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ESCOLA BÁSICA E SECUNDÁRIA DONA LUCINDA ANDRADE

G e o l o g i a , 1 2 . º ano
Ano letivo 2019/2020
Ficha de Trabalho

Nome: _____________________________________________________________________

N.º: _________ Turma: ____

Grupo I
1. Leia atentamente o texto seguinte.
Segundo a Teoria Contracionista, as camadas externas do globo terrestre tiveram que
acomodar o colapso resultante do arrefecimento das camadas interiores. Este fenómeno
originou a formação de falhas e dobramentos associados a grandes relevos, como por exemplo
as cadeias orogénicas.
Kelvin, um importante cientista do século XIX, estimou a idade da Terra entre 20 a 80
M.a., baseando-se, para tal, na taxa de arrefecimento das esferas de ferro. Este cientista
também concluiu que, com o arrefecimento, a circunferência da Terra terá diminuído entre 200
a 600 km e que os materiais mais densos migraram da periferia para o interior, enquanto que
os menos densos se acumularam à superfície durante o arrefecimento e contração. A
contração teria sido responsável pelo colapso de determinadas áreas onde s formaram
posteriormente os oceanos, enquanto que áreas altas correspondiam aos continentes. Só se
verificavam movimentos verticais.
No entanto, o desenvolvimento científico e tecnológico que se verificou nas décadas
seguintes colocou em causa a Teoria Contracionista.

1.1. Caraterize as principais teorias da Terra enunciadas até ao início do século XX.
R: As principais teorias eram o Catastrofismo, o Permanentismo e o Contracionismo.
O Catastrofismo foi uma corrente de pensamento cujo principal defensor foi o naturalista Georges
Cuvier, segundo a qual as alterações que ocorriam no nosso planeta deviam-se à ocorrência de grandes
catástrofes naturais, como terramotos e inundações.
O Permanentismo, cujo principal apoiante foi o geólogo Charles Lyell, é uma corrente de pensamento
geológico que defendia a existência de continentes e oceanos como estruturas que permaneciam estáveis,
apresentando sempre a mesma posição desde a sua origem.
O Contracionismo explicava a morfologia e posição dos continentes afirmando que a Terra, inicialmente
quente e incandescente, entrou num processo gradual de arrefecimento, o qual conduziu ao aparecimento de
um certo movimento lateral, com formação de fraturas e dobramentos.
1.2. Qual a importância dos diferentes argumentos utilizados para contrariar a Teoria
Contracionista?
R: A descoberta do decaimento radioativo e da sua importância na produção de calor atual colocaram
em causa o dogma central do Contracionismo, segundo o qual a Terra se encontrava em arrefecimento
significativo, capaz de originar contração.
O Contracionismo também não era capaz de explicar o transporte de blocos e as deformações
detetadas nas cadeias montanhosas, se estes se devessem apenas a movimentos verticais resultantes da
contração do planeta.
1.3. Qual a importância do desenvolvimento tecnológico para a Ciência?
R: O desenvolvimento tecnológico, como por exemplo a descoberta do decaimento radioativo, é
importante para obter novos dados, essenciais para apoiar ou contrariar as explicações vigentes num dado
período.
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1.4. O Contracionismo tem implícito um movimento horizontal de massa continentais.
Explique, à luz do Permanentismo, esse movimento.
R: Durante o século XX o Permanentismo e o Contracionismo foram as hipóteses mais credíveis para
a explicação dos relevos e da dinâmica terrestre. Na perspetiva permanentista, o Contracionismo explicava a
morfologia e a distribuição dos continentes. Segundo esta hipótese, a contração continuada originava uma
movimentação lateral das massas continentais, não admitindo, contudo, a deriva continental através dos
tempos, mas sim uma deriva limitada e associada à formação do planeta durante o seu processo inicial de
arrefecimento e contração.

1.5. Uma das principais críticas à Teoria Contracionista é a de que esta não explica a
diferença de idade verificada na formação das diferentes cadeias montanhosas.
Comente este facto.
R: Se a formação do relevo terrestre se devesse à contração do planeta, todas as cadeias
montanhosas deveriam possuir uma idade semelhante. A descoberta de montanhas formadas em momentos
distintos nega a existência de um fenómeno simultâneo responsável pela sua formação.
1.6. Com base nos exemplos do texto, podemos afirmar que as teorias científicas são
entidades que permanecem estáveis no tempo? Justifique.
R: Com base nos exemplos, podemos concluir que as teorias científicas sofrem ajustes permanentes,
pelo que não permanecem estáveis no tempo. A evolução do conhecimento científico é uma das principais
caraterísticas da construção da ciência.

