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Mesa redonda Literatura e Horror

Julio França-UERJ / Claudio Zanini-UFRGS / Cido

Pré-requisitos da narrativa gótica:

- Locus Horribilis

- O monstro

- O retorno fantasmagórico do passado

Estilo de época, modo narrativo e um modo de pensar, assim se chega ao gótico.

Stephen King: “Todo escritor de horror é um defensor da ordem”.

Efeito de leitura: o medo, o suspense.

Gótico X Naturalismo brasileiro

Há transgressões mesmo com o moralismo

Desfecho narrativo moralizante

O gótico, além de lidar com questões mais complexas de aspectos humanos, trabalha
com ambiguidades. Onde se originam essas coisas horríveis que o gótico traz à tona? De
nós mesmos.

A literatura gótica mexe com os vínculos empáticos que estabelecemos com os


protagonistas. Uma das pujanças da narrativa gótica é a ambiguidade irredutível.

*Youtube: O casamento vermelho, reações


*Jogos mortais
*Filme: A bruxa. O horror está no totalitarismo.
*120 dias de Sodoma
* It comes at night
* Babaduque
* As bruxas de Salém
* Neve negra
* Rezourcei (Netflix)

Literatura e horror Aula 1 - 09/03/2018

Sugestão de leitura complementar: Introdução a literatura fantástica, Todoróv


Uma especulação recente é a relação entre fantástico e gótico é maior do que se
imaginava.

O gótico é um fazer ficcional de transgressão por definição.

O princípio iluminista de conceitos a serem aplicados aos objetos de pesquisa / A


própria ideia de objeto associa-se a uma hierarquia na qual se aplicam teorias e
conceitos, e o objeto, secundário, deve se submeter

O conceito delimita, subjuga, hierarquiza. A ficção, no entanto, não aceita a submissão


a quadrados teóricos e definições pré-fixadas. Todas as ficções têm um caráter
subversor. O pesquisador tem duas opções: impor a teoria à ficção ou aceita a
insubmissão da ficção e busca embasamento que se aplique.

Falar da ficção

Objetificar a ficção e analisar apenas aquilo que se encaixa em teorias prévias.

Essa relação com a ficcção tem como consequência um cânone, um recorte que exclui
tudo que ali não se encaixa.

A sociologia da literatura esquece que está lidando com ficção e trata um Machado de
Assis como um retratista, um fotógrafo da vida social do Rio de Janeiro.

Falar com a ficção

A ficção como ponto de partida e lugar de discurso não se constitui como objeto.
Enxergar a ficção de dentro e, a partir das questões propostas pelo texto, buscar teorias
que possam auxiliar na sua compreensão. Exercício desconstrucionista.

O gótico como teoria tem se consolidado, não se tratando mais como um aspecto
estrutural ou como tema ficcional, mas como um modo de pensar a ficção.

* Sei lá o que de Sião, de Machado de Assis

* Pesquisar mais sobre o desconstrucionismo / Derrida/ pós-estruturalismo

* Ideia pro futuro: Antologia de literatura marginalizada / mulheres escritoras

* Paul desconhecido, da LP Pocket

- Emília Freitas
- Júlia Lopes de Almeida

* O paraíso perdido; Eneida; Odisseia; Frankenstein; Drácula.

FICÇÃO DE TERROR, TREVAS E MEDO

Texto fundador da nossa cultura, religião, língua e modos de pensar. Independente da


sua crença pessoal, todos somos pré-determinados por diversos textos.

Tudo o que somos é uma confluência entre o individual (Freud) e o coletivo (Jung).
Essa confluência não é pacífica, está sempre em conflito. A vida nada mais é que uma
perpétua negociação entre o individual e o coletivo – isso para aqueles que
conseguiram atingir certa independência e maturidade de pensamento.

Ou você é massa de manobra, ou entra em conflitos pessoais, o mal-estar da civilização.

Cânone é uma sistematização hierárquica que atua sempre como um elemento de


exclusão. Na nossa cultura ocidental há predominâncias de leitura e interpretações,
teorias e formas de pensar. Essas predominâncias estão engastadas em nós enquanto
sujeitos individuais e históricos inseridos numa cultura. São leituras e interpretações
num nível macro que foram construídas ao longo do tempo e que compõem uma
tradição dificilmente rompida ou questionada.

Platão

Foi o primeiro pensador a sistematizar o pensamento, no século III a.C. O pensamento


platônico lida com o sistema (filosofia) e c0m a mitologia grega. No tempo de Platão,
ainda com resquícios de religião, mas já em processo de transformação em mitologia.
Toda mitologia já foi religião.

A filosofia ocidental se desenvolve a partir de Platão. A filosofia platônica é a base de


todas as teorias de pensamento do ocidente: sejam as da estética, da literatura, da
física, da matemática.

FILOSOFIA + MITOLOGIA (RELIGÃO) -» PLATÃO

A religião torna-se mitologia, a mitologia torna-se lenda, a lenda torna-se ficção. Para a
filosofia, o fictício é associado à mentira e oposto à verdade. Portanto, a ficção é
considerada falsa e, portanto, inferior. Uma válvula de escape para a existência, um mal
necessário. (Afinal, ninguém consegue viver 24h por dia pensando na existência,
filosofando.) A ficção não diz a verdade como a filosofia.

FICÇÃO -» MENTIRA
FILOSOFIA -» VERDADE

O encontro do pensamento platônico com o pensamento judaico-cristão proveu a


filosofia com um complemento, um apêndice que vai ser responsável pela construção
da ideia de ocidente.

Nosso lugar no mundo como ocidentais está baseada no sistema de pensamento


científico platônico e o sistema de pensamento religioso cristão. O pensamento judaico
sofre perseguição por se tratar de um “entre”, um entre o ocidente e o oriente.

O problema não é Platão nem Cristo, o problema são os platônicos e os cristãos. A


maioria das pessoas nunca leu Platão ou algum dos evangelhos bíblicos: acessa-se o que
foi dito sobre Platão, sobre os Evangelhos.

As leituras de Platão e de Cristo resultam no pensamento dialético, que trabalha com


pares conceituais que se interdependem. Eu e o outro, feminino e masculino, dia e
noite, claro e escuro.

DIALÉTICA: FORMA SISTÊMICA DE SE ENTENDER O MUNDO

A questão é que há juízos de valor que determinam separações e não


interdependências. As ideias de oposição e hierarquia estão na base dos juízos de valor.
O juízo de valor tornado lei, transformado em acontecimento/ato gera uma hierarquia
na qual um elemento torna-se melhor e superior.

PARES CONCEITUAIS

Mal Bem
Trevas Luz
Feminino Masculino
Ficçção/ Filosofia
mitologia
Escrita Fala
Esquerda Direita
Tabus

Não sendo possível apagar o “inferior”, subjuga-se, silencia-se, tolhe-se o lugar do


discurso do

Metafísica ocidental: a metafísica do silêncio e da conivência. (Stefano)

No judaísmo, Deus é a fonte de todas as coisas: tanto o bem quanto o mal. No


cristianismo, o mal é uma oposição a Deus. (Prof)
“Se Jesus está à direita do pai, quem está à esquerda? Que se saiba, Deus não tem
nenhuma limitação física. Assim, quem habita a esquerda de Deus? Durante o curso eu
falo pra vocês.” (Cido)

Os diversos nomes de Lúcifer, Satã, Satanás, Diabo, Demônio...demonstram uma


mudança de lugar.

Há contradições inerentes às oposições do pensamento dialético, mas que este procura


silenciar.

As relações entre os pares não são hierárquicas, as hierarquias são convenções.

Mesmo sendo o ocidente resultado de uma adulteração, o ocidente não aceita adultério.
Assim, nem sempre é possível fazer o apagamento, o aniquilamento do tabu. Assim, há
portanto um silenciamento, que é mais sutil.

