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DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL

Direito da Criança e do Adolescente - Aulas 01 a 03


Cristiane Dupret

DIREITO DA CRIANÇA Vejamos como o STJ se posicionou sobre o te-


E DO ma, no julgamento do AgRg no REsp 1476963,
ADOLESCENTE em 2015:
Consoante entendimento desta Corte, os estabe-
lecimentos prisionais são ambientes impróprios à
formação psíquica e moral de crianças e adoles-
centes, cuja proteção integral tem base constitu-
cional, nos termos do art. 227 da Constituição
Federal, sendo certo que o direito de visita não é
absoluto ou ilimitado, devendo ser ponderado
diante das peculiaridades do caso concreto.

Lei 12594/12 A Lei 13010/14, intitulada Lei Menino Bernardo,


- Institui o SINASE proveniente do projeto de lei antes intitulado co-
- Dispõe sobre a execução das medidas socioe- mo Lei da Palmada, incluiu no capítulo referente
ducativas à proteção do direito à liberdade, ao respeito e à
- Alterou dispositivos do ECA dignidade, os artigos 18 A e B, passando a prever
que a criança e o adolescente têm o direito de ser
Artigos do ECA alterados: educados e cuidados sem o uso de castigo físico
90, 121, 198, 208 (Inclusão do Inciso X) ou de tratamento cruel ou degradante, como for-
mas de correção, disciplina, educação ou qual-
Lei 12696/12 quer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes
- Alterações relativas ao Conselho Tutelar da família ampliada, pelos responsáveis, pelos
agentes públicos executores de medidas socioe-
Lei 12955/14: ducativas ou por qualquer pessoa encarregada
Inclusão do parágrafo 9º no artigo 47: de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-
§ 9º Terão prioridade de tramitação os proces- los.
sos de adoção em que o adotando for criança ou
adolescente com deficiência ou com doença crô- Considera-se: castigo físico: ação de natureza
nica. disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da for-
ça física sobre a criança ou o adolescente que
Lei 12962/14 resulte em sofrimento físico ou lesão. Define co-
Dispõe sobre o direito de filhos menores, de pais mo tratamento cruel ou degradante a conduta ou
privados da liberdade. forma cruel de tratamento em relação à criança
Alteração dos artigos 19, 23, 158, 159 e 161. ou ao adolescente que humilhe, ameace grave-
mente ou ridicularize.
Artigo 19:
§ 4o Será garantida a convivência da criança e O ECA passa a prever medidas para os pais, os
do adolescente com a mãe ou o pai privado de integrantes da família ampliada, os responsáveis,
liberdade, por meio de visitas periódicas promo- os agentes públicos executores de medidas soci-
vidas pelo responsável ou, nas hipóteses de aco- oeducativas ou qualquer pessoa encarregada de
lhimento institucional, pela entidade responsável, cuidar de crianças e de adolescentes, tratá-los,
independentemente de autorização judicial. educá-los ou protegê-los que utilizarem castigo
físico ou tratamento cruel ou degradante como
Art. 23 formas de correção, disciplina, educação ou
(...) qualquer outro pretexto. Tais medidas devem ser
§ 2o A condenação criminal do pai ou da mãe aplicadas pelo Conselho Tutelar. São elas: en-
caminhamento a programa oficial ou comunitário
não implicará a destituição do poder familiar, ex-
de proteção à família; encaminhamento a trata-
ceto na hipótese de condenação por crime dolo-
mento psicológico ou psiquiátrico; encaminha-
so, sujeito à pena de reclusão, contra o próprio
mento a cursos ou programas de orientação;
filho ou filha.
obrigação de encaminhar a criança a tratamento
especializado e advertência.

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Antiga - detenção de seis meses a dois anos, e


Lei 13046/14: multa, se o fato não constitui crime mais grave.
Art. 70-B. As entidades, públicas e privadas, que
atuem nas áreas a que se refere o art. 71, dentre Atual - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e
outras, devem contar, em seus quadros, com multa, se o fato não constitui crime mais grave.
pessoas capacitadas a reconhecer e comunicar
ao Conselho Tutelar suspeitas ou casos de Entrada em vigor:
maus-tratos praticados contra crianças e adoles- 18/03/2015
centes.
Enunciados Sumulados do STJ:
Parágrafo único. São igualmente responsáveis 108, 265, 338, 342, 383, 492 e 500
pela comunicação de que trata este artigo, as Temas relacionados: Aplicação de medidas soci-
pessoas encarregadas, por razão de cargo, fun- oeducativas, oitiva do adolescente em conflito
ção, ofício, ministério, profissão ou ocupação, do com a lei para regressão da medida, prescrição,
cuidado, assistência ou guarda de crianças e nulidade da desistência de outras provas em ca-
adolescentes, punível, na forma deste Estatuto, o so de confissão, competência, internação e cor-
injustificado retardamento ou omissão, culposos rupção de menores.
ou dolosos.
Enunciado 108:
Art. 94-A. As entidades, públicas ou privadas, que A aplicação de medidas socioeducativas ao ado-
abriguem ou recepcionem crianças e adolescen- lescente, pela prática de ato infracional, e da
tes, ainda que em caráter temporário, devem ter, competência exclusiva do juiz.
em seus quadros, profissionais capacitados a
reconhecer e reportar ao Conselho Tutelar sus- Enunciado 265:
peitas ou ocorrências de maus-tratos. É necessária a oitiva do menor infrator antes de
decretar-se a regressão da medida socioeducati-
Artigo 136 va.
(...)
XII - promover e incentivar, na comunidade e nos Enunciado 338:
grupos profissionais, ações de divulgação e trei- A prescrição penal é aplicável nas medidas soci-
namento para o reconhecimento de sintomas de oeducativas.
maus-tratos em crianças e adolescentes.
Enunciado 342:
Lei 13106/15: No procedimento para aplicação de medida soci-
Antiga redação do artigo 243: oeducativa, é nula a desistência de outras provas
Art. 243. Vender, fornecer ainda que gratuitamen- em face da confissão do adolescente.
te, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a
criança ou adolescente, sem justa causa, produ- Enunciado 383:
tos cujos componentes possam causar depen- A competência para processar e julgar as ações
dência física ou psíquica, ainda que por utilização conexas de interesse de menor é, em princípio,
indevida: do foro do domicílio do detentor de sua guarda.

