Você está na página 1de 33

▪ APONTAMENTOS DE DIREITO PENAL I

▪ RESUMO

▪ AUTOR: EDMANE DE GRACIOSA RAIMUNDO ADRIANO

O Presente artigo, comporta consigo apontamentos da cadeira de Direito Penal I,

um ramo do saber absolutamente promissor, são ideias de vários autores resumidas,

com isto pretendo simplesmente afirmar e de forma categórica, que o artigo em

referência é resultado de uma compilação bibliográfica, com vista a facilitar aos

amantes da cadeira de Direito penal em geral ou o Direito das penas se assim

preferirmos, mais adiante além dos apontamentos, fiz a questão de elaborar alguns

exercícios para facilitar, o processo de “treinamento”.

“O mundo não esta ameaçado pelas

pessoas más, sim por aqueles que permitem a maldade.”

Albert Einsten

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL

Conceito de Direito Penal

São vários os conceitos de Direito penal, mas neste artigo traremos aquele
que se mostra mais afigurado no meu entender, sendo assim pretendo perfilhar o
conceito que faz menção que o Direito Penal, é um ramo de Direito Publico que
visa a descoberta dos infractores do crime e aplicação da consequente medida de
segurança (nos casos dos inimputáveis).

Segundo a visão de LIZST-SCHMIDT e MAURACH, o conceito de ramo de


Direito pode ser entendido em dois sentidos, nomeadamente: sentido objectivo e
Subjectivo.

▪ No sentido Subjectivo – este poder ser definido como o conjunto de


normas jurídicas que ligam uma pena ao cometimento de certos factos.
▪ Sentido Objectivo – este define-se como o Direito de punir pertencente
ao Estado, é o então dito IUS PUNIEND.

Direito Criminal ou Direito Penal

Muitas vezes nos temos nos deparamos, com vários manuais ou mesmo
textos soltos que referem a Direito Criminal e outros a Direito Penal, afinal
trata-se de mesmos termos?

Sendo que o objecto de estudo é praticamente o mesmo qualquer das


terminologias para efeitos de estudo não tem muita relevância, uns preferem
chamar de Direito penal e outros Direito criminal, por terem praticamente o
mesmo objecto e em Moçambique, algumas universidades como: Eduardo
Mondlane, ESEG chamam de Direito Criminal e algumas como Universidade
Católica de Moçambique, Politécnica e outas chamam direito penal.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
Isto porque o diploma que regula o este ramo do saber em Moçambique
chama-se código penal, não fazia, sentido chamar de Direito Criminal, enquanto
o diploma chama-se código penal, e Direito criminal é praticamente a mesa
coisa, pois trata-se de praticamente mesmos institutos jurídicos.

Definição Formal e Material do Crime

O conceito formal de crime em Direito Penal é meramente jurídico – vai ser


toda acção, típica, ilícita, culposa e punível, com mais detalhes nos
apontamentos de Direito penal II, poderão ver de forma mais detalhada, e
aprofundada cada elemento do crime, o que importa saber em Direito Penal I, é
somente os conceitos ou então significado de cada elemento.

O conceito Material de crime, é toda conduta contrária ao que encontra-se


descrita na parte especial do código penal.

FINS DO DIREITO PENAL

Ao se falar da questão dos fins do Direito Penal é um procura – se entender o


fim ultimo do Direito penal, em algumas vezes chega-se a fazer uma confusão
entre os fins das penas e os fins do Direito penal.

Antes de Começar a falar das penas, sendo que já tivemos o conceito de


crime seria de maior relevância trazer o conceito de Pena, e este conceito em
Direito Penal pode ser entendido em dois sentidos:

Em sentido formal, vai ser considerada pena a consequência jurídica da


adopção de certa conduta, e em sentido material são as sanções descritas nos
artigos 61 e 62 do CP, e estas penas podem ainda ser de prisão maior art. 61 e 62
do CP, que são vistas como penas correccionais, se o legislador faz menção de
penas prisão durante a sua abordagem é o mesmo que dizer penas

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
correccionais no artigo 64 do CP, encontramos as penas acessórias, que por via
de regra em algumas vezes devem acompanhar a pena.

Penas Acessórias e Fins das Penas

As penas acessórias não são de aplicação imediata ou automática, para serem


aplicadas é preciso que o juiz declare de forma expressa em sentença, enquanto
que os efeitos das penas são automáticos, os seus e fazem-se sentir de imediato,
e nem precisa de uma declaração expressa.

Nestas circunstâncias é preciso fazer o cruzamento das penas principais e


penas acessórias, quando assim acontecer diz-se que estamos perante a figura de
penas mistas, isto é entre pena de prisão maior e multa e entre multa e pena de
prisão.

Penas e medidas alternativas de prisão – o código permite aplicar penas e


medidas alternativas à pena de prisão nos termos do artigo 85, 88 e 89 do CP.

Analisando o artigo 88 do CP refere-se medidas alternativas à pena de


prisão – que são aplicadas antes do individuo ser julgado e condenado quando o
processo esta ser instruído pelo ministério público, e os acordos deverão ser
feitos antes.

Analisando o artigo 88 refere-se penas alternativas à pena de prisão –


aplica-se depois do réu ser condenado, o processo sai da procuradoria ou do
ministério publico o tribunal competente é quem decide.

A função do Direito penal é o mesmo que o fim do Direito penal, em alguns


aspectos há quem diz os institutos jurídicos os fins das penas e fins do Direito
penal são diferentes pois se verificam aplicada a pena, outros defendem que o
fim das penas esta dentro dos fins do Direito Penal.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
Os fins do Direito penal podem ser:

Mediatos – são os fins longínquos e últimos que o Direito Penal, em ultima


analise pretende alcançar, estes são os fins que o Direito no geral, isto é, os fins
do Estado, art. 11 da CRM.

Imediatos – são os verdadeiros fins do Direito Penal são os fins próximos, é


com base nestes que atingem os fins mediatos.

