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FRENTE 1 Mecânica
MÓDULOS 21 e 22 Movimento Circular Uniforme
1. ÂNGULO HORÁRIO OU racterísticas (posição, velocidade e
FASE ( ϕ ) aceleração) se repetem em interva-
los de tempo iguais.
Considere um ponto material O movimento circular e uniforme
descrevendo uma circunferência de é um exemplo de movimento perió-
centro C e raio R, com origem dos dico, pois, a cada volta, o móvel re-
espaços em O. pete a posição, a velocidade e a ace-
leração.

❑ Período (T)
Define-se período (T) como o
menor intervalo de tempo para que
haja repetição das características do
No SI, Δt é medido em segundos movimento.
e ωm é medido em rad/s. No movimento circular e
A equação dimensional da velo- uniforme, o período é o inter-
cidade angular é: valo de tempo para o móvel
Seja P a posição do móvel em dar uma volta completa.
um instante t. A medida algébrica do
[ ω ] = L0 T –1
arco de trajetória OP é o valor do ❑ Frequência (f)
espaço s, no instante t. Define-se frequência (f) como
Define-se ângulo horário, po- 3. VELOCIDADE ANGULAR o número de vezes que as caracterís-
sição angular ou fase (ϕ) como o INSTANTÂNEA ticas do movimento se repetem na
ângulo formado entre o vetor posi- unidade de tempo.
⎯→ ⎯→ A velocidade angular ins- No movimento circular e
ção CP e o eixo de referência CO.
A medida do ângulo ϕ, em radia- tantânea é o limite para o qual uniforme, a frequência é o nú-
nos, é dada por: tende a velocidade angular mé- mero de voltas realizadas na
dia quando o intervalo de tem- unidade de tempo.
po considerado tende a zero: Se o móvel realiza n voltas em
s
ϕ = ⎯ (rad) Δϕ um intervalo de tempo Δt, a frequên-
R ω = lim ωm = lim ⎯⎯ cia f é dada por:
Δt → 0 Δt → 0 Δt
n
O ângulo horário (ϕ) é adimensio- dϕ f = ⎯⎯
nal: ω = ⎯⎯ Δt
dt
[ ϕ ] = L0 T 0
❑ Relação entre
A velocidade angular (ins- período e frequência
tantânea pode ficar subentendido) é Quando o intervalo de tempo é
2. VELOCIDADE ANGULAR a derivada do ângulo horário igual ao período (Δt = T), o móvel rea-
MÉDIA ( ωm) em relação ao tempo. liza uma volta (n = 1) e, portanto, te-
No movimento circular e unifor- mos:
Seja Δϕ = ϕ2 – ϕ1 a variação do me, a velocidade angular é constante
ângulo horário em um intervalo de e, portanto, a velocidade angular 1
tempo Δt = t2 – t1. instantânea é igual à velocidade f = ⎯
T
angular média (ω = ωm).
Define-se velocidade angular
média (ωm) pela relação: 4. MOVIMENTO PERIÓDICO ❑ Unidades e dimensões
As equações dimensionais de
Δϕ ❑ Conceito período e frequência são:
ωm = ⎯⎯ Um movimento é chamado pe-
Δt
riódico quando todas as suas ca- [ T ] = L0 T e [ f ] = L0 T –1

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As unidades SI de período e fre- 6. EQUAÇÃO HORÁRIA (I) V2


quência são: ANGULAR acp = ⎯⎯
R
u (T) = segundo (s)
Sendo o movimento uniforme, te- (II)
e mos a equação horária na forma li- acp = ω2 R

u (f) = s–1 = hertz (Hz) near:


(III) acp = ω . V
s = s0 + V t
5. RELAÇÕES FUNDAMENTAIS
NO MOVIMENTO CIRCULAR Para obtermos a relação (II), bas-
Dividindo-se toda a expressão ta substituir em (I) V por ω R.
UNIFORME por R, vem:

❑ Velocidade escalar linear s s0 V Para obtermos a relação (III), bas-


⎯ = ⎯ +⎯t
(V) R R R V
ta substituir em (I) R por ⎯ .
Para uma volta completa, temos ω
Δs = 2πR e Δt = T, das quais: ϕ = ϕ0 + ω t
• Observe que, no movimento
circular e uniforme, a aceleração ve-
Δs 2πR (ϕ0 = ângulo horário inicial)
torial (centrípeta) tem módulo cons-
V = ⎯⎯ = ⎯⎯⎯ = 2πfR
Δt T V2

Nota: A velocidade escalar linear


7. VETORES NO MOVIMENTO
CIRCULAR UNIFORME R ( )
tante ––– , porém direção variável

é também chamada de velocidade e, por tanto, é variável.


tangencial. ❑ Velocidade vetorial
No movimento circular e unifor- • Observe ainda que, no movi-
me, a velocidade vetorial tem módulo mento circular uniforme, a velocidade
❑ Velocidade escalar
angular (ω) constante, porém direção variável e, vetorial (tangente à trajetória) e a ace-
Para uma volta completa, temos portanto, é variável. leração vetorial (normal à trajetória)
Δϕ = 2 π e Δt = T, das quais: têm direções perpendiculares entre si.
❑ Aceleração vetorial
Sendo o movimento uniforme, a
Δϕ 2π
ω = ⎯⎯ = ⎯⎯ = 2πf componente tangencial da acelera-

Δt T ção vetorial é nula ( →
at = 0 ).

❑ Relação entre V e ω Sendo a trajetória curva, a com-


Da expressão ponente centrípeta da aceleração ve-
→ →
torial não é nula ( acp ≠ 0 ).
V = 2 π f R, sendo ω = 2 π f, vem:
❑ Aceleração centrípeta
V = ωR O módulo da aceleração centrí-
  peta pode ser calculado pelas se-
guintes expressões:
linear angular

MÓDULOS 23 e 24 Composição de Movimentos


1. MOVIMENTOS PARCIAIS E (2) O movimento de B em relação Vale a relação:
RESULTANTE ao sistema inercial é chamado de → → →
movimento de arrastamento. VR = Vrel + Varr
Admitamos que se pretenda es- (3) O movimento de A em relação
tudar o movimento de um corpo A em ao sistema inercial é chamado de Exemplificando:
relação a um sistema de referência movimento resultante. Considere o vagão de um trem
preso a um corpo B e em relação a que se move com velocidade cons-
um sistema de referência inercial 2. TEOREMA DE ROBERVAL tante de intensidade 4,0km/h em
(ligado à superfície terrestre). → relação à estrada.
Vrel = velocidade relativa
(1) O movimento de A em relação → Um garoto está em cima do teto
a B é chamado de movimento re- Varr = velocidade de arrastamento do vagão caminhando com velocida-

lativo. VR = velocidade resultante de constante de intensidade 3,0km/h,

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→ → →
em relação ao vagão, em uma dire- | VR | 2 = | Vrel| 2 + | Varr |2 AB AB
ção perpendicular à velocidade do Vrel = –––– ⇒ Δt = –––––
Δt Vrel
vagão. →
Qual a velocidade do garoto em | VR | = 5,0km/h
L
relação à estrada? Sendo AB = ––––––, vem:
sen θ
Identificando os movimentos: 3. PRINCÍPIO DE GALILEU
L / senθ L
(I) Movimento relativo O intervalo de tempo de du- Δt = –––––––––– = ––––––––––––
Vrel Vrel . sen θ
garoto em relação ao vagão. ração do movimento relativo
→ não depende do movimento de
|Vrel| = 3,0km/h arrastamento. Se quisermos obter Δt mínimo,
basta tomar sen θ máximo, isto é,

(II)Movimento de arrastamen- Exemplo notável: Seja Vrel a ve- sen θ = 1 e θ = 90°, ou seja:
to locidade de um barco em relação às
vagão em relação à estrada. águas de um rio→
de largura L. Seja θ PARA O BARCO ATRAVES-
→ o ângulo entre Vrel e a velocidade de
SAR O RIO NO MENOR TEM-
| Varr | = 4,0km/h arrastamento das águas.
PO POSSÍVEL, SUA VELO-
(III) Movimento resultante CIDADE RELATIVA ÀS
garoto em relação à estrada. ÁGUAS DEVE SER PERPEN-
DICULAR À CORRENTEZA.

A presença da correnteza altera


apenas o ponto da margem oposta
atingido pelo barco e não interfere no
tempo gasto, que é calculado com
O intervalo de tempo gasto na
base no movimento relativo.
travessia do rio é calculado como se
não existisse correnteza.

MÓDULOS 25 e 26 Balística
LANÇAMENTO DE PROJÉTEIS formemente variado (aceleração es-
calar variável).
Um objeto é lançado obliqua- Para facilidade de estudo, este
mente com ângulo de tiro→
θ e velo- movimento é decomposto em dois
cidade de lançamento V0 em uma movimentos parciais:
região onde o campo de gravidade

é unifor me (g = constante) e o efeito
do ar é considerado desprezível. ❑ Movimento horizontal
Na direção horizontal, não há
aceleração e, portanto, o movimento
horizontal é do tipo uniforme, isto é,
a velocidade horizontal é constante.

a) Componente horizontal:
❑ Movimento vertical
Na direção vertical, a aceleração V0x = V0cos θ
escalar é constante ( γ = –g) e o mo-
vimento é do tipo uniformemente b) Componente vertical:
variado.
V0y = V0sen θ
2. COMPONENTES DA →
1. MOVIMENTOS VELOCIDADE INICIAL V0 3. CÁLCULO DO TEMPO DE
COMPONENTES →
SUBIDA
A velocidade de lançamento V0
O movimento do projétil se faz pode ser decomposta em duas par- Analisando-se apenas o movi-
com trajetória parabólica e não é uni- celas: mento vertical (MUV), temos:
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Vy = V0y + γy . t Porém: Como a função y = y(x) é do 2.o


2 sen θ cos θ = sen 2 θ grau, concluímos que a trajetória do
Quando o corpo atinge o ponto projétil é parabólica.
mais alto: V02
D = ⎯⎯ sen 2 θ
g 8. ÂNGULOS NOTÁVEIS:
Vy = 0 e t = ts. Portanto 30°, 45°, 60°, 90°

0 = V0y – gts 6. PROPRIEDADES NOTÁVEIS Já sabemos que para θ2 = 45°


V02
a) No ponto mais alto da trajetória o alcance D é máximo ( Dmáx = ––– )
V0y V0 sen θ parabólica, a velocidade tem direção g
ts = ⎯⎯ = ⎯⎯⎯⎯⎯
g g horizontal (V = Vx = V0 cosθ) e a acele- e para θ1 = 30° e θ3 = 60° o alcance
→ →
ração é igual à da gravidade ( a = g ). horizontal é o mesmo.
4. CÁLCULO DA
b) Para θ = 45° o alcance hori- Em relação à altura máxima, para
ALTURA MÁXIMA
zontal é máximo. um mesmo V0 , temos:
Analisando-se novamente o mo- V 20 V02 (sen θ)2
vimento vertical (MUV), temos: (Dmáx = ⎯⎯ ), pois sen 2 θ = 1 Hmáx = ⎯⎯⎯⎯⎯
g 2g
2 2
V y = V0y + 2 γy Δsy c) Para ângulos de tiro comple- Hmáx V02
mentares (por exemplo θ1 = 30° e ⎯⎯⎯⎯ = ⎯⎯ = constante
(sen θ) 2 2g
Quando o corpo atinge o ponto θ2 = 60°), os alcances horizontais são
mais alto: iguais.
H30 H45
⎯⎯⎯⎯⎯ = ⎯⎯⎯⎯⎯ =
Vy = 0 e Δsy = Hmáx. Portanto: 7. EQUAÇÃO DA TRAJETÓRIA (sen 30°)2 (sen 45°)2

2 H60 H90
0 = V0y + 2(– g)Hmáx As coordenadas x e y do projétil = ⎯⎯⎯⎯⎯ = ⎯⎯⎯⎯⎯
são dadas por: (sen 60°)2 (sen 90°)2
2
2gHmáx = V0y
a) Horizontal (MU): H30 H45 H60 H90
x = x 0 + V xt ⎯⎯⎯2 = ⎯⎯⎯⎯ = ⎯⎯⎯ ⎯ = ⎯ ⎯
2
V0y V02 (sen θ)2 2/2)2 (兹苶
(1/2) (兹苶 3/2)2 (1)2
Hmáx = ⎯⎯ = ⎯⎯⎯⎯⎯⎯ x = (V0 cos θ) t (1)
2g 2g H30 H45 H60 H90
b) Vertical (MUV): –––– = –––– = –––– = ––––
γy 1 2 3 4
y = y0 + V0yt + ⎯⎯ t2
5. CÁLCULO DO ALCANCE 2
HORIZONTAL
g
y = (V0 sen θ) t – ⎯ t2 (2)
Analisando-se o movimento hori- 2
zontal (MU), temos:
Isolando-se o tempo (t) em (1),
Δsx = Vx t obtemos:
x
Sendo Vx = V0 cos θ e t = –––––––––
V0 cos θ
2V0 sen θ
t = ts + tq = 2ts = ⎯⎯ ⎯⎯⎯, obtemos: Substituindo-se o valor de (t) em
g (2), temos:

2 V0 . sen θ x g x
D = V0 cos θ . ⎯⎯⎯⎯⎯⎯ y = (V0 sen θ) ⎯⎯⎯⎯ – ⎯ ( ⎯⎯⎯⎯⎯)2
g V0cos θ 2 V0 cos θ

V02 g
y = (tg θ) x – ⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯ x2
D = ⎯⎯ . 2 sen θ cos θ 2 V02 (cos θ)2
g Lançamentos notáveis.

