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Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 1/36

Capítulo 1 – A NATUREZA DO PROBLEMA ECONÔMICO

OBJETIVO
Entender os “mistérios” da economia é compreender de que maneira as
necessidades de bens materiais e serviços que todos os seres humanos apresentam
serão satisfeitas. Os agentes econômicos se valem de recursos escassos para
atender estas necessidades. Este tema é voltado para a compreensão da natureza
do problema econômico, ou seja, qual é a essência da atividade econômica e de que
maneira ela se manifesta no conjunto da sociedade.

INTRODUÇÃO
A economia, enquanto ciência que trata das relações do ser humano com um mundo
dotado de recursos escassos, apresenta-se de forma extremamente simples: cada
um de nós participa do sistema econômico do país – e também do resto do mundo –
consumindo produtos e serviços básicos, tais como alimentos e bebidas, roupas,
pagando aluguel ou prestação de um imóvel. Também participamos do sistema
econômico quando poupamos parte de nossos rendimentos para consumo futuro ou
como precaução frente a um futuro incerto. Ou mesmo como forma de aplicação em
outras atividades reais ― uma sociedade
em um empreendimento imobiliário, por
Produtividade significa a
exemplo, que apresenta grandes
utilização cada vez mais racional
possibilidades de valorização ao longo de
dos diversos fatores de produção,
em prol do aumento da determinado tempo ― ou em ativos
financeiros ― uma aplicação em ações de
empresas com projeção de crescimento, dentre tantas outras possibilidades ―, com
o objetivo específico de ganhar mais dinheiro com o dinheiro poupado.
Na arte da sobrevivência no mundo dos negócios vencem aqueles que aprenderam
a economizar certos fatores utilizados na produção, melhorando sua competitividade
e usufruindo dos benefícios do aumento da produtividade. É assim que se obtém
maior produção com o uso de
quantidades menores de
Custos são como as unhas: é preciso cortar
sistematicamente, de tempos em tempos, sob o
fatores, como o tempo de
risco de, se isto não for feito, impedir o uso trabalho, a quantidade de
eficiente dos dedos. Na organização, o risco pode matéria-prima, o consumo de
representar a ineficiência no uso dos fatores de materiais auxiliares no
produção. processo produtivo, dentre
outros.

Para explicar estes fenômenos, nós, economistas devotamos especial predileção


por métodos quantitativos em que predominam
equações diferenciais e modelos algébricos, Os insumos de produção
explorando os aspectos considerados exatos neste compreendem a mão-de-
particular campo do conhecimento, ou seja, aqueles obra direta e indireta, os
que podem ser quantificados e explicados pelos materiais auxiliares, a
números envolvidos em certas séries históricas e, por matéria-prima, energia
isto, figurar em um modelo matemático. Efetivamente, elétrica, combustíveis e
grande parte da atividade humana consiste, sim, de lubrificantes, dentre
atividades mensuráveis: a jornada diária de trabalho, o outros.
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tempo de execução de determinada tarefa, a quantificação e a representação


monetária do bem ou serviço, quer seja insumo ou produto final.
Mas, de forma geral, os problemas econômicos não podem ser reduzidos a fórmulas
matemáticas. Envolvem questões relacionadas à sociedade, às instituições, à
história, à cultura no seu sentido mais amplo. Dizem respeito à própria ideologia dos
agentes econômicos e, portanto, referem-se ao povo, conceito que compreende o
conjunto das classes e grupos sociais ― os patrões, os empregados, os
profissionais liberais, os assalariados ― empenhados na solução objetiva das
tarefas de crescimento da atividade econômica e desenvolvimento sustentável da
condição de vida dos habitantes da nação. Uma tarefa que compete a todos, sem
distinção de raça, credo, cor, religião, etnia e, principalmente, partido político.
É aí que se integra o progresso tecnológico (que inclui a educação) e é também
denominado “fator humano”. O interesse pelo fator humano tem contribuído para o
surgimento e avanço de novas áreas de estudo, como a “Economia da Educação”, a
“Economia do Trabalho”, a “Economia da Saúde”, a “Economia dos Recursos
Humanos” etc.
De forma geral, pode-se afirmar que a Economia é a ciência que trata da
administração eficiente de recursos escassos com vistas à satisfação dos ilimitados
desejos e necessidades humanas. Este conceito compreende três partes: os
recursos escassos, desejos e necessidades humanas ilimitadas e congregando-os,
a administração eficiente.

SÍNTESE DO CAPÍTULO
Ao final deste capítulo, você deverá estar familiarizado com alguns conceitos
fundamentais da economia, com o significado do problema econômico enquanto
agente das iniciativas de transformação da sociedade econômica e as formas de
organização da sociedade para a solução das questões relacionadas à produção e
distribuição dos bens que são destinados à satisfação das necessidades humanas.
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Tema 1
RECURSOS ESCASSOS
A natureza do problema econômico reside na constatação de que os recursos que a
coletividade dispõe para a produção dos bens e serviços que irão satisfazer as
necessidades dos seus membros são limitados em relação ao volume destas
exigências. Os indivíduos necessitam de certos bens – roupas, alimentos, um lugar
para morar, um veículo para se locomover – e também de serviços – educação,
lazer, saúde – que são escassos, isto é, existem em quantidades limitadas. Em
contrapartida, as aspirações humanas são relativamente ilimitadas, superando o
volume de bens e serviços disponíveis para a satisfação destes desejos.
Caracteriza-se, dessa forma, o problema fundamental da Economia: a escassez. Se
não podemos ter tudo o que desejamos, já que os recursos ou os fatores de
produção ― capital, terra, trabalho, tecnologia e capacidade empresarial – são
escassos, é preciso escolher entre os bens que serão produzidos e oferecidos à
coletividade. Esta, portanto, é uma das primeiras decisões por parte dos
empreendedores.
Vejamos, a seguir, cada um dos fatores de produção, para melhor compreensão do
processo de geração de riqueza por que passou a humanidade.

O capital
Todo bem destinado à produção de outro bem é considerado um recurso de capital.
Por capital entende-se, portanto, a infra-estrutura produtiva ― por exemplo, os
edifícios industriais ― as máquinas e equipamentos ― tornos, furadeiras, fresas etc.
―, as ferramentas ― chaves, alicates, moldes industriais ―, os computadores ―
quer sejam aplicados à administração ou à linha de produção.
O capital compreende o próprio fluxo de remuneração (os salários, por exemplo) e
os pagamentos (de bens e serviços adquiridos das empresas). Incorpora, portanto, a
renda que é empregada para gerar algum lucro. O conceito prevalecente nos dias de
hoje é aquele que define o
O lucro é definido como a diferença entre a capital como um conjunto de
receita total e os custos totais da firma. recursos de natureza
econômica, distintos e
passíveis de reprodução, que possibilita a obtenção de um rendimento em períodos
determinados. Várias ramificações dão origem à classificação do capital como
capital técnico, capital jurídico, capital contábil. Mais recentemente, o conceito de
capital humano toma conta das organizações, no particular aspecto da gestão dos
recursos ― ou talentos ― humanos da empresa. O capital técnico refere-se ao
conjunto de bens materiais utilizados no processo de produção; o capital jurídico tem
a ver com a sua relação com os titulares de direito ― capital privado e capital
público, por exemplo. O capital contábil compreende o capital de giro, o capital de
empréstimo, o capital de participação, capital nacional, capital estrangeiro etc..
A formação de capital decorre da acumulação de riqueza destinada à obtenção de
novas riquezas. É esta capacidade de geração de riqueza, consubstanciada nos
investimentos, isto é, na capacidade de aumentar os meios de produção, que irá
determinar o ritmo de desenvolvimento econômico de uma nação. Isto porque o
emprego eficiente de bens de capital possibilita a elevação do rendimento do
trabalho humano e da produtividade real do sistema econômico.
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Os recursos Para uma idéia do que sejam meios de produção, considere


necessários à que sejam os meios de trabalho e os objetos de trabalho. Os
formação de meios de trabalho compreendem os instrumentos de
capital podem ser produção (máquinas, ferramentas), as instalações (edifícios,
de origem interna armazéns, silos etc.), as fontes de energia utilizadas na
ou externa, isto é, produção (elétrica, eólica, nuclear, hidráulica etc.) e os meios
procedentes de de transporte. Os objetos de trabalho são os elementos sobre
outros países. Os os quais ocorre o trabalho humano (matérias-primas, solo
recursos internos etc.).
compreendem a
poupança, que
nada mais é do que a parcela da renda que não é destinada ao consumo imediato.
Esta poupança nem sempre é espontânea, ou seja, nem sempre é resultado do
desejo das pessoas. Em sistemas econômicos afetados por uma inflação
persistente, tem-se, por vezes, a formação de poupança compulsória ― ou
obrigatória, forçada ― para fazer frente à necessidade tanto de investimento como
de redução da demanda e, portanto, como elemento de combate à inflação.
A poupança pode ser proveniente de indivíduos, das empresas e do setor público.
Os recursos externos a que nos referimos anteriormente vêm suprir uma carência de
recursos internos: se a poupança interna não é suficiente para atender às
necessidades de investimento, são contraídos empréstimos ou atraídos
investimentos estrangeiros, ajudas governamentais de outros países e demais
formas de ingresso de capitais estrangeiros.

