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PROGRAMA INTERNET NA ESCOLA

CIÊNCIA § SOCIEDADE - I

ALQUIMIAS DA QUÍMICA - 1

Junho, 2000
Áreas temáticas: História das Ciências; Ciência e Sociedade; Inovação
Tecnológica; Química; Poesia.

ALQUIMIAS DA QUÍMICA - 1*

Um dos sectores industriais de mais rápido crescimento numa economia


desenvolvida é a Indústria Química. Esta indústria é uma das principais responsáveis
pela geração de riqueza, e a sua prosperidade é um requisito essencial para o
crescimento de países em desenvolvimento.
Se se tentasse fazer uma lista das dívidas da Humanidade à Química, ela seria
praticamente interminável. A Química não se limita a copiar a Natureza: ultrapassa-a,
produzindo, a partir de substâncias animais, vegetais e minerais, milhares de
substâncias que não existem na Natureza e que têm propriedades muito importantes e
de enorme utilidade para o Homem.

O primeiro químico
O primeiro químico terá o primeiro homem primitivo que aprendeu a atear o
fogo. Conseguiu, dessa forma, despoletar a reacção química primordial: a combustão,
a reacção mais importante na história da Humanidade. Essa reacção, que em tempos
remotos, nos permitiu sobreviver ao frio e cozinhar os alimentos, é a mesma que, na
época actual, nos abre as portas para a conquista do espaço em foguetes de propulsão.
A lenda de Prometeu que deu o fogo aos mortais é simultaneamente a lenda da
primeira reacção química.

As cores do contraste
É a miríade de compostos naturais ou desenvolvidos pelos químicos que torna
possível a vida moderna tal como hoje a conhecemos. É a Química que nos fornece os
combustível e os materiais fortes e resistentes ao calor que entram no fabrico quer dos
automóveis quer das naves espaciais. Os principais alimentos que consumimos
(gorduras, proteínas, e hidratos de carbono) são compostos químicos orgânicos, como
o são também materiais vitais como a hemoglobina, clorofila, enzimas, hormonas e
vitaminas. Outros materiais, que aumentam o conforto e a saúde em geral, são
constituídos por compostos orgânicos: as roupas de algodão, lã, seda, e fibras
sintéticas; os combustíveis, como a madeira, o carvão, o petróleo e o gás natural; os
componentes de materiais protectores, como os vernizes, as tintas, as lacas e os
esmaltes; os antibióticos e os fármacos de síntese; a borracha natural e sintética, os
corantes e os pigmentos, os plásticos; os pesticidas, e tantos outros produtos sem os
quais a vida actual não seria possível.
Para avaliarmos o contributo da Química para o nosso dia-a-dia, bastará
imaginarmo-nos num cenário quotidiano de há um século atrás…
Provavelmente uma das primeiras coisas que nos saltaria aos olhos seria a
tristeza das cores dominantes, pois havia ainda poucos corantes sintéticos, e
desbotavam rapidamente. Também as tintas eram pouco variadas, utilizando os
pigmentos tradicionais descobertos muito antes. As roupas eram pesadas e requeriam
cuidados constantes - só muitos anos mais tarde surgiriam as fibras sintéticas que não
necessitam de ser engomadas, a limpeza a seco ainda não tinha sido desenvolvida à
escala comercial e o sabão era áspero. Os alimentos tinham de ser frescos, ou
conservados secos, em sal ou em vinagre - os frigoríficos e os congeladores estavam
ainda por inventar. Se fosse preciso uma intervenção cirúrgica, na melhor das
hipóteses teríamos à disposição o éter ou o clorofórmio como anestésicos,
administrados de um modo ainda grosseiro e não destituído de perigo. Para além
disso, era provável que o doente sucumbisse de uma infecção para a qual era ainda
muito limitado o número de fármacos disponível.

