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Aula 09 (Profs.

Carlos
Roberto e Márcio
Damasceno)
Discursivas de Atualidades p/ PC-DF
(Escrivão) Sem Correção - Pós-Edital

Autores:
Carlos Roberto, Marcio
Damasceno, Janaina Arruda
Aula 09 (Profs. Carlos Roberto e
Márcio Damasceno)
24 de Janeiro de 2020

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Carlos Roberto, Marcio Damasceno, Janaina Arruda
Aula 09 (Profs. Carlos Roberto e Márcio Damasceno)

Sumário

Tema 1...................................................................................................................................................3

Proposta de Solução ............................................................................................................................. 4

Tema 2 ................................................................................................................................................. 5

Proposta de Solução ............................................................................................................................. 6

Tema 3.................................................................................................................................................. 8

Proposta de Solução ............................................................................................................................. 9


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Tema 4 ................................................................................................................................................ 10

Proposta de Solução ............................................................................................................................ 11

Tema 5 ................................................................................................................................................ 12

Proposta de Solução ............................................................................................................................ 13

Tema 6 ................................................................................................................................................ 15

Abordagem teórica .............................................................................................................................. 16

Tema 7................................................................................................................................................ 22

Abordagem Teórica ............................................................................................................................ 24

Tema 8 ............................................................................................................................................... 28

Abordagem Teórica ............................................................................................................................ 29

Tema 9 ................................................................................................................................................ 35

Abordagem teórica .............................................................................................................................. 37

Tema 10...............................................................................................................................................45

Abordagem teórica ............................................................................................................................. 46

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INTRODUÇÃO
Olá, meus nobres alunos. Bem-vindos à nossa segunda rodada de temas.
Meus nobres, esperamos que nesta aula você já comece a perceber a sua evolução em relação aos textos
produzidos na aula anterior. Cada aula é uma etapa transposta e uma vitória alcançada. Mas, junto a essa
conquista, vem o compromisso e a responsabilidade de escrever textos cada vez melhores.
Para que isso aconteça, é essencial que você incorpore os ensinamentos transmitidos e, efetivamente, passe
a aplicá-los. Nesse sentido, é fundamental que você treine, escreva textos manuscritos, conforme
conversamos nas aulas anteriores.
Aos alunos do curso com correção: vocês poderão escolher para envio qualquer dos temas desta aula.
Contudo, não é obrigatório escolher um tema agora, caso prefiram aguardar os temas da próxima rodada.
Bons estudos!
Instagram: profmarciodamasceno

Prof. Marcio

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PRIMEIRA RODADA DE TEMAS


Tema 1

“Milhares de mulheres entraram na justiça do DF com medidas protetivas, desde que a Lei Maria da Penha
entrou em vigor, em setembro de 2006. A maioria se refere a proibições judiciais de contato pelos companheiros
e ex-companheiros. Esses pedidos vieram de mulheres que moram em Brasília (região que inclui, além do Plano
Piloto, o Lago Sul e o Lago Norte, o Varjão e a Estrutural) e localidades circunvizinhas. A grande maioria das
ações acolhidas pelo Tribunal de Justiça do DF com base na Lei Maria da Penha têm-se relacionado à ingestão
de álcool e são feitas contra ex-companheiros das mulheres agredidas. Em 2018, o número de inquéritos abertos
na Delegacia da Mulher do DF cresceu 86% em relação às 1.677 denúncias feitas no ano anterior. Isso não
significa que a prática do crime tenha aumentado, mas sim que as mulheres estão denunciando as agressões
com maior frequência”.
Correio Braziliense (com adaptações).

“Uma ligação anônima ajudou a esclarecer as circunstâncias da morte da auxiliar de serviços gerais Pedrolina
Silva, 50 anos. Segundo a pessoa que acionou a PCDF, João Marcos Vassalo da Silva Pereira, 20, teria dito a
diversas pessoas no Paranoá Parque, condomínio em que os dois moravam, que se a mulher “não for minha,
não será de mais ninguém”.
https://www.metropoles.com/violencia-contra-a-mulher/se-nao-for-
minha-nao-sera-de-mais-ninguem-teria-dito-assassino-de-pedrolina

“A Lei Maria da Penha apresenta cinco tipos de atitudes violentas contra as mulheres: física, psicológica, sexual,
patrimonial e moral. A violência física é representada por ações como tapas, empurrões, socos, mordidas,
chutes, queimaduras, cortes, estrangulamento, lesões por armas ou objetos etc. A violência psicológica inclui
ações como insultos constantes, humilhação, desvalorização, chantagem, isolamento de amigos e familiares,
ridicularização, rechaço, manipulação afetiva, exploração e negligência.
A violência sexual é a ação cometida para obrigar a mulher, por meio da força física, coerção ou intimidação
psicológica, a ter relações sexuais ou presenciar práticas sexuais contra a sua vontade. Já a violência patrimonial
ocorre quando o agressor retém, subtrai, ou destrói os bens pessoais da vítima, seus instrumentos de trabalho,
documentos e valores. Por fim, a violência moral ocorre quando a mulher sofre com qualquer conduta que
configure calúnia, difamação ou injúria praticada por seu agressor”.
https://www12.senado.leg.br/institucional/omv/entenda-a-
violencia/o-tipo-de-violencia-sofrida

Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto
dissertativo acerca do seguinte tema.
A PERSISTÊNCIA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

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Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos:


1 causas da violência contra a mulher; [valor: 9,50 pontos]
2 barreiras para a superação do problema; [valor: 9,50 pontos]

3 o dever do Estado de garantir a segurança dos cidadãos, em especial a das mulheres. [valor: 9,50 pontos]

Proposta de Solução

Definição dos pontos semânticos

• Tema: violência contra a mulher


• Tese: necessário analisar as suas causas e as barreiras para a solução do problema
• Tópico I: causas da violência contra a mulher
• Tópico II: barreiras
• Conclusão: proposta de intervenção

A despeito da evolução legislativa com foco na proteção da integridade e dignidade


da mulher, a violência contra esse segmento [tema] ainda é uma chaga a ser extirpada na
sociedade. É problema externalizado por variadas formas (física, moral, sexual,
psicológica) e que possui raízes sociais profundas, o que torna imprescindível a análise das
suas causas e das barreiras para a sua superação. [Tese]
Inicialmente, mencione-se que a violência contra a mulher é consequência do
machismo enraizado na sociedade, revelado pelo sentimento de posse e dominação. Essa
concepção é responsável pela objetificação e subjugação da mulher e denota a ainda
existente desigualdade de poder entre os sexos, originada de questões de diferentes
naturezas (econômicas, culturais, educacionais). A intensidade dessa situação é
corroborada por números estarrecedores. Basta ver que, de acordo com
pesquisa Datafolha, 30% dos homens acreditam que a mulher que usa roupas
provocativas não pode reclamar se for estuprada.
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A superação desse quadro tem como uma das principais barreiras o elevado índice de
subnotificação. Apesar da gravidade do tema, segundo pesquisa Datafolha, mais da
metade das mulheres vítimas de violência não denunciam o caso. Dentre as razões para
esse elevado número, destacam-se: o medo de represália por parte do agressor; o
agravamento da situação com a denúncia e o abalo da estrutura familiar. Acrescente-se a
esses motivos a sensação de impunidade, problema crônico brasileiro, e a proteção
deficiente oferecida pelo Estado, incapaz de garantir a integridade física e psíquica das
vítimas.
Por fim, para superar esses obstáculos é imprescindível a atuação do Estado. As
medidas para coibir esse crime englobam: a adoção tempestiva de medidas protetivas no
âmbito da Lei Maria da Penha, a exemplo do afastamento do lar, domicílio ou local de
convivência com a ofendida, e a aplicação de punições severas aos que, comprovadamente,
incorrerem no tipo criminal. Além disso, é necessário aparelhar o Poder Público de
estruturas capazes de encorajar a realização de denúncias, como as delegacias
especializadas em violência contra a mulher e as Casas da Mulher Brasileira, espaços que
reúnem serviços de acolhimento, apoio psicossocial, Ministério Público, Defensoria
Pública, capacitação para a autonomia econômica e cuidados para os filhos das vítimas.

Tema 2

Cebraspe - PF - 2018 - Adaptado

“O preâmbulo da Constituição Federal de 1988 (CF) dispõe que o Estado democrático se destina a assegurar
o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a
igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos,
fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das
controvérsias.

A missão das forças policiais é garantir ao cidadão o exercício dos direitos e das garantias fundamentais
previstos na CF e nos instrumentos internacionais subscritos pelo Brasil (art. 5.º, § 2.º, da CF). O
cumprimento dessa missão exige preparo dos integrantes das corporações policiais, que devem perseguir

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incansavelmente a verdade dos fatos sem se afastar da estrita observância ao ordenamento jurídico
vigente, que deve ser observado por todos, em respeito ao Estado democrático de direito.
Wlamir Leandro Motta Campos. Polícia Federal e o Estado democrático. Internet:
(com adaptações).

O Brasil se efetivou como um país democrático de direito após a promulgação da CF — também chamada
de Constituição Cidadã, por contar com garantias e direitos fundamentais que reforçam a ideia de um país
livre e pautado na valorização do ser humano. Com a ruptura do antigo sistema ditatorial, o Estado tinha a
necessidade de resgatar a importância dos direitos humanos, negligenciados até então, porquanto, desde
1948, havia-se erigido a Declaração Internacional dos Direitos Humanos no mundo.

Já no art. 1.º da CF, afirma-se a condição de Estado democrático de direito fundamentado em cidadania e
dignidade da pessoa humana. O Brasil, por ser signatário de tratados internacionais de direitos humanos,
tem como princípio, em suas relações internacionais, a prevalência dos direitos humanos.
Yara Gonçalves Emerik Borges. A atividade policial e os direitos humanos. Internet:
(com adaptações).

Motivado pela leitura dos textos anteriores, redija um texto dissertativo e(ou) descritivo com o seguinte
tema:

O PAPEL DA POLÍCIA NO APRIMORAMENTO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA

1 discorra sobre o papel constitucional e social da Polícia Civil; [valor: 8,00 pontos]

2 correlacione as suas atribuições à manutenção do Estado democrático de direito; [valor: 9,00 pontos]

3 destaque a relação entre segurança pública e a preservação dos direitos humanos e, nesse contexto, o
perfil esperado do policial civil. [valor: 11,50 pontos]

Proposta de Solução

A Constituição Federal destaca entre os órgãos aptos a promover a segurança pública


[assunto] a Polícia Civil (PC) [tema]. A ela cabe a preservação da ordem pública e a
incolumidade das pessoas e do patrimônio, atribuição comum aos órgãos encarregados da
segurança pública, além da função de polícia judiciária e de apuração de infrações penais.
É instituição de relevante função social, pois, por meio das suas funções, auxilia na
manutenção do Estado democrático de direito e na defesa dos direitos humanos. [Tese]
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A democracia pressupõe, como condição para a sua existência, o gozo dos direitos
humanos. Ao garantir a ordem pública, a PC contribui para o convívio social pacífico e
harmônico e, por meio das suas ações no escopo da Segurança Pública, possibilita a
formação de um ambiente onde os direitos e garantias podem ser gozados. Basta observar
que a referida instituição, no exercício da atividade de polícia investigativa, é responsável
pela desarticulação de grandes quadrilhas, o que evita o cometimento de crimes com
potencial concreto de ofensa a direitos de elevada significação social. Como polícia
judiciária, a PC zela pelo fiel cumprimento das leis, aspecto sem o qual é impossível falar
em Estado democrático de direito.
Outrossim, a PC tem relevante papel na preservação dos direitos humanos. A
segurança pública não é um fim em si mesma, mas um meio por meio do qual muitos outros
bens jurídicos são assegurados. Assim, a segurança pública não dialoga com
arbitrariedades e restrições de liberdades e direitos desprovidas de qualquer amparo legal;
ao contrário, visa a mantê-los e preservá-los, o que contribui para o aprimoramento da
democracia. O uso da força, quando necessário, deve ocorrer de forma proporcional e em
sintonia com o ordenamento jurídico.
Assim, a PC exerce uma função essencial para a manutenção do Estado Democrático
de Direito, não somente na proteção de bens jurídicos constitucionais, mas também na
concretização do respeito às normas legais. A complexidade dessas atribuições exige um
perfil profissional psicológico e tecnicamente preparado para enfrentar as situações
inerentes à profissão, conhecedor das leis e, principalmente, dos direitos e garantias
insculpidas na Carta Magna, mas, sobretudo, dotado de espírito humanitário, o qual deve
se manter incólume, a despeito das vicissitudes da profissão.

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Tema 3

Cespe/Cebraspe – Agente da Polícia Federal – 2009 - Adaptado

Texto fixa duração de dez anos para Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social
O Projeto de Lei 3734/12, aprovado nesta quarta-feira (11/04/2018) pelo Plenário da Câmara dos Deputados,
prevê a criação do Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para promover a melhora da
qualidade da gestão das políticas do setor e priorizar ações preventivas e fiscalizatórias de segurança
interna, nas divisas, fronteiras, portos e aeroportos.
O plano terá ainda de assegurar a produção de conhecimento no tema e a avaliação dos resultados das
políticas de segurança pública, contribuindo para a organização dos conselhos de Segurança Pública e
Defesa Social.
De acordo com o substitutivo do deputado Alberto Fraga (DEM-DF), o plano nacional terá duração de dez
anos. As ações de prevenção à criminalidade serão prioritárias, e as políticas públicas de segurança não
serão restritas aos integrantes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), devendo considerar um
contexto social amplo e abranger outras áreas do serviço público, como educação, saúde, lazer e cultura.
No caso dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, eles terão até dois anos para elaborar seus planos
correspondentes, sob pena de não poderem receber recursos da União para a execução de programas ou
ações no setor.

Disponível em:
https://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SEGURANCA/555815-TEXTO-FIXA-
DURACAO-DE-DEZ-ANOS-PARA-PLANO-NACIONAL-DE-SEGURANCA-PUBLICA-E-DEFESA-
SOCIAL.html. Acesso: 24 de abril de 2019.

Considerando que o texto acima tenha caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo que
aborde, necessariamente, os seguintes aspectos:

 Relação entre eficiência policial e direitos do cidadão. [valor: 16,00 pontos]


 Finalidade da repressão policial e sua intensidade. [valor: 12,00 pontos]
 Aparelho policial como um dos pilares da sociedade democrática. [valor: 10,00 pontos]

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Proposta de Solução

A Constituição Federal dispõe que a segurança pública é dever do Estado, direito e


responsabilidade de todos e exercida para a preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio, por meio dos órgãos policiais. Desse
dispositivo, depreende-se o relevante papel dos órgãos policiais, qual seja, propiciar
condições para pleno exercício dos direitos do cidadão. [Introdução]
A eficiência, princípio direcionador da Administração Pública, deve ser almejada de
forma ainda mais contundente no âmbito da atividade policial, haja vista a sensibilidade
dos bens jurídicos envolvidos nessa atividade. Há uma relação direta entre esses valores:
quanto mais eficiente a polícia, mais a sociedade terá condições de exercitar os direitos a
ela constitucionalmente assegurados. Se ineficiente, ou seja, se não consegue entregar
resultados satisfatórios com os recursos disponíveis, torna-se incapaz de atender as
demandas sociais, o que frustrará o exercício de direitos. Basta ver que, da eficiência
policial dependem valores como a vida e a paz social, por isso é fundamental que essa
atividade seja desempenhada com elevado esmero e com o menor custo social possível, de
forma que possa atender a um número maior de pessoas e com mais qualidade. [Tópico I]
Outrossim, a repressão policial, que muitas vezes é necessária para conter ou impedir
o cometimento de crimes, deve ter como finalidade proporcionar um ambiente social que
torne possível o gozo de direitos e não cerceá-los. Não obstante seja inerente à atividade
policial o uso da força, ela deve ser sempre exercida de forma proporcional e nos rigorosos
ditames da lei, conforme se estabelece nos Estados democráticos de direito. Nesse sentido,
não se concebem operações policiais com o uso desmedido da violência, ao arrepio do que
preconiza o ordenamento jurídico.
Diante do exposto, pode-se afirmar que o aparelho policial é um dos pilares da
sociedade democrática, sustentáculo fundamental para o funcionamento da sociedade e
para o pleno gozo dos direitos humanos. Sem a atuação eficiente das forças policiais,
instaura-se um cenário de total insegurança e fragilidade social, ambiente em que ficam

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seriamente prejudicados alguns dos direitos humanos mais básicos, como, por exemplo, o
direito à locomoção, à propriedade e à vida.

Tema 4

O atual presidente do Brasil expediu um decreto que facilita a posse de armas. O decreto altera o Estatuto
do Desarmamento, aprovado em 2003, que limita o acesso a armamentos no Brasil. A principal mudança do
decreto é a definição mais flexível de quem tem “efetiva necessidade” de ter uma arma – há o pressuposto
de que as informações prestadas sejam verdadeiras e a Polícia Federal apenas as examina. Outra
modificação importante é o aumento do prazo de validade da autorização de posse de cinco para dez anos.
Internet: <www.bbc.com> (com adaptações).

