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INTRODUÇÃO

O setor de transporte de cargas rodoviárias, apesar da grande importância para a


distribuição dos produtos para todas as regiões no país e até mesmo no exterior,
absorve mão de obra carente de formação profissional e aperfeiçoamento técnico.
Atualmente, pelas próprias exigências do mercado, as empresas estão buscando
processos de melhoria da qualidade do serviço prestado que, entre outros fatores,
dependem da especialização de seus profissionais.

Neste processo, a Arrumação de Cargas representa uma das etapas


fundamentais no contexto de racionalização e aproveitamento dos recursos
existentes, atingindo, cada vez mais, níveis satisfatórios de produtividade
empresarial. Assim, apresentamos aqui informações para o aprofundamento dos
conhecimentos quanto às necessidades de preparo do Arrumador de Cargas,
bem como para o detalhamento do desempenho técnico esperado deste
profissional.

Com relação aos problemas mais freqüentes que ocorrem durante a arrumação
das cargas, encontramos:

 Desrespeito à legislação do transporte de cargas, colocando produtos


incompatíveis na mesma carroceria ou excedendo os limites de peso, altura
ou largura da carga.
 Inobservância à simbologia de segurança das embalagens, causando avarias
nos produtos.
 Negligência quanto ao tipo de embalagem, vindo a causar danos às cargas.
Exemplo: caixa de papelão sendo prensada por outras embalagens de ferro
ou pontiagudos.
 Acidentes com o Arrumador de Cargas devido ao levantamento de peso com
postura inadequada; carregamento de cargas sem o uso de EPI –
Equipamento de Proteção Individual; descuido ao locomover-se sobre a carga
para o acerto da lona.

As características propostas para este treinamento são:

 Atividades vivenciais/práticas com objetos e cargas de sua rotina diária.


 Material de consulta com textos simples (vídeos ilustrativos, anexos).
 Maior esclarecimento sobre produtos perigosos, evitando a violação das leis
por incompatibilidade de produtos e reduzindo riscos de contaminação
durante o transporte de carga.
 Ênfase na importância do seu trabalho no contexto do transporte de cargas.

O objetivo geral deste curso é preparar o Arrumador de Cargas para o


desempenho adequado de suas funções, conforme padrões de segurança para si,
para a carga, para o veículo e para terceiros.

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 1


1 – QUALIDADE EM SERVIÇOS

A tarefa da empresa transportadora é realizar o transporte de objetos de clientes


para seus destinatários. Esta atividade implica em cuidados especiais com cada
um desses objetos.

O cliente entrega seu objeto, muitas vezes com grande valor afetivo, para um
profissional. Esse cliente tem preocupações quanto a isso, que podem ser as
seguintes: Os profissionais serem bastante capacitados, respeitando o produto
que não lhes pertence. Responsabilidade quanto aos prazos estabelecidos para a
entrega e quanto ao estado da mercadoria.

Uma das etapas mais importantes do transporte de cargas é o carregamento do


veículo, que é de responsabilidade do Arrumador de Cargas, embora o Motorista,
o Ajudante e o Conferente de cargas tenham grande parcela de envolvimento
nesta tarefa. Portanto, o Arrumador de Cargas tem um sério compromisso com o
cliente, que confiou seu pertence a este profissional.

1.1. Relações interpessoais: O ser humano vive em sociedade, ou seja, convive


com outros seres humanos, interagindo com eles. Desde o ventre materno até a
morte, os homens vivem se relacionando, aliás, sua origem é resultado do
relacionamento de duas pessoas. O contato entre os seres humanos, portanto,
deve ser o mais favorável possível, uma vez que conviverão ininterruptamente.

1.2. Trabalho em equipe: No dia-a-dia, além dos familiares, você se relaciona


com seus colegas e com os clientes na Transportadora. O trabalho em equipe é
uma constante em sua vida profissional, pois depende da ajuda das outras
pessoas que trabalham na empresa.

Para trabalhar bem, alguns aspectos são fundamentais na equipe:

 Objetivo: saber o que fazer, como fazer e para que fazer. É o objetivo que
impulsiona o grupo a agir.

 Respeito: fundamental em todo relacionamento, é o que determina limites


entre as pessoas, estabelece a compreensão e a consideração.

 Confiança: nenhum relacionamento se estrutura se não houver confiança


mútua. Confiança é saber que se pode “contar” com o outro, implica em
fidelidade.

 Compromisso: as pessoas que formam um grupo se comprometem com os


outros membros e com o objetivo. A participação de cada um é fundamental
para que o grupo cumpra a meta.

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 Organização: a atividade deve ser organizada, planejada para que todas as
pessoas possam colaborar igualmente, de acordo com as suas habilidades, e
também para que o trabalho seja agilizado e realizado sem erros.

 Cooperação: é a contribuição de cada membro, a ajuda mútua para que o


trabalho final tenha o resultado esperado. Cooperar é construir em conjunto.

 Integração: envolvimento entre os participantes, união. Para se atingir um


objetivo, as pessoas precisam estar unidas em torno dele.

 “Espírito de equipe”: sentimento de fazer parte, ser o grupo e não estar no


grupo.

 Sinergia: o resultado do grupo não é meramente a soma dos esforços


individuais: é a transformação do esforço conjunto em resultado de todos. O
resultado é do grupo: quem ganha ou quem perde é a equipe, e não um ou
outro integrante.

1.3. Definição de Qualidade

O termo Qualidade lembra sempre um produto bom, durável e de “marca”. Na


verdade, quando as pessoas procuram um determinado produto, de determinada
marca, é porque confiam na sua utilidade e, de certa forma, correspondeu à sua
necessidade anteriormente.

Moderadamente, o termo Qualidade significa atender às necessidades reais do


cliente, ou seja, fazer aquilo que o cliente quer e precisa – nada mais.

Para garantir que o produto chegará às mãos do cliente final de acordo com o que
ele quer e precisa, durante todo o processo de fabricação, esta qualidade deve
ser buscada.

1.4. Prestação de serviços: atendimento ao cliente

É fácil perceber a Qualidade quando se trata de produto, pois podemos ver,


sentir, perceber. Por exemplo, uma calça de qualidade para uma pessoa é aquela
de tamanho 44, “jeans”, ou seja, aquela que serve em uma pessoa que usa
tamanho 44. Não adianta oferecer uma calça de linho importado, tamanho 40, que
não será de qualidade, pois não atende às necessidades daquela pessoa.

Quando se trata de Prestação de Serviços, a qualidade fica difícil de ser


percebida porque não é palpável. Ela fica restrita ao atendimento oferecido: se
bom, a qualidade é favorável; se não, a qualidade é inexistente.

Qualidade na Prestação de Serviços significa atender o cliente no que ele


necessita, no tempo exato, com informações precisas.

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O Cliente não é só o Entregador, são também o Arrumador, a Chefia, o Ajudante
– todas as pessoas envolvidas na operação para que esta aconteça
corretamente, tendo em vista a satisfação do cliente final.

