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LISBOA, 17 de Abril de 1913

çmanafío <j||r>ai€|ui§ta
IVRB
Publica-se ás 5.as feiras Editor: JAIME DE CASTRO
0 Diretor: PINTO QUARTIM

ti. 10-1.' IPropriedacle do grupo editor da


TERRA LIVRE
Redação e administração
fina, dasGaveas, i55, 1.°
Comp. e imp. nas OFICINAS GRÁFICAS
R. do Poço dos Negros, 81

junho, para que se proceda á O presidente do Patronato


Perante o afio do gomo ut faz a opizatão proletária? colheita de donativos que vá de
certa maneira minorar a infeli-
dr. Vidal y Ribas, cujo filho é
cortesão no Paço, celebrou o
cidade de nossos companheiros. feito em sessão estraordinaria,
Quando nos quedamos a custou, que tanta enerjia nos Chamemos todos os militan- começando: «Eis,senhores,uma
olhar a forma como vai cor- consumiu? tes ao cumprimento dos seus alma resgatada pelos nossos
rendo a publica governação, Não, não pôde ser, não de- compromissos e vejamos com médicos.» Daí a alcunha dos
uma nuvem, negra nos tolda a ve ser! Isso seria o mais tortu- quem poderemos contar de fu-
vista, terríveis são as previzões rante e dolorozo dos aniquila- turo.
que fazemos sobre o futuro. mentos, o mais cobarde e ab- O momento é único. Ou se
Jamais nos últimos trinta anos jeto dos suicídios. demonstra que ha realmente
se atravessou, neste paiz, um # uma organização operaria que
período de tamanho arbítrio, Estão detidos no Limoeiro, tal nome merece e se impõe,
de tanto despotismo. sete trabalhadores rurais, que ou se prova que temos menti-
Suprimem-se jornais, encer- são ao mesmo tempo outros do descaradamente.
ram-se associações legalmente tantos propagadores da idéia Duma maneira ou outra, seja
constituídas, prendem-se indiví- sindicalista, alguns deles tendo qual for o rezultado, tem a C.
duos contra tudo o que está na sua folha de serviços à cauza E. do C. S. o imprescindível
estatuído e ninguém se ergue a organização duma vintena de dever de dar imediatamente o
a protestar. sindicatos, todos sem que haja sinal da luta, sob pena de desa-
Lançam-se impostos pezadis- uma razão atendivel a justificar parecer como elemento nocivo
simos, reduz-se á impotência, a sua prizão, e assistimos iner- e improdutivo.
pela fome, a multidão e ninguém mes, na mais censurável das CJPCSX^C*^^
se revolta. apatias, sem um Ímpeto de có-
E, no entanto, uma força ezis- lera, sem um desforço altivo, O dr. Queraitó
te, em Portugal, que podia mu- ao seu esmagamento?
0 caso Queraitó
dar a face das couzas, desviar o Pois hão-de os operários sin- médicos daquela instituição em
curso dos acontecimentos, se dicalistas da cidade deixar a or- Já aqui nos ocupámos deste Barcelona: «os resgatadores de
tivesse a consciência da sua ganização rural, eles que dela ruidoso caso, narrando como almas do Patronato.»
missão, a noção ezata do seu foram o amparo e guia nos seus e porquê o ilustre medico e Também o governador] de
poder. primeiros passos, a debater-se publicista espanhol dr. Queraitó Barcelona na ocasião, Osório
Relerimo-nos á organização numa luta titanica, izoladamen- recolheu, em duas condenações y Oallardo, louvou a façanha
definitivas, um total de 9 anos do dr. Fuster, considerando-a
operaria. te, assistindo como meros es- como um símbolo e como um
Nunca a massa proletária pétadores? e 4 meses de desterro de Bar-
acorreu tanto aos sindicatos Se tal se desse era a supre- celona e uma multa de 4.500 ezemplo a seguir!
como atualmente, e nunca tam- ma das vergonhas, o mais evi- pesetas, além das custas dos Contra a selvajaria da ope-
bém os militantes sindicalistas dente atestado do nosso medo. processos. ração e contra a admiração por
se mostraram mais indolentes, Era a morte moral, a manifesta Repitamos a história edifi- ela provocada nos médicos cle-
mais despreocupados, menos ezautoração. cante. Certo dr. Fuster, mé- ricais — mais clericais do que
conscios do seu papel,que nes- dico do Patronato da luta médicos — insurjiu-se o dr.
A Federação Rural faz a pa- Queraitó, que é uma celebri-
te momento. ralização geral do trabalho, nos contra a tuberculose na Cata-
Aparte a nunca desmentida campos, no dia 2 de junho. lunha, descobriu, tatuada num dade cientifica universal, mem-
dedicação dessa meia dúzia de braço dum doente, a inscrição: bro de várias academias nacio-
Pois bem. E' necessário que nais e estranjeiras, presidente
rapazes que constituem o gru- todos acompanhemos esse mo- «Viva a anarquia!"
po editor do Sindicalista; a im- vimento. Como o doente era um pobre de instituições e de congressos,
perturbável enerjia dos fraga- diabo, de mais a mais enfra- autor de obras numerosas e
Urje que a C. E. do C. S. se valiosas, sendo bem conhecidos
teiros do porto de Lisboa; a penitencie dos seus descuidos e quecido pela tuberculose, o
atividade e persistência dos ru- desleixos, convocando imedia- clerical esculápio levou-o a nos meios avançados os seus
rais, que resta de tudo isso a tamente uma reunião magna aceitar a ablação do herético e belos estudos sobre o «aspèto
que chamámos a organização dos organismos operários e subversivo pedaço de carne, social" da luta contra a tuber-
operaria? ali se delineie a ação imediata a sem anestesia geral nem local, culose.
Pouco mais que um zero. encetar para' que se ezecute a para espiação do pecado e Ainda atualmente está em
Uma massa incontável de paralização do trabalho em 2 de bem da salvação eterna!... vias de publicação, nos «Do-
arrejimentados, imóvel porque cuments du Progrès», o seu
lhe não insuflam alma, sem Balanço social da tuberculose.
consciência porque não lh'a re- O nobre e fundamentado
velam, meia dúzia de capacida- protesto deste homem de ciên-
des e enerjias dispersas, a es- cia e de coração valeu-lhe dois
bracejar no vácuo, esgotando-se processos, movidos, não pelo
inutilmente, eis o que fica. inquisidor (operador, não) dr.
Uma inércia criminoza ata- Fuster, mas pelos médicos cle-
ca uns; uma profunda crize ricais ! E sobre a decisão dos
moral abafa outros, todos con- tribunais pesou sem duvida a
tribuindo poderosamente para vontade da corte, onde o filho
o desmantelamento do trabalho do dr. Vidal y Ribas tem larga
que ha dots anos tão auspicio- influência.
zamente se vinha levantando. E' o que a gente oficial da
E assistimos assim, de bra- Espanha pretende agora ocul-
ços cruzados, com um gesto de tar, porque o rei precisa de
desdém ou um sorrizo tranqüi- fazer um'a viajem política a
lo nos lábios, ao dezabar da- Paris, e em França o caso
quilo que tanto sacrifício nos Uma manifestação em Barcelona pró Queraitó Queraitó causou grande indi-