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MÓDULOS 27 e 28 1.a e 2.a Leis de Newton


1. OBJETO DA DINÂMICA Se for suprimida a força que atua A inércia pode-se manifestar de
em um corpo, instantaneamente duas formas: a inércia de repou-
Dinâmica é a parte da Mecâni- cessa sua aceleração, isto é, não so e a inércia de movimento.
ca que procura estabelecer as leis existe “inércia” de aceleração.
que explicam os movimentos, possi- Se um corpo estiver em repouso,
bilitando determinar o tipo de movi- 4. EQUILÍBRIO DE UMA livre da ação de forças, ele tende a
mento de um corpo a partir de uma PARTÍCULA se manter em repouso: é a inércia
certa situação inicial. de repouso.
As leis da dinâmica foram formu- Nosso estudo de dinâmica vai-se
ladas por Galileu e Newton. restringir a forças aplicadas a partí- É por inércia de repouso que um
culas (pontos materiais), isto é, cor- passageiro desprevenido é projetado
2. GRANDEZAS pos de tamanho desprezível em para trás em um ônibus que, partindo
FUNDAMENTAIS comparação com as distâncias en- do repouso, arranca abruptamente.
volvidas.
Na cinemática, as grandezas Dizemos que uma partícula está Se um corpo estiver em movi-
fundamentais para a descrição dos em equilíbrio quando estiver livre mento, livre da ação de forças, ele
movimentos eram apenas o com- da ação de forças. tende a continuar com velocidade
primento (L) e o tempo (T), e as constante (MRU); é a inércia de
grandezas derivadas, utilizadas A expressão livre da ação de for- movimento.
em seu estudo, foram a velocidade ças admite duas situações: É por inércia de movimento que
e a aceleração. um motorista é projetado para frente
(1) nenhuma força atua sobre a quando freia o carro, ensejando o uso
Na dinâmica, as grandezas fun- partícula, o que é apenas do cinto de segurança para evitar sua
damentais para a explicação dos uma suposição teórica, irrea- colisão com o vidro dianteiro.
movimentos são o comprimento lizável na prática;
(L), a massa (M) e o tempo (T). (2) as forças atuantes se neutra- Para vencer a inércia, o
lizam, de modo que sua so- corpo deve receber a ação de
As grandezas derivadas prin- ma vetorial (força resultante) uma força.
cipais utilizadas, além da velocidade é nula.
Sintetizando:
e da aceleração, são força, trabalho,
potência, energia, impulso e quanti- A ausência de força resultante Por inércia, um corpo tende
dade de movimento. implica a ausência de aceleração e a manter a velocidade que
determina, para a partícula, uma velo- possui, e para alterar esta
3. CONCEITO DINÂMICO DE cidade vetorial constante, com duas velocidade, é preciso a in-
FORÇA possibilidades: repouso ou movi-
tervenção de uma força.
mento retilíneo e uniforme.
Força é o agente físico respon-
sável pela aceleração dos corpos. O conceito de inércia foi esta-
Isso significa que força é algo Equilíbrio da partícula belecido por Galileu, porém, com
que produz variação de veloci- → → → → uma incorreção: Galileu, influenciado
dade de um corpo. F=0<=>a=0
por Aristóteles, acreditava que, na

V = constante ausência de forças, um corpo
Qualquer alteração na velocida- → → poderia realizar movimento circular e
de de um corpo, seja em intensi- V = 0 : partícula em repouso
uniforme, por inércia.
dade, seja em orientação (direção e → →
V ≠ 0 : partícula em MRU
sentido), implica uma aceleração e, O erro de Galileu foi corrigido por
portanto, a presença de uma força Newton em sua obra máxima, Os
que vai produzir esta aceleração. Princípios Matemáticos da Filosofia
Força e aceleração constituem 5. CONCEITO DE INÉRCIA Natural, publicada em 1687 e que
um dos mais importantes pares continha suas três leis de movimento.
causa-efeito da Física. A inércia é uma propriedade ca-
racterística da matéria, que consiste As três leis de movimento de
na tendência do corpo em Newton procuram estabelecer o
Força ⎯⎯→ Aceleração manter sua velocidade veto- comportamento de um corpo em
(causa) produz (efeito) rial. três situações distintas:

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1.a lei: comportamento do corpo (2) Um avião a hélice (ou um pás- da dinâmica (PFD), estabelece
quando estiver livre da ação de for- saro) interage com o ar e recebe dele uma relação entre a força aplicada a

ças; uma força externa que vai mudar sua um corpo (F ) e a aceleração por ele

2.a lei: comportamento do corpo velocidade. adquirida (a ).
ao receber a ação de uma força;
3.a lei: comportamento do corpo (3) Uma nave a jato interage com
ao interagir com outros corpos. os jatos expulsos e recebe dos jatos
uma força externa que vai mudar sua
6. 1a. LEI DE NEWTON velocidade.

A 1.a Lei de Newton, também A 1.a Lei de Newton nega a pos-


chamada de princípio da inércia, sibilidade de existência de um super-
homem que possa voar sem receber a 2.a Lei de Newton
estabelece que
ação de uma força externa, graças “A força aplicada a um corpo
“uma partícula, livre da
apenas a uma grande energia interna. e a aceleração por ela produ-
ação de forças, ou permanece
zida são proporcionais.”
em repouso (inércia de repou-
so), ou permanece em movi- 7. SISTEMA DE REFERÊNCIA → →
INERCIAL F = ma
mento retilíneo e uniforme
(inércia de movimento).”
A 1.a Lei de Newton não é válida
O coeficiente de proporcionalida-
para qualquer sistema de referência.
de (m) é uma constante caracterís-
1a. Lei de Newton Um sistema de referência, em re-
tica do corpo, que mede a sua inércia
→ → lação ao qual é válida a 1.a Lei de
F = 0 ⇔ Repouso ou MRU Newton, é chamado de referencial e é chamado de massa inercial
inercial. (ou simplesmente massa) do corpo.

Isso significa que o repouso e o Para movimentos na superfície ter-


restre, de duração bem menor que Portanto, a massa é uma pro-
MRU são estados de equilíbrio, man- priedade do corpo que traduz
tidos por inércia, isto é, sem a 24h, os efeitos de rotação da Terra se
tornam irrelevantes, e, com boa aproxi- a resposta desse corpo ao ser
intervenção de forças. solicitado por uma força.
mação, podemos assumir um referen-
A 1.a Lei de Newton derrubou o cial fixo na superfície terrestre (refe-
pensamento de Aristóteles, que afir- rencial de laboratório) como inercial.
mava: “tanto para colocar um corpo
em movimento como para mantê-lo Nos estudos de Astronomia, um
em movimento é preciso a ação de referencial ligado às “estrelas fixas”
uma força”. Aristóteles errou porque é tomado como referencial inercial.
só admitiu a inércia de repouso, ne-
gando a inércia de movimento, afir- Cumpre destacar que um refe-
mando que um corpo livre de forças rencial que esteja em movi-
só pode estar em repouso. mento retilíneo e uniforme, em
relação a outro referencial
O princípio da inércia pode ter inercial, também será inercial.
outra formulação equivalente:
Assim, assumindo como inercial tgθ mede a massa
“Nenhum corpo pode, sozi- um referencial ligado à superfície ter-
nho, alterar sua velocidade.” restre, também será inercial um refe-
rencial que se desloque com veloci- →
Variando-se a intensidade de F,
Isso significa que, para mudar dade constante (MRU) em relação à
para um mesmo corpo, a intensidade
de →
sua velocidade, um corpo precisa superfície terrestre.
a varia proporcionalmente, con-
interagir com o resto do Universo, de forme traduz o gráfico F = f(a) an-
modo a receber uma força externa 8. 2.a LEI DE NEWTON
terior.
capaz de vencer a sua inércia.
Decorre da 1.a Lei de Newton que A declividade da reta F = f(a)
Exemplificando: qualquer alteração na velocidade de (tgθ) mede a massa do corpo.
um corpo implica a existência de
(1) Uma pessoa, para andar, in- aceleração e a presença de uma for- Nota → →
terage com o chão e recebe, por ça responsável por esta aceleração. →
Quando várias forças ( F1, F2, ...,

meio do atrito, uma força externa que A 2.a Lei de Newton, também cha- Fn ) atuarem no corpo, F representará
vai mudar sua velocidade. mada de princípio fundamental a força resultante, isto é,

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→ → → → eletrostática entre os prótons. As o peso do corpo. A força gravita-


F = F1 + F2 + ... + Fn forças nucleares fortes diminuem ra- cional que o Sol aplica sobre um
pidamente com a separação das par- planeta é responsável pelo seu
tículas e são desprezíveis à distância movimento orbital. A força gravita-
9. UNIDADES de alguns diâmetros nucleares. Estas cional que a Terra exerce na Lua ou
forças são atrativas para distâncias em qualquer outro satélite artificial é
No Sistema Internacional de Uni- maiores do que 0,4 . 10–15m e repul- responsável pela manutenção de sua
dades (SIU), temos: sivas para distâncias menores do que órbita. As forças gravitacionais que o
este valor. Sol e a Lua exercem sobre os ocea-
Unidade de aceleração: m/s2 nos são responsáveis pelas marés.
(2) Força eletromagnética:
Unidade de massa: kg inclui as forças elétricas e as forças A força gravitacional, embora se-
Unidade de força: newton (N) magnéticas. Esta força existe entre ja a mais fraca das interações funda-
partículas eletrizadas e pode ser atra- mentais, é a mais importante na
m tiva ou repulsiva. Ela explica a ligação Astronomia, para explicar a formação
1N = kg . ⎯⎯
s2 entre os elétrons e os núcleos atômi- de estrelas, galáxias e planetas,
cos e também a união entre os átomos pelas seguintes razões:
para formarem as moléculas. Além
10. DIMENSÕES (1) continua atuando em cor-
disso, é responsável pela emissão de
radiação eletromagnética, quando os pos eletricamente neutros;
Em relação às grandezas funda-
átomos passam de um estado excita-
mentais massa (M), comprimento (L) (2) é sempre atrativa e torna-se
do para o seu estado fundamental.
e tempo (T), temos muito intensa porque, em escala
(3) Força nuclear fraca: astronômica, as massas dos corpos
[a ] = LT –2 = MoLT –2 ocorre entre elétrons e prótons e tornam-se extremamente grandes.
[m] = M = MLoTo entre elétrons e nêutrons; atua em
[F ] = MLT – 2 escala nuclear, com alcance ainda Todas as demais forças que apa-
menor que o da força nuclear forte; é recem na Física podem ser reduzidas
11. RECONHECIMENTO DAS responsável pelo processo de emis- a essas quatro interações fundamen-
INTERAÇÕES FUNDAMEN- são de elétrons pelos núcleos de tais.
TAIS DA NATUREZA, ÂMBI- certas substâncias radioativas, de-
TOS DE ATRAÇÃO E nominado desintegração beta. As interações nuclear forte e nu-
INTENSIDADES clear fraca, devido a seu alcance ex-
RELATIVAS A intensidade da força nuclear tremamente curto, da ordem das di-
fraca é muito menor que a da força mensões do núcleo dos átomos, só
eletromagnética, situando-se num têm relevância para explicar fenô-
As diferentes forças que apare-
patamar intermediário entre as forças menos em escala nuclear.
cem na Natureza podem ser explica-
das em termos de quatro intera- eletromagnéticas e gravitacionais.
Do ponto de vista macroscópico,
ções fundamentais que apresen- só têm importância as interações ele-
tamos a seguir, em ordem decres- Hoje em dia, a teoria que pre-
tende unificar as interações funda- tromagnética e gravitacional.
cente de suas intensidades.
mentais já admite que a força
nuclear fraca e a força eletro- A estrutura dos átomos e as
(1) Força nuclear forte forças interatômicas estão ligadas à
(também chamada de força hadrô- magnética representam as-
pectos diferentes de uma mes- interação eletromagnética.
nica): somente ocorre entre as partí-
culas elementares chamadas há- ma interação fundamental
Einstein passou grande parte de
drons, que incluem, entre outras, os (força eletrofraca).
sua vida tentando interpretar essas
prótons e nêutrons, constituintes do quatro forças como aspectos distin-
(4) Força gravitacional: é a
núcleo atômico. tos de uma única superforça. A
força atrativa que existe entre partí-
culas dotadas de massa. É a mais unificação das forças eletromag-
A força nuclear forte atua em esca- nética e nuclear fraca já é aceita e
fraca de todas as interações funda-
la nuclear, tendo, portanto, um alcance está-se tentando, atualmente, tam-
mentais. Por exemplo, a força de
extremamente curto, da ordem de bém a inclusão da força nuclear forte
repulsão eletrostática entre dois
10–15m. Ela é responsável pela manu- nessa unificação.
prótons é cerca de 1036 vezes maior
tenção ou coesão do núcleo atômico,
do que a respectiva força gravita-
mantendo os quarks unidos para Ainda se pretende, como queria
cional entre eles.
formarem os prótons e nêutrons e man- Einstein, a unificação de todas as in-
tendo estes últimos unidos no núcleo A força gravitacional entre a Terra terações, porém isso, por enquanto,
do átomo, apesar da força de repulsão e um corpo em suas proximidades é é mera especulação.

