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PUB Quarta-feira • 08 de abril de 2020 • •1

1057
08 abril 2020
Ano 19
quarta-feira
 0.75 iva incluído
Diretor: Luís Baptista-Martins
semanário

500 pedidos de “lay-off”


no distrito da Guarda
As empresas e o setor do comércio precisam de apoios «já» para sobreviver, quem o diz é o presidente da
Associação Empresarial da Região da Guarda. Pedro Tavares considera que o Estado não está a corresponder às
necessidades das empresas nesta «paragem forçada» e avisa que os apoios e as medidas anunciados serão «fatais»
para muitas delas no futuro Pág.4

«As pessoas estão preocupadas,


até assustadas, mas tranquilas»

«Pela sua segurança fique em casa». O INTE-


RIOR acompanhou uma patrulha da GNR por
algumas aldeias do concelho do Sabugal no
âmbito da prorrogação do estado de emergên-
cia e cruzou-se com pouco mais de meia dúzia
de pessoas na rua Pág.7

Covilhã Guarda Pandemia Manteigas


Novo pedido de Câmara lança medidas ULS da Guarda Testes pagos pela
concessão mineira de 850 mil euros já realizou mais Câmara revelam três
na Serra da Argemela para ajudar famílias, de 2.500 testes casos positivos de
contestado empresas e IPSS à Covid-19 coronavírus
Publicação de aviso da Direção-Geral de Denominado “Salvaguarda”, programa vai ser O relatório de situação da Unidade Local de Perante a demora da ULS, município de
Energia e Geologia em pleno estado de aplicado de imediato para mitigar os impactos Saúde na segunda-feira indicava a existência Manteigas custeou a realização de uma cen-
emergência desagradou a movimento sociais e económicos da pandemia da Covid-19 de 166 casos positivos com Covid-19 na sua tena de testes rápidos no fim de semana aos
popular que luta pela preservação da Ar- no concelho e promover «a proteção e manu- área de influência. Eram mais 13 que no dia funcionários dos lares, do Centro de Saúde
gemela _________________________ 12 tenção» dos postos de trabalho ___________ 8 anterior _________________________________ 5 e da corporação de bombeiros __________ 9

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Solidariedade

Reformadas usam o tempo para ajudar


quem está “na linha da frente”
Confinadas ao domicílio, quatro alunas da Academia Sénior da Guarda decidiram pôr mãos
à obra e costurar botas e cogulas de tecido para os profissionais de saúde do Hospital Sousa
Martins, integrando uma ação informal que se estende a vários pontos do país _________ 6
2• • Quarta-feira • 08 de abril de 2020

Cara
Entrevista
no  fio  da  navalha

a P e r f i l
cara

«Mais importante
Igor Matias
ULS Guarda Cocriador (em conjunto com Paulo Silva)
da plataforma “Covid-19 – O que está
O estado de emergência está a ser bem ge- aberto”

do que nós, é a
rido pelas entidades de saúde da região. A forma
como a ULS da Guarda promoveu e programou Idade: 23 anos
o combate ao novo coronavírus tem sido, para
já, meritória. Numa fase em que o país poderá Naturalidade: Covilhã

comunidade que
ver aumentar o número de infetados com a
Covid-19 de forma descontrolada, na região as Profissão: Estudante de Mestrado em Enge-
medidas adotadas e a forma como os serviços nharia Informática na UBI
de saúde responderam têm sido assertivos e

nos faz chegar


asseguram tranquilidade perante a pandemia. Currículo: CTO @ STAR Junior Enterprise;
Organizador fundador @ Google Developers
Group Covilhã

os dados com
Livro preferido: Não tem

Filme preferido: “Hachiko – Amigo Para


Sempre”, de Lasse Hallström
Câmara da Guarda
O executivo divulgou um plano com
26 medidas objetivas para contrariar as
dificuldades que o concelho vai viver em
consequência do estado de emergência. Car-
veracidade» Hobbies: Associativismo

P - Criou a plataforma “Covid-19 – nal nos próximos dias. Ou seja, para fazer
los Chaves Monteiro procurou assim liderar
O que está aberto?”, que indica quais isso não pode depender apenas de nós,
a forma de assegurar o apoio às pessoas e
os estabelecimentos que se mantêm a porque o fluxo de informação vai ser muito
empresas na sequência da crise pandémica
funcionar na região. Como surgiu esta maior e vai ser incomportável estarmos a
e cujas consequências na economia e na vida
ideia? investir naquilo só nós os dois. Por isso,
das famílias poderá ser aterrador. Antes, e de
R - A ideia surgiu exatamente no dia 24 sim, um dos nossos próximos objetivos é
forma muito mais efetiva que a maioria das
de março. Eu e o meu colega Paulo [Silva] começar a contratar estudantes e pessoas
autarquias, a da Guarda vai aprovar um pacote
estávamos em isolamento voluntário e que se queiram envolver no projeto, a um
de medidas muito importantes, que pode ser
fomos contactados por um membro do valor muito simbólico, um valor apenas de
melhorado, nomeadamente no preço da água
FabLab do Fundão, no sentido de construir compensação pelo trabalho que vão ter,
ou na redução do IMI.
uma solução tal como esta que existe ago- para nos ajudar nesta validação de dados.
ra para o concelho do Fundão. Na altura
mostrámo-nos recetivos, começámos logo P - Estando a alargar o espectro
a recolher informação sobre os primeiros de zonas abrangidas, como serão va-
estabelecimentos e a inserir dados, e lidados os dados? Como irão avaliar
acabámos por construir a plataforma em a veracidade da informação em zonas
cerca de 30 minutos. E foi basicamente mais distantes?
Esmeraldo Carvalhinho isso. Depois, ao fim de algumas horas R - A nossa validação acaba por ser
acabámos por abranger a Cova feita através de uma consulta dos
A Câmara de Manteigas contratou um la- da Beira. Ao fim de 48 horas motores de busca, nos quais
boratório da Guarda para a realização de testes o projeto passou a incluir pesquisamos a própria en-
de despistagem da Covid-19 aos funcionários toda a Beira Interior, isto tidade que nos é reportada.
dos lares, do centro de saúde e bombeiros. é, com o distrito da Guar- No entanto, a questão dos
Essa decisão permitiu antecipar a identificação da, mas, ao mesmo tem- horários de funcionamen-
de três pessoas infetadas e assim realizar o po, mantivemos uma to é mesmo a confiar na
isolamento de imediato evitando a propagação solução própria para veracidade dos dados
do novo coronavírus. O presidente da Câmara o Fundão, que apenas que nos chegam. Ou seja,
fez bem em não esperar que outras autoridades coloca os estabeleci- nós com as nossas fer-
fizessem os testes a população de risco e assim mentos do concelho ramentas domésticas
evitou que em Manteigas o foco de pandemia (sendo apenas uma só conseguimos con-
fosse alargado. listagem e não um sultar e validar a parte
mapa interativo). Na do endereço, do nome
verdade, a solução do estabelecimento e
acabou por ser uma o próprio contacto. Ti-
espécie de brincadei- rando isso, esperamos
ra, um desafio pessoal que os dados que nos
que nos lançaram e chegam sejam verídi-
que nós, em meia hora, cos e que sejam para a
acabámos por acatar a comunidade e não para
ideia e avançar. enganar ninguém.

P - São os estabele- P - Então a comu-


cimentos que vos con- nidade é uma parte
PS Guarda tactam para os registos
na plataforma? Ou são
importante desta plata-
forma, correto?
Um pouco por todo o lado, as autarquias vocês que tentam recolher R - Sim, claro. Mais importante
vão definindo escolhas e caminhos para essa informação? diretamente à questão: na prática os dados do que nós neste momento é a comunidade
apoiar cidadãos e empresas. O mesmo têm R - Inicialmente, cada vez que havia são enviados pelas pessoas e depois nós que nos faz chegar os dados com veracida-
feito as oposições, apresentando sugestões uma comunicação de um estabelecimento validamos. Nós podemos estar “pro bono” a de, em que podemos confiar.
e soluções para apoiar as pessoas e a eco- numa localidade de um concelho “novo”, contactar os estabelecimentos ativos, mas,
nomia. A oposição socialista na Guarda tem nós esforçávamo-nos para contactar os como é óbvio, não podemos contactar todos P - Já obtiveram “feedback” de co-
mantido o silêncio, num tempo em que todos estabelecimentos mais conhecidos, as gran- os que existem na Beira Interior, pois seriam merciantes locais quanto ao impacto
estão preocupados e imersos nas consequên- des superfícies. No entanto, a plataforma milhares e neste momento não temos equipa da plataforma no seu negócio?
cias da pandemia. Para já, só o vereador só funciona através do “report” dos dados para isso. R – “Feedback” direto em relação ao
Sérgio Costa, eleito pelo PSD, e agora a através da comunidade, ou seja, é mantida impacto na economia não chegámos a ter
fazer o seu caminho distante da maioria e validada por nós, no entanto os dados, têm P - Face a essa dificuldade conside- ainda. Os “feedbacks” que nos chegam – e
laranja da Câmara, manifestou opinião de ser maioritariamente comunicados pelas ram aumentar o número de elementos que já são muitos – são que a plataforma
sobre medidas a tomar pela autarquia (es- pessoas. Qualquer pessoa que tenha conhe- que intervêm na plataforma? está bem construída e é bastante útil para a
tranhamente, enviou um mail com sugestões cimento de estabelecimentos que estejam R - Como lhe disse, neste momento comunidade. Os estabelecimentos também
no mesmo dia e quase à mesma hora que abertos, ou mesmo que nós tenhamos um somos só nós os dois. Contudo estamos agradecem a plataforma e o trabalho que
o executivo enviava um pacote de medidas a erro num horário, pode contactar-nos [em a preparar a candidatura a um apoio que temos estado a fazer. No entanto ainda não
adotar – coincidência?). www.covid19.starje.pt]. O que acontece de- a Fundação Calouste Gulbenkian lançou. temos nenhuma informação relativa ao im-
pois é que as pessoas acabam por preencher Com esse fundo o objetivo será a contra- pacto direto nos negócios, mas esperemos
um formulário automático que no fim nos tação de novo “staff” para nos ajudar neste nós que seja positivo e esteja a servir de
é submetido. Nós aprovamos e automati- processo todo. Até porque pretendemos almofada financeira para este momento
camente atualiza no mapa. Respondendo passar a plataforma para uma escala nacio- menos bom.
Quarta-feira • 08 de abril de 2020 • •3

editorial Luís Baptista-Martins


baptista-martins@ointerior.pt

O combate das nossas


vidas
1
Depois de anos a bater no Serviço Nacional de Saúde
(SNS), eis-nos entregues à capacidade e à qualidade dos
profissionais do SNS; depois de anos a assistirmos ao
desinvestimento no SNS, agora todos exigimos o melhor dos
serviços públicos de saúde; anos e anos a sermos empurrados
para os serviços de saúde privados, ora porque nos diziam que
eram melhores (com os médicos do público), ora porque eram
melhor geridos (sugando ao Estado o que podiam nos acordos
e contratos de prestação de serviços, quase sempre controlados
por políticos que jogam em muitos tabuleiros e, quase sempre,
fazem lobby pelos interesses de empresas que faturam milhões
ao estado e facilmente distribuem uns tostões por deputados e
políticos promíscuos).