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gnação. Demais, nem os fran- cho veiu a um dos corredores fumar riedade. Nele se discutiram
ceses, nem os espanhóis, nem
os homens livres de todo o
o seu cigarro.
Ora nós, repudiando, em absoluto, questões de primacial interesse
para a família trabalhadora. To-
Revista dos jornais
a masculinisação da mulher, entende-
mundo se esqueceram do caso mos, todavia, que os supracitados me- dos o reconhecem, incluindo os Administração local
Ferrer, deMontjuich ede todas ninos foram duma estrema grosseria próprios politicos.O proletaria-
as repressões sangrentas e fe- para com a escentrica jornalista. Tem Discreteando na Luta, acerca da
ela a liberdade de se vestir como en- do dos campos começa desper- discussão parlamentar do Código
rozes da Espanha inquisitorial. tender e quizer. E, mal por mal, anVs tando. Unido aos seus irmãos da Administrativo, o sr. João de Mene-
A monarquia espanhola acumu- uma mulher vestida de homem do que cidade, aos escravos da oficina, zes, ex-anarquista e ex-ministro, da
lou sobre si demasiados ódios um homem vestido de mulher, como, dia virá, em breve, em que ele sua pena doutíssima faz cair estes
e já ninguém acredita em co- talvez, desejariam vestir alguns dos dizeres :
referidos meninos... se imporá a esta iníqua socie-
médias liberais. A prova está dade, proclamando uma nova «Defendemos nós a idéia de, nos
no novo atentado de Madrid. Leituras nefastas era de liberdade e de justiça municípios mais import?ntes, um ter-
A prova está ainda na vasta para todos. ço da vereação ser constituído pelos
repercussão do caso Queraltó. O Congresso abriu no sábado delegados das classes. Em alguns paí-
Ha quem considere nociva a im- ses assim sucede e, de resto, essa
Na Espanha e no estranjeiro, prensa libertaria do país, apontando-a 5 do corrente cerca da uma orientação é hoje defendida por todos
sobretudo na Béljica e na como perturbadora dos espíritos... hora da tarde, na sede da Fede- quantos reconhecem a necessidade da
França, multiplicaram-se os porque os educa e orienta para unia ração, presidindo Jesuíno Ma- representação sindical. Se ha quem a
nova ordem de coisas; todavia, não queira nos parlamentos, desde o re-
protestos, nos quais se solida- tem, ao mesmo tempo, uma única pa- deira, secretariado por F. Quar-
rizaram associações médicas e lavra de censura para publicações tel e Francisco Martins. Encon- publicano francês Deschanel, ao so-
cialista belga Vandervelde e ao libe-
associações populares, ligas como, por ezemplo, a Noticia Ilus- travam-se representadas 69 asso- ral russo Kalaiewsky, mais lojico e
dos direitos do homem e sin- trada. Esta folha é, sob todos os as- ciações. Entrando-se na ordem mais natural se nos afigura deseja-la
petos, tudo quanto ha de mais repu-
dicatos operários. Barcelona gnante e de maior pernicioso para o dos trabalhos, formada a co- nas municipalidades.
distinguiu-se pela grandeza das espirito dos que, pela sua ignorância, missão verificadora de manda- Assim se daria, de certo modo, mais
coesão ás classes, agrupando os inte-
suas manifestações. teem o mau gosto de a ler. Só do tos pelos companheiros: Dimas resses econômicos. Para aqueles que
Não: a Espanha monárquica crime se ocupa e, assim, fácil é de cal- da Silva, F. Vicente dAlmeida dizem ser a representação das classes
calcuhr a sua imoralissima influencia
e clerical não tem emenda. na mentalidade do povo, com o por- e F. Pereira, lido o discurso de uma representação de egoismos — o
menorisado e colorido relato de tristes abertura pelo rural João Fer- que não prova que a representação da
misérias sociais. massa inorgânica do eleitorado geral
nando Frade e depois de terem seja uma representação... do altruís-
Mas não só perverte como, por ve-
Fados e comentários zes, trapaceia indecorosamente. No seu
ultimo numero, ocupando-se do jul-
usado da palavra diversos ora-
dores, foi apresentado e apro-
mo — devia constituir suficiente ga-
rantia o saberem que os representan-
vado o regulamento do Con- tes das classes, constituiriam apenas
gamento do que ela chama a trajica um terço da vereação.»
D governo ria rolha quadrilha de Bonnot e Garnier, afirma gresso e resolvido enviar a Cór-
que a sua justiceira condenação foi re- dova, ao congresso espanhol, Os quais dizeres devem ser paren-
Com razão se está chamando ao go- cebida com absoluto aplauso pelo pu-
verno do sr. Afonso Costa o governo blico. Ora a verdade é que, apenas dois delegados da Federação, tes procimos dos usados pelo sr. José
da rolha. a sentença foi publicada, um grande Ferreira Quartel e Joaquim Can- de Magalhães na preconisação do «ra-
Ha um jornal que fala demais? E' dicalismo sindical», moderada fanta-
movimento de reação se manifestou dieira. sia que temos idéia de haver conheci-
suspenso e apreendido. Rolha ! em França. O povo, afastado já da
Ha um funcionário que faz confe- venenosa influencia das folhas nacio-
Nas sessões seguintes, que do em Oliveira Martins e João Franco,
rências, dizendo verdades alarmantes? nalistas e patrióticas, começa a duvi- também decorreram muito ani- dado que, repelindo com enerjia a
Imediatamente demitido. Rolha! dar da culpabilidade dos acusados, madas, foi lida e aprovada a reclamação «a função aos funcioná-
Os sindicatos agrícolas querem pro- merecendo-llie alguns deles absoluta rios», se confina em uma pacatíssima
tese da organização e admi- intervenção dos agrupamentos profis-
testar contra o aumento de contribui- simpatia. A própria imprensa bur-
ções? Ameaçados com Penitenciária e gueza reflete, em largos artigos, esse
nistração em que se reconhece sionais nos trabalhos lejislativos. Mas
degredo. Rolha! estado de opinião. Mas a Noticia, sem que é urjente interessar na vi- nem por o serem, se nos afiguram me-
Os funcionários públicos pretendem o menor escrúpulo, — coisa que, pelo da sindical a mulher, discuti- nos dignos de atenção. E' que trazem
pensar e falar como quizerem ? Lei do visto, desconhece por completo, — diz em si um desvio das forças sindicalis-
dos o parecer sobre a tabela tas e ainda não nos esqueceu aquela
garrote no lombo. Rolha! que a justiceira sentença foi bem rece-
Por este andar, ainda vem aparecer bida. E sente-se satisfeita com a men-
de salários e horários, projeto tentativa patusca da criação de um
algum imposto para quem não quizer tira. Bemaventurados os pobres de es- da lei do fomento e a tese partido sindical... da caça ás cadei-
andar... rolhado. pirto porque a eles pertence o reino apresentada pela Federação so- ras de vereadores e deputados ! *
— Tatassas! estará a esclamar al- dos burros e a vista grossa dos gover- bre greve geral e seu objetivo.
gum dos nossos leitores supondo que nantes. O horário do trabalho
somos nós que dizemos estas coisas. Sobre este importante assunto
Pois achata! que quem o diz é um jor- falaram mais de trinta congres- Parece que tem estado em discussão
nal republicano de Leiria, O Radical, sistas, sendo a greve votada e no parlamento um projeto de lei do
de que é diretor um republicano e de- O despertar dos escravos deputado democrático, sr. Alfredo La-
ficando resolvido, no meio do deira, sobre horas de trabalho diário.
putado, o sr. Ribeiro de Carvalho.
maior entusiasmo, que no dia Discute esse projeto no «Socialista» o
"0 Sindicalista,, 2 de junho seja paralisado o sr. Pedro Muralha, que resume as suas

Segundo informa a imprensa bur-


0 congresso dos trabalha- trabalho durante 24 horas, co-
mo protesto contra a injusta
considerações nesta frase rápida: é de-
masiadamente pifio; não presta para
nada. E tudo assim estaria dito sobre
gueza, a policia, por ordem superior,
não deixou circular o ultimo numero
do Sindicalista.
dores rurais de Évora prisão de vários trabalhadores
do campo.
similhante manifestação da atividade
parlamentar, se o sr. Muralha não ge-
A abrir a sessão de domingo neralisasse a sua opinião nestes elo-
Sobre este assunto, lemos na Repu- qüentes termos:
blica, de 13: resolve declarar a, a professora Lucinda Tavares
«A policia judiciária recebeu ontem gfreve gferal no dia £5 efetuou uma conferência, sob o «Então, quando por todo o paiz, a
ordem superior para não deixar circu- de junho como pro-
lar O Sindicalista, ficando, por esse tema «qual em seu entender não ser em varias fabricas do norte,
motivo, guardada a casa da máquina testo contra a prisão deve ser o papel educativo a se trabalha já 9 horas e que os operá-
cie vários trabalhado- rios aspiram a trabalhar 8, é que osr.
donde aquele semanário sái. desempenhar pelos sindicatos». Ladeira se lembra de legalisar o horá-
Pelo visto, a fita prossegue...» res do campo. O estudante de medicina Afon- rio em 10 horas?
Nada mais podemos dizer sobre o
caso, por falta de informações dos so Manaças igualmente reali- «Dez horas de trabalho para certas
nossos camaradas daquele jornal. Revestiu estraordinario bri- zou uma palestra, sobre o au- industrias e entre elas apropria cons-
lhantismo o Congresso dos trução civil, constitue uma desuma-
cílio mútuo entre os animais, nidade que o próprio sr. Ladeira re-
Um atentado Trabalhadores rurais em Évora. estudando-o na espécie huma- pudiaria se se visse forçado a ter que
Procurou a autoridade, por na durante os seus três períodos: voltar para a oficina.
No pretérito domingo, quando o rei diversas vezes, interromper a selvajismo,barbarismo e civiliza- «Por certo que o projeto não pas-
de Espanha regressava de qualquer bôa ordem dos seus trabalhos. sará, mas se o parlamento consentisse
cerimonia militar, um indivíduo dispa- ção. Depois de se encerrar a tal calamidade, as classes que o depu-
rou três tiros sobre êle Sua católica ma- Nada conseguiu, porém. Os 5.a sessão, Sobral de Campos tado democrático julga favorecer, não
jestade, dizem os arames, ficou ilezo. nossos camaradas souberam e Edmundo de Oliveira também lhe agradeceriam, visto ele prejudicar
Decididamente, os tempos vão pou- responder dignamente ás suas realizaram conferências. muitos milhares de pessoas.
co propícios para os reis. provocações, comportando-se «Somos pelo dia normal de 8 horas.
.. .Para os reis e seus equivalentes. Depois da primeira sessão e Mas essa melhoria ha de ser reivindi-
com a mais absoluta serenida- antes da segunda, tiveram os cada conscientemente pelos operários,
Os meninos da «alta» de. Deve o governo ter com- congressistas um jantar servi- e não concedida por u.n parlamento.
preendido que os que traba- do por uma cozinha comunis- «A regulamentação de horas de tra-
Ha dias, apareceu no teatro Re- lham se encontram firmemente ta. balho, deve ser reivindicada pelos pró-
publica uma mulher franceza, corres- dispostos a curar dos seus in- prios operários. Melhorias nas condi-
pondente no Brazil de varias folhas ções de trabalho, não se dão nem re-
norte-americanas, vestindo smoking teresses, pondo de parte, e de cebem, conquistam-se, mercê da união
e colete branco como ura homem. Pois vez, todas as panaceias políti- AVISO e da disciplina das classes trabalhado-
foi o bastante para que certos meninos cas. Os tempos mudam—e os ras.»
da «alta» a perseguissem com as chu- homens também. A nossa administração encontra-se
fas mais indecorosas, chegando a apal- aberta todos os dias úteis das 19 horas Assim mesmo. Dir-se-ia estarmos a
pa-la e a dar-lhe piparotes no chapéu Este Congresso foi uma bela ás 22 e aos domingos das 14 ás 16 ho- ler alguma negregada folha sindicalis-
quando num dos intervalos o marima- manifestação de força e solida- ras. ta ou anarquista!

