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Programa Aquicultura com Sanidade

O Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo – “Aquicultura


com Sanidade” tem por finalidade garantir a sustentabilidade dos sistemas de produção de
animais aquáticos e a sanidade da matéria-prima obtida a partir dos cultivos nacionais. A
norma foi elaborada para assegurar a prevenção, o controle e a erradicação de doenças nos
sistemas de produção de animais aquáticos, contribuir para o aumento da produtividade e,
consequentemente, da oferta de pescado para o abastecimento do mercado interno e externo.
A Rede Nacional de Laboratórios da Pesca e Aquicultura (www.renaqua.gov.br) dará todo o
suporte laboratorial necessário para o diagnóstico oficial de doenças de peixes de produção,
incluindo espécies nativas, peixes ornamentais, moluscos, quelônios, répteis, anfíbios e
crustáceos.

O Programa também dispõe sobre as regras higiênico-sanitárias que devem ser adotadas
durante a despesca para que se minimize o prejuízo econômico advindo do rechaço na
indústria por contaminação ou má conservação do pescado. Desta forma, o “Aquicultura com
Sanidade” servirá ainda como ferramenta de saúde pública para fortalecer os mecanismos de
garantia de inocuidade do pescado.

O “Aquicultura com Sanidade” possibilitará uma resposta rápida ao aparecimento de surtos de


doenças, a certificação sanitária de propriedades e a regulamentação do serviço de quarentena
de animais aquáticos, dentre outras coisas. A norma servirá como base para a estruturação dos
serviços de defesa sanitária de animais aquáticos que implementam nos estados a política
pública em sanidade definida pelo MAPA.

A legislação que instituiu o Programa entrará em vigor em setembro em 2017 e é composta


pelos seguintes atos normativos:
Instrução Normativa MPA n° 04, de 04/02/15.
Portaria MPA n° 19, de 09/02/15.
Instrução Normativa MPA n° 10, de 24/09/15.
Sanidade dos Animais Aquáticos (Aquicultura com Sanidade)

Finalidade
O Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo (Aquicultura com
Sanidade) é um programa instituído pela Instrução Normativa Nº 4, de 04 de fevereiro de
2015, do extinto Ministério da Pesca e Aquicultura, para assegurar a prevenção, o controle e a
erradicação de doenças nos sistemas de produção de animais aquáticos.

Ações executadas
 Promover a sanidade dos animais aquáticos (peixes, crustáceos, anfíbios, moluscos) no
estado do Maranhão;
 Definir ações que visam à prevenção, controle e erradicação de doenças nos sistemas
de produção de animais aquáticos;
 Cadastrar os estabelecimentos que cultivam ou mantém animais aquáticos;
 Implantar e manter um sistema de vigilância ativa.

Doenças
Doenças de Notificação Obrigatória de Crustáceos (OIE)
 Doença da cabeça amarela
 Doença da cauda branca
 Doença das manchas brancas (WSD)
 Hepatopancreatite necrosante
 Mionecrose infecciosa (IMN)
 Necrose Hipodérmica e hematopoiética infecciosa (IHHN)
 Praga do caranguejo do rio (Aphanomyces astaci)
 Síndrome Taura
Doenças de Notificação Obrigatória de Peixes (OIE)
 Anemia Infecciosa do Salmão (ISA)
 Herpesvirose da carpa Koi (KHD)
 Infecção por Gyrodactilus salaris
 Iridovirose da dourada japonesa (RSIVD)
 Necrose hematopoiética epizoótica (EHN)
 Necrose hematopoiética infecciosa (IHN)
 Septicemia hemorrágica viral (VHS)
 Síndrome ulcerativa epizoótica (EUS)
 Viremia primaveril da carpa (SVC)
Doenças de Notificação Obrigatória de Anfíbios (OIE)
 Infecção por Batrachochytrium dendrobatidis
 Infecção por Ranavirus
Doenças de Interesse para aquicultura nacional sem necessidade de notificação imediata à
OIE
 Infecção por Aeromonas móveis
 Infecção por Edwardsiella ictaluri
 Infecção por Edwardsiella tarda
 Infecção por Flavobacterium columnare
 Infecção por Francisella noatunensis subsp. orientalis
 Infecção por Lactococcus garvieae
 Infecção por Photobacterium damselae subsp. Piscicidae e subsp. damselae
 Infecção por Streptococcus agalactiae
 Infecção por Streptococcus dysgalactiae
 Infecção por Streptococcus iniae
 Infecção por Vibrio sp.
 Infecção por Weissella sp.
 Detecção de Salmonella sp. em pescado
Doenças de Notificação Obrigatória de Moluscos  – OIE e Interesse para a Aquicultura
Nacional
 Infecção por Banamia exitosa
 Infecção por Banamia ostrae
 Infecção por Marteilia refringens
 Infecção por Perkinsus marinus
 Infecção por Perkinsus olseni
 Infecção por “Herpesvírus Abalone”
 Infecção por Xenohaliots californiensis
 Infecção por Herpesvirus Ostreídeo tipo I