Gênesis 1:1,2: as trevas precedem a luz.

Aula 2- 16/03/2018 (cheguei às 20h15)

A relação do medo com o escuro/obscuro

Lilith, anterior a Satã, e à divindade

Por que exorcisar as trevas?

Por que o Deus judaico não é nomeado? Há um poder exercido sobre aquele ou aquilo
que se nomeia. Tudo que é nomeado tem um vínculo com aquele que nomeia.

Qual o problema conceitual e filosófico dos filmes de terror? O desfecho no qual há o


restabelecimento da ordem e da luz. As trevas permanecem como inferiores, o mal, a
desordem que precisa ser sobreposta.

Há sempre algo que é fantasmagórico, uma sombra.


Teratologia: má formação congênita. A ideia está problematizada, contaminada com
algum problema.

Ecipiente: o que permite a mistura de coisas que não se misturam.

O par conceitual luz e trevas é bem redutor da ideia de trevas, que desconsidera a
multiplicidade e pluralidade das trevas. A luz trabalha com a ideia de divindade
suprema, unicidade, é singular, enquanto que as trevas são plural. (Deus é Deus,
Satanás e Satã, Diabo, Lúcifer, estrela da manhã, etc. O que esses nomes significam?)

Oposições e hierarquias não encontram aderência, são tematizados para problematizá-


los. Há então uma abordagem crítica.

Dante é o único que empreende uma tentativa de compreender a abordar as trevas,


uma exceção não repetida.

Se a Bíblia é o livro no qual tem início toda a religião ocidental, Odisseia é o livro que
funda toda a literatura do Ocidente.

Atena é uma deusa presente na Odisseia, deusa da guerra, da sabedoria. A coruja é o


pássaro sagrado de Atena, pois com ela caminha. A coruja, é um pássaro noturno.
Atena é também diretamente responsável por Pandora.

Medeia: a grande feiticeira da cultura grega. A feiticeira de *Hécate, esposa de Hades. A


bruxa, uma força poderosa em si mesma. Circe é a grande bruxa que orienta Odisseu
(quem concebe o cavalo de Troia). Ele vai ao Herebo, fim do mundo, aconselhado por
Circe e lá lida com o medo.

Por que o escuro, as trevas são associadas ao medo?

Como nossa cultura é pautada pela visibilidade, jamais a questionamos ou pensamos


sobre o que a faz visível ou real. O que nos resta quando estamos com a visão tolhida? O
pensamento fica mais aflorado. (*Arthur Gordom Pim?)

Wisdom – wise » wizard...

LOGOS / conhecimento x SOPHIA/sabedoria (a coruja)

A sabedoria é maior que o conhecimento, este é uma forma de organizar e dar forma ao
que não tem forma.

É à noite que se encontra a sabedoria, a profundidade do conhecimento.

Há uma relação da noite com a criação, a arte.


3ª Lei de Clark (escritor de Uma odisseia no espaço): Qualquer forma de ciência e
tecnologia extremamente avançada não se diferencia da magia.

A bruxaria só pode existir na noite, nas trevas, pois a bruxa está para a sabedoria e não
para o logos. O que é a magia? Algo entre uma logos e sophia. Gandalf, Morgana,
Dumbledore, Medeia, a Sibilia de Cumas...todos manipulam as trevas, essa força que
excede.

Unheimlich: algo conhecido que foi esquecido por causa de um trauma e que retorna.
Tudo que é reprimido e que retorna tem uma causa. O momento de manifestação do
unheimlich gera medo, pois volta transformado e monstruoso. Sendo cuidado e tratado,
deixará de existir.

O absolutamente desconhecido não tem causa. Não tem tratamento e não deixará de
existir.

- O sentimento de desamparo é causador do medo..

- A presença sub-reptícia, ecipiente, primordial das trevas.

- A relação da sabedoria com a noite, com a arte, a poesia. A arte se alimenta da noite,
da treva. “O escuro como possibilidade”. (Stefano).

- O imaginar por definição é ilimitado e, portanto, transgressor. Aristóteles dá um


contorno, uma forma às trevas da arte. O que é a ficção de terror? Uma tentativa de dar
limites, um contorno ao que é noturno, trevas, etc. No entanto, há sempre algo que
escapa, que perturba, incomoda. Apesar de O castelo de Otranto ser bobo, engraçado
em alguns pontos, ainda assim dá medo, pois há algo que escapa, escorrega, passa pelas
nossas mãos como areia e invade pouco a pouco nossa mente.

Pânico: estágio mais incontrolável do medo. Confere um aspecto sobrenatural àquele a


quem acomete.

* A filosofia da composição, Edgar Allan Poe


* Maurice Blanchot, O espaço literário (sobre poesia)
*Filme de terror “da caixa, dibuk(?)”, exorcismo judaico
Filme: O ritual; O exorcista
* “Our journey had advanced”, poema de Emily Dickinson
*”The last question”; “The last answer” (contos de Isaac Asimov)
*Filme: Espírito do mal (título original Unborn)
*Filme: O feiticeiro e a serpente branca
*Harry Potter 5
*Prefácio: A transgressão do Foucault

Aula 3 – 22/03/2018
As trevas na narrativa

A conversão do imperador Constantino ao cristianismo é um marco questionado por


diversos historiadores.

A Comédia de Dante marca o início do Renascimento italiano, início do século XIV.

O conhecimento ficou sob domínio da Igreja Católica ao longo de toda Idade Média e
foi utilizado para exercer poder sobre a sociedade.

1324- morte do mestre dos cavaleiros templários

Cada ordem da igreja católica tem uma função dentro desse sistema. A ordem
dominicana, por exemplo, é detentora do conhecimento sobre exorcismo e da morte. A
ordem beneditina, por sua vez, é a guardiã dos conhecimentos formais.

A arte, ponto de resistência, passa também por um processo de cristianização, assim


como todos os povos europeus.

“O maior romance do século XX é O senhor dos anéis. O nome da rosa é o melhor do


final do século XX, mas o melhor de todo e que tem que ler, é O nome da rosa.”

O romance é um gênero de ficção, não apenas literário. A técnica narrativa do romance


está no teatro, no noticiário, nos games, nos filmes, graphic novel, etc.

A forma de narrativa romancesca não surge como forma fixa, ela já nasce plural e
múltipla.

“Sempre o narrador pode é uma representação do autor.” (Professor Cido) – ver


Blanchot, O espaço literário

O romance é um acontecimento artístico, não necessariamente temporal.


O autor é possuído pelo narrador, ponto de vista de Sartre (em O que é a literatura).

“A má ficção é resultado do autor que não se deixou possuir, a boa ficção é aquela em
que o autor se deixou possuir. Não uma possessão involuntária, mas consciente e
voluntária.” (Prof. Cido)

O autor é um médium que é possuído por essa força que tem muitos nomes: ficção,
literatura, poesia, etc.

Bardo, um mago capaz de mudar a sociedade por meio da criação.

Para Bakhtin, o romance parodia outros gêneros. Cido defende que não apenas isso:
houve uma predominância da paródia em algum momento histórico, mas há outras
formas, como o plágio, a citação, o aproveitamento de outras formas ficcionais, etc.

Gênero romance = gênero planetário (conceito de Sandra Vasconcellos)


Não existe apenas um conceito ou teoria sobre o romance, então é aconselhável que
cada pesquisador assuma um posicionamento sobre a categoria.

1719- publicação do primeiro romance, Robinson Crusoè

* BAKHTIN, M. “Epós e romance.”