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entre a assistência, até então campos, sobretudo naqueles em cargo de reunir informações e relató-
A criança de mama tão impaciente. que á avareza do camponez se rios locais para servir aos grupos, aos
oradores, etc. Esse secretario é Plattin,
Toda a gente perde a cabeça junta o pudor hipócrita deri- de Bristol.
por Michel Petit e remexe tudo, muitas pessoas vado da educação clerical. As- A' noite, realizou-se um concorrido
fazem e desfazem a mesma coi- sim vê-se muito frecuentemente comício de propayanda anarquista.
(Continuação) Na segunda-feira, de manhã, discu-
sa, e ninguém fica disponível em certas populações prolíficas tiu-se a propaganda escrita — pelo li-
O nascimento para outros cuidados urjentes ; os partos serem seguidos a bre- vro, pelo folheto i pelo jornal. Em
o pratico tem então que se ser- ve trecho da morte das crian- 1904, a saída foi de 300 livros e de
A criança que nasce deve, an- vir a si mesmo, ir buscar os ças, e quando o não são da 4.000 folhetos; em 1910, de 1.100 e
objetos necessários sem pedir morte nas mães, quasi sempre 15.000 respetivamente; em 1912, dis-
tes de mais nada, ser protejida tribuiram-se já 200.000 (duzentos mil)
contra o frio. E' necessário sua- nada a ninguém, edesempenhar sobrevem nestas um grande nu- ezemplares de opusculos!
vizar-lhe a transição entre a sozinho a tarefa para cuja eze- mero de enfermidades. Quando Quanto ao semana^o O Anarquista,
temperatura constante'e elevada cução se convidou muitas ve- se pensa em que uma simples de Olasgow, não pôde sustentar-se por
zes uma meia dúzia de pessoas. analise de urinas, feita no de- causa das fortes despesas e um pouco
(37 a 38.°) do corpo materno, também por causa do título, que assus-
e a temperatura variável e sem- Daqui resultam grandes riscos curso da gravidez, denuncia a tava os ajentes de jornais e os com-
pre mais baixa do meio este- para a parturiente. causa mais frecuente de aborto pradores... Resolveu-se fundar, ape-
rior. Aquecei pois o quarto, de O pratico não lhe deve tocar e de eclampsia, e que basta um nas reunidos os elementos necessários,
senão com as mãos limpas, rejimem apropriado para evitar um novo semanário de propaganda
forma que no momento do par- popular para o substituir: A Voz do
to a temperatura seja de 20 a isto é, se fôr obrigado a pegar seguramente estes graves aci- Trabalho. Freedom mantem-se como
22.° preparai muitas botijas de num qualquer objeto usual, a dentes, forçoso é indignarmo- revista.
água fervente que empregareis, tocar, levemente que seja nas nos contra a indiferença de tal A' tarde, tratou-se ainda do sema-
roupas da cama, deverá proce- gente, que apesar de todas as nário e do modo de coordenar a obra
no ultimo momento, e que são dos vários grupos. Decidiu-se a edição
destinadas, umas ao leito da der a uma nova lavajem anti- advertências, se espõe a catás- mensal de um folheto, com tirajem de
criança outras ao leito da mãe, cética das mãos, ezatamente na trofes que tão facilmente po- 5 mil ezemplares, adotando-se o sis-
que também esta tem muito ocasião, em que muitas vezes, deriam evitar (1). tema das cotizações a devolver em
não há um único instante a per- O que nem sempre depende opusculos, iniciado pelo grupo de Les
frio desde que as dores cessam; Temps Nouveaux e agora tentado en-
tende uma banheira de crian- der. Se despreza esta precau- da mãe é o poder repousar tre nós pela Brochura Social. O con-
ça ou qualquer outro recipien- ção, a parturiente fica esposta durante o ultimo mez da gra- gresso ocupou-se por fim das Escolas
te, no qual possais mergulhar a uma infeção que pode gene- videz. dominicais Ferrer, falando então o ca-
ralizar-se e tornar-se rapidamen- Todos os práticos teem po- marada espanhol Lourenço Portet so-
o recém-nascido, até ao pesco- bre a atividade da Escola Moderna.
ço, em água previamente fervi- te mortal. dido constatar as condições des- O prócimo congresso será em New-
da e levada á temperatura de A própria criança, por falta favoráveis, em que para fazer castle on-Tyne, por ocasião da páscoa
35 a 36.°; e, durante este ba- dos cuidados imediatos necessá- face ao doloroso trabalho do de 1914.
nho, que se deve seguir ime- rios, pode resfriar e sucumbir. parto, se encontra a mulher
diatamente ao nascimento, fric- Para evitar estes graves peri- proletária esgotada por uma
cionai suavemente todo o cor- gos, basta apenas pedir para
um parto a assistência de duas
tarefa penosa, prolongada até Crônica internacional
po da criança para o desemba- ao ultimo momento.
raçar de grande parte das ma- pesso ts, o mais esperimentadas Por outro lado investigações NOS ESTADOS UNIDOS
térias gordas que lhe cobrem a possível e sobretudo capazes de precisas teem mostrado a im-
pele. Não vos demoreis, porem, conservar o sangue frio e de portância desse repouso para acabam de se reaÜ7ar as idéias de
numa lavajem meticulosa im- seguir escrupulosamente as in- a criança, que então nasce mais Leão Blum, que preconiza, num livro,
dicações do pratico. gorda e mais resistente. as esperiencias amorosas como condi-
possível de ezecutar duma só ção essencial da união duradoira.
vez e sobretudo, apoz esse ba- As avós que não podem ja- Ora as salariadas encontram- Segundo o tribunal supremo de
nho de cerca duns dez minutos, mais realizar tais condições, se ainda privadas deste meio de Nova York, o casamento de ensaio,
não deixeis a criança nua es- devem ser implacavelmente es- diminuir os perigos da mater- nesse Estado da União, pode conside-
posta ao ar durante todo o tem- cluidas da assistência imediata nidade e de criar filhos vigo- rar-se como instituição legal para as
raparigas menores de 18 anos. Antes
po que fôr preciso para lhe ves- ao parto, no qual, quasi sempre rosos. dessa idade, com efeito, não há ainda
tir as camisinhas, os coletinhos sem escèção, desempenham o Contudo, os patrões apres- a fiscidez sentimental, um critério se-
e outras peças de vestuário di- mais funesto papel. sam-se a rodear de todas as guro de escolha, uma suficiente espe-
E' necessário também sim- precauções as suas mulheres, riencia da vida.
fíceis de passar por baixo dos Mas para que reduzir a leis o que
seus pequenos braços. Logo plificar a tarefa, desembaraçan- quando estas consentem em já está nos costumes? o que já é admi-
que o recém-nascido tenha sido do o quarto de todos os mo- lhes dar herdeiros. tido pela moral e pela opinião?
limpo com toalhas quentes, en- veis que não sejam estritamen- Os salariados devem pois Foi primeiro o divórcio, e é agora
volvei-o num pano quente, de te indispensáveis, o que dará também ezijir tal regalia. —entre os anglo-sacsões, famosos en-
tretanto pela sua ridícula e ezajerada
linho fino e depois num pano marjem á instalação duma ca- pudibundice — o casamento de ensaio
de lã espessa e deitai-o no seu ma de ferro estreita e dura que (i) Segundo a opinião unânime dos mé- para as menores. Porque não admitir
leito munido de botijas de água abreviará, tornando-as mais úteis dicos, o aborto comporta infinitamente e praticar então a união livre, prepa-
as dores da paciente e permitirá rada e acompanhada por uma neces-
quente. mais perigos imediatos ou consecutivos do
sária, honesta e franca educação se-
Mais tarde, poder-se-á pro- ao pratico dar-lhe mais segura- que o parto. scual e pela moralíssima coeducação
ceder sem inconvenientes ao mente todos os cuidados ne- dos seesos?
seu completo vestuário. Por cessários e deixará vazia a cama Para lá se caminha.
agora a criança, bem quente habitual para a qual se fará
de nada mais precisa, ao passo transportar a parturiente depois Movimento libertário — O conhecido militante sindica-
ista Guilherme Haywood, dos «Tra-
que a mãe reclama pelo con- de ter sido medicada, lavada e balhadores Industriais do Mundo», foi
trario muitos cudados. de haver mudado de roupa. INGLATERRA condenado, em Paterson, a seis meses
O momento do parto é um Tais são as principais pre- de prisão. A sua culpa? Ter marchado
Congresso anarquista.— á testa dum milhar de grevistas mani-
momento terrível, como o sa- cauções a tomar, para reduzir festantes, que percorreu a cidade num
o mais possível os riscos que Nos dias 23 e 24 de março, reuniu-
bem todos aqueles que a ele se em Liverpool o segundo congresso domingo l Esta sentença foi sem dúvi-
têm assistido. E' em vão que correm a mãe e a criança, no anarquista inglês, ao qual assistiram da ditada aos juizes pelos grandes ba-
o pratico (medico ou parteira) momento do parto. Tenho ape- mais de 69 camaradas de 17 cidades, rões da indústria da seda, furiosos
mandando os de outras seis cartas a es- com a greve dos seus operários. Qual-
cuida, durante o período de nas considerado o caso dum quer pretesto servia. Os patriotas
parto normal de termo; qual- plicar a impossibilidade de enviar de-
espera, de que tudo esteja pre- legados. norte-americanos chamam à sua pátria
parado; se a espera se prolon- quer caso anormal ezije os cui- No domingo, 23, de manhã, discu- free country — o país livre...
ga, ezalta muitas vezes a assis- dados apropriados dum mé- tiu-se sobre propaganda geral e le-
tência, que não compreende que dico. ram-se os relatórios dos vários distri- NA ITÁLIA
Não é no ultimo momento, tos. Os progressos do anarquismo na
não se trata somente de pôr Inglaterra teem sido maravilhosos nos ganha rapidamente terreno a idéia de
fim imediato aos sofrimentos . no momento em que os aciden- últimos tempos, especificando-se entre fazer uma greve geral, ao dar-se o
da doente, mas de mais alguma tes se produzem, que esses cui- os mineiros do distrito de Swansea e primeiro morticínio de trabalhadores
coisa. E' em vão que os papeis dados são mais eficazes; é an- do sul do País de Oales em geral. por obra dos carabineiros. Nas orga-
tes do parto, no decurso da A' tarde, tratou-se de organização nizações operárias lavra grande indi-
são distribuídos com antecedên- anarquista: grupos, federação de gru- gnação pela fiecuencia desses factos.
cia, que tal pessoa fica encarre- gravidez, que se deveria sem- pos, pormenores relativos à sua ati- A Câmara do Trabalho de Prato
gada de prestar cuidados á pre fazer proceder a um ezame vidade. Discutiu-se sobre métodos de aderiu a esse projeto de greve geral.
criança, outra de preparar o ba- que permitiria prever os aci- organização e assentou-se em promo- Na Apúlia várias organizações toma-
dentes e muitas vezes preveni- ver, em cada localidade, a fundação de ram a mesma decisão. Em Módena
nho e as botijas, etc. Inevitavel- ao menos um grupo, pequeno embora. reina grande irritação e proclama-se
mente na ocasião em que o prati- los. Esta precaução nem sempre Decidiu-se espor num folheto os prin- altamente que é preciso responder
co tiver necessidade de aucilio, é tomada nas cidades, e quasi cípios assentes e escolheu-se um «se- enerjicamente às violências da autori-
não encontrará ninguém útil nunca, por assim dizer, o é nos cretario da propaganda>, com o en- dade.