O pessoal da Transportadora não sabe qual é a necessidade do Cliente que


aguarda aquela mercadoria, só sabe que existe uma necessidade que precisa ser
correspondida. Já com o cliente interno (a próxima pessoa da área de trabalho
que depende do serviço correto do Arrumador), essas necessidades são mais
conhecidas, ou seja, o Arrumador precisa informar ao seu Cliente/Ajudante qual a
mercadoria que deverá ser transportada, ou ao seu Cliente/Chefe que o veículo já
foi liberado para a saída com as mercadorias, etc.

1.5. Habilidades e comportamento para o bom atendimento

Todos os fatores que envolvem a situação de atendimento (informações corretas,


presteza no atendimento, atenção com o cliente, etc.), garantindo que este
atendimento de fato ocorra, é que gerarão a qualidade dos serviços prestados
pela Transportadora.

Algumas características fundamentais que constituem um bom atendimento:

 Rapidez: não deixar o cliente esperando. Se o atendimento for demorar,


avise-o.
 Educação: primordial na relação entre as pessoas.
 Cortesia: ser gentil, não usar palavras bruscas ou agressivas.
 Comunicação: manter diálogo, saber “ouvir”, manter postura adequada e
cuidar da aparência pessoal.

1.6. Reflexos do bom atendimento

O transporte tem a missão de cumprir o seu compromisso de “levar e trazer” as


mercadorias de um lugar para outro, garantindo a entrega com segurança. Se o
atendimento não corresponder às expectativas, causará frustração e até prejuízos
financeiros para o Cliente. A insatisfação com mau atendimento é visivelmente
percebida nos comentários de quem foi vítima de um mau fornecedor/prestador
de serviços.

Quando o atendimento fica aquém das expectativas, o indivíduo comenta com


muito mais pessoas do que se o atendimento corresponde às suas necessidades.

O mundo moderno é movido pela competência – só permanecerá no mercado


aquele que mantiver uma imagem positiva, decorrente do bom atendimento. As
pessoas só indicam e recomendam produtos ou locais de prestação de serviços
se sua referência for positiva.

Garantindo o bom atendimento, a Empresa mantém seus clientes e adquire


outros mais; ampliando seus serviços, poderá gerar mais empregos e
proporcionar melhores condições de trabalho aos seus empregados.

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Todos ganham com o bom atendimento: o Cliente fica satisfeito, a Transportadora
firma uma imagem boa no mercado e os empregados ficam mais seguros.

2 – O VEÍCULO

O veículo que realiza o transporte de cargas é o caminhão. É, portanto, um


equipamento de trabalho do Arrumador de Cargas. Embora execute seu trabalho
na carroceria do caminhão, o Arrumador de Cargas precisa conhecer as
características do veículo e sua capacidade.

Partes do caminhão:

 Cabine: é o posto do motorista e onde se encontram os instrumentos de


comando do painel.
 Carroceria: local utilizado para o acondicionamento da carga.
 Chassi: base onde é estruturado o veículo.
 Eixo dianteiro: é o componente que suporta o peso do veículo, além de
responsável pela geometria de direção.
 Eixo traseiro: é o componente que suporta o peso do veículo, além de
responsável por tracioná-lo.

2.1 – Tipos de veículos

O Arrumador de Cargas deve conhecer os tipos de veículos, pois esta


diferenciação faz variar a capacidade de carga de cada modelo.

 Caminhão ¾
 Toco: possui dois eixos de apoio, sendo um eixo dianteiro e um eixo traseiro.
O eixo traseiro pode ser de rodagem simples (dois pneus por eixo) ou de
rodagem dupla (quatro pneus por eixo).
 Truck: possui três eixos de apoio, sendo um eixo dianteiro e dois traseiros,
sempre com rodagem dupla. A tração é no primeiro eixo traseiro.
 Romeu e Julieta: é um veículo Toco ou Truck com mais de uma carroceria
atrelada, através de engate. Permite várias combinações.
 Carreta: é um conjunto articulado de cavalo mecânico e semi-reboque.
 Cavalo mecânico: é um conjunto composto por um cavalo mecânico, onde
ficam o motor e a cabine, e a carreta propriamente dita, que recebe a carga.
Há uma variedade de combinações quanto ao número de eixos.
 Treminhão: são duas carretas acopladas uma à outra, puxadas por um
mesmo cavalo mecânico.

2.2 – Capacidade de transporte de carga

Os diversos modelos de caminhões têm capacidade de carregamento diferentes,


conforme o número de eixos:

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 Caminhão ¾: tem capacidade para transportar até 3 toneladas.
 Toco: tem capacidade para transportar de 4 a 6 toneladas de carga útil,
conforme o modelo do veículo.
 Truck: tem capacidade para transportar de 10 a 14 toneladas de carga útil,
conforme o modelo do veículo.
 Treminhão: tem capacidade para transportar até 49 t nos 32 m de
comprimento.
 Carreta:
Peso bruto total Carga
útil
25 t 10 a 14 t
32 t 18 a 20 t
40 t 25 t
39 t 25 t
45 t 25 t
* máximo permitido na carreta

2.3 – Carrocerias

Os veículos podem utilizar carrocerias abertas ou fechadas para o transporte de


cargas, de acordo com o tipo de produto a ser transportado. Exemplo: uma
transportadora tem um cliente que envia televisores; se esta transportadora não
trabalhar com carrocerias fechadas, provavelmente perderá o cliente.

2.3.1 – Carrocerias abertas:

Servem para transportas carga seca a granel, ou carga seca e líquida embalada.
Tipos de carrocerias abertas:

 comum: transporta vários tipos de produtos;


 caçamba basculante: normalmente utilizada no transporte de produtos a
granel;
 plataforma ou prancha: utilizada no transporte de produtos grandes e de
difícil locomoção para o interior da carroceria;
 graneleira: utilizada para o transporte de cereais a granel;
 gaiola: utilizada para o transporte de animais vivos.

2.3.2 – Carrocerias fechadas:

Também conhecidas como Furgão ou Baú. Os tipos de carrocerias fechadas são:

 baú comum: utilizada para qualquer tipo de produto que possa ser
transportado em ambiente fechado;

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 frigorificada: utilizada para o transporte de cargas perecíveis. Possui um
freezer para manter a temperatura adequada à conservação dos produtos.
Também é chamada de Câmara Fria;
 barriguda: esta carroceria é rebaixada, com maior capacidade de carga;
 sider (baú enlonado): carroceria com estrutura em aço ou alumínio, sendo a
parte dianteira e traseira nesse mesmo material (traseira: fixa ou com portas).
As laterais e tetos são de lona. Esta carroceria é apropriada para o transporte
de carga paletizada.

2.3.3 – Outros tipos de carrocerias:

 cegonha: utilizada para o transporte de veículos;


 tanque: utilizada para o transporte de produtos em pó ou líquidos a granel.