São várias as teorias que se posicionam em relação aos fins imediatos dentre as
quais podemos destacar as seguintes:

Teoria de Retribuição ou Absoluta – aplica-se apenas para fazer a


retribuição do mal causado, estas surgem no âmbito das normas religiosas pelos
Direitos humanos, e a partir desta teoria nascem as seguintes teorias:

Teoria relactiva ou preventiva - aqui pune-se o individuo para impedir


que se cometam crimes, desta podemos encontrar as teorias de prevenção geral
estas são gerais porque evitam que as pessoas no geral cometam crimes, e de
prevenção especial defende que o Direito penal aplica a lei para que este não
cometa crimes.

As teorias da prevenção geral: são negativas ou de intimidação quando a


pena será aplicada de forma severa para que todos que assistem sintam o medo
de praticar tal crime, o objectivo é de deixar a comunidade com medo, a
prevenção geral positiva aplicamos uma pena que visa punir o individuo
fazendo com que os indivíduos confiem o Estado, desencorajando o uso do
individuo como objecto.
Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,
Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
A teoria de prevenção especial negativa – pune-se o individuo de forma
severa para que ele mesmo se arrependa, a teoria de prevenção especial
positiva ou teoria ressocializadora, vamos punir o individuo porque encontra-
se doente, e o Direito Penal é o remédio, o juiz é o médico que vai dar cura ao
delinquente (o infractor).

Teorias mistas ou unificadoras – os fins do Direito penal podem não


resumir-se numa soo pois sofrem críticas por isso surgem as mistas.

Teoria que reentra as teorias de retribuição – o direito penal visa a


prevenção geral positiva com retribuição.

Teoria da prevenção integral – refuta por completo a ideia de retribuição


cruzando as teorias da prevenção geral negativa associada a positiva, ou então
especial positiva.

No nosso ordenamento jurídico o fim do Direito penal é o da prevenção geral


positiva associada a ressocialização, podemos conferir nos artigos, 56 da CRM,
58 e 63 do Código Penal.

E, a finalidade da pena é de ressocializar o indivíduo conforme dispõe o


código penal, artigo 63 do CP.

Portanto, alguns manuais preferem designar fins do Direito penal e outros


funções do Direito penal, mas é mesma coisa, procura-se entender a verdadeira
finalidade do Direito penal, há quem deferência os fins do Direito penal e fins
das penas, os fins do Direito Penal são mais amplos e os fins do Direito Penal
são mais restritos porque o fim das penas verificam-se quando é aplicada uma
pena a alguém, e os fins do Direito penal nem sempre se reduzem em punir,
pode igualmente impor uma ameaça e aqui cumpre o seu fim, o fim das penas

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
encontram-se dentro dos fins do Direito Penal, existe a diferença entre estes
institutos jurídicos.

APLICAÇÃO DA LEI PENAL QUANTO ÀS PESSOAS

CONCEITOS PRELIMINARES
Como forma de ter uma melhor compreensão sobre o tema em alusão
convém trazer os conceitos ligados a este tema, que sob nosso viés torna-se
imperioso, trazer estes conceitos, começaremos por trazer o significado das
expressões constantes no tema.

Aplicação – significa uso ou então destino ou seja configura-se na acção


de aplicar, de colocar em pratica, utilização: aplicação de medidas de segurança.

Lei – é um sistema de regras que são criadas e executadas por meio de


instituições sociais ou governamentais para regular comportamentos, alguns
preferem denominar por arte da justiça.

Penal – relactivo ao direito de punir, ou então castigar.

Pessoa – é todo ser com capacidade de consciência, raciocínio ou então


arbítrio próprio e é responsável pelos seus actos.

Nota-se então que ao se falar da aplicação da lei penal quanto as pessoas,


pretendemos aqui falar qual o destino que as regras do Direito Penal tem para
com as pessoas, ou seja qual e como é feita a utilização destas normas.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
NATUREZA E JUSTIFICAÇÃO DAS EXCEPÇÕES AO PRINCÍPIO DA
IGUALDADE DOS CIDADÃOS PERANTE A LEI PENAL
Segundo Eduardo Correia o princípio geral desta matéria é o da igualdade
de todos os cidadãos perante a lei. Segundo o art. 35 da CRM em que preceitua
o seguinte: “todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos
direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres independentemente da cor, raça,
sexo, origem étnica, lugar de nascimento, região grau de instrução, posição
social, estado civil dos pais profissão ou opção política”. Em princípio a lei
criminal se aplica a todos sem distinção de classes por hierarquias, há todavia
excepções umas vezes impostas para garantir a dignidade e independência de
certas pessoas e funções, outras vezes por razões diplomáticas ou de direitos
internacionais.

Logo, a lei é igual para todos e não existem privilégios pessoais que
limitem a aplicabilidade da lei penal, não vigorando o princípio legibus solutu.
Há, no entanto, Pessoas que por virtude das suas funções na orgânica do Estado
ou em razão de regras de Direito Internacional gozam de imunidades.

Nesta senda de ideias, o professor Eduardo Correia nos traz algumas


excepções que configuram-se em imunidades.

As imunidades - constituem privilégios por força dos quais as pessoas a


quem são atribuídas não ficam sujeitas a jurisdição do Estado ou não lhes são
aplicadas as sanções previstas nas leis penais. E diz que é preciso distinguir as
excepções de carácter substantivo das excepções de carácter adjectivo ou
processual, de seguida procuraremos fazer a distinção destes institutos jurídicos
na óptica do autor em alusão.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
EXCEPÇÕES SUBSTANTIVAS OU POLÍTICO-CONSTITUCIONAIS
Considera-se excepções de carácter substantivas político constitucionais,
aquelas que apagam o crime, apagado o crime, isso projecta-se sobre todas as
relações do que ele pode ser objecto, incluindo as relações de comparticipação.

Como exemplo destas excepções pode citar-se o art.1521 da Constituição


da República que torna o P.R fundamentalmente irresponsável pelos actos
praticados no exercício das suas funções.

