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Módulo 1 – A actividade Comercial

Com este módulo, pretende-se que os alunos compreendam a importância cada vez maior de que se
reveste a actividade comercial, assegurando a ligação entre os produtores e os consumidores.
Colocando junto dos consumidores os produtos em quantidades e condições capazes de ser
utilizáveis, a distribuição acrescenta valor, uma vez que aumenta a utilidade dos bens.
Até chegar junto do consumidor final, o produto irá passar por um circuito de distribuição, no qual
podem intervir um ou mais intermediários.
Pretende-se ainda que os alunos conheçam as actividades que compõem a distribuição – o comércio
e a logística – e compreendam a importância de que estas revestem.
Finalmente, pretende-se que os alunos compreendam que as trocas realizadas na actividade do
comércio implicam o uso de moeda, sendo igualmente a moeda que expressa os valores dos bens,
ou seja, o seu preço.
1.1- Distribuição e comércio
O conceito de distribuição respeita ao sector de actividade que liga a produção ao consumo, inclui
as actividades necessárias para que a oferta comercializada pelas empresas se torne acessível ao
mercado consumidor.

Podemos encontrar várias definições para distribuição, dentre as quais se destaca:

“Conjunto de operações que permitem encaminhar o produto da fase final de fabricação


para a fase do consumo” – Allain Cotta

“Conjunto de actividades de negócio que acrescentam valor aos produtos e serviços


vendidos aos consumidores para seu uso pessoal e familiar”. – M. Levy e B. A. Weitz

“Conjunto de empresas e agentes que compram e revendem mercadorias destinadas à


satisfação das necessidades do consumidor”. – C. Brosselin

“Conjunto de todas as actividades singulares ou colectivas que, através de múltiplas


transacções comerciais e diferentes operações logísticas, desde a fase de produção até a
fase de consumo, colocam produtos ou prestam serviços, acrescentando-lhes valor, nas
condições de tempo, lugar e modo mais convenientes, para satisfazer as necessidades
dos consumidores.” – J. A. Rousseau

Saliente-se que o comércio, os transportes e as comunicações (sendo actividades


incluídas na distribuição) ocupam uma posição de relevo, com um peso na estrutura do
produto em 2006, de 24,5% e de21,3%, respectivamente para Portugal e para a União
Europeia (EU27). Esta evolução enquadra-se no fenómeno da terciarização da economia,
i.e., de um processo de migração das actividades do sector primário e secundário para o
sector terciário.
1.1.1- Circuitos de distribuição: noção e tipos

Por circuito de distribuição entende-se as etapas percorridas pelos bens e serviços desde o local
onde foram produzidos até ao lugar em que são colocados à disposição do consumidor.
Cada conjunto de agentes económicos intermediários que intervêm horizontalmente na
distribuição designa-se por canal de distribuição.

A diferença com o conceito anterior resulta do facto de no circuito se encontrar implícita


uma perspectiva vertical (ex.: produtor, grossista, retalhista, consumidor), enquanto que
no segundo ela é horizontal (ex.: canal grossista, que inclui o conjunto de agentes que
são intermediários entre o produtor e o retalhista).

Os circuitos de distribuição classificam-se, quanto à sua profundidade, em:

 Circuito ultracurto (ou directo) – neste caso verifica-se a venda directa do produtor ao
consumidor.

PRODUTOR ------------------------------------ CONSUMIDOR

 Circuito curto – a ligação entre o produtor e o consumidor estabelece-se através


da existência de um único intermediário, geralmente o retalhista.

PRODUTOR -------------------- RETALHISTA ------------------CONSUMIDOR

 Circuito longo – entre o produtor e o consumidor intervém dois ou mais


intermediários distintos, grossistas e retalhistas.

