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Universidade do Estado da Bahia – UNEB

Departamento de Ciências Humanas – Campus IV


Colegiado de Letras, Língua Portuguesa e Literaturas

Disciplina: Texto e Discurso


Docente: Girleide Ribeiro
Discente: Jobervan Rios Evangelista Filho

REFERÊNCIA: ORLANDI, Eni P. et al. Introdução. In: Introdução às ciências da


linguagem – Discurso e textualidade. 3ª ed. Pontes Editores: Campinas, 2015. p. 15-35;

RESUMO:
O presente texto trata da análise do discurso, dissecando pontos essenciais do estudo do
mesmo, partindo do texto como unidade de análise, o qual deve ser avaliado no que tange à
linguística, à ideologia (contexto que está inserido) e ao sujeito.
Nesse aspecto, o discurso avalia a significação das palavras e o posicionamento do sujeito
nessa relação, a percepção daquele que fala e do que ouve, em atenção aos diversos sentidos
existentes e as possibilidades da análise sob diversos ângulos e a simbologia existente. Ainda,
deixa claro que o discurso é um conceito não fechado, influenciado por diversos aspectos e
que antes mesmo de ser proferido é densamente complexo e comporta uma carga que não se
limita ao indivíduo que o está proferindo.
CITAÇÕES
INTRODUÇÃO
 "A análise do discurso tal como a conhecemos no Brasil - na perspectiva que trabalha o
sujeito, a história, a língua - se constitui no interior das consequências teóricas
estabelecidas por três rupturas que estabelecem três novos campos de saber: a que institui
a linguística, a que constitui a psicanalise e a que constitui o marxismo." (ORLANDI, Eni
P. et al., 2015, p. 15);
 "[...] a materialidade discursiva que não é apenas um "reflexo" da mistura dos três campos
acima referidos "(ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 15);
 "[...] na medida em que se constitui da relação de três regiões cientificas: a da teoria da
ideologia, a da teoria da sintaxe e da enunciação, e a teoria do discurso como
determinação histórica dos processos de significação. Tudo isso atravessado por uma
teoria psicanalítica do sujeito" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 15);
1. LINGUA E FALA, LINGUA E DISCURSO
 "[...] a análise do discurso desloca a dicotomia entre língua e fala e propõe uma relação
não dicotômica entre língua e discurso (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 16);
2. O QUE É DISCURSO
 "[...] não há essa relação linear entre enunciador e destinatário. Ambos estão sempre
tocados pelo simbólico (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 17);
 "[...] o sujeito e a situação que tinham sido postos para fora da analise linguística, contam
fundamentalmente para a análise do discurso" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 17);
 "[...] na análise do discurso não podemos deixar de relacionar o discurso com suas
condições de produção, sua exterioridade" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 17);
3. CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO
 "[...] as condições de produção incluem pois os sujeitos e a situação [...]" (ORLANDI, Eni
P. et al., 2015, p. 17);
 "A situação, por sua vez, pode ser pensada em seu sentido estrito e em seu sentido lato.
Em sentido estrito ela compreende as circunstâncias da enunciação, o aqui e o agora do
dizer, o contexto imediato. No sentido lato, a situação compreende o contexto sócio
histórico, ideológico, mais amplo [...] na pratica não podemos dissociar um do outro"
(ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 17);
 "E isto se dá no jogo das chamadas formações imaginárias que presidem todo discurso: a
imagem que o sujeito faz dele mesmo, a imagem que ele faz do seu interlocutor, a imagem
que ele faz do objeto do discurso. Assim como também se tem a imagem que o
interlocutor tem de si mesmo, de quem lhe fala, e do objeto do discurso" (ORLANDI, Eni
P. et al., 2015, p. 18);
 "[...] em relação a este imaginário o que conta é a projeção da posição social no
discurso..." (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 18);
 "[...] todo discurso é, portanto, aberto em suas relações de sentidos ..." (ORLANDI, Eni P.
et al., 2015, p. 18);
 "[...] faz parte do modo como as condições de produção do discurso se estabelecem o que
chamamos de relação de força [...] o lugar social do qual falamos marca o discurso com a
força da locução que este lugar representa" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 18);
4. A ANÁLISE, O TEXTO, O DISCURO
 "A análise de discurso tem como unidade o texto. O texto não visto como análise de
conteúdo, em que se o atravessa para encontrar atrás dele um sentido, mas
discursivamente, enquanto o texto constitui discurso, sua materialidade." (ORLANDI, Eni
P. et al., 2015, p. 19);
5. FORMAÇÃO DISCURSIVA E INTERDISCURSO
 "As formações discursivas são a projeção, na linguagem, das formações ideológicas."
(ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 20);
 "Portanto, as palavras, proposições, expressões recebem seu sentido da formação
discursiva na qual são produzidas" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 20);
 "O conjunto das formações discursivas, por sua vez, forma um complexo com dominante.
Esse complexo com dominante das formações discursivas é o que chamamos
interdiscurso, que também está afetado pelo complexo de formações ideológicas."
(ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 20) ;
