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Exame

XXX
de Ordem
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Livro Eletrônico
© 07/2019

PRESIDENTE: Gabriel Granjeiro

VICE-PRESIDENTE: Rodrigo Teles Calado

COORDENADORA PEDAGÓGICA: Élica Lopes

Francineide Fontana, Kamilla Fernandes, Larissa Carvalho,


ASSISTENTES PEDAGÓGICAS:
Jéssica souza e Yasmin Magno

SUPERVISORA DE PRODUÇÃO: Emanuelle Alves Melo

Giulia Batelli, Juliane Fenícia de Castro, Thaylinne Gomes Lima


ASSISTENTES DE PRODUÇÃO:
e Laís Rodrigues

REVISOR(A): Priscila Bispo

DIAGRAMADOR: Charles Maia da Silva

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ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Estatuto da Criança e do Adolescente
Prof. Levi Francelino

Introdução .................................................................................................7
Disposições Preliminares – O Eca e a Teoria da Proteção Integral da Criança a
do Adolescente............................................................................................8
Fases de Tratamento da Criança e do Adolescente antes ao Eca.........................9
Conceito de Criança e Adolescente............................................................... 10
Dos Direitos Fundamentais da Criança e do Adolescente................................. 12
Do Direito à Vida e à Saúde da Criança e do Adolescente................................ 14
Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade......................................... 17
Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária ........................................... 18
Disposições Gerais..................................................................................... 18
Da Família Substituta................................................................................. 21
Da Guarda ............................................................................................... 23
Da Tutela................................................................................................. 27
Da Adoção................................................................................................ 29
Adoção Internacional................................................................................. 35
Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer................................. 37
Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho................................. 39
Da Política de Prevenção ............................................................................ 41
Das Diversões e Espetáculos Públicos........................................................... 42
Da Autorização para Viajar.......................................................................... 43
Da Viagem Nacional de Menor de Dezesseis Anos .......................................... 45
Da Hospedagem de Criança ou Adolescente em Hotel Motel ou Pensão ............ 46
Da Viagem Internacional de Criança e de Adolescente.................................... 47
Dos Conselhos de Direito da Criança e do Adolescente.................................... 48

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Dos Conselhos Tutelares ............................................................................ 49


Das Medidas de Proteção............................................................................ 52
Da Teoria do Ato Infracional........................................................................ 57
Da Inimputabilidade Penal ......................................................................... 58
Conceito de Ato Infracional......................................................................... 59
Das Medidas Socioeducativas...................................................................... 71
Das Medidas em Meio Aberto...................................................................... 73
Princípios das Medidas Socioeducativas Restritivas de Liberdade...................... 74
Das Medidas que Importam Privação da Liberdade......................................... 75
Do Acesso à Justiça................................................................................... 82
Da Justiça da Infância e da Juventude.......................................................... 84
Dos Procedimentos.................................................................................... 88
Da Apuração de Ato Infracional Atribuído a Adolescente.................................. 89
Da Infiltração de Agentes de Polícia para a Investigação de Crimes contra a
Dignidade Sexual de Criança e de Adolescente............................................. 99
Do Advogado.......................................................................................... 101
Dos crimes contra a Criança e o Adolescente............................................... 101
Dos Crimes Contra a Criança e o Adolescente.............................................. 104
Questões de Concurso.............................................................................. 127
Gabarito................................................................................................. 156
Gabarito Comentado................................................................................ 157

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Estatuto da Criança e do Adolescente
Prof. Levi Francelino

Apresentação

Olá querido(a) aluno(a), tudo bem? É um imenso prazer conhecê-lo (a). Meu

nome é Levi Francelino, sou o seu professor aqui no Gran Cursos Online e gostaria

de dizer que é uma grande satisfação iniciar esta jornada desafiadora de estudos

para o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil.

Coube a mim, neste curso, a tarefa de estudar com você a parte referente ao

Estatuto da Criança e Adolescente. Diz respeito à Lei n. 8069/1990, mais conhecida

como ECA.

Não sabemos o que realmente será cobrado em seu exame, portanto, teorica-

mente, qualquer coisa constante na lei poderá cair em sua prova. Isso nos coloca

em uma situação delicada, pois seria contraproducente, a essa altura do campe-

onato, trabalhar todos os dispositivos, levando em consideração o tempo de que

dispomos.

Diante desse quadro, optei por produzir apenas uma aula para tratar de todo

o conteúdo previsto no ECA e é claro que tentarei orientar o seu estudo preferen-

cialmente para aquilo que julgo mais significativo para a sua prova, levando em

consideração o seguinte levantamento estatístico dos assuntos mais cobrados nos

Exames de Ordem anteriores:

ANÁLISE ESTATÍSTICA:

Conceito de Criança e Adolescente e Prioridades (4 questões);

Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade (2 questões);

Direito à Educação, Cultura, Esporte e Lazer (2 questões);

Direito à profissionalização e à proteção no trabalho (2 questões);

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Colocação em Família Substituta (21 questões):

Guarda (3 questões);

Tutela (3 questões);

Adoção (15 questões);

Prevenção (4 questões);

Conselho Tutelar (1 questão);

Medidas Pertinentes aos Pais ou Responsáveis (3 questões);

Medidas de Proteção (3 questões)

Ato infracional (7 questões);

Garantias Processuais (1 questão);

Medidas Socioeducativas (13 questões):

Obrigação de Reparar o Dano (1 questão);

Liberdade Assistida (1 questão);

Regime de Semiliberdade (2 questões);

Internação (9 questões)

Acesso à Justiça (3 questões);

Perda e Suspensão do Poder Familiar (3 questões);

Apuração de Ato Infracional Atribuído a Adolescente (3 questões);

Crimes Praticados contra a Criança e o Adolescente (5 questões);

Por isso, informo desde já que nossa aula teórica não será das mais curtas, no entan-

to, será bem direcionada para aquilo que realmente tem chance de cair em seu exame.

Espero que aproveite a aula, conte comigo e esteja certo (a) de que estarei ao

seu lado até a sua aprovação.

“O que a mente pode conceber e acreditar, a mente pode alcançar!”

Napoleon Hill

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Estatuto da Criança e do Adolescente
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Introdução

Iniciaremos, a partir de agora, o estudo da nossa aula do Estatuto da Criança e

Adolescente. Prontos (as) para encarar a Lei n. 8069/1990?

Aliás, a partir de agora, nós seremos íntimos da Lei n. 8069/1990 e vamos nos

referir a ela apenas como ECA. Beleza?

Sempre que possível, farei referência aos conceitos trazidos na lei com a própria

explicação do conteúdo, evitando fazer citação demasiada de legislação “seca” em

nossa aula. Apesar de que, em se tratando de ECA, a letra da lei costuma cair com

frequência e acredito que não seja exceção em sua prova.

Por isso, quando o artigo for essencial tanto para resolução de questões como

para o entendimento da matéria, farei a citação do dispositivo de lei e recomendo

que você faça a leitura atenta.

Sim, eu sei que é chato, mas leia.

Então vamos ao que Interessa?

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DISPOSIÇÕES PRELIMINARES – O ECA E A TEORIA DA


PROTEÇÃO INTEGRAL DA CRIANÇA A DO ADOLESCENTE

O Estatuto da Criança e do Adolescente foi promulgado em 13 de julho de

1990 e veio regulamentar o art. 227 da CF/88 dando absoluta prioridade à

criança e ao adolescente. Trata-se de lei que cria condições de exigibilidade

para os direitos da criança e adolescente, baseada em um Projeto da Conven-

ção das Nações Unidas.

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao ado-


lescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimen-
tação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito,
à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda
forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão

Iniciando propriamente as disposições preliminares do ECA, cabe a nós fazer-

mos uma explicação sobre o que significa proteção integral à criança e ao adoles-

cente. Para isso, devemos fazer uma rápida passagem histórica a fim de contextu-

alizar o novo paradigma inaugurado pelo nosso Estatuto, resultante dos valores da

Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU de 1989.

Essa convenção deu origem a um documento internacional ratificado por várias

nações e pelo Brasil na década de 1990 (decreto n. 99710/1990). O documento

serviu de inspiração para a nossa lei, sendo, no entanto, sua vigência interna pos-

terior ao próprio ECA, embora ele já seguisse os dispositivos da Convenção.

Isso acontece porque um Tratado Internacional segue certo trâmite para ter

vigência interna, mas não nos cabe aqui explicar isso, pois se trata de Direito In-

ternacional Público. Ok?

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Então continuemos. Antes do ECA, várias leis se propuseram a regular a situa-

ção do menor no Brasil, desde o conhecido Código de Menores, chamado de Código

Mello Matos, de 1927, até o nosso Código de Menores de 1979. No entanto, esses

documentos adotaram, em grande medida, ou a política do Bem-Estar do Menor

ou tiveram como base a Doutrina da Situação Irregular, todos de forte conotação

assistencial. Entendiam que o menor deveria ser objeto de proteção e intervenção

do Estado.

Diferentemente, o ECA encampou a doutrina da proteção Integral das crianças

e adolescentes, encarando-os como sujeitos de direitos e não mais como objeto de

proteção ou simples portadores de carência.

Observe uma coisa meu (minha) caro (a), eu não estou dizendo que serão ig-

noradas as situações de irregularidades ou mesmo de carência, mas, em todos os

casos, o novo paradigma impõe ao Poder Público o dever de reconhecer, em suas

decisões de políticas públicas, o superior interesse da criança e do adolescen-

te, sem a necessidade irrestrita de judicialização do seu atendimento, levando em

consideração o direito à convivência familiar e comunitária. Entende?

Fases de Tratamento da Criança e do Adolescente antes


ao Eca

Antes do atual paradigma da proteção integral, tivemos algumas fases de trata-

mento da criança e do adolescente no Brasil. Já te adianto que essas fases não são

pacíficas entre a doutrina, tendo, inclusive, divisões com nomenclaturas distintas e

quantidade de fases diferentes, a depender do autor.

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Para o nosso curso, seguiremos o entendimento do professor Paulo Lépore,

para que a situação do menor passou por três fases anteriores:

“1. Fase da absoluta indiferença, em que não existiam normas especificamente re-
lacionadas a esse público-alvo, não se fazendo qualquer diferenciação.
2. Fase da mera imputação criminal ou do direito Penal indiferenciado, no qual
as leis tinham o único propósito de coibir a pratica de ilícitos (Ordenações Afonsinas e
Filipinas, Código Criminal do Império de 1830, Código Penal de 1890). Inexistia qual-
quer tratamento diferenciado ou protetivo destinado à criança e ao adolescente; todos
eram segregados dentro do mesmo estabelecimento prisional, independentemente da
idade, não existia dosimetria da pena, podendo o juiz deixar a criança segregada pelo
tempo que quisesse.
3. Fase Tutelar (Século XX): Foram criados Códigos específicos às crianças e aos
adolescentes, porém com intuito repressivo, higienistas, e não de garantia de direitos.
Não existia respeito ao devido processo legal, defesa técnica, assistência judiciária,
individualização da pena, responsabilidade especial pela prática de ato infracional, etc.
Código Mello Mattos – 1927: Nessa época vigorava a doutrina do menor ou doutrina da
situação irregular, despertando o interesse do Estado apenas os órfãos, abandonados
e delinquentes, em função do incômodo gerado para a sociedade. E a única solução
encontrada à época era a institucionalização, de todos, conjunta e indistintamente.
Misturavam os órgãos e as crianças em situação de delinquência. Código de Menores –
1979: Não avançou em nada em relação ao Código anterior. Vigorava ainda a doutrina
do menor ou a doutrina da situação irregular.”

Conceito de Criança e Adolescente

O que entendemos por criança e adolescente?

É fácil, o ECA adotou um critério puramente etário. Considera-se criança a pes-

soa até doze anos de idade incompletos e adolescente aquela entre doze e dezoito

anos de idade.

É importante esclarecer que completamos a idade no primeiro instante da data

em que fazemos aniversário, independentemente do horário de nascimento.

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Ah, professor, quer dizer que o ECA não se aplica ao maior de 18 anos?

Não é bem assim meu (minha) querido (a). Eu diria que isso é a regra, mas

acontece que, excepcionalmente e nos casos expressos em lei, aplica-se o Estatuto

às pessoas entre 18 e 21 anos de idade.

Imagine o caso de um ato infracional cometido por um adolescente prestes a com-

pletar 18 anos, mas a medida socioeducativa só foi determinada quando o “jovem”

já estava, por exemplo, com 20 anos de idade. Nesse caso, como deve ser consi-

derada a idade do adolescente à data do fato, aplica-se o ECA, mesmo ele estando

com mais de 18 anos. Entende?

Não se preocupe, ficará mais claro mais adiante, pois trabalharemos isso mais

a frete. Por hora, basta que você entenda que excepcionalmente e nos casos

expressos em lei, aplica-se o Estatuto às pessoas entre 18 e 21 anos de idade.

Temos ainda o conceito de jovem estabelecido pelo Estatuto da Juventude, que

abrange as pessoas entre 15 e 29 anos.

CRIANÇA: Pessoa até 12 anos de idade INCOMPLETOS

ADOLESCENTE: Pessoa entre 12 anos e 18 anos de idade

 Obs.: Nos casos expressos em lei, aplica-se EXCEPCIONALMENTE este Estatuto às

pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.

JOVEM: Pessoa entre 15 e 29 anos.

VISA AO DESENVOLVIMENTO: Físico, mental, moral, espiritual e social, em condi-

ções de liberdade e dignidade.

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VEDADA A DISCRIMINAÇÃO DE: Nascimento, situação familiar, idade, sexo,

raça, etnia ou cor, religião ou crença, deficiência, condição pessoal de desenvol-

vimento e aprendizagem, condição econômica, ambiente social, região e local

de moradia

DEVER DA: Família, comunidade, sociedade e do poder público

Dos Direitos Fundamentais da Criança e do Adolescente

Primeiramente cabe destacar que tais direitos gozam da natureza de indispo-

nibilidade porque não possuem titularidade única. Isso significa dizer que nem a

criança e o adolescente podem abrir mão desses direitos, bem como também a

sociedade e os pais, por não serem titulares de todos os direitos.

Há, inclusive, a possibilidade de atuação do Ministério Público, como garantidor

dos direitos indisponíveis, podendo propor ação civil pública para a tutela desses

interesses.

A criança e o adolescente, como seres humanos, que são, gozam de todos di-

reitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral

do estatuto e sem nenhum tipo de discriminação. Portanto são asseguradas todas

as oportunidades e facilidades para o seu integral desenvolvimento.

O ECA atribuiu também ampla responsabilidade na priorização e efetivação de

tais direitos, sendo dever da família, da comunidade e sociedade em geral e do

poder público.

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Mas como garantir essa priorização absoluta?

Basta você lembrar que PRIORIZAÇÃO começa com “P”, e inverter as pala-

vras do último inciso do parágrafo único do Art. 4º, Vejamos:

A garantia de prioridade compreende:


a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;
c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção
à infância e à juventude.

Caro(a) aluno(a), eu sei o quanto é difícil não esquecer essa quantidade de in-

formação, mas é importante que você tenha em mente que o ECA tem um “espíri-

to”, ou seja, a lei se dirige a um fim social que olha para dois lados.

De um lado a condição peculiar da criança e do adolescente como pesso-

as em desenvolvimento que deve estar a salvo de qualquer forma de negligên-

cia, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Do outro lado, a

punição de qualquer sujeito que atente contra os seus direitos fundamentais.

Professor, e quais são esses direitos?

Ah são pouquinhos, o ECA prevê que só os direitos referentes à vida, à saúde,

à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à

dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além

outros decorrentes dos princípios por ela adotados.

Deu para perceber que esses direitos são inexauríveis? Aliás, caso você não te-

nha percebido, o “pouquinho” se trata de uma ironia.

Então vamos aos Direitos Fundamentas???

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Do Direito à Vida e à Saúde da Criança e do Adolescente

Acerca do Direito à Vida e à Saúde da criança e do adolescente, vou fazer um

apanhado geral e ressaltar aquilo que entendo ser mais importante para você, se-

gundo a incidência em provas.

A política de atendimento levada a cabo pelos poderes executivos Federal, Es-

tadual e Municipal deve ser harmônica, descentralizada política e administrativa-

mente, sendo que sua efetivação deve priorizar a todas as mulheres o acesso aos

programas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento reprodutivo.

O poder público deverá assegurar às gestantes o acompanhamento saudável

durante a gestação e parto natural cuidadoso, estabelecendo-se a aplicação de ce-

sariana e outras intervenções cirúrgicas por motivos médicos.

Terá nutrição adequada, preferencialmente através da atenção primária, além

de atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-na-

tal, perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde. Além dis-

so, proporcionará assistência psicológica à gestante e à mãe, no período pré e pós-

-natal, como forma de prevenir ou minorar as consequências do estado puerperal,

inclusive para as gestantes e mães, que manifestarem interesse em entregar seus

filhos para adoção e as que se encontrem em situação de privação de liberdade.

Observe que o ECA leva em consideração não apenas a saúde da criança e

adolescente, mas também a saúde daquele que está por nascer, por isso, dispõe

também sobre a saúde da gestante durante o pré-natal e o pós-natal, bem como

sobre a saúde do nascituro.

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Sabemos que o direito de amamentar é uma garantia constitucional, inclusive

para as mães em situação de privação de liberdade, conforme prevê o art. 83, § 2º

da LEP. Vejamos:

“Os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as


condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no mínimo, até 6
(seis) meses de idade.”

Diante disso, o ECA dispõe que às gestantes e à mulher com filho na primeira in-

fância, que se encontrem sob privação de liberdade, será assegurado ambiente

que atenda às normas sanitárias e assistenciais do Sistema Único de Saú-

de para o acolhimento do filho, com condições adequadas ao aleitamento

materno, em articulação com o sistema de ensino competente, visando ao

desenvolvimento integral da criança.

Outro assunto muito importante para a sua prova é o dispositivo que afirma

que as gestantes ou mães que manifestarem interesse em entregar seus filhos

para adoção, antes ou logo após o nascimento, serão obrigatoriamente enca-

minhadas à Justiça da Infância e da Juventude, sem que haja nenhum tipo de

constrangimento.

Bom, amigo (a), acho que deu para perceber que entendendo o “espírito” do

ECA fica um pouco mais fácil perceber assertivas absurdamente erradas. Mesmo

assim, recomendo muito uma leitura atenta do art. 10 do ECA, pois ele é mui-

to exigido em provas, além de outros dispositivos, que eu indicarei aqui.

Professor, mas eu não gosto de decorar.

Então memorize. Acredite em mim. Sigamos!

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Basta uma rápida revisão de véspera dos artigos aqui destacados para uma

possível questão literal na prova. Observe atentamente o seguinte dispositivo, pois

ele é campeão em provas.

Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, pú-


blicos e particulares, são obrigados a:
I – manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais,
pelo prazo de dezoito anos;
II – identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital
e da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela auto-
ridade administrativa competente;
III – proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no me-
tabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais;
IV – fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as intercorrên-
cias do parto e do desenvolvimento do neonato;
V – manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a permanência junto à mãe.
VI – acompanhar a prática do processo de amamentação, prestando orientações quanto
à técnica adequada, enquanto a mãe permanecer na unidade hospitalar, utilizando o
corpo técnico já existente. (Incluído pela Lei n. 13.436, de 2017)

Atente-se para o fato de que a Lei n. 13.257/2016 (Marco Legal da Primeira In-

fância) alterou consideravelmente o ECA em relação ao direito à saúde, dispondo

que os serviços de saúde e de assistência social e os demais órgãos do Sistema de

Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente deverão conferir máxima priorida-

de ao atendimento das crianças na faixa etária da primeira infância com suspeita ou

confirmação de violência de qualquer natureza, formulando projeto terapêutico sin-

gular que inclua intervenção em rede e, se necessário, acompanhamento domiciliar.

Outra informação importante diz respeito à responsabilidade do Estado em for-

necer gratuitamente, para todos, que necessitem, medicamentos, órteses, próteses

e outras tecnologias assistivas relativas ao tratamento, habilitação ou reabilitação

de crianças e adolescentes, de acordo com as suas necessidades específicas, bem

como a necessidade de formação específica e permanente para os profissionais,

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que atuam no cuidado de crianças na primeira infância para a detecção de sinais de


riscos para o desenvolvimento psíquico, devendo os estabelecimentos de atendi-
mento à saúde, inclusive as unidades neonatais, de terapia intensiva e de cuidados
intermediários, proporcionar condições para a permanência em tempo integral de
um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente.
A todas as crianças, nos seus primeiros dezoito meses de vida, é obrigatória a
aplicação de protocolo ou outro instrumento com a finalidade de facilitar a detec-
ção, em consulta pediátrica de acompanhamento da criança, de risco para o seu
desenvolvimento psíquico.
Aqui não tem jeito, meu (minha) querido (a) aluno (a), é ler e tentar se lembrar
dessas informações na hora de sua prova, não tem muito o que explicar.

Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade

Agora vamos entrar em outro rol de Direitos Fundamentais. Aquilo que julgo
mais importante para a sua prova são justamente os artigos 18-A e 18-B, pois fo-
ram acrescentados pela chamada Lei Menino Bernardo, erradamente chamada de
Lei da Palmada, ela objetiva garantir um tratamento digno na educação e correção
da criança e do adolescente.
Trata-se de proibição do uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degra-
dante como forma de correção, disciplina, educação por pais, responsáveis ou por
qualquer pessoa da família, assim como por agentes públicos executores de me-
didas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar educar ou
proteger criança ou adolescentes.
Qualquer uma dessas condutas sujeitará os autores a programa de proteção à
família, a tratamento psicológico ou psiquiátrico, a cursos ou programas de orienta-
ção, obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado e advertência.
Tais medidas serão aplicadas pelo Conselho Tutelar.

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Estatuto da Criança e do Adolescente
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Professor, o que se entende por esse tratamento indigno?

É fácil, segundo o próprio Parágrafo único do Art. 18-A do ECA,

Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se:(Incluído pela Lei n. 13.010, de
2014)
I – castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força
física sobre a criança ou o adolescente que resulte em: (Incluído pela Lei n. 13.010, de
2014)
a) sofrimento físico; ou (Incluído pela Lei n. 13.010, de 2014)
b) lesão; (Incluído pela Lei n. 13.010, de 2014)
II – tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação
à criança ou ao adolescente que: (Incluído pela Lei n. 13.010, de 2014)
a) humilhe; ou (Incluído pela Lei n. 13.010, de 2014)
b) ameace gravemente; ou (Incluído pela Lei n. 13.010, de 2014)
c) ridicularize. (Incluído pela Lei n. 13.010, de 2014)

Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária


Disposições Gerais

Primeiramente eu te pergunto: você sabe onde é o local natural de permanên-

cia da criança e do adolescente?

Sim, isso mesmo.

A criança e o adolescente têm a preferência de sua criação e educação no seio

de sua família natural. Lembre-se, é o lugar onde ela naturalmente deve ficar.

Apenas excepcionalmente serão colocados em família substituta, sendo que a co-

locação em família adotiva estrangeira é medida excepcionalíssima, sempre

constituída por meio de uma sentença judicial e em ambiente, que garanta o seu

desenvolvimento integral.

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O conceito de família natural é a comunidade formada pelos pais ou qualquer


deles e seus descendentes. Portanto, o pai e mãe e seu(s) filhos(as) ou apenas um
dos pais com seus descendentes. Isso é o que chamamos de família natural bipa-
rental e monoparental respectivamente, muito embora essas classificações tam-
bém já se encontrem ultrapassadas pela existência de novos tipos de família, bem
como em razão dos avanços da reprodução assistida.
A manutenção ou a reintegração de criança ou adolescente a sua família terá
preferência em relação a qualquer outra providência, caso em que será incluída em
serviços e programas de proteção, apoio e promoção.
O poder público implantará políticas públicas voltadas para a permanência da
criança junto à família natural, mesmo que a família necessite de ajuda. Aliás, a
falta ou a carência de recursos materiais não é motivo suficiente para a perda ou a
suspensão do poder familiar, assim como a condenação criminal do pai ou da mãe
também não implicará tal destituição, exceto na hipótese de condenação por crime
doloso sujeito à pena de reclusão contra outrem igualmente titular do mesmo po-
der familiar ou contra filho, filha ou outro descendente.
Outra coisa muito importante a ser ressaltada é que o dever de sustento as-
sim como a guarda e a educação incumbe aos pais em igualdade de direitos,
deveres e responsabilidades, compartilhando o cuidado e a educação da
criança, devendo ser resguardado o direito de transmissão familiar de suas cren-
ças e culturas, assegurados os direitos da criança estabelecidos no estatuto.
Não poderá haver discriminação em relação aos filhos, havidos fora do casa-
mento ou por adoção, sendo assegurados os mesmos direitos e qualificações, proi-
bidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. O reconhecimento
do estado de filiação é um direito personalíssimo, indisponível e imprescritível,
podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição,
observado o segredo de Justiça.

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Nossa legislação civil dispõe que o poder familiar compete aos pais e, na falta

ou impedimento de um deles, o outro o exercerá com exclusividade. O ECA veio só

ratificar tal menção dispondo que o poder familiar será exercido, em igualdade de

condições, pelo pai e pela mãe, assegurando a qualquer deles o direito de recorrer

à autoridade judiciária competente, em caso de discordância, para a solução da

divergência.

Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai

privado de liberdade por meio de visitas periódicas, independentemente de autori-

zação judicial.

Deu para perceber todo o esforço do ECA no sentido de permanência da criança

e do adolescente em sua família natural?

A retirada constitui exceção que depende de decisão judicial proferida em um

procedimento contencioso em que assegure o processo legal, dando preferência

aos laços de afetividade dentro da sua família.

O conceito de família extensa ou ampliada é aquela que se estende para além

da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos

com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e

afetividade, podendo, inclusive, se transformar em família substituta.

Observe que deve haver convivência capaz de gerar vínculo de afinidade e afe-

tividade, não sendo suficiente a mera proximidade de parentesco. Além disso, em

caso de tutela, a família formada por avós e netos constitui família substituta e não

família natural. Veremos isso mais à frente.

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Da Família Substituta

Estudaremos, a partir de agora, os conceitos de família substituta. Família subs-

tituta é aquela, na qual a criança ou o adolescente são inseridos mediante as mo-

dalidades da guarda, da tutela ou da adoção. Observe o seguinte dispositivo:

Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção,


independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos desta Lei.

Esses institutos merecem um pouquinho de sua atenção. Além disso, houve al-

terações recentes com a Lei n. 13.509/2017 que dispõe sobre a adoção.

É possível notar uma grande incidência desses conteúdos no Exame de Ordem

e poderá ser o foco da sua prova, por isso, temos que estar preparados para tudo.

A inserção em família substituta deve sempre atender ao superior interesse do

adotado, representando reais vantagens para a criança e para o adolescente. É,

portanto, medida de proteção, que visa beneficiar unicamente a estes e não garan-

tir os interesses de qualquer outro.

Sempre que possível, deverá ser previamente ouvido por equipe interprofissio-

nal, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as

implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada. No caso de

adolescente, o consentimento é imprescindível. Observe:

Art. 28, § 2º Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu


consentimento, colhido em audiência.(Redação dada pela Lei n. 12.010, de 2009)
§ 3º Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de
afinidade ou de afetividade, a fim de evitar ou minorar as consequências decorrentes da
medida.(Incluído pela Lei n. 12.010, de 2009)
§ 4º Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma famí-
lia substituta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra situação
que justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se, em
qualquer caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais. (Incluído pela Lei
n. 12.010, de 2009).

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Tratando-se de criança ou adolescente indígena ou proveniente de comunidade

remanescente de quilombo a inserção deve priorizar a sua comunidade ou junto

a membros da mesma etnia. No caso de crianças e adolescentes indígenas deve

haver a intervenção e oitiva da FUNAI perante a equipe interprofissional ou multi-

disciplinar, que irá acompanhar o caso. Atente-se muito para isto:

Art. 28, § 6º Em se tratando de criança ou adolescente indígena ou proveniente de co-


munidade remanescente de quilombo, é ainda obrigatório:(Incluído pela Lei n. 12.010,
de 2009)
I – que sejam consideradas e respeitadas sua identidade social e cultural, os seus cos-
tumes e tradições, bem como suas instituições, desde que não sejam incompatíveis com
os direitos fundamentais reconhecidos por esta Lei e pela Constituição Federal;(Incluído
pela Lei n. 12.010, de 2009)
II – que a colocação familiar ocorra prioritariamente no seio de sua comunidade ou jun-
to a membros da mesma etnia;(Incluído pela Lei n. 12.010, de 2009)
III – a intervenção e oitiva de representantes do órgão federal responsável pela política
indigenista, no caso de crianças e adolescentes indígenas, e de antropólogos, perante
a equipe interprofissional ou multidisciplinar que irá acompanhar o caso.(Incluído pela
Lei n. 12.010, de 2009).

Fique muito atento(a) para essa ordem de prioridade, que é muito importante

para a sua prova. Primeiramente, o local adequado para a criança e o adolescente

é a sua família natural e, em seguida, junto à chamada família extensa.

Caso não seja possível, a família substituta composta por parentes terá priori-

dade e depois a família substituta composta por não parentes.

Só excepcionalmente teremos a possibilidade da adoção, a qual seguirá a prefe-

rência por adotantes nacionais e, não sendo possível, adoção internacional pleitea-

da por brasileiros. Em último caso será concedida a adoção por estrangeiros.

É importante observar também que a adoção por estrangeiros não significa

adoção internacional, assim como a adoção por brasileiros não significa adoção

nacional.

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Como assim, professor?

Explico.

Pode acontecer de um estrangeiro, por exemplo, um português equiparado a bra-

sileiro, com residência fixa no Brasil, ter a intenção de adotar uma criança ou ado-

lescente para aqui residir. Nesse caso o estrangeiro fará uma adoção nacional.

Por outro lado, pode acontecer de um brasileiro que reside no estrangeiro tenha a

intenção de adotar uma criança ou adolescente para lá residir, nesse caso, o brasi-

leiro fará uma adoção internacional. Entende?

Não se preocupe, trabalharemos a adoção em detalhes, o que você deve saber,

por hora, é que sempre se leva em consideração o local em que a criança ou ado-

lescente irá ser acolhida e não quem está adotando.

Acho que agora me fiz mais claro, não é?

Cada modalidade de família substituta tem as suas especificidades, não pode-

mos, portanto, mesclá-las para a formação de um instituto específico. Veremos

agora cada uma delas.

Da Guarda

Segundo o Professor Luciano Alves Rossato a Guarda, para o ECA, é um instituto

por meio, do qual se transfere, a um guardião, os atributos do art. 1634, I, II, IV,

VI do código Civil. Vejamos:

Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o
pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos:
I – dirigir-lhes a criação e a educação;(Redação dada pela Lei n. 13.058, de 2014)
II – exercer a guarda unilateral ou compartilhada nos termos do art. 1.584; (Redação
dada pela Lei n. 13.058, de 2014)

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IV – conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para viajarem ao exterior; (Redação


dada pela Lei n. 13.058, de 2014)
VI – nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais não
lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar; (Redação dada pela
Lei n. 13.058, de 2014)

Ela pode ser concedida por meio de pedido principal da ação, para o caso de
atender situações específicas, como de maus tratos dos pais, por exemplo, ou su-
prir ausência momentânea dos pais ou ainda pode ser concedida incidentalmente
quando a ação for de tutela ou adoção e a guarda seja apenas preparatória. Lem-
bre-se que ela pode coexistir com o poder familiar dos pais.
Trata-se de uma transferência a título precário, ou seja, se dará para o atendi-
mento de uma situação excepcional e temporária, na qual o guardião terá o dever de
cuidado da criança e adolescente tais como o dever de prestação de assistência ma-
terial e moral, podendo o detentor se opor a terceiros, inclusive aos próprios
pais. Tem por objetivo regular uma situação de fato, ou seja, uma situação,
que já acontece no mundo real, mas não encontra regularidade no mundo jurídico.
O fato de o guardião ser obrigado a prestar assistência material, não desobri-
ga os pais do dever de também prestá-los, podendo ser demandados a prestar
alimentos ao filho, que estiver sob a guarda de terceiro, atendendo aos critérios
de necessidades do alimentado e possibilidades do alimentante. Ela não cessará
também o direito de visitas por parte dos pais, salvo se houver decisão judicial
em contrário, ou em caso de procedimento preparatório para a adoção.
Em caso de impossibilidade em manter a criança no seio de sua família, poderá
haver também a retirada transitória. Trata-se do caso de medida protetiva de in-
serção em acolhimento familiar ou institucional. Nesse caso, tanto a criança como a
mãe receberão atenção para haver o seu retorno para a família natural. Tal decisão
deve ser orientada por acompanhamento técnico-jurídico, no qual se verificará a
inexistência de condições dos pais.

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Mesmo estando a criança em acolhimento institucional, teremos a possibilidade

de visitas pelo genitor para garantir essa proximidade, independente de autoriza-

ção judicial prévia.

As visitas podem ser monitoradas ou o juiz poderá vedá-las, sempre em deci-

são fundamentada, caso entenda conveniente, de acordo com princípio do superior

interesse da criança e do adolescente.

O acolhimento institucional e o familiar são medidas excepcionais, provisórias e

baseadas no princípio da brevidade, utilizados como forma de transição, não impli-

cando privação da liberdade. A criança e o adolescente em programa de acolhimen-

to institucional ou familiar poderão participar de programa de apadrinhamento. O

apadrinhamento consiste em estabelecer e proporcionar à criança e ao adolescente

vínculos externos à instituição para fins de convivência familiar e comunitária e co-

laboração com o seu desenvolvimento nos aspectos social, moral, físico, cognitivo,

educacional e financeiro. Atente-se para os seguintes dispositivos:

Art. 34. O poder público estimulará, por meio de assistência jurídica, incentivos fiscais
e subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente afastado
do convívio familiar. (Redação dada pela Lei n. 12.010, de 2009)
§ 1º A inclusão da criança ou adolescente em programas de acolhimento familiar terá pre-
ferência a seu acolhimento institucional, observado, em qualquer caso, o caráter temporá-
rio e excepcional da medida, nos termos desta Lei. (Incluído pela Lei n. 12.010, de 2009)
§ 2º Na hipótese do § 1ºdeste artigo a pessoa ou casal cadastrado no programa de aco-
lhimento familiar poderá receber a criança ou adolescente mediante guarda, observado
o disposto nos arts. 28 a 33 desta Lei. (Incluído pela Lei n. 12.010, de 2009)
Art. 19, § 1º: Toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de aco-
lhimento familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 3
(três) meses, devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório ela-
borado por equipe interprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma fundamentada
pela possibilidade de reintegração familiar ou pela colocação em família substituta, em
quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei. (Redação dada pela Lei n.
13.509, de 2017)

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A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, por ato judicial fundamenta-

do, depois de ouvido o Ministério Público. Ela, por si só, não atribui ao guardião

o direito de representação. No entanto, tal direito de representar a criança ou

adolescente poderá ser deferido, ou seja, não é um efeito automático da guarda.

O responsável prestará compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo,

mediante termo nos autos. O entendimento do STJ é no sentido de que é possível

a guarda compartilhada entre pessoas, que não sejam casadas e que não sejam os

genitores da criança e do adolescente.

Uma questão muito polêmica diz respeito à possibilidade de o reconhecimento da

guarda conferir à criança e ao adolescente a condição de dependente para fins pre-

videnciários. O posicionamento mais recente do STJ diante do conflito aparente de

normas entre o art. 33 § 3º do ECA e o art. 16 § 2º da Lei n. 82213/1991 (dispõe

sobre benefícios previdenciários), em decisão em sede de recursos repetitivos, en-

tendeu que a guarda atribui a condição de dependente à criança e ao adolescente

para fins previdenciários.

PROCESSO N. 0042033-36.2016.4.03.6301
VOTO-EMENTA
PENSÃO POR MORTE. MENOR SOB GUARDA. DEPENDENTE PARA FINS PRE-
VIDENCIÁRIOS. PREVALÊNCIA DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLES-
CENTE (ART. 33, § 3º, DA LEI 8.069/1990) SOBRE O PLANO DE BENEFÍCIOS
DA PREVIDÊNCIA SOCIAL (LEI 8.213/1991, ART. 16. § 2º). REGRA ESPECIAL
QUE PREVALECE SOBRE A REGRA GERAL: JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DA TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO NESSE
SENTIDO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA MANTIDA, POR SEUS PRÓPRIOS FUN-
DAMENTOS. RECURSO DO INSS DESPROVIDO.

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Ela está motivada no § 3º do artigo 33 da Lei 8.069/1990 (Estatuto da Criança


e do Adolescente), segundo o qual a guarda confere à criança ou adolescente
a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive
previdenciários. Tal dispositivo se aplica aos benefícios do Regime Geral de
Previdência Social, mesmo a partir da publicação da Lei 9.528/1997, que, ao
dar nova redação ao § 2º do artigo 16 da Lei 8.213/1991, excluiu o menor
sob guarda do rol de dependentes da previdência social no RGPS, conforme já
resolvido pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade,
em julgamento de embargos de divergência: (...) 1. Ao menor sob guarda deve
ser assegurado o direito ao benefício da pensão por morte mesmo se o faleci-
mento se deu após a modificação legislativa promovida pela Lei n. 9.528/97 na
Lei n. 8.213/90. 2. O art. 33, § 3º da Lei n. 8.069/90 deve prevalecer sobre a
modificação legislativa promovida na lei geral da previdência social porquanto,
nos termos do art. 227 da Constituição, é norma fundamental o princípio da
proteção integral e preferência da criança e do adolescente. 3. Embargos de
divergência acolhidos (EREsp 1141788/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE
NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 07/12/2016, DJe 16/12/2016).

Da Tutela

A tutela é outro instituto de colocação de criança e adolescente em família


substituta, que regulariza a uma posse de fato, ou seja, é o conjunto de direitos e
obrigações, que são conferidos a um tutor com o objetivo de proteger uma criança
ou adolescente, que não se encontre sob o poder familiar de algum dos pais. É im-
prescindível, portanto, que a criança ou adolescente resida com o tutor.
Observe que a tutela tem como principal objetivo conferir um administrador dos
bens assim como um representante legal ou assistente para a criança e adolescen-
te, que não possuem, diferentemente da guarda que, embora atribua ao guardião
a condição de responsável legal pela criança ou adolescente, em regra, não lhe
confere o direito de representá-la na prática dos atos da vida civil.