A posse de arma é uma autorização emitida pela Polícia Federal para que um cidadão possa ter, dentro de
casa ou no lugar de trabalho, uma arma que não seja de calibre restrito, contanto que seja ele o titular ou o
responsável legal pelo estabelecimento. A posse é atualmente liberada para pessoas que sejam maiores de
25 anos de idade, tenham ocupação lícita e de residência certa, comprovem capacidade psicológica,
comprovem capacidade técnica, não tenham antecedentes criminais e não estejam respondendo a
inquérito policial ou a processo criminal, declarem a efetiva necessidade de ter uma arma. O sexto item foi
o único a sofrer mudanças.
Idem (com adaptações).
Especialistas argumentam que a difusão das armas de fogo faz diminuir o seu preço no mercado ilegal e
estimula soluções violentas aos conflitos interpessoais.
Idem (com adaptações).
Um publicitário paulistano resolveu adquirir uma arma depois de ficar refém, com a família, em um assalto
dentro de casa. O tio dele, empresário, passou a usar carro blindado após ter sido baleado em uma tentativa
de assalto. “A gente tenta se proteger da forma que pode, até onde nosso dinheiro alcança”, disse ele.
Internet: <www1.folha.uol.com.br> (com adaptações).
Motivado pela leitura dos textos anteriores, redija um texto dissertativo e(ou) descritivo com o seguinte
tema:

A FACILITAÇÃO DA POSSE E PORTE DE ARMAS DE FOGO CONTRIBUI PARA O COMBATE À


CRIMINALIDADE?

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Proposta de Solução

Com a recente publicação de Decreto que visou à flexibilização dos requisitos para
a obtenção de armas [tema], a discussão desse polêmico assunto reacendeu-se na
sociedade. Em que pese o fato de o Estado ter se mostrado incapaz de proporcionar
segurança adequada à sua população, a facilitação da posse de armas de fogo
acentuará, sobremaneira, a criminalidade no Brasil [tese].

É inequívoco que a redução do número de armas diminui a violência, fato


comprovado pelos números apresentados pelo Atlas da Violência. Segundo esse estudo,
houve uma diminuição proporcional dos homicídios ocorridos no Brasil após a edição do
Estatuto do Desarmamento, refreando uma tendência brusca de crescimento observada
nos anos anteriores. Nos quatorze anos anteriores ao estatuto, os assassinatos por arma
de fogo, no Brasil, cresciam, em média, 5,5% ao ano. Após o estatuto, de 2003 a 2017,
essa taxa caiu para menos de 1% ao ano.

Nesse sentido, armar civis somente aumentará o caos no sistema de segurança


pública, pois o indivíduo que possui uma arma de fogo responde com mais violência às
situações de conflitos interpessoais. Assim, liberar o uso de armas pela população levará
a sociedade ao colapso, na medida em que questões banais e corriqueiras poderão culminar
em lesões graves ou mortes, plenamente evitadas se os indivíduos envolvidos não
estivessem armados.

Além disso, é necessário ter elevado preparo para que o possuidor da arma possa fazer
um bom uso, visto que, em regra, quem ataca está em situação de vantagem proporcionada,
por exemplo, pelo efeito surpresa. Assim, nada garante que um indivíduo armado consiga
repelir a uma investida criminosa. Aliás, o fato de estar armado pode só piorar a situação,
haja vista que o conhecimento desse fato pelo criminoso recrudescerá a violência
perpetrada, ocasionando, fatalmente, a morte do cidadão e a captura de mais uma arma
a serviço do crime.

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Diante do exposto, nota-se que facilitar o acesso às armas piorará o problema. Nesse
sentido, cabe à sociedade organizar-se para exigir dos seus representantes ações contrárias
à flexibilização do posse e porte de armas, como forma de tornar mais seguro o convívio
social, direito constitucionalmente assegurado. [Fechamento com proposta de solução]

Tema 5

Cespe/Cebraspe – PC-DF – 2013 - Adaptada

As armas de brinquedo devem sair de circulação no Distrito Federal em até dez meses, mas a polêmica sobre
a proibição delas parece estar longe do fim. A lei distrital, sancionada recentemente, impede a fabricação,
a comercialização e a distribuição de peças semelhantes ou não aos armamentos convencionais. Estão
inclusas as que disparam balas, bolas, espuma, luz, laser e assemelhados, as que produzem sons e as que
projetam quaisquer substâncias. A aprovação da norma repercutiu nacionalmente e também fora do Brasil,
com reportagem no jornal britânico The Guardian.

Correio Braziliense, 29/9/2013, p. 27 (com


adaptações).

Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto
dissertativo acerca do seguinte tema:

O CERCO ÀS ARMAS COMO ESTRATÉGIA DE COMBATE À VIOLÊNCIA

Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos:

 Percepções diversas acerca das armas, de instrumento de proteção a símbolo de morte e destruição
[valor: 12,50 pontos]
 Efeito educativo pretendido com a proibição da venda de armas de brinquedo [valor: 8,00 pontos]
 Limitações de uma medida legal como a proibição de venda de armas de brinquedo [valor: 8,00 pontos]

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Proposta de Solução

Pontos Semânticos:

Tópico I: percepções diversas acerca das armas, de instrumento de proteção a símbolo de morte
e destruição;
Tópico II: efeito educativo pretendido com a proibição da venda de armas de brinquedo;
Tópico III: limitações de uma medida legal como a proibição de venda de armas de brinquedo.

O entendimento acerca da influência das armas na sociedade divide opiniões.


Enquanto há um grupo que defende a ampliação do acesso às armas como forma de
proporcionar ao próprio cidadão o direito de se defender, há um grupo, de posicionamento
antagônico, o qual preconiza que mais armas significam, necessariamente, mais mortes.
[Tópico I]
O primeiro grupo entende que o desarmamento estimula a violência, haja vista que
os criminosos, cientes de que a população estará indefesa, lançam-se com maior destemor
ao cometimento de delitos. Para eles, a restrição do acesso às armas só prejudica o cidadão,
visto que os criminosos, por óbvio, não respeitam os limites para a posse e o porte de armas
estabelecido pelo Estatuto do Desarmamento. [Tópico I]

Noutro giro, o grupo antagônico defende que estimular a aquisição de armas pela
população irá levar a sociedade ao colapso, visto que questões banais podem culminar em
mortes pelo fato de os indivíduos estarem armados. Outrossim, argumentam que as
estatísticas demonstram a expressiva redução na taxa de homicídios decorrente das
restrições impostas pelo Estatuto do Desarmamento. [Tópico I]

Em relação à Lei Distrital, a proibição visou a evitar o contato prematuro das


crianças com esse tipo de instrumento, idade em que suas personalidades estão sendo
formadas e que ainda não possuem plena capacidade de discernimento. Objetivou,
também, evitar a banalização do uso desse artefato, banindo o uso das armas do
imaginário infantil. Assim, trata-se de uma questão educativa, com o objetivo de dar o
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exemplo, desde a tenra idade, sobre os perigos do uso das armas, criando uma geração de
cidadãos mais conscientes. [Tópico II]

Por fim, ressalte-se que o problema da violência no Brasil é extremamente complexo.


Assim, por melhor que seja a lei e por mais ampla que seja a sua adoção, a ação legiferante,
pura e simplesmente, não será suficiente para resolução de um problema dessa
envergadura. É necessário conjugar esforções de diversas matrizes, dentre os quais se
destacam: os investimentos em educação; a redução da desigualdade social; a efetivação
de políticas públicas de inclusão social e erradicação da pobreza; o combate à impunidade;
e a melhoria do sistema de segurança pública, com foco em retirar as armas da posse dos
criminosos. [Tópico III]

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SEGUNDA RODADA DE TEMAS


Tema 6

Autoral
“O TSH – Tráfico de Seres Humanos é um atentado contra a humanidade, consubstanciado em uma
agressão inominável aos direitos humanos, porque explora a pessoa, limita sua liberdade, despreza sua
honra, afronta sua dignidade, ameaça e subtrai a sua vida.
[...]
Crime multifacetado, o TSH advém de uma multiplicidade de questões, realidades e desigualdades sociais.
Quase sempre, a vítima se encontra fragilizada por sua condição social, tornando-se alvo fácil para a cadeia
criminosa de traficantes que a ludibria com o imaginário de uma vida melhor. Aproveitando-se de sua
situação de vulnerabilidade e da ilusão de um mundo menos cruel, transforma a vítima em verdadeira
mercadoria. A crise mundial, causa do aprofundamento da pobreza e das desigualdades, cria espaços para
o fomento das mais diversas formas de exploração mediante o comércio de seres humanos.”.
Brasil. Secretaria Nacional de Justiça. Tráfico de pessoas: uma abordagem para os direitos
humanos / Secretaria Nacional de Justiça, Departamento de Justiça, Classificação, Títulos
e Qualificação; organização de Fernanda Alves dos Anjos ... [et al.]. – 1.ed. Brasília:
Ministério da Justiça, 2013.” Disponível em: http://www.justica.gov.br/sua-
protecao/trafico-de-
pessoas/publicacoes/anexos/cartilha_traficodepessoas_uma_abordadem_direitos_huma
nos.pdf. Acesso: 01 de fevereiro de 2019.

Considerando que o texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo sobre o
tráfico de pessoas, mencionando, necessariamente os seguintes pontos:
 Explique no que consiste o crime de tráfico de pessoas e mencione três das suas características; [valor:
8,00 pontos]
 Desafios e principais iniciativas governamentais para o seu enfrentamento; [valor: 10,00 pontos]
 Apresente três sugestões para combater a situação. [valor: 10,50 pontos]

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Abordagem teórica

1. Aspectos Gerais

O tráfico de pessoas não é um crime particular à sociedade contemporânea. De acordo com GRECO1 (2017,
pg. 703), desde a antiguidade, principalmente nas sociedades grega e, posteriormente, romana, a compra
e venda de pessoas era prática comum, principalmente para efeitos de exploração de sua força laboral, ou
seja, havia, desde aquela época, o comércio de escravos, que eram tratados como meros objetos.
Segundo o Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas Contra o Crime Organizado
Transacional relativo à Prevenção, à Repressão e à Punição do Tráfico de Pessoa, em especial Mulheres
e Crianças, também conhecido como Protocolo de Palermo, instrumento já ratificado pelo Brasil, essa
conduta criminosa pode ser definida como:

“O recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à


ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade
ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o
consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração, que incluirá, no
mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou
serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, à servidão ou à remoção de órgãos.”

O tráfico de pessoas é considerado uma agressão aos direitos humanos, particularmente, à dignidade
humana. Compreende condutas deploráveis, tais como: exploração de trabalho ou serviços forçados,
escravatura ou práticas similares, a servidão por dívida, a exploração sexual e a prostituição forçada, a
remoção de órgãos, o casamento servil, a adoção ilegal.
É, ao mesmo tempo, causa e consequência de graves violações de direitos humanos. É causa por que sua
finalidade é a exploração da pessoa, degradando sua dignidade e retirando seu direito de liberdade. É
consequência por que tem origem na situação de vulnerabilidade decorrente da desigualdade de gênero,
social e econômica, na violência doméstica, desestrutura familiar, no abuso sexual e na ausência de
perspectivas de profissionalização.
Outrossim, trata-se de atividade criminosa complexa, transnacional, de baixos riscos e altos lucros e que
se manifesta de diferentes maneiras. A capacidade de articulação das organizações criminosas dificulta
sobremaneira o seu enfrentamento, tornando o comércio de humanos o terceiro negócio ilícito mais
rentável no mundo, superado apenas pelo tráfico de drogas e contrabando de armas2.

1
GRECO, Rogério. Código Penal: comentado / Rogério Greco. – 11. ed. – Niterói, RJ: Impetus, 2017.
2
Brasil. Secretaria Nacional de Justiça. Tráfico de pessoas: uma abordagem para os direitos humanos / Secretaria Nacional de
Justiça, Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação; organização de Fernanda Alves dos Anjos ... [et al.]. – 1.ed.
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Estimativas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) indicam que a exploração
sexual é a forma de tráfico de pessoas com maior frequência (79%), seguida do trabalho forçado (18%),
atingindo, especialmente, crianças, adolescentes e mulheres. O fato é que o tráfico de pessoas não é um
problema só dos países de origem das vítimas, mas também dos de trânsito e de destino, que devem coibir,
principalmente, o consumo de produtos deste crime.
Segundo o CNJ3, há tráfico de pessoas quando a vítima é retirada de seu ambiente e fica com a mobilidade
reduzida, sem liberdade de sair de uma situação de exploração sexual ou laboral ou do confinamento para
remoção de órgãos ou tecidos. A mobilidade reduzida caracteriza-se por ameaças à pessoa ou aos familiares
ou pela retenção de seus documentos, entre outras formas de violência que mantenham a vítima junto ao
traficante ou à rede criminosa.
Os aliciadores são, em grande parte dos casos, pessoas que fazem parte do convívio da vítima ou, até
mesmo, membros da família. Alguns, como forma de conseguir maior credibilidade e despertar o interesse
da vítima, se apresentam como empresários ou se dizem proprietários de casas de show, bares, falsas
agências de encontros, matrimônios e modelos. Oferecem bons empregos como forma de despertar o
interesse das vítimas, mas essa promessa se revela uma grande armadilha.
De acordo com o CNJ4, no tráfico para trabalho escravo, os aliciadores, denominados de “gatos”,
geralmente fazem propostas de trabalho para pessoas desenvolverem atividades laborais na agricultura ou
pecuária, na construção civil ou em oficinas de costura. Há casos notórios de imigrantes peruanos,
bolivianos e paraguaios aliciados para trabalho análogo ao de escravo em confecções de São Paulo.
Conforme já mencionado, o Brasil é signatário Protocolo de Palermo, internalizado por meio do Decreto
5.017/2004. De acordo com o art. 5° do referido Decreto, o país se comprometeu a criar as infrações penais
correspondentes ao crime de tráfico de pessoas nos termos do Protocolo, o que somente veio a acontecer
12 anos depois, com a edição da Lei 13.344/2016, próximo ponto da nossa abordagem.

2. Aspectos Penais

O crime de tráfico de pessoas encontra-se previsto no art. 149-A do Código Penal (CP):

Tráfico de Pessoas (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)


Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante
grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de:

Brasília: Ministério da Justiça, 2013. Disponível em: http://www.justica.gov.br/sua-protecao/trafico-de-


pessoas/publicacoes/anexos/cartilha_traficodepessoas_uma_abordadem_direitos_humanos.pdf
3
Disponível em: https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/assuntos-fundiarios-trabalho-escravo-e-trafico-de-pessoas/trafico-
de-pessoas/. Acesso em:08/01/2020.
4
Disponível em: https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/assuntos-fundiarios-trabalho-escravo-e-trafico-de-pessoas/trafico-
de-pessoas/. Acesso em:08/01/2020.
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I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo;


II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo;
III - submetê-la a qualquer tipo de servidão;
IV - adoção ilegal; ou
V - exploração sexual.
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 1o A pena é aumentada de um terço até a metade se:
I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-
las;
II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência;
==c3e1e==

III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de hospitalidade, de


dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente ao exercício de emprego,
cargo ou função; ou
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional.
§ 2o A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário e não integrar organização
criminosa.
Anteriormente, o tráfico de pessoas estava topograficamente situado nos arts. 231 e 231-A do CP, contudo
sua aplicação era restrita à finalidade de exploração sexual. Alinhada aos compromissos assumidos pelo
Brasil (Protocolo de Palermo), o referido crime passou a abrigar outras condutas, nos termos previstos pela
Lei 13.344/2016, o que justificou a sua remoção do Título VI - dos crimes contra a dignidade sexual - e
migração para o Capítulo IV do Título I - dos crimes contra a liberdade individual.
Segundo CUNHA5 (2017, p. 225/226), o tipo em análise é de conduta mista, constituído de oito verbos
nucleares (alguns, inclusive, sinônimos), que representam a operação típica, desde o seu princípio com o
aliciamento da vítima, passando pelo seu transporte e acolhimento no local de destino. Nesse sentido,
pune-se o agente que agenciar (negociar, comerciar, servir de agente ou intermediário), aliciar (atrair,
persuadir), recrutar (chamar pessoas), transportar (levar de um lugar para outro), transferir (mudar de um
lugar para outro), comprar· (adquirir a preço de dinheiro), alojar (acomodar) ou acolher (receber, aceitar,
abrigar) pessoa.
No que se refere aos meios, esses comportamentos devem ser praticados mediante grave ameaça,
violência, coação, fraude ou abuso.

