen-
dental des sujeitas dn diseursn humana sabre e Manda a universalidade e a infi-
nidade dn ser quanta referem a Sentide ineendieinnade pressupostn pela esperi-
êneia da Munde eeme prineipin de auta-esnnturaeân dn tada. Ú entendimentn
intersubjetivn sabre n Mundn pressupõe e levanta uma pretensa-a de inteligibili-
dade e de validade inerente an Sentidn ineendieinnadn, que Fundamental, i. e, justi-
flea a ante-reflexa!) e a aute-apresentaçãn nãn eireulares da razãn sema sistema
das determinações da linguagem da esperieneia dn Mande. t] Sentidn inenndiein—
nadn legitima-se a si mesma enmn hnriznnte universal, metedien e imprescindível
de qualquer atinnaçãn de sentidn dn Mundn. A ennfiguraeãn da subjetividade
finita na sua relaçãn an Mundn impliea uma nan reeipreeidade, pois e Mundo e a
Natureza nan respondem às interpelações da linguagem e da práxis humanas, a
não ser pela agir da próprio ser humano,

3. D transpassamentn da relação da eenseieneia histórias anni e mande (=


subjetividade) na relaçae enm as dunas (= intersubjetidade) snbreleva e mundu
natural (= Natureza] nn munde sósia-histerien [= Cultura), fazendu enm que apa-
reça n eampn de validade de efetiva reennheeimentn intersubjetivn, ern eujn heri-
znnte inteneinnal tem lugar a eapnsiçãn genetiea da liberdade, Dra, a validade
inerente ae efetiva reennheeimentn intersubjetivn s ennstituida pela reeiprn-eidade
da simetria das int'midades inteneinnais, Ú efetiva reennheeimente intersubjetivn,
na sua realidade Iingtlistiewprazenlógiea, e n mediam primigenie de existir-enm-
es-nurrns. Ú sentencia da liberdade de um e a liberdade de entre, eu ainda a liber-
dade de um annie-ea quandu enmeça a liberdade da nutrn.
Deus: Historrcfobde e Transcendência 49

A efetividade socio—historica do reconhecimento intersubjetivo & mediada


pela linguagem e pela praxist Com outras palavras, o sentido das formas de vida
que são as portadoras de existir societário e histórico e mediado linguistica e pra-
xiologicamente. As tiguraçd—es e as figuras que realizam as formas de vida da
socialidade e da historicidade humanas são sino! mediador das liberdades. Graças
a linguagem e & praxis, que simbolizam a vontade de entendimento intersubjetivo
para superar os fins particulares e para definir os direitos e os deveres em vista do
bem comum, os humanos superam a validade tecno—científica ou instrumental
inerente a sua relação com o Mundo, e interpretam a exposição socio-historica do
reconhecimento intersubjetivo no horiaonte de validade inerente a liberdade. He-
cessidades postas e interpretadas intersubjetivamente no campo de validade da
liberdade tornam-se necessidades humanas, finalizadas a afirmação, e conse—
quente transcrição semiótica, da dignidade e dos direitos e deveres inerentes aos
humanos enquanto humanos.
As formas de vida sdeio-econõmicx politica e ética sao as interfaces do
existir societário. A vida socio-economica & a forma de vida primigEnia de existir
com os outros. A afirmação, e a sua transcrição semiótica, da dignidade e dos
direitos e deveres inerentes aos humanos enquanto humanos constituem a valida-
de inerente a vida sócio-economica. É no horizonte intencional desta validade que
se desenham as necessidades humanas, economicas efou culturais, e suas respec-
tivas satisfações. Enquanto figuração simbdlico-intersubjetiva do confronto tecno-
instrumental ou virtual-cibernético com a Natureza, o trabalho medeia a associa-
cao real ou virtual dos individuos com vistas a satisfação das suas necessidades
postas no campo de validade e liberdade.
A vida política é a forma de vida que desenha a socialidade humana no
campo intencional da liberdade consensual inerente a vida em comum A livre
aceitação do existir e de agir em comum constitui a validade da vida política,
exprimindo-se simbólico-intersuhjetivarnente na leijasfo. O Direito e a figuração
da equaliaação isonômico das diferenças naturais e culturais dos humanos perante
a universalidade da lei. A validade do Direito fundamenta-se na abertura do por-
tador do desejo antropogênico do reconhecimento ao universal questionamento do
bem e do mal, do justo e do injusto; em resumo, nas razões do dever-ser. Ú [Ili-
reito desvincula o fato antropogênico do poder, inerente à necessidade da associa-
ção e da utilidade dela deconente, do seu exercício em termos de força ou violên-
cia, sobrelevando—o ao campo inteligível da lei justa. Ú Estado a a forma de orga-
nização da sociedade pelo poder exercido no campo de validade da lei justar Ú
Estrada da direita a a expressão simbólica da fundamentação do Estado moderno
sobre uma sociedade de trabalho racionalizado e universaliaado.
Sli Revista Paraguaia de Fdesefia

