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4.

Teoria da Empresa
O que é a produção?
A produção é, em sentido lato, o processo de obtenção de bens e serviços
através da combinação da atividade humana com os meios de produção com vista á
satisfação das necessidades humanas, cada vez mais exigentes, mais diversificadas e
mais complexas.
“Em termos microeconómicos, a combinação de fatores é decidida pela gestão
da empresa. A nível macroeconómico, a combinação eficiente que permite obter a
produção agregada de um espaço nacional resulta da interação dos mecanismos de
mercado com a intervenção reguladora do Estado.”
Em sentido económico (ou amplo), produção é todo o processo de obtenção de
bens que engloba, para alem das atividades transformadoras, todas as outras que
acrescentam utilidade aos bens (comércio, transporte, e outras atividades que
integram a distribuição) bem como as atividades produtoras de serviços (por exemplo,
ensino, enfermagem, limpeza, etc..). Assim, a produção consiste em fazer que os bens
se tornem mais uteis para a satisfação das necessidades, com ou sem transformação
material.

 Transformação material ou aumento da utilidade material;


 Transformação no espaço ou utilidade de lugar: comércio, transporte, …
 Transformação no tempo ou utilidade de tempo: comércio, armazenagem,
conservação, …
 Prestação de serviços: serviços médicos, jurídicos, de lavandaria, de lazer, de
hotelaria, …

O que é preciso para levar a cabo a produção?


Tipos de fatores de produção- uma das categorias de fatores de produção são
os inputs duráveis, isto é, não consumidos durante o processo produtivo.
Tradicionalmente os economistas classificam os fatores de produção em 3 grandes
categorias: Terra, Trabalho, Capital.
Terra: é considerado como um fator de produção primário e representa, em
sentido lato, a terra utilizada na produção agrícola e pecuária, a terra para implantação
de edifícios e outras construções, os recursos minerais e outros tais como o ar e a
agua;
Trabalho: tal como a Terra, é considerado como um fator de produção
primário; representa não apenas o tempo de trabalho humano despendido na
produção, mas também as capacidades e conhecimentos das pessoas utilizados na
produção; este fator produtivo é geralmente considerado como a chave do
desenvolvimento económico;
Capital: inclui todos os bens duráveis produzidos com o fim de produzirem ou
apoiarem na produção de outros bens ou serviços; podem ser incluídos neste tipo de
fatores produtivos as máquinas industriais, os equipamentos informáticos, os
equipamentos de telecomunicações, os equipamentos de transporte, as instalações,
entre diversos outros.
Capital não é o mesmo que riqueza

 Quem é proprietário possui riqueza, no entanto, essa riqueza só é capital se


estiver ao serviço do processo produtivo.
Tipos de capital:

 Capital financeiro: representa todos os meios financeiros de que uma unidade


produtiva pode dispor e é constituído pelo capital próprio e pelo capital alheio.
 Capital próprio: conjunto de valores constituídos pelo financiamento dos
proprietários da unidade produtiva.
 Capital alheio: conjunto dos valores que constituem o financiamento de
terceiros, isto é, o conjunto dos valores de que a empresa dispõe, mas que não
lhe pertencem.
 Capital técnico: todos os bens que possibilitam a produção de outros bens,
divide-se em capital fixo e capital circulante;
 Capital fixo: meios de produção que permanecem por períodos de laboração,
embora que desgastem ao longo do processo produtivo; ex.: máquinas,
edifícios, meios de transporte, computadores…
 Capital circulante: meios de produção (matérias-primas e subsidiárias) que
desaparecem no processo; ex.: matérias-primas, energia elétrica.
 Capital natural: todos os recursos naturais de que a sociedade dispõe e que
utiliza na satisfação das suas necessidades.
 Capital humano: força do trabalho suscetível de, através de diversos tipos de
investimento como a formação especializada e superior, poder contribuir de
forma produtiva para a economia.
Os recursos naturais encontram-se numa situação de escassez. Aqui voltamos a
deparar-nos com o problema “económico” segundo o qual: de um lado a
multiplicidade das nossas necessidades e do outro, a escassez de recursos capazes de
as satisfazer.
A combinação dos fatores de produção.
Substituibilidade dos fatores de produção.