Nova redação: Enunciado 492:


Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou O ato infracional análogo ao tráfico de drogas,
entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer por si só, não conduz obrigatoriamente à imposi-
forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoó- ção de medida socioeducativa de internação do
lica ou, sem justa causa, outros produtos cujos adolescente.
componentes possam causar dependência física
ou psíquica: Enunciado 500:
A configuração do crime previsto no artigo 244-B
Alteração da pena: do Estatuto da Criança e do Adolescente inde-
pende da prova da efetiva corrupção do menor,
por se tratar de delito formal.

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Jurisprudência ligada à Defensoria Pública recurso concretiza-se com a entrega dos autos
com vista.
A Defensoria Pública tem legitimidade para pro-
por ação civil pública em defesa de interesses Trata-se de prerrogativa atribuída a seus mem-
individuais homogêneos de consumidores idosos bros, por legislação específica, no intuito de pre-
que tiveram plano de saúde reajustado em razão servar os interesses daqueles que, reconhecida-
da mudança de faixa etária, ainda que os titulares mente, encontram-se impossibilitados de contra-
não sejam carentes de recursos econômicos. tar advogado particular.
STJ – HC 269213 - 2014
"A expressão 'necessitados' (art. 134, caput, da
Constituição), que qualifica, orienta e enobrece a O MP tem legitimidade ativa para ajuizar ação de
atuação da Defensoria Pública, deve ser entendi- alimentos em proveito de criança ou adolescente.
da, no campo da Ação Civil Pública, em sentido A legitimidade do Ministério Público independe do
amplo, de modo a incluir, ao lado dos estritamen- exercício do poder familiar dos pais, ou de o me-
te carentes de recursos financeiros - os miserá- nor se encontrar nas Situações de risco descritas
veis e pobres -, os hipervulneráveis (isto é, os no art. 98 do Estatuto da Criança e do Adolescen-
socialmente estigmatizados ou excluídos, as te, ou de quaisquer outros questionamentos
crianças, os idosos, as gerações futuras), enfim, acerca da existência ou eficiência da Defensoria
todos aqueles que, como indivíduo ou classe, por Pública na comarca. Resp 1265821 - 2014
conta de sua real debilidade perante abusos ou
arbítrio dos detentores de poder econômico ou Ao longo do tempo, várias Escolas ou etapas se
político, 'necessitem' da mão benevolente e soli- formaram a fim de definir a situação do menor no
darista do Estado para sua proteção, mesmo que contexto nacional. São três etapas que podem
contra o próprio Estado". EREsp 1.192.577-RS ser identificadas na história e que acabam se
2015 voltando especificamente à possibilidade ou não
de responsabilidade penal do menor:
Não existe previsão legal para a intervenção
obrigatória da Defensoria Pública, na condição de • Direito penal indiferenciado (ou direito
curadora especial, nos feitos em que se discutem penal do menor)
interesse de menores. • Doutrina da situação irregular
AgRg no REsp 1416820 - 2014 • Doutrina da proteção integral

Resguardados os interesses da criança e do ado-


lescente, não se justifica a obrigatória e automáti-
ca nomeação da Defensoria Pública como cura-
dora especial em ação movida pelo Ministério
Público, que já atua como substituto processual.
A Defensoria Pública, no exercício da curadoria
especial, desempenha apenas e tão somente
uma função processual de representação em
juízo do menor que não tiver representante legal
Ou se os seus interesses estiverem em conflito
(arts. 9º do CPC e 142, parágrafo único, do ECA). A GARANTIA DE PRIORIDADE compreende:
Incabível a nomeação de curador especial em
processo de acolhimento institucional no qual a a) primazia de receber proteção e socorro em
criança nem é parte, mas mera destinatária da quaisquer circunstâncias;
decisão judicial. b) precedência de atendimento nos serviços pú-
REsp 1417782 - 2014 blicos ou de relevância pública;
c) preferência na formulação e na execução das
Ainda que presente o defensor público na audi- políticas sociais públicas;
ência em que foi proferida a sentença, a intima- d) destinação privilegiada de recursos públicos
ção da Defensoria Pública para a interposição de nas áreas relacionadas com a proteção à infância
e à juventude

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concreto e as perícias e laudos produzidos no