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O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação de extinção ou suspen-

são do poder familiar, podendo ocorrer no caso de morte ou mesmo a decretação

da perda do poder familiar. Em regra, será proferida pelo juízo da Vara de Família,

salvo se for preparatória à adoção ou se houver alguma situação de risco à pessoa

de até 18 anos incompletos, nos casos do art. 1637 do código civil. Vejamos:

Art. 1.637. Se o pai, ou a mãe, abusar de sua autoridade, faltando aos deveres a eles
inerentes ou arruinando os bens dos filhos, cabe ao juiz, requerendo algum parente,
ou o Ministério Público, adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do
menor e seus haveres, até suspendendo o poder familiar, quando convenha.
Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos
incompletos. (Caput do artigo com redação dada pela Lei n. 12.010, de 3/8/2009) Pará-
grafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação da perda ou suspen-
são do poder familiar e implica necessariamente o dever de guarda. (Expressão “pátrio
poder” substituída por “poder familiar” pelo art. 3º da Lei n. 12.010, de 3/8/2009).
Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que:
I – castigar imoderadamente o filho;
II – deixar o filho em abandono;
III – praticar atos contrários à moral e aos bons costumes;
IV – incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no artigo antecedente.
V – entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. (Incluído pela Lei
n. 13.509, de 2017)
Parágrafo único. Perderá também por ato judicial o poder familiar aquele que: (Incluído
pela Lei n. 13.715, de 2018)
I – praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: (Incluído pela
Lei n. 13.715, de 2018)
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte,
quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menos-
prezo ou discriminação à condição de mulher; (Incluído pela Lei n. 13.715, de 2018)
b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão; (Inclu-
ído pela Lei n. 13.715, de 2018)
II – praticar contra filho, filha ou outro descendente: (Incluído pela Lei n. 13.715, de
2018)
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte,
quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menos-
prezo ou discriminação à condição de mulher; (Incluído pela Lei n. 13.715, de 2018)
b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à
pena de reclusão

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Atingindo o tutelado a idade da plena capacidade civil ou sendo emancipado, a

tutela cessa. Ao contrário do que ocorre com a guarda, a tutela não coexiste com

o poder familiar, tendo assim por pressuposto a sua previa suspensão, destituição

ou extinção.

Trata-se de instituto, no qual verificamos uma a necessidade de proteção de

uma criança ou adolescente em situação de desamparo, decorrente da ausência do

poder familiar. Portanto, se confere a um terceiro capaz, no caso o tutor, por meio

de nomeação judicial, a proteção pessoal e a administração dos bens do tutelado o

dever de prestar assistência material, moral e educacional, bem como a represen-

tação e a assistência para os atos da vida civil.

Da Adoção

A Adoção é uma modalidade de colocação em família substituta, que será pro-

ferida em sentença judicial, constituindo um ato jurídico, o qual importará em

rompimento dos vínculos familiares existentes e na constituição de novos vínculos

familiares, criando parentesco civil de filiação entre adotante e adotando. Portanto,

tem a natureza de constituir uma relação jurídica de natureza civil onde não havia.

Aquele que adota tem o dever de prestar os cuidados, assistência moral, material

como se fosse filho biológico.

Por outro lado, a adoção desligará a criança e o adolescente de todos os vínculos

com pais e parentes de origem. Por isso se diz que a adoção é plena. Subsistem

apenas os impedimentos matrimoniais. Isso quer dizer que não poderá se casar

com parentes anteriores.

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ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Estatuto da Criança e do Adolescente
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Com a derrubada dos vetos do Presidente da República aos parágrafos sexto e

décimo do art. 19-A, hoje em dia,

na hipótese de não comparecerem à audiência nem o genitor nem representante da


família extensa para confirmar a intenção de exercer o poder familiar ou a guarda, a
autoridade judiciária suspenderá o poder familiar da mãe, e a criança será colocada sob
a guarda provisória de quem esteja habilitado a adotá-la. Além disso, serão cadastrados
para adoção recém-nascidos e crianças acolhidas não procuradas por suas famílias no
prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir do dia do acolhimento.

A Adoção Classifica-se em:

• Quanto à constituição do parentesco civil: Aquela em que leva em con-

sideração a quantidade de pessoas com as quais se forma o parentesco civil.

− Adoção Singular: Feita por um só adotante. Pode ser de qualquer pessoa

física maior de 18 anos (mínimo de 16 anos de diferença entre adotante

e adotado). Não podem adotar os ascendentes e os irmãos, bem como o

tutor/curador enquanto não prestarem contas de sua administração.

− Adoção Conjunta: Feita por dois adotantes.

• Quanto ao desligamento dos pais e parentes de origem: Aquela em que

leva em consideração a quantidade de lados da relação anterior que irão se

romper.

− Unilateral: Aquela, na qual há o rompimento dos vínculos familiares em

relação a apenas um dos genitores, preservando-se os vínculos familiares

em relação à linha familiar do outro genitor. Exemplo de pai, que prati-

ca atos contrários ao interesse da criança e ao adolescente e que tem a

destituição de seu poder familiar. No caso a mãe casa-se novamente e o

padrasto pretende adotar o filho do pai. Dispensa a necessidade de prévio

cadastramento de adoção, e a ordem cronológica no cadastro de adoção.

(art. 50, I, ECA)

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Estatuto da Criança e do Adolescente
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− Bilateral: Aquela, na qual há o rompimento dos vínculos familiares em

reação aos dois lados da ralação, o materno e o paterno. Em regra, para

a adoção deverá haver o consentimento do genitor, salvo se já houver a

destituição ou já foi extinto o poder familiar. O consentimento do genitor

pode ser revogado antes da publicação da sentença concessiva.

− Adoção Necessária: É aquela que diz respeito às crianças e adolescen-

tes, que geralmente não estão entre os mais procurados para a adoção,

tais como aqueles adolescentes com idade mais avançada, crianças com

algum tipo de deficiência entre outros.

− Adoção “Post Mortem” ou Nuncupativa: Aquela que poderá ser de-

ferida mesmo depois do falecimento do adotante, desde que ele já tenha

se manifestado inequivocamente em adotar no processo de adoção. Os

efeitos da sentença retroagirão à data do óbito.

O STJ já se manifestou favoravelmente à adoção Post Mortem mesmo antes do pro-

cesso de adoção, quando essa vontade inequívoca já tenha sido manifestada de outras

formas, tais como no caso de conhecimento público do filho como se adotivo fosse.

Características da Adoção

É medida excepcional, isso significa que a adoção somente pode ser cogitada

depois de esgotados os meios e recursos para a manutenção ou reintegração da

criança ou adolescente em sua família natural.

Já vimos que a adoção é plena, não temos mais a chamada adoção simples, na

qual existia um vínculo familiar apenas entre o adotante e o adotado, não com o pai

do adotante, avó, isso refletia na questão da herança, hoje toda a adoção é plena.

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É um ato personalíssimo, significa que a adoção pode ser requerida exclusiva-

mente pelos adotantes, sem a possibilidade de adoção por procuração. O adotante

será ouvido em juízo para saber qual é a sua intenção na adoção.

Trata-se de um ato irrevogável, significa que na adoção não pode haver a pos-

sibilidade de devolução da criança ou adolescentes. Opa, aqui não é Código de De-

fesa do Consumidor não!

Não confundir a irrevogabilidade da adoção com a possibilidade de retratação do

consentimento dos pais biológicos para a adoção. O que se busca proibir aqui é

entrega da criança por parte dos adotantes. Já o consentimento dos pais biológicos

na entrega da criança é perfeitamente possível, já que se busca, em primeiro lugar,

manter a criança em sua família natural. No entanto, o consentimento dos pais só

é retratável até a data da realização da audiência designada para a decretação da

extinção do poder familiar, mas os pais podem exercer o arrependimento no prazo

de 10 (dez) dias, contado da data de prolação da sentença de extinção do poder

familiar.

É um ato não caducável, significa que a morte dos adotantes não importa res-

tabelecimento do poder familiar dos pais de origem.

É ato constituído por sentença judicial da vara de infância ou de família, a de-

pender do caso. Tanto a adoção de criança adolescente como de adulto exigirá a

participação do poder público, não temos mais a possibilidade da adoção mediante

escritura pública, apesar de que o STJ ter entendimento de admitir a homologação

de escrituras públicas de adoção quando essas escrituras foram lavradas antes do

advento do código civil de 2002.

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Requisitos para a adoção.


Adotante ser maior de 18 anos, independentemente do estado civil. Observe
que o critério do ECA novamente é etário, não importando se são emancipados.
Deverá respeitar uma diferença mínima de idade de 16 anos de idade entre ado-
tantes e adotados, não possuir incompatibilidade da medida para os adotantes, os
motivos devem ser legítimos no sentido de constituir uma família e que a adoção
represente real vantagem para o adotado.
Impedimentos à adoção:
Absolutos/ Permanentes: não podem adotar os ascendentes e os irmãos do
adotando (avô e irmão).

O STJ já admitiu a adoção realizada por avós (ascendentes), flexibilizando o impe-


dimento, por haver relação fática de pai e filho.

Relativos/Temporários: O tutor ou o curador do adotando enquanto não


prestar contas de sua administração.

Requisitos para a adoção conjunta


Além dos requisitos acima, é necessário que os adotantes sejam casados ou
tenham união estável, demonstrada, na relação, à estabilidade familiar.
É possível a adoção conjunta para adotantes divorciados ou separados ao tempo
da sentença desde que o estágio de convivência da criança ou adolescente tenha se
iniciado durante a união dos adotantes e tenha, antes da sentença, acordado sobre
guarda e regime de visitas, bem como poderá ser concedida a adoção se o adotan-
te falece durante o procedimento de adoção antes da sentença (adoção póstuma/
post mortem ou nuncupativa) desde que o adotante tenha manifestado, em vida, a
vontade inequívoca de adotar a criança ou adolescente.

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Hoje é pacífico nos tribunais superiores o entendimento da possibilidade de ado-

ção conjunta por casal homoafetivo ou homoparental, porque eles têm estabilidade

familiar.

O STJ também já admitiu excepcionalmente a adoção conjunta por adotantes

irmãos, porque comprovada a estabilidade familiar no caso concreto. Portanto,

percebe-se que o modelo de família é um rol meramente exemplificativo de esta-

bilidade familiar.

Com o objetivo de acelerar o processo de adoção, o legislador estabeleceu que

o prazo máximo para conclusão da ação de adoção será de cento e vinte

dias, prorrogável uma única vez por igual período, mediante decisão funda-

mentada da autoridade judiciária. É necessária ainda a realização de um estágio de

convivência com prazo máximo de noventa dias, podendo ser prorrogado pelo juiz

em caso de necessidade. Dispensa-se, quando o adotante já possui a guarda legal

ou tutela da criança ou adolescente por tempo suficiente de convívio para avaliar

a convivência. Diferentemente da guarda legal, a guarda de fato, por si só, não

dispensa o estágio de convivência. Observe.

Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescen-


te, pelo prazo máximo de 90 (noventa) dias, observadas a idade da criança ou adoles-
cente e as peculiaridades do caso. (Redação dada pela Lei n. 13.509, de 2017)
§ 2º-A. O prazo máximo estabelecido no caput deste artigo pode ser prorrogado por até
igual período, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária. (Incluído pela
Lei n. 13.509, de 2017)
§ 3º Em caso de adoção por pessoa ou casal residente ou domiciliado fora do País, o
estágio de convivência será de, no mínimo, 30 (trinta) dias e, no máximo, 45 (quarenta
e cinco) dias, prorrogável por até igual período, uma única vez, mediante decisão fun-
damentada da autoridade judiciária. (Redação dada pela Lei n. 13.509, de 2017)
§ 3º-A. Ao final do prazo previsto no § 3º deste artigo, deverá ser apresentado laudo
fundamentado pela equipe mencionada no § 4º deste artigo, que recomendará ou não
o deferimento da adoção à autoridade judiciária. (Incluído pela Lei n. 13.509, de 2017)
§ 5º O estágio de convivência será cumprido no território nacional, preferencialmente
na comarca de residência da criança ou adolescente, ou, a critério do juiz, em cidade
limítrofe, respeitada, em qualquer hipótese, a competência do juízo da comarca de re-
sidência da criança. (Incluído pela Lei n. 13.509, de 2017)

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Deve haver também a inscrição em cadastro de adotantes, que será precedida

de avaliação, pela vara de infância e da juventude, para se verificar os requisitos

ou condições para a adoção, além de evitar o comércio de crianças e adolescentes.

Observe, no entanto, as seguintes exceções:

Art. 50. A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um re-


gistro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de pessoas
interessadas na adoção. (Vide Lei n. 12.010, de 2009)
§ 13. Somente poderá ser deferida adoção em favor de candidato domiciliado no Brasil
não cadastrado previamente nos termos desta Lei quando: (Incluído pela Lei n. 12.010,
de 2009)
I – se tratar de pedido de adoção unilateral; (Incluído pela Lei n. 12.010, de 2009)
II – for formulada por parente com o qual a criança ou adolescente mantenha vínculos
de afinidade e afetividade; (Incluído pela Lei n. 12.010, de 2009) 
III – oriundo o pedido de quem detém a tutela ou guarda legal de criança maior de 3
(três) anos ou adolescente, desde que o lapso de tempo de convivência comprove a fi-
xação de laços de afinidade e afetividade, e não seja constatada a ocorrência de má-fé
ou qualquer das situações previstas nos arts. 237 ou 238 desta Lei. (Incluído pela Lei
n. 12.010, de 2009)
§ 14. Nas hipóteses previstas no § 13 deste artigo, o candidato deverá comprovar, no
curso do procedimento, que preenche os requisitos necessários à adoção, conforme
previsto nesta Lei. (Incluído pela Lei n. 12.010, de 2009)
§ 15. Será assegurada prioridade no cadastro a pessoas interessadas em adotar criança
ou adolescente com deficiência, com doença crônica ou com necessidades específicas de
saúde, além de grupo de irmãos. (Incluído pela Lei n. 13.509, de 2017)

Adoção Internacional

Primeiramente é importante observar que a adoção internacional deve observar

a característica de subsidiariedade e consulta aos cadastros. Importante observar

que agora o estrangeiro pode figurar no cadastro nacional de pretendentes à ado-

ção. Observe o que o ECA dispõe sobre a adoção internacional.

Art. 51. Considera-se adoção internacional aquela na qual o pretendente possui resi-


dência habitual em país-parte da Convenção de Haia, de 29 de maio de 1993, Relativa
à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional, promul-
gada pelo Decreto n. 3.087, de 21 junho de 1999, e deseja adotar criança em outro
país-parte da Convenção. (Redação dada pela Lei n. 13.509, de 2017).

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Existe convenção internacional dispondo a respeito de adoção internacional.

A intenção é que haja cooperação entre os países para que se afaste o tráfico de

pessoas, devendo haver respeito à legislação de cada país. A autoridade central de

cada Estado-Parte de acolhida vai atestar que os pretendentes reúnem condições

de adotar de acordo com as regras de seu país.

A grande diferença entre adoção nacional e a internacional é que na adoção

nacional a criança permanecerá aqui no território brasileiro, não havendo desloca-

mento para outro país de acolhida. Já na adoção internacional a criança sai de um

país de origem e vai para um país, no qual será acolhida. Acredito que você está

se lembrando quando falei que a adoção por estrangeiros não é a mesma coisa que

adoção internacional.

A adoção nacional é sempre preferencial, de modo que a internacional tem ca-

racterística de subsidiariedade. Na internacional, prefere-se aquela pleiteada por

brasileiros em detrimento da pleiteada por estrangeiros.

A adoção pode ser tanto de criança e adolescente quanto de adulto. O que di-

ferencia é a competência vara da infância e juventude e vara de família para adul-

tos, salvo se o adotando tiver menos de 21 e, quando adolescente, já estava sob a

guarda ou tutela do adotante, trata-se de situação excepcional. Tanto uma quanto

a outra necessidade de sentença.

Fases para a adoção internacional:

• Fase de Habilitação: Trata-se de fase, na qual aquele que quer adotar pro-

cura a autoridade central em seu país em matéria de adoção internacional

dentro do seu país.

• Fase Judicial: Fase que tramita perante a vara da infância e juventude.

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Diferentemente da adoção nacional, na qual o estágio de convivência é de no


máximo noventa dias, prorrogáveis por até igual período mediante decisão funda-
mentada do Juiz, na adoção internacional o ECA estabelece que o estágio de con-
vivência será cumprido no território nacional e será de, no mínimo, 30 (trinta) dias
e, no máximo, 45 (quarenta e cinco) dias, prorrogável por até igual período, uma
única vez, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária.

Art. 46, § 5º O estágio de convivência será cumprido no território nacional, preferen-


cialmente na comarca de residência da criança ou adolescente, ou, a critério do juiz, em
cidade limítrofe, respeitada, em qualquer hipótese, a competência do juízo da comarca
de residência da criança. (Incluído pela Lei n. 13.509, de 2017)

A participação da autoridade central poderá ser dispensada quando houver par-


ticipação de organismos, que sejam credenciados, sem finalidade lucrativa.

Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer

Tais direitos partem da existência de um sistema composto pela Constituição


Federal, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pelo ECA. Acredito que você
deve se atentar para a educação, pois é uma obrigação do Estado, o qual não pode
alegar a reserva do possível, ou seja, trata-se de um direito do sujeito, indepen-
dentemente de o poder público alegar disponibilidade orçamentária para garanti-la.
Dispõe o ECA, que o ensino deve ser obrigatório e prestado pela educação bá-
sica. A educação básica compreenderá a educação infantil, o ensino fundamental e
o ensino médio, sendo que para o ensino fundamental, deve ser gratuita e de ma-
trícula obrigatória, com progressiva extensão de sua obrigatoriedade e gratuidade
ao ensino médio. Observe:

Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente:


I – ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram
acesso na idade própria;
II – progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio;

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III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencial-


mente na rede regular de ensino;
IV – atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a cinco anos de idade;(Re-
dação dada pela Lei n. 13.306, de 2016)
V – acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, se-
gundo a capacidade de cada um;
VI – oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador;
VII – atendimento no ensino fundamental, através de programas suplementares de ma-
terial didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público ou sua oferta irregular
importa responsabilidade da autoridade competente.
§ 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-
-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsável, pela frequência à escola.
Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na
rede regular de ensino.

Os dirigentes de estabelecimento de ensino comunicarão ao conselho tutelar os

casos de suspeita de maus-tratos envolvendo criança ou adolescente, a reiteração

de faltas injustificadas e evasão e elevados níveis de repetência.

Meu (minha) querido(a), temos aqui mais um capítulo muito reduzido, no qual

não vejo muita possibilidade de erros, pois os dispositivos não trazem dificuldade.

Sugiro uma leitura atenta desses dispositivos para a sua prova.

Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao


Conselho Tutelar os casos de:
I – maus-tratos envolvendo seus alunos;
II – reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos esco-
lares;
III – elevados níveis de repetência.
Art. 57. O poder público estimulará pesquisas, experiências e novas propostas relativas
a calendário, seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação, com vistas à inser-
ção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório.
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e his-
tóricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a
liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura.
Art. 59. Os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a
destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer
voltadas para a infância e a juventude.

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Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho

Caro(a) aluno(a), quanto ao Direito à Profissionalização e à Proteção ao Traba-

lho do adolescente, também vou ressaltar aquilo que entendo mais importante para

a sua prova e recomendo uma leitura da letra da lei, até porque são poucos artigos.

O mais importante, antes de partir para os dispositivos, é compreender o que vem

a seguir para que não cometa erros em sua prova.

Primeiramente, preciso dizer que alguns dispositivos constantes no ECA rela-

tivos à profissionalização e ao trabalho não estão em conformidade com o novo

sistema de tutela de interesses da Criança e Adolescente. Isso porque as redações

dos arts. 60 e 64 se encontram desatualizadas depois da Emenda Constitucional n.

20/98, que trouxe nova redação, seguindo as orientações da Organização Interna-

cional do Trabalho quanto ao trabalho do menor.

Portanto, faz-se necessária uma releitura de tais dispositivos, analisando-os a

partir de um estudo conjunto da Constituição Federal e da própria Consolidação das

Leis do Trabalho. Observe:

Constituição Federal, art. 6º:


XXXIII – proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e
de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a
partir de quatorze anos;
ECA, art. 60:
É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição
de aprendiz. (Vide Constituição Federal)
Art. 64. Ao adolescente até quatorze anos de idade é assegurada bolsa de aprendiza-
gem. (Vide Constituição Federal)

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Bom, querido(a), já sabemos que tanto a criança como o adolescente foram

elencados como sujeitos de direitos segundo a teoria da proteção integral, isso não

é nenhuma novidade para você, o que o ECA fez foi apenas confirmar tais direitos,

disciplinando a proibição de normas com tratamento discriminatório em razão de

serem os trabalhadores menores de 18 anos, por exemplo, no caso de adolescente

que receba remuneração inferior ao adulto para desempenhar as mesmas funções

com igual carga de trabalho.

Além disso, trouxe a proibição expressa ao adolescente para desempenhar de-

terminadas atividades como trabalho insalubre, perigoso ou penoso e em locais

que sejam prejudiciais ao seu desenvolvimento, bem como em horários, que não

permitam o acesso à escola.

A Convenção 182 da OIT faz referência genérica à proibição de alguns tipos de

trabalho ao menor. Trata-se da “lista TIP”, que deve ser adotada por cada um dos

países signatários. No Brasil, tivemos o Decreto n. 6481/2008 que aprovou essa

lista com as piores formas de trabalho infantil, ressalto a você que o trabalho ar-

tístico infantil se trata exceção prevista em Convenção específica da Organização

Internacional do Trabalho.

É vedado também o trabalho noturno e a realização de trabalho com sobrejor-

nada, ou seja, o adolescente, em regra, não poderá fazer horas extras, salvo em

caso de compensação de horas na mesma semana ou no caso de força maior, na

qual o trabalho do adolescente seja imprescindível. Atente-se para o fato de que ao

menor aprendiz não há exceção, portanto, a ele é proibida a sobrejornada.

Quanto ao trabalho noturno é importante esclarecer que o horário noturno vai

depender se o trabalho é urbano ou rural. Não sei se sua prova chegará a esse ní-

vel de detalhe, mas se cair atente-se que o horário noturno no trabalho urbano é

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aquele das 22 horas às 5 horas. Já para o trabalho no meio rural, dependerá de ser

o trabalho realizado na lavoura, caso em que o horário será das 21 horas às 5 horas

ou se realizado na pecuária, caso em que será das 20 horas às 4 horas. Já pensou

se isso cai em sua prova?

Da Política de Prevenção

Iniciaremos agora o estudo da parte referente à política preventiva da criança e

adolescente até a parte referente às medidas de proteção. Por questão de didática,

incluirei também aqui os Conselhos Tutelares para nós estabelecermos um compa-

rativo com os Conselhos de Direito da Criança e do Adolescente.

Para compreendermos a política da prevenção, temos que ter em mente o prin-

cípio da intervenção precoce trazido pelo ECA, ou seja, busca-se uma atuação

por partes de todos os envolvidos na garantia do bem-estar da criança e do ado-

lescente antes que ocorra qualquer lesão. Com isso, evitam-se danos a esse grupo,

que se encontra em condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. No caso de

ocorrência de dano, busca-se uma reparação imediata a fim de mitigar os prejuízos.

Vimos que é dever da família, da sociedade, da comunidade e do Estado pre-

venir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.

Trata-se da ampla responsabilização, que o ECA atribuiu no sentido de efetivar tais

direitos.

Para essa efetivação, foram estabelecidas algumas regras gerais e especiais,

que têm por objetivo criar uma ordem de proteção em torno da criança e do ado-

lescente. Além disso, diretrizes e medidas preventivas foram dirigidas a várias

atividades.

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Das Diversões e Espetáculos Públicos

Para que as crianças e adolescentes tenham acesso a diversões e espetáculos

públicos adequados à sua faixa etária, o ECA estabeleceu que deve haver regulação

por meio de classificação indicativa. Isso já ocorre por meio de portaria do Minis-

tério da Justiça. Além disso, o ECA vedou a permanência de criança menor de 10

anos desacompanhada dos pais ou responsáveis em tais locais.

Como a classificação é apenas indicativa, é prudente que haja autorização por

escrito em caso de os pais autorizarem o acesso dos filhos fora da faixa etária de

sua classificação.

Outra regra importante é a destinada aos proprietários de empresas, que ex-

plorem a venda ou o aluguel de fitas em VHS, pois estes deverão cuidar para que

não haja venda ou locação em desacordo com a classificação atribuída. Inclusive,

haverá infração administrativa em caso de inobservância. Observe:

Art. 256. Vender ou locar a criança ou adolescente fita de programação em vídeo, em


desacordo com a classificação atribuída pelo órgão competente:
Pena - multa de três a vinte salários de referência; em caso de reincidência, a autorida-
de judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até quinze dias.

Meu (minha) amigo (a), os mais antigos sabem que na década de 1990, época

em que o ECA foi promulgado, havia videolocadoras de fitas em VHS, ou seja, o

VHS é o antecessor dos DVD’s e dos Blu-ray’s de hoje. Portanto, é necessário es-

clarecer que tais vedações se aplicam a quaisquer fontes de mídia. Lembre-se que

nosso ECA é do século passado. Rs!

As revistas com conteúdo impróprio deverão ser comercializadas em embala-

gem lacrada, com advertência de seu conteúdo e as editoras cuidarão para que

sejam protegidas com embalagens opacas.

O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,
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Estatuto da Criança e do Adolescente
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Há, ainda, uma série de proibições para o comércio destinado à criança e ao

adolescente em razão da exposição ao risco, a violação dessas regras poderá acar-

retar infração administrativa ou até conduta criminosa. Veremos tais infrações em

aulas futuras. Observe apenas as vedações.

Art. 81. É proibida a venda à criança ou ao adolescente de:


I – armas, munições e explosivos;
II – bebidas alcoólicas;
III – produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda
que por utilização indevida;
IV – fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que pelo seu reduzido potencial
sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida;
V – revistas e publicações a que alude o art. 78;
VI – bilhetes lotéricos e equivalentes.

Da Autorização para Viajar

Aqui caro (a) aluno (a), eu sugiro que você dê uma atenção muito especial a

essa parte da aula, pois o ECA sofreu uma recente alteração legislativa com a en-

trada em vigor da Lei n. 13.812/2019, que dispõe sobre Política Nacional de Busca

de Pessoas Desaparecidas. Além disso, é de muita incidência em provas. Eu imagi-

no que cairá ainda mais em provas devido às novas regras.

Apesar de o direito de liberdade ser consagrado no próprio ECA, algumas restri-

ções são estabelecidas para salvaguardar os interesses da criança e do adolescente.

A primeira coisa que devemos observar é se a criança ou o adolescente estão

acompanhados dos pais. Nesse caso, não há necessidade de autorização.

Em seguida, temos que identificar qual é o tipo de viagem. Se é viagem nacional

ou se é internacional.

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Estatuto da Criança e do Adolescente
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Para a viagem nacional o ECA não mais faz distinção entre crianças e adoles-

centes como fazia antigamente. Agora, somente para o adolescente maior de 16

(dezesseis) anos a viagem nacional é livre como regra, ou seja, poderá viajar sem

acompanhamento e independentemente de autorização de juiz ou dos pais ou res-

ponsáveis. Hoje em dia, portanto, o pirralho com 12 (doze) anos completos, em

regra, não pode mais viajar sozinho independentemente de autorização, mesmo

dentro do Brasil. Essa é uma interpretação a contrário sensu que fazemos da nova

redação do art. 83, ECA.

Apesar da recentíssima alteração do artigo 83, a redação continua não sendo

das melhores, pois temos que fazer uma interpretação a contrário sensu.

Tenha em mente que a autorização judicial, que parece ser a regra, acaba sen-

do, na prática, a exceção, pois apesar de o caput do art. 83 fazer menção à auto-

rização judicial, em seguida, o parágrafo primeiro traz uma série de exceções que

acabam diminuindo a autorização judicial a pouquíssimos casos. Observe.

Art. 83. Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos poderá viajar


para fora da comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis sem
expressa autorização judicial. (Redação dada pela Lei n. 13.812, de 2019)
§ 1º A autorização não será exigida quando:
a) tratar-se de comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente menor de
16 (dezesseis) anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região
metropolitana; (Redação dada pela Lei n. 13.812, de 2019)
b) a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado: (Re-
dação dada pela Lei n. 13.812, de 2019)
1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente
o parentesco;
2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável.

Perceba que agora a viagem de adolescente não mais é livre independentemen-

te da sua idade. Hoje em dia, a regra legal é que apenas para o maior de dezesseis

anos continua livre. Portanto, vamos detalhar a viagem nacional tanto da criança

como do adolescente menor de dezesseis anos.

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Da Viagem Nacional de Menor de Dezesseis Anos

Vimos no dispositivo acima que o menor de dezesseis anos ainda pode viajar
livremente, desde que seja dentro da comarca onde ela reside. Poderá tam-
bém viajar para fora da comarca, desde que esta seja contígua à sua e na
mesma unidade federativa (Estados ou Distrito Federal) ou então na mesma
Região Metropolitana.
Para viagem para fora da comarca onde reside ou para fora da comarca contí-
gua, só poderá viajar com autorização judicial ou mediante acompanhamento.

 Obs.: No caso de viagens reiteradas, o juiz poderá deferir essa autorização com
prazo de validade de até dois anos.

Professor, quem pode acompanhar a criança e o adolescente menor de dezesseis


anos?

Podem acompanhar a criança e o adolescente menor de dezesseis, além dos


pais, os responsáveis (a exemplo do guardião ou o tutor), os ascendentes e os co-
laterais até o 3º grau (tio), desde que sejam maiores de 18 anos. No caso desses
parênteses, basta a comprovação documental do parentesco, sendo desnecessária
autorização escrita dos pais.
A outra hipótese de acompanhamento é a de qualquer pessoa maior de dezoito anos,
ainda que não parente, desde que com autorização escrita dos pais ou responsável.
Lembra quando você era criança e que existia aquele bilhete colado no braço,
no qual a direção da escola solicitava a autorização dos seus pais para a viagem de
fim de ano fora da comarca?
Pois é, perceba que quando se trata de qualquer pessoa maior de idade (no
caso, a tia da escola) é indispensável autorização dos pais.

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Da Hospedagem de Criança ou Adolescente em Hotel Mo-


tel ou Pensão

Tome muito cuidado, pois as regras do ECA de hospedagem são muito diferen-

tes. No caso de hospedagem, as regras são as mesmas tanto para a criança como

para o adolescente, independentemente da idade do adolescente. Na hospedagem,

inclusive de adolescente, em hotel, motel, pensão ou estabelecimento congênere

depende de acompanhamento dos pais ou do responsável, ou de autorização por

escrito dos pais ou do responsável ou ainda com autorização judicial.

Portanto, perceba que adolescente maior de dezesseis poderá viajar livremente

e sozinho no Brasil, mas deverá se hospedar em casa de parentes ou amigos. Para

se hospedar, mesmo sozinho, em hotel, motel ou pensão dependerá de autorização.

Observe.

Art. 82. É proibida a hospedagem de criança ou adolescente em hotel, motel, pensão


ou estabelecimento congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pelos pais
ou responsável.

Veja o seguinte exemplo:

Imagine que você tenha uma filha de 17 anos de idade e que ela pretenda fazer

uma viagem com o namorado de 18 anos de idade, portanto adulto não mais sujei-

to à prevenção especial do ECA.

Eu te pergunto: sua querida filha de 17 anos criada com muito carinho é criança

ou adolescente para o ECA? Eu sei que para o pai ainda é um bebê, mas segundo

o ECA, é adolescente maior de dezesseis, não precisando de autorização para

viajar.

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A pergunta, que você deveria fazer é que horas eles pretendem retornar.

Digamos que o “aspirante a genro” seja corajoso e te diz que se trata de uma

viagem longa e que não há possibilidade de retornarem no mesmo dia, inclusive,

estão programando de ficarem hospedado em um motel.

É brincadeira, não é?

Eu te pergunto novamente: o namorado da sua filha é responsável por ela para se

hospedarem em um motel?

É óbvio que não. O responsável é você, o pai e não o marmanjo que está de olho

no seu bebê criado a leite com pera e Ovomaltine.

Portanto, a solução para o namorado de sua querida filha seria levar o paizão junto

para segurar a vela ou ser macho para dizer na sua cara que precisa de uma auto-

rização por escrito para se hospedar em um motel.

Eu imagino que você já percebeu o tamanho da cara de pau desse sujeito, não é?

Da Viagem Internacional de Criança e de Adolescente

Na viagem internacional o ECA ainda continua tratando igualmente a criança e o

adolescente, independentemente da idade do adolescente. Portanto, uma dica mui-

to importante de prova é verificar se a questão versa sobre viagem internacional,

nesse caso, é irrelevante o fato de envolver criança ou adolescente, ou mesmo se

ele é maior de dezesseis porque as regras ainda são as mesmas.

Primeiramente, é preciso saber que com autorização judicial, mesmo que este-

jam sozinhos, sempre é possível a viagem internacional de criança ou adolescente.

As outras hipóteses são: acompanhados de ambos os pais ou responsáveis ou

acompanhados por apenas um dos pais com a autorização escrita do outro e com

firma reconhecida.

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Obs.:
 Para o ECA não é possível a viagem internacional de criança e adolescente sem

autorização judicial no caso de nenhum dos dois pais viajarem juntos, mas há

a resolução n. 131 do CNJ que autoriza a viagem internacional desacompanha-

da apenas com autorização escrita de ambos os pais, com firma reconhecida.

Deverá haver autorização judicial para que crianças ou adolescentes nasci-

dos no Brasil saiam do país em companhia de estrangeiro residente ou domici-

liado no exterior, essa regra existe para que não haja burla às normas da adoção

internacional.

Dos Conselhos de Direito da Criança e do Adolescente

Meu (a) querido (a), eu acredito que é muito importante para a sua prova desta-

car a parte referente aos conselhos de direitos. Os conselhos Municipais, Estaduais e

o Nacional da criança e adolescente não se confundem com os Conselhos Tutelares,

porque os conselhos de direitos têm por finalidade deliberar sobre políticas públicas

voltadas à infância e à juventude, exercendo um papel de controle e deliberação


dessas políticas públicas, ao passo que, os conselhos tutelares têm por finalidade

velar pela observância dos direitos fundamentais da criança e do adolescente.

Segundo o Professor Luciano Alves Rossato, os conselhos de direitos são órgãos

de âmbito nacional, estadual e municipal regidos pelos princípios da paridade e da

deliberação e que podem baixar atos opinativos e vinculativos. Devem, portanto,

observar dois princípios. O princípio da deliberação, aquele por meio, do qual

se permite que o conselho de direito baixe atos deliberativos, por meio de resolu-

ções podendo vincular o poder público, desde que dentro de suas atribuições e o

princípio da paridade, o qual dispõe que o governo e sociedade civil comporão os

conselhos de direitos em igual número de representantes.

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É importante se atentar ao fato de que as decisões emanadas dos conselhos são

atos administrativos, devendo, portanto, observar todos os princípios da Adminis-

tração Pública.

Os delegados dos conselhos de direitos, tanto os representantes do governo

como os representantes da sociedade civil, não são remunerados e exercem uma

função pública e relevante.

No âmbito nacional, temos o chamado Conselho Nacional dos Direitos da Crian-

ça e do Adolescente – CONANDA, de atribuição administrativa em todo o território

nacional podendo baixar normas opinativas gerais por meio de resoluções. Temos

ainda conselhos em âmbito estadual e municipal, assim como no Distrito Federal.

Dos Conselhos Tutelares

Os Conselhos Tutelares são órgãos permanentes e autônomos, não jurisdicio-

nais, inseridos na administração pública municipal, encarregados por zelar pela

observância dos direitos fundamentais da criança e do adolescente, compostos por

conselheiros eleitos pelo povo para o exercício de mandato. Suas atribuições estão

estabelecidas em um rol meramente exemplificativo indicado no art. 136 Veja.

Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar:


I – atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, apli-
cando as medidas previstas no art. 101, I a VII;
II – atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art.
129, I a VII;
III – promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:
a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdên-
cia, trabalho e segurança;
b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado
de suas deliberações.

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IV – encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administra-
tiva ou penal contra os direitos da criança ou adolescente;
V – encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
VI – providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas
no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato infracional;
VII – expedir notificações;
VIII – requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando
necessário;
IX – assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para
planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente;
X – representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previs-
tos no art. 220, § 3º, inciso II, da Constituição Federal;
XI – representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou suspensão do
pátrio poder.
XI – representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou suspensão do
poder familiar, após esgotadas as possibilidades de manutenção da criança ou do ado-
lescente junto à família natural.
XII – promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profissionais, ações de divul-
gação e treinamento para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em crianças e
adolescentes.

Uma coisa muito importante que devo destacar a respeito do art. 136, caput é

que não se encontra atualizada a parte que diz ser competência do Conselho Tute-

lar a aplicação das medidas previstas no art. 101, incisos I a VI.

Hoje em dia, o Conselho Tutelar não pode mais aplicar medida protetiva de

acolhimento institucional porque essa medida somente pode ser aplicada pelo juiz,

trata-se de reserva de jurisdição em razão do controle judicial sobre a aplicação do

acolhimento institucional estabelecido pela Lei n. 12010/2009.

No caso de o conselho tutelar se deparar com uma situação de grave risco à

criança ou adolescente, tirará apenas emergencialmente e comunicará imediata-

mente ao Ministério Público, que tomará as medidas, que entender cabíveis, nos

termos do parágrafo único do art. 136, ECA.

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São atribuições mais importantes dos Conselhos Tutelares:

• Aplicar medidas protetivas a crianças e adolescentes em situações de risco;

• Aplicar medidas protetivas a criança autora de ato infracional;

• Aplicar medidas pertinentes aos pais ou responsáveis;

• Requisitar serviços públicos em favor de criança e adolescente.

Nas cidades onde não houver conselho tutelar as atribuições serão exercidas

pelo juiz da vara da infância e juventude. E as decisões dos conselheiros podem ser

revistas pela autoridade judiciária atendendo ao pedido do interessado.

Cada município deverá ter, pelo menos, um Conselho Tutelar com o número

fixo de cinco conselheiros escolhidos pela população local em eleição realizada pelo

conselho municipal dos direitos da criança e do adolescente (ou do Distrito Federal)

e, para tal, deverão possuir idade mínima de 21 anos, residirem no respectivo mu-

nicípio para o qual está se candidatando e terem idoneidade moral, sem prejuízo de

outros requisitos estabelecidos pela lei local.

O conselheiro poderá ser remunerado também nos termos de lei local que es-

tabelecerá a sua remuneração. Importante observar que é afastada a competência

da justiça do trabalho para eventual lide envolvendo o conselheiro e o município

porque não é estabelecida relação de emprego entre tais sujeitos.

O afastamento de suas funções se dará por meio de processo administrativo

presidido pelo conselho dos direitos da criança e do adolescente ou por processo

judicial.

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O Conselheiro tutelar também exerce uma função pública, portanto, deve tam-

bém observar todos os princípios da Administração Pública, inclusive, poderá ser

sujeito a ação de improbidade administrativa.

Das Medidas de Proteção

Nesta parte de nossa aula, nós conceituaremos as medidas de proteção, falare-

mos dos seus objetivos e quais são elas. Sugiro, no entanto, que você leia atenta-

mente os dispositivos citados ao final deste tópico para a resolução das questões a

seguir. Você verá que uma leitura atenta da lei seca é fundamental para a resolução

das questões.

As Medidas de proteção são instrumentos que visam fazer cumprir os direitos

da criança e do adolescente por quem os tiverem os violando ou ameaçando, con-

forme se pode observar no texto do art. 98 do ECA:

Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que


os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:
I – por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II – por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
III – em razão de sua conduta.

Veja que a lei transfere ao Estado, à sociedade e aos pais ou responsáveis o

dever de assegurar o cumprimento dos direitos resguardados à criança e ao ado-

lescente. Além disso, esse dispositivo visa colocar a salvo a criança e o adolescente

de qualquer risco a sua integridade física e emocional, bem como garantir medidas

protetivas socioeducativas em virtude da prática de atos infracionais que porventura

venham a ser cometidos pelo menor.

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O ECA prevê a possibilidade de aplicação das medidas de proteção isolada ou

cumulativamente, podendo ainda ser substituídas a qualquer tempo, levando em

consideração a necessidade e adequação da medida no caso concreto.

