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___________________ Estatística Descritiva -- UFCG/CES ____________________

Prof. Dr. Alecxandro Alves Vieira


e-mail: alecx.alves@gmail.com

I - INTRODUÇÃO À ESTATÍSTICA

1.1 NATUREZA E CAMPO DA ESTATÍSTICA

Os conceitos estatísticos têm exercido profunda influência na maioria dos campos do


conhecimento humano. Grande parte das informações divulgadas pelos meios de comunicação
atuais provém de pesquisas e estudos estatísticos. Ouvimos, assim, falar em estatísticas do IBGE
─ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ─ órgão responsável pela produção das
estatísticas oficiais que subsidiam estudos e planejamentos governamentais no país; estatísticas
relacionadas à saúde e educação, pesquisas de opinião, os índices de inflação, de desemprego,
são um exemplo de aplicação da estatística no nosso dia a dia.

O crescente uso da Estatística vem ao encontro da necessidade de realizar análises e


avaliações objetivas, fundamentadas em conhecimentos científicos. As organizações modernas
estão se tornando cada vez mais dependentes de dados estatísticos para obter informações
essenciais sobre seus processos de trabalho e principalmente sobre a conjuntura econômica
social.

1.2 UMA DEFINIÇÃO

Estatística é um conjunto de técnicas para se obter conhecimento preciso, a partir de


informações incompletas; é um sistema científico para coleta, organização, análise, interpretação
e apresentação de informações que possam ser colocadas sob forma numérica.
A Estatística trata de ideias e métodos que visam aperfeiçoar a obtenção de conclusões a
partir de uma coleção de dados, na presença da incerteza.

Dentro dessa ideia, podemos considerar a Ciência Estatística como dividida em duas
ramificações:

I. Estatística Descritiva → que se preocupa com a coleta, a organização e a classificação


dos dados através de tabelas, gráficos e medidas estatísticas.

II. Inferência estatística → A partir de um conjunto restrito de dados, chamado de amostra,


organizado e descrito pela Estatística Descritiva, a Estatística Inferencial procura fazer
inferências ou, em outras palavras, tirar conclusões sobre tais dados e estender essas
conclusões a conjuntos maiores de dados, chamados de populações, utilizando-se para
isto da Teoria das Probabilidades.

1.3 POPULAÇÃO e AMOSTRA (CENSO E AMOSTRAGEM)

(População ou Universo) – População Estatística é a totalidade dos elementos de características


comuns, pertencentes a um universo sobre o qual se deseja estabelecer conclusões ou exercer
ações. Ela pode ser finita ou infinita.

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(Amostra) – A amostra é apenas uma parte da população, ou seja, é um subconjunto da


população. Com base nas amostras são feitas inferências a respeito da população.

✓ Quando são coletadas informações de toda a população, diz-se que foi feito um
recenseamento. Censo é o conjunto de dados obtidos através de recenseamento.
✓ Quando são coletadas informações de apenas parte da população, diz-se que foi feita uma
amostragem. Amostra é tanto a parte da população para estudo.

IMPORTANTE: Vários motivos levam a necessidade de se observar apenas uma parte da


população, como, por exemplo: população muito extensa, a falta de tempo, recursos financeiros
e/ou humanos.

A técnica de seleção dos elementos para compor a amostra denomina-se amostragem, a


qual tem como objetivo principal garantir a representatividade da população, ou seja, fazer com
que a amostra seja um retrato fiel da população.

1.4 PARÂMETRO e MEDIDA ESTATÍSTICA

(PARÂMETRO) – é uma medida numérica que descreve uma característica de uma população.
Seu valor exato só é obtido quando se estuda toda a população, ou seja, quando se realiza um
censo. Assim, são valores geralmente desconhecidos e usualmente representados por caracteres
gregos. Por exemplo, µ (média populacional), π (proporção populacional), σ (desvio-padrão
populacional), σ2 (variância populacional).

(MEDIDA ESTATÍSTICA) é uma medida numérica que descreve uma característica de uma
amostra. Representada por caracteres latinos. Por exemplo, x (média amostral), pˆ (proporção
amostral), s (desvio-padrão amostral), s2 (variância amostral). As estatísticas servem como
representantes dos parâmetros, ou seja, são estimadores.