Legislação
Legislação Animais Aquático
Legislação Internacional
 Código Sanitário para os Animais Aquáticos (http://www.oie.int/es/normas-
internacionales/codigo-acuatico/acceso-en-linea/)
 Manual de Provas de Diagnóstico para os Animais Aquáticos
(http://www.oie.int/es/normas-internacionales/manual-acuatico/acceso-en-linea/)
Aged inicia treinamento para implantação do programa Aquicultura com Sanidade

Como uma das primeiras ações do programa Aquicultura com Sanidade, a Agência Estadual
de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged) promoveu, no último dia 11, um Dia de Campo
sobre Piscicultura para capacitar profissionais do serviço veterinário estadual, na Chácara
Santo Antônio, situada em Arari.
Segundo explica a veterinária Caroline Moura, o Programa Nacional de Sanidade de Animais
Aquáticos de Cultivo, que recebeu o nome de Aquicultura com Sanidade, é uma iniciativa
criada para assegurar a prevenção, o controle e a erradicação de doenças nos sistemas de
produção de peixes, anfíbios, moluscos, crustáceos e demais invertebrados aquáticos. “A
instrução normativa do Ministério de Pesca prevê que, a partir do próximo ano, todos os
estabelecimentos que cultivam animais aquáticos devem se ajustar ao programa. Para isso,
estamos orientando nossos veterinários na área para que possam fazer o cadastramento de
propriedades e o controle de doenças”, afirma Caroline.
Nesta primeira experiência em campo, 28 técnicos da Aged e da Agência Estadual de
Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Agerp) participaram das oficinas de Análise de
água, ministrada pelo consultor do Sebrae, Cláudio Urbano, e de Técnicas de Manejo e
Sanidade, oferecida pelo instrutor do Senar, Benedito Válter. “O dia de campo serviu como
um despertar para os técnicos; um ponto de partida para que a aquicultura maranhense tenha
sanidade; que seja quebrado o mito de que pra criar peixe é preciso apenas cavar um buraco e
encher de água. Muito ainda precisa ser feito”, defendeu a veterinária.
Na próxima etapa, a Aged promoverá também um Dia de Campo para os produtores, com o
objetivo de desmistificar a Instrução Normativa Nº 04/2015 do Ministério de Pesca e
Aquicultura (MPA) e de conscientizá-los da importância das medidas. “Queremos esclarecer
sobre o programa e mostrar que a adesão ao programa vai melhorar a produção e, além de
melhorar, eles terão um produto de qualidade, que vai facilitar a comercialização em todo o
estado”, declarou o presidente da Aged, Sebastião Anchieta.

