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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO


PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO, CONTEXTOS
CONTEMPORÂNEOS E DEMANDAS POPULARES - PPGEDUC

CELIA REGINA MACHADO JANNUZZI LOUREIRO

PROFESSORES ESPECIALISTAS - REFLEXÕES SOBRE AS POLÍTICAS


PÚBLICAS DE INCLUSÃO DOS ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NA
REDE MUNICIPAL DE DUQUE DE CAXIAS

NOVA IGUAÇU
2018
CELIA REGINA MACHADO JANNUZZI LOUREIRO

PROFESSORES ESPECIALISTAS - REFLEXÕES SOBRE AS POLÍTICAS


PÚBLICAS DE INCLUSÃO DOS ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NA
REDE MUNICIPAL DE DUQUE DE CAXIAS

Trabalho de conclusão de curso


apresentado à Universidade Federal Rural
do Rio de Janeiro – UFRRJ como requisito
parcial para conclusão da Disciplina
Educação Brasileira na
Contemporaneidade.

Professor: Dr. Jonas Alves da Silva


Júnior

NOVA IGUAÇU
2018
SUMÁRIO

RESUMO........................................................................................................................................... 1

INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 2

MÉTODOS........................................................................................................................................ 4

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.......................................................................................................... 5

O RESULTADOS QUANTITATIVOS...................................................................................................5
O RESULTADOS QUALITATIVOS...................................................................................................12
O PERCEPÇÕES E POSIÇÕES DOS ORIENTADORES SOBRE A INCLUSÃO ESCOLAR..............................................12
O FATORES QUE INTERFEREM DESFAVORAVELMENTE NA INCLUSÃO ESCOLAR.................................................13
O FATORES NECESSÁRIOS PARA UMA INCLUSÃO REAL, EFETIVA E DE QUALIDADE............................................15

CONCLUSÃO................................................................................................................................... 15

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................................... 16

ANEXOS.......................................................................................................................................... 18
1

PROFESSORES ESPECIALISTAS - REFLEXÕES SOBRE AS POLÍTICAS


PÚBLICAS DE INCLUSÃO DOS ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NA
REDE MUNICIPAL DE DUQUE DE CAXIAS

RESUMO

O presente artigo foi desenvolvido como requisito avaliativo da disciplina Educação


Brasileira na Contemporaneidade, Professor Dr. Jonas Alves da Silva Júnior que faz parte do
Mestrado do Programa de Pós-graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e
Demandas Populares da UFRRJ no ano de 2018. Esse artigo faz parte da Pesquisa “Políticas
Públicas de Educação Inclusiva: desafios à escolarização do público-alvo da Educação
Especial em uma escola de Duque de Caxias/RJ”. Essa pesquisa teve início em 2018 na
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro com a Orientação do Professor Allan Rocha
Damasceno. A metodologia escolhida foi a pesquisa qualitativa. A necessidade de conhecer o
fazer e o pensar dos membros das Equipes Técnicas das Escolas da Rede Municipal de Duque
de Caxias acerca do processo inclusivo dos alunos com deficiência no Ensino Regular
motivou a confecção desse artigo. Esse estudo buscou responder como as equipes veem como
o processo inclusivo vem acontecendo na prática pedagógica diária. Inúmeras são as
pesquisas acerca da inclusão das pessoas com necessidades especiais no ensino regular e todas
as pesquisas demonstram que são muitos os problemas vivenciados no cotidiano escolar e que
o caminho a ser trilhado necessita de investimentos humanos e financeiros para o processo
inclusivo ser eficaz para os alunos com deficiência.