O fator terra ― ou recursos naturais


Do ponto de vista econômico, os recursos naturais compreendem a base de um
sistema sobre a qual se assentará o
capital técnico. São os recursos Em uma construção civil, por exemplo, os
naturais, tanto os renováveis (de materiais intermediários compreendem o
natureza biológica, quer sejam ferro, o aço, a cal, o cimento, o alumínio,
vegetais ou animais), como os não dentre outros.
renováveis (caso de certas riquezas
minerais, como o petróleo) que proporcionarão a obtenção dos bens materiais
destinados à satisfação de certas necessidades do ser humano, transformados e/ou
in natura.
Durante muito tempo prevaleceu a idéia, entre os precursores da análise econômica,
de que a verdadeira riqueza de uma nação seria aquela resultante da utilização
indireta do fator terra: a produção agrícola. Os outros bens seriam derivados de uma
transformação dos produtos primários, não acrescentando, portanto, mais riqueza.
Este conceito modificou-se substancialmente com o avanço das tecnologias de
processo e de produto, que serão objeto de nossa análise um pouco mais à frente.

O fator trabalho
O trabalho humano, quando aplicado aos instrumentos – o fator capital –, num dado
espaço físico – o fator terra –, promove a transformação do meio e a produção de
bens segundo suas próprias necessidades. O sistema econômico depende
fundamentalmente da qualidade do trabalho humano, que é eminentemente criador.
O ser humano procura criar, desenvolver e enriquecer novos meios de produção,
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com vistas ao progresso e evolução da técnica. Para os economistas da escola


clássica, o trabalho é o determinante do valor econômico. Segundo esta linha de
pensamento, todos os fatores de produção, em última análise se resumem num só:
o trabalho, fonte única de todo o progresso humano. No entanto, para outros
economistas clássicos, menos radicais, o valor advém da colaboração entre o capital
e o trabalho.

A tecnologia
Tecnologia significa o estudo das técnicas. Por técnica, entende-se a maneira
correta de executar qualquer tarefa. É o que se conhece em inglês por know-how,
que significa “saber como”, definindo formas, instrumentos, equipamentos, métodos,
características físicas de materiais intermediários e outros insumos para a obtenção
de um bem econômico.
A tecnologia pode ser definida como o conhecimento humano aplicado à produção.
Neste sentido, alguns autores consideram a tecnologia como uma mercadoria, com
todas as suas características: tem um preço, pode ser adquirida e também se torna
obsoleta, isto é, pode se tornar ultrapassada com o advento de outra tecnologia. As
nações em desenvolvimento são potencialmente compradoras de tecnologia
originária de nações desenvolvidas. Neste contexto, as empresas estrangeiras
assumem papel preponderante na transferência de tecnologia, como resultado de
uma licença de produção por firmas nacionais, por exemplo, mediante o pagamento
de royalties.
Quer seja por meio de descoberta de novas
Os royalties compreendem um matérias-primas, por uma mudança nos
determinado montante de métodos de produção, pela criação de novos
dinheiro a título de licença para produtos ou pela substituição de
utilização do design do produto,
equipamentos, uma inovação técnica termina
de moldes de fabricação, de
especificação de materiais
por modificar a própria divisão social do
utilizados e outras trabalho e as técnicas de produção, elevando
especificações que caracterizam a produtividade do trabalho. As inovações,
o produto. geralmente de grande impacto na economia,
se manifestam como inovação de processo
(tecnologia de processo) e inovação de
produto (tecnologia de produto). Uma
tecnologia de produto caracteriza uma
inovação que leva a um produto novo, isto é,
que apresentará certas peculiaridades que qualificarão um produto diferente daquele
anteriormente oferecido. Já a evolução tecnológica de processo atinge tão somente
o processo de fabricação, sem mudanças nas características do produto. Refere-se,
neste caso, a diminuições no tempo de obtenção do produto, a reduções no número
de operações, à racionalização no uso de matérias-primas etc..

A capacidade empresarial
A função empresarial é vital para a condução da ordem capitalista. Nas economias
onde a livre iniciativa impera, compete aos empresários explorar uma invenção ou
introduzir uma inovação de produto ou de processo. Também serão os
empreendedores que abrirão nova frente de oferta de bens e serviços, novos usos
para produtos conhecidos, reativação e reorganização de indústrias etc..
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O tipo empresarial é definido pela reunião de aptidões presentes em uma pequena


parcela da população, que levam à descoberta de oportunidades de investimento, ao
financiamento da operação idealizada, à obtenção e utilização adequada dos fatores
de produção cuja natureza acaba de ser vista e à organização e coordenação das
operações de forma eficiente. Trata-se, portanto, de uma aglutinação de um
conjunto de fatores e funções, ou seja, da obtenção e da ação conjunta de capital,
terra, trabalho e tecnologia. Estes fatores, organizados em funções industriais,
comerciais, administrativas, financeiras e de pesquisa & desenvolvimento, serão
vitais para a execução física de um projeto e sua transformação em uma realidade
duradoura, em prol da geração de bens e serviços que satisfaçam alguma
necessidade humana.
A capacidade empresarial se resume, portanto, em conseguir que as coisas sejam
feitas.

SUMÁRIO DO TEMA
Capital, terra e trabalho, ao lado do conhecimento tecnológico e capacidade
empresarial constituem recursos de produção escassos. Deles resultam os bens e
serviços que são oferecidos à sociedade para a solução de suas necessidades e
desejos ilimitados.

QUESTÕES PARA REVISÃO


1. Você pretende iniciar um empreendimento na área de prestação de serviços de
manutenção de implementos agrícolas. Quais os recursos de produção você
necessitará?
2. As economias primitivas apresentavam maior ou menor escassez do que as de
agora? Justifique sua resposta.
3. De quantos e quais tipos de capital podemos falar, quando pensamos neste
importante fator de produção?
4. Como se origina o capital? Qualquer nação tem possibilidade de incrementar o
seu estoque de capital?
5. Quais as diferenças fundamentais entre meios de trabalho e objetos de
trabalho?
6. A poupança interna, no caso brasileiro, é suficiente para atender às
necessidades de investimento do país? Se não é considerada suficiente, quais
são as alternativas para a ampliação dos recursos destinados ao investimento
nas atividades produtivas geradoras de emprego?
7. Dê um exemplo de recursos naturais não renováveis. Em seguida, imagine um
produto para a sua substituição e explique as razões de serem considerados
recursos não renováveis e recurso renovável.
8. Qual era o conceito inicial de riqueza de uma nação, entre os primeiros
pensadores da atividade econômica?
9. Qual, dentre os fatores de produção, aquele que constitui a fonte única de todo
o progresso humano na visão de alguns pensadores?
10. Qual a origem do valor, na concepção dos economistas clássicos menos
radicais?
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11. O que diferencia tecnologia de produto e tecnologia de processo?