(ESTIMATIVA). É um valor numérico assumido pela estatística, calculado com base numa
amostra em particular, e que serve de referência para o valor do parâmetro.

OBSERVAÇÃO: Não há dúvida de que uma amostra não representa perfeitamente uma
população. Ou seja, a utilização de uma amostra implica na aceitação de uma margem de erro
que denominaremos ERRO AMOSTRAL.

1.5. NOÇÕES DE AMOSTRAGEM

As técnicas de amostragem podem ser classificadas em dois grandes grupos: a amostragem


probabilística e a amostragem não probabilística.

a) Amostragem Probabilística ou Aleatória ─ neste grupo encontram-se os planos amostrais


que utilizam mecanismos aleatórios de seleção dos elementos da amostra, atribuindo a cada
um deles uma probabilidade, conhecida à priori, de pertencer a amostra.
b) Amostragem Não Probabilística ─ neste grupo encontram-se os planos amostrais que não
utilizam mecanismos aleatórios de seleção dos elementos da amostra, e dessa forma, não
existe nenhuma probabilidade associada a seleção desses elementos.

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Ambos os procedimentos têm vantagens e desvantagens. A grande vantagem das amostras


probabilísticas é medir a precisão da amostra obtida. Tais medidas já são bem mais difíceis para
os procedimentos do outro grupo. Diante disso, amostras probabilísticas são comumente
utilizadas na prática. Os tipos de planos de amostragem probabilísticos são os seguintes:

I. Amostragem Aleatória Simples: os elementos da população são retirados ao acaso.


Então todo elemento da população tem a mesma chance (ou probabilidade) de ser
selecionado para a amostra. Os elementos são escolhidos através de sorteio.

II. Amostragem Sistemática: os elementos são selecionados não por acaso, mas segundo
uma regra pré-definida. 1 a cada 10, 1 a cada 15, etc. É bastante utilizada quando os
elementos da população estão arranjados uma ordem.

III. Amostragem Estratificada: a população é dividida em estratos (ou grupos) homogêneos,


seleciona-se uma amostra aleatória simples de cada estrato e depois reuni-se todas as
amostras em uma só. Esta amostra final é estratificada. (Grau de instrução, nível de renda,
classe social, local de residência, etc., são fatores de estratificação que podem ser
utilizados)

1.6. VARIÁVEIS

Definição 8 (Variável) – É condição inerente à uma população natural existir variação quanto
aos atributos que lhe podem ser estudados. Portanto, a variabilidade é uma característica comum
a dados de observação e experimentos. Um atributo sujeito à variação é descrito em Estatística
por uma variável.

Assim, uma Variável nada mais é que uma característica (ou dado) em relação à qual os
indivíduos de uma população ou amostra diferem de algum modo aferível (aferir = ajustar a um
padrão). Uma variável apresenta diferentes valores, quando sujeita a mensurações sucessivas, e,
em geral, é denotada pelas letras maiúsculas: X, Y ou Z. Note-se que as propriedades que não
variam não são de interesse estatístico.

TIPOS DE VARIÁVEIS

Basicamente, as variáveis podem ser classificadas como sendo Qualitativas ou Quantitativas.

VARIÁVEIS QUALITATIVAS - quando os valores que elas podem receber são referentes à
qualidade, atributo ou categoria. As variáveis qualitativas podem, ainda, ser classificadas como:
Nominais ou Ordinais.

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I. As variáveis qualitativas nominais - são caracterizadas por dados que se apresentam


apenas sob o aspecto qualitativo (Ex: sexo, resultado de um teste, etc.).

II. As variáveis qualitativas ordinais – os dados podem ser distribuídos em categorias que
apresentam uma ordenação natural. Por exemplo: escolaridade, conceito de qualidade,
estágio de uma doença, status social e porte.

VARIÁVEIS QUANTITATIVAS - quando os valores que ela pode assumir são numéricos, os quais
podem ser obtidos através de uma contagem ou mensuração. De acordo com o processo de
obtenção, podem ser respectivamente: Discreta ou Contínua.