A vida dried & a ferrna de vida que eentigura a seeialidade humana se!) a
égide da liberdade participante inerente à vida demeera'ttieat A razãe imanente à
liberdade, e realizada na práxis livre, eenstitui a validade da vida Étiea, exprimin-
de-se simheliee-intersubjetivamente na virtude. 0 sistema demeerátiee & a figu-
ração de enlaee entelegiee entre a seeialiaaçãe pelltiea e a seeializaeãe etiea nes
humanest A síntese diale'tiea da semietiea da dignidade e des direites e deveres
humanes eem e Estude demeeratiee manifesta-se eeme Estude demeerdtiee des
direires Memes

. A seeialiaaçãe eeenemiea, pelitiea e étiea, eu seja, a pràsis sdeie-pelltiea, &


mediada pela linguagem e, viee-rversa, a linguagem e mediada pela práxis seeie-
pelitiea. D fate antrepelógiee desta eireularidade dialetiea da mediaçãe de uma
. pela eutra eenstitui e reeenheeimente de entre eeme alter ega numa relaçãe de
efetiva reeipreeidade. |Bem eutras palavras, e efetive reeenheeimente intersubje-
tive mera na palavra e ne ethos, que sãe as interfaees da seeialidade humana,
eeneeitualiaada eeme pmeesse de inelusãe seeial des humanes na validade uni-
versal da dignidade e des direites e deveres humanes. A pergunta pele sentide da
vida e atraída para e eampe de validade da espesiçãe genetiea das suas fermas de
vida: seeie—eeenemiea, pelítiea e étiea. A eenseiêneia histeriea sebreleva as ne-
eessidades eeenemiee-eulturais na liberdade efetiva eu participante, transereven-
de-as na representaeâe histeriea eu diaereniea de tempo.
Graças à estrutura diaerõniea da eenseieneia histórica., que reestrutura a re-
presentaçãe de tempe revestinde—e de uma dignidade medal inerente ae agem eu
ae atual, as fermas de vida seeie—eeendmieai pelitiea e etiea existem ne temp-e
histeriee. D desenvelvimente de esistir seeietárie ne esistir histeriee mestra e
mevimente da eenseiêneia histeriea exterieriaar-se ne próprie ate da sua mais
radieal interierizaçãe. A efetividade de existir seeietarie e histeriee da eenseiên-
eia históriea realiza-se eeme síntese eriginária de interieridade e esterieridade.

4. de se mestrar eeme a imerfaee das perguntas pele Sentide ineendieie—


nede em qualquer esperiêneia de sentide parcial.! e pele Abselute na História.. a
pergunta pele signiiieade e neles uses lingiiistiees da palavra Deus transfere-se da
lúgiea da .imaginaeâe mitefestetiee-peietiea para a lógica de diseurse raeienaL
Esta é uma opçãe teeriea da qual nae se pede Fugir: a fente prineipal da erisçãe
simbóliea & eu a imaginação mitelestetieeepeietiea eu e dise-urse raeienal. Tante
uma erdem, quente a entre artieulam uma abrangeneia eapaz de dar um neve
fundamente às ereneas e uma neva legitimaçãe às nermas.
A sebrelevaçãe de fazer simbóliee ne eampe inteneienal de agir simbóliee.
enquante heriaente de validade da espressãe intersubjetiva da eenseiêneia históri-
Deus: Histerieíden'e e Transcendência 51

ea, realiza a epção tedriea supraeitada de situar e signifieade da palavra Deus na