São essencialmente medidas de natureza cautelar, ou seja, basta ocorrer a ame-

aça à violação dos direitos da criança e adolescente para serem imediatamente apli-

cadas. Portanto, a análise do mérito acontece após a efetiva aplicação da medida.

Professor, qual é o objetivo das medidas de proteção?

Lembra das condições de vulnerabilidade dos menores? Isso mesmo, o objetivo

é garantir ao menor um desenvolvimento adequado em razão da sua situação de

fragilidade como pessoa em desenvolvimento. Esse entendimento é fio condutor

para que a aplicação das medidas socioeducativas (que estudaremos a seguir) não

seja destinada à punição do menor, mas sim como função pedagógica.

Portanto, as medidas de proteção têm por objetivo afastar o perigo ou lesão à

criança ou adolescente. O ECA define quais medidas de proteção a criança e ado-

lescente estarão sujeitos no caso em que os direitos resguardados pela lei sejam

ameaçados ou violados.

E quais seriam essas medidas de proteção?

Bom, querido (a), trata-se de um rol exemplificativo de medidas protetivas pre-

vistas no ECA, são elas:

Art. 101, Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade compe-
tente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas
I – encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;
II – orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III – matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fun-
damental;

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IV – inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e


promoção da família, da criança e do adolescente; (Redação dada pela Lei n. 13.257,
de 2016)
V – requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar
ou ambulatorial;
VI – inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento
a alcoólatras e toxicômanos;
VII – acolhimento institucional; (Redação dada pela Lei n. 12.010, de 2009)
VIII – inclusão em programa de acolhimento familiar; (Redação dada pela Lei n.
12.010, de 2009) 
IX – colocação em família substituta

O ECA, no art. 100, enfatiza a preferência de aplicação das medidas, que tem

por objetivo fortalecer vínculos familiares e comunitários entre a criança e o adoles-

cente. E ainda, no parágrafo único elenca os princípios, que regem a aplicação das

medidas protetivas. Leia atentamente o parágrafo único e veja como é importante

para fins de prova.

Art. 100. Na aplicação das medidas levar-se-ão em conta as necessidades pedagógicas,


preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitá-
rios.
Parágrafo único. São também princípios que regem a aplicação das medidas:
I – condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos: crianças e ado-
lescentes são os titulares dos direitos previstos nesta e em outras Leis, bem como na
Constituição Federal
II – proteção integral e prioritária: a interpretação e aplicação de toda e qualquer norma
contida nesta Lei deve ser voltada à proteção integral e prioritária dos direitos de que
crianças e adolescentes são titulares;
III – responsabilidade primária e solidária do poder público: a plena efetivação dos di-
reitos assegurados a crianças e a adolescentes por esta Lei e pela Constituição Federal,
salvo nos casos por esta expressamente ressalvados, é de responsabilidade primária e
solidária das 3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da municipalização do atendi-
mento e da possibilidade da execução de programas por entidades não governamentais;
IV – interesse superior da criança e do adolescente: a intervenção deve atender prio-
ritariamente aos interesses e direitos da criança e do adolescente, sem prejuízo da
consideração que for devida a outros interesses legítimos no âmbito da pluralidade dos
interesses presentes no caso concreto; 

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V – privacidade: a promoção dos direitos e proteção da criança e do adolescente deve


ser efetuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua vida privada;
VI – intervenção precoce: a intervenção das autoridades competentes deve ser efetua-
da logo que a situação de perigo seja conhecida;
VII – intervenção mínima: a intervenção deve ser exercida exclusivamente pelas auto-
ridades e instituições cuja ação seja indispensável à efetiva promoção dos direitos e à
proteção da criança e do adolescente
VIII – proporcionalidade e atualidade: a intervenção deve ser a necessária e adequada
à situação de perigo em que a criança ou o adolescente se encontram no momento em
que a decisão é tomada;
IX – responsabilidade parental: a intervenção deve ser efetuada de modo que os pais
assumam os seus deveres para com a criança e o adolescente
X – prevalência da família: na promoção de direitos e na proteção da criança e do ado-
lescente deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na
sua família natural ou extensa ou, se isso não for possível, que promovam a sua inte-
gração em família adotiva;
XI – obrigatoriedade da informação: a criança e o adolescente, respeitado seu estágio
de desenvolvimento e capacidade de compreensão, seus pais ou responsável devem ser
informados dos seus direitos, dos motivos que determinaram a intervenção e da forma
como esta se processa;
XII – oitiva obrigatória e participação: a criança e o adolescente, em separado ou na
companhia dos pais, de responsável ou de pessoa por si indicada, bem como os seus
pais ou responsável, têm direito a ser ouvidos e a participar nos atos e na definição da
medida de promoção dos direitos e de proteção, sendo sua opinião devidamente consi-
derada pela autoridade judiciária competente, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do
art. 28 desta Lei.

Professor, a quem compete a aplicação das medidas protetivas?

Bom, eu ressalto a você que as medidas de proteção possuem natureza admi-

nistrativa, já que podem ser aplicadas pelo Conselho Tutelar, ou seja, não é neces-

sário acionar o Poder Judiciário para efetivação da maioria das medidas.

De qualquer modo, as decisões tomadas pelo Conselho Tutelar poderão ser re-

vistas pelo Juiz da Vara da Infância e da Juventude, não existindo o referido órgão,

essa atribuição fica a cargo exclusivo do Juiz de Direito.

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As duas medidas, que dependem exclusivamente de decisão judicial para serem

aplicadas, que figuram como exceção a essa regra, são: inclusão em programa

de acolhimento familiar e colocação em família substituta. Contudo, em caráter

urgente e excepcional, pode ocorrer o encaminhamento da criança ou adolescente

à entidade responsável pela execução do programa de acolhimento institucional,

condicionado à comunicação ao Juiz no prazo máximo de vinte quatro horas.

O Juiz poderá aplicar de ofício, em procedimento simples, quando o fato envol-

ver casos constantes nos incisos I a VI do art. 101

I – encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;


II – orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III – matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fun-
damental;
IV  – inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e
promoção da família, da criança e do adolescente; (Redação dada pela Lei n. 13.257,
de 2016)
V – requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar
ou ambulatorial;
VI – inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a
alcoólatras e toxicômanos;

E aplicará por meio de procedimento judicial contencioso nos casos previsto nos

incisos VII, VIII e IX.

VII – acolhimento institucional; (Redação dada pela Lei n. 12.010, de 2009)


VIII – inclusão em programa de acolhimento familiar; (Redação dada pela Lei n. 12.010,
de 2009) 
IX – colocação em família substituta

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Quem executa as medidas protetivas?

NÃO cabe ao Conselho Tutelar a execução das medidas protetivas, somente a

aplicação e fiscalização do seu cumprimento. Tal competência cabe às entidades de

atendimento específicas, governamentais ou não governamentais (orientação do

CONANDA – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente).

Da Teoria do Ato Infracional.

Meu (minha) caro (a), você pode perceber que, até este exato momento de

nossa aula, nós tratamos de muitos institutos de caráter constitucional, alguns de

Direito Civil, outros de Direito Administrativo, mas ainda não vimos nada que nos

remetesse à ideia de crimes.

Pois é, acontece que o ECA se propõe a ser um microssistema jurídico especifi-

camente dedicado à tutela dos interesses da criança e do adolescente e, para isso,

aglutina um conjunto de disciplinas diferentes, todas elas dedicadas ao seu público

de interesse. Por isso, não poderia ser diferente em relação à tutela de bens jurídi-

cos violados pelas condutas criminosas de determinados agentes.

Estudaremos, a partir de agora, o aspecto socioeducativo do jovem em conflito

com a lei, o qual podemos associar com a disciplina de Direito Penal, mas não po-

demos confundir tais institutos.

É importante observar que o ECA leva em consideração à ofensa a lei penal em

dois aspectos, tendo a criança e o adolescente como agentes e tendo-os como pa-

cientes. Quando considera o envolvimento de crianças e adolescentes como viola-

dores do ordenamento jurídico-penal, nós chamaremos de ato infracional, ao passo

que, quando os consideram na situação de vítimas, nós teremos alguns crimes

específicos que veremos ao final dessa aula.

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Da Inimputabilidade Penal

A maioridade penal no Brasil sempre foi uma questão muito discutida, mas

atualmente tem sido objeto de muita polêmica com vozes para lados opostos no

sentido de ser ou não uma garantia constitucional a inimputabilidade penal dos

menores de dezoito anos.

Existem aqueles que defendem se tratar de um direito individual, portanto cláu-

sula pétrea, e aqueles que defendem ser possível a redução da maioridade penal,

nos termos da legislação especial, no caso o próprio ECA.

Nós não vamos entrar nessa discussão porque é pouco provável que caia em

sua prova algo nesse sentido.

Partiremos da previsão constitucional repetida em nossa legislação especial que

atualmente é a previsão da inimputabilidade penal, Vejamos:

Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às


normas da legislação especial. (Constituição Federal de 1988)
Art. 104. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às
medidas previstas nesta Lei. (Estatuto da Criança e do Adolescente)

Por uma questão de política criminal, adotou-se uma presunção absoluta de que

o menor de dezoito anos possui desenvolvimento mental incompleto, e por esse

motivo deve ser submetido à disciplina de uma lei especial.

Portanto, temos que aos menores de dezoito anos será dada uma resposta

diferenciada sujeitando-os ao ECA, isso não quer dizer que há total irresponsabi-

lidade, mas apenas que a resposta será dada conforme se trate de criança ou de

adolescente.

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Conceito de Ato Infracional

Ato Infracional significa a conduta que, praticada por criança ou adolescente, é

definida em lei como crime ou contravenção penal.

O ECA utiliza a definição legal da conduta do Direito Penal, adotando os pre-

ceitos primários dos tipos penais, mas troca os preceitos secundários de sanções

penais para medidas socioeducativas. Adotou-se, com isso, o princípio da tipicidade

delegada ou remetida, ou seja, será ato infracional equiparado a algum crime ou

contravenção previsto como tal pelo ordenamento jurídico-penal.

Observe que tanto a criança como o adolescente podem cometer ato infracional,

o que acontece é que a resposta estatal será diferente.

Professor, eu já sei que a resposta estatal será diferenciada, mas porque não

podemos dizer que criança ou adolescente não cometem crimes?

Boa pergunta, meu (minha) aluno (a)! A ideia primordial é destacar o caráter

extrapenal da matéria porque, segundo a concepção analítica de crime, a ausência

da imputabilidade penal desconfiguraria o conceito de crime.

Deixa-me fazer mais claro. Você já sabe das aulas de Direito Penal, que predo-

mina na doutrina o entendimento de que crime é a conjugação de fato típico, ilícito

e culpável, portanto um conceito tripartido.

Pois bem, dentro da culpabilidade nós temos a imputabilidade penal como um

de seus elementos. Em regra, todos os agentes são imputáveis, acontece que a

inimputabilidade é uma incapacidade em razão da idade, que afasta a imputabili-

dade penal (assim como a doença mental e embriaguez fortuita também afastam).

Nesse caso, afastada a imputabilidade penal, afasta-se também indiretamente a

possibilidade de tal conduta ser considerada crime.

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Meu (minha) caro (a), não se preocupe se você não compreendeu essa explica-

ção porque tal conteúdo corresponde à disciplina de Direito Penal e não cairá na sua

prova de ECA, eu apenas quis esclarecer o porquê de realmente o ato infracional

não ser considerado crime.

Para a sua prova basta que você compreenda que crianças e adolescentes co-

metem atos infracionais análogos a crimes, porque praticam fato típico e ilícito,

mas não são culpáveis segundo o nosso ordenamento jurídico.

Mas eu te pergunto, meu (minha) aluno (a), aplica-se o princípio da insignifi-

cância ao ato infracional?

É o seguinte: o princípio da insignificância ou da bagatela é um princípio, o qual

dispõe que o direito penal não deve se preocupar com condutas incapazes de lesar

o bem jurídico ou cujo bem jurídico seja insignificante.

O STJ vem admitindo a aplicação de tal princípio desde que atendidos os mes-

mos requisitos da legislação penal e a questão gerou muita polêmica, pois há quem

defenda que a aplicação de medida socioeducativa tem caráter ressocializador, que

busca a prevenção da atividade delituosa do adolescente, portanto não se poderia

deixar de ressocializá-lo diante da prática de um ato infracional em virtude de se

criar uma sensação de impunidade prejudicial ao seu desenvolvimento, gerando

consequências piores no futuro.

Há inclusive, jurisprudência mais antiga no sentido de que

“O princípio da insignificância não tem aplicação aos atos infracionais, sob


pena do pequeno infrator ser estimulado a investir contra o patrimônio alheio,
cuidando-se no âmbito da infância e da juventude da reeducação e ressocia-
lização dos adolescentes infratores”.

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No entanto, em sua prova eu sugiro que adote o posicionamento atual do STJ

no sentido de ser possível tal aplicação.

Jurisprudência
PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. NÃO CABI-
MENTO. ATO INFRACIONAL EQUIPARADO AO CRIME DE FURTO TENTADO.
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICAÇÃO NA SEARA MENORISTA. POS-
SIBILIDADE. REINCIDÊNCIA. INAPLICABILIDADE. ADOLESCENTE DEPEN-
DENTE QUÍMICO. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA ADEQUADA. 2. Hipótese em
que o paciente praticou ato infracional equiparado ao delito de tentativa de
furto de 2 refrigerantes Coca-Cola e 1 batata Pringles, avaliados em R$ 20,00
(vinte reais), tendo sido afastada a aplicação do princípio da bagatela, ante a
contumácia delitiva do menor na prática de outros atos infracionais contra o
patrimônio. 3. In casu, se a Corte estadual deixou de analisar a possibilidade
de efetiva aplicação do princípio da insignificância por entendê-la incabível
no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente. A pretensão de reco-
nhecer a incidência do indiferente penal nesta via implicaria, em princípio,
indevida supressão de instância, uma vez que a questão não foi objeto de
exame no acórdão impetrado, que se limitou a enfrentar a eleição do tra-
tamento mais adequado ao caso. 4. Considerando que o Superior Tribunal
de Justiça já firmou entendimento no sentido da possibilidade de aplicação
do princípio da bagatela às condutas regidas pelo Estatuto da Criança e do
Adolescente (HC 276.358/SP, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe
22/09/2014), faz-se necessária a análise acerca de sua efetiva aplicação
no presente caso. 5. Na aplicação do princípio da insignificância, devem ser
utilizados os seguintes parâmetros: a) conduta minimamente ofensiva; b)
ausência de periculosidade do agente; c) reduzido grau de reprovabilidade
do comportamento; e d) lesão jurídica inexpressiva, os quais devem estar
presentes, concomitantemente, para a incidência do referido instituto. 6. Em
se tratando de criminoso reincidente, ainda que diminuto o valor atribuído

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à coisa pretensamente furtada, deve ser afastada a aplicação do princípio


da 17 ofensividade mínima, de acordo com posição sedimentada pelo STJ e
STF, sendo certo que a medida socioeducativa de liberdade assistida, pelo
prazo de 6 meses, cumulada com o tratamento toxicômano, mantida pelo
Tribunal de origem, apresenta ser adequada. (STJ - HC 292.824/SP, Rel.
Ministro GURGEL DE FARIA, QUINTA TURMA, julgado em 30/06/2015, DJe
05/08/2015)

Portanto, leve para a sua prova que o Superior Tribunal de Justiça já firmou

entendimento no sentido da possibilidade de aplicação do princípio da ba-

gatela às condutas regidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente desde que

presentes os seguintes parâmetros:

a) conduta minimamente ofensiva;

b) ausência de periculosidade do agente;

c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;

d) lesão jurídica inexpressiva.

Os quais devem estar presentes, concomitantemente, para a incidência do

referido instituto. Outra questão importante é saber qual seria o momento exa-

to para a aferição da idade do indivíduo para fins de aplicação das medidas

pertinentes.

Veja que assim como o Código Penal, o ECA adotou a teoria da atividade para a

definição da idade do adolescente.

Art. 104, parágrafo único. “para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do
adolescente à data do fato”.

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Portanto, para saber se o indivíduo responderá como criança, adolescente ou

mesmo como adulto, devemos verificar o momento da ação ou omissão, ainda que

outro seja o momento do resultado da conduta.

Imagine a seguinte situação hipotética, na qual um adolescente de 17 anos de

idade efetua disparos de arma de fogo contra um de seus desafetos, mas a vítima

só veio a óbito depois que o autor já havia completado seus 18 anos.

Nessa situação, como na data do fato, ou seja, no momento da ação, o autor dos

disparos ainda era menor de 18 anos, responderá pelo ato infracional, ainda que

outra seja a data do resultado. Compreende?

Acho que agora você deve estar se lembrando do início de nossa aula, quando

eu firmei que se aplica o ECA, excepcionalmente e nos casos expressos em

lei, aos maiores de 18 anos até os 21 anos de idade, pois é, veremos quais são

essas exceções mais adiante.

Aliás, importante destacar que com relação aos atos infracionais equiparados a

delitos permanentes a mesma lógica da Súmula 711 do STF deverá ser aplicada.

Observe:

Súmula 711 do STF


A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente,
se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.

Nos casos de atos infracionais permanentes, ou seja, aqueles cuja consumação

se prolonga no tempo, enquanto não cessar a permanência, estes estarão se con-

sumando, podendo ser aplicada a lei penal mais grave, caso a permanência cesse

após o autor completar 18 anos

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Permita-me dar outro exemplo

Imagine um adolescente de 17 anos que esteja prestes a completar seus 18 anos

e que ele pratique um ato infracional de extorsão mediante sequestro mantendo a

vítima em cativeiro por alguns anos.

Nesse caso, no momento em que o autor completar 18 anos estará caracterizado

crime porque ele mantém a conduta criminosa em consumação em momento em

que já não é mais inimputável, pois a vítima se encontra em poder do autor mesmo

após ele ter completado 18 anos, respondendo por crime nos termos do Código

Penal e não por ato infracional.

Professor, já que tanto criança como adolescente praticam atos infracionais,

qual seria essa diferença de tratamento?

Bom, colega, diante da apreensão em flagrante de uma criança por cometimen-

to de ato infracional, deve-se fazer o encaminhamento imediato para o Conselho

Tutelar para que este aplique a medida de proteção e, eventualmente, apresente

a necessidade de alguma medida de proteção específica à autoridade judicial. A

criança não está sujeita a nenhum tipo de medida, que possa privar a sua liberdade

quando pratica um ato infracional.

 Obs.: Predomina o entendimento que criança não deve passar nem pela polícia

judiciária, muito embora, nada impede que se possa registrar um boletim

de ocorrência do fato, a fim de resguardar interesses de terceiros. Atenção

para não confundir esse boletim de ocorrência com a instauração de auto de

apreensão que veremos quando tratarmos do adolescente.

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Portanto, meu (minha) caro (a), a criança pratica ato infracional, mas se sujei-

ta apenas às seguintes medidas protetivas previstas no art. 101.

Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade compe-
tente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:
I – encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;
II – orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III  – matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino funda-
mental;
IV  – inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao
adolescente;
IV  – inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e
promoção da família, da criança e do adolescente;
V – requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar
ou ambulatorial;
VI – inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a
alcoólatras e toxicômanos;
VII – acolhimento institucional; (no máximo 18 meses)
VIII – inclusão em programa de acolhimento familiar;
IX – colocação em família substituta. (por meio de guarda, tutela ou adoção)

O ECA garantiu a aplicação das medidas protetivas nos casos em que a criança

ou o adolescente sejam vítimas de uma omissão do Estado, por falta, omissão ou

abuso dos pais ou responsáveis ou ainda em razão de sua conduta.

Vimos, anteriormente, que as medidas de proteção têm o objetivo de proteger

a criança e o adolescente de uma situação de risco e sempre terão uma natureza

pedagógica. É muito importante observar que em relação às crianças, mesmo no

caso de aplicação da medida de proteção em razão de sua conduta, as medidas

serão de caráter assistencial. Isso significa dizer que uma criança que se encontre

em situação de conflito com a lei, mesmo que tenha ofendido bem jurídico alheio,

também precisa de uma atenção do Estado no sentido de corrigir a situação de ris-

co geradora de desvios em seu desenvolvimento físico, psíquico e moral.

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Nos casos de atos infracionais cometidos por crianças, não se leva em conside-

ração o ato praticado, mas sim a situação de risco em que ela se encontra. Aten-

te-se que, em regra, quem aplica as medidas de proteção é o Conselho Tutelar,

mas algumas somente podem ser aplicadas pelo juiz. Essas medidas são aquelas

previstas no art. 101 incisos VII a IX que, por implicarem a retirada da criança ou

adolescente da família natural, são medidas consideradas mais graves, portanto,

devem respeitar um procedimento legal, no qual se assegure o contraditório e a

ampla defesa.

Portanto, as medidas de proteção podem ser aplicadas tanto à criança como ao

adolescente, mas para a criança, o procedimento instaurado não tem por objetivo

apurar o ato infracional, mas terá o objetivo de apurar a situação de risco existente

e verificar a real necessidade da criança e, com isso, aplicar uma protetiva mais

adequada.

Professor, e como o adolescente é responsabilizado por suas condutas?

Para estudarmos a responsabilização do adolescente, primeiro nós temos que

verificar que ela é diferenciada em relação ao adulto.

Quando se dá a apreensão em flagrante de adolescente pelo cometimento de

ato infracional, ele será conduzido à presença da autoridade policial e lhe será as-

segurado o devido processo legal, além de alguns direitos específicos.

Primeiramente gostaria de dizer que as situações de flagrância são as mes-

mas estudadas por vocês nas aulas de direito processual penal, ou seja, quando

o adolescente é surpreendido cometendo a prática proibida ou tendo acabado de

cometer, sendo perseguido logo após a prática em situação, que faça presumir ser

o autor ou apreendido logo depois com objetos, que façam presumir ser o autor.

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Será assegurada ao adolescente a identificação dos responsáveis pela sua apre-

ensão, eles não serão conduzidos ou transportados em compartimento fechado de

veículo policial, em condições atentatórias à sua dignidade, ou que impliquem risco

à sua integridade física ou mental, sob pena de responsabilidade e terá direito que

a apreensão e o local em que se encontrem sejam comunicados à autoridade judi-

ciária, à família, ou à pessoa por eles indicada.

O adolescente civilmente identificado não será submetido à identificação com-

pulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para efeito de confron-

tação, havendo dúvida fundada a respeito da utilização de documentação alheia ou

no caso de falsificação. É muito importante esclarecer que o uso de algemas não é

proibido, embora o uso indiscriminado e arbitrário já tenha sido tratado pelo STF

por meio da Súmula Vinculante n. 11 e, com maior rigor ainda, deverá ser obser-

vado com relação ao adolescente.

Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou


de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil
e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que
se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado

Eu não sei se você percebeu que eu estou falando em apreensão de adolescente

e não em prisão. É muito importante que você utilize as expressões corretas, por-

que assim como adolescente não comete crimes, não existe prisão em flagrante de

adolescente, mas sim apreensão em flagrante de ato infracional.

O próximo passo é a condução do adolescente à presença da autoridade policial

(Delgado de Polícia), geralmente a uma Delegacia de Polícia Especializada, ainda

que o ato seja praticado em coautoria com um adulto.

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Nos casos em que o ato infracional for cometido com violência ou grave ame-

aça à pessoa irá ser lavrado um auto de apreensão com os objetos ou instru-

mentos do crime, se houver necessidade será determinada a produção de prova

pericial.

Se o ato infracional for praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa será

formalizado por meio de um boletim de ocorrência circunstanciado. A regra é que

após a formalização e diante da presença dos pais se libere o adolescente median-

te um termo de responsabilização para a sua apresentação imediatamente ou no

primeiro dia útil subsequente ao Ministério Público.

Apenas excepcionalmente deve o adolescente permanecer sob internação quan-

do houver gravidade do ato praticado conjugada com a sua repercussão social e,

ainda assim, somente se a medida se prestar à garantia da ordem pública ou a

garantia da segurança pessoal do adolescente. Além disso, não existe a figura da

fiança para os adolescentes porque a regra é a liberação.

Para a aplicação de medida socioeducativa ao adolescente será necessária uma

ação socioeducativa proposta exclusivamente pelo Ministério Público, na qual se

observará garantias processuais e tramitará perante a vara da infância e da ju-

ventude. Nesse caso teremos ação pública incondicionada, mesmo diante de ato

infracional equiparado a um tipo penal de ação penal privada.

Não temos ação socioeducativa proposta pela vítima nem mesmo há necessidade

de representação da vítima para que o Ministério Público possa propor a ação so-

cioeducativa.

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Essa ação socioeducativa tem a finalidade de apurar a autoria e a materialidade

da infração para que o Juiz aplique a medida pertinente prevista no rol taxativo

do art. 112, inclusive as medidas protetivas, exceto as medidas dos incisos

VII a IX do art. 101.

Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá apli-


car ao adolescente as seguintes medidas:
I – advertência;
II – obrigação de reparar o dano;
III – prestação de serviços à comunidade;
IV – liberdade assistida;
V – inserção em regime de semiliberdade;
VI – internação em estabelecimento educacional;
VII – qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.

Professor, eu não entendi essa exceção, por que com relação à criança o Juiz

pode aplicar qualquer medida protetiva, inclusive aquelas que importam a re-

tirada da família natural, mas com relação ao adolescente isso não é possível?

A razão é a seguinte, meu (minha) caro (a), a ação socioeducativa tem a fi-

nalidade de apurar a prática do ato infracional em si, portanto o contraditório é

estabelecido tendo no polo passivo da ação o adolescente, muito embora a família

participe. Com isso, temos que a ação socioeducativa para a apuração de um ato

infracional não é o meio adequado para a retirada do adolescente de sua família

natural, pois não se presta a esse objetivo.

Observe que com a criança, temos um procedimento em que será apurada ex-

clusivamente a situação de risco, portanto, verificada a situação de real necessidade

de retirá-la de sua família, é perfeitamente possível a sua retirada, embora a regra

seja que as outras medidas sejam aplicadas pelo Conselho Tutelar. Compreende?

Outra pergunta, que eu te faço é: será possível a extradição de adolescente,

que tenha praticado um ato infracional em outro país?

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Bom, meu (minha) caro (a), o STF já reconheceu a impossibilidade da extradi-

ção porque o nosso ordenamento jurídico impede a extradição quando o fato não

for crime no Brasil, como estamos diante de um ato infracional não há possibili-

dade de extradição.

Jurisprudência
EXTRADIÇÃO. PROMESSA DE RECIPROCIDADE. CRIMES DE EXTORSÃO GRAVE
COM CARÁTER DE ROUBO E LESÃO CORPORAL. EXTRADITANDO MENOR DE
DEZOITO ANOS À ÉPOCA DO FATO. INIMPUTABILIDADE. EQUIPARAÇÃO A
ATOS INFRACIONAIS. AUSÊNCIA DE DUPLA TIPICIDADE 1. Crimes de extor-
são grave com caráter de roubo e lesão corporal. Paciente menor de dezoito
anos à época dos fatos. Inimputabilidade segundo a lei brasileira. 2. A Lei n.
6.815/80 impede a extradição quando o fato motivador do pedido não for tipi-
ficado como crime no Brasil. Considerada sua menoridade, as condutas impu-
tadas ao extraditando são tidas como atos infracionais pela Lei n. 8.069/90
(Estatuto da Criança e do Adolescente). Ausente o requisito da dupla tipici-
dade prevista no art. 77, inc. II da Lei n. 6.815/80. Extradição indeferida.
(STF - Ext: 1135, Relator: Min. EROS GRAU, Data de Julgamento: 01/10/2009,
Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-223 DIVULG 26-11-2009 PUBLIC
27-11-2009 EMENT VOL-02384-01 PP-00042)

Já vimos que nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido pro-

cesso legal. Com relação às garantias, observe o que dispõe o ECA em seu artigo 111.

Art. 111. São asseguradas ao adolescente, entre outras, as seguintes garantias:


I – pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante cita-
ção ou meio equivalente;
II – igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e testemu-
nhas e produzir todas as provas necessárias à sua defesa;
III – defesa técnica por advogado;
IV – assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei;
V – direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade competente;
VI – direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase
do procedimento.

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Agora vamos estudar as medidas socioeducativas que serão aplicadas ao ado-

lescente pelo cometimento de um ato infracional.

Das Medidas Socioeducativas

Medidas socioeducativas: são medidas jurídicas, que podem ser aplicadas ao

adolescente autor de ato infracional. Somente pode ser aplica pelo juízo da

vara da infância e juventude. Rol taxativo do art. 112 do ECA.

Súmula 108 do STJ


A aplicação de medidas socioeducativas ao adolescente, pela prática de ato
infracional, é da competência exclusiva do Juiz.

Muito embora as medidas socioeducativas tenham um caráter sancionatório,

elas também possuem a finalidade pedagógica. Cada medida socioeducativa possui

uma finalidade de ressocialização. Para que o juiz possa escolher a medida socioe-

ducativa adequada ele deverá levar em consideração determinados critérios como

a gravidade do ato infracional, as circunstâncias em que foi praticada a

infração e a capacidade de cumprimento da medida. Além disso, levará em

consideração a excepcionalidade das medidas restritivas de liberdade, somente

aplicando-as se as medidas em meio aberto não forem suficientes à ressocialização.

A execução da medida socioeducativa poderá ser aplicada no próprio processo

de conhecimento, no qual é aplicada a medida ou em um processo de execução.

Será executada no próprio processo quando forem aplicadas, de forma isolada, a

advertência, a obrigação de reparação do dano ou uma medida protetiva. Nas de-

mais medidas, teremos um processo de execução de medida socioeducativa.

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Mas, professor, e quando o adolescente já está cumprindo medida socioeducativa,

o que acontece quando ele atinge a maioridade?

Muito boa a sua pergunta, meu (minha) querido (a), é o seguinte, veremos

adiante que, para as medidas socioeducativas, que importem privação da liber-

dade, ou seja, semiliberdade e internação, o fato de se atingir a maioridade não

prejudica a aplicação da medida socioeducativa, desde que se respeite o limite de

21 anos (prescrição etária), pois como já vimos, o ECA adotou o critério da ativida-

de para a definição da idade do adolescente. Portanto, leva-se em consideração a

data da prática do ato infracional e não idade no momento da execução da medida,

apenas atingida a idade de 21 anos é que se extingue a medida socioeducativa,

independentemente do período de cumprimento.

Agora eu faço outra pergunta a você, e quando um “jovem” maior de 18 anos e

menor de 21 anos que esteja em cumprimento de medida socioeducativa comete

um crime, o que acontece?

Bom, meu (minha) querido (a), perceba que eu usei o termo jovem entre aspas,

mas não usei aspas na palavra crime porque, nesse caso, ele é considerado um

adulto, portanto não sujeito às medidas de proteção do ECA. Nesse caso, ele real-

mente praticou um crime e não um ato infracional equiparado a crime, portanto, se

sujeitará à legislação penal comum.

No caso de condenação na esfera criminal, o juiz avaliará a necessidade ou não

de extinção da medida socioeducativa ou a sua continuidade.

Agora nós vamos estudar em detalhes cada uma das espécies de medidas so-

cioeducativas. As medidas se dividem em medidas em meio aberto (advertência,

obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade e a liberdade

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assistida) que, segundo os preceitos do direito menorista, são a regra, por não

importarem restrição da liberdade. Temos também excepcionalmente as medidas

restritivas de liberdade (semiliberdade e a internação), que somente são aplicadas

no caso de imprescindibilidade.

Das Medidas em Meio Aberto

Advertência: É a medida socioeducativa, que consiste na admoestação verbal

do adolescente pelo juiz, a qual será reduzida a termo e assinada. É a sanção mais

branda que existe e não importará acompanhamento da medida. Importante ob-

servar que poderá ser aplicada, bastando indícios de autoria (diferente de

prova) e prova da materialidade.

Obrigação de Reparar o Dano: Essa medida pressupõe um ato que cause pre-

juízo para a vítima, ou seja, será aplicada quando for praticado ato infracional com

reflexos patrimoniais com finalidade de compensar o prejuízo da vítima. Há três for-

mas de se promover a reparação dos danos, o ressarcimento quando simplesmente

se entrega o equivalente em dinheiro, a restituição da coisa quando se devolve o bem

subtraído ou quando de outro modo se busca compensar o prejuízo, essa última, é

uma forma residual, que compreende, por exemplo, serviços à vítima caso ela aceite.

Prestação de Serviços à Comunidade: Consiste na realização de tarefas gra-

tuitas de interesse geral à comunidade, tais como serviços em uma escola ou um

hospital, objetivando criar um senso de responsabilidade no adolescente. Tem pra-

zo máximo determinado de 6 meses e com carga horária máxima de 8 horas

por semana. Será gerida por uma entidade de atendimento, que fará a indicação

da instituição adequada para o cumprimento da medida. A prestação de serviços

poderá ser cumprida aos sábados, domingos e feriados, de modo a não prejudicar

a frequência à escola e ao trabalho.

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Liberdade Assistida: É uma medida, que consiste em um apoio, acompanha-


mento e orientação do adolescente por um orientador nomeado pelo juiz, o qual
poderá ser recomendado por uma entidade de atendimento. O orientador acompa-
nhará, auxiliará e orientará o adolescente junto à família, à comunidade e na vida
escolar. Tem um prazo mínimo de 6 meses.

Princípios das Medidas Socioeducativas Restritivas de


Liberdade

Antes de partirmos para as medidas socioeducativas, que importam privação da


liberdade, vamos falar sobre os princípios que são muito importantes para a sua
prova. As medidas socioeducativas que importam privação da liberdade são regidas
por alguns princípios de extração diretamente constitucional e que o ECA também
trouxe a sua previsão.
O primeiro princípio é o da excepcionalidade, o qual prevê que se aplicarão
medidas privativas de liberdade somente se houver necessidade de ressocialização
e não existir outra medida adequada a essa ressocialização.
Veremos que a internação se submete à legalidade estrita, somente se sujeitan-
do a cabimento taxativo previsto no ECA e será aplicada desde que seja necessária
e adequada ao caso concreto.
O segundo princípio é o da brevidade, o qual prevê que as medidas durarão
apenas o menor tempo possível e o tempo necessário à ressocialização, seguindo
rigorosamente os prazos previstos no próprio ECA.
Por fim, o princípio do respeito à condição peculiar de pessoa em desen-
volvimento, que se concretiza por meio de políticas que observem o caráter peda-
gógico das medidas e que tenham condição de ressocializar, pois o adolescente está
em processo de formação moral. Por isso, deve ser cumprida em estabelecimentos
adequados.

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Das Medidas que Importam Privação da Liberdade

Semiliberdade: É medida, que importará em uma restrição parcial da liberda-

de do adolescente que permanecerá um tempo na unidade e uma parte do tempo

em sua própria comunidade.

O adolescente sai para trabalhar e estudar durante o dia e à noite retorna à

unidade. Aos finais de semana, ele vai para a casa. Baseia-se na autodisciplina e

senso de responsabilidade e da confiança, portanto ficará livre de escolta ou qual-

quer vigilância.

Aplica-se o princípio da incompletude institucional que significa que serão

utilizados os recursos da comunidade e não apenas os recursos da instituição para

o convívio harmônico com a comunidade, tal como a escola pública local.

Art. 120. § 1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre


que possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade.

Poderá ser aplicada desde o início ou como forma de transição para a liberdade,

ou seja, durante a execução da medida de internação e antes da colocação em li-

berdade o adolescente é inserido em semiliberdade.

É medida, que não tem prazo determinado, portanto o juiz aplica a medida

sem especificar qual será o tempo de sua duração porque o tempo da medida

ocorrerá de acordo com a necessidade pedagógica, conforme seja necessário

para a ressocialização.

As atividades externas são da essência da medida e não podem ser vedadas,

sob pena de estar aplicando a medida de internação.

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Há também a semiliberdade invertida, na qual o adolescente permanece na

unidade durante o dia e à noite vai para a casa. Essa medida é destinada a ado-

lescentes mais novos que não tenha um perfil infracional, mas que tenha praticado

um ato infracional muito grave que há a necessidade de acompanhamento desse

adolescente, desde que essa medida seja a única capaz de trazer a ressocialização.

Aplicam-se, subsidiariamente, as regras da internação. Portanto, a semiliber-

dade observa a regra do prazo máximo de 3 anos devendo ser reavaliada pelo

menos a cada 6 meses verificando se há uma necessidade de continuidade dessa

medida por meio de uma decisão fundamentada da autoridade judiciária.

Internação: É medida, que importa restrição da liberdade do adolescente e,

por ser a mais severa, será regida, com maior rigor, por aqueles princípios que

acabamos de estudar. Será aplicada se existirem uma das seguintes hipóteses pre-

vistas no ECA:

Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:


I – tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;
II – por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
III – por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.
§ 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior
a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal.
§ 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada.

Perceba que diferentemente das outras medidas socioeducativas, a internação

aplica-se somente nos casos expressamente indicados na lei, por conta do princípio

da excepcionalidade.

Veremos alguns direitos garantidos aos adolescentes privados de sua liberdade.

O adolescente internado tem direito a visitas, pelo menos uma vez por semana,

mas o juiz poderá vedar ainda que sejam os pais, tendo em vista o superior inte-

resse do adolescente.

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A lei que instituiu o SINASE prevê a possibilidade de visitas íntimas para ado-

lescentes em cumprimento de medida de internação, que sejam casados ou que

vivam em união estável.

Art. 68. É assegurado ao adolescente casado ou que viva, comprovadamente, em


união estável o direito à visita íntima. (Lei n.12.594/2012)

Os casos de atividades externas para a internação são diferentes da semiliber-

dade, aqui a medida não estará baseada no senso de autodisciplina e responsabili-

dade e o adolescente será levado pela unidade até a atividade e será vigiado, sendo

trazido novamente à unidade após a sua jornada. Acontece que aqui as atividades

externas podem ser vedadas pela autoridade judiciária, em que pese tal decisão

possa ser revista a qualquer tempo pelo Juiz.

Temos três modalidades de internação, veremos agora cada uma delas:

Internação definitiva e sem prazo determinado: Essa internação será apli-

cada na sentença, que encerra o processo de conhecimento, depois de apurado

o ato infracional praticado, fundamentando a imprescindibilidade da internação.

Por isso, podemos chamá-la de internação definitiva. Nesse caso, o juiz não fixa

prazo, mas o prazo máximo será de 3 anos ou no caso de se completar a idade

máxima de 21 anos.

A decisão será reavaliada pelo menos a cada 6 meses e será aplicada nas se-

guintes hipóteses taxativamente previstas:

Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:


I – tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a
pessoa;
II – por reiteração no cometimento de outras infrações graves;

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Fique bastante atento (a) ao inciso I em sua prova porque o examinador poderá

tentar confundi-lo trazendo, por exemplo, um ato infracional equiparado a um deli-

to hediondo, mas que não envolva violência ou grave ameaça à pessoa, a exemplo

do tráfico de drogas. Aliás, esse é o entendimento do STJ por meio do enunciado

de Súmula 492. Vejamos.

Súmula 492 do STJ


O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz
obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de interna-
ção do adolescente.

O STJ vinha entendendo que a reiteração exigiria a prática de três ou mais

atos infracionais. No entanto, tal posicionamento se encontra superado, ca-

bendo ao juiz analisar as peculiaridades do caso concreto, inclusive para a

reiteração de ato infracional equiparado ao tráfico de drogas.