5
CUNHA. Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte especial (arts. 121 ao 361) / Rogério Sanches Cunha- 9. ed. rev., ampl
e atual.- Salvador: JusPODIVM.2017.
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Por fim, deve estar presente a finalidade específica, qual seja, a remoção de órgãos, tecidos ou partes do
corpo, a submissão a trabalho em condições análogas à de escravo e a qualquer tipo de servidão, adoção
ilegal ou exploração sexual.

3. Política de enfrentamento ao tráfico de pessoas

O Brasil estruturou uma Política Nacional para combater esse crime, coordenada de forma tripartite entre
o Ministério da Justiça, a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Secretaria de Direitos Humanos da
Presidência da República.
Na esteira dessa política, foram produzidos os seguintes decretos e demais providências que dela derivam:
 Decreto 5.948/2006: aprovou a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e instituiu
o Grupo de Trabalho Interministerial com o objetivo de elaborar proposta do Plano Nacional de
Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas – PNETP;
 Decreto 6.347/2008: aprovou o PNETP e instituiu Grupo Assessor de Avaliação e Disseminação do
referido Plano;
 Decreto 7.901/2013: instituiu a Coordenação Tripartite da Política Nacional de Enfrentamento ao
Tráfico de Pessoas e o Comitê Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas - CONATRAP.
A CONATRAP, integrada pelo Ministério da Justiça, Secretaria de Políticas para as Mulheres da
Presidência da República e Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, tem como
objetivo, por exemplo: conduzir a construção dos planos nacionais de enfrentamento ao tráfico de pessoas
e coordenar os trabalhos dos respectivos grupos interministeriais de monitoramento e avaliação; mobilizar
redes de atores e parceiros envolvidos no enfrentamento ao tráfico de pessoas; e articular ações de
enfrentamento ao tráfico de pessoas com Estados, Distrito Federal e Municípios e com as organizações
privadas, internacionais e da sociedade civil.
Ainda em 2013, aprovou-se o II PNETP, reforçando compromisso político, ético e técnico do Estado
brasileiro em prevenir e reprimir o crime do tráfico de pessoas e garantir a necessária assistência e proteção
às vítimas, bem como a promoção de seus direitos, de acordo com os compromissos nacionais e
internacionais estabelecidos.
A Política, e a sua execução por meio dos Planos Nacionais de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, está
estruturada em três grandes eixos estratégicos, a saber: a) prevenção; b) repressão e responsabilização
dos autores; e, c) atendimento à vítima. Esse conjunto de ações representa um marco histórico por
reconhecer o fenômeno de tráfico de pessoas como um problema cuja dimensão e gravidade exigem uma
atuação estatal transversalmente articulada com vários ministérios, instituições públicas e sociedade civil.

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Por fim, como produtos concretos dessas políticas, houve a criação de Núcleos de Enfretamento ao
Tráfico de Pessoas6, com a finalidade de articular, estruturar e consolidar uma rede interestadual de
referência e atendimento às vítimas do tráfico de pessoas.

4. Desafios

Com a promulgação da lei 13.344/2016, o crime de tráfico de pessoas, antes diretamente ligado à finalidade
de exploração sexual da vítima, passou a englobar uma série de práticas criminosas (remoção de órgãos,
submissão a trabalho em condições análogas às de escravo ou servidão, adoção ilegal ou exploração sexual).
Isso passou a demandar uma atuação multidisciplinar e coordenada de diversos órgãos, tais como Auditores
e Procuradores do Trabalho, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, entre outros.
Faz-se também necessária uma maior articulação entre sociedade civil e diversos setores do Estado. O
problema deve ser tratado como Política de Estado, haja vista o fato que o enfrentamento ao tráfico de
pessoas depende de uma grande mobilização da sociedade e das instituições, demandando ações de
cooperação, coordenadas e integradas, de diversas áreas como saúde, justiça, educação, trabalho,
assistência social, turismo, entre outras.
Além disso, com o fenômeno da globalização e com maior facilidade em se estabelecerem redes de
comunicação internacionais, facilita-se a livre locomoção das pessoas, bem com a organização e
operacionalização desse crime de caráter transfronteiriço, o que, por certo, dificulta o seu controle,
fiscalização e repressão.
Outro desafio é tornar a Lei conhecida, assim como ocorreu com a Lei Maria da Penha. É importante que,
tanto as autoridades policiais quanto os cidadãos de forma geral conheçam a lei, de forma que sejam
capazes de identificar as situações de sua ocorrência e para que as potenciais vítimas tenham condições de
se prevenir e não se deixar serem envolvidas pelas redes de aliciamento.
Também é desafio proporcionar redes de proteção como forma de encorajar às vítimas a denunciarem os
crimes dessa natureza, superando o silêncio e o medo de denunciar. E, por fim, o maior desafio é prover
condições sociais adequadas para superar a situação de vulnerabilidade em que se encontram as vítimas,
evitando que se tornem “presas fáceis” para os aliciadores.

5. Enfrentamento

Sem sombra de dúvida, houve um avanço no enfrentamento ao tráfico de pessoas no Brasil, mas essa
estrutura ainda não é capaz de proporcionar, de forma plena, uma segurança robusta às vítimas (potenciais

6
Segundo informações disponíveis em: https://www.justica.gov.br/sua-protecao/trafico-de-pessoas/redes-de-
enfrentamento/nucleos-de-enfrentamento, atualmente, estão em funcionamento quinze (15) Núcleos.
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e efetivas). Por esse motivo, é necessário que o Estado envide providências para o seu enfrentamento. De
forma mais específica, pode-se sugerir a adoção das seguintes medidas:
 Necessidade de se reforçar a aplicação da lei e aplicação da responsabilização (se cabível) dos
agentes que integram as redes criminosas especializadas na exploração de seres humanos para fins
de tráfico;
 A realização de campanhas informativas e preventivas. É fundamental educar a população para
desconfiar de propostas de emprego fácil e lucrativo. As ações educativas devem enfatizar que, antes
de aceitar qualquer proposta de emprego, é importante ler atentamente o contrato de trabalho,
buscar informações sobre a empresa contratante, e, caso haja qualquer desconfiança, procurar auxílio
da área jurídica especializada. A atenção é redobrada em caso de propostas que incluam
deslocamentos, viagens nacionais e internacionais.
 Investir nas operações de inteligência, necessária para a identificação do funcionamento das redes de
aliciamento de pessoas, dando maior efetividade à atividade repressiva;
 Sendo o tráfico de pessoas um crime complexo e transnacional, para que haja um efetivo
enfrentamento a esse crime, torna-se fundamental fomentar o processo de articulação,
descentralização e participação de todos os segmentos da sociedade, de forma a estabelecer um
pacto federativo entre os distintos poderes e níveis de governo. Daí a necessidade de fortalecimento
das Rede de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, constituídas pelos Núcleos já mencionados;
 Deve-se também buscar o envolvimento e atuação coordenada entre diversas instituições, tais
como Ministério Público, da Defensoria Pública e do Judiciário, dos órgãos de segurança e serviços de
inteligência — nacional e internacional —, dos órgãos envolvidos na cooperação internacional, dos
movimentos sociais, das organizações privadas de defesa dos direitos de grupos vulneráveis ou de
defesa dos direitos humanos etc., com foco no acolhimento das pessoas em situação de tráfico e
sua reinserção na sociedade e no mercado de trabalho7;
 A inserção de conteúdos de direitos humanos nas escolas e a formação dos educadores para
tratamento de crimes contra a dignidade da pessoa humana;
 O estabelecimento de parcerias entre o estado e a sociedade civil para formação e capacitação sobre
tráfico humano de conselheiros tutelares, policiais, membros do Judiciário e do Ministério Público, das
lideranças comunitárias, profissionais da área de saúde e assistência social, dentre outros8;

7
SOARES, Inês Virgínia Prado. Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas sob a Ótica dos Direitos Humanos no Brasil. Disponível
em:http://www.justica.gov.br/sua-protecao/trafico-de-pessoas/publicacoes/anexos/cartilha_traficodepessoas _uma
abordadem_direitos_humanos.pdf
8
Brasil. Secretaria Nacional de Justiça. Tráfico de pessoas: uma abordagem para os direitos humanos / Secretaria Nacional de
Justiça, Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação; organização de Fernanda Alves dos Anjos ... [et al.]. – 1.ed.
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 O combate às causas do crime, como a má distribuição de renda, o desenvolvimento assimétrico entre


os países e a desigualdade de gênero e de raça.

6. Bibliografia

Brasil. Secretaria Nacional de Justiça. Tráfico de pessoas: uma abordagem para os direitos humanos / Secretaria
Nacional de Justiça, Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação; organização de Fernanda Alves
dos Anjos ... [et al.]. – 1.ed. Brasília: Ministério da Justiça, 2013. Disponível em: http://www.justica.gov.br/sua-
protecao/trafico-de-pessoas/publicacoes/anexos/cartilha_traficodepessoas_uma_abordadem_direitos_
humanos.pdf. Organizadores: Daniela Muscari Scacchetti, Fernanda Alves dos Anjos, Gustavo Seferian Scheffer
Machado e Inês Virginia Prado Soares.

CUNHA. Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte especial (arts. 121 ao 361)/ Rogério Sanches Cunha- 9. ed.
rev., ampl e atual.- Salvador: JusPODIVM.2017.

GRECO, Rogério. Código Penal: comentado / Rogério Greco. – 11. ed. – Niterói, RJ: Impetus, 2017.

Tema 7

Inédita

ASSÉDIO VIRTUAL - 'CYBERBULLYING É QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA'


"Brincadeiras" ofensivas foram por muito tempo ignoradas por pais e responsáveis por crianças e
adolescentes. Nos últimos anos, no entanto, o bullying passou a ser encarado de forma mais séria e hoje é
considerado um problema real e frequente em todo o mundo. No entanto, com as novas plataformas de
comunicação, a juventude passou a conviver com as agressões também no ambiente virtual. Tanto que o
cyberbullying tornou-se problema de saúde pública e que pode trazer consequências graves para as vítimas.
Ansiedade, depressão e suicídio são alguns dos resultados da violência praticada entre crianças e
adolescentes no ambiente virtual. Os sintomas nem sempre são percebidos pelos responsáveis, o que torna
a agressão ainda mais perigosa. Falta de políticas públicas de combate ao problema e a ausência de debate
nas escolas e na sociedade são agravantes.
Segundo a última pesquisa TIC Kids, de 2016, realizada pelo CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil),
mais de 80% da população brasileira entre 9 e 17 anos utilizam a rede. O número de jovens que navegam na
rede mais de uma vez por dia foi de 21% em 2014 para 69% em 2016.

Brasília: Ministério da Justiça, 2013. https://www.justica.gov.br/sua-protecao/trafico-de-


pessoas/publicacoes/anexos/cartilha_traficodepessoas_uma_abordadem_direitos_humanos.pdf
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Disponível em: < https://www.nic.br/noticia/na-midia/assedio-virtual-


cyberbullying-e-questao-de-saude-publica/>. Acesso em: 11 set. 2019.

MODELO DE MG COMETE SUICÍDIO APÓS VÍDEO DE SEXO VAZAR NA WEB


Uma notícia chocou o Brasil nesta quarta-feira, quando a Polícia Civil de Goiás divulgou que uma modelo de
Minas Gerais pode ter cometido suicídio após o vazamento de um vídeo.
De acordo com O Tempo, Milena Chaves Andrade, 20, natural da cidade de Sete Lagoas, foi encontrada
morta nesta segunda-feira, 27.
A moça foi encontrada por seu personal trainer que foi em seu apartamento à pedido de sua família, que
não conseguia contato com ela há dias.
Milena foi encontrada dentro do banheiro enforcada com o cabo de sua chapinha e segundo as suspeitas,
ela teria cometido suicídio após um vídeo em momento íntimo ter caído na web.
O vídeo teria viralizado entre seus colegas de trabalho e lhe causado depressão. Se a teoria for confirmada
o autor do vazamento poderá pegar até cinco anos de prisão.
Disponível em: < http://moonbh.com.br/modelo-de-mg-comete-suicidio-
apos-video-de-sexo-vazar-na-web-veja/>. Acesso em: 11 set. 2019.

CYBERBULLYING: A VIOLÊNCIA VIRTUAL


Todo mundo que convive com crianças e jovens sabe como eles são capazes de praticar pequenas e grandes
perversões. Debocham uns dos outros, criam os apelidos mais estranhos, reparam nas mínimas
“imperfeições” - e não perdoam nada. Na escola, isso é bastante comum. Implicância, discriminação e
agressões verbais e físicas são muito mais frequentes do que o desejado. Esse comportamento não é novo,
mas a maneira como pesquisadores, médicos e professores o encaram vem mudando.
Há cerca de 15 anos, essas provocações passaram a ser vistas como uma forma de violência e ganharam
nome: bullying (palavra do inglês que pode ser traduzida como “intimidar” ou “amedrontar”). Sua principal
característica é que a agressão (física, moral ou material) é sempre intencional e repetida várias vezes sem
uma motivação específica. Mais recentemente, a tecnologia deu nova cara ao problema. E-mails
ameaçadores, mensagens negativas em sites de relacionamento e torpedos com fotos e textos
constrangedores para a vítima foram batizados de cyberbullying. Aqui, no Brasil, vem aumentando
rapidamente o número de casos de violência desse tipo.
Disponível em: <https://novaescola.org.br/conteudo/1530/cyberbullying-a-
violencia-virtual>. Acesso em: 11 set. 2019.

A partir da leitura dos textos de motivadores, redija um texto dissertativo sobre o tema:
CIBERBULLYING: A VIOLÊNCIA PRATICADA NA INTERNET

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Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos:


1 causas do problema; [valor: 9,50 pontos]
2 consequências sofridas pelas vítimas desse ato; [valor: 9,50 pontos]
3 providências a serem tomadas para o combate desse tipo de violência. [valor: 9,50 pontos]

Abordagem Teórica

1. Introdução

Segundo a Lei n° 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, considera-
se bullying, todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem
motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de
intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre
as partes envolvidas.
O bullying inclui, portanto: ataques físicos; insultos pessoais; comentários sistemáticos e apelidos
pejorativos; ameaças por quaisquer meios; grafites depreciativos; expressões preconceituosas; isolamento
social consciente e premeditado; e pilhérias.
A referida lei define que a intimidação sistemática ou bullying pode ser classificada, conforme as ações
praticadas, como:
I - verbal: insultar, xingar e apelidar pejorativamente;
II - moral: difamar, caluniar, disseminar rumores;
III - sexual: assediar, induzir e/ou abusar;
IV - social: ignorar, isolar e excluir;
V - psicológica: perseguir, amedrontar, aterrorizar, intimidar, dominar, manipular, chantagear e
infernizar;
VI - físico: socar, chutar, bater;
VII - material: furtar, roubar, destruir pertences de outrem;
VIII - virtual: depreciar, enviar mensagens intrusivas da intimidade, enviar ou adulterar fotos e dados
pessoais que resultem em sofrimento ou com o intuito de criar meios de constrangimento psicológico e
social.

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Quando a intimidação sistemática é virtual (ver item VIII acima), tem-se o famoso cyberbullying. Como
visto, ocorre quando se usam os instrumentos próprios da internet para depreciar, incitar a violência,
adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial.
Assim, praticar cyberbullying significa usar o espaço virtual para intimidar e hostilizar uma pessoa, excluindo,
insultando ou atacando de forma covarde, valendo-se, muitas vezes, do anonimato. São exemplos desse
tipo de atitude: exposição de fotografias ou montagens constrangedoras (exemplo: fazer “memes”
caricaturas e com a vítima e espalhar essas mensagens); divulgação de fotografias íntimas e fazer críticas à
aparência física, à opinião e ao comportamento social de indivíduos de forma repetitiva e sistemática.
Pessoas de qualquer faixa etária podem ser vítimas de cyberbullying, mas é mais frequente entre
adolescentes.
Vamos agora a alguns dados.
Pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), de outubro, mediu o comportamento online de
jovens. Os dados revelam que, de cada quatro crianças e adolescentes, um foi tratado de forma ofensiva na
internet, o que corresponde a 5,6 milhões de meninos e meninas entre 9 e 17 anos. O percentual cresce ano
a ano: passou de 15% em 2014 para 20% em 2015 até chegar a 23% no ano de 2016.
Um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa (Ipsos) em 2018 revelou que Brasil é o 2º país com
mais casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes. Além disso, 29% dos pais ou responsáveis
brasileiros consultados relataram que os filhos já foram vítimas de violência online. Na pesquisa anterior,
divulgada em 2016, esse índice era de 19%.
No âmbito do cyberbullying, é importante conhecer algumas figuras que se tornaram bastante conhecidas:
 Hater: tradução literal “odiador”. São indivíduos que postam comentários de ódio ou crítica, muitas
vezes sem a vítima der dado causa, e de forma sistemática;
 Sexting: divulgação de conteúdos eróticos e sensuais através de celulares. O fato de essa informação
ficar armazenada nos celulares dá a possibilidade de que, numa invasão por hackers, o conteúdo
possa viralizar na internet, podendo levar a vítima a sofrer com o cyberbullying. Esse tipo de fato,
inclusive,
 Revenge porn: tradução literal “pornografia de vingança”. Na sua forma mais comum, ocorre quando
ex-namorado ou ex-marido que, inconformado com o término da relação, divulga, como forma de
expor/punir a sua ex-parceira, fotografias ou vídeos nas quais ela aparece nua ou em cenas de sexo.

