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A ORAÇÃO QUE LIBERTA

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BETH MOORE

A ORAÇÃO QUE LIBERTA

Traduzido por OMAR DE SOUZA

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Copyright © 2000, 2007 por Beth Moore
Publicado originalmente por B&H Publishing Group, Nashville, EUA

Editora responsável: Silvia Justino


Supervisão editorial: Ester Tarrone
Assistente editorial: Miriam de Assis
Revisão: Polyana Lima
Coordenação de produção: Lilian Melo
Colaboração: Pâmela Moura

Os textos das referências bíblicas foram extraídos da Nova Versão Internacional


(NVI), da Sociedade Bíblica Internacional, salvo indicação específica.

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610, de 19/02/1998.


É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste livro, por
quaisquer meios (eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação e outros), sem
prévia autorização, por escrito, da editora.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Moore, Beth

A oração que liberta/Beth Moore; tradução Omar de Souza — São Paulo:


Mundo Cristão, 2009.

Título original: Breaking Free


ISBN 978-85-7325-525-6

1. Liberdade - Aspectos religiosos - Cristianismo 2. Vida Cristã - Autores


batistas I. Título.

08-09643 CDD-241.4

Índice para catálogo sistemático:


1. Liberdade : Vida cristã : Autores batistas 241.4
Categoria: Oração

Publicado no Brasil com todos os direitos reservados por:


Editora Mundo Cristão
Rua Antônio Carlos Tacconi, 79, São Paulo, SP, Brasil, CEP 04810-020
Telefone: (11) 2127-4147
Home page: www.mundocristao.com.br

1ª edição: janeiro de 2009

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AGRADECIMENTO

S into-me em grande débito com meu amigo querido e


editor Dale McCleskey por sua disposição de dar novo
formato ao estudo bíblico extremamente elaborado que Deus me con-
cedeu, transformando-o neste material de leitura tão agradável e aces-
sível. Dale, você se revelou uma pessoa digna de extrema confiança
diante da mais pessoal e dolorosa jornada que o Senhor já me confiou.
Que todos os cativos que passarem às páginas seguintes sejam capazes
de descobrir o único e verdadeiro Libertador.

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SUMÁRIO

Prefácio 11
Apresentação: Bem-vindos à jornada rumo à
liberdade 15

Parte I. DO CATIVEIRO À LIBERDADE 23


1. Dos reis ao cativeiro 25
2. O reino de Cristo 33

Parte II. BENEFÍCIOS E OBSTÁCULOS 39


3. Conhecer Deus e crer nele 41
4. Glorificar Deus 45
5. Encontrar satisfação em Deus 53
6. Experimentar a paz de Deus 59
7. Sentir a presença de Deus 65
8. O obstáculo da incredulidade 70
9. O obstáculo do orgulho 78
10. O obstáculo da idolatria 83
11. O obstáculo da falta de interesse na oração 89
12. O obstáculo do legalismo 95

Parte III. RUÍNAS ANTIGAS E CORAÇÕES PARTIDOS 101


13. Um passeio pelas ruínas antigas 103
14. O antigo marco 110

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15. A antiga serpente 117
16. Inspecionando as antigas ruínas 122
17. O Ancião de Dias 129
18. Direto ao coração 135
19. Corações partidos na infância 141
20. Corações restaurados pela verdade 147
21. Corações partidos pela traição 154
22. Corações partidos pela perda 160

Parte IV. SONHOS SEM LIMITES E UMA OBEDIÊNCIA DURADOURA 167


23. Cinzas em vez de honra 169
24. Casar 174
25. Ser bonita 181
26. Ter filhos 187
27. Viver feliz para sempre 193
28. Pelo avesso 198
29. Vaso quebrado 205
30. O direito divino de governar 211
31. O governo de Deus é justo 217
32. O governo de Deus no cotidiano 222

Parte V. UM AMOR QUE NUNCA FALHA 229


33. A descoberta do amor que nunca falha 231
34. A liberdade do amor que nunca falha 236
35. A plenitude do amor que nunca falha 242
36. A incapacidade de crer no infalível amor de Deus 250
37. O fruto do amor que nunca falha 256

Parte VI. LIBERDADE E GLÓRIA 261


38. Uma visão a partir das coisas velhas 263
39. Uma visão a partir das coisas novas 269

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40. Derrubando os lugares elevados 277
41. Desprogramar e reprogramar 283
42. Levando os pensamentos cativos 290
43. Um plantio do Senhor 296
44. A demonstração da lembrança de Deus 301
45. A manifestação da glória de Deus 307
46. A manifestação da satisfação e da paz 313
47. A manifestação da presença de Deus 321

Questões para discussão 329

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PREFÁCIO

B em-vindo ao livro A oração que liberta.


De alguma maneira, acho que uma escritora nun-
ca deveria parecer desesperada por uma reação positiva de seus
leitores. Não é muito conveniente. Ela deve apenas dar o melhor
de si e não se preocupar com o resultado. Eu até acredito nisso;
neste caso, porém, simplesmente não consigo. O conteúdo destas
páginas é tão importante para mim que estou ansiosa para torná-lo
importante para você também. A mensagem desta obra é de tal
maneira preciosa que desejo desesperadamente torná-la preciosa
para sua vida.
Quero que o processo descrito neste livro cative o seu coração.
Desejo que ele impulsione sua vida de modo tão poderoso que a
escravidão da mediocridade nunca mais seja considerada aceitá-
vel em sua vida como discípulo ou discípula. Cristo nos convoca
à libertação. Ele nos persuade a assumir uma posição de liberdade
absoluta — que é, em última análise, o único tipo de liberdade ver-
dadeira. Permita-me começar abrindo um pouquinho a cortina de
maneira que você possa ter um pequeno vislumbre da estrada que
tem diante de si.
Dividi a jornada em seis partes. Começamos pela parte I, com o
profeta Isaías. Acredito que a palavra de Deus proporciona liberda-
de — sua Palavra encarnada por intermédio de sua Palavra escrita.

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12 A oração que liberta

Assim, começamos com um estudo bíblico. Veremos como os reis


da antiga Israel foram tornados cativos; da mesma maneira, veremos
como a liberdade vem por meio do Rei dos reis.
A parte II de nossa jornada é denominada “Benefícios e obstácu-
los”. Descobriremos os benefícios da vida cristã que tornam possível
viver nessa liberdade. Veremos como o Pai deseja oferecer esses be-
nefícios a todos os seus filhos e quais são os maiores obstáculos que
nos impedem de alcançar tal liberdade.
Na parte III, analisaremos algumas questões de cunho pessoal.
Olharemos para o passado em busca das verdadeiras razões. Vere-
mos como as fortalezas espirituais fincam raízes profundas na vida
daqueles que crêem. Somente enfrentando as antigas ruínas e as ve-
lhas decepções do coração é que seremos capazes de encontrar a li-
berdade que Deus promete.
Depois de lidarmos com algumas questões do passado, estare-
mos prontos para nos voltar para o futuro. Todo mundo tem sonhos.
Alguns desses sonhos podem parecer impossíveis. Na parte IV, vere-
mos que Deus deseja ir além de nossos sonhos mais maravilhosos, e
ele quer nos conduzir a uma situação de obediência permanente.
A parte V aborda uma questão relacionada à mais profunda ne-
cessidade do coração de todos os seres humanos. Todos nós ansiamos
por um amor que não desvaneça nem falhe. A liberdade genuína só
pode florescer sob a luz desse amor infalível.
Por fim, sairemos em busca de um lugar a partir do qual pode-
remos nos deleitar na visão da terra prometida. Tal como Moisés,
escalaremos as alturas para ver a terra da liberdade e da glória; no
entanto, diferentemente dele, teremos a oportunidade de entrar nesse
território. Deus nos apresenta a sua glória e nos convida a participar
dela. Venha conhecer a libertação em um lugar onde podemos co-
nhecer o Senhor e crer nele; um lugar onde buscamos a glória do
Pai e nos esquecemos da nossa; um lugar onde a satisfação é pro-

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Prefácio 13

porcionada pelo Único capaz de satisfazer verdadeiramente a nossa


alma; um lugar onde experimentamos a paz divina, não importando
os obstáculos que o mundo coloque em nosso caminho; um lugar
onde a presença de Deus é nosso desejo constante e nossa alegria
permanente.
Sim, aguardo com ansiedade por você e por sua libertação. Es-
pero que você se junte logo a essa multidão que descobriu a oração
que liberta.

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A P R E S E N TA Ç Ã O

BEM-VINDOS À JORNADA
RUMO À LIBERDADE

N unca escrevi nada que significasse tanto para mim


quanto a mensagem contida neste livro. Quando eu
tinha dezoito anos, entreguei-me por completo ao chamado divino a
fim de cumprir o ministério para o qual fora chamada. Alguns anos
mais tarde, Deus falou ao meu coração e disse algo mais ou me-
nos assim: “Enviei meu Filho para libertar os cativos. Você seguirá
adiante para sinalizar essa liberdade”. Que doce pensamento. Para
uma pessoa romântica como eu, soava até um pouco poético; no
entanto, era uma palavra de caráter tremendamente evangelístico.
Eu tinha certeza absoluta de que o meu chamado era na área de
discipulado.
Hoje em dia, fico admirada ao lembrar que, naquela época, eu
achava que as únicas pessoas cativas eram as espiritualmente per-
didas. Deus abriu minha mente, antes tão acomodada, da maneira
mais eficaz que se pode imaginar: de dentro para fora.
Eu não tinha idéia de que vivia cativa até Deus começar a operar
libertação em mim. Se alguém me dissesse que os cristãos poderiam
viver escravizados, eu contestaria com todas as forças que uma pes-
soa é capaz de reunir quando tem um jugo de escravidão a apertar
seu pescoço. Eu era o pior tipo de cativo: aquele que não tem noção
de sua escravidão — justamente o prisioneiro mais vulnerável, a pre-
sa mais fácil de ser capturada.

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16 A oração que liberta

A declaração a seguir será a definição que adotaremos para o


conceito de escravidão (ou cativeiro) com o qual trabalharemos ao
longo de todo este estudo: um cristão é cativo de qualquer coisa que
sirva de impedimento para a vida abundante, eficaz e cheia do Espírito
Santo que Deus planejou para ele.
Nos primeiros passos de nossa jornada, começaremos com uma
apresentação do profeta Isaías, assim como uma introdução ao tema
da libertação. Para fazer isso, lançaremos mão de dois métodos. Você
pode pensar neles como dois tipos de visão: uma microscópica e ou-
tra macroscópica. A visão microscópica tem sua origem na análise de
uma frase presente em Isaías 9:4, neste texto de apresentação. A visão
mais ampla do capítulo 1 se concentrará em um olhar sobre os reis que
governaram durante o período de vida dos profetas. As duas visões
nos fornecerão as ferramentas bíblicas necessárias para avaliarmos
como conquistar a liberdade em Cristo.
Venha e se junte a mim à medida que começo com uma frase
da pena daquele que é considerado “o príncipe dos profetas”. Isaías
9:4 contém uma referência das mais intrigantes: “Pois tu destruíste
o jugo que os oprimia [...] e a vara de castigo do seu opressor, como
no dia da derrota de Midiã”. Se você conhece bem a sua Bíblia, reco-
nhecerá a referência a Gideão, no livro de Juízes. Alguma coisa acon-
teceu nos dias da derrota de Midiã — algo de extrema importância
não apenas para o livro de Isaías, mas também em relação à vinda do
Salvador que libertaria os cativos.
No livro de Juízes, Deus disse ao povo: “Irei sempre adiante de
vocês e proporcionarei a vitória, mas vocês não devem fazer coisa
alguma. Não adorem outros deuses. Nem comecem”. Naturalmente,
foi exatamente isso que eles fizeram. Juízes 6 começa com estas pa-
lavras perturbadoras: “De novo os israelitas fizeram o que o Senhor
reprova...”. Vamos analisar uma série de lições que estabelecem a base
de nossa discussão a respeito de libertação. Eu as listarei como nove
lições sobre cativeiro e liberdade.

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Bem-vindos à jornada rumo à liberdade 17

Lição 1
O povo de Deus pode ser oprimido pelo inimigo. Os israelitas fizeram
o mal diante dos olhos do Senhor. Juízes 6:1 usa a expressão incri-
minadora “de novo”. Por isso, Deus os entregou nas mãos do inimigo
durante certo tempo para que aprendessem a lição. Talvez você seja
como eu era. Eu pensava assim: “Se eu simplesmente ignorar Satanás
e tiver o desejo de andar com Deus, estarei bem”. Descobrimos que
isso não funciona por muito tempo, especialmente quando você co-
meça a ser uma ameaça ao reino de trevas do Diabo.

Lição 2
Quando são oprimidos, os filhos de Deus têm a tendência de se escon-
der, em vez de fazer o que é necessário para conquistar a liberdade.
Os esconderijos podem se transformar em fortalezas de opressão
com muita facilidade. Quando somos oprimidos, costumamos nos
esconder em abrigos, ao invés de cooperar com Deus e buscar um
lugar de liberdade. Às vezes, entramos em isolamento total. Nós nos
escondemos atrás de nossos empregos, do ativismo dentro da igreja,
de muitas ocupações — o cativeiro da atividade excessiva. Qualquer
coisa que ataque os sintomas, em vez de combater a fonte desses pro-
blemas, configura um esconderijo.

Lição 3
Se não dispuser do poder divino trabalhando a seu favor, o povo de
Deus tem pouca proteção contra a natureza destrutiva do inimigo. Os
israelitas prepararam abrigos para si, mas os versículos 5 e 6 nos di-
zem que, quando os midianitas chegaram, eram como enxames de
gafanhotos, impossíveis de ser contados. Eles invadiram a terra e a
devastaram. Ainda que sejamos salvos e que o Espírito Santo habi-
te em nós, é possível que um cristão seja derrotado o tempo todo
pelo inimigo por não viver na dependência do Espírito e da palavra de

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18 A oração que liberta

Deus. Precisamos nos conscientizar de que recebemos uma convoca-


ção divina, crescer no conhecimento da palavra do Senhor, conhecer
nossos direitos e aprender a usar as armas que Deus nos concedeu.

Lição 4
Deus não permitiu que seu povo fosse oprimido com o objetivo de lhe
impingir uma derrota, mas para que, no fim das contas, alcançasse a
vitória. De vez em quando, Deus permite que as coisas compliquem
tanto a ponto de nos obrigar a olhar para cima. A vitória sempre co-
meça com um pedido de ajuda. Quando nossos recursos se esgotam
e clamamos pelo socorro do Senhor, coisas incríveis acontecem.

Lição 5
Deus está sempre disposto a revelar o motivo da opressão de seus filhos
quando eles se mostram dispostos a ouvi-lo. O Senhor deseja que co-
nheçamos as razões pelas quais continuamos a sofrer a opressão. Os
versículos 7 a 10 contam que ele enviou um profeta para dizer aos is-
raelitas que estavam sendo oprimidos porque haviam adorado outros
deuses. Preferimos que Deus apenas conserte as besteiras que faze-
mos. Não queremos entrar no mérito dos motivos de nosso sofrimen-
to. “Senhor, apenas me liberte! Não preciso saber por que me meti
nessa confusão; não há nenhuma necessidade de ficar desenterrando
esses defuntos. Só preciso que o senhor me liberte”. E Deus responde:
“Quero que você saiba o que deu errado para que, da próxima vez que
se envolver em uma situação igual a essa, faça escolhas diferentes”.

Lição 6
Deus enxerga o potencial de seus filhos. Em Juízes 6:11-16, Gideão es-
tava se escondendo dos midianitas em um tanque de prensar uvas. O
anjo do Senhor se aproximou e disse a Gideão: “O Senhor está com
você, poderoso guerreiro”. Apesar de tudo, mesmo vendo que Gideão

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Bem-vindos à jornada rumo à liberdade 19

estava tremendo de medo, Deus o chamou de “poderoso guerreiro”


— bem antes de ele se tornar um guerreiro de fato.
Deus está dizendo que você também é um poderoso guerreiro
ou uma poderosa guerreira. O objeto deste estudo bíblico é o ensi-
namento divino acerca de como viver como poderosos guerreiros,
pois é isso que podemos ser no Senhor. Você já se cansou de tanta
decepção a ponto de se considerar em condições de aprender como
viver como um guerreiro poderoso?

Lição 7
Qualquer sacrifício que fazemos em nossa jornada rumo à liberdade
será totalmente consumado e abençoado por Deus. Preste atenção em
algo muito importante: Gideão preparou um sacrifício. Então lemos
no versículo 21: “Com a ponta do cajado que estava em sua mão, o
Anjo do Senhor tocou a carne e os pães sem fermento. Fogo subiu
da rocha, consumindo a carne e os pães”.
Para sermos libertados em Cristo, precisamos fazer alguns sacri-
fícios. Assegure-se de que é Deus quem os exige, caso seja, qualquer
coisa que você tenha de oferecer será totalmente consumida por ele
como um sacrifício suave. Ele abençoará.
Tememos os sacrifícios. Mas a ironia é saber que os fazemos em
grande quantidade quando não estamos vivendo de acordo com a
vontade de Deus. Quantas coisas colocamos no altar do reino de Sata-
nás? Vivemos de uma maneira sacrificial quando estamos fora da von-
tade de Deus, abrindo mão de todas as coisas que deveriam ser nossas
em Cristo. Queremos reclamar de volta essas coisas; no entanto, nesse
processo, teremos de colocar algumas outras diante do altar.

Lição 8
Para que possamos viver na liberdade que Deus planejou para nós, é
preciso reconhecer e abandonar todos os outros deuses. “Despedace o

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20 A oração que liberta

altar de Baal, que pertence a seu pai...” (Jz 6:25). Amo o versículo 27.
Gideão reuniu dez de seus servos e fez o que o Senhor havia orde-
nado, mas, como estava com medo, agiu durante a noite, e não du-
rante o dia. Você também gosta dessa passagem? Aí está o poderoso
guerreiro de Deus! Isso não lhe serve de incentivo? Tudo bem, ele
cumpriu a orientação divina à noite, mas, pelo menos, ele obedeceu;
fez o que tinha de fazer.
Hoje somos convocados a fazer exatamente a mesma coisa. Des-
cobriremos ídolos que nem mesmo sabíamos estar adorando. Tam-
bém precisaremos olhar para o passado, voltando algumas gerações
para saber que ídolos em nossa ascendência precisam ser abandona-
dos e despedaçados, de modo que possamos conhecer a liberdade
que Deus tem para nos dar.

Lição 9
Deus deseja acabar com todas as dúvidas que possamos ter sobre quem
proporciona a vitória. Deus fez isso de maneira dramática na vida
de Gideão. Talvez você conheça o restante da história dele. Gideão
montou um exército. Os inimigos eram numerosos como gafanho-
tos, e Deus disse que o exército de Gideão era suficientemente gran-
de. Assim, o Senhor promoveu a primeira redução de forças armadas
da História: ele reduziu o exército de Gideão, que antes contava com
32 mil guerreiros, para apenas trezentos homens.
Por maior que seja a determinação de uma pessoa, isso não será
capaz de lhe proporcionar a libertação. Aprendemos a ser vitorio-
sos à medida que rendemos nossa vida por completo ao Espírito de
Deus, e não por nos esforçarmos ou demonstrarmos determinação.
Deus mostrou quem concedeu a vitória em Juízes 7:9-18. O Senhor
disse: “Se você está com medo de atacá-los, desça ao acampamento [...]
e ouça o que estiverem dizendo” (v. 10-11). Enquanto Gideão perma-
neceu de pé e correndo, a poeira não baixou. Ele correu para saber

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Bem-vindos à jornada rumo à liberdade 21

a respeito de que o Senhor falava, pois estava morrendo de medo.


E você quer saber de uma coisa? Para Deus, isso não tem problema
nenhum. Ele reconhece os nossos medos e as nossas inseguranças.
Sinto que, às vezes, o Espírito de Deus me diz assim:

Sabe, Beth, entendo que você não esteja se sentindo muito feliz com
isso. Compreendo que esteja morrendo de medo e até chorando por
causa disso. Chore, esperneie, faça o que quiser, mas não deixe de
cumprir a minha vontade, minha filha. Faça a minha vontade, pois
tenho vitória para conceder.

Foi isso o que Gideão fez, e descobriu que os midianitas estavam


morrendo de medo dele!
Gideão voltou ao acampamento de Israel e liderou o seu exército
naquela vitória. O que aconteceu com o covarde que vimos antes?
Se você se mantiver sempre ao lado de Deus, será uma pessoa tão
singular dentro do corpo de Cristo que, querendo ou não, acabará
se tornando líder. É isso o que acontece quando as pessoas alcançam
a vitória.
Será que você seria capaz de fazer uma oração de consagração
junto comigo? Vamos dedicar a Deus este estudo, permitir que ele
realize uma obra em nossa vida, tomar posse da libertação, examinar
as partes mais profundas de nosso coração e aprender como viver de
modo vitorioso.

Ó Deus, neste momento em que damos início a esta jornada, nos-


so coração se enche de expectativa. Senhor, queremos ser diferentes.
Nós o convidamos para realizar uma obra tão poderosa em nossa
vida a ponto de não sermos capazes sequer de explicar. Dedicamos
este estudo inteiramente ao Senhor, Deus. Oramos, Pai, para que ja-
mais façamos alguma coisa que lhe sirva de estorvo ou impedimento

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22 A oração que liberta

porque, de vez em quando, a verdade vai doer em nós. Sabemos, ó


Deus, que o Senhor deseja contar com a nossa vida de uma forma
plena para poder nos proporcionar o viver vitorioso conquistado por
Jesus Cristo ao morrer na cruz. Agora, Senhor, nós nos humilhamos
diante da sua presença, e pedimos que o Senhor realize uma obra
poderosa em nós e por nosso intermédio, de maneira que possamos
proclamar o seu nome por todos os anos que ainda nos restam. Só o
Senhor é Deus. Não há nenhum outro Salvador. Agradeço antecipa-
damente, Senhor, por todas as coisas que há de realizar em nossa vida.
Entregamos ao Senhor toda a glória. Em nome de Jesus, amém.

Nota da autora
Lancei mão de vários recursos para o estudo de determinadas pala-
vras em grego e hebraico. As definições tiradas de The Complete Word
Study Dictionary: New Testament and the Lexical Aids [Dicionário
completo de estudo das palavras: Novo Testamento e auxílios léxicos]1
estão citadas dentro de aspas, sem referência. Também usei a obra
Strong’s Exhaustive Concordance of the Bible [Concordância exaustiva
da Bíblia de Strong].2 As palavras retiradas do livro de Strong são
citadas entre aspas, com o termo “Strong’s” entre parênteses.

1
Spiros Zodhiates et al. (ed.), Chattanooga: AMG, 1992.
2
James Strong, Madison: 1970.

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PARTE I

DO CATIVEIRO À LIBERDADE

N este momento em que damos início ao nosso estudo,


preciso lhe fazer um desafio. Trataremos de chaves
bíblicas para a liberdade, mas não esperamos descobrir uma poção
mágica. A verdadeira liberdade requer trabalho duro. Uma parte im-
portante dessa obra envolve a palavra de Deus. Guardamos a palavra
de Deus no coração para não pecarmos contra o Senhor (Sl 119:11). Os
versículos que devem ser decorados para o nosso estudo, na ordem
em que você os encontra, são as passagens de Isaías 61:1-4; 43:10;
43:6-7; 55:2; e 43:2-3.
Eu gostaria de incentivar você a copiar esses versículos em car-
tões. Trabalhe em um versículo de cada vez. Carregue-os consigo.
Acostume-se a recitá-los com freqüência. Procure manter todas es-
sas passagens das Escrituras decoradas a partir do momento que vi-
rar a última página deste livro. Comece o processo de memorização
com Isaías 61:1. Então, siga em frente com os versículos 2-4.

O Espírito do Soberano, o Senhor, está sobre mim, porque o Se-


nhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me
para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar
liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros, para
proclamar o ano da bondade do Senhor e o dia da vingança do
nosso Deus; para consolar todos os que andam tristes, e dar a todos

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24 A oração que liberta

os que choram em Sião uma bela coroa em vez de cinzas, o óleo da


alegria em vez de pranto, e um manto de louvor em vez de espírito
deprimido. Eles serão chamados carvalhos de justiça, plantio do Se-
nhor, para manifestação da sua glória. Eles reconstruirão as velhas
ruínas e restaurarão os antigos escombros; renovarão as cidades ar-
ruinadas que têm sido devastadas de geração em geração.
Isaías 61:1-4

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UM

DOS REIS AO CATIVEIRO

... depois que Uzias se tornou poderoso,


o seu orgulho provocou a sua queda.
2Crônicas 26:16

Q uero pedir a você que comece essa nossa jornada tão


pessoal rumo à libertação em uma área que pode
parecer muito peculiar. Analisaremos, de maneira breve, a atuação
dos reis que governaram durante o período de ministério do profeta
Isaías. Procederemos desse modo por três razões básicas:

• Primeiro, porque cada um dos reis encarna os problemas que,


com certeza nós também encontraremos, ao seguir a trilha
que conduz à liberdade. Conforme aprendemos como eles va-
garam sem direção dentro de seus respectivos cativeiros, pas-
samos a enxergar nossa própria atitude. Espero que também
comecemos a descobrir as primeiras pistas que nos levarão a
escapar desse cativeiro.
• Segundo, estudar a vida desses reis nos fornecerá um bom pon-
to de partida para entender o profeta Isaías e sua mensagem.
• Terceiro, eu acredito que o estudo bíblico proporciona suas
recompensas. Deus tem usado o estudo de sua Palavra para

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26 A oração que liberta

me libertar. O tempo dedicado ao estudo da Bíblia é sempre


muito proveitoso.

Antes de analisarmos a vida do primeiro rei, considere alguns


novos fatos a respeito de Isaías. Ele exerceu seu ministério profético
durante o período em que Israel era um reino dividido. Depois da
morte do rei Salomão, em 931 a.C., Israel foi dividida entre os reinos
do norte e do sul. O reino do sul assumiu o nome de Judá. O do norte
continuou a se chamar Israel.
Os profetas Oséias e Miquéias foram contemporâneos de Isaías.
O nome de Isaías significa “o Senhor salva”. Na Nova Versão Inter-
nacional, a palavra “salvação” é usada 22 vezes no livro de Isaías. Ele
era casado, e acredito que as leitoras se sentirão abençoadas ao saber
o tratamento que ele dedicava à esposa: em Isaías 8:3, o profeta se
refere a ela como “profetisa”.
Dá para imaginá-los sendo apresentados como o profeta Isaías e sua
amada esposa, a profetisa? Já estou gostando muito de Isaías, e você?
O profeta e sua esposa tiveram dois filhos: Sear-Jasube e Maher-
Shalal-Hash-Baz. Se fossem meus filhos, daria a eles os apelidos de
Jas e Baz, para economizar tempo, mas duvido que eles tenham feito
isso. Sob circunstâncias normais, o profeta poderia até ser uma pes-
soa bem-humorada, mas aqueles eram tempos muito complicados.
Não havia nada de engraçado no iminente julgamento divino.
Isaías recebeu uma ótima educação. O mais provável é que sua fa-
mília fosse de uma classe mais abastada que tivesse algum parentesco
com a casa real de Judá. Deus o inspirou a escrever um dos livros mais
longos da Bíblia. Seu ministério se estendeu por mais de quarenta anos,
começando em 740 a.C. e terminando, mais ou menos, em 701 a.C.
O chamado de Isaías ocorreu, não por coincidência, logo depois
da morte do primeiro rei cuja vida analisaremos: o rei Uzias, cujo
nome significa “o Senhor é a minha força”. A maior parte de seu reino

A oração que liberta - novo form26 26 18/11/2008 13:07:23


Dos reis ao cativeiro 27

foi um reflexo do significado de seu nome. Uzias se tornou rei quan-


do tinha dezesseis anos de idade. Ele governou em Jerusalém por 52
anos. Conduziu o reino de Judá ao seu melhor momento em termos
de economia e força militar.
Uzias poderia ter sido lembrado como o maior rei entre Davi e
Cristo, se não fosse por um problema: em 2Crônicas 26:16-23, des-
cobrimos que o pecado do orgulho se tornou o motivo de sua ruína.
Ele usurpou o papel que cabia exclusivamente aos sacerdotes. Tomou
sobre si a tarefa de queimar incenso no lugar santo dentro do templo
de Deus, prática proibida a quem não fizesse parte da classe sacerdo-
tal. Como castigo, o rei ficou leproso. Uzias havia sido um homem
bom; mesmo assim, quando sua vida chegou ao fim, a única coisa
que as pessoas diziam a seu respeito era: “Uzias foi um leproso”.
O orgulho pode levar ao cativeiro (Jr 13:15-17). Com certeza, po-
demos ver que ele conduziu a vida de Uzias a um cativeiro real e tan-
gível. O fim trágico daquele rei nos serve como o primeiro sinal de
alerta. O orgulho é um obstáculo que todo cristão terá de enfrentar
na trilha rumo à liberdade.
Uzias morreu solitário, depois de um reinado muito próspero.
Seu filho, Jotão, lembrava o pai na medida em que crescia em poder
e governava com sucesso. Mas havia uma diferença crucial entre os
dois estilos de governo. “Jotão tornou-se cada vez mais poderoso,
pois andava firmemente segundo a vontade do Senhor, o seu Deus”
(2Cr 27:6). Jotão parecia ter aprendido com a queda do pai, antes um
rei tão poderoso.
Jotão “fez o que o Senhor aprova...” (2Rs 15:34), porém negligen-
ciou uma questão de importância crítica: o povo adorava outros deu-
ses, como Baal e Aserá. Aqueles lugares de adoração eram chamados
de “altares”. Jotão permitiu a permanência dos altares em Judá. Ele
seguiu o Senhor de modo fiel e andou com firmeza diante dele, mas
se recusou a exigir o respeito pelo único Deus. Por isso, Jotão serve

A oração que liberta - novo form27 27 18/11/2008 13:07:23


28 A oração que liberta

como exemplo de outra trilha que conduz ao cativeiro. Para sermos


livres em Cristo, nossos altares devem ser derrubados. Devemos es-
tar sempre preparados para confrontar a idolatria.
Podemos ver os enormes obstáculos que Uzias e seu filho, Jotão,
tiveram de enfrentar em termos de orgulho e de indisposição para as-
sumir uma posição firme contra a idolatria. Também notamos uma
sugestão contínua de incredulidade porque eles foram alertados por
diversas vezes sobre as conseqüências de sua obstinação. Temos de
enfrentar os mesmos problemas que eles quando queremos receber
os benefícios da salvação.
Acaz se tornou rei depois da morte de seu pai, Jotão, mas “não fez o
que o Senhor aprova” (2Cr 28:1). Ele fez ídolos, adorou Baal e ofereceu
sacrifícios nos altares. Estava preso em um abismo pessoal de maldade
que não consigo sequer imaginar. O versículo 3 afirma que ele chegou
a sacrificar os próprios filhos no fogo. Você consegue compreender um
comportamento desse tipo por parte de um dos reis do povo de Deus?
Por favor, mantenha em mente o fato de Acaz ter oferecido sa-
crifícios nos altares. Esses altares estavam ali, à disposição de um
governante jovem e deslumbrado, porque o pai dele, Jotão, não teve
coragem de removê-los. Não por coincidência, a atrocidade que Jo-
tão optou por ignorar foi exatamente a armadilha em que seu filho
viria a cair. Mais adiante, em nosso estudo, vamos nos concentrar
nos pecados que pais e avós transmitem às gerações seguintes.
Em seguida, analisaremos o quarto rei, que constitui um fenôme-
no bastante improvável sem Deus: o filho justo de um rei perverso.
Ezequias se transformou no extremo oposto de seu pai, Acaz. Ele fez
uma coisa de extrema importância que Jotão deixou de fazer — ele
destruiu os altares pagãos. Ezequias procurou, com coração since-
ro, promover a reforma e a restauração do povo de Deus. Eu tento
imaginar a partir de que ponto as atitudes e a filosofia de Ezequias
começaram a se distanciar das do pai. Será que ele se ressentiu de ter

A oração que liberta - novo form28 28 18/11/2008 13:07:24


Dos reis ao cativeiro 29

perdido irmãos sobre um altar pagão e, com isso, deixou de confiar


em um pai capaz de cometer tamanha atrocidade?
Em 2Crônicas 32, lemos uma das mais notáveis histórias de li-
bertação que se pode encontrar nas Escrituras. O rei da Assíria, Se-
naqueribe, invadiu Judá e sitiou as cidades. O exército assírio cercou
Jerusalém, e os oficiais procuravam desencorajar os habitantes da
cidade. Durante esse processo, eles cometeram um erro muito grave:
insultaram o Deus de Israel.
O mensageiro assírio tentou convencer a população de Jerusalém
que Deus não seria capaz de salvá-la. Disse que os deuses de outras
nações não conseguiram livrá-las, e por isso o Deus de Israel tam-
bém os frustraria. Ele fez a pergunta errada:

Como então o deus de vocês poderá livrá-los das minhas mãos? [...]
pois nenhum deus de qualquer nação ou reino jamais conseguiu li-
vrar o seu povo das minhas mãos ou das mãos de meus antepassados.
Muito menos o deus de vocês conseguirá livrá-los das minhas mãos!
2Crônicas 32:14-15

Pelo tom de 2Crônicas 32:20, fica claro que Ezequias e Isaías esta-
vam com muito medo, mas aquele temor os levou a fazer a coisa mais
certa — eles clamaram ao Senhor:

E o Senhor enviou um anjo, que matou todos os homens de combate


e todos os líderes e oficiais no acampamento do rei assírio, de forma
que este se retirou envergonhado para a sua terra.
2Crônicas 32:21.

Ezequias deve ter considerado o ataque de Senaqueribe como a


experiência mais assustadora de sua vida... até confrontar um tipo
diferente de medo, bem mais pessoal.

A oração que liberta - novo form29 29 18/11/2008 13:07:24


30 A oração que liberta

Em Isaías 38, Deus disse a Ezequias que ele iria morrer, mas o
rei voltou a face para a parede e clamou ao Senhor. Em resposta a
essa atitude, Deus acrescentou quinze anos à vida de Ezequias. Isaías
disse: “Apliquem um emplastro de figos no furúnculo, e ele se recu-
perará” (v. 21). Acho fascinante que Deus tenha curado Ezequias por
meio de um tratamento médico. Fica bem claro que Deus não levan-
tou uma barreira entre a fé e o uso da ciência médica.
Logo depois de Ezequias se recuperar, ele começou a dar demons-
trações de que seu encontro íntimo com a morte o ensinou muito
sobre a vida. Ele disse coisas como: “Em teu amor me guardaste da
cova da destruição” (v. 17), como se a decisão divina de poupar um
de seus filhos tivesse alguma coisa a ver com o fato de ele amar algu-
mas pessoas mais do que as outras. Deus não pode nos amar mais ou
menos do que ama neste exato momento. O Senhor escolhe curar
ou deixar de curar alguém por razões que só ele conhece. Todas as de-
cisões que ele toma são resultado de seu amor, mas, sejam elas quais
forem — curar uma pessoa ou levá-la para si —, esse amor divino
permanece o mesmo.
Ezequias também presumiu que Deus lhe concedera mais quinze
anos de vida porque apenas aqueles que vivem nesta terra são capazes
de louvar o Senhor (v. 19). Poucas pessoas do Antigo Testamento pa-
recem ter vislumbrado a Ressurreição. É evidente que Ezequias acre-
ditava na existência apenas deste mundo. Eu sempre achei que meu
melhor louvor seria depois da morte, pois aqui na terra sou muito
limitada.
Mas nenhuma dessas declarações de Ezequias foi a pior. Alguém
deveria ter enchido a boca do rei com figos para impedi-lo que dis-
sesse o seguinte: “Andarei humildemente toda a minha vida, por
causa dessa aflição da minha alma” (v. 15).
Temos uma tendência nociva de esquecer o que Deus fez por nós.
Em determinado momento, somos humildes; em seguida, se não

A oração que liberta - novo form30 30 18/11/2008 13:07:24


Dos reis ao cativeiro 31

tomarmos cuidado com o coração e a mente, começamos a achar


que provavelmente fizemos uma coisa muito boa para que Deus aja
com tanta benevolência. Nesse momento, estamos diante de outra
estrada que conduz à escravidão: é a trilha do legalismo. Ezequias
acreditava estar bem com Deus por causa das coisas que havia feito.
Não é preciso muito esforço para imaginar que a pretensa justiça
de Ezequias não funcionaria bem e nem por muito tempo. Emissá-
rios enviados pela aparentemente insignificante cidade da Babilônia
foram a Jerusalém para congratular o rei pela restauração de sua saú-
de. Em um arroubo de arrogância e orgulho ridículo, Ezequias mos-
trou aos mensageiros todos os tesouros da cidade. A Babilônia seria
justamente a nação que levaria Judá ao cativeiro. Ezequias baixou a
guarda para conquistar a aprovação de pessoas sem Deus.
A vida de Ezequias serve como um grande alerta de que ninguém
está imune a agir de maneira tola por causa do orgulho. Podemos ter
medo de pedir a Deus todos os dias que nos mantenha humildes por-
que a humildade pressupõe o desconforto. Pode ser que tenhamos de
passar por algum tipo de constrangimento, ou mesmo enfrentar um
fracasso. Por que não temos um medo muito maior daquilo que o
orgulho pode fazer? O orgulho pode custar muito caro, e é possível
que as gerações seguintes sejam obrigadas a pagar o mesmo preço.
Há muitos anos, comecei a desenvolver todos os dias o hábito de
confessar o pecado do orgulho e de me arrepender, mesmo quando
não percebo nada que denuncie a sua presença. Pedia a Deus que
me mostrasse onde o orgulho estava se manifestando ou penetrando
de modo sorrateiro em minha vida. Deus me mostra, com muita
freqüência, pequenas sementes de orgulho que, se negligenciadas,
podem germinar e se tornar devastadoras. Permita-me compartilhar
um exemplo bem recente.
Não faz muito tempo, decidi comprar uma nova Bíblia. A que eu
usava antes parecia ter saído da máquina de lavar louça. Comentei

A oração que liberta - novo form31 31 18/11/2008 13:07:24


32 A oração que liberta

com meus colaboradores que manteria a nova Bíblia no trabalho


até me acostumar com ela, mas continuaria carregando a antiga nos
compromissos de palestras durante algum tempo. Conforme as pala-
vras saíam de minha boca, o Espírito Santo parecia suspirar em meu
ouvido: “Para mim, isso parece orgulho”. Ele estava certo. Eu não que-
ria ter de me esforçar para encontrar passagens bíblicas diante das
pessoas. Senti um frio no estômago. Exatamente naquele momento,
deixei de lado a minha Bíblia antiga. Desde então, mudei completa-
mente minha atitude.
Você já notou como os reis tementes a Deus costumavam lutar
com mais freqüência com questões relacionadas ao orgulho do que os
reis ímpios? Que possamos aprender a nos guardar das seduções da
escravidão. Orgulho, idolatria, incredulidade, legalismo, todas essas
coisas se revelarão obstáculos que também teremos de confrontar.

A oração que liberta - novo form32 32 18/11/2008 13:07:24


DOIS

O REINO DE CRISTO

O Espírito do Soberano, o Senhor, está sobre mim, porque o Senhor


ungiu-me para levar boas notícias aos pobres.
Isaías 61:1

C omeçamos nosso estudo conhecendo os reis que


governaram durante o tempo de vida de Isaías. Nos
capítulos 1 a 35, Isaías pregava sobre a rebelião do povo de Deus
e a ameaça dos assírios contra Judá e Jerusalém. A Assíria tomou
o reino do norte cativo em 722 a.C. Nos capítulos 36 a 39, Isaías
registrou a derrota da Assíria pelo reino do sul, quando o rei Eze-
quias reagiu prontamente ao ataque de Senaqueribe. Isaías também
registrou a doença de Ezequias, sua luta contra o orgulho e a futura
ascensão da Babilônia.
Aprendemos algo muito importante com os reis de Judá: nem
mesmo os melhores eram perfeitos. Nem mesmo os mais honrados
eram santos. Nem mesmo os mais humildes estavam imunes ao or-
gulho. Nenhum líder deste mundo está isento do risco de cometer
erros. Se desejamos que a liberdade em Cristo seja uma realidade
em nossa vida, teremos de aprender a andar na liberdade que o
Filho de Deus concede, independentes de qualquer outra pessoa
que conheçamos.

A oração que liberta - novo form33 33 18/11/2008 13:07:24


34 A oração que liberta

Precisamos de algo mais que um líder em nossa trilha rumo à


liberdade; necessitamos de um Salvador — alguém que preserve a
nossa salvação. Embora precisemos ser salvos da eterna separação de
Deus apenas uma vez, Cristo continua sua obra redentora pelo resto
de nossa vida. Se você for uma pessoa como eu, não terá dificuldade
para se lembrar de vários desastres potenciais dos quais Jesus livrou
a sua vida desde a sua experiência inicial de salvação.
A seqüência dos capítulos 40 a 66 dá início a um novo tema em
Isaías. O profeta se dirige a um tempo em que o cativeiro chega-
ria ao fim. Israel seria confrontada por Deus e teria seu propósi-
to inicial restaurado. Adoro a maneira como Deus marca o ponto
crítico do livro de Isaías, depois de denunciar os terríveis pecados
do povo e a respectiva punição. Isaías 40:1 expressa da seguinte
maneira esse tema: “Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus
de vocês”.
O versículo seguinte começa assim: “Encorajem a Jerusalém”
(v. 2). Ah, como sou grata ao Senhor pelas palavras de encora-
jamento que me dirigiu depois de me corrigir por causa de meu
pecado. Muitas delas vieram do livro de Isaías. Às vezes, tento
imaginar por que ele continua sendo tão fiel. Sim, ele é fiel quando
nos castiga; se não fosse assim, como poderíamos aprender em
nossos momentos de rebeldia? Mas Deus também é compassivo e
nos oferece seu conforto.
Deus escolheu o livro de Isaías, um autêntico tratado sobre es-
cravidão, para registrar algumas das profecias mais notáveis sobre
Cristo em todo o Antigo Testamento. Em um livro por intermé-
dio do qual o Senhor profetiza os horrores de um jugo estrangei-
ro, ele apresenta o Libertador. Em determinados casos, Deus se
vale de agentes humanos para cumprir temporariamente algumas
profecias que, em última instância, se cumprirão integralmente
em Cristo.

A oração que liberta - novo form34 34 18/11/2008 13:07:24


O reino de Cristo 35

Gostaria de pedir a você que dedicasse o melhor de sua atenção


ao texto de Isaías 61:1-4. Leia esses versículos em voz alta, se for
possível. Em seguida, quero que você veja vários pontos importantes
contidos nesse trecho maravilhoso das Escrituras.

1. Deus ouve o clamor dos oprimidos. Ele ouve até mes-


mo os clamores daqueles cuja opressão é resultado de pecado
e rebelião. Jamais devemos deixar de crer que Deus se impor-
ta com as pessoas que se encontram em prisões de ordem física,
emocional, mental ou espiritual. Deus apresenta Isaías 61:1-4
como uma resposta à escravidão que anteviu ao olhar para o reino
rebelde de Judá. Deus sempre se importa mais com a nossa li-
berdade do que nós mesmos. Ele deu início ao relacionamento
de salvação entre o povo e o Libertador. “De fato tenho visto a
opressão sobre o meu povo no Egito, tenho escutado o seu cla-
mor, por causa dos seus feitores, e sei quanto eles estão sofrendo”
(Êx 3:7). Deus está intimamente familiarizado com as tristezas
e os sofrimentos que a escravidão impõe. Ele também oferece
uma solução. O Senhor é aquele que supre as nossas necessidades.
Fossem os israelitas vítimas de seus capatazes, como no livro
de Êxodo, ou se tornassem escravos por causa da desobediência
e da idolatria, como em Isaías, o fato é que Deus planejava a li-
bertação de seu povo. Tão certo quanto o nascer do sol a cada
manhã, Deus continuará oferecendo libertação aos seus filhos.
Da mesma maneira que se aplicavam aos israelitas, as palavras liber-
tadoras de Deus em Isaías 61:1-4 se aplicam a nós. Elas continuarão
sendo aplicadas à medida que Deus olha a partir de seu santuário nas
alturas, observa a terra e ouve os gemidos dos prisioneiros.
2. Deus cumpre Isaías 61:1-4 apenas em Cristo. Em Lucas 4:14-21,
Jesus citou Isaías 61 como sua carta de referência pessoal. Pense em Cristo
como o cumprimento de Isaías 61:1-4. Tanto Isaías 61:1 quanto Lucas 4:14

A oração que liberta - novo form35 35 18/11/2008 13:07:24


36 A oração que liberta

nos falam que Cristo Jesus teria o poder do Espírito Santo. Veremos quão
importante é o papel do Espírito Santo na liberdade que Cristo conce-
de. O texto de 2Coríntios 3:17 se tornará uma verdade vital para nós.
Ele nos informa que “onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade”.
Cristo nos liberta pelo poder de seu Espírito Santo; a partir daí, ele
conserva a nossa liberdade à medida que vivemos, dia após dia, no
poder de seu Espírito livre. Isaías e Lucas concordam que apenas
Cristo foi designado para oferecer esse tipo de liberdade.
3. O ministério de Cristo é um ministério do coração. Você já re-
parou em todas as partes da descrição da tarefa de Jesus contidas em
Isaías 61:1-4? Cristo veio para “cuidar dos que estão com o coração que-
brantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos pri-
sioneiros [...] para consolar todos os que andam tristes, e dar a todos os
que choram em Sião uma bela coroa em vez de cinzas, o óleo da alegria
em vez de pranto, e um manto de louvor em vez de espírito deprimido”.
Baseado em 2Pedro 3:9, a principal prioridade de Cristo é libertar
os cativos da escravidão da destruição eterna; ainda assim, pessoas
salvas podem ser escravizadas (Gl 5:1). Quando penso em escra-
vidão, costumo imaginar jugos cuja origem está em algum tipo de
trauma ou abuso sofrido durante a juventude, pois o jugo impos-
to em minha infância foi a principal área de cativeiro que tive de
combater. Faço questão de ressaltar isso porque a maioria de nós,
sem se dar conta disso, limita a capacidade de perceber a escravidão
imposta por essas experiências pelas quais passamos ou às quais
testemunhamos.

Quando compreendi que Deus estava me convocando para es-


crever este estudo bíblico, pedi ao grupo de mulheres ao qual ensino
que ampliasse meu horizonte no que diz respeito às áreas de escravi-
dão enfrentadas pelos cristãos. Pedi a qualquer uma delas que já ti-
vesse sido libertada de algum tipo de escravidão que compartilhasse

A oração que liberta - novo form36 36 18/11/2008 13:07:24


O reino de Cristo 37

comigo duas informações por meio de carta: 1) a área específica de


cativeiro que teve de enfrentar e 2) as formas e os períodos de tempo
que Deus usou para libertá-las.
Não tenho certeza de que pudesse me preparar, de algum modo,
para as respostas que receberia. Embora eu preserve o anonima-
to das pessoas, é certo que você conhece mulheres exatamente como
elas. Trata-se de mulheres brilhantes, cristãs muito bem educadas.
Elas trabalham com muita dedicação e disciplina em suas respectivas
igrejas. São oriundas de todos os tipos de classes socioeconômicas.
Por medo de serem julgadas, muitas delas jamais contaram a nin-
guém — a não ser a algum conselheiro temente a Deus — as batalhas
que tiveram de enfrentar.
Ouvi testemunhos dolorosos de escravidão à luxúria e um padrão
caracterizado pelas quedas constantes por causa do pecado sexual.
Li, com lágrimas nos olhos, os relatos dando conta de lutas com a ho-
mossexualidade e o medo dos homens por causa de abusos sofridos
na infância. Algumas falam sobre uma incapacidade prévia de amar
as pessoas plenamente — incluindo o próprio marido e os filhos.
Uma delas me escreveu contando a respeito da vitória que Deus lhe
concedeu sobre uma compulsão ao roubo. Outra foi libertada do há-
bito da desonestidade.
Uma amiga da qual eu jamais suspeitaria me escreveu, relatan-
do como fora libertada da amargura desenvolvida durante a infân-
cia, quando foi vítima de abusos de ordem física. Meu coração ficou
apertado por causa de uma mulher que descreveu como sua profunda
insegurança havia lhe roubado as amizades, a disposição de trabalhar
na igreja e a realização no casamento. Ouvi muitos relatos de pessoas
que foram mantidas no cativeiro provocado pela tendência a criticar
e julgar os outros. Outras enfrentaram uma luta terrível contra uma
raiva em relação a Deus. Dúvida. Falta de motivação. Solidão. Uma
falta crônica de satisfação pessoal.

A oração que liberta - novo form37 37 18/11/2008 13:07:24


38 A oração que liberta

Por favor, tenha em mente que aquelas cartas me foram enviadas


apenas por pessoas que haviam descoberto a liberdade em Cristo.
Imagine quantas continuam lutando! Acredito firmemente que:

• Cristo veio para libertar os cativos, não importa que tipo de


fardo eles tenham de carregar.
• Ele veio para cuidar dos que estão com o coração quebranta-
do, não importa qual seja o motivo.
• Ele veio para abrir os olhos dos cegos, não importa o que te-
nha obstruído a visão deles.

A oração que liberta - novo form38 38 18/11/2008 13:07:24


PARTE II

BENEFÍCIOS E OBSTÁCULOS

V ocê viu como foi a atuação dos quatro reis que go-
vernaram durante o período de vida de Isaías, com-
parando-os com o reinado do Rei dos reis. Pode ser até que você
já tenha identificado os sintomas de escravidão em sua vida. Agora
estamos prontos para o momento mais importante de nossa jornada.
Nos capítulos a seguir, você ficará sabendo dos direitos que possui.
Deus deseja que a experiência cotidiana de todos os seus filhos seja
marcada por cinco benefícios. Não se trata de prêmios reservados
apenas a uma elite de poucos cristãos. Ele quer que você viva e respi-
re cada uma dessas bênçãos.
Considerando que muitos cristãos hoje em dia evidentemente
não gozam desses benefícios, também analisaremos os cinco princi-
pais obstáculos. Eles constituem impedimentos que nos incapacitam
de fazer valer os direitos que o Senhor concede a seus filhos.
Espero que você esteja trabalhando no sentido de guardar a pa-
lavra de Deus em seu coração. E, por serem os cinco benefícios tão
importantes para a nossa jornada, quero lhe pedir que comece deco-
rando todos eles também:

1. Conhecer Deus e crer nele.


2. Glorificar Deus.
3. Encontrar satisfação em Deus.

A oração que liberta - novo form39 39 18/11/2008 13:07:24


40 A oração que liberta

4. Experimentar a paz de Deus.


5. Sentir a presença de Deus.

Cinco obstáculos nos impedem de acessar os benefícios que Deus


tem para seus filhos:

1. Incredulidade, um obstáculo ao conhecimento de Deus.


2. Orgulho, que nos incapacita para glorificar Deus.
3. Idolatria, por causa da qual não conseguimos nos satisfazer
em Deus.
4. Falta de interesse na oração, que bloqueia a sensibilidade à
presença de Deus.
5. Legalismo, uma forma de impedir nossa alegria por causa da
presença de Deus.

O saldo desse nosso esforço por memorizar as Escrituras Sagradas


contidas neste livro será a fonte bíblica desses benefícios. O versículo
para o primeiro deles é Isaías 43:10. Copie e decore as palavras desse
versículo para conhecer o primeiro benefício: “‘Vocês são minhas
testemunhas’, declara o Senhor, ‘e meu servo, a quem escolhi, para
que vocês saibam e creiam em mim e entendam que eu sou Deus’”.
Continue se esforçando para memorizar a passagem bíblica que
nos serve como tema: Isaías 61:1-4. Não se deixe levar pela falta de
motivação. Esse trabalho de decorar as Escrituras se tornará mais
fácil com o tempo. Você já começou bem.

A oração que liberta - novo form40 40 18/11/2008 13:07:24


TRÊS

CONHECER DEUS E CRER NELE

Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e


olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles
que nele esperam.
Isaías 64:4

A doro a citação a Isaías 64:4 que o apóstolo Paulo


faz em 1Coríntios 2:9: “Olho nenhum viu, ouvido
nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou
para aqueles que o amam”. Você reparou no comentário adicional
que Paulo faz à descrição de Isaías das coisas que Deus preparou
para nós?
Deus quer realizar na vida de seus filhos algo que a nossa men-
te jamais conseguiu conceber. No entanto, assim como os filhos de
Israel foram levados cativos pela Babilônia, há áreas de escravidão
que podem nos impedir de vivenciar a realidade de Isaías 64:4 e
1Coríntios 2:9.
Pare por alguns momentos e releia a definição de cativeiro que
apresentei antes: um cristão é cativo de qualquer coisa que sirva de im-
pedimento para a vida abundante, eficaz e cheia do Espírito Santo que
Deus planejou para ele. Uma das maneiras mais eficazes de detectar
uma área de escravidão é medir se estamos aproveitando ou não os
benefícios que Deus planeja para cada um de seus filhos. Nas páginas

A oração que liberta - novo form41 41 18/11/2008 13:07:24


42 A oração que liberta

a seguir, quero lhe apresentar cinco benefícios importantes de nosso


relacionamento com Deus. Procuraremos conhecer cada um deles
intimamente. Em seguida, vamos usá-los como ferramentas de ava-
liação para determinar o que o Senhor deseja fazer em nossa vida
para nos capacitar a sentir a verdadeira liberdade em Cristo.
Permita-me fazer uma pergunta: você pode dizer que está se va-
lendo dos benefícios de seu relacionamento de aliança com Deus por
intermédio de Jesus Cristo ou acredita que os benefícios sobre os
quais lê nas Escrituras estão mais para pensamentos confortáveis e
vagos do que para realidade?
Assim como os israelitas estavam em escravidão, um jugo es-
trangeiro pode estar impedindo você de perceber os cinco princi-
pais benefícios que Deus planejou para seus filhos. A ausência de
algum deles é um sinal muito claro de escravidão. De acordo com
o livro de Isaías, Deus, em sua graça, estendeu esses cinco a seus
filhos.

1. Conhecer Deus e crer nele.


2. Glorificar Deus.
3. Encontrar satisfação em Deus.
4. Experimentar a paz de Deus.
5. Sentir a presença de Deus.

Esses cinco benefícios e as respectivas referências nas Escrituras


servirão como um mapa que guiará você de volta ao lar toda vez que
se envolver em algum tipo de cativeiro. Vamos começar com uma
análise geral do primeiro benefício; em seguida, examinaremos cada
uma das outras quatro.
Leia as palavras maravilhosas de Isaías 43:10: “‘Vocês são minhas
testemunhas’, declara o Senhor, ‘e meu servo, a quem escolhi, para
que vocês saibam e creiam em mim e entendam que eu sou Deus’”.

A oração que liberta - novo form42 42 18/11/2008 13:07:24


Conhecer Deus e crer nele 43

Você percebeu por que fomos “escolhidos”? Deus nos escolheu de


maneira específica, de modo que pudéssemos conhecê-lo, crer nele
e entender quem ele é.
Em Isaías 43:10, a palavra em hebraico para “saber” ou “conhe-
cer” é yadha. Esse antigo termo sugeria um nível pessoal de fami-
liaridade, e costumava ser usado para descrever o relacionamento
íntimo entre o marido e a esposa. Um de seus principais propósitos
neste planeta é conhecer a Deus intimamente e com familiaridade
reverente. Esse relacionamento íntimo dá início (e não foi projeta-
do para acabar) àquilo que chamamos de “experiência de salvação”.
Assim sendo, a primeira pergunta que se deve fazer é: “Será que já
recebi Jesus como meu Salvador pessoal?”.
Se isso ainda não aconteceu com você, não consigo imaginar um
momento mais adequado do que agora para proceder desse modo,
pois Cristo é a única maneira de entrar na trilha da liberdade. João 8:36
expressa essa verdade de forma bem simples: “Portanto, se o Filho os
libertar, vocês de fato serão livres”.
Um dos mais belos componentes da salvação é sua simplicidade.
Cristo já cuidou de tudo na cruz. A reação das pessoas a isso deve
comportar quatro elementos:

1. Reconhecer que somos pecadores e que não podemos nos


salvar por conta própria.
2. Reconhecer que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que apenas
ele pode nos salvar.
3. Crer que a crucificação foi resultado de nossos pecados pes-
soais e que Cristo morreu em nosso lugar.
4. Entregar a ele a nossa vida e pedir que se torne o nosso
Salvador e Senhor.

Se você já conhece Cristo, como classifica o seu relacionamento


com ele? Distante? Próximo e pessoal? Ou fica no meio-termo? Se

A oração que liberta - novo form43 43 18/11/2008 13:07:25


44 A oração que liberta

você desfruta de um relacionamento íntimo com Deus, este estudo será


uma oportunidade de aprofundá-lo ainda mais. Desejo, do fundo
do coração, que você seja capaz de dizer, depois de virar a última
página deste livro: “E eu achava que conhecia e amava Deus quando
comecei a leitura...”. Se você ainda não mantém um relacionamento
íntimo e familiar com Deus, não se desespere! Teremos muitas opor-
tunidades preciosas de sintonizar o nosso coração com o do Senhor.
Isaías 43:10 nos diz que Deus não apenas deseja que o conhe-
çamos, também espera que creiamos nele! A palavra em hebraico
para “crer”, nesse versículo, é aman, que significa “manter a firmeza”,
“persistir”, “confiar”.
O nível de confiança que temos em Deus é um assunto de grande
importância para todo cristão. Muitas variáveis em nossa vida afe-
tam a disposição que demonstramos de confiar em Deus. Um cora-
ção ferido e nunca curado nos incapacita de maneira terrível quando
somos desafiados a colocar a confiança em prática. Confiar em um
Deus invisível não é algo que surge de modo natural na vida de al-
guém. Um relacionamento de confiança só pode crescer quando essa
pessoa dá um passo de fé e faz essa opção. A capacidade de crer em
Deus costuma se desenvolver por meio da mais pura experiência. “Vi
como Deus foi fiel ontem. Ele não deixará de ser fiel hoje.”
Conforme caminhamos lado a lado neste estudo bíblico, gostaria
de pedir a você que avaliasse como poderia ser classificado o seu nível
de confiança neste momento. Vamos analisar que tipos de experiência
têm exercido um impacto na confiança que você deposita em Deus.
Gostaria de incentivar você a copiar em um cartão e memorizar a
definição de escravidão com a qual estamos trabalhando: um cristão
é cativo de qualquer coisa que sirva de impedimento para a vida abun-
dante, eficaz e cheia do Espírito Santo que Deus planejou para ele.
Sou imensamente grata por sua disposição de me acompanhar
nessa trilha rumo à liberdade. Estou orando por você à medida que
lê este estudo e participa dele.

A oração que liberta - novo form44 44 18/11/2008 13:07:25


Q U AT R O

GLORIFICAR DEUS

... todo o que é chamado pelo meu nome, a quem criei para a minha
glória, a quem formei e fiz.
Isaías 43:7

U m de nossos objetivos em A oração que liberta é


identificar os obstáculos pessoais que nos impedem
de ter acesso à vida abundante. Vimos que a ausência dos benefí-
cios que Deus deseja nos proporcionar pode indicar uma área de
escravidão. Eu gostaria de encorajar não apenas a leitura deste livro.
Quero incentivar você a se juntar a um grupo de cristãos que tam-
bém deseje fazer este estudo. Faça da memorização parte integrante
de seu estudo bíblico. Copie e decore os dez versículos, a definição
com que estamos trabalhando para “cativeiro” (ou “escravidão”) e os
cinco benefícios. Minha oração é para que você receba uma liberta-
ção gloriosa que lhe permita buscar Deus e confiar nele logo depois
de terminar de ler a última página. Por enquanto, vamos analisar o
benefício número 2: glorificar Deus.
Ao ler Isaías 43:7, o que você acha que Deus quer dizer quando
se refere à própria glória? Quanto mais procuro estudar a glória de
Deus, mais me convenço de que é algo quase indefinível. Vamos
dar uma olhada em várias passagens das Escrituras e aprender os

A oração que liberta - novo form45 45 18/11/2008 13:07:25


46 A oração que liberta

significados em hebraico e grego. No entanto, não deixe de ter em


mente que a glória de Deus ultrapassa, e muito, tudo o que podemos
compreender. Ela é tudo quanto estamos prestes a conhecer e infini-
tamente mais.
Em primeiro lugar, vemos que a glória de Deus sempre produz
um impacto. Em Isaías 6:3, os serafins na sala do trono de Deus pro-
clamam um ao outro: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos,
a terra inteira está cheia da sua glória”. Quando Moisés e Arão esti-
veram frente a frente com a glória de Deus, eles se prostraram com o
rosto no chão (cf. Nm 20:6). Em 2Crônicas 5:14, “os sacerdotes não
podiam desempenhar o seu serviço, pois a glória do Senhor encheu
o templo de Deus”. Quando a glória de Deus se revela, é impossível
prosseguir com qualquer tipo de rotina.
Você também percebe que Deus se faz conhecido por meio de sua
glória? O salmo 19:1 afirma: “Os céus declaram a glória de Deus; o
firmamento proclama a obra das suas mãos”. Salmos 29:9 demonstra o
poder da auto-revelação do Senhor: “A voz do Senhor retorce os car-
valhos e despe as florestas. E no seu templo todos clamam: ‘Glória!’”.
A glória de Deus não apenas reflete o Senhor, ela também faz
parte de quem Deus é! Em todas essas referências do Antigo Testa-
mento, a palavra em hebraico para “glória” é kavodh, que significa
“peso”, “honra”, “estima”. A palavra kavodh provém de outro termo
hebraico que nos auxilia bastante na compreensão. A palavra kavedh
quer dizer “ser reconhecido”, “demonstrar grandeza ou poder pró-
prios”. Ou seja, a glória de Deus é a maneira pela qual o Senhor se faz
conhecido ou demonstra como é poderoso. Deus deseja se revelar
aos seres humanos. Todas as formas pelas quais ele realiza essa tarefa
divina constituem sua glória. A glória de Deus é a maneira segundo
a qual ele demonstra quem é.
Analise o emprego da palavra “glória” nas passagens bíblicas do
Novo Testamento a seguir e observe quanto elas contribuem para a

A oração que liberta - novo form46 46 18/11/2008 13:07:25


Glorificar Deus 47

nossa compreensão. O apóstolo João nos diz que Cristo demonstra a


glória de Deus: “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu en-
tre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai,
cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14); “Este sinal miraculoso, em
Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a
sua glória, e os seus discípulos creram nele” (Jo 2:11).
O livro de Hebreus declara o mesmo conceito na forma de uma
verdade propositiva: “O Filho é o resplendor da glória de Deus e a
expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua pala-
vra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele
se assentou à direita da Majestade nas alturas...” (Hb 1:3). Cristo é a
própria expressão da glória de Deus.
Pedro transmite a mesma idéia com um pouco mais de aplicação
prática em nossa vida: “Seu divino poder nos deu tudo de que ne-
cessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conheci-
mento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude”
(2Pe 1:3). Cristo não só é a representação da glória de Deus, como
sua glória também supre as nossas necessidades.
A palavra em grego para “glória”, nesses textos do Novo Testa-
mento, é doxa. Trata-se da “verdadeira compreensão de Deus ou
das coisas. A glória de Deus deve necessariamente traduzir sua es-
sência imutável. Dar glória a Deus é atribuir a ele o reconhecimen-
to pleno que lhe é devido [...] A glória de Deus é o que o próprio
Deus é, em essência”. A glória de Deus é a maneira como ele se faz
reconhecer.
Dê uma olhada em Isaías 43:7 mais uma vez: “... todo o que é
chamado pelo meu nome, a quem criei para a minha glória, a quem
formei e fiz”. Tomando por base o que aprendemos nos textos bíbli-
cos que lemos e nas definições com as quais trabalhamos até agora,
creio que ser criado para a glória de Deus pressupõe duas verdades
maravilhosas para aqueles que são chamados pelo nome do Senhor:

A oração que liberta - novo form47 47 18/11/2008 13:07:25


48 A oração que liberta

1. Deus quer que o reconheçamos.


2. Deus quer se fazer reconhecer por nosso intermédio.

O texto de 1Coríntios 10:31 declara: “Assim, quer vocês comam,


bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de
Deus”. O Senhor deseja ser reconhecido por meio de nós em todas as
coisas que fazemos! Viver uma vida que glorifica Deus é sinônimo de
viver uma vida que revela o Senhor.
Se você é uma pessoa como eu, é provável que se sinta intimidada
diante da imensa responsabilidade desse chamado. Somos criaturas
imperfeitas! Como seria possível ajudarmos outras pessoas a reco-
nhecer alguma coisa em relação a Deus ao olhar para nossa vida e
nos conhecer? Considere outra parte da definição de doxa que tem
relação direta com a aplicação do termo aos seres humanos: “A gló-
ria das coisas criadas, inclusive o ser humano, foi determinada por
Deus, embora ainda tenha alcançado a perfeição”.
Perfeição ainda não alcançada... a intenção de Deus era que de-
monstrássemos a glória divina, mas “todos pecaram e estão destituí-
dos da glória de Deus...” (Rm 3:23). Todas as pessoas ficaram aquém
das expectativas, erraram o alvo, pecaram; mas qualquer um que co-
nhece nosso Deus sabe que ele é persistente demais para se deixar
frustrar por causa de nosso pecado. Paulo afirma que “quis Deus dar
a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é
Cristo em vocês, a esperança da glória” (Cl 1:27).
O apóstolo Paulo anunciou o mistério de que o próprio Cristo
habita na vida de todos os cristãos. Cristo em nós! Romanos 8:9 nos
diz: “... vocês não estão sob o domínio da carne, mas do Espírito, se
de fato o Espírito de Deus habita em vocês”. Em outras palavras, a
partir do momento que uma pessoa recebeu Cristo como Salvador, o
Espírito Santo de Cristo passa a habitar no interior dela.
Consegue ver o significado disso? Não temos nenhuma esperan-
ça de que Deus seja reconhecido em nossa vida se o Espírito de Cristo

A oração que liberta - novo form48 48 18/11/2008 13:07:25


Glorificar Deus 49

não habitar em nós. Se o nosso ser não for ocupado pelo Espírito
Santo, não teremos nada do Senhor em nós para ser demonstrado. A
única “esperança de glória” de um ser humano é Cristo.
Glorificamos Deus à medida que manifestamos externamente a
presença do Cristo vivo em nosso ser interior. Uma vida que glorifi-
ca Deus não é algo que se alcança de uma hora para outra. Confor-
me passamos mais tempo na presença de Deus, a glória do Senhor
nos transforma e, ao mesmo tempo, é irradiada por intermédio de
nossa vida.
Paulo usou o exemplo do encontro de Moisés com Deus para
ilustrar essa verdade prática. Quando Moisés esteve na presença do
Senhor, seu rosto brilhou com a glória divina de tal maneira que pre-
cisou cobri-lo com um véu (cf. Êx 34:33). Paulo escreveu o seguinte
a respeito dos cristãos: “E todos nós, que com a face descoberta con-
templamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo
transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que
é o Espírito” (2Co 3:18).
Espero que você não tenha deixado de compreender o fato de que
“estamos sendo transformados com glória cada vez maior” na ima-
gem de Cristo. Adoro as palavras empregadas na versão da Almeida
revista e atualizada: “... de glória em glória...”! Veja bem, as pessoas
que colocam em prática a realidade de sua liberdade em Cristo
(cf. Gl 5:1; 2Co 3:17) progridem na vida espiritual “com glória cada
vez maior”. Conforme desenvolvem sua maturidade espiritual, fica
cada vez mais fácil reconhecer o Espírito de Cristo nelas. Da mes-
ma maneira, quando não é possível reconhecer Cristo na vida de
uma pessoa redimida, é preciso identificar tal escravidão e permitir
que Deus trate essa área.
Fomos criados com o propósito de fornecer aos outros um pe-
queno vislumbre do caráter invisível de Cristo. Se conseguíssemos
captar todas as implicações eternas de tal destino, nosso desejo se-
ria fazer tudo quanto nos fosse possível para garantir a remoção de

A oração que liberta - novo form49 49 18/11/2008 13:07:25


50 A oração que liberta

todos os obstáculos. Lembra da definição de doxa relativa aos seres


humanos? “A glória das coisas criadas, inclusive o ser humano, foi
determinada por Deus”. Agora, reflita mais uma vez nas palavras de
Isaías 43:7: “... todo o que é chamado pelo meu nome [...] criei para
a minha glória...” Permita-me fazer uma tentativa de sintetizar esse
conceito:

• Fomos criados para a glória de Deus.