Coisa semelhante sucede com os Deputados que, nos termos do art. 173
da constituição são invioláveis pelas opiniões e votos que emitem no exercício
do seu mandato.

Nota-se porem que essa inviolabilidade não abrange a responsabilidade


criminal por difamação, calunia e injuria, ultraje a moral pública ou provocação
pública ao crime da constituição.

Também os juízes são irresponsáveis pelos julgamentos, ressalvadas as


excepções que a lei consignar, conforme dispõe o no 2 do art. 217 da CRM.

EXCEPÇÕES PROCESSUAIS OU ADJECTIVAS


Considera-se excepções processuais ou adjectivas, aquelas que tornam
dependente o procedimento criminal de certas condições, é claro que não
sucede.

Há, porém, por outro lado excepções adjectivas ou de Direito processual e


então a acção penal pode ser intentada contra outras pessoas que não gozam
delas e que tenham participado no crime. Como é o caso de furto entre cônjuges

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
e o furto de descendente a ascendente não dão lugar a acção pública de furto art.
279 do CP, mas isso não quer dizer que se não proceda criminalmente contra os
respectivos comparticipantes.

Outras excepções processuais são aquelas que exigem consentimento da


Assembleia República para processar deputados, no 1 do art.

Os ministros ou então o governo só podem ser julgados nos termos do art.


210 da CRM, e o Presidente da República só responde perante os tribunais
comuns depois de terminado o seu mandato, isto significa que o PR não pode
durante o seu mandato responder criminalmente diante dos tribunais comuns,
mas sim diante do tribunal supremo, no 2 do art. 152 da CRM.

Nas palavras da autora Teresa Beleza no que diz respeito a aplicação da


lei penal quanto as pessoas tem algumas regras especiais em relação a pessoas
que ocupam certos cargos quanto ao funcionamento da lei penal, em relação a
actos praticados por essas pessoas.

O que nos parece, e de certo modo, acaba por funcionar como tal, ser uma
violação do princípio da igualdade, só que estas eventuais excepções são feitas
pela própria constituição e por tanto não se levantará o problema da
inconstitucionalidade, a não ser por quem admita de uma forma mais ou menos
"metafísicas", que é possível haver normas constitucionais, feridas de
inconstitucionalidade.

EXCEPÇÕES DIPLOMÁTICAS
Há também excepções diplomáticas, que aliás poderiam também
enquadrar-se num princípio de extraterritorialidade, com o princípio da
extraterritorialidade nota-se que um individuo fica isento da jurisdição da lei
local, esta afecta também as pessoas que representam oficialmente o seu próprio
Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,
Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
Estado no estrangeiro, especialmente os diplomatas e as autoridades supremas
em caso de visitas, implicando geralmente, nesses casos, imunidade perante as
forças coactivas. Assim:

a) É costume e pratica internacional que os chefes de Estado estrangeiros,


quando não viajem incógnitos, e pratiquem factos criminais, não possam
ser punidos, devendo apenas ser convidados a retirarem-se ou serem
expulsos, pedindo-se depois reparação por via diplomática.
b) É costume retirar o “agrément” (acordo), aos diplomas que pratiquem
delitos no país, fazendo-os assim sair do território e permitindo que os
respectivos países os julguem.
c) O mesmo em regra se aplica aos agentes internacionais equiparados aos
agentes diplomáticos, ao pessoal oficial das missões diplomáticas, bem
como a família destes e em certas medidas aos cônsules.

A garantia destas imunidades abrange as seguintes pessoas:

• Os agentes diplomáticos (embaixadores);


• Funcionários das organizações internacionais (ONU, OEA, OIT,...), desde que
em serviço;
• Familiares dos dois acima;
• Chefes de governo estrangeiro (1º Ministro, Presidente, Rei);
• Ministro das Relações exteriores/Ministro dos Negócios estrangeiros e
cooperação.

Não abrange:

• Empregados particulares;

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
• Cônsules (funcionários de carreira e que são indicados para a realização de
determinadas funções em Estado específico), pois possuem imunidades
inferiores aos diplomatas, qual seja, é limitada aos actos ligados à sua função,
de modo que poderão ser presos e processados por outros crimes (Ex.:
homicídio, lesão corporal...).

Porem, estas imunidades são irrenunciáveis pelas pessoas, mas podem ser
renunciadas pelo Estado representado.

IMUNIDADE DOS CHEFE DO ESTADO


Primeiro convém ter presente que nos termos do no 1 do art. 145 da CRM,
o PR é o chefe do Estado, o PR nos termos do art. 152 da CRM, só responde
pela prática dos crimes comuns depois de terminado o seu mandato. Visto que o
mandato de um Presidente da República em Moçambique pode ter a duração de
dez anos consecutivos, com isto poderá este responder pelo cometimento de uma
infracção comum; homicídio voluntário no exercício da condução volvidos pelo
menos dez anos, uma vez que na prática o intervalo entre as eleições
presidências e consideravelmente curto.

Ainda no âmbito processual sobre a figura do P.R pode-se dizer que este
só pode ser julgado no Tribunal Supremo, quando estiverem em causa a prática
de crimes no exercício da sua função ou por causa delas, depois de haver
anuência da Assembleia da República e remetido ao directamente ao Procurador
- Geral da República. Ainda pode se dizer que em termos processuais esta figura
não pode ser sujeito a medida de coacção máxima da prisão preventiva durante o
exercício das suas funções nos termos do artigo 153 da CRM.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
IMUNIDADES DO DIREITO INTERNO E INTERNACIONAL

Como antes dissemos, alguns autores no âmbito da aplicação da lei penal


quanto as pessoas usam o termo, os cultores de Direito Penal, classificam estas
imunidades, em absolutas as que eximem de responsabilidade ou isentam de
submissão a jurisdição por qualquer crime. E, imunidades relativas as que
resultam do exercício de determinadas funções. Vejamos:

As imunidades absolutas são reservadas aos chefes de Estado


estrangeiros são Imunidades de Direito Internacional Público, ou por outra são
aquelas ditas de imunidades diplomáticas e de chefes de Estado Estrangeiro. A
imunidade dos chefes de Estado estrageiro deriva do Direito Internacional
Público.