PRODUTOR ----------- ARMAZENISTA ----------- RETALHISTA ----------- CONSUMIDOR


Métodos de Venda
A distinção entre distribuição com loja e distribuição sem loja, enquanto métodos de
venda distintos, baseia-se, na existência ou não de um local físico, de um ponto de venda,
onde se desenvolve o contacto entre o comerciante e o consumidor.
Na distribuição com loja, a escolha do local do ponto de venda é fundamental. Onde fica
localizado, zona de influência, a arquitectura, o mobiliário, o ambiente, etc…
Na distribuição sem loja, muito utilizada nos dias de hoje, com custos iniciais de
lançamento mais baixos, bem como um baixo custo de stocks.

1.1.2 – Noção de comércio


Podemos considerar algumas definições de comércio, tais como:
- é a aquisição profissional, com fins lucrativos, de bens e revenda dos mesmos, com a
intervenção de um agente económico.

- é uma actividade económica que consiste na troca de bens, produtos e serviços por
moeda, com fins lucrativos.

O comércio tem como objectivo fazer chegar os bens aos lugares onde são necessários,
determinar a procura por tipo de bens (quer em qualidade, quer emquantidade) e, de
acordo com esses dados, organizar a produção. Os bens que se destinam ao comércio
designam-se por mercadorias.

O comércio é, pois, assim, a actividade medianeira entre a produção e o consumo, o que


implica a realização de um conjunto de actos de compra e venda entre produtores,
intermediários e consumidores.

A este conjunto de actos de compra e venda dá-se o nome de mercado.

Qualquer que seja o mercado existem sempre dois conjuntos antagónicos:

- A OFERTA

- A PROCURA

Conjunto de vendedores, constituído por produtores e comerciantes.

Conjunto de compradores, constituído por comerciantes e consumidores.

Os preços do mercado serão condicionados pela leis da oferta e da procura, variando na


razão directa da procura e na razão inversa da oferta.

1.1.3 – Funções do comércio


Ao longo do tempo, o comércio tem tido várias funções, tais como:
- Elo de ligação entre produtor e mercado consumidor;
- Desenvolvimento da produção e concorrência;
- Criação de novas necessidades no público consumidor;
- Desenvolvimento dos canais de distribuição;
- Abastecimento dos diferentes mercados.

Nestas duas ultimas funções apresentadas, reside a chamada função económica do


comércio, que consiste na distribuição dos bens e serviços para os diferentes mercados,
utilizando, para o efeito, os meios de transporte existentes, bem como ospostos de
armazenagem, permitindo desta forma um melhor aproveitamento dos bens e a satisfação
das necessidades dos consumidores.

O comércio é uma actividade criadora de riqueza, na medida em que possibilita a


distribuição dos produtos no espaço (recorrendo a transportes) e no tempo (recorrendo à
armazenagem).

Esta actividade exige uma organização de pessoas e bens que tem como finalidade
exercer uma actividade económica – e assim nasce a empresa.

1.1.4 – Divisões do comércio


Consoante dá origem à entrada ou saída de bens ou produtos de um pais, o comércio
pode dividir-se em:
- Externo – quando a actividade comercial é exercida entre vários países.
- Interno – quando a actividade comercial se desenvolve dentro das fronteiras de um
país.

O comércio externo apresenta ainda três divisões:


- Importação – consiste na entrada de mercadorias num país.
- Exportação – consiste na saída de mercadorias de um país.
- Trânsito – quando as mercadorias passam por um país, mas têm como destino outro
país.

Os movimentos de importação e exportação podem ser definitivos ou temporários.

Assim, quando os produtos são importados temporariamente e seguidamente enviados


para o país de origem, temos uma reexportação.

Da mesma forma, se um bem é exportado temporariamente e seguidamente regressa ao


país de origem, temos uma reimportação.