12. Quais as características do tipo empresarial?
13. “Conseguir que as coisas sejam feitas” resume um predicado do fator trabalho,
de forma genérica? Justifique sua resposta.
14. Qual a contribuição da empresa estrangeira no que se refere à transferência de
tecnologia? Cite um exemplo conhecido.
15. O capital, um dos fatores de produção, representa
a. a técnica de aumentar a produtividade dentro da economia;
b. a força produtiva representada pelos operários na indústria;
c. a quantidade de dinheiro à disposição do sistema econômico;
d. a infra-estrutura produtiva representada pelas máquinas,
ferramentas, edifícios, equipamentos etc.;
e. as alternativas (a) e (c) estão corretas.
Resposta correta: alternativa d. Isto porque a alternativa a diz respeito à
tecnologia, ou seja, o como produzir. Por sua vez, a alternativa b se refere ao
fator de produção trabalho. A alternativa c aborda tão somente o capital
financeiro. Assim sendo, a alternativa e também está errada, porque cita duas
alternativas que não são as corretas.
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Tema 2
NECESSIDADES ILIMITADAS
Este aspecto requer uma análise igualmente detalhada e sistematizada, dada a sua
importância e vinculação com o equacionamento do problema econômico.
Uma primeira questão a responder diz respeito ao volume de necessidades que
possamos ter. Evidentemente, um ser humano que vive numa comunidade moderna
tem necessidades diversas e em maior quantidade do que alguém que vivia na
Idade Média. Uma volta por uma das alas comerciais de um shopping center das
grandes metrópoles ou meia hora de televisão comprovam facilmente esta
afirmação. Além deste aspecto temporal – hoje o mundo é completamente diferente
do que em tempos passados – há que se considerar que, somado ao volume,
também a composição das necessidades varia entre habitantes de uma metrópole e
de uma pequena cidade do interior do Estado.
Em que pese a diversidade entre volume e composição das necessidades humanas,
é possível detectar várias características comuns: elas podem ser coletivas ou
individuais e, dentre estas, absolutas ou relativas. Vejamos cada uma destas
características com mais detalhes:
a) necessidades coletivas
Aí estão enquadradas as necessidades que todo grupo sente, tais como a
necessidade de segurança, de defesa, necessidade de educação, de
saneamento básico, do cuidado com a saúde etc.. Estas necessidades são
supridas em parte ou totalmente pela ação do Estado.
b) necessidades individuais
Compreendem basicamente dois grupos: o das necessidades absolutas do
ser humano, isto é, relacionadas às exigências de natureza biológica, tais
como dormir, respirar, comer, habitar, procriar, vestir etc.. Veja que estas
necessidades absolutas – ou também chamadas de necessidades
biológicas – nem sempre têm sua satisfação associada imediatamente a
uma solução econômica. É o caso da necessidade de respirar, por exemplo.
Em muitas comunidades, a preservação das áreas verdes e o controle da
poluição do ar podem requerer grandes esforços econômicos.
O segundo grupo das necessidades individuais compreende as necessidades
relativas ou sociais. São relativas porque não são idênticas para todos os indivíduos.
Compreendem o conjunto de hábitos, normas, costumes e valores (uso de talheres e
pratos, cama para dormir, o hábito da leitura, audiência de uma sinfonia e outros).

Quadro 1
TIPOS DE NECESSIDADES

COLETIVAS INDIVIDUAIS

Absolutas Relativas

Segurança, defesa, Dormir, respirar, comer, Hábitos, normas,


educação, saneamento habitar, procriar, vestir costumes e valores
básico, saúde etc. etc.
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As necessidades dos indivíduos modificam-se a cada novo dia, quer sejam


absolutas ou relativas. Alguns estudos a esse respeito, em especial o de Abraham
Maslow, um psicólogo norte-americano que viveu entre 1908 e 1970, revelam que as
necessidades são hierarquizadas, isto é, um indivíduo procura satisfazer suas
necessidades em certo momento ou período de sua vida, por etapas consecutivas,
uma após outra. Imaginemos uma escada, para dispor tal hierarquização. O primeiro
degrau é reservado para as necessidades biológicas ou básicas. Satisfeitas estas
necessidades, o indivíduo busca a segurança, em seu mais amplo sentido:
segurança no lar, na comunidade, segurança no emprego. A etapa seguinte refere-
se à necessidade que o indivíduo sente de viver em comunidade, de ser aceito pelo
grupo, de relacionar-se. Na próxima etapa, quer satisfazer seu ego: busca
reconhecimento, status, poder. E, nesta evolução motivacional, a última etapa
refere-se à auto-realização: o indivíduo abre-se a novos desafios, procura a
experimentação de forma decidida, tal como alguns cientistas que injetam certo tipo
de vírus em seu próprio organismo, para testarem, em seguida, determinada teoria
ou vacina por ele desenvolvida.
Segundo estes estudos, uma necessidade superior não poderá ser suprida sem a
satisfação da necessidade imediatamente anterior. Outro aspecto revela que a
posição do indivíduo na sua hierarquia de necessidades é mutável ao longo do
tempo, ou seja, o indivíduo terá projetadas novas hierarquias introduzidas pelas
transformações do meio, principalmente.

Auto-realização

Auto-estima

Associação

Segurança

Necessidades biológicas ou básicas


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Tendo visto os recursos ― escassos ― de produção e as necessidades humanas ―


ilimitadas ― vamos organizar nosso aprendizado com relação ao conhecimento das
diversas formas de satisfação das necessidades humanas: os bens.

SUMÁRIO DO TEMA
Identificadas como necessidades coletivas e necessidades individuais, este tema
investigou a classificação da contrapartida à existência de recursos escassos: as
necessidades humanas.

QUESTÕES PARA REVISÃO


1. Explique sucintamente o entendimento do conceito de necessidades coletivas.
Cite um exemplo.
2. Explique o conceito de necessidades individuais e cite um exemplo.
3. Imagine-se no deserto do Saara. Quais as necessidades imediatas que
necessitam ser supridas para a sua sobrevivência? Quais os fatores de
produção envolvidos para a solução destas necessidades?
4. Imagine-se num shopping center. Quais as necessidades que você verá
despertadas em si mesmo? E numa criança?
5. Explique o conceito relacionado à hierarquia de necessidades do ser humano,
segundo Maslow.
6. Cite uma das necessidades hierarquizadas por Maslow, explicando-a e
localizando-a em sua própria vida.
7. O que indica uma necessidade biológica?
8. Qual o significado de uma necessidade como “segurança”? Como se
materializa a satisfação dessa necessidade?
9. Cite um exemplo de necessidade de associação e forma de satisfação dessa
necessidade, aí em sua região.
10. O indivíduo pode suprir uma necessidade superior na hierarquia apresentada
por Maslow, sem ter cumprido com a solução a uma necessidade
imediatamente inferior? Por quê?
11. Como se dividem as necessidades individuais?
12. Cite um exemplo de necessidade absoluta que não consta das atividades
listadas no Quadro 1 – Tipos de Necessidades.
13. Qual a definição de “necessidades relativas”? Dê um exemplo diferente
daquelas que constam do Quadro 1 – Tipos de Necessidades.
14. No melhor dos entendimentos, o cumprimento das leis por todos os cidadãos
é, por si só, uma forma de suprimento de necessidades individuais? Por quê?
15. Uma necessidade de associação com base na hierarquia das necessidades de
Maslow reflete uma situação em que
a. o indivíduo se sente atraído por um desejo de se associar a um
empresário para abrir um negócio.
b. o indivíduo carece de sentimentos por si mesmo.
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c. Nenhuma outra necessidade pode ser suprida se esta não for satisfeita.
d. Todas as demais necessidades já foram supridas pelo indivíduo.
e. O indivíduo já satisfez suas necessidades fisiológicas e de segurança e
agora sente necessidade de ser aceito pelo grupo.
Resposta correta: alternativa e. Isto porque, no caso da alternativa a, a
referência a uma associação em um empreendimento foge aos conceitos de
Maslow no caso particular da necessidade de associação. Também o fato de
sentir necessidade de associação não quer dizer que o indivíduo não gosta
de si mesmo e, portanto, a alternativa b também não se aplica. Quanto à
alternativa c, é fato que existe uma hierarquia nas necessidades, mas a
necessidade de associação está no meio desta hierarquia. Assim sendo,
outras necessidades foram, sim, supridas, antes de se chegar a esta. Mas,
nem todas as outras necessidades foram supridas, o que também implica em
que a alternativa d está incorreta. Então, a alternativa e complementa
adequadamente a assertiva.
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Tema 3
BENS
A satisfação de uma necessidade, no sentido aqui tratado, requer a existência de um
bem. Mesmo as mais elementares necessidades são satisfeitas por certo tipo de
bem. O ar, por exemplo, é o bem que satisfaz a necessidade de respirar. Em
circunstâncias normais, quando se caracteriza a abundância, este e outros bens,
como a água do mar e a luz do sol, são considerados bens livres. Não constituem,
portanto, um problema cuja solução esteja no âmbito da análise econômica. Ocorre,
no entanto, que a maioria das necessidades dos indivíduos será satisfeita por bens
escassos, cuja obtenção irá requerer certa quantidade de trabalho e, muito
provavelmente, também de outros fatores de produção. Estes bens são
denominados bens econômicos e compreendem duas categorias de bens: os bens
tangíveis, isto é, que se pode apalpar, sendo, portanto, materiais, e os bens
intangíveis, que não são de natureza física, onde se enquadram os serviços.
Na tentativa de melhor compreensão do fato econômico, a classificação dos bens
completa-se com o enquadramento dos bens econômicos tangíveis nas seguintes
categorias:
a) bens finais
Aqui são abrigados os bens de consumo, que compreendem os produtos que se
destinam ao consumo. Subdividem-se em bens de consumo não-duráveis ―
porque possuem existência muito limitada no tempo e geralmente desaparecem
ao satisfazer a necessidade, como é o caso dos alimentos ― e bens de consumo
duráveis ― cuja utilização é substancialmente prolongada, como, por exemplo,
eletrodomésticos, automóveis etc.. São estes produtos que, como regra geral,
promovem a atividade econômica, porque na sua produção são utilizados
produtos intermediários, máquinas, fornecimentos de terceiros e um contingente
considerável de pessoas direta ou indiretamente ocupadas que, auferindo
rendimento, poderão adquirir bens econômicos, realimentando o processo de
produção agregada de toda a sociedade.
Também fazem parte do grupo de bens finais os chamados bens de capital, que
compreendem os bens destinados à produção de novos bens e, por isso mesmo,
também conhecidos por “bens de produção”. São as máquinas industriais,
ferramentas etc..
É de se notar, ademais, que um mesmo bem pode ser classificado em grupo
distinto, segundo a categoria uso. Assim sendo, um automóvel pode ser um bem
de consumo durável e, para aquele que o utiliza como forma de prestação de um
serviço – táxi, por exemplo ― este bem é considerado um bem de capital ou bem
de produção.