Onde, Em razão do respeito mútuo entre os países, os agentes


diplomáticos estrangeiros não estão sujeitos à lei penal interna, mas sim à lei do
país que representam. Portanto, os Embaixadores, secretários de Embaixada,
pessoal técnico e administrativo das representações, seus familiares, Chefes de
Estado e representantes de governos estrangeiros não estão sujeitos à aplicação
da lei penal interna. Ainda, os prédios das Embaixadas e residências das pessoas
que possuem tal imunidade são invioláveis.

As imunidades relativas ou funcionais onde estas tanto podem ser de


Direito Público Interno como de Direito Internacional Púbico. São imunidades
de Direito Público Interno, as que gozam os deputados à Assembleia da
República, nos termos do art. 173 da CRM, onde estas podem também ser
chamadas de imunidades parlamentares.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
RESPONSABILIDADES CRIMINAL DE PESSOAS COLECTIVAS E
SINGULARES
A aplicação da lei penal ou criminal estende-se igualmente a certas
categorias de pessoas jurídicas, que são as pessoas singulares e pessoas
colectivas, antes mesmo de abordar exaustivamente esta temática, convêm ter
presente o conceito de responsabilidade criminal ou então responsabilidade
penal, a doutrina dominante tem discutido esta questão no intuito de conceituar
este instituto jurídico, o conceito que afigurou-se mais simples e claro é o que
preconiza que a responsabilidade penal é o dever jurídico de responder pela
acção delituosa que recai sobre o agente imputável.

O nosso legislador em sede de responsabilidade penal das pessoas


colectivas/singulares no art. 28° do CP define a responsabilidade penal como
sendo uma obrigação de reparar o dano causado na ordem jurídica, Cumprindo a
medida ou a pena estabelecida na lei, conjugado com artigo 152° da CRM.

Ao cometer um delito um individuo é considerado responsável e será


submetido a uma pena, ao inimputável será aplicada uma medida de segurança,
isto é, uma providência substitutiva ou complementar da pena, sem carácter
expiatório ou aflitiva, mas de índole assistencial, preventiva e recuperatória e
que representa certas restrições pessoais.

Enquanto a pena tem um carácter essencialmente ético e baseado na


justiça, a medida de segurança é eticamente neutra e tem por fundamento a
utilidade. A medida de segurança não é uma sanção e visa a impedir provável
retorno, a prevenção da prática do crime de neutralização profilática ou da
recuperação social do individuo. A pena tem como carácter jurídico essencial o
sofrimento e é repressiva e intimidante, enquanto a medida de segurança tem um

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
carácter terapêutico, assistencial ou pedagógico e serve ao fim de readaptação do
individuo.

Alguns autores dizem que para que o individuo seja responsável penalmente por
determinado delito são necessárias três condições básicas que são:

✓ Ter praticado o delito;


✓ Ter tido na época, entendimento do carácter criminoso da acção;
✓ Ter sido livre para escolher entre praticar e não praticar a acção.

RESPONSABILIDADE CRIMINAL DAS PESSOAS COLECTIVAS


Para Teresa Beleza, a responsabilidade criminal das pessoas colectivas em
especial as empresas, ritos relactivamente a certos tipos de crime poderão ser
responsabilizadas nos termos do art. 30 conjugado com o art. 31 do CP.

Segundo o cultor Figueiredo Dias, entende que a tese que considera, que
as pessoas colectivas não podem ser passiveis de ilícitos criminais louva-se
numa ontologificação e autonomização inadmissível do conceito de acção, ao
esquecer que este conceito pode ser feito pelo tipo de ilícito de exigências
normativas que o conforme como uma certa unidade de sentido social, e
importante demostrar a capacidade de acção das pessoas colectivas e, para isso,
muito tem contribuído as outras doutrina como exemplo a doutrina holandesa e
norte-americana.

Legitimam esta responsabilidade no princípio de que se a empresa pode


violar contratos, nada obsta que possa também violar um ilícito típico
penalmente relevante. O que equivale dizer que as acções das pessoas singulares
devem ser entendidas como acções de pessoas colectivas.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
O autor em alusão, na sua tese sobre as pessoas colectivas diz que, os
seguidores de uma dogmática penal que assentavam na responsabilidade
exclusivamente individual deparam-se com as exigências de política criminal
que invocam por razões de eficácia penal a responsabilização penal das pessoas
colectivas.

O certo é que a persistência numa responsabilidade exclusivamente


individual conduziria, não raras vezes, a uma absoluta impunidade
essencialmente pelo facto de tornar extremamente difícil determinar a rela
responsabilidade de cada um dos indivíduos que seio da colectividade em
virtude da extrema expressão do poder decisório.

CAPACIDADE DE ACÇÃO
Pressuposto básico da aplicação de qualquer pena é a existência de uma
acção típica, ilícita e culposa e punível. Neste sentido, urge, antes de mais nada,
para que possamos imputar responsabilidade penal das pessoas colectivas.
Contrário da maioria dos autores fazia-o não devido à incapacidade de culpa,
mas à incapacidade de acção do ente colectivo, a qual se colocava num
momento anterior ao da capacidade de culpa. Segundo aquele cultor, o
comportamento de que se parte é o comportamento humano e, em princípio ao
contrário do que acontece em todos os ramos de Direito, nomeadamente no
Direito Civil só o dos indivíduos e não o das colectividades: societas deliquere
non potest. Pelo que a irresponsabilidade jurídico-criminal das pessoas
colectivas deriva, assim, logo da sua incapacidade de acção e não apenas, como
querem alguns, da sua incapacidade de culpa.
Igualmente, na esteira do ilustre professor João Castro, assegura que “a
especificidade normativa da acção criminal” leva-nos a “concluir pela
incapacidade de acção das pessoas colectivas”, na medida em que só a negação
Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,
Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
de valores pelo homem, só o comportamento humano e a conduta dos
indivíduos, pode constituir acção jurídico-penal.