2. A Teoria das Pontes Continentais procurava explicar a semelhança existente ao nível do


registo fóssil entre a América do Sul, a África e a Antártica. Esta semelhança também era
conhecida entre a Europa e a América do Norte e entre Madagáscar e a Índia.
Alguns cientistas da época (século XIX) sugeriram a existência de pontes continentais que
estabeleciam a ligação entre os diferentes continentes e que permitiram a migração das
diferentes espécies. Eduard Suess (1831–1914) defendia que os continentes antigos eram
mais vastos do que os atuais e que os seus fragmentos jazem hoje no fundo dos oceanos.
À medida que a Terra foi arrefecendo e contraindo ocorreram abatimentos da crusta, cujos
vestígios se encontram nos fundos dos oceanos.

Figura 1 – Pontes continentais propostas por alguns cientistas no século XIX

2.1. Qual o principal argumento usado pelos apoiantes da Teoria das Pontes
Continentais?

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R: A semelhança ao nível do registo paleontológico dos continentes africano e sul-americano.
2.2. Indique a corrente científica onde se inclui Eduard Suess. Justifique a sua
resposta.

R: Contracionismo, pois Eduard Suess baseava as suas explicações no arrefecimento e na contração da


Terra, o qual teria provocado a formação de montanhas em determinadas regiões, por elevação do terreno, e
a formação de depressões noutras regiões, em resultado do abatimento dos blocos.
As pontes continentais corresponderiam a fragmentos que abateram e cujos vestígios, segundo Suess,
encontrar-se-iam nos fundos oceânicos.

2.3. Em que medida a descoberta, nos continentes africano e sul-americano, de


plantas do género Glossopteris, típicas de latitudes elevadas e frequentemente
associadas a depósitos glaciários, permite apoiar a Teoria da Deriva dos
Continentes e refutar as pontes continentais?

R: As plantas do género Glossopteris são típicas de ambientes glaciares de latitudes elevadas e indicam
que os continentes sul-americano e africano já estiveram em latitudes superiores, o que possibilitou a
formação de glaciares, tendo-se deslocado desde esse momento.
A posição atual dos dois continentes não permitiria a existência de Glossopteris, impossibilitando a sua
dispersão por hipotéticas pontes continentais.

2.4. O estudo dos fundos oceânicos permitiu constatar a ausência de estruturas que
pudessem estar relacionadas com as pontes continentais. Com base no exemplo,
explique a relação entre o desenvolvimento científico e o desenvolvimento
tecnológico.
R: O desenvolvimento tecnológico, ao possibilitar o estudo dos fundos oceânicos, permitiu reunir dados
para refutar a existência de pontes entre diversos continentes no passado, contribuindo para o
desenvolvimento científico.

2.5. Compare as explicações que Wegener e Suess deram para justificar a distribuição
das espécies fósseis.
R: Eduard Suess apoiava a existência de pontes continentais que permitiam a migração e dispersão de
organismos entre os continentes, os quais, segundo ele, sempre ocuparam as posições atuais. Wegener,
pelo contrário, considerava que os continentes estiveram juntos no passado formando um supercontinente, a
Pangeia, com fauna e flora semelhantes, e que, após a sua fragmentação, os continentes derivaram para as
posições atuais.

3. A Teoria da Deriva dos Continentes de Wegener causou muita discussão quando foi
apresentada (1912), acabando por ser rejeitada pela comunidade científica da época.
3.1. Estabeleça a correspondência correta entre os termos da coluna I e as afirmações
da coluna II.

Coluna I Coluna II

I. Wegener afirmou que medindo a transmissão de ondas de


a. Argumentos
rádio era possível concluir que a Gronelândia se tinha afastado
geofísicos
180 metros do continente Europeu, à ordem de 20 m/ano.