• Não temos esperança de refletir a glória de Deus se o Espírito de
Cristo — que nos garante a salvação — não habitar em nós.
• Cumprimos aquilo para o que fomos criados quando Deus
pode ser reconhecido em nossa vida.
• Viver uma vida na qual Deus pode ser glorificado e reconhe-
cido é um processo que se desenvolve gradativamente, confor-
me amadurecemos.

Você pode estar se perguntando de que modo uma pessoa seria


capaz de reconhecer se glorifica Deus ou não em sua vida. Gostaria
de lhe pedir que refletisse a respeito dos textos bíblicos e das decla-
rações a seguir. Elas me ajudam a determinar se o benefício número
2 é uma realidade em minha vida. Por favor, não desanime se achar
que ainda não está vivendo uma vida que glorifica Deus! Ele nunca
enfatiza nossas fraquezas ou faltas com o objetivo de nos condenar
(cf. Rm 8:1). Deus nos alerta sobre os obstáculos no caminho para
nos livrar deles!
Aqui está meu checklist pessoal, com passagens bíblicas e avalia-
ções. Procuro aplicá-lo em minha vida com regularidade:

• Quando me dedico a alguma tarefa ou determinado empreen-


dimento, será que minha maior preocupação é glorificar Deus
naquilo? (1Co 10:31).

A oração que liberta - novo form50 50 18/11/2008 13:07:25


Glorificar Deus 51

• Desejo a glória de Deus ou minha glória pessoal? (Jo 8:50,54).


• Ao servir os outros, tenho a esperança sincera de que eles
vejam Deus refletido em minha vida, de alguma maneira?
(1Pe 4:10-11).
• Quando enfrento momentos de dificuldade, busco a Deus e
tento colaborar com ele de modo que o Senhor possa se valer
dessas provações para promover o meu bem e a glória dele?
(1Pe 4:12-13).
• Será que, de vez em quando, sou capaz de realizar determina-
das coisas ou resistir a outras apenas na dependência do poder
de Deus? (2Co 4:7).

Não se preocupe! Ninguém glorifica Deus o tempo todo em tudo


o que diz e faz, mas podemos passar por uma experiência genuína
de libertação em Cristo. Deus quer realizar mais do que jamais vi-
mos, ouvimos ou imaginamos em nossa vida (cf. 1Co 2:9). De vez
em quando, Deus nos protege do pecado do orgulho ao evitar, de
um modo ou de outro, que tenhamos alguma idéia de quanto es-
tamos sendo eficazes na tarefa de glorificá-lo. No entanto, quando
somos capazes de responder a essas perguntas de maneira afirmati-
va, com um “sim” ou um “estou fazendo progresso”, Deus está sendo
glorificado! Apenas procure se certificar de que a glória seja toda
do Senhor!
Este capítulo pode ter sido particularmente difícil para você. Tal-
vez tenha se sentido como se tivesse um longo caminho a percorrer
antes de cumprir o propósito divino. Em vez disso, espero que você
seja capaz de ver o potencial magnífico planejado por Deus para a sua
vida. Por outro lado, é possível que você seja capaz de festejar alguns
progressos em sua busca por uma vida na qual Deus é glorificado.
Não importa o que o Senhor lhe tenha mostrado, aprecie as palavras
maravilhosas dirigidas por Cristo a você. Do alto da cruz, ele disse:

A oração que liberta - novo form51 51 18/11/2008 13:07:25


52 A oração que liberta

“Eu rogo por eles. Não estou rogando pelo mundo, mas por aqueles
que me deste, pois são teus. Tudo o que tenho é teu, e tudo o que tens é
meu. E eu tenho sido glorificado por meio deles” (Jo 17:9-10).
Nesse contexto, Cristo usou a palavra “glória” para indicar a pros-
peridade e a riqueza que ele havia recebido. Não importa em qual
ponto da jornada você se encontre rumo a uma vida de liberdade
que glorifique a Cristo, você é o tesouro de Deus. Ele não deseja tirar
nada de você; pelo contrário, deseja lhe oferecer essa liberdade, reti-
rando todos os obstáculos do caminho.
Por favor, feche a leitura deste capítulo com um período de ora-
ção por uma vida que glorifique Deus. Compartilhe com ele sua
reação sincera diante das coisas que leu até agora.

A oração que liberta - novo form52 52 18/11/2008 13:07:25


CINCO

ENCONTRAR SATISFAÇÃO EM DEUS

E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.


João 8:32

C risto usa com freqüência a verdade contida no texto


de João 8:32 como o recurso que nos leva ao nosso
destino. A verdade divina não apenas é uma necessidade absoluta
em nosso progresso rumo à liberdade completa, como nossa capa-
cidade de ser autênticos também é primordial. Salmos 51:6 diz que
Deus deseja “a verdade no íntimo”. Uma combinação de dois veículos
— a verdade de Deus e nossa autenticidade — poderá nos conduzir
ao destino desejado.
Falo a respeito da importância da honestidade porque posso estar
prestes a ser mais sincera do que algumas pessoas são capazes de
suportar. Peço que me ouça e pense a respeito do que tenho a dizer:
muitos cristãos não estão satisfeitos com Jesus. Antes de me chamar
de herege, permita-me deixar uma coisa bem esclarecida: Jesus satis-
faz plenamente. Na verdade, ele é o único meio pelo qual qualquer
criatura mortal pode encontrar a verdadeira satisfação. No entanto,
acredito que uma pessoa pode receber Cristo como seu Salvador, ser-
vi-lo durante décadas e encontrá-lo face a face na glória sem jamais

A oração que liberta - novo form53 53 18/11/2008 13:07:25


54 A oração que liberta

sentir satisfação nele. Se você, de fato, já descobriu satisfação genuí-


na em Jesus, devo presumir que, como eu, é uma pessoa tão preocu-
pada em levar outras a ter a mesma experiência que participará com
prazer desta parte de nosso estudo bíblico.
A Bíblia usa a palavra “alma” de várias maneiras. Uma delas é
quando se refere à parte imaterial do ser humano. Quando falo de
fome da alma, estou me referindo à nossa necessidade de satisfação
espiritual. Será que a sua alma, o seu espírito, o seu interior — seu
verdadeiro “eu” — está totalmente satisfeito com Cristo? Conforme
você medita na resposta a essa pergunta, vamos analisar o significado
bíblico de “satisfação” em várias passagens do Antigo Testamento.
Isaías registrou um convite clássico e cheio de poesia por parte
de Deus:

Venham, todos vocês que estão com sede, venham às águas; e vo-
cês que não possuem dinheiro algum, venham, comprem e comam!
Venham, comprem vinho e leite sem dinheiro e sem custo. Por que
gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naqui-
lo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e
a alma de vocês se deliciará com a mais fina refeição.
Isaías 55:1-2

O profeta contrasta a tentativa humana de encontrar satisfação


com aquilo que Deus provê. A palavra em hebraico para “satisfazer”
é sob’ah, que quer dizer “ter o bastante”, “estar pleno”, “ter o suficien-
te” (Strong’s). Com efeito, Deus pergunta: “Por que vocês trabalham
tanto por coisas que nunca são suficientes, que não podem satisfazê-
los e jamais os completam?”.
Você consegue se lembrar de alguma coisa pela qual tenha tra-
balhado tanto, mas que, no fim das contas, não foi suficiente para
proporcionar a satisfação que imaginava? Todo mundo já passou por
esse tipo de decepção na vida.

A oração que liberta - novo form54 54 18/11/2008 13:07:25


Encontrar satisfação em Deus 55

Jeremias 31 contém outra referência intrigante à questão da sa-


tisfação pessoal. Deus afirmou que restauraria o exausto e saciaria
o enfraquecido quando levasse seu povo de volta para casa, depois
do cativeiro (Jr 31:23-25). Em Jeremias 31:25, a palavra em hebraico
para “saciar” é male, que significa “preencher”, “realizar”, “o preen-
chimento de alguma coisa que estava vazia”, “o ato de reabastecer,
assim como a sensação de saciedade”. A palavra usada para “enfra-
quecido” é da’ab, que quer dizer “definhar” (Strong’s). Você percebe a
relação entre a escravidão e a falta de satisfação em Cristo? Podemos
ser conduzidos com facilidade ao cativeiro se procurarmos em ou-
tros lugares as respostas às nossas necessidades e aos nossos desejos
que só Deus pode fornecer. É possível que todos nós tenhamos pas-
sado pela experiência de sentir um vazio por dentro que tentamos
ignorar com todas as forças ou preencher com alguma outra coisa
senão o Senhor.
Uma parte crucial nesse processo de libertação em Cristo é per-
mitir que ele preencha os espaços vazios de nossa vida. A satisfação
em Cristo pode se tornar uma realidade. Sei disso por experiência
própria, e desejo que todos saibam como Jesus pode fazer de nós
pessoas plenas, completas. Não estou falando sobre uma vida cheia
de atividades, e sim sobre uma alma plena de Cristo.
Esse preenchimento que só Jesus pode proporcionar não acom-
panha automaticamente a nossa salvação. Eu estava no início da casa
dos trinta anos quando compreendi a enorme diferença entre a salva-
ção do pecado e a satisfação da alma. A salvação garante eternidade à
nossa vida; a satisfação da alma garante vida abundante na terra.
Podemos aprender muitas verdades a respeito da satisfação da
alma se traçarmos um paralelo entre a alma e o corpo físico. Sei que
isso pode parecer um pouco simplista, mas peço que acompanhe o
meu raciocínio por um momento. Como uma pessoa sabe que está
com fome? E quando está com sede? O que ela costuma fazer quando

A oração que liberta - novo form55 55 18/11/2008 13:07:25


56 A oração que liberta

sente fome ou sede? Ela busca aquilo que pode satisfazer a sua neces-
sidade. Se você ignorar suas necessidades físicas por muito tempo,
não só se sentirá muito mal, mas também ficará doente. É fácil reco-
nhecer os sinais do corpo, mas a maior sabedoria está em aprender a
discernir os sinais de nossa natureza espiritual.
O salmo 63 oferece percepções da alma satisfeita. Veja as descri-
ções que Davi faz a respeito desse assunto: “A minha alma tem sede
de ti! Todo o meu ser anseia por ti, numa terra seca, exausta e sem
água” (v. 1); “O teu amor é melhor do que a vida! Por isso os meus
lábios te exaltarão” (v. 3); “A minha alma ficará satisfeita como quan-
do tem rico banquete” (v. 5). O sintoma mais evidente de uma alma
que necessita da satisfação divina é a sensação de vazio por dentro
— a noção do “espaço vazio” em algum lugar no fundo da alma; a
incapacidade de se sentir satisfeito.
A alma também pode manifestar sintomas físicos de necessi-
dade. Gosto de pensar nisso da seguinte maneira: assim como meu
estômago ronca quando estou com fome e preciso de alimento ma-
terial, meu espírito tende a roncar quando necessito de alimento
espiritual. Quando uma balconista do mercado parece muito irrita-
da ou de mau humor, às vezes sorrio e penso: “Aposto que os filhos
dela acordaram antes que ela tivesse a oportunidade de ficar a sós
com Deus!”. Posso dizer a você, com toda a certeza, que meu humor
fica muito diferente quando não disponho do tempo de que neces-
sito para falar com o Senhor. Minha alma pode ficar roncando com
muita intensidade!
E quanto a você? Será que a sua alma faminta também manifesta
sintomas físicos, como irritabilidade, ambições egoístas, raiva, pen-
samentos impuros, inveja, ressentimentos e arroubos de luxúria?
Aqui está uma analogia semelhante. Quando uma alma tem
sede da Água Viva (Jo 4), do mesmo modo que minha boca fica
seca quando sinto sede física, meu espírito fica ressecado quando

A oração que liberta - novo form56 56 18/11/2008 13:07:25


Encontrar satisfação em Deus 57

tenho necessidade da restauração e da satisfação que só Deus pode


oferecer. As passagens bíblicas a seguir dão exemplos de alguns sin-
tomas de uma alma cheia da Água Viva de Deus.

Do teu louvor transborda a minha boca, que o tempo todo proclama


o teu esplendor.
Salmos 71:8

A minha língua cantará a tua palavra, pois todos os teus mandamen-


tos são justos.
Salmos 119:172

O Soberano, o Senhor, deu-me uma língua instruída, para conhe-


cer a palavra que sustém o exausto.
Isaías 50:4

O ponto ao qual quero chegar é muito importante. Podemos pre-


sumir, sem medo de errar, que nossa alma está faminta e sedenta de
Deus se não tivermos consumido nenhum alimento espiritual por
um período muito longo. Almas acostumadas a ser alimentadas com
regularidade estão mais propensas a desenvolver um apetite maior.
Em Salmos 63, Davi estava acostumado a contemplar o poder e a
glória de Deus. Ele estava de tal maneira familiarizado com o amor
do Senhor que o considerava “melhor do que a vida” (v. 3). Por essa
razão, sentia falta do refrigério divino quando não dispunha dele.
Acho que temos a mesma tendência. Quanto mais o amor, a Pala-
vra e a presença de Deus nos satisfazem, mais ansiamos por eles. Por
outro lado, podemos passar tanto tempo distantes do Senhor que
chegamos a ponto de não mais nos sentirmos famintos ou sedentos.
Sei, por experiência pessoal, que se você deixar, por algum tempo,
de comer e beber o alimento e a água espirituais que Deus oferece

A oração que liberta - novo form57 57 18/11/2008 13:07:26


58 A oração que liberta

sentirá fome e sede da satisfação que ele proporciona, ainda que nem
se dê conta disso!
Deus pode satisfazer o anelo de sua alma. Satisfazer suas necessi-
dades mais profundas com Jesus é um benefício do relacionamento
glorioso de aliança que temos com Deus em Cristo. Abra a porta; ele
está esperando para satisfazer sua alma faminta.

A oração que liberta - novo form58 58 18/11/2008 13:07:26


SEIS

EXPERIMENTAR A PAZ DE DEUS

O próprio Senhor da paz lhes dê a paz em todo o tempo e de todas as


formas. O Senhor seja com todos vocês.
2Tessalonicenses 3:16

N ão corro nenhum risco de exagerar ao falar a respei-


to da importância da paz como um benefício real
e prático de nosso relacionamento de aliança com Deus. A paz do
Senhor não deveria ser uma surpresa rara, e sim um acontecimento
regular em nossa vida.
O apóstolo Paulo enfatizou a natureza essencial da paz em 2Tes-
salonicenses 3:16. Percebe como ele considerou fundamental a ques-
tão da paz? “... todo o tempo [...] de todas as formas”. A paz é possível
em qualquer situação, mas não pode ser produzida por demanda. Na
verdade, nós somos absolutamente incapazes de produzi-la. Trata-se
de um fruto do Espírito (Gl 5:22).
Temos a paz de Cristo. Ela já nos foi concedida, se recebemos a
Cristo como Salvador. O que nos falta é aprender como colocá-la em
ação o tempo todo. Estamos bem perto de descobrir a chave para
viver a realidade prática da paz de Deus. Assim, ao longo de toda a
nossa jornada, trabalharemos no sentido de conquistar maior liber-
dade para ativar essa chave.

A oração que liberta - novo form59 59 18/11/2008 13:07:26


60 A oração que liberta

Isaías usa a palavra “paz” 22 vezes. Deus prometia paz toda vez
que seu povo saía do cativeiro e se voltava ao Senhor com sinceri-
dade. Uma passagem de caráter messiânico, contida em Isaías 9:6,
relaciona a paz com Cristo, ao qual se refere como sendo o “Príncipe
da Paz”. O versículo seguinte liga o Príncipe da Paz ao seu reino:
“Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de
Davi e sobre o seu reino” (v. 7). Muitas pessoas decoram as palavras
de Isaías 26:3: “Tu, Senhor, guardarás em perfeita paz aquele cujo
propósito está firme, porque em ti confia”.
Isaías 32:17 identifica ainda outro aspecto da paz de Deus: “O fru-
to da justiça será paz; o resultado da justiça será tranqüilidade e con-
fiança para sempre”. E quem pode pensar na questão da paz no livro
de Isaías sem se lembrar da impressionante profecia relacionada ao
sofrimento de Cristo em nosso lugar? “Mas ele foi transpassado por
causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas ini-
qüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele...” (Is 53:5).
Você conseguiu perceber as pistas que apontam para um denomi-
nador comum entre muitas dessas passagens bíblicas que acabamos
de ver? Isaías 9:6-7 retrata com perfeição o segredo para a paz: auto-
ridade. Quando permitimos que o Príncipe da Paz governe a nossa
vida, a paz é o resultado imediato ou, pelo menos, definitivo. Ela
acompanha a autoridade.
Você já passou pela experiência de se render a Cristo em momen-
tos de grande dificuldade e descobrir como a paz que ele concede ul-
trapassa a nossa compreensão? Também é capaz de dizer que teve a
sensação de falta de paz em circunstâncias muito menos complicadas?
Já parou para pensar qual era a diferença entre as duas situações?
A paz acontece em situações nas quais há completa rendição à
autoridade soberana de Cristo. Às vezes, quando finalmente desisti-
mos de tentar descobrir todas as respostas às dúvidas de nossa vida
e decidimos confiar em um Deus soberano, uma paz inesperada

A oração que liberta - novo form60 60 18/11/2008 13:07:26


Experimentar a paz de Deus 61

lava a nossa alma, tal como uma chuva de verão. Às vezes, perde-
mos a paz em circunstâncias bem menos estressantes porque não
demonstramos um desejo forte de entregar essas situações nas mãos
de Deus.
Eu tive de submeter algumas das mágoas de minha infância à au-
toridade soberana de Deus porque percebi que elas me consumiriam
como se fosse um câncer. Quando, por fim, permiti ao Senhor que
governasse tudo quanto dizia respeito ao meu passado, o Príncipe
não só me concedeu sua paz, como também promoveu o bem a par-
tir de algo tão horrível e injusto. Se você ainda não dobrou os joelhos
diante da autoridade do Senhor no que se refere a determinadas áreas
de seu passado, então ainda permanece sob escravidão.
Cristo deseja muito que seu povo sinta a paz que ele proporciona.
A palavra em grego klaio é a mais forte usada no Novo Testamento
para “tristeza”. Significa “‘chorar’, ‘lamuriar’, ‘lamentar’, dando a idéia
não apenas de derramamento de lágrimas, mas também de toda ex-
pressão externa de pesar”. Cristo chorou em várias ocasiões, mas em
apenas uma delas sua tristeza é descrita com a utilização da palavra
klaio. Essa passagem se encontra em Lucas 19:41-42. Conforme Jesus
se aproximava da cidade de Jerusalém, ele chorou sobre ela e afir-
mou: “Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que
traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos”.
Acredito que Cristo ainda chora quando vê algum coração pas-
sando por sofrimentos desnecessários. Você, cristão ou cristã, pode
ter a paz de Cristo, não importa qual seja a circunstância; mas é pre-
ciso crer, dobrar os joelhos e aprender a receber.
Assim, somos capazes de identificar algumas razões pelas quais
relutamos tanto em nos submeter à autoridade divina, mas devemos
nos lembrar de que dobrar os joelhos é, em última análise, uma ques-
tão pura e simples de obediência. Pode ser que você jamais consiga
entregar de fato determinada situação, mágoa ou perda ao Senhor,

A oração que liberta - novo form61 61 18/11/2008 13:07:26


62 A oração que liberta

mas é possível optar por se submeter à autoridade divina em razão


da fé e da obediência, e não por mera emoção. A obediência é sem-
pre a marca da rendição autêntica à autoridade de Deus.
Quando finalmente dobrei meus joelhos diante do Príncipe da
Paz, entregando-lhe os ressentimentos que trazia desde a minha in-
fância, percebi como ele me orientava no sentido de perdoar a pessoa
que tinha me magoado. Deus não insistiu em que eu perdoasse por
causa daquela pessoa, mas em nome de minha própria paz. Uma vez
tendo começado a me render a ele nessa área tão dolorosa da vida,
ele passou a me conceder uma capacidade sobrenatural de perdoar.
Uma parte do texto de Isaías revela, com grande beleza, a relação
entre obediência, autoridade e paz. Deus tem o direito de exercer
toda a autoridade por ser quem é: “Assim diz o Senhor, o seu reden-
tor, o Santo de Israel: ‘Eu sou o Senhor, o seu Deus, que lhe ensina o
que é melhor para você, que o dirige no caminho em que você deve
ir’.” (Is 48:17).
Você percebeu os títulos pelos quais o Senhor se refere a si mes-
mo nessa passagem bíblica? Permita-me inverter a ordem e com-
partilhar minha visão sobre esse direito divino à autoridade total:
ele é Deus, o Criador dos céus e da terra, o supremo Autor de toda
e qualquer existência. Ele reina sobre tudo, e todas as coisas existem
nele. É o Senhor, o Mestre e o Dono de todas as criaturas viventes.
Deus é o Criador e o Mantenedor da aliança. É santo. Como Senhor,
ele nunca nos pedirá nada que não seja correto, bom e bem claro. Ele
é perfeito e imaculado. Por fim, Deus é o Redentor, o Único que nos
resgatou da escravidão imposta pelo mestre do pecado de maneira
que pudéssemos viver a vida abundante. O Senhor nos resgatou para
nos libertar. “Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por
nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31).
O que você acha que aconteceria se prestássemos mais atenção
aos mandamentos de Deus? Não precisamos imaginar como seria,

A oração que liberta - novo form62 62 18/11/2008 13:07:26


Experimentar a paz de Deus 63

pois ele nos disse de forma bem clara: “se tão-somente você tivesse
prestado atenção às minhas ordens, sua paz seria como um rio, sua
retidão, como as ondas do mar” (Is 48:18).
Pense a respeito das aplicações a seguir, imaginando a paz como
um rio.

1. Um rio é um fluxo de água. A palavra de Deus não afirma que


teremos paz como uma lagoa. Se formos honestos, teremos de admitir
que, ao pensar nas pessoas pacíficas, nós as imaginamos como gente
bem chata. Nossa tendência é pensar assim: “Prefiro abrir mão da paz
e viver uma vida empolgante!”. Quando foi a última vez que você viu
as corredeiras de um rio? Poucos volumes de água são tão empolgantes
quanto os rios! Podemos viver uma vida ativa e emocionante sem ter
de sofrer por causa dos revezes. Ter paz como um rio é ter segurança e
tranqüilidade, mesmo diante dos altos e baixos enfrentados na jornada
da vida. A paz é a submissão a uma Autoridade confiável, e não a
renúncia à atividade.
2. Um rio é um corpo de água fresca alimentado por nascentes
ou afluentes. Para sentir paz, devemos alimentar o nosso relaciona-
mento com Deus. Descobri que não consigo manter a paz no pre-
sente apenas confiando em um relacionamento do passado. Assim
como um rio é continuamente renovado pelo movimento das águas
de suas nascentes ou de seus afluentes, também a nossa paz é re-
sultado de um relacionamento ativo, permanente e obediente com
o Príncipe da Paz. Este e outros estudos bíblicos são exemplos das
formas como Deus deseja alimentar um rio de paz a fluir dentro de
sua alma.
3. Um rio começa e termina com um volume de água. Todo rio
tem uma nascente na parte mais alta que desemboca em uma foz. Os
rios dependem de outros volumes de água, assim como estão sempre
ligados a eles. Da mesma maneira, a paz como um rio flui a partir

A oração que liberta - novo form63 63 18/11/2008 13:07:26


64 A oração que liberta

de uma conexão contínua com a Nascente elevada, Jesus Cristo.


Trata-se de um lembrete oportuno de que esta vida desembocará,
por fim, na gloriosa vida eterna. A vida presente não é nosso destino.
Aleluia! Nós, que conhecemos Cristo, nos movemos entre rochedos
e até descemos despenhadeiros, atravessando caminhos estreitos e
amplos vales rumo ao destino celestial. Até lá, permanecer em Cristo
(Jo 15:4) é a chave para nos mantermos deliberadamente ligados à
nossa Nascente elevada.

Deleite-se no prazer de saber que Deus inspirou a sua Palavra


com muito cuidado e precisão imaculada. Ele escolheu cada pala-
vra de modo proposital. Quando o Senhor disse que poderíamos
ter paz como um rio, em Isaías 48:18, não estava fazendo uma com-
paração sem sentido. Era exatamente aquilo que ele queria dizer.
Qual é o custo dessa paz? Levar em consideração os mandamentos
de Deus (em obediência) por meio da ação do Espírito Santo. A
obediência à autoridade divina não apenas proporciona paz como
um rio, como também justiça como as ondas do mar. Não se trata
de alcançar a perfeição em termos de justiça, mas de viver em jus-
tiça de um modo consistente.
Veja bem, o caminho de Deus é o mais seguro. O caminho certo.
E a única maneira de encontrar a paz neste mundo caótico. Espero
que você tenha descoberto como essa paz está ao seu alcance. Ela
não precisa ser um objetivo que, um dia, sonhamos alcançar. Você
pode começar a viver uma vida de paz hoje mesmo. Neste exato ins-
tante. A trilha que conduz à paz é pavimentada com as marcas de
nossos joelhos. Dobre os seus diante da autoridade do Senhor, que é
digno de confiança. “Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração”
(Cl 3:15).

A oração que liberta - novo form64 64 18/11/2008 13:07:26


SETE

SENTIR A PRESENÇA DE DEUS

Quando você atravessar as águas, eu estarei com você; quando você


atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através
do fogo, não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas. Pois
eu sou o Senhor, o seu Deus, o Santo de Israel, o seu Salvador.
Isaías 43:2-3

D uvido que qualquer cristão seja capaz de sentir a


maravilhosa presença de Deus em cada segundo de
cada dia. Às vezes, somos desafiados a acreditar que ele está conosco
simplesmente porque prometeu (Hb 13:5). Isso é fé.
A palavra de Deus nos orienta, com freqüência, a não temer, ain-
da que nem todos os nossos medos sejam infundados. Pense nisso.
A sociedade atual apresenta muitas ameaças reais. Você notou o que
está escrito em Isaías 43:2? “Quando você atravessar as águas...” (grifo
da autora). Deus não está sugerindo que seus filhos jamais passarão
por momentos de dificuldade. Se não acontecesse nada de assusta-
dor em nossa vida, de que maneira a certeza da presença constante
de Deus poderia ser um fator de tranqüilidade para nos ajudar a en-
frentar nossos temores?
Salmos 139:7-12 nos assegura que a presença de Deus está sempre
conosco. “... nem as trevas são escuras para ti” (v. 12), diz o salmista
para o Senhor. Hebreus 13:5 oferece a seguinte garantia: “Nunca o
deixarei, nunca o abandonarei”. Não podemos escapar da presença
de Deus, mas nem sempre somos capazes de senti-la.

A oração que liberta - novo form65 65 18/11/2008 13:07:26


66 A oração que liberta

A presença divina em nossa vida é imutável, mas a evidência des-


sa presença não é. Em determinadas ocasiões, Deus pode, de modo
proposital, nos privar das evidências de sua presença com o objetivo
de proporcionar o maior benefício possível a partir de nossas expe-
riências. Às vezes, quando enfrentamos um período de dificuldade,
somos mais beneficiados quando podemos distinguir as muitas di-
gitais visíveis deixadas por suas mãos invisíveis. Em outras oportu-
nidades, saímos no lucro quando não conseguimos enxergar muitas
evidências. Ele simplesmente deseja nos proporcionar crescimento
pessoal e nos ensinar a caminhar pela fé.
Em Mateus 14:25-32, em meio a uma tempestade, Jesus se apro-
xima dos discípulos caminhando sobre as águas. Ele diz o seguinte
àquelas pessoas tomadas pelo pavor: “Coragem! Sou eu. Não te-
nham medo!” (v. 27). No entanto, a tempestade continuou violenta
até o Mestre entrar no barco. A questão aí não é deixarmos de ter
motivos para temer, e sim que a presença divina é a base de nossa
coragem. Cristo não disse: “Tenham coragem! Estou acalmando a
tempestade. Não precisam ter medo”. Em vez disso, com os ventos
ainda soprando de modo furioso, ele disse: “Coragem! Sou eu. Não
tenham medo!”.
Cristo nem sempre acalma a tempestade imediatamente, mas
ele está sempre disposto a tranqüilizar seus filhos com sua presen-
ça. “Não se preocupem! Sei que os ventos são muito fortes e que as
ondas são ameaçadoras, mas sou Deus sobre todas as coisas. Se per-
mito que a tempestade continue violenta, é porque desejo que você
veja como ando sobre as águas.” É provável que nunca aprendamos a
aproveitar bem as nossas tempestades, mas podemos aprender a nos
deleitar na presença de Deus em meio a elas!
Em Salmos 16:11, Davi proclama de maneira confiante: “Tu me fa-
rás conhecer [...] a alegria plena da tua presença”. A palavra em hebrai-
co para “alegria” é simchah, que quer dizer “diversão”, “contentamento”,

A oração que liberta - novo form66 66 18/11/2008 13:07:26


Sentir a presença de Deus 67

“júbilo”, “prazer”, “regozijo”. Podemos aprender a nos deleitar na pre-


sença de Deus mesmo quando não passamos por um período dos
mais agradáveis na vida. Não tenho como explicar isso, mas já passei
por várias experiências assim.
Antes que possamos começar a nos deleitar com a presença de
Deus em nossa vida, devemos aceitar essa presença como um fato
absoluto. É provável que a mais maravilhosa certeza da presença di-
vina esteja ao seu alcance neste exato momento: a palavra de Deus.
Quando tudo dá errado, podemos escolher entre crer e não crer em
Deus. Uma vez que optemos por aceitar sua presença como um fato,
podemos ser livres para seguir em frente rumo à alegria.
Você está preparado para aceitar a presença contínua do Senhor em
sua vida como um fato absoluto? Está pronto para começar a se deleitar
na presença de Deus em sua vida mais que nunca? Se está, dedique al-
gum tempo à oração, pedindo ao Pai que fortaleça a sua fé e ensine
como se deleitar nele da melhor maneira possível.
Aproveitar o seu relacionamento com Cristo tanto promove
quanto reforça os cinco benefícios daquele relacionamento de alian-
ça. Esses benefícios estão obviamente relacionados uns aos outros.
Aqui está uma comparação que pode ajudar você a relacioná-los.
Eu e meu marido, Keith, somos casados há vinte e tantos anos.
Conheço meu marido muito bem, e acredito nele quando me diz
alguma coisa (benefício número 1). Em um sentido terreno, eu o
glorifico (reverencio) porque tenho vivido com ele há tanto tem-
po que alguns de seus traços hoje se refletem em mim (benefício
número 2). Ele satisfaz praticamente todas as minhas necessida-
des, como convém a um marido (benefício número 3). Costumo
me sentir em paz porque ele assume toda a responsabilidade no que
diz respeito a questões de finanças e segurança para o futuro (be-
nefício 4). Eu não conseguiria me valer do último benefício pri-
mordial de nosso casamento sem os outros quatro, ainda que seja

A oração que liberta - novo form67 67 18/11/2008 13:07:26


68 A oração que liberta

completamente distinto: simplesmente me deleito na presença de


meu marido (benefício 5).
Por mais que eu me deleite com meu marido, minhas filhas, mi-
nha família e meus amigos, nenhum relacionamento em minha vida
é capaz de proporcionar mais alegria que o que tenho com Deus.
Com certeza, não caí de pára-quedas em nenhum plano místico nem
dei esses poucos passos rapidinho ou por acaso. Desenvolvi a capaci-
dade de me deleitar em Deus com o tempo.
Nem todo tempo que passo com o Senhor é de alegria ou muito
divertido. A intimidade com Deus cresce à medida que passamos
por todos os tipos de experiência. Já chorei amargamente com o Se-
nhor. Também gritei em meio à grande frustração. Às vezes, achava
que Deus estava prestes a partir meu coração em dois. No entanto,
também já tive oportunidade de dar boas e sonoras gargalhadas com
ele. Por vezes, chorava por causa de uma alegria indescritível. Im-
pressionada, deixava minha cadeira e dobrava meus joelhos. Gritava
de entusiasmo.
Já fui a e voltei de todos os extremos em minha experiência com
Deus. Se, porém, eu tivesse de definir meu relacionamento com ele
em uma só frase, diria a você que o Senhor é a alegria absoluta de mi-
nha existência. Eu não o amo apenas também adoro amá-lo. Render
meu coração a Deus não tem sido nenhum sacrifício. Não conheço
nenhuma outra maneira de dizer isso: ele trabalha para mim.
Sinto-me um pouco hesitante ao dizer todas essas coisas porque
fico doente só de pensar na possibilidade de parecer arrogante por
causa de meu relacionamento com Deus. Por favor, atente para a voz
do meu coração: a maior alegria de minha vida é exatamente aquilo
que menos mereço. Considero a capacidade de amar e me deleitar no
Senhor um presente recebido apenas pela graça divina — algo que
Deus estende prazerosamente a qualquer pessoa que lhe entrega o
coração sem restrições.

A oração que liberta - novo form68 68 18/11/2008 13:07:26


Sentir a presença de Deus 69

Conheço um pouco do que o apóstolo quis dizer quando afirmou:


“O zelo que tenho por vocês é um zelo que vem de Deus” (2Co 11:2).
Meu amigo, minha amiga, tenho grande zelo por um relacionamento
como esse entre você e Deus. Desejo que o Senhor seja a maior reali-
dade de sua vida. Quero ver em você mais certeza da presença divina
que qualquer outra que possa ver ou tocar. Essa pode ser a realidade
de sua vida. Trata-se de um direito seu como filho ou filha de Deus.
Somos destinados a esse tipo de relacionamento com o Senhor, mas
o inimigo tenta nos convencer de que a vida cristã é, na melhor das
hipóteses, sacrificial, e, na pior delas, artificial.
Estabelecemos um checklist de prioridades dividido em cinco
partes, baseado no livro de Isaías. O inimigo não tem o direito de
impedir você de alcançar nenhum desses benefícios. Eles são seus.
Neste estudo bíblico, vamos reivindicar a rendição de alguns territó-
rios. À medida que você reflete a respeito dessa lista, será que algum
desses benefícios sugere a existência de algum impedimento em sua
vida? Será que Deus está sinalizando a possibilidade de alguma área
estar sob escravidão?
Finalize com um compromisso de levar tudo muito a sério. Com-
prometa-se inteiramente a permitir que Deus liberte você para ser
tudo quanto o Senhor planejou. Peça a ele, em nome de Jesus, que não
deixe o inimigo roubar nem uma pequena porção da vitória que o Pai
tem para você. Não podemos permitir que a intimidação ou o medo
nos aprisione, seja qual for a área. Lembre-se: Satanás não pode rei-
vindicar nenhuma autoridade sobre a sua vida. Ele fará o possível para
enganar você. Não deixe que isso aconteça. “... aquele que está em vocês
é maior do que aquele que está no mundo” (1Jo 4:4).
Ouça com atenção: o sino da liberdade está tocando.

A oração que liberta - novo form69 69 18/11/2008 13:07:26


OITO

O OBSTÁCULO DA INCREDULIDADE

Aterrem, aterrem, preparem o caminho!


Tirem os obstáculos do caminho do meu povo.
Isaías 57:14

Já identificamos os cinco benefícios principais de nosso


relacionamento de aliança com Deus. A ausência de qual-
quer um deles é, possivelmente, um indicativo de alguma forma de
escravidão. Isaías registra uma promessa e uma declaração que falam
poderosamente ao meu coração sobre a liberdade. Deus disse, por
intermédio de Isaías: “... o homem que faz de mim o seu refúgio re-
ceberá a terra por herança e possuirá o meu santo monte. E se dirá:
‘Aterrem, aterrem, preparem o caminho! Tirem os obstáculos do ca-
minho do meu povo’” (Is 57:13-14).
Na época de Isaías, as aldeias se preparavam com semanas de an-
tecedência para a visita do rei. Os trabalhadores abriam uma trilha e
construíam uma estrada para facilitar o acesso à comitiva real. Se o
rei não considerasse a trilha devidamente preparada, ele não parava
na aldeia nem concedia a sua bênção.
No entanto, quando Deus inspirou Isaías 57:14, tinha outro tipo
de comitiva em mente. Dê uma olhada cuidadosa nas Escrituras.
Note que Deus enfatiza tanto o cidadão comum quanto o viajante.

A oração que liberta - novo form70 70 18/11/2008 13:07:26


O obstáculo da incredulidade 71

Em vez de convocar as pessoas a retirar todos os obstáculos para que


possa cumprir sua jornada, o Rei ordena que sejam retiradas todas
as barreiras para a passagem de seu povo. Ele não queria ver impedi-
mentos à jornada de seu povo rumo à presença divina.
Queremos cumprir a tarefa descrita em Isaías 57:14. Sim, estamos
diante de alguns obstáculos que precisam ser removidos, mas conta-
mos com a aprovação e a bênção do incomparável Rei a nosso favor.
Não temos de ficar imaginando se ele está disposto ou se é capaz
de romper as amarras que nos impedem de viver a vida abundante.
Lembre-se: é para a liberdade que Cristo nos libertou. Ele está mais
que disposto; ele está pronto. A questão é saber se estamos prepara-
dos ou não para cooperar com ele e preparar o caminho para o nosso
Libertador.
Ao longo deste estudo, tentaremos remover muitos obstáculos
entre nós e a prática da liberdade. Ao começarmos, porém, especifi-
camos os cinco principais obstáculos à liberdade que correspondem
aos nossos cinco benefícios primordiais. Esses cinco obstáculos são
tão proibitivos que, se não forem tratados e removidos antecipada-
mente, eles se tornarão um forte impedimento à visita pessoal de
nosso Rei. Estes são os cinco obstáculos que surgem no caminho de
nossos benefícios: incredulidade, orgulho, idolatria, falta de interes-
se na oração e legalismo.
Vamos começar com o benefício número 1: conhecer Deus e crer
nele. O fato de você estar lendo este livro demonstra o seu desejo de
conhecer o Senhor. Assim, vamos nos concentrar na segunda parte
do benefício número 1: crer em Deus.
Qual seria o mais óbvio obstáculo para crer em Deus? O maior
obstáculo é a incredulidade, a opção por não acreditar no Senhor. É
isso mesmo, bem simples. Não estamos falando sobre acreditar na
mera existência de um Deus, mas sobre acreditar no único Deus e
nas coisas que ele diz. Podemos crer em Cristo para sermos salvos em

A oração que liberta - novo form71 71 18/11/2008 13:07:27


72 A oração que liberta

questão de segundos e, mesmo assim, passar os restantes de nossos


dias acreditando em pouca coisa além disso. Enquanto a eternidade
está assegurada, a vida na terra permanece, no máximo, vacilante.
Vamos definir o que significa “crer em Deus”, e assim teremos uma
compreensão mais adequada do conceito oposto, que corresponde a
um grande impedimento.
Passei a prestar uma atenção especial nas vezes em que o Novo
Testamento cita um versículo do Antigo Testamento. Gênesis 15:6
diz: “Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça”.
Paulo citou o mesmo versículo em Romanos 4:3. Os versículos apre-
sentam uma harmonia entre os dois Testamentos, no que se refere ao
conceito de crer em Deus.
Em Gênesis 15:6, a palavra em hebraico para “creu” é ’aman,
que significa “tornar firme”, “manter a firmeza”, “persistir”; “con-
fiar”, “acreditar”. Em Romanos 4:3, a palavra em grego para “creu” é
pisteuo, que quer dizer “ser persuadido a alguma coisa”, “acreditar”,
com a idéia de esperança e certa expectativa. Vem do termo grego
pistis, traduzido para a palavra fé, em português, ao longo de todo o
Novo Testamento. Como você pode constatar, tanto no Antigo Tes-
tamento quanto no Novo Testamento, “crença” e “fé” representam o
mesmo conceito.
Podemos presumir, com facilidade, a definição de increduli-
dade, mas vamos dar uma olhada em uma parte interessante das
Escrituras para aprofundar a nossa compreensão e receber algum
encorajamento. Em Marcos 9:21-24, o pai de um menino endemo-
ninhado pediu a Jesus que o ajudasse, se lhe fosse possível. Jesus
disse a ele: “‘Tudo é possível àquele que crê.’ Imediatamente o pai
do menino exclamou: ‘Creio, ajuda-me a vencer a minha incredu-
lidade!’”.
Que sinceridade reconfortante essa admissão deve ter sido para
Cristo! O pai deu a resposta certa: “Creio!”. Mas respostas certas não

A oração que liberta - novo form72 72 18/11/2008 13:07:27


O obstáculo da incredulidade 73

ajudam muito um coração vacilante. Quando aquele pai se apresen-


tou diante de Cristo, ele não podia mais evitar a sinceridade de seu
coração: “Ajuda-me a vencer a minha incredulidade!”. A palavra em
grego para “incredulidade” é apistos, que significa “indigno de con-
fiança”, “não confiável”, “algo que não merece crédito”.
Podemos acreditar na existência de Cristo, aceitando a realidade
de que ele é o Filho de Deus, e podemos crer nele, recebendo salva-
ção eterna; ainda assim, é possível vacilar na fé e deixar de optar por
confiar nele no dia-a-dia.
A expressão “indigno de confiança” me faz tremer por dentro.
Deus merece, e muito, nossa confiança. Moisés expressou essa ver-
dade muito bem: “Deus não é homem para que minta, nem filho de
homem para que se arrependa. Acaso ele fala, e deixa de agir? Acaso
promete, e deixa de cumprir?” (Nm 23:19).
Você consegue se lembrar de alguma época na qual Deus se re-
velasse indigno de nossa confiança? Se em algum momento julga-
mos ter encontrado algum tipo de infidelidade por parte de Deus,
penso que isso tenha acontecido por uma entre três razões pos-
síveis: 1) interpretamos a promessa de maneira errônea; 2) não
conseguimos captar a resposta; ou 3) desistimos antes de Deus
responder.
Consigo ver coisas boas e ruins no que diz respeito à questão
da incredulidade por parte de um cristão. A notícia ruim é que a
falta de fé é debilitante. Os passos adiante com Deus são dados por
meio da fé. Portanto, a incredulidade literalmente debilita nossa
caminhada espiritual, colocando imensos obstáculos no caminho
de uma vida vitoriosa.
Você crê em Deus? Ou será que em algum momento no caminho
deixou de acreditar no que Deus é capaz de fazer? Será que você o
busca secretamente com uma atitude do tipo “se o senhor pode fazer
alguma coisa, tenha pena de mim”?

A oração que liberta - novo form73 73 18/11/2008 13:07:27


74 A oração que liberta

Agora vamos falar da boa notícia! Se nos prontificarmos a admi-


tir nossa falta de confiança nele, Cristo está mais que disposto a nos
ajudar a superar a incredulidade. A fé — ou a capacidade de crer nas
habilidades e promessas de Deus — é prerrequisito vital para tornar
real a liberdade que conquistamos por intermédio dele.
Vamos fazer um simples teste pessoal para avaliar nossa capacidade
de crer. Pense com carinho sobre cada uma das seis declarações a se-
guir. Se você pudesse usar uma escala de 1 a 10 (sendo 10 o equivalente
à “muita fé”) para avaliar até que ponto crê ou não em cada declaração,
que número atribuiria a elas? Pense seriamente em cada declaração antes
de ler a seguinte para ver o que as Escrituras dizem sobre essas questões.

1. Cristãos podem ter de enfrentar áreas de escravidão.


2. Cristo pode livrar qualquer pessoa desse cativeiro.
3. Deus está profundamente familiarizado com você e deseja o
melhor para sua vida.
4. Cristãos possuem um inimigo invisível, porém real, cha-
mado Satanás, que é a personalização do mal, e não o “conceito”
do mal.
5. Seu coração pode, de vez em quando, desejar algo terrivel-
mente errado para sua vida.
6. A Bíblia é a palavra de Deus inspirada e verdadeira.

Compare essas declarações com o que a Bíblia diz a respeito de


cada uma:

1. Falando especificamente àqueles que haviam sido liberta-


dos, Paulo alertou os gálatas: “... não se deixem submeter novamente
a um jugo de escravidão” (Gl 5:1).
2. Jesus afirmou que o Pai o “enviou para proclamar liberdade
aos presos...” (Lc 4:18).

A oração que liberta - novo form74 74 18/11/2008 13:07:27


O obstáculo da incredulidade 75

3. Em uma das maiores declarações do envolvimento pessoal


de Deus com nossa vida, Davi escreveu: “Senhor, tu me sondas
e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto; de
longe percebes os meus pensamentos. Sabes muito bem quando tra-
balho e quando descanso; todos os meus caminhos são bem conhe-
cidos por ti” (Sl 139:1-3).
4. O apóstolo Paulo escreveu que “a nossa luta não é contra
seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os do-
minadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal
nas regiões celestiais” (Ef. 6:12). Pedro declarou: “O Diabo, o inimigo
de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem
possa devorar” (1Pe 5:8).
5. Lembre-se de que Jeremias descreveu o coração como
“mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável”
(Jr 17:9).
6. Paulo nos assegura: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e
útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução
na justiça” (2Tm 3:16). E Davi proclamou que “a palavra do Senhor
é comprovadamente genuína” (Sl 18:30).

Houve um tempo no qual eu não conseguiria responder a nenhu-


ma dessas perguntas com um 10 dos mais confiantes; contudo, nos
últimos anos, posso garantir a você que Deus fez de mim uma cristã
de verdade. Se nós cremos na Bíblia, podemos crer nos conceitos
representados por questão.
Sua luta pode ser pelo fato de não se convencer completamente
de que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus. Se for esse o caso,
as provas contidas nas Escrituras podem significar pouca coisa para
você. Acredite se quiser, eu também já tive as minhas dúvidas, em-
bora nunca tenha admitido. Não por coincidência, a minha incerteza
era acompanhada de uma considerável falta de conhecimento. Eu

A oração que liberta - novo form75 75 18/11/2008 13:07:27


76 A oração que liberta

sabia das coisas que havia aprendido e acreditava de todo o coração


nos fundamentos da fé; no entanto, não conseguia me convencer da
inspiração gloriosa de toda a palavra de Deus.
Foi assim até eu começar a estudá-la de fato. Em vez de descobrir
erros e incoerências inquietantes, fiquei impressionada e de joelhos
diante da beleza da palavra de Deus e da perfeita harmonia entre o
Antigo Testamento e o Novo Testamento. O estudo das Escrituras fez
minha fé aumentar, pelo menos, em cem vezes. E me impressiono
mais a cada dia com a palavra do Senhor.
Nas Escrituras Sagradas, podemos ver claramente como a fé pode
ser importante no que diz respeito à liberdade. Por exemplo, Mateus
9:27-29 registra o encontro de Jesus com dois cegos. Ele perguntou
a eles: “Vocês crêem que eu sou capaz de fazer isso?”. Quando eles
disseram “sim”, Jesus lhes tocou os olhos e falou: “Que lhes seja feito
segundo a fé que vocês têm!”.
Por favor, compreenda: Cristo é totalmente Deus. Ele pode curar
qualquer pessoa ou realizar qualquer milagre, seja qual for o tama-
nho da fé. Cristo não nos pede que creiamos em nossa capacidade de
exercer uma fé inabalável; ele nos pede que creiamos que ele é capaz
de realizar todas as coisas.
Quando se trata de conduzir as pessoas a uma vida de liberdade,
creio que ele também demonstra a mesma disposição. Se estivés-
semos nos concentrando apenas na cura física, eu não teria tanta
certeza. Às vezes, Deus cura os males do corpo; outras vezes, ele
manifesta uma glória ainda maior por meio da doença. O Senhor
sempre pode curar as doenças físicas, mas não faz isso o tempo
todo.
As Escrituras, porém, são absolutamente claras ao declarar que
Deus sempre deseja a liberdade das pessoas espiritualmente cativas.
A vontade de Deus é que o conheçamos e creiamos nele, que o glo-
rifiquemos e nos satisfaçamos no Senhor, que sintamos a paz e nos
deleitemos no Pai celestial. Para que Deus possa contar com a nossa

A oração que liberta - novo form76 76 18/11/2008 13:07:27


O obstáculo da incredulidade 77

total cooperação nesse processo de libertação, devemos crer que ele


deseja e é capaz de fazer isso.
Se você não está lutando com sua fé, tome cuidado para não julgar
as outras pessoas espiritualmente mais fracas (Rm 14:1). Alguns cris-
tãos ficaram em cativeiro por tanto tempo, e tentaram tanto a liberta-
ção no passado, que quase desistiram de ter esperança no futuro.
Se você está encontrando alguma dificuldade para crer que pode
viver segundo a liberdade concedida por Cristo, acha que pode fazer
o mesmo apelo ao Pai contido em Marcos 9:24? Dedique mais tempo
à oração, pedindo ao Senhor que acabe com a sua incredulidade.
Volte a dar uma olhada em Isaías 43:10. Deus deseja que o conhe-
çamos e creiamos nele. A chave mais eficaz para crer em Deus está
bem diante de nossos olhos: quanto mais o conhecemos, mais cre-
mos no Pai. O apóstolo Paulo afirma, com muita propriedade: “... sei
em quem tenho crido e estou bem certo de que ele é poderoso para
guardar o que lhe confiei até aquele dia” (2Tm 1:12). Temos a ten-
dência de correr para os braços de Deus no intuito de receber alívio
temporário. Deus está procurando pessoas que caminharão constan-
temente ao lado dele em fé. Opte por crer. Aqueles que confiam no
Senhor não serão envergonhados.

A oração que liberta - novo form77 77 18/11/2008 13:07:27


NOVE

O OBSTÁCULO DO ORGULHO

Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito
e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e
novo alento ao coração do contrito.
Isaías 57:15

A seguir, vamos analisar o principal obstáculo que nos


impede de alcançar o benefício número 2: glorificar
Deus. Lembre-se do que significa glorificar Deus. Em termos bem
simples, ele é glorificado em qualquer pessoa que reflete a grandeza e
o poder do Senhor em sua vida. Como podemos ter certeza de estar
vivendo uma vida que glorifica Deus? Quando assumimos uma ati-
tude nesse sentido. Deus inseriu uma passagem maravilhosa no livro
de Isaías que ilustra de maneira belíssima a atitude por meio da qual
Deus, sem dúvida alguma, é glorificado. Isaías 26:8 afirma: “O teu
nome e a tua lembrança são o desejo do nosso coração”.
Deus se revelará “grande e poderoso” na vida daqueles cujo
desejo do coração é o nome e a lembrança do Senhor. A palavra
originariamente usada para “lembrança” é shem, que significa “po-
sição definida e patente”, “honra”, “autoridade”, “caráter”, “fama”
(Strong’s).
Segundo Isaías 43:7, somos exortados a permitir que o Rei de
toda a criação se revele por nosso intermédio. Ele não reparte sua

A oração que liberta - novo form78 78 18/11/2008 13:07:27


O obstáculo do orgulho 79

glória com ninguém, nem mesmo com seus filhos — não porque
seja egoísta, mas porque está interessado em nos conceder tesouros
eternos. Ao exigir que busquemos somente a sua glória, o Senhor
nos exorta a vencer a tentação opressora e natural de buscar a glória
pessoal. Sendo assim, qual você acha que seria o maior obstáculo
para glorificar Deus? O orgulho.
Alexander Pope o chamou de “vício infalível dos tolos”.1 O or-
gulho é um destruidor de ministérios, casamentos, amizades, em-
pregos e caráter. Deus pode ser visto com muito mais facilidade na
vida daqueles que desejam a glória do Senhor sobre todas as coisas.
Parece simples, mas não é. Poucas coisas são mais contrárias à nossa
natureza humana do que o desejo de que outras pessoas recebam
mais glória do que nós. Mesmo quando desejamos a fama de nossos
cônjuges ou filhos, bem no fundo costumamos torcer para receber,
pelo menos, parte dessa glória.
Para cumprir o destino que Deus nos reservou — permitir que
o Rei de toda a criação se revele por intermédio de nós —, devemos
vencer a tentação de buscar a glória pessoal, e precisamos fazê-lo
desejando a glória do Senhor. Se queremos, de fato, reconhecer todas
as áreas de escravidão e permitir que Deus nos liberte, precisamos
reconhecer o orgulho como algo mais que a simples autopromoção.
O orgulho é uma isca perigosa para cairmos em cativeiro.
A ordem divina de dar toda a glória a Deus é acompanhada de um
alerta. Sinta o peso das palavras de Jeremias a respeito da questão do
orgulho: “Dêem glória ao Senhor, ao seu Deus, antes que ele traga
trevas, antes que os pés de vocês tropecem nas colinas ao escurecer.
Vocês esperam a luz, mas ele fará dela uma escuridão profunda; sim,
ele a transformará em densas trevas” (Jr 13:16).

1
John Barlett e Emily Morison Beck (ed.), Barlett’s Familiar Quotations. Boston:
Little, Brown & Co., 1980, p. 332.

A oração que liberta - novo form79 79 18/11/2008 13:07:27


80 A oração que liberta

No versículo 17, Deus prossegue, alertando que a escravidão se


abateria sobre seu povo por causa do pecado, caso não dessem ou-
vidos a ele. “... por causa do orgulho de vocês [...] o rebanho do
Senhor foi levado para o cativeiro.”
Tome cuidado, pois o orgulho costuma se camuflar. Por exemplo,
conheci pessoas que se consideravam perdidas, perversas e pecado-
ras demais para serem salvas. Gente assim ficaria chocada ao saber
que tal atitude também constitui uma forma de orgulho. Essas pes-
soas pensam que seu pecado ou problema é maior que Deus.
O orgulho é uma rocha imensa que encontramos na estrada du-
rante nossa jornada rumo à liberdade. O tamanho dessa rocha difere
de uma pessoa para outra, de acordo com a intensidade da luta que
ela trava com o orgulho. Mal consigo imaginar que alguém só consi-
ga enxergar uma pedrinha no caminho. Para seguir em frente a par-
tir dali, é preciso que Deus nos capacite a rolar a rocha do orgulho
até tirá-la da estrada que conduz à liberdade. Acredito que essa pedra
sairá do caminho se lhe dermos três poderosos empurrões:

1. Enxergue o orgulho como um inimigo cruel. Provérbios 8:13


cita uma declaração divina: “Odeio o orgulho e a arrogância...”.
Mais adiante, em 11:2, lemos: “Quando vem o orgulho, che-
ga a desgraça, mas a sabedoria está com os humildes”. Provér-
bios 13:10 acrescenta: “O orgulho só gera discussões, mas a sabe-
doria está com os que tomam conselho”. E a maioria dos cristãos
está familiarizada com as palavras de Provérbios 16:18: “O or-
gulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda”.
Vejamos... Deus detesta o orgulho, que provoca desgraça, produz
dissensões e leva à destruição, como a agulha de uma bússola aponta
para o norte. Obadias 3 arremata essa questão. “A arrogância do seu
coração o tem enganado...”, escreveu o profeta. E embora a pessoa
possa viver “nas cavidades das rochas” e dizer a si mesma: “‘Quem

A oração que liberta - novo form80 80 18/11/2008 13:07:27


O obstáculo do orgulho 81

pode me derrubar?’ [...] ‘dali eu o derrubarei’, declara o Senhor”


(v. 3-4). O primeiro empurrão para tirar o obstáculo do orgulho do
caminho é percebê-lo como o inimigo cruel que é.
2. Veja a humildade como uma amiga. Nossa socieda-
de costuma ver a humildade bíblica como um sinal de fra-
queza. Nada poderia estar mais longe da verdade. Encher-se
de orgulho é muito fácil. É um processo natural. A humildade
exige uma reserva de força sobrenatural que só possuem aque-
les que são suficientemente fortes para admitir sua fraqueza.
As Escrituras não se repetem com freqüência, mas é possí-
vel vislumbrar o valor da humildade na citação que tanto Tiago
quanto Pedro fazem de Provérbios 3:34: “Deus se opõe aos or-
gulhosos, mas concede graça aos humildes” (Tg 4:6; 1Pe 5:5).
Nosso profeta Isaías cita Deus, que diz: “Habito num lugar alto e
santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito”
(Is 57:15). Ele também afirma: “A este eu estimo: ao humilde e con-
trito de espírito, que treme diante da minha palavra” (Is 66:2). “Esti-
mar” significa, basicamente, “ter respeito” (Strong’s). Você consegue
se imaginar como alguém a quem Deus “respeita”? Que pensamento
maravilhoso! Para remover a barreira do orgulho é preciso enxergá-lo
como um inimigo terrível, e a humildade como uma amiga querida.
3. Humilhe-se diante de Deus. Tiago 4:10 e 1Pedro 5:6
afirmam, de maneira bem simples e objetiva, que devemos
nos humilhar. Veja bem, não podemos ser humildes enquan-
to não agimos com humildade. Esse passo exige ação antes de
tudo. Humilhar-se certamente não significa se odiar. A humil-
dade pode ser alcançada de uma maneira bem mais simples: basta
abrir os olhos para a realidade. Leia alguns capítulos das Escrituras
que proclamam a grandeza de Deus. Jó 38 é um de meus favoritos.
Com certeza, não precisamos nos odiar para vermos quão peque-
nos somos e reagir de maneira apropriada, curvando-nos diante do

A oração que liberta - novo form81 81 18/11/2008 13:07:27


82 A oração que liberta

Senhor. Resumindo, o significado de se humilhar perante Deus é


este: curvar-se diante da majestade do Senhor. Não precisamos nos
rebaixar para demonstrar humildade; só temos de optar por curvar
a fronte, rejeitando a tentação de nos elevarmos a uma posição que
não é adequada a um servo do Senhor. Escolhemos pela humil-
dade quando nos submetemos à grandeza divina todos os dias.

A última frase de Daniel 4:37 fornece uma das mais eficazes mo-
tivações para a humildade em minha vida pessoal: “E ele tem poder
para humilhar aqueles que vivem com arrogância”.
Vejo essa questão da seguinte forma: prefiro me humilhar a obri-
gar Deus a ter de fazer isso comigo. Permitamos que as circunstân-
cias, as fraquezas e todos os espinhos na carne que Deus permite
em nossa vida cumpram a função que devem: gerar humildade. Não
apenas somos colocados sob a autoridade de Deus, como ele tam-
bém nos eleva. Separe um momento ainda hoje para encontrar um
lugar só seu, dobrar seus joelhos e se humilhar diante do glorioso
Senhor. As hostes celestiais certamente ouvirão o som forte e grave
das rochas de orgulho que serão arrastadas para fora da estrada que
conduz à liberdade.

A oração que liberta - novo form82 82 18/11/2008 13:07:27


DEZ

O OBSTÁCULO DA IDOLATRIA

Quem é que modela um deus e funde uma imagem,


que de nada lhe serve?
Isaías 44:10

O terceiro obstáculo bloqueia o nosso acesso ao be-


nefício número 3: encontrar satisfação em Deus. O
Senhor deseja que encontremos nele nossa satisfação, em vez de per-
dermos tempo e nos esforçarmos em vão por coisas que não podem
nos satisfazer. Mas quando olhamos para outras fontes de satisfação,
somos culpados de idolatria.
O livro de Isaías contém uma das mais poéticas e graciosas ex-
pressões de graça de todas as Escrituras Sagradas: “Venham, todos
vocês que estão com sede, venham às águas; e vocês que não pos-
suem dinheiro algum, venham, comprem e comam! Venham, com-
prem vinho e leite sem dinheiro e sem custo” (Is 55:1).
Ao fim desse convite, no versículo seguinte, Deus faz a pergunta
que assombra todas as gerações de descendentes de Adão: “Por que
gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naqui-
lo que não satisfaz?”. Em seguida, como um pai frustrado e determi-
nado a se fazer entender pelos filhos, ele diz: “Escutem, escutem-me,
e comam o que é bom, e a alma de vocês se deliciará com a mais fina
refeição” (v. 2).

A oração que liberta - novo form83 83 18/11/2008 13:07:27


84 A oração que liberta

Acredito que a prescrição divina para aqueles que têm sede e fome
interior que não conseguem saciar esteja contida em Isaías 55:6. Os
que se encontram espiritualmente sedentos e famintos só precisam
fazer isto: “Busquem o Senhor enquanto é possível achá-lo; clamem
por ele enquanto está perto”.
Acredito que Deus gera e atiça certa insatisfação em todas as
pessoas por uma ótima razão. De acordo com 2Pedro 3:9, Deus não
deseja que ninguém pereça. Pelo contrário, ele quer que todas as
pessoas venham a se arrepender. O Senhor nos dotou de vontade
para que pudéssemos escolher entre aceitar e não aceitar seu convite.
Contudo, Deus também nos criou deliberadamente com uma neces-
sidade que só ele pode satisfazer.
Você já percebeu que uma das experiências humanas mais co-
muns é a incapacidade de se sentir completamente satisfeito? Infe-
lizmente, a salvação, vista isoladamente, não supre essa necessidade
por completo. Muitos se aproximam de Cristo por causa de sua bus-
ca por alguma coisa da qual sentem falta; mesmo depois de receber
a salvação, elas saem por aí procurando mais satisfação. Os cristãos
podem se sentir miseravelmente insatisfeitos se aceitarem a salvação
de Cristo e rejeitarem a plenitude de um relacionamento diário. Deus
nos oferece muito mais do que geralmente escolhemos aproveitar.
A insatisfação não é uma coisa tão ruim. É divina. Ela só se torna
algo terrível quando não permitimos que ela nos conduza a Cristo.
Deus quer que encontremos a única coisa que verdadeiramente sa-
ciará nosso coração sedento e faminto.
Perceber como Deus deseja que encontremos satisfação genuína
nele nos ajuda a descobrir o terceiro principal obstáculo em nossa
estrada rumo à liberdade: buscar satisfação em outras coisas. Deus
deu um nome a essa prática que eu estava despreparada para ou-
vir: idolatria. Depois de muita e profunda meditação, percebi que o
rótulo faz todo o sentido, não importa quão ríspido possa parecer.