Apesar de parte da doutrina entender que ato grave seria aquele cujo tipo penal

preveja a pena de reclusão, para o STJ a definição de ato infracional grave também

deverá ser analisada no caso concreto. Veja os seguintes julgados.

Jurisprudência
HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO INFRA-
CIONAL ANÁLOGO AO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS. MEDIDA SOCIOE-
DUCATIVA DE INTERNAÇÃO. REITERAÇÃO DE ATO INFRACIONAL. ORDEM
DENEGADA. 1. Dispõe o art. 122 do Estatuto da Criança e do Adolescente que
a aplicação de medida socioeducativa de internação é possível nas seguintes
hipóteses: em razão da prática de ato infracional praticado mediante grave
ameaça ou violência contra a pessoa; pela reiteração no cometimento de
outras infrações graves; ou pelo descumprimento reiterado e injustificado de
medida anteriormente imposta. 2. “Consoante o majoritário entendimento

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desta Corte Superior, a hipótese constante do inciso II do art. 122 do ECA


não exige, para sua configuração, o mínimo de duas sentenças impositivas de
medidas socioeducativas anteriores”, cabendo ao juiz “analisar as peculiari-
dades do caso concreto e as condições específicas do adolescente para definir
se a reiteração está configurada e qual a melhor medida socioeducativa a ser
aplicada” (HC n. 408.228/SP, rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA
TURMA, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017).
PENAL. HABEAS CORPUS. NÃO CABIMENTO. ECA. ATO INFRACIONAL EQUI-
PARADO AO DELITO DE TRÁFICO DE ENTORPECENTES. MEDIDA SOCIO-
EDUCATIVA DE INTERNAÇÃO. GRAVIDADE ABSTRATA. ART. 122 DO ECA.
ROL TAXATIVO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. 1. Dispõe o
art. 122 do Estatuto da Criança e do Adolescente que a aplicação de medida
socioeducativa de internação é possível nas seguintes hipóteses: em razão
da prática de ato infracional praticado mediante grave ameaça ou violên-
cia contra a pessoa; pela reiteração no cometimento de outras infrações
graves; ou pelo descumprimento reiterado e injustificado de medida ante-
riormente imposta. 2. O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si
só, não conduz obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de
internação do adolescente, conforme consignado no enunciado da Súmula
n. 492 do STJ. 3. A medida socioeducativa extrema está autorizada nas
hipóteses taxativamente elencadas no art. 122 do Estatuto da Criança e
do Adolescente, o que denota a ilegalidade da constrição determinada em
desfavor do ora paciente, com base na gravidade abstrata do ato infracio-
nal. 4. Muito embora não se possa considerar inexpressiva a quantidade
de entorpecentes apreendida em poder do adolescente - 2 tabletes de
maconha, pesando 194,60g (cento e noventa e quatro gramas e sessenta
centigramas), 41 porções da mesma substância embaladas em invólucros
plásticos, com peso bruto de 60,36g (sessenta gramas e trinta e seis cen-
tigramas), e 1 cigarro da mesma droga, com peso aproximado de 0, 46g
(quarenta e seis centigramas) -, foi expressamente consignada na sentença
a primariedade do paciente, não havendo nem sequer notícia sobre even-
tual existência de outros processos nos quais se impute ao menor a prática

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de atos infracionais, evidenciando a possibilidade de aplicação de medida


socioeducativa de semiliberdade...(STJ - HC: 409915 SP 2017/0185223-
7, Relator: Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, Data de Julgamento:
16/11/2017, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 24/11/2017)

Internação sanção com prazo determinado: É chamada de internação san-

ção ou regressão, seria uma sanção temporária pelo descumprimento de medida

anteriormente aplicada. Por isso, essa modalidade de internação se encontra na

fase de execução das medidas socioeducativas e não na fase de conhecimento

como a internação anterior.

Perceba que mais parece uma espécie de regressão da medida socioeducativa.

O juiz da execução das medidas socioeducativas fixará o prazo da medida, mas

o prazo máximo será de 3 meses. Será aplicada na seguinte hipótese.

Art. 122. III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente


imposta.

Observe que se aplica somente no caso de descumprimento reiterado, portanto

pressupõe, no mínimo, dois descumprimentos e somente se for um descumprimen-

to injustificado, conforme o enunciado da súmula 265 do STJ no sentido de que:

É necessária a oitiva do menor infrator antes de decretar-se a regressão da


medida socioeducativa.

Portanto, no processo de execução da medida, o juiz, diante do conhecimento

do descumprimento da medida, deverá marcar uma audiência de justificação e ou-

vir o adolescente para saber os motivos do descumprimento, com a necessidade

de participação de seu defensor e, no caso de se verificar que o descumprimento

realmente é reiterado e que não há justificativa para tal, o juiz aplicará a internação

sanção na execução limitada a três meses, apenas para que se cumpra a medida.

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Internação provisória com prazo determinado: É aquela aplicada antes

da sentença, por isso têm natureza jurídica de medida cautelar pessoal para as-

segurar os resultados do processo, portanto não viola a presunção de inocência.

Perceba que essa modalidade de internação lembra muito a prisão preventiva dos

adultos com a diferença, que aqui ela tem prazo determinado e não ultrapassará

45 dias. Além disso, os requisitos são parecidos, porém mais simples porque exige

apenas indícios de autoria e de materialidade, ou seja, não é necessária a prova da

existência do ato infracional. Além de necessidade imperiosa da medida.

Atenção que esse prazo de 45 dias é improrrogável, portanto, se passado o

prazo e não sobrevier sentença, o adolescente deverá ser posto em liberdade, sob

pena do cometimento do crime do art. 235 do ECA. Observe.

Art. 235. Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nesta Lei em benefício de ado-


lescente privado de liberdade:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Professor, é possível a cumulação de medidas socioeducativas na sentença?

Sim, é possível, nos termos dos arts. 99, 100 combinados com o art. 113, todos

do ECA, desde que a amplitude pedagógica de cada medida seja compatível.

Como assim, professor?

Imagine a situação hipotética de um ato infracional equiparado a roubo, no

qual a sentença judicial aplique a medida socioeducativa de liberdade assistida

cumulada com a medida de prestação de serviços à comunidade. É perfeitamente

possível porque cada medida possui um objetivo diferente e não é incompatível a

sua cumulação.

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 Obs.: Cuidado para não confundir tal instituto com a unificação de medidas socio-
educativas, que é um incidente ocorrido no processo de execução das medi-
das socioeducativas para sentenças diversas e pelo cometimento de atos
infracionais diversos.

SEMILIBERDADE: Sem prazo, mas é reavaliada, no mínimo, a cada 6 meses e tem


prazo máximo de 3 anos.
INTERNAÇÃO DEFINITIVA: Sem prazo, mas é reavaliada, no mínimo, a cada 6 me-
ses e tem prazo máximo de 3 anos.
INTERNAÇÃO PROVISÓRIA: No máximo 45 dias.
INTERNAÇÃO SANÇÃO OU REGRESSÃO: Até 3 meses.

Do Acesso à Justiça

Iniciaremos agora o estudo de uma parte bastante abrangente do Estatuto, diz


respeito ao Título VI do ECA, correspondente ao Acesso à Justiça.
Trabalharemos com maior enfoque a parte referente à Justiça da Infância e
Juventude e, quanto à parte dos procedimentos, daremos maior ênfase no estudo
do procedimento relativo à apuração de atos infracionais atribuídos a adolescente.
Estudaremos em seguida a Infiltração de Agentes de Polícia para a Investigação de
Crimes contra a Dignidade Sexual de Criança e de Adolescente.
Disposições Gerais
O capítulo se inicia com a especificação de alguns princípios de sede constitu-
cional, tais como o princípio da inafastabilidade da jurisdição ou do amplo acesso à
justiça, garantindo o acesso de toda criança ou adolescente à Defensoria Pública,
ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, por qualquer de seus órgãos.

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Dispõe também sobre a assistência judiciária da infância e juventude, bem como

da gratuidade de justiça. A assistência judiciária será prestada aos que necessita-

rem, através de defensor público ou advogado nomeado. Além disso, as ações ju-

diciais da competência da Justiça da Infância e da Juventude são isentas de custas

e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé.

Baseando-se no princípio da proteção integral, proibiu-se a divulgação de atos

judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescen-

tes a que se atribua autoria de ato infracional. Qualquer notícia a respeito

do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia,

referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive,

iniciais do nome e sobrenome.

Perceba que também são vedadas as iniciais de nome e sobrenome, portanto

fique atento (a) porque é muito comum vermos notícias policiais envolvendo me-

nores autores de atos infracionais com as iniciais de seus nomes, sendo que tal

divulgação sem a autorização devida constitui uma infração administrativa. Outra

coisa, que devemos alertar é que tal direito permanece mesmo que o adolescente

venha a falecer.

A expedição de cópia ou certidão de atos relativos aos atos infracionais mencio-

nados somente será deferida pela autoridade judiciária competente, se demons-

trado o interesse e justificada a finalidade.

O ECA traz ainda a previsão de que os menores de dezesseis anos, ou seja,

os absolutamente incapazes, serão representados e os maiores de dezesseis e

menores de dezoito anos, ou seja, os relativamente incapazes, serão assistidos

por seus pais, tutores ou curadores, na forma da legislação civil ou processual.

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Além disso, a autoridade judiciária dará curador especial à criança ou adoles-

cente, sempre que os interesses destes colidirem com os de seus pais ou res-

ponsáveis ou quando carecer de representação ou assistência legal ainda que

eventual. Em regra, essa curadoria especial caberá à Defensoria Pública.

Da Justiça da Infância e da Juventude

Visando dar uma maior importância para as causas que envolvam a criança e

o adolescente, é facultado ao poder público a criação de varas especializadas

e exclusivas da infância e da juventude. Atente-se que não se trata de uma

obrigação, mas de uma faculdade com base na conveniência e oportunidade do po-

der público em criá-las, sempre por meio de lei, que estabeleça a sua organização

judiciária. Observe.

“Art. 145. Os estados e o Distrito Federal poderão criar varas especializadas e exclusi-
vas da infância e da juventude, cabendo ao Poder Judiciário estabelecer sua proporcio-
nalidade por número de habitantes, dotá-las de infraestrutura e dispor sobre o atendi-
mento, inclusive em plantões”.

A competência da vara da infância e da juventude será determinada pelo do-

micílio dos pais ou responsáveis ou pelo lugar onde se encontre a criança

ou adolescente no caso de falta dos pais ou responsáveis.

Essa competência se classifica em competência exclusiva e competência con-

corrente. No Art. 148 caput e incisos temos a competência exclusiva da vara da

infância e da juventude. Observe.

Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para:


I – conhecer de representações promovidas pelo Ministério Público, para apuração de
ato infracional atribuído a adolescente, aplicando as medidas cabíveis;
II – conceder a remissão, como forma de suspensão ou extinção do processo;

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III – conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes;


IV – conhecer de ações civis fundadas em interesses individuais, difusos ou co-
letivos afetos à criança e ao adolescente, observado o disposto no art. 209;
V – conhecer de ações decorrentes de irregularidades em entidades de atendi-
mento, aplicando as medidas cabíveis;
VI – aplicar penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de
proteção à criança ou adolescente;
VII – conhecer de casos encaminhados pelo Conselho Tutelar, aplicando as medidas
cabíveis.

Na competência exclusiva teremos a competência da Vara da Infância e Juven-

tude bastando que haja incidência de umas das hipóteses dos incisos acima, inde-

pendentemente de qualquer situação de risco envolvida, pois, nestes casos, há o

interesse real por parte da justiça especializada.

Já no caso da competência prevista no art.148, parágrafo único e alíneas, te-

mos a competência da Vara da Infância e Juventude desde que haja a incidência

de algumas das alíneas conjugando com a necessidade de uma situação

de risco no caso de ação ou omissão da sociedade ou do Estado, por falta,

omissão ou abuso dos pais ou responsável ou em razão de sua conduta.

Observe:

Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou adolescente nas hipóteses do art. 98,
é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim de:
a) conhecer de pedidos de guarda e tutela;
b) conhecer de ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação da tutela
ou guarda;
c) suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento;
d) conhecer de pedidos baseados em discordância paterna ou materna, em relação ao
exercício do pátrio poder;
e) conceder a emancipação, nos termos da lei civil, quando faltarem os pais;
f) designar curador especial em casos de apresentação de queixa ou representação, ou
de outros procedimentos judiciais ou extrajudiciais em que haja interesses de criança
ou adolescente;
g) conhecer de ações de alimentos;
h) determinar o cancelamento, a retificação e o suprimento dos registros de nascimento
e óbito.

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Quanto à apuração de ato infracional atribuído a adolescente, teremos a compe-

tência da vara da infância e juventude independentemente do tipo de ato infracio-

nal praticado. Portanto, mesmo que seja um ato infracional equiparado a um delito

eleitoral, militar ou mesmo que prejudique a União, será da competência da vara

da infância e juventude.

Quanto à competência territorial da vara da infância e da juventude para apura-

ção de ato infracional, será o juízo do local da ação ou omissão do ato infracional,

respeitadas as regras de conexão e continência e prevenção do direito processual.

No entanto, no caso de execução das medidas aplicadas, poderá ser delegada à

autoridade competente da residência dos pais ou responsável, ou do local onde se

sediar a entidade, que abrigar a criança ou adolescente.

No caso de infração cometida por transmissão simultânea de rádio ou televisão,

que atinja mais de uma comarca, será competente, para aplicação da penalida-

de, a autoridade judiciária do local da sede estadual da emissora ou rede, tendo

a sentença eficácia para todas as transmissoras ou retransmissoras do respectivo

estado.

Segundo o STF é possível que lei estadual de organização judiciária possa estabe-

lecer a competência da Vara da Infância e da Juventude para processar e julgar

crimes praticados contra a criança e o adolescente. Atente-se que, em regra, será

da Vara Criminal, salvo se lei de organização judiciária dispuser de maneira diversa

tal competência. Observe.

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Jurisprudência:
COMPETÊNCIA – VARA DO JUIZADO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE – ARTIGO
145 DA LEI N. 8.069/90 E LEI N. 12.913/2008, DO ESTADO DO RIO GRANDE
DO SUL. Considerado o disposto no artigo 145 da Lei n. 8.069/90 – Estatuto
da Criança e do Adolescente – e na Lei n. 12.913/2008, do Estado do Rio
Grande do Sul, dá-se a competência de Vara do Juizado da Infância e Juven-
tude de Porto Alegre para julgar delito praticado contra criança ou adoles-
cente.” (HC 113102, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, PRIMEIRA TURMA, julgado em
18/12/2012, DJe 15/02/2013.)

O Juiz da Infância e Juventude, sempre de maneira específica e fundamentada,


poderá regulamentar por portaria ou autorizar por meio de alvará as seguintes
atividades:
A entrada e permanência de criança ou adolescente, desacompanhado dos
pais ou responsável, em:
• Estádio, ginásio e campo desportivo;
• Bailes ou promoções dançantes;
• Boate ou congêneres;
• Casa que explore comercialmente diversões eletrônicas;
• Estúdios cinematográficos, de teatro, rádio e televisão.

A participação de criança e adolescente em:


• Espetáculos públicos e seus ensaios;
• Certames de beleza.

Para isso, sempre levará em consideração os princípios do ECA, as peculiari-


dades locais, as instalações adequadas, o tipo de frequência habitual ao local, a
adequação do ambiente, a eventual participação ou frequência de crianças e ado-
lescentes e a natureza do espetáculo.

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Dos Procedimentos

É importante destacar que o ECA estabelece procedimentos específicos de na-


tureza cível, administrativa, processual e procedimentos específicos de natureza
infracional. Aqui trabalharemos com maior rigor o procedimento para apuração de
ato infracional atribuído ao adolescente.
Primeiramente é importante esclarecer que para os procedimentos regulados
no ECA aplicaremos subsidiariamente as normas gerais previstas na legislação pro-
cessual pertinente. Portanto, nos procedimentos de natureza cível será aplicado
subsidiariamente o Código de Processo Civil, nos de procedimentos de natureza
administrativa será aplicada a Lei de Processo Administrativo de âmbito Federal e
para os procedimentos de natureza infracional aplica-se subsidiariamente o Código
de Processo Penal, exceto quanto aos recursos, pois, neste caso, aplicare-
mos também subsidiariamente o Código de Processo Civil.
No caso em que a medida judicial a ser adotada não corresponder a procedimento
aqui previsto ou mesmo em outra lei, o Juiz poderá investigar os fatos e ordenar de
ofício as providências necessárias, ouvido o Ministério Público. No entanto, isso
não ocorrerá para o fim de afastamento da criança ou do adolescente de sua
família de origem e em outros procedimentos necessariamente contenciosos.
Perceba que há especialidade do próprio ECA no que diz respeito aos procedi-
mentos, pois serão aplicados outros ordenamentos somente nos casos de lacuna.
Observe a prioridade consagrada no próprio ECA.

§ 1º É assegurada, sob pena de responsabilidade, prioridade absoluta na tramitação


dos processos e procedimentos previstos nesta Lei, assim como na execução dos
atos e diligências judiciais a eles referentes.
§ 2º Os prazos estabelecidos nesta Lei e aplicáveis aos seus procedimentos são conta-
dos em dias corridos, excluído o dia do começo e incluído o dia do vencimento, vedado
o prazo em dobro para a Fazenda Pública e o Ministério Público. (Incluído pela
Lei n. 13.509, de 2017).

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Da Apuração de Ato Infracional Atribuído a Adolescente

Começamos a ver o procedimento da apuração de ato infracional cometido por

adolescente, mas vimos apenas a atuação no âmbito da delegacia de polícia espe-

cializada e superficialmente citamos a propositura da medida socioeducativa por

parte do Promotor de Justiça.

Agora estudaremos a representação, que é a peça processual destinada a de-

flagrar a medida socioeducativa. Veremos que esse procedimento tem como prin-

cípios a prioridade e a celeridade em sua tramitação.

Vimos que o adolescente apreendido por força de ordem judicial será,

desde logo, encaminhado à autoridade judiciária, mas se for apreendido em

flagrante de ato infracional será, desde logo, encaminhado à autoridade

policial competente.

Nos casos em que o ato infracional for cometido com violência ou grave ameaça

à pessoa irá ser lavrado um auto de apreensão com os objetos ou instrumentos do

crime, se houver necessidade será determinada a produção de prova pericial.

Se o ato infracional for praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa será

formalizado por meio de um boletim de ocorrência circunstanciado. A regra é que

após a formalização e diante da presença dos pais se libere o adolescente, median-

te um termo de responsabilização para a sua apresentação imediatamente ou no

primeiro dia útil subsequente ao Ministério Público.

Apenas excepcionalmente deve o adolescente permanecer sob internação quan-

do houver gravidade do ato praticado conjugada com a sua repercussão social e,

ainda assim, somente se a medida se prestar à garantia da ordem pública ou a

garantia da segurança pessoal do adolescente. Além disso, não existe a figura da

fiança para os adolescentes porque a regra é a liberação.

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No caso de não liberação, o Delegado de Polícia encaminhará o adolescente ao

representante do Ministério Público, acompanhado de cópia do auto de apreensão

ou boletim de ocorrência. Sendo impossível a apresentação imediata, encaminhará

o adolescente à entidade de atendimento, que fará a apresentação ao representan-

te do Ministério Público no prazo de vinte e quatro horas.

Nas localidades onde não houver entidade de atendimento, a apresentação far-

-se-á pela autoridade policial. Na falta de repartição policial especializada, o ado-

lescente aguardará a apresentação em dependência separada da destinada a

maiores, não podendo, em qualquer hipótese, exceder o prazo de vinte e

quatro horas.

Em caso de não apresentação, o representante do Ministério Público notificará

os pais ou responsável para apresentação do adolescente, podendo requisitar o

concurso das polícias civil e militar.

No caso de liberação, o delegado de polícia encaminhará imediatamente ao re-

presentante do Ministério Público cópia do auto de apreensão ou boletim de ocor-

rência. Não sendo hipótese de flagrante, mas havendo indícios de participação do

adolescente na prática do ato infracional, encaminhará ao representante do Minis-

tério Público o relatório das investigações e os demais documentos.

O representante do Ministério Público, no mesmo dia e à vista desses documen-

tos, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação sobre os ante-

cedentes do adolescente, procederá à oitiva imediata e informal do adolescente

e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas. Nesse

momento o Promotor de Justiça reunirá os elementos de convicção necessários

para tomar a decisão, que julgar mais adequada ao caso concreto.

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A oitiva informal do adolescente por parte do Promotor de Justiça não se trata de

uma condição de procedibilidade da representação para a propositura de medida

socioeducativa, podendo o promotor agir independentemente de oitiva, caso reúna

elementos de convicção suficientes para representar. Além disso, o entendimento

do STJ é no sentido de que a ausência de advogado nesse momento, por si só, não

configura nulidade.

Jurisprudência
HABEAS CORPUS. SUBSTITUIÇÃO AO RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBI-
LIDADE. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO INFRACIONAL
EQUIPARADO AO CRIME DE FURTO QUALIFICADO. OITIVA INFORMAL. ART.
179 DO ECA. AUSÊNCIA DE DEFESA TÉCNICA. ALEGADA NULIDADE. PRO-
CEDIMENTO EXTRAJUDICIAL PREVISTO EM LEI. MANIFESTAÇÃO DO MENOR
QUE DEVERÁ SER RATIFICADA EM JUÍZO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO
CONFIGURADO. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. - O Supremo Tribunal
Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribu-
nal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus,
passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível
de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de con-
cessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. - Nos termos
da jurisprudência desta Corte, a ausência de defesa técnica na audiência de
oitiva informal do menor perante o Ministério Público não configura nulidade,
porquanto não implica prejuízo à defesa, em razão da necessidade de rati-
ficação do depoimento do menor perante o Juízo competente, sob o crivo
do contraditório. Com efeito, a audiência de oitiva informal tem natureza

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de procedimento administrativo, que antecede a fase judicial, oportunidade


em que o membro do Ministério Público, diante da notícia da prática de um
ato infracional pelo menor, reunirá elementos de convicção suficientes para
decidir acerca da conveniência da representação, do oferecimento da pro-
posta de remissão ou do pedido de arquivamento do processo (HC 109.242/
SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA). Precedentes. - Habeas corpus
não conhecido. (STJ - HC: 349147 RJ 2016/0039418-0, Relator: Ministro
REYNALDO SOARES DA FONSECA, Data de Julgamento: 01/06/2017, T5 -
QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 08/06/2017).

Depois de proceder à oitiva informal ou de receber os documentos autuados, o

Promotor de Justiça poderá tomar três medidas:

I – promover o arquivamento dos autos;

No caso de o Promotor de Justiça entender que não se trata de um ato infra-

cional ou de que não há quaisquer indícios de autoria por parte do adolescente ou

mesmo se verificar que ele estaria diante de uma excludente de antijuridicidade,

poderá se manifestar pelo arquivamento do procedimento, o qual dependerá de

controle feito pelo Juiz por meio de homologação. Em caso de discordância do Juiz

no sentido do arquivamento, ele encaminhará ao Procurador-Geral de Justiça que

decidirá sobre a promoção de arquivamento ou pela representação.

II – conceder a remissão;

Poderá o Promotor de Justiça entender que é possível a remissão como forma

de exclusão do procedimento judicial. Trata-se de uma espécie de “perdão”. Per-

ceba que coloquei perdão entre aspas porque uma parte significativa da doutrina

faz duras críticas à palavra perdão.

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A lógica é a seguinte meu (minha) amigo (a). Toda vez que um adolescente se

submete a procedimento de apuração de ato infracional a ele é atribuído o estigma

de menor infrator, isso poderá dificultar ainda mais a sua inserção social. Portanto,

nesse caso, o Promotor de Justiça avaliará os custos e os benefícios dessa medida a

fim de se verificar a real necessidade da representação, escolhendo aquela opção que

trouxer melhor benefício para o menor, bem como para a sociedade, ou seja, evita-se

a judicialização desnecessária. Trata-se de uma ponderação de interesses que leva

em consideração a não estigmatização do adolescente como infrator. Observe.

Art. 126, caput. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infra-
cional, o representante do Ministério Público poderá conceder a remissão, como forma
de exclusão do processo, atendendo às circunstâncias e consequências do fato, ao con-
texto social, bem como à personalidade do adolescente e sua maior ou menor partici-
pação no ato infracional.

Perceba que falei em remissão como forma de exclusão do procedimento porque

essa remissão é um ato promovido pelo Ministério Público e homologado pelo poder

judiciário antes de se deflagrar o procedimento judicial, conhecida como remis-

são ministerial ou pré-processual. Nesse caso, em não havendo a ratificação

judicial, haverá também o encaminhamento ao Procurador-Geral de Justiça, que

decidirá sobre a questão.

Temos que fazer a distinção entre esse instituto e outro tipo de remissão, que

é conhecida como remissão judicial ou processual. Nesse caso, o procedimento

judicial já se iniciou, mas teremos a concessão da remissão dada pelo Juiz, após a

oitiva do Ministério Público e, em seguida, haverá a suspensão do procedimento ou

a sua extinção. Observe.

Art. 126, parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela au-


toridade judiciária importará na suspensão ou extinção do processo.

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Observe que aqui é necessária a prévia oitiva do Ministério Público sob pena de

nulidade, embora a opinião do Promotor de Justiça não seja vinculante.

É importante esclarecer que tanto a remissão ministerial como a remissão ju-

dicial não importam o reconhecimento da autoria do ato infracional e não constam

para fins de antecedentes, muito menos para reincidência.

A aceitação da remissão por parte do adolescente é uma opção, na qual não

se discute o mérito da questão. Perceba que tais institutos, guardadas as devidas

proporções, muito se parecem com as medidas despenalizadoras dos arts.76 e 89

da Lei n. 9099/95 (transação penal e suspensão condicional do processo), pois é

possível condicionar a remissão, cumulando-a com medidas socioeducativas não

privativas da liberdade. Nesse caso, teremos a suspensão do processo, chama-

da remissão imprópria, por isso a crítica da doutrina na expressão perdão, pois

mais seria uma espécie de transação do que propriamente um perdão, entende?

A remissão como forma de extinção do processo será concedida pelo Juiz, ela

será desacompanhada de medida socioeducativa ou cumulada apenas com a medi-

da de advertência, pois nesses casos não há necessidade de acompanhamento da

medida, se exaurindo em um único ato.

O adolescente pode não concordar com a remissão e optar pelo prosseguimento

do processo a fim de provar a sua inocência, no caso de cumulação com medida

socioeducativa.

Remissão Ministerial: Concedida antes do procedimento judicial, por isso acar-

reta exclusão do procedimento. É necessária a homologação judicial com ou sem

medida socioeducativa.

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Remissão Judicial: Concedida após o procedimento judicial, portanto poderá

acarretar extinção ou suspensão do procedimento a depender de ser própria ou

imprópria.

Remissão Judicial própria: Concedida, em regra, sem a cumulação com medida

socioeducativa e acarretará a extinção do procedimento judicial. OBS: Poderá ser

cumulada apenas com Advertência, que dispensa acompanhamento da medida e,

também, poderá ser aplicada em qualquer fase do procedimento, antes da sentença.

Remissão Judicial imprópria: Cumulada com medida socioeducativa não privativa de

liberdade, acarreta suspensão do procedimento judicial até o cumprimento da medida.

III – representar à autoridade judiciária para aplicação de medida socio-

educativa.

Por fim, poderá o Promotor de Justiça representar o adolescente. A representação

é a petição inicial acusatória formulada à autoridade judiciária para a aplicação de me-

dida socioeducativa ao adolescente. Ela deflagrará uma ação socioeducativa proposta

exclusivamente pelo Ministério Público, na qual se observará garantias processuais e

tramitará perante a vara da infância e da juventude. Nesse caso teremos ação pública

incondicionada, mesmo diante de ato infracional equiparado a um tipo penal de ação

penal privada. Para a representação não há a necessidade de prova pré-constituída,

pois estas serão produzidas durante o procedimento judicial, garantindo-se o contra-

ditório. Basta que haja indícios suficientes de autoria e materialidade.

Não temos ação socioeducativa proposta pela vítima nem mesmo há necessidade

de representação da vítima para que o Ministério Público possa propor a ação so-

cioeducativa.

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Professor, é possível ação privada subsidiária da pública para atos infracionais?

Bom, meu (minha) caro (a), a ação privada subsidiária é aquela, na qual o titu-
lar da ação pública, no caso o Ministério Público, fica inerte, não se manifestando
no prazo estabelecido para tal. Nesse caso, abre-se um prazo para que o ofendido
possa ingressar com a ação privada em juízo. Acontece que, embora a ação privada
subsidiária tenha hierarquia constitucional, não podemos falar em ação socioedu-
cativa privada subsidiária da pública porque a Constituição Federal é clara no senti-
do de que a ação privada subsidiária será admitida nos crimes de ação pública
e não nos atos infracionais. Observe

Constituição Federal
Art. 5º, LIX, “será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal”.

Sigamos. A representação será oferecida por petição, que conterá o breve resumo
dos fatos e a classificação do ato infracional e, quando necessário, o rol de testemu-
nhas, podendo ser deduzida oralmente, em sessão diária instalada pela autoridade
judiciária. Em seguida, após oferecida a representação, o Juiz designará audiência de
apresentação, na qual o adolescente será interrogado e os seus pais serão ouvidos.
O adolescente e seus pais ou responsável serão cientificados do teor da repre-
sentação e notificados a comparecer à audiência, acompanhados de advogado.
O Juiz requisitará a elaboração de um relatório multidisciplinar sobre a situação
do adolescente e deliberará sobre a internação provisória do adolescente se for o
caso. Lembrando que vimos na aula passada que essa internação provisória antes
da sentença terá o prazo máximo de quarenta e cinco dias.
Não sendo o adolescente encontrado para a citação, o Juiz expedirá um
mandado de busca e apreensão (MBA), geralmente com prazo de validade de
seis meses e determinará o sobrestamento do feito até a sua apresentação.

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No caso em que o adolescente esteja internado, será requisitada a sua apresen-

tação sem prejuízo da notificação dos pais ou responsável, não sendo estes locali-

zados, o juiz dará curador especial ao adolescente.

Outra coisa diferente é quando o adolescente é encontrado, mas não com-

parece à audiência designada. Nesse caso, o Juiz designará nova data para a au-

diência e determinará a expedição de um mandado de condução coercitiva.

NÃO ENCONTRADO PARA A CITAÇÃO: o Juiz expedirá um mandado de busca e

apreensão (MBA) e determinará o sobrestamento do feito até a sua apresentação.

ENCONTRADO, MAS NÃO COMPARECE À AUDIÊNCIA: O Juiz designará nova data

para a audiência e determinará a expedição de um mandado de condução coercitiva.

Comparecendo o adolescente e seus responsáveis, a autoridade judiciária pro-

cederá à oitiva do adolescente e de seu responsável, podendo solicitar opinião de

profissional qualificado. Temos, nesse momento, a participação obrigatória de ad-

vogado com oportunidade de entrevista prévia com o defensor.

Será assegurado o direito de permanecer em silêncio, sem que isso importe em

confissão, assim como terá direito de ampla defesa. Atente-se aqui para o enuncia-

do de súmula n..342 do STJ.

SÚMULA 342, STJ: No procedimento para aplicação de medida socioeducativa,


é nula a desistência de outras provas em face da confissão do adolescente.

Em seguida teremos a possibilidade de concessão da remissão judicial ao ado-

lescente com a prévia oitiva do Ministério Público. No caso de remissão como forma

de extinção do processo o Juiz proferirá uma sentença.

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Sendo o fato grave, passível de medida de internação ou colocação em regi-

me de semiliberdade, o Juiz, verificando que o adolescente não possui advogado,

nomeará defensor e designará audiência em continuação, podendo determinar a

realização de diligências e estudo do caso. O advogado ou o defensor nomeado

oferecerá defesa prévia e rol de testemunhas no prazo de três dias conta-

dos da audiência de apresentação.

Na audiência em continuação serão ouvidas as testemunhas e serão cumpridas

as diligências, juntando um relatório de equipe interprofissional, geralmente com-

posta por psicólogos, pedagogos e assistentes sociais, que auxiliam o Juiz em sua

decisão. Atente-se para o informativo 779 do STF.

INFORMATIVO 779 - Cumprimento de Medida Socioeducativa


O parecer psicossocial não possui caráter vinculante e representa apenas um
elemento informativo para auxiliar o magistrado na avaliação da medida socio-
educativa mais adequada a ser aplicada. A partir dos fatos contidos nos autos,
o juiz pode decidir contrariamente ao laudo com base no princípio do livre con-
vencimento motivado.
STF. 1ª Turma. RHC 126205/PE, rel. Min. Rosa Weber, julgado em 24/3/2015
(Info 779).

Em seguida, ocorrerão os debates orais com a palavra dada ao representante

do Ministério Público e ao defensor, sucessivamente, pelo tempo de vinte minutos

para cada um, prorrogável por mais dez, a critério da autoridade judiciária, que em

seguida proferirá decisão.


A sentença judicial poderá ser procedente quando se reconhecer a autoria e a
materialidade do fato ao adolescente, aplicando-se as medidas socioeducativas,
que vimos na aula passada ou poderá ser improcedente quando for afastada a pos-
sibilidade de responsabilização do ato infracional ao adolescente quando:
• Provada a inexistência do fato;

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• Não houver prova da existência do fato;


• Não constituir o fato infração;
• Não existir prova de ter o adolescente concorrido para o ato infracional.

Lembre-se de que até o momento da sentença será possível a concessão da remissão


judicial.

A intimação da sentença, que aplicar medida de internação ou regime


de semiliberdade será feita ao adolescente, que deverá manifestar se deseja
ou não recorrer da sentença ou será feita ao seu defensor e a seus pais ou res-
ponsável, quando não for encontrado o adolescente, sem prejuízo do defensor.
No caso de outra a medida aplicada, a intimação far-se-á unicamente na
pessoa do defensor. Em todos os casos, prevalece a vontade daquele que quiser
recorrer em caso de opiniões contrárias.

Da Infiltração de Agentes de Polícia para a Investigação


de Crimes contra a Dignidade Sexual de Criança e de
Adolescente

Estudaremos agora aspectos processuais específicos da investigação de alguns


crimes relacionados à pornografia envolvendo crianças e adolescentes, sobretudo
aqueles crimes praticados por meio da rede mundial de computadores. Trata-se de
instituto simples que por ser relativamente recente poderá cair em sua prova.
A infiltração é uma medida investigativa, que se utiliza de um agente infiltrado
em uma organização criminosa atuando sigilosamente para a colheita de elementos
de prova. Eles poderão, mediante procedimento sigiloso e requisição da autoridade
judicial, obter identidade fictícia para efetividade das investigações.

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Primeiramente é importante destacar que a infiltração de agentes somente se


dará nos casos de imprescindibilidade dessa medida investigativa, portanto não
será admitida se a prova puder ser obtida por outros meios e, em todo caso, será
assegurada a preservação da identidade do agente policial infiltrado e a intimidade
das crianças e dos adolescentes.
As informações da operação de infiltração serão encaminhadas diretamente ao
juiz responsável pela autorização da medida, que zelará pelo seu sigilo. A autorida-
de judicial e o Ministério Público poderão requisitar relatórios parciais da operação
de infiltração.
Não cometerá crime o policial, que oculta a sua identidade para, por meio da
internet, colher indícios de autoria e materialidade dos seguintes crimes, mas o
agente policial infiltrado, que deixar de observar a estrita finalidade da investigação
responderá pelos excessos praticados. Vejamos.

Art. 190-A. A infiltração de agentes de polícia na internet com o fim de investigar os


crimes previstos nos arts. 240, 241, 241-A, 241-B, 241-C e 241-D desta Lei e nos arts.
154-A, 217-A, 218, 218-A e 218-B do Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940
(Código Penal), obedecerá às seguintes regras: (Incluído pela Lei n. 13.441, de 2017)
I – será precedida de autorização judicial devidamente circunstanciada e fundamenta-
da, que estabelecerá os limites da infiltração para obtenção de prova, ouvido o Ministé-
rio Público;(Incluído pela Lei n. 13.441, de 2017)
II – dar-se-á mediante requerimento do Ministério Público ou representação de delega-
do de polícia e conterá a demonstração de sua necessidade, o alcance das tarefas dos
policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível, os dados
de conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas; (Incluído pela
Lei n. 13.441, de 2017)
III – não poderá exceder o prazo de 90 (noventa) dias, sem prejuízo de eventuais
renovações, desde que o total não exceda a 720 (setecentos e vinte) dias e seja de-
monstrada sua efetiva necessidade, a critério da autoridade judicial. (Incluído pela Lei
n. 13.441, de 2017).

Concluída a investigação, todos os atos eletrônicos praticados durante a opera-


ção deverão ser registrados, gravados, armazenados e encaminhados ao juiz e ao
Ministério Público, acompanhado de relatório circunstanciado.

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Do Advogado

O advogado é constitucionalmente indispensável à administração da justiça, por


isso, deverá intervir nos procedimentos envolvendo criança e adolescente, o qual
será intimado pessoalmente ou por publicação oficial para todos os atos, respeitado
o segredo de justiça. Será prestada assistência judiciária integral e gratuita àqueles
que dela necessitarem.
Nenhum adolescente, que responda pela prática de ato infracional será proces-
sado sem defensor, mesmo que esteja ausente ou foragido. Se o adolescente
não tiver defensor, ser-lhe-á nomeado pelo juiz, sem que prejudique o direito de
constituir outro defensor de sua preferência.
A ausência do defensor não determinará o adiamento de nenhum ato do proces-
so, devendo o juiz nomear substituto, ainda que provisoriamente.

Dos crimes contra a Criança e o Adolescente

A partir de agora nós utilizaremos muitas nomenclaturas próprias do Direito


Penal, por isso, precisamos esclarecer algumas classificações de crimes e algumas
definições, que serão extremamente importantes para o nosso estudo.
Acho que isso já está claro, mas não custa relembrar que em tais crimes temos
as crianças ou os adolescentes como vítimas e não como autores, pois vimos que
menores dezoito anos não cometem crimes. Portanto, dizem respeito às condutas
praticadas por maiores de 18 anos de idade contra os menores.
A partir de agora chamaremos de tipo penal a descrição objetiva de um com-
portamento vedado pelo ordenamento jurídico por ser violador de um objeto jurídi-
co tutelado. A tipicidade é o enquadramento da previsão abstrata de um compor-
tamento descrito no tipo, ou seja, é a subsunção da conduta concreta na conduta
abstratamente prevista no tipo penal.

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Será sujeito ativo aquele indivíduo, que lesa um bem jurídico alheio, o qual o

tipo penal tem por objetivo a sua tutela e será sujeito passivo o indivíduo, que

tem esse bem jurídico violado.

Outra classificação muito importante para o Direito Penal quanto ao sujeito ati-

vo é a que faz distinção entre os crimes comuns, quando não há uma condição

especial do sujeito ativo, portanto, qualquer pessoa poderá cometê-lo e os chama-

dos crimes próprios, quando exigem uma condição ou qualidade especial para o

sujeito ativo, não podendo ser praticado por qualquer pessoa.