O conceito de importação eexportação tem vindo a evoluir, principalmente devido ao


surgimento do conceito de comércio internacional, relacionado com o facto de Portugal
pertencer a União Europeia.
1.1.5 – Classificação do comércio
A actividade comercial, ou melhor, o sector do comércio, pode ter várias classificações:
Comércio por grosso (canal grossista) – a actividade comercial é exercida por
empresas que adquirem grandes quantidades de mercadorias, para seguidamente as
venderem em pequenas quantidades a outras empresas. Ex.: Makro
Comércio a retalho (canal retalhista) – a actividade comercial é exercida por empresas
ou indivíduos que compram mercadorias e as vendem directamente ao consumidor.

A diferença entre o comércio por grosso e a retalho está na quantidade das mercadorias
ou produtos transaccionados.
Canal HORECA – a actividade comercial é exercida por empresas ou indivíduos que
adquirem mercadorias e as vendem a HOtéis, REstaurantes e CAfés.

1.1.6- Tipos de comércio


A análise do comércio retalhista permite-nos, concluir que o mesmo se organiza de
diversas formas, às quais correspondem outros tantos tipos de comércio, a saber:
comércio independente, comércio integrado e comércio associado.

Comércio retalhista independente


O comércio independente ou comércio tradicional é constituído por pequenos
comerciantes que detêm a propriedade dos seus estabelecimentos, não estando ligados
juridicamente a outros intermediários.

São normalmente pequenas empresas familiares, com um número reduzido de


trabalhadores, onde o atendimento é personalizado.

J. A. Rousseau caracteriza o retalho independente como sendo maioritariamente


constituído por pequenas empresas de natureza artesanal ou familiar, apresentando as
seguintes especificidades:
 Facilidade de entrada na actividade, dado o fraco investimento exigido e a
simplicidade de licenciamento;
 Fragilidade da sua capacidade financeira;
 Reduzido número de trabalhadores ou mesmo até nenhum, no caso do proprietário
desempenhar todas as funções;
 Ausência de formação em gestão do comerciante/proprietário;
 Preços superiores aos praticados pelos restantes tipos de comércio;
 Existência de um único ponto de venda.
Exemplos: Mercearias, sapateiros, lojas de tecidos e retrosarias, confeitarias e cafés,
quiosques, etc…

Comércio retalhista associado


O comércio associado compreende empresas que mantêm a sua independência
jurídica, associando uma ou mais atividades, de modo a obter vantagens e a competir
com o comércio integrado.
De uma forma geral, estas associações de comerciantes têm como grande objetivo
efetuar compras em conjunto e obter preços mais baixos devido ao grande volume de
compras, o que não conseguiriam se atuassem isoladamente. É o caso das cooperativas
de comercialização.
Para J. A. Rousseau, “o retalho associado é constituído por empresas que, embora
conservando a sua independência jurídica, se agrupam de formas diversas para efectuar
operações comuns de compras e serviços, de modo a obter economias de escala e a
tentar competir com o comércio integrado”.
Os agrupamentos de empresas têm por objectivo a realização de compras em conjunto, a
fim de beneficiarem de preços mais reduzidos; passam a dispor de um conhecimento
profundo dos mercados, atender com mais cuidado às exigências dos pontos de venda,
assegurar uma gestão racional dos stocks e desenvolver operações promocionais em
escala superior.
Exemplos: Cash & Carry, Cooperativas de retalhistas.

Comércio retalhista integrado


O comércio integrado é constituído por comerciantes que atuam em conjunto,
explorando cadeias de pontos de venda, identificadas pela mesma insígnia, e aplicando
políticas comuns de gestão.