Em diversas hipóteses, o STJ vem aplicando as decorrer do processo de adoção.
normas do Estatuto com base nesses princípios e
nas regras de interpretação definidas no artigo 6º: Informativo 565 – Agosto de 2015
fins sociais aos quais a lei se dirige, exigências O pedido de retorno imediato de criança retida
do bem comum, direitos e deveres individuais e ilicitamente por sua genitora no Brasil pode ser
coletivos e a condição peculiar da criança e do indeferido, mesmo que transcorrido menos de um
adolescente como pessoas em desenvolvimento. ano entre a retenção indevida e o início do pro-
cesso perante a autoridade judicial ou administra-
Informativo 572: tiva (art. 12 da Convenção de Haia), na hipótese
Diante da morte de titular de pensão especial de em que o menor - com idade e maturidade sufici-
ex-combatente, o seu neto menor de dezoito entes para compreender a controvérsia - estiver
anos que estava sob sua guarda deve ser en- adaptado ao novo meio e manifestar seu desejo
quadrado como dependente (art. 5º da Lei de não regressar ao domicílio paterno no estran-
8.059/1990) para efeito de recebimento da pen- geiro.
são especial que recebia o guardião (art. 53, II,
do ADCT), dispensando-se, inclusive, o exame STJ - REsp 1448969 / SC – Terceira Turma –
de eventual dependência econômica entre eles. 2014) – Noticiado no Informativo 551 do STJ
A vedação da adoção de descendente por as-
De fato, o art. 5° da Lei 8.059/1990 não atribui a cendente, prevista no art. 42, § 1º, do ECA, visou
condição de dependente ao neto menor de dezoi- evitar que o instituto fosse indevidamente utiliza-
to anos e que estava sob a guarda do falecido do com intuitos meramente patrimoniais ou assis-
titular de pensão especial de ex-combatente. To- tenciais, bem como buscou proteger o adotando
davia, essa omissão não tem o condão de afastar em relação a eventual "confusão mental e patri-
o direito daquele à pensão aqui analisada, diante monial" decorrente da "transformação" dos avós
do disposto no art. 33, § 3°, do ECA - norma es- em pais. Realidade diversa do quadro dos autos,
pecífica, segundo a qual o vínculo da "guarda porque os avós sempre exerceram e ainda exer-
confere à criança ou adolescente a condição de cem a função de pais do menor, caracterizando
dependente, para todos os fins e efeitos, inclusive típica filiação socioafetiva.
previdenciários" -, bem como tendo em vista o Observância do art. 6º do ECA: na interpretação
Princípio da Prioridade Absoluta assegurada pela desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a
Constituição Federal (art. 227, caput, e § 3°, II) e que ela se dirige, as exigências do bem comum,
a Doutrina da Proteção Integral da criança e do os direitos e deveres individuais e coletivos, e a
adolescente, estampada no art. 1° do ECA. condição peculiar da criança e do adolescente
Além disso, dispensa-se o exame de eventual como pessoas em desenvolvimento.
dependência econômica, visto ser presumida por
força da guarda do menor pelo instituidor do be-
nefício.

Informativo 567 – 2015:


É possível a inscrição de pessoa homo afetiva no
registro de pessoas interessadas na adoção (art.
50 do ECA), independentemente da idade da
criança a ser adotada.(...)
Além disso, mesmo se se analisar sob o enfoque
do menor, não há, em princípio, restrição de
qualquer tipo à adoção de crianças por pessoas
homo afetivas.
Isso porque, segundo a legislação vigente, cabe-
rá ao prudente arbítrio do magistrado, sempre
sob a ótica do melhor interesse do menor, obser- O ECA prevê que o reconhecimento do Estado
var todas as circunstâncias presentes no caso de filiação é direito personalíssimo, indisponível e
imprescritível.

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Vejamos a orientação dos nossos Tribunais: Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses pre-
vistas no art. 98, a autoridade competente poderá
A "adoção à brasileira" não tem o condão de determinar, dentre outras, as seguintes medidas:
romper os vínculos civis entre o filho e os pais (...)
biológicos, os quais devem ser restabelecidos VII - acolhimento institucional;
sempre que ele manifestar o desejo de desfazer VIII - inclusão em programa de acolhimento
o liame jurídico decorrente do registro ilegal, res- familiar;
tabelecendo-se todos os consectários legais re- IX - colocação em família substituta.
sultantes da paternidade biológica.
As medidas de proteção poderão ser aplicadas
As instâncias ordinárias julgaram procedentes os pela autoridade competente de forma cumulativa
pedidos da filha registral, pois comprovada a pa- ou isolada, sempre podendo ser substituídas a
ternidade do investigado, ora insurgente, cujo qualquer tempo, desde que tal substituição apre-
vínculo biológico deve prevalecer em detrimento sente real vantagem à criança ou adolescente.
da "adoção à brasileira" realizada pelos pais re-
gistrais, que, na realidade, são os seus avós pa- CONSELHO TUTELAR
ternos biológicos.
AgRg no REsp 1417597 / RS - 2015 Órgão permanente e autônomo, não jurisdicional,
encarregado pela sociedade de zelar pelo cum-
primento dos direitos da criança e do adolescen-
te.

Em cada Município haverá, no mínimo, um Con-


selho Tutelar composto de cinco membros, esco-
lhidos pela população local para mandato de qua-
tro anos, permitida uma recondução, mediante
novo processo de escolha.