b) bens intermediários
Certos bens, como o aço, o cimento, a cal e uma infinidade de outras
mercadorias, requerem transformações antes de se converterem num bem de
consumo ou bem de capital. São, portanto, considerados bens intermediários.
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Quadro 2
CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS BENS

Bens Econômicos Bens


Livres
Bens Tangíveis Bens
Intangíveis (água do
Bens Finais Bens mar, luz
Intermediários (serviços)
Bens de Consumo Bens de do sol

Capital (a cal, o etc.)


cimento, o
(máquina
Bens de Bens de ferro, o aço,
s,
Consumo Consumo alumínio etc.)
ferrament
Não-
Duráveis as etc.)
duráveis
(eletrodomés
(alimentos
ticos,
, artigos
automóveis
de
etc.)
vestuário
etc.)

SUMÁRIO DO TEMA
As necessidades coletivas e necessidades individuais são supridas pelos bens ou
serviços. Este tema tratou da identificação dos bens livres e dos bens econômicos.

QUESTÕES PARA REVISÃO


1. Como estão classificados os bens, de maneira geral?
2. O que caracteriza a natureza do bem livre?
3. O ser humano poderia viver unicamente de bens livres? Ele seria feliz se
pudesse fazê-lo? Neste caso, como ficaria a Economia, enquanto ciência?
4. Como se classificam os bens econômicos, de maneira geral?
5. Cite um exemplo de bem intangível? Você se dedica a este tipo de atividade,
conseguindo com o rendimento obtido a cada mês suprir todas as suas
necessidades?
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6. O que representam os bens finais? Esta denominação é apropriada para a


maioria dos bens que você consome no seu dia-a-dia?
7. Quando foi sua última aquisição de um bem intermediário? O que você fez com
ele?
8. Se você classificou corretamente o bem identificado na questão anterior, informe
qual foi este bem e o resultado da sua incorporação no produto final,
identificando este produto final na sua resposta.
9. Você está utilizando um bem de consumo durável neste exato momento? Qual é
ele?
10. Qual ou quais os tipos de bens finais que podem ser considerados aqueles que
dão mais impulso à atividade econômica? Por quê?
11. O que são “bens de capital”? Como também são conhecidos estes bens? Cite
um exemplo.
12. O seu automóvel particular é um bem de consumo durável ou um bem de
capital? O que o leva a cada uma destas classificações neste particular tipo de
bem econômico?
13. Quando você utiliza o seu computador pessoal para uma atividade de
aprimoramento de suas competências e habilidades, a qual categoria de bem
econômico ele pertence? E se você o utilizasse para a elaboração de um balanço
patrimonial de um cliente?
14. O trator que o agricultor utiliza na sua lavoura é um bem de capital? E quando ele
o utiliza para levar a família à cidade?
15. Apenas uma das alternativas abaixo pode ser considerada correta, à luz da teoria
abordada no presente tema:
a. Bem de capital representa a soma dos recursos financeiros de que o
indivíduo dispõe para a satisfação de suas necessidades.
b. Bem intermediário significa aquele que é adquirido no comércio em
geral, porque o comerciante é um intermediário entre a indústria e o
consumidor.
c. Bens finais são aqueles que chegam ao consumidor final, ou seja, uma
empresa ou um indivíduo que os utilizará para satisfação de uma
necessidade.
d. Os bens de consumo duráveis constituem aqueles produtos que a
indústria utiliza para a produção de eletrodomésticos em geral.
e. Os bens de consumo não duráveis são bens intermediários utilizados
para a produção dos bens assalariados.
Resposta correta: alternativa c. A alternativa a se refere ao capital
financeiro tão somente. Por sua vez, a alternativa b confunde a
classificação do bem com a relação envolvida na sua comercialização. A
alternativa d mescla a classificação do bem, levando à falsa idéia de que
se trata de um bem intermediário, o mesmo acontecendo com a alternativa
e. A alternativa c indica o conceito correto de um bem final.
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Tema 4
FLUXOS FUNDAMENTAIS
O funcionamento do sistema econômico caracteriza-se, de um lado, pela atividade
de obtenção de recursos – ou fatores – de produção em si e, de outro, pela
obtenção de meios financeiros e sua utilização. Caracterizam-se, portanto, dois
mercados: o primeiro, de fatores de produção; o segundo, de bens e serviços finais.
A obtenção dos fatores de produção e a produção e distribuição dos bens e serviços
constituem a atividade real da economia. Os indivíduos – que são os proprietários
dos fatores de produção – fornecem às empresas – que são as produtoras de bens
e serviços finais – os recursos de que elas necessitam para a produção de bens e
serviços finais que irão satisfazer suas necessidades. Como contrapartida, as
empresas remuneram os indivíduos, sob a forma de salários (quando o fator
fornecido é a mão-de-obra), juros (quando se fornece capital de empréstimo para as
empresas), lucros (quando o capital é cedido sob a forma de participação no
empreendimento) e aluguéis (quando se cede imóvel, terreno ou mesmo máquinas
para o exercício da atividade empresarial). Com estes recursos, os indivíduos
pagam às empresas pelos bens e serviços finais adquiridos. Este processo de
remuneração e pagamento caracteriza o lado monetário da economia.
Combinamos, na Figura 1, os fluxos real e monetário; pode-se nela visualizar a sua
interdependência e a caracterização dos dois grandes mercados em que se
fundamenta a organização econômica: o mercado de fatores – ou recursos – de
produção e o mercado de bens e serviços, nas partes superior e inferior dos fluxos,
respectivamente.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 16/36

Figura 3
Os fluxos real e monetário e os mercados de fatores de produção e de bens e
serviços finais

MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO

Fornecimento de Fatores de Produção


(capital, terra, trabalho, tecnologia, capacidade empresarial)

Remuneração pelos Fatores de Produção


(salários, juros, lucros, aluguéis)

Unidades Unidades
Produtoras Consumidoras
(ou Empresas) (ou Indivíduos)

Pagamento pelos Bens e


Serviços

Suprimento de Bens e Serviços Finais

MERCADO DE BENS E SERVIÇOS FINAIS

A linha cheia, indicando o fornecimento de fatores de produção e o suprimento de


bens e serviços finais, identifica o fluxo real. A linha pontilhada, por onde se dá a
passagem da remuneração pelos fatores e o pagamento dos bens e serviços
adquiridos, constitui o fluxo monetário.

Vazamentos e injeções no fluxo circular da renda a dois pólos


Nem todo o rendimento auferido pelos indivíduos ao fornecerem fatores de produção
constitui base para o pagamento pelos bens e serviços adquiridos. Uma parte destes
rendimentos pode ficar retida sob a forma de poupança — identificada pela letra S,
do inglês saving, na maioria dos trabalhos acadêmicos que focalizam esta
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 17/36

importante variável econômica. Este ato representa um vazamento de recursos


financeiros do sistema, já que haverá produção que não será adquirida. Neste fluxo
circular da renda a dois pólos — empresas e indivíduos —, as empresas também
são poupadoras, na medida em que não utilizam todo o seu lucro para a aquisição
de novos fatores de produção, juntando-se aos indivíduos poupadores.
Por outro lado, nem toda a produção de bens e serviços finais é destinada aos
indivíduos. Uma parcela considerável dos bens e serviços produzidos é adquirida
pelas próprias empresas, para constituírem seu ativo permanente, ou seja, a parcela
dos ativos totais da empresa que compreendem o ativo imobilizado e os
investimentos sob diversas formas, dentre outras rubricas. Estes dispêndios das
empresas com aquisição de bens e serviços finais que irão ampliar seus ativos são
considerados genericamente como investimentos no sentido econômico e não
financeiro do termo, caracterizando, portanto, uma injeção, ou seja, uma entrada de
recursos no fluxo circular da renda.
Diz-se que o sistema econômico está equilibrado quando os vazamentos são de
mesma magnitude que as injeções, ou seja, quando a poupança S é igual ao
investimento I, tal que

I=S

Reproduzimos a Figura 3, incorporando os vazamentos e a injeção, isto é, a


poupança dos indivíduos e das empresas e os seus investimentos em ativos,
conforme apontado na Figura 4.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 18/36

Figura 4
Os fluxos real e monetário e os mercados de fatores de produção e de bens e
serviços finais, com incorporação da poupança (S) e dos investimentos (I)

MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO

Fornecimento de Fatores de Produção


(capital, terra, trabalho, tecnologia, capacidade empresarial)

Remuneração pelos Fatores de Produção


(salários, juros, lucros, aluguéis)

Unidades Unidades
Produtoras Consumidoras
(ou Empresas)
S (ou Indivíduos)

I
Pagamento pelos Bens e
Serviços

Suprimento de Bens e Serviços Finais

MERCADO DE BENS E SERVIÇOS FINAIS

SUMÁRIO DO TEMA
Este tema abordou o fluxo circular da renda em sua mais simples versão: a de dois
pólos, onde se situam as empresas e os indivíduos, como agentes econômicos que
interagem na produção e distribuição de fatores de produção e bens e serviços
finais.