6. SUJEITO
 "A ideologia interpela o indivíduo em sujeito e este submete-se à língua significando e
significando-se pelo simbólico na história" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 22);
 "[...] o sujeito moderno é ao mesmo tempo livre e submisso, determinado pela
exterioridade e determinador do que diz [...]" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 23);
7. ESQUECIMENTOS
 "O sujeito se constitui pelo esquecimento do que o determina. Ele se constitui pela sua
inscrição na formação discursiva [...] tem se a ilusão de ser a origem do que diz o sujeito
esquece que a outros sentidos possíveis..." (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 24);
8. MEMÓRIA DISCURSIVA
 "Trata-se do que chamamos saber discursivo. É o já dito que constitui todo dizer."
(ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 24);
 "Todo o dizer se dá no cruzamento do que chamamos constituição e formulação. Sendo
que a constituição do dizer determina a sua formulação." (ORLANDI, Eni P. et al., 2015,
p. 24);
 "A memória discursiva é constituída pelo esquecimento..." (ORLANDI, Eni P. et al.,
2015, p. 24-25);
 "Todo o dizer se acompanha de um dizer já dito e esquecido que o constitui em sua
memória. A esse conjunto de enunciações já ditas e esquecidas e que são irrepresentáveis
é que damos o nome de interdiscurso" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 25);
9. TEXTO E DISCURSO
 "Não são as palavras que significam, mas o texto. Quando uma palavra significa é porque
ela tem textualidade, ou seja, é porque as interpretações derivam de um discurso que a
sustenta, que a prove de realidade significativa" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 26);
 "O texto visto na perspectiva do discurso não é uma unidade fechada - embora como
unidade de analise, ele possa ser considerado uma unidade inteira - pois ele tem relação
com outros textos (existentes possíveis ou imaginários), com suas condições de produção
(os sujeitos e a situação), com o que chamamos sua exterioridade constitutiva (o
interdiscurso a memória do dizer)" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 26);
 "Um texto não é homogêneo. Essa diferentes posições que o atravessam correspondem a
diferentes posições sujeitos no discurso que ai representam." (ORLANDI, Eni P. et al.,
2015, p. 26);
10. A FUNÇÃO DISCURSIVA DO AUTOR
 "[...] a função de autor se realiza toda vez que o produtor de linguagem se representa na
origem, produzindo um texto em unidade, coerência, progressão, não contradição e fim
[...] o autor responde pelo que diz ou escreve, pois é suposto estar em sua origem."
(ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 27);
11. INTERPRETAÇÃO
 "É através do modo como trabalha a interpretação que a análise de discurso desloca-se de
uma perspectiva sociológica de ideologia para uma outra perspectiva" (ORLANDI, Eni P.
et al., 2015, p. 28);
 "Quando o sujeito fala, ele está em plena atividade de interpretação, ele está atribuindo
sentido às sus próprias palavras em condições específicas. Mas ele o faz como se o sentido
estivesse nas palavras - e não na inscrição das palavras em formações discursivas
-apagando-se assim suas condições de produção, desaparecendo o modo pelo qual a
exterioridade o constitui" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 29);
12. DOS DISPOSITIVOS DA INTERPRETAÇÃO
 "A analise do discurso leva em conta a tomada em consideração da materialidade do texto
e a construção de dispositivos da interpretação. Ao se reconhecer a materialidade da
linguagem, sua não transparência, reconhece-se ao mesmo tempo a necessidade da
construção de dispositivos para se ter acesso a ela, para trabalhar sua espessura
linguístico-histórica, sua discursividade" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 30);
 "O que se espera do dispositivo teórico é que ele produza um deslocamento que permita
que o analista trabalha as fronteiras das formações discursivas [...] e o procedimento
analítico deve oferecer procedimentos (paráfrase, substituição etc.) par que ele possa
explicitar isso." (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 30);
13. EFEITO METAFÓRICO
 "Por seu lado, a definição de efeito metafórico situa a questão do funcionamento na
relação do discurso com a língua. M. Pêcheux (1969) vai chamar efeito metafórico o
fenômeno semântico produzido por uma substituição contextual, lembrando que esse
deslizamento de sentido entre x e y é constitutivo do sentido designado por x e por y."
(ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 31);
 "[...] o efeito metafórico como constitutivo do funcionamento discursivo, liga-se ao modo
de se conceber a ideologia, discursivamente." (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 31);
14. FINALIZANDO
 "A análise do discurso aponta, pois, para novas maneiras de ler, para outros gastos de
leitura, outra escuta, sustentada por dispositivos teóricos analíticos que nos permitem não
apenas nos reconhecermos no que lemos (ou ouvimos) mas que conheçamos o modo
como os sentidos estão sendo produzidos e as posições sujeito se constituindo na relação
do simbólico com o político" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 32);
 "[...] o discurso é caracterizado pela incompletude e pelo movimento dos sentidose dos
sujeitos" (ORLANDI, Eni P. et al., 2015, p. 33).