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Lição nº 17

Sumário: Valores fundamentais do Direito.

Segundo o Professor Freitas do Amaral (2004), O Direito surge assim como «O sistema
de regras de conduta social, obrigatórias para todos os membros de uma certa comunidade, a
fim de garantir no seu seio a Justiça, a segurança, os direitos humanos, sob ameaça de sanções
estabelecidas para quem violar tais regras.

Esse sistema, tem a pretensão de salvaguardar valores essências a vida em sociedade.


Valores como:

 A Justiça;
 A equidade;
 E a Segurança;

Justiça.

Propõe ao Estado uma ordem de convivência justa e equilibrada. Tal como referiu
Aristóteles, a Justiça «é uma ideia de proporção, de equilíbrio e de hábito, é uma tendência de
comportamento permanente, de dar a cada um o que é seu, não no sentido subjectivo, mas
sim dentro de uma realidade objectiva, ou seja, do indivíduo dentro da sociedade».

A equidade.

A equidade garante que ao promover a Justiça tem de ser levado em conta as


desigualdades sociais, que demandam um tratamento diferenciado ou situações que sejam
desiguais, dentro o que é legalmente aceitável. A sua aplicação fica dependente ao que vem
disposto nas normas, levando em conta a moral social vigente, o regime político do Estado e os
princípios gerais do Direito. A equidade em síntese, completa o que a justiça não alcança,
fazendo com que as aplicações das leis não se tornem muito rígidas onde poderia prejudicar
alguns casos específicos onde a lei não alcança.

Segurança.

É um dos valores fundamentais do Direito que embora tendo menor projeção tem igual
importância, está diretamente relacionada com a necessidade prática, a utilidade e a urgência
da vida, fazendo-se representar em três dimensões distintas:

*Segurança como certeza jurídica:

· Princípio do Caso julgado.

Os conflitos gerados pela vida em sociedade são hoje, na sua esmagadora maioria, discutidos
perante órgãos de soberania (tribunais), que apos ponderados julgamento proferem decisão.
Quando o conflito reveste grande importância-ou porque seja elevado o valor pecuniário ou
pela elevada natureza dos valores sociais em jogo- a ordem jurídica admite que a decisão
venha a ser apreciada por outro tribunal (superior) através da interposição de recurso
ordinário. Todavia a certeza do direito impõem que, a partir de certa altura, a decisão se torne
indiscutível. À decisão judicial insuscetível de ser modificada por interposição de recurso
ordinário dá-se o nome de “caso julgado”

Introdução ao Estudo do Direito


Marcelo Rebelo Sousa
Sofia Galvão
· Princípio da legalidade.

A Administração Pública existe para prosseguir o interesse público: o interesse público é o seu
norte, o seu guia, o seu fim. Mas a Administração não pode prosseguir o interesse público de
qualquer maneira, e muito menos de maneira arbitrária: tem de faze-lo com observância de
um certo número de princípios e regras. Designadamente, e em especial, a Administração
Pública tem de prosseguir o interesse público em obediência à lei e no respeito pelos
particulares. Isto consiste basicamente numa “proibição”: a proibição de a Administração
Pública lesar os direitos ou os interesses dos particulares, salvo com base na lei.

Principio da não retroatividade da lei.

Este princípio parte da localização dos factos no tempo e procura harmonizar no horizonte de
um verdadeiro Estado de Direito, a confiança dos sujeitos na continuidade das suas relações
jurídicas e estabilidade das mesmas (que aponta para dar relevância à Lei Antiga, por ser a que
estes conheceram no momento da constituição da relação jurídica), e o interesse público, que
muitas vezes reclama verdadeiras retro conexões entre factos jurídicos (que aponta a
relevância da Lei Nova porque esta lei é a que regula todos os factos que tendo ocorrido após
a sua entrada em vigor se encontram retro conectados com os factos passados e não tenham
natureza constitutiva (da obrigação de restituir a prestação recebida, na sequência da
declaração de resolução de um contrato).

*Segurança como Paz Social:

Está relacionada com a função pacificadora do Direito que se estende às relações


internacionais, no sentido de cada Estado não interferir nos assuntos internos dos outros e
respeitar o princípio da independência nacional, autodeterminação dos povos.

Introdução ao Estudo do Direito


Marcelo Rebelo Sousa
Sofia Galvão
Lição nº18

Tema: III – As normas jurídicas.

Sumário: A norma jurídica e ordem jurídica.

A norma jurídica é a célula do ordenamento jurídico (corpo sistematizado de regras de


conduta, caracterizadas pela coercitividade e imperatividade). É um imperativo de conduta,
que coage os sujeitos a se comportarem da forma por ela esperada e desejada.
A compreensão da norma jurídica somente é possível a partir da noção de ordenamento
jurídico, isto porque a eficácia da norma e a institucionalização da sanção dependem da pré-
existência de um ordenamento jurídico.
Não existe nenhuma norma juridicamente válida sem a existência de um ordenamento jurídico
correspondente, apesar de ser possível a discussão acerca da possibilidade da norma jurídica
ser ou não ser justa ou eficaz independente da sua validade.
Estrutura da norma jurídica.
As normas jurídicas estruturam-se de acordo com os seguintes elementos:
 Previsão: A norma jurídica fixa padrões de conduta que regulam cituações, casos
concretos da vida, que se espera que venham a acontecer. (previsíveis).
 Estatuição: Elas impõe necessariamente uma conduta a adoptar quando se verifique,
no caso concreto a previsão da norma.
 Sanção: A norma jurídica dispõe dos meios de coação que fazem parte do sistema
jurídico para impor o cumprimento dos seus comandos.
EX.: Qualquer pessoa que voluntariamente matar outro (previsão), será punido (estatuição)
com uma pena de prisão maior de 18 a 20 anos (sanção). Art.392º código penal.

Tarefa
1- Analise a seguinte norma, tendo como base o estudado a respeito da norma
jurídica: “Qualquer pessoa que, voluntariamente matar outra, será punida com
prisão maior de dezasseis a vinte anos”.
2- Faça um resumo sobre a matéria das fontes e envia no WhatsApp do professor até
ao dia 10 de março. O resumo tem de contar pelo menos uma página completa.

Introdução ao Estudo do Direito


Marcelo Rebelo Sousa
Sofia Galvão

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