A oração que liberta - novo form84 84 18/11/2008 13:07:28


O obstáculo da idolatria 85

Qualquer coisa que tentemos colocar em um lugar ocupado por Deus


constitui um ídolo.
Para seguir adiante na estrada que leva à liberdade, precisamos
remover o obstáculo da idolatria. Começamos reconhecendo essa
barreira como adoração de ídolos, mas é possível que encontremos
dificuldade para removê-la. Os primeiros dois obstáculos no cami-
nho da liberdade — incredulidade e orgulho — podem ser removi-
dos de modo eficaz pelo exercício da escolha: podemos optar por
crer em Deus e por nos humilharmos diante dele.
Não estou tentando minimizar a dificuldade, mas sugerindo que
as primeiras duas barreiras são derrubadas por volição (vontade). A
remoção de alguns ídolos em nossa vida (coisas ou pessoas que colo-
camos no lugar de Deus) pode exigir um trabalho muito prolongado.
Há aqueles que ocupam esse lugar há muitos anos, e somente pelo
poder de Deus podem ser retirados. Precisamos começar a remover
os ídolos com a opção de reconhecer sua existência e admitir que são
incapazes de nos satisfazer.
A nação de Israel lutou muito com o pecado da idolatria. Vimos
alguns dos resultados na vida de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. No
capítulo 2, Isaías registra o que viu quando olhou para Judá e Je-
rusalém. Essa passagem se assemelha assustadoramente com certos
países mais abastados. Ele diz o seguinte a respeito do povo de Israel:
“... eles se encheram de superstições dos povos do leste, praticam adi-
vinhações como os filisteus e fazem acordos com pagãos. Sua terra
está cheia de prata e ouro; seus tesouros são incontáveis. Sua terra está
cheia de cavalos; seus carros não têm fim” (Is 2:6-7).
Nas primeiras palavras do versículo 6, Isaías afirma: “Certamente
abandonaste o teu povo...”. O profeta chegou à conclusão de que não
viu nenhum sinal da presença de Deus ali. O Senhor havia prome-
tido não abandoná-los, e cumpriu sua palavra. No entanto, onde o
pecado se multiplica, Deus pode, com certeza, reduzir a presença do

A oração que liberta - novo form85 85 18/11/2008 13:07:28


86 A oração que liberta

Espírito Santo e retirar praticamente todos os sinais. Em determina-


dos períodos de minha vida marcados pelo pecado, passei por essa
experiência de não perceber os sinais da presença de Deus.
Tudo foi oferecido à nação de Israel, e mesmo assim ela se recu-
sou a receber e ser saciada. O povo trocou as coisas que preenchem
o coração pelas que enchem os olhos. Isaías 44:10 nos lembra que
os ídolos de uma pessoa não são de proveito algum. Na verdade, o
versículo seguinte afirma que os ídolos, no fim das contas, só colhem
vergonha.
Esse capítulo nos fornece vários vislumbres da capacidade de des-
truição que esses ídolos possuem. Por exemplo, veja o versículo 12:
“O ferreiro apanha uma ferramenta e trabalha com ela nas brasas;
modela um ídolo com martelos, forja-o com a força do braço. Ele
sente fome e perde a força; passa sede e desfalece”. As pessoas podem
se envolver tanto com seus ídolos a ponto de não prestar mais aten-
ção às próprias necessidades físicas. O versículo 13 nos revela que os
ídolos também podem assumir a forma humana: “O carpinteiro [...]
o faz na forma de homem, de um homem em toda a sua beleza, para
que habite num santuário”.
Podemos aplicar isso literalmente. Todas as pessoas, em algum
momento da vida, exaltaram alguém, colocando-o em um lugar que
deveria ser ocupado apenas por Deus.
Mesmo depois de tanta idolatria, no versículo 21 Deus promete:
“... eu não o esquecerei”. A misericórdia divina é indescritível, não
acha? Apesar de o povo de Deus ter se voltado aos ídolos, o Senhor
varreu para longe as ofensas de seus filhos como se fossem uma nu-
vem, e seus pecados como a neblina da manhã. Ao confrontar alguns
ídolos que adoramos em nossa busca por satisfação, jamais devemos
duvidar da misericórdia do Senhor. Ele só pede uma coisa: “Volte
para mim, pois eu o resgatei” (v. 22).
Consegue ver o laço forte que une nossa busca por satisfação e a
adoração de ídolos? O vazio que Deus criou em nossa vida para ele

A oração que liberta - novo form86 86 18/11/2008 13:07:28


O obstáculo da idolatria 87

mesmo preencher exigirá constante atenção. Buscamos desesperada-


mente por algo que nos satisfaça e preencha os espaços vazios. Nosso
anseio por esse preenchimento é tão forte que, quando alguma coisa
ou alguém parece suprir nossa necessidade, sentimos uma fortíssima
tentação de prestar adoração.
Em minha opinião, um dos versículos mais provocadores de
Isaías 44 é o 20. Leia com muita atenção: “Ele se alimenta de cinzas,
um coração iludido o desvia; ele é incapaz de salvar a si mesmo ou
de dizer: ‘Esta coisa na minha mão direita não é uma mentira?’”.
Uma forte convicção toma conta de mim. Por quantas vezes me
alimentei de cinzas, em vez de me banquetear na palavra de Deus
vivificadora? Quantas vezes meu coração iludido me conduziu ao
erro? Por quantas vezes tentei salvar a mim mesma?
Eu poderia colocar o rosto no chão neste momento e louvar Deus
por toda a eternidade por finalmente me despertar para dizer: “Esta
coisa na minha mão direita é uma mentira”. Posso me lembrar de
uma coisa em particular à qual me apeguei praticamente com a pró-
pria vida. Também me recordo do momento angustiante em que
Deus abriu meus olhos para enxergar a mentira na qual eu acredita-
va. Chorei por vários dias.
A princípio, eu achava que aquela mentira era uma coisa boa.
Meu coração, deturpado na juventude, havia me iludido. Embora
não percebesse na época, com o tempo passara a me curvar e adorar
aquilo. Meu único consolo em minha idolatria foi finalmente per-
mitir a Deus livrar minhas mãos; desde então, até onde sei, elas só
agarraram as do Senhor.
Infelizmente, costumo aprender as coisas da pior maneira pos-
sível. Sim, mergulhei até as profundezas antes de descobrir a satis-
fação. Oro para que não me acomode com nada menos até o fim
de meus dias. Tenho plena noção de que Satanás lançará ídolos o
tempo todo diante de mim. Espero nunca me esquecer de que posso
cair novamente.

A oração que liberta - novo form87 87 18/11/2008 13:07:28


88 A oração que liberta

Amado, amada, não importa a que você tem se apegado para pro-
porcionar satisfação: se não é a Cristo, então é uma mentira. Ele é a
Verdade que nos liberta. Se neste momento você está se prenden-
do a alguma coisa em seu anseio por satisfação, será que estaria em
condições de admitir que não passa de uma mentira? Mesmo que
se considere incapaz de se livrar disso por enquanto, acha que po-
deria apresentar esse objeto de idolatria diante do Senhor — talvez
erguendo sua mão fechada como um simbolismo — e confessar que
se trata de um ídolo? Deus não condena você; ele está chamando.
Acha que pode abrir a sua mão diante do Senhor? A mão dele já está
aberta para você.

A oração que liberta - novo form88 88 18/11/2008 13:07:28


ONZE

O OBSTÁCULO DA FALTA DE INTERESSE


NA ORAÇÃO

... todos os que guardarem o sábado deixando de profaná-lo, e que se


apegarem à minha aliança, esses eu trarei ao meu santo monte e lhes
darei alegria em minha casa de oração.
Isaías 56:6-7

O quarto benefício de nosso relacionamento com Deus


é sentir a paz que ele concede. A chave para a paz é a
autoridade — a paz é fruto de uma vida obediente e justa.
A questão da desobediência e da rebelião contra a autoridade
de Deus complica a vida de uma pessoa cativa. Posso dizer a você,
por experiência própria, que em momentos de grande escravidão eu
quis, mais do que nunca, ser obediente a Deus. Em minha rebelião,
eu vivia triste, e não era capaz de entender por que continuava fazen-
do escolhas erradas.
Sim, eram minhas escolhas, e eu assumia total responsabilidade
sobre elas, como meus pecados que eram. No entanto, Satanás me
prendia de tal maneira que eu me sentia incapaz de obedecer ao Se-
nhor, embora quisesse desesperadamente fazer isso. Com certeza, eu
não era tão incapaz assim; mas como acreditava naquela mentira,
agia de acordo com ela.
É provável que você conheça bem o texto de Filipenses 4:6-7:
“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e

A oração que liberta - novo form89 89 18/11/2008 13:07:28


90 A oração que liberta

súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a


paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e
a mente de vocês em Cristo Jesus”.
Resolvi que, para tornar bem claro o impacto desses versículos,
eu me divertiria um pouquinho e parafrasearia a passagem bíblica a
partir de um ponto de vista negativo. Em outras palavras, transfor-
mei essa receita de paz em uma prescrição infalível para produzir
ansiedade. O resultado ficou assim:

Não andem calmos por coisa alguma, mas em tudo, pela insistên-
cia na preocupação e se sentindo perseguidos por Deus, com pen-
samentos do tipo “e essa é a recompensa que recebo”, apresentem
suas irritações a todos, menos ao Senhor. E a gastrite, que trans-
cende a todos os copos de leite possíveis, provocará uma úlcera,
as contas do médico levarão você a ter um enfarte, e você perderá
o juízo.

Sem dúvida alguma, perder o interesse na oração é uma receita


garantida para promover a ansiedade, uma maneira infalível de evitar
a paz. Para sentir o tipo de paz que resiste a qualquer tipo de circuns-
tância, a Bíblia nos desafia a desenvolver uma vida de oração ativa e
autêntica (que gosto de chamar de “substancial”); oração com con-
teúdo de verdade — pensamentos originais que fluem do fundo do
coração, pessoais e íntimos. Com freqüência, fazemos tudo, menos
orar. Nossa tendência é querer algo mais “substancial”. Mesmo o es-
tudo da Bíblia, a freqüência na igreja, as conversas com o pastor ou
a busca de conselhos parecem fatores mais tangíveis que a oração.
Que vitória o inimigo obtém ao nos persuadir a perder o interes-
se pela oração! Ele prefere que façamos qualquer coisa, menos orar;
prefere nos ver servindo a nós mesmos até morrer, pois sabe que,
com o tempo, nós nos tornamos amargurados se não cultivarmos

A oração que liberta - novo form90 90 18/11/2008 13:07:28


O obstáculo da falta de interesse na oração 91

uma vida de oração. O inimigo prefere que estudemos a Bíblia até al-
tas horas da madrugada porque sabe que nunca nos aprofundaremos
na compreensão e no poder a ponto de viver o que aprendemos, caso
nos falte a oração. Ele sabe que a vida sem interesse na oração é uma
vida sem poder, ao passo que vidas de oração são poderosas!
Em Efésios 1, Paulo faz uma lista de bênçãos específicas que po-
demos receber por meio da oração. Ele orou para que seus filhos na fé
recebessem o “espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conheci-
mento dele” (v. 17). Ele pediu a Deus que abrisse os olhos do coração
daquelas pessoas de maneira que pudessem conhecer “a esperança
para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos
santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que
cremos, conforme a atuação da sua poderosa força” (v. 18-19). Quanto
mais conhecemos Deus, mais confiamos nele; quanto mais confia-
mos no Senhor, mais sentimos a paz que ele proporciona quando os
ventos frios sopram contra nós.
Há algum tempo, quando estive em um mercado, chamou-me a
atenção o rótulo de um xarope, segundo o qual aquele produto seria
muito eficaz no alívio do estresse. Eu conseguia ouvir um bebê gri-
tando no outro corredor. Senti um breve impulso de oferecer o xaro-
pe à coitada da mãe que empurrava o carrinho com aquela criança
mal-humorada dentro. Fiquei com muito medo de que ela acabasse
atirando o frasco em mim. Veja bem, este mundo não parece capaz
de oferecer uma solução real e duradoura para o estresse e as tensões
da vida.
Logo depois, voltei a ver o melhor conselho que o mundo tem
para oferecer: “Lembre-se apenas de duas coisas: 1) não esquente a
cabeça com bobagens; e 2) tudo é bobagem. Esse conselho é raso
demais. Nem tudo é bobagem. Tenho uma amiga cujo filho ficou
paralítico depois de um acidente no último ano do ensino médio.
Oro quase todo dia por uma lista de pessoas, cuja idade varia de

A oração que liberta - novo form91 91 18/11/2008 13:07:28


92 A oração que liberta

quatro a 74 anos, que lutam contra o câncer. Recentemente, duas


delas saíram da minha lista e foram para o lar celestial. O marido de
outra amiga preciosa, um cristão sincero e dedicado que tinha um
filho na faculdade, simplesmente perdeu o emprego mais uma vez.
Não faz muito tempo, três tornados devastaram minha cidade natal,
roubando, matando e destruindo o que as pessoas tinham. Não, nem
tudo é bobagem.
A filosofia do mundo se vê na obrigação de minimizar as difi-
culdades porque não dispõe de soluções reais para elas. Eu e você
sabemos mais do que essa filosofia barata. Conseguimos enxergar
as coisas grandes por aí. Apenas por meio da oração podemos ter
acesso à paz.
Está na hora de empurrar para fora do caminho a rocha da falta
de interesse na oração. Trata-se do mais proibitivo obstáculo na es-
trada que leva o cristão à vitória, não importa qual seja a sua busca
específica.
Permita-me compartilhar com você uma das razões pelas quais
acredito que a falta de interesse na oração seja um forte obstáculo.
Quando Satanás mira com precisão em nosso “calcanhar de Aquiles”,
escolhe a hora certa e usa o disfarce perfeito, nenhuma das coisas a
seguir é suficientemente eficaz para nos livrar de cair em uma arma-
dilha do inimigo:

• Disciplina. De alguma forma, em tempos de grande tentação


e fraqueza, a disciplina pode sair voando pela primeira janela
que encontrar, como um pássaro.
• Lições do passado. Não conseguimos pensar com tanta lógica
quando somos surpreendidos por um ataque bem tramado.
• O que for melhor para você. Nossa natureza humana é autodes-
trutiva demais para optar automaticamente pelo que é melhor
nos momentos de maior fraqueza.

A oração que liberta - novo form92 92 18/11/2008 13:07:28


O obstáculo da falta de interesse na oração 93

Nossa mais forte motivação será a Pessoa com quem caminha-


mos. Quando nos mantemos perto de Deus, por meio de comuni-
cação constante, recebemos um suprimento contínuo de força para
caminhar de modo vitorioso e em paz, mesmo tendo que passar por
uma zona de guerra.
Permita-me falar de outra razão pela qual precisamos orar à me-
dida que buscamos a libertação. Satanás fará o possível para remexer
naquilo que Deus prefere ignorar. Lembre-se: Cristo veio para liber-
tar os cativos. Satanás vem para escravizar os libertos. Cristo deseja
cortar alguns laços que amarram a nossa vida. Satanás tentará usar
esses laços para nos prender.
Devemos andar com Cristo passo a passo ao longo desta jornada
para que possamos receber proteção, poder e uma paixão incompa-
rável, conseqüência desse processo. Nenhuma dessas três coisas po-
derá se tornar realidade de outra maneira. O inimigo será derrotado.
Creia nisso e faça acontecer.
A oração faz diferença. Por meio de nossas orações e de outras
pessoas, o Espírito de Deus transforma covardes em conquistadores,
o caos em quietude, os lamentos em consolo. O inimigo conhece o
poder da oração. Há milhares de anos ele tem visto o que ela pode
fazer, por isso fica furioso. Durante o processo de preparação desta
lição, pesquisei todas as utilizações da palavra “orar” e suas varia-
ções, desde Gênesis até Apocalipse. Quase chorei ao me deparar com
centenas de referências.

Abraão orou... Isaque orou... Jacó orou... Moisés deixou a casa do


faraó e orou... depois, Moisés orou pelo povo... Manoá orou ao Se-
nhor... Sansão orou... Ana chorou muito e orou... Davi orou... Elias
avançou e orou... e Eliseu orou, “Ó Senhor”... depois, Jó orou por
seus amigos... e Ezequias orou ao Senhor... Daniel se pôs de joelhos e
orou... de dentro do grande peixe, Jonas orou... bem cedo pela manhã,

A oração que liberta - novo form93 93 18/11/2008 13:07:28


94 A oração que liberta

quando tudo ainda estava escuro, Jesus se levantou, saiu de casa e


partiu para um lugar solitário, onde orou... um pouco mais adiante,
ele colocou o rosto no chão e orou.

Se Cristo procurou fortalecer sua vida divina passando momentos


de intimidade a sós com o Pai, muito mais precisamos nós disso. Não
tenho nenhuma esperança de viver uma vida vitoriosa sem oração.
A Bíblia é um livro de oração. E, como Isaías 56:7 nos lembra, a
presença de Deus é uma casa de oração. Quando a nossa vida chegar
ao fim e o registro de nossos dias na terra se completar, que sejam
lidas estas palavras a nosso respeito: “Então ele orou...”.

A oração que liberta - novo form94 94 18/11/2008 13:07:28


DOZE

O OBSTÁCULO DO LEGALISMO

O Senhor diz: “Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra


com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que
me prestam é feita só de regras ensinadas por homens”.
Isaías 29:13

H á ainda uma última rocha a ser tirada da estrada


antes de podermos nos considerar livres para se-
guir em frente em nossa jornada rumo à liberdade. Como você se
lembra, cada obstáculo que estamos estudando nesta parte do livro
é um impedimento objetivo a um dos cinco principais benefícios de
nossa salvação.
O quinto e último benefício é se deleitar na presença de Deus.
Muitas situações ou circunstâncias podem nos impedir de aproveitar
de fato a presença de Deus. Por exemplo, não passar tempo adequa-
do com ele afetará, em grande medida, nosso puro deleite em sua
presença. Deixar de desenvolver uma vida de oração não apenas rou-
ba a nossa alegria, como também pode alimentar amargura ou raiva
em relação aos outros. Mas a pessoa que estuda a palavra de Deus
em profundidade e passa por uma experiência de falta de alegria no
Senhor geralmente sofre de um problema conhecido por um nome
muito feio: legalismo.
O termo “legalismo” não aparece nas Escrituras, mas ilustra-
ções perfeitas desse problema estão espalhadas pela Bíblia. Cada

A oração que liberta - novo form95 95 18/11/2008 13:07:28


96 A oração que liberta

um dos textos bíblicos a seguir nos ensina alguma coisa a respeito


do legalismo.
Mateus 12:9-14 revela como Jesus curou um homem que sofrera
desde o nascimento com uma deformação na mão. Ora, bastou uma
palavra de Jesus para que ele fosse curado. Mas, como esse milagre
aconteceu em um sábado, “os fariseus saíram e começaram a conspi-
rar sobre como poderiam matar Jesus” (v. 14).
Atos 15 fala sobre uma decisão crucial da igreja primitiva, deci-
são essa que afeta a você e a mim de maneira vital. A igreja estava
crescendo e os gentios tinham a oportunidade de conhecer Cristo.
“Então se levantaram alguns do partido religioso dos fariseus que
haviam crido e disseram: ‘É necessário circuncidá-los e exigir deles
que obedeçam à Lei de Moisés’” (v. 5). Os líderes tiveram de deter-
minar se nos tornamos cristãos simplesmente pela fé em Cristo ou
também pela observação da lei judaica.
Na discussão que se seguiu, Pedro deu o veredicto final. Ele ques-
tionou por que deveria ser colocado “sobre os discípulos um jugo
que nem nós nem nossos antepassados conseguimos suportar? De
modo nenhum! Cremos que somos salvos pela graça de nosso Se-
nhor Jesus, assim como eles também”.
O legalismo apareceu novamente nas igrejas da Galácia. Os
mestres chegaram dizendo aos novos cristãos que eles deveriam
observar a lei judaica para serem salvos. Paulo “abriu o jogo” sobre
o assunto:

Nós, judeus de nascimento e não “gentios pecadores”, sabemos que


ninguém é justificado pela prática da Lei, mas mediante a fé em Je-
sus Cristo. Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos
justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da Lei, porque pela
prática da Lei ninguém será justificado.
Gálatas 2:15-16

A oração que liberta - novo form96 96 18/11/2008 13:07:28


O obstáculo do legalismo 97

Nas passagens bíblicas que acabamos de ver e em muitas outras,


podemos ter um retrato bem vívido do legalismo. Eclesiastes 7:20
fala com clareza a respeito da futilidade do legalismo: “Todavia, não
há um só justo na terra, ninguém que pratique o bem e nunca peque”.
Não podemos agradar Deus ou encontrar liberdade no simples cum-
primento de regras. Nunca foi possível. Nunca será. Infelizmente, a
justiça auto-imputada sempre terá de apelar ao coração humano. Em
minha opinião, o legalismo surge sob três condições:

1. As regras tomam o lugar do relacionamento. Os fariseus tinham


uma compreensão superficial de Deus e não se deleitavam na presença do
Senhor. O sábado pertence por completo a Deus. Ele o criou para benefí-
cio dos seres humanos, e não para nos aprisionar. O maior benefício que
Cristo poderia proporcionar ao homem com a mão defeituosa era um
relacionamento com o Salvador. Ele deu início àquele relacionamento por
meio da cura. Não há muita dúvida a respeito de quem se deleitou mais em
Cristo naquele dia — se foram os fariseus ou o homem que fora curado.
Temos de ser cuidadosos. Quem estuda a palavra de Deus pode deixar
escapar a alegria de sua caminhada cristã ao substituir o relacionamen-
to pelas regras. O legalismo também ocorre quando:
2. O microscópio toma o lugar do espelho. Repare nas palavras de
Mateus 12:10: os fariseus estavam “procurando um motivo para
acusar”. Às vezes, os fariseus de nossos dias praticam um tipo de
voyeurismo religioso, procurando um motivo para acusar os outros.
Tendem a amar uma igreja água com açúcar porque não há entu-
siasmo no relacionamento deles com Deus. Olham para os erros dos
outros para que tenham alguma coisa interessante para fazer na vida.
Sou muito grata pelas oportunidades que tive de testemunhar bem
mais exemplos genuínos de cristianismo verdadeiro na igreja do que
de legalismo insensível. Infelizmente, também já vi muitos cristãos
atenciosos intimidados pelos legalistas de plantão. Concentrar-se

A oração que liberta - novo form97 97 18/11/2008 13:07:28


98 A oração que liberta

demais nos erros dos outros pode impedir um cristão de se deleitar


de fato na presença de Deus. O legalismo também pode ter uma ter-
ceira causa:
3. O desempenho toma o lugar da paixão. Se a motivação de
alguém para a obediência é qualquer outra senão o amor e a devoção
por Deus, isso significa que essa pessoa está ocupada demais com
o legalismo e a caminho de um desastre. A obediência sem amor
nada mais é do que lei. Deus fez uma descrição perfeita do legalismo
em Isaías 29:13: “Esse povo se aproxima de mim com a boca e me
honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adora-
ção que me prestam é feita só de regras ensinadas por homens”.

Paremos um pouco para analisar o que se passa em nosso co-


ração. Deus não mede a nossa temperatura espiritual em razão das
palavras que proferimos; também não o faz a partir das coisas que os
outros nos ensinam; menos ainda pelo serviço que prestamos. Deus
avalia nossa situação espiritual quando olha para o nosso coração.
Há três fortes razões para tirar o imenso obstáculo do legalismo
do caminho antes de prosseguirmos neste estudo bíblico:

1. Esta jornada tem a ver com relacionamentos, e não com re-


gras. O meu desejo é que você se deleite totalmente na presença
de Deus. O Senhor estabelecerá uma relação bem pessoal conosco se
levarmos a sério essa questão de libertação. Às vezes, você terá seus
olhos abertos para enxergar coisas que preferiria não ver. Como sei
disso? Porque também estou nessa jornada! Quando você completar
este estudo e alguém perguntar se gostou, quero que esteja em condi-
ções de dizer, com toda a sinceridade: “Eu me deleitei em Deus!”.
2. Esta jornada tem a ver com você. Antes, escrevi estudos so-
bre personagens bíblicos como Moisés, Davi e Paulo. Dessa vez, cada
um de nós é protagonista.

A oração que liberta - novo form98 98 18/11/2008 13:07:29


O obstáculo do legalismo 99

3. Esta jornada tem a ver com o coração. Oro para que você cresça
em conhecimento, mas não é esse o nosso propósito. Este estudo bíblico
é dirigido ao coração, para que ele seja libertado de todas as cadeias que
o impedem de aproveitar a liberdade abundante proporcionada pela
salvação de Cristo. Faço a você este apelo: não esconda nada de Deus
durante sua jornada rumo à liberdade em Jesus.

Querido ou querida estudante da palavra de Deus, você traba-


lhou duro removendo esses obstáculos da estrada ao longo dos úl-
timos capítulos. Você ainda enfrenta problemas para retirar uma ou
duas dessas barreiras? Então, procure se lembrar: a especialidade do
Senhor é tirar as grandes pedras do caminho. Apresente a ele a rocha
que lhe causa problemas, ponha as mãos sobre as dele, conte até três
e empurre.

A oração que liberta - novo form99 99 18/11/2008 13:07:29


A oração que liberta - novo form100 100 18/11/2008 13:07:29
PARTE III

RUÍNAS ANTIGAS E CORAÇÕES PARTIDOS

A gora damos início à parte mais pessoal de nossa jor-


nada rumo à liberdade. A trilha segue para alguns
lugares onde habita o sofrimento, mas também colheremos ricos
frutos neles.
Continue a memorizar o texto de Isaías 61:1-4 e 43:10, assim
como os benefícios de nossa grande salvação. Em seguida, decore
Isaías 43:6-7, a referência das Escrituras para o benefício número 2:

... De longe tragam os meus filhos,


e dos confins da terra as
minhas filhas;
todo o que é chamado pelo meu nome,
a quem criei para a minha glória,
a quem formei e fiz.

A oração que liberta - novo form101 101 18/11/2008 13:07:29


A oração que liberta - novo form102 102 18/11/2008 13:07:29
TREZE

UM PASSEIO PELAS RUÍNAS ANTIGAS

Eles reconstruirão as velhas ruínas e restaurarão os antigos escombros;


renovarão as cidades arruinadas que têm sido devastadas de
geração em geração.
Isaías 61:4

A prender com os erros dos outros é a essência da sabe-


doria. A escravidão que Isaías profetizou aconteceu
literalmente aos judeus quando os babilônios capturaram o povo de
Judá. Queremos aplicar aos cativeiros interiores os mesmos princí-
pios relacionados ao cativeiro físico.
Ao ler Isaías 61:4, você percebeu o que deveria ser reconstruído
e restaurado? Notou por quanto tempo as velhas ruínas permanece-
ram devastadas? Isaías falou sobre reconstruir, restaurar e renovar as
antigas ruínas e as cidades que tinham sido devastadas por gerações.
Permita ao Espírito Santo que interfira um pouco. Você consegue se
lembrar de alguma ruína em sua vida que acompanhe a história de
sua família durante várias gerações?
Eu posso me lembrar de algumas ruínas antigas na minha famí-
lia. Pode ser que você consiga identificar ruínas como a do alcoolis-
mo, do jogo, da pornografia, do racismo, ou mesmo de contendas
familiares, de graves fobias ou de suicídio de parentes. Discutiremos
algumas dessas situações conforme prosseguirmos em nosso estudo.

A oração que liberta - novo form103 103 18/11/2008 13:07:29


104 A oração que liberta

Até lá, vamos analisar esse conceito para esclarecer como podemos
aplicar, em âmbito pessoal, a idéia de reconstrução de antigas ruínas
na nossa vida e de nossos familiares.
Sou muito grata pela capacidade que Deus tem de fazer as coisas
na hora certa: estou escrevendo esta parte do estudo logo depois de
voltar da Grécia e de Roma. Deus nos permitiu refazer vários trajetos
percorridos pelo apóstolo Paulo, e ficamos maravilhados ao observar
as ruínas de antigas cidades, como Éfeso, Corinto e Roma.
Por que as pessoas se reúnem para ver velhas ruínas? Porque re-
velar a herança de qualquer sociedade é importante para compreen-
der o desenvolvimento de seu povo atual. Olhar para trás em busca
dos motivos certos e da maneira certa nos capacita melhor a olhar
para a frente. É exatamente com isso que esta parte de nosso estudo
tem a ver: olhar para trás. Não perca a paciência comigo. Precisamos
reunir coragem e parar diante das velhas ruínas para ver o que pode-
mos aprender a respeito de nós mesmos.
Temos de analisar as áreas de devastação ou derrota que perma-
necem em nosso legado familiar por gerações. Em seguida, podemos
identificar os laços que devem ser rompidos. Muitos jugos costumam
ser impostos por relacionamentos prejudicados, e muitas vidas são
transformadas em ruínas por causa de perdas, tragédias pessoais, ve-
lhas brigas de família e legados de ódio. Gerações são transformadas
em escombros, tal como a vida de muitas pessoas que se recusam a
ser transformadas.
Existe uma razão crucial para confrontarmos as fortalezas es-
pirituais que permanecem ao longo das gerações: a não ser que as
identifiquemos deliberadamente, é possível que permaneçam qua-
se irreconhecíveis, mas nem por isso benignas. As ruínas familia-
res continuam sendo sementeiras de todos os tipos de destruição.
Temos a tendência de pensar na bagagem passada de uma geração
a outra como parte do que somos, e não como algo a que estamos

A oração que liberta - novo form104 104 18/11/2008 13:07:29


Um passeio pelas ruínas antigas 105

presos. Em muitos casos, crescemos com essas cadeias, por isso elas
nos parecem absolutamente naturais. Estamos prontos a considerá-
las parte de nossa personalidade, e não como um jugo a nos drenar
a vida abundante.

No início do século XX, os pais de Claire morreram em meio a uma


epidemia. Ela foi obrigada a viver com o irmão mais velho. O dinhei-
ro era pouco. Por isso, em nome de Claire e sem que ela soubesse,
o irmão aceitou uma proposta de casamento de um homem idoso,
porém próspero. Esse marido acabou se revelando uma pessoa cruel
e violenta. Depois de ter duas filhas com Claire, ele deixou a família
sem dinheiro algum porque a mulher não foi capaz de lhe dar um fi-
lho homem. Claire encontrou refúgio em Cristo como seu Salvador,
mas nunca permitiu que sua vida fosse reconstruída. Claire morreu
antes que sua neta e sua bisneta chegassem a conhecê-la. Elas nunca
foram órfãs nem foram agredidas pelo marido; no entanto, todas
elas (com exceção de uma) enfrentaram um problema de falta de
confiança e medo dos homens que mal podiam reconhecer, e menos
ainda entender.

Você pode dizer: “Mas, Beth, esse cenário mais se parece com
o de um comportamento assimilado do que com uma fortaleza es-
piritual maligna”. Eu respondo dizendo o seguinte: qualquer coisa
que recebamos como legado e nos iniba de expressar plenamente a
liberdade que deveríamos ter em Cristo pode ser classificada como
um tipo de escravidão. Nosso objetivo não é contrapor a genética ao
ambiente em que uma pessoa é criada, e sim encontrar a liberdade de
tudo quanto limita nossa vida em Cristo.
Você consegue pensar em algum exemplo de escravidão que te-
nha passado de uma geração a outra em sua família? Talvez se lem-
bre de preconceito, algum vício ou rancor; há uma quantidade imensa
de legados malignos que as famílias compartilham às vezes!

A oração que liberta - novo form105 105 18/11/2008 13:07:29


106 A oração que liberta

Eu e você concordaríamos sem dificuldade que esses cenários são


muito tristes. E quer saber de algo mais triste ainda? Isso não deveria
acontecer com as pessoas que estão em Cristo. A cruz do Calvário é
suficiente para nos libertar de todo tipo de jugo; e a palavra de Deus é
suficiente para fazer da liberdade uma realidade prática, não importa
o que aqueles que nos precederam tenham deixado como herança.
Mas a palavra do Senhor deve ser aplicada a específicas necessidades
da vida.
Permitamos que a palavra de Deus nos ajude a formular uma
abordagem moderna a respeito de nossas antigas ruínas por meio de
dois conceitos. Podemos encontrar o primeiro deles em Mateus 1:1-16
— a genealogia de nosso Senhor. A árvore genealógica de Jesus inclui
muita gente imperfeita, como a prostituta Raabe (Js 2:1-7) e Manas-
sés, um rei indescritivelmente odioso (2Cr 33:1-17).

Até mesmo Cristo tinha uma mistura de elementos positivos e


negativos em sua linhagem
Cada um de nós possui uma mistura de coisas boas, ruins e feias
em nossa linhagem. Nosso propósito não é tirar velhos esqueletos
do armário ou nos envolver em contendas familiares de espécie
alguma. Só precisamos nos assegurar de que não herdamos nenhu-
ma cadeia que possa interferir nos benefícios inestimáveis de nos-
so relacionamento de aliança com Cristo. Ele quebrou as cadeias
de todos os tipos de escravidão quando entregou sua vida por nós.
No entanto, muitos ainda carregam esses grilhões nas mãos ou
presos ao pescoço por puro hábito, falta de noção ou de conheci-
mento bíblico. Precisamos reconhecer os laços passados de uma
geração a outra em nossa família e pedir a Deus que os remova.
Quando falo sobre algo que possamos ter herdado, eu me refiro a
qualquer coisa que tenhamos aprendido no ambiente em que fomos
criados, a que sejamos geneticamente predispostos ou que exerça

A oração que liberta - novo form106 106 18/11/2008 13:07:29


Um passeio pelas ruínas antigas 107

uma influência negativa passada de uma geração a outra por outros


meios. Repito: não estou me dirigindo a você tendo por base a ciên-
cia ou a psicologia, mas em nome de uma declaração feita com forte
ênfase em Gálatas 5:1: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou”.
Pode ser que você tenha herdado uma escravidão tão forte que mal
consegue suportar a idéia de olhar para o passado. Minha oração
especial é para que Deus ajude você a ver alguns pontos positivos
também. Até hoje me lembro da primeira vez em que lidei com as
lembranças do que sofri na infância. Meu impulso inicial foi acre-
ditar na mentira de Satanás e que minha infância inteira havia sido
uma completa ruína. Com o tempo, percebi que estava errada. Sim,
passei por algumas experiências muito ruins, mas também posso ver
a mão misericordiosa de Deus em vários aspectos positivos de meu
passado.
Se você comparar Mateus 1 e Gálatas 3 com atenção, verá algo
maravilhoso a respeito da nossa linhagem em Cristo. Mateus 1:1
afirma: “Registro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho
de Abraão”. Paulo escreveu sobre nossa linhagem em Cristo: “E, se
vocês são de Cristo, são descendência de Abraão e herdeiros segun-
do a promessa” (Gl 3:29). Quando reconhecemos a nossa linhagem
dentro da própria árvore genealógica de Cristo, podemos nos alegrar
nas palavras do Salmo 16:6: “As divisas caíram para mim em lugares
agradáveis: Tenho uma bela herança”.

Não precisamos abrir mão de nossa herança nem desonrar


nossa linhagem física para aceitar e assumir por completo
nosso legado espiritual
Deus reconhece e deseja usar as duas linhagens para a glória dele.
Nosso legado espiritual pode subjugar e inabilitar todo tipo de efei-
to negativo de linhagem física. Todos nós possuímos uma “bela he-
rança” em Cristo (Sl 16:6). Para aqueles que sentem terem herdado

A oração que liberta - novo form107 107 18/11/2008 13:07:29


108 A oração que liberta

muitos elementos negativos, aceitar com alegria essa verdade torna


menos doloroso olhar para o passado.
Quero que você olhe pela primeira vez para o passado, tanto para
os pontos positivos quanto para os negativos do legado que recebeu.
Não permita que o inimigo se aproxime com um espírito de opres-
são. Vamos manter uma abordagem positiva mesmo no que diz res-
peito a nossos pontos negativos, pois apresentá-los diante de Deus é
o primeiro passo para o processo de cura e a obtenção de liberdade.
Se você se deparar com qualquer coisa dolorosa, agradeça a Deus
imediatamente por ele estar pronto e disposto a dissipar todas as coi-
sas que você herdou e estão prendendo a sua vida.
Em primeiro lugar, lembre-se dos cinco benefícios de nosso rela-
cionamento de aliança com Cristo. Deus deseja que eu e você creia-
mos nele, que o glorifiquemos e encontremos nele a nossa satisfação,
sintamos a paz que o Senhor proporciona e nos deleitemos em sua
presença.
Por favor, lembre-se: nosso propósito é reconhecer o que herda-
mos ou como fomos influenciados positiva ou negativamente, e não
encontrar culpados. Quando peço a você que reveja os pontos posi-
tivos e negativos, pense em termos da influência, da potencialização
ou do impedimento dos cinco benefícios em sua vida. Por favor, pare
um pouco e peça ao Senhor que revele ou traga à lembrança qual-
quer informação pertinente ao nosso estudo.
Quero pedir a você que faça mais do que apenas ler o exercício a
seguir. No mínimo, dedique algum tempo a refletir sobre cada parte
do seu legado familiar. Você se beneficiará mais se colocar as per-
guntas no papel e as respostas em um diário. Faça uma análise das
influências positivas e negativas de seus pais e avós. Caso nunca os
tenha conhecido, substitua-os pelas pessoas que criaram você.
Pense em seus avós maternos. De que maneira seu avô influen-
ciou positivamente a sua vida? Como ele a influenciou negativamen-
te? E quanto a sua avó materna? Com que elementos positivos ela

A oração que liberta - novo form108 108 18/11/2008 13:07:29


Um passeio pelas ruínas antigas 109

abençoou sua vida? Que atitudes ou comportamentos negativos você


aprendeu com ela?
Como eles afetaram seus sentimentos em relação a Deus? Como
influenciaram seus sentimentos a respeito do amor e do sexo opos-
to? Eles lhe transmitiram segurança neste mundo ou destruíram esse
sentimento em seu coração? Se você tivesse um cesto de lixo e uma
estante de troféus, o que apresentaria como bênçãos legadas por eles
a sua vida? Do que você precisa para se livrar do lixo?
Você consegue se lembrar de alguma razão pela qual os elemen-
tos negativos se tornaram realidade na vida deles? Se a resposta for
“sim”, esses fatores ajudam você a compreender ou mesmo perdoar
os erros e as negligências?
Depois de analisar o legado de seus avós maternos, pare e ore por
eles (se estiverem vivos) e pela influência que exerceram sobre sua
vida. Agradeça a Deus pelas coisas que você colocou na estante de
troféus. Peça ao Senhor que ajude você a jogar o lixo fora. Por favor,
não tenha pressa de terminar esse exercício.
Agora, repita o exercício acima com seus avós paternos. Depois
de orar sobre a influência deles, proceda da mesma maneira em rela-
ção aos seus pais. Mais uma vez, pode ser que você precise substituir
a figura deles pela das pessoas responsáveis por sua criação.
Talvez você encontre certa dificuldade para realizar esse exercício.
Certamente precisará dedicar um tempo específico para cada parte
de sua família. Pense na possibilidade de marcar essa parte e voltar
a refletir sobre ela mais tarde. Não fique patinando nesse ponto, mas
também não precisa ter pressa.
Pode ser que você tenha reconhecido antigas ruínas em algumas
gerações de sua família. Agradeça a Deus porque, embora seja im-
possível mudar o passado, o Senhor pode ajudá-lo a mudar a maneira
como você está lidando com ele! E as mudanças que ele promove em
sua vida no presente certamente podem transformar o seu futuro!

A oração que liberta - novo form109 109 18/11/2008 13:07:29


Q U AT O R Z E

O ANTIGO MARCO

Não mude de lugar os antigos marcos que limitam as propriedades e


que foram colocados por seus antepassados.
Provérbios 22:28

C onforme prosseguimos em nossa jornada rumo à terra


da liberdade, pode ser que tenhamos de demonstrar
muita coragem! Nossa viagem nos conduzirá a antigas ruínas nesta
parte de nosso estudo para assimilarmos algumas lições de História.
Repito: nosso objetivo não é condenar ou desonrar as pessoas que
nos deixaram algum legado, mas identificar as barreiras de nosso
presente resultantes da escravidão de nossa família no passado. Em
nossa lição anterior, destacamos duas coisas das quais queremos nos
lembrar:

1. Até mesmo Cristo tinha uma mistura de elementos positivos


e negativos em sua linhagem.
2. Não precisamos abrir mão de nossa herança nem desonrar
nossa linhagem física para aceitar e assumir por completo nosso le-
gado espiritual.

Quando pensamos em Êxodo 20, automaticamente imaginamos


um dos Dez Mandamentos. Vamos dar uma olhada nesse capítulo

A oração que liberta - novo form110 110 18/11/2008 13:07:29


O antigo marco 111

a partir de um contexto apropriado. Antes de Deus proclamar os


Dez Mandamentos aos filhos de Israel, ele se identificou, dizendo:
“Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te tirou do Egito, da terra da
escravidão” (v. 2). Uma das maneiras vitais de ver os Dez Manda-
mentos é como um plano para manter a pessoa livre da escravidão.
Eles demarcam os limites que garantem nossa segurança e nossa
proteção.
Provérbios 22:28 afirma: “Não mude de lugar os antigos marcos
que limitam as propriedades e que foram colocados por seus ante-
passados”. Esse antigo marco era parecido com uma cerca. Ele servia
como um recado visual, informando o que pertencia ao dono da
terra e o que estava além de seus limites legais. Ele alertava as pes-
soas de que estavam indo além do que deviam. Os Dez Mandamentos
de Deus constituem o marco definitivo. Não temos a liberdade de
mudá-los de posição de acordo com a nossa conveniência.
Você pode estar se perguntando o que os antigos marcos têm a
ver com um estudo sobre velhas ruínas — praticamente tudo. Aque-
les que vivem além dos limites voltarão ao cativeiro. E não é só isso:
eles deixarão a estrada em péssimo estado para a passagem das gera-
ções seguintes. Para compreender o que significa a escravidão pas-
sada de uma geração a outra, vamos nos arriscar a abordar o assunto
de uma maneira desconfortável, dando uma olhada no pecado he-
reditário. As duas coisas estão intimamente ligadas por, pelo menos,
duas razões:

1. Toda escravidão começa com o pecado. No livro de Êxodo, a


nação de Israel estava em escravidão por causa dos pecados de seus
capatazes. No livro de Isaías, a nação de Judá estava caminhando
rumo ao cativeiro por causa do próprio pecado.
2. Toda escravidão promove o pecado. Não exige, mas promove.
Permita-me usar uma ilustração para explicar: todos os comerciais

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112 A oração que liberta

de televisão promovem produtos. Eu não tenho de comprar, mas,


sendo bem realista, em alguns casos eu tenho de ser bem forte para
assistir sem comprar, pelo menos, alguns deles. Da mesma maneira,
toda escravidão intensifica muito o impulso ao pecado. Acredito que
uma pessoa que cresce sob os efeitos de uma escravidão hereditária
geralmente luta, de alguma forma, contra o pecado que esse cativei-
ro promove.

A ligação entre a escravidão passada de uma geração a outra e o


pecado hereditário é o que gera esse ciclo tão complicado. Alguém
muda de lugar os antigos marcos e decide viver a partir das próprias
regras. A vida além do marco de limite conduz à escravidão; a es-
cravidão conduz ao pecado; e o pecado conduz à mais escravidão. O
ciclo não pára até que alguém tem coragem suficiente para recolocar
o antigo marco no lugar que Deus havia determinado.
Êxodo 20:5 reflete o ciclo que acabei de identificar: “Não te pros-
trarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, o
teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus
pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam...”.
Quero romper os ciclos negativos de minha herança familiar.
Acredito que você deseje a mesma coisa para a sua família. Uma das
razões pelas quais o nosso estudo se chama A oração que liberta é
porque muitas pessoas lidam com velhos ciclos que precisam ser
rompidos e, por isso, precisam de libertação. Valendo-nos de nossa
determinação e força, talvez até tenhamos conseguido enfraquecer
um pouco esses ciclos, mas eles nunca serão quebrados sem Deus. E
não há como ele reconstruir se não houver nada quebrado.
Os mandamentos do Senhor — seus antigos marcos — não foram
determinados para escravizar as pessoas, mas para libertá-las. Ele é
um Deus bom e sábio, que sabe o que é melhor para nós. Até mesmo
o zelo que tem é para o nosso bem, e não para o mal. Trata-se de

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O antigo marco 113

um zelo santo (2Co 11:2). Ter um zelo santo significa ter zelo por
alguém, e não contra alguém.
O conceito de zelo divino é uma pedra de tropeço para algu-
mas pessoas. É óbvio que, quando Deus faz referência a si mesmo
como Deus zeloso, em Êxodo 20:4-5, ele certamente não falava em
zelo pelos ídolos. Ele tem zelo por seus filhos. Ele sabe que todos
os outros deuses deste mundo são como nada (Is 41:21-24). Eles
não possuem glória alguma nem podem oferecer salvação. Tudo
quanto os ídolos podem fazer é desviar a atenção do único e ver-
dadeiro Deus, o único digno de nosso louvor, o único Libertador
verdadeiro.
Deus também é Doador por sua própria natureza. Ele deseja
abençoar. Quando nos voltamos a outros supostos deuses, geralmen-
te obrigamos o Senhor a reter a sua bênção e sua mão doadora.
A segunda peça de tropeço em Êxodo 20:5 é a palavra “casti-
go”. “Visito” (RA) reflete um pouco melhor o termo em hebraico. A
palavra original é paqadh, e alguns de seus sentidos são “inspecio-
nar”, “examinar”, “enumerar”, “ser depositado”, “visitar” no sentido
de “convocar”. Também era uma palavra usada para a realização de
um censo.
Deus não castiga os filhos pelos pecados de seus pais. Veremos
essa verdade com clareza em nosso estudo a respeito de Ezequiel 18,
no capítulo 16 deste livro. Em Êxodo 20:5, acredito que Deus esteja
dizendo o seguinte: ele é capaz de examinar ou calcular todas as ve-
zes nas quais os efeitos dos pecados dos pais podem ser encontrados
nas gerações seguintes. Ele pode enumerar aqueles que têm sido ne-
gativamente afetados pelos pecados dos pais e avós.
Por exemplo, se um entrevistador de um instituto de pesquisa fi-
zesse um censo do número de alcoólicos em três gerações de uma
família cujo patriarca tivesse o mesmo vício, é bem provável que a
contagem fosse alta. Por quê? Bem, porque o alcoolismo foi inserido

A oração que liberta - novo form113 113 18/11/2008 13:07:30


114 A oração que liberta

na linhagem. Esse vício se manifestou, e vários filhos e netos se sub-


meteram a ele.
Antes que nós, pais, morramos de medo, lembremos de que
Deus é o único Pai perfeito. Ele não amaldiçoa três ou quatro gera-
ções por causa da simples fraqueza de um pai. Na verdade, não creio
que ele esteja amaldiçoando ninguém. Acredito que Deus esteja se
referindo a um fenômeno natural que pode ser encontrado nas pa-
lavras contundentes de Oséias 8:7: “Eles semeiam vento e colhem
tempestade”. Pais e avós devem tomar muito cuidado com aquilo
que semeiam, pois podem colher tempestade para si e para a vida
de seus descendentes.
Repare no contexto do alerta em Êxodo 20:5. O decreto de Deus
concernente ao pecado hereditário segue-se ao mandamento contra
os ídolos. Por que você acha que pais e avós devem ser alertados com
tanta ênfase sobre os perigos de buscar outros “deuses” e se curvar
diante de ídolos?
Tenha em mente que a idolatria envolve qualquer coisa ou pessoa
que adoremos, que usemos para substituir Deus ou, de um jeito ou de
outro, tratamos como um deus. Pelo fato de apenas Cristo poder nos
salvar, todos os outros deuses ou ídolos só podem escravizar; portanto,
pais escravizados ensinam os filhos a viver em escravidão, mesmo que
tenham a melhor intenção possível de proceder de outra maneira.
Há muitos anos guardo uma citação de It’s Always Something [Há
sempre um motivo], de Gilda Radner. Os últimos parágrafos ofere-
cem uma lição de vida à qual todo pai e toda mãe deveriam prestar
atenção:

Quando eu era pequena, o primo de minha babá, chamada Dibby,


tinha uma cadela. Não passava de uma vira-lata, mas estava grá-
vida. Não sei por quanto tempo as cadelas ficam grávidas, mas ela
estava a ponto de ter sua ninhada em, no máximo, uma semana.

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O antigo marco 115

Certo dia, ela estava do lado de fora, no jardim, no caminho da


máquina de cortar grama, e teve as duas patas traseiras arran-
cadas. As pessoas correram com ela até o veterinário, que disse:
— Posso amputar as patas agora ou, se vocês quiserem, podemos
sacrificá-la. No entanto, os filhotes estão bem. Ela poderá ter os
filhotes.
— Mantenha a cadela viva — disse o primo de Dibby.
Assim, o veterinário fez a amputação, e durante a semana seguinte a
cadela aprendeu a caminhar. Ela não se preocupou com nada; ape-
nas aprendeu a caminhar dando dois passos com as patas da frente
e virando as costas, depois dando mais dois passos e virando as cos-
tas outra vez. Aquela cadela deu à luz seis lindos filhotinhos, todos
com saúde perfeita. Ela cuidou deles e, mais tarde, os desmamou. E,
quando aprenderam a andar, faziam igual a ela.1

Pode ficar à vontade para rir por alguns segundos. Em seguida,


leve a sério essa história. A data em que li esse trecho do livro era
exatamente 13 de julho de 1989. Sabe por que me lembro disso tão
bem? Porque, depois de chorar muito, resolvi fazer qualquer coisa
e tudo quanto Deus desejasse (independentemente da dificuldade)
para garantir que minhas duas filhas preciosas não crescessem an-
dando como a mãe, que era a vítima. Ou como a mãe da mãe delas.
Digo isso com grande amor e o devido respeito. Eu estava ten-
tando fazer o melhor possível até aquele período tão importante de
minha vida, mas ainda havia áreas de escravidão que eu acreditava
que não afetariam minhas filhas. Por fim, encarei o fato de que eu
tinha de quebrar todas as cadeias. Mesmo uma cadeia fraca pode lhe
roubar a vida.
Para o louvor e a glória de nosso Deus redentor, no momento
em que escrevo este livro, Amanda está na faculdade e Melissa está

1
New York: Avon, 1989, p. 268-269.

A oração que liberta - novo form115 115 18/11/2008 13:07:30


116 A oração que liberta

terminando o ensino médio. Até agora, não vejo nenhum sinal de


que vivam como “vítimas”. Mesmo assim, não tenha dúvidas de que
pretendo ficar de olho. Com grande determinação, oro para que,
caso elas andem como eu agora, o façam com sinceridade e livres em
Deus. Eu encontrei a liberdade ficando bem ao lado do Senhor. Que-
brar esse ciclo tem sido uma tarefa muito difícil, mas a liberdade
gloriosa que Deus me deu vale a pena, pois ele mesmo vale a pena.
E acontece que ele pensa o mesmo a seu respeito.
Percebo que esta lição foi bem pesada, mas nosso objetivo não se
limita a aprender a Bíblia. Deus quer a totalidade de seu coração, e
não uma mente privilegiada. Estamos em uma jornada, por isso po-
demos colocar tudo na mala e nos dirigir a um lugar onde sejamos
capazes de nos deleitar com liberdade em nosso relacionamento de
aliança com Cristo — um espaço assegurado pelos antigos marcos.
Se esses assuntos são difíceis para você, tenha coragem. O inimi-
go está torcendo para que continuemos negando a verdade, em vez
de encará-la e permitir que a palavra de Deus penetre em nossa vida
e nos liberte. Se o tema da escravidão e do pecado hereditários não
parece se aplicar a você, pergunte a Deus como ele deseja usar essa li-
ção em sua vida. Para desenvolver a sua compaixão? Para aprofundar
a sua compreensão? Em minha opinião, a maioria de nossas “linha-
gens” poderia fazer um “realinhamento”. Convidemos Deus para que
cuide de nossa vida particular. Ele é o perfeito Conselheiro familiar.

A oração que liberta - novo form116 116 18/11/2008 13:07:30


QUINZE

A ANTIGA SERPENTE

... a fim de que Satanás não tivesse vantagem sobre nós; pois não
ignoramos as suas intenções.
2Coríntios 2:11

T enho muitas razões para abordar a questão do papel


de Satanás na escravidão da maneira como o fare-
mos. Não quero que ele receba nenhuma glória, de jeito nenhum.
Este estudo é sobre quem somos em Cristo e como viver na liberda-
de que recebemos. Focaremos alguns artifícios do inimigo porque
ele está profundamente envolvido nas questões relacionadas aos
pecados hereditários e à escravidão que uma geração transmite à
seguinte.
Repare como o texto de Apocalipse 12:9 retrata Satanás: “gran-
de dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada Diabo
ou Satanás, que engana o mundo todo”. Satanás é tão antigo quanto
enganador. A “antiga serpente” anda por aí há muito tempo. Pode-
mos presumir, com segurança, que ele e seu bando sabem mais sobre
nossa herança familiar do que a mais extensa pesquisa genealógica
poderia revelar. Se é verdade que conhecimento é poder, nosso ini-
migo é bem poderoso. Se ele pode usar nossa herança terrena para
nos enganar, tenho certeza de que ele o fará.

A oração que liberta - novo form117 117 18/11/2008 13:07:30


118 A oração que liberta

Contudo, apesar de milhares de anos de existência, não acho que


a antiga serpente seja muito pródiga em termos de idéias novas. É
provável que Satanás tente usar conosco a mesma isca que usou para
atrair as pessoas que nos precederam na família. Ele começa com o
óbvio e vê se aquilo que funcionou com os pais funcionará também
com os filhos. Talvez não seja uma tática das mais criativas, mas é
muito eficiente.
Meu marido nunca foi muito chegado a um de seus avôs. Segun-
do Keith, esse avô permitiu que seu temperamento descontrolado
destruísse por completo sua família. Ainda me lembro de ouvir Keith
comentar: “Os momentos mais assustadores de minha vida foram
quando notei vislumbres daquele mesmo tipo de raiva refletidos em
um de meus pais”.
Quando Keith se tornou pai, toda vez que demonstrava o menor
sinal de raiva ao reagir diante de alguma situação, o inimigo o ata-
cava com pensamentos acusadores, do tipo: “Veja só, você é igual a
eles!”. Depois disso, Keith costumava se sentir deprimido. Admiro
meu marido pela maneira como levou esse problema ao Senhor e
permitiu que Deus o tratasse com a Verdade, de modo que a cadeia
pudesse ser quebrada.
Veja bem, toda vez que Keith ficava zangado por um motivo qual-
quer, Satanás via naquilo uma dupla oportunidade. Se pudesse tentar
Keith a perder o controle e aumentar a voz ou falar além do que de-
via, o inimigo mataria dois coelhos com uma cajadada: levaria meu
marido a pecar em sua raiva e a perder a esperança sobre a possibili-
dade de um dia conseguir mudar seu comportamento.
Tome essa experiência como algo pessoal por alguns momentos.
Que comportamento você vê em sua vida que também lhe desagra-
dava em seus pais ou avós?
O texto de 2Coríntios 11:3 nos fornece outra imagem de Satanás.
Paulo escreve o seguinte às pessoas que ele havia levado a Cristo: “O

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A antiga serpente 119

que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva
com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua
sincera e pura devoção a Cristo”.
Esse versículo mostra que Satanás é um enganador cujo objetivo
é nos desviar da verdade. Quero enfatizar o fato de ele ser astuto e su-
til. Quanto menos se percebe a obra de Satanás, menor a capacidade
de resistir a ele. Como chegamos à conclusão antes, um dos perigos
de um jugo hereditário é que ele se mistura com facilidade à nossa
vida e à nossa família.
Deus me concedeu uma visão assustadora, porém muito útil,
poucos dias antes de escrever esta parte do livro. Eu e Keith está-
vamos caminhando no interior, levando nosso cachorro para pas-
sear. De repente, Keith me agarrou e disse: “Não se mexa!”. Nós nos
deparamos com uma cobra imensa, a maior que já tínhamos visto,
enrolada no meio da trilha, poucos metros à nossa frente. Keith viu
a cobra porque é um caçador. Consegue ver criaturas camufladas
com facilidade!
Podemos refletir a respeito das sutilezas e das camuflagens que
Satanás usa. Fardos hereditários costumam passar despercebidos
porque se misturam bem à nossa personalidade. Justificamos alguns
desses fardos, dizendo simplesmente que são assim mesmo, e isso
é normal. Podemos até chegar a ponto de afirmar: “Minha mãe era
desse jeito, assim como a mãe dela! Somos apenas mulheres francas
que sabemos o que queremos da vida!” Ou então: “Meu avô ensinou
meu pai a não aceitar esmola de ninguém. Somos pessoas orgulho-
sas, por isso também não vou aceitar esmola”.
Você pode estar começando a distinguir uma cadeia bem ca-
muflada que acabou herdando. Não precisa pensar assim: “Bem,
estou preso a isso, por isso também devo me orgulhar”. Em Cris-
to, não estamos presos a nada além do próprio Salvador. Louve o
nome de Jesus!

A oração que liberta - novo form119 119 18/11/2008 13:07:30


120 A oração que liberta

Você se surpreenderia se soubesse que as Escrituras contêm uma


receita para quebrar uma das formas mais fortes de escravidão fami-
liar. Ela se chama “perdão”. Observe o que Paulo diz a respeito disso
em 2Coríntios 2:10-11: “... perdoei na presença de Cristo, por amor a
vocês, a fim de que Satanás não tivesse vantagem sobre nós; pois não
ignoramos as suas intenções”.
O inimigo é especialista em tirar vantagem de nossa recusa a per-
doar. Vou descrever um cenário bastante corriqueiro. Determinada
família está em pé de guerra por causa de uma empresa. Os irmãos,
já adultos, deixam de se falar e não permitem que os filhos de um e
outro convivam entre si. Guardam sentimentos negativos por tanto
tempo que, por se recusarem a perdoar, acabam se tornando incapa-
zes desse gesto.
Esse câncer da falta de perdão se espalha por outros tipos de rela-
cionamento. Os netos e os bisnetos sabem pouca coisa sobre a briga
que deu origem à divisão. Na verdade, sabem pouco a respeito um
do outro. Eles não têm quase nada em comum, a não ser o fato de a
maioria deles estar furiosa com alguém o tempo todo.
Se a nossa origem é uma família ampla, mas cheia de desavenças,
pode até ser que nem nos sintamos afetados por isso, mas é pouco
provável. Um sentimento de divisão é um efeito negativo por si. Tal-
vez o distanciamento seja uma característica presente em sua família
há muitas gerações — há tanto tempo que você nem estranha mais!
Sejamos corajosos e perguntemos a Deus se estamos perpetuando a
divisão e a incapacidade de perdoar em nossa família.
A respeito de Satanás, 1Pedro 5:8 afirma: “O Diabo, o inimigo de
vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa
devorar”. A conclusão é a seguinte: Satanás procura devorar qualquer
coisa que — se você me permitir um neologismo — seja devorável
ou vulnerável.
Os pecados dos pais aumentam a vulnerabilidade dos filhos até
a terceira e a quarta gerações (Êx 20:5). Quando ainda era criança,

A oração que liberta - novo form120 120 18/11/2008 13:07:30


A antiga serpente 121

minha avó materna perdeu os pais. Anos depois, perdeu o marido


e, com isso, teve de criar minha mãe sozinha na época da Grande
Depressão. Minha querida mãe batalhou contra suas inseguranças
durante a vida inteira.
Quando comecei a buscar plenitude em Cristo, finalmente reuni
a coragem necessária para perguntar a ele em que área eu era vulne-
rável. Jesus me revelou que eu temia não ter ninguém que cuidasse
de mim; e, se eu não permitisse a ele curar essa parte de meu ser, eu
me tornaria uma pessoa vulnerável a relacionamentos doentios. Isso
só faz sentido se pensarmos em termos de uma cadeia de inseguran-
ça transmitida de uma geração a seguinte durante muito tempo.
Eu e Deus trabalhamos duro em relação a essa questão, e me sinto
muito feliz por isso. Embora meus pais tenham sido maravilhosos e
meu marido seja um provedor excelente, a realidade é esta: Deus é
minha única garantia. Aquele que conhece todas as minhas neces-
sidades é o Único capaz de satisfazê-las. Só ele pode prover tudo de
que preciso de uma forma total e completa, mas não podemos nos
livrar de cadeias que sequer sabíamos que estávamos carregando!
Lembre-se de João 8:32: confrontar a verdade de nosso passado
ou de nosso presente não será o suficiente para nos curar. É encaran-
do a verdade à luz da Verdade Divina (a palavra de Deus e o Filho
de Deus) que somos libertados! Toda vez que o inimigo tentar usar
a linhagem física de uma pessoa contra ela, é importante usar a li-
nhagem espiritual contra ele! Como filho de Deus e co-herdeiro em
Cristo, recuse-se a ceder ao inimigo um centímetro sequer do solo
que estamos tomando de volta.

A oração que liberta - novo form121 121 18/11/2008 13:07:30


DEZESSEIS

INSPECIONANDO AS ANTIGAS RUÍNAS

Contudo, vocês perguntam: “Por que o filho não partilha da culpa


de seu pai?”. Uma vez que o filho fez o que é justo e direito e teve o
cuidado de obedecer a todos os meus decretos, com certeza ele viverá.
Ezequiel 18:19

I dentificamos algumas ruínas antigas e reunimos algumas


informações estratégicas a respeito da serpente, que é
uma especialista nisso. Agora estamos em condições de examinar a
planta para reconstrução de nossas antigas ruínas. Eu prometi ofe-
recer provas bíblicas de que Êxodo 20:5 não significa que as crianças
carregam a culpa dos pecados de seus antepassados. Sentir os efeitos
dos pecados das gerações anteriores e assumir a culpa por eles são
duas interpretações bem diferentes. No primeiro caso, Deus opera a
cura; no segundo, alivia o fardo desnecessário.
Ezequiel 18 aborda os pecados dos pais e dos filhos (não excluin-
do as mães e as filhas). O lugar mais óbvio para descobrir antigas
ruínas é na geração anterior, pois é a mais recente.
Sua origem pode ser uma família saudável (coisa rara) e, por essa
razão, não se identificar muito com esse assunto por conta de sua
experiência pessoal. Talvez esta lição ajude você a compreender o
comportamento de uma pessoa amiga. Por outro lado, é possível que
você descenda de uma família que vive o extremo oposto e não veja

A oração que liberta - novo form122 122 18/11/2008 13:07:30


Inspecionando as antigas ruínas 123

nada de positivo em sua linhagem. Oro para que você permita que
Deus lance um pouco de luz sobre os espaços obscuros de sua heran-
ça, nos quais a graça e a bondade não habitam.
No entanto, presumo que a maioria dos leitores é, de alguma
maneira, parecida comigo. Sou uma mistura do melhor e do pior
de minha linhagem terrena. Tenho pedido a Deus que me ajude a
fazer essa distinção e a permitir que ele quebre todos os vínculos
negativos. Quero transmitir o que há de melhor para minhas filhas,
tanto em termos físicos quanto espirituais. Quando nos esforçamos
para alcançar um ideal, temos certeza de que alcançaremos mudan-
ças positivas.
Os israelitas tinham um provérbio que servia para colocar a cul-
pa dos problemas atuais sobre as gerações anteriores. Dizia assim:
“Os pais comem uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotam”
(Ez 18:2).
Será que seus filhos já acusaram você um dia de ser injusto em
relação a alguma coisa? De vez em quando, as minhas filhas fazem isso
— e magoa muito! Aí, para garantir que eu tenha entendido muito
bem, elas insistem no assunto até eu não agüentar mais ouvir. Nes-
ses momentos, posso ser flagrada dizendo coisas como esta: “Ouvi
você repetindo a mesma coisa mais do que deveria! Isso de que você
está me acusando nem é verdade! Agora chega, vamos encerrar esse
assunto!”
Ezequiel 18 registra uma resposta semelhante a isso por parte de
Deus: “Juro pela minha vida, palavra do Soberano, o Senhor, que
vocês não citarão mais esse provérbio em Israel. Pois todos me per-
tencem. Tanto o pai como o filho me pertencem. Aquele que pecar é
que morrerá” (v. 3-4).
Deus prossegue explicando e ilustrando esse princípio, mas po-
demos resumi-lo em duas palavras: responsabilidade pessoal. Deus
contou a história de um pai justo e seu filho injusto. A conclusão é

A oração que liberta - novo form123 123 18/11/2008 13:07:30


124 A oração que liberta

bem simples: o pai viveria por causa de sua justiça, enquanto o filho
morreria por conta de sua injustiça.
Nós, que confiamos nossa vida a Cristo, não “morremos” por cau-
sa de nossos pecados. Felizmente, Jesus já fez isso por nós. Podemos
experimentar a morte da submissão ao pecado ou de um relaciona-
mento terreno, mas nossa morte física é apenas um meio de passar
desta vida para nossa cidadania no céu.
A maioria dos leitores provavelmente descobriu algumas ruínas
antigas. Nesta lição e na seguinte, vamos estudar como dar início ao
processo de reconstrução a partir delas. Começamos a reconstruir
quando fazemos quatro coisas:

Devemos concordar em olhar para trás de maneira honesta


Muitos cristãos bem-intencionados tiram do contexto a exortação
contida em Filipenses 3:13, “esquecendo-me das coisas que ficaram
para trás”, e a aplicam como um mandamento, segundo o qual nunca
mais devem olhar para o passado. Paulo estava falando sobre todos
os troféus da vida que tivemos de deixar para trás para seguir Cristo.
A palavra de Deus é clara quando mostra como o passado pode ser
um mestre bom e eficaz. O passado será um bom mestre se formos
bons aprendizes, abordando-o a partir da perspectiva do que pode-
mos ganhar com ele e como Deus pode usá-lo para sua glória.
Ezequiel 18 ilustra de maneira bem simples como a cadeia de
comportamento destrutivo pode ser quebrada.