2.4 – Carga

Carga é todo produto/mercadoria a ser transportada, quaisquer que sejam suas


características. Podem ser apresentadas embaladas ou ser qualquer tipo de
embalagem. Podem ser:

 Frágeis: cargas que não resistem a choques ou pancadas bruscas.


 Perecíveis: cargas que se deterioram se não forem conservadas em
condições adequadas (ex. - alimentos, vacinas, etc).
 Não limpas: cargas que, por sua composição, sujam a carroceria e as outras
cargas, até mesmo as pessoas que as carregam (ex. - carvão, lenha).
 Volumosas: ex. - isopor, algodão.
 Valiosas: ex. - ouro.
 Vivas: ex. - frangos, bois.

2.5 – Embalagem

Embalagem é o que envolve as mercadorias, protegendo-as durante o transporte,


garantindo suas qualidades iniciais até o consumidor final.

Para cada mercadoria há um tipo de embalagem mais apropriada:

Embalagem: Apropriada para: Exemplos:


Produtos leves ou sensíveis e Aparelhos eletroeletrônicos,
Caixa de papelão
pequenos frascos. alimentos.
Caixa de madeira Produtos pesados. Ferramentas, maquinário.
Produtos de formas irregulares, que Verduras, peças para
Engradado
necessitam de proteção. automóveis.
Sacos (papel,
Produtos em pó ou pequenos grãos. Cimento, feijão, arroz.
plástico ou tecido)
Acondicionar determinados
Fardos Algodão, tecidos.
produtos em menor espaço.

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Embalagem: Apropriada para: Exemplos:
Produtos difíceis de serem
Feixes Vassouras, tubos plásticos.
embalados.
Tambores Produtos líquidos ou pastosos. Azeite, óleo diesel.
Produtos líquidos ou em pó,
Bombonas Detergentes, alvejantes.
principalmente corrosivos.
Latas Produtos líquidos ou pastosos. Tintas, óleos comestíveis.
Barricas Produtos líquidos. Bebidas, alimentos.
Tamboretes Produtos líquidos ou em pó. Sabão em pó, pó para suco.
Produtos em folhas inteiras, que
Bobinas não podem ser dobrados ou Papel, chapas, plástico.
amassados.
Produtos que são transportados
Carretéis enrolados, que não podem ser Mangueiras, fios, arames.
dobrados ou amassados.
Gases, transportados em condições
Cilindro Oxigênio.
especiais.
Gases, transportados em condições Gás liquefeito de petróleo (o
Botijão
especiais. gás de cozinha).

2.5.2 – Símbolos de segurança das embalagens:

As embalagens requerem cuidados especiais no transporte, conforme suas


características. Mas, muitas vezes, dentro da embalagem está um produto que
requer maiores cuidados ou posicionamento determinado no carregamento e
descarregamento. Para garantir que as pessoas que locomovem estes produtos
não causem avarias nos mesmos, há indicações no exterior das embalagens,
chamadas “símbolos de segurança das embalagens”. Estes símbolos são
reconhecidos pela ONU, portanto são universais.

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3 – CRITÉRIOS DE ARMAZENAMENTO

Arrumar a carga numa carroceria não é simplesmente empilhar as caixas, latas,


etc., no veículo. Uma boa arrumação de carga é aquela na qual o maior número
de mercadorias é colocada na carroceria do veículo, sem desprezar a legislação
ou as regras de segurança.

O Arrumador de Cargas precisa ser um profissional muito responsável e


habilidoso, pois a má organização da carga pode reverter em danos nas
mercadorias. Esses danos, se constatado que foram ocasionados por negligência
da transportadora, pelo intermédio de seus empregados, não serão ressarcidos
pela empresa seguradora.

Atento a isso, o Arrumador de Cargas deve estar sempre atento e preocupado


com a capacidade do veículo e a segurança.

3.1. PROCEDIMENTOS ANTES DO CARREGAMENTO

O Encarregado/Supervisor do Armazém define qual é o veículo a ser carregado. A


partir daí, o Arrumador de Cargas inicia seu trabalho. Há alguns procedimentos de
segurança que antecedem o carregamento das cargas:

3.1.1. A verificação do veículo : O responsável pelo veículo é o motorista. No


entanto, alguns itens o Arrumador de Cargas observa, visando melhor andamento
do trabalho.

3.1.2. O posicionamento do veículo no armazém: O veículo deve estar bem


encostado na plataforma ou local do carregamento, sem grandes vãos entre as
partes, o que poderia causar acidentes com as pessoas e avarias às cargas.
Quando houver desníveis entre a carroceria e a plataforma, nivelar com a rampa
niveladora ou uma placa de ferro ou aço que reduza este desnível.

3.1.3. Condições da carroceria: O Arrumador de Cargas observa se há sujeira


na carroceria, o que justificaria a limpeza da mesma pelo ajudante. Além da
sujeira, é importante observar se há madeira lascada, pregos sobressaindo, etc.
Nestes casos, não sendo possível consertar, avisar as pessoas envolvidas no
carregamento para evitar avarias em embalagens mais frágeis. Os vãos ou
irregularidades no assoalho devem ser forrados.

Os furos que ocasionalmente existam no assoalho da carroceria também devem


ser forrados, cobertos com plásticos, principalmente se estiverem próximos aos
pneus, onde o volume de água é sempre maior. Se a carroceria for do tipo
fechada e apresentar furos no teto, informar o Encarregado/Supervisor, a fim de

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ser autorizado a efetuar o carregamento neste veículo, tomando o cuidado de
forrar após carregar a carga.

3.1.4. Acessórios de carga: Durante o carregamento e para finalizar o mesmo, o


Arrumador de Cargas utiliza os acessórios de carga que, para não ocasionar
perda de tempo, devem estar disponíveis e próximos do veículo durante o
trabalho.

O motorista deve ter em seu veículo lona/encerado, cordas, travas de carroceria e


plástico para pré-forração. As cantoneiras e travas de cantoneira devem ser
fornecidas pela empresa, se o motorista não possuir, caso seja caminhão aberto.