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MÓDULO 29 Aplicações da 2.a Lei de Newton

MÓDULO 30 Peso de um Corpo


1. EXPERIÊNCIA DE GALILEU → → faz parte de um sistema de unidades
F = m a
→ chamado Sistema Técnico ou dos
Galileu, estudando a queda livre F = força resultante que age Engenheiros.
dos corpos, concluiu que →
no corpo = P
→ Por definição, kgf é o peso
“todos os corpos em queda a = aceleração do corpo em que- de um corpo de massa 1kg em

livre, sem resistência do ar, da livre = g um local onde g = 9,8m/s2.
caem com a mesma acele- → →
Portanto, P = mg Segue-se da definição:
ração, não importando suas
massas.” Procure não confundir massa 1kgf = 1kg . 9,8m/s2
com peso:
A aceleração de queda livre, que (I) Massa é uma propriedade as- 1kgf = 9,8 kg.m/s2 ⇒ 1 kgf = 9,8 N
é a mesma para todos os corpos, foi sociada ao corpo que mede sua inér-
cia; é grandeza escalar; é medida newton
denominada aceleração da gravidade
(g) e, nas proximidades da Terra, tem em kg e não depende do local. Em um local onde g = 9,8m/s2
intensidade constante g = 9,8m/s 2. (II) Peso é o resultado da atração (gravidade normal), um corpo de
Na realidade, o valor de g varia gravitacional da Terra; é grandeza massa n kg pesa n kgf, isto é, o
com a altitude e a latitude do lugar. vetorial; é medido em newtons (peso número que mede a massa em
O valor 9,8m/s2 corresponde ao é uma força); não é propriedade ca- kg é o mesmo número que
nível do mar e à latitude de 45°, e é racterística do corpo, pois depende mede o peso em kgf.
chamado de “gravidade normal”. do local. Analogamente se definem gra-
Quando um astronauta vai da Ter- ma-força (gf) e tonelada-força (tf).
2. PESO DE UM CORPO ra para a Lua, sua massa não se alte- “gf é o peso de um corpo de
ra, porém o seu peso fica, aproxima- massa 1g em um local onde a gravi-
O peso de um corpo traduz a for- damente, dividido por seis, pois a gra- dade é normal.”
ça com que o planeta Terra atrai esse vidade lunar é, aproximadamente, um “tf é o peso de um corpo de
corpo. sexto da gravidade terrestre. massa 1t em um local onde a
Para obtermos a expressão do pe- Um corpo pode ter massa (todo gravidade é normal.”
→ corpo tem massa) e não ter peso, No Sistema Técnico, a unidade
so P de um corpo de massa m, em bastando estar em uma região livre de massa é denominada unidade
um local onde a aceleração da gravi- de ações gravitacionais (g = 0).
→ técnica de massa e simbolizada
dade vale g , basta usar a 2a. Lei de
por utm.
Newton e a experiência de Galileu. 3. DEFINIÇÃO DE kgf
De acordo com a 2a. Lei de New- kgf
ton, aplicada a um corpo em queda A unidade quilograma-força (kgf utm = –––––– = 9,8kg
livre, temos m/s2
ou kg*) é uma unidade de força que

MÓDULO 31 3.a Lei de Newton

A 3.a Lei de Newton, também chamada Assim, em uma interação entre um corpo A e um
princípio da ação e reação, estabelece como se corpo B, temos
desenvolvem as interações (troca de forças) entre dois
→ →
corpos: FBA FAB
←⎯⎯⎯ A
←⎯⎯⎯
B

A toda força de ação ( F ) corresponde

uma força de reação ( – F ) com a mesma → →
FBA = –FAB
intensidade, mesma direção e sentido oposto.

212 –
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 213

É fundamental compreender que as forças de ação


e reação são forças trocadas entre dois corpos, isto é,
nunca estão aplicadas ao mesmo corpo e, portanto, livro

AÇÃO E REAÇÃO NUNCA SE EQUILIBRAM.

Exemplo
Considere um livro sobre uma mesa na superfície
terrestre.
O planeta Terra aplica no centro de gravidade do

livro uma força P ; o livro reage e aplica no centro da

Terra uma força – P .
→ →
As forças P e – P constituem um par ação-reação
entre o planeta Terra e o livro e não se equilibram, pois
estão aplicadas a corpos distintos.

A mesa aplica ao livro uma força F; o livro reage e

aplica à mesa uma força – F.
→ →
As forças F e – F constituem um outro par ação-
reação entre o livro e a mesa e não se equilibram, pois
estão aplicadas a corpos distintos.

MÓDULOS 32 a 34 Aplicações das Leis de Newton

MÓDULOS 35 e 36 Atrito

1. CONCEITO DE ATRITO

Atrito é um estado de aspereza ou rugosidade entre


dois sólidos em contato, que permite a troca de forças
em uma direção tangencial à região de contato entre
os sólidos.

• O fato de existir atrito entre dois sólidos não


implica, necessariamente, a existência de uma força de
atrito entre eles.

• A força de atrito só se manifesta quando há → →


Fat = – Fat
deslizamento entre os sólidos (atrito dinâmico) BA AB
ou quando houver tendência de deslizamento →
entre os sólidos (atrito estático). →
• As forças de atrito trocadas entre A e B ( FatAB e
FatBA) nunca se equilibram, porque estão aplicadas em
• O sentido da força de atrito é sempre contrário ao corpos distintos.
deslizamento ou à tendência de deslizamento entre só-
lidos em contato. 2. ATRITO ESTÁTICO

• De acordo com a 3.a Lei de Newton (ação e • Quando entre dois sólidos, A e B, existe atrito e,
reação), os sólidos A e B trocam entre si forças de atrito, embora não haja movimento relativo entre eles, há uma
isto é, existe uma força de atrito que A aplica em B e tendência de deslizamento, isto é, há uma so-
outra força de atrito que B aplica em A. É evidente que licitação ao movimento, surge uma força de atrito
tais forças de atrito são opostas, isto é, têm mesma no sentido de evitar o deslizamento relativo, denomi-
intensidade, mesma direção e sentidos opostos. nada força de atrito estática.

– 213
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 214

• Não havendo deslizamento, a força de atrito 3. ATRITO DINÂMICO


estática tem intensidade igual à da força que solicitou
o sistema a se mover, chamada força motriz. • Quando a intensidade da força motriz (F) supera
a intensidade da força de atrito de destaque (FatD),
Fat = Fmotriz
estática tem início o deslizamento entre os sólidos em contato e
o atrito é chamado dinâmico ou cinético.
• É de verificação experimental que o coeficiente
de atrito dinâmico (μd) é menor do que o coeficiente de
atrito estático (μE), o que significa que, ao iniciar o
movimento, a força de atrito diminui sua intensidade.
μd < μE

Fatdin = μd FN
FatD = μE FN } ⇒ Fatdin < FatD

• Durante o deslizamento entre os sólidos, supondo-


se que as suas superfícies de contato sejam homogêneas
(μd constante) e que a intensidade da força normal seja
constante (FN constante), a força de atrito terá intensidade
constante, não importando a velocidade relativa entre os
sólidos, nem a intensidade da força motriz.

Durante o movimento:

• À medida que a força motriz vai aumentando Fat = μd FN = constante


din
(maior solicitação ao movimento), a força de atrito
estática também vai aumentando, de modo a continuar
evitando o movimento relativo entre os sólidos. Contudo, 4. COEFICIENTE DE ATRITO
existe uma limitação para o valor da força de atrito
estática, isto é, existe uma força de atrito máxima que é Muitas vezes, para simplificar os exercícios,
denominada força de atrito de destaque. assume-se a igualdade dos coeficientes de atrito
→ estático e dinâmico (hipótese teórica), o que implica a
• Dependendo da intensidade da força motriz ( F ),
→ igualdade das intensidades das forças de atrito de
a força de atrito estática ( Fat ) tem intensidade que destaque e dinâmica.
E
pode variar de zero (não há solicitação ao movimento)
até um valor máximo chamado força de atrito de des- μE = μd ⇔ Fat = Fat
D din
taque (o deslizamento entre os sólidos em contato é
iminente). 5. GRÁFICO DA FORÇA DE ATRITO

0 ≤ Fat ≤ Fat Para uma força motriz de intensidade F crescente,


E destaque
representamos a intensidade da força de atrito trocada
• A força de atrito de destaque (Fat ) tem entre dois sólidos.
D
intensidade proporcional à intensidade da força normal
de contato entre os sólidos (FN), isto é, a força que
tende a apertar um sólido contra o outro.
• A constante de proporcionalidade entre a força
de atrito de destaque (Fat ) e a força normal (FN) só
D
depende dos sólidos em contato (material dos corpos,
polimento, lubrificação) e é denominada coeficiente
de atrito estático (μe).

Fat = μE FN
D

214 –
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 215

Exemplo(3)

6. FORÇA NORMAL

A força normal corresponde à força de compressão


entre os corpos e deve ser identificada em cada exer-
cício, conforme exemplos a seguir:

Exemplo (1)

Exemplo (4)

Exemplo (2)

– 215
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FRENTE 2 Termologia e Óptica


MÓDULO 11 Termodinâmica II

1. ENERGIA INTERNA Para gases perfeitos, a • Se um dos dois (T ou v)


energia interna se resume na é constante, o outro é neces-
Chamamos de energia interna energia cinética de translação sariamente constante.
de um sistema a energia, sob qual- das moléculas, dada pela ex- • Se um dos dois (T ou v) va-
quer forma, que ele tem armazenada pressão: ria, o outro necessariamente
dentro de si. varia.
3 3
Entre as formas de energia que U = Ec = –––– nRT = –––– pV
constituem a energia interna, pode- 2 2
mos destacar a energia cinética de A temperatura de um dado
translação das partículas e a energia Isto nos permite concluir que: número de mols de um gás
potencial de ligação entre as partí- perfeito é função exclusiva
culas. • “A energia interna de um da energia cinética média
A energia interna de um dado número de mols de das suas moléculas.
sistema é função crescente um gás perfeito depende
da temperatura. Esta propriedade exclusivamente da tem-
não se aplica durante as mudanças peratura.” (Lei de Joule)
de estado, quando há variação de 2. PRIMEIRO PRINCÍPIO DA
energia interna, embora a tempera- TERMODINÂMICA
tura permaneça constante. • “A energia interna de um
Assim, como regra, temos: dado número de mols de um O primeiro princípio da termodi-
gás perfeito é diretamente nâmica nada mais é que o princípio
T aumenta ⇔ U aumenta ( ΔU > 0) proporcional à temperatura da conservação da energia aplicado à
T diminui ⇔ U diminui (ΔU < 0) absoluta do gás.” termodinâmica.
O princípio da conservação da
T = cte ⇔ U = cte (ΔU = 0) energia, em linhas gerais, diz que um
A relação entre a temperatura sistema jamais pode criar ou destruir
Não valem estas proprie- absoluta de um gás perfeito e a velo- energia.
dades nas mudanças de es- cidade média das suas partículas é Sendo assim, se um sistema re-
tado. dada por: cebe energia, ele tem de dar conta
Cumpre salientar que a energia 3 desta energia, ou se ele cede energia,
interna de um sistema é função de Ec = –––– nRT esta energia tem de ter saído de
2
ponto, isto é, o seu valor depende algum lugar.
exclusivamente do estado em que se ou Por exemplo, admitamos que um
encontra o sistema, não importando mv2 3 m sistema receba 100 joules de calor.
como ele chegou até este estado. ––––– = ––– ––– RT Estes 100 joules não podem ser au-
2 2 M
Isto nos permite concluir que a mentados nem destruídos. Eles têm
variação de energia interna não de- M de ir para algum lugar.
pende dos estados intermediários. Da qual: T = ––––– v2 Admitamos, em continuação,
3R
que o sistema realiza 80 joules de
A temperatura de um gás trabalho.
perfeito é diretamente propor- Notamos que o sistema recebeu
cional ao quadrado da veloci- 100 joules e cedeu 80 joules. Onde
dade média das moléculas. estarão os 20 joules restantes?
Estes joules restantes ficaram
Observamos que para um dado dentro do sistema, armazenados sob
gás a temperatura depende exclusi- a forma de energia interna. Portanto,
vamente da velocidade média das a energia interna do sistema aumen-
moléculas e vice-versa. Sendo as- tou de 20 joules.
sim, concluímos que há uma relação Podemos fazer um esquema
exclusiva entre temperatura e veloci- desta troca de energia represen-
ΔUI = ΔUII = ΔUIII dade média, o que nos permite dizer: tando:

216 –
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 217

Assim:
Calor recebido pelo sistema (Q): é energia Para obter a relação entre Q, τ e ΔU, basta impor
que entra no sistema e a representamos por que “a soma das energias das setas que entram é igual
uma seta para dentro. à soma das energias das setas que saem”.

Q = τ + ΔU
Trabalho cedido pelo sistema (τ): é energia
que sai do sistema e o representamos por
uma seta para fora.

Aumento de energia interna (ΔU): repre-


sentamos por uma seta para cima.

Diminuição de energia inter na (ΔU):


representamos por uma seta para baixo.

MÓDULO 12 Termodinâmica III


MÁQUINA TÉRMICA
| QB| TB
Uma MÁQUINA TÉRMICA é um sistema no qual ––––– = –––––
existe um fluido operante (normalmente vapor) que | QA| TA
recebe um calor QA de uma fonte térmica quente,
realiza um trabalho τ e rejeita a quantidade QB de calor
para uma outra fonte, fria. Assim, seu rendimento pode ser calculado por:

TB
η = 1 – –––––
TA

A MÁQUINA DE CARNOT, apesar de ser teórica, é


aquela que apresenta o máximo rendimento pos-
sível entre suas fontes térmicas de temperaturas fixas.
Representação esquemática de uma máquina térmica
(TA > TB).