Com a pandemia do Covid-19 (de que já falei muitas vezes, e
de que hoje me dispenso de fazer outros comentários, até porque,
nesta edição, temos o privilégio de publicar a opinião do Diretor
de Serviços de Medicina do
Hospital da Guarda, João San-
tiago Correia, e do Delegado
de Saúde da Guarda, José
Valbom, que por estes dias
tem andado a correr entre
Foz Côa, Trancoso ou Seia a
Depois de anos a fazer testes e zaragatoas…
e fazem parte do “restrito”
bater no Serviço grupo de profissionais que na
Nacional de região trabalha com o serviço
Covid-19) percebemos pelo
Saúde (SNS), eis- menos duas coisas: que o
nos entregues à nosso SNS é muito melhor
do que aquilo que por aí se
capacidade e à diz; que o Estado é essencial
opinião
Fidélia Pissarra
Não há milagres qualidade dos para o equilíbrio social, para a
salvaguarda das pessoas e da
Às vezes, invejo quem acredita em coisas tão e preparados que nós. Para quem não consegue
profissionais do economia, e que, perante uma
tragédia, um Estado forte é
estapafúrdias como energias positivas/ negativas, reconhecer nos outros um milímetro de capacidade SNS determinante para nos salvar.
laváveis e do género. Para mim, que só conheço a mais que a sua, qualquer sucesso mínimo é con- E descobrimos uma terceira
“limpeza” em energia gerada pelo vento, sol ou água sequência da sorte. Neste caso da pandemia, já é o evidência, que não sendo relevante, é importante para o nosso
e o negativo/ positivo das pilhas, tudo se resume superlativo de sorte: um grande milagre. ego (num país de alma pessimista e onde os “velhos do Restelo”
a tretas. Contudo, reconheço que quem acredita Será que, depois do que passámos para sair começam todos os discurso afirmando que “Portugal é um país
deve ter profundos e intrínsecos argumentos e, o melhor possível da intervenção musculada da terceiro-mundista”): fomos um dos países a nível mundial que melhor
sobre esses, nem considero opinar por já saber o troika, há ainda quem não queira ver-nos como respondeu à pandemia do novo coronavírus – e afirmo-o de forma
que me esperava e ter mais com que me entreter. realmente somos? Até parece que, dê por onde categórica, mesmo não tendo dúvidas de que os próximos dias serão
Pretendo ficar então pela invejosa que às vezes sou, der, haverá sempre alguém disposto a menorizar decisivos e o números poderão disparar, e quando sabemos que já
explicando já que vezes foram essas: todas aquelas a nossa capacidade só para não termos reputação há um médico infetado no Hospital da Guarda (em caso de dúvidas
em que alguém ousou desejar sorte a mim ou a diferente da que interessa a quem está mortinho analise-se a incompetência, a falta de planificação e irresponsabilida-
qualquer dos meus. Deixei sempre descambar a por nos emprestar dinheiro. Se, na hora da verdade, de do governo espanhol, veja-se a incapacidade dos Estados Unidos,
compostura e só não me estalou o verniz, por- as nossas competências forem muito enfatizadas, o laxismo francês ou a leviandade inglesa, entre outros).
que quem me conhece sabe que não é coisa que aonde é que depois vão arranjar argumentos para

2
costume usar. Chamem-me o quiserem, mas por nos imporem juros exagerados. Não é por nada, mas Internacionalmente, muitos têm duvidado dos números baixos
muito que me esforce nunca consegui interpretar parece-me que de milagre em milagre alguém nos de contágios por coronavírus em Portugal. Não há milagres!
tais votos como desejos sinceros de que a vida me tenta ludibriar. Infelizmente, quer cá parecer que, O que tem havido é muita seriedade na forma como a gene-
corra bem. Assim que acabam de expelir a última nesta empreitada, contam não só com os nativos ralidade dos portugueses tem vivido o momento. Ainda que muitos
sílaba, desnudo-lhes a malvadez e só vejo alguém do costume como também com os estrangeiros da clamem pelo caos, ele não ocorreu e provavelmente não irá ocorrer.
que me tem em tão pouca conta que vê na sorte vizinhança. Por cá, não falta gente que persista em Vivemos um período de exceção, e excecionalmente tem havido
a única maneira de me safar na vida. Não sei se replicar as críticas externas em infindável tentativa competência nas decisões, resposta adequada, profissionais de
isto me acontece como consequência de algum de nos convencer que, basicamente, não passamos todos os sectores envolvidos de forma extraordinária – dos técnicos
trauma de infância ou por pura inabilidade social, de uma horda de calaceiros. Felizmente, a maioria de saúde aos agentes de segurança. Fragilidades e falta de meios,
seja como for, esta mania não se me descola da de nós, nesta como noutras situações, vai-lhe afinal, encontramo-los em todos os países, em Portugal, talvez com
pele. Facto que explicará a minha indignação ao dificultando cada vez mais a tarefa. Sim, porque a lição aprendida nos incêndios de 2017, a reposta à pandemia tem
ler, na imprensa internacional, as múltiplas expli- além de sermos mais educados e simpáticos, pelos sido competente. Um país a diferentes velocidades, mas com uma
cações, com destaque para a situação geográfica, vistos também somos mais eficientes. A prová-lo determinação única. Falta agora ter capacidade e apoio europeu para
para o “milagre” português, só por estarmos a lidar está o “milagre” que inventaram só para não nos fazer frente às dificuldades económicas que irão afetar, como nunca,
agora com a pandemia, até ao momento, melhor que reconhecerem como tal. Agora, convém é que não o nosso futuro imediato.
inúmeros países, alegadamente mais desenvolvidos nos ocorra beatificar alguém à sombra disso.

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4• • Quarta-feira • 08 de abril de 2020

500 empresas opinião

recorrem ao “lay-
João Santiago Correia *

Corona também é marca

off” no distrito de vírus


No ultimo dia do ano, quando
a China partilhou com a OMS, uma
das nossas células modificando-as ou
destruindo os códigos genéticos até à

da Guarda
doença respiratória preocupante, morte e, pior, desta forma o vírus vai
com início num mercado de Wuhan, criar milhões de cópias e nalgumas
e identificado então um novo coro- pode sofrer mudanças na maioria dos
navírus (SARS-CoV-2). A Europa casos para pior. Ao falar de vírus os
e até o resto do mundo encararam mais novos lembram-se de imediato
AR
como mais uma “chinesice” e só um da SIDA, Hepatites e os mais velhos
mês depois, se identificou a infeção da Poliomielite e da Gripe Asiática que
como emergência de saúde pública por coincidência ou não, teve origem
internacional. Nessa altura já era na China há 64 anos, presumindo-
tarde e o vírus tinha voado em aviões se que uma mutação de vírus em
comerciais, passeado em TGV ou em patos selvagens se combinou com
luxuosos navios de cruzeiro. uma  cepa  humana pré-existente e
Os sintomas da doença deno- durou dois anos. Vale a pena ler os
minada Covid-19, assemelham-se relatos da época e a forma como
aos de uma gripe, evoluindo os os políticos de então consideraram
casos mais graves para pneumonia “benigna a doença”.
grave, falência multiorgãos, e morte, Na realidade o novo Cov 2 à
mas cedo percebemos que uma primeira vista é insignificante, sendo
serie de pessoas são portadoras do constituído por um pacote de material
vírus e permanecem assintomáticos genético envolvido por uma proteína,
ou com sintomas ligeiros, facilitando com um milésimo da largura de uma
a transmissão que se faz por contato pestana, mas já paralisou a sociedade
próximo (até 2 metros) ou através mundial.
do contato com superfícies onde Todos os dias ouvimos falar de
permanece durante horas ou dias, esperança numa vacina ou em trata-
sendo transportado para a boca, mentos que fizeram milagres noutros
nariz ou olhos. São as gotículas locais e que nos dão alento, mas
produzidas pela tosse ou espirro a ouvimos falar do mais de um milhão
via de transmissão mais importante, de doentes e o número de mortos que
«O “day after” do comércio e da restauração será muito duro e culminará com a insolvência de muitas destas pequenas adquire assim a contagiosidade de não pára de aumentar ultrapassando
empresas», alerta Pedro Tavares algumas constipações e a letalidade agora os 69.000.
da sua ascendência molecular do No século passado cruzamos
As empresas e o setor Com a economia regional à salvar as empresas e o emprego é
outro corona, que causou o surto pandemias e crises económicas, que
do comércio precisam beira do precipício, Pedro Tavares já, tal como sabem que a recupera-
de 2002-2003 na Ásia, mas por lá nem sempre estiveram interligadas,
de apoios «já» para pede apoios «já», pois nenhuma ção será muito lenta e muito mais
foi contido. neste século estamos a viver a se-
sobreviver, quem o empresa ou comércio estava pre- castrante que a crise de 2008, uma
No início de fevereiro entidades gunda crise económica e a primeira
diz é o presidente da parada para responder aos efeitos vez que a crise é global», refere.
europeias admitiam como “provável” grande pandemia. Resistiremos?
Associação Empresarial económicos da pandemia da Co- Nesse sentido, o dirigente admi-
a propagação global do vírus e em Claro que sim, mas preparem-se
da Região da Guarda. vid-19. «Nem mesmo o Governo, te que resta esperar por «um plano
conjunto com a OMS emanaram e porque a forma como alimentámos
Pedro Tavares considera que tem vindo, dia após dia, a atu- de recuperação internacional». Até
atualizaram recomendações, que os o crescimento da economia baseada
que o Estado não alizar as medidas com a evolução lá, defende que as empresas pre-
países foram seguindo, com avanços no turismo e no imobiliário com
está a corresponder dos acontecimentos», constata o cisam de «hibernar» durante esta
e recuos, deixando alguns responsá- base no investimento asiático sofre-
às necessidades presidente do NERGA, para quem «paragem forçada» e que os apoios
veis mal na fotografia. Percebemos rá de novo um revés, adivinhando-se
das empresas nesta o setor privado será, «mais uma do Estado deveriam ir nesse sentido.
hoje que as hesitações estavam mais mudanças radicais. E a ferida social
«paragem forçada» e vez o mais penalizado». «Temos um Mas não é o que está a acontecer,
carregadas de argumentos económi- que é o desemprego vai crescer tan-
avisa que os apoios e Estado dito socialista que continua a na sua opinião. «Quer as linhas
cos e sociais do que razões sanitárias to quanto demore a contenção. Por
as medidas anunciados discriminar os cidadãos apoiando de de crédito apresentadas – e que
e a consequência foi a catástrofe outro lado, o vírus veio responder às
serão «fatais» para maneira diferente quem tem iguais esperamos não sejam usadas para
principalmente nos países do sul da preces dos ecologistas e a atmosfera
muitas delas no futuro. necessidades. Chega a ser chocante substituição de crédito já concedi-
europa, onde os hospitais já vivem está mais limpa. Mas talvez a maior
os critérios usados, pois há neste do –, quer as medidas tomadas em
momento pessoas completamente relação aos custos sociais e fiscais, com recursos no limite. lição deste vírus vai para o populis-
As empresas do distrito já
desamparadas enquanto outras têm que apenas empurram o problema Outra opção controversa foi mo dos Bolsanaros, Trumps e dos
submeteram à Segurança Social
os apoios a 100 por cento», critica “com a barriga”, vão num futuro a restrição ao uso de máscaras na Boris em contraponto com a sensi-
cerca de 500 pedidos de “lay-off”,
o empresário. Pedro Tavares avisa próximo ser altamente penalizan- população, uma vez que não havia bilidade do nosso Ramalho Eanes.
de acordo com informação reco-
que o tecido empresarial da região, tes para quem passou um período qualquer evidência de benefício do Mas logo que possível venham daí
lhida pelo NERGA – Associação
ainda «debilitado» e «a recuperar» atipicamente mau e que precisa seu uso, tal seria verdade se todos esses Corono Bonds para revitalizar
Empresarial da Região da Guarda,
da última crise económica, vai desesperadamente de recuperar», respeitássemos o distanciamento, o a economia e pagarmos as dívidas.
que, contudo, ainda não conseguiu
enfrentar «enormes dificuldades» considera o presidente do NERGA, que nos locais públicos é impossível. Os números em Portugal são o
conhecer «com exatidão» o núme-
com a pandemia: «Os empresários que já vislumbra o momento em Depois, todos vimos os exemplos de que se esperava após o encerramento
ro de trabalhadores abrangidos e
sabem que a altura de agir para que «cairão sobre as despesas cor- países ou regiões em que o uso de das escolas e da proibição da maioria
os setores de atividades.
rentes as moratórias concedidas», o máscaras faz parte dos hábitos após das atividades sociais, mas não nos
que poderá ser «fatal» para muitas o SARS em 2002 e 2003. deixam descansados e obrigam-nos
AENEBEIRA antevê fecho de «muito comércio» empresas. Tanto ouvimos falar em vírus que a manter as medidas de contenção
O dirigente empresarial tam- já nos esquecemos como estes seres por muito tempo, permitindo que os
O presidente da Associação Empresarial do Nordeste da Beira (AE- que mal entram na espécie dos vivos, Hospitais se adaptem. Ninguém pense
bém lamenta a falta de apoios ao
NEBEIRA), sediada em Trancoso, alerta que os seus associados vivem nos atacam e ferem até á morte. Ao que como num conto de fadas tudo
comércio e à restauração, setores
«momentos difíceis» e muitos estabelecimentos comerciais não deverão longo da nossa vida vamo-los encon- termina de uma noite de nevoeiro
atualmente parados e cujo “day
reabrir portas após a pandemia. trando criando proteínas de defesa e para uma manhã de sol. Resiliência é
after” será «muito duro» e cul-
«A situação já era difícil e depois desta crise haverá uma quebra do em alguns casos safamo-nos bem, a palavra de ordem. Mas mais impor-
minará com «a insolvência» de
tecido empresarial do micro e pequeno comércio na região», considera sem sequelas ou sustos de maior. Mas tante do que a frieza dos números é
muitas destas pequenas empresas,
Tomás Martins, segundo o qual «cerca de 30 a 40 por cento» dos associa- eles passaram milhares de milhões de que o seu vizinho do lado pode já estar
augura. Ciente disso, Pedro Tavares
dos contactados telefonicamente pela associação admitiram que «estão anos a aperfeiçoar a arte de sobreviver infetado sem sintomas e a próxima
estranha que o poder local não
a fazer contas à vida no sentido de encerrar e ver o que é que vai dar o sem viver, num modo que os torna grávida na sua inocência pode infetar
tenha ainda apresentado medi-
futuro». O dirigente defende ser necessário garantir os postos de trabalho numa ameaça. toda uma equipa.
das e apoios para estes setores
e dos empresários com «o mínimo de apoio financeiro», sem que isso seja Do nosso lado estão as vacinas A estratégia está montada, os sol-
fundamenais na dinamização dos
«necessariamente um motivo de mais endividamento, até porque muitos que estimulam a produção de uma dados no terreno porque a III guerra
centros urbanos. «O tempo, que
deles vivem com as receitas do dia a dia». Para Tomás Martins, as micro e linhagem especifica de guerreiros e mundial já começou.
se espera longo, para restaurar a
pequenas empresas da região são «quase todas elas de índole familiar e que nos filmes surgem de forma rá-
normalidade vai ser determinante
neste momento estão totalmente desprotegidas, porque não têm clientes pida e salvam toda a gente. Do lado do * Médico, Diretor dos Serviços
para as empresas e cada dia que
e, na área do comércio, estão fechadas». Entretanto, a AENEBEIRA está a vírus o aperfeiçoamento baseia-se em de Medicina do Hospital Sousa
passa é um dia de despesas sem
apoiar juridicamente alguns associados nos processos de “lay-off”. melhorar a penetração nos recetores Martins
receitas», avisa o empresário
Quarta-feira • 08 de abril de 2020 • •5

