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PAVIMENTAÇÃO - Profa Andréa Bonini

ENSAIO ÍNDICE DE SUPORTE CALIFORNIA - ISC ou CBR


(NBR 9895/87 e DNER 049/94)
(Resumo)

1. Aparelhagem
a) balanças que permitam pesar 20 kg, 1500 g e 200g com resolução, 1 g, 0,1
g e 0,01 g respectivamente.
b) Conjunto de bronze ou latão, constituído de molde cilíndrico com 15,20 cm
de diâmetro interno e 17,80 cm de altura, com entalhe superior externo em
meia espessura; cilindro complementar com 5,00 cm de altura, com entalhe
inferior em meia espessura, e prato de base perfurado com 24,00 cm de
diâmetro, com dispositivo para fixação do molde cilíndrico.
c) disco espaçador maciço, de aço, com 15,00 cm de diâmetro e 6,4 cm de
altura.
Nota: Aconselha-se antes do início do ensaio conferir as medidas do molde
cilíndrico e do disco espaçador para cálculo exato do volume do corpo de
prova
d) soquete cilíndrico de bronze ou latão, para compactação, face inferior
plana, de altura de queda de 45,70cm, com 4,5 kg de peso e 5,00cm de
diâmetro de face inferior.
e) prato perfurado de bronze ou latão com 14,9 cm de diâmetro e 0,50 cm de
espessura, com haste central de bronze ou latão, ajustável, constituída de uma
parte fixa rosqueada e de uma camisa rosqueada internamente, com face
superior plana para contato com o extensômetro.
f) tripé porta-extensômetro, de bronze ou latão.
g) extensômetro com curso mínimo de 10 mm, graduado em 0,01 mm.
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h) disco anelar de aço para sobrecarga, dividido diametralmente em duas


partes, com 2270 g de peso total, com diâmetro externo de 14,9 cm e diâmetro
interno de 5,40 cm.
i) prensa composta dos seguintes elementos
- quadro formado por base e travessa de ferro fundido e 4 tirantes de aço,
apresentando a travessa um entalhe inferior para suspensão de um conjunto
dinamométrico;
- macaco de engrenagem, de operação manual por movimento giratório de
uma manivela, com duas velocidades, acompanhado de um prato reforçado
ajustável ao macaco, com 24 cm de diâmetro, para suportar o molde;
- conjunto dinamométrico com capacidade para 4000 kg, sensível a 2,5 kg,
constituído por anel de aço com dimensões compatíveis com a carga acima
apresentada, com dispositivo para se fixar ao entalhe da travessa;
extensômetro graduado em 0,001 mm, fixo ao centro do anel para medir
encurtamento diametrais; pistão de penetração, de aço, com 4,96 cm de
diâmetro e com altura de cerca de 19 cm, variável conforme as condições de
ensaio, fixo à parte inferior do anel; extensômetro graduado em 0,01 mm,
com curso maior que 12,70 mm, fixo lateralmente ao pistão, de maneira que
seu pino se apóie na borda superior do molde.
j) extrator de corpo de prova.
l) tanque para imersão do corpo de prova.
m) papel filtro circular com 15 cm de diâmetro.
n) proveta de vidro com capacidade de 1000 cm3.
o) desempenadeira de madeira com 13 cm x 25 cm.
p) conchas metálicas com capacidade de 1000 cm3.
q) bandeja metálica de 75 cm x 50 cm x 5 cm.
r) régua biselada com comprimento de 30 cm.
s) espátula de lâmina flexível.
t) estufa.
u) cápsulas metálicas.
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2. Preparo das amostras de solo


- coletar aproximadamente 7000 g de amostra de solo, conforme NBR 6457, e
seca-lá ao ar.
- medir a umidade higroscópica da amostra.
- conhecendo a umidade ótima (do ensaio de Proctor), calcular a quantidade
de água a ser adicionada a amostra de solo.

  w ot – w higr
 
100

onde:
Ma – massa de água a ser adicionada a amostra, em g
Ms – massa de solo seco ao ar, em g
W ot – teor de umidade ótima, em %
W higr – teor de umidade higroscópica, em %

O volume de água a ser acrescentado é encontrado considerando a densidade


da água igual a 1g/cm3.