Mais recentemente, em especial devido ao contributo da doutrina


estrangeira, sobretudo anglo-americana, aliada à necessidade de dotar a justiça
penal de uma maior eficácia vem, nas últimas décadas, delapidando o princípio
societas deliquere non potest. Ao mesmo tempo assistiu-se, um pouco por toda a
Europa, a um movimento político-jurídico qualquer responsabilidade criminal
na pessoa colectiva a indagar acerca da sua capacidade de acção.

CAPACIDADE DE CULPA
Nas sábias palavras do autor acima supracitado, o grande ataque
dogmático principal que se faz a punibilidade das pessoas colectiva reside na
incapacidade destas, em suportarem um juízo de censura ética, isto e, um
verdadeiro juízo de culpa.

De facto esta questão na tem -se revelado pacifica ao nível da doutrina,


sob uma perspectiva de criação de uma teoria da criminalidade das pessoas
colectivas, a lei penal só admite a responsabilidade criminal por actos próprios
culposos e é com base neste pressuposto que os defensores do princípio societas
deliquere non potest invocam a falada de consciência e de vontade própria e
livre das pessoas colectivas.

Alguns autores afirmam que mesmo admitindo a responsabilidade


criminal das pessoas colectivas pressupõe aceitar uma responsabilidade
objectiva traduzindo se numa fractura sistemático-dogmática na teoria geral do
facto criminoso incompatível com os princípios de Direito Penal. Com tudo não
podemos deixar de fazer uma breve alusão ao princípio da culpa.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
PRINCÍPIO DA CULPA
Segundo Germano da Silva a culpabilidade assume-se como um juízo de
reprovação ou censura ética dirigido ao agente do crime por este ter praticado
actos violadores da lei penal. Esta censura resulta quer de valor social do acto
quer de uma reprovação voluntária contra o direito, porque pressupõe
consciência ética, vontade psicológica e liberdade de vontade motivação nas
circunstâncias que agiu.

Na verdade a culpa, enquanto censura ética jurídica do agente por não ter
actuado de modo diverso, pressupõe a ideia de que o seu destinatário é um
sujeito livre e responsável que podia (e devia) ter arguido de modo diverso.

Não podemos deixar de fazer referência a distinta teoria de Figueiredo


Dias, que concebe a culpa material como a violação pelo homem do dever de
conformar o seu existir para que na sua actuação na vida, não viole ou ponha em
perigo bens jurídico-penalmente relevantes. A culpa jurídico-penal
materialmente traduz se em ter de responder pela personalidade de que
fundamenta um facto ilícito e típico, mas por isso também, o conceito jurídico-
penal de culpa tende ser como todos concordam, pessoal, a culpa só pode ser
dada materialmente como culpa da pessoa.

O problema principal reside na possibilidade da capacidade das pessoas


colectivas praticarem actos volitivos (capacidade de querer e de agir). Ora,
estando a noção de culpa ligada a prática de um acto volitivo parte da doutrina
defendia que não sendo as pessoas colectivas dotadas dessa vontade não podem,
as mesmas serem susceptíveis de culpa, logo penalmente irresponsáveis,
intimamente ligado este o facto de parte da doutrina acrescenta que
simultaneamente os entes colectivos eram incapazes de culpa por lhes faltar uma
reprovação ética enquanto elemento psíquico.
Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,
Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
Embora o Direito se tenha mantido fiel a noção de culpa pessoal da pessoa
física, a verdade e que a noção de culpa tem sofrido de uma mutação ao longo
da história. Nesta mesma senda d ideias a pergunta que não quer se calar será
seguintes: é viável construir um conceito de culpa próprio de pessoas colectivas
no âmbito do direito penal?
No direito penal assenta no princípio nula poena sine culpa nos termos do
qual não pode haver sanção criminal sem culpa e que a medida da pena não
pode ultrapassar a medida da culpa. A culpa como fundamento e limite da pena,
no mesmo sentido, nenhuma pessoa pode ser responsável pela culpa da outra,
assim sendo, a responsabilidade das pessoas colectivas há- de sê-lo por facto e
culpa própria.

MODOS DE IMPUTAÇÃO DOS FACTOS DAS PESSOAS COLECTIVAS


De entre os vários sistemas jurídico-penais que admitem a
responsabilidade penal das sociedades, a doutrina e a jurisprudência destacam
dois modelos: o modelo da responsabilidade indirecta ou hetéro -
responsabilidade (também designado por substituição, representação ou
vicarial). É o modelo de responsabilidade directa ou auto responsabilidade. De
qualquer forma, apesar de posições opostas, em qualquer um dos modelos a
responsabilidade penal assenta numa punição da sociedade por facto próprio.
Partilham em comum, o facto de procurar sempre justificar a acção e a culpa da
própria sociedade os meios para imputar o facto típico penal à sociedade é que
são diferentes.

MODELOS DE RESPONSABILIDADE DAS PESSOAS COLECTIVAS


Ao se falar dos modelos de Responsabilidade das pessoas colectivas,
queremos nos falar da tipologia das responsabilidades das pessoas colectivas,

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
isto é quais os tipos de responsabilidades penais que um individuo poderá
incorrer como resultado da prática de um crime.

Havemos de nos deparar com dois modelos de responsabilidade de


pessoas colectivas estas que são: as responsabilidades directas e
responsabilidades indirectas.

MODELO DE RESPONSABILIDADE INDIRECTA DE PESSOAS


COLECTIVAS
As principais teorias a respeito deste foram apresentadas por Figueiredo
Dias e Farias Costa, teorias estas que iremos analisar de uma forma detalhada.