ULS da Guarda já
realizou mais de 2.500
opinião
José Valbom *

Covid 19 - Notas Soltas


testes à Covid-19 Pandemia (pan=tudo/todos+demos=povo) é uma doença infecto
contagiosa que se espalha entre (toda) a população.
O número de casos positivos As pessoas com mais de 80 logista que integra a comissão de
A verdade atrás enunciada relativa a fé nas “cercas sanitárias”
com Covid-19 na área de influência anos, com 62 casos, são o grupo acompanhamento da Covid-19
enquanto espaços geográficos, maiores ou menores livres (ou li-
da Unidade Local de Saúde (ULS) etário mais afetado, mas também acrescenta que o laboratório da
bertáveis) da crise.
da Guarda era de 166 na segunda- há quatro casos positivos em unidade já realizou «mais de 2.500
O saltar do muro pela doença é uma questão de tempo.
feira, segundo o relatório de situa- crianças até aos 9 anos de idade. O testes» desde o início do surto em
Tempo que numa primeira fase é importante para adaptar as
ção divulgado ao final do dia. Eram número de mortos, seis, mantém- Portugal. «Temos capacidade para
instituições de saúde para o embate que se segue.
mais 13 que no dia anterior. se inalterado desde a semana fazer mais, mas não conseguimos
O aplanar da curva de que falamos.
De acordo com o documento, passada. «A situação está dentro testar toda a gente ao mesmo tempo.
Mais eficaz, mais duradouro, mais ético e a consciencialização
apenas os concelhos de Fornos de da normalidade, não é alarmante. É preciso seguir prioridades, como
cívica de todos nós e a adoção de boas práticas independentemente
Algodres, Mêda e Sabugal não re- Já tivemos mais de 60 pessoas os lares, as grávidas, as pessoas que
do local de origem, grupo social, profissão-todos somos iguais
gistavam ainda pessoas infetadas internadas, uns já tiveram alta e contactaram com doentes e os pro-
nesta capacidade de disseminação do agente (coronavirus) se não
com o coronavírus. Nos restantes outros estão em isolamento em fissionais de saúde», afirma.
adotámos regras de segurança e isolamento social. Transversal a
– o relatório não abrange Aguiar casa. Neste momento não há no
todas as fases é a rigorosa higiene pessoal, dos equipamentos e
da Beira, que pertence ao Centro Hospital Sousa Martins
regras de isolamento social.
Hospitalar de Tondela-Viseu –, Vila doentes de outros dis-
O enfoque deve ser transferido da velha noção “grupo de risco”
Nova de Foz Côa continua a ser o tritos», adianta Luís
para comportamento de risco. (A crise já dá um bom contributo se
mais afetado, com 89 casos (mais Ferreira, que elogia
deslocarmos o nosso foco de quem somos para o que devemos fa-
um que no dia anterior), seguido o «esforço enorme
zer). O nosso olhar só deve recair sobre um grupo específico, agora
de Trancoso (18, inalterado), Pi- e a dedicação» dos Casos positivos: 89 e sempre, se apresentar fragilidades que devemos corrigir - grupo
nhel (15, mais um) e Gouveia (14, profissionais da Óbitos: 4 vulnerável.
mais um). Almeida (7, inalterado), ULS. O pneumo-
Esta pandemia, como as anteriores, também os vai mostrar:
Celorico da Beira (5, mais um),
idosos, sem abrigo, etnias vulneráveis, migrantes, ... - bem vistas
Figueira de Castelo Rodrigo (1,
as coisas - sempre os mesmos. Até parece que somos cegos,
não tinha antes), Guarda (7, mais
Casos positivos: 0 surdos e mudos.
3), Manteigas (3, não tinha antes)
Óbitos: 0 Com estes pressupostos esta pandemia, porque larga
e Seia (7, mais 2) são outros mu-
em extensão e concentrada no tempo causa terror e medo.
nicípios com pessoas infetadas.
Casos positivos: 1 Temos para lhe contrapor conhecimentos técnicos, equi-
Na segunda-feira havia ainda 476
Óbitos: 0 pamentos médicos, equipamentos de proteção individual,
contactos em vigilância, um caso Casos positivos: 2
Óbitos: 0 cooperação internacional e coragem e solidariedade como
considerado recuperado, 37
diz o General Ramalho Eanes. Todos temos um papel a de-
doentes internados, três dos
sempenhar. Como diria a Amália Rodrigues “Povo, povo eu
quais nos cuidados intensivos.
te pertenço...” e de ti dependo, acrescento eu.
Outros 122 infetados estavam Casos positivos: 18 Casos positivos: 15 Sabemos que este agente tem grande infecciosidade -
em isolamento no domicílio e Óbitos: 0 Óbitos: 0 capacidade de infetar - e resistência - vai andar por aqui
registavam-se nove casos com Casos positivos: 7 bastante tempo (um ano? Ou mais?) atacando por duas ou
alta para vigilância clínica. A ULS Óbitos: 0 três vagas, jogando com a nossa distração.
indica também a existência de
Toda a atenção é pouca. A atenção deve ser redobrada
quatro profissionais de saúde in-
no nosso Distrito aos idosos - institucionalizados ou não.
fetados, mais um que
Casos positivos: 5 Reforçar o cuidar, planos de contingência no papel e na
no dia anterior. Trata- Casos positivos: 0
Óbitos: 0 cabeça de todos nós, reforço de meios de proteção dos
se de um médico e de Óbitos: 0 cuidadores, interajuda técnica e comunitária, assistindo e
três técnicos.
cuidando, sempre que possível, no local onde sempre se
sentiram bem - as exceções apenas se justificam se o es-
Casos positivos: 7 tado clínico justificar cuidados diferenciados hospitalares.
Óbitos: 0 O teste à nossa Alteridade (bondade/compaixão) vai
Casos positivos: 14 ser a forma como lidamos com os que ficam para trás -
Óbitos: 1 morrem.
A besta tira-nos a vida (social) - O homem é um ser
Casos positivos: 7 eminentemente social. Tira-nos também a morte - a
Óbitos: 1 Casos positivos: 3 Casos positivos: 0 despedida - o luto sem corpo (o pior de tudo), sem
Óbitos: 0 Óbitos: 0 companhia, sem culto. Cicatriz funda e duradoura na
Casos positivos: 0 alma de um povo. Na pandemia de 1918/1919 a ferida
Óbitos: 0 que mais tempo perdurou.
Esta crise interpela-nos a um balanço:
1- Estamos conscientes que um Serviço Nacional de
Casos positivos: 1 Saúde Universal, acessível e de qualidade é uma necessidade
Óbitos: 0 de ontem, hoje e amanhã? Fica claro, ou não, que o nosso tecido
económico deve ser constituído pelo setor Primário, Secundário e
Terciário, ou queremos, num futuro próximo, (como hoje), depender
de produtos essenciais e mesmo de simples máscaras de caridade
Casos positivos: 0 alheia?
Casos positivos: 1 Óbitos: 0 2- É evidente (ou ainda não chega?) que a arrogância/ indivi-
Óbitos: 0 dualismo e isolamento dos povos não responde a problemas globais?
Problemas globais exigem soluções globais e cooperantes.
3- Perceberá o Homem que o seu avanço destruidor sobre os
hábitos naturais e destruição da vida selvagem (como foi o caso) se
vai pagar com “língua de sete palmos”?
4- Entende a União Europeia que ou cresce ou morre?
5- Ficará uma sociedade de homens mais livres, conscientes
ULS Guarda
da sua fragilidade e solidários ou mais vigiada, nomeadamente por
Teste a recém-nascido de grávida com Covid-19 novas tecnologias?
6- No final da devastação socioeconómica vai emergir uma
deu negativo sociedade mais justa, equitativa em democracia (crente em todos
nós), ou com fé em falsos Messias?
Deu negativo o teste à Co- mal no atual contexto pandémico, só soube que tinha Covid-19 quando Socorro-me do ânimo e confiança de Pedro Barroso, que recen-
vid-19 realizado ao bebé que para realizar uma cesariana progra- fizemos o teste, que atualmente temente nos deixou sem despedida condigna, para terminar
nasceu no domingo à noite, na mada, que decorreu normalmente. estamos a fazer, por rotina, a todos “ dos que fazem Portugal/no trabalho dia a dia/e me dão alma
maternidade do Hospital Sousa O bebé, um menino, e a mãe, de 38 as pessoas internadas no Sousa e razão/nesta porfia...”.
Martins, na Guarda. anos, estão bem e em isolamento Martins», disse a O INTERIOR Luís P.S: Não há tempo de alinhar ideias nem elaborar textos alinhados
A mãe tinha sido testada positi- específico, conforme prevê o plano Ferreira, pneumologista que coorde-
vo quando deu entrada no serviço de de contingência do hospital. «A par- na a comissão de acompanhamento * Médico, Delegado de Saúde da Guarda
Obstetrícia, um procedimento nor- turiente não apresentava sintomas e da Covid-19 na ULS da Guarda.
6• • Quarta-feira • 08 de abril de 2020