Mas suponhamos que esse filho tenha ele mesmo um filho que vê to-
dos os pecados que seu pai comete e, embora os veja, não os comete
[...] Ele não morrerá por causa da iniqüidade do seu pai; certamen-
te viverá [...] Livrem-se de todos os males que vocês cometeram, e
busquem um coração novo e um espírito novo. Por que deveriam
morrer, ó nação de Israel?
Ezequiel 18:14,17,31

A oração que liberta - novo form124 124 18/11/2008 13:07:30


Inspecionando as antigas ruínas 125

Vejo quatro passos importantes que o filho deu no sentido de


quebrar o ciclo que o pai havia gerado ou perpetuado:

1. Ele viu os pecados que o pai cometeu.


2. Ele tomou a firme decisão de não assumir os mesmos hábitos.
3. Ele se livrou dos próprios males.
4. Ele buscou um novo coração e um novo espírito.

Você pode estar pensando: “É fácil falar... difícil é fazer!”. Tem


razão. Nunca vi um operário de construção que não costumasse tra-
balhar coberto de suor; mas, se trabalhar diligentemente, o resultado
será maravilhoso. Não há outra maneira de reconstruir. Trabalhare-
mos sobre cada um desses aspectos ao longo de nossa jornada rumo
à libertação, mas vamos dar uma olhada no primeiro deles agora. A
palavra em hebraico para “ver” em Ezequiel 18:14 é ra’ah, que signi-
fica “visualizar”, “inspecionar”, “conhecer”, “entender melhor”. Você
reparou que entender melhor não tem nada a ver com desonrar um
parente?
Provérbios 30:11 fala daqueles “que amaldiçoam seu pai e não
abençoam sua mãe”. Tal comportamento não serve para quem crê em
Deus. O Senhor nos orienta a honrar nossos pais em Êxodo 20:12,
apenas sete versículos depois de descrever o pecado hereditário. As-
sim, não podemos fingir que o assunto do qual estamos tratando seja
uma exceção à regra.
Ao considerar quaisquer pecados hereditários que não quere-
mos imitar ou transmitir, devemos tomar cuidado para não amal-
diçoar nossos pais, impondo a eles humilhação ou depreciação de
seu valor. Podemos ser honestos e, ainda assim, evitar o risco de fazer
pouco caso deles. Você estaria disposto a pedir a ajuda de Deus para
ver os pecados de seus pais como uma oportunidade de evitar repeti-
los em sua vida, ou na vida de seus filhos? Estaria preparado para

A oração que liberta - novo form125 125 18/11/2008 13:07:30


126 A oração que liberta

examinar sua vida como nunca fez antes para aprender mais a res-
peito de si?
Sem desonrar ninguém, até que ponto o Espírito Santo trouxe
mais esclarecimento a você no que diz respeito às cadeias que preci-
sa quebrar? Que padrões você conseguiu identificar no histórico de
seus pais que não deseja ver se repetir em sua vida? Temos de olhar
para trás com honestidade, mas precisamos ir além.

Temos de crer na verdade de Deus acima das mentiras do


inimigo
Podemos nos ver livres dos efeitos e das práticas pecaminosas de
nossa linhagem. Permita-me dizer, com muita delicadeza e bastante
compaixão: você não é a exceção, assim como sua situação também
não é. Podemos ser vitoriosos em todas as coisas, mas isso só é pos-
sível por intermédio do Deus que nos ama (Rm 8:37).
Em capítulos anteriores, falamos a respeito do conflito entre a fé
e a incredulidade. Bem no fundo de nosso coração, será que vemos
os velhos hábitos e comportamentos que têm nos aprisionado, assim
como nossos pais, sem nenhuma esperança de nos livrarmos deles?
Por favor, livre-se de todo tipo de incredulidade, caso contrário a
liberdade jamais se tornará uma realidade para você.
Para romper a escravidão do pecado hereditário, precisamos olhar
para trás e crer na verdade de Deus acima das mentiras do inimigo.

Precisamos distinguir a diferença entre reconstruir e preservar


as antigas ruínas
Você pode dizer: “Beth, acredite em mim: já cansei de olhar para
trás, e mesmo assim continuo cada vez mais zangada ou deprimida”.
Eu entendo. Acontecia a mesma coisa comigo. Foi então que aprendi
a diferença entre reconstruir e preservar. Fui alertada sobre essa
diferença quando visitei a Acrópole, em Atenas, na Grécia. Nosso

A oração que liberta - novo form126 126 18/11/2008 13:07:30


Inspecionando as antigas ruínas 127

guia calculou quanto dinheiro se gasta a cada ano para “preservar


as ruínas”.
Deus nunca nos chamou para preservar as antigas ruínas. Em vez
de inspecionar as antigas ruínas e, em seguida, cooperar com Deus
para reconstruir sobre elas, às vezes nos limitamos a revisitá-las e
preservá-las, e nunca nos cansamos disso. Sem Deus, nosso único
e autêntico Restaurador, isso é mesmo o máximo que conseguimos
fazer. Se você tem “antigas ruínas”, o que tem feito com elas: preser-
vado ou trabalhado para reconstruir sobre elas?

Devemos aceitar a determinação de Deus e nos tornar operários


nesse processo de reconstrução
Espero que você tenha decorado o texto de Isaías 61:1-4. O versículo
4 diz: “Eles reconstruirão as velhas ruínas e restaurarão os antigos
escombros”. Ao usar o pronome “eles”, o texto está se referindo aos
cativos que foram libertados.
Mais uma vez, podemos aplicar sobre nossa vida, em sentido fi-
gurado, alguma coisa que foi aplicada em sentido literal sobre o povo
de Israel: assim como Deus determinou que os israelitas reconstruís-
sem o muro ao redor de Jerusalém, ele manda você reconstruir sobre
suas antigas ruínas.
Acredito que uma das razões pelas quais Deus requer nossa coo-
peração é porque deseja profundamente que nos envolvamos com ele.
O Senhor nos criou para esse propósito. Reconstruir as antigas ruínas
é impossível se não contarmos com Deus. Não temos as qualificações
necessárias para essa tarefa. Contudo, à medida que nos aproxima-
mos do Senhor, ele reconstrói nossa vida e nosso caráter. Lembre-se:
o propósito principal de Deus ao curar os nossos sofrimentos é nos
conduzir a um tipo de relacionamento mais profundo com ele.
Embora estejamos nos concentrando na reconstrução das anti-
gas ruínas, oro para que todas as partes deste estudo lhe forneçam

A oração que liberta - novo form127 127 18/11/2008 13:07:31


128 A oração que liberta

ferramentas para realizar essa tarefa tão importante e, por vezes,


incessante. Talvez você ainda esteja se perguntando como nossas an-
tigas ruínas podem ser reconstruídas. Afinal de contas, não podemos
mudar o passado, não é? Quando começamos a cooperar com Deus
no processo de reconstrução, podemos não ser capazes de mudar o
passado, mas é possível transformar algumas coisas mais sensíveis:

• Podemos mudar a maneira como vemos esse passado.


• Podemos decidir de que forma reconstruiremos sobre ele.

Façamos um pacto de pôr um fim à preservação e começar a re-


construção. O martelo foi colocado em suas mãos.

A oração que liberta - novo form128 128 18/11/2008 13:07:31


DEZESSETE

O ANCIÃO DE DIAS

“Eu revelei, salvei e anunciei; eu, e não um deus estrangeiro entre vocês.
Vocês são testemunhas de que eu sou Deus”, declara o Senhor.
“Desde os dias mais antigos eu o sou.”
Isaías 43:12-13

A ssim como a prioridade de Deus é a redenção, a de


Satanás é cegar as pessoas para que não vejam o Re-
dentor. No entanto, uma vez redimidos, nossa plenitude passa a ser
o primeiro item na agenda divina. Quando Deus começou a me im-
pelir a escrever este estudo, ele me deu duas verdades sobre as quais
eu deveria construir:

1. Cristo veio para libertar os cativos.


2. Satanás veio para escravizar os libertos.

Somos os libertos; nossa liberdade é um fato. Contudo, de acor-


do com Gálatas 5:1, podemos voltar ao jugo de escravidão. Um dos
principais objetivos deste estudo é nos ajudar a aprender como parar
de cooperar com o inimigo e começar a viver na realidade de nossa
liberdade.
Daniel 7:9 se refere a Deus como o “Ancião de Dias” (RA). O ini-
migo, a antiga serpente, tem estado por aí há muito tempo e conhece

A oração que liberta - novo form129 129 18/11/2008 13:07:31


130 A oração que liberta

todas as nossas vulnerabilidades. Muito mais impressionante, po-


rém, é o “Ancião de Dias”!
Quando estava no segundo ano, minha filha Amanda foi exemplo
de uma verdade a respeito da centralidade de Deus. Ela me contava
alguma coisa pela qual havia orado na escola naquele dia. Eu disse:
— Ah, Amanda, para mim, significa muito saber que Deus faz
parte de seu dia.
Jamais esquecerei a resposta que ela me deu:
— Deixe de ser boba, mamãe. Você sabe que Deus fez o dia. Fico
feliz de saber que ele me permitiu fazer parte dele.
Fiquei impressionada. Ela expressou o significado do nome ma-
ravilhoso de Deus, o “Ancião de Dias”.
Todos os dias, o sol nasce segundo a permissão divina. Ele nunca
sequer cochilou, e nada se esconde de sua visão. Deus continua sendo
Deus ao longo de toda a história de sua família. Se você está lidan-
do com algumas antigas ruínas, saiba que ele estava lá quando tudo
desabou. O Senhor conhece cada detalhe. Ele sabe exatamente como
aquilo afetou a sua vida, e a especialidade divina é a reconstrução.
Afinal de contas, Cristo era carpinteiro de ofício. Nada desmorona
na vida ou na herança de um cristão que Deus não seja capaz de re-
construir e usar. Vamos analisar os principais agentes catalisadores
que transformam maldições em bênçãos em nossa linhagem.
Salmos 78 fala a respeito de várias gerações. Esse texto mostra
que cada geração dispõe de uma nova oportunidade de exercer in-
fluência positiva: “Eles não serão como os seus antepassados, obsti-
nados e rebeldes, povo de coração desleal para com Deus, gente de
espírito infiel” (v. 8).
Não importa que tipo de atrocidade tenha sido cometida em sua
linhagem, Deus pode levantar uma nova geração cuja semente será
abençoada. Seu avô pode ter sido sentenciado à prisão perpétua por
assassinato, mas seu neto pode passar a vida inteira evangelizando e
atraindo milhares de pessoas a Cristo!

A oração que liberta - novo form130 130 18/11/2008 13:07:31


O ancião de dias 131

No intervalo entre uma geração infiel e outra fiel a Deus há sem-


pre uma pessoa determinada a mudar. Você pode ser essa pessoa,
assim como eu. Talvez ninguém em sua família fosse um pecador
notório, mas simplesmente não havia ninguém envolvido com o rei-
no de Deus. É possível que você queira ser a pessoa que tirará a sua
linhagem de uma vida religiosa insatisfatória e a colocará em uma
vida de relação apaixonada com Cristo. Talvez a sua oração por seus
netos e bisnetos seja para que nasça neles o amor por missões. Seja
qual for, você pode fazer essa transição!
Se o seu sonho ou desejo para seus netos e bisnetos for a obedi-
ência àquilo que você entende como a vontade de Deus, então você
pode contar com o apoio e a aprovação de Cristo para começar a
agir nesse sentido. Coopere com Deus e ore pelo cumprimento des-
se sonho.
Você pode ter absoluta certeza de que a vontade de Deus é que
sua geração abra espaço para que as sementes da retidão germinem.
Oro com muito empenho para que essas sementes germinem na vida
de minhas filhas. Amo meus pais e avós, e desejo transmitir muitas
coisa maravilhosas que recebi deles. Éramos freqüentadores assíduos
da igreja, mas meus pais nunca foram ensinados a andar com Deus
diariamente por meio da oração e da Palavra. Eles não tinham um
relacionamento íntimo com o Senhor que lhes proporcionasse o po-
der de vencer determinados obstáculos grandes demais.
Eu e Keith esperamos oferecer às nossas filhas alguns presentes
diferentes. Oro constantemente por elas e pelos filhos delas para que
amem Deus com paixão e o sirvam com fervor. Espero que herdem
um desejo grande por missões mundiais e amor por todas as raças.
Por outro lado, não sou tão ingênua a ponto de achar que nunca
transmitiremos alguns “presentes” indesejáveis. Oro para que elas
também sejam capazes de discernir e reverter todos os ciclos negati-
vos que vêem em mim e em Keith.

A oração que liberta - novo form131 131 18/11/2008 13:07:31


132 A oração que liberta

Deus certamente abençoa nossas orações e nossas esperanças,


mas para quebrar ciclos e promover mudanças duradouras também
devemos demonstrar disposição de cooperar deliberadamente com
o Senhor. Entre os presentes mais valiosos que podemos legar está a
autenticidade. Não alcançamos grandes realizações quando, apesar
de falarmos dos maravilhosos feitos de Deus, vivemos de maneira
incoerente com a Verdade divina.
Aqui está uma questão ousada e desafiadora para você: de que
maneiras você tem permitido que a próxima geração veja autenti-
cidade em sua vida? Estamos prestes a ver por que essa obra vale a
pena! Dê mais uma olhada em Êxodo 20:5-6. Muitos leitores ficam
tão perturbados ao ver o versículo 5 que o 6 nunca penetra em seu
coração. Deus visita o pecado até a terceira e a quarta gerações, mas
demonstra “bondade até mil gerações aos que [o] amam e obedecem
aos [seus] mandamentos”.
Não há como comparar três ou quatro com mil! Deus é claramente
mais pródigo em bênçãos do que rigoroso em seus castigos. Você já
se deu conta de que sua caminhada com Deus poderia afetar muitas
das futuras gerações? Quantos de seus descendentes poderiam ser
abençoados pelo fato de você se dispor a ser um fator de transição
para um novo ciclo de fidelidade familiar a Deus?
Sabemos, a partir de João 3:16, que Deus ama o mundo inteiro,
mas ele demonstra esse amor àqueles que o amam e lhe obedecem.
Deus ama todas as pessoas com prodigalidade, mas reserva a si o direi-
to de demonstrar sua misericórdia amorosa aos obedientes. João 14:21
expressa a mesma verdade. Jesus afirmou: “Quem tem os meus manda-
mentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será
amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”.
Em capítulos posteriores, trataremos com maior profundidade do
amor e da obediência a Deus. Por enquanto, vamos desencavar uma
belíssima gema incrustada em Êxodo 20:6. A palavra em hebraico

A oração que liberta - novo form132 132 18/11/2008 13:07:31


O ancião de dias 133

para “tratar”, nesse versículo, é asah. Adivinhe o que ela quer dizer?
Significa “construir”, “erigir”. Bem ali, no contexto da influência he-
reditária, Deus promete construir a bênção na vida daqueles que o
amam e lhe obedecem.
O “Ancião de Dias” espera com ansiedade para construir um fun-
damento sólido sobre o qual seus descendentes possam viver duran-
te os anos por vir, se fizerem essa escolha. Deus não está nos pedindo
que reconstruamos sozinhos sobre as antigas ruínas. Ele está apenas
pedindo que sejamos uma das ferramentas que quer usar. O Senhor
sabe exatamente o que deu errado, exatamente onde estão as racha-
duras da fundação. Ele estava lá, lembra? Era completamente Deus
naquela época e continua sendo completamente Deus agora.
Muita gente anseia por fazer parte de alguma coisa muito signifi-
cativa. Queremos oferecer contribuições significativas para a socie-
dade. Olhamos para as pessoas que fazem isso e ficamos com inveja;
mas será que temos a noção do tipo de contribuição que podemos
oferecer dentro de nossa linhagem? Não consigo imaginar ninguém
para quem gostaria que minha vida fosse uma bênção mais do que
para os filhos de minhas filhas, assim como para os filhos deles. Da-
qui a dez gerações, nossos nomes serão esquecidos, mas um dia, no
céu, eles conhecerão a pessoa que mudou a orientação da cadeia.
Às vezes, demonstramos grande disposição de criticar o que
aconteceu antes de nós, mas será que fazemos o mesmo esforço para
aceitar o desafio de influenciar positivamente os nossos descenden-
tes? O mais breve espaço de tempo que Deus oferece a cada geração é
um tesouro confiado. Aqueles que nos precederam e não foram fiéis
ao Senhor prestarão conta disso, mas nós ainda estamos aqui. Ainda
temos a chance de exercer uma influência positiva nas gerações que
estão por vir.
Você se lembra de Ezequias? As atitudes daquele homem levaram
seus filhos a se tornar escravos. Muitos pais têm feito a mesma coisa

A oração que liberta - novo form133 133 18/11/2008 13:07:31


134 A oração que liberta

com os filhos porque consideraram seus anos de vida como os úni-


cos que realmente importaram. O vírus da autocentralização é con-
tagioso, mas cada geração tem a alternativa de não pegá-lo. Oro para
que você e eu não venhamos a nos tornar iguais a Ezequias.
Se você faz a sua parte em relação a uma geração, Deus fará a
parte dele por mil gerações. Em minha opinião, esse acordo parece
muito bom. Não sei dizer quanto tempo ainda falta para Cristo vol-
tar, mas não acredito que ele se demore por mais mil gerações. Isso
significa que a sua vida pode influenciar todas as gerações até a vinda
do Senhor. É algo muito impressionante. O sangue já foi derramado.
Não acha que vale a pena derramar um pouco de suor e lágrimas?

A oração que liberta - novo form134 134 18/11/2008 13:07:31


DEZOITO

DIRETO AO CORAÇÃO

Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado...


Isaías 61:1

V ocê consegue se lembrar de quando perdeu o pri-


meiro dente? De quando andou pela primeira vez
de bicicleta? Do primeiro dia de aula do ensino médio? Essas ex-
periências foram fantásticas, mesmo que você não se lembre muito
bem delas. Mas, se eu lhe perguntasse sobre a primeira experiência
que partiu o seu coração, é provável que você se lembre de tudo nos
mínimos detalhes. De alguma maneira, ter uma decepção emocional
é uma ferida totalmente peculiar.
Quando penso no passado e me lembro de algumas das decepções
emocionais que tive, quase posso sentir a mesma dor novamente. Ter
o coração partido de vez em quando não é apenas inevitável; é um
dos principais ritos de passagem para a maturidade. Infelizmente,
muitas pessoas são apresentadas às emoções adultas bem antes de
estarem preparadas.
Uma das razões primordiais que levaram Deus a enviar seu Filho
a esta terra foi promover alívio e remédio para aqueles cujo coração
está partido. Acredito que apenas Deus pode, de fato e por completo,

A oração que liberta - novo form135 135 18/11/2008 13:07:31


136 A oração que liberta

curar corações estraçalhados. Ele usa métodos diferentes; contudo,


de acordo com Isaías 61:1, uma de suas maiores prioridades é restau-
rar as pessoas de coração quebrantado.
Vamos examinar com maior profundidade essa parte maravilho-
sa do ministério que Deus entregou a seu Filho em Isaías 61:1. Oro
para que você seja tão abençoado quanto eu fui ao descobrir os sig-
nificados originais que o Senhor me mostrou nessa passagem bíblica.
Não tenha pressa. Assimile com calma as verdades que lerá a seguir.
Medite a respeito delas e se sinta muito amado.
Repare no segundo verbo ativo no versículo: “Enviou-me...”. A
palavra em hebraico para “enviar” é shalack, que quer dizer “disparar
(para a frente)” (Strong’s).
Salmos 127:3-4 afirma que “os filhos são herança do Senhor [...]
Como flechas nas mãos do guerreiro...”. Sabemos, a partir da leitura
de João 3:16, que Jesus é o Filho unigênito de Deus. João 3:17 afirma
que Deus entregou seu Filho para salvar as pessoas enviando-o ao
mundo.
Veja bem, Deus só tinha uma flecha na aljava. Era a flecha mais
perfeita que poderia existir, uma obra de arte, inestimável para o
Senhor, muito mais apreciada do que todos os exércitos celestiais.
Nada poderia se comparar. Sua única herança. Seu único Filho. No
entanto, quando Deus olhou para o mundo perdido — desesperado,
carente e preso nas garras do inimigo —, seu coração ficou apertado.
Embora as pessoas tivessem pecado miseravelmente contra o Senhor
e poucas o seguissem, ele as havia criado em amor, e não conseguiria
amá-las menos.
Por amor, ele levou a mão à aljava de maneira sacrificial e sacou
aquela flecha única. A aljava agora estaria vazia, e sua flecha queri-
da, nas mãos de homens odiosos. Sim, Deus amou muito o mundo;
no entanto, ele também amou seu Filho unigênito com uma afeição
inexprimível e divina. Esse era o dilema de Deus: dois amores. E um
deles demandaria o sacrifício do outro.

A oração que liberta - novo form136 136 18/11/2008 13:07:31


Direto ao coração 137

Assim, ele posicionou a arma, puxou o arco, fixou sua posição e


apontou direto para o coração: “... e ela deu à luz o seu primogênito.
Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura...” (Lc 2:7).
Ah, que amor incomensurável! Quanto sacrifício! Todas as pes-
soas que abaixarem seus escudos da incredulidade e permitirem que
a flecha da cura penetre em sua vida serão salvas. Eu não sei se você
está sentindo a mesma coisa que eu neste momento, mas tive de pa-
rar, imaginar, meditar e responder a Deus.
A próxima palavra em hebraico que eu gostaria de analisar com
você é o adjetivo que estamos usando nesta lição o tempo todo ao
nos referirmos ao coração: “Enviou-me para cuidar dos que estão
com o coração quebrantado...”. O termo em hebraico para “quebran-
tado”, em Isaías 61:1, é shavar, que quer dizer “romper”, “espatifar”,
“amassar”, “prensar”, “esmagar”, “despedaçar”, “rasgar em pedaços”
(como uma fera selvagem faz).
Será que essas palavras, em algum momento de sua vida, serviram
para descrever o estado de seu coração? Será que você se sentiu como
se feras selvagens estivessem lutando para destruí-lo? Com certeza,
esses termos serviam para descrever o meu coração, e a simples lem-
brança disso é muito dolorosa! A definição também diz: “Esse verbo
aparece em várias situações associadas à violência”.
Por favor, não me entenda mal. Esta última parte da definição não
significa que um coração só se parte quando alguma coisa violenta
acontece à pessoa. Como eu e você sabemos, decepções emocionais
costumam ser resultado mais de palavras do que de ações. A idéia é
que esse tipo de decepção quase sempre acontece em um momento
específico por conta de determinada ação. Permita-me explicar com
um exemplo.

David e Teresa enfrentavam lutas quase desde o início de seu casa-


mento. David temia que Teresa tivesse se casado mais por segurança

A oração que liberta - novo form137 137 18/11/2008 13:07:31


138 A oração que liberta

do que por afeição, mas ele a amava tanto que não tinha coragem de
enfrentar o problema. Esperava que ela um dia aprendesse a amá-lo;
infelizmente, porém, isso não aconteceu. Ela foi se tornando cada
vez mais fria. Por seis anos, ele lutou por seu casamento e carregou a
maior parte do peso daquele relacionamento. Um dia, ele voltou do
trabalho e encontrou um bilhete sobre a mesa: “Sinto muito, David.
Não consigo evitar meus sentimentos. Não amo você, e nunca amei.
Tentei tanto quanto pude. Acho que isso é o melhor para nós”. Ela
havia partido.

Com base na definição da palavra “quebrantado” encontrada em


Isaías 61:1, a partir de que momento você imagina que o coração de
Davi foi “esmagado” ou “despedaçado”?
Se a sua resposta é “quando percebeu que Teresa o deixara”, é pos-
sível que tenha razão. Isso não significa que ele não estava sofren-
do antes nem quer dizer que sua tristeza fosse coisa recente. Shavar
significa simplesmente que podemos, via de regra, sintetizar um pe-
ríodo de decepção emocional em determinado acontecimento.
Você se identifica com essa definição? Pense em uma época du-
rante a qual sofreu por causa de uma decepção emocional. Consegue
se lembrar de um momento em particular em que, falando em senti-
do figurado, sentiu como se o seu coração estivesse sendo despeda-
çado? Naquela época, tinha alguma idéia de que Deus se importava
tanto com você a ponto de mirar a flecha — o Filho unigênito, Jesus
— diretamente na direção de seu coração?
Eu gostaria de mostrar a você a última definição do hebraico em
Isaías 61:1: “Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração
quebrantado...”. A palavra para “cuidar” é chavash, que quer dizer
“colar”, “embrulhar”, “envolver” (como se faz com uma ferida), “fazer
um curativo”, “cobrir”, “guardar dentro”. O Strong’s Dictionary [Di-
cionário de Strong] adiciona uma definição visual à mesma palavra:

A oração que liberta - novo form138 138 18/11/2008 13:07:31


Direto ao coração 139

“comprimir [...] parar”. Como podemos caracterizar, em termos bí-


blicos, a diferença entre um coração que dói e um coração partido?
Deus define um coração partido, no contexto em que estamos traba-
lhando, como aquele que sangra.
Comprimir a hemorragia de um coração consiste na idéia de
aplicar uma pressão sobre uma ferida que sangra. Que maravilhoso
retrato de Cristo! Um coração partido aparece, e a mão marcada e
solitária de Cristo pressiona a ferida. A princípio, por alguns instan-
tes, a dor parece se intensificar; por fim, porém, o sangramento cessa.
Você já começou a perceber a atividade íntima de Cristo quando nos
encontra devastados? E para você pensar: ele é o mesmo que acu-
samos de não nos apoiar quando passamos por esses momentos de
decepção emocional.
Vamos concluir este capítulo com uma última reflexão a respeito
da operação de Cristo no coração daquele que passa por esse tipo de
decepção. Repare que a primeira definição inclui os conceitos de “co-
brir”, “envolver”, “guardar dentro”. O jeito que a vida tem de reagir a
um coração despedaçado é envolvendo-o em camadas de carne e nos
tentando a prometer que nunca mais voltaremos a sofrer daquele
jeito.
Não é essa a maneira de Deus resolver a situação. Lembre-se:
montar fortalezas não é apenas um modo de impedir que o amor se
vá, também é uma forma de impedir que ele entre. Corremos o risco
de nos tornar escravos dentro das mesmas fortalezas que erguemos.
Somente Deus pode voltar a juntar os cacos de nosso coração, fe-
char as feridas e cobri-las com um curativo arejado para protegê-las
de infecções, mas mantendo o coração livre para inspirar e expirar
o amor.
Você está cativo de um coração partido que nunca permitiu ser
colado e curado por Cristo? Neste momento, você pode concluir esta
lição com um curativo, em vez de escravidão. Vá em frente. Apresente

A oração que liberta - novo form139 139 18/11/2008 13:07:31


140 A oração que liberta

seu coração mais uma vez, mas apenas a Deus. Afinal de contas, foi
para isso que o Pai enviou o Filho a esta terra. O arco está tensionado
e a Flecha está pronta para ser disparada. Mas só você pode tomar a
decisão de baixar o escudo.

A oração que liberta - novo form140 140 18/11/2008 13:07:31


DEZENOVE

CORAÇÕES PARTIDOS NA INFÂNCIA

Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram:


“Quem é o maior no Reino dos céus?”. Chamando uma criança,
colocou-a no meio deles...
Mateus 18:1-2

D edicaremos dois capítulos para falar a respeito de


corações partidos por causa de abusos e violências
sofridos durante a infância. Deus não minimiza os fatores que nos
provocam decepções emocionais. Ele não fica olhando do alto para
nós, morrendo de pena porque alguma coisa nos fez sofrer. Se nós
somos pessoas tão “espirituais” a ponto de perder a sensibilidade
às dificuldades terrenas, então significa que, em algum momento,
deixamos de levar em consideração uma importante prioridade de
Cristo. Deus nos faz andar descalços sobre o solo quente desta terra
para que possamos nos desenvolver por meio de nossos sofrimentos,
e não para ignorá-los ou para nos recusarmos a sentir os obstáculos
no caminho.
Em Mateus 18, os discípulos de Jesus estavam preocupados em
saber quem seria o maior no reino dos céus. O Mestre chamou uma
criancinha e disse que, para ser grandes, os discípulos deveriam se
tornar iguais a ela. Em seguida, ele fez uma declaração muito rele-
vante para o tema que estamos tratando. Jesus afirmou: “Mas se

A oração que liberta - novo form141 141 18/11/2008 13:07:31


142 A oração que liberta

alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim,


melhor lhe seria amarrar uma pedra de moinho no pescoço e se afo-
gar nas profundezas do mar” (v. 6).
Tomando por base essa declaração de Cristo, como você acha que
uma pessoa poderia levar outra a pecar? Acredito que as palavras
de Jesus se aplicam especificamente a abusos e violências impostos
a crianças. Qualquer coisa que objetivamente leve uma criança a
adquirir uma tendência crescente ao pecado pode ser caracterizada
como violência ou abuso.
Nunca entro em detalhes sobre a violência que sofri durante a mi-
nha infância por dois motivos: primeiro, porque desejo que o Deus
de cura seja glorificado, e não o sofrimento; segundo, porque mais
gente pode se identificar quando trato a questão de maneira generali-
zada. Infelizmente, muitas pessoas sofreram abusos bastante pareci-
dos com o meu. Se você perguntasse àqueles que sofreram violência
se tal experiência pode ser classificada como decepção emocional, a
resposta seria um sonoro “sim”!
Deus usou Mateus 18 de modo poderoso para responder a al-
guns questionamentos que eu fazia. Permita-me contar a você como
lidei com essas dúvidas cujas respostas eu não encontrava: descobri
todas as respostas das quais precisava na palavra de Deus, preenchi
as lacunas de minha mente e confiei no Senhor para fazer o restante.
Parece muito simples, mas não é. É algo que tenho de fazer pela fé
a cada dia de minha vida. Encontro grande consolo e descanso ao
me valer desse método. Percorra comigo o texto de Mateus 18:1-9 e
vejamos se podemos preencher lacunas suficientes no que concerne
à violência na infância para que, assim, possamos confiar em Deus
para fazer o resto.

Crianças constituem a menina dos olhos de Deus


Com base no relato que Lucas 9:46 faz da mesma cena, os discípulos
estavam discutindo sobre quem seria o maior no reino. Em vez de

A oração que liberta - novo form142 142 18/11/2008 13:07:32


Coração partido na infância 143

apontar um deles diante da pergunta, Jesus chamou uma criança e


“colocou-a no meio deles” (Mt 18:2). Em essência, o que Cristo disse
foi: “Vocês querem saber qual é o meu conceito de grandeza? Dêem
uma olhada nesta criança”.
Saboreie a ternura de Cristo em relação às crianças. Ele poderia
simplesmente tê-las abençoado; em vez disso, optou por demonstrar
seu amor tomando-as nos braços, impondo suas mãos sobre elas e
as abençoando (Mc 10:16). Creio que Cristo não apenas amou as
crianças, como elas também o amaram. Quantas crianças estariam
dispostas a abrir mão de um momento de lazer para se apresentar
diante de treze homens como exemplo? Não muitas, a não ser que
amassem e confiassem por completo naquele que as convocou.
Acho que Cristo foi uma dessas pessoas capazes de atrair todas
as crianças das redondezas. Imagino que tenham sido poucos os
lugares por onde ele passou sem ter de parar um pouco para brin-
car com várias delas. Na verdade, a atração que Jesus exercia sobre
as crianças pode ter sido a razão da repreensão que os discípulos
fizeram a ele em Marcos 10:13. Eles deviam ficar muito zangados
por se verem cercados o tempo todo por um bando de meninos e
meninas.

Cristo é companhia constante e especial das crianças


O que você acha que Cristo quis dizer em Mateus 18:5 ao afirmar:
“Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me receben-
do”? Basicamente, ele estava falando: “O que vocês fizerem a elas es-
tarão fazendo a mim”.

Os abusos cometidos contra as crianças também podem ser


aplicados à pessoa de Cristo
Baseando-me no contexto que estamos analisando, acredito que Jesus
não só estava dizendo: “O que vocês fizerem a elas, estarão fazendo a

A oração que liberta - novo form143 143 18/11/2008 13:07:32


144 A oração que liberta

mim”, como também: “O que vocês fizerem com elas estarão fazendo
comigo”. Obviamente, ele considera os abusos cometidos contra as
crianças como algo pessoal.
Se você sofreu violência durante a infância, já parou para pensar
como Cristo se sentiu em relação ao que lhe aconteceu? Que proveito
teria o inimigo se ele não tentasse você a fazer um juízo errado da
atitude de Cristo em relação à violência contra as crianças? Por tudo
quanto vimos até agora, Jesus com certeza se importa muito com as
crianças e com tudo o que acontece com elas. O livro de Zacarias
retrata a postura de Deus a respeito do assunto: “... todo o que tocar
em vocês, toca na menina dos olhos dele” (2:8).

Cristo nunca é o autor do abuso


A Bíblia nos ensina que algumas dificuldades são especificamente
orientadas por Deus com o propósito de promover o nosso crescimen-
to e aprimoramento. O abuso contra as crianças não faz parte dessas
dificuldades. Quando esse abuso acontece e você fica na dúvida, ten-
tando entender se foi Deus ou Satanás que o gerou, uma das melhores
pistas de que dispõe é a relação do problema com o pecado. Deus nun-
ca induz uma pessoa a pecar nem emprega o pecado ou a perversão
como meio de nos moldar à imagem de Cristo. É impossível!
Permita-me usar minha experiência como exemplo. Dois dos fa-
tores que mais afetaram minha infância foram o abuso e um tombo
que prejudicou a minha dentição. Meus dentes se tornaram uma fonte
de insegurança e constrangimento durante anos. Não tenho nenhuma
dúvida de que Satanás foi o autor desse abuso que sofri quando criança
porque envolvia esse pecado tão abominável e porque gerou vergonha
em mim. Lembre-se: a vergonha é o “selo de qualidade” de Satanás.
Por outro lado, o tombo que levei colocou diante de mim muitos
desafios, mas o pecado não tinha nada a ver com a história. Como
resultado da queda, Deus permitiu que eu experimentasse o que cha-

A oração que liberta - novo form144 144 18/11/2008 13:07:32


Coração partido na infância 145

mo de “síndrome da coitadinha” e colocou em mim uma profunda


compaixão pelas pessoas que são duramente provadas e tratadas
sem compaixão. De alguma maneira, o Senhor registrou em meu
jovem coração a opinião que tinha a meu respeito: ele me achava
bonita. Sem dúvida, aprendi muito com aquele acidente na infância.
Pense sobre a sua infância. Você é capaz de identificar uma ex-
periência que seria característica da interferência divina? Consegue
identificar uma obra de Satanás?
Quero insistir em um aspecto que pode ser duro, mas é necessá-
rio para a nossa libertação. Vou trazê-lo para a minha própria expe-
riência: Deus permitiu que eu passasse por aquelas duas experiências
na infância, ainda que não tenha sido o autor. Não, Deus não poderia
ter sido o responsável pela violência que sofri quando criança por-
que isso iria contra o caráter do Senhor. No entanto, é evidente que
ele permitiu que aquilo acontecesse. Por quê? Ele poderia ter outras
razões que ainda não conheço. Contudo, até que essas lacunas sejam
preenchidas, tenho convicção do seguinte:

1. O Senhor sabia que eu teria de buscá-lo de modo diligente


para obter a cura; e, durante esse processo, eu o conheceria melhor.
2. Deus sabia que a glória seria dada ao nome dele por meio do
milagre da restauração e do ministério que surgiria daí.
3. Ele sabia que eu teria compaixão das pessoas que foram víti-
mas de abuso e violência na infância.
4. Deus sabia que o crime de violência contra as crianças se
tornaria patente nesta geração e desejava convocar porta-vozes cristãos
para tratar do assunto a partir de sua Palavra.
5. O Senhor queria que eu ensinasse como tornar a liberdade
em Cristo uma realidade na vida a partir da paixão da experiência
pessoal.
Não conheço nenhuma maneira mais apropriada de dizer isso.
Até que o restante das lacunas sejam preenchidas, essas já são sufi-

A oração que liberta - novo form145 145 18/11/2008 13:07:32


146 A oração que liberta

cientes para mim. O bem que Deus proporciona a partir dos males
da vida é um dos conceitos mais libertadores em toda a palavra de
Deus.
Eu incentivo você, de maneira enfática, a render seu sofrimen-
to por completo ao Senhor. Não retenha nada. Convide-o a operar
milagres a partir de sua tristeza. Em seguida, seja paciente e procure
conhecer o Pai por meio do processo de cura. Você verá o fruto. Eu
prometo! No entanto, mais que isso, Cristo promete.
Preenchemos quatro lacunas sobre a violência na infância. No
próximo capítulo, analisaremos mais duas. Pode ser que você não
tenha passado por isso, mas praticamente todo mundo experimen-
tou algum tipo de sofrimento quando era criança. Você já entregou
cada parte de todo esse sofrimento a Deus? Se ainda não o fez, seria
capaz de colocá-lo aos pés do Senhor agora? Separe um tempo agora
mesmo para orar, oferecendo àquele que ama tanto as crianças algo
que tenha magoado você durante a sua infância. Você é um filho de
Deus, não importa qual seja a sua idade.

A oração que liberta - novo form146 146 18/11/2008 13:07:32


VINTE

CORAÇÕES RESTAURADOS PELA VERDADE

Ai do mundo, por causa das coisas que fazem tropeçar!


É inevitável que tais coisas aconteçam, mas ai daquele por
meio de quem elas acontecem!
Mateus 18:7

C risto curava de muitas maneiras diferentes. Às ve-


zes, era por meio do toque. Em outras oportunida-
des, ele se valeu da palavra. Mateus 18 mostra Cristo oferecendo
cura por meio da verdade. Encontrei cura no estudo desse trecho
das Escrituras. Aprendi como eu era importante para Cristo quan-
do criança e aceitei a idéia de que ele havia se entristecido muito
com o que me aconteceu. As Escrituras constituem o mais forte
curativo que Deus usa para juntar os cacos de um coração partido
na infância.
Acredito que aqueles que foram vitimados pelo abuso quando
crianças são menos propensos a encontrar a cura imediata. É mais
provável que eles tenham de passar por um processo de cura gradual
por meio do estudo e da aplicação da verdade. Mentes renovadas e
hábitos positivos são itens de primeira necessidade para uma vida
que deseja se manter no rumo da vitória. Vimos quatro verdades no
capítulo anterior. Mateus 18 ensina outra verdade terapêutica sobre
Jesus e as crianças.

A oração que liberta - novo form147 147 18/11/2008 13:07:32


148 A oração que liberta

Cristo castiga quem pratica o abuso ou a violência contra as


crianças
Acredito que Cristo está se referindo à violência contra a infância
em Mateus 18:6-10 por, pelo menos, dois motivos:

• Ele sugere que uma pessoa pode fazer algo contra outra. Nesse
caso, a “outra” é uma criança.
• Ele fala de determinada ação que faz “... tropeçar um destes
pequeninos...”.

Cada um de nós que fomos vítimas de violência na infância pode


testemunhar que um dos resultados dessa experiência é o aumento
na tendência a determinados pecados. Como parte de meu processo
de cura, tive de assumir a responsabilidade por meus pecados, inde-
pendentemente do fato de outras pessoas terem me levado ou não a
cometê-los.
Talvez você seja como eu já fui: não quer assumir a responsabi-
lidade por seus pecados porque não acha que foram cometidos por
sua culpa. Deve pensar assim: “Como eu poderia reagir de outra ma-
neira, considerando que minhas referências eram tão distorcidas?”.
Mas, veja bem, não acho que a confissão de pecados tenha a ver prin-
cipalmente com a culpa. Tem a ver com a liberdade!
Sim, meus pecados foram cometidos só por minha culpa. Contu-
do, acredito que mais importante para Deus foi minha disposição de
confessar como eu odiava aqueles pecados e como desejava me livrar
do poder que o abuso exercia sobre as minhas decisões. A confissão
me permitiu colocar comportamentos pecaminosos na mesa para
discuti-los abertamente com Deus. Ele me perdoou imediatamente
e purificou a minha vida. Em seguida, começou a me ensinar como
mudar as minhas reações.
Você pode estar pensando assim: “Mas as implicações e repercus-
sões da violência que sofri me oprimem demais. É muito difícil lidar

A oração que liberta - novo form148 148 18/11/2008 13:07:32


Corações restaurados pela verdade 149

com isso!”. Concordo. E essa é uma das razões pelas quais seria me-
lhor, para todas as pessoas que cometeram tal violência, “amarrar uma
pedra de moinho no pescoço e se afogar nas profundezas do mar”.
Sem dúvida, a violência contra crianças é um gigante contra o
qual devemos lutar, especialmente se a pessoa que a comete é a mes-
ma que, em tese, deveria ter lhe protegido. No entanto, tão certo
quanto Deus capacitou o jovem Davi para destruir Golias, ele tam-
bém capacitará você, se assim o permitir. Lembre-se apenas das pa-
lavras de Davi em 1Samuel 17:47: “... pois a batalha é do Senhor...”.
Lamentações fala de modo poderoso a respeito da atitude de Deus
diante do abuso: “Tu tens visto, Senhor, o mal que me tem sido
feito” (3:59).
Perdoar aquele que comete tais barbaridades não significa, de
uma hora para outra, encolher os ombros e resmungar: “Tudo bem,
eu perdôo”, e seguir em frente como se aquelas coisas jamais tivessem
acontecido. Elas aconteceram, e cobraram um preço muito alto em
minha vida. O processo do perdão envolveu a minha disposição de
colocar nas mãos de Deus a responsabilidade pela promoção da jus-
tiça. Quanto mais eu me prendia àquilo, mais a escravidão me dre-
nava a vida. O perdão significava transferir a causa a Cristo e tomar a
decisão de me livrar do fardo contínuo da amargura e da culpa.
Você quer saber qual foi uma das principais razões pelas quais
finalmente perdoei a pessoa que me submeteu àquela situação? Pode
ser que você ache um pouco difícil de digerir, mas é a verdade abso-
luta: porque finalmente cheguei a um ponto no qual passei a ter mais
pena da pessoa do que de mim. Posso lhe dizer que, se eu estivesse
no cenário narrado em Mateus 18:6, eu preferia ser a vítima, amada
e querida por Deus, e não o algoz. Como meu sobrinho costumava
dizer quando era pequeno: “Aquele homi vai si dá mal...”.
Também encontramos uma sexta verdade em relação a esse
assunto.

A oração que liberta - novo form149 149 18/11/2008 13:07:32


150 A oração que liberta

Infelizmente, podemos presumir que a violência contra crianças


continuará a existir neste mundo
Veja as palavras de Mateus 18:7: “Ai do mundo, por causa das coisas
que fazem tropeçar! É inevitável que tais coisas aconteçam, mas ai
daquele por meio de quem elas acontecem!”.
Em menor ou maior grau, a violência e o abuso contra a infância
provavelmente continuarão a existir porque o perverso príncipe do
sistema deste mundo (Jo 12:31) e seus subalternos malignos estão
em ação. Até que o reino de Cristo venha, podemos e devemos pro-
curar essas vítimas e apoiar as leis que restringem o mal e expõem
as obras das trevas. Contudo, jamais seremos capazes de acabar com
esse mal de uma vez por todas. Satanás tem muito mais a ganhar
com isso. A próxima palavra pode ajudar você a entender por que o
inimigo se beneficia tanto desse tipo de sofrimento.
Mateus 18:7 (RA) afirma: “Ai do mundo, por causa dos escânda-
los; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem
pelo qual vem o escândalo!”. Dê uma olhada no significado da pala-
vra “escândalo”. Skandalon quer dizer “o gatilho de uma armadilha
na qual a isca é colocada e, quando tocada pelo animal, dispara e
faz o mecanismo fechar, prendendo a vítima [...] Skandalon sempre
denota uma incitação à conduta que pode arruinar a pessoa em
questão”.
Você não precisa de doutorado em estudos bíblicos para reconhe-
cer a obra do inimigo, no que concerne à violência contra crianças. Já
parou para pensar como essa violência poderia, com o tempo, pren-
der uma pessoa, incitando-a ao pecado?
Sabemos, graças a pesquisas, que um número expressivo de
homens e mulheres que assumem um comportamento escandalo-
so, como a prostituição, a promiscuidade e a homossexualidade, é
composto de vítimas de abuso sexual durante a infância. Não estou
tentando justificar ninguém, mas às vezes as explicações para a falta

A oração que liberta - novo form150 150 18/11/2008 13:07:32


Corações restaurados pela verdade 151

de respeito próprio nos ajudam a saber como reagir a esses compor-


tamentos destrutivos e a compreendê-los.
Satanás quer evitar que as pessoas aceitem Cristo como Salvador.
Com certeza, a violência contra as crianças é um meio de intimida-
ção eficaz. Como o inimigo não pode impedir as pessoas que crêem
de alcançar a salvação, ele tenta assegurar que elas sejam, ao mesmo
tempo, emocionalmente incapazes de se transformar em testemu-
nhas eficazes e destroçadas demais para evitar cair em pecados es-
candalosos. A esperança do inimigo para os cristãos é que sejamos
igualmente ineficazes a ponto de não termos nenhum testemunho
para dar ou arruinemos aquele que nos resta.
Não seria a satisfação do inimigo mais um motivo pelo qual de-
vemos nos recusar a permitir que ele se aproveite das feridas que
trazemos do passado? Está na hora de dirigirmos nossa indignação
ao autor do abuso: o próprio Satanás. Quero dizer uma coisa na
qual acredito de todo o coração em relação à violência contra a
infância: em última análise, o acusador (Satanás) é o maior respon-
sável pelos abusos.
Por várias vezes, fui vítima de abusos, mas Satanás vivia me acu-
sando todos os dias de minha vida desde então, até que finalmente
declarei: “Agora chega!” e concordei em permitir que Deus realizasse
a cura e o perdão. Meu amigo, minha amiga, leia estas palavras com a
máxima atenção e aceite-as de todo o seu coração: sua vida não pode
ser definida pelas coisas que lhe aconteceram ou que você fez. O que
a define é quem você é em Cristo. Você é um filho amado ou uma
filha amada de Deus. Ele conhece todas as coisas boas e ruins que lhe
sucederam e defenderá a sua causa. E quanto à pessoa que perpetrou
a violência? “Aquele homi vai si dá mal...”
Falamos sobre um assunto muito difícil, mas, enquanto as verda-
des concernentes a nosso passado não convergirem com a verdade da
palavra de Deus, não alcançaremos a plenitude. Quando Cristo disse:

A oração que liberta - novo form151 151 18/11/2008 13:07:32


152 A oração que liberta

“[Vocês] conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (Jo 8:32),


estava se referindo à verdade divina, a palavra de Deus. Se creio em
Cristo, não posso conhecer a verdade a meu respeito, a não ser que
conheça a verdade contida na palavra de Deus.
Por favor, faça uma promessa: a de não permitir que Satanás tire
proveito desta lição. A última coisa que o seu inimigo deseja é ver
a sua liberdade. Lembre-se: Cristo veio para libertar os cativos, en-
quanto Satanás veio para escravizar os libertos. Ele poderia se contra-
por às coisas que aprendemos semeando em você o medo de educar os
seus filhos, ou oprimindo sua vida por causa das lembranças difíceis.
Recuse-se a permitir que ele roube as sementes que Deus plantou em
sua vida. Deixe que essas verdades formem raízes em seu coração.
Em seguida, regue e cultive com a fé.
Ao concluirmos este capítulo, você pode estar pensando: “Mas
eu ainda não disponho de todas as respostas”. Nem eu, mas Deus já
preencheu lacunas suficientes, e agora nos convida a confiar nele em
relação ao restante. Incentivo você a ler o texto a seguir. Em cada um
dos espaços pontilhados, inclua seu primeiro nome.

Meu filho , amei você antes mesmo de seu


nascimento. Eu já sabia qual seria a sua primeira palavra, assim
como sei qual será a sua derradeira. Conhecia todas as dificulda-
des que você teria de enfrentar. Sofri cada uma delas ao seu lado
— mesmo aquelas que você não sofreu comigo. Antes de seu nas-
cimento, eu já tinha um plano para a sua vida. Esse plano nunca
mudou, , não importa o que tenha aconteci-
do ou o que você tenha feito. Veja bem, eu já sabia tudo a seu res-
peito antes de formar a sua vida. Eu nunca permitiria que algum
mal lhe sucedesse sem que pudesse ser usado para a vida eterna,
. Você vai permitir que eu entre em sua vida?
A sua verdade está incompleta, a não ser que você passe a enxergá-la

A oração que liberta - novo form152 152 18/11/2008 13:07:32


Corações restaurados pela verdade 153

tendo a minha Verdade como pano de fundo. Sua história conti-


nuará pela metade para sempre, , até o dia em
que eu possa tratar de seu sofrimento. Permita-me aperfeiçoar tudo
quanto diz respeito a sua vida.

Aguardo.
Seu Pai fiel.

A oração que liberta - novo form153 153 18/11/2008 13:07:32


VINTE E UM

CORAÇÕES PARTIDOS PELA TRAIÇÃO

Se um inimigo me insultasse, eu poderia suportar; se um adversário


se levantasse contra mim, eu poderia defender-me.
Salmos 55:12

A seguir, vamos nos concentrar em outro agente catali-


sador do sofrimento de um coração partido. No ver-
sículo que abre este capítulo, Davi estava enfrentando grande aflição.
Ele se sentia cercado pelos inimigos. No início desse salmo, ele havia
clamado em desespero: “Quem dera eu tivesse asas como a pomba;
voaria até encontrar repouso! Sim, eu fugiria para bem longe, e no
deserto eu teria o meu abrigo” (Sl 55:6-7).
Segundo o versículo 12, Davi considerava a sua situação quase
insuportável. A razão pela qual seu coração estava angustiado pode
surpreender você. “Mas logo você, meu colega, meu companheiro,
meu amigo chegado, você, com quem eu partilhava agradável comu-
nhão enquanto íamos com a multidão festiva para a casa de Deus!”
(Sl 55:13-14).
Apenas uma pessoa com acesso íntimo ao seu coração pode traí-
lo na proporção que Davi descreve. Se você já foi vítima da traição
de um irmão, de pai ou mãe, do cônjuge, de um filho ou uma filha,
de um amigo ou uma amiga, é provável que tenha sentido o mesmo
tipo de angústia da qual estamos tratando.

A oração que liberta - novo form154 154 18/11/2008 13:07:32


Corações partidos pela traição 155

Por favor, não permita que suas emoções façam você desistir de
tratar essa questão. Quero pedir que colabore com o Espírito Santo
para garantir uma cura apropriada. Se isso ainda não lhe aconteceu,
talvez esta lição possa ajudar.
Lembre-se de que a palavra em hebraico para decepção emo-
cional — shavar — significa que geralmente podemos determinar
um momento específico como marco desse processo. Você conse-
gue se lembrar de um momento específico em que seu coração se
partiu por causa de uma traição? Há uma grande chance de você
ter sentido a tentação de reagir de modo destrutivo por vários dias,
semanas ou até mesmo meses. Se caiu ou não nessa tentação, é outra
história.
Hebreus 4:15-16 nos diz que, em Jesus, temos um grande sumo
sacerdote “que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém,
sem pecado”. Vejo, pelo menos, quatro razões pelas quais Cristo é a
escolha perfeita a se fazer quando sou traída e desejo reagir de modo
destrutivo.

1. Ele é solidário. Nem sempre podemos contar com a solida-


riedade dos outros quando, de repente, nos sentimos despedaçados.
Nossas decepções emocionais não são, de fato, responsabilidade de
mais ninguém. São responsabilidade de Cristo. Lembre-se: ele veio
para restaurar o quebrantado de coração. O máximo que alguém pode
fazer é sentar conosco e assistir enquanto nosso coração sangra!
Outras pessoas só assumem esse tipo de intimidade por um período
muito curto!
2. Ele sabe que sou fraca. Ao contrário das pessoas, Cristo nun-
ca se deixa intimidar pela profundidade de nossa necessidade e pela
demonstração de nossa fraqueza. Eu me sinto muito feliz pelo fato de
não ter de demonstrar ser uma pessoa forte nem de ser um exemplo
para os outros quando estou a sós com Deus e sofrendo.

A oração que liberta - novo form155 155 18/11/2008 13:07:32


156 A oração que liberta

3. Ele foi tentado em tudo quanto eu sou. O que você fez ou quis
fazer? Se estou lendo Hebreus 4:15 corretamente, Cristo também foi
tentado a reagir da mesma maneira que você. Encontro grande con-
solo ao saber que Cristo não se admirou nem se chocou quando eu
quis agir de determinada maneira.
4. Ele passou pelo mesmo tipo de tentação que eu passo e não
pecou. Não importa como eu tenha reagido à traição ou a qualquer
outro tipo de decepção emocional do passado, fico muito feliz de sa-
ber que há uma maneira de alcançar a vitória nessas situações. Cristo
já passou por isso. Se, diante de alguma situação semelhante, eu optar
por seguir os passos dele, também serei capaz de vencer como ele
venceu. Mesmo no caso de eu estragar tudo e reagir do jeito erra-
do, ainda posso escolher segui-lo dali para a frente; e Jesus, em sua
misericórdia, continuará me abençoando e honrando minha opção.
Nunca é tarde demais para começar a seguir a liderança de Deus em
seus momentos de crise.

Ficou claro para nós o fato de Jesus ter seguido os mesmos passos
das pessoas que afundam na areia movediça da traição. Agora, va-
mos dar uma olhada nas especificidades da questão. É provável que
você conheça a história, mas não permita que a familiaridade com o
assunto o impeça de assimilar um novo tipo de aplicação pessoal.
Durante a ceia (Mt 26), Jesus disse o seguinte a respeito de Ju-
das: “Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá” (v. 21). Mais
tarde, Jesus comentou com os demais discípulos: “Ainda esta noi-
te todos vocês me abandonarão” (v. 31). Cristo disse que um deles
o trairia e os outros o abandonariam. Por que você acha que Jesus
considerou apenas Judas um traidor, ainda que todos os discípulos o
tivessem abandonado e fugido (v. 56)?
Não sei dizer qual é a resposta certa, mas as ações de Judas foram
claramente planejadas e deliberadas, enquanto os demais discípulos

A oração que liberta - novo form156 156 18/11/2008 13:07:33


Corações partidos pela traição 157

reagiram por causa do medo. Judas demonstrou premeditação. Cos-


tumo pensar em traição como algo que o traidor sabia que devastaria
a vida da outra pessoa, mas não se importou o suficiente para mudar
de idéia.
Se você já se sentiu traído, o fato de saber que a outra pessoa tinha
noção do sofrimento que lhe causaria não tornou a ferida ainda mais
dolorosa? Judas era um traidor em todos os sentidos. Um verdadeiro
traidor é motivado pelo egoísmo. Judas sabia quanto sua traição cus-
taria a Jesus, mas decidiu que valia a pena.
Uma segunda razão pela qual Cristo pode ter considerado como
traição os atos de Judas aparece em Mateus 9:4: “Conhecendo Jesus
seus pensamentos, disse-lhes: ‘Por que vocês pensam maldosamente
em seu coração?’”. Cristo podia ver o mal no coração de Judas. Não
acredito que ele tenha visto esse mal no coração dos outros discí-
pulos. Em vez disso, imagino que ele tenha identificado medo. E a
diferença entre as duas coisas é muito grande.
A traição é motivada pelo egoísmo, mas nem sempre pelo mal.
Não acredito que todo cônjuge que tenha uma relação fora do casa-
mento tenha a intenção de devastar a pessoa traída. Na verdade, um
traidor pode se sentir sinceramente arrependido pelo sofrimento que
seu egoísmo causou. Às vezes, a traição é uma questão de percepção.
No caso de Cristo, porém, a traição de Judas assumiu a pior forma
possível. Embora Jesus soubesse que Judas o trairia, acredito que ain-
da se sentia muito mal por causa disso. Ele veio a esta terra na forma
de carne humana não apenas para morrer em nosso lugar, mas tam-
bém para viver da mesma maneira que vivemos. A traição que gera
decepção emocional é uma das piores experiências pelas quais uma
pessoa pode passar. Para saber qual a melhor maneira de restaurar
um coração partido pela traição, Cristo optou por passar por isso. O
texto de Hebreus 4:14-16 tem tudo a ver com isso. Cristo ministra às
pessoas traídas por meio do próprio exemplo.

A oração que liberta - novo form157 157 18/11/2008 13:07:33


158 A oração que liberta

Filipenses 2:5 afirma: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo


Jesus...”. Vejamos se nos é possível determinar a atitude de Cristo ao
confrontar a traição, “porém, sem pecado”.
Jesus afirmou: “Você acha que eu não posso pedir a meu Pai, e
ele não colocaria imediatamente à minha disposição mais de doze
legiões de anjos?” (Mt 26:53). Obviamente, Cristo tinha o poder
de fazer a terra se abrir para engolir seus opositores, mas não o fez.
Acredito que ele se conteve porque confiava na soberania do Pai
celestial. Em momentos de dificuldade, nós também precisamos
confiar na soberania de Deus. Isso significa que, se o Senhor per-
mitiu que alguma coisa complicada e chocante acontecesse a um
de seus filhos, é sinal de que ele planeja usar essa situação de ma-
neira poderosa, se a pessoa assim o permitir. Deus não foi a cau-
sa de Judas se tornar um ladrão e traidor, mas usou o discípulo
fraudulento para completar uma obra muito importante na vida
de Cristo.
As Escrituras nos dizem claramente que Satanás usou Judas, mas,
no fim das contas, Deus se valeu daquela situação para que sua boa
obra fosse realizada. Se o seu cônjuge o traiu sendo infiel, meu co-
ração sofre por você. Sei que minhas palavras podem ser duras, mas
acredito que Deus possa usar essa traição para completar uma obra
muito importante em sua vida também. Como? Só você pode des-
cobrir. Por várias vezes, tenho visto o bem ser realizado a partir dos
escombros da infidelidade. Nunca deixo de me impressionar com a
maneira como Deus usa o mal para promover o bem.
Deus não costuma nos dizer por que permite que o mal nos su-
ceda, mas por sua graça recebi dele uma explicação bíblica para uma
experiência que tive e considerei uma traição dolorosa. “Quero co-
nhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus
sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte...” (Fp 3:10). Oro
continuamente para que eu seja como Cristo, mas, quando ele per-

A oração que liberta - novo form158 158 18/11/2008 13:07:33


Corações partidos pela traição 159

mite que eu compartilhe alguns de seus sofrimentos, minha tendên-


cia é me queixar e reclamar.
Poucas pessoas estão livres da experiência de traição, de uma
forma ou de outra, mas, quando nos vemos diante de uma situação
dessas, será que optamos por nos juntar a Cristo? Somos capazes de
escolher por confiar na soberania de nosso pai celestial, que permitiu
aquela provação? A traição pode provocar dois efeitos: doer e doer
ou doer e ajudar. A escolha é nossa.

A oração que liberta - novo form159 159 18/11/2008 13:07:33


VINTE E DOIS

CORAÇÕES PARTIDOS PELA PERDA

Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em


mim, ainda que morra, viverá.
João 11:25

D e uns tempos para cá, Deus permitiu que eu passasse


por uma temporada de perdas que pode ser conside-
rada o mais difícil biênio de minha vida adulta até hoje. Esse período
doloroso começou com a terrível perda de nosso filho Michael, que
passou a viver com a mãe biológica — uma perda tão difícil que ainda
estou passando pelo processo de cura. Logo depois da partida de
Michael veio a notícia de que o câncer do qual minha mãe sofria
tinha penetrado nos ossos e era incurável. Durante os meses que se
seguiram, ficamos assistindo impotentes enquanto nossa pequena
“rainha de tudo” sofria muito.
Deus fez que uma de minhas duas melhores amigas se mudasse,
deixando um tremendo vácuo de risadas e brincadeiras em minha
vida. A doença de minha mãe continuou a roubar mais e mais de
sua energia até que Deus, em sua terna misericórdia, a levou para o
lar. Uma semana depois, minha outra melhor amiga se mudou para
o Mississippi.
Na segunda semana, eu levei minha filha mais velha até o dormi-
tório da faculdade onde ela iria morar dali para a frente até se formar.

A oração que liberta - novo form160 160 18/11/2008 13:07:33


Corações partidos pela perda 161

Naquele momento, eu estava me despedindo de uma parte muito


preciosa de minha vida. Nunca registrei tantas experiências seguidas
antes. Meu lábio inferior está praticamente tremendo, mas falo às
pessoas cujo sofrimento excede de longo qualquer coisa que eu seja
capaz de imaginar.
Estou aprendendo muitas coisas com Deus por meio dessa tem-
porada de despedidas. Sei que o cronograma de Deus coincidiu pro-
positadamente com o processo de concepção deste estudo. Passei por
muitas emoções durante os últimos dois anos, mas se você me per-
guntasse qual delas pode ser considerada o denominador comum, eu
não hesitaria em dizer que foi o luto. Na verdade, de alguma forma
fiquei espantada com o sentimento de luto que acompanhou a mu-
dança de minhas duas melhores amigas. A tristeza parecia meio sem
sentido quando comparada às minhas outras perdas, ainda que fosse
estranhamente inevitável.
Por fim, Deus abriu os meus olhos para ver que aquele luto não
era tão inapropriado assim. Cada uma de minhas experiências repre-
sentava algum tipo de morte. Com a partida de Michael, experimen-
tei a morte da condição de mãe de três filhos, de mãe de um menino,
de um sonho e, acima de tudo, a morte de um relacionamento que
praticamente me consumira por sete anos. Com a mudança de mi-
nhas duas melhores amigas, experimentei a morte da camaradagem
imediata, da companhia garantida nos eventos para mulheres, dos
relacionamentos que eu conheci por muitos anos e de pura união.
As melhores amizades com longos históricos não são fáceis de serem
substituídas.
A morte de minha mãe foi a morte de minha melhor torcedora,
da avó maternal de minhas filhas e de minha melhor amiga; a morte
de um relacionamento diário, de alguém que, sem dúvida alguma,
me amou de todo o seu coração. Em essência, a morte de minha mãe
foi o fim de um relacionamento impossível de ser substituído. Duas
semanas depois, enquanto eu dirigia rumo à saída da Universidade

A oração que liberta - novo form161 161 18/11/2008 13:07:33


162 A oração que liberta

A&M do Texas, deixando para trás minha primogênita, eu sabia que


estava enfrentando a morte da vida familiar como a conhecíamos.
Sabia que muitos momentos maravilhosos estariam por vir, e con-
fiei que Amanda e eu sempre seríamos muito apegadas; contudo, eu
também tinha a noção de que a natureza de meu papel deveria mu-
dar. Ela está a apenas uma hora e meia de distância, mas é bem mais
longe do que ela estivera durante todos esses anos, quando bastava
subir as escadas para encontrá-la.
A vida envolve mudanças. A mudança envolve perda. A perda
envolve morte, seja ela de que maneira for. Antes de concluirmos
esta parte de nosso estudo, acredito que descobriremos uma nova
maneira de aplicar, na vida pessoal, as palavras do apóstolo Paulo
em 2Coríntios 4:11: “Pois nós, que estamos vivos, somos sempre en-
tregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se
manifeste em nosso corpo mortal”.
Toda vez que sofremos algum tipo de perda, nós nos deparamos
com uma oportunidade de obter algum proveito em nome de Jesus.
Isso ocorre quando permitimos que a vida do Senhor seja revelada
em nós. Espero que eu consiga provar essa hipótese à medida que
olhamos, de uma maneira diferente, uma das velhas histórias: a de
Lázaro, em João 11.
Jesus tinha muitos seguidores. Ele contava com poucos discípu-
los, mas não temos conhecimento das muitas pessoas que eram ape-
nas suas amigas. Amizades puras não surgem com facilidade quando
sua vida é dedicada ao ministério. Maria, Marta e Lázaro eram con-
siderados amigos de Jesus.
Quando Lázaro ficou doente, enviaram a notícia a Jesus e disse-
ram: “Senhor, aquele a quem amas está doente” (Jo 11:3). O versículo
5 relata que “Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro”. Mais tarde,
quando Jesus foi até o túmulo de Lázaro e chorou, os judeus disse-
ram: “Vejam como ele o amava!” (v. 36).

A oração que liberta - novo form162 162 18/11/2008 13:07:33


Corações partidos pela perda 163

No entanto, em João 11, vemos um acontecimento estranho.


Quando Jesus ouviu falar que o amigo adoecera e morrera, esperou
dois longos dias. Que razão teria Jesus para demorar tanto? Não pre-
cisamos nos intrigar por causa disso. Ele disse aos discípulos: “Essa
doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o
Filho de Deus seja glorificado por meio dela” (v. 4).
Quando os discípulos de cabeça oca demonstraram não ter en-
tendido, Jesus lhes disse: “... para o bem de vocês estou contente por
não ter estado lá, para que vocês creiam” (v. 15). Podemos presumir,
com bastante segurança, que Jesus não queria que apenas os discí-
pulos acreditassem. João nos informa que muitos judeus haviam se
reunido para consolar Marta e Maria.
A iniciativa de Jesus de esperar dois dias parece uma mostra de
insensibilidade, a não ser que levemos em consideração como a res-
surreição de Lázaro afetou a vida daqueles que estavam lá. Quando
Jesus trouxe o amigo de volta à vida, lemos que “muitos dos judeus
que tinham vindo visitar Maria, vendo o que Jesus fizera, creram
nele” (v.45).
Eu gostaria de oferecer três sopros frescos de vida para aqueles
momentos em que precisamos enfrentar a dor da morte de algo ou
de alguém a quem estimamos.