II. Foram encontrados fósseis de organismos do mesmo género


b. Argumentos em continentes atualmente distanciados, sugerindo que estes
geológicos continentes já tenham estado juntos, dada a impossibilidade
física de deslocação destes seres através dos oceanos atuais.

c. Argumentos III. A descoberta de rochas (tilitos) formadas pela ação dos


paleontológicos glaciares em regiões tropicais (próximas do equador) levou os
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cientistas a considerar que estas rochas já se encontraram
mais a Sul, sujeitas a condições climáticas muito distintas das
atuais, sob extensos glaciares, que ainda estão presentes na
Antártida.
IV. Se a Teoria Contracionista previa apenas a ocorrência de
movimentos verticais, seria impossível a ocorrência de
d. Argumentos
movimentos horizontais que possibilitassem o
paleoclimáticos
desenvolvimento das estruturas identificadas nas cadeias
montanhosas.
V. A aproximação doa continentes no mapa permitiu verificar
uma continuidade geológica ao nível das grandes estruturas
e. Argumentos
da superfície terrestre (nomeadamente de algumas cadeias
geodésicos
montanhosas), ao nível da composição litológica, bem como
estruturas de deformação, como dobramentos.

R: a – IV; b – V; c – II; d – III; e – I.


3.2. Comente a afirmação seguinte: “Os cientistas da época refutaram a Teoria da
Deriva dos Continentes pois esta não contemplava um mecanismo geológico
credível que explicasse o movimento dos continentes”.
R: Wegener não foi capaz de explicar o mecanismo que estava na base da deriva dos continentes, um
aspeto essencial para esclarecer os restantes cientistas e convencê-los a aceitar a sua teoria.
As suas explicações, baseadas nos efeitos gravitacionais do Sol e da Lua, não eram convincentes do
ponto de vista físico e matemático.
3.3. Em que medida a investigação e a aceitação das hipóteses científicas se
encontram fortemente dependentes das correntes científicas da época?
R: A aceitação das novas ideias científicas depende do enquadramento económico, social, tecnológico,
político e científico da época. A defesa do Contracionismo dificultou a aceitação da deriva dos continentes, e
os conhecimentos matemáticos e físicos da época refutavam alguns dos argumentos apresentados por
Wegener.
3.4. Explique em que medida fatores sociais e políticos influenciam a investigação
científica.
R: A evolução do conhecimento da deriva dos continentes constituiu um bom exemplo da influência de
fatores sociais e políticos. O desconhecimento da Geologia dos continentes do Sul por parte dos cientistas
americanos dificultou a análise dos argumentos de Wegener. O facto de Wegener ser alemão e de ter
publicado o seu trabalho inicialmente na língua alemã atrasaram a sua análise e limitaram a discussão na
comunidade científica.
Politicamente, a sociedade da época possuía um sentimento anti-germânico que também dificultou a
aceitação da deriva dos continentes.
4. A distribuição dos sismos (A) e o paleomagnetismo (B, C e D) fornecem dados para
elaborar a Teoria da Tectónica de Placas.

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Figura 2 – Distribuição dos sismos (A) e paleomagnetismo (B, C e D)
4.1. Analise atentamente a imagem A.
a. Quais as regiões do globo que apresentam maior sismicidade?
R: As dorsais oceânicas e as fossas oceânicas, principalmente as que se localizam no Oceano Pacífico.
b. Qual a importância dos estudos sismológicos para apoiar a expansão dos
fundos oceânicos?
R: Os estudos sismológicos permitem constatar que as regiões de maior atividade tectónica
correspondem às dorsais médio-oceânicas, em que ocorre expansão dos fundos oceânicos, gerando uma

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intensa atividade sísmica. Por sua vez, o consumo de crusta nas fossas oceânicas gera também atividade
sísmica muito significativa.
4.2. Observe as figuras B, C e D respeitantes aos estudos efetuados na década de
sessenta.
a. Como varia a idade das rochas do fundo oceânico com o afastamento em
relação ao rifte?
R: A idade das rochas é maior com o aumento da distância do rifte.
b. Em que medida a existência de rochas com diferentes registos magnéticos
suporta a expansão dos fundos oceânicos?
R: A existência de rochas com magnetismo diferente indica que as mesmas se formaram em momentos
diferentes, suportando a ocorrência contínua de produção de crusta oceânica e consequente expansão dos
fundos oceânicos.
c. Compare a idade e o magnetismo registados nas rochas nos dois lados do
rifte.
R: A idade e o registo magnético dos dois lados do rifte são iguais, formando um padrão de bandas com
a mesma idade e registo magnético.
d. Qual a importância de estudar o relevo, a idade e o paleomagnetismo das
rochas da crusta oceânica?
R: O relevo da crusta permitiu detetar a existência de cadeias montanhosas que formam uma dorsal
médio-oceânica, enquanto que a conjugação de estudos de paleomagnetismo e de datação das rochas
permitiu verificar que ocorre a expansão dos fundos oceânicos ao nível dos riftes.
4.3. Distinga polaridade normal e polaridade inversa.
R: Diz-se que uma rocha tem polaridade normal quando apresenta o mesmo magnetismo que o campo
magnético atual. No caso contrário, diz-se que a rocha apresenta polaridade inversa.