O elemento subjetivo dos crimes tem como finalidade investigar o ânimo

do sujeito, que pratica um tipo penal objetivo, ou seja, sua função é averiguar a

vontade do agente ao praticar a crime. Pode o crime ter como elemento subjetivo

o dolo, quando o sujeito ativo quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo,

sendo indiferente quanto ao resultado. Pode ainda ter como o elemento subjetivo

a culpa, quando o sujeito passivo age com inobservância de um dever de cuidado,

manifestada numa conduta, que produz um resultado, que ele não queria, porém,

por negligência, imprudência ou imperícia acaba produzindo o resultado. Todos os

tipos penais culposos devem ter previsão legal expressa de sua forma culposa para

que o sujeito ativo possa ser responsabilizado.

Quanto aos tipos de condutas temos os crimes comissivos e os crimes omis-

sivos. No crime comissivo o agente viola um tipo proibitivo fazendo o que a lei

proíbe, a ação nada mais é do que uma conduta (fazer) proibida pela norma. Ex.:

matar alguém. Já no crime omissivo o agente viola um tipo mandamental, não

fazendo o que a lei determina, ou seja, omissão é a conduta não realizada pelo

agente, contrariando a determinação legal. O crime omissivo pode ser puro ou

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próprio, quando a omissão está descrita no tipo incriminador. Ex.: omissão de

socorro (art. 135 do CP) ou crime omissivo impróprio ou comissivo por omis-

são, quando a omissão não está descrita no tipo penal, e sim e uma cláusula geral,

a qual o agente tem o dever jurídico de evitar o resultado.

Considera-se crime consumado quando nele se reúnem todos os elementos

de sua definição legal, ou seja, quando ocorre a realização do tipo penal por intei-

ro, nele encerrando todas as suas fases. Já o crime tentado é quando é iniciada a

execução de um crime, mas ele não se consuma por circunstâncias alheias à von-

tade do agente, ou seja, o agente inicia a execução do crime, mas não consegue

concluí-lo.

Quanto ao momento de sua consumação os crimes se classificam em crimes

materiais, quando o tipo penal descreve além da conduta um resultado naturalís-

tico e exige que esse resultado naturalístico aconteça, pois ele é indispensável para

a consumação. Ex.: homicídio.

Temos os crimes formais ou de consumação antecipada, quando o tipo penal

também descreve conduta e o resultado naturalístico, a diferença é que no crime

formal, o resultado naturalístico é dispensável, pois a consumação se dá com a con-

duta. O resultado naturalístico é mero exaurimento do crime. Por isso é chamado

de consumação antecipada, ou seja, se consuma com a conduta, dispensando o

resultado naturalístico. Ex.: extorsão, art. 158 do CP.

Por fim, temos os crimes de mera conduta os quais o tipo penal descreve uma

mera conduta, sequer prevendo resultado naturalístico. Ex.: violação de domicílio,

art. 150 do CP.

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Vimos também que a competência, em regra, é da vara criminal, salvo se lei lo-

cal dispuser de modo diverso. No entanto, se o delito for uma infração de menor

potencial ofensivo (IMPO), ou seja, todo aquele crime cuja penal máxima não é

superior a dois anos, será da competência dos juizados especiais criminais.

Além disso, todos os tipos penais aqui previstos são de ação penal pública in-

condicionada, ou seja, eles não dependem de representação dos pais ou dos res-

ponsáveis da criança ou adolescente para a propositura da ação penal respectiva.

Outra coisa muito importante é que nada impede que sejam aplicados os crimes

previstos no Código Penal e nas demais leis especiais quando os sujeitos passivos

forem crianças ou adolescente, salvo quando aqui já estiverem previstos como

tipos penais específicos. Veremos, inclusive, que vários crimes aqui previstos já

estão tipificados em outras leis especiais, mas pelo princípio da especialidade do

sujeito ativo, aplica-se o ECA.

Devemos, ainda, aplicar o Código de Processo Penal para a parte processual e o

Código Penal na parte geral.

Agora vamos aos crimes em espécie.

Dos Crimes Contra a Criança e o Adolescente


Art. 228
Art. 228. Deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de aten-
ção à saúde de gestante de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma
e prazo referidos no art. 10 desta Lei, bem como de fornecer à parturiente ou a seu
responsável, por ocasião da alta médica, declaração de nascimento, onde constem as
intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato:
Pena – detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Se o crime é culposo:
Pena – detenção de dois a seis meses, ou multa.

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Temos aqui um tipo penal remetido porque faz remissão a outro dispositivo le-

gal, que é o art. 10 do ECA. Portanto, o crime é deixar de cumprir tais obrigações

nos prazos e na forma nele estabelecidas. Vejamos as obrigações legais.

Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes,


públicos e particulares, são obrigados a:
I – manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários indi-
viduais, pelo prazo de dezoito anos;
IV – fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as
intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato;

Trata-se de um crime omissivo puro ou de omissão própria porque o verbo do

tipo penal incriminador descreve uma omissão (deixar de). É um crime próprio,

pois somente será praticado por encarregado ou dirigente de estabelecimento de

atenção à saúde de gestante, ou seja, exige uma condição especial do sujeito ati-

vo. Os sujeitos passivos são tanto o neonato como a parturiente ou o responsável

pelo neonato, por exemplo, o próprio pai.

A consumação se dá com o simples descumprimento, ou seja, com a simples

omissão, pois o crime é omissivo puro ou próprio.

Trata-se de crime de mera conduta, pois o tipo penal sequer descreve resul-

tado naturalístico. Outra coisa importante é que os crimes de mera conduta não

admitem tentativa. Além disso, os crimes omissivos puros também não admitem

tentativa.

Perceba que a pena máxima não é superior a dois anos, portanto é infração de

menor potencial ofensivo.

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Professor, qual a importância de ser infração de menor potencial ofensivo?

Bom, meu (minha) caro (a), como vimos, a primeira coisa é que será da com-

petência dos juizados especiais criminais e não da vara criminal, portanto, se sub-

meterá a um rito muito mais célere previsto na Lei dos Juizados Especiais e o Minis-

tério Público poderá oferecer o instituto da transação penal, nos termos do art. 76

da Lei n. 9099/1995. Cumpridas as condições acordadas extingue-se a punibilidade

do crime.

Portanto, a partir de agora, quando eu falar que o tipo penal se trata de uma

infração penal de menor potencial ofensivo - IMPO, você deverá fazer esse mesmo

raciocínio. Combinado?

Outro ponto importante é que admite a forma culposa, lembre-se que o crime

culposo é exceção e somente será punido nessa modalidade se houver previsão

legal expressa de sua forma culposa.

Vamos para o próximo.

Art. 229
Art. 229. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à
saúde de gestante de identificar corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do
parto, bem como deixar de proceder aos exames referidos no art. 10 desta Lei:
Pena – detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Se o crime é culposo:
Pena – detenção de dois a seis meses, ou multa.
Temos aqui outro tipo penal remetido porque faz remissão à outra parte do art. 10 do
ECA. Portanto, o crime é deixar de cumprir tais obrigações nele estabelecidas. Vejamos
as obrigações legais.
Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, pú-
blicos e particulares, são obrigados a:
II – identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital
e da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela auto-
ridade administrativa competente;
III – proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no me-
tabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais;

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Também é um crime próprio porque exige uma condição especial do sujeito

ativo, que somente pode ser médico, enfermeiro ou dirigente de estabeleci-

mento de saúde. Na conduta de identificar por meio de registro, o sujeito passivo

é tanto o recém-nascido como a mãe, já quanto à conduta de proceder aos exames

diagnósticos, o sujeito passivo é somente o recém-nascido.

A consumação se dá com o simples descumprimento, ou seja, com a simples

omissão, pois o crime também é omissivo puro ou próprio, que não admite ten-

tativa. Admite a modalidade culposa e se trata de uma IMPO, portanto admite a

transação penal bem como a suspensão condicional do processo.

Art. 230
Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreen-
são sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade
judiciária competente:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Incide na mesma pena aquele que procede à apreensão sem observân-
cia das formalidades legais.

A apreensão do menor segue a mesma regra da prisão dos adultos, ou seja, a

apreensão só pode ocorrer se houver flagrante de ato infracional ou ordem escrita

e fundamentada de autoridade judicial. A apreensão do menor sem as formalidades

legais configura o crime aqui previsto.

Temos duas formas de execução desse delito, ordenar a privação da liberdade

de criança ou adolescente sem que ele esteja em flagrante de ato infracional ou

mesmo proceder à execução de internação provisória, sem a expedição do man-

dado pela autoridade judicial, ou executar medida privativa de liberdade sem as

formalidades legais. Temos como exemplo a apreensão de adolescente sem a lavra-

tura do auto de apreensão ou boletim de ocorrência circunstanciado.

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Perceba que esse tipo penal mais parece uma espécie de abuso de autoridade,

mas que por tratarem de crianças ou adolescentes como sujeitos passivos, aplica-

remos o princípio da especialidade, ou seja, nesse caso a norma específica preva-

lecerá sobre norma mais genérica.

É importante distinguir que essa espécie de abuso é um crime comum, dife-

rentemente do abuso de autoridade da Lei n. 4.898/1965, que é crime próprio.

Atente-se que esse crime só se aplica se a privação da liberdade do menor

ocorrer por meio de apreensão ilegal, ou seja, se a privação de liberdade ocorre

por outro meio que não a apreensão ilegal, haverá outro crime, por exemplo, de

sequestro ou cárcere privado.

A consumação se dá com a efetiva privação da liberdade, por se tratar de crime

material, que exige o resultado naturalístico da privação da liberdade do menor.

É possível a tentativa caso o autor não consiga privar a liberdade do menor

por circunstâncias alheias a sua vontade. Trata-se de IMPO.

Art. 231
Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adoles-
cente de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à família do
apreendido ou à pessoa por ele indicada:
Pena – detenção de seis meses a dois anos.

Temos aqui outra espécie de crime específico do ECA que também encontra pre-

visão em leis extravagantes, mas que por ser lei especial, aplica-se o ECA. Trata-se

da omissão de comunicação também prevista na lei de abuso de autoridade.

Aqui o crime já é próprio, pois somente a autoridade policial poderá cometê-lo,

ou seja, o delegado de polícia é o responsável pela apreensão da criança ou do ado-

lescente e a respectiva comunicação imediata à autoridade judiciária, que é o Juiz da

vara da infância e juventude ou o juiz, que esteja exercendo tal jurisdição. Vimos que

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no caso de criança, não se lavrará auto de apreensão e o encaminhamento será ao

Conselho Tutelar. Além disso, deverá fazer a imediata comunicação à família do apre-

endido ou à pessoa por ele indicada. Trata-se de crime omissivo puro ou próprio,

portanto, não admite tentativa. É infração de menor potencial ofensivo. (IMPO).

Se o juiz ou qualquer outra autoridade constata que a apreensão do menor é ile-

gal e não determina a sua imediata liberação, comete crime do artigo 234 do ECA.

Art. 232
Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a
vexame ou a constrangimento:
Pena – detenção de seis meses a dois anos.

Mais uma espécie de crime específico do ECA, que também encontra previsão

na lei de abuso de autoridade, mas que por ser lei especial, aplica-se o ECA.

Também é um crime próprio, pois somente pode ser sujeito ativo, aquele que

tem a guarda, a autoridade ou vigilância da criança ou do adolescente. Não tendo

essa condição especial, poderá responder pelo crime de constrangimento ilegal

previsto no Código Penal.

O crime se consuma com a prática de qualquer ato que submeta a criança ou o ado-
lescente a uma situação vexatória ou de constrangimento. Portanto é crime material,

que exige resultado naturalístico. É uma infração de menor potencial ofensivo (IMPO).

Art. 233
O crime previsto no art. 233 foi revogado pela lei de Tortura (9.455/97).
Art. 234
Art. 234. Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata
liberação de criança ou adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da
apreensão:
Pena – detenção de seis meses a dois anos.

Mais uma espécie de crime específico do ECA, que também encontra previsão

na lei de abuso de autoridade, mas que por ser lei especial, aplica-se o ECA.

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Trata-se de crime omissivo puro e de crime próprio, pois exige que seja auto-
ridade competente. Observe que a omissão deve ser sem justa causa. É infração
penal de menor potencial ofensivo.

Art. 235
Art. 235. Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nesta Lei em benefício de ado-
lescente privado de liberdade:
Pena – detenção de seis meses a dois anos.

Acho que você deve estar se lembrado de alguns prazos que estudamos para
as medidas socioeducativas, que importam privação da liberdade do adolescente.
Pois bem, devido ao princípio da brevidade, que prevê que as medidas socio-
educativas durarão apenas o menor tempo possível e o tempo necessário à resso-
cialização do adolescente, portanto, esses prazos previstos no próprio ECA devem
ser cumpridos rigorosamente.
Vamos relembrar alguns prazos?

SEMILIBERDADE: Sem prazo, mas é reavaliada, no mínimo, a cada seis meses e tem prazo
máximo de três anos.
INTERNAÇÃO DEFINITIVA: Sem prazo, mas é reavaliada, no mínimo, a cada seis meses e tem
prazo máximo de três anos.
INTERNAÇÃO PROVISÓRIA: No máximo 45 dias.
INTERNAÇÃO SANÇÃO OU REGRESSÃO: Até três meses.

Trata-se de um crime próprio, pois o sujeito ativo deverá ser a pessoa respon-
sável pelo cumprimento dos prazos previstos na lei, classifica-se como um crime
omissivo próprio, já que o tipo penal prevê uma conduta omissiva, pois descum-
prir significa deixar de cumprir. Portanto, não admite tentativa. É infração de menor
potencial ofensivo.

Art. 236
Art. 236. Impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho
Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista nesta Lei:
Pena – detenção de seis meses a dois anos.

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Trata-se de um tipo penal, que possui dois núcleos e, por isso, chamado de

misto alternativo, pois basta a realização de qualquer núcleo do tipo penal para

a configuração do delito, não respondendo por dois delitos caso pratique mais de

um núcleo do tipo penal. O agente pode cometer o crime impedindo ou embara-

çando, ou seja, nesse último caso, o agente causa dificuldade, tumultua criando

embaraços.

Temos aqui um crime definido pela doutrina como crime de atentado, portanto

não admite tentativa já que o simples fato de tentar impedir já configura a con-

duta descrita no tipo penal de embaraçar. É um crime comum e infração de menor

potencial ofensivo.

Art. 237
Art. 237. Subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em
virtude de lei ou ordem judicial, com o fim de colocação em lar substituto:
Pena – reclusão de dois a seis anos, e multa.

Esse crime exige um especial fim de agir que é a colocação da criança ou ado-

lescente em lar substituto. Caso não haja essa finalidade, o agente responderá pelo

crime do art. 249 do Código Penal, vejamos:

Art. 249 – Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o

tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial:

Pena – detenção, de dois meses a dois anos, se o fato não constitui elemento de
outro crime.

O delito aqui é subsidiário ao artigo 237 do ECA, perceba que ele não traz ne-

nhuma finalidade específica da subtração. Enquanto o artigo 249 do Código Penal é

infração penal de menor potencial ofensivo, o artigo 237 sequer admite suspensão

condicional do processo porque a pena mínima é superior a dois anos. O sujeito

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ativo é qualquer pessoa, que não detenha a guarda do menor, inclusive o pai ou

mãe destituído do poder familiar, portanto, trata-se de crime comum. Se consuma

com a mera subtração com ânimo específico, não sendo necessário que a criança

ou adolescente sejam efetivamente colocados em lar substituto. Admite tentativa.

Art. 238
Art. 238. Prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga
ou recompensa:
Pena – reclusão de um a quatro anos, e multa.
Parágrafo único. Incide nas mesmas penas quem oferece ou efetiva a paga ou recom-
pensa.

Observe que para o núcleo prometer o crime é formal, enquanto para o núcleo

efetivar a entrega o crime é material, pois exige a efetiva entrega. Para os sujeitos

ativos do Caput trata-se de crime próprio, pois exige a condição de pais, tutores

ou guardiões da criança ou adolescente. Temos no parágrafo único uma espécie de

crime equiparado que é crime comum, já que qualquer pessoa poderá responder

por esse delito.

Outra coisa importante por parte de quem entrega é que se não houver paga-

mento ou recompensa não haverá esse crime, mas para aquele que oferece o crime

é formal consumando-se independentemente do efetivo pagamento.

Apesar de não ser uma infração de menor potencial ofensivo, admite-se a sus-

pensão condicional do processo, pois a pena mínima não ultrapassa um ano, nos

termos do art. 89 da Lei n. 9099/1995.

Art. 239
Art. 239. Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou
adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de
obter lucro:
Pena – reclusão de quatro a seis anos, e multa.
Parágrafo único. Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude:
Pena – reclusão, de 6 (seis) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência.

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Perceba que a lei está punindo o ato destinado, ou seja, não é necessário o me-

nor ser enviado ao exterior, basta a prática de ato destinado ao envio. Caso ocorra

o efetivo envio do menor ao exterior, esse envio será mero exaurimento do crime e

isso será levado em consideração na dosimetria da pena.

Vimos a gravidade do tipo penal anterior não foi? Pois bem, aqui o legislador

quis punir de forma ainda mais severa o tráfico internacional de crianças ou ado-

lescentes.

O sujeito ativo é qualquer pessoa, inclusive os pais ou responsáveis pelo me-

nor, portanto, crime comum e material, na conduta de promover e formal para

aquele que auxiliar. É perfeitamente possível a tentativa.

O elemento subjetivo é o dolo. A consumação desse delito dependerá da condu-

ta do agente. Quando praticado o verbo promover, a conduta se consumará com

o efetivo envio do menor ao exterior, sendo necessária a entrada deste no território

estrangeiro. Já quando praticado na forma de auxiliar, a consumação ocorre com

a prática de qualquer ato idôneo e antecedente que possa contribuir para o envio

da criança ou do adolescente para o exterior.

Essas condutas admitem qualquer meio de execução, porém, se essas condu-

tas forem praticadas com violência, grave ameaça ou fraude, o crime é qualificado

(parágrafo único do art. 239 ECA).

Perceba que não se trata de infração de menor potencial ofensivo e não admite

a suspensão condicional do processo.

A competência para o julgamento deste crime é da Justiça Federal, por força do art.

109, V, da Constituição Federal. Além disso, o Brasil é signatário de vários docu-

mentos internacionais de combate ao tráfico internacional de menores.

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Já estudamos aspectos processuais específicos da investigação de alguns cri-

mes relacionados à pornografia envolvendo crianças e adolescentes, sobretudo

aqueles crimes praticados por meio da rede mundial de computadores. Agora ve-

remos uma série de condutas, que descrevem a prática de pedofilia. Os crimes

aqui previstos foram alterados pela Lei n. 11.829/2008, Lei da Pedofilia. Houve

aumento de pena nos crimes dos artigos 240 e 241 por esta lei, logo essa lei é

irretroativa.

A ideia do legislador foi punir qualquer conduta, que tenha ligação com ce-

nas de sexo explícito ou cena pornográfica envolvendo crianças ou adolescentes,

para isso, aumentou as penas previstas nos crimes de pedofilia para punir pedó-

filos, que possuam cenas envolvendo crianças e adolescente.

Foram inseridas no caput diversas condutas, tais como filmar, fotografar,

registrar, enfim, podemos perceber que não é necessário que o agente tenha

qualquer tipo de contato com a criança ou o adolescente.

Mas, professor, o que é cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo

criança ou adolescente?

Boa pergunta, meu (minha) querido (a).

Para respondê-la, preciso ir ao disposto no art. 241-E, que traz o conceito

legal de cena de sexo explícito ou pornográfica. Vejamos.

Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a expressão “cena de sexo
explícito ou pornográfica” compreende qualquer situação que envolva criança ou
adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos
órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais.

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Portanto, utilizaremos, a partir de agora, esse conceito para grande parte dos

crimes, que veremos a seguir.

Art. 240
Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio,
cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta, coage, ou de qualquer
modo intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput
deste artigo, ou ainda quem com esses contracena.
§ 2º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime:
I – no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la;
II – prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou
III – prevalecendo-se de relações de parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro
grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a
qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento.

Perceba que se trata de crime de tipo misto alternativo, ou seja, crime de con-

duta múltipla ou variada, pois a prática de várias condutas no mesmo contexto

fático configura crime único, as quais serão consideradas na dosimetria da pena.

Trata-se de um crime comum, que se consuma com a prática das condutas típi-

cas previstas no caput. Veja que a gravidade do crime não permite a suspensão

condicional do processo.

O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, inclusive os pais ou responsáveis pelo

menor, mas se o sujeito ativo for uma das pessoas, que deveriam fornecer proteção

à criança e ao adolescente, a pena será aumentada em um terço.

O parágrafo primeiro traz as condutas equiparadas, ou seja, aqueles que prati-

carem tais condutas receberão as mesmas penas. O tipo penal pune terceiros, que

de qualquer forma colaboram para a realização dessas cenas ou que contracenem

com o menor.

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O elemento subjetivo é o dolo, não se exigindo nenhuma finalidade específica,

nem mesmo a finalidade de satisfazer a lascívia. Portanto, seja qual for o motivo

da conduta, haverá o crime.

Dependendo da idade do menor haverá o delito de estupro de vulnerável em concur-

so formal. Ex.: contracenar com uma criança de 11 anos ou adolescente de 12 anos.

Art. 241
Art. 241. Vender ou expor à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha
cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

Temos como sujeito ativo qualquer pessoa, inclusive os pais ou responsáveis

pelo menor, nesse caso, a pena será aumentada em um terço. Aqui, o legislador

buscou reprimir também, além da produção do material, a venda de qualquer ma-

terial contendo pedofilia.

Na conduta de expor a venda temos um crime permanente, portanto a conduta

está se prolonga no tempo e enquanto não cessar a exposição teremos a consumação

do delito.

Perceba a altíssima gravidade desse delito, portanto, não se trata de uma infra-

ção de menor potencial ofensivo e também não se admite a suspensão condicional

do processo.

Art. 241-A
Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por
qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia,
vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo
criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

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§1º Nas mesmas penas incorre quem:


I  – assegura os meios ou serviços para o armazenamento das fotografias, cenas ou
imagens de que trata o caput deste artigo;
II – assegura, por qualquer meio, o acesso por rede de computadores às fotografias,
cenas ou imagens de que trata o caput deste artigo.
§2º As condutas tipificadas nos incisos I e II do § 1º deste artigo são puníveis quando o
responsável legal pela prestação do serviço, oficialmente notificado, deixa de desabilitar
o acesso ao conteúdo ilícito de que trata o caput deste artigo.

Aqui o legislador buscou reprimir a difusão da pedofilia, ou seja, a circulação de

material contendo esse tipo de material. Essa conduta aqui abrange, por exemplo,

aquela pessoa, que recebeu uma imagem através do WhatsApp e repassou para os

seus contatos. Observe que a gravidade dessas condutas não permite a suspensão

condicional do processo.

Esse artigo trata da Difusão de Atos de Pedofilia. Sobre ele, o STF fixou a tese,

que compete à Justiça Comum Federal julgar crimes disponibilizados na internet

(àqueles de livre acesso ou internacionais, transnacionais) quando envolver criança

ou adolescente, ou seja, material pedófilo-pornográfico. Já no caso de trocas de

informações privadas (não acessível a qualquer pessoa), via WhatsApp ou chat de

face book, por exemplo, a competência será da Justiça Comum Estadual, pois foi

não foi disponibilizado em ambiente de livre acesso (internacional) não se fazendo

necessária a justiça Federal neste último caso.

Temos nas condutas equiparadas os responsáveis pelo armazenamento do ma-

terial, portanto, muito cuidado para não compartilhar ou armazenar qualquer tipo

de material contendo esse tipo de conteúdo. Além disso, temos ainda a figura dos

prestadores de serviços de armazenamento que, notificados sobre a existência

desse tipo de conteúdo, não providenciam a retirada do material e não desabilitam

o acesso.

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As condutas aqui descritas somente são punidas se o responsável por tais

condutas for oficialmente notificado a desabilitar o conteúdo ilícito. Essa notifi-

cação oficial é condição objetiva de punibilidade1, isto é, o crime existe sem a

notificação, mas o infrator somente será punido se ocorrer essa condição externa

ao tipo. Esta notificação deve ser oficial, ou seja, feita por qualquer autoridade

com atribuições legais nesse sentido.

Nessa última modalidade o tipo penal será um crime permanente, isto é, se

houver a notificação oficial e o responsável não a atender, não desabilitando o

conteúdo ilícito ou não impedindo o acesso, a prisão em flagrante poderá ocor-

rer a qualquer momento. A competência para julgamento deste delito é da

Justiça Federal.

Art. 241- B
Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou
outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envol-
vendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§1º A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços) se de pequena quantidade o
material a que se refere o caput deste artigo.
§2º Não há crime se a posse ou o armazenamento tem a finalidade de comunicar
às autoridades competentes a ocorrência das condutas descritas nos arts. 240, 241,
241-A e 241-C desta Lei, quando a comunicação for feita por:
I – agente público no exercício de suas funções;
II – membro de entidade, legalmente constituída, que inclua, entre suas finalidades
institucionais, o recebimento, o processamento e o encaminhamento de notícia dos
crimes referidos neste parágrafo;
III – representante legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou servi-
ço prestado por meio de rede de computadores, até o recebimento do material rela-
tivo à notícia feita à autoridade policial, ao Ministério Público ou ao Poder Judiciário.
§3º As pessoas referidas no § 2º deste artigo deverão manter sob sigilo o material
ilícito referido.

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Esse delito é para punir o indivíduo, que receba imagens com cenas de sexo

explícito ou pornografia e as mantêm armazenadas para satisfazer lascívia pesso-

al. Perceba que aqui não há compartilhamento do material para ninguém. A regra

é que este crime seja de competência da Justiça Estadual, porém, se as condutas

ultrapassarem os limites do território nacional, será de competência da Justiça Fe-

deral. Temos ainda uma causa de diminuição de pena para aquele indivíduo, que

armazenar materiais em pequena quantidade.

Professor, mas o que seria essa pequena quantidade?

Bom, meu (minha) querido (a), trata-se de uma expressão aberta, portanto

cabe ao juiz, no caso concreto, definir se a quantidade é ou não pequena.

Por fim, dispõe sobre uma causa de excludente de ilicitude (para aqueles, que

adotam a chamada tipicidade conglobante, seria uma espécie de excludente de ti-

picidade). Entendo se tratar de estrito cumprimento de um dever legal, portanto,

excludente de ilicitude. Quando a posse ou armazenamento do material ilícito tem

a finalidade de comunicar as autoridades sobre os crimes dos art. 241, 241-A e

241-C e desde que a comunicação seja feita por uma das pessoas indicadas no pa-

rágrafo segundo. Entretanto, se a pessoa, que detém esse material para comunicar

a autoridade revelar o conteúdo a terceiros, cometerá o crime.

Art. 241-C
Art. 241-C. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito
ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo
ou qualquer outra forma de representação visual:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, disponibiliza,
distribui, publica ou divulga por qualquer meio, adquire, possui ou armazena o material
produzido na forma do caput deste artigo.

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Mais um delito misto alternativo ou de conteúdo variado que traz a representa-

ção ou simulação da pedofilia. Nesse caso, a criança ou adolescente não participa

efetivamente da cena, mas é utilizada a sua imagem, por exemplo, o agente pega

uma foto de uma criança e, por meio de uma montagem, simula, que esta criança

está em cena de sexo explícito ou pornográfica.

O parágrafo único traz figuras equiparadas capazes de abranger inúmeras situ-

ações também altamente reprováveis. Nesse caso o agente não faz a montagem,

mas vende, expõe a venda, disponibiliza, distribui, pública, divulga, adquiri, possui

ou armazena tal material. O tipo penal não pune apenas o autor da simulação, mas

pune qualquer um que se envolva com o material simulado.

Qualquer pessoa poderá cometer esse delito, portanto trata-se de um crime

comum. Perceba que apesar de não ser infração de menor potencial ofen-

sivo, admite a suspensão condicional do processo, pois a pena mínima não é

superior a um ano.

Art. 241-D
Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunica-
ção, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:
I – facilita ou induz o acesso à criança de material contendo cena de sexo explícito ou
pornográfica com o fim de com ela praticar ato libidinoso;
II – pratica as condutas descritas no caput deste artigo com o fim de induzir criança a
se exibir de forma pornográfica ou sexualmente explícita.

Nesse delito o legislador buscou fazer uma política criminal de antecipação ao

delito com o objetivo de salvaguardar a criança. Ele objetiva punir os aliciadores,

que procuram, por qualquer meio, atrair crianças com a finalidade de praticar ato

libidinoso. Esse delito exige uma finalidade específica.

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Pode ser praticado por qualquer pessoa, portanto é crime comum. Perceba que
o sujeito passivo é somente criança, mas se o agente chegar a praticar ato libidino-
so com adolescente menor de catorze anos cometerá estupro de vulnerável.
Equiparam-se ao delito do caput quando o agente induz a criança, fazendo-a ter
acesso a esse tipo de conteúdo ou, por qualquer modo, alicia a criança para que se
exiba para dele, de forma sexual ou pornográfica.

Aqui no delito equiparado, a finalidade do pedófilo não é praticar ato libidinoso com
a criança, mas tão somente induzir a criança a se exibir para ele de forma porno-
gráfica ou sexualmente explícita. Além disso, esse tipo penal só tem como sujeito
passivo a criança, no entanto, atente-se que se a conduta passar do aliciamento
para a efetiva realização de atos libidinosos poderá o agente responder por estupro
de vulnerável, caso o adolescente seja menor de catorze anos. Aqui foi adotado o
princípio da legalidade, não se podendo fazer analogia in malam partem.

Ufa! Acabamos os crimes de pedofilia contra criança e adolescente.


Mas vamos continuar.

Art. 242
Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a
criança ou adolescente arma, munição ou explosivo:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos.

Muita atenção para este crime porque o tipo penal faz referência à arma, mu-
nição ou explosivo. No entanto, temos aqui um conflito aparente de normas com
o estatuto do desarmamento. Entende-se que o art. 16, V, da Lei n. 10.826/2003
derrogou a previsão trazida pelo artigo 242 do ECA. Porém, o Estatuto da Criança e
do Adolescente como não afirma “arma de fogo”, continua sendo aplicável quando

se tratar de armas de outra natureza, que não seja de fogo.

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Vamos fazer um comparativo com o art. 16, parágrafo único, V, do Estatuto do

Desarmamento.

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar,
ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda
ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem
autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:
V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, aces-
sório, munição ou explosivo a criança ou adolescente;

Perceba que a redação dos dois artigos é bem parecida, sendo assim, eu te per-

gunto, meu (minha) querido (a). O agente responderá por qual crime? Pelo crime

do ECA ou pelo crime do Estatuto do desarmamento?

Bom, meu (minha) caro (a), como o legislador trouxe somente a palavra arma, não

dizendo especificamente arma de fogo, aplica-se o estatuto do desarmamento, no caso

de arma de fogo, munição, acessório ou explosivo e o ECA, no caso de arma branca.

Esse é um crime comum, não exige uma qualidade especial do agente, não se

trata de uma infração de menor potencial ofensivo e não admite a suspensão con-

dicional do processo.

Art. 243
Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de
qualquer forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa, ou-
tros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica:
Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime
mais grave.

Trata-se de uma infração subsidiária, pois o dispositivo traz a expressão “se

o fato não constitui crime mais grave”, portanto imagine que ao ministrar uma

substância que cause dependência o adolescente morre. O agente responderá pelo

homicídio.

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Aqui nós temos que nos atentar para as substâncias presentes na Portaria n.

344/1998 da ANVISA. Essa portaria define o que seria “droga”. Portanto, no caso

de a substância ser catalogada como droga, haverá o crime de tráfico previsto no

art. 33 da Lei n. 11.343/2006 (Lei de Drogas) com o aumento de pena previsto no

artigo 40, VI (quando a prática visar ou envolver criança ou adolescente), e não

pelo previsto no 243 do ECA. Para os demais casos, ou seja, quando envolver ou-

tras substâncias, como a bebida alcoólica, que não estejam presentes na portaria

da ANVISA configuram esse crime específico.

Art. 244
Art. 244. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma,
a criança ou adolescente, fogos de estampido ou de artifício, exceto aqueles que, pelo
seu reduzido potencial, sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de
utilização indevida:
Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa.

Só teremos o crime, se o material vendido poder causar algum dano físico em

caso de utilização indevida, ou seja, causar alguma lesão. Portanto, se os fogos

possuírem um reduzido potencial de causarem dano físico pelo seu mau uso, não

haverá este crime.


Trata-se de crime comum porque qualquer pessoa pode cometer. A ideia do le-

gislador foi preservar a integridade física da criança e do adolescente assim como

das demais pessoas que estiverem nas proximidades. É formal, ou seja, não é exi-

gido que ocorra algum tipo de lesão para que configure o delito. Trata-se de infra-

ção de menor potencial ofensivo.

Art. 244-A
Art. 244-A. Submeter criança ou adolescente, como tais definidos no caput do art. 2º
desta Lei, à prostituição ou à exploração sexual:
Pena – reclusão de quatro a dez anos e multa, além da perda de bens e valores utiliza-
dos na prática criminosa em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente da
unidade da Federação (Estado ou Distrito Federal) em que foi cometido o crime, ressal-
vado o direito de terceiro de boa-fé.

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§1º Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local
em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas referidas no
caput deste artigo.
§2º Constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de
funcionamento do estabelecimento.

Temos aqui a exploração sexual de menor. Uma parte majoritária da doutrina afir-

ma que este é um artigo que, apesar de ainda estar presente no ECA, encontra-se

revogado tacitamente pelo artigo 218-B do Código Penal. Observe.

Art. 218-B Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração se-


xual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental,
não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificul-
tar que a abandone:(Incluído pela Lei n. 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.(Incluído pela Lei n. 12.015, de 2009)
§ 2º Incorre nas mesmas penas:(Incluído pela Lei n. 12.015, de 2009)
I – quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (de-
zoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo;

Jurisprudência
RECURSO ESPECIAL. PENAL. ART. 244-A DA LEI N. 8.069/90. EXPLORAÇÃO
SEXUAL DE ADOLESCENTES. CLIENTE OCASIONAL. NÚCLEO DO TIPO NÃO
CARACTERIZADO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. RECURSO IMPROVIDO.
1. Para a configuração do delito de exploração sexual de criança e de adoles-
cente, previsto no art. 244-A do ECA, exige o tipo penal a submissão da vítima
à prostituição ou exploração sexual, nesse limite se compreendendo neces-
sária relação de poder sobre a adolescente, na família, empresa ou mediante
ameaça por qualquer modo realizada.
2. Esta Corte Superior possui compreensão de que o crime previsto no art.
244-A do ECA não abrange a figura do cliente ocasional, diante da ausência de
exploração sexual nos termos da definição legal. Precedentes.

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3. Inobstante o relevante critério de proteção ao adolescente, dominante na


formação do Estatuto da Criança e do Adolescente, o princípio da legalidade
não permite ampliar a compreensão da elementar submissão (com neces-
sário poder sobre outrem) para abranger a conduta ocasional e consentida.
4. Recurso improvido. (REsp 1361521/DF, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA
TURMA, julgado em 05/06/2014, DJe 13/06/2014)

Art. 244-B
Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele
praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§1º Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali ti-
pificadas utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da
internet.

Esse artigo revogou o art. 1º da lei n. 2.252/1954, ou seja, a conduta que hoje está
prevista no art. 244-B estava prevista antes na lei n. 2.252/1954. Essa lei não existe
mais, o que temos hoje é o crime de corrupção de menores do art. 244-B, portanto,
não houve abolitio criminis, e sim continuidade normativo-típica do crime para o ECA.
Esse crime é muito cobrado em provas por ser muito frequente o envolvimen-
to de menores no cometimento de atos infracionais em concurso com adultos. No
caso de efetiva prática de ato criminoso, o adulto coautor responderá pela prática
do crime efetivamente ocorrido em concurso material com o delito de corrupção de
menores. Perceba que não é um crime de menor potencial ofensivo, mas se admite
a suspensão condicional do processo.
Atente-se que não é necessária a prova da efetiva corrupção do menor, pois,
para o STJ a configuração desse delito independe da prova da efetiva corrupção do
menor. Observe.

Súmula 500 do STJ


A configuração do crime do art. 244-B do ECA independe da prova da efetiva
corrupção do menor, por se tratar de delito formal.

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O parágrafo primeiro traz o que a doutrina chama de corrupção eletrônica, onde

o menor de 18 anos será corrompido através da internet, por exemplo. Já o pará-

grafo seguinte traz uma causa de aumento de pena se o ato infracional praticado

for análogo a algum dos previstos na lei n. 8.072/1990 (Crimes Hediondos).

Professor, e os crimes equiparados a hediondos?

Bom, meu (minha) caro (a), no direito penal não podemos fazer analogia in

mallam partem. Perceba que o legislador foi claro ao afirmar que o aumento de

pena se dá quando o delito está previsto no artigo 1º da lei de crimes hediondos,

portanto, adotaremos o princípio da legalidade e não estenderemos o aumento de

pena para as condutas equiparadas.

Ufa!... acho que acabou. Já está bom por hoje né?

Querido (a) Advogado (a), é com muito carinho que informo a conclusão de nos-

sa aula de ECA. Eu procurei trazer tudo que é mais cobrado em sua prova e espero

que tenha gostado da aula.

Estou à disposição no canal de apoio ao aluno do Gran cursos online para quais-

quer dúvidas, sugestões e críticas construtivas. Por isso, peço que seja bem espe-

cífico em sua crítica para que eu possa aperfeiçoar o meu trabalho e fazer o melhor

para você.

Caso tenha gostado, o “like” também é muito bem-vindo. Agradeço de coração

a confiança depositada em meu trabalho. Desejo sucesso em seu objetivo. Deus o

abençoe, um forte abraço e bons estudos!

Agora vamos aos exercícios. Vamos nessa?!!!!

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Estatuto da Criança e do Adolescente
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QUESTÕES DE CONCURSO
Questão 1    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2018) Em cumprimento

de mandado de busca e apreensão do Juízo Criminal, policiais encontraram fotogra-

fias de adolescentes vestidas, em posições sexuais, com foco nos órgãos genitais,

armazenadas no computador de um artista inglês. O advogado do artista, em sua

defesa, alega a ausência de cena pornográfica, uma vez que as adolescentes não

estavam nuas, e que a finalidade do armazenamento seria para comunicar às au-

toridades competentes. Considerando o crime de posse de material pornográfico,

previsto no Art. 241-B do ECA, merecem prosperar os argumentos da defesa?

a) Sim, pois, para caracterização da pornografia, as adolescentes teriam que estar

nuas.

b) Não, uma vez que bastava afirmar que as fotos são de adolescentes, e não de

crianças.

c) Sim, uma vez que a finalidade do artista era apenas a de comunicar o fato às

autoridades competentes.

d) Não, pois a finalidade pornográfica restou demonstrada, e o artista não faz jus

a excludente de tipicidade.

Questão 2    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2018) Maria, em uma ma-

ternidade na cidade de São Paulo, manifesta o desejo de entregar Juliana, sua filha

recém-nascida, para adoção. Assim, Maria, encaminhada para a Vara da Infância e

da Juventude, após ser atendida por uma assistente social e por uma psicóloga, é

ouvida em audiência, com a assistência do defensor público e na presença do Mi-

nistério Público, afirmando desconhecer o pai da criança e não ter contato com sua

família, que vive no interior do Ceará, há cinco anos. Assim, após Maria manifestar

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o desejo formal de entregar a filha para adoção, o Juiz decreta a extinção do poder

familiar, determinando que Juliana vá para a guarda provisória de família habilita-

da para adoção no cadastro nacional. Passados oito dias do ato, Maria procura um

advogado, arrependida, afirmando que gostaria de criar a filha. De acordo com o

ECA, Maria poderá reaver a filha?

a) Sim, uma vez que a mãe poderá se retratar até a data da publicação da senten-

ça de adoção.

b) Sim, pois ela poderá se arrepender até 10 dias após a data de prolação da sen-

tença de extinção do poder familiar.

c) Não, considerando a extinção do poder familiar por sentença.

d) Não, já que Maria somente poderia se retratar até a data da audiência, quando

concordou com a adoção.