* O nome da Rosa, Umberto Eco
* Jonathan Safran Foer, Tree of Codes
* Ficção de terror gore, o abjeto. Livros de sangue, Clive Barker
* Filme: Mais estranho que a ficção / O coração de tinta
* Farenheit 451, livro e filme
* JENKINS, Henry. Uma teoria da convergência.

Aula 4 06/04/2018

Aviso
Aula de 13/04/2018
Filme: A invocação do mal (2014)
No Anfi B
Final disfórico: manifestação do mal em forma de arte (literatura, ficção, filme) e no
final há o retorno da luz, o exorcismo, a pacificação.
O exorcista não tem esse final pacificador, por isso que o filme é tão impactante.

Light out (Quando as luzes se apagam) – filme excelente

Por que esse tipo de narrativa causa medo mesmo no século XXI?

O Ocidente ainda têm mistérios não resolvidos. Stone Henge, por exemplo...de 2500
anos antes de Cristo? Machu Pichu: sabemos quem fez. A pergunta é...como? E a Idade
Média nas Américas, o que se sabe sobre isso? E sobre as pinturas rupestres de mais de
20.000 anos na região que hoje é o Piauí?

Da ascenção do cristianismo como religião à publicação da Comédia de Dante


(Renascença italiana)
De 370 d.C. a 1114 d. C.

Arquitetura – estrutura (narrativa, por exemplo)


Todo romance é arquitetônico, há uma estruturação sistêmica com determinados
objetivos e técnicas.

Se há construções, estruturações e edificações, há também falhas e colapsos. Momentos


de destruição, de transformação, de revisão. Toda edificação precisa de manutenção,
seja um prédio ou um gênero literário. Não ocorrendo essa renovação, o processo de
desgaste é inevitável.

Ruína –

Igreja de Santa Cruz em Araraquara ou Igreja da Sé: construções do século XX no


Brasil com marcas góticas. Portugal e Itália não tiveram construções góticas no auge
dessa arquitetura, séculos X, XI e XII. Catedral de Saint *Deni, a categral gótica mais
antiga. As mais importantes estão localizadas na Alemanha. Apesar do grande número
de janelas, a luz não entra numa construção gótica. A arquitetura românica é uma
resposta crítica às construções góticas. A Catedral de São Carlos é românica, inspirada
em São Pedro em Roma.
Para Bakhtin o romance é um gênero que parodia gêneros anteriores e seus
contemporâneos. Segundo o Cido, a partir do momento que o romance se apropria dos
gêneros, transforma-o em ruínas.

Primeira formalização do gótico nas artes.


Em 1764 surge o romance gótico – uma escrita de excesso.
É teatral, caricato e manipulado e que denuncia sua própria manipulação.
Por uma análise narratológica, o romance falhou. É melodramático, é curto, há muitos
acontecimentos, personagens, etc.

O gótico é barroco porque é excessivo.

Para o Cido, Romeu e Julieta é ruim porque é excessivamente caricatural e


melodramática. Ele acha que Shakespeare “errou a mão” na peça. Como está numa fase
mais madura do autor, de Macbeth e Hamlet, o Cido considera o “erro” intencional.
“Shakespeare erra em Romeu e Julieta de propósito. É uma peça enorme, cansativa e
excessivamente melodramática. O oposto de Macbeth, a mais curta e mais
assustadora.”

O autor de O castelo de Otranto era um erudito, filho do primeiro primeiro ministro da


Inglaterra. A família tinha uma propriedade à beira do Tâmisa, Strawberry Hill.

O gótico surge no século da racionalidade, da ascensão científica, da luz. É uma


transgressão.
Segundo Aristóteles, a catarse é a conclusão da boa tragédia. Mas Shakespeare, por
exemplo, não oferece catarse. Ele se inspira em Sêneca, latino que se inspirou em
gregos – ele reescreve várias tragédias gregas de Eurípedes. Uma de suas tragédias, no
entanto, é apontada como original, Diéstes.
A história do gótico é uma história da cópia, da arquitetura (espacial e estrutural), a
ruína. O gótico se formaliza pela primeira vez como um romance, O castelo de Otranto.
O gótico não admite forma fixa, afinal é excesso e transgressão. Para contar uma
história de terror, a narrativa romanesca é imprescindível. Mesmo quando poética,
torna-se narrativa, bebendo na fonte da épica.

O castelo de Otranto é uma narrativa excessiva, transgressora, mas desequilibrada.


A ruína não é apenas uma questão temática, mas um ponto de vista filosófico que se
opõe ao racionalismo. É tanto restos quanto “arruinamento”, tornar em ruínas e
destruir. Se eu não tenho ruína, eu transformo em ruína. A ficção de terror sempre faz
uma crítica de algo. Como Otávio Barros diz em Os filhos do barro, a ficção de horror
(...)

A ficção de terror é filha da sua época, mas não só, como toda a ficção.

O romance é um gênero planetário, segundo Sandra Vasconcellos. Toda ficção que


existe hoje, da série ao texto literário, configura uma espécie de romance, uma
narrativa. Cada um com suas particularidades, técnicas e meios.

O texto gótico vai sempre na contramão da academia.

A narrativa de horror possui uma forma e conteúdo próprios que constituem a


maquinaria do medo.
A principal contribuição de O castelo de Otranto é prover as bases para o
estabelecimento de uma estrutura da ficção de terror. Ali há o encontro entre o
inexplicável, a escuridão, a destruição, a ruína, o passado mal resolvido e a forma do
romance. O passado mal resolvido retorna de forma assustadora, irreconhecível.

Em Frankenstein há a consolidação do encontro das trevas com a estrutura narrativa.

“Havia Esopo e Homero reprimiu a narrrativa.” (Cido)

A história do concurso literário entre Percy Shelley, Byron, John Polidore e Mary
Shelley é contada por ela no prefácio da 3ª edição, em 1831.
O que permitiu o encontro das trevas com uma estrutura ficcional

Diferentemente de O castelo de Otranto, não há drama, há melancolia e angústia. As


trevas encontram uma forma de afetar o leitor: pelo terror psicológico. O romance é
composto por um texto dentro de um texto, dentro de outro texto: a estrutura de
Inferno de Dante.

Victor Frankenstein junta partes belas, na acepção grega de sublime. Mas o resultado é
indescritível, apenas sabemos que trata-se de um monstro por causa da reação das
outras personagens, inclusive seu criador. Em nenhum momento do romance há a
descrição da criatura. Victor falha em produzir uma nova criatura porque o sexo
feminino é muito diferente.

*O dragão vermelho, Thomas Harris (livro)


*Profession for women, Virginia Woolf (Exemplo de artimanha de escritora que
também é crítica)
*A noite dos mortos vivos (filme imprescindível)

Sexta-feira, 13 de abril de 2018

Invocação do mal(The conjuring), 2014


Espaço: Rhode Island
Tempo: passado/ origem- 1863 (primeiro ano da Guerra da Secessão); presente:
novembro de 197 (novembro: mês de condenação à morte das bruxas de Salém,
julgamento que condenou 6 mulheres e um homem à morte por bruxaria).
Personagens: Família Perron (6 mulheres e um homem).
Os Warrens: demonologistas.
Árvore do quintal: um carvalho à beira do lago. O carvalho é sempre a fonte da madeira
da vassoura da bruxa ou da varinha mágica. A raiz de um carvalho é o local onde se
enterra uma bruxa porque as raízes dessa árvore constituem uma prisão mística.
Durante o inverno, o carvalho parece ter morrido: a seiva e toda a atividade viva da
árvore fica restrita à raiz.
A bruxa do filme sacrificou o filho na lareira em homenagem à Satã.
O caso de possessão do filme é atípico na tradição, já que se trata de um espírito
humano possuindo outro humano. A filha mais nova é a primeira a ver o sobrenatural.
A mãe, essa força original de gerar, é que fica possuída e tem o impulso de matar.
A pureza da criança que percebe o mundo espiritual é um clichê recorrente ao mundo
do terror.
3:07, a hora da morte...3, a trindade, 7 dias de vida o bebê da bruxa foi sacrificado
Etapas da possessão:
- Infestação.
- Opressão.
- Possessão.
O momento do exorcismo é sempre um teste de fé.
Objetos-símbolo: a casa, o cachorro, o espelho, a caixinha de música, o palhaço, o
relógio, o armário, a televisão, os pássaros, o porão.
Carol Ann – Poltergeist
Carolyn – Invocação do mal
Não apenas o mal está sendo invocado nesse filme, mas toda a tradição fílmica de terror
é invocada por meio das referências.
A possessão e o exorcismo são temas da ficção de terror.
A maior falha estrutural é o final feliz e o restabelecimento da ordem.
Qual a relação entre Anabelle e a Sra. Warren?
Edgar Case: um médium americano, considerado uma excentricidade, exceção na
cultura americana.
Quando o sobrenatural se manifesta, ele rui a sociedade materialista.