1. Cristo nunca permite que seus filhos sofram decepção emocio-


nal sem que haja ótimas razões e propósitos eternos para isso. Cristo
amava Maria e Marta com muita ternura; mesmo assim, ele proposi-
tadamente permitiu que elas sofressem uma perda. Nosso Pai nunca
permitiria que nosso coração fosse partido por razões triviais. Pode
ser que, ao contrário de Maria e Marta, nunca conheçamos os mo-
tivos, mas será que poderíamos caminhar pela fé e crer que Cristo
tem o melhor para nós? Veja bem, a perda mais debilitante para um
cristão não é a de uma pessoa amada, mas a perda da fé. Você conse-

A oração que liberta - novo form163 163 18/11/2008 13:07:33


164 A oração que liberta

gue perceber como a perda da fé poderia ser transformada em uma


forma de escravidão?
2. Cristo nunca permite que uma doença termine em morte para
um cristão. Todas as pessoas que crêem em Cristo ressuscitarão dos
mortos. O que tornou a experiência de Lázaro singular foi sua volta à
vida mortal. Por favor, não pense que sou uma pessoa mórbida, mas
não estou muito convencida de que Lázaro tenha levado a melhor
com essa história da morte! Quando eu morrer, prefiro não ser res-
suscitada para voltar a este mundo e ter de fazer tudo outra vez! De
um jeito ou de outro, porém, a morte nunca é o fim da vida de nin-
guém que está em Cristo. Em meio àquele encontro tão melancólico,
Jesus se revelou a Marta de uma maneira nova e poderosa. Ele disse:
“Eu sou a ressurreição e a vida” (v. 25).
3. Qualquer tipo de “morte” é um convite à ressurreição para
aquele que crê. Graças a Deus, a perda de alguma coisa ou de um
ente querido não significa necessariamente o fim da vida abundan-
te, eficaz ou mesmo alegre do cristão. Pode haver uma pausa tem-
porária na alegria e na produtividade durante o tempo do luto, mas
aqueles que permitem que seu coração partido seja restaurado por
Cristo voltam a experimentar esses sentimentos. Nosso Salvador é o
Deus da ressurreição, não importa que tipo de morte tenha ocorri-
do na vida de um cristão!

Nada é mais natural do que o luto depois de uma perda devas-


tadora, mas aqueles que estão em Cristo podem voltar a gozar uma
vida de satisfação. Quando o nosso coração é despedaçado pela per-
da, temos diante de nós a oportunidade de receber um poder sobre-
natural em nossa vida; o poder de voltar a viver nesta terra quando
preferiríamos morrer. Talvez o milagre mais maravilhoso de todos
seja a capacidade de enfrentar alguma situação que achávamos ter
o poder de nos matar. E não apenas viver, mas fazê-lo com abun-

A oração que liberta - novo form164 164 18/11/2008 13:07:33


Corações partidos pela perda 165

dância e eficácia — ressuscitado da morte em vida para uma nova


vida, marcada pela ausência de algo ou de alguém muito querido,
mas cheia da presença daquele que é a Ressurreição e a Vida.
Não, a minha vida nunca mais será a mesma. Não tenho mais um
filho. Minha mãe está no céu. Minhas duas melhores amigas se mu-
daram. Minha filha mais velha está na faculdade. Mas a vida de um
cristão não tem nada a ver com a mesmice. É sempre concentrada
em mudanças. É por isso que precisamos aprender a sobreviver e,
mais uma vez, encontrar o caminho da felicidade quando a mudança
envolve uma perda que parte o nosso coração.
Nesses momentos, estamos sendo moldados de acordo com a
imagem de Cristo. Quando o seu coração sangrar por causa do luto e
da perda, nunca se esqueça de que Cristo o restaura e cobre com suas
mãos marcadas pelos cravos. A vida nunca mais será a mesma, mas
recebemos o convite de Cristo para ressuscitar e viver uma vida nova
— mais compassiva, mais sábia, mais produtiva. E, é claro, uma vida
melhor. Parece impossível? Só se for sem Cristo.
Sou quase capaz de ouvir Cristo chamando um nome. Será que é
o seu? Por acaso, estará você vivendo como os mortos vivos? A pedra
já foi tirada. A ressurreição espera por você. E então? Continuará
sentado dentro de uma tumba escura ou caminhará na direção da
luz de uma vida ressurreta? Lázaro, saia para fora!

A oração que liberta - novo form165 165 18/11/2008 13:07:33


A oração que liberta - novo form166 166 18/11/2008 13:07:33
PARTE IV

SONHOS SEM LIMITES


E UMA OBEDIÊNCIA DURADOURA

V ocê entrou comigo em águas turbulentas e frias. Agora


chegou a hora de contemplar algumas das recompen-
sas que nosso Mestre amoroso tem reservadas para os peregrinos
que seguem pela estrada rumo à liberdade.
Temo que muitos de nós tenhamos quase nos desesperado pela
ansiedade de ver duas coisas acontecerem: a realização de nossos so-
nhos de infância e uma solução para a perversidade que assombra o
nosso coração. Nos capítulos a seguir, vamos analisar a satisfação que
Deus deseja proporcionar ao nosso coração. Ele está nos conduzindo
a uma terra de sonhos realizados e de vitória sobre nossa nature-
za pecaminosa. Acha que isso parece bom demais para ser verdade?
Deus é que é bom demais para não ser verdadeiro.
Ao fim de cada um desses breves capítulos, reserve um momento
para trabalhar no sentido de guardar a palavra de Deus em seu cora-
ção. Relembre os versículos que você decorou e adicione a sua lista a
fonte do benefício número 3: encontrar satisfação em Deus.

Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho ár-
duo naquilo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que
é bom, e a alma de vocês se deliciará com a mais fina refeição.
Isaías 55:2

A oração que liberta - novo form167 167 18/11/2008 13:07:33


A oração que liberta - novo form168 168 18/11/2008 13:07:33
VINTE E TRÊS

CINZAS EM VEZ DE HONRA

Tamar pôs cinza na cabeça, rasgou a túnica longa que estava usando e
se pôs a caminho, com as mãos sobre a cabeça e chorando em alta voz.
2Samuel 13:19

N o Antigo Testamento, as pessoas cobriam a cabeça


com cinzas como um símbolo de luto. As cinzas
eram uma maneira de lembrar a nossa mortalidade. Quem se cobria
com cinzas declarava, simbolicamente, que sem Deus não seria nada
além de cinzas. Talvez a razão pela qual tenho uma visão favorável a
respeito de algumas práticas antigas seja o fato de eu ser tão explícita,
mas não consigo deixar de acreditar que todo mundo tem direito a
um pouco de liberdade de expressão de vez em quando.
Faço questão de salientar essa questão porque nossa sociedade
tem certa tendência assustadora de minimizar as emoções. Essa
opressão só serve para acumular as emoções dentro de reservatórios,
mas elas podem explodir a qualquer momento. A palavra de Deus
constantemente reconhece nosso lado emocional.
Vamos analisar uma expressão comovente de luto contida nas
Escrituras e descobrir como, infelizmente, podemos nos identificar
com ela de algumas maneiras. Podemos presumir que as mulheres
dos tempos antigos também se vestiam de pano de saco e se cobriam

A oração que liberta - novo form169 169 18/11/2008 13:07:33


170 A oração que liberta

de cinzas quando enfrentavam um período de lamento e luto. No en-


tanto, a Bíblia só descreve uma vez em detalhes quando uma mulher
segue esse procedimento.
Em 2Samuel 13:1-22 lemos sobre a tragédia de Tamar e seu ir-
mão, Amnom. Tamar era a bela filha do rei Davi. O rei, é claro, tinha
muitas esposas e filhos de várias mães diferentes. Amnom, meio-ir-
mão de Tamar, se apaixonou por ela.
Ele ouviu o conselho perverso de seu primo Jonadabe, simulou
uma doença e pediu ao pai, Davi, que enviasse Tamar para cuidar
dele. A irmã inocente foi até lá para alimentar Amnom, mas ele a
agarrou à força.

Mas ela lhe disse: “Não, meu irmão! Não me faça essa violência. Não
se faz uma coisa dessas em Israel! Não cometa essa loucura. O que
seria de mim? Como eu poderia livrar-me da minha desonra? E o
que seria de você? Você cairia em desgraça em Israel. Fale com o rei;
ele deixará que eu me case com você”. Mas Amnom não quis ouvi-la
e, sendo mais forte que ela, violentou-a.
2Samuel 13:12-14

Todo mundo já ouviu a expressão “não tem como ficar pior”. Mas
no caso de Amnom, ele conseguiu piorar ainda mais a situação. De-
pois de estuprar Tamar, ele “sentiu uma forte aversão por ela, mais
forte que a paixão que sentira. E lhe disse: ‘Levante-se e saia!’” (v. 15).
Como último ato de insulto, “chamando seu servo, disse-lhe: ‘Ponha
esta mulher para fora daqui e tranque a porta’” (v. 17).
Se analisarmos a situação, veremos que Amnom se sentiu culpa-
do por seus atos perversos. Então, como muitas pessoas costumam
fazer, ele dirigiu seu sentimento de culpa à inocente Tamar. Parti-
cularmente, sinto solidariedade por ela por causa da última atitude
de Amnom. Ele sabia muito bem que os servos falariam o que havia

A oração que liberta - novo form170 170 18/11/2008 13:07:33


Cinzas em vez de honra 171

acontecido. Ele queria infligir o máximo de sofrimento possível so-


bre Tamar, arruinando a reputação daquela mulher.
As filhas virgens do rei vestiam uma túnica que indicava seu status.
Tamar expressou sua tristeza rasgando a túnica ricamente ornamen-
tada que vestia e derramando cinzas sobre a própria cabeça. Quando
o outro irmão, Absalão, viu que ela estava chorando, ficou sabendo
o que tinha acontecido. “Absalão, seu irmão, lhe perguntou: ‘Seu irmão,
Amnom, lhe fez algum mal? Acalme-se, minha irmã; ele é seu ir-
mão! Não se deixe dominar pela angústia’” (v. 20).
Também descobrimos que Davi tomou conhecimento do estu-
pro. Não se esqueça do fato de que ele era um cúmplice involuntário,
pois havia enviado Tamar à casa de Amnom. Davi ficou furioso com
o filho, mas não fez nada. Meu coração dói ao pensar em Tamar.
Traída por um irmão. Aconselhada pelo outro irmão a manter o si-
lêncio. Ignorada pelo pai. Como resultado dessa experiência, Tamar
viveu “muito triste” (v. 20) o resto de seus dias.
O pai de Tamar, o rei, foi um dos principais responsáveis por
aquela sensação de tristeza que nunca mais a abandonou. Ele ficou
furioso, mas não fez nada positivo e palpável com isso. Você pode ter
certeza absoluta de que Deus também fica furioso quando mulheres
são maltratadas ou sofrem algum tipo de abuso. A diferença é que
podemos confiar nele para fazer alguma coisa a respeito — à ma-
neira divina e no tempo de Deus. Se presumirmos que a dignidade
de Tamar jamais foi restaurada, como você acha que ela estava ao
chegar aos quarenta anos de idade?
Peço a você que reflita sobre até que ponto nós nos parecemos
com Tamar nesta geração. Aquelas de nós que receberam Cristo são,
literalmente, filhas da realeza. Toda mulher renovada em Cristo por
meio da fé e do arrependimento é, espiritualmente falando, uma fi-
lha virgem do Rei. A imagem e o objetivo bíblicos para a mulher
estão diretamente relacionados com a honra e a pureza.

A oração que liberta - novo form171 171 18/11/2008 13:07:34


172 A oração que liberta

Independentemente do fato de você ter sido ou não uma vítima


desse tipo de violência, vivemos em uma época em que isso é comum
demais. Satanás está promovendo, de maneira ativa e sistemática, a
desmoralização das mulheres.
Aquelas de nós que sofreram algum tipo de violência física ou
psicológica conhecem a tristeza que invadiu o coração de Tamar.
Muitas são convencidas pelo inimigo de que não são mais merece-
doras de honra e dignidade. Quando descobri o que era virgindade,
fiquei chocada e tremi ao constatar que eu talvez não fosse mais vir-
gem. Nunca tive muita chance. Só estou pedindo a você que reco-
nheça como também tem sofrido e sido afetada pelas experiências
aterrorizantes de várias mulheres, mesmo que ainda não tenha se
dado conta disso.
Há muitos anos, foi publicada uma reportagem no jornal de nos-
sa região que mostrava uma rede secreta responsável pela violência
contra garotinhas no Oriente. Fiquei arrasada por esse problema de
gênero. E tem mais: aquela notícia revoltou todas as outras mulheres
que a leram, mesmo aquelas que nunca haviam passado por tal ex-
periência. Por quê? Pelo fato de todas também terem sido, em algum
momento da vida, garotas inocentes.
O terror que aquelas garotinhas sofreram era inimaginável. Toda
mulher se sente violentada ao tomar conhecimento de crimes como
esse. Com certeza, vários homens que leram a reportagem também
se sentiram ultrajados. Sei que muitos deles reconhecem claramente
a desmoralização das mulheres e das crianças.
Satanás deseja manter as mulheres dentro de uma fortaleza de
exploração sexual, deturpação e desolação. Ele sabe como as mulhe-
res podem ser produtivas e influentes, por isso trabalha por meio da
sociedade para nos convencer de que somos muito inferiores.
Se Satanás tem convencido você a se ver como qualquer coisa
menos do que uma filha muito especial do Rei dos reis... se você tem

A oração que liberta - novo form172 172 18/11/2008 13:07:34


Cinzas em vez de honra 173

medo de que lhe aconteça alguma coisa capaz de roubar sua herança
real... se acha que merece ser maltratada e desrespeitada, então signi-
fica que você tem alguma coisa em comum com Tamar. Oro para
que o Espírito Santo fique à vontade para restaurar as vestes reais das
filhas da realeza, assim como a dignidade perdida dessas mulheres.
Oro para que ele nos mostre nossa verdadeira identidade e nos liberte
para que possamos viver em pureza.
Podemos concluir lendo em voz alta Salmos 45:13-15:

Cheia de esplendor está a princesa em seus aposentos, com vestes


enfeitadas de ouro. Em roupas bordadas é conduzida ao rei, acom-
panhada de um cortejo de virgens; são levadas à tua presença. Com
alegria e exultação são conduzidas ao palácio do rei.

Esse, minha querida irmã em Cristo, é o seu destino. E você, meu


querido irmão em Cristo, está incluído no versículo 16: “Os teus filhos
ocuparão o trono dos teus pais; por toda a terra os farás príncipes”.

A oração que liberta - novo form173 173 18/11/2008 13:07:34


V I N T E E Q U AT R O

CASAR

É grande o meu prazer no Senhor! Regozija-se a minha alma em


meu Deus! Pois ele me vestiu com as vestes da salvação e sobre mim
pôs o manto da justiça, qual noivo que adorna a cabeça como um
sacerdote, qual noiva que se enfeita com jóias.
Isaías 61:10

N esta parte de nosso estudo, vamos analisar alguns


sonhos de infância. Considerando que sou uma mu-
lher, é natural que eu conheça mais os sonhos das meninas. Acho que
os homens também serão capazes de identificar sua versão pessoal
de cada um desses sonhos.
Estamos estudando o terno (e, se posso usar este termo, român-
tico) ministério de Cristo: conceder “uma bela coroa em vez de cin-
zas”. Geralmente, as pessoas que pranteavam derramavam as cinzas
sobre a cabeça, tal como fez Tamar. Acompanhe-me em uma viagem
imaginária ao passado.

Imagine Tamar: tomada pelo pesar, chorando, as cinzas sobre sua


cabeça. Seu corpo encolhido sobre o chão frio. A fuligem cobre seu
belo rosto e mancha as ricas cores de sua túnica rasgada. A aparência
externa de Tamar reflete as terríveis trevas que tomam sua alma. A
falta de esperança e a morte estão estampadas em sua face. Ela nada
mais é do que a imagem de uma sepultura.

A oração que liberta - novo form174 174 18/11/2008 13:07:34


Casar 175

A porta de seu quarto se abre de repente. Raios de sol invadem o


recinto. Uma figura masculina toma forma. Não é Absalão. Não,
ela seria capaz de reconhecer Absalão em qualquer lugar. O cora-
ção dela dispara, tomado por um medo aterrorizante. Em seguida,
aquela figura atravessa a porta, e então sua imagem fica clara. Tamar
nunca vira aquele homem antes, ainda que ele pareça tão familiar.
Ele não causa medo. Ela até deveria temer, porque nenhum homem
teria autorização de entrar em seu quarto. Talvez Tamar devesse fu-
gir, mas não consegue se mover.
Ela olha para baixo e vê as próprias mãos paralisadas sobre seu colo.
De repente, se dá conta de sua figura coberta de cinzas e fica enver-
gonhada. Um sentimento de miséria queima o coração de Tamar.
Ela tem certeza de que sua condição é patente e, por isso, sente des-
prezo por si mesma.
— Tamar — o homem fala com sua voz gentil e familiar.
— Ela morreu — responde a mulher, com o coração em prantos,
sabendo que ali só restava uma escrava da vergonha.
Ele se aproxima e toma o rosto de Tamar em suas mãos. Ninguém
jamais fizera isso antes. Tanta intimidade a faz enrubescer, não por
vergonha, mas pela consciência de sua vulnerabilidade. Os polega-
res daquele homem sobem pela face de Tamar e secam as lágrimas.
Quando ele retira as mãos do rosto e as coloca sobre a cabeça da-
quela mulher, ela sente a garganta doer. Chora de novo ao ver que
as mãos dele estão sujas e sente alguma coisa em sua cabeça. Talvez,
em sua misericórdia, aquele homem tenha acobertado a desgraça
que ela sente.
O homem oferece suas mãos, ainda cobertas de fuligem, e ela as
toma nas suas. De repente, Tamar está de pé, tremendo. Ele a leva
até o espelho de cobre pendurado na parede. Ela vira o rosto, mas o
homem ergue a face daquela mulher. Ela olha para o espelho apenas
de relance e fica surpresa com o que vê. Então, começa a admirar a

A oração que liberta - novo form175 175 18/11/2008 13:07:34


176 A oração que liberta

imagem. Sua face está clara e limpa. As maçãs do rosto estão rosadas
e lindas. Os olhos estão cheios de brilho. Há uma coroa sobre sua
cabeça, e um véu lhe recai sobre os ombros. As vestes rasgadas se
foram. Um ornamento branco de linho fino envolve seu pescoço e
embeleza ainda mais sua figura. A filha do Rei, pura e imaculada. A
beleza que surge das cinzas.

Não, eu não acredito em contos de fadas, mas creio em Deus.


Ele enviou seu Filho com apenas um propósito. Seja qual for a causa
de nosso pranto, Cristo pode ser aquele que ergue o nosso rosto. Ele
pode nos conceder beleza em vez de cinzas. Essa não foi a história
de Tamar, mas poderia ter sido. E pode ser a sua história.
Acredito que praticamente toda garotinha tem, pelo menos, quatro
sonhos, que serão temas dos próximos quatro capítulos: 1) se casar,
2) ser bonita, 3) dar frutos (aquilo a que geralmente nos referimos
como “ser fértil”) e 4) viver feliz para sempre. Os garotos têm sonhos
que não são tão diferentes assim. Eles também desejam desenvolver
um relacionamento significativo e que as meninas os achem bonitos.
Eles querem deixar um legado, e certamente desejam viver felizes
para sempre.
Satanás quer destruir os nossos sonhos; Deus, por sua vez, de-
seja ultrapassar os limites desses sonhos, que ele nos concede para
que busquemos a sua realização. Vamos analisar esses quatro so-
nhos que temos em comum. Começamos com o primeiro sonho:
um dia, casar.
Quase posso sentir a revolta de algumas mulheres solteiras e fe-
lizes contra mim. Será que vocês são capazes de admitir que se ima-
ginavam usando um vestido de noiva quando eram crianças? Deus
instituiu o casamento de maneira que pudéssemos entender melhor
o que significa um relacionamento mais elevado (Ef 5:25-33). Ape-
nas duas pessoas são suficientes para um casamento. Nossa união

A oração que liberta - novo form176 176 18/11/2008 13:07:34


Casar 177

com Cristo é comum a todos os cristãos, mas a intimidade desse


relacionamento se expressa de maneira individual, entre Jesus e cada
cristão. Seja homem ou mulher, todo cristão é uma noiva de Cristo.
Adoro o termo “noiva”. É interessante notar que a palavra de Deus
não se refere a nós como “esposas” de Cristo, mas como a “noiva”.
Vamos voltar e dar uma olhada no contexto de Isaías 61. A coroa de
beleza, em seu sentido original, é um enfeite para a cabeça, como
uma tiara ou um véu de casamento. A palavra original é derivada do
termo hebraico pa’ar, que quer dizer: “cintilar”, “explicar-se”, “embe-
lezar” (Strong’s). O tipo de enfeite que uma mulher usava na cabeça
explicava como ela era. Isaías 61 retrata Deus soprando para longe as
cinzas do pesar e substituindo-as por uma coroa — e não é qualquer
coroa. Nesse caso, somos a noiva do Príncipe da Paz!
Em minha opinião, a palavra “noiva” indica várias coisas que o
termo “esposa” não consegue expressar. O uso de “noiva” implica no-
vidade e frescor. Um vestido lindo e cheio de detalhes. A fragrância
do perfume. Uma maquiagem colorida. Olhos brilhantes. Costumo
associar à idéia de juventude. Talvez inocência. Acredito que todas
essas coisas servem para caracterizar nosso relacionamento com
Cristo e a consumação definitiva do casamento.
As Escrituras sugerem que nosso relacionamento com Cristo,
embora dure por toda a eternidade, continuará renovado e cheio
de frescor. Sim, acho que, de algum modo, sempre seremos noivas,
tal como minha sogra. Os pais de Keith são casados há 45 anos,
mas meu sogro sempre se refere à esposa como sua “noiva”. Para
mim, essa expressão tão cheia de ternura traduz um romance du-
radouro. Ele adora presenteá-la. Eles ainda se abraçam, se beijam
e namoram!
Vamos dar uma olhada em duas referências interessantes ao povo
de Deus como “noiva”. Em Jeremias 2:2, Deus falou com o povo de
Israel, dizendo: “Eu me lembro de sua fidelidade quando você era

A oração que liberta - novo form177 177 18/11/2008 13:07:34


178 A oração que liberta

jovem: como noiva, você me amava e me seguia pelo deserto...”. Uma


das características de uma noiva amorosa é sua disposição de seguir
o noivo a lugares que, às vezes, podem parecer desertos. Vez por ou-
tra, o nosso Noivo nos conduz a lugares difíceis, mas podemos con-
fiar que ele tem um propósito em nossa permanência ali, e nunca nos
abandonará.
Recentemente, segui meu Noivo a um lugar de solidão. Eu me
tornei muito mais íntima dele do que era antes, o que, como por mi-
lagre, fez que eu me aproximasse muito mais de meu companheiro
terreno. Não acho que estarei sempre nesse lugar, mas ele se parece
cada vez menos com um deserto agora.
Geralmente, a razão pela qual um noivo terreno leva a noiva para
lugares diferentes é a busca de melhor qualidade de vida. Acredito
que o mesmo vale para Cristo. Todas as mudanças para as quais ele
nos prepara são com o objetivo de oferecer uma vida melhor.
Com certeza, não podemos pensar nesse assunto sem considerar
o texto de Apocalipse 19:4-8. Esses versículos descrevem a reunião
de todos os que crêem com Cristo durante a ceia de casamento do
Cordeiro. O versículo 7 encerra uma importante responsabilidade
da noiva. Ele diz: “... chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a
sua noiva já se aprontou”.
Note a conjugação do verbo que indica a ação da noiva: ela “se
aprontou”. Está no passado. A partir do momento que vemos Jesus,
devemos nos aprontar assim como uma mulher deve estar preparada
para se encontrar com seu noivo no altar pouco antes do casamento.
Eu quero estar pronta. Você também não quer? Não quero ser toma-
da de surpresa, cheia de bobes espirituais presos no cabelo!
Quando eu estava me preparando para o meu casamento, costu-
mava pensar sobre como seria a minha vida de casada. Eu não seria
só uma esposa. Seria a esposa de Keith. Entenda o que quero dizer: eu
não estava apenas me casando; também estava me comprometendo

A oração que liberta - novo form178 178 18/11/2008 13:07:34


Casar 179

com um homem! Um casamento não se resume a uma bela cerimô-


nia. Trata-se também de um relacionamento de longo prazo. Eu não
conseguiria me imaginar casada se não fosse com Keith.
Às vezes, eu pensava em como éramos diferentes. Ele é um sujei-
to que gosta de ar livre. Meu cabelo fica melhor em ambientes com
aparelhos de ar-condicionado. Eu também ficava pensando em al-
gumas semelhanças. Ambos gostamos de controlar as situações. Os
dois gostam de ter razão. Hum... Tantas coisas em comum. Mas ele
era a coisa mais linda que eu já tinha visto; e, quando sorria, meu
coração derretia. Além disso, os dois gostavam de uma xícara de café
bem quente.
Esperando que ele também me achasse muito bonita, eu me pre-
parei o melhor que pude para ser uma mulher encantadora, capaz
de fazer um café bem gostoso. Pode achar graça, se quiser, mas vin-
te anos depois o casamento ainda funciona muito bem! Continuo
acompanhando meu marido até a porta com uma xícara de café fres-
co pela manhã e recebendo-o maquiada à noite.
Falando bem sério, o mesmo vale quando nos preparamos para
ser noivas eternas. Não vamos nos limitar a fazer parte de uma bela
cerimônia. Seremos a noiva de Cristo. A palavra de Deus não diz que
devemos nos aprontar para o casamento, mas para o Noivo. Por essa
razão, não podemos nos preparar sem pensar nele, ou seja, meditan-
do em nossas semelhanças (que, esperamos, se multipliquem), refle-
tindo a respeito de nossas diferenças, imaginando como poderemos
nos ajustar e pensando em como ele é maravilhoso.
No capítulo anterior, lemos Salmos 45:13-15. O salmo é uma
canção nupcial. De propósito, evitei mostrar a você os versículos que
precedem essa passagem para que você pudesse examiná-los agora.
Lembre-se: uma das partes mais importantes desse processo de prepa-
ração da noiva é estudar e conhecer o nosso Noivo. Os versículos 1 a 12
contêm descrições íntimas do Noivo. Note as características a seguir:

A oração que liberta - novo form179 179 18/11/2008 13:07:34


180 A oração que liberta

• Não temos outra alternativa, senão amá-lo, pois ele nos ama:
“O rei foi cativado pela sua beleza; honre-o, pois ele é o seu
senhor” (v. 11).
• Não podemos deixar de respeitá-lo por seu caráter: “És dos
homens o mais notável; derramou-se graça em teus lábios...”
(v. 2).
• Diante dele, ficamos em estado de encantamento: “Na tua
majestade cavalga vitoriosamente pela verdade, pela miseri-
córdia e pela justiça; que a tua mão direita realize feitos glo-
riosos” (v. 4).
• Nele sentimos alegria plena: “Amas a justiça e odeias a iniqüi-
dade; por isso Deus, o teu Deus, escolheu-te dentre os teus
companheiros ungindo-te com óleo de alegria” (v. 7).

Contemple o Noivo. É para ele que você está se preparando.


Apronte-se logo!

A oração que liberta - novo form180 180 18/11/2008 13:07:34


VINTE E CINCO

SER BONITA

Como você é linda, minha querida! Ah, como é linda!


Cântico dos Cânticos 4:1

A maioria das pessoas que conheço que vivem em liber-


dade enfrentou e venceu alguma fortaleza ou algum
impedimento terrível. Elas costumam apreciar e colocar a vitória em
prática com mais rapidez porque passaram primeiro pela triste expe-
riência da derrota. Raramente encontro pessoas que passaram a con-
fiar plenamente em Deus sem antes confrontar, de modo doloroso, o
fato de não poderem confiar em si mesmas.
O inimigo é um arqueiro experiente. Quando as mulheres cons-
tituem seu alvo, os alvos que ele procura atingir costumam ser os
sonhos de infância. Crescemos acreditando na Cinderela, ainda que
algumas de nós acabem descobrindo que o palácio virou uma casa
simples, o príncipe se transformou em sapo e a madrasta perversa se
personificou e ganhou outro nome: “sogra”. Pelo jeito, a fada-madri-
nha perdeu o seu endereço. Deixa para lá. Não seria nada educado
falar o que ela poderia fazer com a varinha de condão.
Minha esperança é provar a você que alguns de nossos sonhos de
criança foram feitos sob medida para encontrar realização em Cristo,

A oração que liberta - novo form181 181 18/11/2008 13:07:34


182 A oração que liberta

e de maneiras ainda mais grandiosas do que o óbvio. Na verdade, às


vezes Deus permite que passemos por decepções para que concen-
tremos nossa esperança ainda mais no Senhor. Até mesmo minhas
amigas que preferiam jogar bola em vez de brincar de boneca sonha-
vam com um noivado, em ser bonitas, ser férteis e viver felizes para
sempre. Vamos analisar o segundo sonho. Quase toda garotinha
sonha em ser uma mulher bonita. Os garotos anseiam pelo dia em
que uma menina olhará para ele e o achará bonito ou forte. Quando
chegamos à idade adulta, alimentamos mágoas quando sentimos que
ninguém nos acha tão belos assim.
Ver a passagem de minhas filhas pelo ensino médio me lembrou
das inseguranças que eu sentia quando passei pela mesma experiên-
cia. Para eu me sentir bem em relação à minha aparência, tudo tinha
de estar perfeito. Nada de umidade, o cabelo em ordem, muita ma-
quiagem, nenhum borrão de rímel. Eu me esforçava um bocado para
manter uma boa aparência. Até demais. Eu não achava nada em mim
naturalmente bonito.
Como sou grata pela liberdade que Deus me concedeu em Cris-
to. Estou em plena meia-idade. Tenho uma amiga que diz: “O tempo
cura todas as coisas, mas é péssimo quando se trata de manutenção
da beleza”. Mesmo assim, sinto-me cada vez mais feliz e mais satis-
feita do que nunca. O segredo? É que estou aprendendo a me ver
bonita para Cristo.
Não adianta dizer coisas como: “Ah, você é magra e seu cabelo
fica bom de qualquer maneira, é claro que você se sente bonita!”.
Preste atenção: eu era a garota mais dentuça do mundo e tinha os
pés para dentro. Minhas pernas pareciam duas varetas com pele por
cima. Sem Cristo, toda mulher é cheia de inseguranças. A não ser
que encontremos nossa identidade em Cristo, até as mulheres cristãs
são tão propensas a inseguranças a respeito de sua aparência quanto
as que não crêem. Tentamos agir como se não ligássemos para isso

A oração que liberta - novo form182 182 18/11/2008 13:07:34


Ser bonita 183

e não nos sentíssemos magoadas por nos sentir tão mal, mas a rea-
lidade é outra.
Agora é hora de entrarmos descalças nas águas do mais provo-
cativo livro da Bíblia. O Cântico dos Cânticos é um poema de amor
repleto de termos carinhosos. Incentivo você a pegar a sua Bíblia e
ler os capítulos 2 e 4. No capítulo 2, Salomão diz o seguinte a respeito
de sua noiva: “Como um lírio entre os espinhos é a minha amada
entre as jovens” (v. 2). Isso soa tão contemporâneo. Mas veja que
coisa deliciosa encontramos no capítulo 4, versículo 1: “Como você
é linda, minha querida! Ah, como é linda! Seus olhos, por trás do
véu, são pombas. Seu cabelo é como um rebanho de cabras que vêm
descendo do monte Gileade”.
Se Keith um dia me olhasse com romantismo e dissesse: “Seus
dentes são como um rebanho de ovelhas recém-tosquiadas...” (Ct 4:2),
minha primeira providência seria procurar uma escova e um fio
dental.
Dê uma olhada em uma das comparações de maior efeito visual
feitas por Salomão: “Comparo você, minha querida, a uma égua das
carruagens do faraó” (Ct 1:9). Naquela época, os homens já gostavam
de carros tanto quanto gostam hoje em dia. Keith está feliz da vida
com um carro clássico, de 1969, que comprou para dar de presente
de aniversário a Melissa. Um dia desses, reclamei por estar ficando
velha, e ele respondeu: “O carro da Melissa também, mas você está
tão bem conservada quanto ele!”. Eu não sabia se batia em meu mari-
do ou o abraçava. Os homens elegantes da época de Salomão tinham
carruagens puxadas por belos cavalos. Ele estava dizendo a sua ama-
da que ela era parecida com o cavalo mais bonito do faraó!
O Cântico dos Cânticos é um livro maravilhoso, não é? Ele me
faz rir, corar e ansiar por romance de verdade. Ficamos quase cho-
cadas ao perceber que Deus conhece até mesmo essas coisas a nosso
respeito, e mais ainda ao ver que ele escreve sobre elas! Deus criou

A oração que liberta - novo form183 183 18/11/2008 13:07:34


184 A oração que liberta

o amor entre o homem e a mulher. A idéia do Senhor era que a ex-


pressão plena desse amor fosse a intimidade sexual — a dádiva que
ele ofereceu ao primeiro homem e à primeira mulher, estendida de
maneira liberal e com a completa bênção divina a todos os casais
que Deus une pelos laços do casamento. Mas espere um pouco. O
casamento terreno representa muito mais.
Em Efésios 5, Paulo repete as palavras de Gênesis 2:24, segundo
as quais um homem e uma mulher se tornam uma só carne quando
se casam. Em seguida, ele confere um status ainda mais elevado a
essa verdade do Antigo Testamento: “Este é um mistério profundo;
refiro-me, porém, a Cristo e à igreja” (Ef 5:32). O que pode ser mais
profundo do que um homem e uma mulher se unindo no casamen-
to? Cristo e sua noiva, a Igreja.
Deus costuma ensinar as coisas desconhecidas por intermédio
das conhecidas. Acredito que o Cântico dos Cânticos foi escrito para
ajudar os cristãos a identificar esse texto com a união deles com Cris-
to. Nesse livro, podemos ver Cristo e sua noiva amada, que somos
nós. O verdadeiro romance aguarda por todos nós.
Pessoas solteiras e casadas podem celebrar o fato de que alguns
sonhos se tornarão realidade. Um deles é retratado com perfeição
nesse livro. Cristo é totalmente apaixonado por você. Ele vê cada
pessoa como sua noiva amada. Dê outra olhada em vários versículos
muito significativos em Cântico dos Cânticos que mostram como
Cristo se sente em relação a você:
“Sou uma flor de Sarom, um lírio dos vales” (2:1). Repare que es-
sas palavras são expressões de amor da mulher. Ela não estava sendo
arrogante; apenas se via da mesma maneira que seu amante. O espe-
lho no qual ela se mirava era a própria face de seu companheiro. Até
que ponto você acha que sua vida seria diferente se permitisse que
Cristo se tornasse o seu espelho?
“... o seu estandarte sobre mim é o amor” (2:4). A palavra “estan-
darte” significa “ostentar, ou seja, erguer uma bandeira; em sentido

A oração que liberta - novo form184 184 18/11/2008 13:07:34


Ser bonita 185

figurado, tornar manifesto” (Strong’s). Já aconteceu de você ter cer-


teza absoluta do amor de uma pessoa e, mesmo assim, esperar mais
demonstrações desse sentimento? Cântico dos Cânticos prefigura o
tipo de relacionamento no qual o amor de Cristo por pessoa será ma-
nifestado por completo. Como um estandarte, ele erguerá seu amor
por nós. Jesus está acenando e sinalizando, a todos quantos podem
ver, que ama você. Aleluia!
Repare na aparência de Cristo diante dos olhos da pessoa amada,
que vem a ser você:

O meu amado tem a pele bronzeada; ele se destaca entre dez mil.
Sua cabeça é como ouro, o ouro mais puro; seus cabelos ondulam
ao vento como ramos de palmeira; são negros como o corvo. Seus
olhos são como pombas junto aos regatos de água, lavados em leite,
incrustados como jóias. Suas faces são como um jardim de especia-
rias que exalam perfume. Seus lábios são como lírios que destilam
mirra. Seus braços são cilindros de ouro com berilo neles engastado.
Seu tronco é como marfim polido adornado de safiras. Suas pernas
são colunas de mármore firmadas em bases de ouro puro. Sua apa-
rência é como o Líbano; ele é elegante como os cedros. Sua boca é
a própria doçura; ele é mui desejável. Esse é o meu amado, esse é o
meu querido, ó mulheres de Jerusalém.
Cântico dos Cânticos 5:10-16

Isaías 53:2 descreve a aparência de Cristo durante seu primeiro


advento com estas palavras: “... nada havia em sua aparência para que
o desejássemos”. Como é maravilhosamente bom saber que Cristo
será a plenitude do esplendor e da beleza quando o virmos. Pense
nele se aproximando da noiva. Ele anseia por ver a face e ouvir a voz
de sua amada.
No antigo Oriente, a face da noiva era sempre coberta com um
véu. Erguer o véu que cobria o rosto da noiva era uma das partes

A oração que liberta - novo form185 185 18/11/2008 13:07:35


186 A oração que liberta

mais importantes da noite de núpcias. Não é romântico? Cântico dos


Cânticos sugere que Cristo anseia por ver o rosto adorável de sua
noiva tão amada. E não se decepcionará. Você será uma bela noiva.
A intimidade que compartilharemos com Cristo está além de
nossa compreensão. Não temos idéia da forma que ela assumirá. Sa-
bemos apenas que nele experimentaremos a plenitude, em completa
santidade e pureza; uma união espiritual. Até lá, por favor, conforte-
se com a certeza de que Cristo vê você como uma pessoa tão bonita
e desejável (de uma maneira pura e santa) que nem mesmo conse-
guimos entender.
Solteira ou solteiro, se você está em Cristo, então tem diante de si
o relacionamento definitivo. Se Deus está lhe chamando para viver
sozinho, sinta-se especial! Dedique-se completamente ao Senhor! O
Rei está encantado por sua beleza.
Maridos e esposas que compartilham frustrações: abra espaço
para que seu cônjuge exerça sua humanidade. Perdoe seu marido por
não ser Deus. Perdoe sua esposa por nem sempre dizer o que você
precisa ouvir; o Rei está encantado com a beleza de vocês.
Até que esse relacionamento definitivo seja consumado, permita
que sua imagem no espelho reflita a face de Cristo. Para ele, a pes-
soa mais bonita da terra é aquela que faz os preparativos necessários
para se encontrar com o Noivo. O retrato de seu casamento está sen-
to pintado aos poucos, dia após dia. Quando estiver completo, será
como uma obra de arte maravilhosa.

A oração que liberta - novo form186 186 18/11/2008 13:07:35


VINTE E SEIS

TER FILHOS

“Cante, ó estéril, você que nunca teve um filho; irrompa em canto,


grite de alegria, você que nunca esteve em trabalho de parto;
porque mais são os filhos da mulher abandonada do que os
daquela que tem marido”, diz o Senhor.
Isaías 54:1

O próximo sonho de infância que abordaremos é de


um tipo que Satanás sempre se vale para semear ver-
gonha: o sonho de ser fértil. Sem dúvida, alguns dos homens e algu-
mas das mulheres mais infelizes que já conheci foram aqueles que
queriam filhos, mas não podiam gerá-los. Minhas amigas que so-
friam por causa desse problema faziam a si mesmas algumas pergun-
tas como: “Por que eu?”; “Por que meu marido?”; “O que eu fiz para
merecer isso?”; “Será que estou sendo punida por ter feito sexo antes
do casamento?”; “Será que é um castigo por eu ter feito um aborto?”;
“Será que eu me tornaria uma mãe tão terrível assim?”; “Por que tan-
tos pais e mães perversos têm filhos? Eu jamais faria uma maldade
com um filho ou uma filha.”. Não há limite para as perguntas.
Já vi casamentos destruídos pela incapacidade de um dos côn-
juges de gerar filhos. Também vi algumas mulheres sofrerem por
vergonha de não desejarem de fato ter filhos. Quero abordar vários
aspectos a respeito da fertilidade e da esterilidade.
Em primeiro lugar, a esterilidade não está relacionada com o pe-
cado. Lucas 1:5-7 oferece uma evidência bíblica para essa afirmação.

A oração que liberta - novo form187 187 18/11/2008 13:07:35


188 A oração que liberta

Isabel não era estéril por causa do pecado, mas porque Deus tinha
algo muito especial para ela.
Quem rende totalmente o coração a Deus costuma receber al-
gumas responsabilidades. Se o coração de um homem ou de uma
mulher pertence por completo a Deus e essa pessoa não anseia por
se casar ou ter filhos, é provável que ela tenha um chamado para se
manter nessa condição para realizar outros propósitos divinos. Sal-
mos 37:4 pode ser aplicado como texto de apoio a essa declaração. O
texto promete que, se nos deleitarmos no Senhor, ele nos concederá
os desejos do coração.
O coração que não se rende a Deus raramente é confiável. En-
quanto não rendemos nossas esperanças e nossos sonhos a Cristo,
não há muito jeito de conhecermos a realização pessoal. Todo mun-
do conhece gente capaz de jurar que seria feliz “se” conseguisse se
casar, “se” tivesse filhos, “se” morasse em uma mansão ou “se” mu-
dasse de emprego. A maioria das pessoas que se conformam com as
circunstâncias corre o risco de, mais cedo ou mais tarde, se ver em
completa falência emocional. Gente infeliz não muda só com o ca-
samento ou com os filhos. Pessoas infelizes geralmente precisam de
uma mudança de coração mais do que de uma mudança de circuns-
tância. Sei disso por experiência própria.
Deu criou todas as pessoas para dar frutos e se multiplicar, mas
esse sonho divino representa mais do que a fertilidade física. Vamos
meditar um pouco a respeito disso. Por que a maioria das pessoas
deseja ter filhos?
Acredito que nosso sonho de ter filhos represente o desejo de vi-
ver uma vida frutífera, de investir em algo realmente importante,
que faça diferença no mundo. Não acredito que Deus permita que
um coração rendido a ele fique ansiando a vida inteira por coisas que
não serão concedidas, de um jeito ou de outro. Nossa decepção com
Deus é, com freqüência, resultado da limitação de nosso raciocínio.
Vamos analisar esse sistema de crença a partir de uma base bíblica.

A oração que liberta - novo form188 188 18/11/2008 13:07:35


Ter filhos 189

Isaías 54:1 aconselha a mulher estéril a cantar “porque mais são


os filhos da mulher abandonada do que os daquela que tem marido”.
Permita-me propor alguns exemplos. Minha querida amiga Johnnie
Haines tem dois filhos maravilhosos, motivo de orgulho e alegria.
Ela sempre quis, mas nunca teve uma filha. Um dia, ela me disse:
“Meus garotos já estão praticamente criados, e eu os amo muito, mas
ainda me pergunto, de vez em quando, por que Deus nunca me con-
cedeu também a filha pela qual sempre ansiei”.
No entanto, veja bem, ele fez isso! Por dez anos, ela liderou o mi-
nistério feminino de uma grande igreja em Houston. Foi “mãe” de
muitas jovens! Aquelas que orientou hoje são cristãs maduras que
servem a Deus de maneira eficaz em seus lares, no ambiente de tra-
balho e nas igrejas que freqüentam.
A dra. Rhonda Kelley é outra amiga, autora do livro Life Lessons
from Women in the Bible [Lições de vida de mulheres da Bíblia]. Deus
nunca lhe concedeu filhos biológicos; em compensação, ela e o ma-
rido têm mais filhos na fé do que quaisquer pais que eu conheça! O
marido de Rhonda é presidente de um seminário, e ela é professora
e mentora no campus. Só no céu será anunciado o número de filhos
espirituais que Chuck e Rhonda têm. A perda deles foi um ganho
para o reino de Deus. Acredito que ambos podem testemunhar que
Deus, em última análise, não lhes restringiu o direito de serem pais.
Em vez disso, o Senhor retirou as restrições para permitir que o casal
alargasse sua tenda!
O potencial para gerar filhos espirituais na vida de quem con-
vive com a esterilidade é praticamente ilimitado. Se Deus restringe
você de ter filhos biológicos, é porque deseja capacitá-lo para assu-
mir herdeiros espirituais. Deus criou você para dar muito fruto.
Com freqüência, Deus aplicou verdades físicas do Antigo Testa-
mento como verdades espirituais no Novo Testamento. No Antigo
Testamento, Deus prometeu grande quantidade de descendentes

A oração que liberta - novo form189 189 18/11/2008 13:07:35


190 A oração que liberta

biológicos. No Novo Testamento, a ênfase divina é evidentemente


sobre a herança espiritual. “Portanto, vão e façam discípulos de to-
das as nações” (Mt 28:19) é o equivalente ao texto de Gênesis 1:28:
“Sejam férteis e multipliquem-se! Encham [...] a terra!”. Segundo o
livro de Isaías, os estéreis podem ter mais filhos do que aqueles que
são capazes de conceber.
Se vivermos o suficiente, todos nós um dia seremos estéreis. De-
veríamos, então, presumir que nossa fertilidade chegou ao fim? Será
que a nossa existência, depois da morte, se limita às lembranças? Por
que, então, a infertilidade ocorre com todas as mulheres por volta
dos cinqüenta anos de idade? Fomos feitas para passar os trinta ou
quarenta anos seguintes sentadas, girando os polegares tomados pela
artrose? Deus é prático demais para isso!
Mulheres de mais idade “poderão orientar as mulheres mais jo-
vens a amarem seus maridos e seus filhos” (Tt 2:4). Quando elas se
dedicam a cuidar das mulheres mais jovens com seus filhos, estão
dando à luz filhas espirituais! As mulheres mais velhas são necessá-
rias ao corpo de Cristo! Os homens mais velhos também têm incum-
bência similar (2Tm 2:2). Não consigo ver nenhuma pista indicando
que as pessoas mais velhas devem se aposentar do serviço a Deus ou
do testemunho aos perdidos. Pelo contrário, elas dispõem de muito
mais oportunidades em comparação com os homens e as mulheres
mais jovens. Deus nos convoca para dar frutos e multiplicar até o dia
em que nos chamará ao lar.
Quando eu era uma garotinha, queria ser mãe mais do que
qualquer outra coisa no mundo. Hoje, minhas filhas estão quase
crescidas. Há pouco tempo, eu e minha filha mais velha passamos
um período de grande camaradagem juntas, até que ela parou e
perguntou:
— Mamãe, quando eu e Melissa crescermos e, quem sabe, nos
mudarmos para longe de você e do papai, você ficará bem?

A oração que liberta - novo form190 190 18/11/2008 13:07:35


Ter filhos 191

Na mesma hora, senti um nó na garganta. Mesmo assim, respon-


di, com toda a segurança:
— Sim, querida. A maioria das pessoas só precisa se sentir sem-
pre útil. Enquanto eu tiver Jesus, sempre me sentirei útil, mesmo que,
vez ou outra, eu me sinta sozinha.
Fiz todo o esforço possível para evitar que minhas filhas cresces-
sem, mas os meus esforços foram em vão. Às vezes, eu penso: “O que
mais vou fazer da vida? Nasci para ser mãe!”. Aí então eu me lembro
que Deus me chamou, antes de qualquer outra coisa, para o minis-
tério com mulheres, e sempre terei a oportunidade de ser a “mãe” de
algumas filhas espirituais, pelo menos enquanto eu estiver disposta
a me dedicar a isso.
Uma de minhas filhas espirituais é particularmente espirituosa
e perspicaz. É uma professora de Bíblia muito talentosa de apenas
27 anos, e dificilmente perde uma oportunidade de fazer piadas co-
migo, sempre de maneira afetuosa. Certa vez, eu a apresentei como
filha espiritual. Mais tarde, ela comentou: “Considerando que você
levou ao Senhor uma pessoa que, por sua vez, me levou ao Senhor,
isso não a tornaria minha avó espiritual?”. Depois de eu dizer que ela
era uma espertinha, demos boas risadas juntas. A partir dali, cada
vez que envio algum cartão ou entrego um presente para ela, assino
desta maneira: “Com amor, da vovó”.
Se Deus optou por lhe conceder filhos biológicos, prepare-se! Eles
vão crescer! Depois disso, será hora de alargar a sua tenda e investir
em filhos espirituais! No entanto, se Deus escolhe por nunca lhe dar
filhos biológicos, significa que ele está lhe chamando para fazer parte
de uma família muito maior! Deus deliberadamente colocou o sonho
de viver uma vida frutífera em nosso coração. Ah, como eu gosto de
ver nosso glorioso Pai celestial trabalhar de maneiras tão paradoxais.
Só ele pode transformar a perda em ganho. Só ele pode nos fazer dar
muito fruto a partir da esterilidade!

A oração que liberta - novo form191 191 18/11/2008 13:07:35


192 A oração que liberta

Um último pensamento: sem dúvida alguma, uma das razões pe-


las quais eu quis filhos foi para criá-los à imagem de meu marido. Eu
queria pequenos Keiths e pequenas Keithetes! Não queria que fos-
sem parecidos comigo. Sempre considerei Keith muito mais bonito
do que eu. Veja bem, o mesmo vale para nossos filhos espirituais. Se
nos apaixonarmos por Cristo, somos tão atraídos por sua beleza que
passamos a querer filhos na fé que sejam exatamente como ele é. Esse
é um bom resumo do que significa ser pai ou mãe: criar filhos e filhas
espirituais que se pareçam muito com o Pai celestial. O que poderia
ser mais importante?

A oração que liberta - novo form192 192 18/11/2008 13:07:35


VINTE E SETE

VIVER FELIZ PARA SEMPRE

Venha e participe da alegria do seu senhor!


Mateus 25:21

C ada um de nós tem sonhos; e, se confiamos em Cristo


de todo o coração, nada pode impedir o Senhor de
superar nossos sonhos de infância com sua realidade divina. O suicí-
dio do marido não seria suficiente para impedir Deus de ultrapassar
os sonhos de Kay Arthur. A inesperada paralisia não impediria Deus
de ir além dos sonhos de Joni Eareckson Tada. O período horrível
que Corrie ten Boom passou em um campo de concentração nazista
não seria empecilho para Deus superar os sonhos dela. Um mundo
de pobreza e sofrimento não tinha como impedir o Senhor de ultra-
passar os sonhos de madre Teresa de Calcutá.
Deus vai além de nossos sonhos quando deixamos para trás os
planos e as agendas pessoais para segurar a mão de Cristo e cami-
nhar na trilha que ele escolheu para nós. Ele é obrigado a nos manter
insatisfeitos até que o busquemos, bem como ao seu plano, para en-
contrarmos a satisfação completa. A seguir, concentraremos o pen-
samento no quarto sonho, que é o tema dos contos de fadas: viver
feliz para sempre.

A oração que liberta - novo form193 193 18/11/2008 13:07:35


194 A oração que liberta

Viver feliz para sempre começou com Deus, e não com a histori-
nha da Cinderela. Não existe esse negócio de fada-madrinha, mas os
anjos são outra história. Nada de estrada de tijolinhos amarelos —
somente ruas de ouro. Sem cabanas na floresta; apenas mansões na
glória. Nenhuma coroa em nossa cabeça, apenas aos pés do Senhor.
Você pode estar pensando que estou imaginando coisas, mas, na ver-
dade, ninguém jamais poderia imaginar como será, nem mesmo em
nossos mais loucos devaneios. Quando Deus cumpre 1Coríntios 2:9
na vida de uma pessoa de boa vontade nesta terra, não passa de uma
sombra imperfeita de uma realidade bem mais ampla.
Começamos nossa caça ao tesouro com o texto que usamos como
tema, que está em Isaías 61:1-3:

O Espírito do Soberano, o Senhor, está sobre mim [...] Enviou-me


[...] para consolar todos os que andam tristes, e dar a todos os que
choram em Sião uma bela coroa em vez de cinzas, o óleo da alegria
em vez de pranto, e um manto de louvor em vez de espírito depri-
mido.

Gosto de todas essas aparições de “em vez de”. Você também não
gosta? O versículo não significa que nunca lamentaremos ou senti-
remos desespero. Mas Cristo ministrará sua alegria a nós mais uma
vez. Ele nos dará um coração de louvor, se assim permitirmos; então,
um dia, todo pranto e todo desespero ficarão para trás.
Medite na palavra “alegria” por alguns instantes. Com certeza, se
algum grupo de pessoas neste mundo pode sentir alegria, esse gru-
po só pode ser constituído pelos cristãos! Mas o que aconteceria se
fôssemos um pouco mais rigorosos com esse conceito? Eu gostaria
de sugerir que Deus gosta de nos ver (será que ouso) felizes. Acredite
se quiser, a felicidade é, de fato, uma palavra contida na Bíblia, mas
somos sábios o suficiente para distingui-la de duas palavras bem as-
sociadas nas Escrituras: “bênção” e “alegria”.

A oração que liberta - novo form194 194 18/11/2008 13:07:35


Viver feliz para sempre 195

Tanto a bênção quanto a alegria nos são concedidas por meio da


obediência, geralmente em momentos de perseguição e dor. A dife-
rença óbvia é que a bênção e a alegria não dependem das circunstân-
cias, ao passo que a felicidade sim. Por favor, compreenda, porém,
que essa diferença não faz da felicidade algo menor, e sim mais raro.
Na verdade, estou aqui para dizer que a palavra “feliz” está assumin-
do uma reputação ruim; portanto, vamos usar a alegria e a bênção
para esclarecer isso direitinho!
Temo que tenhamos nos transformado em pessoas tão legalistas
em muitos de nossos círculos cristãos a ponto de tirar a palavra “fe-
liz” de nosso vocabulário religioso, mesmo quando ela é apropriada.
Permita-me desabafar de uma vez por todas: às vezes, Deus me faz
apenas Feliz! Pronto, falei. Pode me chamar de imatura, mas tente
me imaginar sorrindo.
Deus me faz sentir feliz muitas vezes. Por exemplo, quando
vejo Melissa baixar a cabeça para orar quando está na boca do gar-
rafão, pronta para arremessar os lances livres e, em seguida, ver
quando a bola sai de suas mãos e passa exatamente no meio da
cesta. Não acontece sempre, mas quando acontece eu fico muito
feliz em Jesus!
É claro que sei que as pessoas estão passando fome do outro lado
do mundo. Eu me preocupo muito com quem passa por sofrimento,
e oro por outras nações todos os dias; mas também curto um mo-
mento de felicidade em Cristo toda vez que tenho essa oportunidade.
A felicidade não é apropriada quando se torna o nosso objetivo, mas
cai muito bem quando é um presente momentâneo de Deus. Abra
esse presente. Aproveite-o. E não se esqueça dele quando chegarem
os dias de dificuldade.
Até que ponto é realista o sonho de viver feliz para sempre? Veja
por si: “O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi
fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria
do seu senhor!’” (Mt 25:21).

A oração que liberta - novo form195 195 18/11/2008 13:07:35


196 A oração que liberta

Aí está. Cristo é feliz, e ele deseja que você compartilhe dessa ale-
gria — a de viver feliz para sempre. Até então, ele nos concede súbitos
arroubos de felicidade aqui e ali, de maneira que podemos molhar os
dedos naquilo em que nadaremos por toda a eternidade!
A mais graciosa passagem das Escrituras que esta parte gravou
em meu coração é Cântico dos Cânticos 2:10-12. Permita-me com-
partilhar alguns pensamentos que Deus me concedeu quando visua-
lizei as Escrituras. Apreciei muito a vulnerabilidade que nosso estudo
exigiu. Continue permitindo que a verdade liberte você!

Ela estava completando noventa anos. Não planejava viver tanto,


mas também não podia evitar. Tudo quanto fazia era acordar. A casa
espaçosa do filho caçula ficou lotada por causa da enorme família.
Ela reagiu com tanta surpresa à festa de aniversário quanto uma pes-
soa de noventa anos é capaz. Riu sozinha. Obviamente, eles pensa-
vam que sua disposição cada vez mais rara de conversar fosse uma
evidência de uma crescente falta de senso.
Por que ela deveria estar surpresa? Eles fizeram a mesma coisa nos
últimos cinco anos. Achava que eles acreditavam que ela esqueceria.
Na verdade, aquela festa significava que os únicos surpresos ali eram
eles, por vê-la durar tanto tempo. Sim, é claro que ela os amava. Cada
um deles. Havia lindas sacolas e laços sobre a mesa do café. Ora, em
nome dos céus, o que ela faria com tantos presentes? E de quantos
pares de meia uma mulher precisa, afinal? Mas o bolo parecia muito
gostoso. Os bisnetos insistiram em colocar todas as noventa velinhas
sobre ele.
O bisneto mais novo a agarrou pela mão. “Vamos lá, vovozinha! Está
na hora de soprar as velinhas.” Ela sorriu e pediu a Deus que a aju-
dasse a manter a dentadura firme na boca. De repente, parecia que
o tempo havia congelado. Ela passou os olhos pela sala e analisou o
rosto das pessoas. A vida tem sido boa. Às vezes, um pouco dolo-
rosa, mas Deus sempre fora fiel. Ela havia se tornado uma viúva 23

A oração que liberta - novo form196 196 18/11/2008 13:07:35


Viver feliz para sempre 197

anos antes. Os últimos anos tinham sido bem agradáveis. A família


fez todo o possível para que isso acontecesse. Mas, a cada dia, ela ti-
nha menos condições de participar. Descobriu-se passando a maior
parte do tempo como uma mera espectadora da vida.
A insistência daquela criança de cinco anos finalmente se manifestou.
“Vovozinha, vamos!” Antes que ela pudesse puxar um pouco de ar,
todas as crianças sopraram as velinhas. Somente os parentes de sangue
eram capazes de comer aquele bolo depois do banho de saliva a ele
imposto. Algum tempo depois, ela se sentou diante da velha pen-
teadeira, enquanto a nora carinhosamente tirava os grampos de seu
cabelo branco e fino.
Ela ficou olhando na direção do espelho amarelecido. A partir de
quando teria ficado tão velha? Para onde teriam ido todos aqueles
anos? Com delicadeza, a nora penteou-lhe os cabelos, falando sem
parar sobre aquela noite. À medida que recebia a ajuda da nora para
vestir a camisola e ir para a cama, a velhinha se sentia cansada de-
mais. O corpo doía só de fazer o movimento para se deitar.
O colchão macio parecia engolir seu esqueleto. Ela descansou seu
pouco peso e ficou olhando para as estrelas do lado de fora da ja-
nela. Ouviu o som familiar da passagem do trem das dez da noite
sobre a ponte e ensaiou um tremor ao se lembrar de seu batismo
naquelas águas frias do rio sob os trilhos. Ela sorriu e fez uma oração
ao Salvador, a quem amava desde a infância. Não disse muita coi-
sa. “Obrigada, Jesus. Obrigada.” Quase antes que pudesse fechar os
olhos, começou a dormir profundamente. De repente, seu sono foi
interrompido pela mais bela voz que jamais ouvira, oriunda de um
homem de pé ao seu lado. “Levante-se, minha querida, minha bela,
e venha comigo. Veja! O inverno passou; acabaram-se as chuvas...
Chegou o tempo de cantar.”

Coroa em vez de cinzas.

A oração que liberta - novo form197 197 18/11/2008 13:07:35


VINTE E OITO

PELO AVESSO

Vocês viram as coisas pelo avesso! Como se fosse possível imaginar


que o oleiro é igual ao barro! Acaso o objeto formado pode dizer
àquele que o formou: “Ele não me fez”?
E o vaso poderá dizer do oleiro: “Ele nada sabe”?
Isaías 29:16

C uidado! Não acho que essa será sua parte favorita


deste estudo. De que maneira a liberdade em Cristo
se torna uma realidade na vida? Em uma palavra: obediência! Obe-
diência à palavra de Deus.
Tiago descreveu a relação que existe entre a palavra de Deus e a
liberdade:

Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se


a si mesmos. Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é
semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois
de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência. Mas o
homem que observa atentamente a lei perfeita, que traz a liberdade,
e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas
praticando-o, será feliz naquilo que fizer.
Tiago 1:22-25

Responder de maneira correta à palavra de Deus é nosso bilhete


para o trem da liberdade. A palavra de Deus é a lei perfeita que

A oração que liberta - novo form198 198 18/11/2008 13:07:35


Pelo avesso 199

garante a liberdade. Tratei de outros assuntos antes porque, às vezes,


estamos envolvidos de tal forma na escravidão que não conseguimos
imaginar o que é viver uma vida de obediência. Com freqüência,
quando apresento essa parte tão importante da jornada rumo à li-
berdade, vejo expressões de desânimo que demonstram nosso desejo
natural. Queremos que Deus, de alguma forma, balance uma vari-
nha de condão sobre nós e remova, em um passe de mágica, todos os
obstáculos da vida sem exigir nada de nós.
Se Deus procedesse dessa maneira para quebrar todos os jugos
sem a nossa cooperação, logo colocaríamos outro sobre os ombros.
Deus deseja nos mudar de dentro para fora, renovando nossa men-
te, matando nossas tendências egoístas e nos ensinando a criar no-
vos hábitos.
O rico livro de Isaías nos oferecerá muitas motivações fundamen-
tais à obediência. Em Isaías 29:16, Deus usa o exemplo de um pedaço
informe de barro para descrever o problema de seu povo: “Vocês
viram as coisas pelo avesso! Como se fosse possível imaginar que o
oleiro é igual ao barro! Acaso o objeto formado pode dizer àquele
que o formou: ‘Ele não me fez’? E o vaso poderá dizer do oleiro: ‘Ele
nada sabe’?”.
Por favor, permita que o Senhor grave essa verdade em seu co-
ração: liberdade e autoridade andam de mãos dadas. Durante o mi-
nistério do profeta Isaías, o cativeiro era iminente sobre os filhos de
Israel porque eles tinham um problema sério com autoridade.
Essencialmente, Deus estava dizendo: “Vocês viraram as coisas
ao contrário. Vamos deixar tudo bem claro: eu sou Deus e vocês são
humanos. Eu sou o Criador; vocês, as criaturas. Eu, o Oleiro; vocês,
o barro. Para o próprio bem de vocês, obedeçam”.
Depois de tudo o que eu já vira na vida, minha adorável filha ca-
çula chegou ao mundo para tomar conta das coisas. Quando tinha
apenas dois anos de idade, gostava de andar adiante de nós de modo
que pudesse dar a impressão de que chegara por conta própria. Ela

A oração que liberta - novo form199 199 18/11/2008 13:07:36


200 A oração que liberta

nasceu com um gênio autoritário, e parecia achar que ela, eu e Keith


fôssemos três pessoas no mesmo nível. Eu e meu marido gastamos
um bocado de energia para deixar bem claro a autoridade que tínha-
mos sobre minha filha, o castigo em caso de rebelião e a segurança e
a bênção da obediência.
Nem sempre fizemos a coisa certa, mas fizemos com muita fre-
qüência! Neste momento, em particular, estamos colhendo frutos
maravilhosos. Melissa é uma adolescente maravilhosa. Mas, se eu
ganhasse uma moedinha cada vez que tive de dizer: “Eu sou a mãe, e
você, a filha!”, ela herdaria uma fortuna! Repetidas vezes, no livro de
Isaías, Deus enfatiza com perfeição os mesmos três princípios.

1. Ele tem o direito de governar.


2. Ele estabelece um alto preço pela rebelião.
3. Ele dá segurança àqueles que lhe obedecem e derrama suas
bênçãos sobre eles.

No capítulo 30, Isaías retrata a indisposição do povo para a obedi-


ência: “Não nos revelem o que é certo! Falem-nos coisas agradáveis,
profetizem ilusões [...] parem de confrontar-nos com o Santo de Is-
rael!” (v. 10-11). E Deus responde:

“Como vocês rejeitaram esta mensagem [...] este pecado será para
vocês como um muro alto, rachado e torto, que de repente desaba,
inesperadamente. Ele o fará em pedaços como um vaso de barro, tão
esmigalhado que entre os seus pedaços não se achará um caco que
sirva para pegar brasas de uma lareira ou para tirar água da cisterna”.
Diz o Soberano, o Senhor, o Santo de Israel: “No arrependimento e
no descanso está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está
o seu vigor, mas vocês não quiseram”.
Isaías 30:12-14

A oração que liberta - novo form200 200 18/11/2008 13:07:36


Pelo avesso 201

Uma bela de uma confrontação, não é mesmo? Pense a respeito


de sua natureza humana enquanto considero a minha. Sem o Es-
pírito Santo para controlar a sua vida, será que algum desses versí-
culos soa familiar? Eu também acho que sim. Mais adiante, vamos
analisar como a rebelião contra a autoridade divina não só é uma
tolice, como também afronta o Deus todo-poderoso, nosso Criador
e Rei. Contudo, por enquanto, vamos examinar a questão da rebelião
a partir de um ponto de vista estritamente egoísta. Os filhos de Deus
enganaram a si mesmos ao se rebelarem.
A palavra “rebelião” significa aquilo pelo que você provavelmente
está esperando. Termos como “desafiante” e “desobediente” são si-
nônimos. A definição em hebraico também usa os sinônimos “re-
fratário” e “obstinado”. O Dicionário Houaiss da língua portuguesa
define “obstinado” como “teimoso”, “irredutível”. Isso mexe comigo:
obstinação, resistência à autoridade.
Vamos encarar os fatos: sem a intervenção divina em nossa
vida, todos tendem a ser pessoas obstinadas. Não queremos ter de
nos submeter a ninguém, mas fazer isso é como comprar uma pas-
sagem rumo à escravidão. Cada uma das frases a seguir, tiradas de
Isaías 30:8-21, caracteriza rebelião. Muitas das características si-
nalizam desastre iminente! Neste capítulo, veremos que um filho
rebelde de Deus 1) não age como um filho do Senhor, 2) não está
disposto a ouvir as instruções divinas, 3) prefere as ilusões agradá-
veis à verdade e 4) confia na opressão. No próximo capítulo, vou
analisar as últimas duas características: um filho rebelde de Deus
5) aprende a depender do engano e 6) foge das respostas verdadei-
ras que Deus oferece.

