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Farmacologia do

Sistema nervoso central


Prof. Fúlvio R. Mendes
Classificação dos fármacos psicotrópicos
(modificado de Delay-Deniker)

DEPRESSORES ESTIMULANTES PERTURBADORES


(Psicolépticos) (Psicoanalépticos) (Psicodislépticos)
• ansiolíticos • estimulantes do SNC • alucinógenos
• hipnóticos / • antidepressivos
sedativos
• reforçadores da cognição
• neurolépticos
• anticonvulsivantes Parapsicotrópicos

• analgésicos NEUROPROTETORES

• anestésicos • anti-Parkisonianos
Exemplos de fármacos psicotrópicos

Classificados segundo a estrutura química:


benzodiazepínicos, tricíclicos, butirofenonas

Classificados segundo o alvo bioquímico / mecanismo


de ação:
inibidores da MAO, bloqueadores dopaminérgicos, agonistas opióides

Classificados pelo efeito geral que produzem:


psicoestimulantes, depressores, alucinógenos

Classificados segundo o uso clínico:


ansiolíticos, antiepilépticos, antipsicóticos
Transmissão química no SNC
• Neurotransmissores
– liberados pelos terminais pré-sinápticos
– produzem resposta rápida ou moderada
• Neuromoduladores
– liberados pelos neurônios e astrócitos
– respostas mais lentas
• Fatores neurotróficos
– normalmente liberados pelas células não neuronais
– ação lenta: regulam expressão gênica e crescimento
neuronal
A mesma molécula pode funcionar como neurotransmissor ou
neuromodulador dependendo do local onde vai agir.
Neurotransmissores estimulantes:
Glu, Asp, NA, DA, 5-HT e Ach.
Neurotransmissores depressores:
GABA, Gli, 5-HT, DA, NA, Ach e peptídeos opióides.
Ação de fármacos no SNC
• Os fármacos atuam geralmente sobre
receptores, enzimas ou proteínas
transportadoras

• Os sistemas de neurotransmissão no SNC estão


relacionados com diversas vias e funções

• A variedade de isoformas moleculares dos


receptores e outros alvos torna complexo o
entendimento do seu funcionamento e a busca
por fármacos ideais
Interferência com a neurotransmissão
Neurônio
pré-sináptico

Neurônio
pós-sináptico
Depressão
Variação de um estado emocional que no comportamento
humano pode se apresentar como apatia, tristeza,
irritabilidade, desesperança, etc.

Os antidepressivos promovem melhora do estado de humor após 2-3


semanas de uso
Classificação dos
antidepressivos

• Antidepressivos tricíclicos (ADT)


– imipramina
• Inibidores da monoaminoxidase (IMAO)
– clorgilina
• Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)
– fluoxetina
• Outros antidepressivos seletivos
– reboxetina (ISRN)

 Nova geração: drogas atípicas


Antidepressivos tricíclicos

– Imipramina (Tofranil)
– Clomipramina (Anafranil)
– Nortriptilina (Pamelor)
– Amitriptilina
– Amoxapina
– Maprotilina
– Desipramina
Antidepressivos
tricíclicos
 Bloqueio da recaptação de NA e
serotonina

 Efeito a médio-longo prazo:


modulação da sinapse via
receptor pré (regulatório)
– Efeito inicial moderado
– Envolve regulação de
receptores e da liberação
vesicular
Outras alterações do uso crônico:
Induzem aumento dos níveis de AMPc e
de fatores de transcrição (CREB e BDNF)
no neurônio pós-sináptico
Farmacocinética dos ADTs

 Rápida absorção oral


 Alto teor de ligação plasmática e boa distribuição (elevada
lipofilicidade)
 Metabolizados pelas enzimas do sistema citocromo P450
 Eliminação pela urina e fezes
Metabolismo dos ADTs
 Tricíclicos são metabolizados principalmente por
reações de oxidação + conjugação
 Desmetilação muitas vezes leva à formação de produtos
ativos.
Efeitos adversos dos ADTs

 Relacionados principalmente com suas ações


autonômicas
 Efeitos simpáticos: boca seca, retenção urinária, disfunção
sexual, alterações cardiovasculares, etc.
 Hipotensão postural (por ação no centro vasomotor bulbar),
taquicardia reflexa, etc.
 Ocorrem interações com outros antidepressivos,
neurolépticos, psicoestimulantes e barbitúricos
 Escolha do fármaco ideal deve levar em conta o
histórico do paciente
Antidepressivos inibidores da MAO

