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Turma restabelece justa causa de vigilante que


descumpriu norma de segurança durante assalto
a banco
O vigilante teria permitido que bandidos armados entrassem pela
porta giratória da agência
A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho considerou válida a dispensa por justa causa aplicada
pela Tecnoguarda Vigilância e Transporte de Valores Ltda., de Cuiabá (MT), a um vigilante que teria
permitido que bandidos passassem pela porta giratória em assalto ocorrido na Sicoob - Sistema de
Cooperativas de Crédito do Brasil, em abril de 2016. Por unanimidade, os ministros entenderam que
houve descuido grave do empregado, que descumpriu as normas de segurança da empresa.

De acordo com a Tecnoguarda, o vigilante desobedeceu à ordem de somente liberar suspeitos barrados na
porta giratória se autorizado pelo gerente geral da agência. O empregado, por sua vez, negou a existência
dessa determinação e disse que procedeu da melhor forma possível ao liberar a entrada de um homem que
disse ser cliente e ter pinos de metais na perna, “inclusive mostrando cicatrizes”. Com a liberação, o
homem invadiu a agência portando uma arma e, juntamente com um comparsa que já estava no banco,
rendeu funcionários e clientes e fugiu levando R$ 20 mil dos caixas.

Ludibriado

O vigilante considerou injusta a demissão e ajuizou reclamação trabalhista na 5ª Vara do Trabalho de


Cuiabá pedindo a reversão da pena e o pagamento de todas as verbas rescisórias a que teria direito no
caso de dispensa imotivada. Segundo a sua versão, apesar de ter tomado todos os cuidados, “foi
ludibriado pelo assaltante”. Ele pediu ainda a condenação da cooperativa e da empresa ao pagamento de
indenização por danos morais por ter sido acusado de facilitar o roubo e por ter tido sua integridade física
posta em risco no momento do assalto.

O juízo de primeiro grau concluiu que não houve ato de desídia por parte do empregado e reverteu a justa
causa. Segundo a sentença, havia uma relação de confiança entre o gerente e o vigilante que lhe conferia
autonomia para decidir sobre a liberação de pessoas barradas na porta giratória. O juízo lembrou ainda
que o gerente não estava na agência no momento do assalto e que, segundo testemunhas, o vigilante
exigiu do suspeito que deixasse os objetos metálicos. “Ele foi nitidamente enganado pela ação do
assaltante”, registrou a sentença.

Decisão própria

No recurso ordinário ao Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (MT), a empresa disse que o fato
não é grave apenas pelo roubo em si, mas também porque o vigilante colocou em risco a vida de terceiros
e a sua própria. A Tecnoguarda lembrou ainda que, um dia antes do assalto, outra agência havia sido
assaltada do mesmo jeito e que, coincidentemente, nesse dia o trabalhador havia recebido treinamento;
mas, “mesmo assim, por decisão própria, permitiu a entrada do marginal”.

O TRT negou o recurso por entender que não houve prova “robusta, clara e convincente” da culpa do
empregado para quebrar a confiança nele depositada pelo empregador.

A Tecnoguarda, então, interpôs recurso de revista ao TST insistindo na tese de que o vigilante cometeu
falha gravíssima por absoluta falta de atenção e agiu em desacordo com o treinamento recebido, “de
forma incompatível com a atividade de vigilância, ao permitir que marginais armados adentrassem o
interior da agência bancária”.

Para a relatora, ministra Dora Maria da Costa, ficou comprovado que o vigilante conhecia todos os
procedimentos relativos à atividade e também teve conhecimento dos assaltos ocorridos na área. “No
entanto, deixou de acionar o gerente da agência ou seu substituto a fim de obter autorização para a
liberação da porta giratória”, observou. A conduta, a seu ver, foi grave o suficiente para justificar a
dispensa.

Por unanimidade, a Turma deu provimento ao recurso da empresa para declarar a validade da justa causa
aplicada e julgar improcedente a reclamação trabalhista.

(RR/CF)

Processo: RR-710-82.2016.5.23.0005

O TST possui oito Turmas julgadoras, cada uma composta por três ministros, com a atribuição de analisar
recursos de revista, agravos, agravos de instrumento, agravos regimentais e recursos ordinários em ação
cautelar. Das decisões das Turmas, a parte ainda pode, em alguns casos, recorrer à Subseção I
Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1).
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