hnriznnte da ordem das razões, euja validade advém da sua referêneia a um Frin'
eipie erdenader. D signii'ieade da palavra Deus mestra-se nas estruturas lingiiisti—
eas e prasieldgieas de uma matris ternária a saber: um prineipie nrrlenadizir=r um
mndele de nrdem e es elementos erdenades. Sem a referêneia ae Prineipie efde-
nader, a Natureza mestra-se eeme um eaes inabitavel peles humanas, e a Seeie-
dade mergulha numa anemia generalizada,
(i Tede, enquante heriaente eriginárie de sentida, ante-esplieita-se na sua
efetividade a ennseieneia histeriea enme subjetividade abseluta. Ú ennteúdn de—
terminada da subjetividade absnluta & a sua autedetenninaçãe e ante—revelasse,
entendidas eeme auta-realização. Ou seja, é e seu emergir eeme realidade. A
história humana e e preeesse de emergeneia de eenteúde determinada de heri-
snnte nriginarie de sentida na diaernnia de tempn históriee. Cem outras palavras,
a história humana e e dialege dns humanas enm e herisente eriginarie de sentida
ante—esplieitade eeme subjetividade abseluta.
Ú sigait'ieade da subjetividade abseluta, em termes de eenteúdn, emerge
quandu es humanas perenrrem e inteira eampe inteneienal da relação as Tede,
simbolizando—n mediante as estruturas sintáticas, semântieas e pragmatieas de
diseurse raeienal. A enneretidade mainr da subjetividade abseluta efetivada na
história & simbolisada pela eenseiêneia histdriea mediante a reeenheeimente in-
tersubjetive eemn dignidade e direites humanas. 0 Estadn demneratiee dns di-
reitns humanas e a figuraçâe históriea desta universalidade enneleta.
Ú signifieade da palavra Deus, eentude, não é, sem mais, idêntiee ae een-
teude de preeessn de eeneretiaaçãe da história. A palavra Deus signifiea muitn
mais, tem uma riqueza semantiea inenmparavelmente maier de que a simboliza-
çãe de hnrizente nrigina'rin de sentide pela ennseiêneia histdriea na semidtiea da
dignidade e dire-ites humanas, i. e, ae Estade demeeretiee des direitas humanas.
Tudo e qualquer ennteúdn determinada atribuida s subjetividade absoluta & algu
que nae prevem mais da ennseieneia histdriea, mas e a esplieitaçân daquile que
esta subjetividade absoluta é e mestra de si, ante-realiaande-se.

E::periêneia histúriea da transeendêneia e simhdIiea da ardem

L A relaçãn de transcendêneia mnsn'a-se eeme uma neva dimensão da re-


lação des humanas enm a realidade A transpesieãn enneeptual da riqueza semân-
ti:—ea e das uses lingiiistiees da palavra Deus de deminie simbóliee da Natureaa
para e da História indiea a tarefa de se eriar um neve simànfismn da ardem. que
remedele a fnnçãn mediadera de agir simbnliaante intersubjetive da ennseiêneia
51 Revista Purmgacsu de Fíicscjiu

histórica, retranscrevendc c sentida neve ccnferidc pela relacãc de transcendência


