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Como calcular o balanço de perda óptica

Como calcular o balanço de perda óptica

Marcelo Barboza, da Clarity Treinamentos

Nesta edição, vamos abordar a forma de cálculo do balanço de perda óptica. O balanço de perda óptica é um cálculo realizado para
estimar qual será a atenuação total de um enlace em fibra óptica antes mesmo de ser instalado. Entre as suas finalidades, podemos
ressaltar:

Verificar se o enlace óptico projetado atenderá aos requisitos das aplicações que nele rodarão. Se o cálculo do balanço for superior
à margem de perda alocada para o cabeamento da aplicação pretendida (ex.: 10GBASE-SR), o link poderá apresentar perda de
dados e até mesmo nem “subir”.
Estabelecer um limite que será utilizado durante os testes de aceitação do enlace. Ao testar o link com um PMLS (power meter +
light source), se a atenuação medida for superior ao balanço de perda do projeto, saberemos que algo falhou na execução: o
material e/ou a mão de obra envolvidos.

Mas, como calcular o balanço de perda óptica? Primeiramente, temos que saber exatamente quais serão os componentes ópticos
utilizados no enlace, de preferência com marca e modelo. Os componentes usuais são: fibra óptica; conectores; emendas; splitters; e
outros componentes passivos (como taps e atenuadores).

Em seguida, devemos determinar a perda (atenuação) que cada um desses componentes apresentará ao ser instalado no enlace. Essa
informação pode ser obtida nos folhetos de especificações técnicas dos componentes escolhidos. Atenção: a atenuação poderá ser
diferente dependendo do comprimento de onda de luz utilizado.

O cálculo deve ser realizado em todos os comprimentos de onda previstos na instalação. É preciso, no mínimo, testar as fibras
multimodo nos comprimentos de onda 850 e 1300 nm, e as monomodo nos comprimentos de onda 1310 e 1550 nm.

Se as marcas e modelos dos componentes não forem ainda conhecidos, utilize valores padrão de mercado e/ou especificados pelas
normas nacionais/internacionais correspondentes.

Exemplos de valores padrão de atenuação estabelecidos pela norma ISO/IEC 11801-1:2017 e que possivelmente estarão na próxima
revisão da norma nacional ABNT/NBR 14565:

Par de conectores acoplados: 0,75 dB.


Emenda: 0,3 dB.
Fibra MM, OM1 a OM4: 3,5 dB/km (850 nm) e 1,5 dB/km (1300 nm).
Fibra MM, OM5: 3,0 dB/km (850 nm) e 1,5 dB/km (1300 nm.)
Fibra SM, OS1 e OS1a: 1,0 dB/km (1310 nm e 1550 nm).
Fibra SM, OS2: 0,4 dB/km (1310 nm e 1550 nm).

Precisamos saber também o comprimento total do enlace final, em quilômetros. A perda do componente “fibra óptica” será proporcional
ao seu comprimento (por isso a perda é dada em “dB/km”).

Com base nessas informações, somamos todos os valores para o enlace para a obtenção do balanço de perda, em decibéis (dB).

Exemplos

1 – Enlace composto por 3.000 m de fibra monomodo OS2 terminada em ambas as extremidades dentro de distribuidores ópticos (DIO) por
meio da fusão de pigtails, cujos conectores serão acoplados na parte interna dos adaptadores frontais do DIO; haverá uma fusão no meio da rota.

Perda da fibra óptica: 3 km X 0,4 dB/km = 1,2 dB


Perda das conexões: 2 X 0,75 dB = 1,5 dB
Perda das emendas: 3 X 0,3 dB = 0,9 dB
Balanço da perda (1310 e 1550 nm): 1,2 + 1,5 + 0,9 = 3,6 dB.
2 – Enlace composto por 200 m de fibra multimodo OM3 terminada em ambas as extremidades dentro de distribuidores ópticos (DIO) por meio
da terminação direta em conectores (processo de cola e polimento). Eles serão acoplados na parte interna dos adaptadores frontais do DIO.

Perda da fibra óptica a 850 nm: 0,2 km X 3,5 dB/km = 0,7 dB


Perda da fibra óptica a 1300 nm: 0,2 km X 1,5 dB/km = 0,3 dB
Perda das conexões: 2 X 0,75 dB = 1,5 dB
Balanço da perda a 850 nm: 0,7 + 1,5 = 2,2 dB
Balanço da perda a 1300 nm: 0,3 + 1,5 = 1,8 dB

Os valores obtidos, como já mencionado, deverão ser comparados às especificações das aplicações e aos valores medidos durante a
certificação do enlace instalado.

Se o valor medido for superior ao balanço de perda calculado, verifique o material instalado, a rota da fibra, a limpeza das conexões e a
qualidade das emendas. Se for o caso, utilize um OTDR para encontrar os locais que apresentam perdas acima do esperado.

Marcelo Barboza

Marcelo Barboza é formado no Mackenzie, atua no desenvolvimento e aplicação de cursos e consultoria em cabeamento estruturado e
em projetos de telecomunicações em data centers. Instrutor oficial no Brasil para a Fluke Networks (certificação de cabos de cobre e fibra
óptica), Panduit (instalação de cabeamento estruturado) e DCProfessional (fundamentos e eficiência energética de data centers).
Certificado pela DCProfessional (Data Center Specialist – Design), pela BICSI (RCDD, DCDC e NTS) e pelo Uptime Institute (ATS).

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