Ainda de acordo com J. A. Rousseau, o segmento integrado (ou organizado) do canal


retalhista integra todas as empresas comerciais, pertencentes ou ligadas a grupos
económicos, identificadas pela mesma insígnia e que exploram cadeias de pontos de
venda aos quais aplicam políticas comuns e concertadas de gestão.
Dentre as diversas tipologias de comércio integrado, destacamos as mais importantes:

DISTRIBUIÇÃO COM LOJA:


 Grandes Armazéns – oferecem aos consumidoresuma extensa variedade de
produtos, os quais se encontram distribuídos por secções diferentes, com serviços
conexos (entrega, crédito, etc…). Ex.: El Corte Inglês

 Centros Comerciais – localizam-se em grandes centros urbanos, onde proliferam


lojas independentes do mais diverso tipo. Dentre elas, existem sempre “lojas
âncora”, assim denominadas dada a atracção que exercem sobre o consumidor
(ex.: Zara, Fnac, Sportzone).

Concentradas todas dentro do mesmo local, estas lojas encontram-se subordinadas a


uma entidade coordenadora que, entre outros aspectos, é responsável pela sua escolha e
localização e pela política de comunicação e de animação dos centros.

 Armazéns Populares – destinados a um publico com menor poder de compra,


oferecem também uma variedade de produtos, se bem que menos vasta, centrada,
essencialmente em bens alimentares e artigos doméstico. Ex.: De Borla.
 Grandes Superfícies Generalistas (Hipermercados) – tratam-se de lojas de grande
dimensão – 2000 m2, como mínimo em Portugal, que oferecem uma vasta gama
de produtos. Ex.: Continente, Auchan, Pingo Doce.
 Grandes Superfícies Especializadas – integram-se nesta categoria as lojas de
grande dimensão, que oferecem uma só categoria de produtos, cuja variedade é,
suficientemente ampla. Ex.: Toys R Us, Decathlon.
 Franchising – estratégia assente numa estreita colaboração entre empresas, quese mantêm
jurídica e financeiramente independentes. Mediante um contrato com
condições bem determinadas, o franchisador (detentor da marca) concede os seus
direitos ao franchisado (autorizado a utilizar a marca), pagando este uma quantia
previamente acordada. As vantagens são para ambas as partes, o franchisador
amplia o seu negócio sem encargos, sendo ainda remunerado pela concessão de
direitos, o franchisado goza dos benefícios inerentes à reputação da marca. Ex.:
McDonald’s, Multiópticas, Benetton, Parfois, etc…

DISTRIBUIÇÃO SEM LOJA:


A distribuição sem loja classifica-se em quatro grandes modalidades:
 Venda automática – refere-se a produtos muito diversos, tais como, bebidas,
chocolates, sandes, etc., realizando-se a sua compra através de equipamento
automático instalado em locais públicos (escolas, hospitais, etc…)
 Venda directa – obriga ao contacto pessoal das equipas de venda com os
consumidores, concretizado nas suas casas ou locais de trabalho ou ainda em
reuniões sociais. Ex.: Tupperware.
 Marketing directo (venda por catálogo) – respeita a uma forma de distribuição em
que são utilizados instrumentos não pessoais para apresentação dos produtos aos
consumidores; estes por sua vez, socorrem-se do mesmo tipo de meios para
efectuar os pedidos de encomenda. Ex.: La Redoute.
 Cibervenda – trata-se da utilização da Internet enquanto forma decomercializar
produtos e serviços (comércio electrónico). Esta modalidade de distribuição tem
sofrido uma evolução positiva muito acentuada, apontando para um forte
crescimento ao longo dos próximos anos. Ex.: viagens de avião, bilhetes para um
concerto, ou futebol, livros, etc…