O rendimento dessa máquina é definido pela fração


do calor absorvido pelo sistema, que é usado para
realização do trabalho.
| τ| |QA – QB| | QB|
η = –––––– = ––––––––– = 1 – ––––––
|QA| |QA| | QA|
Se a máquina térmica, ao funcionar, obedece ao Ci-
clo de Carnot (duas isotermas e duas adiabáticas), Representação gráfica do Ciclo de Carnot.
então ela é denominada MÁQUINA DE CARNOT e vale
a relação:

MÓDULO 13 Dilatação Térmica dos Sólidos e dos Líquidos


1. DILATAÇÃO TÉRMICA DOS SÓLIDOS aquecimento ou ao resfriamento, chamamos de dila-
tação térmica.
Quando aquecemos um sólido, geralmente suas Para os sólidos, temos três tipos de dilatação:
dimensões aumentam. Quando o esfriamos, geralmente – dilatação linear (ou unidimensional)
suas dimensões diminuem. A esse aumento e a essa – dilatação superficial (ou bidimensional)
diminuição de dimensões de um sólido, devido ao – dilatação volumétrica (ou tridimensional)
– 217
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 218

2. DILATAÇÃO LINEAR em θ. Dessa forma, o gráfico L = f(θ)


será uma reta oblíqua.
Para observar a dilatação linear
de um sólido, imaginemos uma barra
de comprimento L1 na temperatura
θ1, que passa a ter o comprimento L2
quando aquecida à temperatura θ2,
sofrendo um aumento de com-
primento:

ΔL = L2 – L1

É importante observar no gráfico


que

ΔL L1 α Δθ
tgϕ = –––– = ––––––––– = L1 α
Δθ Δθ Devido ao elevado aquecimento, os tri-
Verifica-se experimentalmente lhos sofreram uma expansão térmica, to-
que ΔL é proporcional ao com- mando a forma observada na foto.
primento inicial L1 e à variação de 4. DILATAÇÃO SUPERFICIAL E
temperatura Δθ, podendo-se expres- DILATAÇÃO VOLUMÉTRICA 6. DILATAÇÃO TÉRMICA DOS
sar essa relação por: LÍQUIDOS
Para essas dilatações, valem
A dilatação térmica de um líquido
ΔL = L αΔθ considerações análogas às vistas na
1
dilatação linear, valendo as relações: corresponde ao aumento ou à dimi-
nuição de volume desse líquido
em que α é um coeficiente de pro- quando este é aquecido ou resfriado.
porcionalidade característico do ma- ΔS = S1 β Δθ Ao estudar a dilatação dos líqui-
terial que constitui a barra, chamado dos, devemos observar dois deta-
coeficiente de dilatação li- ou lhes:
near. – Como os líquidos não têm for-
S2 = S1 (1 + β Δθ) ma própria, não se definem compri-
Substituindo ΔL = L2 – L1, na ex- mento e área do líquido, tendo signi-
pressão anterior: e ficado, pois, somente a dilatação
cúbica. Para tanto, usamos a mes-
ΔV = V1 γ Δθ ma relação definida para os sólidos,
L2 – L1 = L1 αΔθ
já que a lei é praticamente a mesma
ou para ambos:
Temos:
V2 = V 1 (1 + γ Δθ) V2 = V1 (1 + γ Δθ)
L2 = L1 (1 + α Δθ)

em que β é o coeficiente de dilata- – Os líquidos só podem ser es-


Essa expressão permite calcular ção superficial e γ é o coeficiente de tudados dentro de recipientes sóli-
o comprimento na temperatura θ2, dilatação cúbica (ou volumétrica). dos. É, pois, impossível estudar a
tendo-se o comprimento na tempe- dilatação dos líquidos sem consi-
ratura θ1 e o coeficiente de dilatação derar a dilatação dos recipientes que
linear do material. Observemos que 5. RELAÇÃO ENTRE α, β E γ os contêm. Isso implica dois tipos de
ela pode ser aplicada para θ2 maior dilatação para um líquido: uma
ou menor que θ1, bastando fazer Δθ Pode-se demonstrar que dilatação real, que depende apenas
sempre igual a θ2 – θ1. do líquido, e a outra aparente, que
β = 2α e γ = 3α leva em conta a dilatação do frasco
3. REPRESENTAÇÃO GRÁFICA que o contém.

Usando a expressão L2 =L1+L1 αΔθ, α β γ Assim, consideremos um reci-


–––– = –––– = ––––
notamos que o comprimento da barra 1 2 3 piente totalmente cheio de um líquido,
varia segundo uma função do 1.o grau numa temperatura inicial θ1. Ao levar-

218 –
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mos o conjunto (líquido + frasco) para depende só do líquido, mas tam- seguir, no qual o gráfico mostra esse
uma temperatura θ2 (θ2 > θ1), nota- bém do frasco considerado. comportamento incomum da água.
mos que ocorre um extravasamento
parcial desse líquido. Da expressão obtida, temos:

γa = γr – γf

7. VARIAÇÃO DA DENSIDADE
COM A TEMPERATURA

A densidade absoluta ou a
massa específica de um corpo é
a razão entre a massa do corpo e o Note que a 4°C o volume da
seu volume. água é mínimo e a sua densidade é
máxima. Isto ocorre devido à forma-
ção das pontes de hidrogênio,
m
µ = –––– abaixo de 4°C, quando as moléculas
V de H2O ficam maiores.

O aquecimento do corpo não


altera a sua massa, mas provoca
mudança em seu volume:

O volume extravasado fornece a V2 = V1 (1 + γ Δ θ )


dilatação aparente (ΔVap) do líquido,
pois, como o frasco também se Assim, se a densidade de um
dilatou, o volume que está no interior corpo na temperatura θ1 é µ1 e na
do frasco no final é maior que no temperatura θ2 é µ2, temos:
início.

{
Portanto, a dilatação real do líqui- m
µ1 = ––– ⇒ m = µ1V1
do é a soma da sua dilatação apa- V1
rente com a do frasco: Esse comportamento da água ex-
m plica por que, num lago, quando a tem-
µ2 = ––– ⇒ m = µ2V2
ΔVr = ΔVa + ΔVf V2 peratura cai a valores extremamente
baixos, a água se solidifica apenas na
Como: ΔV = V1 γ Δ θ µ2V2 = µ1V1 superfície. Isto ocorre porque até 4°C,
no resfriamento, a água da superfície
então: µ2V1 (1 + γΔθ) = µ1V1 torna-se mais densa e afunda, subindo
a água mais quente do fundo, que é
V1 γr Δθ = V1 γa Δθ + V1 γf Δθ menos densa. Ao atingir uma tem-
µ1 peratura menor que 4°C, a água da
µ2 = ––––––––––
(1 + γ Δ θ) superfície se expande (devido às pon-
γr = γa + γf tes de hidrogênio que começam a se
formar), diminuindo a sua densidade;
Então, devemos observar que a 8. DILATAÇÃO ANÔMALA DA assim essa água fria não desce mais e
dilatação do líquido compensou a di- ÁGUA ao atingir 0°C se solidifica. No fundo,
latação do frasco e ainda nos forne- fica a água mais quente, numa tempe-
ceu a dilatação aparente. A água possui um comportamen- ratura pouco maior que 0°C. É isto que
Observemos também que o coe- to anômalo em sua dilatação. Observe preserva a vida animal e vegetal exis-
ficiente de dilatação aparente não o diagrama volume x temperatura a tente no fundo do lago.

– 219
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MÓDULO 14 Princípios da Óptica Geométrica


1. INTRODUÇÃO ❑ Cônico Convergente Exemplos
Lâmpadas fluorescentes; subs-
Conceitua-se luz como um agen- tâncias fosforescentes.
te físico capaz de sensibilizar nossos As fontes luminescentes podem
órgãos visuais. ser de dois tipos:
A óptica geométrica estuda os
fenômenos que são explicados sem a) Fluorescentes
que seja necessário conhecer a natu- Emitem luz quando se encontram
reza do agente físico luz. A propaga- sob ação da causa excitadora da
ção retilínea, a reflexão e a refração emissão. É o caso das lâmpadas
são fenômenos estudados pela fluorescentes.
Os raios de luz convergem
óptica geométrica. Este estudo é fei-
para um único ponto P. b) Fosforescentes
to a partir da noção de raio de luz, de
Emitem luz por algum tempo
princípios que regem o comporta-
mesmo quando cessa a causa exci-
mento dos raios de luz e de conhe- ❑ Cilíndrico tadora da emissão. É o caso das
cimentos de geometria plana.
substâncias fosforescentes dos mos-
tradores de relógios e de interrupto-
2. RAIOS DE LUZ
res, que permitem a visão no escuro.
São linhas orientadas que repre-
sentam, graficamente, a direção e o ❑ Fontes secundárias
São aquelas que reenviam ao es-
sentido de propagação da luz.
Os raios de luz são todos pa- paço a luz que recebem de outros
Conforme o meio em que se pro-
corpos.
paga, o raio de luz pode ser retilíneo ralelos entre si. Neste caso,
Exemplos
ou curvilíneo. dizemos que o vértice P é
A Lua, as paredes, nossas roupas.
impróprio.
5. CLASSIFICAÇÃO DOS
4. FONTES DE LUZ MEIOS

São os corpos capazes de emitir ❑ Meio Transparente


luz. As fontes de luz são classifica- Um meio se diz transparente
das em: quando permite a propagação da luz
através de si, segundo trajetórias re-
❑ Fontes primárias gulares, permitindo a visão nítida dos
São aquelas que emitem luz objetos.
própria, isto é, emitem a luz que Exemplos
3. FEIXE DE LUZ produzem. Ar, água em pequenas camadas,
Exemplos vidro comum etc.
É um conjunto de raios de luz. Os Sol, lâmpadas elétricas quando
feixes de luz são classificados como: acesas etc. ❑ Meio translúcido
As fontes primárias admitem ain- Um meio se diz translúcido
da uma subdivisão: quando permite a propagação da luz
❑ Cônico Divergente
• Fontes incandescentes através de si, segundo trajetórias ir-
São aquelas que emitem luz em regulares, de modo a não permitir a
decorrência da sua elevada tempe- visão nítida dos objetos.
ratura (em geral acima de 500°C). Exemplos
Exemplos Vidro fosco, papel de seda, pa-
O Sol, cuja temperatura em sua pel vegetal etc.
superfície é da ordem de 6000°C; as
lâmpadas incandescentes, cujo fila- ❑ Meio opaco
mento atinge temperatura superior a Um meio se diz opaco quando
Os raios de luz divergem a 2000°C. não permite a propagação da luz
partir de um ponto P. O pon- • Fontes luminescentes através de si.
to P é o vértice do feixe. São aquelas que emitem luz em Exemplos
temperaturas relativamente baixas. Madeira, concreto etc.

220 –
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❑ Meio homogêneo Observação


Um meio é homogêneo quan- Muitos fenômenos são explica-
do todos os seus pontos apresentam dos pela propagação retilínea da luz.
as mesmas propriedades, isto é, É o caso da câmara escura de
mesma composição química, mesma orifício, a formação de sombra
densidade etc. e penumbra e a ocorrência de
eclipses.
❑ Meio isótropo
Um meio é isótropo quando as
7. CÂMARA ESCURA DE
propriedades físicas associadas a
ORIFÍCIO
um ponto do meio independem da di-
reção em que são medidas. Quando
É uma caixa de paredes opacas
o meio não é isótropo, ele é chamado
munida de um orifício em uma de
anisótropo.
suas faces. Um objeto AB é coloca- Se a fonte de luz for extensa,
Um meio transparente, homogê-
do em frente à câmara, conforme a fi- observa-se entre o corpo C e o ante-
neo e isótropo é chamado meio or-
gura. Raios de luz provenientes do paro A uma região que não recebe
dinário ou refringente.
objeto AB atravessam o orifício e for- luz (cone de sombra) e outra
6. PRINCÍPIOS DA ÓPTICA mam na parede oposta uma figura parcialmente iluminada (cone de
GEOMÉTRICA A'B', chamada "imagem" de AB. penumbra). No anteparo A, temos
O fato de a imagem ser invertida a sombra e a penumbra projetadas.
❑ Princípio da propagação em relação ao objeto evidencia a
retilínea propagação retilínea da luz.
Nos meios homogêneos e
transparentes, a luz se pro-
paga em linha reta.