«Cada uma na sua


S casa», reformadas usam
Sociedade
o tempo para ajudar DR
Confinadas ao
domicílio, quatro
alunas da Academia
Sénior da Guarda
Literatura decidiram pôr mãos à
obra e ocupar o tempo
Carlos Galinho a ajudar quem está na
Pires apresente linha da frente. Cada
uma costura botas
livro no Facebook e cogulas de tecido
Carlos Galinho Pires vai fa- para os profissionais
zer o pré-lançamento do segun- de saúde do Hospital
do volume da coleção “De Conto Sousa Martins,
a Romance” esta sexta-feira (17 integrando uma
horas), a partir de sua casa, num ação informal que se
direto no Facebook, no âmbito estende a vários pontos
do evento “Chiado Play”, criado do país.
pela editora Chiado Books para
mitigar a atual situação de qua- Ana Pena não sai de casa
rentena. «desde o início de fevereiro». Por
Engenheiro informático de pertencer à denominada “idade
profissão, o autor guardense de risco”, a guardense de 75 anos
(1987) reside no Porto e, em decidiu proteger-se face ao Co-
2018, editou o seu primeiro vid-19 desde que o vírus ameaçava
livro, intitulado “De Conto a aproximar-se, limitando as saídas
Romance”, na Biblioteca Muni- à rua. «Tenho em casa um filho
cipal Eduardo Lourenço. Desta tetraplégico que também é uma
segunda antologia de contos, pessoa de risco. Por ele, eu também
que encerra a trilogia “Escri- não saio de casa», explica.
bas do Destino”, constam dez Encontrando-se confinada ao
histórias multifacetadas, como domicílio, Ana Pena fez do tempo «A médica trouxe-nos o material, os moldes e cada uma fez o que pode», explica a guardense Ana Pena
a de um mulherengo, de um livre seu aliado e usa-o em prol de uma na sua casa» – aderiram à eu poderia ajudar alguém seria de «ir às compras e escolher as
guarda-noturno, de uma ginas- quem não tem mãos a medir nes- iniciativa solidária. «A médica nesta situação», considera Ana coisas que eu gosto de comprar
ta e de um génio descontente. ta altura de pandemia. A convite trouxe-nos o material (o TNT - Pena, que diz nem ter vacilado para casa». Apesar de aceitar
Há também uma experiência da diretora da Academia Sénior, Tecido Não Tecido), os moldes e perante a proposta. «Aderi da relatar a forma como surgiu a
científica, uma civilização in- da qual faz parte, Ana Pena inte- cada uma fez o que pode», afirma melhor vontade e continuarei a iniciativa, Ana Pena considera
terestelar, a “pop star” Isabel e grou o grupo de quatro voluntá- a guardense. fazê-lo se for necessário. Porquê? que o protagonismo não deve ser
o introvertido “one man band” rias que se disponibilizaram para Como tanto outros, o pedido Por humanismo, sei lá. Penso que seu e insiste que a acção foi con-
Alexandre. costurar botas e cogulas para os de ajuda surgiu inicialmente nas estamos todos num barco e temos junta. «Eu sou apenas uma pessoa
profissionais de saúde do Hospi- redes sociais, de forma infor- de remar no mesmo sentido. Eu envolvida. A ideia deste projeto
tal Sousa Martins da Guarda. «A mal, com base nas necessidades também preciso que me façam as solidário deve ser atribuída à
diretora da Academia Sénior teve expressas pelos profissionais compras!», contrapõe. Academia Sénior, de onde partiu
conhecimento, através de uma de saúde e mobilizou várias Em tempo de pandemia, a realmente», sublinha, afirmando
médica do hospital, que estavam pessoas e entidades que, de for- acção ajuda a «passar o tempo» que há já muitas pessoas a fazer o
a precisar desse equipamento. ma autónoma, responderam às e a esquecer o isolamento social, mesmo na região. «O que fizemos,
UBI Tinham o tecido, mas não tinham solicitações. Perante o apelo, e a consequência mais pesada das se calhar, é uma gota de água
quem o confeccionasse», explica
Benção das pastas a guardense, que regularmente
mesmo sem sair de casa, as qua-
tro alunas da Academia Sénior
medidas de contingência impos-
tas para combater a propagação
no oceano, pois isto é a nível de
diversos locais, como a Covilhã,
adiada assiste a aulas de costura na re- tiveram assim a possibilidade de da Covid-19. «Acho que estamos Fundão… Há muita gente a fazer
A capelania da Universida- ferida academia. Este facto foi de- pôr às mãos à obra para ajudar, todos a atravessar uma situação cogulas e botas», diz a guardense,
de da Beira Interior (UBI) anun- terminante para que integrasse o rentabilizando este tempo de muito complicada. Eu tenho a que, apesar disso, está disponível
ciou o adiamento da Bênção das grupo de quatro voluntárias que, isolamento em prol de uma cau- noção que isto é grave», sublinha para fazer mais «se me trouxerem
Pastas, que devia realizar-se a a convite da diretora – e «cada sa comum. «A única forma que Ana Pena, que diz sentir falta mais material».
16 de maio.
A cerimónia foi desmar-
cada devido à pandemia da Guarda Covilhã
ULS cria segundo centro de
Covid-19 e por ser um evento
que «agrega um grande número
de participantes», sendo que a Confeções Trindade
nova data será anunciada «as-
sim que possível», consoante a
testes Covid-19 no NERGA despede 50 trabalhadoras
evolução epidemiológica e «as Desde quinta-feira que está a Guarda/ Direção-Geral da Saúde
orientações das autoridades de funcionar na Guarda um segundo e que sejam encaminhadas atra- A empresa Confeções Trin- Na nota é ainda mencionado o
saúde nacionais e locais». Cien- centro de testes à Covid-19. O vés da Linha SNS24 (808 24 24 dade, sediada na freguesia do despedimento de «144 traba-
te da importância deste acon- serviço funciona nas instalações 24) ou das quatro Áreas Dedica- Tortosendo (Covilhã), despediu na lhadores temporários na APTIV
tecimento para a comunidade do NERGA, no parque industrial das Covid (ADC-Comunidade) se- semana passada 50 trabalhadoras, (ex-Delphi)», em Castelo Branco,
estudantil, a UBI e a Associação da cidade, em regime de “drive diadas na Guarda-Gare, Trancoso, de acordo com a União dos Sindi- e de «centenas de funcionários
Académica já confirmaram o thru”. Pinhel e Gouveia. A ULS esclarece catos de Castelo Branco (USCB). dos sectores do comércio, da res-
seu «empenho e apoio» à rea- O centro foi criado pela Uni- que o teste de despistagem não Este é um dos casos referidos tauração e turismo, bem como de
lização da cerimónia quando dade Local de Saúde (ULS), em será efetuado «a quem não preen- pela delegação distrital da CGTP algumas empresas privadas que
surgir «a oportunidade». parceria com a Associação Em- cher» estes requisitos. O acesso num comunicado enviado a O exploram as cantinas escolares,
presarial da Região da Guarda, e ao centro instalado no pavilhão INTERIOR. A USCB faz referência a entre outras». A União de Sindicatos
é o segundo em atividade na sede do NERGA faz-se através de uma «largas centenas de trabalhadores destaca ainda o crescimento do re-
do distrito, tendo o primeiro sido entrada devidamente sinalizada, que foram lançados no desempre- curso ao “lay-off” em Castelo Branco,
instalado no quartel dos bombei- não devendo os utilizadores sair go» no distrito de Castelo Branco adiantando este regime abrange já
ros. A ele têm acesso exclusiva- do veículo. Por questões de segu- e adianta outras situações, além «mais de 20 empresas e perto de 3
mente pessoas sinalizadas e com rança, os pacientes também não daquela que sucedeu na fábrica mil trabalhadores», mas alerta que
contacto prévio expresso da Uni- podem deslocar-se para fora da do Tortosendo e que terá apanha- nos próximos dias esses números
dade de Saúde Pública da ULS da zona limitada ao centro de testes. do as trabalhadoras de surpresa. vão crescer «exponencialmente».
Quarta-feira • 08 de abril de 2020 • •7

«As pessoas estão


preocupadas, até assustadas,
mas tranquilas» LM
O INTERIOR
acompanhou uma
patrulha da GNR por
algumas aldeias do
concelho do Sabugal no
âmbito da prorrogação
do estado de emergência
e cruzou-se com pouco
mais de meia dúzia de
pessoas na rua.
«Pela sua segurança fique
em casa». A mensagem sonora do
carro patrulha da GNR ressoa nas
ruas e praças vazias das aldeias do
Sabugal, um dos concelhos mais
envelhecidos do país. Na sexta-fei-
ra, O INTERIOR acompanhou uma
patrulha do posto local e cruzou-se
com pouco mais de meia dúzia de
pessoas entre Águas Belas, Quinta
do Clérigo, Caldeirinhas, Sortelha,
Urgueira e Sabugal.
«É muito raro ver pessoas nas
ruas e nas praças. A população
está tranquila e a acatar as ordens
das autoridades ficando em casa.
Notamos também que os cidadãos
estão bem informados e conhe-
cem os procedimentos em vigor»,
adianta o alferes Miguel Soares,
do núcleo de Relações Públicas do
«Eu aqui não tenho medo porque somos poucos. Só tenho pena é de quem vive nas grandes cidades», diz moradora da Quinta do Clérigo
Comando Territorial da GNR da
Guarda. O oficial foi destacado para um aglomerado de uma dezena estrada e diz à patrulha que veio não saem de casa. Só para o essen- ouve os conselhos dos militares
acompanhar O INTERIOR neste de casas, maioritariamente va- ao seu terreno para «espairecer a cial». Nesta Aldeia Histórica, uma e justifica que as menores «não
périplo guiado pelos cabos Lou- zias. Ali vivem atualmente cerca cabeça». Além do mais, aproveitou das mais procuradas da rede, tam- saem da soleira da porta». O aviso
renço e Magalhães, da secção de de 15 pessoas. Duas delas estão para cortar «uma pernada que já bém o turista desertou. A patrulha está dado. No Sabugal, o carro liga
policiamento comunitário e pre- à conversa na soleira da porta e a estava caída» e leva lenha para casa segue caminho em direção à sede momentaneamente a sirene e volta
venção criminal do Destacamento patrulha para para saber o porquê. num carrinho de mão. do concelho, mas antes atravessa a difundir a mensagem gravada. Os
da Guarda. O objetivo é ver como O homem tinha estado a lavrar um Em Sortelha, a dona do super- a Urgueira, onde se cruza com poucos transeuntes ouvem com
as medidas determinadas pelo terreno da vizinha, ambos sabem mercado da aldeia admite que vai um trabalhador agrícola e aborda indiferença os apelos para que fi-
estado de emergência estão a ser que se deve evitar «ao máximo» fazendo «algum negócio» e garante uma família de etnia cigana cujas quem em casa «pela sua segurança.
cumpridas, ou não, e sensibilizar a os contactos. «Eu aqui não te- que as pessoas são «cuidadosas, crianças andam na rua. O patriarca Pela segurança de todos».
população mais vulnerável para a nho medo, nem estou assustada,
necessidade de recolhimento geral
e o dever especial de proteção.
«Numa primeira fase, a GNR
porque somos poucos. Só tenho
pena é de quem vive nas grandes
cidades, pois aí é que é mais com-
GNR em contacto telefónico com idosos LM

assume uma vertente pedagógica, plicado e há mais perigo», admite


de sensibilizar para o cumprimen- a O INTERIOR a mulher. A GNR
to das normas em vigor, mas pode alerta os dois residentes para os
ser mais repressiva em caso de burlões, «que se aproveitam desta
incumprimento reiterado ou de- situação para enganar as pessoas
sobediência», refere Miguel Soares, mais vulneráveis», e pergunta se
referindo que tem havido «alguns tem havido emigrantes a regressar.
incumprimentos», sobretudo por Na Quinta do Clérigo não, apenas
parte de estabelecimentos comer- uma senhora que veio de Lisboa há
ciais. O oficial sublinha que, «de quinze dias.
uma maneira geral, nota-se algu-
ma preocupação e há até pessoas «A desobediência é
assustadas, mas os mais velhos, crime»
porque são de outra geração e já
passaram por muito, acham que «O fluxo de pessoas que resi-
nada lhes vai acontecer e mostram dem noutros pontos do país e no
alguma resistência». A primeira estrangeiro foi mais intenso nos
paragem acontece em Águas Be- dias que antecederam a declaração
las, onde a patrulha encontra uma do estado de emergência, agora
septuagenária à porta de casa, de praticamente não há e quando
A GNR está no terreno para garantir que se cum- sia, que depois diligenciam a entrega ao domicílio.
regresso de um terreno agrícola sabemos da chegada de alguém
pram as medidas do estado de emergência. A GNR continua igualmente a visitar os idosos
onde foi buscar um borrego. A de fora abordamos essas pessoas
Além das patrulhas diárias, no âmbito do progra- que vivem sozinhos e/ ou isolados, alertando-os
mulher diz saber que não deve para ficarem em confinamento
ma “Idosos em Segurança”, a GNR colocou militares também para as tentativas de burlas e de furtos com
andar na rua, mas justifica esta durante 14 dias. E é o que fazem
e civis a contactarem telefonicamente idosos isola- o pretexto do vírus. Nestas abordagens, os militares
saída com o facto de ter ido buscar porque também estão assustadas»,
dos – estão sinalizadas mais de 800 pessoas nessas são ainda chamados a averiguar para o eventual
o animal. «É ali perto, não falei nem declara o alferes Miguel Soares. De
condições só no concelho do Sabugal –, aos quais surgimento de situações de fome ou de outra ca-
me cruzei com ninguém», justifica. regresso à estrada, passamos pela
prestam informações sobre os cuidados a ter para rência não sinalizada anteriormente. «Estamos na
O argumento não evita que a GNR pequena localidade de Caldeiri-
evitar a infeção pelo vírus Covid-19 e questionam fase de mitigação, em que o contágio acontece na
reforce a mensagem da importân- nhas, de ruas vazias onde ecoa
se precisam de medicamentos ou bens alimentares. comunidade, pelo que é essencial que as pessoas,
cia do dever de recolhimento. a mensagem sonora da GNR: «A
Em caso afirmativo, são informados os serviços das mais do que nunca, fiquem em casa e se isolem»,
Uns quilómetros mais à frente desobediência é crime», sobressai.
respetivas Câmaras Municipais ou Juntas de Fregue- recomenda a GNR.
entramos na Quinta do Clérigo, À saída, um homem está à beira da
8• • Quarta-feira • 08 de abril de 2020