QUESTÕES PARA REVISÃO


1. O que caracteriza um mercado de fatores de produção, no entendimento do fluxo
circular da renda?
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 19/36

2. Quais as características de um mercado de bens e serviços finais na


interpretação do fluxo circular da renda?
3. O fornecimento de fatores de produção pelos seus proprietários e a aquisição
dos mesmos pelas empresas caracteriza uma oferta de produtos e serviços?
Justifique sua resposta.
4. E quando a empresa fornece bens e serviços aos indivíduos, este também
constitui um ato de oferta? Por quê?
5. O que se convencionou chamar de “atividade real da economia”?
6. O que é fluxo real, no contexto do fluxo circular da renda?
7. Os movimentos de moeda são caracterizados por qual dos fluxos? Explique-os.
8. Segundo os conceitos compreendidos no fluxo circular da renda, o que é fluxo
monetário?
9. Quando um capitalista injeta capital financeiro numa empresa, ele está agindo
em qual dos dois tipos de mercados: de fatores ou de bens e serviços finais? Por
quê?
10. As empresas também adquirem bens e serviços finais. Como se chama este
processo, no contexto do fluxo circular da renda?
11. O que mantém o sistema econômico em equilíbrio, na abordagem do fluxo real e
monetário?
12. Qual a contrapartida em termos monetários ao fornecimento de mão-de-obra
direta?
13. Como se denomina a renda auferida por um indivíduo que aportou capital
financeiro — e somente capital financeiro — numa determinada empresa, sob a
forma de empréstimo a longo prazo?
14. E o que representa a remuneração para um sócio do empreendimento, ao final
do período contábil da empresa?
15. No tocante ao funcionamento do sistema econômico, o fluxo real
descreve:
a. a quantidade de fatores de produção que são vitais para o
suprimento de bens e serviços de que a sociedade necessita;
b. a entrada de fatores e a saída de materiais do estoque das
empresas;
c. as relações entre os proprietários de recursos e as unidades
mobilizadoras destes recursos;
d. os movimentos de moeda e sua destinação e uso;
e. o fornecimento de fatores de produção e sua remuneração.

Resposta correta: alternativa c. Vejamos por que: a alternativa a


fala em quantidade de fatores. Ora. O fluxo real não aponta
quantidade de fatores, mas, sim, a entrada e saída de recursos,
independentemente de sua quantidade. A alternativa b se refere ao
estoque das empresas e não ao fluxo. Por sua vez, a alternativa d
tem a ver com o fluxo monetário, que também está envolvido na
alternativa e. A alternativa c aborda as relações daqueles que
detém a propriedade dos fatores de produção (capital, terra,
trabalho, tecnologia, capacidade empresarial), que são as famílias
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 20/36

ou indivíduos, e, no outro pólo, aqueles que demandam estes


fatores, transformando-os em bens e serviços, que são as empresas.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 21/36

Tema 5
QUESTÕES CENTRAIS DA ECONOMIA
O dilema traduzido pelo confronto entre recursos de produção escassos e
necessidades humanas ilimitadas implica a existência de três questões
fundamentais que a economia trata de responder, enquanto ciência:
 Quê e quanto produzir?
 Como produzir?
 Para quem produzir?
Compete à ciência econômica, como sua mais importante função, reunir um máximo
de informações que possibilite completo diagnóstico da relevância de cada um
destes problemas e suas diversas formas de solução. Esta é, na realidade, a própria
razão de ser deste ramo de conhecimento.
Mas, se à Economia compete a elucidação ou equacionamento dos problemas, a
aplicação das recomendações para a solução compete à comunidade, dado que, na
maioria das vezes, intervêm fatores de natureza social, política, histórica, física,
tecnológica etc., de influência decisiva sobre o resultado.
Examinemos mais detalhadamente cada uma das questões:

Quê e quanto produzir?


Dada a escassez dos fatores de produção, a resposta a esta indagação deve
considerar que, ao mesmo tempo em que se decide pela produção de determinado
bem, se estará decidindo pela não-produção de outro bem. Assim, a terra destinada
ao plantio da cana-de-açúcar não poderá ser utilizada para a produção de alimentos.
Então, a produção de álcool derivada da cana-de-açúcar implica a não-produção de
alimentos naquela porção de terra utilizada para o cultivo da cana-de-açúcar. A
contribuição da análise econômica à questão “quê e quanto produzir” localiza-se no
conhecimento das máximas possibilidades econômicas de produção estabelecidas
pelas “curvas de possibilidades de produção”. Vejamos este conceito mais de perto.
Imagine que, em dada região ou país, a utilização dos recursos disponíveis – capital,
terra, trabalho, tecnologia e capacidade empresarial – para a produção de dois bens,
que chamaremos de alfa e beta, possibilitaria as seguintes quantidades:

Tabela 1
Possibilidades de Produção, conhecidos os fatores.

Alternativa Quando a produção do bem alfa é... ...a produção do bem beta é...
A 0 20
B 1 19
C 2 17
D 3 13
E 4 8
F 5 0
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 22/36

A ciência econômica, como tantas outras, lança mão de técnicas desenvolvidas por
outras áreas do conhecimento científico para auxiliar na demonstração de certos
fatos econômicos. Assim, a representação gráfica em duas dimensões – um eixo
dos x, considerada a primeira variável, e um eixo dos y, a segunda variável – ,
utilizando dados econômicos observados ou idealizados, será um instrumento de
apoio de fundamental importância na apresentação das questões econômicas.
Assim sendo, se dispusermos os dados da Tabela 1 numa representação gráfica de
duas dimensões, tal que as quantidades do bem beta estejam demonstradas no eixo
dos y e as quantidades do bem alfa no eixo dos x.
Vamos, portanto, juntar as informações desta tabela num gráfico composto por uma
abscissa — o eixo dos x — e uma ordenada — o eixo dos y —, ou seja, as
quantidades do bem alfa no eixo horizontal (abscissa) e quantidades do bem
beta no eixo vertical (ordenada). Desta forma, utilizando este sistema de
coordenadas cartesianas1, poderemos posicionar as alternativas A, B, C, D, E e F
num plano.

Gráfico 1
Disposição dos dados

Bem beta
A
B
20
C
15 D

10 E

F
0
1 2 3 4 5
Bem alfa

Unindo-se os pontos A a F, que representam as alternativas constantes da Tabela 1,


tem-se a Curva de Possibilidades de Produção (CPP). Trata-se de uma construção
extremamente simples, que revela as escolhas que são oferecidas à sociedade em
função da limitação dos recursos. O exame atento dos pontos A a F no gráfico
permite a constatação de um decréscimo na produção do bem beta, na medida em
que aumenta a produção do bem alfa. No ponto A, todos os fatores são utilizados
para a produção do bem beta. No outro extremo, quando todos os fatores são
alocados para a produção do bem alfa, nenhuma unidade de beta pode ser

1
Descartes, filósofo e matemático francês (1596-1650) imaginou um sistema de eixos onde se
pudessem localizar pontos do plano, através de dois números (as coordenadas) ou, dado um ponto,
fazer-lhe corresponder um par de números. Normalmente usa-se um sistema de eixos
perpendiculares e que utilizam a mesma escala (sistema ortonormado). Assim teremos o par (3, 2)
onde 3 representa a abscissa e 2 a ordenada. O par diz-se ordenado por sempre estar escrito na
forma (abscissa, ordenada).
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 23/36

produzida. Entre estes dois extremos existem pontos intermediários que revelam a
escassez dos recursos e, como conseqüência, a imperiosidade de sacrifício de
unidades de produção de um bem quando se aumenta a produção de outro bem.