MEDIDAS DE PROTEÇÃO E SUA COMPARA- Para a candidatura a membro do Conselho Tute-


ÇÃO COM AS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS lar, serão exigidos os seguintes requisitos:

As medidas de proteção à criança e ao adoles-


cente são aplicáveis sempre que os direitos reco-
nhecidos nesta Lei forem ameaçados ou viola-
dos:

I - por ação ou omissão da sociedade ou do Es-


tado;
II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou res-
ponsável;
III - em razão de sua conduta.
Lei municipal disporá sobre local, dia e horário de
funcionamento do Conselho Tutelar, remunera-
ção de seus membros.

O exercício efetivo da função de conselheiro


constituirá serviço público relevante e estabelece-
rá presunção de idoneidade moral.

As decisões do Conselho Tutelar somente pode-


rão ser revistas pela autoridade judiciária a pedi-
do de quem tenha legítimo interesse.

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São impedidos de servir no mesmo Conselho AgRg no REsp 1250814 / RS 2015


marido e mulher, ascendentes e descendentes,
sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, duran- MEDIDAS DE PROTEÇÃO EM ESPÉCIE
te o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou ma-  Importância da distinção entre família subs-
drasta e enteado. tituta (medida protetiva) e família natural, extensa
ou ampliada.
Estende-se o impedimento do conselheiro, na  Recentes alterações.
forma deste artigo, em relação à autoridade judi-
ciária e ao representante do Ministério Público
com atuação na Justiça da Infância e da Juven-
tude, em exercício na comarca, foro regional ou
distrital.

Novos direitos:
- Cobertura previdenciária
- Gratificação natalina
- Férias anuais acrescidas de um terço
- Licença maternidade
- Licença paternidade

Justiça da Infância e Juventude


- Competência territorial (Art. 147)
- Competência em razão da matéria (Art.
148)
- Competência administrativa (Art. 149)

No que tange à competência territorial


Regra – Fixada de acordo com o local do domicí-
lio dos pais ou responsável. Na falta deles, pelo
local onde se encontra a criança ou adolescente
Exceção – No caso de ato infracional, pelo local
da prática do ato

Competência em razão da matéria – Artigo 148


Competência exclusiva da justiça da Infância e
Juventude nos casos do caput.
Nos casos do parágrafo único, a Justiça da Infân-
cia e Juventude só é competente se houver situ- GUARDA
ação de risco.
- Guarda x Poder familiar
Atenção: - Espécies de guarda
Posicionamento do STJ e STF 1) Guarda para regularizar a posse de fato
A Sexta Turma desta Corte, no julgamento do É possível que a criança ou adolescente já esteja
REsp 1.498.662/RS, ressaltando a necessidade sendo criado por alguém, que não possui o termo
de obediência ao princípio da segurança jurídica, de guarda. O objetivo, nesta modalidade de
decidiu acompanhar o entendimento assentado guarda, é tornar de direito uma situação mera-
nas duas Turmas do Supremo Tribunal Federal, mente fática.
no sentido de ser possível atribuir à Justiça da 2) Guarda liminar ou incidental no processo de
Infância e adoção

Juventude, entre outras competências, a de pro- Artigo 33, parágrafo primeiro – guarda liminar ou
cessar e julgar crimes de natureza sexuais prati- incidental nos procedimentos de tutela e adoção,
cados contra crianças e adolescentes exceto por estrangeiros. Com base nesse dispo-

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sitivo, é possível que, durante o processo de A Primeira Seção desta Corte, na assentada de
adoção, os futuros pais adotivos tenham a guarda 26/2/2014, no julgamento do RMS 36.034/MT, de
da criança ou adolescente. Relatoria do Ministro Benedito Gonçalves, con-
signou que "a criança e adolescente tem norma
3) Guarda para atender situação peculiar ou específica, o Estatuto da Criança e do Adolescen-
para suprir falta eventual te que confere ao menor sob guarda a condição
de dependente para todos os efeitos, inclusive
Recentemente, no julgamento do RMS 36034, a previdenciários (art. 33, § 3º, Lei n.º 8.069/90),
Primeira Seção do STJ exarou entendimento no norma que representa a política de proteção ao
sentido de concessão do benefício previdenciário menor, embasada na Constituição Federal que
ao menor sob guarda. Vejamos a decisão publi- estabelece o dever do poder público e da socie-
cada no Informativo 546, que fixou entendimento dade na proteção da criança e do adolescente
do STJ sobre o tema: (art. 227, caput, e § 3º, inciso II)".