Constatando-se a existência destes acessórios, torna-se importante verificar o


estado geral dos mesmos. Estes acessórios visam à segurança e proteção
durante a viagem.

a. Travas de carroceria – são correntes ou cordas resistentes que atravessam


a carroceria lateralmente, mantendo a firmeza destas laterais. Isto evita que o
deslocamento da carga pelo movimento do veículo cause danos à carroceria
e ao próprio carregamento. Há, também, travas de ferro da dianteira da
carroceria para a grade lateral, dando maior firmeza em carrocerias abertas.

b. Cordas – As cordas são utilizadas para a fixação das cantoneiras, para


travamento de carrocerias, para firmar cargas irregulares, para amarração
interna e para amarração dos encerados. A corda deve ser preparada: feitos
os laços tipo corrente, para não embaraçar.

c. Cantoneiras e travas de cantoneiras – As cantoneiras e as travas de


cantoneiras são acessórios utilizados para reforçar as quinas superiores do
carregamento, dando maior firmeza e segurança à carga, e protegendo as
embalagens ao se efetuar a amarração. As cantoneiras e as travas de
cantoneiras merecem observação detalhada, a fim de localizar eventuais
pregos ou lascas na madeira que, o tocarem na carga, causem avarias à
embalagem ou ao produto, além de estragarem o encerado.

d. Plásticos para a pré-forração – Os plásticos são usados sob a lona,


auxiliando na proteção da carga contra a infiltração de água. Em carrocerias
fechadas, o plástico para pré-forração é colocado para evitar o contato da
carga com água infiltrada por furos de teto.

e. Lonas e encerados para forração – Estes acessórios protegem a carga das


ações do tempo (chuva e sol).

▪ As lonas são fabricadas em material sintético, portanto impermeáveis.

▪ Os encerados, por serem fabricados em algodão, são mais indicados


para cargas secas, cargas altas (quando não tem lona adequada) ou
cargas que precisam receber alguma ventilação.

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3.1.5. Verificação do local: Visando a ações mais seguras para o transporte das
mercadorias durante o carregamento, o Arrumador deve preocupar-se com as
condições da plataforma e com o trajeto a ser realizado com a carga pelo
armazém.

a. Plataforma – a regularidade do piso da plataforma reduz os riscos de


tropeços e escorregões ao carregar a carga, bem como facilitar o domínio dos
carrinhos durante a movimentação dos mesmos.

b. Trajeto a ser realizado com a carga pelo armazém – muitas vezes, a carga
não está próxima do local em que o carregamento será efetuado. Cabe ao
Arrumador de Cargas percorrer o trajeto que será feito pela carga até o
veículo, verificando se está desimpedido, se há irregularidades ou pontos
escorregadios no piso, se há obstáculos no percurso da carga ao veículo.

3.2. IDENTIFICAÇÃO DA CARGA

A fim de organizar-se para o início do carregamento, o Arrumador de Cargas


verifica:

- Peso total da carga em relação à capacidade do veículo;


- Tipos de cargas: compatibilidade dos conteúdos;
- Tipos de embalagens;
- Praça para onde os produtos serão enviados.

Estas informações ele colhe com o Conferente de Cargas e numa rápida vistoria
das mercadorias do armazém.

Qualquer dúvida, o Arrumador de Cargas deve dirigir-se ao Conferente de Cargas


ou ao Encarregado/Supervisor do armazém.

Na identificação da carga é feita a classificação de quais delas são mercadorias


mais adequadas para lastro, lateral, miolo e cumeeira, de maneira a obter o
melhor aproveitamento da carroceria e firmeza da carga no veículo.

Não é necessário separar as cargas conforme a classificação de lastro, lateral,


miolo e cumeeira antes do carregamento. O importante é sua identificação para a
correta seqüência de entrada da carga na carroceria.

3.2.1. Lastro: São as cargas depositadas no assoalho da carroceria, servindo


como base para a firmeza do carregamento. As cargas utilizadas como lastro não
precisam, necessariamente, serem pesadas, mas devem ser bastante resistentes,
para suportar peso sem sofrer avarias.

3.2.2. Lateral: São as cargas colocadas nas laterais da carroceria. As


embalagens regulares e altas são as melhores cargas para a formação da lateral,

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uma vez que sua finalidade é a simulação de uma parede que proteja as cargas
frágeis (miolo), além de favorecer um melhor acabamento da arrumação.

3.2.3. Miolo: São as cargas depositadas no centro da carroceria. As cargas


utilizadas como miolo são embalagens menores, irregulares, mais leves e frágeis.
São cargas que nas extremidades da carroceria não proporcionariam um
acabamento regular.

3.2.4. Cumeeira: A cumeeira é a saliência no centro do carregamento, desde a


dianteira até a traseira, sobre as cargas. Isto é feito para evitar o empoçamento
de água sobre a lona/encerado que protege a carga. Para a cumeeira, os tipos de
cargas mais adequados são as leves, tipo rolo, como tecidos, por exemplo.

3.3. ARRUMAÇÃO DA CARGA NA CARROCERIA

Muitas embalagens têm condições de receber outras embalagens sobre si, do


mesmo tipo ou não, mas às vezes não podem recebê-las diretamente (ex.: lata
sobre lata de diferente tamanho). Nestes casos, usa-se o chamado “lastro de
madeirite” (pedaço de eucatex ou papelão resistente) para a formação do
segundo piso da arrumação. A madeirite também é usada para nivelar a
arrumação e aproveitar melhor o espaço.

Há embalagens que dispensam a madeirite, desde que as mercadorias estejam


completamente equilibradas e sejam resistentes a este posicionamento.

Ao se formar a lateral da arrumação, a altura das cargas deve ser a mesma por
toda a extensão da carroceria, senão corre-se o risco da cantoneira reter as
caixas mais altas mas não as menores. No primeiro deslocamento que a
carroceria proporcionar à carga, as caixas menores cairão. Esta irregularidade na
altura da lateral da arrumação pode, também, causar o envergamento e até
mesmo quebra das cantoneiras.

Para a resistência da carga na carroceria, é importante que seja feito o


entrelaçamento das cargas da lateral. Sem ele, há grande risco de queda da
arrumação.

O Arrumador de Cargas precisa estar atento ao prumo da lateral: nem recuado,


nem saliente. Quando um carregamento é baixo, não necessita de cargas
formando a lateral, a própria grade da carroceria dá firmeza ao carregamento.

Esta etapa requer muita paciência. Muitas vezes fazer e refazer algumas partes é
que leva a um resultado seguro. Após concluída a lateral, ou parte dela, é que se
preenche o miolo da carroceria.

As cargas líquidas devem ser envelopadas, ou seja, envolvidas com plásticos e,


preferencialmente, arrumadas do eixo traseiro para a frente da carroceria.

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Quando o arrumador está fazendo uma carga que não é toda destinada à mesma
praça, deve tomar o cuidado de arrumar as cargas na ordem em que serão
descarregadas, sem desconsiderar todos os cuidados da arrumação.

3.3.1. Forração e amarração da carga : Pouco adiantaria uma carga


excepcionalmente bem arrumada na carroceria, mas possível de ser afetada
pelos efeitos do tempo (sol, chuva), danificando todas as mercadorias, ou grande
parte delas.

Para assegurar as características originais dos produtos, a carga, após arrumada,


deve ser corretamente forrada e amarrada, inclusive nas carrocerias fechadas, se
necessário. Além da questão dos efeitos climáticos, a boa amarração impede que
sejam tiradas mercadorias do carregamento.

3.3.2. Pré-forração da carga: A pré-forração só deve ser feita na carroceria


fechada para evitar o contato da carga com água infiltrada por furos no teto.