Em contraponto, actualmente, tomamos como adquirido que podemos comprar


roupas de uma qualquer cor ou tonalidade, e que não desbotam. Também as tintas
podem ter uma cor variada e são muito mais duradouras. Os detergentes sintéticos são
muito mais eficientes e menos nocivos para os tecidos. A produção e distribuição de
alimentos baseiam-se largamente na utilização de pesticidas para impedir a destruição
das colheitas, na refrigeração, no petróleo necessário para os transportar e nos
plásticos para os embalar. Se adoecemos, esperamos quase sempre que haja um
medicamento apropriado e confiamos na utilização dos anestésicos modernos, além de
que as intervenções cirúrgicas são muito menos arriscadas. Uma grande variedade de
actividades lúdicas e desportivas dependem em grande parte de fibras sintéticas ou
plásticos como o nylon e os poliésteres. Cada vez mais as indústrias aeronáutica e
automóvel substituem componentes metálicos por novos materiais, muitos deles
baseados em polímeros sintéticos. Todo o desenvolvimento das modernas indústrias
eléctrica e electrónica dependem, e continuarão a depender, da utilização de polímeros
como materiais isolantes e na produção de circuitos impressos e integrados. Todas
estas mudanças, e muitas outras, se devem à descoberta e exploração, nos últimos cem
anos, das propriedades físicas e químicas dos compostos de carbono e
semicondutores.

Os riscos do contraste
Sem negar a imensa melhoria da qualidade de vida para milhões de pessoas, é,
todavia, impossível ignorar o facto de que muitos dos desenvolvimentos da química
tiveram consequências adversas que devem ser ponderadas em relação às vantagens
que proporcionam. No caso dos produtos farmacêuticos, a maioria das pessoas
considera que esses benefícios para a sociedade se sobrepõem aos riscos. É o caso da
Talidomida, nos anos 60, cujos efeitos nocivos não provocaram uma interrupção no
desenvolvimento de novos produtos; antes conduziram a exigências acrescidas no
teste de novas drogas. Por outro lado, as vantagens do DDT como pesticida são
actualmente consideradas ultrapassadas pelos seus efeitos colaterais nocivos e por isso
foi banido o seu uso na maior parte dos países.

Seja como for, a vida moderna, especialmente nos países desenvolvidos,


baseia-se, em grande medida, na química dos compostos de carbono. Até agora foram
produzidos quase 9 milhões de novos compostos químicos, 97% dos quais são
compostos de carbono. Destes, 100 mil são utilizados correntemente a nível industrial,
na produção de medicamentos, pesticidas, aditivos alimentares, fibras têxteis,
polímeros, etc..

A Química interactua com diferentes áreas científicas, numa


multidisplinaridade em que confluem esforços que dão corpo a importantes
descobertas em campos como os da Medicina, da Biologia, ou da Metalurgia.

Descobertas acidentais… e outras nem tanto


Muitas descobertas científicas de grande significado aconteceram por puro
acidente; não deixaram, no entanto, por isso, de contribuir de modo decisivo para o
avanço da Ciência e para o desenvolvimento da sociedade nos seus aspectos mais
diversificados.

A primeira substância natural a ser sintetizada laboratorialmente foi a ureia.


Friederich Wöhler produziu-a acidentalmente no seu laboratório em Berlim, em 1828.
A ureia era já conhecida nessa altura como um composto orgânico típico, de
acordo com a definição do famoso químico sueco Berzelius.
Pensava-se então que os compostos orgânicos, muito mais complexos do que
os inorgânicos, possuíam uma “força vital” que podia ser transmitida de uma planta
ou animal para outro. Esta teoria pressupunha que as substâncias inorgânicas podiam
ser sintetizadas no laboratório, mas as orgânicas não, e muito menos a partir de
compostos inorgânicos.
Friederich Wöhler nasceu em 1800 e frequentou o liceu em Frankfurt, onde
não foi aluno especialmente distinto, passando grande parte do seu tempo fechado no
quarto ou na cozinha a ensaiar experiências de química em vez de se dedicar aos
estudos. Mais tarde, quando estudava na Universidade de Marburg, e pelo mesmo
motivo, teve problemas com o senhorio. Foi transferido para Heidelberg, onde
concluiu o curso de medicina, época em que se interessou pela presença de ureia na
urina. Aconselhado por Gmelin, eminente químico da época (e também ele médico),
desistiu do exercício da medicina e decidiu dedicar-se à química. Teria o privilégio de
trabalhou com Berzelius em Estocolmo; regressando depois à Alemanha.
Em 1828, em Berlim, Wöhler tentava produzir cianato de amónio a partir de
cianato de prata e cloreto de amónio, duas substâncias inorgânicas. Para tanto,
aqueceu uma mistura dos dois sais, evaporou a solução e obteve cristais que se
pareciam muito com os da ureia que anos antes havia obtido da urina de cães.
Wöhler provou que se tratava, de facto, de ureia, e a sua descoberta acidental
assinalou o princípio do fim da teoria da “força vital” que fora, durante tanto tempo, a
responsável pela contenção do desenvolvimento da química dos compostos de
carbono.
Outros cientistas, tentando refutar a invalidação da teoria da “força vital”,
argumentavam que os materiais de que Wöhler partira eram obtidos de matérias
orgânicas. Só em 1845, quando Hennann Kolbe produziu ácido acético a partir dos
elementos seus constituintes - carbono, hidrogénio e oxigénio - é que o mundo
científico finalmente aceitou o fim daquela teoria.
Estava assim aberto o caminho para o desenvolvimento da química dos
compostos de carbono e de toda uma multidão de novos compostos que vieram alterar
profundamente a nossa maneira de estar.

