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Proposição (Canto I)

Divide-se em duas partes:


 1ª parte: 1ª e 2ª estrofes – assunto do poema
 2ª parte: 3ª estrofe – propósito do poeta e do poema

 Identifica a tarefa que o Poeta se propõe realizar.


- A tarefa que o Poeta se propõe realizar é cantar os grandes
Portugueses: os navegadores que chegaram até ao Oriente, os Reis que
espalharam o Cristianismo e alargaram o Império Português e os que se
imortalizaram pela sua coragem.

 Indica de que depende a concretização dessa tarefa.


- O Poeta só conseguirá concretizar essa tarefa se possuir o talento
(“engenho”, v. 8, est. 2) e a habilidade (“arte”, v. 8, est. 2) para tal.

 Explicita o sentido dos versos: “E aqueles que por obras


valerosas/Se vão da lei da Morte libertando” (est. 2, vv. 13-14).
- Com estes versos, o Poeta refere-se a todos os portugueses que
realizaram obras “valerosas” (corajosas) e que devido à bravura e
valentia que demonstraram nesses feitos, se imortalizaram na História
de Portugal.

 Nomeia o herói d’Os Lusíadas, transcrevendo a expressão que o


indica.
- O herói da obra “Os Lusíadas” é um herói coletivo – o povo português
-, como se comprova pela expressão “peito ilustre Lusitano” (est. 23, v.
5).
 Associa os motivos que levaram os Portugueses a serem cantados
com o espírito humanista da obra.
- Este impulso dos Portugueses de ultrapassarem os limites até aí
impostos ao Homem relaciona-se diretamento com o espírito humanista
de valorização do Homem dos seus feitos. Assim, os Portugueses, com
o seu valor e ânimo, “A quem Neptuno e Marte obedeceram”,
triunfaram na navegação e nos seus feitos militares, chegando à
condição de mito.

 Refere o efeito que o poeta deseja obter com a sua obra (est. 3).
- O poeta pretende que sejam esquecidos os grandes nomes da
Antiguidade, nomeadamente Ulisses, Eneias, Alexandre Magno e
Trajano, pois estes foram ultrapassados pelos valorosos Portugueses, a
quem até os deuses obeceram, anunciando que a sua fama transcenderá
a dos heróis cantados pelas epopeias antigas.

Recursos expressivos:
 “Ocidental praia Lusitana” – Sinédoque
 “Mais do que prometia a força humana” – Hipérbole
 “A Fé, o Império” – Enumeração
 “Cessem do sábio Grego e do Troiano” – Antonomásia
 “tudo o que a Musa antiga canta” – Metonímia

Estilo épico d’Os Lusíadas


Numa epopeia, o narrador pronuncia-se num estilo elevado/solene.
Tal verifica-se ao nível:
 Do léxico, predominado o vocabulário clássico;
 Da estrutura frásica, em que se verifica a influência da sintaxe
latina (hipérbatos);
 Dos recursos expressivos utilizados;
 Das alusões mitológicas, oriundas da cultura greco-latina.
Invocação e Dedicatória (Canto I)

Na Invocação, o Poeta dirige-se a entidades mitológicas, as ninfas do


Tejo/Tágides, pedindo-lhes inspiração poética para encontrar um estilo
grandioso, adequado à celebração dos Portugueses; o poeta aspira, pois, a
que Os Lusíadas estejam à altura do valor do povo Português.
Camões opõe, metaforicamente, dois estilos de poesia, um mais
simples e humilde (“agreste avena”), outro mais elevado (“tuba canora e
belicosa”).
Na Dedicatória, o poeta dirige-se ao rei D. Sebastião, a quem
dedicará o seu poema épico. Camões caracteriza o rei através de duas
apóstrofes, pretendendo com elas acentuar o facto de D. Sebastião ser a
garantia da independência de Portugal e da difusão do Cristianismo. Depois
de elogiar o monarca, o Poeta pede-lhe que atente na sua epopeia, já que
nela poderá ver os feitos gloriosos do povo Português.
Camões utiliza a sinédoque na expressão “Maura lança” para
designar todo o exército de Mouros.