O modelo vicarial ou responsabilidade indirecta das pessoas colectivas


consagrado no regime jurídico das infracções antieconómicas e contra saúde
pública, bem como na generalidade da legislação avulsa que consagra a
responsabilidade da pessoa colectiva, e o modelo maioritariamente defendido
nos sistemas jurídico, tendo sido construído e adoptado em paralelo com a
solução adoptada pelo direito civil para resolver a problemática das sociedades
resulta da actuação e da culpa das pessoas físicas que agem em representação,
assim a acção e a culpa das pessoas colectivas e definida através da acção e da
culpa das pessoas físicas que atuam em representação para posteriormente
podermos imputar actuação e respectiva culpa a própria sociedade impõe
avaliação do comportamento da pessoa humana.

Este modelo em grande parte devido a exigência destes grandes requisitos


(reconhecimento da acção e da culpa do agente concreto e a consequente
imputação da infracção a sociedade) tem sido comummente designado por
responsabilidade por reflexo.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
MODELO DE RESPONSABILIDADE DIRECTA DAS PESSOAS
COLECTIVAS
Face aos obstáculos teóricos-práticos surgidos na aplicação do modelo de
responsabilidade por representação, a doutrina tem sido fértil na procura de
respostas de responsabilidade directa das pessoas colectivas. Ao contrário do
modelo supra analisado, a responsabilidade directa pune as pessoas colectivas
sem recorrer a uma transferência da acção e da culpa das pessoas físicas para o
ente colectivo.

Este modelo admite a punição das pessoas colectivas prescindido (ou


melhor não tendo dependente) da acção (facto de conexão) e da culpa das
pessoas singulares e busca dos elementos constitutivos da infracção ao nível da
própria pessoa jurídica consagra uma responsabilidade directa fundada numa
culpa autónoma dos seus representantes, diversa da culpa dos seus órgãos ou
representantes.

AS DIFICULDADES DO MODELO DE RESPONSABILIDADE


INDIRECTA
Não obstante aparentemente mas simples e eficaz por um lado, aponta-se
o facto de nem todas as infracções cometidas pelas pessoas singulares que
compõem a pessoa colectiva resultam de uma decisão ou vontade social, pelo
que a transposição da culpa das pessoas físicas para as pessoas colectivas não
pode ser automática sob pena de estarmos perante uma falsa culpabilidade ou
um puro oportunismo utilitarista.

De outro lado, a problemática que trataremos mas pormenorizadamente o


facto de não raras vezes perante a prática de uma infracção criminal não é
possível individualizar a pessoa física que cometeu a infracção. Dificuldade esta

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
que este modelo não da qualquer solução de punição, conduzindo em grande
parte dos casos a impunidade.

DIFICULDADES DE MODELO DE RESPONSABILIDADE DIRECTA


Este modelo de responsabilidade fundamenta a fundamentação directa das
pessoas colectivas na ausência de doação de medidas de organização ou deveres
de cuidados suficientes ou na omissão de uma decisão de forma a evitar práticas
de crimes. O que se acaba de dizer aproxima-se da negligência pelo que a
imputação directa no que diz respeito aos crimes dolosos e ao que exigem um
elemento subjectivo, é preciso que o agente que configura o pressuposto formal
da imputação “actue formalmente no exercício das suas funções e no âmbito da
sua competência”. Inversamente consideram-se pessoais os actos ilícitos
praticados fora do exercício das funções do agente singular que vão para além
das suas funções ou que, mesmo aqueles praticados no exercício das suas
funções, não são praticados por causa desse exercício circunstância em que
responde pessoalmente o agente que praticou o facto ilícito.2
A lei exige também que os actos dos órgãos e representantes sejam praticados
no interesse colectivo.

OS FACTOS PRATICADOS EM NOME E NO INTERESSE DA PESSOA


COLECTIVA
Deve considerar-se que age no interesse da pessoa colectiva, o órgão ou o
representante que pratica o facto em ordem à organização, ao funcionamento ou
à realização dos seus fins. Mesmo se desses factos não resulte para a sociedade
qualquer proveito financeiro ou até acarrete dano. Compreende-se que o acto é

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
praticado no interesse colectivo quando a sua prática tem em vista a realização
dos objectivos sócias da pessoa colectiva, já não quando se traduz num benefício
próprio do agente ou mesmo de terceiros externos à pessoa colectiva.
O interesse colectivo envolve tudo aquilo que garante a organização e
funcionamento empresarial, tudo oque assegura o desenvolvimento da
actividade, isto é, tudo aquilo que importa ao objecto social e aos fins da
colectividade, portanto, a infracção praticada no interesse colectivo pode ser
entendida coma aquela que visa produzir um benefício, não necessariamente
económico-financeiro.

RESPONSABILIDADE CRIMINAL DAS PESSOAS SINGULARES

Logo de primeira no que referi a responsabilidade criminal da pessoa


fisica a que falar da responsabilidade civil, esta que é uma fonte de obrigações.
Em termos muitos sucintos, a “responsabilidade civil consiste, pois, numa
obrigação de indemnizar. Sendo fonte de obrigações é, também, uma forma de
responsabilização por um determinado comportamento. Ou seja, o agente tem de
ter tido alternativa, tem de ter actuado em liberdade. Para garantir esta liberdade
de actuação, o Direito Civil estabelece um limite à responsabilidade,
concretizado no pressuposto de imputabilidade.

Como refere Antunes Varela, diz-se imputável a pessoa com capacidade


natural para prever os efeitos e medir o valor dos actos que pratica e para se
determinar de harmonia com o juízo que faça deles.

Por outra, de acordo com Rogério Greco, a imputabilidade é a


possibilidade de se atribuir o facto típico e ilícito ao agente. Exige-se, assim,
para que haja imputabilidade, a posse de certo discernimento (capacidade

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
intelectual e emocional) e de certa liberdade de determinação (capacidade
volitiva).