Em 1836, Wöhler tornou-se professor da Universidade de Göttingen, tornando


famoso o respectivo Departamento de Química e atraindo a ele químicos de todo o
mundo.
Entre os seus cerca de 8.000 estudantes incluiu-se o químico americano Frank
Jewett, circunstância ocasional que levou a uma descoberta de grande importância: o
processo para a produção industrial de alumínio.

Friederich Wöhler foi o primeiro químico a preparar alumínio, em 1827. Mas


o processo era difícil e dispendioso, pelo que o alumínio se manteve na galeria das
curiosidades durante quase seis décadas.

Frank Jewett, que trabalhara com Wöhler em Göttingen, regressou aos Estados
Unidos da América para leccionar Química no Oberlin College, no Ohio. Era
frequente comentar com os seus alunos o facto de o alumínio, um metal bastante
abundante na natureza, não poder ser extraído dos minérios por um processo prático e
económico. De facto, o alumínio encontra-se sobretudo na forma iónica, sendo difícil
reduzi-lo a alumínio metálico, tal como o conhecemos.

Em 1886, um dos seus alunos, Charles Hall, decidiu tentar desenvolver um


processo para separar o metal do minério, estando convencido de que o melhor modo
de o fazer seria através da electricidade. Construiu uma pilha e um forno na casota das
traseiras de sua casa. Usou o forno para fundir nele um minério chamado criolite, e
adicionou-lhe bauxite (um minério muito rico em alumínio), observando que este se
dissolvia na criolite fundida. Fez então passar uma corrente eléctrica através da
mistura e, entusiasmado, viu glóbulos de alumínio a acumular-se em torno do
eléctrodo negativo da sua montagem experimental. Este processo electrolítico,
entretanto patenteado por Hall, faria baixar substancialmente o preço do alumínio.

Em 1960, o alumínio aparecia em primeiro lugar, e à frente do cobre, na


produção mundial de metais não ferrosos. É competitivo relativamente ao cobre como
condutor eléctrico devido ao seu baixo custo, o que permite a produção de cabos de
alumínio de maior diâmetro relativamente aos de cobre, para contrabalançar o facto de
o alumínio ter uma condutividade eléctrica inferior à daquele metal.

O alumínio é um excelente condutor do calor, dúctil e extremamente maleável,


podendo ser transformado em arame ou folha muito fina. É adicionado em pequenas
quantidades a certos metais para melhorar as suas propriedades, sendo as ligas obtidas
usadas extensamente na construção de aviões, materiais de construção, produtos de
consumo duradouros (frigoríficos, aparelhos de ar condicionado, utensílios de
cozinha), condutores eléctricos e equipamento para processamento de produtos
químicos, como reactores químicos e condutas em refinarias de petróleo, e para
processamento de alimentos.

Diversos compostos de alumínio têm aplicações industriais muito importantes.


É o caso da alumina, utilizada na produção de alumínio metálico e em isoladores
eléctricos, na secagem de gases e como suporte para diversos catalisadores em
reacções químicas, nomeadamente no reforming catalítico - um dos processos básicos
de refinação de petróleo, para produzir destilados com um número de octanos mais
apropriado ao melhor desempenho dos modernos motores de combustão interna. Entre
os compostos de alumínio com aplicações industriais contam-se ainda o sulfato de
alumínio, muito usado na produção de papel como ligante de tintas; os alúmens,
utilizados na produção de medicamentos, têxteis e tintas; o cloreto de alumínio, o
catalisador mais comum das reacções de Friedel-Crafts, para a preparação de grande
variedade de compostos industriais; o hidróxido de alumínio, utilizado na produção de
tecidos impermeáveis e para obtenção de outros derivados muito utilizados na
indústria química de síntese, como os hidretos de alumínio e de alumínio e lítio; e
diversos sais de alumínio utilizados na indústria de cosméticos, designadamente, no
fabrico de desodorizantes.