4.4. Comente criticamente a afirmação: “A expansão dos fundos oceânicos foi


essencial para suportar a deriva dos continentes e lançar a Teoria da Tectónica de
Placas”.
R: A expansão dos fundos oceânicos permitiu provar a ocorrência de movimentos da crusta
responsáveis pela deriva dos continentes inicialmente sugerida por Wegener, constituindo uma explicação
mais credível do que as explicações apresentadas inicialmente por aquele cientista.
4.5. Com base nos dados, discuta a validade científica da deriva dos continentes
formulada por Wegener.
R: Embora Wegener apenas tenha referido a ocorrência da deriva dos continentes, a expansão dos
fundos oceânicos permitiu verificar que a crusta oceânica também sofre movimentações ao longo do tempo
geológico. Assim, a deriva apresentada inicialmente por Wegener não se limita aos continentes,
enquadrando-se num mecanismo mais complexo e global.
4.6. Em que medida o estudo da expansão dos oceanos e a formulação da Teoria da
Tectónica de Placas estiveram dependentes do conhecimento da idade,
composição e morfologia dos fundos oceânicos?

R: Só após os estudos da morfologia dos fundos oceânicos, associados à obtenção de rochas e sua
datação, bem como o registo das suas anomalias magnéticas, foi possível obter dados para provar a
ocorrência de expansão dos fundos oceânicos e formular a Teoria da Tectónica de Placas.

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5. Observe atentamente a figura 3.

Figura 3 – morfologia dos fundos oceânicos

5.1. Faça corresponder a cada expressão, de A a G, uma das letras da figura.


a. Fossa oceânica. B
b. Zona de subducção. A
c. Planície abissal. C
d. Dorsal médio-oceânica. D
e. Zona de divergência. D
f. Zona de convergência. B
g. Zona de acreção. D

5.2. Qual das letras da figura corresponde:


a) a um limite construtivo. D
b) a um limite destrutivo. B

6. O fluxo de energia na Terra, sob a forma de calor (fluxo térmico), pode ocorrer por três
mecanismos distintos: radiação, convecção e condução.

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Figura 4 – Variação do fluxo térmico à superfície da Terra
6.1. Quais as regiões que apresentam:
a. Maior fluxo térmico?
R: As regiões associadas a riftes oceânicos, principalmente as dorsais oceânicas do Pacífico, Índico e
Atlântico.
b. Menor fluxo térmico?
R: Regiões continentais.
6.2. Explique as diferenças encontradas tendo em conta a tectónica de placas.
R: A crusta oceânica, sendo menos espessa do que a crusta continental, apesenta em média um fluxo
térmico superior. Nas regiões de rifte, devido ao estiramento da crusta oceânica e ascensão de elevadas
quantidades de magma, constata-se um elevado fluxo de energia.
6.3. Compare o fluxo térmico existente em Portugal Continental e no arquipélago dos
Açores.
R: O fluxo térmico é superior na região dos Açores.
6.4. Apresente uma explicação para as diferenças detetadas na questão anterior.
R: Os Açores localizam-se na crusta oceânica e na proximidade da dorsal oceânica, enquanto o
território de Portugal Continental é formado por crusta continental, mais espessa e fria, com um menor fluxo
térmico.
6.5. Em que medida os dados apresentados permitem verificar que a maioria do calor
é transferido por mecanismos de convecção e não de condução?
R: Se os mecanismos de condução fossem os mais importantes o fluxo térmico seria semelhante entre
as diferentes regiões do globo. As diferenças presentes na figura 4 implicam a existência de mecanismos de
convecção que permitem a ascensão do material magmático até à superfície em determinadas regiões do
globo.