2. Causas

Bem da verdade, sabe-se que o assédio escolar sempre existiu. Suas causas não se alteraram muito com o
passar do tempo: o estudioso (“cdfs”), o que tem alguma dificuldade psicomotora, o gordinho etc. O que é
novo é a forma em que isso ocorre, não mais limitada ao ambiente físico em que a vítima frequenta. Trata-

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se de uma faceta negativa da tecnologia, que proporciona o assédio virtual, cuja amplitude e a exposição
da vítima é ilimitada.
Mas, afinal, porque o cyberbullying acontece? Na verdade, os motivos são os mesmos do bullying, com
algumas características especiais. Praticado, em grande parte por adolescentes, trata-se do uso da violência
como forma de afirmação, de sentir-se poderoso ou buscar a afirmação do grupo.
Contudo o cyberbulliyng dá ao fato uma proporção maior. Primeiro pela questão do anonimato: os
agressores geralmente usam perfis falsos (fakes) e alimentam a crença de que, com isso, e pelo relativo
isolamento proporcionado pela internet, estão totalmente protegidos. O que muitos agressores
desconhecem é que os perfis e e-mails falsos para se manterem em sigilo e não terem a sua identidade real
revelada podem ser rastreados e descobertos por meio da análise do endereço de IP. Assim, no curso de
uma investigação policial, caso autorizado judicialmente, a identificação do agressor é possível, o que
relativiza o anonimato.
No mundo virtual, os agressores, muitas vezes, nem conhecem a vítima, o que resulta em certa
insensibilidade com as consequências da ofensa. Além do distanciamento emocional, outro fator que
estimula essa forma de agressão é a distância física, pois o fato de não estar próximo à vítima leva à crença
de que o agressor está imune a qualquer reação por parte da vítima. Afinal, quando estão no mesmo local,
agressor e vítima, nunca sabe com total certeza a intensidade do revide.
Outro conceito que pode ser invocado é de liquidez das relações contemporânea, inserida no contexto da
modernidade líquida, cunhado pelo filósofo Zygmunt Bauman. Para o referido filósofo, a modernidade
líquida é um mundo sem forma, de incertezas, de medos, de ausência da concepção de progresso, de
fragilidade nas relações sociais e volatilidade das relações.
No ambiente digital, os laços sociais, que dão garantia de respeito mútuo entre as pessoas, tornam-se mais
enfraquecidos. A empatia dá lugar à visão egocêntrica, visto que há a perda da noção do sofrimento alheio
e o sentimento de menor responsabilidade pelas agressões proferidas.
Por fim, pode também ser mencionada a questão da intolerância, que se expressa pela dificuldade de
conviver com as diferenças, que pode dizer respeito a gênero, inclinação política, cor de pele, cabelo,
religiosidade etc. Essa exclusão do diferente como via de manifestação da intolerância acarreta, muitas
vezes, manifestações de violência, modo encontrado para a aniquilação do que não é aceito pelo grupo
social.

3. Consequências

As consequências para a vítima são as mais diversas. Os primeiros sintomas incluem a exclusão do convívio
social, tristeza e isolamento da vítima. Com o passar do tempo, esse quadro, se não tratado, pode evoluir
para depressão, transtorno de ansiedade, automutilação e síndrome do pânico.

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Podem estar associados a esses distúrbios o baixo desempenho escolar, baixa autoestima, dificuldades em
se relacionar em sociedade e na sua inserção no mercado de trabalho, além de problemas da busca de alívio
dos problemas nas drogas e no álcool. Nos casos mais extremos, a vítima de cyberbullying pode, até mesmo,
vir a ceifar a sua própria vida.
Para o agressor, a atitude também pode gerar consequências. É possível que lhe sejam imputadas uma série
de condutas tipificadas no Código Penal. São exemplos os crimes contra a honra - calúnia (art. 138),
difamação (art. 139), injúria (art. 140), injúria racial (art. 140, § 3º) - divulgação de cena de estupro ou de cena
de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia9 (art. 218-C).
Além das punições na esfera penal, também pode haver a responsabilização civil, na qual se buscará a
indenização por dano moral ou material.

4. Providências

Quanto às propostas de intervenção, dividamos a questão em três frentes. A educativa, a legislativa e a


assistencial:
Na primeira frente, podemos citar:
 A capacitação de docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão,
prevenção, orientação e solução do problema;
 A implementação e disseminação de campanhas de educação e informação, de forma que fiquem
claras as danosas consequências desse ato para as vítimas e para a sociedade como um todo, bem
como as consequências penais (detenção, reclusão e multa) e cíveis para os agressores;
 A instituição de práticas de conduta e orientação de pais, familiares e responsáveis diante da
identificação de vítimas e agressores;
 A integração dos meios de comunicação de massa com as escolas e a sociedade, como forma de
identificação e conscientização do problema e forma de preveni-lo e combatê-lo;
 Promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma cultura de
paz e tolerância mútua;
 Evitar, a depender da gravidade dos fatos, a punição dos agressores, privilegiando mecanismos e
instrumentos alternativos que promovam a efetiva responsabilização e a mudança de
comportamento hostil.

9
Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer
meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro
audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o
consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia: (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
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Pela frente legislativa, já há leis que regulam a matéria e estabelecem punições. Assim, o esforço é para
fazer com que essas leis tenham os seus dispositivos respeitados e, quando isso não acontecer, as
punições aplicadas. Perceba que, em grande medida, essa frente está relacionada área educativa. O que
poderia ser sugerido, nesse sentido, é a criação de um tipo penal específico. Atualmente, tramitam
projetos de lei com esse teor10.
Por fim, na frente assistencial, a ideia é dar assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos
agressores. Nessa linha, a proposta é evitar o agravamento da situação. Nessa linha, pode-se também
falar sobre as “Delegacia de Crimes Eletrônicos”, especializadas no tratamento desse tipo de crime e
existentes em apenas algumas cidades.

Tema 8

Inédita
“Uma recente pesquisa feita no período eleitoral, durante o ano passado, revelou que as duas maiores
preocupações do eleitor brasileiro estavam relacionadas a escalada da violência, ou seja, o medo de perder
um ente querido de forma violenta ou de sofrer algum tipo de violência pessoal. Realizado pelo instituto
Real Time Data, o levantamento também revelou que 85% dos entrevistados mostravam preocupação
excessiva com a segurança pública.
Essa preocupação não é exclusiva do brasileiro. A grande diferença é que, em outros países, muito já foi
feito para combater a escalada da violência, e grande parte desses esforços só foi possível por conta de
novas tecnologias. Em matéria de segurança pública, não faltam inovações tecnológicas em prol do
combate ao crime”.
Como a tecnologia aprimora o trabalho da polícia. Disponível em:
http://www.ariehalpern.com.br/como-a-tecnologia-aprimora-o-
trabalho-da-policia/. Acesso em: 09 dez. 2019.

[...] o Estado Brasileiro além de investir pouco, quando o faz, gasta mau, e em decorrência da má qualidade
do investimento - não pode dele advir bons frutos - o resultado em geral, é baixo ou pífio. No que tange a
segurança pública, por exemplo, os altos índices de criminalidade estão diretamente relacionados à falta de
estratégia e inteligência no combate ao crime.
Apenas para ilustrar a questão, cabe mencionar que no episódio do atentado da Maratona de Boston, a
polícia, graças a uma câmera de circuito fechado de lojas de rua, conseguiu em poucas horas identificar e

10
PL1011/11. Disponível em: <https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid= F86FE100CC57
E902141882914318E49B.proposicoesWebExterno1?codteor=858789&filename=PL+1011/2011>
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prender os responsáveis pelo atentado, cuja a detonação da bomba utilizou a rede de telefonia móvel. Cabe
lembrar que tanto aqui como lá, criminosos utilizam o que há de melhor na tecnologia. A diferença é que lá
o Estado também tem os melhores recursos e aqui, nossa força policial, em geral, não tem nada ou quando
tem está sucateado ou inoperante. Como esperar um resultado satisfatório num Estado que a polícia vive
de favor para comer ou abastecer uma viatura? [...]
Como a tecnologia aprimora o trabalho da polícia. Disponível em:
https://canaltech.com.br/seguranca/Como-a-tecnologia-pode-
ajudar-no-combate-ao-crime/. Acesso em: 09 dez. 2019.

Considerando os textos de apoio acima e seu conhecimento de mundo, elabore um texto dissertativo-
argumentativo sobre o tema:
A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA NO TRABALHO POLICIAL
Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos:
a) Como a tecnologia pode auxiliar o trabalho policial. [valor: 12,00 pontos]
b) Como o uso da tecnologia na atividade policial pode contribuir para a cidadania. [valor: 8,00 pontos]
c) Apresente eventual risco que envolvem a adoção massiva de recursos tecnológicos. [valor: 8,50 pontos]

Abordagem Teórica

Sabe-se que a tecnologia vem alterando de forma brusca a realidade do cotidiano das pessoas.
Revolucionou a maneira das pessoas se comunicarem, bem como de interagirem com as empresas ou
instituições. Já se é incapaz de conceber um mundo sem o dinamismo proporcionado por e-mails,
mensagens e vídeos por aplicativos de comunicação instantânea e de compartilhamento de arquivos
(exemplo: WhatsApp), entre inúmeros recursos.
A tecnologia também revolucionou os métodos e técnicas utilizados no dia a dia das empresas, que
passaram a incorporar diversas ferramentas. A grande diversidade de recursos existentes no ambiente
empresarial proporciona diversos benefícios, entre os quais se destacam: redução de custos, melhorias no
uso dos recursos; aumento da produtividade; melhorias no desempenho e eficiência das atividades a serem
executadas; e inovação e aperfeiçoamento na execução das atividades.
Na área de segurança pública, esse cenário não é diferente. O uso da tecnologia pode mudar a forma de
gestão das polícias, de prevenir e investigar crimes, entre outros. Vejamos, desde as mais complexas às
mais rudimentares, as tecnologias atualmente disponíveis, capazes de otimizar o desempenho da atividade
policial.
1. Modernização na forma de comunicar ocorrência (informatização da atividade policial em campo).

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Tradicionalmente, as ocorrências são registradas em formulários, encaminhadas à seção técnica dos


batalhões para serem digitalizadas no sistema. Esse procedimento consume bastante tempo de
deslocamento, mobilizava equipe para tarefa administrativa e não gerava comodidade ao cidadão.
Na maioria das vezes, a comunicação entre base e efetivo em campo era estabelecida por meio do
rádio, meio que apresenta algumas limitações e baseada em tecnologia superada atualmente.
Com o uso de tecnologias inovadoras, esse procedimento pode ser bastante otimizado. Os agentes
podem receber as ocorrências da Central de Emergência por meio de tablets ou smartphones, dando
maior dinamismo à atividade policial. Os boletins de ocorrência podem ser impressos por impressoras
acopladas às viaturas, sem precisar o comparecimento a uma delegacia, o que permite economia de
tempo e uma resposta mais tempestiva às demandas da sociedade.
Além disso, os policiais podem formalizar as ocorrências por meio desses dispositivos, e registrar,
inclusive por meio fotográfico, os dados que consubstanciem os fatos narrados. Os aplicativos usados
nesses dispositivos podem fornecer uma série de informações (regularidade das placas de veículos,
mandados de prisão em aberto e carros com registro de furto/roubo) sem que os policiais precisem
retornar à corporação para levantar dados. Todos os dados coletados podem ser encaminhados
diretamente a um sistema integrado com outros órgãos, permitindo a eles terem acesso às
informações.
2. O uso de sistemas integrado de georreferenciamento capazes de produzir informações em tempo
real sobre ocorrências, efetivo policial, localização de viaturas etc. Essa ferramenta tem o potencial de
facilitar a gestão do comando, que terá informações dos seus recursos em campo e em tempo real,
possibilitando economia de tempo, recursos e esforços. Esse sistema já é usado em estados como
Minas Gerais.
3. Podem também ser utilizados sistemas de georreferenciamento que informem dados e gerem
estatísticas e indicadores, por área, natureza de crime, horário de ocorrência, entre outros. Uma vez
implementado o sistema, será possível entender como a criminalidade atua, as zonas de maior
periculosidade, quais os delitos cometidos nessas áreas e o horário preferencial de atuação. Essas
informações podem servir para o planejamento das ações policiais, alocação dos recursos humanos e
materiais e para a prevenção de delitos.
4. Utilização uso de Drones e de Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants). Utilizadas, inicialmente,
pelas Forças Armadas, têm, atualmente, sua aplicação estendida a diversas áreas. Um dos seus
principais recursos é poderem ser dotadas de câmeras de grande resolução, que permitem obter fotos
e vídeos de alta qualidade, a uma distância considerável, sem serem notados.
O uso desses equipamentos apresenta inúmeras utilidades e vantagens. São exemplos: a menor
exposição dos agentes ao perigo, por monitorarem regiões de riscos à distância; a orientação
transmitidas as agentes no contexto de perseguição de fugitivos; a observação de locais inacessíveis
ou extremamente arriscados para a incursão de policiais; a cobertura de grandes áreas com um
número reduzido de policiais; o monitoramento de rebeliões em unidades prisionais; o
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monitoramento de áreas controladas pelo tráfico com custos de operação muito reduzidos quando
comparados a outros meios convencionais, como por exemplo, o uso de helicópteros; e a maior
facilidade para a coleta de informações, auxiliando as ações de inteligência e investigação;
lançamento de boias para quem estiver sob risco de afogamento, .
5. Uso de câmeras que monitorem as vias urbanas com tecnologia OCR, capazes de lerem placas
veiculares. A integração essas câmeras e o cruzamento de banco de dados da polícia e DETRAN
permitiria uma identificação imediata de veículos roubados em circulação. Isso já é feito em algumas
cidades do país, a exemplo de São Paulo e Florianópolis.
6. Cruzamento de informações constantes em diversos bancos de dados por meio das tecnologias
de Big Data11.
No âmbito da segurança pública, o Big Data possibilita a identificação e análise de comportamentos
para a indicação de prováveis atos criminosos.
Por meio de uma estrutura de Big Data, identifica-se e reúne-se uma grande massa de informações de
diversas bases: bancos de dados das polícias, cadastro de pessoas procuradas e desaparecidas, dados
do DETRAN e registro de veículos furtados, roubados e clonados e, até mesmo, informações
provenientes de redes sociais.
O objetivo das informações geradas é preventivo, ou seja, evitar a ocorrência de diversos tipos de
crimes, por meio da atuação antecipada da polícia em locais apontados pelo sistema, que analisou
registros de ocorrências, informações sobre suspeitos e forma de execução dos crimes para indicar,
com precisão, os locais e horários onde um crime pode ocorrer. Sistemas com base nessa tecnologia
já são usados na prefeitura e no estado de São Paulo.
Com base nessa tecnologia, a polícia de Londres tem um projeto de mapeamento de bairros, o qual a
permitiu concluir que a chance de um crime ocorrer em um local já classificado como perigoso é dez
vezes maior do que a de ocorrer em uma área aleatória. Isso permite deslocar os agentes de forma
mais eficiente, graças ao cruzamento de dados sobre criminalidade.
7. Realidade Aumentada (RA)12: com a ajuda do Google glass13 e outros óculos semelhantes no
mercado, policiais podem identificar criminosos. Dotados de software de reconhecimento facial,
esses óculos são capazes de fornecer diversas informações sobre as pessoas abordadas pelos policiais,
como nome, local, mandados e crimes passados – se houver. Além disso, podem ajudar os policiais a

11
Big Data é a tecnologia utilizada para tratamento de dados estruturados e não estruturados, gerados diariamente pelas
empresas. Outra definição: é a área do conhecimento que estuda como tratar, analisar e obter informações a partir de conjuntos
de dados grandes demais para serem analisados por sistemas tradicionais.
12
Realidade aumentada é uma tecnologia que permite a integração de elementos ou informações virtuais a visualizações do
mundo real através de uma câmera e com o uso de sensores de movimento. Essa tecnologia consiste em adicionar elementos
virtuais a ambientes reais, transformando a percepção e a experiência de uso de um determinado serviço. Um exemplo do uso
dessa tecnologia é o jogo Pokémon Go (lembra-se dos caçadores de Pokémons?).
13
O Google Glass é um dispositivo semelhante a um par de óculos, que fixados em um dos olhos, disponibiliza uma pequena tela
acima do campo de visão.
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identificar o proprietário de qualquer veículo, cruzando as informações da placa do veículo com os


bancos de dados disponíveis. O equipamento dá maior transparência ao trabalho policial, pois
também possui a funcionalidade de gravar, registrando a ação policial em vídeo e armazenando as
abordagens para que não haja dúvida quanto à conduta dos agentes. Em diversos estados americanos
o uso de óculos de realidade aumentada está incorporado ao cotidiano dos departamentos de
polícia14.
8. A implementação de grupos de WhatsApp, administrados por policiais, e composto por membros da
comunidade. É uma ferramenta útil de comunicação que servirá tanto para o recebimento de
denúncias e sugestões como para a difusão de informações oficiais por parte dos policiais. Pode
auxiliar também nos trabalhos de investigação, com a transmissão de informações entre as partes, a
exemplo da fotografia de um criminoso procurado ou do número de uma placa de automóvel furtado.
A PM do DF utiliza esse tipo de ferramenta.
9. Depoimento à distância, utilizando-se de recursos como salas de videoconferência. De forma remota,
o delegado, presente numa central poderá toma o depoimento de presos em flagrante e dos policiais que
efetuaram a prisão.
10. Identificação de pessoas: com o uso da biometria (impressão digital, reconhecimento da face,
identificação pela íris, reconhecimento pela retina) há aplicativos capazes de fornecer diversas
informações sobre determinada pessoa. Isso facilita a abordagem policial em campo, pois
proporciona acesso a registros criminais e outros dados de interesse.
11. Aplicativos diversos: algumas polícias usam aplicativos em que os cidadãos podem alertar sobre o
cometimento de infrações (mesma dinâmica do Waze), o que permite, além de alertar a polícia, gerar
de estatísticas sobre a incidência de determinado crime em determinado local. Há também aplicativos
direcionados a quem tem medida protetiva determinada pelo Poder judiciário.Em caso de urgência,
basta um clique no celular para que a polícia vá até o local onde a mulher se encontra, com dados de
localização enviado pelo "smartphone".
12. Uso de câmeras acopladas à farda do policial: trata-se de uma ferramenta cujo uso pode ser
facilmente visualizado em programas televisivos que mostram abordagem e operações policiais. Por
meio dessas câmeras, as centrais de controle têm acesso em tempo real a tudo que é feito pelos
policiais, o que gera maior segurança jurídica e transparência.