- E a autoridade da igreja? A lerdeza...


- E o uso do latim?
- Reforço às ideias cristãs
- A senhora Warren, fica solto o que ela viu e ela não fica possessa

Filmes:
*A profecia
*O bebê de Rosemary
*O iluminado
*Insídios
*Constantine
*Poltergeist
*O chamado
Maila / Mayla

Clube de leitura/sugestões:
O espírito protestante e a ética do capitalismo – Max Weber

20/04/2018

O Iluminismo (séc. XVIII- cultura da luz, da claridade) não é um ponto de partida, mas
muito mais resultado de anos de platonismo. Assim, as trevas ficam relegadas às
periferias, para as margens: florestas, cemitérios, castelos, lugares exóticos e
desconhecidos do imaginário europeu.
A tentativa de banimento das trevas é tão absoluta que chega até a psique: excluem-se
as trevas, reprime-se o inexorável.
O gótico é o pai (séc. XVIII) e o fantástico é o filho (séc. XIX).

Referência sobre textos fantásticos: O fantástico, Remo Ceserani

1692 – Estados Unidos, Novo Mundo, 300 anos de sua “descoberta” .


As Américas já tinham um povo próprio que não era mais ameríndio ou europeu. Há
então o advento de uma “Idade Média” americana, uma caça às bruxas.
Na Europa, a Idade Média foi a ascenção do cristianismo como religião oficial e
formação das línguas europeias.
Cotton Meyer, “assistente” do rei da Inglaterra é levado para os EUA como consultor
religioso na caça às bruxas.
Espaços modernos das trevas: O cemitério, a encruzilhada passam a ser interditos.
1865 – lei britânica que o suicida e o condenado à morte na forca é proibido de ser
enterrado no cemitério, mas deve ser entererrado na encruzilhada, tendo uma estaca no
coração e a cabeça cortada. Nessa época, o Império Britânico era duas vezes maior do
que o Império Romano no seu apogeu. Uma lei que não era religiosa, era laica.

A encruzilhada como lugar das trevas sobreviveu ao Iluminismo, Racionalismo,


Positivismo, Realismo, etc., chegando até ao século XXI.
Antes da ascenção do cristianismo, as exéquias romanas e gregas e as pirâmides-templo
e as tabas. Com o cristianismo, é impensável o ultraje do cadáver, cremar é interdito e
pertence a outras religiões.

Cristo foi “enterrado” à moda egípcia. Não se aceita o enterro à moda de outras
culturas.
Somos uma cultura iluminada, lógica, racional, pensada e estruturada, não há espaço
para o sobrenatural. Mas ainda há algo de mistério que não conseguimos entender.
Frazer (O ramo de ouro), Lévi Strauss, Jung, Jean Delumau (História do medo no
ocidente).
Highgate – cemitério mais famoso de Londres e da Inglaterra
Cemitério dos Britos em Araraquara
Na nossa cultura, só há espaço para o sobrenatural na religião ou na loucura. Se você é
religioso, aceita-se sua crença, caso contrário, atribui-se a crença à loucura.
O fantástico trabalha com as manifestações benignas do sobrenatural.
Em Invocação do mal, numa família não religiosa inserida numa cultura secularizada,
racional, capitalista desde sua fundação, há a presença de um E SE, e se as trevas se
manifestarem?
Enéias tem que ir até a caverna para falar com a sibila
Homero tem que ir até o fim do mundo para...? (inferno?)
È, portanto, previso ir à periferia.

A religião judaica ou as africanas trabalham com as ideias de convivência entre luz e


trevas, pois ambas fazem parte do humano e do divino, princípios interdependentes e
complementares.
Oxalá (senhor das trevas) e Exu (senhor das trevas) trabalham juntos, são amigos.
Tanto cristianismo como platonismo exorcisam e exilam as trevas, posisionando-as
como princípio opositor.

Cristianismo Platonismo
Trevas X Luz Sofista X Filósofo

Princípio cartesiano: identidade una e indivisível.

A verossimilhança é uma busca por um limite no espaço da transgressão, a ficção.

Aristóteles é o pai, o Realismo e o estruturalismo são filhos e netos.

As trevas não são verossimilhantes porque não parecem algo, não representam algo
elas SÃO a própria coisa. As trevas incomodam autores, críticos, escritores, porque não
têm resolução.

A obsessão dos Modernistas ingleses pelos Românticos ingleses é da ordem do


mistério, das trevas. Virginia Woolf escreve sobre Henry James, A volta do parafuso e
sobre Ann Radcliff.

Como a ficção de terror, tecnicamente falando, se manifesta na ficção?

Maquinaria gótica
Termo oriundo do texto “Romance gótico: a persistência do romanesco ” e que encontra
ressonância na academia brasileira. O primeiro texto que utiliza o termo gótico Sandra
Guardini Vasconcelos, cap. 8 de Dez lições sobre o romance inglês do século XVIII.

Psicologia do medo
Outra terminologia encontrada na academia brasileira que busca nomear esse conjunto
de técnicas formais que possibilitam a veiculação das trevas na ficção.

Ambos os termos são considerados restritivos pelo prof. Cido. Para ele, o termo
maquinaria do medo é mais abrangente. Maquinaria das trevas é também
abrangente, mas considerado muito técnico e teórico, segundo Cido.

O teórico Fred Botting, autor de Gothic, cunha o termo “artes das trevas”(dark arts/
arts of darkness) na 2ª edição de 2014.

Esse conjunto de técnicas possui como objetivo a perturbação do fruidor (não apenas
um leitor, termo amplo para aquele que frui as diferentes narrativas, sejam jogos,
filmes, séries, etc.). A construção do sentimento ou efeito do medo é o objetivo
primordial da maquinaria do medo. Por meio do 1)terror, do 2)horror, do 3)pavor, da
4)abjeção, da 5)atmosfera (junção das categorias narrativas de espaço, tempo,
decoração). Essas técnicas demandam uma maquinação do artista. Nem sempre
aparecem todas numa narrativa, apesar de sempre atuarem juntas.

TERROR
Interno, psicológico, sensitivo,
sentimento, sublime, filosófico.
Construção da narrativa que envolve
progressivamente, narrador, personagem
e leitor.
Efeito: reflexão, pensamento.
Walking Dead trabalha muito mais com o
terror que com o horror, uma vez que as
relações humanas após um apocalipse
zumbi.
HORROR Efeitos de linguagem
Paralisa - cognitiva
Elemento puramente descritivo na - psicológica
narrativa e, via de regra, momentâneo, - descritiva / narrativa
(picto/porno)gráfico, imagético.
Na narrativa literária, geralmente o ponto
de partida, um momento ou um
resultado. Diferente mente do cinema, no
qual é possível ter a tomada de câmera,
efeito não possível na literatura.
Cinematográfico, cênico, audiovisual no
cinema e no teatro.
Efeito: paralisia do pensamento.
Exemplo: “A causa secreta” de Machado
de Assis, na cena do rato.
Em O castelo de Otranto, o elmo caído
sobre a cabeça sangrando do noivo.
A cena do gato e da esposa emparedados
no famoso conto “O gato preto” de Edgar
Allan Poe.
PAVOR
Exacerbação do terror.
Loucura.
Pânico.