No caso em que segurado de regime previdenciá- TUTELA


rio seja detentor da guarda judicial de criança ou
adolescente que dependa economicamente dele, A tutela é medida de colocação em família substi-
ocorrendo o óbito do guardião, será assegurado o tuta que, diferentemente da guarda, pressupõe a
benefício da pensão por morte ao menor sob morte dos pais, sua declaração de ausência,
guarda, ainda que este não tenha sido incluído no qualquer outra forma de perda ou ainda suspen-
rol de dependentes previsto na lei previdenciária são do Poder Familiar
aplicável.
A Lei 12.010/2009 realizou duas alterações no
O fim social da lei previdenciária é abarcar as ECA quanto à tutela. A primeira foi no artigo 36,
pessoas que foram acometidas por alguma con- alterando o limite de idade para 18 anos, tornan-
tingência da vida. Nesse aspecto, o Estado deve do letra da lei algo que já era aplicado desde o
cumprir seu papel de assegurar a dignidade da advento do novo Código Civil. A segunda altera-
pessoa humana a todos, em especial às crianças ção foi realizada no artigo 37, que antes dispunha
e aos adolescentes, cuja proteção tem absoluta sobre a especialização da hipoteca.
prioridade. A tutela cessará com a maioridade ou emancipa-
ção do menor, ou ainda quando sob menor, al-
O ECA não é uma simples lei, uma vez que re- guém passar a exercer o poder familiar, no caso
presenta política pública de proteção à criança e de reconhecimento ou adoção.
ao adolescente, verdadeiro cumprimento do
mandamento previsto no art. 227 da CF. Ade- ADOÇÃO
mais, não é dado ao intérprete atribuir à norma
jurídica conteúdo que atente contra a dignidade Cabe ressaltar que a adoção simples, antes exis-
da pessoa humana e, consequentemente, contra tente nos termos do Código Civil de 1916, conti-
o princípio de proteção integral e preferencial a nha determinadas restrições e deixou de existir
crianças e adolescentes, já que esses postulados com o Código Civil de 2002. Desde seu advento,
são a base do Estado Democrático de Direito e a adoção é plena e irrestrita.
devem orientar a interpretação de todo o orde-
namento jurídico. Embora a lei previdenciária A adoção é um ato solene que, para alguns é
aplicável ao segurado seja lei específica da pre- unilateral , enquanto para outros é bilateral. Tra-
vidência social, não menos certo é que a criança ta-se de modalidade de colocação em família
e adolescente tem norma específica que confere substituta que gera vínculo de filiação entre ado-
ao menor sob guarda a condição de dependente tante e adotado. Trata-se, no dizer de Arnold
para todos os efeitos, inclusive previdenciários Wald, de ficção jurídica que cria o parentesco
RMS 36.034-MT,. civil.

Reafirmado recentemente (2015 - AgRg no Das três modalidades de colocação em família


REsp 1548012 / PE): substituta, a adoção é a única que toma o caráter
de definitividade, atribuindo vínculo legalmente

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ficto de paternidade e filiação legítimas e paren- até um ano do adotando dispensava o estágio de
tesco civil, sendo ilimitado seu efeito, com o total convivência. Tal exceção foi suprimida pela Lei
desligamento com a família biológica. 12.010/2009.

Apenas em uma modalidade de adoção não ha-


verá desconstituição total dos vínculos. Trata-se
da adoção unilateral, que é aquela em que o côn-
juge ou companheiro adota o filho do outro.

OUTRAS DISPOSIÇÕES IMPORTANTES:

- Adoção póstuma
- Cadastro prévio de adoção
Estabelece a Resolução n. 175, de 14 de maio de - Estágio de convivência
2013, aprovada durante a 169ª Sessão Plenária - Adoção internacional
do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a proibi- - Direito à ciência da origem biológica
ção de as autoridades competentes se recusarem - Adoção intuitu personae
a habilitar ou celebrar casamento civil ou, até - Irrevogabilidade da adoção
mesmo, de converter união estável em casamen-
to entre pessoas de mesmo sexo. Define-se adoção intuitu personae como aquela
em que os pais biológicos, ou um deles, ou, ain-
- Estágio de convivência da, o representante legal do adotando, indica
expressamente aquele que vem a ser o adotante.
O ECA exige, como regra, o estágio de convivên- Suely Mitie Kusano a define como:
cia entre o adotante e o adotando, que será
acompanhado por equipe interprofissional a ser- “A adoção em que o adotante é previamente indi-
viço do Juizado da Infância e Juventude. cado por manifestação de vontade da mãe ou
dos pais biológicos ou, não os havendo, dos res-
O estágio de convivência poderá ser dispensado ponsáveis legais quando apresentado o consen-
se o adotando já estiver sob a tutela ou guarda timento exigido [...] e, por isso, autorizada a não
legal do adotante durante tempo suficiente para observância da ordem cronológica do cadastro de
que seja possível avaliar a conveniência da cons- adotantes.”
tituição do vínculo. A simples guarda de fato, por O caso em exame, a avaliação realizada pelo
si só, portanto, não autoriza a dispensa do está- serviço social judiciário constatou que a criança E
gio de convivência. Antes da reforma, a idade de K está recebendo os cuidados e atenção ade-

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quados às suas necessidades básicas e afetivas VIAGEM DE CRIANÇA E ADOLESCENTE


na residência do impetrante. Não há, assim, em
princípio, qualquer perigo em sua permanência Nenhuma criança poderá viajar para fora da co-
com o pai registral, a despeito da alegação do marca onde reside, desacompanhada dos pais ou
Ministério Público de que houve adoção intuitu responsável, sem expressa autorização judicial.
personae, a chamada "adoção à brasileira", ao
menos até o julgamento final da lide principal. A autorização não será exigida quando:
2) de pessoa maior, expressamente autorizada
É verdade que o art. 50 do ECA preconiza a ma- pelo pai, mãe ou responsável.
nutenção, em comarca ou foro regional, de um
registro de pessoas interessadas na adoção. Po- a) tratar-se de comarca contígua à da residência
rém, a observância da preferência das pessoas da criança, se na mesma unidade da Federação,
cronologicamente cadastradas para adotar crian- ou incluída na mesma região metropolitana;
ça não é absoluta, pois há de prevalecer o princí- b) a criança estiver acompanhada:
pio do melhor interesse do menor, norteador do
sistema protecionista da criança. (STJ – Quarta 1) de ascendente ou colateral maior, até o tercei-
Turma - HC 279059 / RS – 2014) ro grau, comprovado documentalmente o paren-
tesco;
PREVENÇÃO ESPECIAL
A autoridade judiciária poderá, a pedido dos pais
ou responsável, conceder autorização válida por
dois anos.