 Produtividade é a relação estabelecida entre a produção obtida e os fatores de


produção utilizados, nesse processo, num determinado período de tempo.
 Aumentar a produtividade consiste em: produzir mais com a mesma
quantidade de fatores de produção; produzir o mesmo com uma menor
quantidade de fatores e produção.
Características dos fatores de produção
Adaptabilidade: característica que permite o ajustamento das suas
quantidades á quantidade de produção pretendida, em função do tempo disponível
para realizar (ex.: acontece uma avaria numa máquina, o trabalhador tem que saber
adaptar essa situação).
Complementaridade: dizem-se complementares na medida em que só a
presença (e combinação) do trabalho com o capital permite realizar a produção.
Substituibilidade: embora não possam ser utilizados isoladamente podem,
dentro de certos limites, substituírem-se uns pelos outros; dando origem a diferentes
combinações produtivas.

Produtividade: relaçao entre o que se gasta e o que se produz

Produtividade total: relaçao entre o valor total da produçao e o


valor total de recursos utilizados para a obter.

A determinaçao dos valores da produtividade é de especial


importância, uma vez que nos ajudam a decidir sobre o nível ótimo
de investimento.

O investimento só é compensador se o resultado obtido for


superior, a prazo, ao valor do investimento efetuado.
Produtividade:
Parcial- a relação entre o produzido, medido de alguma forma e o consumido de um
dos insumos utilizados.
Produtividade de mão-de-obra- h/h
Produtividade do capital- valor em unidades monetárias por unidade produzida.
Produtividade de tempo- o aumento da produção por unidade de tempo

Custo de produção
Custo marginal: diferentemente dos custos médios, os custos marginais referem-se ás
variações de custo, quando se altera a produção.

 O custo marginal pode também ser definido como o custo adicional de uma
unidade de produção.
 É obtido pela divisão da variação do custo total pela variação da quantidade
produzida.

Os custos marginais não são influenciados pelos


custos fixos (invariáveis a curto prazo). O custo marginal
é importante para identificarmos se vale a pena
produzir mais uma unidade de um produto ou não.
Conceito de produtividade marginal: é a relação entre
as variações do produto total e as variações da
quantidade utilizada do fator. Ou seja, é a variação do
produto total quando ocorre uma variação no fator de
produção.
Produtividade

 A determinação dos valores da produtividade é de especial importância, uma


vez que nos ajudam a decidir sobre o nível ótimo de investimento.
 o investimento só é compensador se o resultado obtido for superior, a prazo,
ao valor do investimento efetuado.
 Produtividade marginal do trabalho: indica o aumento da produção decorrente
de um investimento unitário (mais um trabalhador, uma hora de trabalho…),
em termos do fator trabalho.
 Produtividade marginal do capital: indica o aumento de produção decorrente
de um investimento unitário, em termos de fator capital.
 Combinação dos fatores produtivos a curto prazo. Lei dos rendimentos
decrescentes.
 O facto de um dos fatores produtivos ser fixo permite determinar a quantidade
ótima de um fator a utilizar, para, em casa momento, maximizar a produção.
Esta relação permitiu enunciar a lei dos rendimentos decrescentes.
Lei dos rendimentos decrescentes
A partir de um determinado nível de produção, mantenha fixa a quantidade de
um dos fatores produtivos, irão verificar-se acréscimos de produção resultantes da
utilização de unidades sucessivas do outro fator produtivo (produtividade marginal)
cada vez menores.
A lei dos rendimentos decrescentes afirma que a partir de uma dada
combinação dos fatores produtivos, como um dele é fixo, a produção vai aumentando
cada vez menos- a produtividade marginal vai diminuir e os rendimentos vão
decrescer. O estudo sobre o decréscimo da produtividade marginal dos fatores de
produção é de extrema importância, pois mostra-nos que a partir de uma certa altura
não vale a pena utilizar-se mais uma unidade de um fator produtivo sem se utilizar
mais quantidade de outro.
Deste modo, pode dizer-se que existe uma combinação ótima dos fatores
produtivos que se situará, exatamente, na altura em que os acréscimos de
rendimento, obtidos por acréscimo unitários de um fator de produção variável,
comessem a decrescer, tornando mais caro o custo de cada unidade de produto e
pondo em risco o equilíbrio geral, pois corresponde a produção com subutilização e
eventual desperdício de algum dos fatores de produção.
As economias e deseconomias de escala
A lei das economias de escala, para alem da questão da combinação ótima dos
fatores produtivos, leva-nos a considerar a dimensão ótima das unidades produtivas.
Contrariamente á situação de que se parte para o estudo da lei dos
rendimentos decrescentes- variação de um dos elementos da produção mantendo-se
invariáveis os restantes- coloca-se a hipótese de podermos fazer variar alguns ou todos
os elementos produtivos simultaneamente, e, a partir das alternativas possíveis,
encontrar a dimensão ótima da unidade produtiva.
A dimensão ótima será aquela em que se atinjam os menores custos por cada
unidade de produto produzida, com evidentes vantagens para a empresa e para a
coletividade- menores custos significam melhor produtividade, poupança de recursos,
melhores preços.

