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TÓPICOS DE CORRECÇÃO DO EXAME DE DIREITO ROMANO

1.º Ano – Turmas A e B


14 de Janeiro de 2010

I. Responda a três das seguintes questões:


1. Quais as etapas de laicização da iurisprudentia?
A iurisprudentia sacerdotal característica da monarquia; justificação cultural; exercício sigiloso da actividade
jurisprudencial; a desvelação dos mores pela iurisprudentia pontifícia como factor de conflito social; o conflito
social como factor da laicização; identificação e caracterização rigorosa das três etapas da laicização: Lei das
XII Tábuas, ius flavianum e ensino público do direito; relevância e consequências para a experiência jurídica
romana

2. Quais as formas de criar ius no Direito jurisprudencial?


Noção de iurisprudentia e de direito prudencial; caracterização dos contextos de exercício da iurisprudentia:
agere, cavere, respondere; carácter casuístico do método jurisprudencial; a tópica, as Regulae; as Definitiones e
as rationis decidendi na criação prudencial de ius; iurisdictio pretória e aplicação das soluções criadas
prudencialmente

3. Qual o papel do Ius Publice Respondendi no fim da iurisprudentia?


Exercício livre da iurisprudentia na república; principado e concessão do i.p.r.; conteúdo e finalidade do
i.p.r.; valor das respostas dos jurisprudentes com i.p.r; valor das respostas após a intervenção normativa de
Adriano relatada por Gaio; relevância do i.p.r. para o exercício da iurisprudentia: o valor da iurisprudentia
justifica-se, agora, através da ideia de potestas e não de auctoritas – o labor crítico-criativo dos jurisprudentes
começa a esmorecer

4. Qual a relevância da crise da República na supremacia do imperium sobre a auctoritas em


Roma?
A república como exercício limitado, temporário, responsável, colegial e fiscalizado do imperium; o saber
socialmente reconhecido como limite do poder socialmente reconhecido; o contexto político, cultural, social e
económico da crise da república; etapas da crise; a ditadura como solução não extraordinária de resolução
(frustrada) das sucessivas crises; a ascensão do imperium militar sobre o imperium doméstico no último século
da república; o Principado como afirmação do poder sobre o saber através do controlo de mecanismos de
contrapoder pelo titular do poder

5. Qual a relevância da oratio principis na consolidação das Constituições Imperiais como fonte
de Direito Romano?
Noção de oratio principis; relevância normativa dos senatusconsulta na república; surgimento de
senatusconsulta normativos no principado; decadência do senado e primazia da oratio principis na feitura dos
senatusconsulta; a vontade do princeps como facto normativo relevante dos senatusconsulta após a
institucionalização do principado; o exercício de funções das magistraturas, das assembleias e do senado pelo
princeps através das diferentes modalidades de constituições imperiais; relevância normativa das constituições
imperiais

6. Qual a importância do Corpus Iuris Civilis?


Contexto; finalidade e método adoptado na elaboração da compilação justinianeia; composição da compilação
justinianeia; confronto entre direito romano clássico e direito romano justinianeu – as interpolações;
consequência a oriente da feitura da compilação justinianeia; redescoberta do c.i.c. a Ocidente; identificação
da relevância do c.i.c. na cultura jurídica europeia nas épocas medieval, moderna e contemporânea

II. Desenvolva dois dos seguintes temas:


1. O método jurisprudencial pleno no ensino do Direito Romano.
Caracterização do método jurisprudencial; relevância da iurisprudentia na experiência jurídica romana;
consequências da adopção do método jurisprudencial pleno: (i) opção por um ensino assente no estudo da
relevância da iurisprudentia na experiência jurídica romana; (ii) o Direito Romano ensinado como direito de
juristas; (iii) a provocação dos alunos para a criação prudencial do direito e para a procura do justo no caso
concreto

2. Populus Romanus: território e propriedade.


A exploração da terra como aspecto determinante da vida política romana; a riqueza pessoal como critério de
fixação de deveres/direitos políticos, militares e tributários; a propriedade/o dominium como situação
jurídica modelar tutelada através das acções das leis; a aquisição de novos territórios a explorar em segurança
como objectivo da expansão romana; a dificuldade da definição e observância de regras sobre a exploração
privada dos territórios conquistados como fonte de conflitos e clivagens sociais; a questão agrária como factor
da crise da república
3. A impossibilidade de elaborar uma teoria da lei em Roma.
Ius e lex; a existência de ius sem recurso a leges e de leges estranhas ao ius na história do direito romano; a
utilização plurifacetada da palavra lex no direito romano; as leis régias, as leis rogadas, os senatusconsulta
normativos; as constituições imperiais; lei e força de lei; ausência de um conceito uniforme de lei ao longo da
experiência romana; a ideia de lex como paradigma das fontes do direito surge tardiamente no principado; a
teoria da lei hoje dominante tem origem nas construções medievais e modernas que se alicerçam na noção de
constituição imperial – não apresenta utilidade pedagógica nem dogmática para o estudo da experiência
jurídica romana na sua plenitude

4. As magistraturas, em especial a pretura.


A génese das magistraturas na transição da monarquia para a república; as magistraturas e a equiparação
patrício-plebeia na organização política da república; relevância das leges liciniae sextiae; identificação das
magistraturas ordinárias e das magistraturas extraordinárias; identificação do regime característico das
magistraturas ordinárias; a limitação do imperium dos magistrados através da intercessio colegial, tribunícia
ou popular; a decadência das magistraturas no principadomagistraturas extraordinárias; o pretor como
magistrado dotado de iurisdctio; o exercício da iurisdictio pretoria no processo das acções das leis e no processo
formulário; expedientes do pretor, lex aebutia e ius praetorium; o diálogo com a iurisprudentia no exercício
da iurisdictio; o edicto do pretor, degradação da pretura, cristalização do edictum translatício e elaboração do
edictum perpétuo no principado

5. A vulgarização do Direito Romano e as Escolas Jurisprudenciais da Idade Média.


Noção de vulgarização do direito romano; édito de caracala e impossibilidade de aplicação rigorosa do direito
de Roma no império de Roma; decadência da iurisprudentia e vulgarização; incremento da vulgarização por
força das invasões germânicas; direito romano vulgar e legislação dos reinos germânicos; contexto do
renascimento medieval do direito romano justinianeu; identificação das escolas e autores relevantes;
metodologia das escolas; artes triviais e ars inveniendi; ars inveniendi como método analítico-problemático;
elementos da ars inveniendi; géneros literários mais característicos; semelhanças e diferenças existentes entre as
duas escolas; relevância na cultura jurídica europeia

Cotações: I: 2 valores cada questão | II: 6 valores cada questão | Ponderação global: 2 valores