na pra'Jtis sêcic-histêrica e na linguagem. '
A dimensãc da transcendência manifesta—se ccmc fundamente da esistên-
cia histórica, era na sua vertente. metafísica, era na sua vertente antrcpclêgica. Hc
primeira casa, a transcendência se transpassa na experiência humana de partici-
puçãu nc Ser cume ruralidade que, ccrnpreendendc c sensivel, vai na entantc
infinitamente alênt dcs seus limites, alcançandc c Principia cu e Jândumsnru
última de San Hc Egundc casa, ela se deixa assimilar na experiência da unre-
Pêjlê'xã'tl' inaudita sabre :: seu lugar cume parte desse turulídmfs incircunscritivel
por qualquer limitacãc alcançável pelc clhar cu pela imaginacãct Rigcrcsamentc
falandc, a relaçâc de transcendência é a relaçãc dcs humancs ccln c Ser, graças à
qual surge nc hcriscnte intencicnal da subjetividade finita a figura dc Ahsciutc,
ac qual ê inerente c predicadc da transcendência A irrupcãc da experiência histó-
rica da transcendência respire prcfundamente cs campus da esperiência humana
da ccnhscimcntc, da açãc e da creme., ccnfcrmandc as suas respectivas ligares
históricas nc seu hcriacnte de sentidc. Cctn canas palavras, c cnnhecer, c agir e
c esperar humancs direcicnarn-se ac Ser, ccnuapcndc-se dialeticamentc ac Nan-
ser. -
Tanta nc dcmínic metafisicc quantu nc dcminic antrcpclêgicc, a relação
de transcendência suprassume dialeticamente a cpcsiçãc entre ÍIII'E'FÍÚFÍÉCHÍE e
exterinríduds. Fcnnalruente, a cpcsicãc entre interim-idade c cstericridade signi-
fica a distinçãc entre a subjetividade finita e a realidade. Materialmente, nesta
cpcsicãc dialética mestra—se a inedutivel alteridade dc Mundc e a irredutível
alteridade da ccmunidade dc esistir-ccrn-c-cutm. A partir da cpcsiçãc dialêtica
entre intericridade e extericridade ncs dcrninics da Natureza e da História, c
transcendente enquantc transcendente explicita—se, pur um Iadc, além da subjeti-
vidade finita, e, por cutrc ladc, imanente aquela que e pensa, pcis dc ccntrarin
seria atraidc para e campo de validade da estericridadc, que rege as relações in-
tra-mundanas e intra-históricas. A questãc decisiva1 pcrtantc, é a de saber se n
Absclntc ê atraidc para a êrbita dc mccimentc sublanar, eu se c pensamentc dc
Absclutc ê atraidc para a órbita de mcvimentc supralunar. Ou, de entre pente de
vista, prdsimc da espcsicêc hegeliana: c Ahsclutc seria radicalmente imanentiaa-
de nas estruturas dc Espiritc Úbjetivc e espcstc simbolicamente ccrnc Estadc?
Em resuma! Ú sentida neve que a relaçãc de transcendência ccnfere a es-
periência da transfmnacãc dc Mundc pelc trabalha e à esperiencia da edificaçac
da Scciedade pelc reccnhecintentc intersuhjetivc, enquantc prchiema metafisicc e
anhcpclêgicc, desenha-se ccnceitualmentc ccmc identidade entre e intericr e c
estericr na diferença entre c iinitc e c infinite. A relaçãc de transcendência impli-
Dens: Historicidade e Transcendência 53

ea, da parte do Absoluto, uma não reciprocidade per escessnni, e uma reciproci-
dade per znnorem

2. A modernidade pda-cristã põe o desafio cultural de explicitar o significa—


de e os usos de palavra Deus mediante a transposição do sentido novo que a rela-
ção de transcendência confere ao agir intersuhjetivo, prasioidgico ou Iingiiistico,
num novo simaoiismo de ordem, Ura, a transposição da relação de transcendência
em domínio semiotico supõe a possibilidade da configuração desta relação entre
os parâmetros que delimitam as figuraçães e as figuras que constituem e espres-
sem uma experiência histórica. A validade arquetipica de algumas das experiênci-
as históricas de participação no Ser assume a forma de paradigma fundamental
desta transposição.
A diferenciação profética da consciência em Islael é inna destas formas pa-
radigmáticas da enperiência histórica da hanscenddncia, A consciência profética
indica um desígnio transcendente que conduz a História para uma plenitude final.
Mediante as figuras da consciência profética, a transcendência mostra-se como
uma Palavra de Revelação. iª. diferenciação nodiica da donscidncid na Grécia
explicita uma outra forma paradigmática da esperiecia histórica da transcendên-
cia. A. consciência nodtica aponta para um arquétipo ideal transcendente. |IL'Iorn
canas palavras, a transcendência mostra-se como idéia
A transposição de um sentido novo conferido às experiências históricas da
diferenciação profética da consciência em Israel e da diferenciação poética da
consciência na Grécia pediu, então, a explicitação da Mediação que articulasse o
finito e o infinito no quadro conceptual antes denominado dialética da interiorida—
de e da exterioridade. Lima tal Mediação e umaforma de vida. Na tradição biblica
efa d a Aiianca; na tradição grega ela é a Fiiosofia. No horizonte de validade da
Palavra revelada, a mediação é um dom que vem ao encontro dos humanos numa
iniciativa de eieiçdo de todo gratuito, por parte do Transcendente, e se manifesta
como Apelo, Promessa e Aiiança. As categorias que descodificarn simbolica-
mente a originalidade diesta mediação, que vem como dom ou graça do Transcen-
dente, são: Criação, F ideiidade divina a Palavra da Revelação e Lei Divina. No
horizonte de validade da Ideia a mediação entre a finitude humana e a infinitude
do Ser e uma inquisição por parte da inteligência finita e se esplicita como espe-
ridncia de participação no Ser. A diferenciação desta experiência do Ser nas di-
mensões da Unidade, Verdade e Bem conso'oi a mediação entre a inteligência
finita e a Idéia infinita e transcendente na forma de uma ciência, que é discurso
sobre o Ser corno Lirio, Verdadeno e Bom. No domínio da Revelação, a mediação
procede do aiio (= naiddasis), ao passo que no domínio da Idéia a mediação se
estabelece pelo esforço de ascensão a partir de caixa (= andbasis).
54 Revista Partagaesa de Filosofia