I. As variáveis quantitativas discretas - são variáveis numéricas obtidas a partir de


procedimento de contagem. Podem assumir apenas valores inteiros, sem intermediários
possíveis. Também são chamadas de descontínuas. Por exemplo: Quantidade de
funcionários, nº de empresas legais, idade (em anos completos), etc.

II. As variáveis quantitativas contínuas - são variáveis numéricas cujos valores são obtidos
por um procedimento de mensuração, podendo assumir quaisquer valores num intervalo
dos números reais, dependendo apenas da precisão do instrumento de medição. Como
por exemplo, tempo de permanência, comprimento, pressão, peso, etc..

1.7. DADOS

São as informações inerentes às variáveis que caracterizam os elementos que constituem


a população ou a amostra em estudo. Os dados obtidos em pesquisas devem ser
analisados e interpretados com o auxílio de métodos estatísticos.

Na primeira etapa deve-se fazer uma análise descritiva que consiste na organização e
descrição dos dados, na identificação de valores que representem o elemento típico e, na
quantificação da variabilidade presente nos dados.

Situação Exemplo: Um pesquisador está interessado em fazer um levantamento sobre


alguns aspectos socioeconômicos dos empregados da seção de orçamentos da
Companhia MB.

Os dados devem ser organizados em uma planilha, compondo o que chamamos de


BANCO DE DADOS. Usualmente os indivíduos são representados nas linhas e as
variáveis nas colunas. Este formato é utilizado pela maioria dos programas
computacionais. Para o exemplo citado, o pesquisador elaborou o seguinte banco de
dados.

Note através da planilha exposta a seguir, que cada indivíduo é uma unidade de
observação na qual são feitas várias medidas e/ou anotados vários atributos, referentes
às variáveis. Observe também, que algumas variáveis, como sexo, educação, estado civil,
apresentam como possíveis realizações de qualidade (ou atributo) do indivíduo
pesquisado, ao passo que outras, como número de filhos, salário, idade, apresentam
como possíveis realizações números resultantes de uma contagem ou mensuração. As
variáveis do primeiro tipo são chamadas qualitativas e as do segundo quantitativas.

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Figura: Informações sobre estado civil, grau de instrução, número de filhos, salário
mínimo, idade e procedência de 36 empregados da seção de orçamentos da companhia
MB.

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1.8. FASES DO MÉTODO ESTATÍSTICO

A realização de uma pesquisa deve passar, necessariamente pelas seguintes fases:

Definição Coletas Crítica


do → Planejamento → dos → dos
problema Dados Dados

Análise e
Apresentação interpretação dos
Tabelas e Gráficos
dos dados → → dados

1) Definição do problema → Saber exatamente o que se pretende pesquisar, ou seja, definir


corretamente o problema.
2) Planejamento → determinar o procedimento necessário para resolver o problema, como
levantar informações sobre o assunto objeto do estudo. É importante a escolha das perguntas em
um questionário, que na medida do possível, devem ser fechadas.
✓ O levantamento de dados pode ser de dois tipos:
• Censitário (quando envolve toda a população)
• por amostragem (quando é utilizada uma fração da população)

✓ Outros elementos do planejamento de uma pesquisa são:


• Cronograma das atividades; Custos envolvidos;
• Exame das informações disponíveis; Delineamento da amostra.
3) Coleta de Dados → consite na busca ou compilação dos dados . Pode ser classificado,
quanto ao tempo em: Contínua (inflação, desemprego, etc); Periódica (Censo); Ocasional
(pesquisa de mercado, eleitoral)
4) Crítica dos dados → objetiva a eliminação de erros capazes de provocar futuros
enganos. Faz-se uma revisão crítica dos dados suprimindo os valores estranhos ao
levantamento.
5) Apresentação dos dados → a organização dos dados denomina-se “Série Estatística”.
Sua apresentação pode ocorrer por meio de tabelas e gráficos.
6) Análise e Interpretação dos Dados → consiste em tirar conclusões que auxiliem o
pesquisador a resolver seu problema, descrevendo o fenômeno através do cálculo de medidas
estatísticas, especialmente as de posição e as de dispersão.