Questão 3    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2018) Angélica, criança

com 5 anos de idade, reside com a mãe Teresa, o padrasto Antônio e a tia materna

Joana. A tia suspeita de que sua sobrinha seja vítima de abuso sexual praticado

pelo padrasto. Isso porque, certa vez, ao tomar banho com Angélica, esta recla-

mou de dores na vagina e no ânus, que aparentavam estar bem vermelhos. Na

ocasião, a sobrinha disse que “o papito coloca o dedo no meu bumbum e na minha

perereca, e dói”. Joana narrou o caso para a irmã Teresa, que disse não acreditar

no relato da filha, pois ela gostava de inventar histórias, e que, ainda que fosse

verdade, não poderia fazer nada, pois depende financeiramente de Antônio. Joana,

então, após registrar a ocorrência na Delegacia de Polícia, que apenas instaurou

o inquérito policial e encaminhou a criança para exame de corpo de delito, busca

orientação jurídica sobre o que fazer para colocá-la em segurança imediatamente.

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De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a fim de resguardar a inte-

gridade de Angélica até que os fatos sejam devidamente apurados pelo Juízo Cri-

minal competente, assinale a opção que indica à medida que poderá ser postulada

por um advogado junto ao Juízo da Infância e da Juventude.

a) A aplicação da medida protetiva de acolhimento institucional de Angélica.

b) Solicitar a suspensão do poder familiar de Antônio.

c) Solicitar o afastamento de Antônio da moradia comum.

d) Solicitar a destituição do poder familiar da mãe Teresa.

Questão 4    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) Agente público exe-

cutor de medida socioeducativa de internação, a pretexto de manter a disciplina

e a ordem na unidade em que atua, ordena que dois adolescentes se vistam com

roupas femininas e desfilem para os demais internos, que escolherão a “garota da

unidade”. Em visita à unidade, uma equipe composta pela Comissão de Direitos

Humanos da OAB e pelo Conselho Tutelar toma ciência do caso. Segundo restou

apurado, o agente teria atuado de tal forma porque os dois adolescentes eram mui-

to rebeldes e não cumpriam regularmente as determinações da unidade. Com base

apenas no Estatuto da Criança e do Adolescente, sem prejuízo de outras sanções,

assinale a opção que indica à medida que poderá ser adotada imediatamente pela

equipe que fiscalizava a unidade.

a) Transferência imediata dos adolescentes para outra unidade socioeducativa.

b) Advertência do agente público aplicada pelo Conselho Tutelar.

c) Advertência do agente público aplicada pela Comissão de Direitos Humanos

da OAB.

d) Transferência imediata do agente público para outra unidade.

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Questão 5    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) Os irmãos Fábio

(11 anos) e João (9 anos) foram submetidos à medida protetiva de acolhimento

institucional pelo Juízo da Infância e da Juventude, pois residiam com os pais em

área de risco, que se recusavam a deixar o local, mesmo com a interdição do imó-

vel pela Defesa Civil. Passados uma semana do acolhimento institucional, os pais

de Fábio e João vão até a instituição para visitá-los, sendo impedidos de ter contato

com os filhos pela diretora da entidade de acolhimento institucional, ao argumen-

to de que precisariam de autorização judicial para visitar as crianças. Os pais dos

irmãos decidem então procurar orientação jurídica de um advogado. Considerando

os ditames do Estatuto da Criança e do Adolescente, a direção da entidade de aco-

lhimento institucional agiu corretamente?

a) Sim, pois o diretor da entidade de acolhimento institucional é equiparado ao

guardião, podendo proibir a visitação dos pais.

b) Não, porque os pais não precisam de uma autorização judicial, mas apenas de

um ofício do Conselho Tutelar autorizando a visitação.

c) Sim, pois a medida protetiva de acolhimento institucional foi aplicada pelo Juiz

da Infância, assim somente ele poderá autorizar a visita dos pais.

d) Não, diante da ausência de vedação expressa da autoridade judiciária para a

visitação, ou decisão que os suspenda ou os destitua do exercício do poder familiar.

Questão 6    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) Os irmãos Fábio

(11 anos) e João (9 anos) foram submetidos à medida protetiva de acolhimento

institucional pelo Juízo da Infância e da Juventude, pois residiam com os pais em

área de risco, que se recusavam a deixar o local, mesmo com a interdição do imó-

vel pela Defesa Civil. Passados uma semana do acolhimento institucional, os pais

de Fábio e João vão até a instituição para visitá-los, sendo impedidos de ter contato

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com os filhos pela diretora da entidade de acolhimento institucional, ao argumen-


to de que precisariam de autorização judicial para visitar as crianças. Os pais dos
irmãos decidem então procurar orientação jurídica de um advogado. Considerando
os ditames do Estatuto da Criança e do Adolescente, a direção da entidade de aco-
lhimento institucional agiu corretamente?
a) Sim, pois o diretor da entidade de acolhimento institucional é equiparado ao
guardião, podendo proibir a visitação dos pais.
b) Não, porque os pais não precisam de uma autorização judicial, mas apenas de
um ofício do Conselho Tutelar autorizando a visitação.
c) Sim, pois a medida protetiva de acolhimento institucional foi aplicada pelo Juiz
da Infância, assim somente ele poderá autorizar a visita dos pais.
d) Não, diante da ausência de vedação expressa da autoridade judiciária para a
visitação, ou decisão que os suspenda ou os destitua do exercício do poder familiar.

Questão 7    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) Os irmãos órfãos


João, com 8 anos de idade, e Caio, com 5 anos de idade, crescem juntos em entida-
de de acolhimento institucional, aguardando colocação em família substituta. Não
existem pretendentes domiciliados no Brasil interessados na adoção dos irmãos de
forma conjunta, apenas separados. Existem famílias estrangeiras com interesse na
adoção de crianças com o perfil dos irmãos e uma família de brasileiros domicilia-
dos na Itália, sendo esta a última inscrita no cadastro.
Considerando o direito à convivência familiar e comunitária de toda criança e de
todo adolescente, assinale a opção que apresenta a solução que atende aos inte-
resses dos irmãos.
a) Adoção nacional pela família brasileira domiciliada na Itália.
b) Adoção internacional pela família estrangeira.
c) Adoção nacional por famílias domiciliadas no Brasil, ainda que separados.
d) Adoção internacional pela família brasileira domiciliada na Itália.

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Questão 8    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Maria, mãe de João,

criança com nove anos de idade, que está na guarda de fato da avó paterna Luísa,

almeja viajar com o filho, que já possui passaporte válido, para os Estados Unidos.

Para tanto, indagou ao pai e à avó se eles concordariam com a viagem do infante,

tendo o primeiro anuído e a segunda não, pelo fato de o neto não estar com boas

notas na escola. Preocupada, Maria procura orientação jurídica de como proceder. À

luz do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a opção que indica a medida

que deverá ser adotada pelo(a) advogado(a) de Maria.

a) Ingressar com ação de suprimento do consentimento do pai e da avó paterna,

para fins de obter a autorização judicial de viagem ao exterior.

b) Solicitar ao pai que faça uma autorização de viagem acompanhada de cópias

dos documentos dele, pois a criança já possui passaporte válido.

c) Ingressar com ação de guarda de João, requerendo sua guarda provisória, para

que possa viajar ao exterior independente da anuência do pai e da avó paterna.

d) Solicitar ao pai que faça uma autorização de viagem com firma reconhecida,

pois a criança já possui passaporte válido.

Questão 9    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Marcelo e Maria são

casados há 10 anos. O casal possui a guarda judicial de Ana, que tem agora três

anos de idade, desde o seu nascimento. A mãe da infante, irmã de Maria, é usuária

de crack e soropositiva. Ana reconhece o casal como seus pais. Passados dois anos,

Ana fica órfã, o casal se divorcia e a criança fica residindo com Maria. Sobre a possi-

bilidade da adoção de Ana por Marcelo e Maria em conjunto, ainda que divorciados,

assinale a afirmativa correta.

a) Apenas Maria poderá adotá-la, pois é parente de Ana.

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b) O casal poderá adotá-la, desde que acorde com relação à guarda (unipessoal ou

compartilhada) e à visitação de Ana.

c) O casal somente poderia adotar em conjunto caso ainda estivesse casado.

d) O casal deverá se inscrever previamente no cadastro de pessoas interessadas

na adoção.

Questão 10    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Vanessa e Vitor

vivem com o filho Marcelo, criança com 06 anos de idade, na casa dos avós pater-

nos. Em um trágico acidente, Vitor veio a falecer. A viúva, logo após o óbito, decide

morar na casa de seus pais com o filho. Após 10 dias, já residindo com os pais,

Vanessa, em depressão e fazendo uso de entorpecentes, deixa o filho aos cuidados

dos avós maternos, e se submete a tratamento de internação em clínica de reabi-

litação. Decorridos 20 dias e com alta médica, Vanessa mantém acompanhamento

ambulatorial e aluga apartamento para morar sozinha com o filho. Os avós pater-

nos inconformados ingressaram com Ação de Guarda de Marcelo. Afirmaram que

sempre prestaram assistência material ao neto, que com eles residia desde o nas-

cimento até o falecimento de Vitor. Citada, Vanessa contestou o pedido, alegando

estar recuperada de sua depressão e da dependência química. Ainda, demonstrou

possuir atividade laborativa, e que obteve vaga para o filho em escola. Os avós

maternos, por sua vez, ingressam com oposição. Aduziram que Marcelo ficou muito

bem aos seus cuidados e que possuem excelente plano de saúde, que possibilitará

a inclusão do neto como dependente. Sobre a guarda de Marcelo, à luz da Proteção

Integral da Criança e do Adolescente, assinale a afirmativa correta.

a) Marcelo deve ficar com os avós maternos, com quem por último residiu, em

razão dos benefícios da inclusão da criança como dependente do plano de saúde.

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b) Marcelo deve ficar na companhia dos avós paternos, pois sempre prestaram

assistência material à criança, que com eles residia antes do falecimento de Vitor.

c) Marcelo deve ficar sob a guarda da mãe, já que ela nunca abandonou o filho e

sempre cumpriu com os deveres inerentes ao exercício do poder familiar, ainda que

com o auxílio dos avós.

d) Em programa de acolhimento familiar, até que esteja cabalmente demonstrado

que a genitora não faz mais uso de substâncias entorpecentes.

Questão 11    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Casal de brasilei-

ros, domiciliado na Itália, passa regularmente férias duas vezes por ano no Brasil.

Nas férias de dezembro, o casal visitou uma entidade de acolhimento institucional

na cidade do Rio de Janeiro, encantando-se com Ana, criança de oito anos de ida-

de, já disponível nos cadastros de habilitação para adoção nacional e internacional.

Almejando adotar Ana, consultam advogado especialista em infância e juventude.

Assinale a opção que apresenta a orientação jurídica correta pertinente ao caso.

a) Ingressar com pedido de habilitação para adoção junto à Autoridade Central

Estadual, pois são brasileiros e permanecem, duas vezes por ano, em território

nacional.

b) Ingressar com pedido de habilitação para adoção no Juízo da Infância e da

Juventude e, após a habilitação, ajuizar ação de adoção.

c) Ajuizar ação de adoção requerendo, liminarmente, a guarda provisória da

criança.

d) Ingressar com pedido de habilitação junto à Autoridade Central do país de aco-

lhida, para que esta, após a habilitação do casal, envie um relatório para a Autori-

dade Central Estadual e para a Autoridade Central Federal Brasileira, a fim de que

obtenham o laudo de habilitação à adoção internacional.

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Questão 12    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) O adolescente F,

16 anos, filho de Pedro, foi surpreendido por seu pai enquanto falava pela internet

com Fábio, 30 anos, que o induzia à prática de ato tipificado como infração penal.

Pedro informou imediatamente o ocorrido à autoridade policial, que instaurou a

persecução penal cabível. No caso narrado, ao induzir o adolescente F à prática de

ato tipificado como infração penal, a conduta de Fábio

a) configura crime nos termos do ECA, ainda que realizada por meio eletrônico e

que não venha a ser provada a corrupção do adolescente, por se tratar de delito

formal.

b) não configura crime nos termos do ECA, pois a mera indução sem a prática do

ato pelo adolescente configura infração administrativa, já que se trata de delito

material.

c) configura infração penal, tipificada na Lei de Contravenções Penais, mas a ma-

terialidade do crime com a prova da corrupção do adolescente é imprescindível à

condenação do réu em observância ao princípio do favor rei.

d) não configura crime nos termos estabelecidos pelo ECA, posto que inexiste tipifi-

cação se o ato for praticado por meio eletrônico, não havendo de se aplicar analogia

em malam partem.

Questão 13    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Marcelo, com 17

anos, e seu irmão Caio, com 20 anos de idade, permanecem sozinhos na casa da

família, enquanto os pais viajam por 30 dias em férias no exterior. Durante tal

período, Marcelo, que acabou de terminar o ensino médio, recebe uma excelente

proposta de trabalho. Ao comparecer à empresa para assinar o contrato de tra-

balho, Marcelo é impedido pela falta de um responsável. Marcelo, então, procura

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orientação de um advogado. Assinale a opção que apresenta a ação que deverá ser

ajuizada, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, para que o ado-

lescente não perca a oportunidade de emprego.

a) Marcelo deve ingressar com ação de emancipação, com pedido de antecipação

de tutela.

b) Caio deve ingressar com ação de guarda de Marcelo, requerendo a sua guarda

provisória.

c) Caio deve ingressar com ação, objetivando o direito de assistir Marcelo para a

prática do ato.

d) Caio deve ingressar com ação de tutela de Marcelo, com pedido liminar.

Questão 14    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2015) O adolescente N.

ficou conhecido no bairro onde mora por praticar roubos e furtos e ter a suposta

habilidade de nunca ter sido apreendido. Certa noite, N. saiu com o propósito de

praticar novos atos de subtração de coisa alheia. Diante da reação de uma vítima

a quem ameaçava, N. disparou sua arma de fogo, levando a vítima a óbito. N. não

conseguiu fugir, sendo apreendido por policiais que passavam pelo local, no mo-

mento em que praticava o ato infracional. Sobre o caso narrado, assinale a opção

correta.

a) A medida de internação não terá cabimento contra N., uma vez que somen-

te poderá ser aplicada em caso de reincidência no cometimento de infrações

graves.

b) Mesmo estando privado de liberdade, N. poderá entrevistar-se pessoalmente

com o representante do Ministério Público, mas não terá direito a peticionar direta-

mente a este ou a qualquer autoridade que seja.

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c) A medida de internação de N. é cabível por se tratar de ato infracional praticado

com ameaça e violência contra pessoa, mesmo que não seja caso de reincidência.

d) Caso N. seja condenado por sentença ao cumprimento de medida de internação,

e somente nesse caso, tornam-se obrigatórias as intimações do seu defensor e dos

pais ou responsáveis, mesmo que o adolescente tenha sido intimado pessoalmente.

Questão 15    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2015) Um conselheiro

tutelar, ao passar por um parquinho, observa Ana corrigindo o filho, João, por ele

não permitir que os amigos brinquem com o seu patinete. Para tanto, a genitora

grita, puxa o cabelo e dá beliscões no infante, na presença das outras crianças e

mães, que assistem a tudo assustadas.

Assinale a opção que indica o procedimento correto do Conselheiro Tutelar.

a) Requisitar a Polícia Militar para conduzir Ana à Delegacia de Polícia e, após a

atuação policial, dar o caso por encerrado.

b) Não intervir, já que Ana está exercendo o seu poder de correção, decorrência do

atributo do poder familiar.

c) Intervir imediatamente, orientando Ana para que não corrija o filho dessa forma,

e analisar se não seria recomendável a aplicação de uma das medidas previstas no

ECA.

d) Apenas colher elementos para ingressar em Juízo com uma representação admi-

nistrativa por descumprimento dos deveres inerentes ao poder familiar.

Questão 16    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2015) O Estatuto da

Criança e do Adolescente estabelece que pessoas com até doze anos de idade in-

completos são consideradas crianças e aquelas entre doze e dezoito anos incom-

pletos, adolescentes. Estabelece, ainda, o Art. 2º, parágrafo único, que “Nos casos

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expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre de-


zoito e vinte e um anos de idade”. Partindo da análise do caráter etário descrito no
enunciado, assinale a afirmativa correta.
a) O texto foi derrogado, não tendo qualquer aplicabilidade no aspecto penal, que
considera a maioridade penal aos dezoito anos, não podendo, portanto, ser qual-
quer medida socioeducativa a pessoas entre dezoito e vinte e um anos incomple-
tos, pois o critério utilizado para a incidência é a idade na data do julgamento e não
a idade na data do fato.
b) A proteção integral às crianças e adolescentes, primado do ECA, estendeu a
proteção da norma especial aos que ainda não tenham completado a maioridade
civil, nisso havendo a proteção especialmente destinada aos menores de vinte e um
anos, nos âmbitos do Direito Civil e do Direito Penal.
c) O texto destacado no parágrafo único desarmoniza-se da regra do Código Civil
de 2002 que estabelece que a maioridade civil dá-se aos dezoito anos; por esse
motivo, a regra indicada no enunciado não tem mais aplicabilidade no âmbito civil.
d) Ao menor emancipado não se aplicam os princípios e as normas previstas no ECA;
por isso, o estabelecido no texto transcrito, desde a entrada em vigor da norma especial
em 1990, não era aplicada aos menores emancipados, exceto para fins de Direito Penal.

Questão 17    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) João e Joana são


pais de Mila, 9 anos, e de Letícia, 8 anos. João mudou-se para Maringá depois do
divórcio, e levou sua filha mais nova para morar com ele. Nas férias escolares, Le-
tícia quer ir ao Rio de Janeiro visitar sua mãe, enquanto Mila deseja passar seus
dias livres com seu pai em Maringá. Avalie as situações apresentadas a seguir e, de
acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a afirmativa correta.
a) Letícia poderá viajar sem autorização judicial se a sua prima, Olívia, que tem
19 anos, aceitar acompanhá-la. Mila poderá viajar sem autorização, se a sua avó,
Filomena, a acompanhar.

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b) Se houver prévia e expressa autorização dos pais ou responsáveis, Letícia e Mila

ficam dispensadas da autorização judicial e poderão viajar desacompanhadas den-

tro do território nacional.

c) Letícia poderá viajar desacompanhada dos pais por todo território nacional se

houver autorização judicial, que poderá ser concedida pelo prazo de dois anos.

Mila não precisará de autorização judicial para ir a Maringá se seu tio José aceitar

acompanhá-la.

d) Mila poderia aproveitar a ida de sua vizinha Maria, de 23 anos, para acompa-

nhá-la, desde que devidamente autorizada por seus pais, enquanto Letícia não

precisaria de autorização judicial se seu padrinho, Ricardo, primo do seu pai, a

acompanhasse.

Questão 18    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) Vilma, avó mater-

na do menor Oscar, de quinze anos de idade, pretende mover ação de suspensão

do poder familiar em face de Onísio e Paula, pais do menor. Argumenta que Oscar

estaria na condição de evasão escolar e os pais negligentes, embora incansavel-

mente questionados por Vilma quanto as consequências negativas para a formação


de Oscar. Considere a hipótese narrada e assinale a única opção correta aplicável

ao caso.

a) Do ponto de vista processual, Vilma não tem legitimidade para propor a ação

que deve ser movida exclusivamente pelo Ministério Público, diante da indisponi-

bilidade do direito em questão, a quem a interessada deve dirigir a argumentação

para a tomada das medidas judiciais cabíveis.

b) Do ponto de vista material, os elementos indicados por Vilma são suficientes ao

pleito de suspensão do poder familiar, do mesmo modo que a falta ou a carência de

recursos materiais são, ainda que isoladamente, justo motivo para propositura da

medida de suspensão do poder familiar.

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c) Do ponto de vista material, os argumentos indicados por Vilma são irrelevantes

a dar ensejo à medida de suspensão de poder familiar, medida grave e excepcional-

mente aplicada, mas são suficientes ao pleito de aplicação de multa e repreensão

aos pais negligentes, por se tratar de infração administrativa.

d) Do ponto de vista processual, Vilma possui legitimidade para propor a ação de

suspensão do poder familiar e, tramitando o processo perante a Justiça da Infância

e da Juventude, é impositiva a isenção de custas e emolumentos, independente

de concessão da gratuidade de justiça, conforme dispõe expressa e literalmente o

ECA.

Questão 19    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) A Declaração Uni-

versal dos Direitos da Criança reconhece como necessária ao desenvolvimento

completo e harmonioso das crianças e dos adolescentes a necessidade de cuidados

e um ambiente de afeto e de segurança moral e material, o que prioritariamente

deve ocorrer na companhia e sob a responsabilidade dos pais. Mas, em circunstân-

cias excepcionais, a criança ou o adolescente podem ser confiados às chamadas

famílias substitutas. A respeito da colocação de criança ou adolescente em família

substituta, segundo os termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a

afirmativa correta.

a) O ECA disciplina procedimento específico para a colocação em família substituta

de criança ou adolescente indígena, que requer, obrigatoriamente, a intervenção

e oitiva de representantes de órgão federal responsável pela política indígena e de

antropólogos.

b) A criança ou adolescente será prévia e necessariamente ouvida pela equipe in-

terprofissional no curso do processo, dispensando-se o consentimento da criança

ou adolescente, que será substituído pelo parecer da equipe.

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c) A colocação da criança ou adolescente em família substituta, por ser de caráter

provisório e precário, exime o guardião ou o tutor dos deveres de companhia e

guarda, que poderão ser transferidos a terceiros.

d) A guarda e a tutela são as únicas modalidades de colocação da criança ou ado-

lescente em família substituta, que pode ser nacional ou estrangeira, sendo a ado-

ção medida de colocação em família definitiva, não em família substituta.

Questão 20    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) O Hotel Botanic

recebeu o casal de namorados Júlia e Matheus como hóspedes durante um feriado

prolongado. Júlia tem 15 anos de idade e Matheus 18 anos, motivo pelo qual a ado-

lescente foi admitida no estabelecimento, por estar acompanhada de uma pessoa

maior de idade. Com base no caso apresentado, a partir do que dispõe o Estatuto

da Criança e do Adolescente, assinale a opção correta.

a) Trata-se de infração penal, motivo pelo qual, sem prejuízo da pena de multa

aplicada ao estabelecimento, o funcionário responsável pela admissão da adoles-

cente está sujeito à responsabilidade criminal pessoal.

b) Trata-se de prática cotidiana sem implicações administrativas ou criminais pre-

vistas na norma especial, uma vez que a adolescente estava acompanhada de pes-

soa maior de idade que se torna responsável por ela.

c) Trata-se de infração administrativa, sujeitando-se à aplicação de pena de multa,

a hospedagem de adolescente desacompanhado dos pais, responsáveis, ou sem

autorização escrita desses ou da autoridade judiciária.

d) Trata-se de infração administrativa e penal, sujeitando-se o estabelecimento,

por determinação da autoridade judiciária, a imediato fechamento por até quinze

dias.

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Questão 21    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) José, tutor da

criança Z, soube que Juarez vem oferecendo recompensa àqueles que lhe entre-

gam crianças ou adolescentes em caráter definitivo. Entusiasmado com a quantia

oferecida, José promete entregar a criança exatamente dez dias após o início da

negociação. José contou aos seus vizinhos que não queria mais “ter trabalho com

o menino”. Indignada, Marieta, vizinha de José, comunicou imediatamente o fato à

autoridade policial, que conseguiu impedir a entrega da criança Z a Juarez. Nesse

caso, à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a afirmativa correta.

a) A promessa de entrega de Z, por si só, já configura infração penal, do mesmo

modo que o seria em caso de efetiva entrega da criança.

b) Somente a efetiva entrega da criança mediante paga ou recompensa configura-

ria a prática de infração penal tanto para quem entrega quanto para quem oferece

o valor pecuniário.

c) Tratar-se-ia de infração penal somente se a criança Z fosse filho de José, sendo

a figura do tutor atípica para esse tipo de infração penal, não se podendo aplicar

analogia para a configuração de crime.

d) Somente incorre na pena pela prática de infração penal o sujeito que oferece a

paga ou recompensa, sendo atípica para o responsável legal a mera promessa de

entrega da criança.

Questão 22    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2013) Com relação à in-

ternação, observado o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale

a afirmativa correta.

a) Deve obedecer ao período determinado de um ano e meio, prorrogável por igual

período, para atos infracionais praticados com emprego de violência.

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b) Deve obedecer ao período determinado de um ano, prorrogável por igual perío-

do, para atos infracionais praticados sem emprego de violência.

c) Não comporta período determinado e não pode ultrapassar o máximo de três

anos, independente do emprego ou não de violência no ato infracional praticado.

d) Não pode ultrapassar o período máximo de três anos, quando o adolescente

deverá ser colocado em liberdade com o dever de reparar o dano no caso de ato

infracional com reflexos patrimoniais.

Questão 23    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2013) A interpretação e

aplicação da Lei n. 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA) deve

perseguir os objetivos de proteção integral e prioritária dos direitos das crianças

e dos adolescentes, que deles são titulares. Sobre o tema, assinale a afirmativa

correta.

a) A aplicação das medidas específicas de proteção previstas pelo ECA pode se dar

cumulativamente, devendo a autoridade competente escolher a mais adequada

diante das necessidades específicas do destinatário.

b) Se Joana, que tem 09 anos, tiver seus direitos violados por ação ou omissão do

Estado, serão cabíveis as medidas específicas de proteção previstas pelo ECA que,

dependendo das circunstâncias, não deverão ser aplicadas ao mesmo tempo.

c) Se Júlio, que tem 09 anos, tiver seus direitos violados por abuso ou omissão dos

pais, não serão aplicáveis as medidas específicas de proteção, mas, sim, medidas

destinadas aos pais ou responsável, previstas pelo ECA.

d) As medidas específicas de proteção previstas pelo ECA devem ser aplicadas de

modo a afastar uma intervenção precoce, efetuada logo que a situação de perigo

seja conhecida, sob pena de responsabilidade primária e solidária do poder público.

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Questão 24    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2013) O Estatuto da

Criança e do Adolescente estabelece os princípios que devem ser adotados por

entidades que desenvolvam programas de acolhimento familiar ou institucional.

Segundo esses princípios, assinale a afirmativa correta.

a) As entidades devem buscar constantemente a transferência para outras entida-

des de crianças e adolescentes abrigados, a fim de promover e aprofundar a inte-

gração entre eles e os diferentes contextos sociais.

b) Por força de disposição expressa de lei, o dirigente das entidades com o objetivo

de acolhimento institucional ou familiar é equiparado ao guardião, para todos os

efeitos de direito.

c) Mesmo inserida em programa de acolhimento institucional ou familiar, a criança ou

o adolescente deve ser estimulado a manter contato com seus pais ou responsável.

d) É vedado o acolhimento de crianças e adolescentes em entidades que mante-

nham programa de acolhimento institucional sem prévia determinação da autori-

dade competente.

Questão 25    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Considerando os

princípios norteadores do Estatuto da Criança e do Adolescente, a prática de atos

infracionais fica sujeita a medidas que têm objetivos socioeducativos. Nesse senti-

do, é correto afirmar que

a) se Aroldo, que tem 11 anos, subtrair para si coisa alheia pertencente a uma cre-

che, deverá cumprir medida socioeducativa de prestação de serviços comunitários,

por período não superior a um ano.

b) a obrigação de reparar o dano causado pelo ato infracional não é considerada

medida socioeducativa, tendo em vista que o adolescente não pode ser responsa-

bilizado civilmente.

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c) o acolhimento institucional e a colocação em família substituta podem ser apli-

cados como medidas protetivas ou socioeducativas, a depender das características

dos atos infracionais praticados.

d) a internação, como uma das medidas socioeducativas previstas pelo ECA, não

poderá exceder o período máximo de três anos, e a liberação será compulsória aos

21 anos de idade.

Questão 26    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Joana tem 16

anos e está internada no Educandário Celeste, na cidade de Pitió, por ato infracio-

nal equiparado ao crime de tráfico de entorpecentes. O Estatuto da Criança e do

Adolescente regula situações dessa natureza, consignando direitos do adolescente

privado de liberdade. Diante das disposições aplicáveis ao caso de Joana, é correto

afirmar que

a) Joana tem direito à visitação, que deve ser respeitado na frequência mínima

semanal, e não poderá ser suspenso sob pena de violação das garantias fundamen-

tais do adolescente internado.

b) é expressamente garantido o direito de Joana se corresponder com seus fami-

liares e amigos, mas é vedada a possibilidade de avistar-se reservadamente com

seu defensor.

c) a autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita, exceto de

pais e responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade

aos interesses do adolescente.

d) as visitas dos pais de Joana poderão ser suspensas temporariamente, mas em

tal situação permanece o seu direito de continuar internada na mesma localidade

ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais.

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Questão 27    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Com forte inspi-

ração constitucional, a Lei n.. 8.069, de 13 de julho de 1990, consagra a doutrina

da proteção integral da criança e do adolescente, assegurando-lhes direitos fun-

damentais, entre os quais o direito à educação. Igualmente, é-lhes franqueado o

acesso à cultura, ao esporte e ao lazer, preparando-os para o exercício da cidadania

e qualificação para o trabalho, fornecendo-lhes elementos para seu pleno desenvol-

vimento e realização como pessoa humana. De acordo com as disposições expres-

sas no Estatuto da Criança e do Adolescente, é correto afirmar que

a) toda criança e todo adolescente têm direito a serem respeitados por seus edu-

cadores, mas não poderão contestar os critérios avaliativos, uma vez que estes são

estabelecidos pelas instâncias educacionais superiores, norteados por diretrizes

fiscalizadas pelo MEC.

b) é dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente o ensino fundamental,

obrigatório e gratuito, mas sem a progressiva extensão da obrigatoriedade e gra-

tuidade ao ensino médio.

c) não existe obrigatoriedade de matrícula na rede regular de ensino àqueles geni-

tores ou responsáveis pela criança ou adolescente que, por convicções ideológicas,

políticas ou religiosas, discordem dos métodos de educação escolástica tradicional

para seus filhos ou pupilos.

d) os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Con-

selho Tutelar os casos de maus-tratos envolvendo seus alunos, a reiteração de fal-

tas injustificadas e a evasão escolar, esgotados os recursos escolares, assim como

os elevados níveis de repetência.

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Questão 28    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) João e Maria, am-

bos adolescentes, com dezessete e dezesseis anos, respectivamente, resolvem re-

alizar uma viagem para comemorar o aniversário de um ano de namoro. Como

destino, o jovem casal elege Armação dos Búzios, no estado do Rio de Janeiro,

e efetua a reserva, por telefone, em uma pousada do balneário. Considerando a

normativa acerca da prevenção especial contida na Lei n. 8.069, de 13 de julho de

1990, assinale a afirmativa correta.

a) O casal poderá hospedar‐se na pousada reservada sem quaisquer restrições, já

que ambos são maiores de dezesseis anos e, portanto, relativamente capazes para

a prática desse tipo de ato civil, não podendo ser exigido que estejam acompanha-

dos dos pais ou responsáveis nem que apresentem autorização destes.

b) O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe apenas a hospedagem de crian-

ças e adolescentes em motel, desacompanhadas de seus pais ou responsável, sen-

do permitida a hospedagem em hotéis ou estabelecimentos congêneres, uma vez

que estes são obrigados a manter regularmente o registro de entrada de seus

hóspedes.

c) A proibição da legislação especial refere‐se apenas às crianças, na definição do

ECA consideradas como as pessoas de até doze anos de idade incompletos, sendo,

portanto, dispensável que os adolescentes estejam acompanhados dos pais ou res-

ponsáveis, ou, ainda, autorizados por estes para a regular hospedagem.

d) O titular da pousada, ou um de seus prepostos, pode, legitimamente e fundado

na legislação especial que tutela a criança e o adolescente, negar-se a promover

a hospedagem do jovem casal, já que ambos estão desacompanhados dos pais ou

responsável e desprovidos, igualmente, da autorização específica exigida pelo ECA.

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Questão 29    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Acerca das atri-


buições do Conselho Tutelar determinadas no Estatuto da Criança e do Adolescen-
te, assinale a alternativa correta.
a) O Conselho Tutelar, considerando sua natureza não jurisdicional, destaca‐se no
aconselhamento e na orientação à família ou responsável pela criança ou adoles-
cente, inclusive na hipótese de inclusão em programa oficial ou comunitário de
auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos.
b) O Conselho Tutelar, em consequência de sua natureza não jurisdicional, não é
competente para encaminhar ao Ministério Público as ocorrências administrativas
ou criminais que importem violação aos direitos da criança e do adolescente.
c) O Conselho Tutelar pode assessorar o Poder Executivo local na elaboração da pro-
posta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança
e do adolescente, em decorrência de sua natureza jurisdicional não autônoma.
d) O Conselho Tutelar não poderá promover a execução de suas decisões, razão
pela qual só lhe resta encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua
infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente.

Questão 30    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Juliana, estudan-


te de 17 anos, em comemoração a sua recente aprovação no vestibular de uma
renomada universidade, saiu em viagem com Gustavo, seu namorado de 25 anos,
funcionário público federal. Acerca de possíveis intercorrências ao longo da viagem,
é correto afirmar que
a) Juliana, por ser adolescente, independentemente de estar em companhia de
Gustavo, maior de idade, não poderá se hospedar no local livremente por eles es-
colhido, sem portar expressa autorização de seus pais ou responsável.
b) Juliana, em companhia de Gustavo, poderá ingressar em um badalado bar do
local, onde é realizado um show de música ao vivo no primeiro piso e há um salão
de jogos de bilhar no segundo piso.

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c) Juliana, por ser adolescente e estar em companhia de Gustavo, maior de idade,


poderá se hospedar no local livremente por eles escolhido, independentemente de
portar ou não autorização de seus pais.
d) Juliana poderá se hospedar em hotel, motel, pensão ou estabelecimento congê-
nere, assim como poderá ingressar em local que explore jogos de bilhar, se portar
expressa autorização dos seus pais ou responsável.

Questão 31    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2011) Washington, ado-


lescente com 14 (quatorze) anos, movido pelo desejo de ajudar seus genitores no
sustento do núcleo familiar pobre, pretende iniciar atividade laborativa como ensa-
cador de compras na pequena mercearia Tudo Tem, que funciona 24h, localizada
em sua comunidade. Recentemente, esta foi pacificada pelas Forças de Segurança
Nacional. Tendo como substrato a tutela do Estatuto da Criança e do Adolescente
no tocante ao Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho, assinale a al-
ternativa correta.
a) Washington poderá ser contratado como ensacador de compras, mesmo não
sendo tal atividade de aprendizagem, pois, como já possui 14 (quatorze) anos, tem
discernimento suficiente para firmar o contrato de trabalho e, assim, prestar auxílio
material aos seus pais, adotando a louvável atitude de preferir o trabalho às ruas.
b) Como a comunidade onde reside Washington foi pacificada pelas forças de paz,
não há falar em local perigoso ou insalubre para o menor; assim, poderá o adoles-
cente exercer a carga horária laborativa no período das 22h às 24h, sem qualquer
restrição legal, desde que procure outra atividade laborativa que seja de formação
técnico-profissional.
c) Washington não poderá trabalhar na mercearia como ensacador de compras,
pois tal atividade não é enquadrada como de formação técnico-profissional; por-
tanto, não se pode afirmar que o menor exercerá atividade laborativa na condição
de aprendiz.

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d) Na condição de aprendiz, não é necessário que o adolescente goze de horário


especial compatível com a garantia de acesso e frequência obrigatória ao ensino
regular.

Questão 32    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2011) No tocante às nor-


mas contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente, é correto afirmar que
a) a medida socioeducativa de internação aplicada em razão do descumprimento
reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta ao adolescente infrator
não poderá ser superior a três meses.
b) o adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será imediatamente
encaminhado ao Juiz de Direito em exercício na Vara da Infância e Juventude, que
decidirá sobre a necessidade ou não de seu acautelamento provisório.
c) a concessão da remissão, que prescinde da homologação da Autoridade Judi-
ciária, é medida que o membro do Ministério Público atribuído poderá adotar no
processamento de ato infracional.
d) ao ato infracional praticado por crianças corresponderão as seguintes medidas
socioeducativas: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à
comunidade, liberdade assistida e inserção em regime de semiliberdade.

Questão 33    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Dentre os direitos


de toda criança ou todo adolescente, o ECA assegura o de ser criado e educado
no seio de sua família e, excepcionalmente, a colocação em família substituta, as-
segurando-lhe a convivência familiar e comunitária. Fundando-se em tal preceito,
acerca da colocação em família substituta, é correto afirmar que:
a) a colocação em família substituta far-se-á, exclusivamente, por meio da tutela
ou da adoção.
b) a guarda somente obriga seu detentor à assistência material a criança ou
adolescente.

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c) o adotando não deve ter mais que 18 anos à data do pedido, salvo se já estiver

sob a guarda ou tutela dos adotantes.

d) desde que comprovem seu estado civil de casados, somente os maiores de 21

anos podem adotar.

Questão 34    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Considerando a

prática de ato infracional por criança ou adolescente, é correto afirmar que

a) a prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratuitas

de interesse geral, por período não excedente a 1 (um) ano, em entidades assis-

tenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em

programas comunitários ou governamentais.

b) em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade pode-

rá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressar-

cimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima.

c) a internação, por constituir medida privativa de liberdade do menor, não poderá

exceder o período de 5 (cinco) anos.

d) entre as garantias processuais garantidas ao adolescente encontra-se o direito

de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase do procedi-

mento. Contudo, não poderá o menor ser ouvido pessoalmente pela autoridade

competente, devendo em todo o caso ser assistido pelos genitores.

Questão 35    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Com relação aos

procedimentos para a perda e a suspensão do poder familiar regulados pelo Esta-

tuto da Criança e do Adolescente, é correto afirmar que

a) a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público, poderá decretar liminar ou

incidentalmente a suspensão do poder familiar, independentemente da gravidade

do motivo.

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b) o procedimento para perda ou suspensão do poder familiar dispensa que os pais

sejam ouvidos, mesmo se estes forem identificados e estiverem em local conhecido.

c) o procedimento para perda ou suspensão do poder familiar terá início por provo-

cação do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse.

d) em conformidade com a nova redação dada pela Lei n. 12.010, de 3 de agosto

de 2009, o prazo máximo para a conclusão do procedimento de perda ou suspen-

são do poder familiar será de 180 (cento e oitenta) dias.

Questão 36    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) João, criança de

07 anos de idade, perambulava pela rua sozinho, sujo e com fome, quando, por

volta das 23 horas, foi encontrado por um guarda municipal, que resolve encami-

nhá-lo diretamente para uma entidade de acolhimento institucional, que fica a 100

metros do local onde ele foi achado. João é imediatamente acolhido pela entidade

em questão. Sobre o procedimento adotado pela entidade de acolhimento institu-

cional, de acordo com o que dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente, assi-

nale a afirmativa correta.

a) A entidade pode regularmente acolher crianças e adolescentes, independen-

temente de determinação da autoridade competente e da expedição de guia de

acolhimento.

b) A entidade somente pode acolher crianças e adolescentes encaminhados pela

autoridade competente por meio de guia de acolhimento.

c) A entidade pode acolher regularmente crianças e adolescentes sem a expedição

da guia de acolhimento apenas quando o encaminhamento for feito pelo Conselho

Tutelar.

d) A entidade pode, em caráter excepcional e de urgência, acolher uma criança

sem determinação da autoridade competente e guia de acolhimento, desde que

faça a comunicação do fato à autoridade judicial em até 24 horas.