❑ Princípio da independência
dos raios de luz

Quando raios de luz se cru- A semelhança entre os triângulos


zam, cada um deles conti- OAB e OA'B' fornece:
nua seu trajeto, como se os
9. ECLIPSES
demais não existissem. A'B' d'
––––– = –––
AB d O eclipse do Sol ocorre quando o
❑ Leis da reflexão cone de sombra e o de penumbra da
e da refração Lua interceptam a superfície da Terra.
As leis da reflexão e da refração CONSEQUÊNCIA DA
serão estudadas nos próximos capí- PROPAGAÇÃO RETILÍNEA.
tulos. A COR DE UM CORPO
Uma decorrência dos princípios
da óptica geométrica é a "reversibi- 8. SOMBRA E PENUMBRA
lidade dos raios de luz":
Considere uma fonte de luz pun- Para os observadores A e C, o
A trajetória descrita por um tiforme (F), um corpo opaco (C) e eclipse do Sol é parcial. Para o
raio de luz independe do um anteparo opaco (A). observador B, o eclipse do Sol é
sentido de propagação. Dos raios de luz emitidos por F, total.
Assim, por exemplo, considere consideremos aqueles que tangen-
um raio de luz incidindo numa super- ciam C. O eclipse total da Lua ocorre
fície S segundo AB e refletindo-se Sobre o corpo C, podemos dis- quando ela está totalmente imersa no
segundo BC. Se a luz incidir segun- tinguir duas regiões: uma iluminada e cone de sombra da Terra. Se a Lua
do CB, irá refletir-se segundo BA. outra em sombra. A região em som- interceptar parcialmente o cone, o
bra é denominada sombra pró- eclipse será parcial.
pria. Entre o corpo C e o anteparo A,
existe uma região do espaço que não
recebe luz de F: é o cone de som-
bra do corpo C. A região do ante-
paro que não recebe luz de F é a
sombra projetada.

– 221
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 222

10. FENÔMENOS ÓPTICOS

Quando a luz, propagando-se


num meio 1, incide na superfície S
que separa este meio de outro meio
2, podem ocorrer vários fenômenos:
uma parte da luz volta ao meio em
que se estava propagando. É a re-
flexão da luz. Uma outra parte da
luz passa a se propagar no outro O vértice do feixe incidente é
meio. É a refração da luz. Uma denominado ponto objeto (P)
P’: ponto imagem virtual.
outra parte da luz que incide na su- e o vértice do feixe emergente
Os raios de luz emergentes de S
perfície S pode ser absorvida. Neste é o ponto imagem (P’).
se encontram apenas por prolon-
caso, energia luminosa se transforma
gamentos.
em energia térmica. É a absorção
Os esquemas a seguir mostram
da luz.
a classificação dos pontos objeto e
imagem em relação a um sistema
óptico S:

Quando o feixe incidente em S é


P: ponto objeto real. Os raios cilíndrico, o ponto objeto é
de luz incidentes em S se impróprio.
11. A COR DE UM CORPO encontram efetivamente.

A luz solar, denominada luz bran-


ca, é uma luz composta de uma in-
finidade de cores, sendo as princi-
pais: vermelho, alaranjado, amarelo,
verde, azul, anil e violeta.
Quando um corpo, iluminado
com luz branca, se apresenta ver-
de, significa que o corpo reflete a
luz verde e absorve as demais
cores que compõem a luz branca. P’: ponto imagem real. Os
Se o corpo não absorver nenhu- raios de luz emergentes de S se
ma cor, refletindo todas, ele é um encontram efetivamente.
corpo branco. Quando o feixe emergente de S é
Se o corpo absorver todas as cilindrico, o ponto imagem é
cores, não refletindo nenhuma, ele é impróprio.
um corpo negro.

12. PONTO OBJETO E PONTO Observações


IMAGEM a) Somente as imagens reais po-
dem ser projetadas em anteparos.
Espelhos planos, espelhos esfé- b) Um sistema óptico é dito es-
ricos, lentes etc. são exemplos de tigmático quando a um ponto ob-
sistemas ópticos. jeto P faz corresponder um ponto ima-
P: ponto objeto virtual. Os gem P' e não uma mancha luminosa.
Dado um sistema óptico S, consi- raios de luz incidentes em S se
deremos um feixe de luz incidente e Se acontecer esta última situação, o
encontram apenas por prolonga- sistema óptico é astigmático.
o correspondente feixe de luz emer- mentos.
gente.

222 –
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 223

Imagem de um Objeto,
MÓDULO 15
Espelho Plano e Campo Visual

1. AS LEIS DA REFLEXÃO ❑ Primeira lei da reflexão 3. IMAGEM DE UM PONTO


O raio de luz incidente (R), a reta NUM ESPELHO PLANO
Consideremos uma superfície S normal no ponto de incidência (N) e o
(plana ou curva) delimitando dois raio de luz refletido (R') pertencem ao Considere um ponto P colocado
meios, (1) e (2). Admitamos que a mesmo plano (denominado plano de na frente de um espelho plano E.
luz, provinda do meio (1), suposto incidência da luz). Para obter a imagem de P, vamos
transparente e homogêneo, atinja a considerar dois raios de luz que
superfície S. ❑ Segunda lei da reflexão partem de P e incidem no espelho:
Seja R um raio de luz incidente, I O ângulo de reflexão (r) é igual Pl1 (que volta sobre si próprio)
o ponto de incidência da luz, R' o ao ângulo de incidência (i). e Pl2. Os raios refletidos definem o
correspondente raio de luz refleti- ponto imagem P'. Observe que P é
do e N uma reta normal à superfí- 2. TIPOS DE REFLEXÃO um ponto objeto real e P', um
cie no ponto I. ponto imagem virtual.
O ângulo que o raio de luz inci- Se a superfície S for lisa e polida
dente (R) forma com a normal (N) é (sem saliências e reentrâncias), a re-
denominado ângulo de incidência da flexão será dita regular ou espe-
luz (i). cular.

Se a superfície S apresentar
saliências e reentrâncias, a luz inci- Os triângulos Pl1l2 e P'l1l2 são
dente será refletida em todas as dire- congruentes. Logo, Pl1 = P'l1. Por-
ções, e a reflexão será dita difusa (o tanto, concluímos que:
fenômeno é também denominado di-
fusão da luz). O ponto objeto P e o ponto
imagem P' são simétricos
em relação à superfície re-
fletora.

O espelho plano é estigmático.


Isto significa que qualquer raio que
A reflexão difusa é responsável pe- provém de P e incide no espelho re-
lo fato de se ver os objetos e a reflexão flete-se passando por P'.
regular, pela formação de imagens.
Quando a superfície S que delimi-
ta os meios (1) e (2) é plana e há pre-
dominância de reflexão regular, dize-
mos que ela é um espelho plano.
O ângulo que o raio de luz refle-
tido (R') forma com a normal (N) é
denominado ângulo de reflexão da
luz (r).
O fenômeno de reflexão da luz
obedece a duas leis fundamentais,
denominadas leis da reflexão.

– 223
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 224

Por outro lado, de acordo com a 4. IMAGEM DE Diz-se, então, que o objeto e a
reversibilidade da luz, todo raio que UM OBJETO EXTENSO imagem são figuras enantiomor-
incide com direção passando por P', fas.
origina um raio refletido, passando por Na figura, utilizando a propriedade
P. Note agora que P' é um ponto objeto de simetria, obtivemos a imagem 5. CAMPO VISUAL
virtual e P, um ponto imagem real. A'B'C'D' de um objeto extenso ABCD. DE UM ESPELHO PLANO
Observe que objeto e imagem
têm mesmas dimensões. Para uma posição (O) do olho do
observador, define-se campo visual
do espelho plano como sendo a re-
gião do espaço que se torna visível
por reflexão no espelho.
Para que a luz refletida no espe-
lho chegue ao olho (O) do observa-
dor e proporcione o efeito da visão, a
Cumpre destacar o fato de que a luz incidente deverá passar por O’,
imagem de um objeto tridimensional simétrico de O, em relação à superfí-
assimétrico, embora seja idêntica ao cie refletora. A região do espaço,
Do exposto, concluímos que: objeto, não pode ser superposta a visível por reflexão no espelho, é
ele como, por exemplo, as mãos determinada ligando-se o ponto O’
Relativamente a um espe- direita e esquerda de uma pessoa. ao contorno periférico do espelho.
lho plano, o objeto e a ima- Assim, a imagem tem todas as
gem têm naturezas opos- características idênticas ao objeto,
tas; se o objeto é real, a mas não pode ser superposta ao
imagem é virtual e vice- objeto. Explicando melhor: se a pes-
versa. soa levanta, diante do espelho plano,
sua mão direita, a respectiva imagem
levantará a mão esquerda.
Note que objeto e imagem reais Se tivermos um livro no qual está
situam-se na frente do espelho e escrita a palavra Física, esta apare-
objeto e imagens virtuais situam-se cerá na imagem escrita de trás para
atrás do espelho. diante.

Translação e Rotação de um Espelho


MÓDULO 16
Plano – Associação de Espelhos Planos

1. TRANSLAÇÃO DE UM Da figura, tiramos: 2. ROTAÇÃO DE UM ESPELHO


ESPELHO PLANO II' = 2y – 2x = 2(y – x) = 2d PLANO
Portanto:
Considere um objeto fixo O e seja
Quando um espelho plano se Quando um espelho plano gi-
I sua imagem. Vamos supor que o
translada retilineamente de rar um ângulo α em torno de
espelho se translade de uma distância
d, passando da posição (1) para a uma distância d, a imagem um eixo perpendicular ao
posição (2). A imagem passa a ser I'. de um objeto fixo se transla- plano de incidência da luz, o
da de 2d, no mesmo sentido. raio refletido girará 2α.

Em virtude do exposto anterior-


mente, podemos ainda concluir que:
Quando um espelho plano
se translada retilineamen-
te, com velocidade de mó-
dulo V, a imagem de um ob-
jeto fixo se translada com
velocidade de módulo 2V,
no mesmo sentido.

224 –
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 225

xão, teremos a produção de uma no- Portanto, temos três imagens: A1,
Δ OI1l2 : α + 90° + x + 90° – y = 180° va imagem. B1 e A2 ≡ B2.
α=y–x 햲 Sendo α o divisor de 360°, o nú-
mero total de imagens formadas (N)
Δ Cl1l2 : β + 2x = 2y
é dado por:
β = 2(y – x) 햳
De 햲 e 햳:
β = 2α 360°
N = ––––– – 1
α
3. NÚMERO DE IMAGENS
FORMADAS ENTRE DOIS
360°
ESPELHOS PLANOS Se –––– for par, a fórmula é apli-
α
Consideremos dois espelhos cável para qualquer posição de P
planos, (E1) e (E2), formando entre si entre os espelhos E1 e E2.
um ângulo diedro (α) e com as su-
perfícies refletoras defrontando-se, 360°
Se –––– for ímpar, a fórmula é apli-
conforme a figura. α
cável para o objeto (P) situado no
plano bissetor do diedro (α).

Estudemos, a título de ilustração,


o caso em que α = 90°.

A luz proveniente de um ponto 360°


N = ––––– – 1
objeto vai sofrer uma série de refle- 90°
xões nos dois espelhos antes de Imagens formadas por reflexão em dois
N=3 espelhos planos.
emergir do sistema. Para cada refle-

Raios Notáveis e Construção


MÓDULO 17
de Imagens nos Espelhos Esféricos

1. CLASSIFICAÇÃO E aquela voltada para o centro da calo- Simbolicamente, representamos:


ELEMENTOS DOS ta, e convexo, em caso contrário.
ESPELHOS ESFÉRICOS

Consideremos uma superfície esfé-


rica de centro C e raio de curvatura R.
Um plano, interceptando a su-
perfície esférica, divide-a em duas
calotas esféricas.
Denomina-se espelho esféri-
co toda calota esférica em que uma
de suas superfícies é refletora. Espelho esférico côncavo.
Espelho esférico côncavo.

O espelho esférico é dito cônca-


vo, quando a superfície refletora é Espelho esférico convexo. Espelho esférico convexo.

– 225
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 226

Os elementos importantes de um Todo raio de luz que incide no


espelho esférico são: Para um espelho esférico espelho esférico, numa direção que
de Gauss, tem-se: passa pelo centro de curvatura, refle-
❑ Vértice do espelho (V) te-se sobre si próprio.
É o polo da calota esférica. R
f = –––
2
❑ Centro de curvatura (C)
É o centro da superfície esférica,
2. RAIOS NOTÁVEIS
de onde se originou a calota.
Todo raio de luz que incide no es-
❑ Raio de curvatura (R)
pelho esférico, paralelamente ao eixo
É o raio da superfície esférica, de
principal, reflete-se numa direção
onde se originou a calota.
que passa pelo foco.
❑ Eixo principal
É o eixo determinado pelo centro
de curvatura (C) e pelo vértice do
espelho (V).
Esta última propriedade vale mes-
❑ Eixo secundário mo fora das condições de Gauss.
Qualquer eixo que passa pelo
centro de curvatura C e não passa Todo raio de luz que incide obli-
pelo vértice V. quamente ao eixo principal reflete-se
numa direção que passa pelo foco
❑ Foco principal (F) secundário (Fs).

Todo raio de luz que incide no es-


❑ Distância focal (f) pelho esférico, numa direção que
É a distância de F a V. passa pelo foco, reflete-se paralela-
mente ao eixo principal.

Observação
Para que as imagens fornecidas Todo raio de luz que incide no
pelos espelhos esféricos tenham Para um espelho esférico conve-
vértice do espelho esférico reflete-se xo, temos:
maior nitidez e não apresentem defor- simetricamente em relação ao eixo
mações, devem ser obedecidas as principal.
condições de nitidez de Gauss:

"Os raios incidentes devem


ser paralelos ou pouco in-
clinados em relação ao eixo
principal e próximos deste."

Nessas condições, trabalharemos


somente com a parte do espelho em
torno do vértice (V) e que aparece
ampliada nos esquemas que apre-
sentaremos nos itens seguintes.

226 –
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objeto entre F e V
objeto em C
imagem: virtual, direita e maior
do que o objeto.
imagem: real, invertida e do mes-
mo tamanho do objeto.