Histórias de corar
Uma descoberta acidental intimamente ligada à quinina, fármaco muito
importante no tratamento da malária (paludismo), está também na origem do
surgimento dos corantes sintéticos.

Efectivamente, na Inglaterra de 1856, William Perkin, apenas com 18 anos de


idade, decidiu durante as férias da Páscoa tentar a síntese da quinina no laboratório
instalado nas traseiras da sua casa, a partir de toluidina, um subproduto do alcatrão de
carvão, e isto antes de ser conhecida a fórmula química da quinina!
O resultado das experiências de Perkin foi uma lama vermelha acastanhada
com aspecto pouco prometedor, pelo que resolveu usar antes anilina (contaminada
com pequenas quantidades de toluidina), tendo ficado bastante desiludido ao obter um
sólido negro ainda menos promissor! Ao diluir este produto com água ou com álcool,
Perkin viu que obtinha soluções de cor púrpura. Fascinado então por este resultado
inesperado, Perkin testou a solução púrpura e verificou que ela tingia tecidos.
Rapidamente encontrou um processo para separar o corante da mistura negra e
contactou uma fábrica de corantes inglesa, que realizou testes com algodão e com
seda, concluindo que o corante parecia prometedor para a seda, mas não para o
algodão. Contudo, cedo descobriram que, submetendo o algodão a um tratamento
prévio, podiam utilizar o corante para o tingir.

Foi assim que uma tentativa de síntese da quinina deu origem ao primeiro
corante artificial, a mauveína, cujo sucesso comercial conduziu ao nascimento da
indústria de corantes sintéticos. Entusiasmado, Perkin decidiu patentear o corante,
construir uma fábrica e dedicar-se aos negócios, actividade em que viria a registar
grande êxito.

Até à descoberta de Perkin, o único corante púrpura existente era


extremamente dispendioso. Utilizado desde 1600 a.C., o corante natural era extraído
de um pequeno molusco do Mediterrâneo (o Murex trunculus). Difíceis de apanhar,
eram necessários cerca de 10.000 moluscos para produzir um grama de corante. Em
certas épocas da História, o corante chegou a valer 10 a 20 vezes o seu peso em ouro e
por isso só pessoas muito abastadas se podiam dar ao luxo de pagar um preço tão
elevado, daí resultando a associação da cor púrpura à realeza e ao clero.

No século I a.C., Nero fez publicar um decreto que dava ao imperador o


direito exclusivo de usar vestes de cor púrpura. Mas a associação deste corante com a
realeza e os eclesiásticos é muito antiga, e já os textos bíblicos, incorporando
tradições da Idade do Ferro, referem que as cortinas do tabernáculo e as vestes
sacerdotais deviam ser tingidas de cor púrpura.

O Êxodo refere: «Com a púrpura violácea, a púrpura escarlate e a púrpura


carmesim fizeram as vestes sagradas para o serviço das coisas santas e os
ornamentos sagrados para Aarão, como o Senhor tinha ordenado a Moisés».

No Segundo Livro das Crónicas, Hiram, rei de Tiro, pode ler-se o seguinte,
numa carta enviada a Salomão: «Envio-te, portanto, um homem hábil e entendido [...]
Sabe trabalhar o ouro, a prata, o bronze, o ferro, a madeira, a púrpura azul e violeta,
o linho fino e o escarlate...»
Relativamente aos corantes naturais, os artificiais têm a vantagem, de permitir
obter cores mais vivas, uma gama de tons mais variados, melhor fixação aos tecidos,
aplicação mais fácil, resistência à luz e à lavagem e qualidade uniforme, tudo isto por
um preço muito mais baixo.

Perkin, ao produzir um corante púrpura, por síntese, a partir do alcatrão de


carvão, tornou-o acessível a toda a gente.

O sucesso da mauveína assinalou o nascimento da moderna indústria de


corantes sintéticos. Contudo, foram os alemães, mais do que os ingleses, quem se
apercebeu do seu potencial, vindo a desenvolver esta indústria numa grande escala.