Palavras chaves utilizadas foram: Políticas Públicas, Deficiência, Educação Inclusiva,


Educação Especial, Ensino Fundamental, Escola Regular, Equipes Técnico Pedagógicas.
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INTRODUÇÃO

O presente artigo foi desenvolvido como requisito avaliativo da disciplina Educação


Brasileira na Contemporaneidade, Professor Dr. Jonas Alves da Silva Júnior que faz parte do
Mestrado do Programa de Pós-graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e
Demandas Populares da UFRRJ no ano de 2018. Esse artigo faz parte da Pesquisa “Políticas
públicas de Educação Inclusiva: desafios à escolarização do público-alvo da Educação
Especial em uma escola de Duque de Caxias/RJ”. Essa pesquisa teve início em 2018 na
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro com a Orientação do Professor Allan Rocha
Damasceno. A pesquisadora atua há vinte anos na Rede Municipal de Duque de Caxias como
Orientadora Educacional sempre se deparando e atuando com a questão dos alunos com
Deficiência na Escola Regular tanto incluídos nas classes comuns do Ensino Regular com
apoio ou sem apoio das Salas de Recursos – Atendimento Educacional Especializado quanto
com os alunos frequentadores das Classes Especiais, atuou também como Orientadora e
Psicopedagoga no Município de São João de Meriti durante dez anos, nos primeiros três anos
como Orientadora Educacional em Escolas Municipais e nos outros sete como Psicopedagoga
num Centro1 Inclusivo para Alunos com deficiência que realizava a avaliação dos alunos com
hipótese de deficiência ou com deficiência diagnosticada por laudo médico em conjunto com
uma equipe multidisciplinar.

Segundo o filósofo Zygmunt Bauman estamos vivendo em tempos líquidos, aonde


antigas verdades, antigos paradigmas não podem mais ser usados como referência absoluta do
certo ou errado. Essa pós modernidade, aonde de um momento para o outro tudo muda, traz
incertezas, insegurança, mas também traz a queda de velhos conceitos. É um momento aonde
não existem mais certezas absolutas, aonde as sociedades estão cada vez mais abertas por
conta do processo de globalização, aonde as diversidades e as diferenças estão sendo
laureadas pela mídia. Os conceitos de diversidade e diferença, no entanto, não são conceitos
sinônimos embora. sejam utilizados como se fossem.

Nesse cenário atual de mudanças, de incertezas, de laureio à diversidade, as estratégias


de escolarização para os alunos com necessidades educativas especiais vêm se alterando. No
passado os alunos com deficiência eram ou excluídos das escolas regulares ou inseridos em

1
CIME – Centro Inclusivo Multidisciplinar da Prefeitura Municipal de São João de Meriti que contava
em sua equipe com profissionais como Fisioterapeuta, Psicopedagogos, Psicólogos, Assistentes Sociais,
Orientadores Educacionais, Orientadores Pedagógicos, Professor De Ed. Física, em sua maioria concursados
para Professores e com graduações variadas desviados de função,
3

classes ou escolas especiais. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da


Educação Inclusiva de 2008 aparece em cena com o objetivo de mudar o caráter segregador e
excludente da Educação formal para os alunos com deficiência. Ela objetiva “

“fazer da sala de aula comum um espaço de todos os alunos, sem exceções.


Ele vai tratar da interface entre o direito de todos à educação e o direito à diferença,
ou seja, da linha tênue traçada entre ambos e de como esse direito vai perpassando
todas as transformações que a escola precisa fazer para se tornar um ambiente
educacional inclusivo.”
A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - A Escola
Comum Inclusiva – pag. 6

O plano Nacional de Educação – PNE de 2014 determina que: “Os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios garantam o atendimento as necessidades específicas na educação
especial, assegurado o sistema educacional inclusivo em todos os níveis, etapas e
modalidades.” Diante dessa política de perspectiva inclusiva o presente artigo pretende
abordar como as Equipes Técnico Pedagógicas da Rede Municipal de Duque de Caxias
enxergam como vem acontecendo na prática a inclusão dos alunos com deficiência na Escola
Regular, como as Políticas Públicas do município atende ou não as expectativas da inclusão
desses alunos nesse cenário pós golpe de 2017.

A necessidade de conhecer o fazer e o pensar dos membros das Equipes Técnicas das
Escolas da Rede Municipal de Duque de Caxias acerca do processo inclusivo dos alunos com
deficiência no Ensino Regular motivou a confecção desse artigo. Esse estudo buscou
responder como as equipes veem como o processo inclusivo vem acontecendo na prática
pedagógica diária.