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Questão 37    (CESPE/Ordem DOS ADVOGADOS DO BRASIL 2009/ ADAPTADA)

No que se refere ao direito à convivência familiar e comunitária, assinale a opção

correta com base no ECA.

a) Toda criança ou adolescente tem direito à educação no seio da sua família e,

excepcionalmente, em família substituta, assegurada a participação efetiva da mãe

biológica no convívio diário com o educando, em ambiente livre da presença de

pessoas discriminadas.

b) Os filhos, havidos, ou não, da relação do casamento, ou por adoção, terão os

mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias

relativas à filiação.

c) O pátrio poder não poderá ser exercido, simultaneamente, pelo pai e pela mãe.

Em caso de discordância quanto a quem caberá titularizá-lo, a ambos será facultado o

direito de recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência.

d) Na ausência dos pais, o pátrio poder poderá ser delegado, nessa ordem: ao ir-

mão mais velho, desde que já tenha alcançado a maioridade, ao tio paterno ou ao

avô paterno. Na ausência de qualquer um desses, o pátrio poder poderá, excepcio-

nalmente, ser delegado à avó materna.

Questão 38    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/REAPLICAÇÃO SALVA-

DOR/BA/2016) O adolescente X cometeu ato infracional equiparado a crime de rou-

bo, mediante grave ameaça à pessoa. Apreendido com a observância dos estreitos

e regulares critérios normativos estabelecidos pelo sistema jurídico, apurou-se que

o jovem havia cometido um ato infracional anterior equiparável ao crime de apro-

priação indébita. Com base na hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.

a) É incabível a aplicação de medida de internação, o que é autorizado apenas

em caso de reiteração no cometimento de outras faltas anteriores ou simultâneas,

igualmente graves.

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b) É aplicável apenas a medida de regime de semiliberdade em razão da prática de

ato infracional mediante grave ameaça à pessoa.

c) É aplicável a medida de internação em razão da prática de ato infracional me-

diante grave ameaça à pessoa, mesmo não sendo hipótese de reiteração da condu-

ta idêntica por parte do adolescente.

d) É incabível a aplicação de medida de internação, haja vista que essa somente

poderia se dar em caso de descumprimento reiterado de injustificável medida im-

posta em momento anterior ao adolescente

Questão 39    (CESPE/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Assinale a op-

ção correta conforme as disposições do ECA.

a) O prazo máximo previsto para a medida de internação é de três anos, devendo

ser prefixado pelo magistrado na sentença.

b) Não havendo arquivamento dos autos ou concessão de remissão, o membro do

MP procederá à apresentação de denúncia contra o adolescente.

c) As eleições para o conselho tutelar, órgão com poderes jurisdicionais, são orga-

nizadas em âmbito municipal.

d) Inclui-se, entre as medidas aplicáveis aos pais ou responsável do menor, o en-

caminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico.

Questão 40    (CESPE/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Em relação às

medidas socioeducativas previstas no ECA, assinale a opção correta.

a) As medidas socioeducativas de semiliberdade e de internação por prazo inde-

terminado não podem ser incluídas na remissão, sendo admissível sua aplicação

somente após a instrução processual em sede de sentença de mérito.

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b) A obrigação de reparar o dano à vítima não constitui medida socioeducativa.

c) A medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade pode ser apli-

cada pelo prazo de até um ano.

d) A advertência somente pode ser aplicada se houver provas suficientes da auto-

ria e da materialidade da infração.

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GABARITO

1. d 15. c 29. a

2. b 16. c 30. a

3. c 17. c 31. c

4. b 18. d 32. a

5. d 19. a 33. c

6. d 20. c 34. b

7. d 21. a 35. c

8. d 22. c 36. d

9. b 23. a 37. b

10. c 24. c 38. c

11. d 25. d 39. d

12. a 26. d 40. a

13. c 27. d

14. c 28. d

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GABARITO COMENTADO
Questão 1    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2018) Em cumprimento

de mandado de busca e apreensão do Juízo Criminal, policiais encontraram fotogra-

fias de adolescentes vestidas, em posições sexuais, com foco nos órgãos genitais,

armazenadas no computador de um artista inglês. O advogado do artista, em sua

defesa, alega a ausência de cena pornográfica, uma vez que as adolescentes não

estavam nuas, e que a finalidade do armazenamento seria para comunicar às au-

toridades competentes. Considerando o crime de posse de material pornográfico,

previsto no Art. 241-B do ECA, merecem prosperar os argumentos da defesa?

a) Sim, pois, para caracterização da pornografia, as adolescentes teriam que estar

nuas.

b) Não, uma vez que bastava afirmar que as fotos são de adolescentes, e não de

crianças.

c) Sim, uma vez que a finalidade do artista era apenas a de comunicar o fato às

autoridades competentes.

d) Não, pois a finalidade pornográfica restou demonstrada, e o artista não faz jus

a excludente de tipicidade.

Letra d.

a) Errada. Para a caracterização do tipo penal é dispensável que as adolescentes

estejam nuas. Aliás, o conceito de cena de sexo explícito traz uma alternativa. Ob-

serve: Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a expressão “cena de

sexo explícito ou pornográfica” compreende qualquer situação que envolva criança

ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos

órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais.

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b) Errada. O tipo penal do art. 241-B tem como vítima tanto criança como ado-

lescente. Observe: Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio,

fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou

pornográfica envolvendo criança ou adolescente.

c) Errada. Perceba que não prospera a tese de excludente de tipicidade apre-

sentada pela defesa, pois a comunicação seja feita por uma das pessoas indica-

das no parágrafo segundo, quais sejam: agente público no exercício de suas

funções; membro de entidade, legalmente constituída, que inclua, entre

suas finalidades institucionais, o recebimento, o processamento e o enca-

minhamento de notícia dos crimes referidos neste parágrafo. representante

legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou serviço pres-

tado por meio de rede de computadores, até o recebimento do material

relativo à notícia feita à autoridade policial, ao Ministério Público ou ao

Poder Judiciário.

d) Correta. A finalidade pornográfica restou demonstrada, e o artista não faz

jus à excludente de tipicidade. Para aqueles que adotam a chamada tipicidade

conglobante.

Questão 2    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2018) Maria, em uma ma-

ternidade na cidade de São Paulo, manifesta o desejo de entregar Juliana, sua filha

recém-nascida, para adoção. Assim, Maria, encaminhada para a Vara da Infância e

da Juventude, após ser atendida por uma assistente social e por uma psicóloga, é

ouvida em audiência, com a assistência do defensor público e na presença do Mi-

nistério Público, afirmando desconhecer o pai da criança e não ter contato com sua

família, que vive no interior do Ceará, há cinco anos. Assim, após Maria manifestar

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o desejo formal de entregar a filha para adoção, o Juiz decreta a extinção do poder

familiar, determinando que Juliana vá para a guarda provisória de família habilita-

da para adoção no cadastro nacional. Passados oito dias do ato, Maria procura um

advogado, arrependida, afirmando que gostaria de criar a filha. De acordo com o

ECA, Maria poderá reaver a filha?

a) Sim, uma vez que a mãe poderá se retratar até a data da publicação da senten-

ça de adoção.

b) Sim, pois ela poderá se arrepender até 10 dias após a data de prolação da sen-

tença de extinção do poder familiar.

c) Não, considerando a extinção do poder familiar por sentença.

d) Não, já que Maria somente poderia se retratar até a data da audiência, quando

concordou com a adoção.

Letra b.

a) Errada. Esse era o entendimento do Art. 166, § 5º antes da entrada em vigor

da Lei n. 13.509/2017. Encontra-se superado com a redação da assertiva correta.

b) Correta. Art. 166, § 5º O consentimento é retratável até a data da realização

da audiência especificada no § 1º deste artigo, e os pais podem exercer o arrepen-

dimento no prazo de 10 (dez) dias, contado da data de prolação da sentença de

extinção do poder familiar. (Redação dada pela Lei n. 13.509, de 2017).

c) Errada. Os pais podem exercer o arrependimento, mesmo após a prolação da

sentença de extinção do poder familiar, no prazo de 10 (dez) dias.

d) Errada. Mesmo antes da Lei n. 13.509/2017 já era possível a retratação até a

data da publicação da sentença constitutiva da adoção, não sendo mais aplicada

essa regra, conforme a assertiva correta.

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Questão 3    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2018) Angélica, criança

com 5 anos de idade, reside com a mãe Teresa, o padrasto Antônio e a tia materna

Joana. A tia suspeita de que sua sobrinha seja vítima de abuso sexual praticado

pelo padrasto. Isso porque, certa vez, ao tomar banho com Angélica, esta reclamou

de dores na vagina e no ânus, que aparentavam estar bem vermelhos. Na ocasião,

a sobrinha disse que “o papito coloca o dedo no meu bumbum e na minha perereca,

e dói”. Joana narrou o caso para a irmã Teresa, que disse não acreditar no relato

da filha, pois ela gostava de inventar histórias, e que, ainda que fosse verdade, não

poderia fazer nada, pois depende financeiramente de Antônio. Joana, então, após

registrar a ocorrência na Delegacia de Polícia, que apenas instaurou o inquérito

policial e encaminhou a criança para exame de corpo de delito, busca orientação

jurídica sobre o que fazer para colocá-la em segurança imediatamente. De acordo

com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a fim de resguardar a integridade de

Angélica até que os fatos sejam devidamente apurados pelo Juízo Criminal com-

petente, assinale a opção que indica à medida que poderá ser postulada por um

advogado junto ao Juízo da Infância e da Juventude.

a) A aplicação da medida protetiva de acolhimento institucional de Angélica.

b) Solicitar a suspensão do poder familiar de Antônio.

c) Solicitar o afastamento de Antônio da moradia comum.

d) Solicitar a destituição do poder familiar da mãe Teresa.

Letra c.

A) Errada. Perceba que Angélica é vítima, portanto, não faz nenhum sentido aplicar

uma medida que vá contra o interesse da criança.

b) Errada. Não seria caso de suspensão do poder familiar de Antônio, mas de perda

nos termos do art. 1.638, parágrafo único, I, alínea “b”, do Código Civil.

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c) Correta. Nos termos do Art. 130. Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão

ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá

determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum.

d) Errada. Solicitar a destituição do poder familiar da mãe da criança é ir de en-

contro aos interesses da vítima também.

Questão 4    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) Agente público exe-

cutor de medida socioeducativa de internação, a pretexto de manter a disciplina

e a ordem na unidade em que atua, ordena que dois adolescentes se vistam com

roupas femininas e desfilem para os demais internos, que escolherão a “garota da

unidade”. Em visita à unidade, uma equipe composta pela Comissão de Direitos

Humanos da OAB e pelo Conselho Tutelar toma ciência do caso. Segundo restou

apurado, o agente teria atuado de tal forma porque os dois adolescentes eram mui-

to rebeldes e não cumpriam regularmente as determinações da unidade. Com base

apenas no Estatuto da Criança e do Adolescente, sem prejuízo de outras sanções,

assinale a opção que indica a medida que poderá ser adotada imediatamente pela

equipe que fiscalizava a unidade.

a) Transferência imediata dos adolescentes para outra unidade socioeducativa.

b) Advertência do agente público aplicada pelo Conselho Tutelar.

c) Advertência do agente público aplicada pela Comissão de Direitos Humanos da

OAB.

d) Transferência imediata do agente público para outra unidade.

Letra b.

a) Errada. Os adolescentes foram vítimas das condutas perpetradas pelos agentes

públicos, portanto não devem ser transferidos de unidade socioeducativa.

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b) Correta. Trata-se de disposição contida no art. 18-B incluído pela Lei Menino

Bernardo. Ela objetiva garantir um tratamento digno na educação e correção da

criança e do adolescente, proibindo uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou

degradante como forma de correção, disciplina, educação por pais, responsáveis ou

por qualquer pessoa da família, assim como por agentes públicos executores

de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar

educar ou proteger criança ou adolescentes. Qualquer uma dessas condutas sujei-

tará os autores a programa de proteção à família, a tratamento psicológico ou psi-

quiátrico, a cursos ou programas de orientação, obrigação de encaminhar a criança

a tratamento especializado e advertência. Tais medidas serão aplicadas pelo

Conselho Tutelar.

c) Errada. Não será a Comissão de Direitos Humanos da OAB a responsável pela

aplicação da medida ao agente público.

d) Errada. A transferência imediata do agente público para outra unidade não é a

sanção disciplinar adequada.

Questão 5    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) Os irmãos Fábio

(11 anos) e João (9 anos) foram submetidos à medida protetiva de acolhimen-

to institucional pelo Juízo da Infância e da Juventude, pois residiam com os pais

em área de risco, que se recusavam a deixar o local, mesmo com a interdição do

imóvel pela Defesa Civil. Passados uma semana do acolhimento institucional, os

pais de Fábio e João vão até a instituição para visitá-los, sendo impedidos de ter

contato com os filhos pela diretora da entidade de acolhimento institucional, ao

argumento de que precisariam de autorização judicial para visitar as crianças.

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Os pais dos irmãos decidem então procurar orientação jurídica de um advogado.

Considerando os ditames do Estatuto da Criança e do Adolescente, a direção da

entidade de acolhimento institucional agiu corretamente?

a) Sim, pois o diretor da entidade de acolhimento institucional é equiparado ao

guardião, podendo proibir a visitação dos pais.

b) Não, porque os pais não precisam de uma autorização judicial, mas apenas de

um ofício do Conselho Tutelar autorizando a visitação.

c) Sim, pois a medida protetiva de acolhimento institucional foi aplicada pelo Juiz

da Infância, assim somente ele poderá autorizar a visita dos pais.

d) Não, diante da ausência de vedação expressa da autoridade judiciária para a

visitação, ou decisão que os suspenda ou os destitua do exercício do poder familiar.

Letra d.

É claro que a instituição agiu de forma equivocada. Contraria totalmente o que es-

tamos estudando. Portanto, a letra D está correta nos termos do Art. 92 § 4º, ECA

“Salvo determinação em contrário da autoridade judiciária competente, as entidades


que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional, se necessário com
o auxílio do Conselho Tutelar e dos órgãos de assistência social, estimularão o contato
da criança ou adolescente com seus pais e parentes, em cumprimento ao disposto nos
incisos I e VIII do caput deste artigo”.

Questão 6    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) Os irmãos Fábio

(11 anos) e João (9 anos) foram submetidos à medida protetiva de acolhimen-

to institucional pelo Juízo da Infância e da Juventude, pois residiam com os pais

em área de risco, que se recusavam a deixar o local, mesmo com a interdição do

imóvel pela Defesa Civil. Passados uma semana do acolhimento institucional, os

pais de Fábio e João vão até a instituição para visitá-los, sendo impedidos de ter

contato com os filhos pela diretora da entidade de acolhimento institucional, ao

argumento de que precisariam de autorização judicial para visitar as crianças.

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Os pais dos irmãos decidem então procurar orientação jurídica de um advogado.

Considerando os ditames do Estatuto da Criança e do Adolescente, a direção da

entidade de acolhimento institucional agiu corretamente?

a) Sim, pois o diretor da entidade de acolhimento institucional é equiparado ao

guardião, podendo proibir a visitação dos pais.

b) Não, porque os pais não precisam de uma autorização judicial, mas apenas de

um ofício do Conselho Tutelar autorizando a visitação.

c) Sim, pois a medida protetiva de acolhimento institucional foi aplicada pelo Juiz

da Infância, assim somente ele poderá autorizar a visita dos pais.

d) Não, diante da ausência de vedação expressa da autoridade judiciária para a

visitação, ou decisão que os suspenda ou os destitua do exercício do poder familiar.

Letra d.

Mesmo estando as crianças em acolhimento institucional, teremos a possibilidade

de visitas pelo genitor para garantir essa proximidade, independente de autoriza-

ção judicial prévia. No entanto, as visitas podem ser monitoradas ou o juiz poderá

vedá-las, sempre em decisão fundamentada, caso entenda conveniente, de acordo

com princípio do superior interesse da criança e do adolescente, o que não é o caso

da questão.

Questão 7    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) Os irmãos órfãos

João, com 8 anos de idade, e Caio, com 5 anos de idade, crescem juntos em entida-

de de acolhimento institucional, aguardando colocação em família substituta. Não

existem pretendentes domiciliados no Brasil interessados na adoção dos irmãos de

forma conjunta, apenas separados. Existem famílias estrangeiras com interesse na

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adoção de crianças com o perfil dos irmãos e uma família de brasileiros domicilia-

dos na Itália, sendo esta a última inscrita no cadastro.

Considerando o direito à convivência familiar e comunitária de toda criança e de

todo adolescente, assinale a opção que apresenta a solução que atende aos inte-

resses dos irmãos.

a) Adoção nacional pela família brasileira domiciliada na Itália.

b) Adoção internacional pela família estrangeira.

c) Adoção nacional por famílias domiciliadas no Brasil, ainda que separados.

d) Adoção internacional pela família brasileira domiciliada na Itália

Letra d.

a) Errada. As assertivas que trazem adoção nacional estão descartadas, pois o

próprio enunciado da questão afirmou não existirem pretendentes domiciliados no

Brasil interessados na adoção dos irmãos de forma conjunta, apenas separados.

b) Errada. Só excepcionalmente teremos a possibilidade da adoção, a qual se-

guirá a preferência por adotantes nacionais e, não sendo possível, adoção inter-

nacional pleiteada por brasileiros. Em último caso será concedida a adoção por

estrangeiros.

c) Errada. As assertivas que trazem adoção nacional estão descartadas, pois o

próprio enunciado da questão afirmou não existirem pretendentes domiciliados no

Brasil interessados na adoção dos irmãos de forma conjunta, apenas separados.

d) Correta. Perceba que mesmo que a família seja brasileira, mas domiciliada na

Itália teremos a adoção internacional porque sempre se leva em consideração o

local em que a criança ou adolescente irá ser acolhida e não quem está adotando.

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Questão 8    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Maria, mãe de João,

criança com nove anos de idade, que está na guarda de fato da avó paterna Luísa,

almeja viajar com o filho, que já possui passaporte válido, para os Estados Unidos.

Para tanto, indagou ao pai e à avó se eles concordariam com a viagem do infante,

tendo o primeiro anuído e a segunda não, pelo fato de o neto não estar com boas

notas na escola. Preocupada, Maria procura orientação jurídica de como proceder. À

luz do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a opção que indica a medida

que deverá ser adotada pelo(a) advogado(a) de Maria.

a) Ingressar com ação de suprimento do consentimento do pai e da avó paterna,

para fins de obter a autorização judicial de viagem ao exterior.

b) Solicitar ao pai que faça uma autorização de viagem acompanhada de cópias

dos documentos dele, pois a criança já possui passaporte válido.

c) Ingressar com ação de guarda de João, requerendo sua guarda provisória, para

que possa viajar ao exterior independente da anuência do pai e da avó paterna.

d) Solicitar ao pai que faça uma autorização de viagem com firma reconhecida,

pois a criança já possui passaporte válido.

Letra d

a) Errada. Não há necessidade de suprimento do consentimento do pai porque ele

anuiu.

b) Errada. Não há necessidade de cópias dos documentos do pai.

c) Errada. A mãe não precisa entrar com ação nenhuma porque ela ainda detém

o poder familiar.

d) Correta. Como o pai não viajará com eles, basta solicitar ao pai que faça uma auto-

rização de viagem com firma reconhecida, pois a criança já possui passaporte válido.

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Questão 9    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Marcelo e Maria são

casados há 10 anos. O casal possui a guarda judicial de Ana, que tem agora três

anos de idade, desde o seu nascimento. A mãe da infante, irmã de Maria, é usuária

de crack e soropositiva. Ana reconhece o casal como seus pais. Passados dois anos,

Ana fica órfã, o casal se divorcia e a criança fica residindo com Maria. Sobre a possi-

bilidade da adoção de Ana por Marcelo e Maria em conjunto, ainda que divorciados,

assinale a afirmativa correta.

a) Apenas Maria poderá adotá-la, pois é parente de Ana.

b) O casal poderá adotá-la, desde que acorde com relação à guarda (unipessoal ou

compartilhada) e à visitação de Ana.

c) O casal somente poderia adotar em conjunto caso ainda estivesse casado.

d) O casal deverá se inscrever previamente no cadastro de pessoas interessadas

na adoção.

Letra b.

a) Errada. Não há nenhuma restrição no sentido de ser parente biológico da mãe

da criança para ser adotante.

b) Correta. É perfeitamente possível a adoção conjunta para adotantes divorcia-

dos ou separados ao tempo da sentença desde que o estágio de convivência da

criança ou adolescente tenha se iniciado durante a união dos adotantes e tenha,

antes da sentença, acordado sobre guarda e regime de visitas.

c) Errada. Já vimos que é possível a adoção conjunta para adotantes divorciados

ou separados ao tempo da sentença.

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d) Errada. Apesar de regra ser o cadastramento, existe exceção prevista no Art.

50. § 13., III - oriundo o pedido de quem detém a tutela ou guarda legal de criança

maior de 3 (três) anos ou adolescente, desde que o lapso de tempo de convivên-

cia comprove a fixação de laços de afinidade e afetividade, e não seja constatada

a ocorrência de má-fé ou qualquer das situações previstas nos arts. 237 ou 238

desta Lei.

Questão 10    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Vanessa e Vitor

vivem com o filho Marcelo, criança com 06 anos de idade, na casa dos avós pater-

nos. Em um trágico acidente, Vitor veio a falecer. A viúva, logo após o óbito, decide

morar na casa de seus pais com o filho. Após 10 dias, já residindo com os pais,

Vanessa, em depressão e fazendo uso de entorpecentes, deixa o filho aos cuidados

dos avós maternos, e se submete a tratamento de internação em clínica de reabi-

litação. Decorridos 20 dias e com alta médica, Vanessa mantém acompanhamento

ambulatorial e aluga apartamento para morar sozinha com o filho. Os avós pater-

nos inconformados ingressaram com Ação de Guarda de Marcelo. Afirmaram que

sempre prestaram assistência material ao neto, que com eles residia desde o nas-

cimento até o falecimento de Vitor. Citada, Vanessa contestou o pedido, alegando

estar recuperada de sua depressão e da dependência química. Ainda, demonstrou

possuir atividade laborativa, e que obteve vaga para o filho em escola. Os avós

maternos, por sua vez, ingressam com oposição. Aduziram que Marcelo ficou muito

bem aos seus cuidados e que possuem excelente plano de saúde, que possibilitará

a inclusão do neto como dependente. Sobre a guarda de Marcelo, à luz da Proteção

Integral da Criança e do Adolescente, assinale a afirmativa correta.

a) Marcelo deve ficar com os avós maternos, com quem por último residiu, em

razão dos benefícios da inclusão da criança como dependente do plano de saúde.

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b) Marcelo deve ficar na companhia dos avós paternos, pois sempre prestaram

assistência material à criança, que com eles residia antes do falecimento de Vitor.

c) Marcelo deve ficar sob a guarda da mãe, já que ela nunca abandonou o filho e

sempre cumpriu com os deveres inerentes ao exercício do poder familiar, ainda que

com o auxílio dos avós.

d) Em programa de acolhimento familiar, até que esteja cabalmente demonstrado

que a genitora não faz mais uso de substâncias entorpecentes.

Letra c.

a) Errada. O benefício da inclusão da criança como dependente do plano de saúde

não é motivo suficiente para que Marcelo fique com os avós maternos.

b) Errada. O fato de Marcelo ter recebido assistência material ou ter residido com

os avós paternos, por si só, não garante o direito de ficar com a criança.

c) Correta. Se Vanessa estiver em condições de garantir o real interesse da crian-

ça, Marcelo deve ficar sob a sua guarda, já que ela nunca abandonou o filho e

sempre cumpriu com os deveres inerentes ao exercício do poder familiar, ainda que

com o auxílio dos avós. O poder público implantará políticas públicas voltadas para

a permanência da criança junto à família natural, mesmo que a família necessite

de ajuda. Aliás, a falta ou a carência de recursos materiais não é motivo suficiente

para a perda ou a suspensão do poder familiar.

d) Errada. Somente em caso de impossibilidade em manter a criança no seio

de sua família, poderá haver a retirada transitória. Trata-se do caso de medida

protetiva de inserção em acolhimento familiar ou institucional. Nesse caso, tanto

a criança como a mãe receberão atenção para haver o seu retorno para a família

natural.

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Questão 11    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Casal de brasilei-

ros, domiciliado na Itália, passa regularmente férias duas vezes por ano no Brasil.

Nas férias de dezembro, o casal visitou uma entidade de acolhimento institucional

na cidade do Rio de Janeiro, encantando-se com Ana, criança de oito anos de ida-

de, já disponível nos cadastros de habilitação para adoção nacional e internacional.

Almejando adotar Ana, consultam advogado especialista em infância e juventude.

Assinale a opção que apresenta a orientação jurídica correta pertinente ao caso.

a) Ingressar com pedido de habilitação para adoção junto à Autoridade Central

Estadual, pois são brasileiros e permanecem, duas vezes por ano, em território

nacional.

b) Ingressar com pedido de habilitação para adoção no Juízo da Infância e da Ju-

ventude e, após a habilitação, ajuizar ação de adoção.

c) Ajuizar ação de adoção requerendo, liminarmente, a guarda provisória da criança.

d) Ingressar com pedido de habilitação junto à Autoridade Central do país de aco-

lhida, para que esta, após a habilitação do casal, envie um relatório para a Autori-

dade Central Estadual e para a Autoridade Central Federal Brasileira, a fim de que

obtenham o laudo de habilitação à adoção internacional.

Letra d.

Art. 52. A adoção internacional observará o procedimento previsto nos arts. 165 a

170 desta Lei, com as seguintes adaptações:

I – a pessoa ou casal estrangeiro, interessado em adotar criança ou adolescente bra-


sileiro, deverá formular pedido de habilitação à adoção perante a Autoridade
Central em matéria de adoção internacional no país de acolhida, assim entendido
aquele onde está situada sua residência habitual;
II – a Autoridade Central do país de acolhida enviará o relatório à Autoridade
Central Estadual, com cópia para a Autoridade Central Federal Brasileira.

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Questão 12    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) O adolescente F,

16 anos, filho de Pedro, foi surpreendido por seu pai enquanto falava pela internet

com Fábio, 30 anos, que o induzia à prática de ato tipificado como infração penal.

Pedro informou imediatamente o ocorrido à autoridade policial, que instaurou a

persecução penal cabível. No caso narrado, ao induzir o adolescente F à prática de

ato tipificado como infração penal, a conduta de Fábio

a) configura crime nos termos do ECA, ainda que realizada por meio eletrônico e

que não venha a ser provada a corrupção do adolescente, por se tratar de delito

formal.

b) não configura crime nos termos do ECA, pois a mera indução sem a prática do

ato pelo adolescente configura infração administrativa, já que se trata de delito

material.

c) configura infração penal, tipificada na Lei de Contravenções Penais, mas a ma-

terialidade do crime com a prova da corrupção do adolescente é imprescindível à

condenação do réu em observância ao princípio do favor rei.

d) não configura crime nos termos estabelecidos pelo ECA, posto que inexiste tipifi-

cação se o ato for praticado por meio eletrônico, não havendo de se aplicar analogia

em malam partem.

Letra a.

Art. 244-B
Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele
praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la: Pena - reclusão, de 1 (um) a 4
(quatro) anos.
§1º Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condu-
tas ali tipificadas utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas
de bate-papo da internet.

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Atente-se que não é necessária a prova da efetiva corrupção do menor, pois, para o

STJ a configuração desse delito independe da prova da efetiva corrupção do menor.

Observe.

Súmula 500 do STJ “A configuração do crime do art. 244-B do ECA independe


da prova da efetiva corrupção do menor, por se tratar de delito formal”.

Questão 13    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2016) Marcelo, com 17

anos, e seu irmão Caio, com 20 anos de idade, permanecem sozinhos na casa da

família, enquanto os pais viajam por 30 dias em férias no exterior. Durante tal

período, Marcelo, que acabou de terminar o ensino médio, recebe uma excelente

proposta de trabalho. Ao comparecer à empresa para assinar o contrato de tra-

balho, Marcelo é impedido pela falta de um responsável. Marcelo, então, procura

orientação de um advogado. Assinale a opção que apresenta a ação que deverá ser

ajuizada, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, para que o ado-

lescente não perca a oportunidade de emprego.

a) Marcelo deve ingressar com ação de emancipação, com pedido de antecipação

de tutela.

b) Caio deve ingressar com ação de guarda de Marcelo, requerendo a sua guarda

provisória.

c) Caio deve ingressar com ação, objetivando o direito de assistir Marcelo para a

prática do ato.

d) Caio deve ingressar com ação de tutela de Marcelo, com pedido liminar.

Letra c.

O ECA traz a previsão de que os menores de dezesseis anos, ou seja, os absolu-

tamente incapazes, serão representados e os maiores de dezesseis e menores de

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dezoito anos, ou seja, os relativamente incapazes, serão assistidos por seus pais,

tutores ou curadores, na forma da legislação civil ou processual. Trata-se apenas

de uma viagem dos pais, na qual o filho fiou sob a responsabilidade de um irmão

maior e capaz. Portanto, não se trata de colocação em família substituta, estando

descartadas as opções de guarda, tutela ou adoção. Também não há necessida-

de de emancipação, bastando que o menor tenha assistência de um maior. Nes-

se caso, Caio deve ingressar com ação, objetivando o direito de assistir Marcelo

para a prática do ato. A autoridade judiciária dará curador especial à criança ou

adolescente, sempre que os interesses destes colidirem com os de seus pais ou

responsáveis ou quando carecer de representação ou assistência legal ainda que

eventual.

Questão 14    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2015) O adolescente N.

ficou conhecido no bairro onde mora por praticar roubos e furtos e ter a suposta

habilidade de nunca ter sido apreendido. Certa noite, N. saiu com o propósito de

praticar novos atos de subtração de coisa alheia. Diante da reação de uma vítima

a quem ameaçava, N. disparou sua arma de fogo, levando a vítima a óbito. N. não

conseguiu fugir, sendo apreendido por policiais que passavam pelo local, no mo-

mento em que praticava o ato infracional. Sobre o caso narrado, assinale a opção

correta.

a) A medida de internação não terá cabimento contra N., uma vez que somente

poderá ser aplicada em caso de reincidência no cometimento de infrações graves.

b) Mesmo estando privado de liberdade, N. poderá entrevistar-se pessoalmente

com o representante do Ministério Público, mas não terá direito a peticionar direta-

mente a este ou a qualquer autoridade que seja.

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c) A medida de internação de N. é cabível por se tratar de ato infracional praticado

com ameaça e violência contra pessoa, mesmo que não seja caso de reincidência.

d) Caso N. seja condenado por sentença ao cumprimento de medida de interna-

ção, e somente nesse caso, tornam-se obrigatórias as intimações do seu defen-

sor e dos pais ou responsáveis, mesmo que o adolescente tenha sido intimado

pessoalmente.

Letra c.

a) Errada. A medida de internação de N. é cabível por se tratar de ato infracional

praticado com ameaça e violência contra pessoa, mesmo que não seja caso de

reincidência.

b) Errada. Mesmo estando privado de liberdade, o adolescente poderá entrevis-

tar-se pessoalmente com o representante do Ministério Público e terá direito a

peticionar diretamente a este ou a qualquer autoridade que seja.

c) Correta. A medida de internação de N. é cabível por se tratar de ato infra-

cional praticado com ameaça e violência contra pessoa, mesmo que não seja

caso de reincidência.

d) Errada. A intimação da sentença que aplicar medida de internação ou regime

de semiliberdade será feita ao adolescente que deverá manifestar se deseja ou não

recorrer da sentença ou será feita ao seu defensor e a seus pais ou responsável,

quando não for encontrado o adolescente, sem prejuízo do defensor. No caso de

outra a medida aplicada, a intimação far-se-á unicamente na pessoa do defensor.

Em todos os casos, prevalece a vontade daquele que quiser recorrer em caso de

opiniões contrárias.

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Questão 15    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2015) Um conselheiro

tutelar, ao passar por um parquinho, observa Ana corrigindo o filho, João, por ele

não permitir que os amigos brinquem com o seu patinete. Para tanto, a genitora

grita, puxa o cabelo e dá beliscões no infante, na presença das outras crianças e

mães, que assistem a tudo assustadas.

Assinale a opção que indica o procedimento correto do Conselheiro Tutelar.

a) Requisitar a Polícia Militar para conduzir Ana à Delegacia de Polícia e, após a

atuação policial, dar o caso por encerrado.

b) Não intervir, já que Ana está exercendo o seu poder de correção, decorrência do

atributo do poder familiar.

c) Intervir imediatamente, orientando Ana para que não corrija o filho dessa forma, e

analisar se não seria recomendável a aplicação de uma das medidas previstas no ECA.

d) Apenas colher elementos para ingressar em Juízo com uma representação admi-

nistrativa por descumprimento dos deveres inerentes ao poder familiar.

Letra c.

a) Errada. Não seria o caso de intervenção policial, não obstante seja muito tênue

o limiar entre tais condutas e o crime de maus-tratos.

b) Errada. Nesse caso, Ana está abusando do exercício de seu poder de correção,

atuando em desacordo com o que dispõem o ECA.

c) Correta.

Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família ampliada, os responsáveis, os agentes pú-


blicos executores de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cui-
dar de crianças e de adolescentes, tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem
castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como formas de correção,
disciplina, educação ou qualquer outro pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo
de outras sanções cabíveis, às seguintes medidas, que serão aplicadas de acordo com a

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gravidade do caso: I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à


família; II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico; III - encaminha-
mento a cursos ou programas de orientação; IV - obrigação de encaminhar a criança a
tratamento especializado; V -advertência. Parágrafo único. As medidas previstas neste
artigo serão aplicadas pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo de outras providências legais.

d) Errada. Compete ao Conselho Tutelar encaminhar ao Ministério Público notícia

de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança

ou adolescente e não ingressar diretamente em juízo.

Questão 16    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2015) O Estatuto da

Criança e do Adolescente estabelece que pessoas com até doze anos de idade in-

completos são consideradas crianças e aquelas entre doze e dezoito anos incom-

pletos, adolescentes. Estabelece, ainda, o Art. 2º, parágrafo único, que “Nos casos

expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre de-

zoito e vinte e um anos de idade”. Partindo da análise do caráter etário descrito no

enunciado, assinale a afirmativa correta.

a) O texto foi derrogado, não tendo qualquer aplicabilidade no aspecto penal, que

considera a maioridade penal aos dezoito anos, não podendo, portanto, ser qual-

quer medida socioeducativa a pessoas entre dezoito e vinte e um anos incomple-

tos, pois o critério utilizado para a incidência é a idade na data do julgamento e não

a idade na data do fato.

b) A proteção integral às crianças e adolescentes, primado do ECA, estendeu a

proteção da norma especial aos que ainda não tenham completado a maioridade

civil, nisso havendo a proteção especialmente destinada aos menores de vinte e um

anos, nos âmbitos do Direito Civil e do Direito Penal.

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c) O texto destacado no parágrafo único desarmoniza-se da regra do Código Civil

de 2002 que estabelece que a maioridade civil dá-se aos dezoito anos; por esse

motivo, a regra indicada no enunciado não tem mais aplicabilidade no âmbito civil.

d) Ao menor emancipado não se aplicam os princípios e as normas previstas no

ECA; por isso, o estabelecido no texto transcrito, desde a entrada em vigor da nor-

ma especial em 1990, não era aplicada aos menores emancipados, exceto para fins

de Direito Penal.

Letra c.

a) Errada. O ECA adotou a teoria da atividade para a definição da idade do

adolescente.

Art. 104, parágrafo único, “para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do
adolescente à data do fato”. Excepcionalmente e nos casos expressos em lei, apli-
ca-se o Estatuto às pessoas entre 18 e 21 anos de idade.

b) Errada. O maior de 18 (dezoito) anos de idade já é considerado adulto, portanto,

não mais se sujeita à prevenção especial do ECA.

c) Correta. A previsão do Art. 2º, parágrafo único é norma de exceção prevista no ECA

“Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre
dezoito e vinte e um anos de idade”.

Portanto, tem aplicabilidade no âmbito civil, desde que seja expressamente previs-

ta em lei.

d) Errada. Aplica-se ao menor emancipado porque o ECA não se preocupa com a

capacidade civil e sim com a condição de pessoa em desenvolvimento. Portanto,

aplicam-se os princípios e as normas previstas no ECA aos menores emancipados.

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Questão 17    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) João e Joana são

pais de Mila, 9 anos, e de Letícia, 8 anos. João mudou-se para Maringá depois do

divórcio, e levou sua filha mais nova para morar com ele. Nas férias escolares, Le-

tícia quer ir ao Rio de Janeiro visitar sua mãe, enquanto Mila deseja passar seus

dias livres com seu pai em Maringá. Avalie as situações apresentadas a seguir e, de

acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a afirmativa correta.

a) Letícia poderá viajar sem autorização judicial se a sua prima, Olívia, que tem

19 anos, aceitar acompanhá-la. Mila poderá viajar sem autorização, se a sua avó,

Filomena, a acompanhar.

b) Se houver prévia e expressa autorização dos pais ou responsáveis, Letícia e Mila

ficam dispensadas da autorização judicial e poderão viajar desacompanhadas den-

tro do território nacional.

c) Letícia poderá viajar desacompanhada dos pais por todo território nacional se

houver autorização judicial, que poderá ser concedida pelo prazo de dois anos.

Mila não precisará de autorização judicial para ir a Maringá se seu tio José aceitar

acompanhá-la.

d) Mila poderia aproveitar a ida de sua vizinha Maria, de 23 anos, para acompa-

nhá-la, desde que devidamente autorizada por seus pais, enquanto Letícia não

precisaria de autorização judicial se seu padrinho, Ricardo, primo do seu pai, a

acompanhasse.

Letra c.

a) Errada. A Prima Olívia é parente de 4 grau, portanto, apesar de ser maior de

18 anos, deverá ter autorização dos pais ou responsáveis para acompanhar Letícia.

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b) Errada. A primeira coisa que devemos observar é se as crianças estão desacom-


panhadas dos pais e se a comarca não é contígua. Nesses casos, há necessidade
de autorização judicial ou que sejam autorizadas mediante o acompanha-
mento das seguintes pessoas: de ascendente ou colateral maior, até o ter-
ceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco; 2) de pessoa maior,
expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável.
c) Correta. No caso de viagens reiteradas, o juiz poderá deferir essa autorização com
prazo de validade de até dois anos. Podem acompanhar a criança e o adolescente me-
nor de dezesseis, além dos pais, os responsáveis (a exemplo do guardião ou o tutor),
os ascendentes e os colaterais até o 3º grau (tio), desde que sejam maiores de 18
anos. No caso desses parênteses, basta a comprovação documental do parentesco.
d) Errada. Realmente Mila poderá aproveitar a ida de sua vizinha Maria, de 23
anos, para acompanhá-la, desde que devidamente autorizada por seus pais. No
entanto, Letícia precisaria de autorização judicial ou mesmo a autorização dos seus
pais para viajar com o seu padrinho, desde que ele seja maior de 18 anos, pois
Ricardo não é seu parente até o 3 grau.