Para as carrocerias abertas, o uso da pré-forração ocorre quando há necessidade


de maior proteção contra a infiltração de água pela característica da carga (tipos
de embalagens, produtos, etc.), principalmente quando a forração for feita com
encerado que, por ser de algodão, não é totalmente impermeável.

A pré-forração é feita colocando-se o plástico ou lona sobre a carga, antes de


arrumar a cumeeira. Se o plástico for colocado sobre a cumeeira, ao ser feita a
amarração, ele poderá rasgar. Após colocar o plástico, arrumar a cumeeira para
concluir a arrumação da carga.

3.3.3. Fixação de cantoneiras: As cantoneiras são fixadas nas quinas


superiores da carga arrumada, nas laterais da carroceria.

Como sua finalidade é deixar a carga sobre a carroceria e proteger as


embalagens, elas devem ser colocadas com cuidado. O Arrumador de Cargas
ajeita as embalagens da extremidade para que todas sejam atingidas e fixadas
pela cantoneira.

Para facilitar a firmeza da amarração, pode-se utilizar as travas de cantoneiras.


Elas são apoiadas verticalmente entre s cantoneiras e a grade da carroceria.

3.3.4. Amarração das cantoneiras: A amarração das cantoneiras é uma etapa


de grande importância na fixação da carga sobre a carroceria.

Para esta amarração, as cordas serão passadas algumas vezes de um lado a


outro da carroceria, sobre a carga, porém não sobre a cumeeira (como são
cargas leves, o próprio encerado as manterá fixas).

A primeira amarração deve ser feita no meio, evitando a queda da cantoneira. Na


carroceria, há ganchos por onde as cordas devem passar e serem fixadas com o
nó carioca.

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Nó carioca – ao efetuar o nó, fazê-lo no sentido em que o resto da corda fique
para o lado em que a amarração vai continuar.
3.3.5. Forração final da carga:

a. Encerado

Antes de iniciar a forração final, deve-se cobrir a cumeeira com plástico. O


Arrumador de Cargas deve conferir se o encerado está dobrado corretamente.
Quando for só um encerado, colocá-lo da frente para trás, por um Arrumador de
Cargas que permanece sobre a carga. O desdobramento inicia-se no sentido do
comprimento da carroceria, e logo após no sentido lateral. Este Arrumador,
auxiliado pelos Ajudantes, deve acertar a medida do encerado nas laterais,
dianteira e traseira, para que toda a carga seja protegida.

Na dianteira, o encerado deve cobrir a grade da carroceria (gigante), as laterais e


a traseira devem estar a aproximadamente 20 cm acima do assoalho da
carroceria. Estas medidas proporcionam uma forração adequada.

Para possibilitar um bom acabamento, quando o encerado for muito largo, deverá
a parte excedente ser dobrada para baixo do próprio encerado, como uma prega,
próximo às cantoneiras, deixando livre a medida adequada.

Se a carroceria for longa, e um só encerado não cobre todo o carregamento, o


primeiro encerado a ser colocado deve ser o traseiro. O encerado da traseira
deve ser enrolado no encontro com o outro (charuto), para evitar a entrada de
água. O dianteiro estando sobre o traseiro evita o desprendimento do encerado
pela pressão do ar durante a viagem.

O Arrumador de Cargas deve pisar de forma firme e segura sobre as cargas, a fim
de manter-se equilibrado, sem esquecer, no entanto, que muitas embalagens são
frágeis.

Envelope – para que o encerado não se solte, tanto na traseira quanto na


dianteira, deve-se fazer a finalização tipo envelope, que consiste em arrematar as
pontas, dobrando-as para baixo do próprio encerado, não deixando nenhuma
parte solta.

b. Lona

A lona tem o tamanho determinado para o tipo de carroceria que vai cobrir. São
colocadas sobre a carga e presas ao gancho da carroceria por tiras de borracha
da própria lona. Por serem fabricadas em material sintético, as lonas não devem
ser amarradas por cordas, que as danificam. Geralmente, a lona cobre
carrocerias que possuem arcos, pois ficam melhor estendidas.

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 14


3.3.6. Amarração da carga: Com uma amarração bem feita, assegura-se a
firmeza das mercadorias transportadas na carroceria, além de possibilitar
segurança contra possíveis furtos de carga, por falhas do enlonamento.

3.4. DESCARREGAMENTO DA CARGA

Se houver produtos frágeis que não podem ser pisados, o Arrumador de Cargas
que arrumou a carga deve avisar ao motorista do caminhão, para que este avise
aos responsáveis pelo descarregamento, evitando avarias nos produtos que vão
descarregar, durante o desenlonamento.

3.4.1. Retirada e armazenamento das mercadorias : As mercadorias


descarregadas passarão por inspeção do Conferente de Cargas, portanto
deverão ser colocadas em local definido por ele. Todos os cuidados de
movimentação de carga devem ser tomados.

Qualquer avaria no descarregamento implicará em prejuízos. Para as cargas


pesadas, usar os equipamentos (carrinho, etc.).Os tambores, por exemplo, devem
ser descarregados em plataformas situadas no mesmo nível. Não existindo essa
plataforma, usar empilhadeira ou rampa inclinada de madeira, seguramente firme
à carroceria.

Nesta rampa, os tambores deslizam transversalmente com auxílio de corda.Os


tambores, ou qualquer outra carga, nunca deverão der derrubados da carroceria
sobre pneus ou outra superfície que cause impacto na embalagem.

3.4.2. Arrumação da carga em paletes : A arrumação da carga em paletes


representa racionalização e modernização do sistema de transporte. Com esta
prática, ganha-se no tempo de carga e descarga, principalmente nas entregas
urbanas, em meio ao trânsito.
O número de paletes empilhados depende do:

- peso do produto;
- número de camadas em cada palete;
- tipo de embalagem;
- tipo de equipamento de movimentação disponível para a locomoção dos
paletes.

A arrumação da carga no palete deve obedecer às dimensões do mesmo.


Qualquer excesso lateral significa riscos para a carga, tais como:

- atritos da carga com paredes, ao ser movimentada;


- rompimento da embalagem ao ser pressionada na quina do palete.

Para assegurar a estabilidade da carga, as embalagens devem ser arrumadas


entrelaçadas.

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 15


A arrumação da carga em paletes deve seguir os mesmos procedimentos da
arrumação em carrocerias, no que se refere à compatibilidade de produtos e
cuidados com os tipos de embalagens.

4 – PRODUTOS E CARGAS PERIGOSAS

4.1. DEFINIÇÕES

a. Produto perigoso é toda e qualquer substância que, dadas as suas


características físicas e químicas, possa oferecer risco à saúde, à
propriedade e/ou segurança pública e ao meio ambiente.

b. Carga perigosa é todo e qualquer produto, não necessariamente perigoso,


que ofereça, quando em transporte, risco à saúde, à propriedade e/ou
segurança pública e ao meio ambiente.

c. Exemplos:
▪ Álcool – é um produto perigoso e uma carga perigosa, pois onde quer
que esteja, oferece perigo;
▪ Pneu – não é um produto perigoso, mas é uma carga perigosa, porque
em transporte pode causar acidente se não for bem colocado no veículo.