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Terra Livre
interessante e utilissima Biblioteca de REVISTAS
Educação Moderna com um novo volume zem estes ouvulos são diversos
— o 12.0 — Sindicalismo e Greve Geral, Lumen — N.° 19, 50 réis. havendo uns melhores do
devido á pena de José Prat e de Aristi- Escelente, como os anteriores, o ultimo que os outros. Hoje indico
Inaugurando hoje esta secção, cumpre- des Briand e esmeradamente traduzido pe-
nos desde já afirmar que, na apreciação
numero da Lumen. só uma formula que é muito
los srs. Ribeiro de Carvalho e Boto Ma- O sumario é o seguinte: Antes de es-
das obras ofertadas d Terra Livre, usare- chado. propriar é necessário ter quê, por César
boa e absolutamente inofensiva.
mos sempre da macima independência Tanto Prat como Briand — que, diga-se Porto; Sobre o Individualismo, por Ma- Quem quizer servir-se dela não
de critica, —coisa que, nos tempos aluais de passajem, tão vergonhosamente esque- nuel Devaldés; Esplicação da Morte, tem mais a fazer que dirijir-se
e muito principalmente nesta malfadada ceu o seu passado de revolucionário e de
terra portu-gueza, tão menospresada anda
(versos) por*Araújo Pereira; Sindicatos e a uma farmácia e mandar aviar
ajitador do proletariado, acomodando-se, Sindicalismo, opiniões de Neno Vasco,
por aqueles que se arvoram em julgado- como um bom burguez, a todas as ignomí- a receita seguinte:
Jorje Couünho, Emilio Costa, João Branco,
res dos méritos alheios. nias do poder — teem, neste livro, pajinas etc.; Pontos da historia: O manifesto do
Em Portugal, como acertadamente o escelentes. Destacaremos, por ezemplo, Cloridrato de quinina 0,50 gr.
partido comunista. Alianza de Ia Democra-
constatou já um dos mais ilustres escri- aquelas em que tratam da impotência do cia Socialista; Os livros e as revistas.
Ácido citrico 0,30 «
tores da nova geração, não eziste critica, socialismo reformista e dos pensadores bur- « timico 0,30 »
na verdadeira acèção do termo. Oscila-se, guezes que fazem a apolojia da violência.
vergonhosamente, entre o elojio macimo
Les Petits Bonshommes — Glicerina solidificada 50,00 «
Quinzenario ilustrado para crianças.
e a mais crua das depreciações. Se o autor A Bomba Esplosiwa, por José F. s. a. 10 óvulos vajinais.
é amigo do critico, este cumula-o de adje- Os jornais para crianças fornecem exce-
Maria Nunes. —- 106 paj., 300 réis.
tivos glorificadores, apresentando-o ao lente e atraente leitura aos pequenos estu- Cuidado com as intrujices
Muito interessante este volume, que o dantesduma língua estranjeira.
publico como um talento autentico, uma autor sub-intitulou de Depoimentos de di-
Ora o quinzenario ilustrado Les Petits
dos farmacêuticos e com o pre-
futura celebridade nas letras do pais. A versos revolucionários (28 de Janeiro de ço que eles ezijam por esta re-
obra pode ser detestável, sob todos os as- Bonshommes, não somente está nessas con-
1908 a 5 de outubro de 1910.)
petos. Não importa. 0 critico não se de- E' luxuosamente impresso e insere ma-
dições, mas tem ainda para nós a vantajem ceita; nunca se deverá pagar
tém por tão pouco. Pois que rubrica gníficas gravuras, — retratos de republica-
de estar isento de preconceitos relijiosos e mais de 400 reis.
patrioteiros e de ser relijido por militantes
um amigo, todos os elojios lhe parecem nos e diversos modelos de bombas esplo-
operários. Recomendamo-lo vivamente aos
Um outro meio pratico de
insuficientes fará a impor ao apreço dos sivas. evitar a gravidez consiste no
ledores. Se se trata, porém, de um des- camaradas que tenham filhos a estudar
conhecido, ou de alguém que o inco-
FOLHETOS francês. emprego de pequenas esponjas
moda no seu vidcirismo de plumitivo, Sindicalismo e Parlamen- A assinatura anual é de 5 francos e a de segurança.
adota a inversa 0 seu trabalho ne- tarismo, por Pedro Kropotkine. — correspondência deve ser dirijida a Guy
A esponja empregada deve
nhuma importância merece. E' mal feito 8 paj., 10 réis. Touirette — 96, Quai Jemmapes — Paris
e, como tal, digno de servir para embru- Neste curto folheto de oito pajinas, (X*-.) ser macia e fina e aprocima-
lho nas tendas, se se trata dum livro, editado pelos Novos Horizontes, mais uma damente do tamanho de uma
ou da mais sonora das paleadas, se se vez nos diz, perante os factos, o sábio nóz grande.
anarquista russo que a emancipação dos
trata d'uma peça. E' isto, desgraçada- Quem não queira comprar as
mente, a critica literária no nosso pais.
A Terra Livre, como lhe cumpre, usará,
trabalhadores deve ser obra dos próprios
trabalhadores e que o meio social em que
essa libertação se ha de realizar deve ser
10-MLTliSIAlSMO que, para este fim, se encontram
á venda nalgumas farmácias,
neste como em todo* os pontos, de pro-
cessos inteiramente diversos dos adotados também um meio dos mesmos trabalhado- IV pode adquirir qualquer espon-
pela imprensa burgueza. Aros seus louvo- res.
ja que seja fina e macia, cortá-
res como nas suas censuras, não olhará Pátria e Humanidade, por Processos anti-concècionais : la depois em bolinhas do ta-
a amigos nem a inimigos. Será sempre Domela Nieuwenhuis. — 8 paj., 10 réis. Os óvulos fundentes; as es-
imparcial, será sempre justa. Outro folheto editado pelos Novos Ho-
manho indicado e atar-lhe 1,5
ponjas de segurança decimetro de fitilho de seda.
rizontes.
LIVROS São oito pajinas cheias de verdades, em A mesma esponja pode ser-
Como prometi nos artigos an-
Da porta da Europa,^Neno que o simpático pensador holandez, uma
teriores vou hoje tratar de indi- vir muitas vezes mas deve ter-se
Vasco — Neno Vasco, pelos seus vastos das mais belas figuras do anarquismo inter- sempre o cuidado de a lavar e
conhecimentos, pela justeza do seu critério, nacional, conclui por afirmar que o patrio- car alguns dos artifícios a que
pela sua integridade de caráter, de ha tismo, ao contrario do que paia aí se diz, se deve recorrer para evitar os de a desinfetar de cada vez
muito que se impoz á nossa amisade e con- é altamente nocivo á humanidade e que,
filhos. Posteriormente farei a que ela serve, molhando-a e es-
sideração de camaradas, de companheiros cultivando pelos governos na escola e na
justificação mais completa des- premendo-a algumas vezes em
do mesmo sonho e de soldados do mesmo imprensa, conduz á guerra e aos conflitos água de sublimado.
combate. Um gesto o define. Podendo ser entre os povos. ta pratica anti-concècional.
alguém, segundo o acanhado critério bur- Um assunto desta natureza Na ocasião de a colocar bom
guez, desprezou a carta de bacharel e num Sindicalistas e Anarquis- não pode ser tratado num jor- será que a mulher a imbeba
belo dia, ei-lo de abalada até ás terras de tas, — 20 paj., 20 réis. em água borica ou água de vi-
Santa Cruz a compartilhar, como bom ir- E' um folheto editado pela Federação nal como o nosso com os por-
Nacional dos trabalhadores rurais de Évora menores, com as minudencias nagre fraco, espremendo-a em
mão, dos sofrimentos e das lutas de todos
os que trabalham. O que ele fez e conse- e constituído por diversos artigos de Ma- necessárias, visto haver entre seguida, mas não muito.
guiu por lá, em prol da sua idéia querida, nuel Ribeiro, Han Ryner, Henrique Mala-
os leitores grande numero de Qualquer dos dois processos
— que é a nossa — sabem-no, mais ou me- testa e Neno Vasco, reproduzidos de 0 Sin-
criaturas preconceituosas a que de que aqui falei é falivel. As
nos, bastantes dos que nos lêem. Dotado dicalista, da Terra Livre, à'A Aurora e drogas ás vezes não são de
de um belo cérebro e de uma pouco vulgar da Sementeira. não achamos conveniente ferir efeito completo e a esponja
atividade, Neno Vasco foi, durante os an- Não querendo, de nenhum modo, des- bem possíveis suscetibilidades.
nos que se conservou no Erazil, um dos valorisar o trabalho destes camaradas, acha-
Reservo, por estas razões, para nunca absorve todos os esper-
que mais apaixonada e proficuamente tra- mos, comtudo, que a Federação mais acer-
publicar brevemente em folhe- ma tozoides.
balhou na defeza e na educação do prole- tadamente teria gasto o seu dinheiro, Mas mesmo assim há muito
tariado d'aquela rejião. empregando-o, por ezemplo, na publicação to toda a pormenorisação es- quem consiga evitar os filhps
A atesta-lo, por ezemplo, aí estão as do esplendido folheto de Reclus, Ao meu plicativa dos diversos proces-
coleções do Amigo do Povo, Aurora e irmão o eamponez ou de qualquer outro
sos anti-concècionais. de qualquer destas duas ma-
Terra Livre, de S. Paulo, folhas por ele folheto no gênero, de egual simplicidade neiras. Pode porém, tirar-se re-
dirijidas e sustentadas com o maior dos de linguajem e clareza de esposição. sultados muito mais seguros,
sacrifícios e em que bem alto manteve Desculpem-nos este lijeiro reparo os Os processos propostos para combinando, tanto um como
sempre, pelo seu saber e pela sua coerên- nossos queridos companheiros da Federa- evitar a gravidez são numero- outro destes processos, com o
cia, os nossos ideais. ção, mas, no seu logar, assim teríamos feito.
Altamente valioso é, portanto, como não Tem esta publicação, porém, um fim al-
sos; não me referirei por isso uso das irrigaçõis vajinais.
podia deixar de ser, este volume que ele tamente humanitário: todo o produto li- a todos eles mas simplesmente
quido da sua venda é destinado esclusiva- aos de pratica mais simples e No artigo a seguir falarei
acaba de lançar no mercado Da Porta da
Europa, uma elegante brochura de 288 mente a auciliar os presos por questões so- eficaz. dessas irrigações vajinais e do
pajinas, em que reuniu as magníficas crô- ciais.
Um desses processos de uso emprego dos pessarios.
nicas publicadas na Lanterna, de S. Paulo, Gaspar Santos
na Gtierra Social, do Rio de Janeiro, no Causas da carestia do pão mais corrente consiste no em-
Diário, de Porto Alegre, na Aurora, do em Portugal, por João Batista de prego de óvulos fundentes tam- (estudante de medicina)
Lemos, — 8 paj.
Porto e na Sementeira, de Lisboa. Mo-
Porque é que o pão em Portugal custa
bém chamados cones. Os óvu- ~<it<i^a^s^t^ci^~
desta contribuição de idéias lhe chama los fundentes, sendo de simplis-
Neno Vasco. Perdôe-nos o camarada, mas mais caro que em nenhum outro paiz civi- O Ha quem se arreceie de dizer que
não concordamos. Da Porta da Europa, lisado? Respondendo a esta pergunta, o sissima utilisaçào, não são con- é anarquista pelo facto. Pois preciza-
quer sob o ponto de vista literário, quer autor, depois de um breve mas bem dedu- tudo de confiança absoluta. No mos de afirma-lo para nos deferençar-
zido estudo do assunto, termina por dizer mos dos teóricos, isto é, dos que di-
sob o ponto de vista socialista e libertá-
que para haver pão barato em Portugal ne-
entanto o seu uso oferece van-
rio, é um belo livro. Como ele diz, «deve zendo-se anarquistas são políticos, pa-
interessar os próprios adversários sinceros cessário se torna pôr a moajem em con- tajens indiscutíveis e não de- trioteiros, autoritários, ociosos, liber-
ou pelo menos os espíritos independentes corrência com a panificação. verá ser posto de parte só por- tinos e cuja moral em nada se diferen-
e livres de sectarismo.>
A Cambada, panfleto semanal
que em alguns casos não tem cia da moral burgueza.
Nele são apreciados com justo critério, sido eficaz. Por mim declaro bem alta e desas-
de Francisco Moreno e Vítor Falcão, sombradamente: sou anarquista pelo
alguns dos factos mais salientes da vida — N.05 I e 2, 20 réis. Estes óvulos vendem-se já
politico-social portugueza nestes dois últi- facto. Sim! Procuro, esforço-me por
Francisco Moreno e Vitor Falcão são feitos em muitas farmácias de atuar, proceder como anarquista; po-
mos anos, e tanto bastaria, cremo-lb, para dois moços de sangue na guelra, como
o apresentarmos aos nossos leitores como sói dizer-se. Dai o atrevimento iconoclas-
Lisboa ás caixas quasi sempre harmonizar, tanto quanto a organizar
um livro digno de ser lido por todos os tico da sua proza. Os n.os 1 e 2 que temos de uma dúzia e por preço que ção social m'o permite, as minhas açõer
que se interessam por questões sociais. com as minhas idéias. E os que assim
presentes acusam, na verdade, dois tempe- varia de 200 a 1000 reis. não procedem não são anarquistas em-
Sindicalismo e Greve Ge-
ramentos irrequietos de francos demolido- Quem queira, porem, pode bora assim se declarem por diletan-
res — mas, com absoluta franqueza lh'o
ral, por José Prat e Aristiães Briand. dizemos, nem sempre observam nos seus
mandá-los fazer tendo nisso a tismo, por sport, ou ainda por espe-
— 1S2 paj., 200 réis. vantajem de poder ter maior culação.
ataques a imparcialidade devida. Ao acaso, Pelos atos mais do que pelas pala-,
A Livraria Internacional, da Calçada do citaremos a critica das Segundas Nupcias, confiança neles. vras se conhecem os partidários da
Sacramento, 44, acaba de enriquecer a sua ha pouco representadas no Nacional... Os preparados de que se fa- Anarquia. — Pinto Quartim.