14
Disponível em: http://www.ariehalpern.com.br/como-a-tecnologia-aprimora-o-trabalho-da-policia/. Acesso em 09/12/2019.
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Um assunto bastante mencionado e apontado por especialistas como capazes de revolucionar a Segurança
Pública é a construção de cidades inteligentes (Smart Cities15) e o uso de inteligência artificial, especialmente
o uso de câmeras de reconhecimento facial.
O reconhecimento facial é uma tecnologia que funciona com a submissão de imagens a algoritmos
computacionais a fim de identificar dezenas de pontos únicos na face de cada pessoa. Assim, quando
alguém passar por uma câmera, os algoritmos buscarão, em uma velocidade absurda, os mesmos pontos
faciais contidos em cada imagem salva no banco de dados.
O reconhecimento facial é uma tecnologia em franca expansão quanto à sua aplicação. É utilizada em
aeroportos, segurança nas fronteiras, bancos, lojas comerciais, escolas e tecnologia pessoal, assim como
para desbloquear smartphones. Em âmbito público, estados como Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo têm
testado ferramentas do tipo para reforçar a segurança urbana. O governo baiano utilizou, por exemplo,
um sistema durante o Carnaval de Salvador para mapear os rostos de foragidos em meio à folia.
As câmeras já conseguem identificar perfis a partir de imagens, caracterizá-los (gênero, idade
aproximada, etnia, altura), identificar o caminho percorrido pela pessoa na área coberta por câmeras e
responder imediatamente se a pessoa é procurada a partir de um cruzamento com uma lista de pessoas
procuradas. Com esses dados, é possível aprimorar a investigação ao permitir o cruzamento de
informação de perfis que transitaram no local, com o padrão temporal e local de crime e levantar possíveis
suspeitos e mesmo ter a imagem do crime sendo cometido.
Contudo, apesar de parecer algo fantástico, não faltam críticas ao patrulhamento promovido por essas
câmeras, fundamentadas, principalmente, na ofensa ao direito à privacidade.

Momento Filosofia
Michel Foucault (1926 - 1984), filósofo francês, detém um acervo considerável de trabalhos publicados
durante a carreira de escritor. Vamos comentar, no que se refere à questão, brevemente, sobre um dos
seus livros mais conhecidos (talvez, o mais): Vigiar e Punir.
O livro trata, em linhas gerais, sobre as ferramentas que o Estado se utiliza, e se utilizou, ao longo da
história para manter o homem sob controle. Foucault irá traçar a genealogia do Poder de Punir, ou seja,
como esse conceito evoluiu ao longo da história. No início, explica o autor, a técnica empregada era do
suplício, ou seja, a tortura física. A forma de punir evoluiu, chegando ao atual modelo, a de privação da
liberdade pela pena de prisão.

15
As Smart Cities são localidades que focam na qualidade de vida dos cidadãos, oferecendo recursos que possibilitam um convívio
mais harmônico, integrado, valorizando inúmeros setores que deveriam ser prioridade nas políticas públicas, como segurança,
saúde, educação, meio ambiente e infraestrutura.
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Foucault explica que a prisão envolve uma técnica de poder disciplinar, de doutrinação, que se espalha
em uma série de outras instituições da sociedade, como, por exemplo, as escolas, quartéis, hospitais etc.
Nesses locais, o fundamento do controle é o medo, a submissão e a constante vigilância.
O arquétipo dessa vigilância aumentada é, para Foucault, o projeto arquitetônico do panóptico de
Bentham, que teoriza a existência de um espaço disciplinador consistente em uma prisão circular com
uma torre no meio, que permitia ao guarda que lá está conseguir ver todas as celas, mas os prisioneiros
não conseguem ver o guarda.
O prisioneiro parte do princípio que há um guarda o monitorando constantemente e não tenta fugir,
denotando o fato de que, muitas vezes, a própria impressão do Poder já é poder, a vigilância constante, o
espaço de vigia. É o que ocorre, por exemplo, com uma câmera num elevador (“sorria, você está sendo
filmado”): você nem sabe se ela existe ou se há alguém do outro lado, mas se mantém sob a disciplina de
acordo com a disciplina social.
Na atualidade, a sociedade se mantém sob a constante vigilância das câmeras, tal e qual ocorre dentro
dos presídios, por um Estado domesticador. Assim, apesar de o Estado passar uma noção de que essa
vigilância é algo bom para todos, que visa a garantir a segurança das pessoas, este modelo reforça a
necessidade do temor da punição para que o acordo social seja cumprido.
Outro autor que pode ser explorado num tema dessa natureza é George Orwell, autor do livro 1984. Essa
obra, publicada em 1949, inspirou os atuais reality shows. Nesse livro, tudo gira em torno do Grande Irmão
(Big Brother), líder do Partido, que observa a todos por meio das “teletelas”, espalhadas nos lugares
públicos e em todos os lares. O livro é considerado, atualmente, como profético e explora um dilema
presente na contemporaneidade, a perda de privacidade e o controle exercido pelo Estado pela vigilância
constante dos cidadãos.

As implicações éticas também se estendem ao uso impreciso ou discriminatório da


tecnologia. Segundo especialistas, há estudos que indicam a ocorrência de erros de identificação, o que
pode gerar prejuízos graves, a exemplo da prisão de pessoas inocentes. Esses estudos mostraram
margens de erros maiores para mulheres, para negros e para mulheres negras. Em algumas empresas, o
nível de erro na análise de uma imagem chegava a mais de 30%16.
O estudo, realizado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), suscita novas dúvidas sobre
a implantação da tecnologia de reconhecimento em larga escala 17. Os pesquisadores encontraram taxas
de "falso positivo" para asiáticos e afro-americanos que eram até 100 vezes mais altas do que para

16
Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-09/tecnologias-de-reconhecimento-facial-sao-usadas-em-37-
cidades-no-pais. Acesso em 09/11/2019.
17
Disponível em: https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2019/12/20/tecnologia-de-reconhecimento-facial-apresenta-
vies-e-imprecisao-aponta-estudo-do-governo-dos-eua.ghtml. Acesso em 09/01/2019.
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brancos, e também descobriram que dois algoritmos atribuíam o sexo errado a mulheres negras
quase 35% das vezes. As taxas de erro também foram altas para nativos americanos.
O NIST encontrou tanto "falsos positivos" – casos em que a pessoa é identificada como se fosse outra –
como "falsos negativos", nos quais os algoritmos não conseguem identificar uma pessoa cuja registro
existe no banco de dados.
Um exemplo de erro desse tipo de sistema ocorreu em julho de 2019, no Rio de Janeiro18. Informado pelas
câmeras de reconhecimento facial, os policiais efetuaram a prisão de suposta foragida da Justiça, acusada
pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. Contudo, não passou de um “falso positivo”, a mulher
presa provou ser inocente e o equívoco foi desfeito.
Face a problemas dessa natureza, em algumas cidades dos Estados Unidos – como São Francisco,
Oakland e Sommerville – o reconhecimento facial foi banido por governos locais.
Por fim, no que se refere à cidadania, pode-se afirmar que, na medida em que a tecnologia permite o
ganho de eficiência na atividade policial, contribui para a pacificação social, condição indispensável para
o exercício dos direitos individuais do cidadão. Além disso, o uso de determinadas ferramentas possibilita
a participação popular, corolário de um regime democrático. Exemplifica essa afirmação, a criação dos
grupos de WhatsApp, nos quais os cidadãos podem participar e contribuir com a atividade policial, além
de serem excelentes instrumentos de aproximação entre a comunidade e a polícia.

Tema 9

Cespe – Oficial PM AL – 2012

Segundo o Ministério da Justiça, são assassinadas, por ano, no Brasil, nada menos que 50 mil pessoas, média
de 136 mortes por dia, número equivalente ao observado em guerras civis. Ressalte-se que esses números
se referem às vítimas que morrem no local do crime. Não há dados a respeito das que morrem
posteriormente em decorrência das agressões. São vítimas, na quase totalidade, do crime organizado, cujo
epicentro é o tráfico de drogas. De acordo com o segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, o
Brasil é o segundo maior mercado consumidor mundial de cocaína e derivados, com 20% do mercado
global, e o maior mercado de crack. Nada menos.

18
Sistema de reconhecimento facial da PM do RJ falha, e mulher é detida por engano. Disponível em: https://g1.globo.com/rj/rio-de-
janeiro/noticia/2019/07/11/sistema-de-reconhecimento-facial-da-pm-do-rj-falha-e-mulher-e-detida-por-engano.ghtml. Acesso em
09/11/2019.
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Kátia Abreu. Drogas, a peste do século. In: Folha de S.Paulo, p. B5 (com


adaptações).

As estatísticas denunciam: o uso de drogas e a criminalidade estão cada vez mais próximos. Dados do
Programa Ação pela Vida, da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), obtidos com exclusividade pelo
Jornal de Brasília, revelam a relação direta entre o número de homicídios e o uso de entorpecentes. De
acordo com o levantamento, 64% das vítimas de homicídio faziam uso ou estavam sob efeito de drogas,
sendo esse o fator principal dos casos de mortes violentas no DF.

O estudo faz parte do relatório de Exames Toxicológicos do Instituto Médico Legal (IML), e reuniu 188 casos
de assassinatos ocorridos até março deste ano. Os dados serão usados pelo plano, que tem como um de
seus eixos o enfrentamento ao uso e ao tráfico de drogas, por meio da integração das forças policiais.

Entre os casos de assassinatos, 65% estavam relacionados a crimes como roubos, furtos, o uso de drogas,
homicídios, ameaça e lesão corporal. “Esse estudo serve como uma base sólida para comprovar que o grupo
de risco de pessoas comprometidas com o crime está sendo vítima de homicídio. Em quase 100% dos casos,
vítima e autor possuem um perfil muito semelhante. Ambos com passagens pela polícia, quase sempre por
crimes vinculados ao consumo e tráfico de drogas”, afirma o secretário de Segurança Pública, Sandro
Avelar.

Disponível em: https://jornaldebrasilia.com.br/cidades/violencia-e-drogas-


problemas-que-caminham-lado-a-lado/. Acesso em 04/09/2019.

Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto
dissertativo acerca do tema a seguir.

DROGAS E VIOLÊNCIA: A NECESSÁRIA ATUAÇÃO DO ESTADO

Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos:

a) Narcotráfico como símbolo do crime organizado em escala global. [valor: 9,50 pontos]
b) Relação entre drogas (produção, comercialização e consumo) e violência. [valor: 9,50 pontos]
c) Ação esperada do poder público diante do problema das drogas e do crime organizado. [valor: 9,50
pontos]

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Abordagem teórica

Pessoal, antes de começarmos, vejam essa questão:


TCE/PA – Aplicação: 2016
Drogas são um problema de saúde pública, e não devem ser vistas pela lente do sistema judiciário criminal. A
posição do presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, durante um debate sobre a dependência
da heroína dá força a manifestações recentes de especialistas que se opõem à repressão policial para combater
o consumo de entorpecentes. Recente relatório científico reuniu dados para afirmar que a chamada guerra às
drogas causa danos à saúde pública. Essas argumentações jogaram pressão sobre a primeira sessão especial
sobre drogas da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em abril de 2016.
Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto
dissertativo acerca do seguinte tema.
UM GRANDE DESAFIO: A CIVILIZAÇÃO CONTEMPORÂNEA FRENTE ÀS DROGAS ILÍCITAS
Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos:
1 drogas ilícitas e crime organizado global; [valor: 3,50 pontos]
2 relação entre tráfico de drogas e violência; [valor: 3,00 pontos]
3 alternativas à denominada guerra às drogas. [valor: 3,00 pontos]

Perceberam como a questão é praticamente idêntica? Por isso, eu afirmo que a melhor preparação é a
que mescla questões antigas com questões inéditas. Eis o porquê de essa ser nossa proposta pedagógica.

1. Narcotráfico como símbolo do crime organizado


Segundo o relatório da ONU19, a manufatura global de cocaína alcançou, em 2016, seu nível mais alto de
toda a história, com uma estimativa de produção de 1.410 toneladas. A maior parte da cocaína mundial
vem da Colômbia, mas o relatório também mostra que a África e a Ásia estão emergindo como centros de
tráfico e consumo da droga.
A cannabis foi a droga mais amplamente consumida em 2016, com 192 milhões de pessoas tendo-a utilizado
ao menos uma vez ao longo do último ano. O número global de usuários de cannabis continua a aumentar
e aparenta ter expandido em aproximadamente 16% na última década até 2016, refletindo, assim, um
aumento similar na população global.

19
Disponível em: https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2018/06/relatorio-mundial-drogas-2018.html. Acesso em: 28
de abril de 2019.
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Pelo lado da produção, tanto o ópio quanto a cocaína bateram recordes, enquanto as drogas sintéticas
continuam se expandindo. A produção mundial de cocaína em 2017 atingiu um nível histórico, com 1.976
toneladas, 25% a mais do que no ano anterior, e 70% desta produção com pureza de 100% vem da Colômbia.
Globalmente, em torno de 35 milhões de pessoas sofrem de transtornos decorrentes do uso de drogas e
necessitam de tratamento, de acordo com o mais recente Relatório Mundial sobre Drogas pelo Escritório
das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
Segundo esse relatório, o consumo de drogas nunca matou tanto e o mercado ilegal nunca foi tão lucrativo.
A ONU elevou a sua estimativa de mortes vinculadas ao consumo de drogas no mundo para 585 mil em
2017, acima dos 450 mil óbitos que ocorreram em 2015. Em 2017, estima-se que 271 milhões de pessoas —
ou 5,5% da população mundial entre 15 e 64 anos — usaram drogas no ano anterior20.
A ONU estima que o tráfico movimenta 400 bilhões de dólares no mundo, valor equivalente ao PIB do
México.
Voltando os olhos para o nosso país, vejamos parte de uma reportagem da Revista Veja21, que introduzirá a
nossa discussão sobre drogas, violência e crime organizado.

“Se fosse uma empresa, o PCC seria hoje a décima sexta maior do país, à frente de gigantes como a
montadora Volkswagen. Trata-se de um império corporativo em que os produtos são as drogas ilícitas.
Os clientes são dependentes químicos. Os fornecedores são criminosos paraguaios, bolivianos e
colombianos. Os métodos são o assassinato, a extorsão, a propina e a lavagem de dinheiro. As áreas de
diversificação são os assaltos a bancos, o roubo de carga e o tráfico de armas. Apenas com a venda de drogas
para o consumo no território nacional, a organização alcança um faturamento anual da ordem de 20,3
bilhões de reais, sem incluir as receitas com roubo de cargas e assalto a banco.”