O município de Duque de Caxias faz parte da Baixada Fluminense no Estado do Rio


de Janeiro, divide-se em quatro distritos, foram convidados para participar dessa pesquisa
através de questionários todos os orientadores de todos os distritos.

Segundo o site QEdu atualmente o Município de Duque de Caxias conta com 174
Escolas Municipais que atendem a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de
Jovens e Adultos.

Todas as Escolas do Município de Duque de Caxias contam com o apoio de pelo


menos um Orientador (Pedagógico ou Educacional).

A metodologia escolhida foi a pesquisa qualitativa.


4

Foi verificado que são inúmeras as pesquisas acerca da inclusão das pessoas com
necessidades especiais no ensino regular e que a estratégia mais comumente utilizada para
auxiliar o processo de inclusão é o Atendimento Educacional Especializado.

MÉTODOS

O presente artigo é uma pesquisa do tipo qualitativa.

Em 2016 todos os Orientadores Educacionais e Pedagógicos foram convidados a


participar de um grupo de Orientadores da Rede Municipal de Duque de Caxias através do
aplicativo para celular WhatsApp. Esse grupo foi criado por um integrante da diretoria do
SEPE2 - núcleo de Duque de Caxias e vem se mostrando um instrumento valioso de
comunicação entre os Orientadores, principalmente quanto aos informes de atividades, cursos
e reuniões. Para participar os membros precisam ser Orientadores da Rede Municipal.
Simpatizantes, outros funcionários ou aspirantes não são aceitos no grupo. O grupo possui
atualmente 256 membros. Tendo em vista esse grande alcance entre os Orientadores a
pesquisadora optou por utilizar essa ferramenta para o envio do convite para participar da
pesquisa através da resposta a um questionário.

Inicialmente poucos atenderam ao convite, foi feito, cerca de um mês após o convite
inicial um novo convite aberto a todos os Orientadores, explicando a importância da pesquisa
e a necessidade da pesquisadora de ter respostas às suas questões como forma de referendar e
dar prosseguimento a pesquisa. Nesse momento vinte e uma pessoas responderam enviando
seus e-mails através do próprio grupo demonstrando interesse em participar.

Foi criado o formulário no Google formulários e enviados aos vinte e um Orientadores


que demonstraram interesse em participar da pesquisa.

Foi utilizado para a coleta de dados o Google formulários pois facilitou o envio, as
respostas e a quantificação dos resultados, como disse Mantoan

Esses ambientes informatizados agilizaram os processos mecânicos e


automatizáveis da pesquisa, fazendo com que o pesquisador pudesse se concentrar
nas tarefas que exigem habilidade intelectual.
(MANTON, 2015, P. 27)

2
SEPE-Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação
5

Desses vinte e um Orientadores, quatorze responderam aos formulários. Embora a


plataforma seja simples de receber, responder e enviar de volta para a pesquisadora, dois dos
Orientadores responderam através do aplicativo WhatsApp que não conseguiram acessar ou
reenviar o formulário e apesar das tentativas de resolver essas questões não conseguimos êxito
com esses dois participantes. Quatro não se pronunciaram do porque não responderam a
pesquisa após demonstrarem interesse inicial.

No questionário foram apresentadas questões abertas e fechadas cujo foco era entender
o que pensam e como agem os Orientadores da Rede Municipal de Duque de Caxias em
relação à inclusão dos alunos com deficiência no ensino regular.