Outros tipos de comércio integrado e novos conceitos comerciais

 Cooperativas de consumo – empresas retalhistas constituídas por um grupo de


consumidores, que assumem as funções de gestão e distribuem pelos seus
membros os eventuais lucros. Ex.: Cooperativa de Lordelo do Ouro, Cooperativa
de Ramalde, entre outras.
 Cadeias retalhistas em livre-serviço – conjunto de pontos de venda identificados
com a mesma insígnia e subordinados à mesma direcção estratégica onde os
produtos se encontram expostos à superfície de forma a permitir a livre circulação
e a livre escolha dos consumidores. Ex.: Makro, Continente, entre outros.
 Supermercados – lojas em livre serviço, que integram secções de produtos
alimentares, de higiene e de limpeza. Ex.: Intermarché, Pingo Doce, entre outros.
 Discount – lojas em livre-serviçode pequena dimensão, com poucos trabalhadores
e produtos de marca própria, geridas com base numa politica de vender mais
barato, reduzir os custos e eliminar as ineficiências. Ex.: Lidl, Minipreço, entre
outras.
 Cadeias off-price - pontos de venda que comercializam produtos demarca
adquiridos a preços inferiores em consequência de boas oportunidades de negócio
(cancelamento de encomendas, produções defeituosas, colecções em fim de
estação, entre outras.
 Factory outlets - centros comerciais que integram lojas de fábrica que vendem
directamente aos consumidores, a preços reduzidos, os restos de colecção e/ou
excessos de stocks.
 Membership clubs – “clubes” que proporcionam aos seus sócios, mediante o
pagamento de uma quota anual, produtos a preços mais baixos para uso pessoal e
familiar ou para o exercício da actividade profissional.

Exercício:
1.2- A moeda
1.2.1- O que é a moeda
Define-se preço como a expressão monetária do valor de um bem ou serviço.

Diariamente nos confrontamos com os preços dos mais variados bens e serviços,
designadamente aqueles relativos aos produtos que pretendemos adquirir. Dai que a
necessidade de moeda respeite ao nosso quotidiano: é o dinheiro que precisamos para
comprar um determinado bem. (ex.: uma coca-cola, uma camisola, ir ao cinema, etc.)
Mas, a verdade é que o dinheiro nem sempre existiu e a moeda, como hoje a
conhecemos, é o resultado de um longo percurso. A sua existência, pressupõe que:
 O nível de desenvolvimento económico permita a obtenção de excedentes
económicos (i.e., que aprodução exceda as necessidades de consumo), que
possam ser objecto da troca;
 Se tenha evoluído de um sistema de troca directa para um sistema de troca
indirecta.
Nas primeiras sociedades humanas não havia dinheiro nem necessidade dele, pois a
troca não existia. A produção destinava-se à satisfação das necessidades das próprias
comunidades.
Com o desenvolvimento da actividade económica, obteve-se com regularidade
excedentes, i.e., de uma quantidade de produtos superior às necessidades de consumo, o
que, por sua vez, viabilizou a divisão do trabalho.
Cada comunidade passa a produzir mais do que o necessário, trocando o excedente
pelos bens de que necessita e que outros produzem. Progressivamente, cada
comunidade passa a especializar-se em determinados produtos, aumentando a produção,
o que desenvolve as condições para o incremento da divisão do trabalho e das trocas.

Não havendo ainda moeda, praticava-se a simples troca de produtos por produtos, sem
equivalência de valor – está-se perante a chamada troca directa, onde se trocam parte
dos bens que se produzem por outros que não se produzem. No entanto, produzindo-se
apenas parte do que se necessita, torna-se indispensável encontrar alguém que deseje o
que se produz e que ofereça aquilo de que se precisa.

A concretização da troca directa torna, necessário que se verifique:


 Dupla coincidência de vontades: quemtem um produto para trocar, precisa de
encontrar alguém que deseje esse produto e que possua o produto pretendido;
 Acordo sobre os termos da troca.

A dupla coincidência de vontades, aliada ao facto da inexistência de uma medida comum


de valor, constituem as principais limitações do sistema de troca directa: com efeito, se
cada pessoa tem dificuldade em encontrar outra interessada na troca de determinados
produtos, também a circunstância de cada produto, por vezes não fraccionável, ter tantos
preços quantos os bens pelos quais pode ser trocado só dificulta a troca directa, quando
não a inviabiliza.
O progressivo desenvolvimento da actividade económica vem possibilitar uma crescente
especialização e um maior excedente económico, o que permite a libertação de mais
gente para outras tarefas, aumentando o leque de produtos disponíveis para troca. Dai
que o sistema de troca dificulte, cada vez mais, o estabelecimento das relações de troca,
constituindo um entrave à própria expansão das comunidades.