• Espelho convexo
Imagem: virtual, direita e menor
do que o objeto.

objeto entre C e F

imagem: real, invertida e maior do


que o objeto.
3. CONSTRUÇÃO GRÁFICA DA
IMAGEM DE UM PEQUENO
OBJETO FRONTAL

Consideremos um objeto AB, de


pequenas dimensões, em compara-
ção com o raio de curvatura (R). Observações
Com os raios notáveis, determi- a) Para um objeto impróprio
nemos, graficamente, a imagem A'B' (muito distante), o espelho esférico
de AB.
conjuga a imagem sobre o foco.
b) Em sistemas ópticos refletores
Observe os casos a seguir:
(espelhos), quando objeto e imagem
• Espelho côncavo são de naturezas iguais, eles estão
posicionados no próprio semiespaço
objeto antes de C definido pelo sistema. Quando objeto
objeto em F e imagem possuem naturezas
imagem: real, invertida e menor diferentes, estão posicionados em
do que o objeto. imagem: imprópria semiespaços opostos.
– 227
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MÓDULO 18 Estudo Analítico dos Espelhos Esféricos


1. EQUAÇÃO DE GAUSS Desenhando o objeto sempre pa- Isto ocorre (A > 0) quando
ra cima, o será positivo. Se a ima- p’
Sejam p e p’ as abscissas do ob- gem resultar para cima, temos i > 0: ––– < 0 e, portanto, p’ e p devem ter
jeto e da imagem, respectivamente. A imagem direita. Se a imagem re- p
Equação de Gauss relaciona p, p’ e f. sultar para baixo, temos i < 0: ima- sinais opostos, ou seja, naturezas di-
gem invertida. ferentes (um deles é real e o outro é
virtual). Assim:
1 1 1 A imagem será direta
––– = ––– + ––– Exemplos
f p p' (A > 0) quando o objeto e a res-
i pectiva imagem tiverem
a) ––– = +2 significa que a imagem
o naturezas opostas.
é direita e duas vezes maior do
que o objeto. ❑ Nota 2
i Quando A < 0, a imagem é dita
b) ––– = – 3 significa que a ima- invertida, isto é, o objeto e a
o imagem têm orientações opostas.
gem é invertida e três vezes
p’
maior do que o objeto. Isto ocorre (A < 0) quando ––– > 0
p
Da semelhança entre os triângu- e, portanto, p’ e p devem ter mesmo
los ABV e A'B'V da figura anterior, sinal, ou seja, mesma natureza (am-
vem: bos reais ou ambos virtuais).
Assim:
De acordo com o sistema de ei-
A imagem será invertida
xos adotado (referencial de Gauss), A'B' B'V
––––– = ––––– (A < 0), quando o objeto e a
temos a seguinte convenção de si- AB BV respectiva imagem tiverem
nais:
mesma natureza.

Porém, A'B' = –i, AB = o, B’V = p’


p > 0 : objeto real ❑ Nota 3
e BV = p.
Quando | A | > 1, a imagem é dita
p < 0 : objeto virtual
ampliada, isto é, o tamanho da
p’ > 0 : imagem real Logo:
imagem é maior do que o tamanho
p’ < 0 : imagem virtual do objeto.
f > 0 : espelho côncavo i –p’ Isto ocorre (| A | > 1) quando
A = ––– = ––– | p’ | > | p |, isto é, a imagem está mais
f < 0 : espelho convexo o p
afastada do espelho do que o objeto.

2. AUMENTO LINEAR Outra expressão para o aumento ❑ Nota 4


TRANSVERSAL (A) linear transversal: Quando | A | < 1, a imagem é dita
reduzida, isto é, o tamanho da
Sejam i e o as medidas algébri- imagem é menor do que o tamanho
i f do objeto.
cas das dimensões lineares da ima- A = ––– = –––––
gem e do objeto, respectivamente, o f–p Isto ocorre (| A | < 1) quando
com orientação positiva para cima, de | p’ | < | p |, isto é, a imagem está mais
acordo com o referencial adotado. próxima do espelho do que o objeto.
3. NOTAS IMPORTANTES
O aumento linear transver- ❑ Nota 5
❑ Nota 1 Quando | A | = 1, a imagem tem
sal é, por definição, o quo-
Quando A > 0, a imagem é dita mesmo tamanho que o objeto e
i ambos estão localizados na posição
ciente: –––. direita ou direta, isto é, o objeto e
o a imagem têm mesma orientação. do centro de curvatura do espelho.

228 –
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FRENTE 3 Mecânica e Eletricidade


MÓDULOS 21 e 22 Estática do Corpo Extenso
1. MOMENTO ESCALAR OU → O momento escalar (M) da força A condição (A) traduz o equilíbrio
TORQUE DE UMA FORÇA F em relação ao polo O é definido translatório e a condição (B) traduz o
pela relação: equilíbrio rotatório.
Para um corpo extenso, existe a → Observe que para um ponto
possibilidade de movimento de rota- M = ± |F | d material não existe a condição (B),
ção. porque não há possibilidade de
A capacidade de uma força em O sinal do momento escalar de- movimento de rotação.
provocar a rotação de um corpo ex- pende do sentido de rotação em que

tenso é medida por uma grandeza a força F tende a girar o corpo (ho- Exemplo
física chamada momento escalar rário ou anti-horário) de acordo com
ou torque. uma convenção arbitrária pré-esta-
Seja um corpo extenso que po→- belecida.
de girar em torno de um ponto O e F Por exemplo, se adotarmos o
uma força aplicada ao corpo. sentido anti-horário como positivo,

o
momento escalar da força F , repre-
sentada na figura, será positivo.

2. CONDIÇÕES DE
EQUILÍBRIO

Um corpo extenso estará em


equilíbrio quando forem satisfeitas
duas condições: (A): F1 + F2 = F3 + P (1)
(A) A resultante de todas
as forças externas atuantes (B): F1 . b + F3 . a = F2 . b (2)
no corpo é nula.
A distância d

do ponto O até a li- (B) A soma dos torques de
nha de ação →
de F é chamada de bra- todas as forças exter nas As equações (1) e (2) estabe-
ço da força F e o ponto O é chama- atuantes no corpo, em relação lecem as condições de equilíbrio da
do de polo. a qualquer polo, é nula. barra da figura.

MÓDULO 23 Ímãs e Campo Magnético


1. INTRODUÇÃO Polo Norte geográfico é denominada polo norte (N) e
a outra região, polo sul (S).
Certos corpos, denominados ímãs, diferenciam-se
por apresentar propriedades notáveis, entre as quais ci-
tamos:
a) Atraem fragmentos de ferro (limalha de
ferro). Estes aderem às regiões extremas de um ímã em
forma de barra. Essas regiões constituem os polos do
ímã.

c) Exercem entre si forças de atração ou de


repulsão, conforme a posição em que são postos em
b) Quando suspensos pelo centro de gravidade, presença. A experiência mostra que polos de mes-
orientam-se, aproximadamente, na direção norte-sul mo nome repelem-se e de nomes contrários
geográfica do lugar. A região do ímã que se volta para o atraem-se.
– 229
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 230

c) Seu módulo assume valor que, em geral,


depende da posição do ponto.

A unidade do módulo do vetor indução no Sistema


Internacional denomina-se tesla (T).
d) Cortando-se transversalmente um ímã, obtêm-se Campo→magnético uniforme é aquele cujo ve-
dois novos ímãs. É a inseparabilidade dos polos de tor

indução B é constante, isto é, em todos os pontos
um ímã. B tem mesma direção, mesmo sentido e mesmo módulo.
As linhas de indução de um campo magnético
uniforme são retas paralelas e igualmente distribuídas.

2. CAMPO MAGNÉTICO –
LINHAS DE INDUÇÃO

Uma região do espaço modificada pela presença de


um ímã recebe a denominação de campo magnético.
Uma visualização do aspecto que assume a região
que envolve um ímã – uma visualização do espaço que
constitui o campo magnético – pode ser obtida com o
auxílio de limalhas de ferro (que se comportam como
minúsculas agulhas magnéticas).
A limalha de ferro concentra-se ao redor dos polos
e distribui-se em linhas curvas determinadas, que se
estendem de um polo a outro.

Um campo magnético uniforme aproximado pode


ser obtido entre os polos de um ímã em forma de U.
Ressalve-se, no entanto, que esse campo ocorre longe
das extremidades, conforme a figura abaixo.

Essas linhas, segundo as quais as limalhas de ferro


se distribuem, chamam-se linhas de indução. Elas
permitem visualizar o campo magnético de um ímã.
Convenciona-se que as linhas de indução saem do polo A produção de campos magnéticos não se prende
norte e entram no polo sul. somente à presença de ímãs. Em 1820, o físico Oersted
descobriu que a passagem de corrente elétrica por um
3. VETOR INDUÇÃO MAGNÉTICA fio também produz campos magnéticos.
Assim, podemos estender o conceito de campo
A fim de se caracterizar a ação de um ímã, em cada magnético, considerando-o uma região em torno de um
ponto do campo magnético associa-se um vetor, deno- ímã ou uma região do espaço que envolve um condutor

minado vetor indução magnética (B ), que atende percorrido por corrente elétrica. Estes últimos serão es-
às seguintes características. tudados nos próximos capítulos.
a) Sua direção é tangente à linha de indução que Uma generalização maior ainda é considerar que, no
passa pelo ponto considerado. caso do ímã, o campo magnético é decorrente de movimen-
b) Seu sentido concorda com o sentido da linha tos particulares que os elétrons realizam no interior de seus
de indução, na convenção dada. átomos.
230 –
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MÓDULO 24 Força Magnética de Lorentz


Mostra a experiência que o campo magnético é
capaz de atuar sobre uma carga em movimento, exer-
cendo nela uma força de campo denominada Força
magnética de Lorentz, que desvia a carga de sua
trajetória original.

Se indicarmos por B o vetor indução magnética que
caracteriza o campo magnético no ponto por onde está

passando a carga elétrica q, cuja velocidade é v , e por θ
o ângulo que o vetor velocidade forma com o vetor
indução, a força de origem magnética que passa a agir
na carga apresentará as seguintes características:

a) Direção: é sempre perpendicular ao vetor indu-


→ →
ção B e ao vetor velocidade v , isto é, perpendicular
→ →
ao plano (B, v ).


Se a carga elétrica q é negativa, o sentido da Fmé o
oposto àquele fornecido pela regra da mão esquerda.

c) Módulo

Fm = | q | . v . B . sen θ
b) Sentido: é dado pela regra da mão esquerda, →

para cargas positivas. θ é o ângulo que o vetor v forma com o vetor B .

Movimento de uma Partícula


MÓDULOS 25 e 26
Eletrizada em um Campo Magnético Uniforme

1. DINÂMICA DO MOVIMENTO direção do vetor velocidade v, mas quando penetra numa região onde
DE UMA CARGA ELÉTRICA não altera seu módulo. reina um campo magnético uniforme
NUM CAMPO MAGNÉTICO Decorre, portanto, que depende do modo pelo qual ela pe-
O movimento de uma carga netra no campo.
Sabemos que quando uma carga elétrica, sob a ação exclusiva Analisaremos, a seguir, três ca-
elétrica (q) se movimenta num cam- de um campo magnético, é sos distintos.
po magnético, ela pode ficar sujeita à uniforme.
ação da Força magnética de Lorentz. 1.o Caso

Essa força (Fm ), quando existe, é 2. MOVIMENTOS Carga elétrica lançada na mes-
PARTICULARES DE UMA ma direção das linhas de indução do
sempre perpendicular →
ao vetor in-
CARGA ELÉTRICA EM campo magnético.
dução magnética (B) e ao vetor velo-
→ CAMPOS MAGNÉTICOS
cidade (v ).
UNIFORMES Neste caso: θ = 0° ou θ = 180°;
Concluímos, então, que a força
magnética é uma resultante centrípe- O movimento particular que uma → →
→ → (v II B ).
ta (pois Fm ⊥ v ) e, portanto, altera a carga elétrica passa a executar

– 231
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 232

que a carga elétrica realiza movi- Δs = 2π R e Δt = T


mento circular e uniforme. Logo, 2π . R = vT
Uma carga elétrica lança-
da perpendicularmente às li- m.v
2π . –––––– = v . T
nhas de indução de um campo |q| B
magnético uniforme realiza
movimento circular e uniforme 2πm
sobre uma circunferência cujo T = –––––––
plano é perpendicular às li- |q| B
nhas de indução.
Sendo sen 0° = 0 e sen 180° = 0, Observações
da expressão do módulo da Força 1.a) Nem o período nem a fre-
magnética de Lorentz quência do movimento dependem da
velocidade de lançamento. Aumen-
Fm = | q | . v . B . sen θ tando-se a velocidade v de lança-
mento, aumenta o raio da circunfe-
decorre rência descrita. A distância a ser per-
corrida aumenta na mesma propor-
Fm = 0 ção com que v foi aumentado e o pe-
ríodo não se altera.
e concluímos:

Carga elétrica lançada na


direção das linhas de indução
de um campo magnético uni-
forme realiza um movimento
retilíneo e uniforme.

2.o Caso
Carga elétrica lançada perpen-
dicularmente às linhas de indução do
campo magnético uniforme.
→ →
Neste caso: θ = 90°; (v ⊥ B ) .