7. O desenvolvimento tecnológico permitiu o aperfeiçoamento de instrumentos sismográficos


e o aumento da rede de sismógrafos. Estes avanços permitem recolher dados relativos à
velocidade de propagação das ondas sísmicas em profundidade, bem como estudar a
natureza física e química dos materiais.

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Figura 5 - Tomografia sísmica. O material frio, rígido e denso é identificado pelas cores azuis,
em que as ondas S se propagam mais rapidamente

7.1. Explique as diferenças detetadas ao nível da crusta continental, oceânica e manto.


R: A litosfera continental encontra-se marcada por tons azuis, o que indica que é mas rígida e que
permite uma maior velocidade das ondas sísmicas. A crusta oceânica é menos rígida e mais fina, com menor
velocidade de propagação das ondas sísmicas.
Grande parte do manto apresenta menores velocidades de propagação das ondas S, pois é menos
rígido devido às elevadas temperaturas a que o material está sujeito.
7.2. Em que medida esta técnica permitiu refutar a reciclagem exclusiva da litosfera ao
nível do manto superior?
R: É possível identificar a presença de materiais mais frios e densos na proximidade do limite entre o
manto e o núcleo (camada D). Estes materiais encontram-se sob o continente americano e correspondem a
fragmentos de uma placa oceânica que sofreu subducção. Assim, a litosfera não é reciclada apenas no
manto superior.
7.3. Qual a importância do desenvolvimento tecnológico, nomeadamente a tomografia
sísmica?
R: O desenvolvimento tecnológico da tomografia sísmica permite obter uma imagem detalhada da
estrutura interna da Terra, o que não é possível através de técnicas tradicionais, as quais não obtêm dados
precisos sobre a estrutura interna das camadas inacessíveis do planeta.
7.4. Comente a afirmação: “A ciência é formada por um conjunto de conhecimentos
que sofre permanente evolução”.
R: O desenvolvimento tecnológico tem fornecido dados mais precisos que permitem reajustar e elaborar
novos conceitos científicos, pelo que a Ciência é uma construção humana de conhecimentos em permanente
evolução.

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8. Nas camadas interiores da Terra encontram-se ativos fenómenos de convecção e de
condução de energia. A convecção é o
principal mecanismo responsável pelo fluxo
de energia na Terra.

8.1. Compare o modelo de Holmes


(A) com o modelo a dois níveis
(B).
R : N o m o d e l o d e H o
da litosfera. No modelo B, as células convectivas
distribuem-se em dois níveis: o nível superior
limita-se ao manto superior; enquanto que o nível
inferior encontra-se no manto inferior.
8.2. Quais a principais inovações
introduzidas no esquema C
(modelo penetrativo)?
R : N o m o d e l o
do limite entre o manto e o núcleo externo. Nos
modelos A e B, a placa subductada é reciclada nas
camadas superiores do manto.
8.3. Com base no modelo C,
explique a deteção de sismos
profundos até profundidades de
670 km.

Figura 6 – Modelos de convecção


mantélica
R: A placa subductada sofre aquecimento e fusão mas, como se encontra fria, consegue penetrar no
manto e originar sismos. Enquanto é transportada e como se encontra sólida, a sua deformação ocorre num
regime frágil que transitará, posteriormente para um regime dúctil, a profundidades superiores a 670 km.
8.4. A existência de riftes, com diferentes taxas de expansão, que tende a ser maior
nas placas oceânicas que apresentam regiões de subducção, tem levado os
cientistas a considerar que a principal força a gerar o movimento das placas é a
subducção. Explique, convenientemente, este facto.
R: Como a maior expansão ao nível das dorsais é detetada em placas oceânicas limitadas por um
elevado número de regiões de subducção, os cientistas consideram que é o movimento descendente da
placa subductada que arrasta a restante placa oceânica e que facilita a expansão dos fundos oceânicos ao
nível das dorsais oceânicas.
9. O ajustamento isostático ocorre quando se adiciona ou remove material da crusta,
originando movimentos verticais que visam equilibrar o nível de compensação isostático.

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9.1. Compare a altitude da montanha
em A e B.
R: A montanha em B apresenta uma altitude
menor.

9.2. Justifique as diferenças referidas na


questão anterior.
R: Ocorreu erosão das rochas e transporte
de sedimentos.