Os obstáculos colocados à troca directa acabaram por ser ultrapassados quando passou
a ser utilizado como intermediário nas trocas um bem de referência, aceite por todos os
intervenientes. Quando tal ocorreu, evoluiu-se para um sistema de troca indirecta.

Agora, o acto da troca é dividido em duas fases distintas:


 Numa primeira, o produtor troca o resultado dasua actividade pelo bem de
referência;
 Numa segunda, troca o bem de referência pelo produto que pretende adquirir.

No entanto, para que um bem seja considerado de referência, servindo como


intermediário geral nas trocas, deve obedecer a determinadas características:
 Ser aceite por todos os agentes que participam na troca;
 Ser unidade de referência comum, em função do qual se define o valor de cada um
dos outros bens;
 Possuir valor intrínseco, ou seja, possuir valor por si próprio, o que significa que
tem valor mesmo que não seja utilizado como moeda;
 Seja facilmente transmissível e transportável.

Com o aparecimento de um tal bem, surge a moeda, isto é, um bem de aceitação


generalizada que é usado como intermediário geral nas trocas.
A introdução da moeda no acto da troca permitiu o incremento da actividade comercial e
da actividade produtiva, bem como do consumo.
Exercício:
Leia atentamente o seguinte texto:
“Na troca directa de um bem por outro não é utilizado qualquer meio intercalar. Esta
situação tende a modificar-se quando o intercâmbio se torna demasiado frequente, em
resultado da divisão social do trabalho e da produção de excedentes.
Com o avanço gradual da divisão social do trabalho, cada família ou comunidade deixou
de produzir totalmente aquilo que consumia. Havia uma agricultura, uma pecuária, uma
pesca ou caça, uma salicultura eum certo nível de actividade artesanal. À medida que a
produção tende a diversificar-se e aparecem novas profissões, as comunidades que se
concentram num tipo determinado de actividade têm de recorrer à troca daquilo que
produzem e não consomem. A divisão social do trabalho acentuou a necessidade da
troca, primeiro de forma directa, entre os produtores. As trocas tornam-se sistemáticas
devido à existência dum excedente regular”.
In http://www.eumed.net/libros/2008(Adaptado)

A partir da análise do texto, responda às seguintes questões:


1- Estabeleça a distinção entre troca directa e troca indirecta.
2- Justifique o aparecimento da troca directa com carácter regular.
3- Explique por que é que o sistema de troca directa consegue equilibrar os níveis de
oferta e de procura.
4- Justifique a necessidade de existência de um bem de referência.
5- Defina moeda.
1.2.2- Evolução e tipos de moeda
Moeda-mercadoria
As sociedades primitivas adoptavam como moeda os bens relacionados com a sua
actividade principal. Assim, por exemplo, os pescadores utilizavam o sal e as conchas, os
agricultores os cereais e os pastores o gado – era a moeda mercadoria.
Trata-se de mercadorias suficientemente escassas e, por isso, valiosas e que são
utilizadas para satisfazer necessidades comuns, o que determina a sua aceitação por
todos os membros da sociedade.
Estas mercadorias tornaram-se desajustadas ao desenvolvimento das transacções
comerciais, apresentando, os seguintes inconvenientes:

 Dificuldade de preservação;
 Impedimento de fraccionamento;
 Oscilações de valor;
 Falta de moeda, dado tratar-se de mercadorias que podiam ser usadas para fins
não monetários (consumo).