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Não podem ter duração as li- E agora, minha amiga, vou que a noção das coisas reais
Cartas a uma torpeza gações? E' isto que me diz? deixal-a... Ali na frente, está desaparece, em que nada mais
Pois engana-se, minha ami- uma grande cidade, formosís- eziste em nós do que a sensa-
V ga. Nesta absoluta liberdade sima. Vê? Ali encontrará mui- ção do momento.
se encontra a maior garantia ta coisa bela e muita novidade Os que teem vivido no meio
Disse-lhe eu, lembra-se ? que da estabilidade do casamento. interessante para o seu espiri- da natureza sabem-no perfeita-
o casamento como lá é feito é E' o que aqui se verifica. E to. Veja os homens, observe-os, mente : quando na primavera a
uma imoralidade e das maio- mesmo lá, sem que as bases fale com eles, peça-lhes infor- seiva sobe aos ramos, quando
res. E lembra-se também, não econômicas sejam estas e sem mações. Mundos novos se ras- os efluvios da vida brotam de
é verdade? dos motivos que que a educação permita, como garão na sua frente... todos os lados — da terra, do
dei do meu pensar, das razões aqui, uma plena liberdade, E veja bem o caminho que sol, dos bosques e das plantas
que fui apresentando a justifi- nós podemos verificar isto mes- troussemos. Tome pontos de — o desejo também corre sob
car aquilo que dizia. E per- mo. Olhe: é vulgar — eu co- referencia. Isto para o caso — a epiderme, e torna os peitos
guntou-me, então, a minha ami- nheço vários casos lá sucedi- a meu ver pouco provável — febricitantes.
ga, como é que se fazia, aqui, dos— um homem e uma mu- de querer voltar para traz... E pelas pesadas noites de ve-
o casamento. lher viverem bem, numa rela- rão, noites quentes e perfuma-
tiva felicidade ernquanto livre- Sobral de Campos.
Pois vou dizer-lho. Para não das, quem negará que a neces-
ter surpresas e abranjer com- mente unidos. Depois, em ge- sidade do desejo é mais inten-
pletamente tudo o que vou es- ral por influencia da mulher, JMadeleine Vei-not sa? O amante que numa des-
plicar-lhe, deve ter sempre pre- casam; legalizam, a situação sas noites se encontre só, al-
zente o que já ficou sabendo para ganharem o acolhimento guma coisa sabe a tal respeito;
nesta nossa digressão, as coi-
sas que foi vendo com os-seus
olhos e aquilo que ouviu da
duma sociedade até então re-
traída, duma sociedade igno-
rante, cheia de preconceitos e de
0 AMOR LIVRE ele vos dirá quanto então a sua
solidão o faz sofrer.
Ora, se ezistem assim dias e
minha boca e das pessoas com mentira. Casaram e estragaram horas em que a sensualidade
quem temos conversado. Lem- o bem que possuíam, mata- Disse, ao principio, que se se encontra por tal forma ezas-
brará portanto, agora mesmo, ram a felicidade. E' que a idéia não devia confundir o amor perada, nada ha de estraordi-
que aqui tudo é de todos. Todos de que estão unidos por uma com o casamento. Pois bem, nario em que «a carne seja fra-
trabalham, segundo as suas apti- obrigação, por um contrato es- antes de abandonar o terreno ca.»
dões e as suas forças, para o bem crito, a idéia de que ficarão fisiolójico, irei mesmo mais lon- Basta para isso que o acaso
comum; todos recebem desta unidos sempre (se não ha di- je, e direi que se não deve con- cúmplice ponha em face um do
sociedade para que trabalham vorcio) ou de que para se se- fundir o amor com o desejo. outro dois indivíduos de secsos
aquilo que necessitam. Sendo pararem terão que regular mil O amor é a comunhão com- diferentes.
assim, não ha interesses sórdi- coisas e seguir formulas varias pleta de dois cérebros, de dois Mas isso não é o amor; é
dos a juntar, e não pode o ca- legais, (se ha já a transijencia corações, de duas sensuahda- simplesmente o desejo. Desejo
samento revestir esse imoral do divorcio) tudo isto, minha des. O desejo, não é mais do que algumas vezes reveste to-
aspéto que tanta vez tá reves- amiga, produz estragos vários que o capricho de duas epider- das as aparências do amor:
te, como sabe. Lembrará tam- nos corações e começa a ele- mes que um mesmo frêmito de mas que deixa os dois amantes
bém aquilo que ainda ha pou- var, entre os dois, um muro voluptuosidade reúne. Nada é perfeitamente estranhos um ao
co verificámos : que a mulher que as mais das vezes é depois mais passajeiro e instável do outro, tal qual o faminto que
tem uma educação — como a impossível destruir. Pelo con- que o desejo; nenhum de nós após ter saciado a fome, aban-
de homem — tendente a fazer trario, a idéia de que, sem pra- lhe escapa. Se todas as mulhe- dona a mesa sem desgosto.
dela um ser com as faculda- xes, sem obrigações legais, sem res quizessem ser verdadeira- Que não se vá concluir, po-
des sentimentais desenvolvidas, complicações, sem a interven- mente francas comsigo próprias, rém, que eu condeno o desejo,
com o cérebro enriquecido pe- ção de ninguém, podem em confessariam que lhes tem su- Porque o havia eu de o conde-
los conhecimentos científicos qualquer altura separar-se e cedido algumas vezes darem-se nar, se acabo de demonstrar
— que ela conquistou por si seguir cada um o seu caminho, virtualmente a um homem que
leva-os a uma maior aprocima- que ele está naturalmente liga-
mais do que lhe foi ensinado — não viram senão durante algu- do á nossa vida secsual? O
e com uma vontade forb bem çào, a que cada um deles faça mas horas — durante mesmo
valer todos os dias aos olhos que quero apenas é estabelecer
determinada. A mulher não é um curto instante — e de quem nitidamente a diferença entre o
aqui propriedade de ninguém. do outro, naturalmente, as suas elas ignoravam os sentimentos desejo e o amor.
A mulher é, como o homem, um qualidades morais, a sua inte- e até o nome. Bastará a pres- (Continua).
ser livre. Acrescentará a isto que lijencia, o seu amor. E aqui são da mão, a troca de um
nesta sociedade, e ezatamente tem os motivos porque as olhar, mesmo a emissão da
uniões que aqui se realizam voz, para que o desejo nasça,
por estes dois motivos — pelas
bases econômicas que ela tem teem quasi sempre uma grande e, quer o queira quer não, a A propaganda
c pela educação dos indivíduos estabilidade. Mas quando re- mulher que tiver sentido tal de- Organisação
— tudo se faz pelo livre acor- conhecem que a vida em co- sejo, terá pertencido a esse ho-
mum lhes é impossível — o que anarquista
do das vontades e não ha, por- mem ainda desconhecido na
tanto, a lei imperativa, coerci- é rarissimo — francamente o di- véspera, que não a possuirá Grupo «Obreiros do Futu-
tiva, imposta, prenhe de men- zem um ao outro e voluntaria- jamais e que ela terá esqueci- ro» — Acaba de organizar-se em
mente se deixam sem rancor. do no dia seguinte. Aveiro, cora a denominação de «Obrei-
tiras e de crimes e monstruosi- ros do Futuro», um grupo comunista-
dades. Não ha também, con- A mentira não tem guarida Não podemos ser mais se- anarquista, que na sua primeira reu-
sequentemente, as mil praxes aqui, nem o ódio aqui cria raí- nhores do desejo carnal do que nião resolveu aderir á F. A. R. N.;
absurdas e as mil embaraçosas zes. das agonias do nosso estôma- fundar uma biblioteca para o que so-
O que é com estes dois pri- go. Anbas as coisas são ine- licita, por este meio, a todos os gru-
complicações que da lei rezul- pos libertários, a oferta de livros de
tam sempre. meiros elementos da Familia, rentes ao nosso sêr físico, am- propaganda, jornais, etc; protestar
é com os outros, com os filhos. bas são o resultado de duas contra a prisão arbitraria de operá-
Parece-me, minha amiga, que, Os filhos não são propriedade
tendo isto no seu espirito, bem necessidades naturais, tão leji- rios por questões sociais e contra a
dos pais, não são propriedade tima uma como a outra. Ora a lei da fome, e bem assim saudar to-
fácil lhe será descobrir como é de ninguém. Pertencem-se a si dos os camaradas manifestando-lhes a
feito aqui o casamento. E' cla- fome não se sacia para sempre; sua incondicional solidariedade.
próprios. E, desde o berço, to- mitiga-se apenas. Toda a correspondência relativa ao
ro, não é verdade? E' a União tas as enerjias esternas que os
Livre. Unem-se livremente um E se insisto ainda sobre a grupo deve ser dirijida a Manoel Mon-
vão influenciando, todos os diferença do amor e do desejo, teiro de Miranda, Chapelaria k Reis,
homem e uma mulher que teem cuidados e atenções que para rua dos Mercadores — Aveiro.
afinidades fisiolojicas, sentimen- é porque sempre os teem con-
eles se dirijem teem como fim fundido a ponto de os assimi- Grupo libertário — Alguns ca-
tais e intelectuais. E tudo isso o fazer deles homens fortes,
se faz sem a intervenção de lar um ao outro e esta confu- maradas residentes no Arco do Cego
bem constituídos fisicamente e são conduz muitas vezes a fu- e no Campo Grande resolveram levar
ninguém. Desejam-se, amam- individualidades marcadas. Es- a efeito a formação dum grupo para a
se, compreendem-se. A conse- nestos e tristes resultados. propaganda das idéias sindicalista e
se trabalho começa na Familia — «O espirito é forte, a car- anarquista. Toda a correspondência
qüência é clara : unem-se. E as- e completa-se na Escola e na
sim como livremente se unem, ne é fraca!»—diz-nos a Escri- deve ser dirijida a Carlos d'Almeida
Vida, sempre no seio da maior tura. Sim, certamente a carne Ferraz, rua Rifei, F. O. F. r. c. ao
livremente, sem a intervenção liberdade. Assim a Familia é Arco Cego.
de qualquer estranho, desfa- é fraca. Que tempo é necessá-
aqui a unidade social — com rio ao desejo para se transfor- Os emancipados — Destinado
z€i>> ^ situação, se separam todos os seus elementos cons-
quando quizerem. mar em áto? E esse áto é sem- á propaganda dos nossos ideais, aca-
cientes, livres e harmônicos. pre desempenhado voluntária bou de se construir em Alcaçovas um
Que horror?! Mas porquê? e conscientemente? Ha horas em novo grupo libertário, com o titulo de
Os Emancipados.