Economia de escala:
É uma diminuição do custo unitário médio de um bem
resultante do aumento das quantidades produzidas (a
quantidade de bens produzidos a que correspondem o
menor custo unitário será a dimensao ótima da produção)

Pode dizer-se que o custo de produçao tem dois elementos


distintos, dois tipos de custo:
custos fixos (matérias-primas, matérias subsidiárias);
custos variáveis (juros dos empréstimos contraídos, rendas,
alugueres).

Economias de escala
Os custos fixos (Cf): representam
despesas que uma unidade de produção
tem de realizar; independentemente das
quantidades produzidas, dentro da
dimensão para que a empresa foi
projetada.
Os custos variáveis (Cv): variam
com a quantidade produzida, como por
exemplo, os custos das matérias-primas.
Naturalmente, os custos totais
(Ct) serão o somatório dos custos fixos
com os custos variáveis.
Ao calcularmos os custos totais médios em cada combinação de fatores
produzidos iremos saber se o aumento da capacidade produtiva terá vantagens
económicas a nível de custos.
Verificamos deseconomias de escala quando, após atingir a dimensão ótima, o
preço unitário dos bens produzidos volta a aumentar.
5. Estruturas de mercado

Um mercado é um ponto de encontro entre os produtores e os consumidores


de um dado produto, isto é, entre a oferta e a procura desse bem. Correntemente, o
termo é também utilizado para analisar a formação dos preços dos vários produtos
objeto de troca. Partindo do critério da atomicidade (respeitante ao número de
vendedores e de compradores presentes no mercado), identificam-se diversas formas
(ou estruturas) de mercado.
Estruturas de mercado
É a relação entre empresas individuais e o mercado relevante como um todo e
depende:

 Do número e do tamanho relativo das empresas no setor;


 Da similaridade dos produtos vendidos pelas empresas do setor, isto é, do grau
de diferenciação do produto;
 Do grau em que a tomada de decisão por empresas individuais for
independente e não interdependente ou objeto de conluio;
 Das condições de entrada e saída no setor.

Barreiras
Algumas das principais barreiras de entrada incluem:

 Barreiras legais;
 Patentes e direitos autorais;
 Controle de recursos estratégicos;
 Grandes economias de escala;
 Vantagens de diferenciação do produto resultantes da fidelidade do
consumidor aos produtos tradicionais.
Concorrência pura ou perfeita

 Mercado com infinitos vendedores e compradores, de forma que agente


isolado não tem condições de afetar o preço de mercado. Assim, o preço de
mercado é um dado fixado para empresas e consumidores (são price-tackers).
Os produtos são homogéneos, isto é, todas as firmas oferecem um produto
semelhante.
 Aceita o preço estabelecido pelo mercado.
Concorrência monopolística

 Mais empresas a produzir um dado bem ou serviço e sem barreiras para


entrada. Cada empresa produz um produto diferenciado, mas com substitutos
próximos. Cada empresa tem um certo poder sobre os preços, dado que os
produtos são diferenciados, e o consumidor tem opções de escolha, de acordo
com a sua preferência (ex.: pasta dos dentes, sabonetes, etc…).
 O preço e a quantidade de equilíbrio não são determinados pelo mercado
(como na concorrência perfeita), mas sim quando a receita marginal iguala o
custo marginal (maximização do lucro). Os lucros extraordinários tendem a
persistir a longo prazo em mercados monopolizados.
Monopólio

 Há um controlo de um insumo ou de uma técnica, uma empresa pode controlar


algo essencial que nenhuma outra pode adquirir. Monopólio legal- ás vezes é
ilegal que mais do que uma empresa venda um produto; monopólio natural- é
resultado natural de condições especiais de susto que inibem a concorrência.
 Determina o preço a ser praticado.
Oligopólio

 Não é conveniente e não é organizado;


 A ação independente das firmas pode levar á guerra de preços;
 Para qualquer decisão têm-se que levar em consideração a reação das demais
firmas;
 Se uma firma aumentar o preço e as demais não, diminuirá vendas e perderá
mercado;
 Se abaixar preços e as demais não, poderá ganhar, mas se as outras também
abaixarem, ganhará menos mercado;
 Pesquisa o preço a ser praticado.
Formas de atuação das empresas:

 Concorrem entre si, via guerra de preços ou de promoções (forma de atuação


pouco frequente);
 Formam carteis (conluios, trustes). Cartel é uma organização (formal e
informal) de produtores dentro de um setor, que determina a política para
todas as empresas do cartel. O cartel fixa preços e a repartição (cota) do
mercado entre as empresas.
O que são carteis?
A existência de incentivos- em qualquer mercado- para a coordenação de
produção e elevação de preços de mercado. Cartel: associação de empresas que
explicitamente concordam em coordenar as suas atividades. Inclui todas as firmas num
mercado.
A colusão entre empresas, mais comummente designada por cartel (ainda que
a expressão não conste da lei), corresponde a um acordo entre empresas com
atividades concorrentes com vista a restringir a concorrência e obter assim um
controlo mais eficaz do respetivo mercado. Esse acordo pode assumir uma grande
variedade de formas, mas frequentemente está relacionado com os preços de vendas
ou o aumento desses preços, com restrições de vendas ou de capacidades de
produção, com partilha de mercados ou de consumidores, ou com o concluio noutras
condições comerciais para a venda de produtos ou serviços.
6. Contabilidade nacional
O objetivo é apresentar os principais agregados macroeconómicos, as formas
de os medir e os diversos fatores envolvidos no funcionamento da economia (famílias,
empresas, governo e resto do mundo).
A contabilidade nacional é um instrumento que permite mensurar a totalidade
das atividades económicas. É também uma técnica que tem por objetivo medir a
atividade económica de um pais nas suas diversas vertentes.
Funciona como um instrumento de análise da situação económica, de
quantificação dos objetivos de política económica e de controlo do modo como as
metas económicas vão sendo cumpridas.
Variáveis fluxo e variáveis stock
As variáveis fluxo medem-se ao longo de um período de tempo (ex.:
rendimento) e distinguem-se das variáveis stock que se medem num determinado
momento do tempo (riqueza, divida). A CN mede essencialmente fluxos.
Preços correntes e preços constantes

 Os valores podem exprimir-se a preços correntes ou a preços constantes;


 A valorização diz-se a preços correntes quando toma por referência os preços
desse mesmo ano;
 Quando a valorização é efetuada com base em preços de um outro ano, diz-se
a preços constantes desse outro ano;
 Uma série de valores a preços constantes procura refletir variações nas
quantidades (reais);
 Uma série de valores a preços correntes (nominal) reflete variações de prelos e
de quantidades.
PIB (produto interno bruto)
O PIB mede o desempenho da economia de um pais ou região, durante um
determinado período de tempo. Atendendo á ótica da produção, o PIB é definido
como o valor dos bens e serviços finais produzidos num determinado território,
normalmente um pais, durante um determinado período de tempo, a preços do
mercado.
Desta definição ressalta a questão do que se deverá entender por valor dos
“bens e serviços finais”. O “valor” (V) dos bens e serviços finais é determinado pelo
preço (a que esses bens e serviços são transacionados no mercado) vezes as
quantidades, ou seja: V=∑PQ
A palavra “bruto” (ou a letra B em PIB) significa o consumo ou desgaste de parte do
capital fixo no período considerado que não é deduzido, equivalente ás amortizações.
Este compreende o valor dos bens e serviços finais produzidos como os edifícios, o
valor dos serviços como as consultas médicas, etc… sem subtrair as amortizações.
 Soma valor adicionado em casa etapa da produção;
 PIB Nominal: PIB medido em valor corrente;
 PIB Real: PIB corrigido pela inflação.

No produto bruto nao se As amortizações (A) captam o


consideram as amortizações, resultado da depreciação de
Existe ums que correspondem ao bens produzidos em
distinçao entre o consumo de capital fixo, isto é, anteriores processos
PIB e o Produto correspondem á depreciação produtivos, os quais
Interno Liquido sofrida pelos bens de capital, transmitem o seu valor ao
(PIL) no decurso do periodo produto final, mas nao
considerado, cuja utilizaçao se correspondem a valor criado
reparte por varios periodos. no periodo.