Gráfico 2
Traçado da curva de possibilidades de produção

Bem beta
A
B
20
C
15 D

10 E

F
0
1 2 3 4 5
Bem alfa

A CPP é uma demonstração dos limites máximos de produção possível de dois


bens. Na realidade, a produção pode ficar aquém desta fronteira. É o caso
demonstrado no ponto U do Gráfico 3. Neste ponto, não estão sendo empregados
todos os recursos disponíveis, havendo, portanto, desemprego de fatores. Por
conseguinte, o pleno-emprego se dá sobre a CPP, que indica a fronteira das
possibilidades de produção, com os recursos conhecidos. Assim, os pontos
localizados “dentro” da curva representam situações em que os recursos não estão
sendo administrados de forma eficiente. Observa-se, no Gráfico 3, que, se a
economia estiver operando no ponto U – e, portanto, com ociosidade de fatores, ou
seja, com fatores que não estão devidamente aproveitados – é possível expandir a
produção do bem beta, ou do bem alfa ou, ainda, uma combinação de ambos, até os
limites das possibilidades de produção, indicado pela CPP.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 24/36

Gráfico 3
Curva de possibilidades de produção e o desemprego de fatores

Bem beta
A
B
20
C
15 D

10 E

5 U
F
0
1 2 3 4 5
Bem alfa

Sendo a CPP uma indicação das fronteiras, isto é, da produção máxima de dois
bens com dado volume de recursos, não é possível admitir pontos “fora” da curva.
Mas, o que se observa na realidade é um deslocamento da CPP para cima e para a
direita, denotando crescimento da produção decorrente de alterações positivas na
composição e no volume dos fatores de produção. Estas alterações geralmente
acontecem como decorrência de um aumento na quantidade do fator capital, uma
melhoria qualitativa na força de trabalho, e, ainda, do progresso tecnológico,
responsável por novos métodos de produção. Este deslocamento é demonstrado no
Gráfico 4. Evidentemente, uma diminuição de fatores de produção pode levar a um
deslocamento da CPP para a esquerda, o que constitui uma anormalidade no
funcionamento de todo o sistema econômico. Uma guerra ou uma epidemia, por
exemplo, podem causar grande redução na quantidade e qualidade do fator mão-de-
obra, por exemplo.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 25/36

Gráfico 4
Deslocamento da CPP em função de alterações nos fatores de produção

Bem beta

20

15

10

0
1 2 3 4 5
Bem alfa

A análise da CPP conduz a duas importantes constatações: a primeira delas diz


respeito ao custo de oportunidade, isto é, à renúncia ou sacrifício de um bem em
prol da obtenção de outro. Assim, o custo de oportunidade para a obtenção da
primeira unidade do bem alfa é uma unidade do bem beta, conforme se pode
deduzir da Tabela 2. A obtenção da segunda unidade de alfa leva ao sacrifício de
mais duas unidades de beta; a terceira unidade de alfa exige um custo de
oportunidade de mais quatro unidades de beta, e assim por diante. Ao final, para a
produção da quinta unidade
O custo de oportunidade é um importante de alfa, deverão ser
conceito em economia. Também é conhecido por sacrificadas mais oito
“custo do economista”. Significa que, em dadas unidades de beta. Este custo
circunstâncias, como, por exemplo, ao montar de oportunidade no caso
um escritório de representação em um imóvel específico de opções entre
próprio, existirá um custo de oportunidade cada alternativa de produção
retratado pela possibilidade de alugar o imóvel. de alfa e beta está
Assim sendo, a renda que deverá ser auferida demonstrado no Gráfico 5.
pelo empreendimento deverá considerar o que
se receberia como aluguel como determinante
do retorno mínimo idealizado pelo negócio.
Voltaremos a este conceito quanto tratarmos
dos custos de produção e/ou comercialização.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 26/36

Tabela 2
Custo de oportunidade

Alternativa Quando a produção do ...a produção do bem ... e o custo de


bem alfa é... beta é... oportunidade (em
unidades de beta) é...
A 0 20
B 1 19 1
C 2 17 2

D 3 13 4
E 4 8 5
F 5 0 8

Gráfico 5
Custo de oportunidade

Bem beta

1
20
2
15
4

10
5

5
8

0
1 2 3 4 5
Bem alfa
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 27/36

A segunda constatação leva à lei dos rendimentos decrescentes. Conforme foi visto,
uma expansão dos fatores de produção leva a deslocamentos positivos da CPP. Se,
no entanto, se mantiver constante um ou mais recursos físicos, os aumentos nas
possibilidades de produção serão menos que proporcionais, tornando-se
decrescentes ou mesmo nulos a partir de certo nível. Em outras palavras, a lei dos
rendimentos decrescentes baseia-se na impossibilidade de uma expansão de todos
os fatores de produção na mesma intensidade. Se apenas um dos fatores
permanecer constante, aumentando-se os demais, a produção apresentará menor
taxa de crescimento a cada estágio. Suponhamos, num primeiro momento, que,
como resultado da utilização de
100 unidades do fator terra
300 unidades do fator capital
50 unidades do fator trabalho
obtém-se
30 unidades do bem alfa e
40 unidades do bem beta.
Num segundo momento, mantendo-se constante a quantidade do fator terra e
incrementando-se o capital e a mão-de-obra para 360 e 60 unidades,
respectivamente, a possibilidade de produção passa para 35 e 45 unidades de alfa e
beta. Observa-se que, para um aumento de 20% nos fatores, a possibilidade de
produção cresce aproximadamente 17%. Num terceiro momento, utilizando-se
100 unidades do fator terra
430 unidades do fator capital
70 unidades do fator trabalho
a possibilidade de produção atinge
38 unidades do bem alfa e
48 unidades do bem beta.
Nesta simulação, a um novo aumento de 20% nos fatores capital e trabalho,
mantendo constante o fator terra, as possibilidades de produção aumentam em
menos de 9%.
Vejamos, a seguir, a segunda das questões centrais da economia:

Como produzir?
Trata-se, aqui, de uma questão relacionada às possibilidades tecnológicas de
produção. Competirá à sociedade como um todo a adoção de técnicas de produção
que procurem combinar, da forma mais adequada possível, seus recursos humanos
e patrimoniais. Atenção especial deve ser dedicada à absorção da tecnologia, tal
que a penetração da técnica no aparelho produtivo não implique desperdício do
potencial humano e, por outro lado, a sociedade não deverá recusar o emprego de
técnicas que possam significar aumento da eficiência produtiva.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 28/36

Para quem produzir?


A terceira questão fundamental que a economia busca responder é a que merece
maior atenção por parte da política econômica. Consiste em decidir de que forma
será distribuída, por toda a sociedade, a produção obtida. Em termos atualmente
mais corriqueiros, esta questão visa solucionar o problema da distribuição da renda.
A participação da sociedade na determinação do produto deve estender-se
igualmente à determinação da distribuição mais justa dos bens, superando o
desnível que se verifica em muitas regiões do planeta, quando uma grande
escassez de bens contrasta com a acumulação evidente em outros setores. É
importante destacar que foi este desnível a causa que promoveu as lutas de classes
sociais consubstanciadas nos acontecimentos mais importantes dos últimos tempos.
Tem-se, portanto, que, do ponto de vista da economia, o ideal seria a adequada
combinação entre uma estrutura produtiva eficiente – obtida por meio de uma
solução ótima às questões “quê e quanto produzir” e “como produzir” – e a justa e
efetiva distribuição da produção, solucionando, de forma eficaz, o problema “para
quem produzir”. A Figura 2 ilustra esta visão.

A economia de mercado e as questões centrais da economia


Numa economia de mercado impera a propriedade privada dos meios de produção,
ao lado de decisões sobre “quê e quanto produzir” fundamentadas no mercado e
nos preços. As empresas estariam dispostas a oferecer seus produtos à medida que
houvesse possibilidades efetivas de obtenção de lucros, um dos grandes
determinantes de uma filosofia liberal.
A perspectiva de lucro resume-se, portanto, à oferta de bens no mercado. Essa
oferta seria orientada pela demanda de bens que suprissem as necessidades dos
indivíduos. É de se supor, então, que o livre jogo da oferta e da procura, em que
imperasse a livre concorrência, seria fundamental para a operação da atividade
econômica. Nestas circunstâncias, a intervenção do Estado seria perturbadora e
prejudicial. Ao Estado competiria zelar pelo livre funcionamento do mecanismo dos
preços e do mercado, sem interferir em nenhum aspecto da produção.
Neste sistema, a decisão sobre “quê e quanto produzir” seria tomada pelos
consumidores e produtores; a decisão sobre o “como produzir” seria determinada
pela competição entre os produtores, em busca de maior produtividade e redução
dos custos; a questão sobre “para quem produzir” seria solucionada pela capacidade
de aquisição dos bens produzidos, isto é, cada indivíduo irá apossar-se da
quantidade de bens e serviços conforme sua disponibilidade de recursos financeiros.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 29/36

Figura 2
Combinação ideal entre produção e distribuição

Estrutura Justa e efetiva


produtiva eficiente distribuição da
produção

Solução ótima às questões “quê e quanto produzir”,


“como produzir” e “para quem produzir”

SUMÁRIO DO TEMA
O tema focalizou as questões centrais da economia “quê e quanto produzir”, “como
produzir” e “para quem produzir” e a forma como a economia de mercado responde
cada uma destas questões. De passagem, abordou a curva de possibilidades de
produção e a lei dos rendimentos decrescentes, dois conceitos de importância
fundamental no estabelecimento e compreensão de uma política econômica.