(selegilina)

– Fenelzina*
 Subtipos de MAO / substrato:
– Tranilcipromina*
– MAO A: NA, 5-HT, (DA)
– MAO B: DA, feniletilamina, benzilamina – Clorgilina (MAO-A)
e triptamina – Selegilina (MAO-B)
 IMAO reversíveis X irreversíveis: – Moclobemida (MAO-A)
– Síndrome hipertensiva – Iproniazida
* iMAO irreversíveis não seletivos
Antidepressivos inibidores da MAO
 Fármacos atualmente de segunda escolha
 Efeito tardio também é explicado por mecanismos regulatórios
– Ocorre diminuição do número de receptores acompanhada de uma
“up regulation” dos mecanismos intracelulares
Farmacocinética dos iMAOs

 Todos os iMAO são bem absorvidos por via oral e


atingem pico de concentração plasmática entre 1 a 5h
 Derivados hidrazínicos: clivagem em compostos ativos
 Derivados não hidrazínicos: ligam-se diretamente à MAO

 Inibição irreversível da MAO requer cerca de 10 dias


para síntese de novo pool de enzimas

 Acetilação: principal via de inativação dos iMAO


Efeitos adversos dos iMAOs

 Efeitos autonômicos
 Boca seca, constipação intestinal, hipotensão ortostática,
visão turva e distúrbios geniturinários

 Crise hipertensiva pode ocorrer quando houver uso


concomitante de medicamentos com aminas
simpatomiméticas ou dietas ricas em tiramina
 Caracteriza-se por uma reação hipertensiva que pode evoluir
para hemorragia intracraniana

 Os iMAO alteram a disponibilidade de outros fármacos


metabolizados por esta enzima
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina
(ISRS)

– Fluoxetina (Prozac)
– Sertralina (Zoloft)
– Paroxetina (Aropax)
– Citalopram
fluoxetina
– Fluvoxamina

Agem de forma semelhante aos antidepressivos tricíclicos, porém


com bloqueio seletivo sobre os transportadores de serotonina
Farmacocinética e efeitos adversos dos ISRS

 Boa absorção oral


 Fluoxetina e sertralina são metabolizados em
compostos desmetilados (alguns ativos) eliminados
lentamente (meia vida longa)

 Apresentam perfil mais tolerável


 Náuseas, cefaléia, agitação, alterações de sono, ganho de
peso, etc.

 Ocorrem interações com outros fármacos devido a


inibição de isoenzimas do sistema P450
Outras classe de antidepressivos
• ISRN: reboxetina, maprotilina
• ISRSN (não tricíclicos): venlafaxina, duloxetina
• Atípicos: mianserina (antagonista 2), trazodona,
nefazodona (IRS e antagonista 2), nomifensina,
bupropiona (IRDA e outros)

ISRN: inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina


ISRSN: inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina
Antidepressivos

Dose mg/dia Nome comercial


Tranilcipromina 20-60 Parnate
Moclobemida 300-900 Aurorix
Imipramina 50-300 Tofranil
Amitriptilina 50-250 Tryptanol
Nortriptilina 50-200 Pamelor
Fluoxetina 20-60 Prozac
Sertralina 50-150 Zoloft
Venlafaxina 75-350 Efexor
Mirtazapina 15-45 Remeron
Tianeptina 25-50 Stablon
ANSIEDADE

• Resposta universal diante da antecipação de um perigo,


estresse ou conflito
– Caracterizada por respostas autonômicas, secreção elevada de
corticosterona, despertar e alerta, comportamentos defensivos e
emoções negativas

• É patológica quando desproporcional à situação que a


desencadeia, ou quando não existe uma ameaça real
Transtornos de ansiedade

• Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)


• Transtorno de pânico (TP)
• Transtornos fóbicos
• Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT)
• Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
Neurotransmissores
envolvidos na
ansiedade
• Sistema serotonérgico
• Sistema noradrenérgico
• Sistema gabaérgico
Ansiolíticos e hipnóticos