O que evidencia que o PIL é a Quando se subtraem as


diferença entre o PIB e as Assim tem-se : PIL= PIB-A amortizações ao PIB
amortizações. obtem-se o PIL

O PIB a preços de mercado e o PIB a custo de fatores


O PIB a custo de fatores (PIBcf)
O PIB valorado aos custo de fatores, PIB cf, não contem quaisquer impostos
nem subsídios estatais, pelo que: PIBcf= ∑ valor acrescentado bruto.
Quer os impostos indiretos quer os subsídios (estes podem ser considerados
impostos negativos) não são contrapartida de qualquer valor acrescentado.
O PIB a preços de mercado (PIBpm)
A existência do Estado implica a atuação de mecanismos fiscais, como
impostos, subsídios, contribuições para a segurança social. Estes alteram o preço final
dos bens e serviços, ou são superiores ao seu custo medido pelas remunerações dos
fatores de produção quando sobre os bens e serviços incidem os impostos indiretos,
ou são inferiores a esse custo quando são objeto de subsídios estatais. O PIBpm,
considerando os impostos indiretos e os subsídios, será dado pela seguinte expressão:
PIBpm=∑ valor acrescentado bruto + Ti-S. Geralmente, o PIBpm> PIB cf, pressupondo
que o montante dos impostos é superior ao montante dos subsídios.
PIB e PNB (Produto Nacional Bruto)
O critério geográfico e o critério de residência
O PIB é o valor da riqueza produzida pelos agentes económicos dentro do
próprio pais, ou seja, é o valor do produto gerado dentro das fronteiras do pais, o que
é trazido pela palavra “interno”, diferente de “nacional” como em produto nacional
bruto (PNB), este é geralmente denominado rendimento nacional bruto (RNB).
O critério geográfico

 O PIB mede o valor da produção verificada dentro do território do pais com


base no critério geográfico, ou seja, o valor da produção global criada dentro da
geográfica territorial do pais, independentemente do critério da residência dos
agentes económicos.
O critério da residência

 Por sua vez, o rendimento nacional (RN) mede o rendimento total de todos os
agentes económicos residentes no território, o que traduz o critério da
residência, rendimento que pode ser gerado no pais e/ou no resto do mundo.
 Assim, o RN é a totalidade dos rendimentos recebidos pelos agentes
económicos residentes no território nacional, independentemente destes
rendimentos serem gerados no território nacional ou no exterior.
 O RN é um conceito baseado no rendimento enquanto o PIB é um conceito
baseado na produção.
 O RN inclui rendimentos derivados da produção do exterior e exclui os
rendimentos da produção efetuada no pais por fatores produtivos estrangeiros
e que são enviados para o exterior.
Para converter o PIB em RNB é necessário adicionar ao PIB os rendimentos
recebidos do exterior pelos residentes no país (Rm) e suibtrair os rendimentos gerados
no território e transferidos para o exterior (Rx). Ora, parte do valor deste produto foi
gerado por fatores produtivos- capital e trabalho- pertencentes a outros países, que
designamos por resto do mundo ou exterior. A parte do valor do PIB gerado por
fatores produtivos do resto do mundo, que produzem no pais, é enviado para fora do
país, (como dividendos, lucros, juros, salários, royalties, etc.).
Por outro lado, existem fatores produtivos- capital e trabalho- que estão no
exterior, criando aí valor que faz parte do PIB dos países onde é produzido, mas que é
enviado para o pais em que esses fatores produtivos têm a residência fazendo parte do
rendimento nacional do país de residência dos fatores produtivos (como dividendos,
lucros, juros, salários, etc.).
O RNB é igual ao PIB, mais os rendimentos obtidos do resto do mundo, criados
por fatores produtivos nacionais sediados no exterior (Rm), menos os rendimentos
criados no país por fatores produtivos estrangeiros e enviados para o exterior (Rx), o
que pode ser explicitado pela seguinte fórmula: RNB=PIB + Rm-Rx. Considerando o
saldo dos recebimentos do exterior e dos rendimentos enviados ao exterior, como
REX=Rm-Rx, tem-se: RNB=PIB+REX.
De um modo geral, os valores do PIB e do RNB não são coincidentes. Um país
poderá ter um PIB inferior ao seu RNB quando a parte do valor do produto criado no
país por fatores produtivos do resto do mundo é superior ao valor recebido por
produto criado no exterior por fatores produtivos nacionais, isto é, os rendimentos
enviados para o exterior são superiores aos rendimentos recebidos do exterior.
Se forem subtraídas as amortizações, a equação anterior será dada por:
RN=PIL+REX. Onde RN traduz o rendimento nacional e PIL traduz o produto interno
líquido.
Rendimento nacional (RN) e Rendimento interno (RI)
Rendimento nacional
O RN é a soma das remunerações pagas pelos empregadores dos fatores produtivos,
traduzindo-se no montante dos salários brutos, das rendas, dos juros e dos lucros, com
base no critério da residência, mas o REX, o que pode ser sintetizado na seguinte
equação: RN=Wb+J+R+π+Rm-Rx, onde:
Wb- Representa o salário bruto pago à força de trabalho (W) ;
J- É o valor dos juros;
R- É o valor das rendas;
Π- É o valor da massa de lucros;
Rm- Representa os rendimentos recebidos por residentes no país, mas criados no
exterior, representando o PIB de outros países, mas são rendimento nacional;
Rx- Representa os rendimentos criados no país, mas enviados para o exterior, que
fazem parte do PIB nacional, mas são rendimento de outros países.
Rendimento interno
No rendimento nacional, dado que se tem em consideração o critério da
residência, entram os valores do saldo com exterior (REX). Assim, pode definir-se outro
conceito da contabilidade nacional, o Rendimento interno (RI), com base no critério
geográfico, que é traduzido pela remuneração dos fatores produtivos localizados no
território nacional.
Deste modo, o Rendimento Interno será dado por: RI= RN- REX.
Relação entre o RN e o PIB
O RN é igual ao produto nacional líquido a custo de fatores, abarcando o
produto interno líquido (PIL), mais os rendimentos recebidos do exterior, menos os
rendimentos enviados para o exterior (REX): RN=PILcf+ REX.
Como foi referido, para determinar o rendimento nacional atende-se ao critério
de residência dos agentes proprietários dos fatores produtivos, enquanto que para a
determinação do PIB ou do PIL se atende ao critério geográfico da produção.
A equação seguinte relaciona o RN com o PIBpm: RN= PIBpm-A-Ti + S + Rm-Rx
onde, para alem dos significados já dados:
a- Representa as amortizações, equivalentes ao consumo do capital fixo;
Ti- Representa os impostos indiretos;
S- Representa os subsídios à produção;
O RN é igual PIBpm, menos as amortizações (consumo do capital fixo), menos
os impostos indiretos, mais os subsídios, mais os rendimentos recebidos do exterior,
menos os rendimentos enviados ao exterior. Se considerarmos o rendimento liquido
enviado ao exterior como RLX, onde RLX= Rm- Rx, podemos condensar a anterior
expressão da seguinte forma: RN= PIBpm- Ti+ S+ RLX.
O rendimento nacional (RN) traduz mais eficazmente o nível de bem-estar dos
habitantes de um pais do que o PIB ou o PIL, pois o RN consubstancia o montante de
rendimento que pode ser utilizado pelos habitantes do país. Por exemplo, um
individuo residente no exterior que detenha títulos da divida publica portuguesa,
obtém juros que fazem parte do produto interno português, mas não fazem parte do
rendimento nacional português.
O rendimento nacional resulta da contrapartida produtiva de fatores
produtivos nacionais quer estejam no pais ou no resto do mundo.
Há 3 óticas da obtenção do PIB
Existem três modos de obter o PIB; esses 3 modos correspondem ás 3 óticas seguintes:

 O PIB na ótica do rendimento (RN);


 O PIB na ótica da despesa (D);
 O PIB na ótica do produto ou do valor acrescentado.
PIB na ótica do rendimento
O PIB pode ser analisado na ótica do rendimento, como o somatório dos
rendimentos dos fatores produtivos. O PIB calculado pela soma das remunerações
pagas pelos empregadores dos fatores produtivos pode ser expresso pela seguinte
equação: R=Wb+J+R+π onde :
Wb- Representa os salários brutos pagos ao fator trabalho, representando a
remuneração total do fator trabalho (remuneração dos empregados na terminologia
do INE);
J- Representa os juros pagos ao fator capital;
R- Representa as rendas pagas;
π- Representa os lucros das empresas.
Na terminologia das contas nacionais a soma dos Juros, das Rendas e dos Lucros
(J+R+π) é denominada como excedente bruto de exploração.
PIB na ótica da despesa (D)
O PIB pode também ser medido através da despesa efetuada com o valor do
produto criado, decomposto em várias componentes:

 Consumo privado (C);


 Investimento (I);
 Gastos públicos (G)
 Exportações (X)
Estas componentes do PIBpm retiram-se as importações (M), pois não são bens
e serviços produzidos no território nacional.
Assim, o PIBpm na ótica da despesa pode ser dado pela seguinte equação: D=
PIBpm= C+I+G+X-M
O consumo
O consumo privado que é computado nas contas nacionais é consubstanciado
pela despesa efetuada pelas famílias em bens de consumo (C) produzidos no país, o
que se refere a todos os bens e serviços finais adquiridos pelas famílias, dividindo-se
estes bens em três categorias:

 Bens não duráveis: são aqueles que cuja utilidade se esgota com o seu
consumo imediato ou no período que é considerado para o PIB; duram apenas
um curto período de tempo, tais como alimentos e vestuário;
 Bens duráveis: são os que duram mais que um período temporal, cuja utilidade
se vai retirando ao longo de mais de um período, como automóveis e
eletrodomésticos;
 Serviços: traduzem a compra de serviços pessoais como consultas médicas,
consultas de advogados, representações teatrais e musicais, etc., cuja utilidade
se esgota no ato da sua produção.
Investimento (I)
O investimento traduz-se nas despesas efetuadas em bens de capital, que leva
a um aumento da capacidade produzida (∆K, representando K a capacidade produtiva),
quando o investimento líquido é positivo, ou a uma reposição da capacidade produtiva
que se traduz no investimento de reposição ou renovação, correspondente á
amortização Quando ao investimento devem ter-se em consideração os conceitos de
investimento bruto (Ib) e de investimento líquido (Il).
O investimento bruto é igual ao somatório do investimento líquido mais o
investimento de reposição (IR), ou seja: Ib=Il+IR sendo IR correspondente ás
amortizações.
O consumo publico (G)
Os gastos do Estado são traduzidos pelas despesas efetuadas pelo Estado (G)
em bens e serviços, o qual retira recursos das famílias e empresas por meio da
tributação e depende-os na compra de bens e serviços.
Conceito de estado:
O conceito de Estado para no âmbito da contabilidade nacional abrange o
Estado em sentido lato: o Estado central, as autarquias, as regiões autónomas e as
várias organizações dele dependentes, ou seja, engloba as administrações públicas.
Exportações (X) e importações (M)
As exportações e importações são importantes agregados das contas nacionais,
com efeitos substanciais na economia nacional. Na atualidade, com o mundo cada vez
mais globalizado, e sobretudo para pequenas economias muito abertas como Portugal,
o impacto das alterações económicas, sociais e políticas reflete-se diretamente no país,
sobretudo pelos efeitos negativos que emergem quando se verifica a redução de
mercados externos, como por exemplo, no que respeita a Portugal, com os mercados
de Angola e Brasil.
Ótica do produto ou do valor acrescentado a dupla contagem
O valor acrescentado liquido (VAL) de uma unidade produtiva (empresa, com
ou sem fins lucrativos), num determinado período de tempo (normalmente um ano), é
gerado no processo produtivo e integra o conjunto de salários brutos (Lw), mais o
conjunto de lucros em sentido lato, (Lπ), (integrando, além dos lucros em sentido
estrito, também as rendas e juros), o que pode ser expresso pela seguinte equação:
VAL = wL+πL onde:
W- Representa o salário médio bruto por trabalhador, sem qualquer distinção,
integrando os salários dos dirigentes;
L- Representa o número total de trabalhadores integrados no processo produtivo;
Π- Representa o lucro médio por trabalhador.
O salário bruto engloba:

 o salário bruto do trabalhador, incluindo todos os pagamentos em moeda ou


espécie; mais
 a contribuição para a segurança social (TSU) paga pelos empregadores.
Tanto o salário do trabalhador como a TSU são custos para as empresas, a qual,
TSU está intimamente ligada ao salário pago, pois é uma percentagem do mesmo. O
salário bruto também se pode denominar por “compensação aos trabalhadores” por
traduzir o custo do fator trabalho com o salário que lhe é pago (englobando todos os
pagamentos em moeda ou espécie) mais as contribuições das empresas para a
segurança social (TSU): Salário bruto= salário+ TSU.
De notar a importância da realização da produção, que se consubstancia a
venda de bens e serviços, sem a qual o lucro não se realizará.
Do rendimento disponível

O consumo das famílias é uma componente fundamental do produto na


otica da despesa, sendo uma das componentes da procura agregada.

As famílias consomem de acorddo com o seu rendimento disponivel, o que


significa que variações no rendimento disponivel afetam o consumo
agregado.

O conceito fundamental, nesse caso, é Rendimento Pessoal Disponível


(RPD), que mede a parcela do rendimento nacional que fica efetivamente
com as pessoas.

Para chefar ao RPD, partimos Rendimento Nacional (RN) e deduzinhos todas as


pacelas não distribuídas ás famílias: os lucros retidos pelas empresas (não
distribuídos aos acionistas ou detentores de quotas); os Impostos diretos e as
contribuições para a segurança social, e outras deduções.