QUESTÕES PARA REVISÃO


1. Quais as questões fundamentais que a economia, enquanto ciência, procura
responder?
2. O que se pode entender pela questão “quê e quanto produzir”?
3. Qual o significado da questão “como produzir”?
4. Explique o conceito que envolve a questão fundamental da economia “para quem
produzir”?
5. O que se entende por “conhecimento das máximas possibilidades de produção”?
6. O que é um sistema de coordenadas cartesianas, na compreensão da curva de
possibilidades de produção (CPP)?
7. Quantas variáveis estão compreendidas na CPP? Dê um exemplo destas
variáveis.
8. Qual o significado da CPP?
9. O que se entende por uma economia operando com ociosidade de fatores?
10. De que maneira uma economia pode aumentar suas possibilidades de
produção?
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 30/36

11. As possibilidades de produção de uma economia podem ser reduzidas em algum


momento? Como se demonstra este fenômeno graficamente?
12. Como se explica uma redução das possibilidades de produção? Cite um
exemplo.
13. O que é custo de oportunidade?
14. Em seu dia-a-dia você consegue identificar um custo de oportunidade em sua
profissão?

15. As curvas de possibilidades de produção mostram


a. a quantidade total de bens existentes na economia.
b. quanto se pode produzir de bens utilizando as quantidades de trabalho.
c. quanto se pode produzir de bens utilizando todos os recursos da
economia dada uma tecnologia.
d. se há desemprego de recursos.
e. a ociosidade dos fatores de produção.
Resposta correta: alternativa d. A alternativa a aponta para uma indicação de
que a curva de possibilidades de produção já indicaria qual a quantidade total
de bens da economia, ao invés da possibilidade de produção. A alternativa b
relaciona a quantidade de bens com a quantidade de um único fator, o
trabalho. A alternativa d fala em desemprego de recursos, o que se dá no
espaço interno determinado pela fronteira das possibilidades de produção, no
limite da curva de possibilidades de produção. E, finalmente, a alternativa e
também se refere a um ponto no interior da curva. A alternativa c indica
corretamente a relação entre os fatores de produção e os limites das
possibilidades de produção da economia.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 31/36

Tema 6
SISTEMAS ECONÔMICOS
Como assinalou Heilbroner2, “se uma sociedade quiser assegurar seu constante
reaprovisionamento material, deverá distribuir sua produção de modo a manter não
só a capacidade, mas também a disposição de se continuar trabalhando. E assim
reencontramos o foco da investigação econômica dirigido para o estudo das
instituições humanas. Pois uma sociedade econômica viável [...] deve não só
superar a estreiteza de recursos da natureza, mas também conter e controlar a
intransigência da natureza humana”.
E perguntamos: de que maneira a humanidade conseguiu resolver os
problemas de produção e distribuição? Examinando a evolução da sociedade
contemporânea, Heilbroner apregoa que “dentro da enorme diversidade das
instituições sociais que guiam e dão forma ao processo econômico, o economista
descortina apenas três tipos abrangentes de sistemas que, separadamente ou em
combinação habilitam a humanidade a resolver seu desafio econômico. Estes três
grandes tipos sistêmicos podem ser designados como economias governadas pela
tradição, pelo mando e pelo mercado”. Vejamos mais de perto as características
de cada um destes tipos.

A tradição
Para assegurar que as tarefas indispensáveis à produção fossem realizadas, as
sociedades baseadas na tradição procuravam transmitir, de pai para filho, os
diversos ofícios necessários ao desenvolvimento da atividade econômica.
Conforme Heilbroner, “uma cadeia de hereditariedade garante que as qualificações
serão transmitidas e as ocupações desempenhadas de geração para geração”. E
acrescenta que Adam Smith, em sua obra “The Wealth of Nations” [conhecida por “A
Riqueza das Nações”] “todo homem estava obrigado por um princípio religioso
a seguir a ocupação de seu pai e estaria cometendo o mais nefando sacrilégio
se mudasse para outra”. Esta afirmação é complementada pela observação de
que “não foi só na antiguidade que a tradição preservou uma ordem produtiva no
seio da sociedade. Em nossa cultura ocidental, até os séculos XV e XVI, a alocação
hereditária de tarefas também foi a principal força estabilizadora na sociedade.
Embora ocorresse certo movimento do campo para a cidade e de profissão para
profissão, o nascimento determinava usualmente o papel de cada um na vida.
Um indivíduo nascia para cultivar a terra ou para um ofício; e, na terra ou no
ofício, cada indivíduo seguia os passos dos antepassados”.
Durante muito tempo, as economias baseadas na tradição desempenhavam suas
necessidades de produção e distribuição, porque o costume pode efetivamente
fornecer um importante mecanismo para resolver o problema econômico.
Heilbroner destaca que a solução oferecida pela tradição para os problemas de
produção e distribuição é estática. Para ele, “uma sociedade que adota o caminho
da tradição em sua regulação dos assuntos econômicos o faz em detrimento da
mudança social e econômica rápida e em larga escala”. Por isto, “a tradição
resolve o problema econômico, mas o faz em detrimento do progresso
econômico”.

2
HEILBRONER, Robert L. A Formação da Sociedade Econômica Rio de Janeiro: Editora Guanabara,
1987, tradução da 6ª. edição do original americano publicado em 1982.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 32/36

O mando
Trata-se igualmente de um método antigo. Diferente da tradição – perpetuação de
um sistema viável pela reprodução imutável de seus métodos – o mando constitui
a “organização de um sistema de acordo com as ordens estabelecidas por um
comandante-em-chefe econômico”, segundo Heilbroner. E que não se limitou às
antigas sociedades. Também se fez presente nas determinações das autoridades
econômicas comunistas. A cobrança de impostos, por exemplo, pressupõe o direito
de preempção – de tomar posse primeiro – de parte de nossa renda pelas
autoridades públicas. No exercício do mando não ocorre a redução do ritmo da
mudança econômica, como destacado por Heilbroner no caso da tradição. Para ele,
“o exercício da autoridade é o mais poderoso instrumento de que a sociedade
dispõe para impor a mudança econômica”. Assim, “o Governo pode, por
exemplo, utilizar suas receitas fiscais para criar uma rede de estradas que
coloque uma comunidade estagnada no fluxo da vida econômica ativa”. E,
ainda, “pode elaborar um sistema de irrigação que mudará radicalmente a vida
econômica de uma vasta região”. E mais: “pode alterar deliberadamente a
distribuição de renda entre classes sociais”.
Mas, atento às implicações de ordem social, especialmente quanto à justiça social,
este autor ressalta que “a nova ordem imposta pelas autoridades pode ofender
ou agradar nosso senso de justiça social, tal como pode melhorar ou piorar a
eficiência econômica da sociedade”. Para ele, o “mando pode, é claro, ser um
instrumento de vontade tanto democrática quanto totalitária”. Assim sendo, “não
existe julgamento moral implícito a ser emitido acerca desse segundo dos grandes
mecanismos de controle econômico”, voltados para a produção e distribuição de
bens e serviços. Para Heilbroner, “se a tradição é o grande freio à mudança
social e econômica, o mando econômico pode ser o grande incentivo para a
mudança”. Mas, tanto o mecanismo da tradição quanto o mecanismo do mando
“contribuíram para a solução bem-sucedida dos problemas econômicos, ambos
servem a seus objetivos, ambos têm seus usos e inconvenientes”.