Após todos os resultados terem sido recebidos a pesquisadora e após lê-los na integra a
pesquisadora optou por apresenta-los de duas formas:

 Quantitativa – através das informações numéricas acerca das respostas a cada uma das
perguntas e gráficos com os percentuais de respostas,
 Qualitativa - dividindo-os em três categorias:
o Percepções e posições dos Orientadores sobre a Inclusão Escolar,
o Fatores que interferem desfavoravelmente na inclusão escolar.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

o RESULTADOS QUANTITATIVOS

Participaram da pesquisa um total de quatorze Orientadores Educacionais e


Orientadores Pedagógicos da Rede Municipal de Duque de Caxias. Todos os Orientadores
participantes encontram-se em atuação no presente momento, nenhum dos participantes
encontra-se licenciado ou aposentado. Seis (42,9%) dos Orientadores participantes da
pesquisa são Orientadores Educacionais e oito (57,1%) são Orientadores Pedagógicos.
6

Número de Orientadores Educacionais e Pedagógicos


participantes da pesquisa

Orientadores
Educacionais

Orientadores
Pedagógicos

Foi perguntado aos participantes se o processo cotidiano de inclusão dos alunos com
necessidades especiais nas Classes regulares traz mais benefícios que prejuízos para esses
alunos (numa visão holística do ser humano). Nove (64,3%) participantes responderam que o
processo cotidiano de inclusão traz mais benefícios, um (17,1%) participante respondeu que
não, três (21,4%) participantes responderam que talvez e um (7,1%) participante respondeu
outros (nem sim cada caso um caso, para alguns benefícios, para outros malefícios. não há
como generalizar um assunto tão específico e com tantas diversidades.

O processo cotidiano de inclusão dos alunos com


necessidades especiais nas Classes regulares traz mais
benefícios que prejuízos para esses alunos (numa visão
holística do ser humano)
Outros

Talvez

Não Sim
7

Todos os quatorze (100%) participantes responderam que no processo inclusivo todos


ganham ao vivenciar a diversidade humana.

No processo inclusivo todos ganham ao vivenciar a


diversidade humana.

Sim Não

Quanto aos os investimentos feitos pela prefeitura para a inclusão dos alunos com
deficiência nas Escolas da Rede Municipal de Duque de Caxias a grande maioria dos
participantes responderam que esses investimentos são feitos de forma insatisfatória (12
participantes - 85,7%). Nenhum participante respondeu que os investimentos ocorrem de
forma satisfatória, apenas um participante respondeu que ocorre de forma regular (7,1%) e um
participante respondeu que nos últimos anos não houve investimento (7,1%).

Investimentos feitos pela prefeitura para a inclusão dos


alunos com deficiência nas Escolas da Rede Municipal de
Duque de Caxias

14
12
10
8
6
4
2
0
Satisfatória Regular Insatisfatória Outros
8

Sobre o Atendimento Educacional Especializado – Sala de Recursos foi perguntado se


o atendimento ocorre de forma rotineira, organizada, adequada e eficaz aos alunos com
deficiência. As respostas aconteceram de forma bastante heterogênea. Cinco (35,7%) dos
participantes responderam que o atendimento ocorre de forma satisfatória. Cinco (35,7%) dos
participantes que ocorre de forma regular. Um (7,1%) dos participantes respondeu que ocorre
de forma insatisfatória. Ocorreram também três (21,5%) outros relatos: uma escola não tem
sala de recursos, uma escola não tem sala de recursos, mas tem alunos com deficiência e uma
escola respondeu que o atendimento embora ocorra de forma rotineira e organizada não é
adequado ou eficaz aos alunos com deficiência.

Na sua Escola A(s) Sala(s) de Recurso(s) - (Atendimento Educacional Especializado)


atendem de forma rotineira, organizada, adequada e eficaz aos alunos com deficiência ?

5
4.5
4
3.5
3
2.5
2
1.5
1
0.5
0
Satisfatória Regular Insatisfatória Outros

Foi perguntado aos Orientadores a opinião sobre a forma como ocorrem os processos
de avaliação, seleção e inclusão dos alunos com deficiência em Sala de Recursos (mais
adiante explicitaremos como ocorrem esses processos segundo diretrizes da Secretaria
Municipal de Educação para melhor compreensão das respostas dadas). A grande maioria dos
Orientadores, sete (50%) dos participantes, respondeu que ocorre de forma insatisfatória.
Quatro (28,6%) responderam que acontecem de forma regular e apenas 3(21,4%) que ocorrem
de forma satisfatória.
9

Na sua opinião os processos de avaliação, seleção e inclusão


dos alunos com deficiência em Sala de Recursos acontecem de
forma:
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Satisfatória Regular Insatisfatória

Quanto a capacitação para trabalhar com alunos com deficiência os participantes


mostraram-se bem divididos. Quatro (30,8%) participantes responderam que sim, que se
sentem capacitados para trabalhar com alunos com deficiência, quatros (30,8%) responderam
que não e cinco (38,5%) participantes responderam talvez3.