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6 Terna Livre

AO CAMPONÊS, MEU IRMÃO


POR ELISBTJ EECLXJS
«Será verdade, perguntás- Devemos ter respeito por Quer a chuva caia, o sol os limites, e cada um trabalha
te-me tu um dia, que os teus esta propriedade? Não, meus queime ou o vento sopre forte, no seu bocado, feliz por viver
camaradas, os operários da amigos, nós tomaremos tudo ele trabalha sempre; quer a em paz com os seus irmãos que
cidade, pensam em me tomar isso. Rasgamos todos os seus inundação apodreça as suas trabalham a seu lado na terra
a terra, esta bôa terra que eu papeis, quebramos as portas colheitas ou o sol as queime, proporcional ás necessidades
tanto amo e que, embora com dos palácios, tomamos todos êleceifará tristemente o que ficar de todos. Nas circumstancias
tanto trabalho, me dá o loiro esses domínios. Havemos de e que nem chega para se ali- urjentes os camaradas auci-
trigo? Foi ela que alimentou dizer a esse finjido cultivador: mentar; e, chegado o dia da liam-se: um incêndio devorou
meu pae e meu avô, e talvez «Trabalha se queres comer! sementeira tira o pão da sua tal cabana, todos se ocupam
meus filhos encontrem ainda Todas estas riquezas deixaram boca para o lançar ao campo. em a reconstruir; uma cheia
aqui um pouco de pão. Será de te pertencer!" No seu desespero, sacrifica destruiu uma porção do cam .
verdade que queres tirar-me a E esse outro senhor nascido ainda uma parte da pequena po, todos tratam de remediar
minha terra, espulsar-me do pobre, sem pergaminhos, que colheita que tão necessária lhe o mal. Um só apascenta os
meu casal?» ninguém veiu admirar na man- é, na esperança de que passado rebanhos da comunidade e, á
—Não, meu irmão, não é ver- sarda maternal, mas que teve o rude inverno, a primavera e noite, as ovelhas e as vacas
dade. Se tu amas a terra e és a sorte de enriquecer pelo seu o ardente estio, o trigo amadu- sabem tomar o caminho do seu
tu que a cultivas, é a ti que trabalho, honesto ou não? Não reça alfim para tornar três, estabulo sem que lá as condu-
pertencem as colheitas. E's tu tinha o menor pedaço de terra, quatro, dez vezes maior a se- zam. A comuna é ao mesmo
que fazes nascer o pão; por- mas soube, por especulações menteira. tempo a propriedade de todos
tanto, ninguém tem o direito ou economias, pela sorte ou Que amor intenso o campo- e de cada um.
de o comer antes de ti, da tua por favores do amo, adquirir nês sente pela terra em que Mas, a comuna, do mesmo»
companheira e dos teus filhos. imensos domínios que rodeou tanto trabalha e que tanto o modo que o indivíduo, é muito
Trata do teu campo com toda de muros e barreiras: recolhe faz sofrer pelo medo e pelas fraca se estiver isolada. Quasí
a tranqüilidade, guarda a en- donde não semeou, come o pão deceções ou ezultar de alegria sempre tem que lutar com um
xada e a charrua para revolver que outro ganhou com o seu quando as astes ondulam senhor mais rico que ela, que
a terra endurecida, arrecada a trabalho. Devemos respeitar cheias de espigas! Nenhum pretende a posse de tal ou tal
semente para fecundar a terra. esta segunda propriedade, a amor é mais forte que o do campo, de tal floresta, ou de
Não ha nada mais sagrado que do enriquecido que não trata camponês pelo solo que ele tal pastajem. Se o senhor fosse
o teu trabalho e mil vezes mal- da terra mas a manda arranjar cava e semeia, no qual ele nas- sozinho, ela saberia triunfar.do
dito seja aquele que te tirar a por mãos de escravos, e que, ceu e para o qual ele voltará. ínsolente personajem ; mas ele
terra tornada fértil pelo teu não obstante, lhe chama sua? E, no entanto, quantos inimigos não está só, tem por si o go-
suor! Não, respeitamos tanto esta o rodeiam e lhe entravam a vernador da província e o chefe
Mas se a ti te falo assim, não propriedade como a outra. posse da terra que elle adora! da policia; os majistrados, o
digo o mesmo a outros que se Neste caso, também, quando O Estado cobra-lhe impostos governo inteiro com todas as
julgam cultivadores mas que o nós tivermos a força tomaremos pelo seu arado e leva-lhe uma leis e todo o ezercito.
não são. estes domínios e diremos àque- parte da colheita, o comer- Se preciso fôr, ele dispõe de
Quais são esses finjidos tra- le que se julga seu dono : ciante faz o mesmo a outra canhões para metralhar os que
balhadores? Um, nasceu já «Para traz! Continua a traba- parte, o caminho de ferro le- lhe disputam o pretendido solo.
grande senhor. Quando o colo- lhar! Terás o pão que o teu za-o também no transporte da Assim, a comuna poderia ter
caram no berço, todo envolto trabalho te der; mas a terra mercadoria. Ele é enganado cem vezes razão e seria certa-
em finas lãs e sedas, o padre, que outros cultivam deixou por todos os modos. De- mente vencida. Nós devemos
o majistrado, o notario e de ser tua!» vemos gritar-lhe: «Não pagues gritar-lhe: «Não cedas!» Mas-
outros personajens vieram Como vês, nós tomamos a impostos, não pagues rendas!» ela cede. Cede, porque é vitima
saudar o recém nascido como terra, não a ti, mas àqueles Mas ele paga tudo. Paga da fraqueza causada pelo iso-
um futuro dono da terra. que a possuem sem a cultivar, porque está isolado, porque lamento.
Cortezãos, homens e mulhe- para a dar aos que a trabalham não tem confiança nos seus Como vês, todos vós, isola-
res, vêem de toda a parte tra- e àqueles a quem era proibido visinhos, os outros campone- dos ou associados em comunas,
zer-lhe presentes, estofos bor- tocar-lhe;—mas não é para que ses, proprietários ou rendeiros sois muito fracos contra aque-
dados a prata, brinquedos de possam por sua vez esplorar e não se associam com eles. Es- les que procuram escravisar-
ouro; e, emquanto o enchem . outros desgraçados. A porção tão escravizados pelo medo e vos, assambarcadores da terra
de prendas, escribas rejistam de terra a que o indivíduo, pela desunião. que querem a vossa pequena
em grandes livros que o pequer- grupo ou comunidade de ami- O que é certo é que se todos parte, governantes que querem
rucho possue aqui nascentes, gos tem naturalmente direito é os camponeses compreendes- arrecadar tudo que se produz.
ali ribeiros, mais alem bosques, a que é favorecida pelo seu sem quanto a união pode Se não vos unirdes, não só in-
campos e prados, para o outro trabalho individual ou coletivo. aumentar a força contra o divíduo a indivíduo, comuna a
lado jardins e ainda outros Desde que um pedaço de terra opressor, não teriam deixado comuna, mas sim país a país
campos, outros bosques, outras esceda a superfície que eles perigar as comunidades dos em uma grande internacional
pastajens, tanto na montanha podem cultivar, não teem ne- tempos primitivos, os "grupos de trabalhadores, bem cedo te-
como na planície; mesmo de- nhuma razão natural para rei- de amigos», como lhes chamam reis a mesma sorte que milhões
baixo da terra ele é dono de vindicar este bocado. O que tu na Servia e noutros paises e milhões de homens que fo-
grandes domínios onde cente- cultivas, meu irmão, é teu, e slavos. A propriedade coletiva ram despojados de todos os
nas ou milhares de homens nós te ajudaremos a guardal-o destes agrupamentos não está seus direitos á sementeira e ás
trabalham. Um dia, quando for por todos os meios ao nosso dividida por muros ou fossos, colheitas, e que vivem na es-
crescido, irá visitar o que her- alcance; mas o que tu não cul- nem os interesses dos camara- cravidão do salariado, encon-
dou ao sair do ventre materno; tivas é doutro companheiro. Ele das são tratados por algum trando trabalho só quando os
talvez não se dê ao trabalho saberá também fecundar a terra. . advogado ou notario. patrões teem interesse em lho
de vêr tudo o que possue, mas, Mas se, como vedes, tendes Depois da colheita, antes do dar, sempre obrigados a men-
com certeza, fará recolher e direito á vossa porção de ter- tempo do novo labor, reunem-se digar debaixo de mil formas,
vender todos os, produtos. ra, para que cometeis a impru- para discutir os assuntos co- ora pedindo humildemente
De todos os lados, por estra- dência de estar isolados uns muns. O mancebo que se ca- para ser admitido, ora esten-
das e por caminhos de ferro, dos outros? sou, a família que aumentou dendo mesmo a mão para im-
em barcos no rio e em navios Sozinho, o camponês é muito pelo nascimento de um filho plorar uma avara esmola. Es-
no oceano lhechegarão grandes fraco para lutar contra a natu- ou para a qual entrou novo tes foram já privados da terra,
sacos de dinheiro, vindos de reza avara e contra o perverso membro, tudo é esposto, afim vós podeis sê-lo amanhã
todas as propriedades. opressor. Se consegue viver, é de que tomem uma maior Haverá grande diferença en-
Pois bem! quando nós tiver- por um prodijio de vontade. porção de terreno para satisfa- tre a vossa sorte e a deles ? A
mos a força, deixaremos todos Precisa acomodar-se a todos zer as suas necessidades agora ameaça já vos atinjiu, mas só
estes produtos do trabalho os caprichos do tempo e maiores. Segundo a superfície vos poupará por um c^t^tSSís
■humano nos cofres deste her- submeter-se em mil occasiões do solo e o numero de mem- dias. Uni-vos na vossa desgra-
deiro? á tortura voluntária. bros, estreitam-se ou alargam-se ça ! Defendei o que vos resta e