9.3. Distinga anomalias isostáticas


positivas e anomalias isostáticas
negativas.
R: Sempre que o equilíbrio isostático
litosfera – astenosfera se altera ocorrem
ajustamentos isostáticos. A erosão e o degelo, por
exemplo, são processos naturais que originam
anomalias isostáticas negativas, compensadas por
levantamentos verticais da litosfera. Por sua vez, a
sedimentação e as glaciações originam anomalias
isostáticas positivas, compensadas por
afundamentos da litosfera.

Figura 7 – Ajustamento isostático numa cadeia montanhosa

9.4. Quais as consequências da diminuição da crusta continental em B?


R: A diminuição da espessura da crusta continental provoca uma anomalia isostática negativa, com
ascensão de todo o bloco crustal.

9.5. Em que medida as propriedades físicas do manto são essenciais para explicar as
diferenças anteriores?
R: O manto, por ser menos rígido do que a crusta, permite a ocorrência de movimentos verticais e
laterais, pois o material pode deslocar-se, embora a velocidades muito reduzidas.

9.6. Em Portugal estão a aflorar rochas magmáticas e metamórficas que se formaram a


vários quilómetros de profundidade.
a. Como é que ocorreu a remoção do material rochoso que se encontrava à
superfície?
R: Por erosão e transporte dos materiais.
b. Como explica que, embora sejam removidos vários quilómetros de material ao
longo de dezenas de milhões de anos, o raio do planeta se mantenha
constante?
R: A remoção de material à superfície origina uma anomalia isostática que é compensada com uma
anomalia isostática negativa, com ascensão do bloco crustal, mantendo o raio terrestre constante.

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9.7. Os sedimentos formados nos continentes são, na sua maioria, transportados para
bacias oceânicas. Quais os impactes ao nível do equilíbrio isostático?

R: Nas bacias sedimentares ocorre a acumulação dos sedimentos removidos das regiões continentais,
provocando o afundamento da crusta, para atingir um equilíbrio isostático (anomalia isostática positiva).
10. Estudos realizados em praias dos países nórdicos, cobertos por glaciares na última
glaciação, permitiram descobrir depósitos marinhos que se podem encontrar 300 m acima
do atual nível do mar. Datações de conchas marinhas fósseis com o isótopo C-14
permitiram verificar que possuem uma idade inferior a 14 000 anos.

Figura 8 – Variação da subida isostática na Escandinávia

10.1. Como explica a presença de fósseis provenientes de animais marinhos com


idades inferiores a 14 000 anos em depósitos que podem estar 300 m acima do atual
nível do mar?
R: A presença de fósseis de conchas 300 m acima do nível do mar atual indica que aquelas áreas já
estiveram a altitudes inferiores e que sofreram ascensão (anomalia isostática negativa). Embora o nível
médio do mar evidencie variações significativas ao longo do tempo geológico, na altura da glaciação o nível
médio era inferior ao atual, pelo que a presença de fósseis marinhos não é fundamentada por uma
transgressão seguida de uma regressão marinha.
10.2. Como variou a velocidade de acensão, desde a última glaciação?
R: Após o final da glaciação a taxa de ascensão foi mais intensa, tendo diminuído progressivamente até
à atualidade.
10.3. A que se deve a variação descrita na questão anterior?
R: O degelo provocou a redução abrupta do peso da crusta, provocando uma ascensão imediata
(anomalia isostática negativa). Com o tempo, a ascensão tornou-se mais lenta pois encontra-se mais próxima
do equilíbrio isostático.
10.4. Com base nos dados, calcule as taxas de ascensão mínima e máxima na
Escandinávia.
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R: Nos primeiros 2000 anos após o degelo verifica-.se a taxa de ascensão máxima, na ordem de
0,025m/ano (50 m/2000 anos). Nos últimos 2000 anos a taxa de ascensão foi de 0,0008 m/ano (1,6 m/2000
anos).
10.5. À luz do princípio da isostasia, explique o afundamento e ascensão verificados na
Escandinávia.
R: Durante o episódio glaciar a acumulação de gelo gerou uma anomalia positiva, forçando a crusta a
afundar. Com o degelo, no final do período glaciar, originou-se uma anomalia negativa, que levou à ascensão
do material, para atingir o equilíbrio isostático.

Bom trabalho!

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