ABJEÇÃO/ o gore
Choca
Sadomasoquismo
Escatologia > perversões
“A beleza do grotesco”
Exacerbação do horror
The pillow man, 2003/4, Martin
McDonagh

ATMOSFERA Espaço, tempo, decoração e história do


Locus horribilis X locus amabilis lugar
A floresta, o frio, a chuva, a tempestade, Alguns autores conseguem alcançar uma
uma cobra, um gato, a noite...compõem a dimensão cognitivo/descritiva,
atmosfera como decoração. Fazem parte psicológica/narrativa.
da composição espacial, temporal, Exemplos: Um conto de natal, Dickens; O
decorativa e que funciona como reforço. exorcista (filme); Edgar Allan Poe, o
Em algumas narrativas, a atmosfera deixa mestre.
de ser pano de fundo para tomar um
primeiro plano.
SOBRENATURAL MALIGNO

Burke - Esteta publica em 1757 suas considerações sobre o sublime. Até então, o
sublime era o simétrico, ideia grega do belo originada em Platão e que chegou até
Burke. Cria aquilo que hoje chama-se “estética negativa”. Para ele, o sublime é aquilo
que incita o sentimento titânico de medo por nos fazer conscientes da nossa pequenez,
o encontro do humano com a grandiosidade da natureza. Diante da grandiosidade da
natureza (o oceano, o céu, a noite, regiões remotas daterra), a admiração e o espanto
geram uma reflexão da condição humana.
Filosofia: pensar a condição humana.
Entendido dessa forma, o terror, então, é psicológico e filosófico. Terror e sublime são
sinônimos para Burke, tudo que causa espanto e admiração e relembra a fragilidade
humana.
O terror consolida-se como construto narrativo que gera o efeito psicológico do medo.

Geralmente...
O narrador é em primeira pessoa.
O espaço psicológico é noturno, fechado, claustrofóbico.

Terror = medo pensado


O terror se estabelece como sentimento humano toda vez que nos deparamos com uma
ameaça à vida, seja essa ameaça real, imaginária ou ficcional. O medo suscita a auto-
preservação.
O terror é sempre focado no mental, no interno, no psicológico. É um mergulho na
personagem e no espaço. É um mergulho no psicologismo.

O terror é também uma manifestação do medo estético (não o psicológico).


Representação de situações de medo, aterrorizantes. Ter acesso a essas representações
me causa prazer. O medo se torna prazeroso quando se torna estético. Há algo de
sádico nesse prazer. O surpreender-se faz parte desse universo do terror.
O fruir estético do medo

Necromancia: a declaração de amor por Catherine de O morro dos ventos uivantes. Há


uma violação do túmulo por amor. Para o Cido, a cena é by far muito superior a Romeu
e Julieta de Shakespeare. Em Brönte, há um amor que transcende vida e a morte, não
há o melodrama do bardo inglês.

H. P. Lovecraft: fundador da weird fiction (terror + abjeção)

O horror é a manifestação crua das trevas, não editada. O abjeto exarceba o horror, ele
acrescenta o elemento nojento e asqueroso.

*Sítio arqueológico Sutton Hoo, Áustria


*As bruxas de Salém
*“Popol Vuh”, poema do século XVII escrito em nauatla, língua maia que era ágrafa.
Marca do contato entre os povos.
*Livro: História dos cemitérios
*Jean-Pierre Vernant (helenista francês) –“A bela morte e o cadáver ultrajado”
*Solomon Kane, filme
*Tyrant Lo Blanc, romance de cavalaria referido pelo Cervantes em Dom Quixote
*Espectros de Marx, Derrida (operadores textuais/discursivos)
*Evangelhos sinóticos: Mateus, Marcos e Lucas e o Evangelho de João
*”Filosofia do mobiliário”, texto de Edgar Allan Poe sobre “decoração”
*O morro dos ventos uivantes, Charlotte Brönte
*Hairaiser 3 (o abjeto por excelência)

Sexta-feira, 27 de abril de 2018

Crimsom Peak, Guilherme del Toro (2015) – A colina escarlate

Maquinaria do medo « sentimento / efeito / sublime « MEDO < terror + horror


A ficção de horror e terror não combina muito com a ideia de um conceito OU outro,
geralmente trabalham em conjunto, seja pelo seu par, sua exacerbação ou seu “oposto”.

É muito raro encontrar um texto do século XIX em que se trabalha a abjeção. Esse
aspecto é mais contemporâneo, sendo Lovecraft considerado o fundador do abjeto
como aparece hoje.

A narratologia genetiana está ultrapassada porque separa espaço e tempo como


categorias estanques e distintas. Em Questões de literatura e estética, Bakhtin fala
sobre o “cronotopo” do romance citando Einsten. Assim, predomina a preocupação
com o tempo, crono. Atualmente, a discussão sobre atmosfera inverte esse foco e trata
de “topocronia”, no qual a primazia é do espaço.

A atmosfera não se trata apenas de uma descrição do espaço, como em Os maias,


quinze páginas para descrever um pequeno cômodo.
Casos de atmosfera: Mrs Dalloway perdida em Londres, cidade que ela conhece;
Leopold Bloom, de Ulisses, está perdido em Dublin, uma cidade que ele conhece.

* “Shakespeare: a invenção do gótico”, texto do prof. Cido


* The rime of the ancient mariner, Colleridge, 1816 (poema terrível em que corpos
voltam à vida)
* O autor de Pillowman, Martin , é o roteirista de Três anúncios de um crime
*Titus Andronicus, primeira peça de Shakespeare, é gore.
*Hamlet e Macbeth são leituras pré-requisito para qualquer estudante de pós-
graduação em literatura.
*Arraste-me para o inferno, filme incrível
*A maldição do cigano, Thiner (esse filme)
*Uma noite alucinante (filme e série)
*Cabin the woods
*Mãe (filme), Cido: “não vi, não gostei”
*Hairaiser (filme)
*”A nebulosa”, primeiro poema gótico do Brasil, de autoria de Joaquim Manuel de
Macedo. Publicado no mesmo ano de Madame Bovary, 1857, considerado o
nascimento do Realismo.
*Álvaro Carvalhal, autor português escritor de um livro de contos góticos.
* A casa amaldiçoada / Rosered (filme péssimo, segundo Cido)
*O nevoeiro (filme)
*“Os cães de Tinderlus”(conto)
* A maldição da casa de Chester (filme)

04/05/2018 Aula cancelada

11/05/2018

Edgar Allan Poe


Melhor tradutor em português: um médico chamado Milton Amado
Cido não recomenda a tradução do Machado de Assis nem a de Fernando Pessoa.
Marie Bonapart, psicanalista e crítica literária, estudiosa de Poe, escritora de Edgar
Allan Poe: a biography.
O ensaio sobre o estranho de Freud é um tratado de psicanálise que utiliza como
exemplo um conto, obra literária. “O homem de areia”, do autor alemão Hoffman.
Machado de Assis lia Poe em francês, via Baudelaire. A conexão Brasil-França no século
XIX é muito forte e finaliza-se com a influência sobre a estrutura da academia no
Brasil.
O Romantismo é mais que um movimento literário: é um ponto da História em que
converge todo o pensamento ocidental.
1832- publicação de antologia de poemas brasileiros em português na França. Suspiros
poéticos e saudades, Gonçalves de Magalhães.