Um filho rebelde de Deus não age como um filho do Senhor (v. 9)


“Mentiroso” significa “não agir como filhos [...] dando uma falsa
impressão a respeito de si”. Se você vive um relacionamento de

A oração que liberta - novo form201 201 18/11/2008 13:07:36


202 A oração que liberta

aliança com Deus, mas não age como filho do Senhor, então está
vivendo uma mentira! O mundo prega a filosofia do “seja autênti-
co”. Os cristãos só podem ser autênticos quando demonstram que
pertencem a Deus.

Um filho rebelde de Deus não demonstra disposição de ouvir as


instruções divinas (v. 9)
A palavra em hebraico para “ouvir” é shama, que significa “dedicar
atenção total”. Gente rebelde não quer saber de ouvir. Às vezes, não
estamos dispostos a ouvir Deus porque resistimos à correção. Isso
configura rebelião. A tragédia é que Deus nunca diria alguma coisa
com o objetivo de nos levar à derrota. Até onde sabemos, ele tem
uma opinião muito bem formada a respeito disso: o Senhor quer que
vivamos como os vitoriosos que somos.
As Escrituras pintam um retrato muito vívido dos benefícios
proporcionados pela obediência. Salmos 81:13-14 proclama esta
promessa: “Se o meu povo apenas me ouvisse [...] com rapidez eu
subjugaria os seus inimigos e voltaria a minha mão contra os seus
adversários!”.

Um filho rebelde de Deus prefere ilusões agradáveis à verdade


(v. 10-11)
Adoramos mensagens que nos façam sentir bem. Quando estamos
vivendo em rebelião, a última coisa que nos interessa é confrontar o
Santo de Israel. Note a demanda do povo de Deus no versículo 10:
“Falem-nos coisas agradáveis”. Quem não gosta de ser bajulado? Se
gostar de bajulações coloca um laço em volta de nosso pescoço, en-
tão viver disso é como viver em grilhões! Satanás poderia ter escrito
um livro com o título A bajulação pode levar você a qualquer lugar.
O apóstolo Paulo alerta, com muita propriedade: “Pois virá o
tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo

A oração que liberta - novo form202 202 18/11/2008 13:07:36


Pelo avesso 203

coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os


seus próprios desejos” (2Tm 4:3). Se preferimos determinados mes-
tres e pregadores em detrimento de outros, seria sábio tentar des-
cobrir o motivo para isso. Se a nossa base é qualquer outra senão o
ensino bíblico equilibrado, podemos estar em rebelião, mesmo ocu-
pando os bancos da igreja regularmente aos domingos. A melhor
coisa a fazer é nos assegurarmos de que não estamos à procura de
pessoas para coçar nossos ouvidos com bobagens, escondendo-nos
a verdade.

Um filho rebelde de Deus confia na opressão (v. 12)


Aqui está uma informação chocante: os filhos de Deus não apenas
podem ser oprimidos, como também podem confiar nessa opressão.
A palavra “confiar”, no versículo 12, é a tradução do termo em he-
braico batach, que significa “se ligar a algo”, “confiar”, “entregar em
confiança”, “se sentir a salvo”. A palavra em hebraico para “opressão”,
osheq, indica opressão por meio de fraude ou extorsão, algo “con-
quistado com engodo” (Strong’s).
Temos de dizer isto: as pessoas que se desligam da verdade se
ligam, sem perceber, às mentiras que defraudam e extorquem. Deus
nos criou para que vivêssemos ligados a ele; portanto, ele nos fez
com uma necessidade muito real nesse sentido. Satanás sabe que não
pode tentar os filhos de Deus para que simplesmente se desliguem
do Senhor e de sua Palavra para viver de maneira independente. Na
realidade, não existe esse negócio de psique humana independente.
Para nos tentar, Satanás oferece ligações alternativas travestidas de
realização de nossas necessidades pessoais. Qualquer outra ligação
além de Deus é uma fraude. A palavra “ligação”, nesse contexto, é di-
ferente de relacionamentos saudáveis com as coisas ou as pessoas. A
palavra-chave é “confiança”. Ligações enganosas significam depender
cada vez mais de outras coisas além de Deus.

A oração que liberta - novo form203 203 18/11/2008 13:07:36


204 A oração que liberta

Fui criada presa a uma fortaleza de medo. Ansiava por encon-


trar um lugar seguro para me esconder. Queria desesperadamente
alguém que tomasse conta de mim. A partir dessa minha experiên-
cia dolorosa, permita-me fazer um alerta a respeito de um coquetel
emocional muito tóxico: um relacionamento entre uma pessoa que
possui uma necessidade doentia de cuidados e outra que tem uma
necessidade nada saudável de cuidar dos outros. Esse tipo de rela-
cionamento acaba abusando das liberdades concedidas por Deus e
se revelando uma fraude.
Não existe nenhum lugar seguro quando temos a necessidade
de nos escondermos. Em Cristo, encontramos a liberdade de per-
manecer expostos e a salvo! Se pudéssemos, pelo menos, começar a
entender que a autoridade de Deus não aprisiona ninguém... Ela nos
liberta! A seguir, continuaremos a analisar a rebelião e a sabedoria
contida na obediência.

A oração que liberta - novo form204 204 18/11/2008 13:07:36


VINTE E NOVE

VASO QUEBRADO

... este pecado será para vocês como um muro alto,


rachado e torto, que de repente desaba, inesperadamente.
Ele o fará em pedaços como um vaso de barro...
Isaías 30:13-14

D amos prosseguimento a nossa lista das marcas da


rebelião, com base em Isaías 30:8-21. A quarta ca-
racterística mexeu muito comigo. Oro a Deus que exponha todas
as ligações fraudulentas em nossa vida e nos conduza à luz dos re-
lacionamentos sadios, tanto em relação às coisas quanto às pessoas.
Continuemos, agora, analisando a quinta característica.

Um filho rebelde de Deus depende do engano (v. 12)


A palavra em hebraico para “depender” é sha’na, que quer dizer
“apoiar-se”, “inclinar-se sobre alguma coisa”. Toda vez que você vê
alguém caminhando com a ajuda de uma bengala ou uma muleta,
está testemunhando a figura de linguagem contida nessa passagem.
Fico particularmente mobilizada com a identificação dos trechos
de Isaías 30:12: “apelaram para a opressão” e “confiaram nos perver-
sos”. Toda vez que nos ligamos a algo ou buscamos segurança em um
salvador fraudulento, temos de confiar em mentiras para apoiar esse
hábito. Muita gente passa por esse tipo de experiência:

A oração que liberta - novo form205 205 18/11/2008 13:07:36


206 A oração que liberta

Uma jovem cristã tem um pai muito violento que a maltrata. Ela
cresce com medo e aversão aos homens. Satanás ainda aparece, de
modo sutil, com uma mulher mais velha que parece ser muito ter-
na e carinhosa. O relacionamento confortante ganha contornos de
relacionamento físico, e então a jovem presume que deve ser ho-
mossexual. Em seu coração, ela sabe que está fazendo uma coisa er-
rada, mas se sente desamparada quando está longe daquela mulher
que a conforta. Logo essa jovem começa a se envolver com outras
mulheres que praticam o homossexualismo, pois elas apóiam esse
novo hábito que ela adquiriu com mentiras. Ela evita a Bíblia e opta
por livros que defendem a prática homossexual. A jovem desiste de
todos os relacionamentos, a não ser aqueles que sustentam a ligação
fraudulenta com mentiras.

Assustador, não é? Usei um cenário óbvio para defender meu


ponto de vista, mas Satanás usa incontáveis ligações doentias a coisas
ou pessoas. É interessante notar como este mundo perdido classifica
os cristãos como pessoas emocionalmente carentes, que usam a re-
ligião e a fé como uma muleta. Como este mundo está enganado. A
maior muleta que existe é o engano. As mentiras de Satanás fazem
que caminhemos com os pés presos a grilhões.

Um filho rebelde de Deus foge das respostas verdadeiras


(v. 15-17)
Deus disse: “No arrependimento e no descanso está a salvação de vo-
cês”; no entanto, o povo respondeu: “Não, nós vamos fugir a cavalo”
(Is 30:15-16). Você já passou por um período de sua vida no qual sa-
bia quem poderia providenciar o resgate, e mesmo assim fugiu dele?
Tal como eu, pode ser que você classifique essas lembranças entre os
maiores arrependimentos de sua vida. Praticamente todo mundo já
fugiu das verdadeiras respostas, uma vez ou outra.

A oração que liberta - novo form206 206 18/11/2008 13:07:36


Vaso quebrado 207

Em Isaías 30:15, a palavra “salvação” não é usada em um sentido


estritamente eterno. Ela significa ser salvo ou livrado de uma ca-
lamidade ou de um ataque. Deus apresenta a verdade na forma de
uma equação:

Arrependimento + Descanso = Salvação

A salvação eterna requer que nos arrependamos de nossos pe-


cados e dependamos da operação de Cristo. Nossa necessidade de
libertação, porém, não termina quando nos tornamos cristãos. Con-
tinuamos precisando de ajuda para evitar as armadilhas e ciladas. A
mesma equação pode ser aplicada: “No arrependimento e no descan-
so está a salvação de vocês”. A palavra “retorno” traduz com maior
precisão o termo em hebraico representado aqui por “arrependimen-
to”. Strong’s afirma que shuwbah significa, na verdade, “retorno”. A
palavra “arrependimento”, usada em várias passagens da palavra de
Deus, geralmente significa “retorno do pecado”, mas freqüentemente
omitimos o passo seguinte!
Atos 3:19-20 reflete esse passo duplo: “Arrependam-se, pois, e
voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados,
para que venham tempos de descanso da parte do Senhor...”. Se aban-
donarmos o pecado, mas não nos voltarmos para Deus, perderemos
o poder necessário para vencer a tentação da próxima vez que ela
surgir! A palavra “converter”, presente em Isaías 30:15 nas versões
Almeida revista e corrigida e Almeida revista e atualizada, engloba
tanto o arrependimento quando o retorno a Deus!
Agora vamos analisar a segunda variável dessa equação: “No ar-
rependimento [ou “no retorno”, “na conversão] e no descanso está a
salvação de vocês...”.
A palavra “descanso” provavelmente quer dizer exatamente o que
você acha que significa. Em hebraico, o termo utilizado é nachath. O

A oração que liberta - novo form207 207 18/11/2008 13:07:36


208 A oração que liberta

dicionário de Strong’s oferece uma definição que mexe comigo. Ele


diz que a palavras significa “sossegar o facho”. Sou capaz de imaginar
minha avó em nossa cozinha em Arkansas com um mata-moscas na
mão e uma expressão muito séria.
— O que você está fazendo, vovó? — eu perguntava.
— Estou esperando aquela mosca nojenta sossegar o facho em
algum lugar para poder esmagá-la.
Em poucos momentos, eu ouvia o barulho do golpe, e aí ela dizia:
— Toma isso, sua praguinha!
Costumamos acreditar que somos como aquela mosca. Achamos
que, se sossegarmos o facho por um segundo, Deus estará a postos
para nos dar uma pancada. Isso não é verdade. Não somos moscas, e
minha avó não era Deus! Deus deseja que descansemos nele, sosse-
guemos o facho em sua verdade e confiemos em quem ele é.
Ao retornar a Deus e descansar de maneira confiante em suas
promessas e seu poder, encontraremos salvação continuamente.
Adoro o significado em hebraico da palavra “salvação”. Yasha quer
dizer “‘estar aberto, livre e desimpedido’ [...] É o oposto de tsarar,
‘prender’”. Yasha desenha a figura de um lugar espaçoso no qual
podemos nos mover. Eu mesma experimentei a liberdade ampla da
obediência a Cristo! Também conheci o sentimento triste e conta-
gioso da rebelião.
Todo mundo sabe qual é a vontade de Deus: que retornemos e des-
cansemos. Contudo, muita gente tem experimentado a seguinte equa-
ção: arrependimento + determinação de fazer o melhor por esforço
próprio. Essa fórmula foi, por várias vezes, o motivo de minha queda.
Outra equação pode se encontrada em Isaías 30:15: quietude +
confiança = seu vigor. Vigor, nesse versículo, significa “conseqüen-
te vitória”. Eu desejo, do fundo do coração, ser uma pessoa vitorio-
sa. Você também quer isso para sua vida, não é? Considere os dois
principais elementos envolvidos no processo da vitória: quietude e

A oração que liberta - novo form208 208 18/11/2008 13:07:36


Vaso quebrado 209

confiança. A palavra para “quietude” é shaqat, que quer dizer “deitar


quieto”, “não ser perturbado”, “ficar calmo”. Já aconteceu de você se
sentir derrotado porque se recusou a manter a calma na presença
de Deus e confiar nele?
A palavra exata no hebraico traduzida por “confiança” nesse ver-
sículo só aparece uma vez no Antigo Testamento. A palavra bitchah
significa que “não há nada mais que uma pessoa possa fazer”. Tendo
obedecido a Deus, não há nada mais que possamos fazer. Assim, es-
peramos nele para alcançar a vitória, sabendo que as conseqüências
de nossa obediência são um problema do Senhor, e não nosso. A
natureza humana nos leva a fugir quando estamos encrencados, mas
aprendemos dois preceitos muito importantes em Isaías 30:15:

1. Fugir da salvação de Deus é rebelião.


2. Ignorar a força que Deus proporciona é dar as costas à vitória.

Conforme nos aproximamos da conclusão, procure se lembrar de


todas as seis características da rebelião, presentes em Isaías 30:

1. Um filho rebelde de Deus não age como um filho do Senhor


(v. 9).
2. Um filho rebelde de Deus não demonstra disposição de ou-
vir as instruções divinas (v. 9).
3. Um filho rebelde de Deus prefere ilusões agradáveis à ver-
dade (v. 10-11).
4. Um filho rebelde de Deus confia na opressão (v. 12).
5. Um filho rebelde de Deus depende do engano (v. 12).
6. Um filho rebelde de Deus foge das respostas verdadeiras
(v. 15-17).

Quais dessas características têm se revelado como tendências em


sua história com Deus? Quais delas configuram lutas que você está

A oração que liberta - novo form209 209 18/11/2008 13:07:36


210 A oração que liberta

travando neste momento? Dedique algum tempo à oração com essa


lista em mãos. Confesse qualquer tendência à rebelião ou áreas de re-
beldia, usando como base as seis características que acabamos de ver.
Em seguida, reveja as equações. Não reaja a sua confissão tentando
imaginar como agir para melhorar. Corra para o Pai e descanse nele.
Deus quer responder a você. A resposta dele já está registrada em
Isaías 30:18: ele “espera o momento de ser bondoso com vocês; ele
ainda se levantará para mostrar-lhes compaixão”. Podemos imaginar
o Senhor sendo misericordioso e concedendo seu perdão quando,
por acidente, nos envolvemos em uma confusão, mas quase nunca
o concebemos como um Deus compassivo quando estamos sendo
deliberadamente rebeldes.
Ah, que desserviço prestamos quando tentamos humanizar Deus,
imaginando-o como o melhor em termos de humanidade, em vez de
vê-lo como o Senhor! A compaixão divina exige que ele nos alcance,
mesmo quando estamos em rebelião, mas sua justiça demanda que
ele imponha um duro castigo se ignorarmos a sua mão estendida e
não nos voltarmos a ele com sinceridade de coração.
Lembre-se de Isaías 30:12-14. Se continuarmos sendo rebeldes,
rejeitando a palavra de Deus, confiando na opressão e dependendo
da decepção, os muros de proteção que cercam a nossa vida cairão
como um vaso de barro despedaçado. Os cristãos não perderão a
salvação, mas podem deixar de contar com toda a proteção que o
Senhor oferece. A conclusão que podemos tirar dessas duas lições
é esta: o barro que insiste em agir como o Oleiro inevitavelmente se
quebra em mil pedaços. Não devemos esperar até sermos despeda-
çados para só então retornar e confiar em Deus.

A oração que liberta - novo form210 210 18/11/2008 13:07:36


T R I N TA

O DIREITO DIVINO DE GOVERNAR

Eu sou Deus, e não há nenhum outro;


eu sou Deus, e não há nenhum como eu.
Isaías 46:9

E stamos nos concentrando na questão da obediência, a


chave que liga a liberdade de Cristo e torna isso uma
realidade em nossa vida. Passamos a dispor da liberdade de Cristo
a partir do momento que o recebemos como nosso Salvador; mas
se esse dom interior não foi manifestado externamente por meio da
obediência pode ser que nunca experimentemos de fato tal liberda-
de. Vamos ver como isso funciona.
Apenas o Senhor tem a verdadeira liberdade para conceder. “Ora,
o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberda-
de” (2Co 3:17). Jesus falava com freqüência a respeito dessa verdade.
Repare nas variações da palavra “receber” nos textos bíblicos a seguir:

• “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome,


deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus...” (Jo 1:12).
• “Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para
novamente temerem, mas receberam o Espírito que os adota
como filhos, por meio do qual clamamos: ‘Aba, Pai’” (Rm 8:15).

A oração que liberta - novo form211 211 18/11/2008 13:07:36


212 A oração que liberta

• “Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Es-


pírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que
Deus nos tem dado gratuitamente” (1Co 2:12).

Preste atenção no ensino claro dessa atitude divina de receber


presente no texto de João 14:15-17:

Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. E eu pe-


direi ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês
para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo,
porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele
vive com vocês e estará em vocês.

Quando recebemos Cristo como nosso Salvador, literalmente re-


cebemos Cristo! O Espírito de Cristo faz morada em nós. Romanos
8:9 afirma: “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence
a Cristo”.
Quando recebemos Cristo como nosso Salvador, recebemos o
seu Espírito libertador, mas precisamos entender que a liberdade
nunca ultrapassa os limites do Espírito Santo. Por essa razão, nossa
libertação se expressa como realidade somente nos espaços de nossa
vida onde o Espírito de Deus é liberado. Somos livres quando — e
somente quando — ele assume o controle.
Reflita mais uma vez nas palavras de 2Coríntios 3:17: “Ora, o Se-
nhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade”.
Liberdade e senhorio de Deus são conceitos inseparáveis na vida da
pessoa que crê. Quando lemos que a liberdade pode ser encontrada
em qualquer lugar onde esteja o Espírito do Senhor, podemos inter-
pretar essa declaração de maneira literal.
A liberdade se torna realidade quando nos rendemos à autoridade
divina. Somos cheios do Espírito Santo na mesma proporção que nos

A oração que liberta - novo form212 212 18/11/2008 13:07:36


O direito divino de governar 213

rendemos ao senhorio de Deus. Embora o Espírito do Senhor esteja


sempre em nós, ele flui apenas nas áreas de nossa vida onde tem auto-
ridade para fazê-lo. A liberdade flui onde o Espírito do Senhor flui.
Esse aspecto levanta uma questão interessante. Você já reparou
que é possível experimentar a liberdade em uma parte de sua vida
e continuar em cativeiro em outra? Às vezes, permitimos que Deus
exerça autoridade total sobre uma área ao mesmo tempo em que nos
recusamos a conceder esse espaço em outra.
Como, então, podemos ser totalmente libertados? Será que po-
demos estudar a palavra de Deus até que, um dia, finalmente en-
contremos a liberdade? Será possível alcançá-la por intermédio da
oração contínua? Podemos expulsar por completo o inimigo a ponto
de experimentar a liberdade? Nada disso. Enquanto optarmos por
não abrir todas as áreas de nossa vida para Deus exercer a sua auto-
ridade, não sentiremos a liberdade total. A chave para a liberdade é
não resguardar nenhuma parte de nossa vida da autoridade divina.
Mais uma vez, peço que me permita insistir neste ponto: uma
vida obediente não é sinônimo de uma vida perfeita. A obediência
não significa imunidade ao pecado, mas a confissão e o arrependi-
mento quando ele acontece. A obediência não quer dizer que chega-
mos a um estado perpétuo de bondade, mas de capacidade de seguir
a Deus com seriedade. Obedecer não é viver oprimido por uma série
de leis, mas convidar o Espírito de Deus para que flua com liberdade
através de nós. Obediência é aprender a amar e prezar a palavra de
Deus e ver nela a nossa segurança.
Você sabe qual era o propósito definitivo de Cristo ao viver nesta
terra? Ele o proclamava o tempo todo.

• No Getsêmani, ele orou “... faça-se a tua vontade” (Mt 26:42).


• Ele disse: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me
enviou e concluir a sua obra” (Jo 4:34).

A oração que liberta - novo form213 213 18/11/2008 13:07:37


214 A oração que liberta

• “Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para
fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 6:38).

O Filho unigênito de Deus veio para fazer a vontade do Pai celes-


tial. Até mesmo o Pai e o Filho tinham uma relação do tipo “vaso e
oleiro”. Cristo obedecia ao Oleiro. Tal como um vaso terreno, Jesus
teve de confiar completamente na vontade de seu Pai. Embora a re-
jeição, o sofrimento e a vergonha fizessem parte de sua experiência,
Cristo aceitou o ministério que o Senhor lhe entregou com todas as
implicações porque confiava no coração do Pai.
Acredito que a obediência incondicional de Jesus ao Pai celestial
não foi fruto apenas do amor, mas também de duas outras motiva-
ções adicionais: ele estava comprometido com o direito divino de
governar e convencido de que o governo de Deus é justo. Vamos ana-
lisar o direito divino de governar, e na próxima lição examinaremos
a justiça do governo de Deus.
Já vimos uma das mais claras mensagens no livro de Isaías: a obe-
diência é uma passagem para a liberdade, e a rebelião é um bilhete
para a escravidão. Não por acaso, o livro de Isaías tem tanto a dizer
sobre o direito divino de governar quanto sobre a justiça desse go-
verno. Nos capítulos 40, 45 e 46, Isaías aborda de modo poderoso a
supremacia de Deus sobre a criação, os ídolos e a humanidade.
Esses capítulos também contêm proclamações pessoais da singu-
laridade absoluta do Senhor. Eu incentivo você a fazer um exercício
no estudo bíblico pessoal. Leia estas passagens de Isaías: 40:12-28;
45:5-25; 46:1-13. Em seguida, escreva em um papel ou sublinhe as
declarações que demonstram a superioridade de Deus sobre a cria-
ção, os ídolos ou a humanidade, assim como sua singularidade abso-
luta. Aqui está um exemplo de cada categoria:

• Criação: ele mede as águas na palma da mão (Is 40:12).


• Ídolos: são produzidos por mãos humanas (Is 40:19).

A oração que liberta - novo form214 214 18/11/2008 13:07:37


O direito divino de governar 215

• Humanidade: Nenhum ser humano é capaz de entender o Senhor


ou ensiná-lo (Is 40:13).
• Singularidade absoluta de Deus: “Quem se assemelha a mim?”
(Is 40:25).

Ao ler essas passagens, eu me aquieto com humildade mais uma


vez diante do Senhor. Às vezes, tudo quanto precisamos para tratar
nosso ego inflado é uma forte dose de Deus. Bem antes que determi-
nado visionário “descobrisse” que a terra era redonda, Deus já estava
entronado acima do círculo da terra. Antes que os homens fossem
“iluminados”, o Senhor formou a luz e as trevas.
Antes que se investisse o primeiro bilhão de dólares para explorar
o espaço, as mãos do Pai já alcançavam os céus. Muito antes que hou-
vesse um “começo”, Deus já tinha planejado o fim. Como Pedro no
monte da transfiguração, estamos tão presos aos tabernáculos que
queremos erguer que deixamos de assimilar uma nova revelação da
glória de Deus bem diante de nossos olhos.
Fazemos da vida algo muito mais complicado quando pensa-
mos que tudo gira em torno de nós. O resto do mundo nunca co-
labora. Ninguém mais recebeu o memorando avisando que somos
o centro do universo. Quando nos vemos assim, vivemos em cons-
tante frustração porque o restante da criação se recusa a orbitar ao
nosso redor.
A vida fica muito mais simples e a satisfação é muito maior quan-
do começamos a perceber o papel impressionante que nos é propos-
to. Deus é Deus. A partir de nossa perspectiva, tudo tem a ver com
ele. Felizmente, o Senhor é o centro do universo. Sendo assim, como
podemos viver de acordo com essa mentalidade centrada em Deus?
Com liberdade! Porque, segundo a perspectiva divina, tudo tem a
ver conosco. Buscamos agradá-lo; ele procura nos aperfeiçoar... e a
vida segue em frente. Não sem sofrimento, mas com propósito.

A oração que liberta - novo form215 215 18/11/2008 13:07:37


216 A oração que liberta

Sem o Oleiro, o barro não passa de lama.

Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em


suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.
Gênesis 2:7

Eu sou Deus, e não há nenhum outro; eu sou Deus, e não há ne-


nhum como eu.
Isaías 46:9

A oração que liberta - novo form216 216 18/11/2008 13:07:37


T R I N TA E U M

O GOVERNO DE DEUS É JUSTO

Mas a minha salvação durará para sempre,


a minha retidão jamais falhará.
Isaías 51:6

T enho um pesadelo: o de ter de obedecer a uma autori-


dade injusta. Para o caso de você achar que a obediên-
cia é algo a que me submeto com facilidade, permita-me esclarecer
algumas coisas. A submissão e a subserviência são tão fáceis para
mim quanto abraçar uma ninhada de porcos-espinhos. Uma criança
forçada a fazer coisa contra a vontade geralmente cresce sem nenhu-
ma disposição de receber ordens, seja de quem for.
Até o dia da morte de minha mãe, toda vez que eu tentava me
convencer de alguma coisa, ela me lembrava da vez em que o médico
de nossa família me disse que eu não poderia nadar porque tinha
uma infecção no ouvido. Mamãe dizia que eu lancei um olhar atra-
vessado para o médico, fiz a cara mais malvada que podia e falei:
— Ah, é? Bem, você não manda em mim!
Infelizmente, o médico era o presidente do clube de nossa cida-
dezinha. Ele respondeu:
— Não, mas mando na piscina, e é melhor que eu não a encon-
tre lá.

A oração que liberta - novo form217 217 18/11/2008 13:07:37


218 A oração que liberta

Na mesma hora, comecei a forçar a barra para que fosse insta-


lada uma piscina nos fundos de minha casa para eu poder mandar
em mim.
O problema é que Deus não nos projetou para vivermos por conta
própria. Ele formou em nossa psique a necessidade de se submeter a
uma autoridade para que pudéssemos viver na segurança de seu go-
verno cuidadoso. Satanás tenta nos afastar dessa autoridade de Deus
fazendo-nos pensar que podemos ser produtores e diretores de
nossa vida. O apóstolo Paulo abordou a impossibilidade de adminis-
trarmos nossa vida e nosso destino em Romanos 6:16: “Não sabem
que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como
escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do
pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?”.
Temos exatamente duas opções: podemos ser escravos de um
Deus amoroso ou do pecado. Só existe uma terceira alternativa em
programas de auditório. Não precisamos ficar aflitos pelo fato de o
versículo nos classificar como escravos. Por sermos criaturas, não há
como deixarmos de nos submeter a um mestre. A pergunta é: quem
será esse mestre?
Por mais importante que tenha sido a lição anterior para mim,
o direito divino de governar não é minha principal motivação para
buscar viver de maneira obediente. Eu resisto a prestar obediência a
alguém só por causa do cargo que essa pessoa ocupa. Talvez você se
choque com isso, mas é mais provável que eu passasse a eternidade
no inferno do que dobrar meus joelhos diante de qualquer gover-
nante só por causa de sua posição.
Minha principal motivação para buscar uma vida de obediência é
a crença absoluta de que o Deus que tem direito de governar também
é aquele cujo governo é justo. Tento obedecer a Deus porque, de todo
o meu coração, acredito que ele é sempre bom, sempre certo e me
ama de um modo que não sou capaz de compreender.

A oração que liberta - novo form218 218 18/11/2008 13:07:37


O governo de Deus é justo 219

Você pode ficar à vontade para apreciar minhas emoções enquan-


to me preparo para escrever as próximas quatro palavras: eu confio
em Deus. Depois de passar a vida inteira enfrentando problemas de
confiança, não consigo entender como um milagre da graça como
esse aconteceu comigo; mas foi assim mesmo. Pode até parecer uma
bobagem, mas eu amo o Senhor de tal forma que, às vezes, não con-
sigo esperar que ele me peça para fazer alguma coisa um pouco mais
difícil, pois quero muito obedecer-lhe. Não apenas amo o Senhor e
confio nele — também amo a idéia de confiar nele. É um lembrete
permanente do milagre perpétuo em minha vida.
Que tal obedecer a outros seres humanos? Aos poucos, minha fé
na soberania de Deus foi crescendo de tal maneira que passei a acre-
ditar no seguinte: é melhor que as pessoas a quem preciso obedecer
nesta terra sejam muito cuidadosas comigo, senão terão de prestar
contas ao próprio Senhor!
Agora que fui bem transparente com você, é a sua vez. Você tam-
bém tem problemas com a questão da autoridade? Caso tenha, como
se deu conta dessa dificuldade? E quanto à autoridade de Deus? Até
que ponto você está convencido de que pode confiar no Senhor?
Nosso texto nos incentiva a confiar e obedecer. Se você sente como
se estivesse dando os primeiros passos em uma vida de confiança,
é possível que tenha de dar um passo de fé e obedecer, e só então
aprenderá a confiar.
Isaías 51 começa com a ordem: “Escutem-me...”. Por várias vezes,
Deus parece estar tentando atrair a atenção total de seus leitores.

Escutem-me, vocês que buscam a retidão e procuram o Senhor:


Olhem para a rocha da qual foram cortados e para a pedreira de
onde foram cavados; olhem para Abraão, seu pai, e para Sara, que
lhes deu à luz. Quando eu o chamei, ele era apenas um, e eu o aben-
çoei e o tornei muitos.
Isaías 51:1-2

A oração que liberta - novo form219 219 18/11/2008 13:07:37


220 A oração que liberta

Em Gálatas, vemos que esses versículos se aplicam aos cristãos


gentios, assim como aos judeus: “E, se vocês são de Cristo, são des-
cendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3:29). Se
olharmos para a pedra a partir da qual fomos lavrados, podemos:

• Crer que Deus pode fazer o impossível (Gn 18:14).


• Admitir a futilidade que é tentar resolver as coisas por conta
própria (Gn 16).
• Acreditar que Deus ainda nos ama e pode nos usar, mesmo
quando nos desviamos — desde que concordemos em voltar a
seguir a trilha divina (Gn 17).
• Crer que Deus ainda pode nos considerar justos com base em
nossa fé no Senhor, ainda que nossa justiça se assemelhe a tra-
po imundo (Gn 15:6; Is 64:6).
• Acreditar que a bênção, em última análise, é resultado da obe-
diência (Gn 22:18).

Por ser o Senhor tão compassivo, ele pode operar maravilhas a


partir das ruínas, dos desertos e da terra estéril da vida de seus fi-
lhos. “Com certeza o Senhor consolará Sião e olhará com compai-
xão para todas as ruínas dela; ele tornará seus desertos como o Éden,
seus ermos, como o jardim do Senhor” (Is 51:3).
Você já se sentiu como se estivesse se afogando no mar enquanto
as ondas o castigam de maneira impetuosa? Isaías nos lembra que
Deus pode fazer por seus filhos o mesmo que fez por Moisés. Ele fez
“uma estrada nas profundezas do mar para que os redimidos pudes-
sem atravessar...” (Is 51:10).
Já aconteceu de se sentir como se fosse um prisioneiro encolhido
em um canto? Eu já passei por isso! Já se sentiu como se a libertação
nunca fosse chegar? Adoro as palavras de Isaías 51:14: “Os prisioneiros
encolhidos logo serão postos em liberdade”. Creia nisso e reivindi-

A oração que liberta - novo form220 220 18/11/2008 13:07:37


O governo de Deus é justo 221

que! Obedeça e veja que você pode confiar! Não permita ao inimigo
desfrutar de outro sucesso, usando seu passado contra você. Deus
disse que ele estava fazendo uma coisa nova: “Esqueçam o que se foi;
não vivam no passado. Vejam, estou fazendo uma coisa nova! Ela já
está surgindo! Vocês não a reconhecem? Até no deserto vou abrir
um caminho e riachos no ermo” (Is 43:18-19).
Quero gritar “aleluia”! Sim, companheiro e companheira de jor-
nada, Deus tem o direito de governar. No entanto, melhor ainda, o
governo do Senhor é justo! Ele não pode pedir que façamos nada de
errado nem pode nos fazer desviar. Deus conhece cada problema
de autoridade que enfrentamos. Sabe dos momentos em que nossa
confiança foi traída.
Como um pai que segura com as duas mãos fortes o rosto da
criança rebelde, ele diz: “Escutem-me [...] Ouçam-me [...] Eu, eu
mesmo, sou quem a consola [...] Pois eu sou o Senhor, o seu Deus...”
(Is 51:1,7,12,15). Essencialmente, Deus está nos dizendo: “Estou tra-
balhando a seu favor, meu filho! Não contra você! Até quando conti-
nuará resistindo a mim?”.

A oração que liberta - novo form221 221 18/11/2008 13:07:37


T R I N TA E D O I S

O GOVERNO DE DEUS NO COTIDIANO

Senhor, tem misericórdia de nós; pois em ti esperamos! Sê tu a nossa


força cada manhã, nossa salvação na hora do perigo.
Isaías 33:2

H á alguns anos, meu doce paizinho sofreu um derrame.


Eu o acompanhei na ambulância. Os paramédicos
foram maravilhosos, e, embora eu tenha gostado muito do trabalho
que realizaram, não trocamos telefones nem combinamos um almo-
ço! Às vezes, temos a tendência de abordar o Senhor da mesma ma-
neira. Ele vem nos socorrer em meio às emergências. Gostamos do
que ele faz, mas não mantemos necessariamente um contato íntimo
depois que a crise chega ao fim. Não é durante situações críticas que
desenvolvemos o gosto pela presença de Deus. O puro apreço por
sua presença emerge da caminhada diária — talvez nos fatos corri-
queiros mais do que nos milagres.
Uma mudança profunda ocorreu em meu contato diário com
Deus quando percebi como o Senhor desejava que eu caminhasse
com ele. Durante anos, pedi a ele que caminhasse comigo. Estou fa-
lando sobre o barro que tenta moldar o Oleiro! Eu queria tirar o meu
pé do barro e caminhar onde meu coração me dirigisse, contando
com o Oleiro para abençoar meu coração bonitinho, mas egoísta.

A oração que liberta - novo form222 222 18/11/2008 13:07:37


O governo de Deus no cotidiano 223

Meus pés de barro ficaram ressecados depois de eu caminhar por


entre algumas fogueiras terríveis, cujo fogo fora atiçado pela pai-
xão sem norte do meu coração. Por fim, compreendi que a bênção
de Deus só viria quando eu fizesse o que ele dizia. Por segurança e
para a mais pura alegria do Senhor, agimos com sabedoria quando
aprendemos a caminhar com ele, em vez de implorar para que ele
caminhe conosco. Caminhar com Deus, buscando viver em obedi-
ência diária, é o meio mais garantido de realizar cada um de seus
planos maravilhosos.
Imagine-se no céu, diante de Deus, enquanto ele mostra a você,
com amor, os planos que tem para a sua vida. Começa pelo dia no
qual você nasceu. Tendo recebido Cristo como Salvador, todos os
dias que se seguem são destacados em vermelho. Você vê pegadas
que o acompanham a cada dia de sua vida. Em muitos deles, dois
pares de pegadas. Então você pergunta:
— Pai, essas são as minhas pegadas todos os dias, e o segundo par
é das suas, quando me acompanha?
Ele responde:
— Não, meu filho querido. As pegadas mais freqüentes são as mi-
nhas. O segundo par é o das suas pegadas, quando se junta a mim.
— Aonde o senhor estava indo, Pai?
— Ao destino que planejei para você, esperando que me seguisse.
— Mas, Pai, onde estão minhas pegadas nesses momentos?
— Às vezes, você voltava para trás, para velhos ressentimentos e
hábitos. Em outras oportunidades, escolhia sua própria trilha. Em
outras ainda, suas pegadas apareciam no mapa de outras pessoas
porque você achava o plano delas melhor. E houve momentos nos
quais você simplesmente parou porque não queria se livrar de algo
que não poderia carregar na jornada.
— Mas, pai, no fim tudo acabou bem, apesar de eu não ter andado
com o senhor todos os dias, não foi?

A oração que liberta - novo form223 223 18/11/2008 13:07:37


224 A oração que liberta

Ele abraça você e sorri, dizendo:


— Sim, criança, no fim ficou tudo bem. Contudo, ficar apenas
“bem” não era o que eu tinha em mente para a sua vida.
Esse cenário lhe parece “forçação de barra”? Na verdade, é bas-
tante bíblico. As Escrituras nos dizem com freqüência que devemos
seguir o caminho de Deus, em vez de caminhar por nossa própria
trilha: “... Deus [...] sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo.
(2Co 2:14).
Lembre-se: caminhar de maneira consistente não é a mesma coi-
sa que ser perfeito. Significa que podemos levar tombos, mas não
cairemos! Vamos ver o que Deus tem a nos dizer, por intermédio do
profeta Isaías, sobre essa convivência diária com o Senhor. Em Isaías
33:2-6, vemos os primeiros três de cinco resultados possíveis quando
caminhamos diariamente com Deus.

Deus nos oferece a riqueza diária de sua força


“Sê tu a nossa força cada manhã, nossa salvação na hora do perigo”
(Is 33:2). Salmos 84:5 proclama: “Como são felizes os que em ti en-
contram sua força, e os que são peregrinos de coração!”. Com que
freqüência nos lembramos do fato de estarmos em uma jornada
que nos levará a uma cidade celestial gloriosa? Podemos atravessar
uma provação após a outra, mas segundo Salmos 84:7, também se-
guimos “de força em força”.

Deus nos oferece a riqueza diária de seu firme fundamento


“Ele será o firme fundamento nos tempos a que você pertence...”
(Is 33:6). Vidas obedientes se refletem em dias de obediência, e vidas
vitoriosas fluem por meio de dias de vitória. Da mesma forma, vidas
construtivas se manifestam em dias construtivos, erguidos sobre o
sólido fundamento de Jesus Cristo. A versão Almeida revista e atua-
lizada usa a palavra “estabilidade” para “firme fundamento” nessa

A oração que liberta - novo form224 224 18/11/2008 13:07:37


O governo de Deus no cotidiano 225

passagem bíblica. Adoro a idéia de termos Deus como nosso ponto


de estabilidade. Você concorda?
Quando foi a última vez que você sentiu que tudo em sua vida
estava estremecendo, a não ser a sua estabilidade em Cristo? As pa-
lavras de um hino cristão bem familiar falam alto dentro de minha
alma: “Em Cristo, a Rocha Sólida, me firmo/Qualquer outro solo é
areia movediça/Qualquer outro solo é areia movediça”. Os benefí-
cios divinos incluem os tesouros diários de sua força e de seu firme
fundamento.

Deus nos oferece a riqueza diária da sabedoria e do conhecimento


“Ele será [...] uma grande riqueza de salvação, sabedoria e conheci-
mento” (Is 33:6). Quando caminhamos ombro a ombro com Cristo
no dia-a-dia, assimilamos a sabedoria e o conhecimento do Senhor,
um pouquinho de cada vez. A sabedoria é a aplicação do conheci-
mento, ou seja, saber o que fazer com o que se sabe. Deus deseja nos
orientar diariamente em sua própria sabedoria e em seu conheci-
mento. Lembre-se: o plano é dele.
Usando palavras, Salmos 119:105 traça um belo quadro para
apreciarmos. A palavra do Senhor é “lâmpada que ilumina os meus
passos”, ou seja, uma orientação para os passos que estou dando
neste momento. É também “luz que clareia o meu caminho”, um
guia para o meu futuro imediato. A palavra de Deus lança luzes
sobre a trilha que estamos seguindo no presente e sobre o futuro
breve, e assim sabemos que passos podemos dar. Contudo, para
mais instruções, temos de continuar caminhando hoje mesmo e
checando mais uma vez! Se você for como eu, não terá de checar o
tempo todo com o Senhor, caso já conheça o plano dele para a sua
vida.
Continuemos analisando os resultados 4 e 5 de Isaías 50.

A oração que liberta - novo form225 225 18/11/2008 13:07:37


226 A oração que liberta

Deus nos oferece a riqueza diária de uma palavra revigorante


pela manhã
“Ele me acorda manhã após manhã, desperta meu ouvido para es-
cutar como alguém que está sendo ensinado” (Is 50:4). Acredito que
Deus nos acorda pela manhã com uma capacidade sobrenatural de
nos fazer ouvir o que ele tem a nos dizer. No início do dia, ainda não
fizemos bobagens.

Deus nos oferece a riqueza diária da vitória


Não temos como escapar da batalha da vida cristã. Satanás não tira
dia de folga por bom comportamento. Veja que palavras maravilho-
sas as do profeta.

Porque o Senhor, o Soberano, me ajuda, não serei constrangido. Por


isso eu me opus firme como uma dura rocha, e sei que não ficarei
decepcionado. Aquele que defende o meu nome está perto. Quem
poderá trazer acusações contra mim? Encaremo-nos um ao outro!
Quem é meu acusador? Que ele me enfrente!
Isaías 50:7-8

Cada dia pode trazer sua cota de problemas, mas sempre pode-
mos contar com Deus para nos ajudar. Satanás faz o possível para
nos desgraçar, acusar e condenar. Devemos, a cada dia, manter uma
postura resoluta em Cristo e segui-lo passo a passo rumo à vitória.
Vamos concluir com uma olhada em Isaías 50:10-11:

Quem entre vocês teme o Senhor e obedece à palavra de seu servo?


Que aquele que anda no escuro, que não tem luz alguma, confie no
nome do Senhor e se apóie em seu Deus. Mas agora, todos vocês
que acendem fogo e fornecem a si mesmos tochas acesas, vão, an-
dem na luz de seus fogos e das tochas que vocês acenderam. Vejam o
que receberão da minha mão: vocês se deitarão atormentados.

A oração que liberta - novo form226 226 18/11/2008 13:07:37


O governo de Deus no cotidiano 227

Não importa por quanto tempo tenhamos andado com Deus,


ainda assim enfrentaremos dias de trevas. Nesses momentos, Deus nos
orienta a confiar em seu nome e em sua pessoa. Jó 23:10 continua
sendo uma bênção para mim quando não sei o que fazer: “Mas ele
conhece o caminho por onde ando”. Quando você sentir que perdeu
o rumo, não desanime! Ele conhece o caminho por onde você anda.
Pare um pouco, clame e peça ajuda do Senhor! Ele guiará seus pas-
sos na escuridão, e então, de modo milagroso, quando você voltar
a enxergar a luz, será capaz de ver as pegadas que deixou enquanto
caminhava no escuro. Quando Deus está guiando você em meio às
trevas, ele segura a sua mão com muito mais firmeza.
Qual é a sua maior tentação quando acha que Deus não está ilu-
minando o seu caminho com clareza? Isaías 50:11 descreve a minha
com perfeição. Minha tendência é querer acender eu mesma uma
fogueira e caminhar à luz da tocha que eu mesma fizer. Sim, eu e
você continuaremos a sair, vez por outra, da trilha certa, por mais
obedientes que desejemos ser durante a caminhada; somos peregri-
nos com pés de barro. A beleza da luz de Deus é esta: ela sempre nos
guiará de volta para o caminho certo. Não importa o tempo que dure
o desvio, a volta está a apenas um atalho de distância. “Salva-me, pois
a ti pertenço...” (Sl 119:94).

A oração que liberta - novo form227 227 18/11/2008 13:07:37


A oração que liberta - novo form228 228 18/11/2008 13:07:38
PARTE V

UM AMOR QUE NUNCA FALHA

V ocê já trilhou um longo caminho durante esta jorna-


da. Espero que tenha se encontrado com o Mestre em
cada página deste livro.
Lembra da festa de casamento em Caná da Galiléia? O responsá-
vel pelo banquete fez uma declaração a respeito de Jesus que sempre
mexe com o meu coração. Ela o descreve muito bem: “Todos servem
primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam
bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até
agora” (Jo 2:10).
Jesus sempre parece ter alguma coisa maior esperando por nós
do outro lado da curva. Eu nunca reivindico inspiração divina, mas
Cristo tem sido cada vez mais fiel a sua palavra. Acredito que ele tem
coisas ainda maiores logo ali adiante.
De que precisamos quando nossas montanhas tremem? Quando
nossos montes são sacudidos (Is 54:10)? Bebês morrem sem isso. As
crianças precisam disso. Os jovens imploram por isso. Os adultos bus-
cam isso. Só encontraremos liberdade verdadeira no amor que nunca
falhará nem acabará. O segredo para a paz só pode ser encontrado em
um amor assim. Venha comigo e estudemos o amor infalível de Deus.
Memorize a promessa do benefício número 4: experimentar a paz
de Deus: “Tu, Senhor, guardarás em perfeita paz aquele cujo propó-
sito está firme, porque em ti confia” (Is 26:3).

A oração que liberta - novo form229 229 18/11/2008 13:07:38


A oração que liberta - novo form230 230 18/11/2008 13:07:38
T R I N TA E T R Ê S

A DESCOBERTA DO AMOR
QUE NUNCA FALHA

“Embora os montes sejam sacudidos e as colinas sejam


removidas, ainda assim a minha fidelidade para com você
não será abalada, nem será removida a minha aliança de paz”,
diz o Senhor, que tem compaixão de você.
Isaías 54:10

N o momento em que escrevo este livro, estou saindo


de um ano de transição sem paralelo. Nada parecia
imune a transformações; relacionamentos, circunstâncias, ambien-
tes, tudo mudou. Para manter a vida minimamente em ordem, eu
me agarrava a qualquer coisa que ainda estivesse do mesmo jeito
que estava. Certa manhã, no caminho para o trabalho, dei uma pa-
radinha no mesmo lugar em que parava havia um ano e meio: uma
pequena cafeteria, a minha preferida. Entrei, toda faceira, e fiz o
pedido de sempre:
— Um bagel de banana com bastante queijo cremoso, por favor.
A balconista olhou para mim e disse, com delicadeza:
— Não estamos mais fazendo desse tipo. Há alguma outra coisa
que eu possa lhe servir hoje?
Fiquei sem ação, as sobrancelhas erguidas como se fossem duas
tiaras quase na altura do cabelo. Devo ter ficado em estado de cho-
que por algum tempo, pois a pessoa atrás de mim finalmente me
deu um “chega para lá”, fornecendo o elemento que faltava para que

A oração que liberta - novo form231 231 18/11/2008 13:07:38


232 A oração que liberta

eu me derramasse em lágrimas. Conforme caminhava na direção de


meu carro, olhei para o alto e perguntei: “Será que dava para eu en-
contrar alguma coisa por aqui do jeito que sempre foi?”.
Quando entrei no carro, senti o Pai colocando a sua Palavra em
meu coração: “Beth, nunca a deixarei, nunca a abandonarei”.
Estamos prestes a estudar o amor salvador de Deus. A palavra
“compaixão”, usada em Isaías 54:10, vem do termo em hebraico ra-
cham, que quer dizer...

“confortar”, “tratar com carinho”, “amar intensamente, como fazem


os pais”, “ser compassivo”, “usar de ternura” [...] Esse verbo normal-
mente se refere a um amor muito forte, enraizado em algum tipo de
vínculo natural, com freqüência partindo de uma pessoa em posição
superior para outra em condição inferior.

Agora, a minha parte favorita da definição: “Bebês evocam este


sentimento”.
Nunca senti algo tão intenso e inexprimível quanto o nascimen-
to de minhas duas filhas. Meus bebês fizeram brotar em mim uma
capacidade de amar que jamais havia experimentado antes; ainda as-
sim, eu nunca me sentira tão vulnerável.
Certa vez, ouvi um psicólogo cristão especializado no tratamento
de crianças explicar a necessidade de algum conflito e luta de poder
entre os pais e os adolescentes. Ele disse que certa cota de dificuldade
deve surgir naturalmente à medida que os filhos começam a se tornar
jovens adultos; caso contrário, os pais jamais seriam capazes de “aju-
dá-los” a sair do ninho e seguir em frente, rumo à independência pes-
soal. Ele comentou: “Se o vínculo que tínhamos com eles quando eram
crianças não mudasse, nunca permitiríamos que saíssem de casa”.
Agora, volte um pouco e dê uma olhada na definição de compaixão.
Durante toda a nossa vida, Deus mantém seus fortes sentimentos em

A oração que liberta - novo form232 232 18/11/2008 13:07:38


A descoberta do amor que nunca falha 233

relação a nós — os mesmos que as crianças evocam nos pais — por-


que nunca precisaremos sair de casa! Ele não está nos criando para
que deixemos o ninho, mas para voltarmos para o lar!
Adoro o salmo 136. Você deve se lembrar dessa passagem bíbli-
ca porque começa com ação de graças — “Dêem graças ao Senhor,
porque ele é bom [...] Dêem graças ao Deus dos deuses” (v. 1-2] — e
todos os 26 versículos terminam com o refrão: “O seu amor dura para
sempre!”. Esse salmo celebra Deus como Criador, Conquistador e Se-
nhor compassivo. Há um fato de extrema importância para pessoas
cativas que buscam liberdade: a maneira de Deus operar pode mudar,
mas seu amor permanece firme e forte. Quando achamos que final-
mente assimilamos o jeito e os métodos do Senhor, eles mudam.
Reis podem surgir e desaparecer, mas o amor de Deus dura para
sempre. Milionários vêm e vão, mas o amor de Deus dura para sem-
pre. Às vezes, recebemos a cura de um mal físico; às vezes, essa cura
não vem, mas o amor de Deus dura para sempre. Os céus e a terra
passarão, mas o amor de Deus dura para sempre.
O apóstolo Paulo registrou a mesma verdade quando proclamou:

Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem
demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes,
nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação
será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus,
nosso Senhor.
Romanos 8:38-39

Você percebe que acabamos de desvendar a solução para nossa


maior necessidade psicológica? Veja o que a palavra de Deus afirma
sobre as necessidades emocionais de todos os seres humanos: “O que
se deseja ver num homem é amor perene” (Pv 19:22). Esse versículo
está sintetizando para nós aquilo pelo que mais ansiamos.

A oração que liberta - novo form233 233 18/11/2008 13:07:38


234 A oração que liberta

Por favor, não deixe essa mensagem lhe escapar! Todo ser hu-
mano anseia por um amor infalível, generoso, focado, radical; um
amor com o qual podemos contar sempre. O motorista de táxi, o
bombeiro, o corretor de ações, a modelo e manequim, o programa-
dor de computadores, o cientista espacial, o médico, o advogado, o
presidente, os guardas, enfim, todos anseiam pela mesma coisa: um
amor que não falha.
Provérbios 20:6 sugere algo importante a respeito do amor infalí-
vel: “Muitos se dizem amigos leais, mas um homem fiel, quem pode-
rá achar?”. Paulo descreveu o amor ágape como o amor sobrenatural,
que apenas Deus possui por completo e pode conceder. É a palavra
usada no Novo Testamento para o amor divino, tal como chesed no
Antigo Testamento.
A única maneira de podermos amar com ágape é derramando
diante de Deus todas as outras coisas que ocupam o nosso coração
e pedindo a ele que faça delas vasos de seu amor ágape. Antes de
termos condições de amar as pessoas como Deus amou, precisamos
aceitar esse amor integralmente. Deus nos ama com amor perfeito,
e “o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo.
Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1Jo 4:18).
Você já sentiu medo de que alguém deixasse de amá-lo? Eu não
apenas tive esse medo, como também passei por essa experiência!
Em seu cuidado e sua graça, Deus permitiu que alguns de meus te-
mores se concretizassem para que eu pudesse descobrir que aquilo
não seria o meu fim. O Senhor me ensinou a sobreviver em seu amor
infalível. Não foi nem um pouco divertido, mas foi uma experiência
transformadora!
A única coisa à qual eu não conseguiria sobreviver em hipótese
alguma seria a perda do amor de Deus, e essa é uma perda pela qual
jamais terei de passar. O amor de Deus dura para sempre. É isso que
ele quis dizer ao se referir ao amor perfeito que expulsa o medo. A

A oração que liberta - novo form234 234 18/11/2008 13:07:38


A descoberta do amor que nunca falha 235

Bíblia usa várias expressões que sugerem o amor infalível do Senhor,


e em momento algum esse tipo de sentimento é atribuído aos seres
humanos. Cada uso de alguma expressão desse tipo é uma referência
a Deus, e somente a ele. Por maior que seja o amor das pessoas, só o
Senhor pode oferecer um amor que não falha nunca.
Em seu maravilhoso livro O desafio da santidade, Francis Frangi-
pane escreveu:

Há muitos aspectos da natureza de Cristo. Ele é o Bom Pastor, nosso


Libertador e aquele que cura as nossas enfermidades. Nossa percep-
ção de Deus passa pelo filtro da necessidade que temos dele. E foi as-
sim que o Senhor ordenou todas as coisas, pois ele mesmo é a única
resposta às nossas mil necessidades.1

Que verdade gloriosa! Mas Deus não é apenas a resposta a mil


necessidades; ele é a resposta a mil demandas também. Afinal, inde-
pendentemente do fato de o reconhecermos ou não, o que desejamos
é um amor que não falha. Ó Deus, desperte nossa alma para que
possamos ver: o Senhor é aquilo que desejamos, e não apenas o que
precisamos. Sim, é proteção para a nossa vida, mas também afeto
para o nosso coração. Sim, salvação para a nossa alma, mas também
alegria para o nosso ser. Um amor que nunca falha e que nunca nos
deixará!

1
São Paulo: Vida, 2002.

A oração que liberta - novo form235 235 18/11/2008 13:07:38


T R I N TA E Q U AT R O

A LIBERDADE DO AMOR
QUE NUNCA FALHA

Que eles dêem graças ao Senhor, por seu amor leal e por suas
maravilhas em favor dos homens, porque despedaçou as portas de
bronze e rompeu as trancas de ferro.
Salmos 107:15-16

N ão faz muito tempo, realizei uma pequena experiên-


cia quando falei a um grupo de mulheres sobre o
tema “amor de Deus”. Pedi a cada uma que olhasse nos olhos da pes-
soa ao lado e dissesse: “Deus me ama muito”. Quase que instintiva-
mente, elas se viraram umas para as outras e disseram: “Deus te ama
muito”. Eu as interrompi, chamei a atenção delas quanto à troca das
palavras e perguntei por que tinham dificuldade de fazer o que eu
havia pedido. Aceitamos com facilidade o amor de Deus por outras
pessoas, mas lutamos com a crença de que ele nos ama igualmente,
radicalmente, completamente e infalivelmente.
Uma das razões pelas quais eu costumava lutar com essa verdade
era porque eu conhecia os meus pecados e as minhas fraquezas — to-
dos os motivos que Deus teria para não me amar. Eu estava convicta
de que ninguém mais tinha uma vida tão complicada quanto a mi-
nha! Ao olhar para trás, fico feliz pelo fato de eu nunca ter seguido o
extremo oposto. Algumas pessoas podem ser tão arrogantes e cheias
de si a ponto de se convencer de que Deus as ama acima das outras.

A oração que liberta - novo form236 236 18/11/2008 13:07:38


A liberdade do amor que nunca falha 237

Por que temos tanta dificuldade em acreditar que Deus poderia


amar, com o mesmo amor infalível, tanto as pessoas que conside-
ramos boas quanto as que consideramos más? A resposta: porque
insistimos em humanizar demais o Senhor. Temos a tendência de
amar as pessoas de acordo com a maneira que agem, e continuamos
tentando recriar Deus à nossa imagem.
Agora, voltemos a atenção à perspectiva de Deus em relação ao
coração dos que incorrem na tolice da rebeldia: “Assentaram-se nas
trevas e na sombra mortal, aflitos, acorrentados, pois se rebelaram
contra as palavras de Deus e desprezaram os desígnios do Altíssimo”
(Sl 107:10-11).
O versículo 12 surge como um sinal de alerta: “Por isso ele [Deus]
os sujeitou a trabalhos pesados”. Pensamos em Satanás aprisionando
suas vítimas, mas não gostamos de pensar em Deus sujeitando os
seres humanos rebeldes ao sofrimento.
No versículo seguinte, vemos o propósito da disciplina divina:
“Na sua aflição, clamaram ao Senhor” (v. 13). Quando o povo de
Deus clamou, “ele os salvou da tribulação em que se encontravam”, e
assim eles puderam voltar a louvá-lo.
O versículo 20 nos propõe outra maravilhosa peça desse quebra-
cabeça: “Ele enviou a sua palavra e os curou, e os livrou da morte”.
Quando Deus cura uma aflição, ele o faz enviando a sua palavra.
Poucas pessoas são gratas como os cativos que são libertados, ou
como os doentes que recebem cura. Repare na orientação de Deus
a essas pessoas: “... anunciem as suas obras com cânticos de alegria”.
Que salmo apropriado para o nosso estudo! Nosso coração nunca
será saudável, a não ser que aprendamos a aceitar o amor infalível
de Deus e permanecer nele. Gostaria de abordar dois aspectos des-
se salmo que nos encoraja a seguir na direção do cumprimento de
nosso objetivo.

A oração que liberta - novo form237 237 18/11/2008 13:07:38


238 A oração que liberta

O amor infalível de Deus se estende aos mais rebeldes dos cativos


e aos mais aflitos dos tolos
Salmos 107 é revigorantemente claro: o amor infalível de Deus
motiva os piores homens e mulheres a feitos formidáveis quan-
do clamam em meio a sua tribulação. A palavra em hebraico para
“maravilhoso” é pala, que quer dizer “extraordinário”, “miraculoso”,
“impressionante”. Esses tipos de adjetivo parecem ser limitados ape-
nas aos filhos de Deus que podem ser considerados “bons”, não é?
No entanto, a palavra de Deus nos diz que o Senhor faz coisas ex-
traordinárias, miraculosas, maravilhosas e impressionantes na vida
daqueles que clamam por ele, mesmo que sejam as piores pessoas
do mundo. Por quê?
Porque ele os ama com amor infalível.
Uma das obras que, estou convencida, Deus deseja realizar por
meio deste estudo é ampliar nossa visão à medida que olhamos para
o seu amor. Veja bem, não vemos o amor infalível de Deus manifes-
tado apenas em cadeias quebradas e angústias curadas; ele também
aparece na disposição do Senhor de não permitir que a rebelião pas-
se despercebida e sem disciplina. Vejo várias maneiras pelas quais
Deus lidou com os rebeldes a fim de levá-los a clamar pelo Senhor:

• Ele permitiu que eles se sentassem “nas trevas e na sombra


mortal” (v. 10). Nossas penitenciárias lotadas provam que a
rebelião pode levar, literalmente, à cadeia. Com a mesma fa-
cilidade, pode conduzir a pessoa a celas emocionais de trevas
e tristeza. Embora, com certeza, nem toda depressão seja re-
sultado da rebelião, a obstinação pode levar uma pessoa a se
deprimir. Acredito que a depressão seja especialmente mais
provável quando o rebelde já teve a experiência de andar perto
de Deus. Agora que conheço a alegria indescritível da intimi-
dade com o Senhor, viver fora desse relacionamento me depri-

A oração que liberta - novo form238 238 18/11/2008 13:07:38


A liberdade do amor que nunca falha 239

me. Sou grata pelo fato de Deus permitir que as trevas sejam
conseqüência da rebeldia. Às vezes, ele usa as trevas para nos
conduzir à luz!
• “... ele os sujeitou a trabalhos pesados” (v. 12). A rebelião pode
começar divertida, mas, com o tempo, ela leva ao trabalho pe-
sado. Deus permite que a rebelião se torne um fardo pesado,
depois de certo tempo.
• Ele permitiu que tropeçassem (v. 12). Não há dúvida de que
cada um de nós é capaz de imaginar algumas formas de Deus
permitir que um rebelde leve um tombo. Quando eu ainda era
uma adolescente, poderia ter aceitado o mínimo de verdade
que já conhecia, mas não o fiz. Com isso, não apenas tropecei,
como levei um tombo feio e me queimei! Sou muito grata por
isso. Se eu não tivesse caído, não sei dizer se teria clamado pela
ajuda divina.
• Ele permitiu que não houvesse “quem os ajudasse” (v. 12). Como
agradeço a Jesus por seu amor infalível; ele me dá a certeza de
que outras pessoas “falharam” em suas tentativas de me aju-
dar! Parece um pouco esquisito, não é? Acredito que a maioria
das pessoas nunca reconheceria Deus como único Deus se não
passasse pela experiência de crises durante as quais ninguém
pode ajudar.
• Ele permitiu que alguns sofressem a aflição (v. 17). Vou repetir:
com certeza, nem toda aflição física é causada pela rebeldia,
mas a rebeldia pode resultar em aflição física. Lembro-me de
um período durante a faculdade no qual me rebelei contra
Deus. Perdi o apetite e fiquei fisicamente doente. Eu não era a
primeira na História a ficar doente por causa do pecado.

Volte um pouco e dê uma olhada em todas essas maneiras como


Deus pode responder à rebeldia. Hebreus 12:5-6,11 demonstra que

A oração que liberta - novo form239 239 18/11/2008 13:07:38


240 A oração que liberta

todas essas respostas divinas são evidências do amor infalível de


Deus, e não resultado de condenação raivosa.

“Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com


a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga
todo aquele a quem aceita como filho” [...] Nenhuma disciplina pa-
rece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais
tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela
foram exercitados.

Veja bem, Deus ama seus filhos o suficiente para fazê-los sentir-se
muito mal em sua rebeldia! Vemos um segundo aspecto que serve de
encorajamento.

Deus insiste com seus filhos cativos até que sejam libertados
O pior resultado possível de nossa desobediência seria Deus desistir
de nós. Em Salmos 107, os filhos de Deus se rebelaram. Ele os disci-
plinou repetidas vezes, mas nunca desistiu de seu povo. Aleluia!
Uma das coisas mais comuns na vida de quem vai para a prisão é
receber os papéis de divórcio do cônjuge. Poucos prisioneiros conde-
nados a penas longas têm gente a sua espera do lado de fora. A maio-
ria das pessoas logo esquece que eles um dia existiram. Os presos são
os párias de nossa sociedade
A mesma tendência pode ser observada, em termos menos tan-
gíveis, entre os cristãos. As nossas melhores igrejas, a princípio, cos-
tumam receber bem esses cativos (alcoólicos, viciados em drogas,
homossexuais, promíscuos e assim por diante); no entanto, se eles
não se “consertarem” bem rápido, provavelmente serão logo despre-
zados. Gostamos de histórias de sucesso — testemunhos poderosos.
Em nosso meio, a pessoa cativa corre o risco de deixar de ser bem-
vinda se não resolver logo o seu problema e mudar.

A oração que liberta - novo form240 240 18/11/2008 13:07:38


A liberdade do amor que nunca falha 241

Em um gracioso contraste, Deus fica conosco até que estejamos


livres de fato. Ele nunca nos abandona. Deus é o único que não sente
repulsa pela profundidade e pela extensão de nossas necessidades.
Embora nunca aceite o pecado e a rebeldia, ele sabe muito bem o que
nos leva a cometer essas ações. Enquanto eu era criança, não tinha
idéia do motivo pelo qual tomava tantas decisões equivocadas, mas
Deus sabia. Embora minha rebeldia continuasse sendo um pecado, o
coração do Senhor estava cheio de compaixão. Por meio de castigos
amorosos, ele continuou a insistir comigo e esperou pacientemente
até que eu abandonasse aquele cativeiro.
Não importa por quanto tempo lutemos, Deus não desiste de nós.
Mesmo que tenhamos utilizado todos os recursos humanos possí-
veis, ele é nossa fonte inexaurível de água viva. Ele pode permitir que
a vida de uma pessoa cativa se torne cada vez mais difícil, fazendo
que ela se desespere mais e mais para proceder de acordo com as
exigências da liberdade em Cristo; mas ele nunca desprezará essa
pessoa. Deus sinaliza e espera.
Às vezes, as medidas que ele usa para nos atrair à liberdade po-
dem ser dolorosas, mas geralmente são mais poderosas como evi-
dências de seu amor infalível do que as bênçãos óbvias que poderia
expor. Pouca gente conhece tanto o amor infalível de Deus como o
cativo que encontra a liberdade. “Que eles dêem graças ao Senhor,
por seu amor leal [...] e anunciem as suas obras com cânticos de ale-
gria” (Sl 107:21-22). Amado, amada, se ele se tornou o único Deus de
sua vida, então você tem uma história poderosa para contar. Comece
agora mesmo.