Você se sente capacitado para trabalhar com o público alvo


da Educação Especial?

Sim

Talvez

Não

Foi perguntado aos participantes quais as estratégias estão sendo utilizadas para se
capacitar para trabalhar com o público alvo da Educação Especial. Nove (64,3%) dos
participantes responderam que utilizam a leitura de artigos, livros e revistas acerca da inclusão
como forma de se capacitarem, Três (21,4%) dos participantes responderam que fazem cursos

3
Nessa questão dos quatorze participantes, um não respondeu à pergunta.
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de curta duração, palestras, oficinas. Um (7,1%) dos participantes respondeu que faz cursos
curta duração, palestras e oficinas promovidos pela Secretaria Municipal de Educação. Um
(7,1%) dos participantes respondeu que faz cursos de longa duração como mestrado ou
doutorado. Nenhum participante respondeu que utiliza vídeos, filmes ou outras formas de se
capacitarem.
Curso
s de
curta
duraç
ão,
palest
ras,ofi
cinasC
ursos
de
curta Curso
duraç s de
ão, longa
palest duraç
EstRATÉGIAS
ras,ofi PARA
ão(es
CAPACITAÇÃO
cinas peciali
oferec zação,
idos pós
pela gradu
Rede ação,
Munic etc.)
ipal.
Curso 7%
s de 7%
curta
duraç
ão,
palest
ras,ofi Leitur
cinas a de
21% artigo
s,
livros
e
revist
as
acerca
da
inclus
ão.
64%

Todos os quatorze (100%) participantes responderam que O trabalho do Orientador


junto aos professores no auxílio à inclusão dos alunos com deficiência na Escola é muito
importante.

O trabalho do Orientador junto aos professores no auxilio à


inclusão dos alunos com deficiência na Escola é na sua opinião
Muito importante Importante Não relevante

100%
11

Todos os quatorze (100%) participantes responderam que O trabalho do Orientador


junto às famílias no auxílio à inclusão dos alunos com deficiência na Escola é muito
importante.

O trabalho do Orientador junto às famílias no auxílio


à inclusão dos alunos com defi ciência na Escola é na
sua opinião

Muito importante Importante Não relevante

100%

A grande maioria dos participantes, (nove que correspondem a 92,3% dos


participantes) não considera que as Políticas Públicas sobre a inclusão dos alunos com
necessidades educacionais nas Escolas de Ensino Regular são coerentes com a realidade atual.
Um dos participantes respondeu que algumas vezes sim e outras não é um participante não
respondeu. Nenhum respondeu que considera as Políticas Públicas sobre a inclusão dos alunos
com necessidades educacionais nas Escolas de Ensino Regular coerentes com a realidade
atual. Um dos participantes não respondeu sendo consideradas treze respostas.
12

Você considera que as Políticas Públicas sobre a inclusão dos


alunos com necessidades educacionais nas Escolas de Ensino
Regular são coerentes com a realidade atual

Outras

respos
tas

Não

Sim Não Outras respostas

o RESULTADOS QUALITATIVOS

o Percepções e posições dos Orientadores sobre a Inclusão Escolar

Embora a maior parte dos orientadores acredite no processo inclusivo, ainda existem
orientadores que acreditam que as classes especiais são mais produtivas para os alunos pois na
percepção destes nas Classes Especiais os alunos podem ter uma atenção mais individualizada
e direcionada que não tem nas classes comuns devido ao grande número de alunos nessas
turmas. Os orientadores citaram também os alunos surdos que em uma classe só de surdos e
com tradutor e utilização de libras teriam um melhor atendimento. Embora todos acreditem
que o ser humano cresce em conjunto com o outro, alguns orientadores ainda acreditam que a
classe especial ainda é uma modalidade importante, uma opção que deve ser mantida.