- na bandeja metálica com o auxílio da proveta de vidro, adicionar água


gradativamente e revolver continuamente o material de forma a obter um teor
de umidade próximo da umidade ótima.
- após completa homogeneização do material proceder a compactação

3. Energia de compactação
As energias de compactação são: normal, intermediária e modificada,
respectivamente, com 12, 26 e 55 golpes por camada, num total de 5 camadas,
de acordo com a NBR 7182.
No caso de materiais de subleito realiza-se ensaio na energia normal e no caso
de materiais de sub-base e base realiza-se ensaio na energia intermediária ou
modificada.
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4. Ensaio
4.1 – Moldagem do corpo de prova
- fixa-se o molde à sua base metálica, ajusta-se o cilindro complementar e
apóia-se o conjunto em base plana e firme. Coloca-se o disco espaçador como
fundo falso. Usa-se um papel filtro sobre a superfície do disco espaçador para
evitar aderência do solo compactado.
- compacta-se o material em cinco camadas, atendendo o número de golpes
por camada correspondentes à energia desejada. Os golpes do soquete devem
ser aplicados perpendicularmente e distribuídos uniformemente sobre a
superfície de cada camada, sendo que as alturas das camadas compactadas
devem ser aproximadamente iguais.
- a compactação de cada camada deve ser precedida de uma ligeira
escarificação da camada subjacente.
- a determinação da umidade, w, deve ser feita com uma porção da amostra
remanescente na bandeja, retirada imediatamente após a compactação da
segunda camada, de acordo com a NBR 6457.
- após a compactação da última camada, retirar o cilindro complementar,
depois de escarificar o material em contato com o mesmo, com o auxílio da
espátula. Deve haver excesso, de no máximo 10 mm de solo compactado
acima do molde que deve ser removido e rasado com o auxílio da régua
biselada. Feito isso, remove-se o molde cilíndrico de sua base e retira-se o
disco espaçador.
- pesar o conjunto, por subtração da massa do molde cilíndrico, obter a massa
úmida do solo compactado (Msw).

4.2 – Expansão
- terminada a moldagem, retirar o disco espaçador do corpo de prova, inverter
o molde e fixá-lo no prato-base perfurado.
- colocar no espaço deixado pelo disco espaçador, o prato perfurado com a
haste de expansão e sobre ele dois discos anelares cuja massa total deve ser de
4540 g.
- apoiar, na haste de expansão do prato perfurado, a haste do extensômetro
acoplado ao porta-extensômetro, colocado na borda superior do cilindro.
Anotar a leitura inicial e imergir o corpo de prova no tanque. O corpo de
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prova deve permanecer imerso por 4 dias e as leituras no extensômetro devem


ser feitas a cada 24 horas.
- terminado o período de embebição, retirar o corpo de prova da imersão e
deixar escoar durante 15 minutos. Após esse tempo, o corpo de prova está
pronto para penetração.

4.3 – Penetração
- realiza-se a penetração em uma prensa conforme especificado no item 1. i.
- colocar no topo do corpo de prova, dentro do molde cilíndrico, as mesmas
sobrecargas utilizadas no ensaio de expansão.
- colocar esse conjunto no prato da prensa e procede-se o assentamento do
pistão de penetração no solo, pela aplicação de uma carga de
aproximadamente 4,5 Kgf controlada pelo deslocamento do ponteiro do
extensômetro do anel dinamométrico; zeram-se, a seguir, o extensômetro do
anel dinamométrico e o que mede a penetração do pistão no solo. Aciona-se a
manivela da prensa com velocidade de 1,27 mm/min. Cada leitura
considerada no extensômetro do anel é função de uma penetração do pistão no
solo e de um tempo especificado para o ensaio, conforme tabela 1:
Tabela 1: leitura obtida no extensômetro do anel em função da penetração do
pistão no solo e do tempo
Tempo Penetração Leitura
(min) pol mm (mm)
0,5 0,025 0,63
1 0,050 1,27
1,5 0,075 1,90
2,0 0,100 2,54
3,0 0,150 3,81
4,0 0,200 5,08
6,0 0,300 7,62
8,0 0,400 10,16
10,0 0,500 12,70
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- as leituras efetuadas no extensômetro do anel medem encurtamentos