A oração que liberta - novo form241 241 18/11/2008 13:07:38


T R I N TA E C I N C O

A PLENITUDE DO AMOR QUE NUNCA FALHA

Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal,


e todos os nossos dias cantaremos felizes.
Salmos 90:14

O nde eu estaria eu sem o amor de Deus? Tudo o que


possuo e que tenha algum valor é resultado direto do
amor divino. Eu gostaria de me concentrar, com você, em uma das
mais maravilhosas obras do amor chesed ou ágape do Senhor em mi-
nha vida: o amor que satisfez minhas necessidades mais profundas.
Vamos analisar o relato que o Evangelho de João faz do encontro
de Jesus com a mulher na fonte. Desse encontro, podemos observar
várias realidades:

• Nossa necessidade insaciável ou nosso desejo incontrolável de


qualquer coisa é sintoma de necessidades não satisfeitas ou
daquilo que chamamos de “vazio interior”.
• A salvação não equivale à satisfação. (Você pode ser uma pes-
soa salva e, ainda assim, insatisfeita.)
• A satisfação só acontece quando todo o vazio interior é preen-
chido pela plenitude de Cristo.
• A salvação nos é concedida como dádiva de Deus, ao passo
que encontramos satisfação nele à medida que, deliberada-
mente, rendemos todo o nosso ser ao Senhor.

A oração que liberta - novo form242 242 18/11/2008 13:07:38


A plenitude do amor que nunca falha 243

Vou contar a você um grande segredo: os cristãos — que, em tese,


deveriam se sentir totalmente satisfeitos em Jesus — nutrem com
freqüência um vazio ou uma necessidade que não conseguem iden-
tificar. Nossa incapacidade de ser sinceros a respeito da falta de satis-
fação com a vida cristã nos impede de responder à pergunta certa:
por que acho a vida cristã tão insatisfatória? Como posso fazer para
mudar essa situação? Por não fazermos essas perguntas dentro de
nosso círculo de irmãos na fé, o inimigo nos tenta a olhar para fora
em busca de respostas ímpias.
Lembre-se: encontrar satisfação em Deus é um dos cinco bene-
fícios de nosso relacionamento de aliança com Cristo. Encontrar
satisfação e plenitude em Cristo nunca foi nenhum tesouro secre-
to ao qual apenas poucas pessoas teriam acesso. A satisfação é um
abençoado subproduto de nosso relacionamento com Deus, e está à
disposição de qualquer cristão.
Pedro expressou a intenção de Deus com muita clareza: “Seu di-
vino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a
piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou
para a sua própria glória e virtude” (2Pe 1:3). Ou Cristo é capaz de
satisfazer e suprir nossas mais profundas necessidades, ou a palavra
de Deus está mentindo.
Antes de eu começar a desfrutar a plenitude de Cristo, já sabia,
de alguma forma, que a palavra de Deus era verdadeira e que o pro-
blema era comigo; contudo, pela vida que há em mim, eu não con-
seguia imaginar que problema seria esse. Eu servia o Senhor. Tinha
até amor por ele, embora imaturo; mas ainda lutava contra um vazio
interior que me mantinha naquela busca por amor e aceitação nos
lugares errados.
Durante a minha juventude, em nenhum momento recebi ensino
claro a respeito da vida cheia do Espírito Santo. Talvez seja essa a
razão de eu me recusar a manter silêncio a respeito do assunto agora.
Vamos resumir algumas coisas ao essencial.

A oração que liberta - novo form243 243 18/11/2008 13:07:39


244 A oração que liberta

João 4:24 diz que a essência ou o estado de existência de Deus é


espírito. Não se deixe levar pela idéia de que a palavra “espírito” im-
plique invisibilidade. Deus tem, sem dúvida, uma forma visível, po-
rém gloriosa e indescritível. Contudo, neste momento nossos olhos
não podem contemplar o mundo espiritual.
Com a mesma certeza de que Deus é espírito, ele também é amor
(1Jo 4:16). Amar não é apenas algo que o Senhor faz; ele também
é amor. Ele teria de deixar de existir para deixar de amar. Repito: a
nossa tentação é humanizar Deus, pois nos limitamos a entender o
amor como um verbo. Com Deus, o amor é, em primeiro lugar, um
substantivo. É quem e o que Deus é.
Sabemos, por 1João 4:13-15 e Romanos 8:9, que Deus habita, na
forma do Espírito Santo, na vida de todos os que recebem o Filho
como Salvador. O Senhor não pode parar de ser amor, assim como
não pode deixar de ser espírito. Por essa razão, quando o Espírito de
Deus passa a habitar em nós, o amor de Deus vem junto. Lembre-se
da promessa de 2Coríntios 3:17: “... onde está o Espírito do Senhor,
ali há liberdade”.
Percebe como tudo isso se encaixa? Em qualquer lugar que Deus
é bem-vindo, o Espírito é liberado. Onde há liberdade para o Espí-
rito Santo, também há liberdade para o amor do Pai. E, onde se en-
contra o Espírito amoroso, ali também se acha a liberdade. Como o
Espírito de Deus é liberado? Por meio da confissão ou concordando
com a palavra do Senhor. Nós nos concentraremos neste segundo
elemento depois, mas eu gostaria que você visse todas as peças se
encaixando.
A questão que quero defender é esta: apenas os lugares onde
permitimos que o amor de Deus penetre de modo literal encontra-
rão satisfação e, por conseguinte, liberdade. Nada expressa melhor
essa verdade do que as palavras divinamente inspiradas do apósto-
lo Paulo:

A oração que liberta - novo form244 244 18/11/2008 13:07:39


A plenitude do amor que nunca falha 245

Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, do qual recebe o nome toda
a família nos céus e na terra. Oro para que, com as suas gloriosas ri-
quezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do
seu Espírito, para que Cristo habite no coração de vocês mediante a
fé; e oro para que, estando arraigados e alicerçados em amor, vocês
possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o
comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cris-
to que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de
toda a plenitude de Deus. Àquele que é capaz de fazer infinitamente
mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu
poder que atua em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus,
por todas as gerações, para todo o sempre! Amém!
Efésios 3:14-21

Nessa passagem bíblica, o apóstolo ensina o que Deus deseja com


tanta intensidade para nós:

Que sejamos firmes e estabelecidos em amor (v. 17)


No amor de quem? No amor do Senhor. A palavra em grego para
“arraigados” é rhizoo, que significa “enraizado”, “firmado por raízes”,
“firmemente fixados”, “constantes”. A força de uma planta ou uma
árvore é proporcional à profundidade das raízes. Quanto mais eu e
você nos enraizamos no amor infalível de Deus, menos balançamos
quando os ventos da vida sopram de maneira violenta.

Que tenhamos o poder de reter o amor colossal de Cristo (v. 18)


A palavra para “compreender” é katalambano, que quer dizer “agar-
rar”, “apoderar-se de repente e com ansiedade” — “em alusão aos jogos
púbicos, obter o prêmio, com a idéia de empenho forte e vigoroso”.
Deus espera que captemos a profundidade, a extensão, a largura e o
peso do amor de Cristo.

A oração que liberta - novo form245 245 18/11/2008 13:07:39


246 A oração que liberta

Estudamos tantas outras coisas, mas que tal despender alguma


energia para captar o amor de Cristo? Mais tarde, descobriremos
algumas razões pelas quais a busca por aceitar, captar e permanecer
totalmente firmes no amor de Deus é uma energia tão bem empre-
gada. Volte um pouco e dê uma olhada na definição por um mo-
mento. Note o uso da expressão “de repente”. Adoro essa parte da
definição porque passei por momentos nos quais parecia, de uma
hora para outra, captar a enormidade do amor de Cristo por um
momento.
Lembro-me de uma época em que senti um grande sofrimento em
meu coração. Eu e Keith normalmente caminhamos juntos à noite,
mas naquele dia, em particular, ele não estava em casa. Tudo quanto
senti vontade de fazer foi chorar, mas resolvi colocar o headphone,
ouvir um pouco de adoração musical e caminhar no campo de golfe
da vizinhança sozinha.
A noite estava muito escura, e ninguém apareceu no campo, a
não ser eu. Conforme a música penetrava em minha alma, mais as
lágrimas de minhas feridas se transformavam em lágrimas de louvor.
Por fim, parei de andar, ergui as mãos em adoração e louvei o Senhor.
Lampejos de uma luz distante começaram a surgir no céu como se
fossem fogos de artifício na passagem de ano. Quanto mais eu can-
tava, mais o Espírito de Deus parecia dançar em meio aos fachos de
luz. Não tive muitas experiências como essa na vida, mas acredito
que Deus me concedeu captar, de maneira repentina e rápida, um
vislumbre de seu amor extraordinário.
Você consegue se lembrar de algum momento no qual, de repen-
te, foi inundado pela magnitude do amor de Deus? Se isso ainda não
aconteceu, peça a ele que amplie sua capacidade de percepção. O
amor de Deus se manifesta. Peça ao Senhor que amplie sua visão
espiritual de modo que possa contemplar evidências inesperadas de
seu amor extraordinário.

A oração que liberta - novo form246 246 18/11/2008 13:07:39


A plenitude do amor que nunca falha 247

Que conheçamos o amor de Cristo, que ultrapassa o


conhecimento (v. 19)
Dê uma olhada cuidadosa nas palavras “conhecer” e “conhecimento”.
Quem fala português presumiria que as duas palavras falam da mes-
ma coisa, mas o grego é mais específico. A palavra “conhecer”, nesse
versículo, é ginosko, que significa “descobrir”, “conhecer por expe-
riência, em sentido jurídico”, “aprender”, “descobrir”, “no sentido de
perceber [...] é possível dizer que ginosko quer dizer ‘acreditar’”.
Agora, vejamos como é diferente da palavra “conhecimento”, usa-
da no fim da frase. “Conhecimento”, nessa passagem bíblica, vem do
termo grego gnosis, que quer dizer “conhecimento presente e frag-
mentado, em contraste com epignosis, conhecimento claro e exato”.
A intenção do apóstolo Paulo era dizer que devemos conhecer e
aprender sobre o amor de Cristo, que ultrapassa todo conhecimen-
to atual e fragmentado, por experiência pessoal. Ele orava para que
percebêssemos um amor tão profundo a ponto de ultrapassar todo
tipo de conhecimento limitado que nossa mente pudesse assimilar.
Cristo anseia que você conheça — por meio da experiência de cami-
nhar como ele diariamente — um amor que mal podemos começar
a compreender.

Que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus (v. 19)


Agora veja como todas essas coisas se encaixam. A palavra “cheio” é
tradução do termo grego pleroo, que quer dizer “tornado preenchi-
do”, “encher, particularmente um vaso ou um lugar vazio”. Lembra
daqueles lugares vazios? Eles provavelmente nos causam mais des-
truição do que quase todas as outras coisas na vida! Eles surgem das
dificuldades, das injustiças, das perdas e das necessidades não satis-
feitas — isso sem falar na mão de Deus, que abre espaços que só ele é
capaz de preencher. Quando você recebeu Cristo, o Espírito de Deus
passou a habitar em seu ser. Por meio da presença do Espírito Santo,

A oração que liberta - novo form247 247 18/11/2008 13:07:39


248 A oração que liberta

ele deseja permear cada centímetro de sua vida e preencher todos os


lugares vazios com a plenitude de seu amor.
Lembra de nosso maior desejo, segundo Provérbios 19:22? Deus
tem aquilo de que você precisa. Só ele possui amor infalível, e o Se-
nhor quer derramá-lo sobre a sua vida. A plenitude de Deus não é
um acontecimento isolado, como a nossa salvação. Para vivermos de
modo vitorioso, é preciso, a cada dia, aprender a derramar o coração
diante do Pai, confessar os pecados todos os dias para que nada seja
impedimento, reconhecer todos os espaços vazios e convidar o Se-
nhor para habitar em todo o nosso ser!
Em seguida, precisamos continuar atiçando a chama do amor di-
vino por meio da leitura das Escrituras, de música edificante e de
oração freqüente. Também devemos evitar as coisas que obviamente
sufocam o Espírito Santo. Quando você convida o amor de Deus a
preencher seus espaços vazios a cada dia e se certifica de que não está
impedindo esse processo, Deus começa a satisfazer você mais do que
a mais saborosa refeição!
Coloco em prática o que estou pregando aqui quase todos os dias.
Começo o dia com a palavra de Deus. Em algum momento, no meio
de meu momento de devocional matutina com Deus, peço a ele que
atenda os meus anseios e preencha meus espaços vazios com seu
amor pródigo e infalível. Isso me dá a liberdade de não depender da
aprovação dos outros e de não precisar pedir a eles que me “comple-
tem”. Assim, quando alguém usa seu tempo para demonstrar amor
por mim, é uma maneira de transbordar! Sou livre para apreciar e
aproveitar isso, mas não dependo emocionalmente disso!
Consegue ver como o amor de Deus proporciona a liberdade?
Eu não fui apenas libertada; agora posso liberar os outros da obriga-
ção de me estimular emocionalmente o tempo todo. Aleluia! Onde o
Espírito do pródigo amor do Senhor está presente, ali há liberdade!
Experimente e veja!

A oração que liberta - novo form248 248 18/11/2008 13:07:39


A plenitude do amor que nunca falha 249

Se algum cristão não sente satisfação em Deus, então há algum


impedimento; queremos identificá-lo e pedir ao Senhor que o remo-
va. Via de regra, o principal obstáculo à satisfação em nossa vida é a
recusa em permitir a Deus o acesso aos nossos lugares vazios.

A oração que liberta - novo form249 249 18/11/2008 13:07:39


T R I N TA E S E I S

A INCAPACIDADE DE CRER
NO INFALÍVEL AMOR DE DEUS
Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito,
para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna
João 3:16

A credito que a noiva de Cristo, a Igreja formada por


todos os que crêem, esteja doente. Ela está pálida e
frágil. Não por causa do julgamento. Não por causa da negligência.
Não por falta do que comer ou beber. A carne da palavra de Deus
e a água de seu Espírito Santo estão à disposição. Não por causa da
batalha. Ela foi ferida pelo inimigo, mas ele não é o único responsá-
vel pela doença da Igreja. Ele só está aproveitando a oportunidade.
O mal que a aflige vem de dentro. A noiva de Cristo está doente por
causa da incredulidade. Não reconhecemos a doença porque a maio-
ria de nós já sofreu com isso por toda a vida.
Há muitos anos, comecei a notar que meu nível de energia estava
mais baixo do que o normal. Quando me convenci de que havia al-
guma coisa errada, tive um arroubo de energia e cheguei à conclusão
de que estava imaginando coisas. Por fim, fiz um exame de sangue.
Naquele dia, mais tarde, contei a uma amiga como estava com raiva
de mim por ter gastado o dinheiro naquele exame. “Estou bem! De
vez em quando, fico um pouco cansada, mas é tudo. Gostaria de não
ter dado essa despesa.”

A oração que liberta - novo form250 250 18/11/2008 13:07:39


A incapacidade de crer no infalível amor de Deus 251

Naquela noite, o médico chamou. Ele imediatamente me man-


dou repousar por duas semanas, diagnosticando um caso delicado
de mononucleose.
Continuei perguntando a ele se tinha certeza do que estava di-
zendo: “Não estou me sentindo tão mal assim. Só estou cansada!”.
Alguns meses depois, eu não conseguia acreditar em como estava me
sentindo bem. Estava doente fazia tanto tempo que nem lembrava
mais como era viver com saúde em perfeitas condições!
Acredito que a Igreja sofre de um caso tão grave de increduli-
dade que já perdeu as forças. Além disso, a doença existe há tanto
tempo que perdemos a noção da fé autêntica. Os cristãos mais saudá-
veis que você encontrará não serão aqueles com psiques perfeitas,
mas os que recebem uma dose diária da palavra de Deus e optam por
crer que ela funciona!
Quando comecei minhas pesquisas e orei a respeito deste estudo
bíblico, senti que Deus repetia o tempo todo uma palavra em meu
coração: “incredulidade”. Incredulidade! Continuei sentindo ele di-
zer: “O problema de meu povo é a incredulidade!”. Na época, achei
que essa palavra fosse uma mensagem separada do material que ele
estava começando a me entregar para A oração que liberta. Por fim,
captei a mensagem! A fé é pré-requisito absoluto para a libertação!
No início de nosso estudo, conversamos sobre a importância de re-
mover a pedra da incredulidade geral; agora quero conversar com
você sobre uma área específica e debilitante da incredulidade.
Recebo o tempo todo a seguinte declaração em meu e-mail: “Te-
nho grande dificuldade em acreditar e aceitar, de fato, que Deus me
ama tanto”. Por isso, comecei a perguntar ao Senhor: “Deus, por que
encontramos tanta dificuldade para crer no seu amor por nós e acei-
tá-lo?”. Ofereci a Deus as respostas em múltipla escolha meu próprio
questionamento: “Será que é por causa de nosso histórico de vida?
Das mágoas da infância? Dos ensinamentos ruins que recebemos?

A oração que liberta - novo form251 251 18/11/2008 13:07:39


252 A oração que liberta

Das pessoas sem amor que nos cercam?”. Eu continuaria oferecen-


do alternativas sem parar, até que o Senhor pareceu me interromper
— e ele teve a audácia de não marcar nenhuma das respostas que
ofereci.
De maneira tão clara quanto o som de um sino, Deus falou ao
meu coração por intermédio do Espírito Santo e disse: “A resposta
a sua pergunta é o pecado da incredulidade”. Tal pensamento jamais
passara por minha cabeça. Desde então, nunca mais a deixou. Acom-
panhe meu raciocínio por alguns momentos. Suponhamos que eu
tenha ouvido a voz de Deus corretamente. (Com certeza, já o in-
terpretei de maneira equivocada antes!) Por que você acha que não
acreditar no amor pessoal e pródigo de Deus seria um pecado?
Permita-me responder usando uma ilustração. Por muitas razões,
tenho certeza absoluta de que Keith me ama. Ele me diz isso muitas
vezes por dia. E demonstra de todas as maneiras possíveis. Ele diz
que pensa em mim com freqüência durante o dia. Sei que é verdade
porque ele me liga pelo menos uma ou duas vezes por dia do traba-
lho. Ele testifica seu amor por mim aos outros. Não raro, converso
com alguém que viu Keith e logo comenta: “Aquele sujeito parece
mesmo amar a esposa”. Um amigão dele disse, certa vez:
— Vou contar uma coisa a você, Keith: minha esposa é ótima
cozinheira.
Keith olhou para mim, pensou nas coisas que faço na cozinha e
não teve muita certeza do que deveria responder! Por fim, falou:
— Bem, minha cozinheira é ótima esposa!
Desde então, rimos muito desse episódio.
Keith demonstra seu amor por mim ao me dizer quando acha
que estou errada. Ele me ama o suficiente para me impedir de dizer
ou fazer alguma coisa tola. Se você é casada e seu cônjuge não é tão
amoroso assim, não precisa se desesperar! Permita-me relembrar que
Deus, em sua graça, livrou a mim e a Keith de assinar os papéis de
divórcio por várias vezes. Não desista! Deus pode operar milagres!

A oração que liberta - novo form252 252 18/11/2008 13:07:39


A incapacidade de crer no infalível amor de Deus 253

Acabei de citar algumas razões pelas quais tenho a convicção do


amor de uma pessoa por mim. Por isso, posso apresentar evidências
do amor pródigo de Deus. A seguir, a minha lista:

Deus nos diz que nos ama

Mas foi porque o Senhor os amou e por causa do juramento que fez
aos seus antepassados. Por isso ele os tirou com mão poderosa e os
redimiu da terra da escravidão, do poder do faraó, rei do Egito.
Deuteronômio 7:8

Tu és bondoso e perdoador, Senhor, rico em graça para com todos


os que te invocam.
Salmos 86:5

... se violarem os meus decretos e deixarem de obedecer aos meus


mandamentos, com a vara castigarei o seu pecado, e a sua iniqüidade
com açoites; mas não afastarei dele o meu amor; jamais desistirei da
minha fidelidade.
Salmos 89:31-33

A palavra de Deus está repleta de proclamações de amor por você!


Ele se certificou de registrar esse amor em sua Palavra de maneira que
você nunca tivesse de esperar por um telefonema. Você pode ouvir
Deus proclamar seu amor a cada vez que abre a Bíblia. Quando se sen-
tir só, deleite-se nas proclamações do amor infalível de Deus por você!

Deus demonstra seu amor por nós


Talvez você seja amado por alguém que não costuma demonstrar os
sentimentos. Muita gente tem dificuldade em manifestar afeto, mas
lembre-se de que Deus não é como nós. A demonstração de afeição

A oração que liberta - novo form253 253 18/11/2008 13:07:39


254 A oração que liberta

é própria da natureza tanto do amor chesed (palavra hebraica para o


amor divino) quanto do amor ágape (termo em grego para o amor
de Deus). Pelo fato de Deus ser amor, ele não pode deixar de manifes-
tá-lo — mesmo que, às vezes, ele o faça por meio da disciplina. Ele nos
ama através da bênção, da oração respondida, da disciplina amorosa, do
cuidado constante, da intervenção e de muito mais.

Deus pensa nesse amor o tempo todo


Em João 17:24, Jesus afirma: “Pai, quero que os que me deste estejam
comigo onde eu estou...”. Acredito que o céu será o paraíso porque ele
estará lá, mas Deus acha que o céu será o paraíso porque você estará
lá. Um verso de uma canção expressa bem essa verdade: “Quando ele
estava na cruz, eu estava em sua mente”. Não importa a que horas da
noite você acorde e se dê conta disso, naquele momento Deus estará
pensando em sua vida.

Deus testifica diante de todos o amor que sente por você


Esse conceito é novo para você? Leia o texto de João 17:23 e veja
quanto o Senhor ama seus filhos: “... tu me enviaste, e os amaste
como igualmente me amaste”. Cristo quer que o mundo inteiro saiba
que Deus ama a mim e a você tanto quanto ama seu Filho unigênito!
Deus se orgulha do amor que sente por você!
Por que temos tanta dificuldade em acreditar no amor de Deus
e aceitá-lo? Essa pergunta ficou mais difícil de responder agora, não
acha? Veja bem, a incredulidade, no que diz respeito ao amor de
Deus, é como um tapa no rosto do Senhor. O mundo veio a existir a
partir do fundamento do amor de Deus. Ele garantiu seu amor por
nós na cruz. Consegue imaginar a tristeza que lhe causa nossa incre-
dulidade depois de tudo o que ele fez?
Você pode alegar: “Mas não consigo sentir como se Deus me
amasse, mesmo que eu tente”. A fé não é um sentimento. É uma es-

A oração que liberta - novo form254 254 18/11/2008 13:07:39


A incapacidade de crer no infalível amor de Deus 255

colha. Podemos viver muitos dias sem nos sentirmos amados; con-
tudo, a despeito de nossas emoções, podemos optar por aceitar o que
a Palavra diz sobre Deus.
Aí você diz: “Isso é porque você não tem a menor idéia das coi-
sas pelas quais eu passei!”. Por favor, ouça o meu coração. Sou com-
pletamente compassiva, pois também fui magoada por pessoas que
supunha me amarem. Mas permita-me dizer uma coisa: ninguém
jamais conseguiu lhe demonstrar falta de amor mais do que Deus se
esforçou para mostrar como ama você.
Se for necessário, faça uma lista de motivos pelos quais se con-
venceu de que ninguém poderia amar você de verdade. Em seguida,
faça outra lista com as formas pelas quais Deus mostrou que ama
você. Nenhuma lista pode ser comparada à do Senhor. Irmã e ir-
mão em Cristo, sigamos o nosso caminho rumo à vida de fé genuína.
Igreja, levante-se de seu leito de incredulidade. Como começamos?
Com arrependimento por causa de nossa falta de fé. Em seguida,
clamamos com o homem de Marcos 9:24: “Creio, ajuda-me a vencer
a minha incredulidade!”

A oração que liberta - novo form255 255 18/11/2008 13:07:39


T R I N TA E S E T E

O FRUTO DO AMOR QUE NUNCA FALHA

Semeiem a retidão para si, colham o fruto da lealdade, e façam sulcos


no seu solo não arado; pois é hora de buscar o Senhor, até que ele
venha e faça chover justiça sobre vocês.
Oséias 10:12

A queles que crêem que Deus ama são diferentes dos


outros. Veja de que maneira o amor do Senhor in-
fluenciou a vida de personagens estratégicos das Escrituras. Espero
que você considere essas razões suficientemente convidativas para
desejar estar entre aqueles que escolhem aceitar o que a palavra de
Deus diz a respeito dele e de seu amor.
Moisés registrou sua convicção de que, em seu amor infalível, o
Senhor guiaria seu povo à “santa habitação” (Êx 15:13). Davi escre-
veu que “a bondade do Senhor protege quem nele confia” (Sl 32:10).
Depois da destruição de Jerusalém, Jeremias reconheceu que, “em-
bora ele traga tristeza, mostrará compaixão, tão grande é o seu amor
infalível” (Lm 3:32). O apóstolo Paulo escreveu: “... pelo grande amor
com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estáva-
mos mortos em transgressões...” (Ef 2:4-5).
Efésios 5:1-2 fala sobre o efeito do amor de Deus sobre seus filhos:
“... como filhos amados [...] vivam em amor, como também Cristo
nos amou...”. Deus nos chama para agir como os filhos amados que

A oração que liberta - novo form256 256 18/11/2008 13:07:39


O fruto do amor que nunca falha 257

somos. Dedique algum tempo à reflexão sobre essa admoestação.


Para compreender melhor, tracemos um paralelo entre os filhos de
Deus e os filhos de pais terrenos.
Não precisamos de um diploma em Desenvolvimento da Infância
para imaginar quão diferentes as crianças se sentem e comportam
quando se consideram ou não amadas de fato. Em minha experiên-
cia familiar, Deus me ensinou duas coisas:

1. Ele é o único que pode amar alguém de modo pleno.


2. Mesmo sendo todo-poderoso, ele se recusa a obrigar as pes-
soas a aceitar seu amor.

Podemos identificar inúmeras semelhanças entre os pais terrenos


e Deus, mas devemos reconhecer uma diferença importante. Às ve-
zes, os pais terrenos não amam ou não conseguem demonstrar amor
de maneira adequada. Deus, porém, não é humano. Não podemos
criar amor divino à nossa imagem!
Deus ama com perfeição. O amor divino se expressa de modo ver-
bal e palpável. Ele equilibra a bênção e a disciplina. O amor do Senhor
é infalível, por isso, toda vez que temos a impressão de não sermos
amados por ele, nossa percepção se equivocou. Qualquer percepção
que tenhamos de Deus incompatível com a verdade das Escrituras
e com o que elas dizem a respeito do caráter do Senhor é uma
mentira.
Quando percebemos que estávamos acreditando em uma men-
tira, nossos laços enfraquecem. Em momentos assim, devemos orar
mais ou menos desta maneira:

Eu posso não me sentir amado(a) ou querido(a), mas a sua Palavra,


Deus, diz que o senhor me ama tanto que entregou seu Filho por
mim. Não sei por que continuo não me sentindo amado; contudo,

A oração que liberta - novo form257 257 18/11/2008 13:07:40


258 A oração que liberta

neste momento, escolho acreditar na verdade da sua Palavra. Re-


preendo as tentativas do inimigo de me fazer duvidar de seu amor,
Senhor. Também oro por perdão pelo pecado da incredulidade. Aju-
de-me a superá-la, Deus.

A libertação de longo prazo ocorre quando acompanhamos o Se-


nhor em uma jornada para 1) identificar o problema, 2) derrubar as
fortalezas e 3) continuar a caminhar na verdade. O primeiro passo é
instantâneo. O segundo e o terceiro representam um processo, pois
conhecer o Deus que cura é mais importante do que a cura em si.
Vamos dedicar o restante de nossa lição ao exame do fruto do amor
infalível de Deus, analisando o filho descrito em Efésios 5:1-2, que
sabe ser grandemente amado pelo Pai.

O filho de Deus que confia no amor do Pai tem a segurança da


liderança divina
Êxodo 15:13 afirma: “Com o teu amor conduzes o povo que resga-
taste”. Deus nos promete que não seremos abandonados nem deixa-
dos sem rumo antes de entrarmos no céu. De acordo com Jeremias
29:11, o Senhor conhece os planos que tem para nós. Ele guia aqueles
que resgatou para que cumpram esse plano maravilhoso. Que conso-
lo saber que os lugares por onde Deus escolhe nos guiar sempre são
definidos a partir de seu amor infalível.

O filho de Deus que confia no amor do Pai tem a segurança da


salvação
Deus nunca deixará de amar. Adoro os salmos como o de número 13,
onde Davi pergunta ao Senhor, com ousadia: “Até quando, Senhor?
Para sempre te esquecerás de mim? Até quando esconderás de mim
o teu rosto?” (v. 1). Podemos derramar a frustração de nosso coração
com coragem, pois sabemos que o pai não nos rejeitará.

A oração que liberta - novo form258 258 18/11/2008 13:07:40


O fruto do amor que nunca falha 259

O filho de Deus que confia no amor do Pai tem a segurança da


misericórdia divina
Em Salmos 51:1, o rei Davi clamou: “Tem misericórdia de mim, ó
Deus, por teu amor”. Por favor, assimile esta verdade: Deus não pode
ser imparcial em relação a você. O Senhor não pode simplesmente
colocar o amor que tem por seus filhos de lado e tomar uma deci-
são objetiva. Se você se tornou um filho ou uma filha da aliança de
Deus, ele passa a enxergar a sua vida sob o ponto de vista de um Pai
amoroso.

O filho de Deus que confia no amor do Pai tem a segurança do


consolo do Senhor
Salmos 119:76 diz: “Seja o teu amor o meu consolo, conforme a tua
promessa ao teu servo”. Sendo assim, qual é o nosso consolo na mor-
te? O amor infalível de Deus. Qual é o seu conforto na vida — vez ou
outra, mais difícil que a morte? O amor infalível de Deus.

O filho de Deus que confia no amor do Pai tem a segurança de


que o Senhor o defende
Em Salmos 143:12, o rei Davi diz: “E no teu amor leal, aniquila os
meus inimigos; destrói todos os meus adversários, pois sou teu ser-
vo”. Quando o seu coração pertence a Deus, seus inimigos se tornam
inimigos do Senhor também. Ele toma para si todas as coisas erradas
que fazem a você. Deus defende a sua causa (Lm 3:59). Você percebe
que, se nosso coração for humilde e reto diante de Deus, podemos
entregar nas mãos dele todos os conflitos e os inimigos que se levan-
tam contra nós?
Nossa lista poderia prosseguir sem parar. Na verdade, incentivo
você a procurar todos os versículos que fazem menção ao amor infa-
lível de Deus, a meditar neles e crer no que afirmam!

A oração que liberta - novo form259 259 18/11/2008 13:07:40


A oração que liberta - novo form260 260 18/11/2008 13:07:40
PARTE VI

LIBERDADE E GLÓRIA

E stamos nos aproximando do clímax de nossa jornada.


Não é o fim, mas o início de uma caminhada maior e
mais plena com Deus. O benefício número 5 aponta para o mara-
vilhoso marco de nosso destino: a terra onde nos tornaremos um
reflexo da glória divina. O país cujos habitantes têm um traço em
comum: todos eles se deleitam na presença do Rei.
Dá para imaginar isso — viver plenamente a vida que Deus plane-
jou para você? O que mais poderia retratar de modo tão grandioso a
verdadeira liberdade? Ser verdadeiramente livre significa: Conhecer
Deus e crer nele; glorificar Deus; encontrar satisfação em Deus; ex-
perimentar a paz de Deus; sentir a presença de Deus.
Decore a promessa do benefício número 5 em Isaías 43:2-3.

Quando você atravessar as águas, eu estarei com você; quando


você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar
através do fogo, não se queimará; as chamas não o deixarão em
brasas. Pois eu sou o Senhor, o seu Deus, o Santo de Israel, o seu
Salvador; dou o Egito como resgate para livrá-lo, a Etiópia e Sebá
em troca de você.

A oração que liberta - novo form261 261 18/11/2008 13:07:40


A oração que liberta - novo form262 262 18/11/2008 13:07:40
T R I N TA E O I T O

UMA VISÃO A PARTIR DAS COISAS VELHAS

Tu, Senhor, guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está


firme, porque em ti confia.
Isaías 26:3

A libertação das cadeias é coisa muito séria. Um estudo


aprofundado e a aplicação deliberada da verdade não
são apenas úteis, mas uma necessidade absoluta para aqueles que op-
tam pela liberdade. Conquistamos a vitória no campo de batalha da
mente.
Repare, em Isaías 26:3, a inclusão da confiança na vida daquele
que possui um propósito firme. Apenas um coração que sabe confiar
se aproximará de Deus de modo honesto para apresentar as lutas
secretas da mente. Quando oferecemos um coração confiável e uma
mente honesta e aberta a Deus, a renovação segue seu curso. Pelo
poder do Espírito Santo, oro para que sejamos capazes de realizar
três objetivos principais nesta parte de nosso estudo:

1. Pesquisar o conceito de propósito firme das Escrituras.


2. Ilustrar, com um processo que cinco passos, como desenvol-
ver um propósito firme.
3. Aprender a aplicar esse processo de cinco passos com prati-
camente todo tipo de fortaleza do mal.

A oração que liberta - novo form263 263 18/11/2008 13:07:40


264 A oração que liberta

Resista à tentação de pegar qualquer tipo de atalho! Acredito que


os próximos capítulos serão um marco sobrenatural, um momento
de virada para todos os que tiram proveito do que aprendem. Faça
uma pausa e peça a Deus que lhe conceda uma percepção profunda
da Palavra.
Poucos temas bíblicos são mais controversos que guerra espiri-
tual e o campo de batalha da mente. Muitos eventos e passagens das
Escrituras demonstram que Satanás lida diretamente com a mente
humana. Na parábola dos solos, Jesus disse que Satanás vem e rouba
a Palavra semeada no coração de algumas pessoas (Mc 4:15).
Na história de Ananias e Safira, Pedro afirmou que Satanás ha-
via enchido o coração daquele casal para que mentissem ao Espírito
Santo. Paulo fez um alerta: Satanás procura desviar a mente do cris-
tão (2Co 11:3). Não há dúvida de que Satanás quer nos cativar no
nível do pensamento. Devemos usar as Escrituras para vencer nesse
campo de batalha que é a mente humana. Neste capítulo, vamos pes-
quisar os significados hebraicos em Isaías 26:3. No seguinte, analisa-
remos os significados gregos contidos em 2Coríntios 10:3-5.
Com muita atenção, leia novamente as palavras de Isaías: “Tu,
Senhor, guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está firme,
porque em ti confia” (26:3).

Parte 1: “Tu, Senhor, guardarás...”


Satanás é astuto. Nosso conhecimento não basta para nos manter
protegidos. O que eu e você precisamos é de um vigia montando
guarda sobre os muros de nossa mente. Aqui está a boa notícia: temos
alguém que é capaz e está disposto a fazer isso, desde que firmemos
nossa mente nele. Em Isaías 26:3, a palavra em hebraico para “guar-
dar” é nasar, e significa “tomar conta”, “proteger”, “manter”, “usado
para denotar a guarda de uma vinha [...] e uma fortaleza. Aqueles
que exerciam essa função eram chamados “vigias”.

A oração que liberta - novo form264 264 18/11/2008 13:07:40


Uma visão a partir das coisas velhas 265

O salmo 139 deixa bem claro que Deus nos conhece por completo.
Por essa razão, ele é o candidato perfeito à função de vigia de nossa
mente. Não é de admirar que o salmo termine com as palavras: “Son-
da-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as mi-
nhas inquietações. Vê se em minha conduta algo te ofende” (v. 23-24).
Estamos falando de coisa muito séria. Romanos 1:28-32 ensina que
render nossa mente a Deus não é apenas um meio de alcançar vitória
mais consistente, é uma salvaguarda contra a depravação da mente.
Podemos persistir por tanto tempo em nosso raciocínio obstinado e
errado a ponto de o Senhor nos entregar a nossos próprios desejos.

Parte 2: “... em perfeita paz...”


Antes de determinarmos o que essa parte do versículo quer dizer, va-
mos deixar bem claro o que ele não quer dizer. Isaías 26:3 não diz que
Deus nos dará mentes perfeitas se permanecermos firmes nele, e sim
que o Senhor concederá perfeita paz a nossas mentes imperfeitas. O
termo em hebraico traduzido para “perfeita paz” pode lhe parecer
familiar. Shalom significa...

... “estar a salvo”, “ser completo” [...] Como adjetivo, significa “bem”,
“em paz”, “pleno”, “seguro” [...] “amigável”, “saudável”, “são” [...] Embo-
ra shalom possa significar a ausência de contendas, geralmente quer
dizer muito mais. Essencialmente, denota condição de satisfação, um
estado de tranqüilidade, uma sensação de bem-estar. É usado ao se
referir a um relacionamento próspero entre duas ou três partes.

Deus é fiel a sua Palavra. Se você permanecer firme nele, inevita-


velmente encontrará uma dupla paz. Tanto o reino de Deus quanto
você serão edificados. Tão certo quanto o reino de Deus prospera
quando estamos firmes no Senhor, nosso coração e a nossa mente
também são beneficiados.

A oração que liberta - novo form265 265 18/11/2008 13:07:40


266 A oração que liberta

Parte 3: “... aquele cujo propósito está firme...”


A palavra em hebraico para “mente” é yetser. O termo soa como
aquilo que eu e meus irmãos deveríamos dizer toda vez que nosso
pai, um major do exército, nos mandava fazer alguma coisa. A mente
é, com certeza, a área onde decidimos se diremos “sim, Senhor” ou
“não, Senhor” toda vez que nosso Pai celestial nos manda fazer algo!
Yetser significa “estrutura”, “padrão”, “imagem”; “concepção”, “imagi-
nação”, “pensamento”; “dispositivo”; “é o que se forma na mente (por
exemplo, planos e propósitos)”.
Preste muita atenção na palavra “estrutura” na definição do he-
braico yetser. As implicações do uso dessa palavra devem ser com-
preendidas muito mais em termos de uma moldura de quadro do que
em nossa estrutura física ou corpo. De maneira geral, nossa mente
trabalha no sentido de emoldurar cada circunstância, cada tentação
e cada experiência pelas quais passamos. Vemos os acontecimentos a
partir de nossa perspectiva e de nosso contexto.
Você já reparou como duas pessoas podem ver a mesma expe-
riência de maneiras tão diversas? Elas colocam o acontecimento em
molduras diferentes e agem de acordo com isso. Nossa reação depen-
de de como emolduramos o evento.
Procure se lembrar de uma crise em seu lar. Talvez um monte de
gente tenha sido afetado, mas é provável que você tenha notado
a diferença entre as reações e as respostas. Veja bem, a mente de
cada pessoa trabalha de um modo distinto para emoldurar a mesma
situação. Com freqüência, potencializamos o sofrimento muito
mais em razão da maneira como emolduramos os acontecimen-
tos do que pelos eventos em si. Vamos fingir que já vencemos a
batalha contra a mente: como você emolduraria essa situação em
particular?
A definição original para a palavra “firme” nos ajudará a deter-
minar se estamos na trilha certa ou não. Samak significa “sustentar”,

A oração que liberta - novo form266 266 18/11/2008 13:07:40


Uma visão a partir das coisas velhas 267

“ser fixado”, “se apoiar”. Uma parte da definição traça um maravilho-


so quadro que nos ajuda a visualizar a firmeza na vida em Deus: “se
apegar”. Quando as tentações e os pensamentos confusos surgem, os
cristãos firmes optam por se apegar à palavra de Deus, sabendo que
ela é a verdade.
Quando descobri essa definição, lembrei-me de um período no
qual havia sido magoada por uma pessoa bem próxima a mim. A
dor em meu coração era como se ele tivesse sido atravessado por
um ferro incandescente. Meus pensamentos ficaram confusos. Eu
sabia que a única maneira de batalhar contra as mentiras do inimi-
go seria me apegar com firmeza à verdade. Descobri que, durante o
dia, poderia ler ou citar algum versículo das Escrituras quando meus
pensamentos começassem a me derrotar; a noite, porém, parecia um
desafio totalmente diferente. Era depois do pôr-do-sol que eu sofria
os piores ataques.
Correndo o risco de ser considerada meio maluca (já me cha-
maram de coisa pior), vou contar a você o que eu fazia durante o
período mais intenso da batalha. Quando ia para a cama à noite, eu
buscava o trecho bíblico que falasse a verdade a respeito de minhas
circunstâncias. Literalmente, deitava a cabeça sobre a Bíblia aberta
até dormir. O Espírito Santo nunca deixou de me dar conforto e alí-
vio. Se a minha ação não estivesse impregnada de fé, não teria muito
propósito; no entanto, pelo fato de eu crer que Deus cumpriria, em
termos espirituais, aquilo que minha postura simbolizava, o inimigo
não era capaz de me derrotar.
Vamos concluir com uma breve análise da parte final de Isaías 26:3.

Parte 4: “... porque em ti confia”


A palavra em hebraico para “confiar” é batach, cujo significado é
“prender-se”, “confiar-se a alguém”, “sentir-se a salvo”, “ser confiante
e seguro”. Imagine uma criança pequena com a mãe ou o pai. Quero
confiar em Deus como essa criança confia nos pais.

A oração que liberta - novo form267 267 18/11/2008 13:07:40


268 A oração que liberta

Ao concluirmos este capítulo, é bom refletirmos a respeito de um


fato importante: aqueles que nunca entregaram o coração totalmen-
te a Deus são menos propensos a expor as fissuras mais profundas
e tenebrosas de sua mente. Que tal concluir este capítulo com uma
oração, pedindo ao Senhor uma confiança mais profunda, de manei-
ra que sua mente se torne mais aberta para Deus trabalhar nela com
mais liberdade? Lembre-se: o plano divino é “de fazê-los prosperar e
não de lhes causar dano...” (Jr 29:11). Convide o Pai para ser o vigia
sobre os muros de sua mente.

A oração que liberta - novo form268 268 18/11/2008 13:07:40


T R I N TA E N O V E

UMA VISÃO A PARTIR DAS COISAS NOVAS

Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os


padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas;
ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas.
Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta
contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo
todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.
2Coríntios 10:3-5

N o capítulo anterior, analisamos a firmeza da mente sob


a perspectiva do Antigo Testamento, em Isaías 26:3.
Vamos comparar essa maravilhosa passagem bíblica com a pers-
pectiva do Novo Testamento, em 2Coríntios. Enquanto as palavras
do profeta Isaías emanam frescor e segurança, as do apóstolo Paulo
são fortes como um soco. Deus inspirou esses dois homens a abor-
dar, em essência, a mesma questão, só que Paulo resolveu fazer isso
usando um par de luvas de boxe. A partir de agora, vamos examinar
o que temos a dizer sobre 2Coríntios 10:3-5.

Parte 1: “... poderosas em Deus para destruir fortalezas” (v. 4)


A palavra em grego para “destruir” é kathairesis, que significa “demo-
lição”, “destruição de uma fortaleza”. O termo original para “fortale-
za” vem da palavra echo, que significa “fixar”. O derivativo ochuroma
quer dizer “fortaleza”, “fortificação”, “castelo”. “É usado metaforica-
mente para se referir a fortes argumentos e justificativas em que uma
pessoa confia.” Você pode pensar nesse termo da seguinte maneira:

A oração que liberta - novo form269 269 18/11/2008 13:07:40


270 A oração que liberta

uma fortaleza é qualquer coisa na qual nos agarramos e que, no fim,


acabam nos aprisionando.
Ora, vamos analisar o que Paulo queria dizer quando falou so-
bre a demolição de fortalezas. A palavra demolir sugere um tipo de
destruição que requer um tremendo poder — poder divino, para
ser mais preciso. Em grande parte, a razão pela qual os cristãos per-
manecem carregando um fardo de escravidão é porque atacamos as
nossas fortalezas como se fossem mosquitos.
Elas são como castelos de concreto que construímos à nossa volta,
bloco por bloco, geralmente ao curso de anos. Nós os criamos, mes-
mo que nem sempre tenhamos noção disso, para garantir proteção
e conforto. Lembra-se dos abrigos na época de Gideão? No entanto,
essas fortalezas inevitavelmente se transformam em prisões. Em de-
terminado momento, percebemos que deixamos de controlá-las; elas
passaram a nos controlar.
Os esforços humanos são inúteis na tentativa de destruí-las. Por
maior que seja a nossa disciplina ou determinação, não será sufi-
ciente para derrubá-las. Fortalezas satânicas exigem ação divina
para serem demolidas. Disciplina e determinação são fatores im-
portantes para quem abre a vida para o poder sobrenatural do Se-
nhor, mas apenas ele pode prover a dinamite divina para destruir
uma fortaleza.
No ano passado, tive o privilégio de refazer o caminho das viagens
do apóstolo Paulo na Grécia e em Roma. Quando parei diante da an-
tiga Corinto, contemplando as ruínas do que fora uma cidade muito
próspera, vi uma fortaleza à distância, no alto da montanha mais alta.
Pedi à guia que identificasse aquela estrutura. Ela respondeu:

Trata-se de uma fortaleza antiga. Praticamente todas as antigas cida-


des da Grécia tinham uma fortaleza ou um castelo no alto do monte
mais alto de sua vizinhança. Em tempos de guerra, eram considera-

A oração que liberta - novo form270 270 18/11/2008 13:07:40


Uma visão a partir das coisas novas 271

das praticamente impenetráveis e inacessíveis. Era o lugar onde os


governantes das cidades se abrigavam em períodos de grande risco.

Fiquei impressionada. Eu estava olhando para a mesma fortaleza


que o apóstolo Paulo usou como analogia quando escreveu essas pa-
lavras ao povo de Corinto. Conforme contemplava aquela fortaleza,
ainda imponente sobre o topo da montanha depois de tantos sécu-
los de destruição que aniquilaram as edificações a sua volta, entendi
por que o exército inimigo desistia. Infelizmente, costumamos fazer
a mesma coisa. Minha oração é para que cada um de nós seja capaz
de dizer: “Para mim, chega!”.
Lembre-se: o poder de Satanás vem de sua capacidade de blefar.
Quando conhecemos a verdade e sabemos como usá-la, o inimigo
perde seu poder. Volte um pouco e veja a última coisa que aquela
guia me disse. Ela descreveu a fortaleza como um lugar de abrigo...
em tempos de grande risco, de insegurança.
Pense em uma fortaleza que tenha precisado enfrentar. Até que
ponto a insegurança desempenhou um papel importante nesse
processo?
Sem dúvida alguma, a insegurança desempenhou um papel im-
portante nas fortalezas que o inimigo construiu em minha vida.
Uma das partes mais importantes nesse processo de aprender a viver
de modo vitorioso tem sido a capacidade de discernir os sinais de
insegurança do coração. Aprendi a intensificar bastante a minha vida
de oração e os momentos de dedicação à palavra de Deus em épocas
nas quais a minha segurança é ameaçada.
Um caso exemplar aconteceu com a perda de minha preciosa
mãe. Eu sabia que, mesmo durante o período de luto, seria tolice
negligenciar a palavra de Deus ou evitar os momentos de oração.
Ainda que eu não conseguisse fazer mais nada além de chorar, pelo
menos estava tão perto de Deus que Satanás não poderia erguer

A oração que liberta - novo form271 271 18/11/2008 13:07:40


272 A oração que liberta

uma barreira entre nós. Nem sempre reagi corretamente em tem-


pos de insegurança, mas quando isso aconteceu Satanás não obteve
êxito algum.

Parte 2: “Destruímos argumentos e toda pretensão...” (v. 5)


A palavra em grego para “argumentos” é logismos, que significa “ava-
liação”, “cálculo”, “análise”, “reflexão”. “Nos escritores gregos clássicos,
[logismos era] usado para se referir à análise e à reflexão que pre-
cediam e determinavam a conduta.” Esses argumentos constituem
nossas racionalizações para as fortalezas que continuamos a manter
na vida.
Temos desculpas para não submeter todas as áreas de nossa vida
à autoridade de Cristo. Você tem várias. Eu também tenho. Nunca se
esqueça de que Satanás persiste onde uma fortaleza existe. Ele forne-
ce uma lista interminável de desculpas para as coisas que fazemos ou
nos recusamos a fazer.
Você consegue imaginar uma desculpa ou justificativa que não
exerça mais poder sobre a sua vida? Caso consiga, nunca se esqueça
de que o mesmo Deus que veio em seu socorro antes voltará para
ajudar outra vez! Você pode achar que os obstáculos atuais são imen-
sos, mas posso assegurar que Deus não pensa da mesma maneira.
Ele é todo-poderoso.
Vamos analisar outra palavra importante nessa parte do texto bí-
blico: “pretensão”. A palavra grega hupsoma significa “alguma coisa
exaltada, elevada, um lugar no alto [...] em sentido figurado, um ad-
versário arrogante, uma torre ou fortaleza elevada, construída com
arrogância pelo inimigo. Orgulho”. Acredito que, a partir dessa defi-
nição, podemos tirar três conclusões a respeito das fortalezas:

1. Toda fortaleza está relacionada a algo que exaltamos a uma


posição mais elevada que a de Deus em nossa vida.

A oração que liberta - novo form272 272 18/11/2008 13:07:41


Uma visão a partir das coisas novas 273

2. Toda fortaleza simula oferecer algo que supomos precisar:


ajuda, conforto, alívio do estresse ou proteção.
3. Toda fortaleza na vida de um cristão constitui uma tremenda
fonte de orgulho para o inimigo. Não se conforme com isso e pare de
dar ao inimigo essa satisfação.

Com freqüência, o inimigo nos induzirá a agir com arrogância,


evitando assim que as fortalezas sejam destruídas. A humildade é
um elemento necessário na mentalidade da pessoa preparada para
ser livre. Tenho um amigo que trabalha com alcoólicos por meio de
um ministério de doze etapas e de orientação cristã. Ele sempre faz
questão de enfatizar que o passo crucial rumo à sobriedade é a hu-
mildade. As palavras dele me lembram que, no corpo de Cristo, os
orgulhosos nunca são livres.

Parte 3: “... que se levanta contra o conhecimento de Deus...” (v. 5)


A palavra em grego para a expressão “se levanta” é epairo, que quer
dizer “içar, como a vela de uma embarcação [...] erguer os olhos, no
sentido de lançar um olhar de superioridade”. Quero levantar uma
questão que será enfatizada mais adiante neste livro: o objetivo de
Satanás é ser adorado. É isso que ele sempre quis.
O desejo de Satanás de ser adorado alimentou sua rebeldia con-
tra Deus. Se o Diabo não pode levar as pessoas a adorá-lo direta-
mente, ele atinge esse objetivo tentando-as a adorar outra coisa que
não seja Deus.
O Senhor criou os seres humanos para a adoração. Todo mundo
adora alguma coisa. Segundo a definição de epairo, o foco de nossa
adoração pode ser determinado pelo nosso olhar — o que ou quem
é o objeto de nosso foco principal. Não deixe escapar esta informa-
ção: aquilo que adoramos é também aquilo a que obedecemos. Veja a
primeira parte da definição: “içar, como a vela de uma embarcação”.
Qual é o propósito de uma vela em uma embarcação?

A oração que liberta - novo form273 273 18/11/2008 13:07:41


274 A oração que liberta

Tanto os argumentos quanto as velas podem servir como pro-


pulsores e norteadores da direção de uma embarcação. Espero que
você esteja distinguindo a evidência bíblica de algo que já conhece
por experiência pessoal: as fortalezas afetam o comportamento! O
inimigo não pode entrar em uma pessoa que crê. Somos selados pelo
Espírito Santo de Deus (Ef 1:13-14). O inimigo não pode nos obrigar
a fazer coisa alguma; só pode nos induzir. As fortalezas são as cordas
do jugo por meio do qual Satanás procura nos instigar.
Oséias 11:4 diz o seguinte a respeito de Deus: “Eu os conduzi com
laços de bondade humana e de amor”. Ao refletir a respeito de minha
história com Deus e de como ele é o único responsável por minha li-
berdade, quase vou às lágrimas quando leio esse versículo. Satanás, o
maior dos enganadores, também deseja nos guiar. Deus nos conduz
“com laços de bondade humana e de amor”. Satanás pressiona o jugo
em volta do pescoço das pessoas à medida que procura conduzi-las
com cordas de falsidade e rédeas de mentiras.
Dê uma olhada na última parte desse trecho: “... contra o conheci-
mento de Deus...”. Mais uma vez somos lembrados do motivo pelo
qual conhecer a verdade é a chave para a liberdade (Jo 8:32). Se
não conhecermos a palavra de Deus (o conhecimento dele mani-
festado a nós), mal conseguiremos reconhecer o que se levanta contra
o conhecimento do Senhor. Quanto mais conhecemos a palavra de
Deus, mais rapidamente reconhecemos as tentativas satânicas de es-
condê-la, içando sua vela bem na frente.

Parte 4: “... e levamos cativo todo pensamento...” (v. 5)


Por enquanto, só quero analisar o significado desse trecho. Mais tar-
de, dedicaremos um tempo para refletir em como devemos proceder
para levar nossos pensamentos cativos a Cristo — ou, como o pro-
feta Isaías conceituou, como praticarmos a “firmeza de propósito”.
A expressão “levar cativo” vem da palavra em grego aichmalotizo,

A oração que liberta - novo form274 274 18/11/2008 13:07:41


Uma visão a partir das coisas novas 275

que significa “‘prisioneiro’, ‘cativo’, ‘conduzir sob cativeiro’ [...] por


inferência, ‘subjugar’, ‘colocar sob submissão’”. O tempo verbal nessa
expressão sugere uma ação repetitiva e contínua.
Todo mundo deseja consertar as coisas bem rápido, mas Deus
está em busca de mudanças duradouras — o cristianismo como esti-
lo de vida. Ter uma mente bem firmada equivale a colocar em prática
essa firmeza. Eu e você temos sido há muito tempo controlados e
mantidos prisioneiros de pensamentos destrutivos, negativos e cor-
ruptos. Em vez disso, por meio do poder divino do Espírito Santo,
podemos levar nossos pensamentos cativos!

Parte 5: “... para torná-lo obediente a Cristo” (v. 5)


Deus deseja que sejamos vitoriosos. Não alcançamos a vitória con-
quistando o inimigo. Essa vitória chega por meio da rendição a
Cristo. Não conquistamos essa vitória pelo fato de não sermos de-
pendentes do inimigo, mas porque dependemos de Deus.
A estrada que leva à liberdade parece um paradoxo. Para expe-
rimentar vitória e liberdade, precisamos nos tornar cativos. Deve-
mos desenvolver a mente para que se torne cativa de Cristo. Nesta
vida, os mais livres são aqueles cuja mente é cativa de Cristo. A vida
vitoriosa se manifesta em pensamentos de vitória; e os pensamen-
tos vitoriosos surgem à medida que concentramos o foco em um
Deus vitorioso.
Essa lição aparentemente complicada é, na verdade, bem simples:
podemos nos deixar desviar pelas cordas de um jugo perverso ou ser
conduzidos à vitória pelas rédeas do amor divino. Temos um impor-
tante trabalho a fazer nos capítulos por vir. Lembre-se: essa guerra é
pela liberdade, e o campo de batalha é a mente.
Antes de começar a ler o próximo capítulo, por favor, dedique
um tempinho a mais para permitir que Deus purifique o seu coração
e ilumine a sua mente. A exortação de Josué aos filhos de Israel se

A oração que liberta - novo form275 275 18/11/2008 13:07:41


276 A oração que liberta

aplica muito bem a nós hoje em dia: “Josué ordenou ao povo: ‘San-
tifiquem-se, pois amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês’”
(Js 3:5). As maravilhas que Deus quer fazer em nosso futuro já estão
preparadas no presente.

A oração que liberta - novo form276 276 18/11/2008 13:07:41


Q U A R E N TA

DERRUBANDO OS LUGARES ELEVADOS

Os seus inimigos se encolherão diante de você,


mas você pisará os seus altos.
Deuteronômio 33:29

A nalisamos o conceito do Antigo Testamento sobre


a firmeza de propósito e o conceito do Novo Testa-
mento de mente cativa. Contudo, reunir informações não será de
grande proveito se não aprendermos a colocar tudo em prática. Nos
próximos três capítulos, estudaremos um processo composto de cin-
co etapas. As ilustrações a seguir retratam a jornada desde a escravi-
dão de nossos pensamentos até o ponto de levá-los cativos a Cristo.
Antes de examinarmos cada passo individualmente, dedique um
momento à análise das ilustrações a seguir para que possa começar a
formar o conceito do objetivo.

1. Reconheça o 2. Concorde
algoz. com Deus
P P
M E M E
E N E N
N S N S
T A T A
I M I M
R E R E
A N A N
S T S T
O O
S S

A oração que liberta - novo form277 277 18/11/2008 13:07:41


278 A oração que liberta

3. Acabe com
as mentiras
P
M E
E N
N S
A
T M
I
R E
A N
S T
O
S

4. Estabeleça 5. Submeta os
a verdade pensamentos
à verdade
V V
E E
R P E N S A- R V
D D E
R P E N S A-
A MENTOS A
D D D
A MENTOS
E E
D
E

O processo que vamos estudar pode ser aplicado a tudo ou a todos


que estejam submetendo nossos pensamentos à escravidão. Imagine
até que ponto o fato de ter sido vítima de um estupro poderia ter es-
cravizado sua mente e quase levado você à destruição. A compaixão
profunda flui de meu coração quando me dou conta de que muitos
leitores sabem disso por experiência pessoal. Caso não rendamos a
mente a Cristo, a perda de uma pessoa amada também pode nos
privar do luto e da tristeza apropriados e nos levar a uma vida inteira
de cativeiro angustiante. Lembre-se: Satanás joga sujo. Ele vibra com
cada coisa que tenha potencial de impedir você de centralizar seus
pensamentos em Cristo.
Nem todos os pensamentos que escravizam são resultado de ex-
periências dolorosas. Nossos pensamentos podem ser escravizados
por alguém ou alguma coisa que faz inflar nosso ego ou satisfaz os
apetites da carne. Colocando de maneira bem simples, pensamentos

A oração que liberta - novo form278 278 18/11/2008 13:07:41


Derrubando os lugares elevados 279

que escravizam são pensamentos dominadores — coisas nas quais,


com muita freqüência, você se flagra pensando.
Levar os pensamentos cativos a Cristo não significa que eles dei-
xam de ser nossos, mas que aprendemos a “pensar o pensamento”
à medida que ele se relaciona com Cristo e com quem somos nele.
Sempre pensarei em minha preciosa mãe; mas quando identifico es-
ses pensamentos com Cristo, eles me desesperam cada vez menos.
Eles não me controlarão. Parece impossível ou difícil demais para ser
atingido? Não desista. Fique comigo ao longo desse processo e creia
que Deus fará uma obra miraculosa em seu coração e em sua mente.
Vamos começar a estudar cada ilustração; elas nos ensinarão como
sair da condição de vencido para a de vencedor.

1. Reconheça o
algoz.
P
M E
E N
N S
T A
I M
R E
A N
S T
O
S

Esse desenho ilustra uma pessoa cristã aprisionada pelos pensa-


mentos dominadores. A cruz mostra que ela conhece a Cristo, mas
surgiu uma barreira entre ela e o Senhor. Na verdade, trata-se de
um obstáculo tão grande que se tornou seu algoz, e essa pessoa se
transformou em prisioneira. Os pensamentos dominadores se tor-
naram altares.
Você já reparou que não existe pequena desobediência? O des-
prezo às ordens de Deus sempre gera frutos amargos, cedo ou tarde.
Alguns dos reis de Israel até seguiam os caminhos do Senhor; ainda
assim, fracassaram no que diz respeito a derrubar os altares. No fim,

A oração que liberta - novo form279 279 18/11/2008 13:07:41


280 A oração que liberta

a omissão cobrou seu preço. Chegou-se a ponto de o próprio povo de


Deus sacrificar os filhos no altar dos deuses pagãos.
Podemos comparar nossas fortalezas aos altares da antiga Israel.
Qualquer coisa que exaltemos acima de Deus em nosso pensamento
ou nossa imaginação é um ídolo. A idolatria não constitui somente
uma terrível afronta a Deus; é também um convite aberto ao desas-
tre. Nunca se esqueça da natureza crescente do pecado (Rm 6:19).
Não acredito que eu esteja carregando demais no drama ao dizer
que, se não derrubarmos nossas fortalezas com o imenso poder de
Deus, elas nos derrubarão com o tempo.
Por favor, tenha em mente que não temos de amar alguém ou algo
a ponto de idolatrá-lo em nossa mente. É muito fácil transformar
em ídolo alguma coisa que odiamos. Nunca me esquecerei de quan-
do percebi como uma pessoa a quem achava que jamais seria capaz de
perdoar se tornou um ídolo para mim por causa da falta de perdão.
Falando em termos humanos, eu nem mesmo gostava da pessoa, mas
Satanás se aproveitou de minha imaginação até que toda a situação
roubasse meu foco e se tornasse idolatria em minha vida.
Agora dê uma olhada na próxima ilustração:

2. Concorde
com Deus
P
M E
E N
N S
T A
I M
R E
A N
S T
O
S

Em nossa segunda ilustração, a pessoa cristã já está de pé. Ela


ainda não está livre dos pensamentos dominadores, mas algo muito
importante aconteceu: ela confessou seu pecado. Em 1João 1:9, a pa-
lavra “confissão” significa mais do que a simples admissão do pecado

A oração que liberta - novo form280 280 18/11/2008 13:07:41


Derrubando os lugares elevados 281

diante de Deus. A palavra em grego é homologeo. A primeira parte


do termo, homo, quer dizer “a mesma coisa”, e a segunda parte, logeo,
significa “falar”. Confessar é chegar a ponto de dizer a mesma coisa
que Deus diz sobre alguma questão específica.
Para a pessoa que crê, o primeiro passo no caminho da liberta-
ção de qualquer fortaleza é concordar com Deus no que concerne
ao pecado pessoal envolvido. Por favor, entenda: o objeto de nossa
imaginação não é necessariamente pecaminoso. O pecado pode es-
tar apenas na exaltação daquilo em nossa mente. Por exemplo, nada
poderia representar melhor o coração de Deus que o amor de uma
mãe por seu filho. No entanto, se ela ultrapassou os limites da afeição
saudável, trocando-a por superproteção ou obsessão, então ergueu
uma fortaleza.
Tomemos o mesmo relacionamento e levemos a um nível acima
de sofrimento. Nada poderia ser mais natural do que o luto de uma
mãe que perdeu o filho. Contudo, se dez anos depois aquela mãe
ainda se consome pela perda e pela amargura, sem dar espaço ao
consolo e à cura interior, ela ergueu uma fortaleza entre o luto apro-
priado e a restauração gradual.
Nesses casos, o inimigo tira proveito das emoções naturais (amor
ou perda) até que ultrapassem uma proporção saudável. Elas podem
consumir nossa vida, se não estivermos atentos às suas maquinações.
Amar nunca constitui pecado. No entanto, a obsessão gerada pela
atitude de colocar alguma coisa no lugar de Deus é pecaminosa. Da
mesma maneira, o luto não é pecado, mas não permitir que Deus
ministre consolo e cura depois de muito tempo pode constituir uma
atitude pecaminosa.
Praticamente tudo quanto desvia a pessoa daquilo que Deus tem
para ela pode ser considerado pecado. Digo isso com compaixão,
mas não posso deixar de dizer, pois algumas pessoas podem não es-
tar reconhecendo como Satanás tem tirado vantagem de emoções

A oração que liberta - novo form281 281 18/11/2008 13:07:41


282 A oração que liberta

normais e saudáveis. É muito fácil encarar o adultério, o roubo ou o


assassinato como pecado, mas é muito comum deixarmos de perce-
ber como o pecado também pode ser identificado em qualquer obs-
táculo que permitimos se levantar entre nós e a realização da obra de
Deus. Assim, o primeiro passo rumo à liberdade é concordar com
a palavra de Deus a respeito de sua fortaleza ou seu altar pessoal.
Como você pode ver na ilustração, a pessoa que crê ainda não está
totalmente liberta da escravidão, mas não permite mais que seus
pensamentos se curvem diante do inimigo.
Ao concluirmos esta lição, pense nas perguntas a seguir:

• Se você se deu conta de uma fortaleza ou um altar presente em


sua vida, até que ponto é capaz de concordar com a palavra de
Deus e confessar esse pecado?
• Se você tem noção de uma fortaleza em sua vida, mas nunca
concordou com Deus sobre isso nem confessou o pecado, es-
taria em condições de fazer isso agora?
• Se você não identifica nenhuma fortaleza em sua vida, conse-
gue se lembrar de algum momento do passado no qual Cristo
o guiou à liberdade por meio da sinceridade e da confissão de
um pecado?

O poder divino está disponível a todos que concordem em colocá-


lo em prática. Uma vez tendo aprendido como usar a palavra de Deus
e viver no Espírito, “os seus inimigos se encolherão diante de você, mas
você pisará os seus altos” (Dt 33:29).

A oração que liberta - novo form282 282 18/11/2008 13:07:41


Q U A R E N TA E U M

DESPROGRAMAR E REPROGRAMAR

... encorajem-se uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se
chama “hoje”, de modo que nenhum de vocês seja endurecido pelo
engano do pecado...
Hebreus 3:13

A gora estamos em condições de passar para a terceira


ilustração:

3. Acabe com
as mentiras
P
M E
E N
N S
A
T M
I
R E
A N
S T
O
S

A ilustração número 3 mostra que houve um importante mo-


mento de virada radical. Se estivermos dispostos a ver o pecado en-
volvido na fortaleza que nos aprisiona e concordarmos com Deus
por meio da confissão, começaremos a enxergar as mentiras que nos
cercam. Derrubar as mentiras que cobrem as paredes de nossa mente
faz que a porta da prisão se abra.

