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A idéia da Cruz Vermelha nasceu em 1859, mais de cinqüenta anos antes de

sua efetiva criação e reconhecimento internacional.

Tudo começou quando Henri Dunant, um jovem suíço, se comoveu com o


sofrimento no campo de batalha de Solferino, no Norte da Itália, onde os
socorros militares não eram suficientes. A forte impressão causada pela dor das
pessoas inspirou Henri Dunant a escrever um livro: "Recordações de Solferino",
em que descrevia dramáticas cenas da guerra. A partir dali, Dunant já percebia
a necessidade de uma entidade que pudesse ajudar pessoas naquele tipo de
situação.

A diferença é que, no livro, ele não se limitou a relatar as desgraças da guerra.


Mais do que isto, ele sugeria a criação de grupos nacionais de ajuda e apontava
a necessidade de se pensar "um princípio internacional, convencional e
sagrado", que inspiraria posteriormente a Convenção de Genebra.

Em 1863, também sob influência do livro, seis pessoas


se reuniram - entre elas, Henri Dunant - para tomarem
providências práticas em relação à situação exposta.
Com a presença de representantes de 16 nações, o
resultado foi a criação da Cruz Vermelha, a partir de
quatro resoluções.

A primeira delas dizia respeito à criação de comitês de


socorro, de âmbito nacional, para prover ajuda ao
serviço de saúde dos exércitos. Em tempos de paz,
seria responsável também pela formação de
enfermeiras voluntárias. Também ficou decretada a
neutralização de uma equipe de ambulâncias, hospitais
militares e pessoal de saúde, a fim de fornecer ajuda sem distinção. Por fim,
resolveu-se adotar a cruz vermelha como símbolo, aplicada sobre um fundo
branco.

Um ano depois acontecia a primeira Convenção de Genebra, com proposições


semelhantes, reunindo assinaturas de 55 países. Era o início da história do
direito humanitário.

Nesta época, a Cruz Vermelha era dirigida por cidadãos suíços apenas. As
Sociedades Nacionais eram compostas por membros diretamente treinados em
primeiros socorros e emergência. Foi após a Primeira Guerra Mundial (1914-
1918) que cada Sociedade Nacional formou seu próprio grupo. Unidas,
formaram a Liga das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha, hoje conhecida
como Federação das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente
Vermelho.

A preocupação com os direitos humanos levou à atitude contra a guerra e pela


paz, principalmente depois da Primeira Guerra Mundial.
Em 1946, este objetivo foi reiterado durante uma Conferência Internacional da
Cruz Vermelha, em que se colocou que "... a tarefa essencial da Liga e das
Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha consiste em um esforço cotidiano para
manter a paz e em uma aglutinação de todas as forças e de todos os meios
para impedir futuras guerras mundiais". É bom lembrar que isto foi dito em
plena Segunda Guerra Mundial.

Dois anos depois, a Conferência Internacional já reunia 46 nações. O marco


desta reunião foi a Declaração sobre a Paz.

A Cruz Vermelha Brasileira foi fundada em 1908, com sede no Rio de Janeiro, e
tornou-se reconhecida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha em 1912.