Segundo Nexo22, de acordo com o último Relatório Mundial sobre Drogas, de 2016, o Brasil é a principal
rota de passagem da cocaína cultivada na Colômbia, na Bolívia e no Peru e enviada à Europa e à Ásia. A
América do Sul responde por 60% das apreensões de cocaína no mundo e por praticamente toda a
produção, numa área aproximada de 185.000 campos de futebol. Além de abastecer o mercado consumidor
europeu e asiático, a cocaína que cruza o Brasil muitas vezes passa também pela África antes de chegar ao
destino final. De todas as apreensões de cocaína na África, 51% apontam o Brasil como rota de passagem.

20
Disponível em: https://nacoesunidas.org/onu-1-em-cada-7-pessoas-no-mundo-com-transtorno-por-uso-de-drogas-recebe-
tratamento/. Acesso em 10/01/2020.
21
Edição 2498 de outubro de 2016. Conteúdo disponível em: https://www.politize.com.br/pcc-e-faccoes-criminosas/ Acesso em:
24 de julho de 2019.
22
Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/explicado/2017/01/14/Lei-de-Drogas-a-distin%C3%A7%C3%A3o-entre-
usu%C3%A1rio-e-traficante-o-impacto-nas-pris%C3%B5es-e-o-debate-no-pa%C3%ADs. Acesso em 10/01/2020.
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O volume monetário movimentado pelo setor, explica o interesse do crime organizado. Os elevados
lucros dessa atividade, que ocorre em dimensão crescentemente mundializada, explica a poderosa
presença de redes criminosas globais que se dedicam à exploração desse negócio. Essas organizações
criminosas estendem suas teias em todas as direções, atingindo desde instituições financeiras que
processam a lavagem do dinheiro obtido a setores governamentais de diversos países.
Em grande parte, o sucesso do tráfico de drogas se justifica pela forma organizada em que se estrutura, o
que é consequência da atuação do crime organizado23. Para que a droga flua dos centros produtores e
chegue até os seus consumidores é necessária uma rede capaz de operacionalizar esse processo. Esse papel
é desempenhado pelo crime organizado que, de forma eficiente, conseguem driblar toda a estrutura
fiscalizatória e distribuir as drogas produzidas em alguns países para diversas partes do planeta. Assim,
narcotráfico e crime organizado são estruturas imbricadas, faces de uma mesma moeda.
Aliás, é importante frisar que a ausência do Estado é uma das causas do domínio territorial exercido pela
criminalidade organizada. A sua constante evolução é uma grave ameaça à sociedade e ao próprio Estado
Democrático de Direito, seja pela lesividade das infrações cometidas, seja pela influência que exercem
dentro do próprio Estado. Não é à toa que a Constituição Federal (art. 5°, XLII) estabelece ser o tráfico ilícito
de entorpecentes infração inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.
O volume de dinheiro que circula no narcotráfico faz com que as facções disputem os mercados varejistas
e novas rotas de narcotráfico de forma acirrada, empregando todos os meios de que dispõem para
garantir sua posição, o que relaciona drogas a violência. Os constantes conflitos entre as facções, quer nos
presídios, quer nas ruas, por vezes, tomam proporções gigantescas e, além dos próprios integrantes,
acabam ocasionando a morte de inocentes, vítimas do fogo cruzado entre essas facções.
Assim, as drogas tendem a ser motivo para o cometimento de uma série de crimes, principalmente nas
localidades periféricas nos grandes centros urbanos. Face à ausência do Estado, reina nessas áreas um
“poder paralelo”, que possui regras próprias e ignora os direito e garantias fundamentais. Esses grupos
cometem execuções, chacinas e outras brutalidades com o objetivo de fortalecer o grupo e aumentar o seu
poderio e influência.
Observem, como forma de comprovar a relação intrínseca entre tráfico de drogas e violência, o
elucidativo trecho do Atlas da Violência de 2019:

A tensão na disputa por mercados varejistas e por novas rotas de narcotráfico chegou ao limite em 2013,
quando, em Mato Grosso, os integrantes do CV – facção que possuía a hegemonia no estado – passaram a
impedir que o PCC atraísse e fizesse a filiação e batismo de novos faccionados (Manso e Dias, 2018). Tal

23
O crime organizado ou organizações criminosas são termos que caracterizam grupos, por vezes de abrangência internacional,
envolvidos no cometimento de variadas espécies de crimes, tais como o tráfico de drogas e o de pessoas.
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procedimento, que passou a ser adotado em outras regiões, fez com que as rusgas entre as duas maiores
facções – e seus aliados regionais – aumentassem gradativamente nos anos seguintes.
Finalmente, o assassinato do traficante Jorge Rafaat pelo PCC, em 15 de julho de 2016, na cidade de Pedro
Juan Caballero, fronteira com Ponta Porã (MS), acentuou ainda mais a disputa do narconegócio, uma vez
que que tinha como pano de fundo o controle do mercado criminal na fronteira e, por conseguinte, a obtenção
de um grande diferencial competitivo, com a integração vertical da cadeia de valor, a partir do acesso
privilegiado à droga produzida e comercializada na Bolívia, no Peru e no Paraguai (Manso e Dias, 2018).
Finalmente, no início de 2017, a guerra entre as maiores facções penais brasileiras eclodiu de forma
generalizada, primeiro dentro dos presídios e depois nas ruas.
No dia 1º de janeiro de 2017, houve uma rebelião no Complexo Prisional Anísio Jobim, em Manaus, quando
integrantes do PCC e da Família do Norte (FDN), aliada do CV, se enfrentaram, tendo como resultado
56 mortes. No dia 14, outros 26 detentos foram mortos na Prisão Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do
Norte, nas escaramuças entre o PCC e o Sindicato do Crime (SDC), aliado do CV. Nesse período, em 15 dias
o saldo foi de 138 homicídios nas prisões brasileiras, com episódios que atingiram também os sistemas
penitenciários de Roraima, Paraíba, Alagoas, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Para poder enfrentar a essa guerra pelo domínio dos pontos de vendas, as organizações criminosas
precisam de armamento pesado. Por isso, associado ao tráfico de drogas, encontra-se a intensificação
do mercado de armas, o que também contribui para a escalada da violência.
Além disso, o consumo de drogas também estimula a violência pela dependência que, de forma geral, causa
a seus usuários. A insuficiência de recursos para satisfazer o vício ou a necessidade de quitar dívidas leva ao
cometimento de roubos, furtos, latrocínios, entre outros; o que também contribui para o aumento da
violência.
Não se pode ignorar que a ilegalidade dessa atividade faz da violência o único meio de solução de conflitos.
Assim, caso um pagamento seja inadimplido, a solução não virá por meio de uma demanda judicial, e sim
pelo emprego da violência. Essa mesma regra se aplica às disputas comerciais, à proteção dos territórios,
etc.
Assim, viu-se que as drogas ilícitas são um dos grandes elementos fomentadores da violência. A disputa
pelo domínio de áreas de abastecimento e venda de drogas, em si mesma marcada pela brutalidade,
envolve facções criminosas, que, no mais das vezes, assumem o controle dessas regiões, dificultando a ação
do poder público, atemorizando a população e atraindo crianças e jovens para seu serviço.

2. Ação esperada do poder público


Antes de começarmos, vamos ver o que a sua Banca pensa sobre o assunto. Sabe a questão do TCE/PA que
eu mostrei no início da abordagem teórica? O seu terceiro tópico questionador foi: "alternativas à
denominada guerra às drogas ".

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A resposta da douta Banca Examinadora veio assim:

" Por fim, no que se refere ao terceiro aspecto proposto (“alternativas à denominada guerra às drogas”),
espera-se que o candidato faça uso do próprio texto motivador, ou seja, reconheça os pífios resultados
obtidos pela estratégia bélica de combate às drogas, muitas vezes criminalizando o dependente, e
mencione estar havendo uma mudança de perspectiva (que até mesmo a ONU tende a adotar), o que
pressupõe ver a questão como sendo de saúde pública e exige a ampliação da ação do Estado em áreas
conflagradas pelo tráfico e o oferecimento de alternativas viáveis de vida para sua população, como o
amparo aos dependentes."

Hoje, em tempos de intensa polarização, entendo que uma questão como essa não cairia, por se tratar de
tema extremamente polêmico. Como veremos a seguir, o entendimento do atual Governo sobre como lidar
com o problema não coincide com o apresentado pela Cebraspe, em seu espelho de resposta.
Exploremos alguns pontos adicionais na linha do combate às drogas como problema de saúde pública.
Pode-se argumentar que, face ao aumento da quantidade de droga consumida, a eficácia das políticas de
combate a essas substância tem sido alvo de frequentes questionamentos. De maneira geral, há pouca
informação sobre o número de usuários no país. Segundo o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para
Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas24, 2,6% dos entrevistados (brasileiros acima de 14 anos) usaram
maconha e 1,7% usou cocaína nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Com efeito, a estratégia bélica de combate às drogas por meio da repressão e da criminalização dos
dependentes não tem gerado resultados positivos, visto que, até o momento, não foram capazes de evitar
que os usuários deixem de consumir essas substâncias. O efeito, aliás, tem sido contrário: o consumo acaba
acontecendo em situações de maior risco e, por receio dos usuários e pela estigmatização, a busca por
tratamento acaba sendo reduzida.
Face aos pífios resultados até o momento obtidos na guerra contra as drogas, é forte o posicionamento de
que as drogas são um problema de saúde pública. Essa mudança de paradigma, significa enxergar o
usuário como alguém que necessita de cuidados e, portanto, do suporte do Estado, e não pela lente do
sistema judiciário criminal, como um delinquente.
Nesse sentido, é necessário que o Estado estruture melhor as políticas públicas e as medidas protetivas,
olhando com cuidado a situação dos dependentes químicos. Uma das ações foi a criação da Rede de
Atenção Psicossocial:

A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) estabelece os pontos de atenção para o atendimento de pessoas com
problemas mentais, incluindo os efeitos nocivos do uso de crack, álcool e outras drogas. A Rede integra o

24
Disponível em: http://inpad.org.br/wp-content/uploads/2014/03/Lenad-II-Relat%C3%B3rio.pdf. Acesso em:
10/01/2020.
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Sistema Único de Saúde (SUS). A Rede é composta por serviços e equipamentos variados, tais como: os
Centros de Atenção Psicossocial(CAPS); os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT); os Centros de
Convivência e Cultura, as Unidade de Acolhimento (UAs), e os leitos de atenção integral (em Hospitais
Gerais, nos CAPS III).
Fonte: http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/raps/conheca_raps_rede_atencao_psicossocial.pdf

As RAPS foram criados visando ampliar e articular os pontos de atenção à saúde para pessoas com
sofrimento psíquico e garantir liberdade e respeito aos seus direitos sociais visando a reintegração social e
autonomia do usuário. Baseiam-se na "política de redução de danos", concepção na qual busca-se o
atendimento do usuário sem cobrar abstinência, ou seja, sem exigir que abandonem completamente o uso
de drogas. São exemplos de ações nessa linha de tratamento o oferecimento de seringas descartáveis para
usuários de drogas injetáveis para evitar a contaminação com o HIV, o oferecimento de moradia e renda
para moradores de rua que usam drogas e o fomento para a aproximação entre o usuário e família, entre
outros.
Outra grande crítica à política de criminalização é sua aplicação seletiva pelo Poder Judiciário. A Lei
11.343/2006 prevê a despenalização da posse para o consumo pessoal. Embora seja considerado como
crime, ao infrator não se aplicará a pena de prisão, inclusive para os reincidentes. Já o tráfico é punido com
prisão de 5 a 15 anos.
A subjetividade reside no fato que não há um critério objetivo para diferenciar o usuário do traficante, pois,
segundo a Lei: " Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à
quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias
sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente."
Os que são contrários à criminalização argumentam que, na prática, isso serve como mais um mecanismo
de discriminação de parcelas socialmente marginalizadas, tais como negros e pobres. Há estudos que
demonstram incongruência nas decisões em casos semelhantes, modificada, apenas, a categoria social do
réu.
Num contexto de extrema escassez de recursos, é também relevante tratar sobre a elevada quantidade de
recursos consumidos na repressão. Além do expressivo contingente policial envolvido nas ações de
combate, estima-se que 1/3 dos presos responde por tráfico de drogas, fato que responde, em grande
parte, pelo cenário de superlotação dos presídios.
Por fim, não se pode deixar de mencionar que tramita no STF o Recurso Extraordinário 635.659, que
questiona a constitucionalidade do porte de drogas para uso pessoal (art. 28 da Lei 11.343/2006)25, por violar

25
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
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a intimidade e a vida privada. Três dos onze ministros do Supremo já votaram a favor da liberação do porte
de maconha para uso pessoal: Gilmar Mendes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso.
Para Mendes, as sanções descritas no dispositivo passam a ter caráter exclusivamente administrativo, pois
a punição criminal “estigmatiza o usuário e compromete medidas de prevenção e redução de danos, bem como
gera uma punição desproporcional ao usuário, violando o direito à personalidade”. Afirmou também que: " a
criminalização da posse de drogas para uso pessoal é inconstitucional, por atingir, em grau máximo e
desnecessariamente, o direito ao livre desenvolvimento da personalidade, em suas várias manifestações, de
forma, portanto, claramente desproporcional."
Como eu falei, as políticas do atual Governo não refletem esse entendimento. Em consulta ao site do
Ministério da Justiça, menciona-se que, de acordo com a Política Nacional sobre Drogas, instituída pelo
Decreto n. 9.761/2019, o eixo de redução de oferta envolve, prioritariamente, ações de:
a) repressão ao uso de drogas ilícitas;
b) combate ao narcotráfico, à corrupção, à lavagem de dinheiro, ao crime organizado e crimes conexos; e
c) gestão de ativos criminais vinculados ao narcotráfico.
Segundo a Secretaria Especial do Desenvolvimento Social26, a nova Política Nacional sobre Drogas tem
como eixos:
- Busca a construção de uma sociedade protegida do uso de drogas lícitas e ilícitas;
- Deixa de ser de redução de danos passando a promover a abstinência;
- Considera aspectos legais, culturais e científicos, em especial, a posição majoritariamente contrária da
população brasileira quanto às iniciativas de legalização de drogas;
- Ações, programas, projetos de cuidados, prevenção e reinserção social deverão visar à abstinência em relação
ao uso de drogas.
- Reconhece as Comunidades Terapêuticas como forma de cuidado, acolhimento e tratamento do dependente
químico;
- Reconhece a corrupção, a lavagem de dinheiro e o crime organizado vinculado ao narcotráfico como as
principais vulnerabilidades a serem alvo das ações de redução da oferta;
- Assegura políticas públicas para redução da oferta de drogas, por intermédio de atuação coordenada,
cooperativa e colaborativa dos integrantes do Sistema Único de Segurança Pública e de outros órgãos
responsáveis pela persecução criminal em todos os níveis da federação;

III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.


26
http://mds.gov.br/area-de-imprensa/noticias/2019/abril/governo-federal-implementa-nova-politica-nacional-sobre-
drogas
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- Reconhece o vínculo familiar, a espiritualidade, os esportes, entre outros, como fatores de proteção ao uso,
uso indevido e dependência do tabaco, álcool e outras drogas, observando a laicidade do Estado;
Assim, vê-se uma nítida mudança de abordagem. Passa-se a privilegiar: uma abordagem repressiva,
dedicando atenção especial à redução da oferta de drogas, a abstinência, o fortalecimento das
Comunidades Terapêuticas (entidades privadas destinadas à internação dos usuários) e um discurso
contrário à legalização de drogas.
Por fim, independentemente do lado em que você esteja, algumas questões são quase unânimes. Vou falar
sobre elas agora.
Vive-se tempos de exacerbado individualismo e fortíssima competitividade por conquistas materiais e
ascensão social. Alia-se a isso, a valorização de uma visão hedonista da vida, conforme a qual a busca do
prazer e do sentimento individual da felicidade a tudo justifica. Esse sentimento parece estimular as
pessoas, sobretudo as mais jovens, a fazer usos de mecanismos que as afastem das agruras do cotidiano e
lhes ofereçam momentos de intensa satisfação, ainda que efêmera.
Assim, o caminho das drogas reflete, muitas vezes, uma forma de fuga dos problemas enfrentados pelo
indivíduo, oriundos ou potencializado por problemas sociais. De fato, não se pode apartar o problema das
drogas de outros grandes dilemas sociais como a desigualdade social, falta de emprego, prestação
deficiente de serviços públicos e a ausência do Estado justamente nos locais onde isso é mais necessário.
Nesse sentido, deve-se priorizar a atuação do Estado nos pontos dominados pelo tráfico, de forma a
retomar o seu controle e fortalecer a sua presença. Nesses locais, é fundamental proporcionar
oportunidades, principalmente aos jovens, o que, certamente, dificultaria o seu aliciamento por parte das
organizações criminosas.
Pode também ser mencionada a importância de uma maior diálogo e esclarecimento sobre o assunto, ainda
visto como um tabu. Nesse sentido, deve-se investir em ações de cunho educacional, seja na escola, seja
em campanhas publicitárias, nas quais se fortaleça a mensagem sobre todos os perigos envolvidos no
consumo das drogas, bem como o seu poder letal.
Vistos todos esses pontos, acredito estarmos em condições de resolver às questões. Mãos à obra.