Os números índices
Produto nominal e produto real
Uma tarefa da contabilidade nacional é separar, dentro da variação observada
dos agregados económicos em termos nominais, a parte do crescimento devida ás
quantidades, da parte que advém da variação dos preços. Os crescimento em
quantidades ou em volume é algo de positivo pois traduz um crescimento real. Uma
subida devida aos preços, denominada inflação, não traduz qualquer crescimento em
termos reais.
Suponha-se que o PIB aumentou em 5% entre 2 anos consecutivos. Se o valor
aumentou apenas devido á variação dos preços, não houve melhoria do bem estar
social, pois o PIB, em termos reais, em termos de volume, manteve-se constante. Não
houve crescimento real. Essa é a ração pela qual se distingue o Produto Nominal e o
Produto Real. O primeiro apura o valor da produção a preços constantes, isto é aos
preços em vigor no momento das transações. Está se a usar uma moeda cujo poder de
compra- medido em produtos que ela permite adquirir- diminuiu, tendo-se verificado
inflação. As comparações entre anos diferentes usam moedas nominalmente iguais,
mas distintas em termos reais ou de poder de compra.
Os números índices
Um número índice é geralmente definido como uma média ponderada dos preços
relativos para as componentes individuais do índice.

 O preço relativo é a razão do preço corrente do item i (Pit) para o preço do


período base do mesmo item (Pi0):
Preço relativo = Pit/ Pi0

 Por exemplo, se o preço de um bem no período corrente é de 138€ e no


período base era de 120€, temos:
Preço relativo = 138 € / 120 € = 1,15

 O número índice será dado por:


número índice = 1,15* 100=115

 ou, em percentagem:
número índice = (1,15 -1)*100 =15%
Os números índices caracterizam-se por serem um importante instrumento de
medidas estatísticas, frequentemente usados para comparar variáveis económicas
relacionadas entre si, para obter uma análise simples e resumida das mudanças
ocorridas ao longo do tempo ou em diferentes lugares.Os índices podem ser:

 Índices de preços;
 Índices de quantidades ou volume;
 Índices de valor.
O Índice de Preços é um indicador que reflete a variação de preços de um bem ou
conjunto de bens e serviços entre momentos no tempo.
O Índice de quantidades ou de volumes representa as variações das quantidades de
um bem ou conjunto de bens e serviços produzidos, vendidos, consumidos, etc, entre
momentos no tempo.
O índice de valor é um indicador que representa as variações dos preços em relação às
quantidades em momentos diferentes do tempo (v=pQ).
Índice de preços no consumidor (IPC)
O índice de preços no consumidor (IPC) é uma média ponderada que tem por
base uma “cesta” ou “cabaz” composta por bens finais adquiridos pelo consumidor
típico, tomando por base desse consumo um determinado ano, com ponderações
diferentes para cada grupo de bens finais afins, em função do seu peso na despesa
efetuada pelo consumidor, na aquisição desses bens e serviços. O IPC é uma medida
de variação média temporal dos preços de um conjunto de bens e serviços finais
adquiridos pelos consumidores, conjunto denominado cabaz de bens e serviços, que
inclui alimentação e bebidas, vestuário e calçado, habitação, segurança, saúde e
educação e todos os demais bens e serviços utilizados na vida quotidiana. A
ponderação do IPC é elaborada de acordo com a importância económica atribuída a
cada classe de bens, no conjunto das despesas efetuadas pelo consumidor típico,
normalmente, a família típica.
Ou seja, os pesos ou fatores fixos atribuídos a cada classe de bens (alimentação
e bebidas, vestuário e calçado, educação, saúde, habitação, etc.) são função da
importância relativa no orçamento do gasto médio do consumidor típico. Esta
ponderação é estimada a partir de amostras de inquéritos aos consumidores,
normalmente efetuada, em Portugal, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Classes de bens incluídos no IPC

 Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas;


 Bebidas alcoólicas e tabaco;
 Vestuário e calçado;
 Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis;
 Acessórios para o lar, equipamento doméstico e manutenção corrente da
habitação;
 Saúde;
 Transportes;
 Comunicações;
 Lazer, recreação e cultura;
 Educação;
 Restaurantes e hotéis;
 Bens e serviços diversos.
Índice harmonizado de preços
“Em Portugal também se usa o ÍNDICE HARMONIZADO DE PREÇOS no
consumidor (IHPC, em inglês: Harmonised Index of Consumer Prices) que é o índice de
preços ao consumidor do Banco Central Europeu, utilizado pelos países da União
Europeia.
A palavra harmonizado significa que estes índices de preços são calculados a
partir de um “cabaz” que é igual para todos os países membros ou seja os produtos
que integram os cabazes em cada um desses países são os mesmos.”