Todavia, há ocasiões nas quais não é possível imputar o facto típico ao


agente, em decorrência da ausência da capacidade de discernimento sobre os
efeitos dos actos por eles praticados. Onde, havendo pessoas menores de sete
anos e interditos por anomalia psíquica em relação às quais a lei civil presume a
falta desta capacidade. Trata-se, afinal, da determinação do universo abstracto
de agentes que podem ser objecto de um juízo genérico de censura.

Porem, a responsabilidade criminal ou penal, não tem carácter


essencialmente indemnizatório, mas sim punitivo. Isto quer, dizer que, em razão
dos princípios da personalidade da pena só pode responder em carácter punitivo
aquele que de facto deu causa ao dano, a pena não pode passar da pessoa do
autor do facto típico antijurídico, excepto no caso de perdimento de bens. Ou
seja, conforme dita o princípio da individualidade da responsabilidade criminal,
no art. 29 do CP, a responsabilidade criminal recai, única e individualmente, no
agente do crime ou de contravenção.

Também no âmbito da responsabilidade penal podemos encontrar o


mesmo limite à responsabilidade. Que os menores de 16 anos são inimputáveis,
que é inimputável quem, por força de uma anomalia psíquica, for incapaz, no
momento da prática do facto, de avaliar a ilicitude deste ou de se determinar de
acordo com essa avaliação.

Logo, este limite de responsabilidade é o reflexo da inimputabilidade


como negação do livre arbítrio ou, em uma outra formulação, a inimputabilidade
é o fundamento da impossibilidade de afirmação de culpa. Visto que, como

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
refere o código penal, no nº 1, do seu art.27, Somente pode ser sujeito da
infracção criminal a pessoa que tem a necessária inteligência e liberdade.3

Portanto, na esfera penal, diferentemente da esfera civil, o agente é quem


responde pela prática do acto, e não o seu tutor. Porem, não sofrera a imposição
de pena, visto que para a fixação de pena é necessário a aferição da
culpabilidade, cujo um dos requisitos é a imputabilidade.

Levando em conta, que o imputável não age com culpa, não há que se
falar em pena, mas sim em medidas de segurança, esta que é uma substituição da
pena, de índole assistencial, fundada na periculosidade e não na
responsabilidade do autor facto.

Porem, é de salientar de que o agente imputável não esta totalmente isento


de responder pelos actos, sejam eles na esfera civil ou na esfera penal. Mas, em
regra, o fundamento da responsabilidade criminal relaciona-se, intimamente,
com a finalidade da punição. Pode-se encarrar que a responsabilidade penal
como sujeição à aplicação de uma pena.

Neste sentido, assume particular importância a questão dos fins das penas.
Importa, todavia, ainda salientar que a doutrina que se perfile determina a
compreensão que se venha a fazer do princípio da culpa. Por outras palavras, as
doutrinas retribuicionistas olham a culpa como fundamento e medida da pena e
as doutrinas preventivas encaram-na como pressuposto e limite da pena. Ou
seja, a mediação penal deve cingir-se a crimes em que a perturbação da ordem
pública seja limitada, não ultrapassando em larga medida o interesse mediato da
vítima, procurando-se a obtenção de paz privada entre o agressor e a vítima.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
Ainda de notar que, no que diz respeito à ressocialização do agente da
infracção e tendo em conta o universo de crimes que se considera serem
passíveis de poderem ser sujeitos a mediação, se pretende evitar o estigma social
de um processo penal que possa rotular o agressor como delinquente, fazendo-o,
por outro lado, confrontar as consequências do seu comportamento, permitindo-
lhe o arrependimento e a recuperação da sua dignidade, ao assumir a sua
responsabilidade.

Logo, a responsabilidade penal é, deste jeito, uma responsabilidade


materialmente subjectiva, não integrando, como acontece no direito civil, a
figura da responsabilidade objectiva. Que contribui para a afirmação de que a
“retribuição é a expressão mais lídima das ideias fortes e estruturadas de
responsabilidade e igualdade. Encaramos aqui a responsabilidade penal como
sujeição à aplicação de uma pena.

Em suma, toda a responsabilidade se projecta a partir do referente da


liberdade, e responsabilizar uma pessoa é, inextricavelmente, fazê-la responder
pelas consequências do seu exercício de liberdade, ou a partir da perspectiva da
“vítima”, ou lesado, ou a partir da perspectiva comunitária, de que são reflexo,
respectivamente, a responsabilidade civil e a responsabilidade penal.

Podemos, com este pano de fundo, considerar que a justiça restaurativa


faz, assim, uma ponte de encontro entre duas formas de responsabilidade, na
medida em que, radicando no pressuposto da liberdade, permite fazer cumprir o
fim da justiça penal superar o conflito com vista à obtenção de paz jurídica,
conciliando-o com o fim da responsabilidade civil de reparação de danos à
vítima (lesado).

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
EXERCICIOS

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
CASOS PRÁTICOS DIREITO PENAL

Caso 1

Um temporal provoca a morte a dez pessoas. Para o direito Penal há uma acção?

R: Não, não é um comportamento humano.

Caso 2

Um leão do jardim zoológico come um domador? Para o direito Penal há uma


acção?

R: Não, não é um comportamento humano.

Caso 3

A, irritado com B, na sequência de uma discussão, pensa nomeadamente em


matá-lo. QI?

R: É um mero pensamento. À luz da definição de Roxin não há “manifestação”.

Caso 4

A empurra B contra uma montra, daí resultante a destruição da monstra e lesões


corporais em B.

R: É só acção física do A. Caso de força irresistível (vis absoluta)

Caso 5

Uma rajada de vento projecto A contra B resultando lesões corporais em B. QI?

R: Não há acção, porque é um fenómeno da natureza. Diferente do caso n.º 2


porque é um caso de vis absoluta.
Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,
Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
Caso 6

A coage B, apontando-lhe uma pistola à cabeça, a falsificar um documento? QI?

R: Se considerarmos a coacção moral (vis compulsiva) há acção.

Doutrina Penal: coacção moral – há acção, o que não significa que o agente seja
punido. Acção humana mas condicionada.

Caso 7

A fica sem sentidos. Ao desfalecer parte quatro jarras antigas. QI?