• Ansiolíticos X sedativos / hipnóticos


– Fármacos ansiolíticos apresentam ação
sedativa / hipnótica em doses maiores
– Normalmente também apresentam ação
anticonvulsivante
– Indicação dependerá da meia-vida e efeitos
colaterais
• Hipnóticos: ação curta
• Ansiolíticos: longa duração
Tratamento da ansiedade

• Ansiolíticos benzodiazepínicos
• Ansiolíticos não-benzodiazepínicos
– Agonistas 5-HT1A
– Antagonistas -adrenérgicos
– Barbitúricos (obsoletos)
– Antidepressivos
– Outros
Benzodiazepínicos
• Introduzidos na década de 60

• Estrutura
– Anel com sete elementos fundido
com um anel aromático

• Ligam-se a sítios alostéricos


do receptor GABA (sítio
benzodiazepínico)

• Usos: ansiolítico, hipnótico (na


insônia), relaxante muscular,
anticonvulsivante
(antagonista)
Complexo receptor GABAA

Os benzodiazepínicos se ligam ao sítio modulador no


receptor GABAA facilitando a abertura do canal
Farmacocinética

• Compostos com alta lipossolubilidade


• BZDs são bem absorvidos pelo TGI
• Ligação às proteínas plasmáticas (82-98%)
• Atravessam rapidamente a BHC e o início de ação é
rápido:
– ligam-se a depósitos de gordura, permanecendo mais tempo no
organismo
– maior potencial de abuso
• Atravessam a barreira placentária (podem sedar o feto)
Metabolização
Ansiolíticos benzodiazepínicos (BZDs)

BZDs Meia Vida h Dose mg/dia Nome comercial


Alprazolam 6-10 0,25-6 Frontal
Bromazepam 6-12 1,5-24 Lexotan
Cloxazolam 6-12 1-8 Clozal, Olcadil
Clorazepato 18-24 0,5-8 Tranxilene
Clonazepam 36-40 10-45 Rivotril
Clobazam 16-24 10-40 Urbanil, Frisium
Clordiazepóxido 20-90 5-75 Psicosedin
Diazepam 20-90 2-30 Valium
Lorazepam 8-16 2-6 Lorax
Midazolam: 2-4h (meia-vida curta) - uso como anestésico (iv)
CH3
O
N
 BZD mais prescrito na clínica médica
Cl N

 BZD utilizado no SUS


Diazepam
(Valium)
Efeitos indesejados dos BZDs

• Efeitos residuais: cansaço, sonolência, e torpor na


manhã seguinte
• Efeitos rebotes: insônia de fim de noite e ansiedade
durante o dia (principalmente com os BZDs de curta-
duração)
Efeitos adversos dos BZDs
• prejuízo de memória (amnésia anterógrada)
• déficit de atenção
• redução dos reflexos
• sonolência diurna
• tolerância
• dependência
• Outros efeitos mais raros:
– ganho de peso
– prejuízo da função sexual
– irregularidades menstruais
– anormalidades sanguíneas
Toxicidade dos BZDs

• Aguda (superdosagem): sedação profunda e


depressão respiratória
Tratamento: antagonista flumazenil
• Casos fatais são raros com BZDs

• Depressão respiratória é mais grave e potencialmente


fatal em combinação com álcool e outras drogas
ANSIOLÍTICOS NÃO-BENZODIAZEPÍNICOS

Agonistas 5-HT1A

• Buspirona, gepirona, ipsapirona, tandospirona:

• Efeito demora vários dias ou semanas


• Não causam sedação ou modificam desempenho
psicomotor
• Doses altas aumentam a ansiedade
• Efeitos colaterais: náuseas, dores de cabeça, tontura
• Não provocam dependência
Antagonistas -adrenérgicos

• Diminuem o componente fisiológico da ansiedade


(taquicardia, palpitações, tremores, sudorese) decorrentes
de excessiva estimulação dos receptores 2
– Ex: propranolol

• Usados nas fobias situacionais (ansiedade de desempenho)

dilatação pupilar tremor

taquicardia sudorese
Barbitúricos

• Ligam-se a sítios alostéricos no receptor GABAA


– Ex: fenobarbital, pentobarbital, tiopental

• Possuem margem de segurança estreita


– maior risco de intoxicação e overdose
• Pouco utilizados atualmente
• Causam depressão cardiorespiratória
• Interferem com o metabolismo de vários fármacos
– causam indução de enzimas do citocromo P450
Outros ansiolíticos e hipnóticos
• Zolpiden
– Rápida ação e meia vida curta
– Usado principalmente como hipnótico

• Antidepressivos ISRS
– Fluoxetina, paroxetina e sertralina;
– Certos tipos de transtornos de ansiedade, incluindo TOC e pânico.