Câmara da Guarda tem 26 «medidas


extraordinárias» para apoiar famílias
e empresas Denominado “Salvaguarda”, programa vai ser aplicado de imediato para
mitigar os impactos sociais e económicos da pandemia da Covid-19 no
concelho e promover «a proteção e manutenção» dos postos de trabalho
AR
A Câmara da Guarda vai aplicar lançadas as empreitadas programa-
«de imediato» 26 «medidas extra- das no Plano Estratégico de Desen-
ordinárias» para apoiar famílias, volvimento Urbano (PEDU), «com
empresas, comércio e instituições. redução do prazo médio de pagamen-
Denominado “Salvaguarda”, este pro- tos a fornecedores e empreiteiros». A
grama de apoios destina-se a mitigar autarquia compromete-se a apoiar os
os impactos sociais e económicos da órgãos de comunicação social sedia-
pandemia da Covid-19 no concelho e dos na Guarda com publicidade ins-
«promover a proteção e manutenção titucional nos meses de abril e maio.
dos postos de trabalho». A divulgação destas medidas le-
A aplicação das medidas repre- vou o vereador do PSD sem pelouros
senta um total de 850 mil euros de Sérgio Costa a antecipar e a apresen-
investimento, valor ao qual acresce tar também a sua proposta de um
«mais 1,5 milhões de euros para pa- plano de apoio semelhante para ser
gamento a fornecedores, relativos aos discutido na reunião do executivo
meses de janeiro, fevereiro e março, da próxima terça-feira. A diferença
ajudando assim na sua liquidez», é que o antigo vice-presidente da
A aplicação destas medidas representa um total de 850 mil euros de investimento, anunciou a autarquia
adianta o município presidido por autarquia sugere a redução do custo
Carlos Chaves Monteiro, que as vai comparticipar a realização de testes os inquilinos da Câmara em espaços tarquia vai igualmente disponibilizar da fatura da água em 50 por cento
rever e adequar «sempre que a situ- para a Covid-19, em colaboração com comerciais estão também isentos computadores a todos os alunos com em março, abril, maio e junho e de
ação assim o exigir». Entre os apoios um laboratório local, aos cidadãos do pagamento de rendas até final de comprovada carência económica para 0,05 por cento do IMI para o ano de
decididos está a redução de 30 por referenciados pela Linha SNS24 e maio. Já os estabelecimentos que esti- poderem acompanhar as aulas à dis- 2021. Sérgio Costa defende também
cento das tarifas de água, saneamento pela ARS do Centro. Os apoios anuais verem abertos em espaços municipais tância. A par disso, durante o terceiro a isenção da derrama às empresas
e resíduos em abril e maio a todas as aos bombeiros e IPSS serão pagos na beneficiarão de uma redução de 50 período serão entregues kits alimen- em 2021 e a redução em 50 por
famílias, IPSS e empresas. «A percen- totalidade em abril, sendo também por cento. tares aos alunos dos escalões A e B do cento das taxas de licenciamento
tagem pode ser aumentada mediante liquidado este mês 75 por cento do Os vendedores ambulantes terão ensino pré-escolar e primeiro ciclo. urbanístico e outras em vigor na
acordo obtido com a Águas de Portu- valor total dos acordos de execução direito à isenção das respetivas taxas O município da Guarda disponibiliza Guarda. O social-democrata propõe
gal», refere a autarquia, que também às Juntas de Freguesia. Estas vão ain- até ao final de maio, os utilizadores do igualmente um serviço de acesso a igualmente a «duplicação imediata»
vai isentar e reduzir em 50 por cento da receber 50 por cento do valor dos parque TIR da PLIE pagarão menos 50 medicamentos e bens alimentares dos apoios ordinários anuais atribu-
as rendas de habitação social para acordos de cooperação celebrados por cento até 31 de maio e deixa de para idosos, doentes crónicos, pessoas ídos às três corporações do concelho
famílias mais carenciadas ou afetadas para o presente ano para avançarem haver pagamento nos parquímetros isoladas ou com problemas de saúde e sugere o pagamento «imediato»
pela crise económica. com as obras. No comércio, os estabe- da cidade até à mesma data. Outra das e/ ou mobilidade e sem apoio familiar. dos valores totais previstos nos
O município vai entregar equi- lecimentos encerrados ficam isentos medidas é a disponibilização de um Já o Espaço Empresa e Apoio acordos de execução com as Juntas,
pamentos de proteção individual do pagamento de taxas de publicidade centro de acolhimento para doentes ao Investidor vai aconselhar micro, bem como dos apoios anuais às
aos lares de idosos do concelho e até 31 de maio de 2020, enquanto com Covid-19 em recuperação. A au- pequenas e médias empresas e serão coletividades.

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Quarta-feira • 08 de abril de 2020 • •9

Transportes Manteigas
«Quem ajuda na luta contra Testes pagos pela Câmara
a Covid-19» não vai pagar revelam três casos positivos
portagens na A23 A Câmara de Manteigas contratou
um laboratório da Guarda para rastrear
todos os trabalhadores dos lares do con-
Esmeraldo Carvalhinho a O INTERIOR.
O presidente da autarquia admite ter
ficado preocupado com estes resultados
A Globalvia, concessionária da auto- debitados «quaisquer valores de portagens celho e do Centro de Saúde, bem como os porque só foram conhecidos depois de
estrada A23, não vai cobrar portagens aos por viagens realizadas» pelos profissionais bombeiros, à Covid-19. ter sido o município a tomar a iniciativa
profissionais de primeira linha enquanto abrangidos. Quem se enquadrar e pretenda No fim de semana foram realizados de fazer a despistagem. «Estes testes
durar o estado de emergência, anunciou a usufruir desta disposição deve consultar a uma centena de testes rápidos, três dos estavam a demorar a chegar a Manteigas,
empresa esta segunda-feira. página da concessionária na Internet (www. quais deram positivo – um em cada setor. pelo que a Câmara teve que se substituir
Segundo um comunicado enviado a O a23bi.pt). «A Globalvia agradece a todos os «Foi uma atitude preventiva para saber- às entidades competentes e vamos voltar a
INTERIOR, esta disposição «abrange pro- profissionais que, neste momento tão difícil mos como estão estas pessoas, que são fazê-lo com os idosos», garantiu o autarca,
fissionais que exerçam funções em hospitais para todos, continuam a estar na linha da essenciais ao funcionamento de serviços adiantando que foram tomadas as medidas
e noutras Unidades Locais de Saúde, lares frente na luta contra esta pandemia e na essenciais e prestam apoio a grupos de isolamento «normais» dos infetados e
de idosos, forças de segurança e ordem tão necessária ajuda ao próximo», conclui de risco, como são os idosos», afirmou das pessoas com quem privaram.
pública (GNR, PSP, ANEPC) e corporações a empresa.
de bombeiros, sitos nos concelhos limítro-
fes dos eixos da A23 (Abrantes-Guarda) e PUB
da A4 (Vila Real-Quintanilha)», especifica
a empresa. A concessionária justifica esta
«pequena contribuição» pelo «contexto de
crise» provocada pela Covid-19 e por estar
«consciente de que existem profissionais
aos quais é exigido um grande esforço, reve-
lando-se como verdadeiros heróis da ajuda
ao próximo». Nesse sentido, a Globalvia vai
assumir e liquidar ao seu concedente o valor
das viagens realizadas, não sendo por isso
NESTA PÁSCOA
Têxtil
Fábrica Tavares VAMOS SER FELIZES
extinguiu 13
postos de trabalho
EM CASA.
A Têxtil Manuel Rodrigues Tavares, na Aposte na Lotaria da Páscoa. Dia 13 anda a roda!
Guarda, extinguiu 13 postos de trabalho, por
mútuo acordo com os trabalhadores, devido à
crise provocada pela pandemia da Covid-19.
Pedro Tavares, administrador da empresa,
adiantou que a medida abrangeu operários
com «mais de 60 anos» e teve efeitos no
primeiro dia de abril. Segundo o responsável,
esta decisão foi uma consequência da recente APOSTE
paragem de produção de clientes em Itália
e Espanha. «Houve uma quebra enorme de
TAMBÉM A PARTIR
trabalho. A previsão da crise é muito maior DA APP JSC E EM
do que três meses, porque a retoma vai ser JOGOSSANTACASA.PT
muito lenta, e decidimos extinguir 13 postos
de trabalho, entrando em acordo com os tra- #UMABOAAPOSTA
balhadores», declarou Pedro Tavares. A fiação
mantém a laboração com 80 funcionários
«enquanto tiver encomendas» e não prevê
recorrer ao “lay-off” «por enquanto».

Linha da Beira Alta


103 milhões para
modernização do
troço Mangualde-
Celorico
A modernização do troço Mangualde-
Celorico da Linha da Beira Alta, na linha ferro-
viária da Beira Alta, tem um preço-base de 103
milhões de euros. O concurso público foi lançado
no passado dia 30 de março pela Infraestruturas
de Portugal (IP).
A empreitada integra o Programa de
Modernização da Rede Ferroviária Nacional,
o Ferrovia 2020, e consiste na «requalificação
integral» desta ligação com cerca de 34 quiló-
metros de extensão, seguindo o canal da atual
ferrovia. Entre os trabalhos previstos estão a
substituição total da superestrutura de via e a
alteração do “layout” das estações de Gouveia e
Fornos de Algodres para permitir o cruzamento
de comboios de 750 metros de comprimento
e a «otimização das condições de exploração»,
refere a IP. A construção de passagens superiores
e inferiores, a reabilitação dos sistemas drena- Os prémios atribuídos de valor superior a € 5.000 estão sujeitos a imposto do selo,
à taxa legal de 20%, nos termos da legislação em vigor.
gem e a instalação de infraestruturas de base
para sinalização e telecomunicações são outras
características de obra contempladas.