A oração que liberta - novo form283 283 18/11/2008 13:07:41


284 A oração que liberta

Satanás não tem o poder ou a autoridade de trancar em uma prisão


de opressão os que crêem, mas ele trabalha o tempo todo e mais além
para nos convencer a ficar ali dentro. Ele nos persuade a permanecer
em prisões com todos os engodos que aperfeiçoou, mas não tem po-
der para trancar a porta. Infelizmente, Satanás não espera por um
convite por escrito. Ele se considera convidado se não encontrar uma
placa do tipo “mantenha distância” na porta, o que fazemos por meio
do estudo da Bíblia e da oração.
Dê mais uma olhada na ilustração número 3. Imagine o cativeiro
de nossos pensamentos como uma cela de paredes cobertas de men-
tiras. A demolição das fortalezas começa, de fato, quando expomos e
derrubamos as mentiras que as alimentam. É preciso repetir este fato
sem parar: o engano é o cimento que mantém a fortaleza de pé. A
partir do momento que existe uma fortaleza, nossa mente é coberta
por mentiras.
Qual seria a origem dessas mentiras? João 8:43-45 nos diz que
Satanás é o pai da mentira, e que, “quando mente, fala a sua própria
língua...”. O Diabo precisa se valer de mentiras porque é um inimigo
totalmente derrotado. As mentiras são tudo quanto lhe resta. É por
isso que ele as usa tanto.
Agora pense em uma fortaleza contra a qual você tem batalhado
ou possa estar batalhando. Imagine-se na ilustração número 3. Supo-
nha que você tenha concordado com Deus sobre a fortaleza e confes-
sado o pecado. Deus, então, começou a abrir seus olhos às mentiras
inscritas com tinta spray nas paredes de sua mente. A ilustração re-
presenta você reconhecendo essas mentiras que cobrem as paredes
da cela e recebendo força divina para arrancá-las de lá.
Conforme você se imagina consciente dessas mentiras, quero que
pense na enorme quantidade que encontrou ali. Vou compartilhar
algumas das que encontrei para servir como trampolim para as suas.
A fortaleza mais poderosa em minha juventude foi resultado da

A oração que liberta - novo form284 284 18/11/2008 13:07:41


Desprogramar e reprogramar 285

violência que sofri na infância. Como se essas experiências, em si,


não fossem suficientemente traumáticas, também acreditei em várias
mentiras:

• “Sou uma pessoa sem valor.”


• “Todos os homens querem me magoar.”
• “Quando os homens me magoam, não posso fazer nada a
respeito.”
• “Não sou capaz de dizer ‘não’.”
• “Não sou tão boa quanto minhas amigas.”
• “Se as pessoas soubessem o que aconteceu comigo, elas fica-
riam enojadas.”
• “Jamais poderei contar o que aconteceu comigo, senão serei
destruída.”
• “Sou a única pessoa a quem isso já aconteceu, e a culpa foi
minha.”

E isso foi apenas uma das paredes! Eu poderia prosseguir sem


parar com todas as mentiras nas quais cheguei a acreditar.
Satanás ficou ainda mais sofisticado conforme entrei na vida
adulta. Um jugo que ele colocou em volta de meu pescoço envolvia
uma pessoa que veio em busca de meu auxílio. Satanás distorceu a
verdade para me fazer acreditar que eu era responsável por ajudar
essa pessoa. O inimigo corrompeu os conceitos divinos de miseri-
córdia e compaixão. O Espírito Santo sinalizou que eu não deveria
me envolver, mas optei pela obrigação religiosa, em vez de obedecer.
Quando sugeri que buscássemos a ajuda de outras pessoas, a reação
era sempre a mesma: “Não quero que ninguém mais se meta nisso”.
Era uma armadilha colocada pelo inimigo. É claro que a pessoa
merecia ser ajudada, mas não era eu a pessoa indicada para fazer
isso. O problema estava além de minha alçada. Aprendi que, se você

A oração que liberta - novo form285 285 18/11/2008 13:07:42


286 A oração que liberta

não dá ouvidos a Deus e deixa de obedecer-lhe nos primeiros está-


gios do problema, quanto mais espera, menor o discernimento e a
força para resolvê-lo.
Ouça! Nem todo mundo que procura você em busca de ajuda foi
enviado por Deus! Devemos aprender a distinguir as artimanhas do
inimigo. Deus usou aquele encontro para me ensinar mais do que
um diploma na faculdade poderia fazer, mas as lições foram extre-
mamente dolorosas.
Uma fortaleza pode ser qualquer coisa, desde a compulsão à
comida até a paranóia; da amargura ao amor obsessivo. Não im-
porta o que for, todas têm uma coisa em comum: Satanás está abas-
tecendo o reservatório mental com enganos para que ela não caia.
Quero dizer uma coisa com ternura e muita compaixão: se você
tem noção de que há uma fortaleza em algum lugar de sua vida, mas
não consegue identificar as mentiras, significa que ainda é uma pes-
soa cativa. Se ainda não reconheceu as mentiras que mantêm você
preso à cela, por favor, peça a Deus que retire a trave de seus olhos
e o ajude a enxergar! “E conhecerão a verdade, e a verdade os liber-
tará” (Jo 8:32).
Agora vamos nos concentrar na ilustração seguinte:

4. Estabeleça
a verdade
V V
E E
R P E N S A- R
D D
A MENTOS A
D D
E E

Aleluia! Aquela pessoa que estava cativa escapou da prisão de


seus pensamentos dominadores e está bem perto de inverter a situa-

A oração que liberta - novo form286 286 18/11/2008 13:07:42


Desprogramar e reprogramar 287

ção, passando a dominá-los. O que aconteceu para que conseguisse


se libertar? Em primeiro lugar, ela foi perdoada de todos os pecados
envolvidos em sua fortaleza a partir do momento que concordou
com Deus e os confessou (ilustração número 2). Por ter cooperado
totalmente com Deus, seus olhos foram abertos para as mentiras que
a cegavam. Ela buscou a força divina necessária para arrancar tais
enganos (ilustração 3). Um ótimo progresso. Felizmente, ela enten-
deu que ainda havia mais a ser feito para tornar a liberdade em Cris-
to uma realidade em sua vida.
Ela não apenas arrancou as mentiras que cobriam as paredes da
prisão, como também resolveu colocar a verdade em seu lugar. Preste
muita atenção no que lerá a seguir: as paredes de nossa mente nunca
permanecem nuas. Nunca. Uma vez retiradas as mentiras, devemos
cobri-las com a verdade; caso contrário, o inimigo não demorará a
colocar mais mentiras no mesmo lugar. Talvez elas sejam um pouco
diferentes — mais modernas, quem sabe. No entanto, o fabricante
enganador será o mesmo.
Não tenho como exagerar na ênfase sobre essa questão. A ilustra-
ção 4 representa nossos próprios meios para desprogramar e repro-
gramar o caminho para a liberdade. A verdade é a única saída. Recite
João 8:32 em voz alta até que esse texto esteja bem entranhado em
você: “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”.
Temos a mente de Cristo (1Co 2:16), mas ainda temos capacidade
total de pensar com a mente carnal. Mentalmente falando, é possível
dizer que somos bilíngües. Minha filha mais velha é quase fluente
em espanhol, mas ainda pensa em inglês porque o usa com muito
mais freqüência. O mesmo conceito se aplica em relação a mim e
a você. Pensaremos com a linguagem mental que mais praticamos.
Em Romanos 7:21-23, o apóstolo Paulo retratou a luta entre as duas
linguagens. Veja suas palavras:

A oração que liberta - novo form287 287 18/11/2008 13:07:42


288 A oração que liberta

Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o
bem, o mal está junto a mim. No íntimo do meu ser tenho prazer na
Lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo,
guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro
da lei do pecado que atua em meus membros.

Até que ponto você se identifica com a luta de Paulo? Se a sua


resposta for: “Totalmente”, pode me incluir no mesmo time! No en-
tanto, aprendi a pensar de um modo muito mais vitorioso. Aqui está
o que aprendi: Deus não nos libertará de nada a que tenhamos sido
cativos enquanto não assumirmos a mente de Cristo quanto àquela
questão.
Tomemos a escravidão da incapacidade de perdoar como exem-
plo. Quando queremos nos libertar do fardo da falta de perdão,
achamos que Deus tem de simplesmente tirar aquela pessoa de
nossa cabeça. Queremos que ele balance uma varinha de condão e,
em um passe de mágica, nunca mais nos lembramos de tal pessoa.
Mas não é bem assim que Deus trabalha. Ele quer transformar e
renovar a nossa mente (Rm 12:2), de maneira que possamos ter os
mesmos pensamentos de Cristo em relação à pessoa a quem deve-
mos perdoar.
Não seremos livres enquanto não adotarmos a mente de Cristo
na abordagem do problema que nos escraviza. Se um cristão permite
a Satanás que erga uma fortaleza por meio de um relacionamento
adúltero, e essa pessoa se arrepende e deseja a libertação, sua mente
não será libertada até que tenha arrancado as mentiras das paredes
e se reprogramado com a verdade.
O mais provável é que essa pessoa se limitasse a implorar a Deus
que removesse a outra de sua mente. No entanto, Deus sabe que não
seria de grande proveito fazer isso. Aquele que busca libertação per-
maneceria vulnerável a um ataque similar. Em vez de tirar a outra

A oração que liberta - novo form288 288 18/11/2008 13:07:42


Desprogramar e reprogramar 289

pessoa da cabeça do cristão em adultério, Deus deseja que ele co-


mece a pensar com a mente de Cristo em relação à situação e à
outra pessoa.
Esse processo de aplicação da verdade divina a uma questão é
que levanta a cruz entre o ex-cativo e seus pensamentos. Quando ele
assume a mente de Cristo, o poder da fortaleza é quebrado e ele, bem
como a situação, começa a abrir mão de suas justificativas.
Estou muito orgulhosa de você. Continue firme, minha amiga ou
meu amigo! A liberdade em Cristo está prestes a se tornar uma reali-
dade em sua vida! A seguir, vamos conhecer maneiras específicas de
redecorar as paredes da mente.

A oração que liberta - novo form289 289 18/11/2008 13:07:42


Q U A R E N TA E D O I S

LEVANDO OS PENSAMENTOS CATIVOS

A mentalidade da carne é morte,


mas a mentalidade do Espírito é vida e paz.
Romanos 8:6

O objetivo de Deus para nossos pensamentos é que


aprendamos a pensar com a mente de Cristo. Deus
dificilmente nos libertará do cativeiro ou dos pensamentos domina-
dores tirando-os de uma hora para outra de nossa mente. Ele rara-
mente pratica a lobotomia. Se simplesmente esquecêssemos o objeto
que constitui uma fortaleza, também nos esqueceríamos de louvar
ao Senhor pelo livramento. Os mais ricos testemunhos são aqueles
de pessoas que Cristo tornou plenas e que ainda se lembram de como
era ruim o seu estado anterior.
Em minhas viagens, um número impressionante de mulheres
confessa estar envolvido em casos extraconjugais. Sinto-me aliviada
ao ouvir muitas delas dizer que se arrependeram e romperam o rela-
cionamento, em obediência a Deus. Com mesma freqüência, porém,
elas afirmam: “Ele está fora da minha vida, mas parece que não con-
sigo tirá-lo de minha cabeça”.
Posso ver que estão sendo sinceras. Deus perdoou o pecado, mas
a fortaleza mental ainda é muito poderosa. Um número igualmente

A oração que liberta - novo form290 290 18/11/2008 13:07:42


Levando os pensamentos cativos 291

grande de mulheres me procura querendo perdoar pessoas que as


magoaram. Elas choram e dizem: “Eu até acho que perdoei, mas de
vez em quando aquilo volta à minha mente”.
Quando comecei a pesquisa que gerou este livro, sabia que havia,
em algum lugar, uma chave para nos ajudar a ser vitoriosos na ba-
talha da mente. Acredito que essa chave está bem ali, em 2Coríntios
10:5. Antes de tirar os pensamentos dominadores da mente, eles pre-
cisam ser controlados por Cristo enquanto ainda estão lá. É isso que
significa levar todos os pensamentos cativos à obediência de Cristo.
Esse processo começa na ilustração número 4, quando cobrimos
as paredes da mente com a verdade — a verdade específica. Se nós
temos a intenção de deixar a prisão dos pensamentos dominado-
res, temos de cobrir as paredes da mente com a palavra de Deus.
Por favor, permita-me compartilhar alguns hábitos que Deus usou
de modo profundo para renovar minha mente e proporcionar liber-
dade em relação a algumas fortalezas.

Busque a palavra de Deus nas Escrituras que refletem a mente do


Senhor no caso específico de sua fortaleza
Use uma concordância bíblica ou uma Bíblia de estudo por temas. Se
o estudo das Escrituras é algo novo para você, peça a um pastor ou
professor da igreja que o ajude a começar. Faça uma lista de versícu-
los, mesmo que dê algum trabalho. Não se limite a procurar por um
ou dois, assim como não procure apenas por textos de repreensão.
Encontre também versículos que falem do amor infalível e do per-
dão de Deus.

Escreva esses versículos em cartões


A melhor maneira de manter a organização desses versículos é fazer
um bloco com espiral. Eu chamo os meus de “Cartões da Verdade”;
com eles, uso as Escrituras não apenas como defesa para derrubar as

A oração que liberta - novo form291 291 18/11/2008 13:07:42


292 A oração que liberta

fortalezas que possam existir, mas também para atacar, de maneira


que Satanás não possa erguer fortalezas novas.

Leve esses cartões aonde você for até que o poder da fortaleza
seja destruído
Esteja preparado para lutar por sua liberdade a partir de escolhas ra-
dicais. Não se surpreenda no caso de a batalha se tornar mais intensa
quando você começar a arrancar as mentiras da parede. Lembro-me
de uma época na qual, em pleno calor de uma batalha pela liberdade,
levei meu bloco com os Cartões da Verdade para o mercado comigo!
Coloquei no banco de bebês do carrinho de compras e, a cada aveni-
da, folheava para ler o cartão seguinte! Nossa despensa ficou lotada
com as coisas mais estranhas que já se viu, mas hoje em dia sou uma
pessoa livre!

Evite todas as formas de engano possíveis


Até se tornar menos vulnerável, encha sua mente com a verdade e
conteúdos edificantes. Quando a pessoa ainda não se livrou de uma
fortaleza, ela precisa tomar cuidado com o que programa em sua
mente, mas precisa ser mais cuidadosa ainda no momento em que
está saindo dessa prisão. A palavra de Deus é o soro da verdade.
Quanto mais se usa, mais clara se torna a mente.
Agora vamos analisar a última ilustração:

5. Submeta os
pensamentos
à verdade
V
E P E N S A-
R
D
A MENTOS
D
E

A oração que liberta - novo form292 292 18/11/2008 13:07:42


Levando os pensamentos cativos 293

Volte e dê uma rápida olhada na ilustração completa no início do


capítulo 40 com as cinco etapas desse processo. Compare a primeira
ilustração e a última. Por alguns momentos, não olhe para as outras
três. Repare em cada detalhe e na mudança da posição das figuras.
Agora leia 2Coríntios 10:3-5. Consegue ver o que aconteceu? O
personagem de nossas ilustrações deixou de ser um escravo. Agora
dê uma olhada nas ilustrações 2, 3 e 4. Reflita a respeito de todo o
processo: como esse personagem saiu da situação de dominado para
dominador?
Em última análise, a questão é a seguinte: como aquela pessoa
cristã submeteu seus pensamentos à verdade? Crendo, falando e
aplicando a verdade como estilo de vida. Esse passo é algo que vi-
vemos, e não apenas algo que fazemos. O tempo verbal do trecho
“levamos cativo todo pensamento” é presente do indicativo, o que
expressa ação contínua ou repetida.
Nossos pensamentos na ilustração 4 são como um cão adestrado.
Não basta gritarmos: “Senta!” e esperar que ele permaneça naque-
la posição por uma semana. Trabalhamos muito tempo para fazer
aquele cão obedecer e sentar; ainda assim, ele não vai ficar senta-
do para sempre. Não alcançamos a vitória em determinado momento
para nunca mais termos de voltar a nos preocupar com esse proble-
ma do pensamento. Nossa mente é uma área na qual teremos de tra-
balhar para o resto da vida, se temos o desejo de obedecer ao Senhor.
No entanto, dois fatos podem ajudar você a criar mais coragem:

1. Trabalhar com a mente é a única coisa que impedirá os pensa-


mentos de nos dominar. Ou nossos pensamentos nos controlam pelo
poder do inimigo, ou nós os dominamos sob o poder de Deus. Não
existe ponto morto na caixa de câmbio da mente. Isso não quer dizer
que não há descanso, mas ele não se compara ao alívio de manter os
pensamentos cativos em Cristo.

A oração que liberta - novo form293 293 18/11/2008 13:07:42


294 A oração que liberta

2. Continuar trabalhando com os pensamentos é a própria essên-


cia da vida em Deus. Ser uma pessoa dedicada a Deus não significa
ser perfeita. Se você se esforça a cada dia para entregar ao Senhor o
coração e a mente e tem sensibilidade quanto ao pecado que ronda a
sua mente, pode ser considerada uma pessoa dedicada ao Pai. Con-
tudo, eu jamais falaria isso de mim. Talvez deva ser assim mesmo
que devemos proceder.

Aqui está uma dica para a questão dos pensamentos que pode ser
um catalisador de vitória em todas as áreas de sua vida: não alimente
a carne, mas alimente o espírito. Esses princípios foram vitais para
mim, e espero que também sejam para você. A cada dia que o cristão
da figura 5 colocar em prática esses princípios, a vitória se tornará a
regra, e a derrota, exceção em sua vida.
Quando não fazemos a opção deliberada por pensar de acordo
com o Espírito Santo, automaticamente damos vazão à carne. Você
reparou que nunca devemos optar pelo egoísmo. Caio automatica-
mente no autocentrismo se não me submeter à autoridade de Cristo
da plenitude de seu Espírito Santo.
Ore a Deus para que lhe proporcione maior noção sobre a manei-
ra como está pensando. Fique alerta aos momentos nos quais estiver
pensando de acordo com a carne. Pense na sensação que está sen-
do semeada em seu coração. Costumo ouvir pessoas dizendo: “Não
consigo mudar meu sentimento”. Não, mas podemos mudar o modo
como pensamos, e isso mudará o que sentimos. Todos os dias e em
todas as situações, temos a alternativa de pensar de acordo com o Es-
pírito ou segundo a carne. Entretanto, se queremos pensar de acordo
com o Espírito, devemos aprender a alimentá-lo, e não à carne.
Quanto menos alimentamos o Espírito de Deus dentro de nós
com coisas que o potencializam, mais sua presença se encolhe em
nosso ser. Graças a Deus, o inverso também é verdade: quanto mais

A oração que liberta - novo form294 294 18/11/2008 13:07:42


Levando os pensamentos cativos 295

alimentamos o Espírito de Deus em nós e nos submetemos a seu


controle, mais saciados de vida e paz nos tornaremos, assim como
seremos preenchidos com sua presença.
Lembra-se daquele desejo que sentimos de que certas coisas ou
pessoa deixem a nossa mente depois de nos arrependermos? Ali-
mentar o Espírito Santo, e não a carne, é o processo pelo qual as
pessoas ou as coisas fora da vontade de Deus finalmente se vão de
nossos pensamentos. Vamos usar os mesmos dois exemplos do iní-
cio desta lição.
Se alguém se arrependeu de um relacionamento ilícito e se afastou
dele fisicamente, a primeira coisa que essa pessoa deve fazer é desti-
tuir as mentiras e estabelecer a verdade. Ela deve começar a meditar
na verdade que diz respeito a seu desafio específico. Precisa encher a
sua mente com as coisas que alimentam o Espírito e evitar situações
que alimentem a carne. (Se trabalha no mesmo lugar da outra com
quem mantinha o caso, sugiro uma mudança de departamento ou
mesmo de emprego — sim, isso é muito importante!)
Com o tempo, aqueles pensamentos dominadores serão cada vez
menos freqüentes, até que, por fim, sejam totalmente negligencia-
dos e morram de fome. Esse processo exige perseverança! Muita
gente desiste antes que os velhos pensamentos tenham desapareci-
do! Mas o processo funciona! Coopere totalmente com Deus e dê a
ele tempo para renovar sua mente. Você alcançará a vitória, e Sata-
nás será derrotado.

A oração que liberta - novo form295 295 18/11/2008 13:07:42


Q U A R E N TA E T R Ê S

UM PLANTIO DO SENHOR

Eles serão chamados carvalhos de justiça, plantio do Senhor,


para manifestação da sua glória.
Isaías 61:3

M al posso acreditar que estamos nos aproximando


das últimas milhas de nossa jornada juntos. Oro
para que a concluamos com uma imagem vívida da liberdade. Esta-
mos aprendendo a demonstrar o amor ágape que Cristo requer de
nós. Jesus foi muito claro ao falar do mandamento prioritário do
Senhor para você e para mim: “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o
seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de to-
das as suas forças” (Mc 12:30). Pense nas quatro áreas que Jesus citou
(coração, alma, entendimento e força). Realmente amamos o Senhor
de todo o coração quando nos rendemos a sua autoridade, pois co-
nhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nele (1Jo 4:16).
Em minha opinião, amar a Deus de todo o entendimento é a
mais difícil das quatro áreas. Tudo o que estudamos nos últimos
capítulos tem a ver com o amor por Deus na área do pensamento.
Render os recônditos da mente ao Senhor e pedir a ele diariamente
que assuma o controle são maneiras de amarmos a Deus de todo
o entendimento.

A oração que liberta - novo form296 296 18/11/2008 13:07:42


Um plantio do Senhor 297

O desafio de amar Deus de toda a força mexe com meu cora-


ção neste momento, pois não faz muito tempo que vi uma pessoa a
quem amo perder aos poucos todas as forças físicas. Nessa parte do
mandamento prioritário de Deus, acredito que ele esteja dizendo:
“Você deve me amar com toda a sua força física, seja ela qual for.
Ofereça-me seu templo para que eu habite totalmente nele, seja nos
momentos de fraqueza ou de força, na vida ou na morte”.
Assisti à minha fraca e moribunda mãe, tentando mover os lábios
para cantar hinos comigo em suas últimas horas de vida. Naquele
momento, ela amou o Senhor de todas as forças até que ele final-
mente veio e tirou o fardo que estava sobre ela. Amamos Deus de
toda a força quando entregamos a ele tudo quanto temos, seja pouco
ou muito.
Ao longo deste estudo, você tem colocado em prática o texto de
Marcos 12:28-30. Essa jornada exigiu a participação total de seu co-
ração, de sua alma, de sua mente e de suas forças. Foi um exercício
de amor ao Senhor. Como oro para que todas as partes de seu cora-
ção, de sua alma, de sua mente e de sua força expostas a esse estudo
lhe tenham proporcionado uma capacidade ainda maior de amar
nosso Deus.
Se você o ama mais hoje do que quando começou, então valeu a
pena passar por essa estrada tão difícil. Não consigo imaginar nada
mais apropriado do que repetir Isaías 61:1-4. Felizmente, você já co-
nhece esses versículos muito bem a esta altura.
Nesses capítulos finais, destacaremos a última parte do texto de
Isaías 61:3. O objetivo total de nossa jornada está envolvido nessa de-
claração. Cristo veio para libertar os cativos de maneira que pudes-
sem passar a ser chamados “plantio do Senhor, para manifestação
da sua glória”.
Em primeiro lugar, dê uma olhada nesta parte: “Eles serão cha-
mados...”. A palavra em hebraico para “chamado” é qara, que quer

A oração que liberta - novo form297 297 18/11/2008 13:07:42


298 A oração que liberta

dizer “clamar”, “chamar em voz alta”, “rugir”, “proclamar”, “ser cha-


mado”, “ler em voz alta”. Provavelmente, a parte dessa definição mais
adequada ao nosso contexto é o ato de ser chamado. Já fui chamada
de várias coisas em minha vida, e não consigo imaginar nenhuma
que não trocaria com prazer pelo privilégio de ser chamada de “ma-
nifestação da glória de Deus”.
Talvez o dado mais significativo diga respeito a quem fará esse
chamado. Quem olhará para os cativos libertados e nos chamará de
“manifestação de sua glória”? Acredito que Deus fará isso. Nosso Pai
celestial festeja nossa disposição de ser vitoriosos por meio de seu
poder. “... ele se regozijará em você com brados de alegria” (Sf 3:17),
por isso, calce seus sapatos de dança e comece a celebrar! Aquele que
é poderoso para salvar lhe proporciona a libertação!
Se você for uma pessoa como eu, pode se entusiasmar bastante
com a idéia de ser chamada de “manifestação da glória de Deus”; por
outro lado, é possível que não sinta a mesma coisa ao ser chamada de
“árvore”. Ainda assim, os cativos libertados “serão chamados carva-
lhos de justiça, plantio do Senhor...” (Is 61:3). A palavra em hebrai-
co para “justiça” é tsedheq, que sugere “‘honestidade’, ‘integridade’,
‘liberdade’. É uma conduta de justiça que se espera de um coração
renovado”.
Não importa que tipo de fortaleza você tem enfrentado, Deus
pode nos plantar de modo profundo em seu amor, nos regar com a
água de sua Palavra e nos chamar de “carvalhos de justiça”. Podemos
ser consideradas pessoas honestas, íntegras e livres. Como você pode
ver a partir dessa definição, esses resultados só aparecem na vida da-
queles que permitiram a Deus criar em cada um deles um coração
novo e limpo.
Ser uma árvore não é tão ruim assim quando a pessoa foi plan-
tada pelo Senhor com o propósito expresso de manifestar a glória
do Pai! Vamos analisar o que Deus quer dizer com “manifestação da

A oração que liberta - novo form298 298 18/11/2008 13:07:42


Um plantio do Senhor 299

sua glória”. Na língua original, as palavras “manifestar” e “glória” em


Isaías 61:3 são a mesma palavra em hebraico: pa’ar, cujo significa-
do é “embelezar”, “enfeitar”, “adornar”; “glorificar”, “ser glorificado”;
“honrar”, “dar honra”; “vangloriar-se”. Manifestar a glória de Deus é
irradiar sua beleza. Você consegue imaginar chamado tão elevado e
maravilhoso? Somos chamados para ser o esplendor da beleza divina
nesta terra.
Assim como Moisés, cuja face brilhou com a glória de Deus em
Êxodo 34, a vida de um cativo posto em liberdade irradia o esplen-
dor do Senhor. Não é maravilhoso? Qualquer cativo que fez da liber-
dade em Cristo uma realidade em sua vida passou mais do que um
breve momento na presença de Deus. Salmos 45:11 poderia apro-
priadamente se referir a qualquer cativo posto em liberdade: “O rei
foi cativado pela sua beleza; honre-o, pois ele é o seu senhor”.
Dê uma olhada no último sinônimo da definição de pa’ar. Ser
uma manifestação da glória de Deus é ser alguém de quem Deus
pode se vangloriar! Minha amiga, meu amigo, se você concordou em
caminhar a milha extra com Deus e fazer tudo quanto a liberdade
requer, ele está orgulhoso de sua atitude! Deus sempre nos ama com
prodigalidade, mas imagine Deus se orgulhando de nós e tendo o
privilégio de se vangloriar por nossa vida.
Imagine Cristo, seu Noivo, se vangloriando de sua beleza porque
você dedicou seu tempo contemplando “a bondade do Senhor”
(Sl 27:4). Não sei quanto a você, mas meu coração pula de alegria dian-
te desse pensamento! Estou certa do amor de Deus por mim, mesmo
quando não estou muito bonita, mas a idéia de ser motivo de vangló-
ria para ele me enche de orgulho.
Veja bem, quanto mais contemplamos a beleza do Senhor quando
o buscamos em seu templo, mais a nossa vida assimila e irradia sua
glória. O objetivo final de Deus é mostrar nossos retratos e dizer:
“Ele não é a cara de meu Filho? Uma semelhança notável, não acha?”.

A oração que liberta - novo form299 299 18/11/2008 13:07:43


300 A oração que liberta

É isso que significa ser uma “manifestação de sua glória” — um retra-


to vivo e visível da beleza de Deus.
Para o restante de nossa jornada, discutiremos como é uma vida
da qual Deus pode se vangloriar. Esse é o seu destino.

A oração que liberta - novo form300 300 18/11/2008 13:07:43


Q U A R E N TA E Q U AT R O

A DEMONSTRAÇÃO DA LEMBRANÇA
DE DEUS
Andando pelo caminho das tuas ordenanças
esperamos em ti, Senhor. O teu nome e a tua
lembrança são o desejo do nosso coração.
Isaías 26:8

E stamos explorando as virtudes das quais Deus pode


se vangloriar — elementos da vida terrena que mani-
festam sua glória. O texto de 2Pedro 1:3-4 nos diz que “seu divino
poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a pieda-
de...”. Cumprimos o alto chamado para manifestar a glória do Senhor
quando alcançamos e recebemos todos os benefícios que ele se cur-
vou para nos oferecer.
Cristo entregou sua vida para que você pudesse ser livre — livre
para viver a realidade de 1Coríntios 2:9; livre para manifestar a glória
de Deus; livre para aproveitar os cinco benefícios de nosso relaciona-
mento de aliança com Deus:

1. Conhecer Deus e crer nele.


2. Glorificar Deus.
3. Encontrar satisfação em Deus.
4. Experimentar a paz de Deus.
5. Sentir a presença de Deus.

A oração que liberta - novo form301 301 18/11/2008 13:07:43


302 A oração que liberta

Uma das verdades mais importantes que aprendemos (assim es-


pero) é que qualquer benefício que perdemos na vida é um indicador
da presença de uma fortaleza, uma área de derrota. À medida que
nos aproximamos do fim de nossa jornada, vamos analisar cada um
dos benefícios mais uma vez. Desta vez, porém, nós os veremos apli-
cados por completo na prática, manifestando ativamente a glória do
Senhor. Vamos descobrir como cada benefício é em seu momento
mais lindo.
Isaías 43:9 declara o propósito principal de uma testemunha:
“Que eles façam entrar suas testemunhas, para provarem que esta-
vam certos, para que outros ouçam e digam: ‘É verdade’”. Em nenhum
momento somos os mais belos retratos de mortais que conhecem e
acreditam em Deus do que quando podemos olhar para a nossa vida,
ouvir o nosso testemunho e dizer: “É verdade”. É isso que significa
ser uma prova viva!
Se você se deleita em conhecer Deus e ousa crer nele, ciente ou
não da eficácia de seu testemunho, alguém vê a verdade por meio de
seu testemunho. Isaías 43:10 proclama: “‘Vocês são minhas testemu-
nhas’, declara o Senhor, ‘e meu servo, a quem escolhi, para que vocês
saibam e creiam em mim e entendam que eu sou Deus’”.
Veja como o retrato que Isaías 43:9-10 faz da fé evolui para uma
manifestação radiante da glória de Deus. Isaías 26:8 nos diz que o
“nome” e a “lembrança” do Senhor constituem o desejo do coração
daqueles que andam “pelo caminho” das ordenanças divinas. O que
você acha que Isaías queria dizer ao declarar que o nome de Deus era
o desejo do coração dessas pessoas?
A palavra em hebraico para “nome” é shem. A designação “semi-
tas” dada aos judeus se origina dessa palavra. Deus escolheu Israel
para ser chamada por seu nome. Os “semitas” (ou israelitas) eram,
literalmente, o povo do nome de Deus. Shem significa “a idéia de
uma posição definida e distinta [...] um marco ou memorial de indi-
vidualidade. Por inferência, honra, autoridade, caráter” (Strong’s).

A oração que liberta - novo form302 302 18/11/2008 13:07:43


A demonstração da lembrança de Deus 303

Por essa razão, os israelitas foram chamados para ser uma nação
que demonstraria a posição definida e distinta do único e verdadeiro
Deus em sua vida. Eles foram convocados para se tornar um marco
da individualidade do Senhor, e deveriam demonstrar a honra, a au-
toridade e o caráter de Deus.
O nome pelo qual eu e você somos chamados, principalmente
como referência de nossa crença espiritual, é “cristão”. Somos um
povo que tem o nome de Cristo. Deus nos chamou para revelar a
posição definida e distinta de seu Filho unigênito em nossa vida.
Isaías também disse que a “lembrança” de Deus era o desejo do
coração dos que andam pelo caminho das ordenanças divinas. O
conceito de lembrança de Deus sugere crescimento na aceitação do
nome do Pai. Poderíamos parafrasear com precisão esse versículo da
seguinte maneira: “O nome e a fama do Senhor constituem o desejo
de nosso coração”. Acompanhe meu raciocínio.
Logo no versículo seguinte, Isaías escreve: “A minha alma suspira
por ti durante a noite; e logo cedo o meu espírito por ti anseia...”
(26:9). Sem dúvida alguma, quanto mais uma pessoa conhece Deus,
mais deseja conhecê-lo. Quanto mais tempo ela passa com o Senhor,
mais anseia por ele. Penso em Salmos 63:2: “Quero contemplar-te no
santuário e avistar o teu poder e a tua glória”.
Veja bem, o anseio descrito em Isaías 26:8-9 e em Salmos 63 tem
sua origem no coração e na alma de uma pessoa que conheceu Deus
de fato. As pessoas que conhecem bem o Senhor desejam torná-lo
bem conhecido. Ninguém precisa forçar uma pessoa intimamente
chegada a Deus a se tornar uma testemunha viva. Aqueles que co-
nhecem verdadeiramente o nome do Senhor (e todas as implicações
desse conhecimento) sempre desejam a fama do Pai.
Quando eu fizer a pergunta a seguir, por favor, confie em meu
coração em relação a você, pois não há nenhuma intenção de julgar
ou condenar, não importa qual seja a sua resposta: atualmente, você

A oração que liberta - novo form303 303 18/11/2008 13:07:43


304 A oração que liberta

sente o desejo pela presença de Deus? Não estou falando sobre senti-
mentos de culpa ou mesmo a convicção do pecado pelo fato de não
fazer do Senhor sua prioridade. Estou me referindo a um anseio
por Deus que conduz você mais e mais à presença do Pai; um an-
seio que faz de apenas alguns dias sem tempo para oração e leitura
da Palavra uma eternidade.
Sua motivação original ao ler este livro poderia ter sido encontrar
libertação, mas estou orando para que você tenha encontrado mais
no Libertador! Deus pode usar qualquer motivação para nos levar à
leitura de sua Palavra e à oração, mas ele deseja refinar essa motiva-
ção até que se torne o desejo pela presença do Pai.
Meu propósito para o estudo bíblico e a oração poderia ser meus
interesses pessoais. “Conserte o que está errado em minha vida, Se-
nhor”; “Use-me de modo poderoso, Senhor”; “Oriente-me de ma-
neira bem clara hoje, Senhor”; “Abra o caminho para mim, Senhor”.
“Torne-me uma pessoa bem-sucedida, Senhor”. Nenhuma dessas
orações está errada, mas se a minha motivação para um relaciona-
mento com Deus é o que ele pode fazer por mim, um desejo ardente
por seu poder pode até vicejar, mas não um anseio por sua presença.
Deus deseja, de todo o coração, ouvir as nossas petições, mas sua
maior alegria é ouvir os anelos daqueles que o desejam mais do que
qualquer coisa que ele possa lhes conceder.
A última coisa que quero é fazer você se sentir culpada ou cul-
pado, caso o conhecimento de Deus não seja sua maior motivação
para a oração e o estudo da Bíblia. Meu objetivo é conscientizar
você. A conscientização é sempre o primeiro passo rumo à liber-
dade. Foi exatamente essa conscientização que me motivou, quan-
do eu tinha vinte e tantos anos, a começar a pedir a Deus por um
coração capaz de amá-lo e conhecê-lo mais do que qualquer outra
coisa na vida. Não tenho palavras nem teria espaço para explicar a
transformação que aquela petição produziu em mim. Até hoje, é o

A oração que liberta - novo form304 304 18/11/2008 13:07:43


A demonstração da lembrança de Deus 305

pedido que repito com mais freqüência a Deus a meu favor. Mais
que qualquer outra coisa na terra, oro para que possa conhecê-lo
melhor.
Você percebe o que aconteceu em meu coração como resultado
da mudança para uma motivação centralizada em Deus para o estu-
do e a oração? Não me basta conhecer o Senhor e crer nele; quero
que todas as outras pessoas o conheçam também! Não costumo me
usar como bom exemplo, mas quero que você veja como Deus é fiel
ao transformar Isaías 43:10 em 26:8 na vida de qualquer pessoa! Se
você conhece de fato o nome de Deus, então desejará sua fama! Seu
desejo será tornar conhecido aquilo que ele lhe revelou. Isso confi-
gura o desejo do coração de buscar a lembrança de Deus, ou seja, de
torná-lo sempre lembrado!
Conhecer Deus e crer nele manifesta ainda mais sua glória quan-
do o desejo da alma também é fazer o Senhor conhecido. Contudo,
tome cuidado com suas suposições. Você pode estar achando que
lhe falta anseio por Deus pelo fato de não ter a coragem de bater
na porta de pessoas desconhecidas para evangelizá-las. Embora eu
tenha um grande respeito pelas pessoas que vão de porta em porta
para entregar folhetos, essa não é a única forma nem a mais eficaz de
tornar Deus conhecido. Aqui estão algumas maneiras de comparti-
lhar o amor por Cristo:

• Convide as pessoas para participar de um estudo bíblico.


Nunca esquecerei a carta que recebi de um grupo que havia
estudado A Woman’s Heart: God’s Dwelling Place [O coração
da mulher: lugar onde Deus habita]. Na última reunião, a lí-
der perguntou: “Alguém tem algo a dizer antes de encerrar-
mos esta jornada que empreendemos juntas?”. Uma mulher
que havia completado todas as lições do estudo disse: “Sim,
quero orar para receber Cristo”.

A oração que liberta - novo form305 305 18/11/2008 13:07:43


306 A oração que liberta

• Convide as pessoas para ir à igreja. Contudo, não perca o ob-


jetivo: não estamos buscando a lembrança de nossa igreja,
mas a lembrança de Deus!
• Convide as pessoas para assistir a shows de música e teatro
cristãos.
• Convide amigas ou vizinhas para tomar um café ou organize
um pequeno grupo de ginástica para criar oportunidades de
bate-papos nos quais Cristo possa ser visto como parte de sua
vida.
• Apóie missões locais e estrangeiras por meio da oração e de
sustento financeiro.

Ó Deus, que possamos lhe proporcionar a alegria de se vangloriar


de nós com estas palavras: “Meu nome e minha lembrança eram o
desejo do coração dessas pessoas”.

A oração que liberta - novo form306 306 18/11/2008 13:07:43


Q U A R E N TA E C I N C O

A MANIFESTAÇÃO DA GLÓRIA
DE DEUS
“... nenhuma arma forjada contra você prevalecerá, e você refutará
toda língua que a acusar. Esta é a herança dos servos do Senhor, e
esta é a defesa que faço do nome deles”, declara o Senhor.
Isaías 54:17

C onforme caminhamos as últimas milhas lado a lado,


vamos diminuir o ritmo e refletir em cinco tipos de
manifestação da glória de Deus. Vimos primeiramente essas mani-
festações como os cinco benefícios que Deus concede a seus filhos:
conhecer o Senhor e crer nele, glorificá-lo, encontrar satisfação nele,
sentir a paz que ele concede e se deleitar na presença divina. Até o fim
de nossa jornada, imaginemos tudo isso como manifestações da glória
de Deus e imagens panorâmicas apoiadas sobre cavaletes de pintor.
Isso nos ajudará a lembrar o que significa a completa liberdade. Cada
quadro representa as vidas das quais o Senhor pode se vangloriar.
O benefício número 2 é glorificar Deus. Definimos a glória de
Deus como a forma como ele se faz conhecer ou demonstra o seu
poder. Portanto, quando Deus procura manifestar sua glória por in-
termédio de uma pessoa, ele prova quem é levando esse cristão a ser
e fazer o que seria impossível de outra maneira.
Um exemplo maravilhoso de pessoas vivendo além dos limites
humanos aparece em 2Coríntios 4:8-9. Paulo descreve a condição

A oração que liberta - novo form307 307 18/11/2008 13:07:43


308 A oração que liberta

em que viviam desta maneira: “De todos os lados somos pressiona-


dos, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desespera-
dos; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não
destruídos”.
Os versículos que cercam esse testemunho de Paulo demons-
tram por que Deus costuma insistir em nos levar além dos limites
humanos.

Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este po-
der que a tudo excede provém de Deus, e não de nós [...] Trazemos
sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus
também seja revelada em nosso corpo.
2Coríntios 4:7,10

Toda vez que glorificamos o Senhor somos manifestações de sua


glória, mas neste momento desejo pintar o retrato de uma vida que
verdadeiramente entrega tudo a Deus; uma vida por meio da qual o
Pai faz algo de que só ele é capaz. Veremos o último cativo ser liber-
tado! Esperei de propósito até agora para voltar ao primeiro relato
em todas as Escrituras que registram as aventuras de escravos que
ganham a liberdade. Voltemos à terra do Egito e ouçamos os gemi-
dos dos israelitas, o povo de Deus, até então sob um cativeiro cruel:

Os israelitas gemiam e clamavam debaixo da escravidão; e o seu cla-


mor subiu até Deus. Ouviu Deus o lamento deles e lembrou-se da
aliança que fizera com Abraão, Isaque e Jacó. Deus olhou para os
israelitas e viu a situação deles [...] “De fato tenho visto a opressão
sobre o meu povo no Egito, tenho escutado o seu clamor, por causa
dos seus feitores, e sei quanto eles estão sofrendo. Por isso desci para
livrá-los das mãos dos egípcios...”.
Êxodo 2:23-25; 3:7-8

A oração que liberta - novo form308 308 18/11/2008 13:07:43


A manifestação da glória de Deus 309

Praticamente toda vez que você vê uma descrição de Deus se lem-


brando de alguém ou de alguma coisa, ele se mobiliza para agir a favor
dessa pessoa ou desse povo, como podemos ver em Êxodo 3:8. Ele se
lembrou, por isso desceu para livrar os israelitas. Como essa cena se
aplica a nós? Deus conhece o nosso sofrimento desde a primeira pon-
tada de dor. Entretanto, ele deseja ouvir o nosso clamor específico por
sua ajuda. Deus nunca ignora o menor gemido de clamor por parte de
seus filhos. Ele sempre tem uma missão de resgate planejada. Quando
chegar a hora certa, o Senhor se mobilizará para ajudar seus filhos.
No entanto, quando Deus decidiu resgatar Israel, seu plano era
singular. Êxodo nos conta que o Senhor instituiu a Páscoa. Todas
as famílias judias mataram um cordeiro pascal e espalharam o san-
gue no umbral da porta de suas casas. Em seguida, o anjo da morte
atravessou o Egito, matando o primogênito de todas as famílias, mas
evitando os lares marcados com o sangue.
Se você é uma pessoa emotiva como eu, essa cena pode ser difícil
de imaginar, mas tenha em mente que nosso Deus sabia do preço
que a libertação de seus filhos custaria. Um dia, o Senhor entregaria
a vida de seu Filho unigênito para que todo cativo, judeu ou gentio,
pudesse ser livre.
Para colocar seu plano em ação, Deus exigiu preparação por parte
de seu povo. Acredito que o mesmo vale para nós. Deus enviou Cris-
to para libertar os cativos, mas não há dúvida de que ele requer nossa
atenção e preparação. O Senhor deseja nos lembrar sempre que o
sangue foi derramado pelo Cordeiro de Deus para nos conceder a li-
berdade. Não temos nenhuma saída, a não ser que o umbral da porta
tenha sido tingido com o sangue de Cristo.
Se Deus simplesmente libertasse seu povo de vez em quando, isso
já seria mais do que posso imaginar, mas a história não termina aí.

A oração que liberta - novo form309 309 18/11/2008 13:07:43


310 A oração que liberta

Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios


objetos de prata e de ouro, bem como roupas. O Senhor concedeu ao
povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que
lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios.
Êxodo 12:35-36

A palavra em hebraico para “despojar” é nasal, que significa “apro-


priar-se” (Strong’s). Quando Deus liberta seus filhos, eles nunca precisam
escapar com a roupa do corpo! Os israelitas eram escravos explorados e
pobres, mas quando Deus os libertou, saíram levando as riquezas dos
egípcios. Podemos traçar um maravilhoso paralelo a partir desse acon-
tecimento. No clássico Mananciais no deserto, a sra. Charles E. Cowman
explicou esse fenômeno melhor do que eu seria capaz de fazer:

O evangelho é tão bem organizado e o dom de Deus, tão grandioso que


você pode pegar os mesmos inimigos a quem combateu e as forças
que se reuniram contra a sua vida e transformá-los em degraus que con-
duzem aos próprios portões celestiais e à presença de Deus [...] O
Senhor quer que cada um de seus filhos seja mais que vencedor [...] Você
sabe que, quando um exército é mais que vencedor, ele expulsa o outro
do campo de batalha e toma posse de toda a munição, dos alimentos, dos
suprimentos e de todas as outras coisas [...] Há despojos para recolher!
Amado, você já tomou posse deles? Quando entrou naquele terrível vale
de sofrimento, saiu de lá com os despojos? Quando aquele ferimento o
derrubou e o fez pensar que tudo chegara ao fim, você foi capaz de con-
fiar que Deus o tiraria de lá ainda mais rico que quando entrou? Ser mais
que vencedor é tomar os despojos do inimigo e se apropriar deles. Tome
e se aproprie daquilo que havia sido preparado para a sua destruição.1

1
São Paulo: Betânia, 2006.

A oração que liberta - novo form310 310 18/11/2008 13:07:43


A manifestação da glória de Deus 311

E quanto a você? Já saiu do Egito, seu tempo de escravidão, com


os despojos do inimigo? Você deu um golpe no inimigo, permitindo
que Deus o tirasse do cativeiro duas vezes mais rico do que quando
entrou? Bem antes, no tempo de Abraão, Deus prometeu: “Mas eu
castigarei a nação a quem servirão como escravos e, depois de tudo,
sairão com muitos bens” (Gn 15:14).
Não se esqueça! Aquilo de que Deus se apropriou para a nação de
Israel, em termos tangíveis, podemos quase sempre ver aplicado nos
cristãos do Novo Testamento, em sentido figurado. O Senhor quer
nos tirar do período de cativeiro com posses!
Você não precisa escapar da escravidão sem nada para apresentar.
Depois de tudo o que o inimigo fez você passar, tome os despojos.
Permita que Deus livre sua vida do tempo da escravidão com ouro,
prata e pedras preciosas, tornando-o mais forte que nunca e mais
capaz de ameaçar o reino das trevas do que Satanás poderia imagi-
nar. Não se limite a reivindicar o campo conquistado. Deus deseja
alargar suas fronteiras e ensinar você a tomar posse de territórios
que nem sabia existir. Faça o inimigo pagar pela ousadia de tramar
contra você de modo tão odioso. Aproprie-se dos despojos!
E ainda tem mais! Vamos transformar esses despojos em uma ma-
nifestação da glória de Deus. Quando Deus orientou os israelitas li-
bertos a construir um tabernáculo e os móveis, de onde você acha que
vieram o ouro e a prata? Dos despojos dos egípcios! Então os israelitas
reinvestiram os despojos, oferecendo-os de volta a Deus — um Deus
que pode pegar alguns peixinhos e pães e multiplicá-los para alimen-
tar milhares de pessoas; um Deus de recompensas impressionantes.
Como uma pessoa pode reinvestir os despojos que trouxe do cativei-
ro? Você já teve a oportunidade de oferecer seus despojos a Deus como
reinvestimento e vê-lo proporcionar um retorno ainda maior?
Enquanto eu ainda vivia no pecado, Cristo morreu por mim. Ele

A oração que liberta - novo form311 311 18/11/2008 13:07:43


312 A oração que liberta

ouviu os gemidos da escravidão que eu mesmo me impus, e o Deus do


universo olhou para meu estado terrível e libertou minha alma cativa.
E havia algum despojo? Você está diante dele neste exato momento.
Este livro, seja qual for o seu preço, nada mais é do que despojo
do tempo do cativeiro. Cada linha é o que Deus me permitiu levar
da temporada que passei na humilhação do Egito. Eu merecia ser
colocada em uma prateleira e simplesmente viver minha vida de ma-
neira paciente até chegar à glória do céu. Em vez disso, Deus optou
por me ensinar usando as mesmas coisas que Satanás usou para me
derrotar. Como poderia eu deixar de derramar minha vida diante de
Deus? Ele é a única razão pela qual sobrevivi — isso sem contar com
a prosperidade que me concedeu.
Você se torna uma manifestação da glória do Senhor toda vez
que toma os despojos do Egito e os oferece de volta a Deus para sua
grande glória. Se você se arrependeu e escapou do Egito, não se cur-
ve nem mais um minuto. Deus obrigará o inimigo a entregar seus
despojos; mas, se você não erguer a cabeça, pode não receber.
Quero compartilhar uma palavra final de testemunho. Há dias
em que não me sinto muito vulnerável ou transparente, não importa
a quem isso possa ajudar. Há dias em que desejo esquecer que já es-
tive no Egito. Há outros dias nos quais só quero agir como se sempre
tivesse feito as coisas certas. E também há aqueles dias em que não
quero entregar nada — só receber. Por fim, há dias em que não quero
que ninguém se meta em minha vida.
Meu tempo no Egito é uma lembrança dolorosa, além de cons-
trangedora. Não há nada que as pessoas possam admirar daquela
época. Há momentos nos quais acho que não tenho forças para nada.
Mas a cada manhã o Espírito Santo me leva novamente ao lugar onde
me encontro com Deus. O Senhor da graça se inclina e fala comigo.
Na simplicidade de minha oração, sou repentinamente confrontada
com a majestade de meu Redentor — o único responsável por todo
bem que possa haver em mim. Meus pecados do passado foram per-

A oração que liberta - novo form312 312 18/11/2008 13:07:43


doados, e doces misericórdias são derramadas sobre mim como o
maná celestial. E, mais uma vez, meu coração é mobilizado, e rendo
tudo. Uma manhã após outra.
Q U A R E N TA E S E I S

A MANIFESTAÇÃO DA SATISFAÇÃO
E DA PAZ

O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa


terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como
um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam.
Isaías 58:11

A gora, vamos analisar os benefícios 3 e 4. Nosso obje-


tivo é vê-los do alto de sua beleza, como manifesta-
ções da glória de Deus.

A manifestação da satisfação que encontramos em Deus


Nós simplesmente precisamos encontrar satisfação em Deus (be-
nefício número 3) porque a insatisfação ou o vazio interior é equi-
valente a balançar uma bandeira para chamar a atenção do inimigo.
Os lugares vazios de nossa vida se tornam o playground de Satanás.
Imagine um campo de golfe bem grande e espaçoso. As bandei-
ras indicam aos jogadores onde estão os buracos. Algo parecido
acontece conosco na dimensão invisível. Nenhum de nós chega à
vida adulta sem alguns buracos no percurso. Há quem tenha mais
buracos no campo em razão de mágoas e traumas, mas todos têm,
sem exceção.

A oração que liberta - novo form313 313 18/11/2008 13:07:44


314 A oração que liberta

Pode ter certeza de que o inimigo marcou cada buraco como um


alvo. Despendemos tanta energia na raiva e na amargura, tentando
entender por que os buracos estão ali e de quem é a culpa. A cura
começa quando reconhecemos quão vulneráveis esses espaços vazios
nos tornam, quão alto é o preço pago para preenchê-los inutilmente
e nos dispomos a buscar a plenitude somente em Cristo. Em minha
opinião, a plenitude em Cristo é o estado do ser no qual cada espaço
foi preenchido por Cristo.
Ninguém pode tirar de mim os espaços vazios que os traumas da
infância deixaram. O estrago não pode ser ignorado, mas deve ser
curado. Não é possível arrancar os buracos no campo, mas podemos
preenchê-los. Ao analisarmos pela última vez a questão da satisfação
em Cristo, nossa meta é vê-la em sua mais plena beleza: o retrato de
uma pessoa satisfeita que demonstra a glória de Deus em todo o seu
esplendor. Isaías pinta esse quadro com perfeição. Vamos nos apro-
ximar da estante e dar uma olhada.

O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, de-


satar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper
todo jugo?
Isaías 58:6

O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa


terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será
como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca
faltam.
Isaías 58:11

Deus inspirou o profeta Isaías a escrever o que poderia ser con-


siderado um jogo de palavras. O Espírito Santo expressa um belo
paradoxo nesses versículos. A meditação cuidadosa traz dois temas

A oração que liberta - novo form314 314 18/11/2008 13:07:44


A manifestação da satisfação e da paz 315

à superfície — temas que se assemelham a conceitos praticamente


opostos.
• Tema 1 (v. 6): O jejum que Deus deseja.
• Tema 2 (v. 11): “O Senhor [...] satisfará os seus desejos numa
terra ressequida”.

Ao passo que o jejum fala de vazio, a satisfação fala de plenitude.


Como é possível para Deus reunir os dois conceitos? Ele promete
que aqueles que se esvaziam de outros prazeres serão preenchidos
por algo que só o Senhor pode conceder.
Agora veja as palavras do versículo 10: “Se com renúncia própria
você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a
sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia”. Se
dedicarmos nossa vida à satisfação das necessidades dos oprimidos,
Deus será fiel para suprir as nossas.
Vamos refletir a respeito desse tipo singular de jejum que Deus
escolheu. Geralmente pensamos em jejum em termos de renúncia
à alimentação com o propósito de orar. O vazio em nosso estômago
nos lembra que devemos orar. Embora o Novo Testamento fale com
freqüência a respeito de tal abstinência com esse propósito, Isaías 58
fala sobre um tipo de jejum que, acredito, Deus pode honrar mais
que qualquer outro. Dediquei algum tempo a essa questão, e não
acho que seja fácil de resolver: de que Deus propõe que jejuemos?
De que precisamos nos abster ou jejuar para alcançar os oprimidos?
Deus me levou para o outro lado do mundo, onde me deu al-
gumas respostas para essas perguntas. Em minha estadia de duas
semanas na Índia, esses versículos me vieram à mente mais do que
quaisquer outros. Se você está em busca de uma viagem missionária
divertida, tire aquele país de seu roteiro de viagem.
Não dá para esquecer tanto sofrimento. A dor segue você pelas
ruas na forma de pedintes órfãos e imundos. Ela penetra em seu

A oração que liberta - novo form315 315 18/11/2008 13:07:44


316 A oração que liberta

quarto de hotel com o som misterioso da música hindu, executada


para agradar aos 3 milhões de deuses. A agonia fere os olhos quando
se vê aquele oceano de pobreza. Sente-se um nó na garganta quando
o vento traz o cheiro de carne em decomposição que vem da colônia
de leprosos, a vários quarteirões de distância. Quando voltei, as pes-
soas me perguntaram se eu havia me divertido. Não. Não me diverti.
Minha temporada na Índia mexeu comigo lá no fundo. Nunca mais
serei a mesma pessoa. Não posso esquecer o que vi.
Que tipo de jejum Deus exigiu de mim ao me enviar para minis-
trar aos oprimidos face a face? Um jejum do conforto. Um jejum de
meu mundinho tão bonito. Um jejum dos óculos cor-de-rosa. Em
Houston, as auto-estradas passam por fora do centro da cidade para
evitar que eu tenha de ver os pobres. Posso viver até o fim de meus
dias em minha vizinhança e optar por resolver apenas os problemas
cosméticos e que cheiram melhor. Posso escolher o jejum da pobre-
za e da opressão. Contudo, se eu fizer isso, nunca terei um coração
como o de Deus.
Um dos propósitos de um jejum é fazer que a abstinência me pre-
pare para uma reação espiritual. A abstinência do povo da Índia me
trouxe lembranças muito vivas do que eu mesma passei em deter-
minado momento da vida. Tantas coisas me rasgaram por dentro.
Os rostos que ficaram mais gravados em meu coração foram os das
mulheres. Cabeças cobertas. Submissas. Muitas a ponto de parecer
envergonhadas.
Parei em uma aldeia com esgoto a céu aberto passando a poucos
metros de mim e conversei com quatro mulheres com a ajuda de
uma intérprete. Eu não estava planejando aquilo. O Espírito Santo
simplesmente mandou. Toquei o rosto das mulheres e lhes disse que
eram muito bonitas. Falei que Deus as via com grande dignidade e
honra. Como princesas.
Em poucos momentos, não eram mais quatro mulheres. Eram

A oração que liberta - novo form316 316 18/11/2008 13:07:44


A manifestação da satisfação e da paz 317

muitas. Não consigo me lembrar disso sem lágrimas. Elas começa-


ram a chorar, abraçaram-me e se mostraram ansiosas para fazer tudo
quanto fosse necessário para receber o Salvador. Sabiam que as cir-
cunstâncias poderiam nunca mudar, mas um dia elas deixariam esta
vida e acordariam na glória da presença de Deus. Você sabe o que
Deus usou para estabelecer o laço entre aquelas mulheres e eu? Uma
lembrança forte do vazio e da opressão que eu também sentira.
Não temos de ir até o outro lado do mundo para alcançar os opri-
midos. Ah, como eu oro para que todos nós encontremos a gloriosa
satisfação em Cristo; mas, quando se trata deste mundo, precisamos
encontrar uma maneira de derramar o que temos em abundância.
Os cativos realmente libertos são as pessoas mais compassivas do
mundo. Eles não vêem os outros como inferiores, pois viveram um
pouco da vida na sarjeta também.
Nossas motivações para alcançar as pessoas e servi-las nem sempre
são puras. Minha querida amiga Kathy Troccoli, que dedica tempo
integral ao ministério, fez uma pergunta muito importante: “Es-
tou ministrando de acordo com a minha necessidade ou segundo a
abundância de meu relacionamento com Deus?”. Devemos ser pes-
soas sábias para nos fazer a mesma pergunta. Buscamos a afirmação
daqueles a quem servimos e eles nos fazem sentir importantes? Ou
servimos porque Jesus encheu tanto o nosso coração que precisamos
encontrar uma maneira de derramar aquilo que nos transborda?
Um ministério com pessoas realmente oprimidas ajuda a purifi-
car nossas motivações ao serviço. Veja bem, elas não têm muita coisa
para oferecer como retribuição. A alma satisfeita não pode ser uma
manifestação mais bela da glória de Deus do que a disposição de se
esvaziar pela vida de outras pessoas.
Analisamos a manifestação da satisfação em Deus. Passemos ago-
ra à outra questão.

A manifestação da paz de Deus

A oração que liberta - novo form317 317 18/11/2008 13:07:44


318 A oração que liberta

O quarto benefício de nosso relacionamento de aliança é sentir a paz


que o Senhor proporciona. Como deve ser essa paz de Deus, em seu
momento mais lindo, na alma de uma pessoa? Quando essa paz se
transforma em uma manifestação arrebatadora da glória de Deus?
No começo de nossa jornada, analisamos Isaías 48:18. Ali vimos
que a chave para a paz é submeter-se à autoridade do Senhor. Isaías
sugere que gozamos de paz “como um rio” quando prestamos aten-
ção aos mandamentos de Deus. Portanto, a chave para a paz em nos-
sa vida é a submissão à autoridade de Deus por meio da obediência.
A obediência à autoridade de Deus não surge de uma hora para
outra na vida de ninguém. Ouvi um dos pregadores que mais admi-
ro dizer que a vida do discípulo requer “obediência a longo prazo e
à mesma orientação”. Uma grande expressão da verdade, concorda?
Sendo assim, será que a única coisa que essa obediência a longo pra-
zo e à mesma orientação nos proporciona é sacrifício pessoal? Não
exatamente. Vamos dar uma olhada nessa paz em seu momento de
maior beleza.
Isaías retratou um relacionamento maravilhoso entre a paz e a
alegria:

Como são belos nos montes os pés daqueles que anunciam boas no-
vas, que proclamam a paz, que trazem boas notícias, que proclamam
salvação, que dizem a Sião: “O seu Deus reina!”. Escutem! Suas sen-
tinelas erguem a voz; juntas gritam de alegria. Quando o Senhor
voltar a Sião, elas o verão com os seus próprios olhos. Juntas cantem
de alegria, vocês, ruínas de Jerusalém, pois o Senhor consolou o seu
povo; ele resgatou Jerusalém.
Isaías 52:7-9

Não pare aqui! Dê uma olhada mais adiante, em Isaías 58:13-14.

A oração que liberta - novo form318 318 18/11/2008 13:07:44


A manifestação da satisfação e da paz 319

“Se você vigiar seus pés para não profanar o sábado e para não fazer
o que bem quiser em meu santo dia; se você chamar delícia o sábado
e honroso o santo dia do Senhor, e se honrá-lo, deixando de seguir
seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilida-
des, então você terá no Senhor a sua alegria, e eu farei com que você
cavalgue nos altos da terra e se banqueteie com a herança de Jacó,
seu pai.” É o Senhor quem fala.

Como Isaías diz que eles encontrarão alegria no Senhor? A obe-


diência a Deus costuma implicar não seguir nosso próprio caminho,
não fazer o que nos agrada e nem mesmo falar o que queremos.
Contudo, se a paz é fruto da justiça (Is 32:17), então a alegria é o vi-
nho que se faz desse fruto! A alegria, em última análise, flui da obe-
diência, e poucas coisas manifestam tanto a glória de Deus quanto
a alegria!
Acha que estou forçando a barra ao fazer essa analogia? Confira
em João:

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor [...] Se alguém


permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto [...] Meu Pai é
glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto [...] Se vocês obe-
decerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor [...]
Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em
vocês e a alegria de vocês seja completa.
João 15:1,5,8,10-11

Coloque o texto de Isaías 32:17 ao lado do de João 15 e veja o que


aparece: a paz é fruto da justiça, que, em essência, é a obediência aos
mandamentos de Deus — resultado da atitude de permanecer na vi-
deira. O vinho produzido por esse fruto maduro é a alegria!
Paulo declarou que “o Reino de Deus não é comida nem bebida,

A oração que liberta - novo form319 319 18/11/2008 13:07:44


320 A oração que liberta

mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a
Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens” (Rm 14:17-18).
Com o passar do tempo, o vinho da alegria fluirá do fruto da
paz produzido pela justiça. “O choro pode persistir uma noite, mas
de manhã irrompe a alegria” (Sl 30:5). Deus olhará para você no
momento da colheita total de sua obediência, e talvez fale alguma
coisa como minha avó costumava dizer quando eu estava toda ves-
tidinha (mesmo dentucinha como eu era): “Pinchesa, vochê tá tão
lindinha...”. Ou então dirá: “Com certeza, você é uma manifestação
de minha glória”.

A oração que liberta - novo form320 320 18/11/2008 13:07:44


Q U A R E N TA E S E T E

A MANIFESTAÇÃO DA PRESENÇA
DE DEUS
O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei temor?
Salmos 27:1

N unca consigo evitar o choro quando começo a escre-


ver o último capítulo de qualquer estudo bíblico, e
não é exceção neste momento. Cada uma das jornadas que Deus me
permitiu empreender através de sua Palavra significou muito para
mim. Esta, porém, é bastante peculiar. A oração que liberta foi o livro
mais difícil que escrevi até agora. Deus quis que esta obra tivesse
um frescor que só o verdadeiro quebrantamento de coração pode
produzir. Mágoas e perdas foram acontecendo durante o processo
de elaboração deste estudo, e não acredito que tenham sido simples
coincidências. Não tenho idéia de como este livro será recebido. Nem
mesmo sei se está bom. Mas sei que é uma realidade. E Deus é bom.
Minha sensação é um pouco parecida com a que tive quando vol-
tei da Índia. Não posso dizer que aquela viagem foi divertida, mas
não me esquecerei dela tão cedo. Nunca serei capaz de expressar mi-
nha gratidão a você por continuar comigo nesta jornada. Ah, como
oro para que Deus grave sua verdade em seu coração para sempre.
Qualquer benefício que esta obra possa proporcionar vem do Senhor.

A oração que liberta - novo form321 321 18/11/2008 13:07:44


322 A oração que liberta

O livro de Isaías é tão rico que não consigo imaginar como


eu poderia escolher um texto final para a nossa jornada. Acre-
dito que Deus escolheu uma passagem para nós: o melhor lugar
possível em Isaías para propor mais uma caminhada. Concluire-
mos nossa jornada com uma última análise do quinto benefício
de nosso relacionamento de aliança em sua mais completa mani-
festação da glória de Deus. Leia este texto tão familiar e saboreie
cada palavra:

Será que você não sabe? Nunca ouviu falar? O Senhor é o Deus
eterno, o Criador de toda a terra. Ele não se cansa nem fica exausto;
sua sabedoria é insondável. Ele fortalece o cansado e dá grande vigor
ao que está sem forças. Até os jovens se cansam e ficam exaustos, e
os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor
renovam as suas forças. Voam alto como águias; correm e não ficam
exaustos, andam e não se cansam.
Isaías 40:28-31

Estou orando para que três objetivos sejam alcançados quando


nos separarmos:

1. Oro para que, se você ainda não for uma pessoa livre, coopere
totalmente com Deus até alcançar a liberdade.
2. Oro para que você aprenda como manter a sua liberdade.
3. Oro para que você sempre saiba como voltar à trilha da li