Finalmente, tanto a tradição biblica quanto a tradição grega elaboraram


conceitualmente a experiência da transcendência segundo modelos que eaprimem
o Princípio, em termos de significado, ou como Absoluta de existência, na conta
Absoluta de essência No primeiro caso, vige o codigo biblico da revelação do
Deus Criador e do Deus que é, que se auto—comunica como Promessa, como Ali-
ança, e como Presença pessoal na História. No segundo caso, vige o codigo da
Incor—ía grega do Princípio pensado segundo a perfeição da Unidade, da Verdade e
do Bem.

3. D Fara do Cristo ê o núcleo semântica de uma terceira forma paradig-


nrêtica de experiência histórica da transcendência e que consiste na Hermsnêaafca
do ran-tpo feita a. lua do Evento Cristo. A Hermenêutica cristã do tempo, por um
lado, retranscreve a tradição biblica da Palavra de Deus, e, por outro lado repensa
profundamente a tradição grega da idêia, A experiência cristã da transcendência
mostra-se como um processo de diferenciação catacrênica ou êar'ror'êgrca aªa
consciência no novo Israel, privilegiando de modo absoluto um segmento limita-
do do tempo histêrico no qual o evento cristico se faz presente, e se estende entre
dois eventos, transeeodentes ã designação fática, mas que dão origem a cortes
decisivas na sequência do tempo historico: a Encarnação e a Ressarrsíça'a.
O paradoxo do Absoluto na História ê o sentido novo conferido pela rela-
ção de transcendência a esperiência cristã do tempo. A estrutura primordial do
pensamento cristão ê o resultado do Iaborioso esforço da fê da comunidade eclesi-
al de retranscrever as categorias do Antigo Testamento no evento cristico e de
repensar a tradição noêtica grega na pauta do cêdigo cristão da diferenciação ca-
tacrênica da consciência. Ú sentido novo manifestado na experiência historico—
cristã da transcendência remodela, progressivamente, o Antigo Testamento e a
Filosofia grega. Esta remodelação cristã faz com que, no caso do codigo biblico, a
mediação entre o finito e o infinito torne-se uma Pessoa historica. i. ê, um Mear-
adar' que ê, ao mesmo tempo, a mediação e o seu fim; e que, no caso do codigo
filosofico, ela atraia a razão para a validade da artsrêncta. Corn outras palavras, a
validade do Absoluto transpassa a contingência de Historia, A tradição profêtica
biblica ê remodelada no codigo filosófico entre os parâmetros do problema da
idêia, e a tradição noêtica grega ê remodelada em termos de existência.
As questões sobre o conhece-r, o aga- e a esperar, formuladas no espaço da
experiência historico-cristã da transcendência, ou seja, no codigo da diferenciação
catacrênica da consciencia, são articuladas numa forma matricial de pensar ine-
rente ao pensamento da proporcionaliaaas ou da analogia entre a identidade de
existência e essência no Absoluto, compativel com a sua autodiferenciaào ad
sara, e a apºiarença entre existência e essência nos seres contingentes no Mundo e
Dsns: Htstoricr'rfnde e Transcendência 55

na História, exigindo a sua heterodiferenciacão ob extra pela ação causa] do Ab-


soluto, Ú conhecimento, a ação e a crença, efetivados no espaço intencional da
experiência historico-crista da transcendência significam a presença paradosal do
Absoluto de existência na História, ou seja, da Identidade absoluta na contingên-
cia da Historia.
Em termos de significado, a linguagem da experiência cristã de Deus, ou a
linguagem do paradoxo cristão, refere o entrelaçamento da mediação que procede
do alto com a mediação detabelecida a partir de baixa. A estrutura primordial da
linguagem do paradoxo c a de uma meto-miomªs, que se estabelece entre o do-
minio da existência e o dominio da essência. O horizonte de sentido da existência
é regido por uma conceitualização logico—concreta, ao passo que o horizonte de
sentido da essência é regido por uma conceitualização logico-abstrata. A relação
meta—analógica articula, no plano do sentido novo conferido pela transcendência
histórico-crista a relação dos humanos com a realidade, a estrutura analógico-
concrcro inerente a contingência da descida do Absoluto a imandncia da Histdlia
com a estrutura analogico-abstrata inerente a subida dialética da inteligência fini-
ta, que abandona a contingência do tempo para se assimilar, pela contemplação, a
Ideia