AF_IMPRENSA_INTERIOR_CLASSICA_PASCOA_170X250.indd 1 06/04/2020 14:42


10 • • Quarta-feira • 08 de abril de 2020 Publicidade

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Quarta-feira • 08 de abril de 2020 • • 11

Sabugal Loriga
Câmara disponibiliza
207 camas para
isolamento de doentes
Festa anual de aldeia sem habitantes
Covid-19 DR
concorre às “7 Maravilhas da Cultura
Popular”
DR

Uma aldeia serrana sem ha-


bitantes desde 2017 candidatou a
O município do Sabugal tem 207 sua festa anual às “7 Maravilhas da
camas disponíveis para isolamento e Cultura Popular” para alertar para
apoio ao Centro de Saúde da cidade o fenómeno da desertificação e a
para «possíveis infetados com Co- perda de património desta anexa
vid-19, caso se verifique a necessida- de Loriga, no concelho de Seia.
de futura da sua operacionalização». O Fontão, que já tinha con-
Para tal, foram adaptados três corrido às “7 Maravilhas Aldeias”,
espaços municipais, um dos quais o participa desta fez com a Festa de
pavilhão gimnodesportivo, no âmbito Nª Sra. da Ajuda, que acontece a 9
das medidas previstas no Plano de de agosto. A candidatura foi apre-
Operações Municipal, em vigor no con- sentada por João Garcia, que está
celho raiano. Este é, até agora, o maior a investigar a carta arqueológica
número de camas disponibilizado pe- do concelho de Seia, e ofereceu-se
las autarquias da região no âmbito da com Sónia Garcia para fazer a festa
luta contra a pandemia do coronavírus. deste ano na ausência de mordo-
mos. Uma tarefa para a qual con-
tam com apoio da mãe. «O único
Freixo de Numão elemento agregador do património
Cooperativa doa imaterial do Fontão é a festa em
honra de Nossa Senhora Ajuda»,
aguardente para justifica o proponente. O projeto
IPSS usarem como assenta em sete vertentes, que
desinfetante vão do artesanato (linho do Fon-
tão) às lendas e mitos (Lenda do
A Cooperativa de Viticultores e nascimento da aldeia do Fontão”)
Olivicultores de Freixo de Numão vai e às festas e feiras, passando pelas
fornecer aguardente vínica com 77 por música e danças (o típico baile amostra de artefactos naturais e a caminho de uma morte certa. pois a cultura não está nos museus,
cento de álcool para apoiar vários lares da festa”) e os rituais e costumes manufaturados dos pastores da Quando vemos os nossos antepas- nem nas obras de arte, estas be-
do concelho de Vila Nova de Foz Côa. (tradição das “afogaças”). As pro- Serra da Estrela, são outras catego- sados a partirem e não valoriza- bem daquilo que nasce das famílias
Trata-se de um «poderoso desin- cissões e romarias (“Procissão das rias que sustentam a candidatura. mos o conhecimento, perdemos o mais humildes», refere João Garcia
fetante, superior a outros produtos, Escadas”) e os artefactos, com uma «O património imaterial está melhor legado cultural da região, em nota enviada a O INTERIOR.
como o gel, que são comercializa-
dos, e sempre foi usado para efetuar
desinfeções», disse o presidente da Figueira de Castelo Rodrigo
cooperativa. Ilídio Santos refere que a
aguardente vínica vai ser distribuída Aprovadas medidas extraordinárias de apoio às famílias e empresas
conforme as necessidades das IPSS do A Câmara de Figueira de Cas- de alimentação, de recolha de segundo escalão é concedida uma sal equivalente ao salário mínimo
município, que se têm queixado da falta telo Rodrigo vai implementar «de encomendas de bens de primeira redução de 50 por cento no valor nacional, nos meses de abril, maio
de material de proteção e desinfeção. imediato» medidas extraordiná- necessidade e de medicamentos faturado. A autarquia estima que e junho, «às empresas impedidas
«É um ato de solidariedade no mo- rias de apoio às famílias e empre- ou outros que se mostrem fun- estas ações resultarão para os ou limitadas de exercer qualquer
mento muito difícil que todos vivemos, sas para dinamizar a economia damentais, a quem o solicitar». munícipes «num benefício que atividade comercial durante a vi-
para ajudar na luta contra a Covid-19», local na sequência da crise pro- Entre outras medidas, a iniciativa rondará os 200 mil euros», verba gência do estado de emergência e
sublinha o responsável, que acrescenta vocada pela Covid-19. “Pagamento Zero” garante que que resultará da reafetação de que apresentem redução de 50 por
que a cooperativa teve que pedir auto- Está prevista a isenção «nos todos os munícipes ficam isentos despesas em eventos que não cento no valor da faturação face
rização ao Instituto do Vinho do Porto meses de abril, maio e junho» das do pagamento de taxas, licenças se realizarão este ano, como a ao período homólogo de 2019».
para desclassificação do produto «que rendas das habitações sociais, e rendas empresariais em abril, recriação histórica da batalha da Esta medida terá um custo de 400
não pode ser comercializado». bem como a disponibilização maio e junho. Também os consu- Salgadela, o Figueira Com Vida e mil euros. A Câmara figueirense
de funcionários para, «diaria- midores do primeiro escalão es- o Slalom Sprint Castelo Rodrigo. deliberou ainda proceder «ao pa-
Gouveia mente, continuar a satisfazer tão isentos do pagamento da água A autarquia decidiu atribuir gamento imediato» dos valores em
necessidades, nomeadamente no mesmo período, enquanto no também um apoio financeiro men- dívida aos fornecedores.
Lixo contaminado com
recolha porta a porta PUB

A Câmara de Gouveia e a Asso-


ciação de Municípios da Região do
Planalto Beirão implementaram um
serviço de recolha porta a porta de
lixo contaminado de pessoas suspei-
tas ou infetadas com Covid-19.
Os interessados terão de con-
tactar a linha telefónica criada na
autarquia (238 490 210 ou 969 374
134). Posteriormente, os muníci-
pes deverão seguir procedimentos
específicos no acondicionamento
dos resíduos e serão previamente
informados da hora de recolha, via
telefone. «A evolução da situação
epidemiológica do coronavírus no
concelho, associada às preocupações
de saúde pública que a situação exige,
assim como à necessidade de controlar
os fatores de risco associados à gestão
de resíduos sólidos urbanos produ-
zidos em período de tratamento de
doentes ou quarentena de suspeitos
de infeção no domicílio, fez com que
se tornasse prioritário criar um serviço
de proximidade que permita a recolha
deste tipo de resíduos ao domicílio»,
justifica o município.
12 • • Quarta-feira • 08 de abril de 2020 Publicidade

Ambiente

Novo pedido de concessão


mineira na Serra da Argemela
contestado DR

VIDENTE
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Trata inveja, mau olhado, espiritual, estudos, negócios,
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O Grupo pela Preservação da Serra naquela direção-geral, em Lisboa, pelo das populações e entidades afetadas».
da Argemela, nos concelhos da Covilhã que o movimento cívico considera não Com a publicação deste aviso, o Grupo
e Fundão, repudia a «falta de humanis- estarem reunidas as condições para pela Preservação da Argemela consta-
mo, no mínimo», da Direção-Geral de os cidadãos poderem contestar «por ta, com ironia, que «a Covid-19 acelera
Energia e Geologia por ter publicado escrito» o procedimento no prazo de a febre da mineração em Portugal» e
em “Diário da República”, na passada 30 dias, a contar da data de publicação questiona «que mal viria ao mundo
quinta-feira, um aviso que dava conta do aviso. «Esta atitude é reveladora, no se esta publicitação fosse adiada para
de novo requerimento da empresa mínimo, de uma grande falta de huma- data mais oportuna?». No pedido de
PANNN para a celebração do contrato nismo e de compreensão pelos mais celebração do contrato da concessão,
da concessão de exploração mineira elementares princípios de ética que a PANNN especifica que tenciona
naquele local. devem reger uma sociedade», criticam explorar depósitos minerais de lítio,
O aviso tem data de 10 de março e os defensores da Argemela. estanho, tântalo, nióbio, volfrâmio,
foi publicitado na última semana desse Os contestatários da exploração rubídio, cobre, chumbo, zinco, ouro,
mês, numa altura em que já vigorava o mineira nos limites dos municípios prata, césio, escândio, terras raras e
estado de emergência, que estabelece da Covilhã e Fundão recordam que o pirites, numa área de 403,71 hectares
o recolhimento geral dos cidadãos e processo tem um «longo historial de nas freguesias de Coutada e Barco
restringe ao essencial as deslocações reclamações» desde 2017, mas que até (ambas no concelho da Covilhã) e de
no país. Ora, o pedido está patente ao momento não houve «qualquer res- Silvares e Lavacolhos, já no município
para consulta, nas horas de expediente, posta formal às justas reivindicações do Fundão.

Participe no espaço do leitor. Celorico da Beira


Diga de sua justiça. 67 camas no pavilhão gimnodesportivo
Apartado 98 6301 Guarda • ointerior@ointerior.pt O pavilhão gimnodesportivo de nhares da Beira (46 camas), que poderá proteção civil municipal tem capacidade
Celorico da Beira foi adaptado para acolher utentes de instituições particu- de resposta, limitada aos recursos dispo-
acolher 67 camas para acolher doentes lares de solidariedade social que não es- níveis, para gerir equipas de colaborado-
infetados com Covid-19. tejam infetados. Na mesma freguesia, os res, servir refeições diárias, assegurar
No âmbito do Plano Operacional de edifícios da casa e da escola de parapente serviço de lavandaria e higiene, prestar
Contingência de combate à pandemia, o estão referenciados como «locais de apoio social e de transporte de, e para, a
município também coordenam outros isolamento e apoio a pessoas suspeitas todos os cidadãos que venham a precisar
locais de proteção e concentração de ou infetadas». A autarquia acrescenta, de ajuda ou se encontrem em situação de
meios, como a Pousada da Inatel de Li- numa nota enviada a O INTERIOR, que «a emergência».

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Quarta-feira • 08 de abril de 2020 • • 13

GNR corta A25 para alertar Almeida


Município “vigia”
Parada e aldeias
condutores para restrições vizinhas
A Câmara de Almeida

à circulação na Páscoa
instalou 75 camas nos dois
pavilhões gimnodesportivos
existentes no concelho.
Segundo a edilidade, no
equipamento da sede do con-
Ação de fiscalização e sensibilização na zona de Celorico da Beira serviu para controlar os celho estão disponíveis 40
camas e em Vilar Formoso
motivos das viagens e dar conselhos aos automobilistas ficam mais 35 para «resposta a
LM
eventual situação de emergên-
A GNR da Guarda quis saber de
cia» no âmbito da pandemia do
onde vinham e para onde iam os
coronavírus. Em comunicado,
automobilistas que circulavam na
a autarquia raiana adianta
A25, na zona de Celorico da Beira,
ainda que está a adquirir
na tarde da passada sexta-feira e
equipamentos de proteção
quais os motivos da deslocação.
individual «para reforçar as
Na primeira ação de fiscalização
instituições de resposta social
e sensibilização do pós-prolonga-
do concelho» e continua «em
mento do estado de emergência
contacto permanente» com as
não houve detidos, nem contraor-
instituições particulares de so-
denações, apenas conselhos para
lidariedade social (IPSS) para
que as pessoas fiquem em casa na
identificar as suas necessida-
medida do possível.
des. O município está também
A operação decorreu na área
a desinfetar os espaços públi-
de serviço de Celorico da Beira,
cos em todas as freguesias e a
em ambos os sentidos, e envolveu
dar assistência às famílias na
militares das valências dos Desta-
entrega de medicamentos e
camentos de Trânsito, Territorial
de bens essenciais, bem como
e de Intervenção do Comando
a promover ações de sensibi-
Territorial da Guarda. De acordo
lização nas várias localidades.
com o capitão David Baptista,
Já a área da União de Fre-
comandante do Destacamento de
guesias de Amoreira, Parada
Trânsito, a maioria dos conduto-
e Cabreira, onde foram dete-
res abordados estavam ligados
tados seis casos de pessoas
ao transporte de mercadorias
infetadas com Covid-19, mere-
ou deslocavam-se do seu local de
ce um acompanhamento mais
trabalho para casa, ou vice-versa.
apertado por parte das autori-
«Não houve nenhuma ação que
dades para tentar conter aque-
estivesse em desconformidade
Maioria dos condutores abordados estavam ligados ao transporte de mercadorias les casos. «É uma medida pre-
com as normas em vigor», disse o
Baptista. O comandante do Des- esforço nacional de conter a pan- permanente durante cinco dias, de ventiva, não é fiscalizadora»,
oficial a O INTERIOR, adiantando
tacamento de Trânsito anunciou demia porque vamos viver uma quinta-feira a segunda-feira. As justificou António Machado.
que a GNR aproveitou a oportuni-
também que a GNR vai reforçar Páscoa excecional num período únicas exceções permitidas são De acordo com o presidente
dade para recordar aos automobi-
a fiscalização nesta quadra, «não excecional». para deslocações em trabalho. As da Câmara, ainda chegou a ser
listas as restrições à circulação no
só nas principais vias, mas tam- Na véspera, o Conselho de deslocações de carro, durante os ponderado aplicar um cerco
período da Páscoa.
bém nos acessos às localidades Ministros aprovou medidas restri- novos 15 dias de estado de emer- sanitário na referida União de
«De 9 a 13 de abril não se
e à Serra da Estrela, uma zona tivas da liberdade de circulação e gência, ficarão também limitadas Freguesias, mas «não se veri-
pode circular fora do concelho
muito procurada nesta altura do mobilidade no período da Páscoa. a um número máximo de duas ficou oportuno fazer, tendo-se
de residência, salvo as exceções
ano». De resto, o capitão apela Entre elas está o confinamento dos pessoas por veículo ligeiro, sendo optado por um controlo maior
constantes do Decreto Regula-
à colaboração de todos «neste cidadãos ao concelho de residência execção os familiares diretos. naquela zona».
mentar nº2-B», lembrou David