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reconquistai o que perdestes. uma bala nos miolos e man- atmosfera cheia de detritos e O autor das <Clarfdades do Sul> e
A não ser assim, o vosso fu- dam-no para o guano ; quando de poeiras ? do «Fim dum Mundo» respondeu com
turo será horrível, pois vive- um homem sucumbe ao traba- a carta seguinte:
Camarada, evita esta morte a
mos numa sociedade de ciên- lho ou se deixa invadir pela fe- todo o custo ! «Senhores e Confrades — Agradeço
cia e método, e os governantes, bre, dignam-se não lhe acabar Defende a valer a tua terra, muito a V. a generosa lembrança que
servidos por um ezercito de com a vida, mas desembará- que o mesmo é defender a tua tiveram de promoverem uma subscri-
químicos e professores, prepa- çam-se dele o mais depressa ção nacional a meu f?vor. Como sa-
vida, a de tua mulher e de teus bem, nada aceitarei do Estado Atual,
ram-vos uma organisaçâo social possível: que morra lonje, sem filhos. Associa-te aos compa- jamais. Porém de uma coletividade
na qual tudo será regulamen- massar ninguém com os seus la- nheiros cuja terra está também espiritual, feita toda de almas e de.es-
tado como numa oficina onde mentos. ameaçada pelos proprietários e píritos retos, nada posso recusar,
a maquina dirije tudo, mesmo No final dos grandes traba- porque seria soberba pregar o aucilio
ajiotas; esquece as pequenas e a fraternidade social e recusar a que
os próprios homens, e onde lhos, quando a natureza discan- questões entre vizinhos e agru- nos oferecem corações que vibram,
estes serão simples rodas que do diretor descança também e pa-te .em comunas onde todos unisonos, com o meu sentir. Eu pre-
se inutilisarão como ferro velho licenceia a sua gente. No ano os interesses estejam ligados, feria que Portugal lesse os meus livros
quando se associarem para ezi- seguinte, encontrará certamente e os comprasse. Mas Portugal não lê.
onde um bocado de terra te- A todos um abraço enternecido e es-
jir. nova quantidade de ossos e tenha todos os comunistas por piritual.»
E' assim que na parte ociden- músculos para engajar, mas defensores.
tal dos Estados-Unidos varias preferirá os trabalhadores do Sendo cem, mil ou dois mil A subscrição acha-se aberta na sede
■companhias de especuladores outro ano, esperando que estes sereis já muito fortes contra o dá Renascença Portuguesa á Rua Sá
em boas relações com o gover- da Bandeira, 363-2.°, das 8 da noite
pela sua esperiencia, pelo amor senhor e os seus vassalos, mas em diante e na tipografia Costa Car-
no, como, de resto, o estão to- criado á terra que trabalharam ainda fracos contra um ezerci- regai, tr. Passos Manuel, 27, todo o
dos os ricos ou os que espe- por suas. mãos, tenham a ilusão to. Por isso devem unir-se dia.
ram vir a sê-lo, fizeram que de que o campo lhes pertence. umas ás outras todas as comu- % Como em muitos outros pontos
lhes cedessem grandes esten- Se a felicidade da humani- nas e os trabalhadores ter por do país, os trabalhadores de Vidago e
ções de terreno nas rejiões mais dade consistisse em fazer acu- divisa: «Todos por um». Fa- Chaves efetuaram um comício no dia
férteis e, sacrificando homens, mular a alguns milionários, pe- zei um apelo aos deserdados 30 do mez procimo passado a fim de
tornaram-nas em campos de las suas paixões e pelos seus protestar contra a prisão dos seus
das cidades a quem ensinaram companheiros de Amareleja, Moita,
louvoura. A direção deste vasto caprichos, os produtos arran- a odiar-vos, mas que, no en- Barbacena, etc.
espaço está confiada a uma es-, jados" por todos os assalaria- tanto, deveis amar porque vos O ato foi bastante concorrido,
pecie de general instruído, es- dos, esta esploração da terra ajudarão a defender a terra e a usando da palavra os camaradas An-
perimentado, bom agricultor e por uma chusma de forçados tônio de Castro Lopo, pelos grupos
reconquistar a parte perdida. Audácia e A'vante!, de Chaves, José
bom comerciante, hábil na arte seria o ideal.Os resultados des- E, todos juntos, fundareis a Augusto Ferreira, pelo grupo Avante
de avaliar pelo seu justo valor tas emprezas são prodijiosos grande comuna humana onde pelo Futuro, de Vidago e Manuel Joa-
a força produtora das terras e quando a especulação não ar- todos trabalharão para em- quim de Sousa, do Porto.
dos músculos. ruina o que a especulação Tendo o 'jornal O Republicano, ór-
belezar e vivificar o solo, vi- gão do deputado Antônio Qranjo,
O nosso homem instala-se criou. Tal quantidade de trigo vendo felizes nesta boa terra afirmado que n'este comicio pe haviam
numa cômoda casa no centro obtido por um trabalho de que nos dá o pão. feito afirmações monárquicas, o nosso
das suas terras. Tem nos seus quinhentos homens poderia ali- Mas se não fizerdes isso, tudo camarada José Augusto Ferreira, pro-
armazéns centenas de char- mentar cincoenta mil: á des- testando contra tal calunia, comuni-
está perdido e ficareis escravos ca-nos que o grupo Avante pelo Fu-
ruas, maquinas de semear, cei- peza feita por um salário ir- e mendigos. turo vae publicar um manifesto sobre
feiras, e uma porção de vagões risório corresponde um rendi- «Teem fome?«, dizia ha o assunto.
atrelados a locomotivas vai e mento enorme da mercadoria pouco um governador de Al-
vem incessantemente do cam- que se vende por dez vezes o ger a uma deputação de ope-
po ao porto mais procimo, cu- valor da produção. E' certo rários sem trabalho, «se teem
jos cais e navios lhe pertencem
também. Uma rede de telefo-
nes põe a casa apalaçada em
que se a multidão dos consu-
midores por falta de trabalho e
fome... comam-se uns aos ou-
tros !».
Francez '
portanto de salário, ficasse re- €rçs"mo teorico-pratico,
comunicação com todas as ou- duzida á estrema miséria, não
Sem aucilio de livros
tras construções de maneira
que a voz do chefe se ouça
poderia comprar todos esses
produtos e condenada a mor- Varias noticias Tradução, correspondência e con-
sempre em toda a parte e, de rer de fome não enriqueceria versação, com verdadeira pronuncia
ouvido á escuta e de olho aler- os especuladores. Mas estes # A Renascença Portuguesa, asso-
ciação de literatura, arte, ciência, fi- parisiense, por método racional, in-
ta, nada se faz sem a sua or- pouco se importam com o fu- losofia e crítica social, ferida pelas tuitivo e atraente.
dem ou sem a sua vijilancia. turo : ganhar depressa e muito, más condições econômicas em que se
E em que se torna o campo- marchar num caminho cheio encontra o poeta Gomes Leal, pediu- I$200 réis mensais
nês, neste mundo tão bem or- de ouro. .. os que vierem que lhe licença para promover uma subs-
ganisado ? Maquinas, animais e se arranjem. crição no país em seu favor. Estrada da Penha de França, 82