3. CÁLCULO DO RAIO DA
CIRCUNFERÊNCIA

Como a força magnética (Fm) é

uma resultante centrípeta (Fcp), resul-
ta
Fm = Fcp 2.a) O trabalho da força magné-
tica é nulo, pois ela é centrípeta.
m.v2
Sendo sen 90° = 1, resulta |q| . v. B = ––––– 3.a Caso
R
Carga elétrica lançada obliqua-
Fm = |q| . v . B. Esta expressão Portanto mente às linhas de indução.
mostra que a força magnética tem m.v
intensidade constante, uma vez que R = –––––––
q, v e B são constantes. Desse modo |q| B
a carga elétrica está sob ação de
uma força de intensidade constante, 4. CÁLCULO DO PERÍODO
cuja direção é perpendicular ao vetor
→ → →
velocidade (v ). Fm e v estão sempre Sendo o movimento uniforme,
no mesmo plano e são perpendi- podemos escrever
culares às linhas de indução. Nessas Δs = v . Δt. Numa volta completa,
condições, da dinâmica, concluímos tem-se

232 –
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 233

A análise desse movimento fica A superposição desses dois mo-


simples quando se decompõe a ve- vimentos é um movimento helicoidal

locidade v em duas componentes e uniforme. A trajetória é uma hélice
per pendiculares, uma na direção de de eixo paralelo às linhas de indução

B e outra na direção perpendicular a do campo.

B. A hélice é descrita na superfície
a) A componente na direção de de um cilindro cujo eixo tem a
→ → →
B ( v1 ) permanece constante e, ao direção de B e cujo raio é dado por
longo dessa direção, a partícula des- m . v2
creve MRU (1.o caso). R = ––––––– ou
|q| . B
b) A componente perpendicular
→ →
a B ( v2) , de acordo com o 2.o caso, m . v . sen θ
R = –––––––––––
determina que a partícula execute |q| . B
MCU.

MÓDULO 27 Força Magnética em Condutor Retilíneo

1. FORÇA SOBRE UM A força magnética resultante se-


CONDUTOR RETILÍNEO rá
PERCORRIDO POR
CORRENTE ELÉTRICA NO Fm = n . fm
INTERIOR DE UM CAMPO
MAGNÉTICO UNIFORME Fm = n . |q| v B sen θ

Considere um condutor metálico Fm = n . |q| –––– . B sen θ
Δt
retilíneo, de comprimento (), percorri-
do por corrente elétrica de intensida- n |q|
Mas –––––– = i Então
de constante i, colocado num campo Δt
magnético uniforme,

formando com o
vetor indução B, um ângulo θ. Fm = i  B sen θ ou
2. O PRINCÍPIO DE
Fm = Bi sen θ FUNCIONAMENTO DO
MOTOR ELÉTRICO DE

Assim, a força magnética Fm tem CORRENTE CONTÍNUA
as seguintes características:
Considere uma espira ACDE per-
corrida por corrente elétrica i e imersa

❑ Módulo num campo magnético de indução B.
Observe, na posição indicada na figu-
Fm = B . i .  senθ ra, as forças magnéticas que agem nos
lados AC e DE. Elas giram a espira no
sentido indicado, em torno do eixo r.

A força magnética Fm que surge ❑ Direção
no condutor é a resultante de um É perpendicular ao condutor e ao
conjunto de Forças de Lorentz que vetor indução.
atua sobre cada carga elétrica q
constituinte da corrente elétrica.
Seja n o número de cargas q que ❑ Sentido
atravessa uma secção do condutor
em um intervalo de tempo Δt e estão O sentido da força magnética é
obtido pela regra da mão es-
contidas no comprimento . Temos
querda. O dedo indicador no sen-
em cada carga q:
tido do campo e o médio no sentido
convencional da corrente elétrica, o
fm = |q| v B sen θ polegar dará o sentido da força que
age sobre o condutor.

– 233
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 234

Para assegurar uma rotação contínua, o motor é dotado de um comutador, que é um anel metálico dividido em
dois setores. Após o instante em que a espira fica disposta paralelamente às faces dos ímãs, invertem-se os sentidos
das correntes nos lados AC e DE.
A potência do motor pode ser aumentada, utilizando-se de várias espiras, ligadas em série. As espiras são
montadas sobre um cilindro, constituindo o rotor.

MÓDULO 28 Campo Magnético Gerado por Condutor Retilíneo

1. EXPERIÊNCIA DE OERSTED 2. ESTUDOS DO CAMPO


MAGNÉTICO GERADO POR
Toda corrente elétrica ori- UMA CORRENTE RETILÍNEA
gina, no espaço que a envolve,
um campo magnético. Vamos caracterizar o vetor indu-
ção magnética em cada ponto do
campo magnético gerado por uma
corrente retilínea. →
O vetor indução magnética B no
ponto P, que está a uma distância d Fig. 5
do condutor, tem as seguintes carac-
terísticas: ❑ Módulo
Constata-se experimentalmente
❑ Direção que o módulo do vetor indução mag-
É perpendicular ao plano defini- →
nética B depende da intensidade da
do por P e pelo condutor. corrente i no condutor, da distância d
do ponto P ao condutor e do meio
que o envolve. O meio é caracteriza-
do magneticamente por uma grande-
za física escalar denominada per-
meabilidade magnética do meio (µ).
Para o vácuo, essa grandeza tem
valor
T.m
µ0 = 4π . 10–7 ––––––
Fig. 3 A

A expressão que relaciona as ci-


❑ Sentido tadas grandezas é
A agulha magnética gira e tende a
É dado pela regra da mão di-
dispor-se ortogonalmente ao condutor.
reita. µ.i
Dispõe-se o polegar da mão di- B = –––––– (Lei de Biot-Savart)
reita no sentido da corrente. Os de- 2π d
A primeira prova experimental
desse fato deve-se a Oersted (1820). mais dedos indicam o sentido

do ve-
tor indução magnética B . As linhas de indução são circun-
Como se ilustra, a experiência de
ferências concêntricas com o
Oersted consiste em dispor um con-
condutor e pertencem a planos per-
dutor próximo a uma bússola e ob-
pendiculares ao condutor (Fig. 6).
servar o comportamento da agulha
magnética quando o condutor é per-
corrido por corrente elétrica.

Observa-se que a agulha


magnética gira em torno de Fig. 4
seu eixo.
Na figura a seguir, representamos
Podemos, então, concluir que o →
fio atravessado pela corrente elétrica o vetor B no ponto P, visto pelo obser-

cria no espaço em torno dele um vador O. Note que o vetor B é tan-
campo magnético capaz de agir so- gente à linha de indução que passa
bre uma agulha magnética. por P, conforme já foi visto. Fig. 6

234 –
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MÓDULO 29 Campo de Espira e Solenoide

1. CAMPO MAGNÉTICO NO Considerando n espiras justa- Por extensão, denominaremos


CENTRO DE UMA ESPIRA postas, temos a chamada bobina por solenoide ideal aquele de com-
CIRCULAR chata. primento infinito e cujo campo interno
O campo magnético no centro é perfeitamente uniforme. No sole-
Vejamos as características do da bobina tem módulo noide ideal, não existe campo
vetor indução magnética, no cen- externo.
tro da espira (Fig. 1). Forneceremos, a seguir, as ca-
µi
B = n . ––––– racterísticas do vetor indução mag-
❑ Direção 2R nética em qualquer ponto do interior
É perpendicular ao plano da es- de um solenoide ideal.
pira.
2. CAMPO MAGNÉTICO NO
INTERIOR DE UM ❑ Direção
SOLENOIDE RETILÍNEO É a mesma do eixo do solenoide
(BOBINA LONGA) reto ou sempre perpendicular ao
plano das espiras dele.
Chama-se solenoide ou bobi-
Fig. 1.
na longa a um condutor enrolado em
hélice cilíndrica (Fig. 3). ❑ Sentido
É dado pela regra da mão di-
❑ Sentido reita.
É dado pela regra da mão di-
reita.

Fig. 3. Fig. 5.

Ao ser percorrido por corrente Envolva o solenoide com a mão


elétrica, o solenoide gera um campo direita, de modo que a ponta dos
magnético. Dentro do solenoide, as dedos indique o sentido da corrente

linhas de indução são praticamente e o polegar indique o sentido de B
retas paralelas. Externamente, o (Fig. 5).
campo magnético é semelhante ao
produzido por um ímã em forma de ❑ Módulo
Fig. 2. barra (Fig. 4). É dado pela equação

❑ Módulo n
É dado pela equação B = µ . –––– . i


µ.i em que
B = ––––––
2R
µ = permeabilidade do material
Fig. 4. no interior do solenoide.
em que
µ = permeabilidade magnética i = intensidade da corrente.
Quanto mais longo o solenoide,
do meio interno à espira.
mais fraco torna-se o campo externo n = número de espiras contidas
i = intensidade da corrente. e mais uniforme torna-se o campo
no comprimento  do sole-
R = raio da espira. interno. noide.

– 235
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e θ = 90° o ângulo entre o condutor



(1) e o campo B2, vem
µ i2 . i1 . 
F1 = ––––––––––––
2πd

Fig. 9 →
b) Calculemos a força F2 que
Qualquer que seja o elemento age sobre o condutor (2) ao longo de
Fig. 6. (imã, espira, solenoide), a experiên- um certo comprimento .
cia mostra que polos de mesmo

3. POLOS DE UMA ESPIRA nome repelem-se e de nomes O campo B1 gerado pelo condu-
E DE UM SOLENOIDE contrários atraem-se. tor (1) na posição onde se encontra
(2) será
No desenho das linhas de indu- 4. FORÇAS ENTRE
CONDUTORES PARALELOS µ i1
ção do campo magnético produzido B1 = –––––––
por uma espira, notamos que as li- PERCORRIDOS POR 2πd
nhas de indução entram por uma fa- CORRENTE ELÉTRICA

ce e saem pela outra. Por analogia e então F2 terá a seguinte intensi-
com os ímãs, podemos atribuir a uma ❑ 1.ocaso: Correntes dade:
espira dois polos (Figs. 7 e 8). de mesmo sentido
F2 = B1 . i2 .  . sen θ
Isto é
µ i1 . i2 . 
ou F2 = ––––––––––––
2πd

Observe que F1 = F2.

❑ 2.o caso: Correntes de


sentidos opostos
Fazendo o mesmo estudo para
O condutor (1) fica sujeito ao
correntes com sentidos opostos, no-
campo produzido pelo condutor (2) e
taremos apenas que haverá repulsão
vice-versa. →
Fig. 7. a) Calculemos a força F1, que ao invés de atração.
age sobre o condutor (1), ao longo
de um certo comprimento .

O campo B2 gerado pelo con-
dutor (2) na posição onde se encon-
tra (1) será
µ i2
B2 = –––––––
2πd
Resumindo
em que µ é a permeabilidade mag-
nética do meio onde estão os condu- Correntes de mesmo sentido
tores e d a distância entre eles. se atraem.
Fig. 8.
A força terá então a seguinte in-
tensidade:
Quando a corrente for vista no Correntes de sentidos opos-
sentido horário, trata-se de um F1 = B2 . i1 .  . sen θ tos se repelem.
polo sul; quando for vista no senti-
do anti-horário, trata-se de um
Sendo Nota
polo norte.
As mesmas conclusões são vá-
µ i2
Note que também um solenoide B2 = ––––––– lidas para correntes em espiras cir-
tem dois polos. 2πd culares.

236 –
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MÓDULO 30 Aplicações de Condutor Retilíneo e Fios Paralelos

MÓDULO 31 Indução Eletromagnética – I


1. FLUXO DO VETOR INDUÇÃO MAGNÉTICA

Consideremos uma espira→de área A colocada den-


tro de→um campo magnético B , de tal forma que a nor-
mal (n ) à superfície da espira faça ângulo α com as
linhas de indução (Fig. 1).

Fig. 2a.

Fig. 1

Define-se fluxo do vetor indução B , através da Fig. 2b.
espira, como sendo a grandeza escalar dada por
Desse modo, podemos interpretar fisica-
Φ = B . A . cos α mente o fluxo magnético como sendo o núme-
ro de linhas de indução que atravessa a
superfície da espira.
No Sistema Internacional de Unidades, a unidade de
fluxo magnético, denomina-se weber (símbolo Wb).
3. INDUÇÃO ELETROMAGNÉTICA

Da definição de fluxo magnético, resulta Vamos considerar uma espira ligada a um


galvanômetro de zero central e um ímã. Com essa mon-
Wb tagem, podemos efetuar as seguintes observações:
1 Wb = 1 T . 1m2 → T = –––––
m2
1.a) Se o ímã é mantido imóvel, o galvanômetro
não indica passagem de corrente (Fig. 3).
2. CASOS PARTICULARES

Observe que na figura (2a), em que a superfície da


espira é perpendicular ao campo, ela é atravessada
pelo maior número possível de linhas de indução e o
fluxo magnético é o máximo; na figura (2b), nenhuma li-
nha atravessa a superfície da espira e o fluxo magnético
é nulo.
Fig. 3 – Estando o ímã parado, não há corrente na espira.

– 237
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2.a) Se o ímã se aproxima da espira, aparece Na prática, em vez de uma espira, usa-se uma
corrente elétrica num certo sentido, que cessa quando bobina, com a qual se multiplica o efeito.
paramos o ímã (Fig. 4).

4. SENTIDO DA CORRENTE
INDUZIDA – LEI DE LENZ

A Lei de Lenz afirma que

O sentido da corrente induzida é tal que


seus efeitos se opõem às causas que a origi-
nam.