Quando se tratar de viagem ao exterior, a autori-


zação é dispensável, se a criança ou adolescen-
te:
I - estiver acompanhado de ambos os pais ou
responsável;
II - viajar na companhia de um dos pais, autoriza-
do expressamente pelo outro através de docu-
mento com firma reconhecida.

É proibida a venda à criança ou ao adolescente


de:
I - armas, munições e explosivos;
II - bebidas alcoólicas;
III - produtos cujos componentes possam causar
dependência física ou psíquica ainda que por
utilização indevida;
IV - fogos de estampido e de artifício, exceto
aqueles que pelo seu reduzido potencial sejam
incapazes de provocar qualquer dano físico em
caso de utilização indevida;
V - revistas e publicações a que alude o art. 78;
VI - bilhetes lotéricos e equivalentes.
É proibida a hospedagem de criança ou adoles-
cente em hotel, motel, pensão ou estabelecimen-
to congênere, salvo se autorizado ou acompa-
nhado pelos pais ou responsável.

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te deverá ser imediatamente transferido para a


localidade mais próxima.
§ 2º Sendo impossível a pronta transferência, o
adolescente aguardará sua remoção em reparti-
ção policial, desde que em seção isolada dos
adultos e com instalações apropriadas, não po-
dendo ultrapassar o prazo máximo de cinco dias,
sob pena de responsabilidade.

Como o adolescente deve ser transportado em


caso de apreensão?
É possível o uso de algemas?

O uso de algemas durante a audiência de instru-


ção e julgamento encontra-se devidamente fun-
damentado, tendo as instâncias ordinárias apon-
tado elementos concretos que demonstraram a
real necessidade dessa providência para garantir
a segurança na realização do ato, considerando,
sobretudo, o perfil violento do menor. STJ - HC
168874 / DF - 2012

MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO

Prazos em que o adolescente pode permane-


cer em sede policial:

Art. 175. Em caso de não liberação, a autoridade


policial encaminhará, desde logo, o adolescente
ao representante do Ministério Público, juntamen-
te com cópia do auto de apreensão ou boletim de
ocorrência.
§ 1º Sendo impossível a apresentação imediata,
Informativo 562 – STJ - 2015
a autoridade policial encaminhará o adolescente
O adolescente que cumpria medida de internação
à entidade de atendimento, que fará a apresenta-
e foi transferido para medida menos rigorosa não
ção ao representante do Ministério Público no
pode ser novamente internado por ato infracional
prazo de vinte e quatro horas.
praticado antes do início da execução, ainda que
§ 2º Nas localidades onde não houver entidade cometido em momento posterior aos atos pelos
de atendimento, a apresentação far-se-á pela quais ele já cumpre medida socioeducativa.
autoridade policial. À falta de repartição policial
especializada, o adolescente aguardará a apre- Informativo 772 – STF
sentação em dependência separada da destinada Porte de drogas para consumo próprio e medida
a maiores, não podendo, em qualquer hipótese, socioeducativa de internação – É incabível a im-
exceder o prazo referido no parágrafo anterior. posição da medida socioeducativa de internação
ao adolescente que pratique ato infracional equi-
Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela parado ao porte de drogas para consumo próprio,
autoridade judiciária, não poderá ser cumprida tipificado no art. 28 da Lei 11.343/2006.
em estabelecimento prisional.
§ 1º Inexistindo na comarca entidade com as A internação deverá ser cumprida em entidade
características definidas no art. 123, o adolescen- exclusiva para adolescentes, em local distinto

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daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa


separação por critérios de idade, compleição físi- JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA AOS CRI-
ca e gravidade da infração. MES
Durante o período de internação, inclusive provi-
sória, serão obrigatórias atividades pedagógicas. STJ
Informativo 556 – 2015
Em nenhum caso haverá incomunicabilidade. Não configura nulidade por cerceamento de defe-
A autoridade judiciária poderá suspender tempo- sa o fato de o defensor e o acusado de crime
rariamente a visita, inclusive de pais ou respon- sexual praticado contra criança ou adolescente
sável, se existirem motivos sérios e fundados de não estarem presentes na oitiva da vítima devido
sua prejudicialidade aos interesses do adolescen- à utilização do método de inquirição denominado
te. "depoimento sem dano", precluindo eventual pos-
sibilidade de
Na hipótese em que a internação inicial de ado- arguição de vício diante da falta de alegação de
lescente infrator se dá em estabelecimento super- prejuízo em momento oportuno e diante da aqui-
lotado situado em local diverso daquele onde escência da defesa à realização do ato proces-
residam seus pais, é possível a transferência do sual apenas com a presença do juiz, do assisten-
reeducando para outro centro de internação local- te social e da servidora do Juízo.
izado, também, em lugar diverso do da residência
de seus pais. Informativo 568 - Para a caracterização do crime
STJ - HC 287.618-MG – Inf 542, 2014 de estupro de vulnerável previsto no art. 217-A,
caput, do Código Penal, basta que o agente te-
INFRAÇÕES NO ECA: nha conjunção carnal ou pratique qualquer ato
- Penais libidinoso com pessoa menor de 14 anos; o con-
- Administrativas sentimento da vítima, sua eventual experiência
sexual anterior ou a existência de relacionamento
amoroso entre o agente e a vítima não afastam a
ocorrência do crime.