• Antipsicóticos
– Diminuem a agitação (não são verdadeiros ansiolíticos);
– Efeito principalmente sedativo (tioridazina, clorpromazina)

• Valepotriatos: princípios ativos da Valeriana


Esquizofrenia

• Equizofrenia: atinge cerca de 1 a 2% da população

• Etiologia
– Fatores genéticos
– Fatores ambientais
• fase gestacional
• uso de maconha e outras drogas
– Alterações neuroquímicas
Esquizofrenia: características clínicas

• Sintomas positivos
– delírios e alucinações;
– distúrbios do pensamento;
– comportamentos anormais e estereotipados
• Sintomas negativos
– embotamento afetivo (nivelamento das respostas
emocionais)
– pobreza de discurso
– isolamento social
– déficits cognitivos
• Pode vir acompanhada por estados de ansiedade e
depressão
Teorias neuroquímicas

• Evidências indicam que ocorra uma hiperfunção


dopaminérgica associada a hipofunção
glutamatérgica
– Agonistas dopaminérgicos como apomorfina e
bromocriptina produzem estereotipia em animais;
– Anfetamina e outros agonistas dopaminérgicos
produzem hiperatividade em animais e quadros
psicóticos no ser humano; além de agravar os
sintomas de pacientes esquizofrênicos;
– Antagonistas NMDA (cetamina, fenciclidina e
dizolcipina) produzem sintomas psicóticos.
Fármacos antipsicóticos
• Outros nomes
– neurolépticos, antiesquizofrênicos ou tranquilizantes maiores
– o mecanismo básico de atuação é por bloqueio dopaminérgico
(especialmente de receptores D2)
• Classificação
– Típicos (primeira geração)

Inibição de D2
• ex. haloperidol e clorpromazina
– Atípicos (segunda geração)
• ex. clozapina e risperidona

Os antipsicóticos atípicos costumam ser mais seletivos sobre receptores D2,


tratam mais os sintomas negativos (embora não completamente) que os
antipsicóticos típicos e produzem menos efeitos colaterais.
Vias dopaminérgicas

• Ação antipsicótica ocorre pelo bloqueio das vias


mesolímbica e mesocortical
• Efeitos motores extrapiramidais ocorrem pelo bloqueio
da via nigro-estriatal
Fármacos de vários grupos químicos
• Fenotiazínicos
– Clorpromazina (Amplictil®), promazina, tioridazina, fluopromazina,
flufenazina
• Butirofenonas
– haloperidol (Haldol®), droperidol, penflusidol
• Tioxantenos
– flupentixol, tiotixeno, clorpentixol, clorportixeno
• Indólicos
– oxipertina, malindona
• Difenilbutilpiperidina (difenilbutilamínicos)
– pimozida, penfluridol
• Bibenzodiazepínicos
– clozapina (Clozaril®, Leponex®, sem efeitos EP), quetiapina
• Benzamidas EP = extra piramidal
– sulpirida (Equilid®), risperidona (Risperdal®)
Farmacocinética
• Antipsicóticos são altamente lipofílicos e bem absorvidos
por via oral
• Costumam também ser administrados por via injetável (im)
– preparações depot (decanoatos, etc) possuem liberação lenta e
ação por até 2 semanas
• São metabolizados no fígado (sistema P450) e excretados
pela urina (95%)
• Apresentam meia-vida em torno de 24h
Efeitos adversos
Muitos efeitos adversos decorrem do bloqueio da via
nigro-estriatal e afetam o sistema motor extrapiramidal

• Distonias agudas
– movimentos involuntários que muitas vezes se assemelham ao
Parkinsonismo
– costumam diminuir com o tempo e são reversíveis após
interrupção do tratamento
• Discinesia tardia
– movimentos involuntários da face, tronco e extremidades
– possui desenvolvimento tardio e costuma ser irreversível
– ocorrem em 20-40% dos pacientes tratados com antipsicóticos
típicos
Efeitos adversos
• Efeitos endócrinos
– ginecomastia e galactorreia
– são decorrentes do bloqueio da via túbero-hipofisária