Exemplo
Fig. 4 – Ao aproximarmos o ímã da espira, esta é percorrida Ao aproximarmos da espira o polo norte do ímã
por uma corrente elétrica em determinado sentido. (causa), surge na espira um polo norte que se opõe à
aproximação do ímã. Desse modo, a corrente induzida
3.a) Se o ímã for afastado da espira, a corrente tem sentido anti-horário, em relação ao observador O.
muda de sentido (Fig. 5).

Fig. 5 – Ao afastarmos o ímã da espira, esta é percorrida por


uma corrente de sentido oposto ao da corrente produzida ao
aproximarmos o ímã.
Fig. 6.

4.a) Quanto mais rapidamente o ímã for movimen-


tado, tanto mais intensa será a corrente. Ao afastarmos da espira o polo norte do ímã
(causa), surge na espira um polo sul que se opõe ao
Ao aproximarmos ou afastarmos o ímã da espira, afastamento do ímã. Deste modo, a corrente induzida
varia o número de linhas de indução que atravessa a tem sentido horário, em relação ao observador O.
superfície da espira, isto é, varia o fluxo magnético
através da superfície da espira. Nesses casos, o
ponteiro do galvanômetro sofre deflexão, indicando
que a espira é percorrida por corrente elé-
trica. Assim, podemos concluir que

Quando o fluxo magnético varia através da


superfície de uma espira, surge nela uma
corrente elétrica denominada corrente
induzida.

Fig. 7.
Esse é o fenômeno da indução eletromagnética.

Obs.: se a espira estiver aberta, a variação de fluxo Nas figuras 8a e 8b, indicamos o sentido da
magnético determina entre seus extremos uma d.d.p. corrente induzida na espira quando o polo sul do ímã é
induzida. aproximado e depois afastado.

238 –
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Fig. 8.

Há ainda outra maneira de apresentarmos a Lei de


Lenz.

O sentido da corrente induzida é tal que


origina um fluxo magnético induzido que se
opõe à variação do fluxo magnético indutor.

Esquematicamente, sendo Φ o fluxo magnético Fig. 9 – Ao aproximarmos o ímã, Φ cresce.


indutor e Φ' o fluxo magnético induzido (criado pela cor- O fluxo induzido Φ’ surge opondo-se ao aumento de Φ.
rente induzida), temos A regra da mão direita fornece o sentido de i.

MÓDULO 32 Indução Eletromagnética – II


1. LEI DE FARADAY Em símbolos e para o sistema SI
ΔΦ = Φ2 – Φ1
de unidade, teremos
Recordemos outro resultado ex- Essa variação ocorreu no inter- ΔΦ
perimental muito importante: a cor- valo de tempo Δt = t2 – t1. Chama- Em = – ––––
rente induzida é tanto mais in- remos de rapidez de variação do flu- Δt
tensa quanto mais rapidamen- xo ao quociente ΔΦ / Δt.
te varia o fluxo de indução. Faraday procurou a relação Observe que a Lei de Lenz
Suponhamos que, em um sole- quantitativa entre a rapidez da varia- comparece na expressão anterior por
noide, o fluxo de indução valha Φ1, ção do fluxo e a força eletromotriz meio do sinal (–).
no instante t1. Fazendo-o crescer até induzida e suas experiências condu- A força eletromotriz instantânea é
atingir o valor Φ2, no instante t2, cha- ziram à lei que leva o seu nome. dada por
maremos de variação do fluxo A f.e.m. induzida média é dΦ
de indução, ΔΦ, a diferença entre o proporcional à rapidez de vari- E = – ––––
dt
fluxo final e o inicial. ação de fluxo.

MÓDULO 33 Indução Eletromagnética – III


1. CONDUTOR RETILÍNEO EM Quando o condutor AB se deslo-
CAMPO MAGNÉTICO ca com velocidade V, a área da
UNIFORME espira varia e, em consequência,
surge uma f.e.m. induzida no condu-
Considere um condutor retilíneo AB tor AB. Calculemos o valor absoluto
que se apoia nos ramos de um condu- dessa f.e.m.
tor CDFG, imerso perpendicularmente Na posição (1), o fluxo mag-
em um campo magnético de indução nético através da espira ADFB vale

B uniforme (Fig. 1). Φ 1 = B .  . s1
Fig. 1.
– 239
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Na posição (2), temos 2. APLICAÇÃO DA INDUÇÃO Sejam


Φ 2 = B .  . s2 ELETROMAGNÉTICA U1 = tensão alternada gerada
pela fonte (gerador) e recebida pelo
No intervalo de tempo Δt, a varia- Uma aplicação importante do consumidor que deseja transformá-la.
ção do fluxo magnético será fenômeno da indução eletromagné-
tica está nos dispositivos denomina- U2 = tensão alternada obtida e
ΔΦ = Φ2 – Φ1
dos transformadores elétricos. que será utilizada pelo consumidor.
ΔΦ = B  (s2 – s1) O transformador permite modifi-
car uma d.d.p. variável, aumentando- A corrente alternada que alimen-
ΔΦ = B  Δs
a ou diminuindo-a conforme a con- ta o primário produz no núcleo do
A f.e.m. média induzida nesse in- veniência. transformador um fluxo magnético
tervalo de tempo terá valor absoluto. Nos casos simples, os transfor- alternado. Grande parte desse fluxo
madores constam de duas bobinas,
ΔΦ B .  . Δs (há pequena perda) atravessa o
Em = —— = ———— = B .  . vm primária (1) e secundária (2), inde-
enrolamento secundário, induzindo aí
Δt Δt pendentes e envolvendo um mesmo
a tensão alternada U2.
Δs núcleo de ferro laminado.
em que vm = —— é a velocidade média Chamando de N1 e N2 o número
Δt de espiras dos enrolamentos primário
com que o condutor passou da e secundário e admitindo que não há
posição AB para a posição A'B', no perdas, vale a seguinte razão, chama-
intervalo de tempo Δt. da RAZÃO DE TRANSFORMAÇÃO.
Se o condutor se desloca com
velocidade constante, teremos U1 N1 I2
–––– = —— = ––––
E=B..v U2 N2 I1

MÓDULO 34 Eletrização por Atrito e Contato


1. INTRODUÇÃO Dizemos que um corpo está eletrizado negativa-
mente quando possui um número de elétrons maior
A eletrostática estuda os fenômenos que ocorrem que o de prótons.
com cargas elétricas em repouso, em relação a um
dado sistema de referência. Nesse caso, há excesso de elétrons no corpo.
Como vimos na eletrodinâmica, a carga elétrica é
uma propriedade associada a certas partículas elemen-
tares, tais como prótons e elétrons.
Verifica-se que tais partículas possuem as
seguintes cargas elétricas:

próton + 1,6 . 10–19 C


–––––––––––––––––––––––––––––––– Fig. 2 – Corpo eletrizado negativamente.
elétron – 1,6 . 10–19 C

Dizemos que um corpo está eletrizado positiva-


2. CORPO ELETRIZADO
mente quando possui um número de elétrons inferior
ao de prótons. Nesse caso, há falta de elétrons no
De uma maneira geral, os corpos com os quais
corpo.
lidamos cotidianamente são neutros, isto é, possuem
igual quantidade de prótons e de elétrons (Fig. 1).

Fig. 1 – Corpo neutro. Fig. 3 – Corpo eletrizado positivamente.

240 –
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3. PRINCÍPIOS DA ELETROSTÁTICA Observemos que variou a quantidade de cargas de


cada um deles, porém não se alterou a soma algébrica.
❑ Sistema eletricamente isolado
Não troca cargas elétricas com o meio exterior. Σ Q = – 3 permaneceu constante.

❑ Princípios Obs.: uma decorrência imediata do princípio de


São leis básicas que se verificam na prática, cujas repulsão de cargas homônimas é que, num corpo cons-
demonstrações teóricas não são possíveis por serem as tituído de material condutor, as cargas em excesso
primeiras leis relativas ao assunto. ficam na sua superfície externa (Fig. 6).

• Princípio da atração e repulsão


Cargas elétricas de mesmo sinal repelem-se (Fig.
4).

Fig. 4.

Cargas elétricas de sinais contrários atraem-se (Fig.


5).

Fig. 6 – Cargas em excesso permanecem na superfície


Fig. 5. externa do condutor.

• Princípio da conservação das cargas


elétricas 4. PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO
Em um sistema eletricamente isolado, a soma
algébrica de cargas elétricas (positivas e negativas) São processos de eletrização mais comuns: atrito,
per manece constante, ainda que se verifique contato e indução.
variação de quantidade das cargas positivas e das
negativas. ❑ Eletrização por Atrito
Se atritarmos dois corpos constituídos de materiais
Exemplo: temos, em um sistema isolado, inicial- diferentes, um deles cederá elétrons ao outro (Fig. 7).
mente

Fig. 7a.
Σ Q = (+ 5) + (– 8) = – 3

Após algum tempo, devido a trocas internas

Σ Q = (– 1) + (– 2) = – 3 Fig. 7b.

– 241
C2_3oFIS_TEO_CONV_Rose 21/10/10 16:23 Página 242

Fig. 8b.

Fig. 7c.

• Série triboelétrica
A série triboelétrica é uma sequência ordenada de
substâncias que nos dá o sinal da carga que cada
corpo adquire.

Fig. 8c.

• Caso particular
Se ambos os corpos, (A) e (B), forem esféricos, do
mesmo tamanho e constituídos de metal, após o con-
tato, cada um deles ficará com metade da carga total
inicial (Fig. 9).

❑ Eletrização por contato


Se encostarmos um corpo neutro, constituído de +
material condutor (sólido metálico, por exemplo), em um
outro corpo eletrizado, haverá passagem de elétrons de
um corpo para o outro e o corpo neutro ficará eletrizado Fig. 9a.
(Fig. 8).

Fig. 8a.
Fig. 9b.

242 –
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MÓDULO 35 Eletrização por Indução

1. ELETRIZAÇÃO POR Elétrons de B foram atraídos e Convém observar o seguinte:


INDUÇÃO “povoaram” a região esquerda do cor-
po B, ao passo que prótons foram 1o. ) Na indução, os corpos “ter-
Indução é uma separação de mantidos, por repulsão, na região minam” com cargas elétricas de
cargas elétricas que ocorre em um direita de B. sinais contrários.
corpo condutor, sem que ele tenha
tocado outro corpo, mas apenas te- Se ligarmos à terra, ou mesmo to-
Indutor Induzido
nha sido colocado nas proximidades carmos o dedo em B, haverá subida
de um corpo eletrizado (Fig. 1). de elétrons (ou passagem de elé- positivo negativo
trons), como mostra a Fig. 2. negativo positivo

2o. ) Após o término da indução,


ou mesmo durante ela, verifica-se
uma atração entre o indutor e o in-
duzido.

Fig. 1a.

Fig. 2 – Ligando o induzido à terra.

Se desligarmos o fio-terra na pre-


sença do indutor, então as cargas
do induzido se manterão.

Fig. 4.

Fig. 1b. 3o. ) Na eletrização por contato,


os corpos “terminam” com cargas de
Ao aproximarmos o corpo B (con- mesmo sinal.
dutor, neutro) do corpo A, eletrizado,
as cargas elétricas do primeiro sepa- 4o. ) Na eletrização por atrito, os
ram-se e ocorre a indução eletros- Fig. 3 – Desligando o fio-terra na presen- corpos “terminam” com cargas de si-
tática. ça do indutor. nais opostos.

2. O ELETROSCÓPIO DE FOLHAS

O eletroscópio é um aparelho que se usa para detectar a presença de cargas elétricas num corpo.

Fig. 5a – Eletroscópio de folhas, longe de cargas elétricas. Fig. 5b – Eletroscópio na presença de cargas elétricas.

– 243
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MÓDULO 36 Força Eletrostática


1. INTRODUÇÃO No SI, o seu valor é

Consideremos duas cargas puntiformes, q e Q, sepa- K0 = 9,0 . 109 N.m2/C2


radas uma da outra por uma distância d e situadas no vá-
cuo. Em outros meios, a constante eletrostática será
indicada apenas por K e seu valor é menor do que K0.
Entre elas, existe uma força eletrostática que pode
ser de atração ou de repulsão, conforme os sinais das
cargas (Fig. 1). Neste caso, temos

|q|.|Q|
F’ = K –––––––––––– (2)
d2

Mantidos os valores de q, Q e d e sendo K < K0 ,


resulta de (1) e (2): F’ < F.

3. UNIDADES IMPORTANTES DO SI

Fig. 1 – Entre as cargas, existe a força eletrostática. q Q d F K

unidades
C C m N N . m2/C2
2. LEI DE COULOMB do SI

A intensidade da força eletrostática depende dos


seguintes fatores: 4. GRÁFICO DA FORÇA ELETROSTÁTICA

1.o) da distância que separa as partículas; Mantidos os valores de q e Q e supondo o meio o


vácuo, vamos construir uma tabela, variando o valor de
2.o) das quantidades de eletricidade q e Q;
d.
3.o) do meio em que as partículas se encontram. d F
Geralmente, o meio é o vácuo, a menos que se 2d F/4
mencione o contrário.
3d F/9
A Lei de Coulomb diz: 4d F/16

A intensidade da força eletrostática entre Assim, temos o gráfico:


as duas cargas é diretamente proporcional
ao produto delas e inversamente proporcio-
nal ao quadrado da distância que as sepa-
ra.

|q|.|Q|
F = K0 –––––––––––– (1)
d2

Na expressão anterior, K0 é uma constante de


proporcionalidade, denominada constante eletros-
tática do vácuo.

244 –