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14 • • Quarta-feira • 08 de abril de 2020

crónica
Júlio Sarmento *
POLÍTICA opinião
Fernando Pereira
Pelo sonho não vamos!
Não vou falar da situação prevalecente no país e no mundo, guerra. Hoje, esse eterno balão de oxigénio, que vai minorando o
A ilusão porque sobre isso fala tanta gente, que a minha opinião, de quem
não sabe nada do assunto, só exponenciaria a maioria das asnices
número de pessoas que o Estado tem que sustentar em situação de
inatividade, está condicionado pela pandemia do ferrete económico
As pessoas pareciam andar longe das quotidianas! em destinos habituais da nossa emigração, que levarão muitos anos
inquietações dos governantes na obsessiva Estou a reler algumas passagens do “Pós-Guerra”, de Tony Judt, a recuperar deste abanão profundo.
preocupação com as contas públicas. a história da Europa desde 1945, para conseguir perceber qual vai Estou muito pessimista, até porque o centro económico tem
As funções básicas do Estado que aco- ser o futuro do país quando chegar a altura do “lamber as feridas”. passado paulatinamente para a Ásia, para países de grande produção
dem ás urgências das pessoas descuradas e Tive curiosidade em ver o que se fez na Europa nos anos ontem, e de regras draconianas no mercado laboral, o que em rigor é uma
iludidas pela engenharia da desorçamentação, os que se seguiram à guerra, e o esforço que as populações dos perfeita antítese dos direitos sociais dos trabalhadores europeus
que procurava enganar e mascarar as contas países destruídos pela devastação tiveram que fazer para reerguer conquistados com muitas lutas. A China, Coreia do Sul e também o
que o Estado apresentava ao povo. a economia e conseguirem dar uma dignidade mínima de vida aos Japão têm grande liquidez e não escondem a avidez para investirem
Mas os ventos da história sopraram cidadãos. Nem tudo foi sempre “low-cost”! numa Europa onde o consumo é elevado. As contrapartidas serão
apocalípticos para quem não soube antecipar Neste reviver o passado na Europa estamos a olhar para o futuro ainda mais gravosas do que foram os acordos de comércio assinados
os tempos. do espaço económico que foi projetado para ser comum, mas onde entre a UE e a China que levaram à destruição de um sector têxtil
Tempos de incerteza aguda, que vivemos há alguns mais comuns que outros, e a quem a outros o comum importante no país, isto para dar um pequeno exemplo do que foi
em todos os domínios, exigiram uma rápida, causa engulhos. «A história repete-se sempre, pelo menos duas uma tragédia para pequenos países como Portugal.
progressiva e complexa alteração de priorida- vezes», disse Hegel na “Filosofia da História”, ao que Marx no “18 António Costa, numa recente entrevista, disse que «Portugal
des públicas. A saúde das pessoas está agora de Brumário de Luis Bonaparte”, contrapõe que ele se terá esque- terá de voltar a produzir o que se habituou a importar da China».
no centro de todas as preocupações, numa cido de dizer que «primeiro como tragédia, segundo como farsa»! Estranho que se tenha lembrado agora o que já há 40 anos se anda
tensão permanente, com a busca desesperada Pois, nada será como dantes a partir de agora por vários moti- a avisar, que a destruição sistemática do sector produtivo ia inevita-
de segurança que elimine completamente a vos. A hecatombe na frágil estrutura empresarial portuguesa, com velmente ter consequências e esta epidemia pôs a nu as fragilidades
incerteza dos tempos. É a lei da natureza a falências e encerramento de empresas e pequeno comércio, levará da “economia de sucesso” que tem vigorado.
abrir brechas em muitas torres de marfim. a uma horda de desempregados com consequências imprevisíveis Não vale muito a pena “chorar sobre o leite derramado”, mas a
Num mundo em que a socialização da num harmonioso e desejável equilíbrio social do país. A emigração persistir-se nos erros acabaremos num suicídio económico coletivo e
vida é crescente. A interdependência é pro- ao longo de mais de um século foi sempre a tábua de salvação de as gerações vindouras passarão francamente mal, e a nossa geração
gressiva e as estruturas sociais cada vez mais muita gente, principalmente deste interior, socorrendo-me do livro será culpabilizada por tudo o que de mau sobrevier.
extensas. Adivinham-se problemas sociais de Judt para lembrar, a título de exemplo, o quão importante foi a E não tem nada a ver com o texto, mas desqueça-se: “Vale mais
e económicos de que se mostram já sinais. mão de obra portuguesa na recuperação de uma França do pós- confinado que finado”.
Vão crescer as dificuldades e faltar as coisas.
Empresas que fecham portas. Desemprego e
carência nas pessoas. A terra um deserto. A
natureza esmagada.
A ilusão de que o Estado tem dinheiro
para acudir às urgências económicas es-
barra na teia de burocracia ali colocada para
esconder as dificuldades. São tempos novos,

#FiqueEmCasa
mas processos velhos. O drama de esperar
por nada. A espera sem sentido à espera que
acabe.
A história não é um romance. Não basta
imaginar e compor. Tem um preço e obriga-
ções para aceitar. Numa prestação intermi-
nável. A mudança de caminho também não
é gratuita. Muda o risco, muda o preço. Não
www.ointerior.pt
haverá futuros fáceis.
Todos temos de percorrer o caminho da
coragem. Olhar o mundo em processo de
mudança. Lutar para reinventar. Acreditar,
acreditar que é possível.
Porque há sempre um amanhã. E amanhã
sempre tudo estará melhor. O vírus, o medo, a cegueira
* Antigo presidente da Câmara de
Trancoso e atual presidente da mesa da Jorge Noutel
crónicaPOLÍTICA e o pão
Assembleia Distrital do PSD da Guarda A crescente difusão da Covid-19 por todo o planeta é preo- e de um milhão de infetados em todo o mundo. Para a semana será
cupante. Alguns consideram que o alarme criado é apenas uma muito pior. E na seguinte ainda pior, numa progressão infernal que
“cortina de fumo” para esconder outros problemas; outros analisam teremos dificuldade em digerir. Por isso, se ao nível da saúde os
o problema de forma algo ingénua, como se o vírus fosse apenas problemas são aqueles que começamos a perceber, ao nível do
Diretor e Editor: Luís Baptista-Martins • Rua
da Corredoura, 80 - R/C Dto - C • 6300-825 algo que faz parte da natureza, sem qualquer relação direta com o próprio sistema internacional as consequências serão devastadoras.
Guarda • sistema social. Ora, a meu ver, ambas as posições estão erradas. Arriscamos assistir – a vários níveis – a uma barbárie que a Huma-
Mesmo que uma parte dos media adira a teorias da conspiração nidade recente nunca vivenciou, de que os episódios de pirataria de
Redação: Luis Martins (Chefe de Redacção) e Sofia Craveiro. •
Conselho Editorial: António Ferreira, Nuno Amaral Jerónimo, e a todo o tipo de especulações sobre as origens e consequências Estado praticada sobre aviões com máscaras e outro equipamento
Cláudia Quelhas, João Canavilhas, José Carlos Alexandre, Diogo desta crise, e que alguns governos possam tentar ocultar ou criar médico são apenas um vislumbre.
Cabrita e Maurício Vieira.
factos sensacionalistas, é impossível negar as evidências. A reali- A vulnerabilidade e decadência do sistema manifestar-se-á de
Colunistas e Colaboradores: Acácio Pereira, Albino Bárbara, dade que nos atropelou é de uma gravidade extrema. forma cruel, com ataques às condições de trabalho, aumento do
Ângela Guerra, António Costa, António Ferreira, António Com o número de mortes e de infetados a crescer vertiginosa- desemprego estrutural, violência e mortes crescentes, exploração,
Godinho, Cláudia Quelhas, David Santiago, Diogo Cabrita,
Eduardo Lourenço, Fernando Pereira, Fidélia Pissarra,
mente na maior parte do mundo, já se percebeu que um fenómeno miséria e fome de milhões de pessoas. Esta pandemia ocorre quando
Frederico Lucas, Hélder Sequeira, Honorato Robalo, João natural – a mutação de um vírus e a sua entrada e disseminação algumas economias – como era o caso da norte-americana – estavam
Canavilhas, Joana C. Pereira, Joana Dente, João Mendes Rosa, numa outra espécie – foi altamente facilitada pelo sistema global a atingir o pico e outras já se encontravam há algum tempo em fase
João Morgado, João Santiago Correia, Joaquim Igreja, Jorge
Noutel, José Carlos Alexandre, José Carlos Breia Lopes, José
em que hoje vivemos. Não esqueçamos que esse sistema, a que de estagnação. Na verdade, já não existia crescimento económico
Pires Manso, Júlio Sarmento, Melanie Alves, Miguel Castelo muitos chamam globalização, assenta em graus acentuados de líquido, dado que o aumento da dívida excedeu o crescimento eco-
Branco, Miguel Moreira, Miguel Sousa Tavares, Norberto competição e de barbárie social, fruto de valores que colocam no nómico nas principais economias mundiais.
Gonçalves, Nuno Jerónimo, Telma Madaleno e Víctor Afonso.
Desporto: António Silva, Arlindo Marques, Cristina Sofia, pódio a competição, o esmagamento da concorrência, e a finança Por isso, uma recessão era um cenário inevitável já antes do
Daniel Soares, José Luís Costa, Miguel Machado e Rui Geraldes. como a divina religião do momento. surto. Estruturalmente, sofremos de um problema de “crescimento
• Cartoon: Maurício Vieira. • Paginação: Jorge Coragem • Incapazes de perceberem o que aí vinha, e sempre descrentes eternamente lento”. Dados demográficos de envelhecimento, dívidas
Projeto Gráfico: Maurício Vieira. • Departamento Comercial:
Natalina Martins • Impressão: FIG-Indústrias Gráficas, S.A. em quem em devido tempo os avisou, a generalidade dos líderes acumuladas astronómicas e mudanças tecnológicas insuficientes
• Rua Adriano Lucas – 3020-430 Coimbra • Telefone 239 499 mundiais desconsiderou o perigo real do vírus. Agora, correm atrás constituíram-se num problema para todas as tentativas de rever-
922 • Fax 239 499 981 • e-mail: fig@fig.pt • Sede, Redação e
do problema. As consequências serão devastadoras. Há inclusive são da prevista desaceleração económica. Estamos e estaremos
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Guarda N.I.P.C. – P-504847422. • Nº de registo na ERC: 123436 peritos que afirmam, sem quaisquer reservas, que as sequelas num processo dicotómico grave de “estagnação” e de “inflação”
• Depósito Legal:146398/00 • Tiragem desta edição: 5.200 que o vírus deixará nos infetados será irreversível. Que ele, sem caracterizado por queda da procura, da atividade comercial, da
exemplares • Periodicidade: Semanário • Edição Internet: O
Interior • Propriedade: JORINTERIOR - Jornal • O Interior,
cura ou com ela, irá permanecer por muitos e largos anos entre produção, etc., aumentando em simultâneo o preço médio dos bens
Ldª. Detentores com 5% ou mais do capital da empresa: José Luís nós, ninguém duvide, já que os cerca de 8 mil milhões de almas e serviços (inflação).
Carrilho Agostinho de Almeida e Luís Baptista-Martins. que pululam por aí não vivem todas no mesmo planeta material e O que aí vem não vai ser bonito de se ver. Há um velho ditado
Estatuto Editorial: https://www.ointerior.pt/ficha-tecnica/
financeiro. que afirma que em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém
• Guarda - Redacção/Publicidade: Este é e sempre será o maior problema desta pandemia – a tem razão. O problema é que uma boa parte do mundo se arrisca a
2 7 1 2 1 2 1 5 3 • w w w. o i n t e r i o r. p t • saúde pública. É só olhar para os números: mais de 50 mil mortos nem sequer ter casa aonde não haver o tal pão…
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Quarta-feira • 08 de abril de 2020 • • 15

Opinião
Ovo de Colombo
opinião
Fatoumata Diawara Nuno Amaral Jerónimo
extremo.acidental@gmail.com
Observatório de Ornitorrincos
DR