Conclusão

I. Na perspectiva da historicidade do ser, adotada neste ensaio, o contesto


hcnnenêutico-intersubjetivo medeia o horifconte de sentido da consciência histori-
ca. A linguagem e a práxis constituem o contesto hcrmcnêutico-intersubjctivo do
significado e dos usos da paiavra Deus. Contudo, a propria mediação, ou seja o
proprio contesto levanta uma pretensão de validade. O sentido da mediação, do
ponto de vista da tecnociEncia, e inerente a intrínseca validade da Natureza, e do
ponto de vista da ética e da politica, ele e': inerente a intrínseca validade da Socie-
dade e da Historia. A pra'sis e a linguagem, do ponto de vista do fazer simbólico,
medeiam a necessidade da Natureza e, do ponto de vista do agir simbolico, me-
deiam a liberdade da Sociedade e da História.
A validade do contesto hcnncneutico-intersubjetivo deve-se a presença do
outro a subjetividade finita numa relação não especular. Com efeito, a presença do
outro acontece no interior da auto-reflexão da subjetividade finita, enquanto esta
auto-presenca por um lado é aberta a infinidade do ser, e, por outro lado & origina—
riamentc simbolizante, A presença do outro no para-si da consciência acontwe
como um sentido que ganha um corpo simbólico no para-o-outro prasiologicc-
Iingtllstioo. O outro como presença lingliística ou pmxiológica c uma sintese ori-
ginária de inteúoridade e exterioridade. Com outras palavras, a subjetividade fi-
56 Revista Pornrguesa de F desafio

nita e situada porta no seu núcleo acto—reflexivo o agir simbolizante intersuhjeti-


vo. A subjetividade e intersubjetiva, e a intersuhjetividade e subjetiva
Além disso, a presente reflexão desenhou os interrogativos lançados tanto
pelo sionismo. que integra o ser humano como parte do todo da. Natureza, da Eo-
ciedade e da História, quanto pelo dualismo, que cinde irremediavelmente os pla-
nos da validade e da faticidade. A opção tomada foi a de seguir o ductus especu-
lativo da dialética da unidade originária da identidade da identidade e da diferen-
ça. A partir do pensamento da identidade originária foram confrontadas tanto as
teorias que defendem_a unidade originária da autoconsciência, quanto as teorias
que defendem a coerdenaçãú nominalista da pluralidade das representações do eu.
Este confronto realizou-se no terreno da compreensão da práxis e da linguagem
como mediações constituidoras do sentido. Tratou-se de mostrar quem as filosofi-
as da consciência e o empirismo nominalista interditaram, ou simplesmente de
gritem ahdicaram: o Ser. As modernas filosofias da prãzis e filosofias da lingua-
gem, enquanto não se dispuserem a expor a ontologia da práxis e a ontologia da
linguagem, não superarão o dualismo entre felicidade e validade que as apequena.

2. A consciência histórica pergunta-se pelo sentido da vida e pelo sentido


da história, i, e, pergunta-se pelo sentido da sua presença ao Mundo, a ªnciedade
e ã História, porque e desde sempre envolvida pelo horizonte omnincludente de
sentido, que é o próprio ser. A persistência da palavra Deus na comunidade hu«
mana, em termos de significado e de uso linguístico, levanta uma pretensão de
sentido. Ela desperta os humanos para a pergunta ulterior por um sentido novo e
incondicionado que se manifesta na relação dos humanos com a realidade 0 agir
simbolizante intersubjetivo e a instituição primigenia mediante a qual a realidade
manifesta-se na sua validade e na qual se põe a pergunta pelo Sentido incondicio-
nado. A linguagem e a prãzis referem o lncondicionado pressuposto em cada
pretensão de sentido. A própria enunciação linguistica do nada, ou do absurdo,
levanta a pretensão de que se possa entender o que significa a nulidade ou a ab-
surdidade. A alternativa a esta exigência de sentido é ou o silêncio que caracteriza
as formas de vida vegetais, ou a contradição performativa,
A virada prazioldgica e a virada lingãística marcam decididamente a rela-
ção dos humanos com a realidade. Na esteira desta dupla reviravolta, os conceitos
de experiência e de razão foram profundamente transformados. Ura, se por um
lado a esperiãncia e sempre uma atividade da razão, que efetua a compenetração
das presenças, por outro lado, a razão não se identifica sem mais com as várias
formas de racionalidade. A diferença da prodigiosa multiplicidade das Formas
amais de racionalidade, a razão caracteriza-se pela sua abertura a universalidade
do ser, pela sua auto—reflexividade e pela sua unidade analógica. A persistência da
Deus: H Esterisidade e Transcendênetn 57