Moeda metálica
A descoberta dos metais permitiu que muitas sociedades passassem a utilizá-los como
bem de referência.
Metais como o cobre, o bronze e o ferro e, mais tarde, a prata e o ouro, passam a ser
preferidos como moeda, a princípio no seu estado natural, depois sob a forma de barras e
de objectos.
Para além disso, o metal é raro, divisível, de fácil transporte e com capacidade de
entesouramento.
Das mais variadas formas, a moeda metálica era inicialmente pesada, passando depois a
ser cunhada, ou seja, o peso e o valor eram definidos e tinham a impressão do cunho
oficial, isto é, a marca de quem as emitiu que garantia o seu valor.
De início, a cunhagem constituía um privilégio real ou senhorial, reclamando os governos,
mais tarde, o seu monopólio.

Estas moedas eram garantidas pelo seu valor intrínseco, ou seja, se numa moeda
tinham sido utilizadas dez gramas de ouro, esta era trocada por bens de idêntico valor.
Ao longo de muitos séculos, os países cunharam em ouro as moedas de maior valor,
deixando a prata e o cobre para valores menores. Só em finais do séc. XIX, com a
utilização do cuproniquel (liga de cobre e níquel) e, depois outras ligasmetálicas, é que a
moeda passou a circular pelo seu valor extrínseco, isto é, pelo valor cunhado na face,
independentemente do metal nela contido.
Com o advento da moeda de papel, as moedas metálicas passaram a ser reservadas
para pequenos valores destinados ao troco – é a chamada moeda divisionária ou de
trocos.
Moeda de papel
O desenvolvimento do comércio a longa distância conduziu a um acentuado incremento
da actividade comercial, o que obrigava ao transporte de grandes quantidades de moeda
metálica, tarefa, difícil e perigosa.

Para resolver o problema, os cambistas e os ourives passaram a aceitar depósitos em


ouro e prata ou em moedas nesses metais, guardando-os em segurança e emitindo,
como garantia, os respectivos certificados de depósitos. Com o tempo, estes certificados
passaram a ser usados como moeda. Neste processo aparecem os certificados bancários
– surge, assim, a moeda de papel.

A moeda de papel foi assumindo diferentes espécies em função do grau de vinculação à


moeda metálica.
De início, começou por ser moeda representativa, pois, ao valor dos certificados em
circulação, equivalia o valor de ouro ou prata retido nos cofres dos bancos. Para além
disso, o portador desses certificados sabia que, a qualquer momento, poderia converter o
papel em moeda metálica de ouro e de prata – a moeda era convertível.

A preferência pela moeda de papel vaicrescendo e os bancos constatam que não era
pedida, a todo o momento, nem simultaneamente, a convertibilidade da maioria das notas
de papel em circulação.
Assim, começam a emitir notas do banco cujo valor era superior à quantidade de ouro
retida nos seus cofres, com base na probabilidade de que os seus possuidores não viriam
reclamar, em simultâneo, a sua conversão – surgiram assim, as primeiras emissões de
moeda de papel a descoberto.
A moeda continua a ser convertível, tendo o público confiança na sua convertibilidade – a
moeda de papel tornou-se moeda fiduciária.

No entanto, nos períodos de crise económica ou falta de confiança política, perante a


corrida, em simultâneo, à conversão da moeda fiduciária, os bancos deixaram de ter
capacidade de resposta. Face a esta situação, os governos retiram a possibilidade de
conversão do papel moeda em ouro ou prata. Foi decretada a inconvertibilidade,
passando assim, a moeda fiduciária a ter curso forçado, ninguém a podendo recusar
como meio de pagamento, já que é obrigatoriamente aceite por força da lei – a moeda de
papel tornou-se papel-moeda.
Como se verifica, no regime de papel-moeda, a moeda que circula – por exemplo, o euro,
a libra ou o dólar – não tem relação directa com qualquer valor de metal.