Informativo 555 – 2015


Em se tratando de crime sexual praticado contra
menor de 14 anos, a experiência sexual anterior
e a eventual homossexualidade do ofendido não
servem para justificar a diminuição da pena-base
a título de comportamento da vítima.

Informativo 555:
Considera-se consumado o delito de atentado
violento ao pudor cometido por agente que, antes
da vigência da Lei 12.015/2009, com o intuito de
satisfazer sua lascívia, levou menor de 14 anos a
um quarto, despiu-se e começou a passar as
mãos no corpo da vítima enquanto lhe retirava as
roupas, ainda que esta tenha fugido do local an-
tes da prática de atos mais invasivos.

STF – Informativo 805 – RE 628624


Compete à Justiça Federal processar e julgar os
crimes consistentes em disponibilizar ou adquirir
material pornográfico envolvendo criança ou ado-
Os crimes são em regra dolosos. Apenas os arti- lescente (ECA, artigos 241, 241-A e 241-B),
gos 228 e 229 (que punem o desrespeito ao arti- quando praticados por meio da rede mundial de
go 10, I a IV) é que admitem modalidade culposa. computadores. Com base nessa orientação, o

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Plenário, por maioria, negou provimento a recur- ria competente e à família do apreendido ou à
so extraordinário em que se discutia a competên- pessoa por ele indicada:
cia processual para julgamento de tais crimes. O Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Tribunal entendeu que a competência da Justiça
Federal decorreria da incidência do art. 109, V, Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob
da CF (“Art. 109. Aos juízes federais compete sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou
processar e julgar: ... V - os crimes previstos em a constrangimento:
tratado ou convenção internacional, quando, ini- Pena - detenção de seis meses a dois anos
ciada a execução no País, o resultado tenha ou
devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou recipro- Conforme consta dos autos, as circunstâncias em
camente”). Ressaltou que, no tocante à matéria que o crime foi cometido, em que o Paciente
objeto do recurso extraordinário, o ECA seria constrangia crianças, pedindo-lhes que "dese-
produto de convenção internacional, subscrita nhassem pessoas nuas, órgãos sexuais e fo-
pelo Brasil, para proteger as crianças da prática lheassem revistas de mulheres nuas" (fl. 226),
nefasta e abominável de exploração de imagem são razões suficientes para demonstrar a pericu-
na internet. losidade da agente e, consequentemente, a ne-
cessidade da custódia cautelar, como garantia da
Art. 228. Deixar o encarregado de serviço ou o ordem pública, diante da periculosidade in con-
dirigente de estabelecimento de atenção à saúde creto do agente.
de gestante de manter registro das atividades
desenvolvidas, na forma e prazo referidos no art. Verifica-se que o delito pelo qual o Paciente foi
10 desta Lei, bem como de fornecer à parturiente denunciado e condenado corresponde ao art. 232
ou a seu responsável, por ocasião da alta médi- da Lei n.º 8.069/90 e não ao art. 214, caput, c.c. o
ca, declaração de nascimento, onde constem as art. 224, alínea a, na forma do art. 71, do Código
intercorrências do parto e do desenvolvimento do Penal, como consta da parte dispositiva da sen-
neonato: tença condenatória, sendo certo que a reprimen-
Pena - detenção de seis meses a dois anos. da foi dosada com base na imputação correta
Parágrafo único. Se o crime é culposo: (art. 232 da Lei n.º 8.069/90). STJ - HC 189426 /
Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa. SP 20/03/2012

Art. 229. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente O artigo 233 foi revogado pela lei de tortura (Lei
de estabelecimento de atenção à saúde de ges- 9455/97)
tante de identificar corretamente o neonato e a
parturiente, por ocasião do parto, bem como dei- Art. 234. Deixar a autoridade competente, sem
xar de proceder aos exames referidos no art. 10 justa causa, de ordenar a imediata liberação de
desta Lei: criança ou adolescente, tão logo tenha conheci-
Pena - detenção de seis meses a dois anos. mento da ilegalidade da apreensão:
Parágrafo único. Se o crime é culposo: Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa. Art. 235. Descumprir, injustificadamente, prazo
fixado nesta Lei em benefício de adolescente
Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua privado de liberdade:
liberdade, procedendo à sua apreensão sem es- Pena - detenção de seis meses a dois anos.
tar em flagrante de ato infracional ou inexistindo
ordem escrita da autoridade judiciária competen- Art. 236. Impedir ou embaraçar a ação de autori-
te: dade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou
Pena - detenção de seis meses a dois anos. representante do Ministério Público no exercício
Parágrafo único. Incide na mesma pena aquele de função prevista nesta Lei:
que procede à apreensão sem observância das Pena - detenção de seis meses a dois anos.
formalidades legais.
OFENSA À CONVIVÊNCIA FAMILIAR
Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável Art. 237. Subtrair criança ou adolescente ao po-
pela apreensão de criança ou adolescente de der de quem o tem sob sua guarda em virtude de
fazer imediata comunicação à autoridade judiciá-