• Outros efeitos
– sedação: diminui com o uso contínuo
– efeitos anticolinérgicos periféricos (visão turva, boca
seca, retenção urinária)
– ganho de peso, icterícia, reações urticarianas
– raramente podem ocorrer complicações mais graves
como leucopenia, agranulocitose e síndrome malígna
dos antipsicóticos
Transtorno bipolar
• Caracteriza-se por oscilações do humor, entre períodos de
estado depressivo e períodos de euforia (mania)
– Em geral o paciente se sente muito bem e não procura
atendimento médico durante os episódios de mania, mas tem
dificuldade de enfrentar os episódios depressivos
Estabilizadores do humor
• Sais de lítio
• Anticonvulsivantes
• Antipsicóticos
• Combinação medicamentosa

Lítio (Carbolim, Carbolitium)


O principal medicamento utilizado no tratamento da
fase aguda da mania e para a profilaxia; tem um efeito
estabilizador do humor, sem levar ao embotamento afetivo
Sais de lítio

• Carbonato de lítio (principal)


• Citrato de lítio
• Cloreto de lítio

• O carbonato de lítio é de fácil manipulação, por ser


produto mais estável e menos irritante ao intestino
• Precisa de 1-2 semanas para atingir concentrações
celulares efetivas
• Possui intervalo de segurança muito pequeno e portanto
sua concentração precisa ser monitorada
Mecanismos de ação do lítio
Ainda não é muito bem entendido como o lítio produz seu efeito de estabilização
do humor, mas postula-se que ele atue através de vários mecanismos

• Interferência com a bomba de Na/K


– O lítio substitui o Na+ e afeta a propagação do PA

• Inibição da liberação de monoaminas induzida por


despolarização
– Inibição dos canais de Ca++ voltagem dependentes

• Interfere com o Ca++ e Mg+ e inibe a atividade da


adenilato ciclase e da PKC

•  captação de triptofano e  autorreceptores inibitórios:


aumento da neurotransmissão de 5-HT
Transtorno bipolar: outros tratamentos farmacológicos

• Anticonvulsivantes
– Ex. ácido valpróico, carbamazepina, gabapentina

• Antipsicóticos
– Antipsicóticos atípicos têm sido usados na fase
aguda da mania

• Benzodiazepínicos
– Diminuem a agitação e ansiedade
Convulsão / Epilepsia
• Convulsão: crise aguda
• Epilepsia: distúrbio caracterizado
rela ocorrência de convulsões
recorrentes e imprevisíveis
– afeta cerca de 0,5% da população

• As crises epilépticas podem ser parciais ou


generalizadas
• Podem também ser classificadas como simples
(sem perda da consciência) ou complexas
Tipos de crises e características

A) EEG normal
B) crise generalizada “grande
mal” – tipo tônico-clônica
C) crise generalizada “pequeno
mal” – tipo crise de ausência
D) crise parcial

• O estado de mal epiléptico consiste na atividade


epiléptica ininterrupta
Fármacos antiepilépticos e
anticonvulsivantes
• Aumentam a transmissão GABAérgica
– inibição geral do SNC
– drogas ansiolíticas e hipnóticas em doses elevadas
inibem crises convulsivas

• Inibidores dos potenciais de ação


– inibidores dos canais de Na+ voltagem-dependente
• utilizados no tratamento das crises parciais
• aumentam o estado de inatividade pós-descarga
– inibidores dos canais de Ca++ voltagem-dependente
• utilizados no tratamento das crises de ausência
Classes dos antiepilépticos
• Barbitúricos
– atuam sobre os receptores GABA (produzem sedação)
– fenobarbital (Gadernal®), primidona, barbexacona
• Benzodiazepínicos
– potencializam ação do GABA (produzem sedação)
– diazepam (Valium®), clonazepam (Rivotril®), clobazam
• Hidantoínas
– estruturalmente relacionados aos barbitúricos; mas não produzem
ação hipnótica. Agem nos canais de Na+
– fenitoína (Hidantal®), etoína, mefenitoína
• Dibenzazepinas
– compostos tricíclicos semelhantes à imipramina, atuam sobre o canal
de Na+
– carbamazepina, oxcarbazepina
Classes dos antiepilépticos
• Ácido valpróico / derivados
– inibem a GABA-transaminase (além de outros mecanismos incertos)
– ácido valpróico ou valproato
• Succinimidas
– inibem canais de Ca++ tipo T
– etossuximida, metossuximida