Moeda escritural
No séc. XVIII, princípio do séc. XIX, muitos bancos passaram a permitir que os seus
clientessacassem sobre os respectivos depósitos a fim de efectuarem pagamentos.
Surge, assim, a moeda escritural ou bancária, resultante da circulação dos depósitos a
ordem, tendo o cheque como instrumento principal para essa movimentação.
Mediante ordem do depositante, os bancos comerciais transferem os créditos de uma
conta para outra, havendo em cada uma dessas operações um movimento de
escrituração nas respectivas contas correntes através de registos contabilísticos.

A muito rápida inovação tecnológica tem conduzido ao desenvolvimento de novos e cada


vez mais diversificados instrumentos de movimentação da moeda escritural (ex.: cartão
multibanco, via verde, utilização do telemóvel ou internet para efectuar pagamentos).
Não confundir os cheques, os cartões de débito e de crédito, as ordens de transferência
bancária, etc. com moeda. Trata-se, antes, de instrumentos para movimentar a moeda
escritural.

Resumindo:
Moeda escritural:
 Constituída pelos depósitos à ordem existentes nos bancos comerciais;
 Circula através dos registos a débito e a crédito que os bancos efectuam nas
contas correntes dos seus clientes;
 Movimenta-se através de cheques, ordens de transferência bancária, cartões de
débito e de crédito, moeda electrónica, etc.
Formas actuais de moedaActualmente, existem dois tipos principais de moeda:

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1.2.3- O processo de desmaterialização da moeda


Da moeda-mercadoria até aos nossos dias desenvolveu-se um longo processo de
desmaterialização da moeda, ou seja, a moeda foi perdendo o seu conteúdo material.
Se relembrarmos o que falámos acerca da evolução da moeda, constatamos que da
moeda-mercadoria – moeda com valor intrínseco e, por isso, desejada por si própria – se
passou a utilizar moeda de papel, a qual, sucessivamente, foi representativa, depois
fiduciária e, finalmente, papel-moeda.

Para além disso, a muito rápida evolução tecnológica verificada ao longo do processo de
desenvolvimento da actividade económica é responsável por um crescente recurso à
moeda escritural ou bancária, sendo cada vez mais diversificados os instrumentos que
viabilizam a sua utilização.

Recordando o que foi referido a propósito da distribuição sem loja e, mais concretamente,
da cibervenda. O pagamento de despesas e a compra de bens e serviços através de meios
electrónicos transformou-se numa prática habitual.
De acordo com P.A. Samuelson e W. D. Nordhaus, “o horizonte visível é o dinheiro
electrónico, que coloca o poder de compra num cartão onde está inserido um chip de
computador.”

1.2.4- Funções da moeda


O conceito já conhecido de moeda – bem de aceitação generalizada utilizado como
intermediário geral nas trocas –tornar-se-á mais claro através do conhecimento das
funções que a mesma desempenha.

Assim, é considerado moeda tudo aquilo que exerce, simultaneamente, as seguintes


funções:
 Meio de pagamento ou instrumento de troca
A moeda permite adquirir bens, serviços e factores produtivos, bem como liquidar
definitivamente dívidas, ou seja, tem poder liberatório.
 Unidade de conta ou medida de valor
A moeda é a unidade que usamos para medir o valor dos bens. Como já referimos
no Módulo 3, o preço de um bem, serviço ou factor produtivo não é mais do que o
seu valor expresso em unidades monetárias.
Servindo de unidade ou ponto de referência na avaliação dos bens, é esta sua
função que permite comparar o valor relativo dos produtos, dos salários, etc.
 Reserva de valor
A moeda possibilita a posse de valor ao longo do tempo, podendo ser guardada
com vista à sua utilização no futuro. Assim, ter dinheiro numa conta bancária ou
guardá-lo para umas férias representa o uso da moeda enquanto reserva de valor.
Deste modo, enquanto meio de pagamento diferido e reserva de valor, a moeda
viabiliza a sua não aplicação imediata em consumo presente.

http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Modulo1-Vocacional/42937465.html?_p=21