Quanto às Salas de Recursos os Orientadores acreditam que elas são uma ferramenta
importante, no entanto os orientadores ficam incertos quanto a sua eficácia pois ela não pode
ser a única ferramenta, é necessário que existam outras ferramentas, outros investimentos,
outros profissionais além do professor da sala de recursos, como intérpretes, tradutores,
mediadores, agentes de apoio inclusivos para que aprendizagem aconteça de forma eficaz,
prazerosa e plena.

Os Orientadores da Rede Municipal de Duque de Caxias acreditam que seu trabalho é


válido, coerente e necessário tanto junto aos professores quantos com os alunos e suas
famílias no entanto muitas vezes se sentem inseguros quanto a capacitação para lidar com
13

problemas tão múltiplos e diversos com os quais são confrontados no cotidiano escolar.
Acreditam ainda que para que esse trabalho seja desenvolvido de forma plena é necessária
uma capacitação permanente.

Ficou muito claro durante a pesquisa que nenhum dos orientadores considera que os
investimentos financeiros na Educação Especial, na Educação Inclusiva nas escolas vem
sendo condizente com a realidade, é exigido, por parte dos governantes, um trabalho de
excelência, no entanto muito pouco é oferecido na realidade da escola. O cotidiano escolar é
marcado por improvisos pois a falta de investimento é gritante muitas vezes e digo isso por
experiência própria por estar vivenciando isso no chão da escola muitas vezes nem mesmo
papel é enviado o que dirá computadores, material pedagógico específico, material para
higiene e outros.

Pode-se dizer que os Orientadores de Duque de Caxias acreditam na sua atuação e são
profissionais que acreditam na inclusão (em sua grande maioria) no entanto percebem que
esse é um caminho difícil de ser trilhado, difícil de ser percorrido e pode ser o melhor, mas
não é o mais fácil pois faltam investimentos para a concretização de uma Educação Inclusiva
de qualidade.

o Fatores que interferem desfavoravelmente na inclusão escolar

Os maiores entraves para que processo inclusivo dos alunos com necessidades especiais
ocorra de forma satisfatória nas Escolas da Rede Municipal de Duque de Caxias, segundo os
Orientadores não são diferentes dos citados em outras pesquisas e outras redes, podemos
destacar:

 Interesse político;
 Ausência de políticas públicas de longo prazo, temos um histórico de sucessivos
governos que se preocupavam com apenas seus quatro anos de mandato, sem se
importar com as ações já vivenciadas, construindo uma Educação Inclusiva de
qualidade;
 Falta de formação dos profissionais; pouca formação continuada;
 Falta de atendimento à família;
 Carência de atendimentos especializado aos alunos;
 Carência de profissionais nas unidades escolares, tais como agentes de apoio,
monitores, tradutores;
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 Número grande de alunos numa mesma turma;


 Inexistência de equipe multidisciplinar para atendimento a todos os alunos;
 Formação continuada, inclusa na carga horária em serviço, para todos os professores e
profissionais atuantes no âmbito escolar, de acordo com suas especificidades
funcionais, ampliação do número de agentes de apoio à inclusão nas escolas, Hoje as
escolas da rede recebem as crianças, mas sem o agente de apoio a inclusão capacitado,
inviabilizando uma inclusão com dignidade;
 Materiais didáticos e pedagógicos adequados e suficientes para a demanda de alunos
com necessidades especiais (muitas vezes as escolas não recebem nem o básico para
todos os alunos como folhas de ofício, lápis, cadernos);
 Obras de infraestrutura nas escolas no que tange à acessibilidade;
 Falta de condições gerais de trabalho;
 A burocracia da SME/CEE, que torna o trabalho da escola cansativo e desgastante;
 A falta de suporte humano capacitado para atuar junto a criança inclusa;
 A baixa oferta de vagas em turmas de SR, aliado ao pouco investimento feito nos
professores que recebem esses alunos em turmas regulares;
 Ausência de diálogo entre SME e SMS, investimento para o atendimento regular
dessas crianças;
 Investimento em formação, pessoal capacitado e ofertar avaliações médicas regulares
e de qualidade aos alunos;
 Falta parceria efetiva com redes assistenciais e de saúde;