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Tema 10

Cebraspe – Depen – 2015 – Adaptado


No passado, ligar a Zona Norte à Zona Sul do Rio de Janeiro simbolizava a esperança de aproximar a cidade
partida. Hoje, crimes absurdos unem as zonas da cidade em abraços inconsoláveis. A cada dez minutos,
uma pessoa é vítima de homicídio no Brasil. O discurso oficial de que segurança pública não pode ser só
polícia faz sentido. A conhecida carência de políticas sociais tem parcela imensa de importância nesse
quadro. Segurança não é só polícia, mas é polícia também.
Paula Cesarino Costa. Contágio da indiferença. In: Folha de S.Paulo,
21/5/2015, p. A2 (com adaptações).

Dois fatos trágicos que chocaram o Rio de Janeiro recentemente — a morte de dois jovens em um morro,
depois de uma operação policial, e a de um ciclista na Zona Sul da cidade — têm uma causa semelhante,
que é a incapacidade do poder público de lidar com os jovens pobres, mas a repercussão deles é bastante
diversa, sem que se faça a necessária reflexão sobre isso. Para muitos, trata-se de um problema exclusivo
de segurança pública. Para outros, esse é um problema ainda maior e muito mais complexo.
André Luís Machado de Castro. Menos presídios e mais escolas. In: O
Globo, 22/5/2015, p. 9 (com adaptações).

Aos dezesseis anos, os jovens podem votar, isto é, escolhem os nossos representantes nas câmaras e
assembleias e nos cargos executivos. Emancipados, podem realizar todos os atos da vida civil, inclusive
contrair matrimônio. A verdade é que os jovens de dezesseis anos de idade têm, de regra, capacidade de
entender a conduta criminosa.
Carlos Velloso. Jovem de 16 anos é capaz de entender conduta
criminosa. In: O Globo, 22/5/2015, p. 9 (com adaptações).

Em vinte e cinco anos de existência do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estado foi o que mais
infringiu a lei. Não implementou as medidas previstas no estatuto, que têm o intuito de transformar o
adolescente em cidadão do bem. Com raríssimas exceções, os estabelecimentos destinados à
ressocialização dos infratores são calabouços revestidos de violência e desrespeito aos direitos
fundamentais dos jovens. O sistema educacional é ruim. A saúde pública é vergonhosa. Nas regiões de baixa
renda, os jovens são encarados como mão de obra fácil e barata na luta diária pela sobrevivência. Na
periferia urbana, eles são as principais vítimas da violência que todos querem combater.
Correio Braziliense. Editorial: O fiasco da punição a jovens infratores.
23/5/2015, p. 12 (com adaptações).

Considerando que os fragmentos de textos acima têm caráter unicamente motivador, redija um texto
dissertativo acerca do seguinte tema.
SEGURANÇA PÚBLICA: DEVER DO ESTADO, DIREITO E RESPONSABILIDADE DE TODOS

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Ao elaborar seu texto, faça o que se pede a seguir.


< Dê exemplos de políticas públicas para reduzir a violência e a insegurança. [valor: 9,50 pontos]
< Discorra a respeito do debate atual sobre reduzir ou não a maioridade penal. [valor: 9,50 pontos]
< Comente a respeito do sistema prisional brasileiro e da reincidência criminal. [valor: 9,50 pontos]

Abordagem teórica

Pessoal, atenção ao que o tio vai dizer!


Esse tipo de questão ocorre com boa frequência na Cebraspe: três tópicos questionadores, cada um deles
com muita informação a ser registrada. É possível afirmar, no nosso caso, que cada um deles poderia ser um
tema de redação.
Mas, e agora, como o aluno deve se posicionar perante a situação?
Como já foi apresentamos, a banca Cebraspe é conteudista, ou seja, o examinador quer que você ataque o
âmago da questão. Não quer que você fique tangenciando o tema, o que eu costumo chamar de abordagem
perifrástica.
Como consequência, numa proposta como essa você deve “enxugar” ao máximo a sua introdução,
privilegiando a exposição do seu desenvolvimento. O último parágrafo pode ser usado para responder ao
terceiro tópico questionador. Perceba que a sua temática permite que se faça o fechamento nesse mesmo
parágrafo, algo bastante comum na banca Cebraspe.
Na aula seguinte apresento uma proposta de solução, considerando todos esses pontos.
1. Políticas públicas para reduzir a violência e a insegurança
Inicialmente, conforme consagrado no art. 144 da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), a segurança
pública é dever do Estado. Para que esse ideal seja concretizado, é necessário que sejam adotadas
providências de caráter estrutural por parte do Estado.
Não que as medidas de caráter conjuntural, como aumentar o policiamento nas ruas, não sejam
importantes. São sim. Mas soluções definitivas somente se darão com a resolução das causas do problema.
Quando se pensa em redução da violência, de modo geral, as pessoas, de pronto, associam ao papel da
polícia. Contudo, a polícia é apenas um dos agentes responsáveis pela segurança pública. São
corresponsáveis: as autoridades do Poder Judiciário, aplicadores das leis; os parlamentares, enquanto
representantes da vontade da maioria e encarregados da discussão legislativa; o Poder Executivo, na
posição de formulador e implementador de políticas públicas; e, porque não, os próprios cidadãos, que, nas
suas condutas cotidianas, devem atuar de forma ética, coibir práticas espúrias e pautar sua conduta de
acordo com os ditames legais.
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Muito além das ações de cunho repressivo, é necessária a ação do Estado no sentido de oferecer à
população, especialmente a que se encontra em situação de risco e socialmente mais vulnerável,
instrumentos essenciais à formação e ao exercício da plena cidadania. Sem a possibilidade de uma real
inclusão, com concretas possibilidades para que até os de menor poder aquisitivo possam ter condições de
uma existência digna e sem a necessidade de ter que recorrer ao mundo do crime, as políticas de caráter
repressivo continuarão “enxugando gelo”.
Nessa perspectiva, insere-se a necessidade de buscar, de forma ativa, a redução dos desigualdades e
proporcionar serviços públicos de qualidade, tais como educação pública, saneamento, saúde, cultura,
esporte e lazer etc. É fundamental que o Estado proporcione oportunidades, de forma que haja opções para
que cada indivíduo tenha uma vida digna e não necessite entrar no mundo do crime para assegurar a sua
sobrevivência e a da sua família. Não se pode olvidar a importância das políticas de assistência social, as
quais visam a suportar a população hipossuficiente e tirá-los de uma condição de miserabilidade. Nessa
linha, deve-se buscar o fortalecimento de políticas como o Bolsa-Família e o Benefício de Prestação
Continuada (BPC - LOAS)27.
Em suma, é importante que o Estado assuma seu papel de protagonismo na implementação de políticas
públicas como forma de fazer com que a população perceba a sua presença e se sinta acolhida. A experiência
tem demonstrado que, onde há flagrante omissão do poder público, o crime organizado se faz presente,
tanto em comunidades mais carentes como no interior de presídios.
Um importante vetor é o investimento na juventude, direcionando a esse estrato políticas que os afastem
do caminho do crime, tais como as políticas sociais com foco na redução da evasão escolar, as quais têm se
provado eficazes na reversão desse quadro.
Bem, mas veja, a questão pediu exemplos de políticas públicas. Fica a dúvida se seria para nominar
políticas ou, simplesmente, tratá-las de forma genérica. Bem, nesses casos, a minha sugestão é adotar
ambas as abordagens: apresentam-se algumas ações de forma mais abrangente, mas também exemplos
de políticas existentes.
E aí, vamos conhecer as políticas de segurança pública do atual Governo?

1. Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (importante conhecer)


Por meio da Lei n. 13.675/2018, estabeleceu-se, a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa
Social (PNSPDS), a cargo da União. Essa política é calcada em princípios, diretrizes e objetivos,

27
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um benefício de renda no valor de um salário mínimo para pessoas com
deficiência de qualquer idade ou para idosos com idade de 65 anos ou mais que apresentam impedimentos de longo prazo,
de natureza física, mental, intelectual ou sensorial e que, por isso, apresentam dificuldades para a participação e interação
plena na sociedade. Para a concessão deste benefício, é exigido que a renda familiar mensal seja de até ¼ de salário mínimo
por pessoa.

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estabelecidos na esfera federal, mas que deverão ser respeitados e seguidos pelos outros entes
federativos (Estados, Distrito Federal e Municípios) de forma que se estabeleça um sistema integrado,
visando uma atuação cooperativa, sistêmica e harmônica.
A referida lei apresenta, logo na sua ementa, os seguintes objetivos: disciplinar a organização e o
funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, nos termos do § 7º do art. 144 da
Constituição Federal28, criar a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS) e
institui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
Susp cria uma arquitetura uniforme para a segurança pública em âmbito nacional, a partir de ações de
compartilhamento de dados, operações integradas e colaborações nas estruturas de segurança pública
federal, estadual e municipal. A segurança pública continua atribuição de estados e municípios. A União
fica responsável pela criação de diretrizes que serão compartilhadas em todo o país.
O seu art. 1° define como sua finalidade a de preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas
e do patrimônio, por meio de atuação conjunta, coordenada, sistêmica e integrada dos órgãos de
segurança pública e defesa social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, em
articulação com a sociedade.
Outrossim, reforça obrigação constitucionalmente imposta ao Estado (CF/1988, art. 144, caput),
prevendo que a segurança pública é dever do Estado e responsabilidade de todos, compreendendo a
União, os Estados, o Distrito Federal e os Munícipios, no âmbito das competências e atribuições legais
de cada um.
A principal ideia dessa lei é a de consolidar o tratamento do problema da segurança pública como algo
sistêmico, demandando uma postura ativa de todos os entes federativos. Para que fique mais claro,
reproduzirei alguns dos objetivos do PNSPDS (art. 6º da Lei 13.675/2018):
- Fomentar a integração em ações estratégicas e operacionais, em atividades de inteligência de
segurança pública e em gerenciamento de crises e incidentes;
- Incentivar medidas para a modernização de equipamentos, da investigação e da perícia e para a
padronização de tecnologia dos órgãos e das instituições de segurança pública;
- Estimular e apoiar a realização de ações de prevenção à violência e à criminalidade, com prioridade
para aquelas relacionadas à letalidade da população jovem negra, das mulheres e de outros grupos
vulneráveis;
- Promover a interoperabilidade dos sistemas de segurança pública;

28
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a
eficiência de suas atividades.
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- Incentivar e ampliar as ações de prevenção, controle e fiscalização para a repressão aos crimes
transfronteiriços;
- Integrar e compartilhar as informações de segurança pública, prisionais e sobre drogas;
2. "Em Frente, Brasil" (importante conhecer)
O "Em Frente, Brasil" é uma política pública que materializa os objetivos e diretrizes da Política Nacional
de Segurança Pública (PNaSP), criada pela Lei nº 13.675/18, e do Plano Nacional de Segurança Pública,
instituído pelo Decreto nº 9.630/18.
É um projeto-piloto que faz parte do programa nacional de enfrentamento à criminalidade violenta,
preparado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ele consiste na articulação entre a União, os
Estados e os Municípios para a redução da criminalidade violenta, por meio de um conjunto de ações de
prevenção socioeconômica e repressão qualificada, planejadas em uma governança e gestão integrada.
Para o "Em Frente, Brasil", entende-se como crimes violentos, elencados pelo Código Penal Brasileiro:
homicídios, feminicídios, estupros (tentados e consumados), extorsão mediante sequestro, latrocínio,
roubo à mão armada, roubo sem arma, sequestro, lesão corporal e cárcere privado. Na execução do
projeto, foram selecionados como foco os crimes de homicídio doloso, embora os demais crimes
territoriais serão impactados com as medidas aplicadas.
O Projeto-Piloto de Enfrentamento à Criminalidade Violenta foi baseado nos elementos comuns das
experiências exitosas nacionais e internacionais de prevenção e redução da violência, especialmente,
programas e ações implementados na Colômbia, nos Estados Unidos, nos estados de Minas Gerais,
Pernambuco, São Paulo, Paraíba, Rio de Janeiro e outros.Será implementado, inicialmente, em cinco
municípios, distribuídos nas regiões do país, com previsão de ampliação no território brasileiro. Para a
escolha das cidades são considerados os critérios de índice da violência e de desenvolvimento humano
(IDH), além da aderência dos governos locais para recepção do projeto.
As cidades para a implementação do projeto são: Ananindeua (PA), Goiânia (GO), Paulista (PE), São José
dos Pinhais (PR) e Cariacica (ES).
3. Fronteira Integrada (Fusion Centers).
O projeto “Fronteira Integrada (Fusion Centers)” tem como foco o trabalho ostensivo nas fronteiras. Com
isso, unidades de operações integradas, chamadas Fusion Centers, são implantadas para coordenar
operações policiais ostensivas de fronteira e, também, para fazer gestão de investigações policiais por
meio de agências multidisciplinares, compostas por diferentes representantes das forças de segurança
pública. A primeira etapa do projeto criou um Grupo de Trabalho para trabalhar na elaboração de uma
proposta de criação e implantação do Centro Integrado de Operações de Fronteira em Foz do Iguaçu, no
Paraná (Portaria n.º 264, de 25 de março de 2019, MJSP). O Centro estará estrategicamente localizado
na região da tríplice fronteira. O “Fronteira Integrada” pretende padronizar procedimentos entre os
órgãos de segurança pública, manter um fluxo de constante de capacitação dos operadores das

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investigações, medir índices e obter dados confiáveis da atuação das forças de segurança na região de
fronteira. Também possibilitará, por meio dessa análise dos dados obtidos, aplicar e disseminar uma
política nacional de segurança pública no combate ao crime organizado na região fronteiriça.
4. Rede de Centros Integrados de Inteligência de Segurança Pública.
O projeto “Rede de Centros Integrados de Inteligência de Segurança Pública” quer implantar centros de
inteligência nas cinco regiões do Brasil. O objetivo é integrar e coordenar informações de inteligência
entre os órgãos de segurança pública de todos os estados. O primeiro Centro Integrado de Inteligência
de Segurança Pública, o Regional Nordeste, foi instalado em Fortaleza, no estado do Ceará e está
operando desde 07 de dezembro de 2018. O segundo, Regional Sul, será implantado em Curitiba, no
Paraná até final do mês de abril de 2019. A implantação do Centro Regional de Inteligência de Segurança
Pública Regional Norte deve acontecer até o final do ano, em município ainda não confirmado.
Fonte: https://legado.justica.gov.br/seus-direitos/elaboracao-legislativa/projetos#p2

