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] não sei como explicá-lo [

há um fervor que sinto se abrir no peito


não direi como um livro, por que o não é
de tal maneira que não sei como explicá-lo.

mas só de dizer há um fervor


já explico que é um fervor, o que é.
o que não é verdade 'também'!
apenas porque eu disse: fervor

alguns, até podem já estar a ver


brasas vermelhas amarelas laranjas
outros a ver mercúrio, água, em ebulição
e não me seria de bom grado iludir vos, tanto assim.

porque o que sinto no peito


não se compara a nenhuma realidade
o que não é verdade 'também'!
se o que temos é o que existe 'na realidade'
] te vejo um instante, apenas [

te vejo um instante, apenas


perco o folego
as palavras também
se esvaem de mim como bate o coração no peito

sem que aperceba outra coisa


um tremor, de terra, se sucede no meu peito
tal e qual ao ferro quente – meu coração arde

como o céu, florescido de estrelas, de contente fico


se um instante te vejo eu

ah, minha vida


de quanto a quero, nem os deuses
nem eu sei.
] se eu te pudesse dizer [

se eu te pudesse dizer
aquilo que nem eu sei
sentarias aqui, ao lado de mim
no coração
onde dista a minha devoção

quem sabe uma brisa fresca,


nos surpreenderia,
tão confinados como as pedras amontoadas.
seria, tu e eu
de tudo quanto quis querer, dizer
Alerto Bia, nasceu na Terra de Boa-Gente
(Inhambane) em Moçambique, no ano de 1993. Formou-se em Ensino de
Inglês pela Universidade Pedagógica de Moçambique. Publicou “Sombras
Cálidas” um livro de poesia, sob a chancela da Editora do Carmo, Brasil,
2017. Ocupou 4º lugar no IV Concurso Internacional de Poesias – Prêmio
Cecília Meireles, 2019. Email: alertobia@gmail.com

Link do facebook: https://web.facebook.com/alerto.augusto