Guimarães Rosa era leitor em inglês, então, evidentemente, leu Poe e se deixou
influenciar, especialmente no início de sua carreira. Seu conto, de ação /
acontecimento, é também influenciado por Poe – diferentemente do conto moderno, de
experiência (Tchecov).

Edgar Allan Poe influenciou a todos e foi estudado por Marie Bonapart, a mesma que
recebeu Freud em seus últimos dias.

Edgar Allan Poe e Freud

A atmosfera psicológica que encontramos em todos os contos de Poe e no poema O


corvo adianta na literatura aquilo que Freud realizou na psicanálise 50-60 anos depois.
(Poe morreu em 1849)
A partir de uma leitura mais tradicional, não se poderia analisar Poe a partir de um
ponto de vista psicológico, por uma questão de anacronia. No entanto, Poe funda a
ambientação psicológica. A presença de Poe em Freud é indireta. Ao tratar do
unheimlich, o psicanalista alemão recorreu a A.T.A Hoffman, um escritor alemão.
Parece que ele faz um desvio de Poe.
No conto “O barril de Amontilado”, nada diferencia o narrador-personagem, de um
psicopata. Não há nenhuma culpa ou empatia na personagem. Após emparedar
Fortunato, Machado inverte as posições: a vítima de Poe, Fortunato, em “A causa
secreta”, é o algoz; em vez de narrador-personagem, um narrador em terceira pessoa
cuja focalização é a de Garcia e, em vez do acontecimento no final, ele ocorre ainda na
metade do conto.
Em “O barril de amontillado” não há sobrenatural, assim como em “A causa secreta”. O
terror é puramente psicológico.
Em “A causa secreta” há terror e horror.

O sobrenatural maligno via Poe e Guimarães Rosa

O sobre natural maligno não é um aspecto obrigatório da narrativa de terror.

O pacto demoníaco: Fausto


Panfleto do século XVI distribuído pela Europa acerca do homem que queria todo o
conhecimento do mundo e trocou sua alma por isso com o Diabo. O pacto primordial:
Eva e Adão no Jardim do Éden. O pacto diabólico é muito mais moral e filosófico que
sobrenatural.

Livro de Jó: Deus faz um pacto com o Diabo.

O estranho

O estranho nada mais é que o reprimido que retorna. Quando investigamos o processo
de repressão, observamos que ele deriva de uma situação traumática vivida com a qual
não se consegue lidar e que, portanto, é tirado do nível consciente, torna-se uma
lembrança reprimida que fica no nível do inconsciente.
Repressão X Recalque
Repressão: esquecimento total
Recalque: apenas uma parte é reprimida. É bem mais problemático, porém mais fácil
de se tratar.
Inconsciente: espacialidade. Por maior que seja o espaço do inconsciente, ele tem
limitações. É por isso que, a partir de algum momento, as coisas começam a voltar. O
trajeto de volta não é como o de ida, não se trata de uma via de mão dupla. O retorno é
sempre mais violento porque há um encontro titânico de forças entre diversas
repressões.
A barreira que separa o consciente do inconsciente não é uma muralha, mas assemelha-
se muito mais a uma névoa, uma floresta. É uma barreira permeável. O que habita esse
espaço híbrido, de transição, é consciente e inconsciente. Esse não-lugar pode ser
chamar de sonho, um espaço fronteiriço em que nada é fixo.
O tártaro grego é uma simbologia que ilustra o inconsciente.

Freud Lovecraft
“o estranho” O absolutamente desconhecido

A divisão acima é apenas uma divisão didática. “O gato” de Poe é um exemplo em que
ambos, o estranho e o absolutamente desconhecido, aparecem concomitantemente.
Teratologia: o irredutível, a malformação congênita em si, sulco (o que foi “apagado”,
mas deixa rastro). Apenas o desconstrucionismo consegue lidar com esse sulco/sombra
que resta do apagamento do rastro, a psicanálise não dá conta.
O duplo é uma das manifestações do reprimido que retorna.
O sulco é o duplo do traço. O fantasma, é o duplo do morto. A alma, na tradição cristã, é
o duplo do corpo.

*Ler “Moisés, de Michelangelo” que está no Totem e Tabu. Em Portugal, há uma


seleção dos textos de Freud sobre literatura, Freud e literatura.
*Marlyse Meyer, estudiosa do folhetim, Caminhos do imaginário no Brasil
*“Para além do princípio do prazer”, texto do Freud sobre perversões.
*“A marca de nascença”, conto de Hawthorne
*Stigmata, filme
*“Uma nota sobre o bloco mágico”- texto em que Freud mais se aproxima do
apagamento do traço

COMPRAR
-NEUROMANCER
-FARENHEIT 451
-WATCHMEN
- O CHAMADO DE CTHULULU
-REALIDADES ADAPTADAS: CONTOS DE PHILIP DICK
-GUIA LITERÁRIO DA BÍBLIA
LER AINDA HOJE
- O HOMEM DE AREIA
- COMEÇAR DRÁCULA
- ÁGUA VIVA

25/05/2018

O Barroco é um retorno do reprimido que retorna, um unheimlich.


O claro e o escuro do Barroco não são as cores e sim a iluminação. O altar de ouro da
Catedral de São Francisco em Salvador, além da contradição com a filosofia franciscana
e seu voto de pobreza, não brilha, mesmo sendo ouro. Há uma volta às trevas por meio
da luz.
Gótico: manifestação em países em que o frio é predominante.
Barroco: manifestação em países em que o calor é predominante.

Graveyard Poets: aproximadamente metade do século XVIII, quando predominanva o


Neoclassissismo.
A França vai direto do Neoclassissismo (de 300 anos, “Ditadura da luz”) para o
Romantismo – este, quase incipiente. A volta do reprimido aparece com o surgimento
de um outro gênero: o fantástico.
Na Inglaterra, Blake,Shelley, Austen, as irmãs Brönte...tudo isso ocorreu em um
período de 100 anos, que se iguala apenas a Shakespeare.
Romantismo: período que mais teve literatura de terror.

Em Portugal: “O bispo negro”, de Alexandre Herculano. Conto clássico tanto


Romântico quanto gótico.
No Brasil, o poema “A nebulosa”, de Joaquim Manuel de Macedo constitui um clássico
de terror mítico. Álvares de Azevedo, no entanto, é muito mais relembrado por seu
Noite na taverna ou Macário.
O gótico como teoria é algo britânico.
O Barroco no Brasil...um gótico endógeno?
Prolegômeno

Quando Drácula é publicado em 1897, já havia publicações sobre vampiros.


Literatura britânica:
- “Christabel”, Coleridge (1816)
- O vampiro, de John Polidori (1819)
- Carmilla, 1872
- Lord Byron escreveu 2 parágrafos
- Varney, the vampire
Penny dreadful: um susto por um penny, folhetins publicados anominamente com
contos de terror/vampiros.

O vampirismo não era desconhecido na literatura britânica em 1897, quando da


publicação de Drácula. Por que a associação direta ao livro de Stoker quando se fala em
vampirismo? Por que se tornou a bíblia do vampirismo? Trata-se do arquétipo do
vampiro que inspirou diversos filmes, séries, livros, etc. Hellsing (mangá/anime) –
personagem principal: Alucard; Vampire blood (série); Vampire D (série ou mangá)....