Psicanálise dos contos de fadas (que nos


impingiam)
Um dos meus passatempos preferidos durante económicas para sustentar mais filhos.
este confinamento causado pelo estado de emergência Este coronavírus parecia o sonho húmido dos
global tem sido ler e ouvir as ideias feitas mais repetidas catastrofistas da demografia, sempre alarmados com
da última semana e compará-las com as ideias feitas a pirâmide etária causada por baixa natalidade e longa
mais repetidas dos últimos anos. É fascinante ver como esperança média de vida. Alguns destes frequentam
chavões postados no Instagram para se parecer moder- os governos europeus. Seria de pensar que veriam
ninho antes e os escritos agora são mais incoerentes do nisto uma boa oportunidade de resolver o problema do
que o presidente do Benfica em entrevistas na televisão. envelhecimento da população com que nos maçavam
Nas discussões sobre a eutanásia, uma das prio- com muita regularidade. Afinal não viram.
ridades políticas da esquerda portuguesa pré-vírus, O nosso primeiro-ministro valentão exclama agora
uma jovem mulher foi muito enxovalhada pela opinião que as vidas não têm preço. Há 20 anos, o mesmo
Joana Rebelo uma carreira musical. pública dominante por empunhar um cartaz que dizia António Costa era ministro da Justiça quando o Estado
A sua música é muito ligada “Não matem os velhinhos”. Imagino como se deve sentir português recorreu de uma sentença judicial que con-
Fatoumata Diawara nasceu à cultura ancestral de Wassoulou, ambivalente tal moça nesta altura. Triste, porque há um denava o Estado a pagar uma indemnização aos pais
na Costa do Marfim, filha de pais cantando principalmente em bam- vírus que mata mesmo velhinhos sem lhe dar atenção, e de duas crianças que haviam morrido nas piscinas do
naturais do Mali. Aos 18 anos, bara, a língua tradicional do Mali. feliz, porque todos os que a apoucaram rasgam hoje as Aquaparque. Que coerência. Como as vidas não têm
desejando construir o seu próprio Apesar de algumas das suas letras vestes com a mesma frase que antes parodiaram. Hoje preço, não adiantava pagar indemnização aos pais. Só
percurso, desloca-se para França serem incompreensíveis para a toda a gente levantaria esse mesmo cartaz. Para azar da faltou dizer-lhes: “Em vez de vir para a piscina, tivessem
em perseguição de uma carreira maioria dos seus ouvintes, a sua jovem, não podem sair à rua todos juntos. ficado em casa em confinamento”.
como atriz. força e sentimento de independên- Há quem já se congratule com o aumento da na- Os pedagogos podem tirar desta situação um
Alguns anos mais tarde, após cia são facilmente reconhecidos. talidade no fim deste ano, resultado do confinamento. grande ensinamento. Tanta conversa sobre os afectos, e
participar em vários projetos cine- Fatoumata Dawara é também uma Eu teria menos euforia. Por um lado, os animais em afinal é o medo o grande catalisador social. Razão tinha
matográficos, começa a construir das figuras mais vocais em defesa cativeiro tendem a procriar menos. Por outro lado, o Bruno Bettelheim. Se não há uma bruxa, ou uma ma-
a sua ligação com a música e a da independência da mulher e vamos todos ficar mais pobres, e com certeza os pro- drasta, que seja um coronavírus a mandar a Cinderela
criar um som próprio, influenciado igualdade de género, tendo vivido gressistas não se terão esquecido do mantra com que para casa ou a pôr a Bela Adormecida de cama.
por sonoridades tradicionais de em comunidades onde as mulhe- nos catequizavam, repetindo que as mulheres precisam
Wassoulou, uma região do sul res não têm voz. A cantora tem de interromper a gravidez por não terem condições * O autor escreve de acordo com a antiga ortografia
do Mali, e inúmeras outras que sido uma grande inspiração para
foi colhendo ao longo das suas as mulheres que crescem nestas

do Leitor
viagens. Fatoumata aprende so- comunidades e tem utilizado as Espaço
zinha a tocar guitarra e começa a suas letras e várias parcerias
escrever as próprias músicas. Ao musicais como forma de denun- Público
longo dos anos continua a parti- ciar algumas práticas no país, na
Carta aberta ao Excelentíssimo Senhor
cipar em filmes e peças musicais
e, simultaneamente, a perseguir
esperança de provocar alguma
mudança.

Espaço público
Presidente da Câmara Municipal da Guarda,
Jornais não transmitem vírus Dr. Carlos Chaves Monteiro
João Palmeiro* causado novo coronavírus. Exmo. Senhor Presidente da Câmara, maioria desses idosos aufere das suas pensões um valor
Alguns jornais ingleses avançaram Uma prática, portanto, que deve consideravelmente inferior ao salário mínimo nacional,
há alguns dias com uma afirmação, ser adotada quando se pega em qual- Vivemos num dos concelhos com maior índice de não podendo portanto, dar-se ao luxo de poder adquirir
atribuída à Organização Mundial da quer objeto. Não há registo de qualquer envelhecimento a nível nacional, em que a maior parte alimentos e produtos de primeira necessidade aos preços
Saúde (OMS), segundo a qual as notas caso de contaminação provocado dessa população idosa vive isolada e sem qualquer meio inflacionados normalmente praticados pela vasta maioria
de dinheiro e, por analogia, os jornais pelo contacto com jornais e revistas de transporte à disposição, pelo que contactei individual- dos pequenos comércios locais.
em papel seriam transmissores do em papel. A única coisa felizmente mente, a título pessoal e por via telefónica, cada uma das 5 Torno a repetir que estamos num estado de emer-
novo coronavírus. Essa informação “contagiosa” nesse bom hábito, é a grandes superfícies comerciais da cidade da Guarda (Lidl, gência nacional, pelo que neste momento a sobrevivên-
rapidamente se espalhou e foi reprodu- propagação de informação rigorosa Continente, Auchan, Pingo Doce e Intermarché), numa cia da população se sobrepõe a todos os tradicionais
zida por todo o mundo, criando naturais e credível, ao contrário de muita da tentativa de me informar sobre a possibilidade de con- interesses económicos e políticos, pelo que lhe cabe
preocupações. que circula nas redes sociais, que não seguir efetuar uma encomenda de produtos alimentares a si, com o poder que lhe foi conferido com o cargo
Ora a OMS veio desmentir tal tem a garantia de um sério tratamento com entrega ao domicílio e, com exceção do Lidl, do qual que exerce, a intervenção no superior interesse da
informação. Em comunicado divulgado jornalístico. não obtive qualquer tipo de resposta, todas as restantes população local que de si tanto depende, de forma a
recentemente, a sua porta-voz, Fadela Portanto, a Associação Portugue- superfícies comerciais informaram que não efetuam o tipo que, pelo menos, a população mais vulnerável, se possa
Chaib, afirma que as palavras da OMS sa de Imprensa recomenda ao público de serviço posto portanto em causa. abastecer aos normais preços exercidos em loja sem
foram mal-interpretadas, pois nunca que continue a comprar e a ler jornais O país encontra-se, como já é mais que sabido, num ter necessidade de sair de casa.
foi dito que o dinheiro «era um veículo e revistas, em papel ou “online”. Tal estado de emergência, e os recursos da população mais
de transmissão do novo coronavírus». como recomenda que se sigam as envelhecida são bastante limitados, uma vez que a vasta José Delgado
O que sucedeu foi que perguntaram se recomendações das autoridades de
o dinheiro podia transmitir a Covid-19, Saúde, designadamente a lavagem das
tendo a OMS respondido que as pes- mãos, de forma frequente e minuciosa. O INTERIOR errou
soas deviam lavar as mãos depois de Por lapso, a crónica de Elsa amputada da sua frase inicial: “Elsa, de Thomas Mann”.
manusearem dinheiro. Mas isso como * Presidente da Associação Salzedas, publicada na última edição Montanha Mágica? Sabes, lembro, As nossas desculpas à autora
uma boa prática de higiene, e não por Portuguesa de Imprensa de O INTERIOR, foi indevidamente assim de repente, Magic Mountain, e aos leitores.

Participe no espaço do leitor.


Diga de sua justiça.
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16 • • Quarta-feira • 08 de abril de 2020

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As misericórdias, os lares e os testes positivos dcabrita@iol.pt
Diogo Cabrita

A política do “testar, testar, testar” que agora se realiza reivindicativos que estão. O Estado devia apoiar as instituições
Testemunho pretende alcançar um objetivo específico: saber quantos estão de proximidade com pessoas adequadas, levar a informação e o

Pedro Rabaça, infetados e onde. Certo. Para quê? Por razões científicas? Com
certeza. Tem influência no tratamento? Tem importância nas op-
saber, mas nunca aceitar estas massivas transferências. A des-
responsabilização é uma doença da sociedade contemporânea.

motorista de
ções a tomar? Não! Testar idosos sãos que estão em lares onde Concentrar idosos em instituições foi uma outra doença da
há infetados tem encaminhamentos diferentes? Até agora temos contemporaneidade e revela-se agora como o óbvio – locais de
visto uma insana transferência de idosos para hospitais militares transmissão brutal de doenças. O egoísmo é outra doença as-

pesados e hospitais onde os recursos se gastam em salas de positivos


sem doença major. Como escrevi num “guia prático para os que
sociada ao medo. Medo só tenho o meu! Dor só tenho a minha!
Afastar os velhos com testes positivos é uma declaração de
SC
tossem e panicosos” não há nada a fazer nos doentes positivos incompetência das instituições. Já sabíamos reconhecer as boas
com doença ligeira, ou sintomas que não sejam controláveis com das más instituições no programa Alert – as que enviam cada
medicação básica. minudência e as que cuidam os seus problemas. Mas sempre foi
Dores musculares, tosse, febre, dor de cabeça resolvem-se mais fácil pagar a quem nos faz a vontade, ao primo da mulher,
com paracetamol (ben-u-ron) 500 cada 6 horas intercalado com ao cunhado da tia.
outro fármaco como aspirina, nimed, nolotil. Não sugiro ibupro- Devemos transferir para quem mais sabe os que estão mais
feno (brufen) para não cair em outras controvérsias. doentes. Os outros cuidamos como se fossem positivos. Os lares
As Misericórdias que têm provedores ignorantes, incapazes e IPSS pagaram salários a médicos bons e maus e agora vão
da sua função, resolveram soltar os chacais e “salvar os seus perceber a diferença de terem os melhores e não os absentistas,
lares dos infetados”. Andam a fazer suas declarações de virgem os “transferidores”, os alarmistas. Sim porque entre os médicos
ofendida nos telejornais. Tão discretos que eram e agora tão também há de tudo.

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«Sou motorista internacional, viajo


sempre para lá de Espanha», diz Pedro
Rabaça, motorista de pesados na empresa
Transportes Bernardo Marques. Desde
o início da pandemia de Covid-19 muita
coisa mudou na rotina de trabalho deste
guardense.
«No início, quando isto começou, en-
cerraram tudo, casas de banho, espaços
de refeição, e de higiene, mas agora estão
a reabrir certos pontos, nomeadamente
em França e em Espanha», adianta o ca-
mionista, que confirma não ser sujeito a
qualquer tipo de controlo nas fronteiras.
«Não há controlo aos pesados», explica
Pedro Rabaça, acrescentando que apenas
na Polónia lhe foi medida a febre e pedi-
dos os documentos das descargas. Apesar
disso, os procedimentos rotineiros foram
alterados, reduzindo ao máximo o contacto
entre trabalhadores. «Basicamente antes,
quando chegávamos, assistíamos à carga
ou descarga. Agora não podemos efetuar
isso, ou seja, chegamos às empresas, dão-
nos o cais, encostamos e aguardamos no
interior do veículo», refere o guardense.
Equipado com máscara e luvas, o mo-
torista afirma que tem grandes precauções
no desempenho da sua profissão «não só
por mim, mas também pelos outros», mas
salienta que «desde que esteja sempre
protegido não há qualquer problema. Não
tenho medo». O medo só se adensa quando
chega a casa e entra em contacto com a
família. «Estive a semana passada em casa,
não dormi com a minha esposa nem com a
minha filha, porque uma pessoa não sabe…
São muitos dias de incubação» da doença,
afirma Pedro Rabaça. «Há motoristas,
principalmente os de mais idade, que não
se preocupam. Dizem que é uma gripe. Eu
não vejo as coisas assim, mas pronto...»,
lamenta o guardense.

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