Pessoal, agora um assunto correlato, também muito importante. Vejamos o que a polícia pode fazer para
reduzir a violência e a insegurança.
Primeiro passo é desempenhar a sua função com esmero. Na verdade, não só à Polícia, mas a todo o serviço
público, um excelente começo seria o fiel cumprimento aos princípios da Administração Pública,
insculpidos no art. 37 da Carta Magna, quais sejam: Legalidade, Impessoalidade (desdobrada em isonomia,
imparcialidade, busca pela satisfação do interesse público e vedação à promoção pessoal), Moralidade,
Publicidade e Eficiência.
Chamo à atenção para o princípio da Moralidade. Não raro, a sociedade se depara com casos de agentes
públicos que se corrompem. Isso é ainda mais crítico na atividade policial, visto que a população confia a
essa instituição bens jurídicos da mais elevada envergadura. Por isso, condutas antiética, certamente,
denigrem a imagem da corporação e contribuem para aumentar a situação de insegurança.
Noutro giro, é importante que se trabalhe em parceria com a comunidade. Há inúmeros exemplos de
projetos vitoriosos que, por meio da aproximação da polícia com a comunidade, desenvolve-se uma relação
de confiança que tem contribuído para uma solução criativa dos problemas. Trata-se de uma filosofia
baseada na premissa de que tanto a polícia quanto a comunidade devem trabalhar juntas para identificar,
priorizar e resolver problemas, com o objetivo de melhorar a qualidade geral de vida da área.
Outro ponto é investir em programas de inteligência capazes de desarticular as grandes organizações
criminosas, banindo, principalmente o tráfico de drogas, principal fonte de receita para o crime organizado.
Deve-se envidar esforços para esclarecer os crimes mais graves os quais devem ser punidos com o máximo
rigor.
Por fim, você também pode sugerir a integração bancos de dados e criação indicadores e métricas para
avaliação de programas e políticas, de forma a facilitar a elucidação dos crimes, identificação dos
responsáveis e comparação entre políticas públicas para verificar quais foram as mais exitosas.
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2. Maioridade penal
A redução da maioridade penal para 16 anos é um tema bastante polêmico, cuja discussão já se estende há
muitos anos na sociedade brasileira. Envolve convicções muito enraizadas sobre responsabilidade do
indivíduo sobre os próprios atos e sobre a responsabilidade do Estado, como promotor das políticas públicas
no país.
Como se sabe, a adolescência é um período de intensas transformações na vida pessoal e social do
indivíduo. Considerando esse fato, a Constituição Federal estipula, no seu art. 227: “É dever da família, da
sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito
à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito,
à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, dispõe no seu art. 4º: “É
dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta
prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao
lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária".
Não obstante a proteção legal, não é incomum ocorrências de graves desrespeitos aos direitos dos jovens,
cometidos, inclusive, por aqueles cuja missão é resguardá-los e protegê-los. Segundo o mapa da violência,
em 2013, entre 16 e 17 anos, foram 3.749 jovens vítimas de homicídios, 46% do total de 8.153 óbitos,
perfazendo uma média é de 10,3 adolescentes assassinados por dia no país. À época do estudo, o Brasil
ocupava o 3º lugar em relação a 85 países no ranking de mortes de adolescentes de 15 a 19 anos, perdendo
apenas para México e El Salvador.
Por outro lado, não é incomum serem noticiados crimes bárbaros cometidos por adolescentes. Nesses
momentos, o tema sobre redução da maioridade penal sempre ganha força. Os partidários dessa ideia
defendem mudanças na legislação brasileira sobre a penalização de menores de dezoito anos,
especialmente no que diz respeito à possível redução da idade para aplicação de punição criminal
(legalmente chamada de imputabilidade penal).
Atualmente, a legislação que rege a punição aos adolescentes é o ECA. Apenas crianças até 12 anos são
inimputáveis, ou seja, não podem ser julgadas ou punidas pelo Estado. Já os crimes e contravenções
cometidos pelos que têm idade entre 12 e 17 anos são considerados “atos infracionais” e as punições são
conhecidas como “medidas socioeducativas”.
O jovem infrator será levado a julgamento numa Vara da Infância e da Juventude e poderá receber punições:
advertência; obrigação de reparar o dano; prestação de serviços à comunidade; liberdade assistida; inserção
em regime de semiliberdade; e internação em estabelecimento educacional.
Outrossim, o art. 121, § 3º do ECA prevê que "em nenhuma hipótese o período máximo de internação
excederá a três anos". Caso isso aconteça e, findado o período da internação, o infrator será transferido para
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o sistema de semiliberdade ou liberdade assistida, podendo retornar ao regime de internação em caso de


mau-comportamento.
Como já abordado, a discussão sobre a redução da maioridade é polêmica. Os que defendem a manutenção
da maioridade penal argumentam que:
 A redução da maioridade não atacaria as verdadeiras causas do problema: deficiência no sistema
educacional, ausência do Estado, falta de oportunidades, etc. Nesse sentido, o Estado deve investir,
principalmente, no fortalecimento da educação e em políticas públicas que ofereçam caminhos e
oportunidades a esses jovens e não em mais presídios (“mais escolas, menos presídios”).
Assim, é preciso que o Estado aja preventivamente para diminuir as internações e deter a entrada do
jovem no crime – com políticas sociais, atendimento psicológico e educacional eficiente –, oferecendo-
lhes opções para que possa tornar-se o protagonista de sua história.
 Além de não resolver a situação, a pioraria, haja vista que aumentaria a superlotação dos presídios,
onde se facilitaria o aliciamento dos jovens por parte do crime organizado, fazendo com que ingressem,
de fato, no mundo do crime, se ainda não o fizeram. É inegável que o sistema carcerário brasileiro não
tem contribuído para a reinserção na sociedade daqueles que por ele passam, haja vista o elevado
número de reincidência por parte dos ex-detentos.
Não sem razão, não faltam críticos ao sistema carcerário brasileiro. Segundo Santos 29: “Resta
induvidoso que o sistema carcerário, longe de ser um instrumento ressocializador, é muito mais uma
fábrica de delinquência, na qual o elemento humano perde todo o seu caráter de humanidade,
transformando-se em coisa, por meio de uma reificação irreversível, que impede o apenado de retornar
ao convívio social e de ser aceito pela própria sociedade.”
 Não há impunidade para as infrações cometidas pelos adolescentes, haja vista que, conforme visto, o
ECA estabelece punições30;
 Os principais afetados pela redução da maioridade seriam os jovens em condições vulneráveis (negros,
pobres e moradores das periferias das grandes cidades), pertencentes às classes mais desfavorecidas
socialmente;

29
SANTOS, Admaldo Cesário dos. Simbolismo penal e política de repressão: a (in) viabilidade da redução da maioridade penal
como combate à impunidade. Revista Magister de Direito Penal e Processual Penal, Porto Alegre, v.7, n.40, p.51-63. Fev. 2011,
p.56.
30
De acordo com o ECA, a partir dos 12 anos o menor pode cumprir medidas socioeducativas que graduam da advertência,
obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade até a internação em
estabelecimento educacional, por até três anos, de acordo com a gravidade da infração.
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 Não há evidências de que o endurecimento da lei ocasionada pela redução da imputabilidade penal
implica a redução da criminalidade 31. Aliás, a legislação vem se tornando cada vez mais rígida e, nem
por isso, observa-se a redução da criminalidade. Diga-se que essa via já foi testada em diversos
momentos, sem nenhum efeito visível, como na Lei 8.072/1990, que trata sobre os crimes hediondos,
bem como na Lei 11.343/2006, que aumenta a pena por tráfico de drogas, dentre muitas outras;
 É necessário o amplo debate para que se tome uma medida dessa envergadura. Não se pode decidir
sobre um assunto de tamanha sensibilidade com base no senso comum, alimentado, principalmente,
por alguns casos e inflamado pela ação da mídia;
 Parte da doutrina acredita que a maioridade penal aos 18 anos é uma cláusula pétrea da Constituição
Federal de 1988, não sendo possível, portanto, Emenda à Constituição que tendesse a aboli-la.
 Argumenta-se também que, no Brasil, apenas 0,5% dos menores de 12 a 18 anos comete crimes, mas,
quando isso ocorre, é noticiado com destaque pela mídia, provocando clamor público. Além disso,
apenas 10% dos infratores brasileiros são menores de idade e a maioria dos crimes praticados por
menores é contra o patrimônio.32
 As medidas para os adolescentes devem primar pelo caráter educacional, aspecto que não se verifica
nos presídios brasileiros: superlotados, com instalações indignas, a alimentação de má qualidade, a
atendimento médico, jurídico e religioso precário ou inexistente e sem a estrutura que proporcione
capacitação para trabalho e educação, com vistas à reinserção social desses jovens. Nesse sentido, há
a necessidade de transformar o sistema atual, tendo em vista que não há indicativo de que o tratamento
dado aos presos no Brasil é capaz de reduzir os índices de criminalidade.

Os que são favoráveis à redução defendem que:

 Ao contrário das gerações anteriores, o jovem de 16 anos da geração atual tem plena consciência de
seus atos, ou, pelo menos, já tem o discernimento suficiente para a prática do crime. Questiona-se, em
caráter comparativo, o fato de, se já é possível exercer o direito ao voto e trabalhar a partir dos 16 anos,
por que a eles não é permitido arcar com as consequências dos seus atos da mesma forma que aqueles
que já alcançaram a maioridade.
 A maioria esmagadora da população é a favor. Pesquisa Datafolha de janeiro de 2019 mostrou que 84%
dos brasileiros são a favor da redução da maioridade penal para 16 anos;

31
FGV: redução da maioridade não diminui violência. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/07/fgv-
reducao-da-maioridade-nao-diminui-violencia. Acesso em: 07/07/2019.
32
OLIVEIRA, Mariana Guimarães de Mello. Disponível em: http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/atuacao-e-conteudos-de-
apoio/publicacoes/crianca-e-adolescente/a-reducao-da-maioridade-penal-diminui-a-criminalidade. Acesso em: 07/07/2019.
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 As punições apresentadas pelo do ECA são demasiadamente frouxas em relação a certos casos, criando
sensação de impunidade e estimulando o cometimento de crimes. Os adolescentes, por saberem que
não serão presos, aproveitar-se-iam da situação para cometer crimes. Além disso, os atos infracionais
não são considerados para fins de reincidência.
 A redução diminuiria a cooptação dos jovens para o crime. Atualmente, como são penalmente
inimputáveis, são aliciados desde cedo para a realização de crimes. Reduzindo a maioridade, todos os
maiores de 16 anos estarão em pé de igualdade.
 O Brasil está perto do topo dos países do mundo que mais adiam a punição aos infratores. Poucas
nações, a maioria sul-americanas, esperam que um jovem complete 18 anos para puni-lo
legalmente. Nesse sentido, o Brasil precisa alinhar a sua legislação à de países desenvolvidos, a
exemplo dos Estados Unidos, onde, na maioria dos estados, adolescentes acima de 12 anos de idade
podem ser submetidos a processos judiciais da mesma forma que adultos.
 O jovem não é vítima da sociedade. O cometimento de crime é uma questão de índole e não de
oportunidade de trabalho ou educação, haja vista que nem todos os adolescentes expostos às mesmas
condições optam pelo caminho do crime.

3. Sistema prisional brasileiro e da reincidência criminal

Notícias como “Presos voltam a passar dias algemados em viaturas em frente a delegacias de Porto Alegre”
33 ou “Rebelião em presídio de Manaus deixa 15 mortos; unidade é a mesma de massacre em 2017”34

infelizmente não são episódios isolados no país. Cenário de alguns dos principais massacres já vistos no
país, a exemplo do que ocorreu na Casa de Detenção do Carandiru em São Paulo, em 1992, o sistema
carcerário no país enfrenta uma série de problemas os quais repercutem na deterioração da sua função
como elemento de ressocialização.
De acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen - 2015/2016), o Brasil é
o terceiro país com mais presos no mundo. Segundo informações do ano de 2019, existem atualmente no
país 704.395 presos para uma capacidade total de 415.960, o que resulta num déficit de 288.435 vagas 35 e
uma superlotação de 69,3%.

33
Disponível em:https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2019/04/21/presos-voltam-a-passar-dias-algemados-em-
viaturas-em-frente-a-delegacias-de-porto-alegre.ghtml. Acesso em 08/07/2019.
34
Disponível em:https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,rebeliao-em-presidio-de-manaus-deixa-15-mortos-unidade-e-a-
mesma-de-massacre-em-2017,70002844600. Acesso em 08/07/2019.
35
Disponível em: https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/2019/04/26/superlotacao-aumenta-e-numero-de-presos-
provisorios-volta-a-crescer-no-brasil.ghtml. Acesso em 15/05/2019.
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Da análise do perfil da população carcerária, estima-se que 252.533 dos 704 mil presos, ou seja, 35,9% do
total, são presos provisórios. Além disso, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça em 2014,
64% das mulheres e 25% dos homens presos no Brasil respondem a crimes relacionados às drogas 36.
Ainda no que se referem aos números, constata-se um percentual muito pequeno de presos que trabalham
ou estudam. Menos de um em cada cinco presos (18,9%) trabalha hoje no país. O percentual de presos que
estudam é ainda menor: 12,6%37.
Além de superlotados, os presídios encontram-se em péssimo estado de conservação. A alimentação e
assistência médica são de baixa qualidade. Há carência de estruturas capazes de proporcionar trabalho
profissionalizante e educação, o que resulta numa alta ociosidade dos seus ocupantes. A insalubridade e
superlotação das cela contribuem para a proliferação de epidemias e ao contágio de doenças, dentre elas o
HIV.
Para se ter uma breve noção, segundo o Infopen, num presídio, a incidência da Aids é 138 vezes maior, as
chances de suicídio são quadruplicadas e há um ginecologista para cada 2.109 detentas. Assim, além da
superlotação, a saúde encontra-se em situação degradante.
O resultado prático é que o preso, ao invés de ter uma oportunidade para se arrepender, obtém um estágio
para aperfeiçoamento de práticas criminosas, potencializando-o para o cometimento de novos e mais
graves delitos.
As prisões superlotadas e em péssimas condições estimulam ódio ao sistema e funcionam como uma
"faculdade do crime": ambiente em que o crime se organiza, se articula e recruta novos componentes. Como
prova disso, saliente-se que as grandes facções criminosas em atividade hoje no país foram formadas nas
próprias unidades prisionais.
De forma geral, pelo fato de não serem separados os presos de acordo com a gravidade do crime cometido,
o responsável por um delito simples (sem nenhum vínculo com grupos criminais e com maiores chances de
ressocialização), ao ser preso, terá contato com presos de maior periculosidade. Assim, maiores serão as
possibilidades de que aquele venha a integrar uma facção criminosa, fortalecendo ainda mais o crime
organizado, conforme já salientado.
Por todo o exposto, pode-se constatar que esse ambiente, em tese, destinado à ressocialização do preso,
não vem cumprindo a missão a qual se propõe.
Não é forçoso lembrar que preservar a dignidade do preso é uma obrigação estatal, prevista no art. 10 da
Lei de Execução Penal (LEP), o qual prevê que: “a assistência ao preso e ao internado é dever do Estado,

36
Disponível em: https://jus.com.br/artigos/65792/sistema-carcerario-brasileiro-problemas-e-solucoes. Acesso em 08/07/2019.
37
Disponível em: https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/2019/04/26/menos-de-15-do-presos-trabalha-no-brasil-1-
em-cada-8-estuda.ghtml. Acesso em 15/05/2019.
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objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade”. O art. 11 dessa lei, de forma
mais específica, prevê que a assistência será material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa.
As rebeliões ocorrem de modo frequentes, como as que aconteceram o país nos primeiros dias de 2017 e de
2018, deixando centenas de mortos. O descontrole da Administração Pública também fica nítida no fato de
as facções, de dentro dos próprios presídios, controlarem a criminalidade, especialmente o tráfico de drogas
nas grandes cidades.
Os celulares, que entram ilegalmente nos presídios, funcionam como meio de comunicação do comando do
crime com a sua quadrilha. E, além de servirem à articulação das operações criminosas, são utilizados para
os presos aplicarem golpes na população.
Assim, a superlotação, a falta de oportunidade de trabalho e de estudos – garantias constitucionais a todos
estendidas, inclusive aos custodiados – são os principais motivos pelos quais a prisão, ao invés de
ressocializar, estimulam a violência.
Além disso, não se verifica a existência de políticas para prover ao egresso do sistema prisional, a
orientação e o apoio para a reintegração social e o auxílio para a obtenção de trabalho, o que significa
mais um descumprimento às obrigações do Estado. Lembre-se que, nos termos do parágrafo único do art.
10 da LEP, a assistência ao preso estende-se, também, ao egresso do sistema prisional.
Diante desse quadro, não é motivo de espanto o alto índice de reincidentes, ou seja, ex-condenados que
retornam ao sistema penal. Segundo o relatório de reincidência do Ipea, considerando o conceito de
reincidência dos artigos 63 e 64 do Código Penal38, também chamada de reincidência legal, constatou-se
uma taxa de reincidência de 24,4%, ou seja, aproximadamente um a cada quatro ex-condenados no país
volta a ser condenado por algum crime em menos de cinco anos39.
Assim, o desafio colocado ao poder público diante do problema da reincidência é enorme. Espera-se que a
pena opere uma transformação no indivíduo, de modo que, após egresso do sistema prisional, seja
reintegrado a sociedade e possa levar uma vida útil e produtiva. Mas, de acordo com as evidências, há, ainda,
um longo caminho a ser percorrido até que essa perspectiva se torne realidade.

38
Conforme os artigos 63 e 64 do Código Penal, só reincide aquele que volta a ser condenado no prazo de cinco anos após
cumprimento da pena anterior. Assim, segundo esse critério, não são reincidentes os presos provisórios ou os que retornaram à
prisão após 5 anos do cumprimento da pena anterior.
39
Disponível em: http://cnj.jus.br/noticias/cnj/79883-um-em-cada-quatro-condenados-reincide-no-crime-aponta-pesquisa.
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PRÁTICA
Caro aluno, agora é com você! Treine bastante com os temas expostos, lembrando-se sempre de aplicar o
conhecimento acumulado nas aulas anteriores, tanto sob o ponto de visto da estrutura, quanto dos aspectos
gramaticais.
Lembre-se de nos encaminhar seu texto, se assim desejarem, por meio da área do aluno, de forma
manuscrita digitalizada, conforme explicado na aula 00 do curso.
Para a sua redação, lembre-se de especificar o número do texto escolhido no campo apropriado. Você pode
nos encaminhar um arquivo único (em PDF) ou colar as imagens digitalizadas dentro de um documento em
Word.
As questões discursivas serão devolvidas exclusivamente ao aluno, por meio da área destinada ao curso no
site do Estratégia Concursos.
Desejamos um excelente trabalho a todos vocês!

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