Documentos Sanitários
Dentre as medidas que entram em vigor a partir de 2017, está a obrigatoriedade da emissão de
Guia de Trânsito Animal para o transporte de pescado vivo ou resfriado em gelo, antes de
passar por um processamento. “Alguns produtores ficaram receosos de que a medida
implicasse em aumento no custo de produção, mas a arrecadação da GTA será coerente com o
produto. O principal impacto dessa medida não será no bolso do produtor, mas na garantia de
que o pescado está vindo de um local que respeita as medidas sanitárias”, esclareceu a
veterinária Caroline Moura.
Ministério da Pesca consolida legislação para sanidade aquícola

As medidas reduzirão perdas motivadas por doenças nos criatórios e garantirão o melhor
aproveitamento do pescado encaminhado a indústrias de beneficiamento. 
“Esse programa é o mais amplo e inovador já lançado pelo nosso ministério no setor de
sanidade pesqueira e coloca a aquicultura nacional em um patamar de excelência,
considerando o mercado interno e externo”, avalia o Ministro Helder Barbalho.
Segundo ele, a iniciativa permitirá que os produtores aumentem a sua renda e ofertem
produtos mais competitivos e de melhor qualidade aos consumidores.

Melhores práticas
O Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo  apresenta novidades,
como regras para a manipulação de peixes durante a despesca (retirada dos peixes dos
ambientes de cultivo). 
A iniciativa é importante para garantir que o pescado chegue em boas condições higiênico-
sanitárias às indústrias de beneficiamento, como exigem os serviços de inspeção sanitária
oficial.
“A manipulação correta desde as propriedades rurais evita perdas e aumenta a lucratividade
dos aquicultores, pelo melhor aproveitamento do pescado, ao destinarem  a produção às
etapas de processamento e comercialização”, explica Eduardo Cunha, Coordenador-Geral de
Sanidade Pesqueira do MPA. 
Outra novidade do programa são as regras de quarentena para animais aquáticos. O objetivo
do isolamento – que pode ser por prazo igual, maior ou menor do que 40 dias, conforme a
espécie envolvida - é verificar de forma preventiva doenças capazes de contaminar outros
animais. A iniciativa é necessária, por exemplo, para animais aquáticos vivos importados de
outros países. 
O programa também define regras de trânsito para os animais aquáticos, em diferentes
situações: no próprio estado de origem, entre Estados, ou quando destinados à exportação ou
importação. Os produtores são esclarecidos ainda quanto aos critérios e formas de notificação
de casos suspeitos de doença no plantel.
Nesse contexto, os testes para a obtenção do diagnóstico oficial são processados pela Rede
Nacional de Laboratórios do Ministério da Pesca e Aquicultura (Renaqua), que possui padrões
internacionais de qualidade laboratorial.
Atualmente a rede de laboratórios dispõe de recursos para a detecção imediata de pelo menos
40 tipos de doença que afetam animais aquáticos.
Entre as doenças, 28 são de notificação obrigatória, como preconizado pela Organização
Mundial da Saúde Animal (OIE). A identificação das doenças é importante para a redução dos
riscos sanitários que possam comprometer o plantel dos aquicultores. 
Descentralização
O Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo está sendo implantado
com o apoio dos órgãos executores da sanidade agropecuária dos Estados e Municípios, como
previsto no Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), do Governo
Federal. 
No caso dos animais aquáticos de cultivo, o MPA estabelece convênios com governos
estaduais e repassa recursos, de acordo com Eduardo Cunha.
Já foram estabelecidos convênios com os Estados de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais,
Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Roraima e Goiás. Em breve o MPA concluirá convênio
com o Mato Grosso do Sul.
Iniciativas complementares
Antes de lançar o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo, que
interessa a todas as cadeias produtivas da aquicultura, o MPA lançou outras medidas
complementares de sanidade pesqueira. 
Em meados de 2013 criou, por exemplo, a  Rede de Colaboração em Epidemiologia
Veterinária do Ministério da Pesca e Aquicultura (AquaEpi), responsável pelo suporte técnico
e científico para a definição e execução das políticas públicas em sanidade aquícola e
pesqueira.
Também instituiu o Programa Nacional de Controle Higiênico-Sanitário de Moluscos
Bivalves (PNCMB), com o objetivo de monitorar, controlar e combater micro-organismos
contaminantes e biotoxinas marinhas em moluscos bivalves provenientes da aquicultura
(ostras, mariscos, mexilhões e vieiras, dentre outros). 
No final de 2014, o MPA instituiu o Programa Nacional de Monitoramento de Resistência a
Antimicrobianos em Recursos Pesqueiros, com a finalidade de garantir a sustentabilidade dos
sistemas de produção de animais aquáticos e a sanidade dos recursos pesqueiros e seus
derivados obtidos a partir dos cultivos nacionais.
Outra importante iniciativa foi o Embarque Nessa, Programa Nacional de Controle Higiênico-
Sanitário de Embarcações Pesqueiras e Infraestruturas de Desembarque de Pescado.
Até 2020, todas as embarcações pesqueiras e terminais portuários de pesca no País deverão
atender às exigências sanitárias do programa. O objetivo é destinar às indústrias e aos
consumidores pescado de melhor qualidade.
Fonte:
Ministério da Pesca e Aquicultura
CFMV