Questão 18    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) Vilma, avó mater-


na do menor Oscar, de quinze anos de idade, pretende mover ação de suspensão do
poder familiar em face de Onísio e Paula, pais do menor. Argumenta que Oscar es-
taria na condição de evasão escolar e os pais negligentes, embora incansavelmente
questionados por Vilma quanto as consequências negativas para a formação de Os-
car. Considere a hipótese narrada e assinale a única opção correta aplicável ao caso.
a) Do ponto de vista processual, Vilma não tem legitimidade para propor a ação
que deve ser movida exclusivamente pelo Ministério Público, diante da indisponi-
bilidade do direito em questão, a quem a interessada deve dirigir a argumentação
para a tomada das medidas judiciais cabíveis.

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b) Do ponto de vista material, os elementos indicados por Vilma são suficientes ao


pleito de suspensão do poder familiar, do mesmo modo que a falta ou a carência de
recursos materiais são, ainda que isoladamente, justo motivo para propositura da
medida de suspensão do poder familiar.
c) Do ponto de vista material, os argumentos indicados por Vilma são irrelevantes
a dar ensejo à medida de suspensão de poder familiar, medida grave e excepcional-
mente aplicada, mas são suficientes ao pleito de aplicação de multa e repreensão
aos pais negligentes, por se tratar de infração administrativa.
d) Do ponto de vista processual, Vilma possui legitimidade para propor a ação de
suspensão do poder familiar e, tramitando o processo perante a Justiça da Infância
e da Juventude, é impositiva a isenção de custas e emolumentos, independente de
concessão da gratuidade de justiça, conforme dispõe expressa e literalmente o ECA.

Letra d.
a) Errada. Do ponto de vista processual, Vilma possui legitimidade para propor a
ação de suspensão do poder familiar porque tem legítimo interesse.
b) Errada. A falta ou a carência de recursos materiais não é motivo suficiente para
a perda ou a suspensão do poder familiar.
c) Errada. Do ponto de vista material, os argumentos indicados por Vilma são
relevantes e podem sim dar ensejo à medida de suspensão de poder familiar, não
obstante, serão decretadas judicialmente, em procedimento contraditório, nos ca-
sos previstos na legislação civil, bem como na hipótese de descumprimento injus-
tificado dos deveres e obrigações a que alude o art. 22.
d) Correta. Trata-se da combinação da literalidade de dois artigos do ECA:

Art. 155, ECA: “ O procedimento para a perda ou suspensão do poder familiar terá


início por provocação do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse” E art.
141§ 2º “As ações judiciais da competência da Justiça da Infância e da Juventude são
isentas de custas e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé”.

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Estatuto da Criança e do Adolescente
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Questão 19    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) A Declaração Uni-

versal dos Direitos da Criança reconhece como necessária ao desenvolvimento

completo e harmonioso das crianças e dos adolescentes a necessidade de cuidados

e um ambiente de afeto e de segurança moral e material, o que prioritariamente

deve ocorrer na companhia e sob a responsabilidade dos pais. Mas, em circunstân-

cias excepcionais, a criança ou o adolescente podem ser confiados às chamadas

famílias substitutas. A respeito da colocação de criança ou adolescente em família

substituta, segundo os termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a

afirmativa correta.

a) O ECA disciplina procedimento específico para a colocação em família substituta

de criança ou adolescente indígena, que requer, obrigatoriamente, a intervenção

e oitiva de representantes de órgão federal responsável pela política indígena e de

antropólogos.

b) A criança ou adolescente será prévia e necessariamente ouvida pela equipe in-

terprofissional no curso do processo, dispensando-se o consentimento da criança

ou adolescente, que será substituído pelo parecer da equipe.

c) A colocação da criança ou adolescente em família substituta, por ser de caráter

provisório e precário, exime o guardião ou o tutor dos deveres de companhia e

guarda, que poderão ser transferidos a terceiros.

d) A guarda e a tutela são as únicas modalidades de colocação da criança ou adoles-

cente em família substituta, que pode ser nacional ou estrangeira, sendo a adoção

medida de colocação em família definitiva, não em família substituta.

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Letra a.
a) Correta. No caso de crianças e adolescentes indígenas deve haver a interven-
ção e oitiva da FUNAI perante a equipe interprofissional ou multidisciplinar que irá
acompanhar o caso.

Art. 28, § 6º Em se tratando de criança ou adolescente indígena ou proveniente de


comunidade remanescente de quilombo, é ainda obrigatório: III - a intervenção e oitiva
de representantes do órgão federal responsável pela política indigenista, no caso de
crianças e adolescentes indígenas, e de antropólogos, perante a equipe interprofissional
ou multidisciplinar que irá acompanhar o caso.

b) Errada. Sempre que possível, deverá ser previamente ouvido por equipe inter-
profissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão
sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada.
No caso de adolescente, o consentimento é imprescindível.
c) Errada. A inserção em família substituta deve sempre atender ao superior inte-
resse do adotado, representando reais vantagens para a criança e para o adolescen-
te. Portanto, não exime o guardião ou o tutor dos deveres de companhia e guarda.
d) Errada. Tanto a guarda, a tutela e a adoção são modalidades de colocação da
criança ou adolescente em família substituta.

Questão 20    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) O Hotel Botanic


recebeu o casal de namorados Júlia e Matheus como hóspedes durante um feriado
prolongado. Júlia tem 15 anos de idade e Matheus 18 anos, motivo pelo qual a ado-
lescente foi admitida no estabelecimento, por estar acompanhada de uma pessoa
maior de idade. Com base no caso apresentado, a partir do que dispõe o Estatuto
da Criança e do Adolescente, assinale a opção correta.
a) Trata-se de infração penal, motivo pelo qual, sem prejuízo da pena de multa
aplicada ao estabelecimento, o funcionário responsável pela admissão da adoles-
cente está sujeito à responsabilidade criminal pessoal.

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b) Trata-se de prática cotidiana sem implicações administrativas ou criminais pre-

vistas na norma especial, uma vez que a adolescente estava acompanhada de pes-

soa maior de idade que se torna responsável por ela.

c) Trata-se de infração administrativa, sujeitando-se à aplicação de pena de multa,

a hospedagem de adolescente desacompanhado dos pais, responsáveis, ou sem

autorização escrita desses ou da autoridade judiciária.

d) Trata-se de infração administrativa e penal, sujeitando-se o estabelecimento,

por determinação da autoridade judiciária, a imediato fechamento por até quinze

dias.

Letra c.

Trata-se de Infração Administrativa prevista no Art. 250.

“Hospedar criança ou adolescente desacompanhado dos pais ou responsável, ou sem


autorização escrita desses ou da autoridade judiciária, em hotel, pensão, motel ou con-
gênere: Pena – multa”.

Questão 21    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2014) José, tutor da

criança Z, soube que Juarez vem oferecendo recompensa àqueles que lhe entre-

gam crianças ou adolescentes em caráter definitivo. Entusiasmado com a quantia

oferecida, José promete entregar a criança exatamente dez dias após o início da

negociação. José contou aos seus vizinhos que não queria mais “ter trabalho com

o menino”. Indignada, Marieta, vizinha de José, comunicou imediatamente o fato à

autoridade policial, que conseguiu impedir a entrega da criança Z a Juarez. Nesse

caso, à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a afirmativa correta.

a) A promessa de entrega de Z, por si só, já configura infração penal, do mesmo

modo que o seria em caso de efetiva entrega da criança.

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b) Somente a efetiva entrega da criança mediante paga ou recompensa configura-

ria a prática de infração penal tanto para quem entrega quanto para quem oferece

o valor pecuniário.

c) Tratar-se-ia de infração penal somente se a criança Z fosse filho de José, sendo

a figura do tutor atípica para esse tipo de infração penal, não se podendo aplicar

analogia para a configuração de crime.

d) Somente incorre na pena pela prática de infração penal o sujeito que oferece a

paga ou recompensa, sendo atípica para o responsável legal a mera promessa de

entrega da criança.

Letra a.

Art. 238. Prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga


ou recompensa: Pena – reclusão de um a quatro anos, e multa.

Observe que o núcleo prometer o crime é formal, pois não exige a efetiva entrega.

Para os sujeitos ativos do Caput trata-se de crime próprio, pois exige a condição de

pais, tutores ou guardiões da criança ou adolescente.

Questão 22    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2013) Com relação à in-

ternação, observado o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale

a afirmativa correta.

a) Deve obedecer ao período determinado de um ano e meio, prorrogável por igual

período, para atos infracionais praticados com emprego de violência.

b) Deve obedecer ao período determinado de um ano, prorrogável por igual período,

para atos infracionais praticados sem emprego de violência.

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c) Não comporta período determinado e não pode ultrapassar o máximo de três

anos, independente do emprego ou não de violência no ato infracional praticado.

d) Não pode ultrapassar o período máximo de três anos, quando o adolescente

deverá ser colocado em liberdade com o dever de reparar o dano no caso de ato

infracional com reflexos patrimoniais.

Letra c.

A Internação definitiva não tem prazo determinado, mas é reavaliada, no mínimo,

a cada 6 (seis) meses e tem prazo máximo de 3 (três) anos.

Questão 23    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2013) A interpretação e

aplicação da Lei n. 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA) deve

perseguir os objetivos de proteção integral e prioritária dos direitos das crianças

e dos adolescentes, que deles são titulares. Sobre o tema, assinale a afirmativa

correta.

a) A aplicação das medidas específicas de proteção previstas pelo ECA pode se dar

cumulativamente, devendo a autoridade competente escolher a mais adequada

diante das necessidades específicas do destinatário.

b) Se Joana, que tem 09 anos, tiver seus direitos violados por ação ou omissão do

Estado, serão cabíveis as medidas específicas de proteção previstas pelo ECA que,

dependendo das circunstâncias, não deverão ser aplicadas ao mesmo tempo.

c) Se Júlio, que tem 09 anos, tiver seus direitos violados por abuso ou omissão dos

pais, não serão aplicáveis as medidas específicas de proteção, mas, sim, medidas

destinadas aos pais ou responsável, previstas pelo ECA.

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d) As medidas específicas de proteção previstas pelo ECA devem ser aplicadas de

modo a afastar uma intervenção precoce, efetuada logo que a situação de perigo

seja conhecida, sob pena de responsabilidade primária e solidária do poder público.

Letra a.

Exatamente, a aplicação das medidas específicas de proteção à criança, que estão

previstas no ECA pode se dar cumulativamente, devendo a autoridade competente

escolher a mais adequada diante das necessidades específicas do destinatário.

Questão 24    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2013) O Estatuto da

Criança e do Adolescente estabelece os princípios que devem ser adotados por

entidades que desenvolvam programas de acolhimento familiar ou institucional.

Segundo esses princípios, assinale a afirmativa correta.

a) As entidades devem buscar constantemente a transferência para outras entida-

des de crianças e adolescentes abrigados, a fim de promover e aprofundar a inte-

gração entre eles e os diferentes contextos sociais.

b) Por força de disposição expressa de lei, o dirigente das entidades com o objetivo

de acolhimento institucional ou familiar é equiparado ao guardião, para todos os

efeitos de direito.

c) Mesmo inserida em programa de acolhimento institucional ou familiar, a crian-

ça ou o adolescente deve ser estimulado a manter contato com seus pais ou

responsável.

d) É vedado o acolhimento de crianças e adolescentes em entidades que mante-

nham programa de acolhimento institucional sem prévia determinação da autori-

dade competente.

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Letra c.

a) Errada. Nos termos do art. 92,

“As entidades que desenvolvam programas de acolhimento familiar ou institucional de-


verão adotar os seguintes princípios: VI - evitar, sempre que possível, a transferência
para outras entidades de crianças e adolescentes abrigados”.

b) Errada. Nos termos do art. 92, § 1º

apenas o dirigente de entidade que desenvolve programa de acolhimento institucional


é equiparado ao guardião, para todos os efeitos de direito.

c) Correta. Nos termos do art. 92, § 4º

salvo determinação em contrário da autoridade judiciária competente, as entidades que


desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional, se necessário com o
auxílio do Conselho Tutelar e dos órgãos de assistência social, estimularão o contato
da criança ou adolescente com seus pais e parentes, em cumprimento ao disposto
nos incisos I e VIII do caput deste artigo.

d) Errada.

Art. 93. As entidades que mantenham programa de acolhimento institucional poderão,


em caráter excepcional e de urgência, acolher crianças e adolescentes sem prévia de-
terminação da autoridade competente, fazendo comunicação do fato em até 24 (vinte e
quatro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade.

Questão 25    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Considerando os

princípios norteadores do Estatuto da Criança e do Adolescente, a prática de atos

infracionais fica sujeita a medidas que têm objetivos socioeducativos. Nesse senti-

do, é correto afirmar que

a) se Aroldo, que tem 11 anos, subtrair para si coisa alheia pertencente a uma cre-

che, deverá cumprir medida socioeducativa de prestação de serviços comunitários,

por período não superior a um ano.

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b) a obrigação de reparar o dano causado pelo ato infracional não é considerada

medida socioeducativa, tendo em vista que o adolescente não pode ser responsa-

bilizado civilmente.

c) o acolhimento institucional e a colocação em família substituta podem ser apli-

cados como medidas protetivas ou socioeducativas, a depender das características

dos atos infracionais praticados.

d) a internação, como uma das medidas socioeducativas previstas pelo ECA, não

poderá exceder o período máximo de três anos, e a liberação será compulsória aos

21 anos de idade.

Letra d.

a) Errada. Aroldo, que tem 11 anos, é considerado criança, portanto não se sujeita

a medida socioeducativa.

b) Errada. A obrigação de reparar o dano causado pelo ato infracional é uma das

modalidades de medida socioeducativa.

c) Errada. O acolhimento institucional e a colocação em família substituta não po-

dem ser aplicados como socioeducativas.

d) Correta. A Internação definitiva não tem prazo determinado, mas é reavaliada,

no mínimo, a cada 6 (seis) meses e tem prazo máximo de 3 (três) anos, e a libe-

ração será compulsória aos 21 anos de idade.

Questão 26    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Joana tem 16

anos e está internada no Educandário Celeste, na cidade de Pitió, por ato infracio-

nal equiparado ao crime de tráfico de entorpecentes. O Estatuto da Criança e do

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Adolescente regula situações dessa natureza, consignando direitos do adolescente

privado de liberdade. Diante das disposições aplicáveis ao caso de Joana, é correto

afirmar que

a) Joana tem direito à visitação, que deve ser respeitado na frequência mínima

semanal, e não poderá ser suspenso sob pena de violação das garantias fundamen-

tais do adolescente internado.

b) é expressamente garantido o direito de Joana se corresponder com seus fami-

liares e amigos, mas é vedada a possibilidade de avistar-se reservadamente com

seu defensor.

c) a autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita, exceto de

pais e responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade

aos interesses do adolescente.

d) as visitas dos pais de Joana poderão ser suspensas temporariamente, mas em

tal situação permanece o seu direito de continuar internada na mesma localidade

ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais.

Letra d.

a) Errada. Joana realmente tem direito à visitação, que deve ser respeitado na

frequência mínima semanal, no entanto, esse direito poderá ser suspenso tempo-

rariamente, inclusive a visita de pais ou responsável, se existirem motivos sérios e

fundados de sua prejudicialidade aos interesses do adolescente.

b) Errada. Segundo o Artigo 124: São direitos do adolescente privado de liberda-

de, entre outros, os seguintes: III - avistar-se reservadamente com seu defensor;

VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos.

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c) Errada. O direito de visitação poderá ser suspenso temporariamente, inclusive

a visita de pais ou responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua pre-

judicialidade aos interesses do adolescente.

d) Correta. As visitas dos pais de Joana poderão ser suspensas temporariamente,

mas em tal situação permanece o seu direito de continuar internada na mesma lo-

calidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais.

Questão 27    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Com forte inspi-

ração constitucional, a Lei n.. 8.069, de 13 de julho de 1990, consagra a doutrina

da proteção integral da criança e do adolescente, assegurando-lhes direitos fun-

damentais, entre os quais o direito à educação. Igualmente, é-lhes franqueado o

acesso à cultura, ao esporte e ao lazer, preparando-os para o exercício da cidadania

e qualificação para o trabalho, fornecendo-lhes elementos para seu pleno desenvol-

vimento e realização como pessoa humana. De acordo com as disposições expres-

sas no Estatuto da Criança e do Adolescente, é correto afirmar que

a) toda criança e todo adolescente têm direito a serem respeitados por seus edu-

cadores, mas não poderão contestar os critérios avaliativos, uma vez que estes são

estabelecidos pelas instâncias educacionais superiores, norteados por diretrizes

fiscalizadas pelo MEC.

b) é dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente o ensino fundamental,

obrigatório e gratuito, mas sem a progressiva extensão da obrigatoriedade e gra-

tuidade ao ensino médio.

c) não existe obrigatoriedade de matrícula na rede regular de ensino àqueles geni-

tores ou responsáveis pela criança ou adolescente que, por convicções ideológicas,

políticas ou religiosas, discordem dos métodos de educação escolástica tradicional

para seus filhos ou pupilos.

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d) os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Con-

selho Tutelar os casos de maus‐tratos envolvendo seus alunos, a reiteração de fal-

tas injustificadas e a evasão escolar, esgotados os recursos escolares, assim como

os elevados níveis de repetência.

Letra d.

a) Errada. Nos termos do art.53, III,

tem o direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares


superiores.

b) Errada. Nos termos do art.53, II

é dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente o ensino fundamental, obriga-


tório e gratuito, com a progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao
ensino médio.

c) Errada. Nos termos do art.

Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na


rede regular de ensino.

d) Correta. Nos termos do art. 56 e incisos,

os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho


Tutelar os casos de maus‐tratos envolvendo seus alunos, a reiteração de faltas injus-
tificadas e a evasão escolar, esgotados os recursos escolares, assim como os elevados
níveis de repetência.

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Questão 28    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) João e Maria, am-

bos adolescentes, com dezessete e dezesseis anos, respectivamente, resolvem re-

alizar uma viagem para comemorar o aniversário de um ano de namoro. Como

destino, o jovem casal elege Armação dos Búzios, no estado do Rio de Janeiro,

e efetua a reserva, por telefone, em uma pousada do balneário. Considerando a

normativa acerca da prevenção especial contida na Lei n. 8.069, de 13 de julho de

1990, assinale a afirmativa correta.

a) O casal poderá hospedar‐se na pousada reservada sem quaisquer restrições, já

que ambos são maiores de dezesseis anos e, portanto, relativamente capazes para

a prática desse tipo de ato civil, não podendo ser exigido que estejam acompanha-

dos dos pais ou responsáveis nem que apresentem autorização destes.

b) O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe apenas a hospedagem de crian-

ças e adolescentes em motel, desacompanhadas de seus pais ou responsável, sen-

do permitida a hospedagem em hotéis ou estabelecimentos congêneres, uma vez

que estes são obrigados a manter regularmente o registro de entrada de seus

hóspedes.

c) A proibição da legislação especial refere‐se apenas às crianças, na definição do

ECA consideradas como as pessoas de até doze anos de idade incompletos, sendo,

portanto, dispensável que os adolescentes estejam acompanhados dos pais ou res-

ponsáveis, ou, ainda, autorizados por estes para a regular hospedagem.

d) O titular da pousada, ou um de seus prepostos, pode, legitimamente e fundado

na legislação especial que tutela a criança e o adolescente, negar‐se a promover a

hospedagem do jovem casal, já que ambos estão desacompanhados dos pais ou

responsável e desprovidos, igualmente, da autorização específica exigida pelo ECA.

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Letra d.

a) Errada. O casal não poderá se hospedar na pousada reservada, já que estão

desacompanhados dos pais ou responsáveis nem possuem autorização destes.

b) Errada. O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a hospedagem de crian-

ças e adolescentes em hotel, motel, pensão ou estabelecimentos congêneres desa-

companhados de seus pais ou responsáveis ou sem autorização destes.

c) Errada. O ECA, para a hospedagem, não faz distinção entre crianças e adoles-

centes. Ambos devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis, ou, ainda,

autorizados por estes para a regular hospedagem.

d) Correta. O titular da pousada, ou um de seus prepostos, pode, legitimamente

e fundado na legislação especial que tutela a criança e o adolescente, negar‐se a

promover a hospedagem do jovem casal, já que ambos estão desacompanhados

dos pais ou responsável e desprovidos, igualmente, da autorização específica exi-

gida pelo ECA.

Questão 29    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Acerca das atri-

buições do Conselho Tutelar determinadas no Estatuto da Criança e do Adolescen-

te, assinale a alternativa correta.

a) O Conselho Tutelar, considerando sua natureza não jurisdicional, destaca‐se no

aconselhamento e na orientação à família ou responsável pela criança ou adoles-

cente, inclusive na hipótese de inclusão em programa oficial ou comunitário de

auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos.

b) O Conselho Tutelar, em consequência de sua natureza não jurisdicional, não é

competente para encaminhar ao Ministério Público as ocorrências administrativas

ou criminais que importem violação aos direitos da criança e do adolescente.

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c) O Conselho Tutelar pode assessorar o Poder Executivo local na elaboração da pro-

posta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança

e do adolescente, em decorrência de sua natureza jurisdicional não autônoma.

d) O Conselho Tutelar não poderá promover a execução de suas decisões, razão

pela qual só lhe resta encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua

infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente.

Letra a.

a) Correta. O Conselho Tutelar, considerando sua natureza não jurisdicional, des-

taca‐se no aconselhamento e na orientação à família ou responsável pela criança ou

adolescente, inclusive na hipótese de inclusão em programa oficial ou comunitário

de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos.

b) Errada. O Conselho Tutelar é competente para encaminhar ao Ministério Público

as ocorrências administrativas ou criminais que importem violação aos direitos da

criança e do adolescente.

c) Errada. O Conselho Tutelar tem natureza administrativa e não jurisdicional.

d) Errada. O Conselho Tutelar promoverá a execução de suas decisões.

Questão 30    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2012) Juliana, estudan-

te de 17 anos, em comemoração a sua recente aprovação no vestibular de uma

renomada universidade, saiu em viagem com Gustavo, seu namorado de 25 anos,

funcionário público federal. Acerca de possíveis intercorrências ao longo da viagem,

é correto afirmar que

a) Juliana, por ser adolescente, independentemente de estar em companhia de

Gustavo, maior de idade, não poderá se hospedar no local livremente por eles es-

colhido, sem portar expressa autorização de seus pais ou responsável.

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b) Juliana, em companhia de Gustavo, poderá ingressar em um badalado bar do

local, onde é realizado um show de música ao vivo no primeiro piso e há um salão

de jogos de bilhar no segundo piso.

c) Juliana, por ser adolescente e estar em companhia de Gustavo, maior de idade,

poderá se hospedar no local livremente por eles escolhido, independentemente de

portar ou não autorização de seus pais.

d) Juliana poderá se hospedar em hotel, motel, pensão ou estabelecimento congê-

nere, assim como poderá ingressar em local que explore jogos de bilhar, se portar

expressa autorização dos seus pais ou responsável.

Letra a.

a) Correta. Juliana, por ser adolescente, independentemente de estar em compa-

nhia de Gustavo, maior de idade, não poderá se hospedar no local livremente por

eles escolhido, sem portar expressa autorização de seus pais ou responsável.

b) Errada. Juliana não poderá ingressar em local que explore jogos de bilhar.

c) Errada. Juliana precisará portar expressa autorização de seus pais ou respon-

sável para se hospedar.

d) Errada. Juliana não poderá se hospedar em hotel, motel, pensão ou estabele-

cimento congênere, assim como não poderá ingressar em local que explore jogos

de bilhar.

Questão 31    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2011) Washington, ado-

lescente com 14 (quatorze) anos, movido pelo desejo de ajudar seus genitores no

sustento do núcleo familiar pobre, pretende iniciar atividade laborativa como ensa-

cador de compras na pequena mercearia Tudo Tem, que funciona 24h, localizada

em sua comunidade. Recentemente, esta foi pacificada pelas Forças de Segurança

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Nacional. Tendo como substrato a tutela do Estatuto da Criança e do Adolescente

no tocante ao Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho, assinale a al-

ternativa correta.

a) Washington poderá ser contratado como ensacador de compras, mesmo não

sendo tal atividade de aprendizagem, pois, como já possui 14 (quatorze) anos, tem

discernimento suficiente para firmar o contrato de trabalho e, assim, prestar auxílio

material aos seus pais, adotando a louvável atitude de preferir o trabalho às ruas.

b) Como a comunidade onde reside Washington foi pacificada pelas forças de paz,

não há falar em local perigoso ou insalubre para o menor; assim, poderá o adoles-

cente exercer a carga horária laborativa no período das 22h às 24h, sem qualquer

restrição legal, desde que procure outra atividade laborativa que seja de formação

técnico-profissional.

c) Washington não poderá trabalhar na mercearia como ensacador de compras,

pois tal atividade não é enquadrada como de formação técnico-profissional; por-

tanto, não se pode afirmar que o menor exercerá atividade laborativa na condição

de aprendiz.

d) Na condição de aprendiz, não é necessário que o adolescente goze de horário

especial compatível com a garantia de acesso e frequência obrigatória ao ensino

regular.

Letra c.

Como Washington é adolescente com apenas 14 (quatorze) anos não poderá tra-

balhar, salvo na condição de aprendiz, segundo a Constituição Federal em seu art.

6º: XXXIII:

“proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qual-


quer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de
quatorze anos”

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Os dispositivos constantes no ECA relativos à profissionalização e ao trabalho não

estão em conformidade com o novo sistema de tutela de interesses da Criança e

Adolescente. Isso porque as redações dos arts. 60 e 64 se encontram desatualizadas

depois da Emenda Constitucional n.20/98, que trouxe nova redação, seguindo as

orientações da Organização Internacional do Trabalho quanto ao trabalho do menor.

Questão 32    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2011) No tocante às nor-

mas contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente, é correto afirmar que

a) a medida socioeducativa de internação aplicada em razão do descumprimento

reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta ao adolescente infrator

não poderá ser superior a três meses.

b) o adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será imediatamente

encaminhado ao Juiz de Direito em exercício na Vara da Infância e Juventude, que

decidirá sobre a necessidade ou não de seu acautelamento provisório.

c) a concessão da remissão, que prescinde da homologação da Autoridade Judi-

ciária, é medida que o membro do Ministério Público atribuído poderá adotar no

processamento de ato infracional.

d) ao ato infracional praticado por crianças corresponderão as seguintes medidas

socioeducativas: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à

comunidade, liberdade assistida e inserção em regime de semiliberdade.

Letra a.

a) Correta. Nos termos do art. 122 § 1º, do ECA,

o prazo de internação na hipótese descumprimento reiterado e injustificável da medida


anteriormente imposta não poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser de-
cretada judicialmente após o devido processo legal.

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b) Errada. Vimos que o adolescente apreendido por força de ordem judicial

será, desde logo, encaminhado à autoridade judiciária, mas se for apreen-

dido em flagrante de ato infracional será, desde logo, encaminhado à au-

toridade policial competente.

c) Errada. A concessão da remissão Ministerial não dispensa a homologação

pela Autoridade Judiciária.

d) Errada. Não serão aplicadas medidas socioeducativas às crianças. Ao ato infra-

cional praticado por criança corresponderão as medidas de proteção previstas no

art. 101 do ECA.

Questão 33    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Dentre os direitos

de toda criança ou todo adolescente, o ECA assegura o de ser criado e educado

no seio de sua família e, excepcionalmente, a colocação em família substituta, as-

segurando-lhe a convivência familiar e comunitária. Fundando-se em tal preceito,

acerca da colocação em família substituta, é correto afirmar que:

a) a colocação em família substituta far-se-á, exclusivamente, por meio da tutela

ou da adoção.

b) a guarda somente obriga seu detentor à assistência material a criança ou ado-

lescente.

c) o adotando não deve ter mais que 18 anos à data do pedido, salvo se já estiver

sob a guarda ou tutela dos adotantes.

d) desde que comprovem seu estado civil de casados, somente os maiores de 21

anos podem adotar.

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Letra c.

a) Errada. A colocação em família substituta far-se-á por meio da guarda, tutela

ou da adoção.

b) Errada. Nos termos do Art. 33.

A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança


ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos
pais.

c) Correta. Nos termos do Art. 40.

O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já
estiver sob a guarda ou tutela dos adotantes.

d) Errada. Nos termos do Art. 42.

Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil.


(Redação dada pela Lei n. 12.010/2009).

Questão 34    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Considerando a

prática de ato infracional por criança ou adolescente, é correto afirmar que

a) a prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratuitas

de interesse geral, por período não excedente a 1 (um) ano, em entidades assis-

tenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em

programas comunitários ou governamentais.

b) em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade pode-

rá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressar-

cimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima.

c) a internação, por constituir medida privativa de liberdade do menor, não poderá

exceder o período de 5 (cinco) anos.

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d) entre as garantias processuais garantidas ao adolescente encontra-se o direito


de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase do procedi-
mento. Contudo, não poderá o menor ser ouvido pessoalmente pela autoridade
competente, devendo em todo o caso ser assistido pelos genitores.

Letra b.
a) Errada. Nos termos do

“Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratui-


tas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades
assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em
programas comunitários ou governamentais.”.

b) Correta. Nos termos do

“Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade


poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o
ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima.”.

c) Errada. Nos termos do

“Art. 121 § 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três


anos.”

d) Errada. Nos termos do Art. 111, V,

São asseguradas ao adolescente, entre outras, as seguintes garantias direito de ser


ouvido pessoalmente pela autoridade competente.

Questão 35    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Com relação aos


procedimentos para a perda e a suspensão do poder familiar regulados pelo Esta-
tuto da Criança e do Adolescente, é correto afirmar que
a) a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público, poderá decretar liminar ou
incidentalmente a suspensão do poder familiar, independentemente da gravidade
do motivo.

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b) o procedimento para perda ou suspensão do poder familiar dispensa que os pais

sejam ouvidos, mesmo se estes forem identificados e estiverem em local conhecido.

c) o procedimento para perda ou suspensão do poder familiar terá início por provo-

cação do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse.

d) em conformidade com a nova redação dada pela Lei n.12.010/2009, o prazo

máximo para a conclusão do procedimento de perda ou suspensão do poder familiar

será de 180 (cento e oitenta) dias.

Letra c.

a) Errada. Nos termos do Art. 157.

Havendo motivo grave, poderá a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público,


decretar a suspensão do poder familiar, liminar ou incidentalmente, até o julgamento
definitivo da causa, ficando a criança ou adolescente confiado a pessoa idônea, median-
te termo de responsabilidade.

b) Errada. Nos termos do art. 161 § 4º

É obrigatória a oitiva dos pais sempre que eles forem identificados e estiverem em local
conhecido, ressalvados os casos de não comparecimento perante a Justiça quando de-
vidamente citados. (Redação dada pela Lei n. 13.509, de 2017).

c) Correta. Nos termos do Art. 155.

O procedimento para a perda ou a suspensão do poder familiar terá início por provoca-
ção do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse.

d) Errada. Nos termos do Art. 163.

O prazo máximo para conclusão do procedimento será de 120 (cento e vinte) dias, e
caberá ao juiz, no caso de notória inviabilidade de manutenção do poder familiar, dirigir
esforços para preparar a criança ou o adolescente com vistas à colocação em família
substituta. (Redação dada pela Lei n. 13.509, de 2017).

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Questão 36    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2017) João, criança de

07 anos de idade, perambulava pela rua sozinho, sujo e com fome, quando, por

volta das 23 horas, foi encontrado por um guarda municipal, que resolve encami-

nhá-lo diretamente para uma entidade de acolhimento institucional, que fica a 100

metros do local onde ele foi achado. João é imediatamente acolhido pela entidade

em questão. Sobre o procedimento adotado pela entidade de acolhimento institu-

cional, de acordo com o que dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente, assi-

nale a afirmativa correta.

a) A entidade pode regularmente acolher crianças e adolescentes, independen-

temente de determinação da autoridade competente e da expedição de guia de

acolhimento.

b) A entidade somente pode acolher crianças e adolescentes encaminhados pela

autoridade competente por meio de guia de acolhimento.

c) A entidade pode acolher regularmente crianças e adolescentes sem a expedição

da guia de acolhimento apenas quando o encaminhamento for feito pelo Conselho

Tutelar.

d) A entidade pode, em caráter excepcional e de urgência, acolher uma criança

sem determinação da autoridade competente e guia de acolhimento, desde que

faça a comunicação do fato à autoridade judicial em até 24 horas.

Letra d.

a) Errada. Em regra, crianças e adolescentes somente poderão ser encaminhados

às instituições que executam programas de acolhimento institucional, governa-

mentais ou não, por meio de uma Guia de Acolhimento, expedida pela autoridade

judiciária, na qual obrigatoriamente constará. (Art. 101, § 3º, ECA)

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b) Errada. Justamente porque restringe o acolhimento somente com a guia

de acolhimento sem prevê a exceção. No entanto, essa regra é relativizada

quando houver urgência, pois temos a exceção prevista na assertiva “D” que

é a correta.

c) Errada. Vimos que o Conselho Tutelar não pode mais aplicar medida protetiva

de acolhimento institucional, pois essa medida somente pode ser aplicada pelo juiz,

trata-se de reserva de jurisdição em razão do controle judicial sobre a aplicação do

acolhimento institucional estabelecido pela Lei n. 12010/2009.

d) Correta. As entidades que mantenham programa de acolhimento institucional

poderão, em caráter excepcional e de urgência, acolher crianças e adolescentes

sem prévia determinação da autoridade competente, fazendo comunicação do fato

em até 24 (vinte e quatro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de

responsabilidade (Art.93, caput, ECA).

Questão 37    (CESPE/Ordem DOS ADVOGADOS DO BRASIL 2009/ ADAPTADA) No

que se refere ao direito à convivência familiar e comunitária, assinale a opção cor-

reta com base no ECA.

a) Toda criança ou adolescente tem direito à educação no seio da sua família e,

excepcionalmente, em família substituta, assegurada a participação efetiva da mãe

biológica no convívio diário com o educando, em ambiente livre da presença de

pessoas discriminadas.

b) Os filhos, havidos, ou não, da relação do casamento, ou por adoção, terão os

mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias

relativas à filiação.

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c) O pátrio poder não poderá ser exercido, simultaneamente, pelo pai e pela mãe.

Em caso de discordância quanto a quem caberá titularizá-lo, a ambos será facul-

tado o direito de recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da

divergência.

d) Na ausência dos pais, o pátrio poder poderá ser delegado, nessa ordem: ao ir-

mão mais velho, desde que já tenha alcançado a maioridade, ao tio paterno ou ao

avô paterno. Na ausência de qualquer um desses, o pátrio poder poderá, excepcio-

nalmente, ser delegado à avó materna.

Letra b.

Perceba que essa questão se encontra desatualizada. No entanto, isso não nos

atrapalha em sua resolução.

a) Errada. O art. 19 do ECA, com redação dada pela Lei n. 13.257/2016, dispõe que

“É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio de sua família e, ex-
cepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária,
em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral”.

b) Correta. De acordo com o Art. 20,

“Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos
direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à
filiação”.

c) Errada. Segundo o Art. 21.

“O poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na
forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em
caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solu-
ção da divergência”.

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d) Errada. A alternativa “D” erra ao prever a delegação do poder familiar, pois já

sabemos que o poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai

e pela mãe, sendo que a perda ou suspensão podem ser decretadas judicialmente,

nos casso previstos em lei e na hipótese de descumprimento injustificado dos de-

veres e obrigações dos pais.

Questão 38    (FGV/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/REAPLICAÇÃO SALVA-

DOR/BA/2016) O adolescente X cometeu ato infracional equiparado a crime de

roubo, mediante grave ameaça à pessoa. Apreendido com a observância dos es-

treitos e regulares critérios normativos estabelecidos pelo sistema jurídico, apu-

rou-se que o jovem havia cometido um ato infracional anterior equiparável ao

crime de apropriação indébita. Com base na hipótese apresentada, assinale a

afirmativa correta.

a) É incabível a aplicação de medida de internação, o que é autorizado apenas

em caso de reiteração no cometimento de outras faltas anteriores ou simultâneas,

igualmente graves.

b) É aplicável apenas a medida de regime de semiliberdade em razão da prática de

ato infracional mediante grave ameaça à pessoa.

c) É aplicável a medida de internação em razão da prática de ato infracional me-

diante grave ameaça à pessoa, mesmo não sendo hipótese de reiteração da condu-

ta idêntica por parte do adolescente.

d) É incabível a aplicação de medida de internação, haja vista que essa somente

poderia se dar em caso de descumprimento reiterado de injustificável medida im-

posta em momento anterior ao adolescente

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Letra c.
É aplicável a medida de internação em razão da prática de ato infracional mediante
grave ameaça à pessoa, mesmo não sendo hipótese de reiteração da conduta idên-
tica por parte do adolescente, nos termos do art. 122, I, ECA. Automaticamente as
assertivas “A”, “B” e “D” estão incorretas.

Questão 39    (CESPE/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Assinale a op-


ção correta conforme as disposições do ECA.
a) O prazo máximo previsto para a medida de internação é de três anos, devendo
ser prefixado pelo magistrado na sentença.
b) Não havendo arquivamento dos autos ou concessão de remissão, o membro do
MP procederá à apresentação de denúncia contra o adolescente.
c) As eleições para o conselho tutelar, órgão com poderes jurisdicionais, são orga-
nizadas em âmbito municipal.
d) Inclui-se, entre as medidas aplicáveis aos pais ou responsável do menor, o en-
caminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico.

Letra d.
a) Errada. Muito embora o prazo máximo previsto para a medida de internação
realmente seja de três anos, o magistrado não irá fixar o prazo determinado
na sentença.
b) Errada. Não havendo arquivamento dos autos ou concessão de remissão, o
membro do MP procederá à representação de ação socioeducativa contra o
adolescente.
c) Errada. O Conselho Tutelar não é órgão com poderes jurisdicionais.
d) Correta. Nos termos do art. 129, III do ECA, o encaminhamento a tratamento
psicológico ou psiquiátrico é medida aplicável aos pais ou responsável do menor.

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Questão 40    (CESPE/ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL/2010) Em relação às

medidas socioeducativas previstas no ECA, assinale a opção correta.

a) As medidas socioeducativas de semiliberdade e de internação por prazo inde-

terminado não podem ser incluídas na remissão, sendo admissível sua aplicação

somente após a instrução processual em sede de sentença de mérito.

b) A obrigação de reparar o dano à vítima não constitui medida socioeducativa.

c) A medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade pode ser apli-

cada pelo prazo de até um ano.

d) A advertência somente pode ser aplicada se houver provas suficientes da autoria

e da materialidade da infração.

Letra a.

a) Correta. Nos termos do art. 127 do ECA, 

a remissão não implica necessariamente o reconhecimento ou comprovação da respon-


sabilidade, nem prevalece para efeito de antecedentes, podendo incluir eventualmente
a aplicação de qualquer das medidas previstas em lei, exceto a colocação em regime
de semiliberdade e a internação.

b) Errada. A obrigação de reparar o dano à vítima constitui uma medida socio-

educativa.

c) Errada. A medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade não

pode ser superior a seis meses.

d) Errada. A advertência pode ser aplicada se houver indícios suficientes da autoria

e prova da materialidade da infração.

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