palavra [Eus ne universe semidtiee humana apenta para a eaperiêneia dn Sentido


últime e ineendieienadu subjaeente em qualquer experieneia de sentide, eu ainda,
indies e direeienamente da raeãe finita para e Abselute. A universalidade afinna-
da na eampe inteneienal da ea'perieneia de Absolute, eu seja? de Sentidn incendi-
eienade, nãe é a de uma universalidade abstrata, mas a aquela que, pela sua ine-
rêneie an Prineipin ardenader, tante institui a unidade de pmpereienalidade, eu
analegia, ne âmbite de diseurse raeienal, e, portante, ne plane das razões de ser
da práxis e da linguagem, quantu remodela prefundamente e reeenheeimente
intersuhjetive, espriminde-e enme semidtiea da dignidade humana., a qual sae
inerentes es direitas e es deveres humanas. Na mndsrnidade pós-erista a dignida-
de humana e :: tdpes privilegiada em que se experimenta a presença de Abselute
na História. Esta presença & analógiea, signifieande ae mesmu temPe a preaimi-
dade e a distâneia de Absulute, relativamente ae ser seeial e histdrien da eensei-
ânsia histdriea.

Lªt significação e e use linguistica da palavra Deus ne ãlnbite da eriginali-


dade da difereneiaçãn eataerõniea eu Itaireldgiea da eenseiêneia, que s própria ae
Evente Cristo, mestra e enlaee da açãe simhelizante praain::rlr'rgiee-Iingttistiea,r que
refere a presença de Ahselute na História, eu seja e Eentide ineendieienade sub-
jaeente a qualquer afirmação de sentide, eern a práxis e a linguagem da fé em
Jesus Blister Na eaperiêneia de paradnae eristãe, n eenteúde e e use da palavra
Deus manifestam-se na enenrnneãe, euje sentida plene se manifesta na ressanvei-
eda. A presença de Ahselute partieulariaada na eentingêneia da existencia histe—
riea determinada, i. &, identitieada, de Jesus Crista fas sem que e Sentide ineen-
dieienadn nan apenas se manifeste atraves da dignidade humana e da sua espres-
sâ-n, mas identifique-se earn ela, eu partieularize-se ahselutamente nela. Deus
sempre meter!

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Samaria
Este artigo analisa e aignit'tcade e e nae da palavra Dana ne camente cultural da medemith-
tie pec-crina Trata-se de emanar a experiência de Abaelute na História. eu de Sentile incendicin-
trade a partir da prai-Lia e da linguagem humana. Esta experiàtcia città subjacente nas expel'iincia de
Mende, da Seciedade e da Hiateria. Mac e ceu aentide última advém & cenacicncia histórica cerne
um neve.-n na nelaçãe dec humnnea cem a realidade.
Humana-em: Daia, Ahaelute, Serltitle iMiciertttde, linguagem, práxis, Mende, Seci-
ecladc. Histeria.

Abatmct
Thin artiele malafaia the aignitiennce and the eae ef the were End. in the cultural centeat et'
the pest-christian medemity. it is the questien ef chewing the experience af the Ahaelute in histary,
er et“ the uncenditiencd Sense departing irem the human praaia an.—d language. Thia experience ia
anhjacent te the enperiencea at“ the 1'.inierle, Secicty ane Histery, but ita aenae cemea te the hiaterical
eenacience as a nenem in the relatienailip ef the tunnana with reality.
Karn-arda: t'j-etl, uncenclitienetl Sauce language. ataxia, “fªdª,. Eeciety, Histery.

MRCELÚ E DE AQUING
ualalnea - cau— leepelde - na” Breail