Não há obra ficcional sobre vampiros do século XX e XXI que não remeta ao Drácula.
O que há de diferente em Drácula que não está em nenhuma obra vampiresca anterior?
A forma. A construção meticulosa que Stoker faz é sem paralelo.
Onde fica a Transilvânia? Periferia da Europa, ponto de ligação entre Europa e Oriente
Médio. Tanto que é pela Transilvânia que o Império Otomano chega à Áustria. Apesar
de periférico, é um lugar estratégico do ponto de vista militar.
Drácula, um poderoso conde, mora num castelo exótico com três fantasmas. O exótico
era devido a um retorno à Idade Média.
Drácula, um nobre, deseja a anonimidade. Diferentemente de toda a nobreza da
segunda metade do século XIX. Para isso, decide ir morar numa abadia medieval
localizada numa encruzilhada e do lado de um manicômio. Por que ele quer se misturar
e não se destacar? Porque ele quer contaminar o Império de dentro, ele quer
transformar o Império em vampiros.
Nem todos que são mordidos pelo Drácula se tornam vampiros. Apenas aqueles que
foram mordidos três vezes. Mina Harker foi mordida apenas duas vezes e, por isso,
sobreviveu. Drácula tem, portanto, o poder de criar uma nova raça, selecionada por ele.
Por isso, não se trata apenas do Império inglês, mas do mundo.

Em que medida Drácula constitui um reprimido que retorna?

Halloween: All Hallows Eve (tradição cristã)


Escorpião/ água
31/10 Dia de Samhain (final da colheita, inverno celta) > chegada das bruxas
Touro/ terra
30/04 Dia de Beltane (início do plantio/ verão celta) > partida das bruxas
Walpurgisnacht: noite das bruxas

Séc. II d.C O livro das maravilhas / The book of marvels


A rainha dos condenados: primeira figura vampiresca, revenue, uma mulher grega
(em grego: vrigolaka)

Drácula não tem voz, tudo o que sabemos sobre ele é a partir do ponto de vista de
outrem. É um construto narrativo . Drácula, considerado fora do contexto literário, é
um relatório. Como não há a figura do editor, chegamos a uma coletânea de narrativas
sobre o vampiro.
As três esposas: Cristabel, Carmilla e ... As vampiras mais velhas.
Em Londres, por mil anos, houve um lugar onde eram feitos os enforcamentos: Tyburn.
Há dois tipos de encruzilhada: em X e em T/Y.
O suicida e o enforcado assemelham-se ao mito de Caim, aquele que tinha a marca do
maldição.
No livro apócrifo de Judas, ele tentou se matar, mas ficou pendurado vivo, ou seja, o
mundo dos mortos o devolve à vida.
OS ciganos estão associados a Caim, o errante.
Os seis membros que perseguem Drácula são as classes sociais
Arthur - nobreza
Quincey Morris – estrangeiro da antiga colônia, do espaço fronteiriço entre as duas
culturas
Van Helsing – estrangeiro e acadêmico/ciência
Drácula – estrangeiro
Jonathan Harker – alta burguesia, advogado e corretor
John Seward – alta burguesia, médico
Mina Harker – baixa burguesia, professora, secretária do grupo

A morte de Drácula contradiz os princípios do próprio romance: a estaca de madeira no


coração e o corte da cabeça separando-a do corpo. Drácula é morto com a faca do
Rambo (de Quincey).

*Carmilla, de LeFanu
* Dampir: vampiro que caminha de dia. Blade
* O ano Drácula, de Nilman (obra complementar de Drácula)
* The Strain / Noturno (série)

08/06/2018

Coincidência ou zeitgeist: A interpretação dos sonhos, de Freud, foi publicado dois


anos depois de Drácula.
Drácula não é nem nome nem sobrenome. Não sabemos o nome do senhor dos
vampiros. O título é mais um epíteto: em romeno, “filho do dragão”.
O romeno, assim como o latim e o português, é uma língua aglutinadora.
dracul: dragão / -a: filho

Ordem do dragão: ordem religiosa fundada no século XV na Valáquia por nobres


romenos magiares para conter o avanço do Império turco-otomano.
Trans: para além
Silvânia: florestas
Havia uma família Vlad
Há três grandes nobres: Vlad I, Vlad II, Vlad III
Vlad III, o empalador, ficou conhecido como Vlad Dracula
Ele ficou 3 anos refém do Império turco, quando “aprendeu” as técnicas de
empalamento.

Ano Drácula, Nilman. 1992

A conexão histórica é reforçada pela forma que a personagem é descrita.

The land beyond the forest, Emily Gerard, 1888


A autora, britânica casada com um embaixador romeno. Morou na Romênia por 10
anos, quando coletou tudo que pôde sobre lendas, folclore, história, etc. É neste livro
que se desvenda a ligação entre vampiros e lobisomens/lobos, a “mitologia” acerca de
do conde Vlad.

De acordo com Van Helsing, Drácula é um dos 10 alunos da escola Scholomance que
sobreviveu. (Todo ano, 10 crianças eram escolhidas para essa escola de adivinhação
onde o próprio demônio dava aulas.) O flautista mágico de Hamellin também teria sido
um aluno dessa escola à beira do lago Hamestad. História folclórica de origem
desconhecida, tornou-se conhecida por meio da língua alemã, mas é anterior.
Robert Browning, poeta britânico da segunda metade do século XIX, traduziu para o
restante do ocidente a balada medieval alemã.

Em A saga da torre negra, de Stephen King, é baseada no poema do poeta Robert


Browning.

Criptomímesis, global gothic, liquidez (Bauman), simulacro ou simulação (), fármaco


(Derrida).
As trevas como quase conceito porque não são definíveis em sua totalidade.

“Sobre o medo”, filósofa spinozana Marilena Chauí do livro Os sentidos da paixão. Um


dos maiores medos do ser humano é demonstrar a irracionalidade que não é explicável
pela teoria. Há algo no humano que é irredutível, porque congênito. Basta um impulso
um pouco mais forte que vem à tona.
É o que Freud chama de histeria, num primeiro momento. Hister – útero; histeria:
doença do útero, mas presente também nos homens, que não têm útero. “Quebra de
barreira do inconsciente”, nomeação atualizada.

Toda a metafísíca ocidental existe na tentativa de controlar essa força, essa pulsão de
morte. “Ela está aí”, como diz Derrida, não há extermínio possível para essa força
assassina e demoníaca que há dentro de cada um de nós.

Estado de Bersecker: geurreiros vikings possuíam um animal totêmico no qual se


transformavam. O vir à tona das trevas, do desconhecido e irracional.

Poe – o homem da multidão


Baudelaire, Mallarmé – o flaneur, o homem perdido.
A perdição já estava anunciada, não é uma novidade da pós-modernidade.
A linguagem estética dessa perdição é o que chamamos de pós-modernidade.
É o pós-moderno posterior ao modernismo ou é algo que continua e se assemelha (a)o
modernismo?
Muito do que se denomina pós-moderno já estava anunciado no Modernismo. Assim
que alguns teóricos afirmam que o pós-moderno é uma radicalização do Moderno.
(Assim como o pós-estruturalismo seria também uma radicalização, aprofundamento
do estruturalismo.)
No Modernismo há uma tentativa de resistir a mudança. Uma resistência à
modernização, uma luta contra a força da máquina. A mídia, a partir dos anos 50, passa
a ser
Permeando todas as questões humanas há um inominado. “Eu as chamei de trevas,
mas outros teóricos a chamaram de líquido, simulacro, fármaco, etc...” Cido. O nome
mais recente da questão é “gótico global”. Essa nomeação em particular deixa clara a
raiz da questão. Uma palavra que vem das artes, o horror da textualidade, da
arquitetura, da ficção...antes essa nomeações originavam-se da filosofia, teoria, etc.
A textualidade é originada pelos pós-estruturalistas em oposição ao termo filosófico
escritura (Derrida, Foucault).
O gótico emcampa a cripta, as ruínas humanas, os restos mortais. Criptomímesis. Essa
má formação congênita que está no humano e a qual o ser humano tenta exorcisar.
Seria a própria ficção uma forma de trazer à tona esse aspecto? Se você deixa vir
emergir essa força maligna, coloca-se em risco a humanidade. Daí o medo. Sentimo-lo
toda vez que nossa condição humana está ameaçada. O medo é um estado que tenta
preservar a integridade humana.
A ficção é um espaço privilegiado, uma dimensão na qual não há limites ou leis além
daquelas própria ficcionalização.
A ficção, mesmo que não seja o real, assusta algumas pessoas. Outras desconectam-se
da realidade empírica e passam a viver de ficção. A torre de marfim é uma expressão
estética dessa migração para o espaço da ficção. Entre esses dois extremos situam-se
diversas gradações.