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lei ou ordem judicial, com o fim de colocação em sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança
lar substituto: ou adolescente:
Pena - reclusão de dois a seis anos, e multa. Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e
multa.
Art. 238. Prometer ou efetivar a entrega de filho
ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recom- Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar,
pensa: transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qual-
Pena - reclusão de um a quatro anos, e multa. quer meio, inclusive por meio de sistema de in-
formática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro
Art. 239. Promover ou auxiliar a efetivação de ato registro que contenha cena de sexo explícito ou
destinado ao envio de criança ou adolescente pornográfica envolvendo criança ou adolescente:
para o exterior com inobservância das formalida- Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e
des legais ou com o fito de obter lucro: multa.
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 8 (oito) anos, além § 2o As condutas tipificadas nos incisos I e II do
da pena correspondente à violência. § 1o deste artigo são puníveis quando o respon-
sável legal pela prestação do serviço, oficialmen-
Crimes de pornografia infanto juvenil: te notificado, deixa de desabilitar o acesso ao
- Não adotar o termo pedofilia conteúdo ilícito de que trata o caput deste artigo.
- Crimes previstos nos artigos 240 a 241 E § 1o Nas mesmas penas incorre quem:
do CP I – assegura os meios ou serviços para o arma-
- Natureza de tipos penais em branco zenamento das fotografias, cenas ou imagens de
- Não afastamento do CP que trata o caput deste artigo;
- Tutela, em regra, da criança e do adoles- II – assegura, por qualquer meio, o acesso por
cente rede de computadores às fotografias, cenas ou
imagens de que trata o caput deste artigo.
Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar,
filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por
sexo explícito ou pornográfica, envolvendo crian- qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma
ça ou adolescente: de registro que contenha cena de sexo explícito
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e ou pornográfica envolvendo criança ou adoles-
multa. cente:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
§ 1o Incorre nas mesmas penas quem agencia, multa.
facilita, recruta, coage, ou de qualquer modo in- § 1o A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois
termedeia a participação de criança ou adoles- terços) se de pequena quantidade o material a
cente nas cenas referidas no caput deste artigo, que se refere o caput deste artigo.
ou ainda quem com esses contracena. § 2o Não há crime se a posse ou o armazena-
§ 2o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o mento tem a finalidade de comunicar às autorida-
agente comete o crime: des competentes a ocorrência das condutas des-
I – no exercício de cargo ou função pública ou a critas nos arts. 240, 241, 241-A e 241-C desta
pretexto de exercê-la; Lei, quando a comunicação for feita por:
II – prevalecendo-se de relações domésticas, de I – agente público no exercício de suas funções;
coabitação ou de hospitalidade; ou II – membro de entidade, legalmente constituída,
III – prevalecendo-se de relações de parentesco que inclua, entre suas finalidades institucionais, o
consangüíneo ou afim até o terceiro grau, ou por recebimento, o processamento e o encaminha-
adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador mento de notícia dos crimes referidos neste pa-
da vítima ou de quem, a qualquer outro título, rágrafo;
tenha autoridade sobre ela, ou com seu consen- III – representante legal e funcionários responsá-
timento. veis de provedor de acesso ou serviço prestado
por meio de rede de computadores, até o recebi-
Art. 241. Vender ou expor à venda fotografia, mento do material relativo à notícia feita à autori-
vídeo ou outro registro que contenha cena de

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Direito da Criança e do Adolescente - Aulas 01 a 03
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dade policial, ao Ministério Público ou ao Poder O artigo 244 B foi incluído pela Lei 12015/09. Tra-
Judiciário. ta-se de crime formal, consoante entendimento
§ 3o As pessoas referidas no § 2o deste artigo sumulado do STJ.
deverão manter sob sigilo o material ilícito referi-
do.
Art. 241-C. Simular a participação de criança ou
adolescente em cena de sexo explícito ou porno- Insta: @cristiane_dupret
gráfica por meio de adulteração, montagem ou Facebook: Página Cristiane Dupret
modificação de fotografia, vídeo ou qualquer ou- Periscope: Cristiane Dupret
tra forma de representação visual:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e Indicação bibliográfica:
multa. - Curso de Direito da Criança e do Adolescen-
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas te
quem vende, expõe à venda, disponibiliza, distri- 2015
bui, publica ou divulga por qualquer meio, adqui- Cristiane Dupret
re, possui ou armazena o material produzido na Editora Letramento
forma do caput deste artigo. (www.editoraletramento.com.br)
Cupom: aluno_dupret
Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou cons-
tranger, por qualquer meio de comunicação, cri-
ança, com o fim de com ela praticar ato libidino-
so:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e
multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre
quem:
I – facilita ou induz o acesso à criança de materi-
al contendo cena de sexo explícito ou pornográfi-
ca com o fim de com ela praticar ato libidinoso;
II – pratica as condutas descritas no caput deste
artigo com o fim de induzir criança a se exibir de
forma pornográfica ou sexualmente explícita.

Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nes-


ta Lei, a expressão “cena de sexo explícito ou
pornográfica” compreende qualquer situação que
envolva criança ou adolescente em atividades
sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibi-
ção dos órgãos genitais de uma criança ou ado-
lescente para fins primordialmente sexuais.

Já os artigos 242, 243 e 244 preveem o des-


cumprimento do artigo 81.
Abordagens importantes:
- Artigo 242 x artigo 16 do Estatuto do de-
sarmamento
- Venda de bebida alcóolica – Antiga con-
trovérsia existente

O artigo 244 A encontra-se tacitamente revogado


pelo artigo 218 B do Código Penal.

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