O mercado
A terceira solução para o problema econômico, ou seja, uma terceira forma de
manter padrões socialmente viáveis de produção e distribuição é a organização de
mercado da sociedade. Trata-se, na visão de Heilbroner, de “uma organização
que, de modo verdadeiramente notável, permite à sociedade assegurar seu
próprio aprovisionamento com um mínimo de recurso à tradição ou ao
mando”. Para ele, o conhecimento da ciência econômica é de vital importância para
a compreensão dos mecanismos que norteiam a produção e a distribuição numa
sociedade de mercado. Por este sistema, os mais simples problemas de
produção e distribuição são resolvidos pela livre interação de indivíduos, sem
orientação da tradição ou do mando. E muitos dos problemas em que as
sociedades contemporâneas se debatem se relacionam com o bom ou mau
funcionamento do sistema de mercado. Daí a necessidade de se estudar a própria
economia.
Para evidenciar certos aspectos da solução de mercado, Heilbroner sugere o
seguinte diálogo entre conselheiros econômicos de uma sociedade que ainda não
tivesse de
Economia decidido
Mercadoqual o seu modo deCapítulo
organização da atividade
1 – A natureza econômica:
do problema econômico 33/36
Suponha-se, por exemplo, que fôssemos convidados a atuar como consultores de
uma das novas nações emergentes no continente africano ou asiático.
Poderemos imaginar os líderes de uma dessas nações dizendo:
― Sempre tivemos um modo de vida altamente preso à tradição. Nossos homens
caçam e cultivam os campos e executam suas tarefas como foram ensinados a
fazer pela força do exemplo e pelas instruções de seus anciãos. Também sabemos
algo sobre o que pode ser feito pelo mando econômico. Estamos preparados, se
necessário, para assinar um decreto tornando compulsório, para muitos de nossos
homens, trabalhar em projetos comunitários com vistas ao nosso desenvolvimento
nacional. Diga-nos se existe qualquer outra maneira em que possamos organizar
nossa sociedade para que ela funcione com êxito – ou, melhor ainda, com mais
êxito.
Suponha-se ainda que respondamos:
― Sim, há outra maneira. Organizem a sociedade segundo as diretrizes de uma
economia de mercado.
― Muito bem ― dizem os líderes. ― E que diremos às pessoas que façam? Como
encaminhá-las às várias tarefas?
― Eis o aspecto fundamental – responderíamos. ― Numa economia de mercado,
ninguém é designado para qualquer tarefa. De fato, a principal idéia de uma
sociedade de mercado é que se permite a cada pessoa decidir por si mesma o que
fazer.
Espalha-se a consternação entre os líderes.
― Você quer dizer que não se designam alguns homens para a mineração e outros
para a criação de gado? Não há um jeito de mandar alguns cuidar dos transportes
e outros responsabilizarem-se pela tecelagem? Você deixa as pessoas decidirem
isso por si mesma? Mas que acontece se elas não decidirem corretamente? Que
acontece se ninguém se apresentar voluntariamente para ir trabalhar nas minas
ou se ninguém se oferecer como maquinista para a estrada de ferro?
― Podem ficar tranqüilos – dizemos aos líderes. ― Nada disso acontecerá. Numa
sociedade de mercado, todos os empregos serão preenchidos porque será vantajoso
para as pessoas preenchê-los.
Nossos interlocutores aceitam isso com expressões relutantes. Finalmente, um
deles diz:
― Muito bem. Vamos supor que aceitemos seu conselho e permitamos ao nosso
povo fazer o que lhe apeteça. Falemos de algo específico, como a produção de
vestuário. Como fixaremos o nível certo de produção de roupa nessa sua
“sociedade de mercado”?
― Mas não se fixa coisa alguma. – replicamos.
― Não se fixa! Então como vamos saber se haverá uma quantidade suficiente de
roupa produzida?
― Haverá. O mercado cuidará disso.
― Então como saberemos que não se produzirá roupa demais? – indaga ele, com ar
triunfante.
― Ah! O mercado também cuidará disso!
― Mas o que é afinal esse mercado que fará essas maravilhas? Quem o dirige?
― Oh, ninguém dirige o mercado. Ele dirige-se a si mesmo. De fato, não existe
realmente tal coisa a que se possa chamar “o mercado”. É apenas uma palavra que
usamos para descrever o modo como as pessoas se comportam.
― Mas eu pensei que as pessoas se comportavam da maneira que queriam!
― E assim fazem – dizemos. ― Mas não tenham medo. Elas desejarão comportar-se
do modo que vocês querem que elas se comportem.
― Receio – diz o chefe da delegação – estarmos perdendo nosso tempo. Pensávamos
que você tinha em mente uma proposta séria. O que sugere é inconcebível. Bom
dia, senhor.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 34/36

SUMÁRIO DO TEMA
Este tema foi destinado à identificação dos sistemas econômicos baseados na
tradição, no mando e no mercado, como pano de fundo para o estudo da sociedade
de mercado.

QUESTÕES PARA REVISÃO


1. Além da superação da escassez dos recursos da natureza, qual a outra
consideração levantada por Heilbroner para a viabilização da sociedade
econômica?
Resp: conter e controlar a intransigência da natureza humana.

2. Quais as três formas de governo para a superação dos desafios da economia,


segundo Heilbroner?
Resp: tradição, pelo mando e pelo mercado.

3. O que é, em essência, uma economia governada pela tradição?


Resp: As qualificações serão transmitidas e as ocupações desempenhadas de
geração para geração, ou seja, de pai para filho.

4. De que maneira uma economia governada pelo mando resolve o problema da


produção e distribuição?
Resp: O governo pode, por exemplo, utilizar suas receitas fiscais para criar uma
rede de estradas que coloque uma comunidade estagnada no fluxo da vida
econômica ativa

5. Qual a contribuição de Adam Smith para a teoria econômica?


Resp: O trabalho exercido no âmbito de livre mercado, harmoniza os interesses
dos indivíduos e duras críticas ao sistema mercantilista e ao absolutismo.

6. O que se entende por uma solução estática do problema econômico?


Resp: uma sociedade que adota o caminho da tradição em sua regulação dos
assuntos econômicos o faz em detrimento da mudança social e econômica
rápida e em larga escala.

7. Você consegue identificar o mando nas relações econômicas em sua cidade


natal? E a tradição? Cite exemplos.
Resp:
*mando: sim, a prefeito arrecada impostos para manter a qualidade e melhorar
as vias, saneamento, etc, da cidade.
*tradição: loja do mecânico que foi passado de pai para filho.
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 35/36

8. Qual a conclusão do autor sobre os sistemas de mando e tradição?


Resp: Por este sistema, os mais simples problemas de produção e distribuição
são resolvidos pela livre interação de indivíduos, sem orientação da tradição ou
do mando.

9. Qual é a mais importante conclusão a que chega Heilbroner acerca do sistema


de mercado como solução para o problema econômico, no particular campo do
conhecimento?
Resp: uma organização que, de modo verdadeiramente notável, permite à
sociedade assegurar seu próprio aprovisionamento com um mínimo de recurso à
tradição ou ao mando

10. Você herdou as ferramentas utilizadas por seu bisavô, depois seu avô e em
seguida seu pai. Com ele você aprendeu uma profissão e se habilitou no
mercado, oferecendo produtos e serviços. Você é parte de que sistema(s)? Qual
o sistema prevalecente?
Resp: sistema da tradição, no qual uma cadeia de hereditariedade garante que
as qualificações serão transmitidas e as ocupações desempenhadas de geração
para geração.

11. Quando as pessoas executam tarefas sob a supervisão de um mestre de obras,


fica caracterizado um sistema de mando?
Resp: sim, pois nela o mestre de obras é quem dá orientação para o
“funcionário”.

12. No sistema de mercado são os indivíduos que interagem para a solução dos
seus problemas econômicos. Isto não se aplica num sistema de tradição?
Resp: não, pois na tradição as pessoas já nasciam designadas a só um meio de
trabalho, já num sistema de mercado a pessoa nasce pela livre escolha.

13. Um time de futebol sobreviveria num sistema de tradição? E no de mando?


Resp: Muito provável que não sobreviveria, já no mando sim. Pois no mando
existe o técnico que organizaria o time de futebol resultando em mais sucessos
nas partidas.

14. Qual dos três sistemas focalizados por Heilbroner está presente nos dias de
hoje, nas economias em desenvolvimento? E nas economias desenvolvidas?
Resp: Nas economias em desenvolvimento é o mando e nas economias
desenvolvidas é o mercado.

15. Nas sociedades primitivas agrárias e não industriais, a forma mais comumente
utilizada para resolver problemas econômicos
Economia de Mercado Capítulo 1 – A natureza do problema econômico 36/36

a. é o mando econômico.
b. é a tradição.
c. é a sociedade de mercado.
d. é um misto do mando com a sociedade de mercado.
e. as alternativas a e c complementam adequadamente a assertiva.
Resposta correta: alternativa b. De acordo com os ensinamentos de
Heilbroner, a tradição foi a forma mais utilizada para enfrentar e resolver os
problemas econômicos nas sociedades primitivas agrárias e não industriais.
Os conhecimentos passavam de geração a geração, transmitindo soluções
para problemas que se repetiam.

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