A primeira coisa que Deus criou: a luz. Ou seja, Lúcifer. O demônio.

*Quando a Catedral de São Bento for concluída a serpente que está embaixo da cripta
virá a tona. A águia da fonte lutará contra a serpente.
Houve um linchamento de dois irmãos em praça pública, onde é hoje a praça da igreja
matriz. Os irmãos Brito eram jornalistas e fizeram uma reportagem sobre o
coronelismo na cidade. Por se tratar de uma injustiça, o padre da época amaldiçoou a
cidade que, por durante cem anos, a cidade não progrediria. Essa também seria uma
razão para a dificuldade em terminar a conclusão da catedral.
São Bento: padroeiro do continente europeu, santo invocado nos rituais de exorcismo
contra a ação dos demônios.
Se a maldição tem um tempo determinado, ela termina, mas os efeitos perduram. Com
o tempo deixarão de existir porque não serão alimentados.
Buscar o livro de Rodolpho Telarolli, especialista em história de Araraquara.
Mitologia nórdica: embaixo da árvore higdrosil vive a serpente, sob as raízes e sobre a
copa da árvore há a águia que paira sobre a árvore. Há ainda o mensageiro que leva as
mensagens entre elas, ratatosc, esquilo que percorre árvore.

Para Cido, não existe originalidade.

Houve uma tradição longuíssima de realismo e a ascenção da literatura de fantasia


pode ser lida como um “recalque” que retorna porque, apesar de sido reprimida,
sempre esteve “aí”.

*Constantin (um dos filmes favoritos do Cido)


* Esgotamento ou saudosismo não são exemplos de reprimido que retorna. O
saudosismo é reprodução.
* John Barth, A literatura da recorrência
* Shakespeare copiou Sêneca, segundo o Cido.
* John Milton, em O paraíso perdido, produziu em forma de poesia O livro de Enoque.
Ler Blake é o mesmo que ler Milton, tamanha a influência.
* Teoria da influência do século XX, A angústia da influência, 1973. Ele não trata em
nenhum momento de Shakespeare, o pai dos pais. Na 2ª edição, ele escreve um
prefácio e tenta justificar essa ausência. Outro equívoco é que a influência não é
individual, trata-se de uma polifonia de vozes.
* Um método perigoso (filme)
* A fundação do dramalhão mexicano foi na Inglaterra do século XVI em Romeu e
Julieta. Shakespeare hoje seria um diretor de Holywood, ele era pop.

Trabalho final – priorizar escritorAs


- Por que o gótico se estabele por meio de escritorAs?
- Perkins Gilman, O papel de parede amarelo
- Úrsula Le Guin
-
- Jane Eyre?
- Beloved?
- The bell jar, Sylvia Plath
- Northanger Abbey?
- O reprimido que retorna...
- Pesquisar contos macabros feministas...mulher que mata o marido
- Algum aspecto da Bíblia...os porcos ou Apocalipse...
- Literatura infanto-juvenil?
- Rever material de Literatura e Psicanálise na Usp
- Caim, do Saramago

15 de junho de 2018 – Última aula

Cheguei quase às 20h. Cido falava sobre as ideiais condições sociais da


Escandinávia e, contraditoriamente, os altos índices de suícidio. Para ele, um
reprimido que retorna. Freud.
Na academia brasileira, atribui-se muito do que Freud produz à ficção, ainda
mais Jung. Como se ficção de realidade fossem extremos opostos. A ficção não
está circunscrita a si mesma. Reduzir a ficção é uma forma de se auto-proteger
daquilo que tememos.
Lacan: o inconsciente é feito de linguagem. É por isso que ele é o “queridinho”
da academia: ele separa bem a ficção da vida. (Lacan analisa o conto de Poe “A
carta roubada” que não é um texto de terror, mas um conto fundador do que
passou a se chamar literatura policial. A mãe do gênero é Ann Radcliff, a qual
ele homenageia no conto “O retrato oval”.) Para Cido, Lacan não é continuador
da obra de Freud, ele é sim o grande deturpador e usurpador da obra freudiana.
Jung rompeu com o pai, Freud, assim como Édipo e Lúcifer o fizeram. Ele
entendeu o pensamento freudiano com tanta profundidade que ousou desafiá-
lo, questioná-lo, inclusive, pessoalmente.
A ideia de objetificar o texto é o que aprendemos. Um erro conceitual, pois
deveríamos partir do texto para então buscar a teoria que o texto “pede”. É o
texto literário que vai determinar qual teoria será acessada como instrumental
para abrir as chaves interpretativas do texto.
O que é um mestrado e um doutorado?
Uma estrada sinuosa que leva a um abismo profundo: o objeto de pesquisa (um
abismo de sentido), a dissertação, a tese de doutorado. “A biblioteca de Babel”,
de Borges exemplifica a metáfora do abismo.

Derrida fala do fármaco, o Santo Graal apenas vislumbrado por um cavaleiro da


Távola Redonda. Será isso apreensível?

É preciso aceitar as trevas em nós, todos temos trevas. Não se pode colocá-la
sob o sol, pois ocorrerá como o vampiro sob o sol. Ele queima e, ao queimar,
volta a ferir uma segunda, terceira, quarta vez.

Em termos de ficção, andamos bem pouco em relação à década de 80.

O sagrado é pior que o cânone, pois este é um conjunto, o objeto sagrado é único
e exclui todo o resto. Crepúsculo, Sandman, Senhor dos anéis, Harry Potter.

Observando as grandes obras do século XX (como Gailman), parece que ainda


não saímos de Homero. 2800 anos de literatura apenas para escrevermos notas
de rodapé na Ilíada. O mitológico retorna, é recriado, relido.
Safo, a mãe da literatura feminina e Homero, o pai da literatura, fundam-se na
mitologia.

Para quê estudamos? Para quê pesquisamos literatura?


A festa do sentido, do significado: Derrida
A irredutibilidade do sentido. O sentido só significa. O significado não se
explica.
Não há inocência para quem sabe que a existência é um construto de sentidos.
O que é a memória senão um implante na tábula rasa do nosso consciente ou
inconsciente?

“Lista de ficções para nosso festim das trevas – tragam as suas para
participar. Aqui as trevas funcionam como arte e se aproximam de
nós por meio da ficção.”

 Poema “Darkness” de Lord Byron - mencionado por Mary Shelley em


Frankenstein e que faz referência ao Apocalipse. (tradução de Castro
Alves/ ler o canto 7 de “O navio negreiro”, comparado ao canto 3 do
Inferno de Dante)
 Lembramos a você por preço de atacado (conto) que origina O
vingador do futuro – implantes de memória
 “O chamado de Cthululu”
 “A Rose for Emily”, conto do William Faulkner

*Um método perigoso (filme ótimo pra rever urgente)


* Sandman e Deuses americanos, de Neil Gailman são geniais estética e
artisticamente falando. Mitologia nórdica atualizada em relação ao capitalismo
Americano.
* Filme The final cut / Invasão de privacidade