• Antiepilépticos considerados mais modernos


– vigabatrina: inibidor da GABA transaminase
– lamotrigina: atua em canais de Na+ e inibe liberação de aminoácidos
excitatórios
– gabapentina: parece ligar-se aos canais de Ca++ tipo T
– Outros: felbamato, tiagabina, topiramato, levetiracetam, zonisamida
Farmacocinética

• Existem fármacos de classes químicas muito diferentes e


com tempo de absorção e meia-vida variando bastante

• Alguns são eliminados de forma inalterada, mas a maioria é


metabolizada no fígado

• Vários antiepilépticos causam indução enzimática e


produzem interações com outros fármacos
Efeitos adversos

• Os agentes com ação GABAérgica produzem sedação


– Fármacos barbitúricos devem ser utilizados com maior cautela

• Podem ocorrer ataxia, náuseas, vertigem, anorexia, entre


outros efeitos com a maioria dos antiepilépticos

• Risco de lesão hepática: carbamazepina e felbamato

• Fenitoína, valproato e topiramato são teratogênicos


Doenças Neurodegenerativas
• Perda progressiva e irreversível de neurônios
• Ocorrem em regiões específicas do SNC
• Caracterizam-se por desenvolvimento tardio

Exemplos:
Doença de Parkinson (DP)
Doença de Alzheimer (DA)
Doença de Huntington (DH)
Esclerose Amiotrófica Lateral (EAL)
Doença de Parkinson
• Geralmente idiopática

• Características
• Rigidez Muscular
• Tremor em repouso
• Bradicinesia e inércia do sistema motor
• Comprometimento do equilíbrio postural
• Em estágios avançados também ocorre déficit cognitivo
• Progressão: estado rígido e acinético/complicações de mobilidade
(pneumonia respiratória - embolia pulmonar)

• Caracteriza-se pela perda dos neurônios dopaminérgicos


pigmentados da Substância negra pars compacta
• Sintomas aparecem com perda de 80-90% dos neurônios
Sistema dopaminérgico

Doença de Parkinson: ocorre degeneração progressiva da via nigro-estriatal


Tratamento da DP
• Selegina (inibidor seletivo MAO-B)
– droga de escolha para recém-diagnosticados. Usado em
associação c/ L-dopa/carbidopa

• Levodopa (L-dopa): precursor da dopamina que


atravessa a barreira hemato-encefálica
– Efeitos colatareis:
 efeito “liga-desliga”
 náusea, hipotensão
 sintomas psicóticos (tratamento com clozapina)
 discinesias (movimentos involuntários)

– Eficácia melhora com algumas associações:


 selegilina
 Inibidores da DOPA descarboxilase periférica (carbidopa,
benserazida)
 Antagonistas de dopamina periféricos (domperidona)
Tratamento da DP
• Agonistas de receptores dopaminérgicos
– pergolida, bromocriptina - não dependem dos neurônios nigro-
estriatais e  turnover de DA
– menor efeito “liga-desliga”
– uso associado com L-dopa/carbidopa
• Liberadores de dopamina (amantadina)
– em combinação com outros fármacos; menos eficaz que L-dopa
• Antagonistas de receptores muscarínicos
– benztropina, biperideno, prociclidina
– efeitos colaterais semelhantes à atropina
• Antagonistas adenosinérgicos (cafeína)
– efeito neuroprotetor demonstrado em estudos pré-clínicos e
atualmente em fase de investigação
Doença de Alzheimer

• Prevalência: 5% aos 65 anos e cerca de 90% aos 95 anos


• Caracteriza-se por progressiva degeneração de neurônios
colinérgicos centrais
• Morte ocorre após 6-15 anos do início da doença

• Diagnóstico definitivo post-mortem:


– Atrofia do córtex cerebral, perda de neurônios corticais e sub-corticais
– Achados patológicos: placas senis (-amilóide) e emaranhados
neurofibrilares com processos degenerativos
– Depósitos abundantes no hipocampo e regiões do córtex associativo

• Envolve também outros sistemas de neurotransmissores


Doença de Alzheimer
Tratamento da DA
Anticolinesterásicos: principal intervenção
Tratamentos aprovados para a DA:

• Anticolinesterásicos
– galantamina
– rivastigmina
– donepezil

• Inibidores do receptor NMDA


– memantina

• Fitoterápicos
– Ginkgo biloba

• Drogas nootrópicas como o piracetam não apresentam


efeito clínico consistente
Psicoestimulantes e
psicotomiméticos
• Psicoestimulantes são drogas que produzem
redução da sensação de cansaço, aumento da
atividade motora, excitação e euforia

• Possuem aplicação clínica limitada

• Alguns psicoestimulantes são considerados drogas


ilícitas

• Os agentes psicotomiméticos (psicodislépticos)


são drogas ilícitas que provocam alucinação
Anfetamina e fármacos análogos
• O mecanismo geral consiste em aumentar a liberação e
inibir a recaptação de monoaminas (principalmente DA)

• Usos (anfetamina, dextroanfetamina, fenfluramina, etc)


– redução do cansaço físico e mental. A efetividade da anfetamina em
melhorar a atenção e o desempenho são questionáveis
– como inibidor de apetite (efeito desaparece com o tempo)

• Metilfenidato (Ritalina®) e dexanfetamina são utilizados no


tratamento do Transtorno de déficit de atenção com
hiperatividade (TDAH) em crianças

anfetamina
Bibliografia utilizada:

• RITTER, J. M. ; RANG, H. P. ; DALE, M M. Farmacologia. 6.ed.


Elsevier. 2007.
– capítulos 32, 35, 37 a 40 e 42.
• DE LUCIA, R.; OLIVEIRA-FILHO, R.M.; PLANETA, C.S.;
GALLACCI, M.; AVELLAR M.C.W. Farmacologia integrada. 3.ed.
Revinter. 2007.
– capítulos 23, 24 e 26 a 30.
• GOODMAN, L. S.; GILMAN, A. G.; HARDMAN, J. G.; LIMBIRD, L.
E. As bases farmacológicas da terapêutica. 11.ed. McGraw-Hill.
2007.
– capítulos 12, 17 e 19 a 22.
• STAHL. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações práticas.
Medsi. 2002.
• BEAR et al. Neurociências. Desvendando o sistema nervoso. 2.ed. Artmed.
2002.
Roteiro de estudo:

• Rever as características da neurotransmissão central e os principais


mecanismos de ação de psicofármacos.
• Entender os mecanismos de ação dos antidepressivos, quanto ao efeito
agudo e as adaptações crônicas.
• Verificar as características farmacocinéticas, e vantagens / desvantagens
das diferentes classes de antidepressivos.
• Diferenciar ansiedade normal e patológica; traço e estado, e observar o
efeito da ansiedade sobre o desempenho.
• Discutir os mecanismos de ação e propriedades dos diferentes ansiolíticos.
• Comparar os mecanismos de ação, propriedades e usos clínicos de
fármacos anfetamínicos.
• Rever os mecanismos envolvidos com a fisiopatologia da doença de
Parkinson e da doença de Alzheimer e discutir como os fármacos
disponíveis para o tratamento destas doenças neurodegenerativas exercem
seu efeito.
Roteiro de estudo:
• Listar as características da esquizofrenia e hipóteses que explicam
esta doença psiquiátrica.
• Qual o mecanismo básico de ação dos antipsicóticos e quais os
efeitos colaterais que costumam produzir. Como podem ser
explicados estes efeitos colaterais?
• Diferenciar convulsão de epilepsia, assim como os diferentes tipos
de epilepsia e suas características.
• Quais os mecanismos de ação dos principais fármacos
antiepilépticos?
• Verificar a ocorrência de fármacos utilizados para diferentes
patologias / distúrbios do SNC.

• Preparar quadros-resumo para cada categoria de psicofármacos,


contendo: grupos farmacológicos e respectivos mecanismos de
ação; farmacocinética (aborção, distribuição, meia-vida e
metabolização); e efeitos colaterais.