CFMV manifesta-se parcialmente contrário à norma que instituiu o Programa Nacional de


Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo
26 de fevereiro de 2015 - Em dezembro de 2014, o Conselho Federal de Medicina
Veterinária (CFMV) manifestou suas considerações no sentido de ver adequada a
proposta da Instrução Normativa (IN) no 4, de 4/2/2015 do Ministério da Pesca e
Aquicultura (MPA), que instituiu o Programa Nacional de Sanidade de Animais
Aquáticos de Cultivo - “Aquicultura com Sanidade”, antes de sua publicação.
Na ocasião, o CFMV esclareceu a importância do assunto e frisou  que os Programas
Nacionais de Sanidade de Animais, tanto aquáticos, quanto terrestres, devem ser
supervisionados, orientados e coordenados sob a responsabilidade técnica exclusiva
de profissionais da Medicina Veterinária. Dessa forma, solicitou a substituição da
expressão "profissional legalmente habilitado" por "pelo médico veterinário".
"Esse entendimento é firmado no fato de ser este o profissional que detém as
qualificações e competências para atuar em todas as etapas das cadeias  produtivas,
nas suas complexidades e no domínio das várias interfaces que compõem as soluções
e a biossegurança do setor produtivo", explica o presidente do CFMV, Méd. Vet.
Benedito Fortes de Arruda.
Ao não especificar essa exclusividade no texto, a normativa abriu possibilidade para
que profissionais de outras áreas - que não possuem formação adequada sobre o tema
-, possam atuar no programa.
Tal previsão contraria as regras do Código Sanitário dos Animais Aquáticos da
Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que elabora diretrizes para o comércio
internacional seguro de animais aquáticos - anfíbios, crustáceos, peixes e moluscos - e
seus derivados, reconhecendo que somente as autoridades veterinárias dos países
importadores e exportadores têm competência para acompanhar e garantir a qualidade
do cultivo desses animais.
Além da OIE, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por
meio de portaria e Instruções Normativas relacionadas ao Programa Nacional de
Sanidade dos Animais Aquáticos, já estabeleceu que o médico veterinário é o
profissional apto legal e tecnicamente para atuar em todas as suas fases.
Apesar das ressalvas enviadas pelo CFMV ao MPA, a Instrução Normativa foi
publicada no Diário Oficial da União (DOU), no dia 9 de fevereiro deste ano, sem as
considerações feitas por este Conselho. Diante do fato, o presidente do CFMV enviou
um ofício ao secretário de Defesa Agropecuária do MAPA, no último dia 12,
solicitando manifestação acerca dos aspectos técnicos, da contrariedade às normas
também aplicadas pelo Ministério da Agricultura e, ainda, da eventual usurpação de  
suas competências.
É preocupação do CFMV que atividades privativas e/ou de competência do médico
veterinário sejam respeitadas para garantir bons serviços prestados à sociedade. "Há a
necessidade de um profissional completo com qualificação e com competência para
atuar em todas as áreas de abrangência que é o médico veterinário", esclarece Arruda.
Assessoria de Comunicação CFMV