Portanto – um produto perigoso é sempre uma carga perigosa, mas nem sempre
uma carga perigosa é formada por produtos perigosos.

Existem quase 2100 produtos considerados perigosos, na sua maioria


combustíveis, como álcool, gasolina, querosene, e produtos corrosivos, como
soda cáustica e ácido sulfúrico.

Produtos perigosos Cargas perigosas


Metanol Vidro
Projéteis (munição para armas) Turbina de 100 toneladas
Granadas (para o exército) Varetas de aço/ferro pontiagudas
Tinta Bobinas de papel
Pesticidas Toras de madeira

4.2. LEGISLAÇÃO DO TRANSPORTE DE PRODUTOS E CARGAS


PERIGOSAS

No Brasil, o transporte de produtos perigosos está regulamentado desde 1983


através do Decreto nº 88.821, de 06 de outubro, posteriormente revidado e
reeditado com o nº 96.044, em 18 de maio de 1988.

No âmbito do Município, existe a Lei Orgânica promulgada em 04 de abril de


1990, que estabelece, segundo o Artigo 179, que ao Município compete
organizar, prover, controlar e fiscalizar o serviço de transporte de cargas dentro
do seu território, especialmente sobre descargas e transbordo de cargas de peso

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 16


e periculosidade consideráveis, fixando em leis as condições para circulação das
mesmas nas vias urbanas.

Durante a operação de carga, transporte, descarga, transbordo, limpeza e


descontaminação, os veículos e equipamentos utilizados no transporte de produto
perigoso deverão portar os rótulos de risco e painéis de segurança específicos.

4.3. SISTEMA DE IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS

Os produtos perigosos estão agrupados em nove classes e codificados segundo


uma numeração internacional da ONU (Organização das Nações Unidas).

O sistema de identificação de riscos é constituído pela sinalização da unidade de


transporte (Rótulo de Risco e Painel de Segurança) e pela rotulagem das
embalagens e unidades de acondicionamento.

4.3.1. Rótulo de risco: Inscrição que apresenta símbolos e/ou expressões


emolduradas referentes à natureza, manuseio ou identificação do produto. Deve
ser afixado no veículo, basicamente em três posições diferentes: em cada um dos
lados e atrás.

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 17


4.3.2. Painel de segurança: Retângulo de cor laranja, indicativo de transporte
rodoviário de produtos perigosos. Comporta, conforme o caso, número de
identificação do produto (nº da ONU) e de risco, de acordo com a NBR 8286.
Quanto à apresentação da numeração:

a. Parte superior: aparecem até três algarismos e é destinada ao número de


identificação de risco. E, se necessário, a letra “X”, colocada antes do
número, significando ser expressamente proibido o uso de água no produto
em transporte. O número de identificação permite determinar o risco principal
e os riscos subsidiários do produto. A duplicação ou triplicação dos
algarismos significa maior intensificação de risco. Na ausência de risco
subsidiário, o número zero deverá ser colocado. Por exemplo: 30 –
Inflamável; 33 – Muito inflamável; 333 – Altamente inflamável.

b. Parte inferior: são quatro algarismos que correspondem ao número de


identificação do produto classificado pela ONU.

Tabelas de significação dos algarismos

Primeiro algarismo
N° Significado
1 Explosivos.
2 Gases comprimidos, liquefeitos, dissolvidos e refrigerados.
3 Líquidos inflamáveis.
4 Sólidos inflamáveis – substâncias sujeitas a combustão espontânea.
5 Substâncias oxidantes – peróxidos orgânicos.
6 Substâncias tóxicas.
7 Substâncias radioativas.
8 Corrosivos.
9 Miscelâneas e substâncias perigosas diversas.
Segundo algarismo
N° Significado
0 Ausência de risco.
1 Explosivos.
2 Emana gases.
3 Inflamáveis.
4 Fundido.
5 Oxidante.
6 Tóxicos.
7 Radioativos.
8 Corrosivos.
9 Perigo de reações violentas resultantes da decomposição espontânea ou de polimerização.

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 18


Todos os veículos transportadores do produto devem ser dotados de Rótulos de
Risco e Painéis de Segurança. O Painel de Segurança deve ser colocado do lado
esquerdo do Rótulo de Risco. Quando o veículo apresenta apenas o Painel de
Segurança, sem qualquer inscrição, significa que está transportando diversos
produtos perigosos.

4.4. ACONDICIONAMENTO E COMPATIBILIDADE DA CARGA

O expedidor é responsável pelo acondicionamento adequado da carga, de forma


a suportar os riscos de carregamento, transporte, descarregamento e transbordo,
conforme especificações do fabricante. As embalagens externas dos produtos
deverão estar rotuladas, etiquetadas e marcadas conforme a correspondente
classificação e o tipo de risco.

Não é permitido transportar juntos produtos incompatíveis. Entende-se por


produtos incompatíveis aqueles que em contato acidental (causado por
vazamento, ruptura de embalagem ou outra causa qualquer) se alteram,
oferecendo risco potencial de explosão, desprendimento de chamas ou calor,
formação de gases, vapores compostos ou misturas perigosas, bem como
alterações das características físicas ou químicas originais de qualquer um dos
produtos transportados.

Por exemplo: transportar perfume com pesticida, pois ocorre a alteração das
características químicas (impregnação do odor de um ao outro); tecido com óleo
de cozinha pode causar manchas de gordura no primeiro; tinta com potes
destinados a produtos alimentícios pode ocorrer contaminação; bobina de papel
com ácido pela deformação do primeiro; projéteis com algodão pode ocorrer
incêndio; sabão com frutas pode ocorrer impregnação química na fruta,
provocando alteração no sabor.

É proibido o transporte de produto perigoso juntamente com: animais vivos,


alimentos ou medicamentos destinados ao consumo humano ou animal, ou com
embalagens de produtos destinados a esses fins. Também é proibido reaproveitar
os tanques de carga destinados ao transporte de produtos perigosos para
transportar produtos de uso humano ou animal.

4.5. FICHA DE EMERGÊNCIA E ENVELOPE PARA O TRANSPORTE

Documento emitidos pelo expedidor, preenchidos de acordo com as instruções


fornecidas pelo fabricante ou importador do produto transportado, contendo:
orientação do fabricante do produto quanto ao que deve ser feito e como fazer em
caso de emergência, acidente ou avaria, e telefone de emergência da Corporação
dos Bombeiros e dos órgãos de Policiamento de Trânsito, da Defesa Civil e do
Meio Ambiente existentes ao longo do itinerário.