diametrais provenientes da atuação das cargas. No gráfico de aferição do anel
têm-se a correspondência entre as leituras efetuadas no extensômetro do anel
e as cargas atuantes.

5. Cálculos

5.1. Teor de umidade (w)


á
  100
 

5.2. Massa específica aparente seca do solo compactado (ρd)



  !""# $
 100

onde:
Msw – massa de solo úmido do solo compactado, em g
W – teor de umidade do solo compactado, em %
V - volume do corpo de prova compactado, que é igual a altura útil do molde
cilíndrico, ou seja, área da seção interna do molde cilíndrico multiplicada
pela altura do molde cilíndrico subtraída altura do disco espaçador.

5.3. Grau de compactação (GC)



%&   100
 '

5.4. Expansão
- calcula-se a expansão do corpo de prova utilizando a seguinte expressão:

-./012 3/*- 4 -./012 /*/5/- *+ .0.*ô'.02+


()*ã+ %   100
-012 /*/5/- + 5+2)+ . )2+6
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5.5. Índice de Suporte California (CBR)


- traça-se um gráfico com os valores de penetração do pistão (mm) no eixo
das abscissas e os valores de carga aplicada pelo pistão (kgf) ou de pressão
aplicada pelo pistão (kgf/cm2) no eixo das ordenadas.
- apresentando a curva de pressão-penetração um ponto de inflexão
(provenientes de irregularidades na superfície do corpo de prova), traçar uma
tangente à curava neste ponto até que a mesma intercepte o eixo das abscissas.
A curva corrigida será então está tangente mais a porção convexa da curva
original, considerada a origem mudada para o ponto que a tangente corta o
eixo das abscissas; seja c a distância deste ponto à origem dos eixos. Somar às
abscissas dos pontos correspondentes às penetrações de 2,54 mmm e 5,08 mm
a distância c, com o que se determina, na curva obtida, os valores
correspondentes das novas ordenadas, as quais representam os valores das
cargas ou pressões corrigidas para penetrações antes referidas. A correção
pode ser obtida como mostra o gráfico da figura1:

Figura 1: Gráfico de correção


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O índice de Suporte Califórnia (ISC), em porcentagem, para o corpo de prova


é obtido pela fórmula:

)2.ã+ 5-51- +1 )2.ã+ 5+22/9/


78&   100
)2.ã+ )2ã+

onde:
- pressão padrão para penetração de 2,54 mm = 70,31 Kgf/cm2
- pressão padrão para penetração de 5,08 mm = 105,46 Kgf/cm2

Ou
529 5-51- +1 529 5+22/9/
78&   100
529 )2ã+

onde:
- carga padrão para penetração de 2,54 mm = 1350 Kgf
- carga padrão para penetração de 5,08 mm = 2050 Kgf

Adotando-se o maior dos valores obtidos nas penetrações de 2,54 mm e


5,08 mm.
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Considerações sobre ensaio da aula

Realizado com amostra de solo não trabalhada com fração passada na peneira
nº 10 (2,0 mm) e na umidade ótima (w otm = 13,2% e ρd max = 1,96 g/cm3).

No gráfico de aferição do anel têm-se a correspondência entre as leituras


efetuadas no extensômetro do anel e as cargas atuantes, ou seja:

F = 1,9661 x L

onde:

F – carga atuante, em kgf


L – leitura efetuada no extensômetro, em mm