Um outro corante importante desenvolvido e produzido por Perkin foi a


alizarina, um corante vermelho que durante séculos foi extraído da raiz de garança, e
que já era usado pelos egípcios para tingir os panos em que envolviam as suas
múmias. Em 1868, Graebe e Liebermann, que trabalhavam no laboratório de Adolf
von Bayer, anunciaram a síntese de alizarina a partir do antraceno, um constituinte do
alcatrão de carvão. Mas o processo era impraticável à escala industrial.

O anúncio desta síntese interessou Perkin e, menos de um ano depois, tinha já


desenvolvido um método comercial para a produção de alizarina. Em 1874, Perkin
vendeu a fábrica. Tinha então 36 anos, era muito rico e dedicou o resto da sua vida à
investigação.

Um corante de cor azul, usado pelas civilizações antigas, era o indigo, que até
à última década do século XIX só era obtido a partir de plantas. No final do século
XIX, só na Índia cerca de 2 milhões de hectares eram dedicados ao cultivo dessas
plantas.

Adolf von Bayer, que, em 1865, iniciara os seus estudos sobre o indigo, na
Universidade de Berlim, admitiu, cerca de duas décadas mais tarde, ter conseguido
estabelecer a respectiva estrutura química e provou-a como todos os químicos fazem
habitualmente: sintetizou o indigo e demonstrou que era idêntico ao produto natural.
Contudo, pelos processos de síntese desenvolvidos por Bayer não era possível
produzir indigo a um preço capaz de competir com o do homónimo natural.

Em 1893, Karl Heumann, desenvolve, finalmente, a primeira síntese comercial


do indigo, a partir do naftaleno, então um subproduto desaproveitado da indústria
siderúrgica. Esta síntese desenvolveu-se, uma vez mais, por puro acidente... quando
um termómetro se partiu e o mercúrio caiu no balão onde estava a ser aquecida uma
mistura de naftaleno e ácido sulfúrico, conduzindo a um resultado diferente do
esperado. Verificou-se que o mercúrio tinha sido convertido em sulfato de mercúrio e
que este produzia anidrido ftálico, facilmente convertível em indigo.

A partir de 1897, o indigo sintético começou a ser vendido a preços mais


baixos do que o produto natural, que nunca mais recuperou o seu lugar no mercado
dos corantes.

Os novos tons da indústria química vinham comprometer seriamente as


secretas ‘patines’ da mãe natureza.

“Foi para ti que criei as rosas.


Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.

Foi para ti que pus no céu a lua


e o verde mais verde nos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
um corpo aberto como os animais.”
Eugénio de Andrade, “Poema VIII” in “As Mãos e os Frutos”
Para saber mais:

- Química e Sociedade, nº 2, Escolar Editora e Sociedade Portuguesa de


Química, Lisboa, 1992.

http://www.angelfire.com/oh3/quicornat/PORQUEUSARCORANTESNATU
RAIS.htm
Química de Corantes Naturais - Projeto de pesquisa da disciplina de
Instrumentação para o Ensino de Química realizado pela discente Elzeneide Silva
Souza, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

http://infocium.ci.uminho.pt/palestras/galileu/revistas/bioquimica/pigment1.htm
l
História breve dos Pigmentos. BSPQ Outubro 1996 - Boletim da Sociedade
Portuguesa de Química, Outubro de 1996. História breve dos Pigmentos: 1 - da arte do
homem pré-histórico João M. Peixoto Cabral. Há muitos milénios que os homens vêm
usando colorantes para decorar objectos e habitações...

www.encyclopedia.com/articles/01404.html
Encyclopedia.com - Results for Berzelius, Jöns Jakob, Baron
1779-1848, Swedish chemist. He developed the modern system of symbols and
formulas in chemistry, made a remarkably accurate table of atomic weights,...

--http://www.fwkc.com/encyclopedia/low/articles/d/d006000265f.html
DDT - DDT DDT, colorless chemical pesticide,
dichlorodiphenyltrichloroethane, used to eradicate disease-carrying and crop-eating
insects. It was first isolated in Germany in 1874, but not until 1939 did the Swiss Nobel
Prize-winning chemist Paul Müller.

*
- Neste trabalho foram incluídos excertos adaptados do artigo “Química e
Desenvolvimento”, de Maria João Marcelo Curto e Maria Regina Tavares, in “Química e
Sociedade, 2”.

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