A falta de suporte humano apareceu em inúmeras respostas pois muitas vezes as


Escolas informam à Secretaria Municipal de Educação da necessidade do agente de apoio na
Escola e o tempo em que essa comunicação é feita e o profissional chega a escola é enorme, é
um processo cheio de burocracia e enquanto a Escola aguarda o profissional ser enviado é
necessário que a própria escola dê um jeito. Uma das Orientadoras citou: “Hoje as escolas da
rede recebem as crianças, mas sem o agente de apoio a inclusão capacitado, inviabilizando
uma inclusão com dignidade.

Uma das Orientadoras citou o respeito que todos devem ter ao professor e a sua
capacidade de lidar com a inclusão, nas palavras dela: “O desrespeito à individualidade do
professor desconsiderando sua capacidade de lidar com as deficiências, porque na ponta do
15

iceberg quem lida com o deficiente é o professor. ele quem fará acontecer ou não a inclusão,
seja com recursos ou na falta deles”.

Um grande problema que é vivido pela comunidade escolar quanto à matrícula do aluno
como aluno com deficiência é a questão do laudo médico. Não falo de sua matrícula na
escola, isso será feito, no entanto, para receber os apoios necessários aos quais ele tem direito
como um aluno que tem deficiência é necessário comprovar essa deficiência. E como isso é
feito: a forma mais simples ainda é apresentar um laudo médico, no entanto mesmo as
famílias mais esclarecida das tem dificuldades de conseguir um, faltam profissionais médicos,
as filas são enormes, quando a mãe consegue uma consulta nem sempre o profissional que a
atende lhe concede o laudo, muitas vezes o tratamento/acompanhamento médico que levaria a
família a conseguir o laudo é interrompido por fatores como a distância, o tempo necessário, a
falta de recursos para se deslocar até o médico, a falta de tempo do responsável que precisa
trabalhar para manter a casa.

Sem o Laudo médico, que cabe registrar não é imprescindível para designar o aluno como
pessoa com deficiência segundo Nota Técnica do MEC a Rede Municipal de Duque de Caxias
estabeleceu um protocolo, baseado na nota técnica do MEC que garante ao aluno a matrícula
como criança com deficiência, seguindo esse protocolo ele poderá vir a ter direito ao
Atendimento Educacional Especializado, ao Agente de apoio, aos materiais pedagógicos
adaptados (como lápis, folhas, carteira para cadeirante) no entanto na prática esse processo
muitas vezes é longo e por ser subjetivo nem sempre a opinião da SME e da Escola quanto ao
aluno ser incluído ou não e a necessitar de suportes ou não é a mesma. Como citou uma
Orientadora: “A burocracia da SME/CEE, que torna o trabalho da escola cansativo e
desgastante”.

Os Orientadores em sua maioria acreditam na Educação Inclusiva mas apontam que sem
os investimentos necessário ela não acontecerá da melhor forma, não acontecerá em toda a
sua plenitude e muitos serão os prejudicados ou melhor dizendo TODOS que fazem parte da
comunidade escolar estão sendo prejudicados: o aluno que tem seu dia a dia dificultado, o
professor que fica sobrecarregado, os demais alunos que não vivenciam o processo da forma
mais tranquila e humana como deveria ser, os demais profissionais e funcionários da escola
que passam a ter que dar “jeitinhos” para o cotidiano fluir o menos prejudicialmente possível,
as famílias que veem os direitos de seus filhos negados.
16

CONCLUSÃO

A Educação Inclusiva ainda tem um longo caminho a percorrer e todas as estratégias


serão necessárias para que ela aconteça de forma real e efetiva. A Legislação precisa ser
estudada, conhecida por professores, gestores, comunidade escolar e financiada de forma real
pelos Governantes. As Política Públicas devem ser pensadas e aplicadas para contribuir com a
Educação e não servir aos interesses do Capital. O debate e a conscientização sobre direitos
humanos deve ser uma constante na Escolas, não apenas em momentos estanques, em
festividades, mas no cotidiano escolar.