homens são utilisados da mes- Vede, camaradas trabalha-
ma maneira: forças, avaliadas dores que amais a terra onde
■em algarismos, que é preciso vistes pela primeira vez o mis- Importante
empregar a bem do beneficio tério do embrião rasgando a
patronal com o macimo de pro- terra, vede o futuro que vos A. todas as pessoas e coletividades a quem
duto e o minimo de despeza. está reservado. Tirar-vos-ão o enviamos o n-u-sso semanário e que não quei-
As estrebarias estão dispostas campo e as colheitas, prender- ram auciliar-nos com a sua assinatura, es-
de tal maneira que, ao sair de- vos-ão a qualquer maquina, peramos que no-lo devolvam, com a respe-
lis, os animais começam logo onde, sempre sujos e no meio tiva cinta, antes da publicação do número
fazendo o rego de muitos qui- de fumo, tereis de deslocar seguinte, de contrário considera-las-emos
lômetros de comprido até ao uma alavanca dez a doze mil como nossas assinantes.
fim do campo. vezes por dia. Chamarão a isto
Assim também todos os mo- agricultura. E, não percais tem-
vimentos dos operários estão po a olhar para a mulher ou
determinados á saída do dor- donzela que passa e pertuba o Publicações da TERRA LIVRE
mitório comum onde não ha vosso coração, porque o con-
mulheres ou crianças que ve- tramestre não consente que se ACABA DE APARECER:
nham com um beijo ou uma leze o patrão, embora a este
•caricia perturbar as tarefas. Os
trabalhadores estão divididos
lhe convenha a vossa descen-
dência para o continuar a en-
GEÓRJTO.AS
em troços que teem os seus riquecer. O futuro que vos es- Ao trabalhador rural
sarjentos e capitães, alem do pera é o dos operários, dos por JVeno Vasco
infame espião. O dever de cada aprendizes de oficina! Nunca
um é fazer metodicamente o a escravidão antiga amassou Folheto de 16 pajinas com ilustrações e no texto na capa, impresso
trabalho ordenado sem a me- tão metodicamente a matéria em ótimo papel em formato elegante :
nor discussão ou recusa. Quan- humana para a reduzir ao es- preço 10 ré'15 — Qm cento 700 réis
do uma maquina se estraga e tado de simples ferramenta. Aceitam-se desde já fedidos na administrado deste jornal. A importância
não tem concerto, põem-na de Que tem de humano um sêr correspondente deve ser enviada em estampilkas, vale do correio ou em ordem
parte ; quando um cavalo cai e pálido, magro e escrofuloso que postal.
parte uma perna, metem-lhe respira constantemente numa

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obras de ciência, sociolojia e arte social que estejam editadas ou
que venham a editar-se em português, para facilitar a difusão das :■*■"■"■ JJlHLu (Publica-se ás quintas feiras)
idéias que o nosso jornal propaga e defende, atem da apreciação
desenvolvida e ir\depcnder\te das obras que teem sido editadas ou Orgam de luta social e econômica.—Tribuna amplamente aberta
ás reivindicações dos trabalhadores.— Analise e comentários dos
que se forem editando, e de que sejamos recebedores de um ezem- factos capitais da vida social e política portugueza.—Desenvolvi-
plar, TERRA LIVRE oferece as suas pajinas aos editores para do noticiário do movimento operário internacional.—Desenhos e ••
anunciarem as suas publicações ao preço da tabela junta, reser- caricaturas demolidoras. — Concursos científicos e inquéritos
vando esta redação para si o direito de recusar o anuncio de li- para o conhecimento do problema econômico e social da rejião
portugueza. — Correspondência da província e do esterior. —
vros com cuja doutrina não concorde, visto que só queremos anun- Secções de ciência, filosofia, arte, educação, literatura e critica.
ciar livros cuja leitura possamos recomendar aos nossos leitores Corpo redatorial:
e que possamos servir de intermediários na sua venda.
'TTarlosZRates—Neno^Vasco—lPinto Quartim—Sobral de Campos.*-
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1]4 > 1*500 4*000 Ismael Pimentel —José Bacelar—José Benedy—José Carlos de
ll8 » *800 2*000 4*000 ' 8*000
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bertárias posai camaradas Adolfo Lima, Araújo Pereira, Neno pelo correio acresce a des- daction et à 1'Administration
Vasco, Pinto Quartim e Sobral de Campos — cada 10 réis. peza correspondente. à Rua das Gáveas, 55, 1.°—
^c Os mesmos em cartolina — 300 réis o cento; pelo correio Lisbonne (Portugal).
350 réis. Um ezemplar gratui- — Per tutto ciò che ri-
•$£• Os bastidores da guerra, de Pedro Kropotkine — to. — Pedimos a todos os guarda Ia Terra Livre, indi-
cada folheto de 24 pájinas 30 réis. nossos leitores e amigos que rizzare alia Rua das Gáveas,
ifc Ferrp Velho, versos de Araújo Pereira — cada 50 réis. nos indiquem entre as suas 55, 1.°. Lisbona (Portogallo)
^í Um pai, entre-áto orijinal de Araújo Pereira — 20 réis. relações, todas as pessoas —Cion, kio rilatas ai Ter-
;jc A questão social, de Campos Lima — cada folheto de suscetíveis de se interessa- ra Livre, oni sendu ai Ia
32 pájinas, 20 réis; 25 ezemplares, 300 réis; pelo correio, 350. rem pela leitura deste se- Rua das Gáveas, 55, 1.° —
:{c O Dogma e a Ciência, de Emile Janvion — folheto de manário. Lisbona (Portugal).
100 pájinas, 60 réis. Sobre os seus avisos, co- —Ali correspondance for
4r Coleção da revista Amanhã (6 números) 100 réis; pelo municando-nos os nomes Terra Livre should be
correio, 120. e os endereços, enviaremos adressed to Rua das Gáveas,
■5£ La guerre, de Pierre Kropotkine (publicação de Les ás pessoas indicadas um 55, 1.°—Lisbon (Portugal).
Temps Nouveaux) 20 réis. ezemplar gratuito que lhes ' —Ali correspondenz für
■JÇ- A bas les chefs! por Dèjacques (publicação de Les permitira avaliar a quali- Terra Livre ist zu richten
temps Nouveaux) 20 réis. dade, o interesse e a utili- auf Rua das Gáveas, 55, l.y
■$£ La loi et 1'autorité por Kropotkine (publicação de Les dade da nossa publicação. — Lissabon (Portugal).
Temps Nouveaux) 20 réis.
45» La loi e í'autorité, por Pedro Kropotkine (publicação REDAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO
de Les Temps Nouveaux) 24 paj. — 20 réis.
Les scientifiques, por Jean Grave (publicações de Les RUA DAS GÁVEAS, 55, 1
Temps Nouveaux) 8 paj. — 10 réis.
Les incendiaires, por Eujéne Vermersch (publicações de LISBOA
Les Temps Nouveaux) 8 paj. — 20 réis.
Le Militarisme, por Domela Nieuwenhuis (publicações Ajentes aceitam-se onde ainda os não haja
de Les Temps Nouveaux) 32 paj. —20 réis.
«Terra Livre» encontra-se à venda nos principais quiosques e tabacarias
E' inútil incomodarem-se a escrever-nos fazendo pedidos de
livros e folhetos sem que esses pedidos sejam acompanhados da
respetiva importância, porque não os satisfaremos.

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