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 19


FICHA DE EMERGÊNCIA

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 20


ENVELOPE PARA O TRANSPORTE

4.6. RESPONSABILIDADE DO PESSOAL ENVOLVIDO NA OPERAÇÃO DE


TRANSPORTE

O Expedidor e o Transportador são responsáveis por imprudência, imperícia ou


negligência no trato com os produtos perigosos.

Todo o pessoal envolvido nas operações de carregamento, descarregamento e


transbordo de produto perigoso deverá usar roupas e equipamentos de proteção
individual conforme normas e instruções do Ministério do Trabalho.

Arrumador/ajudante de cargas: participa das operações de carregamento,


descarregamento e transbordo do produto, após as devidas orientações, devendo
segui-las.

Condutor: responsável pela guarda, conservação e bom uso dos equipamentos e


acessórios de veículo, inclusive os exigidos em função da natureza específica dos
produtos transportados.

Conferente: responsável pela conferência da documentação da carga – Nota


fiscal, Conhecimento de transporte, Manifesto, Ficha de emergência e Envelope
para o transporte. É ele, também, o responsável pelo acondicionamento

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 21


compatível dos produtos perigosos, uma vez que detém as informações através
da documentação

5 – LEI DA BALANÇA

A Resolução nº 12/98, do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), estabelece os


limites de peso e dimensões para veículos que transitem por vias terrestres.

5.1. DIMENSÕES E LIMITES

5.1.1. Dimensões: As dimensões autorizadas para veículos, com ou sem carga,


são as seguintes:

 largura máxima: 2,60m;


 altura máxima: 4,40m;
 comprimento total:
- veículos simples: 14,00m;
- veículos articulados: 18,15m;
- veículos com reboque: 19,80m.

5.1.2. Limites: Os limites para o comprimento do balanço traseiro de veículos


de transporte de passageiros e de cargas são os seguintes:

 nos veículos simples de transporte de carga, até 60% (sessenta


por cento) da distância entre os dois eixos, não podendo exceder a
3,50m (três metros e cinqüenta centímetros);

 nos veículos simples de transporte de passageiros:


- com motor traseiro: até 62% da distância entre eixos;
- com motor central: até 66% da distância entre eixos;
- com motor dianteiro: até 71% da distância entre eixos.

a. A distância entre eixos, prevista no parágrafo anterior, será medida de


centro a centro das rodas dos eixos dos extremos do veículo.

b. Não é permitido o registro nem o licenciamento de veículos cujas dimensões


excedam às fixadas nesta resolução.

c. Os veículos em circulação com dimensões excedentes aos limites


fixados, registrados e licenciados até 13 de novembro de 1996, poderão
circular até seu sucateamento, mediante autorização específica e segundo os
critérios abaixo:

 para veículos que tenham como dimensões máximas até 20 metros de


comprimento; até 2,86 metros de largura, e até 4,40 metros de altura,
será concedida Autorização Específica Definitiva, fornecida pela
autoridade com circunscrição sobre a via, devidamente visada pelo
proprietário do veículo ou seu representante credenciado, podendo

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 22


circular durante as vinte e quatro horas do dia, com validade até o seu
sucateamento, e que conterá os seguintes dados:
- nome e endereço do proprietário do veículo;
- cópia do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo-CRLV;
- desenho do veículo, suas dimensões e excessos.

 para os veículos, cujas dimensões excedam os limites previstos no inciso


I, será concedida Autorização Específica Anual, fornecida pela autoridade
com circunscrição sobre a via e considerando os limites dessa via, com
validade de um ano, renovada até o sucateamento do conjunto veicular,
obedecendo os seguintes parâmetros:

- volume de tráfego;
- traçado da via;
- projeto do conjunto veicular, indicando dimensão de largura,
comprimento e altura, número de eixos, distância entre eles e pesos.

d. Transporte de carga indivisível: De acordo com o art. 101, do Código de


Trânsito Brasileiro, as disposições dos parágrafos anteriores não se aplicam
aos veículos especialmente projetados para o transporte de carga indivisível.

5.2. VIAS PÚBLICAS

5.2.1. Limites: Os limites máximos de peso bruto total e peso bruto


transmitido por eixo de veículo, nas superfícies das vias públicas, são os
seguintes:

Características Peso
Peso bruto total por unidade ou combinações de veículos 45 ton
Peso bruto por eixo isolados 10 ton
Peso bruto por conjunto de dois eixos em tandem, quando a
distância entre os dois planos verticais, que contenham os
17 ton
centros das rodas, for superior a 1,20m e inferior ou igual a
2,40 m
Peso bruto por conjunto de dois eixos não em tandem,
quando a distância entre os dois planos verticais, que
15 ton
contenham os centros das rodas, for superior a 1,20m e
inferior ou igual a 2,40m
Peso bruto por conjunto de três eixos em tandem, aplicável
somente a semi-reboque, quando a distância entre os três
25,5 ton
planos verticais, que contenham os centros das rodas, for
superior a 1,20 m e inferior ou igual a 2,40 m
Peso bruto por conjunto de dois eixos, sendo um dotado de Inferior ou igual a
quatro pneumáticos e outro de dois pneumáticos interligados 1,20m: 9 ton

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 23


Superior a 1,20m e
por suspensão especial, quando a distância entre os dois
inferior ou igual a
planos verticais que contenham os centros das rodas for:
2,40m: 13,5 ton

5.2.2. Orientações e definições:

Eixos em tandem são dois ou mais eixos que constituem um conjunto integral de
suspensão, podendo qualquer deles ser ou não motriz.

Quando, em um conjunto de dois eixos, a distância entre os dois planos verticais


paralelos, que contenham os centros das rodas, for superior a 2,40m, cada eixo
será considerado como se fosse isolado.

Em qualquer par de eixos ou conjunto de três eixos em tandem, com quatro


pneumáticos em cada, com os respectivos limites legais de 17t e 25,5t, a
diferença de peso bruto total entre os eixos mais próximos não deverá exceder a
1,700kg.

Os limites máximos de peso bruto por eixo e por conjunto de eixos só prevalecem:

 se todos os eixos forem dotados de, no mínimo, quatro pneumáticos cada


um;
 se todos os pneumáticos, de um mesmo conjunto de eixos, forem da mesma
rodagem e calçarem rodas no mesmo diâmetro.

Nos eixos isolados, dotados de dois pneumáticos, o limite máximo de peso bruto
por eixo será de seis toneladas, observada a capacidade e os limites de peso
indicados pelo fabricante dos pneumáticos.

No conjunto de dois eixos, dotados de dois pneumáticos cada, desde que


direcionais, o limite máximo de peso será de doze toneladas.

5.3. DISTRIBUIÇÃO DO PESO NA CARROCERIA

Para iniciar efetivamente o carregamento da carga, o Arrumador de Cargas


solicita aos ajudantes que iniciem o transporte, sempre orientando-os sobre quais
são os produtos a serem levados ao veículo, e observando os cuidados com a
carga. Na carroceria, o peso precisa ser distribuído, respeitando as condições de
dirigibilidade do veículo e a legislação.