Deixamos aqui o registro que para a Inclusão realmente ocorrer é necessário vários
fatores, TODOS precisam ser envolvidos, conscientizados da importância desse processo, do
contrário acontece algo que infelizmente ainda é muito comum: o aluno com deficiência entra
na escola aonde é matriculado por força da legislação e não usufrui de seus direitos à plena
escolarização, é deixado num canto ou apenas o professor regente é cobrado em atender as
suas necessidades que muitas vezes são superiores a dos outros alunos seja nas questões
intelectuais (aprendizagem, linguagem, comunicação) seja nas questões físicas (troca de
fraldas, locomoção, etc.).

Além da conscientização é extremamente necessário um investimento financeiro por


parte dos governos de forma estável, contínua e grandiosa pois são muitos os recursos físicos 4
e profissionais necessários na Inclusão ou mesmo na Integração das pessoas com deficiência.
Tais como: “instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia-intérprete, bem como de monitor ou
cuidador dos estudantes com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação,
locomoção, entre outras, que exijam auxílio constante no cotidiano escolar.” (BRASIL, 2008, P. 13)

É necessário e urgente que o conceito de Escola para todos não seja apenas um Slogan,
mas que faça parte do pensamento de todos as pessoas que de uma forma ou de outra lidam
com Educação.

Precisamos contribuir para construir não apenas uma escola mais humana mais
inclusiva, mas um outro mundo possível, com inclusão, mudança de paradigmas e respeito e
valorização a diversidade humana.

4
Exemplo de recursos: lápis especiais para pessoas com baixa visão, mesas especiais para cadeirantes,
computadores adaptados, impressora para braile.
17

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Brasil. [Plano Nacional de Educação (PNE)]. Plano Nacional de Educação 2014-2024


[recurso eletrônico] : Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, que aprova o Plano Nacional
de Educação (PNE) e dá outras providências. – Brasília : Câmara dos Deputados, Edições
Câmara, 2014. 86 p. – (Série legislação ; n. 125)

BRASIL. Política Nacional de Educação Especial. Brasília: MEC/SEESP, 2008.

DAMASCENO, Políticas públicas e produção do conhecimento em educação inclusiva. In:


COSTA, V. A; CARVALHO, M. B. W. B.; MIRANDA, T. G. Formação de professores e
educação inclusiva: Experiências na escola pública. Niterói: Intertexto, & CAPES, p. 31-
52, 2011b.

Educação Inclusiva: o que Dizem os Documentos? Beatriz Branco Maia e Marian Ávila
de Lima e Dias (Universidade Federal de São Paulo), P.194-218, Olh@res, Guarulhos, v. 3,
n. 1, p. 05-06. maio, 2015.

MANTOAN, M. E. (s.d.). Integração X Inclusão: Escola (de qualidade) para Todos.


Campinas, São Paulo, Brasil. Acesso em 2018, disponível em
http://www.lite.fe.unicamp.br/papet/2003/ep403/integracao_x_inclusao.htm.

MANTOAN, M.T.E. In: FERREIRA, M. E. C. & GUIMARÃES, M. (org.). Educação


inclusiva. Rio de Janeiro, DP&A, 2003.

Ropoli, Edilene Aparecida; Mantoan, Maria Teresa Eglér; Santos, Maria Terezinha da


Consolação Teixeira dos. A educação especial na perspectiva da inclusão escolar: a escola
comum inclusiva. Brasília; Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial;
Universidade Federal do Ceará; 2010. 48 p.