R: Estado de inconsciência. Falta de manifestação psíquica. Não há acção.

Caso 8

A numa crise epiléptica, pontapeia B.

R: Resposta igual ao caso n.º 7.

Caso 9

A em estado de hipnose profundo, controlado por B, mata C. Há uma acção por


parte de A?

R: Respostas 7 e 8.

Caso 10

A, durante um período de sonambulismo, esfaqueia B, causando-lhe a morte?

R: Resposta 7, 8 e 9.

Caso 11

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
A, procurando coragem para matar B, bebeu muito alcóol, ficando embriagado e
matando B. Há acção?

R: Artigo 20º/4. Acção e culpa – O momento relevante não é quando o agente


actua mas sim quando se põe no estado que o levou ao facto. Portanto, há acção
porque ele pôs-se conscientemente nessa situação.

Caso 13

A, por força de uma descarga eléctrica, parte uma peça de mobiliário. QI?

R: Acto puramente reflexo. Não há acção.

Conclui-se que apenas nos casos 6 e 11 é que havia acção. Não há acção pelo
pensamento, pela força irresistível, pela inconsciência e quando estamos perante
um acto puramente reflexo.

Caso 14

A., ao provar um vestido numa senhora, abraçou-a. Esta procurou então afastá-
lo mas, nesse momento o seu peito ficou a descoberto. De imediato, A lança-se
sobre o mesmo beijando-o e mordiscando-o, tendo-lhe causado uma ferida. QI?

R: Há uma acção (era controlável pela vontade).

Caso 15

Quando A conduzia na estrada, entrou pela janela que se encontrava aberta uma
mosca que estava na direcção da sua vista. A realizou então um movimento
brusco de defesa com a mão. Este movimento reflectiu-se no volante e
consequentemente A perdeu o controlo sobre o seu automóvel que se projectou
na via oposta, provocando a colisão com o veículo que seguia na faixa contrária.
Da mencionada colisão, resultaram ferimentos em várias pessoas.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
R: Automatismo tem de ser ligado a métodos de aprendizagem e a uma
experiência????? reiterada.

Roxin – quando o estímulo corporal se transmite do centro sensorial para o


centro do movimento estamos perante um acto reflexo, não havendo acção. No
caso ora em concreto, para Roxin não há acto reflexo, logo há acção.

SD – há acto reflexo.

Caso 16

A conduz de noite, um automóvel na auto-estrada a 90 km/H vendo à sua frente


a uma distância de 10/15 metros um animal do tamanho de uma lebre guinou o
carro para a esquerda contra o separador central e produziu-se a morte da
acompanhante.

R: Há acção porque existe uma intervenção do nervo central. Há um movimento


brusco, um automatismo.

OMISSÃO VS ACÇÃO

Caso 17

Com está a afogar-se em alto mar. A lança uma bóia a C, a meio retira-a e C
morre afogado. QI?

R: Este caso está na fronteira entre a acção e a omissão. Naturalsiticamente a


omissão era o nada e a acção o dispêndio de energia. Para Roxin,

Normativamente esta conduta deve ser equiparada a quando o agente não age
desde início (omissão). É como se houvesse dois dispêndios de energia de
sentido contrário.

Caso 18
Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,
Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
C está-se a afogar em alto mar. A lança uma bóia a C, as a meio do caminho B
retira-a e C morre afogado.

Caso 20

A é guarda de cancela. Certo dia, não querendo mudar a agulha à hora


determinada, embriaga-se. Como a agulha não fora mudada, dois comboios em
direcções conflituantes acabam por trilhar na mesma linha. Consequentemente
colidindo, resultando a morte e ferimentos graves dos ocupantes.

R: Estava em posição de garante – omissão imprópria (crime de resultado).


Havendo homicídio por omissão.

Além da conduta do não fazer, temos a produção de um resultado típico que se


imputa objectivamente à omissão. O crime é o do artigo 10º + artigo 131º.

(Diferentemente: Omissão própria: mera inactividade, independentemente da


verificação do resultado).

Roxin: omissão através de fazer “omissão libero en causa”

O que é acção livre na causa? Pessoa derrogar-se para cometer crime” 20º/4

Caso 21

C está a afogar-se em alto mar. A lança a bóia a C. A meio caminho, B a pedido


de A retira-a. QI?

R: A – Autor; B – cúmplice por acção no crime de homicídio de A;

É um crime de homicídio de A. (é como se não tivesse lançado a bóia – Roxin).


Deve analisar-se primeiro o autor e depois os participantes.

Confrontar o caso 18 com o caso 21 – são estruturalmente parecidos.

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786
Roxin: participação num crime omitivo de terceiro

Caso 22

A está a afogar-se. B apercebendo-se dessa situação resolve esconder o seu


barco para ele não ser utilizado por um terceiro. De imediato, surge na praia C,
que, desesperado, não conseguiu acudir A em tempo útil. QI se existirem vários
barcos?

R: Roxin – crime de homicídio por acção de B. Só não era assim se houvesse


vários barcos (neste caso seria só omissão por parte de B (omissão de auxílio de
B).

NB: Estes apontamentos tem a sua primeira fase, está que encontra-se
concluída, a segunda parte encontra-se prevista para a primeira quinzena do mês
de Março, em casos de Duvidas, criticas e sugestões, os meios que poderão usar
para contactar-me poderão encontrar no rodapé deste resumo, soo assim posso
melhorar na próxima parte dos apontamentos, os art. usados correspondem ao
código penal em vigor ou seja aprovado em 2014.

Sou um homem pacífico;

Deus sabe o quanto amo a Paz.

Porem espero jamais ser tão

Covarde que confunda a paz e a opressão.

Lajos Kossuth

(Monk, 1802- Turim, 1894)

Apontamentos de Direito Penal I, Por Edmane Adriano, Correio electrónico,


Edmaneadriano@gmail.com ou 702180065@ucm.ac.mz, Tel. +258 844089786