5.3.1. Balanceamento:

A distribuição do peso da carga na carroceria interfere diretamente na operação


do veículo. O motorista deve sempre ser consultado sobre sua preferência de
balanceamento com maior peso na traseira ou na dianteira da carroceria, para
evitar descontentamentos após concluída a arrumação. Este balanceamento é o
que dará equilíbrio ao veículo.

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 24


Se a distribuição for inconseqüente e todo o peso permanecer na traseira, ao
passar por uma lombada, frear ou trafegar num aclive, o peso traseiro fará com
que a dianteira seja erguida e fique suspensa, impossibilitando a dirigibilidade do
veículo, além de causar problemas mecânicos.

Ao contrário, se o peso é concentrado na dianteira, há sobrecarga no sistema de


direção e suspensão dianteira, além de exigir muito esforço físico do motorista
porque a direção fica pesada.

O correto, portanto, é distribuir o peso por toda a carroceria.

5.3.2. Legislação: peso e altura da carga:

Distribuir a carga adequadamente na carroceria não é suficiente para que a


arrumação seja considerada boa.

O Arrumador de Cargas deve, nessa distribuição, respeitar o Peso Bruto Total


(PBT), que é o peso do veículo vazio (tara) somado ao peso de carga útil, e
também respeitar a capacidade por eixo em cada veículo a ser carregado,
conforme as especificações do próprio fabricante do veículo e as normas
descritas na legislação do Código Nacional de Trânsito vigente.

A finalidade de limitar peso e altura da carga é:

 conservação das vias e das construções viárias nas cidades;


 conforto para os usuários das vias, evitando irregularidade no pavimento;
 segurança de dirigibilidade;
 preservação do veículo, evitando problemas mecânicos e/ou entortamento do
chassi por sobrecarga;
 segurança nos cumprimentos dos prazos, evitando perdas com a
deterioração de carga perecível.

Alguns tipos de veículos saem da fábrica com capacidade superior à permitida na


legislação. Neste caso, mesmo tendo condições de transportar peso maior, o
veículo deve obedecer ao que diz a lei. E o inverso também pode ocorrer, ou seja,
o veículo não tem condições de transportar o peso permitido pela lei. Neste caso,
segue-se a orientação do fabricante.

5.3.3. Punições pelo excesso de peso:

Ao passar pela balança e ser detectado o excesso de peso no veículo, algumas


sanções são aplicadas, como por exemplo multas ou apreensão dos documentos
do motorista e do veículo, até o transbordo da carga.

Há tolerância de 5% do Peso Bruto do veículo na balança e é importante saber


que o seguro não cobre nenhuma perda por motivo de problemas na balança por
excesso de peso ou altura. Além disso, o Arrumador de Cargas é

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 25


responsabilizado caso haja excesso de peso no eixo, ou seja, carga mal
distribuída. Se o excesso for do Peso Bruto Total, a responsabilidade será
atribuída ao Conferente de Cargas.
O excesso de altura (acima de 4,40 m – incluindo a cumeeira), prejudica a carga e
a cidade por onde o veículo trafega. Esse excesso pode ocasionar:

 danos à carga por choques com pontes, viadutos, passarelas, sinalização


vertical;
 danos às pontes, viadutos, passarelas, sinalização vertical e fios da rede
elétrica e telefônica da cidade;
 impedimento de continuidade da viagem, se o veículo não puder se deslocar,
representando o não cumprimento de prazos e, conseqüentemente,
prejuízos;
 problemas de trânsito quando o tráfego na área fica interrompido;
 problemas com a fiscalização.

Qualquer ocorrência que cause danos à cidade e seja comprovado que o veículo
está fora da lei (peso ou altura), as autoridades da respectiva cidade podem
apreender o veículo até ser indenizada pelo estrago.

No armazém há uma régua para a confirmação da altura. O Arrumador de Cargas


deve lembrar da cumeeira, ao medir a altura.

5.3.4. Balança:

Para o controle desta legislação, existem balanças nas estradas/rodovias onde os


veículos transitam, que devem passar pelas balanças mesmo que estejam sem
carga. Os mais conhecidos tipos de balança são:

 Balança estática ou mecânica – é pesado um eixo ou conjunto de eixos por


vez, com o veículo parado.

 Balança eletrônica ou dinâmica – está acoplada a um computador. Na própria


rodovia, o veículo em movimento é pesado, e se constatado excesso de
peso, ele é direcionado para uma segunda pesagem, através de um
semáforo, para confirmação do peso.

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 26


6 – EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA

O Equipamento de Proteção Individual (EPI) é um instrumento de uso pessoal


com a finalidade de neutralizar a ação de certos acidentes (evitando mutilações,
por exemplo), bem como proteger o trabalhador de eventuais danos à saúde,
advindos das condições de trabalho.

O EPI é usado quando há risco, constituindo-se em equipamento obrigatório para


a realização daquela tarefa.

Antes da movimentação da carga, o profissional dos transportes deve certificar-se


das características gerais das cargas, a fim de verificar se há ou não necessidade
de EPI e, sendo necessário, providenciar equipamento de proteção adequado
para todas as pessoas envolvidas com aquela carga.

Os EPI’s mais utilizados nas transportadoras são:

Exemplo Equipamento Proteção Finalidade


para
Atividades que
Capacete de apresentam
Cabeça
segurança riscos de quedas
de materiais

Manuseio de
peças com
Avental de raspa Tronco
rebarbas ou
cortantes

Manipulação de
Luva de raspa materiais
couro Mãos e abrasivos e
Luva de raspa punhos cortantes e
lona peças com
rebarba

Sapatão de Manipulação de
segurança com Pés materiais
biqueira de aço pesados

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 27


Antes de calçar os sapatos ou as luvas, deve-se verificar se não há nenhum
objeto e/ou inseto no interior dos mesmos. Procure manter os EPI’s sempre
limpos e guardados em local seguro.

Assim como as empresas devem fornecer os EPI’s os empregados se obrigam a


utilizá-los sempre que for necessário.

Se o trabalhador se recusar a utilizar EPI’s, a empresa pode aplicar sanções


disciplinares e até demitir o empregado por justa causa.

Você deve, entretanto, reconhecer a importância do EPI para a sua proteção


contra eventuais problemas de saúde surgidos em decorrência de acidentes e/ou
condições desfavoráveis e não como mais uma obrigação.

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade 28


Blumenau SC - 47 327 2368
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO..........................................................................................................1

1 – QUALIDADE EM SERVIÇOS.............................................................................2

2 – O VEÍCULO.........................................................................................................5

3 – CRITÉRIOS DE ARMAZENAMENTO................................................................9

4 – PRODUTOS E CARGAS PERIGOSAS............................................................16

5 – LEI DA BALANÇA.............................................................................................22

6 – EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA...............................................................27

Fundamentos e orientações para o trabalho da qualidade